Universidade do Sul de Santa Catarina
Psicologia da Educação I
Disciplina na modalidade a distância
Palhoça
UnisulVirtual
2007
psicologia_da_educacao.indb 1
26/4/2007 15:01:18
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Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina
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psicologia_da_educacao.indb 2
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Produção Industrial e
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Equipe Didáticopedagógica
Capacitação e Apoio
Pedagógico à Tutoria
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(Coordenadora)
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Enzo de Oliveira Moreira
Patrícia Meneghel
Vanessa Francine Corrêa
Design Instrucional
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(Coordenadora)
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Carolina Hoeller da Silva Boeing
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Karla Leonora Dahse Nunes
Leandro Kingeski Pacheco
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Viviane Bastos
Viviani Poyer
Núcleo de Avaliação da
Aprendizagem
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Cristina Klipp de Oliveira
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Pesquisa e Desenvolvimento
Dênia Falcão de Bittencourt
(Coordenadora)
Núcleo de Acessibilidade
Vanessa de Andrade Manoel
Secretária Executiva
Viviane Schalata Martins
Tecnologia
Osmar de Oliveira Braz Júnior
(Coordenador)
Ricardo Alexandre Bianchini
Rodrigo de Barcelos Martins
26/4/2007 15:01:58
Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Psicologia da
Educação I.
O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma,
abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma
linguagem que facilite seu estudo a distância.
Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho.
Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também
será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da
UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade.
Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua
aprendizagem é nosso principal objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual
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26/4/2007 15:02:00
Maria da Glória Silva e Silva
Psicologia da Educação I
Livro didático
Design instrucional
Viviani Poyer
Palhoça
UnisulVirtual
2007
psicologia_da_educacao.indb 5
26/4/2007 15:02:00
Copyright © UnisulVirtual 2007
N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.
Edição --Livro Didático
ProfessorConteudista
Maria da Glória Silva e Silva
Design Instrucional
Viviani Poyer
ISBN 978-85-60694-55-6
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagram ação
Vilson MartinsFilho
Revisão Ortográfica
B2B
370.15
S58
Silva, Maria da Glória Silva e
Psicologia da educação I : livro didático / Maria da Glória Silva e Silva ;
design instrucional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2007.
124 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-60694-55-6
1. Psicologia educacional. I. Poyer, Viviani. II. Título.
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 – Um pouco de história da Psicologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
UNIDADE 2 – Primeiras interfaces entre Psicologia e Educação: o
escolanovismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
UNIDADE 3 – A Psicologia Cognitivista e a aprendizagem . . . . . . . . . . . . 55
UNIDADE 4 – Concepções de desenvolvimento e práticas
pedagógicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
UNIDADE 5 – A Psicologia da Educação na realidade brasileira . . . . . . . 97
Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
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Palavras do professor ou professora
Caro aluno,
Seja bem-vindo à disciplina de Psicologia da Educação I!
Existem diferentes modos de entender o
desenvolvimento e a aprendizagem de crianças, jovens
e adultos na escola. Cada teoria psicológica eleita como
referência para tratar destas questões traz em seu bojo
uma série de implicações para o entendimento das
relações estabelecidas entre o professor e os alunos e
dos alunos entre si na realidade escolar.
Para compreender melhor tudo isso, é necessário
conhecer como as teorias da Psicologia vêm abordando
este assunto ao longo da história desta ciência. Os
conteúdos estudados na disciplina Psicologia da
Educação I são fundamentais para que você possa
analisar o processo de ensino-aprendizagem a partir de
diferentes pontos de vista.
Ingresse no conteúdo da Psicologia da Educação I e bons
estudos!
Profa. Maria da Glória Silva e Silva
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Plano de estudo
O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento
da Disciplina. Nele, você encontrará elementos que
esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas
de organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na Unisul Virtual
leva em conta instrumentos que se articulam e se
complementam. Assim, a construção de competências
se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das
diversas formas de ação/mediação.
São elementos desse processo:
„
o livro didático;
„
o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem EVA;
„
as atividades de avaliação (complementares, a
distância e presenciais).
Ementa
Matrizes epistemológicas da Psicologia. As concepções
de desenvolvimento, inatismo, comportamentalismo
e cognitivismo, e suas implicações para a educação.
Inserção histórica da Psicologia da Educação no Brasil.
Projeto de prática de ensino.
Objetivos
„
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identificar as matrizes epistemológicas da
Psicologia e suas implicações para a compreensão
do desenvolvimento e da aprendizagem na
escola;
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Universidade do Sul de Santa Catarina
„
descrever as características das concepções
de desenvolvimento e aprendizagem inatista,
comportamentalista e cognitivista, relacionando-as com
diferentes práticas pedagógicas;
„
compreender o processo de inserção da Psicologia da
Educação na realidade brasileira;
„
fundamentar projetos de prática de ensino com
conhecimentos da Psicologia.
Carga horária
A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula.
Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação.
Unidade 1 - Um pouco de história da Psicologia
Nesta unidade, você conhecerá algumas teorias da Psicologia,
também chamadas de escolas. Você observará que estas teorias
fazem parte da história desta ciência e apresentam implicações
umas para as outras, sendo que algumas delas trazem conceitos
significativos até hoje para a prática pedagógica. Estas teorias são:
o Estruturalismo, o Funcionalismo, o Behaviorismo, a Psicologia
da Gestalt, a Psicanálise e o Humanismo.
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Nome da disciplina
Unidade 2 -Primeiras interfaces entre Psicologia
e Educação: o escolanovismo
Esta unidade trata do escolanovismo, movimento que procurou
renovar a educação tradicional colocando o aluno numa posição
ativa no processo de ensino e aprendizagem. Você conhecerá
a Escola Nova por meio do estudo do pensamento de dois
pesquisadores de grande relevância: John Dewey e Edouard
Claparède.
Unidade 3 - A Psicologia Cognitivista e a aprendizagem
Na Unidade 3, você conhecerá as características dos processos
mentais e o modo como o cognitivismo os estuda. Aprenderá
sobre duas teorias da aprendizagem consideradas cognitivistas: a
teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel e a teoria
cognitivista de Jerome Bruner.
Unidade 4 - Concepções de desenvolvimento e práticas pedagógicas
Esta unidade trata de concepções de desenvolvimento e de
aprendizagem relacionadas às teorias estudadas até este momento.
Você conhecerá as concepções inatista, comportamentalista
e cognitivista do desenvolvimento e da aprendizagem e suas
implicações para a prática pedagógica.
Unidade 5 - A Psicologia da Educação na realidade brasileira
Nesta unidade, serão estudados alguns marcos importantes
da história da Psicologia da Educação no Brasil. Você terá a
oportunidade de caracterizar diferentes formas de entender
o fracasso escolar das crianças pobres a partir de reflexões
produzidas pela Psicologia no Brasil e de conhecer campos de
atuação da Psicologia na aprendizagem escolar.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Agenda de atividades/ Cronograma
„
Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar
periodicamente o espaço da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura; da
realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação
com os seus colegas e tutor.
„
Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço
a seguir as datas, com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.
„
Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas
ao desenvolvimento da disciplina.
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Atividades obrigatórias
Demais atividades (registro pessoal)
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UNIDADE 1
Um pouco de história da
Psicologia
1
Objetivos de aprendizagem
„
Definir os principais conceitos elaborados por algumas
escolas psicológicas que fundaram a Psicologia como
ciência.
„
Identificar implicações de alguns dos conceitos
psicológicos estudados para o pensamento educacional.
Seções de estudo
Seção 1 A “era das escolas da Psicologia”
Seção 2 Psicologia da Forma ou Gestalt
Seção 3 O Behaviorismo
Seção 4 A Psicanálise e o Humanismo
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de conversa
Para que você dê início ao seu percurso nesta disciplina, necessita
conhecer um pouco da história do estudo dos processos de
desenvolvimento e de aprendizagem pela Psicologia. Estudar
a história de uma disciplina é importante, porque os conceitos
que a constituem não nascem “do nada”. Toda idéia tem uma
origem. O conhecimento dessa origem pode ser um importante
subsídio para a compreensão dos caminhos pelos quais
seguiram as pesquisas sobre o processo de desenvolvimento e de
aprendizagem de crianças, adolescentes e adultos.
Como o objetivo principal é compreender de que forma as teorias
psicológicas geraram implicações para o que acontece dentro da
escola, não abordaremos todas as teorias existentes, mas apenas
as que apresentam influências relevantes para o pensamento
pedagógico sobre a aprendizagem e o desenvolvimento.
Você terá contato com muitos nomes, fatos e conceitos que,
possivelmente, lhe serão novos. Você se sente preparado para esta
jornada? Respire fundo, concentre-se e dê o próximo passo para
este novo desafio!
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Psicologia da Educação I
SEÇÃO 1 – A “era das escolas da Psicologia”
A subjetividade e o comportamento são objeto de produção de
conhecimento pelo ser humano desde a antiguidade. A Filosofia
clássica já se preocupava com temas psicológicos como a origem
da alma e o modo como os sujeitos se relacionam com o mundo.
Ainda assim, foi apenas a partir do final do século XIX que
estas questões tornaram-se objeto de estudo de uma disciplina
científica independente: a Psicologia.
A palavra Psicologia deriva
das palavras latinas psique
(alma) e logos (razão ou
conhecimento).
Ao final do século XIX e durante as primeiras décadas do
século XX, a Psicologia passou a ter o status de ciência.
Procurou-se, assim, desenvolver propostas metodológicas para
verificar se as teorias sobre o funcionamento da mente e o
comportamento dos seres humanos, existentes já na Filosofia
antiga, correspondiam à realidade.
Nesta época, cinco principais pontos de vista
tornaram-se foco do trabalho dos pesquisadores em
Psicologia: o do Estruturalismo, o do Funcionalismo,
o do Behaviorismo, o da Psicologia da Gestalt
e o da Psicanálise. Este período é denominado
pelos historiadores de “era das grandes escolas da
Psicologia”. Os partidários de cada um desses cinco
pontos de vista aglutinavam-se em grupos coesos que
produziam pesquisa e digladiavam entre si.
Já em meados do século XX, muitas dessas escolas
foram perdendo a força, mantendo-se ativos até hoje
apenas o Behaviorismo e a Psicanálise. A partir da
segunda metade daquele século, o Humanismo de
Carl Rogers fez-se tão forte e com tantos adeptos
que poderia também ser visto como uma escola
da Psicologia. Surgiu ainda neste período o
Cognitivismo, com o estudo do processamento das
informações pela mente humana.
Nesta unidade, conheceremos um pouco do
que foi produzido pelos defensores de cada uma
dessas linhas de estudo, a fim de identificar, na história
das pesquisas sobre a aprendizagem e o desenvolvimento humano
pela Psicologia, elementos que influenciam o pensamento
pedagógico até a atualidade.
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Nesta seção, iniciaremos pelo Estruturalismo e pelo
Funcionalismo.
Estruturalismo
O Estruturalismo de Wilhelm Wundt (1832–1920) e
de Edward Bradford Titchener (1867-1927) não teve
implicações pedagógicas e extinguiu-se com a morte destes
pesquisadores, de modo que dedicaremos apenas poucas
palavras a esta escola da Psicologia, para que você possa
compreender a relação desta com as demais.
É interessante que você saiba que Wilhelm Wundt fundou o
primeiro laboratório de estudos experimentais em Psicologia, o
que o faz fundador desta ciência.
A introspecção deveria ser realizada
por observadores altamente
treinados. Estes se concentrariam
em analisar as suas próprias
experiências vividas no contato
com os estímulos do ambiente,
procurando descrever o mais
precisamente possível as sensações
experienciadas e analisar as relações
existentes entre elas.
O objetivo do Estruturalismo era descobrir tudo
sobre a estrutura e o conteúdo da mente humana.
Seus partidários sustentavam que cada totalidade
psicológica compõe-se de elementos (sensações,
imagens e sentimentos) que se encontram
justapostos, associados entre si.
A tarefa do pesquisador seria descobrir como são estes elementos
e como estes conteúdos mentais se combinam. O método eleito
para este estudo era a introspecção. Buscando especificar
bem as características de cada um dos processos psicológicos
básicos, especialmente os de atenção, percepção e memória, os
estruturalistas fundaram os primeiros laboratórios de Psicologia
na Europa, migrando, posteriormente, para os Estados Unidos.
Funcionalismo
O Funcionalismo desenvolveu-se nos Estados Unidos.
Os funcionalistas preocupavam-se em entender o “porquê”
da experiência e do comportamento. Em lugar de fazer isso
buscando os elementos componentes da mente, como faziam
os estruturalistas, buscavam examinar as atividades da mente,
procurando compreender como ela realiza as funções de
adaptação à realidade.
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psicologia_da_educacao.indb 20
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Psicologia da Educação I
O funcionalismo preocupa-se com a utilidade
prática das idéias e dos comportamentos para a
sobrevivência do organismo no meio ambiente. Essa
busca de utilidade confere aos funcionalistas um
modo pragmatista de ver o mundo, pois, para eles, só
tem valor estudar os processos mentais que têm um
sentido prático.
William James, médico, filósofo e psicólogo, professor da
Universidade de Harvard, pode ser considerado o fundador
do Funcionalismo em Psicologia. Observamos o seu forte
pragmatismo quanto este afirma que as idéias só tem sentido se
tiverem efeitos ou conseqüências. Para James, idéias
que não têm nenhuma implicação prática não têm
por que existir.
Outra idéia que identificamos no pensamento de
Willian James é a de que a evolução biológica fez
com que o ser humano desenvolvesse a capacidade
de reflexão, que permite que este se adapte ao
ambiente em que está inserido. O pensamento
permite que possamos reagir aos estímulos do meio
de modo indireto, mediado pela inteligência, e
não apenas por meio de respostas imediatas, como
ocorre com os animais.
Assim, James valoriza muito a capacidade que
o homem tem de desenvolver o auto-controle
por meio da vontade, constituindo a sua própria
consciência pela seleção de bons hábitos. A noção
de hábito como constituinte da personalidade é expoente no
pensamento de James. Para ele, a personalidade é constituída de
inclinações orgânicas e do hábito. A atividade repetida muitas
vezes produz uma trilha no cérebro. Esta seria a base fisiológica
do hábito. Segundo sua visão, o principal objetivo da educação
seria contribuir para a criação de bons hábitos. Desta forma,
James defendia a aprendizagem por repetição ou memorização.
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Atualmente, acredita-se que os conteúdos aprendidos
desta forma são apenas decorados, mas não são
aprendidos de modo significativo.
Na unidade 2, você conhecerá o trabalho de dois importantes
teóricos funcionalistas que desenvolveram idéias sobre como
ocorre a aprendizagem e qual é o papel da educação para o
desenvolvimento humano: John Dewey (1859-1952) e Edouard
Claparède. Você verá como o funcionalismo se desenvolveu
inclusive no Brasil, dando fundamento científico ao ideário
educacional escolanovista.
SEÇÃO 2 – Psicologia da Forma ou Gestalt
A escola gestaltista da Psicologia deu grande relevo ao
estudo sistemático do processo psicológico da percepção e
procurou esclarecer o papel deste processo na organização da
aprendizagem. Foi uma reação à visão associacionista, presente
no Estruturalismo e, de outro modo, no Funcionalismo e no
Behaviorismo, que você conhecerá na próxima seção.
As teorias associacionistas vêem os fenômenos
psicológicos como resultantes da soma de pequenas
sensações, reações, percepções, enfim, de um
somatório de partes que se combinam de maneira
mecânica.
Para os psicólogos da Gestalt, não se pode analisar os fenômenos
mentais e comportamentais em elementos pré-determinados
arbitrariamente, pois o todo psicológico é mais do que a soma
de suas partes. Assim, os fenômenos psicológicos merecem ser
compreendidos em sua totalidade.
O conceito de Gestalt, forma ou estrutura foi expresso
como um conjunto de coisas que se prendem, se apóiam
e se determinam reciprocamente.[...] Gestalt significa
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Psicologia da Educação I
um padrão ou todo organizado, ao invés de uma soma
de partes. A maneira de ser de cada parte depende da
estrutura do conjunto e das leis que o regem (CAMPOS,
1997, p. 32).
A Psicologia da Gestalt é representada historicamente pelos
pesquisadores Wertheimer, Kohler e Koff ka. Wertheimer
pesquisou os processos de percepção visual. Ele defendeu a idéia
de que o todo é mais do que a soma das partes nos fenômenos
psicológicos demonstrando-a por meio de experimentos, como o
apresentado a seguir. Veja a figura:
Figura 1.1 – Triângulo
Observando esta figura, uma pessoa pode interpretá-la como
um triângulo. No entanto, não há nada em cada um dos pontos
que remeta a tal figura geométrica. É a relação entre os pontos,
estabelecida pelo observador, que leva a esta percepção total.
Wolfgang Kohler (1887-1967) concentrou-se no estudo do
desenvolvimento da inteligência e da aprendizagem. Estudou
chimpanzés em situações de resolução de problemas práticos e,
dos resultados obtidos com estes animais, derivou idéias sobre a
aprendizagem humana.
Para Kohler, não é o treino ou o hábito, como proposto pelo
Funcionalismo de William James, nem o condicionamento, como
proposto pelo Behaviorismo, que explica a aprendizagem, mas
sim o fenômeno do insight.
Unidade 1
psicologia_da_educacao.indb 23
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 1.2 - Foto de experimento de Kohler com macacos
Fonte: http://www.ufrgs.br/faced/slomp/edu01135/chimpanze3.jpg
O insight é o momento em que o campo perceptivo se reorganiza
frente a um conhecimento novo. Neste fenômeno, o animal
compreende as relações entre as partes da situação-problema
que lhe é apresentada, ao dar-se conta do todo, e age em
conformidade com as relações percebidas.
Num de seus experimentos, Kohler colocava do lado de fora
da gaiola de um macaco um pedaço de uma vara que podia
ser encaixado a outro pedaço, colocado dentro da jaula. Era
colocado ainda um cacho de bananas a uma altura inacessível
para o macaco, além de um caixote. A tarefa do macaco era
pegar o cacho de bananas e, para isso, ele precisaria estabelecer
as relações certas entre os objetos disponíveis, dando-se conta da
solução a partir destas conexões.
Kohler percebeu que todos os elementos envolvidos na solução
do problema necessitavam estar dentro do campo de visão do
macaco para que ele percebesse as relações possíveis, reunindo os
objetos do modo adequado para alcançar suas bananas.
Deriva-se deste experimento que a forma de apresentação dos
estímulos num campo tem grande influência na organização
subseqüente.
Será que esta idéia se relaciona com a forma de
apresentação dos materiais didáticos ao aluno?
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psicologia_da_educacao.indb 24
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Psicologia da Educação I
Nos seres humanos, o insight provoca a sensação agradável da
descoberta repentina da solução de um problema: Eureka!
Veja as figuras a seguir. Cada uma destas figuras pode ser
percebida de mais de um modo. Mais do que os traços das
próprias figuras, o que determina a interpretação que será dada a
elas é o olhar do observador.
Figura 1.3 – Idosa e jovem
Fonte: http://www.ufrgs.br/faced/slomp/edu01135/idosa-jovem2.gif
Figura 1.4 - Perfis e taça
Fonte: http://www.ufrgs.br/faced/slomp/edu01135/perfis-taca1.gif
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 1.5 – Pato e coelho
Fonte: http://www.ufrgs.br/faced/slomp/edu01135/patocoelho1.gif
Você conseguiu ver mais de uma possibilidade
de interpretação para cada uma das figuras
apresentadas? Como você se sentiu ao descobrir a
segunda possibilidade, que você não viu logo no
primeiro olhar? Esta é a sensação do insight.
A Psicologia da Gestalt defende o isomorfismo entre os
fenômenos psíquicos e os processos cerebrais a eles subjacentes.
Isso significa que o funcionamento psicológico apresenta
propriedades semelhantes às do funcionamento cerebral.
