RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DAS TECNOLOGIAS GERADAS PELA EMBRAPA BRS MILHO GORUTUBA Aracaju, SE, fevereiro de 2012 1 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DAS TECNOLOGIAS GERADAS PELA EMBRAPA Nome da tecnologia: BRS MILHO GORUTUBA Ano de avaliação da tecnologia: 2011 Unidade: Embrapa Tabuleiros Costeiros Membros Responsáveis: Maria Geovania L. Manos Deise Maria de Oliveira Galvão Hélio Wilson Lemos de Carvalho Aracaju, SE, fevereiro de 2012 2 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DAS TECNOLOGIAS GERADAS PELA EMBRAPA 1.- IDENTIFICAÇÃO DA TECNOLOGIA 1.1. - Nome/Título Milho BRS Gorutuba 1.2. - Objetivo Estratégico PDE/PDU Quadro 1 – Alinhamento da tecnologia com objetivos estratégicos do PDE/PDU Objetivo Estratégico PDE/PDU Competitividade e Sustentabilidade da Agricultura Brasileira e do X Agronegócio X Inclusão da Agricultura Familiar X Segurança Alimentar – Nutrição e Saúde Sustentabilidade dos Biomas Avanço do Conhecimento Não se aplica 1.3. - Descrição Sucinta A variedade de milho BRS Gorutuba foi desenvolvida por meio da parceria entre a Embrapa Tabuleiros Costeiros e a Embrapa Milho e Sorgo, e possui características importantes para regiões onde o período chuvoso é bem distribuído, porém muito curto, pois se trata de variedade superprecoce cuja maturação fisiológica ocorre de 15 a 20 dias antes das variedades precoces (CARVALHO, 2010b). Quadro 2 – Resumo das características das variedades BRS Caatingueiro e BRS Gorutuba Características Médias da BRS Caatingueiro Médias da BRS Gorutuba Tipo Variedade de polinização aberta Variedade de polinização aberta 50% do florescimento masculino 41 a 55 dias 41 a 55 dias (do plantio ao pendoamento) 50% do florescimento feminino 43 a 57 dias 43 a 57 dias Ciclo Superprecoce Superprecoce Graus dias 702 765 Altura média da planta 1,70 a 1,90 metro (baixa) 1,80 a 2,00 metro (baixa) Altura média da espiga 0,70 a 0,90 metro 0,80 a 1,00 metro Tolerância ao acamamento Boa Boa Tolerância ao quebramento Boa Boa Tipo/textura de grãos Semi-duros Duros Coloração dos grãos Amarela-alaranjada Amarela-alaranjada Grau de empalhamento Alto Número de fileiras nas espigas 12 a 14 14 Comprimento da espiga 14 a 17 cm (intervalo) 10cm (médio) Peso médio de 1000 grãos 252g (1) Reação a doenças - Ferrugem polysora Moderadamente suscetível - Mancha de Diplodia Moderadamente suscetível - Mancha de Bipolaris Moderadamente resistente Região de adaptação Nordeste e semiárido brasileiro e em Nordeste e semiárido brasileiro e em outras regiões (a exemplo do agreste outras regiões (a exemplo do agreste nordestino) no escalonamento de nordestino) no escalonamento de plantio em semeaduras tardias (para plantio em semeaduras tardias (para atender as exigências do zoneamento atender as exigências do zoneamento agrícola de risco climático) em regiões agrícola de risco climático) em regiões do agreste e tabuleiros Costeiros, onde do agreste e tabuleiros Costeiros, onde ocorrem precipitações normais. ocorrem precipitações normais. Potencial genético de produtividade Até 5 ton/ha em condições especiais e Até 5 ton/ha em condições especiais e sistema de produção bem manejado sistema de produção bem manejado Produtividade medida 2 a 3 ton/ha no semiárido 2 a 3 ton/ha no semiárido Fontes: Carvalho (2010a); Carvalho et al. (2010b); Oliveira et al. (2010); Embrapa e EBDA (2006) Obs.: Os valores médios podem variar dependendo das condições ambientais (1) – A reação às doenças pode se alterar em função das mudanças genéticas dos patógenos (raças) e das suas interações com as condições ambientais e de manejo da cultura. 3 Ensaios regionais de cultivares de milho na região Nordeste nas safras de 2005 e 2007 apontam para uma possível superioridade em relação ao milho BRS Caatingueiro quanto à produtividade, especialmente naqueles ensaios localizados em municípios onde as condições ambientais foram menos favoráveis ao cultivo de cultivares de ciclo mais longo, seja precoce ou tardio (CARVALHO et al., 2010a), o que corresponde a 50% dos locais estudados no período de 2005 a 2006. As duas variedades são muito semelhantes em precocidade e produtividade, sendo que a Gorutuba destaca-se na aparência da arquitetura da planta e na cor mais alaranjada do grão. A vantagem apontada em desenvolver e disponibilizar outra variedade para a mesma região está, segundo os pesquisadores, em proporcionar diversificação de variedades plantadas e, consequentemente elevar a segurança em relação a ataques de pragas e doenças do milho na região, reduzindo assim a vulnerabilidade da cultura. A BRS Gorutuba é, assim como a Caatingueiro, indicada para região do semiárido brasileiro, cujo período chuvoso não é longo o bastante para que as cultivares de ciclo normal ou precoce completem seu ciclo reprodutivo sem redução da produtividade. Região em grande parte caracterizada pela agricultura de baixo investimento, dados os riscos climáticos aos quais a produção no campo é anualmente submetida, sua produção de milho, assim como para outros grãos, não é representativa para a produção nacional (de 4 a 5%). Porém, considerando a região Nordeste, o semiárido foi responsável por 48% a 63% da produção anual de milho (em toneladas de grãos) no período de 2005 a 2010, conforme demonstra a tabela 1. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia, além do semiárido, a variedade também pode ser indicada para outras regiões (a exemplo do agreste nordestino) no escalonamento de plantio em semeaduras tardias, pois facilita o atendimento de exigências do zoneamento agrícola de risco climático aproveitando janelas climáticas (idem, 2010a). Por enquanto, a BRS Gorutuba, registrada pela Embrapa (e não de domínio público) foi licenciada para produção e comercialização para dez empresas do ramo de sementes, entretanto somente a empresa Plantmax Sementes produziu e comercializou a tecnologia em 2010/2011. O produto foi comercializado para o governo do Estado do Ceará (inserida no programa de distribuição de sementes em 2011) e para algumas lojas de produtos agropecuários neste Estado e também no Rio Grande do Norte. Por tratar-se de uma variedade, o milho Gorutuba pode ser produzido e suas sementes guardadas, aos moldes tradicionais dos agricultores, de um ano para outro. Porém sua efetiva produtividade só pode ser garantida, segundo os pesquisadores, se forem utilizados critérios como plantio com isolamento de outras variedades para evitar contaminações e manter as características genéticas da variedade; separação na colheita, seleção e armazenamento; e tratar como sementes, selecionando as espigas, deixar secar (aproximadamente 12-14% de umidade), conforme descrito no sistema de produção do milho, disponível (CNPTIA, 2011). Ou seja, até o ponto de quando o agricultor morder a semente perceber um “estalo” indicando que já está seca o suficiente; guardar em garrafas tipo PET ou em silos de alumínio; proteger da ação de roedores; tratar contra carunchos e traças, conforme informações do pesquisador responsável pelo desenvolvimento da tecnologia. Desta forma, é possível manter a efetiva produtividade até o terceiro ciclo da cultura (3 plantios). Após os ciclos referidos, recomenda-se a aquisição de sementes “originais”, também chamadas sementes básicas, pois a semeadura de um quarto ciclo de produção pode acarretar queda na produtividade, visto que as médias potenciais dos ensaios incluem sistemas de produção indicados para a variedade e nem sempre praticados pelos agricultores. Por outro lado, por ser uma variedade, a Gorutuba não anula as possibilidades de adição de novas tecnologias pelos agricultores e permite a valorização de suas formas tradicionais de cultivo em seus sistemas convencionais de armazenamento e produção. Considerando tais características, a adequação à agricultura de baixo investimento e às condições climáticas da região para qual é indicada, a cultivar é considerada uma opção adequada para programas sociais de distribuição de sementes para a agricultura familiar, a exemplo de outras variedades indicadas pela Embrapa. 4 1.4. - Ano de Lançamento: 2009 1.5. - Ano de Início de adoção: 2011 1.6. - Abrangência Nordeste e semiárido brasileiro e em outras regiões (a exemplo do agreste nordestino) no escalonamento de plantio em semeaduras tardias (para atender as exigências do zoneamento agrícola de risco climático) em regiões do agreste e Tabuleiros Costeiros, onde ocorrem precipitações regulares. 1.6.1 Estados onde a adoção foi verificada Quadro 3 – BRS Gorutuba: Estados onde a adoção foi verificada Nordeste Sudeste AL MG BA X CE MA PB PE PI (1) RN SE Nota: A Empresa que comercializa a semente informou que foram realizadas vendas para o RN, nos municípios de Natal, Mossoró e Baraúna. 1.7. - Beneficiários Empresas produtoras de sementes (licenciadas), agricultores, órgãos governamentais de desenvolvimento agrário, órgãos governamentais de segurança alimentar e nutricional, órgãos de assistência técnica e extensão rural, órgãos não-governamentais relacionados à agricultura familiar, empresas de transporte, unidades de beneficiamento de milho, pecuaristas, lojas de sementes e ração, empresa pública (Embrapa) por meio de obtenção de royalties. 2. - IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS NA CADEIA PRODUTIVA A agricultura familiar representa uma área de 754.600 quilômetros quadrados e ocupa quase metade das terras do Nordeste, sendo que maioria significativa desses pequenos agricultores explora a terra intensivamente, usando a força de trabalho humana ou animal e implementos agrícolas de baixa eficiência. Além disso, dispõem de poucos recursos financeiros, ainda encontram dificuldades para ter acesso a crédito (ou para cumprir seus compromissos creditícios), a soluções tecnológicas viáveis e a orientação técnica adequada à sua realidade. Introduzido nesse sistema de produção, o milho de ciclo superprecoce torna-se muito importante para assegurar uma boa produtividade em um curto período chuvoso, reduzindo os riscos de frustrações de safras, frequentes no semiárido. Se a distribuição das chuvas for regular, a safra já estará garantida com 65 a 70 dias de plantio (OLIVEIRA et al., 2010). Apesar de o semiárido não ser uma região importante na produção de milho e outros grãos quando comparada à produção nacional, sua participação no Nordeste é relevante, sendo que no período de 2005 a 2010 cerca de 45% a 60% da produção anual da região proveio do semiárido nordestino. 5 Tabela 1 - Milho: produção anual (2005/10) – Brasil e semiárido (1ª e 2ª safras) Região 2005 Brasil Semiárido brasileiro (semiárido do Nordeste e de Minas Gerais) Nordeste Semiárido nordestino Participação % do SA no Brasil Participação % do SA nordestino no Nordeste 2006 2007 2008 2009 2010 35.113.312 42.661.677 52.112.217 58.933.347 50.719.822 55.681.689 1.531.162 2.006.500 2.094.545 2.553.126 2.539.340 2.268.170 2.933.266 1.417.718 3.167.819 1.979.953 3.128.073 1.983.402 4.426.576 2.435.320 4.799.396 2.448.317 4.444.580 2.206.971 4,36% 4,70% 4,02% 4,33% 5,01% 4,07% 48,33% 62,50% 63,41% 55,02% 51,01% 49,66% Fonte: IBGE (PAM) Elaboração própria As áreas plantadas com a cultura também seguem com a mesma importância de participação em relação à área do Nordeste, conforme demonstra a tabela a seguir. Tabela 2 - Milho: área plantada (ha) - semiárido e Nordeste do Brasil (1ª e 2ª safras) Região 2005 2006 2007 2008 2009 35.113.312 42.661.677 52.112.217 58.933.347 50.719.822 Brasil 2.064.409 2.202.859 2.267.435 2.283.308 2.379.659 Semiárido brasileiro 3.167.819 3.128.073 4.426.576 4.799.396 2.933.266 Nordeste 1.995.178 2.127.957 2.187.892 2.211.479 2.306.678 Semiárido nordestino Participação % do SA 5,88% 5,16% 4,35% 3,87% 4,69% no Brasil Participação % do SA nordestino no 68,02% 67,17% 69,94% 49,96% 48,06% Nordeste 2010 55.681.689 1.957.769 4.444.580 1.885.018 3,52% 42,41% Fonte: IBGE (PAM) Elaboração própria É possível observar que em 2006 e 2007, anos de mais elevada participação do semiárido nordestino na produção da região, não houve crescimento significativo da participação na área plantada. Porém, a participação do semiárido nordestino na área plantada mantém-se superior à participação na produção. Nos anos seguintes, inverte-se a relação entre participação de área plantada e participação na produção da região. A participação da área plantada passa a ser inferior, indicando um possível ganho de produtividade do semiárido nordestino em relação à produtividade da região como um todo, conforme gráfico a seguir. Gráfico 1 – Semiárido nordestino: participação na produção e na área plantada no Nordeste Sem i-árido nordestino: participação na produção e na área plantada do NE 80,00% 70,00% Participação 60,00% 50,00% Produção (ton) 40,00% 30,00% Área plantada (ha) 20,00% 10,00% 0,00% 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Anos Elaboração própria 6 Todavia, o crescimento anual da produtividade nos semiárido brasileiro e nordestino, é significativamente limitado do ponto de vista da estrutura produtiva e das condições climáticas da região, e está muito aquém das taxas de crescimento experimentadas pela produtividade de todas as demais regiões do país, inclusive no Nordeste. A Tabela 3 demonstra estas relações. Tabela 3 – Produtividade do milho: taxas de crescimento para o Brasil, regiões e recortes do semiárido Taxa média de Taxa de Região Produtividade (ton/ha) elevação da crescimento 2005 2006 2007 2008 2009 2010 produtividade anual Brasil 3,04 3,38 3,79 4,08 3,71 4,38 8,00% 6,54% Norte 1,96 2,02 2,01 2,33 2,46 2,57 5,68% 3,80% Nordeste 1,12 1,16 1,13 1,58 1,66 1,81 10,97% 1,77% Sudeste 4,22 4,14 4,58 4,89 4,94 5,17 4,23% 9,85% 4,09 5,00 4,97 3,97 5,73 13,05% 7,35% Sul 3,42 Centro-Oeste 3,62 4,11 4,00 4,50 4,53 4,47 4,55% 8,69% Semiárido brasileiro 0,74 0,91 0,92 1,12 1,07 1,16 9,85% 1,26% Semiárido nordestino 0,71 0,93 0,91 1,10 1,06 1,17 11,31% 1,20% Fonte: IBGE (PAM) Elaboração própria Nesse contexto, a BRS Gorutuba diversifica as alternativas que possibilitam a produção de milho em locais antes não contemplados por zoneamento agrícola de risco climático e especialmente onde antes não se cultivava o milho (ou se cultiva como uma atividade puramente secundária e desordenada), devido aos elevados riscos edafoclimáticos. Indiretamente, a variedade promove alternativas para alimentação humana e animal nos sistemas de produção, podendo se refletir em mais elevadas taxas de produção e produtividade à medida que for adotada por um número maior de agricultores destas regiões. Conforme destacado anteriormente, a BRS Gorutuba é uma cultivar licenciada para produção de sementes. Entre as empresas licenciadas a Plantmax/Agrícola Serrana encontra-se produzindo e comercializando a tecnologia. No mês de fevereiro deste ano, tivemos também a informação de que outra empresa, do Estado de Pernambuco, está em contato com a Embrapa com intenção de também 1 obter o licenciamento, para produção e comercialização de sementes do BRS Gorutuba . Por meio de entrevista, realizada dia 16 de novembro de 2011, com o empresário responsável pela administração geral da Plantmax/Agrícola Serrana verificou-se que seus principais clientes atualmente são o governo do Estado do Ceará e lojas que comercializam produtos agropecuários naquele Estado como também, nos municípios de Baraúna, Mossoró e Natal, no Rio Grande do Norte. O milho Gorutuba compõe o portfólio de representação e vendas da PlantMax e está inserido, portanto, nas ações de divulgação e marketing daquela Empresa. Em conseqüência dessa inserção por meio das revendas, é positiva a projeção da variedade Gorutuba. Acredita-se que a cultivar estará disponibilizada, para safra de 2012, nas lojas de Sergipe; no Oeste da Bahia e no Sul do Piauí e do Maranhão, para utilização em rotação com a cultura da soja; ampliar-se-á no Rio Grande do Norte devido à tendência de diversificação da produção em áreas produtoras de melão; atenderá uma demanda já identificada em Pernambuco; e, no mínimo, manterá o nível de demanda no Ceará. Nestas áreas específicas onde o empresário prevê a elevação da demanda por variedade, a característica que pode determinar esta escolha em detrimento do híbrido é a busca pela redução de custos com o investimento, em regiões onde o risco climático é elevado, porém o milho apresenta-se como a segunda opção de negócio dos produtores. Outro importante elemento desta cadeia é a distribuição de sementes realizada no âmbito dos programas estaduais. No caso do milho Gorutuba, em 2011 sua inserção restringiu-se apenas ao Programa de distribuição de sementes do governo do Ceará. Em consulta direta ao gestor da PlantMax, ficou clara a intenção de negociar com outros Estados do Nordeste. Porém, deduze-se que precisa haver 1 Foi realizado contato inicial com SNT Petrolina ([email protected]) para confirmar a informação. Por telefone, houve indicativo de que a informação é correta. Não houve resposta por e-mail. 7 uma sensibilização destes agentes públicos em relação aos benefícios do produto, visto que as informações indicam que grande parte das sementes adquiridas para este público é do tipo híbrido, nem sempre adaptados às exigências do zoneamento agrícola. Isto reforça o entendimento dos observadores do setor (principalmente pesquisadores, técnicos de ATER e agentes de transferência de tecnologia) que tendem para o consenso de que as variedades serão cada vez mais substituídas pelos híbridos, mesmo em lavouras localizadas em regiões de elevadíssimo risco climático e de área inferior a 3 hectares. Um indicativo concreto dessa alteração é a quantidade produzida de sementes de milho híbrido versus a produção de sementes de variedade. Segundo falas de empresário do setor e de pesquisador da tecnologia de milho, no programa de distribuição de sementes do Estado do Ceará, por exemplo, ocorreu a inversão das quantidades distribuídas. Tabela 4 – Distribuição de variedades versus híbridos no Estado do Ceará (período como citado) Quantidade distribuída Quantidade distribuída Ano Percentual de híbrido (Híbrido) - toneladas (variedade) - toneladas 1998 100 1.400 7,14% 1999 200 1.600 12,5% 2004 1.000 500 200% 2011 2.600 500 520% Fonte: entrevistas dirigidas a gestores e pesquisadores Elaboração: própria Os especialistas atribuem essa dinâmica de substituição, em grande parte, ao comportamento produtivista do pequeno agricultor, que deixa de levar em conta o fator risco (climático) nas suas análises benefício/custo do uso de híbridos × cultivares × variedades crioulas. Há a percepção de que praticamente todos os agricultores que tenham as mínimas condições financeiras preferem investir mais, correrem maiores riscos de perda e, por outro lado, ter possibilidade de lucros maiores caso as ocorrências de chuvas sejam minimamente favoráveis. Comportamento esse, que tem levado a grandes prejuízos nas lavouras, especialmente nos últimos dois anos, quando a produção foi visivelmente afetada pelos fatores climáticos. Todavia, além da informação de que os programas de governo adquirem híbridos e variedades para a distribuição aos pequenos agricultores do semiárido, outros aspectos que podem estar comprometendo a utilização dessas variedades melhoradas e mesmo as crioulas, especialmente pelos pequenos agricultores familiares, foram percebidos durante a pesquisa de campo. Além da variedade Gorutuba ainda ser muito pouco conhecida, existe uma considerável falta de informação de agricultores e vendedores (nas lojas/revendas) quanto às características e especificidades produtivas entre híbridos e variedades de milho. Entre a maioria dos entrevistados que, segundo dados da Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Ceará), haviam recebido sementes do milho Gorutuba, observou-se que suas práticas não levam em conta fatores mínimos de organização da produção (seja baseado em conhecimento tradicional local e/ou técnico) – uma característica da produção de milho na região semiárida, segundo os técnicos da Empresa de extensão rural. Tais práticas não consideram, por exemplo, a necessidade de isolamento entre áreas plantadas com híbridos e variedades; cuidados na secagem, seleção e armazenamento das espigas/grãos, caso se queira selecionar grãos para utilização como sementes na próxima safra. Muitos dos agricultores demonstram uma valorização da variedade batizada de milho São Paulo, reconhecida pela maioria como sendo uma variedade crioula da região. Porém, já existe muita variação na aparência de espigas apresentadas pelos diversos agricultores como sendo a São Paulo. Consequência disto é uma reclamação quase geral quanto à qualidade da “semente da 2 Ematerce/CE” que, mesmo sendo distribuída com identificação nominal e diferença de preços, não tem 3 suas características e necessidades específicas de cultivo reconhecidas pela maioria dos agricultores . 