ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância
Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE
AS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA A
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Luciana Vieira da Costa Ribeiro
Faculdade Anhanguera de Jacareí/ Educação à Distância/ [email protected]
Resumo – O presente artigo teve como objetivo analisar as contribuições que a
psicologia e todo seu arcabouço teórico e metodológico auxiliam o desenvolvimento
e aperfeiçoamento da Educação a Distância, este por meio de revisão bibliográfica
de artigos publicados por teóricos psicólogos abordando a EAD. A partir do
presente objetivo se tem como objetivos específicos: identificação das teorias que
embasam o modelo do sistema educacional à distância; apontar os aspectos
psicológicos envolvidos na educação a distância; identificar fatores psicológicos
que facilitam ou prejudicam as relações no ambiente virtual de aprendizagem; e
investigar e especificar as possibilidades de melhoria para a educação a distância.
Desta forma, o presente estudo conseguiu identificar a produção acadêmica
relevante para a compreensão da importância dos conhecimentos de teorias
psicológicas para a criação e aplicação do ensino. Demonstrou, também, que o
papel da Psicologia junto à EAD encontra relevância não apenas nas contribuições
teóricas psicológicas acerca da interação professor-aluno, alunos-colegas e
questões afetivas, mas também na adequação das ferramentas tecnológicas às
subjetividades de cada aluno.
Palavras-chave: Psicologia, Ensino à Distância.
Abstract: This article aims to analyze the contributions that psychology and its theory
and methodology assist the development and improvement of Distance Learning, through
a literature review of articles published by theoretical psychologists about the Distance
Learning. Starting from this purpose, the specific objectives are the following:
identification of the theories that underpin the model of distance education system;
pointing the psychological aspects involved in Distance Learning; identifying
psychological factors that facilitate or harm relationships in the virtual learning
environment; to specify and investigating the possibilities of improvement for Distance
Learning. Thus, this study was able to identify the relevant academic production to
understand the importance of knowing the psychological theories to the creation and
application of teaching. It also demonstrated that psychology with the distance learning
is important not only in psychological theoretical contributions about the teacherstudent interaction, students- colleagues and emotional matters, but also to the adequacy
of the technological tools to subjectivities of each student.
Keywords: Psychology, Distance Learning.
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INTRODUÇÃO
Durante muitos séculos a Psicologia foi pensada pelos filósofos como o saber acerca
da alma. Tratar-se-ia de uma realidade metafísica, ou seja, uma realidade fora do alcance dos
nossos sentidos, que não pode ser objeto de qualquer experiência ou vivência. Esta definição
não parece plenamente satisfatória, pois a palavra “alma” tem significados muito diversos,
contudo sempre se colocaram questões ao homem sobre si próprio e sobre o que
popularmente se designa de alma (NODARI, 2009).
Todo o período anterior ao século 19 caracterizou-se por ser uma fase
preponderantemente especulativa, em que a Psicologia era um campo acessível a filósofos,
médicos e romancistas (Idem).
Quando estudamos a Psicologia necessário se faz também que realizemos um breve
percorrido em sua constituição indo às raízes primeiras, a Filosofia.
Como as demais ciências, também a Psicologia surgiu a partir das necessidades
culturais de entendimento do ser humano, buscando corresponder ao desejo do homem de
compreender a si mesmo (NODARI, 2009).
A partir de abordagens modernas se iniciou pesquisas em diversas vertentes da
psicologia, para o presente trabalho utiliza-se do papel da Psicologia no ensino a distância que
se fundamenta principalmente em contribuições encontradas nos modelos de teorias do
desenvolvimento, da aprendizagem, cognitiva, comportamental e sócio-construtivista
(FRANÇA et al, 2012).
Atualmente observa-se no Brasil o aumento de oferta de cursos por meio da
modalidade de Educação a Distância. Esta modalidade é utilizada de diversas formas de
aprendizagem diferentes, tal como: educação continuada, treinamento organizacional, cursos
de línguas estrangeiras, cursos preparatórios para processos seletivos, treinamento para
empreendedores e, principalmente, os cursos de graduação e pós-graduação, com crescente
importância para a formação de profissionais cada vez mais qualificadas no país. Isto torna
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especialmente relevante estudar tal modalidade.
