II – Pesquisas em Andamento - Lingüística
CIÊNCIA E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS EM CARTILHAS
EDUCATIVAS QUADRINIZADAS
Márcia R. DE S. Mendonça
(Doutoranda)
Resumo:
Neste trabalho, analiso representações sociais que dão voz ao discurso da
ciência em 3 cartilhas educativas quadrinizadas (CQs) sobre DSTs/aids. Se
os gêneros são parte da atividade social (Bazerman, 2005; Miller, 1994),
carregam traços dessas relações sociais, inclusive identitários. Para informar
a população sobre questões como saúde, direitos, leis, etc., as CQs
procuram dar credibilidade às informações que trazem: personagens
representam e legitimam o discurso da ciência, ora dando voz a atores
sociais reconhecidos – médicos, psicólogos, professores, agentes de saúde
– ora a outros mais adequados ao desenrolar das narrativas criadas para
cada cartilha – crianças, pessoas da comunidade, super-heróis, etc.
Palavras-Chave: identidade; gênero; cartilhas educativas.
Introdução
Nos materiais que se destinam a divulgar, para grandes parcelas da população,
informações sobre prevenção de doenças e promoção de saúde, o discurso da ciência
sofre transformações para atender às demandas do público-alvo. Isso ocorre em todos
os materiais de propaganda, sejam campanhas televisivas, radiofônicas ou impressas
(jornais, revistas, panfletos, cartazes, cartilhas educativas, etc.).
Muitas dessas campanhas se destinam a parcelas específicas da população, em
virtude de uma série de fatores distintos, o que acarreta a seleção cuidadosa de
estratégias de apresentação de informações. Alguns dos fatores que implicam
campanhas diferenciadas de promoção de saúde são: populações de baixa
escolaridade, o que dificulta o seu acesso a informações veiculadas em outras fontes,
como artigos de divulgação científica, reportagens, livros técnicos, etc.; populações
expostas a maiores riscos de contrair a doença; populações com atitudes de resistência
ou indiferença a campanhas já em circulação.
Essa diversidade de situações leva a configurações variadas das peças de
marketing elaboradas com fins de educação em saúde. Um dos gêneros que tem sido
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II – Pesquisas em Andamento - Lingüística
bastante freqüente nesse contexto é a cartilha educativa (CE) e muito especialmente,
a cartilha educativa quadrinizada (CQ). O recurso às histórias em quadrinhos (HQs)
como estratégia de sedução de leitores, já que elas são o mote para a exposição de
informações, é cada vez mais comum, seja em materiais de campanhas
governamentais ou daquelas promovidas por ONGs e outras organizações da
sociedade civil, de cunho laico ou religioso.
Neste trabalho, analiso de que modo se apresentam as diversas representações
sociais que dão voz ao discurso da ciência em três cartilhas educativas quadrinizadas
(CQs) relativas à prevenção de DSTs/aids.
De modo geral, as CQs almejam informar largas parcelas da população sobre
diversas temáticas da cidadania, como consumo, meio ambiente, eleições, saúde, etc.
As CQs sobre saúde, corpus deste trabalho, procuram apresentar as informações para
os leitores com a marca da credibilidade. Para isso, fazem uso de personagens que
possam representar e legitimar o discurso da ciência, ora dando voz a atores sociais
reconhecidos como especialistas – médicos e agentes de saúde – ora a outros mais
adequados ao desenrolar das narrativas criadas para cada cartilha (já que são
ancoradas em narrativas quadrinizadas) – os quais podem ser crianças, pessoas da
comunidade, super-heróis, animais, etc.
Como base teórica, utilizei o paradigma dos estudos de gênero na linha da nova
retórica (BAZERMAN, 2005, 2006; MILLER, 1994) e numa perspectiva sociocognitiva
(MARCUSCHI, 2002) e, além de estudos sobre construção de identidades (MOITA
LOPES, 2002; MOREIRA, 2006). Segundo tais abordagens, os gêneros são parte da
atividade humana e carregam, por isso, marcas relativas aos modos como as pessoas
(inter)agem em sociedade, à construção compartilhada de identidades sociais. Também
recorri a estudos sobre construção de identidades (MOITA LOPES, 2002; MOREIRA,
2006).
Selecionei 3 CQs sobre prevenção e tratamento de DST (doenças sexualmente
transmissíveis) e aids, produzidas por 3 instituições distintas. O recorte metodológico,
orientado por um único problema de saúde – DSTs/aids – permitiu que pudessem ser
melhor observadas outras variáveis, como o público-alvo, as instituições que
elaboraram as cartilhas e apoiaram essa elaboração, e também a relação entre tais
variáveis e a construção de personagens porta-vozes do discurso da ciência.