2 Fizeram, em 2011, parte do programa de distribuição do Governo do Estado do Ceará sementes de híbrido e da variedade Gorutuba. Porém, o produto não é gratuito. Os agricultores ressarcem, após a colheita, 50% do preço do saco (10 kg) de sementes que custa no total, no caso do híbrido, R$ 32,00 e, no caso da variedade BRS Goturuba, R$ 18,00. O controle é feito nos escritórios locais e aqueles agricultores que ficarem inadimplentes deixam de ter acesso a outros benefícios dos programas 8 Inserem-se ainda nesta dinâmica as sementes de origem duvidosa, compradas em feiras e lojas sob diferentes denominações (com filiação tecnológica comprometida), e sem garantias mínimas de qualidade. O grão resultante também é inserido entre as sementes da próxima safra, causando, muitas vezes, a perda total da identidade genética das tecnologias e também das variedades crioulas. Muitas vezes isto compromete o investimento em mão-de-obra e aquisição de outros insumos, realizado pelo agricultor familiar beneficiário dos programas de distribuição de sementes. Aparentemente existem, portanto, dois cenários de substituição de variedades de milho. Um ocorre conscientemente, conduzido pela busca de lucratividade em detrimento dos riscos climáticos; outro inconsciente, influenciado pela falta de informação e de estrutura produtiva. Ambos, em aspectos específicos, ou de forma sinérgica, podem estar influenciando negativamente a cadeia produtiva de variedades e do milho como um todo, na região do semiárido brasileiro. Interessa notar que mesmo nesse contexto de substituição e tendência de ações das multinacionais de sementes híbridas estenderem-se também para os agricultores de menor porte, a exemplo do que ocorre em Sergipe e em outros Estados; Do ponto de vista do empresário do setor de sementes, espera-se que se mantenha o nicho de mercado das variedades, voltado para aquele agricultor familiar muito pequeno, beneficiário de programas de governo e aqueles que adquirem pequenas quantidades de sementes em revendas locais e que devem ter diversas opções de escolha no mercado de sementes. Reconhece-se que o plantio de variedades é realizado por agricultores que tem o cultivo do milho voltado para o consumo da família ou para alimentação animal e eventualmente venda de excedente de produção. Assim, o nicho de mercado não é para uma agricultura de exploração econômica e é justamente essa característica que é apontada como fator de continuidade dessa demanda para empresas produtoras de sementes. Segundo a fala do empresário do setor, em comparação com os ganhos com a produção de híbridos, produzir sementes de variedades aparenta não ser um negócio de retornos seguros, porém a diversificação e o volume de vendas mantêm a produção de sementes de variedades rentável. Isto ocorre mesmo que a tecnologia seja de domínio público (quando diversas empresas podem produzi-la e concorrer por preços, por exemplo) e, especialmente, no caso daquelas tecnologias licenciadas (que exigem autorização específica para serem produzidas), como é o caso do Gorutuba. O empresário do ramo de sementes entende que no caso de variedades de domínio público, como é a BRS Caatingueiro, é possível que os problemas de qualidade e filiação tecnológica da semente ocorram desde sua produção até a distribuição para as revendas locais. Como são muitos os produtores de sementes que não sofrem ação de fiscalização da produção, há uma concorrência por mercado via competição de preços. As margens de lucro muito baixas acabariam por refletir na qualidade do produto ofertado ao agricultor. Já as empresas do ramo de sementes passam por um processo de acompanhamento realizado pela empresa geradora da tecnologia quanto à qualidade das sementes licenciadas para o setor público e privado. Isto leva a procedimentos na produção que devem garantir maior qualidade. Os custos 4 também tendem a ser mais elevados, mas há compensação pelos preços de venda . Como nem sempre os Estados possuem órgão de fiscalização de revendas, ou possuem, mas estes não funcionam corretamente, o comportamento dos ofertantes de sementes (licenciadas ou não) 5 continua sem regulamentação. Esta deficiência fica clara ao visitar-se revendas que comercializam a variedade Gorutuba sem identificação correta das sementes quanto ao seu tipo (híbridos ou variedades). Na pesquisa de campo foi possível verificar descrições nos sistemas de vendas e emissão de Nota Fiscal como “híbrido Gorutuba”, “híbrido BRS 10-51”, quando se sabe que se trata de uma variedade e de um híbrido de empresa privada, respectivamente. estaduais voltados para a agricultura de baixa renda, bem como não recebem o “documento das sementes”, considerado importante para comprovação de tempo de dedicação à agricultura para fins de aposentadoria como trabalhador rural. 3 Não há a disseminação de informações básicas quanto às exigências de cultivo das variedades ou de híbridos distribuídos para que expressem seu potencial produtivo. 4 Todavia, lembra o empresário, os preços de venda de híbridos são, em média, duas vezes maiores que os preços das variedades. 5 No Estado do Ceará a competência de fiscalização das revendas é da ADAGRI (Agência de Defesa Agropecuária). 9 Quanto à perspectiva de análise dos agentes de ATER, parece faltar a percepção quanto ao impacto das dinâmicas no mercado de sementes sobre os sistemas de produção local, do pequeno agricultor, que cada vez mais é submetido a uma oferta diversa de sementes (variedades e híbridos), muitas vezes de qualidade e adequabilidade duvidosas e que podem contribuir para elevar os riscos de suas formas de reprodução de renda e sobrevivência. Desta forma, considerando que o público da BRS Gorutuba é bem delineado em função das características da tecnologia (agricultores que não desejam investir ou não dispõem de recursos para investimentos em lavouras de alta produtividade, na região do semiárido), a rede de vendas (privada) e distribuição (pública) das sementes tipo variedade deve levar em conta a dinâmica produtiva das comunidades e agregar informações sobre a tecnologia, possibilidades de sistemas de cultivo, cuidados na seleção de grãos-sementes, maneiras de garantir a reprodutibilidade da tecnologia por vários ciclos, reduzindo a necessidade de novas aquisições e gastos com sementes. Há ainda o mercado de sementes híbridas de alta produtividade potencial que começa a inserirse significativamente na pequena produção familiar em algumas localidades do semiárido nordestino e pode trazer alguns impactos econômicos negativos por elevar os riscos da lavoura, seja porque alguns agricultores utilizam tecnologias que sequer foram indicadas para aquelas localidades ou porque adquirem sementes cuja relação benefício × custo × risco é duvidosa. Observa-se, portanto, que há o risco do conhecimento, dedicação e gastos na geração das variedades de milho desenvolvidas pelo setor público perder-se entre as diversas cultivares de milho que, por diversos motivos, são utilizadas indiscriminadamente pelos agricultores. As perdas sociais, neste caso, passariam pelos custos e esforços públicos de desenvolvimento da tecnologia até os dispêndios dos agricultores com lavouras que não expressam seu potencial produtivo. Cenário que seria conseqüência, em grande parte, da falta de informações suficientes para os agricultores beneficiarem-se das características produtivas da tecnologia das variedades; ou simplesmente porque adquirem variedades de baixíssima qualidade; ou ainda porque os programas de governo nem sempre levam em conta as características da região quando da aquisição de sementes. Desta forma são alimentados os ciclos viciosos de baixa produção, insegurança alimentar humana e animal e/ou de dependência da “semente do governo” e, mais recentemente, da aquisição de híbridos, na região do semiárido nordestino. Portanto, a disponibilização da tecnologia de variedades de milho perpassa questões de ordem estratégica e metodológica e não devem ser ignoradas no processo de apoio à estruturação mínima da cadeia produtiva do milho na agricultura familiar de baixo investimento (seja de auto-consumo ou comercial). Seja no caso de utilização de variedades ou de híbridos comprados pelos agricultores ou distribuídos pelo governo, parece haver uma tendência de consolidação da baixa autonomia produtiva, elevação da propensão ao risco com as culturas e baixo envolvimento nesta dinâmica por parte dos agentes públicos de desenvolvimento dessa cadeia no que se refere ao esclarecimento dos agricultores acerca destas questões. 