PSICOLOGIA EDUCACIONAL NA UNIVERSIDADE: A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO JUNTO À ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL PAN, Miriam A. G. S, Professora Associado do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e-mail [email protected] BEVILACQUA, Caroline, Graduanda em Psicologia na UFPR, e-mail [email protected] BRANCO, Patrícia, Mestranda do Programa de Mestrado em Psicologia da UFPR, e-mail [email protected] MOREIRA, Jennifer, Graduanda em Psicologia na UFPR, e-mail [email protected] LITENSKI, Andriele, Mestranda do Programa de Mestrado em Psicologia da UFPR, e-mail [email protected] RHODES, Carine, Mestranda do Programa de Mestrado em Psicologia da UFPR, e-mail [email protected] TOVAR, Alexander, Mestrando do Programa de Mestrado em Psicologia da UFPR, e-mail [email protected] ZONTA, Graziele, Mestre em Psicologia pela UFSC, Psicóloga na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da UFPR, e-mail [email protected] Eixo: Trajetórias acadêmicas Resumo: Este trabalho apresenta um modelo de atuação da psicologia junto à assistência estudantil no ensino superior. Sua construção deu-se a partir de um estudo comparado entre o ensino superior brasileiro e estadunidense, o qual possibilitou-nos conhecer um grande número de programas de assistência aos alunos oferecidos pelas universidades americanas e o importante suporte teórico-prático da psicologia educacional. O modelo prevê três ações: Oficinas de Leitura e Escrita, Plantão Institucional e Programa de Tutorias e Parcerias entre alunos. Implantado em forma de um projeto de ensino, pesquisa e extensão na Universidade Federal do Paraná, consolidou uma proposta de intervenção institucional. Sua construção promoveu uma importante reflexão em relação à possibilidade de diversificação das práticas da instituição, consolidadas por perspectivas clínicas de intervenção. Palavras-chave: psicologia educacional; universidade; universitários; políticas inclusivas; modelo de intervenção. INTRODUÇÃO As atuais políticas de democratização do acesso ao ensino superior brasileiro promoveram a transição de um grande número de alunos do ensino médio público para as universidades públicas, levando a um maior compromisso dessas universidades com políticas de permanência, a fim de garantir o sucesso na titulação dos alunos, o que produziu importantes transformações na assistência estudantil. Nesse contexto, surge uma grande demanda para a atuação da Psicologia, a qual não apresenta modelos estruturados para este nível de ensino, nem mesmo uma construção teórica fundamentada em uma reflexão acerca das reformas universitárias no contexto da economia globalizada e de seus efeitos nas nossas instituições de educação superior, em especial nas configurações subjetivas dos seus estudantes. Este trabalho apresenta um modelo de atuação da psicologia junto à assistência estudantil, estruturado em forma de um projeto que reúne ensino, pesquisa e extensão, fundamentados em um método de pesquisa-intervenção, implantado na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Sua construção deu-se a partir de um estudo comparado entre o ensino superior brasileiro e estadunidense. Este estudo possibilitou-nos conhecer um grande número de programas de assistência oferecido aos alunos pelas universidades americanas e o importante suporte teórico-prático da psicologia educacional. Do estudo comparado à psicologia educacional brasileira e ao atual contexto de implantação das políticas inclusiva na educação superior do pais, resultou a proposta teórico-metodológica a ser apresentada neste artigo. EDUCAÇÃO SUPERIOR E ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL Ao final dos anos 90 o governo brasileiro cria uma série de políticas afirmativas para a promoção da equidade social e participação cidadã de diferentes grupos sociais (Programa Nacional de Ação Afirmativa, Programa Nacional de Direitos Humanos II, Secretaria Especial para Políticas de Igualdade Racial) (SOMERS, et al, 2013, p.204). No campo da educação, programas de reestruturação do ensino superior levam às instituições públicas e privadas a transformações nas formas de acesso, ingresso e permanência dos estudantes. Para as Instituições Federais de Educação