Para a análise do corpus coletado, comecei por identificar, nas CQs: o públicoalvo, as instituições que elaboraram o material e apoiaram sua concretização, os
personagens, as relações sociais entre os personagens na história (por exemplo, pais e
filhos, médico e pacientes; marido e mulher, namorados, etc.).
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1. A ciência e a divulgação científica
Primeiramente gostaria de situar algumas concepções gerais sobre ciência.
Longe de tratar os saberes científicos como prontos e acabados, ou neutros em relação
aos interesses pessoais do pesquisador e ao contexto social em que são forjados,
considero que o universo científico é tão marcado pelos interesses e pelo jogo de
identidades sociais quanto qualquer outra área de atuação humana. Assim, as cartilhas
educativas trariam várias nuances desses fatores sociais envolvidos, especialmente em
se tratando de um gênero que se situa tanto na esfera publicitária quanto na científica,
como irei analisar mais adiante. O trabalho de divulgação científica nas cartilhas
educativas envolve simplificações necessárias e também estratégias de marketing, já
que se trata de material propagandístico.
Segundo Bueno (1984: 19, apud GOMES, 2000: 6), a divulgação científica
“pressupõe um processo de recodificação, isto é, a transposição de uma linguagem
especializada para uma linguagem não especializada, com o objetivo de tornar o
conteúdo acessível a uma vasta audiência.” No caso das CQs, essa transposição se dá
com a seleção dos personagens e da trama narrativa, entre outros fatores, o que
conduzirá a uma certa didatização das informações ali veiculadas.
2. A informação científica nas cartilhas educativas de prevenção de doenças e
promoção de saúde: descrição preliminar
Esse processo de didatização relaciona-se, diretamente, com os movimentos
retóricos privilegiados nas CQs e com as implicações advindas do jogo de identidades
sociais estabelecido nesse gênero.
Tomando as cartilhas educativas como materiais integrantes, principais ou
complementares de campanhas institucionais de prevenção de doenças e de promoção
de saúde, os propósitos informativo e argumentativo são centrais. Para preenchê-los,
alguns movimentos retóricos típicos1 podem ser observados nesse gênero:
1
Embora não seja uma ordem fixa, esta é uma seqüência mais ou menos recorrente nas cartilhas
analisadas.
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II – Pesquisas em Andamento - Lingüística
MOVIMENTOS
RETÓRICOS
1. Apresentação da
situação-problema
2. Caracterização da
doença
ESTRATÉGIAS ENVOLVENDO PERSONAGENS
Personagens se envolvem ou querem se envolver em situações de risco
Personagens dialogam sobre sintomas e dúvidas, evidenciando, ora a
desinformação, ora o conhecimento do assunto.
3. Formas de prevenção e
tratamento
4. Mudança de atitudes/
mensagens de
encorajamento
Personagens expõem as características da doença
Textos didáticos, ilustrações explicativas e esquemas são apresentados
ou comentados pelos personagens.
Personagens trocam informações entre amigos e buscam informações
com especialistas.
Personagens se comportam /se dispõem a se comportar de maneira
diferente nas situações de risco. Personagens se ajudam/ buscam ajuda
especializada.
Tabela 1 – Movimentos retóricos em CQs
Em algumas cartilhas, observa-se uma polarização dos personagens quanto ao
conhecimento científico sobre a doença: os que nada sabem se envolvem em situações
de risco; os que têm bom grau de informação, não se envolvem nessas situações ou
delas participam eliminando os riscos de contágio. Em outras cartilhas, essa divisão se
dá de forma mais gradual: além desses personagens em pólos extremos, há os que
sabem um pouco sobre a doença, e por isso, vivenciam dúvidas mais complexas. Essa
última categoria é comum em cartilhas destinadas ou a um público supostamente
detentor de um certo grau de informação ou ainda para atingir grupos que não
reconhecem suas atitudes como “de risco”. No âmbito das DSTs/aids, esse é o caso
das mulheres que têm relações estáveis, pois elas compõem um grupo no qual as
campanhas de massa não têm alcançado sucesso, sendo um dos que apresenta
persistente tendência de aumento de casos, segundo dados do Ministério da Saúde2.
