Plano Estratégico de Desenvolvimento Local PEDL - Pelotas Etapa 1 – Diagnóstico Setembro/2012 ESTUDOS E PROJETOS INTERNACIONAIS Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL APRESENTAÇÃO Este documento constitui o Relatório do Diagnóstico realizado na 1ª Etapa do processo de elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Local para o Município de Pelotas – PEDL (Contrato para Serviços de Consultoria No 01/2012 entre a Prefeitura Municipal de Pelotas/RS e a empresa signatária). O Relatório conclui com sugestões de atividades (setores e APLs) para os quais serão formuladas ações específicas na 2ª Etapa de elaboração do PEDL e de um modelo de governança do referido plano. O Diagnóstico foi elaborado com base em dados secundários e em elementos levantados em encontros e em entrevistas com agentes do governo municipal, entidades representativas do setor produtivo, instituições da infraestrutura científica, tecnológica e de formação de recursos humanos e com as pessoas, que constam da nominata apresentada na sequência e que se inicia com o Prefeito Municipal, doutor Adolfo Fetter Jr. Os encontros e entrevistas tiveram como objetivos apresentar o projeto do PEDL e buscar apreender o sentimento da sociedade pelotense sobre a problemática e as perspectivas do seu desenvolvimento. A maioria destes encontros foi conduzida pelo Coordenador da Unidade de Gestão de Projetos, UGP, da Prefeitura de Pelotas, zootecnista Jair Seidel. Este Relatório ainda é de caráter preliminar, pois está sendo submetido à apreciação do Contratante para posterior discussão com a sociedade em encontros que buscarão a sanção social e a organização da próxima etapa do PEDL. Por último, o Diagnóstico e as suas sugestões são de autoria da consultoria, mas tem o pulsar da sociedade e também de especialistas locais na temática do desenvolvimento, embora a eles não possa ser atribuída nenhuma responsabilidade pelo uso que a signatária fez dos seus preciosos depoimentos. Pelotas, 05 de setembro de 2012. Joal de Azambuja Rosa América Estudos e Projetos Internacionais 2 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUVIDAS* 1 PREFEITURA MUNICIPAL DE PELOTAS - Prefeito Adolfo Fetter Jr.* 2 UNIDADE GESTORA DE PROJETOS - Secretário Executivo Jair Seidel* 3 SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TURISMO – Secretário Eduardo Macluf* 4 SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA - Superintendente Mogar Pagana Xavier 5 SECRETARIA MUNICIPAL DE GESTÃO URBANA - Secretário Fernando Panatieri de Brito 6 SECRETARIA MUNICIPAL DE QUALIDADE AMBIENTAL - Secretário Paulo Ricardo Brito Morales* 7 SECRETARIA MUNICIPAL DE CIDADANIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL - Secretária Elizabeth Calheiros Marques Dias* 8 CONSSEDI - Conselho Superior Socioeconômico de Desenvolvimento e Inovação Presidente Matteo Rota Chiarelli 9 ALIANÇA PELOTAS - Presidente Ricardo Vinhas 10 COREDE SUL - Presidente Roselani Sodré da Silva* 11 ASSOCIAÇÃO RURAL DE PELOTAS - Presidente Rodrigo Fernandes de Sousa Costa 12 SINDICATO RURAL DE PELOTAS - Presidente Fernando Müller 13 CIPEL - Centro da Indústria de Pelotas – Presidente Ricardo Michelon, 14 ACP - Associação Comercial de Pelotas – Presidente Patrícia Cavada 15 CDL - Clube dos Diretores Lojistas - Gerente Executivo Luís Alberto Caldas, 16 SINDILOJAS - Presidente Renzo Antonioli, 17 SINDUSCON Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pelotas – Presidente Jacques Reidans; 18 SETCESUL - Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Extremo Sul Rudimar Pucinelli, APROCAPEL - Associação dos Proprietários de Caminhões de Pelotas Nelson Ricardo S. Vergara, COSULATI - Cooperativa Sul Riograndense de Laticinios, - Presidente Arno 21 Koppereck* 19 * Foram ouvidas 101 pessoas, sendo que 29 representavam suas instituições. As pessoas assinaladas com asterisco foram entrevistadas e a primeira entrevista foi com o Prefeito Adolfo Fetter Junior. Foram realizadas 10 apresentações para setores ou grupos de pessoas, conforme segue: 1) CONSSEDI - Conselho Superior Socioeconômico de Desenvolvimento e Inovação; 2) Setor de Transporte e Mobilidade Urbana Sustentável; 3) Associação Comercial de Pelotas, Centro das Indústrias de Pelotas, CDL e Sindilojas; 4) Associação Rural de Pelotas, Sindicato Rural de Pelotas e Fundação Centro de Agronegócios; 5) Secretaria Municipal da Cultura, técnicos e produtores culturais; 6) Universidade Católica de Pelotas; 7) IFSUL; 8) EMATER; 9) Secretário e técnicos da Secretaria Municipal de Gestão Urbana; 10) Pré-candidatos a Prefeitura Municipal de Pelotas. 3 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 22 UCP - Universidade Católica de Pelotas - Reitor José Carlos Bachettini Júnior 23 IFSUL – Instituto Federal Sul Rio Grandense - Pró-reitor Adjunto de Extensão, professor Miguel Baneiro, 24 EMBRAPA Clima Temperado - José Dias Vianna Filho, Chefe Adjunto de Administração* 25 SEBRAE - Diretora Rosani Ribeiro 26 SEST SENAT - Diretor Roger Lange* 27 FUNDAÇÃO CENTRO DE AGRONEGÓCIOS - Diretor Presidente Eduardo Osorio 28 EMATER - Chefe do escritório municipal Francisco Arduin de Arruda 29 ALM - Agência de Desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim - Eng. Agr. Alexandre Barum Administrador Técnico de Projetos - Desenvolvimento Regional* 30 ILBD - Instituto Leda Bacci para o Desenvolvimento - Presidente Reginaldo Bacci -. 31 Alexandre K. de Abreu - Jornalista – Reitoria IFSUL 32 Aline Sampaio, ILBD 33 Ana Lucia Ribeiro Mendes - Assistente Social - Observatório do Trabalho, IFSUL 34 Andréia Lacerda Bachettini, UFPEL 35 Antonio Carlos Gonçalves, Câmara de Vereadores – TV Cidade. 36 Antonio Carlos M. Leite, Instituto José Simões Lopes Neto 37 Ariosto Ehart - empresário da indústria de conservas* 38 Beto da Z3, Câmara de Vereadores, Vereador PT, 39 Carla Rosani Silva Fiori – Administradora, DIGAE/Reitoria IFSUL 40 Carlos Francisco Oliveira Plá - Engenheiro Civil – Reitoria IFSUL 41 Carlos Jorge Ribeiro – Coordenador e Instrutor do SEST SENAT 42 Ceres Chevallier, Professora - Design - campus Pelotas IFSUL 43 Clarissa Soares Folharini, SMSTT. 44 Danglares Cesar Fernandes, Câmara de Vereadores de Pelotas, 45 Daniel Amaro, Secretaria da Cultura 46 Daniel Balhego, Balhego Produções 47 Darci de Ávila Ferreira - Superintendente de Economia Popular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo* 48 Darcy Trilho Otero, Diretor da Associação Rural de Pelotas 49 Davison Guimarães Sopeña - Engenheiro Civil – Reitoria IFSUL 50 Diaroni dos Santos, Câmara de Vereadores, Vereador PT, 51 Eduardo Leite, Câmara de Vereadores, Vereador PSDB. 52 Eduardo Luis Insaurriaga dos Santos – Professor, Pró-Reitor da Universidade Católica de Pelotas 53 Eduardo Möller - Analista de Sistema - Observatório do Trabalho IFSUL 4 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 54 Elmar Hadler, ARP – Associação Rural de Pelotas 55 Elni Carlos Steolla, Diretor da Associação Rural de Pelotas. 56 Erli Massaú, UCPEL - Universidade Católica de Pelotas 57 Everaldo Carvalho Born – APROCAPEL; 58 Felipe Freitas, Câmara de Vereadores. 59 Fernando Estima, Empresário, Bolsa Continental de Mercadorias. 60 Flávio Nunes, Diretor Executivo – Reitoria IFSUL 61 Flávio Modafar Al-Alam, SMSTT - Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Transporte - Prefeitura Municipal de Pelotas. 62 Gerson Zaffalon* - Arquiteto e Urbanista da SGU 63 Gilcéia Bender, Mais Eventos 64 Gilmar Bazanello, Vice-Presidente do SINDILOJAS 65 Gustavo Alcântara Brod - Professor - Design - campus Pelotas IFSUL 66 Herberto Peil Mereb - ONG Amiz 67 Inalva Nunes Fróes, Academia Sul Brasileira de Letras de Pelotas - ASBL 68 Isabel Bonat Hirsch, UFPEL 69 João Carlos Deschamps – professor da UFPEL* 70 João Eduardo Keiber, Gaia Cultura e Arte Consultoria e gestão de projetos culturais. 71 João Taceli Finamore Machado, Diretor da Associação Rural de Pelotas 72 Jonas Plínio do Nascimento Jr., Diretor da Associação Rural de Pelotas 73 Jorge Curi Hallal, Empresário, Hotel Curi 74 Jório Luiz Silva – ACP Associação Comercial de Pelotas 75 Joseane da Silva Almeida* – Arquiteta e Urbanista da SGU 76 José Alfredo Laborda Knor 77 Kariza Barros, CIPEL 78 Lélio Gomes Brod, Prefeitura Municipal de Pelotas. 79 Liege Dias Lannes - Professora - Design - campus Pelotas IFSUL 80 Luciane Almeida, Secretaria Municipal da Cultura 81 Luis Caladas, CDL - Câmara de Diretor Lojistas. 82 Luiz Augusto Kieg* - Arquiteto e Urbanista da SGU 83 Luiz Clóvis Belarmino - Pesquisador da EMBRAPA* 84 Marcos André Betemps Vaz da Silva - Pró-reitor de Extensão IFSUL 85 Marisa Bittencourt, Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, IHGPEL 86 Max T. Michels - ACP Associação Comercial de Pelotas 87 Miguel A. V. Baneiro - Pró-reitor Adjunto de Extensão – Reitoria IFSUL 88 Olga Maria Ferreira, Academia Sul Brasileira de Letras de Pelotas - ASBL 89 Paula Mascarenhas, Partido Popular Socialista 5 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 90 Paulo Augusto M. Oliveira, SETCESUL. 91 Raul Odone Gonçalves, Prefeitura Municipal de Pelotas. 92 Renan Neves da Veiga, Câmara de Vereadores. 93 Ricardo Jouglard, Empresário, Irmãos Jouglard Comércio de Máquinas e Ferramentas 94 Ricardo Pereira Costa - Diretor Geral campus Camaquã IFSUL 95 Ricardo Ramos, SINDUSCON 96 Rodrigo Fernandes de Sousa Costa, Diretor da Associação Rural de Pelotas 97 Rogério Rosa, SINDITÁXI. 98 Rosa Maria Garcia Rolim de Moura, FAUB - Faculdade de Urbanismo, UFPEL 99 Rosilena M. Peres - Professora - Edificações - campus Pelotas IFSUL 100 Valdino Krause - COREDE SUL 101 Valdir Robe Júnios (Mano Val) - Ponto de Cultura Outro Sul 6 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Equipe Técnica Economista Joal de Azambuja Rosa Coordenador Economista Paulo de Tarso Pinheiro Machado Engenheiro Agrônomo Floriano Barbosa Isolan Sociólogo e Doutor em Meio Ambiente Eduardo Antônio Audibert 7 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Eles quiseram que o lugar prosperasse, e o lugar prosperou... (Nicolau Dreys,1839)1 1 DREYS, Nicolau, 1839. In: MAGALHÃES, Mário Osório. Pelotas a toda prosa – 1o volume (18091871). Pelotas, Armazém Literário, 2000, p. 92. 8 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Índice 13 Introdução 19 1. Economia: caracterização, evolução recente, contexto competitivo e visão estratégica. 1.1. Demografia 23 1.2. Estrutura, evolução do PIB e PIB per capita. 28 1.3. Agropecuária: caracterização, evolução recente, importância relativa no contexto regional e nacional e perspectivas. 35 1.3.1. População e pessoal ocupado na agropecuária 37 1.3.2. Área e número de estabelecimentos produtores 45 1.3.3. Uso dos solos nos estabelecimentos rurais. 47 1.3.3.1. Lavoura permanente 50 1.3.3.2. Lavoura temporária 54 1.3.3.3. Extrativa vegetal e silvicultura 59 1.3.3.4. Horticultura 64 1.3.3.5. Floricultura 67 1.3.3.6. Pecuária 70 1.3.3.6.1. Pecuária bovina de leite 72 1.3.3.6.2. Pecuária bovina de corte 76 1.3.3.6.3. Pecuária ovina 82 1.3.3.6.4. Pecuária avícola 85 1.3.3.6.5. Pecuária suína 86 87 1.3.4. Conclusões e proposição de linhas de ações estratégicas. 1.4. Indústria: caracterização; evolução recente; importância relativa no contexto regional e nacional e perspectivas. 97 1.4.1. A perda de participação da indústria de Pelotas no produto local e na indústria do Rio Grande do Sul 97 1.4.2. As especializações da indústria de Pelotas e a sua dinâmica interna no período 2000/2010 98 1.4.2.1. As especializações da indústria de Pelotas tendo como referência a economia do Brasil. 103 1.4.2.2. As especializações da indústria de Pelotas tendo como referência a economia das capitais regionais do Rio Grande do Sul 108 1.4.2.3. Conclusões e proposições de atividades para ações estratégicas. 115 121 1.5. Serviços: caracterização; evolução recente; importância relativa no contexto local e perspectivas. 1.5.1. As especializações do Comércio. 123 1.5.2. Serviços: especializações e o núcleo das indústrias criativas 129 143 1.5.2.1. O núcleo das indústrias criativas 9 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 147 1.5.3. Conclusões e proposições de atividades para ações estratégicas. ANEXO 1 - Atividades Relacionadas das Indústrias Criativas 151 ANEXO 2 - Atividades de Apoio das Indústrias Criativas 152 153 1.6. Exportações 157 2. Infraestrutura social e cultural 158 2.1. Educação 158 2.1.1 Educação Básica 159 2.1.1.1. Dimensão Acesso 2.1.1.1.1. Taxa de Atendimento Educacional 159 2.1.1.1.2. Taxa de Escolarização Bruta 160 161 2.1.1.2. Dimensão Permanência 2.1.1.2.1. Taxa de Abandono 161 2.1.1.2.2. Taxa de Distorção Idade-Série 162 162 2.1.1.3. Dimensão Desempenho (Sucesso) 2.1.1.3.1. Taxa de Aprovação 162 2.1.1.3.2. Taxa de Reprovação 163 2.1.1.3.2. Prova Brasil 164 2.1.1.3.3. Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB 165 166 2.1.2. Ensino Técnico e Superior 2.1.2.1. Ensino Técnico 166 2.1.2.2. Ensino Superior 167 2.1.3. Conclusão: 170 indicadores de desempenho sofríveis determinam prioridade máxima para os ensinos fundamental e médio. 175 2.2. Cultura e Desenvolvimento Local 2.2.1. Pelotas e seu contexto histórico cultural 175 2.2.2. O capital cultural de Pelotas 176 2.2.2.1. Arquitetura, monumentos, museus e teatros 177 2.2.2.2. Expressão cultural e eventos 178 2.2.3. O Patrimônio Histórico e Artístico no centro da estratégia de desenvolvimento: desafio a ser enfrentado pela comunidade empresarial. 180 181 2.3. Saúde 181 2.3.1. Indicadores de Saúde em Pelotas 2.3.1.1. Acesso potencial ou obtido dos serviços de saúde 183 2.3.1.2. Efetividade dos serviços 184 185 2.3.2. Conclusões: grande espaço para melhoria atendimento e de interação dos elos locais da cadeia de bens e serviços de saúde. 10 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 186 3. Infraestrutura econômica 3.1. Acesso rodoviário 186 3.2. Acesso ferroviário 187 3.3. Acesso hidroviário 189 3.3.1. Porto de Pelotas 190 3.3.1.1. Contexto histórico 190 3.3.1.2. Operação do porto de Pelotas 191 3.3.1.3. Revitalização da área do porto de Pelotas 192 3.3.1.4. Recomendações para a revitalização da área do Porto de Pelotas 193 3.3.1.4.1. Potencialidades 193 3.3.1.4.2. Proposições 194 3.4. Acesso Aéreo 195 3.5. Sistema Viário 196 3.6. Saneamento 197 3.6.1. Abastecimento de água 197 3.6.2. Esgoto sanitário 198 3.6.3. Resíduos sólidos 198 3.7. Energia 200 3.8 Principais prioridades da infraestrutura econômica para o planejamento estratégico. 201 204 4. Infraestrutura ambiental 4.1. Bioma Pampa e a inserção regional de Pelotas 205 4.2. Breve histórico da ocupação regional 213 4.3. Aspectos meteorológicos e climáticos 219 4.4. Recursos hídricos 221 4.5. Uso e ocupação do solo 226 4.6. Síntese das informações sobre atividades potencialmente poluidoras 232 4.7. Mapeamento das áreas de risco 242 4.8. Transporte de cargas perigosas 245 4.9. Estrutura de gestão ambiental municipal 249 253 4.10. Conclusões e proposição de linhas de ação estratégicas 260 5. Governança para a implementação do PEDL 5.1. Conceito de governança 260 5.2. Metodologia 263 5.3. A transição entre a elaboração e a implementação do PEDL 265 11 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 268 6. Conclusões: visão estratégica e sugestões de capacitações competitivas, de setores para ações específicas e de governança do PEDL. 6.1. Visão estratégica da sócio economia e do meio ambiente 268 6.2. Proposição de atividades e APLs a serem objetos de ações específicas do PEDL 273 6.3. Sugestões sobre o modelo de governança para a execução do PEDL e arranjo governativo para a próxima (imediata) etapa de elaboração dos programas. 275 277 7. Bibliografia 12 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL INTRODUÇÃO O processo de elaboração do PEDL é constituído de duas etapas: a primeira de diagnóstico e a segunda de elaboração de ações para setores eleitos como prioritários. Este documento é o Relatório do Diagnóstico e está organizado em seis capítulos sobre a problemática de caráter estratégico da economia local e da sua infraestrutura sócio-econômica-ambiental. Isto significa que as consultas e análises empreendidas não tiveram o objetivo de realizar um levantamento completo e exaustivo de toda a problemática envolvida no desenvolvimento econômico da sociedade local. Tiveram, tão somente, a preocupação de compor uma visão estratégica, explicitar potencialidades e causas do insuficiente crescimento das principais atividades produtivas e as alternativas que podem contribuir para superá-las. O primeiro capítulo trata da economia mais stricto sensu, fazendo a caracterização dos macros setores em termos de contexto competitivo, a evolução recente e a visão estratégica. Cada um dos macros setores - agropecuária, indústria e serviços - é desagregado até o menor nível permitido pelas estatísticas publicadas e identificada a importância atual para Pelotas e a que se projeta para o futuro. Ao cabo da análise de cada macro setor são sugeridas as atividades a serem objetos de ações específicas do PEDL. Na visão estratégica a agropecuária tem certa centralidade e, portanto, importância, embora represente na atualidade apenas 3,9% do PIB. A importância é no contexto do conceito que se imagina Pelotas deva trabalhar para se diferenciar enquanto território competitivo. Um território, cuja economia é especializada em um complexo integrado de atividades agroindustriais e de serviços relacionados, intensivo em conhecimento e em valor de natureza cultural e ambiental, incorporados nos bens e serviços produzidos. A agropecuária, no entanto, não é importante só pelo conceito referido e pelos efeitos diretos e indiretos que ainda pode produzir, mas também porque é responsável por 13,2% de todo o pessoal ocupado no município de Pelotas e porque há, ainda, um grande espaço de crescimento, seja via aumento de produtividade, seja reconvertendo a produção atual onde isto é possível para atividades de maior valor agregado. De outra parte, a agropecuária tem que ser pensada em termos da região Sul como um todo e Pelotas como um centro receptor de produção (da região do COREDE Sul e da Grande Sul) e ofertante de serviços. Dos mais variados serviços, como, dentre outros, formação de recursos humanos, pesquisa, assistência técnica, venda de insumos, máquinas e equipamentos, logística e fornecimento da infraestrutura material e cultural para o turismo da natureza na região Sul (COREDE Sul), nas suas diversas modalidades e que, na atualidade, tem uma demanda nacional e internacional muito atrativa e com tendência de ser cada vez mais dinâmica. 13 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Com relação à indústria os caminhos a serem seguidos (pelo PEDL) são menos óbvios do que o são para a agropecuária e os serviços (no caso de Pelotas). A indústria de um modo geral produz bens que a teoria do comércio internacional chama de tradeables (bens passíveis de serem transacionados entre as diferentes localidades de um país e do mundo. O comércio varejista, por exemplo, é uma atividade nontradeable). A indústria é um setor, portanto, que está exposto a competição internacional. Em um mundo sem barreiras institucionais ao comércio a tendência é dos países e as regiões se especializarem nos setores nos quais são mais competitivos. O mundo real, no entanto, não é o da teoria do comércio internacional. É o mundo das barreiras institucionais (além das naturais, como o custo do transporte). Seja como for é a partir do princípio teórico referido que a consultoria pode começar a se desincumbir da sua tarefa, neste particular, que é a de indicar setores (ou APLs) para serem objetos de ações setoriais específicas. Para isto, foram calculados os quocientes de localização das 137 indústrias existentes em Pelotas (o Brasil como um todo tem 288 indústrias - classes da CENAE). Os quocientes de localização expressam as especializações locais. Quanto maior for a dotação de fatores e a capacidade de acesso a mercados, maiores são as possibilidades que a localidade/região/país tem de diversificar a sua indústria. Assim o potencial de diversificação aumenta na medida em que se sobe na hierarquia de instâncias espaciais e a necessidade de especialização aumenta na medida em que se desce na hierarquia. Esta é a racionalidade técnica. A racionalidade presidida pela operação das forças do mercado. Ocorre, no entanto, que a diversificação industrial pode se dar por decisão da sociedade e/ou dos seus governos. Neste caso a racionalidade se coloca no campo da política, como foi o caso da industrialização brasileira do pós-guerra e de vários investimentos nos anos mais recentes, cujas localizações foram fortemente influenciadas pela intervenção dos governos estaduais, sendo que o mais emblemático foi o da Ford na Bahia. A consultoria entende que as intervenções referidas, embora possam ser socialmente legítimas e de racionalidade econômica defensável, precisam de uma ordenação básica que estabeleça seus limites de operação, pois está evidenciado que as decisões de investimentos privados, especialmente as que envolvem grandes volumes de recursos financeiros, não se restringem a considerações de aspectos puramente técnicos. Neste sentido, a politização das decisões de investimentos é legítima até o ponto em que não comprometa a eficiência competitiva e alocativa futura da economia (ROSA, 2003). A fronteira entre a politização das decisões e a racionalidade estritamente econômica é de difícil delimitação posto que é grande o espaço para juízos de valor. É fundamental 14 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL entender, porém, que se o caminho do progresso econômico não pode ser visto como resultante mecânica da interação de forças cegas e fatais, por outro lado tão pouco se pode deixar de reconhecer as exigências de racionalidade que a atividade econômica envolve e cujo desconhecimento pode comprometer o destino de uma sociedade. A respeito das alternativas especialização e diversificação, a consultoria entende que Pelotas tem atributos competitivos - uns efetivos outros potenciais – que lhe conferem a possibilidade de buscar simultânea e gradativamente ambos os caminhos. O certo, no entanto, é que independentemente de qualquer outra opção que venha a ser feita, Pelotas no que respeita ao setor industrial tem que buscar aprofundar as suas atuais especializações (do complexo agroindustrial-alimentício) capacitando-as cada vez mais e caminhar gradativamente na linha das indústrias intensivas em conhecimento, ligadas ou não ao referido complexo e consolidar a indústria da construção civil2. Estes segmentos surgiram e evoluíram - uns mais, outros menos - em função das forças produtivas endógenas, locais. A chamada abaixo foi com o objetivo de reforçar o colocado acima. Tem, no entanto, uma menção aos investimentos na indústria naval em Rio Grande e que a época se colocavam como sendo muito prováveis. Este é um ponto extremamente importante para elucidar o que a consultoria entende ser o macro objetivo do PEDL, enquanto ferramenta para ajudar na busca de um dinamismo para a economia pelotense compatível com a sua riqueza de capacitações e com as suas necessidades sociais. Os investimentos no Pólo Naval é um estímulo exógeno poderoso e o que tiver de acontecer de positivo em Pelotas - em decorrência destes investimentos - vai acontecer independentemente de qualquer e eventual esforço de indução por parte dos atores locais. 2 Em trabalho contratado pelo Governo do Estado do Rio Grande, em 2005, financiado pelo Banco Mundial, publicado pela Fundação de Economia e Estatística e que tinha o objetivo de indicar alternativas para as regiões menos desenvolvidas do RS, esta consultoria colocou o que segue:... Isto não implica que outras possibilidades de desenvolvimento não possam ser exploradas por iniciativas locais. E o melhor exemplo disto já foi dado com a empresa Comil (em Erechim) que, através de elevada capacitação empreendedora, compensou obstáculos importantes como a inexistência ou insipiência de economias externas na região em que está localizada. De outra parte, a via da diversificação - enquanto objeto de políticas de desenvolvimento - não está fechada para o G14 - as 14 regiões (COREDEs) menos desenvolvidas do RS - desde que integrada a uma estratégia supra regional (estadual e/ou nacional). A este respeito, pode-se imaginar, por exemplo, um cenário em que a indústria de componentes microeletrônicos instala-se no País em decorrência de uma política nacional. Neste caso, caberia ao Governo do Estado, em primeiro lugar, buscar induzir a localização de uma planta de componentes no Rio Grande do Sul e, em segundo lugar, poderia ser a oportunidade de induzir a instalação de tal planta em localidades como Pelotas ou Santa Maria, os dois principais centros universitários e de pesquisa do interior. Com isto, em um mesmo movimento de política pública estaria sendo induzida a diversificação da economia estadual e da região que acolhesse tal investimento. É provável, também, que investimentos como os previstos na indústria naval, sejam capazes de encadear a diversificação do aparelho produtivo da região Sul e um novo surto de desenvolvimento local (ROSA e PORTO, 2008). 15 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A este respeito, o PEDL não precisa se preocupar em imaginar formas de atração de investimentos que virão de uma maneira ou de outra, se instalar na região por força do investimento principal. Este é um estímulo exógeno e por definição é de decisão externa. O que cabe ao PEDL - no que respeita aos investimentos no Polo Naval - é se ocupar de ações e mecanismos que capacitem Pelotas à captura dos estímulos de demanda que vão se colocar para o seu atual aparelho produtivo de bens e serviços, principalmente de serviços. É muito importante ficar bem claro que o papel do PEDL, no que respeita ao setor industrial, é definir objetivos e metas a serem alcançados a partir de instrumentos e ações que dependam predominantemente das capacitações competitivas já existentes - atuais e potenciais – e da capacidade e autonomia de operação dos atores locais. Não teria sentido a este respeito - formular um plano que fosse dependente predominantemente de decisões exógenas, fora do alcance dos atores locais. No setor de serviços o procedimento do diagnóstico foi o mesmo. Buscou-se identificar as especializações e sugerir as prioritárias para fins de ações setoriais específicas. Neste setor é facilmente previsível um aumento da demanda regional o que vai possibilitar a expansão física da rede e isto implicará em investimento por parte dos setores público e privado. Também é previsível a tendência natural do setor de serviços de Pelotas continuar se capacitando para dar suporte à expansão e à transformação qualitativa da produção física de bens porque está passando a agropecuária da região Sul. O que não é uma tendência natural, se o fosse já teria acontecido, é Pelotas dar um grande salto qualitativo no sentido de empreender a sua rica e incomparável identidade cultural. Fazer negócios a partir dela, seja incorporando-a enquanto valor intangível na produção física de bens seja produzindo serviços a partir dela. Além da identidade cultural existe a bela paisagem das lagoas, da planície e da montanha e tudo muito próximo ao mar. Enfim, um conjunto de atributos da natureza, do mundo rural e urbano, da história, da arquitetura e das artes que não existe em nenhum lugar do Rio Grande do Sul e que precisa ser projetado para o mundo da produção e do consumo de forma profissional como fazem a Itália, a França e a Espanha, dentre outros, e como está fazendo Gramado, há mais tempo, e Antônio Prado, mais recentemente (com Tiradentes em Minas Gerais são os únicos no Brasil que tem a certificação Slow City). No segundo capítulo, a Infraestrutura Social de Pelotas é analisada sob a ótica dos requisitos básicos e fatores-chave para impulsionar o desenvolvimento local - na metodologia do World Economic Forum - tratando dos setores de educação, cultura e saúde. 16 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL No que respeita a Educação, os dados quantitativos de números de instituições, de cursos, de acesso a bolsas de pós-graduação e os demais apresentados só fizeram confirmar o que é percebido como um traço distintivo de Pelotas no cenário socioeconômico e cultural do Rio Grande do Sul, a sua especialização em Educação Superior. Já os sofríveis indicadores de desempenho da Educação Básica – especialmente ensino fundamental e o ensino médio apontam que Pelotas deverá ter problemas de competitividade no futuro próximo porque a atual geração de estudantes não está sendo adequadamente preparada. Isto vale também para o Rio Grande do Sul, cujos indicadores também são sofríveis, embora sejam melhores do que os de Pelotas. Este é um dos grandes desafios a ser enfrentado e para isto a sociedade local está dotada de uma infraestrutura científica, tecnológica e de formação de recursos humanos que se distingue nos contexto setorial do Rio Grande do Sul e do País. Esta infraestrutura é uma força endógena da maior importância, mas o seu esforço isolado – no sentido de bem cumprir com a sua missão de ensino - é insuficiente para a transformação socioeconômica porque a cadeia do desenvolvimento local tem elos frágeis que não logram cumprir a contento o que lhes compete. Isto gera insuficiência de dinamismo econômico e a falta deste contribui para aumentar a fragilidade da cadeia do desenvolvimento levando a um circulo vicioso, embora os elos mais fortes continuem o seu caminho, como é o caso do setor de Ensino Superior. No que respeita ao setor de cultura, Pelotas tem várias atividades que se enquadram nas três categorias de indústrias criativas consideradas pelo Fórum de St. Petersburg, mas indiscutivelmente a que Pelotas mais se distingue é na de Patrimônio Histórico, chamada por alguns de indústria do conteúdo histórico. As demais categorias são Design e Visual e Mídia e Espetáculos ao Vivo. A proposição do Diagnóstico é de trabalhar no sentido de tornar a produção de bens e serviços, ligada à categoria Patrimônio Histórico, de interesse do setor empresarial enquanto negócio, o que é de fundamental importância no contexto do conceito a ser construído para diferenciar Pelotas como território competitivo: um complexo integrado de atividades agroindustriais e de serviços relacionados, intensivo em conhecimento e em valor de natureza cultural e ambiental. No que tange á Saúde a tendência natural que se projeta é a necessidade de Pelotas expandir as suas redes de serviços. Por ser um dos requisitos básicos da produtividade social, a saúde costuma ser um segmento propulsor de inovações tecnológicas e por isto tem a capacidade de obter desempenho econômico elevado. Estas razões colocam o setor como elemento central da estratégia de desenvolvimento local de Pelotas, pois há um grande espaço para melhoria do atendimento e de interação dos elos locais da cadeia de bens e serviços de saúde. 17 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O terceiro capítulo trata da infraestrutura econômica. Neste setor o que mais diferencia o município de Pelotas no contexto do Rio Grande do Sul e o torna um centro locacional dos mais atrativos, é o seu sistema de transportes, efetivo e potencial, de caráter intermodal. Isto leva naturalmente à proposição de que o município estruture-se como plataforma logística e invista na integração de seus modais e no seu porto como “alimentador” do porto de Rio Grande. No que respeita ao porto, Pelotas está diante de conflitos de uso e precisa buscar uma solução de equilíbrio. Nessa direção, entende-se que o Ateliê SIRCHAL, estruturou as condições de governança necessárias para efetivar o resgate sociocultural daquela histórica área da cidade e, de outro, reativar e ampliar a atividade portuária, ferramenta econômica extremamente importante para o desenvolvimento da sociedade local. O quarto capítulo trata da questão ambiental. Para isto o Diagnóstico faz uma leitura acurada de estudo da FEPAM sobre o controle de atividades poluidoras em porção do Litoral Sul do RS, orientada pelos objetivos do PDEL e complementada, quando possível e necessário, com outras fontes de informações, sistematizando além das restrições as alternativas de crescimento sustentável da economia local no meio rural e urbano. O sexto capítulo é uma síntese das constatações e conclusões a que chegou o Diagnóstico, e faz sugestões de setores a serem priorizado para ações específicas. Antes, no entanto, o quinto capítulo trata da questão mais importante para o desenvolvimento de Pelotas e, portanto, do PEDL que é o da sua governança. O município já possui estruturas de governança como a Aliança Pelotas, por exemplo. Com relação ao PEDL o diagnóstico é que se faz necessário um esforço conjunto e permanente de aglutinação, busca de convergência e de ampliação destas estruturas com o objetivo de viabilizar uma governança construída em uma base comum. A base comum é a compreensão integrada sobre o passado, o presente e o futuro. Para isto é necessário desvendar o passado para buscar o que as pessoas tem de comum nas suas leituras sobre ele. Desvendar o passado não em busca de unanimidade, mas da sua essência que se projetou no tempo e que está na base da formação do presente. O passado desvendado ajuda na identificação e compreensão das tendências - que se apresentam no presente - e lança luzes sobre o futuro. O futuro será um pouco das tendências, mas será, sobretudo, o desejo da sociedade e o que ela fizer para alcança-lo, como já dizia o viajante francês pelas paragens de Pelotas nos idos de 1839 (citado na epígrafe):... Eles quiseram que o lugar prosperasse, e o lugar prosperou... 18 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1. ECONOMIA: CARACTERIZAÇÃO, EVOLUÇÃO RECENTE, CONTEXTO COMPETITIVO E VISÃO ESTRATÉGICA. O município de Pelotas vive uma situação secular de perda de importância relativa na economia do Rio Grande do Sul. Seja pela grande expansão, até mais ou menos o primeiro quartel do século 20, seja pelo o seu imenso potencial de desenvolvimento, Pelotas é a localidade mais emblemática do Rio Grande do Sul do ponto de vista dos estudos de desenvolvimento regional, pois nos últimos 80 anos não logrou dinamizar a sua economia muito embora a sua rica dotação de capacitações. Embora o processo de perda de participação na economia gaúcha ainda não tenha se revertido, o final do século 20 foi marcado por transformações estruturais que afetaram positivamente macros determinantes do desenvolvimento regional. Talvez a mais importante tenha sido a globalização da economia com a remoção de grande parte das barreiras institucionais ao comércio. Isto fez Pelotas passar da condição de periferia geográfica a de centro de um mercado significativo em termos de PIB e de população, embora isto ainda não tenha se plasmado. Ao lado da valorização de Pelotas, enquanto localidade para sediar investimentos, a nova ordem global, por paradoxal que possa parecer, trouxe uma tendência de (re)valorização dos lugares, da identidade cultural a eles associada, o sentimento de pertencimento. Estas duas transformações são macros determinantes do desenvolvimento tão importantes que no momento em que a sociedade local comemora o seu bicentenário pode-se afirmar, com razoável grau de segurança, que o horizonte a sua frente é muito mais amplo e muito mais promissor do que aquele que se colocava quando comemorava o seu primeiro centenário. O diagnóstico adotou como critério de regionalização do Rio Grande do Sul o dos COREDEs, figuras 1.1 e 1.2. Vez por outra, no entanto, utiliza-se se a macro regionalização adotada pelo trabalho de Cesar e Bandeira (2003) e mostrada na figura 1.3. Esta regionalização é a que melhor expressa e sintetiza os desequilíbrios regionais, quando enfocados na perspectiva histórica e o adjetivo grande é para diferenciar das regiões abrangidas pelos COREDEs com os mesmos nomes. Esta regionalização também é interessante porque é a que melhor distingue os principais processos definidores das características sociais, econômicas e culturais do Rio Grande do Sul, as quais estão na raiz dos diferentes graus de coesão social das suas regiões: i) a ocupação original e formação das estâncias de criação de gado; ii) a imigração e metropolização (Cesar e Bandeira, 2003). A macrorregião Grande Sul abrange a porção do território gaúcho caracterizada historicamente pelo predomínio da pecuária e das grandes propriedades rurais, embora inclua 19 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.1 – Mapa das regiões dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul – COREDEs Figura 1.2 - Municípios do Conselho Regional de Desenvolvimento Sul 20 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.3 – As regiões na formação econômica e cultural do Rio Grande do Sul inclua algumas áreas coloniais, e abarca no todo ou em parte os seguintes COREDEs: Vale do Rio Pardo, menos os seus dois municípios ao norte, Santa Cruz e Venâncio Aires; Alto Jacuí; Sul; Centro-Sul; Fronteira Oeste; Campanha, Central e Vale do Jaguari (Cesar e Bandeira, 2003). A macrorregião Grande Norte abrange a maior parte das áreas alcançadas pelo processo de expansão da colonização europeia a partir das últimas décadas do século XIX: Fronteira Noroeste; Vale do Taquari; Alto da Serra do Botucaraí; Produção; Norte; Celeiro: Noroeste Colonial; Nordeste; Missões; Médio Alto Uruguai; Rio da Várzea; Vale do Taquari e os municípios de Santa Cruz e Venâncio Aires do Vale do Rio Pardo (Cesar e Bandeira, 2003). A Grande Nordeste I abrange os COREDEs Metropolitano Delta do Jacuí e Vale do Rio dos Sinos. A Grande Nordeste II inclui os COREDEs Serra, Campos de Cima da Serra, Hortênsias, Paranhana-Encosta da Serra; Vale do Caí e Litoral (Cesar e Bandeira, 2003). Este capítulo caracteriza a sociedade local e a sua evolução nos anos 2000 sob a ótica das variáveis demográficas, macroeconômicas como PIB, PIB per capita, exportações e finanças públicas, e a setoriais. Nos macros setores - agropecuária indústria e serviços - são identificadas as especializações locais, atuais e potenciais, situadas no contexto competitivo regional e nacional, e sugeridas as prioritárias com vistas a ações setoriais específicas do 21 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL PEDL. A este respeito, o setor de serviços tem se apresentado como uma espécie de motor do crescimento de Pelotas e a tendência que está colocada é a do setor assumir cada vez mais importância uma vez que a localidade exerce o papel de capital regional. Dado o papel desempenhado pelo município e do seu setor de serviços na região se trouxe as demais capitais regionais do Rio Grande do Sul para referenciar determinados momentos da análise. Para o IBGE, capital regional é ó centro que apresenta capacidade de gestão no nível imediatamente inferior ao das metrópoles e tem área de influência de âmbito regional, sendo referidas como destino por grande número de municípios para compras, uso de serviços de saúde e educação, entre outros. A área de influência de Pelotas em termos de polarização regional é reduzida e é mostrada na figura 1.4. Figura 1.4 - Matriz das Regiões de Influência (IBGE REGIC 2007) As capitais regionais são de três níveis e Pelotas é classificada como a de menor importância na hierarquia estabelecida, Capital Regional C. É polarizada por Porto Alegre, considerada Metrópole da categoria 1c (1a é São Paulo, Grande Metrópole Nacional e 1b, Rio de Janeiro e Brasília, Metrópoles Nacionais)3. 3 A caracterização da polarização regional é realizada com base no estudo do IBGE que definiu as Regiões de Influência das Cidades, cuja última atualização é de 2007 e mostra as redes formadas pelos principais centros urbanos do País, baseadas na presença de órgãos do executivo, do judiciário, de grandes empresas e na oferta de ensino superior, serviços de saúde e domínios de internet. Para definir os centros da rede urbana brasileira, foram consideradas hierarquias de subordinação administrativa no setor público federal, no caso da gestão federal, e de localização das sedes e filiais de empresas, para estabelecer a hierarquia de gestão empresarial. A oferta de equipamentos e serviços, entre as quais ligações aéreas, deslocamentos para internações hospitalares, áreas de cobertura das emissoras de televisão, oferta de ensino superior, diversidade de atividades comerciais e de serviços, oferta de serviços bancários e presença de domínios de Internet, complementa a identificação dos centros de gestão do território. Nos 4.625 municípios (entre os 5.564 existentes em 2007) que não foram identificados como centros de gestão, a Rede de Agências do IBGE respondeu a um questionário específico no final de 2007, que investigou as principais ligações de transportes regulares, em particular as que se dirigem aos centros de gestão, e os principais destinos dos moradores locais, para obter produtos e serviços (compras, educação superior, 22 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.1- DEMOGRAFIA O município de Pelotas é um dos principais polos econômicos da região Grande Sul. É o aeroportos, serviços de saúde, aquisição de insumos e destino dos produtos agropecuários). Com base nos resultados destes levantamentos, foi construída uma hierarquia das metrópoles e centros, configurando redes de influência regionais que possibilitam identificar os fluxos econômicos e sociais predominantes. As áreas de influência dos centros foram delineadas a partir da intensidade das ligações entre as cidades, as quais foram classificadas em cinco níveis, por sua vez subdivididos em dois ou três subníveis, a saber: Nível 1. Metrópoles: Compreende os 12 principais centros urbanos do País, com grande porte, fortes relacionamentos entre si e, em geral, extensa área de influência direta. As metrópoles possuem três subníveis: Nível 1a. Grande metrópole nacional, representada por São Paulo, o maior conjunto urbano do País, com 19,5 milhões de habitantes em 2007 e no primeiro nível da gestão territorial; Nível 1b. Metrópole nacional, constituída por Rio de Janeiro e Brasília, com população de 11,8 milhões e 3,2 milhões em 2007, respectivamente, também estão no primeiro nível da gestão territorial, constituindo-se, juntamente com São Paulo, em foco para centros localizados em todo o País; Nível 1c. Metrópole, compreendendo Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre, com população variando de 1,6 (Manaus) a 5,1 milhões (Belo Horizonte) de habitantes em 2007, constituem o segundo nível da gestão territorial, à exceção de Manaus e Goiânia que, embora estejam no terceiro nível da gestão territorial, tem porte e projeção nacional que as incluem neste conjunto. Nível 2. Capital regional. Trata-se de 70 centros que, como as metrópoles, também se relacionam com o estrato superior da rede urbana (níveis 1a e 1b), porém apresentam capacidade de gestão no nível imediatamente inferior ao das metrópoles e tem área de influência de âmbito regional, sendo referidas como destino por grande número de municípios em diversas atividades. As referências de destino para atividades tais como compras, uso de serviços de saúde e educação, entre outros, por outros municípios são denominados na metodologia como “relacionamentos”. Este nível também tem três subdivisões: Capital regional A, composto por 11 cidades, com medianas de 955 mil habitantes e 487 relacionamentos; Capital regional B, formado por 20 cidades, com medianas de 435 mil habitantes e 406 relacionamentos; Capital regional C, formado por 39 cidades com medianas de 250 mil habitantes e 162 relacionamentos. Nível 3. Centro sub-regional. Neste nível são agrupados 169 centros com atividades de gestão menos complexas (dominantemente entre os níveis 4 e 5 da gestão territorial). Estes centros possuem área de atuação mais reduzida e seus relacionamentos com centros externos à sua própria rede dão-se, em geral, apenas com as três metrópoles nacionais. Subdividem-se nos grupos: Centro sub-regional A, constituído por 85 cidades, com medianas de 95 mil habitantes e 112 relacionamentos; Centro sub-regional B, composto por 79 cidades, com medianas de 71 mil habitantes e 71 relacionamentos. Nível 4. Centro de zona. Este grupo é composto por 556 cidades de menor porte e com atuação restrita à sua área imediata, caracterizando-se por exercerem funções de gestão elementares. Subdivide-se nos grupos: Centro de zona A, formado por 192 cidades, com medianas de 45 mil habitantes e 49 relacionamentos. Predominam os níveis 5 e 6 da gestão territorial (94 e 72 cidades, respectivamente), contando ainda com nove cidades no quarto nível e 16 não classificadas como centros de gestão; Centro de zona B, composto por 364 cidades, com medianas de 23 mil habitantes e 16 relacionamentos. A maior parte destas cidades (235) não havia sido classificada como centro de gestão territorial e outras 107 estavam no último nível. Nível 5. Centro local. Composto pelas demais 4.473 cidades cuja centralidade e atuação não extrapolam os limites do seu município, servindo apenas aos seus habitantes. Os centros locais geralmente possuem população inferior a 10 mil habitantes (mediana de 8.133 habitantes). Para as cidades que constituem grandes aglomerações urbanas, a unidade de observação considera o conjunto da Área de Concentração de População - ACP ou de suas subáreas. As ACPs são definidas como grandes manchas urbanas de ocupação contínua, caracterizadas pelo tamanho e densidade da população, pelo grau de urbanização e pela coesão interna da área, dada pelos deslocamentos da população para trabalho ou estudo. As ACPs se desenvolvem ao redor de um ou mais núcleos urbanos, em caso de centros conurbados, assumindo o nome do município da capital, ou do município de maior população. As 40 ACPs, constituídas por agregação de 336 municípios, são: Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Teresina, Fortaleza, Juazeiro do Norte– Crato−Barbalha, Natal, João Pessoa, Campina Grande, Recife, Petrolina–Juazeiro, Maceió, Aracaju, Salvador, Feira de Santana, Ilhéus−Itabuna, Belo Horizonte, Ipatinga–Coronel Fabriciano–Timóteo, Juiz de Fora, Uberlândia, Vitória, Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Volta Redonda–Barra Mansa, São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Curitiba, Londrina, Maringá, Florianópolis, Joinville, Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas–Rio Grande, Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Brasília. A ACP de São Paulo está dividida, tendo como núcleo principal a cidade de São Paulo, sendo Campinas, Jundiaí, Santos, São José dos Campos e Sorocaba os outros núcleos. Na ACP de Porto Alegre, identifica-se subdivisão embrionária, tendo Porto Alegre como núcleo principal e Novo Hamburgo–São Leopoldo como subnúcleo. Pelotas, portanto, é considerada uma Área de Concentração de População juntamente com Rio Grande, ou seja, não há propriamente uma polarização de Rio Grande por Pelotas, embora o tamanho da população de Pelotas seja significativamente maior. Assim, a ACP Pelotas-Rio Grande é polarizada diretamente por Porto Alegre e polariza uma rede regional formada por outros 22 municípios. Nesta rede urbana de polarização Bagé se destaca como um Centro Sub-regional A, polarizando outros quatro municípios diretamente (Aceguá, Candiota, Dom Pedrito e Hulha Negra) e também Pinheiro Machado (Centro de Zona B) que polariza Pedras Altas. Situação similar é observada em relação a Santa Vitória do Palmar (Centro de Zona B) que polariza Chuí. 23 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL primeiro em população com 328,3 mil habitantes em 2010 e o 3º do RS (figura 1.1.5). Dentre os 12 municípios mais populosos do Rio Grande do Sul, Pelotas é o que tem a menor taxa de urbanização, 93,3% (figura 1.1.1). Esta taxa se manteve inalterada na última década, quando no Rio Grande do Sul evoluiu de 81,6%, em 2000, para 85,1% em 2010 e nas capitais regionais de 95,4% para 96,3%. Não é relativamente elevada a densidade demográfica de Pelotas de 200 habitantes/Km2 (figura 1.1.2), pois a média das capitais regionais é de 208 habitantes/Km 2. A densidade dos 12 municípios mais populosos é de 369 habitantes/Km2. As maiores densidades são de Porto Alegre, 2.887 habitantes/Km2 e Canoas, 2.470, na região Metropolitana, e as menores densidades são as de Rio Grande, 70, e de Santa Maria, 147, dentre as capitais metropolitanas. A figura 1.1.3 mostra que é extremamente baixa a taxa de crescimento da população de Pelotas no período 2000/2010, apenas 0,16% anuais a população total e 0,17% a urbana. Somente Novo Hamburgo, dentre os 12 municípios mais populosos e as sete capitais regionais, cresceu menos do que Pelotas. Uma vez que os movimentos da população, em grande medida, estão associados aos movimentos da economia, a baixa taxa de crescimento da população urbana de Pelotas, muito provavelmente, tenha ver com o baixo dinamismo da sua economia no período, conforme é visto na sequencia. Novo Hamburgo, por sua vez, esteve no período envolvido com a crise das exportações do seu principal complexo produtivo, o coureiro-calçadista. 1.409.351 Figura 1.1.1 - Os 12 municípios mais populosos do Rio Grande do Sul - No de habitantes em 2010 Porto Alegre Canoas Gravataí Viamão Alvorada Caxias do Pelotas Sul Santa Novo São Rio Maria Hamburgo Leopoldo Grande 184.826 197.228 214.087 238.940 261.031 328.275 435.564 195.673 239.384 255.660 323.827 Capitais regionais Passo Fundo Fonte: Censo Demográfico de 2010 - IBGE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. 24 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.1.2 - Taxa de urbanização do 12 municípios mais populosos do Rio Grande do Sul em 2010 - % Capitais regionais 100,0 100,0 100,0 99,6 98,3 97,5 96,3 96,0 95,2 95,1 94,0 Porto Alegre Canoas Gravataí 93,3 Viamão Alvorada Caxias do Sul Pelotas Santa Maria Novo São Hamburgo Leopoldo Rio Grande Passo Fundo Fonte: Censo Demográfico de 2010 - IBGE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Figura 1.1.3 - Densidade demográfica dos municípios mais populosos do Rio Grande do Sul em 2010 2.837 2.763 Capitais regionais 2.470 2.093 1.069 551 271 160 Porto Alegre Canoas Gravataí Viamão Alvorada Caxias do Sul 200 147 Pelotas Santa Maria 237 70 Novo São Hamburgo Leopoldo Rio Grande Passo Fundo Fonte: Censo Demográfico de 2010 - IBGE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Figura 1.1.4 - Crescimento anual da população do Rio Grande do Sul e dos seus 12 municípios mais populosos no período 2000/2010 - % Capitais regionais Canoas Gravataí Caxias do Sul Pelotas 0,93 0,96 1,01 1,01 0,12 0,12 0,56 0,56 Alvorada 0,16 0,17 Viamão 0,69 0,74 0,95 0,56 0,56 0,62 0,65 Porto Alegre 0,51 0,61 RS 0,35 0,65 0,49 0,90 1,39 1,91 2,32 População total População urbana Santa Maria Novo São Rio Grande Hamburgo Leopoldo Fonte: Censo Demográfico de 2010 - IBGE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. 25 Passo Fundo Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A tabela 1.1.1 apresenta a estrutura etária da população de Pelotas e a compara com as do município de Rio Grande, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil. A este respeito Pelotas não se distingue de forma relevante do padrão observado na referida tabela. A população em idade ativa (PIA - 15 a 64 anos) corresponde a 69,8% do total, percentual muito próximo ao do município de Rio Grande e das demais instâncias espaciais consideradas (Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil). A população de Pelotas, no entanto, assim como a do Corede Sul, é relativamente um pouco mais velha do que as do Rio Grande do Sul e a do Brasil. Na última década o crescimento populacional de Pelotas foi praticamente a metade do experimentado pela região do Corede Sul, contra 0,32% e muito abaixo do Rio Grande do Sul, 0,9%, e Brasil, 1,55%. No grupo das capitais regionais o crescimento da população urbana (não incluindo Pelotas) foi de 1,1% anuais (seis vezes maior do que a taxa de Pelotas). No grupo das capitais regionais as maiores taxas foram de Caxias do Sul e de São Leopoldo, 2,3% e 1% anuais, respectivamente, justamente os municípios que experimentaram as maiores taxas de crescimento do PIB, conforme é visto em seguida. Tabela 1.1.1 - População de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil por domicílio e estrato de idade em 2010. Pelotas o N de habitantes Rio Grande Corede Sul 197.228 843.206 10.693.929 328.275 População rural - % da total População urbana - % da total Estrutura etária (%) Rio Grande do Sul Brasil 190.755.799 6,7 4,0 16,4 14,9 15,6 93,3 96,0 83,6 85,1 84,4 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 0 a 14 anos 19,8 21,4 20,7 20,8 24,1 15 a 64 anos 69,8 69,2 68,9 69,9 68,5 65 anos e mais 10,4 9,4 10,5 9,3 7,4 Fonte: Censo Demográfico de 2010 – IBGE, tabela 1.552; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Tabela 1.1.2 - Taxa de crescimento da população em Pelotas, Rio Grande, Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil entre 2000 e 2010 por domicílio e faixa etária. Pelotas Rio Grande Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil 0,16 0,56 0,19 0,49 1,17 Rural 0,00 0,61 -0,44 -1,59 -0,65 Urbana 0,17 0,56 0,32 0,90 1,55 0 a 14 anos -2,06 -1,27 -1,76 -1,73 -0,90 15 a 64 anos 0,58 0,99 0,56 0,94 1,78 65 anos e mais 2,43 2,27 2,42 3,10 3,55 Total Faixas etárias Fonte: Censo Demográfico de 2010 e 2000 – IBGE, tabela 1.552; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. 26 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas, portanto, se diferencia das capitais regionais, pelo menor grau de urbanização e pela menor densidade demográfica. O que, no entanto, efetivamente é um indicador preocupante é a baixíssima taxa de crescimento da população urbana, pois isto denota e projeta falta de dinamismo econômico. O baixo dinamismo também se coloca quando a comparação são as instâncias supra municipais. Figura 1.1.9 - População de Pelotas por faixa etária e sexo - 2010. 80 ou mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos Fonte: Censo Demográfico 2010 (15.000) (10.000) (5.000) Homens - IBGE 0 5.000 Mulheres 10.000 15.000 Figura 1.1.10 - População de Pelotas por faixa etária e sexo - 2000. 80 ou mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos Fonte: Censo Demográfico 2000 - IBGE 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos (20.000) (15.000) (10.000) (5.000) 0 Homens 5.000 10.000 Mulheres 15.000 20.000 27 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Uma constatação positiva, no entanto, é que Pelotas a exemplo do Brasil está completando o processo de transição demográfica4. Na última década a redução da taxa de fecundidade e a elevação da expectativa de vida alterou a pirâmide etária do Brasil. Hoje a população brasileira, a exemplo da de Pelotas, tem mais idosos e menos jovens, relativamente, e reduziu a sua taxa de dependência demográfica dada pela relação entre o número de pessoas dependentes (0 a 14 anos) por pessoas em idade produtiva (15 a 64 anos). Esta dinâmica gera o que é conhecido por bônus demográfico, o crescimento líquido da população em idade produtiva em relação aos idosos e dependentes. A tabela 1.1.2 mostra as taxas de crescimento da população, as quais indicam a transição demográfica em curso em Pelotas e nas demais instâncias espaciais consideradas neste diagnóstico e as figuras 1.1.9 e 1.1.10 mostram a sensível mudança na estrutura da pirâmide etária de Pelotas entre 2010 e 2000. Esta transformação se projeta como sendo positiva e não está sinalizada nenhuma tendência, no terreno da demografia, que se coloque como fator restritivo o desenvolvimento de Pelotas nos próximos anos. 1.2. ESTRUTURA E EVOLUÇÃO DO PIB E PIB PER CAPITA Pelotas tem o segundo maior PIB da região Grande Sul - R$ 3,8 bilhões em 2009 (9º no RS), antecedido por Rio Grande (4º no RS) com R$ 6,3 bilhões. Em PIB per capita, no entanto, com R$ 11.148, Pelotas ocupava a constrangedora 382ª posição no ranking estadual (figura 1.2.1). Pelotas é o segundo município em PIB industrial da região Grande Sul, R$ 692,5 milhões em 2009, mas é o 14º do RS. É antecedido pelo município de Rio Grande com R$ 1,83 bilhões (figura 1.2.3). Pelotas também é o segundo da região Grande Sul em PIB de serviços (5º no RS), R$ 2,69 bilhões, antecedido por Rio Grande com R$ 2,79 e seguido por Santa Maria, R$ 2,55 bilhões (figura 1.2.3). Na estrutura do PIB de Pelotas predomina o setor de serviços, com 76,4% do total (de 2009). A tabela 1.2.1 mostra que o município tem uma tênue especialização no setor de serviços com relação ao Brasil o que se expressa pelo quociente de localização de 1,1. O Rio Grande do Sul, em 2009, era especializado em agropecuária, com um quociente de 1,8, e detinha 4 O conceito de transição demográfica foi proposto pelo americano Warren Thompson em 1929 com o termo original Demographic Transition Model. Estuda as modificações que acontecem nas populações humanas desde o período das “altas taxas de nascimento (natalidade) e altas taxas de mortalidade” para o período das “baixas taxas de nascimento (natalidade) e baixas taxas de mortalidade”. Thompson já parte do princípio de que as taxas de nascimento e de mortalidade nunca foram constantes no tempo e que há leis ou regras gerais que se aplicam a todas as populações, que seriam as fases da transição demográfica: a pré-moderna, a moderna, a industrial madura e a pós-industrial (Lotufo, 2010). 28 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL uma especialização, também tênue, no setor industrial de 1,1 5. 3.847.928 3.728.978 Triunfo 4.378.957 Gravataí 4.499.416 6.280.858 Caxias do Sul Rio Grande 5.378.395 Canoas 5.628.743 Porto Alegre 12.509.582 16.444.476 37.787.913 Figura 1.2.1 - Os 10 maiores municípios em PIB do Rio Grande do Sul em 2009 (R$1000) e posição no ranking de PIB per capita Novo Hamburgo Santa Cruz do Sul Pelotas Passo Fundo PIB per capita em 2009 (R$) e posição no ranking do Rio Grande do Sul 26.312 49.523 a 30.499 a 44 31.990 a 4 a 19 20.890 211.965 a 14 17.457 a 95 35.761 a 1 a 162 11.148 a 10 19.887 113a 382 975.920 921.982 856.163 744.140 743.062 726.663 719.311 701.121 692.457 Guaíba São Leopoldo Bento Gonçalves Sapucaia do Sul Erechim Passo Fundo Cachoeirinha Venâncio Aires Pelotas 1.025.742 1.831.104 Rio Grande Novo Hamburgo 1.834.788 Santa Cruz do Sul 2.874.859 Gravataí 3.773.071 Triunfo 4.543.585 Caxias do Sul 4.652.975 Figura 1.2.2 - Os 17 maiores municípios do Rio Grande do Sul em PIB industrial em 2009 (R$1.000) Porto Alegre Canoas 6.214.609 Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. 5 A especialização se expressa pelo quociente de localização e este é a relação entre a participação (%) de determinada atividade na economia regional e a participação (%) da atividade congênere na economia suprarregional (o Brasil, no caso presente). Quanto maior do que 1 for a relação, maior será a especialização da região na atividade considerada. 29 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.653.129 2.551.325 2.544.562 2.094.566 2.026.120 Caxias do Sul 2.692.321 Canoas 2.782.161 Porto Alegre 5.959.880 8.074.083 26.897.194 Figura 1.2.3 - Maiores municípios do Rio Grande do Sul em PIB de serviços em 2009 (R$1.000) Rio Grande Pelotas Novo Hamburgo Santa Maria Passo Fundo Gravataí São Leopoldo Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Tabela 1.2.1 - Estrutura do PIB de Pelotas, Rio Grande, Corede Sul, Região Grande Sul, Rio Grande do Sul e Brasil e coeficiente de localização dos macros setores com relação ao Brasil Estrutura do PIB (%) Agropecuária Indústria Serviços 2000 2009 2000 2009 2000 2009 5,6 5,6 27,7 26,8 66,7 67,5 8,3 9,9 29,8 29,2 61,9 16,9 21,1 20,7 20,2 9,9 13,0 25,2 Rio Grande 2,4 2,8 Pelotas 2,9 3,9 Brasil Rio Grande do Sul Grande Sul Corede Sul Quociente de localização em 2009 com relação ao Brasil Agropecuária Indústria Serviços 60,9 1,8 1,1 0,9 62,5 58,7 3,7 0,8 0,9 25,1 64,8 61,9 2,3 0,9 0,9 36,7 38,6 60,9 58,6 0,5 1,4 0,9 21,2 19,7 75,8 76,4 0,7 0,7 1,1 Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Tabela 1.2.2 – Participação de Pelotas, Rio Grande e as regiões Corede Sul e Grande Sul no PIB do Rio Grande do Sul e deste no PIB do Brasil em 2000 e 2009 Indústria Serviços Total Pelotas Agropecuária Rio Grande Total Corede Sul Serviços Grande Sul Indústria Rio Grande do Sul (% do Brasil) % no PIB do Rio Grande do Sul em 2009 Agropecuária % no PIB do Rio Grande do Sul em 2000 10,5 7,6 6,5 7,0 11,8 7,4 6,1 6,8 40,5 13,8 20,2 20,0 44,9 14,5 20,3 21,0 7,2 5,1 6,3 6,1 8,2 5,4 6,3 6,2 0,6 2,7 2,1 2,2 0,73 3,3 2,4 2,5 0,74 1,5 2,6 2,1 0,75 1,3 2,3 1,9 Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. 30 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.2.4 - Participação de Pelotas no PIB do Rio Grande do Sul no período 2000/2009 (%) 2000 2001 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,3 1,9 0,75 1,3 1,8 1,3 0,63 0,62 1,2 1,8 2,3 2,4 2,4 Total 1,8 0,73 1,3 1,8 0,83 1,3 1,8 0,81 1,3 1,8 1,3 0,59 2002 Serviços 2,4 2,4 Indústria 2,3 2,5 1,9 1,4 0,71 0,74 0,74 1,5 1,5 2,0 2,1 2,5 2,6 Agropecuária 2009 Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Nos anos 2000 Pelotas perde participação no PIB global do Rio Grande do Sul passando de 2,1% em 2000 para 1,9% em 2009. Ocorre um ligeiro ganho de participação na agropecuária, perda na indústria e nos serviços, o macro setor que constitui a especialização natural do município, característica esta que tende a ser aprofundada no futuro próximo dada a sua posição de polo urbano-regional (tabela 1.2.1). Há de se considerar, ainda, que Pelotas experimentou uma significativa piora em termos de PIB per capita. Em 2000 ocupava a 222ª posição no ranking dos 467 municípios de então com R$ 5.171, o que equivalia a 65% da média estadual. Em 2009 o valor era de R$ 11.148, mas significava somente 56% da média estadual e a 394ª posição no ranking dos 496 municípios do Rio Grande do Sul. O desempenho deste início de milênio indica que Pelotas - diferentemente das regiões Grande Sul e Corede Sul e do município de Rio Grande - continua na trilha secular de perda de posição na economia gaúcha (tabela 1.2.2), fenômeno que tem causas muito remotas e ligadas aos principais processos definidores das características sociais, econômicas e culturais do Rio Grande do Sul, apontados na figura 1.3. Conforme o trabalho de ROSA e PORTO (2010) e muitos outros, os processos de ocupação do território foram, originariamente, os determinantes da maior diversificação produtiva das regiões Grande Norte e Grande Nordeste relativamente ao Grande Sul e, portanto, do maior dinamismo daquelas. A ocupação do território na região Grande Sul se deu através das grandes propriedades pecuárias. No Grande Norte e no Grande Nordeste o processo ocorreu sob o regime da pequena propriedade, o que proporcionou uma base maior de mercado consumidor e, com isto, o surgimento das primeiras indústrias. 31 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL De outra parte os imigrantes europeus que se dirigiram ao Grande Nordeste e ao Grande Norte trouxeram costumes e valores que, comparados com os pré-existentes no Rio Grande do Sul, eram mais identificados com a racionalidade do capitalismo e, embora predominantemente agricultores, eram portadores da cultura fabril européia. O avanço tecnológico da pecuária de corte na Grande Sul - a introdução de raças europeias, a individualização das áreas de produção (com os aramados), os núcleos centralizados de trabalho com o gado em torno da sede e de subsedes dos estabelecimentos, com encerras, mangueiras, bretes, banheiros, etc. - liberou grandes contingentes de peões assalariados para as áreas marginais das cidades. Estes representavam uma mão de obra de difícil absorção em outras atividades e representaram um ônus social de grande envergadura. A modernização reduziu a demanda efetiva e concentrou mais a renda, provocando um tipo de demanda que não tinha oferta correspondente, o que acabou por direcionar o poder comprador de inúmeros pecuaristas ricos para mercados ofertantes de fora da região e de fora do Brasil. Muitas propriedades rurais, ainda nas décadas de sessenta e setenta do século 20 (e até hoje, em vários casos) conservavam as louças, os móveis, e os equipamentos hidráulicos importados da Inglaterra, da França e da Itália. É interessante observar a coincidência que existe entre o período no qual esse processo de modernização mais se acentua (décadas de quarenta e cinquenta do século 20) e o período em que a Grande Sul começa a perder importância relativa no Rio Grande do Sul, muito embora isso não seja o único fator explicativo. Justamente nas décadas de quarenta e cinquenta é que se registra a grande migração rural-urbana da região da Campanha. De qualquer modo, ao longo dos séculos 17, 18 e 19 a pecuária da mula, do couro e das charqueadas foram as principais e mais dinâmicas atividades econômicas do RS e as mais importantes em termos de exportação. Estas atividades, entretanto, sempre foram acompanhadas por disputas internas intensas, o que determinou a sua instabilidade e baixa rentabilidade, seja porque essas lutas dizimavam os rebanhos, seja porque o charque era um produto importante para o custo da mão-de-obra escrava e por isto objeto de intervenções governamentais, seja pela concorrência dos platinos, mais eficientes em termos de matéria prima e de charqueadas. Isto tudo fazia da pecuária, uma atividade de baixa rentabilidade e, portanto, de baixa capacidade de acumulação. Ao longo de todo o século 20 a Grande Sul perde participação para as regiões Grande Norte e Grande Nordeste e no final dos anos 30 deixa de ser a mais importante na geração do PIB estadual. O seu menor crescimento deveu-se a uma combinação de fatores, dentre os quais destaca-se o fato anteriormente citado de que a modernização provocou a expulsão de grandes contingentes de peões para as cidades e também porque a modernização foi 32 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL incompleta, tanto no sentido de que não foi adotada por todos os produtores, com uma grande massa mantendo-se marginalmente no mercado, e só alguns assumindo os riscos inerentes a adoção de novas tecnologias e aos investimentos que seriam requeridos para diversificar a produção primária, alicerçada na pecuária de corte e subsidiariamente na ovinocultura, ambas de baixa rentabilidade na maior parte do século passado. Além do exposto, toda a industrialização da carne que sucedeu às charqueadas foi feita através de empresas estrangeiras “extrativas” que não reinvestiam os lucros no desenvolvimento da indústria. O resultado foi a sua obsolescência até recentemente, com baixo grau de integração vertical durante toda a sua existência. A atividade principal, portanto, nunca teve complementaridade vertical, a não ser nos momentos de riqueza, ou seja, até fins do século 19, com a produção de gado, couro e charque por agentes locais de produção. O ciclo do charque gerou um excedente econômico de tal magnitude que permitiu erigir um centro urbano com características europeias, francesas principalmente, em termos de traçado da cidade, de arquitetura e de equipamentos e de uma elite que soube se fazer educada e culta6. Grande parte do acervo arquitetônico atual data do século 19. O charqueador, considerando o contexto da época, era um empreendedor e a epígrafe deste Relatório parece dar força a esta afirmação... Eles quiseram que o lugar prosperasse, e o lugar prosperou... O mínimo que se pode dizer é que o viajante francês Nicolau Dreys, citado pelo professor Mário Osório Guimarães, viu, na Pelotas que visitou no segundo quartel do século 19, um empreendedorismo lato sensu, pelo menos7. Mas também se pode falar em empreendedorismo stricto sensu, pois as obras do canal São Gonçalo, em 1875, que possibilitaram a exportação direta do charque para os Estados Unidos e para a Europa foram iniciativa dos charqueadores. Para viabilizar a exportação (reduzir os custos do transporte) os charqueadores possuíam agentes comerciais em diversos portos para que os navios retornassem com mantimentos, móveis, louças e livros. Com os subprodutos das charqueadas investiram em fábricas de sabão, velas e nos curtumes (Peter, 2007). 6 Soube se fazer porque poucos charqueadores tinham diploma, eram pessoas simples e modestas na aparência, filantropos, beneméritos na assistência social (Peter, 2007) e souberam investir na educação e na cultura de seus filhos e do lugar. 7 Pelotas não contava com nenhum edifício público que fosse obra do governo, não tinha absolutamente nenhuma construção que não tivesse sido construída pela iniciativa e anseio pelo progresso de sua sociedade (Peter, 2007). Em seu trabalho esta autora menciona matéria do jornal Onze de Junho - anos 70 do século 19 – referida pelo professor Osório (1993): “o desenvolvimento de Pelotas devia-se à dedicação honrosa dos seus industriais, e que graças à iniciativa dos naturais da terra a cidade pode ser modelada segundo o gosto da arte moderna e que com suas ruas rigorosamente paralelas, com seus elegantes palacetes, pode ser considerada um precioso exemplar para futuras povoações”. 33 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Depois do charque o produto de maior dinamismo que surgiu na Grande Sul e em Pelotas foi o arroz. Nos anos 50 do século passado a economia do arroz superou a pecuária como a de maior expressão no PIB agroindustrial. Em Pelotas sua introdução se deu através de produtores locais de grande visão empreendedora, mas na Grande Sul como um todo, o maior surto de desenvolvimento da atividade ocorreu principalmente através de produtores forâneos e, em grande parte, descendentes de alemães e italianos que operavam, inicial e basicamente, no regime de arrendamento de terras. A experiência bem sucedida dos pioneiros influenciou a entrada na atividade de produtores locais proprietários, de sorte que há mais de 50 anos a orizicultura é a principal atividade e a de maior dinamismo da Grande Sul exigindo um extraordinário esforço privado de investimento em acumulação de água, enfrentamento de várzeas de difícil acesso, sistematização de solos e criação de infraestrutura de irrigação e drenagem. Nos anos recentes, no entanto, o setor vive crises recorrentes em função de que a expansão da produção fruto principalmente dos enormes ganhos de produtividade tem sido muito maior do que a elevação do consumo, o que está impondo sérias limitações para Pelotas, posto que a sua maior indústria é justamente a de beneficiamento do arroz, com 45 estabelecimentos industriais, empregando 1.756 pessoas em 2010 (RAIS/MTE). O outro fator que contribuiu para o insuficiente crescimento da Grande Sul e de Pelotas foi o fato de que não conseguiram erigir um parque industrial expressivo a partir da sua base de recursos naturais e nem de participar do processo de substituição de importações, o vetor dinamizador do crescimento da economia Brasileira do pós II Guerra até o final dos anos 70, trajetória que logrou inserir-se, com relativo sucesso, a Grande Nordeste. Já a Grande Norte teve o próprio setor agrícola como o seu vetor mais importante de crescimento. Na primeira metade do século passado o crescimento fundou-se na agricultura colonial e no cultivo de trigo e, a partir dos anos 60, na cultura da soja que introduziu um dinamismo sem precedente na região e encadeou investimentos no setor urbano e em especial na expansão e diversificação da indústria de máquinas agrícolas. Nos anos mais recentes - especialmente a partir do encerramento do último ciclo de crescimento da economia Brasileira, no início dos anos 80, até o presente - tem continuidade o processo de geração e de reprodução das disparidades regionais da economia gaúcha. Pelotas e a região Grande Sul continuam perdendo posição com o agravante de que este processo – nos anos recentes - se dá em um movimento de fraca expansão da atividade econômica nos planos estadual e nacional. Pelo exposto parece ser incontroverso que o determinante histórico tem uma contribuição importante na explicação do menor dinamismo econômico de Pelotas e da Grande Sul. Mas, 34 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL para os autores, é certo, também, que com o passar do tempo as economias regionais podem assumir uma dinâmica tal que as tornem cada vez menos explicadas pelas suas histórias originárias. A história não tem o poder de manter permanentemente aberto o caminho do progresso material e humano de umas regiões e permanentemente fechado o de outras. Não tem este poder simplesmente porque a história é o resultado do acontecer social e não o contrário, muito embora um ou outro acontecer social possa ser uma simples reprodução da sua existência, da sua história. Pelotas, ao contrário de muitos territórios, tem a vantagem de ter vivido uma história que lhe deixou um grande legado e o desafio que se coloca, já há bastante tempo, é desvendar e se apropriar produtivamente deste legado. O desafio que se tem pela frente não é pequeno, pois é muito evidente que Pelotas vive um processo secular de perda de posição relativa no PIB estadual e que isto se deve ao fato de que não logrou se libertar, de todo, das amarras colocadas pela sua rica história e que estão mais no imaginário do que na realidade concreta. O desafio do PEDEL, portanto, será idealizar e formular a inserção de Pelotas em uma dinâmica vigorosa de crescimento e a altura da sua formidável dotação de recursos naturais, de infraestrutura física, científica, tecnológica e de formação de recursos humanos, de patrimônio cultural e de poupança local. Pelotas tem, ainda, o terceiro maior mercado local do Rio Grande do Sul e está junto a um porto marítimo e a um modal de transportes para levá-la aos mercados do mundo. 1.3.AGROPECUÁRIA: C ARACTERIZAÇÃO, EVOLUÇÃO RECENTE , IMPORTÂNCIA RELATIVA NO CONTEXTO REGIONAL E N ACIONAL E PERSPECTIVAS . As descrições e análises que seguem são baseadas em pesquisa de dados secundários e em uma primeira rodada de consultas ao setor8 . As consultas e análises não tiveram o objetivo de realizar um levantamento completo e exaustivo de toda a problemática envolvida no desenvolvimento econômico e social da agropecuária local. Tiveram, tão somente, a preocupação de eleger algumas linhas de análise com o objetivo de compor uma visão estratégica, explicitando, quando é o caso, as causas principais do atraso absoluto e relativo das atividades produtivas e as alternativas que possam contribuir à sua superação. Sempre que possível e necessário à agropecuária local é contrastada com as do Corede Sul (figura 1.2), do Rio Grande do Sul e do Brasil. A análise se inicia com a demografia do setor rural com base nos dados do Censo de 2010 do IBGE e é detalhada com o auxilio do Censo 8 Associação Rural e Sindicato Rural; Agência de Desenvolvimento da UFPEL – Lagoa Mirim; UCPEL; EMBRAPA; CENAGRO; EMATER; COSULATI; Secretaria de Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Pelotas; Corede Sul; Produtor e industrial de conservas, Ariosto Ehart. 35 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Agropecuário de 2006. Os resultados dos dois censos (e do Censo Demográfico de 2000) mostram que não há evidências de que a variável demográfica possa vir a ser um entrave ao desenvolvimento da agropecuária no município. A relação entre população ativa e inativa é assemelhada as do Corede Sul e do Rio Grande do Sul e ligeiramente melhor do que a brasileira. Além disso, a densidade demográfica rural de Pelotas é relativamente elevada. A população ocupada no meio rural é predominantemente familiar e tem um nível de qualificação superior as do Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil, excetuando a que trabalha na fruticultura e os dirigentes dos estabelecimentos em geral. No que respeita à estrutura fundiária predomina o pequeno estabelecimento e aqui reside o principal problema estrutural do setor agropecuário: a existência de uma matriz produtiva em desacordo com a estrutura fundiária, pois a lavoura temporária, no segmento de grãos, e a pecuária bovina (de corte) são atividades intensivas em escala, incapazes, portanto, por mais produtivas que sejam de remunerar condignamente o pequeno produtor. Além disso, a produtividade do município em quase todas as linhas de produção é baixa. Feita a análise de cada uma das principais linhas de produção vegetal e animal, a última seção alinha conclusões e sugestões de capacitação e de setores a serem priorizados pelo PEDL. 36 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.3.1. POPULAÇÃO E PESSOAL OCUPADO NA A GROPECUÁRIA Segundo o Censo Demográfico de 2010, 22.082 pessoas vivem no meio rural em Pelotas, representando 6,7% da população total. Conforme mostram os dados da tabela 1.3.1, Pelotas comparada com as demais instâncias espaciais consideradas, neste relatório, é a de maior taxa de urbanização. Com relação à estrutura etária da população rural, não existe diferença entre Pelotas, a região do Corede Sul e o Rio Grande do Sul. A relação entre população ativa (PIA) e a população rural total está em torno de 68%. O mesmo acontece com a população de crianças (até 14 anos), em torno de 20% e a de idosos, em torno de 12%. Já a população rural brasileira é mais jovem, pois bem maior é o percentual de crianças e menor o percentual de idosos. De certa forma, a situação demográfica do setor rural de Pelotas, da sua região e do Rio Grande do Sul é ligeiramente mais favorável do que a brasileira, pois a relação entre população ativa e inativa é maior. A de Pelotas, por sua vez, é ligeiramente pior do que a do Corede Sul e igual ao do Rio Grande do Sul. Sublinha-se, a este respeito, que na última década Pelotas, dentre todas as instâncias espaciais referidas na tabela 1.3.2, foi a que experimentou a maior taxa de crescimento da população em idade ativa no setor rural, 0,25% anuais, contra 0,10% do Brasil, -0,22% do Corede Sul e -1,2% anuais do Rio Grande do Sul. A população rural total ficou estagnada em Pelotas e caiu em todas as demais instâncias espaciais, sendo a maior queda no Rio Grande do Sul, - 1,59% anuais. Na última década ocorreu um envelhecimento geral da população rural em todas as instâncias espaciais consideradas, seja porque aumentou a população de idosos, seja porque caiu a população de crianças e adolescentes. Em Pelotas os idosos cresceram a taxa anual de 1,52%, abaixo do Corede Sul e do Brasil, e a população de crianças e adolescentes caiu à taxa de -1,54%, sendo superada em desempenho negativo por todas as demais instâncias consideradas. Concluindo, Pelotas no meio rural tem uma situação demográfica muito assemelhada, relativamente, a do Corede Sul e a do Rio Grande do Sul e um pouco melhor do que a do Brasil, pois na sua estrutura etária é maior o peso relativo da população inativa. De outra parte a tendência desta relação não foi de piora na última década, não havendo indicações inequívocas de que a demografia venha a se constituir em entrave ao desenvolvimento da agropecuária no município. 37 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.1 - População rural de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil por estrato de idade em 2010. Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil 22.082 137.945 1.593.638 29.829.995 6,7 16,4 14,9 15,6 100,0 100,0 100,0 100,0 0 a 14 anos 19,9 20,0 20,2 28,6 15 a 64 anos 68,0 68,3 68,2 63,9 65 anos e mais 12,0 11,7 11,6 7,5 População rural (no de habitantes) Participação da população rural na população total (%) % da população rural Fonte: Censo Demográfico 2010 - IBGE - tabela 1.552. Tabela 1.3.2 - Taxa de crescimento das populações rural e urbana por estrato de idade em Pelotas, Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil entre 2000 e 2010 Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Idade Rural Urbana Rural Urbana Rural Urbana Rural Urbana Total 0,00 0,17 -0,44 0,32 -1,59 0,90 -0,65 1,55 0 a 14 anos -1,54 -2,10 -2,11 -1,70 -3,97 -1,29 -2,64 -0,45 15 a 64 anos 0,25 0,60 -0,22 0,72 -1,19 1,36 0,10 2,10 65 anos e mais 1,52 2,52 1,70 2,59 1,29 3,56 2,05 3,86 Fonte: Censo Demográfico 2010 - IBGE - tabela 1.552. Pelo Censo Agropecuário de 2006, Pelotas tem 11.444 pessoas ocupadas (PO) na agropecuária, com 14 e mais anos de idade, correspondendo a 13,2% das PO na economia local9. Os estabelecimentos até 100 hectares concentram 95,1% do PO e os estabelecimentos com mais de 100 hectares (84 estabelecimentos) participam com os restantes 4,9% (557 pessoas), conforme a tabela 1.3.3. No Corede Sul a concentração do PO nos estabelecimentos até 100 ha é de 82,9%, no Rio Grande do Sul, 87,6% e no Brasil, 78,6%. 9 Estimativa do pessoal ocupado na economia de Pelotas 1) PO nos estabelecimentos industriais e de serviços sem vínculos empregatícios em 2010 (uma PO por estabelecimento) = 6.955 (RAIS, 2010); 2) Empregados urbanos em 2010 = 68.391 (RAIS, 2010); 3) PO na indústria e nos serviços em 2010 = 75.346 (1+2) (RAIS, 2010); 4) PO na agropecuária com 14 e mais anos de idade, com e sem vínculos familiares com o produtor = 11.444 (Censo Agropecuário 2006); 5) Total de PO na economia = 86.790 (3+4) 6) % do PO da agropecuária no PO total = 13,2% 38 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Na média do município, cada nove hectares tem uma PO (tabela 1.3.4). Nos estabelecimentos até 100 hectares, com 95,1% do PO, a relação é de seis hectares por pessoa e nos acima de 100 hectares, com 4,9% do PO, a relação é de 74 hectares por pessoa. A lavoura temporária é a atividade que absorve a maior parcela do PO na agropecuária de Pelotas, 48,8% do total, e é seguida da pecuária, com 23,4%. O mesmo ocorrendo no Corede Sul e no Rio Grande do Sul, mas em percentuais mais elevados, em especial na pecuária. Já no Brasil é a pecuária a atividade que mais absorve o PO, 39,7% do total contra 38,5% da lavoura temporária (tabela 1.3.5). Nas estatísticas de PO transparece a forte especialização de Pelotas na lavoura permanente (fruticultura) e nas atividades hortícolas e florícolas. A primeira é responsável por 13,3% do pessoal ocupado e as duas últimas por 11,4%. A especialização é medida pelo quociente de localização e este - no caso presente - é a relação entre a participação da atividade considerada no PO total da agropecuária de Pelotas e a participação da atividade congênere nas demais instâncias espaciais. Uma localidade é especializada em determinada atividade quando o seu quociente de localização é maior do que 1 e a especialização é tanto maior quanto maior do que 1 for o quociente. Na horticultura, considerada junto com a floricultura, o quociente de localização de Pelotas gira em torno de 3 para qualquer das instâncias espaciais que se faça o cotejo, significando que na agropecuária do município estas duas atividades (juntas) são três vezes mais importantes para a geração de ocupações do que o são para o Corede Sul, o Rio Grande do Sul e o Brasil. No que respeita à lavoura permanente a especialização de Pelotas é maior com relação ao Corede Sul, (quociente de localização de 4,3), menor quando a referência é o Rio Grande do Sul (2,2) e inexiste relativamente ao Brasil (quociente de localização de 1). O Censo Agropecuário de 2006 apurou também que o fator humano na economia agrícola de Pelotas é profissionalmente mais qualificado do que nas demais instâncias espaciais consideradas neste diagnóstico. A tabela 1.3.6, mostra que a participação das pessoas que tinham qualificação profissional (expressão utilizada pelo Censo Agropecuário) no PO total era de 7,7% em Pelotas, 3,8% no Corede Sul, 5,8% no Rio Grande do Sul e apenas 3% no Brasil. Na maioria das atividades a densidade de qualificação do PO é maior em Pelotas do que no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil. A atividade de Sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal é a que tem a maior densidade de pessoas profissionalmente qualificadas em todas as instâncias espaciais. Chama a atenção, no entanto, que em 39 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas a densidade de qualificação - 30,2% - é quase o dobro da exibida pelo Corede Sul, duas vezes e meia a do Rio Grande do Sul e três vezes a densidade da atividade no Brasil. 