ETNOCONHECIMENTO DA AVIFAUNA EXISTENTE NA REGIÃO DO DISTRITO
DE ROLIM DE MOURA DO GUAPORÉ – RO1
2
Gisele Sguissardi
3
Reginaldo de Oliveira Nunes
RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo realizar um levantamento das espécies de aves
conhecidas pelos moradores do distrito de Rolim de Moura do Guaporé. O distrito pertence
ao município de Alta Floresta d’ Oeste – RO. As pesquisas aconteceram no mês de Maio de
2009, através da coleta de dados de maneira aleatória e com questionário semi-estruturado.
Os aspectos abordados foram: nome popular das aves, características, utilização na
alimentação e possíveis mitos. Foram realizadas cinquenta entrevistas, gerando um
resultado com quatrocentos e cinquenta e duas citações, destas oitenta e sete espécies,
citadas pelo nome popular, e distribuídas em quarenta famílias. Trinta por cento dos
entrevistados disseram que utilizam aves para alimentação, sendo que a mais citada foi o
Mutum; dezesseis por cento dos entrevistados contaram algum mito envolvendo as aves.
Notou-se que a população entrevistada possui grande conhecimento sobre os nomes
populares de aves e suas características, o que é possível de ser explicado pela convivência
com ambientes que proporcionam observação constante.
Palavras-chave: Etnoconhecimento; Avifauna; Rolim de Moura do Guaporé; Rio Mequens.
ABSTRACT
The present work aims to survey the bird species known by the Rolim de Moura do Guaporé
district inhabitants. This district belongs to the Alta Floresta d'Oeste - RO city. The research
happened in May 2009, through data collection from random, and semi-structured,
questionnaire. The addressed points were: birds’ popular name, characteristics, alimentation
use and possible myths. Fifty interviews were conducted, generating a four hundred and fiftytwo citations result, eighty-seven species, listed by popular name and distributed in forty
families. Thirty percent of interviewed persons said that birds are used for alimentation
purpose, and the Mutum was the most cited one; sixteen percent of interviewed related some
myth involving the birds. It was noted that the interviewed population has great knowledge of
the birds’ popular names and their characteristics, which can be explained by familiarity with
environments that provides constant observation.
Key-Works: Ethnoknowledge; Avifauna; Guaporé of Rolim de Moura, Mequens Rivier.
1- Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal
(FACIMED) para finalização do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas.
2 – Acadêmica do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas da FACIMED. E-mail:
[email protected]
3 – Professor Orientador do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas da
FACIMED. E-mail: [email protected]
2
1. INTRODUÇÃO
O conhecimento empírico, também denominado senso comum, não é menos
importante que o científico, a diferença entre os dois é o modo de conhecer. O
conhecimento popular é valorativo, reflexivo, assistemático, verificável, falível e
inexato (MARCONI e LAKATOS, 2007, p. 76).
A aprendizagem, nestes casos, acontece por meio do contato diário com
outras pessoas e até mesmo no contato com a natureza, isto é, através da
observação direta do meio ambiente, todavia, em todas as situações não há uma
teoria que comprove organicamente, o que se estabelece como verdade; o crédito
que se dá às verdades que são estabelecidas não cobra uma teoria explicativa e
elucidativa, sendo que os efeitos se bastam para explicar as causas que os
instauram (DELGADO e LIMA, 2005, p. 10).
A área de estudo, conhecida como etnociência, ganhou impulso a partir dos
anos cinquenta com alguns autores norte-americanos que começaram a
desenvolver pesquisas, principalmente, junto a populações autóctones da América
Latina. “Inicialmente, os estudos da etnociência voltaram-se para análises de
aspectos lexicográficos das classificações de folk ou etnoclassificações e sobre
categorias de cores, plantas e parentesco, próprias de diferentes sociedades”
(DIEGUES, 1996, p. 73).
Para o mesmo autor, “... a etnociência parte da lingüística para estudar o
conhecimento de diferentes sociedades sobre os processos naturais, buscando
entender a lógica subjacente ao conhecimento humano sobre a natureza, as
taxonomias e classificações totais”.
Conforme Di Stasi (1996, p. 08), “... ao analisar as origens da ciência, afirma
que todos os historiadores admitem que a ciência tenha se desenvolvido de
investigações e experimentos elaborados e executados pelo homem comum, e
depois, pelos especialistas de cada época”.
3
Segundo informações de Posey (1987 apud Nunes, 2002, p. 09):
A etnobiologia é essencialmente o estudo do conhecimento e das
conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da
biologia. Em outras palavras, é o estudo do papel da natureza no sistema
de crenças e de adaptação do homem a determinados ambientes. Neste
sentido, a etnobiologia relaciona-se com a ecologia humana, mas enfatiza
as categorias e conceitos cognitivos utilizados pelos povos em estudo...
dentro da etnobiologia, vários campos podem ser definidos, partindo da
visão compartimentada da ciência sobre o mundo natural, tais como a
etnozoologia, etnobotânica, etnoecologia, etnoentomologia e assim por
diante, da mesma forma como podemos estudar diferentes sociedades a
partir de uma abordagem da etnomedicina, etnofarmacologia etc.
Conforme Ribeiro (1987, p. 23), no Brasil, pesquisas etnobiológicas começam
a ser mais frequentes nos anos oitenta, embora muitos trabalhos anteriores, desde o
século passado, possam ser considerados etnobiológicos. Entretanto, mesmo sendo
realizada no Brasil, a maioria dos trabalhos nessa área são de autoria de
estrangeiros.
As comunidades tradicionais possuem um conhecimento aprofundado do
ambiente em que vivem. Este conhecimento pode ser aliado no processo de
conservação de áreas protegidas (DIEGUES, 2001 apud ZAPPES, 2007, p. 01).
O conhecimento tradicional foi subestimado por muito tempo pelos cientistas.