3. Identidades sociais, envolvimento e credibilidade nas cartilhas educativas
Em termos teóricos, tem-se sugerido que o objeto principal de investigação para
as ciências sociais deve ser a identidade (MOREIRA, 2006). Numa perspectiva
sociodiscursiva, os sentidos dos nossos discursos são construídos interativa e
colaborativamente, num processo marcado também pela co-construção dinâmica das
identidades, que são sempre sociais. Elas não podem ser tomadas como identidades
individuais e são sempre provisórias, já que, conforme Moita Lopes (2002: 36) “Os
2
Conferir em http://www.aids.gov.br/main.asp?View={C0A0AADB-861D-4F1D-B7EC-A15D14B530DB},
acesso em 20 out. 2006;
http://www.saudeemmovimento.com.br/reportagem/noticia_exibe.asp?cod_noticia=2034<, acesso em 20
out. 2006.
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II – Pesquisas em Andamento - Lingüística
processos discursivos constroem certas identidades para terem voz na sociedade
embora estas possam se alterar em épocas e espaços diferentes.”
Logo, não é sem razão que o estudo da construção de identidades sociais está
intrinsecamente ligado a um estudo discursivo das práticas de linguagem. Também
Bazerman (2005), ao tratar das relações entre as atividades humanas e a linguagem,
afirma que, ao fazermos uso de textos, criamos, na verdade, fatos sociais. Nesse
sentido, a linguagem, por meio dos textos que produzimos, reflete e (re)cria as relações
sociais, nos diversos contextos sociocomunicativos. Seguindo uma série de autores que
já trataram do tema, Moita Lopes (2002) afirma que:
O discurso tem sido cada vez mais representado como um processo de
construção social tendo em vista que: a) o significado é um construto
negociado pelos participantes, isto é, não é intrínseco à linguagem (BAKHTIN
1981; DURANTI 1986, NYSTRAND e WIEMELT 1961; CICOUREL 1992 etc.);
e b) a construção social do significado é situada em circunstâncias sóciohistóricas particulares e é mediada por práticas discursivas específicas nas
quais os participantes estão posicionados em relações de poder (FOUCAULT,
1971; FAIRCLOUGH 1989, 1992, 1995; LINDSTROM 1992 etc.).
Nas CQs, certas representações sociais vêm à tona nos personagens da
narrativa. Caso os leitores se sintam contemplados, em termos identitários, por tais
representações, isso pode auxiliar a envolver os leitores, seduzindo-os para a leitura do
material de propaganda, e, eventualmente, convencê-los a tomar certos cuidados em
relação à doença. Para isso, é necessário que os personagens atendam a um critério
básico, a credibilidade. No caso das narrativas ficcionais criadas para as CQs, a
credibilidade se imbrica com a verossimilhança.
Para Todorov (1979), a verossimilhança depende do gênero e:
(...) o verossímil é a máscara com que se dissimulam as leis do texto, e que nos
daria a impressão de uma relação com a realidade.
Para o autor, o verossímil não é uma relação com o real (como o é o verdadeiro),
mas com o que a maioria das pessoas julga ser real. Como afirma Corax (s.d.), citado
pelo autor, está em relação com outro discurso (anônimo, impessoal), e não com o seu
referente.
Nesse sentido, é possível concluir que a verossimilhança, ao relacionar-se com a
construção dos discursos, liga-se também a questões de identidade e de representação
social, como, por exemplo, a de ciência.
No âmbito da verossimilhança, embora as CQs se baseiem numa HQ, que é
elaborada com desenhos, deixando bastante evidente a natureza ficcional, “fabricada”
da narrativa, os personagens devem ser construídos de modo a parecerem com o que
se concebe ser “pessoas reais”. Se assim o forem, as situações-problema em que eles
se envolvem podem ser mais facilmente reconhecidas pelo leitor como verídicas,
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II – Pesquisas em Andamento - Lingüística
possíveis de acontecer com outras pessoas de fato, embora estejam ficcionalizadas na
CQ. Os nomes das personagens podem, portanto, passar a ser compreendidos como
“pseudônimos” e os desenhos, como “máscaras” que escondem a verdadeira
identidade das pessoas.
Obviamente, os personagens, as situações-problema e o próprio enredo da
narrativa são uma amálgama do que se observa na realidade. E isso remete à relação
que o verossímil tem com o que uma boa parte das pessoas julga ser verdadeiro e não
com a realidade em si mesma. Por exemplo, se é necessário, como medida de saúde
pública, tratar de situações em que o doente enfrenta adversidades, como algum tipo
de preconceito, serão apresentados diversos tipos de preconceito a partir de situações
variadas, que remetem ao que o leitor julga ser o mais comum, de modo que ele tenha
um “panorama” do que passam os doentes nesse sentido. Do mesmo modo, se
informar sobre as diversas formas de contágio é preciso, personagens e situações
serão agenciados para dar conta, o mais possível, de todas as variações envolvidas.