Superior (IFES) implantou-se o Programa de Apoio de Planos de Reestruturação das Universidades Federais (REUNI1) que trouxe como metas: a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento; a ocupação de vagas ociosas e o aumento de vagas, principalmente no período noturno; revisão da estrutura acadêmica dos cursos de graduação e atualização de metodologia de ensinoaprendizagem, buscando a constante elevação da qualidade e a ampliação de políticas de inclusão e assistência estudantil. O programa promoveu a expansão da população estudantil entre 18 e 24 anos, de 2.2% para 4%; no entanto, dita expansão não foi acompanhada de maior investimento, gerando dificuldades para garantir o equilíbrio entre qualidade e acesso (SOMERS, et al, 2013, p.207). Em 2004 foi criado o programa Universidade para Todos (PROUNI), estratégia governamental desenvolvida na rede particular de ensino, também com objetivo de promover a equidade e a democratização do acesso à educação superior. Nesse programa as universidades privadas, em troca de isenções tributárias, outorgam bolsas de estudo totais (100%) e parciais (50%) aos aspirantes que por suas condições sociais, étnicas, raciais, econômicas ou culturais têm dificuldades para entrar no sistema de ensino público. Na última década a população estudantil frequentando o ensino superior passou de 3.479.913 estudantes em 2002 (banco de dados INEP), a 6.739.689 em 2011 (MECINEP, 2013). Entretanto, a ampliação do acesso ao Ensino Superior requer o desenvolvimento e implantação de políticas que, durante a formação universitária, assegurem uma permanência com qualidade, não limitada apenas a resultados quantitativos, mas considerando também aspectos emocionais desse corpo altamente diversificado de novos estudantes que têm ingressado nas universidades brasileiras (FELICETI; MOROSINI, 2009). O discurso da inclusão ganha grande força argumentativa nas políticas de educação desde o início dos anos de 1990, afirmando-se em documentos legais e oficiais, tanto nacionais como internacionais, sempre com vistas à garantia de igualdade de direitos e de oportunidades a todos. A pesquisa realizada por Machado e Pan, (2013) no contexto das IFES brasileiras, delineia algumas contradições no discurso oficial, o qual consolida as opções políticas e ideológicas do Estado brasileiro: enfatiza-se o acesso diferenciado e o apoio à permanência, com o objetivo de viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos os estudantes e contribuir com a melhoria do desempenho 1 Programa de Apoio de Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, aprovado, em 24 de abril de 2007, pelo decreto n.º 6.096. acadêmico como medida de combate à evasão e reprovação; enfatiza-se também o aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos, revisão da estrutura acadêmica dos cursos de graduação e atualização de metodologias de ensinoaprendizagem, buscando a implantação e a ampliação de políticas de inclusão e de assistência estudantil. Apesar da elevação da concessão de benefícios, exige-se dos estudantes a apresentação de alto rendimento acadêmico, considerando-se que devem, na maioria dos casos, empreender um maior esforço nos estudos para compensar formações precarizadas de níveis anteriores ao superior. Ao maior esforço necessário para com os estudos somam-se inúmeras outras adversidades próprias das condições concretas de vida destes estudantes. Desse modo, a compreensão da inclusão requer uma análise conceitual que possibilite pensá-la dialeticamente, sem dissociá-la dos processos de exclusão. O binômio inclusão/exclusão perpetua-se em todos os níveis de ensino, reproduzindo a lógica da sociedade como um todo, embora possa ser compreendido de modo a considerar que os problemas enfrentados na universidade têm suas origens exclusivamente nessas instituições e nos próprios alunos, não pertencendo de fato a um quadro social mais amplo, do qual a universidade faz parte (PAN; FERRARINI, 2009; ZAGO, 2006). Nesse cenário em que emergem e conquistam centralidade os discursos de inclusão, os novos modelos de gestão passam a ser difundidos na organização das universidades. Em meio a essa expansão, crescem também o número de atribuições de professores e demais funcionários e, segundo pesquisas