Licenciatura
em
Psicologia
T E M A S AT U A I S
Marie Claire Sekkel
Carlos César Barros
Organizadores
z
Zagodoni
Editora
Conselho Editorial
Angela Soligo (Unicamp)
Daniel Abud Seabra Matos (UFOP)
Lygia Viegas (UFBA)
Regina Helena de Freitas Campos (UFMG)
Roberta Azzi (Unicamp)
Sobre os Autores
Copyright 2013 © by Organizadores/Autores
Todos os direitos desta edição reservados à Zagodoni Editora Ltda.
­Nenhu­ma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida, seja
qual for o meio, sem a permissão prévia da Editora.
Revisão: Marta D. Claudino
Capa: Givaldo Fernandes
Diagramação: Michele Z. Freitas
Editor: Adriano Zago
CIP-Brasil. Catalogação-na-Fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
S466L
Sekkel, Marie Claire
Licenciatura em psicologia : temas atuais / texto e organização
Marie Claire Sekkel, Carlos César Barros. - 1. ed. - São Paulo : Zagodoni,
2013.
160 p. ; 23 cm
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-64250-68-0
1. Psicologia educacional, 2. Prática de ensino. I. Barros, Carlos
César. II. Título.
13-01961
CDD: 370.15
CDU: 37.015.3
[2013]
Zagodoni Editora Ltda.
Rua Brigadeiro Jordão, 848
04210-000 – São Paulo – SP
Tel.: (11) 2334-6327
[email protected]
www.zagodonieditora.com.br
Marie Claire Sekkel (org.)
Docente do Instituto de Psicologia da USP e orientadora do Programa de PósGraduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano. Doutora e
Mestre em Psicologia pela USP. Graduada em Psicologia pela PUCSP. Interesses de pesquisa: psicologia escolar, educação inclusiva, formação de professores.
E-mail: [email protected]
Carlos César Barros (org.)
Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Mestre em Educação
pela Universidade de São Paulo. Docente do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde coordena o Colegiado do Curso de Graduação em Psicologia.
E-mail: [email protected]
Adriana Marcondes Machado
Mestre e Doutora em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Membro do Serviço de Psicologia Escolar e docente
do IPUSP. Pesquisas relacionadas à pesquisa-intervenção na interface entre
psicologia e educação.
Email: [email protected]
6
Licenciatura em Psicologia. Temas Atuais
Sobre os Autores
Ana Cristina da Silva Amado
Doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano no Instituto de Psicologia da USP – bolsista do CAPES. Mestre em Comunicação e
Cultura pela Universidade de Sorocaba. Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia e em Pedagogia pelo Centro Universitário
Moura Lacerda, de Ribeirão Preto. Monitora do curso de Licenciatura do Instituto de Psicologia da USP e pesquisadora da relação Psicologia e Formação
de Professores.
E-mail: [email protected]
Educação da Universidade de São Paulo; membro da Escola Brasileira de Psicanálise e do Conselho da Escola Brasileira de Psicanálise.
E-mail: [email protected]
Angelina Pandita-Pereira
Doutoranda e Mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano
pela Universidade de São Paulo (USP). Professora de Psicologia e Psicóloga
pela Universidade Estadual Paulista – UNESP Bauru. Atuou como monitora
educadora da Licenciatura em Psicologia do Instituto de Psicologia da USP.
Trabalha com formação de professores e psicólogos. Interesses de pesquisa:
ensino médio profissional, desenvolvimento humano, ensino de Psicologia,
Psicologia histórico-cultural.
E-mail: [email protected]
Dora Fix Ventura
Professora Titular atuando como Colaborador Senior do Instituto de Psicologia da USP. Doutora em Psicologia Experimental pela Columbia University,
New York. É Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Membro titular
da Academy of Sciences for the Developing World (TWAS), do Latin American
Research Committee (LARC), da International Brain Research Organization e da
Academia Brasileira de Ciências (ABC). Recebeu a Medalha CAPES 50 anos. É
Vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (20112013) e presidiu a Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento
(SBNEC) de 1991 a 1994.