A credibilidade das informações apresentadas também se relaciona com a
verossimilhança dos personagens: quanto mais próximos forem as cenas e os
participantes do que se considera a realidade cotidiana, mais confiável se tornará a
campanha publicitária. O raciocínio implícito pode ser: se a CQ aborda, com tal
propriedade, a realidade ou a representação que se tem dessa realidade (se é
verossímil), é muito mais provável que conheça a fundo os problemas enfrentados
pelas pessoas e as soluções mais viáveis. Por essa razão, as CQs podem ser
consideradas pelos leitores um material válido para a busca de informações sobre a
prevenção e o tratamento de DSTs/aids.
Outro fator que pode facilitar o envolvimento dos leitores das cartilhas diz
respeito ao estatuto científico das informações dadas. Não basta ter um discurso
“antenado” com os problemas e as angústias cotidianas; é preciso provar que se tem
competência técnica para lidar com a prevenção e o tratamento das enfermidades. Por
isso, os personagens que são porta-vozes desse discurso científico têm um papel
primordial nas CQs. Em boa parte dos casos, autoridades na área de saúde, como
médicos, enfermeiros e agentes de saúde, ou outros atores sociais que sejam
lideranças reconhecidas, como professores e líderes comunitários, dão voz à
informação científica. É justamente a verificação de como esses atores sociais se
inserem na narrativa e como se relacionam num dado contexto social o foco deste
trabalho.
4. Analisando as cartilhas mais de perto
Iniciei a análise da CQs identificando dados essenciais, que reuni na tabela a
seguir, na qual apresento a descrição de cada cartilha analisada, com a discriminação
do público-alvo e das instituições que promovem e apóiam a campanha, além dos
objetivos - declarados e não-declarados – de cada cartilha.
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Título
Públicoalvo
Instituiçõe
s
(realizaçã
o e apoio)
CQ 1
DST/ Aids - A turma pode
ficar... prevenida!
Estudantes do ensino
fundamental e médio
CQ 2
As aventuras do SuperProtegido, o bom de cama
Homens de diversas regiões
do Brasil, de baixa
escolaridade
Realização:
Realização: BEMFAM –
Sociedade Civil Bem-estar DKT- empresa privada que
comercializa preservativos e
Familiar no Brasil
ONG brasileira fundada há outros produtos relativos à
saúde sexual.
40 anos.
(http://www.bemfam.org.br Atua no Brasil desde 1990 e
/)
apóia diversas ONGs.
(http://www.dkt.com.br/)
CQ 3
Compartilhando a vida
Casais soro-discordantes
Realização:
ABIA - Associação Brasileira
Interdisciplinar de Aids.
Criada em 1986 pelo
sociólogo Herbet de Souza, o
Betinho, e um grupo de
profissionais de diversos
setores
(http://www.abiaids.org.br/cgi/
public/cgilua.exe/web/template
s/htm/_abia/home.htm?user=r
eader)
Apoio: EED – Evangelischer
Entwicklungsdienst (Serviço
de Desenvolvimento da Igreja,
organização das igrejas
protestantes da Alemanha
(http://www.eed.de/en/)
Apoio: Schering, indústria Apoio: USAID – Agência
farmacêutica
Governamental Nortemultinacional, com sede
Americana de
no Brasil, especializada na Desenvolvimento
área de Ginecologia.
Internacional
(http://www.schering.com. (http://www.usaid.gov/)
br/website/)
Tabela 2 – Informações básicas das CQs 1, 2 e 3
A identificação das instituições que apóiam a publicação das cartilhas pode
fornecer subsídios para compreender a seleção de certas estratégias adotadas.
Nessa análise preliminar, vale a seguinte observação quanto à CQ2: enquanto,
na cartilha, a DKT do Brasil é anunciada como uma instituição sem fins lucrativos, o site
da DKT a descreve como uma empresa privada que comercializa produtos para a
saúde sexual, como preservativos: “Uma das filiais da DKT Internacional, a DKT do
Brasil atua desde 1990 no mercado nacional de preservativos, operando em duas
frentes distintas, mas complementares”. Essa aparente contradição pode ser
interpretada como uma tentativa de camuflar o caráter de publicidade comercial (de
preservativos da marca DKT) assumido pela cartilha CQ2, quando traz conteúdo dessa
natureza, tanto em meio à história, quanto na contracapa. O diálogo entre o SuperProtegido (SP) e o gaúcho (G) demonstra isso:
SP - Quem é bom-de-cama sabe que tem que ter proteção e que
também pode usar ‘Reality’!