2.1 - Utilização da produção Todos os agricultores entrevistados, adotantes do Gorutuba, utilizam a produção de milho estritamente para consumo humano e animal (in natura ou na forma de ração) e têm interesse em variedades cuja planta tenha porte elevado. Consequentemente, não apresentam nenhuma integração com a cadeia processadora de milho da região. A percepção, com as entrevistas, é que aqueles agricultores que vendem para processadoras de alimentos não estão interessados em variedades, mas sim em híbridos, dada a sua alta produtividade de grãos, em detrimento dos riscos climáticos da região. Também se levantou a possibilidade de as características físicas do Gorutuba não serem adequadas à demanda das processadoras. A aparência mais avermelhada do grão não seria de interesse dessa indústria. Por outro lado, as granjas poderiam ser um nicho interessado no produto, embora haja a opinião de alguns agricultores de que a textura do grão é dura para a alimentação do gado, sendo preferível a 10 variedade local, sob esse aspecto. Todavia, assim como os atravessadores que compram os grãos para revenda, acredita-se que as granjas também não pagariam um preço diferenciado pelo produto. Interessa notar que em períodos de maior produção eleva-se a demanda pelo processamento mínimo local do milho. As debulhadeiras de membros da comunidade ficam sobrecarregadas e tornamse fonte importante de renda para estas poucas famílias. É possível observar que se reafirma a tendência regional de baixa organização socioetécnica desses agricultores em torno de atividades produtivas realizadas em associação com outros membros da comunidade. Mudar este cenário é reconhecido por alguns agricultores de referência e pelos técnicos da região como um fator importante para garantir melhores condições de comercialização e incentivo à organização da produção. O uso de variedades mais produtivas pode ser um estímulo à organização da produção, mas é necessária muita articulação dos agentes de desenvolvimento para promover esta mudança produtiva, da organização para comercialização e entrada destes agricultores muito pequenos nas redes de venda para unidades processadoras de sementes. O mercado institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) também não faz parte daquela realidade quando se refere à produção de milho e parece ser muito pouco presente quando se trata de outros produtos. Tais aspectos reforçam a baixa dinâmica de renda, de oportunidades e de investimento na agricultura familiar da região visitada. 3.- AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS ECONÔMICOS 3.1- Avaliação dos Impactos Econômicos A metodologia proposta para esta avaliação é a do excedente econômico. Caso esta metodologia não seja adequada para avaliar os impactos econômicos da tecnologia, marque a opção "não se aplica" e justifique tal inadequação. Se aplica: sim (x) não ( ) Tipo de Impacto: Incremento de Produtividade Tabela 5 – Gorutuba: estimativa de incremento de produtividade em função da utilização da variedade Ano Unidade Rendimento Rendimento de Anterior Atual Medida ton/ha (A) ton/ha (B) Ha 2008 2009 2010 Hectare 2011 2012 - 1,44 1,44 1,87 1,87 Preço Unitário R$/ton (C) 450,00 450,00 Custo Adicional R$/ton (D) 39,00 9,00 Ganho Unitário R$/ha E=[(B-A)xC]-D 154,50 184,50 * Tabela Aa - Ganhos Líquidos Unitários (2011 e estimativa para 2012) 11 Tabela 5.1 - Gorutuba: estimativa do benefício econômico e participação da Embrapa Ganho Área de Participação Líquido Área de Adoção: Benefício da Embrapa Embrapa Adoção: Ha Ano Unidade de Econômico I=(GxH) % (F) R$/ha (H) Medida-UM G=(ExF) 2008 2009 2010 2011 2012 - 40% 40% Hectare 61,80 73,80 15.111,00 30.222,00 933.859,80 2.230.383,60 *Tabela Ba - Benefícios Econômicos na Região (2011 e estimativa para 2012) 3.2.- Análise dos impactos econômicos Considerando que a produção de sementes da BRS Gorutuba é licenciada e a avaliação de impacto está sendo realizada no primeiro ano de adoção da tecnologia, quando ainda não houve troca de sementes entre agricultores, é possível afirmar a área adotada. A quantidade vendida pela Empresa licenciada em 2011 ficou em torno de 136 toneladas de sementes, o que, na média das práticas de plantio da região avaliada, equivale a 15.111 hectares plantados. Já as produtividades anterior e atual estão baseadas em informações do grupo de técnicos e agricultores locais que participaram do painel e nas entrevistas aplicadas ao grupo de agricultores individualmente entrevistados. No sentido de nortear as informações, também foram utilizados dados de área plantada, produção e produtividade da Pesquisa de Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, para o semiárido nordestino, além de dados de pesquisa de campo que medem a produtividade da variedade em condições climáticas semelhantes à região adotante. Comparando as informações, é possível verificar que os dados utilizados para produtividade não superestimam os oficiais e nem subestimam os dados de testes de campo (que demonstram que a produtividade é, no mínimo, três vezes superior aos dados médios do IBGE/PAM). Observa-se que, segundo o painel de técnicos e agricultores, os ganhos de produtividade em 2011, comparados com a média geral da região para anos anteriores, foram da ordem de 29%. É difícil atribuir essa variação à inserção da variedade no sistema de produção. Essa confirmação só poderá ser realizada no decorrer do monitoramento dos impactos ao longo dos anos. Quadro 4 – Comparativo de produtividades de milho e variedades Fontes Produtividades (intervalos) 1,17 a 0,34 ton/ha no semiárido cearense, entre 2008 e 2010 Produtividades PAM 0,71 a 1,17 ton/ha no semiárido nordestino no mesmo período Produtividades esperadas em ensaios 3,3 a 6,5 ton/ha nos diversos (1) ambientes Produtividades médias dos agricultores da região em 2010, segundo consenso no painel de agricultores e técnicos Produtividades do Gorutuba observadas junto aos 5 agricultores entrevistados 0,28 a 2,28 ton/ha diretamente Produtividade média do Gorutuba na safra 2011, segundo consenso no painel de técnicos e agricultores Produtividades (médias) 1,11 ton/ha 0,98 ton/ha 3,3 a 6,5 ton/ha nos diversos (1) ambientes 1,44 ton/ha 1,10 ton/ha 1,87 ton/ha (2) Elaboração própria (1) – Resumo dos resultados dos ensaios regionais para o Nordeste 2007/2008 (CARVALHO, 2010a) (2) – Dentro de intervalo observado em campo 12 A maior parte da produção dos entrevistados estava voltada para alimentação humana ou animal, sem comercialização de excedentes e houve dificuldade para verificar junto aos agricultores adotantes do Gorutuba os custos de produção e suas possíveis variações em função da aquisição da variedade, bem como sua influência sobre a produtividade e os preços de venda do milho na região. Em painel com técnicos e agricultores de referência, estimou-se que os preços praticados deveriam ser da ordem de R$ 710,00/ton (ou cerca de R$ 42,00 pelo saco de 60 kg). Todavia, por considerar tais preços muito acima das médias regionais e para fins de comparação com as estimativas de 2012, preferiu-se utilizar o preço mínimo observado no Ceasa de Pernambuco (posição de 02/05/2011) praticado para a comercialização do milho vindo dos estados de SE, BA, PE e GO: R$ 450,00/ton Os preços da estimativa de 2012 correspondem à posição de 27/01/2012. Desta forma, havendo os mesmos ganhos de produtividade em 2012 nas novas áreas de adoção (elevação de 1,44 ton/ha para 1,87 ton/ha), já que a comparação deve ser sempre em relação à tecnologia anterior (testemunha) ao Gorutuba, os benefícios econômicos provenientes desta fonte de ganhos são impactados pela área de adoção, mas não pela variação de preços (que foram mantidos constantes). Verificar a variação de custos em função do uso da variedade também é um desafio. Foi consenso entre os técnicos e agricultores consultados em grupo que os ganhos de produtividade elevam a demanda por mão de obra somente na colheita, uma vez que um número maior de espigas vinga na mesma área plantada. O incremento médio de 0,7 ton/ha /hectare resulta na necessidade de mais 0,7 homem/dia/hectare. Isto corresponde a R$ 30,00/hectare, a preços correntes na região. Por esta variedade assegurar uma boa produtividade em um curto período chuvoso, com menos riscos de frustrações de safras frequentes no semiárido, existe uma expectativa de demanda e que a adoção estenda-se para municípios do semiárido dos Estados da Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia e Sergipe e Sul do Maranhão, utilizando-se das ações de vendas da licenciada. Isto estimula a oferta e estima-se que o produtor de sementes duplique sua produção. O montante dos ganhos indica um potencial significativo de retorno econômico, especialmente a partir da ampliação da área de adoção. A exemplo do que ocorreu com a introdução da BRS Caatingueiro, também a Gorutuba favorece a ampliação do Zoneamento Agroclimático à medida que é indicada para outras regiões onde variedades e híbridos não foram mapeados, especialmente na região do semiárido e até sub-regiões específicas, com distribuição irregular de chuvas. E é justamente nesse ecossistema que se encontram os pequenos produtores caracterizados pelo baixo nível de investimento e tecnificação, pela agricultura de subsistência e por elevados níveis de pobreza e que se tornaram o principal alvo de adoção de tecnologias alternativas como a Gorutuba. A expectativa é que a produção e produtividade da agricultura familiar, nestas sub-regiões do semiárido sejam positivamente influenciadas nos Estados atendidos pelo programa de distribuição de sementes com a aquisição da variedade Gorutuba. É necessário monitorar dados de adoção da tecnologia para verificar se ocorrerá dinâmica semelhante à provocada