O aumento progressivo da utilização das tecnologias da informação para a formação
pessoal é utilizada por vantagens dos programas de ensino que tem como possibilidade de
estudar em casa, a flexibilidade de tempo, a possibilidade de individualizar a velocidade de
participação no treinamento e profundidade com que os conteúdos são abordados.
Com o crescimento da educação à distância, é importante refletir sobre os rumos da
educação numa sociedade cada vez mais conectada ao mundo digital. A partir desta reflexão,
estamos fundamentalmente falando de um processo de transformação do ser humano e de
comportamentos. Todo esse processo acaba gerando uma nova realidade na forma dos
educadores atuarem e dos alunos responderem ao processo pedagógico, alguns com mais
facilidade, outros menos.
Nesse sentido, refletir e analisar sobre as teorias psicológicas por detrás da Educação à
Distância no contexto atual, se faz de extrema importância para se pensar em novas propostas
pedagógicas que aumentem o potencial das tecnologias e que efetivamente tragam uma
construção do conhecimento coletivo.
Desta forma o objetivo geral do presente trabalho é analisar as contribuições que a
psicologia e todo seu arcabouço teórico e metodológico auxiliam para o desenvolvimento e
aperfeiçoamento da Educação a Distância, este por meio de revisão bibliográfica de artigos
publicados por teóricos psicólogos abordando a EAD. A partir do presente objetivo se tem
como objetivos específicos: identificação das teorias que embasam o modelo do sistema
educacional à distância; apontar os aspectos psicológicos envolvidos na educação a distância;
identificar fatores psicológicos que facilitam ou prejudicam as relações no ambiente virtual de
aprendizagem; e investigar e especificar as possibilidades de melhoria para a educação a
distância.
1.
A CIÊNCIA PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO
Sócrates (468 a 339 a.C.), Platão (427 a 347 a.C.) e Aristóteles (384 a 322 a.C.),
constituem-se nos primeiros nomes histórico-filosófico-científico da Psicologia. Os gregos
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foram os primeiros a formular teorias sobre o homem. Segundo NODARI (2009), outra
região que reuniu um importante número de pensadores para o início da composição do
pensamento e reflexões sobre o homem é a Roma Antiga. No Império Romano a Psicologia
liga-se à religião na medida em que essa época se caracteriza pelo surgimento e
desenvolvimento do cristianismo. A Psicologia começa a fazer parte dos estudos religiosos,
trazendo à tona questionamentos sobre alma e corpo, essência e existência. A religião assume
o status de ciência. Destacamos Santo Agostinho, que viveu de 354 a 430 a.C. e São Tomás
de Aquino, que viveu bem mais tarde, entre 1225 e 1274 d.C.
1.1.
ESCOLAS PSICOLÓGICAS E TEORIAS ATUAIS
A psicologia transforma-se, cresce e avança vertiginosamente, tendo como principal
resultado a definição de seu objetivo de estudo como sendo o comportamento, a consciência e
a vida psíquica. Formando-se vertentes e as principais escolas da psicologia: funcionalismo,
estruturalismo e associacionismo.
O funcionalismo fundado por William James (1842 – 1910), esta escola dá ênfase à
natureza dinâmica e mutável mental, descobre como o pensamento, as emoções e outros
processos satisfazem às necessidades do organismo e como este se ajusta ao meio ambiente,
procurando dar uma abordagem genética aos problemas psicológicos. Já o estruturalismo
parte da análise dos sistemas ou estruturas, investigando as relações e as funções dos
elementos que os constituem, entendendo que o todo conhecimento humano é consequência
de suas próprias vivências. Por isso, cada indivíduo possui um histórico próprio de
conhecimentos.E o associacionismo utiliza as leis da associação, cujo conhecimento humano
está constituído exclusivamente por imposições e ideias, estas se associam principalmente as
relações de causa-efeito, assim essa escola trata da possibilidade de que a aprendizagem
ocorra por um processo de associação de ideias, ocorrendo então por uma cadeia de
associações (BOCK, 1999).