G - Reality?
SP - A camisinha feminina! Quando a mulher usa a camisinha
feminina, você não precisa usar. É mais uma dica de proteção.
[personagem exibe a camisinha feminina] (CQ2, p. 5)
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Essa mistura de propaganda institucional e publicidade comercial pode ser
explicada pela empresa que produziu a cartilha - a DKT - fabricante dos preservativos.
As demais cartilhas – CQ1 e CQ3 - se configuram como peças de propaganda
institucional, sem qualquer caráter comercial.
A natureza das informações expostas numa cartilha educativa é um dos
aspectos centrais para se conseguir a adesão dos leitores pela credibilidade do que é
apresentado. Especialmente em se tratando de um assunto sério como DSTs/Aids, a
confiabilidade das informações e das instituições que as disseminam é fundamental
como parte das estratégias argumentativas usadas nesse gênero, para convencer os
leitores.
Passo agora a examinar os personagens de cada cartilha, suas relações sociais
e os papéis sociais por eles representados, que influenciam o grau de confiabilidade
das CQs, reunindo-os nas tabelas a seguir.
4. 1 CQ1 - DST/ Aids - A turma pode ficar... prevenida!
Personagens
(Todos)
Marcos
Beto
Carlos
Renato
Adriana
Cristiane
Simone
a
Prof . Lúcia
CQ 1 - DST/ Aids - A turma pode ficar... prevenida!
Papéis sociais representados
Relações sociais entre eles
Todos os adolescentes são colegas de
escola e alunos da professora Lúcia.
Alguns namoram, outros “ficam”.
Representa o adolescente bem informado e que
questiona os preconceitos dos colegas.
Representa o adolescente mal informado, que não se
previne e contrai uma DST.
Representa o adolescente mal informado, que não se
previne e contrai uma DST.
Representa o adolescente mal informado, que não se
previne e externa preconceitos sobre o
comportamento sexual de certas meninas.
Representa a adolescente mal informada, que tem
relações sexuais desprotegidas
Representa a adolescente bem informada.
Representa a adolescente bem informada, que ainda
não iniciou sua vida sexual e só pretende fazer sexo
seguro.
Professora de Educação Sexual; representa a voz da
ciência.
“Ficou” com Adriana, mas não teve
relações sexuais.
“Ficou” com Simone, mas não teve
relações sexuais, porque ela se recusou,
disse não estar preparada.
“Ficou” com Beto, mas não teve relações
sexuais.
“Ficou” com Renato, mas não teve
relações sexuais, porque se recusou, disse
não estar preparada.
Os alunos menos informados recorrem a
ela para tirar dúvidas.
Tabela 3 – Personagens e papéis sociais em CQ1
Em CQ1, a credibilidade do discurso científico aparece nos diálogos. No exemplo
“Quer saber o que eu acho? Vai lá na professora e pergunta. Ela vai te dizer direitinho.”
(p. 8), a professora é a fonte confiável no universo dos adolescentes daquela escola. Já
no trecho “Tenho uma idéia. Muita gente está com dúvidas. Que tal fazermos juntos uns
painéis para esclarecer a todos?”, seguida do discurso do narrador “Então, com a
orientação da professora Lúcia, o alunos criaram três belos painéis” (p. 9), o caráter de
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origem fidedigna de informações é reforçado. Na sala onde a professora Lúcia recebe a
aluna Adriana, há um cartaz ao fundo, onde se lê: “Programa de Prevenção em DSTaids”, que aponta para a natureza fidedigna, oficial e, em última instância, científica, das
informações dadas pela docente.
Já a verossimilhança é alcançada quando as informações científicas são
apresentadas na forma de painéis (p. 10-15) sobre DSTs/aids, suas formas de contágio,
sintomas e prevenção. Esses painéis teriam sido produzidos pelos alunos, como uma
atividade escolar, sob a orientação da professora Lúcia, uma criativa estratégia da
campanha publicitária para introduzir os gêneros tipicamente científicos, como
esquemas, sem que houvesse uma quebra muito evidente da narrativa. Tal tipo de
trabalho escolar – painéis e cartazes informativos - é bastante comum nas escolas
públicas e privadas brasileiras, constituindo uma prática de letramento conhecida do
público-alvo da cartilha, os alunos adolescentes, o que talvez pudesse facilitar o
envolvimento deles com a leitura do material de propaganda. O momento de
apresentação dos painéis na escola, no entanto, não é mostrado na cartilha, há apenas
a idéia da professora (p. 9), os painéis isolados (p. 10-15) e os comentários da turma a
respeito do trabalho (p. 16).