pela variedade Caatingueiro. Segundo os relatórios de impacto anteriores, produtores e os diversos técnicos da extensão rural do governo e da rede de apoio entrevistados, perceberam que o público adotante do milho Caatingueiro passou a substituir a variedade por híbridos, especialmente nas safras de 2010 e 2011, acentuando o fenômeno da substituição desta tecnologia. A análise mais comum é de que com a elevação da produtividade, a partir da utilização do Caatingueiro, os produtores ganharam mais independência financeira para reinvestir na cultura ao longo destes 5 anos. Este investimento deu-se a partir da aquisição de outras tecnologias, produzidas e ofertadas pelo setor privado de desenvolvimento de sementes híbridas de superior capacidade produtiva e com ciclos precoces adequados à região. Como houve uma significativa elevação da oferta de híbridos de alta produtividade e também elevação do preço do milho pago ao produtor, houve uma migração gradativa, por imitação, para a tecnologia de maior custo, mas também de mais elevada produtividade e ganhos para os “negócios familiares” da região (MANOS et al., 2011). Além dos aspectos já colocados na análise da cadeia produtiva, observou-se nas atuais pesquisas de campo que alguns dos mesmos fatores que influenciaram a substituição da Caatingueiro continuam se repetindo para a Gorutuba: 13 1. Apesar de não ter ocorrido em 2011, há entre os agricultores a ideia de que haverá atraso na distribuição das sementes, geralmente realizada pelas empresas estaduais de extensão e/ou pelas secretarias de agricultura. Ambas as sementes são adquiridas pelos governos junto a empresas licenciadas pela Embrapa para produzir a semente; 2. Com o atraso na distribuição, ou a expectativa de que isso ocorra, os agricultores acabam adquirindo sementes em lojas na cidade. Porém, apesar de algumas informarem que o produto vendido é “Caatingueiro da Embrapa”, ou simplesmente “semente da Embrapa”, os agricultores têm observado que as características e a produtividade da semente é muito inferior, aproximando-se das sementes mais tradicionais como a conhecida por “50-50” ou com suas espécies reconhecidas como caboclas. 3. A venda da Gorutuba em lojas é acompanhada de informações desencontradas quanto à origem da tecnologia (da Embrapa) e o tipo do milho (variedade ou híbrido), contribuindo para mistura das sementes nas áreas de plantio; 4. A semente distribuída pela Ematerce é conhecida como “semente da Ematerce”, independentemente de ela ser híbrido ou variedade. Ou seja, a exemplo do que ocorreu com o Caatingueiro, é possível que ao longo dos anos de adoção o agricultor não possa afirmar que a semente utilizada, apesar de mantidas as distribuições de sementes do Gorutuba, seja efetivamente a variedade e, no decorrer dos anos, as variações de produtividade nas regiões adotantes apresentem baixa relação com a utilização desta variedade. 3.3. – Fonte de dados Tabela 6 – Número de consultas realizadas por município Produtor Municípios Estado Familiar Pequeno Médio Mucambo CE 09 0 Total 09 0 Produtor Patronal Grande 0 0 Comercial 0 0 Total 09 09 Considerando que mais de 50% das sementes produzidas pela Empresa licenciada foi direcionada ao programa de distribuição de sementes da Ematerce da região de Mucambo, a estratégia de coleta de dados focou-se naquela região e foi dividida em duas etapas. A primeira para formação de dados em painel contando com a presença de cinco técnicos da Ematerce e quatro agricultores indicados por aqueles técnicos como representativos do padrão local. Em seguida, optou-se por aplicar a metodologia AMBITEC completa a apenas cinco questionários a agricultores específicos, pois de fato existe um padrão muito dominante entre os sistemas de cultivo e de organização de produção na região que se repete sistematicamente. Por outro lado, também existe muita dificuldade entre os agricultores visitados (mas constantes no cadastro de disponibilização de sementes da Ematerce) em reconhecer se haviam utilizado o milho Gorutuba, se tinham cultivado a variedade em áreas específicas ou misturadas com outras sementes e, principalmente, se observaram questões como produtividade e comportamento da variedade no campo. Verificou-se também que o referido padrão do sistema de produção na região é baseado no plantio de milho em pequenas áreas (até 1 ha), sem “aradar” (arar) ou adubar, utilização de densidade de plantio de 10 kg de sementes/hectare (quando o recomendado é de 18 a 25 kg/hectare), baixa aplicação de tratos culturais. Além disso, o armazenamento de grãos é precário e dificulta a seleção para o novo plantio. Não foi possível aplicar entrevista ao único agricultor indicado como produtor em uma área mais significativa de Gorutuba. Em contato inicial por telefone, pareceu que a gestão do negócio é dividida entre pai e filho e ambos não se entendiam em afirmar se tinham plantado a variedade ou um híbrido. Neste sentido, para fins de sistematização de informações, reforça-se a importância dos dados obtidas junto ao gestor da Plantmax e a técnicos da região de Mucambo/CE. A partir dos relatos foi possível identificar parâmetros relevantes para este trabalho, a exemplo da participação da Embrapa e da área de adoção da tecnologia. 14 Quanto à participação da Embrapa na promoção dos ganhos socioeconômicos decorrentes da introdução da variedade no sistema de produção, foi necessário levar em consideração que no caso da Gorutuba existe uma rede ainda mais extensa de atores do que no caso da Caatingueiro, por exemplo. O fato de a tecnologia ser licenciada e o contrato prever que a empresa autorizada a produzir é também responsável pelo investimento em divulgação, além de utilizar seus canais de vendas aos setores públicos e privados para promover o produto, fazem com que a participação da Embrapa seja mais reduzida. Além disso, com esta variedade são poucas as ações das Unidades Milho e Sorgo e Tabuleiros Costeiros dando ênfase ao desenvolvimento em campo. Espera-se que isso, na prática, reflita-se em maior dinamismo para a inserção do produto em seus mercados institucional e privado. Conforme já destacado, para complementar a análise de retornos econômicos foram utilizados dados oficiais do IBGE, da pesquisa PAM (Produção Agrícola Municipal). 4.- AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS SOCIAIS 4.1.- Avaliação dos Impactos A Unidade utilizou a metodologia AMBITEC – Social (x) sim ( ) não. Conforme a metodologia de AI, a comparação é realizada entre a tecnologia milho Gorutuba e a situação anterior à adoção, quando geralmente os agricultores dispõem apenas de variedades crioulas ou de híbridos com tecnologia antiga, disponibilizado em lojas ou em feiras. Vale destacar que os agricultores entrevistados (que realmente reconhecem que utilizam a BRS Gorutuba) são agricultores que produzem somente o necessário para o consumo de suas famílias e não fazem muita distinção de cenário entre utilizar as variedades crioulas, o Caatingueiro (já distribuído em anos anteriores), híbridos mais recentes ou antigos ou mesmo o Goturuba. Tabela 7 – Gorutuba: avaliação de impactos sociais – aspectos relacionados a Emprego Indicadores Capacitação Oportunidade de emprego local qualificado Oferta de emprego e condição do trabalhador Qualidade do emprego Se aplica (Sim/Não) Média Tipo 1 (*) 2011 Sim Sim Sim Sim Sem efeito Sem efeito 0,4 Sem efeito *Tabela – Impactos sociais – aspecto emprego * Tipo 1 – Pequeno produtor (ou familiar). Não foram consultados produtores do Tipo 2 (médio e grande, comercial), devido à característica da tecnologia. O impacto sobre o emprego, associados à tecnologia e percebidos pelos entrevistados, ocorre mais ao nível do entendimento dos técnicos da região. A perspectiva é que com o aumento da produtividade seja exigida mais mão-de-obra por área na atividade de colheita. O que se reflete no aumento dos custos por unidade de área colhida. Quanto às ações de capacitação de técnicos e agricultores não foram percebidas influências relacionadas à tecnologia. Os técnicos da região afirmaram não ter recebido nenhuma capacitação ou mesmo informações específicas sobre a variedade e os técnicos/vendedores das empresas de sementes já possuem um know-how sobre a tecnologia de variedades e não recebem novas formações específicas. As redes de transferência de tecnologia formadas pela Embrapa em torno da variedade Caatingueiro podem ser utilizadas para reforçar os benefícios da Gorutuba, o que elevaria a contribuição da tecnologia para os aspectos relativos à qualificação de técnicos e agricultores. Um ponto destacado em relatórios de impacto do milho Caatingueiro, referia-se ao uso crescente da mecanização nas áreas de plantio, gerando demanda por mão-de-obra qualificada para vendas e manutenção de máquinas e implementos. Todavia, na entrevista com os produtores e nas consultas aos técnicos de ATER não foi possível identificar uma relação direta entre essa tendência observada em algumas regiões, no geral para os produtores de porte médio, e a adoção da variedade em si. 15 Tabela 8 - Gorutuba: avaliação de impactos sociais – aspectos relacionados a Renda Indicadores Geração de Renda do estabelecimento Diversidade de fonte de renda Valor da propriedade Se aplica (Sim/Não) Média Tipo 1 (*) 2011 Sim Sim Sim 3,8 0 0 * Impactos sociais – aspecto renda * Tipo 1 - Produtor familiar (pequeno). Não foram consultados produtores do Tipo 2 (médio e grande, comercial), devido à característica da tecnologia. Não foram observados impactos na diversificação de fontes de renda e no valor da propriedade. Em parte porque os objetivos de cultivo dos adotantes da Gorutuba não diferem de quando utilizam crioulas ou mesmo o híbrido “distribuído” pela Ematerce. Assim, mesmo a geração de renda é de caráter