realizadas, produzindo um quadro de precarização que coloca em risco a qualidade do ensino (MANCEBO; MAUÉS; CHAVES, 2006; BOSI, 2007) A Universidade Federal do Paraná (UFPR) é primeira federal do sul do país a implantar o sistema de cotas para ingresso, aderindo à nova proposta do governo federal. Uma das medidas de combate à evasão e, ao mesmo tempo, de incentivo à conclusão do curso é implementada a partir do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES2), orientado a promover melhores condições de permanência na universidade, através de ações de assistência estudantil em diferentes áreas3. Na UFPR, a Resolução 31/09 do Conselho de Planejamento e Administração (COPLAD) aprovada em 29 de julho de 2009 institui o Programa de Benefícios Econômicos para Manutenção (PROBEM) a estudantes com fragilidade econômica. Além das bolsas a serem 2 3 Instituído pela Portaria Normativa n.º 39 do MEC. Ver Art. 3, Decreto N. 7.234, 19/07/2010 disponibilizadas, essa mesma resolução institui o cumprimento por parte dos estudantes beneficiados, de, entre outros requisitos de ordem acadêmica, estar matriculado em disciplinas adequadas à etapa curricular, possuir cadastro econômico completo e registrado na PRAE e obter aprovação em no mínimo 75% das disciplinas. Machado e Pan (2013) analisam a implantação deste programa e afirmam que as políticas de acesso e ingresso adotadas pela universidade têm proporcionado transformações nas histórias de desigualdades sofridas pelos grupos excluídos do ensino superior. Porém, não necessariamente os estudantes têm sido beneficiados pelas condições de permanência oferecidas. Ou seja, os sentidos produzidos pelas políticas de permanência os colocam reféns de suas diferentes, ou indiferentes, oportunidades anteriores ao ingresso, produzindo sofrimento, recriando formas de exclusão, que responsabilizam o próprio estudante por sua condição de insucesso. A aparente integração social propiciada pela inclusão desses alunos tem produzido o que Sawaia(1999) define como sofrimento ético-político, o qual está relacionado às vivências cotidianas das desigualdades, do impedimento de desenvolver potencialidades e da dor de perceber-se tratado como sem valor ou incapaz. Esses sofrimentos são produtos de ações políticas, legitimadas pelas instituições (SAWAIA, 1999). A partir das discussões sobre políticas inclusivas, assistência estudantil e educação superior no Brasil, bem como do estudo comparado entre os programas desenvolvidos por universidades estadunidenses (SOMERS, PAN, REAGINS-LILLY, 2011; SOMERS, PAN, KOFER, 2012) e da análise de estudos que apontam os diferentes fatores que afetam a permanência do estudante no Brasil (BARDAGI; HUTZ, 2009; DA SILVA et al, 2012), delineou-se um modelo de intervenção da Psicologia na educação superior, operacionalizado em forma de um projeto piloto, em desenvolvimento na Universidade Federal do Paraná. PSICOLOGIA EDUCACIONAL E EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL O desenvolvimento de ações que favoreçam a permanência dos estudantes junto à assistência estudantil reclama a participação multidisciplinar de profissionais e pesquisadores voltados à universidade. Nesse contexto, a Psicologia é chamada a atuar e a desenvolver modelos estruturados para o ensino superior, além de uma construção teórica fundamentada em uma reflexão acerca das reformas universitárias no contexto da economia globalizada e de seus efeitos nas instituições de educação superior, em especial nas configurações subjetivas do corpo discente. Para Bisinoto e Marinho-Araújo (2011), a atuação da Psicologia Escolar nas IES está direcionada, majoritariamente, para a realização de intervenções clássicas voltadas à orientação e ao atendimento de questões individuais localizadas nos próprios estudantes. Assim, poucas pesquisas debruçam-se sobre questões que envolvam as variáveis institucionais, culturais, sociais, políticas e econômicas, fatores que contribuem para a constituição subjetiva dos alunos. Segundo Marinho-Araújo (2009), a ação do psicólogo na educação superior deve intervir de maneira a considerar todos aqueles aspectos, numa tentativa de promover mudanças nas instituições, além do desenvolvimento de práticas que visem fortalecer coletivamente