Outro aspecto relacionado ao discurso da ciência é a busca pela neutralidade na
linguagem usada pelos personagens: em CQ1, a personagem da professora, que
representa os especialistas, fala num registro de linguagem entre o semiformal e o
formal, sem gírias, e sem algumas reduções típicas da oralidade informal, como “tá”,
“tô”, etc. Já os outros personagens podem adotar tanto um registro mais distenso
quanto um certo grau de formalidade. Vejamos os exemplos a seguir, que apontam
nessa direção:
CQ 1 – p. 7
CQ1 – p. 9
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Os papéis sociais de professor e alunos são estabelecidas nessa cartilha com
base nas convenções mais correntes: o professor que sabe e não tem dúvidas; o aluno
que não sabe; o professor que pode falar de assuntos delicados como a vida sexual
com um grande distanciamento (da maneira que convém à ciência); o professor que
recebe o aluno atrás de numa mesa, com um livro (ou caderno aberto), reproduzindo,
de certa forma, a organização assimétrica e distanciada de uma sala de aula comum,
mesmo numa situação extra-classe, de consulta informal (cf. p. 9).
4.2 - CQ2 - As aventuras do Super-Protegido, o bom de cama
Nessa cartilha educativa, o público-alvo é bem distinto de CQ1, o que levou à escolha
de outros personagens e outras relações estabelecidas, o que estará marcado nas
imagens e na linguagem verbal. Vejamos os personagens e os papéis sociais que
representam em CQ2:
CQ2 - As aventuras do Super-Protegido, o bom de cama
Personagens
Papéis sociais representados
Relações sociais entre eles
O gaúcho
Representa o homem de pouca
escolaridade, de classe social baixa,
machista, promíscuo e desinformado, da
O super-herói aproxima-se dos
região Sul3.
homens para dar informações a partir
O mineiro
Representa esse mesmo homem, de Minas de uma demonstração de
Gerais.
desinformação por parte deles. O
O nordestino
Representa esse mesmo homem, do
super-herói chega para salvar as
Nordeste.
pessoas do perigo. Não há maiores
Representa o discurso da ciência: superSuperexplicações ou estratégias narrativas
herói que viaja pelo Brasil, disseminando
protegido, o
para a aproximação dos personagens,
bom-de-cama informações entre os homens de diversas
além da contra-argumentação do
regiões, aparentemente, de grupos sociais
Super-Protegido em relação ao que
mais pobres e menos informados.
dizem os homens. O humor é a tônica
Esse super-herói representa ainda,
desta CQ, provavelmente usado como
metonimicamente, a própria camisinha, pois estratégia para tentar desconstruir
sua roupa de super-herói remete à
certas atitudes machistas arraigadas
camisinha de várias formas: máscara, luvas entre os homens a que se destina a
e botas na forma de camisinha, um cinto
cartilha.
formado por várias camisinhas, duas
camisinhas como armas na cintura e um
logotipo no peito, que é um desenho de
camisinha.
Tabela 4 – Personagens e papéis sociais em CQ2
3
Um mapa no primeiro quadrinho (p. 2) permite ver não só o Rio Grande do Sul, mas outros estados
dessa região, representados, inclusive, pelas araucárias, árvore encontrada no Paraná, em Santa
Catarina e no Rio Grande do Sul.
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CQ2 introduz uma personagem típica das HQs: um super-herói. O “SuperProtegido”, conhecido como o “bom-de-cama”, segue numa missão salvadora, como é
peculiar a esse arquétipo das HQs. Em cada uma das três regiões do Brasil, o superherói se aproxima dos personagens que encarnam o comportamento e o discurso
machistas, resumidos em duas atitudes típicas: ter várias parceiras simultaneamente,
apesar de casados, e recusar-se a usar métodos preventivos sob a alegação de que
“machos não precisam disso”.
Nas interações entre os homens e o super-herói, as dúvidas aparecem mais
implicitamente, em meio a afirmações tipicamente machistas sobre sexo, do tipo:
CQ2, p.3
Vale notar que algumas informações vêm em negrito, como neste outro exemplo:
“Não pode ficar ar! Se ficar com ar vai parecer um balão e aí...”. Esse recurso
tipográfico aponta para uma seleção das informações consideradas mais importantes
na cartilha, tanto no discurso científico quanto em respostas dadas a certas “bobagens”
ditas pelos homens.