Qualquer estado de consciência tem propriedades
estruturais semelhantes no córtex. Se vemos um
quadrado, haveria uma parte topologicamente
igual formada de quatro lados no córtex visual
(ENGELMANN, 1978, p.17).
Para os gestaltistas, os estímulos não atingem o córtex cerebral
de modo isolado. Pelo contrário, o cérebro os organiza em formas
que os inter-relacionam, sendo que a forma a ser percebida
depende das características do cérebro em questão.
Para a Psicologia da Gestalt, o olhar do observador é mais
importante do que as características do estímulo. Assim,
quando falamos em percepção ou compreensão de uma situação
problema, haveria uma propensão do sujeito para perceber as
figuras ou situações desta ou daquela forma. É por isso que
a Psicologia da Gestalt é apontada como apriorística, ou
inatista, na medida em que características inatas do cérebro
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Psicologia da Educação I
determinariam as diferenças individuais de percepção, de
aprendizagem e de resolução de problemas.
Você estudará mais sobre as implicações da concepção inatista da
aprendizagem para a educação na unidade 4.
Neste momento, cabe ressaltar que esta visão inatista
da aprendizagem sustentada pela Psicologia da
Gestalt enfrentou fortes oposições representadas
pelas teorias ambientalistas e pelas teorias
interacionistas.
As teorias interacionistas, como a de Jean Piaget, por exemplo,
sustentaram que o importante para que se aprenda nunca é
somente o que é inato, quer dizer, o que nasce com o indivíduo.
Também nunca é somente o que se encontra no ambiente, o que
vem de fora, mas a interação de aspectos inatos e ambientais.
Voltaremos a este assunto mais tarde.
O Behaviorismo, por sua vez, não valoriza aspectos inatos do
ser humano como importantes para que ocorra a aprendizagem,
e sim os comportamentos adquiridos a partir da estimulação
externa, isto é, a partir dos estímulos encontrados no ambiente.
Você estudará o Behaviorismo na próxima seção.
SEÇÃO 3 - O Behaviorismo
O Behaviorismo é considerado uma teoria ambientalista. Os
behavioristas procuram estudar os aspectos objetivos, observáveis
e mensuráveis da atividade psicológica, deixando de lado aspectos
subjetivos, considerados não mensuráveis. Por isso, seus
partidários deixaram de lado o estudo da mente e voltaramse para o estudo do comportamento.
O estudo do comportamento animal é parte importante
do behaviorismo. O comportamento dos animais não
pode ser pesquisado por introspecção, já que os animais,
naturalmente, não podem narrar o que estão sentindo se
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
questionados sobre isso. Para conhecer a psicologia animal, o
método da observação, defendido pelos behavioristas, acaba
sendo o caminho possível. Este método foi também usado por
estes pesquisadores para o estudo dos seres humanos.
Reflexo é o nome dado a
comportamentos que disparam
quando o indivíduo se encontra em
determinadas situações. No bebê,
por exemplo, o desconforto dispara
o choro. Nos animais em geral, a
presença do alimento dispara a
salivação.
Para conhecer esta escola da Psicologia, é interessante evidenciar
que desde 1860 pesquisadores russos chamados de reflexologistas,
como I. M. Sechenov (1829-1905), Ivan P. Pavlov (1849-1936) e
Vladimir Bechterev (1857-1927), já sustentavam que o caminho
adequado para estudar a aprendizagem era a investigação
fisiológica dos reflexos. Destes pesquisadores, o que ficou mais
conhecido foi Ivan Pavlov.
Você já ouviu falar de Pavlov?
Estudando secreções digestivas em seu laboratório, Pavlov
observou eventos interessantes que ocorriam com a salivação dos
cães utilizados em seus experimentos e, a partir disso, passou a
pesquisar o que chamou de reflexos condicionados.
Em seu experimento mais famoso, demonstrou que um estímulo
inicialmente neutro, como o som de uma campainha, que não
está associado à salivação dos cães, poderia passar a produzir
esta resposta se a campainha fosse tocada juntamente com a
apresentação do alimento por repetidas vezes.
O processo de associação da campainha (estímulo
- S) à salivação (resposta - R) foi denominado
condicionamento.
John B. Watson (1878-1958) foi o principal divulgador do
Behaviorismo. Ele entendia que, se a observação objetiva era um
método adequado para conhecer o comportamento animal, por
que não utilizá-la com seres humanos?
Para Watson, o processo de condicionamento, isto é, a associação
de um estímulo inicialmente neutro a uma resposta, por meio
do treinamento ou repetição, era a chave para a compreensão do
comportamento. A afirmação a seguir é famosa, e foi feita por
este pesquisador num de seus livros – “O Behaviorismo” (1925):
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Psicologia da Educação I
Dêem-me uma dúzia de crianças sadias e bem formadas
e o mundo por mim especificado dentro do qual criá-las,
e garanto que tomarei uma delas ao acaso e treina-la-ei
para que se torne um especialista em qualquer tipo que
eu escolha – médico, advogado, dentista, comerciante,
bem como mendigo ou ladrão, - quaisquer que sejam
seus talentos, tendências, capacidade ou vocação. (apud
WERTHEIMER, 1989, p.154).
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) foi o pesquisador
behaviorista mais conhecido. Suas idéias, originadas no
Behaviorismo clássico de Watson e nas pesquisas sobre
condicionamento de Pavlov, aprimoraram o estudo do
comportamento pelo Behaviorismo, e estão vivas até hoje.
Skinner ultrapassou o condicionamento clássico,
desenvolvendo o que chamou de condicionamento
operante. O condicionamento clássico, como
você pôde verificar estudando as idéias de Pavlov
e de Watson, diz respeito à reprodução de
respostas naturais, como salivação ou medo, em
situações que antes não produziam estas reações.
A associação é feita diretamente entre estímulos
e respostas, e nenhuma outra variável é incluída.
No condicionamento operante, o comportamento
do sujeito é modelado por suas conseqüências, que
se constituem numa terceira variável, além do estímulo e da
resposta. Você compreenderá melhor isso se entender o conceito
de reforço.
Figura 1.6 - Burrhus
Frederic Skinner
Fonte: www.psychology.
uiowa.edu
Reforço é tudo aquilo que aumenta a probabilidade
de uma resposta associada anteriormente a um
estímulo acontecer novamente. É a conseqüência
dos comportamentos, como as recompensas, por
exemplo, que costuma fazer com que eles se repitam.
Quando desejamos que um organismo tenha um comportamento
que não lhe é peculiar, começamos por reforçar o desempenho
que se aproxime do esperado, premiando-o. Posteriormente,
premiam-se somente respostas mais específicas e relacionadas
ao objetivo, deixando de lado as respostas próximas, porém não
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
exatas. A premiação tende a funcionar muito bem. Prêmios são
denominados, na teoria, de reforços positivos.
Comportamentos indesejáveis tendem a extinguir-se quando não
são premiados ou quando a conseqüência deles se apresenta como
um estímulo aversivo, isto é, um castigo ou punição.
No condicionamento operante de Skinner, é possível
também reforçar um comportamento pela retirada
de um estímulo aversivo da situação em questão.
A retirada de estímulos aversivos é chamada de
reforço negativo. Esta retirada também aumenta a
probabilidade de a resposta desejada ocorrer.
Figura 1.7 – Caixa de Skinner
Fonte: http://www.str.com.br
Para chegar a estes conceitos, Skinner utilizou-se de
experimentos que ficaram famosos realizados com
ratos de laboratório num equipamento que ganhou o
nome de Caixa de Skinner. Cada rato era colocado
sozinho no interior da caixa, a qual era equipada com um
bebedouro acionável pelo experimentador ou pelo próprio rato,
na medida em que pressionasse numa pequena barra existente no
interior do equipamento.
Como ensinar o rato a pressionar a barra?
A estratégia era deixá-lo privado de água, isto é, com sede,
antes da realização do experimento. Em seguida, buscavase treinar o rato para pressionar a barra. A água lhe era
oferecida cada vez que este realizava comportamentos que
se aproximavam da pressão à barra. Mais adiante, a água
era oferecida ao rato somente se ele pressionasse a barra de
fato. Observando as conseqüências de seus comportamentos
anteriores, o rato passava a pressionar a barra com mais
freqüência do que antes.
Este tipo de método, chamado de reforçamento, é muito usado
com os alunos na educação.
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Psicologia da Educação I
Aliás, dentre os behavioristas, o trabalho de Skinner é
o que tem mais implicações educacionais.
Sua abordagem teve profundo impacto nas tecnologias de
ensino, especialmente no que se refere à instrução programada.
O sujeito que se submete a este tipo de instrução vai passando por
etapas curtas de exposição a conteúdos com grau de dificuldade
crescente. Recebe o conteúdo, responde exercícios e verifica os
resultados obtidos com suas respostas para, só então, passar à
etapa seguinte. O resultado das respostas, positivo ou negativo,
funciona como incentivo para continuar o estudo, isto é, um
reforço positivo. O objetivo é levar o aluno a acumular o maior
número possível de respostas corretas em seu “repertório”.
É o material instrucional que orienta todo o processo de
aprendizagem, e não o interesse ou a atividade do aluno, ou as
características do conteúdo, entre tantas outras possibilidades.
Os professores costumam, tradicionalmente, utilizar
punições para modelar o comportamento dos
sujeitos. Com a instrução programada, vai se tornando
desnecessário utilizar estímulos aversivos ou punições
para levar o aluno a desenvolver o comportamento
desejado, pois ele mesmo vai modelando suas
respostas de acordo com o que é solicitado pelo
material instrucional. O planejamento do professor
torna-se fundamental para o sucesso do processo de
ensino e aprendizagem.
A instrução programada pode ser realizada por meio das
chamadas máquinas de ensinar. Nelas, são apresentadas fichas
com sentenças que contêm lacunas a serem preenchidas com a
resposta correta. O conteúdo das fichas pode ser apresentado
também em programas de computador.
Em entrevista dada a uma revista brasileira, em 1974, Skinner
definiu sua máquina de ensinar da seguinte maneira:
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Minha “máquina de ensinar” consiste, muito
simplesmente, em programar o material didático de
maneira que o estudante seja recompensado pelos seus
esforços não no fim do curso ou de seus estudos – o que
é causa de baixa produtividade –, mas em cada uma das
etapas de sua aprendizagem. Isto é, ao aprender uma
lição, o aluno não é recompensado pelos seus esforços um
mês depois, quando recebe a nota X, mas enquanto está
trabalhando na lição. Se um aluno pode ver a resposta
de um problema matemático apenas quando terminou
de resolvê-lo, ele é estimulado por vários fatores: o
triunfo de ter resolvido o problema corretamente ou o
descobrimento da resposta correta. Se ele fica esperando
a nota do professor, que deve ter um valor punitivo, ele
não tem verdadeiras razões positivas para se interessas
por problemas matemáticos. É fundamental entender
que o organismo humano, em relação com o seu
comportamento, é reforçado pela sua capacidade de
efetividade. (SKINNER, 1974)
Estudando o conteúdo desta seção, você pode concluir que, para
o Behaviorismo, a aprendizagem se refere a mudanças observáveis
no comportamento das pessoas, causadas unilateralmente pela
ação sobre elas do ambiente material e social. São as mudanças
de comportamento, ou aprendizagens acumuladas, que
correspondem ao desenvolvimento do sujeito. Assim, nesta teoria,
aprendizagem e desenvolvimento são termos sinônimos, pois se
referem ao mesmo processo coordenado por agentes externos ao
sujeito, estudante ou aprendiz.
Skinner é criticado até hoje por sua visão
ambientalista da aprendizagem. As críticas
tomam a proposta de Skinner de modelagem
do comportamento como algo autoritário,
que desconsidera o que se passa na mente do
aprendiz, impondo a ele o desenvolvimento dos
comportamentos socialmente valorizados. Isso
retiraria do sujeito a sua liberdade de escolha.
Aos críticos, num texto muito importante publicado em 1971,
Skinner responde que a liberdade é um mito. Por causa deste
texto e da contribuição que suas idéias deram para o ensino
tecnicista no Brasil, Skinner ficou associado ao posicionamento
político de direita.
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Psicologia da Educação I
SEÇÃO 4 – A Psicanálise e o Humanismo
A Psicanálise desenvolveu-se a partir do trabalho de
Sigmund Freud (1856-1939). Este médico propôs a
Psicanálise, com suas técnicas de hipnose, expressão
e associação livre de idéias pelos pacientes, como uma
proposta terapêutica para os distúrbios emocionais, e
também como uma via de investigação dos processos
mentais.
Sigmund Freud distinguiu três zonas do
funcionamento mental: o consciente, o subconsciente
e o inconsciente.
No inconsciente, situam-se as representações
inacessíveis voluntariamente. Seus conteúdos aparecem
disfarçados nos sonhos, nos atos falhos, nos sintomas,
mas nunca em forma pura. Os conteúdos do inconsciente estão
relacionados ao que foi denominado por Freud de Id.
O consciente e o subconsciente estão reunidos numa
região psíquica denominada Ego.
O ego administra a relação do indivíduo com o meio,
coordenando os seus processos mentais e dando-lhe a unidade de
uma identidade. Os conteúdos conscientes e subconscientes são
acessíveis voluntariamente pelo sujeito. É possível para ele saber
razoavelmente o que está pensando ou sentindo a respeito dos
conteúdos que estão em sua consciência.
A instância psíquica responsável pela censura gratuita aos
conteúdos do id é o Superego. Esta instância é constituída a
partir do moralismo e das repressões da sociedade.
A Psicanálise preocupa-se com o funcionamento
do inconsciente, diferentemente de outras linhas
psicológicas que se debruçam sobre o funcionamento
da mente tomando-a exclusivamente como
consciência.
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Freud apontou a existência de instintos inatos no ser humano
quando do seu nascimento, que o estimulam internamente a
buscar a satisfação de necessidades como fome, sede e liberação
de energia sexual. Os instintos são os propulsores da dinâmica
de desenvolvimento da personalidade. Como Freud identifica
o termo “instinto” com as características animais, prefere usar
os termos “impulso” ou “pulsão” para tratar destes estímulos
internos quando se refere aos seres humanos.
Devido ao funcionamento do id, os seres
humanos estariam sempre em busca de
satisfação para seus impulsos, pois o id ignora
juízos de valor, a moral, o bem e o mal, sendo
regido pelo princípio do prazer.
O ego desempenha o papel de mediador entre
o id e o mundo exterior, sendo regido pelo
princípio da realidade. Toda vez que o ego se
sente ameaçado pelas exigências de satisfação
imediata do id, este produz a sensação de
angústia. Tanto o id quanto o ego conflitam
com o superego, a instância moralista que já foi citada.
Para não sucumbir à sensação de angústia provocada pela pressão
das pulsões, o ego se utiliza de certos mecanismos de defesa, que
acabam por constituir em grande parte a personalidade.
São exemplos destes mecanismos: a negação, a fantasia, a
projeção, a racionalização, a regressão, entre outros.
Procure saber mais sobre os mecanismos de defesa.
Pesquise na internet o significado de cada um destes
termos e procure criar exemplos que os ilustrem.
Discuta esses exemplos com seus colegas no EVA.
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26/4/2007 15:02:09
Psicologia da Educação I
Estágios do desenvolvimento psicossexual
Na teoria psicanalítica, o desenvolvimento da personalidade passa
pelos seguintes estágios psicossexuais:
„
Estágio oral – se estende do nascimento até o segundo
ano de vida. Neste estágio, a estimulação da boca é a
fonte primária de satisfação erótica;
„
Estágio anal – coincide com o período de treinamento
para aprender a ir ao banheiro autonomamente e de
desenvolvimento de competências para a higiene pessoal.
Neste estágio as crianças derivam prazer da zona anal;
„
Estágio fálico – acontece por volta do quarto ano de
idade. A satisfação erótica está relacionada à região
genital e surge muita curiosidade em torno das diferenças
entre os sexos e da origem dos bebês. É quando costuma
ocorrer o chamado Complexo de Édipo, que consiste na
identificação com o genitor do sexo oposto. É também
o estágio em que se desenvolve o superego, que inflige à
criança vergonha e culpa;
„
Período de latência – ocorre dos cinco aos dez anos,
aproximadamente. Caracteriza-se por maior interesse em
questões intelectuais e pela sublimação do interesse por
questões sexuais que caracterizava o estágio anterior. A
sublimação também é um mecanismo de defesa;
„
Estágio genital – preparação para a formação de
família, início dos relacionamentos amorosos e da
heterossexualidade.
A partir desta estrutura teórica proposta por Freud, muitos
trabalhos vêm se desenvolvendo até hoje no sentido da
compreensão do ser humano. No campo da educação, os
conceitos propostos por Freud são largamente utilizados para a
compreensão e intervenção sobre as dificuldades de aprendizagem
pela Psicopedagogia Clínica.
Unidade 1
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26/4/2007 15:02:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
A Psicopedagogia Clínica, ao inspirar-se na Psicanálise,
entende as dificuldades de aprendizagem como
sintomas. Como vimos, os sintomas são uma das
formas de expressão dos conteúdos do id, conteúdos
estes que não são conscientes e, portanto, não podem
ser controlados pelo sujeito.
A Psicanálise também é acionada para a compreensão das
questões subjetivas que envolvem o relacionamento
professor-aluno. O conceito de transferência, tomado da
psicoterapia psicanalítica, costuma ser utilizado para
tratar desta relação. A transferência é entendida como
uma repetição pelo sujeito, em suas relações atuais, de
modalidades de relacionamento vividas por ele com outras
figuras significativas e outros espaços. Pelo processo de
transferência, relações infantis carregadas de afetividade podem
ser revividas no relacionamento com outras pessoas, mesmo
muito tempo depois, ou num contexto completamente diferente.
Assim, um professor pode ser um suporte dos
investimentos de seu aluno, porque é objeto de uma
transferência. Então, mais além da figura pessoal do
professor, o educador vai representar, para o aluno, uma
função, substituindo, nesse momento, as figuras parentais
e/ou pessoas que lhe foram importantes, representando
então esse lugar de ‘saber’, de idealização, de poder
(NUNES, 2004. p.12).
O professor que conhece o conceito de transferência pode
compreender atitudes agressivas ou despropositadamente
amorosas que partam de um aluno para com ele. Nem sempre
essas atitudes são realmente pessoais para com o professor, mas
sim correspondentes a um estilo de relacionamento que o aluno
está repetindo, resgatado de relações passadas, vividas em outros
espaços ou ainda que o aluno gostaria de viver e não consegue
na relação com outras pessoas. Desta forma, seus desejos
inconscientes acabam por projetar-se na figura do professor. É
interessante lembrar ainda que tal processo também pode se dar
da parte do professor em relação ao aluno.
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26/4/2007 15:02:10
Psicologia da Educação I
A Psicanálise é uma abordagem muito interessante
da subjetividade, com diversas implicações ainda
não exploradas. Desde a década de 1950, no entanto,
enfrenta a oposição do Humanismo.
O Humanismo surgiu como uma reação, tanto ao Behaviorismo,
quanto à Psicanálise. A Psicologia humanista concentra-se
no conceito de pessoa, e não no de comportamento, como o
Behaviorismo, e enfatiza a liberdade, em oposição ao controle.
O Humanismo rejeita a Psicanálise pela ênfase
excessiva que dá ao inconsciente.
Acredita que as pessoas são seres
conscientes, capazes de dirigir a própria
vida. Enfatiza a espontaneidade e o
poder criador do ser humano.
O mais famoso representante deste
movimento é Carl Rogers. Para
ele, o principal fator promotor do
desenvolvimento da personalidade é
uma tendência inata dos seres humanos
para a auto-realização. As pessoas que
vivem todo o seu potencial são aquelas que vivem plenamente
cada momento, deixando-se guiar por seus próprios instintos,
em lugar de levar em consideração opiniões alheias. São
pessoas de pensamento livre e alta criatividade.