E-mail: [email protected]
Leny Magalhães Mrech
Professora Livre Docente da Faculdade de Educação da Universidade de São
Paulo. Vice-chefe do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação
Comparada da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da Faculdade de
Merie Bitar Moukachar
Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – Conhecimento e
Inclusão Social da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas
Gerais/UFMG. Mestre em Psicologia Social. Coordenadora da Clínica e dos Estágios em Psicologia do Centro Universitário Newton Paiva.
E-mail: [email protected]
Mirella Gualtieri
Doutora em Neurociências e Comportamento (USP). Docente do departamento de Psicologia Experimental (IPUSP). Responsável pela disciplina Neurociências e Aprendizagem. Atua em projetos de pesquisa de diversas doenças neurodegenerativas, com ênfase em repercussões sobre o sistema visual.
E-mail: [email protected]
Rodrigo Lopes Miranda
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de
Educação da UFMG. Bolsista de Doutorado Sanduíche CAPES na University of
Akron.
Email: [email protected]
Sérgio Dias Cirino
Graduado em Psicologia pela UFMG com doutorado pela USP. Professor associado da Faculdade de Educação da UFMG. Bolsista de Produtividade em
Pesquisa do CNPq. Bolsista do Programa Pesquisador Mineiro da FAPEMIG.
Orientador no Programa de Pós-graduação em Educação da UFMG. Coordenador do GT de História da Psicologia da Associação Nacional de Pesquisa e
Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP). Membro da Comissão assessora do
Museo de Historia de la Psicología de San Luis (Argentina). Interesses de pesquisa: História da Psicologia, Ensino de Psicologia, Formação de professores,
Licenciatura em Psicologia.
E-mail: [email protected]
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Prefácio
1
978, Escola Estadual de 1o e 2o Graus “Fernão Dias Paes”, Bairro de Pinheiros, São Paulo, Capital. Acabava de terminar as disciplinas que compunham a formação em Licenciatura em Psicologia na Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo, juntamente com mais seis colegas
de turma do Curso de Psicologia que se aventuraram pela área da Educação,
decisão corajosa em uma época em que ser psicólogo era atuar profissionalmente enquanto clínico, ter seu consultório e realizar as diversas modalidades de psicoterapias. Tendo trabalhado por três anos com estudantes de 5ª a
8ª séries de uma escola pública da periferia da Grande São Paulo, meu grande
desejo, na ocasião, era trabalhar como docente no então denominado Ensino de Segundo Grau. Adentro a Diretoria de Ensino da Região de Pinheiros,
inscrevo-me para aulas excedentes, e a mim são atribuídas 20 horas/aulas em
uma disciplina a ser ministrada para o terceiro ano, do curso noturno, intitulada Psicologia das Relações Humanas. Naquela época, vigorava a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 5692 de 1971 que implantou no Brasil,
em meio ao Regime Militar, o denominado Ensino Profissionalizante. Seu objetivo era o de que os jovens, do nível Médio, terminassem seus estudos com
uma “profissão”. Como parte dos acordos estabelecidos pelo Regime de Exceção do Estado Brasileiro, a Educação foi alvo primordial da consolidação do
capitalismo de mercado e, com ela, a palavra de ordem: inserir os jovens no
10
Licenciatura em Psicologia. Temas Atuais
Prefácio
mercado de trabalho com alguma qualificação. Nessa escola, a opção apresentada aos estudantes era o curso de Contabilidade.
Em meio à discussão e às críticas à concepção profissionalizante, tal como
era apresentada e arbitrária e precariamente implementada nas escolas, frente ao sucateamento das escolas públicas em detrimento ao fortalecimento da
rede privada, dentre outros aspectos, grupos ligados à Psicologia passaram
a se articular politicamente visando encontrar saídas e instaurar formas de
pressão no Estado de São Paulo e construir um lugar em que o conhecimento
psicológico estivesse a serviço da formação de jovens estudantes. Esse processo se dá em meio ao Movimento dos Professores encabeçado pela Associação de Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, APEOESP, que
anunciava a necesssidade da construção de uma escola de qualidade, de um
estado democrático, da universalização do ensino, tecendo sérias e importantes denúncias e críticas ao tecnicismo da Educação, à fragmentação dos
educadores e buscando formas de articulação e organização pela qualidade
da escola pública.