1/ Tabela 1.3.3 - Pessoal ocupado nos estabelecimentos rurais de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil por estrato de área em 2006. Pelotas % Corede Sul % Rio Grande do Sul % Brasil 11.444 100,0 101.055 100,0 1.157.542 100,0 15.505.243 100,0 Mais de 0 a menos de 5 ha 1.353 11,8 11.420 11,3 194.530 16,8 4.559.599 29,4 De 5 a menos de 50 ha 8.927 78,0 64.667 64,0 746.638 64,5 6.317.406 40,7 De 50 a menos de 100 ha 607 5,3 7.664 7,6 73.073 6,3 1.313.399 8,5 De 100 a menos de 200 ha 202 1,8 4.160 4,1 38.859 3,4 858.537 5,5 De 200 a menos de 500 ha 124 1,1 4.205 4,2 37.745 3,3 758.114 4,9 De 500 a menos de 1000 ha 24 0,2 3.114 3,1 24.582 2,1 351.806 2,3 De 1000 a menos de 2500 ha 59 0,5 2.812 2,8 18.608 1,6 304.317 2,0 De 2500 ha e mais 126 1,1 2.363 2,3 9.361 0,8 442.895 2,9 Produtor sem área 22 0,2 650 0,6 14.146 1,2 599.170 3,9 Grupos de área (hectares) % 1/ Pessoal ocupado (PO) na o agropecuária (total do n de pessoas) Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabelas 788 e 811; 1/Pessoal ocupado com e sem laços de parentesco com o produtor e de 14 e mais anos de idade. Tabela 1.3.4 - Área disponível por pessoa ocupada1/ nos estabelecimentos rurais de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2006 Hectares Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil 9 22 17 21 Grupos de área 0 < 50 5 5 5 4 50 > 100 15 23 23 20 100 > 200 27 49 44 34 200 > 500 71 98 85 61 500 > 1.000 109 151 125 105 1.000 >2.500 119 178 181 158 2.500 e mais hectares 168 162 217 222 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006; 1/Pessoal ocupado com e sem laços de parentesco com o produtor e de 14 e mais anos de idade. Tabela 1.3.5 - Estrutura do pessoal ocupado1/ por atividade na agropecuária de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2006 Atividades Total Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil 100,00 100,00 100,00 100,00 Lavoura temporária 48,78 52,85 51,45 38,53 Horticultura e floricultura 11,39 3,84 3,52 3,70 Lavoura permanente 13,28 3,13 6,09 13,75 Sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal 0,38 0,09 0,10 0,08 Pecuária e criação de outros animais 23,37 36,78 35,83 39,75 Produção florestal - florestas plantadas 2,63 2,85 2,42 1,43 Produção florestal - florestas nativas 0,15 0,26 0,37 2,21 0,16 0,03 0,27 0,05 0,17 0,29 Pesca Aquicultura 0,03 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006; 1/Pessoal ocupado com e sem laços de parentesco com o produtor e de 14 e mais anos de idade. 40 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Outra constatação importante é a de que não obstante a forte especialização de Pelotas na fruticultura (lavoura permanente) a densidade de qualificação do pessoal ocupado na atividade é muito baixa, apenas 2%, menos da metade do indicador no plano estadual e um pouco menor do que o exibido pela região (2,5%) e o do Brasil (2,9%). Há de se considerar que a fruticultura do município já foi bem mais importante economicamente no passado recente e é muito provável que tenha caído o nível médio de qualificação profissional do pessoal ocupado nos anos recentes. O grau de instrução das pessoas que dirigem os estabelecimentos agropecuários é mostrado na tabela 1.3.7. Surpreendentemente, e ao contrário do que ocorre com o PO como um todo, Pelotas tem o menor nível de instrução dos gestores agropecuários quando cotejada com as demais instâncias espaciais. No total dos seus 3.596 estabelecimentos em apenas 7,6% o dirigente tem formação superior ou ensino médio completo. No Corede Sul são 9,9%, no Rio Grande do Sul, 10,8% e no Brasil, 10,1%. Tabela 1.3.6 - Participação do pessoal qualificado no total do pessoal ocupado 1/ na agropecuária de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2006 Atividades Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil 7,7 3,8 5,8 3,0 Lavoura temporária 6,9 3,2 5,9 3,2 Horticultura e floricultura 11,7 6,0 4,9 3,2 Total Lavoura permanente 2,0 2,5 5,6 2,9 Sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal 30,2 16,5 12,9 10,1 Pecuária e criação de outros animais 10,3 4,5 5,6 3,0 Produção florestal - florestas plantadas 7,0 4,3 6,0 4,1 Produção florestal - florestas nativas 0,0 5,3 3,9 1,0 2,5 14,4 0,9 8,7 10,8 6,4 Pesca Aquicultura 0,0 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006; 1/Pessoal ocupado com e sem laços de parentesco com o produtor e de 14 e mais anos de idade. Em Pelotas, a maior densidade de dirigentes dos estabelecimentos com instrução de ensino médio ou superior é na atividade de sementes e mudas, 33,3%, seguida pela pecuária, 12,5%, e pela produção florestal (plantada), 12,3% (tabela 1.3.8). Chama a atenção o baixo grau de instrução do dirigente nas lavouras temporárias (4,2%) e permanentes (4,9%), pois estas duas atividades são as mais importantes da agropecuária municipal. Nas lavouras temporárias o número de estabelecimentos cujos dirigentes tem nível médio ou superior representa 5% no Corede Sul, 9,3% no Rio Grande do Sul e 7,4% no Brasil. Nas lavouras permanentes as participações médias são de 8,6% no Corede Sul, 11,3% no Rio Grande do Sul e 12,3% no Brasil. Somente na pecuária e na produção de sementes e mudas é que 41 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas destaca-se no indicador instrução do dirigente frente às demais instâncias espaciais, adotadas neste diagnóstico. Dentre as 11.044 pessoas ocupadas na agropecuária de Pelotas, 9.902 têm laços de parentesco com o produtor (incluindo o produtor) e 1.542 não têm laços de parentesco, representando 13,5% do total do PO, o que é praticamente igual à média do Rio Grande do Sul, 13,2%. No Corede Sul a participação do PO sem laços com o produtor representa 15,5% e no Brasil, 23,9% (tabela 1.3.9). De um modo geral a relação entre pessoal sem laços de parentesco com o produtor e PO aumenta significativamente na medida em que aumentam os grupos de tamanho dos estabelecimentos independentemente da instância espacial considerada, pois nos pequenos estabelecimentos predomina o trabalho familiar. Outro fator que influencia nesta relação é a presença de atividades mais ou menos intensivas em trabalho. Conforme mostra a tabela 1.3.10 é a lavoura temporária que concentra o PO sem laços de parentesco com o produtor, 42,6% do total e é seguida pela lavoura permanente (fruticultura) com 29,4%. Nas demais instâncias espaciais, a lavoura temporária também é a atividade que mais emprega trabalhadores, mas em nenhuma é seguida pela lavoura permanente, como é o caso de Pelotas, mas sim pela pecuária. A mesma tabela mostra também que a maior densidade de trabalhadores sem laço de parentesco com o produtor é na produção de sementes e mudas. Isto ocorre em todas as instâncias espaciais, exceto no Rio Grande do Sul onde a densidade maior é na lavoura permanente. As tabelas 1.3.11 e 1.3.12 mostram que em Pelotas o PO com qualificação profissional representa 14,5% do total do PO (sem laços de parentesco com o produtor). Esta relação é quase 150% maior em Pelotas, se comparada com o Corede Sul, 54% maior se a comparação for com o Rio Grande do Sul e 189% maior do que a do Brasil. Em Pelotas os grupos de tamanho dos estabelecimentos com as maiores densidades de qualificação do PO são entre 200 e menos de 500 hectares, com 50,8% do total, e entre 1000 e menos de 2500 hectares, com 46,2%, lembrando-se que a média é de 14,5% (tabela 1.3.11). No que respeita as atividades agropecuárias, em Pelotas a que tem a maior densidade de qualificação do PO é a de sementes e mudas com 48%. Também é assim nas demais instâncias espaciais, embora em percentuais muito menores. Em Pelotas a segunda atividade em termos de qualificação relativa do PO - sem laços com o produtor - é a pecuária, com 26,4% do total (tabela 1.3.12). Novamente chama a atenção a baixa 42 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL qualificação na lavoura permanente, apenas 0,4% do efetivo total de PO sem laços de parentesco com o produtor. Tabela 1.3.7 - Nível de instrução da pessoa que dirige o estabelecimento agropecuário em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil em 2006 (% do número de estabelecimentos). Pelotas Corede Sul 100,0 100,0 100,0 100,0 Não sabe ler e escrever 2,5 7,5 4,2 24,5 Nenhum, mas sabe ler e escrever 3,7 5,9 2,5 9,2 Total Alfabetização de adultos Rio Grande do Sul Brasil 0,3 1,0 1,4 5,3 79,3 68,2 71,4 42,4 Ensino fundamental completo (1º grau) 6,7 7,5 9,7 8,4 Ensino médio ou ensino superior 7,6 9,9 10,8 10,1 Ensino médio ou 2º grau completo (técnico agrícola) 0,8 1,5 1,6 1,3 Ensino médio ou 2º grau completo (outro) 4,0 5,0 6,0 6,0 Engenheiro agrônomo 0,3 0,5 0,4 0,3 Veterinário 0,2 0,4 0,3 0,1 Zootecnista 0,0 0,0 0,1 0,0 Engenheiro florestal 0,0 0,0 0,0 0,0 Outra formação superior 2,2 2,4 2,5 2,4 Ensino fundamental incompleto (1º grau) Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 801. Lavoura temporária Horticultura e floricultura Lavoura permanente Sementes e mudas Pecuária e criação de outros animais Produção florestal (plantada) Produção florestal (nativas) Aquicultura Tabela 1.3.8 - Nível de instrução das pessoas que dirigem os estabelecimentos agropecuários de Pelotas em 2006 por atividades econômicas (% do número de estabelecimentos). 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Não sabe ler e escrever 2,5 1,8 3,5 1,8 0,0 3,0 4,4 0,0 0,0 Nenhum, mas sabe ler e escrever 3,7 3,6 4,2 5,7 0,0 3,0 1,8 0,0 0,0 Alfabetização de adultos 0,3 0,1 0,0 0,3 0,0 0,6 1,8 0,0 0,0 Ensino fundamental incompleto (1º grau) 79,3 85,5 73,5 79,2 66,7 73,7 69,3 80,0 100,0 Ensino fundamental completo (1º grau) 6,7 4,6 10,3 8,1 0,0 7,2 10,5 20,0 0,0 Ensino médio ou ensino superior 7,6 4,2 8,6 4,9 33,3 12,5 12,3 0,0 0,0 Ensino médio ou 2º grau completo (técnico agrícola) 0,8 0,5 1,1 0,3 0,0 0,9 4,4 0,0 0,0 Ensino médio ou 2º grau completo (outro) 4,0 2,7 5,5 2,9 16,7 5,9 2,6 0,0 0,0 Engenheiro agrônomo 0,3 0,1 0,2 0,3 16,7 0,6 0,0 0,0 0,0 Veterinário 0,2 0,1 0,0 0,3 0,0 0,6 0,0 0,0 0,0 Zootecnista 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Engenheiro florestal 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Outra formação superior 2,2 0,8 1,8 1,3 0,0 4,4 5,3 0,0 0,0 Instrução Total Total Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 801. 43 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Em Pelotas, portanto, excetuando a figura do dirigente do estabelecimento cujo grau de instrução está aquém das demais instâncias espaciais, a qualificação do fator trabalho é muito maior do que nas demais instâncias espaciais, tanto no pessoal ocupado sem laços de parentesco com o produtor quanto no pessoal da sua família. Feitas as ressalvas do relativamente baixo nível de instrução da média dos dirigentes dos estabelecimentos e da baixa qualificação do pessoal ocupado na fruticultura, não há indicações de que a qualificação do pessoal ocupado seja um fator limitante para o desenvolvimento da agropecuária de Pelotas. Pelo contrário, neste fator, Pelotas tem uma posição destacada quando comparada com a agropecuária da região, do Rio Grande do Sul e do Brasil. Tabela 1.3.9 - Pessoal ocupado nos estabelecimentos rurais de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil por estrato de área em 2006, com 14 anos e mais e sem laços de parentesco com o produtor. Pessoas Grupos de área total % do PO total da agropecuária Pelotas Corede Sul RS Brasil Pelotas Corede Sul RS Brasil Total 100,0 100,0 100,0 100,0 13,5 15,5 13,2 23,9 Mais de 0 a menos de 50 ha 64,8 38,5 50,0 44,1 9,7 7,9 8,1 15,1 De 50 a menos de 100 ha 11,8 7,3 8,1 10,7 30,0 14,9 17,0 30,3 De 100 a menos de 200 ha 7,3 6,4 7,0 9,7 55,9 24,0 27,4 41,8 De 200 a menos de 500 ha 3,8 9,9 10,8 11,7 47,6 37,1 43,9 57,1 De 500 a menos de 1000 ha 1,1 10,7 10,0 6,2 70,8 53,7 62,6 65,7 De 1000 a menos de 2500 ha 3,4 13,1 9,0 6,1 88,1 73,0 74,0 74,4 De 2500 ha e mais 7,8 14,0 4,8 10,3 95,2 92,8 79,0 86,5 Produtor sem área 0,0 0,1 0,3 1,2 0,0 2,2 3,6 7,2 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 811. Tabela 1.3.10 - Pessoal ocupado nos estabelecimentos rurais de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil por atividades em 2006, com 14 anos e mais e sem laços de parentesco com o produtor. Pessoas Grupos de área total % do PO total da agropecuária Pelotas Corede Sul RS Brasil Pelotas Corede Sul RS Brasil Total 100,0 100,0 100,0 100,0 13,5 15,5 13,2 23,9 Lavoura temporária 42,6 60,2 50,4 38,0 11,8 17,7 13,0 23,6 Horticultura e floricultura Lavoura permanente Sementes, mudas propagação vegetal e outras formas Pecuária e criação de outros animais de 6,9 1,8 3,3 3,4 8,2 7,4 12,4 21,8 29,4 7,3 14,3 22,7 29,8 36,2 31,1 39,6 1,6 0,3 0,2 0,2 58,1 45,1 25,8 55,4 16,7 24,7 27,6 32,2 9,6 10,4 10,2 19,4 Produção florestal - florestas plantadas 2,6 5,6 3,8 1,7 13,3 30,3 20,6 29,3 Produção florestal - florestas nativas 0,1 0,2 0,3 1,2 11,8 9,4 9,9 12,8 Pesca 0,0 0,0 0,0 0,1 Aquicultura 0,0 0,0 0,2 0,5 0,0 3,2 2,5 5,8 4,3 13,1 41,3 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 811. 44 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.11 - Participação do pessoal qualificado no total do pessoal ocupado com 14 anos e mais e sem laços de parentesco com o produtor na agropecuária de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2006, por estrato de área (%). Grupos de área Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Total 14,5 5,8 9,4 5,0 Mais de 0 a menos de 50 ha 10,2 3,2 6,9 3,3 De 50 a menos de 100 ha 6,0 3,3 11,0 3,8 De 100 a menos de 200 ha 25,7 8,2 12,3 4,7 De 200 a menos de 500 ha 50,8 8,2 13,1 5,8 De 500 a menos de 1000 ha 0,0 10,6 11,3 6,5 De 1000 a menos de 2500 ha 46,2 8,1 11,6 9,6 De 2500 ha e mais 22,5 5,6 11,3 9,6 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 811. Tabela 1.3.12 - Participação do pessoal qualificado no total do pessoal ocupado com 14 anos e mais e sem laços de parentesco com o produtor na agropecuária de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2006, por atividades (%). Atividades Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Total 14,5 5,8 9,4 5,0 Lavoura temporária 19,8 5,5 9,6 6,5 Horticultura e floricultura 8,4 6,3 7,5 4,4 Lavoura permanente 0,4 1,7 8,2 3,6 Sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal 48,0 29,3 23,7 12,8 Pecuária e criação de outros animais 26,4 8,3 9,7 4,3 Produção florestal - florestas plantadas 5,0 1,7 9,3 5,8 Produção florestal - florestas nativas 0,0 28,0 8,4 2,4 Pesca 0,0 Aquicultura 0,0 2,3 14,1 5,9 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 811. 1.3.2 - ÁREA E NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS PRODUTORES Segundo o Censo Agropecuário de 2006, Pelotas tinha 3.596 estabelecimentos rurais ocupando uma área de 105.693 hectares, o que significa um tamanho médio de apenas 29 hectares. No Corede Sul, o tamanho médio é de 69 hectares, no Rio Grande do Sul, 46, e no Brasil, 64 (tabela 1.3.13). Na região do Corede Sul o tamanho médio varia de 11 hectares (Canguçu) a 356 hectares (Santa Vitória do Palmar 10 ). O município com o segundo maior tamanho médio de estabelecimento é o de Chuí, com 341 hectares. Pelotas tem o terceiro menor tamanho médio de estabelecimento da região e o segundo menor tamanho é 20 hectares (Arroio do Padre e Morro Redondo). 10 É o sexto maior tamanho médio de estabelecimento do Rio Grande do Sul. O maior é o do município de Maçambará (oriundo do município de Itaqui), 512 hectares, seguido de Barra do Quaraí, 503, Uruguaina, 490, Minas do Leão, 472, e Itaqui, 377 hectares. 45 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.13 – Número de estabelecimentos agropecuários e área por estrato de área em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil em 2006 No de estabelecimentos Hectares Tamanho médio (Hectares) 5.175.489 329.941.393 4.057.774 44.208.920 26.482.780 29.342.738 46.395.555 36.958.185 687 48.072.546 1.507 98.480.672 6.560 255.024 390.874 2.034.131 220.255 2.318 508 8.773 150.859 1.399 3.907 12 680 53.792 450.413 296.958 Produtor sem área 308 31.899 4.510 322 76 5 Tamanho médio (Hectares) De 2500 ha e mais 307 15.012 Tamanho médio (Hectares) 432.295 1.753 4.224 4 Hectares De 1000 a menos de 2500 ha 105.693 4 133 1.455 10.479 632 684 De 500 a menos de 1000 ha 135 4.004 Hectares 20.199.489 5.095.411 1.706.853 414.443 2.610 653 31 68 1.705.356 12.608 1.362 304 De 200 a menos de 500 ha 11 3.217.299 No de estabelecimentos 441.467 378.807 25.380 214.844 283 40 64 3.067.939 Tamanho médio (Hectares) 1.570 137 De 100 a menos de 200 ha Brasil 3.372.499 Hectares 2.534.150 476.123 198.245 5.375 134 142 15 6.857 No de estabelecimentos 36.468 29.269 2.905 67 De 50 a menos de 100 ha 29 332 68 51.471 9.335 66 No de estabelecimentos 13 3.596 16 Mais de 0 a menos de 50 ha 3.358 46 7.010 Rio Grande do Sul 69 Total Grupos de área Corede Sul 21.118 Pelotas Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 787. Em Pelotas, 97,3% dos estabelecimentos têm menos de 100 hectares e detém apenas 57,5% da área (tabela 1.3.13). Neste estrato o tamanho médio é de apenas 17 hectares. Acima de 100 hectares existem em Pelotas apenas 84 estabelecimentos (2,3% do total) somando 44.886 hectares (42,5% da área total) e neste estrato o tamanho médio é de 534 46 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL hectares, um pouco acima das médias do Corede Sul e do Rio Grande do Sul, e ligeiramente abaixo da média brasileira. Acima de 1000 hectares, em Pelotas são apenas nove estabelecimentos (0,25% do total) concentrando 26,6% da área (28.128 hectares). Há em Pelotas, portanto, predomínio do pequeno estabelecimento, quando se coteja com as demais instâncias espaciais consideradas neste trabalho e aqui reside o principal problema estrutural do setor agropecuário: a existência de uma matriz produtiva em desacordo com a estrutura fundiária, pois a lavoura temporária, no segmento de grãos, e a pecuária bovina (de corte) são atividades intensivas em escala, incapazes, portanto, por mais produtivas que sejam, de remunerar condignamente o pequeno produtor, conforme é mostrado na subseção 1.3.3. Tabela 1.3.14 – Número de estabelecimentos agropecuários e área por estrato de área em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil em 2006 Brasil o Hectares N de estabelecimentos o N de estabelecimentos Hectares o N de estabelecimentos Hectares Rio Grande do Sul Corede Sul Hectares o Grupos de área N de estabelecimentos Pelotas Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Mais de 0 a menos de 50 ha 93,4 48,7 80,3 18,8 85,8 25,2 78,4 13,4 De 50 a menos de 100 ha 3,9 8,8 8,0 7,8 5,7 8,4 7,6 8,0 De 100 a menos de 200 ha 1,1 5,1 4,3 8,5 2,9 8,4 4,3 8,9 De 200 a menos de 500 ha 0,9 8,3 3,7 16,4 2,4 15,9 2,9 14,1 De 500 a menos de 1000 ha 0,1 2,5 1,7 17,1 1,0 15,2 1,0 11,2 De 1000 a menos de 2500 ha 0,1 6,6 0,9 17,8 0,5 16,7 0,6 14,6 De 2500 ha e mais 0,1 20,0 0,2 11,7 0,1 10,1 0,3 29,8 Produtor sem área 0,3 0,0 0,9 0,0 1,6 0,0 4,9 0,0 Fonte: tabela 1.3.13 1.3.3 - USO DOS SOLOS NOS ESTABELECIMENTOS RURAIS . A lavoura, com 44.057 hectares, é o maior uso do solo dos estabelecimentos rurais de Pelotas, com 41,7% da área total (tabela 1.2.15). Seguem em importância as pastagens com 34,5% da área, 36.452 hectares, e as matas e florestas com 15,6%, 16.459 hectares. Os demais usos perfazem 8,9% da área total dos estabelecimentos (infraestrutura, 5.658 hectares, e terras degradadas ou inaproveitadas, 3.091 hectares). 47 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Nos três grandes usos referidos acima, a agropecuária de Pelotas é especializada apenas na lavoura e esta é muito forte nos cultivos permanentes, expressa pelos elevados quocientes de localização11 em relação ao Corede Sul e ao Rio Grande do Sul, 7,0 e 3,2, respectivamente. Já com relação ao Brasil, a especialização do município é tênue conforme o indicado pelo quociente de localização de 1,3. Em termos de uso do solo, a marca distintiva de Pelotas é, efetivamente, a fruticultura, pois esta se sobressai nas três instâncias supra municipais adotadas neste trabalho para fins de cotejo, mas especialmente com relação ao Corede Sul e ao Rio Grande do Sul. Já no que respeita a lavoura temporária a especialização existe, mas é mais baixa no plano regional e muito tênue com relação ao Rio Grande do Sul (2,1 e 1,1 respectivamente). Com relação ao Brasil, no entanto, a especialização de Pelotas em temporárias é mais forte do que o é em permanentes e isto se deve ao fato de que estas são muito importantes no plano nacional (café e frutas, principalmente). No uso de solo pastagens o município de Pelotas não é especializado e a participação do campo nativo (natural na denominação do IBGE) na área total do estabelecimento é de apenas 27,6%, contra 53,6% no Corede Sul e 40,9% no Rio Grande do Sul 12. Embora estes dados sejam indicadores de que Pelotas distanciou-se do seu passado pastoril e pecuário, o município tem importantes criatórios de genética bovina de corte (raça angus, principalmente) e de cavalo crioulo e a pecuária leiteira, na atualidade, tem despontado como uma alternativa promissora para o produtor rural. Ainda com relação à pecuária bovina de corte sublinha-se que o município possui uma significativa capacidade de processamento e armazenagem de carnes e produtos derivados, capaz de dar suporte ao desenvolvimento de uma pecuária produtora de carne de qualidade. Desde o aparecimento do mal da vaca louca no Reino Unido em 1986 e que se disseminou para outros países da Comunidade Europeia o mercado mundial prefere produtos cárneos originários de animais criados livres e em pastagens, condição criatória 11 Conforme já foi visto anteriormente, a especialização se expressa pelo quociente de localização e este é a relação entre a participação (%) de determinado uso de solo na área total dos estabelecimentos rurais do município e a participação (%) do mesmo uso na área total supramunicipal (o Corede Sul, o Rio Grande do Sul e o Brasil, no caso presente). Quanto maior do que 1 for a relação, maior será a especialização da região no uso considerado. Em princípio a especialização revela a existência de vantagens comparativas do município no uso em questão, fruticultura. 12 Os municípios com as maiores extensões de campos nativos (em percentual da área dos estabelecimentos) são: Lavras do Sul, 83,1%, e Livramento, 80,1%. Os municípios com as maiores extensões (absolutas) de campo nativo são: Alegrete, 648.023 hectares; Sant'Ana do Livramento, 615.719; Dom Pedrito, 413.782; São Gabriel, 402.159 e Uruguaiana, 371.064. 48 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL predominante na região sul do Brasil, no Uruguai e na Argentina 13. A especialização na produção de carne verde é o principal atributo que fez do Brasil o maior exportador mundial de carne bovina, desde 2008. Pelotas e a sua região reúne todas as condições para ser centro de excelência na produção e exportação de carnes de qualidade. Tabela 1.3.15 - Uso dos solos nos estabelecimentos agropecuários de Pelotas, do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2006 (hectares e %) Utilização dos solos Pelotas % Total 105.693 100,0 1 - Lavouras 44.057 41,7 Corede Sul % Rio Grande do Sul 2.534.150 100,0 20.199.489 100,0 329.941.393 100,0 457.868 18,1 6.905.582 34,2 59.846.619 % Brasil % 18,1 Permanentes 4.885 4,6 16.810 0,7 294.187 1,5 11.612.227 3,5 Temporárias 37.064 35,1 413.986 16,3 6.347.494 31,4 44.019.726 13,3 Forrageiras para corte 2.049 1,9 26.641 1,1 260.793 1,3 4.114.557 1,2 59 0,1 431 0,0 3.108 0,0 100.109 0,0 2 - Pastagens 36.452 34,5 1.497.345 59,1 9.206.664 45,6 158.753.866 48,1 Naturais 29.125 27,6 1.357.640 53,6 8.252.504 40,9 57.316.457 17,4 284 0,3 10.327 0,4 95.378 0,5 9.842.925 3,0 7.043 6,7 129.378 5,1 858.782 4,3 91.594.484 27,8 16.459 15,6 423.846 16,7 3.047.858 15,1 98.479.628 29,8 5.332 5,0 95.652 3,8 878.908 4,4 50.163.102 15,2 5.793 5,5 134.077 5,3 1.181.029 5,8 35.621.638 10,8 4.052 3,8 166.127 6,6 778.524 3,9 4.497.324 1,4 1.282 1,2 27.990 1,1 209.397 1,0 8.197.564 2,5 4 - Infraestruturas dos estabelecimentos 5.658 5,4 65.266 2,6 598.838 3,0 6.009.192 1,8 Tanques, lagos, açudes e/ou área de águas públicas para exploração da aquicultura 1.846 1,7 17.147 0,7 197.511 1,0 1.319.492 0,4 Construções, benfeitorias ou caminhos 3.812 3,6 48.119 1,9 401.327 2,0 4.689.700 1,4 5 - Terras degradadas ou inaproveitáveis 3.091 2,9 89.054 3,5 443.794 2,2 6.882.423 2,1 208 0,2 5.634 0,2 27.583 0,1 789.238 0,2 2.883 2,7 83.420 3,3 416.211 2,1 6.093.185 1,8 Cultivo de flores (1) Plantadas degradadas Plantadas em boas condições 3 - Matas e/ou florestas Preservação permanente ou reserva legal Naturais (exclusive preservação permanente e sistemas agroflorestais) Plantadas com essências florestais Sistemas silvoagropastoril Erodidas, desertificadas, salinizadas, etc. Pântanos, areais, pedreiras, etc. Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006, tabela 1.112; (1) Inclui hidroponia e plasticultura, viveiros de mudas, estufas de plantas e casas de vegetação. 13 A transmissão do mal da vaca louca se dá através da ingestão de ração com componentes reciclados, sem controle, de carne, ossos, sangue e vísceras (DIAS, 2004). 49 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.16 – Participação de agropecuários localização de Brasil em 2006 Pelotas nos diferentes uso de solos dos estabelecimentos do Corede Sul e do Rio Grande do Sul e quociente de Pelotas em relação ao Corede Sul, Rio Grande do Sul e (%) Participação de Pelotas (%) Quociente de localização de Pelotas com base no: Utilização das terras Corede Sul Rio Grande do Sul Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Total 4,2 0,5 1,0 1,0 1,0 1 - Lavouras 9,6 0,6 2,3 1,2 2,3 Permanentes 29,1 1,7 7,0 3,2 1,3 Temporárias 9,0 0,6 2,1 1,1 2,6 Forrageiras para corte 7,7 0,8 1,8 1,5 1,6 Cultivo de flores (1) 13,7 1,9 3,3 3,6 1,8 2 - Pastagens 2,4 0,4 0,6 0,8 0,7 Naturais 2,1 0,4 0,5 0,7 1,6 Plantadas degradadas 2,8 0,3 0,7 0,6 0,1 Plantadas em boas condições 5,4 0,8 1,3 1,6 0,2 3,9 0,5 0,9 1,0 0,5 5,6 0,6 1,3 1,2 0,3 4,3 0,5 1,0 0,9 0,5 2,4 0,5 0,6 1,0 2,8 4,6 0,6 1,1 1,2 0,5 8,7 0,9 2,1 1,8 2,9 10,8 0,9 2,6 1,8 4,4 3 - Matas e/ou florestas Preservação permanente ou reserva legal Naturais (exclusive preservação permanente e sistemas agroflorestais) Plantadas com essências florestais Sistemas silvoagropastoril 4 - Infraestrutura dos estabelecimentos Tanques, lagos, açudes e/ou área de águas públicas para exploração da aquicultura Construções, benfeitorias ou caminhos 7,9 0,9 1,9 1,8 2,5 5 - Terras degradadas ou inaproveitáveis 3,5 0,7 0,8 1,3 1,4 Erodidas, desertificadas, salinizadas, etc. 3,7 0,8 0,9 1,4 0,8 Pântanos, areais, pedreiras, etc. 3,5 0,7 1,5 1,3 0,8 Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006; (1) Inclui hidroponia e plasticultura, viveiros de mudas, estufas de plantas e casas de vegetação. 1.3.3.1 - L AVOURA P ERMANENTE Em 2010, Pelotas colheu 3.560 hectares cultivados com frutas, sendo 3.000 de pêssego e 407 de laranja, os quais somam 95,7% da área (tabela 1.3.17). Estes dois cultivos bem como a área total tem se mantidos constantes ao longo dos anos 2000. O município de Pelotas é o maior produtor de pêssego do Rio Grande do Sul (20,2% da área do cultivo) e é seguido por Canguçu com 2.700 hectares em 2010 e por Bento Gonçalves com 1.200 hectares. Este último município é especializado em pêssego de mesa. Dentre os 10 maiores produtores de pêssego do Rio Grande do Sul encontram-se cinco municípios do Corede Sul (além dos dois já mencionados, Piratini, 814 hectares, Morro Redondo, 750, e Cerrito, 260 hectares). 50 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.17 - Cultivos permanentes de Pelotas em 2010: área; produção e valor Produtos Total Área colhida (Ha) % da área das permanentes % da área da agropecuária Produção (Ton.) % Valor da produção (R$1.000) % 3.560 100,0 3,37 27.859 100,0 14.461 100,0 Abacate 1 0,03 0,00 5 0,02 8 0,06 Caqui 10 0,28 0,01 100 0,36 170 1,18 Figo 20 0,56 0,02 60 0,22 58 0,40 Goiaba 10 0,28 0,01 60 0,22 132 0,91 Laranja 407 11,43 0,39 2.849 10,23 1.425 9,85 Maçã 10 0,28 0,01 50 0,18 60 0,41 Marmelo 5 0,14 0,00 41 0,15 41 0,28 Pera 5 0,14 0,00 40 0,14 60 0,41 3.000 84,27 2,84 24.000 86,15 12.000 82,98 Tangerina 68 1,91 0,06 462 1,66 277 1,92 Uva 24 0,67 0,02 192 0,69 230 1,59 Pêssego Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE, tabela 1.613; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. PAM - Permanentes A especialização de Pelotas e adjacências na produção de pêssegos para conserva e os municípios da Serra, especialmente Bento Gonçalves e Farroupilha, na produção de pêssegos para consumo in natura se deu em função das diferentes condições climáticas. Atualmente a pesquisa busca desenvolver cultivares de duplo propósito, conserva e consumo in natura. Dentre os 493 municípios do Rio Grande do Sul, Pelotas é o 8º maior em área de cultivos permanentes, participando com 34,4% da área destes cultivos do Corede Sul, com 2,1% do Rio Grande do Sul e com 0,06% da área de permanentes do Brasil (tabela 1.3.18)14. Tendo o Corede Sul como referência o município de Pelotas é especializado em todos os seus 11 produtos mostrados na tabela 2.1815. Com relação ao Rio Grande do Sul, a especialização é em seis produtos e com relação ao Brasil em oito. Nas três instâncias espaciais os maiores quocientes de localização (que expressam a especialização) são do pêssego e do marmelo. 14 Dentre os 10 maiores municípios com as maiores áreas de cultivos permanentes, cinco são da região da Serra (Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Vacaria, Flores da Cunha e Farroupilha), dois da região Sul (Pelotas e Canguçu), dois do Vale do Taquari (Ilópolis e Arvorezinha) e um da região Metropolitana (Três Cachoeiras). 15 Considera-se como especialização o que já foi definido anteriormente. Um município é especializado em determinado cultivo quando a importância (%) deste na área total dos estabelecimentos agropecuários é maior do que o é nas regiões com as quais o município é comparado. No caso presente, o Corede Sul, o Rio Grande do Sul e o Brasil. 51 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.18 - Participação (%) de Pelotas nos cultivos permanentes do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil e quociente de localização em relação a estas três dimensões espaciais em 2010 (indicadores com base na área colhida) Quociente de localização de Pelotas com base no: Participação (%) de Pelotas Cultivos permanentes Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Total 34,4 2,07 0,06 8,2 4,0 1,8 Abacate 50,0 0,17 0,01 12,0 0,3 0,3 Caqui 45,5 0,45 0,12 10,9 0,9 3,6 6,8 1,17 0,68 1,6 2,2 21,3 Goiaba 32,3 1,45 0,07 7,7 2,8 2,0 Laranja 27,1 1,47 0,05 6,5 2,8 1,6 Maçã 30,3 0,06 0,03 7,3 0,1 0,8 Marmelo 83,3 15,63 2,39 20,0 29,9 74,7 Pera 29,4 0,58 0,33 7,1 1,1 10,2 Pêssego 37,7 20,22 14,86 9,0 38,6 463,8 Tangerina 34,2 0,53 0,12 8,2 1,0 3,7 Uva 11,5 0,05 0,03 2,8 0,1 0,9 Figo Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE, tabela 1.613; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. PAM - Permanentes Tabela 1.3.19 - Produtividade nos cultivos permanentes de Pelotas comparada com o Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil em 2010. Cultivos permanentes Kg/hectare Kg/hectare Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Total 7.826 7.715 13.742 6.819 4.062 4.113 9.198 5.273 Abacate 5.000 4.500 11.737 13.788 8.000 5.500 10.857 6.663 10.000 8.955 13.539 19.030 17.000 11.864 11.028 18.122 Figo 3.000 5.027 5.849 8.772 2.900 3.929 10.249 15.966 Goiaba 6.000 4.645 9.647 20.576 13.200 6.581 12.781 14.641 Laranja 7.000 8.211 13.370 23.331 3.501 3.791 7.479 7.761 Maçã 5.000 9.364 32.990 33.036 6.000 11.909 22.202 22.611 Marmelo 8.200 7.000 5.406 4.612 8.200 7.000 5.469 6.139 Pera 8.000 7.118 9.472 10.676 12.000 8.588 12.215 13.219 Pêssego 8.000 7.763 8.954 10.931 4.000 3.968 7.165 11.601 Tangerina 6.794 7.136 12.221 19.502 4.074 3.995 12.389 9.845 Uva 8.000 8.659 9.471 9.457 22.463 Caqui 14.214 16.628 9.583 Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE, tabela 1.613; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. Chama a atenção, ainda, o elevado valor da produção por hectare da maioria das frutas produzidas por Pelotas, no entanto as suas maiores especializações são nas duas que estão entre as de menor valor por hectare (pêssego e laranja), conforme a tabela 1.3.19. 52 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Esta tabela mostra também que exceto em marmelo a produtividade de Pelotas é baixa, quando comparada com as demais instâncias espaciais. Isto ocorre inclusive com os seus dois principais cultivos, sendo mais marcante na laranja. No pêssego a produtividade de Pelotas é em torno de 20% abaixo da média nacional, mas para ela poderá convergir e até mesmo superar com a adoção das tecnologias disponíveis. Com relação à laranja e à tangerina, a baixa produtividade média também se deve ao fato de que são pomares novos. São, porém, promissores e na medida em que o mercado for comprador haverá estímulos à inovação e à consequente elevação da produtividade. Segundo os técnicos e produtores consultados, a baixa produtividade, em geral, se deve, principalmente, ao esgotamento do solo e pela queda da taxa de renovação dos pomares. A este respeito, a expansão do cultivo vem se dando principalmente na direção de Morro Redondo, Canguçu e Piratini. O município de Pelotas, apesar do excelente centro de pesquisa em fruticultura de clima temperado da EMBRAPA, vem perdendo participação na produção de pêssego pelas duas razões já referidas e também pela gradativa extinção do seu parque fabril conserveiro, o que desestimulou a permanência e/ou a renovação de inúmeros pomares de pêssego no município. Com o fechamento de empresas industriais de porte, deixou de existir o corpo técnico de fomento e assistência ao produtor integrado16. Além das razões climáticas já referidas os produtores mais recentes da região da Serra, especializaram-se nos pêssegos para consumo in natura pela expertize que detém na produção e comercialização de frutas frescas no Rio Grande do Sul e em outros estados brasileiros. Seja por suas características pessoais – dentre as quais a forte vocação empreendedora - seja pelos estímulos do mercado, os produtores da Serra buscaram novas tecnologias e processos, a ponto de ultrapassarem os tradicionais produtores de pêssego de Porto Alegre e adjacências. Nas demais linhas de produção os pomares são pequenos e algumas são inadequadas ao clima local. A este respeito, será necessário um programa de reconversão buscando adequar requisitos técnico-ambientais com as tendências do mercado. 16 A EMATER possui um excelente quadro de profissionais, mas este segue a orientação governamental de apoiar apenas a chamada agricultura familiar de cunho mais assistencial e sem ênfase nas capacitações de produção estratégicas ao atendimento das exigências e tendências do mercado. 53 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A escassez de mão de obra rural qualificada é outro fator que tem dificultado o desenvolvimento do setor 17 . Por isto o produtor tende a optar por culturas com menor exigência desse fator, como é o caso da laranja que não necessita de poda e raleio e exige menos tratamentos fitossanitários. O pêssego, ao contrário, é intensivo em mão de obra. A escassez de mão de obra qualificada, junto com as condições de mercado, favoráveis na laranja e desfavoráveis no pêssego explicam, em certa medida, a expansão da área do primeiro cultivo (embora pequena em Pelotas) e a forte queda da área do segundo, nos últimos 20 anos18. Isto posto, Pelotas tem enorme potencial para retornar à condição de grande centro processador de frutas. Para isto deverá desenvolver a oferta local de matéria prima e a dos municípios mais próximos. A renovação e expansão dos pomares exigirá um programa de capacitação de mão de obra e de estímulo à renovação tecnológica em toda a cadeia de produção. 1.3.3.2 - L AVOURA T EMPORÁRIA As culturas temporárias somaram 33.057 hectares em 2010, representando 31,3% da área dos estabelecimentos agropecuários de Pelotas (tabela 1.3.20). O município participa com apenas 7,6% da área de temporárias do Corede Sul e com 0,4% do Rio Grande do Sul (tabela 1.3.21). As maiores lavouras temporárias do município são milho, arroz e a soja, somando 27.109 hectares, ou 82,1% da área total de temporárias do município. O fumo é a quarta maior lavoura e não obstante ocupar apenas 3.500 hectares o valor da produção é o maior do município, 45,7 milhões de reais. O segundo maior valor da produção é o do arroz, 41 milhões de reais, embora esta lavoura ocupe uma área quase três vezes maior do que a do fumo (tabela 1.3.20). Em nenhuma lavoura temporária Pelotas tem participação expressiva com relação ao Rio Grande do Sul. No milho, a sua principal lavoura em área, representa apenas 1% da área 17 Na seção 1.3.1, este relatório chama a atenção que Pelotas tem uma densidade de qualificação do pessoal ocupado relativamente elevada na maioria das atividades rurais. Na agropecuária como um todo, 30,3% das pessoas tem qualificação. O indicador em Pelotas é quase o dobro do exibido pelo Corede Sul, duas vezes e meia ao do Rio Grande do Sul e três vezes o do Brasil. Na fruticultura, no entanto, a qualificação é muito baixa, apenas 2% do pessoal ocupado. Este indicador é menos da metade do indicador do Rio Grande do Sul, um pouco menor do exibido pela região (2,5%) e o do Brasil (2,9%). 18 A expansão da área de laranja foi pequena em Pelotas (10% no período 1990/2010), pois também houve desmembramento do território do município no período. Na região do Corede Sul, como um todo, no entanto, o crescimento da área foi de 71%. No mesmo período a área cresceu apenas 9,6% no Rio Grande do Sul e reduziu 15% no Brasil. No pêssego a área reduziu em 34,3% no Corede Sul, 11,1% no Rio Grande do Sul e ficou praticamente estagnada no Brasil, aumentou menos de 1%. 54 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL estadual, o arroz, 0,9% e a soja, 0,1%. Das suas 15 lavouras temporárias o município de Pelotas só não é especializado em cebola, quando a referência é o Corede Sul e em feijão e soja quando as referências são o Rio Grande do Sul e o Brasil (tabela 1.3.21). % da área agropecuária 33.057 100,0 31,28 154.071 100,0 117.981 100,0 3.569 Principais cultivos em área 30.609 92,6 28,96 137.398 89,2 105.930 89,8 3.461 Milho (em grão) 11.000 33,3 10,41 46.200 30,0 11.550 9,8 1.050 Arroz (em casca) % Valor da Produção (R$1.000) % da área das temporárias Total Cultivos temporários Produção (Ton.) Área plantada (Ha) Tabela 1.3.20 - Cultivos temporários em Pelotas em 2010: área, produção, valor e valor da produção por hectare % R$/Ha 10.109 30,6 9,56 70.723 45,9 41.019 34,8 4.058 Soja (em grão) 6.000 18,2 5,68 12.600 8,2 7.686 6,5 1.281 Fumo (em folha) 3.500 10,6 3,31 7.875 5,1 45.675 38,7 13.050 Demais cultivos 2.448 7,4 2,32 16.673 10,8 12.051 10,2 4.923 Batata-doce 600 1,8 0,57 3.360 2,2 2.083 1,8 3.472 Feijão (em grão) 500 1,5 0,47 400 0,3 440 0,4 880 Batata-inglesa 450 1,4 0,43 2.775 1,8 1.881 1,6 4.180 Sorgo (em grão) 270 0,8 0,26 621 0,4 149 0,1 552 Cebola 250 0,8 0,24 1.750 1,1 1.330 1,1 5.320 Melancia 150 0,5 0,14 2.250 1,5 675 0,6 4.500 Tomate 100 0,3 0,09 5.000 3,2 4.749 4,0 47.490 Amendoim (em casca) 50 0,2 0,05 41 0,0 17 0,0 340 Melão 30 0,1 0,03 240 0,2 191 0,2 6.367 Alho 25 0,1 0,02 75 0,0 375 0,3 15.000 Ervilha (em grão) 23 0,1 0,02 161 0,1 161 0,1 7.000 Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE, tabela 1.612; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. A tabela 1.3.21 mostra que no período 2005/2010 ocorreu um pequeno crescimento da área cultivada em Pelotas (0,3% anuais) ao passo que na região do Corede Sul e no Rio Grande do Sul a lavoura temporária experimentou redução de 0,4% anuais, período em o Brasil cresceu a área cultiva a elevada taxa de 5% anuais. Em Pelotas apenas o milho e o melão aumentaram as áreas de cultivo a taxas significativas, (5,3% e 12% anuais). O arroz cresceu apenas 0,2% anuais. Dentre os produtos que tiveram a área reduzida foi justamente o fumo - a lavoura mais importante do ponto de vista da remuneração do produtor - que sofreu a maior redução, 6,7% anuais, período em que a área no Brasil cresceu 7,7% anuais. 55 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O cultivo da batata-inglesa, ou batatinha, que já foi muito importante - 2.473 hectares em Pelotas e 9.810 hectares no Corede Sul no ano 2000 - continuou reduzindo a área, 2,1% anuais no quinquênio 2005/2010. Pelotas e a região Sul vêm perdendo posição para os Campos da Cima da Serra, os quais são mais férteis (base basalto) e o clima frio permite maior produção com menos doenças fúngicas. A tabela 1.3.22 mostra que das 15 lavouras temporárias em apenas três a produtividade de Pelotas é maior do que o padrão estadual: arroz, ervilha e fumo. Mesmo assim Pelotas fica atrás de vários municípios nos três cultivos referidos. No arroz ocupa a 29ª posição com 6.996 kg/ha, sendo que a maior produtividade do Rio Grande do Sul é a de Turuçu com 8.500 kg em 2010. Além de Turuçu mais oito municípios do Corede Sul apresentaram produtividade maior do que Pelotas (Rio Grande, Pedras Altas, Piratini, Capão do Leão, Jaguarão, Cerrito, Herval e Pedro Osório). Em ervilha a lavoura é pequena, apenas 23 hectares, e a produtividade de Pelotas, 7.000 kg/ha, é elevada. A produtividade, no entanto, da pequena produção do município de Dois Lajeados no Vale do Taquari (região Nordeste) é mais do que o dobro (15 mil quilos) e em Rio Grande é 8.000 kg/ha. No fumo Pelotas ocupa a 19ª posição do Rio Grande do Sul em produtividade, com 2.250 kg/ha, e a primeira posição é do município de Barração com 3.000 quilos, 33,3% superior. A favor de Pelotas tem o fato de que a sua produtividade é maior do que a de todos 17 municípios que lhe antecedem em área plantada. Dentre estes a produtividade varia de 1.400 a 1.700 kg/ha. Ainda com relação a produtividade, a característica mais marcante da lavoura temporária de Pelotas é o fato de ser muito baixa no principal cultivo em área, o milho. Pelotas é o 4º produtor do Rio Grande do Sul em área cultivada, mas é o 239º em produtividade, 4.200 kg/ha. A maior produtividade é 9.600 kg/ha nos municípios de Estação, Lagoa dos Três Cantos e Vila Lângaro na região Noroeste. O maior produtor em área é o município de Canguçu no Corede Sul, mas a sua produtividade é de apenas 2.400 kg, o que significa a constrangedora 402ª posição no ranking estadual. A figura 1.2.1 além de mostrar a baixa produtividade do milho nos municípios maiores produtores da região Sul, relativamente ao Rio Grande do Sul e ao Brasil, mostra, também, a grande instabilidade da produtividade no solo gaúcho, o que se expressa através das medidas de desvio padrão: Brasil, 509; Canguçu, 761; Pelotas, 931; São Lourenço do Sul, 1.023 e Rio Grande do Sul, 1.006. Tem-se, portanto, dois problemas: de um lado, a baixa produtividade e, de outro, a sua instabilidade. Esta, por sua vez, é função das estiagens que são recorrentes do RS. 56 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.21 - Participação (%) de Pelotas nos cultivos temporários do Corede Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil, coeficientes de localização em relação a estas três instâncias espaciais em 2010 (indicadores com base na área colhida) e taxa de crescimento da área plantada Crescimento da área plantada no período 2005/2010 (% anual) P el ot C as or ed Ri e o S Gr ul an de d o Br S as ul il Coeficiente de localização de Pelotas com base no: C or ed Ri e o S Gr ul an de d o Br S as ul il Gran de do Sul Bras il Participação (%) de Pelotas Core de Sul Rio Cultivos temporários Total 7,6 0,4 0,1 1,8 0,8 1,7 0,3 Alho 10,6 1,0 0,2 2,6 1,8 7,5 0,0 Amendoim (em casca) 16,7 1,2 0,1 4,0 2,3 1,6 0,0 -0,4 5,3 0,2 0,2 -4,7 -4,3 -4,3 5,2 0,9 0,4 1,2 1,8 11,4 0,2 -2,0 0,0 0,0 Batata-doce 35,8 4,8 1,4 8,6 9,1 44,6 -5,6 0,0 -3,9 -3,9 Batata-inglesa 18,0 2,1 0,3 4,3 4,0 -0,9 9,6 -2,1 -4,4 -4,4 4,4 2,2 0,4 1,0 -0,9 4,3 11,1 -3,6 2,3 2,3 25,3 1,5 0,9 1,2 6,1 2,8 27,9 0,0 -2,8 -2,8 11,9 Feijão (em grão) 4,9 0,5 Fumo (em folha) 13,1 1,6 0,0 1,2 0,9 0,4 -12,9 -4,9 -4,9 -3,8 0,8 3,2 3,0 24,3 -6,7 -3,7 -3,7 6,6 7,7 0,8 0,2 1,6 1,5 4,9 0,0 2,8 2,8 Melão 3,6 22,7 1,4 0,2 5,4 2,7 5,0 12,0 2,6 2,6 10,6 Milho (em grão) 14,5 1,0 0,08 3,5 1,8 2,6 5,3 -2,9 -2,9 0,5 Soja (em grão) 6,2 0,1 0,03 1,5 0,3 0,8 0,0 1,2 1,2 11,3 Sorgo (em grão) 6,8 1,3 0,04 1,6 2,5 1,3 0,0 6,6 6,6 3,4 Arroz (em casca) Cebola Ervilha (em grão) Melancia -0,4 Tomate 39,8 4,2 0,15 9,6 8,1 4,6 -7,8 -4,4 -4,4 Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE, tabela 1.612; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 3,7 Tabela 1.3.22 - Produtividade nos cultivos temporários de Pelotas comparada com o Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil em 2010. Kg/hectare Cultivos temporários Rio Grande Pelotas Corede Sul do Sul R$/hectare Brasil Total Alho 3.000 3.123 6.762 9.962 Amendoim (em casca) 820 1.117 1.586 2.762 Arroz (em casca) 6.996 5.389 6.243 4.044 Batata-doce 5.600 8.124 12.228 11.790 Batata-inglesa 6.167 8.457 17.131 24.351 Cebola 7.000 17.437 16.189 24.882 Ervilha (em grão) 7.000 3.429 1.931 2.316 Feijão (em grão) 800 730 1.086 864 Fumo (em folha) 2.250 1.672 1.558 1.750 Melancia 15.000 16.924 18.406 21.279 Melão 8.000 6.083 8.324 25.354 Milho (em grão) 4.200 2.678 4.893 4.272 Soja (em grão) 2.100 1.862 2.606 2.946 Sorgo (em grão) 2.300 1.665 2.395 2.305 Tomate 50.000 40.869 43.931 60.428 Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE; Elaboração: América Estudos Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul 3.569 3.026 2.193 Brasil 2.054 15.000 8.702 37.241 340 498 3.911 4.058 3.707 3.491 3.472 4.861 8.631 4.180 5.581 14.143 5.320 15.728 12.604 7.000 7.451 3.446 880 829 1.298 13.050 8.841 9.017 4.500 5.417 6.895 6.367 6.985 10.160 1.050 828 1.482 1.281 1.337 1.574 552 625 578 47.490 37.084 50.554 e Projetos Internacionais. 49.626 3.025 2.247 7.741 19.272 18.561 3.586 1.351 10.016 8.538 17.667 1.171 1.602 487 41.157 57 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.2.1 - Produtividade da lavoura de milho no período 2000 e 2010 (Kg/ha) 2000 2002 2003 2005 4.200 2.400 3.000 3.600 2.888 3.586 3.021 2.040 3.000 3.000 3.996 3.775 1.800 3.000 2.400 4.272 4.893 Pelotas 720 2.200 1.800 3.282 3.184 3.719 4.372 2004 1.231 356 684 960 2.160 1.560 2.867 3.248 1.000 2001 São Lourenço do Sul 4.200 Canguçu 2.591 3.622 3.830 2.400 2.400 1.800 3.240 1.800 2.040 2.921 2.663 Rio Grande do Sul 1.128 1.200 1.500 2.555 2.560 2.400 3.000 2.400 3.250 3.660 Brasil 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal – PAM/IBGE; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. É inadmissível que uma região com grandes áreas de cultivo de milho (Canguçu, 1ª posição no RS; Pelotas, 4ª e São Lourenço do Sul, 10ª) e que tem tradição no domínio da água (arroz irrigado) continue a incorrer em perdas sistemáticas de produção. Esta cultura, pelas alentadas perspectivas de mercado e pelo imenso potencial produtivo do município e da região deverá ser necessariamente uma das principais prioridades do PEDL. As condições naturais impõem o uso de irrigação no milho e nas culturas de sequeiro em geral. Esta prática, no entanto, não poderá ser entendida como uma simples alternativa de enfrentamento das estiagens, mas sim em toda abrangência do conceito de agricultura irrigada, enquanto inovação tecnológica radical destinada a colocar o produtor e a sua comunidade em um patamar muito mais elevado de bem estar econômico e social. Há, portanto, um largo e promissor caminho a percorrer para aumentar a produtividade e consequentemente a renda do produtor, em Pelotas, no Corede Sul e no Rio Grande do Sul, de um modo geral. Por fim, duas características são marcantes na lavoura temporária de Pelotas: a concentração em cultivos de baixa densidade de valor e cultivos exigentes em escala sendo praticados pelos pequenos estabelecimentos. A tabela 1.3.23 mostra que mais de 95% dos estabelecimentos dos produtores de milho e de soja – pelo Censo Agropecuário de 2006 tinham até 50 hectares. Este estrato de tamanho detinha 89,3% da área com milho e 54,1% da área da soja. Em 2010, o milho e a soja ocupavam 51,5% da área cultivada com produtos temporários e produziam apenas 16,3% do valor. Na média, um pouco mais de R$1.000 por hectare de valor da produção, ao passo que o fumo produzia R$13.050 por hectares e o tomate R$ 47.490, para citar os dois casos extremos, de elevada densidade de 58 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL valor por unidade de área (tabela 1.3.20). Estes dados mostram, portanto, a evidente incompatibilidade entre a pauta de grão de Pelotas (exceto o arroz) e os requisitos de escala para remunerar adequada e condignamente o produtor. Tabela 1.3.23 - Estrutura do número de estabelecimentos e da área colhida dos principais cultivos temporários de Pelotas por grupos de área em 2006 (%) Soja 100,0 100,0 100,0 De 0 a menos de 50 ha 16,7 1,0 95,4 89,3 95,5 54,1 96,4 96,5 De 0 a menos de 5 ha 0,0 0,0 9,6 3,3 64,2 12,1 5,9 2,7 De 5 a menos de 10 ha 0,0 0,0 15,7 9,4 14,2 7,6 17,6 14,1 De 10 a menos de 20 ha 0,0 0,0 34,3 30,4 9,7 15,1 37,1 40,8 o o 100,0 Área colhida (%) 100,0 o 100,0 Área colhida (%) 100,0 o 100,0 Área colhida (%) Área colhida (%) Fumo N de Estabelecimentos (%) N de estabelecimentos (%) N de Estabelecimentos (%) Milho Total Grupos de área N de Estabelecimentos (%) Arroz De 20 a menos de 50 ha 16,7 1,0 35,8 46,3 7,5 19,2 35,8 38,8 De 50 a menos de 100 ha 10,0 0,9 3,9 6,9 0,7 IP 3,2 3,3 De 100 a menos de 200 ha 10,0 1,8 0,5 1,9 0,7 IP 0,1 IP De 200 a menos de 500 ha 26,7 13,2 0,1 1,9 3,0 40,8 0,0 0,0 De 500 a menos de 1000 ha 6,7 9,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 De 1000 a menos de 2500 ha 13,3 21,2 0,0 0,0 0,7 0,0 0,0 De 2500 ha e mais 16,7 53,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,3 0,1 Produtor sem área Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006, tabela 822; IP, informação protegida para não permitir a identificação do produtor. 1.3.3.3. E XTRATIVA V EGETAL E S ILVICULTURA As tabelas que seguem apresentam os dados de produção (valor e quantidade) para o ano de 2010 para a extrativa vegetal e a silvicultura segundo a pesquisa anual do IBGE Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura. Na extrativa vegetal o valor da produção de Pelotas em 2010 foi de apenas 111 mil reais e foi constituído basicamente de lenha. Na silvicultura o valor da produção foi de 6,9 milhões de reais e, da mesma forma que na Extração Vegetal, foi basicamente de lenha (tabela 1.3.24). Em 2010 a atividade florestal (extrativa e silvicultura) participou com apenas 5% do valor da produção vegetal de Pelotas, considerando os cultivos permanentes e temporários mais a silvicultura (para este ano não existem estatísticas publicadas da horticultura e da floricultura). Segundo a tabela 1.3.15, Pelotas em 2006 tinha 4.052 hectares com essências florestais plantadas, além de 1.282 hectares de sistemas silvo-agropastoril, totalizando 5.334 hectares de silvicultura. Área um pouco menor do que a plantada com soja (6.000 hectares em 2010). 59 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O valor da produção da silvicultura por hectares em 2010 (considerando a área de 2006) teria sido de apenas R$1.298 - praticamente o mesmo da soja R$ 1.281 - ou de R$ 1.709, não considerando os sistemas silvo-agropastoril. Tabela 1.3.24 - Valor da produção da extrativa vegetal e da silvicultura em Pelotas, no Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil em 2010 (R$1.000) Extrativa vegetal e silvicultura (1+2) 1- Extrativa vegetal Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul 7.036 98.533 899.644 14.920.989 111 1.583 55.328 4.210.557 10.970 366.385 1.1 - Alimentícios Brasil 1.2 - Aromáticos, medicinais, tóxicos e corantes 2.024 1.3 - Borrachas 8.235 1.4 - Ceras 103.603 1.5 - Fibras 121.399 1.6 - Gomas não elásticas 1.7.1 - Carvão vegetal 1.7.2 - Lenha 1.7.3 - Madeira em tora 21 1 5 525 650.614 108 1.572 39.259 624.293 2 6 4.572 2.156.610 1.8 - Oleaginosos 176.454 1.9.1 - Pinheiro brasileiro (nó-de-pinho) 3 801 1.9.2 - Pinheiro brasileiro (árvores abatidas) 1.9.3 - Pinheiro brasileiro (madeira em tora) 1.10 - Tanantes 2 - Silvicultura 119 6.925 96.950 844.316 10.710.432 22 392 26.864 1.685.924 6.801 29.753 435.140 1.653.710 102 37.929 336.715 7.231.123 1 71.335 3.841.347 37.928 265.380 3.389.775 2.2 - Outros produtos 28.876 45.597 139.676 2.2.1 - Acácia-negra (casca) 1.044 9.586 9.586 2.1.1 - Carvão vegetal 2.1.2 - Lenha 2.1.3 - Madeira em tora 2.1.3.1 - Madeira em tora para papel e celulose 2.1.3.2 - Madeira em tora para outras finalidades 102 2.2.2 - Eucalipto (folha) 2.2.3 - Resina 4.064 27.832 36.011 126.026 Fonte: IBGE - Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 1990-2010, tabela 290. 60 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.25 - Produção da extrativa vegetal e da silvicultura em Pelotas, no Corede Sul, Rio Grande do Sul e Brasil em 2010 Quantidades em 2010 Pelotas Corede Sul Crescimento anual 2000/2010 Pelotas Corede Sul RS Brasil RS Brasil 24.981 417.430 1,2 1.2 - Aromáticos, medicinais, tóxicos e corantes 0 582 -17,1 1.3 - Borrachas 0 3.516 -4,6 1.4 - Ceras 0 21.462 4,0 Extrativa vegetal e silvicultura (1+2) 1- Extrativa vegetal 1.1 - Alimentícios 1.5 - Fibras 0 66.222 -3,7 1.6 - Gomas não elásticas 0 7 -16,4 1.7.1 - Carvão vegetal 2 8 626 1.502.997 -10,4 -13,5 -10,3 0,5 3.182 46.596 1.266.497 38.207.117 -12,7 -14,0 -2,7 35 114 39.870 12.658.209 -12,9 -36,1 -11,3 1.8 - Oleaginosos 0 117.890 1.9.1 - Pinheiro brasileiro (nó-de-pinho) 40 10.612 1.9.2 - Pinheiro brasileiro (árvores abatidas) 3 57 -5,0 -9,7 1.9.3 - Pinheiro brasileiro (madeira em tora) 3.786 87.610 -9,3 -11,5 0 202 41.982 3.448.210 2,2 -23,1 1,2 3,8 200.042 875.355 14.127.269 49.058.232 5,4 185,9 4,2 1,9 13,0 60,6 4,8 4,9 -39,2 1,5 4,3 101,9 6,9 6,0 1.7.2 - Lenha 1.7.3 - Madeira em tora 1.10 - Tanantes -7,4 -5,3 -0,8 -19,9 -28,7 -6,5 2 - Silvicultura 2.1.1 - Carvão vegetal 2.1.2 - Lenha 2.1.3 - Madeira em tora 2.1.3.1 - Madeira em tora (papel e celulose) 2.1.3.2 - Madeira em tora (outras finalidades) 36 1.699 0 1.699 652 714.205 7.393.498 115.741.531 11 2.398.114 69.778.615 714.194 4.995.384 45.962.916 13,0 2.2 - Outros produtos 0 24.715 127.387 275.151 38,6 -7,6 -4,3 2.2.1 - Acácia-negra (casca) 0 9.488 107.171 107.171 22,8 -9,1 -9,1 2.2.2 - Eucalipto (folha) 0 0 - 96.907 -100,0 2.2.3 - Resina 0 15.227 20.216 71.073 162,0 -1,4 20,2 Fonte: IBGE - Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 1990-2010, tabela 289. 61 6,6 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Região Tabela 1.3.26 – Corte e efetivo da silvicultura em Pelotas, no Corede Sul e no Rio Grande do Sul em 31/12/2006. Espécies da silvicultura Estabelecimentos agropecuários o N % do RS Total Acácia negra Pelotas 2.365 Pés plantados Pés existentes em 31/12 de 01/01 a 31/12/2006 (Mil árvores) Mil árvores % do RS 721 465 7.573 0,6 168 1.310 0,4 494 5,3 5.606 0,9 2,0 1.078 66 87 8,2 5 4 1.305 1,7 1.278 649 Ipê 1 0,0 Pinheiro americano 12 0,2 Pinheiro brasileiro (araucária) 1 Outras espécies 46 Bracatinga Eucalipto Total Acácia negra Corede Sul de 01/01 a 31/12/2006 (Mil árvores) 432 Bambu (taquara) Bambu (taquara) Bracatinga Eucalipto Ipê Pinheiro americano 297 0,0 2 2 18 0,0 0 0 142 45.376 7.845 24.603 192.128 14,4 3.642 16,9 27.824 2.800 10.924 49.922 14,7 479 45,3 11 19 0 4.934 53,3 0 0 0 0 13.804 3.059 9.439 100.252 0 0 0 0 2 8.887 11,9 2 15,7 241 3,1 3.755 1.968 3.814 36.047 11,2 Pinheiro brasileiro (araucária) 5 0,2 0 0 0 326 4,4 Outras espécies 58 0 0 0 157 100,0 177.166 60.969 163.525 1.329.689 100,0 21.589 100,0 50.085 16.958 55.386 340.291 100,0 2 100,0 X X X X 100,0 1.058 100,0 20 97 85 9.252 100,0 185 100,0 227 52 191 750 100,0 74.710 100,0 104.372 34.612 81.481 637.329 100,0 109 100,0 4.022 9 58 294 100,0 9 100,0 0 0 7 17 100,0 Pinheiro americano 7.683 100,0 16.365 8.723 24.853 321.345 100,0 Pinheiro brasileiro (araucária) 2.262 100,0 297 120 450 7.405 100,0 Quiri 4 100,0 4 100,0 Teca 2 100,0 X 100,0 2.964 100,0 Total Acácia negra Algarobeira Rio Grande do Sul Pés cortados Área cortada no ano (Hectares) Bambu (taquara) Bracatinga Eucalipto Ipê Mogno Outras espécies 1.674 398 1.014 100,0 Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006; (X) dados não identificados por ter menos de três produtores informantes. 62 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A tabela 1.3.26, por sua vez, mostra dados do Censo Agropecuário 2006 para o segmento silvícola. Naquele ano havia, em Pelotas, 1.305 estabelecimentos com plantio de eucalipto com um efetivo de 5,6 milhões de árvores. Considerando 950 árvores por hectare seria uma área em torno 5.900 hectares. Tinha, também, certa expressão o plantio de acácia com 1,3 milhões de árvores, em torno de 650 hectares. Pelotas participava com 5,6% das florestas de eucalipto do Corede Sul e com 2,6% das de acácia. As demais espécies cultivadas são totalmente inexpressivas tanto em Pelotas como no Corede Sul, excetuando o pinheiro americano que na região como um todo tem 36 milhões de árvores, em torno de 32,4 mil hectares. O maior plantio era em Piratini, 11,7 mil hectares, seguido por Rio Grande, 7,3 mil, São José do Norte, 5,7 mil, Tavares, 3,7 mil e Canguçu, 3,5 mil hectares. Em Pelotas, ao contrário do que aconteceu no Corede Sul e no Rio Grande do Sul, no ano de 2006 foram cortadas 60% a mais de árvores relativamente ao que foi plantado. Na região foram cortados apenas um pouco mais de 30% do que foi efetivamente plantado (tabela 1.3.26). A região, portanto, tem espécies de uso industrial (eucalipto, 15,7% da floresta do RS e acácia negra, 14,7%), ambas em quantidade e idade de corte. De outra parte, as universidades locais possuem cursos de formação nas áreas de engenharia agronômica e da madeira. Estas condições são pré-requisito importantes para a localização de um polo madeireiro-moveleiro e central logística de oferta de insumos e serviços para essas e outras indústrias (pellets para exportação, usinas de energia a partir de biomassa e carvão vegetal, dentre outras). É recomendável, portanto, avaliar a viabilidade de processamento da matéria prima regional e da localização de plantas industriais em Pelotas. A respeito do acima, registra-se que estimulada por ação do governo estadual para a cadeia da madeira, a Votorantin Celulose e Papel, VCP, empresa de capital nacional, em 2004 desenvolveu o Projeto Losango. A meta era plantar na região Sul 100 mil hectares de florestas próprias de eucalipto para a indústria de celulose, vinculada à proteção e manutenção de 100 mil hectares de florestas nativas na região Sul. O projeto obteve o licenciamento ambiental dos órgãos estaduais e federais, mesmo com a pressão contrária de ambientalistas do Uruguai, Espírito Santo e outros locais. Também através da Poupança verde produtores foram treinados pela EMATER e estimulados a fazer plantios dentro das normas de sustentabilidade, em 23 municípios. O projeto original previa o investimento total de U$ 2,5 bilhões de dólares, com a instalação de fábrica para produção de um milhão de toneladas/ano de celulose em Rio Grande ou Arroio Grande, localização esta que não chegou a ser definida, pois com a crise mundial o projeto foi suspenso. 63 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Um grande viveiro de produção de mudas de alto padrão técnico foi implantado em Capão do Leão. Também vieram mudas de viveiros de São Paulo (VCP) e da Barra do Ribeiro (TECNOPLANTA). O viveiro chegou a ser inaugurado e colocado em funcionamento. Atualmente está fechado. Até o cancelamento do projeto foram plantados 43 mil hectares de florestas de eucalipto e conservadas mais 60 mil hectares de florestas nativas 19 . Os ativos hoje pertencem a empresa FIBRIA (fusão com a antiga Aracruz Celulose). Criaram-se empresas nas áreas de consultoria técnica em projetos e em meio ambiente, construção de cercas e aramados, viveiros, transportes de material e pessoas, alimentação, segurança, roçadas, plantios, fertilização. Enfim a cadeia nos elos de serviços estava estruturando e crescendo. Muitas destas fecharam. A oferta de quase 50 mil hectares de florestas clonadas e com excepcional trabalho de plantio, próxima a fase do primeiro corte é uma oportunidade a ser trabalhada, seja com os atuais detentores do ativo, seja com outros. A localização das florestas é alcançada pelas restrições legais previstas dos 150 km da fronteira e que à época do projeto estariam por ser revogadas. Isto não aconteceu e acabou paralisando o trabalho de atração de investimentos então em curso no Rio Grande do Sul e em outros estados brasileiros. A CMPC (ex-Aracruz) por ser propriedade de capital chileno, não pode adquirir os ativos imobiliários, mas pode, é claro, adquirir a floresta. Pelotas, não é adequada para a localização de uma planta de celulose, mas pode ser sediar o centro de excelência em tecnologia da madeira e grande parte de um APL madeira-moveleiro regional. A UFPEL a época do projeto criou um curso de Engenharia da Madeira e o IFPEL tem curso de química. 1.3.3.4. H ORTICULTURA Para o segmento hortícola os últimos dados existentes são os do Censo Agropecuário de 2006. Naquele ano o valor da produção da horticultura foi de 5,9 milhões de reais correspondendo a 13,2% do valor da produção vegetal de Pelotas20 e a 34,2% do valor da produção da horticultura do Corede Sul. O Censo Agropecuário não divulgou a área plantada. O produto mais importante foi o tomate estaqueado com 26,2% do segmento, seguido pelo morango, 13,4%, batata doce, 19 Os plantios foram realizados pelos próprios produtores proprietários e em regime de parceria com terceiros. Estão localizados, quase todos, ao longo das seguintes rodovias: BR 116 - Jaguarão, Arroio Grande, Pedro Osório, Capão do Leão, Pelotas, São Lourenço, Turuçú e Arroio do Padre; BR 471 - Canguçu e Morro Redondo; BR 293 - Pinheiro Machado, Cerrito, Herval, Candiota, Hulha Negra, Dom Pedrito e Bagé e BR 101 - São José do Norte. 20 No valor total de 44,7 milhões de reais (culturas permanentes, 13,2%, temporárias, 62%, horticultura, 13,2%, floricultura, 1,6%, silvicultura e extrativa vegetal, 10,1%). 64 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 8,4%, alface, 8,2% e beterraba, 7,1%. Nos cinco principais produtos e que são responsáveis por 63,3% da produção de hortícolas de Pelotas o maior número de estabelecimentos é na produção de batata doce, 297, e o menor é na produção de tomate estaqueado, 196. Na produção de morango são 181 estabelecimentos (tabela 1.3.27). A tabela 1.3.28 mostra que 77,5% da produção hortícola chegam ao mercado através de intermediários, 14,8% é vendida diretamente ao consumidor e o restante, 7,7%, através de cooperativas, ou são vendidas à transformação industrial, ou não tem o canal de distribuição publicado (para proteger o informante do Censo Agropecuário - quando o produto tem menos de três produtores informantes). Uma das principais capacitações competitivas, quiçá a principal, para o produtor hortícola progredir na atividade é ter a sua disposição os canais de acesso ao mercado. Nesta direção, o Executivo Municipal, no âmbito do projeto Polo Sul, implantou a central de hortigranjeiros no distrito de Monte Bonito. Urge agora, investimentos adicionais e de carácter complementar ao da central, como revestimentos de estradas até o local, a implantação de rede de energia trifásica em determinadas vias e a capacitação dos produtores. Tabela 1.3.27 - No de estabelecimentos produtores e hortícolas de Pelotas em 2006 valor da produção de produtos Pelotas o Produtos N de estabelecimentos Quantidade produzida (toneladas) Total Tomate (estaqueado) Morango Batata-doce Alface Beterraba Repolho Couve Couve-flor Pimentão Milho verde (espiga) Mostarda (semente) Pepino Brócolis Salsa Pimenta Abobrinha Vagem (feijão vagem) Cenoura Aspargo Continua 196 181 297 213 241 199 225 145 79 86 70 101 118 87 13 52 106 100 3 2.300 491 1.493 724 661 879 325 577 406 564 59 225 170 37 21 144 94 83 17 Corede Sul o Valor da produção (Mil Reais) % 5.894 100,0 1.546 788 497 485 417 323 316 248 214 174 159 110 107 85 72 67 63 54 42 26,2 13,4 8,4 8,2 7,1 5,5 5,4 4,2 3,6 3,0 2,7 1,9 1,8 1,4 1,2 1,1 1,1 0,9 0,7 N de estabelecimentos 719 386 949 1.036 778 798 815 395 253 220 214 337 285 306 75 348 286 588 4 Quantidade produzida 9.138 856 2.346 1.588 1.127 2.194 718 1.378 682 677 111 475 362 124 47 442 152 818 17 Valor da produção (Mil Reais) % 17.219 100,0 6.576 1.422 1.517 1.344 669 931 624 590 441 242 318 201 259 240 156 187 124 384 42 38,2 8,3 8,8 7,8 3,9 5,4 3,6 3,4 2,6 1,4 1,8 1,2 1,5 1,4 0,9 1,1 0,7 2,2 0,2 65 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Continuação da tabela 1.3.27 Pelotas o Produtos N de estabelecimentos Quantidade produzida (toneladas) Ervilha (vagem) 65 25 Espinafre 39 22 Agrião 6 11 Cebolinha 53 12 Rabanete 35 8 Rúcula 23 5 Berinjela 8 8 Chuchu 33 6 Nabo 21 8 Almeirão 4 6 Alho-porró 7 0 Acelga 1 Aipo Alcachofra Alecrim 2 Batata-baroa (mandioquinha) 2 Bertalha 2 Boldo 1 Bucha (esponja vegetal) Camomila 1 Caruru 1 Chicória 1 Coentro 1 Cogumelos Erva-doce Hortelã 1 Manjericão 2 Maxixe 1 Nabiça Orégano 1 Quiabo 2 Sementes Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006, tabela 818. Corede Sul Valor da produção (Mil Reais) 36 26 18 18 5 5 4 3 3 2 1 o % 0,6 0,4 0,3 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 N de estabelecimentos Quantidade produzida Valor da produção (Mil Reais) % 64 65 36 102 26 18 15 11 50 44 11 2 0 0 0 7 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 20 0 0 33 121 68 68 108 20 33 9 4 27 21 17 2 0 0 0 3 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 16 1 1 271 0,7 0,4 0,4 0,6 0,1 0,2 0,1 0,0 0,2 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,0 0,0 1,6 321 127 62 260 155 80 21 110 138 86 54 14 3 2 5 19 11 4 2 3 1 10 4 1 1 5 5 3 45 12 11 41 Tabela 1.3.28 - Destino da produção hortícola de Pelotas em 2006 Total (R$1000) Total Tomate (estaqueado) Morango Batata-doce Alface Beterraba Repolho Couve Couve-flor Pimentão Milho verde (espiga) Mostarda (semente) Pepino Brócolis % Intermediários Diretamente ao consumidor Cooperativas, indústria ou não identificado 5.894 77,5 14,8 7,6 1.546 788 497 485 417 323 316 248 214 174 159 110 107 92,0 65,7 80,5 62,3 84,2 78,3 72,5 78,6 91,1 44,8 85,5 84,5 62,6 6,7 22,5 12,9 29,5 10,8 7,7 17,1 15,3 7,0 43,7 14,5 7,3 19,6 1,3 11,8 6,6 8,2 5,0 13,9 10,4 6,0 1,9 11,5 0,0 8,2 17,8 Continua 66 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Continuação da tabela 1.3.28 Total Salsa Pimenta Abobrinha Vagem (feijão vagem) Cenoura Aspargo Ervilha (vagem) Espinafre Agrião Cebolinha Rabanete Rúcula Berinjela Chuchu Nabo Almeirão Alho-porró Total (R$1000) % Intermediários Diretamente ao consumidor Cooperativas, indústria ou não identificado 5.894 77,5 14,8 7,6 85 72 67 63 54 42 36 26 18 18 5 5 4 3 3 2 1 89,4 93,1 56,7 76,2 46,3 9,4 1,2 6,9 34,3 7,9 35,2 100,0 2,8 7,7 33,3 0,0 0,0 20,0 -25,0 33,3 0,0 50,0 0,0 86,1 61,5 72,2 40,0 40,0 50,0 33,3 33,3 9,0 15,9 18,5 11,1 30,8 66,7 27,8 60,0 40,0 75,0 33,3 66,7 50,0 100,0 Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006, tabela 819. 1.3.3.5. F LORICULTURA O município de Pelotas destaca-se como polo regional de floricultura. O principal fator determinante desta condição é a distância média dos produtores até aos principais pontos de consumo. Pelotas possui a maior população (328.275 habitantes) dentre os municípios do Corede Sul, com 93,3% concentrada na zona urbana e a terceira maior do Rio Grande do Sul, sendo antecedido apenas por Porto Alegre e Caxias do Sul. Além do tamanho em si da população, o município tem um grande número de clubes sociais e de cursos de nível superior e técnico, os quais promovem solenidades e eventos durante todo o ano, gerando demanda permanente por flores e folhagens de corte (Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007). De outra parte, a floricultura terá um estímulo de demanda muito significativo com o PEDL no eixo de desenvolvimento do turismo e de valorização do patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e de embelezamento da cidade enquanto lugar para viver e visitar. Neste diagnóstico utilizou-se duas fontes de dados, o Censo Agropecuário de 2006 e a pesquisa de Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden (2007). Segundo o Censo Agropecuário o valor da produção da floricultura de Pelotas foi de 709 mil reais, correspondendo a 1,6% do valor da produção vegetal do município e a 87,1% da atividade no Corede Sul, em 2006. A produção de mudas com quatro estabelecimentos produtores é o segmento mais importante, representando 72,3% do valor da produção da floricultura do município. O segundo segmento mais importante, o de flores e folhagens para corte, tem sete 67 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL estabelecimentos. A maior parte da produção, 87,6%, é vendida à intermediários e o restante diretamente ao consumidor. Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden (2007) identificaram 38 produtores de flores e plantas ornamentais em nove dos 22 municípios da região do Corede Sul. Desses, quatro estabelecimentos são hortos dos municípios de Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Jaguarão e não constam das tabelas que seguem, pois não visam a comercialização de produtos. Assim, a referida pesquisa envolveu um total de 34 produtores voltados ao cultivo comercial de flores e plantas ornamentais, em seis municípios da região do Corede Sul, pois os demais municípios, não foram localizados estabelecimentos de floricultura21. Tabela 1.3.29 - No de estabelecimentos produtores e valor da produção da floricultura de Pelotas em 2006 o Município e região Produtos N de estabelecimentos com floricultura e/ou plantas ornamentais Total Valor da produção (Mil Reais) o N de estabelecimentos com venda de floricultura e/ou plantas ornamentais 709 111 Valor das vendas (Mil Reais) 671 Flores e folhagens para corte 7 7 108 Gramas 2 Plantas ornamentais em vaso 7 17 7 16 Mudas de plantas ornamentais 7 36 7 30 Plantas, flores, folhagens medicinais 1 1 Sementes 1 1 Mudas 4 513 4 489 Total 0 814 0 750 Flores e folhagens para corte 36 143 36 140 Gramas 7 0 3 0 Plantas ornamentais em vaso 13 17 11 16 Mudas de plantas ornamentais 14 36 12 30 Plantas, flores, folhagens medicinais 8 0 4 0 Sementes 4 0 4 0 Mudas 5 513 5 489 2 Pelotas Corede Sul Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006, tabela 817. 21 Na Ilha dos Marinheiros, em Rio Grande, 14 agricultores que produzem flores de corte há mais de 20 anos, com o objetivo de abastecer Rio Grande e São José do Norte apenas na época de Finados. Só um desses produtores cultiva flores durante todo o ano e, por esse motivo, ele foi o único a integrar a pesquisa. Nas duas tabelas que seguem constam 33 produtores e não 34, pois o produtor de São Lourenço do Sul respondeu apenas parcialmente o questionário. 68 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.30 - No de produtores de flores e plantas ornamentais em Pelotas e no Corede Sul por sistema de produção em 2006 Sistema de produção Pelotas Capão do Leão Morro Redondo Rio Grande 2 2 Campo 5 Campo + telado 3 Estufa 8 Estufa + Campo 6 1 Estufa + Campo + telado 2 2 1 Total 24 3 3 Pinheiro Machado Total 9 3 1 9 7 5 2 1 33 Fonte: Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007. o Tabela 1.3.31 - N de produtores de flores e plantas ornamentais em Pelotas e no Corede Sul por categorias de produtos em 2006 Categoria de produtos Pelotas 1 - Flores e folhagens de corte - cultivo de plantas com o objetivo de comercializar suas flores, inflorescências, ramos ou folhas; 2 - Plantas em vasos - cultivo de plantas floríferas ou de folhagens, em recipientes, incluindo cactos, suculentas, mini-plantas e bonsais; 3 - Caixaria - cultivo de plantas de porte baixo, comercializadas em caixas de madeira com 15 mudas; 4 - Plantas para paisagismo - cultivo de árvores, arbustos e grama; 5 - Diversas categorias - quando é cultivada mais de uma categoria de produtos na mesma área de produção. Total Capão Morro do Leão Redondo 12 3 2 Rio Grande Pinheiro Total Machado 2 1 16 1 5 3 3 1 1 2 5 1 1 24 3 3 7 2 1 33 Fonte: Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007. Tabela 1.3.32 - No de floricultores em Pelotas e no Corede Sul por principais espécies de flores de corte em 2006 Flores de corte Pelotas Rosa 6 Estatice 3 Estrelítzia 2 Gradíolo 2 Copo de leite 3 Capão do Leão Boca de leão 1 Gipsofila 1 Agapanto 2 Latifólia Rio Grande Pinheiro Machado Total 1 7 1 4 2 3 1 3 3 1 Crisântemo Morro Redondo 1 2 1 2 1 2 2 1 1 Gerbera 1 1 Calla 1 1 Antúrio 1 1 Lisiantus 1 1 Girassol 1 1 Fonte: Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007. Os dados da tabela 1.3.31 indicam que os produtores buscam a especialização em uma determinada categoria de cultivo e esta é uma tendência regional e no restante do Brasil 69 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL (Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007). Há uma clara vocação regional para a produção de flores de corte, seguida pelas plantas em vasos e pelo segmento de caixaria. A tabela 1.3.32 mostra que a produção de rosas é a que tem o maior número de produtores em Pelotas, No Corede Sul, a exemplo do que ocorre em Pelotas (pelos dados do Censo Agropecuário) os principais canais de comercialização são o varejo (floriculturas) e o consumidor final. Apenas três produtores não vendem para os consumidores finais, sendo que um entrega exclusivamente para floriculturas e caminhões atacadistas, tendo, nesse caso, suas plantas distribuídas para outras regiões do Rio Grande do Sul (Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007). Segundo os autores referidos a comercialização é um grande problema enfrentado pelos floricultores, principalmente por causa da inadimplência dos compradores, da concorrência de outras regiões e da baixa valorização do produto regional. Aos poucos, no entanto, segundo os próprios produtores, essa situação vem melhorando de forma gradativa, não apenas devido à maior durabilidade dos produtos locais, atestada pelos consumidores, mas também pela possibilidade dos clientes terem suas encomendas atendidas quase que imediatamente (Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007). O custo do transporte é considerado elevado pelos produtores. Dado que a distância via de regra é inferior a 40 km, o determinando do encarecimento dos é a pequena escala da distribuição. Isto tende a melhorar na medida em que aumentar a escala de mercado, pois será possível uma entrega mais racional e cooperada. De outra parte, aumentando a demanda a tendência é uma maior valorização do produto e, portanto, um menor peso do custo de transporte (Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007). Outro problema sério é a carência de assistência técnica, embora isto venha melhorando pois em 2004 apenas 18% dos floricultores do Corede Sul recebiam assistência técnica e este percentual elevou-se para 47% em 2006. Segundo a gerencia regional da EMATER de Pelotas (em 2006) os técnicos da instituição não estavam preparados para orientar os floricultores e não havia perspectiva de mudança daquele quadro a curto ou médio prazo (Stumpf, Barbieri, Fischer e Heiden, 2007). 1.3.3.6 - P ECUÁRIA As principais atividades da pecuária em Pelotas produziram 18,6 milhões de reais em 2006, o que correspondeu a 16% do valor de produção da agropecuária daquele ano. Os últimos dados mais abrangentes sobre a produção pecuária municipal são os do Censo Agropecuário 2006 (tabela 1.3.33), pois a Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, também 70 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL do IBGE, divulga apenas os efetivos anuais, incluindo vacas ordenhadas e produção de algumas atividades e nada produz a respeito da produção da pecuária bovina de corte. o Tabela 1.3.33 - Produção animal de Pelotas em 2006: n de estabelecimentos e valor da produção o N de estabelecimentos Atividades % do total da agropecuária Valor da produção (R$1.000) % do total da agropecuária % da produção animal Total da agropecuária 3.545 100,0 116.515 100,0 Animal 3.029 85,4 18.587 16,0 100,0 2.312 65,2 12.681 10,9 68,2 Grande porte Bovina de corte 0,0 Bovina de leite 1.933 54,5 8.641 Outros 7,4 46,5 0,0 0,0 Médio porte 1.164 32,8 1.362 1,2 7,3 Aves 2.490 70,2 4.343 3,7 23,4 396 11,2 201 0,2 1,1 Pequenos animais Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 1.118. A tabela 1.3.33 mostra que a pecuária bovina de leite é a principal atividade da produção animal representando 46,5% do valor da produção do setor e 7,4% do valor da produção da agropecuária como um todo. Levando-se em conta que na produção animal de grande porte, além da pecuária bovina de leite e de carne tem a produção de bubalinos e equinos (tabela 1.3.34), a tabela 1.3.33 indica que a produção da pecuária de corte é menor do que a de aves. Na sequência são analisados os diversos segmentos da pecuária com base nos dados disponíveis, tendo como fontes principais o Censo Agropecuário de 2006 e a Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, ambas do IBGE. Tabela 1.3.34 - Efetivo dos rebanhos em Pelotas por tipo de rebanho em 2006 e 2010. Ano Ano Tipo de rebanho Tipo de rebanho 2006 2010 Bovino 51.786 52.586 Equino 2.871 3.740 641 974 Asinino 4 Muar Suíno Bubalino 2006 2010 385 445 1.219 6.845 Galos, frangas, frangos e pintos 119.526 136.683 21 Galinhas 76.033 90.531 6 - Codornas - - 13.112 13.395 316 303 Caprino Ovino Coelhos Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquis a Pecuária M unic ipal 1974-2010, tabelas 73. 71 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.2.3.6.1. P ECUÁRIA B OVINA DE L EITE Em Pelotas, no ano de 2010, a produção de leite foi de 18.376.000 litros no valor de R$11.393.000 (tabela 1.2.3) 22 . Segundo o Censo Agropecuário, em 2006, 1.933 estabelecimentos (54,5% dos estabelecimentos agropecuários do município) eram produtores de leite. O valor da produção de então era de R$8.641.000 correspondendo a 7,4% do total da produção agropecuária do município e a 46,5 do valor da produção animal (tabela 1.3.33). A tabela 1.3.36 mostra que dos 1.933 estabelecimentos produtores de leite, 1.050 venderam leite cru no ano de 200623. Tabela 1.3.35 - Produção de leite em 2010 e seu crescimento no período 2005/2010 em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil Brasil, Unidade da Federação e Município R$1.000 30.715.460 21.210.252 4,5 3.633.834 2.291.325 8,0 142.328 87.968 2,4 Corede Sul Amaral Ferrador 539 350 -2,6 Pedro Osório 5.702 3.535 1,1 Arroio do Padre 1.801 1.117 6,1 Pelotas 18.376 11.393 1,3 Arroio Grande 2.935 1.820 7,0 Pinheiro Machado 1.999 1.279 0,9 Canguçu 23.363 14.485 -0,7 Piratini 2.624 1.627 -7,4 Capão do Leão 4.069 2.523 -1,0 Rio Grande 6.140 3.561 1,8 Cerrito 9.101 5.643 23,1 Santana da Boa Vista 2.855 1.827 1,1 888 515 8,5 Sta. Vitória do Palmar 5.928 3.438 -2,6 Herval 1.588 985 7,0 São José do Norte 836 485 -0,2 Jaguarão 3.480 2.158 3,4 São Lourenço do Sul 33.723 20.909 1,8 Morro Redondo 9.325 5.781 7,1 Tavares 1.217 888 6,0 Pedras Altas 1.416 906 1,8 Turuçu 4.423 2.743 16,3 Brasil Rio Grande do Sul Corede Sul Chuí Crescimento Município (% anual - litros) Litros (1.000) R$ Crescimento (% anual 1.000 litros) Litros (1.000) Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabela 74. 22 Em 2010, Pelotas era o 44º município em produção (0,5% do total do RS). O maior produtor era o município de Casca na região Noroeste (Corede Produção) com 58.563.000 litros anuais, representando 1,6% da produção estadual. A região do Corede Sul em 2010 participava com 3,9% da produção estadual e o Corede Produção, o maior produtor, com 11,4%, seguido pelo Corede Fronteira Noroeste, com 9,5%. 23 O Censo Agropecuário, IBGE, relata que a venda de leite no ano de 2006 foi de 19.426.000 litros, 92,5% do total da produção de 21.004.000 litros. O mesmo IBGE, na sua Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, diz que a produção de 2006 foi de 16.936.000 litros. 72 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.36 - Indicadores da produção de leite em Pelotas, Corede Sul, Rio Grande do Sul e no Brasil em 2006 Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Estabelecimentos agropecuários que produziram leite (Unidades) 1.933 15.293 205.158 1.349.326 Vacas ordenhadas nos estabelecimentos agropecuários (Cabeças) 9.047 60.961 981.769 12.636.548 Quantidade produzida de leite de vaca nos estabelecimentos agropecuários (Mil litros) 21.004 124.402 2.455.611 20.157.682 Valor da produção de leite de vaca nos estabelecimentos agropecuários (Mil Reais) 8.641 52.855 1.001.258 8.817.536 66 751 48205 785669 Estabelecimentos agropecuários que venderam leite pasteurizado no ano (Unidades) - 3 109 1197 Quantidade vendida de leite de vaca pasteurizado nos estabelecimentos agropecuários (Mil litros) - 40 2781 52103 Valor da venda leite de vaca pasteurizado nos estabelecimentos agropecuários (Mil Reais) - 31 2004 43602 Estabelecimentos agropecuários que venderam leite cru (Unidades) 1.050 7.509 128.585 871.707 Quantidade vendida de leite de vaca cru nos estabelecimentos agropecuários (Mil litros) 19.426 111.494 2.272.581 18.381.354 Valor da venda de leite de vaca cru nos estabelecimentos agropecuários (Mil Reais) 7.947 46.392 916.463 7.940.414 Indicador Quantidade produzida de leite de vaca cru beneficiado nos estabelecimentos agropecuários (Mil litros) Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 1.673. Ainda segundo o Censo Agropecuário, no ano de 2006, 1.770 estabelecimentos (91,6% do total) eram de produtores familiares (quatro módulos ficais - até 64 hectares em Pelotas), os quais eram responsáveis por 79,5% da produção e por 78,1% do valor da produção. Em 2010, Pelotas ordenhou 9.551 vacas, ficando, na região do Corede Sul, atrás apenas de São Lourenço do Sul (21.130 vacas) e de Canguçu (15.855 vacas). A tabela 1.3.38 mostra que a produtividade da pecuária leiteira em Pelotas é baixa, 1.934 litros/vaca/ano em 2010, embora seja um pouco mais elevada do que a média da região do Corede Sul e do Brasil. A produtividade além de baixa está praticamente estagnada (em Pelotas) ou mesmo caindo (na região do Corede Sul como um todo), conforme mostra a tabela 1.3.38. Este fenômeno está em completo descompasso com o que acontece no Rio Grande do Sul e no Brasil, os quais crescem a produtividade a 2,3% e a 3,5% anuais, respectivamente, e os seus pequenos produtores também se beneficiam dos programas sociais do governo24. 24 O mesmo aconteceu no período 2000/2005. A produtividade no Brasil cresceu 1,6% anuais e no Rio Grande do Sul, 2,6%. No Corede Sul a produtividade caiu 0,9% anuais e em Pelotas ficou praticamente estagnada. Isto significa que em 10 anos no Brasil a sua produtividade aumentou em 21,2%, no Rio Grande do Sul, 34,7%, em Pelotas, 0,9% e no Corede Sul a queda foi de 7,6%. 73 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.37 - No de vacas ordenhadas em 2010 e seu crescimento no período 2005/2010 em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil Brasil, Unidade da Federação e Município Cabeças Crescimento Município anual (%) Cabeças Crescimento anual (%) Brasil 22.924.914 2,1 Rio Grande do Sul 1.495.518 4,4 94.004 3,1 Corede Sul Amaral Ferrador 410 -3,9 Pedro Osório 2.715 -2,5 Arroio do Padre 940 6,1 Pelotas 9.501 1,1 2.365 6,8 Pinheiro Machado 2.183 1,8 15.855 -0,7 Piratini 2.499 -7,5 Capão do Leão 2.064 -1,0 Rio Grande 5.200 3,9 Cerrito 5.056 22,5 Santana da Boa Vista 2.742 2,7 240 -4,4 Santa Vitória do Palmar 4.060 -4,1 Herval 3.013 3,4 São José do Norte 1.100 -3,3 Jaguarão 2.003 2,8 São Lourenço do Sul 21.130 7,6 Morro Redondo 5.125 7,1 Tavares 1.304 4,7 Pedras Altas 2.049 1,4 Turuçu 2.450 23,6 Corede Sul Arroio Grande Canguçu Chuí Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabelas 94. A respeito das considerações acima, entrevistas realizadas com agentes do setor, sugerem que as estatísticas oficiais não espelham a real situação da produção. É muito evidente que nem todo o leite que vai para o mercado é declarado pelo produtor (pelo pequeno em geral) e isto estaria ocorrendo porque estes receiam perder os benefícios concedidos pelos programas sociais do governo. Uma evidência disto é que a Cooperativa COSULATI na atualidade (maio de 2012) ultrapassou o processamento diário de 500 mil de litros de leite e está se preparando para dobrar essa quantidade em curto período de tempo. Segundo a Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE, em 2010 a produção de leite da região do Corede Sul teria sido de 142.328.000 litros. Supondo que o suprimento da COSULATI se dê somente na referida região, esta estaria produzindo em torno de 182.500.000 anuais. Se assim é, a dinâmica produtiva da região e de Pelotas é bem outra. A região teria crescido a produção a razão de 7,6% anuais entre 2005 e 2010 e não em 2,4% anuais como consta na tabela 1.3.35. Pelotas e a sua região reúne todas as condições estruturais, algumas efetivas, outras potenciais, para desenvolver uma cadeia industrial moderna, de grande porte e com participação expressiva no mercado nacional e internacional. 74 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A cadeia do leite é extremamente importante nos planos econômico, regional, social, político e de saúde pública. O leite é um alimento rico em proteínas, cálcio e outros elementos fundamentais para o crescimento do ser humano 25 . Por isto é um produto de consumo generalizado, viabilizador de grandes escalas produtivas, o que o torna industrialmente atraente. Dada a sua importância do ponto de vista nutritivo é um produto que participa da dieta de todos os extratos sociais, tendo um peso importante no custo de vida das classes urbanas menos favorecidas26. Em Pelotas, e praticamente em todo o Rio Grande do Sul, a produção de leite é muito importante na formação da renda do pequeno estabelecimento agrícola, o que realça a sua dimensão social e política e daí o desenvolvimento desta cadeia é de interesse estratégico. O município já conta com uma boa base de produtores, de rebanho, de genética, de pesquisa. A região a que pertence é produtora de leite e está localizada junto a um porto internacional. O município tem a Cooperativa COSULATI que está se capacitando para dobrar a capacidade de beneficiamento para um milhão de litros/dia com investimentos na aquisição de câmaras de resfriamento do leite para os produtores, transporte a granel, fábrica de rações, diversificação de produtos e outras iniciativas. A COSULATI possui 3.500 associados, mas recebe leite de cerca de 5.000 produtores da região Sul. Pelotas e a sua região, portanto, com a elevação da produtividade do produtor rural, com boas estradas e oferta de energia trifásica poderá transformar-se em um dos maiores polos leiteiros do Mercosul27. 