Nessa cartilha, a questão da variação lingüística4 é usada como estratégia para
alcançar a verossimilhança e, conseqüentemente, para envolver o leitor. Os
personagens usam a variação regional, já que representam os habitantes de certas
regiões do país. O super-herói também se permite usar registros informais, gírias e até
calão. Alguns exemplos são:
Gaúcho - “Usar camisinha? Aqui todo mundo é muito macho,
tchê!” (p. 2)
Super-Protegido: “E que obra, hein? Ou melhor, que pau! Pra
estourar a camisinha!...” (p. 2)
Mineiro: “Uai! Esse trem de usar camisinha é bobagem, sô!” (p. 5)
Mineiro: “Não faz ‘fio’ e livra das doenças venéreas...” (p. 5)
4
Vale salientar que a variedade lingüística falada pelos personagens é, na verdade, um estereótipo dos
vários falares regionais.
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4.3 CQ3 - Compartilhando a vida
A última cartilha a ser analisada é voltada para os soropositivos e seus parceiros,
especialmente quando estes últimos não estão infectados (casais soro-discordantes).
Portanto, tem uma abordagem bastante diferente das demais, já que não se trata mais
de evitar a doença, mas de tratá-la e de conviver com ela.
O enfoque do tema em CQ3 é um reflexo dos avanços da medicina, pois
atualmente já é perfeitamente possível a uma pessoa infectada viver décadas sem
manifestar os sintomas da aids, com boa qualidade de vida. Nesse sentido é que boa
parte das orientações dadas aos leitores abrange não só os procedimentos
preconizados pelos cientistas para lidar com a doença, mas também, muito
especialmente, atitudes de luta pelo respeito aos direitos dos pacientes e contra os
preconceitos, além de busca por qualidade de vida e mensagens para contribuir para a
auto-aceitação de cada um.
Um traço marcante dessa cartilha é a noção de diversidade, manifestada de
várias maneiras: de orientação sexual, de situações de risco, de formas de contágio, de
gênero atingido pela doença, de estratégias de união dos cidadãos, entre outras. A
representação das identidades segue numa linha menos convencional do que as das
cartilhas CQ1 e CQ2, pois se está lidando com angústias existenciais, relações
humanas conflituosas e intensas e não apenas com recomendações científicas e
assépticas. A trama narrativa é bem mais complexa, com situações bastante diferentes
das apresentadas em CQ1 e CQ2. Observemos como essa diversidade se revela nos
personagens e nas relações sociais por eles estabelecidas.
Personagens
Cleiton
Suely
Papéis sociais representados
Relações sociais entre eles
Dono de um bar, heterossexual, casado, que
contrai aids em relações desprotegidas.
É casado com Suely. Eles se consultam com o
médico 1 para saber como evitar que ela se
contamine. Algum tempo depois, retornam, para Suely
fazer o tratamento com retrovirais, já que o
preservativo arrebentou durante uma relação sexual.
É casada com Cleiton e se consulta com o médico 1.
Michele
Mulher heterossexual que não contraiu a
doença do marido soro-positivo.
Mulher negra grávida soro-positiva.
Beto
Rapaz homossexual, soro-positivo.
Alan
Rapaz homossexual.
Karla
Garota homossexual negra, soro-positiva.
Lígia
Garota homossexual, não tem o vírus HIV.
Conhece Suely no posto, a quem conta sua história: o
médico entregou o exame aos pais dela e não a ela e
isso causou a rejeição do pai dela. Recebe consolo e
conselhos de Suely para procurar a família. Retorna
ao posto com a mãe, alguns dias depois, onde é alvo
do preconceito de um enfermeiro.
Namora Alan e é amigo de Michele. Tem o apoio da
família para a sua orientação sexual e para o
tratamento que realiza.
Namora Beto, sabe que ele é soropositivo e é amigo
de Michele.
Namora Ligia e atua em movimentos sociais. Ambas
participam de grupos de auto-ajuda.
Namora Karla e atua em movimentos sociais. Ambas
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II – Pesquisas em Andamento - Lingüística
Nildo
Psicólogo
Médico 1
Médica 2
Médico 3
Médico 4
Jogador de futebol, heterossexual, soropositivo que supera a rejeição e tem uma
vida saudável e feliz.
Psicólogo do grupo de auto-ajuda.
participam de grupos de auto-ajuda.