O pensamento de Carl Rogers influenciou a educação centrada
no aluno e espontaneísta, sendo mais uma contribuição da
Psicologia à busca por uma escola renovada.
Unidade 1
psicologia_da_educacao.indb 37
37
26/4/2007 15:02:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de auto-avaliação
Efetue as atividades de auto-avaliação e, a seguir, acompanhe as
respostas e comentários. Para melhor aproveitamento do seu estudo,
confira suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.
1) Verifique se você captou os conceitos apresentados na descrição das
diferentes teorias psicológicas. Que tal sistematizar o seu conhecimento
com a ajuda do quadro a seguir?
ESCOLA OU TEORIA
PALAVRAS-CHAVE
ESTRUTURALISMO
FUNCIONALISMO
PSICOLOGIA DA FORMA/GESTALT
BEHAVIORISMO
PSICANÁLISE
HUMANISMO
38
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26/4/2007 15:02:11
Psicologia da Educação I
2) Caracterize e diferencie os conceitos de condicionamento clássico e de
condicionamento operante, que compõem as teorias behavioristas.
3) Relacione dois motivos que podem justificar o fato de a Psicologia da
Gestalt ser considerada uma teoria inatista.
Unidade 1
psicologia_da_educacao.indb 39
39
26/4/2007 15:02:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
4) Pesquise no livro didático e responda: quais são as formas pelas quais
os conteúdos do inconsciente dos sujeitos se manifestam, de acordo
com a Psicanálise? Cite exemplos de cada uma destas formas.
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psicologia_da_educacao.indb 40
26/4/2007 15:02:12
Psicologia da Educação I
Síntese
Nesta unidade, você estudou os principais conceitos de
importantes teorias que fazem parte da história da Psicologia:
Estruturalismo, Funcionalismo, Psicologia da Gestalt,
Behaviorismo e Psicanálise. O Estruturalismo pensou a
mente humana como uma estrutura composta por elementos
associados, e procurou estudar cada um destes elementos por
meio do método de introspecção. Seu principal representante é
considerado o fundador da Psicologia científica: Wilhelm Wundt.
O Funcionalismo, em lugar de definir a estrutura da mente,
preocupa-se com o seu funcionamento em situações reais de
adaptação do sujeito ao ambiente. Seu principal representante é
William James. A Psicologia da Gestalt é considerada uma teoria
inatista da aprendizagem, pois valoriza a idéia de que a percepção
do sujeito sobre as coisas se baseia em modelos já existentes em
sua mente a priori. O Behaviorismo é oposto à Psicologia da
Gestalt e valoriza a ação modeladora dos estímulos existentes no
meio sobre o comportamento do sujeito. Das escolas psicológicas
estudadas nesta unidade, é a que tem mais implicações para a
prática pedagógica até hoje. A Psicanálise tem como “pai” o
famosíssimo Sigmund Freud. Suas idéias são muito utilizadas
na compreensão da personalidade e na clínica psicológica,
mas também têm implicações educacionais, especialmente na
compreensão da relação professor-aluno e no entendimento
das dificuldades de aprendizagem. O Humanismo se opõe à
Psicanálise e ao Behaviorismo, pois valoriza a consciência da
pessoa como motor de sua existência, e não o inconsciente ou os
estímulos do ambiente apenas.
Unidade 1
psicologia_da_educacao.indb 41
41
26/4/2007 15:02:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Saiba mais
Existem diversos sites na internet com informações interessantes
sobre as escolas psicológicas. Para saber mais, consulte os links
relacionados em http://www.ufrgs.br/faced/slomp/psico.htm.
42
psicologia_da_educacao.indb 42
26/4/2007 15:02:12
UNIDADE 2
Primeiras interfaces entre
Psicologia e Educação: o
escolanovismo
2
Objetivos de aprendizagem
„
Caracterizar a proposta de escola democrática de John
Dewey e a visão organicista do desenvolvimento de
Edouard Claparède e identificar as influências destas
propostas na realidade escolar.
Seções de estudo
Seção 1 A escola democrática de John Dewey
Seção 2 A educação funcional de Edouard
Claparède
psicologia_da_educacao.indb 43
26/4/2007 15:02:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Na primeira unidade, você estudou diversas teorias psicológicas
que buscaram compreender a mente e o comportamento do ser
humano, sua personalidade, seu desenvolvimento e suas formas
de interação com os outros. Nesta unidade, discutiremos as
primeiras relações mais significativas estabelecidas entre a
Psicologia e a Educação no ensino escolar, que ocorreram
com o movimento da Escola Nova. Este movimento foi
fundamental para a constituição da Psicologia da Educação
como campo de estudo.
Entre os marcos históricos que ajudaram a determinar o percurso
da Psicologia da Educação, identificamos, numa fase inicial, os
pensadores da Escola Nova. Eles buscaram renovar a educação
num tempo em que a aprendizagem escolar era vista como
a capacidade de repetir e memorizar conteúdos acadêmicos
geralmente distantes da experiência de vida das crianças. O
bom professor era aquele que dominava os conteúdos, e o bom
aluno era aquele que os decorava. O movimento da Escola Nova
defendeu que o ensino deveria tomar como ponto de partida
a ação do aluno. A educação deveria oportunizar às crianças
condições de experimentar, produzir, fazer, manipular e refletir
sobre os resultados obtidos.
John Dewey e Edouard Claparède foram importantes expoentes
do pensamento escolanovista na Psicologia da Educação.
Dedicaremos esta unidade ao aprofundamento dos seus
conhecimentos sobre as idéias destes pesquisadores. Neste estudo,
você perceberá que, apesar de ambos teóricos serem identificados
com o movimento da Escola Nova, existem algumas diferenças
em seus modos de compreender o desenvolvimento humano e o
papel da educação.
Que tal conhecer um pouco mais sobre as idéias
destes pesquisadores?
44
psicologia_da_educacao.indb 44
26/4/2007 15:02:12
Psicologia da Educação I
SEÇÃO 1 – A escola democrática de John Dewey
John Dewey (1859-1952), filósofo, educador e participante da
vertente funcionalista da Psicologia, cunhou uma proposta
de como deveria funcionar uma escola que rompesse com os
métodos de ensino tradicionais e educasse para a democracia. Seu
trabalho nos Estados Unidos repercutiu no mundo todo e tem,
até hoje, implicações para o pensamento pedagógico.
A noção de movimento é central no pensamento de Dewey. Para
ele, a sociedade está em constante transformação.
Para Dewey, a Filosofia não deve pretender se colocar como
o “farol da sabedoria”, impondo dogmas imutáveis e verdades
absolutas que conduzam a humanidade. Pelo contrário, a
Filosofia deve se colocar sempre na transitoriedade em que se
encontra a realidade, norteando a busca dos homens para soluções
para os problemas vividos em sua experiência cotidiana. O ponto
de vista de Dewey confere um caráter essencialmente pragmático
e instrumental à Filosofia.
Para os seguidores de Dewey, aceitar a mudança, a
transitoriedade, a alteração das coisas significava colocar a
produção de conhecimento à disposição do bem-estar coletivo. A
busca do modo de vida cooperativo em benefício de todos era o
que daria significado à democracia.
A educação proposta por Dewey tinha como princípios a
iniciativa, a originalidade e a cooperação. Deveria liberar as
potencialidades dos indivíduos rumo a uma ordem social que,
por sua vez, deveria ser progressivamente aperfeiçoada (mas não
totalmente transformada). Seria um processo de reconstrução
da experiência da realidade, para torná-la melhor, e
um processo de melhoria permanente da eficiência
individual segundo os próprios interesses.
É interessante perceber
que a difusão do tema
transformação constante
da realidade, que assumiu
posição de centralidade
no discurso pedagógico
nessa primeira metade
do século XX, estava
relacionada à necessidade
de aceitação das
mudanças tecnológicas
e das mudanças sociais
atreladas ao processo
de modernização e
industrialização. Era
necessário que as pessoas
estivessem dispostas a
viver com otimismo essas
mudanças.
Além disso, a proposta de John Dewey pode se
caracterizar ainda pelas seguintes oposições:
À imposição de cima para baixo, opõe-se a expressão e
cultivo da individualidade;
à disciplina externa, opõe-se a atividade livre;
Unidade 2
psicologia_da_educacao.indb 45
45
26/4/2007 15:02:13
Universidade do Sul de Santa Catarina
a aprender por livros e professores, aprender por
experiência;
à aquisição por exercício e treino de habilidades técnicas
isoladas, a sua aquisição como meios de atingir fins que
respondam a apelos diretos e vitais do aluno;
à preparação para um futuro mais ou menos remoto
opõe-se aproveitar ao máximo as oportunidades do
presente;
a fins e conhecimentos estáticos opõe-se a tomada de
contato com o mundo em mudança. (DEWEY apud
GADOTTI, 1999, p.150.)
Para Dewey (apud GADOTTI, 1999), o ato de pensar ocorre
sempre que estamos diante de um problema. Nesta situação, o
pensamento passa por cinco estágios:
1) uma necessidade sentida que coloque o sujeito numa
situação de experiência real e atividade contínua que o
interesse por si mesmo;
2) a análise da dificuldade do problema por meio do
pensamento;
3) as alternativas de solução do problema – neste momento
é necessário buscar informações para agir na situação,
fazendo as observações necessárias para este fim;
4) a experimentação de várias soluções, desenvolvendo-as
de modo bem ordenado até que o teste mental aprove
uma delas;
5) a ação como prova final para a solução proposta, que
deve ser verificada de maneira científica. Pondo à prova
as próprias idéias, aplicando-as e tornando clara sua
significação, o sujeito descobre por si mesmo o valor das
soluções desenvolvidas.
A vida real e as experiências que nela vivemos estão repletas
de problemas a serem resolvidos. A educação proposta por
Dewey deveria se aproximar da realidade e defrontar-se com os
problemas que os homens nela encontram, desencadeando o ato
de pensar na busca de soluções.
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Psicologia da Educação I
No funcionalismo de John Dewey, “o ensino não é uma tarefa
do acaso ou da rotina, e deve-se considerá-lo uma atividade
consciente, intencional, com método e processo definidos”
(CARVALHO, 2002, p.53). O professor e o conteúdo, nesta
perspectiva, assumem grande importância para a formação
mental e moral da criança, pois o pensamento depende de fontes
informativas e de alguém que as organize adequadamente, sem
oferecer soluções prontas para os problemas, pois o aspecto ativo
de aprendizagem não pode ser esquecido.
Carvalho (2002, p.53) mostra que a escola de John Dewey teria
três funções:
a) proporcionar um ambiente simplificado, selecionando
experiências úteis e estabelecendo uma progressão, com
o objetivo de conduzir os alunos à compreensão real das
coisas mais complexas;
b) eliminar os aspectos desvantajosos do meio ambiente
que exercem influência sobre os hábitos mentais;
c) coordenar, na vida mental de cada indivíduo, as
diversas influências dos vários meios sociais em que vive.
Ao partir da idéia de que o conhecimento verdadeiro a ser
aprendido é o que funciona como solução na vida prática,
Dewey traz uma concepção utilitária da educação. “À escola é
atribuído um papel fundamental de selecionar as experiências
úteis realizadas pela humanidade para construir os conteúdos
cognitivos necessários a uma sociedade futura mais perfeita, uma
sociedade democrática” (CARVALHO, 2002, p.53).
A cooperação na resolução de problemas práticos
no contexto escolar ensinaria sobre a convivência
democrática, sem questionar as desigualdades sociais,
naturalizando-as. A busca de soluções contribuiria
tanto para a formação dos alunos quanto para
o desenvolvimento da sociedade. Assim, Dewey
traduzia para o campo da educação a ideologia liberal
dos Estados Unidos.
William Kilpatrick (1871-1965) foi um dos principais discípulos
de John Dewey. Ele desenvolveu o “método dos projetos”, que era
centrado na atividade prática dos alunos, de preferência manual.
Unidade 2
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Os projetos poderiam ser: manuais, como a produção
de uma maquete; de descoberta, como a realização
de um passeio; de competição, como um jogo; de
comunicação, como contar uma história; entre outros.
As etapas de execução do projeto envolveriam a determinação
do objetivo, a preparação do projeto, a execução e a
apreciação do resultado. Os projetos poderiam envolver a
produção de algo, a aprendizagem sobre como utilizar algo
que já foi produzido, a resolução de algum problema ou o
aperfeiçoamento de alguma técnica.
De preferência, o projeto deveria ser realizado num ambiente
natural, próximo da situação real em que a prática em questão
ocorre na sociedade.
SEÇÃO 2 - A educação funcional de Edouard Claparède
Jean Piaget veio a ser chefe de
trabalhos deste instituto a convite
de Edouard Claparède e lá realizou a
maior parte de suas pesquisas.
O médico Edouard Claparède (1873-1940) nasceu em Genebra,
na Suíça. Em 1912, fundou o Instituto Jean-Jacques Rousseau
nesta cidade. Esta instituição voltava-se para o desenvolvimento
de estudos na área da Psicologia Infantil e suas aplicações na
educação. Da mesma forma que John Dewey fez nos Estados
Unidos, Edouard Claparède procurou defender uma nova escola,
diferente da tradicional, no contexto europeu.
Enquanto Dewey ingressou nas questões educacionais por meio
da Filosofia, Claparède o fez por meio de estudos em biologia, o
que faz diferença na constituição de seus pontos de vista.
Claparède defendia que se conhecessem as características
“naturais” da criança, por meio da pesquisa experimental
psicológica, numa visão claramente organicista, e via a Psicologia
como a única ciência que poderia de fato trazer informações úteis
para o direcionamento da educação.
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Psicologia da Educação I
A educação deveria adaptar-se às aptidões naturais do aluno e
estimular seus interesses para a busca de resolução de problemas
da vida prática nos conteúdos escolares. Nessa perspectiva, o
interesse do sujeito tem muito mais peso do que os conteúdos
escolares em si, ainda que estes sejam organizados a partir dos
problemas que a vida coloca.
Para Claparède, assim como para os demais
representantes do movimento da Escola Nova, o
desenvolvimento de cada ser humano e de toda
a espécie significa uma luta ou uma procura pela
conservação da vida, o que ocorre pela interação com
o ambiente.
A vida corresponde a um processo de adaptação contínuo,
guiado pela lógica da utilidade e da eficiência. O pensamento
seria uma atividade biológica a serviço do organismo humano,
que ocorre para confrontar situações com as quais não se pode
lidar por meio de comportamento aprendido, automático, ou
simples reflexo característico dos animais. Quando a pessoa se
defronta com uma situação nova, a tensão resultante a leva a
proceder por tentativa e erro, refinando a experimentação da
situação. Este processo seria o pensamento.
Se a infância tem uma significação biológica, é necessário
estudar as manifestações naturais das crianças e ajustar a
ação educativa a elas. Os métodos e os programas devem
girar em torno das crianças, e não as crianças girarem em
torno de um programa.
De acordo com Claparède, a atividade educacional deveria
ser individualizada, correspondendo sempre à função vital do
homem, à expressão natural de sua atividade e desenvolvimento.
A escola deve estimular a independência intelectual da criança,
fazendo-a atuar sobre o que aprende, diferentemente da postura
passiva exigida do aluno na educação tradicional.
Claparède acusou a escola de não saber tirar o máximo
rendimento das inteligências, desperdiçando o capital intelectual
das nações, num contexto em que o investimento em educação
vinha sendo alto na Europa.
Unidade 2
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Valorizava os testes de inteligência e o diagnóstico psicológico
como meios para conhecer as aptidões naturais dos sujeitos e
direcioná-los para uma educação mais adequada.
Para ele, as melhores inteligências seriam pouco desenvolvidas
na escola por se verem obrigadas a adaptarem-se ao ritmo do
grande número de alunos medianos. Recomendava a criação
de classes diferentes para os estudantes mais inteligentes e
para aqueles com maior dificuldade de aprendizado. Assim,
os estudantes que se revelassem mais aptos poderiam ser
submetidos a exigências maiores em classes constituídas apenas
de bons alunos.
Ao defender uma escola sob medida, Claparède dizia que, na
impossibilidade de haver uma escola para cada criança ou para
cada tipo de inteligência, o sistema mais próximo disso seria o
que permitisse a cada aluno reagrupar o mais livremente possível
os elementos favoráveis ao desenvolvimento de suas condutas
pessoais. Para isso, pregava a redução do currículo obrigatório a
conteúdos suficientes para a transmissão de um conhecimento
que constituísse uma espécie de legado espiritual de uma mesma
geração, deixando a maior parte do período letivo para atividades
escolhidas pelo próprio aluno.
Propôs ainda que um mesmo aluno pudesse
acompanhar diferentes disciplinas em ritmos
diferentes, mais acelerados ou mais lentos, de acordo
com suas aptidões.
Outra contribuição importante de Claparède é a defesa que fez
da atividade pedagógica como atividade lúdica. O jogo é uma
das principais necessidades da criança. Por isso, serviria como um
meio para despertar o seu interesse pelo conhecimento escolar.
Assim, seja qual for a atividade que se queira realizar na sala
de aula, deve-se encontrar um meio de apresentá-la como um
jogo, partindo da necessidade da criança de brincar. Conforme
a criança cresce, a idéia de jogo vai sendo substituída pela de
trabalho, seu complemento natural.
A necessidade é o que movimenta os indivíduos. Toda atividade
desenvolvida pela criança é sempre suscitada por uma necessidade
a ser satisfeita e pela qual ela está disposta a mobilizar energias.
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Psicologia da Educação I
É isso que se pode notar em todo lugar e sempre, exceto, é
verdade, nas escolas, porque estas estão fora da vida, dizia
Claparède.
Para fazer um indivíduo agir devemos colocá-lo nas condições
próprias ao aparecimento da necessidade, em que ação que
se deseja despertar tem a função de satisfazer. Cabe então
ao professor colocar o aluno na situação adequada para que
seu interesse seja despertado e permitir que ele adquira o
conhecimento que vá ao encontro do que procura. Desta forma,
está se aproximando à escola da vida.
O educador, segundo Claparède (apud CARVALHO, 2002,
p.55):
Em vez de tornar-se um plasmador de espíritos, tornarse-á um estimulador de interesses; em vez de ficar
no meio do palco (onde muitas vezes pontifica, sem
outros resultados tangíveis, a não ser a satisfação de
suas tendências autoritárias), deverá, daí em diante,
permanecer nos bastidores, de onde disporá e organizará
o meio da maneira mais favorável ao despertar das
necessidades intelectuais e sociais da criança.
A escola, assim, deve ser ativa, um laboratório e não um
auditório. E, se o interesse é o motor da educação, são
desnecessários castigos ou recompensas, bastando a adequação
entre o que se há de fazer e o sujeito que faz. Deste modo a
disciplina vem de dentro do sujeito, e não de fora dele.
Unidade 2
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de auto-avaliação
Efetue as atividades de auto-avaliação e, a seguir, acompanhe as
respostas e comentários. Para melhor aproveitamento do seu estudo,
confira suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.
1) Para Claparède, os conceitos de necessidade e de interesse aparecem
relacionados no contexto da prática pedagógica. Defina e estabeleça
relações entre estes conceitos, procurando ser fiel ao pensamento do
pesquisador.
2) Você estudou o funcionalismo na seção 1. Explique por que Edouard
Claparède e John Dewey são tidos como funcionalistas.
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Psicologia da Educação I
3) Existem diferenças sutis entre o ponto de vista de John Dewey e o de
Edouard Claparède sobre o papel da educação e do trabalho docente
para o desenvolvimento humano. Você identificou essas diferenças?
Procure caracterizá-las, indo além do exposto na síntese da unidade.
Unidade 2
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você conheceu o pensamento de dois
representantes da escola nova: John Dewey e Edouard Claparède.