25 Em 2003 o Governo Federal determinou novamente a distribuição gratuita do produto às famílias de baixa renda. No Governo José Sarney, o programa beneficiava diariamente 7,6 milhões de crianças e respondia por cerca de 20% do total de leite produzido no país. A distribuição de leite às pessoas carentes é muito mais uma política preventiva de saúde pública, do que humanitária, e tem reflexos em longo prazo no gasto governamental, pois acaba reduzindo despesas com doenças e internações hospitalares. Inúmeros países, inclusive os desenvolvidos, adotam o chamado leite escolar, específico para ser distribuído no sistema educacional. Na Dinamarca existe desde 1973; em Portugal desde 1971; no México foi implantado em 1930; na China, são atendidas 200 milhões de crianças. (Rubez, 2003). 26 Do ponto de vista da demanda é muito promissor o futuro do leite. O consumo per capita é muito baixo. Por isto, há muito que expandir. A elasticidade renda aponta na mesma direção: 10% de incremento da renda per capita disponível traz um aumento médio de 4% do consumo. No primeiro extrato de renda, o aumento do consumo é de 10%. No segundo, de 6%; no terceiro de 1%. Estes dados estão num importante artigo de Rodolfo Hoffman. Além disto, acresce-se o crescimento anual de 1,8% da população. Logo, considerando-se este incremento da renda per capita, em média, a demanda interna cresceria a 5,8% ao ano, e bem mais do que isto, se o crescimento econômico beneficiar os mais pobres. Ainda, em vista de termos custos baixos de produção, comparado com os principais países exportadores, temos um mercado internacional para ser conquistado, o que já estamos fazendo, os primeiros passos, é verdade (Alves, 2004). 27 Entrevista em maio de 2012 com Arno Koppereck, Presidente da COSULATI. 75 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.38 - Produtividade da pecuária bovina de leite em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil em 2010 e sua evolução no período 2005/2010. Brasil, Unidade da Federação Município Litro/ e vaca/ano (2010) Crescimento da produtividade (% anual) Município Litro/ vaca/ano (2010) Crescimento da produtividade (% anual) Brasil 1.340 2,3 Rio Grande do Sul 2.430 3,5 Corede Sul 1.514 1,3 Corede Sul Amaral Ferrador 1.315 0,0 Pedro Osório 2.100 3,7 Arroio do Padre 1.916 0,1 Pelotas 1.934 0,2 Arroio Grande 1.241 0,0 Pinheiro Machado 916 -0,9 Canguçu 1.474 0,0 Piratini 1.050 0,1 Capão do Leão 1.971 0,5 Rio Grande 1.181 -2,0 Cerrito 1.800 13,5 Santana da Boa Vista 1.041 -1,6 Chuí 3.700 3,5 Santa Vitória do Palmar 1.460 1,6 527 0,6 São José do Norte 760 3,2 Jaguarão 1.737 0,0 São Lourenço do Sul 1.596 -5,4 Morro Redondo 1.820 0,4 Tavares 933 1,2 691 2,3 Turuçu 1.805 -5,9 Herval Pedras Altas Fonte: tabelas 1.2.35 e 1.2.36. 1.3.3.6.2. P ECUÁRIA BOVINA DE CORTE Estima-se que Pelotas tenha um rebanho bovino de corte em torno de 43.085 cabeças em 2010 (tabela 1.3.39). Este número é uma estimativa precária, posto que é a diferença entre o rebanho bovino total e o número de vacas ordenhadas, levantados pela Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010. Na mesma tabela é mostrada a região do Corede Sul com 1.750.711 cabeças, sendo a segunda mais importante do rebanho bovino de corte do RS, com 13,5% do total. Conforme o detalhado na tabela 1.2.40, a liderança é da região do Corede Fronteira Oeste com 3,2 milhões de cabeças correspondendo a 24,7% do rebanho bovino de corte do RS e a terceira posição é ocupada pelo Corede Campanha com 1.569.253 cabeças, 12,1% do total estadual. O RS participa com 7% do rebanho brasileiro. No período 2005/2010 o rebanho ficou praticamente estagnado no Brasil e o RS sofreu uma pequena redução. A redução foi um pouco mais acentuada na Fronteira Oeste com uma taxa anual de -0,6%. Já as regiões Sul e Campanha experimentaram crescimento de 0,5% e 1%, respectivamente (tabela 1.3.40). 76 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Ressalta-se que os dados dos efetivos mostrados nas tabelas 1.3.39 e 1.3.40 muito provavelmente são superestimados, pois no rebanho bovino de corte estão incorporados os animais de leite que não estão em produção (as categorias mais jovens). Embora perdendo um pouco de atualidade em termos de dados, o Censo Agropecuário de 2006 permite olhar a composição do rebanho entre leiteiro e de corte com uma maior precisão nos estratos de produtores com mais de 50 animais (tabela 1.3.42). Antes, no entanto, a tabela 1.3.41 mostra que o rebanho total de Pelotas, em 2006, era de 49.393 cabeças nos 2.831 estabelecimentos que tinham bovinos em 31 de dezembro daquele ano. Os bovinos de corte seriam 40.346 cabeças (rebanho total menos as vacas ordenhadas no ano). Nos grupos de estabelecimentos com até 49 cabeças o efetivo de Pelotas era de 18.076 animais, representando 44,8% do total estimado para os bovinos de corte. Nos estabelecimentos com 50 e mais cabeças o efetivo era de 22.281 animais, correspondendo a 55,2% do total. Os bovinos de corte representavam 81,7% do total do rebanho, sendo que 69,8% nos estabelecimentos até 49 cabeças e 94,9% nos estabelecimentos de 50 e mais cabeças (tabela 1.3.41). Tabela 1.3.39 - Rebanho bovino de corte em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil no ano de 2010 e seu crescimento no período 2005/2010 Brasil, Unidade da Federação Município e Cabeças Crescimento anual (%) Município Cabeças Crescimento anual (%) Brasil 186.616.195 0,0 Rio Grande do Sul 12.973.789 -0,1 Corede Sul 1.750.711 0,5 Corede Sul Amaral Ferrador 22.384 6,9 Pedro Osório 39.201 -3,4 Arroio do Padre 2.820 -4,4 Pelotas 43.085 -1,1 Arroio Grande 123.335 -1,4 Pinheiro Machado 160.954 1,1 Canguçu 142.690 -1,8 Piratini 172.385 2,6 Capão do Leão 39.227 -1,3 Rio Grande 142.344 -1,3 Cerrito 29.580 1,3 Santana da Boa Vista 102.942 1,3 Chuí 12.330 10,3 Santa Vitória do Palmar 197.619 4,2 Herval 101.405 -0,8 São José do Norte 52.664 0,7 Jaguarão 123.241 -0,2 São Lourenço do Sul 86.796 -0,9 9.518 -1,2 Tavares 25.546 3,3 107.406 0,8 Turuçu 13.239 -0,2 Morro Redondo Pedras Altas Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabelas 73 e 94. 77 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.40 - Estimativa do rebanho bovino de corte nas regiões dos COREDEs/RS, do Rio Grande do Sul e do Brasil em 2010 e crescimento no período 2005/2010. País, Unidade da Federação e Coredes/RS Bovinos de corte em 2010 % Crescimento anual 2005/2010 Brasil 186.616.195 0,0 Rio Grande do Sul 12.973.789 100,0 -0,1 Fronteira Oeste 3.210.837 24,7 -0,6 Sul 1.750.711 13,5 0,5 Campanha 1.569.253 12,1 1,1 Vale do Jaguarí 801.029 6,2 0,2 Missões 702.158 5,4 0,0 Central 649.362 5,0 0,1 Vale do Rio Pardo 522.962 4,0 -2,1 Jacui Centro 399.283 3,1 -0,7 Centro Sul 363.756 2,8 -1,1 Campos de Cima da Serra 340.703 2,6 1,0 Nordeste 256.516 2,0 2,6 Metropolitano Delta do Jacuí 236.380 1,8 -1,3 Fronteira Noroeste 204.004 1,6 2,6 Litoral 202.674 1,6 -0,6 Alto da Serra do Botucaraí 198.709 1,5 2,1 Norte 175.721 1,4 -3,2 Médio Alto Uruguai 168.324 1,3 -3,7 Hortênsias 167.555 1,3 0,4 Vale do Taquari 156.096 1,2 -2,9 Serra 155.506 1,2 0,1 Alto Jacuí 134.142 1,0 4,8 Celeiro 131.193 1,0 0,7 Noroeste Colonial 122.734 0,9 1,8 Produção 113.731 0,9 -5,9 Vale do Caí 77.387 0,6 1,2 Rio da Várzea 56.344 0,4 -5,6 Vale do Rio dos Sinos 55.879 0,4 6,1 Paranhana Encosta da Serra 50.840 0,4 1,2 Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabelas 73 e 94. 78 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A tabela 1.3.41 mostra que a pecuária leiteira é uma atividade predominantemente do pequeno estabelecimento, o que não é nenhuma novidade. O que de certa forma contraria o senso comum é a grande importância, em Pelotas, do pequeno estabelecimento na criação de gado de corte. Esta é uma atividade de baixa densidade de valor por unidade de fator (terra e capital, representado pelo rebanho), não sendo própria, portanto, para o pequeno estabelecimento produtor. A tabela 1.3.42 considera apenas os produtores com 50 e mais cabeças. O total do rebanho destes é de 23.034 cabeças, sendo 86,8% de corte e 13,2% de leite. Isto significa que a estimativa do efetivo de gado de corte da tabela 1.3.41 de (81,7% do total), embora tenda a superestimar o rebanho de corte, pode não estar muito distante da realidade, em especial nos grupos de produtores com 50 e mais cabeças. Tabela 1.3.41 - Rebanho bovino e vacas ordenhadas por grupo de número de animais em Pelotas no ano de 2006. o Número de cabeças de bovinos Total com bovinos % Produziram leite no ano Total (1) Vacas ordenhadas no ano (2) N de estabelecimentos % Total 2.831 100,0 1.933 100,0 49.393 9.047 100,0 40.346 100,0 81,7 Até 49 cabeças 2.737 96,7 1.874 96,9 25.909 7.833 86,6 18.076 44,8 69,8 De 1 a 2 427 15,1 175 9,1 736 192 2,1 544 1,3 73,9 De 3 a 4 497 17,6 301 15,6 1.732 386 4,3 1.346 3,3 77,7 De 5 a 9 825 29,1 601 31,1 5.487 1.373 15,2 4.114 10,2 75,0 De 10 a 19 657 23,2 531 27,5 8.666 2.971 32,8 5.695 14,1 65,7 De 20 a 49 331 11,7 266 13,8 9.288 2.911 32,2 6.377 15,8 68,7 94 3,3 49 2,5 23.484 1.203 13,3 22.281 55,2 94,9 De 50 a 99 56 2,0 34 1,8 3.684 619 6,8 3.065 7,6 83,2 De 100 a 199 23 0,8 12 0,6 3.111 379 4,2 2.732 6,8 87,8 De 200 a 499 8 0,3 3 0,2 2.416 205 2,3 2.211 5,5 91,5 De 500 e mais 7 0,2 0,0 14.273 0,0 14.273 35,4 100,0 Grupos de cabeças de bovinos De 50 cabeças e mais % Bovinos de corte =1-2 % Bovinos de corte sobre o total dos bovinos (%) Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabelas 922 e 1.097. 79 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.3.42 – Estimativa da composição do rebanho de Pelotas, do Corede Sul e do Rio Grande do Sul entre bovinos de corte e de leite nos estabelecimentos com 50 cabeças e mais em 2006 Pelotas Finalidade da criação Corede Sul Efetivo % Total Total 23.034 100,0 Corte 20.000 86,8 Efetivo % Total Efetivo % Total 1.070.848 100,0 7.424.831 100,0 100,0 1.026.491 95,9 100,0 7.046.474 94,9 100,0 1.748 7,6 8,7 120.321 11,2 11,7 709.203 9,5 10,1 580 2,5 2,9 38.700 3,6 3,8 213.832 2,9 3,0 Engorda 3.602 15,6 18,0 113.376 10,6 11,0 934.087 12,5 13,3 Cria e recria 1.796 7,8 9,0 194.921 18,2 19,0 995.094 13,3 14,1 Cria e engorda 1.033 4,5 5,2 44.352 4,1 4,3 296.639 4,0 4,2 Recria e engorda 1.076 4,7 5,4 55.688 5,2 5,4 333.833 4,5 4,7 Cria, recria e engorda 10.165 44,1 50,8 459.133 42,9 44,7 3.563.786 47,7 50,6 3.034 13,2 26.141 2,4 257.024 3,4 18.216 1,7 121.333 1,6 Cria Recria Leite % Corte Rio Grande do Sul Trabalho % Corte % Corte Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabelas 925. Tabela 1.3.43 - Efetivo de bovinos nos estabelecimentos agropecuários de Pelotas em 31/12/2006, por grupos de área total dos estabelecimentos e por grupos de pastagens naturais e cultivadas . Grupos de área total dos estabelecimentos Total Estabelecimentos o N 2.831 % Bovinos o N 100,0 49.393 Grupos de área de pastagens Estabelecimentos o % 100,0 Bovinos o N % N % Total 2.831 100,0 49.393 100,0 0 a menos de 10 ha 757 26,7 4.069 8,2 0 a menos de 10 ha 1.920 67,8 15.151 30,7 10 a menos de 50 ha 1.888 66,7 20.649 41,8 10 a menos de 50 ha 532 18,8 11.787 23,9 50 a menos de 100 ha 123 4,3 4.031 8,2 50 a menos de 100 ha 34 1,2 2.910 5,9 100 a menos de 200 ha 28 1,0 2.331 4,7 100 a menos de 200 ha 13 0,5 1.856 3,8 200 a menos de 500 ha 24 0,8 3.803 7,7 200 a menos de 500 ha 11 0,4 2.494 5,0 500 e mais ha 11 0,4 13.888 28,1 500 e mais ha 6 0,2 13.188 26,7 1,3 Produtor sem pastagem 315 11,1 2.007 4,1 Informação protegida (X) 622 área de Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabelas 922. A última tabela (1.3.43) mostra o rebanho bovino total (corte e leite) por grupos de área total dos estabelecimentos e por área de pastagens. Considerando os grupos de áreas de pastagens (a parte da direita da tabela 1.3.43) a maior concentração de bovinos, 30,7% do total do rebanho, está nos 1.920 estabelecimentos que possuem áreas de pastagens até 10 hectares. Os 2.452 estabelecimentos que possuem até 50 hectares de pastagens detém 54,6% de todo o rebanho de Pelotas. 80 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Considerando, agora, os grupos de áreas total dos estabelecimentos (a parte da esquerda da tabela 1.3.43) os 2.645 estabelecimentos com até 50 hectares detém 40% do rebanho total. Considerando todos os 3.358 estabelecimentos agropecuários com até 50 hectares independentemente de terem bovinos - a área total é de 51.471 hectares (tabela 1.3.13). O tamanho médio destes estabelecimentos é de 15 hectares. Supondo que seja este o tamanho médio dos 2.645 estabelecimentos de pecuária do grupo de até 50 hectares, teríamos uma área total de 40.542 hectares e, portanto, uma lotação média de 0,61 cabeças por hectare. Sabe-se que o indicador de lotação não é adequado para avaliar a eficiência e a economicidade da exploração pecuária, mas na ausência de outras medidas está a sugerir que o setor opera a baixa rentabilidade como um todo, pelo menos no grupo dos estabelecimentos até 50 hectares. O grupo dos estabelecimentos de até 50 hectares concentra 85% do valor da produção de leite do município (tabela 1.3.33). Se aceitarmos que a área total deste grupo é de 40.542 hectares, chega-se a um valor da produção de leite por hectare de R$ 284 para o ano de 2006. Há de se acrescentar, ainda, o valor da produção do restante da pecuária. A mesma tabela, 1.3.33, informa que o valor da produção total da pecuária (animais de grande porte) em 2006 foi 12,7 milhões de reais. Abatendo-se o valor da produção da pecuária leiteira e admitindo que todo o resto informado seja o valor da produção da pecuária de corte chegase a um valor médio de R$ 104,93 por hectare28. Considerando o preço médio do boi vivo em 2006 de R$ 1,60, a produtividade teria sido de 66 Kg/ha. Supondo, portanto, que nos estabelecimentos até 50 hectares a produção por hectare da pecuária bovina de corte seja igual a média de todos os grupos de área, ter-se-ia que, neste segmento de área, o valor médio da produção da pecuária bovina (leite e carne) por hectare de R$ 388,93 em 2006. Da mesma forma que na pecuária leiteira, é baixa a produtividade da pecuária de corte. Diferentemente, no entanto, da pecuária leiteira não se vislumbra boas perspectivas para a o pequeno produtor, pois a pecuária de corte é uma atividade exigente em escala. Por mais eficiente que seja o pequeno produtor ele não terá condições de se desenvolver produzindo pecuária bovina de corte, a não ser que atue em algum nicho de genética, ou de carne diferenciada dirigida ao consumidor de alta renda. Para o médio e o grande pecuarista não há dúvida alguma que as perspectivas da pecuária de corte são muito boas, pois a região tem um produto diferenciado em genética (britânica) e produzido no ambiente natural do pampa gaúcho e nas extensas planícies na área de influência fluvial junto à lagoa dos Patos e Mirim e que constitui o único bioma costeiro de clima temperado no Brasil, conforme é 28 Considerou-se a área de campo destinada à pecuária segundo o Censo Agropecuário de 2006 (tabela 1.2.15), 38.501 hectares (pastagens naturais, 29.125 ha; plantadas, 7.043 ha; plantadas degradadas, 284 ha e forrageiras para corte, 2.040 ha). 81 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL visto no capítulo referente ao diagnóstico ambiental. As condições ambientais em que se dá o processo produtivo são um apelo mercadológico muito forte, pois o consumidor está cada vez mais exigente com relação a segurança alimentar, além das características organolépticas naturais da carne (cor, odor e sabor, suculência e maciez). Além disso, a região também tem fortes apelos mercadológicos pela sua historicidade e cultura. Do ponto de vista logístico tem a localização junto ao porto de Rio Grande e uma estrutura industrial já instalada no próprio município de Pelotas. 1.3.3.6.3. P ECUÁRIA O VINA O rebanho e a produção ovina em Pelotas são inexpressivos, mas a atividade tem uma formidável perspectiva para o município seja na produção primária, seja na indústria e na sua comercialização, enquanto especialidade gastronômica. A carne ovina tem um grande apelo mercadológico, pois além de saborosa é muito saudável, dado o seu baixo teor de gordura e colesterol (Knak, 2010). O rebanho do RS já foi de aproximadamente 13 milhões de cabeças no início da década de 70 (NUNES, 2004). Na atualidade o rebanho é de apenas 3,9 milhões, mas vem experimentando nos anos recentes um crescimento a razão de 1,3% anuais e na região do Corede Sul, a segunda maior região produtora do RS, a taxa é de 1,6% anuais no período 2005/2010 e em Pelotas de 35,1% (tabela 1.3.44). A produção de lã, por sua vez, cresceu um pouco acima do crescimento do rebanho e o Rio Grande do Sul é responsável por 92% da produção brasileira (tabela 2.45). Em Pelotas, embora inexpressiva, o crescimento foi de 41,2% A ovinocultura no Rio Grande do Sul se estabeleceu como exploração econômica no começo do século 20, com a valorização da lã no mercado internacional. A atividade passou por períodos de progresso e de crise. A última grande crise foi motivada pela consolidação da comercialização de tecidos sintéticos no mercado têxtil internacional, nos anos 80. A crise perdurou por duas décadas, motivando a saída de muitos produtores da atividade, com a consequente redução do rebanho comercial e a desestruturação de toda a cadeia produtiva (VIANA e SILVEIRA, 2009). Nos anos recentes, seja pelo aumento da renda da população, seja pelo desenvolvimento de um segmento consumidor da carne ovina valorizada como especiaria gastronômica houve uma retomada da produção do ovino carne. Na atualidade as perspectivas são excelentes em países como o Brasil, onde o consumo é de apenas 700 gramas anuais, enquanto que a média mundial é de 4,5 quilos, conforme os dados de QUIRÓS (2012). 82 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL De um lado a sazonalidade da produção, e de outro, a exigência de oferta regular de animais jovens e a necessidade de escala para comercialização por parte dos frigoríficos são as maiores dificuldades enfrentadas pelos produtores (VIANA e SILVEIRA, 2009). No Rio Grande do Sul, os produtores e suas entidades estão trabalhando no sentido da capacitação tecnológica para romper com o problema da sazonalidade e buscar novas genéticas para gerar produtos de maior valor agregado. Os produtores também estão cooperando horizontalmente e celebrando alianças mercadológicas com o varejo com o objetivo de satisfazer a necessidade de escalas mínimas para a comercialização e fidelizar os seus clientes. No fornecimento à indústria, empresas como a Marfrig, uma das maiores empresas de alimentos do mundo e atualmente a maior fornecedora de cortes de cordeiro no Brasil, está a mais de três anos promovendo o fortalecimento de todos os elos da cadeia, por meio de programas de relacionamento e fomento, parcerias com produtores para semi-confinamento, investimentos em genética e também acordos com entidades setoriais. O desafio da empresa é trabalhar no sentido de eliminar a sazonalidade da oferta e para isto está colocando suas plantas para operarem o ano inteiro (TESSARO, 2012). Brasil 17.380.581 Rio Grande do Sul 3.979.258 100,0 1,3 1.499.360 37,7 0,8 803.830 20,2 1,6 6.845 0.17 35,1 Campanha 601.813 15,1 Vale do Jaguarí 165.995 4,2 Missões 163.221 Central Fronteira Oeste % Crescimento anual 2005/2010 o % N de cabeças o N de cabeças Crescimento anual 2005/2010 Tabela 1.3.44 – Efetivo de ovinos em 2010 e sua evolução anual no período 2005/2010 em Pelotas, nas regiões dos COREDEs/RS , no Rio Grande do Sul e no Brasil 2,2 Alto da Serra do Botucaraí 24.596 0,6 6,5 Produção 21.198 0,5 5,3 0,3 Noroeste Colonial 20.873 0,5 5,3 5,4 Serra 20.700 0,5 4,5 4,1 1,7 Vale do Taquari 14.282 0,4 5,8 124.533 3,1 2,8 Norte 12.075 0,3 9,4 Vale do Rio Pardo 124.051 3,1 -2,1 Hortênsias 11.105 0,3 2,2 Jacui Centro 101.246 2,5 -1,8 Rio da Várzea 9.135 0,2 6,9 Centro Sul 65.861 1,7 2,2 Médio Alto Uruguai 8.568 0,2 -1,0 Litoral 41.800 1,1 0,6 Fronteira Noroeste 8.414 0,2 19,7 Nordeste 33.043 0,8 4,2 Celeiro 5.300 0,1 5,9 Campos de Cima da Serra 31.938 0,8 2,9 Vale do Caí 5.096 0,1 0,8 Alto Jacuí 27.639 0,7 3,7 Vale do Rio dos Sinos 3.429 0,1 7,8 Metropolitano Delta do Jacuí 27.531 0,7 7,9 Paranhana Encosta da Serra 2.626 0,1 11,5 Sul Pelotas Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabela 74. 83 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Kg (em 2010) Crescimento anual 2005/2010 R$ 1.000 (em 2010) R$ 1.000 (em 2010) % 1,6 51.094 100,0 1,6 48.838 4.685.035 43,8 1,4 23.904 Alto Jacuí 40.819 0,4 4,3 150 2.035.986 19,0 2,5 8.991 Pelotas 15.339 0,1 41,2 66 Noroeste Colonial 38.720 0,4 13,0 152 Campanha 1.773.570 16,6 0,3 8.263 Serra 34.016 0,3 5,2 79 Vale do Jaguarí 446.440 4,2 6,2 1.895 Hortênsias 27.606 0,3 2,6 83 Missões 416.428 3,9 2,7 1.553 Nordeste 19.813 0,2 1,0 40 Central 296.187 2,8 4,9 1.001 Rio da Várzea 14.819 0,1 8,2 82 Jacui Centro 237.026 2,2 0,4 644 Norte 13.576 0,1 12,8 72 Vale do Rio Pardo 164.445 1,5 -9,7 735 Médio Alto Uruguai 10.851 0,1 6,0 60 Centro Sul 108.647 1,0 -2,8 212 Vale do Taquari 9.127 0,1 -4,3 20 Litoral 78.590 0,7 1,4 157 Celeiro 7.038 0,1 4,2 32 Campos de Cima da Serra 65.103 0,6 4,3 162 Vale do Caí 3.449 0,0 -1,8 9 Metropolitano Delta do Jacuí 59.169 0,6 7,9 110 Paranhana Encosta da Serra 2.790 0,0 10,1 7 Alto da Serra do Botucaraí 47.685 0,4 6,4 211 Vale do Rio dos Sinos 2.197 0,0 5,7 7 Produção 47.027 0,4 5,2 201 Fronteira Noroeste 1.450 0,0 -14,0 6 Kg (em 2010) Crescimento anual 2005/2010 Tabela 1.3.45 - Produção de Lã em Pelotas, nas regiões dos COREDEs/RS, no Rio Grande do Sul e no Brasil em 2010 e crescimento no período 2005/2010 Brasil 11.646.349 Rio Grande do Sul 10.687.609 Fronteira Oeste Sul % Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabelas 73. Sublinha-se, ainda, que a produção de ovinos, além de ser uma interessante alternativa de diversificação da produção e de agregação de valor, pode ser conduzida isoladamente ou em consórcio com outras atividades na mesma área e também com os múltiplos propósitos de produção de carne, leite, lã e peles. Os queijos de leite de ovelha, por exemplo, são considerados produtos nobres e chegam a ser comercializado a R$ 80,00 o quilo. Este queijo exige apenas cinco litros de leite por quilo, a metade do necessário para queijos convencionais feitos com leite de vaca (Knak, 2010). Neste caso, geralmente a carne é explorada como subproduto. O artesanato de lã e pele é outra atividade, cujos produtos podem ser altamente valorizados pelo mercado, caso em que a carne também é explorada como subproduto. Pelotas e a região Sul têm recursos naturais e ambiente favorável à criação de ovinos e tradição e cultura que levaram ao domínio de tecnologias de produção. Isto, junto com os 84 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL vários cenários favoráveis de demanda atual e futura, indica um imenso potencial para o desenvolvimento de uma ovinocultura de grande porte e de classe internacional. 1.3.3.6.4. P ECUÁRIA AVÍCOLA Os dados mais abrangentes e detalhados sobre a avicultura são os do Censo Agropecuário de 2006. A Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, no que respeita a avicultura, publica apenas os efetivos e a produção de ovos. Pelo Censo Agropecuário, a avicultura participava com 3,7% do valor da produção da agropecuária de Pelotas em 2006 e com 23,4% do valor da produção animal. Era mais importante, portanto, do que a produção da pecuária bovina de corte (tabela 1.3.33). Não obstante isto, de há muito este setor vem perdendo importância na economia de Pelotas. No período 2005/2010, os efetivos de galos, frangas, frangos e pintos reduziram-se a taxa anual de -1,2% e o de galinhas a -0,2%. No mesmo período, no RS, os efetivos cresceram as taxas de 3,3% e 2,3%, respectivamente. No Brasil os efetivos cresceram as taxas de 4,8% e 2,5%, anuais. Já a produção de ovos aumentou 3,1% anuais no RS, 3,2% no Brasil e em Pelotas caiu na mesma taxa do efetivo de galinhas, -0,2%. Do ponto de vista estratégico, o mais importante a destacar na produção de aves (e de suínos) é que as margens dos produtores são muito apertadas nos segmentos sistemistas de commodities. Não vem ao caso discutir esta questão neste documento, mas registrá-la, pois ela é o ponto de partida de um dos macros objetivos do PEDL que é o de elevar o valor adicionado da agropecuária e por consequência a renda do produtor. Os objetivos de agregação de valor e de elevação da renda do produtor não serão alcançados através das duas atividades referidas, pois a lógica da estruturação e da governança da cadeia é dada pelo elo industrial e este define que a renda do produtor é aquela que remunera (e remunera relativamente bem) o seu trabalho. Nestes dois segmentos, portanto, não há – pelo menos na produção estandardizada integrada na indústria - margens para remunerar o fator capital e o empreendedorismo do produtor. Esta é a razão de não ser comum a produção de aves e de suínos em estabelecimentos rurais empresarias, os quais buscam mais do que a remuneração do fator trabalho. Isto posto, propõe-se que o PEDL, no que respeita ao setor de aves, formule ações para organizar o produtor em redes de cooperação – alianças mercadológicas – com vistas à produção e a comercialização de produtos diferenciados, como os chamados galinha e ovo caipira, com a participação das instituições de apoio da infraestrutura científica e tecnológica, cooperativas de produtores, frigoríficos e casas de carnes especiais e restaurantes. Esta proposição também está dentro do contexto competitivo em que se 85 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL coloca a pressão mundial por gestão ambiental e desenvolvimento sustentável combinada com um elevado crescimento do consumo de alimentos naturais, livres de agrotóxicos, especialmente nos estratos urbanos de altas rendas. Na estrutura fundiária de Pelotas e da sua região predomina a pequena propriedade, escala que se presta à utilização das práticas de manejo requeridas pela chamada agricultura orgânica e que está deixando de ser uma atividade chamada alternativa para aos poucos ir conquistando a sua cidadania capitalista. Tabela 1.3.46 - Número de estabeelecimentos e valor da produção da avicultura de Pelotas em 2006 Valor da produção (R$1.000) % do Valor da produção 4.343 100,0 2.177 3.105 71,5 137 2.798 64,4 2.284 1.234 28,4 833 1.002 23,1 2 4 0,1 o N de estabelecimentos Total da avicultura (1+2+3) 1. Produção de aves 1.1. Produção de aves para venda 2. Produção de ovos 2.2. Produção de ovos para venda 3. Produção de outras aves Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006; 1/ tabela 940; 2/ tabela 941 e 3/ tabela 947. Tabela 1.3.47 - Efetivos de aves e produção de ovos em 2010 e taxas anuais de crescimento no período 2005/2010 em Pelotas, no Rio Grande do Sul e no Brasil. Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil Galos, frangas, frangos e pintos 136.683 856.472 127.734.279 1.028.151.477 Galinhas 90.531 506.452 20.621.045 210.761.060 Galos, frangas, frangos e pintos -1,0 -0,2 3,3 4,8 Galinhas -0,2 0,1 2,3 2,5 Produção de ovos (1000 dúzias) 638 5.000 300.728 3.246.719 Crescimento anual no período 2005/2010 da produção de ovos (%) -0,2 -1,0 3,1 3,2 Efetivos (cabeças) Crescimento anual no período 2005/2010 dos efetivos (%) Fonte: IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabelas 73. 1.3.3.6.5. P ECUÁRIA S UÍNA A produção suína em Pelotas e na região do Corede Sul também é inexpressiva e voltada para o autoconsumo. Em 2006 atingiu 1,2 milhões de reais no município e em 2010 o efetivo de 13.995 cabeças havia experimentado uma queda anual de 2,8% em relação ao ano de 86 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2005. No Corede Sul o efetivo ficou praticamente estagnado, ao passo que no Rio Grande do Sul cresceu 6,2%. Não se projeta que a produção de suínos venha a ter expressão em Pelotas e na região. Nem mesmo em Canguçu - com a maior lavoura de milho do RS em área e sendo o município de maior peso do pequeno estabelecimento na estrutura fundiária - a produção de suínos logrou prosperar. De outra parte as empresas industriais integradoras estão voltadas para outras regiões produtoras. A lógica que preside a distribuição da renda gerada na cadeia de produção do suíno é a mesma da de aves que confere ao setor primário a possibilidade de remunerar tão somente o fator trabalho. Por esta razão, entende-se que é mais produtivo direcionar os recursos e as energias dos produtores e das instituições para alternativas mais promissoras para o município e sua região. Tabela 1.3.48 - Número de estabelecimentos produtores, efetivos e valor das vendas de suínos em Pelotas, no Corede Sul, no Rio Grande do Sul e no Brasil em 2006 e taxas anuais de crescimento do efetivo no período 2005/2010. Pelotas Corede Sul Rio Grande do Sul Brasil 2.598 16.566 234.069 1.496.107 Número de cabeças de suínos 15.240 118.596 5.611.431 31.189.339 Valor da venda de suínos (R$) 1.234.336 11.054.556 609.202.643 3.022.760.881 -2,8 0,5 6,2 2,7 o N de estabelecimentos agropecuários com suínos Crescimento do efetivo no período 2005/2010 (% anual) Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006, tabela 1.225 e IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010, tabela 73. 1.3.4. CONCLUSÕES E PROPOSIÇÃO DE LINHAS DE AÇÕES ESTRATÉGICAS Entre 2000 e 2009, o município de Pelotas continuou a perder posição na economia gaúcha, conforme o mostrado no primeiro capítulo. A perda de posição se deu nos setores industrial e de serviços. Na agropecuária, no entanto, o município logrou manter a sua posição relativa, acompanhando a dinâmica estadual, com crescimento do produto a 5% anuais. Este desempenho de Pelotas foi muito significativo, pois a agropecuária no plano nacional cresceu somente 3,7% anuais e este, por sua vez, também superou o dos demais setores (indústria, 2%, e serviços, 0,6%). A agropecuária, portanto, aumentou a sua importância relativa no PIB: em Pelotas de 2,9%, em 2000, para 3,9%, em 2009; no Corede Sul, de 9,9% para 13% e no Rio Grande do Sul, de 8,3% para 9,9% (tabela 1.2.1). No período em questão, embora Pelotas tenha acompanhado o desempenho produtivo do RS, piorou a relação entre o seu PIB agropecuário per capita e o estadual: em 2009 o PIB da agropecuária per capita de Pelotas (considerando somente a população rural) passou a 87 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL ser apenas 53,9% do PIB da agropecuária per capita do RS; em 2000 equivalia a 62,7% (em 2006 era de 52,5%, tabela 1.3.49). Cotejando, no entanto, com o setor urbano da economia local houve uma melhoria significativa: em 2000, o PIB agropecuário por habitante rural era de apenas 40,4% do PIB da indústria e dos serviços por habitante urbano; em 2009 passou a representar 62,5% (em 2006 era de 51%, tabela 1.3.49). Alto da Serra do Botucaraí VAB da Agropecuária /ha -R$ em 2006 Relação entre o VAB da Agropecuária /ha da região e o do RS (%). Densidade demográfica rural (Habitantes Por 1000 ha) Relação entre a densidade demográfica rural daregião e a do RS (%) 100 Relação entre o VAB per capita rural e o urbano da região (%) 7.888 VAB da Indústria e Serviços per capita urbano – R$ em 2006 (b) Rio Grande do Sul Relação entre o VAB da Agropecuária per capita da região e o do RS (%) Regiões (COREDEs) Valor Adicionado Bruto (VAB) da Agropecuária per capita rural – R$ em 2006 (a) Tabela 1.3.49 - Indicadores de PIB, de população e de área dos estabelecimentos da agropecuária de Pelotas e das regiões (COREDEs) do Rio Grande do Sul para o ano de 2006. 13.521 58 622 100 79 100 6.166 78 11.045 56 659 106 107 136 Alto Jacuí 19.559 248 13.162 149 862 138 44 56 Campanha 7.388 94 9.768 76 259 42 35 44 19.451 247 10.588 184 538 87 28 35 205 Campos de Cima da Serra Celeiro 6.020 76 10.652 57 972 156 161 Central 9.217 117 10.005 92 606 97 66 83 Centro Sul 6.025 76 11.478 52 577 93 96 121 6.905 88 13.410 51 1.140 183 165 209 18.943 240 8.016 236 310 50 16 21 75 Fronteira Noroeste Fronteira Oeste Hortênsias 6.209 79 10.446 59 366 59 59 Jacui Centro 8.048 102 8.926 90 447 72 56 70 Litoral 5.504 70 8.247 67 694 111 126 160 Médio Alto Uruguai 5.960 76 10.569 56 1.287 207 216 274 Metropolitano Delta do Jacuí 3.651 46 15.777 23 683 110 187 237 Missões 7.958 101 11.472 69 551 88 69 88 Nordeste 9.433 120 12.082 78 801 129 85 108 Noroeste Colonial 9.654 122 12.745 76 781 126 81 103 Norte 7.330 93 13.976 52 884 142 121 153 Paranhana Encosta da Serra 2.704 34 9.960 27 849 136 314 398 13.252 168 13.482 98 1.143 184 86 109 Rio da Várzea 8.898 113 10.559 84 1.062 171 119 151 Serra 8.734 111 17.293 51 1.888 303 216 274 Sul Pelotas 6.479 4.144 82 52,5 9.579 8.185 68 51 353 866 57 139 54 209 69 265 466 Produção Vale do Caí 6.665 84 14.378 46 2.449 394 367 10.470 133 7.458 140 303 49 29 37 Vale do Rio dos Sinos 2.010 25 15.707 13 1.159 186 576 730 Vale do Rio Pardo 6.580 83 17.097 38 986 158 150 190 Vale do Jaguarí Vale do Taquari 6.350 81 15.456 41 1.566 252 247 313 Fonte: IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006 (tabelas 786 e 1.118 e IBGE/SIDRA) e Censo Demográfico de 2010; FEE PIB Municipal; a) o indicador considera somente a população rural e está é a do Censo Demográfico de 2010; b) o indicador considera somente a população urbana e está é a de 2010; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 88 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A tabela 1.3.49 mostra os mesmos indicadores acima e adiciona a variável área dos estabelecimentos agropecuários fornecida pelo Censo de 2006. Na construção dos indicadores de 2006 da referida tabela bem como os do ano de 2009, mencionados anteriormente, os dados de população (rural e urbana são os do Censo Demográfico de 2010). O objetivo fim do PDEL é o desenvolvimento da comunidade e um dos seus indicadoressíntese é a renda per capita (salários, lucros e outras rendas) e a elevação da produtividade é um dos objetivos-meio. O fator mais escasso da agropecuária e caro (do ponto de vista social) é a terra. Por isto, o objetivo meio do planejamento estratégico é, via de regra, maximizar a produtividade por unidade de área. Tendo como referência estes dois objetivos, na tabela 1.3.49 são apresentados indicadores a eles associados para Pelotas, o conjunto da sua região, o COREDE Sul, e os demais 27 COREDEs no ano 2006. A tabela 1.3.50 apresenta a ordenação das 28 regiões e mais Pelotas por grau de desenvolvimento agropecuário considerando as cinco variáveis indicadas na referida tabela. A ordenação seguiu os critérios de média aritmética das posições das regiões em cada ranking de variável e de média ponderada das referidas posições. No critério de média ponderada, os pesos variam de 1 a 5 (conforme a posição da variável na tabela 1.3.50) e a valoração é inversa. Isto é, a variável mais importante (VAB da Agropecuária por hectare) para o resultado final tem peso 1 e a menos importante (VAB da Agropecuária per capita rural) tem peso 5. Em princípio esta última variável deveria ser a mais e não a menos importante, pois a renda per capita é um dos principais indicadores de desenvolvimento. Assim seria se em algumas regiões a terra não fosse concentrada e se algumas atividades importantes, na ocupação dos solos, não fossem pouco absorvedoras de mão de obra e de baixa densidade de valor por unidade de área, como é o caso da pecuária de corte e, por via de consequência, estas regiões não fossem espécies de vazios demográficos. Este é o caso, por exemplo, da Fronteira Oeste. Ocupa a 3ª melhor posição na variável VAB da Agropecuária per capita rural, mas esta é neutralizada pela 29ª posição em Densidade demográfica rural (o vazio demográfico referido) e a 27ª posição em VAB da Agropecuária por hectare de R$310, a metade da média estadual e apenas 12,7% da primeira colocada, a região do Vale do Cai, com uma pauta produtiva diversificada (aves, fruticultura, produção florestal e leite). O Vale do Cai tem o maior produto (renda) por hectare e ocupa a 2ª melhor posição em densidade demográfica e é por isto que ocupa somente a 16ª posição no indicador de renda per capita rural. No ranking geral (das cinco variáveis), São Sebastião ocupa a 3ª melhor posição em desenvolvimento rural, dentre os 28 Coredes. Assim, não obstante a Fronteira Oeste ter destaque no indicador de renda per 89 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL capita rural, ocupa a 19ª posição no ranking geral, cujo critério é a média aritmética e a 15ª posição no de média ponderada. VAB da agropecuária per capita rural VAB da Indústria e Serviços per capita urbano Relação entre o VAB per capita rural e o urbano Densidade demográfica rural Regiões do Rio Grande do Sul (COREDEs) VAB da Agropecuária /ha Tabela 1.3.50 - Ranking dos Indicadores de PIB, de população e de área dos estabelecimentos da agropecuária de Pelotas e das regiões (COREDEs) do Rio Grande do Sul para o ano de 2006. Ranking Média aritmética Média ponderada Posições no ranking do conjunto das variáveis Posições nos ranking das variáveis acima Produção 6 17 5 8 4 1 1 Serra 2 5 23 1 10 2 3 Vale do Caí 1 2 24 6 16 3 7 Alto Jacuí 13 25 3 10 1 4 2 Vale do Taquari 3 4 25 5 19 5 11 Rio da Várzea 8 14 8 19 9 6 8 Nordeste 15 18 9 12 7 7 5 Fronteira Noroeste 7 9 21 9 15 8 10 Noroeste Colonial 16 19 10 11 6 9 4 Norte 11 13 20 7 14 10 9 Vale do Rio Pardo 9 11 26 2 17 11 12 Vale do Rio dos Sinos 5 1 29 4 29 12 18 Médio Alto Uruguai 4 6 17 18 24 13 20 Campos de Cima da Serra 23 28 2 17 2 14 6 Celeiro 10 10 16 16 23 15 19 Central 20 21 6 21 8 16 13 Missões 22 20 12 14 12 17 14 Metropolitano Delta do Jacuí 18 8 28 3 27 18 21 Fronteira Oeste 27 29 1 28 3 19 15 Alto da Serra do Botucaraí 19 15 18 15 21 20 22 Jacui Centro 24 23 7 25 11 21 17 Centro Sul 21 16 19 13 22 22 24 Vale do Jaguarí 28 27 4 29 5 23 16 Litoral 17 12 14 26 25 24 27 Paranhana Encosta da Serra 14 3 27 22 28 25 28 Sul - Pelotas 12 7 22 27 26 26 29 Campanha 29 26 11 23 13 27 23 Hortênsias 25 22 15 20 20 28 25 Sul 26 24 13 24 18 29 26 Fonte: Tabela 2.49; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 90 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A Fronteira Oeste ocupa, ainda, a 1ª posição no indicador Relação entre o VAB per capita rural e o urbano. Este indicador procura capturar o quanto é favorável (ou desfavorável) a posição da agropecuária em relação ao setor urbano, no que respeita as respectivas rendas setoriais per capita. No caso da Fronteira Oeste este indicador extremamente favorável é neutralizado porque a região tem uma baixa renda per capita urbana, ocupando a 28ª posição, considerando os 28 Coredes mais Pelotas, só sendo superado pelo Corede Vale do Jaguari. Contrastando com a Fronteira Oeste, a região da Serra tem um dos piores indicadores Relação entre o VAB per capita rural e o urbano, 23ª posição (a Fronteira Oeste ocupa a 1ª). Ocorre, no entanto, que a região da Serra combina a 2ª posição no ranking de renda por hectare (a Fronteira Oeste ocupa a 27ª) com a 5ª posição no indicador de densidade demográfica (a Fronteira Oeste ocupa a 29ª). Isto posto, o Corede Produção ocupa a melhor posição no ranking geral de desenvolvimento rural, o qual considera os cinco indicadores conjuntamente, tanto no critério de média aritmética, quanto no de média ponderada. Esta região não é a melhor colocada em nenhum dos indicadores considerados individualmente. Ocupa a 6ª posição na variável VAB da Agropecuária por hectare e a maior parcela provém da lavoura de grãos, na qual é benchmark de produtividade. A melhor posição (4ª) ocupada pela região da Produção é no ranking de VAB da agropecuária per capita rural, seguida pela Relação entre o VAB per capita rural e o urbano (5ª posição). Este é um indicador extremamente importante sobre o desenvolvimento da região, pois a renda per capita rural é praticamente igual (98%) a renda per capita urbana, mas com a especificidade importante de que esta é a 8ª dentre as 29 regiões do RS, sendo superada apenas pelas regiões: Serra (indústria diversificada e um dos maiores polos de metal mecânica do País e centro educacional e de turismo importantes); Vale do Rio Pardo (o maior polo da indústria do fumo do País); Metropolitano Delta do Jacuí (detém a maior parcela da indústria - com elevado grau de diversificação - e dos serviços do RS); Vale dos Sinos (maior polo coureiro calçadista do País, grande concentração da indústria de informática e de TI e centros de ensino superior, pesquisa e laboratórios) Vale do Taquari (indústria alimentícia e florestal); Vale do Caí (indústria alimentícia) e Norte (principal polo metal-mecânico fora do eixo região Metropolitana e Serra e forte indústria alimentícia). 91 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL No ranking geral, a região da Produção é seguida pela Serra, altamente industrializada, mas também a região agrícola mais desenvolvida e diversificada do Rio Grande do Sul. A fruticultura, com destaque para a uva, é a atividade mais importante com 32,6% do PIB agrícola e é seguida pela produção de aves com 20,4%, pela lavoura temporária, 15,7%, suinocultura, 10,5%, pecuária leiteira, 8,5% e pela horticultura, 6,6%. O Vale do Cai é a terceira região mais desenvolvida na agropecuária e na agroindústria de alimentos. Também é muito diversificada e a maior atividade é a produção de aves com 40,3% do PIB da agropecuária, seguida pela fruticultura, 19,5%, suinocultura, 11,9%, lavouras temporárias, 6,4%, horticultura, 5,4% e pecuária bovina de leite, 4,3%. O Corede Sul ocupa a última colocação (29ª) nos indicadores de desenvolvimento rural considerando as 28 regiões dos Coredes e mais o município de Pelotas, separadamente, e segundo o critério de média aritmética dos indicadores. No critério de média ponderada a região melhora um pouco, passando para a 26ª posição, ficando na frente dos Coredes Litoral, 27ª, Paranhana Encosta da Serra, 28ª, e o próprio município de Pelotas, 29ª. A melhoria do Corede Sul, quando considerada a média ponderada, é porque este critério atribui menos importância para a variável não estritamente agropecuária - o PIB (VAB) urbano – e para o PIB agropecuário per capita. Como já foi dito Pelotas ocupa a 26ª posição no critério de média aritmética e a 29ª com a média ponderada. Nas cinco variáveis consideradas isoladamente, o melhor posicionamento do município é em Densidade demográfica rural, 7ª posição, seguida do VAB da Agropecuária por hectare, 12ª posição, Relação entre o VAB per capita rural e o urbano, 22ª posição, VAB da agropecuária per capita rural, 26ª posição, e VAB da Indústria e Serviços per capita urbano, 27ª posição. Ao ser desconsiderado indicador que não é estritamente da agropecuária - VAB da Indústria e Serviços per capita urbano - melhora um pouco a posição de Pelotas (de 26ª para a 22ª). Considerando que a variável densidade demográfica rural é um dado sem controle direto, cabe ao PEDL formulações estratégias que levem à elevação da renda por unidade de área (objetivo meio) e, por consequência, à elevação da renda per capita (objetivo fim). No breve diagnóstico das seções precedentes ficam evidentes dois objetivos meios a serem perseguidos: Elevação da produtividade em todas as linhas de produção animal e vegetal; Mudança da pauta produtiva - em especial nos pequenos estabelecimentos - em direção a produtos de maior densidade de valor por unidade de fator (terra, trabalho e capital). 92 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A mudança na pauta produtiva poderá ser de duas formas: Através da reconversão, entendida como a substituição de uma atividade por outra, como por exemplo, a troca de pecuária de corte pela fruticultura; Através da reestruturação da atividade para desenvolver capacitações que permitam diferenciar os produtos do estabelecimento relativamente aos produtos dos concorrentes. Um bom exemplo, ainda na pecuária, seria passar a produzir animais buscando realçar determinadas características organolépticas naturais (cor, odor e sabor, suculência e maciez) das carnes, do leite, dos ovos, etc., as quais variam segundo os processos produtivos e, no caso das carnes, da idade de abate. A reestruturação de atividades muitas vezes é muito mais complexa do que a reconversão, pois nos exemplos dados acima é necessária do desenvolvimento de novas capacitações produtivas a busca de novos canais de comercialização e as capacitações que permitam acessá-los, como é o caso, muitas vezes de certificações de produto e/ou de processos. Muitos são os caminhos para diferenciar e valorizar os produtos e um deles é o da indicação geográfica (indicação de procedência ou a denominação de origem)29. Este instrumento de diferenciação de produtos é uma construção que requer os esforços de grupos de produtores ou prestadores de serviços que se organizam para diferenciar seus produtos ou serviços, dando visibilidade a determinados atributos do lugar relacionados com o meio físico e/ou identidade sócio cultural, que agreguem valor e gerem lucros coletivos. Países como Itália, França e Espanha, entre outros, são muito competentes no agregar a identidade cultural a produtos e serviços. Neste campo é muito grande o potencial de Pelotas em função de toda sua historicidade e patrimônio cultural. Mas também é grande a sua desvantagem competitiva em relação aos países referidos, como de resto é a desvantagem do RS, que não obstante a rica identidade cultural ainda está a merecer uma abordagem que a projete como valor no mundo da produção e do consumo de bens e serviços, ultrapassando a visão elementar da tradição e cultura entendida como folclorização da bombacha e do chimarrão (Rosa, 2011). Na sequencia elenca-se as capacitações e as linhas de produção que o diagnóstico julga de interesse mais estratégico para serem objetos de programas setoriais específicos na segunda etapa do PEDL. Este elenco de sugestões foi construído a partir de pesquisa com 29 A lei brasileira considera como Indicação Geográfica a Indicação de Procedência ou a Denominação de Origem. Indicação de Procedência é o nome geográfico de um país, cidade, região ou uma localidade de seu território que se tornou conhecida como centro de produção, ou extração de determinado produto ou prestação de determinado serviço. Denominação de Origem é o nome geográfico de um país, cidade, região ou uma localidade de seu território, cujas qualidades se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos (APROPAMPA, 2012). 93 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL base em dados secundários e do que foi possível perceber na primeira rodada de encontros com setores da comunidade - conselhos, instituições públicas e privadas, entidades de representação e pessoas com entendimentos e contribuições relevantes sobre o desenvolvimento do município de Pelotas e da região do Corede Sul. A percepção dos autores deste relatório é a de que a comunidade agropecuária de Pelotas através da palavra das lideranças consultadas - tem muito claro que na base do PEDL deve estar o conceito de sociedade sustentável. A sociedade que tem capacidade de enfrentar e resolver simultaneamente os desafios que se colocam no campo da conservação e da reprodução da natureza e nas dimensões econômica, social, cultural e política do processo de desenvolvimento. Outro entendimento que é percebido como basilar pelos atores sociais consultados é o de que o desenvolvimento sustentável, além do capital físico (recursos naturais, infraestrutura, máquinas e equipamentos, benfeitorias e rebanhos) e do capital humano (estoque de conhecimento e de experiências) precisa de Capital Social (as redes associativas ou cooperativas de produtores). Não obstante o referido acima, as manifestações da liderança foram no sentido de que é necessário avançar muito e de que o sucesso do PEDL dependerá de como será a sua governança e a capacidade de agregação e de desenvolvimento do Capital Social que existe, mas é escasso na região. É muito claro que à resolução da problemática que leva à elaboração do PEDL é necessária a participação do Capital Social para articular as escalas de operação e os instrumentos que são requeridos para a capacitação competitiva do setor. A geração e expansão do Capital Social dependem da participação do produtor e da sua compreensão de que ele é, a um só tempo, objeto e sujeito do desenvolvimento que logra alcançar. Dependem da compreensão do produtor de que o seu poder, enquanto grupo, muitas vezes pode ser maior do que o poder dos governos e que a cooperação com os seus pares é o único caminho para enfrentar as estruturas oligopólicas de mercado, típicas do capitalismo contemporâneo. Não obstante o acima a participação é muito escassa. Tanto é assim que em reunião que se mostrou muito interessante, realizada na Associação Rural, em abril de 2012, para a qual a coordenação do PEDL convidou todas as entidades do setor agropecuário, apenas duas se fizeram representar, o Sindicato Rural e a própria Associação. Na oportunidade uma das questões debatidas foi exatamente a escassa participação do produtor e outras questões como a da governança já colocada acima e temas relacionados com a necessidade de uma estratégia local e regional de desenvolvimento da agropecuária. 94 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL As manifestações das lideranças presentes (e de especialistas entrevistados em outras oportunidades) de uma forma ou de outra levam ao entendimento de que uma estratégica de desenvolvimento para o setor agropecuário precisa girar em torno de três eixos30: i) De uma estratégia (coletiva) de produção; ii) De uma estratégia (coletiva) de mercado e iii) De uma estratégia (coletiva) de articulação institucional. A estratégia coletiva de produção seria o conjunto de recomendações e de apoio aos produtores no que respeita ao como produzir de forma sustentável e valorizando os diferenciais competitivos dos produtos e da região. Este eixo inclui as ações que busquem a elevação da produtividade e as de diversificação da produção na direção de atividades com elevada densidade de valor e renda, como é o caso da pecuária leiteira e da fruticultura, em especial nos pequenos estabelecimentos. O outro princípio geral é o de que o produtor deve fugir da competição em preço e buscar explorar os nichos de mercado que permitam competir diferenciando produto, conforme já foi comentado. Inclui-se, ainda, no eixo estratégia coletiva de produção, a exploração do potencial de poder de mercado que os produtores poderão construir se cooperarem entre si, seja como ofertantes, seja como demandantes de insumos, tecnologia, máquinas, capacitação de recursos humanos e de aprendizado coletivo. Enfim, de um conjunto de capacitações que levam ao aumento da competitividade, pois, através do grupo, o produtor passa a auferir ganhos de escala que são próprios da grande empresa. A estratégia coletiva de mercado consiste em construir instrumentos de decisão concertada por parte dos produtores - do tipo aliança mercadológica - com o objetivo de gerar escala, reduzir custos de comercialização (promoção, publicidade e distribuição) e conferir poder de mercado aos produtores diante dos oligopsônios. Dificilmente o produtor agropecuário, grande ou pequeno, isoladamente, tem condições de auferir os ganhos referidos. Neste bloco estratégico algumas experiências de sucesso no RS devem servir de referência como 30 Do ponto de vista estratégico existe uma grande sintonia entre a visão dos especialistas consultados em Pelotas e dos autores deste relatório com a visão da FEDERACITE, Federação dos Clubes de Integração e Troca de Experiências, entidade privada que se ocupada de veicular junto aos clubes de produtores associados, tecnologias de produção e de gestão geradas pelos centros de saber e pesquisa. Um dos clubes associados à FEDERACITE é o de número 55 localizado em Pelotas. A intenção da consultora era entrevistar este clube, mas constatou que o mesmo está desativado. Este clube já foi um dos mais importantes do Rio Grande do Sul e além de produtores de ponta tem como associados, a EMBRAPA e a UFPEL. Na região do COREDE Sul, tem, ainda, o CITE 73 de Santa Vitória do Palmar. Este, ao contrário do de Pelotas, está em plena atividade e foi escolhido CITE do Ano na EXPOINTER ora em curso (agosto/2012). O Presidente da FEDERACITE Carlos Simm – ao ser entrevistado sobre o horizonte estratégico da agropecuária gaúcha e a capacitação competitiva dos produtores mencionou o quanto seria importante para o desenvolvimento regional o CITE 55 de Pelotas retomar as suas atividades. Entrevista realizada em 28 de agosto de 2012 na Casa dos CITEs, Parque Assis Brasil. 95 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL é o caso do trabalho realizado pela APROCCIMA - Associação dos Produtores Rurais dos Campos de Cima da Serra - e pela APROPAMPA - Associação dos Produtores do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional. A estratégia coletiva de articulação institucional consiste em intensificar o relacionamento dos produtores (organizados em grupos de interesse econômico) com a infraestrutura científica e tecnológica do setor agropecuário e com os demais agentes que lidam com o desenvolvimento das comunidades em que estão inseridos os produtores (MAPA; EMBRAPA; SEAPPA; SEMA; EMATER; SENAR; SEBRAE; UNIVERSIDADES; FARSUL; FETAG; PREFEITURA e outras instituições e associações públicas e privadas). Na reunião ocorrida na Associação Rural, a tônica das manifestações dos presentes foi exatamente neste sentido. No sentido de que o momento é de ultrapassar os diagnósticos para os quais existe uma razoável convergência e definir o que vai ser feito, como fazer, quem vai fazer, quais serão as fontes de financiamento e como se dará a governança do processo, tendo como mira um horizonte de largo prazo. Com relação a atividades específicas a serem elaborados os programas na próxima etapa do PEDL, os autores deste relatório sugerem as que seguem. Este rol ainda não foi apresentado e discutido explicitamente nas reuniões como a comunidade setorial, mas contempla o que já foi discutido: Programa Pecuária Leiteira; Programa Carne de Qualidade - bovina e ovina, valorizando os atributos do meio físico e a genética de origem britânica (no caso dos bovinos); Programa Fruticultura; Programa Milho; Programa Irrigação (das culturas de sequeiro); Projeto Turismo Rural - dentro do Programa Turismo em Pelotas na linha de valorização da historicidade da pecuária regional que forjou a figura do gaúcho da região do Pampa Meridional. Por fim, as capacitações e os programas a serem formulados visam a transformação profunda, e inadiável, da agropecuária local, pelas razões apontadas anteriormente. Tal transformação deverá caminhar em direção a uma pauta de produtos de maior valor agregado por unidade de área, mais intensiva em conhecimento, tecnologia e gestão, mais intensiva em cooperação e cooperativismo profissional, moderno e eficiente. Em síntese, a transformação que é requerida tornará a agropecuária cada vez mais dependente de vantagens competitivas criadas e, por via de consequência, menos dependente de vantagens naturais. 96 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.4. INDÚSTRIA: C ARACTERIZAÇÃO, EVOLUÇÃO RECENTE , IMPORTÂNCIA RELATIVA NOS CONTEXTOS REGIONAL E N ACIONAL E PERSPECTIVAS 1.4.1. A PERDA DE P ARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA DE PELOTAS DO PRODUTO LOCAL E NA INDÚSTRIA DO R IO GRANDE DO SUL O município de Pelotas tendo como referência o Brasil (e mesmo o Rio Grande do Sul), não é especializado no setor industrial, o que se manifesta através do Quociente de Localização de 0,7 (tabela 1.1.3), quando se considera a variável PIB. Nos três macros setores, a especialização de Pelotas é em serviços - com um coeficiente de 1,1 - conforme é visto em detalhes na seção 1.5. Qualquer que seja o indicador de PIB que se considere fica evidente a tendência de perda de dinamismo da indústria de Pelotas. Atualmente o município ocupa a 17ª posição no ranking de PIB industrial dos municípios do Rio Grande do Sul (gráfico 1.2.2) e em 2000 a sua posição era a 13ª. Em 2009, em um ranking de 13 municípios constam 11 dos 13 municípios de 2000. Só não estão Pelotas e Campo Bom. Este último, no período, se viu as voltas com os reflexos das intermitentes crises na exportação de calçados. A figura 1.4.1 mostra a trajetória de perda da indústria no PIB de Pelotas e a perda de participação de Pelotas no PIB industrial do Rio Grande do Sul no período 2000/2009. Dentre as capitais regionais apenas Pelotas e Novo Hamburgo perdem posição no PIB industrial do Rio Grande do Sul, conforme mostra a figura 1.4.2. Figura 1.4.1 - Evolução da participação de Pelotas no PIB indústrial do RS e a participação da indústria no PIB de Pelotas no período 2000/2010 (%) Pelotas na industria do RS A indústria no PIB de Pelotas 22,5 21,2 20,8 20,6 20,1 20,0 19,7 18,8 18,3 17,5 1,5 2000 1,5 2001 1,4 2002 1,3 2003 1,3 2004 1,3 2005 1,3 2006 1,2 2007 1,3 2008 1,3 2009 Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. 97 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.4.2 - Participação das capitais regionais no PIB industrial do Rio Grande do Sul 8,2 6,9 2000 2,7 3,3 3,3 1,9 Caxias do Sul Rio Grande 2.009 Novo Hamburgo 1,7 1,7 1,1 1,3 São Leopoldo Passo Fundo 1,5 1,3 Pelotas 0,8 0,9 Santa Maria Fonte: PIB Municipal 2009 - FEE; Elaboração América Estudos e Projetos Internacionais. Não existem dados desagregados de produto (publicados) do setor industrial para os municípios, de forma a permitir a identificação dos movimentos que estão ocorrendo no seu interior. Existem, no entanto, estatísticas sobre o emprego de mão de obra e de número de estabelecimentos suficientemente desagregadas que permitem um olhar dentro da estrutura do setor e, portanto, identificar a importância das diferentes atividades e mapear as que Pelotas é especializada frente a sua região, o Rio Grande do Sul e o Brasil, o que é feito na seção seguinte. 1.4.2. AS ESPECIALIZAÇÕES DA INDÚSTRIA DE PELOTAS E A SUA D INÂMICA INTERNA NO PERÍODO 2000/2010 Esta seção descreve a estrutura industrial com o objetivo de identificar as especializações de Pelotas. Estas, em princípio, são as preferenciais para ser objeto de programas setoriais específicos. A identificação das especializações se deu através do Quociente Locacional, o qual é a razão entre a participação de cada atividade na estrutura produtiva de uma localidade, Pelotas no caso presente, e a participação que a atividade considerada tem na estrutura produtiva da instância espacial de referência. Quanto maior do que um for a relação, maior será a especialização da região na atividade considerada relativamente a instância espacial de referência. Neste diagnóstico consideraram-se três alternativas de estruturas econômicas para fins de identificação das especializações de Pelotas: Brasil, Rio Grande do Sul e o conjunto das suas sete capitais regionais, nominadas na figura 1.4.2. O Quociente Locacional, nos anos mais recentes, tem sido utilizado para identificar as aglomerações produtivas, denominadas Arranjos Produtivo Local, APL´s (SIMÕES, 2005) e usualmente é o procedimento empírico mais adotado nos estudos de economia regional 98 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL fundados na teoria da base econômica. Esta teoria divide a economia de uma região em atividades básicas (as que atendem, predominantemente, os mercados externos a região) e não básicas (as que fornecem bens e serviços aos residentes locais). As atividades de exportação constituem a base econômica de uma região e são as que dão a origem e o ritmo de crescimento das demais atividades. O suposto central é de que a exportação é a única componente autônoma da despesa. Todas as demais componentes são consideradas como funções da renda gerada no setor de exportação e, portanto, de determinação exógena (ROSA e PORTO, 2008). Fazendo a renda líquida gerada pela exportação igual a X - M e supondo que uma fração constante a dessa renda seja gasta internamente em bens e serviços não básicos (Z) a renda líquida proveniente das exportações levará a uma segunda rodada de ganhos a(X-M) e que por sua vez levará a uma terceira rodada a2 (X-M) e assim por diante. Considerando todos os efeitos multiplicadores conclui-se que a renda regional é: Y = (1/(1-a))*(X – M) + Z (ROSA e PORTO, 2008). A fração de renda gasta na região no médio e longo prazo é variável, pois na medida em que cresce o tamanho da economia local vão sendo geradas escalas de mercado para novas atividades, aumentando o Z o a e, consequentemente, o multiplicador e a renda Y. Em contrapartida, se a economia local é incapaz de absorver a maior parte da parcela da renda que poderia ter sido gasta internamente, mesmo em presença de um grande esforço exportador, o efeito multiplicador das exportações se neutraliza com o aumento das importações. Este foi o caso das regiões com elevadíssimos coeficientes de abertura de suas economias - a Grande Sul de um modo geral, desde o ciclo do charque – que não lograram promover a interação entre economias de escala e o tamanho do mercado endógeno e assim criar um processo de aglomeração cumulativo, como ocorreu nas regiões mais dinâmicas, a Grande Norte e em especial a Grande Nordeste (ROSA e PORTO, 2008), conforme o colocado no início deste relatório. Há de se considerar, também, que importantes processos regionais de aglomeração cumulativos não surgiram apenas da substituição de importações como no modelo descrito acima, mas do próprio crescimento auto reforçador do setor de exportação a que se referem FUJITA, KRUGMAN e VENABLES (2002), os quais citam o Vale do Silício como o exemplo mais celebrado na literatura a respeito. Embora não citado na literatura internacional sobre o tema, o Vale dos Sinos é um típico caso de expansão da industrialização via crescimento auto reforçador do setor exportador. Antes da emergência dos países asiáticos, o Vale dos Sinos era um dos maiores distritos industriais do mundo, se não o maior, especializado na produção de calçados. A exportação 99 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL de calçado começou na segunda metade dos anos 60 e este movimento foi auto reforçandose e a sua dinâmica induziu a implantação de um diversificado complexo industrial e de serviços de apoio. Deste complexo participam a indústria de máquinas e equipamentos para couros e calçados, a indústria de componentes plásticos e de borracha, têxteis, colas, tintas, adesivos, embalagens e inúmeras outras, como a indústria de moldes. Estas indústrias, com o passar do tempo tornaram-se exportadoras (todas, sem exceção) e suas vendas no mercado internacional crescem muito mais do que as da indústria de calçados, a indutora inicial do processo. A Serra é outro bom exemplo, no Rio Grande do Sul, de região que logrou fazer com sucesso a passagem do estágio inicial, cujo dinamismo é fundado exclusivamente nas atividades básicas (de exportação), para a fase mais avançada do processo de aglomeração cumulativo. Mais especificamente na microrregião de Caxias do Sul, a atividade básica (exportadora) passou gradativamente dos chamados produtos coloniais para a agroindústria e a metalomecânica e em torno destas desenvolveu-se uma economia pujante, diversificada e que tem uma das maiores indústrias de transformação do Brasil31. O desenvolvimento da microrregião de Caxias do Sul foi uma combinação do crescimento auto reforçador do setor exportador - tipo Vale dos Sinos - com uma equilibrada substituição de importações geradas pelo crescimento da economia e, portanto, das escalas do mercado local para acolher novas atividades. ROSA e PORTO (2008), ao analisarem as disparidades regionais no Rio Grande do Sul, reforçam a ideia de que nos marcos atuais - da economia aberta à competição internacional - não há possibilidade de ocorrência de processos regionais cumulativos de aglomeração baseados na substituição de importações, mas somente dos que tenham como motor o crescimento auto reforçador do setor exportador, a la Vale dos Sinos. Este é um dos princípios que certamente presidira a elaboração do PEDL. Em Pelotas, no passado distante, a atividade básica foi a economia do charque. Com o passar do tempo foi substituída por produtos agroindustriais como o arroz, conservas de frutas e outros poucos. Estas atividades, no entanto, não lograram um dinamismo tal que oportunizasse a constituição de um complexo industrial e de serviços de apoio em torno ou 31 Não considerando as microrregiões que contém capitais estaduais, a indústria de transformação de Caxias do Sul é superada apenas pela de Campinas em São Paulo, a 4ª no ranking nacional, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A economia da microrregião de Caxias do Sul é extremamente diversifica, não havendo grande peso de apenas uma atividade individualmente. As mais importantes do ponto de vista do emprego de mão-de-obra são a indústria de Cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores e a Administração pública em geral, ambas com 4% do emprego microrregional. São seguidas pela indústria de Móveis com 3,5% e pela Fabricação de peças e acessórios para veículos automotores com 2,3% (ROSA, 2010). 100 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL a partir delas e que fosse capaz de se constituir no motor da economia a exemplo do ocorrido no Vale dos Sinos e na microrregião da Serra. A trajetória de Pelotas, portanto, foi bem outra. Não logrou desenvolver uma economia dinâmica nucleada no setor industrial, mas a sua localização geográfica, o rico desenvolvimento pretérito, a dotação de recursos naturais e humanos e os seus patrimônios histórico, cultural e político, engendraram as condições para o crescimento de uma diversificada estrutura de serviços que lhe confere a condição de capital regional, nos termos definidos pelo IBGE. Em razão do exposto, aos autores deste relatório parece incontroverso que em Pelotas o setor de serviços é prioritário para o seu pensar e o seu agir estratégicos, independentemente de qualquer outra abordagem. O caráter estratégico do setor de serviços e o princípio do crescimento auto reforçador do setor exportador colocado acima leva a necessidade de conduzir as análises fazendo a separação, sempre que possível, entre as atividades cujos bens e serviços se deslocam fisicamente entre as regiões (os chamados tradeables goods) e as atividades produtoras de bens e serviços consumidos ou incorporados aos processos produtivos no espaço físico da região produtora (os non-tradeables goods) 32. São duas as razões básicas para isto: de um lado porque não há espaço à indução da instalação ou expansão de atividades que não sejam competitivas (em se tratando dos tradeables); de outro lado, porque um caminho natural a ser trilhado por Pelotas, independentemente de quaisquer outros, é o das atividades non-tradeables. Isto é, das atividades cujos bens e serviços são consumidos no seu espaço físico, basicamente a maior parte do seu setor de serviços, como educação, cultura, turismo receptivo, saúde e outros. Isto posto, nas duas seções subsequentes são apresentadas as especializações (Quocientes de Localização) de Pelotas na indústria tendo como referência as estruturas das economias do Brasil, do Rio Grande do Sul e do conjunto das suas sete capitais regionais. Na seção 1.5 é feito o mesmo procedimento para o setor de serviços, mas tendo como referência, dada a sua característica non-tradeable, apenas as capitais regionais. 32 Esta separação é uma mera simplificação da realidade, do ponto de vista conceitual, e só é feita para ajudar no mapeamento e no entendimento da estrutura produtiva com vistas a definir os campos de atuação possível do planejamento estratégico. Ao se considerar o setor educação como non tradeable é no sentido de que o serviço (na sua forma tangível) é predominante prestado no mercado físico local, o que não vale evidentemente para a educação a distância. Da mesma forma que os atributos ligados ao patrimônio histórico e arquitetônico podem ser mais bem consumidos (apreciados) nos espaços físicos do município. De outra parte um produto tradeable pode ser considerado como non tradeable quando o seu grau de transacionabilidade (tradability) é baixo em razão do elevado custo de transporte. Este é o caso, por exemplo, de um cano de plástico comum (o mesmo já não acontece com os chamados plásticos de engenharia). 101 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Na verdade, a instância espacial com a qual deveria ser referenciada a indústria (e mesmo a agropecuária) para fins de calcular os seus quocientes de localização/especialização deveria ser o mundo, pois em 2011 Pelotas exportou para 30 países nas três Américas e no Caribe, nas Europa Ocidental e do Leste, na Ásia, na África e no Oriente Médio (seção 1.5), ou uma área de mercado que abrangessem pelo menos os grandes centros urbanos e industriais do Mercosul, como é o caso da área mostrada na figura 1.4.3. Isto, no entanto, não é possível pela indisponibilidade das estatísticas necessárias. Figura 1.4.3 – Mercados potenciais do Rio Grande do Sul tendo como raios as distâncias Porto Alegre/Curitiba e Porto/Alegre/Rio de Janeiro; Fonte: adaptação de Rosa (1997). Sublinha-se, ainda, que no caso dos setores tradeables (indústria e agricultura), mas principalmente na indústria, os Quocientes de Localização além de serem indicadores da importância da atividade na estrutura econômica local (as especializações) também revela a existência no município de vantagens comparativas nas exportações para mercados externos ao município. Neste sentido, Bela Balassa (1965) propôs um indicador de vantagem comparativa revelada e que seria o quociente entre a participação (%) de determinado produto na pauta de exportações da região e a sua participação (%) no valor bruto da produção regional total. Quanto maior do que um fosse o quociente, maior seria a vantagem comparativa revelada da região na produção e exportação do produto 102 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL considerado. Este quociente, no entanto, pela inexistência de dados de produção a nível municipal, não é passível de ser calculado. 1.4.2.1. AS E SPECIALIZAÇÕES DA INDÚSTRIA REFERÊNCIA A E CONOMIA DO B RASIL . DE P ELOTAS TENDO COMO Para o cálculo dos quocientes locacionais a variável utilizada foi o número de empregados publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) gerados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Os dados são divulgados em vários níveis de agregação sendo que no mais desagregado a economia é dividida em 1.171 atividades (classes) da Classificação Nacional de Atividade Econômica, CNAE. São consideradas 32 classes na agropecuária, 288 na indústria, sendo 252 na indústria de transformação, e 321 no setor de serviços. Na agropecuária os dados da RAIS/MTE não abarcam a totalidade dos estabelecimentos, razão pela qual utilizou-se os dados do Censo Agropecuário de 2006, referentes a pessoal ocupado. Assim, para fins deste diagnóstico o emprego total de mão de obra de Pelotas, dos demais municípios e das diferentes instâncias espaciais de referência, considerada os dados da RAIS para os setores industrial e de serviços e o pessoal ocupado levantado pelo Censo Agropecuário de 2006 do IBGE. Isto posto, das 288 indústrias (classes da CNAE), em 2010 existiam 137 em Pelotas com 1.054 estabelecimentos e 13.349 empregados, correspondendo a 16,7% do emprego da economia de Pelotas como um todo e a 1,5% emprego industrial do Rio Grande do Sul. O Quociente de Localização da indústria com relação a estrutura do emprego da economia brasileira é de 0,9. O município, portanto, não é especializado na indústria. Como visto na seção 1.1, a indústria gera 19,7% do PIB local. Associando este dado com o de emprego de mão de obra, constata-se que a indústria é o setor com a maior produtividade da economia local com uma relação de 1,2 entre a sua participação no PIB e a no pessoal ocupado total no município. Esta relação no setor de serviços é de 1,1 e na agropecuária de 0,27. Das suas 137 indústrias, o município de Pelotas é especializado em 38, com os respectivos Quocientes de Localização assinaladas na última coluna da tabela 1.4.1. Estas têm 580 estabelecimentos e 10.315 empregados, correspondendo a 77,3% do emprego industrial de Pelotas e a 1,5% do emprego das indústrias congêneres do Rio Grande do Sul. As demais 99 indústrias são mostradas na tabela 1.4.2 e são constituídas de 474 estabelecimentos, com 3.034 empregados, representando 22,7% do emprego industrial de Pelotas e a 0,6% do emprego da indústria congênere do Rio Grande do Sul. 103 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL % do emprego da indústria do RS 16,7 100,0 1,5 0,9 A - 13 especializações (acima de 200 empregados) 455 8.645 10,8 64,8 6,8 3,3 Construção de Edifícios 208 2483 3,1 18,6 4,3 1,7 Beneficiamento de Arroz e Fabricação de Produtos do Arroz 45 1756 2,2 13,15 18,7 61,5 Fabricação de Conservas de Frutas 14 1175 1,5 8,8 41,8 49,1 Inst. e Mat. p/Uso Médico e Odontológico e de Artigos ópticos 9 510 0,6 3,82 21,2 8,2 Serviços Especializados para Construção n.e.a 51 484 0,6 3,63 6,2 2,9 Distribuição de Energia Elétrica 2 359 0,5 2,69 4,7 3,4 Manut. e Reparo de Máq. e Equipamentos da Indústria Mecânica 24 332 0,4 2,49 5,4 3,4 Prod. Cerâmicos Não-Refratários p/Uso Estrutural na Construção 27 290 0,4 2,17 5,3 1,6 Fabricação de Produtos de Panificação 52 281 0,4 2,11 3,0 1,8 Abate de Reses, Exceto Suínos 6 253 0,3 1,9 3,0 1,7 Fabricação de Refrigerantes e de Outras Bebidas Não-Alcoólicas 3 248 0,3 1,86 5,1 2,8 Fabricação de Biscoitos e Bolachas 13 244 0,3 1,83 8,5 4,2 Fabricação de óleos Vegetais Refinados, Exceto óleo de Milho 1 230 0,3 1,72 39,1 20,2 B - 25 especializações (menos de 200 empregados) 125 1.670 2,1 12,5 2,1 2,9 Máq. e Equip. para a Agricultura e Pecuária, Ex para Irrigação 8 162 0,2 1,2 0,7 2,1 Obras de Terraplenagem 9 152 0,2 1,1 4,6 1,7 Fabricação de Esquadrias de Metal 30 147 0,2 1,1 3,0 1,9 Fabricação de Alimentos para Animais 2 146 0,2 1,1 4,3 2,7 Fabricação de Sorvetes e Outros Gelados Comestíveis 10 144 0,2 1,1 10,8 5,4 Fabricação de Laminados Planos e Tubulares de Material Plástico 1 142 0,2 1,1 7,2 5,6 Fabricação de Bicicletas e Triciclos Não-Motorizados 3 114 0,1 0,9 19,8 11,6 Instalação de Máquinas e Equipamentos Industriais 2 76 0,1 0,6 10,2 4,1 Fabricação de Tratores Agrícolas 2 75 0,1 0,6 3,9 8,9 Equipamentos de Transporte não Especificados Anteriormente 20 74 0,1 0,6 0,3 8,7 Fabricação de Medicamentos para Uso Veterinário 2 74 0,1 0,6 27,3 7,3 Fabricação de Alimentos e Pratos Prontos 5 59 0,1 0,4 5,5 3,5 Fabricação de Periféricos para Equipamentos de Informática 2 46 0,1 0,3 3,0 1,4 Transmissão de Energia Elétrica 2 45 0,1 0,3 3,7 4,2 Recuperação de Materiais não Especificados Anteriormente 3 36 0,1 0,3 3,9 2,0 Aparelhos e Equipamentos de Medida, Teste e Controle 3 34 0,0 0,3 1,0 1,1 Fabricação de Lâmpadas e Outros Equipamentos de Iluminação 2 29 0,0 0,2 4,1 1,5 Perfurações e Sondagens 2 23 0,0 0,2 17,8 1,7 Aparelhos Eletromédicos e Eletroterapêuticos e de Irradiação 1 21 0,0 0,2 15,6 3,0 Demolição e Preparação de Canteiros de Obras 6 21 0,0 0,2 11,5 2,9 Produção de Outros Tubos de Ferro e Aço 4 15 0,0 0,1 3,1 3,2 Fab. de Máq.e Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental 1 12 0,0 0,1 6,0 2,4 Manutenção e Reparação de Equipamentos e Produtos n. e. a 3 12 0,0 0,1 7,0 1,5 Fabricação de Desinfestantes Domissanitários 1 7 0,0 0,1 4,0 2,5 Descontaminação e Outros Serviços de Gestão de Resíduos 1 4 0,0 0,0 0,8 1,7 474 3.034 3,8 22,7 0,6 0,4 o C – Demais 99 indústrias (em nenhuma Pelotas é especializada) Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 104 (especialização) % do emprego da indústria de Pelotas 13.349 Total de 137 indústrias em Pelotas Quociente de Localização % do emprego total de Pelotas 1.054 Indústrias o N de empregados N de estabelecimentos Tabela 1.4.1 - Indústrias nas quais Pelotas é especializada tendo como referência a economia do Brasil em 2010 (por classes da CNAE) Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL % do emprego industrial em Pelotas % do emprego setorial do Rio Grande do Sul Quociente de Localização (especialização) 0,6 0,4 0,5 1,3 0,8 0,47 1,26 0,8 14,2 0,5 0,3 1,45 0,04 0,07 0,01 0,00 0,03 0,05 0,07 0,09 0,85 0,00 0,01 0,04 0,04 0,07 0,01 0,01 0,04 1,33 0,04 0,20 0,40 0,02 0,01 0,17 0,00 0,60 0,07 0,22 0,53 0,12 0,59 0,16 0,00 2,34 0,15 0,32 4,90 2,03 0,00 0,24 0,16 0,27 0,84 0,09 0,85 0,15 1,11 0,48 0,74 0,39 0,11 0,05 0,03 0,00 1,15 0,36 0,67 0,6 0,1 0,5 0,1 0,0 0,2 0,1 0,2 0,9 1,0 0,0 0,1 0,3 0,1 0,2 0,0 0,1 0,0 0,2 0,2 0,8 1,0 0,1 0,1 0,1 0,0 0,7 0,2 0,7 0,00 0,02 0,16 0,1 26 0,03 0,19 1,60 0,8 13 35 11 7 21 4 20 1 4 7 17 71 167 17 130 7 36 12 0,02 0,04 0,01 0,01 0,03 0,01 0,03 0,00 0,01 0,01 0,02 0,09 0,21 0,02 0,16 0,01 0,05 0,02 0,10 0,26 0,08 0,05 0,16 0,03 0,15 0,01 0,03 0,05 0,13 0,53 1,25 0,13 0,97 0,05 0,27 0,09 1,91 0,66 0,99 0,85 0,92 0,46 1,39 0,08 0,20 0,34 1,79 1,09 2,44 0,08 1,67 2,94 1,93 0,17 0,4 0,5 0,3 0,4 0,8 0,1 0,7 0,0 0,1 0,1 0,7 0,9 1,0 0,1 0,8 0,4 0,6 0,2 474 3.034 3,8 Extrativa mineral 13 63 0,1 Extração de Pedra, Areia e Argila 13 63 0,08 Indústria de transformação 304 1.894 2,4 4 1 2 1 1 2 3 2 4 15 1 1 1 1 4 1 1 3 41 4 13 1 4 2 4 1 10 1 11 194 6 10 2 0 4 7 9 12 113 0 1 6 6 9 1 1 5 177 6 27 54 3 2 23 0 80 9 30 0,24 0,01 0,01 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,02 0,14 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,00 0,00 0,01 0,22 0,01 0,03 0,07 0,00 0,00 0,03 0,00 0,10 0,01 0,04 1 3 4 3 14 3 3 1 3 5 1 1 3 1 2 5 2 18 2 5 4 Abate de Suínos, Aves e Outros Pequenos Animais Fabricação de Produtos de Carne Preservação do Pescado e Fabricação de Produtos do Pescado Fabricação de Conservas de Legumes e Outros Vegetais Fabricação de Laticínios Torrefação e Moagem de Café Fabricação de Produtos Derivados do Cacau, de Chocolates e Confeitos Fabricação de Massas Alimentícias Fabricação de Especiarias, Molhos, Temperos e Condimentos Fabricação de Produtos Alimentícios não Especificados Anteriormente Fabricação de Malte, Cervejas e Chopes Fabricação de águas Envasadas Fabricação de Produtos do Fumo Fabricação de Tecidos de Malha Acabamentos em Fios, Tecidos e Artefatos Têxteis Fabricação de Artefatos Têxteis para Uso Doméstico Fabricação de Artefatos de Tapeçaria Confecção de Roupas íntimas Confecção de Peças do Vestuário, Exceto Roupas íntimas Confecção de Roupas Profissionais Artigos do Vestuário, Prod. em Malharias e Tricotagens, Exceto Meias Curtimento e Outras Preparações de Couro Artigos para Viagem, Bolsas e Semelhantes de Qualquer Material Fabricação de Artefatos de Couro não Especificados Anteriormente Fabricação de Calçados de Couro Fabricação de Calçados de Materiais não Especificados Anteriormente Desdobramento de Madeira Fab. de Madeira Lamin. e de Chapas de Mad. Compen., Prens. e Aglom. Estruturas de Madeira e de Artigos de Carpintaria para Construção Fabricação de Artefatos de Madeira, Palha, Cortiça, Vime e Material Trançado não Especificados Anteriormente, Exceto Móveis Fabricação de Produtos de Papel, Cartolina, Papel-Cartão e Papelão Ondulado p/ Uso Comercial e de Escritório Impressão de Jornais, Livros, Revistas e Outras Publicações Periódicas Impressão de Materiais para Outros Usos Serviços de Pré-Impressão Serviços de Acabamentos Gráficos Fabricação de Adubos e Fertilizantes Fabricação de Sabões e Detergentes Sintéticos Fabricação de Produtos de Limpeza e Polimento Fabricação de Cosméticos, Produtos de Perfumaria e de Higiene Pessoal Fabricação de Tintas, Vernizes, Esmaltes e Lacas Fabricação de Produtos Químicos não Especificados Anteriormente Reforma de Pneumáticos Usados Fabricação de Artefatos de Borracha não Especificados Anteriormente Fabricação de Embalagens de Material Plástico Artefatos de Material Plástico não Especificados Anteriormente Art. de Concreto, Cimento, Fibrocimento, Gesso e Materiais Semelhantes Fabricação de Produtos Cerâmicos Refratários Aparelhamento e Outros Trabalhos em Pedras Fundição de Ferro e Aço o Total da indústria (99 indústrias – classes da CNAE) Indústrias o % do emprego total de Pelotas 22,7 N de empregados N de estabelecimentos Tabela 1.4.2 - Indústrias nas quais Pelotas não é especializada tendo como referência a economia do Brasil em 2010 (por classes da CNAE) Continua 105 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL % do emprego total de Pelotas % do emprego industrial em Pelotas % do emprego setorial do Rio Grande do Sul Quociente de Localização (especialização) 2 3 1 3 7 7 1 2 1 3 6 2 1 1 3 1 2 1 1 4 1 4 3 2 1 2 2 1 9 2 4 28 14 0 22 44 50 1 14 2 23 26 4 17 8 25 6 7 1 3 50 3 21 53 3 4 3 2 13 25 9 7 0,04 0,02 0,00 0,03 0,06 0,06 0,00 0,02 0,00 0,03 0,03 0,01 0,02 0,01 0,03 0,01 0,01 0,00 0,00 0,06 0,00 0,03 0,07 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,03 0,01 0,01 0,21 0,10 0,00 0,16 0,33 0,37 0,01 0,10 0,01 0,17 0,19 0,03 0,13 0,06 0,19 0,04 0,05 0,01 0,02 0,37 0,02 0,16 0,40 0,02 0,03 0,02 0,01 0,10 0,19 0,07 0,05 2,90 0,24 0,00 0,50 0,99 2,50 0,02 1,29 0,09 0,61 0,19 0,09 0,46 0,26 1,03 0,52 0,15 0,02 0,32 1,08 0,14 0,10 0,39 0,60 2,40 5,00 0,04 1,15 0,73 2,38 1,01 1,0 0,2 0,0 0,3 0,6 1,0 0,0 0,5 0,0 0,8 0,2 0,1 0,3 0,2 0,5 0,4 0,2 0,0 0,3 0,7 0,1 0,3 0,2 0,2 0,9 0,8 0,0 0,7 0,6 0,6 0,4 Serviços industriais de utilidade pública 7 106 0,13 0,79 1,09 0,5 Atividades Relacionadas a Esgoto, Exceto a Gestão de Redes Coleta de Resíduos Não-Perigosos Recuperação de Materiais Metálicos Recuperação de Materiais Plásticos 2 2 2 1 3 99 4 0 0,00 0,12 0,01 0,00 0,02 0,74 0,03 0,00 0,78 1,19 0,91 0,00 0,1 0,7 0,3 0,0 150 971 1,22 7,3 1,7 0,6 16 12 2 8 1 1 8 16 1 21 10 3 50 1 74 117 5 96 11 4 65 244 2 128 45 10 160 10 0,09 0,15 0,01 0,12 0,01 0,01 0,08 0,31 0,00 0,16 0,06 0,01 0,20 0,01 0,55 0,88 0,04 0,72 0,08 0,03 0,49 1,83 0,01 0,96 0,34 0,07 1,20 0,07 1,03 1,06 0,44 1,31 1,88 4,76 1,11 3,26 0,27 2,74 1,86 0,35 2,78 0,98 0,4 0,4 0,1 0,4 0,3 0,7 0,4 0,9 0,3 0,9 0,6 0,1 0,9 0,2 o Indústrias Construção civil Incorporação de Empreendimentos Imobiliários Construção de Rodovias e Ferrovias Obras de Urbanização - Ruas, Praças e Calçadas Obras para Geração e Distrib. de Energia Elétrica e para Telecomun. Const.de Redes de Abast. de água, Coleta de Esgoto e Const. Correlatas Construção de Redes de Transportes por Dutos, Ex. para água e Esgoto Montagem de Instalações Industriais e de Estruturas Metálicas Obras de Engenharia Civil não Especificadas Anteriormente Serviços de Preparação do Terreno não Especificados Anteriormente Instalações Elétricas Instalações Hidráulicas, de Sistemas de Ventilação e Refrigeração Obras de Instalações em Construções não Especificadas Anteriormente Obras de Acabamento Obras de Fundações o Fundição de Metais Não-Ferrosos e Suas Ligas Fabricação de Estruturas Metálicas Fabricação de Obras de Caldeiraria Pesada Produção de Artefatos Estampados de Metal Serviços de Usinagem, Solda, Tratamento e Revestimento em Metais Fabricação de Artigos de Serralheria, Exceto Esquadrias Fabricação de Ferramentas Fabricação de Embalagens Metálicas Fabricação de Produtos de Trefilados de Metal Fabricação de Artigos de Metal para Uso Doméstico e Pessoal Fabricação de Produtos de Metal não Especificados Anteriormente Fabricação de Componentes Eletrônicos Fabricação de Geradores, Transformadores e Motores Elétricos Aparelhos e Equipamentos para Distribuição e Controle de Energia Elétrica Equipamentos e Aparelhos Elétricos não Especificados Anteriormente Fabricação de Equipamentos de Transmissão para Fins Industriais Máq., Equip.e Aparelhos para Transporte e Elevação de Cargas e Pessoas Máquinas e Equipamentos de Uso Geral não Especificados Anteriormente Máquinas para a Indústria Metalúrgica, Exceto Máquinas-Ferramenta Máquinas e Equipamentos para Uso Industrial Específico Fabricação de Caminhões e ônibus Cabines, Carrocerias e Reboques para Veículos Automotores Peças e Aces. para Veículos Automotores não Esp. Anteriormente Recond. e Recuperação de Motores para Veículos Automotores Construção de Embarcações para Esporte e Lazer Turbinas, Motores e Outros Componentes e Peças para Aeronaves Fabricação de Móveis com Predominância de Madeira Equipamentos e Acessórios para Segurança e Proteção Pessoal e Profis. Fabricação de Produtos Diversos não Especificados Anteriormente Manutenção e Reparação de Máquinas e Equipamentos Elétricos Instalação de Equipamentos não Especificados Anteriormente N de estabelecimentos N de empregados Continuação da tabela 1.4.2 Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 106 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Todo o setor industrial de Pelotas corresponde a 1,5% do emprego industrial do Rio Grande do Sul. Considerando, entretanto, somente as 38 indústrias nas quais o município é especializado (relativamente ao Brasil), a participação do município no emprego industrial do Rio Grande do Sul é de 5%. Lembrando o já colocado, uma localidade é especializada em determinada atividade, quando esta é mais importante para a comunidade em questão do que para a instância espacial com a qual está sendo comparada. Quanto maior do que um for o Quociente de Localização maior é a especialização do município relativamente a sua referência espacial, no caso o Brasil. Nem sempre, no entanto, há uma perfeita correspondência entre as especializações no tocante a importância absoluta que tem para a localidade na variável considerada. Pelotas, por exemplo, tem uma elevada especialização na Fabricação de Medicamentos para Uso Veterinário, expressa pelo coeficiente de localização de 7,3. Esta indústria, no entanto, tem apenas 74 empregados (dois estabelecimentos) representando apenas 0,01% do emprego total do município. Já na Construção de edifícios a especialização de Pelotas é relativamente baixa (quociente de localização de apenas 1,7), mas é a indústria mais importante para o emprego gerado em Pelota. Seus 2.842 empregados representavam 3,1% do emprego total do município em 2010, 18,6% do emprego industrial e 4,3% do total do emprego gerado pela Construção de edifícios no Rio Grande do Sul no ano de 2010. Em razão disto, na tabela 1.4.1 são considerados dois grupos de especializações: as indústrias com mais de 200 empregados e as que, no conjunto dos seus estabelecimentos, tem menos de 200. No primeiro grupo são 13 indústrias com 455 estabelecimentos e 8.645 empregados, representando 10,8% do emprego total do município, 64,8% do emprego da indústria local, 6,8% do emprego das indústrias congêneres no Rio Grande do Sul. Neste grupo o Quociente de Localização de Pelotas é de 3,3. Isto é, estas indústrias são 3,3 vezes mais importantes para o emprego de mão de obra em Pelotas do que o são para o Brasil. O grupo das especializações com menos de 200 empregados é constituído por 25 indústrias com 125 estabelecimentos, 1.670 empregados representando 2,1% do total dos empregados do município, em 2010, 12,5% do emprego da indústria local e 2,1% do emprego destas 25 empresas no plano estadual. O coeficiente de especialização deste grupo é de 2,9. Isto é, a importância destas indústrias para a geração de postos de trabalho em Pelotas é 2,9 vezes maior do que o é para o Brasil como um todo. Dentre as especializações de Pelotas, a mais importante é a Construção de edifícios conforme já foi mencionado. Pelotas tem a terceira maior indústria do Rio Grande do Sul, sendo antecedida por Porto Alegre e Caxias do Sul, mas em número de empregados é 107 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL praticamente do mesmo tamanho deste último município. As maiores indústrias de Construção de edifícios são dos municípios mais populosos que constam da figura 1.1.1 da seção 1.1, sendo que dentre estes o município de Rio Grande é uma exceção. Embora Rio Grande seja o décimo município do Rio Grande do Sul em população, ocupa a 21ª posição no ranking municipal da indústria de Construção de edifícios. Isto, certamente, é um dado importante sobre as possibilidades de expansão da indústria de Pelotas na região Sul. A maior especialização industrial de Pelotas é no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de Produtos do Arroz com um coeficiente de localização de 61,5. Este é um caso em que há perfeita correlação entre importância relativa (especialização) e importância absoluta, pois esta indústria é a segunda mais importante na geração de postos de trabalho no município. Com 45 estabelecimentos e 1.756 empregados, Pelotas ocupa a primeira posição no ranking desta indústria no Rio Grande do Sul. É seguida bem à distância por São Borja, 23 estabelecimentos e 1053 empregados e por Camaquã, com 10 estabelecimentos e 927 empregados. Estes três municípios concentram em torno de 40% da indústria estadual. A Fabricação de Conservas de Frutas é outro caso em que há correspondência entre importância relativa e absoluta, pois é a segunda maior especialização de Pelotas (coeficiente de especialização de 49,1) e a terceira maior indústria na geração de empregos. É constituída por 14 estabelecimentos com 1.175 empregados, correspondendo a 1,5% do emprego total do município, a 8,8% do emprego industrial no município e a 41,8% da indústria estadual. É o primeiro município na indústria do Rio Grande do Sul, seguido a distância por Morro Redondo, com sete estabelecimentos e 825 empregados. A 4ª maior indústria é a de Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos Ópticos, com um coeficiente de especialização de 8,2. São nove estabelecimentos com 510 empregados, responsável por 0,6% do emprego total do município, por 3,8% da indústria local e por 21,2% do emprego da indústria no Rio Grande do Sul. Em importância, Pelotas é antecedida apenas por Porto Alegre com 68 estabelecimentos e 660 empregados. As demais 34 especializações estão descritas na tabela 1.4.1. 