No século XX, segundo NODARI (2009), as escolas da Psicologia não foram
abandonadas, entretanto se destacam algumas vertentes, tal como: a psicanálise cujo objeto
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principal é o “inconsciente”, sendo também a denominação dada ao tratamento ou prática
clínica, subsidiada pela teoria e pela investigação; O Behaviorismo que afirmava que o
comportamento é o objeto de estudo da ciência psicológica e o qualifica como observável e
mensurável o que permitiria experimentos em situações diversas, mantendo sempre o caráter
de objetividade científica acerca do objeto de estudo; e de grande relevância, também, temos
Gestalt que é a teoria da forma ou configuração, seus fundadores foram Kurt Koffka (18861941) e Max Wertheimer (1880-1943).
- Principais Ideias de Vygostsk
Vygostsk (1896 – 1934) estruturou um sistema de pensamento tendo por base o
desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o
papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. Sua questão central é a
aquisição de conhecimento pela interação do sujeito com o meio. Seus estudos dão ênfase ao
desenvolvimento do intelecto humano e a aprendizagem com um levante linear do
desenvolvimento do ser desde sua infância. Os signos são elementos fundamentais para
associação de conhecimento, estes empregados a partir de um mediador, cuja linguagem tem
papel fundamental, pois ela que fornece os conceitos. O autor, também, emprega a expressão
função mental para se referir aos processos de pensamento, memória, percepção e atenção.
Afirma que o pensamento tem origem na motivação, no interesse, na necessidade, no impulso,
no afeto e na emoção (OLIVEIRA, 1995 e NODARI, 2009).
Para Vygostsk aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações,
habilidades, atitudes e valores a partir do contato com a realidade, o meio e as outras pessoas.
A ênfase nos processos sócio-históricos define a aprendizagem pela interação entre os
indivíduos (OLIVEIRA, 1995 e NODARI, 2009).
- Principais Ideias de Freud
A principal contribuição de Freud à psicologia foi a Psicanálise, teoria que
revolucionou esta ciência, sua interpretação da aprendizagem a partir desta teoria advém da
busca do conhecimento, dês do principio do desenvolvimento das percepções humanas a
partir da descoberta das diferenças biológicas até atingir o desenvolvimento intelectual.
Sintetizando, Freud defende que a mola propulsora do desenvolvimento intelectual é
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sexual. As primeiras investigações são sempre de ordem sexual, pois a criança precisa
descobrir e definir seu lugar no mundo e a princípio este é um lugar sexual, dado que sua
primeira percepção biológica é de que o mundo é dividido entre homens e mulheres. Com o
inicio da investigação da criança em relação à descobrir o porque de ter determinada forma e
seu “lugar na sociedade”, instigada pelos pais, mantém a criança atenta e predisposta a fazer
perguntas sobre várias situações e acontecimentos, para poder continuar pensando nas coisas
fundamentais. Ali se encontra o prazer pela investigação, o interesse na observação da
natureza, o gosto pela leitura, o prazer em viajar, etc. (KUPFER, 1989 e NODARI, 2009).
Ou seja, para Freud, o professor é um sujeito marcado pelo seu desejo inconsciente e é
esse desejo que o impulsiona para a função de mestre (KUPFER, 1989 e NODARI, 2009).
- Principais Ideias de Piaget
Jean Piaget, o pai da “Epistemologia Genética”, nasceu na Suíça e desde muito cedo
demonstrou interesse pela natureza e pelas ciências. Sua formação acadêmica em biologia
levou-o a pressupor que os processos do conhecimento humano poderiam depender dos
mecanismos de equilíbrio orgânico, sendo que seus estudos epistemológicos demonstravam
que “tanto as ações externas como os processos de pensamento implicam uma organização
lógica” (PEREIRA, K. et al. 2007).
Um dos principais conceitos desenvolvidos por Piaget foi o da adaptação cognitiva por
meio do processo de “assimilação-acomodação” como um modelo do funcionamento e
desenvolvimento cognitivo. Intimamente relacionado aos processos de assimilação e
acomodação, surge um outro construto de Piaget denominado equilibração, que segundo
Flavell; Miller; Miller (1999, p. 281. Citado por PEREIRA, K. et al. 2007) desenvolvia o
papel de um princípio abrangente (“guarda-chuva”), que coordenava e direcionava o
desenvolvimento cognitivo.