Os etnobiólogos e etnoecólogos estão invertendo está situação com pesquisas que
demonstram que esses conhecimentos são importantes para o conhecimento
científico (POSEY, 1987 apud SILVA, 2002, p. 25 -26).
As comunidades tradicionais que habitam a região amazônica são
constituídas de caboclos, ribeirinhos, quilombolas, pescadores, essas comunidades
representam uma grande fonte de informações (POSEY, 1992 apud SILVA, 2002, p.
24).
Comunidades quilombolas são constituídas de descendentes de escravos
negros. A constituição de quilombos se deu de diversas formas, como fugas,
heranças, doações. (ANDRADE, 2009). Estas comunidades estão presentes em
todo o Brasil, com exceção dos estados do Acre, Roraima e a capital do Brasil,
Distrito Federal (Agencia Brasil, 2009). Algumas comunidades encontram-se em
4
regiões bastante isoladas no interior da Amazônia outras em regiões bastante
desenvolvidas (ANDRADE, 2009).
Na beira dos rios Mequéns e Guaporé, o distrito de Rolim de Moura do
Guaporé, a presença humana é secular, há grande variedade de aves neste local.
As margens do rio abrigam as residências. Nestes locais estão estabelecidas as
famílias, cuja geração de renda este centrada na atividade de pesca, lavoura e
turismo.
As aves são os animais mais conhecidos pelos seres humanos, por suas
plumagens e cantos serem bem vistos e seu hábito diurno contribui para esse
conhecimento. São os únicos animais existentes atualmente que possuem penas,
que auxiliam tanto para o vôo como para a regularização da temperatura corpórea
(STORER et al, 2002, p. 668).
De acordo com Sick (1997, p. 111), as aves possuem vários hábitos
alimentares que as classificam em: onívoras, carnívoras, piscívoras, necrófagas;
insetívoras, malacófagas, frugívoras, fitófagas, nectarívoras e granívoras. A maioria
apresenta uma dieta mista. As aves quase não utilizam o faro para procura de
alimento.
Atualmente, o número de espécies de aves brasileiras é de 1.822, distribuídas
em 26 ordens e 96 famílias, destas 232 são endêmicas (CBRO – Comitê Brasileiro
de Registros Ornitológicos, 2009). Segundo Sick (1993, apud MARINI e GARCIA,
2005, p. 96), a Amazônia e a Mata Atlântica são os dois biomas com a maior
diversidade de espécies e endemismo. O MMA - Ministério do Meio Ambiente (2006,
p. 84), indica para o bioma Amazônia, que o grau de coleta e conhecimento são
ruins, o número de espécies é de 1.300, as espécies endêmicas são 236 e as
ameaçadas são 20 espécies.
Segundo Sick (1997, p. 23-26), existem duas categorias maiores de
vegetação que também classificam a avifauna terrestre, mata e campo. Uma
categoria a parte são as aves aquáticas. A floresta amazônica é a maior do planeta,
onde encontramos várias formações como matas de terra firme, matas de várzea,
5
várzeas de buritizais, caatingas, campos, savanas e pequenas serras com matas
secas.
As aves são ótimas indicadoras da qualidade ambiental, pois onde existem
aves há uma grande diversidade de outros animais. Pesquisas revelam que há
depósitos de metais pesados em aves, são depósitos de chumbo e cádmio nas
penas de vôo, uma vez que as aves estão em constante contado com o ar. As aves
também são elos finais de cadeia alimentar, onde foram encontradas concentrações
de mercúrio e zinco incorporados nos tecidos musculares (SICK, 1997, p. 72).
O objetivo deste trabalho foi coletar dados da avifauna existente na região
do distrito de Rolim de Moura do Guaporé, RO, baseado em dados do
etnoconhecimento.
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1 ÁREA DE ESTUDO
O presente estudo foi realizado no distrito de Rolim de Moura do Guaporé
(Figura 01), conhecido popularmente por Porto Rolim, município de Alta Floresta
D’Oeste, RO, tendo como coordenadas S 13°05’17” e W 62°16’29”. Alta Floresta
D’Oeste possui uma área de unidade territorial de 7.067 km², abriga uma população
de aproximadamente 23.857 habitantes. Apresenta clima equatorial úmido, com 03
meses de seca e temperaturas médias > 18° em todos os meses (IBGE, 2009).
6
FIGURA 01: Localização da área de estudo.
Fonte: Googleearth (2009).
2.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Segundo Marconi e Lakatos (2007, p. 157), pesquisa é um “procedimento
reflexivo, sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou
dados, relações ou leis, em qualquer campo de conhecimento”.
Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes para
reconhecer informações prévias sobre o campo de interesse, portanto, a presente
pesquisa foi de cunho bibliográfico primeiramente, buscando informações a respeito
da avifauna, etnoconhecimento e comunidades tradicionais.
Após pesquisa bibliográfica, realizou-se uma pesquisa de campo. Segundo
Marconi e Lakatos (2007, p. 188), a pesquisa de campo é “aquela utilizada com o
objetivo de conseguir informações e/ou conhecimento acerca de um problema, para
o qual se procura uma resposta”. No caso do presente trabalho buscou-se conhecer
7
a avifauna da região de Rolim de Moura do Guaporé, portanto também foi utilizada a
pesquisa descritiva.
O desenvolver deste trabalho ocorreu no distrito de Rolim de Moura do
Guaporé – Alta Floresta D’Oeste, Rondônia, Brasil. Residem no distrito
aproximadamente 500 pessoas (Prefeitura Municipal de Alta Floresta D’Oeste,
2009), desse universo foram realizadas o total de cinquenta (50) entrevistas,
totalizando uma amostra de 10%. Estas entrevistas ocorreram no mês de maio de
2009 e, atingiram pessoas maiores de idade de ambos os sexos.
A metodologia de coleta de dados foi aleatória. O público alvo respondeu a
um questionário semi-estruturado (Apêndice 01) que buscou traçar o seu perfil, bem
como as espécies conhecidas, além de dados sobre estes espécimes como:
alimentação, características do animal, finalidade destes exemplares, entre outras
características.