Embora ambos tenham uma visão do desenvolvimento e da
aprendizagem caracterizada pelo funcionalismo, pois preocupamse com a adaptação do sujeito ao ambiente em que vive,
naturalizando este ambiente, Dewey tem um olhar mais aguçado
para o papel do ensino sobre o desenvolvimento. Edouard
Claparède, por outro lado, enfatiza mais o processo natural de
desenvolvimento humano, valorizando uma educação que não
interfira muito no processo de desenvolvimento – educação esta
que poderia ser interpretada como espontaneísta.
Saiba mais
Para saber mais sobre o pensamento escolanovista, sobre John
Dewey e sobre Edouard Claparède, leia o livro de Moacir
Gadotti denominado História das Idéias Pedagógicas. É uma
sugestão interessante. Ele traz um capítulo específico deste
assunto. Você encontra a referência completa ao final do livro
didático.
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UNIDADE 3
A Psicologia Cognitivista e a
aprendizagem
3
Objetivos de aprendizagem
„
Descrever os principais conceitos de algumas teorias
psicológicas consideradas cognitivistas, identificando
suas implicações para a prática pedagógica.
Seções de estudo
Seção 1 Os processos mentais
Seção 2 A teoria da aprendizagem significativa de
David Ausubel
Seção 3 A teoria cognitivista de Jerome Bruner
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
A Psicologia Cognitivista é um dos mais recentes ramos
da investigação da mente e do comportamento humano.
Desenvolveu-se como uma área separada desde os fins dos anos
1950 e princípios dos anos 1960. O pesquisador americano
Ulrich Neisser, nascido em 1928, foi um importante expoente
desta linha da Psicologia.
O Cognitivismo estuda os processos de processamento da
informação e de organização do conhecimento pelo ser
humano. Busca compreender os diferentes estilos de pensamento
e estilos de aprendizagem.
As investigações dos cognitivistas se baseiam na análise do
funcionamento dos processos psicológicos cognitivos. Nesta
unidade, vamos conhecer um pouco mais sobre cada um destes
processos, que também são chamados de processos mentais. Você
sabe o que são processos mentais? Se não sabe, corra para a Seção
1 desta unidade, pois você vai descobrir!
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Psicologia da Educação I
SEÇÃO 1 – Os processos mentais
De certa forma, mesmo que nunca tenha ouvido falar deste
termo, você sabe o que são processos mentais. Você sabe porque
você os vive e, muitas vezes, reflete sobre o seu funcionamento
em seu cotidiano.
Quando dizemos para nós mesmos: “Hum, minha memória não
anda boa! Esqueci de buscar meu filho na escola!” ou “Puxa,
não posso me distrair, este assunto é importante! Vou concentrar
minha atenção na leitura desta seção deste livro!”, estamos
falando de nossos próprios processos mentais.
No Cognitivismo, os processos mentais são comparáveis aos
softwares executados num computador que, neste caso, seria o
cérebro. Os processos mentais são responsáveis pelo conjunto
de competências cognitivas que diferenciam o ser humano dos
outros animais. As capacidades cognitivas permitem que os
humanos acessem e conheçam as características da realidade que
os cerca, obtendo, armazenando e utilizando, de modo mais ou
menos inteligente, a informação sobre esta realidade.
São os processos mentais que, combinados e desenvolvidos
de modo singular em cada ser humano, nos tornam capazes
de resolver problemas de lógica, de lembrar de nossos entes
queridos e de nossa história pregressa, de perceber diferenças
sutis entre dois aromas ou dois padrões de cores. Entre
estes processos, estão a atenção, a percepção, a memória, o
pensamento, a linguagem e a imaginação.
O controle consciente do funcionamento de nossos próprios
processos mentais e a reflexão sobre eles é chamada de
metacognição. A capacidade de metacognição é fundamental
para que o sujeito seja capaz de resolver os problemas que se
apresentam a ele na realidade, e para realizar muitas das tarefas
que se impõem no cotidiano.
A atenção é um processo mental de grande importância para
a aquisição de conhecimento. É este processo que confere ao
sujeito a capacidade de concentrar o esforço mental num estímulo
específico, deixando de lado outros estímulos que não merecem
ser considerados para a realização da tarefa em questão. Estes
estímulos desconsiderados costumam permanecer como um
Unidade 3
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Universidade do Sul de Santa Catarina
“pano de fundo”. Os psicólogos da Gestalt, que você estudou
nesta disciplina, foram precursores do Cognitivismo e estudaram
a fundo os processos mentais de atenção e de percepção.
Os pesquisadores cognitivistas buscam compreender
que fatores influenciam na concentração dos sujeitos.
O tempo de concentração possível em cada fase
da vida e em diferentes situações é um dos fatores
pesquisados. As crianças da educação infantil,
por exemplo, podem concentrar a atenção num
determinado estímulo por menos tempo do que as
crianças que já freqüentam o último ano das séries
iniciais. A motivação para aprender sobre o estímulo,
no entanto, faz diferença para a definição do tempo
de concentração.
A memória é outro processo mental, responsável por armazenar
e recuperar no momento certo as nossas representações das
experiências vividas ou transmitidas por outras pessoas. Isso
pode acontecer de diferentes maneiras, por muito ou pouco
tempo, o que depende da relevância da informação, do contexto
em que foi aprendida, do significado atribuído à informação,
entre outros fatores.
Os estudos dos cognitivistas sobre o processo mental
da memória chegaram à formulação de diferentes
conceitos: memória de curto e de longo prazo,
memória episódica, memória semântica, memória
autobiográfica, entre outros.
O processo mental de memória já foi muito mais valorizado pela
educação. Decorar um conteúdo já foi mais importante do que
é hoje. Atualmente, processos como pensamento, linguagem
e imaginação têm assumido maior relevância nos estudos
realizados pelas teorias psicológicas que fundamentam práticas
pedagógicas. De qualquer modo, sem a memória, não saberíamos
nem mesmo quem somos, como se evidencia nas situações de
sujeitos que sofrem lesões e tornam-se vítimas de amnésia.
Assim, atenção e memória nunca perderão sua relevância para
que ocorra a aprendizagem.
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Psicologia da Educação I
O pensamento é o processo mental compreendido pelo
cognitivismo como responsável pela capacidade de comparar
objetos e conceitos, generalizar o que vale numa situação para
outras situações semelhantes, abstrair elementos em comum
de diferentes experiências, relacionar diferentes situações,
analisar um determinado contexto, entre outras operações.
É um processo mental bastante complexo, que depende dos
demais e se desenvolve mais tarde do que a atenção voluntária e
a memória na criança.
Aprender a pensar e resolver problemas, e não
somente a dar as respostas consideradas corretas,
constituiu-se como um dos grandes objetivos da
educação por influência do cognitivismo.
Os processos mentais cujas características foram esboçadas aqui
de modo introdutório são estudados pelas teorias psicológicas em
geral. O Cognitivismo, no entanto, é uma linha da Psicologia
que se caracteriza por destacar estes processos e estudá-los,
isoladamente e em sua inter-relação.
A compreensão da aprendizagem numa perspectiva cognitivista
é compartilhada por pesquisadores de diferentes épocas,
como: os psicólogos da Gestalt, seus discípulos, David
Ausubel e outros teóricos do processamento da informação.
Jerome Bruner e Jean Piaget também são citados como
cognitivistas, mas muitos estudiosos entendem que a
concepção de aprendizagem nutrida por eles transcende o
mero Cognitivismo, por valorizar aspectos que vão além do
funcionamento dos processos mentais para que o conhecimento
seja construído, em especial, as interações sociocognitivas.
Unidade 3
psicologia_da_educacao.indb 59
Jerome Bruner é um autor
cognitivista cujas idéias
acerca da aprendizagem
foram influenciadas pela
Psicologia da Gestalt e
divulgadas em duas obras
de garnde impacto no
mundo da educação: “The
process of education”
(1962) e “Toward a theory
of instruction” (1966). Você
conhecerá mais sobre o
pensamento cognitivista
de Bruner na Seção 3 desta
unidade.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 2 – A teoria da aprendizagem significativa de
David Ausubel
David Ausubel, pesquisador cognitivista dos processos de
aprendizagem, delineou uma teoria chamada Teoria da
Assimilação Cognitiva, que é muito conhecida também como
Teoria da Aprendizagem Significativa.
Segundo esta teoria, existem diferentes tipos de aprendizagem,
aos quais podem estar ligados diferentes tipos de ensino. Entre os
diferentes tipos de aprendizagem, descritos por David Ausubel,
estão a mecânica, a significativa, a por descoberta e a por
transmissão.
A aprendizagem mecânica é aquela que acontece por
meio de “decoreba”. Neste tipo de aprendizagem, o sujeito
não encontra relação entre os conteúdos memorizados e os
que já sabia antes. Torna-se difícil, então, perceber como estes
conteúdos podem ser aproveitados na resolução de um problema
novo. Nesta forma de aprendizagem, geralmente, os conteúdos
relacionam-se quase que exclusivamente com o contexto em que
foram aprendidos. Assim, para recordá-los, o sujeito é obrigado a
tentar relembrar a situação em que foram memorizados.
Na aprendizagem significativa, por sua vez, os conteúdos
aprendidos estão relacionados a diversos outros conteúdos que
compõem a estrutura cognitiva do aprendiz.
A estrutura cognitiva é a rede de conceitos
inter-relacionados de que se constitui o nosso
conhecimento.
É possível questionar a pessoa que aprendeu de forma
significativa de diferentes maneiras a respeito do conteúdo em
questão, e esta terá facilidade em saber do que estamos tratando.
O aprendiz pode traduzir o conteúdo aprendido com suas
próprias palavras e entendê-lo independentemente do modo como
este lhe foi apresentado. Não é necessário, neste caso, relembrar
da forma, ordem ou situação em que o conteúdo foi aprendido,
pois seu significado foi assimilado em sua essência, e não por sua
relação arbitrária com um determinado contexto.
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Psicologia da Educação I
Por muito tempo, e ainda ocorre nos dias de hoje, as pessoas
acreditaram que somente a aprendizagem por descoberta,
aquela em que o próprio aprendiz constrói e testa hipóteses
sobre o significado de um determinado conteúdo até
descobrí-lo e aprendê-lo, pode ser significativa. David
Ausubel dedicou suas pesquisas a mostrar que não apenas a
aprendizagem por descoberta, mas também a aprendizagem
por recepção pode ser significativa.
A aprendizagem por recepção é aquela em que o conteúdo
aprendido foi transmitido em sua forma pronta, sem lacunas
a serem preenchidas por hipóteses construídas pelo aprendiz.
Geralmente, a aprendizagem por recepção ocorre em aulas
expositivas, em que o professor “expõe” o conteúdo
aos alunos. Este tipo de aprendizagem pode tornarse uma aprendizagem significativa desde que o
aluno esteja motivado para aprender e o material
didático utilizado seja potencialmente significativo,
levando em consideração o que o aluno já sabe para
melhor relacionar tais conhecimentos com o que será
aprendido.
Desta forma, é possível concluir que saber o
conteúdo que o aluno já sabe é fundamental para
que o professor possa promover novas aprendizagens,
pois é a estes conteúdos, já conhecidos e que se encontram
na estrutura cognitiva do aluno, que os novos se ligarão. Os
conceitos que estão bem estabelecidos na estrutura cognitiva do
aprendiz e que têm potencialidade para se relacionarem com
novos conteúdos, pois foram aprendidos significativamente, são
chamados, nesta teoria, de conceitos subsunçores.
David Ausubel concentrou-se no estudo da aprendizagem
significativa por recepção. Este tipo de ensino/aprendizagem dá
ao aluno condições de assimilar conteúdos transmitidos em sua
forma pronta, isto é, conteúdos sobre os quais o conhecimento
não dependerá de uma descoberta do aluno, da construção de
hipóteses e da ação sobre o objeto de conhecimento, mas sim das
variáveis envolvidas na aprendizagem significativa por recepção
já mencionadas anteriormente: motivação do aluno, planejamento
adequado dos instrumentos didáticos pelo professor, valorização
do conhecimento prévio e adequada correlação entre os conteúdos
que estão sendo aprendidos.
Unidade 3
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Universidade do Sul de Santa Catarina
As estratégias propostas por este pesquisador para promover a
aprendizagem significativa por recepção envolvem a produção de
Organizadores Prévios e de Mapas Conceituais.
Os organizadores prévios são uma introdução ao conteúdo
que será aprendido. Funcionam bem para ensinar aos alunos
conceitos novos de difícil relação com os conhecimentos que estes
já possuem. São como resumos ou sumários do conhecimento
novo, mas são diferentes destes em sua forma tradicional. São
constituídos por conceitos mais gerais, de mais fácil assimilação e
mais próximos da realidade de conhecimento do aluno.
Para Ausubel, os conceitos
subsunçores, isto é, os
conhecimentos prévios dos alunos,
podem e devem servir como pontos
de ancoragem para os novos
conhecimentos. São conceitos com
os quais os conhecimentos novos
podem fazer ligação, fixando-se,
assim, na estrutura cognitiva.
O acesso a organizadores prévios permite ao aluno criar
mentalmente uma estrutura conceitual, uma rede de
conceitos, na qual poderá ancorar os novos conceitos a serem
aprendidos. Organizadores prévios, assim, são uma fala
inicial, ou um material fornecido aos alunos pelo professor,
que vem antes da apresentação do conteúdo propriamente dito
e situa o aluno em relação ao que será aprendido, preparando
a sua estrutura cognitiva.
Outra estratégia proposta a partir das idéias de David
Ausubel é o uso de mapas conceituais.
Os Mapas Conceituais são representações gráficas que
apresentam relações entre os conceitos que estão sendo
ensinados. Estes mapas se estruturam de modo a iniciar
pelos conceitos mais gerais e abrangentes e terminar
com os conceitos mais específicos e menos inclusivos. Os
mapas conceituais são utilizados para auxiliar a ordenação
hierarquizada dos conteúdos de ensino, de forma a tornar
claro para professores e alunos as relações que se pretende
enfatizar entre conceitos de um conteúdo.
Os mapas conceituais dão sentido à aprendizagem de novos
conteúdos porque mostram a interação entre as idéias novas,
permitindo que os indivíduos identifiquem mais facilmente
relações entre estas idéias novas e aspectos específicos já presentes
na sua estrutura cognitiva, seja por aprendizagens anteriores, seja
pela interação com os organizadores prévios.
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Psicologia da Educação I
Para compreender o uso dos mapas conceituais,
é importante lembrar que, para que haja a
aprendizagem significativa, o material oferecido
ao aluno deve ser potencialmente significativo,
possibilitando o estabelecimento de relações com os
conceitos já existentes na sua estrutura cognitiva.
David Ausubel sustenta que a estrutura cognitiva traz os
conceitos organizados de modo hierárquico, do geral para o
particular. Cada disciplina, por sua vez, tem seus próprios
conceitos e métodos de investigação. Estes conceitos podem
ser identificados pelos professores ou colegas e ensinados de
maneira que formem um conjunto de informações estruturadas
hierarquicamente, à semelhança da organização da estrutura
cognitiva, facilitando o processo de aprendizagem.
Para entender a produção dos mapas conceituais, é importante
compreender o significado de dois princípios utilizados na teoria
da aprendizagem de David Ausubel: o princípio da diferenciação
progressiva e o princípio da reconciliação integradora.
O princípio da diferenciação progressiva aponta que o conteúdo
a ser apresentado aos alunos deve ser programado de maneira
que os conceitos mais gerais da disciplina ou conteúdo sejam
apresentados em primeiro lugar e, pouco a pouco, introduzidos os
mais específicos.
O princípio da reconciliação integradora envolve a programação
do material a ser apresentado ao aluno, que deve permitir a
exploração de relações entre idéias, apontando semelhanças e
diferenças entre conceitos relacionados.
Seguindo estes princípios, para construir um mapa conceitual,
sugere-se seguir os seguintes passos:
Unidade 3
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Universidade do Sul de Santa Catarina
1. Escrever dentro de um retângulo o conceito principal do conteúdo a ser
apresentado;
Um mapa
conceitual
2. Ao redor do primeiro retângulo, dispor outros retângulos contendo
nomes de outros assuntos diretamente relacionados ao conceito principal;
Um mapa
conceitual
Frases
interligadas
Relacionamento
Conceitos
3. Ligar cada retângulo ao primeiro por meio de setas direcionais ou
bidirecionais e escrever junto a cada seta uma palavra de ligação que sugira
a relação entre os dois conceitos;
Um mapa
conceitual
é
composto
de
Freses
interligadas
identifica
é
composto
de
Relacionamento
Conceitos
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Psicologia da Educação I
4. Se houver dois conceitos ou mais, ligados ao conceito principal e
que possuam alguma relação entre si, ligá-los entre si através de setas
direcionais ou bidirecionais e escrever a relação existente entre os
conceitos;
Um mapa
conceitual
é
composto
de
Freses
interligadas
identifica
é
composto
de
Relacionamento
entre
Conceitos
5. Repetir o procedimento até que todos os conceitos relevantes para o
objetivo proposto tenham sido representados.
O interessante disso tudo é que não há um único modo de
representar a organização do conhecimento. Professores e alunos
podem trabalhar por muito tempo até se satisfazerem com o
mapa conceitual produzido. Neste processo, pode ter lugar a
aprendizagem significativa.
O mapa conceitual é útil ainda para o estudante poder
fazer anotações, planejar o estudo e preparar-se para
avaliações, identificando a integração dos tópicos.
Para os professores, os mapas conceituais são úteis para o ensino
de um novo tópico, pois permitem a visualização dos conceitoschave e resumem suas inter-relações. Os mapas conceituais
também podem auxiliar os professores na avaliação do alcance
Unidade 3
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Universidade do Sul de Santa Catarina
dos objetivos pelos alunos através da identificação dos conceitos
mal entendidos ou não percebidos. A própria aprendizagem do
aluno pode ser verificada, inclusive, no processo de organização,
por eles, de mapas conceituais.
SEÇÃO 3 – O cognitivismo de Jerome Bruner
Jerome Bruner é conhecido por ter desafiado o behaviorismo e
sustentado a proposta cognitivista, tornando-a conhecida como
forma de compreender o processo de aprendizagem.
Aprendizagem e compreensão são sinônimos na teoria de
Bruner, e a compeensão é um processo interno ao sujeito, que
depende de seus processos cognitivos e de sua ação sobre o
objeto de conhecimento. Deste modo, Bruner diverge da posição
behaviorista, segundo a qual a aprendizagem é a aquisição de
respostas a partir da ação do meio externo sobre o sujeito.
Para Bruner, a proposta behaviorista de uma instrução
programada, envolvendo o controle por meio de recompensas,
não é capaz de provocar uma verdadeira motivação para o
trabalho, como defendia Skinner. Os conteúdos aprendidos
por descoberta, estes sim, teriam o potencial de ser
generalizados para as mais variadas situações, favorecendo
a recuperação de informações pela memória, já que estas
informações passaram a compor a estrutura cognitiva por uma
construção do próprio aprendiz.
São conceitos básicos utilizados por Bruner para explicar como
ocorre o processo de aprendizagem: motivação, estrutura,
seqüência e reforço.
A motivação é a vontade de aprender que parte da criança
na forma de curiosidade, competência e reciprocidade. A
curiosidade é um impulso vital que deve ser orientado
pelo professor. A competência é inata e responsável por
nosso interesse em atividades nas quais nos saímos bem. A
reciprocidade é a necessidade de trabalhar em grupo.
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psicologia_da_educacao.indb 66
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Psicologia da Educação I
O conceito de estrutura corresponde à organização do
conteúdo a ser ensinado. É atividade do professor organizar o
assunto a ser tratado com atenção ao modo de apresentação,
à economia de apresentação e ao poder de apresentação. O
modo de apresentação deve ajustar-se à experiência da criança
e ao tipo de assunto. A informação a ser fornecida ao aluno
deve ser econômica, quantificada de acordo com a necessidade
para avançar à próxima etapa da aprendizagem. O poder
da apresentação está em levar o aluno a estabelecer novas
relações entre os conteúdos estudados, e destes com os outros
conhecimentos que já possui.
Seqüência diz respeito à idéia de Bruner de que, embora não
exista um ordenamento único no qual o conhecimento deve ser
apresentado ao aprendiz, sendo a melhor seqüência variável de
acordo com quem aprende, ainda assim, o grau de complexidade
da compreensão poderia ser indicado para a formulação da
seqüência de conteúdos a ensinar. Para Bruner, a compreensão
inicia com a representação motora do objeto de conhecimento,
passando pela representação icônica ou imagética e chegando
à representação simbólica, seqüência que o currículo de ensino
também poderia seguir.
O conceito de reforço é apresentado por Bruner de modo
diferente do modo como o Behaviorismo o apresenta. O reforço
é o conhecimento sobre os próprios resultados. É a informação Na seção anterior, você
que o sujeito recebe sobre seus resultados no processo de
conheceu o conceito de
aprendizagem e sobre o valor de tê-los atingido para o avanço aos estrutura cognitiva, e
percebeu que este se
próximos objetivos.
Bruner compartilha com outros pesquisadores cognitivistas
a idéia de que o sujeito que aprende é ativo e, a partir de seus
conhecimentos prévios, pode construir, por meio de sua própria
ação, novos conceitos. Para ele, o aprendiz seleciona e transforma
a informação, compondo a sua estrutura cognitiva.
relaciona com esquemas
ou modelos mentais
constituídos pela interrelação dos conceitos
aprendidos até então, os
quais se organizam na
forma de uma rede.
Desta forma, para Bruner, a aprendizagem implica a realização
de um conjunto de ações cognitivas que põem em movimento
todos os processos mentais para compreender a realidade.
Unidade 3
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Bruner valoriza duas idéias: a de aprendizagem por
descoberta, a qual já tratamos na seção anterior, e a
de currículo em espiral.
Falar em currículo em espiral significa dizer que o currículo
deve organizar-se de modo que o aluno possa ter acesso e
trabalhar de forma periódica os mesmos conteúdos, sendo que,
a cada nova oportunidade, estes são trabalhados com maior
profundidade. Desta forma, o aluno pode qualificar cada vez
mais as categorias que vem construindo. Isso mostra que Bruner
não valoriza apenas a descoberta de conceitos novos, mas também
o aprofundamento dos conceitos já aprendidos.
Quanto à aprendizagem por descoberta, Bruner a defende porque
acredita que esta pode liberar o estudante de expectativas quanto
à existência de uma única resposta correta, havendo sempre uma
nova abordagem para o conhecimento e a possibilidade de que
o aluno coloque em ação toda a sua capacidade cognitiva para
buscar conhecer. A aprendizagem por descoberta, de acordo
com Bruner, é sempre mais duradoura do que outras formas de
aprendizagem.
Para a aprendizagem significativa, Bruner recomendou que o
professor se utilizasse de perguntas como método educativo.
As questões deveriam ser colocadas de modo a levar o aluno
a descobrir por ele mesmo as soluções para os problemas.
Quanto ao aprendiz, se o processo de ensino estiver ocorrendo
adequadamente, este deverá:
„
ter clareza sobre o objetivo da aprendizagem;
„
vivenciar o processo num clima de constante desafio,
sem sentir nem demasiada dificuldade, nem demasiada
facilidade;
„
sentir-se capaz de realizar a tarefa;
„
contar com a ajuda dos colegas;
„
explorar ativamente alternativas para a solução do
problema;
„
contar com a orientação do professor, que coloca questões
que possam levar à descoberta de soluções.
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Psicologia da Educação I
Atividades de auto-avaliação
Efetue as atividades de auto-avaliação e, a seguir, acompanhe as
respostas e comentários. Para melhor aproveitamento do seu estudo,
confira suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.
1) A partir do conteúdo estudado na Seção 1, escolha um dos processos
mentais apresentados e dê um exemplo de seu dia–a-dia no qual o
funcionamento deste processo apareça em evidência.
Unidade 3
psicologia_da_educacao.indb 69
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Universidade do Sul de Santa Catarina
2) A teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel trata do
processo de ensino-aprendizagem e de suas características, que
resultam em aprendizagens mecânicas ou significativas. A partir disso:
a) Relembre seu passado escolar buscando identificar uma situação
em que um determinado conteúdo foi aprendido mecanicamente.
Descreva esta situação, mencionando se esta aprendizagem se deu por
descoberta ou por recepção. Explique por que você considera que esta
foi uma aprendizagem mecânica.
b) Agora, procure relembrar seu passado escolar, buscando identificar
uma situação em que um determinado conteúdo foi aprendido
significativamente. Descreva esta situação, mencionando se esta
aprendizagem se deu por descoberta ou por recepção. Explique por
que você considera que esta foi uma aprendizagem significativa.
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psicologia_da_educacao.indb 70
26/4/2007 15:02:23
Psicologia da Educação I
3) Para Bruner, o currículo ideal seria organizado em espiral, numa
seqüência que fosse capaz de levar o aluno à compreensão dos
conteúdos. A partir desta idéia, relacione o conceito de seqüência com
o conceito de currículo espiral.
Unidade 3
psicologia_da_educacao.indb 71
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26/4/2007 15:02:23
Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você estudou as características gerais e os
conceitos fundamentais de algumas teorias cognitivistas.
Aprendeu sobre as características dos processos mentais
cognitivos – atenção, percepção, memória, pensamento,
linguagem e imaginação – e conheceu duas importantes
teorias cognitivistas sobre a aprendizagem: a da aprendizagem
significativa, de David Ausubel, e o pensamento de Jerome
Bruner.
Saiba mais
Para saber mais sobre os processos psicológicos e sobre o
Cognitivismo, você poderá consultar o manual intitulado
Psicologia Cognitiva, desenvolvido pelos americanos Eysenck e
Keane, ou o livro Introdução à Psicologia, de Linda Davidoff.
Você encontra a referência completa ao final do livro didático.
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psicologia_da_educacao.indb 72
26/4/2007 15:02:23
UNIDADE 4
Concepções de
desenvolvimento e práticas
pedagógicas
4
Objetivos de aprendizagem
„
Conhecer as principais discussões que são realizadas
pela Psicologia ao estudar o desenvolvimento e a
aprendizagem.
„
Compreender as implicações pedagógicas das
concepções inatista, comportamentalista e cognitivista
do desenvolvimento e da aprendizagem.
Seções de estudo
Seção 1 O que é desenvolvimento?
Seção 2 O que é aprendizagem?
Seção 3 O Inatismo, o Comportamentalismo e o
Cognitivismo nas práticas pedagógicas
psicologia_da_educacao.indb 73
26/4/2007 15:02:23
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de conversa
A aprendizagem e o desenvolvimento acontecem desde que
nascemos, ou mesmo antes!
A aprendizagem é um processo que depende das condições e
situações que as pessoas experimentam ao longo de suas vidas.
Já o desenvolvimento é associado às mudanças que ocorrem nos
indivíduos, em função ou não de tais experiências.
Lendo estas considerações iniciais, absolutamente gerais, é
possível que você já esteja com algumas questões “pipocando” em
seu pensamento. Afinal, a coisa não é tão simples assim!
Algumas questões clássicas – “Como a integração de novas
experiências, que caracteriza a aprendizagem, realmente
acontece?”; ”Quais são as relações entre aprendizagem e
desenvolvimento?”; ”Como a educação se relaciona com estes dois
processos?” – não podem ser respondidas com frases feitas.
Os conceitos de aprendizagem e de desenvolvimento não podem
ser esgotados sob um único ponto de vista. Saiba que estes
processos são tão complexos que, apenas para uma introdução a
eles, você precisará estudar todo o livro didático desta disciplina.
O desenvolvimento humano e a aprendizagem dentro e fora da
escola serão nossos objetos de estudo.
Para conhecer as idéias psicológicas e pedagógicas sobre o
desenvolvimento e a aprendizagem na escola, começaremos por
buscar respostas para as perguntas-chave do nosso estudo: afinal,
o que é desenvolvimento? O que é aprendizagem? Vá pensando
sobre essas questões, siga em frente e... vamos lá!
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26/4/2007 15:02:24
Psicologia da Educação I
SEÇÃO 1 – O que é desenvolvimento?
O desenvolvimento pode ser entendido como o conjunto das
transformações que se sucedem ao longo do tempo nas pessoas,
sendo que a passagem do tempo, por si só, não é a única
responsável por este processo. O desenvolvimento se expressa na
evolução da inteligência e das modalidades de relacionamento
afetivo e social.
É consenso entre os estudiosos que o desenvolvimento humano
pode ser analisado a partir de, pelo menos, três aspectos:
1. padrões universais;
2. diferenças individuais;
3. aspectos contextuais.
A ênfase dada a cada um desses aspectos, no entanto, depende
da orientação teórica a qual se filia o pesquisador que investiga
o desenvolvimento. Veja a seguir o que significa analisar o
desenvolvimento a partir de cada uma dessas dimensões.
1. Padrões universais
Quando mencionamos padrões universais, estamos nos
referindo a alguns eventos que são comuns ao desenvolvimento de
todos os humanos. Por exemplo: durante o segundo ou o terceiro
mês de vida, as crianças sorriem ao visualizar o rosto de alguém;
até o final do primeiro ano ou início
do segundo, quase todas as crianças
dizem a primeira palavra e também dão
seus primeiros passos. Isso ocorre com
todas as crianças, não importa de que
parte do mundo sejam ou a que cultura
pertençam.
A partir da observação desses eventos,
tanto os teóricos do desenvolvimento
como as demais pessoas que se
interessam pelo assunto – pais, professores, profissionais de saúde
– se questionam:
Unidade 4
psicologia_da_educacao.indb 75
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26/4/2007 15:02:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como e por que esses eventos ocorrem na mesma
época? O que é normal e o que é anormal em cada
idade?
As aquisições da espécie humana,
que aparecem em todos os seus
membros, de um modo geral,
são chamadas de filogenéticas.
As aquisições que aparecem após
o nascimento e dependem das
interações com o meio e com
os demais seres humanos são
denominadas ontogenéticas.
Nem todas as teorias do desenvolvimento dão a mesma relevância
aos padrões universais, sendo que algumas até mesmo os negam.
Uma explicação para a ocorrência de situações semelhantes,
nas mesmas faixas etárias, em seres humanos do mundo todo,
seria a possibilidade de certas aquisições, como a capacidade
de expressar emoção desde o nascimento ou de desenvolver a
linguagem, já fazerem parte da genética da espécie humana.
Neste caso, o desenvolvimento filogenético explicaria as etapas
universais pelas quais passaria o homem.
A polêmica maturação X aprendizagem
Alguns autores afirmam que não é possível fazer distinção
entre o que é inato e o que é adquirido, pois afirmam que o
que pensamos ser inato nas crianças de nossa
espécie assim o é porque foi adquirido em
algum momento da filogênese (evolução da
espécie), e o que pode ser adquirido hoje pela
experiência encontra condições para isso,
graças a características inatas do ser humano.
Ao abordar esta questão, Palácios (1995, p.18)
mostra que o código genético do ser humano
apresenta certos conteúdos que são fechados e
outros que são abertos. Os conteúdos fechados
correspondem àqueles que não podem ser alterados pela
experiência individual,
são conteúdos que nos definem como espécie e que
somente sofrem alterações no nível da espécie em
conseqüência de processos fi logenéticos extremamente
longos. Nossas características morfológicas (um cérebro,
duas orelhas, um nariz posicionado a meio caminho
entre uma e outra, dois pulmões, etc.), nosso calendário
maturativo (nascemos sem dentes e a seguir nascem os
dentes da primeira dentição, que são substituídos mais
tarde por outros que felizmente costumam durar muitos
anos mais; a puberdade transforma o corpo infantil em
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psicologia_da_educacao.indb 76
26/4/2007 15:02:25
Psicologia da Educação I
corpo adulto; o envelhecimento pressupõe a deterioração
de certas funções biológicas, etc.) são próprios da nossa
espécie e não podem ser diferentes nos indivíduos
normais, nos representantes típicos da espécie humana
que constituem a grande maioria das pessoas.
Os conteúdos abertos do nosso código genético, por sua vez,
não seriam conteúdos concretos pré-definidos, mas sim
potencialidades de desenvolvimento. Eles existem graças ao que
foi estabelecido no conteúdo fechado, mas podem desenvolverse ou não, de acordo com as experiências e interações vividas
pelo sujeito que os carrega. É o caso da potencialidade para o
desenvolvimento da linguagem. Esta se desenvolverá somente
se a criança viver em meio a pessoas falantes, ou que utilizam
alguma forma de comunicação. Caso contrário, não aparecerá,
mesmo que o código genético apresente esta possibilidade como
característica da espécie humana.
O filme Nell (1994,
dirigido por Michael
Apted) conta a história
de uma mulher que se
desenvolveu solitária na
floresta, sem nenhum
contato com outros
humanos durante 30
anos. Quando encontrada,
passou a ser objeto de
curiosidade e de estudos
que pretendiam fazer
com que ela se adaptasse
à vida na cidade.
Assistindo este filme você
compreenderá melhor
a polêmica discussão
entre maturação e
aprendizagem ou entre o
que é inato e adquirido.
Unidade 4
psicologia_da_educacao.indb 77
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26/4/2007 15:02:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
Ainda nesta unidade, você estudará as implicações
pedagógicas que decorrem de acreditar que as possibilidades
de desenvolvimento e a capacidade de aprendizagem já estão
determinadas desde o nascimento. Esta concepção é chamada
de Inatismo. Você conhecerá também o Comportamentalismo
e suas implicações para a prática pedagógica. Para o
Comportamentalismo, tudo o que somos é resultado dos
estímulos que recebemos do ambiente em que estamos inseridos.
Ainda que a polêmica “maturação X aprendizagem”, ou “inato X
adquirido”, possa ser infrutífera, ela já foi bastante significativa.
Na história do estudo do processo de desenvolvimento humano,
surgiram controvérsias em torno dos fatores responsáveis pelo
desenvolvimento, a questão que se colocava era:
Serão a maturação biológica ou os processos
de aprendizagem responsáveis por nosso
desenvolvimento?
Organicistas e mecanicistas procuraram responder esta questão
elegendo, cada qual, um destes fatores em detrimento do outro.
Acompanhe a seguir o que caracteriza o Organicismo e o
Mecanicismo.
Organicismo
O desenvolvimento humano depende muito da maturação
dos órgãos do corpo de um modo geral, e do cérebro em
particular. Mas qual será o peso deste fator na determinação das
características a serem desenvolvidas pelos indivíduos?
Certas teorias, ainda que não considerem a maturação biológica
como sendo o único fator responsável pelas mudanças que
ocorrem no ciclo vital, valorizam mais o desenvolvimento
orgânico do que outros fatores como explicação para o
desenvolvimento em geral. Essas teorias são chamadas
organicistas.
Na Europa, no século XVIII, já havia uma compreensão de
que o desenvolvimento humano poderia ser explicado
por meio de fatores inatos ou naturais. Palacios
(1995, p. 12) afirma em seus estudos que:
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26/4/2007 15:02:30
Psicologia da Educação I
Rousseau (1712-1778), por um lado, e I. Kant (17241804), por outro, servem para exemplificar um ponto
de vista no qual se defende a existência de determinadas
características inatas do ser humano, sejam elas, como
no caso de Rousseau, a bondade natural da criança, ou,
como no caso de Kant, a existência de categorias inatas
do pensamento.
Os posicionamentos organicistas situam-se nesta tradição de
pensamento. No século XX, a Epistemologia Genética de Jean
Piaget e a teoria do desenvolvimento psicossexual de Sigmund
Freud foram consideradas teorias organicistas. Jean Piaget
evidenciou a tendência biológica à adaptação e à equilibração
como explicação para o desenvolvimento cognitivo. Sigmund
Freud chamou a atenção para a tendência universal e inata do
ser humano para a busca de satisfação e prazer, como fator que
desencadeia o processo de desenvolvimento da personalidade.
Ambas teorias, Epistemologia Genética e Psicanálise,
embora apresentem diversos pontos de divergência – que você
compreenderá ao conhecer cada uma delas mais a fundo nas
próximas unidades –, apresentam também algumas semelhanças
importantes para defini-las como organicistas.
Segundo estas teorias, o caminho evolutivo está
orientado para atingir uma determinada meta.
No caso da Epistemologia Genética, esta meta
seria as operações formais que caracterizam o
pensamento adulto. No caso da Psicanálise, seria a
heterossexualidade adulta. Para ambas, o percurso
até este “ápice” aconteceria na forma de estágios bem
determinados.
Mecanicismo
As experiências vividas pelas pessoas desde que nascem e as
conseqüentes aprendizagens são um importante fator que
intervém para que ocorra o desenvolvimento. A importância da
experiência e a maneira como esta incide sobre o desenvolvimento
humano são vistas de diferentes formas, de acordo com a teoria
mecanicista.
Unidade 4
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Nos séculos XVII e XVIII, a corrente filosófica empirista se
fortaleceu sendo expressa no pensamento de J. Locke (16321704) e D. Hume (1711-1776), entre outros, postulando, como
apontado por Locke, que a mente humana pode ser comparada,
no momento do nascimento, a um quadro em branco, uma
tábula rasa, sem conteúdo algum.
A estimulação recebida no contato com o meio seria, então,
responsável em prover a mente de todo o seu conteúdo. Uma
das afirmações mais famosas de Hume é a de que não há
nada na inteligência que não tenha passado antes pelos sentidos.
Assim, segundo esta visão, são as características do meio que
determinam as características e o desenvolvimento do sujeito.
A idéia da mente humana como uma tábula rasa lhe
parece familiar? Por quê?
Assim, as teorias que consideram o desenvolvimento como uma
sucessão de reações aos estímulos do ambiente são denominadas
mecanicistas.
Como crítica a estas teorias e seguindo o que afirmou Palacios
(1995, p. 12), “no final das contas, a partir deste ponto de vista, o
desenvolvimento carece de dinâmica interna própria e limita-se a
ser, como já se indicou, uma história de aprendizagens”.
A teoria behaviorista, que você estudou na unidade 1, considera a
experiência/aprendizagem o único fator relevante para que ocorra
o desenvolvimento.
Atualmente, as concepções mais aceitas sobre o desenvolvimento
e a aprendizagem procuram valorizar diferentes fatores, na
busca em compreender o processo de desenvolvimento da mente
humana, incluindo a maturação biológica e a experiência.
Desta forma, a polêmica “aprendizagem X maturação” perdeu
um pouco o sentido, na medida que outras discussões foram
surgindo, colocando estes dois fatores como co-responsáveis pelo
desenvolvimento. O problema fundamental que se estabeleceu
recentemente é saber como estes fatores se inter-relacionam no
processo de desenvolvimento humano.
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Psicologia da Educação I
2. Diferenças individuais
Embora existam etapas que são universais no processo de
desenvolvimento humano, sabemos que cada indivíduo tem
características que lhes são próprias, comportando-se de
maneiras diferentes nas mais diversas situações, aprendendo de
forma mais rápida ou mais lenta em relação aos companheiros
ou demonstrando uma atitude mais positiva ou mais negativa
frente à vida.
Como explicar estas diferenças? São intrínsecas aos
indivíduos ou dependem das relações em que eles
estão inseridos?
É interessante perceber que os bebês são muito semelhantes em
seu calendário maturativo em diferentes culturas. A estimulação
é muito importante desde o nascimento, mas certas aquisições,
mesmo sob poucas estimulações, como a capacidade de levar a
mão à boca e a de engatinhar, dificilmente deixarão de aparecer
mais ou menos na mesma época em todos os bebês.
No entanto, à medida que nos afastamos da primeira
infância, as diferenças individuais vão aumentando.
Isto mostra que a herança filogenética atua muito
mais sobre o desenvolvimento humano nos
primeiros anos de vida do que nos anos posteriores.
De acordo com esta observação, as diferenças
individuais estariam mais relacionadas à história das relações
vividas pelo sujeito do que a predisposições inatas. Assim, numa
visão geral acerca do desenvolvimento humano, poderíamos
afirmar que é a representação interna de relações interpessoais
estáveis, mantidas pelo indivíduo com seu meio, que produzirá
o desenvolvimento psicológico. A questão a ser respondida seria
então:
Como se constroem tais representações internas que
nos conferem individualidade?
Você encontrará diferentes respostas para esta pergunta,
conforme a teoria psicológica em questão.
Unidade 4
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26/4/2007 15:02:32
Universidade do Sul de Santa Catarina
3. Aspectos contextuais
Como você acompanhou anteriormente, ao abordarmos a
dimensão das diferenças individuais, ressaltamos que o que
confere individualidade aos sujeitos são
as representações internas produzidas nas
relações interpessoais que estes estabelecem
no meio em que vivem.
É importante salientar que, quando
afirmamos que as relações interpessoais,
vividas pela criança em seu contexto,
produzirão o seu desenvolvimento, não
estamos, de forma alguma, defendendo
a abordagem mecanicista que dá a idéia
de que somos o resultado direto do
contexto em que vivemos. Entendemos que valorizar os aspectos
contextuais não é o mesmo que defender que os estímulos do
meio produzem o jeito de ser dos sujeitos.
Acreditamos que cada grupo cultural organiza de
modo diferente as experiências de educação e de
desenvolvimento vividas pela criança em distintas
épocas históricas. Houve um tempo em que a figura
“criança” nem mesmo existia.
O ser criança ou adolescente como conhecemos na atualidade
é uma “invenção” da sociedade contemporânea. Até
aproximadamente o século XIII, as crianças eram representadas
na pintura como miniaturas de adultos, com as mesmas
características destes e realizando tarefas idênticas. As crianças
trabalhavam nos mesmos locais que os adultos, com uma jornada
de trabalho quase igual. A morte de uma pessoa pequena era
desconsiderada, pois se acreditava que muitas pessoas pequenas
deveriam nascer para que poucas sobrevivessem. A mortalidade
infantil era considerada natural.
Somente a partir do século XVII é possível verificar modificações
significativas no conceito de criança, passando-se a assumir
que as crianças devem ter tratamento diferenciado dos adultos,
por estarem ainda em formação. A criança, assim, passou a
ser merecedora de orientação e educação adequadas às suas
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psicologia_da_educacao.indb 82
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Psicologia da Educação I
especificidades. De acordo com Carvalho (1996, p. 15), assumir
que as crianças são diferentes dos adultos
favoreceu a adequação dos alimentos, das roupas, dos
lazeres. Ainda mais, suscitou interesses que culminaram
em mais estudos e mais conhecimento. Algumas
observações, entretanto, se impõem. Atualmente, as
crianças desfavorecidas economicamente são submetidas a
condições análogas às existentes no séc. VI.
Contudo, passados tantos anos, ainda não podemos garantir
que o desenvolvimento das crianças que vendem bugigangas nas
ruas e que dormem nos bancos das praças acontece do mesmo
modo que o desenvolvimento das crianças que moram com suas
famílias, que não trabalham e que freqüentam escolas, no mais
das vezes, particulares. Certamente identificaremos diferenças
no processo de desenvolvimento destes sujeitos que vivem em
contextos diferentes.
Com isso, percebemos que o ambiente em que o sujeito está
inserido, seu contexto social, econômico e cultural e também
suas relações na família, na escola e no trabalho, são aspectos
contextuais extremamente relevantes a serem considerados na
análise do processo de desenvolvimento.
Assim, interessam aos estudiosos do desenvolvimento
questões como: por que as crianças de famílias ricas, de
um modo geral, têm melhor desempenho escolar do que as
crianças de famílias muito pobres?
Além de questionar sobre o desenvolvimento infantil, deve
nos preocupar também saber como o desenvolvimento
ocorre em relação ao contexto de vida em outras idades. Que
implicações pode ter, para o desenvolvimento de um adulto
trabalhador, por exemplo, a volta aos estudos após trinta anos
sem ir à escola? Quais as relações entre o desenvolvimento do
adolescente e o modo como seus pais agem, mais permissivos
ou mais autoritários?
Estas questões muito nos interessam quando estudamos
aspectos contextuais em sua relação com o desenvolvimento
humano. Outro debate interessante existente nos estudos sobre
o desenvolvimento é o que se refere à “atividade X passividade”.
Acompanhe a seguir.
Unidade 4
psicologia_da_educacao.indb 83
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26/4/2007 15:02:33
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividade X passividade
Atualmente, é aceito que a aprendizagem e o desenvolvimento
não dependem apenas da ação do mundo externo sobre o
sujeito, mas também da ação do sujeito sobre o mundo.
As trocas entre o sujeito e o mundo promoveriam
a aprendizagem, isto é, a assimilação das
características da realidade e a construção de idéias
particulares do sujeito sobre esta realidade.
Desta forma, o sujeito é visto como ativo no processo
de aprendizagem, em lugar de permanecer passivo,
somente recebendo a influência do meio ou, por outro
lado, esperando que a maturação biológica aconteça.
As teorias do desenvolvimento que tomam tanto
a ação do sujeito sobre o mundo quanto a ação do
mundo sobre o sujeito como fatores importantes que
interagem para que aprendizagem e desenvolvimento
ocorram são chamadas de interacionistas.
O movimento escolanovista se opôs
à educação tradicional, propondo
uma escola em que o aluno fosse
ativo e aprendesse a partir de seus
próprios interesses.
São concepções interacionistas do desenvolvimento e da
aprendizagem, desde a posição escolanovista de John Dewey,
o Cognitivismo de Jerome Bruner e as teorias psicogenéticas
de Jean Piaget, de L. S. Vygotsky e de Henri Wallon, que você
estudará na disciplina Psicologia da Educação II.
Mesmo entre os interacionistas, há diferenças de ênfase na
relação com o meio ou na relação com outras pessoas como
maior responsável pela promoção do desenvolvimento humano.
Algumas teorias interacionistas valorizam, mais do que outras, a
aprendizagem das características da cultura como promotora de
desenvolvimento do sujeito.
A teoria de Jean Piaget, embora não desconsidere a importância
do social no processo de desenvolvimento, enfatiza muito mais a
ação do sujeito sobre o meio material e cultural, como promotora
do desenvolvimento cognitivo, do que as relações sociais
propriamente ditas.
Lembre-se de que a ação do sujeito sobre o meio nesta teoria é
motivada pela tendência biológica à equilibração, como já foi dito
quando a caracterizamos como organicista.
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psicologia_da_educacao.indb 84
26/4/2007 15:02:33
Psicologia da Educação I
Na teoria piagetiana, as interações sociais contribuiriam mais
para o desenvolvimento do juízo moral, das idéias sobre o que é
certo e o que é errado, e mesmo o desenvolvimento deste juízo
teria como pré-requisito o desenvolvimento cognitivo.
Além disso, no interacionismo de Jean Piaget, para
que ocorra a aprendizagem, é necessário que os ciclos
de desenvolvimento correspondentes já tenham
sido completados. Do contrário, o indivíduo não teria
condições para assimilar o que se pretende ensinar.
Desta forma, a educação mantém-se secundária
no processo de desenvolvimento que ocorre fora
da escola principalmente, e é pré-requisito para as
aprendizagens que nela acontecem.
Nas teorias interacionistas que enfatizam o processo históricocultural de desenvolvimento humano, como a teoria de L. S.
Vigotski e a de H. Wallon, a construção do psiquismo vai do
interindividual para o intraindividual, isto é, das relações sociais
para a relação do sujeito consigo mesmo.
Para estas teorias, nem todas as interações promovem o
desenvolvimento, mas somente aquelas que, partindo de onde o
sujeito se encontra em termos de desenvolvimento, são capazes
de levá-lo a pensar ou fazer um pouco além do que já pensa
ou já faz por si mesmo. Nesta visão, a educação se
evidencia como fundamental para a promoção do
desenvolvimento.
Você aprofundará o estudo das diferenças existentes
entre as teorias interacionistas contemporâneas ao
conhecer cada uma delas mais detalhadamente na
disciplina Psicologia da Educação II, na qual serão
abordadas as teorias psicogenéticas.
Agora que já exploramos diferentes facetas dos estudos sobre o
desenvolvimento, que tal passarmos a um outro pólo de nosso
estudo: a aprendizagem?
Unidade 4
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Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 2 – O que é aprendizagem?
Na seção anterior, você teve a oportunidade de ampliar sua visão
sobre o sentido das experiências promotoras de aprendizagem
e desenvolvimento, percebendo que estas não incidem sobre o
sujeito unilateralmente, de fora para dentro, de modo mecânico.
O estudo da aprendizagem evoluiu significativamente ao longo
do século XX. A influência do Behaviorismo e, posteriormente,
do Cognitivismo não pode ser desmerecida para a compreensão
psicológica do que é aprendizagem.
Como você estudou na unidade 1, para o Behaviorismo, a
aprendizagem é, essencialmente, a aquisição de respostas.
A partir desta perspectiva, deriva-se que o aprendiz reage
passivamente aos estímulos externos, e a finalidade do ensino
é aumentar o número de respostas corretas. O conceito de
aprendizagem desenvolvido pela teoria behaviorista alimenta a
concepção comportamentalista de ensino e de aprendizagem que
você estudará na próxima seção.
A concepção comportamentalista fortaleceu-se no
mundo todo na primeira metade do século XX, e
foi importante para o dimensionamento do ensino
tecnicista que caracterizou a educação brasileira no
período da ditadura militar.
Outra importante forma de compreender a aprendizagem
baseada nos estudos da Psicologia foi aquela influenciada pelo
Cognitivismo. Com o desenvolvimento do cognitivismo, a
partir das décadas de 1950 e 1960, a aprendizagem passou a
ser compreendida como aquisição de conhecimento. Esta
concepção aparece na escola com a busca de que o aluno
melhore os seus processos cognitivos, a sua capacidade de
memorização, o seu grau de domínio do conhecimento
acadêmico e, enfim, a sua inteligência.
Numa visão contextualista-interacionista dos processos de
desenvolvimento e de aprendizagem, o proveito que os sujeitos
tiram das experiências para o seu desenvolvimento está
vinculado à sua atividade sobre o meio e às relações sociais
nele estabelecidas.
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Psicologia da Educação I
A visão contextualista-interacionista do desenvolvimento está
hoje relacionada às teorias que se inserem no modelo históricocultural. Você estudará mais profundamente as teorias que se
inserem no modelo histórico-cultural em Psicologia da Educação
II. Segundo estas teorias, a aprendizagem de algo novo é que
impulsiona o desenvolvimento. Isto quer dizer que as pessoas
se desenvolvem na medida em que internalizam conteúdos da
cultura, representando-os internamente.
Desta forma, o ensino não deve esperar que os
ciclos de desenvolvimento de certas capacidades
sejam completados para introduzir conhecimentos
novos, pois é esta contribuição que faz com que o
sujeito avance.
A aprendizagem que acontece na escola é fundamental para
que o desenvolvimento ocorra, de modo que o ensino escolar
não se dissocie do desenvolvimento humano em geral.
Além disso, a aprendizagem não impulsiona somente
o desenvolvimento intelectual, mas também
o desenvolvimento afetivo e social estão
relacionados à apropriação das mediações
culturais encontradas na sociedade.
As teorias estudadas nesta disciplina discordam
entre si em muitos pontos, mas concordam que a
aprendizagem está relacionada com as experiências
vividas durante o processo de desenvolvimento.
Concordam também que a aprendizagem ocorre
em todo lugar e durante a vida toda, e não
somente na escola.
É na escola, no entanto, que se espera que os processos
de
aprendizagem sejam organizados intencionalmente, de modo
a facilitar e garantir o desenvolvimento de competências e a
assimilação de conteúdos, considerados relevantes pela sociedade
para o desenvolvimento dos indivíduos que a compõem. Na
próxima seção, você poderá identificar relações entre os modelos
organicistas, o Behaviorismo e o Cognitivismo e práticas
pedagógicas comuns no contexto escolar.
Unidade 4
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Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 3 – O Inatismo, o Comportamentalismo e o
Cognitivismo nas práticas pedagógicas
Ao longo dos estudos realizados até o momento nesta disciplina,
você conheceu diferentes teorias que fazem parte da história
da Psicologia. Você percebeu, estudando as seções anteriores,
que estas diferentes teorias psicológicas carregam suas próprias
concepções de sujeito que aprende e se desenvolve.
Durante o século XX, as teorias psicológicas foram tendo
cada vez maior influência sobre a compreensão do processo de
ensino e aprendizagem na escola. Não somente a influência da
Psicologia, mas também o próprio senso comum produziram
uma mistura de idéias sobre a relação ensino-aprendizagem que
poderíamos chamar de “Epistemologia do professor”, utilizando a
denominação cunhada por Fernando Becker (1998).
A Epistemologia do professor tem a ver com o modo como
o docente entende que as pessoas adquirem conhecimento e,
em decorrência disso, o modo como entende que devem ser
ensinadas. Envolve concepções de aluno, ensino, aprendizagem,
desenvolvimento e conhecimento que observamos arraigadas no
cotidiano escolar. Entre estas concepções, estão o Inatismo, o
Compotamentalismo e o Cognitivismo. As características e
implicações pedagógicas de cada uma destas concepções serão
estudadas nesta seção.
Inatismo
A concepção inatista relaciona-se à crença em que as
características de cada indivíduo, sua personalidade, suas
aptidões, o desenvolvimento dos seus valores, seus modos de
compreender a realidade, entre outros aspectos, já se apresentam
praticamente prontos desde o nascimento. O que não está pronto
desenvolve-se com o tempo, amadurecendo ou desabrochando,
como ocorre com os vegetais, em cuja semente está a previsão de
todas as características a serem desenvolvidas no futuro.
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Psicologia da Educação I
Comentários como “ele é uma criança de boa índole”,
“eu sei que está tudo na cabecinha dele, e a qualquer
hora ele vai mostrar o que sabe”, “quem é bom já
nasce feito” e “pau que nasce torto morre torto”
ilustram esta concepção de sujeito que “nasce pronto”
e pode ser somente aprimorado pela qualidade das
experiências externas, mas nunca modificado.
Segundo esta concepção, a aprendizagem decorre da
maturação e do desenvolvimento das capacidades que estavam
potencialmente dadas ao indivíduo, e não da intervenção
do professor no processo de ensino. Segundo o Inatismo, a
dificuldade para aprender é relacionada à imaturidade ou à falta
de “prontidão” para a aprendizagem.
Os pressupostos que fundamentam essa concepção se revelam
nas práticas pedagógicas de influência escolanovista que
se multiplicaram no Brasil a partir dos anos 1930. Estas
tendem a subordinar aprendizagem ao ritmo individual e à
“maturação” da criança. Você pode perceber este ponto de
vista revisando as idéias de Edouard Claparède, que você
estudou na Seção 2 da unidade 1.
O pensamento pedagógico de Edouard Claparède é
considerado inatista.
Na escola, observou-se, como influência desta concepção, a
busca de enquadramento das crianças em classes distintas em
função de suas características individuais, e a organização
dos conteúdos a serem ensinados de acordo com essas
diferenças, entendidas como naturais e imutáveis.
O professor perde seu papel social de formador, já
que a situação escolar não alteraria ou ampliaria as
determinações psicológicas inatas. Sua função centra-se
em respeitar os dons, interesses ou capacidades individuais
exibidos pelas crianças espontaneamente.
Partindo desta concepção, o sistema escolar não se responsabiliza
pelo desempenho das crianças na escola, pois serão bemsucedidas as crianças que, dotadas naturalmente de potencial
para aprender, aproveitarem as oportunidades educativas. Assim,
Unidade 4
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Universidade do Sul de Santa Catarina
a responsabilidade pelo aprendizado é quase exclusivamente
do aluno, e o papel das interações sociais no desenvolvimento
humano, fora e dentro da dinâmica escolar, é desconsiderado.
Comportamentalismo
A concepção comportamentalista do desenvolvimento e da
aprendizagem está muito ligada à teoria behaviorista, que você
estudou na unidade 1. Por isto, será ótimo se você puder voltar
algumas páginas e reler o que estudou a respeito desta teoria.
Retomando o conteúdo sobre o Behaviorismo, você verá que,
nesta teoria, a aprendizagem é entendida como um processo
pelo qual o comportamento dos indivíduos é modificado
pelos estímulos recebidos do meio em que está inserido. Este
passa a produzir respostas, isto é, a se comportar, de acordo
com os incentivos que recebe, os quais podem ser planejados
a fim de reforçar o comportamento considerado adequado
para cada situação.
Para o Behaviorismo, é a organização das condições
externas que determina o comportamento dos
sujeitos.
Entre as tantas frases ouvidas no cotidiano que podem ilustrar
esse pensamento, podemos pinçar as seguintes: “é de pequenino
que se torce o pepino”, “o conteúdo entrou (ou não entrou) na
cabecinha dele”, “você vai escrever esta palavra repetidas vezes
até aprender”, entre outras. Lendo estas frases, você percebe que
nelas é dada uma grande importância ao ambiente externo, e
nenhuma importância à atividade do sujeito, para a modificação
do seu comportamento.
Nas práticas pedagógicas comportamentalistas, a ênfase é dada
ao planejamento e à organização das condições em que se dará
a aprendizagem, sendo estes os aspectos centrais do processo.
O papel do professor é organizar a seqüência do ensino,
programando-o de modo a atender os objetivos que almeja
alcançar em termos de respostas dos alunos. O objetivo das
situações de aprendizagem, nesta concepção, é fazer com que
os alunos reproduzam respostas consideradas corretas para as
questões apresentadas pelos professores.
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Psicologia da Educação I
O professor deve escolher os reforçadores positivos e negativos
que serão utilizados com o objetivo de estimular os alunos a
produzirem respostas adequadas.
Cognitivismo
Para os cognitivistas, o papel do ensino é aumentar o número
de conhecimentos dos alunos. A aprendizagem é vista como um
processo ativo do aprendiz. Este é visto como um sujeito que
recolhe, seleciona, processa e armazena a informação por meio de
seus próprios processos mentais. O modelo de processamento de
informação, ao comparar o cérebro a um sistema computacional,
coloca o indivíduo e seus processos mentais como centrais para
que a aprendizagem ocorra.
Para o Cognitivismo, é condição básica para que
ocorra a aprendizagem a intenção do sujeito, mesmo
que involuntária, de tornar coerente aquilo que lhe
surge como incoerente. É esta aparente incoerência
que o levará a ter o insight que transforma num
todo coerente o que antes era ilógico. No processo
de aprendizagem, assim, há uma reestruturação
do sistema cognitivo do sujeito para atender à nova
percepção da realidade.
Aprender é compreender e resulta da capacidade humana
de adquirir, transformar e avaliar informações que obtemos
da nossa experiência com o mundo. Para os cognitivistas, os
estímulos não influenciam mecanicamente o indivíduo e sua
aprendizagem. Esta acontece pela ação do sujeito, e não pela
influência do meio. O importante não é levar o aluno a executar
uma seqüência de comportamentos adequados, como propunha
o Behaviorismo, mas sim promover a sua compreensão da
estrutura da matéria em questão. A estrutura da matéria é a
inter-relação dos significados que a compõem.
Unidade 4
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A aprendizagem, para os cognitivistas, é algo que
o aluno faz que aconteça ao manejar a informação
recebida de modo organizado para que o
conhecimento seja mais duradouro e resistente
ao esquecimento. O principal objetivo da escola,
nesta perspectiva, é o desenvolvimento intelectual
do aluno, proporcionando-lhe conhecimentos
significativos e relevantes.
Os trabalhos dos cognitivistas permitiram à Psicologia da
Educação desenvolver métodos pedagógicos para ensinar a
pensar, para desenvolver estratégias de resolução de problemas e
ajudar o aluno a aprender a aprender. No entanto, os cognitivistas
deixaram de lado as implicações do ambiente sociocultural e das
interações sociais sobre o processo de aprendizagem.
Atividades de auto-avaliação
Efetue as atividades de auto-avaliação e, a seguir, acompanhe as
respostas e comentários. Para melhor aproveitamento do seu estudo,
confira suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.
1) Nesta unidade, você tomou conhecimento das diferentes visões sobre
o processo de desenvolvimento. Por vezes, essas visões se apresentam
antagônicas, isto é, opostas uma à outra. Partindo desta idéia:
a) identifique uma das oposições entre visões do desenvolvimento
descritas ao longo da unidade;
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Psicologia da Educação I
b) comente a oposição identificada, dando a sua opinião sobre como
resolver tal oposição a respeito dos fatores envolvidos no processo de
desenvolvimento;
c) traga um exemplo de uma situação do desenvolvimento humano
percebida por você que ilustre os seus argumentos.
Unidade 4
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você estudou diferentes modos de entender o
que é desenvolvimento e o que é aprendizagem. Você viu que,
por muito tempo, discutiu-se qual seria o maior responsável pelo
desenvolvimento: a maturação biológica ou a aprendizagem.
Viu também que teorias consideradas organicistas e teorias
consideradas mecanicistas procuraram oferecer respostas para
esta questão, defendendo com ardor outro ponto de vista.
Durante o estudo da primeira seção, você percebeu que as
teorias atuais sobre o desenvolvimento deixaram para trás esta
“briga” e procuraram analisá-lo numa perspectiva contextualistainteracionista. Assim, são valorizados fatores como maturação
biológica e aprendizagens, e as aprendizagens são compreendidas
como realizadas nas relações sociais contextualizadas
historicamente.
Quanto às relações sociais, evidenciamos que estas promovem
o desenvolvimento somente quando impulsionam os indivíduos
para além do que já sabem, em lugar de trabalharem somente
com o que já é conhecido. Os processos de aprendizagem
que ocorrem em contextos educacionais ganham, assim,
extrema importância, tornando-se parte integrante do
desenvolvimento humano. Apresentamos as concepções inatista,
comportamentalista e cognitivista do processo de ensino e
aprendizagem, e você pôde observar como o modo como o
professor entende que o aluno aprende transparece em sua prática
de ensino.
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Psicologia da Educação I
Saiba mais
Para saber mais sobre como o processo de desenvolvimento
é estudado pela Psicologia, você não pode deixar de ler ao
menos o primeiro e o último capítulo do volume 1 da obra
“Desenvolvimento Psicológico e Educação”(1995), organizada
por César Coll, Jesús Palacios e Álvaro Marchesi. Este volume
trata exclusivamente da Psicologia Evolutiva, área voltada para a
compreensão do desenvolvimento humano.
Unidade 4
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UNIDADE 5
A Psicologia da Educaçãona
realidade brasileira
5
Objetivos de aprendizagem
„
Identificar marcos importantes da história da Psicologia
da Educação no Brasil.
„
Caracterizar diferentes formas de entender o fracasso
escolar das crianças pobres a partir de reflexões
produzidas pela Psicologia no Brasil.
„
Conhecer campos de atuação da Psicologia na
aprendizagem escolar.
Seções de estudo
Seção 1 A Psicologia da Educação no Brasil
Seção 2 Psicologia, fracasso escolar e dificuldades
de aprendizagem
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
O estudo aprofundado da relação entre Psicologia e Educação
é atual e relevante em face da grande influência da Psicologia
no direcionamento das questões educacionais. O recurso a essa
ciência tem sido uma marca constante no modo de encarar e
buscar soluções para os problemas educacionais da modernidade.
No Brasil, esta relação estreitou-se nas primeiras décadas do
século XX, mais precisamente nos anos 20 e 30, momento em
que a sociedade brasileira via-se às voltas com as exigências
da modernidade capitalista. À Psicologia, com suas técnicas
inovadoras, era atribuído o papel de disciplina coadjuvante
na construção de um novo homem, especialmente por sua
contribuição aos aspectos metodológicos do ensino, ou seja, o
como ensinar.
Nesta unidade, estudaremos como esta história continua e
identificaremos como a Psicologia tem se relacionado com a
Educação na realidade brasileira.
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Psicologia da Educação I
SEÇÃO 1 – A Psicologia da Educação no Brasil
A Psicologia vem tendo a sua contribuição para a educação
reconhecida no Brasil desde a década de 1930, quando os
conteúdos desta ciência passaram a ser ministrados na
formação de educadores.
Do final do séc. XIX até meados do séc. XX, as
sociedades ocidentais, e a sociedade norte-americana
em particular, vivenciavam profundas transformações,
em curto espaço de tempo, na ciência, na economia,
na moral e nos costumes.
A não ser pelas perspectivas abertas pela Revolução Russa, o
capitalismo avançava sem obstáculos aparentes. No entanto,
nos anos 1930, após a quebra da bolsa de Nova Iorque, ocorrida
em 1929, os Estados Unidos passaram por dificuldades
econômicas e precisaram reorganizar-se por meio de programas
de financiamento para as empresas e de programas sociais de
combate à miséria e ao desemprego. Para evitar o descrédito no
sistema capitalista, tornou-se fundamental, mais do que nunca,
fortalecer as idéias liberais que o sustentavam.
Neste período, o Brasil começava a industrializar-se e urbanizarse. A partir da Proclamação da República, pretendeu-se a
transformação do cenário nacional e a construção da “nova
nação”. O ideário de modernização do país dominava os meios
intelectuais e apontava para a urgência de transformações tanto
econômicas, quanto na mentalidade da sociedade (CUNHA,
2001), e este processo deveria passar pela educação.
A educação passava a ser vista como grande
promotora das mudanças necessárias para a
manutenção do capitalismo no mundo e, no Brasil, era
considerada uma via importante para a modernização
do país.
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, marco histórico
da busca por transformações educacionais no Brasil, foi publicado
neste contexto, em 1932, trazendo idéias de intelectuais
brasileiros inspiradas no pensamento de escolanovistas como John
Dewey, dos Estados Unidos, e Edouard Claparède, da Europa.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
O ideário funcionalista que caracteriza esta linha de
pensamento norteou as reformas educacionais do período do
governo de Getúlio Vargas, no qual observou-se a introdução
progressiva da Sociologia e da Psicologia nos programas
de ensino voltados à formação docente. A introdução de
conteúdos da Psicologia deveu-se à necessidade sentida naquele
momento histórico de se repensar a formação docente em
bases científicas. No momento em que o acesso à escola se
amplia, estudar a inteligência, a aprendizagem e as diferenças
individuais assumiu grande importância.
A Psicologia se apresentava como disciplina
fundamental para o entendimento da criança que
chegava à escola e para o dimensionamento do
cidadão que se pretendia que ela se tornasse. As
informações obtidas nesses estudos formariam os
futuros professores.
Os laboratórios de Psicologia, em funcionamento anexos às
escolas de formação de professores, se proliferaram. Psicólogos
internacionalmente reconhecidos contribuíram no planejamento
das instalações dessas instituições, que se destinavam à
exposição de novos métodos de educação. Alfred Binet
colaborou com o médico brasileiro Manoel Bomfim (18681932) no planejamento do laboratório para o Pedagogium,
instalado no Rio de Janeiro em 1906.
Alfred Binet (1857-1911), juntamente com seu colega Simon,
foi responsável pelo desenvolvimento dos primeiros testes de
inteligência na Europa. Foram estes pesquisadores que criaram
a primeira escala métrica de inteligência, que permite medir o
Quociente de Inteligência (Q.I.).
Certamente você já ouviu falar do Q.I... Este índice, utilizado
para medida da inteligência, foi desenvolvido a partir da
submissão a testes compostos por questões de
raciocínio lógico. Aplicando estes testes a um
grande número de pessoas, verificou-se, para
cada idade, a quantidade de acertos médio. Desta
forma, podia se determinar o que foi chamado de
idade mental. A idade mental era transposta para
uma escala para estabelecimento do quociente de
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Psicologia da Educação I
inteligência. Assim, se o sujeito acerta um número de questões
correspondente à média para a sua idade, o índice de Q.I.
obtido denota uma inteligência mediana. Se o indivíduo acerta
menos questões do que a média para a sua idade, considera-se
que seu Q.I. é mais baixo do que o dos demais, e assim por
diante.
O quadro a seguir pode ilustrar a distribuição das faixas de Q.I.
em relação à classificação da inteligência.
Classificação geral dos níveis de QI
Faixa de QI
Classificação
< 74
Infradotado
75-89
Abaixo da média
90-110
Mediano
111-125
Acima da média
> 126
Superdotado
Com a ampla divulgação dos trabalhos de Binet e Simon, e
a necessidade de se desenvolverem métodos eficientes para a
escolarização e a crença na educação como base para a formação
democrática do país, a psicometria, utilização de testes
psicológicos para mensurar as capacidades humanas e, em
especial, a inteligência, desenvolveu-se fortemente no Brasil.
Pretendia-se que o conhecimento e as técnicas científicas
trouxessem para o campo educacional a compreensão das mentes
infantis e avaliações mais precisas do trabalho dos professores.
Até então – diziam os críticos –, critérios meramente subjetivos
eram adotados nessas áreas. Pesquisas sobre inteligência,
personalidade e capacidade começaram a ser feitas para classificar
e tornar possível mudar o que fosse indesejável. A pedagogia seria
desenvolvida com base na ciência, tornando-se experimental,
mediante avaliações precisas baseadas em critérios científicos e
impessoais. De posse dos resultados dos testes, o ensino poderia
ser moldado às idades e fases do aprendizado.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Desde essa época, as dificuldades de aprendizagem
escolar passaram a ser associadas ao déficit intelectual
e à baixa inteligência, ou ao baixo Q.I.
Neste período, destaca-se a contribuição de Lourenço Filho. Este
foi um importante intelectual da educação brasileira, estudioso
da Psicologia e entusiasta do escolanovismo que trabalhou pela
fundamentação científica da intervenção didático-pedagógica.
O Teste ABC, criado por Lourenço Filho a partir
de pesquisas realizadas na escola-modelo anexa à
Escola Normal de Piracicaba em 1925, foi o principal
instrumento usado para selecionar alunos aptos a
freqüentar a escola, tendo sido amplamente aplicado
em escolas do Rio de Janeiro e São Paulo a partir de
1928 e por décadas a seguir (DÁVILA, 2003, pp. 141142). Tinha por objetivo medir a maturidade para a
aprendizagem da leitura e escrita. Os alunos que se
mostrassem capazes de identificar e escrever palavras
contidas em um determinado grupo de objetos e
tivessem habilidade motora para realizar desenhos
geométricos eram classificados como maduros.
Lourenço Filho assumiu cargos estaduais e na administração
pública federal, tendo sido diretor geral do Departamento
Nacional de Educação (nomeado por Gustavo Capanema,
em 1937) e diretor do Instituto Nacional de Estudos
Pedagógicos – INEP, de 1938 a 1946. Por influência de
Lourenço Filho, a estrutura inicial do INEP incluiu uma
Divisão de Psicologia Aplicada.
A perspectiva de medir a inteligência instituiu
a prática de submeter a diagnósticos médicos e
psicológicos as crianças, especialmente aquelas que
não respondiam ao esperado pela escola. Criouse, com isto, uma verdadeira fábrica de rótulos,
reproduzidos no interior das escolas. As classes
passaram a ser divididas conforme o desempenho dos
alunos nas avaliações psicológicas.
Nos anos 1960 e 1970 os interesses econômicos do Brasil
voltavam-se para a exportação de produtos industrializados.
Era o tempo da teoria do capital humano na educação.
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Psicologia da Educação I
Segundo esta teoria, a educação seria um fator de
incremento da produtividade, pela qualificação da mão-deobra. Na intenção de qualificar a mão-de-obra especializada
que trabalharia nas indústrias, garantindo rapidez e
eficiência à escolarização, o tecnicismo passou a dominar o
campo educacional.
As técnicas educacionais valorizadas neste período basearam-se
no comportamentalismo e nas estratégias de ensino propostas
por Skinner. As máquinas de ensinar e a instrução programada
conquistaram prestígio. O condicionamento operante na escola
foi largamente utilizado e o planejamento do ensino levava em
consideração os estímulos a serem aplicados no alunado para
atingir objetivos determinados.
É neste período que assume evidência um conjunto
de teorias sobre o fracasso escolar e sobre as formas
de preveni-lo ou remediá-lo agindo sobre o aluno,
responsável por seu próprio fracasso. Ganham força
também as explicações clínicas para as dificuldades
de aprendizagem. Retomaremos estes temas na
próxima seção.
Os anos 1980 se caracterizaram pela abertura política no
Brasil, e trouxeram de volta certas posições escolanovistas,
caracterizadas pelo espontaneísmo e pela valorização da pessoa,
como norte para o trabalho escolar. O interacionismo cognitivista
e o Construtivismo de Jean Piaget também ganharam muita
força, tendo sido fundamentos de políticas educacionais em
diferentes estados brasileiros.
E hoje, será que a Psicologia continua se relacionando
com a Educação?
Entre no portal da Secretaria da Educação do seu
município ou de seu estado e verifique se este
disponibiliza o documento que traz a proposta
curricular norteadora das ações educativas em sua
região. Nesta proposta, verifique se são citados
conceitos de teorias psicológicas que você já estudou
ou sabe que irá estudar. Você poderá observar como
o conhecimento psicológico vem sendo usado
atualmente (ou não) nas políticas educacionais
existentes em nosso país.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Outra discussão que está relacionada ao conhecimento
psicológico e está ocorrendo há décadas no contexto
brasileiro acontece em torno das explicações para o fracasso
escolar das crianças das pobres. Estudaremos algumas
teorias sobre o fracasso escolar e sobre as dificuldades de
aprendizagem nas próximas seções.
SEÇÃO 2 – Psicologia, fracasso escolar e dificuldades de
aprendizagem
De acordo com o estudado até aqui, a concepção inatista ou
organicista compreende a maturidade como algo de natureza
biológica, que se apresenta como um pré-requisito fundamental
para a aprendizagem. A concepção cognitivista, por sua vez,
atribui a prontidão para aprender ao desenvolvimento da
capacidade intelectual, e centra os seus estudos no funcionamento
dos processos psicológicos em cada modalidade de aprendizagem.
As teorias comportamentalistas, por sua vez, defendem
que o ambiente de origem do aluno é que traz os requisitos
indispensáveis ao processo de aprendizagem. Essas teorias
valorizam o ambiente como principal responsável pelo seu sucesso
ou fracasso na escola.
Entre as teorias ambientalistas sobre o fracasso
escolar, encontramos aquelas que propõem que este
ambiente de origem do aluno varia de acordo com a
sua classe social. São a Teoria da Carência Cultural e a
Teoria da Diferença Cultural.
A Teoria da Carência Cultural diz respeito ao discurso da
Psicologia Educacional norte-americana nos anos 60 e 70 para
explicar o problema das desigualdades sociais da educação. Nesta
teoria, “a influência dos fatores extra-escolares no rendimento
escolar ocupava o primeiro plano. Características dos alunos e
de seu ambiente familiar eram relacionadas com o desempenho
na escola, em busca dos determinantes do baixo rendimento”
(PATTO, 1993, p.111).
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Psicologia da Educação I
Segundo a análise de Patto (1993), no momento em que
minorias raciais reivindicavam igualdade de oportunidades, a
ciência foi acionada pela classe dominante para buscar respostas
para a questão: por que os negros não conseguem ser bemsucedidos socialmente? Argumentava-se então, pela teoria da
carência cultural, que os negros viviam em contextos menos
estimulantes, pois o ambiente de pobreza desenvolve menos as
capacidades cognitivas. Afirmava-se que as pessoas pobres são
pouco estimuladas e, conseqüentemente, menos inteligentes, e
sustentava-se que a linguagem que desenvolve a inteligência é a
linguagem culta e esta é característica da classe alta.
A literatura também atribuía as virtudes às classes altas e os
defeitos e problemas às classes baixas. Segundo este discurso, os
valores, crenças, normas, hábitos e habilidades, tidos como típicos
da classe dominante, eram os mais adequados para a promoção
de um desenvolvimento psicológico sadio. Os adultos das
classes subalternas eram referidos como ”agressivos”, “relapsos”
e “desinteressados” pelos filhos. Em seu ambiente, as crianças
pobres teriam contato somente com um código lingüístico
restrito, caracterizado por frases curtas e erradas.
Além disso, os objetos com os quais interagiriam, por
sua pobreza, não possibilitariam realizar o treinamento
visual e auditivo necessário para conquistar a prontidão
para aprender. Assim, o ambiente do qual as crianças da
classe dominante são oriundas seria, naturalmente,
mais adequado para oferecer as condições necessárias
para a aprendizagem. Para fazer frente a isso, seria
interessante oferecer, às crianças pobres, programas de
compensação cultural que lhes fornecessem a base para atingir
o desempenho escolar esperado.
A Teoria da Diferença Cultural, por sua vez, não concorda com
a proposição de existência de uma cultura padrão, à qual estão
submetidas outras culturas inferiores. O problema do fracasso
escolar das crianças pobres não estaria na falta de pré-requisitos
para aprendizado, mas sim em terem uma base cultural diferente
daquela das crianças da classe dominante.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A escola não estaria preparada para receber esta população
de bagagem cultural diferente, surgindo, assim, dificuldade
de comunicação entre professores e alunos pobres, o que
dificultaria o processo de ensino-aprendizagem a ponto de
produzir fracasso escolar.
A proposta para intervir sobre a situação seria a de preparar os
professores para partir do que os alunos sabem e, aos poucos,
“aculturá-los”, com vistas a propiciar-lhes condições de ascensão
social. A crítica de Patto (1993) a esta visão é a de que o objetivo
dos defensores da teoria da diferença cultural não seria garantir
às classes subalternas a apropriação do saber escolar como forma
de propiciar a transformação social, mas somente possibilitar uma
improvável melhoria no nível social e econômico dos indivíduos,
por meio da transmissão de conhecimentos que resultasse na
elevação do seu grau de instrução.
A conclusão do estudo de Patto (1996) em A
produção do fracasso escolar foi de que o
professor, como portador da cultura da classe média,
foi preparado pedagogicamente para receber o
aluno ideal, isto é, o aluno limpo, inteligente, sadio
e disciplinado e, principalmente, que já vinha para
a escola preparado para assimilar uma grande
quantidade de informações sistematizadas no
contexto escolar.
Observa-se assim que, em um primeiro momento, surgiu a teoria
da carência ou deficiência cultural. Esta teoria foi amplamente
divulgada e aceita. Atribuía as causas do fracasso escolar ao
indivíduo e veiculava uma imagem negativa da criança pobre.
Num segundo momento, propôs-se que a criança pobre não era
deficiente, mas apenas diferente da criança de classe média ou
alta. Num terceiro momento, o foco não estava mais no ambiente
de origem da criança, mas nas práticas escolares, que passaram a
ser investigadas em busca da origem, ou das formas de produção,
do fracasso escolar.
Outra forma de abordar o fracasso escolar
responsabilizando unicamente o aluno é relacioná-lo
a dificuldades de aprendizagem.
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Psicologia da Educação I
As dificuldades de aprendizagem, ou a dificuldade em
“acompanhar” o conteúdo escolar, preocupam uma gama
variada de segmentos da sociedade, tanto alunos e pais,
quanto administradores escolares, teóricos da educação e,
principalmente, educadores que vivem o cotidiano da sala de
aula. Existem muitas vozes que se fazem ouvir em torno desta
temática. É interessante perceber que não é raro que estas vozes
contradigam umas às outras. As dificuldades de aprendizagem
podem ser analisadas sob diferentes enfoques.
Para abordar tema tão complexo como as dificuldades de
aprendizagem na escola, é importante levar em consideração
desde fatores fisiológicos até psicológicos, passando por
questões sociais e culturais. Percorrer este caminho
possibilitará a você mudar ou fundamentar melhor
o seu próprio ponto de vista sobre as dificuldades de
aprendizagem, analisando-as com maior propriedade ao
identificá-las em sua observação da realidade escolar.
As dificuldades de aprendizagem dizem respeito a um
conjunto de manifestações muito amplo e passível de
diferentes interpretações. Uma destas interpretações associa
toda a dificuldade de aprendizagem a um distúrbio de origem
orgânica que diz respeito unicamente ao aluno, a uma doença
da qual este seria portador, que mereceria tratamento médico
individual.
O conceito de distúrbio de aprendizagem mais divulgado e aceito
atualmente é o do Interagency Comitee of Learning Disabilities
(ICLD) dos Estados Unidos, cunhado em 1987:
Distúrbios de Aprendizagem é um termo genérico que se
refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas
por dificuldades significativas na aquisição e uso da
audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades
matemáticas. Estas alterações são intrínsecas ao indivíduo
e presumivelmente devidas a disfunções no sistema
nervoso central. Apesar de o distúrbio de aprendizagem
poder ocorrer concomitantemente com outras condições
desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo
mental, distúrbio social ou emocional) ou influências
ambientais (por exemplo, diferenças culturais, instrução
insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é o
resultado direto destas condições ou influências. (Collares
e Moysés, 1992, p. 32)
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Veja que, de acordo com este conceito, apenas podem ser
excluídas do termo “distúrbios” as dificuldades para acompanhar
o programa escolar que não possam ser devidas a disfunções
no sistema nervoso central. Ainda que o termo tenha sua
abrangência bastante restrita neste conceito, excluindo influências
ambientais, distúrbios emocionais e problemas de instrução
inadequada, por exemplo, é comum que toda a dificuldade de
aprendizagem seja compreendida como distúrbio, ignorando-se
as tantas outras possibilidades.
Um dos distúrbios de aprendizagem diagnosticado a
partir desta abordagem é a discalculia.
A primeira vez que se utilizou o termo discalculia foi em 1920,
por Henschen. A discalculia seria um transtorno estrutural
de desenvolvimento das habilidades matemáticas que se
manifestaria em erros na compreensão dos números, habilidade
de contagem, habilidades computacionais e solução de
problemas. Identificada principalmente em crianças, poderia ser
diagnosticada em adultos, desde que não estivesse relacionada a
lesões cerebrais comprovadas, mas sim a disfunções presumidas
no sistema nervoso central.
Os pesquisadores que criticam esta abordagem biológica
entendem que a “biologização” das dificuldades de aprendizagem
serve para escamotear os determinantes do fracasso escolar,
que seriam sociais, políticos e pedagógicos. O objetivo da
interpretação biológica seria tão somente o de isentar o
sistema social vigente e a instituição escolar neste inserida de
responsabilidades sobre o desempenho dos alunos.
Propondo-se a contar a “história não contada” dos distúrbios
de aprendizagem, recuperando a história real, as pesquisadoras
Maria Aparecida Moyses e Cecília Collares (1992) defendem
que os distúrbios de aprendizagem são apenas uma construção
do pensamento médico. Para sustentar este argumento, retomam
a história das pesquisas em torno da dislexia, dificuldade
significativa na aquisição da leitura, mostrando que o conceito
foi contestado por outros pesquisadores desde o início, e que
não há provas científicas suficientes para atribuir as dificuldades
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Psicologia da Educação I
de leitura e outras dificuldades consideradas distúrbios a uma
origem orgânica e genética.
Outra abordagem da Psicologia para as questões de
aprendizagem ou dificuldade de aprendizagem é a
dada pela Psicopedagogia Clínica.
A Psicopedagogia Clínica tem mostrado que a interação entre
questões emocionais trabalhadas em nível inconsciente e as
questões cognitivas está profundamente relacionada à produção
de dificuldades de aprendizagem.
Alícia Fernandez, importante psicopedagoga da atualidade,
escreve que as teorias que estudam o desenvolvimento
humano do ponto de vista cognitivo, como a teoria
piagetiana, não costumam fazer referência às associações
simbólicas que se produzem no inconsciente dos indivíduos e
a sua relação com a aprendizagem.
A Psicanálise, por sua vez, na qual foram cunhados os
conceitos de inconsciente e de sintoma de origem psicológica,
raramente faz referência aos aspectos do desenvolvimento
humano que dizem respeito à construção de conhecimento.
Desta forma, as relações entre inconsciente e construção (ou
não) de conhecimento ficam perdidas.
Esta psicopedagoga argentina escreveu um livro que já se tornou
um clássico dos estudos em Psicopedagogia, intitulado “A
inteligência aprisionada” (ano). Neste livro, a autora mostra como
a história singular de cada sujeito, em sua família e na escola,
pode explicar sua forma de relação com o conhecimento. Para
uma melhor compreensão do que foi dito, acompanhe o seguinte
exemplo retirado de um caso clínico:
Unidade 5
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Você estudou na
unidade 2 a Psicanálise,
que traz o conceito de
inconsciente, de autoria
de Sigmund Freud. Viu
que o inconsciente diz
respeito aos conteúdos
da mente dos quais não
temos consciência. Estes
conteúdos são simbólicos,
associam-se uns aos outros
de modos particulares
para cada sujeito e se
expressam disfarçados nos
sonhos, nos sintomas e nos
enganos que cometemos
no cotidiano, como trocar
o nome de alguém ou
esquecer de algo.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A criança, ao nascer, instala-se em uma constelação
de significações. Vem preencher muitos desejos,
carências, objetos dos pais. É-lhe designado um nome,
e a criança, sem que tenha consciência disso, terá que
se inserir no lugar que o nome signifique.
A Paulo Alfredo chamam Alfredo. Perguntamos por
que o chamaram de Paulo: “Por que assim se chama
o pai” e, em outro momento da entrevista familiar,
perguntamos por que não o chamam de Paulo, e
responde a mãe: “Porque assim se chama o pai”. Pelo
mesmo motivo que lhe é dado o nome, lhe é também
retirado. “Aprende – diz a mãe -, mas no dia seguinte
esqueceu-se de tudo (FERNANDEZ, 1990, p.41).
Sintomas são formas geralmente
dolorosas e incapacitantes
de expressão dos conteúdos
inconscientes dos sujeitos.
Você pode observar assim que, de acordo com o significado
inconsciente assumido pela aprendizagem nas relações
familiares, pode produzir-se o sintoma da não-aprendizagem.
Quando os produtos do inconsciente transformam-se em
sintomas, podem aprisionar a capacidade de aprender e de
ensinar de crianças e adultos, de alunos e de professores. A
intervenção clínica de uma equipe multidisciplinar, que escute a
criança e sua família, pode ser uma alternativa para lidar com a
dificuldade de aprendizagem assim produzida.
A dificuldade para aprender pode ocorrer como um sintoma
relacionado a desejos inconscientes de ser amado pelas pessoas
próximas, por exemplo, que leva a reproduzir comportamentos
que são nocivos ao sujeito, mas lhe parecem contribuir para ser
mais aceito, o que lhe dá um conforto a curto prazo.
Muitos autores sustentam que, mais importante do que buscar
problemas individuais que possam acarretar mau desempenho
na escola, para compreender o fracasso escolar, não se pode
deixar de analisar a relação professor-aluno no processo de
ensino-aprendizagem.
Para estes autores, ligados à vertente histórico-cultural, que você
estudará em Psicologia da Educação II, o aparato biológico do
aluno nunca poderia ser tomado como único fator, nem mesmo
como um fator importante para o desempenho escolar.
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Psicologia da Educação I
Observando a relação pedagógica que se dá na sala de aula, é
possível conhecer melhor as interações criança/conhecimento,
professor/aluno e professor/aluno/conhecimento na construção do
sucesso/fracasso escolar (ESTEBAN, 1992, p. 75).
Nessa perspectiva, o contexto de relações professor/aluno/
conhecimento é que deve ser tomado para análise para
compreender o desempenho escolar. O espaço pedagógico é
retomado, então, como campo a ser analisado para a compreensão
do desenvolvimento e da aprendizagem das crianças.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de auto-avaliação
Efetue as atividades de auto-avaliação e, a seguir, acompanhe as
respostas e comentários. Para melhor aproveitamento do seu estudo,
confira suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.
1) Ao estudar a história da Psicologia da Educação no Brasil, afirmamos
que a utilização de testes contribuiu para a rotulação das crianças na
escola. O que isso significa? Em sua experiência escolar, você observou
alguma situação ilustrativa desta rotulação? Relate sua experiência.
2) Caracterize três visões diferentes sobre como se produz o fracasso
escolar das crianças pobres.
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Psicologia da Educação I
3) Na Seção 2, você estudou a visão das dificuldades de aprendizagem
que as toma como distúrbios neurológicos. Pense e responda: por que
esta visão é criticada por muitos pesquisadores da área da Psicologia da
Educação?
4) Outra visão estudada na Seção 2 sobre as dificuldades de
aprendizagem foi a da Psicopedagogia Clínica. Esta visão, por
influência da Psicanálise, entende as dificuldades de aprendizagem
como sintomas. Explique o que significa compreender a dificuldade de
aprendizagem como um sintoma. Para isso, você deverá explicar o que
é um sintoma, de acordo com a Psicanálise.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você conheceu os principais fatos que marcaram a
história da Psicologia da Educação no Brasil. Você percebeu que
a Psicologia e a Educação passaram a se relacionar no início do
século XX na realidade brasileira, o que trouxe implicações para
o ensino escolar e para a formação de professores. Na Seção 2,
você estudou diferentes pontos de vista sobre o fracasso escolar
das crianças pobres, e aprendeu mais sobre o modo como as
dificuldades de aprendizagem podem ser analisadas de acordo
com as pesquisas em Psicologia.
Saiba mais
Para saber mais sobre os temas estudados nesta unidade, leia o
livro: A Produção do Fracasso Escolar, de Maria Helena Souza
Patto. Outra sugestão é a obra A Inteligência Aprisionada,
da psicopedagoga clínica Alicia Fernandez. Você encontra as
referências completas ao final do livro didático.
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Para concluir o estudo
Chegamos ao final de uma longa caminhada nesta
disciplina Psicologia da Educação I. Pensando no seu
futuro como profissional da educação, acredito que
muitos dos conteúdos estudados já têm seu sentido
bem evidente para você hoje. Imagino também que
outros conteúdos poderão ficar mais claros na medida
em que você for identificando relações entre estes
conceitos e os conhecimentos a serem construídos
nas próximas disciplinas. Esta é a dinâmica do
desenvolvimento do conhecimento: organizado em
rede, este se amplia e se modifica, se automatiza e se
torna mais complexo, conforme agimos sobre ele com
o auxílio dos colegas, tutores e professores.
Como autora, estive ao mesmo tempo perto e longe de
você neste período de estudo, pois procurei dialogar
com a sua imagem em minha mente ao escrever,
e você, ao ler, provavelmente fez o mesmo. Desta
forma, foi um prazer estar ao seu lado e acompanhar a
distância o seu progresso.
Resta então a despedida e a expectativa de que os
fundamentos psicológicos da educação sejam agora
menos misteriosos para você do que antes da passagem
por esta experiência de ensino-aprendizagem.
Um grande abraço!
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26/4/2007 15:02:40
Referências
BECKER, Fernando. A epistemologia do professor: o cotidiano
da escola. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2006.
CAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia e
desenvolvimento humano. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
CARVALHO, Vânia Brina Corrêa Kima de. Desenvolvimento
humano e psicologia: generalidades, conceitos e teorias. Belo
Horizonte: UFMG, 1996. 240 p.
CARVALHO, Diana Carvalho de. A psicologia frente a educação
e o trabalho docente. Psicologia em estudo, v. 7, n. 1, p. 51-60,
jan/jun 2002, Maringá: UEM.
COLL, Cesar; PALACIOS, Jesus; MARCHESI, Alvaro (orgs.).
Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia
evolutiva. Porto Alegre: Artmed, 1995.
CUNHA, Marcus Vinicius da. John Dewey e o pensamento
educacional brasileiro: a centralidade da noção de movimento.
Revista Brasileira de Educação, n. 17, p. 86-99, maio/jun/jul/
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07artigo06.pdf> . Acesso em: 30 jun. 2006.
DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. São Paulo:
MacGraw-Hill do Brasil, 1991.
ENGELMANN, Arno (org.). Wolfgang Köhler: psicologia. São
Paulo: Atica, 1978.
ESTEBAN, Maria Tereza. Repensando o fracasso escolar.
Cadernos CEDES, O Sucesso escolar: um desafio pedagógico.
Campinas/SP: Papirus, p.75_86.
EYSENCK, M.W.; KEANE, M. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1994.
FERNANDEZ, Alícia. A Inteligência aprisionada: abordagem
psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1991.
GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. São Paulo:
Ática, 1999.
GARCÍA, Jesus Nicasio. Manual de dificuldades de
aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1998.
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26/4/2007 15:02:40
MOYSES, M. A.; COLLARES, C. A. L. A história não contada dos distúrbios
de aprendizagem. Cadernos CEDES, n. 28, data, p. 31-47. O sucesso
escolar: um desafio pedagógico. São Paulo: Papirus, 1992.
NUNES, Marcia Regina Mendes. Psicanálise e educação: pensando
a relação professor-aluno a partir do conceito de transferência. In:
COLÓQUIO DO LEPSI IP/FE-USP, 5., 2006, São Paulo. Proceedings online...
Disponível em: <http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?script=sci_
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em: 09 abr. 2007.
PALACIOS, Jesus. Introdução à psicologia evolutiva: história, conceitos
básicos e metodologia In: COLL, Cesar; PALACIOS, Jesus; MARCHESI, Alvaro
(orgs.). Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva.
Porto Alegre: Artmed, 1995. p. 9-28.
PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar. São Paulo:
Queiroz, 1993.
WERTHEIMER, M. Pequena história da psicologia. São Paulo: Nacional
1989.
psicologia_da_educacao.indb 118
26/4/2007 15:02:41
Sobre a professora conteudista
Maria da Glória Silva e Silva é licenciada e mestre em
Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS). Ministra disciplinas de Psicologia
da Educação, da Aprendizagem e do Desenvolvimento
e de Prática de Ensino em cursos de formação de
educadores em nível de graduação e de pós-graduação,
nas modalidades presencial e a distância, em diferentes
universidades, entre as quais estão a Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), a
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC),
além da Universidade do Sul de Santa Catarina
(UNISUL). Atua também como professora tutora e
é autora de diversos livros didáticos para educação a
distância.
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26/4/2007 15:02:41
psicologia_da_educacao.indb 120
26/4/2007 15:02:41
Respostas e comentários das
atividades de auto-avaliação
Unidade 1
ESCOLA OU TEORIA
PALAVRAS-CHAVE
Elementos
„ Introspecção
„ Associacionismo
„
ESTRUTURALISMO
Adaptação
„ Utilidade
„ Funcionamento
„
FUNCIONALISMO
Todo
„ Insight
„ Percepção
„ Atenção
„
PSICOLOGIA DA FORMA/GESTALT
Estímulo
„ Resposta
„ Reforço
„
BEHAVIORISMO
PSICANÁLISE
HUMANISMO
psicologia_da_educacao.indb 121
Inconsciente
„ Id, ego, superego
„
Auto-realização
„ Espontaneísmo
„
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 2
1) Para desenvolver sua resposta, lembre-se de que, para Claparède, a
necessidade é anterior ao interesse.
2) Estes pesquisadores são tidos como funcionalistas porque acreditam
que o desenvolvimento humano relaciona-se à interação com o meio e
à adaptação ao mesmo. O conhecimento que vale é o que funciona na
prática para a adaptação e a resolução de problemas.
3) J. Dewey valoriza mais o conteúdo ensinado do que Claparède. Este
último enfatiza mais o interesse e as aptidões do aluno para que a
aprendizagem aconteça.
Unidade 3
1) Os processos mentais são descritos na Seção 1 desta unidade. É possível
pesquisar mais sobre eles em manuais de Psicologia ou em sites
da internet. O exemplo apresentado é pessoal do aluno e pode ser
avaliado e comentado pelo professor tutor.
2) Respostas (a) e (b) – Os conceitos de aprendizagem por descoberta,
aprendizagem por recepção, aprendizagem mecânica e aprendizagem
significativa constam na Seção 2 desta unidade. A partir das
características destes conceitos, você deverá dar uma resposta
pessoal, relacionada com sua própria experiência, que ilustre o
que foi aprendido. Você deve mostrar como tanto a aprendizagem
por descoberta como a aprendizagem por transmissão podem ser
mecânicas ou significativas, dependendo de como ocorre o processo
de ensino e de aprendizagem.
3) Para Bruner, não existe um ordenamento único a ser empregado no
ensino dos conteúdos. A ordenação deve considerar a experiência
anterior do aluno. Ainda assim, apresentar o conteúdo proposto
ao aluno – inicialmente, ações motoras sobre ele, em seguida,
representações como imagens ou ícones e, finalmente, como
representações simbólicas da ordem da linguagem – seria um
ordenamento interessante, por respeitar o processo de compreensão
característico dos aprendizes. O currículo espiral, que retoma
conteúdos já ensinados, de tempos em tempos, tornando-os
mais complexos conforme o desenvolvimento do aluno, pode ser
organizado também seguindo estas etapas de compreensão.
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Psicologia da Educação I
Unidade 4
1) Respostas (a), (b) e (c) - Você pode citar oposições como organicismo X
mecanicismo, atividade X passividade do sujeito, aspectos contextuais
X características inatas. Após caracterizá-las, de acordo com o conteúdo
do livro didático, os exemplos e comentários são pessoais e poderão
ser avaliados pelo tutor.
Unidade 5
1) Os rótulos relacionam-se à utilização de um resultado isolado em um
teste, avaliação ou tarefa para tirar uma conclusão sobre todas as
perspectivas de desenvolvimento de um aluno. A partir de informações
como esta, ou de informações como idade, tamanho, anos de
repetência ou prontidão para aprender, por muito tempo, as classes
de alunos foram divididas, em busca de homogeneização. Você tem
experiências que ilustram esta situação? Resposta pessoal.
2) Conforme o conteúdo estudado, a teoria da carência ou deficiência
cultural foi a primeira teoria amplamente divulgada e aceita. Esta
teoria atribuía as causas do fracasso escolar ao indivíduo e veiculava
uma imagem negativa da criança pobre, dizendo que esta teria menos
condições para aprender do que a rica pela falta de estímulos em seu
ambiente. Num segundo momento, propôs-se que a criança pobre
não era deficiente, mas apenas diferente da criança de classe média ou
alta, e a escola não estaria preparada para receber crianças de cultura
diferente. Num terceiro momento, o foco não está mais no ambiente
cultural de origem da criança, mas nas práticas escolares, que passam a
ser investigadas em busca das formas de produção do fracasso escolar.
3) Esta visão é criticada porque responsabiliza unicamente características
inatas do aluno por seu desempenho escolar, desconsiderando as
relações em que este está inserido e o espaço pedagógico.
4) Sintomas são uma das formas que os conteúdos inconscientes
têm para vir à tona, para se expressar. Geralmente, são dolorosos
e incapacitantes, do ponto de vista emocional. A dificuldade para
aprender pode ocorrer como um sintoma relacionado a desejos
inconscientes de ser amado pelas pessoas próximas, por exemplo, o
que leva a reproduzir comportamentos que são nocivos ao sujeito, mas
lhe parecem contribuir para ser mais aceito, dando-lhe um conforto a
curto prazo.
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psicologia_da_educacao.indb 124
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