o corpo discente, bem como o assessoramento de ações ligadas às propostas pedagógicas, à gestão institucional de políticas, programas e processos educacionais. Considerando esses aspectos implantou-se em forma de um projeto de ensino, pesquisa e extensão na UFPR o Projeto PermaneSENDO: intervenção da Psicologia nas políticas de permanência da Universidade. O modelo prevê a qualificação dos alunos para serem protagonistas no âmbito das políticas de permanência na universidade. Visa a uma atuação do psicólogo educacional no ensino superior que o posicione como aquele que promove uma escuta ativa e responsiva do corpo discente junto às políticas da instituição. O projeto consolidou um grupo de pesquisa reunindo alunos de graduação e pós-graduação. Sua implantação promoveu uma importante reflexão em relação à possibilidade de diversificação dos modelos propostos pela instituição, consolidados por perspectivas prioritariamente clínicas de intervenção. No sentido de construir um modelo de atuação da Psicologia no Ensino Superior que supere as práticas individualizantes, o projeto estrutura-se a partir de três ações principais: as práticas de leitura e escrita, o acolhimento institucional e programas de tutoria. Um dos pressupostos teóricos que orientam o modelo é a concepção de Letramento de Kleiman (1995, p.19): "conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos". Desta forma, as práticas de leitura e escrita são compreendidas enquanto práticas sociais, que ocorrem em contextos específicos e que a imersão nessas práticas determinadas têm consequências sociais, políticas, psíquicas, cognitivas linguísticas e mesmo econômicas para uma pessoa ou grupo social, alterando assim a sua condição. Entretanto, muitas vezes, a prática do letramento é compreendida e se dá de modo instrumental, reduzida a um processo de aquisição de códigos que oculta a existência e o desenvolvimento subjetivo, priorizando aspectos como o cognitivo, racional, crítico, consciente e individual (Pan, 2006). A primeira estratégia metodológica de intervenção é a Oficina, compreendida como um trabalho estruturado, que envolve reflexão integral com um grupo de sujeitos, na qual a reflexão das formas de pensar, sentir e agir deve estar presente. Superando o processo pedagógico ou terapêutico, a oficina trabalha com significados afetivos, nos quais as experiências são relacionadas à temática da oficina, havendo um foco nas práticas cotidianas e não a uma análise psíquica profunda de seus participantes (AFONSO, 2006). Pan (2003) desenvolve a metodologia de oficinas para trabalhar com as práticas de letramento infantil, de modo a ressignificar os sentidos atribuídos pelas crianças às práticas sociais de leitura e escrita permitindo que elas relacionem-se com a escrita como uma nova forma de experimentar a vida, comunicando e compreendendo fragmentos do mundo que as cerca. Aplicadas no contexto do ensino superior, objetivam criar múltiplos sentidos às práticas de leitura e escrita na Universidade, a fim de permitir que os estudantes se relacionem com diferentes formas de leitura e escrita, inserindo-se de modo ativo e criativo nos diferentes gêneros textuais incluindo o gênero científico. Fortalece-se assim, a reflexão sobre os sentidos da identidade do estudante enquanto leitor e escritor no contexto das práticas pedagógicas do ensino superior. As oficinas dão também voz aos estudantes propiciando um espaço de criação verbal que permita, a partir da experimentação de gêneros discursivos diversos, a expressão das dificuldades, preconceitos e sofrimento experimentados nas práticas cotidianas. A segunda estratégia proposta é o Plantão Institucional, um espaço destinado à orientação, acolhimento e escuta ativa dos estudantes. Machado (2010) traz um relato da elaboração desse dispositivo no Serviço de Psicologia Escolar na Universidade de São Paulo, enfatizando sua capacidade de auxiliar na reflexão sobre a relação existente entre a Psicologia e a Educação e sobre o cotidiano escolar. A autora apresenta o Plantão Institucional como a criação de espaços e tempos para conversar sobre acontecimentos do dia-a-dia das escolas e a partir disso produzir mudanças nas práticas cotidianas. Nesse espaço, o psicólogo confirma ou não as crenças que foram produzidas historicamente e estão presentes no campo social; portanto, o Plantão é uma forma de ir contra a individualização e culpabilização do aluno quanto às dificuldades e sofrimentos vividos em sua trajetória escolar, que ocorre por meio de encaminhamentos, queixas e diagnósticos. Segundo Machado (2010), esse espaço de escuta e reflexão promovido pelo Plantão transforma aquilo que havia se tornado individual em um tema institucional, permitindo que se possa pensar sobre o campo de forças implicado no sistema escolar e seus atores. Com o propósito de realizar ações semelhantes às propostas pela autora, foi criado na UFPR um Plantão Institucional que acolhe estudantes para que eles possam falar sobre suas vivências, sofrimentos e conquistas na Instituição e junto com estagiários do quinto ano do curso de Psicologia, refletir sobre as suas relações com a instituição. Esse encontro tem por objetivo reconhecer e legitimar os discursos dos alunos sobre sua história e a Universidade. Segundo Rocha (2000), as instituições de ensino são produtoras e reprodutoras de uma lógica homogeneizante que demanda uma socialização padronizada, o que acaba por culpabilizar o aluno pelo fracasso escolar. Além disso, a autora apresenta o conceito de tédio, definido como: “a sensação de descompasso, de inércia, de anacronismo que surge no quotidiano, como a sensação de impotência de criar, de fazer algo face a uma realidade que não está sob controle” (ROCHA, 2000, p. 191). Como forma de combater essa configuração que favorece a subjetividade mecânica, o modelo proposto apresenta o Programa de Tutorias e Parcerias, que prevê ações em forma de rodas de conversa, apadrinhamento entre alunos e grupos de estudo. As rodas funcionam como um ambiente de discussão entre pares, que têm por objetivo compartilhar experiências relacionadas à vida acadêmica. Por meio da circulação da palavra, os participantes são levados a refletir sobre suas práticas e posicionamentos, além de possibilitar uma percepção não individualizante das dificuldades encontradas. Os sistemas de tutoria e apadrinhamento envolvem as relações entre os próprios alunos, a serem desenvolvidas a partir de suas próprias demandas. Um exemplo é o acolhimento dos calouros pelos estudantes dos períodos mais avançados, assim como a "adoção" de um calouro por um veterano que o orientará em seus primeiros passos na Universidade. Os grupos de estudo também são sugeridos a serem montados e organizados pelos próprios alunos como uma alternativa aos grupos de estudo tradicionais conduzidos por professores. Todas essas manifestações de tutoria e apadrinhamento permitem aos alunos exercer um posicionamento mais ativo no contexto universitário. CONSIDERAÇÕES FINAIS O processo de construção deste modelo produziu considerações relevantes para o âmbito das práticas da psicologia no ensino superior brasileiro, a saber: O conhecimento da realidade histórico-social do ensino superior do país e sua relação com outros níveis de ensino, pois a intervenção nas políticas de assistência estudantil na universidade que visam à implantação de políticas inclusivas requer uma compreensão dialética dessas políticas, a despeito de individualizarmos os problemas de insucesso e abandono dos universitários. A construção de modelos de intervenção deve promover uma escuta ativa por parte do psicólogo educacional, que possa produzir resultados nos diferentes dimensões institucionais: políticas pedagógicas, gestão institucional, formação ético-acadêmicaprofissional do universitário. Os conhecimentos da Psicologia do desenvolvimento adulto, Psicologia do ensino-aprendizagem, e os estudos no campo da motivação podem contribuir com práticas que favoreçam o engajamento e o comprometimento do corpo docente e discente. O protagonismo do jovem proposto pelo modelo requer uma compreensão da juventude contemporânea frente as práticas de educação e trabalho e das políticas de formação para o mundo do trabalho vigentes no país. A concepção de um projeto que reúne ensino, pesquisa e extensão é também o desafio a ser enfrentado na consolidação de um modelo de universidade que se acredita, e pelo qual se luta. REFERÊNCIAS AFONSO, M. L. M. 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