Uma dessas articulações aconteceu, no início dos anos 1980, entre o
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e o Sindicato de Psicólogos
do Estado de São Paulo. Talvez tenha sido um dos primeiros grupos de trabalho sobre o Ensino Médio, coordenado por Sérgio Leite, Carlos Ladeia e
Yvonne Khouri, que se propuseram a iniciar esta discussão com os psicólogos
que atuavam no ensino de Psicologia, grupo do qual tive a oportunidade de
participar como professora da rede pública do Estado de São Paulo. Naquela
ocasião, uma das lutas importantes era a de abertura de concursos públicos
na Educação, que há muito não havia, de maneira a regularizar contratos precários de trabalho, sem nenhum direito trabalhista, bem como oficializar a
presença das Humanidades, dentre elas a disciplina de Psicologia, no Ensino
de primeiro e segundo graus.
A inserção da disciplina de Psicologia nessa etapa da escolarização se
ancorava em importante discussão pela redemocratização do Estado Brasileiro. Disciplinas como Filosofia, Psicologia e Sociologia foram retiradas dos
currículos por serem consideradas portadoras de conteúdos “perniciosos aos
jovens” pelo cunho reflexivo e político que apresentavam. No lugar delas, durante a Ditadura Militar, foi inserida a disciplina denominada “OSPB – Organização Social e Política Brasileira”, braço ideológico da ditadura militar no
campo educacional, e em muitas escolas era ministrada por militares ou simpatizantes do regime e que continha, dentre outros temas, a chamada Doutrina de Segurança Nacional.
Portanto, o retorno da disciplina Psicologia ao Ensino Médio, no início
dos anos 1980, era também o retorno da possibilidade de propriciar aos jo-
vens estudantes o contato com temáticas e vertentes emancipatórias em sua
formação, em tempos de democratização da sociedade. Para tanto, juntamente com esse movimento político, era necessário que fossem anunciados
conteúdos que compusessem o conjunto dessa formação. E é assim que, em
1986, o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e o Sindicato dos Psicólogos publicaram o livro “Psicologia no Ensino de 2o Grau – Uma proposta
Emancipadora”, referência para a formação neste nível de ensino. Os concursos foram realizados e em torno de 100 professores de Psicologia são contratados nessa ocasião.
Mas, em 1996, embora tenhamos a tão esperada promulgação na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para surpresa daqueles que defendem a formação humanista do estudante secundarista, há a retirada da obrigatoriedade das disciplinas Psicologia, Sociologia e Filosofia do Núcleo Comum das Disciplinas no Ensino Médio. Novamente tem-se o retrocesso curricular, retirando disciplinas cujos conteúdos questionam e problematizam
o indivíduo e a sociedade, com a justificativa no veto presidencial, do então
Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, de que não havia professores suficientes no Brasil para ministrá-las.
Conto esta breve história para demonstrar alguns dos episódios a respeito dos caminhos da Psicologia no Ensino Médio no Brasil. Entre os vários
dilemas, interesses do Estado e da economia vigente, das políticas de exceção
e do processo de democratização, o conhecimento acumulado pela Psicologia, enquanto ciência, apresentou muitos matizes, diversos nomes, assumiu
várias roupagens, apresentou diversas propostas curriculares, enfim, viveu intensamente cada momento de seu tempo histórico... Novas lutas surgiram e
muitos questionamentos têm sido apresentados nesse percurso...
Acredito, portanto, que seja legítimo continuar a luta pela inclusão da Psicologia no Ensino Médio, apoiada em uma perspectiva crítica de atuação no
campo do Ensino. Creio que temos hoje um conjunto importante de publicações e de reflexões que de fato revelam uma Psicologia atenta para as questões da realidade social brasileira, assumindo um lugar de construção de conhecimento em uma perspectiva histórico-social. Dentre os temas que temos
acumulado, destacam-se as discussões em saúde mental, adolescência, direitos
humanos, inclusão, preconceito social. Avançamos muito nesses últimos anos e
temos ainda muito a avançar, mas precisamos legitimar espaços conquistados
socialmente em busca de uma sociedade democrática e menos excludente.