1.4.2.2 - AS E SPECIALIZAÇÕES DA INDÚSTRIA DE P ELOTAS TENDO COMO REFERÊNCIA AS E CONOMIAS DAS C APITAIS R EGIONAIS DO RIO G RANDE DO S UL A análise considerou, ainda, os quocientes de localização da indústria de Pelotas com relação às economias do conjunto das sete capitais regionais do Rio Grande do Sul, resultando um grupo de 40 especializações e destas 30 também compõem o grupo das 38 especializações quando a referência é a economia brasileira. As demais 10 especializações – que não se revelam como tal quando a referência é a economia brasileira – são apresentadas na tabela 1.4.3. 108 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Considerando, portanto, as indústrias que compõem pelo menos um dos grupos (o grupo tendo a estrutura da economia brasileira como referência e o das capitais regionais do Rio Grande do Sul como referência) resulta um terceiro grupo de 48 especializações, mostrado na tabela 1.4.4. Nesta tabela, em vez de classe, o menor nível de desagregação da indústria na CNAE, utiliza-se o nível divisão o qual considera todos os segmentos (classes) de uma mesma indústria e com isto se busca uma visão mais abrangente das especializações industriais de Pelotas. % do emprego total de Pelotas % do emprego industrial de Pelotas % de Pelotas no emprego industrial das capitais regionais do RS % do emprego da industrial do RS Quociente de Localização (especialização) 51 440 0,55 3,30 24,2 1,5 1,7 Obras de Engenharia Civil não Especificadas. 16 244 0,31 1,83 32,0 3,3 2,3 Montagem de Instalações Industriais e de Estruturas Metálicas 8 65 0,08 0,49 15,4 1,1 1,1 Extração de Pedra, Areia e Argila 13 63 0,08 0,47 19,6 1,3 1,4 Reforma de Pneumáticos Usados 1 17 0,02 0,13 19,8 1,8 1,4 4 12 0,02 0,09 15,0 4,9 1,1 1 11 0,01 0,08 50,0 1,9 3,5 3 7 0,01 0,05 14,9 0,1 1,1 Fabricação de Produtos Cerâmicos Refratários 2 7 0,01 0,05 23,3 2,9 1,7 Construção de Embarcações para Esporte e Lazer 1 4 0,01 0,03 25,0 2,4 1,8 0,7 3,2 Fabricação de Especiarias, Molhos, Temperos e Condimentos Construção de Redes de Abastecimento de água, Coleta de Esgoto e Construções Correlatas Fabricação de Produtos Derivados do Cacau, de Chocolates e Confeitos o o Total das 10 indústrias Indústrias (por classes da CNAE) N de estabelecimentos N de empregados Tabela 1.4.3 - Especializações Pelotas tendo como referência a economia das sete capitais regionais do Rio Grande do Sul e que não se revelam como tal quando a referência é a economia do Brasil em 2010 (por classes da CNAE). Construção de Redes de Transportes por Dutos, 1 4 0,01 0,03 18,2 Exceto para água e Esgoto Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. Na tabela 1.4.4 também buscou-se separar as indústrias que tem a propriedade efetiva ou potencial de vender para e além do mercado local - tradables goods- das indústrias que são orientadas predominantemente para o mercado local/regional - nontradables goods - como é o caso da construção civil. Também se buscou destacar, dentre as especializações, aquelas indústrias com a propriedade de serem intensivas em conhecimento. Isto não significa que todas foram identificadas, pois isto não é possível sem uma desagregação mais fina e com análises setoriais específicas. No grupo das 48 indústrias, portanto, as especializações de Pelotas são com relação a economia do Brasil e/ou do conjunto das sete capitais regionais do Rio Grande do Sul. Na 109 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL maioria das indústrias Pelotas também é especializada quando a referência á a economia do Rio Grande do Sul. Na Construção de edifícios, Pelotas é especializada em qualquer uma das três instâncias espaciais consideradas, Brasil, Rio Grande do Sul e as capitais regionais, sendo que com relação a estas, Pelotas é a que tem o maior quociente de especialização, 1,7: Caxias dos Sul, 0,7; Rio Grande, 0,7; Santa Maria, 1,6; Passo Fundo, 1,5; Novo Hamburgo, 0,9 e São Leopoldo, 1,5. % no emprego da indústria de Pelotas % de Pelotas no emprego da indústria do RS 629 10.732 13,4 80,4 5,3 2,6 1 – Indústrias predominantemente tradeables 290 6.381 8,0 47,8 6,2 3,0 1.1 – Indústria alimentícia 158 4.555 5,7 34,1 9,3 4,5 15 611 0,8 4,6 8,1 4,0 9 510 0,6 3,8 21,2 10,3 6 101 0,1 0,8 2,0 1,0 1.3 – Indústria Metal Mecânica 69 603 0,8 4,5 1,9 0,9 1.3.1 – Máquinas e Equipamentos 34 437 0,5 3,3 1,7 0,8 1.3.2 – Metal-mecânica 34 162 0,2 1,2 3,0 1,5 1.3.3 – Outros Equipamentos de Transporte, Ex. Veículos Automotores (1 classe/ da CNAE) 1 4 0,0 0,0 2,4 1,2 1.4 – Indústria Química, Borracha e plástico 4 223 0,3 1,7 6,6 3,2 1.4.1 – Produtos Químicos 3 81 0,1 0,6 18,1 8,8 1.4.2 – Produtos de Borracha e de Material Plástico 1 142 0,2 1,1 4,8 2,4 1.5 – Indústria de Material Elétrico 2 29 0,0 0,2 4,1 2,0 1.5.1 – Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos 2 29 0,0 0,2 4,1 2,0 1.6 – Indústria de Mineraís não-Metálicos 42 360 0,5 2,7 3,4 1,6 1.6.1 – Produtos de Minerais Não-Metálicos 29 297 0,4 2,2 5,2 2,5 1.6.2 – Extração de Minerais Não-Metálicos 13 63 0,1 0,5 1,3 0,6 2 – Indústrias predominantemente non tradeables 339 4.351 5,4 32,6 4,3 2,1 2.1 - Construção de Edifícios 234 2.807 3,5 21,0 3,9 1,9 5,9 2,9 5,9 2,9 4,6 2,2 2,8 1,4 outros (tradeables) 1.2 – Indústrias diversas intensivas em conhecimento 1.2.1 – Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos ópticos 1.2.2 – Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos (3 classes/ da CNAE) o o o Indústrias nas quais Pelotas é especializada tendo como referência as economias do Brasil e/ou das capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010. Característica da orientação espacial predominante das indústrias quanto as vendas: mercado local (non tradeables); mercado local e N de empregados Quociente de especialização (localização) da indústria em Pelotas tendo como referência a economia do RS N de estabelecimentos % do N total de empregados de Pelotas Tabela 1.4.4 – Indústrias nas quais Pelotas é especializada tendo como referência as estruturas das economias do Brasil e/ou das capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010, com base na variável emprego de mão de obra (por divisão da CNAE) 2.2 - Serviços Especializados para Construção 68 680 0,9 5,1 2.3 - Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e 2.1 29 420 0,5 3,1 2.4 - Equipamentos (3 classes/indústrias da CNAE) 2.5 - Eletricidade, Gás e Outras Utilidades 4 404 0,5 3,0 2.6 - Coleta, Tratamento e Disposição de Resíduos; 4 40 0,1 0,3 Recuperação de Materiais (2 classes/indústrias da CNAE) Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 110 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O grupo das 48 especializações tem 629 estabelecimentos com 10.732 empregados, correspondendo a 13,4% do emprego total de Pelotas, a 80,4% do emprego da indústria local e Pelotas participa com 5,3% dos empregos destas indústrias no Rio Grande do Sul. O quociente de especialização do grupo é de 2,6 tendo o Rio Grande do Sul como referência. Isto é, estas indústrias são 2,6 vezes mais importantes para a economia de Pelotas, no que respeita ao total do emprego do que são para o Rio Grande do Sul como um todo. Quase 60% das especializações industriais de Pelotas (47,8% do total da indústria) considerando o emprego de mão de obra – são de indústrias predominantemente tradeables e, destas, a mais importante é a Alimentícia, responsável por 5,7% do emprego total do município e por 47,8% do emprego industrial. O coeficiente de especialização, 4,5, é um dos mais elevados de Pelotas. A tabela 1.4.1 mostra esta indústria desagregada, sendo que os seus segmentos mais importantes, conforme já foi visto, são os de Beneficiamento de arroz e o de Conservas de frutas. Dentre as atividades predominantemente tradeables, o segundo subgrupo mais importante é o das indústrias intensivas em conhecimento, sendo que a mais importante é a de Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos Ópticos, com nove empresas e 510 empregados e com o mais alto quociente de especialização, 10,3. Nesta indústria, considerado o número de empregados, Pelotas tem a segunda maior participação no plano estadual, 21,2%, superado por Porto Alegre, com 27,5%. Nas demais indústrias intensivas em conhecimento a posição de Pelotas embora ainda de carácter nascente, já se faz notar em equipamentos de Informática, periféricos, já sendo o quarto centro, embora ainda distante de Gravataí, São Leopoldo e Porto Alegre. Este segmento da indústria intensiva em conhecimento se reveste da maior importância, pois, dentre outras razões, é a principal fonte e veículo da inovação, fator estratégico dentro do conceito de complexo agroindustrial e de serviços intensivo em conhecimento e valor de natureza cultural e ambiental para diferenciar Pelotas enquanto território competitivo. Na visão Schumpeteriana (Porter 1993) “uma nova teoria deve partir da premissa de que a competição é dinâmica e evolui.... Na competição real, o caráter essencial é a inovação e a mudança.... A vantagem competitiva é criada e mantida através de um processo altamente localizado. Diferenças nas estruturas econômicas, valores, culturas, instituições e histórias nacionais contribuem profundamente para o sucesso competitivo”. O processo de inovação resulta da combinação entre pesquisa, desenvolvimento e sua relação com as condições econômicas e sociais presentes em cada espaço, através da interação entre firmas e o meio nas quais estão envolvidas. 111 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Neste contexto, os espaços e as redes de inovação surgem como estratégia ou instrumento de desenvolvimento local (Asheim and Cooke, 1997) através da simultaneidade entre pesquisa básica e aplicada e a produção retroalimentando o conhecimento como base para novas inovações. A aglomeração produtiva, ao reduzir distâncias e facilitar a acessibilidade, somada a presença de externalidades em termos de instituições de pesquisa e relações inter-firmas viabiliza o fluxo de conhecimento agregando trabalho qualificado e facilitando o aprendizado e a inovação. Nesta perspectiva, Pelotas além de possuir uma densa infraestrutura de ensino e pesquisa está conectada a rede de inovação estadual através dos Parques Científicos e Tecnológicos que são ambientes propícios ao desenvolvimento tecnológico, dotados de infraestrutura adequada e que atuam em sinergia entre o poder público, meio empresarial e acadêmico. Os parques tecnológicos atuam de maneira a incentivar o desenvolvimento científico, a promoção da inovação e da tecnologia e podem contar com incubadoras e condomínio de empresas. O Estado do Rio Grande do Sul através da Secretaria de Ciência e Tecnologia coordena o Programa Gaúcho de Parques Científicos e Tecnológicos - PGTEC que integra as ações do Programa RS Tecnópole, cujo objetivo é agregar o desenvolvimento científico e tecnológico e da inovação a todas as regiões do RS, sendo que atualmente o Programa PGTEC conta com 15 parques credenciados. Tabela 1.4.5 – Parques Tecnológicos integrantes do Programa Gaúcho de Parques Científicos e Tecnológicos – PGTEC - RS Parques Científicos Município Entidade Gestora Parque Tecnológico de São Leopoldo - TECNOSINOS São Leopoldo UNISINOS Parque Científico e Tecnológico da PUCRS - TECNOPUC Porto Alegre PUC-RS Parque Tecnológico do Vale dos Sinos - VALETEC Campo Bom Parque Científico e Tecnológico da UFRGS Porto Alegre Associação de Desenvolvimento Tecnológico do Vale - VALETEC UFRGS Santa Maria Tecnoparque Santa Maria Associação Parque Santa Maria Parque Científico e Tecnológico do Planalto Médio Passo Fundo UPF Parque Científico e Tecnológico Regional - TECNOUNISC Santa Cruz do Sul UNISC Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari - Lajeado UNIVATES Parque Eco-Tecnológico do Vale do Caí Bom Princípio UCS Parque Canoas de Inovação - PCI Canoas Prefeitura de Canoas Parque Científico e Tecnológico - TECNOSUL Pelotas Parque Científico e Tecnológico do PAMPA - PAMPATEC Alegrete Associação TECNOSUL - Parque Científico e Tecnológico UNIPAMPA Parque Tecnológico da Ulbra - ULBRATECH Canoas ULBRA Parque Científico e Tecnológico do Mar - OCEANTEC Rio Grande FURG Parque Científico e Tecnológico da URI Erechim URI - Erechim Fonte: Secretaria de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico – SCIT/RS. 112 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O Parque Científico e Tecnológico - TECNOSUL de Pelotas foi constituído em 2010 sendo integrado pelas seguintes instituições: Prefeitura de Pelotas; Secretaria de Ciência e Tecnologia; Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Universidade Católica de Pelotas (UCPel); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IF-Sul); Embrapa Clima Temperado; Faculdade de Tecnologia Senac; Associação Comercial de Pelotas (ACP); Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel) e o Sindicato das Empresas de Informática do Rio Grande do Sul (Seprorgs). Segue em importância, nas atividades predominantemente tradeables, a Metalmecânica com 69 empresas e 603 empregados. Nesta indústria, conforme se observa na tabela 1.4.3, Pelotas não é especializada quando a referência é a estrutura da economia do Rio Grande do Sul (quociente de localização de 0,9), mas o é quando a referência é a economia do Brasil (quociente de localização de 2,0). As indústrias predominantemente non tradeables representam 40% das especializações industriais (32,6% do total da indústria), havendo, portanto, certo equilíbrio entre as duas orientações de mercado. O grande destaque é a indústria de Construção de Edifícios, seguida dos Serviços Especializados para Construção. As duas somam 26,1% do emprego industrial de Pelotas, o que já foi objeto de comentários anteriores. A especialização nas duas indústrias se apresenta como uma constatação natural quando as estruturas econômicas de referências são a do Rio Grande do Sul e a do Brasil, pois Pelotas é um polo regional urbano e, portanto, tende a ter uma estrutura diferente destas duas instâncias espaciais. A constatação efetivamente relevante é a elevada especialização quando a referência é a estrutura econômica agregada das sete capitais regionais. Por fim, a tabela 1.4.6 estabelece uma comparação entre as sete capitais regionais do Rio Grande do Sul no que respeita ao setor industrial. Na variável PIB tanto em termos absolutos quanto relativos, a maior indústria é a de Caxias do Sul, seguida a distância pela de Rio Grande. Esta é um pouco mais de 30% da indústria de Caxias, mas é 70% superior a indústria de Novo Hamburgo (a terceira colocada no ranking de PIB industrial das sete capitais regionais) e 164,4% maior do que a indústria de Pelotas, a penúltima do referido ranking. Caxias do Sul e Rio Grande são, também, as duas capitais regionais com os maiores PIB per capita e as únicas especializadas no setor industrial, na variável PIB, com quocientes de localização de 1,3 e 1,2, respectivamente. Caxias do Sul é especializada somente na indústria. Seus quocientes de localização são de 0,81 na agropecuária e de 0,84 nos serviços. Já Rio Grande não é especializado em serviços (quociente de localização de 0,89), mas o é na agropecuária com quociente de 1,42. 113 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas nos três indicadores de PIB ocupa as últimas posições (a sexta em dois e a sétima em um). Não é especializada na indústria, mas na agropecuária (quociente de localização de 2,0) e nos serviços (quociente de localização de 1,2), havendo, portanto, uma complementariedade com Rio Grande, uma vez que este não é especializado nos serviços, quando a variável considerada é o PIB setorial. Em todos os demais indicadores da tabela 1.4.6 relativos a número de indústrias, de empregos e de especializações industriais, em termos absolutos e relativos a liderança de Caxias do Sul é inconteste. Este município e Novo Hamburgo são os únicos especializados na indústria, quando a variável considerada é o emprego de mão de obra. Rio Grande nos demais indicadores da tabela 1.4.6 ocupa a última posição em quatro, a quinta em um e a quarta em dois e não é especializado na indústria, mas o é nos serviços (quociente de localização de 1,7) e na agropecuária (quociente de localização de 1,4). Pelotas, por sua vez, ocupa a quarta posição em três indicadores, a quinta e a sexta posições em dois indicadores. Assim como Rio Grande, o município também não é especializado na indústria (quociente de localização de apenas 0,5), mas o é na agropecuária (quociente de 2,10) e nos serviços (quociente de localização de 1,6). Tabela 1.4.6 – Indicadores de importância do setor industrial na geração de emprego de mão de obra (em 2010) e de PIB (2009) em Pelotas e nas demais capitais regionais do Rio Grande do Sul. Indicadores Pelotas Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria 19,7 38,6 44,2 27,8 31,2 21,7 15,7 PIB industrial e PIB per capita % da indústria no PIB do município % do município no PIB industrial do RS PIB per capita (R$) Quociente de localização da indústria (1) 1,3 3,3 8,6 1,9 1,7 1,3 0,9 11.148 31.990 30.499 17.457 15.601 19.887 12.855 0,6 1,2 1,4 0,9 1,0 0,7 0,5 o N de indústrias e de empregados o N de indústrias (Classes da CNAE) o o % do N de indústrias do município do N de indústrias da CNAE % da indústria no emprego total do município % da indústria municipal no emprego industrial do RS o N de especializações industriais (com base na estrutura econômica das capitais regionais do RS) % das especializações industriais no emprego da indústria municipal % das especializações industriais no emprego da indústria do RS Quociente de localização da indústria (1) 137 74 211 169 154 133 136 52,1 28,1 80,2 64,3 58,6 50,6 51,7 16,7 19,0 51,5 44,3 32,9 21,9 15,6 1,5 0,9 10,8 4,1 2,4 1,4 1,2 41 27 128 96 64 44 44 75,4 79,8 89,1 86,7 74,5 84,5 71,3 5,8 7,4 22,3 8,5 7,6 4,2 3,6 0,5 0,6 1,5 1,3 1,0 0,6 0,5 Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Fundação de Economia e Estatística; (1) com base na estrutura econômica das capitais regionais do RS; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 114 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.4.2.3 - CONCLUSÕES E PROPOSIÇÕES DE ATIVIDADES PARA AÇÕES ESTRATÉGICAS Qualquer que seja a variável considerada (emprego e PIB) ou a instância espacial de referência (Brasil, Rio Grande do Sul e o conjunto das capitais regionais do Rio Grande do Sul), Pelotas não se mostra especializada no setor industrial como um todo. As suas macros especializações são a agropecuária e os serviços. Além disto, nos anos 2000, até 2009, Pelotas continuou a perder posição no PIB industrial, processo que se iniciou por volta dos anos 30 do século passado. Este fenômeno não está ligado as características da estrutura setorial, pois pode ser natural a perda de participação das regiões cujas estruturas industriais tem a predominância de atividades com elasticidades renda da demanda menores do que a média da estrutura industrial da instância espacial de referência. Este não é o caso de Pelotas, muito embora a concentração na indústria de alimentos, cujos segmentos commodities são de baixa elasticidade renda. Isto é, ao longo dos anos a indústria de Pelotas não cresceu menos só por que seus segmentos principais cresceram menos do que a média da indústria estadual e/ou nacional. Pelotas cresceu menos porque os seus principais segmentos da indústria de transformação cresceram menos do que os seus congêneres estadual e nacional e, além disso, em uma perspectiva temporal mais larga, tem havido o que FETTER Jr. (2005) chama de desindustrialização progressiva, para expressar o desaparecimento de segmentos importantes como têxtil, lanifício, óleo de soja, segmentos da indústria química (sabões e antibióticos), metalúrgicas voltadas à produção de implementos agrícolas e silos, fábricas de vidro e de papel, além de outras de menor escala (fumos, moinhos, chapéus, entre outras). Excetuado o segmento de fibras naturais (lã) da indústria têxtil, que sofreu forte concorrência das fibras sintéticas, o mercado foi muito dinâmico em todas as indústrias citadas por FETTER Jr. (2005), e no próprio Rio Grande do Sul surgiram vários polos produtores de máquinas agrícolas e inclusive com especialização em equipamentos póscolheita, como o de Panambi. É oportuno destacar que estes polos produtores de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul surgiram de forma espontânea através de decisões atomizadas e de caráter predominantemente privado. Não foram frutos de políticas públicas setoriais específicas de nenhuma esfera de governo - municipal, estadual, federal. O que houve, em alguns casos, depois de deflagrado o processo de investimento - foram ações municipais de ordenamento do espaço urbano, como os distritos industriais. Não há dúvida que estas ações foram meritórias e ajudaram o desenvolvimento das indústrias locais. Estas, no entanto, não foram determinantes, ou desencadeadoras dos investimentos industriais. Dentre os determinantes, 115 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL a capacidade empreendedora é o mais destacado, pois nem sequer existia localmente a principal matéria prima - as chapas de aço, distantes 1.500 km das plantas produtoras. Outros fatores importantes foram a disponibilidade de mão-de-obra e a proximidade do mercado no primeiro momento (entre início dos anos 60 e o fim dos 70 o cultivo de soja no Rio Grande do Sul passou de 200 mil para quatro milhões de hectares), além da infraestrutura econômica e tecnológica e da existência de economias externas. As empresas souberam desenvolver as capacitações críticas para o sucesso competitivo nos seus segmentos de mercado, como tecnologia, qualidade, inovação, etc. Souberam, enfim, aproveitar as oportunidades colocadas pelo mercado, pelo desenvolvimento do estado e do país. Assim como algumas indústrias desapareceram outras surgiram em Pelotas, como é o caso de indústrias intensivas em conhecimento. A mais importante é a de Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos Ópticos e que já ocupa a segunda posição no Rio Grande do Sul, superada apenas por Porto Alegre. Também já tem alguma expressão a de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos (tabela 1.4.3). Voltando o olhar do presente ao passado mais remoto de Pelotas vislumbra-se, sem dúvida, um acontecer de perdas, mas de ganhos também. No espaço deste trabalho não é o caso de se fazer balanço dos resultados líquidos de cada momento histórico. Cabe isto sim, como já foi dito anteriormente, idealizar, formular e buscar operacionalidade para aprofundar a inserção da indústria de Pelotas na dinâmica de crescimento que é de determinação externa ao município e a sua região. A inserção é de natureza externa, pois predominam no setor as atividades tradeables, sujeitas, portanto, a lógica da competição internacional33. Qualquer que seja esta dinâmica, Pelotas tem um formidável acervo de capacitações competitivas, dentre as quais se destacam a localização privilegiada, os recursos naturais, uma base industrial já expressiva, a infraestrutura econômica efetiva e potencial (em especial a proximidade do porto de Rio Grande), a infraestrutura científica, tecnológica e de formação de recursos humanos e poupança local. Pode-se dizer com toda a segurança que poucas são as localidades que tem um acervo de capacitações como o de Pelotas e com condições de responder aos estímulos colocados pelo mercado. O que parece estar faltando ou que não está ainda suficientemente elaborada é uma visão de futuro e uma pauta comum para a indústria no sentido de que todos os 33 A este respeito, a indústria brasileira nos anos recentes vem passando por sérias dificuldades e que tem causado a chamada desindustrialização precoce. Este tema é muito complexo e o seu tratamento está fora do escopo deste trabalho. 116 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL agentes sociais envolvidos - das áreas de produção, do conhecimento e do governo trabalhem cada um segundo o seu papel social, na mesma direção. Esta visão de futuro passa pela compreensão de que o RS é uma economia em transição no sentido de que está em curso um movimento no qual as atividades intensivas em capacitações competitivas criadas ganham participação na estrutura produtiva e as atividades intensivas em capacitações competitivas naturais perdem. Estas últimas, no entanto, continuam sendo as mais importantes para o produto, as exportações e o emprego da economia gaúcha (América, 2011). Esta transição ocorre no bojo de um processo - e por ele é determinada - que está redesenhando a geografia econômica do Brasil. Este processo foi desencadeado e alimentado pela abertura do mercado doméstico à concorrência internacional, iniciada no final dos anos 80 e completada em meados dos anos 90, o que induz(iu) as atividades intensivas em recursos naturais e em mão-de-obra de baixa qualificação à promoverem as suas expansões nas regiões de fronteira destes recursos - no Centro Oeste e no Nordeste do Brasil - resultando em perdas para o RS. Em compensação a economia gaúcha está ganhando pelo lado de inúmeras atividades cujas localizações orientam-se para o mercado e que são intensivas em capacitações passíveis de serem criadas. Além de ser bem dotado de capacitações criadas pela sociedade, o RS tem uma localização muito atrativa do ponto de vista do mercado. Considerando Buenos Aires, Montevidéu, Assunção e as principais capitais brasileiras, em um raio em torno das capitais igual a distância Porto Alegre/Rio de Janeiro, Porto Alegre é a melhor localização do MERCOSUL para os empreendimentos que se orientam para o mercado, pois está no centro de um mercado com um PIB de 1,4 trilhões de dólares (em 2008) e uma população de 137,1 milhões de habitantes (em 2010). Com este raio de mercado a pior localização é a cidade de Fortaleza, pois abrange uma região com um PIB de apenas 231,7 bilhões de dólares em 2008 e com uma população de 56,9 milhões de habitantes em 2010 (figura 1.4.3). Considerando, entretanto, um raio de mercado igual à distância Porto Alegre /Curitiba, por exemplo, a capital gaúcha está entre as piores localizações dentre as capitais do MERCOSUL e dos estados brasileiros para as atividades cujas localizações são orientadas para o mercado (PIB de 247,4 bilhões de dólares em 2008 e população de 25 milhões de habitantes em 2010). Com este raio de mercado a melhor localização é São Paulo (PIB de 1,2 trilhões de dólares e população de 122,6 milhões de habitantes em 2010). Este tamanho de raio é representativo da fase de substituição de importações industriais, quando as barreiras ao comércio internacional viabilizavam empreendimentos voltados para pequenas escalas de mercado, o que gerou a elevada concentração da industrialização latino117 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL americana em torno das cidades do México, Buenos Aires e São Paulo. Até o final dos anos 80, quando se inicia o processo de liberalização comercial da economia brasileira, o RS, do ponto de vista de sua localização geográfica, era considerado periférico pelos capitais internacionais e nacionais que lideraram a industrialização do pós II Guerra. Esta racionalidade espacial muda com o desenrolar e o aprofundamento da abertura comercial e o RS passa a ser a melhor localização, do ponto de vista do mercado, quando a referência é o MERCOSUL e neste particular se sobressai Pelotas junto ao porto de Rio Grande. O planejamento estratégico do RS e das suas regiões, portanto, precisa levar em conta este macro condicionante que, se afeta negativamente uma ou outra atividade (como é o caso recorrente da orizicultura), é altamente positivo e de importância estratégica para a economia gaúcha como um todo, tanto do ponto de vista das decisões dos investimentos empresariais, quanto do comércio internacional. Nas atividades cujas localizações são orientadas para as fontes de fatores, como a agricultura e a indústria calçadista intensiva em mão-de-obra de menor qualificação, o RS tende a continuar perdendo posição para o Centro Oeste e para os estados do Nordeste. E mais do que isto, na indústria calçadista, muitas empresas gaúchas estão promovendo suas expansões na Ásia, sendo que algumas, inclusive, reduziram suas operações no RS com o fechamento de plantas. As indústrias intensivas em capacitações criadas - escala de produção, tecnologia, inovação e conhecimento - estão ganhando posição na estrutura da economia estadual e o RS ganha participação na oferta brasileira do conjunto destas atividades. Este segmento, no entanto, não é suficientemente grande para compensar a perda de participação das atividades intensivas em vantagens competitivas naturais. A tendência mostrada indica que o RS (e no caso presente, Pelotas) deve procurar diversificar a sua estrutura produtiva? Diversificar em direção aos segmentos nãotradicionais (os intensivos em capacitações competitivas criadas, como bens de informática, e automóveis) que se mostraram mais competitivos do que as suas especializações tradicionais, intensivas em vantagens competitivas naturais, como alimentos? A pergunta em si tem sentido porque a racionalidade que, primariamente, move o processo descrito, sugere que uma região tem chances de crescer, de investir, de gerar lucros e salários mais em determinadas atividades e menos em outras. No RS, no entanto, os caminhos contidos na pergunta não são excludentes, pois é grande o potencial para diversificação dos polos industriais mais avançados, como também é grande o potencial para aprofundar as especializações agroindustriais. A respeito do acima a opção a ser feita não está entre um ou outro caminho, mas sim por 118 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL construir ou desenvolver as capacitações competitivas requeridas para lograr sucesso na competição globalizada, no plano das pessoas, das empresas e das regiões. A questão, portanto, não é optar entre produzir carne, leite, grãos, frutas, ou automóveis ou computadores, por exemplo. Mas sim construir o que estes produtos têm em comum: o conhecimento especializado de pessoas - cientistas, engenheiros, gerentes e técnicos aplicados em pesquisa, desenvolvimento, produção, desempenho de produtos e distribuição. O importante, portanto, é muito mais o como especializar-se do que o em que especializar-se. O RS poderá caminhar tanto na direção do aprofundamento das suas especializações tradicionais quanto no caminho da diversificação dos seus pólos industriais. No aprofundamento das especializações agroindustriais há de se sair da produção de commodities e buscar cada vez mais a produção de especialidades e nichos de mercado. É preciso ficar claro que este caminho é o único a ser trilhado pela maior parte das regiões do RS, pois a industrialização tem requerimentos de economias externas e de aglomeração que não permitem que ela se dissemine ao longo dos vários espaços regionais. Já Pelotas, justamente por também ter estas capacitações, a exemplo, do RS como um todo, poderá trilhar ambos os caminhos. Independentemente do Polo Naval que já é um estímulo plasmado na região, o eixo PelotasRio Grande deverá passar por um intenso processo de renovação e de expansão industrial acolhendo grande parte do movimento de diversificação da industrialização gaúcha que está acontecendo majoritariamente no eixo Caxias-Região Metropolitana, respeitando, evidentemente, os requisitos ambientais, conforme o colocado no capítulo 4. De outro lado, toda a região Grande Sul está diante da necessidade inadiável de uma profunda transformação do setor agrícola, e em especial da pecuária bovina de corte, pelas razões apontadas anteriormente. Tal transformação, conforme foi colocado na seção 1.3, deverá se traduzir em uma pauta de produtos de maior valor agregado por unidade de área e de trabalho, mais intensiva em tecnologia, mais intensiva em gestão, mais intensiva em cooperação e cooperativismo profissional - moderno e eficiente - e mais intensiva em conhecimento. Em síntese, a transformação que é requerida da agropecuária regional a tornará cada vez mais dependente de vantagens competitivas criadas e, por via de consequência, menos dependente de vantagens naturais. Independentemente das escolhas que venham a ser feita no processo de elaboração do PEDL no que respeita a APLs e setores a serem objeto de ações específicas, a principal mensagem que este diagnóstico quer deixar é a de que Pelotas tem que buscar qualificar, cada vez mais, os seus recursos humanos e institucionais e em especial a sua coesão 119 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL social. Não existe APL sem Capital Social que formule e execute estratégias coletivas e as experiências mundiais e nacionais mais exitosas foram justamente as que lograram colocar em prática estratégias coletivas de produção, de mercado e de articulação da infraestrutura científica e tecnológica e que contaram com a colaboração dos governos, sempre importante, mas de caráter coadjuvante e não de liderança do processo. Isto posto, a sugestão de atividades industriais a serem objeto de ações específicas do PEDL são as que se identificou como especializações e que estão elencadas na tabela 1.4.1. Ressalta-se, a este respeito, que à escolha definitiva, tanto quanto a atividade em si, deve ser valorada e priorizada a existência e a qualidade do estoque de Capital Social preexistente. 120 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.5. SERVIÇOS : CARACTERIZAÇÃO, EVOLUÇÃO RECENTE , IMPORTÂNCIA RELATIVA CONTEXTO REGIONAL E PERSPECTIVAS . NO Em 2009, o setor de serviços participava com 76,4% do PIB de Pelotas e há uma clara especialização do município neste setor (tabela 1.5.1). Nos anos 2000, o setor continuou sendo o de maior dinamismo na geração do PIB de Pelotas (figura 1.5.1). No contexto do Rio Grande do Sul, no entanto, Pelotas perdeu posição no setor (figuras 1.5.1 e 1.5.2). Não obstante isto, a tendência que se projeta é a de que o setor assumirá cada vez mais importância, dado o papel de capital regional exercido pela localidade. Este papel, muito provavelmente, deverá ser ampliado no futuro não só pela força de estímulos exógenos, tipo Polo Naval, mas porque Pelotas tem um enorme potencial de capacitações competitivas para desenvolver todos os setores da sua economia. Figura 1.5.1 - Evolução da participação de Pelotas no PIB do setor de serviços do RS e a participação dos serviços no PIB de Pelotas no período 2000/209 (%) Pelotas no PIB dos Serviços do RS 75,8 2,6 2000 75,4 2,5 76,4 2,5 2001 2002 75,3 2,3 2003 Os serviços no PIB de Pelotas 77,0 73,0 77,6 2,4 2,4 2,4 2004 2005 2006 79,3 2,4 78,1 2,3 2,3 2007 76,4 2008 2009 Fonte: Fundação de Economia e Estatística; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. Figura 1.5.2 - Participação das capitais regionais no PIB do setor de serviços do Rio Grande do Sul 2000 2009 4,9 5,2 Caxias do Sul 2,1 2,4 2,6 2,3 Rio Grande Pelotas 2,7 2,3 Novo Hamburgo 2,2 2,2 Santa Maria 2,3 2,2 2,0 1,8 Passo Fundo São Leopoldo Fonte: Fundação de Economia e Estatística; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 121 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria Tabela 1.5.1 – Indicadores de importância do setor Serviços no PIB em Pelotas e nas demais capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2009. % dos Serviços no PIB do município 76,4 58,6 55,8 71,8 68,7 81,0 76,0 % do município no PIB dos Serviços do RS 2,3 2,4 5,2 2,3 1,8 2,2 2,2 Quociente de localização (especialização) dos Serviços (com base na estrutura econômica das capitais regionais do RS) 1,3 1,0 0,9 1,2 1,1 1,3 1,2 Indicadores/Capitais regionais do RS Fonte: Fundação de Economia e Estatística e RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. Uma área em que o potencial é muito grande e que ainda é completamente incipiente em Pelotas é a da chamada Economia da Criatividade, um largo conceito que abarca tendências e conceitos de focos mais precisos surgidos entre fins do século 20 e início do 21. De um modo geral estas tendências e movimentos nas suas dimensões tangíveis são nucleados no setor de serviços. Este é o caso, por exemplo, das atividades culturais em suas várias dimensões catalogadas como Indústria Criativa, das atividades da enogastronomia e da preservação do patrimônio arquitetônico, que estão na base do movimento que ficou conhecido por Slow Food e as capacitações requeridas nos movimentos de reconstruir as relações sociais sustentáveis nos espaços urbano e rural, envolvidas no Slow City34 e no Transition Town35. 34 Em 1999, 32 cidades italianas e uma croata fundaram o movimento das Slow Cities para brecar a degeneração da qualidade de vida nos centros urbanos. Inspiradas pelo Slow Food, movimento criado na Itália há 14 anos para preservar tradições gastronômicas. As slow cities querem se libertar do ritmo frenético imposto pela vida moderna e economia globalizada. Entendem que o progresso trouxe bem-estar e conforto, mas homogeneizou hábitos culturais e gastronômicos. O símbolo das slow cities - um caracol passando no meio de dois prédios, um moderno e outro antigo - reflete o que o movimento se propõe: escolher o que a tecnologia e a vida moderna trouxeram de bom sem abdicar das tradições (Falcão, 2011). Para Paolo Saturnini - líder do movimento e prefeito de Greve-inChianti, ...Todo o mundo se molda hoje no exemplo de Las Vegas. Há cada vez mais cidades virtuais em vez de cidades reais... Greve-in-Chianti é uma agradável cidade da Toscana famosa pela qualidade de seus vinhos. Não é de espantar que o movimento que luta para manter as características locais das vilas e melhorar a qualidade de vida de seus habitantes tenha surgido na Itália, país que reúne algumas das cidades mais charmosas do mundo, que ainda preservam quase intactos hábitos e costumes como almoços familiares aos domingos e compras diárias em armazéns de secos e molhados (Falcão, 2011). 35 O que segue é uma transcrição resumida do interessante relato de Maria Auxiliadora Moraes Amiden, economista, especialista em Economia da Felicidade, Diretora de Educação da Symnetics e editora do blog Transition Happiness e de Simon Robinson, professor de Caos, Complexidade e Sustentabilidade e editor do blog Transition Consciousness: “Em 2004, Rob Hopkins, professor de permacultura, e Naresh Giangrande iniciou o desenvolvimento do conceito Transition Town, na cidade inglesa de Totnes, local de residência do primeiro. Rob e Naresh dedicaram mais de um ano envolvendo e mobilizando a população local sobre as questões relacionadas com a crise energética e 122 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Dado o grande potencial de Pelotas para desenvolver atividades nos termos das tendências referidas, a última seção deste capítulo apresenta a mensuração da participação das indústrias criativas no seu setor de Serviços. Antes, no entanto, são descritas as estruturas dos setores Comércio e Serviços, bem como apresentados os Quocientes de Localização para identificar as especializações com o objetivo de eleger os setores para fins de ações de capacitação. Nos dados de PIB apresentados anteriormente, o setor de Serviços inclui o Comércio. Na sequência os Quocientes de Localização, com base na variável emprego de mão de obra, os setores Comércio e Serviços são considerados separadamente, dada a disponibilidade de estatísticas desagregadas. 1.5.1. AS ESPECIALIZAÇÕES DO COMÉRCIO Das 94 atividades (classes) do Comércio, catalogadas pela CNAE para o Brasil, 86 existem em Pelotas. Dentre as capitais regionais, Pelotas está junto com Passo Fundo e ligeiramente atrás de Caxias do Sul e de Novo Hamburgo (tabela 1.5.2). O setor é responsável por 22,6% do emprego total do município. Nesta variável, Pelotas tem o segundo maior setor de Comercio dentre as capitais regionais, 3,2% do setor do Rio Grande do Sul. O maior é o de Caxias do Sul com 4,6% do emprego setorial estadual (tabela 1.5.2). a mudança climática. Também, envolveram professores e renomados pensadores do Schumacher College, importante instituto de ensino de sustentabilidade localizado em Totnes. Após uma série de debates, sessões interativas e educativas, a comunidade estava apta a sugerir e contribuir com idéias de como fazer a transição de uma realidade de elevado consumo de energia para um estado mais sustentável. Em 2006, o Transition Town Totnes foi formalmente lançado como um movimento. O conceito de Transition Town está baseado na crença de que as melhores soluções veem não de um governo que está distante da população, mas da própria comunidade. Seguindo o sucesso de Totnes, Rob estruturou sua metodologia que está sendo implementada por milhares de outras comunidades ao redor do mundo e se fundamenta basicamente em seis princípios: i) Visão - Criação de visões positivas do futuro que podem mobilizar a comunidade; ii) Inclusão - Desenvolvimento de diálogo com toda a comunidade; iii) Tomada de consciência - Desenvolvimento de conhecimento a respeito das questões e particularidades da própria comunidade; iv) Resiliência - Construção de comunidades resilientes, que estejam preparadas para enfrentar choques e mudanças; v) Envolvimento emocional e afetivo - Apoio às pessoas na superação do senso de impotência para a mudança e isolamento; vi) Criação de soluções críveis e adequadas Desenvolvimento de soluções que sejam factíveis e propostas pela própria comunidade. Desde seu lançamento, Transition Town Totnes já desenvolveu trinta projetos relacionados com outras áreas de interesse da comunidade, como transporte, educação, saúde e alimentação. Em 2007, foi lançada a rede de apoio intitulada “UK charity Transition Network” para ajudar outras cidades e comunidades a desenvolverem a metodologia e, desde então, o movimento vem se expandindo rapidamente de forma viral e global, sendo contabilizadas oficialmente 382 iniciativas e 458 em desenvolvimento, em 34 países. Um indicador chave de sucesso é o número de governos locais e executivos que passaram a se envolver com o movimento. Outro fato marcante é que o livro “Transition Towns handbook” foi o mais lido pelos representantes do parlamento britânico no verão passado. Na expansão do Transition Town pelo mundo o Brasil foi um dos países que se associou ao movimento e um exemplo de sucesso foi a experiência desenvolvida em São Paulo, na grande favela da Brasilândia, cujos indicadores de violência e outros experimentaram significativa melhoria a partir de soluções práticas provenientes da própria comunidade”. 123 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas detém 47 especializações no Comércio, sendo somente superada por Passo Fundo com 55. No setor como um todo o Quociente de Localização (especialização) de Pelotas é de 1,2, o de Passo Fundo, 1,4, o de Santa Maria, 1,2, e o de Rio Grande, 1,1. Na variável emprego, portanto, as capitais situadas na região Grande Nordeste - Caxias do Sul, Novo Hamburgo e São Leopoldo - não são especializadas no setor de Comércio. Pelotas Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria Tabela 1.5.2 - Indicadores de importância do Comércio na geração de emprego de mão de obra em Pelotas e nas demais capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010. 86 75 88 87 81 86 82 N de atividades do município como % do N de atividades da CNAE 91,5 79,8 93,6 92,6 86,2 91,5 87,2 % do Comércio no emprego total do município 22,6 22,1 14,2 20,0 16,6 28,1 24,1 % do município no emprego do Comércio do RS 3,2 1,7 4,6 2,9 1,9 2,8 2,8 N de especializações do Comércio do município (com referência na estrutura econômica das capitais regionais) 47 24 19 36 22 55 45 Especializações como % do emprego do Comércio do município 73,2 71,4 9,8 46,8 29,2 92,9 90,7 3,1 3,2 1,4 1,2 Indicadores/Capitais regionais do RS o N de atividades (Classes da CNAE) no município o o o Especializações do município como % do emprego nas atividades 3,9 2,4 10,0 4,4 3,1 correspondentes do RS Quociente de localização (especialização) do Comércio do município (com base na estrutura econômica das capitais regionais 1,2 1,1 0,7 1,0 0,8 do RS) Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. A CNAE divide o setor de Comércio em três grandes divisões: Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas; Comércio por Atacado, Exceto Veículos Automotores e Motocicletas e Comércio Varejista. Em Pelotas, o Comércio e Reparação de Veículos representa 12,5% do setor, o Atacado 14,3% e o Varejo 73,2%. Nesta grande divisão não há diferenças muito significativas entre Pelotas e as demais capitais regionais, exceto com relação a Rio Grande, na qual as participações do Comércio e Reparação de Veículos e do Atacado na estrutura do emprego são a metade das participações em Pelotas, o que revela certa complementariedade do primeiro em relação ao segundo município. Das 47 especializações de Pelotas, 17 são atividades de atacado e varejo de produtos agroindustriais em especial de alimentos, incluindo alguns equipamentos e insumos. Em termos de número de empregados representa 24% do comércio local (32,8% das 47 especializações). Considerando somente este grupo, o quociente de localização (especializações) de Pelotas é de 1,5. Neste mesmo grupo, dentre as capitais, apenas Rio Grande e São Leopoldo revelam alguma especialização, ambas com Quociente de Localização de 1,1. 124 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Em relação às capitais regionais pode-se dizer que a especificidade ou a marca do setor de Comércio de Pelotas é a sua especialização em produtos agroindustriais e alimentos 36 . Neste grupo encontra-se grande parte dos tradicionais Doces de Pelotas dentro da atividade/Classe da CNAE, Comércio Varejista de Produtos de Padaria, Laticínio, Doces, Balas e Semelhantes. São 129 estabelecimentos com 987 funcionários em 31 de dezembro de 2010. Este setor era responsável por 1,2% de todo o emprego de Pelotas, correspondendo a 5,5% do emprego do comércio e a 8,3% do emprego setorial do Rio Grande do Sul. O Quociente de Localização é de 2,4 e, dentre as capitais regionais, somente Rio Grande é especializada, com quociente de 1,7. Relembrando o significado do quociente de localização, o varejo de doces e de produtos de padaria e laticínios é 140% (2,4 vezes) mais importante para a economia de Pelotas, do ponto de vista da geração de emprego, do que o é para a média das sete capitais regionais (tabela 1.5.3). Outro grupo significativo de especializações é o constituído pelo varejo do Vestuário incluindo Calçados e Artigos de Viagem mais o atacado de Tecidos e Artigos de Cama, Mesa e Banho e Armarinho, responsável por 15,1% do emprego do comércio local (17,1% das 47 especializações). Neste grupo o Quociente de Localização, tendo como referência o conjunto das capitais regionais, é de 1,2. Além de Pelotas, somente Passo Fundo se mostra especializado, quociente de 1,1 (tabela 1.5.3). Seguem em importância, dentre as especializações, o grupo do atacado e varejo de Veículos e Peças com 10% do Comércio, varejo e representantes comerciais de Ferragens, Madeira, Materiais de Construção, Tintas e Vidros com 7,3% e o de Combustíveis, Gás e Lubrificantes, com 5,8% do Comércio. O restante das especializações pode ser visto detalhadamente na tabela 1.5.3, juntamente com as demais 39 atividades que constituem o setor de Comércio em Pelotas. 36 No grupo estão somente as atividades do agroalimentos que são especializações de Pelotas quando a referência é o conjunto das sete capitais regionais. O grupo não inclui, portanto, as seguintes atividades: Atacado e Varejo de Bebidas; Varejo de Mercadorias em Geral, com Predominância de Produtos Alimentícios – Hiper e Supermercados; Atacado de Carnes e Produtos da Carne e Pescado; Atacado de Produtos Farmacêuticos para Uso Humano e Veterinário; Atacado de Leite e Laticínios e Atacado de Soja. Estas atividades representam 11,8% do emprego do Comércio de Pelotas e que somadas as 17 especializações significa que 36% do setor de Comércio é de produtos agroindustriais e alimentícios. 125 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL % do emprego do Comércio de Pelotas % do emprego do Comércio do RS 22,6 100,0 3,2 1,2 388 2.244 2,8 12,5 3,8 1,1 Varejo e Atacado de Veículos Automotores 58 906 1,13 5,03 5,21 1,2 Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Veículos Automotores 5 5 0,01 0,03 2,02 0,7 Manutenção e Reparação de Veículos Automotores 111 432 0,54 2,40 3,36 1,0 Peças e Acessórios para Veículos Automotores 189 761 0,95 4,23 3,00 1,1 Atacado e a Varejo de Motocicletas, Peças e Acessórios Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Motocicletas, Peças e Acessórios Manutenção e Reparação de Motocicletas 23 139 0,17 0,77 4,37 1,4 2 1 0,00 0,01 0,59 0,2 348 2.575 3,2 14,3 3,0 1,2 70 290 0,36 1,61 1,69 1,4 7 26 0,03 0,14 3,46 4,5 6 15 0,02 0,08 5,23 1,9 1 1 0,00 0,01 0,36 0,1 1 1 0,00 0,01 0,85 0,3 1 1 0,00 0,01 0,14 0,0 8 88 0,11 0,49 3,57 4,4 6 6 0,01 0,03 0,85 0,3 9 15 0,02 0,08 1,48 0,4 Representantes comerciais e agentes do comércio, exceto de veículos automotores e motocicletas Comércio atacadista Comércio atacadista de matérias-primas agrícolas e animais vivos Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Matérias-Primas Agrícolas e Animais Vivos Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Combustíveis, Minerais, Produtos Siderúrgicos e Químicos Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Madeira, Material de Construção e Ferragens Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Máquinas, Equipamentos, Embarcações e Aeronaves Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Eletrodomésticos, Móveis e Artigos de Uso Doméstico Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Têxteis, Vestuário, Calçados e Artigos de Viagem Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo Representantes Comerciais e Agentes do Comércio Especializado em Produtos não Especificados Anteriormente Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Mercadorias em Geral não Especializado o Quociente s especialização Pelotas % do emprego total de Pelotas 18.011 Total do Comércio o 3.103 Divisões e Classes da SENAE N de estabelecimentos N de empregados de de Tabela 1.5.3 – Estrutura do Comércio de Pelotas: número de estabelecimentos e de empregados e quocientes de especialização com referência nas capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010 Comércio Atacadista de Café em Grão Comércio Atacadista de Soja 1 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Comércio Atacadista de Animais Vivos, Alimentos para Animais e MatériasPrimas Agrícolas, Exceto Café e Soja 30 137 0,17 0,76 2,42 2,1 Comércio atacadista especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo 125 1.029 1,29 5,71 4,42 1,5 Comércio Atacadista de Leite e Laticínios Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, Farinhas, Amidos e Féculas Comércio Atacadista de Hortifrutigranjeiros 4 7 0,01 0,04 0,56 0,2 10 74 0,09 0,41 2,52 3,7 29 117 0,15 0,65 3,98 1,8 Comércio Atacadista de Carnes, Produtos da Carne e Pescado 13 62 0,08 0,34 2,07 0,8 Comércio Atacadista de Bebidas 11 143 0,18 0,79 3,55 1,3 Comércio Atacadista de Produtos do Fumo 7 49 0,06 0,27 6,83 2,1 18 198 0,25 1,10 7,51 1,9 33 379 0,47 2,10 6,55 1,6 Comércio Atacadista Especializado em Produtos Alimentícios não Especificados Anteriormente Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios em Geral Continua 126 % do emprego total de Pelotas % do emprego do Comércio de Pelotas % do emprego do Comércio do RS Quociente s de especialização de Pelotas 280 0,35 1,55 2,11 0,83 Comércio Atacadista de Tecidos, Artefatos de Tecidos e de Armarinho 5 18 0,02 0,10 4,31 1,5 Comércio Atacadista de Artigos do Vestuário e Acessórios 8 20 0,03 0,11 1,16 0,4 Comércio Atacadista de Produtos Farmacêuticos para Uso Humano e Veterinário 5 21 0,03 0,12 0,64 0,8 Atacado de Instrumentos e Materiais para Uso Médico, Cirúrgico, Ortopédico e Odontológico 4 32 0,04 0,18 2,28 1,3 Comércio Atacadista de Cosméticos, Produtos de Perfumaria e de Higiene Pessoal 7 22 0,03 0,12 1,99 0,4 Comércio Atacadista de Artigos de Escritório e de Papelaria 2 7 0,01 0,04 0,52 0,2 Atacado de Equipamentos e Artigos de Uso Pessoal e Doméstico não Esp.Anteriormente 20 160 0,20 0,89 4,63 1,2 Comércio atacadista de equipamentos e produtos de tecnologias de informação e comunicação 3 7 0,01 0,04 0,41 0,24 Atacado de Computadores, Periféricos e Suprimentos de Informática 3 7 0,01 0,04 0,59 0,3 Comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos, exceto de tecnologias de informação e comunicação 20 170 0,21 0,94 2,97 0,97 Atacado de Máquinas, Aparelhos e Equipamentos para Uso Agropecuário 12 143 0,18 0,79 8,68 4,4 Atacado de Máquinas e Equipamentos para Uso Industrial 3 14 0,02 0,08 0,69 0,2 Atacado de Máquinas, Aparelhos e Equipamentos para Uso Odonto-Médico-Hospitalar 3 4 0,01 0,02 3,15 2,8 Comércio Atacadista de Máquinas e Equipamentos para Uso Comercial 2 9 0,01 0,05 1,61 1,1 30 190 0,24 1,05 3,37 0,98 Comércio Atacadista de Madeira e Produtos Derivados 3 21 0,03 0,12 2,17 0,8 Comércio Atacadista de Ferragens e Ferramentas 9 63 0,08 0,35 3,22 0,8 Comércio Atacadista de Material Elétrico 7 48 0,06 0,27 12,34 3,4 Comércio Atacadista de Cimento Comércio Atacadista Especializado de Materiais de Construção não Especificados Anteriormente e de Materiais de Construção em Geral 2 5 0,01 0,03 8,20 1,0 9 53 0,07 0,29 2,35 0,8 37 226 0,28 1,25 1,49 0,52 o Divisões e Classes da CNAE Comércio atacadista de produtos de consumo não-alimentar o 51 Continuação da tabela 1.5.3 N de estabelecimentos N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Comércio Atacadista de Calçados e Artigos de Viagem Atacado de Componentes Eletrônicos e Equipamentos de Telefonia e Comunicação Atacado de Máquinas, Equipamentos para Terraplenagem, Mineração e Construção Atacado de Máquinas, Aparelhos e Equipamentos não Especificados Anteriormente Comércio atacadista de madeira, ferragens, ferramentas, material elétrico e material de construção Comércio atacadista especializado em outros produtos Atacado de Combustíveis Sólidos, Líquidos e Gasosos, Exceto Gás Natural e Glp 3 30 0,04 0,17 1,95 0,6 Comércio Atacadista de Gás LiqüEfeito de Petróleo (Glp) 6 70 0,09 0,39 6,66 1,9 Comércio Atacadista de Defensivos Agrícolas, Adubos, Fertilizantes e Corretivos do Solo 3 13 0,02 0,07 0,84 1,3 Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos, Exceto Agroquímicos 6 17 0,02 0,09 1,68 0,4 Comércio Atacadista de Produtos Siderúrgicos e Metalúrgicos, Exceto para Construção 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Comércio Atacadista de Papel e Papelão em Bruto e de Embalagens 6 18 0,02 0,10 1,90 0,5 Comércio Atacadista de Resíduos e Sucatas 10 45 0,06 0,25 1,81 0,7 Atacado Especializado de Outros Produtos Intermediários não Esp. Anteriormente 3 33 0,04 0,18 0,61 0,2 Comércio atacadista não-especializado 12 383 0,48 2,13 10,82 3,8 Atacado de Mercadorias em Geral, com Predominância de Produtos Alimentícios 5 262 0,33 1,45 27,12 5,7 Atacado de Mercadorias em Geral, com Predominância de Insumos Agropecuários 2 20 0,03 0,11 3,29 4,2 Atacado de Mercadorias em Geral, sem Predominância de Alimentos ou de Insumos Agropecuários 5 101 0,13 0,56 5,14 2,0 Continua 127 Comércio varejista não-especializado % do emprego do Comércio do RS Quociente s de especialização de Pelotas o 2.367 13.192 % do emprego do Comércio de Pelotas Comércio varejista % do emprego total de Pelotas Divisões e Classes da SENAE N de empregados o Continuação da tabela 1.5.3 N de estabelecimentos Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 16,5 73,2 3,2 1,2 300 2.638 3,30 14,65 2,28 0,9 39 1.855 2,32 10,30 2,22 0,8 239 557 0,70 3,09 2,46 1,1 22 226 0,28 1,25 2,38 0,7 Comércio varejista de produtos alimentícios, bebidas e fumo 305 1.375 1,72 7,63 5,57 1,8 Comércio Varejista de Produtos de Padaria, Laticínio, Doces, Balas e Semelhantes 129 987 1,24 5,48 8,30 2,4 Comércio Varejista de Carnes e Pescados - Açougues e Peixarias 69 132 0,17 0,73 4,42 2,1 Comércio Varejista de Bebidas 19 46 0,06 0,26 2,41 0,9 Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiros Comércio Varejista de Produtos Alimentícios em Geral ou Especializado em Produtos Alimentícios não Especificados Anteriormente 26 84 0,11 0,47 4,65 1,8 62 126 0,16 0,70 2,07 0,7 Comércio varejista de combustíveis para veículos automotores 73 882 1,10 4,90 3,61 1,4 Comércio Varejista de Combustíveis para Veículos Automotores 68 861 1,08 4,78 3,58 1,4 Comércio Varejista de Lubrificantes 5 21 0,03 0,12 5,24 2,8 301 1.451 1,82 8,06 2,96 1,2 Comércio Varejista de Tintas e Materiais para Pintura 24 128 0,16 0,71 4,65 1,1 Comércio Varejista de Material Elétrico 30 151 0,19 0,84 3,94 1,2 Comércio Varejista de Vidros 21 74 0,09 0,41 3,24 1,2 Comércio Varejista de Ferragens, Madeira e Materiais de Construção 226 1.098 1,38 6,10 2,73 1,2 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 368 1.552 1,94 8,62 2,92 1,1 Varejo Especializado de Equipamentos e Suprimentos de Informática 75 176 0,22 0,98 2,20 0,7 Varejo Especializado de Equipamentos de Telefonia e Comunicação 40 166 0,21 0,92 4,00 1,1 Varejo Especializado de Eletrodomésticos e Equipamentos de Áudio e Vídeo 47 368 0,46 2,04 2,67 1,1 Varejo Especializado de Móveis, Colchoaria e Artigos de Iluminação 77 384 0,48 2,13 2,95 1,2 Varejo Especializado de Tecidos e Artigos de Cama, Mesa e Banho 83 300 0,38 1,67 5,05 1,5 Varejo Especializado de Instrumentos Musicais e Acessórios Varejo Especializado de Peças e Acessórios para Aparelhos Eletroeletrônicos para Uso Doméstico, Exceto Informática e Comunicação Varejo de Artigos de Uso Doméstico não Especificados Anteriormente 2 5 0,01 0,03 1,41 0,6 18 50 0,06 0,28 2,89 0,9 26 103 0,13 0,57 1,67 0,8 109 330 0,41 1,83 2,63 0,9 Comércio Varejista de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria 61 223 0,28 1,24 2,70 1,0 Comércio Varejista de Discos, Cds, Dvds e Fitas 10 14 0,02 0,08 3,31 0,8 Comércio Varejista de Artigos Recreativos e Esportivos 38 93 0,12 0,52 2,39 0,7 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 239 1.451 1,82 8,06 3,71 1,3 Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos para Uso Humano e Veterinário Comércio Varejista de Cosméticos, Produtos de Perfumaria e de Higiene Pessoal Comércio Varejista de Artigos Médicos e Ortopédicos Comércio Varejista de Artigos de óptica 150 25 14 50 1.062 130 43 216 1,33 0,16 0,05 0,27 5,90 0,72 0,24 1,20 3,37 3,99 3,77 6,81 1,2 1,1 1,5 1,9 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 672 3.513 4,40 19,50 3,74 1,2 Comércio Varejista de Artigos do Vestuário e Acessórios Comércio Varejista de Calçados e Artigos de Viagem Comércio Varejista de Jóias e Relógios Comércio Varejista de Gás LiqüEfeito de Petróleo (Glp) Comércio Varejista de Artigos Usados Comércio Varejista de Outros Produtos Novos não Especificados Anteriormente 279 47 24 36 9 277 1.999 399 62 101 19 933 2,50 0,50 0,08 0,13 0,02 1,17 11,10 2,22 0,34 0,56 0,11 5,18 4,35 3,46 2,25 3,44 5,01 3,07 1,4 1,1 0,9 1,5 1,6 1,0 Mercadorias em Geral, com Predominância de Produtos Alimentícios - Hipermercados e Supermercados Mercadorias em Geral, com Predominância de Produtos Alimentícios - Minimercados, Mercearias e Armazéns Mercadorias em Geral, sem Predominância de Produtos Alimentícios Comércio varejista de material de construção Comércio varejista de artigos culturais, recreativos e esportivos Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; 1/ Tem como referência a estrutura do emprego das capitais regionais do RS; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 128 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.5.2. O SETOR CRIATIVAS DE SERVIÇOS : ESPECIALIZAÇÕES E O NÚCLEO DAS INDÚSTRIAS A CNAE cataloga 227 atividades (classes) no setor de Serviços e destas Pelotas localiza 170 o que lhe confere a condição de ter a maior e mais diversificada estrutura das capitais regionais depois de Caxias do Sul com 172 atividades (tabela 1.5.4). Dentre as capitais regionais apenas Caxias do Sul e Novo Hamburgo não são especializadas no setor de Serviços. Considerando o setor como um todo, os maiores coeficientes de localização são os de São Leopoldo e Santa Maria. Pelotas, entretanto, tem um número maior de especializações, 82 classes, seguida por Santa Maria, com 80. As demais capitais distanciam-se bastante como é o caso de Passo Fundo com apenas 46 classes nos quais é especializada (tabela 1.5.4). Pelotas Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria Tabela 1.5.4 - Indicadores de importância do setor Serviços na geração de emprego de mão de obra em Pelotas e nas demais capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010. 170 151 172 156 143 156 155 74,9 66,5 75,8 68,7 63,0 68,7 68,3 o 2.798 1.422 5.186 2.853 1.623 2.342 2.617 o 37.031 21.248 51.202 27.788 31.373 24.345 32.685 % dos Serviços no emprego total do município 46,4 49,5 28,4 34,6 50,2 44,2 50,1 % do município no emprego dos Serviços do RS 2,8 1,6 3,9 2,1 2,4 1,9 2,5 71 80 76,1 63,1 3,6 5,2 1,1 1,3 Indicadores/Capitais regionais do RS o N de atividades (Classes da CNAE) no município o N de atividades do município como % do N atividades da CNAE N de estabelecimentos N de empregados o de o N de especializações do setor de Serviços do município (com referência na estrutura econômica das 82 61 55 75 46 capitais regionais) Especializações como % do emprego dos Serviços do 75,8 76,0 35,9 49,4 76,5 município Especializações do município como % do emprego nas 4,4 2,9 9,3 4,4 4,4 atividades correspondentes do RS Quociente de localização (especialização) dos Serviços do município (com base na estrutura 1,2 1,2 0,7 0,9 1,3 econômica das capitais regionais do RS) Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. O menor nível de agregação da CNAE é o de classe (227 no setor de Serviços). Ascendendo na agregação os níveis seguintes são os de grupo (131), de divisão (44) e de seção (14). Na tabela 1.5.7 os dados são mostrados para todos os níveis, exceto divisão. Uma visão síntese da estrutura do setor de Serviços no Rio Grande do Sul e nas capitais regionais é mostrada na tabela 1.5.5 com as 14 seções da CNAE. A seção mais importante 129 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL em Pelotas, em termos de número de empregados é a Administração Pública, Defesa e Seguridade Social, com 26,7% do emprego dos Serviços e 12,4% do emprego da economia municipal. Esta abrange as três esferas administrativas (municipal, estadual e federal) e inclui as funções Administração Pública em Geral (nível de classe da CNAE) e Regulação das Atividades de Saúde, Educação, Serviços Culturais e Outros Serviços Sociais (classe), mas não inclui as atividades fins destes setores, conforme pode ser visto em detalhe na tabela 1.5.8. Considerando as sete capitais regionais o Quociente de Localização de Pelotas na Administração Pública, Defesa e Seguridade Social é 1,9, significando que este setor, para o emprego local, é 90% mais importante do que o é para o conjunto das capitais regionais. O Quociente de Localização em Caxias do Sul, por exemplo, é de 0,5, indicando que neste município o setor é 50% menos importante do que o é para o conjunto das sete capitais, do ponto de vista da geração de empregos. Em Caxias do Sul para cada 70 habitantes tem um funcionário público. Em Pelotas para cada 33 habitantes há um funcionário público. Há de se lembrar, ainda, que este indicador não inclui os funcionários das áreas de Educação e Saúde. Em Passo Fundo, o indicador é de 60 habitantes por funcionário público e em Santa Maria de 47. Mesmo considerando que em municípios como Pelotas e Santa Maria a função administração pública possa ter um relevo maior e que o constatado, em princípio, por si só, não permite um juízo definitivo sobre a eficiência do setor público, tudo indica que há necessidade de aprofundamento dos estudos sobre esta questão. Em Caxias do Sul as seções da CNAE mais importantes são as de Transporte, Armazenagem e Correio, com 17,4% dos Serviços, Saúde Humana e Serviços Sociais, 14,3% e Educação, 12,5% (tabela 1.5.5). A segunda seção mais importante em Pelotas é a de Saúde Humana e Serviços Sociais com 14,2% do emprego setorial. É a terceira capital regional com 4,1% do setor estadual estando atrás de Caxias do Sul e de Passo Fundo, com 5,7% e 4,2%, respectivamente. Além de Pelotas, com Quociente de Localização de 1,3, somente Passo Fundo e Santa Maria, são especializadas em Saúde, com Quocientes de Localização de 1,9 e 1,1, respectivamente (tabela 1.5.7). A terceira seção mais importante em Pelotas é a Educação com 13,2% do emprego setorial. Em tamanho é a terceira do grupo das capitais (com 5,2% do emprego setorial estadual), sendo superada por Santa Maria e Caxias do Sul, com 8,1% e 6,8%, respectivamente (tabela 1.5.6). Das capitais setoriais apenas três são especializadas em Educação: Santa Maria, com Quociente de Localização de 2,1, Passo Fundo, 1,2 e Pelotas, 1,3 (tabela 1.5.7). 130 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A quarta seção mais importante em Pelotas é a de Atividades Administrativas e Serviços Complementares com 13,1% do emprego dos Serviços, número praticamente igual ao do setor de Educação. A seção está dividida em 34 classes de serviços vários como alocação de veículos, aluguel de equipamentos industriais, agrícolas e de escritório, agenciamento de mão-de-obra, agências de turismos, paisagismo e tele atendimento, dentre outros. Todos estes serviços tem pequena expressão dentro da seção. O que tem de mais significativo são os vários serviços de limpeza de prédios e condomínios, os quais somam em torno de 50% do emprego da seção, seguidos pelos serviços dos próprios condomínios, 26,8%, e os serviços de Vigilância e Segurança Privada, 5,6%, e de Transporte de Valores, 2,8% (tabela 1.5.5). Pelotas Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria Total das capitais regionais do RS Rio Grande do Sul Tabela 1.5.5 – Estrutura do emprego de mão de obra no setor de Serviços de Pelotas, do Rio Grande do Sul e das capitais regionais em 2010 e indicadores de habitantes por número de empregados na Administração Pública, na Saúde e na Educação. Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Administração Pública, Defesa e Seguridade Social (%) 26,7 23,3 12,1 14,0 13,3 12,7 17,0 16,7 17,0 33 40 70 62 51 60 47 49 24 14,2 10,7 14,3 12,4 6,1 22,2 11,0 12,9 11,0 62 87 60 69 112 34 72 64 83 13,2 10,4 12,5 10,8 11,0 15,1 23,3 13,8 23,3 67 89 68 80 62 50 34 60 113 Atividades Administrativas e Serviços Complementares 13,1 11,0 11,6 14,9 41,0 10,4 13,0 16,4 13,0 Transporte, Armazenagem e Correio 11,0 21,4 17,4 10,9 7,9 13,8 10,1 13,2 10,1 Alojamento e Alimentação 6,3 7,0 10,6 8,9 5,9 8,0 7,1 7,9 7,1 Outras Atividades de Serviços 4,0 7,5 4,6 8,3 4,9 5,2 4,9 5,4 4,9 Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas 3,6 2,3 4,8 5,4 1,7 3,4 3,7 3,7 3,7 Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados 3,1 3,2 5,3 6,3 2,5 4,4 4,0 4,2 4,0 Informação e Comunicação 3,0 1,6 4,1 6,1 4,2 3,3 2,9 3,7 2,9 Artes, Cultura, Esporte e Recreação 1,0 0,8 1,5 0,9 0,7 1,0 2,1 1,2 2,1 Atividades Imobiliárias 0,8 0,7 0,8 1,1 0,6 0,5 0,8 0,8 0,8 0,02 0,04 0,28 0,01 0,02 0,06 0,07 0,09 0,07 0,00 0,00 0,00 Seções da CNAE Habitantes/empregados na Administração Pública Saúde Humana e Serviços Sociais Habitantes/empregados na Saúde Educação Habitantes/empregados na Educação Serviços Domésticos Organismos Internacionais e Outras Instituições 0,01 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 Extraterritoriais Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 131 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Pelotas Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria Tabela 1.5.6 - Participação do setor de Servicos de Pelotas e das demais capitais regionais no setor de Serviços do Rio Grande do Sul (% do no de empregados em 2010) Total dos Serviços 2,8 1,6 3,9 2,1 2,4 1,9 2,5 Administração Pública, Defesa e Seguridade Social (%) 2,21 1,11 1,39 0,87 0,93 0,69 1,24 Saúde Humana e Serviços Sociais 4,07 1,76 5,66 2,66 1,49 4,18 2,79 Educação 5,16 2,35 6,75 3,16 3,66 3,89 8,05 Atividades Administrativas e Serviços Complementares 2,75 1,32 3,38 2,34 7,27 1,43 2,41 Transporte, Armazenagem e Correio 2,95 3,30 6,46 2,21 1,80 2,44 2,40 Alojamento e Alimentação 2,65 1,69 6,16 2,80 2,11 2,21 2,63 Outras Atividades de Serviços 2,30 2,45 3,64 3,56 2,37 1,95 2,45 Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas 2,78 1,04 5,11 3,13 1,12 1,73 2,55 Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados. 2,24 1,34 5,41 3,45 1,54 2,12 2,62 Informação e Comunicação 2,63 0,79 4,89 3,98 3,13 1,86 2,22 Artes, Cultura, Esporte e Recreação 3,09 1,44 6,54 2,17 1,92 1,97 5,62 Atividades Imobiliárias 3,97 2,16 5,75 4,18 2,63 1,64 3,38 Serviços Domésticos 0,93 1,24 22,45 0,62 1,08 2,17 3,41 0,00 0,00 Setores (seções da CNAE) Organismos Internacionais e Outras Instituições 2,04 0,00 0,00 0,00 3,06 Extraterritoriais Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. A quinta seção mais importante em Pelotas é á de Transporte, Armazenagem e Correio, com 11% do emprego setorial local. A classe mais importante em número de empregados é a de Transporte Rodoviário de Carga, 4% do emprego setorial, mas nesta o município não é especializado, pois seu Quociente de Localização é de apenas 0,9. As capitais especializadas são Caxias do Sul e Passo Fundo. Nesta seção Pelotas é especializada no Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, Municipal e no Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, Intermunicipal, Interestadual e Internacional os quais representam 3,3% e 0,9% do emprego setorial (tabela 1.5.5) e em ambos o Quociente de Localização é de 1,2. Em capitais como Santa Maria e Passo Fundo a especialização é maior (tabela 1.5.7). A seção Alojamento e Alimentação é a sexta mais importante participando com 6,3% do setor de Serviços. Na seção como um todo, no entanto, Pelotas não é especializada, mas sim Rio Grande, Passo Fundo e Santa Maria. O mesmo ocorre desagregando a seção nos 132 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL grupos Hotéis e Similares e em Restaurantes e Outros Serviços de Alimentação e Bebidas. Nestes grupos as especializações continuam sendo de Rio Grande, Passo Fundo e Santa Maria. Estes dados estão a indicar que o setor não tem uma importância na estrutura dos serviços compatível com o que se projeta para Pelotas enquanto centro de turismo receptivo e de culto da sua gastronomia. Rio Grande Caxias do Sul Novo Hamburgo São Leopoldo Passo Fundo Santa Maria Coeficiente de Localização das seções da CNAE o e n de especializações (a nível de classe) Pelotas Tabela 1.5.7 – Quocientes de Localização e números de especializações do setor de Serviços de Pelotas e das demais capitais regionais do Rio Grande do Sul por seções de CNAE em 2010. 1,2 1,2 0,7 0,9 1,3 1,1 1,3 82 61 55 75 46 71 80 1,9 1,7 0,5 0,7 1,0 0,8 1,3 2 3 1 1 1 1 3 1,3 1,0 0,8 0,8 0,6 1,9 1,1 3 1 2 1 2 2 5 1,1 0,9 0,6 0,7 1,0 1,2 2,1 Total do setor de Serviços Administração Pública, Defesa e Seguridade Social (%) Saúde Humana e Serviços Sociais Educação 4 3 2 2 4 4 3 0,9 0,8 0,5 0,8 3,2 0,7 1,0 12 8 8 15 11 12 11 1,0 2,0 0,9 0,7 0,8 1,2 1,0 12 16 7 4 3 10 4 0,9 1,1 1,0 1,0 0,9 1,1 1,1 2 3 2 1 2 3 3 0,9 1,7 0,6 1,3 1,1 1,1 1,1 3 5 2 10 5 7 10 1,1 0,8 0,9 1,3 0,6 1,0 1,3 8 3 4 11 1 4 7 0,9 0,9 0,9 1,3 0,7 1,2 1,2 Atividades Administrativas e Serviços Complementares Transporte, Armazenagem e Correio Alojamento e Alimentação Outras Atividades de Serviços Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados 10 10 10 10 2 11 11 1,0 0,5 0,8 1,4 1,5 1,0 1,0 5 10 12 12 9 10 11 1,0 0,8 0,9 0,7 0,8 0,9 2,1 6 4 2 1 1 2 2 1,2 1,2 0,8 1,2 1,0 0,7 1,2 3 1 1 2 1 0,2 0,5 2,2 0,1 0,3 0,7 0,9 0,0 5,4 0,0 0,0 Informação e Comunicação Artes, Cultura, Esporte e Recreação Atividades Imobiliárias 2 Serviços Domésticos 2 2,8 0,0 0,0 Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais 1 1 Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 133 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A seção denominada Outras Atividades de Serviços é a sétima mais importante com 4% do emprego setorial e reuni uma gama variada de serviços de representação de segmentos da sociedade, de serviços pessoais, de reparo de equipamentos domésticos, eletrônicos de informática e outros. Dentre as atividades ligadas ao associativismo ou ao sindicalismo Pelotas é especializada somente em Atividades de Organizações Sindicais. Não o é nas Atividades de Organizações Associativas Patronais e Empresariais e nas Atividades de Organizações Associativas Profissionais. Nas primeiras atividades a única especialização é a de Novo Hamburgo, com o elevado Quociente de Localização de 3,1 e nas segundas, além de Novo Hamburgo, Caxias. Passo Fundo e Santa Maria são especializados. Pelotas, surpreendentemente, não é especializada nas Atividades de Organizações Associativas Ligadas à Cultura e à Arte, mas somente Rio Grande e Santa Maria. Pelotas não tem nenhuma especialização nas atividades de concerto de equipamentos e nos serviços pessoais é especializada somente em Atividades Funerárias e Serviços Relacionados com o elevado Quociente de 1,9. A seção Atividades Profissionais Científicas e Técnicas, com 1.329 empregados, é a oitava mais importante, sendo responsável por 3,6% do emprego setorial (tabela 1.5.5) e nesta Pelotas é especializada com um Quociente de Localização de 1,1 e em tamanho só é superada por Caxias do Sul e Novo Hamburgo (tabela 1.5.6). No conjunto da seção, Novo Hamburgo e Santa Maria também são especializadas, ambas com quocientes de 1.3 (tabela 1.5.7). Em importância na estrutura do emprego do setor seguem as seções Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados e Informação e Comunicação. Estas seções, cada uma, representam 3% e não tem um destaque especial no município e nem no contexto das capitais regionais. Já a seção seguinte, Artes, Cultura, Esporte e Recreação, embora tenha pequena participação na estrutura setorial do emprego, apenas 1%, é de extrema importância na estratégia de desenvolvimento posto que será um dos seus eixos. Na seção como um todo Pelotas não é especializada. Considerando, no entanto, somente as atividades culturais a especialização do município é elevada, embora sejam inexpressivas em termos de tamanho. Nas Atividades artísticas, criativas e de espetáculos, o Quociente de Localização é de 2,1 e nas Atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental é de 3,2 (tabela 1.5.8). 