Os questionários foram organizados de acordo com a sequência das
entrevistas e os dados dispostos em forma de gráficos ou tabelas para uma melhor
compreensão do leitor.
Como critério de inclusão foram adotadas as entrevistas com a amostra de 50
pessoas e disponibilidade de participação na pesquisa. O critério de exclusão incluiu
a não obrigatoriedade de participação na pesquisa.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO PÚBLICO ENVOLVIDO NA PESQUISA
O público envolvido na pesquisa é residente do distrito de Rolim de Moura do
Guaporé – RO. Vivem à margem do Rio Mequéns, um lugar isolado que só é
possível chegar através de vias fluviais ou aéreas, está comunidade é denominada
8
ribeirinha. Segundo a Fundação Cultural Palmares (2009), o distrito de Rolim de
Moura do Guaporé, foi certificado em 20/01/2006 como comunidade quilombola.
Através de entrevistas com o público envolvido, foram analisados os
seguintes aspectos: idade, sexo, profissões, escolaridade, naturalidade e tempo que
residem no distrito; além do conhecimento popular sobre os nomes, características,
utilização na alimentação e possíveis mitos. Esses dados foram utilizados com o
intuito de traçar um perfil dos moradores envolvidos na pesquisa e realizar um
levantamento das espécies e suas respectivas famílias.
3.1.2 Perfil da população entrevistada
A população entrevistada é heterogênea, há pessoas vindas de vários
estados brasileiros, sendo que 32% (16 pessoas) nasceram no distrito de Rolim de
Moura do Guaporé. A maioria dos entrevistados, 64% (32 pessoas) são do sexo
feminino e 36% (18 pessoas) do sexo masculino. A faixa etária mais representativa
foi de 18 – 27 anos com 32% (16 pessoas) (TABELA 01).
TABELA 01: Intervalo de idade dos entrevistados.
Intervalo de Idade
Porcentagem (%)
Entrevistados
18 – 27 anos
32%
16
28 – 37 anos
18%
09
38 – 47 anos
24%
12
48 – 57 anos
12%
06
58 – 67 anos
06%
03
68 – 77 anos
08%
04
TOTAL
100%
50
9
Na Tabela 02, está representado o tempo que os entrevistados residem no
distrito. Os dados mais representativos compreendem os entrevistados que moram
no período entre 01 a 10 anos com 52% (26 pessoas).
TABELA 02: Tempo que os entrevistados residem no distrito.
Tempo que residem
Porcentagem (%)
Entrevistados
Menos de 01 ano
04%
02
De 01 a 10 anos
52%
26
De 11 a 20 anos
08%
04
De 21 a 30 anos
06%
03
De 31 a 40 anos
06%
03
De 41 a 50 anos
06%
03
De 51 a 60 anos
12%
06
De 61 a 70 anos
04%
02
De 71 a 80 anos
02%
01
TOTAL
100%
50
Na figura 02, foram registrados os dados sobre a origem dos 50 (cinquenta)
entrevistados, onde o principal estado é Rondônia, com 66% (33 pessoas); Goiás
com 10% (05 pessoas); Paraná, com 10% (05 pessoas); Minas Gerais, com 06% (03
pessoas); Espírito Santo, com 04% (02 pessoas); Mato Grosso com 02% (01
pessoa) e Mato Grosso do Sul, com 02% (01 pessoa), do universo amostral da
pesquisa.
10
10%
05 pessoas
66%
33 pessoas
02%
01 pessoa
06%
03 pessoas
02%
01 pessoa
04%
02 pessoas
10%
05 pessoas
FIGURA 02: Mapa da naturalidade da população entrevistada.
Fonte: Artecinco, 2009.
A Figura 03 mostra que do total de 50 entrevistados, 50% (25 pessoas), é
representada por pessoas que possuem o ensino fundamental incompleto. A outra
metade é dividida em: ensino médio completo 16% (08 pessoas); ensino
fundamental completo 14% (07 pessoas); não estudou 08% (04 pessoas); ensino
médio incompleto, superior incompleto e ensino superior completo com 04% (02
pessoas).
11
60
50
40
30
20
10
0
50%
14%
4%
co
m
En
p.
s.
Su
p.
C
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Su
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d.
4%
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p.
In
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o
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un
C
om
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et
p.
4%
En
s
.F
un
d.
Es
tu
En
s
N
ão
16
8%
do
u
Porcentagem
ESCOLARIDADE
Nível de Ensino
FIGURA 03: Escolaridade dos entrevistados.
A profissão mais citada nesta pesquisa foi: do lar 26% (13 pessoas); lavrador
24% (12 pessoas); aposentado e estudante 10% (05 pessoas); policial militar 08%
(04 pessoas); professor 06% (03 pessoas); pescador 04% (02 pessoas); doméstica,
funcionária pública, carpinteiro, agente de fiscalização ambiental, operador e
mantenedor de usina e servente de pedreiro 02% (01 pessoa).
Como o meio de sustento deste distrito é agricultura, uma vez que no rio
mequéns é proibido a pesca comercial, a maioria dos entrevistados é do lar ou
lavrador.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DA AVIFAUNA EXISTENTE NA REGIÃO DO DISTRITO
DE ROLIM DE MOURA DO GUAPORÉ
A pesquisa desenvolvida no distrito de Rolim de Moura do Guaporé, resultou
em uma lista (TABELA 3) com 87 aves, citadas pelo nome popular, distribuídas em
40 famílias. As aves citadas foram descritas quando a coloração, formatos de bico e
corpo (TABELA 04 - APÊNDICE 01).
12
TABELA 3: Relação das espécies citadas e suas respectivas famílias.
Família*
Espécies citadas (Frequência - %)
Accipitridae
Gavião (2,65); Gavião-real (0,66).
Alcedinidae
Martim-pescador (1,11).
Anatidae
Pato-do-mato (1,77); Marreca (0,44); Paturi (0,22).