Sem dúvida, esta luta nos remete à melhoria da qualidade da formação
nos cursos de Licenciatura, bem como a ampliação da dimensão educativa do
trabalho psicológico na formação profissional em Psicologia. Referendamos
saberes que precisam ser partilhados e postos a serviço da formação.
11
12
Licenciatura em Psicologia. Temas Atuais
Prefácio
Como destacamos em 2007, em evento organizado pela Associação
Brasileira de Ensino de Psicologia denominado Diálogos sobre a Docência em
Psicologia, dentre as várias discussões que pudemos destacar sobre a Psicologia no Ensino Médio, considero que o eixo central ainda reside no fato de o
Ensino de Psicologia se constituir em um espaço eminentemente de formação, de socialização do conhecimento acumulado no campo da Psicologia,
de reflexão sobre a constituição da subjetividade humana. Ao adentrarmos
no campo do Ensino da Psicologia, estamos possibilitando estudar a complexidade da formação do ser humano, do que nos permite construir cultura,
valores, sentimentos, sentidos e significados, que nos permitem interpretar
o mundo que está a nossa volta. Estamos, por meio das discussões trazidas
pelo campo da Psicologia, desnaturalizando o estabelecido, mostrando sua
dimensão histórico-social, analisando as relações de poder, de constituição
das instituições, incluindo a escola, as relações sociais que nela se estabelecem. Portanto, o trabalho do psicólogo no Ensino não é um trabalho de intervenção psicológica, mas sim de problematizar e discutir questões que são, de
alguma maneira, objeto de estudo da Psicologia enquanto campo de atuação
e de conhecimento.
Em 2009, a discussão da docência em Psicologia no Ensino Médio é retomada no Seminário Nacional do Ano Temático da Educação do Sistema
Conselhos de Psicologia, com a participação de aproximadamente 5000 psicólogos em todo o país e com base em documento de discussão nacional
que reitera os argumentos pela importância da participação da Psicologia na
formação em Nível Médio. Estas propostas também são levadas em 2010 à
Conferência Nacional de Educação (CONAE) e referendadas pelo documento
assinado pelo Conselho Federal de Psicologia, Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e
Associação Brasileira de Ensino de Psicologia.
É importante destacar, ainda, o fato de que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação em Psicologia também retomam a importância da
formação para a docência, em 2011, ao tornar obrigatório o seu oferecimento
pelas Instituições formadoras em nível superior.
Os Conselhos de Psicologia, no que tange ao Ensino Médio, continuam
dando continuidade às discussões e ações para a manutenção da disciplina
Psicologia no Ensino Médio, bem como problematizando os conteúdos a serem ministrados nessas disciplinas. Mas é muito importante nesse processo
a retomada, nessa discussão, de forma mais consistente e articulada da academia, dos pesquisadores, daqueles que estão diretamente voltados para a
formação de profissionais que vão atuar na docência em nível médio. E esta
publicação corrobora essa participação, ao inserir o Ensino Médio como te-
mática, pensando a docência também em outros níveis e etapas de formação,
com destaque para as escolas técnicas.
Consideramos que este livro venha a implicar mais uma vez a dimensão
de formação para a docência em Psicologia com as temáticas do Ensino Médio e de demais etapas de ensino. Ler esta obra e conhecer a trajetória de
pesquisa de seus autores será um terreno fértil para o apronfundamento das
discussões na construção de uma sociedade menos desigual e mais humanizada.
Santos, junho de 2013
Marilene Proença Rebello de Souza
Docente do IPUSP.
Editora da revista “Psicologia, Ciência e Profissão”.