134 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas 37.031 46,4 100,0 3,4 1,2 414 4.063 5,1 11,0 5,0 1,0 o Total dos Serviços TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E CORREIO o 2.798 N de estabelecimentos N de empregados Tabela 1.5.8 – Estrutura dos Serviços de Pelotas: número de estabelecimentos e de empregados e quocientes de especialização com referência nas capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010 Transporte ferroviário e metroferroviário 2 4 0,01 0,01 3,07 7,1 1 Transporte Ferroviário de Carga 1 4 0,01 0,01 0,65 7,1 2 Transporte Metroferroviário de Passageiros 1 0 0,00 0,00 0,00 49 1.663 2,08 4,49 3,70 1,1 17 1.238 1,55 3,34 4,27 1,2 4 338 0,42 0,91 3,36 1,2 1 2 0,00 0,01 0,44 0,5 8 14 0,02 0,04 1,29 0,8 19 71 0,09 0,19 1,65 0,6 Transporte rodoviário de carga 279 1.495 1,87 4,04 2,48 0,9 Transporte Rodoviário de Carga 279 1.495 1,87 4,04 2,48 0,9 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Transporte rodoviário de passageiros 3 4 5 6 7 8 Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, com Itinerário Fixo, Municipal e em Região Metropolitana Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, com Itinerário Fixo, Intermunicipal, Interestadual e Internacional Transporte Rodoviário de Táxi Transporte Escolar Transporte Rodoviário Coletivo de Passageiros, Sob Regime de Fretamento, e Outros Transportes Rodoviários não Especificados Anteriormente Transporte dutoviário 9 Transporte Dutoviário 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 10 Trens turísticos, teleféricos e similares Trens Turísticos, Teleféricos e Similares Transporte marítimo de cabotagem e longo curso 0 0 1 0 0 19 0,00 0,00 0,02 0,00 0,00 0,05 41,30 4,1 11 Transporte Marítimo de Cabotagem 1 19 0,02 0,05 42,22 4,1 12 Transporte Marítimo de Longo Curso 0 0 0,00 0,00 0,00 Transporte por navegação interior 1 36 0,05 0,10 4,29 1,8 Transporte por Navegação Interior de Carga Transporte por Navegação Interior de Passageiros em Linhas Regulares 1 36 0,05 0,10 4,40 1,8 13 14 Transporte por navegação interior 0 0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0 0 0,00 Navegação de Apoio 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Outros transportes aquaviários 1 2 0,00 0,01 2,20 0,5 16 Transporte por Navegação de Travessia 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 17 Transportes Aquaviários não Especificados Anteriormente 1 2 0,00 0,01 13,33 7,1 Transporte aéreo de passageiros 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 18 Transporte Aéreo de Passageiros Regular 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 19 Transporte Aéreo de Passageiros Não-Regular 0,00 0,00 0,00 0,0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,53 0,00 0,00 0,00 0,00 4,15 0,0 0,0 0,4 15 0,0 0 0 Transporte aéreo de carga Transporte Aéreo de Carga Transporte espacial Transporte Espacial Armazenamento, carga e descarga 0 0 0 0 15 0 0 197 0,00 0,00 0,00 0,00 0,25 22 Armazenamento 13 51 0,06 0,14 1,59 23 Carga e Descarga 2 146 0,18 0,39 9,50 2,8 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 43 318 0,40 0,86 4,66 1,8 Concessionárias de Rodovias, Pontes, Túneis e Serviços Relacionados Terminais Rodoviários e Ferroviários 1 81 0,10 0,22 6,69 7,1 1 67 0,08 0,18 7,79 2,8 31 91 0,11 0,25 2,83 0,8 79 0,10 0,21 5,17 2,3 20 21 24 25 26 27 Estacionamento de Veículos Atividades Auxiliares dos Transportes Terrestres não Especificadas Anteriormente 10 0 0 1,2 continua 135 % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas 1 54 0,07 0,15 2,83 0,3 Gestão de Portos e Terminais 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 29 Atividades de Agenciamento Marítimo Atividades Auxiliares dos Transportes Aquaviários não Especificadas Anteriormente 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 54 0,07 0,15 5,23 0,4 Atividades auxiliares dos transportes aéreos 3 3 19 19 0,02 0,05 1,27 1,4 0,02 0,05 1,27 1,4 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 0,49 2,25 0,9 o 30 31 32 33 34 Atividades Auxiliares dos Transportes Aéreos Atividades relacionadas à organização do transporte de carga Atividades Relacionadas à Organização do Transporte de Carga Atividades de Correio 8 181 0,23 Atividades de Correio 8 181 0,23 0,49 2,25 0,9 Atividades de malote e de entrega 11 75 0,09 0,20 3,47 1,1 Atividades de Malote e de Entrega 11 75 0,09 0,20 3,47 1,1 354 2.346 2,9 6,3 2,7 0,9 ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO Hotéis e similares 35 36 1 o Atividades auxiliares dos transportes aquaviários 28 Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 32 380 0,48 1,03 2,66 1,0 Hotéis e Similares 32 380 0,48 1,03 2,66 1,0 Outros tipos de alojamento não especificados anteriormente 12 85 0,11 0,23 5,47 1,5 Outros Tipos de Alojamento não Especificados Anteriormente 12 85 0,11 0,23 5,47 1,5 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 284 1.802 2,26 4,87 3,02 1,0 Restaurantes e Outros Estabelecimentos de Serviços de Alimentação e Bebidas Serviços Ambulantes de Alimentação 271 1.772 2,22 4,79 3,00 1,0 13 30 0,04 0,08 5,08 1,8 Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada 26 79 0,10 0,21 0,61 0,3 Serviços de Catering, Bufê e Outros Serviços de Comida Preparada 26 79 0,10 0,21 0,61 0,3 99 1.120 1,4 3,0 2,6 1,0 Edição de livros, jornais, revistas e outras atividades de edição 5 16 0,02 0,04 0,62 0,7 40 Edição de Livros 2 1 0,00 0,00 0,21 0,2 41 Edição de Jornais 1 4 0,01 0,01 0,24 5,7 42 Edição de Revistas 1 10 0,01 0,03 10,99 2,8 43 Edição de Cadastros, Listas e de Outros Produtos Gráficos 1 1 0,00 0,00 0,29 0,1 Edição integrada à impressão de livros, jornais, revistas e outras publicações 14 313 0,39 0,85 3,71 1,0 37 38 39 INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 44 45 46 47 Edição Integrada à Impressão de Livros 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Edição Integrada à Impressão de Jornais 2 257 0,32 0,69 4,98 1,4 Edição Integrada à Impressão de Revistas Edição Integrada à Impressão de Cadastros, Listas e de Outros Produtos Gráficos 1 5 0,01 0,01 1,69 0,5 51 0,06 0,14 2,04 0,4 7 31 0,04 0,08 2,79 1,2 3 15 0,02 0,04 2,72 1,9 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 2 5 0,01 0,01 13,16 2,4 2 11 0,01 0,03 2,23 0,7 Atividades de gravação de som e de edição de música 2 2 0,00 0,01 0,81 2,0 Atividades de Gravação de Som e de Edição de Música 2 2 0,00 0,01 0,81 2,0 Atividades cinematográficas, produção de vídeos e de programas de televisão 48 49 50 51 52 Atividades de Produção Cinematográfica, de Vídeos e de Programas de Televisão Atividades de Pós-Produção Cinematográfica, de Vídeos e de Programas de Televisão Distribuição Cinematográfica, de Vídeo e de Programas de Televisão Atividades de Exibição Cinematográfica 11 continua 136 % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas 8 145 0,18 0,39 2,80 1,1 Atividades de Rádio 8 145 0,18 0,39 2,80 1,1 Atividades de televisão 4 181 0,23 0,49 7,16 2,6 Atividades de Televisão Aberta Programadoras e Atividades Relacionadas à Televisão por Assinatura 3 150 0,19 0,41 6,18 2,3 1 31 0,04 0,08 31,63 7,1 Telecomunicações por fio 4 38 0,05 0,10 3,38 1,5 Telecomunicações por Fio 4 38 0,05 0,10 3,38 1,5 Telecomunicações sem fio 4 52 0,07 0,14 2,57 1,1 Telecomunicações sem Fio 4 52 0,07 0,14 2,57 1,1 Operadoras de televisão por assinatura 1 71 0,09 0,19 5,49 1,5 58 Operadoras de Televisão por Assinatura por Cabo 1 71 0,09 0,19 5,67 1,5 59 Operadoras de Televisão por Assinatura por Microondas 0 0 0,00 0,00 0,00 60 Operadoras de Televisão por Assinatura por Satélite 0 0 0,00 0,00 0,00 Outras atividades de telecomunicações 4 12 0,02 0,03 1,00 0,6 Outras Atividades de Telecomunicações 4 12 0,02 0,03 1,00 0,6 22 164 0,21 0,44 1,48 0,4 6 11 0,01 0,03 0,45 0,1 4 56 0,07 0,15 5,56 0,8 4 54 0,07 0,15 2,18 0,7 2 16 0,02 0,04 0,76 0,2 6 27 0,03 0,07 0,88 0,5 19 80 0,10 0,22 1,75 1,2 16 73 0,09 0,20 1,66 1,2 3 7 0,01 0,02 4,27 1,3 5 15 0,02 0,04 1,21 1,1 0 0 0,00 0,00 0,00 5 15 0,02 0,04 1,22 1,1 101 1.134 1,4 3,1 2,2 0,9 Banco Central 0 0 0,00 0,00 0,00 Banco Central 0 0 0,00 0,00 0,00 o 53 54 55 56 57 61 Atividades dos serviços de tecnologia da informação 62 63 64 65 66 Desenvolvimento de Programas de Computador Sob Encomenda Desenvolvimento e Licenciamento de Programas de Computador Customizáveis Desenvolvimento e Licenciamento de Programas de Computador Não-Customizáveis Consultoria em Tecnologia da Informação Suporte Técnico, Manutenção e Outros Serviços em Tecnologia da Informação Tratamento de dados, hospedagem na internet e outras atividades relacionadas 67 68 Tratamento de Dados, Provedores de Serviços de Aplicação e Serviços de Hospedagem na Internet Portais, Provedores de Conteúdo e Outros Serviços de Informação na Internet Outras atividades de prestação de serviços de informação 69 70 Agências de Notícias Outras Atividades de Prestação de Serviços de Informação não Especificadas Anteriormente ATIVIDADES FINANCEIRAS, DE SEGUROS E SERVIÇOS RELACIONADOS 71 Intermediação monetária - depósitos à vista o Atividades de rádio Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 43 838 1,05 2,26 2,53 72 Bancos Comerciais 0 0 0,00 0,00 0,00 1,0 73 Bancos Múltiplos, com Carteira Comercial 27 542 0,68 1,46 2,67 1,0 74 Caixas Econômicas 8 193 0,24 0,52 3,30 1,1 75 Crédito Cooperativo 8 103 0,13 0,28 1,47 1,3 Intermediação não-monetária - outros instrumentos de captação 2 5 0,01 0,01 0,36 0,2 76 Bancos Múltiplos, sem Carteira Comercial 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 77 Bancos de Investimento 0 0 0,00 0,00 0,00 78 Bancos de Desenvolvimento 0 0 0,00 0,00 0,00 79 Agências de Fomento 0 0 0,00 0,00 0,00 continua 137 % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas Crédito Imobiliário 1 4 0,01 0,01 3,13 2,0 81 Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento - Financeiras 1 1 0,00 0,00 0,20 0,0 82 Sociedades de Crédito ao Microempreendedor Bancos de Câmbio e Outras Instituições de Intermediação NãoMonetária 0 0 0,00 0,00 0,00 0 0 0,00 0,00 Arrendamento mercantil 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Arrendamento Mercantil 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Sociedades de capitalização 0 0 0,00 0,00 0,00 Sociedades de Capitalização 0 0 0,00 0,00 0,00 o 83 84 85 o 80 Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Atividades de sociedades de participação 3 4 0,01 0,01 0,32 0,3 86 Holdings de Instituições Não-Financeiras 3 4 0,01 0,01 0,34 0,3 87 Outras Sociedades de Participação, Exceto Holdings 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de serviços financeiros não especificadas anteriormente 8 26 0,03 0,07 1,93 0,5 88 Sociedades de Fomento Mercantil - Factoring 5 12 0,02 0,03 3,31 0,6 89 Securitização de Créditos 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 90 Administração de Consórcios para Aquisição de Bens e Direitos Outras Atividades de Serviços Financeiros não Especificadas Anteriormente 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 3 14 0,02 0,04 4,44 1,5 Seguros de vida e não-vida 6 22 0,03 0,06 1,50 0,6 92 Seguros de Vida 2 8 0,01 0,02 1,11 1,0 93 Seguros Não-Vida 4 14 0,02 0,04 1,88 0,5 Seguros-saúde 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Seguros-Saúde 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Resseguros 1 1 0,00 0,00 14,29 2,4 Resseguros 1 1 0,00 0,00 14,29 2,4 91 94 95 Previdência complementar 2 16 0,02 0,04 1,68 1,3 96 Previdência Complementar Fechada 1 13 0,02 0,04 3,74 2,7 97 Previdência Complementar Aberta 1 3 0,00 0,01 0,50 0,4 Planos de saúde 2 103 0,13 0,28 2,25 0,4 Planos de Saúde 2 103 0,13 0,28 2,25 0,4 21 79 0,10 0,21 2,45 1,4 2 3 0,00 0,01 50,00 7,1 3 7 0,01 0,02 2,24 1,7 3 30 0,04 0,08 4,09 1,7 13 39 0,05 0,11 1,79 1,2 Atividades auxiliares dos seguros, da previdência complementar e dos planos de saúde 13 40 0,05 0,11 1,43 0,7 Avaliação de Riscos e Perdas Corretores e Agentes de Seguros, de Planos de Previdência Complementar e de Saúde Atividades Auxiliares dos Seguros, da Previdência Complementar e dos Planos de Saúde não Especificadas Anteriormente 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 10 34 0,04 0,09 1,67 0,9 3 6 0,01 0,02 0,88 0,5 Atividades de administração de fundos por contrato ou comissão 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de Administração de Fundos por Contrato ou Comissão 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 40 290 0,36 0,78 3,97 1,2 15 72 0,09 0,19 3,82 1,3 98 Atividades auxiliares dos serviços financeiros 99 100 101 102 103 104 105 106 Administração de Bolsas e Mercados de Balcão Organizados Atividades de Intermediários em Transações de Títulos, Valores Mobiliários e Mercadorias Administração de Cartões de Crédito Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros não Especificadas Anteriormente ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Atividades imobiliárias de imóveis próprios continua 138 107 Quociente de especialização de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego total de Pelotas o N de empregados o Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Atividades Imobiliárias de Imóveis Próprios 15 72 0,09 0,19 3,82 1,3 Atividades imobiliárias por contrato ou comissão 25 218 0,27 0,59 4,02 1,2 108 Intermediação na Compra, Venda e Aluguel de Imóveis 20 136 0,17 0,37 3,88 1,1 109 Gestão e Administração da Propriedade Imobiliária 5 82 0,10 0,22 4,28 1,2 225 1.329 1,66 3,59 2,78 1,1 ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS Atividades jurídicas 71 305 0,38 0,82 2,47 1,0 110 Atividades Jurídicas, Exceto Cartórios 54 82 0,10 0,22 1,31 0,5 111 Cartórios 17 223 0,28 0,60 3,66 1,5 Atividades de contabilidade, consultoria e auditoria contábil e tributária 79 359 0,45 0,97 2,74 0,8 Atividades de Contabilidade, Consultoria e Auditoria Contábil e Tributária 79 359 0,45 0,97 2,74 0,8 Atividades de consultoria em gestão empresarial 4 9 0,01 0,02 0,29 0,2 Atividades de Consultoria em Gestão Empresarial 4 9 0,01 0,02 0,29 0,2 19 105 0,13 0,28 1,26 1,3 112 113 Serviços de arquitetura e engenharia e atividades técnicas relacionadas 114 Serviços de Arquitetura 3 1 0,00 0,00 0,24 0,1 115 Serviços de Engenharia 11 54 0,07 0,15 0,83 1,2 116 Atividades Técnicas Relacionadas à Arquitetura e Engenharia 5 50 0,06 0,14 3,64 2,6 Testes e análises técnicas 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Testes e Análises Técnicas 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais 1 360 0,45 0,97 15,51 3,5 Pesquisa e Desenvolvimento Experimental em Ciências Físicas e Naturais 1 360 0,45 0,97 15,51 3,5 Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais e humanas 3 35 0,04 0,09 9,59 0,8 117 118 119 Pesquisa e Desenvolvimento Experimental em Ciências Sociais e Humanas 3 35 0,04 0,09 9,59 0,8 12 57 0,07 0,15 1,46 1,2 Agências de Publicidade Agenciamento de Espaços para Publicidade, Exceto em Veículos de Comunicação Atividades de Publicidade não Especificadas Anteriormente 6 31 0,04 0,08 2,15 0,9 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 6 26 0,03 0,07 1,19 2,8 Pesquisas de mercado e de opinião pública 1 3 0,00 0,01 2,86 7,1 Publicidade 120 121 122 123 124 125 126 127 Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública 1 3 0,00 0,01 2,86 7,1 Design e decoração de interiores 1 6 0,01 0,02 6,59 1,6 Design e Decoração de Interiores 1 6 0,01 0,02 6,59 1,6 Atividades fotográficas e similares 6 22 0,03 0,06 1,62 0,5 Atividades Fotográficas e Similares 6 22 0,03 0,06 1,62 0,5 Atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente 20 56 0,07 0,15 2,93 0,8 Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas não Especificadas Anteriormente 20 56 0,07 0,15 2,93 0,8 Atividades veterinárias 8 12 0,02 0,03 4,40 1,3 Atividades Veterinárias 8 12 0,02 0,03 4,40 1,3 672 4.863 6,09 13,1 2,5 0,9 Locação de meios de transporte sem condutor 11 29 0,04 0,08 1,93 1,2 Locação de Automóveis sem Condutor Locação de Meios de Transporte, Exceto Automóveis, sem Condutor 11 29 0,04 0,08 2,48 1,5 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES 128 129 Aluguel de objetos pessoais e domésticos 26 55 0,07 0,15 3,35 1,2 130 Aluguel de Equipamentos Recreativos e Esportivos 1 8 0,01 0,02 8,51 1,6 131 Aluguel de Fitas de Vídeo, Dvds e Similares 7 8 0,01 0,02 1,27 0,6 132 Aluguel de Objetos do Vestuário, Jóias e Acessórios 8 22 0,03 0,06 4,01 1,2 continua 139 133 134 135 136 137 138 139 Quociente de especialização de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego total de Pelotas o N de empregados o Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Aluguel de Objetos Pessoais e Domésticos não Especificados Anteriormente 10 17 0,02 0,05 4,59 1,9 Aluguel de máquinas e equipamentos sem operador 10 33 0,04 0,09 1,15 0,5 Aluguel de Máquinas e Equipamentos Agrícolas sem Operador Aluguel de Máquinas e Equipamentos para Construção sem Operador Aluguel de Máquinas e Equipamentos para Escritórios Aluguel de Máquinas e Equipamentos não Especificados Anteriormente 1 1 0,00 0,00 1,19 0,1 6 25 0,03 0,07 2,72 1,8 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 3 7 0,01 0,02 0,46 0,2 Gestão de ativos intangíveis não-financeiros 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Gestão de Ativos Intangíveis Não-Financeiros 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Seleção e agenciamento de mão-de-obra 4 68 0,09 0,18 1,13 1,2 Seleção e Agenciamento de Mão-De-Obra 4 68 0,09 0,18 1,13 1,2 Locação de mão-de-obra temporária 5 91 0,11 0,25 0,69 0,1 Locação de Mão-De-Obra Temporária 5 91 0,11 0,25 0,69 0,1 Fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros 2 1 0,00 0,00 0,05 7,1 Fornecimento e Gestão de Recursos Humanos para Terceiros 2 1 0,00 0,00 0,05 7,1 Agências de viagens e operadores turísticos 14 42 0,05 0,11 1,15 0,4 142 Agências de Viagens 13 41 0,05 0,11 1,17 0,5 143 Operadores Turísticos 1 1 0,00 0,00 0,83 0,1 Serviços de reservas e outros serviços de turismo não especificados anteriormente 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Serviços de Reservas e Outros Serviços de Turismo não Especificados Anteriormente 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de vigilância, segurança privada e transporte de valores 7 272 0,34 0,73 0,81 0,4 145 Atividades de Vigilância e Segurança Privada 4 137 0,17 0,37 0,44 0,3 146 Atividades de Transporte de Valores 3 135 0,17 0,36 4,75 1,3 4 51 0,06 0,14 1,77 0,6 4 0 0 470 51 0 0 1.394 0,06 0,00 0,00 1,75 0,14 0,00 0,00 3,76 1,77 0,00 0,00 4,91 0,6 0,0 0,0 1,9 6 90 0,11 0,24 1,72 0,7 140 141 144 147 148 Atividades de monitoramento de sistemas de segurança Atividades de Monitoramento de Sistemas de Segurança Atividades de investigação particular Atividades de Investigação Particular Serviços combinados para apoio a edifícios 149 Serviços Combinados para Apoio a Edifícios, Exceto Condomínios Prediais 150 Condomínios Prediais 464 1.304 1,63 3,52 5,63 2,2 Atividades de limpeza 18 2.457 3,08 6,63 8,11 2,4 151 Limpeza em Prédios e em Domicílios 10 2.161 2,71 5,84 9,40 3,2 152 Imunização e Controle de Pragas Urbanas 6 161 0,20 0,43 26,01 5,5 153 Atividades de Limpeza não Especificadas Anteriormente 2 135 0,17 0,36 2,02 0,4 Atividades paisagísticas 4 10 0,01 0,03 1,86 0,8 154 4 10 0,01 0,03 1,86 0,8 Serviços de escritório e apoio administrativo 25 83 0,10 0,22 0,94 0,5 155 Serviços Combinados de Escritório e Apoio Administrativo 11 18 0,02 0,05 0,31 0,3 156 Fotocópias, Preparação de Documentos e Outros Serviços Especializados de Apoio Administrativo 14 65 0,08 0,18 2,11 0,7 Atividades de teleatendimento 1 1 0,00 0,00 0,01 0,0 Atividades de Teleatendimento 157 158 Atividades Paisagísticas 1 1 0,00 0,00 0,01 0,0 Atividades de organização de eventos, exceto culturais e esportivos 11 16 0,02 0,04 1,07 0,5 Atividades de Organização de Eventos, Exceto Culturais e Esportivos 11 16 0,02 0,04 1,07 0,5 continua 140 % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas 60 260 0,33 0,70 0,94 0,4 159 Atividades de Cobranças e Informações Cadastrais 13 46 0,06 0,12 0,86 0,6 160 Envasamento e Empacotamento Sob Contrato 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 161 Atividades de Serviços Prestados Principalmente às Empresas não Especificadas Anteriormente 47 214 0,27 0,58 0,97 0,4 8 9.870 12,36 26,65 2,21 1,9 6 9.612 12,04 25,96 2,50 2,0 6 9.612 12,04 25,96 3,36 2,0 0 0 0,00 0,00 0,00 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Serviços coletivos prestados pela administração pública 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 165 Defesa 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 166 Justiça 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 167 Segurança e Ordem Pública 0 0 0,00 0,00 0,00 168 Defesa Civil 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Seguridade social obrigatória 2 258 0,32 0,70 8,75 1,5 Seguridade Social Obrigatória 2 258 0,32 0,70 8,75 1,5 128 4.888 6,12 13,20 5,16 1,1 o ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL 162 163 164 169 Administração do estado e da política econômica e social Administração Pública em Geral Regulação das Atividades de Saúde, Educação, Serviços Culturais e Outros Serviços Sociais Regulação das Atividades Econômicas EDUCAÇÃO o Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Educação infantil e ensino fundamental 61 773 0,97 2,09 5,26 1,7 170 Educação Infantil - Creche 21 128 0,16 0,35 2,32 0,9 171 Educação Infantil - Pré-Escola 25 182 0,23 0,49 5,17 1,3 172 Ensino Fundamental 15 463 0,58 1,25 8,17 2,7 Ensino médio 6 219 0,27 0,59 1,52 0,5 173 Ensino Médio 6 219 0,27 0,59 1,52 0,5 Educação superior 5 3.295 4,13 8,90 7,26 1,2 174 Educação Superior - Graduação 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 175 Educação Superior - Graduação e Pós-Graduação 5 3.295 4,13 8,90 11,67 1,8 176 Educação Superior - Pós-Graduação e Extensão 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Educação profissional de nível técnico e tecnológico (1) 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 177 Educação Profissional de Nível Técnico 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 178 Educação Profissional de Nível Tecnológico 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de apoio à educação 1 0 0,00 0,00 0,00 0,0 179 Atividades de Apoio à Educação Outras atividades de ensino 1 0 0,00 0,00 0,00 0,0 55 601 0,75 1,62 3,84 1,2 180 Ensino de Esportes 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 181 Ensino de Arte e Cultura 2 2 0,00 0,01 1,42 0,6 182 Ensino de Idiomas 16 95 0,12 0,26 4,55 1,2 183 Atividades de Ensino não Especificadas Anteriormente 37 504 0,63 1,36 3,84 1,2 421 5.258 6,59 14,20 4,07 1,3 Atividades de atendimento hospitalar 13 3.802 4,76 10,27 4,63 1,6 Atividades de Atendimento Hospitalar 13 3.802 4,76 10,27 4,63 1,6 Serviços móveis de atendimento a urgências e de remoção de pacientes 3 8 0,01 0,02 5,16 0,8 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 3 8 0,01 0,02 11,27 6,3 235 422 0,53 1,14 3,00 1,0 SAÚDE HUMANA E SERVIÇOS SOCIAIS 184 185 186 Serviços Móveis de Atendimento a Urgências Serviços de Remoção de Pacientes, Exceto Os Serviços Móveis de Atendimento a Urgências Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos continua 141 % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas 235 422 0,53 1,14 3,00 1,0 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica 57 451 0,56 1,22 4,43 1,1 Atividades de Serviços de Complementação Diagnóstica e Terapêutica 57 451 0,56 1,22 4,43 1,1 Atividades de profissionais da área de saúde, exceto médicos e odontólogos 49 134 0,17 0,36 4,82 1,0 Atividades de Profissionais da área de Saúde, Exceto Médicos e Odontólogos 49 134 0,17 0,36 4,82 1,0 Atividades de apoio à gestão de saúde 1 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de Apoio à Gestão de Saúde o 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 o Atividades de Atenção Ambulatorial Executadas por Médicos e Odontólogos Continuação da tabela 1.5.8 N de estabelecimentos N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de atenção à saúde humana não especificadas anteriormente 39 279 0,35 0,75 4,43 1,0 Atividades de Atenção à Saúde Humana não Especificadas Anteriormente 39 279 0,35 0,75 4,43 1,0 Atividades de assistência a idosos, deficientes físicos, imunodeprimidos e convalescentes, e de infraestrutura e apoio a pacientes prestadas em residências coletivas e particulares 9 68 0,09 0,18 2,63 0,6 9 68 0,09 0,18 2,67 0,7 0 0 0,00 0,00 0,00 0,0 Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química 3 3 0,00 0,01 0,61 0,4 Atividades de Assistência Psicossocial e à Saúde a Portadores de Distúrbios Psíquicos, Deficiência Mental e Dependência Química 3 3 0,00 0,01 0,61 0,4 Atividades de assistência social prestadas em residências coletivas e particulares 3 3 0,00 0,01 0,10 0,0 Atividades de Assistência Social Prestadas em Residências Coletivas e Particulares 3 3 0,00 0,01 0,10 0,0 Serviços de assistência social sem alojamento 9 88 0,11 0,24 1,60 0,5 Serviços de Assistência Social sem Alojamento 9 88 0,11 0,24 1,60 0,5 75 373 0,47 1,01 3,09 1,0 Atividades de Assistência a Idosos, Deficientes Físicos, Imunodeprimidos e Convalescentes Prestadas em Residências Coletivas e Particulares Atividades de Fornecimento de Infra-Estrutura de Apoio e Assistência a Paciente no Domicílio ARTES, CULTURA, ESPORTE E RECREAÇÃO Atividades artísticas, criativas e de espetáculos 6 21 0,03 0,06 2,71 2,1 197 Artes Cênicas, Espetáculos e Atividades Complementares 6 21 0,03 0,06 2,76 2,1 198 Criação Artística Gestão de Espaços para Artes Cênicas, Espetáculos e Outras Atividades Artísticas 0 0 0,00 0,00 0,00 0 0 0,00 0,00 0,00 Atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental 6 15 0,02 0,04 4,70 3,2 Atividades de Bibliotecas e Arquivos Atividades de Museus e de Exploração, Restauração Artística e Conservação de Lugares e Prédios Históricos e Atrações Similares Atividades de Jardins Botânicos, Zoológicos, Parques Nacionais, Reservas Ecológicas e áreas de Proteção Ambiental 2 11 0,01 0,03 17,74 5,2 2 1 0,00 0,00 2,63 0,8 2 3 0,00 0,01 1,37 2,4 Atividades de exploração de jogos de azar e apostas 2 5 0,01 0,01 4,24 2,7 199 200 201 202 203 Atividades de Exploração de Jogos de Azar e Apostas Atividades esportivas 2 5 0,01 0,01 4,24 2,7 43 269 0,34 0,73 3,22 0,9 204 Gestão de Instalações de Esportes 3 3 0,00 0,01 10,34 4,3 205 Clubes Sociais, Esportivos e Similares 26 233 0,29 0,63 4,00 1,1 206 Atividades de Condicionamento Físico 10 22 0,03 0,06 1,30 0,4 207 Atividades Esportivas não Especificadas Anteriormente 4 11 0,01 0,03 1,39 0,3 18 63 0,08 0,17 2,52 0,9 Atividades de recreação e lazer 209 Parques de Diversão e Parques Temáticos 3 7 0,01 0,02 1,75 5,0 Atividades de Recreação e Lazer não Especificadas Anteriormente 15 56 0,07 0,15 2,67 0,8 253 1.489 1,87 4,02 2,30 0,9 OUTRAS ATIVIDADES DE SERVIÇOS continua 142 % do emprego total de Pelotas % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de especialização de Pelotas 57 0,07 0,15 1,45 0,8 1,0 o Atividades de organizações associativas patronais, empresariais e profissionais o 12 N de estabelecimentos Continuação da tabela 1.5.8 N de empregados Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 210 Atividades de Organizações Associativas Patronais e Empresariais 7 38 0,05 0,10 1,91 211 Atividades de Organizações Associativas Profissionais 5 19 0,02 0,05 0,98 0,6 Atividades de organizações sindicais 34 365 0,46 0,99 2,93 1,2 Atividades de Organizações Sindicais 34 365 0,46 0,99 2,93 1,2 Atividades de associações de defesa de direitos sociais 38 389 0,49 1,05 2,11 0,7 212 213 Atividades de Associações de Defesa de Direitos Sociais 38 389 0,49 1,05 2,11 0,7 Atividades de organizações associativas não especificadas anteriormente 70 409 0,51 1,10 2,72 1,1 214 Atividades de Organizações Religiosas 48 208 0,26 0,56 3,56 0,9 215 Atividades de Organizações Políticas 2 1 0,00 0,00 0,74 0,4 Atividades de Organizações Associativas Ligadas à Cultura e à Arte 2 4 0,01 0,01 0,63 0,6 Atividades Associativas não Especificadas Anteriormente 18 196 0,25 0,53 2,32 1,5 Reparação e manutenção de equipamentos de informática e comunicação 20 51 0,06 0,14 2,20 0,7 19 50 0,06 0,14 2,39 0,7 1 1 0,00 0,00 0,44 0,6 24 56 0,07 0,15 1,63 0,6 15 35 0,04 0,09 1,53 0,5 9 21 0,03 0,06 1,82 0,6 217 218 219 Reparação e Manutenção de Computadores e de Equipamentos Periféricos Reparação e Manutenção de Equipamentos de Comunicação Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 220 221 Reparação e Manutenção de Equipamentos Eletroeletrônicos de Uso Pessoal e Doméstico Reparação e Manutenção de Objetos e Equipamentos Pessoais e Domésticos não Especificados Anteriormente 55 162 0,20 0,44 1,76 0,6 222 Outras atividades de serviços pessoais Lavanderias, Tinturarias e Toalheiros 13 28 0,04 0,08 0,97 0,3 223 Cabeleireiros e Outras Atividades de Tratamento de Beleza 15 18 0,02 0,05 1,05 0,4 224 Atividades Funerárias e Serviços Relacionados 13 87 0,11 0,23 6,19 1,9 225 Atividades de Serviços Pessoais não Especificadas Anteriormente 14 29 0,04 0,08 0,90 0,3 7 6 0,01 0,02 0,93 0,2 7 6 0,01 0,02 0,93 0,2 ORGANISMOS INTERNACIONAIS E OUTRAS INSTITUIÇÕES EXTRATERRITORIAIS 1 2 0,00 0,01 2,04 2,8 227 1 2 0,00 0,01 2,04 2,8 SERVIÇOS DOMÉSTICOS 226 Serviços Domésticos Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; (1) Provavelmente os dados estejam agregados no Ensino Superior; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 1.5.2.1. O N ÚCLEO DAS INDÚSTRIAS C RIATIVAS Determinadas atividades, além de conteúdo intelectual, artístico e cultural, utilizam-se, em alguma medida, da criatividade o que agrega valor nos bens e serviços que produzem. O termo Indústrias Criativas foi cunhado pela primeira vez em 1998 no relatório do estudo encomendado pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esportes do Reino Unido. O documento visava mapear as principais áreas criativas na economia britânica, tendo como base a percepção de sua importância na geração de emprego e renda (FIRJAN, 2008)37. 37 O documento citado pela FIRJAN é o Creative Industries Mapping Document (1998). Department for Culture, Media and Sports, United Kingdom. 143 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O 1º Fórum Internacional sobre o tema, organizado na cidade de St. Petersburg em setembro de 2002 definiu como Indústrias Criativas as que têm sua origem na criatividade individual, habilidades e talentos que têm potencial de riqueza e criação de empregos através da geração e da exploração da propriedade intelectual. O Fórum foi organizado por governos e teve como tema central As Indústrias Criativas nas Cidades Modernas, referenciado nas experiências de Helsinki, Manchester e St. Petersburgo (Instituto Economia Criativa, 2012). O termo é utilizado para descrever a atividade empresarial na qual o valor econômico está ligado ao conteúdo cultural. É uma integração de cultura com talentos empresarial, da mídia eletrônica e da comunicação (Instituto Economia Criativa, 2012). O documento final do referido Fórum elencou as categorias e atividades abaixo como Indústrias Criativas: Mídia e espetáculos ao vivo Filme Software de entretenimento interativo e serviços de computação Música Artes Cênicas Edição Televisão e Rádio Design e Visual Propaganda Arquitetura Artesanato, Design Design de Moda Artes Visuais Patrimônio Histórico Mercado de artes e antiguidades Patrimônio Histórico Museus e Galerias O estudo da FIRJAN (2008) considera que a cadeia da Indústria Criativa estrutura-se em três esferas: o núcleo; as atividades relacionadas e as atividades de apoio. O núcleo considerado pelo estudo da FIRJAN, segundo esta é uma adaptação do estudo britânico referido anteriormente e que foi chancelado pela UNCTAD. É constituído por 12 atividades líderes, cujo principal insumo é a criatividade. Todas pertencem ao setor de Serviços - Expressões Culturais, Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Filme e Vídeo, TV e Rádio, Mercado Editorial, Software e Computação, Arquitetura, Design, Moda e Publicidade. Estas atividades líderes estão desdobradas nas 40 classes dos Serviços da CNAE, que aparecem na tabela 1.5.9, mais as classes industriais Fabricação de instrumentos musicais e Construção de obras de arte especiais. 144 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL As atividades relacionadas são as fornecedoras diretas de bens e serviços ao núcleo e estão relacionadas no ANEXO 1 (68 classes industriais e de serviços da CNAE) e as atividades de apoio são as que fornecem mais indiretamente conforme o ANEXO 2 (47 classes industriais e de serviços da CNAE). Figura 1.5.1 - Fluxograma Cadeia da Indústria Criativa no Brasil. Fonte: FIRJAN, 2008. A tabela 1.5.9 mostra que em Pelotas o setor é constituído de 130 estabelecimentos com 1.127 empregados, representando apenas 3% do emprego do setor de Serviços. Considerado no conjunto, Pelotas não é especializada na Indústria Criativa, embora tenha praticamente todas as suas atividades38. Esta é uma área que se recomenda para ser objeto da próxima etapa do PEDL. A recomendação se deve pelo potencial em si do município e porque o setor é uma espécie de síntese do que se projeta como sendo o desenvolvimento futuro de Pelotas: uma relação virtuosa entre economia, recursos naturais, cultura, tecnologia e criatividade tendo como 38 Há de se considerar que as informações feitas anualmente à RAIS muitas vezes, por serem centralizadas nos departamentos de pessoal, não especificam adequadamente a lotação dos funcionários. Este parece ser o caso, na tabela 4.7, das seções Educação (com dois funcionários) e Artes, Cultura, Esporte e Recreação. 145 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL resultado elevados níveis de renda e de bem estar por habitante. De outra parte existe toda uma agenda de programas nos planos nacional e internacional, passíveis de serem submetidos projetos dos agentes locais. A UNCTAD, por exemplo, através de Edna Santos, Chefe do seu Programa Economia Criativa, entende que o conceito de Economia Criativa está em evolução, não havendo um definitivo nem uma classificação rígida das indústrias criativas e que cada comunidade e governo deve fazer escolhas estratégicas ditadas pelas suas identidades e realidades. Para a UNCTAD cabe: i) aos governos articular políticas públicas para estimular capacitações criativas que otimizem a relação entre arte, criação e negócios; ii) aos profissionais criativos se familiarizar com práticas de empreendimento cultural e reforçar habilidades vocacionais e conhecimento de direitos e iii) a sociedade civil facilitar alianças estratégicas e networking entre as partes interessadas. Quociente de Localização de Pelotas 2.798 37.031 100,0 2,8 1,2 130 1.127 3,0 2,5 0,9 0,9 o % do emprego dos Serviços do RS 1 - Informação e Comunicação % do emprego dos Serviços de Pelotas Indústrias criativas (1+...+5) N de empregados Total do setor de Serviços o Indústrias criativas (Classes da CNAE) N de estabelecimentos Tabela 1.5.9 – Indústrias Criativas no setor de Serviços de Pelotas: número de estabelecimentos e de empregados e Quocientes de Localização com referência nas capitais regionais do Rio Grande do Sul em 2010 81 932 2,5 2,6 Edição de Livros 2 1 0,00 0,21 0,2 Edição de Jornais 1 4 0,01 0,24 5,7 Edição de Revistas 1 10 0,03 10,99 2,8 Edição de Cadastros, Listas e de Outros Produtos Gráficos Edição Integrada à Impressão de Livros 1 0 1 0 0,00 0,00 0,29 0,00 0,1 0,0 Edição Integrada à Impressão de Jornais 2 257 0,69 4,98 Edição Integrada à Impressão de Revistas Edição Integrada à Impressão de Cadastros, Listas e de Outros Produtos Gráficos 1 11 5 51 0,01 0,14 1,69 2,04 1,4 0,5 0,4 Atividades de Produção Cinematográfica, de Vídeos e de Programas de Televisão 3 15 0,04 2,72 Atividades de Pós-Produção Cinematográfica, de Vídeos e de Programas de Televisão 0 0 0,00 0,00 Distribuição Cinematográfica, de Vídeo e de Programas de Televisão 2 5 0,01 13,16 Atividades de Exibição Cinematográfica 2 11 0,03 2,23 2,4 0,7 Atividades de Gravação de Som e de Edição de Música 2 2 0,01 0,81 2,0 Atividades de Rádio 8 145 0,39 2,80 1,1 Atividades de Televisão Aberta 3 150 0,41 6,18 2,3 Programadoras e Atividades Relacionadas à Televisão por Assinatura 1 31 0,08 31,63 Desenvolvimento de Programas de Computador Sob Encomenda Desenvolvimento e Licenciamento de Programas de Computador Customizáveis Desenvolvimento e Licenciamento de Programas de Computador Não-Customizáveis Consultoria em Tecnologia da Informação Suporte Técnico, Manutenção e Outros Serviços em Tecnologia da Informação Tratamento de Dados, Provedores de Serviços de Aplicação e Serviços de Hospedagem na Internet 6 4 4 2 6 11 56 54 16 27 0,03 0,15 0,15 0,04 0,07 0,45 5,56 2,18 0,76 0,88 7,1 0,1 0,8 0,7 0,2 0,5 16 73 0,20 1,66 1,2 3 7 0,02 4,27 1,3 Portais, Provedores de Conteúdo e Outros Serviços de Informação na Internet continua 146 1,9 0,0 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL % do emprego dos Serviços de Pelotas % do emprego dos Serviços do RS Quociente de Localização de Pelotas 32 149 0,40 1,91 1,0 Serviços de Arquitetura 3 1 0,00 0,24 0,1 Atividades Técnicas Relacionadas à Arquitetura e Engenharia 5 50 0,14 3,64 2,6 Agências de Publicidade Agenciamento de Espaços para Publicidade, Exceto em Veículos de Comunicação 6 0 31 0 0,08 0,00 2,15 0,00 0,9 0,0 Atividades de Publicidade não Especificadas Anteriormente 6 26 0,07 1,19 2,8 Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública 1 3 0,01 2,86 7,1 Design e Decoração de Interiores 1 6 0,02 6,59 Atividades Fotográficas e Similares Atividades Paisagísticas 6 4 22 10 0,06 0,03 1,62 1,86 1,6 0,5 0,8 3 - EDUCAÇÃO 2 2 0,01 1,42 0,6 Ensino de Arte e Cultura 2 2 0,01 1,42 0,6 4 - ARTES, CULTURA, ESPORTE E RECREAÇÃO. 13 40 0,11 3,14 2,7 Artes Cênicas, Espetáculos e Atividades Complementares. 6 21 0,06 2,76 2,1 Criação Artística Gestão de Espaços para Artes Cênicas, Espetáculos e Outras Atividades Artísticas 0 0 0 0 0,00 0,00 0,00 0,00 Atividades de Bibliotecas e Arquivos Atividades de Museus e de Exploração, Restauração Artística e Conservação de Lugares e Prédios Históricos e Atrações Similares. Parques de Diversão e Parques Temáticos 2 11 0,03 17,74 5,2 2 1 0,00 2,63 0,8 3 7 0,02 1,75 5,0 5 - OUTRAS ATIVIDADES DE SERVIÇOS 2 4 0,01 0,63 0,6 Atividades de Organizações Associativas Ligadas à Cultura e à Arte 2 4 0,01 0,63 0,6 o o 2 - ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS. Indústrias criativas (Classes da CNAE) N de estabelecimentos N de empregados Continuação da tabela 1.5.9 Fonte: RAIS/Ministério do Trabalho e Emprego; FIRJAN, 2008; Elaboração: América Estudos e Projetos Internacionais. 1.5.3. CONCLUSÕES E PROPOSIÇÕES DE ATIVIDADES PARA AÇÕES ESTRATÉGICAS O setor terciário (Comércio mais Serviços) é constituído de 5.901 estabelecimentos com 55.042 empregados. O Comércio participa com 52,6% do número de estabelecimentos e com 32,7% do número de empregados. O setor Serviço, portanto, é maior do que o Comércio em termos de empregados e de PIB e o Comércio maior em termos de número de estabelecimentos. Com relação às capitais regionais o traço distintivo do Comércio de Pelotas é a sua especialização no atacado e no varejo de produtos agroindustriais (seus insumos e equipamentos) e alimentos. Neste grupo, em torno de 25% dos empregos diretos são gerados pelos produtores dos tradicionais Doces de Pelotas39. Considerando que a maior parte da produção agrícola - e dos insumos que para ela concorrem - chega ao mercado sob a forma de alimentos, pode-se dizer que Pelotas é um polo comercial especializado em 39 No setor industrial Pelotas tem especialização na Fabricação de Produtos de Panificação, com 52 estabelecimentos, 281 empregados e Quociente de Localização (tendo como referência a economia brasileira) de 1,8. 147 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL alimentos e neste sentido, parece ser incontroverso que o Comércio local tem uma marca que o distingue no contexto urbano do País, a Doces de Pelotas40 No que respeita aos Serviços há um grande desequilíbrio do peso da Administração Pública em relação às demais capitais regionais, 26,7% do total emprego setorial (33 habitantes por empregado público) contra 12,1% em Caxias do Sul (70 habitantes por empregado público). Em Santa Maria estes indicadores são 17% e 47 habitantes e em Passo Fundo 12,7% e 60 habitantes por empregado público. O Quociente de Localização de 1,9 significa que em Pelotas a Administração Pública é 90% mais importante para o total do emprego municipal (Agropecuária, Indústria e Serviços) do que o é no conjunto das sete capitais regionais. Do ponto de vista dos dados econômicos, portanto, Pelotas teria como marca distintiva no concerto das capitais regionais a de ser um centro administrativo. Esta função tem o seu papel social, por si só relevante, mas muito provavelmente sua importância na estrutura do emprego esteja magnificada em função do baixo dinamismo da economia local conforme já foi evidenciado anteriormente. Embora não tanto quanto na Administração Pública, Pelotas é especializada em Saúde, Educação, Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas, Atividades Imobiliárias e Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais, sendo que esta última não tem expressão, pois se resume a apenas dois postos de trabalho. Pelota não é especializada na seção Artes, Cultura, Esporte e Recreação, mas desconsiderando Esporte e Recreação, as especializações em Artes e Cultura se manifestam e são elevadas. Pelotas também não é especializada no núcleo das indústrias criativas constituído de 40 classes (CNAE) dos Serviços. Isoladamente, no entanto, têm 19 especializações e nas três categorias definidas pelo Fórum de St Petersburg - Mídia e Espetáculos ao Vivo, Design e Visual e Patrimônio Histórico. As atividades a ser objeto de ações específicas do PEDL deverão sair, necessariamente, do elenco acima, detalhado nas tabelas 1.5.8 e 1.5.9. Da mesma forma foram pré-selecionadas atividades da agropecuária e da indústria nas seções 3 e 4 deste primeiro capítulo. Foi demonstrado que na agropecuária e na indústria, o desenvolvimento de Pelotas pode trilhar ambos os caminhos que atualmente estão abertos para o Brasil e para estados bem dotados de capacitações competitivas naturais e de capacitações passíveis de serem criadas como é o caso do Rio Grande do Sul: o de diversificação do aparelho produtivo e o de aprofundamento das especializações atuais. Ambos os vetores de condução do 40 Desde 1º de junho de 2012 são comercializados 14 doces finos certificados com IP de cinco produtores associados da Associação Doce Pelotas e futuramente todos os associados serão certificados. 148 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL desenvolvimento são demandantes de centros urbanos altamente equipados, criadores e difusores de inovações, com atividades quaternárias, ligadas à gestão, planejamento e comunicação capazes de apoiarem o desenvolvimento da economia, a reprodução social, a produção intelectual e a cultura local. Este é um dos desafios a ser enfrentado pelo setor de Serviços de Pelotas. Dar suporte à expansão e à transformação qualitativa da sua produção física de bens. O outro desafio, e talvez o maior, é Pelotas encontrar-se com a sua identidade cultural também enquanto ativo econômico muito valioso. A este respeito, os atributos que certamente distinguem Pelotas como território competitivo estão a merecer uma abordagem moderna de forma a se projetarem como valor no mundo da produção e do consumo de bens e serviços. Agregar a identidade cultural a produtos e serviços é uma estratégia utilizada em vários países, como Itália, França, Espanha e outros. No Brasil isto pouco acontece e em Pelotas muito menos41. No capitalismo contemporâneo, os produtos não são apenas valores de uso, mas também signos distintivos, circulando nos fluxos de informação e conhecimento. É a imagem consumida com os valores-de-troca dos bens e serviços, transformados em valores-designos. Isto abre um campo a ser explorado pelas localidades (regiões e países) no sentido de transformarem seus ativos tangíveis e intangíveis em diferenciais competitivos (MONITOR e AMÉRICA, 2003). Os fatores que compõem a diferenciação de um território são de natureza cultural, ambiental, paisagística e socioeconômica. O mosaico de características que faz um local ser único pode ser determinado de forma testemunhal (ou preexistir - em termos históricos e arqueológicos), pelos usos e tradições, pelas festas populares ou religiosas, por algum tipo de produção comercial, um trabalho artesanal singular, uma produção agroindustrial típica ou derivada de uma relação particular que os cidadãos reconhecem ao se relacionar entre si e com os visitantes. A história e a cultura do lugar representa uma componente essencial da economia de um território, mas pode estar empobrecida por falta de atenção, pelo uso de produtos standardizados e pela perda de sentimentos de pertencimento do cidadão face à 41 Isto não significa que a comunidade pelotense não valorize o seu patrimônio cultural. Muito pelo contrário. Vários atores sociais, pessoas e instituições, em especial das áreas de educação e cultura, assim como o governo municipal tem trabalhado e investido na preservação e valorização do patrimônio cultural em especial do arquitetônico. Evidências disto são os vários projetos de iniciativa local que já foram financiados pelo Programa Monumenta do Governo Federal e os que estão tramitando. O que parece ser muito incipiente, ou pelo menos não tem visibilidade suficiente, é o empreender neste setor para a venda sob a forma de serviços, ou a incorporação dos seus conteúdos tangíveis e intangíveis a bens e serviços que são produzidos ou que tem potencial de virem a ser produzidos no município e nas suas adjacências. Lembra-se, ainda, que o trabalho que vem sendo realizado pelo setor de doces (a certificação que já foi referida) constitui uma clara exceção ao que se observou no plano da economia local em geral. 149 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL própria cultura. É necessário, então analisar todas as pequenas e grandes características únicas de um território e fazer emergir a memória histórica (...) valorizar o patrimônio ambiental (...), histórico-cultural, as tradições, os antigos sabores (MONITOR e AMÉRICA, 2003). Pelotas possui todos estes atributos e que se não valorizados tendem a se depreciarem e perderem-se no tempo. Para os autores deste relatório, se existe um APL a ser promovido pelo PEDL, o mais importante e urgente é o APL Pelotas, hoje algo inexistente, no sentido de que o que lhe daria conteúdo permanece difuso e não incorporado de forma plena ao mundo da produção, do consumo e dos negócios. Neste sentido, o projeto unificador seria o de definir bens e serviços que potencialmente expressam os atributos constituidores da identidade cultural de Pelotas num sistema de qualidade. Num sistema com escalas de valores definidos por critérios específicos, ajustados a normas mínimas. Trata-se de desenvolver um conjunto de dispositivos materiais e cognitivos, um modo de controle das normas especificadas e um modo de avaliação como fazem muitas localidades nos países mencionados. A expressão APL Pelotas se coloca neste relatório apenas no plano da retórica para dar destaque a um conjunto de atributos que constituem a identidade cultural do local. Outro aspecto a ressaltar é que esta identidade cultural, como se não bastasse o seu imenso valor, está assentada no cenário de rara beleza paisagística que abarca as terras altas rochosas da Encosta da Serra do Sudeste, as planícies e a Lagoa dos Patos a maior do mundo. Tudo muito próximo ao mar e com acesso pelo Canal do São Gonçalo, ou por rodovia em menos de uma hora (60 Km). Esta base natural, apropriada socialmente, constitui um território único, o APL Pelotas. No plano concreto o APL Pelotas teria como atividade principal42 o turismo receptivo de diferentes modalidades - cultural, histórico, gastronômico, rural, ecológico, esportivo, aventura, negócios e outros - como integradora das demais atividades envolvidas de cadeias produtivas do território e orientadas para mercados diversos, integrantes da agropecuária, da indústria, comércio e serviços. 42 Para LASTRES e CASSIOLATO (2003), Arranjo Produtivo Local (APL) é definido como a aglomeração de um número significativo de empresas que atuam em torno de uma atividade produtiva principal, bem como de empresas correlatas e complementares como fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros, em um mesmo espaço geográfico (um município, conjunto de municípios ou região), com identidade cultural local e vínculo, mesmo que incipiente, de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais e instituições públicas ou privadas de treinamento, promoção e consultoria, escolas técnicas e universidades, instituições de pesquisa, desenvolvimento e engenharia, entidades de classe e instituições de apoio empresarial e de financiamento. 150 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL ANEXO 1 - Atividades Relacionadas da Indústria Criativa Classe Descrição 13308 Fabricação de tecidos de malha 13405 Acabamentos em fios, tecidos e artefatos têxteis 13511 Fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico 13529 Fabricação de artefatos de tapeçaria 13537 Fabricação de artefatos de cordoaria 13545 Fabricação de tecidos especiais, inclusive artefatos 13596 Fabricação de outros produtos têxteis não especificados anteriormente 14118 Confecção de roupas íntimas 14126 Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas 14134 Confecção de roupas profissionais 14142 Fabricação de acessórios do vestuário, exceto para segurança e proteção 14215 Fabricação de meias 14223 Fabricação de artigos do vestuário, produzidos em malharias e tricotagens, exceto meias 15106 Curtimento e outras preparações de couro 15211 Fabricação de artigos para viagem, bolsas e semelhantes de qualquer material 15297 Fabricação de artefatos de couro não especificados anteriormente 15319 Fabricação de calçados de couro 15327 Fabricação de tênis de qualquer material 15335 Fabricação de calçados de material sintético 15394 Fabricação de calçados de materiais não especificados anteriormente 15408 Fabricação de partes para calçados, de qualquer material 16234 Fabricação de artefatos de tanoaria e de embalagens de madeira 17311 Fabricação de embalagens de papel 17320 Fabricação de embalagens de cartolina e papel-cartão 18113 Impressão de jornais, livros, revistas e outras publicações periódicas 18121 Impressão de material de segurança 18130 Impressão de materiais para outros usos 18211 Serviços de pré-impressão 18229 Serviços de acabamentos gráficos 18300 Reprodução de materiais gravados em qualquer suporte 20631 Fabricação de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 22226 Fabricação de embalagens de material plástico 23125 Fabricação de embalagens de vidro 24423 Metalurgia dos metais preciosos 25918 Fabricação de embalagens metálicas 26213 Fabricação de equipamentos de informática 26221 Fabricação de periféricos para equipamentos de informática 26311 Fabricação de equipamentos transmissores de comunicação 26329 Fabricação de aparelhos telefônicos e de outros equipamentos de comunicação 26400 Fabricação de aparelhos de recepção, reprodução, gravação e amplificação de áudio e vídeo 26523 Fabricação de cronômetros e relógios 26701 Fabricação de equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos 26809 Fabricação de mídias virgens, magnéticas e ópticas 30920 Fabricação de bicicletas e triciclos não-motorizados 31012 Fabricação de móveis com predominância de madeira 31021 Fabricação de móveis com predominância de metal 31039 Fabricação de móveis de outros materiais, exceto madeira e metal 32116 Lapidação de gemas e fabricação de artefatos de ourivesaria e joalheria 32124 Fabricação de bijuterias e artefatos semelhantes 42138 Obras de urbanização - ruas, praças e calçadas 43304 Obras de acabamento 46427 Comércio atacadista de artigos do vestuário e acessórios 46435 Comércio atacadista de calçados e artigos de viagem 46460 Comércio atacadista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 46478 Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria; livros, jornais e outras publicações 47563 Comércio varejista especializado de instrumentos musicais e acessórios 47610 Comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria 47628 Comércio varejista de discos, CDs, DVDs e fitas 47725 Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 47741 Comércio varejista de artigos de óptica 47814 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 47822 Comércio varejista de calçados e artigos de viagem 61418 Operadoras de televisão por assinatura por cabo 61426 Operadoras de televisão por assinatura por microondas 61434 Operadoras de televisão por assinatura por satélite 71120 Serviços de engenharia 77225 Aluguel de fitas de vídeo, DVDs e similares 96025 Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza Fonte: FIRJAN (2008) 151 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL ANEXO 2 - Atividades de Apoio da Indústria Criativa Classe Descrição 13111 Preparação e fiação de fibras de algodão 13120 Preparação e fiação de fibras têxteis naturais, exceto algodão 13138 Fiação de fibras artificiais e sintéticas 13146 Fabricação de linhas para costurar e bordar 13219 Tecelagem de fios de algodão 13227 Tecelagem de fios de fibras têxteis naturais, exceto algodão 13235 Tecelagem de fios de fibras artificiais e sintéticas 17311 Fabricação de embalagens de papel 17320 Fabricação de embalagens de cartolina e papel-cartão 23206 Fabricação de cimento 23303 Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e materiais semelhantes 23419 Fabricação de produtos cerâmicos refratários 23427 Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários para uso estrutural na construção 23494 Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários não especificados anteriormente 23915 Aparelhamento e outros trabalhos em pedras 23923 Fabricação de cal e gesso 26108 Fabricação de componentes eletrônicos 28631 Fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil 28640 Fabricação de máquinas e equipamentos para as indústrias do vestuário, do couro e de calçados 33121 Manutenção e reparação de equipamentos eletrônicos e ópticos 41107 Incorporação de empreendimentos imobiliários 41204 Construção de edifícios 42219 Obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações 42227 Construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas 42235 Construção de redes de transportes por dutos, exceto para água e esgoto 42910 Obras portuárias, marítimas e fluviais 42928 Montagem de instalações industriais e de estruturas metálicas 42995 Obras de engenharia civil não especificadas anteriormente 43118 Demolição e preparação de canteiros de obras 43126 Perfurações e sondagens 43134 Obras de terraplenagem 43193 Serviços de preparação do terreno não especificados anteriormente 43215 Instalações elétricas 43223 Instalações hidráulicas, de sistemas de ventilação e refrigeração 43291 Obras de instalações em construções não especificadas anteriormente 43916 Obras de fundações 43991 Serviços especializados para construção não especificados anteriormente 46133 Representantes comerciais e agentes do comércio de madeira, material de construção e ferragens 46150 Representantes comerciais e agentes do comércio de eletrodomésticos, móveis e artigos de uso doméstico 46168 Representantes comerciais e agentes do comércio de têxteis, vestuário, calçados e artigos de viagem 46419 Comércio atacadista de tecidos, artefatos de tecidos e de armarinho 46516 Comércio atacadista de computadores, periféricos e suprimentos de informática 46524 Comércio atacadista de componentes eletrônicos e equipamentos de telefonia e comunicação 46621 Comércio atacadista de máquinas, equipamentos para terraplenagem, mineração e construção; partes e peças 46711 Comércio atacadista de madeira e produtos derivados 46729 Comércio atacadista de ferragens e ferramentas 46737 Comércio atacadista de material elétrico 152 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 1.6. COMÉRCIO EXTERIOR Em 2011 Pelotas exportou 77,6 milhões de dólares e importou 131,7 milhões de dólares (figura 1.6.1). É relativamente muito baixa a participação do comércio exterior no PIB local e esta tem uma tendência declinante ao longo dos anos 2000 e é muito mais intensa nas exportações (figuras 1.6.2 e 1.6.3). No Rio Grande do Sul, ao contrário de Pelotas, é relativamente expressiva a participação do comércio exterior no PIB e a tendência desta participação ao longo dos anos 2000 foi de ser ligeiramente crescente. Figura 1.6.1 - Comércio exterior de Pelotas 2000/2011 - US$ FOB 2007 2008 34.258.489 2006 45.314.804 59.503.936 2005 66.855.571 2004 43.419.656 63.421.171 2003 43.630.627 42.072.781 2002 44.928.726 41.008.324 44.568.977 29.173.872 2001 Fonte: MICD/SECEX 55.380.448 48.634.150 30.815.679 2000 34.710.037 64.935.187 33.169.601 28.861.988 72.276.866 104.853.934 77.631.405 131.685.268 Importações 92.091.414 Exportações 2009 2010 2011 Figura 1.6.2 - Participação das exportações no PIB de Pelotas e do Rio Grande do Sul Pelotas 17,7 19,8 Rio Grande do Sul 21,0 17,7 15,3 16,4 16,6 16,9 14,1 12,9 8,8 6,4 3,6 2000 2001 2002 4,8 2003 6,5 2004 4,2 3,3 2,7 3,5 2005 2006 2007 2008 2,4 2009 Fonte: MICD/SECEX 153 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 1.6.3 - Participação das importações no PIB de Pelotas e do Rio Grande do Sul Pelotas 13,4 9,8 9,0 9,8 10,4 8,9 11,2 11,3 11,0 11,2 8,8 5,7 3,1 2000 3,8 4,2 2001 2002 5,5 3,8 2003 2004 2005 3,2 2006 3,9 2007 3,1 2008 2009 Fonte: MICD/SECEX A pauta de exportações de Pelotas é concentrada em produtos agroindustriais, 92,4% do total. Só o arroz é 60% da pauta, é seguido por bovinos vivos, 14,1%, óleos vegetais e subprodutos, 10,7%, e conservas 7%, sendo que de pêssego é apenas 0,3%. Fora dos produtos agroindustriais, o maior seguimento é o de Componentes e peças eletroeletrônicas com 1,8 milhões de dólares correspondendo a 2,3% do total exportado (tabela 1.6.1). A pauta de importações, por sua vez, tem uma forte concentração nos fertilizantes e suas matérias primas, com 95,3 milhões de dólares, correspondendo a 72,4% do total. A importação de produtos agroindustriais é de 25,5 milhões de dólares, 19,4% do total, sendo o arroz é mais da metade, 13,2 milhões, e apenas 1,0 milhão de dólares é de arroz em casca. Depois do arroz os principais itens dentre os produtos de origem agrícola são a farinha de trigo e outras farinhas, ambas com 3,4 milhões de dólares. O cimento, com 2,5 milhões de dólares, corresponde a 1,9%. A importação de máquinas e equipamentos é de apenas 1,8 milhões de dólares. A pauta de importações, portanto, é basicamente de bens intermediários, 79,1% e de bens de consumo de não durável, 17,4%, sendo que este tem uma forte participação de alimentos (tabela 1.6.2). A África é o maior mercado das exportações pelotenses com 23,8%, seguido pela América Latina (exclusive o Mercosul), 15,4%, e o Mercosul, com 10,5%. A África também é a principal origem das importações com 24,2%, seguida do Mercosul, 19,9% e pela Europa Oriental, 18,2%. 154 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.6.1 - Exportações de Pelotas em 2011 US$ FOB Total Produtos agroindustriais Arroz beneficiado Óleos vegetais e subprodutos Conservas Feijões secos Bovinos vivos Rações animais e alimentos para cães e gatos Máquinas e equipamentos Silos metálicos Componentes e peças eletroeletrônicas Componentes e peças para tratores e automóveis Medicamentos Chapas, tubos e embalagens plásticas Produtos Cerâmicos Demais produtos 77.631.405 % 100,0 71.703.232 46.603.745 8.338.848 5.444.548 87.640 10.973.150 255.301 480.112 626.274 1.777.280 83.136 353.296 512.763 1.533.630 561.682 92,4 60,0 10,7 7,0 0,1 14,1 0,3 0,6 0,8 2,3 0,1 0,5 0,7 2,0 0,7 Fonte: MICD/SECEX Tabela 1.6.2 - Importações de Pelotas em 2011 US$ FOB % Total 131.685.268 100,0 Produtos agroindustriais Arroz beneficiado e em casca Conservas e frutas secas Ervilha, feijão e outros cereiais em grãos Farinha de trigo, de cacau e proteina de soja em pó Fertilizantes e suas matérias primas Cimento Polietileno Máquinas e equipamentos Tratores Barcos e aparelhos de radionavegação Aparelhos médico-hospitalares Papel de imprensa e outros Artefatos de malha Demais produtos 25.531.022 13.241.423 1.128.813 4.027.483 7.133.303 95.326.627 2.470.765 213.721 1.814.172 239.423 483.799 385.962 733.456 181.209 4.305.112 19,4 10,1 0,9 3,1 5,4 72,4 1,9 0,2 1,4 0,2 0,4 0,3 0,6 0,1 3,3 Fonte: MICD/SECEX Tabela 1.6.3 - Exportações e Importações de Pelotas por blocos econômicos em 2011 (% do valor) % % Exportações 100,0 Importações 100,0 África (exclusive Oriente Médio) Demais da América Latina Mercado Comum do Sul - Mercosul Demais da Europa Ocidental Ásia (exclusive Oriente Médio) Demais Blocos 23,8 15,4 10,5 10,1 9,2 31,0 África (exclusive Oriente Médio) Mercado Comum do Sul - Mercosul Europa Oriental Ásia (exclusive Oriente Médio) Aladi (Exclusive Mercosul) Demais Blocos 24,1 19,9 18,2 12,4 8,3 17,3 Fonte: MICD/SECEX 155 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 1.6.4 - Exportações e Importações de Pelotas por países em 2011 (% do valor) Total 100,00 Total 100,00 Principais países de destino 95,32 Principais países de origem 99,98 1 Cuba 15,10 1 Egito 16,23 2 Turquia 10,06 2 Rússia, Federação da 13,25 3 Uruguai 9,87 3 Uruguai 12,10 4 Japão 8,85 4 China 9,26 5 Angola 7,32 5 Chile 8,08 6 Peru 5,17 6 Marrocos 7,86 7 África Do Sul 4,03 7 Argentina 7,75 8 Senegal 3,81 8 Canada 6,70 9 Benin 3,73 9 Ucrânia 3,38 10 Líbano 3,64 10 Países Baixos (Holanda) 2,94 11 Itália 3,20 11 Estados Unidos 2,67 12 Trinidad E Tobago 3,19 12 Indonésia 2,32 13 Venezuela 2,11 13 Alemanha 1,76 14 Nigéria 1,80 14 Belarus 1,52 15 Estados Unidos 1,54 15 Turquia 1,11 16 Rússia, Federação da 1,50 16 Catar 0,80 17 Espanha 1,22 17 Franca 0,41 18 Arábia Saudita 1,16 18 Japão 0,40 19 Serra Leoa 1,04 19 Itália 0,28 20 Bélgica 1,03 20 Áustria 0,27 21 Jordânia 0,86 21 Taiwan (Formosa) 0,27 22 Barbados 0,83 22 Colômbia 0,15 23 Nicaragua 0,80 23 Reino Unido 0,13 24 Gana 0,70 24 Israel 0,10 25 Porto Rico 0,51 25 Vietnã 0,09 26 Liberia 0,49 26 Bélgica 0,07 27 Siria 0,47 27 Filipinas 0,03 28 Suica 0,45 28 Peru 0,02 29 Guine Equatorial 0,43 29 Dinamarca 0,01 30 Reino Unido 0,41 30 Coreia Do Sul 0,01 31 Demais Países 4,68 31 Demais Países 0,02 Fonte: MICD/SECEX 156 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2. INFRAESTRUTURA SOCIAL E CULTURAL O desenvolvimento de um município, país ou região pressupõe a existência de précondições como o aumento da produtividade e da competitividade dos fatores. Estudo do World Economic Forum - WEF define competitividade como sendo o conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país ou região. Sendo a produtividade fundamental para a prosperidade econômica, o estudo considera que economias mais competitivas tendem a gerar altos níveis de renda para sua população endogeneizando um ciclo virtuoso de crescimento que aliado ao uso racional dos recursos contempla o desejado estágio de desenvolvimento sustentado como síntese do equilíbrio econômico, da equidade social e da sustentação dos recursos naturais. O Relatório Global da Competitividade elaborado anualmente pelo WEF define os critérios que permitem avaliar o índice de competitividade de um país como um conjunto de mais de cem variáveis analisadas, as quais são agrupadas em 12 pilares, distribuídos em três grupos-base de análise: Requisitos Básicos, Propulsores de Eficiência e Inovação e Sofisticação Empresarial conforme o esquema abaixo. Na sequência a Infraestrutura Social de Pelotas é analisada sob a ótica dos requisitos básicos e fatores-chave para impulsionar o desenvolvimento local, tratando dos setores de educação, cultura e saúde. Figura 2.1 – Grupos de Capacitações que compõem o Índice de Competitividade do World Economic Forum Fonte: WEF Global Competitiveness Report 2010 – 2011. 157 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.1. EDUCAÇÃO 2.1.1. EDUCAÇÃO BÁSICA A educação básica é considerada pelo World Economic Forum é um dos requisitos que sustentam a qualidade do processo de desenvolvimento. Nesse sentido, o papel e a importância do município como ente federativo autônomo, na formação e na gestão da política educacional foi definido pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, viabilizando, inclusive, a organização do sistema municipal de ensino. Também, está definida, do ponto de vista legal, a colaboração entre União, estados e municípios como sendo o regime adequado na busca de uma educação de qualidade para todos e, portanto, não excludente. As definições legais têm sido instrumentos necessários para a melhoria do desempenho da educação nos municípios, mas elas só acontecem e têm desdobramentos favoráveis em função do empenho da sociedade organizada e do poder público. Municipalização, financiamento, regime de colaboração são questões centrais no panorama da educação municipal, além de outras, não menos importantes, como gestão democrática, formação e qualificação dos professores, projeto pedagógico e avaliação de desempenho. Nesse sentido, o desafio do município em relação à educação é viabilizar a Educação Básica em suas etapas (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) e seus respectivos âmbitos de competência, bem como monitorar os demais níveis educacionais – técnico e superior – no sentido de adequar as demandas do desenvolvimento. A Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica oferecida em creches, ou entidades equivalentes, para crianças de zero a três anos, e pré-escolas, para crianças de 4 e 5 anos. O Ensino Fundamental é organizado em nove anos letivos corresponde à faixa etária de 6 a 14 anos. É dividido em: anos iniciais - para crianças de 6 a 10 anos de idade, correspondendo aos 1º a 5º anos; e anos finais - para a faixa etária de 11 a 14 anos, que corresponde aos 6º a 9º anos. Trata-se do antigo Primeiro Grau. O Ensino Médio constituise como o nível final da Educação Básica regular, com duração mínima de três anos. Corresponde ao antigo Segundo Grau. A análise da atuação de Pelotas no requisito educação básica considerou três dimensões fins da gestão educacional, as quais são expressas por indicadores conforme a tabela 2.1.1. 158 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 2.1.1 Dimensões Fins da Gestão Educacional Dimensões Indicadores Acesso Taxa de Atendimento Educacional Taxa de Escolarização Bruta Permanência Taxa de Abandono Taxa de Distorção Idade-Série Desempenho (Sucesso) Taxa de Aprovação Taxa de Reprovação Prova Brasil IDEB Fonte: MEC/ Todos pela Educação – www.todospelaeducacao.org.br. 2.1.1.1. DIMENSÃO ACESSO 2.1.1.1.1. T AXA DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL A taxa de atendimento educacional expressa em percentual o total da população de determinada faixa etária que frequenta a escola, independente do nível e/ou modalidade de ensino frequentado, em relação ao total da população naquela faixa de idade. É calculada em relação às faixas etárias adequadas a cada etapa da educação escolar: 0 a 3 (creche), 4 e 5 (pré-escola), 6 a 14 (ensino fundamental), 15 a 17 (ensino médio), 18 a 24 anos (educação superior), e 25 anos ou mais. Pode se desdobrar a faixa etária apropriada ao ensino fundamental nas faixas de 6 a 10 anos (anos iniciais) e 11 a 14 (anos finais). Segundo os dados disponíveis para 2010 a taxa de atendimento educacional em Pelotas na faixa etária de 0 a 3 anos (Creche) é a menor taxa (18%) comparada a Caxias do Sul, Santa Maria e RS. Por sua vez, no faixa etária da Pré-escola a taxa (54%) supera Caxias do Sul (43%), mas fica abaixo de Santa Maria e do RS. Nas faixas etárias do Ensino Fundamental e do Ensino Médio a taxa de atendimento de Pelotas, 97% e 84%, respectivamente, está na média das demais cidades e do Estado (tabela 2.1.2). Tabela 2.1.2 - Taxa de Atendimento Educacional em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2010 - % Nível Capital Regional Creche (0 a 3 anos) Pré-escola (4 e 5 anos) Ensino Fundamental (6 a 14 anos) Ensino Médio (15 a 17 anos) 18 16 21 28 20 23 20 23 54 58 64 65 48 62 43 59 97 88 98 97 97 97 96 97 84 86 85 82 83 79 81 83 Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo Novo Hamburgo Caxias do Sul Rio Grande do Sul Fonte: Todos pela Educação com dados do INEP/MEC. 159 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL As razões para explicar que a taxa de atendimento educacional em Pelotas nas faixas de 0 a 3 e 4 e 5 anos sejam inferiores, podem estar na própria dinâmica de redução do crescimento populacional onde estas faixas lograram o maior percentual de redução. Sob o ponto de vista da gestão educacional esta redução populacional pode representar uma menor pressão sobre o sistema de educação, por outro lado, sob o aspecto do desenvolvimento local esta dinâmica pode significar uma restrição futura na oferta e disponibilidade de fator humano como atributo competitivo social e econômico. É possível inferir que esta restrição só poderia ser compensada mediante um maior crescimento vegetativo da população, o que contraria as tendências e atuais projeções de crescimento populacional no Brasil, ou através de um maior dinamismo econômico o que reforça a necessidade de uma estratégia de desenvolvimento local para o município no sentido de gerar influxos de natureza populacional. O desenvolvimento local provoca mudanças na dinâmica populacional e essas mudanças reforçam o desenvolvimento econômico com o estabelecimento de um círculo virtuoso. 2.1.1.1.1. T AXA DE ESCOLARIZAÇÃO BRUTA A taxa de escolarização bruta representa o percentual da população matriculada em determinado nível de ensino, independentemente da idade dos alunos, em relação à população total que se encontra na faixa etária recomendada para esse mesmo nível. Conforme a tabela 2.1.3, Pelotas apresenta, comparativamente, o menor percentual de escolarização bruta na faixa etária de 0 a 3 anos (14%) confirmando o verificado na taxa de atendimento para a mesma faixa etária. Na faixa de 4 e 5 anos, o percentual de escolarização bruta (53%) é superior apenas a Caxias do Sul (46%) e inferior a Santa Maria (65%) e ao Estado (61%). Tabela 2.1.3 - Taxa de Escolarização Bruta em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2010 - % Nível Creche (0 a 3 anos) Pré-escola (4 e 5 anos) Ensino Fundamental (6 a 14 anos) Ensino Médio (15 a 17 anos) Pelotas 14 53 110 81 Rio Grande 6 63 104 74 Santa Maria 17 65 102 79 Passo Fundo 23 59 106 74 São Leopoldo 17 51 108 63 Novo Hamburgo 6 63 104 74 Caxias do Sul 20 46 104 79 Rio Grande do Sul 21 61 106 77 Capital Regional Fonte: Todos pela Educação com dados do MEC/INEP. 160 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A taxa de escolarização bruta, também, revela a distorção entre a idade e a série dos alunos matriculados em uma determinada série não adequada àquela faixa etária. Nesse sentido, é possível constatar que a taxa de escolarização bruta em Pelotas apresenta, em 2010, para o Ensino Fundamental o maior percentual de distorção idadesérie (110%) comparativamente a Caxias do Sul (104%), Santa Maria (102%) e RS (106%). Este indicador revela que no Ensino Fundamental em Pelotas existe um expressivo número de pessoas matriculadas com faixa etária incompatível com a série adequada. As possíveis razões que permitem compreender esta situação podem estar em fatores como a repetência, a multirepetência ou o abandono da escola durante o ano letivo com a volta à escola em anos subsequentes. 2.1.1.2. DIMENSÃO PERMANÊNCIA 2.1.1.2.1. T AXA DE ABANDONO O primeiro indicador de Permanência é a taxa de abandono que representa o percentual de alunos da matrícula total que, numa dada série, deixam de frequentar a escola durante o ano letivo, não tendo sido formalmente desvinculado por transferência, e, portanto a sua matrícula não possui registro de rendimento. A análise da taxa de abandono em Pelotas revela que, no período 2007- 2010, houve uma expressiva redução no Ensino Fundamental tanto nos anos iniciais (2,3% para 0,7%) como finais (7,3% para 5,3%). Para o Ensino Médio houve comportamento inverso da taxa de abandono onde a mesma cresceu de 6,9% para 14,1% (tabela 2.1.4). Tabela 2.1.4 - Taxa de Abandono em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul (%) 2007/2010. Ensino Fundamental Anos Iniciais 6 a 10 anos Capital Regional Ensino Médio 15 a 17 anos Anos Finais 11 a 14 anos 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 Pelotas 2,3 1,1 0,8 0,8 7,3 5,7 6,8 5,3 6,9 14,4 16,0 14,1 Rio Grande 1,6 1,0 1,2 1,0 7,1 4,0 3,3 2,7 13,2 12,3 17,4 12,6 Santa Maria 1,0 0,6 0,5 0,4 3,5 1,1 1,0 1,3 6,9 10,0 7,8 9,8 Passo Fundo 1,5 0,9 0,9 0,8 4,1 2,3 1,7 2,1 8,7 10,7 9,4 8,0 São Leopoldo 2,4 1,1 1,1 0,9 7,9 3,7 2,8 3,9 5,3 10,8 13,4 12,2 N. Hamburgo 0,6 0,4 0,3 0,3 6,0 3,8 3,6 4,1 7,3 7,5 8,1 9,1 Caxias do Sul 0,7 0,5 0,4 0,5 2,9 1,6 1,4 1,5 6,6 11,0 9,8 11,1 RS 1,1 0,7 0,6 0,6 3,3 2,6 2,5 2,4 13,0 12,4 11,7 11,0 Fonte: MEC/INEP/DTDIE. 161 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Em termos comparativos observa-se que Pelotas possui a maior taxa de abandono em relação a Caxias do Sul, Santa Maria e ao Estado, excetuando-se o percentual verificado no Ensino Médio em 2007. 2.1.1.2.2. T AXA DE DISTORÇÃO IDADE-SÉRIE A taxa de distorção idade-série indica o percentual de alunos, em cada série, com idade superior à idade recomendada para aquela série, considerando-se, no sistema educacional brasileiro, a idade de 6 anos no Ensino Fundamental de nove anos, e a de 15 anos para o ingresso no Ensino Médio. Os dados da tabela 7.4 permitem observar que taxa de distorção idade-série de Pelotas no Ensino Fundamental, no período de 2007-2010, aumentou nos anos iniciais de (21,6% para 23,6%), manteve-se estável nos anos finais (39,6%) e obteve redução no Ensino Médio (43,0% para 38,7%). Tabela 2.1.5 - Taxa de Distorção Idade-Série em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul (%) 2007/2010. Ensino Fundamental Ensino Médio Anos Iniciais Anos Finais 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 Pelotas 21,6 21,4 22,4 23,6 39,6 39,0 41,0 39,6 43,0 43,3 40,3 38,7 Rio Grande 18,9 19,7 21,2 22,9 33,1 33,4 33,2 33,8 40,5 38,1 37,6 36,4 Santa Maria 13,3 14,3 14,9 15,4 24,9 24,5 25,6 26,0 31,1 30,6 28,9 28,2 Passo Fundo 14,1 14,3 14,7 15,9 23,7 24,0 24,9 25,9 29,4 26,3 25,6 26,0 São Leopoldo 18,0 17,4 18,0 18,3 33,2 33,5 33,8 34,2 40,8 39,0 34,8 29,8 N. Hamburgo 12,3 13,4 13,8 14,8 28,1 28,2 30,1 29,8 34,1 26,8 27,2 27,4 Caxias do Sul 8,8 8,5 9,0 9,0 19,6 19,8 19,5 19,2 23,6 22,8 22,8 22,1 RS 15,7 15,5 16,0 16,9 29,0 28,4 29,0 28,8 33,8 33,4 32,0 30,5 Fonte: MEC/INEP/DTDIE. Embora, durante o período considerado, tenha havida uma redução desta taxa em Pelotas, a mesma caracteriza em todos os níveis do Ensino Fundamental e Médio, os maiores percentuais de distorção idade-série, comparativamente, a Caxias do Sul, Santa Maria e ao Rio Grande do Sul. As taxas de distorção idade-série observadas no Ensino Médio em Pelotas ratificam os dados referentes à taxa de escolarização bruta, representando que para cada 10 alunos aproximadamente quatro estão com idade incompatível com a série adequada a faixa etária. 2.1.1.3. DIMENSÃO DESEMPENHO (SUCESSO) 2.1.1.3.1. T AXA DE APROVAÇÃO 162 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A taxa de aprovação expressa o percentual de alunos da matrícula total que, ao fim do ano letivo, concluíram, com sucesso, determinada série, apresentando os requisitos mínimos, previstos em lei, de aproveitamento e frequência para cursar, no ano seguinte, a série imediatamente posterior. A taxa de aprovação em Pelotas, no período 2007 – 2010, em que pese tenha demonstrado evolução positiva no Ensino Fundamental – anos iniciais (76,4% para 86,9%) e anos finais (60,0% para 67,5%), bem como no Ensino Médio (62,6% para 65,0%) mantém percentuais inferiores em relação a Caxias do Sul, Santa Maria e ao Estado (tabela 2.1.6). Tabela 2.1.6 - Taxa de Aprovação em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul - (%) 2007/2010. Ensino Fundamental Ensino Médio Capitais regionais Anos Iniciais Anos Finais 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 Pelotas 76,4 82,4 82,9 86,9 60,0 65,7 65,7 67,5 - 62,6 62,5 65,0 Rio Grande 82,2 87,2 85,6 86,5 68,6 69,6 70,7 71,9 - 62,5 64,6 65,7 Santa Maria 86,5 89,9 89,2 89,4 77,0 77,3 76,2 76,0 - 63,1 63,8 63,2 Passo Fundo 88,6 90,7 89,5 91,0 79,2 80,5 80,2 82,7 - 70,6 70,2 71,6 São Leopoldo 86,1 88.8 88,8 88,7 70,8 72,8 73,6 72,4 - 66,2 68,8 68,9 N. Hamburgo 90,1 91,8 91,3 92,4 86,4 76,1 75,0 75,8 - 76,6 74,4 74,0 Caxias do Sul 95,4 94,8 95,3 94,8 87,0 85,0 86,9 85,3 - 69,7 68,8 66,0 RS 87,5 90,0 89,4 90,0 74,3 77,4 77,8 78,2 64,7 68,0 68,3 69,1 Fonte: MEC/INEP/DTDIE. 2.1.1.3.2. T AXA DE REPROVAÇÃO A taxa de reprovação significa o percentual de alunos da matrícula total que, numa dada série, ao fim do ano letivo, não apresentam os requisitos mínimos, previstos em lei, de aproveitamento e frequência para serem promovidos à série posterior. A taxa de reprovação em Pelotas, no período considerado, apresentou pequena redução nos anos iniciais do Ensino Fundamental (15,8% para 12,3%). Todavia para os anos finais (EF) registrou elevação (20,0% para 27,2%), bem como no Ensino Médio (12,7% para 20,9%). Em comparação aos demais municípios e ao Estado, neste período, Pelotas se situa com percentual inferior de reprovação apenas no Ensino Médio em relação à Santa Maria nos anos de 2008, 2009 e 2010. 163 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 2.1.7 - Taxa de Reprovação em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul - (%) 2007/2010. Ensino Fundamental Capital Regional Anos Iniciais Ensino Médio Anos Finais 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 2007 2008 2009 2010 Pelotas 15,8 16,5 16,3 12,3 20,0 28,6 27,5 27,2 12,7 23,0 21,5 20,9 Rio Grande 14,3 11,8 13,2 12,5 14,0 26,4 26,0 25,4 20,4 25,2 18,0 21,7 Santa Maria 9,8 9,5 10,3 10,2 15,4 21,6 22,8 22,7 21,8 26,9 28,4 27,0 Passo Fundo 13,8 8,4 9,6 8,2 13,8 17,2 18,1 15,2 8,0 18,7 20,4 20,4 São Leopoldo 11,0 10,1 10,1 10,4 20,5 23,5 23,6 23,7 11,9 23,0 17,8 18,0 N. Hamburgo 9,5 7,8 8,4 7,3 15,2 20,1 21,4 20,1 10,7 15,9 17,5 16,9 Caxias do Sul 8,2 4,7 4,3 4,7 11,1 13,4 11,7 13,2 10,0 19,3 21,4 22,9 RS 9,9 9,3 10,0 9,4 18,6 20,0 19,7 19,4 19,0 19,6 20,0 19,9 Fonte: MEC/INEP/DTDIE. 2.1.1.3.2. PROVA BRASIL A Prova Brasil é uma avaliação diagnóstica, criada em 2005, sendo aplicada a cada dois anos pelo INEP a todos os alunos de 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental de 8 anos da rede pública e urbana de ensino, ou no 5º e 9º anos do Ensino Fundamental de 9 anos e tem como foco a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro. De acordo com o documento PDE - Prova Brasil (2008, p. 5), os exames “avaliam competências construídas e habilidades desenvolvidas e detectam dificuldades de aprendizagem”. Portanto, a Prova Brasil avalia o desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática numa escala de proficiência com 500 pontos. A pontuação mínima proposta pelo movimento Todos Pela Educação43 - TPE como adequada a cada série é na 4ª série 200 pontos para Língua Portuguesa e 225 pontos para Matemática. Na 8ª série 275 pontos para Língua Portuguesa 300 pontos para Matemática. A tabela 2.1.8 mostra que o desempenho escolar de Pelotas medido pela Prova Brasil, nos anos considerados, ficou abaixo do verificado em Caxias do Sul e Santa Maria. Todavia, no mesmo período, Pelotas melhorou sua pontuação na 4ª e 5ª séries em português (de 179,6 para 182,4) e em matemática (de 188,6 para 201,0), bem como na 8ª e 9ª séries em português (de 240,3 para 246,8). Sendo que em matemática nas mesmas séries houve regressão no desempenho (de 259,0 para 253,9). 43 Todos pela Educação é um movimento organizado e financiado pela iniciativa privada, que congrega a sociedade civil organizada, educadores e gestores públicos que tem como objetivo contribuir para que o Brasil garanta a todas as crianças e jovens o direito à Educação Básica de qualidade. 164 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 2.1.8 – PROVA BRASIL: Desempenho Médio no Ensino Fundamental em Pelotas e e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul 2005, 2007 e 2009. 2005 4ª/5ª EF 8ª/9ª EF Port. Mat. Port. Mat. Capital Regional Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo N. Hamburgo Caxias do Sul Escala TPE 179,6 159,4 186,2 178,4 184,6 187,4 185,6 200 188,6 167,0 191,6 184,4 191,0 194,6 191,6 225 240,3 232,5 238,6 236,5 246,5 245,4 246,1 275 2007 4ª/5ª EF 8ª/9ª EF Port. Mat. Port. Mat. 259,0 248,0 256,6 250,0 260.1 261,5 264,7 300 176,1 176,2 181,3 179,6 178,4 187,9 191,2 200 193,8 193,0 198,4 195,3 197,3 207,0 208,1 225 238,0 234,9 244,8 236,2 243,0 246,2 247,4 275 249,4 245,6 258,1 246,0 254,7 259,4 261,7 300 2009 4ª/5ª EF Port. Mat. 182,4 184,3 184,7 184,8 189,1 189,8 197,7 200 201,0 203,0 202,9 204,5 210,4 209,1 218,5 225 8ª/9ª EF Port. Mat. 246,8 249,0 257,2 241,9 257,1 247,9 258,9 275 253,9 254,1 264,7 247,5 263,0 256,9 267,3 300 Fonte: MEC/INEP 2.1.1.3.2. ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA - IDEB O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foi criado em 2007 pelo Ministério da Educação através do INEP (Instituto Nacional de Estudos e de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE). É um indicador de qualidade educacional que combina informações de desempenho em exames padronizados (Prova Brasil ou Saeb) com informações sobre rendimento escolar (taxa média de aprovação dos estudantes na etapa de ensino). Os valores do IDEB variam de 1 a 10 e o objetivo do MEC é que o Brasil alcance o IDEB 6, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, até 2022 quando o Brasil completará 200 anos de independência. O IDEB é apresentado para o Brasil, regiões e estados englobando as redes pública e privada. Em nível municipal ele apresenta os resultados da rede municipal. A tabela 2.1.9 mostra que Pelotas apresenta um IDEB desfavorável em ralação Caxias do sul, Santa Maria e a média do Estado, mas vem evoluído nos anos iniciais. Nos anos finais, no entanto, não há evolução está aumentando a distância em relação aos outros municípios e ao Estado Tabela 2.1.9 – IDEB: Ensino Fundamental em Pelotas e demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul - 2005, 2007, 2009 e 2011. Anos Iniciais Capital Regional Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo N. Hamburgo Caxias do Sul RS Anos Finais 2005 2007 2009 2011 2005 2007 2009 2011 3,6 3,2 4,1 3,9 4,2 4,4 4,4 4,2 3,6 3,9 4,2 4,4 4,3 4,8 5,1 4,6 4,2 4,4 4,5 4,6 4,8 4,9 5,4 4,9 4,5 4,8 5,0 4,9 4,9 5,4 5,7 5,1 3,2 3,2 3,8 3,6 3,5 3,6 4,1 3,7 2,9 3,3 3,8 3,7 3,7 3,8 4,4 3,9 3,2 3,5 4,0 3,8 3,8 3,7 4,7 4,1 3,3 3,4 4,0 4,1 3,7 3,9 4,5 4,1 Fonte: MEC/INEP 165 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.1.2. ENSINO TÉCNICO E SUPERIOR 2.1.2.1. ENSINO TÉCNICO Pelotas é sede de um dos três Institutos Federais que integram a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no Rio Grande do Sul a qual oferece cursos técnicos, superiores de tecnologia, licenciaturas, mestrado e doutorado. Tabela 2.2.10 – Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no RS Institutos Federais Sede Campi Sul-Rio-Grandense Pelotas Bagé, Camaquã, Charqueadas, Gravataí, Lajeado, Passo Fundo, Pelotas, Pelotas-Visconde da Graça, Santana do Livramento, Sapiranga, Sapucaia do Sul e Venâncio Aires. Rio Grande do Sul Porto Alegre Bento Gonçalves, Canoas, Caxias do Sul, Erechim, Farroupilha, Feliz, Ibirubá, Osório, Porto Alegre, Porto Alegre - Restinga, Rio Grande e Sertão. Farroupilha Santa Maria Alegrete, Jaguari, Júlio de Castilhos, Panambi, Santa Rosa, São Borja, Santo Augusto e São Vicente do Sul. Fonte: MEC - Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-grandense - IFSul - foi criado em 2008, tem sede administrativa localizada em Pelotas e caracteriza-se pela verticalização do ensino com oferta de educação profissional e tecnológica em diferentes níveis e modalidades de ensino, bem como a educação superior, básica e tecnológica sendo formado por onze campi conforme a tabela 2.2.10 e oferece além do Ensino Médio e Formação Pedagógica de Docentes uma diversidade de cursos (tabela 2.2.11). Tabela 2.2.11 – IFSul Modalidades de Ensino, Nº de Cursos e Formação - Pelotas Cursos Modalidades Nº Formação Técnico 23 Comunicação Visual, Design de Móveis, Programação Visual, Edificações, Manutenção Eletromecânica, Eletromecânica, Eletrônica, Mecânica, Sistemas de Telecomunicações, Eletrotécnica Mecânica, Química, Química Enf. em Análise de Processos Industriais, Telecomunicações, Edificações Integrado, Eletrônica Integrado, Eletrotécnica Integrado, Químico Integrado Anual, Química Integrado, Técnico, Técnico em Manutenção e Suporte em Informática – PROEJA. Graduação e Graduação a Distância 5 Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial, Sistemas de Telecomunicações, Gestão Ambiental, Saneamento Ambiental, Sistemas para Internet. Pós Graduação 3 Especialização em Linguagens Verbais e Visuais e suas Tecnologias, Educação e Espaços e Possibilidades para Educação Continuada. Fonte: IFSul – Relatório de Gestão 2010. 166 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A tabela 2.2.12 apresenta a evolução das matrículas no IFSul segundo as modalidades de ensino. Observa-se que entre 2007 e 2010 as matriculas mais aumentaram na Graduação, 61,3%, sendo que a taxa de 23,4% da Educação Profissional, Nível Técnico, também elevada, deve-se, em grande parte, pela simples mudança de denominação de Ensino Médio para Educação Profissional. Tabela 2.2.12 – IFSul: Matrículas em Pelotas – 2007, 2008, 2009 e 2010. Modalidades Ensino Médio Ensino Médio Adulto Nível Técnico Educação Profissional PROEJA Graduação Graduação a Distância Pós- Graduação Formação Pedagógica Total 2007 2008 2009 2010 974 136 4.709 20 754 6.593 1.084 5.197 59 755 134 32 7.261 512 5.905 108 1.206 799 60 8.590 48 5.813 71 1.216 88 56 32 7.324 Fonte: IFSul – Relatórios de Gestão 2007, 2008, 2009 e 2010.. Tabela 2.2.13 – IFSul: Cocluintes em Pelotas – 2007, 2008, 2009 e 2010. Modalidades Ensino Médio Ensino Médio Adulto Nível Técnico Educação Profissional PROEJA Graduação Graduação a Distância Pós- Graduação Formação Pedagógica Total 2007 2008 2009 2010 257 597 49 44 947 586 691 62 24 1.363 133 5 600 56 661 840 2 19 166 23 1.183 Fonte: IFSul – Relatórios de Gestão 2007, 2008, 2009 e 2010.. 2.1.2.2. ENSINO SUPERIOR Pelotas conta com cinco instituições de ensino superior: Universidade Federal de Pelotas – UFPEL; Universidade Católica de Pelotas – UCPEL; Faculdade Anhanguera; Faculdade de Tecnologia Senac-RS e o Instituto Federal de Educação Tecnológica – IFET. Dentre as capitais regionais, Pelotas, juntamente com Santa Maria, tem o maior número de instituições ofertantes ensino técnico e superior. Ambas com cinco instituições (tabela 2.2.14) e também lideram no número de cursos, ambas com 135 (2.2.15). Segue em importância Caxias do Sul, com quatro instituições e 108 cursos. Em termos de matriculas em concluintes, no entanto, Pelotas encontra-se, respectivamente, na 4ª posição (atrás de 167 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Santa Maria, Caxias do Sul e São Leopoldo) e na 5ª posição (à frente somente de Rio Grande). Pelotas, no entanto, no período 2007/2009 obteve expressivo crescimento no número de matrículas, 52%, superando Caxias do Sul, 10,8%, e Santa Maria, 9,9% (figura 2.1.1). Tabela 2.2.14 - Instituições de Ensino Superior em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul - 2010. Universidade Capital Regional Centro Universitário Faculdade Instituto Federal Total 1 - 2 1 5 - - - 1 - 2 1 - 1 1 2 - 5 - - 1 - 1 1 3 - 1 - 1 - 2 Federal Estadual Comunitária/ Confessional Pelotas 1 - Rio Grande 1 Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo N. Hamburgo - 1 - 1 2 - 4 Caxias do Sul - 1 1 - 1 1 4 Fonte: MEC/INEP Tabela 2.2.15 - Ensino Superior: Cursos Ofertados em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul - 2010. Universidade Centro Universitário Faculdade Instituto Federal Total 37 - 13 6 135 - - - 10 - 59 79 - 8 33 15 - 135 Passo Fundo - - 65 - 25 1 91 São Leopoldo - - 63 - 2 - 65 N. Hamburgo - 4 - 52 6 - 62 Caxias do Sul - 2 54 - 52 - 108 Capital Regional Federal Estadual Comunitária/ Confessional Pelotas 79 - Rio Grande 49 Santa Maria Fonte: MEC/INEP Tabela 2.2.16 – Ensino Superior: Número de Matrículas e Concluintes em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul – 2007/2009. Matrículas Capital Regional Concluintes 2007 2008 2009 2007 2008 2009 Pelotas 12.733 14.130 19.385 2.039 2.170 2.427 Rio Grande 7.298 7.875 9.130 1.004 1.079 1.028 Santa Maria 20.298 20.212 22.316 3.164 3.212 3.360 Passo Fundo 13.426 14.223 15.991 1.820 2.017 2.509 São Leopoldo 26.319 25.361 22.984 2.901 3.190 2.862 N. Hamburgo 14.756 14.148 13.980 1.319 1.563 3.381 Caxias do Sul 26.750 28.067 29.630 2.216 2.582 2.758 Fonte: MEC/INEP 168 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 2.1.1 - Evolução de Matrículas e Concluintes de Graduação nas demais Capitais Regionais entre 2007 e 2009 - % Matrículas 52,2 19,0 25,1 9,9 6,2 2,4 Concluintes 19,1 156,3 37,9 10,8 24,5 -1,3 -12,7 Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo -5,3 São Novo Caxias do Leopoldo Hamburgo Sul Fonte: Tabela 5.5. Em 2011 Pelotas tinha uma oferta local de 34 cursos de pós-graduação sendo superada somente por Santa Maria dentre as capitais regionais (tabela 2.2.17) e por Porto Alegre na 1ª posição. Na concessão de bolsas de pós-graduação Pelotas também ocupa a 3ª posição no RS (tabela 2.2.18). No período 2007/2011, Pelotas elevou a sua participação nas bolsas de pós-graduação concedidas no Rio Grande do Sul de 9,5% para 12%, exceto nas de doutorado. A elevação mais expressiva nas bolsas de pós-doutorado (figura 2.1.2). Tabela 2.2.17 - Programas de Pós graduação em Pelotas e nas demais Capitais Regionais em 2007 e 2011. Universidade Centro Regional Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo N. Hamburgo Caxias do Sul Federal Comunitária / Confessional / Privada Total 2007 2011 2007 2011 2007 2011 Variação (%) 19 14 29 - 31 16 39 - 4 2 4 19 1 6 3 2 8 23 1 12 23 14 31 4 19 1 6 34 16 41 8 23 1 12 47,8 14,3 32,3 100,0 21,1 100,0 Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Tabela 2.2.18 - Concessão de Bolsas de Pós-Graduação em Pelotas e nas demais Capitais Regionais em 2007 e 2011. Centro Regional Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo N. Hamburgo Caxias do Sul RS Mestrado Doutorado Pós-Doutorado Total 2007 2011 2007 2011 2007 2011 2007 2011 Var. (%) 169 75 279 57 164 5 55 2.141 495 392 811 65 164 11 38 3.980 151 59 180 4 74 6 1.233 297 206 446 4 81 4 3 2.709 4 5 7 1 51 65 46 46 15 1 2 446 324 139 466 61 239 5 61 3.425 857 644 1.303 69 260 16 43 7.135 164,5 363,3 179,6 13,1 8,8 220,0 -29,5 108,3 Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. 