indireto, visto que os ganhos de produtividade refletem em menores custos com aquisição de produtos complementes ou com o trabalho para alimentação animal. Além disso, elevam as condições de manter o rebanho de pequenos animais que é uma importante fonte de renda das famílias. Tabela 9 - Gorutuba: avaliação de impactos sociais – aspectos relacionados a Saúde e Segurança Alimentar Indicadores Saúde ambiental e pessoal Segurança e saúde ocupacional Segurança alimentar Se aplica (Sim/Não) Média Tipo 1 (*) 2011 Sim Sim Sim 0,00 0,00 1,20 * Impactos sociais – aspecto saúde * Tipo 1 - Produtor familiar (pequeno). Não foram consultados devido à característica da tecnologia. O sistema de produção não foi alterado com o uso da variedade. Logo, o único indicador que apresenta impacto é a segurança alimentar. A maior garantia da produção devido à adaptação e superprecocidade da variedade, além de sua evidenciada elevação de produtividade, influenciam positivamente o indicador segurança alimentar ao garantir a inclusão, na dieta familiar, de alimentos cuja base principal está no milho e possivelmente afeta também a garantia de consumo de carne proveniente da produção própria de animais. Tabela 10 - Gorutuba: avaliação de impactos sociais – aspectos relacionados a Gestão e Administração Indicadores Dedicação e perfil do responsável Condição de comercialização Reciclagem de resíduos Relacionamento institucional Se aplica (Sim/Não) Média Tipo 1 (*) 2011 Sim Sim Não Sim 0,00 0,20 0,00 0,00 * Impactos sociais – aspecto gestão e administração * Tipo 1 - Produtor familiar ( pequeno ). Não foram consultados produtores do Tipo 2 (médio e grande, comercial ), devido à característica da tecnologia. Observou-se que ocorre alteração apenas quanto à variável processamento local. Com o aumento da produtividade, os poucos produtores que se dedicam também à atividade de debulhar milho para ensacar e de processamento das espigas para silagem acabam tendo mais demanda. Porém, isso é muito pontual e impacta um número muito pequeno de famílias (uma ou duas em cada comunidade). É de se esperar maior envolvimento do produtor com o cultivo do milho a partir do aumento da produtividade, mas somente quando a cultura torna-se uma fonte de renda mais claramente relevante para os agricultores. Logo, o aspecto dedicação do responsável ainda não sofreu alterações. Quanto ao relacionamento institucional, a ausência de registro de impactos deve-se ao fator de a filiação tecnológica da variedade Gorutuba ser praticamente nula entre grande maioria dos agricultores consultados. O milho é reconhecido como da Ematerce e, portanto, não há distinção entre esta variedade ou outras variedade e híbridos utilizados na região. 4.2.- Análise dos Resultados 16 Quadro 05 - Gorutuba: avaliação de impactos sociais – índice global Impacto social observado: 0,28 O índice positivo de impacto social da tecnologia, num contexto de baixa dinâmica na cadeia produtiva local de milho, demonstra que a tecnologia tem potencial de contribuir significativamente para ações de desenvolvimento da cultura na região. Todavia, a introdução da variedade por si só possivelmente não será capaz de elevar a dinâmica local. Garantir o acesso às sementes em tempo adequado ao plantio; instruir os agricultores acerca das diferenças exigidas no cultivo de variedades e híbridos; disseminar alternativas sustentáveis de armazenamento; e estimular o uso de variedades adequadas às exigências climáticas da região são elementos importantes para estimular o desenvolvimento mínimo da organização produtiva dos pequenos agricultores da região. 4.3.- Impactos sobre o Emprego Em termos qualitativos verificou-se durante as entrevistas com os atores da cadeia que possivelmente há geração de empregos nas etapas de produção de sementes e na colheita de grãos, à medida que a área de adoção se amplia, conforme destacado anteriormente. No caso da produção de sementes estima-se um impacto muito pequeno visto que os custos fixos do negócio (considerando seu portfólio de sementes) com mão de obra permitem ampliar as atividades de gestão, produção e processamento sem elevação proporcional de custos. Somente com uma elevação mais significativa da demanda haveria mais contratação de pessoas. Já na produção no campo, estima-se que a área plantada de 15,11 mil hectares com elevação de produtividade em 0,7 ton/ha represente elevação da demanda por mão de obra da ordem de 1,0 homem/dia/ha na colheita. Isto ocorrendo, há a geração de 503 empregos com duração de 1 mês ou 42 empregos com duração de 1 ano, conforme demonstra o tabela a seguir. Porém, se a comparação considerar a variação entre a produtividade local de 2010 e a produtividade potencial da variedade (observada em campo pela pesquisa agronômica) em região de semiárido, a geração de empregos, na mesma área de adoção, poderia chegar a 167 em um ano. Tabela 11 - Elevação da demanda por emprego decorrentes do aumento da produtividade do milho (área de adoção constante) Fontes de cálculo do aumento da produtividade Unidade de medida Parâmetros Painel de especialistas Outras variedades Produtividade Incremento na demanda por mão-de-obra Área adotada Incremento mão-de-obra Incremento de mão-de-obra Incremento de mão-de-obra (3) ton/ha (homem/dia/ha) Hectare homem/dia homem/mês homem/ano 1,44 - Gorutuba (1) 1,87 1,0 15.111,0 15.111,0 503,7 42,0 Pesquisa agronômica, no semiárido – Gorutuba (2) 3,0 4,0 15.111,0 60.444,0 2.014,8 167,9 Fontes: CARVALHO (2010a); entrevistas com agricultores e técnicos; Elaboração própria NOTAS: (1) – O incremento da produtividade corresponde às médias locais de produtividade observadas pelos técnicos e agricultores, em painel, para anos anteriores e para o ano de 2011 (sem a adoção da Gorutuba) (2) – O incremento da produtividade comparou a produtividade local média em anos anteriores (sem o Gorutuba) e a produtividade média observada em pesquisa agronômica (3) – Considerou-se que cada homem/dia consegue colher de 0,36 a 0,40 ton de milho. Logo, se ocorre o ganho de 0,33 toneladas/hectare (1,87 – 1,44), há aumento da demanda de 1 homem/dia/hectare; Se ocorre o ganho de 1,56 ton/ha (3,0 – 1,44), há aumento da demanda de 4 homens/dia/hectare 17 Tabela 12 – Elevação da demanda por emprego decorrentes do aumento da produtividade do milho (área de adoção variável) Produtividade Semiárido Parâmetros Unidade de medida (1) nordestino (IBGE) Com Gorutuba 2010 Produtividade ton/ha 1,87 1,17 Incremento na demanda por mão-de-obra (3) Área adotada Incremento mão-de-obra Incremento de mão-de-obra Incremento de mão-de-obra (2) (homem/dia/ha) - 1,76 Hectare homem/dia homem/mês homem/ano - 377.003,0 671.065,3 22.368,8 1.843,1 Fontes: IBGE (PAM); CARVALHO (2010a); entrevistas com agricultores e técnicos; Elaboração própria NOTAS: (1) – A produtividade da Gorutuba corresponde às médias locais de produtividade observadas pelos técnicos e agricultores, em painel, para 2011 (com a adoção da variedade) (2) – Seguiu-se os mesmos parâmetros da tabela anterior (3) – Área adotada corresponde a 20% da área plantada com milho no semiárido nordestino, em 2010. Como a dinâmica local da cadeia produtiva não alcança significativamente atividades de processamento e comercialização, o potencial da tecnologia na geração de empregos também fica restrito à etapa de produção de grãos. 4.4. – Fonte de dados Tabela 13 – Número de consultas realizadas por município Produtor Municípios Estado Familiar Pequeno Médio Mucambo CE 5 0 Total 05 0 Produtor Patronal Grande 0 0 Comercial 0 0 Total 05 05 5. AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS 5.1.- Avaliação dos impactos ambientais A Unidade utilizou a metodologia AMBITEC ( x ) sim ( ) não. 5.1.1.- Alcance da Tecnologia <O alcance da tecnologia expressa a escala geográfica na qual esta influencia a atividade ou produto e é definido pela abrangência (área total cultivada com o produto – em hectares) e a influência (porcentagem desta área à qual a tecnologia se aplica). Este é um aspecto geral da tecnologia, independente do seu uso local, portanto não está incluído nas matrizes de avaliação. Desta forma, deve ser descrito e analisado a partir de informações geradas pelo projeto.> 5.1.2.- Eficiência Tecnológica Tabela 14 - Eficiência Tecnológica Indicadores Uso de agroquímicos/insumos químicos e ou materiais Uso de energia Uso de recursos naturais Se aplica (Sim/Não) Média Tipo 1 (*) 2011 Sim Sim Sim 0,0 0,0 0,0 * Tipo 1 - Produtor familiar (pequeno). Não foram consultados produtores do Tipo 2 (médio e grande, comercial ), devido à característica da tecnologia. 18 Não foram observadas alterações no uso de agroquímicos, energia ou recursos naturais decorrentes do uso da tecnologia. 5.1.3.- Conservação Ambiental Tabela 15 – Conservação Ambiental para AMBITEC Agro Indicadores Atmosfera Capacidade produtiva do solo Água Biodiversidade Se aplica (Sim/Não) Média Tipo 1 (*) 2011 Sim Sim Sim Sim 0,0 0,0 0,0 0,0 * Tipo 1 - Produtor familiar (pequeno). Não foram consultados nos anos de 2009 e 2010 produtores do Tipo 2 (médio e grande, comercial ), devido à característica da tecnologia Considerando o contexto da cadeia produtiva exposto nos itens anteriores, não houve alteração nos indicadores de conservação ambiental. 5.1.4.- Recuperação Ambiental Tabela 16 - Recuperação Ambiental Se aplica (Sim/Não) Indicadores Recuperação Ambiental Sim Média Tipo 1(*) 2011 0,00 * Tipo 1 - Produtor familiar (pequeno). Não foram consultados nos anos de 2009 e 2010 produtores do Tipo 2 (médio e grande, comercial ), devido à característica da tecnologia Idem. 5.2.- Índice de Impacto Ambiental Quadro 7 - Gorutuba: avaliação de impactos ambientais – índice global Média Tipo 1 (*) 2011 0,00 A recente e relativamente baixa adoção da tecnologia na região de abrangência deste trabalho ainda não transformou as práticas ambientais locais. Portanto, impactos ambientais ainda não foram observados. 