Conhece Karla e Lígia no grupo de auto-ajuda.
Atende Nildo no consultório e o encoraja a viver feliz,
apesar do vírus.
as Atende Cleiton e Suely por duas vezes.
Médico do posto de saúde. Dá
informações corretas sobre DSTs/aids.
Médica do posto de saúde que sofre com a
falta de infra-estrutura do atendimento
público à saúde.
Médico do posto de saúde, preconceituoso
em relação à homossexualidade.
Médico de um posto de saúde.
Enfrenta dilemas, porque gostaria de atender melhor
os pacientes. Atende Michele e a mãe.
Atende Alan e o aconselha a “rever suas relações”.
Atende Nildo e passa as informações sobre o
tratamento de aids.
EnferProfissional de saúde preconceituoso, no
Trabalha no posto em que Cleiton, Suely e Michele se
meiro 1
caso, em relação aos soropositivos.
consultam. Faz um comentário preconceituoso contra
a Michele porque ela é jovem e está infectada.
EnferProfissional de saúde não-preconceituoso.
Trabalha no posto em que Cleiton, Suely e Michele se
meira 2
consultam. Repreende o colega enfermeiro, pelo
preconceito que ele manifesta.
Funciona- Profissional de saúde impotente diante de Funcionária do posto do hospital. Atende Beto e Alan
ria do
problemas estruturais.
e informa da falta de medicamentos.
posto
Tabela 4 – Personagens e papéis sociais em CQ3
Diversas situações da narrativa confirmam a representação da voz da ciência por
certos personagens. Em CQ3, a ciência está representada tanto na voz de médicos,
quanto de psicólogos, mas é delegada também às pessoas comuns, seja por meio dos
diálogos, seja por meio do discurso do narrador, que relata os saberes de cada
personagem sobre a doença, além dos direitos por elas conquistados na luta por
melhor qualidade de vida. As pessoas distribuem panfletos em manifestações de rua e
orientam outras pessoas sobre direitos e deveres. Nesses panfletos, a voz da ciência é
reconhecida, como na p. 10 de CQ3:
CQ 3 – p. 10
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A representação social dos personagens é construída também pelo espaço
geográfico: o encontro de Michele com Alan e Beto acontece na Feira de São Cristóvão
(p. 7), tradicional reduto carioca da população de baixa renda, especialmente de
migrantes nordestinos e seus descendentes. Outras pistas são a aparência do bar de
Cleiton, uma casa simples, com apenas um balcão para atender os clientes, que ficam
em pé na rua (p. 4 e 14), além do que é vendido – caldo de cana e pastel. Tais cenários
e situações denotam o extrato social de que provêm os personagens. Além disso, todos
os atendimentos são feitos em postos de saúde públicos, o que significa que nenhum
personagem tem acesso a planos de saúde privados, uma prerrogativa de classes
privilegiadas economicamente.
Considerações finais
Feitas as análises preliminares, posso afirmar que o gênero cartilha educativa
quadrinizada de promoção da saúde (CQ) - corpus deste trabalho –– assenta seu
funcionamento em dois propósitos básicos. O primeiro deles seria garantir o acesso à
informação apresentada na cartilha. Para isso, afasta-se do discurso científico e se
aproxima tanto do discurso das narrativas de aventura típicas das HQs quanto do
discurso do senso comum, já que as cartilhas são peças de campanhas institucionais
de massa, que devem atingir um amplo público. Por essa razão, entram em cena
personagens de ficção científica, como os super-heróis (CQ2), e pessoas comuns, que
vivem o drama do contágio ou do risco de contágio (CQ1 e CQ2). O segundo propósito
seria garantir a credibilidade da informação apresentada nas cartilhas. Nesse sentido,
aproxima-se do discurso científico, especialmente quando introduz personagens que
encarnam a autoridade científica no contexto da história que é narrada ou da
interlocução que se estabelece (médicos, agentes de saúde, professores, etc.)
O movimento de aproximação e de distanciamento do discurso da ciência se
traduz, muitas vezes, pelo espaço dado a certas vozes sociais, materializadas em
personagens específicos, e às relações sociais construídas entre esses personagens,
no curso da narrativa desenvolvida nas cartilhas. Estudar esses personagens e a teia
de relações sociais em que se inserem pode revelar facetas interessantes da
construção de representações sociais no gênero CQ e, portanto, desvendar parte de
seu funcionamento sócio-retórico. É esse aspecto que o trabalho aqui desenvolvido se
propôs a discutir.
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