13
Apresentação
E
sta obra versa sobre a Licenciatura em Psicologia, apresentando-se para
o público brasileiro em um contexto bastante específico da educação
nacional. Aos sete de fevereiro de 2011 foi publicada a homologação,
pelo então Ministro da Educação Fernando Haddad, do Parecer 338/2009 do
Conselho Nacional de Educação, que alterou as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Psicologia. Este parecer esclarece a
questão da formação de professores de Psicologia para atuar na construção
de políticas públicas de educação, na educação básica, no nível médio, no
curso Normal, em cursos profissionalizantes e em cursos técnicos, na educação continuada, assim como em contextos de educação informal, como abrigos, centros socioeducativos, instituições e outros. A entrada em vigor dessas
Diretrizes prevê que os ingressantes, a partir do segundo semestre de 2013,
devem ter garantida a possibilidade de optar por esta formação, o que tem
mobilizado afetos e ideias de profissionais, professores e coordenadores de
cursos de Psicologia frente à urgência em debater o tema.
A ideia e elaboração deste livro resultaram também de alguns anos de
encontros e debates de um grupo de pesquisadores que trabalham e refletem sobre a educação brasileira, motivados por muitas interrogações práticas
e teóricas, tais como: seria a Psicologia importante para a educação, como
tema transversal? como componente curricular? A Universidade está comprometida com os saberes e a pesquisa ou com as demandas de mercado?
16
Licenciatura em Psicologia. Temas Atuais
Apresentação
Em que concepção de educação caberia a Psicologia? Qual ou quais psicologias? Devemos ensinar Psicologia no Ensino Médio? Que Psicologia ensinar?
Faz sentido a manutenção de um Curso de Licenciatura em Psicologia frente à
demanda existente? Ajudaria a Licenciatura a fortalecer essa demanda?
Não estranhe, no entanto, que nossa apresentação levante tantas perguntas que o livro não pretende responder. Nossa proposta é estimular o
debate, apresentar concepções intencionalmente diferentes que convidem
sociedade e profissionais da área para o diálogo e a ação. Considerando o
longo histórico de relações entre a Psicologia e a Educação, estranha-nos que
tão pouco se discuta a Licenciatura em Psicologia ou que os psicólogos pouco
contato tenham com o assunto. Como diz o ditado (já utilizado por uma das
autoras como título de um artigo sobre o tema): casa de ferreiro, espeto de
pau.
Os organizadores e idealizadores deste livro intensificaram suas trocas
de ideias em uma comissão para renovação do Curso de Licenciatura em Psicologia da Universidade de São Paulo, campus da Capital, lá pelos idos de
2005. Norteados pelas interrogações constantes de nosso segundo parágrafo, seguimos construindo nossos pensamentos e conhecendo diferentes
perspectivas que resolvemos reunir em uma publicação que facilite o acesso
e estimule o debate. Sendo assim, as ideias e argumentos apresentados em
cada capítulo são de responsabilidade de seus respectivos autores. O compromisso dos organizadores foi com um denominador temático comum e, ao
mesmo tempo, com a diversidade e liberdade de ideias.
Os capítulos podem ser lidos independentemente, tendo sido apresentados em uma ordem que vai da abordagem histórica e filosófica às propostas
mais recentes, passando por experiências e reflexões teóricas. O primeiro capítulo: “Psicologia e educação para os direitos humanos”, de Carlos César Barros, apresenta formulações sobre a estreita relação entre o ensino de Psicologia e uma proposta de educação do cidadão. A seguir, temos uma visão mais
específica sobre o professor de Psicologia no Brasil, com Sérgio Dias Cirino e
Rodrigo Lopes Miranda em “Ensinando Psicologia: elementos para uma história sobre o professor de psicologia e a licenciatura”. “O Ensino de Psicologia: a
imagem escura de uma profissão difusa”, de Leny Magalhães Mrech, apresenta uma abordagem de longo alcance da história do ensino de Psicologia. O
quarto capítulo, de Ana Cristina da Silva Amado, trata da literatura atual sobre
o ensino de Psicologia e leva o título de “O Ensino de Psicologia: o cenário
atual”. Angelina Pandita-Pereira discute o ensino de Psicologia no campo do
Ensino Médio, que se constitui no ensino técnico, em seu capítulo “Ensino
de Psicologia em escolas técnicas de nível médio: Por quê? Para quê? Para
quem?”. Os estágios são tema do sexto capítulo, escrito por Sérgio Dias Ciri-
no e Merie Bitar Moukachar: “Indagações sobre estágios na Licenciatura em
Psicologia: Como? Quando? Onde?”. Mirella Gualtieri e Dora Fix Ventura apresentam as “Contribuições da Psicologia Experimental para a Licenciatura em
Psicologia: enfoque na relação entre Neurociência e Educação”. Por fim, apresentamos no capítulo “Licenciatura em Psicologia: a experiência do IPUSP”,
de Adriana Marcondes Machado e Marie Claire Sekkel, a experiência do curso
de Licenciatura em Psicologia do Instituto de Psicologia da Universidade de
São Paulo, que desde 2005 vem trabalhando na concepção e implementação
de um novo currículo para a licenciatura.