- Principais Ideias do Behaviorismo
Suas teorias têm aplicações no ensino e na educação, especialmente no que diz
respeito à aprendizagem. Podemos citar como exemplos de aplicação o método de ensino
programado, o controle e a organização das situações de aprendizagem pelo emprego de
esquemas de reforçamento e a tecnologia de ensino, que atualmente utiliza o computador na
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escola (NODARI 2009).
2.
EAD: DEFINIÇÃO E CONCEITOS
FRANÇA et al (2012) faz uma síntese do histórico do desenvolvimento e a expansão
do método de ensino a distância:
Na história mundial, o fato que marcou formalmente o surgimento da
EAD ocorreu em 1881, quando William R. Harper, fundador e primeiro
reitor da Universidade de Chicago, ofereceu um curso de hebreu por
correspondência (Santana, Gaspar, Costa, Paiva, Rodrigues, & Alves, 2005).
Mas, de acordo com a literatura, em meados de 1728, esse novo método de
ensinar a distância já era realizado por Caleb Philips, que enviava lições aos
seus alunos para serem publicadas na Gazette de Boston, EUA. Nas décadas
seguintes, mais especificamente nos anos 1840, 1880 e 1884, foram
oferecidos na Grã-Bretanha, respectivamente, cursos de taquigrafia por
correspondência, preparatórios para concursos públicos e cursos de
contabilidade, e, em 1991, nos Estados Unidos, curso sobre segurança de
minas. Entretanto, a verdadeira ascensão da EAD ocorreu em meados da
década de 60 do século XX, iniciando pela Europa e passando depois aos
demais continentes, com ações dirigidas à educação secundária e superior.
Atualmente, no cenário mundial, mais de 80 países atendem a milhões de
estudantes por meio da EAD.
Educação a distância, segundo FRANÇA et al (2012), pode ser definida como uma
modalidade educacional que ocorre principalmente com professores e alunos fisicamente
separados todo o tempo ou grande parte do tempo, mas que se comunicam por meio das
tecnologias de informação e de comunicação. Sendo um método de instrução autônomo,
moldado em um modelo industrializado da educação que utiliza textos impressos, eletrônicos
e mecânicos promovendo a comunicação e proporcionando aprendizado aos alunos. No Brasil
o termo EAD é mais utilizado para descrever instruções baseadas em computador, mesmo
com apoio da internet ou tutoria ativa, oficialmente o conceito é definido pelo Decreto n°
5.622 de 19 de dezembro de 2005 (BRASIL, 2005):
Art. 1° Para os fins deste Decreto caracteriza-se a Educação a
Distância como modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização
de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos
diversos.
Tal modalidade utiliza a tecnologia de computadores em rede, primeiramente pela
intranet (rede interna de computadores de uma organização) ou pela internet que se constitui
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na rede mundial de computadores, com troca de informações e armazenamento, muitas vezes,
de forma ilimitada. O uso de ferramentas tecnológicas é realizado de forma inovadora, tal
como a construção colaborativa de conhecimento; pode ser aplicada com ausência de espaço
físico; e tem baixo custo de interação. Essas vantagens são utilizadas por empresas de
diversos portes, podendo alcançar clientela geograficamente dispersas, de maneira fácil e com
custos baixos (POMPÊO, 2010).
A utilização da modalidade vem crescendo de maneira constante no país, segundo o
Anuário Brasileiro Estatístico de Educação a Distância (2008) assinala que no ano da pesquisa
mais de dois milhões e meio de alunos participantes da EAD, este dado agrega treinamentos
corporativos, educação continuada entre outras formas de ensino. A maior taxa de expansão
da modalidade é apontada no número de matrículas no ensino superior, dado o aumento de
autorizações expedidas pelo MEC para instituições de ensino superior, no ano 2000 chegou a
quase cinco mil alunos de graduação, em 2002 ultrapassou-se a marca dos cinco mil
matriculas e em 2006 alcançou duzentos mil graduandos. No ano de 2009 já constava
oitocentos mil estudantes matriculados em cursos superiores oferecidos por Educação a
Distância (idem).
3.
METODOLOGIA
A revisão da literatura tomou por base o método de analise de conteúdo (BARDIN,
2009) que sistematiza a analise de conteúdo, tal como um conjunto de técnicas de análise, por
procedimentos objetivos de descrição do conteúdo das mensagens que permitam a inferência
de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas
mensagens.