169 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 2.1.2 - Participação de Pelotas na Concessão de Bolsas de Pós Graduação no RS em 2007 e 2011 - % 2007 2011 14,6 12,4 12,2 12,0 11,0 9,5 7,9 7,9 Mestrado Doutorado Pós - Doutorado Total Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. 2.1.3. CONCLUSÃO: INDICADORES DE DESEMPENHO SOFRÍVEIS MÁXIMA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO. DETERMINAM PRIORIDADE Os sofríveis indicadores de desempenho da Educação Básica – especialmente ensino fundamental e o ensino médio - apontam que Pelotas poderá ter sérias desvantagens competitivas no horizonte próximo. Os resultados são surpreendentes, pois é sabido que Pelotas tem uma posição de destaque no cenário estadual e mesmo nacional no setor educacional, em especial nos ensinos técnico e superior. Os dados quantitativos de números de instituições, de cursos, de acesso a bolsas de pósgraduação e os demais apresentados só fazem confirmar o que é percebido como um traço distintivo de Pelotas no cenário sócio-econômico-cultural do Rio Grande do Sul. Na analise das atividades que constituem o setor de Serviços (no primeiro capítulo), a Educação Superior se destaca como sendo uma das principais especializações de Pelotas quando a referência é o conjunto das sete capitais regionais do Rio Grande do Sul. A variável considerada é o número de empregados e o indicador que expressa a especialização é o quociente de localização de 1,2 considerando a Educação Superior (Graduação e Pós-Graduação), com um efetivo de 3.295 funcionários (docentes e administrativos) nas cinco instituições locais (tabela 1.5.8). O quociente de 1,2 significa que para o emprego total de Pelotas (agropecuária, indústria e serviços) a Educação Superior é 20% mais importante do que o é para o conjunto das sete capitais regionais do Rio Grande do Sul. 170 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O quociente de localização de Caxias do Sul em Educação Superior (Graduação e PósGraduação) é de 0,7 (com um efetivo total de 4.529 funcionários), significando que na cidade serrana a Educação Superior é 30% menos importante na geração do emprego do total da economia municipal do que o é para o conjunto das sete capitais regionais. Significa, portanto, que em Pelotas a Educação Superior é 67% mais importante para o emprego total do município (agropecuária, indústria e serviços) do que o é em Caxias do Sul. Considerando todo o setor de Educação, Pelotas também é especializada frente ao conjunto das sete capitais regionais, com um quociente de localização de 1,1. Isto é, para o emprego da economia de Pelotas a Educação é 10% mais importante do que o é para o conjunto das sete capitais e 72% do que o é Caxias do Sul. No Ensino Fundamental o quociente de localização é de 2,7. Isto é, a contribuição da atividade para o emprego total da economia local é 170% mais importante do que o é para o conjunto das sete capitais. O quociente locacional de Caxias do Sul no Ensino Fundamental é de apenas 0,3. Significa que em Pelotas a contribuição desta atividade para o emprego total é nove vezes maior, ou seja, 800% maior do que em Caxias do Sul. Não obstante Pelotas ser especializada no setor de educação os indicadores de desempenho do sistema de ensino básico e médio em Pelotas não são bons. Estes números convocam a sociedade para uma profunda reflexão e certamente os fatores que os produzem são muitos e esta reflexão não vai ser feita no espaço deste relatório. Aqui vai se reter apenas a constatação de que Pelotas é economicamente mais orientada para o setor educacional do que Caxias do Sul, uma das localidades mais desenvolvidas se não a mais desenvolvida do Rio Grande do Sul. Não obstante a sua especialização em Educação as indicações são de que Pelotas deverá ter problemas de competitividade no futuro próximo porque a atual geração de estudantes dos ensinos básico e fundamental não está sendo adequadamente preparada. Isto vale também para o Rio Grande do Sul, cujos indicadores também são sofríveis, embora sejam melhores do que os de Pelotas. O Rio Grande do Sul sempre foi considerado relativamente bem capacitado em mão de obra. Este juízo, no entanto, sempre foi feito tendo em conta a média do Brasil considerado como um todo e que é muito baixa. Ocorre que as empresas gaúchas e as pelotenses têm como principais competidores as empresas de Santa Catarina, do Paraná, da região sudeste e dos países desenvolvidos e mais recentemente dos países asiáticos, cuja mão de obra é muito mais qualificada. Este é um dos grandes desafios a ser enfrentado e para isto a sociedade local está dotada de uma infraestrutura científica, tecnológica e de formação de recursos humanos que se distingue nos contexto setorial do Rio Grande do Sul e do País. 171 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Esta infraestrutura é uma força endógena da maior importância, mas o seu esforço isolado – no sentido de bem cumprir com a sua missão de ensino - é insuficiente para a transformação socioeconômica porque a cadeia do desenvolvimento local tem elos frágeis que não logram cumprir a contento o que lhes compete. Isto gera insuficiência de dinamismo econômico e a falta deste contribui para aumentar a fragilidade da cadeia do desenvolvimento levando a um circulo vicioso, embora os elos mais fortes continuem o seu caminho, como é o caso do setor de Ensino Superior. Tanto é assim que Pelotas chega a 2010 tendo um funcionário no Ensino Superior para cada 100 habitantes e Caxias do Sul para 96. O PIB per capita de Pelotas, no entanto, é de R$11.148 e o de Caxias do Sul, R$ 30.399 (ambos em 2009). Certamente esta diferença de PIB per capita não é por falta de uma infraestrutura científica, tecnologia e de formação de recursos humanos e para ela concorrem muitas causas conforme já se falou e uma delas sem dúvida é a insuficiência continuada de crescimento. O crescimento, por sua vez, é o resultado do esforço empreendedor da sociedade, significando que o empreendedorismo em Pelotas tem sido insuficiente, embora exista. Muitos do que aceitam esta assertiva colocam que uma das suas razões é o fato de que a Universidade não “forma empreendedores”. A respeito desta proposição, os autores deste relatório se escudam em estudo sobre a indústria de informática do Rio Grande do Sul 44, segundo o qual as grandes empresas do setor – lideres nacionais de seus segmentos de atuação - com uma ou outra exceção foram fundadas por alunos e/ou professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, quando ainda eram discentes ou docentes, naquela instituição, sendo que alguns ainda continuam como docentes. Este conjunto de empreendedores representava uma pequena parcela das suas gerações de discentes e de docentes. A grande maioria da geração foi absorvida pelo mercado de trabalho como funcionários de empresas privadas ou do setor público e a maioria dos docentes permaneceu no ofício de ensinar. O ensinamento que se tira do acima relatado é o de que a universidade cumpriu com o seu papel de formar recursos humanos e estes foram igualmente capacitados e seguiram os seus caminhos profissionais segundos as suas aptidões. Segundo depoimentos de empresários originariamente alunos os mesmos contrataram os seus colegas mais capacitados e brilhantes como funcionários e dirigentes das empresas que eles criaram. A universidade, portanto, cumpriu o seu papel. Insistir na tese de que o papel da universidade 44 Estudo contratado pelo GTI/COINFRA/FIERGS à América Estudo e Projetos Internacionais, com o patrocínio financeiro do Grupo Digicon. O estudo - Caracterização e evolução recente da Indústria de Informática do Rio Grande do Sul - foi realizado entre 2003 e 2004 por Joal de Azambuja Rosa e Sandra Schmidt Schäfer. 172 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL é formar empreendedor ou que está “descolada” da base produtiva local e aí estariam razões importante da falta de dinamismo da economia de Pelotas não parece um caminho muito promissor a percorrer e, pelo contrário, pode bloquear esforços em outras direções, muito provavelmente mais férteis. Um caminho fértil a percorrer parte da aceitação de que Pelotas apresenta problemas nos seu sistema educacional e de aprendizagem para formação de capital humano (trabalhadores e empresários) e que se não resolvidos de pouco adiantará ter empreendedores, porque sem o capital humano qualificado aqueles não serão competitivos. As carências do sistema educacional são reveladas pelo lado da aprendizagem e para rompê-las é necessário o concurso do ensino superior que forma os professores da educação básica 45 . Pelotas tem toda uma infraestrutura de capacitação em Educação (tabela 2.2.19). Esta infraestrutura está preparada para capacitar e melhorar o desempenho de sua Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) e de dar suporte à melhoria e diversificação na formação profissional no nível técnico e superior, bem como na especialização local como centro de referência educacional. Tabela 2.2.19 – Infraestrutura de Pelotas para capacitação em Educação Instituição Pós Graduação Especialização Graduação Pedagogia - Licenciatura Letras Geografia - Licenciatura História - Licenciatura Física - Licenciatura Matemática – Licenciatura Letras - Licenciatura Matemática - Licenciatura Física - Licenciatura Química - Licenciatura Formação Pedagógica de Docentes Linguística Aplicada Literatura Comparada Geografia Estudos Matemáticos Mestrado Doutorado Educação Mestrado Profissional História Física Orientação Educacional Letras Formação Pedagógica de Docentes para Educação Profissional em Nível Médio Letras Ciência e Tecnologias na Educação Linguagens Verbais e Visuais - Educação Educação Profissional com Habilitação para Docência Espaços e Possibilidade para Educação Continuada Formação Continuada em Mídias na Educação Mídias na Educação Fonte: UFPEL, UCPEL e Instituto Federal Sul-Rio-Grandense. 45 Pesquisas realizadas em diferentes países constataram que não muito mais do que 40% das causas da insuficiente aprendizagem são internas às escolas. Informações da professora Marisa Abreu em depoimento prestado aos autores deste Relatório em 30/08/2012. 173 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Dada as diferentes instâncias envolvidas e a necessidade de sincronia entre as mesmas e o fato de que os resultados em educação básica só começam a aparecer a partir de 10 é urgente que se construa a governança da relação governo, sistema educacional e setor produtivo para consensar a respeito de objetivo, metas e critérios de avaliação Por fim, Pelotas por sua localização estratégica e por estar de tal forma equipada poderá, inclusive, trabalhar na direção de tornar-se um dos polos especializados do MERCOSUL, em conhecimento e tecnologias educacionais. 174 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.2. CULTURA E DESENVOLVIMENTO LOCAL “Em 1878 o livro assumia, dentro do plano urbano, um lugar correspondente à posição que ocupava, fazia muito 46 tempo, no interior das almas.” Mário Osório Magalhães . O capítulo anterior tratou do patrimônio cultural de Pelotas enquanto valor a ser projetado no mundo da produção para ser vendido e consumidos sob a forma de serviços ou incorporada enquanto signo em bens físicos e enquanto indústria criativa. Pelotas tem várias atividades que se enquadram nas três categorias de indústrias criativas consideradas pelo Fórum de St. Petersburg, mas indiscutivelmente a que Pelotas mais se distingue é na de Patrimônio Histórico, chamada por alguns de indústria do conteúdo histórico. As demais categorias são Design e Visual e Mídia e Espetáculos ao Vivo. Assim sendo, a proposição é de trabalhar no sentido de tornar a produção de bens e serviços, ligada à categoria Patrimônio Histórico, de interesse do setor empresarial enquanto negócio. Na sequência é descrito o que está sendo chamado de capital cultural de Pelotas, o que é precedido por uma breve contextualização de caráter histórico47. 2.2.1. PELOTAS E SEU CONTEXTO HISTÓRICO CULTURAL Pelotas teve forte influência europeia, principalmente a francesa e daí vêm os atributos de riqueza, opulência, refinamento, elegância, cultura e aristocracia que a distinguiram no cenário rio-grandense enquanto sociedade. O que tornou possível o surgimento de uma sociedade com tal diferenciação foi o dinamismo gerado pelo longo ciclo do charque que vai de 1779 aos primeiros decênios do século XX. As charqueadas, fazendo fortunas, condicionaram o florescimento de práticas e valores socioculturais que podem ser rotulados simplificadamente como de urbanidade e intelectualidade. Pelotas, assim como os grandes centros urbanos da época, buscava 46 Ano em que a Biblioteca foi transferida para um prédio construído especialmente para recebê-la. Reprodução de Glenda Dimuro Peter citando MAGALHÃES, Mário Osório, Opulência e Cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas, EdUFPel: Co-edição Livraria Mundial, 1993, p. 9. 47 No que respeita ao contexto histórico o texto é, basicamente, reprodução livre do interessante trabalho de Glenda Dimuro Peter, Influência francesa no patrimônio cultural e construção da identidade brasileira: o caso de Pelotas. A autora é Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade Católica de Pelotas/RS e a época da sua publicação (agosto de 2007) era Doutoranda do Departamento de Arquitectura, Teoría y Composición Arquitectónica, no Programa Arquitectura, Patrimonio y Medio Ambiente: investigación, reflexión y acción, na Universidad de Sevilla/Espanha e aluna do Master en Ciudad y Arquitectura Sostenible, da mesma Universidade. Este trabalho de Glenda Dimuro Peter é fortemente apoiado nos trabalhos citados do professor Mário Osório Guimarães. Fica, assim, registrado o agradecimento aos doutos pesquisadores pelo empréstimo que os autores deste relatório fazem dos seus preciosos conhecimentos. 175 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL “europeizar-se”, dando importância ao comportamento educado, às boas maneiras, aos hábitos e costumes europeus. O desenvolvimento da região, gerado pela economia das charqueadas, o crescimento da cidade e a constituição de uma elite rica resultou em extraordinário avanço sociocultural da sociedade local. Essa elite aristocrática e emergente de charqueadores experimentava momentos de ócio e lazer, considerando que a safra do charque realizava-se entre os meses de novembro a abril, resultando em estilos de vida urbanos. O culto às letras e às artes e o requinte social ficaram como estigmas genéticos e emblemáticos dessa sociedade. Pelotas, a exemplo de algumas cidades francesas, irradiava cultura, novidades e informações tendo em decorrência sido impulsionada a um processo de modernização nas últimas décadas do século XIX, influenciada, pelos conceitos e ideias de Paris, então considerada o centro de um imaginário social construído pela modernidade. Pelotas, o entanto, era uma cidade dual por ser identificada, por um lado, por uma elite civilizada e aculturada, emergente e cheia de novos ricos, novos barões, novos bacharéis, e por outro lado, como uma sociedade escravocrata rude e cruel. Pelotas, embora rica e culta, era uma cidade de contrastes e de diferenças sociais. Essas transformações contribuíram para a modernização de Pelotas que elevou o fluxo de imigrantes europeus, especialmente franceses, fazendo com que a cidade conserve até hoje vestígios da influência francesa em seu patrimônio cultural. Esta influência está enraizada através de sua arquitetura, com os casarões em estilos neoclássicos e ecléticos, no urbanismo com as ruas centrais amplas, nos costumes com as confeitarias, na educação com suas universidades, nos pontos de encontro da cidade onde se consolidam suas relações sociais. 2.2.2. O CAPITAL CULTURAL DE PELOTAS “No contexto de formação das cidades gaúchas Pelotas foi diferenciada porque formou desde cedo uma sociedade urbana onde predominaram os valores culturais e a predileção pelas artes e letras. O adiantamento cultural de Pelotas era tão grande que influenciava na vida de toda a província chegando a ser chamada de Atenas do Rio Grande”.48 Destacadas personalidades da cultura nacional nasceram em Pelotas como o escritor João Simões Lopes Neto, Hipólito José da Costa que é o patrono da imprensa brasileira, o pintor Leopoldo Gotuzzo que conquistou prêmios na Europa e, dentre outros, o escultor Antônio Caringi cujo trabalho teve reconhecimento internacional. 48 Reprodução de Glenda Dimuro Peter citando MAGALHÃES, Mário Osório, Opulência e Cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas, EdUFPel: Co-edição Livraria Mundial, 1993, p. 9. 176 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.2.1. ARQUITETURA, MONUMENTOS, MUSEUS E TEATROS O município de Pelotas que possui valioso patrimônio imaterial e acervo arquitetônico teve, também, forte influência portuguesa onde muitos de seus prédios como os casarões conservam a marca do estilo português através do revestimento em cerâmica. Grande parte deste rico patrimônio arquitetônico e monumentos estão tombados pelo patrimônio histórico do Município, do Estado e da União (tabela 2.2.1). Pelotas através do Programa Monumenta do Ministério da Cultura de recuperação e preservação do patrimônio histórico que atua em cidades históricas protegidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou um processo de recuperação de e restauração de vários prédios e espaços públicos. A cidade além de recuperar a sua identidade ganha um poderoso produto turístico com seus prédios restaurados como o Teatro Sete de Abril, Biblioteca Municipal, Paço Municipal, Grande Hotel, Mercado Municipal, Secretaria de Finanças, Fonte das Nereidas, Praça Cel. Osório, Largo do Mercado, Beco das Artes, Beco dos Doces e das Frutas. Integram, ainda, o patrimônio cultural de Pelotas outros prédios como o Castelo Simões Lopes, localizado na zona sul da cidade, a Charqueada São João, a Estação Férrea, o Casarão dos Mendonça, do Barão de Azevedo Machado, entre outros. Como expressão viva da história e tradição cultural o município possui vários museus temáticos e dois teatros (tabela 2.2.2). O Teatro Sete de Abril, fundado em 1831, é um dos teatros mais antigos do Brasil e o Teatro Guarany que foi inaugurado em 1921 com a apresentação da ópera "O Guarany" de Carlos Gomes pela Companhia Lírica Italiana. Tabela 2.2.1 – Prédios e Equipamentos Arquitetônicos de Pelotas Data Influencia Origem Catedral São Francisco de Paula 1813 Portuguesa Teatro Sete de Abril 1831 Neoclássica Mercado Público 1847 1970 Neoclássica Art Nouveau Caixa D'água de Ferro 1875 França Chafariz "As Três Meninas" 1873 Escócia Catedral do Redentor 1892 Gótica Inglaterra Grande Hotel 1928 Art Nouveau França França Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado/IPHAE. 177 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 2.2.2 – Museus de Pelotas Museus Tema Museu de História Natural Carlos Ritter Espécies de aves, mamíferos, répteis e insetos. Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo Arte Museu da Baronesa Mobília, pratarias, vestuário, esculturas e quadros. Museu Histórico Helena Assumpção de Assumpção Costumes e tradição da sociedade pelotense Museu do Charque História do Ciclo do Charque Museu do Doce Tradição do doce de Pelotas Museu do Futebol Trajetória do futebol na cidade de Pelotas Museu de Arte Sacra João Paulo II Arte sacra e religiosa Fonte: Prefeitura Municipal de Pelotas. 2.2.2. EXPRESSÃO CULTURAL E EVENTOS Em 1949 foi fundada a Escola de Belas Artes de Pelotas que contou como professor o pintor italiano Aldo Locatelli, no período em que pintou os afrescos da Catedral São Francisco de Paula, nos anos 50 (BOHMGHAREN, 2009). A Escola foi incorporada à Universidade Federal de Pelotas em 1969, sendo criado o Instituto de Letras e Artes. No ano de 1918 foi fundado o Conservatório de Música, iniciativa de alguns incentivadores da arte musical, entre eles cantores, instrumentistas e maestros de banda, estimulados pela ânsia de desenvolvimento cultural que marcava esta região. O Conservatório foi municipalizado em 1937, e em 1970 teve seu Curso de Graduação em Canto e Instrumentos reconhecido pelo Governo Federal através do decreto n° 67.289. Quando da fundação da Universidade Federal de Pelotas, o Conservatório tornou-se unidade agregada até o ano de 1983, quando foi definitivamente incorporado como unidade universitária sendo considerado Patrimônio Cultural do estado (UFPEL, 2008). O Instituto João Simões Lopes Neto foi criado em 20 de agosto de 1999, e se constitui em um Centro de Documentação da vida e da obra do grande escritor pelotense. Localiza-se casa onde morou, entre os anos de 1897 e 1907 foi declarada patrimônio cultural do Estado. Nos dez anos em que viveu no prédio, João Simões Lopes Neto concebeu duas obras literárias: “A Cidade de Pelotas” e “Negrinho do Pastoreio”, além de sete peças teatrais. Recentemente através de parceria entre a Prefeitura Municipal de Pelotas e a Universidade Católica de Pelotas foi aprovado, junto à UNESCO, o projeto “Música, Patrimônio Vivo”. Este projeto visa utilizar-se do Centro Histórico, da Música de Coro e da Orquestra Experimental para tornar a zona sul do Rio Grande do Sul referencia regional em música erudita e popular (PREFEITURA MUNICIPAL DE PELOTAS, 2005) 178 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Outra manifestação cultural recente de Pelotas é o grupo Tholl que se baseia no circo clássico, a exemplo do Circo de Soleil, e se apresenta sem lona e picadeiro. O Tholl foi criado pela Oficina Permanente de Técnicas Circenses, de Pelotas - OPTC que é precursora da nova arte circense no Estado. Em 1995 é montado o primeiro espetáculo chamado “Performances”, encenado durante dois anos. Novos integrantes mesclam-se ao elenco para a montagem de “Visions”, consolidando a OPTC como grupo atuante na cidade, no estado e em estados vizinhos como Santa Catarina e Paraná. No ano de 2002 começa a montagem do espetáculo “Tholl, Imagem e Sonho”, com um elenco renovado de dezessete artistas entre adultos, adolescentes e crianças nas atividades de clown, equilíbrio em bola, acrobacia, tecidoaéreo, arco-aéreo, monociclos, pernas-de-pau, pirofagia, contorcionismo, equilibrismo e malabarismo num espetáculo preciso e emocionante. Em termos de eventos a Feira Nacional do Doce, Fenadoce, realizada anualmente desde 1986, é um acontecimento gastronômico que apresenta a tradição na produção de doces de Pelotas e que agrega em sua programação shows, gastronomia, lazer e turismo. A Fenadoce atrai, para o município, grande fluxo de turistas do país, da Argentina, Uruguai e de outros países para conhecer a culinária pelotense e degustar os doces de origem portuguesa, além de doces de outras origens alemã, italiana e árabe. Pelotas possui um grande potencial cenográfico, visto que já foi cenário de várias produções culturais da televisão e do cinema brasileiros. As produções de maior repercussão foram Incidente em Antares, cuja locação foi feita na zona do porto, A Casa das Sete Mulheres na Charqueada São João e O Tempo e o Vento com cenas gravadas recentemente (abril de 2012) na Charqueada da Costa. Este último apenas algumas cenas da personagem Bibiana foram gravadas em Pelotas. As cenas externas, além das em Pelotas, foram gravadas em Bagé, no Parque do Gaúcho, onde foi construída a cidade cenográfica de Santa Fé, cenário da maior parte da história. As 17 edificações, construídas em uma área de 10 mil metros quadrados, serão revertidos para o município. Todas as cenas de estúdio foram rodadas no polo cinematográfico de Paulínia, interior de São Paulo (DIÁRIO POPULAR, 2012). Recentemente, a Citröen, empresa francesa fabricante de automóveis, escolheu Pelotas como cenário para o lançamento de um modelo de veículo, tendo em vista que a empresa procurava uma cidade com a "cara" de Paris. 179 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.2.3. O PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NO CENTRO DESENVOLVIMENTO: DESAFIO A SER ENFRENTADO EMPRESARIAL. DA ESTRATÉGIA DE PELA COMUNIDADE A filmagem do Tempo e o Vento é um bom exemplo de conjunção de atividades que integram as três categorias (Patrimônio Histórico, Design e Visual e Mídia e Espetáculos ao Vivo) do conceito de indústria criativa do Fórum de St. Petersburg. A matéria do DIÁRIO POPULAR referida acima dá bem uma ideia dos impactos locais capazes de produzir a indústria criativa. Os números relativos somente à produção das cenas externas do Tempo e o Vento em Bagé e Pelotas, em apenas 12 dias de filmagem em Pelotas e 42 dias em Bagé, são os que seguem: 309 cenas; 115 atores; dois mil figurantes; 20 locações; quatro cidades; 20 departamentos; 100 técnicos na equipe vindos do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e EUA; 10 mil metros quadrados de cidade cenográfica (Santa Fé, em Bagé); 80 trabalhadores na construção e 17 edificações que vão ser incorporadas ao patrimônio cultural local. A filmagem demandou toda uma cadeia de suprimentos que integram o conceito de indústria criativa. Foi, no entanto, o Patrimônio Histórico (na classificação do Fórum de St. Petersburg) a categoria encadeadora das demais indústrias criativas e antes dele a imortal produção literária de Érico Veríssimo. O núcleo das indústrias criativas é constituído de 42 indústrias (seção 1.5.2.1 deste Relatório). Dentre estas são as que integram a categoria Patrimônio Histórico que efetivamente diferenciam Pelotas, enquanto território competitivo. Nas últimas décadas a demanda pelos produtos e serviços intensivos em conteúdo histórico cultural foi uma das que mais cresceu, em especial no mundo desenvolvido. A cultura assumiu uma centralidade econômica no mundo moderno e isto não ocorreu em Pelotas, muito embora o crescimento do setor cultural local tenha acontecido pelas ações governais nos últimos 30/40 anos, destacando-se as de tombamento e de preservação do patrimônio arquitetônico. Paralelamente a comunidade empresarial não demonstrou interesse maior em investir em atividades intensivas em conteúdo histórico cultural. No momento em que a sociedade local constrói uma visão de futuro e uma estratégia para lá chegar - o PEDL - no entendimento dos autores deste relatório é de prioridade máxima desenvolver a economia da cultura com a participação predominante do empreendedor privado, que da condição de consumidor e, em alguns casos, de mecenas, passaria a ser produtor também. No final do primeiro capítulo propõe-se o APL Pelotas tendo o turismo como setor organizador. 180 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.3. SAÚDE A infraestrutura de saúde também é considerada pelo World Economic Forum um dos requisitos que sustentam a qualidade do processo de desenvolvimento e por isto integra o seu índice de competitividade. Por ser um dos requisitos básicos da produtividade social, a saúde costuma ser um segmento propulsor de inovações tecnológicas e por isto tem a capacidade de obter desempenho econômico elevado. Estas razões colocam o setor como elemento central da estratégia de desenvolvimento local de Pelotas. 2.3.1. INDICADORES DE SAÚDE EM PELOTAS O coeficiente de mortalidade infantil é um indicador de saúde que, além de informar a respeito dos níveis de saúde de uma população, sintetiza as condições de bem-estar social, político e ético de dada conformação social (Costa, 1995). Isto porque indica a probabilidade de sobrevivência no primeiro ano de vida e, por essa razão, reflete não só as condições concretas de moradia, salário etc., mas também - e, talvez, principalmente - o compromisso de determinada sociedade com a sua reprodução social, ou seja, em que medida a sociedade protege a sua renovação geracional (Leal et al., 1996). Dentre as capitais regionais, Pelotas é a que apresenta o maior coeficiente de mortalidade infantil se comparado às outras capitais regionais (tabela 2.3.1). O município de Pelotas possui sete hospitais com 1.184 leitos disponíveis e a terceira maior taxa de mortalidade/ano (5,1%) dentre as capitais regionais. Este indicador expressa causas que precisam ser diagnosticadas. Tabela 2.3.1 - Coeficiente de Mortalidade Infantil em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2010 Capital Regional Por mil nascidos vivos Pelotas 15,08 Rio Grande 11,44 Santa Maria 14,22 Passo Fundo 7,69 São Leopoldo 11,19 N. Hamburgo 11,21 Caxias do Sul 12,91 Fonte: Fundação de Economia e Estatística/FEEDADOS. 181 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 2.3.2 – Infraestrutura Hospitalar, Internações, Óbitos e Taxa de Mortalidade em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2010. Capital Regional Hospitais Leitos Internações/ ano Óbitos/ano Taxa de Mortalidade/ Ano (%) Pelotas 7 1.168 25.006 1.265 5,1 Rio Grande 3 756 18.617 898 4,8 Santa Maria 10 985 14.976 668 4,5 Passo Fundo 8 1.137 33.083 1.487 4,5 São Leopoldo 1 249 12.173 823 6,8 N. Hamburgo 5 421 12.151 734 6,0 Caxias do Sul 7 1.294 26.424 1.208 4,6 Fonte: Fundação de Economia e Estatística/FEEDADOS. O Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) é um indicador síntese, que faz uma aferição contextualizada do desempenho do Sistema de Único de Saúde (SUS) quanto ao acesso (potencial ou obtido) e à efetividade da Atenção Básica, das Atenções Ambulatorial e Hospitalar e das Urgências e Emergências49. O IDSUS avalia o Sistema Único de Saúde que atende aos residentes nos municípios, regiões de saúde, estados, regiões, bem como em todo país. É importante destacar que, em função da grande diversidade territorial (demográfica, cultural, socioeconômica, geográfica, etc.) do Brasil, não seria adequado realizar uma classificação que apenas posicionasse, em ordem crescente ou decrescente, os municípios brasileiros. Assim, para realizar uma avaliação mais justa, a análise comparativa das notas do IDSUS deve ser feita por meio dos Grupos Homogêneos. Apenas dentro deles, por apresentarem características similares entre si, é possível traçar um paralelo comparativo. Tabela 2.3.3 – IDSUS em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul– 2011. Capital Regional Pelotas Rio Grande Santa Maria Passo Fundo São Leopoldo N. Hamburgo Caxias do Sul IDSUS Grupo Homogêneo 5,70 5,02 5,22 6,43 5,67 5,35 6,08 2 2 2 2 3 3 2 Fonte: Ministério da Saúde – MS. 49 A pontuação ou nota utilizada no cálculo do IDSUS é uma proporção do resultado em relação ao parâmetro. Ou seja, ela é igual ao resultado do indicador, em cada município, dividido pelo seu respectivo parâmetro. Este quociente forma uma nota de 0 a 10 para cada indicador simples e mostra a distância entre a situação atual e a desejada. As notas, obtidas para cada indicador simples por meio da ponderação pelo método do PCA (Análise de Componente Principal) resultam em índices de acesso potencial ou obtido e efetividade nos diferentes níveis de atenção e no IDSUS (IDSUSMinistério da Saúde Ano 1, 2011 www.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm). 182 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.3.1.1. ACESSO POTENCIAL OU OBTIDO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE O indicador de acesso potencial mede a capacidade das pessoas em obter os serviços necessários de acordo com os valores que os serviços necessários no lugar e momento certo. Nesse sentido, Pelotas tem boa cobertura populacional estimada pelas Equipes Básicas de Saúde (7,56) e boa proporção nascidos vivos de mães com 7 ou mais consultas de pré-natal. Em relação a cobertura populacional estimada pelas Equipes Básicas de Saúde Bucal Pelotas está em nível intermediário (4,02), conforme a tabela 2.3.3. A atenção ambulatorial e hospitalar de média complexidade apresenta índices inferiores nas quatro modalidades de atendimento. A atenção ambulatorial e hospitalar, referência de média e alta complexidade e urgência e emergência baixos coeficientes requerendo uma análise específica de suas causas. Tabela 2.3.3 – IDSUS: Atenção Básica em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2011. Capital Regional Cobertura populacional estimada pelas Equipes Básicas de Saúde Cobertura populacional estimada pelas Equipes Básicas de Saúde Bucal Proporção nascidos vivos de mães com 7 ou mais consultas de pré-natal Pelotas 7,56 4,02 8,51 Rio Grande 5,06 1,51 7,71 Santa Maria 5,20 3,97 7,79 Passo Fundo 6,10 10,00 7,82 São Leopoldo 4,61 3,65 8,94 N. Hamburgo 4,38 3,72 8,89 Caxias do Sul 6,08 3,67 8,91 Fonte: Ministério da Saúde – MS. Tabela 2.3.4 – IDSUS: Atenção Ambulatorial e Hospitalar de Média Complexidade em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2011. Capital Regional Razão de exames Razão de Razão de exames de Razão de citopatológicos do colo procedimentos mamografia realizados internações clínicodo útero em mulheres de ambulatoriais em mulheres de 50 a cirúrgicas de média 25 a 59 anos e a selecionados de média 69 anos e população complexidade e população da mesma complexidade e da mesma faixa etária população residente faixa etária população residente Pelotas 4,96 3,68 2,81 5,80 Rio Grande 2,53 0,50 2,90 7,83 Santa Maria 4,16 2,84 5,64 3,64 Passo Fundo 5,13 3,35 3,39 9,09 São Leopoldo 4,66 3,75 3,04 6,92 N. Hamburgo 4,59 1,84 2,80 6,01 Caxias do Sul 5,13 4,05 3,72 4,47 Fonte: Ministério da Saúde – MS. 183 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 2.3.5 – IDSUS: Atenção Ambulatorial e Hospitalar, Referência de Média e Alta Complexidade e Urgência e Emergência – Não Residentes Pelotas e demais Capitais Regionais – 2011. Capital Regional Proporção de procedimentos ambulatoriais de média complexidade realizados para não residentes Proporção de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade realizados para não residentes Proporção de internações de média complexidade realizadas para não residentes Proporção de internações de alta complexidade realizadas para não residentes Pelotas 1,57 2,02 2,68 1,73 Rio Grande 0,00 1,66 1,54 3,00 Santa Maria 4,17 8,39 2,17 3,63 Passo Fundo 6,33 6,05 6,72 10,00 São Leopoldo 0,00 0,00 0,00 0,00 N. Hamburgo 2,58 0,00 0,00 0,26 Caxias do Sul 4,61 4,48 1,89 3,34 Fonte: Ministério da Saúde – MS. 2.3.1.2. EFETIVIDADE A efetividade indica o grau de atingimento dos resultados esperados em assistência, serviços e ações. Pelotas apresenta, comparativamente as capitais regionais boa performance na proporção de internações sensíveis a atenção básica ISAB, na proporção de cura de casos novos de tuberculose pulmonar bacilífera (10,0) e na proporção de cura de casos novos de hanseníase (10,0). Todavia na taxa de incidência de sífilis congênita apresenta taxa elevada (9,10) comparativamente (tabela 2.3.6). Tabela 2.3.6 – IDSUS: Atenção Básica em Pelotas e nas demais Capitais Regionais em 2011. Capital Regional Proporção de Internações Sensíveis a Atenção Básica ISAB Taxa de Incidência de Sífilis Congênita Proporção de cura de casos novos de tuberculose pulmonar bacilífera Proporção de cura de casos novos de hanseníase Pelotas 7,95 9,10 10,00 10,00 Rio Grande 9,72 6,50 9,40 10,00 Santa Maria 9,90 8,67 8,79 10,00 Passo Fundo 10,00 3,58 9,52 6,66 São Leopoldo 10,00 10,00 7,62 10,00 N. Hamburgo 10,00 4,98 9,84 10,00 Caxias do Sul 10,00 3,69 8,12 10,00 Fonte: Ministério da Saúde – MS. 184 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 2.3.2. CONCLUSÕES: GRANDE ESPAÇO PARA MELHORIA DO ATENDIMENTO INTERAÇÃO DOS ELOS LOCAIS DA CADEIA DE BENS E SERVIÇOS DE SAÚDE. E DE No primeiro capítulo (seção 1.5.2) foi apresentada a estrutura e o tamanho do setor de prestação de serviços de saúde comparando Pelotas com as demais capitais regionais. Já o presente capítulo apresenta indicadores a respeito do funcionamento desta estrutura enquanto prestadora de serviços. O segmento Saúde Humana e Serviços Sociais é o segundo mais importante de Pelotas com 14,2% do número de empregados de todo o setor de Serviços, sendo superado somente pelo segmento da Administração Pública. Pelotas é a terceira capital regional com 4,1% do emprego do setor no Rio Grande do Sul, estando atrás de Caxias do Sul e de Passo Fundo, com 5,7% e 4,2%, respectivamente. Dentre as sete capitais regionais, além de Pelotas, com Quociente de Localização de 1,3, somente Passo Fundo e Santa Maria, são especializadas em Saúde Humana e Serviços Sociais, com Quocientes de Localização de 1,9 e 1,1, respectivamente (tabela 1.5.7). A tabela 1.5.8 mostra detalhadamente a estrutura do setor em Pelotas e o Quociente de Localização de 1,3 está a indicar que no município o setor é 30% mais importante para o total do emprego de mão de obra (agropecuária, indústria e serviços) do que o é para o conjunto das capitais regionais. Ainda na dimensão mais econômica da importância da cadeia da saúde em Pelotas o primeiro capítulo mostra que uma das suas indústrias mais expressivas é a de Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos Ópticos, com nove empresas e 510 empregados e com o mais alto quociente de especialização, 10,3. Nesta indústria, considerado o número de empregados, Pelotas tem a segunda maior participação no plano estadual, 21,2%, superada apenas por Porto Alegre, com 27,5%. No que respeita a prestação dos serviços finais de saúde, em algumas modalidades os indicadores mostram desvantagem de Pelotas em relação às demais capitais regionais. Há, no entanto, uma enorme capacidade de infraestrutura para dar apoio a expansão quantitativa e qualitativa dos serviços ao seu consumidor final e um elevado potencial para o desenvolvimento da cadeia de produção de bens e de serviços de saúde. 185 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 3. INFRAESTRUTURA ECONÔMICA A infraestrutura corresponde às condições indispensáveis para o desenvolvimento local constituindo pré-requisito necessário para a melhoria do bem-estar da população que objetiva viabilizar o acesso a serviços básicos como energia elétrica, comunicações, transportes urbanos e saneamento. A competitividade do fator infraestrutura é fundamental para a atratividade e o incremento de atividades econômicas, e também, serve como estímulo a sua melhoria contínua. Paralelamente, a ampliação da infraestrutura promove a redução de custos, o aumento da produtividade, o aprimoramento da qualidade dos bens e serviços da estrutura produtiva e sustentando o processo de desenvolvimento local. 3.1. ACESSO RODOVIÁRIO O município de Pelotas está situado na confluência das rodovias BR 116, BR 392, BR 471, que no seu conjunto acessam aos países do MERCOSUL e as demais cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil. Está localizada a 255 km de Porto Alegre, a 140 km da fronteira do Uruguai, por Jaguarão a 220 km pelo Chuí, e a 600 km da fronteira da Argentina. Pelotas tem acesso rodoviário através das seguintes rodovias: BR 116 que liga Pelotas a Porto Alegre e Jaguarão. Este segmento da rodovia está concessionado à iniciativa privada com cobrança de pedágio, incluindo o trecho entre as cidades de Camaquã a Jaguarão. BR 392 – que acessa Pelotas a Rio Grande e a Santa Maria. Este acesso, também, é concessionado no trecho Santana da Boa Vista a Rio Grande, com cobrança de pedágio entre Canguçu e Pelotas, e entre Pelotas e Rio Grande. BR 293 que liga Pelotas a Bagé e Santana do Livramento (fronteira com Uruguai), sendo este trecho concessionado sem cobrança de pedágio. BR 471 que liga Vila da Quinta (Rio Grande) e Chuí (fronteira com o Uruguai) trecho Federal sem cobrança de pedágio. Pelotas faz parte do grande corredor viário, composto pelas BRs 392, 116 e 471, por onde transitam grande parte das exportações e importações do Estado do Rio Grande do Sul (figura 3.1). Perspectivamente, Pelotas será beneficiada por um conjunto de obras relevantes que irão contribuir a para melhorar a sua acessibilidade e inserção competitiva, conforme segue: BR-392 - duplicação entre Pelotas e Rio Grande com obras em andamento; 186 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL BR-116 - duplicação no trecho Guaíba/Pelotas com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento - PAC estimados em R$ 1,52 bilhão (esta obra já está com a ordem de serviço para o início das obras); BR 116/392 - contorno de Pelotas com a previsão de investimentos de R$ 780 milhões e, após 2014 mais R$ 173,9 milhões, totalizando R$ 953,9 milhões. Anel viário de acesso a Pelotas orçado em R$ 430 milhões; Construção da segunda ponte sobre o Guaíba orçado com custo estimado de R$ 900 milhões sendo que este projeto está em fase de estudo. Figura 3.1 - Rodovias de Acesso a Pelotas Fonte: Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem – DAER/RS. 3.2. ACESSO FERROVIÁRIO Pelotas é servida por ferrovia que leva ao porto do Rio Grande e propicia além da ligação com os demais estados do Brasil, também, com a Argentina, Paraguai e Chile. Situada na escala do principal corredor ferroviário, Pelotas está localizada no trecho final de um dos dois corredores ferroviários do Rio Grande do Sul, o primeiro, que liga as cidades de Cacequi e Rio Grande, considerado o principal corredor de exportação do Estado, e o segundo, que liga Uruguaiana a Porto Alegre. 187 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O acesso ferroviário a Pelotas integra a concessão denominada Malha Sul sendo operada pela empresa ALL - América Latina Logística S.A (figura 3.2) Figura 3.2 - Ligação Ferroviária Malha Sul Fonte: América Latina Logística S.A. – ALL. A Malha Sul, onde está inserida Pelotas, possui uma extensão total de 7.265 km, sendo 7.254 km com bitola 1,00 e 11 km com bitola 1,44 m e tem pontos de intercâmbio com a Malha Oeste em São Paulo, com a Ferroeste - Estrada de Ferro Paraná - Oeste em Guarapuava – PR, no Uruguai com a AFE – Administración de Ferrocarriles del Estado responsável pelo trecho Montevideo - Santana do Livramento, RS e na Argentina com a Ferrocarril Mesopotamico operadora do trecho General Orquiza – Uruguaiana, RS. Também possui pontos de interconexão com Portos de Presidente Epitácio – SP, Paranaguá – PR, São Francisco do Sul – SC, Porto Alegre – RS, Rio Grande – RS e Estrela - RS (Terminal Hidroviário). Pelotas está conectada por via férrea o com os demais Estados do Brasil, bem como a Argentina e o Uruguai caracterizando-se como modal estratégico para sua integração logística. 188 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Em termos de perspectiva, embora o projeto de construção da Ferrovia Norte-Sul entre o Paraná e o Porto de Rio Grande, tenha sido excluído pelo Governo Federal do novo Plano de Concessões, tem a garantia do Ministério dos Transportes e da recém-criada Empresa de Planejamento e Logística (EPL) da construção do trecho de 1,6 mil quilômetros até o porto gaúcho, passando por Chapecó (SC) e Passo Fundo, como solução para os gargalos no transporte de cargas na Região Sul. Segundo a VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes dará continuidade à licitação para a elaboração dos estudos técnicos da ferrovia que tem o custo estimado em R$ 7,2 bilhões. Um estudo realizado pelo movimento Sul Competitivo liderado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e pelas Federações das Indústrias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (FIEP, FIESC e FIERGS) - aponta que se a Ferrovia Norte-Sul for implementada no trecho entre Panorama (SP) e o Porto de Rio Grande, em uma década poderá representar uma economia anual de R$ 755 milhões em logística evitando um colapso no transporte das cargas gaúchas, em especial de grãos, da região do Planalto gaúcho para o Porto de Rio Grande. 3.3. ACESSO HIDROVIÁRIO O Canal São Gonçalo localizado em Pelotas, como importante via fluvial do estado do Rio Grande do Sul, é navegável em toda a sua extensão e se constitui como ligação entre as lagoas dos Patos e Mirim. A hidrovia Lagoa dos Patos-Lagoa Mirim é totalmente navegável e possibilita atingir a fronteira com o Uruguai pela Lagoa Mirim. Dessa forma, Pelotas está integrada a rede hidroviária do Rio Grande do Sul caracterizando sua importância pela ligação dos portos interiores do Estado com o porto exportador de Rio Grande através da Lagoa dos Patos e com o Oceano Atlântico através do acesso marítimo pela Barra de Rio Grande (figura 3.3). 189 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 3.3 - Hidrovia da Lagoa dos Patos, RS Fonte: Secretaria Estadual de Infraestrutura do Rio Grande do Sul – SEINFRA – RS. 3.3.1. PORTO DE PELOTAS 3.3.1.1. CONTEXTO HISTÓRICO O canal de São Gonçalo possui uma grande importância histórica para a formação da cidade de Pelotas porque ao longo de seu percurso se constituíram diversas atividades comerciais e industriais de grande porte entre as quais as charqueadas. O bairro Porto se desenvolveu nas últimas décadas do século XVIII com a instalação do polo charqueador que impulsionou a atividade econômica local, visando, estrategicamente, o escoamento da produção através da bacia hidrográfica da Lagoa dos Patos (LIHTNOV, BARROS e GONÇALVES). Diante desse contexto histórico de Pelotas a região do Porto foi referência socioeconômica e cultural da cidade por sediar diversas atividades, entre as quais, as charqueadas localizadas no Canal São Gonçalo. Para atingir tal condição esta área experimentou um intenso processo de transformações que culminaram na alteração de seu ambiente natural, vindo a constituir-se em expressivo patrimônio arquitetônico para a cidade. Todavia, durante muito tempo esta área ficou entregue ao abandono e a decadência resultando, por consequência, na desvalorização imobiliária e culminando descentralização do centro urbano em direção a outro espaço da cidade. 190 na Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O Porto de Pelotas está localizado à margem esquerda do Canal São Gonçalo, na Lagoa dos Patos fica distante apenas 12 km da rota dos navios para Porto Alegre e somente 55 km de distância de Rio Grande e a 278 km da capital Porto Alegre. O canal de São Gonçalo possui dois trechos um que liga a Lagoa dos Patos com 12 km de extensão e com calado de 17 pés (5,20m) e outro que liga à Lagoa Mirim com 58 km e 8 pés de calado (2,50 metros) (figura 3.4). Figura 3.4 – Porto de Pelotas – Vista Aérea Fonte: Superintendência de Portos e Hidrovias – SPH-RS. 3.3.1.2. OPERAÇÃO DO PORTO DE PELOTAS O Porto de Pelotas, administrado pela Superintendência de Portos e Hidrovias, exerce importante papel no processo de desenvolvimento econômico da Metade Sul na geração de trabalho e renda e na diminuição dos custos logísticos para as empresas exportadoras e importadoras da região. As operações de cargas e descargas são efetuadas com rapidez e segurança, garantidas pela constante qualificação do trabalho, da modernização dos seus equipamentos, da conservação e adequação dos armazéns e da segurança realizada por profissionais especializados. A movimentação média de cargas no período 2007 – 2011 é de aproximadamente 350 mil toneladas/ano (tabela 3.1). 191 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 3.1 – Movimentação de Cargas no Porto de Pelotas 2007- 2011. 2007 2008 2009 2010 2011 354.019 430.459 359.392 337.252 332.709 Fonte: Superintendência de Portos e Hidrovias – SPH-RS. O porto de Pelotas recuperou a sua condição de porto alfandegado pela Receita Federal e considerando sua proximidade com o porto de Rio Grande, é também um porto alimentador tendo boa disponibilidade de armazenagem em áreas fechadas e abertas. 3.3.1.3 - REVITALIZAÇÃO DA ÁREA DO PORTO DE PELOTAS Em 2002 foi realizado em Pelotas, com o objetivo de propor alternativas para a revitalização da Zona do Porto de Pelotas, o Ateliê SIRCHAL (Seminário Internacional de Revitalização de Centros Históricos na América Latina e Caribe). Esta ação que teve como objetivo analisar alternativas para este espaço urbano com rico patrimônio cultural foi objeto de cooperação técnica entre a Caixa Econômica Federal e o Governo Francês, com a participação do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional e do Estado do RS, respectivamente, IPHAN e IPHAE, através da Coordenadoria de Patrimônio Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura Municipal de Pelotas. Reunindo mais de trinta participantes, representando a Prefeitura Municipal, os Governos Federal e Estadual, as Universidades, a Iniciativa Privada, a comunidade de Pelotas e especialistas internacionais, o Ateliê SIRCHAL teve por objetivo a elaboração de um Plano de Ações, concretas e operacionais, que possibilitarão a participação do desenvolvimento do processo de “Revitalização da Zona do Porto”. Foi consenso entre todos os participantes do referido Ateliê a percepção das potencialidades da Zona do Porto, área que, ao longo dos anos, sofreu um processo de degradação por sua desvalorização. Os participantes reconheceram que a implantação do Campus da Universidade Federal de Pelotas - atualmente abrigando a própria Reitoria - e a reativação da atividade portuária, representam um novo e importante estimulo à área. Segundo o Ateliê a Revitalização da Zona do Porto implica assumir princípios de desenvolvimento urbano que destacam, entre outros aspectos: a mudança na prática de expansão da cidade para o aproveitamento e transformação de áreas consolidadas, como a zona do Porto, já dotada de infraestrutura urbana e de serviços; uma nova dinâmica urbana nas dimensões social, econômica, imobiliária, natural e cultural; 192 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL a promoção da conciliação entre a valorização do patrimônio cultural e o desenvolvimento econômico; e a importância da reabilitação de estoque edificado degradado e disponível. Com base em um diagnóstico inicial elaborado pela Prefeitura Municipal de Pelotas, das orientações do Governo Municipal, e considerando as propostas anteriormente existentes e em processo de estudo, os participantes do Ateliê indicaram os principais problemas e potencialidades distribuídos em três temas, quais sejam: Patrimônio, Zona do Porto e Habitação. 3.3.1.4. RECOMENDAÇÕES PARA A REVITALIZAÇÃO DA ÁREA DO PORTO DE PELOTAS A realização do Ateliê caracterizou-se como parte de um processo de discussão mais amplo da sociedade pelotense sobre os rumos do desenvolvimento urbano integrado à preservação e valorização do seu patrimônio cultural voltado a revitalização da área do Porto de Pelotas tendo identificado potencialidades e sugerindo proposições conforme descrito na sequência. 3.3.1.4.1 - POTENCIALIDADES A área apresenta grande potencial para ser reapropriada em termos simbólicos e materiais como um dos elementos fundamentais da construção de identidades da cidade. Possui importante acervo remanescente de edificações de interesse para preservação, possibilitando recuperações com múltiplos usos a serem definidos, pelo fato de ser uma zona de interface entre a cidade e o canal São Gonçalo, apresentando condições de valorizar lugares de memória importantes para a cidade e sua população. A inserção do Porto de Pelotas na política global de “alimentador” e o seu relacionamento direto com o Porto de Rio Grande, de importância transatlântica, aumentam a credibilidade do transporte hidroviário no Município e região. A reativação do Porto gera condições de um real desenvolvimento da atividade comercial e um incremento na economia local, que, por sua vez, gera emprego, renda, aumento na arrecadação fiscal e notoriedade. A Universidade Federal, com o campus das Ciências Sociais, foi a nova atividade que a Zona do Porto ganhou, a partir de 1988, e que deu um novo status a essa área. Esse novo vetor deu outro impulso à Zona do Porto com a revitalização do prédio da antiga Cooperativa de Lãs (COSULÃ), entre outros. 193 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A presença da Universidade incrementou a oferta de serviços de apoio. Os prédios industriais, que foram um espaço de trabalho e desenvolvimento no passado, poderiam ser agentes da nova transformação, funcionando como elementos de transição entre o Porto e cidade. Foi constatada a necessidade de levantamento físico espacial, socioeconômico e jurídico, visando quantificar as disponibilidades de imóveis ociosos, áreas destinadas à construção de novas moradias, bem como de ampliações de unidades para uso habitacional ou misto. 3.3.1.4.2 - PROPOSIÇÕES As propostas na área do patrimônio objetivam a reapropriação do bairro pelos habitantes da cidade como um todo, nas suas dimensões materiais e imateriais, como a reabilitação do patrimônio arquitetônico e urbano da área, o restabelecimento das ligações afetivas da cidade com o canal São Gonçalo, a valorização dos lugares de memória do espaço urbano, considerando a compatibilização entre as políticas de preservação, a valorização do patrimônio e o desenvolvimento almejado. O Governo do Estado está implementando a reativação da atividade portuária, ferramenta econômica importante para o município, indicando a sua futura ampliação. As Universidades propõem o incremento da atividade universitária e a utilização dos antigos prédios fabris da Zona do Porto, para desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão nas mais diversas áreas de abrangência. Para atendimento da demanda por melhoria das condições de habitação na área, são propostas alternativas que objetivam a manutenção e/ou ampliação de moradias existentes, construção de novas habitações em lotes vazios, reabilitação de imóveis ociosos, produção de imóveis de uso misto, habitacional e comercial, e a realocação total ou parcial de moradias localizadas em áreas impróprias para o uso habitacional. Conclusivamente, os participantes do Ateliê propuseram como seguimento de sua avaliação para que as proposições expressas neste Plano de Ações fossem concretizadas efetivando a revitalização da área do Porto sugerindo: Agenda de compromissos entre as Instituições envolvidas no Ateliê SIRCHAL; Discussão com a comunidade interessada na Zona do Porto; Inclusão da proposta do Ateliê nos trabalhos desenvolvidos para a elaboração do novo Plano Diretor; 194 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Indicação, pela Prefeitura Municipal, de coordenador responsável pela continuidade das ações do Ateliê SIRCHAL. A avaliação de potencialidades, as proposições e a sinalização de um plano de ação resultantes do Ateliê SIRCHAL configuram importante marco de referencia para a resolutividade urbanística e socioeconômica da área do porto de Pelotas. Esta consultoria recomenda e reforça a necessidade de estruturação de uma governança específica para dar seguimento ao referido plano de ações proposto com objetivo de viabilizar o resgate desta área que integra passado, presente e futuro ao contexto do desenvolvimento local de Pelotas. 3.4. ACESSO AÉREO O Aeroporto Internacional de Pelotas foi fundado em 1935 e tem sua história ligada ao pioneirismo da aviação comercial. O aeroporto serviu como pouso intermediário e primeira escala, ainda nos anos 20, do século passado, dos vôos da recém-criada Viação Aérea Riograndense - Varig. Através do Aeroporto de Pelotas, durante muitos anos, as populações da região da fronteira uruguaia embarcavam para chegar a Porto Alegre, distante pouco menos de 300 quilômetros. Naquele tempo, em aeronaves movidas a motor de pistão, o percurso demorava mais de uma hora. Pelotas é hoje a principal porta para as aeronaves da FAB - Força Aérea Brasileira - que demandam a base brasileira da Antártida. Mantendo seu status de internacional, é frequentado por aeronaves da aviação executiva e agrícola. Está localizado a sete quilômetros do centro da cidade, tem uma área total de 276 ha, e uma área construída de 1.822 m². O aeroporto possui uma pista de concreto com 1.980 m de comprimento por 42m de largura, com iluminação para pouso/decolagem noturnos, possui também equipamentos de auxílio à navegação aérea, tais como: VOR e NDB, cartas de saída/chegada por instrumento, salas de embarque/desembarque doméstico e internacional, além de equipamentos de segurança capazes de atender aeronaves de pequeno e médio porte, com auxílio do Corpo de Bombeiros e rede de hospitais da cidade. Conforme os dados da tabela 3.2 no Aeroporto Internacional de Pelotas, no período 2007/ 2011, ocorreu um crescimento na movimentação de passageiros de 146% e um decréscimo de 92,6%, em função da mudança de porte das aeronaves. O aeroporto detém a condição de alfandegado sendo alternativa de pouso para o aeroporto de Porto Alegre, com capacidade para receber aeronaves do porte do Boeing 737 e conta 195 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL com voos regulares da empresa aérea NHT Linhas Aéreas com destino a Porto Alegre e Rio Grande. Segundo a Infraero a companhia Azul Linhas Aéreas planeja a partir do início do segundo semestre de 2012 operar voos entre Pelotas e Campinas (SP), com escala em Porto Alegre o que contribuirá para a ligação direta entre Pelotas e o estado de São Paulo e a região sudeste. Tabela 3.2 - Movimentação de Passageiros e Cargas no Aeroporto de Pelotas 2007- 2011. Passageiros Cargas Domestico Internacional Total Doméstico Internacional Total 2007 3.724 144 3.868 215.193 - 215.193 2008 6.352 82 6.434 35.557 - 35.557 2009 6.172 23 6.195 18.720 - 18.720 2010 8.008 155 8.163 17.018 - 17.018 2011 9.274 229 9.503 16.010 - 16.010 % 149,0% 59,0% 145,7% -92,6% - -92,6% Fonte: Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO. 3.5. SISTEMA VIÁRIO Pelotas possui aproximadamente 650 km de vias urbanas, sendo 49% pavimentadas e 51% não pavimentadas. Tabela 3.3 – Frota de Veículos – Pelotas e outras Capitais Regionais 2010. Número de Veículos Capital Regional Total Passageiros Carga Outros Pelotas 143.850 120.287 16.623 6.940 Rio Grande 78.867 68.103 7.369 3.395 Santa Maria 110.998 91.904 12.850 6.244 Passo Fundo 87.561 71.710 10.548 5.303 São Leopoldo 83.355 71.249 8.068 4.038 N. Hamburgo 119.905 101.553 11.674 6.678 Caxias do Sul 231.960 185.050 30.744 16.166 Fonte: Fundação de Economia e Estatística/FEEDADOS. 196 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 3.6. SANEAMENTO 3.6.1. ABASTECIMENTO DE ÁGUA A população urbana de Pelotas tem acesso universalizado ao abastecimento de água em Pelotas. No total da população o acesso é de aproximadamente 96% (tabela 3.4). No abastecimento do total da população, Pelotas situa-se na 4ª posição no ranking das capitais regionais, estando à frente de Rio Grande, Santa Maria e Passo Fundo. Consumo de água per capita de Pelotas 126 litros/habitante/dia. É o terceiro menor índice entre as capitais regionais e a perda de água na distribuição é muito elevada (51,6%), o 2ª maior índice. Esta situação é muito perversa do ponto de vista do impacto social, econômico e ambiental e compromete a o esforço do município na prestação do abastecimento. Pelotas vem ao longo dos anos enfrentando dificuldades no abastecimento. Recorrentemente a Prefeitura se obriga a decretar situação de emergência e de restrições para o uso de água potável na área urbana de Pelotas porque a barragem Santa Bárbara fica abaixo do nível, gerando uma situação crítica de abastecimento. Na atual gestão este expediente foi usado três vezes em função das estiagens prolongadas. A Prefeitura, com vistas a utilização de recursos da ordem de R$ 45 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Ministério das Cidades, está implementando o processo licitatório para realizar as obras da Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo, além da construção de Estações Elevatórias de Água Tratada e Água Bruta e de Adutoras em Pelotas. A captação e o tratamento de água do São Gonçalo viabilizarão aproximar o índice de abastecimento de Pelotas aos das cidades dos países desenvolvidos. Tabela 3.4 - Saneamento - Abastecimento de Água em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2011. População total % População Urbana % Total (ativas + inativas) Ativas Quantidade de economias residenciais ativas ligações Pelotas 95,8 100,0 90.774 82.673 109.049 126,3 51,6 Rio Grande 85,8 89,3 57.575 53.239 63.952 144,0 44,0 Santa Maria 91,1 95,7 61.765 56.393 84.916 125,2 47,0 Passo Fundo 95,5 98,0 48.603 45.611 61.001 129,3 50,8 São Leopoldo 97,1 97,5 55.472 55.471 69.093 158,5 54,6 N. Hamburgo 96,3 98,0 62.523 50.513 65.810 110,7 48,7 Caxias do Sul 100,0 100,0 113.896 113.319 143.229 140,6 47,4 Capital Regional Índice de Atendimento com Rede de Água Quantidade de Ligações de Água Consumo médio per capita de água l/hab/dia Índice de Perdas na Distribuição % Fonte: Ministério das Cidades - Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental - Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento - SNIS - Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos – 2010. 197 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 3.6.2. ESGOTO SANITÁRIO O contexto do saneamento municipal no Rio Grande do Sul é bastante crítico e tem suas razões na falta de planejamento na alocação dos investimentos, na capacidade gerencial e operacional dos serviços e, fundamentalmente, na falta de conscientização social sobre a importância da coleta e do tratamento das águas servidas. Com relação ao esgoto sanitário é importante destacar que Pelotas tem uma tradição centenária tendo sido a primeira cidade gaúcha a ter serviço de coleta de esgoto doméstico conhecido como o serviço dos cabungos que recolhiam os dejetos em barris de madeira. O índice de atendimento da população total e urbana com redes de esgoto é de 57% e 60%, respectivamente (tabela 3.5). Pelotas ocupa a segunda melhor posição no ranking das capitais regionais sendo superada por Caxias do Sul com índices de atendimento de 78% e 81%, respectivamente. Registra-se que os dados de Novo Hamburgo não são comparáveis, pela razão ao pé da tabela 3.5. No que se refere ao índice de tratamento de esgotos Pelotas apresenta indicadores críticos onde 40% do esgoto coletado e apenas 18,2% do esgoto gerado são tratados. Referente a quantidade de ligações ativas e inativas, a cidade apresenta um percentual de 95%. Esta, portanto, é uma situação crítica e da maior prioridade da agenda estratégica da sociedade local e do seu governo. Tabela 3.5 – Saneamento: Tratamento de Esgoto em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2011. Índice de Atendimento com Rede de Esgotos Índice de Tratamento de Esgotos Quantidade de Ligações de Esgotos População Total % População Urbana % Esgoto Coletado % Esgoto Gerado % Total (ativas + inativas) Ativas Economias residenciais ativas Pelotas 55,6 59,6 40,0 18,2 39.611 37.500 59.357 Rio Grande 23,4 24,4 100,0 35,8 11.694 11.142 16.316 Santa Maria 45,6 48 100,0 77,6 20.540 19.232 40.246 Passo Fundo 15,5 15,9 100,0 27,6 2.637 2.468 9.587 São Leopoldo 27,5 27,6 100,0 33,2 11.978 11.977 19.523 2,4 2,4 100,0 2,3 328 319 1.559 77,8 80,8 14,2 10,1 92.609 92.567 121.627 Capital Regional N. Hamburgo 1/ Caxias do Sul Fonte: Ministério das Cidades - Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental - Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento - SNIS - Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos – 2010; 1/ Os índices referentes a cidade de Novo Hamburgo apresentam-se baixos tendo em vista que aquele município rompeu o contrato com a CORSAN e implantou uma empresa pública municipal para o atendimento dos serviços de água e esgoto. A Prefeitura Municipal de Pelotas vem implementando um conjunto de obras e projetos de Estações de Tratamento de Esgotos – ETEs (tabela 3.6) visando ampliar o índice de tratamento de esgotos dos atuais 40% para 95,5%. O ano referido na primeira coluna da 198 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL tabela é o que a ETE alcançará sua capacidade máxima de tratamento de esgoto. A partir de então, novas medidas deverão ser tomadas (aumento da capacidade ou construção de nova ETE). Tabela 3.6 – Saneamento: Estações de Tratamento de Esgoto – ETEs em Pelotas. ETEs ETE Novo Mundo (ano 2040) ETE Sítio Floresta (ano 2027) ETE Rodoviária (ano 2034) ETE Laranjal (ano 2034) ETE Centro/Simões Lopes (ano 2039) Localização Bairro Três Vendas Bairro Sítio Floresta Bairro Fragata Norte Praia do Laranjal Centro e Bairro Simões Lopes Capacidade de Tratamento 185 litros/hab./dia Vazão média 300 l/s 160 litros/hab./dia Vazão média 19,84 l/s 148 litros/hab./dia Vazão média 144,14 l/s 148 litros/hab./dia Vazão média 118,81 l/s 160 litros/hab./dia Vazão média 224,70 l/s Atendimento População Domicílios 118.533 30.000 5.576 1.400 59.194 14.800 32.944 8.250 95.922 24.000 Fonte: Prefeitura Municipal de Pelotas – UGP. 3.6.3. RESÍDUOS SÓLIDOS O tratamento e destino dos resíduos sólidos é prioritária no planejamento do desenvolvimento local, pois é um dos requisitos fundamentais para a qualidade de vida. Pelotas, a partir de 2013, deverá estar adequada a Lei nº 12.305 de 02/08/2010 que estabelece aos municípios a obrigatoriedade de elaborar o Plano de Manejo de Gestão de Resíduos Sólidos. A referida Lei em seu artigo 18º estabelece que a elaboração de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, nos termos previstos por esta Lei, é condição para o Distrito Federal e os municípios terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade. Conforme a tabela 3.6 a taxa de atendimento da população de Pelotas na cobertura e coleta de resíduos sólidos, em que pese seja elevada (96,9%) é a pior dentre as capitais regionais. Em relação ao volume de resíduos coletados, a tabela 3.8 informa que Pelotas é a segunda capital regional com o maior volume coletado (72.192 t). Este é um dado importante, pois a escala é fundamental para viabilizar o tratamento e a destinação dos resíduos sólidos. Pelotas junto com Rio Grande representa em volume coletado de aproximadamente 140 mil toneladas o que oportuniza a adoção de uma estratégia integrada. Nesse sentido, é potencialmente viável a formação de um consórcio intermunicipal para o enfrentamento 199 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL desta questão. Além da escala a proximidade é outro fator importante para viabilizar a implementação de tal alternativa. Tabela 3.7 – Resíduos Sólidos: População Atendida em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul em 2010. População atendida declarada Quantidade de coletadores e motoristas Capital Regional Urbana hab. Rural hab. Total % Prefeitura empregados Empresas empregados Coleta com Elevação de Contêiner Pelotas 306.193 12.000 96,9 6 85 Sim Rio Grande 189.429 7.799 100,0 8 76 Não Santa Maria 241.031 20.000 100,0 - - Não Passo Fundo 181.781 3.045 97,5 - - Não São Leopoldo 213.238 849 100,0 4 59 Sim N. Hamburgo 226.248 8.550 98,2 - 49 Não Caxias do Sul 419.406 16.158 100,0 - 340 Sim Fonte: Ministério das Cidades - Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental - Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento - SNIS - Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos – 2010. Tabela 3.8 – Resíduos Sólidos: Quantidade Coletada por Agente em Pelotas e nas demais Capitais Regionais do Rio Grande do Sul – 2010. Quantidade total de resíduos coletados Capital Regional Total - ton Prefeitura - ton Empresas - ton Associação de Catadores c/apoio da Prefeitura - ton Outros - ton Pelotas 72.192 - 72.192 - - Rio Grande 65.585 - 65.585 - - Santa Maria 65.000 - 45.000 20.000 - Passo Fundo 61.065 - 61.065 - - São Leopoldo 42.602 - 42.249 52 5.301 N. Hamburgo 54.719 - 54.719 - - Caxias do Sul 115.688 - 115.688 - - Fonte: Ministério das Cidades - Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental / Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento - SNIS / Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos – 2010 3.7. ENERGIA Pelotas é a 4ª capital regional no consumo de energia, a mesma posição que ocupa no ranking de PIB, e é a 2ª em população. 200 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O maior consumo de Pelotas é na classe residencial, responsável por 42,4% do total, seguido pelo consumo industrial, 23,7% do total. Em termos relativos Pelotas juntamente com Rio Grande tem o maior consumo de energia no setor rural e em termos absolutos é o 2º maior consumidor, superado apenas por Caxias do Sul (Tabela 3.10). Tabela 3.9 – Consumo de Energia Elétrica por Classe em Pelotas e nas demais Capitais Regionais em 2010 (MWh) Capital Regional Total Comercial Industrial Outros Residencial Rural Setor Público Pelotas 524.289 111.391 124.487 586 222.280 24.140 41.405 Rio Grande 472.405 88.256 90.671 99.068 125.978 22.329 46.103 Santa Maria 461.033 113.483 46.888 293 227.989 16.408 55.972 Passo Fundo 342.221 97.352 44.442 27.905 130.366 12.480 29.676 São Leopoldo 555.324 99.099 248.273 1.241 168.004 153 38.554 N. Hamburgo 616.292 142.995 208.782 264 209.500 3.726 51.025 Caxias do Sul 1.186.888 223.617 538.116 2.066 320.104 28.288 74.697 Fonte: Fundação de Economia e Estatística - FEEDADOS. Tabela 3.10 – Estrutura do Consumo de Energia Elétrica por Classe em Pelotas e nas demais Capitais Regionais em 2010 (%) Capital Regional Total Comercial Industrial Outros Residencial Rural Setor Público Pelotas 100,0 21,2 Rio Grande 100,0 18,7 23,7 0,1 42,4 4,6 7,9 19,2 21,0 26,7 4,7 9,8 Santa Maria 100,0 24,6 10,2 0,1 49,5 3,6 12,1 Passo Fundo 100,0 28,4 13,0 8,2 38,1 3,6 8,7 São Leopoldo 100,0 17,8 44,7 0,2 30,3 0,0 6,9 N. Hamburgo 100,0 23,2 33,9 0,0 34,0 0,6 8,3 Caxias do Sul 100,0 18,8 45,3 0,2 27,0 2,4 6,3 Fonte: Fundação de Economia e Estatística - FEEDADOS. 3.8. AS PRINCIPAIS PRIORIDADES DA INFRAESTRUTURA ECONÔMICA PARA O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Do ponto de vista da infraestrutura econômica talvez o que mais diferencia o município de Pelotas no contexto do Rio Grande do Sul e o torna um centro locacional dos mais atrativos, é o seu sistema de transportes, efetivo e potencial, de caráter intermodal – rodovia, hidrovia, ferrovia e aerovia. A figura 3.5 mostra que o custo do transporte de carga por rodovia no Brasil é, em média, 150% mais caro do que o hidroviário e 54% mais caro do que o ferroviário. Já a figura 3.6 201 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL mostra que no Brasil o modal rodoviário é responsável por 62% da movimentação de cargas, na Rússia, 8%, nos EUA, 32%, e na China, 50%. Considerando que alguns produtos, segundo dados da COPPEAD e Banco Mundial, têm até 80% do seu valor final alocado em custos de transportes, estas duas figuras mostram, por si só, o valor de Pelotas enquanto localização. O Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) divulgou recentemente que no Brasil, em 2010, os custos com logística representaram 10,6% do PIB e nos EUA, 7,7%. E mais do isto, a experiência mundial mostra que na medida em que um país se desenvolve os custos de logística como percentual PIB e da receita das empresas caem. No Brasil tem sido o contrário. Em 2005 representavam 7,4% da receita líquida das empresas, em média. Em 2011 passaram para 8,5% (ILOS, 2011). A intermodalidade de transportes de Pelotas leva naturalmente à proposição de que município estruture-se como plataforma logística e invista na integração de seus modais. Esta é uma prioridade de caráter estratégico e que se avulta pelo fato de que Rio Grande tem limitações para expandir a sua infraestrutura portuária. Está colocada, portanto, a oportunidade de Pelotas sediar uma plataforma logística que potencialize o seu porto como “alimentador” do porto de Rio Grande, sua conexão ferroviária como integradora, seus acessos rodoviários e sua estrutura aeroviária em componentes viabilizadores de integração regional e capaz de dar suporte aos crescentes fluxos de pessoas, bens e serviços. 202 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Com relação ao porto, Pelotas está diante de conflitos de uso e precisa buscar uma solução de equilíbrio entre a modernização do espaço urbano e o desenvolvimento sustentável, tarefa que não é trivial, pois é sabido que, muitas vezes, há um trade-off entre os dois objetivos. Nessa direção, o desafio da revitalização da área do Porto, a partir das contribuições do Ateliê SIRCHAL, estruturam as condições de governança necessárias para efetivar o resgate sociocultural daquela histórica área da cidade e de outro reativar e ampliar a atividade portuária, ferramenta econômica extremamente importante para o desenvolvimento da sociedade local. O outro bloco absolutamente prioritário é o dos investimentos em saneamento, área em que Prefeitura Municipal tem como objetivo implementar o Plano Municipal de Saneamento, contemplando as seguintes ações: Planos Plano Diretor de Abastecimento de Água - PDA; Plano Diretor de Esgotamento Sanitário – PDE; Plano Diretor de Drenagem Urbana – PDDN; Plano Diretor de Limpeza Urbana – PDR. Projetos Executivos Micro e macrodrenagem urbanas; 203 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Coletor Geral (CG3) e Estação de Tratamento de Esgoto Novo Mundo; Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo; Casas de Bombas de Drenagem Pluvial. Este conjunto de planos e projetos representa importante decisão estratégica para a readequação e modernização de uma infraestrutura centenária de saneamento, além de agregar valor ambiental e sustentabilidade ao desenvolvimento local. 204 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 4. INFRAESTRUTURA AMBIENTAL O estudo denominado “Consolidação e Complementação de Diagnóstico Ambiental controle de atividades poluidoras em porção do litoral Sul do RS” foi desenvolvido para a FEPAM na área piloto do Projeto Integrado de Aprimoramento do Licenciamento e do Sistema de Informações Ambientais do Rio Grande do Sul, no âmbito do Programa Nacional do Meio Ambiente - PNMA II, Componente Desenvolvimento Institucional, que apresenta como um de seus subcomponentes, o Licenciamento Ambiental, no qual encontra-se inserido o Projeto Integrado de Aprimoramento do Licenciamento e do Sistema de Informações Ambientais do Rio Grande do Sul. Os resultados do referido estudo, realizado em 2002, tomaram como base a informação disponível e representa a consolidação e complementação de Diagnóstico Ambiental controle de atividades poluidoras - em porção do litoral Sul do RS, área piloto do Projeto Integrado de Aprimoramento do Licenciamento e do Sistema de Informações Ambientais do Rio Grande do Sul, abrangendo os seguintes municípios: Arroio Grande, Candiota, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Hulha Negra, Morro Redondo, Pedro Osório, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e São José do Norte. Todos estes municípios estão localizados na região do litoral sul do Estado. Desta forma, a área piloto localiza-se na metade sul do estado, configurando-se as cidades de Rio Grande e Pelotas como os polos de desenvolvimento para a região. As atividades incluídas priorizadas pelos técnicos da FEPAM, para serem alvo do diagnóstico ambiental, constituem-se em atividades exercidas em áreas urbanas e rurais, sendo elas: Em áreas urbanas: indústrias químicas de grande porte, ressaltando-se fertilizantes e refinarias; indústria alimentar, beneficiamento de grãos, pescado, conservas e abates; terminais de carga, descarga e armazenamento; e resíduos sólidos urbanos; Em áreas rurais: irrigação, açudagem, drenagem e aquacultura, mineração para a construção civil (granito, saibro, argila e areia); Em áreas urbanas e rurais: transporte por dutos, rodoviário e ferroviário de cargas perigosas. Por ocasião da realização do estudo não havia a perspectiva de instalação do polo naval de Rio Grande e suas repercussões na atração de investimentos neste perfil de empreendimento, embora as estruturas portuárias existentes à época tenham sido consideradas. São características metodológicas importantes do referido trabalho a consulta não apenas a 205 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL bases de dados e informações públicas, mas também considerando os diversos processos de licenciamento autorizados ou em andamento à época na FEPAM, órgão responsável pelo licenciamento de empreendimentos potencialmente poluidores e de grande porte. Após a compilação dos dados, foram realizados contatos com os técnicos das prefeituras municipais, os quais forneceram informações a respeito das principais atividades poluidoras para o município, e, alguns destes, acompanharam a equipe nos trabalhos de campo. Os trabalhos de campo incluíram a locação (obtidas coordenadas UTM) e caracterização do entorno das indústrias químicas e alimentares e terminais de carga e armazenamento, dos locais de disposição dos resíduos sólidos urbanos e algumas áreas mineradas, no intuito de checar e atualizar as informações fornecidas pelo banco de dados da FEPAM referente a atividades poluidoras. Considerando a abrangência e aprofundamento dos estudos realizados, bem como a inexistência de Plano Ambiental Municipal de Pelotas e estudos completos sobre o conjunto dos aspectos ambientais do município, o estudo será utilizado como referência para a identificação e avaliação dos aspectos ambientais potencialmente incidentes sobre as alternativas de desenvolvimento do município de Pelotas. Assim, este diagnóstico não é uma compilação ou resumo dos estudos realizados no âmbito do relatório mencionado, mas de uma leitura orientada para os objetivos do PDEL, complementada, quando possível e necessário, com outras fontes de informações. Em vista disso, a abrangência regional do estudo é relevante, pois em termos ambientais, especialmente em relação aos importantes condicionantes hídricos, a compreensão adequada de eventuais limitações e oportunidades ao desenvolvimento nem sempre podem se restringir aos limites político-administrativos municipais. Sendo assim, os aspectos regionais com pouca ou nenhuma relevância para a avaliação do município de Pelotas foram desconsiderados, focando-se sobre os que lançam luz sobre as características relacionadas à Pelotas. Para a caracterização da infraestrutura ambiental, portanto, foi utilizado o referido estudo como base de consulta, sendo complementado e atualizado com informações recentes e de outras fontes. A apresentação e discussão dos resultados do estudo, são precedidas de uma caracterização do bioma onde se insere o município de Pelotas. 4.1. BIOMA P AMPA E A INSERÇÃO REGIONAL DE PELOTAS No Rio Grande do Sul pode-se delimitar três grandes regiões hidrográficas, reconhecidas pelas direções principais de escoamento dos rios: a região hidrográfica da bacia do rio Uruguai, a região hidrográfica da bacia do Guaíba e a região hidrográfica das bacias Litorâneas. A região objeto do estudo está inserida na região hidrográfica denominada de 206 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL bacias litorâneas, desembocando, em sua maioria, na Laguna dos Patos (a maior do mundo, com 10.145 km2). Segundo o estudo da FEPAM o complexo lagunar Mirim - São Gonçalo e estuário da Lagoa dos Patos constituem o único bioma costeiro de clima temperado no Brasil. A área de estudo é caracterizada, portanto, pela dominância dos campos com relevo plano a ondulado no planalto sul-riograndense e extensas áreas planas na área de influência fluvial, junto à lagoa dos Patos e Mirim. Em vista disso, o bioma no qual se insere a região de estudo configura-se em área ambientalmente frágil e de grande importância ecológica, conclui o estudo. Tecnicamente, entretanto, a delimitação do bioma a que pertence o município de Pelotas é controversa. Todo o município de Pelotas está inserido no bioma Pampa, segundo mapeamento de biomas realizado pelo IBAMA, sendo em algumas fontes chamado também de “campos sulinos”. O bioma Costeiro se restringe no mapeamento do IBAMA, especificamente, a uma pequena faixa de costa marítima, ou seja, em relação a Pelotas, no lado oposto da lagoa dos Patos envolvendo os municípios de São José do Norte, Tavares, Santa Vitória, entre outros. Bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação próximos e identificáveis em escala regional, com condições de solo e clima similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria daquela região. Em cada bioma é possível identificar diferentes ecossistemas, estes sim com especificidade local, potenciais endemismos (ocorrências de espécies somente nestes locais) e outros fatores de interesse para a conservação. O Brasil, segundo o IBAMA, é constituído por seis Biomas distintos: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa, sendo esse último com área aproximada de 176.496 Km2, correspondente a 2,1% da área total do Brasil. No Brasil, o Bioma Pampa só ocorre no Rio Grande do Sul, cobrindo aproximadamente 60% de seu território. O Bioma Pampa é característico da América do Sul, ocorrendo em três países: Argentina, Uruguai e Brasil. No Rio Grande do Sul, o Bioma Pampa concentra-se na chamada Metade Sul do Estado, área sob a qual se estende uma grande parte do Aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce subterrânea do planeta. Nas áreas de ocorrência do Bioma Pampa stricto sensu, compreendendo as regiões da Campanha, Depressão Central, Serra do Sudeste e Missões, ou seja, não incluindo Pelotas, somente 0,04% (cerca de 7.000 hectares) estão em Unidades de Conservação de Proteção Integral (cuja propriedade da terra deve ser pública e é proibido o uso direto da área para fins de produção e ocupação). Trata-se do Parque Estadual do Espinilho. 207 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Nas proximidades da fronteira com o Uruguai existe uma unidade de uso sustentável federal, a Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã. Ambas as áreas contam com gado solto e somente um funcionário como guarda-parque, que fica nas sedes das unidades de conservação localizadas nas cidades de Quaraí e Alegrete. Quase todos os ecossistemas estritamente pampianos não têm outro tipo de unidade de conservação, tanto municipal como estadual. O reconhecimento da importância ecológica do bioma Pampa é recente. É comum ao pensar meio ambiente e biodiversidade remeter-se à imagem da Amazônia, com cobertura vegetal composta por árvores exuberantes e de grande porte. Porém, toda paisagem natural local possui seu grau de riqueza de espécies vegetais e animais. Não se conhece exatamente o que resta de vegetação original do Pampa e o grau de preservação destas áreas. Segundo o professor do Laboratório de Geoprocessamento do Centro de Ecologia da UFRGS, Heinrich Hasenack, “o Pampa é visto como uma vegetação menos nobre porque apresenta campos naturais, áreas que sempre foram campo, com gramíneas e outras formas de vegetação não lenhosa. Se apenas protegermos as florestas, nunca entenderemos como é a ecologia das espécies de hábito campestre”. As atividades agrícolas de larga escala como o arroz e a soja são os principais fatores de alteração do cenário natural do bioma. Grandes áreas alagadas, onde antes havia banhados, habitat rico em biodiversidade e com importantes funções de reprodução e manutenção de espécies, foram drenadas para o plantio de arroz. Não existem números oficiais sobre as áreas de banhados transformadas em áreas de plantio. Outra fonte de degradação é o pastoreio intensivo do gado, que remove a vegetação e compacta mais o solo pelo pisoteio. É atribuído ao pastoreio intensivo o papel de aceleração do processo de arenização que ocorre em parte do Estado. Trata-se de terras que dispunham de solo orgânico e sustentavam vegetação e que se transformaram em grandes areais, com enormes voçorocas, em um processo popularmente chamado de desertificação. Este é um processo antigo e natural na região. Porém, pode ser intensificado pelo uso incorreto do solo. Contudo, também foi a pecuária extensiva praticada em todo o Pampa que, de certa forma, garantiu a sua preservação frente a outras formas de uso e ocupação mais agressivas ao meio ambiente. A criação de gado em vastas extensões de campos, com baixa taxa de ocupação por unidade de área, representa, do ponto de vista ambiental, uma forma sustentável de exploração destas áreas, pois não extingue a vegetação original, não impacta significativamente os solos pelo pisoteio e evita que outros usos mais agressivos sejam implantados nestas áreas. Além disso, a pecuária extensiva é também a imagem da 208 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL cultura gaúcha, elemento constitutivo da identidade do povo gaúcho e de outras áreas do bioma. Apesar da relativa sustentabilidade da atividade produtiva que ocupa maior área, o Bioma Pampa apresenta passivos ambientais que, pela difícil reversibilidade, são considerados graves, tais como a arenização de extensas áreas, a alteração da fauna e flora nativas pela invasão de espécies exóticas e a supressão de extensas áreas com ecossistemas nativos (campos, banhados e matas) para uso agropecuário, situação idêntica, portanto aos demais biomas brasileiros e mundiais. Nos últimos anos, o Bioma Pampa transformou-se em região prioritária para a implantação de um grande polo mundial de silvicultura e produção de celulose, abrangendo áreas da Argentina, Uruguai e Brasil. Este projeto foi desacelerado pela mudança do cenário econômico internacional a partir de 2008 e também por questões locais de propriedade estrangeira de terras, áreas de fronteira e regulações ambientais locais. Exemplo disso é a elaboração do Zoneamento Ambiental para Atividades de Silvicultura pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental, que depois de concluído e gerado diretrizes de ocupação de áreas para plantio extensivo de florestas está sendo contestado por outras áreas do próprio Governo do Estado e pelas empresas que pretendem fazer extensas plantações de eucalipto no bioma. Assim, não se descarta a hipótese de que, eventualmente, estes projetos sejam retomados quando o cenário internacional voltar a ser favorável. O Pampa, embora disponha de uma biodiversidade impressionante, é pouco conhecido em sua perspectiva de ambiente natural e com demandas de conservação. Somente em sua porção brasileira ocorrem cerca de três mil espécies de plantas, sendo que só gramíneas são 450 espécies, mais 150 de leguminosas, 70 tipos de cactos, 385 de aves e 90 de mamíferos, conforme levantamentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também é no Pampa que fica a maior parte do aqüífero Guarani. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), com base no recente Mapeamento da Vegetação Nativa do Bioma Pampa definiu 105 áreas importantes para conservação dos Pampas. A pesquisa verificou que há remanescentes (áreas pouco ou ainda não alteradas) de 23,0% de campos, 5,4% de florestas e 12,9% de áreas de transição, num total de 73.649,746 quilômetros quadrados, o equivalente a 41,3% do seu território. Mais da metade do bioma, atualmente, já foi transformado em áreas rurais alteradas, sendo que menos de 1% da área total é ocupado por cidades. Ou seja, ainda há significativa quantidade de ambiente natural para preservação no Pampa, comparativamente a outros biomas como a Mata Atlântica. São desconhecidos, inclusive, os limites exatos do Bioma Pampa. As referências disponíveis fazem parte de uma versão preliminar do Mapa de Biomas do Instituto Brasileiro 209 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL de Geografia e Estatística (IBGE), porém há demandas para mudança deste traçado. O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica gaúcho reivindica que ambientes tidos como Pampa permaneçam no bioma Mata Atlântica. Não há consenso sobre quais são os tipos de campo e há descrições com diferentes enfoques, mas nenhuma que conjugue as feições da vegetação, do relevo, do clima e da geomorfologia, entre outras características, que tornem bem definidas as características do Pampa. As paisagens naturais do Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas. O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. No bioma, que chegou a ser classificado como um “vazio ecológico” existe mais de 50 plantas forrageiras nativas, entre gramíneas e leguminosas, altamente produtivas. O professor Paulo Brack, do Departamento de Botânica da UFRGS, diz que muitas forrageiras nativas do Rio Grande do Sul “são apreciadíssimas nos Estados Unidos, Nova Zelândia e África do Sul, mas aqui elas são quase ignoradas ou combatidas como mato”. Ele explica que essa concepção equivocada fez com que o Brasil importasse plantas forrageiras africanas. Essas espécies se tornaram altamente invasoras, além de serem pouco nutritivas para o gado, como no caso das braquiárias, o capim-colonião e o capim-gordura, que hoje trazem diversos prejuízos para a pecuária. Outro caso lembrado por Brack é a biopirataria de plantas ornamentais, como petúnias, verbenas, cactos, muitas endêmicas dos pampas, que são levadas há décadas, por países como Estados Unidos, Japão, Itália e Alemanha. De acordo com José Otávio Neto Gonçalves, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, de Bagé, o estado gaúcho está entre as nove regiões do mundo que ainda possuem áreas de vegetação tipicamente campestre. Um levantamento feito pela Embrapa encontrou mais de 800 espécies de gramíneas e mais de 200 de leguminosas. “Se em 366 anos de produção pecuária, o Pampa até hoje permanece, é sinal de que este tipo de exploração tem sustentabilidade ambiental”, argumenta Gonçalves. O professor Carlos Nabinger, da Faculdade de Agronomia da UFRGS, assegura que com manejo adequado é possível aumentar o ganho de peso dos animais a baixo custo e de forma ecologicamente correta. “A pastagem natural não cumpre um papel apenas produtivo de carne, leite e lã, ela é sim um recurso multifuncional: preserva a cultura, tem valor turístico e ambiental”, defende. Os aspectos culturais relacionados ao bioma estão em grande medida associados à atividade pecuária, que é típica da região desde a colonização, que introduziu gado europeu na região. Há exemplos de processos sustentáveis de produção pecuária na região, embora não em Pelotas. Iniciativas de indicação de procedência já existem na região. A indicação de procedência “Carne do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional” é oficialmente reconhecida pelo INPI 210 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL desde dezembro de 2006. Em agosto de 2008, a APROPAMPA (Associação dos Produtores da carne do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional) reunia 66 pecuaristas, dois comerciantes, um abatedouro e recebia apoio institucional ativo por parte do SEBRAE, da FARSUL e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O número reduzido de participantes no projeto se deve às exigências de certificação e à necessidade de uma visão inovadora, uma vez que o estágio de organização e de emprego de tecnologia é muito elevado no grupo que participa do projeto. Figura 4.1 – Bioma Pampa O caderno de normas (ou regulamento de uso) da IG organiza-se em seis critérios de produção: uma zona cobrindo 1,2 milhões de hectares, duas raças britânicas (Angus e Hereford), alimentação a base de pasto, tempo de engorda mínimo de doze meses dentro da área delimitada, obrigação de identificar os animais (brincos) e de fornecer os animais com uma conformação específica para o abate. As orientações propostas no caderno de normas visam diferenciar qualitativamente a pecuária no Pampa com práticas culturais que permitem valorizar e preservar o ecossistema, seus recursos biológicos e culturais. Isto é, a IP resulta ao mesmo tempo de uma iniciativa coletiva fundada sobre a prospecção do mercado europeu e a segmentação do mercado nacional: a valorização da carne por uma IG visa um melhor acesso aos 211 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL mercados nacionais e internacionais e um ganho de competitividade em relação à produção em massa do zebu. Hoje, o pequeno número de pecuaristas associados ao processo e o rigor das normas levam a um volume de produção bastante reduzido: somente 50 animais são em média abatidos a cada semana desde o início do projeto. Do ponto de vista dos aspectos ambientais o diferencial da pecuária gaúcha reside em dois fatores. O primeiro é a temperatura de clima temperado, que comporta raças com maior qualidade de origem europeia originárias também de clima temperado e pastagens com riqueza nutricional própria à produção deste tipo de gado. Há também os custos de produção reduzidos da pecuária extensiva em campos nativos. Em áreas florestadas o pasto precisa ser formado, ou seja, retirada a cobertura vegetal e feito o plantio e manutenção das forrageiras. Criar gado solto a uma lotação de menos de uma cabeça por hectare pode não ser produtivo comparativamente à criação confinada, mas proporciona gado de boa qualidade (o confinamento faz isso a um custo de produção maior) e ocupa uma área que não é disputada por outros cultivos, eventualmente mais rentáveis, mas que requerem no plantio em campos nativos de custos de preparação e manejo elevados e pouco competitivos em relação a outras regiões. Estas vantagens competitivas da pecuária extensiva, as quais, aliás, as tem sustentado ao longo de mais de 300 anos deste tipo de atividade na região, também pode conter uma fragilidade. O uso de áreas de campos nativos para a pecuária extensiva aferem baixa rentabilidade por hectare, reduzindo muito o custo de oportunidade para implantação de outros usos, tais como a recente expansão da silvicultura. A silvicultura de grande escala requer a utilização de extensas áreas contíguas e é pouco exigente em relação às condições de solo para sua implantação. A rentabilidade da silvicultura também não é muito elevada, em geral menor que os cultivos temporários de soja e milho, por exemplo, em áreas produtivas, mas mais elevada do que a pecuária extensiva. Neste sentido, o custo de oportunidade para a conversão da pecuária extensiva em silvicultura é reduzido e a conversão é economicamente viável, desde que haja mercado para a produção madeireira. Do ponto de vista estritamente ambiental, ou seja, o impacto sobre o ambiente e sobre a qualidade do gado, o manejo extensivo é mais sustentável que o intensivo. No manejo extensivo o gado não é estressado e sua alimentação não requer a interferência sobre outras áreas para o plantio de pastagens em larga escala. Além disso, a vegetação nativa e sua diversidade não são totalmente suprimidas apesar do consumo pelo gado, diferente das forrageiras plantadas que substituem a diversidade original da vegetação. O impacto do pisoteio é mais perceptível apenas nas margens de cursos d’água e o ambiente 212 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL característico do pampa se recupera rapidamente com a ausência de gado, ou seja, a biodiversidade não é suprimida completamente. Do ponto de vista ecológico, a sustentabilidade da pecuária com baixa lotação e utilização de forrageiras nativas se deve ao fato de que qualquer monocultivo e principalmente os mais extensos em área (como a silvicultura em larga escala) afetam diretamente a biodiversidade, não apenas a suprimindo nas áreas cultivadas, mas também impactando sua capacidade de reprodução ao longo do tempo. O conceito de resilência, que vem da física e descreve a capacidade de um material sofrer estresse elevado e retornar à sua condição original ou pelo menos não sofrer ruptura, é transferido para a ecologia e utilizado para descrever como o ambiente natural é capaz de se reproduzir e evoluir mesmo sofrendo pressões. A distância entre áreas para a necessária troca de material genético afeta a capacidade de espécies nativas (animais e vegetais) de se reproduzirem a longo prazo. A falta de troca de material genético enfraquece geneticamente as espécies e as torna vulneráveis a síndromes e problemas congênitos, afetando sua capacidade de resilência. Neste aspecto, a grande vantagem da pecuária no pampa, diferente da soja no cerrado ou da silvicultura em qualquer parte, é que o manejo para assegurar preservação da biodiversidade é relativamente fácil, conhecido pelos produtores e enraizado em sua cultura. Ou seja, não requer uma mudança de paradigma produtivo para a adoção de novas práticas sustentáveis como em outras áreas. O baixo custo de oportunidade, mencionado anteriormente, representa também uma ameaça à pecuária extensiva. Ele resulta do fato de que a pecuária no pampa em geral não disputa com a soja ou outros cultivos agrícolas mais rentáveis o uso das áreas. Mudança recente, entretanto, é a presença massiva da silvicultura na região, que representa uma renda por hectare em geral superior a da pecuária extensiva como é praticada atualmente. Contudo, a silvicultura requer uma região voltada para esta produção. Os fatores escala e distância do plantio e do aproveitamento madeireiro, tanto para celulose como para fabricação de madeira é decisivo. Próximo a Pelotas há um exemplo destas características da silvicultura. Em São José do Norte e cercanias foi plantada uma extensa área de pinus que hoje é, de certa forma, uma reserva subaproveitada de madeira por falta de uso próximo. De maneira geral, contudo, as informações ambientais estão disponíveis apenas em escala regional, ou seja, o recorte para ecossistemas específicos é praticamente inexistente. No caso de Pelotas, a presença da rica hidrografia proporcionada pelos sistemas de lagoas e a proximidade do litoral proporcionam a criação de uma série de ambientes muito diferenciadas da área continental do bioma Pampa. Aspectos de transição do bioma 213 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Costeiro e do bioma Pampa se manifestam na região de forma muito particular, com a presença importante de paisagens diversificadas, apesar da intensa ocupação do solo já registrada. 4.2. BREVE HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO REGIONAL O município de Pelotas situa-se na região fisiográfica chamada “Encosta do Sudeste”. A ocupação territorial estende-se desde as ondulações mais baixas da encosta oriental da Serra de Tapes até a planície sedimentar na margem esquerda do canal São Gonçalo e parte da lagoa dos Patos. A região serrana e ondulada foi colonizada por imigrantes e seus descendentes (alemães, italianos, poloneses, franceses), caracterizando a típica ocupação de minifúndio e agricultura familiar. A região de planície (baixa e plana) foi ocupada pela criação bovina e plantio de arroz em propriedades maiores. Também a ocupação urbana localiza-se nesta região baixa e plana. O relevo do município de Pelotas se caracteriza por apresentar partes elevadas e rochosas na encosta da Serra do Sudeste onde atinge altitudes acima de 300 metros e altitudes muito baixas, próximas ao nível do mar, na região a margem da Lagoa dos Patos, proporcionando um perfil de altitudes variadas. É sabido que a altitude e a consequente declividade tem relação estreita com o tipo de ocupação e uso dos solos. Figura 4.2 – Mapa altimétrico do município de Pelotas (Fonte: Imagem da NASA 2000) 214 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A área mais alta do município de Pelotas é o Cerro do Jerivá com 360 metros acima do nível médio do mar e a mais baixa tem altitude média de sete metros. Historicamente, pode-se dividir o processo de colonização e ocupação das terras de Pelotas e região em quatro fases50. A primeira fase, no início do Século XVI, caracterizou-se pela ocupação apenas da costa, ou litoral. Na segunda fase, que se estendeu do século XVI ao XVII (até 1723), em função da disponibilidade de gado solto nos campos, caracterizou-se pela presença no interior do continente de paulistas e gaúchos que capturavam o gado e o transportavam pelos caminhos dos tropeiros para São Paulo. Iniciou-se neste período também a criação de gado. Na terceira fase registrou-se a formação das estâncias e o intenso comércio de gado, cavalos, mulas com os estados de São Paulo e Minas Gerais, estendendo-se por todo o século XVIII. No século XVIII, durante o ciclo econômico da mineração no Brasil envolvendo os estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, houve uma crescente valorização do rebanho de gado existente no Rio Grande do Sul, introduzido pelos jesuítas no século anterior. Os bois serviam para a alimentação e as mulas para o transporte dos mineradores. Uma grande seca no Ceará em 1777 aniquila seus rebanhos e limita o fornecimento de carne de sol ou carne do sertão, utilizada na alimentação dos escravos. No mesmo período é assinado o Tratado de Santo Ildefonso, que estabeleceu uma trégua na disputa pelo território entre espanhóis e portugueses, possibilitando investimentos econômicos na região, até então exclusivamente criadora de gado. Em 1779 o português José Pinto Martins se transfere do Ceará e estabelece primeira charqueada industrial dentro dos limites da Vila do Rio Grande, fundada em 1737. A escolha da localização se deveu, entre outros motivos, a fácil comunicação com o porto do Rio Grande através de iates, possibilitando o transporte da produção. A consolidação das charqueadas em grandes propriedades rurais de caráter industrial só se dá no século XIX, às margens dos arroios Pelotas, Santa Bárbara, Moreira e canal São Gonçalo. O gado, matéria-prima, era proveniente de toda a campanha rio-grandense introduzido em Pelotas através do Passo do Fragata e vendido na Tablada, grande local dos remates na região das Três Vendas. Nas charqueadas não se criavam bois, exceto raras exceções, como a Charqueada da Graça, embora a criação não desse conta da produção total do charque. Com o progresso advindo da venda do charque, em 1812 é instituída a freguesia e em 1832 a vila, oficialmente criada em 1830. Somente em 1835 a vila é elevada à condição de 50 A principal fonte considerada neste texto foi o site da UFPEL, http://pelotas.ufpel.edu.br. 215 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL cidade. Charqueadores transferiram-se do Rio Grande e se fixaram em Pelotas, construindo palacetes, principalmente depois da criação da vila. O charque era utilizado basicamente como alimento dos escravos (outro era o bacalhau) em todo o Brasil e nos países que adotavam o sistema escravista, sobretudo o Caribe (Cuba, principalmente). Do gado, se aproveitava o couro, o pó dos ossos para fertilizante, o sangue para gelatina, a língua defumada, os chifres para várias utilidades. Esses produtos eram exportados para toda a Europa e os Estados Unidos. A safra era sazonal e durava de novembro a abril. As charqueadas tinham em média 80 escravos, ocupados nos intervalos da safra em olarias nas próprias charqueadas, derrubadas de mato e plantações de milho, feijão e abóbora nas pequenas chácaras que cada charqueador possuía na Serra dos Tapes, onde ficam hoje a Cascata e as colônias de Pelotas. Os navios que levavam o charque não voltavam vazios. Traziam mantimentos, livros, revistas de moda, móveis, louças da Europa e açúcar do Nordeste, consolidando a tradição do doce em Pelotas. Embora aqui não se plantasse cana-de-açúcar, os doces de Pelotas chegaram a ser rivais dos do Nordeste, região açucareira por excelência. Dado espantoso é o número de abates, num total de 400 mil cabeças de gado por ano. De acordo com as pesquisas de Magalhães, Simões Lopes Neto, na Revista do Primeiro Centenário de Pelotas, editada em 1911, comenta que até aquela data foram abatidas 45 milhões de reses e umas 200 firmas se sucederam. As causas do encerramento do ciclo do charque em Pelotas foram várias. Uma das principais, a abolição da escravatura, quando deixa de existir o principal consumidor do produto. A concorrência de regiões gaúchas que antes produziam apenas a matéria-prima também foi negativa para os charqueadores locais. Depois de 1884, fundaram-se charqueadas em algumas cidades da fronteira, porque nesse ano estabeleceu-se a linha férrea, que permitia o escoamento do produto até o porto de Rio Grande. O advento dos frigoríficos, na década de 1910, foi outro fator importante. Em 1918, restavam apenas cinco charqueadas em Pelotas. O coronel Pedro Osório, que começou como charqueador, passou a plantar arroz em 1905 e se transformou no maior industrial do setor no mundo, sendo conhecido como “Rei do Arroz". Inicia-se então, no final do século XIX a quarta fase, caracterizada pela diversificação agropecuária, pelo desenvolvimento da indústria de alimentos e da urbanização, do comércio e dos serviços. Nesta última fase desempenharam papel relevante as imigrações europeias incentivadas pelo governo imperial. 216 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Em território gaúcho, segundo Bomtempo (2007), imigração e colonização se fizeram presentes porque a imigração resolveria o problema da mão-de-obra substituta à escrava e a segunda seria o contraposto da pequena propriedade ao latifúndio, base do poder imperial na região, mas também fonte de ameaça de insurgência e demandas de emancipação, como de fato ocorreu. A ocupação do território através da formação de colônias tinha o objetivo de protegê-lo principalmente nas fronteiras, suscitar o crescimento da pequena propriedade e a produção de gêneros para o consumo interno na Província de São Pedro. Após a Proclamação da República, o governo gaúcho se tornou o gestor das terras públicas e privadas e passou a ver a região colonial como uma fonte de renda, o que não ocorreu com a administração imperial. Pelotas, uma cidade no interior do Rio Grande do Sul, de economia baseada na produção de charque possuía atributos que atraíam a imigração, sendo inclusive chamada de Princesa do Sul, pois na década de 1880 já chamava a atenção da Província e para a Província, identificada que estava, de um modo especial, com as artes e com as letras, num espécie de desdobramento do seu apogeu econômico-urbano. Os imigrantes que para ela se dirigiram encontraram uma cidade que dispunha de uma estrutura industrial que manufaturava não apenas subprodutos do gado que era abatido nas charqueadas (sebo para sabão e velas, couro), mas também fábricas de cerveja, fumos, chapéus e massas, muitas delas tendo por donos imigrantes de diferentes etnias. Isso não ocorria apenas no setor industrial, mas também no de prestação de serviços como hotéis, confeitarias, meios de comunicação, e no comércio local, onde representavam praticamente um terço dos empresários. A proporção de imigrantes em território pelotense não dispõe de estatísticas oficiais. Durante o ano de 1890, em Pelotas, o “Livro de Estrangeiros que Não requereram naturalização” contabilizou 1161 pedidos de não naturalização, sendo predominante o imigrante português (60%), homem e alfabetizado, além de italianos (15%), franceses (9%), espanhóis (6%) e outras em menores proporções, como alemães, ingleses, holandeses, uruguaios e suíços. Esse perfil, no entanto, muda conforme a fonte pesquisada. Nos registros da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas as principais etnias por ordem decrescente são de portugueses, italianos, alemães, orientais (uruguaios), espanhóis, franceses e em número menos expressivo, argentinos, ingleses, e até holandeses. Os imigrantes que desembarcaram em Pelotas causavam transtorno na cidade por haver demora no encaminhamento para as colônias. Anos antes desse cenário, a Sociedade de Imigração veio aos jornais solicitar que os donos de terras as loteassem e colocassem à 217 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL disposição dos colonos, como forma de progresso do sul semelhante ao norte da Província. Mas, mesmo diante dos apelos, eles continuaram relutantes em fazê-lo. Os charqueadores só resolveram lotear suas terras por conta do declínio da produção de charque e porque viram nesse processo de colonização uma nova fonte de enriquecimento, sustentando um movimento de especulação fundiária: apossavam-se das terras de mato contíguas as suas propriedades e transformavam-na em colônias a serem vendidas aos imigrantes, retendo para si, todavia, as terras planas. O sistema de colonização privada juntou-se, assim, à colonização oficial. A área em que isso ocorreu é a Serra de Tapes, para onde Jacob Klaes, introdutor da indústria de fumo em Pelotas, assinaria contrato com o Serviço de Imigração para transportar imigrantes até as colônias Afonso Pena e Maciel. Porém, a colonização da Serra encontrava obstáculos para se desenvolver por nenhuma contar com estradas e não convinha empreender esforços, posto que as quatro colônias ali localizadas em 1886 eram pouco povoadas. Houve, portanto, em Pelotas a reprodução local do que aconteceu com os imigrantes no Brasil da época, em relação as benesses prometidas pelo governo e muitas vezes não cumpridas. Quando aportavam no Rio Grande do Sul os imigrantes encontravam o cenário desolador e a população, polícia, governo e a Igreja dos locais onde desembarcavam tentaram auxiliá-los de formas diversas até que tomassem um rumo adequado. O que se percebe é que a mão-de-obra imigrante chegada ao município não teve muitas alternativas a não ser tentar ocupação nos comércios locais, rumar para colônias praticamente incomunicáveis ou seguir em direção ao Prata. Apesar de todas as dificuldades que os trabalhadores encontraram nessa transição do regime de trabalho servil para o livre, os imigrantes tiveram melhores condições para prosperar, como financiamento de terra e fornecimento de passagem para saírem de seus países. Os ex-escravos, por sua vez, eram desprezados, embora alguns continuassem trabalhando nos mesmos lugares depois da Abolição, pela falta de perspectivas. Estes, com certeza, foram os mais prejudicados em todo o território brasileiro, seja por terem a função de derrubar o mato para só então entrarem os estrangeiros em ação (realidade dos cafezais em São Paulo), seja pela falta de estímulo para se fixarem à terra (como ocorrido no município de Pelotas). A política de colonização da região das Serras dos Tapes foi criada com o intuito dos proprietários de terra do local de investir na especulação imobiliária, aliado à necessidade de substituição dos escravos no campo. Foram relacionadas cerca de sessenta e uma colônias, após 1900, formadas principalmente por alemães, italianos e franceses. Estas foram instaladas longe das propriedades escravocratas e das terras de planície destinadas 218 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL às charqueadas. Em nove das colônias mencionadas foram encontrados elementos italianos, que se instalam de forma mais significativa, na zona rural, com a implantação das colônias oficiais, na década de 1880. O município de Pelotas possuiu, também, a única colônia francesa do Estado do Rio Grande do Sul, que além de sua importância para a história da imigração gaúcha deu também a Pelotas grande estímulo à sua tradição doceira, através das compotas das antigas fabricas rurais da colônia que originaram as conservas da agroindústria de Pelotas. Na primeira década após a fundação das colônias (1880/90) os colonos, durante as primeiras plantações de batata inglesa, milho e feijão para o próprio consumo, coletavam e comercializavam na cidade lenhas e cascas de algumas árvores que eram usadas no tingimento de couro nos curtumes. A colônia francesa, diferentemente das demais voltadas apenas ao autoconsumo, desenvolveram cultivos comerciais de fumo, piretro e até cana de açúcar. Depois começaram a cultivar a alfafa e a uva e já na década de 1890 a alfafa se torna o primeiro produto a ser explorado comercialmente por toda a colônia. A produção de alfafa garantiu melhorias e trouxe desenvolvimento para a colônia Santo Antônio. Algumas famílias puderam investir em pomares com laranja, marmelo, pera, maçã, pêssego e uva, o que levou ao aparecimento de pequenas fábricas rurais, origem da agroindústria de Pelotas, a primeira em 1900, de propriedade da família Pastorello. A uva, nas espécies americanas que eram as mais difundidas no Rio Grande do Sul, já eram cultivadas por alguns desde a fundação de Santo Antônio. Em 1898, cada família francesa já tinha seu vinhedo para autoconsumo sem fins lucrativos. Somente a partir da década de 1960 os pessegueiros predominam onde antes havia parreiras. A cultura do pêssego se espalha pelas outras colônias, o que não tinha acontecido nas primeiras décadas do século XX com o cultivo da uva que só ficou na colônia de Santo Antônio. Pelotas deve aos franceses a difusão do pêssego como cultivo característico das colônias. Assim, a imigração foi importante para desenvolver o município, haja visto as modernizações que foram sendo implantadas na segunda metade do século XIX e que atraíram para Pelotas muitos imigrantes europeus. Os franceses, especialmente, vieram ao município em número bem expressivo provavelmente pela receptividade de Pelotas aos costumes e cultura francesa. Os franceses da zona rural contribuíram com o cultivo do pêssego e a fabricação de vinho no crescimento da economia pelotense. Não pelas vinícolas, como ocorreu na região dos 219 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL italianos na serra gaúcha, mas pelas conservas e compotas que deram origem às agroindústrias e contribuíram para Pelotas ser reconhecida como a cidade do doce e o maior município produtor de pêssegos. 4.3. ASPECTOS METEOROLÓGICOS Os fenômenos atmosféricos exercem um papel fundamental em relação à dispersão de poluentes, notadamente no ar. As condições meteorológicas possibilitam que se estabeleça uma forma de ligação entre a fonte de poluição e o local e/ou corpo receptor, tendo como referência o transporte e a dispersão dos poluentes de uma região. A dispersão na atmosfera de um poluente depende em primeiro lugar das condições meteorológicas e depois dos parâmetros e condições em que se produz essa emissão na fonte (chaminé), ou seja, a velocidade e temperatura dos gases, vazão, etc. O principal mecanismo atmosférico de transporte é o vento, cuja velocidade e direção mudam usualmente em função do local (predominantemente a altura) e da topografia. A transferência de poluentes atmosféricos e as reações entre os mesmos são consequências dos processos de difusão atmosférica. Nos municípios próximos ao Oceano Atlântico, há um número médio de 5 dias de geada por ano. Este pode ser considerado um valor relativamente baixo, tendo em vista que é comum a ocorrência de 14 a 16 dias por ano de geada no extremo sul do estado. Isto porque o oceano exerce um efeito moderador sobre as oscilações térmicas do litoral. Os fatores dinâmicos do clima estão diretamente ligados às massas de ar que avançam e retrocedem sobre a costa gaúcha, ocorrendo também influência da massa de água da Laguna dos Patos, em alguns aspectos meteorológicos. O nível de poluição do ar ou a qualidade do ar é medida pela quantificação das substâncias poluentes presentes nesse ar. Mesmo mantidos os níveis de emissão, a qualidade do ar pode mudar em função basicamente das condições meteorológicas que determinam uma maior ou menor diluição dos poluentes (primários ou secundários). De uma forma geral, a escolha de indicadores de qualidade do ar recai sempre sobre um grupo de poluentes consagrados mundialmente: dióxido de enxofre, poeira em suspensão, monóxido de carbono, óxidos fotoquímicos expressos como ozônio, hidrocarbonetos totais e óxidos de nitrogênio. A razão da escolha destes parâmetros como indicadores de qualidade do ar está ligada à sua maior frequência de ocorrência e aos efeitos adversos que causam ao meio ambiente. Na região de Candiota estão presentes algumas fontes que interagem significativamente neste meio, tais como usina termelétrica, indústrias de cimento, minas de calcário e de carvão, bem como aglomerados urbanos, os quais são potencialmente as maiores geradoras de material particulado fino à finíssimo, gases sulfurados, óxidos nitrosos e outros 220 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL menores na atmosfera. Estudo de bioacumulação de enxofre por culturas de azevém, em 24 pontos de amostragem na região de influência da Usina Termelétrica Candiota III revelam um aumento crescente de enxofre nas estações mais próximas ao empreendimento, com grande influência também dos ventos predominantes (leste e sul). Nos municípios de Arroio Grande, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e Pelotas, no período de março e abril, quando da colheita da safra, observa-se a emissão de poluentes atmosféricos nas áreas onde estão localizados os engenhos de beneficiamento de arroz. A região de estudo da FEPAM se caracteriza, também, pelo potencial eólico proporcionado pelas condições geográficas e climáticas que lhe são características. Este item não foi abordado no estudo da FEPAM e é aqui contemplado com a figura que segue, extraída do Atlas Eólico do Rio Grande do Sul produzido pela Secretaria Estadual de Minas, Energia e Comunicações. Na figura 4.3 é possível verificar o potencial eólico da região de entorno do município de Pelotas, sendo que há diversos processos de licenciamento em curso prevendo a instalação de novos parques nas regiões indicadas. Embora Pelotas não esteja na área de maior potencial, neste sentido com reduzidas chances de instalação de parques eólicos em seu território, sua função de polo regional de serviços acaba se beneficiando, uma vez que as unidades serão instaladas em municípios pequenos em porte econômico e populacional do entorno, como São José do Norte, Santa Vitória do Palmar, entre outros. Figura 4.3 - Potencial eólico da porção sul do Rio Grande do Sul Fonte: CAMARGO, 2002 221 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL O clima da região, pela classificação de Köppen é subtropical virginiano (Cfa), com temperaturas nos meses mais frios variando entre -3ºC e 18ºC. Nos meses mais quentes a temperatura é superior a 22ºC. Como ocorre na maioria das regiões do Estado do Rio Grande do Sul, a precipitação anual (P) é superior a evapotranspiração), ocorrendo excesso de disponibilidade hídrica ao longo do ano, porem com deficiências no curto período dos meses de verão . Figura 4.4 – Balanço hídrico mensal Fonte: Banco de dados climáticos do Brasil – EMBRAPA/ESALQ Como se depreende dos dados acima, armazenando os excessos de precipitação de chuvas (excedente), especialmente nos meses de inverno (junho a setembro), é possível dispor de água para atender a sistemas de irrigação nos períodos de deficiência (dezembro a março), precisamente os períodos de maior demanda para plantio, seja para projetos de produção hortícola, seja para produção de forrageiras e grãos. 4.4. RECURSOS HÍDRICOS A região de estudo apresenta um dos maiores complexos lagunares do mundo, destacandose três grandes corpos d’ água (Lagunas dos Patos, Mirim e Mangueira), além de várias lagoas menores, a exemplo das lagoas dos Silveiras, da Embira e do Pacheco (município de Santa Vitória do Palmar), lagoa Cuiabá, das Flores, do Nicola e do Jacaré (município de Rio Grande), lagoa Formosa (município de Arroio Grande), lagoa Pequena (município de Pelotas) e lagoas da Prainha, da Tuneira, da Rosinha (município de São José do Norte), dentre outras. Muitas vezes as lagoas encontram-se intercaladas por canais artificiais, utilizadas na irrigação do arroz. A Laguna Mirim tem profundidade média de 6 metros, 180 Km de extensão e largura média de 22 Km. Apresenta, em sua margem leste, a Estação Ecológica do Taim, importante 222 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Unidade de Conservação por servir como ponto de pouso e nidificação de aves migratórias. A Laguna Mirim liga-se à Laguna dos Patos através do Canal de São Gonçalo. O canal de São Gonçalo caracteriza-se por um curso com baixa velocidade de fluxo e meandrante, com direção preferencial nordeste-sudoeste, ocupando um leito com extensão total de 62 Km, profundidade média de 6,00m, e largura média de 300 m, nos trechos de terras baixas da planície costeira. Em períodos chuvosos o canal transvaza e inunda a planície. Recebe dejetos e esgotos industriais, a montante da área, bem como insumos agrícolas das áreas cultivadas no entorno (cultura do arroz). A Laguna dos Patos apresenta profundidade média de cinco metros, com extensão de 250 km e largura média de 40 km. Entre a Laguna e o oceano atlântico (ao qual liga-se através da barra de Rio Grande) encontram-se dunas de areia e áreas de banhados, destacando-se o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, onde ocorre abundante vida selvagem e muitas espécies vegetais nativas em extinção. Estes corpos d’água, separados do Oceano Atlântico por terrenos arenosos onde tem destaque áreas alagadiças e de banhado, recebem a carga hídrica de importantes cursos d’ água que percorrem o território da área de estudo, e que acabam por desaguar no Oceano Atlântico pelo canal de Rio Grande, tais como os rios Piratini, Jaguarão, Camaquã, e outros. Estes cursos d’água e seus afluentes, bem como outros arroios de menor expressão no contexto da região, compõem três bacias hidrográficas a que pertencem os quatorze municípios, todas integrantes da Região Hidrográfica do Litoral: Bacia Hidrográfica MirimSão Gonçalo e Bacia Hidrográfica do Camaquã, ambas com área no município de Pelotas, e a Bacia Hidrográfica Litoral Médio, representada pelo município de São José do Norte, delimitada a leste pelo Oceano Atlântico, e a oeste, pela Laguna dos Patos. A Bacia Hidrográfica Mirim-São Gonçalo apresenta 57.092 Km2, dos quais 49% situados em território brasileiro (correspondendo cerca de 20% da área do estado do Rio Grande do Sul) e o restante em território uruguaio. A área de drenagem da bacia hidrográfica da lagoa Mirim, considerando-se o espaço delimitado por este estudo, abrange os municípios de: Hulha Negra (maior parte do município), Candiota, Pinheiro Machado (porção sul do município), Piratini (porção sul do município), Arroio Grande, Pedro Osório, Cerrito, Capão do Leão, Pelotas (em parte), Santa Vitória do Palmar, Morro Redondo (em parte) e Canguçu (pequena porção do município, ao sul deste). Os principais cursos d’água da bacia da lagoa Mirim, situados no território destes municípios, são os rios Jaguarão e seus afluentes (destaque para os arroios Candiota, Candiotinha) e Piratini e seus afluentes (destaque para os arroios Basílio, Santa Fé), bem como os arroios Pelotas, Fragata, Chui, Del Rei, Arroio Grande e Chasqueiro, dentre outros 223 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL e o Canal de São Gonçalo. Observa-se, portanto, que a maior contribuição ocorre à margem interna (continental) da laguna Mirim. A sub-bacia do rio Piratini deságua no canal de São Gonçalo, o qual liga as lagunas Mirim e dos Patos. De maior interesse para o PDEL, o arroio Pelotas faz a divisa norte de Capão do Leão com Pelotas, desaguando neste município, no Canal de São Gonçalo. A Bacia Hidrográfica do Camaquã apresenta área de drenagem menor nos quatorze municípios, incluindo Hulha Negra (porção norte do município), Pinheiro Machado (porção norte do município), Piratini (em parte norte do município), Pelotas (parte deste), Rio Grande, Morro Redondo (em parte), e Canguçu (maior parte, ao norte). Não existe no município de Pelotas nenhum rio. Todos os cursos de água são arroios que descem da Serra dos Tapes e desembocam na Lagoa dos Patos ou no Canal São Gonçalo. O sistema hídrico de Pelotas é formado pelo Arroio Pelotas, Canal São Gonçalo e Lagoa dos Patos. O Canal São Gonçalo é navegável em toda a sua extensão e se constitui como ligação entre as lagoas dos Patos e Mirim (cujas bacias contribuintes recebem 70% do volume de águas fluviais do Rio Grande do Sul). O maior arroio do município é o Pelotas, com extensão de 60 km. Seu principal afluente é o arroio Quilombo. A bacia do Pelotas estende-se, principalmente, pelos distritos de Quilombo, Cascata e praia do Laranjal. Os outros grandes arroios do município são: Corrientes, Contagem e Santa Bárbara. O desenvolvimento socioeconômico da região ocorre de forma concentrada nos municípios de Pelotas e Rio Grande, existindo uma forte presença humana nas margens da Lagoa dos Patos, Mirim e Banhado Taim, onde a rizicultura se destaca como principal atividade. O banhado do Taim é um ecossistema sensível e registra conflito com retiradas de água para irrigação. Estudos indicam que num cenário com irrigação sem restrições inviabilizaria o ecossistema. De maneira geral, o gerenciamento dos recursos hídricos quanto aos usos da água, e ocupação do espaço, são fundamentais para a conservação e preservação do meio ambiente da região, conclui o estudo da FEPAM. A região sul da Lagoa dos Patos comunica-se com o Oceano Atlântico através de um estreito canal, formando uma região com características estuarinas. A qualidade da água estuarina resulta da inter-relação de vários fatores, incluindo a circulação das águas, o aporte de elementos e de compostos, os processos biológicos e químicos e os aportes antrópicos. A heterogeneidade fisiográfica do estuário (canais profundos, zonas de águas rasas abertas, diferentes tipos de baías semi-fechadas) faz com que cada ambiente apresente 224 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL características físico-químicas próprias, com grandes variações sazonais ou anuais. Por exemplo, as concentrações de material em suspensão tendem a aumentar em direção ao oceano e dependem fortemente dos padrões de precipitação da Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim. Em geral, as águas dos canais de forte hidrodinâmica apresentam índices de qualidade superiores às águas das enseadas (sacos) de circulação mais restrita ou zonas próximas dos principais pontos de despejo de efluentes. As águas do Saco da Mangueira, da região portuária de Rio Grande (Porto Novo e Porto Velho), da região próxima dos efluentes cloacais de Rio Grande na Coroa do Boi e da região próxima dos efluentes cloacais de Pelotas, destacam-se com os maiores níveis de contaminação do estuário. A poluição das águas da área portuária (Porto Novo e Porto Velho) é significativa principalmente em termos orgânicos, devido ao lançamento de compostos ricos em nitrogênio e fósforo. A área do Superporto, por sua vez, apresenta em geral águas com melhores índices de qualidade, especificamente em termos de nutrientes e metais, devido a intensa e instável hidrodinâmica do Canal do Rio Grande, que aumenta a capacidade autodepurativa deste ambiente. Alguns cálculos do balanço anual de nutrientes no estuário da Lagoa dos Patos demonstraram uma grande quantidade de nitrogênio, fósforo e silício dissolvidos, sem nenhum padrão definido de sazonalidade. No entanto, o aporte de nutrientes provenientes do norte da Lagoa dos Patos para o estuário é relativamente pequeno, o que indica que as altas concentrações de nutrientes dissolvidos e particulados encontrados no estuário são oriundas de fontes antrópicas. 225 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 4.5 - Delimitação das bacias hidrográficas Fonte: FEPAM, 2002. Pode-se citar como exemplos os efluentes urbanos de Pelotas e de Rio Grande, a contaminação proveniente do depósito de resíduos sólidos de Rio Grande localizado às margens da Lagoa dos Patos em frente à ilha dos Marinheiros, e as atividades portuárias e industriais. Os efluentes das indústrias de fertilizantes, às margens do estuário, são responsáveis por altas concentrações de fosfato nas enseadas ao sul da cidade de Rio Grande. Além da ação antrópica, diversas fontes naturais, cloacais e industriais adicionam nitrato e amônio para o estuário. Muitas vezes, estes elementos são resultado da decomposição e mineralização de macrófitas e algas aquáticas. As concentrações encontradas no Canal de 226 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL São Gonçalo resultam de atividades agrícolas desenvolvidas em sua bacia de drenagem e do lançamento de esgoto sem tratamento da cidade de Pelotas. Em relação ao município de Pelotas, a qualidade da água foi indicada por dados referentes a pontos amostrais coletados pela FEPAM nas proximidades da foz do arroio Pelotas, a jusante da eclusa do Canal São Gonçalo e na eclusa do Canal São Gonçalo. Com base nos pontos amostrados, a qualidade destas águas foi enquadrada na Classe 3 (a pior classe de qualidade da água é 4 em uma escala de 1 a 4). Assim, as principais fontes de poluição hídrica na região de estudo são oriundas de lançamentos de efluentes domésticos sem qualquer tratamento prévio, lançamento de efluentes industriais, emissões das indústrias de fertilizantes, dentre outros. A partir dos dados analisados na região são os seguintes os pontos com alto grau de poluição hídrica: o Saco da Mangueira em Rio Grande, devido ao seu grau de contaminação orgânica; o Canal de Rio Grande, devido à concentração de todos efluentes sanitários e industriais despejados na Lagoa dos Patos; o entorno da região metropolitana de Pelotas, pelos despejos domésticos e industriais; e a região de Candiota, em virtude da grande concentração de atividades mineradoras. O estudo da FEPAM destacou, também, que a maior contribuição para a poluição hídrica tem origem nas atividades das industriais químicas de Rio Grande (Saco da Mangueira e Canal de Rio Grande), nas indústrias alimentares de Pelotas (Canal São Gonçalo), na atividade minerária de Capão do Leão e Candiota (arroio Candiota), nos argileiros e areiros de Pedro Osório e Cerrito (rio Piratini), nas atividades agrícolas, por assoreamento, uso de fertilizantes e agrotóxicos nos municípios de Arroio Grande (arroio Grande e arroio Chasqueiro), em Santa Vitória do Palmar (lagoa Mirim), e nos efluentes resultantes da destinação final dos resíduos sólidos urbanos, salientando-se os municípios de Pelotas e Rio Grande. 4.5. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO O uso inadequado do solo proveniente da exploração desordenada e irresponsável dos recursos minerais, do desmatamento, do uso incorreto de agrotóxicos com a consequente degradação dos recursos hídricos, dentre outras atividades, têm causado alterações no cenário original da região de estudo. A situação atual do uso do solo na área de estudo da FEPAM é caracterizada pela grande importância dos recursos hídricos e pela presença de usos agrícolas irrigados em extensas áreas, conforme quadro de classes de uso e ocupação do solo identificadas na região de estudo. 227 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Especificamente em Pelotas, a intensa ocupação do solo representada pela mancha urbana, na qual estão incluídos os usos industriais, bem como a extensa área irrigada na parte nordeste do município são um indicativo das dificuldades de manejo de recursos naturais, incluindo-se recursos hídricos, solos e vegetação. Estas áreas urbanas e de irrigação são circundadas por significativas áreas de campos úmidos e banhados, configurando o quadro de baixas altitudes e planícies inundáveis. O uso abusivo (agricultura/pecuária) das áreas litorâneas, de formação geológica recente, cuja vegetação encontra-se ancorada em uma tênue camada de solo arenoso, pode provocar o aparecimento de etapas muito iniciais na sucessão vegetal (areias movediças). São causadores de poluição ambiental os resíduos de óleos, graxas e sulfactantes e as embalagens dos produtos utilizados na cultura do arroz. A poluição por agroquímicos decorre do uso de herbicidas, inseticidas (uso ocasional, porém crescente) e fungicidas (pouco usados atualmente, já que muitas variedades são resistentes a doenças). Para a região, podem ocorrer ainda sérios problemas para a cultura e para o solo, em função da salinização das terras. O fenômeno ocorre nos anos em que a precipitação é muito baixa, intensificado nos períodos do ano (janeiro-fevereiro) em que, devido à dinâmica da Lagoa dos Patos, baixa o nível de água doce, ocorrendo a inversão do fluxo de água e aumentando o percentual de água salgada na lagoa. Com isso, a lavoura é irrigada com água com alto conteúdo de sais, o que pode contribuir para a salinização dos solos. O processo de salinização depende muito do nível de água existente na lagoa Mirim. Tabela 4.1 - Classes de uso e ocupação do solo identificadas na região de estudo Classes Área (km²) Campos Secos 9.126,88 Corpos d’água 8.314,57 Floresta/Mata nativa 6.304,16 Área Agrícola Potencialmente Irrigada 4.872,81 Campos Úmidos 2.848,90 Banhados 1.403,04 Dunas/Areias 517,67 Área Agrícola não Irrigada 364,66 Reflorestamento 268,40 Zona urbana 98,10 Áreas de Mineração 8,35 Área total 34.127,54* Fonte: FEPAM, 2002 *Esta área inclui o município de Chuí, cidade fora do objeto de estudo, entretanto Área (%) 26,74 24,36 18,47 14,28 8,35 4,11 1,52 1,07 0,79 0,29 0,02 100,00 este mesmo foi incluído no mapeamento do uso do solo. 228 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 4.6 - Recorte da classificação de uso do solo Fonte: FEPAM, 2002. Focos de reflorestamento, em especial com eucalipto, encontram-se pulverizados por toda a área de abrangência dos 14 municípios do estudo da FEPAM. No entanto, na escala de observação do mapeamento realizado muitas das manchas de reflorestamento não são visíveis, em virtude de suas pequenas dimensões. Os pequenos plantios de essências exóticas são encontrados como manchas dispersas em meio aos campos de pastagem, fornecendo abrigo e proteção ao gado, como quebra-vento e/ou delimitação de área. A madeira de reflorestamento é muito utilizada na região na secagem do arroz. Entre as regiões de interesse ambiental para conservação o estudo da FEPAM menciona a planície do extremo sul da área constituída pela ampla planície costeira que se estende no litoral sul do Rio Grande do Sul, desde a fronteira com o Uruguai. Esta área abriga um dos mais relevantes sistemas naturais do estado, onde os banhados e áreas úmidas associadas a lagoas e cursos d’água constituem aspecto dominante na paisagem. Nesta área, que inclui os municípios de Santa Vitória do Palmar, Arroio Grande e Rio Grande (além do município de Jaguarão, este fora da área de estudo), destacam-se as lagoas Mirim (230.000 ha) e Mangueira (80.200 ha), dentre outros corpos d’água, tais como as lagoas do Pacheco, dos Silveiras, da Embira, e os arroios Chuí e Del Rei. Os principais conflitos enfrentados na conservação destes ambientes e da biodiversidade estão associados à rizicultura, atividade econômica predominante na região, constituindo a 229 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL matriz da paisagem. Dentre os impactos causados pelo cultivo do arroz, destaca-se a alteração do regime hidrológico da região (especialmente importante em períodos de estiagem) e a contaminação das águas através do uso de agrotóxicos. Além destes aspectos, citam-se também a prática da caça (e envenenamento) de animais considerados pragas para a lavoura. Considerando-se que os impactos na região, são indicadas algumas áreas remanescentes, consideradas alternativas interessantes à implantação de novas unidades de conservação, segundo avaliação realizada na região da zona costeira e marinha para conservação da biodiversidade. São elas: os Banhados do Saco do Jacaré, no município de Santa Vitória do Palmar; o trecho de banhados e pequenas lagoas isoladas ao norte do Banhado do Taim até o sul da cidade de Rio Grande; os banhados na parte sul do Canal São Gonçalo e norte da Lagoa Mirim, nos municípios de Arroio Grande e Rio Grande; o banhado do Mundo Novo, na margem oeste da Lagoa Mirim, município de Arroio Grande; os banhados do arroio Del' Rey, entre as lagoas Mirim e Mangueira, município de Santa Vitória do Palmar; a foz do arroio Juncal, município de Jaguarão; o banhado dos Afogados, município de Santa Vitória do Palmar; o palmar de Santa Vitória do Palmar; o banhado das lagoas das Capinchas e das Cortiças, município de Santa Vitória do Palmar. Com incidência direta no município de Pelotas é indicada apenas a lagoa Formosa, foz do rio Piratini e banhados do Canal São Gonçalo, abrangendo os municípios de Rio Grande, Arroio Grande, Capão do Leão e Pelotas sob a justificativa de ser uma área ainda bem mantida, importante local de refúgio para aves aquáticas. O estudo considera ainda como de relevância ambiental o espaço situado entre o oceano e a Lagoa dos Patos, bem como o estuário da lagoa (desembocadura no oceano) e proximidades, incluindo a praia do Cassino e foz dos rios que fluem do oeste da área de estudo. A área assim localizada engloba os municípios de Rio Grande, São José do Norte, Pelotas e Capão do Leão. A região do estuário e planície a oeste da Lagoa dos Patos apresenta banhados e áreas úmidas, assim como na região sul da área piloto descrita anteriormente, porém menos representativas e mais pressionadas pela atividade antrópica, diferenciando-se daquela em função do uso e ocupação do solo. Ocorrem aí as atividades industriais e de mineração, as quais têm influência sobre a conservação da biodiversidade local, associado aos problemas decorrentes da cultura de arroz. Destacam-se, no entanto, além dos banhados, as enseadas fechadas e rasas (sacos) da Lagoa dos Patos, as quais possuem alta produtividade pesqueira e abrigam uma grande variedade de espécies, inclusive de valor comercial. O estuário da Lagoa dos Patos representa uma importante área de criação para várias espécies de peixes e crustáceos de 230 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL valor comercial, configurando-se como um polo pesqueiro, ainda que artesanal, de importância destacada no abastecimento de pescados no sul do Brasil, em especial a corvina (Micropogonias furnieri) e a tainha (Mugil platanus). Por mais de um século as pescarias artesanais constituem a base socioeconômica dos pescadores da região costeira do Rio Grande do Sul. Esta atividade é beneficiada pela presença de estuários que permitem a migração de crustáceos e peixes entre o oceano e as águas continentais, promovendo sua abundância e fácil acesso. No entanto, os pré-requisitos para um efetivo manejo das atividades pesqueiras vêm sendo negligenciados, resultando em alto impacto desta atividade do ponto de vista econômico e biológico, apesar da proibição das artes de pesca ativa (redes de arrasto principalmente) que resultam em alta proporção em peso de peixes não aproveitados. O espaço compreendido entre o oceano e a face leste da Lagoa dos Patos, município de São José do Norte, é semelhante aos banhados descritos para o extremo sul da área de estudo quanto aos ecossistemas presentes e uso do solo (cultivo do arroz irrigado). Abrange parte (pequena parcela) do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, o qual se estende aos municípios de Mostardas e Tavares. Essa unidade de conservação, assim como o banhado do Taim, é especialmente importante no ciclo das aves migratórias. São interessantes, sob o ponto de vista de conservação, as áreas a seguir relacionadas: o sistema banhado da Barra Falsa, município de Rio Grande, junto a foz do canal de São Gonçalo; o Pontal da Barra, em Laranjal, município de Pelotas, devido aos banhados extensos bem conservados; a Lagoa Pequena, no município de Pelotas por ser um refúgio de cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus) e capororoca (Coscoroba coscoroba) em períodos de seca; o sistema Bojurú/Banhado e lagoa do Claudinho, município de São José do Norte; as Lagoas e banhados do Estreito, entre Tavares e São José do Norte, área extensa e em bom estado de conservação ameaçada pela recente descoberta de jazidas de titânio. No que diz respeito a Unidades de Conservação Ambiental, dos aproximadamente 169 mil Km2 pertencentes aos campos sulinos (especialmente representados na porção sul do Rio Grande do Sul), apenas cerca de 452,00 Km2 são protegidos dentro de unidades federais de proteção integral, ou seja, 0,27% da ecorregião. Em vista disso, tem-se que a área coberta pelas unidades de conservação referidas são insuficientes para garantir a preservação de parcela significativa da biodiversidade regional. No contexto da área de estudo da FEPAM foram identificadas áreas com objetivos de proteção de amostras significativas dos ecossistemas representados e da fauna ameaçada de extinção, bem como de preservação do local de passagem de aves migratórias e, em 231 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL alguns casos, com fins recreativos, culturais e científicos. Entre estas se destaca pela extensão a Reserva Ecológica do Taim. Estas unidades enfrentam problemas como pesca e caça clandestina, drenagem de água para cultivo do arroz, especulação imobiliária, tráfego de veículos e atropelamento de animais, dentre outros conflitos. No município de Pelotas não há registro de unidades de conservação ambiental. Figura 4.7 - Unidades de conservação na área de estudo da FEPAM Fonte: FEPAM, 2002. Outro aspecto relevante para preservação são os sítios de interesse histórico, muito presentes na arquitetura da área urbana e também rural de Pelotas, e de interesse arqueológico. Recentemente, por exemplo, o trabalho de Mapeamento Arqueológico de Pelotas e Região, desenvolvido pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia (LEPAArq/UFPel), através de atividades extensivas e intensivas de prospecção arqueológica já identificou mais de 50 sítios arqueológicos de ocupação referente aos grupos Guarani e construtores de cerritos, tanto na região litorânea às margens da laguna dos Patos (margem da lagoa do Fragata e margem do Canal São Gonçalo) como na serra do Sudeste. Os cerritos são sítios arqueológicos caracterizados como elevações doliniformes de origem antrópica, constituídos por terra, fragmentos cerâmicos, artefatos líticos e vestígios 232 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL alimentares, de formato circular, oval ou elíptico. Podem chegar até 100m de diâmetro e 7m de altura (no contexto uruguaio), porém, na região da laguna dos Patos, as alturas não ultrapassam 2m. São encontrados isolados ou em grupos, sendo localizados próximos a recursos hídricos em locais alagadiços. Estas estruturas em terra serviriam de marcadores geográficos para delimitação e reclamação territorial, locais de habitação, bem como monumentos funerários, praças públicas, lixeiras e demarcadores de território. Pertencem, segundo dados etnohistóricos e etnográficos, aos grupos indígenas denominados Charrua e Minuano, que ocuparam as terras baixas do Sul do Rio Grande do Sul e Uruguai. A cronologia destes sítios pode alcançar a profundidade de cinco mil anos A.P. em contextos de ocupação do interior do Uruguai, porém, na região da bacia da laguna dos Patos, as datações radiocarbônicas apontam um processo ocupacional entre 2.400 anos A.P. até 200 anos A.P. Mais especificamente, no município de Pelotas, o sítio PT-02-cerrito da Sotéia foi datado em torno de 1000 anos A.P. No período mais recente, a presença de escravos negros e grande concentração de charqueadas abre espaço para um grande trabalho de resgate histórico e arqueológico da ocupação colonial, repleto de vestígios e sítios que necessitarão ser identificados e resgatados sempre que algum uso mais impactante do solo venha a ser proposto, como a instalação de novos parcelamentos urbanos, de empreendimentos e obras. 4.6. SÍNTESE DAS INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES POTENCIALMENTE POLUIDORAS No estudo da FEPAM foram avaliadas as atividades industriais e produtivas com maior potencial poluidor para toda a área de estudo. Foram consideradas as indústrias químicas e de alimentos, incluindo seu potencial relacionado com cargas poluidoras industriais, e os terminais de carga e armazenamento, considerando sua tipificação e licenciamento, bem como destacando informações sobre o Porto de Pelotas e o Porto de Rio Grande. Com base nestas informações foi realizado um mapeamento das áreas de risco, resultando em um mapeamento específico para o município de Pelotas, entre outros. O estudo da FEPAM avaliou também resíduos sólidos urbanos; atividades de mineração; o transporte de cargas perigosas, destacando entre outros itens áreas críticas nos trajetos e riscos de acidentes; e por fim a atividade de irrigação. Das análises e resultados apresentados são destacados aspectos relevantes para o diagnóstico dos aspectos ambientais de atividades potencialmente poluidoras para o PDEL de Pelotas, conforme apresentado a seguir. Dois segmentos industriais representam importantes atividades geradoras de efluentes com cargas poluidoras. Com base nos levantamentos realizados no cadastro de licenciamento da 233 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL FEPAM e levantamentos a campo o estudo realizado identificou um conjunto de empresas com emissão de cargas poluidoras nos corpos hídricos. As vazões de efluentes nem sempre estavam disponíveis nos registros, bem como as cargas de efluentes contaminantes, as quais na maioria dos casos foram estimadas com base em bibliografia. Resultou deste estudo a identificação das seguintes empresas e cargas poluidoras para a área de estudo, sendo que Pelotas se destaca juntamente com Rio Grande, como os principais centros geradores de efluentes industriais. Tabela 4.2 - Caracterização geral dos efluentes das indústrias químicas na área de estudo da FEPAM Município Canguçu Capão do Leão Hulha Negra Morro Redondo Santa Vitória do Palmar Rio Grande Pelotas Tipo de indústria química Asfalto Asfalto Asfalto Curtume Asfalto Curtume Fertilizantes Petróleo Curtume Fertilizantes Asfalto Vazão total de efluentes 3 (m /dia) 20 120 80 14 40 1 140 320 120 365 15 Concentração de poluentes DQO (mg/l) DBO (mg/l) Cr (mg/l) Fe (mg/l) Ni (mg/l) 8.500 8.500 3.340 8.500 - 3.600 3.600 280 3.600 - 72,000 72,000 0,280 72,000 - 3,940 3,940 3,940 - 0,045 0,045 0,110 0,045 - Fonte: FEPAM, 2002 Tabela 4.3 - Caracterização geral dos efluentes das indústrias alimentares na área de estudo da FEPAM Município Arroio Grande Canguçu Capão do Leão Cerrito Pedro Osório Hulha Negra Morro Redondo Pinheiro Machado Piratini Santa Vitória do Palmar Rio Grande Tipo de indústria alimentar Arroz/grãos Mat./abat. Laticínios Mat./abat. Arroz Conservas Laticínios Mat./abat. Laticínios Mat./abat. Conservas Mat./abat. Conservas Mat./abat. Mat./abat. Laticínios Grãos Arroz/grãos Mat./abat. Alimentos Arroz/cereais/grãos Bolachas Laticínios Mat./abat. Vazão total de efluentes 3 (m /dia) 323 142 30 320 282 150 370 2.564 1 24 40 840 478 632 16 3 102 296 55 1.920 108 10 2 96 Concentração de poluentes DQO (mg/l) DBO (mg/l) Cr (mg/l) 2.400 4.050 3.000 4.050 2.400 4.000 3.000 4.050 3.000 4.050 4.000 4.050 4.000 4.050 4.050 3.000 2.400 2.400 4.050 2.400 1.000 3.000 4.050 1.413 1.997 1.503 1.997 1.413 2.028 1.503 1.997 1.503 1.997 2.028 1.997 2.028 1.997 1.997 1.503 1.413 1.413 1.997 1.413 500 1.503 1.997 - Fe (mg/l) Ni (mg/l) 1,500 1,500 1,500 - Continua 234 - Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Continuação da tabela 4.3 Pelotas Óleo vegetal Pescado Arroz/grãos/ cereais Benef. Carnes Bolachas Conservas Laticínios Mat./abat. Óleo vegetal Pescado 700 3.069 2.681 32 5 1.189 3 1.015 94 299 3.000 4.000 2.400 1.000 4.000 3.000 4.050 3.000 4.000 1.569 2.305 1.413 500 2.028 1.503 1.997 1.569 2.305 - 3,850 1,500 3,850 - - Fonte: FEPAM, 2002. O estudo da FEPAM compilou e estimou as vazões de efluentes industriais destas duas atividades (química e alimentos) e projetou a distribuição das cargas. A figura a seguir permite identificar a importância da Lagoa dos Patos como receptor e diluidor de efluentes industriais, os quais vão se somar aos efluentes domiciliares e formar a rede de drenagem e esgotamento da região. O estudo da FEPAM informa, também, quais as empresas com atividades industriais na área química e de alimentos e compila informações referentes a suas características relacionadas a área de meio ambiente. Obviamente, trata-se de informações relativas a 2002 e podem ter sofrido modificações. Contudo, é importante salientar a situação ainda pouco controlada em termos de informações pelo órgão licenciador, o que pode representar risco de empresas atuando de forma irregular frente à legislação de controle e tratamento de efluentes. Os terminais de carga e armazenamento na área de estudo da FEPAM estão concentrados em Rio Grande, em função da operação do porto marítimo. Em Pelotas são identificados depósitos de produtos químicos e dois terminais portuários. Os terminais de carga e armazenamento identificados no município de Pelotas se localizam no seu distrito industrial, caracterizando um entorno formado por edificações e áreas industriais de grande porte, ou seja, adequado a este tipo de atividade, o que não ocorre em todas as situações registradas em Rio Grande, no qual alguns terminais estão localizados em áreas mistas com moradias e outras atividades potencialmente conflitantes. 235 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 4.8 - Mapeamento dos efluentes industriais Fonte: FEPAM, 2002. Tabela 4.4 - Indústrias Químicas e Alimentícias de Pelotas Empreendimento 3R Doces e Conservas Adilson Uarthe Adubos Meteor Agroindustrial Mirim Aldo Lambrecht Matadouro de Suínos Angelo Aurichio / Olé Arno Maas Arrozeira Ehlert LTDA Arrozeira Floresta Arrozeira Ivo Hadler Tipologia IA Conservas IA Laticínio IQ Fertilizantes IA Empacotamento cereais IA Matadouro suínos IA Conservas IA Matadouro IA Arroz IA Arroz IA Arroz Endereço Rua Duque de Caxias 1028 Est. Cerrito 6260 Av. Fernando Osório, 1797 Av.Viscondessa da Graça 113 Entorno Residências, indústrias e comércio. Área 2 (m ) Vazão 3 (m /dia) 970,4 9,00 98 3,00 SI 2.792 (2,79) NGEI 1.605 (22,47) SI 900 30,00 Sanga da Barbuda CSTE 50,00 Sanga da Barbuda SI Av. Fernando Osório 6617 Residências, indústrias e comércio. Av. Fernando Osório, 6995 Av. Fernando Osório 6661 Av. Fernando Osório 5270 BR 116 BR 116 Km 523 nº 2599 Residências, indústrias e 3.908,40 comércio. Residências, indústrias e 605 comércio. Residências, indústrias e 1.170 comércio. Zona industrial. 1000 Zona rural. 900 Corpo receptor Tratamento Arroio Fragata 5/ SI 5/ 3/ 5/ 1/ 5/ 5/ (55,66) SI (16,38) SI (14,00) SI (12,60) NGEI 5/ 5/ 3/ continua 236 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Continuação da tabela 4.4 Empreendimento Arrozeira Medina Tipologia IA Barragem/ açude/irrig. Arrozeira Meridional IA Arroz Arrozeira Pelotas IA Arroz Arrozeira Pérola IA Arroz IA Arroz IA Arroz Arrozeira Theis IA Arroz Ayres Bonow IA Matadouro Bencer / Arrozeira Curi IA Arroz Biscoitos Zezé * IA Biscoitos Bonfrut * IA Hortifrut. Bonsul IA Frigorífico Arrozeira Schneider Arrozeira Tessmann Canguru Embalagens * Carlo Alberto Pereira de Oliveira Castro Frigoríficomatadouro Cel. Pedro Osório * IQ IA Grãos IA Matadouro/ frigorífico IA Arroz Cerealle IA Cereais Ceval IA Endereço Av. Brasil 1116 Av. Fernando Osório, 2014 Av. Fernando Osório, 5552 R. Leopoldo Brod, 572 Rua Fernando Osório 5352 Contagem s/n Bairro 3DT Av. Fernando Osório, 6020 Col. PY. Crespo s/n 3º distrito Av. Salgado Filho, 927/ 1075 Rafael Dias Mazza, 551 Marcílio Dias, 2469 Av. Fernando Osório, 6959 R. Lobo da Costa, 1877. Centro Av. Fernando Osório 7204 Av. Fernando Osório 7929 Estrada do Engenho, 1600 Fernando Osório, 6389 Rua Santos Dumont Conservas Schramm IA Conservas Cooperativa Extremosul IA Arroz Curtume Santa Fé S.A IQ Curtume Dario Tessmer IA Matadouro Delta IA Arroz Diamante IA Cereais Edmar Gnutzmann IA Matadouro Av. Cidade de Lisboa 3257 EFE GE Engenho de Arroz IA Arroz R. Dom Pedro II, 10 . Várzea IA Matadouro IA Matadouro IA Conservas IA Arroz IA Arroz Elaina Hartwig Drawanz Elizabeth Klug Radke Enfripeter Engenho N. Sra. De Fátima * Engenho São Bento Entorno Passo da Micaela. 5º Praça 20 de setembro 747 Frederico Bastos, 510. Bairro Simões Lopes Est. Arroio do padre 5835 Av. Pinheiro Machado 2335 R. Leopoldo Brod, 198 Residências, indústrias e comércio. Residências, indústrias e comércio. Zona industrial. Residências, indústrias e comércio. Residências, indústrias e comércio. Residências, comércio e indústrias. Vazão 3 (m /dia) 1.900 - 4.100 (57,40) SSCE - SI 6.589,44 (92,25) SI 800 (11,20) SI 200 (2,80) SI 2.600 (36,40) SI 250 (23,00) SI 9.891,70 (138,48) SI - SI - SI 28,40 SI - SI 800 (11,20) SI 957 100,00 Residências. Periferia da cidade, próximo lixão municipal. Residências, indústrias e comércio. Residências, comércio e indústrias. Residências, indústrias e comércio. Residências, indústrias e comércio. Zona rural – áreas de campo. Residências, indústrias e comércio. 2.000 800 Zona rural. Tratamento 4/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ Sanga Barbuda 5/ SI 5/ - SI (11,20) SI 5/ Residências, indústrias e comércio. Periferia da cidade, com resid6encias próximas. Zona industrial. Periferia da cidade, próximo canal de esgoto. Residências, indústrias e comércio. Arroio Micaela Sistema de tratamento de efluentes com lagoas de estabilização anaeróbia e facultativa. 6.800 150,00 10.000 (140,00) 4.801 185,00 80 (7,36) SI 2.000 (28,00) SI 2.274 (31,84) SI 700 30,00 5.400 (75,60) SI 40 (3,68) SI 432,74 (39,81) 4.800 130,00 Zona industrial e residencial. BR 116 km 518,5 Corpo receptor - Est. C. Ramos, s/n 3º distrito Av. Assis Brasil 480 Av. Fernando Osório, 6316 Área 2 (m ) 2.919,62 2/ CSTEI Canal de Santa Bárbara 2/ CSTEI 5/ 5/ 5/ solo Deverá implantar ETE 5/ 5/ Rede pública Coletor pluvial da Av. Fernando Osório 5/ SI 2/ CSTEI 5/ - SI (40,87) SI 5/ continua 237 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Continuação da tabela 4.4 Empreendimento Engenho São Carlos Engenho São Joaquim Engenho São Paulo Engenho Zanetti Tipologia IA IA IA IA Ervim Milach IA Ferragem Lorenzet IA Fonte do campo IA Endereço Rua Antônio Felipe Caputo 07 Av. Fernando Arroz Osório, 545 Av. Fernando Arroz Osório 1939 Arroz BR 116 6090 Av. 25 de Julho Arroz 686 Herbert Hadler Matadouro 1385 Torrefação e Praça 20 de moagem do café Setembro 802 Arroz Frigorífico Bonna Carne IA Frigorífico Est. Da gama s/n – Monte Bonito Frigorífico Famile IA Frigorífico Estrada dos Maricás, 395. Sanga Funda Frigorífico Ferro IA Frigorífico Av. João Gomes Nogueira, 4011 Frigorífico Miramar IA Frigorífico Gransul IA Arroz Icalda (Ind.Conservas Leon LTDA. * IA Compotas IA Óleos vegetais IA Bolachas massas Irgovel Irmãos Ruivo LTDA Isnar Coutinho e Filhos LTDA Jorge Zanetti * IQ IA Est. da Costa, 842. Margem do Arroio Pelotas Av. 25 de Julho 2253 Rua Giuseppe Mattea 307 Distrito Industrial Av. Pres. João Goulart, 7351 Entorno Residências, indústrias e comércio. Residências, indústrias e comércio. Residências, indústrias e comércio. Indústrias. Área 2 (m ) Vazão 3 (m /dia) 1.525 (21,35) SI 13.400 (187,60) SI 1.500 (21,00) SI - SI 750 (10,50) SI 1.625 (149,50) SI 104 - SI 360,90 105,00 Zona rural, com residências próximas. 2064 200,00 Residências, próximo canal. 2.910 80,00 Zona rural, próximo a canal. Corpo receptor Tratamento 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ 5/ Arroio sem nome que deságua na barragem do arroio Sta Bárbara Sanga Funda (arroio Pelotas) Sanga Funda (arroio Pelotas) Arroio Pelotas 5/ SI 2/ CSTEI 1/ CSTE Sistema de tratamento de efluentes com lagoas anaeróbias e facultativas. Sem informação 7.260 150 ,00 800 (11,20) Indústrias. 1.603 150,00 Indústrias. 8.500 94,00 7.200 5,00 508 - SI - SI e Rua Rafael Mazza 563/581 Rua Salvador Produtos limpeza Babreira 374 Giuseppe Mateia, Arroz 529 5/ SI Rede pública 5/ SI Canal de Santa Bárbara Rede pública 5/ SI 5/ SI 5/ 5/ Açude de 13 ha na propriedad e vizinha (1200m do arroio Pelotas) Josapar IA Arroz BR 116 Vila Princesa Indústrias. 60.906 500,00 Josapar IQ Mistura fertilizantes Rua Cap. Nelson Pereira 1125 Zona rural – sem residências próximas. Margem do arroio Pelotas. 7.000 (7,00) SI Josapar / Suprarroz IA Arroz 25.382 (355,35) SI Josapar / Suprarroz IA Arroz 9.364 143,00 Krolow & Cia. IA Arroz 2.780 (38,92) SI Lemos danova IQ Usina asfalto 300 (119,70) SI Lotus Industriais IA Pescado 3.226 (206,46) SI Matador Cascatense IA Matadouro 80 (7,36) SI R. Prof. Dr. Araújo, 1653 R. Cap. Nelson Pereira, 1125 com Av. Adolfo Fetter R. Santos Dumont, 664 Zona rural – sem residências próximas. Margem do arroio Pelotas. Periferia da cidade, com residências próximas. BR 392 Km 86 Av. Fernando Residências, indústrias Osório, 7835 e comércio. BR 392 Canguçu, 4625 5/ SI 5/ 5/ Arroio Pelotas 5/ SI 5/ 5/ 5/ 5/ continua 238 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Continuação da tabela 4.4 Empreendimento Tipologia Mercantil Goods IA Café Moinho Princesa do Sul * IA Arroz Nelson Wendt IA Cereais Nelson Wendt IA Arroz Novagri IA Arroz Oderich IA Conservas Otero IA Grãos/cereais Ouro Fértil IQ Fertilizantes Pelicano IQ Embalagens Produtos alimentícios Orlandia S/A IA Alimentos Red Indian IA Conservas Rubens Perleberg IA Arroz Saman IA Cereais Sandro Agropastoril IA Carnes/derivados Schiller IA Endereço Rua General Osório 552 Av. Fernando Osório (bifurcação Marcílio Dias R. Leopoldo Brod, 101 Av. Fernando Osório, 2774 BR 116 BR 392 Km 68 (trevo com BR 116) Rua Um 1106 R. Alfredo Satte Allam Sobradinho, 351 R. Marcílio Dias, 3152 R. Leopoldo Brod, 634 Rua Vila Cordeiro de Farias 5º distrito Av. Fernando Osório, 3546 Av. Herbert Hadler, 261 Av. Fernando Osório 5179 Ponte Cordeiro de farias Fernando Osório 5360 Est. Do Reservatório Simott bairro Monte Bonito 9º distrito R. Natalício Bernardes, 730. 2º distrito Trav. nº 5, 46 Sanga Funga BR 392 Km 63 Simões Lopes R. Lauro Ribeiro, 106. Dist.Ind. Av. Fernando Osório, 1970 Entorno Área 2 (m ) Vazão 3 (m /dia) 200 - SI - SI Residências, indústrias e comércio. Indústrias. Residências, indústrias e comércio. Indústrias. 13.768 242,00 5.800 (81,20) Corpo receptor Tratamento 5/ 5/ Canal do esgoto sanitário da Vila Sítio Floresta 2/ CSTEI 5/ SI Arroio Fragata 1/ Indústrias. 2.470 400,00 Indústrias. 740 (10,36) SI Indústrias. 4.916 (4,92) NGEI - SSCE 2.155 - SI 1.800 80,00 Residências, indústrias e comércio. 6.000 (84,00) NGEI Zona rural. 6.510 (91,15) SI Residências, indústrias e comércio. 1.653 32,00 1.117 180,00 200 (2,80) SI 800 40,00 SI 2.598 93,00 CSTEI 245 5,00 SI 550 (7,70) SI Zona industrial. 38.000 40,00 Residências, indústrias e comércio. 9.300 (130,20) 3700 180,00 Residências e indústrias. Indústrias. Schneider & Schneider Residências, indústrias e comércio. IA Grãos Shelby Conservas IA Conservas Souto, Oliveira S.A IA Pescado Suely Domingos Vahls dos Santos IA Matadouro Sul Arroz IA Arroz VEGA IA Alimentos Westendorff IA Cereais Yurgel S.A. * IQ Alimentos R. Manduca Rodrigues, 752 Industrial e residencial. Zero Grau (ex Agazén) IA Cereais Av. Herbert Hadler, 660 Zona industrial. Zona industrial. CSTE 5/ 3/ 4/ 5/ Arroio Pelotas 5/ SI 3/ 5/ Rede pública Arroio Pelotas 5/ SI 5/ 5/ 2/ 5/ 5/ Rede pública 2/ CSTEI 5/ SI Canal de São Gonçalo 1/ CSTE 5/ - SI Fonte: FEPAM, 2002; 1/ CSTE - Com sistema de tratamento de efluentes; 2/ CSTEI - Com sistema de tratamento de efluentes industriais; 3/ NGEI - Não gera efluentes industriais, segundo dados ILAI; 4/SSCE - Sem sistema de controle de efluentes; 4/ SI - Sem informação. 239 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Tabela 4.5 - Características dos Terminais de Pelotas Informações Gerais Empreendimento Endereço 2 Área (m ) Área de Abrangência Tipo de Uso/Cargas no Terminal Características dos Resíduos do Terminal Efluentes Resíduos 3 (m /dia) Sólidos Depósito de produtos químicos Comercial Retiro Diesel – TRR Av. Jorge Curi Hallal, 2864 120,00 Não informado Petróleo e derivados Não informado Não informado Rosante – TRR Av. Zeferino Costa, 1300 80,00 Não informado Petróleo e derivados Não informado Não informado Armazéns Porto de Pelotas - Não informado Clínquer, minério e uréia Não informado Não informado AGIP do Brasil Av. Fernando Osório, 4777 4.506,00 Não informado GLP – gás liquefeito de petróleo 1,00 Não informado Supergasbras Av. Fernando Osório, 7517 443,00 Não informado GLP – gás liquefeito de petróleo Não informado Não informado Terminal portuário Cia de Cimentos do Brasil R. Conde de Porto Alegre, 307 Olvebra Industrial S.A. Porto de Pelotas 15.000,00 Não informado Não informado Não informado Não informado - Não informado Grãos, farelo e óleo vegetal Não informado Não informado Fonte: FEPAM, 2002 O porto existente no município de Pelotas é composto de diversas instalações, destacandose os terminais de carga/descarga e armazenamento. As principais cargas embarcadas no porto são em granel sólido, especificamente: clínquer, arroz e pedra calcárea. O porto é administrado pela Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais - DEPRC / RS. Recentemente, entretanto, as áreas destinadas ao porto vem sofrendo modificação de seu uso, abrigando em seus prédios antigos e em novas edificações instalações da Universidade Federal de Pelotas e áreas residenciais próximas. O porto não contava, até a retomada do polo naval de Rio Grande, com perspectiva de ser operado novamente como unidade portuária, o que levou o Plano Diretor de Pelotas a admitir outros usos para área. Contudo, com a retomada das atividades do polo naval de Rio Grande há registro de empresas interessadas em instalar suas atividades em Pelotas devido ao esgotamento da área em Rio Grande e a eventuais benefícios logísticos e locacionais. Entretanto, em função da recente destinação da área portuária para serviços e moradia, estabeleceu-se um conflito de uso da mesma, levando à proposição de novos locais para instalação de atividades portuárias no município de Pelotas. Esta discussão encontra-se em fase muito inicial, apesar da urgência decorrente da instalação de empresas devido ao polo naval. De qualquer forma, do ponto de vista ambiental, é possível prever dificuldades para o licenciamento de novas 240 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL áreas portuárias, tendo em vista o fato do município dispor de poucas áreas já alteradas para esta finalidade. A aprovação da Agenda Ambiental Portuária, em outubro de 1998, inaugura uma fase de compromissos da atividade com a gestão ambiental dos portos brasileiros e se constitui de uma série de ações voltadas para modificar e implementar um perfil da atividade, adequando-o às diretrizes para preservação do meio-ambiente. Posteriormente, foi promulgada a Lei Nº 9.966, de 28 de fevereiro de 2000, que internalizou efetivamente os documentos ambientais básicos da comunidade portuária internacional (a MARPOL e a OPRC 90). Dentre as principais ações dessa Agenda, salienta-se: a promoção do controle ambiental da atividade portuária; a inserção das atividades portuárias no âmbito do gerenciamento costeiro; a implementação de unidades de gerenciamento ambiental nos portos e de setores de gerenciamento ambiental nas instalações portuárias fora do porto organizado; entre outras. Da mesma forma, os portos organizados deverão harmonizar os seus respectivos Planos de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) com o Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com as secretarias ambientais dos estados e municípios costeiros. Estarão também sujeitos a um licenciamento operacional, cuja regulamentação será estabelecida por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Segundo a Agenda Ambiental Portuária, a implantação e operação de Portos e Terminais Marítimos apresentam grande potencialidade de geração de impactos ambientais, podendose destacar os seguintes: impactos diretos da implantação de infraestruturas; alterações na dinâmica costeira, com indução de processos erosivos e de assoreamento e modificações na linha de costa; supressão de manguezais e de outros ecossistemas costeiros; efeitos de dragagens e aterros (incluindo impactos nas caixas de empréstimo); comprometimento de outros usos dos recursos ambientais, especialmente os tradicionais; alteração da paisagem; ocorrência de acidentes ambientais (derrames, incêndios, perdas de cargas); dragagens e disposição de sedimentos dragados; geração de resíduos sólidos nas embarcações (taifa), nas instalações portuárias e na operação e descarte de cargas; contaminações crônicas e eventuais, pela drenagem de pátios, armazéns e conveses, lavagens de embarcações, perdas de óleo durante abastecimento e aplicação de tintas anti-incrustantes, à base de composto estanho-orgânico; introdução de organismos nocivos ou patogênicos por meio das águas de lastro ou pelo transporte de cargas ou passageiros contaminados; lançamento de 241 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL efluentes líquidos e gasosos (incluindo odores); lançamento de esgoto oriundo de instalações portuárias e embarcações. Deve-se considerar também, a exemplo do que está ocorrendo atualmente em Pelotas, a consequente ocupação de áreas retroportuárias e de áreas adjacentes aos eixos de transporte, com o adensamento da ocupação existente e o desenvolvimento de atividades de serviços, industriais e agrícolas. A proximidade entre estes tipos de ocupação do entorno e a atividade portuária traz como desdobramento uma gama de impactos aos ecossistemas costeiros considerados como impactos indiretos da atividade portuária e que devem ser levados em conta nas avaliações, tendo em vista, sobretudo, medidas preventivas a serem implantadas por meio de instrumentos de planejamento e gestão ambiental. O estudo realizado pela FEPAM apontou para uma situação, à época, de falta de licenciamento ambiental da maioria dos terminais e atividades relacionadas ao sistema portuário, situação que deve ter se modificado recentemente. No município de Pelotas, onde se concentra o maior contingente populacional da área de estudo, a destinação final dos resíduos até muito recentemente estava localizada em meio à zona urbana, no Loteamento Colina do Sol. Os resíduos eram dispostos diretamente sob o solo, sem impermeabilização, com a realização de cobertura dos resíduos de forma esporádica. A área situada na Marcílio Dias funcionava há mais de 20 anos e estava com a capacidade esgotada. Com a mudança, o lixo coletado na cidade será levado para a Estação de Transbordo e direcionado por contêiner para Candiota, segundo estabelece contrato de dois anos assinado pela prefeitura com a empresa responsável pelo transporte e alocação dos resíduos. A solução encontrada faz com que o lixo dos pelotenses viaje 164 quilômetros até o aterro de Candiota. A Prefeitura de Pelotas opera uma Estação de Transbordo de Resíduos Sólidos, que recebe o lixo doméstico e público. O investimento na construção do local foi de quase um milhão de reais. A Meioeste Ambiental, vencedora da licitação, faz dez viagens por dia, com carretas de 110 metros cúbicos, para transportar os detritos de Pelotas até o aterro de Candiota. O aterro sanitário de Pelotas foi fechado para o recebimento de resíduos sólidos, mas no local continuarão o monitoramento da Estação de Tratamento de Efluentes e o sistema de manutenção de drenagem pluvial e chorume. Não há, ainda, um projeto aprovado para recuperação desta área, o que certamente irá ocorrer por um longo período ainda. 242 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A situação crítica do aterro se deve à falta de áreas para a implantação de um novo aterro, especialmente na zona urbana. Ao Sul de Pelotas, fica o Canal São Gonçalo, a Leste, a Lagoa dos Patos, a Oeste, Capão do Leão, e ao Norte, as bacias do Sinott e Santa Bárbara. A Estação de Transbordo de Pelotas, localizada na Avenida Herbert Hadler, tem capacidade para receber até 300 toneladas diariamente, mas, no momento, está operando com 180 toneladas de resíduos domésticos e 60 toneladas de lixo público. As atividades de mineração em Pelotas estão associadas principalmente à extração de areia e argila. A extração de areia ocorre em duas situações: extração fora de recurso hídrico e em recurso hídrico. Os principais locais de extração de areia fora de recurso hídrico na região são a região da Fragata (Pelotas e Capão do Leão), região do Areal (Pelotas), ao longo das margens do Canal de São Gonçalo (Rio Grande, Pelotas e Capão do Leão) e nas proximidades da BR 392 (Rio Grande). A extração de areia em recurso hídrico localiza-se principalmente ao longo de três rios e arroios, destacando-se o leito do Canal São Gonçalo, o Arroio Pelotas e o Rio Piratini. Todas as atividades cadastradas possuem, ou deveriam possuir, a utilização de tecnologias que minimizem os impactos ao meio ambiente, que possibilitem o aproveitamento total das potencialidades e que fossem as mais viáveis para os empreendedores. Estes aspectos não são sempre observados, principalmente os dois primeiros. A atividade de extração de argila na região fomenta basicamente a atividade cerâmica, estando os principais produtores localizados nos municípios de Pelotas, Capão do Leão, Cerrito, Pedro Osório, Morro Redondo e Canguçu. Dentre estes municípios destacam-se as regiões da Sanga Funda e Três Vendas (Pelotas), Vila Lacerda e Colônia São José (Canguçu), e Região das Olarias - proximidades do Rio Piratini (Cerrito e Pedro Osório). Os métodos de extração são basicamente manuais, sendo utilizados, em alguns casos, uma remoção preliminar (desmonte mecânico), por intermédio de pás-carregadeiras ou similares. Os outros processos são todos manuais, executados em frentes de lavras pequenas localizadas em regiões de olarias. Toda a produção é consumida na região, que conta com empreendimentos de pequeno porte. Estima-se uma superfície máxima de 200 hectares lavrados. 