5.3. – Fonte de dados Tabela 17 – Número de consultas realizadas por município Produtor Municípios Estado Familiar Pequeno Médio Mucambo CE 5 0 Total 05 0 Produtor Patronal Grande 0 0 Comercial 0 0 Total 05 05 19 6.- AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS SOBRE CONHECIMENTO, CAPACITAÇÃO E POLÍTICOINSTITUCIONAL <Nota: A avaliação de impactos desta dimensão é opcional para os Centros de Produtos e Ecorregionais.> 7.- AVALIAÇÃO INTEGRADA E COMPARATIVA DOS IMPACTOS GERADOS <Dados os resultados obtidos nas avaliações dos diversos tipos de impactos identificados e analisados nas seções anteriores (Itens 3, 4, 5 e 6), faça uma análise final integrando todos os impactos da tecnologia em questão. Na comparação dos impactos com os anos anteriores, devem ser levados em conta apenas os impactos decorrentes de incrementos na taxa de adoção da tecnologia. Sempre que houver aumento de benefícios decorrentes de uma maior adoção tecnológica, devem ser apresentadas evidências (bibliografia, fontes, nome da instituição informante, etc.) que comprovem tal incremento. Nota: Deve-se evitar que na análise comparativa sejam considerados aumentos de benefícios (excedentes) de um ano para outro que, na realidade, são decorrentes de melhorias no processo de coleta de dados e não de aumento na taxa de adoção.> Introduzido nesse sistema de produção da agricultura familiar de baixo investimento e tecnificação, a variedade de milho BRS Gorutuba, de ciclo superprecoce, precisa de apenas 90 dias para atingir a época de colheita, torna-se muito importante para assegurar uma boa produtividade em um curto período chuvoso com menos riscos de frustrações de safras, freqüentes no semiárido. Assim, há a possibilidade de se produzir milho em locais antes não contemplados por zoneamento, ou mesmo em locais onde esta cultura não tinha importância socioeconômica devido aos elevados riscos e, portanto, baixos investimentos. A estratégia da equipe de avaliação de impactos foi voltada a analisar tecnologias de adoção recente, na expectativa de conhecer elementos que ocorrem nessa etapa e são determinantes na compreensão da dinâmica dos impactos gerados quando a adoção já está mais madura. Verificar as condições da cadeia no “momento um” da introdução de uma variedade permitiu fazer observações que serão relevantes para todo o estudo de impactos desta tecnologia de agora em diante. A variedade do milho Gorutuba, por se tratar de uma cultura que, no geral, não cria diferenciação de preços relacionada à sua aparência ou características nutritivas, tem maior apelo junto ao produtor por conta da segurança na produção, produtividade mais elevada, aparência da espiga. Quanto ao porte aéreo da planta, fator importante pela geração de alimentação animal, alguns agricultores disseram não estar muito satisfeitos com a variedade. Sob a perspectiva de integração com outros elos da cadeia como granjas e fábricas de farinha de milho, uma primeira análise indica que as limitações estejam mais por parte da estrutura produtiva dos pequenos agricultores adotantes de variedades que não alcançam produtividades importantes para o fornecimento à indústria. Por outro lado, os agricultores fornecedores de milho para tais fábricas optam pelos híbridos e suas elevadas produtividades, em detrimento aos riscos climáticos da região. Porém, é preciso saber se as características do grão do milho Gorutuba são também adequadas às necessidades dessa indústria para que se verifiquem novas possibilidades de estruturação da cadeia produtiva e oportunidades de comercialização da produção. Sob a perspectiva dos ganhos econômicos do pequeno agricultor que planta 1 ou 2 hectares e, principalmente aquele que integra a produção na alimentação animal, o incremento de cerca de R$ 154,00 por hectare pode não parecer significativo. Em termos agregados, a área de adoção atual já proporciona incrementos na geração de renda na ordem de R$ 2,2 milhões em 2011, decorrentes da elevação da produtividade. Havendo expansão da área de adoção da variedade para outras áreas (produtoras ou não de milho atualmente) é possível que o incremento de produtividade estenda-se para uma área ainda maior, gerando benefícios para um número maior de agricultores e regiões. À medida que mais agricultores passarem a utilizar a tecnologia e demonstrar maiores produtividades, é possível que haja investimentos mínimos na lavoura e suas produtividades sejam ainda mais potencializadas, a exemplo do que ocorreu com a variedade Caatingueiro em Sergipe. Por outro lado, os exemplos de substituição de variedades por híbridos, fortalecimento do monocultivo, intensificação do uso da terra e incremento na utilização de agroquímicos são importantes pontos de monitoramento e intervenção dos planejadores de políticas de desenvolvimento rural no semiárido. 20 Por se tratar de uma tecnologia licenciada, possivelmente será viável acompanhar a evolução do acesso à tecnologia. Porém, é necessário lembrar que a falta de informação dos agricultores, técnicos e revendas quanto às características do cultivo de variedade e híbridos é um ponto de insegurança para a verificação da adoção efetiva e da filiação tecnológica. Quanto aos impactos sociais, a expectativa é de que permaneçam concentrados nos aspectos de renda e segurança alimentar até que a cadeia produtiva sofra ajustes estruturais que vão além da tecnologia de sementes. Estes dois aspectos, todavia, são de extrema importância para a região de adoção da Gorutuba e o grau de impacto sobre estes indicadores tende a se elevar à medida que a adoção também elevar-se. Sobre as variáveis ambientais, ainda não foram observados impactos relacionados à utilização da BRS Gorutuba. Porém, a exemplo do que ocorreu com a BRS Caatingueiro, a elevação na produtividade pode, no decorrer do tempo, elevar os investimentos nas lavouras. Tais investimentos, a depender das ações e políticas de estruturação e apoio à cadeia podem incentivar a utilização de agroquímicos, avanço sobre áreas ainda não exploradas, intensificação do uso do solo com monoculturas e impactos sobre a biodiversidade, a exemplo do que ocorre em tantas outras regiões em função da adoção de tecnologias de sementes. No caso da região em estudo, existe um forte apelo da variedade local entre os agricultores e isto pode ser valorizado dentro das estratégias de organização da produção, a exemplo de práticas locais que potencializam os resultados do trabalho do agricultor e da sua família na produção. A influência sobre as perdas de variedades crioulas é algo discutido em diversos grupos de agentes de desenvolvimento, mas muitas vezes as estratégias de distribuição de variedades está dissociada das ações destes grupos. 8. CUSTOS DA TECNOLOGIA 8.1 - Estimativa dos Custos <Nota: Como nos benefícios, as estimativas são específicas da Embrapa; neste item devem ser incluídas apenas as despesas da Empresa> Tabela 18 – Estimativa dos custos Ano 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012** TOTAIS Custos de (1) Pessoal 41.980,65 40.526,57 60.513,17 27.030,04 10.146,72 7.701,79 1.594,27 1.275,42 190.768,62 Custeio de Depreciação (2) (3) de Capital Pesquisa 5.174,43 1.414,39 13.201,42 23.054,61 18.443,69 61.288,54 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Custos de Custos de Transferência Administração Tecnológica (4) Total (5) 7.888,07 22.979,36 13.860,83 19.679,17 15.743,33 90.150,75 0,00 0,00 0,00 3.000,00 3.000,00 3.000,00 3.000,00 2.400,00 14.400,00 41.980,65 40.526,57 60.513,17 53.092,54 37.540,47 50.678,51 47.328,05 37.862,44 369.522,39 Fontes: Dados de gestão financeira (SRH, CTI, SOF) Elaboração própria Notas: (1) – Os valores foram calculados seguindo a base de remuneração do ano de 2010, emitidos pelo SGP, aplicando-se percentual médio de variação da remuneração (planilha específica) (2) – Os valores foram calculados para projetos externos referem-se somente a 2010. O período de 2005 a 2011 foi analisado para os projetos SEG (planilha específica). Ressalte-se que os projetos do CPATC para o programa de melhoramento do milho e incluindo o Gorutuba, iniciaram-se apenas em 2008. Portanto, considerou-se que 25% dos recursos dos referidos projetos foram aplicados no desenvolvimento (testes e validação) da variedade. Apesar de sabermos que o desenvolvimento ocorreu com financiamento da Milho e Sorgo, não foi possível acessar tais valores referentes àquela Unidade (3) – Setor financeiro não informou valores e/ou parâmetros para calcularmos este item (4) – Considerou-se os valores liberados de projeto SEG, porém não executados pela pesquisa, mas pela administração (saldos remanescentes após a taxa de administração e os valores executados) 21 (5) – Em 2010 considerou-se um gasto médio para realização de Dias de campo da ordem de R$ 3000,00 (excluindo-se os gastos com pessoal). Deste 50% foram atribuídos ao Gorutuba. Foram realizados, em média, 2 DCs sobre a cultura do milho por ano, segundo dados inseridos no sistema local de eventos (consulta em jan/2012) 8.2 - Análise dos Custos Para o custo de pessoal, considerou-se o percentual de dedicação de cada membro da equipe envolvida no desenvolvimento do Gorutuba no período de 2005 a 2011, período no qual, segundo os pesquisadores, deu-se o início dos testes de validação no Nordeste. Sabe-se, portanto, que os custos iniciais com a pesquisa não foram mensurados. Esta dificuldade ocorre porque a gestão financeira dos referidos componentes de custos não é integrada na Empresa como um todo. Além disso, em questões nas quais níveis importantes de integração já foram alcançados, os custos não estão relacionados ao desenvolvimento de uma tecnologia