Entre as fontes de pesquisa utilizadas estão: bibliotecas virtuais de teses da
Universidade de São Paulo (USP), Unicamp, entre outras; artigos disponíveis em sítios e
revistas eletrônicas na internet que serão analisadas abaixo. Os principais sítios foram os sites
SciELO e Google Acadêmico. Foi realizada a busca pelas associações das seguintes palavraschaves: Psicologia e educação a distancia, estudos da psicologia em EAD, fatores
psicológicos e EAD, estes tendo que ser os atores centrais da discussão dos trabalhos
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analisados.
Trabalho realizado por FRANÇA et al (2012) sistematiza uma busca parecida com o
objeto de estudo do presente artigo, a autora classificou em eixos temáticos os trabalhos
garimpados. A presente pesquisa, além dos pesquisados, utilizou-se dos artigos que
continham no eixo temático “teorias psicológicas aplicadas à EAD” para a análise da
contribuição da psicologia ao sistema educacional a partir da EAD.
4.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na primeira parte desta seção serão explorados os artigos e dissertações encontrados
sobre a aplicação de teorias psicologias ao Ensino a Distância, identificando o grau de
aplicabilidade e os resultados obtidos, tal como discorre FRANÇA (2012).
FRANÇA (2012) discorre sobre o assunto:
O papel da Psicologia no ensino a distância fundamenta-se
principalmente em contribuições encontradas nos modelos de teorias do
desenvolvimento, da aprendizagem, cognitiva, comportamental e sócioconstrutivista... É crescente o interesse dos psicólogos em investigar a
relação entre fatores psicológicos e tecnologia da informação. A interação
homem-computador, o relacionamento pela internet, a interação professoraluno, a computação afetiva e o ambiente virtual, entre outros, são temas
frequentes em estudos da área. Ao revisar a produção científica brasileira em
EAD, Santos, Neto J., Araújo, Oliveira, Barbosa e Zander verificaram que a
Psicologia está tendo maior inserção, com foco na análise do comportamento
das pessoas envolvidas e atuantes em EAD. Entretanto, ainda são escassos os
estudos que analisam a influência da Psicologia na evolução da educação a
distância.
Na segunda parte serão avaliadas as teorias aplicas e as perspectivas de aplicação e
desenvolvimento contínuo da metodologia utilizada para o aperfeiçoamento do sistema de
ensino EAD e a importância da ciência psicológica no ensino a aprendizagem por meio do
modelo aplicado.
4.1.
TEORIAS PSICOLÓGICAS APLICADAS AO EAD
Exposição das teorias psicológicas aplicadas ao Ensino a Distância, a partir dos artigos
e dissertações apresentadas a baixo:
- Educação a distancia: algumas questões. Voltolini, R. 2009.
O primeiro artigo analisado é de VOLTOLINI (2009), aborda a inserção da educação a
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distância no contexto mais amplo, que a torna uma alternativa de destaque para a educação,
em consonância com o sintoma social atual, legível pela fórmula lacaniana do Discurso do
Capitalista, dando ênfase na procura de entender como o apoio imprescindível que a EAD
realiza sobre os objetos tecnológicos, capazes de lhe dar a dignidade que ela alcançou nos dias
atuais, reflete sua consonância com este sintoma social.
O artigo destaca o risco de substituição da figura do professor por um aparelho que
cumpriria sua função e a conseqüente perda de qualidade do processo educativo. Abordando
os tópicos de ciência, tecnologia e objetivos; a EAD e o sintoma social; e o ensino centrado
no aluno no individualismo e cisão do encontro.
Ou seja, VOLTOLINI (2009) constata a imposição tecnológica no meio social
proferidas da condição econômica de lucros capitalistas. A partir desta verticalização
tecnológica o autor constata, utilizando um arcabolço teórico de Freud, Piaget, Rogers e
Skinner, a diminuição dos encontros troca de experiência e transferência da visão social dos
professores, desta forma, ele pondera que o risco maior aqui é de cedermos às pressões de um
mundo que cada vez mais simplifica as coisas para melhor geri-las e o preço, como sabemos,
é o da redução drástica da densidade da experiência.
