Produto Interno Produto (PIB) –2012
Em 2012, segundo divulgação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), o PIB Brasileiro cresceu 0,9% em relação ao ano de 2011, atingindo R$
4,403 trilhões.
O PIB representa a soma de toda a riqueza produzida no país durante o ano pelos
setores da indústria, da agropecuária e dos serviços.
Os resultados publicados confirmam a baixa expectativa do mercado e dos órgãos
de pesquisa que estudam as Contas Nacionais. As últimas previsões situavam-se entre
1% e 1,5%.
O Gráfico 1 ilustra o comportamento do PIB total e do PIB per capita.
Gráfico 1 – PIB e PIB per capita
(Taxa de crescimento anual - %)
Fonte e Elaboração: IBGE
O PIB per capita (ou renda per capita) é a divisão do valor corrente do PIB pela
população residente no meio do ano. Este resultado atingiu R$ 22.402 em 2012,
mantendo estabilidade (0,1%) em relação ao ano de 2011. O aumento do PIB per capita
é considerado positivo, na medida em que aponta para o crescimento da renda,
representando um valor que cada brasileiro receberia, em média, no ano; porém, devido
à grande desigualdade na distribuição de renda que existe no país, há uma dispersão
significativa desta média, que representa mais um dado estatístico do que a situação
real. Portanto, é preciso atentar para a forma como este aumento de renda (entre lucros,
salários e tributos) está sendo distribuído para a população.
A Tabela 1 ilustra o comportamento do PIB total e dos setores que o compõe.
Tabela 1 – PIB total, PIB setorial e valores absolutos (em R$)
Período de comparação
Indicadores
PIB total
Agropecuária
Indústria
Serviços
4° tri 2012/3° tri 2012
0,6%
-5,2%
0,4%
1,1%
4° tri 2012/4° tri 2011
1,4%
-7,5%
0,1%
2,2%
Acum. 2012 / Acum. 2011
0,9%
-2,3%
-0,8%
1,7%
4.402,5 bilhões
196,1 bilhões
983,4 bilhões
2.561,2 bilhões
Valores correntes no ano
de 2012 (R$)
Fonte: IBGE
Sob a ótica da oferta, o desempenho do setor de Serviços (1,7%) foi um dos
elementos que evitou um resultado negativo do PIB total de 2012. Os resultados que
mais influenciaram o crescimento do setor encontram-se em Serviços de informação
(2,9%), Administração, saúde e educação pública (2,8%), Serviços imobiliários e aluguel
(1,3%) e Comércio (1,0%).
Já a Indústria decresceu 0,8% em 2012, resultado influenciado pelo baixo
desempenho dos setores de Indústria de Transformação (-2,5%) e Extrativa Mineral (1,1%). Os subsetores mais afetados quanto ao Valor Adicionado foram Máquinas e
Equipamentos, Metalurgia, Artigos de borracha e plástico, Produtos químicos, Artigos de
vestuário e acessórios, Máquinas, aparelhos e material elétrico e Caminhões e ônibus.
O setor de Agropecuária registrou o pior desempenho, ao decrescer 2,3% em
2012, com queda na produção de diversas culturas (em especial, Arroz, Soja, Cana,
Laranja, Mandioca e Algodão). O setor sofreu diversos impactos na lavoura em 2012,
como problemas climáticos, quebra da safra com a seca nos Estados Unidos e a redução
da produção na pecuária.
Para a construção de cenários futuros, é fundamental analisar outros indicadores
divulgados pelo IBGE, como as taxas de Investimento e Poupança.
Gráfico 2 – Taxa de Investimento e Taxa de Poupança Bruta (% do PIB)
Fonte e Elaboração: IBGE
Com relação à Taxa de Investimento, este dado mostra a parcela do PIB, ou seja,
da riqueza gerada no ano, que foi destinada à reposição e ampliação do capital
(capacidade produtiva) no país. Quanto maior a taxa de investimento, maior o aumento
da produção, da geração de empregos e crescimento no futuro. No total do ano de 2012,
a taxa foi de 18,1% do PIB, inferior à do mesmo período do ano anterior (19,3%). Esta
taxa é considerada baixa em relação às necessidades da economia brasileira (que
pretende chegar a 25% do PIB) e em relação a outros países emergentes.