específica, mas sim a projetos e a pesquisadores individuais. Isto num contexto no qual é corrente a participação de equipes de diversas Unidades da Embrapa nas diferentes etapas da pesquisa e, simultaneamente, no desenvolvimento de diversas tecnologias, torna necessário um esforço de gestão para além deste relatório no sentido de adquirir informações mais fidedignas quanto aos custos efetivos de desenvolvimento da BRS Gorutuba e de outros produtos da Embrapa. Diante de tais limitações para calcular o custeio da PD&I com esta variedade, considerou-se como “outros custeios” o percentual de 25% dos valores anuais executados em cada plano de ação de projetos do SEG ligados à rede de transferência de milho. O mesmo raciocínio foi aplicado para os projetos externos, seguindo recomendação de um dos líderes da equipe de pesquisa. Mantendo essa mesma proporção de 25%, para os custos de administração, foram considerados os valores liberados pelo SEG para os projetos citados acima, mas que não foram executados pela pesquisa e sim pela administração. Esse valor é formando, portanto, pela taxa de administração, que é automaticamente subtraída dos totais de recursos liberados para os referidos projetos quando estes entram na fase de execução, somados aos valores que a equipe de pesquisa poderia utilizar mas por diversos motivos (técnicos e/ou administrativos) deixam de fazê-lo. Para os custos com transferência de tecnologia, considerou-se um gasto médio para realização de dia de campo no valor de R$ 3.000,00 por evento (excluindo-se os gastos com pessoal).Como tais eventos não se referem apenas a uma variedade, atribui-se 50% do custo dos eventos realizados pela rede de transferência de milho como sendo dispêndios com a Gorutuba. Segundo dados inseridos no sistema local de eventos, o Gorutuba foi tema, me média, de 2 dias de campo por ano. Já os dados de depreciação, segundo informações do Setor de Orçamento e Finanças, não são passível de associação à determinada tecnologia. No sentido de reduzir a subjetividade das informações e dos resultados da análise de custos, optou-se por considerar esse valor como absorvido pela administração e, portanto, nulo para a composição de custos com PD&I da tecnologia em estudo. O valor total de gastos com a tecnologia no período de 2005 a 2011, seguindo esta abordagem de obtenção de dados, foi da ordem de R$ 331,6 mil. A estimativa de custos para 2012 é algo sensível do ponto de vista da disponibilidade de dados, pois os projetos não tiveram seus recursos liberados até o fechamento deste relatório e isto impacta nos componentes “outros custeios” e “custos de administração” – os mais relevantes nesta fase da trajetória da tecnologia. Assim, optou-se por estimar os gastos em 80% do valor do ano anterior. No total, incluindo a estimativa de 2012, os gastos com a tecnologia seriam da ordem de R$ 369,5 mil. Apesar das limitações com as bases de dados relativos aos custos de pesquisa, desenvolvimento e transferência de uma tecnologia específica, acredita-se que estes valores estão o mais próximo possível da realidade: o maior impacto sobre os custos vem dos gastos com pessoal (e estes são os que mais se aproximam da realidade); seguidos dos custeios de projetos (aqui contabilizados como a soma dos valores de “outros custeios” e “custos administrativos”). 22 O gráfico abaixo mostra a composição e a evolução dos custos no período de análise. Gráfico 2 – Custos de PD&I da BRS Gorutuba (2005-2010) O comportamento dos custos aproxima-se do esperado nos estudos sobre desenvolvimento de tecnologias. Inicialmente os mais elevados são os dispêndios com pessoal e os custos totais declinam a partir do licenciamento da tecnologia (ÁVILA et al., 2008). No caso da BRS Gorutuba, assim como em outros estudos realizados (vide OLIVEIRA, 2009; MANOS et al., 2010), cabe destacar que a participação dos custos de administração se aproximam ou mesmo ultrapassam os totais investidos a partir das liberações de recursos de projetos SEG (componente “outros custeios SEG – B). Isto demonstra possíveis dificuldades de execução financeira destes projetos e pode indicar oportunidades de melhoria no grau de utilização efetiva destes recursos no desenvolvimento da tecnologia. 8.3 – Análise benefício/custo A BRS Gorutuba está no primeiro ano de adoção pelos agricultores. Conforme destacado anteriormente, esta foi uma opção metodológica da equipe de avaliação de impactos no sentido de evitar hiatos de informação e compreensão da dinâmica da tecnologia, a exemplo de outras ocorrências no passado recente. Desta forma, a análise de benefício custo aqui apresenta é mais um exercício de estimativa que procura aproveitar os dados disponíveis até o momento para demonstrar o potencial de retorno econômico da BRS Gorutuba, uma vez que seus custos foram apresentados. Quadro 8 – BRS Gorutuba: análises de retorno e benefício x custo (2005 – 2010) Análise Resultado R$ .1.521,00 Valor Presente Líquido - VPL (12%) 73,0% Taxa Interna de Retorno (TIR) 2,31 Benefício x custo (12%) O VPL represente o valor o retorno monetário (em valores absolutos) que os recursos financeiros investidos (custos) no desenvolvimento da tecnologia geram no ano 7 do investimento (2011), a uma taxa de desconto de 12%. Ou seja, todos os retornos “atualizados” para o ano de 2011, descontados 12% anualmente. A Taxa interna de retorno demonstra a taxa que, se aplicada para calcular o desconto sobre os retornos geraria o retorno monetário igual a R$ zero. Isto significa que para o retorno do investimento na tecnologia ser igual a zero teria que haver alguma taxa de desvalorização do capital na Economia na ordem de 73%. 23 De outra forma, isso indica que para qualquer negócio ser mais rentável, precisaria gerar uma TIR superior a esta que já é, sem dúvida, muito superior à taxa básica da Economia (SELIC) que é da ordem de 10,4%, em fevereiro/2012. Por fim, a relação benefício x custo indica que para cada Real aplicado no desenvolvimento da tecnologia (considerando os custos calculados), o retorno é de R$ 2,31 (2011 como ano de referência). 9 – AÇÕES SOCIAIS Capacitação de agricultores de assentamentos através de cursos de curta duração acerca da cultura do milho é o tipo de ação mais consistente no contexto da transferência de tecnologia de variedades. No caso da BRS Gorutuba, por se tratar de tecnologia licenciada, as ações ficam restritas a dias de campo com ênfase na demonstração de resultados da lavoura em unidades implantadas pela Embrapa. Observou-se em campo que os técnicos da Assistência Técnica pública não conheciam características agronômicas da Gorutuba e tinham dificuldades em indicar a tecnologia aos agricultores, ou mesmo em ajudá-los no processo de identificação e seleção de sementes para replantio. A capacitação de técnicos que atuam diretamente junto ao agricultor mostra-se, portanto, como uma importante demanda que teria retornos sociais importantes para o desenvolvimento da cultura na região. Tipo de Ação – Informe na Tabela 21 a categoria em que se enquadra a ação social desenvolvida com base na classificação usada no Balanço Social. Tabela 19 – Ações Sociais Tipo de ação Ações de filantropia X Agricultura familiar Apoio Comunitário Comunidades Indígenas Educação e formação profissional externa Educação e formação profissional interna Meio ambiente e educação ambiental Participação no Brasil sem Miséria Reforma Agrária Saúde, segurança e medicina do trabalho Segurança Alimentar 24 10 - BIBLIOGRAFIA CARVALHO, H.W.L. et al. Desempenho de Cultivares de Milho na Região Nordeste do Brasil: Safra 2006/2007. Aracaju, Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2008, 7 p. (Comunicado Técnico, 76). CARVALHO, H.W.L. et al. Recomendação de Cultivares de Milho no Nordeste Brasileiro: Ensaios Realizados na Safra 2005-2006. Aracaju, Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2007, 6 p. (Comunicado Técnico, 68). CARVALHO, H.W.L. et al. Recomendação de Cultivares de Milho no Nordeste Brasileiro: Ensaios Realizados na Safra 2004-2005. Aracaju, Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2006, 8 p. (Comunicado Técnico, 47). CARVALHO, H.W.L. et al. BRS Gorutuba: variedade de milho superprecoce. Aracaju, Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2010, 4 p. (Comunicado Técnico, 104). CARVALHO, H.W.L. et al. BRS Desempenho de híbridos simples de milho no Nordeste Brasileiro: safra 2008/2009. Aracaju, Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2010, 4 p. (Comunicado Técnico, 90). IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Produção Agrícola Municipal. Rio de Janeiro, 2009. Disponível na Internet: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/acervo Fundação Triângulo http://www.fundacaotriangulo.com.br/inc_colaboradores.php?tipo=2 Acessado em: 19/10/2011 Embrapa e EBDA (2006) (folder) Sistema de Produção de milho. 7°versão setembro/201 1. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Milho/CultivodoMilho_7ed/colsecagem.htm 25 11.- EQUIPE RESPONSÁVEL Informe os nomes dos membros da equipe responsável pela elaboração deste, indicando o papel de cada membro (tipo de avaliação ou item do relatório). Apresente também a origem (não os nomes) das pessoas externas à Unidade consultadas para opinar sobre os impactos da tecnologia (Exemplo: EMATER, Cooperativas, Empresas privadas, produtores, etc.). Colocar os nomes da lista de presença na reunião e os nomes dos agricultores que conversamos, mas não contaram na amostra por não termos certeza de que se tratavam de adotantes. - Cleso Patto Pacheco (pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros): dados técnicos - Luiz Carlos (PlantMax Sementes): recorte da produção e distribuição de sementes - EMATER/CE: indicação e acompanhamento de visitas a adotantes 26