- Devir vírus. Azambuja, M., & Guareschi, N. M. F. 2007
O presente artigo analisado problematiza como a perspectiva de espaço-tempo,
tensionada pelas Tecnologias da Informação e da Comunicação reverbera na produção da
subjetividade através da prática educativa em EAD.
O artigo se desenvolve com o histórico de pesquisas realizados pelo grupo de estudos
que desenvolveu discussões pertinentes em relação ao EAD e nos tópicos de Educação e
controle da subjetividades programadas; Devir Vírus desprogramando pensamentos. Os
autores utilizam grande bebem da fonte da filosofia e psicologia, citando grandes pensadores
clássicos e contemporâneos, tal como Gilles Deleuze e de Félix Guattari.
No parágrafo abaixo podemos observar a conclusão da discussão realizada no artigo:
No caso da educação, como bem sabemos, educar não é produzir
cópias, mas, antes, educar para uma vida! Devemos ir com calma nesse
instante e lançar outras questões, como: o que é uma educação e o que é uma
vida? Deleuze (1999, p. 106-107) disse que “a vida é o processo da diferença
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[e que] a vida difere de si mesma [...]”. Diante disso, é por onde uma
educação deve se guiar. Para entrar nessa esteira, uma educação não deve
apenas saber distinguir uma coisa de outra e produzir conhecimento a partir
de saberes constituídos em um movimento do pensamento que se dá pela
recognição. Funcionando por um processo de identidades, semelhanças,
analogias ou oposições, a diferença acaba por tornar-se objeto de
representação. Deve ir muito mais além e atirar-se no desafio da diferença
como criação, como divergência, como disjunção. Esse processo de
educação ou, como preferimos dizer, de aprendizagem supõe que nos
coloquemos em aberto para desterritorializações, na ousadia de enfrentar
territórios consagrados, percorrendo espaços lisos, mapeando territórios
impensados.
Tal como descrito o artigo atinge seus objetivos, demonstrando novos paradigmas que
os psicólogos devem enfrentar em relação ao desenvolvimento teórico da aprendizagem no
campo da EAD. Desta forma, lançando a psicologia a “discutir as composições que explodem
territórios, campos já naturalizados, e nos lançam à desterritorialização: as fronteiras
conhecidas diluem-se nas relações de tempo e espaço, nas velocidades e lentidões, no poder
de afetar e de ser afetado, no engendramento ser humano-máquina”.
- O modelo de personalidade de Myers-Briggs na educação a distância. Passarela, L.
2007.
O trabalho de PASSARELA (2007), trata do desenvolvimento de um protótipo de
curso a distância, com o qual se pretende avaliar a melhoria na aprendizagem a partir da
utilização do modelo de personalidade de Myers-Briggs (MBTI). Tal modelo se baseou nos
tipos psicológicos definidos por Carl Gustav Jung no início do século passado, e auxilia na
identificação das características próprias de cada aluno. A definição do perfil do aluno
permite a construção de um curso mais adequado a ele. O trabalho se concretizou com a
aplicação do protótipo em alunos da Universidade de Brasília, descrevendo adaptações
propostas para cada tipo de aluno.
O trabalho concluiu que a partir dos resultados obtidos não foi possível validar a
hipótese de que a identificação do tipo de personalidade de cada aluno, resultaria em uma
melhoria da aprendizagem.
Destacando que esta pesquisa foi desenvolvida no departamento de computação, e sem
o devido acompanhamento de um doutor psicólogo, foi utilizado somente o modelo proposto
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por Myers-Briggs de forma exata, entretanto o pesquisador observou que existe “a
necessidade que a Educação a Distância possua novos estudos e projetos relacionados com a
melhoria da qualidade dos cursos desenvolvidos. Pode nunca ser possível determinar qual a
melhor forma de curso a distância, como não há uma única teoria que possa ser considerada a
melhor forma de ensino presencial. Mas é preciso fazer com que todas as pedagogias já
construídas para o ensino presencial assumam seu lugar e tenham forma dentro do ensino a
distância. Esse é um processo que ocorrerá de forma rápida e revolucionará toda a educação
dentro de poucos anos.” Desta forma, agregando modelos técnicos para o desenvolvimento
desta vertente da ciência pedagoga.