Anhimidae
Alencor (1,33); Anhuma / Tapacaré (0,66).
Aramidae
Carão (0,88).
Ardeidae
Garça (3,54); Socó-boi (1,99); Garça-real (0,22).
Caprimulgidae
Bacurau (0,44).
Cathartidae
Urubu (1,33).
Charadriidae
Quero-quero (0,88).
Ciconiidae
Jaburu (3,54); Maguari (1,11); Cabeça-seca (0,66).
Columbidae
Rolinha (4,20); Juriti (1,33); Pomba-galega (0,44); Pombaamargosa (0,22).
Cotingidae
Biscateiro (0,22).
Cracidae
Mutum (4,65); Cujubi (0,66); Jacutinga** (0,44); Jacupemba
(0,22).
Cuculidae
Jacu (1,11); Anu-preto (0,66); Anu-coroca (0,44); Anu-branco
(0,22).
Emberizidae
Cardeal (2,43); Sanhaçu (1,99); Curió (1,77); Pássaro-preto
(1,55); Corrupião (1,33); Gaturamo (0,88); Bicudo (0,66); Pipira
(0,66); Tiziu (0,44); Japu (0,44); Japiim / Xexéu (0,44).
Eurypygidae
Pavãozinho (0,66).
Falconidae
Caracacá (0,66).
Fringillidae
Pintassilgo (0,22).
Hirundinidae
Andorinha (0,66).
Jacanidae
Jaçanã (0,66).
Laridae
Gaivota (1,77).
Opisthocomidae
Cigana (1,99).
Phalacrocoracidae Biguá (3,10).
Picidae
Pipa-pau (0,44); Pica-pau-de-cabeça-vermelha (0,44).
Pipiidae
Tangará (0,44).
Ploceidae
Pardal (0,22).
13
Família*
Espécies citadas (Frequência - %)
Podicipedidae
Mergulhão (1,33).
Psittacidae
Arara (8,19); Papagaio (5,53); Periquito (1,77); Jandaia (0,44);
Tiriba / Maritaca (0,44); Arara-azul (0,22); Arara-canindé (0,22).
Rallidae
Frango-d’água (0,44); Saracura (0,22); Saracura-do-brejo (0,22)
Ramphastidae
Tucano (1,99).
Rheidae
Ema (0,22).
Scolopacidae
Maçarico (0,44).
Strigidae
Coruja (1,33).
Thamnophilidae
Uirapuru (0,22).
Threskiornithidae
Curicaca (0,44); Colhereiro** (0,44).
Tinamidae
Inhambu (1,77); Jaó (1,33); Macuco (1,11).
Trochilidae
Beija-flor (1,77).
Troglodytidae
Corruíra (1,33).
Turdidae
Sabiá (1,11).
Tyrannidae
Bentevi (1,77); Primavera (0,22).
Garça-rosa (1,11); Taiamã (0,44); Ararinha (0,22); Coroquinha
-
(0,22); Garça-amarela (0,22); Papagaio-urubu (0,22); Tabuaia
(0,22)***.
TOTAL
87 Espécies e 40 Famílias
* Família identificada através de SOUZA, 2004.
** Família identificada através de SICK, 1997.
***Espécies não identificadas.
Segundo Sick (1997, p. 139), a nomenclatura científica das aves está
estabelecida há mais de 200 anos, já na denominação popular não há
sistematização, é apenas resultado da convivência e imaginação da população. Ao
dar nome a uma ave, o povo procura relacioná-la com o seu colorido, a forma do
bico, a alimentação, o modo de caçar, manifestações sonoras, vários hábitos,
nidificação, relação ao tempo, relação à hora que cantam, ocupações humanas e
lendas. Um nome popular antigo, enraizado, passa de pai para filho, não muda
nunca.
14
Muitas designações são regionais ou locais; o problema é que o mesmo nome
pode ser dado a espécies diferentes. Para Ihering (1899, apud SICK, 1997, p. 139) é
dever dos naturalistas contribuir para a verificação e apuração do nome popular das
aves mais conhecidas.
As famílias mais representativas quanto à riqueza de indivíduos foram:
Emberizidae com 13,75% (n=11); Psittacidae com 8,75% (n=07); Columbidae,
Cracidae e Cuculidae com 5% (n=04); Anatidae, Ardeidae, Ciconiidae, Rallidae e
13,75%
8,75%
5,00%
3,75%
id
a
si
tta e
C ci d
ol
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um e
bi
d
C ae
ra
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on e
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R e
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Ti ida
na e
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id
ae
16,00
14,00
12,00
10,00
8,00
6,00
4,00
2,00
0,00
P
E
m
be
riz
Porcentagem
Tinamidae com 3,75% (n=03). (FIGURA 4).
Famílias mais representativas
Figura 4: Representação gráfica das espécies por Famílias de aves citadas pelos entrevistados.
Segundo Sick, (1997, p. 25), a família constitui a entidade mais alta
reconhecida pelas leis da nomenclatura. Os indivíduos de uma família precisam ser
monofiléticos. No Brasil há registros de 96 famílias (CBRO, 2009).
A Família Emberizidae é dividida em várias sub-famílias: Parulinae, Icterinae,
Coerebinae, Thraupinae, Cardinalinae e Emberizinae. No Brasil, 11 espécies desta
família são residentes e 08 espécies que não se reproduzem aqui. São pouco
15
populares. No colorido dominam o verde e o amarelo, havendo algum desenho
marcante na cabeça. Bico fino, mas forte, às vezes largo e cercado de cerdas. Asas
de bom tamanho e cauda relativamente longa. Sexos semelhantes. (SICK, 1997, p.
719).
3.2.1 Utilização das aves como alimento
Na pesquisa desenvolvida foi questionado quanto à utilização das aves para
alimentação. Do total de entrevistados 30% (15 pessoas) disserem que utilizam
algum tipo de ave como alimento, mas não freqüentemente; 70 % (35 pessoas) não
utilizam aves como alimento.
As aves mais utilizadas como alimento, apresentam um porte maior, e
consequentemente, maior quantidade de carne. Foram 34 citações de aves como
alimento, sendo que 01 citação foi de ovo de frango d’água, portanto não está
representada no gráfico; das citações mutum é o mais representativo com 21,21%
(n=7) (FIGURA 5).
Aves utilizadas como alimento
25,00
21,21%
Porcentagem
20,00
15,00
9,09%
10,00
6,06%
3,03%
5,00
Aves
FIGURA 5: Representação gráfica das aves utilizadas como alimento.
Tucano
Tabuaia
Socó-boi
Rolinha
Pomba-galega
Maguari
Juriti
Jacupemba
Gavião
Cigana
Biguá
Jacu
Jaó
Arara
Pato-do-mato
Inhambu
Cujubi
Mutum
0,00
16
3.2.2 Mitos sobre as aves
Os resultados indicam um baixo conhecimento com relação a mitos
relacionados a aves, apenas 16% (08 pessoas) dos entrevistados conhecem algum
tipo de mito; 84% (42 pessoas) disseram não se conhecer ou lembrar de mitos. Com
este resultado nota-se pouca influência no comportamento humano local. Foram
relatados mitos com diferentes aves tais como: anu, beija-flor, cigana, coruja, gavião,
gavião-real e pássaros diversos (TABELA 5).
TABELA 5: Descrição dos mitos citados na pesquisa.
Aves
Mito
“Quando o anu chora, morre alguém”.
Anu
“Se cagar na gente dá má sorte”.
“Não pode matar, porque a pessoa morre atrás da porta”.
Beija-flor
“Quando vê um beija-flor bem cedo trás coisas boas”.
Cigana
“Bom para asma. Assada e sem sal”.
Coruja
“Quando faz cruz em cima de casa, alguém morre”.
“Quando a coruja pousa perto, traz má sorte”.
“Quando canta por cima da casa alguém pode morrer. Para
quebrar o feitiço, corta um pano 07 vezes”.
Gavião
“São bruxos, se tentar matar não consegue”.
Gavião-real
“Pegava criança”.
Pássaros em “Quando entram em casa trás visita”.
geral
TOTAL
07 aves e 11 mitos.
Os animais personificam algumas qualidades humanas. Buscar nos animais
características necessárias a um guerreiro era costume em povos primitivos. Na
região Norte muitos mitos ancestrais são preservados (PEREIRA, 2001, p. 27).
17
Segundo Pereira (2001, p. 63), “Dizem que se alguém abater um Anu-coroca
a arma ficará imprestável para atingir outros alvos, pois tal fica azarada, que a mira
jamais estará correta, por melhor que seja o atirador”.
O imaginário popular é rico em explicar a cor das plumagens, seus hábitos,
seu canto repleto de bons e maus presságios. Essas explicações fazem parte do
conhecimento característico da comunidade que é o etnoconhecimento (SATO,
2005, p. 04).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A realização deste trabalho foi de grande relevância, tanto para a formação
profissional quanto para perceber a importância do estudo com comunidades
tradicionais.
Notou-se que a população entrevistada possui grande conhecimento sobre os
nomes populares de aves e suas características, o que é possível de ser explicado
pela convivência com ambientes que proporcionam observação constante.
Este estudo poderá ser aprimorado aumentando o número de entrevistados e
de tempo disponível para a entrevista, é interessante também a utilização de
imagens de aves para confirmação das espécies citadas. Há necessidades de
estudos de etnoconhecimento em todas as áreas do conhecimento, porque é uma
forma de mostrar à população o quanto são importantes para o meio em que vivem
e que por isso devem ajudar a preservá-lo.
18
REFERÊNCIAS
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http://www.agenciabrasil.gov.br/media/infograficos/2007/05/11/quilombos_110507.s
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negra. Disponível em:
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natureza nos trópicos. São Paulo: HUCITEC (USP), 1996. 290p.
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interdisciplinar. São Paulo: UNESP, 1996. 230p.
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http://www.palmares.gov.br/005/00502001.jsp?ttCD_CHAVE=86. Acesso em:
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kh.google.com. 2009.
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19
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Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 315p.
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conhecimento da biodiversidade brasileira. Biodiversidade 15, volume 01.
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Cáceres, MT sobre a utilização medicinal de plantas aquáticas. Monografia
(Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Biológicas) – Universidade do Estado
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PEREIRA, Frankz Kreüther. Painel de lendas & mitos da Amazônia. Belém – PA,
2001. 92p.
PREFEITURA MUNICIPAL DE ALTA FLORESTA D’OESTE – RO. Avenida Nilo
Peçanha, 4513 – CEP 76954-000 TEL. (69) 3641-2463.
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biologia vegetal tropical). Universidade Federal Rural da Amazônia. Belém, PA,
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20
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popular de pescadores em diferentes regiões do litoral brasileiro e implicações para
a conservação do boto-cinza Sotalia guianensis (Van Bénéden, 1864) (CETACEA,
DELPHINIDAE). Dissertação (Mestrado em ciências biológicas, comportamento e
biologia animal). Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, MG, 2007.
140p.
21
APÊNDICE 1: Tabela 04: Características das aves citadas pelos entrevistados.
NOME POPULAR (Nome
encontrado no livro)
CARACTERÍSTICAS
CITADAS
PELOS ENTREVISTADOS
Alencor (Tachã)
Grande. Igual a um peru.
Preto; preto nas costas e
peito branco; marrom. Bico
encarnado. Penacho. Canta.
Andorinha (Andorinha-de- Branca; costa preta e peito
rio)
branco.
Anhuma / Tapacaré
Grande. Escuro.
Anu-branco
Marrom claro.
Anu-coroca
Preto azulado.
Anu-preto
Arara (Arara-vermelha)
Todo preto.
Grande. Vermelha.
Arara-azul
grande)***
(Arara-azul- Azul e amarela.
Arara-canindé***
Vermelha.
Ararinha*
Bacurau
comum)
Verde e vermelha.
(Curiando- Cinzento;
carijó.
Olho
vermelho. Costuma ficar
sentado no chão de noite.
Beija-flor
besourão)
(Beija-flor- Pequeno.
Preto;
lilás;
amarelo e preto; amarelo;
verde; azul.
Pequeno. Cinzento com
amarelo; marrom em cima e
peito amarelo.
Bentevi
Bicudo
Biguá
Preto; Preto azulado. Bico
meio gordo, branco ou prata.
Todo preto. Mergulhador.
Biscateiro (Cricrió)
Pequeno. Marrom.
Cabeça-seca
Grande. Preto e branco.
Sem pena na cabeça. Bico
comprido.
CARACTERÍSTICAS DE SOUZA
(2004)
80 cm. Colar preto e branco.
Barriga escura.
13,5 cm. Por cima verde a verde
azulado; marcas na rabadilha e
por baixo, até ao crisso.
80 cm. Desenho escamado nas
penas arrepiadas do pescoço.
38 cm. Pardacento e branco por
cima; branco por baixo.
46 cm. Preto. Bico mais longo que
o anu-preto. Plumagem tem
brilhos verde, azul e roxo. Íris
branca.
36 cm. Preto. Bico com corcova.
90 cm. Linhas finas de penas na
face.
93 cm. Azul cobalto; parece preta
à distância. Pele em torno dos
olhos e da base da mandíbula
amarela.
80 cm. Azul por cima, amarela por
baixo. Padrão na face / garganta
em preto e branco.
30 cm. Pardo acinzentado. Face e
“queixo” ruivos. Tem arruivado por
baixo. Penas exteriores da cauda
escuras.
13 cm. Robusto. Penas centrais
da cauda verdes, faixa preta
subterminal, pontas brancas.
22,5 cm. Bico longo e forte;
grande
sobrancelha
branca.
“Peneira” bem, pesca em águas
rasas.
15 cm. Bico muito pesado, com
“dente”.
75 cm. Nada meio submerso, voa
em filas ou em V.
24 cm. Cinza-escuro, porte de
sabiá,
cauda longa; vários
indivíduos separados alternam o
canto.
95 cm. Penas de vôo e cauda
pretas. Bico curvo para baixo;
pescoço e cabeça sem penas.
22
NOME POPULAR (Nome
encontrado no livro)
Caracacá
Carão
Cardeal
amazônia)
(Cardeal-da-
Cigana
Colhereiro**
Coroquinha*
Corruíra
Corrupião
Coruja
buraqueira)
Cujubi
Curicaca
comum)
(Coruja-
(Curicaca-
Curió
Ema
Frango-d’água (Frangod’água-pequeno)
Gaivota (Gaivota-alegre)
Garça
grande)
(Garça-branca-
CARACTERÍSTICAS
CARACTERÍSTICAS DE
CITADAS
SOUZA (2004)
PELOS ENTREVISTADOS
Médio. Cinza; carijó. Come 56 cm. Cabeça grande. Barriga
pinto.
preta. Faixa branca próxima à
ponta da asa. Muito terrestre.
Aproxima-se de instalações
humanas.
Pequeno. Igual a galinha. 70 cm. Pardo escuro; rajas
Cinzento; preto. Bico fino e brancas no pescoço (quase
comprido.
ausentes). Bico quase reto.
Preto e branco com cabeça 16 cm. Capuz vermelho;
vermelha.
garganta e centro do peito
pretos.
Marrom com penacho na 62 cm. Vistosa. Penacho ereto.
cabeça.
Vôo pesado e ruidoso.
Cinza. Perna comprida. Bico 87 cm. Único pela forma do
igual a uma colher.
bico. Plumagem rosea; seu
colorido é intenso apenas
durante
a
época
de
reprodução. O macho é maior.
Pedrês. Igual a angola.
Avermelhada; marrom. Anda 12 cm. Pardo-canela; barras
pulando. Faz ninho em casa. finas na asa e cauda. Pula no
solo; entra em casa.
Peito preto, asa preta e 20,5
cm.
Amarelo,
com
amarela, costa amarela. garganta, asa e cauda negra.
Bico preto.
Branco na asa. Pequena
máscara.
Cinzenta e escura; marrom; 23 cm. Terrestre. Pernas
branca. Cabeça chata.
compridas. Ativa de dia.
Pequeno. Preto com pena 74 cm. Parte alta da cabeça,
branca, cabeça azul. Perna face e nuca brancas. Barbela
vermelha.
preta ou azul, triangular.
Branquicento ou preto. Bico 69 cm. Cabeça, pescoço e
grande curvado.
peito amarelado; branco na
asa.
Macho: escuro.
13 cm. O macho tem barriga
Fêmea: Parda.
castanha (preto em alguns
indivíduos). O branco da asa
pode faltar.
Tamanho do urubu com 170 cm. Inconfundível. Macho:
mancha branca.
base do pescoço preta.
Parecido
com
galinha. 27 cm. Bico e escudo verdeCinzento.
amarelado. Pardo.
No verão. Média. Branca 41 cm. Borda traseira da asa
com preto.
branca. Capuz todo preto, idem
ponta das asas. No verão,
cabeça e pescoço pretos com
áreas cinza pardos.
Branca. Perna comprida.
88 cm. Branca com bico
amarelo, pernas e pés pretos.
23
NOME POPULAR (Nome
encontrado no livro)
Garça-amarela*
Garça-real
Garça-rosa*
Gaturamo
Gavião
(Gavião-decabeça-cinza)
Gavião-real
Inhambu
galinha)
(Inhambu-
Jaburu / Tuiuiú
Jaçanã
Jacu (Jacu-estalo-de-bicovermelho)
Jacupemba
Jacutinga**
Jandaia
aratinga)
(Jandaia-
CARACTERÍSTICAS
CARACTERÍSTICAS DE
CITADAS
SOUZA (2004)
PELOS ENTREVISTADOS
Amarela.
Branca
com
pena na 51 cm. Branca com tom
cabeça.
amarelado; coroa preta; bico e
pele orbitral azulados; penas
nupciais longas.
Rosa
Pequeno.
Macho:
peito 12,5
cm.
Bico
pesado.
amarelo e costa marrom; Garganta e partes inferiores
ouro. Fêmea: marrom.
amarelas. Fêmea olivácea,
testa amarela.
Grande.
Carijó;
preto; 54 cm. Cabeça cinza. Várias
avermelhado; cinzento.
formas de imaturo.
Grande. Maior ave de rapina 105 cm. Até 2 metros de
da região. Asas com 2 envergadura. Penacho duplo;
metros. Carijó.
peito preto.
Pequeno. Parece frango. 34 cm. Pardo avermelhado por
Suru (sem rabo). Marrom; cima; penas inferiores claras.
cinzenta. Faz ninho no chão. Manchas amareladas nas asas
e dorso, também no ventre.
Geralmente aos pares.
Quase 1m. Bico comprido 140 cm. Cabeça e pescoço
vermelho; preto. Branco com pretos; base do pescoço
pescoço preto e vermelho.
vermelha. Bico curvo para
cima.
Pequena. Vermelha com 23 cm. Penas de vôo verdepreto; marrom. Perna fina e amareladas. Castanha com
amarela. Bico amarelo.
preto na cabeça, pescoço e por
baixo.
Carijó (preto com vermelho); 43 cm. Área arruivada na asa.
pedrês com papo vermelho; Cabeça e pescoço azulpreto. Rabo comprido.
arroxeado muito escuro. Pele
dos olhos vermelha. Bico preto
com ponta esverdeada.
Preta. Pinta branca nas 55 cm. Pequeno. Sobrancelha
asas. Crista vermelha.
cinza-claro ou pardacentoclaro. Desenho esbranquiçado
no peito.
Cinzenta; carijó; cabeça 74 cm. De 1,1 kg a 1,4 kg.
roxeada com 02 caroços Espécie típica do Sudeste,
embaixo, no pescoço.
negra brilhante e branca; penas
do píleo bastante alongadas,
face emplumada de negro;
base
do
bico
azulesbranquiçada
reluzente,
região perioftálmica nua e
branco-gesso.
Barbela
presente.
Periquito verde. Cabeça 31 cm. Raça do Norte é laranja
amarela ou laranja.
intenso.
24
NOME POPULAR (Nome
encontrado no livro)
Jaó
Japiim / Xexéu
Japu (Japu-preto)
Juriti (Juriti-pupu)
Maçarico
Macuco
Maguari
Marreca
bico-roxo)
(Marreca-de-
Martim-pescador (Martimpescador-grande)
Mergulhão
(Mergulhãopompom)
Mutum (Mutum-cavalo)
Papagaio
campeiro)
(Papagaio-
Papagaio-urubu*
Pardal (Pardal-doméstico)
CARACTERÍSTICAS
CARACTERÍSTICAS DE
CITADAS
SOUZA (2004)
PELOS ENTREVISTADOS
Grande.
Carijó;
perdiz; 31 cm. Barrado nas partes
marrom; cinza.
superiores e pescoço variável.
Pernas esverdeadas ou cinzas.
Pouco branco na garganta.
Preto e amarelo. Faz ninho 22 / 29 cm. Amarelo no baixo
em
árvore
que
tem dorso, crisso, cauda (de ponta
marimbondo. Menor que o preta) e área da asa.
japu.
Preto e amarelo. Maior que 34 / 45 cm. Preto. Uropígio e
o japiim.
crisso
marrons.
Bico
brancacento.
Pequena. Marrom; branca 26,5 cm. Testa branca tingida
com azul.
de rosado, pele em torno do
olho azul.
Canelado; cinzento; branco. 18 cm. Pernas anegradas.
Característico
padrão
de
rabadilha-cauda.
Marrom; carijó; cinzento.
52 cm. Pardo-oliváceo por
cima,
barrado
de
preto;
cinzento por baixo; branco na
garganta. Faixa pardo-bronze
do lado do pescoço.
Grande. Cinzento; branco; 140 cm. Bico reto. Penas de
branco rajado de preto. Bico vôo pretas; a cauda parece
amarelo
e
grande. branca
(retrizes
pretas
Pescoçudo
e
perna escondidas).
comprida.
Menor que o pato. Cinzento; 37 cm. Macho com parte da
branco com a perna roxa.
cabeça preta; Fêmea: 02 listras
faciais. Mancha branca na asa.
Preto com bico vermelho ou 42 cm. Cinza ardósia por cima,
branco; azulado com topete. colar branco; ventre castanho.
Preto; branco; preto com 23 cm. Pequeno. Garganta
cinza; amarelo com risca preta na época nupcial. Branco
preta; carijó com coleira na asa.
branca. Bico comprido e pés
de pato.
Grande. Preto com bico, 89 cm. Caroço alto no bico
crista e pés vermelhos. vermelho
de
ponta
Ponta do rabo branca.
brancacenta. Ponta da cauda
branca; barriga castanha.
Verde. Cabeça amarela. 38 cm. Testa e coroa amarelas.
Ponta da asa vermelha. Pode ter verde e azul
Pinta amarela na testa.
misturados
na
cabeça.
“Ombro”,
espelho
alar
e
manchas na cauda vermelhos.
Grande. Cinza.
Todo riscado e escuro.
15 cm. Macho: pardo no lado
do pescoço; garganta e peito
pretos. Fêmea: sobrancelha
clara; uniforme por baixo.
25
NOME POPULAR (Nome
encontrado no livro)
CARACTERÍSTICAS
CARACTERÍSTICAS DE
CITADAS
SOUZA (2004)
PELOS ENTREVISTADOS
Pássaro-preto
Pequeno. Todo preto. Canta 21,5 / 25,5 cm. Preto, mais ou
bonito.
menos brilhante; penas da
cabeça estreitas e pontudas.