Sobre a Taxa de Poupança: Conforme o Gráfico 2, a taxa no ano de 2012 situouse em 14,8% (contra 17,2% no mesmo período de 2011). Esta taxa refere-se a uma
parcela da renda da população e das empresas que não é gasta, constituindo uma
reserva. Está diretamente ligada ao crescimento do país, pois constitui um fundo que
deve ser suficiente para financiar os investimentos (portanto, está diretamente atrelada
à taxa de investimento, devendo ter resultados semelhantes). Sem este equilíbrio, as
pessoas ou empresas que desejam fazer investimentos no país terão que obter a
poupança através de empréstimos e financiamentos externos, que interferem no
equilíbrio das contas externas do país.
A Tabela 2 apresenta outra forma de medir a quantidade de riqueza gerada no
país, através do crescimento do Produto pela ótica da demanda (despesas), ou seja,
quanto cada grupo gastou durante o ano, estabelecendo uma relação entre o nível de
gastos e a renda que estes grupos obtiveram durante o período.
Tabela 2 – Investimento (FBCF*), Consumo das Famílias e Consumo do
Governo
Período de comparação
Acum. 2012/ Acum. 2011
Indicadores
FBCF*
Consumo das Famílias
Consumo do Governo
-4,0%
3,1%
3,2%
Fonte: IBGE (*) Formação Bruta de Capital Fixo: Investimento em ativo fixo que aumenta a capacidade produtiva da economia
Em 2012, os Investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) apresentaram
redução de 4,0%, o que evidencia a queda da confiança dos empresários, e
consequentemente, dos investimentos em capacidade produtiva.
O Consumo das Famílias aumentou 3,1%, sendo este o nono ano consecutivo de
crescimento do indicador, favorecido pela elevação de 6,7% da massa salarial dos
trabalhadores (em termos reais) segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do
IBGE, e também pelo acréscimo, em termos nominais, de 14,0% nas operações de
crédito do sistema financeiro para pessoas físicas, segundo o Banco Central. Portanto,
atrelado ao aumento do PIB per capita, este indicador pode refletir uma melhoria no
padrão de vida da população.
O Consumo do Governo, que inclui investimentos públicos e custeio, também
cresceu, registrando 3,2% em 2012 e superando o resultado de 2011 (quando registrou
1,9%).
Com relação ao panorama mundial, o PIB brasileiro (0,9%) ficou abaixo de outros
países como Estados Unidos (2,2%) e China (7,8%); em relação aos países emergentes,
ficou abaixo da Índia (5,0%), Rússia (3,4%), México (3,9%) e África do Sul (2,5%). Nos
países europeus, mais afetados pela crise internacional, muitos ficaram abaixo do Brasil:
Alemanha (0,7%), Reino Unido (0,2%), Espanha (-1,4%), Itália (-2,2%) e Portugal (3,2%).
Conclusão
O resultado de 0,9% no PIB demonstra que a produção do ano de 2012 sofreu
influências de fatores externos, como o cenário de incerteza econômica que a crise
internacional gerou, o que relaciona-se diretamente com a redução da confiança dos
empresários e dos investimentos realizados.
As medidas de estímulo emitidas pelo Governo ao longo do ano para tentar
aquecer a economia, como corte de impostos, desonerações e redução da taxa de juros
ainda não surtiram o efeito desejado (embora o melhor resultado do PIB entre os
trimestres do ano tenha sido o do último, com alta de 0,6%), sendo esperado um
resultado mais otimista em 2013, com a efetivação dos planos de concessões e
investimentos em infraestrutura, em que pretende-se superar um dos gargalos da
economia brasileira.
Entre os desempenhos que seguraram o modesto resultado do PIB, destacam-se
o Consumo das Famílias (que cresceu 3,1%), refletindo a estabilidade do mercado de
trabalho (com a taxa de desemprego mantendo-se controlada) e o aumento da massa
salarial dos trabalhadores. Este resultado, por sua vez, reverte-se no crescimento do
consumo e impacta no setor de Serviços, que elevou-se em 1,7% em 2012.
Dieese / Força Sindical
Março de 2013
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