- Uma visão articulada das teorias de Piaget e Vygotsky e suas implicações na educação
a distância.Pereira, K. et al. 2007.
O artigo em questão objetiva discutir uma articulação de idéias entre as teorias de
Piaget e Vygotsky que possam apoiar o desenvolvimento de ambientes virtuais de ensino mais
eficazes. Tendo como condição inerente a distância entre aluno e professor, e aluno e aluno,
imposta pelo meio virtual, esta proposta de abordagem pode trazer benefícios das questões
levantadas pelos dois pensadores e promover resultados mais profícuos nas novas Tecnologias
Educacionais.
Para alcançar seus objetivos o artigo discorreu com uma boa revisão bibliográfica
sobre as teorias dos dois cientistas analisados; discutiu sobre as divergências e/ou
convergências de compatibilidade e articulação entre as teorias abordadas; e discutiu a
definição e levantou alguns paradigmas da Educação à Distancia.
O artigo desmentiu a visão de alguns cientistas de que as duas teorias são antagônicas,
segundo os autores “a visão reducionista a um antagonismo entre eles é, no mínimo, devido a
uma interpretação artificial e equivocada de suas teorias, não levando em consideração as
perguntas de pesquisa que esses dois grandes pensadores da psicologia e da educação estavam
procurando responder.”.
Em relação a EAD o artigo levanta uma nova questão que é sociabilidade que é a
dificuldade de interação promovida pela distância entre os personagens do processo. Segundo
o artigo essa problemática não foi solucionada no ambiente presencial de educação, pelo
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menos em sua totalidade, e é agravada no âmbito da Educação a Distância.
Concluindo o trabalho os autores destacam que os conceitos de equilibração por meio da
assimilação e acomodação de Piaget e o conceito de zona de desenvolvimento proximal de
Vygotsky continuam aplicáveis. E que a teoria construtivista de Piaget poderia ganhar mais
destaque nos estudos relacionados a EAD com a diminuição dos encontros presenciais e que,
segundo a abordagem sócio-interacionista de Vygostsky, os encontros presenciais, mesmo
que reduzidos, devem continuar para fortalecer a interatividade constante no ambiente de
aprendizagem.
- A dimensão psicossocial da educação a distância. Sá, Z. E. 2007.
O presente trabalho, segundo os autores, “emprega teorias do Psicodrama,
predominantemente, propõe reflexões sobre a natureza psicossocial presente na Educação e as
implicações decorrentes nas características da EaD: separação professor-aluno; aprendizagem
flexível e independente e comunicação bidirecional e massiva, postuladas por GARCIA
ARETIO (1996) e destaca algumas dificuldades e possíveis melhorias.”
Os autores chegam a estas conclusões a partir de discorrer em alguns assuntos
pertinentes em todos trabalhos relacionados a EAD, tal como: definição de EAD; da
separação de professor e aluno; da aprendizagem independente e flexível; e seu último tópico
que relaciona o arcabouço bibliográfico pesquisado com a metodologia proposta de Garcia
Aretio, sobre a comunicação bidirecional e massiva. Este último implicando na principal
contribuição epistemológica do conhecimento produzido em relação a EAD, analisando que
“Comunicação sempre implica duas vias. Talvez o conceito deva ser substituído por
Comunicação Multidirecional ou Comunicação em Rede uma vez que a EaD requer múltiplos
acessos a uma rede global de informações simultaneamente. EaD é aprendizagem em
tecnologia da informação, fundamental para o desenvolvimento humano na sociedade
tecnológica, uma vez que ambas aproximam as comunidades aos centros de informações e do
conhecimento”.
O artigo, também, contribui com sugestões de melhorias na gestão e implementação de
plataformas e cursos na categoria a estudada: 1) Aperfeiçoamento contínuo dos professores e
tutores em Psicologia aplicada à Educação e Teorias Psicológicas do Desenvolvimento;
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2)Programas de TIC, banco de dados que integrem as informações, desde a prospecção de
alunos até a avaliação do rendimento e de processos da EaD, disponível aos professores e
tutores para elaboração dos planos de ensino e de aula e orientação aos alunos; 3) Discussão
continuada sobre Interatividade em EaD; 4) Aperfeiçoamento contínuo em comunicação e
diálogo didático mediado.