Base do bico sulcada.
Pato-do-mato
Preto; preto com detalhes 85 cm. Marca branca na asa
brancos; preto e marrom. (pode faltar na fêmea). Macho
Quando voa tem penas topetudo;
com
carúnculas
brancas.
vermelhas no bico e ao redor
dos olhos.
Paturi (Paturi-preta)
Cinzento. Menor que o 43 cm. Todo preto, de longe;
marreco.
bico azulado. Fêmea parda,
marcas brancas na cabeça.
Marcas brancas na asa não
chega à ponta.
Pavãozinho (Pavãozinho- Pedrês; carijó.
45 cm. Inconfundível. Exibições
do-pará)
frequentes com asas e caudas
abertas.
Periquito
(Periquito-de- Pequeno. Verde.
21,5 cm. Verde, com penas de
asa-branca)
vôo (parte) e coberteiras alares
amarelo-brancacento. Bico tem
tom rosado claro.
Pica-pau-de-cabeçaCorpo preto e cabeça 33 cm. Raja branca do bico ao
vermelha
(Pica-pau-de- vermelha.
peito. “Suspensório” pode faltar.
faixa-branca)
Pintassilgo
Amarelo e preto.
11 cm. Capuz preto (fêmea:
cabeça
e
lado
inferior
oliváceos). Faixa amarela na
asa.
Pipa-pau
(Pica-pau-de- Marrom. Com topete. Bico 27 cm. Colar nucal, frente do
coleira)
comprido.
pescoço e peito pretos. Cabeça
pardo canela.
Pipira (pipira-vermelha)
Preta; achocolatada com 18 cm. Macho: preto; garganta
costa preta. Bico branco.
e peito avermelhado escuro.
Fêmea:
pardo-escuro
avermalhada por baixo.
Pomba-amargosa
Grande. Marrom.
34 cm. Cauda maior e mais
longa.
Pomba-galega
Pombo do mato. Cinza do 32 cm. Garganta e crisso
peito carijó.
brancacentos. Roxo-rosado na
coroa, pescoço manto e peito.
Primavera***
Preto e em cima das asas é 22,5 cm. Desenho preto-eamarelo.
branco na asa.
Quero-quero
Pequeno. Perna comprida e 37 cm. Padrão em pretocinza. Bico grande.
branco-cinza na asa aberta.
Penacho fino.
Rolinha (Rolinha-roxa)
Pequena. Cinzenta; marrom; 17 cm. Macho: castanho-rosado
marrom com pinta preta; e cabeça cinza.
marrom com branco. Perna Fêmea: pardo-oliváceo, penas
bege.
externas da cauda pretas e
cauda canela.
26
NOME POPULAR (Nome
encontrado no livro)
Sabiá (sabiá-de-coleira)
Sanhaçu (Sanhaçu-azul)
Saracura (Saracura-trêspotes)
Saracura-do-brejo
Socó-boi
ferrugem)
Tabuaia*
(Socó-boi-
Taiamã*
Tangará
costa-azul)
(Tangará-de-
Tiriba / Maritaca (Tiribapérola)
Tiziu
Tucano (Tucano-de-bicopreto)
Uirapuru
selado)***
(Uirapuru-
Urubu (Urubu-preto)
CARACTERÍSTICAS
CITADAS
PELOS ENTREVISTADOS
Pequeno. Cinzento com
listra branca na testa;
amarelo; marrom em cima e
branco por baixo com 02
listras na cabeça. Cantador.
Pequeno. Azul; cinza; verde
claro; verde escuro.
CARACTERÍSTICAS DE
SOUZA (2004)
22 cm. Garganta densamente
rajada de preto, base branca.
Peito cinzento ou pardacento.
16,5 cm. Todo azul; dorso tem
tom
acinzentado,
“ombro”
brancacento ou azul claro.
Peito amarelo e em cima 39 cm. Cabeça e pescoço
amarronzado.
cinza, barriga ferrugem.
Pequena.
Vermelha. 34 cm. Cinza por baixo.
Espinho na ponta da asa.
Grande. Pedrês; carijó.
93 cm. Cabeça e pescoço
castanhos.
Grande.
Branco
com
pescoço preto.
Médio. Preto; costa preta e
peito branco. Bico fino e
vermelho.
Macho: costa preta e cabeça 12 cm. Coroa vermelha, costas
vermelha;
azul-claro; Fêmea: olivácea por
Fêmea: peito branco.
cima, mais clara embaixo.
Tipo papagaio com detalhe 24 cm. Barriga vermelho vivo.
azul ou amarelo.
“Orelhas”
manchadas
de
amarelo. Cauda vermelhopardacento, azul na ponta
(cinza por baixo).
Preto; preto e amarelo. 11,5 cm. Preto brilhante; no
Quando canta, pula.
repouso nupcial, preto fulvo,
com escamas brancacentas.
Fêmea parda, rajada por baixo.
Branco sob a asa; aparece em
vôos de exibição verticais
curtos, repetidos.
Preto; preto com amarelo; 46 cm. Bico preto, diferentes
amarelo; preto e branco; raças tendo amarelo na base
preto com costa vermelha. ou no culmen. Peito amarelo ou
Bico preto; amarelo.
branco, seguido de faixa
vermelha estreita ou larga.
Supracaudais vermelhas e
amarelas.
Amarelo.
12 cm. Macho: tem mais preto
na garganta. Área branca no
dorso. Fêmea: parda.
Grande. Preto.
62 cm. Cabeça e pescoço nus.
Em vôo mostra marca branca
na ponta das asas.
* Aves que não foram possíveis identificar através do nome popular.
** Características de SICK (1997)
*** Aves que a característica citada pelos entrevistadas não confere com as referências.
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FACULDADE DE CIÊNCIAS BIOMÉDICAS DE CACOAL