4.5. MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE RISCO Este capítulo visa a identificação dos principais conflitos entre a atividade desenvolvida e as características do ambiente em que a mesma se desenvolve, através do mapeamento de áreas de risco na região de estudo. Este mapeamento possibilita subsidiar uma decisão 243 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL administrativa mais segura quanto ao licenciamento de atividades já existentes e principalmente quanto aos novos empreendimentos propostos. A análise de riscos ambientais permite avaliar os efeitos adversos da atividade humana sobre os ecossistemas, a partir da consideração de um fator probabilístico de ocorrência de determinado evento. O processo de análise de risco, quando baseado em informações científicas, resulta numa importante ferramenta para a tomada de decisões no sentido de evitar acidentes ambientais. Desta forma, a partir da determinação dos riscos ambientais relevantes na região de estudo, torna-se possível o mapeamento das áreas de risco e consequentemente a adoção de medidas preventivas e a respectiva redução de perigos e/ou impactos ambientais associados. A partir de metodologia consagrada, foram avaliados no estudo da FEPAM os riscos ambientais das indústrias químicas, indústrias alimentares e terminais de carga e armazenamento. Tanto as indústrias químicas, quanto os terminais de produtos químicos foram caracterizados por representarem riscos de efeito muito grave (nível IV) podendo resultar em impacto ambiental com severos danos, e de frequência possível (nível C). Já as indústrias alimentares e os terminais de cargas gerais foram relacionados a riscos de efeito médio (nível II), podendo resultar em impacto ambiental com danos de certa extensão, com possibilidade de ser controlado ou compensado adequadamente. A frequência da causa do risco, no entanto, foi considerada similar àquela das indústrias químicas e terminais de produtos químicos, ou seja, uma frequência possível (nível C). Desta forma, enquanto as indústrias químicas e os terminais de produtos químicos foram classificados como categoria 4, as indústrias alimentares e os terminais de cargas gerais foram classificados como categoria 2. Foram agregadas na análise de risco, também, as características intrínsecas de cada empreendimento, bem como a sua relação com aspectos de vulnerabilidade dos ecossistemas, quais sejam: porte do empreendimento e proximidade de recursos hídricos, formações vegetais nativas (ecossistemas vulneráveis) e ocupação residencial/comercial ou industrial. A partir de critérios específicos, portanto, foi estabelecido um valor de risco ambiental total para cada empreendimento, através da simples multiplicação de todas as variáveis estudadas e, como forma de categorização, foram adotadas faixas de risco ambiental. Para cada uma das categorias (desprezível, pequeno, moderado, sério e crítico) há um 244 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL determinado raio de abrangência do risco ambiental proporcional a severidade deste, utilizado para fins de representação gráfica. Tendo em vista a grande concentração de indústrias e terminais em Rio Grande e Pelotas, o estudo da FEPAM fornece análises destes dois municípios em detalhe. A seguir apresentase a figura relativa ao mapa de risco ambiental de indústrias e terminais no município de Pelotas. O que a figura permite observar é que, apesar de não ter sido identificada nenhuma situação de risco crítico (situação de maior risco), a maior parte das situações de risco moderado e sério encontram-se próximas de cursos d’água importantes, resultando em perigo de contaminações. Entorno do manancial de abastecimento do município, entretanto, não são identificadas situações de risco ambiental para estas tipologias de uso e ocupação. Figura 4.9 - Mapeamento das áreas de risco ambiental (indústrias e terminais) em Pelotas Fonte: FEPAM, 2002. 245 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 4.7. T RANSPORTE DE CARGAS PERIGOSAS O Rio Grande do Sul serve-se de uma extensa rede de transportes, composta por rodovias, ferrovias, hidrovias, dutovias e portos. Uma perspectiva importante sob a qual deve ser visto o sistema de transportes do Rio Grande do Sul é aquela que ressalta sua importância para a integração dos mercados do Mercosul. O Transporte de Cargas Perigosas na região de estudo é bastante significativo por ser rota de escoamento para o Uruguai, e também pela presença do porto de Rio Grande, porta de saída/entrada de diversas cargas consideradas perigosas. Deve-se considerar ainda o parque industrial da própria região, que também é o destino de algumas cargas perigosas. As Cargas Perigosas são constituídas de Produtos e Resíduos Perigosos, os quais são substâncias ou misturas de substâncias encontradas na natureza ou produzidas por qualquer processo que coloquem em risco a segurança pública, saúde de pessoas e meio ambiente. O transporte de cargas perigosas está basicamente associado a perigos biológicos, radioativos e químicos. Os perigos biológicos derivam da exposição a vírus, bactérias, fungos etc, presentes em materiais de uso em laboratórios e hospitais, por exemplo, podendo causar doenças e levar o indivíduo à morte. Os perigos radioativos estão relacionados à exposição a materiais radioativos, muitas vezes imperceptíveis aos sentidos humanos, podendo causar graves lesões aos seres vivos. Os perigos químicos, por fim, derivam da natureza físico/química intrínseca das cargas, sendo representados pela combustibilidade, inflamabilidade, explosão, toxidade e corrosão. As principais rotas utilizadas pelo transporte de produtos perigosos são justamente aquelas que ligam a região norte do estado e do país, com o extremo sul, com o Uruguai e com Rio Grande, onde se encontra o porto, sendo os seguintes trechos rodoviários preferenciais, destacando a importância do Município de Pelotas: BR 116, trecho Porto Alegre – Pelotas: trecho com pista simples e tráfego intenso, todos os trevos de acesso são cruzamentos em nível, estrada sinuosa com curvas, declives e curvas em declive; BR 116, trecho Pelotas – Jaguarão: trecho reto com pista simples e pouco tráfego, atravessando o perímetro urbano de Jaguarão; BR 392, trecho Pelotas – Rio Grande: trecho com tráfego intenso, pista simples e plana, atualmente em obras de duplicação, também possui algumas curvas abertas e passa nas proximidades de banhados; e a BR 471, trecho Rio Grande – Chuí: trecho com pista simples, longos trechos em linha reta e pouco tráfego, cruzando o Banhado do Taim e o perímetro urbano de Chuí. O porto de Rio Grande, em especial, representa um polo de atração para o fluxo de cargas perigosas na região de estudo, por possuir em funcionamento um armazém destinado a produtos perigosos. 246 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL A malha ferroviária do Rio Grande do Sul, operada pela América Latina Logística do Brasil S/A desde a privatização da SR-6 da RFFSA, possui como única rota ferroviária na região de estudo a ligação Cacequi - Pelotas - Rio Grande com 472 km de extensão. Apesar de pouco utilizadas no Brasil, as rotas hidroviárias estão presentes na região. É comum, por exemplo, o transporte de Metanol do porto de Rio Grande até o terminal Santa Clara na Copesul, localizada no Polo Petroquímico de Triunfo. Nesta rota as embarcações utilizam, ao sair do porto de Rio Grande, o Canal Feitoria que dá acesso a Lagoa dos Patos. Na sequência deste trajeto a embarcação se dirige até o Lago Guaíba, e em seguida aos rios Jacuí e Caí, até o terminal Santa Clara. Recentemente, com a instalação do polo naval de Rio Grande as rotas hidroviárias estão sendo reativadas, a partir da instalação de fábricas e fornecedores em outros municípios próximos, ou mesmo distantes como Charqueadas, que se utilizam das rotas hidroviárias para acessar o complexo de estaleiros de Rio Grande. Certamente o fluxo de cargas perigosas vem se intensificando a partir da operação do polo naval de Rio Grande. As cargas transportadas ao longo destas rotas possuem as mesmas características que o amplo espectro de cargas perigosas que circula no estado. Isto se deve principalmente, como foi dito anteriormente, à presença do porto de Rio Grande, que recebe, por exemplo, cargas tóxicas produzidas no Polo Petroquímico de Triunfo, além de outros produtos produzidos na região metropolitana de Porto Alegre e na região de Caxias do Sul, dois importantes centros industriais do Estado. De modo geral as cargas perigosas são transportadas na forma líquida e gasosa, sendo utilizados veículos específicos para tal. As cargas perigosas movimentadas na rota ferroviária entre Cacequi e Rio Grande são álcool, gasolina e diesel, além de alguns produtos potencialmente perigosos como adubos e fertilizantes. Estes se tornam perigosos principalmente se caírem em corpos d’água como rios, açudes e banhados, alterando drasticamente o pH da água. Além disto, se caírem no solo, queimam a vegetação e podem modificar o pH do solo. A principal carga perigosa transportada nas hidrovias presentes na região de estudo, destaca-se o metanol. Normalmente, o metanol é transportado desde o Porto de Rio Grande até o Terminal Santa Clara na Copesul, no Polo Petroquímico de Triunfo. Outros produtos, no entanto, fazem o caminho inverso, deixando o Terminal Santa Clara na Copesul e indo até o Porto de Rio Grande, quais sejam: benzeno, tolueno, xilenos, MTBE, metil etil cetona, etilbenzeno e estireno. Excepcionalmente, pode haver a necessidade de trazer de volta para o Polo Petroquímico alguns dos produtos já enviados. 247 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Os principais usos adjacentes às rotas de transporte de cargas perigosas são rurais, embora nas proximidades de áreas urbanas registrem o adensamento de atividades comerciais e áreas residenciais. A figura que segue apresenta as principais rotas rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias de transporte de produtos perigosos na região de estudo através da demarcação das mesmas em mapa georreferenciado, identificando também o tipo das cargas transportadas, origens e destinos finais, frequência da realização do transporte e demais informações obtidas. Fica evidente na figura a centralidade do município de Pelotas no que tange às rotas rodoviárias e ferroviárias. Figura 4.10 – Rotas das cargas perigosas Fonte: FEPAM, 2002. 248 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Um acidente pode acarretar elevados riscos (incêndios, explosões, reações químicas, efeitos tóxicos etc) tanto para o ambiente, quanto para a saúde pública e para quem vai se envolver no acidente (curiosos, policiamento, bombeiros, pessoal médico, fiscalização ambiental, transportador, expedidor ou fabricante etc.). Quando estão envolvidos vários produtos ou resíduos, a preocupação pode ser maior pelo desconhecimento do efeito sinergético destes sobre o ser humano e a biota. Torna-se necessário adotar precauções maiores e proceder a investigações adicionais. Em termos gerais, observando-se as áreas densamente populosas e sensíveis a qualquer alteração em seu meio, pode-se citar as áreas urbanas de Chuí e Jaguarão, os banhados próximos as rodovias BR 471 e BR 392, além do Canal Feitoria e da Lagoa dos Patos, como sendo as maiores áreas críticas dos trajetos percorridos pelas cargas perigosas na região de estudo. Deve-se ressaltar ainda como área crítica, a região do Porto de Rio Grande, que além de se situar em uma área densamente povoada (cidade de rio Grande), possui uma movimentação intensa de produtos perigosos. Um acidente com cargas perigosas afetaria profundamente os recursos hídricos de toda esta região, como já ocorreu recentemente em um episódio envolvendo o vazamento de Ácido Sulfúrico, de uma embarcação atracada no porto. A figura 4.11 apresenta, por fim, o mapeamento dos trechos críticos identificados ao longo das rotas de produtos perigosos na região de estudo. Deve-se ressaltar que devido a escala de trabalho, esta prancha apresenta os principais trechos críticos de forma genérica. No entanto, o detalhamento quilômetro a quilômetro dos trechos críticos existentes ao longo dos trajetos em questão é imprescindível para uma análise completa das áreas críticas. 249 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 4.9 - Localização dos trechos críticos Fonte: FEPAM, 2002. 4.8. ESTRUTURA DE GESTÃO AMBIENTAL MUNICIPAL Com a edição da Lei Municipal n.º 4.630/2001, foi criada a Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental – SQA, que passou a atuar como órgão ambiental do Município desenvolvendo uma série de projetos, tais como, a proteção, fiscalização e licenciamento ambiental, de acordo com o Conselho Municipal de Proteção Ambiental - COMPAM; a coordenação e implementação das políticas de educação ambiental; a realização de diagnóstico e controle da qualidade ambiental; o desenvolvimento de políticas visando a arborização urbana, bem como a recuperação de áreas degradadas nas áreas urbanas e rural; a coordenação e implementação da política de gerenciamento de resíduos sólidos. Contudo, atualmente, a SQA ainda está se estruturando, implantando procedimentos informatizados de gestão e tem sua atuação focada no licenciamento ambiental de atividades de impacto local, através de convênio que delega atribuições originalmente da FEPAM para a SQA, nas atividades consideradas de baixo potencial poluidor. As atividades de impacto local licenciadas pela SQA são: Atividades agropecuárias (irrigação, criação de animais, aqüicultura, piscicultura); Extração e tratamento de minerais; Indústrias (minerais não metálicos, metalurgia básica, mecânica, material elétrico, eletrônico e comunicações, material de transporte, madeira, móveis, papel e celulose, Borracha, couros e peles, química, produtos farmacêuticos e veterinários, perfumarias, 250 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL sabões e velas, produtos de matéria plástica, têxtil, calçado, vestuário, artefatos de tecidos, produtos alimentares, bebidas, fumo, editorial e gráfica, diversas); Tratamento de resíduos sólidos industriais; Obras civis (parcelamento do solo, loteamentos, rodovias, pontes, barragens); Serviços de utilidade (energia elétrica, água, esgoto, limpeza e dragagem, telefonia, aterros, centrais de triagem e compostagem, incineração de resíduos, recuperação de área degradada, destinação final de resíduos sólidos de serviço de saúde, hospitais e serviços de saúde); Transportes, terminais e depósitos (portos e similares, terminais, transporte de produtos perigosos, dutos, depósitos); Turismo e lazer (complexos turísticos, pistas de corrida, locais para camping, hipódromo, estádios, hotéis e motéis, casas noturnas e similares); Serviços de reparação e manutenção e oficinas correlatas; Serviços de alimentos e bebidas correlatos (padarias, bares, cafés e lancherias, pizzarias, churrascarias, restaurantes, supermercados); Comércio varejista e correlatos (alimentos, carnes); Veículos de divulgação e similares em área e via pública (carro de som). Segundo informado pela SQA, atualmente o maior volume de licenciamentos está concentrado em projetos de parcelamento urbano. Pelotas não conta com Plano Ambiental Municipal e também não conta com estudos atualizados sobre a condição ambiental do município. Não obstante, a SQA, em conformidade com o Plano Diretor de Pelotas e com o conhecimento de características e fragilidades ambientais do município, apresentou em material de divulgação da Gestão Municipal 2005-2008 o zoneamento indicativo de áreas para instalação de indústrias, conforme figura a seguir. 251 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 4.12 – Zoneamento indicativo de áreas para instalação de indústrias no município de Pelotas – SQA Fonte: FEPAM, 2002. O Plano Diretor Municipal de Pelotas, em sua terceira revisão de 2008 estabelece o mapeamento temático de Áreas Especiais de Interesse do Ambiente Natural. O referido mapeamento recobre a área urbana do município e não deixa dúvida quanto às fragilidades e restrições para o desenvolvimento de atividades potencialmente impactantes no perímetro urbano. Destaca-se, também, no mapeamento do Plano Diretor a fragilidade para a ocupação de áreas próximas aos principais corpos hídricos do município, incluindo áreas com registro de áreas ocupadas inadequadamente e degradadas. Estudos como o de Silva (2007) apontam para o risco de inundações em áreas urbanas por conta das características naturais de drenagem do assentamento urbano de Pelotas, bem como devido ao tipo de ocupação da área. Um aspecto positivo de Pelotas é que o município conta com um distrito industrial em condições de receber empreendimentos, ainda que a demanda de alguns empreendimentos com interesse de instalação no município seja a de dispor de acesso a Laguna dos Patos, condição atualmente restrita. 252 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 4.13 – Mapa temático de áreas especiais de interesse do ambiente natural do III Plano Diretor de Pelotas 253 4.10. CONCLUSÕES E PROPOSIÇÃO DE LINHAS DE AÇÃO ESTRATÉGICAS Do ponto de vista da infraestrutura ambiental e na perspectiva do PDEL, a área na qual se encontra o município de Pelotas dispõe de uma série de características ambientais que restringem uma eventual ocupação intensiva, seja industrial, seja agropecuária, em níveis superiores aos atuais. A área na qual o município está assentado conta com grande riqueza de recursos hídricos em uma paisagem que reúne o cenário de campos, várzeas e banhados com a presença imponente do maior sistema lagunar do mundo. Atualmente, o sítio urbano de Pelotas está rodeado por restrições de ocupação por contra principalmente de seus recursos hídricos. Esta situação ficou manifesta na impossibilidade de identificação de área para instalação do aterro sanitário do município em substituição ao atual em condições totalmente precárias. Ao sul do município está o Canal São Gonçalo, responsável pela ligação entre as lagoas dos Patos e Mirim. Ao leste o município é delimitado pela própria Lagoa dos Patos e ao norte estão localizadas as bacias do Sinott e Santa Bárbara, esta última responsável pelo manancial de abastecimento público do município. Soma-se a isso a condição de extensão territorial relativamente pequena do município de Pelotas que já conta com reduzida cobertura vegetal natural. Segundo estudo do Centro de Ecologia da UFRGS, que mapeou a cobertura vegetal do bioma Pampa, o município de Pelotas conta apenas com 16,2% de sua cobertura vegetal natural. Os remanescentes de vegetação natural são constituídos principalmente de cobertura vegetal florestal (70,2% da cobertura vegetal natural) constituída principalmente de matas ciliares e Áreas de Proteção Permanente ao longo da extensa rede hidrográfica do município. Somente 4,7% da área total do município ainda é composta por vegetação campestre natural, a qual se prestaria, eventualmente, à incorporação ao mercado na forma de áreas produtivas. Tabela 4.6 - Quantificação da cobertura vegetal natural do Bioma Pampa no município de Pelotas Indicador Área total do município Quantidade 1.517,64 km2 2 Cobertura vegetal campestre 71,66 km Cobertura vegetal florestal 172,31 km 2 2 Cobertura vegetal de transição 1,57 km Total cobertura vegetal nativa 245,54 km2 Participação na área total Fonte: Centro de Ecologia/UFRGS (2007) 16,17% Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Segundo o Plano Diretor Municipal de 2006, o qual utilizou outra sistemática de classificação, justificando pequenas diferenças na quantidade de áreas, foi identificado um total de 24,5% de feições naturais, incluindo a superfície com água e não considerando áreas urbanas no total. Outra análise evolutiva do uso e ocupação do solo no município de Pelotas, realizada por sensoriamento remoto (classificação de imagens de satélite) permite observar o avanço da ocupação urbana no período recente (1985 a 2007) em detrimento do uso para agricultura, que diminuiu consideravelmente a área ocupada. Além disso, registra-se, inclusive, neste último estudo, o aumento da área de vegetação arbórea no período 1995/2007 por conta do abandono de áreas cultivadas principalmente, assim como a expansão da área urbana. Na tabela que segue é apresentado o resultado da classificação do uso do solo nestes três estudos. Tabela 4.7 - Área das classes de uso do solo em Pelotas – RS (1985- 2007). Plano diretor 2006 2 UFRGS 2007 2 INPE 1985 2 INPE 1995 2 INPE 2007 2 Classe Km % Km % Km % Km % Km % Água 18,6 1,2 18,6 1,2 78,1 4,9 80,2 5,0 85,1 5,3 Vegetação Mata natural ciliar pioneira 94,5 6,0 172,3 11,4 278,2 17,3 201,0 12,5 227,4 14,1 Vegetação Mata natural encosta 50,6 3,2 - - Solo úmido 34,9 2,2 - - - - - - - - Banhado 187,0 11,9 - - - - - - - - - - 73,2 4,8 8,6 0,5 20,9 1,3 7,8 0,5 Eucalipto 22,2 1,4 - - - - - - - - Lavrado (solo exposto) 170,0 10,8 - - 989,4 61,5 Campos, lavouras 993,2 63,2 - - 203,8 12,7 118,2 7,4 90,6 5,6 - - - - 49,9 3,1 56,1 3,5 62,5 3,9 1.570,9 100,0 1.517,6 385,5 24,5 264,1 1.185,3 75,5 1.253,5 Outra feição natural Área urbana Total Superfície natural Superfície antropizada 100,0 1.608,0 100,0 17,4 364,9 22,7 82,6 1.193,2 74,2 1.131,6 70,4 1.135,6 1.608,0 100,0 1.609,0 302,1 18,8 320,3 1.249,8 77,7 1.226,2 70,6 100,0 19,9 76,2 Fonte: III Plano Diretor de Pelotas (2006); Centro de Ecologia/UFRGS (2007); INPE, in Anais XVI Congresso Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Brasil 2009 255 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 75,5 24,5 Plano diretor 2006 74,2 22,7 82,6 77,7 76,2 18,8 19,9 INPE 1995 INPE 2007 INPE 1985 Superfície natural 17,4 UFRGS 2007 Superfície antropizada Figura 4.14 – Superfície natural e antropizada de Pelotas (1985-2007) Os condicionamentos ambientais para a expansão da atividade agropecuária e urbana são, portanto, significativos. A solução óbvia não é estender em área maior o padrão de produção atual, até por que a disponibilidade de áreas de banhados para expansão da lavoura irrigada de arroz praticamente inexiste no município, assim como, conforme foi observado, praticamente não há mais área de campo para ser utilizada. O caminho possível do desenvolvimento é agregar mais valor às áreas utilizadas atualmente, incrementando o manejo tecnológico. Entretanto, na atividade agropecuária as metas de elevação da renda por unidade de área devem considerar a restrita capacidade de suporte e a fragilidade ambiental dos ecossistemas locais, conforme é indicado pelo diagnóstico precedente. As tecnologias de adensamento e confinamento de gado, por exemplo, devem considerar o impacto ambiental da intensificação do uso dos campos com forrageiras plantadas e a potencial contaminação do solo e recursos hídricos com dejetos da produção animal. Neste sentido, a pecuária leiteira pode apresentar vantagem ambiental frente à pecuária de corte com confinamento pela possibilidade de dispersão da produção em pequenas unidades e um sistema de confinamento de menor consumo energético e de nutrientes, já que o foco é na manutenção do plantel e não na fase de crescimento precoce do mesmo. A pecuária leiteira é, também, um tipo de confinamento, porém, em pequenas propriedades é um confinamento mais brando, com manejo de pastejo solto e disperso geograficamente em muitas áreas, especialmente quando associada à agricultura familiar. Além disso, criar gado para abate em confinamento é uma forma mais intensa de transferir energia do ambiente por unidade (kg) de carne produzida. Diferentemente da pecuária de 256 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL leite, pelo gado de corte ser abatido logo após sua fase de crescimento mais intenso, o consumo energético médio do plantel por unidade de massa é proporcionalmente bem maior. Um animal adulto, como é a média do gado leiteiro, consome proporcionalmente menos energia por unidade de massa durante toda a vida do animal, exigindo menor transferência de energia do ambiente para o produto final da pecuária. A utilização de técnicas de irrigação, de amplo conhecimento e com disponibilidade de equipamentos localmente, em novos cultivos como a fruticultura e a própria produção forrageira como estratégia de expansão do plantel de bovinos, deve considerar os riscos de contaminação, erosão e inclusive de eventual salinização dos solos. Deve ser considerado, também, na cadeia produtiva agroindustrial a potencial poluição que pode ser gerada a partir da expansão de certos ramos da industrial alimentícia, especialmente abatedouros e frigoríficos, geradoras de efluentes que requerem tratamento antes de serem lançados nos corpos receptores. Há quem defenda que para a pecuária voltar a ter importância econômica no Rio Grande do Sul é necessária, por exemplo, a revisão dos padrões de lotação do campo. Essa revisão de produtividade está relacionada com alternativas de desenvolvimento sustentável para a pecuária da região na modalidade de pecuária extensiva associada com produção agrícola que se vale de manejo adequado. Esta poderia ser uma alternativa à expansão da silvicultura que hoje se apresenta como alternativa com pouca restrição para implantação, especialmente em propriedades médias e pequenas que antes se voltavam apenas à pecuária. O manejo de pastos sem utilização de fogo, a baixa lotação pecuária e as restrições para utilização de agroquímicos representam hoje obstáculos à manutenção da pecuária tradicional na região. Obviamente, a retomada de uma pecuária sustentável com base na tradição local requer a revisão de procedimentos e formas de manejo, a exemplo dos processos de indicação geográfica já instalada na região. Entretanto, a retomada de uma pecuária com padrões de sustentabilidade atualizados, mas preservando o patrimônio cultural local, o que de certa forma representa uma limitação pela resistência e dificuldades práticas para adoção de manejos mais sustentáveis, pode se transformar em um grande oportunidade na medida em que a pecuária sustentável se vincula a este importante acervo cultural de bens imateriais e materiais que o município abriga. É possível imaginar um “cluster” de atividades sustentáveis relacionadas, tendo como base a pecuária sustentável, certificada e com Indicação Geográfica, associada com atividades de turismo rural, ecológico e convencional, associados com a valorização do histórico e da identidade regional expressa na arquitetura colonial através da formação de um atrativo 257 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL turístico que valorize as paisagens e recursos de lazer locais (praias de lagoa ou como é chamado o Projeto Mar de Dentro), relacionado com espaços urbanos de lazer, cultura e compras, valorizando o artesanato e a produção local (culinária dos doces e pratos típicos). Nesta perspectiva, o que poderiam ser limitações ao desenvolvimento local por conta das limitações e fragilidades ambientais se tornaria em uma oportunidade de desenvolvimento local integrado e sustentável. Não há dúvidas de que os desafios para o desenvolvimento deste novo enfoque esbarrem em uma cultura que sempre identificou no espaço natural e social a oportunidade da expropriação. Basta lembrar que a origem da riqueza e da ostentação local foi baseada em charqueadas e na exploração dos recursos naturais (captura de gado, pecuária extensiva em grandes propriedades, vantagem locacional para acesso à infraestrutura portuária) e também sociais, em um passado de exploração da escravidão que ainda merece um resgate completo. Entretanto, devido à evidência da problemática ambiental e da sustentabilidade em âmbito global, este com certeza é o momento mais oportuno para iniciativas deste tipo. No âmbito urbano e de infraestrutura e logística de transporte, o município de Pelotas se configura como o principal nó intermodal de acesso ao porto de Rio Grande, concentrando infraestruturas ferroviárias, rodoviárias e hidroviárias. Este fluxo de cargas, entretanto, não deixa de ser um considerável risco ambiental. O principal acesso norte do município, a BR116, cruza os mananciais de abastecimento público do município e representa uma considerável situação de risco de contaminação por acidentes com cargas tóxicas. Ainda há espaço para a expansão da atividade industrial urbana e rural, na linha de elevar a agregação de valor por unidade de área. Entretanto, a tipologia de indústrias deve considerar as limitações e fragilidades ambientais, em especial as atividades que resultem em elevadas cargas de efluentes e de emissões atmosféricas. Exemplo disso poderia ser uma unidade de celulose no município, o qual dispõe de grande volume de água utilizado nestes processos e de uma infraestrutura de escoamento e circulação de matéria-prima assegurada pela intermodalidade e pelas obras de expansão especialmente da infraestrutura rodoviária, além de disponibilidade de mão-de-obra e requisitos de serviços urbanos. Entretanto, este tipo de indústria gera importantes impactos ambientais que se somariam à infraestrutura existente e resultariam em grandes obstáculos para controle e mitigação de impactos ambientais. As dificuldades para o licenciamento ambiental da duplicação da ligação rodoviária com Rio Grande, devido à fragilidade dos ambientes e também devido a aspectos institucionais 258 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL relacionados ao licenciamento é outro exemplo da dificuldade de realização de obras com elevado potencial de impacto no município. O perfil industrial de Pelotas pode estar voltado ao setor tecnológico ou mesmo agroindustrial em atividades bem localizadas e corretamente manejadas do ponto de vista ambiental. A disponibilidade de um distrito industrial no município pode representar uma vantagem neste sentido. Já o aproveitamento do potencial portuário e o acesso à hidrovia que liga ao porto de Rio Grande, que poderia representar um diferencial de localização para atrair empreendimentos relacionados com o polo naval, está comprometido pela utilização da área do atual porto de Pelotas para outras finalidades. A destinação de outra área para o porto certamente irá esbarrar em dificuldades ambientais para licenciamento e instalação. Uma deficiência da infraestrutura ambiental de Pelotas, assim como de toda a região que compõe o bioma Pampa é a falta de Unidades de Conservação Ambiental representativas dos ecossistemas locais. No âmbito da gestão ambiental, apesar dos avanços proporcionados pela estruturação da Secretaria de Qualidade Ambiental, o município carece de um Plano Ambiental Municipal, que produza o conhecimento sobre os ecossistemas locais e integre as demandas de conservação ambiental às políticas públicas e oportunidades de investimento privado no município. Iniciativas simples podem ser produzidas no âmbito deste Plano, como por exemplo a catalogação de espécies nativas com potencial comercial, seja produtivo (gramíneas de alimentação do gado) ou ornamental. Além disso, o Plano deve prever iniciativas adequadas para situações contingenciais ocasionadas por eventos naturais extremos, como as recorrentes inundações as quais o município é submetido de tempos em tempos. Assim, é recomendação do PDEL a elaboração do Plano Ambiental Municipal e a criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral Municipal e também de áreas de Uso Sustentável no município. Estas unidades, além do importante papel na conservação dos remanescentes de vegetação nativa e de proteção das paisagens de valor histórico e cultural, representaria um importante complemento ao agrupamento de atividades sustentáveis comentado anteriormente. Na verdade, este cluster de atividades sustentáveis, mais do que um processo de implantação de atividades, representa um redirecionamento e articulação de um conjunto, atualmente disperso, de atividades. Com exceção da implantação de uma Unidade de Conservação Ambiental, a qual teria como função socioeconômica a catalisação e a representação deste processo. 259 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Sugere-se, tendo em vista a condição local identificada no diagnóstico, a instalação de uma unidade com acesso urbano, com forte componente de uso público, em detrimento de unidades com função restrita à preservação ambiental. A unidade passaria a compor o portfólio local e, na medida do possível, deveria estar acessível tanto à população quanto aos turistas. Há outras vantagens na implantação de unidades de conservação que nem sempre são identificadas corretamente. Dispondo de Plano de Manejo, conforme regulamentado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente, uma UC habilita o município a receber ICMS Ecológico e dá acesso a verbas de rubrica ambiental no PNMA Programa Nacional de Meio Ambiente e outros órgãos nacionais e internacionais. Estas áreas podem receber, também, recursos de compensação ambiental de empreendimentos licenciados na região. Todo o licenciamento ambiental prevê que um percentual de até 0,5% do investimento total, excluindo os programas ambientais e os custos de financiamento, seja pago a título de compensação de impactos negativos não mitigáveis gerados pelo empreendimento. Recentemente regulamentados pelo Decreto Nº 6.848, de 14 de maio de 2009, estes recursos deverão ser destinados por uma Câmara de Compensação e que prioriza o investimento em Unidades de Conservação Ambiental de proteção integral que façam parte do mesmo ecossistema ou bioma da qual o empreendimento será instalado. Atualmente, inclusive, no Bioma Pampa há dificuldade para destinação destes recursos por falta de unidades deste tipo aptas a recebê-los. Há inclusive indicações de potenciais áreas para implantação de unidades de conservação ambiental. Segundo o estudo da FEPAM resumido anteriormente é indicada a lagoa Formosa, foz do rio Piratini e banhados do Canal São Gonçalo, abrangendo os municípios de Rio Grande, Arroio Grande, Capão do Leão e Pelotas sob a justificativa de ser uma área ainda bem mantida, importante local de refúgio para aves aquáticas. Neste caso, por abranger áreas que extrapolam os limites municipais, esta unidade seria criada pelos órgãos gestores estaduais (SEMA) ou federais (ICMBio), cabendo ao município a elaboração da justificativa e da demanda pela implantação da área. Foram indicadas, também, como de interesse para a conservação o Pontal da Barra, no Laranjal, devido aos banhados extensos bem conservados (com potencial de associação à procura no período de veraneio) e a Lagoa Pequena por ser um refúgio de cisne-depescoço-preto (Cygnus melancoryphus) e capororoca (Coscoroba coscoroba) em períodos de seca. 260 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 5. GOVERNANÇA PARA IMPLEMENTAÇÃO DO PEDL. A iniciativa de realização do PEDL tem na sua origem o entendimento de que este não é um plano de governo, mas um plano de Estado. Um plano da sociedade de Pelotas - com a definição de um conjunto de programas, projetos, instrumentos e responsabilidades - para alcançar a sua visão de futuro. A execução do PEDL deverá acontecer em uma sucessão de momentos e etapas que vão muito além dos mandatos do poder público municipal. No presente momento está sendo vencida a primeira etapa do processo de elaboração do PEDL – a de diagnóstico. Após passar pela validação do Governo Municipal (o contratante) e da Sociedade terá início a segunda etapa, na qual será consensada a visão de futuro e os projetos a serem implementados. Nesta etapa de elaboração é indispensável, portanto, a participação e o comprometimento dos atores sociais nos projetos que formarão o PEDL. Com o objetivo de bem cumprir a segunda etapa do PEDL e para garantir a implementação futura do plano, nesta seção apresenta-se, a título de sugestão, um modelo para a sua governança. 5.1. CONCEITO DE GOVERNANÇA A expressão “governance” surgiu com a reflexões conduzidas principalmente pelo Banco Mundial, “tendo em vista aprofundar o conhecimento das condições que garantem um Estado eficiente” (Diniz, 1995, p.400). Ainda segundo Diniz, “tal preocupação deslocou o foco da atenção das implicações estritamente econômicas da ação estatal para uma visão mais abrangente, envolvendo as dimensões sociais e políticas da gestão pública” (Ibid., p. 400). A capacidade governativa não seria avaliada apenas pelos resultados das políticas governamentais, e sim também pela forma pela qual o governo exerce o seu poder. Segundo o Banco Mundial, em seu documento Governance and Development (1992), a definição geral de governança é “o exercício da autoridade, controle, administração, poder de governo”. Precisando melhor, “é a maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando o desenvolvimento”, implicando ainda “a capacidade dos governos de planejar, formular e implementar políticas e cumprir funções”. Cumpre aqui destacar três pontos: a) A idéia de que a governança é um requisito fundamental para implementar uma estratégia de desenvolvimento sustentado, que incorpora ao crescimento econômico a noção de deveres e direitos e de equidade social; b) A questão dos procedimentos e práticas governamentais na consecução de suas metas adquire relevância, incluindo aspectos como o formato institucional do 261 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL processo decisório, a articulação entre público e privado na formulação/implementação de políticas ou ainda a abertura maior ou menor para a participação dos setores interessados ou de distintas esferas de poder (Banco Mundial, 1992, apud Diniz, 1995, p. 400). c) O desenvolvimento, também, exige capacidade de governança que está relacionada com a capacidade gerencial da administração pública e da sociedade em construir canais de participação na gestão estatal, com os níveis de representatividade, legitimidade e confiança dos governos em prestar contas com transparência e a permeabilidade do poder público em relação ao controle social (accountability). O conceito de governança, aqui utilizado, parte da idéia geral do estabelecimento de práticas democráticas locais por meio da articulação e participação de diferentes categorias de atores como o poder público em seus diferentes níveis, o setor produtivo - empresários e trabalhadores, o setor do conhecimento - universidades, institutos de formação técnicaprofissional e de pesquisa, bem como, de forma ampla, dos cidadãos através de suas representações e organizações da sociedade civil nos processos de decisão local. Em grande medida, a posição do Banco Mundial no que diz respeito à importância dos mecanismos de participação e do empoderamento (empowerment) dos decisores locais tem relação direta com o que se percebe como um conjunto de falhas dos mecanismos democráticos mais usualmente aplicados para garantir a representação dos cidadãos e a responsabilização dos representantes eleitos (World Bank,1997, p. 25). Partindo deste marco conceitual, um plano de desenvolvimento local necessita de uma estrutura de governança que articule os atores sociais locais com vistas a responsabilização na implementação de ações e ao controle e acompanhamento dos resultados de forma a conferir o empoderamento social (social empowerment). O processo sistemático de articulação permanente e de compartilhamento de responsabilidades entre os atores sociais - governança - é requisito fundamental para que seja alcançado o nível de entendimento e confiança que expressa aliança e comprometimento do capital social com os objetivos do PEDL (figura 5.1). 262 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 5.1 - Nível da Governança Fonte: (Pinheiro Machado, 2012) Com relação ao PEDL o diagnóstico é que se faz necessário um esforço conjunto e permanente de aglutinação, busca de convergência e de ampliação das estruturas existentes com o objetivo de viabilizar uma nova governança construída a partir uma base comum (figura 5.2). A base comum é a compreensão integrada sobre o passado, o presente e o futuro. É necessário buscar o que as pessoas têm de comum nas suas leituras sobre o passado para tanto é necessário desvendá-lo. Desvendar o passado não em busca de unanimidade, mas da sua essência que se projetou no tempo e que está na base da formação do presente. O passado desvendado ajuda na identificação e compreensão das tendências - que se apresentam no presente - e lança luzes sobre o futuro. O futuro será um pouco das tendências que interessam reproduzir, mas será, sobretudo, o desejo da sociedade. Fellini dizia que existem três tempos: o passado, o presente e o mundo da fantasia. Para o planejamento estratégico da sociedade fazem muito sentido as palavras do cineasta italiano. Na busca dos seus desejos a sociedade tem que se permitir sonhar e ousar se não ela corre o risco de simplesmente reproduzir a sua existência51. 51 A ênfase que se está dando neste ponto tem certa influência da entrevista com o professor João Carlos Deschamps, que muito insistiu na necessidade de uma Visão de Futuro ousada, transformadora e que não fique aquém do imenso potencial de Pelotas. 263 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 5.2. Descobrindo uma Base Comum Fonte: Future Search O estabelecimento de uma estrutura de governança do PEDL pressupõe, portanto, uma base comum - os pontos em comum que as pessoas têm com relação ao passado, o presente e o futuro - e esta a existência e operação de um fórum permanente de desenvolvimento local aberto à participação de toda a sociedade. Esta seria a instância privilegiada para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento na sua dimensão política, entendida como a capacidade e o grau de participação da sociedade na tomada de decisão e não somente na escolha dos seus representantes. Isto posto, a sugestão é no sentido da constituição do Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas como instância maior de participação da sociedade – das suas instituições e organizações - com capacidade de articular e firmar um grande pacto colaborativo para implementar e monitorar as ações do PEDL. 5. 2. METODOLOGIA Para constituição e operação do Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas sugere-se como referencial metodológico o modelo de governança de Etzkowitz e Leydesdorff (1996) denominado de Tríplice Hélice, concebida com vistas à construção de base do capital social para a inovação tecnológica. A Tríplice Hélice é a coesão entre poder público, setor produtivo e o setor do conhecimento, para construir estratégias que impulsionem as forças para o surgimento e crescimento de novos espaços de desenvolvimento local (figura 5.3). A sua lógica apoia-se na concepção de que as regiões e municípios são vistos e interpretados pelos atores como espaços potenciais e multidisciplinares para a inovação e não apenas como áreas ou territórios geográficos. A interação entre poder público, setor produtivo e setor do conhecimento é cada vez mais a base estratégica para o desenvolvimento social e econômico, independentemente do nível de desenvolvimento em que se encontra a sociedade (Etzkowitz, 2005, p.2). 264 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Figura 5.3 - Modelo da Tríplice Hélice Fonte: Etzkowitz e Leydesdorff (1996) O desenvolvimento local, neste modelo, acontece em três espaços mentais não lineares: conhecimento, consenso e inovação: Os espaços de conhecimento proveem os blocos estruturais para o progresso tecnológico; os espaços de consenso deflagram o processo de fazer atores relevantes trabalharem juntos; os espaços de inovação favorecem uma invenção organizacional para fortalecer o processo de inovação e desenvolvimento (ETZKOWITZ, 2005, p. 4). O argumento da Tríplice Hélice, onde governo, setor produtivo e conhecimento se unem e com base em convergências em prol do desenvolvimento, tem sido amplamente utilizado para convencer ambos os setores a se articular e cooperar, reciprocamente, em estratégias sustentáveis de desenvolvimento. No caso presente de Pelotas há necessidade de se adaptar o modelo da Tríplice Hélice para integrar o restante da sociedade civil organizada. Em princípio não haveria necessidade desta adaptação, pois do ponto de vista conceitual, nos regimes democráticos, a sociedade está representada pelo poder público (executivo e legislativo). Na prática, no entanto, o que existe é a democracia real52 e o fato muito objetivo de que os prazos do PEDL ultrapassam a duração dos mandatos que a sociedade confere aos seus governantes e legisladores. Isto posto, o Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas seria composto de quatro hélices (figura 5.4): Poder Público - Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores; Setor Produtivo - entidades representativas de empresários e de trabalhadores; 52 Conforme já se colocou anteriormente o Banco Mundial tem dato muita importância à participação da sociedade, pois na prática tem percebido falhas nos mecanismos democráticos mais usualmente aplicados para garantir a representação dos cidadãos e a responsabilização dos representantes eleitos (World Bank,1997, p. 25). 265 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Conhecimento - universidades e faculdades, institutos de educação profissional e de pesquisa; Organizações sociais - comunitárias, culturais, profissionais, religiosas, políticas, e as demais que não se enquadrem nos casos anteriores. Figura 5.4 – Fórum do Desenvolvimento Local de Pelotas Fonte: Pinheiro Machado (2012). O modelo de governança aqui proposto é inspirado no Pacto de Moncloa53 por seu caráter de compromisso e compartilhamento de objetivos e responsabilidades. Na Espanha dois foram os objetivos: assegurar a estabilidade da transição à democracia e permitir o enfrentamento da crise econômica. No caso de Pelotas o pacto é para construir um novo dinamismo que esteja a altura das suas elevadas capacitações e das necessidades de uma população, cuja renda per capita está situada na constrangedora 394ª posição no ranking dos 496 municípios do Rio Grande do Sul e com tendência de piorar, pois em 2000 ocupava a 222ª. O modelo aqui proposto não elimina as estruturas de governança já instituídas como a Aliança Pelotas e mais recentemente o CONSSEDI. Ao contrário as integra em um grande esforço de concertação social para celebrar um pacto colaborativo, comprometido com uma pauta mínima e comum, sem hegemonia de qualquer que seja o segmento social para alcançar um novo patamar de desenvolvimento. 53 Do Pacto de Moncloa, em 1977, participaram o governo, os partidos políticos com representação no Congresso e associações empresariais e sindicais de trabalhadores. 266 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 5.3. A T RANSIÇÃO ENTRE A ELABORAÇÃO E A IMPLEMENTAÇÃO DO PEDL Um plano de desenvolvimento local tem como marco conceitual o desenvolvimento sustentável nas dimensões econômica, social, cultural e política. A sustentabilidade política se dá com a participação da sociedade na tomada de decisão e não somente na escolha dos seus representantes. O Brasil não tem muita experiência em democracia participativa e este é um processo de aprendizado que pode levar gerações. Cabe à própria sociedade, mas especialmente aos atores que tem poder político, estimular a participação social na tomada de decisão. Este é um dever fundamental do poder público (executivo, legislativo e judiciário). Na prática, no entanto, frequentemente os administradores públicos se vem na contingência de implementar os projetos e as obrigações do seu ofício e o tempo exíguo não lhes permiti aguardar pela organização da sociedade para participar das decisões. Em certa medida é o que ocorreu com o PEDL. O seu processo de elaboração deu partida sem estar formalmente constituída a sua governança, nos termos colocados anteriormente, embora de uma maneira ou de outra, tenha participação social. Agora, no entanto, a continuidade da elaboração do PEDL requer a sanção social formal, sob pena de ao seu término, ficar reduzido à condição tão somente de um estudo meramente técnico. A este respeito, a figura 5.5 mostra as etapas de elaboração do PEDL. Figura 5.5 – Governança para Elaborar e Implementar o PEDL. Fonte: América Estudos e Projetos Internacionais. 267 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Presentemente a 1ª Etapa está prestes a ser concluída o que acontecerá após a sua aceitação pela UGP e pela posterior validação social. A validação ocorrerá em uma “Assembleia” da sociedade com a seguinte pauta: Apresentação do Diagnóstico; Elaboração da Visão de Futuro de Pelotas; Escolha dos setores prioritários a serem objetos de ações específicas; Constituição dos Grupos de Trabalho (GTs) para cada setor a ser objeto de ações específicas para dar suporte à Consultoria que fará a formulação das ações setoriais. O suporte dos GTs será em termos de decisões estratégicas para a elaboração das ações e facilitar o acesso às informações relevantes, por parte da Consultoria; Escolha do Núcleo Precursor da governança do PEDL o Função: articular a formação do Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas que terá como uma das funções a validação e implementação do PEDL; o Composição: cinco membros titulares. Um para cada grupo do quadro 5.1 o qual segue a metodologia proposta, mais o Coordenador da UGP; o Duração: se extingue com a constituição do Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas, oportunidade em que será definido o tipo de Ente Executivo para a implementação do PEDL. A Consultoria na 2ª Etapa do PEDEL fará sugestões sobre o modelo de Ente Executivo a ser adotado. Quadro 5.1 – Setores a serem convidados para a Assembléia de validação do Diagnóstico e deliberação sobre setores a serem objeto de ações específicas Setor Produtivo Poder Público Executivo Legislativo Empresários Associação Rural Associação Comercial Centro das Indústrias Aliança Pelotas Trabalhadores Representação dos Trabalhadores Rurais Representação dos Trabalhadores da Indústria Representação dos Trabalhadores dos Serviços Conhecimento UCPEL UFPEL IFSUL EMBRAPA Faculdades Organizações Sociais A definir 268 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 6. CONCLUSÕES: VISÃO ESTRATÉGICA; SUGESTÕES DE CAPACITAÇÕES COMPETITIVAS, DE SETORES PARA AÇÕES ESPECÍFICAS E DE GOVERNANÇA DO PEDL. Este capítulo final é uma síntese do Diagnóstico no que respeita as suas constatações e conclusões de interesse estratégico, as sugestões de setores a serem objetos de ações específicas do PEDL e de um modelo de governança do referido plano. 6.1. SÍNTESE DO DIAGNÓSTICO: VISÃO ESTRATÉGICA AMBIENTE DA SOCIOECONOMIA E DO MEIO No corpo do Relatório há uma exaustiva análise de dados de desempenho que estão a indicar que nos anos 2000 até 2009 (último ano com dados de PIB publicados para os municípios do RS), Pelotas continuou o processo secular de perda de posição relativa na economia gaúcha, embora de forma menos intensa do que no passado mais distante. Já as suas duas regiões, o COREDE Sul e a chamada Grande Sul, experimentaram um pequeno ganho de participação no PIB do Rio Grande do Sul. Este ganho foi mais vigoroso na agropecuária, mas também ocorreu no PIB industrial e no dos serviços, com Pelotas experimentando um pequeno ganho de participação agropecuária estadual. Isto, no entanto, foi significativo posto que a agropecuária viu aumentar de forma expressiva a sua participação no PIB gaúcho como um todo. Aliás, este aumento de participação da agropecuária no PIB ocorreu não só em Pelotas, mas também em Rio Grande (o município mais industrial das duas regiões consideradas), no Corede Sul, na região Grande do Sul e no Rio Grande do Sul. Nos anos extremos de período 2000/2009, a participação da agropecuária se manteve constante no PIB do Brasil, 5,6%, mas elevou-se de forma muito expressiva nas exportações. Isto, muito mais do que uma mera constatação, expressa um fenômeno de natureza estratégica e que se propõe seja considerado em posição de relevo no PEDL, conforme é visto na sequência54. 54 Há a tese de que a recente elevação da participação da agropecuária nas exportações seria a reprimarização da economia brasileira. Seria, portanto, uma espécie de volta ao passado. Os autores deste relatório esposam tese contrária. O que está sendo chamado por alguns de reprimarização é, na verdade, um fenômeno totalmente distinto do modelo primário exportador do Brasil dos anos 1930s. Trata-se agora de outra dinâmica e que BERNI e ROSA (2012) chamam de rota de crescimento primário contemporâneo. O que chamam de primário contemporâneo tem sido o principal eixo da inserção internacional da economia brasileira, nos anos 2000. Este eixo é uma combinação virtuosa de fatores naturais como solo, subsolo, água doce e sol com pesquisa, tecnologia, gestão empresarial e ambiental com estímulos externos pelo lado da demanda. A entrada massiva de novos consumidores (China e asiáticos em geral) faz com que a baixa elasticidade renda dos produtos primários (um impeditivo para desenvolver os países produtores de alimentos e matérias primas agrícolas no século passado) não o seja com a mesma intensidade agora. A tendência de incorporação de novos consumidores coloca e projeta enormes estímulos para economias ricas em recursos naturais como é a brasileira, para os próximos 50 anos, como é o Rio Grande do Sul, como é Pelotas e suas duas regiões, o COREDE Sul e a Grande Sul. Daí segue que a agropecuária é um setor estratégico para o desenvolvimento local. 269 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Muitos poderão argumentar, no entanto, como de fato argumentam que a agropecuária é muito pequena em Pelotas, apenas 3,9% do seu PIB, e, portanto, não seria de importância estratégica. Lato sensu, este argumento não procede. Em primeiro lugar, porque só a agropecuária, enquanto setor primário é responsável por 13% do pessoal ocupado de toda a economia de Pelotas. Em segundo lugar, porque existem caminhos de expansão da agropecuária local que ainda estão totalmente inexplorados, seja na produção tradicional de bens standartizados de maior valor por unidade de área, seja pela produção de especialidades que agregam valor de várias formas. É o caso, por exemplo, da exploração de características organolépticas naturais dos alimentos produzidos, da incorporação de valor de natureza ambiental e de valor ligado a identidade cultural. Há, ainda, muitas possibilidades de integração da agropecuária regional com Pelotas enquanto polo industrial e de serviços. Pelotas é um dos centros naturais para acolher empreendimentos industriais, em função das suas economias externas e de aglomeração e pelo fato de ser sede de empresas atacadistas e varejistas de produtos e insumos e de instituições e empresas da infraestrutura científica e tecnológica da agropecuária. A indústria, por sua vez, perdeu posição no PIB local. Pelotas, não obstante o enorme potencial, reduziu a sua participação no PIB industrial do Rio Grande do Sul. Como é sabido, este é um processo de feição secular e que não se reverteu nos anos 2000. Poderia ser natural a perda de posição da indústria de Pelotas - ou de qualquer região - na medida em que nela predominam segmentos cuja elasticidade renda da demanda é menor do que a média da indústria das instâncias espaciais de referência, no caso o Rio Grande do Sul e o Brasil. Ocorre, no entanto, que ao longo dos anos a indústria de Pelotas, como um todo, cresceu menos do que a média das indústrias estadual e nacional, mas também os seus principais segmentos cresceram menos do que os seus congêneres no Rio Grande do Sul e no Brasil. Este fenômeno, portanto, não é uma questão explicada pelo lado da demanda, mas pelo da oferta, embora uma ou outra exceção como a da indústria têxtil no segmento de fibras naturais (lã), que sofreu forte concorrência das fibras sintéticas. A maioria dos segmentos tradicionais, enquanto feneciam em Pelotas, expandiam-se em outras regiões do próprio Rio Grande do Sul, como foi o caso das conservas e dos silos. Parece não restar dúvida de que para explicar o fenômeno do escasso dinamismo do setor industrial, embora possa haver uma ou outra causa coadjuvante, a principal é o esmorecimento do espírito empreendedor outrora tão presente e até mesmo pioneiro em Pelotas. A este respeito, o entendimento dos autores deste Relatório é de que não se deu o pleno aproveitamento das inúmeras oportunidades que se apresentaram para a região, no 270 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL sentido proposto por Penrose55: após um ciclo de expansão as empresas enfrentam uma nova posição de "desequilíbrio" na qual se deparam com um novo desafio para uma expansão ulterior (ROSA e PORTO, 2008). Sabe-se que nem todos os segmentos industriais em Pelotas lograram sucesso no enfrentamento dos desafios que se colocavam a cada momento. O mais importante, no entanto, é o fato de que assim como algumas indústrias feneceram, outras surgiram em Pelotas como é o caso de indústrias intensivas em conhecimento. A mais importante é a de Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos Ópticos e que já ocupa a segunda posição no Rio Grande do Sul, superada apenas por Porto Alegre. Também já tem alguma expressão a de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos. Voltando o olhar do presente ao passado mais remoto de Pelotas constata-se, sem dúvida, um acontecer de perdas, mas de ganhos também. Neste jogo de alternar olhares sobre o passado e o futuro, inerente ao planejamento estratégico, o que parece certo é que no presente a sociedade local - ao comemorar o seu bicentenário - tem um horizonte a sua frente muito mais amplo e muito mais promissor do que aquele que se colocava quando comemorava o seu centenário. Esta assertiva se deve às razões exaustivamente colocadas no corpo deste Relatório, destacando-se a passagem de Pelotas da condição de periferia geográfica de um mercado nacional relativamente pequeno a de centro de um mercado subcontinental e, portanto, relativamente grande. Esta transformação estrutural é muito importante, mas por si só, como ensinou Penrose, o crescimento não é assegurado incondicionalmente. Tanto é assim que esta “nova” geografia econômica de Pelotas já tem quase 30 anos e o dinamismo industrial não foi reencontrado de todo. Cabe agora, como já foi dito na seção específica deste Relatório, idealizar, sonhar, formular e buscar operacionalidade para aprofundar a inserção da indústria de Pelotas na dinâmica de crescimento. Esta dinâmica é de determinação externa56, mas as condições requeridas 55 A empresa, para Edith Penrose, é capaz de sobreviver a seus fundadores, de crescer e desenvolver-se através do tempo, planejando não apenas as suas atividades correntes, mas também o seu futuro. A capacidade de crescer não tem limites no médio e no longo prazo. No curto prazo, no entanto, o crescimento não é assegurado incondicionalmente, Depende, a cada momento, da capacidade dos administradores, das suas condições de mercado, e dos riscos e da incerteza que cercam todas e quaisquer atividades econômicas. Depende, portanto, de fatores interno e de fatores externos a empresa. Contrariamente à maioria dos economistas, Penrose dá menos importância às condições externas – ao mercado – do que aos fatores internos de crescimento das empresas. Fatores esses que no seu entendimento, vão se traduzindo e integrando numa busca permanente do pleno uso produtivo de todos os recursos humanos e materiais disponíveis dentro de cada empresa (transcrição livre de SZMRECSÁNYI, 2001). 56 A palavra local no conceito de desenvolvimento local não significa e nem postula autonomia com relação às instâncias supra locais (regional, nacional e internacional). Associar o significado de autonomia ao termo local seria cair no que CALDAS e MARTINS (2005) chamam de armadilha do 271 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL para o município e a sua região nela inserirem-se dependem, unicamente, dos agentes locais e, basicamente, de empreendedores privados locais (e forâneos 57 ) operando individualmente e/ou organizados em redes de cooperação constituidoras do Capital Social. O Brasil tem amplos caminhos para o desenvolvimento da sua industria que podem ser trilhados separada ou simultaneamente (que só poucos países em desenvolvimento podem como é o caso dos BRICs e quem sabe da Indonésia e do México): a via da diversificação e a via do aprofundamento das atuais especializações. O Rio Grande do Sul é um dos poucos estados com condições de seguir simultaneamente ambas as vias de crescimento e dentre as suas localidades são poucas as que tem a riqueza de capacitações competitivas de Pelotas - localização privilegiada, recursos naturais, base industrial já expressiva, infraestrutura econômica efetiva e potencial (em especial a proximidade do porto de Rio Grande), infraestrutura científica, tecnológica e de formação de recursos humanos, patrimônio cultural e ambiental de grande diversidade e poupança local. Pelotas, no entanto tem duas carências: de empreendedores no sentido de Penrose e de Capital Social. O setor de serviços tem sido o mais dinâmico na economia de Pelotas, embora o município também venha perdendo posição neste setor no Rio Grande do Sul. É o terceiro maior polo estadual em comércio e enquanto cadeia produtiva pode-se dizer que Pelotas é um polo comercial especializado em alimentos e um dos seus segmentos se diferencia enquanto marca no contexto urbano do País, a Doces de Pelotas. Considerando o setor de serviços, sem o comércio, Pelotas é quarto polo estadual, sendo antecedido por Porto Alegre, Caxias do Sul e Canoas. Além dos serviços da administração localismo ingênuo e pouco efetivo. Assim, o conceito de desenvolvimento local refere-se aos fatores propulsores do processo: o excedente econômico; a poupança; e as capacitações competitivas microeconômicas, setoriais e sistêmicas, com especial destaque para o Capital Social. As demais formas de capital (natural, físico e humano) são importantes, em maior ou menor grau, para o desenvolvimento de uma localidade. É, no entanto, o Capital Social que mobiliza a comunidade no sentido de estruturar o desenvolvimento a partir do potencial local e, acima de tudo, estruturar um processo dinâmico de endogeneização do excedente econômico local e, até mesmo, de atração de excedente de outras regiões. E é aqui que se estabelece a grande contribuição dos teóricos evolucionistas e institucionalistas que dão um papel de destaque aos atores locais como protagonistas das definições do modelo de desenvolvimento, em oposição a modelos centralizados de planejamento, ou à operação pura das forças de mercado (AMARAL FILHO, 2006). Este autor apresenta uma interessante síntese da evolução das teorias de desenvolvimento regional - dos autores da economia imperfeita (os que romperam com a teoria tradicional da localização) aos evolucionistas e institucionalistas. 57 O conceito de desenvolvimento local também não exclui o empreendedor forâneo, pois o importante é que o empreendimento qualquer que seja a sua origem contribua para a geração de renda e que uma parte significativa desta seja internalizada, retida na localidade. É claro que não se pode falar de desenvolvimento local no caso de um enclave econômico em que a renda vaza para fora da localidade. Certos analistas condenam determinados grandes empreendimentos por não dialogarem com as comunidades locais. No Rio Grande do Sul o exemplo preferido destes analistas é o Polo Petroquímico do município de Triunfo. Esquecem os críticos que há um enorme e rico dialogo do Polo Petroquímico com o Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul e, portanto, com a educação, com a saúde, a segurança e outros serviços usufruídos pelas sociedades locais. 272 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL pública suas maiores especializações são os serviços de saúde, de educação superior e de pesquisa. Entende-se que Pelotas tem dois grandes desafios a enfrentar no setor de serviços. Um é o de se equipar cada vez mais enquanto polo urbano criador e difusor de inovações, com atividades quaternárias (o chamado terciário superior), ligadas à gestão, planejamento e comunicação capazes de apoiarem i) a transformação qualitativa da sua produção física de bens e da sua região de influência, ii) a reprodução social, iii) a produção intelectual e a cultura local. O outro desafio, e o maior deles, é Pelotas construir as capacitações competitivas requeridas para vender os atributos tangíveis e intangíveis do seu patrimônio cultural e ambiental sob a forma de bens e serviços. No corpo deste relatório discorreu-se sobre isto. A proposta é abrigar no que se chamou APL Pelotas os segmentos produtivos potencialmente geradores de valor com a incorporação - em seus produtos e serviços - dos atributos que formam a identidade cultural de Pelotas e dos que a distingue enquanto ambiente natural único. Com o conceito APL Pelotas, na sua vertente ambiental, estar-se-ia transformando uma restrição relativamente importante em uma oportunidade. Como mostrado neste Diagnóstico há condicionamentos ambientais à expansão das atividades agropecuárias e urbanas de sorte que o planejamento estratégico não pode cogitar de simplesmente estender em área maior o padrão de produção atual, mas sim de buscar alternativas sustentáveis como é o caso das colocadas no corpo deste relatório. Uma delas é a pecuária sustentável, certificada e com Indicação Geográfica, associada (ou não) com o turismo rural e suas várias modalidades. Outra oportunidade é a de valorização da paisagem e dos recursos de lazer locais (praias de lagoa ou como é chamado o Projeto Mar de Dentro), relacionado com espaços urbanos de lazer, cultura e compras, valorizando o artesanato e a produção local (culinária dos doces e pratos típicos). Nesta perspectiva, o que poderia ser limitação ao desenvolvimento local, por conta da fragilidade ambiental, tornar-se-ia oportunidade para o desenvolvimento local integrado e sustentável. Embora possam existir dificuldades de natureza cultural para dar concretude às oportunidades aventadas, o presente momento é o mais oportuno dado que há um grande clamor por sustentabilidade em âmbito global. Isto não significa que não haja possibilidades de expansão da agropecuária e da indústria no meio urbano. Elas existem e vão em direção às atividades mais intensivas em conhecimento e da própria agroindústria adequadamente localizada e corretamente 273 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL manejadas do ponto de vista ambiental. A disponibilidade, inclusive, de um distrito industrial no município pode representar uma vantagem neste sentido. Outra oportunidade que se coloca para o APL Pelotas, na sua vertente ambiental, é a que se abre como o fato do município não ter Unidades de Conservação Ambiental representativas dos ecossistemas locais, a exemplo do que ocorre como os demais municípios que compõem o bioma Pampa. Sugere-se, assim, a instalação de uma unidade e com acesso urbano e com componentes de uso público, e não restrita a função de preservação ambiental. A unidade passaria a compor o portfólio local e, na medida do possível, deveria estar acessível tanto à população quanto aos turistas. Conforme o mostrado no Diagnóstico a implantação de unidades de conservação pode habilitar o município a receber ICMS Ecológico e a acessar verbas do Programa Nacional de Meio Ambiente e outros programas nacionais e internacionais. No que respeita a vertente cultural do APL Pelotas o setor organizador seria o de turismo. E aqui há de se reconhecer que Pelotas tem uma grande carência de expertise empresarial. Os governos que se sucederam nos últimos 30/40 anos e os setores culturais caminharam e avançaram muito no sentido de Pelotas se (re)conhecer e de ser (re)conhecida como um território único e com enorme potencial de gerar valor econômico – lucros, salários, tributos e divisas – com a produção de bens e serviços a serem consumidos predominantemente enquanto imagem e valores simbólicos. Não é necessário elaborar muito sobre esta proposição, pois as carências de capacitação empresarial - no setor de turismo e atividades de apoio - estão diante dos olhos dos que buscam “consumir” os atributos que fazem de Pelotas um território único. Daí, a proposição de que a qualificação da cadeia do turismo seja a prioridade máxima do PEDL. Nesta breve síntese cabe sublinhar, ainda, uma constatação extremamente importante para a competitividade da economia local e que surpreendeu os autores deste Relatório. Pelotas apresenta alguns indicadores de educação do seu povo inferiores aos das demais capitais regionais, muito embora tenha uma infraestrutura cientifica tecnológica e de formação de recursos humanos, que, em muitos aspectos, se encontra em situação muito melhor do que as referências consideradas. 6.2. PROPOSIÇÃO DE ATIVIDADES E APLS A SEREM OBJETOS DE AÇÕES ESPECÍFICAS DO PEDL As proposições de programas, APLs e atividades feitas abaixo estão fundamentadas no corpo do Relatório nas respectivas seções. Na Agropecuária sugerem-se as atividades e programas que seguem: Programa Pecuária Leiteira; 274 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Programa Carne de Qualidade - bovina e ovina, valorizando os atributos do meio físico e a genética de origem britânica (no caso dos bovinos); Programa Fruticultura; Programa Milho; Programa Irrigação (das culturas de sequeiro); Projeto Turismo Rural - dentro do Programa APL Pelotas - Turismo na linha de valorização da historicidade da pecuária regional que forjou a figura do gaúcho da região do Pampa Meridional. Programa Floricultura (estratégico para um novo paisagismo da cidade - APL Pelotas). Na Indústria sugerem-se os segmentos que seguem: Alimentícia (Beneficiamento de Arroz e Fabricação de Produtos do Arroz; Fabricação de Conservas de Frutas; Fabricação de Produtos de Panificação; Fabricação de Biscoitos e Bolachas e Abate de Reses) – A indústria de laticínios não está localizada em Pelotas, mas estaria contemplada no Programa Pecuária Leiteira; Indústrias intensivas em conhecimento (Instrumentos e Materiais para Uso Médico e Odontológico e de Artigos Ópticos; Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos); Indústria da Construção Civil No Comércio sugerem-se os segmentos e programa que seguem: O Varejo de produtos alimentícios (Produtos de Padaria, Laticínio, Doces, Balas e Semelhantes; Carnes e Pescados - Açougues e Peixarias e Hortifrutigranjeiros); Programa de Qualidade do Varejo em geral (com uma forte ação na parte estética fachadas dos prédios, vitrines, etc, e de preferência resgatando traços da arquitetura local - para que o comércio possa ser percebido pela comunidade e pelos visitantes como elemento importante do conceito de lugar agradável para viver e visitar). No setor de Serviços sugerem-se o programa e os segmentos que seguem: Programa APL Pelotas (tendo como setor organizador, o de Turismo receptivo, conforme o fundamentado na seção específica) Turismo (Hotéis, pousadas, albergues, restaurantes, agências e operadoras de turismo, serviços de transporte, taxi, e outros) Transporte urbano em geral; Paisagismo (órgãos públicos, empresas fornecedoras de bens (floricultores) e serviços e empresas e instituições (insumidoras) parceiras no embelezamento da cidade, buscando resgatar valores históricos locais como a Av. Bento Gonçalves, hoje ocupada pelo pequeno comércio); 275 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Na vertente ambiental do APL Pelotas, a criação de uma Unidade de Conservação Ambiental, que dê acesso à população local e aos turistas. Forum Pelotas Criativa – com a participação do governo, instituições educacionais e culturais e empresas privadas (da Indústria Criativa – tabela 1.5.9) para articular as relações entre arte, criação e negócios e, em um primeiro momento, definir uma agenda comum para o setor. 6.3. SUGESTÕES SOBRE O MODELO DE GOVERNANÇA DO PEDL: A T RANSIÇÃO ENTRE A ELABORAÇÃO E A IMPLEMENTAÇÃO. A iniciativa de realização do PEDL tem na sua origem o entendimento de que este não é um plano de governo, mas um plano de Estado. Um plano da sociedade de Pelotas - com a definição de um conjunto programas, projetos, instrumentos e responsabilidades - para alcançar a sua visão de futuro, havendo necessidade, portanto, de construir uma governança para a sua implementação. Pelotas possui estruturas de governança como a Aliança Pelotas, CONSSEDI e outras. Com relação ao PEDL, o diagnóstico que se faz é da necessidade da sua ampliação para realizar um esforço conjunto e permanente de aglutinação e busca de convergência destas estruturas com o objetivo de viabilizar uma governança construída em uma base comum. O estabelecimento de uma estrutura de governança do PEDL pressupõe, portanto, uma base comum - os pontos em comum que as pessoas têm com relação ao passado, o presente e o futuro - e esta a existência e operação de um fórum permanente de desenvolvimento local aberto à participação de toda a sociedade. Esta será a instância privilegiada para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento na sua dimensão política, entendida como a capacidade e o grau de participação da sociedade na tomada de decisão e não somente na escolha dos seus representantes. Este fórum de desenvolvimento será a instância maior de participação da sociedade – das suas instituições e organizações - com capacidade de articular e firmar um grande pacto colaborativo para implementar e monitorar as ações do PEDL. No presente momento está sendo vencida a primeira etapa do processo de elaboração do PEDL – a de diagnóstico. Após passar pela validação do Governo Municipal (o contratante) e da Sociedade terá início a segunda etapa, na qual será consensada a visão de futuro e os projetos a serem implementados. Nesta etapa de elaboração é indispensável, portanto, a participação e o comprometimento dos atores sociais nos projetos que formarão o PEDL e nela se inicia a construção da governança para a implementação do plano. A validação ocorrerá em uma “Assembleia” da sociedade com a seguinte pauta: Apresentação do Diagnóstico; 276 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL Elaboração da Visão de Futuro de Pelotas; Escolha dos setores prioritários a serem objetos de ações específicas; Constituição dos Grupos de Trabalho (GTs) para cada setor a ser objeto de ações específicas para dar suporte à Consultoria que fará a formulação das ações setoriais. O suporte dos GTs será em termos de decisões estratégicas para a elaboração das ações e facilitar o acesso às informações relevantes, por parte da Consultoria; Escolha do Núcleo Precursor da governança do PEDL o Função: articular a formação do Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas, o qual terá como uma das funções a implementação do PEDL; o Composição: cinco membros titulares. Um para cada grupo do quadro 5.1 o qual segue a metodologia proposta, mais o Coordenador da UGP; o Duração: se extingue com a constituição do Fórum de Desenvolvimento Local de Pelotas, oportunidade em que será definido o tipo de Ente Executivo para a implementação do PEDL. A Consultoria na 2ª Etapa do PEDL fará sugestões sobre o modelo de Ente Executivo a ser adotado. 277 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL 7. BIBLIOGRAFIA ABDALLA, M. M., CALVOSA, M. V. D., BATISTA, L.G. Hélice tríplice no Brasil: um ensaio teórico acerca dos benefícios da entrada da universidade nas parcerias estatais. PPGA / FEA-USP/ PPGEN / UFRRJ/UNIABEU, 2009. ALVES, Eliseu, www.milkpoint.com.br, 21/12/2004. Eliseu Alves, da Embrapa, analisa a cadeia do leite no Brasil. AMARAL FILHO, Jair do em A Endogeneização no Desenvolvimento Econômico Regional e Local. IPEA. 2006. AMÉRICA Estudos e Projetos Internacionais em Proposta Técnica para Elaborar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local para o Município de Pelotas/RS – SQC No 1/2011 – Acordo de Empréstimo No 7.499 – BR – Banco Mundial. AMIDEN, Maria Auxiliadora Moraes e ROBINSON, Simon em Cidades em Transição: Um modelo sustentável para as comunidades. ECODESENVOLVIMENTO – Outubro de 2011 http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2011/outubro/um-modelo-sustentavel-para-ascomunidades APROPAMPA - As indicações geográficas. Acesso em 31 de julho de 2012 http://www.carnedopampagaucho.com.br/index.php?secao=secao&mostraconteudo=7 ASHEIM, Bjorn T., COOKE, Philip. Localised innovation networks in a global economy: a comparative analysis of endogenous end exogenous regional development approaches. In:IGU COMMISSION ON THE ORGANISATION OF INDUSTRIAL SPACE RESIDENTIAL CONFERENCE, Gothenburg, Sweden, August, 1997. ATELIÊ SIRCHAL - Seminário Internacional de Revitalização de Centros Históricos na América Latina e Caribe - Pelotas, Brazil - Revitalisation du quartier du Port, Pelotas, junho, 2002. BALASSA, Bela em Trade Liberalization and Revealed Comparative Advantage. Manchester School, 1965. BENDASSOLLI Pedro F., WOOD Thomaz Jr.; KIRSCHBAUM Charles; CUNHA Miguel Pina, em Indústrias criativas: definição, limites e possibilidades. Revista de Administração de Empresas vol.49 no jan/mar 2009. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75902009000100003&lang=pt BOHMGHAREN, Cíntia Neves em Aldo Locatelli e o Muralismo no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul: um patrimônio histórico e artístico a ser resgatado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Artes – Departamento de Artes Visuais. 2009 BONTEMPO, Carla Gabriela Cavini. Preferem-se estrangeiros: os trabalhadores imigrantes em Pelotas. História em Revista, Pelotas, 179 - 200, v. 12, dez./2006; v. 13, dez./2007 CALDAS, Eduardo de Lima e MARTINS, Rafael D´Almeida em Visões do Desenvolvimento Local: Uma Análise Comparada de Experiências Brasileiras. Instituto Pólis. 2005. CAMARGO, Odilon [et al.] em Atlas eólico: Rio Grande do Sul. Editado pela Secretaria de Energia Minas e Comunicações. Porto Alegre: SEMC, 2002. 70 p.: il., mapas. CARIO, S.A.F. e NICOLAU, J.A. Estrutura e padrão de governança em arranjos produtivos locais no Brasil: um estudo empírico. CENTRO DE ECOLOGIA/UFRGS. Cobertura vegetal do bioma Pampa: Relatório técnico. Probio. Porto Alegre, 2007. Relatório. CESAR, Benedito Tadeu e BANDEIRA, Pedro Silveira em Caracterização do Rio Grande do Sul: desenvolvimento regional, cultura política e capital social em Programa de desenvolvimento integrado e sustentável da mesorregião Metade Sul. 2003. 278 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL D´ALESSANDRO, Annamaria Projeto LODIS, Catânia, Itália, http://www.localdistinctiveness.org/italian/itabout.html DIAS, José Manuel Cabral S. em Nova metodologia evita disseminação do mal da vaca louca. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Recursos Genéticos e Biotecnologia http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2002/junho/bn.2004-11-25.2412912887/( 25/11/2004). DINIZ, E. “Governabilidade, Democracia e Reforma do Estado: Os Desafios da Construção de uma Nova Ordem no Brasil dos Anos 90”. In: DADOS – Revista de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, volume 38, nº 3, 1995. pp. 385-415. ETZKOWITZ, H. The future location of research and technology transfer. The Journal of Technology Transfer, New York, v. 24, n. 2-3, 1999. FEPAM - Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler; PROFILL Engenharia e Ambiente Ltda. Consolidação e complementação de diagnóstico ambiental controle de atividades poluidoras em porção do litoral Sul do RS. Porto Alegre, 2002. Relatório. FETTER Junior, Adolfo Antônio em Alternativas para o Desenvolvimento Local e Regional (versão 14/03/2005). FIRJAN - Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil. Estudos para o Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro. Número 2, maio de 2008. FUJITA, Masahisa; KRUGMAN, Paul E VENABLES, Anthony J. em Economia Espacial. Editora Futura, 2002 GONÇALVES, A. O Conceito de Governança. Faculdade de Ciência Política da USP Programa de Mestrado em Direito da Universidade Católica de Santos. IBGE/SIDRA - Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 1990-2010. IBGE/SIDRA - Pesquisa Agrícola Municipal - PAM, 2010. IBGE/SIDRA - Pesquisa Pecuária Municipal 1974-2010. IBGE - Regiões de influência das Cidades. 2007. IBGE/SIDRA - Censo Agropecuário de 2006. ILOS - Instituto de Logística e Supply Chain - Brasil gasta 10,6% do PIB com logística. 12/09/2011 http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/brasil-gasta-106-do-pib-comlogistica-mostra-estudo.html Instituto Economia Criativa. Indústrias Criativas www.economiacriativa.com/ec/pt/ec/ind_cria_cult.asp e Indústrias Culturais. 2012 LASTRES, Helena M.M. e CASSIOLATO, José E. em Glossário de Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais. Novembro, 2003. LEYDESDORFF, L. The triple helix – university, industry, government relations: a laboratory for knowledge based economic development. In: The triple helix of university, industry, and government relations: the future location of research conference. Amsterdam, 1996. LIHTNOV, Dione Dutra, BARROS, Lânderson Antória e GONÇALVES, Sidney Viera Análise da percepção da paisagem na região do bairro Porto na cidade de Pelotas e as transformações recentes produzidas pela requalificação urbana. Anais XVI Encontro Nacional dos Geógrafos – ENG 2010, Porto Alegre, julho, 2010. LOTUFO, Paulo em Como funciona a transição demográfica. HowStuffWorks. http://pessoas.hsw.uol.com.br/transicao-demografica.htm pesquisa em 07/11/2010. 279 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL KNAK, Horst em Diversificação com ovinos a moda em Santa Catarina. ARCO Jornal, Ano 4 - Nº 14 - fevereiro/março 2010. MONITOR Group e AMÉRICA Estudos e Projetos Internacionais. Proposta Técnica do Consórcio Monitor-América para a realização de estudos de planejamento estratégico. ACORDO DE EMPRÉSTIMO Nº 4148 – BR/ Solicitação de propostas SCP nº 03/2003 Programa de apoio ao planejamento e à formulação de políticas estratégicas para a economia do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2003. MÜHLEN, C.V.; AIRES, V.T.; CORADI, S.; PETER, A.R. ; MILHEIRA, R.G. Mapeamento Arqueológico de Pelotas e Região: os cerritos em foco. XX Congresso de Iniciação Científica. II Mostra Científica. UFPEL. 2011. NUNES, Luiz Fernando de Oliveira em Os novos rumos da ovinocultura. Gestão e Alternativas para o Agronegócio. Livro XII da FEDERACITE, 2004. PETER, Glenda Dimuro em Influência francesa no patrimônio cultural e construção da identidade brasileira: o caso de Pelotas. ARQUITEXTOS, agosto 2007. PINHEIRO MACHADO, P. D. T. A cadeia produtiva orizícola da fronteira oeste: análise da estrutura de governança. Relatório de Projeto de dissertação de mestrado. CEPAN UFRGS, 2012. PNE - Plano Nacional de Educação. Ministério da Educação, Brasília,1997. PORTER, Michael E. A vantagem competitiva das nações. Rio de Janeiro: Campus, 1990. PREFEITURA MUNICIPAL DE PELOTAS em Pelotas tem cinco projetos aprovados pela Unesco http://www.pelotas.com.br/noticia/noticia.htm?codnoticia=7910 - 06/10/2005 QUIRÓS, Priscila em Mercado de carne de cordeiro está em expansão no país. IEPEC, 13/02/2012 http://ovinosecaprinos.iepec.com/noticia/mercado-de-carne-de-cordeiro-esta-emexpansao-no-pais ROSA, Joal de Azambuja em Referências para o Planejamento Estratégico da Agropecuária do Rio Grande do Sul. Livro XIX da FEDERACITE – Sustentabilidade como Fator de Competitividade em Sistemas Agropecuários. EXPOINTER, 2011. ROSA, Joal de Azambuja em Profundización de los indicadores de capital social en la cadena vitivinícola de la región nordeste de Rio Grande do Sul - Microrregión de Caxias do Sul. Proyecto COCAP – Cohesión Social a través del fortalecimiento de las Cadenas Productivas - do Programa: URB-AL III – EuropeAid–Dirección América Latina - POA 2010. ROSA, Joal de Azambuja e PORTO, Rogério Ortiz em Desenvolvimento e disparidades regionais no Rio Grande do Sul: sugestões de linhas de programas para dinamização de regiões de menor desenvolvimento relativo. Fundação de Economia e Estatística, Porto Alegre, 2008. http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/publicacoes/pg_desenvolvimento-edisparidades-regionais.php ROSA, Joal de Azambuja em Subsídios para uma política do Governo do Estado do Rio Grande do Sul de apoio às atividades produtivas. Publicado em 2003, pela Fundação Ulysses Guimarães, seção Rio Grande do Sul. ROSA, Joal de Azambuja em Estudo comparado de desenvolvimento e de políticas de atração de investimentos de estados brasileiros: a perspectiva do Rio Grande do Sul. Estudo realizado entre 1997 e 1998 para o Projeto RS 2010 da Secretaria de Coordenação e Planejamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. RUBEZ, Jorge. Uma sábia decisão presidencial. Dezembro de 2003. www.leitebrasil.org.br. SANTOS, Edna em The challenge of Assessing the Crative Economy: towards Informed Policy-making - Programa Economia Criativa – UNCTAD – 2010. 280 Diagnóstico para o Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas - PEDL SILVA, Cláudio Santos. Inundações em Pelotas/RS: O uso de geoprocessamento no planejamento paisagístico e ambiental. Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Florianópolis, 2007. Dissertação de Mestrado. SIMM, Carlos em O Horizonte Estratégico da Agropecuária do Rio Grande do Sul e o Papel do Capital Social e das Instituições de Capacitação Competitiva dos Produtores. Entrevista concedida a consultores responsáveis pela elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Local de Pelotas – PEDL. Casa dos CITEs, Parque Assis Brasil, Expointer de 2012. SIMÕES, Rodrigo em Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento. Texto para discussão n° 259. UFMG/Cedeplar, 2005. Belo Horizonte. STUMPF, Elisabeth Regina Tempel, BARBIERI, Rosa Lia, FISCHER, Síntia Zitzke, HEIDEN, Gustavo em Floricultura e Cultivo Comercial de Flores de Corte no Rio Grande do Sul Meridional. Documentos 201 da EMBRAPA Dezembro, 2007, Versão on line. SZMRECSÁNYI, Tamás em Contribuições de Edith Penrose às Teorias do Progresso Técnico na Concorrência Oligopolista. Revista de Economia Política, vol. 21, no 1, janeiromarço/2001. TESSARO, Guilherme em Marfrig vai reforçar parceria com produtores de ovinos do RS. IEPEC, 26/01/2012. http://ovinosecaprinos.iepec.com/noticia/marfrig-vai-reforcar-parceriacom-produtores-de-ovinos-do-rs UFPEL – Universidade Federal de Pelotas em Conservatório de Música completa 90 anos. http://ccs.ufpel.edu.br/wp/2008/09/16/conservatorio-de-musica-completa-90-anos/,16 de setembro de 2008. VIANA, João Garibaldi Almeida e SILVEIRA, Vicente Celestino Pires em Cadeia produtiva da ovinocultura no Rio Grande do Sul: um estudo descritivo. Revista em Agronegócios e Meio Ambiente, v.2, n.1, p. 9-20, jan./abr. 2009. WEISBORD, M.R. & JANOFF, S. Future Search - An action guide to finding common ground in organization & communities. Berrett-Koehler Publishers, São Francisco, USA, 1995. WORLD BANK. World development report: the State in a changing world. Washington, 1997. WORLD BANK. Governance and development. Oxford University Press. Washington, 1992. 281