Os organizadores, desde já, agradecem seu interesse pelo livro e deixam
soar as vozes dos autores, esperando por respostas que não sejam ecos, mas
novas perspectivas e novos colegas de trabalho!
17
Sumário
1
Psicologia e Educação para os Direitos Humanos...........................................21
Carlos César Barros
Ensinando Psicologia: Elementos para uma História sobre o
Professor de Psicologia e a Licenciatura.............................................................43
Sérgio Dias Cirino / Rodrigo Lopes Miranda
O Ensino de Psicologia: a imagem Escura de uma Profissão Difusa .......61
Leny Magalhães Mrech
O Ensino de Psicologia: o cenário Atual............................................................77
Ana Cristina da Silva Amado
Ensino de Psicologia em Escolas Técnicas de Nível Médio: Por quê?
Para quê? Para quem?...............................................................................................95
Angelina Pandita-Pereira
Indagações sobre Estágios na Licenciatura em Psicologia. Como?
Quando? Onde?........................................................................................................ 115
Sergio Dias Cirino / Merie Bitar Moukachar
2
3
4
5
6
20
Licenciatura em Psicologia. Temas Atuais
7
Contribuições da Psicologia Experimental para a Licenciatura em
Psicologia: Enfoque na Relação entre Neurociência e Educação........... 139
Mirella Gualtieri / Dora Fix Ventura
Licenciatura em Psicologia: A Experiência do IPUSP................................... 147
Adriana Marcondes Machado / Marie Claire Sekkel
8
Psicologia e Educação para os
Direitos Humanos
1
Carlos César Barros
S
e todos nós, membros da família humana, temos direitos iguais e inalienáveis e devemos ter nossa dignidade – inerente, diga-se de passagem
– reconhecida como fundamento da liberdade, da justiça e da paz no
mundo... Se aspiramos comumente ser livres para acreditar, pensar e falar,
para viver relações cotidianas e internacionais amistosas... por que vivemos
sob constante ameaça do desrespeito e da barbárie? Se direcionarmos essa
indagação inspirada no preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos à assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em um
diálogo imaginário, encontraremos uma resposta logo nas linhas seguintes
do documento, que poderia ser assim: “ora, estamos falando de um ideal comum ainda a ser atingido através do ensino e da educação!” Baseados não
apenas nesse diálogo fantasioso, mas nas ações históricas em torno dos direitos humanos e da educação, que os toma como valores a serem alcançados,
é que utilizamos a expressão “educação para os direitos humanos”. Em outras
palavras, aquela educação que deveria ser obrigatória por ser direito de todos
os cidadãos de nosso Estado e de muitos outros pelo mundo afora. A educação e o ensino, portanto, são meios imprescindíveis para se chegar a um
fim almejado internacionalmente: o respeito a direitos e liberdade de todos.
Lembremos agora que nosso título colocou uma importante palavra, não por
acaso, antes da expressão “educação para os direitos humanos”: “Psicologia”.
O que teria a Psicologia a ver com a educação para os direitos humanos? Bus-
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