- O uso do construtivismo e da afetividade nas metodologias de ensino a distância.
Machado, F., & Miranda L. 2006.
O trabalho analisado objetiva avaliar de quais formas as metodologias pedagógicas de
Ensino à Distância com base em software estão considerando o uso do construtivismo e o
aspecto da afetividade como fator integrante no processo de aprendizagem.
Explorando as ferramentas e metodologias aplicadas a trabalhos de campo os autores
identificaram que é possível perceber que o uso do construtivismo e da afetividade nas
metodologias são temas bastante explorados no meio acadêmico que trabalha com pesquisas
de Ensino à Distância. O processo de aprendizagem é um assunto que vem despertando
grande interesse aos pesquisadores da área de computação que buscam desenvolver softwares
inteligentes com base em teorias pedagógicas como a de Piaget e Vygotsky.
E que as áreas da Inteligência Artificial e Computação Afetiva vêm procurando cada
vez mais aperfeiçoar o reconhecimento e simulação de emoções humanas para melhorar a
interface entre o homem e a máquina. Com isso, está sendo possível desenvolver sistemas
tutoriais mais inteligentes que “percebem” as emoções dos estudantes e realizam intervenções
oportunistas para que o aprendiz seja apoiado na construção do seu conhecimento.
- O processo de aprendizagem em uma perspectiva sócio-interacionista: Ensinar é
necessário, avaliar é possível. Oliveira, E., Capelo, C., Rego, M., & Villardi, R. 2004.
O último arquivo analisado teve o enfoque de proceder ao exame da criação de uma
abordagem sócio-interacionista para a internacionalização da aprendizagem, em um processo
intrapessoal como elemento chave na construção do conhecimento. Para tal objetivo foi
abordado no trabalho o levantamento bibliográfico de desenvolvimento de habilidades
cognitivas e de capital cultural, ligadas a um material polifônico, a ambientes virtuais e à
tutoria, para uma possível e promissora avaliação no espaço relacional e dialógico.
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O presente trabalho recorreu a materiais produzidos por Beltran, Pierre Lèvy e
Vygotsky, entre outros. Desta forma, conclui-se que os estudos das estratégias de
aprendizagem podem proporcionar um sólido referencial a este difícil – porém necessário –
procedimento de avaliação em EAD. Elas são seqüências de ação voltadas para a consecução
de metas de aprendizagem e representam operações cognitivas complexas, que são aplicadas
aos procedimentos específicos da tarefa. São representadas mentalmente e utilizadas não
apenas para as grandes “decisões cognitivas”, mas também para os processos rotineiros de
aprendizagem. Inicialmente utilizadas de forma consciente, as estratégias de aprendizagem
são progressivamente automatizadas e inseridas nas operações cognitivas do indivíduo. São,
portanto, tão significativas e tão constantes, possíveis e necessárias no processo ensino –
aprendizagem, como a própria avaliação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos concluir ao analisar as contribuições que a psicologia e todo seu arcabouço
teórico e metodológico auxiliam para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da Educação a
Distância, este por meio de revisão bibliográfica de artigos publicados por teóricos psicólogos
abordando a EAD, assim demonstrando que a psicologia pode ajudar na elaboração de todo o
material didático, desde o plano de curso até a definição da estrutura do sistema virtual de
aprendizagem, além de auxiliar o tutor a ser mais eficaz, mais assertivo, a partir da
compreensão das teorias de grupos e indivíduos nas plataformas de aprendizagem. Estas
foram as principais ancoras que levaram a presente pesquisa ao seu desenvolvimento. A partir
destes o desenvolvimento da mesma se deu por meio de revisão bibliográfica e levantamento
da produção cientifica relacionando a psicologia com os modelos de ensino EaD.
Com levantamentos em plataformas acadêmicas o presente estudo conseguiu
identificar a produção acadêmica relevante para a compreensão da importância dos
conhecimentos de teorias psicológicas para a criação e aplicação do ensino. Demonstrou,
também, que o papel da Psicologia junto à EAD encontra relevância não apenas nas
contribuições teóricas psicológicas acerca da interação professor-aluno, alunos-colegas e
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questões afetivas, mas também na adequação das ferramentas tecnológicas às subjetividades
de cada aluno.
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AS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO