Ana Carolina Souza Lima de Campos PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Características de compressibilidade de uma argila mole da Zona Industrial de Santa Cruz, Rio de Janeiro Dissertação de Mestrado Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre pelo Programa de PósGraduação em Engenharia Civil da PUC-Rio. Orientadores: Tácio Mauro Pereira de Campos Franklin dos Santos Antunes Rio de Janeiro Novembro de 2006 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. Ana Carolina Souza Lima de Campos Características de compressibilidade de uma argila mole PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB da Zona Industrial de Santa Cruz, Rio de Janeiro Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre pelo Programa de PósGraduação em Engenharia Civil da PUC-Rio. Aprovada pela Comissão Examinadora abaixo assinada. Tácio Mauro Pereira de Campos Orientador DEC/PUC-Rio Franklin dos Santos Antunes Orientador DEC/PUC-Rio José Tavares Araruna Júnior DEC/PUC-Rio Armando José da Silva Neto Light Serviços de Eletricidade S.A Ian Schumann Marques Martins COPPE/UFRJ José Eugênio Leal Coordenador Setorial do Centro Técnico Científico - PUC-Rio Rio de Janeiro, 10 de Novembro de 2006 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem autorização da universidade, da autora e do orientador. Ana Carolina Souza Lima de Campos Graduou-se em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, em 2002. Foi bolsista da ANP de 2000 a 2002, realizando pesquisas no Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio. Ingressou no curso de mestrado em Engenharia Civil - Geotecnia no início de 2004. Principais áreas de interesse e linhas de pesquisas: Geotecnia Ambiental, Geotecnia Experimental e Mecânica dos Solos. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Ficha Catalográfica Campos, Ana Carolina Souza Lima de Características de compressibilidade de uma argila mole da Zona Industrial de Santa Cruz, Rio de Janeiro/Ana Carolina Souza Lima de Campos; orientador: Tácio Mauro Pereira de Campos; coorientador: Franklin dos Santos Antunes, - Rio de Janeiro: PUC, Departamento de Engenharia Civil, 2006. 175 f. ; 30 cm Dissertação (Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Engenharia Civil, Rio de Janeiro, 2006 Inclui bibliografia. Engenharia Civil - Teses. 2. Argila Mole. 3. Compressibilidade 4. Adensamento I. de Campos, Tácio Mauro Pereira. II. Antunes, Franklin dos Santos. III. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Departamento de Engenharia Civil. IV. Título CDD: 624 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Dedico esta dissertação: A meus pais, Tácio e Elza, pelo amor verdadeiro e incondicional. Aos meus irmãos, Rodrigo, Ana Paula, Ana Luiza e Samuka, pelo eterno companheirismo. E à Julia, por iluminar a minha vida todos os dias. Tudo o que sou devo a vocês!! Agradecimentos Ao meu pai e orientador, que me iniciou na geotecnia e a quem devo muito do que sei, do que aprendi e do que sou hoje em dia, como profissional e ser humano. Pai, obrigada por aceitar a árdua missão de me orientar nessa jornada. Ao professor Franklin Antunes, por quem tenho profundo carinho e admiração. Obrigada pela orientação e por todos ensinamentos. Cada conversa é um novo aprendizado. Agradeço ao Leonardo Bello por realizar as amostragens do solo estudado, por PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB todo apoio e carinho durante o meu trabalho. À Mônica, por praticamente me co-orientar junto ao prof. Franklin. Mais uma vez, obrigada por toda a ajuda e por estar sempre disponível a me ajudar, principalmente na reta final. Aos profissionais do LGMA da PUC-Rio. Agradeço ao William pela paciência e por toda ajuda e orientações nos ensaios de laboratório. Ao laboratorista Josué pelo apoio e execução dos ensaios de caracterização. Ao laboratorista Amauri por estar sempre disponível a ajudar e esclarecer dúvidas. E ao seu José, cujo trabalho é essencial para o bom funcionamento do laboratório. Ao Ronaldo do DCMM da PUC-Rio pela eficiência e disponibilidade na realização dos ensaios de difração de Raio X. Aos funcionários do Departamento de Engenharia Civil, Ana Roxo, Rita, Lenilson, Cristiano e Fátima por me ajudarem sempre que foi necessário. Agradeço ao colega Pedro Tha pelos inúmeros esclarecimentos sobre o funcionamento do equipamento triaxial. À prof. Denise, que considero como uma irmã. Muito obrigada pelo interesse e por todo o incentivo. Às grandes amigas que fiz para toda a vida durante o mestrado, Mônica, Lica, Taíse e Bernadete. Meninas, muito obrigado por todo o apoio, companheirismo e pelos inúmeros momentos de descontração. Eles foram fundamentais para que eu conseguisse chegar até aqui. Agradeço também a outros colegas que tive o prazer de conviver durante o mestrado e por quem tenho muito carinho: Vivi, Tânia, Luciana, Vinicius e Ygor. Agradeço aos meus pais por todo o amor, carinho e dedicação. Obrigada por estarem sempre ao meu lado me incentivando e me guiando. Com vocês a vida fica bem mais fácil. Aos meus irmãos e à Júlia, obrigada por todo o apoio incondicional e por PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB acreditarem em mim. À minha avó Elza, que com certeza, aonde quer que esteja, sei que está muito orgulhosa por mais essa etapa vencida na vida. Agradeço ao Álvaro pelo amor e companheirismo. Obrigada pelo eterno apoio e por sempre acreditar em mim e me incentivar. Ao Sr. Milton e à D. Grace por todas as palavras de apoio e incentivo ao longo deste trabalho. Ao meu chefe, Marcelo, por compreender a dificuldade de estudar e trabalhar ao mesmo tempo, me liberando uma vez por semana, desde Maio/06, quando comecei a trabalhar. Agradeço aos meus colegas de trabalho, principalmente a Luciana, Aloésio, Juliane, Georgina, Flavinha, Ana Paula, Ana Cristina e Mansur pelo interesse, incentivo e apoio nesses últimos meses de mestrado. Ao CNPq pelo apoio financeiro Ao projeto P&D Light/ANEEL que possibilitou a realização desse trabalho. E finalmente a Deus, por me dar a força e a energia necessárias para cumprir mais uma etapa na minha vida. Resumo Campos, Ana Carolina Souza Lima de; de Campos, Tácio Mauro Pereira; Antunes, Franklin dos Santos. Características de compressibilidade de uma argila mole da Zona Industrial de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2006. 175p. Dissertação de Mestrado - Departamento de Engenharia Civil, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Um amplo trabalho de pesquisa, envolvendo extensivas investigações de campo e laboratório de um depósito de argila mole localizado na Zona Industrial de Santa Cruz, Rio de Janeiro, RJ, vem sendo desenvolvido pela PUC-Rio desde meados de 2005. Evidências de recalques em estruturas construídas nessa região têm sido reportadas desde o final da década de 70. O presente trabalho apresenta resultados de estudos de laboratório realizados visando à PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB caracterização do depósito argiloso e a determinação de seus parâmetros de compressibilidade e adensamento. Para tanto, desenvolveu-se um programa experimental compreendendo a caracterização físico-químico-mineralógica de amostras do perfil e a execução de ensaios de adensamento edométrico e triaxial hidrostático e anisotrópico. Os experimentos em células edométricas envolveram ensaios convencionais, com medida de permeabilidade e com determinação de compressão secundária. Aspectos de qualidade das amostras ensaiadas são discutidos. Os resultados obtidos propiciaram uma estimativa do K0 do material normalmente adensado, um entendimento do estágio de adensamento hoje existente e uma estimativa preliminar de recalques que podem ainda vir a ocorrer sob as presentes condições de carregamento. Palavras-chave Argila mole, compressibilidade, adensamento Abstract Campos, Ana Carolina Souza Lima de; de Campos; Tácio Mauro Pereira (Advisor); Antunes, Franklin dos Santos (Advisor). Compressibility characteristics of a soft clay from the Santa Cruz Industrial Zone, Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2006. 175p. MSc. Dissertation – Department of Civil Engineering, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A large research work comprising extensive field and laboratory investigations on a soft clay deposit located in the Industrial Zone of Santa Cruz, Rio de Janeiro, RJ, is being developed at PUC-Rio since 2005. Occurrences of settlement of structures built in this region have been reported since the end of the decade of 1970. This work presents results of laboratory studies aiming at the characterization of the soft clay deposit and the PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB determination of compressibility and consolidation parameters of the clay. The experimental program developed comprised physical-chemical-mineralogical characterization of samples from the soil profile and the execution of oedometric consolidation tests and hydrostatic and anisotropic triaxial tests. The experiments in oedometric cells comprised conventional tests and tests with measurement of permeability and determination of secondary compression. Aspects of quality of the samples are highlighted. The obtained results propitiated an estimation of the K0 of the normally consolidated material, an understanding of the present stage of consolidation of the deposit and a preliminary assessment of settlements that may still occur in the site under the present loading conditions. Keywords Soft clay, compressibility, consolidation PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Sumário 1 INTRODUÇÃO 20 2 CARACTERÍSTICAS DE DEPÓSITOS MOLES 23 2.1. Origem e Formação dos Depósitos Moles 23 2.2. Constituição Mineralógica 24 2.3. Efeitos do Amolgamento da Amostra 26 2.4. Argila Mole da Baixada Fluminense 30 3 APRESENTAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO E DO PROBLEMA 38 3.1. Área de Estudo 38 3.2. Apresentação do Problema 44 4 AMOSTRAGEM DO SOLO E EXTRUSÃO DA AMOSTRA NO LABORATÓRIO 52 4.1. Amostragem do solo 52 4.1.1. Amostragem na Camada de Aterro Compactado 53 4.1.2. Amostragem na Camada de Argila Mole 54 4.1.2.1. Equipamentos Utilizados 54 4.1.2.2. Procedimento de Amostragem 56 4.2. Extrusão de Amostras 58 5 ENSAIOS REALIZADOS E METODOLOGIAS EMPREGADAS 63 5.1. Ensaios de Caracterização 66 5.1.1. Caracterização Física 66 5.1.2. Caracterização Mineralógica 68 5.1.3. Caracterização Físico-Química 69 5.1.4. Determinação de Matéria Orgânica 69 5.2. Ensaios de Adensamento Edométrico 70 5.2.1. Ensaio de Adensamento Edométrico Convencional 73 5.2.2. Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida de Creep 73 5.2.3. Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida de Permeabilidade 73 5.3. Ensaios de Adensamento Hidrostático 76 5.3.1. Equipamento Utilizado 76 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB 5.3.2. Metodologia dos Ensaios 77 5.4. Ensaios de Adensamento Anisotrópico 79 5.4.1. Equipamento Utilizado 80 5.4.2. Metodologia dos Ensaios 83 6 CARACTERIZAÇÃO DO SOLO 86 6.1. Caracterização Geotécnica 87 6.1.1. Índices Físicos 87 6.1.2. Análise Granulométrica 87 6.1.3. Limites de Atterberg 89 6.1.4. Classificação do Solo 90 6.2. Caracterização Mineralógica 92 6.3. Caracterização Química 95 6.3.1. pH em Água e em KCl 95 6.3.2. Análise Química Parcial 96 6.3.3. Condutividade Elétrica e Teor de Sais Solúveis 98 6.4. Determinação de Matéria Orgânica 99 7 COMPRESSIBILIDADE DO SOLO 102 7.1. Ensaios de Adensamento Edométrico 102 7.2. Ensaios de Adensamento Hidrostático 111 7.3. Ensaios de Adensamento Anisotrópico 115 7.4. Discussão e Comparação de Resultados 121 7.4.1. Efeitos de Amostragem 121 7.4.2. Características de Adensamento e Permeabilidade 124 7.4.3. Características de Compressibilidade 125 7.4.4. Estimativas de Recalque 126 8 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 129 8.1. Conclusões 129 8.2. Sugestões Para Trabalhos Futuros 131 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 132 APÊNDICE I DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO ANISOTRÓPICO 137 ANEXO I RESULTADOS INDIVIDUAIS DA CARACTERIZAÇÃO 139 ANEXO II DIFRATOGRAMAS DE RAIO X 150 ANEXO III RESULTADOS INDIVIDUAIS DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO EDOMÉTRICOS 155 ANEXO IV RESULTADOS INDIVIDUAIS DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO HIDROSTÁTICO 169 ANEXO V RESULTADOS INDIVIDUAIS DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB ANISOTRÓPICO 172 Lista de figuras Figura 2.1 – a) Unidade e folha tetraédrica. b) Visão espacial da lâmina tetraédrica. c) Representação da unidade tetraédrica (Mitchell, 1976). 25 Figura 2.2 – a) Unidade e folha octaédrica. b) Visão espacial da lâmina octaédrica. c) Representação da unidade octaédrica (Alshawabkeh, 2001) 25 Figura 2.3 – Efeito do amolgamento durante a amostragem na compressão unidimensional da argila de Sarapuí (Coutinho,1976) 28 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Figura 2.4 – Efeito do amolgamento na curva mv vs σ’v (Correia & Lacerda, 1982) 29 Figura 2.5 - Perfis Geotécnicos das Argilas do Rio de Janeiro (Futai et al., 2001) 32 Figura 3.1 – Localização da área de estudo (fonte: Google Earth) 38 Figura 3.2 – Planta de locação dos pontos de sondagem realizada na década de 70. 39 Figura 3.3 – Representação gráfica dos laudos de sondagem tipo SPT 40 Figura 3.4 – Representação espacial do perfil local (De Campos et al., 2004). 41 Figura 3.5 – Localização das áreas experimentais. 42 Figura 3.6 – Resultados do ensaio CPTU-1 na área AE-1 43 Figura 3.7 - Geradores mostrando tendências a tombamento, com trincas horizontais na base dos coroamentos das fundações 44 Figura 3.8 - Trinca vertical na base dos geradores 45 Figura 3.9 - Trinca horizontal na base de edifícios 45 Figura 3.10 - Trincas na laje do calçamento 46 Figura 3.11 - Poste desalinhado e fundações com trincamento. 46 Figura 3.12 - Postes mostrando distorção. 47 Figura 3.13 - Poste com distorção para o lado menos pesado. 47 Figura 3.14 - Distorções de pórticos. 48 Figura 3.15 - Canaleta de drenagem superficial deformada tanto vertical quanto horizontalmente. 48 Figura 3.16 - Placas de concreto com fissuras e deslocamentos diferenciais. 49 Figura 3.17 - Recalques diferenciais do aterro. 49 Figura 3.18 - Aparente perda de material junto à base de um conjunto de pórticos. 50 Figura 3.19 - Aterro com recalques diferenciais. 50 Figura 3.20 - Passarela com distorções. 51 Figura 4.1 – Locação dos pontos de amostragem na área AE-1. 52 Figura 4.2 – Fotos ilustrativas da retirada do bloco BL-1 53 Figura 4.3 - Fotos da máquina perfuratriz de trado oco 54 Figura 4.4 – Segmentos de trados ocos da perfuratriz e ponteira com abertura. 55 Figura 4.5 – Amostradores tipo Shelby 55 Figura 4.6 - Detalhes da perfuração e da inserção do amostrador para a retirada de amostras indeformadas. 57 Figura 4.7 – Metodologia empregada na amostragem com tubos shebies. 57 Figura 4.8 – Procedimentos seguidos após a retirada da amostra com tubo shelby 58 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Figura 4.9 – Procedimento para extração do solo do tubo de amostragem (modificado de Ladd & DeGroot, 2004) 59 Figura 4.10 – Shelby marcado indicando o local do corte 60 Figura 4.11 – Shelby apoiado no torno mecânico 60 Figura 4.12 – Shelby sendo serrado 60 Figura 4.13 – Indicação da parte do shelby,onde a parede não foi serrada 61 Figura 4.14 – Separação da sub-amostra do shelby 61 Figura 4.15 – Corda de violão sendo inserida no shelby 62 Figura 4.16 – Molde que ajuda a empurrar a amostra para fora do shelby 62 Figura 4.17 – Amostra de solo extrudida do shelby 62 Figura 5.1 - Prensa de adensamento tipo Bishop do LGMA da PUC-Rio. 71 Figura 5.2 – Prensa de adensamento tipo Bishop do LGMA da PUC-Rio. 71 Figura 5.3 – Adaptação realizada na prensa de adensamento para a realização dos ensaios de permeabilidade. 74 Figura 5.4 – Detalhe da vedação utilizada para impedir a evaporação da água durante os ensaios de permeabilidade. 75 Figura 5.5 – Equipamento triaxial utilizado nos ensaios de adensamento hidrostático 77 Figura 5.6 – Molde para cortar o dreno lateral (Bishop & Henkel, 1962) 78 Figura 5.7 - Montagem do corpo de prova na prensa triaxial 79 Figura 5.8 – Equipamento triaxial utilizado nos ensaios de adensamento anisotrópico 81 Figura 5.9 – Monitoramento dos ensaios por meio de gráficos 81 Figura 5.10 – Motores de passo do equipamento triaxial 82 Figura 5.11 – Tabela controle dos ensaios 84 Figura 6.1 – Curvas Granulométricas 88 Figura 6.2 – Carta de Plasticidade 91 Figura 6.3 – Difratograma de Raio X da fração fina (passante na #40) do solo na profundidade de 5,25 a 5,75m (Ct-caulinita, I-Ilita, Em-Esmectita, Q-Quartzo). 93 Figura 6.4 - Difratogramas das lâminas do solo (material passante na #400) na profundidade de 3,50 a 4,00 metros 94 Figura 6.5 – Comparação dos difratogramas das lâminas sem tratamento e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB glicolada (Ct-caulinita, I-Ilita, Em-Esmectita, Q-Quartzo) 95 Figura 6.6 – Curva Temperatura x Perda de Massa 101 Figura 7.1 – Comparação curvas logσ’ x e/e0 para os ensaio edométricos 103 Figura 7.2 - Curva logσ’ x e/e0 dos ensaios de adensamento AEI-1, AEA-1 e AEA-2 104 Figura 7.3 - Curva logσ’ x log (1+e) do ensaio de adensamento AEA-1 105 Figura 7.4 - Curvas logσ’ x mv dos ensaios de adensamento edométrico 107 Figura 7.5 – Curvas logσ’ x cv dos ensaios de adensamento edométrico. 108 Figura 7.6 –Curva logσ’ x cα do ensaio de adensamento AEI-2 109 Figura 7.7 – Gráfico σ’ x k dos ensaios de adensamento AEI-3 e AEI-4 110 Figura 7.8 - Gráfico k x e dos ensaios de adensamento AEI-3 e AEI-4 111 Figura 7.9 – Curvas logσ’ x e dos ensaios de adensamento hidrostático 112 Figura 7.10 - Curvas logσ’ x mv dos ensaios de adensamento hidrostático 114 Figura 7.11 – Corpo de prova durante o ensaio de adensamento hidrostático 115 Figura 7.12 – Curvas tensão-deformação dos ensaios de adensamento anisotrópicos 117 Figura 7.13 – Caminhos de tensões efetivas dos ensaios anisotrópicos 118 Figura 7.14 – Curva deformação axial x deformação radial dos ensaios anisotrópicos 119 Figura 7.15 – Envoltória de resistência dos ensaios CIU 120 Figura 7.16 – Caminhos de tensão efetiva incluindo as estimativas de K0 121 Figura 7.17 – Comparação das curvas logσ’ x e e logσ’ x mv 123 Figura 7.18 - Condições do depósito argiloso antes e após a implantação da camada de aterro 126 Figura A.1 – Curvas tensão-deformação 138 Figura A.I.1 – Curva granulométrica do aterro 141 Figura A.I.2 – Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 2,50 a 3,00 metros) 141 Figura A.I.3 - Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 142 Figura A.I.4 - Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 5,25 a 5,75 metros) 142 Figura A.I.5 - Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 6,00 a 6,50 metros) 143 Figura A.I.6 - Curva granulométrica da amostra AM-02 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 143 Figura A.I.7 - Curva granulométrica da amostra AM-03 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 144 Figura A.I.8 - Curva granulométrica da amostra AM-04 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 144 Figura A.I.9 - Curva granulométrica da amostra AM-05 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 145 Figura A.I.10 - Curva granulométrica da amostra AM-06 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 145 Figura A.I.11 - Curva granulométrica da amostra AM-07 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 146 Figura A.I.12 - Curva granulométrica da amostra AM-08 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 146 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Figura A.I.13 - Curva granulométrica da amostra AM-09 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 147 Figura A.I.14 - Curva granulométrica da amostra AM-11 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 147 Figura A.I.15 - Curva granulométrica da amostra AM-12 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 148 Figura A.I.16 - Curva granulométrica da amostra AM-13 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 148 Figura A.I.17 - Curva granulométrica da amostra AM-14 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 149 Figura A.I.18 - Curva granulométrica da amostra AM-15 (prof. 3,50 a 4,00 metros) 149 Figura A.II.1 – Difratograma de Raio X da profundidade de 2,50 a 3,00 metros Método do pó no material passante na #40). 150 Figura A.II.2 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros Método do pó no material passante na #40). 151 Figura A.II.3 - Difratograma de Raio X da profundidade de 5,25 a 5,65 metros (Método do pó no material passante na #40). 151 Figura A.II.4 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Método do pó no material passante na #200) 152 Figura A.II.5 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Método do pó no material passante na #400) 152 Figura A.II.6 – Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Lâmina sem tratamento do material passante na #400) 153 Figura A.II.7 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Lâmina aquecida do material passante na #400) 153 Figura A.II.8 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Lâmina glicolada do material passante na #400) 154 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Figura A.III.1 – Curva σ’ x e do ensaio AEI-1 155 Figura A.III.2 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-1 156 Figura A.III.3 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-1 156 Figura A.III.4 - Curva σ’ x k do ensaio AEI-1 157 Figura A.III.5 – Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-1 158 Figura A.III.6 - Curva σ’ x e do ensaio AEA-1 159 Figura A.III.7 – Curva σ’ x e do ensaio AEI-2 159 Figura A.III.9 - Curva σ’ x e do ensaio AEI-2 160 Figura A.III.10 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-2 160 Figura A.III.11 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-2 161 Figura A.III.12 – Curva σ’ x k do ensaio AEI-2 161 Figura A.III.13 – Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-2 162 Figura A.III.14 - Curva σ’ x e do ensaio AEI-3 163 Figura A.III.15 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-3 163 Figura A.III.165 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-3 164 Figura A.III.17 – Curva σ’ x k do ensaio AEI-3 164 Figura A.III.18 – Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-3 165 Figura A.III.19 – Curva σ’ x e do ensaio AEI-4 166 Figura A.III.20 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-4 166 Figura A.III.21 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-4 167 Figura A.III.22 – Curva σ’ x k do ensaio AEI-4 167 Figura A.III.23 - Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-4 168 Figura A.IV.1 - Curva σ’ x e do ensaio AI-1 169 Figura A.IV.2 - Curva σ’ x mv do ensaio AI-1 170 Figura A.IV.3 - Curva σ’ x e do ensaio AI-2 170 Figura A.IV.4 - Curva σ’ x mv do ensaio AI-2 171 Figura A.V.1 – Curva s’ x υ para o ensaio K=1,0 sem dreno lateral 172 Figura A.V.2 - Curva s’ x υ para o ensaio K=1,0 com dreno lateral 172 Figura A.V.3 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,9 173 Figura A.V.4 – Curva s’ x υ para o ensaio K=0,8 173 Figura A.V.5 – Curva s’ x υ para o ensaio K=0,8 repetido 173 Figura A.V.6 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,7 174 Figura A.V.7 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,6 174 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Figura A.V.8 – Curva s’ x υ para o ensaio K=0,6 repetido 174 Figura A.V.9 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,5 175 Figura A.V.10 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,5 repetido 175 Lista de tabelas Tabela 2.1 - Critério de avaliação de qualidade de amostras (Lunne et al., 1997) 30 Tabela 2.2 – Critério de avaliação de qualidade de amostras (Oliveira, 2002) 30 Tabela 2.3 - Propriedades Geotécnicas de Alguns Solos Moles do Rio de Janeiro 33 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB Tabela 2.4 – Correlações estatísticas para o depósito mole de Santa Cruz (Aragão, 1975) 34 Tabela 2.5 – Análises químicas no solo de Santa Cruz (Aragão, 1975) 35 Tabela 2.6 - Análises químicas no solo de Santa Cruz (Aragão, 1975) 35 Tabela 2.7 – Caracterização do solo de Santa Cruz (Santos, 2004) 36 Tabela 2.8 - Análises químicas no solo de Santa Cruz (Santos, 2004) 37 Tabela 2.9 – Resultados dos ensaios de adensamento no solo de Santa Cruz (Santos, 2004) 37 Tabela 5.1 – Programa experimental dos ensaios de caracterização. 64 Tabela 5.2 – Programa experimental dos ensaios de adensamento. 65 Tabela 5.3 – Classificação da atividade de solos segundo Skempton 67 Tabela 5.4 –Análises realizadas para a determinação do teor de matéria orgânica. 70 Tabela 5.5 – Programa Experimental dos ensaios de Adensamento Anisotrópico 80 Tabela 5.6 – Identificação dos motores de passo 83 Tabela 6.1 –Índices físicos da camada de aterro e do depósito mole. 87 Tabela 6.2 – Tabela resumo da análise granulométrica 88 Tabela 6.3 – Tabela resumo dos limites de Atterberg e da atividade do solo 89 Tabela 6.4 –Classificação SUCS do solo 91 Tabela 6.5 – Distâncias interplanares basais típicas para argilominerais (Santos, 1975) 92 Tabela 6.6 –Resultados da análise de pH em água e em KCl 96 Tabela 6.7 – Resultados das análises químicas por complexo sortivo 97 Tabela 6.8 – Resultados das análises químicas por ataque sulfúrico 97 Tabela 6.9 – Faixa de valores de CTC associadas ao argilomineral (Santos, 1975) 98 Tabela 6.10 – Análises de condutividade elétrica e teor de sais no depósito mole. 99 Tabela 6.11 – Determinação do teor de matéria orgânica pelo carbono orgânico 99 Tabela 6.12 –Determinação do teor de matéria orgânica pelo método da P.P.A. 100 Tabela 6.13 – Perda de massa do solo para diferentes temperaturas 100 Tabela 7.1 – Identificação dos ensaios de adensamento edométrico 102 Tabela 7.2 – Características dos corpos de prova dos ensaios de adensamento edométricos 102 Tabela 7.3 – Parâmetros de compressibilidade dos ensaios de adensamento edométrico 106 Tabela 7.4 - Características dos corpos de prova dos ensaios de adensamento hidrostático 112 Tabela 7.5 – Parâmetros de compressibilidade dos ensaios de adensamento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CB hidrostático 113 Tabela 7.6 - Características dos corpos de prova dos ensaios de adensamento anisotrópicos 116 Tabela 7.7 – Parâmetros de compressibilidade dos ensaios anisotrópicos 117 Tabela 7.8 - Critério de avaliação de qualidade de amostras (Oliveira, 2002) 122 Tabela 7.9 – Classificação da qualidade das amostras 122 Tabela 7.10 – Comparação dos parâmetros de compressibilidade com dados da literatura 125 Tabela A.1 – Características iniciais dos corpos de prova dos ensaios de adensamento anisotrópico para diferentes velocidades 137 Tabela A.I.1 – Tabela resumo dos ensaios de caracterização 140 1 INTRODUÇÃO O comportamento de solos moles tem sido motivo de inúmeros estudos executados tanto no Brasil quanto no exterior (e.g. Costa Filho et al., 1985; Burland, 1990; Martins & Lacerda, 1994; Almeida & Marques, 2002; Ladd & DeGroot, 2004). A complexidade de problemas associados a este tipo de terreno, seja do ponto de vista de recalques ou de resistência, torna, entretanto, necessário um contínuo desenvolvimento de estudos e pesquisas que propiciem um entendimento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA adequado do comportamento de engenharia desses materiais, incluindo as técnicas utilizadas para a determinação de suas propriedades mecânicas e hidráulicas. Dentro deste contexto e, também, visando a solução de um problema prático, um amplo trabalho de pesquisa envolvendo o estudo da evolução de movimentos de estruturas assentes sobre uma camada argilosa espessa vem sendo desenvolvido na PUC-Rio. Tais pesquisas compreendem, além do monitoramento das estruturas, a execução de diferentes tipos de ensaios de campo (e.g. Bello et al., 2006) e laboratório. A área em estudo localiza-se na Zona Industrial de Santa Cruz, Rio de Janeiro, RJ e evidências de recalques em construções estabelecidas nessa região têm sido reportadas desde o final da década de 70 sendo, entretanto, escassas as informações existentes na literatura sobre propriedades mecânicas e hidráulicas do solo local. O presente trabalho tem o propósito de contribuir neste sentido, apresentando dados de caracterização do material e apresentando e discutindo parâmetros de compressibilidade e de adensamento do depósito mole. Para tanto, desenvolveuse um programa experimental compreendendo a caracterização físico-químicomineralógica de amostras do perfil e a execução de ensaios de adensamento edométrico e triaxial hidrostático e anisotrópico. Os experimentos em células edométricas envolveram ensaios convencionais, com medida de permeabilidade e com determinação de compressão secundária. 21 Com os resultados dos ensaios de adensamento obteve-se uma estimativa do K0 do material normalmente adensado e se discutiu aspectos de qualidade das amostras ensaiadas. Procurou-se ter um entendimento do estágio de adensamento existente hoje na área estudada e fornecer uma estimativa preliminar de recalques que podem ainda vir a ocorrer sob as presentes condições de carregamento. Dentro desse projeto de pesquisa e visando a elaboração de um modelo de comportamento do solo estudado, também foram realizados no laboratório da PUC-Rio ensaios de adensamento CRS e radial, além de ensaios triaxiais drenados e não drenados. Entretanto, por fugirem do escopo do presente PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA trabalho, esses dados não serão aqui apresentados. Esta dissertação, além do capítulo atual, apresenta-se dividida em mais 7 capítulos. O segundo capítulo aborda de forma sucinta algumas características de depósitos moles, assim como apresenta estudos realizados em solos semelhantes ao do presente trabalho. O capítulo 3 apresenta a área investigada e algumas características da mesma, explicitando o problema de recalque existente no local, enfatizando a relevância desse projeto de pesquisa. O capítulo 4 descreve as metodologias de amostragem e de extrusão de amostras no laboratório adotadas nessa pesquisa, que serão analisadas baseadas em uma proposta de avaliação da qualidade de amostras. No capitulo 5 estão apresentados o programa experimental, as metodologias adotadas e os equipamentos utilizados na realização dos ensaios de laboratório, incluindo as caracterizações físico-químico-mineralógicas, assim como, os ensaios de adensamento edométrico convencional e especiais, adensamento hidrostático e adensamento anisotrópico. 22 A apresentação e discussão dos resultados serão abordadas nos capítulos 6 e 7, sendo que o primeiro deles está relacionado às caracterizações físico-químicomineralógicas e o segundo trata da compressibilidade do solo. Finalmente, as conclusões e sugestões para trabalhos futuros se encontram no capítulo 8. Ainda neste trabalho são apresentado o Apêndice A e os Anexos I a V. O Apêndice A descreve a metodologia empregada para a definição da velocidade do ensaio de adensamento anisotrópico. Nos Anexos I e II encontram-se, respectivamente, os resultados da PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA caracterização física e mineralógica do perfil. Já os Anexos III a V apresentam os gráficos individuais dos ensaios de adensamento. 2 CARACTERÍSTICAS DE DEPÓSITOS MOLES Neste capítulo serão apresentados aspectos a respeito da formação dos depósitos moles, a sua constituição mineralógica, e alguns efeitos e influencias que o processo de amostragem pode causar nos resultados dos ensaios de laboratório em amostras indeformadas desse tipo de solo. Também serão apresentadas características e parâmetros de compressibilidade de outros PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA estudos realizados em solos moles da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Não cabe, no escopo do presente trabalho, apresentar aspectos teóricos da teoria do adensamento, pois esse assunto é clássico na Mecânica dos Solos. 2.1. Origem e Formação dos Depósitos Moles O conhecimento prévio da origem e formação de um solo é importante para uma melhor compreensão de algumas de suas propriedades, como por exemplo, o seu sobreadensamento. Os depósitos moles encontrados no litoral brasileiro são constituídos por solos de granulometria fina que se depositaram em ambientes marinhos. Do ponto de vista geológico, esses depósitos são bastante recentes, formados no Período Quaternário quando, segundo Massad (1988), ocorreram pelo menos dois ciclos de sedimentação, um no Pleistoceno e outro no Holoceno. Estes ciclos estão diretamente relacionados com as variações do nível do mar. Há cerca de 120 mil anos (Pleistoceno) o nível marinho elevou-se em aproximadamente 8 metros, originando os sedimentos denominados de Formação Cananéia. Posteriormente, há cerca de 15 mil anos, o nível do mar abaixou em 130 metros durante o período de glaciação, onde grande parte da água do mar foi desviada para os pólos e para as regiões setentrionais da terra para a formação das geleiras e das calotas de gelo. Como conseqüência, houve um intenso processo de erosão que removeu parte dos sedimentos já depositados. Com o término da 24 glaciação, iniciou-se outro processo de transgressão marinha, há aproximadamente 6 mil anos (Holoceno), resultando em uma elevação do nível de água de 4 metros e na formação dos depósitos atuais. De acordo com Massad (1988), após o Holoceno, o mar entrou em um processo contínuo e lento de regressão, interrompido por “rápidas” oscilações negativas de seu nível. O conhecimento dessas oscilações negativas é importante sob o ponto de vista geotécnico, pois pode justificar o leve pré-adensamento observado em algumas camadas superficiais desse tipo de solo. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 2.2. Constituição Mineralógica Conforme é de conhecimento geral (e.g., Santos, 1975), os solos argilosos são constituídos essencialmente por argilominerais, podendo conter também matéria orgânica, outros minerais não considerados argilominerais, como por exemplo, o quartzo e a alumina, e outras impurezas. Os argilominerais são constituídos por duas unidades básicas, que se associam formando folhas e se agrupam em camadas. A distância perpendicular entre essas camadas é definida como distância interplanar ou espaçamento basal. Os diversos tipos de argilominerais existentes são resultado das diferentes ligações entre essas camadas e da substituição de íons de alumina ou sílica. As unidades básicas são: i) Unidade tetraédrica, que normalmente é constituída por um átomo de silício (SiO4) no centro e quatro de oxigênio igualmente distanciados do primeiro. A Figura 2.1 ilustra essa unidade e suas ligações formando folhas. 25 a) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA b) c) Figura 2.1 – a) Unidade e folha tetraédrica. b) Visão espacial da lâmina tetraédrica. c) Representação da unidade tetraédrica (Mitchell, 1976). ii) Unidade octaédrica, que geralmente é constituída por um átomo de alumina (Al-3) eqüidistante de seis de oxigênio ou hidroxilas, formando a configuração octaédrica ilustrada na Figura 2.2. a) b) c) Figura 2.2 – a) Unidade e folha octaédrica. b) Visão espacial da lâmina octaédrica. c) Representação da unidade octaédrica (Alshawabkeh, 2001) 26 Existem três grupos de argilominerais de interesse na prática da engenharia: o da caulinita, da esmectita e da ilita. A caulinita é formada pelo empilhamento de uma folha tetraédrica com uma folha octaédrica, originando estruturas de camada 1:1. É considerada uma estrutura estável, sem moléculas de água entre as camadas, tendo como propriedades baixos valores tanto de expansão como de retração. A esmectita, argilomineral do tipo 2:1, é constituída por uma folha octaédrica entre folhas de silicato tetraédricas, unidas entre si por oxigênios comuns às folhas. Essas camadas sucessivas estão fracamente ligadas entre si e moléculas de água ou polares, de espessuras variáveis, podem entrar entre elas, chegando a separá-las totalmente. Este argilomineral quando em contato com água ou PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA ambiente úmido pode ter o seu espaçamento basal aumentado, fazendo com que os cátions interplanares fiquem susceptíveis de serem trocados por outros cátions, formando, desse modo, novos argilominerais. Conseqüentemente, as argilas constituídas por esmectitas geralmente possuem, em elevado grau, propriedades plásticas e coloidais, e apresentam grandes variações em suas propriedades físicas (Santos, 1975). A ilita também é um argilomineral do tipo 2:1, e possuí uma estrutura cristalina semelhante à da esmectita, porém, o alumínio é substituído pelo silício e o cátion neutralizante é o potássio. Como conseqüências dessas diferenças, as camadas estruturais são rigidamente ligadas e não expandem (Santos, 1975). 2.3. Efeitos do Amolgamento da Amostra A qualidade dos processos de amostragem tem sido motivo de muita preocupação no meio geotécnico. A influência da qualidade de amostras em ensaios de adensamento é observada desde a década de 30 por Casagrande (1936), entretanto ainda vêem-se resultados de ensaios com indícios de má qualidade das amostras. Rutledge (1944) sugere que os efeitos do amolgamento em amostras de ensaios de adensamento são: i) Diminuição do índice de vazios para qualquer nível de tensão efetiva. O processo de amolgamento ocorre de maneira praticamente não drenada, 27 e no caso das argilas moles do litoral brasileiro, que se encontram saturadas, esse processo ocorre com índice de vazios constante. Desse modo, não há deformação volumétrica no solo, mas sim distorções que destroem parcialmente ou totalmente a sua estrutura, fazendo com que se modifique, por exemplo, a relação e vs σ’v no ensaio edométrico. ii) A história de tensões do solo (e conseqüentemente a tensão de préadensamento) torna-se mascarada ou indefinida; iii) Redução do valor estimado da tensão de pré-adensamento; iv) A compressibilidade é majorada na região de recompressão e reduzida na região de compressão virgem. Martins & Lacerda (1994) acrescentaram a esta lista a influência do PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA amolgamento na forma geométrica do trecho de compressão virgem da curva e vs σ ,v , ressaltando que ensaios realizados em amostras de boa qualidade apresentam esse trecho curvilíneo, enquanto que em ensaios realizados em amostras de má qualidade esse trecho apresenta-se retilíneo. Diferenças de comportamento de curvas apresentadas para amostras de boa e má qualidade já haviam sido observadas por Ferreira & Coutinho (1988). A Figura 2.3 ilustra bem tanto os diferentes comportamentos para as amostras de boa e de má qualidade, como as observações de Martins & Lacerda (1994) a respeito do trecho de compressão virgem. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 28 Figura 2.3 – Efeito do amolgamento durante a amostragem na compressão unidimensional da argila de Sarapuí (Coutinho,1976) Martins & Lacerda (1994) também realizaram um estudo visando avaliar o efeito da qualidade da amostra sobre o cálculo de recalques, e constataram que o amolgamento pode conduzir a erros da ordem de 100%. Estes erros podem ser maiores ou menores dependendo do domínio de tensões em que se esteja trabalhando. 29 Correia & Lacerda (1982) apresentaram a influência do amolgamento na curva m v vs log σ ,v . Esta curva, como pode ser observado na Figura 2.4, apresenta um pico na região na tensão de pré-adensamento, e quanto menor a perturbação da amostra, mais pronunciado é o máximo desta curva. Os autores também sugerem que, em amostras de boa qualidade, uma estimativa da tensão de préadensamento seria utilizar a pressão correspondente ao ponto médio entre o PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA ponto de inflexão e o ponto máximo da curva m v vs log σ ,v . Figura 2.4 – Efeito do amolgamento na curva mv vs σ’v (Correia & Lacerda, 1982) Lunne et al. (1997) propuseram uma avaliação da qualidade de amostras utilizadas em ensaios de adensamento. Esta avaliação é baseada na relação e vo − e o , onde evo é o índice de vazios corresponde à tensão efetiva de campo e eo eo é o índice de vazios inicial do corpo de prova. A Tabela 2.2 mostra os critérios de avaliação sugeridos por Lunne et al. (1997) para as argilas da Noruega. 30 Tabela 2.1 - Critério de avaliação de qualidade de amostras (Lunne et al., 1997) ∆e OCR Muito Boa a Boa a Excelente Regular 1-2 < 0,04 2-4 < 0,03 e0 Pobre Muito Pobre 0,04 – 0,07 0,07 – 0,14 > 0,14 0,03 – 0,05 0,05 – 0,10 > 0,10 No Brasil, Coutinho et al. (1998) adaptaram o critério de Lunne et al. (1997) para as argilas de Recife, e posteriormente, Oliveira (2002) sugeriu que um novo critério de classificação, adaptado para a estrutura plástica das argilas PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA brasileiras, fosse adotado. Este se encontra na Tabela 2.3 abaixo. Tabela 2.2 – Critério de avaliação de qualidade de amostras (Oliveira, 2002) ∆e Muito Boa a Boa a Excelente Regular < 0,05 0,05 – 0,08 e0 Pobre Muito Pobre 0,08 – 0,14 >0,14 2.4. Argila Mole da Baixada Fluminense De acordo com Antunes (1978) os depósitos moles da Baixada Fluminense são constituídos por sedimentos flúvio-marinhos, que se depositaram há cerca de 6000 anos atrás, durante o período Quaternário, nas terras baixas em torno da Baía de Guanabara. A formação desses depósitos se deu pelo carreamento de sedimentos erodidos das montanhas adjacentes transportados por rios que desembocam nas Baías de Guanabara e de Sepetiba, e por sedimentos marinhos depositados durante os períodos de transgressão e regressão marinha. Alguns desses depósitos já foram amplamente estudados por diversos profissionais da área de geotecnia, principalmente em meados dos anos 70 até o início dos anos 90, quando a PUC-Rio e a COPPE/UFRJ, em cooperação com o IPT-DNER executaram um amplo programa experimental na região de Sarapuí envolvendo ensaios de campo e laboratório, além da construção e monitoramento de dois aterros experimentais e a execução de uma escavação instrumentada. 31 Existem estudos também para outras regiões de solo mole da cidade do Rio de Janeiro, tais como: Santa Cruz (Aragão, 1975; Santos, 2004), região da Rua Uruguaiana - próximo ao metrô (Vilela, 1976), Botafogo (Lins & Lacerda, 1980), Itaipu (Carvalho, 1980; Pinheiro,1980), Juturnaiba (Coutinho, 1986), Caju (Cunha, 1988), Baixada de Jacarepaguá (Garcés, 1995) e Barra da Tijuca (Almeida, 1996) dentre outras. Muitos desses estudos indicaram que a composição mineralógica predominante na fração argila é a caulinita, com indícios de ilita e esmectita, ocorrendo também alguns minerais primários como o quartzo, a mica e o feldspato. De acordo com Antunes (1978), a coloração cinza escura desses depósitos se deve ao ambiente redutor. Apesar de serem descritas como argilas orgânicas, estes PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA solos apresentam muitas vezes baixos teores de matéria orgânica (4 a 6,5%). Segundo Antunes (1978), o depósito mole de Sarapuí apresenta um teor de sais solúveis variando de 4,7 g/L a 8,5 g/L, um Ki (relação sílica/alumina) de 2,7 e valores médios de SiO2 e Al2O3 de 28% e 18,6% respectivamente. Em Juturnaiba (Coutinho & Lacerda, 1994), as análises químicas apresentaram um Ki de 2,2 indicando a presença de caulinita,e para as profundidades de 0,5 a 1,5 e 2,0 a 2,5 o Ki variou de 3 a 3,5 indicando a presença de argilominerais do tipo 2:1. Os cátions adsorvidos são predominantemente o Ca++, Mg++ e H+, e a presença de matéria orgânica induz a uma elevada capacidade de troca catiônica e a um baixo valor de pH, que variou de 3,1 a 5,9. A Figura 2.5 apresenta perfis esquemáticos de alguns depósitos argilosos do Rio de Janeiro. De acordo com Futai et al. (2001), algumas considerações, tais como a limitação dos tipos de materiais e desconsideração da cota do terreno, foram feitas para facilitar a comparação. Nesses casos a camada mole geralmente encontra-se sobrejacente a areias e argilas arenosas e possuí uma espessura variável de 5 a 15m. Costa Filho et al. (1984) observaram que para as argilas das regiões das baixadas da Baía de Guanabara e da Baía de Sepetiba o nível d’água praticamente coincide com o nível do terreno na maioria dos perfis, com alguma variação durante o ano. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 32 Figura 2.5 - Perfis Geotécnicos das Argilas do Rio de Janeiro (Futai et al., 2001) A Tabela 2.3 resume os principais parâmetros geotécnicos dos solos citados acima. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela 2.3 - Propriedades Geotécnicas de Alguns Solos Moles do Rio de Janeiro Referências Santa Cruz (Z. Litorânea) Rua Uruguaiana Botafogo Itaipu Juturnaiba Caju Baixada de Jacarepaguá Barra da Tijuca Sarapuí Santa Cruz Aragão (1975) Vilela (1876) Lins & Lacerda (1980) Carvalho (1980); Pinheiro (1980) Coutinho (1986) Cunha (1988) Garcés (1995) Almeida (1996) Almeida & Marques (2002) Santos (2004) 12 12 5 - 15 Espessura (m) wnat (%) 15 9 6 10 7 12 112 54,8 ±1 9,5 35 240 ± 110 154±95,6 88 35,8 – 84,4 100 -500 143±21,7 31 – 161,4 LL (%) 60 71 ± 30 38 175 ± 83 132 ± 44 107 39 – 87 70 - 450 120 ± 18 18 – 159 IP (%) 32 40 ± 22 11 74 ± 30 64 ± 22 67 12 – 49 120 – 250 73 ± 16 2,6 – 118 39,4±10,11 28 25 - 55 28 – 80 70 52 – 62 17,04 % argila γ (kN/m³) 13,24 16,1±1,39 Sensitividade 3,39 % Mat. Org. 60,7±12,74 12 ±1,85 12,5±1,87 14,81 12,5 13,1±0 49 3 4–6 5 – 10 3 5 2,59±0,69 2,56±1,04 32,63 ± 20,46 19±10,63 5 – 13,9 e0 3,09 1,42±0,36 1,10 6,72±3,1 3,74±1,98 2,38 cc (1+eo) 0,32 0,31±0,15 0,16 0,41 ± 0,12 0,31±0,12 0,267 0,07±0,06 0,21 CR= cr / cc 0,10 0,19 cv (cm²/seg) x 10-4 0,2 – 18,2 30 5 1 – 10 1 0,41 – 10,4 3,71±0,57 1,94 – 2,64 0,52 0,41±0,07 0,23 – 0,26 0,10 0,15±0,02 2 – 80 9 62,5 – 80,3 33 34 A região de Santa Cruz, região estudada no presente trabalho, foi pesquisada por Aragão em 1975. A área analisada situa-se na Baía de Sepetiba, próximo ao Canal de São Francisco, e o seu perfil é constituído por uma camada de argila mole, orgânica, de espessura pouco variável, da ordem de 15 metros, seguida por uma série de camadas de areias siltosas até a profundidade de 31 metros, onde se inicia o solo residual caracterizado por um silte arenoso. Costa Filho et al. (1984) também estudaram essa mesma região de Santa Cruz e observaram pelas analises dos ensaios de adensamento edométricos a existência de uma camada ressecada de aproximadamente 7 metros, que apresenta características de um solo pré-adensado. Abaixo dessa camada ressecada, as pressões de sobreadensamento se aproximam das pressões PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA efetivas no local. Segundo os autores, essas observações são consistentes com as variações de umidade natural ao longo do perfil do terreno. Aragão (1975) e Costa Filho et al. (1984) apresentaram diversas correlações estatísticas, relacionando os índices físicos com a profundidade e parâmetros de compressibilidade também com a profundidade. A Tabela 2.4 apresenta as correlações propostas, assim como os seus coeficientes de correlação. Os coeficientes de correlação abaixo de 0,4 foram julgados de validade estatística discutível, entretanto os autores consideram que devido ao grande número de determinações, as expressões médias indicadas na Tabela 2.4 são razoavelmente representativas das propriedades do depósito mole estudado. Tabela 2.4 – Correlações estatísticas para o depósito mole de Santa Cruz (Aragão, 1975) Relação Expressão γt x Prof (m) γ t = 0,009.H + 1.32 ± 0,08 Número de pontos 504 wi x Prof (m) w i = 0,35.H + 2,21.H + 119,6 ± 19 472 112 - LL x Prof (m) 305 60 0,19 305 28 - IP x Prof (m) LL = 0,14.H + 2,02.H + 54,2 ± 9 LP = 0,16.H 2 − 0,43.H + 29,7 ± 7 IP = 0,614.H 2 + 2,55.H + 24,6 ± 9 305 32 - σ’vm (t/m²) x Prof (m) σ,VM = 0,0372.H 2 − 0,44.H + 4,98 ± 1,56 76 cc x Prof (m) c c = 0,0167.H 2 + 0,22.H + 0,80 ± 0,45 76 LP x Prof (m) 2 2 Valor médio Coef. correlação 0,36 0,36 1,30 0,4 Foi realizada também uma caracterização química no perfil desse solo, que se encontra resumida nas Tabelas 2.5 e 2.6 abaixo. 35 Tabela 2.5 – Análises químicas no solo de Santa Cruz (Aragão, 1975) Prof. (m) 5,3 9,3 12,3 Ca2+ 27,0 11,5 10,5 Cátions trocáveis (meq/100g) Mg2+ K+ Na+ H+ 21,0 2,02 6,85 1,7 29,5 2,80 11,25 6,3 16,5 2,26 7,70 2,6 Al3+ 0 0,1 0 pH 6,7 5,4 6,4 % mat. orgânica 2,27 2,46 2,89 Tabela 2.6 - Análises químicas no solo de Santa Cruz (Aragão, 1975) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Prof. (m) 5,3 9,3 12,3 Ca 1,95 0,97 0,34 Sais soluveis (g/L) Mg K Na 1,33 0,56 1,52 2,18 0,87 2,87 0,42 0,42 1,58 Total 5,36 6,89 2,76 Ki 2,86 2,64 2,68 Outra pesquisa realizada na área de Santa Cruz foi feita por Santos (2004), que executou ensaios de caracterização geotécnica, físico-químico-mineralógica, além de ensaios de adensamento e de palheta no solo da região. Neste trabalho foram apresentados os resultados dos ensaios acima citados para diferentes unidades de formação geológica, denominadas de gleissolos. A zona investigada situa-se na Baixada de Santa Cruz, e foi dividida em duas áreas, de acordo com os perfis do subsolo de duas unidades gleissolos diferentes. A unidade GHa caracteriza-se por apresentar uma argila de alta atividade. É uma unidade de baixa permeabilidade, ácida e com características de formação sob grande influência do lençol freático, que provocam a coloração cinzenta e mosqueados característicos de reações de oxidação e redução. A unidade GHT é um solo salino, com textura argilosa. É caracterizado por apresentar argilas de alta atividade, com elevados teores de sais solúveis, sulfetos e/ou enxofre. São ácidos, de baixa permeabilidade e apresentam coloração variando de preta a cinza esverdeado. Esta unidade apresenta alta condutividade elétrica (4,3 a 8,5 mmhoms/cm), altos teores de sais solúveis de Ca2+, Mg2+, K+ e Na+ e porcentagem de enxofre superior a 0,75% até a profundidade de 1 metro. Ocorrem nas desembocaduras dos rios, canais e margens de lagoas na orla marítima, com o material sedimentar de natureza argilo-siltosa ou argilosa, com detritos orgânicos. Estes solos estão sujeitos a 36 influência constante das marés favorecendo a acumulação de sais e compostos de enxofre. O perfil da primeira, denominada de GHa, é constituído por um aterro, seguido de uma camada de argila silto-arenosa, com NSPT variando de 0 a 10. Abaixo desta camada, ocorrem intercalações de camadas argilo-siltosas, argiloarenosas, arenosas, areno-siltosas, medianamente compactas a compactas, com NSPT apresentando uma tendência de crescimento com a profundidade, seguida de solo residual. A segunda unidade geológica, denominada de GHT, é constituída por uma camada de argila siltosa cinza, de baixa consistência (NSPT de 0 a 5). PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Subjacente a esta camada encontra-se uma camada de areia fina a média, pouco argilosa, medianamente compacta, com NSPT variando de 5 a 12. Outras sondagens revelaram a presença de uma camada de aterro de aproximadamente 1,0 metro de espessura e apresentaram um perfil semelhante ao observado por Aragão (1975). Dos ensaios de caracterização geotécnica, Santos (2004) obteve os resultados que se encontram na Tabela 2.7: Tabela 2.7 – Caracterização do solo de Santa Cruz (Santos, 2004) Unidade Prof. gleissolo (m) w (%) % argila Gs γnat (kN/m³) LL (%) IP (%) GHa 0–2 31 – 155,7 30 - 90 2,10 - 2,70 14,48 18,4 – 159 2,6 – 118,5 GHT 0–2 54 - 120 52 – 62 2,60 - 2,70 14,94 84,4 115 62,7 - 71 Apesar dos valores de densidade dos grãos para a unidade GHa se apresentarem bastante variados, a média foi de 2,60. O autor atribui os baixos valores de Gs observados à presença de matéria orgânica. Os resultados obtidos das análises químicas estão na Tabela 2.8. O solo não salino (GHa) foi classificado em relação ao pH como de acidez alta a acidez fraca, e o salino (GHT) como de acidez alta a alcalinidade alta. 37 Tabela 2.8 - Análises químicas no solo de Santa Cruz (Santos, 2004) % mat. pH Unidade Prof. gleissolo (m) H20 KCl orgânica GHa 0 - 2,00 3,4 – 7,6 3,2 – 6 2,4 a 10,4 2,09 0,5 – 1,50 GHT 0 – 2,00 3,1 – 4,1 2,7 – 3,3 0,51 a 6,04 2,51 4,02 – 4,73 C. E. (mS/cm) Ki 25°C A unidade GHa apresentou a predominância dos cátions Ca2+ (3 a 9,4 Cmolc/kg), Mg2+ (3,4 a 10,9 Cmolc/kg), Al3+ (0,2 a 7,1 Cmolc/kg) e H+ (6,3 a 48,7 Cmolc/kg),e conseqüentemente um valor de saturação de bases (S) variando entre 6,9 e 22,5 Cmolc/kg e de CTC entre 20,3 e 77,8 Cmolc/kg. Os cátions encontrados para o solo GHT foram: Ca2+ (2,1 a 6,9 Cmolc/kg), Mg2+ (2,8 a 3,7 Cmolc/kg), Al3+ (10 a 14 Cmolc/kg) e H+ (7,9 a 9,7 Cmolc/kg). Com PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA esses resultados, a saturação de bases (S) variou entre 8,7 e 12,1 Cmolc/kg e os de CTC entre 30,6 e 31,8 Cmolc/kg. Os sais solúveis encontrados foram o K+ e o Na+, com valores médios de 0,09 e 1,83 respectivamente. As análises mineralógicas identificaram em ambos os perfis a presença predominante da caulinita, ocorrendo secundariamente ilita e esmectita. Os ensaios de adensamento nesses solos apresentaram os resultados indicados na Tabela 2.9. Tabela 2.9 – Resultados dos ensaios de adensamento no solo de Santa Cruz (Santos, 2004) Unidade Prof. gleissolo (m) GHa GHT σ’vm OCR 2,00 80 2,05 2,00 70 2,08 cvmédio mv x 10-4 k x 10-9 (m²/kN) (m/s) 0,10 10 6,2 0,10 11 8,8 cc cs 62,45 0,84 80,3 0,75 x 10-8 (m²/s) 3 APRESENTAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO E DO PROBLEMA Este capítulo tem o objetivo de apresentar a região estudada, desde a sua localização em relação ao Estado do Rio de Janeiro, como a indicação do perfil que compõe o seu terreno. Serão apresentadas também, através de um inventário fotográfico, as evidências de recalque que vem ocorrendo no terreno PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA em estudo. 3.1. Área de Estudo A área estudada pertence à Subestação de Linhas de Transmissão ZIN da Light, situada na Zona Industrial de Santa Cruz, zona oeste do município do Rio de Janeiro, conforme ilustra a Figura 3.1. N Baía da Guanabara Zona Industrial de Santa Cruz Baía de Sepetiba Figura 3.1 – Localização da área de estudo (fonte: Google Earth) Esta área é uma região de baixada formada por um depósito argiloso, de origem sedimentar, com espessura variando entre 6 e 15 metros. Este depósito 39 sedimentar é de origem bem recente do ponto de vista geológico, formado há cerca de 6000 anos, devido aos períodos de transgressão e regressão marinha (Massad, 1988). Existem poucas informações a respeito de estudos geotécnicos na área da Subestação, e obteve-se acesso somente a laudos de sondagem do tipo SPT, realizados na década de 70 para a elaboração dos projetos de fundação. Essas sondagens foram locadas conforme mostra a planta da Figura 3.2, e revelaram a ocorrência de uma camada de argila mole com resistência à penetração PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA variando de 0 a 10 golpes, porém, com valor médio de 2 golpes. Figura 3.2 – Planta de locação dos pontos de sondagem realizada na década de 70. As variações dos NSPT, ao longo da profundidade, para as sondagens F1 a F19 estão apresentadas na Figura 3.3. As linhas tracejadas observadas nestes perfis estão separando as camadas superficiais de aterro, das camadas de argila mole e de algumas lentes de areia que penetram na camada de argila, como se observa, nos furos F1, F14 e F15. Não há indicação do nível d’água, pois os laudos de sondagem não continham essa informação. 40 Nspt 00 10 10 0 20 20 30 30 40 40/0 50 10 aterro h = 3,5m 7030 80 40/0 90 10 100 20 110 30 120 40/0 130 10 aterro h = 2,3m aterro h = 3,6m 140 20 150 30 160 40/0 aterro h = 2,85m argila orgânica h = 10,4m argila orgânica h = 12,15m 10 Prof (m) 6020 170 10 180 20 190 30 200 40 aterro h = 2,95m argila orgânica h = 10,95m argila orgânica h = 10,95m 20 argila orgânica h = 2,2m 30 40 SPT 1 SPT2 SPT3 SPT4 SPT5 Nspt 00 10 10 20 20 30 30 40 40/0 50 10 0 Prof (m) 70 30 80 40/0 aterro h = 2,85m aterro h = 3,9m 90 10 100 20 110 30 120 40/0 130 10 140 20 aterro h = 3,4m argila orgânica h = 11,95m argila orgânica h = 10,9m 10 60 20 150 30 160 40/0 aterro h = 3,4m 180 20 190 30 200 40 aterro h = 3,5m argila orgânica h = 11,3m argila orgânica h = 12,6m 170 10 argila orgânica h = 15,3m 20 40 SPT6 SPT7 SPT8 SPT9 SPT10 Nspt 00 10 10 20 20 0 Prof (m) 30 30 40 40/0 50 10 aterro h = 3,1m 60 20 70 30 80 40/0 90 10 aterro h = 2,9m argila orgânica h = 9,9m argila orgânica h = 11,5m 10 100 20 110 30 120 40/0 aterro h = 3,5m 130 10 140 20 150 30 160 40/0 argila orgânica h = 13,1m areia 170 10 180 20 200 40 h = 3,2m areia arg orgânica h1 = 2,8m h2 = 6m 20 190 30 aterro h = 2,95m aterro h = 2,85m h = 3,2m arg orgânica h1 = 4,1m h2 = 5,9m 30 40 SPT11 SPT12 SPT13 SPT14 SPT15 Nspt 00 0 10 Prof (m) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 30 10 10 20 20 30 30 aterro h = 2,5m argila orgânica h = 12,1m 40 40/0 50 10 60 20 70 30 aterro h = 3,5m argila orgânica h = 12,1m 80 40/0 90 10 100 20 110 30 aterro h = 3,7m argila orgânica h = 14,15m 120 40/0 130 10 140 20 150 30 160 40/0 aterro h = 4,3m argila orgânica h = 14,2m 20 30 40 SPT16 SPT17 SPT18 SPT19 Figura 3.3 – Representação gráfica dos laudos de sondagem tipo SPT Com base nesses dados, De Campos et al. (2004) elaborou uma representação espacial das camadas de solo até a base da argila mole que está, juntamente com a locação dos furos de sondagem, apresentada na Figura 3.4. A superfície do terreno foi obtida segundo cotas de referências topográficas da época, indicando que o terreno inicial era praticamente plano. A camada de aterro 41 revelou-se praticamente uniforme em espessura, com aproximadamente 3 metros, enquanto que a camada de argila apresentou pequenas variações em sua espessura, com algumas intrusões de areia. As sondagens apresentadas nesta figura são as mesmas da figura 3.2, entretanto, a nomenclatura F foi PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA substituída pela SPT, mantendo a numeração dos furos anterior. Figura 3.4 – Representação espacial do perfil local (De Campos et al., 2004). Para a realização do projeto de pesquisa P&D LIGHT/ANEEL, foram definidas 4 áreas experimentais no terreno da Subestação, conforme mostra a Figura 3.5, determinadas em função da localização da malha do aterramento; da existência de estruturas, como tubulações de drenagem e caixas de passagem, e do ponto de vista de segurança em relação às linhas de transmissão. Porém, a presente dissertação apresenta somente os estudos realizados na área experimental AE-1, localizada próxima ao portão de entrada da subestação. 42 Portão de Entrada AE-1 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA AE-1 AE-2 AE-2 AE-4 AE-4 AE-3 AE-3 Área Experimental (AE) Malha de Aterramento Figura 3.5 – Localização das áreas experimentais. 43 Em 2005, novas investigações envolvendo o ensaio de piezocone e de dissipação de poropressão (CPTU) foram realizadas até a base da camada de argila. Este ensaio consiste na cravação no solo, a uma velocidade constante, de uma ponteira cônica instrumentada eletronicamente permitindo medições de resistência de ponta (qc), atrito lateral (fc) e o monitoramento constante de poropressões (ub). Os resultados desses ensaios podem ser usados para a determinação estratigráfica de perfis de solos, determinação de materiais prospectados e previsão da capacidade de carga de fundações. Neste caso, os resultados foram inicialmente utilizados para indicar o atual perfil do terreno na área estudada, revelando um aterro com espessura variando de 2 a 3 metros e um nível d’água de aproximadamente 1,60 metros abaixo da realizado na área AE-1, indicando também a presença de lentes de areia ao longo da camada de argila. Este fato pode ser verificado observando o aumento da resistência de ponta e a diminuição da poropressão em determinadas profundidades, como por exemplo, a 5 e 11 metros. Resistência de ponta Poropressão 2 u2s(kg/cm 2) q c (kg/cm ) 0 4 8 12 16 20 0 0 2 NA = 1,6 2 4 4 6 6 8 10 1 2 3 4 0 Profundidade (m) Profundidade (m) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA superfície do terreno. A Figura 3.6 mostra o resultado do ensaio CPTU-1, NA = 1,6 8 10 12 12 14 14 16 16 Figura 3.6 – Resultados do ensaio CPTU-1 na área AE-1 5 44 3.2. Apresentação do Problema O terreno da subestação vem apresentando problemas de recalques desde a década de 70, que puderam ser evidenciados a partir de visitas técnicas realizadas no local em 2002. Desse modo, foi detectado o afundamento do terreno superficial e recalques diferenciais de estruturas de concreto, caracterizados pela ocorrência de trincas em diferentes pontos do empreendimento, como por exemplo, nas bases de postes e de máquinas pesadas. Esses problemas foram registrados em um inventário fotográfico realizado na ocasião das visitas, e estão apresentados nas Figuras 3.7 a 3.20. Trincas tanto PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA horizontais quanto verticais são observadas em diversas estruturas, como as das figuras 3.7 a 3.11. Observa-se também nas figuras 9.11 a 9.14 diversos postes desalinhados e na figura 3.15 percebe-se a deformação em uma canaleta superficial. Já as figuras 3.16 a 3.20 evidenciam claramente o recalque diferencial que está ocorrendo no terreno. Figura 3.7 - Geradores mostrando tendências a tombamento, com trincas horizontais na base dos coroamentos das fundações PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 45 Figura 3.8 - Trinca vertical na base dos geradores Figura 3.9 - Trinca horizontal na base de edifícios PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 46 Figura 3.10 - Trincas na laje do calçamento Poste desalinhado Trincas Figura 3.11 - Poste desalinhado e fundações com trincamento. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 47 Figura 3.12 - Postes mostrando distorção. Figura 3.13 - Poste com distorção para o lado menos pesado. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 48 Figura 3.14 - Distorções de pórticos. Figura 3.15 - Canaleta de drenagem superficial deformada tanto vertical quanto horizontalmente. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 49 Figura 3.16 - Placas de concreto com fissuras e deslocamentos diferenciais. Figura 3.17 - Recalques diferenciais do aterro. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 50 Figura 3.18 - Aparente perda de material junto à base de um conjunto de pórticos. Figura 3.19 - Aterro com recalques diferenciais. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 51 Figura 3.20 - Passarela com distorções. O inventário fotográfico mostra a importância e a necessidade de se fazerem mais estudos relacionados aos movimentos que ocorrem nos solos moles. A ausência destes conhecimentos tem levado à adoção de critérios conservadores de projeto que, em muitos casos, além do comprometimento econômico imediato, envolve uma convivência duradoura com uma situação de elevado risco de ruptura dos elementos estruturais de fundação. No caso específico da Subestação Zin, as conseqüências devidas ao potencial de colapso estrutural decorrente das grandes deformações sofridas pelas estruturas de fundação podem ser extremamente graves, incluindo a paralisação não programada de transmissão de energia elétrica para parte do município do Rio de Janeiro. 4 AMOSTRAGEM DO SOLO E EXTRUSÃO DA AMOSTRA NO LABORATÓRIO Existe uma grande preocupação em se obter corpos de prova indeformados, entretanto os processos de amostragem e de extrusão de amostras podem causar algumas perturbações ao solo comprometendo, desse modo, a qualidade e a confiabilidade de alguns parâmetros geotécnicos obtidos a partir de ensaios PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA de laboratório. Com o intuito de se adquirirem corpos de prova representativos, ou seja, perturbados o mínimo possível, foram adotadas metodologias não convencionais de amostragem e de extrusão de amostras do shelby, que estão descritas no decorrer deste capítulo. Como poderiam existir dúvidas a respeito da qualidade das amostras indeformadas, realizou-se uma avaliação de sua qualidade, baseada na proposta de Oliveira (2002).. Essa avaliação será apresentada no capítulo 7, juntamente com os demais resultados obtidos no presente trabalho. 4.1. Amostragem do solo Para a realização da campanha de ensaios de laboratório foram retirados um bloco indeformado da camada de aterro compactado (BL-1) e 15 amostras indeformadas do tipo shelby da camada de argila mole (AM-1 a AM-15). Essas amostras foram retiradas por técnicos do Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio, sob a supervisão do engenheiro Leonardo Bello, na área AE - 1, já indicada no Capítulo 3, e estão locadas conforme ilustra a Figura 4.1. N Entrada da Subestação Figura 4.1 – Locação dos pontos de amostragem na área AE-1. Escala 1m 53 4.1.1. Amostragem na Camada de Aterro Compactado A retirada do bloco da camada de aterro compactado foi realizada com a abertura de uma tricheira até a profundidade de 1,10 m. Este bloco, com dimensões de 30 cm x 30 cm x 30 cm, foi amostrado no meio da camada de aterro, cuja espessura de aproximadamente 2 metros foi determinada por meio de um furo de inspeção prévio. Para evitar a perda de umidade do bloco durante o transporte e o armazenamento, o mesmo foi recoberto com filme de PVC, papel alumínio, tecido e, por fim, parafina. Algumas das etapas da retirada do BL-1, como a escavação da trincheira, o corte, a moldagem do bloco e a sua proteção, estão PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA apresentadas na Figura 4.2. (a) Escavação da trincheira (b) Corte e moldagem do bloco (c) Processo de proteção do bloco Figura 4.2 – Fotos ilustrativas da retirada do bloco BL-1 54 4.1.2. Amostragem na Camada de Argila Mole 4.1.2.1. Equipamentos Utilizados A retirada de amostras indeformadas em profundidade, na camada de argila, foi realizada com o auxílio de uma máquina perfuratriz motorizada de trado oco e amostradores tipo shelby. A máquina perfuratriz possui eixos com rodas para possibilitar a sua mobilização no campo e um sistema de cravação e perfuração PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA com força hidráulica, conforme ilustram as fotos da Figura 4.3. Figura 4.3 - Fotos da máquina perfuratriz de trado oco Os segmentos de trados ocos, mostrados na Figura 4.4, são acopláveis até a profundidade desejada, servindo como revestimento a medida em que se avança no subsolo. A ponteira deles possui um mecanismo que permite a abertura em profundidade. Com isso, é possível a passagem por dentro dos trados e até a profundidade desejada de equipamentos de sondagem e retirada de amostras. 55 Figura 4.4 – Segmentos de trados ocos da perfuratriz e ponteira com abertura. Os amostradores tipo shelby foram projetados e confeccionados no Laboratório PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio. Eles são constituídos por um tubo de alumínio de 3” de diâmetro externo com ponta bizelada, 1,5 mm de parede e 55 cm de comprimento; uma cabeça de adaptação para hastes de SPT e um sistema de pistão com anéis de vedação de borracha, conforme mostra a Figura 4.5. Haste SPT Haste alumínio Camisas de alumínio com ponta bizelada Bolacha/Pistão estacionário Figura 4.5 – Amostradores tipo Shelby 56 4.1.2.2. Procedimento de Amostragem A metodologia empregada para a amostragem envolveu três etapas distintas: a abertura de pré-furos; a retirada da amostra de solo e a proteção da amostra para o transporte. A abertura do pré-furo foi executada utilizando-se os trados ocos acionados pela perfuratriz motorizada (Fig. 4.6a e b). O trado da extremidade inferior possui um sistema com tampa basculante que previne a entrada de solo durante a perfuração. Essa tampa é travada por meio de um selo feito com arame recozido para facilitar a sua abertura. Ao chegar à profundidade desejada, os trados ocos são içados o suficiente para permitir a abertura da tampa, travando-os nesta PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA profundidade. Então, o conjunto de composição do shelby é inserido pelo interior dos trados ocos da perfuratriz (Fig. 4.6c e d) até a tampa da ponteira, forçando a sua abertura. Com o shelby em posição, mantém-se travada a composição das hastes do pistão estacionário, enquanto crava-se a camisa amostradora a uma velocidade constante de 2cm/s. Ao chegar no limite de penetração, roda-se a composição para cisalhar a amostra, içando o conjunto, em seguida. O procedimento metodológico da amostragem na camada de argila está ilustrado na Figura 4.7. (a) Posicionamento da perfuratriz para executar o pré-furo (b) Perfuração na camada de argila 57 (d) Amostrador sendo inserido dentro do trado oco Figura 4.6 - Detalhes da perfuração e da inserção do amostrador para a retirada de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA (c) Shelby já montado amostras indeformadas. Pré furo form ado c om a uxilio da perfuratriz c om trados oc os Tam pa da ponteira é m antid a fec hada Trados oc os sã o leva ntados e am ostrodor é posic ionado Selo da ta mpa é romp ido e amostrador entra em c ontato c om o solo Hastes/pistão são m antidos fixos e c rava-se o am ostrador Amostrador c om solo é iça do para a supefíc ie Conjunto é girado para c isalha r o solo e solta r c am isa Figura 4.7 – Metodologia empregada na amostragem com tubos shebies. Após a amostragem, as extremidades dos tubos foram protegidas com filme de PVC (Fig. 4.8a), papel alumínio (Fig. 4.8b) e parafina (Fig. 4.8c), formando 58 o selo final, para evitar a perda de umidade das amostras no transporte e armazenamento do shelbies. Com o procedimento adotado, obtiveram-se amostras do solo mole com 100% de recuperação até cerca de 6m de profundidade na camada de argila. Porém, devido às dificuldades operacionais em se retirar amostras de profundidades superiores a 5 metros optou-se por amostrar apenas na profundidade de 3,50 a PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 4,00 metros. (a) Proteção com filme de PVC (b) Proteção com papel alumínio (c) Proteção com parafina na extremidade Figura 4.8 – Procedimentos seguidos após a retirada da amostra com tubo shelby 4.2. Extrusão de Amostras No laboratório, as amostras foram extraídas dos shelbies seguindo o procedimento indicado por Ladd & DeGroot (2004), visando minimizar qualquer tipo de amolgamento no solo no ato de sua retirada do tubo. Os autores sugerem 59 que o shelby seja cortado com uma serra fina, formando sub-amostras. Estas, por sua vez, devem ser separadas da parede do tubo por uma corda de violão inserida com o auxilio de uma agulha de seringa. A Figura 4.9 ilustra esse PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA procedimento. Corte do tubo + solo com serra de aço fina Amostras para ensaios de caracterização Sub-amostra a ser separada do tubo usando corda de violão inserida com auxílio de agulha de seringa. Figura 4.9 – Procedimento para extração do solo do tubo de amostragem (modificado de Ladd & DeGroot, 2004) Desse modo, no presente trabalho, cada shelby foi cuidadosamente serrado, formando sub-amostras com comprimentos adequados ao ensaio em vista. A sub-amostra era então separada da parede do tubo com o auxílio de um fio de aço, extraída e, em seguida, moldada conforme requerido. As Figuras a seguir ilustram o procedimento de serragem do shelby. Este era previamente marcado, indicando o local do corte (Figura 4.10) e, em seguida apoiado no torno mecânico (Figura 4.11). A parede do tubo era então cortada com uma serra (Figura 4.12), e para não causar uma “quebra” do solo, uma pequena parte da parede não era serrada (Figura 4.13). O shelby era cuidadosamente levado a uma mesa onde a sub-amostra pudesse ser separada com o auxílio de uma corda de violão (Figuras 4.14a e b). Após este processo, a sub-amostra era levada à câmara úmida e o resto do tubo protegido para evitar a perda de umidade e armazenado novamente na câmara úmida. 60 Marca indicando aonde o shelby deve ser serrado PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Figura 4.10 – Shelby marcado indicando o local do corte Figura 4.11 – Shelby apoiado no torno mecânico Figura 4.12 – Shelby sendo serrado 61 Parte do shelby não serrado PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Figura 4.13 – Indicação da parte do shelby,onde a parede não foi serrada (a) Separação da sub-amostra com o auxílio de uma corda de violão (b) Sub-amostra separada Figura 4.14 – Separação da sub-amostra do shelby Na câmara úmida, o solo era separado da parede do tubo por uma corda de violão inserida no shelby com a ajuda de uma agulha (Figura 4.15a e b). A corda de violão era então passada rente à parede cerca de 3 a 4 vezes, até separar bem o solo da parede. A extração era realizada com o auxilio de um molde (Figura 4.16) que ajudava a empurrar o solo para fora do tubo. Em seguida a amostra era levada ao pedestal e moldada de acordo com o ensaio a ser realizado. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 62 (a) Inserção da corda de violão no shelby com o auxilio de uma agulha (b) Corda de violão inserida no shelby Figura 4.15 – Corda de violão sendo inserida no shelby Molde Figura 4.16 – Molde que ajuda a empurrar a amostra para fora do shelby Figura 4.17 – Amostra de solo extrudida do shelby 5 ENSAIOS REALIZADOS E METODOLOGIAS EMPREGADAS Com o intuito de se conhecer o comportamento de engenharia e caracterizar o solo estudado, um amplo programa experimental foi implementado no decorrer do presente trabalho. A caracterização do solo teve inicio logo na abertura dos shelbies, onde foram PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA observados a sua coloração e o cheiro característico. Posteriormente as amostras foram submetidas a ensaios de caracterização geotécnica e análises físico-químicas e mineralógicas. O programa experimental que engloba essas análises encontra-se resumido na Tabela 5.1, e as metodologias adotadas estão descritas no decorrer deste capítulo. Com o objetivo se conhecer melhor o depósito mole de Santa Cruz e auxiliar na busca de uma solução para os problemas de recalque da área, foram realizados e encontram-se apresentados e discutidos na presente dissertação ensaios que fornecem parâmetros hidráulicos e de compressibilidade desse solo. As análises de compressibilidade envolveram ensaios de adensamento edométrico convencionais e especiais. Com a finalidade de uma futura implementação de um modelo de comportamento do solo estudado, foram realizados ensaios de adensamento hidrostático e anisotrópico, bem como ensaios triaxiais de cisalhamento drenados e não drenados. A Tabela 5.2 resume o programa experimental envolvendo os ensaios de adensamento, e as metodologias utilizadas em cada um deles podem ser verificadas ao longo deste capítulo. Por fugirem do escopo da presente dissertação, os ensaios de cisalhamento triaxial efetuados, bem como as respectivas metodologias adotadas não são aqui detalhados. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela 5.1 – Programa experimental dos ensaios de caracterização. Caracterização físico-químico-mineralógica Shelby Prof. (m) Análise Granulométrica Limites de Atterberg Densidade Relativa dos Grãos pH Capacidade de Troca Catiônica Ataque Sulfúrico Teor de Sais Condutividade Elétrica Matéria Orgânica Difração de RaiosX AM-1 2,50 – 3,00 X X X X X X X X X X AM-1 3,50 – 4,00 X X X AM-1 5,25 – 5,75 X X X X X X X X X X AM-1 6,50 – 7,00 X X X X X X X X X AM-2 3,50 – 4,00 X X X AM-3 3,50 – 4,00 X X X AM-4 3,50 – 4,00 X X X AM-5 3,50 – 4,00 X X X AM-6 3,50 – 4,00 X X X AM-7 3,50 – 4,00 X X X AM-8 3,50 – 4,00 X X X AM-9 3,50 – 4,00 X X X AM-11 3,50 – 4,00 X X X AM-12 3,50 – 4,00 X X X AM-13 3,50 – 4,00 X X X AM-14 3,50 – 4,00 X X X AM-15 3,50 – 4,00 X X X X X X X X X X X X 64 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela 5.2 – Programa experimental dos ensaios de adensamento. Adensamento Edométrico Convencional Adensamento Edométrico com Medida de Creep Adensamento Edométrico com Medida de Permeabilidade Adensamento Hidrostático X (I) X (I) X (I) X (I) Adensamento Anisotrópico Shelby Prof. (m) AM-1 2,50 – 3,00 AM-1 3,50 – 4,00 AM-1 5,25 – 5,75 AM-1 6,50 – 7,00 AM-2 3,50 – 4,00 AM-3 3,50 – 4,00 X (I) AM-4 3,50 – 4,00 X (I) AM-5 3,50 – 4,00 X (I) AM-6 3,50 – 4,00 X (I) AM-7 3,50 – 4,00 AM-8 3,50 – 4,00 AM-9 3,50 – 4,00 AM-10 3,50 – 4,00 AM-11 3,50 – 4,00 AM-12 3,50 – 4,00 AM-13 3,50 – 4,00 AM-14 3,50 – 4,00 AM-15 3,50 – 4,00 X (I) X (I) X (A) X (I) X (I) Tipo de Amostra → (I) - Indeformada, (A) - Amolgada 65 66 5.1. Ensaios de Caracterização 5.1.1. Caracterização Física A caracterização física do solo se dá através do conhecimento de suas propriedades índice, que podem ser determinadas por meio de ensaios padronizados no meio geotécnico. Ensaios de granulometria por peneiramento e por sedimentação, limites de Atterberg e densidade relativa dos grãos foram realizados no Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio em amostras de todos os shelbies, de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA acordo com as seguintes recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): • NBR 7181/1984 → Solo – Análise Granulométrica; • NBR 6459/1984 → Solo – Determinação do Limite de Liquidez; • NBR 7180/1984 → Solo – Determinação do Limite de Plasticidade; • NBR 6508/1984 → Massa Específica Real dos Grãos. É importante ressaltar que as determinações dos limites de liquidez (LL) e de plasticidade (LP) foram realizadas com o material em seu estado natural, ou seja, a partir da umidade natural do solo, sem secagem prévia, como prevê as NBR 7159 e NBR 7180. Este procedimento foi adotado atendendo recomendações de Bjerrum (1973) e Bogossiam & Lima (1974) entre outros. Estes últimos autores estudaram a influência das metodologias dos ensaios na determinação dos limites de liquidez e de plasticidade em um solo da área do Porto de Santa Cruz-RJ, e constataram que os solos argilosos orgânicos do local apresentaram valores de limites de liquidez discrepantes quando ensaiados com amostras previamente secas e a partir da umidade natural. Essas análises indicaram que os ensaios executados de acordo com a metodologia clássica proposta pela ABNT (amostras com secagem prévia ao ar) apresentaram valores de limite de liquidez inferiores ao teor de umidade natural e incompatíveis com a consistência do solo, enquanto que os ensaios realizados com o solo sem secagem prévia apresentaram valores próximos ou superiores ao teor de umidade natural, mais coerente com o esperado. Entretanto a mesma tendência não foi observada para as determinações do limite de plasticidade, que se apresentaram próximas para as diferentes metodologias. 67 As determinações do peso específico natural (γt) e da umidade natural (w0) do solo argiloso foram realizadas a partir da moldagem de corpos de prova para os ensaios envolvendo amostras indeformadas. O peso específico foi determinado pela diferença de peso entre o “berço” com solo e sem solo, dividido pelo volume do molde. Já a umidade era determinada das aparas do solo que restavam do processo de talhagem dos corpos de provas. Estas eram colocadas na estufa a 110°C por 24 horas. Esses índices foram adquiridos seguindo as seguintes recomendações da ABNT: • NBR 6457/1986 → Teor de Umidade Natural • NBR 2887/1988 → Massa Específica Natural Para o aterro, o peso específico natural (γt) foi determinado cravando-se um anel PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA de peso e volume conhecidos no bloco amostrado, e a umidade natural (w0) foi obtida diretamente do solo retirado do interior do bloco. Os demais índices como o peso específico seco (γd), o índice de vazios (e) e o grau de saturação (S), foram obtidos a partir de relações entre os índices existentes na literatura corrente de Mecânica dos Solos. Outros parâmetros que auxiliam a identificação e classificação dos solos moles são o índice de plasticidade (IP) e o índice de atividade de Skempton (IA). O índice de plasticidade é obtido pela diferença entre os limites de liquidez e de plasticidade, indicando a faixa de valores em que o solo de apresenta plástico. O índice de atividade é definido pela relação: IA = Índice de Plasticidade ( IP) , onde a % < 2µm corresponde à fração % < 2µm argila do solo. De acordo com a classificação de Skempton, a atividade dos solos pode ser definida conforme especificado na Tabela 5.3. Tabela 5.3 – Classificação da atividade de solos segundo Skempton Classificação Inativo Atividade Normal Ativo IA <0,75 0,75<IA<1,25 >1,25 68 5.1.2. Caracterização Mineralógica A identificação dos argilominerais constituintes dos solos moles é de extrema importância para o entendimento do seu comportamento. Um dos ensaios que auxilia a identificação da composição mineralógica da fração silte/argila é a Difração de Raio X. Este ensaio consiste em incidir um feixe monocromático de Raios-X na amostra de solo e registrar o seu ângulo de reflexão. Cada argilomineral gera um conjunto característico de reflexões segundo ângulos θ, que podem ser convertidos nas distâncias interplanares formadas pelas estruturas cristalinas. Os ensaios de difração por Raios X foram executados no Departamento de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Ciência dos Materiais e Metalurgia (DCMM) da PUC-Rio, utilizando um difratômetro Siemens D5000, com irradiações realizadas no intervalo de 2° a 30o. Primeiramente foram realizados ensaios pelo método do pó. Neste caso, o solo foi previamente seco em estufa com temperatura inferior a 60°C, até adquirir constância de massa, e destorroado. Posteriormente foram separadas as frações do solo passantes nas peneiras #40, #200 e #400 e enviadas ao DCMM para serem ensaiadas. Entretanto, o resultado obtido não foi coerente com as análises químicas do presente trabalho, nem com os dados existentes na literatura para o tipo e a região do solo estudado. Neste caso, optou-se pela realização de análises em lâmina, com o objetivo de avaliar a possível presença de um argilomineral do tipo 2:1. Para esses ensaios, o solo também foi seco em estufa com temperatura de aproximadamente 60°C, destorroado e separado pela peneira #400. Com esse material, preparou-se uma suspensão em água, que com o auxílio de uma pipeta foi colocada em três lâminas e deixadas secar naturalmente para a orientação preferencial das partículas. Após a secagem, duas delas foram “tratadas” antes de serem enviadas para o DCMM. Uma foi aquecida por 3 horas a 550°C, para eliminar por aquecimento os argilominerais do tipo 1:1, facilitando a identificação dos do tipo 2:1, e a outra, denominada de lâmina glicolada, foi deixada em um dessecador para ser saturada com etilenoglicol por 24 horas. 69 5.1.3. Caracterização Físico-Química As análises físico-químicas permitem uma avaliação da composição mineralógica e de propriedades físico-químicas das argilas, complementando, desse modo, a identificação e caracterização dos solos. Estas análises foram realizadas no Centro Nacional de Pesquisas de Solos CNPS/EMBRAPA, seguindo as metodologias propostas no Manual de Métodos de Análise de Solo (CNPS/EMBRAPA, 1997). O programa envolvendo esses PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA ensaios consistiu na execução de: • pH em água e em KCl • Complexo sortivo • Ataque sulfúrico • Condutividade elétrica • Teor de sais As análises foram executadas na fração fina (material passante na peneira de #40) de amostras de diferentes profundidades, visando caracterizar o perfil do depósito mole. 5.1.4. Determinação de Matéria Orgânica O teor de matéria orgânica pode ser determinado indiretamente por meio da seguinte correlação: M.O. (%) = 1,724.C , onde C, em %, é o carbono orgânico obtido por meio de análise química. No presente trabalho, essa análise foi realizada no Centro Nacional de Pesquisas de Solos CNPS/EMBRAPA, seguindo a metodologia proposta no Manual de Métodos de Análise de Solo (CNPS/EMBRAPA, 1997), com o solo passante na peneira de malha #40. Outro procedimento utilizado para a determinação da matéria orgânica é o de perda por aquecimento (PPA), que consiste em colocar o solo em uma mufla, para que toda a matéria orgânica seja queimada, e calculada pela diferença de peso do solo antes e depois de ser aquecido. 70 Para tanto, o solo foi destorroado e colocado na estufa a 110 °C por 24 horas, para a retirada de toda a sua umidade, para posteriormente ser colocado na mulfla e queimar a matéria orgânica. Cada análise foi realizada em 3 amostras para se obter uma média dos resultados. Primeiramente o solo foi colocado na mufla por um período de 2 horas a 600°C, e de 4 horas a 400°C. Entretanto os resultados mostraram-se bastante dispersos e diferentes dos valores determinados pelo teor de carbono total e dos encontrados na literatura para o tipo de solo em estudo. Assim sendo, foram realizadas novas análises, com o solo exposto a diferentes temperaturas e tempos na mufla, visando avaliar o efeito da temperatura e tempo de exposição do solo ao calor na quantificação do teor de matéria orgânica por PPA. A Tabela PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 5.4 abaixo especifica as temperaturas e o tempo que as amostras foram submetidas ao calor. Tabela 5.4 –Análises realizadas para a determinação do teor de matéria orgânica. Primeira análise Segunda análise Temperatura (°C) Tempo (horas) 400 4 600 2 300 4 450 4 500 4 600 4 5.2. Ensaios de Adensamento Edométrico O adensamento unidimensional é reproduzido no laboratório pelo ensaio edométrico. O corpo de prova é confinado lateralmente por um anel metálico rígido, limitando desse modo as deformações e o fluxo à direção vertical. No ensaio denominado convencional, são aplicados incrementos de carga vertical no corpo de prova, e registradas as deformações a diversos intervalos de tempo para cada estágio de carga. Os ensaios de adensamento edométrico foram executados no Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio em prensas do tipo Bishop, conforme mostram as Figuras 5.1 e 5.2. Nessas prensas, a carga axial é transmitida ao corpo de prova por pesos previamente calibrados, através de um braço de 71 alavancas com vantagem mecânica 10:1, e o registro das variações de altura, é feito por meio de um extensômetro com resolução de 0,01 mm. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Extensômetro com resolução de 0,01 mm Bacia de Adensamento Figura 5.1 - Prensa de adensamento tipo Bishop do LGMA da PUC-Rio. Braço de alavanca com vantagem mecânica 10:1 Figura 5.2 – Prensa de adensamento tipo Bishop do LGMA da PUC-Rio. Além do ensaio convencional, foram executados ensaios especiais com o objetivo de analisar a compressão secundária e a permeabilidade do depósito estudado Esses ensaios têm o mesmo princípio do denominado convencional, 72 porém com algumas adaptações, que serão explicitadas na descrição de cada um deles. O procedimento comum à montagem dos ensaios de adensamento edométricos está descrito a seguir: a) Confecção dos corpos de prova Todos os corpos de prova foram moldados com dimensões de 19,8 mm de altura e 71,5 mm de diâmetro, em amostras retiradas da profundidade de 3,5 a 4,0 metros. Os corpos de prova indeformados foram moldados a partir de amostras extraídas PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA dos shelbies segundo o procedimento sugerido por Ladd & DeGroot (2004), descrito no capítulo 4 da presente dissertação. Na preparação dos corpos de prova amolgados, o solo foi primeiramente desestruturado e homogeneizado com a mão. Posteriormente adicionou-se água, de modo que a umidade inicial do ensaio fosse de aproximadamente 1,5.LL. Usou-se este valor, admitindo-se que deste modo os corpos de prova estariam saturados. A amostra era então moldada, e deixada na prensa de adensamento em repouso por 24 horas sem nenhuma carga atuando sobre ela. b) Montagem dos ensaios A montagem dos ensaios seguiu as recomendações da ABNT, de acordo com a norma MB-3336 (Solo – Ensaio de Adensamento Unidimensional). Antes de iniciar o primeiro estágio de carregamento, a bacia do edômetro era preenchida com água destilada e mantida cheia até o final do último descarregamento. Toda a água foi retirada da bacia antes de se iniciar o processo de desmontagem do edômetro para a determinação da umidade final, levando-se o corpo de prova integral à estufa. 73 5.2.1. Ensaio de Adensamento Edométrico Convencional Foram realizados os ensaios denominados de AEI-1, AEA-1 e AEA-2, sendo que no primeiro, o corpo de prova era indeformado, enquanto que nos demais era amolgado. Para o ensaio AEI-1 as pressões verticais totais nominais de carregamento e descarregamento utilizadas foram de: 10, 20, 40, 80, 150, 300, 450, 300, 150, 80, 40, 20, 10, 20, 40, 80, 150, 300, 500, 700, 950, 500, 300, 150, 40, e 10 kPa. As pressões foram mantidas constantes por um período de 24 horas nos estágios de carregamento e, nos de descarregamento, até a estabilização das PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA leituras. Nos ensaios AEA-1 e AEA-2 as pressões verticais nominais foram de: 10, 20, 40, 80, 120, 240, 480, 960, 1.200, 600, 300, 120, 80, 40 e 20kPa, sendo que os carregamentos foram de aproximadamente 24 horas e as pressões nos descarregamentos mantidas até estabilização dos deslocamentos verticais. 5.2.2. Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida de Creep Este ensaio foi realizado com o objetivo de verificar a influência do tempo de carregamento no solo estudado. Para isso, o ensaio AEI-2 foi executado do mesmo modo que o convencional AEI-1, porém, nos estágios de carregamento as pressões foram mantidas constantes por um período mínimo de 72 horas, e não de 24 horas. As pressões verticais nominais de carregamento e descarregamento utilizadas foram de: 10, 20, 40, 80, 150, 300, 450, 300, 150, 80, 40, 20, 10, 20, 40, 80, 150, 300, 500, 700, 950, 500, 300, 150, 40, e 10 kPa. 5.2.3. Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida de Permeabilidade Esses ensaios têm o objetivo de medir a permeabilidade do solo quando este está submetido a uma determinada tensão efetiva. Para atender esse objetivo, foram realizados dois ensaios, denominados de AEI-3 e AEI-4, conforme especificado na Tabela 5.2. 74 Os ensaios de permeabilidade foram realizados ao final de determinados estágios de carregamento e eram do tipo carga variável, com fluxo de água vertical e ascendente. Para possibilitar as determinações da permeabilidade no corpo de prova, uma bureta graduada com resolução de 0,05 cm³ foi acoplada ao sistema de drenagem, e cuidados foram tomados para se evitar a evaporação de água na bureta durante a evolução do ensaio. As Figuras 5.3 e 5.4 ilustram, respectivamente, a adaptação na prensa de adensamento para a realização dos ensaios de permeabilidade e o sistema de vedação para evitar a evaporação da água, feito com uma borracha presa à bureta com o auxílio de um elástico. Bureta PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA graduada Detalhe da ligação da bureta ao sistema de drenagem da prensa Figura 5.3 – Adaptação realizada na prensa de adensamento para a realização dos ensaios de permeabilidade. 75 Vedação para impedir a evaporação da água Figura 5.4 – Detalhe da vedação utilizada para impedir a evaporação da água durante os PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA ensaios de permeabilidade. Para o ensaio AEI-3 as pressões verticais totais nominais de carregamento e descarregamento utilizadas foram de: 10, 20, 40, 80, 150, 300, 450, 300, 150, 80, 40, 20, 10, 20, 40, 80, 150, 300, 500, 700, 950, 500, 300, 150, 40, e 10 kPa. Nos estágios de carregamento as pressões foram mantidas constantes por um período de 24 horas, e nos estágios de descarregamento até que as leituras se estabilizassem. As medidas de permeabilidade foram realizadas ao final dos estágios de 20, 80, 300 e 950 kPa. A carga de pressão aplicada na base do corpo de prova foi de 58,32 cm e as leituras de variação do volume foram feitas em um período de aproximadamente 24 horas. Já para o ensaio AEI-4, as pressões verticais nominais totais de carregamento e descarregamento foram de: 10, 20, 40, 80, 150, 300, 450, 200, 100, 50, 10, 50, 100, 300, 500, 700, 950, 500, 300, 150, 40, e 10 kPa. Neste caso, os estágios de carregamento e de descarregamento foram encerrados quando a taxa de variação de altura do corpo de prova ficava constante no tempo, em geral por um período maior do que 36 horas para o carregamento, e aproximadamente 24 horas para o descarregamento. O ensaio de permeabilidade foi executado ao final dos estágios de 20, 80, 150, 500, 700, 950 kPa. Para este ensaio, a carga de pressão aplicada na base do corpo de prova foi de 68,50 cm e as leituras de variação do volume também foram realizadas em períodos de aproximadamente 24 horas. 76 5.3. Ensaios de Adensamento Hidrostático Os ensaios de adensamento hidrostático têm como principal objetivo contribuir para a elaboração de um modelo de comportamento do depósito mole estudado. Para atender tal objetivo, foram realizados dois ensaios, denominados de AI-1 e AI-2. 5.3.1. Equipamento Utilizado Os ensaios de adensamento hidrostático foram realizados em prensas triaxiais da marca Wykeham-Ferrance do Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA PUC-Rio, que se encontram ilustradas na Figura 5.5. As células triaxiais utilizadas foram montadas para se trabalhar com corpos de prova de 1,5” de diâmetro e 3” de altura. Elas possuem uma câmara de acrílico que suporta uma pressão confinante máxima de 1000 kPa. O sistema de aplicação de pressão na câmara é de ar comprimido, controlado por um painel de válvulas reguladoras de pressão de precisão da Bellofram (precisão da ordem de 1kPa a partir de cerca de 7kPa). Transdutores de pressões com resolução de 0,5 kPa (precisão de 1kPa) e capacidade máxima de 1000 kPa foram empregados para controlar e medir, respectivamente, as pressões confinantes aplicadas e poro-pressões resultantes. Transdutores de variação de volume do tipo Imperial College foram utilizados nas medidas de variação de volume de água entrando ou saindo das amostras, com uma precisão de cerca de 0,05 cm3. A obtenção dos registros dos ensaios foi realizada de maneira automatizada, por meio do sistema central de aquisição de dados do Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente. (Sistema Orion SI353ID da Schlumberger). 77 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Figura 5.5 – Equipamento triaxial utilizado nos ensaios de adensamento hidrostático 5.3.2. Metodologia dos Ensaios Neste item serão descritos todos os procedimentos realizados para a execução dos ensaios de adensamento hidrostático. a) Confecção dos corpos de prova Todos os corpos de prova foram moldados a partir de amostras da profundidade de 3,50 a 4,00 metros. Primeiramente, seguiu-se o procedimento de extração do solo do shelby sugerido por Ladd & DeGroot (2002), descrito no capítulo 4. A amostra era, então, levada ao pedestal de moldagem e cuidadosamente esculpida formando corpos de prova com dimensões de 78,2 mm de altura e 38,2 mm de diâmetro. Posteriormente era colocada no berço para aparo de topo e base, pesada e em seguida levada à prensa triaxial para a montagem do ensaio. Cuidados para se evitar qualquer perturbação no corpo de prova e perda de umidade foram rotineiramente tomados. b) Membranas, papel filtro e pedras porosas As membranas utilizadas eram de látex, fornecidas pela Wikeham Farrance.. Elas foram testadas para a verificação da ausência de furos antes da execução de todos os ensaios. O papel filtro utilizado era da marca Whatman n° 54. No primeiro ensaio, utilizouse o papel filtro somente na base e no topo das amostras. Posteriormente, para o ensaio AI-2, verificou-se a necessidade de utilizá-los também ao redor do 78 corpo de prova, para acelerar o processo de dissipação de poropressão, de acordo com Bishop & Henkel (1962). Desse modo eles foram cortados conforme ilustrado na Figura 5.6. Tanto o papel filtro usado na base e no topo, quanto o dreno radial eram colocados em contato com água, para saturarem, antes da montagem dos ensaios. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Cortar Figura 5.6 – Molde para cortar o dreno lateral (Bishop & Henkel, 1962) As pedras porosas eram previamente saturadas, e mantidas em água destilada até a montagem do ensaio. Ao final de todos os ensaios elas eram levadas a um equipamento de ultrasom e mantidas “vibrando” por 30 minutos, para retirar eventuais obstruções de seus poros. c) Saturação das linhas Todas as linhas da base da célula e a do top cap eram saturadas antes de se colocar o corpo de prova na prensa. Este processo consistia em percolar água, aplicando pressão, para a retirada de qualquer bolha de ar que pudesse estar presente nas linhas. d) Montagem dos ensaios Após a saturação das linhas, colocava-se a amostra no pedestal da célula triaxial, seguindo a seguinte seqüência: pedra porosa e papel filtro de base, corpo de prova, papel filtro e pedra porosa de topo. Em seguida, cuidadosamente envolvia-se o corpo de prova com o dreno lateral, tendo sempre a preocupação de deixá-lo em contato com as pedras porosas situadas no topo 79 e na base. Por fim, inseria-se a membrana no corpo de prova e colocava-se o top cap no topo do conjunto, conforme ilustra a Figura 5.7. A câmara de acrílico PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA era então montada e preenchida com água. Figura 5.7 - Montagem do corpo de prova na prensa triaxial No ensaio AI-1 aplicou-se a seguinte seqüência de pressões confinantes efetivas: 10, 20, 40, 80, 150, 300, 450, 500, 700, 950 kPa. Já para o ensaio AI-2 as pressões confinantes efetivas foram de: 10, 20, 40, 80, 150, 300, 450, 500, 600. 5.4. Ensaios de Adensamento Anisotrópico Os ensaios triaxiais com adensamento anisotrópico têm o objetivo de, juntamente com os resultados dos demais ensaios, contribuir para a elaboração de um modelo do comportamento do depósito mole estudo. Nesses ensaios o corpo de prova era adensado com relações σ ,h σ ,v constantes, controladas ao longo do ensaio. O programa experimental está descrito na Tabela 5.5. 80 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela 5.5 – Programa Experimental dos ensaios de Adensamento Anisotrópico Amostra σ h, Relação K= , σv AM-3 K=1,0 AM-6 K=1,0 AM-3 K=0,9 AM-4 K=0,8 AM-15 K=0,8 AM-4 K=0,7 AM-7 K=0,6 AM-5 K=0,5 AM-15 K=0,5 5.4.1. Equipamento Utilizado A execução desses ensaios ocorreu no Laboratório de Geotecnia e Meio Ambiente da PUC-Rio, em um equipamento triaxial tipo Bishop-Wesley, desenvolvido pelo Imperial College, Londres, que está ilustrado na Figura 5.8. Este equipamento permite que os ensaios sejam realizados tanto com deformação controlada como com pressão controlada. Todas as informações constantes no item 5.3.1 referentes à câmara triaxial, aplicação de pressões confinantes e transdutores de pressão e variação de volume se aplicam a este equipamento, que conta ainda com: • Célula de carga com capacidade máxima de 5kN e precisão melhor que 0,1N; • Transdutor de deslocamento axial (externo à célula) com resolução infinita e precisão melhor que 50µm. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 81 Figura 5.8 – Equipamento triaxial utilizado nos ensaios de adensamento anisotrópico O equipamento está vinculado ao programa TRIAX, desenvolvido pela School of Engineering and Computer Science da Universidade de Durham, que permite: • O controle da aplicação das pressões tanto na câmara triaxial, como nos sistemas de contrapressão e RAM • O controle da velocidade dos ensaios • O controle dos caminhos de tensão dos ensaios • A aquisição automática de dados • O monitoramento do ensaio durante a sua execução, por meio de gráficos visualizados no monitor, como mostra a Figura 5.9. Figura 5.9 – Monitoramento dos ensaios por meio de gráficos 82 As pressões aplicadas são suprimidas por um compressor operando com pressão máxima de 800kPa. A pressão de ar fornecida pelo compressor é aplicada ao corpo de prova como pressão hidráulica, através de um sistema de interface ar-água. As pressões são controladas por três motores de passo (Figura 5.10), que estão acoplados a válvulas reguladoras de pressão, permitindo o controle total do equipamento pelo computador, através do programa TRIAX. No caso de ensaios realizados com deformação controlada, utiliza-se uma bomba de vazão constante de água, com interface ar/água, para aplicar pressão PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA na câmara de pressão inferior do equipamento triaxial. BOX 1 BOX 2 BOX 3 Bomba de vazão constante Figura 5.10 – Motores de passo do equipamento triaxial É importante destacar que o equipamento utilizado possui a limitação de aplicação de 500 kPa de pressão confinante. Tentativas de se procurar contornar tal limitação foram infrutíferas por ser a mesma parte integrante do software de 83 controle disponível para a execução dos estudos constantes no presente trabalho. 5.4.2. Metodologia dos Ensaios Neste item serão descritos todos os procedimentos realizados para a execução dos ensaios de adensamento anisotrópicos. a) Confecção dos corpos de prova Seguiu-se o mesmo procedimento adotado para o ensaio de adensamento hidrostático. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA b) Membranas, papel filtro e pedras porosas Seguiu-se o mesmo procedimento adotado para o ensaio de adensamento hidrostático. c) Saturação das linhas Seguiu-se o mesmo procedimento adotado para o ensaio de adensamento hidrostático. d) Montagem dos ensaios Seguiu-se o mesmo procedimento adotado para o ensaio de adensamento hidrostático. e) Controle dos ensaios Conforme dito anteriormente o sistema de aplicação de pressão ao equipamento está associado a três motores de passo e a uma bomba. Cada um deles corresponde a um BOX, conforme mostra a Tabela 5.6. Tabela 5.6 – Identificação dos motores de passo BOX Pressão controlada BOX 1 Contra-pressão BOX 2 Pressão Confinante BOX 3 RAM – Ensaios com tensão controlada BOX 4 Bomba – Ensaios com deformação controlada 84 Os ensaios foram continuamente controlados pelo programa Triax que está vinculado ao equipamento. Antes do início de cada fase dos ensaios, uma tabela, semelhante a da Figura 5.8, era preenchida. Nela se estabelecia o status do Box que seria utilizado (ON/OFF), a variável ou a equação que seria controlada em cada BOX, assim como o valor que deveria ser mantido. O incremento corresponde à velocidade de execução dos ensaios e, o “alarm”, à PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA condição de encerramento do ensaio. Figura 5.11 – Tabela controle dos ensaios f) Definição da velocidade dos ensaios Para a determinação da velocidade do ensaio de adensamento foram realizados quatro ensaios piloto com velocidades de incremento de tensão de 5, 10, 15 e 20kPa/h. Os seus resultados foram comparados com o do ensaio de adensamento hidrostático AI-1, e chegou-se a conclusão de que a velocidade adotada para a fase de adensamento seria a de 5kPa/h. Esses dados encontram-se no Apêndice I. g) Execução do Ensaio O ensaio de adensamento anisotrópico pode ser divido em 3 fases: • Fase 1 - Saturação do corpo de prova • Fase 2 – Ensaio com p’ constante • Fase 3 – Ensaio de adensamento com K constante 85 Cada uma dessas etapas está descrita a seguir: • Fase 1 – Saturação do corpo de prova A saturação do corpo de prova foi feita por aumento de contra-pressão, com drenagem pelo topo e base do corpo de provas. A saturação foi verificada pelo parâmetro B de Skempton (∆u/∆σc), que deve estar próximo de 1. Neste trabalho, considerou-se o solo saturado com valores de B a partir de 0,98. • Fase 2 – Ensaio com p’ constante Após a fase de saturação, o corpo de prova era submetido a um carregamento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA com p’ constante, sendo p' = K= σ’h /σ’v σ ,v + 2.σ ,h , com o objetivo de se chegar à relação 3 desejada, a partir de uma condição inicial de tensões efetivas variando entre 5 e 10kPa, para então dar início ao adensamento anisotrópico. Esta fase era realizada com tensão controlada, a uma velocidade de incremento de tensão de 1 kPa/h, e sua duração era de menos de 24 horas, entretanto variada para cada relação K. • Fase 3 – Ensaio de adensamento com K constante A fase de adensamento também é realizada com tensão controlada, para permitir que o programa controle e mantenha constante a relação K= σ ,h σ ,v . Neste caso, a poropressão era mantida constante, enquanto que a pressão confinante e a desviadora variavam. Os ensaios foram encerrados quando atingiam um s, = σ ,v + σ ,h 2 de aproximadamente 350 kPa, sendo σ ,v e σ ,h as tensões efetivas vertical e horizontal, respectivamente. O tempo de cada ensaio variou entre 1 e 3 semanas, dependendo da relação K do ensaio em andamento. 6 CARACTERIZAÇÃO DO SOLO Este capítulo apresenta os resultados das caracterizações física, química e mineralógica do depósito mole estudado, juntamente com suas análises e interpretações. As metodologias adotadas e o programa experimental executado encontram-se descritos no capítulo anterior. O perfil foi caracterizado até a máxima profundidade amostrada, de 6,50 metros. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Para a camada superficial de aterro foram realizados somente os ensaios de caracterização geotécnica, envolvendo a definição dos seus índices físicos e a análise granulométrica. Já para o depósito argiloso foram realizadas tanto a caracterização geotécnica, como as análises físicas e químicas. Conforme mencionado no capítulo 3, devido às dificuldades operacionais de se amostrar profundidades superiores a 5 metros, optou-se por retirar amostras da profundidade de 3,50 a 4,00 metros. Desse modo, foram realizados ensaios de caracterização em 14 amostras diferentes dessa profundidade. Neste capítulo, os dados dessa profundidade serão apresentados em valores médios. Os resultados individuais de cada uma das amostras ensaiadas encontram-se disponíveis no Anexo I. Conforme já mencionado, a caracterização do depósito argiloso teve início desde o processo de abertura dos shelbies, onde foram verificadas características como cor e cheiro. Este apresentou uma coloração cinza e um forte odor de enxofre. Segundo Antunes (1978), essas características constituem um reflexo do ambiente redutor de formação do depósito, com o cheiro de enxofre sendo devido à redução de sulfatos para sulfetos em presença de água salina (água do mar) e, a coloração cinza escura, da transformação de ferro férrico para ferro ferroso. Não foram observadas diferenças dessas características nas diferentes profundidades amostradas. 87 6.1. Caracterização Geotécnica 6.1.1. Índices Físicos Os índices físicos encontram-se resumidos na Tabela 6.1. Na camada de argila, a densidade relativa dos grãos foi obtida ao longo do perfil, enquanto que os demais índices foram determinados somente para as profundidades de 3,50 a 4,00 metros e 5,25 a 5,75 metros, profundidades em que foram realizados ensaios com corpos de prova indeformados. Tabela 6.1 –Índices físicos da camada de aterro e do depósito mole. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Camada Aterro Depósito mole Depósito mole Depósito mole Depósito mole Profundidade (m) 0 – 2,50 2,50 – 3,00 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 Gs w (%) 2,77 2,54 2,60 2,66 2,57 70,87 119,52 114,97 - γ (kN/m³) 20,0 13,13 13,19 - e 0,67 3,26 3,25 - Observa-se que na camada do depósito mole, há um ligeiro aumento da densidade relativa dos grãos até a profundidade de 5,75 metros, sugerindo haver variações mineralógicas quantitativas importantes ao longo do perfil, possivelmente associadas a variações granulométricas puntuais. Em relação aos demais parâmetros, somente pode-se comparar as amostras das profundidades de 3,50 a 4,00 metros e 5,25 a 5,75 metros. Tanto a umidade, como o peso específico e o índice de vazios apresentaram-se bem próximos, sendo que a umidade para a amostra da primeira foi ligeiramente maior. 6.1.2. Análise Granulométrica A análise granulométrica consistiu na realização de ensaios de granulometria tanto por peneiramento como por sedimentação. A Tabela 6.2 resume as porcentagens das frações de solo encontradas e a Figura 6.1 apresenta as curvas granulométricas. 88 Tabela 6.2 – Tabela resumo da análise granulométrica Camada Profundidade (m) Aterro Depósito mole Depósito mole Depósito mole Depósito mole 0 – 2,50 2,50 – 3,00 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 Pedregulho 4,0 Granulometria (%) Areia Areia Areia Grossa Média Fina 25,0 15,0 6,0 0,1 2,9 1,0 4,4 0,8 16,1 0,5 33,3 Silte Argila 19,9 32,2 47,1 46,4 29,0 30,1 64,6 48,8 36,7 37,2 P en eira No (S UCS ) 10 0 90 Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA (%) 80 70 60 50 40 30 Aterro 2,50 a 3,00 3,50 a 4,00 5,25 a 5,75 6,00 a 6,50 20 10 0 0 ,0 0 0 1 0 ,0 0 1 0 ,0 1 0 ,1 1 10 10 0 Diâmetro dos Grãos (mm) Figura 6.1 – Curvas Granulométricas O aterro que se encontra sobre o depósito de argila mole é constituído por um solo cuja distribuição granulométrica é bem graduada, contendo partículas de diferentes tamanhos, que variam de dimensões de pedregulhos até de argilas. De acordo com as porcentagens apresentadas para cada fração, pode ser classificado como sendo um solo areno argiloso. O depósito de argila mole apresentou a distribuição granulométrica variando ao longo do perfil, porém mostrando-se constituído por partículas predominantemente finas. Observa-se um decréscimo da porcentagem de argila com a profundidade, enquanto que as porcentagens de silte e de areia fina aumentam. 10 0 0 89 Nas primeiras amostras, das profundidades de 2,50 a 3,00 metros e 3,50 a 4,00 metros, o solo pode ser classificado como uma argila siltosa, de acordo com as porcentagens apresentadas para cada fração. Já para a amostra da profundidade de 5,25 a 5,75 metros, o solo é classificado como um silte argiloso e a de 6,00 a 6,50 metros, como uma argila arenosa. Na profundidade de 3,50 a 4,00 metros, as porcentagens máxima e mínima de argila foram 57,5% e 30,2%, respectivamente, enquanto que as de silte foram 59,4% e 35,4. Em algumas amostras foram observadas pequenas lentes de areia. As porcentagens de argila do solo estudado encontram-se dentro dos valores PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA encontrados na literatura de solos da Baixada Fluminense, conforme mostra a Tabela 2.3, no segundo capítulo desta dissertação. 6.1.3. Limites de Atterberg A tabela 6.3 apresenta os resultados obtidos das determinações dos limites de liquidez e de plasticidade. São apresentados também o índice de plasticidade e o índice de atividade de Skempton. É importante ressaltar que as determinações do limites de liquidez e de plasticidade para o depósito de argila mole foram realizadas com o material em sua umidade natural, com exceção da amostra da profundidade de 6,00 a 6,50, que já se encontrava seca quando foram realizados os ensaios para a determinação dos limites de Atterberg. Tabela 6.3 – Tabela resumo dos limites de Atterberg e da atividade do solo Camada Aterro Depósito mole Depósito mole Depósito mole Depósito mole Profundidade (m) 0 – 2,50 2,50 – 3,00 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 LL (%) LP (%) IP (%) IA 51 121 122 85 56 33 56 45 45 31 18 65 77 40 25 0,62 1,01 1,70 1,09 0,67 As amostras das primeiras profundidades do depósito mole apresentaram limites de liquidez bem próximos, porém o índice de plasticidade da segunda foi um pouco mais elevado. As amostras das profundidades de 5,25 a 5,75 metros e 90 6,00 a 6,50 metros, apresentaram valores de limite de liquidez inferiores. Este resultado já era esperado para a amostra da última profundidade pelo fato de seus ensaios terem sido realizados com o solo seco, e não na sua umidade natural, como sugerido por diversos autores, como por exemplo, Bjerrum (1973) e Bogossiam & Lima (1974). Os estudos desenvolvidos por esses autores indicaram que os ensaios de determinação do limite de liquidez executados de acordo com a metodologia proposta pela ABNT apresentaram valores inferiores ao teor de umidade natural e incompatíveis com a consistência do solo, enquanto que os ensaios realizados com o solo sem secagem prévia apresentaram valores próximos ou superiores ao teor de umidade natural, mais coerente com o esperado. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA De acordo com o Índice de Atividade de Skempton, definido como sendo IA = Índicede Plasticidade ( IP) , onde % < 2µm corresponde à fração argila do % < 2µm solo, o aterro é classificado com inativo, enquanto que as camadas do depósito de argila mole são classificadas como de atividade normal para as profundidades de 2,50 a 3,00 metros e 5,25 a 5,75 metros, como ativa na profundidade de 3,50 a 4,00 metros e inativa na profundidade de 6,00 a 6,50. Novamente acredita-se que, para a amostra da profundidade de 6,00 a 6,50 metros, a metodologia adotada para a determinação do limite de liquidez influenciou na classificação do solo em relação à sua atividade. Analisando os índices de consistência do perfil da camada de solo mole, verificase que a escolha da profundidade de 3,50 a 4,00 metros para análise da compressibilidade foi apropriada, já que os resultados indicam que nesta profundidade o solo se apresenta mais compressível do que nas demais. 6.1.4. Classificação do Solo Os solos sedimentares podem ser classificados de acordo com o Sistema Unificado de Classificação de Solos (SUCS), que leva em consideração tanto as porcentagens obtidas pela análise granulométrica, quanto a plasticidade do solo, representada pelo índice de plasticidade (IP) e o limite de liquidez (LL). Desse 91 modo, de acordo com o SUCS, o perfil do solo até a profundidade de 6,50 metros foi classificado conforme a Tabela 6.4 abaixo. Tabela 6.4 –Classificação SUCS do solo Profundidade Camada Classificação do solo (SUCS) (m) Aterro 0 – 2,50 Areia siltosa (SM) Depósito mole 2,50 – 3,00 Silte de alta plasticidade (MH) Depósito mole 3,50 – 4,00 Argila de alta plasticidade (CH) Depósito mole 5,25 – 5,75 Silte de alta plasticidade (MH) Depósito mole 6,00 – 6,50 Silte de alta plasticidade (MH) Apesar da classificação do SUCS mostrar-se diferente para as camadas do Figura 6.2, que todas as determinações ficaram próximas da linha que divide o solo argiloso do siltoso. Carta de Plasticidade 120,0 100,0 CH Índice de Plasticidade (%) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA depósito de argila mole, observa-se na carta de plasticidade, apresentada pela 80,0 60,0 CL 40,0 MH ou OH 2,50 3,50 5,25 6,00 20,0 a a a a 3,00 4,00 5,75 6,50 ML ou OL 0 20 40 60 80 100 Limite de Liquidez (%) Figura 6.2 – Carta de Plasticidade 120 140 160 180 92 6.2. Caracterização Mineralógica A caracterização mineralógica foi baseada em análises de difração de Raio X cujos procedimentos de preparação para as amostras estão descritos no capítulo anterior. A resposta deste ensaio é o ângulo de reflexão referente ao feixe monocromático de Raio X ao qual o solo foi exposto. Conforme mostrado por Santos (1975) esses ângulos de reflexão estão associados à distância interplanar basal do argilomineral, de acordo com a lei de Bragg, que é descrita como: nλ = 2.d.senθ , PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA sendo: n → Número inteiro positivo que representa a ordem de reflexão (n=1) λ → Comprimento da onda Raios X d → Distância interplanar basal θ → Ângulo de reflexão A Tabela 6.5 apresenta a classificação de alguns argilominerais em função da distância interplanar basal. Tabela 6.5 – Distâncias interplanares basais típicas para argilominerais (Santos, 1975) o D (A ) 3,6 7,1 10 14 17 Possíveis argilominerais Caulinita, refração secundária Caulinita, refração primária, haloisita anidra Esmectita anidra, vermiculita anidra, ilita, haloisita hidratada Esmectita hidratada, vermiculita hidratada e clorita Esmectita glicolada No presente trabalho, a análise por difração de Raios X foi dividida em duas etapas. Na primeira, todo o perfil do depósito mole amostrado foi estudado pelo método do pó, entretanto, os seus resultados não se apresentaram de acordo com as análises químicas, que indicaram a presença de um argilomineral do tipo 2:1. Visando caracterizar melhor os argilominerais presentes no solo, novas análises foram realizadas, para a profundidade de 3,50 a 4,00 metros, com as amostras de solo em lâminas e tratadas, conforme as metodologias descritas no capítulo anterior. 93 Na primeira etapa, identificou-se a presença de caulinita, ilita e quartzo para todas as profundidades estudadas do perfil argiloso, como mostra a Figura 6.3. Com esses resultados, não se pôde constatar a presença de argilominerais do tipo 2:1, como indicaram as análises químicas. 1000 Q Leitura 800 600 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 400 Q 200 I Ct Ct 0 0 10 20 30 2θ ( o) Figura 6.3 – Difratograma de Raio X da fração fina (passante na #40) do solo na profundidade de 5,25 a 5,75m (Ct-caulinita, I-Ilita, Em-Esmectita, Q-Quartzo). Os resultados da segunda análise podem ser vistos nos difratogramas das Figuras.6.4. Os demais difratogramas encontram-se no Anexo II. Analisando o resultado da lâmina sem tratamento verifica-se um pico com 14,53, que corresponde a argilominerais .do tipo 2:1 (esmectita ou vermiculita). A presença deste tipo de argilomineral foi confirmada pelos resultados da lâmina aquecida, entretanto, somente com a análise da lâmina glicolada conseguiu-se identificar que o argilomineral 2:1 presente no solo é a esmectita. Chegou-se a essa conclusão ao constatar que a distância interplanar expandiu de 14,53 para 16,50, conforme ilustra a Figura 6.5, indicando que o argilomineral do tipo 2:1 é expansivo. 94 160 Q Lâmina sem tratamento 120 Leitura Ct 80 Ct Argilomineral 2:1 I 40 0 Q Lâmina aquecida 100 Leitura 80 60 Argilomineral 2:1 40 20 0 120 Lâmina Glicolada 100 80 Leitura PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 120 60 Em 40 20 0 0 10 20 2θ ( o ) Figura 6.4 - Difratogramas das lâminas do solo (material passante na #400) na profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Ct-caulinita, I-Ilita, Em-Esmectita, Q-Quartzo) 30 95 120 100 Leitura 80 Em Ct 60 40 20 Lâmina sem tratatamento Lâmina glicolada 0 0 5 10 15 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 2θ (o ) Figura 6.5 – Comparação dos difratogramas das lâminas sem tratamento e glicolada (Ct-caulinita, I-Ilita, Em-Esmectita, Q-Quartzo) Observa-se que tanto a caulinita quanto a esmectita não apresentam picos bem definidos e simétricos, indicando que esses argilomonerais não estão bem cristalizados e que são encontrados em quantidades semelhantes. O ambiente redutor em que o depósito mole estudado se encontra, favorece a transformação da caulinita para a esmectita. Essa é uma provável explicação para ambos os argilominerais estarem mal cristalizados. Das análises mineralógicas realizadas, conclui-se que o solo argiloso estudado é composto principalmente por caulinita e esmectita, contendo traços de ilita e quartzo. Essa composição mineralógica também é observada para diversos outros locais da Baixada Fluminense. 6.3. Caracterização Química 6.3.1. pH em Água e em KCl O pH mede a acidez índice do solo. Ele pode ser medido tanto em água, quanto em KCl. A diferença entre o pH em KCl e o pH em água define o ∆pH, com o qual é possível saber se a carga líquida predominante no colóide é negativa, nula ou positiva. Se o ∆pH apresentar o sinal negativo, significa que o solo tem 96 mais capacidade em reter cátions do que ânions, e se o sinal for positivo, indica que a sua capacidade em reter ânions é maior. Se o ∆pH for nulo, não há predominância nem de cargas negativas, nem de positivas. Essa condição é denominada de ponto de carga zero. Para o solo estudado, o ∆pH foi negativo em todas as profundidades, como pode ser visto na Tabela 6.6 abaixo, indicando que há a predominância de cargas negativas e a sua maior capacidade de reter cátions (por exemplo, cálcio, magnésio, potássio e sódio) do que ânions (por exemplo, sulfato, nitrato, fosfato e cloreto). É interessante notar na Tabela 6.6 um aumento do pH, de uma condição ácida PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA no aterro, para uma condição tendendo à neutra na argila mole à cerca de 6m de profundidade. Considerando o escopo das investigações efetuadas, nenhuma tentativa foi feita para tentar explicar tal variação que pode, entretanto, ter alguma relação com efeitos de campos elétricos provenientes da malha de aterramento da Subestação ZIN existente próximo à área de onde foram coletadas as amostras ensaiadas. Tal malha, instalada à cerca de 0,60m de profundidade se encontra, presentemente, à cerca de 2m de profundidade (Adriano, 2006) Tabela 6.6 –Resultados da análise de pH em água e em KCl Prof. (m) 2,50 – 3,05 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 pH Água 4,5 5,7 6,9 7,6 KCl 1N 3,7 5,1 6,5 7,1 ∆pH -0,8 -0,6 -0,4 -0,5 6.3.2. Análise Química Parcial As análises químicas parciais compreenderam análises por complexo sortivo e ataque sulfúrico. As informações a respeito dos procedimentos dessas análises encontram-se disponíveis no capítulo 5 desta dissertação. As Tabelas 6.7 e 6.8 apresentam, respectivamente, os resultados dessas análises ao longo do perfil da camada de argila. 97 Tabela 6.7 – Resultados das análises químicas por complexo sortivo Prof. (m) Ca 2,50 – 3,05 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 2+ 5,1 10,9 17,1 6,1 Mg 2+ 10,5 14,2 15,4 11,0 Complexo Sortivo cmolc/kg Soma de K Na+ Al3+ H+ Bases (S) 0,45 0,80 7,4 2,1 5,8 1,03 1,00 27,1 0 5,3 1,40 3,90 37,8 0 2,3 0,94 0,87 18,9 0 0 + CTC (cmolc/kg) 15,3 32,4 40,1 18,9 Tabela 6.8 – Resultados das análises químicas por ataque sulfúrico PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Prof. (m) 2,50 – 3,05 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 Ataque por Sulfúrico (g/kg) SiO2 Al2O3 Fe2O3 TiO2 269 254 217 163 180 151 156 102 56 51 44 30 9,1 7,7 8,0 7,3 SiO 2 Al 2 O 3 SiO 2 R 2O3 Al 2 O 3 Fe 2 O 3 (Ki) 2,54 2,86 2,36 2,72 (Kr) 2,12 2,35 2,00 2,29 5,05 4,65 5,57 5,34 Pela análise de complexo sortivo obtém-se a soma de bases (S), a capacidade de troca catiônica efetiva e a capacidade de troca catiônica a pH 7 (T ou CTC). A primeira corresponde à soma das concentrações de Ca2+, Mg2+, K+ e Na+. Somando-se o Al3+ ao valor de S, obtém-se a capacidade de troca catiônica efetiva, onde essas concentrações são avaliadas nas condições do pH de campo. Para a obtenção da capacidade de troca catiônica a pH 7, basta somar à capacidade de troca catiônica efetiva a concentração de hidrogênio. Este último é avaliado no laboratório, a pH 7. O CTC corresponde à soma de cargas negativas concentradas na superfície do argilomineral e está diretamente relacionado à atividade do solo; quando o número de cargas negativas é alto, a argila é de alta atividade, e se o CTC é baixo, a argila é de baixa atividade. As análises de capacidade de troca catiônica indicaram que as amostras das profundidades de 2,50 a 3,00 metros e 6,00 a 6,50 metros são menos ativas do que as das outras profundidades. Esse resultado mostra-se coerente quando comparado com os índices de atividade de Skempton. A capacidade de troca de cátions também pode ser relacionada ao argilomineral presente na estrutura da argila, conforme é apresentado a seguir na Tabela 6.9. 98 Tabela 6.9 –Faixa de valores de CTC associadas ao argilomineral (Santos, 1975) Argilomineral Caulinita Haloisita – 2H2O Endelita ou Haloisita – 4H2O Esmectita Ilita Vermiculita Clorita Sepiolita-Paligorsquita CTC (meq/100g) 3 – 15 5 – 10 10 – 40 80 – 150 10 – 40 100 – 150 10 – 40 20 – 30 De acordo com a Tabela acima o solo argiloso estudado pode ser constituído pelos seguintes argilominerais: caulinita, endelita ou haloisita, ilita, clorita e Sepiolita-Paligorsquita. Entretanto Santos (1975) alerta que a identificação dos argilominerais pela CTC é muito útil para o caso de esmectitas e vermiculitas. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Para os outros grupos de argilominerais, isolados ou de mistura com minerais inertes, a determinação da capacidade de troca catiônica não tem valor elucidativo apreciável porque não permite identificar univocamente o tipo de mineral presente no solo. A análise por ataque sulfúrico fornece os índices Ki e Kr, que indicam o maior ou menor grau de intemperização dos solos. No caso de solos sedimentares, esses índices podem ser relacionados com a capacidade de troca catiônica e a atividade dos argilominerais. Por exemplo, um solo com Ki = 0,4 apresenta uma baixa capacidade de trocar cátions, devido à predominância dos óxidos, enquanto que um solo com Ki = 2,6 deve apresentar capacidade de troca catiônica alta e em sua fração argila devem predominar argilominerais do tipo 2:1. No perfil do solo estudado os valores do Ki, que variaram entre 2,36 e 2,86, indicam a presença de argilominerais do tipo 2:1. 6.3.3. Condutividade Elétrica e Teor de Sais Solúveis Os valores de condutividade elétrica mostraram-se crescentes com a profundidade, indicando a influência da salinidade do fluido existente nos interstícios do solo. 99 Os sais solúveis encontrados nesse fluido são o potássio e o sódio, sendo que a concentração do último é bem mais expressiva para todas as profundidades analisadas. Todos os resultados obtidos encontram-se na Tabela 6.10 a seguir. Tabela 6.10 – Análises de condutividade elétrica e teor de sais no depósito mole. Profundidade (m) C.E. (mS/cm) 2,50 – 3,05 3,50 – 4,00 6,00 – 6,50 1,87 3,85 4,04 Sais Solúveis (cmolc/kg de TF) K+ Na+ 0,06 1,2 0,22 2,35 0,16 2,33 6.4. Determinação de Matéria Orgânica PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA A determinação do teor de matéria orgânica se deu por dois métodos diferentes, cujas metodologias empregadas encontram-se descritas no capítulo anterior. São elas: • Por meio de correlação com a análise química de carbono total • Por perda por aquecimento (PPA). O teor de matéria orgânica estimado pelo primeiro método é determinado, indiretamente, pela correlação: M.O. (%) = 1,724.C , sendo C, em %, o carbono orgânico total determinado por análises químicas. Essas análises foram realizadas para amostras coletadas ao longo do perfil da camada de argila mole, até a máxima profundidade amostrada de 6,50 metros, e indicaram um aumento da matéria orgânica com a profundidade, conforme mostra a Tabela 6.10 a seguir. Tabela 6.11 – Determinação do teor de matéria orgânica pelo carbono orgânico Profundidade (m) Carbono Orgânico (g/kg) 2,50 – 3,05 3,50 – 4,00 5,25 – 5,75 6,00 – 6,50 7,0 7,7 24,0 21,7 Teor de Matéria Orgânica (%) 1,20 1,32 4,13 3,73 100 Já para o segundo método, o de PPA, foram realizadas diversas análises com o solo submetido a diferentes temperaturas e tempos na mufla. Em uma primeira análise o solo foi colocado na mufla por um período de 2 horas a 600°C, e de 4 horas a 400°C. Esses resultados, incluídos na Tabelas 6.11, se mostraram bastantes dispersos e diferentes dos valores determinados pelo teor de carbono total e dos encontrados na literatura para depósitos de argilas moles estudados no Rio de Janeiro. Tabela 6.12 –Determinação do teor de matéria orgânica pelo método da P.P.A. Profundidade (m) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 2,50 – 3,05 3,50 – 4,00 6,00 – 6,50 Teor de Matéria Orgânica (%) 400°C por 4 horas 600°C por 2 horas 1,93 4,00 3,60 6,17 2,11 10,73 O método de determinação do teor de matéria orgânica por perda por aquecimento é bem simples de ser aplicado, porém cuidados devem ser tomados para que as altas temperaturas da mulfla não eliminem a água de constituição do argilomineral e os alterem, influenciando na quantificação da matéria orgânica. A caulinita, por exemplo, quando exposta à temperatura de 450°C, inicia o seu processo de desidroxilação, ou seja, a perda de água adsorvida. Provavelmente a diferença de resultados obtida para as primeiras análises realizadas se dá ao fato de que para a temperatura de 600°C, o solo já teve toda a sua matéria orgânica queimada e alguma perda de água de constituição, elevando desse modo a estimativa do teor de matéria orgânica. Tendo em vista isso, uma segunda análise foi realizada em amostra de solo da profundidade de 3,50 a 4,00 metros, com o objetivo de comparar os resultados, e procurar identificar a temperatura e tempo de exposição do solo ao calor que melhor quantificaria o teor de matéria orgânica. A Tabela 6.13 e a Figura 6.3 mostram os resultados obtidos para essas análises. Tabela 6.13 – Perda de massa do solo para diferentes temperaturas Temperatura (°C) 300 450 500 600 Tempo (horas) 4 4 4 4 Perda de massa (%) 2,11 3,33 3,60 7,01 101 Perda de Massa (%) 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0 100 200 300 400 500 600 700 Temperatura (ºC) Figura 6.6 – Curva Temperatura x Perda de Massa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Os resultados obtidos mostraram uma tendência exponencial do aumento da perda de massa com a temperatura. Conclui-se, aqui, que um estudo mais detalhado deve ser realizado para padronizar o procedimento de obtenção do teor de matéria orgânica. Tal torna-se relevante ao se considerar que a determinação do teor de matéria orgânica a partir da determinação do teor de carbono orgânico total considera uma relação empírica baseada em informações advindas de investigações efetuadas visando aplicações na área de agricultura pela EMBRAPA, ou seja, envolvendo solos superficiais com características apropriadas a plantios. No presente trabalho considerou-se que o teor de matéria orgânica corresponde à perda de massa do solo para uma temperatura de 450°C, que corresponde ao inicio da alteração da estrutura da caulinita. Desse modo, para a profundidade de 3,50 a 4,00 metros, o solo possuí uma porcentagem de matéria orgânica de aproximadamente 2,5%, indicativo de que a argila mole investigada não é orgânica. Em relação aos dados obtidos na literatura para os solos da Baixada Fluminense, não se teve acesso aos procedimentos adotados para a obtenção desse parâmetro, porém eles se apresentam com valores bem mais elevados do que o encontrado neste trabalho. Isto pode indicar tanto que as estimativas efetuadas podem ter sido baseadas em análises a elevadas temperaturas quanto que o depósito de argila mole em estudo apresenta um teor de matéria orgânica inferior ao de outros investigados no Rio de Janeiro. 7 COMPRESSIBILIDADE DO SOLO Neste capítulo serão apresentados e discutidos os resultados obtidos dos ensaios de adensamento. 7.1. Ensaios de Adensamento Edométrico Foram realizados seis ensaios de adensamento edométrico, identificados PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA conforme indicado na Tabela 7.1. As metodologias e os procedimentos adotados em cada um desses ensaios encontram-se descritos no capítulo 5 e os resultados individuais de cada ensaio encontram-se disponíveis no Anexo III. Tabela 7.1 – Identificação dos ensaios de adensamento edométrico Ensaio Convencional Com medida de creep Com medida de permeabilidade Tipo de amostra Indeformada Amolgada Amolgada Nomenclatura adotada AEI-1 AEA-1 AEA-2 Estágios de 24 horas Estágios de 24 horas Estágios de 24 horas Indeformada AEI-2 Estágios de 72 horas Indeformada AEI-3 Indeformada AEI-4 Estágios de 24 horas Estágios encerrados quando a taxa de variação de altura do c.p. ficasse constante no tempo Estágios As características iniciais dos corpos de prova ensaiados encontram-se agrupadas na Tabela 7.2. Todos foram moldados a partir de amostras da profundidade de 3,50 a 4,00 metros. Tabela 7.2 – Características dos corpos de prova dos ensaios de adensamento edométricos wo So γt γd Ensaio Amostra Gs e0 (%) (%) (kN/m³) (kN/m³) AEI-1 AM-1 2,62 13,69 6,17 121,69 3,16 100 AEA-1 AM-14 2,60 12,55 4,41 184,31 4,77 100 AEA-2 AM-14 2,60 12,51 4,40 184,42 4,79 100 AEI-2 AM-1 2,62 13,47 5,96 125,92 3,31 100 AEI-3 AM-1 2,62 13,75 6,18 122,41 3,24 100 AEI-4 AM-7 2,62 13,81 5,99 130,40 3,41 100 103 Os resultados dos ensaios realizados com corpos de prova indeformados apresentaram uma mesma tendência de comportamento da curva tensãodeformação, como pode ser visto na Figura 7.1. Porém, esta tendência não é observada para os ensaios realizados em corpos de prova amolgados, como pode ser verificado na Figura 7.2, onde estão apresentadas as curvas dos ensaios de adensamento AEI-1, AEA-1 e AEA-2. 1,00 0,90 0,80 Índice de Vazios – e/e0 Índice de Vazios e/e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0,70 0,60 0,50 0,40 0,30 0,20 AEI-1 AEI-2 0,10 AEI-3 AEI-4 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.1 – Comparação curvas logσ’ x e/e0 para os ensaio edométricos Observa-se na Figura 7.1 que, apesar das curvas tensão-deformação apresentarem uma mesma tendência de comportamento, estas se encontram deslocadas praticamente paralelamente umas das outras. Tal fato ocorre devido aos diferentes tempos de estágios adotados para cada ensaio, evidenciando a influência do tempo de carregamento na variação de volume do solo. Entretanto, 104 a diferença observada no ensaio EAI-4 parece indicar uma influencia do índice de vazios inicial do corpo de prova na curva. 1,00 AEI-1 AEA-1 AEA-2 Índice de Vazios – e/e0 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 1 10 100 1000 10000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.2 - Curva logσ’ x e/e0 dos ensaios de adensamento AEI-1, AEA-1 e AEA-2 Como era de se esperar, as curvas da Figura 7.2 mostraram um comportamento bem distinto para os três ensaios. O ensaio realizado com corpo de prova indeformado apresentou o trecho virgem curvilíneo indicando que a amostra era de boa qualidade. Essa não linearidade do trecho de compressão virgem não é observada nas amostras amolgadas. Estas, apesar de possuírem características iniciais semelhantes (ver Tabela 7.2), revelam que o solo quando amolgado pode se comportar de maneiras bem diferentes. Observa-se que a amostra amolgada que, naturalmente, não tem definido um trecho de recompressão, apresenta uma menor compressibilidade no domínio de compressão virgem. 105 O fato do trecho de compressão virgem na curva considerada de boa qualidade não ser reto traz, à primeira vista, uma certa dificuldade para a obtenção da tensão de pré-adensamento do solo. Entretanto, conforme sugerido por Martins & Lacerda (1994), esta pode ser facilmente obtida através da curva σ’ x (1+e) com os dois eixos na escala logarítmica. A figura 7.3 ilustra o gráfico do ensaio AEI-1 com os dois eixos nessa escala. 1+e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 10,00 1,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.3 - Curva logσ’ x log (1+e) do ensaio de adensamento AEA-1 Da Figura 7.3 obteve-se a tensão de pré-adensamento do solo na profundidade de 3,50 a 4,00 metros, pelo Método de Pacheco Silva, de 78 kPa, à qual corresponde um OCR de 1,95 e um índice de vazios de 2,80. Este leve pré-adensamento também é observado em outras regiões da Baixada Fluminense, como por exemplo, em Sarapuí (Almeida et al., 2005), e pode estar associado a diversos fatores, tais como: • História geológica dos depósitos; • Efeitos de envelhecimento, associados à compressão secundária; 106 • Ressecamento, associado a variações climáticas ou do nível d’água. A mesma dificuldade que existe em se estimar a tensão de pré-adensamento para ensaios de boa qualidade é observada para a obtenção do índice de compressão. Neste trabalho, os índices de compressão foram obtidos desconsiderando os últimos pontos da curva logσ’ x e. A Tabela 7.3 apresenta os parâmetros de compressibilidade obtidos dos ensaios edométricos, sendo cr o índice de recompressão, cc o índice de compressão e ce o índice de expansão. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela 7.3 – Parâmetros de compressibilidade dos ensaios de adensamento edométrico Ensaio e0 cr cc ce AEI-1 AEA-1 AEA-2 AEI-2 AEI-3 AEI-4 3,16 4,77 4,79 3,31 3,24 3,41 0,16 0,13 0,17 0,27 1,87 1,14 1,12 1,89 1,91 1,96 0,24 0,26 0,24 0,22 0,20 0,22 CR = cc 1 + e0 0,45 0,20 0,19 0,44 0,45 0,45 ce cc 0,13 0,23 0,21 0,12 0,10 0,11 Comparando os resultados, constata-se o paralelismo das curvas dos ensaios realizados em corpos de prova indeformados, como já observado visualmente na Figura 7.1. O índice de compressão normalizado pelo índice de vazios, CR, apresenta-se o mesmo para esses ensaios. Já os CRs das amostras amolgadas encontram-se inferiores ao dos demais corpos de prova, indicando que ensaios realizados em amostras amolgadas não permitem uma adequada determinação dos parâmetros de compressibilidade e da tensão de pré-adensamento. Esses ensaios são, entretanto, importantes para uma analise comparativa da qualidade dos ensaios realizados em amostras indeformadas de um mesmo solo. O comportamento tensão deformação de um solo submetido ao ensaio de adensamento também pode ser descrito pelo coeficiente de variação volumétrica, mv. A Figura 7.4 apresenta a variação do coeficiente de variação volumétrica em relação à tensão efetiva para os ensaios de adensamento edométricos realizados em corpos de prova indeformados. Com exceção do ensaio AEI-4, as tendências das curvas foram semelhantes, com o mv 107 aumentando para pressões inferiores à tensão de pré-adensamento, e diminuindo sensivelmente para as pressões correspondentes ao trecho de compressão virgem. Comportamento semelhante ao apresentado no presente trabalho foi reportado por Martins & Lacerda (1994) para argilas normalmente adensadas. Coeficiente de Variação Volumétrica - mV x 10-2 (1/kPa) mv x 10-2 (1/kPa) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0,40 0,35 0,30 0,25 0,20 0,15 0,10 AEI-1 AEI-2 0,05 AEI-3 AEI-4 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.4 - Curvas logσ’ x mv dos ensaios de adensamento edométrico A faixa destacada na Figura 7.4 indica a região em que se encontra a tensão de pré-adensamento. Este mesmo destaque será apresentado nas figuras subseqüentes. Os coeficientes de adensamento, cv, foram determinados para os ensaios AEI-1, AEI-2, AEI-3 e AEI-4 pelo Método de Taylor. A Figura 7.5 mostra as tendências obtidas para esses ensaios em relação à tensão efetiva. As curvas se iniciam 108 com valores mais elevados de cv, que decresceram rapidamente até ficarem constantes. Observou-se que uma relativa constância dos valores de cv é atingida no trecho de compressão virgem, após a tensão de pré-adensamento. 100 -3 Coeficiente decAdensamento v x 10-3(cm²/s)- cV x 10 (cm²/s) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA AEI-1 AEI-2 AEI-3 AEI-4 10 1 0,1 0,01 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.5 – Curvas logσ’ x cv dos ensaios de adensamento edométrico. O coeficiente de compressão secundária, cα, foi determinado somente para o ensaio AEI-2, cujos estágios de carregamento foram de 72 horas. Este parâmetro foi obtido a partir da curva tempo x deformação, pela inclinação da reta após o final do adensamento primário. Seu comportamento em relação à tensão efetiva está mostrado na Figura 7.6. Percebe-se neste gráfico que o cα inicialmente aumenta com as tensões até atingir um máximo próximo à tensão de pré-adensamento, decrescendo em seguida para um valor aproximadamente constante. Tal tipo de comportamento também foi observado por outros autores, como por exemplo Ladd (1973) e Coutinho & Lacerda (1994). 109 Coeficiente de Compressão Secundária - cα (%) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.6 –Curva logσ’ x cα do ensaio de adensamento AEI-2 A permeabilidade do depósito de argila mole foi determinada a partir dos ensaios de adensamento AEI-3 e AEI-4 de duas maneiras distintas: por calculo indireto obtendo-se o coeficiente de permeabilidade a partir de outros parâmetros do ensaio de adensamento de acordo com a teoria de Terzaghi, e pela medida direta dos ensaios de permeabilidade de carga constante que foram executados ao final de determinados estágios de carga. A seguinte expressão propicia a determinação do coeficiente de permeabilidade pela teoria de Terzaghi: k = c v .m v . γ w , sendo k o coeficiente de permeabilidade do solo; cv o coeficiente de adensameto; 110 mv o coeficiente de variação volumétrica; γw o peso específico da água A Figura 7.7 mostra a variação dos coeficientes de permeabilidades, calculados e medidos, com a tensão efetiva. Coeficiente de Permeabilidade – k x 10-6 (cm/s) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 10 1 0,1 0,01 AEI-3 AEI-4 AEI-3 AEI-4 0,001 calculado calculado medido medido 0,0001 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.7 – Gráfico σ’ x k dos ensaios de adensamento AEI-3 e AEI-4 Observou-se uma tendência de diminuição da permeabilidade com o aumento do nível de tensões, sendo que, para uma mesma tensão efetiva, os valores de permeabilidade muitas vezes encontram-se dispersos (com variações de até uma ordem de grandeza). Analisando a permeabilidade em função dos índices de vazios, conforme a Figura 7.8, verificou-se uma melhor relação, que é dada por e = 0,57. ln( k ) + 4,12 , com um coeficiente de correlação de 0,85. 111 4,5 4,0 3,5 AEI-3 calculado AEI-4 calculado AEI-3 medido AEI-4 medido PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Índice de Vazios - e 3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 e = 0,5725Ln(k) + 4,1215 R2 = 0,8532 0,5 0,0 0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 Coeficiente de Permeabilidade – k x 10-6 (cm/s) Figura 7.8 - Gráfico k x e dos ensaios de adensamento AEI-3 e AEI-4 7.2. Ensaios de Adensamento Hidrostático Os ensaios de adensamento hidrostático tiveram, como principal objetivo, propiciar informações quanto à velocidade de acréscimo de tensões a ser utilizada nos ensaios de adensamento anisotrópico, cujas análises encontram-se no Apêndice I, além de potencialmente contribuírem para uma elaboração futura de um modelo de comportamento do depósito de solo mole estudado. Foram realizados dois ensaios, denominados de AI-1 e AI-2, cujas características iniciais dos seus corpos de prova encontram-se resumidas na Tabela 7.4. 112 Tabela 7.4 - Características dos corpos de prova dos ensaios de adensamento hidrostático γd w0 (kN/m³) (%) 12,45 5,57 123,65 3,62 89,61 12,19 5,35 128,01 3,80 87,58 Ensaio Amostra Gs γt (kN/m³) AI-1 AM-1 2,62 AI-2 AM-15 2,60 S0 e0 (%) As curvas tensão-deformação (logσ’ x e) desses ensaios estão apresentadas na Figura 7.9. 1,20 Índice de Vazios – e/e0 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 AI-1 AI-2 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.9 – Curvas logσ’ x e dos ensaios de adensamento hidrostático Cabe ressaltar que se optou, no segundo ensaio, pela utilização de dreno lateral para acelerar a dissipação de poropressão no corpo de prova, entretanto, os resultados não incluem as correções decorrentes do uso do dreno lateral. A Figura 7.9 sugere que tal correção não seja necessária, já que as curvas apresentam-se praticamente coincidentes. 113 O comportamento dessas curvas foi semelhante ao dos ensaios edométricos, com o trecho de compressão virgem não retilíneo, indicando que as amostras ensaiadas eram de boa qualidade. Verifica-se, para o segundo ensaio, AI-2, que após a pressão de 400kPa a curva apresenta um comportamento não esperado. Acredita-se que tal resultado possa ser devido a algum problema, não identificado, de medição de variação de volume, como por exemplo um vazamento ou interferências de origem elétrica no LGMA. A Tabela 7.5 mostra os parâmetros de compressibilidade dos ensaios AI-1 e AI-2. O primeiro apresenta um CR com valor inferior ao observado nos ensaios PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA de adensamento edométrico realizados em corpos de prova indeformados, enquanto que no ensaio AI-2, este parâmetro encontra-se bem mais próximo dos valores apresentados anteriormente. Tabela 7.5 – Parâmetros de compressibilidade dos ensaios de adensamento hidrostático CR = cc Ensaio e0 cc AI-1 3,62 1,26 0,27 AI-2 3,80 1,66 0,36 1 + e0 A tensão de pré-adensamento estimada para os dois ensaios, pelo Método de Pacheco Silva, foi de 50 kPa para a amostra AI-1 e de 48kPa para a amostra AI-2. Estes valores, apesar de serem semelhantes, não confirmam o resultado obtido pelos ensaios edométricos. A variação volumétrica em função do nível de tensões está apresentada na Figura 7.11. As curvas, apesar de terem um comportamento diferente no início, apresentam a mesma tendência observada nos ensaios edométricos, com o mv aumentando para pressões inferiores à tensão de pré-adensamento, e diminuindo sensivelmente para as pressões correspondentes ao trecho de compressão virgem. A região destacada nesta figura representa a faixa onde se encontra a tensão de adensamento hidrostático. pré-adensamento calculada pelos ensaios de 114 Coeficiente de Variação Volumétrica - mV x 10-2 (1/kPa) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0,25 0,20 0,15 0,10 0,05 AI-1 AI-2 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura 7.10 - Curvas logσ’ x mv dos ensaios de adensamento hidrostático Notou-se nestes ensaios, a enorme variação de volume que os corpos de prova sofreram ao longo dos ensaios, como pode ser observado pela variação do diâmetro da amostra e pela membrana, mostradas na Figura 7.12. Ao final da pressão de 500kPa, os corpos de prova apresentavam deformações volumétricas de aproximadamente 42%. 115 Diâmetro do corpo de prova durante o ensaio PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro inicial do corpo de prova Figura 7.11 – Corpo de prova durante o ensaio de adensamento hidrostático 7.3. Ensaios de Adensamento Anisotrópico Os ensaios de adensamento anisotrópico foram realizados com o intuito de contribuir para uma futura implementação de um modelo de comportamento do depósito de solo mole estudado. Esses ensaios consistiram em adensar o corpo de prova com diversas relações K= σ,h σ,v constantes, controladas ao longo do ensaio. Após a fase de adensamento, as amostras foram submetidas ao cisalhamento não drenado, porém, esses dados não serão apresentados por fugirem do escopo do presente trabalho. As características iniciais dos corpos de prova encontram-se apresentadas na Tabela 7.6 e os resultados individuais de cada ensaio encontram-se no Anexo V. 116 Os ensaios, cujos corpos de prova foram envolvidos com dreno lateral, não tiveram seus resultados corrigidos pelo uso do dreno. Tabela 7.6 - Características dos corpos de prova dos ensaios de adensamento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA anisotrópicos γt γd w0 (kN/m³) (kN/m³) (%) 2,53 12,89 5,53 132,87 3,47 96,57 AM-6 2,65 13,22 5,83 126,83 3,45 97,22 K=0,9 AM-3 2,53 12,81 6,06 111,57 3,08 91,20 K=0,8 AM-4 2,51 13,26 5,93 123,79 3,15 98,53 K=0,8 repetido AM-15 2,60 13,10 5,81 125,40 3,39 96,24 K=0,7 AM-4 2,51 12,98 5,72 127,12 3,30 96,48 K=0,6 AM-4 2,51 13,07 5,88 122,33 3,18 96,31 K=0,6 repetido AM-7 2,62 13,40 6,49 106,50 2,95 94,32 K=0,5 AM-5 2,45 12,71 5,95 113,42 3,03 91,61 K=0,5 repetido AM-15 2,60 13,49 6,28 114,68 3,08 97,30 Ensaio Amostra Gs K=1,0 sem dreno AM-3 K=1,0 com dreno e0 S0 (%) As curvas s’ x υ obtidas nos ensaios de K constante estão apresentadas na Figura 7.12. Deve-se notar que optou-se por apresentar tais curvas em um gráfico onde se tem o volume específico, υ, no eixo vertical. Tal variável, amplamente utilizada na modelagem do comportamento de solos, é definida como: ν = 1+ e, onde υ é o volume específico e e o índice de vazios do solo. Novamente observa-se um paralelismo entre as curvas, que é confirmado pelos índices de compressão, apresentados na Tabela 7.7. Comparando-se estes parâmetros com os das Tabela 7.3, percebe-se que os valores de CR encontram-se bem próximos para os ensaios de adensamento edométrico e os anisotrópicos. 117 1,0 υ /(1+e 0) 0,9 k=1sem dreno k=1 com dreno k=0,9 k=0,8 k=0,8repetido k=0,7 k=0,6 k=0,6repetido k=0,5 k=0,5repetido 0,8 0,7 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0,6 0,5 1 10 100 1000 s' (kPa) Figura 7.12 – Curvas tensão-deformação dos ensaios de adensamento anisotrópicos Tabela 7.7 – Parâmetros de compressibilidade dos ensaios anisotrópicos CR = cc e0 cc K=1,0 sem dreno 3,47 1,78 0,40 K=1,0 com dreno 3,45 1,56 0,35 K=0,9 3,08 1,49 0,36 K=0,8 3,15 1,66 0,40 K=0,8 repetido 3,39 1,93 0,44 K=0,7 3,30 1,80 0,42 K=0,6 3,18 1,66 0,52 K=0,6 repetido 2,95 1,53 0,39 K=0,5 3,03 1,82 0,45 K=0,5 repetido 3,08 1,76 0,43 Ensaio 1 + e0 Outra observação em relação à Figura 7.10 é que todos os trechos de compressão virgem dos ensaios estão situados à esquerda das curvas dos ensaios hidrostáticos. Deve-se notar que a reta formada pelo trecho de compressão virgem dos ensaios hidrostáticos possui um significado especial, ela separa o estado possível, à sua esquerda, do impossível, à sua direita (Atkinson & Bransby, 1978, pág. 129). 118 Os caminhos de tensões efetivas seguidos em cada ensaio estão mostrados na Figura 7.13, onde s , = σ,v + σ ,h 2 e t= σ ,v − σ ,h . Conforme o esperado, a 2 inclinação das curvas formadas pelos caminhos aumentou conforme o K diminuía. Nota-se, nesta Figura, que a condição de K constante só foi efetivamente alcançada, em todos os ensaios, para valores de s’ maiores que cerca de 100kPa, ou seja, quando as amostras se encontravam em um domínio correspondente ao do material normalmente adensado. Nota-se, também, uma aparente não repetibilidade de caminhos de tensões nos ensaios com K = 0,6 e 0,8, repetibilidade esta conseguida nos ensaios com K = 1,0 e 0,5. Nenhuma justificativa razoável para as faltas de repetibilidade observadas foi conseguida, sendo, portanto, necessárias investigações adicionais que possibilitem avaliar se ou a características iniciais dos corpos de provas ensaiados. 200 k=1,0 sem dreno k=1,0 com dreno k=0,9 k=0,8 k=0,8 repetido 150 t (kPa) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA as mesmas decorreram de eventuais aspectos relativos ao controle dos ensaios k=0,7 k=0,6 k=0,6 repetido k=0,5 k=0,5 repetido 100 50 0 0 100 200 300 s' (kPa) Figura 7.13 – Caminhos de tensões efetivas dos ensaios anisotrópicos Analisando as deformações radiais desses ensaios, tentou-se estimar o coeficiente de empuxo em repouso, K0, do solo em sua condição normalmente adensada. No gráfico deformação axial x deformação radial, da Figura 7.14, nota-se que os ensaios realizados com K=0,5 apresentam uma deformação radial negativa ao longo de todo o ensaio, e que os realizados com K=0,6 têm inicialmente uma deformação radial positiva, que posteriormente decresce até ficar negativa e assim permanece até o final do ensaio. Esses resultados sugerem que o K0 se encontra entre 0,5 e 0,6. 400 119 Neste gráfico, verifica-se também que o ensaio realizado com K=0,7 não está apresentando bons resultados. Provavelmente o mesmo foi iniciado sem que o top cap estivesse totalmente encostado no corpo de prova. 10 k=0,9 k=0,8 k=0,8repetido k=0,7 k=0,6 k=0,6repetido k=0,5 k=0,5repetido 8 6 4 def. radial (%) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 2 0 -2 -4 -6 -8 -10 0 10 20 30 40 50 60 de f. axial(%) Figura 7.14 – Curva deformação axial x deformação radial dos ensaios anisotrópicos Na tentativa de estimar o K0 utilizou-se, da Figura 7.14, os pontos do gráfico onde a deformação radial era nula. Com os seus respectivos s’ e t traçou-se uma “envoltória” correspondente ao K0, obtendo um valor de K0=0,62 (Figura 16). Outra maneira usual de se obter o K0 é a partir da correlação K 0 = (1 − sin φ ) proposta por Jaky (1944), onde φ’ é o ângulo de atrito do solo , obtido pela envoltória de resistência. Apesar de não estarem apresentados no presente trabalho, por fugirem do seu escopo, foram realizados, em amostras de solo da profundidade de 3,50 a 4,00 metros, ensaios triaxiais não drenados (CIU). Estes foram executados em corpos de prova com 38,2mm de diâmetro, na mesma prensa triaxial dos ensaios de adensamento hidrostático, descrita no Capítulo 5, com medida de poropressão na base. 120 A Figura 7.15 mostra os caminhos de tensão efetiva e a envoltória dos ensaios CIU, que apresentou coesão nula e ângulo de atrito de aproximadamente 26,3°. Pela correlação K 0 = (1 − sin φ , ) se obteve um K0 de 0,56. É importante destacar que esses resultados estão corrigidos pelos efeitos de membrana e do dreno lateral, de acordo com Henkel & Gilbert (1954). 400 t (kPa) Tensão desviadora - ◊ d (kPa) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 350 300 250 φ’ = 26,3 c’ = 0, 200 150 100 50 0 0 100 200 300 400 s’ (kPa) Figura 7.15 – Envoltória de resistência dos ensaios CIU A Figura 7.16 mostra os dois caminhos K0 estimados, juntamente com as envoltórias obtidas nos ensaios de adensamento anisotrópico. 121 200 k=1,0 sem dreno k=1,0 com dreno k=0,9 k=0,8 k=0,8 repetido k=0,7 k=0,6 k=0,6 repetido k=0,5 k=0,5 repetido K 0 estimado da envoltória de resistência t (kPa) 150 100 K 0 estimado dos ensaios anisotrópicos 50 0 0 100 200 300 s' (kPa) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Figura 7.16 – Caminhos de tensão efetiva incluindo as estimativas de K0 7.4. Discussão e Comparação de Resultados 7.4.1. Efeitos de Amostragem Conforme mencionado no capítulo 2 desta dissertação, a qualidade dos processos de amostragem tem sido motivo de muita preocupação no meio geotécnico. Diversos estudos mostram a influência de uma amostra de má qualidade nos resultados dos ensaios de adensamento, e indicam que o uso desses dados pode levar a erros de projeto. Diante desse fato, houve no presente trabalho a preocupação em se obter amostras e, conseqüentemente resultados, de boa qualidade. Além dos cuidados no processo de amostragem, adotou-se o procedimento sugerido por Ladd & DeGroot (2004) para extrair o solo do shelby no laboratório. Foi realizada uma avaliação da qualidade das amostras, baseada no critério primeiramente proposto por Lunne et al. (1997), posteriormente adaptado para o caso de solos moles brasileiros por Oliveira (2002). Este critério, que está apresentado na Tabela 7.8, é proposto para amostras de ensaios edométricos e utiliza a relação e vo − e o , onde evo é o índice de vazios corresponde à tensão eo efetiva de campo e eo é o índice de vazios inicial do corpo de prova. 400 122 Tabela 7.8 - Critério de avaliação de qualidade de amostras (Oliveira, 2002) e vo − e o eo Muito Boa a Excelente Boa a Regular Pobre Muito Pobre < 0,05 0,05 – 0,08 0,08 – 0,14 >0,14 As amostras avaliadas foram as dos ensaios de adensamento edométrico AEI-1, AEI-2, AEI-3 e AEI-4. Como o critério proposto por Oliveira (2002) é baseado em ensaios com estágios de 24 horas, obteve-se o ev0 de curvas tensão-deformação plotadas considerando o índice de vazios final de cada estágio como o correspondente ao de 24 horas. Os resultados obtidos encontram-se na Tabela 7.9. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela 7.9 – Classificação da qualidade das amostras Ensaio e0 ev0 AEI-1 AEI-2 AEI-3 AEI-4 3,16 3,31 3,24 3,41 3,10 3,18 3,14 3,09 ∆e e0 0,02 0,04 0,03 0,09 Classificação Muito boa a excelente Muito boa a excelente Muito boa a excelente Pobre De acordo com o critério de avaliação utilizado, as amostras dos ensaios AEI-1, AEI-2 e AEI-3 são de boa qualidade. Entretanto, a do ensaio AEI-4 é considerada pobre. Como os procedimentos de retirada das amostras no campo e a preparação dos corpos de prova no laboratório foram os mesmos, e as características das amostras ensaiadas eram bem semelhantes, acredita-se que a classificação de má qualidade do ensaio AEI-4 seja uma particularidade deste corpo de prova. A aparente má qualidade desta amostra justifica os comportamentos observados nas curvas do ensaio EAI-4 apresentadas nas Figuras 7.1 e 7.4 quando comparados com os dos demais ensaios. Segundo Martins & Lacerda (1994), outra maneira de avaliar a qualidade da amostra é observar se o trecho de compressão virgem na curva σ’ x e não se apresenta retilíneo. Essa tendência foi observada para todos os ensaios, como se pode verificar nas Figuras 7.1, 7.9 e 7.12. Correia & Lacerda (1982) mencionaram a influência do amolgamento na curva m v x log σ ,v . Esta curva apresenta um pico na região na tensão de préadensamento, e quanto menor a perturbação da amostra, mais pronunciado é o máximo desta curva. Os autores também sugerem que, em amostras de boa qualidade, uma estimativa da tensão de pré-adensamento seria utilizar a pressão 123 correspondente ao ponto médio entre o ponto de inflexão e o ponto máximo da curva m v x log σ ,v . A Figura 7.3 ilustra essa tendência para o ensaio AEI-1, sendo que todos os demais ensaios mostraram essa mesma resposta. 1,00 1 10 100 1000 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) 1000 0,25 V (x 10 -2 m²/kN) 0,30 Coeficiente de Variação Volumétrica m PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Índice de Vazios e 10,00 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 Figura 7.17 – Comparação das curvas logσ’ x e e logσ’ x mv 124 Diante da compatibilidade dos resultados obtidos com as avaliações de qualidade de amostras propostas na literatura, considerou-se, com exceção do ensaio EAI-4, que todas as amostras ensaiadas presentes nesta dissertação são de boa qualidade. Esta análise da qualidade das amostras mostrou-se importante para o presente trabalho, já que os procedimentos de amostragem no campo e de extrusão das amostras no laboratório adotados não foram convencionais. Com os resultados obtidos verificou-se também a importância de seguir os cuidados recomendados por Ladd & DeGroot (2004). PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 7.4.2. Características de Adensamento e Permeabilidade O depósito de argila mole estudado, para a profundidade investigada, apresentou-se levemente pré-adensado, com uma tensão de pré-adensamento da ordem de 78 kPa e um OCR de 1,95. Santos (2004) também observou em seu trabalho um OCR próximo de 2 para a profundidade de 2 metros. Conforme mencionado anteriormente, este leve pré-adensamento também foi observado em outras regiões da Baixada Fluminense, como por exemplo em Sarapuí (Almeida et al., 2005), e pode estar associado a diversos fatores, tais como: • História geológica dos depósitos; • Efeitos de envelhecimento, associados à compressão secundária; • Ressecamento, associado a variações climáticas ou do nível d’água. O solo estudado apresenta, para a profundidade de 3,50 a 4,00 metros, um coeficiente de adensamento, cv, de 5,75 x 10-3 cm²/s. Este valor quando comparado com os estudos de Aragão (1975) e Santos (2004) mostra-se próximo do encontrado por Santos, que variou de 6,25 x 10-3 a 8,0 x 10-3 cm²/s para a profundidade de 2 metros, entretanto diferente do encontrado por Aragão (1975), que foi de 2,7 x 10-4 cm²/s para uma profundidade próxima da do presente trabalho. Aragão, observou em sua pesquisa uma razoável dispersão nos valores de cv ao longo da profundidade, e a relaciona aos diferentes graus de pré-adensamento 125 ao longo da camada, o que implicaria em diferentes efeitos de amolgamento durante a extração e manuseio das amostras. Essa pode ser uma explicação para os diferentes valores de cv observados no presente trabalho e o obtido por Aragão (1975). Este parâmetro, quando comparado com os dos demais locais da Baixada Fluminense, apresentados na Tabela 2.3 do Capítulo 2, encontra-se na média. A permeabilidade média obtida dos ensaios de adensamento edométricos com medida de permeabilidade, AEI-3 e AEI-4, para a profundidade em estudo, foi de 2,0 x 10-9 m/s. Comparando com os obtidos por Santos (2004), de 6,2 x 10-9 e 8,8 x 10-9 m/s, verifica-se que os valores encontram-se na mesma ordem de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA grandeza de 10-9 m/s. Estes ainda encontram-se dentro da gama de valores encontrada por Almeida et al. (2005) para a argila de Sarapuí, que apresentou valores variando de 24 x 10-8 m/s a 3 x 10-9 para a região sobreadensada. 7.4.3. Características de Compressibilidade Os parâmetros de compressibilidade obtidos no presente trabalho estão comparados, na Tabela 7.10, com os obtidos por Aragão (1975) e Santos (2004) para a região de Santa Cruz e por Almeida et al. (2005) para Sarapuí. Verifica-se uma compatibilidade nos valores de CR, com exceção do obtido por Santos (2004). Tabela 7.10 – Comparação dos parâmetros de compressibilidade com dados da literatura Parâmetro Presente trabalho Aragão (1975) Santos (2004) Almeida et al. (2005) cc 1,87 1,70 0,75 a 0,84 1,3 a 3,2 ce 0,24 0,15 0,10 - Cc (1+eo) 0,44 0,40 0,25 0,41 0,13 0,09 0,12 0,12 CR= ce/cc Os valores correspondentes ao trabalho de Aragão foram obtidos diretamente das curvas apresentadas em sua pesquisa, para uma profundidade de aproximadamente 3,75 metros. 126 7.4.4. Estimativas de Recalque Os parâmetros de compressibilidade apresentados na Tabela 7.10 podem ser utilizados para estimar o recalque primário do depósito de argila mole estudado. Para tal estimativa, considerou-se que os parâmetros obtidos para a profundidade de 3,50 a 4,00 metros podem ser extrapolados para o meio da camada de argila, ou seja, a 7,5 metros. A Figura abaixo representa as condições do depósito argiloso antes e após a implantação da camada de aterro. Considerou-se nos dois casos que o nível PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA d’água está no topo da camada de argila. NA NA Aterro (2,50m) 7,5 metros 15 metros Depósito de argila mole Depósito de argila mole a) Depósito mole antes do aterro b) Depósito mole com aterro Figura 7.18 - Condições do depósito argiloso antes e após a implantação da camada de aterro Adotando o peso específico do depósito mole de 13,13 kN/m³ e do aterro de 20 kN/m³, conforme indicado no capítulo 6, as tensões efetivas a 7,5 metros de profundidade são de 26 kPa e 76 kPa, respectivamente antes e depois do carregamento do aterro. O recalque primário foi obtido pela formulação ρ = ⎛σ ⎞ cc .H. log⎜⎜ 2 ⎟⎟ , onde H 1+ e ⎝ σ1 ⎠ corresponde à espessura da camada de solo mole e σ1 e σ2 correspondem, respectivamente, às tensões efetivas atuantes no solo antes e após o carregamento. Desse modo, o recalque primário, ρ, foi estimado em 3,07 metros. 127 Já o recalque final por compressão secundária, segundo Sandroni (2006), pode ser estimado para carregamentos que ultrapassem a pressão de préadensamento, ou seja, que estejam normalmente adensados, através da seguinte formulação: ⎛ c ⎞ ε af = ⎜ c .(1 − N ). log OCR f ⎟ , ⎝1 + e ⎠ onde εaf é a deformação específica secundária final e N = cr/cc. Sandroni (2006), baseado em dados experimentais, recomenda valores de N de 0,13 e um OCRf de 1,5. Observa-se que os valores recomendados encontram-se próximos dos obtidos neste trabalho. Para a estimativa do recalque secundário do depósito mole em estudo, adotouPUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA se a média dos parâmetros obtidos dos ensaios de adensamento edométrico realizados em corpos de prova indeformados do presente trabalho, ou seja: • cc de 0,45, 1+ e • N de 0,16 • OCR de 1,95 Desse modo, obteve-se uma deformação específica secundária de 11%. Considerando a espessura do depósito argiloso de 15 metros, o recalque secundário estimado é de 1,65 metros. Considerando os recalques primário e secundário calculados, o recalque total a ser esperado para a camada de argila mole, estimado a partir dos dados de laboratório, é de 4,72m. De acordo com laudo de sondagens SPT realizado na década de 70 na área da Subestação, que se encontra apresentado no Capítulo 3 do presente trabalho, o depósito argiloso possuía uma espessura de aproximadamente 15 metros. Novas investigações realizadas nesta área em 2005 (de Campos et al., 2005) informaram que esta espessura estaria hoje em torno de 11 metros. Partindo do pressuposto que as estimativas de recalque estão corretas, e considerando as informações de campo mencionadas, supõe-se que a camada de argila mole, na área investigada, pode ter sofrido até o momento um recalque 128 da ordem de 4m, é de se esperar que ainda deva ocorrer nesta camada um PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA recalque de origem secundária da ordem de 0,50m. 8 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 8.1. Conclusões O perfil do depósito argiloso, até a profundidade investigada de 6,50 metros, apresentou-se constituído predominantemente por partículas finas, sendo classificado, de acordo com o SUCS, como um silte de alta plasticidade para PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA todas as profundidades, com exceção da de 3,50 a 4,00 metros, cujo solo é classificado como uma argila de alta plasticidade. De acordo com o Índice de Atividade de Skempton, as camadas do depósito de argila mole são classificadas como de atividade normal para as profundidades de 2,50 a 3,00 metros e 5,25 a 5,75 metros e como ativa na profundidade de 3,50 a 4,00 metros. A escolha do solo da profundidade de 3,50 a 4,00 metros para a análise da compressibilidade e das características de adensamento mostrou-se ter sido apropriada, já que a caracterização geotécnica evidenciou que esta é a camada mais compressível dentre as investigadas. A caracterização mineralógica indicou, em todo o perfil estudado, que o solo argiloso é constituído por caulinita, com traços de ilita e quartzo. Análises mais detalhadas foram realizadas para a profundidade de 3,50 a 4,00 metros indicando também a presença do argilomineral expansivo esmectita. As análises químicas mostraram-se compatíveis com os resultados de caracterização geotécnica e mineralógica do solo, apresentando valores de CTC coerentes com os índices de atividade de Skempton e valores de Ki indicando a presença de argilominerais do tipo 2:1 em todo o perfil do solo investigado. 130 Observou-se uma certa dificuldade na determinação do teor de matéria orgânica, que apresentou diferentes resultados de acordo com as metodologias empregadas. Definiu-se então, que o valor adotado no presente trabalho seria obtido da curva resultante dos ensaios de P.P.A, sendo este, a porcentagem correspondente a uma temperatura de 450oC. Este resultado indica que o depósito de argila mole estudado apresenta um baixo teor de matéria orgânica, fato que não é observado em diversos outros locais da Baixada Fluminense. De acordo com os ensaios de adensamento, o depósito mole encontra-se levemente pré-adensado na profundidade de 3,50 a 4,00 metros, com um OCR de 1,95 e uma tensão de pré-adensamento de 78kPa. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Os parâmetros de compressibilidade, adensamento e permeabilidade obtidos encontram-se semelhantes aos apresentados por Aragão (1975) e Santos (2004) na região de Santa Cruz, e dentro da gama de variação observada em outras argilas moles da Baixada Fluminense. Os ensaios de adensamento anisotrópico indicaram que o K0 do solo na condição normalmente adensado encontra-se entre 0,5 e 0,6. Uma “envoltória” foi traçada com valores de s’ e t correspondentes a pontos de deformação radial nula das amostras adensadas com K=0,5 e K=0,6, revelando um K0 de 0,62. Este parâmetro, estimado a partir da proposta de Jaky, foi de 0,56. A eficiência das metodologias de amostragem e de extração adotadas foi verificada a partir de uma análise da qualidade de amostras. Essa análise foi realizada baseada nos resultados dos ensaios de adensamento edométrico e indicaram, com exceção do ensaio EAI-4, que as amostras ensaiadas neste trabalho eram de boa qualidade. No caso da amostra do ensaio EAI-4 acreditase que a má qualidade seja uma particularidade do corpo de prova ensaiado. Estimou-se um recalque total de 4,72 metros, para o solo da subestação, sendo 3,07 metros correspondentes ao recalque primário e 1,65 metros ao secundário. Partindo do pressuposto que esta estimativa está correta, e considerando as informações de campo disponíveis, supõe-se que a camada de argila mole, na área investigada, pode ter sofrido até o momento um recalque da ordem de 4m, 131 é de se esperar que ainda deva ocorrer nesta camada um recalque de origem secundária da ordem de 0,50m. 8.2. Sugestões Para Trabalhos Futuros • Fazer a datação de todo o perfil do depósito mole estudado. • Realizar um estudo mais detalhado para padronizar o procedimento de obtenção do teor de matéria orgânica. • Comparar os resultados de adensamento fornecidos no presente trabalho PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA com os dados obtidos dos ensaios de campo. • Determinar a curva “eos” (end of secondary) do solo estudado. • Executar, em amostras de diferentes profundidades, ensaios triaxiais adensados anisotropicamente até a tensão efetiva de campo e posteriormente cisalhar de maneira não drenada. • Realizar ensaios triaxiais do tipo UU em amostras de todo o perfil do depósito mole, com estimativas da tensão efetiva inicial e medidas de poropressão à meia altura dos corpos de prova, e comparar os resultados de resistência não drenada obtidas no campo e laboratório. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR’s 7181/1984, 6459/1984, 7180/1984, 6508/1984, 6457/1986, 2887/1988, 3336/1990. ADRIANO, M.H. Comunicação pessoal, 2006 ALMEIDA, M.S.S, Aterros Sobre Solos Moles: Da Concepção à Avaliação de PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Desempenho, UFRJ, 1996 ALMEIDA, M.S.S, & MARQUES, M.E.S., The Behavior of Sarapui Soft Organic Clay, International Workshop on Characterization and Engineering Properties of Natural Soils, Singapure, 2002 ALSHAWABKEH, A. N., Basic and Applications of Eletrockinetics Remediation, Handouts prepared for a short course, Federal University of Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001. ANTUNES, F. S., Ensaios Geológicos, Pedológicos e Mineralógicos nas Argilas Moles do Rio de Janeiro, Relatório IPR/DNER, Rio de Janeiro, 1978 ARAGÃO, C.J.C, Propriedades Geotécnicas de Alguns Depósitos de Argila Mole da Área do Grande Rio, Dissertação de Mestrado, Departamento de Engenharia Civil, PUC-Rio, Rio de Janeiro, 1975. 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Para tanto, foram realizados quatro ensaios piloto, submetidos a diferentes velocidades de incremento de tensão, com o objetivo de comparar os resultados com os do ensaio hidrostático AI-1, e assim definir uma velocidade que garanta toda a dissipação do excesso de poropressão gerado. A metodologia adotada para os ensaios piloto foi a mesma dos demais ensaios anisotrópicos, descrita no capítulo 5. Nesses ensaios, não se utilizou o dreno lateral. A Tabela A.1 indica as velocidades e as características iniciais dos corpos de prova. Tabela A.1 – Características iniciais dos corpos de prova dos ensaios de adensamento anisotrópico para diferentes velocidades S0 w0 Velocidade Prof. γt γd e0 Amostra Gs (%) (%) do ensaio (m) (kN/m³) (kN/m³) 5 kPa/h AM-2 3,5 a 4,0 2,63 12,78 5,52 131,4 3,67 94,12 10 kPa/h AM-1 5,3 a 5,7 2,65 12,88 5,60 129,9 3,64 94,60 15 kPa/h AM-1 5,3 a 5,7 2,65 13,56 6,75 100,9 2,86 93,80 20 kPa/h AM-1 3,5 a 4,0 2,62 13,15 5,89 123,2 3,36 96,03 A Figura A.1 ilustra as curvas tensão-deformação desses ensaios, comparando com o ensaio hidrostático AI-1. Do gráfico, concluiu-se que a velocidade de incremento de tensão que produz resultados mais próximos do ensaio não controlado é a de 5 kPa/h. 138 1,0 0,9 0,8 υ/(1+e0) 0,7 0,6 0,5 0,4 vel.=5 kPa/h vel.=10 kPa/h 0,3 vel.=15 kPa/h 0,2 vel.=20 kPa/h AI-1 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0,1 0,0 1 10 s’ (kPa) Figura A.1 – Curvas tensão-deformação 100 ANEXO I RESULTADOS INDIVIDUAIS DA CARACTERIZAÇÃO Neste Anexo serão apresentados os resultados individuais de cada uma das amostras caracterizadas. A Tabela A.1 mostra, para todas as amostras, o resumo dos resultados da análise granulométrica, da densidade relativa dos grãos, dos limites de liquidez e de plasticidade, a atividade de Skempton e a classificação dos solos de acordo PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA com o Sistema Unificado de Classificação de Solos (SUCS). A seguir encontram-se as curvas granulométricas individualizadas do aterro e do perfil do depósito mole estudado. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Tabela A.I.1 – Tabela resumo dos ensaios de caracterização Granulometria (%) Amostra Prof. (m) Gs LL (%) LP (%) IP (%) IA USCS 30,1 2,77 51 33 19 0,62 SM Aterro 1,10 – 1,40 4,0 Areia Grossa 25,0 AM-1 2,50 – 3,00 - - 0,1 2,9 32,2 64,6 2,54 121 56 66 1,01 MH AM-1 3,50 – 4,00 - - 0,1 4,3 39,9 55,7 2,62 135 55 81 1,44 MH AM-1 5,25 – 5,75 - - 0,8 16,1 46,4 36,7 2,66 85 45 40 1,09 MH AM-1 6,00 – 6,50 0,5 33,3 29,0 37,2 2,57 56 31 25 1,44 MH AM-2 3,50 – 4,00 - - 7,9 9,8 47,0 53,3 2,64 87 33 55 1,03 CH AM-3 3,50 – 4,00 - - 0,1 2,2 40,1 57,5 2,53 153 53 100 1,73 CH AM-4 3,50 – 4,00 - - 0,8 3,8 40,2 55,2 2,51 134 51 83 1,51 MH AM-5 3,50 – 4,00 - - 1,1 7,2 35,4 56,3 2,45 114 47 65 1,16 MH AM-6 3,50 – 4,00 - - 0,4 2,1 59,4 38,1 2,65 121 38 82 2,16 CH AM-7 3,50 – 4,00 - - 0,7 1,3 40,9 57,1 2,62 138 49 89 1,55 CH AM-8 3,50 – 4,00 - - 0,4 2,3 56,9 40,4 2,68 119 46 73 1,81 CH AM-9 3,50 – 4,00 - - 0,1 2,2 44,7 53,1 2,63 114 32 82 1,55 CH AM-11 3,50 – 4,00 - - 0,2 1,3 50,4 48,1 2,60 116 44 73 1,51 CH AM-12 3,50 – 4,00 - - 0,1 1,2 45,6 53,1 2,62 121 53 68 1,28 MH AM-13 3,50 – 4,00 - - 0,7 15,2 54,0 30,2 2,64 132 42 91 2,99 CH AM-14 3,50 – 4,00 - - 0,7 6,2 56,6 36,4 2,60 108 37 71 1,95 CH AM-15 3,50 – 4,00 - - 0,5 2,3 48,3 48,9 2,60 151 55 96 1,96 CH Pedregulho Areia Média 15,0 Areia Fina 6,0 Silte Argila 19,9 129 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 Aterro 20 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 5/16" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 141 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-01 Prof. (m): 2,50 a 3,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.2 – Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 2,50 a 3,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 5/16" 3/8" 1/2" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.1 – Curva granulométrica do aterro Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-01 Prof. (m): 3,50 a 4,00 20 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 5/16" 3/8" 1/2" 10 8 20 40 0 (%) 60 10 0 Porcentagem que passa P en eira No (S UCS ) 100 200 142 80 10 90 10 0 0 0 ,0 0 0 1 0 ,0 0 1 0 ,0 1 0 ,1 1 10 10 0 10 0 0 ABNT Argila S UCS Argila Silte Argila Silte MIT A re ia Silte fi n a m éd i a P e d re g u lh o g ro s s a fi n o m éd i o A re ia g ro s s a m éd i a 2 1 A re ia fi n a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o m éd i a fi n a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 20 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT 80 AM-01 Prof. (m): 5,25 a 5,75 Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.4 - Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 5,25 a 5,75 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 5/16" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.3 - Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 5/16" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 143 70 AM-01 Prof. (m): 6,00 a 6,50 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-02 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 10 0 0 0 ,0 0 0 1 0 ,0 0 1 0 ,0 1 0 ,1 1 10 10 0 10 0 0 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila S UCS Argila Silte Argila Silte MIT Silte A re ia fi n a m éd i a P e d re g u lh o g ro s s a fi n o m éd i o A re ia A re ia fi n a m éd i a Pedra g ro s s o P e d re g u lh o m éd i a fi n a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.6 - Curva granulométrica da amostra AM-02 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 5/16" 3/8" 10 8 20 40 60 10 0 (%) P en eira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.5 - Curva granulométrica da amostra AM-01 (prof. 6,00 a 6,50 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 144 70 AM-03 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-04 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.8 - Curva granulométrica da amostra AM-04 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.7 - Curva granulométrica da amostra AM-03 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 AM-05 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 10 70 80 90 100 0 0,0001 0,001 Argila ABNT S UCS MIT 0,01 0,1 1 Diâmetro dos Grãos (mm) Are ia Silte Argila Silte Argila Silte 10 fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o 1000 Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 100 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 20 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT 80 AM-06 Prof. (m): 3,30 a 4,00 Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.10 - Curva granulométrica da amostra AM-06 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.9 - Curva granulométrica da amostra AM-05 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 1/2" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa Peneira No (SUCS) 100 200 145 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-07 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 146 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-08 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.12 - Curva granulométrica da amostra AM-08 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.11 - Curva granulométrica da amostra AM-07 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-09 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 147 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-11 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.14 - Curva granulométrica da amostra AM-11 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.13 - Curva granulométrica da amostra AM-09 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-12 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 148 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-13 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT 80 Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.16 - Curva granulométrica da amostra AM-13 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.15 - Curva granulométrica da amostra AM-12 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 0 (%) 60 100 Porcentagem que passa P eneira No (S UCS ) 100 200 149 70 AM-14 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 S UCS MIT Are ia Silte Argila Silte Argila Silte fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia g ro s s a méd ia 2 1 Are ia fin a Pedra g ro s s o Matacão P e d re g u lh o méd ia fin a 3 4 Pedregulho g ro s s a 0 90 10 80 20 70 30 60 40 50 50 40 60 30 70 AM-15 Prof. (m): 3,30 a 4,00 20 80 10 90 100 0 0 ,000 1 0,0 01 0,01 0 ,1 1 10 100 10 00 Diâmetro dos Grãos (mm) ABNT Argila Silte S UCS Argila Silte Argila Silte MIT Are ia fin a méd ia P e d re g u lh o g ro s s a fin o m éd io Are ia Are ia fin a méd ia Pedra g ro s s o P e d re g u lh o méd ia fin a g ro s s a g ro s s a 1 2 3 4 Pedregulho Figura A.I.18 - Curva granulométrica da amostra AM-15 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Matacão Porcentagem retida (%) 1 ½" 3/4" 4 1/4" 3/8" 10 8 20 40 60 100 (%) P eneira No (S UCS ) 100 200 Figura A.I.17 - Curva granulométrica da amostra AM-14 (prof. 3,50 a 4,00 metros) Porcentagem que passa PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Diâmetro dos Grãos (mm) Argila ABNT ANEXO II DIFRATOGRAMAS DE RAIO X Neste anexo serão apresentadas as análises de difração de Raio X. Os argilominerais estão identificados de acordo com a seguinte legenda: • Ct – Caulinita • Em – Esmectita • I – Ilita PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA • Q - Quartzo a) Difração de Raio X pelo Método do Pó realizada no material passante na peneira de malha #40 600 Q 400 200 Q Argilomineral Ct 2:1 Ct 0 0 10 20 30 Figura A.II.1 – Difratograma de Raio X da profundidade de 2,50 a 3,00 metros Método do pó no material passante na #40). 151 600 Q 400 200 Ct Ct I 0 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0 10 20 30 Figura A.II.2 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros Método do pó no material passante na #40). 1000 Q 800 600 400 200 I Ct 0 0 10 20 30 Figura A.II.3 - Difratograma de Raio X da profundidade de 5,25 a 5,65 metros (Método do pó no material passante na #40). 152 b) Difração de Raio X pelo Método do Pó realizada no material passante na peneira de malha #200 300 Q Leitura 200 100 0 0 10 20 30 2θ (o ) Figura A.II.4 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Método do pó no material passante na #200) c) Difração de Raio X pelo Método do Pó realizada no material passante na peneira de malha #400 160 Q 120 Leitura PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Ct 80 Ct 40 I 0 0 10 20 30 2θ ( o ) Figura A.II.5 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Método do pó no material passante na #400) 153 d) Difração de Raio X realizada em lâminas do material passante na peneira de malha #400 120 Q Lâmina sem tratamento 100 80 60 Argilomineral Ct 2:1 40 Ct I 20 0 10 20 30 Figura A.II.6 – Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Lâmina sem tratamento do material passante na #400) Q 120 Lâmina aquecida 100 80 Leitura PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 0 60 Argilomineral 40 2:1 20 0 0 10 20 30 2θ (ο ) Figura A.II.7 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Lâmina aquecida do material passante na #400) 154 120 Lâmina glicolada 100 Ct Leitura 80 Em 60 40 20 0 0 10 20 30 2θ ( o ) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Figura A.II.8 - Difratograma de Raio X da profundidade de 3,50 a 4,00 metros (Lâmina glicolada do material passante na #400) ANEXO III RESULTADOS INDIVIDUAIS DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO EDOMÉTRICOS Neste Anexo estão apresentados os resultados individuais de cada um dos ensaios de adensamento edométrico. a) Ensaios de Adensamento Convencional 3,50 3,00 2,50 Índice de Vazios e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA i) Ensaio AEI-1 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.1 – Curva σ’ x e do ensaio AEI-1 1000 156 10 1 0,1 0,01 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.2 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-1 0,25 V (x 10 -2 m²/kN) 0,30 Coeficiente de Variação Volumétrica m PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Coeficiente de Adensamento C V -3 ( x 10 cm²/s) 100 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.3 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-1 1000 157 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Coeficiente de Permeabilidade k ( x 10 -6 cm/s) 10 1 0,1 0,01 0,001 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.4 - Curva σ’ x k do ensaio AEI-1 1000 158 Ensaio de Adensamento Edométrico Convencional ENSAIO AEI-1 Prof.: 3,50 a 4,00m 20 18 Altura do C orpo de Prova (mm) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 16 14 12 10 8 0 20 40 Raiz Tempo (min) 60 Figura A.III.5 – Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-1 80 159 • Ensaio AEA-1 4,00 3,50 Dados iniciais w = 184,3 % S = 100,3 % e = 4,77 Índice de Vazios e 3,00 2,50 Dados iniciais w = 184,3 % 2,00 1,00 1 10 100 1000 10000 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.6 - Curva σ’ x e do ensaio AEA-1 • Ensaio AEA-2 3,50 3,00 2,50 Índice de Vazios e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 1,50 2,00 1,50 1,00 0,50 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.7 – Curva σ’ x e do ensaio AEI-2 10000 160 b) Ensaio de Adensamento com Medida de Creep (AEI-2) 3,50 3,00 Índice de Vazios e 2,50 2,00 1,50 0,50 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.9 - Curva σ’ x e do ensaio AEI-2 V -3 ( x 10 cm²/s) 10 Coeficiente de Adensamento C PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 1,00 1 0,1 0,01 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.10 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-2 1000 161 0,30 Coeficiente de Variação Volumétrica m 0,25 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) 1000 Figura A.III.11 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-2 -6 cm/s) 1 Coeficiente de Permeabilidade k ( x 10 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA V (x 10 -2 m²/kN) 0,35 0,1 0,01 0,001 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.12 – Curva σ’ x k do ensaio AEI-2 1000 162 Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida de Compressão Secundária Ensaio AEI-2 Prof.: 3,50 a 4,00m 20 Altura do Corpo de Prova (mm) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 18 16 14 12 10 8 0 20 40 Raiz Tempo (min) 60 Figura A.III.13 – Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-2 80 163 c) Ensaios de Adensamento com Medida de Permeabilidade i) Ensaio AEI-3 3,50 3,00 Índice de Vazios e 2,50 2,00 1,50 0,50 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.14 - Curva σ’ x e do ensaio AEI-3 10 C V -3 ( x 10 cm²/s) 100 Coeficiente de Adensamento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 1,00 1 0,1 0,01 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.15 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-3 1000 164 0,25 Coeficiente de Variação Volumétrica m 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) 1000 Figura A.III.165 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-3 10 k calculado cm/s) k medido -6 Coeficiente de Permeabilidade k ( x 10 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA V (x 10 -2 m²/kN) 0,30 1 0,1 0,01 0,001 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.17 – Curva σ’ x k do ensaio AEI-3 1000 165 Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida Permeabilidade Ensaio AEI-3 Prof.: 3,50 a 4,00m Altura do Corpo de Prova (mm) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 20 16 12 8 0 20 40 Raiz Tempo (min) 60 Figura A.III.18 – Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-3 80 166 ii) Ensaio AEI-4 3,50 3,00 Índice de Vazios e 2,50 2,00 1,50 0,50 0,00 1 10 100 1000 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.19 – Curva σ’ x e do ensaio AEI-4 10 C V -3 ( x 10 cm²/s) 100 Coeficiente de Adensamento PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 1,00 1 0,1 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.20 – Curva σ’ x cv do ensaio AEI-4 1000 167 0,35 0,30 Coeficiente de Variação Volumétrica m 0,25 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) 1000 Figura A.III.21 – Curva σ’ x mv do ensaio AEI-4 10 kmedido 1 -6 cm/s) kcalculado Coeficiente de Permeabilidade k ( x 10 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA V (x 10 -2 m²/kN) 0,40 0,1 0,01 0,001 0,0001 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.III.22 – Curva σ’ x k do ensaio AEI-4 1000 168 Ensaio de Adensamento Edométrico com Medida Permeabilidade Ensaio AEI-4 Prof.: 3,50 a 4,00m Altura do Corpo de Prova (mm) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 20 16 12 8 0 20 40 60 Raiz Tempo (min) 80 Figura A.III.23 - Curvas raiz tempo x altura do c.p. do ensaio AEI-4 100 ANEXO IV RESULTADOS INDIVIDUAIS DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO HIDROSTÁTICO Neste Anexo estão apresentados os resultados individuais de cada um dos ensaios de adensamento hidrostático. a) Ensaio AI-1 3,50 3,00 Índice de Vazios e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 4,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.IV.1 - Curva σ’ x e do ensaio AI-1 1000 170 0,20 Coeficiente de Variação Volumétrica m 0,15 0,10 0,05 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.IV.2 - Curva σ’ x mv do ensaio AI-1 1000 b) Ensaio AI-2 4,00 3,50 3,00 Índice de Vazios e PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA V (x 10 -2 m²/kN) 0,25 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.IV.3 - Curva σ’ x e do ensaio AI-2 1000 171 Coeficiente de Variação Volumétrica X 10-2 m PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA V (m²/kN) 0,25 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 1 10 100 Tensão Efetiva (kPa) Figura A.IV.4 - Curva σ’ x mv do ensaio AI-2 1000 ANEXO V RESULTADOS INDIVIDUAIS DOS ENSAIOS DE ADENSAMENTO ANISOTRÓPICO Neste anexo serão apresentados os resultados individuais dos ensaios de adensamento anisotrópico. 5,0 4,5 4,0 υ 3,0 2,5 2,0 1,5 K=1,0 sem dreno lateral 1,0 0,5 0,0 1 10 100 1000 s' (kPa) Figura A.V.1 – Curva s’ x υ para o ensaio K=1,0 sem dreno lateral 5,0 4,5 4,0 3,5 3,0 υ PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 3,5 2,5 2,0 1,5 1,0 K=1,0 com dreno lateral 0,5 0,0 1 10 100 s' (kPa) Figura A.V.2 - Curva s’ x υ para o ensaio K=1,0 com dreno lateral 1000 173 4,5 4,0 3,5 3,0 υ 2,5 2,0 1,5 1,0 K=0,9 0,5 0,0 1 10 100 1000 s' (kPa) Figura A.V.3 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,9 4,0 3,5 3,0 υ 2,5 2,0 1,5 1,0 K=0,8 0,5 0,0 1 10 100 1000 s' (kPa) Figura A.V.4 – Curva s’ x υ para o ensaio K=0,8 5,0 4,5 4,0 3,5 3,0 υ PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 4,5 2,5 2,0 1,5 1,0 K=0,8 repetido 0,5 0,0 1 10 100 s' (kPa) Figura A.V.5 – Curva s’ x υ para o ensaio K=0,8 repetido 1000 174 5,0 4,5 4,0 3,5 υ 3,0 2,5 2,0 1,5 K=0,7 1,0 0,5 0,0 1 10 100 1000 s' (kPa) Figura A.V.6 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,7 4,0 3,5 3,0 υ 2,5 2,0 1,5 1,0 K=0,6 0,5 0,0 1 10 100 1000 s' (kPa) Figura A.V.7 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,6 4,5 4,0 3,5 3,0 2,5 υ PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA 4,5 2,0 1,5 1,0 K=0,6 repetido 0,5 0,0 1 10 100 s' (kPa) Figura A.V.8 – Curva s’ x υ para o ensaio K=0,6 repetido 1000 175 4,5 4,0 3,5 3,0 υ 2,5 2,0 1,5 K=0,5 1,0 0,5 0,0 1 10 100 1000 s' (kPa) 4,5 4,0 3,5 3,0 2,5 υ PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0410752/CA Figura A.V.9 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,5 2,0 1,5 1,0 K=0,5 repetido 0,5 0,0 1 10 100 s' (kPa) Figura A.V.10 - Curva s’ x υ para o ensaio K=0,5 repetido 1000 Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - 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