Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 FERNANDA CLAUDIA AFONSO DOS SANTOS ANÁLISE DOS EFEITOS DO TECIDO ADIPOSO SOBRE O ESPECTRO DE FREQÜÊNCIA DE SINAIS ELETROMIOGRÁFICOS CAPTADOS A PARTIR DE CONTRAÇÕES ISOMÉTRICAS DO MÚSCULO VASTO LATERAL CASCAVEL - PR 2005 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 FERNANDA CLAUDIA AFONSO DOS SANTOS ANÁLISE DOS EFEITOS DO TECIDO ADIPOSO SOBRE O ESPECTRO DE FREQÜÊNCIA DE SINAIS ELETROMIOGRÁFICOS CAPTADOS A PARTIR DE CONTRAÇÕES ISOMÉTRICAS DO MÚSCULO VASTO LATERAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná Campus Cascavel como requisito parcial para obtenção do título de Graduação em Fisioterapia. Orientador: Professor Fernando Amâncio Aragão Co-orientador: Alberito Rodrigo de Carvalho CASCAVEL - PR 2005 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Dedico este trabalho a Deus, aos meus pais, irmã, avó, amigos e namorado que como forma de agradecimento pela vida, carinho, compreensão, apoio, confiança e dedicação acreditaram que eu conseguiria vencer mais uma etapa da minha vida fazendo dessa maneira com que eu crescesse interiormente e aprendesse a ver que nem tudo é da maneira que eu quero... Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus primeiramente por estar todos os dias da minha vida ao meu lado, dando-me a mão nas horas de alegria e tristeza, não me deixando ficar no chão quando eu caísse, dando força suficiente para me levantar e tocar o barco. Ao meu pai Cecílio que tanto amo, que me ajudou a estar no fim de mais uma etapa de vida. Que mesmo sentindo minha falta e querendo me dizer “: então venha embora minha filha” se manteve duro e não deixou transparecer o que sentia. Agradeço a ele por ter compreendido todos os dias de choro e mau humor quando era dia de voltar para Cascavel, pois sempre tinha uma palavra amiga para confortar o que sentia. Agradeço a minha irmã que esteve sempre do meu lado principalmente nesse ano, me ajudando, dando força e me deixando mais desesperada com sua calma. Mas sendo sempre incentivo para eu continuar a viver e lutar por aquilo que quero. Agradeço ao André por ter me ensinado a ver que o amor pode ser encontrado nas formas mais simples de vida mostrando isso na sua maneira de me amar. sendo um dos alicerces para que eu não me perdesse no meio dessa jornada, me agüentando por todo esse ano. Aos meus antigos amigos que foram embora, tanto para aqueles que se foram pra sempre viver uma jornada para junto de Deus quanto para aqueles que foram viver a vida em outro lugar, mas que de uma maneira deixou uma lição de vida e uma marca no meu coração. À Fernandinha, às Danis, à Lu, à Mi, à Jeh e à Mary, que participaram da minha luta desde os tempos de infância aprontando, vivendo e apoiando sempre nas horas mais difíceis com as maiores palavras de consolo; o abraço. A uma grande amiga que fiz em um ano por tudo que me fez e que agora precisa de mim. Obrigada Lu por estar do meu lado e trazer novas alegrias e sabedoria para mim. E claro a Brunex que me agüentou um monte pela net e sempre torceu por mim. Agradeço agora aos amigos que fiz na faculdade, que por mais desentendimentos que ocorreram fizeram parte da minha família durante quatros anos que se passaram. Agradeço a Carol e a Vanessa que sempre me ajudaram e que estiveram juntas comigo desde o primeiro ano da faculdade, me ensinando um pouco de tudo e sendo mais importante honestas, amigas, sinceras e irmãs. Agora só a tristeza de ir embora, mas o que tenho a dizer que valeu muita a pena Deus ter colocado vocês na minha vida e caminho, e que jamais esquecerei de vocês. Amo vocês!!!!! Agradeço também as minhas amigas Yara, Ju, Carla e Talis e Ligia que me fizeram ver que cada pessoa tem uma forma de pensar e que precisam de seu espaço Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 próprio, mas que sempre estão prontas a ajudar em qualquer situação. Adoro vocês amigas. Agradeço ao professores que fizeram minha vida acadêmica, principalmente aqueles que nos tornamos amigos. Ao Carlos que teve muita paciência e me ajudou muito com meu trabalho e ao Alberito que perdeu parte de seu tempo buscando o material necessário para a realização deste estudo, pois sem ele não teria conseguido e também ao Fernando que me ajudou muito na fase final. Ao Gladson por ter aceitado meu convite de julgar o que fiz. Ao Gustavo por sempre trazer um bom astral a minha pessoa e a Aline por ter se tornado uma grande amiga querida e divertida, que sempre conversou e deu bons conselhos.Torço muito ti gaucha. Por último e muito importante agradeço a minha mãe, que enquanto esteve comigo me ensinou a ser o que sou, tentando me mostrar o melhor caminho e me educando para que pudesse ser o que ela não foi na vida. Talvez não pudesse estar aqui se ela fosse viva, mas devo tudo a ela e onde quer que esteja sei que valeu a pena tudo que passei; foi por você. Na memória e no coração fica o gosto de uma vitória conquistada a você. Te amo e não tive tempo pra dizer. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 “Estamos todos aqui neste planeta, por assim dizer, como turistas. Não podemos morar aqui para sempre. O maior tempo que podemos ficar são aproximadamente cem anos. Sendo assim, enquanto estamos aqui deveríamos procurar ter um bom coração e fazer de nossas vidas algo positivo e útil. Quer vivamos anos ou um século inteiro, seria lamentável e triste passarmos todo esse tempo agravando os problemas que afligem o mundo. O mais importante de tudo é ser uma boa pessoa. Se tivéssemos de escolher entre o conhecimento e a virtude, a última seria sem dúvida a melhor das escolhas, pois é a mais valiosa. O bom coração que é fruto da virtude é por si só um grande beneficio para a humanidade. O mero conhecimento não”. Dalai-Lama Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 TERMO DE APROVAÇÃO FERNANDA CLAUDIA AFONSO DOS SANTOS ANÁLISE DOS EFEITOS DO TECIDO ADIPOSO SOBRE O ESPECTRO DE FREQÜÊNCIA DE SINAIS ELETROMIOGRÁFICOS CAPTADOS A PARTIR DE CONTRAÇÕES ISOMÉTRICAS DO MÚSCULO VASTO LATERAL Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de Graduado em Fisioterapia, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. BANCA EXAMINADORA ........................................................................................ Orientador: Professor Fernando Amâncio Aragão Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE .......................................................................................... Professor Carlos Eduardo de Albuquerque Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE .......................................................................................... Professor Gladson Ricardo Flor Bertolini Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE Cascavel, 21 novembro de 2005. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 RESUMO A pele é considerada a interface entre o ser humano e o meio ambiente cuja função é servir como revestimento protetor para o organismo. As camadas da pele, juntamente com seus anexos podem interferir nas informações dos sinais captados em eletromiografia (EMG). A EMG é uma técnica onde sinais elétricos provenientes das fibras musculares são captados, filtrados, amplificados e digitalizados em forma de ondas, de forma a tornar possível sua mensuração matemática. Assim, essa técnica pode contribuir para responder muitas questões de análise do movimento. Esse estudo teve como objetivo analisar os efeitos de interferência do tecido adiposo subcutâneo sobre o espectro de freqüência de sinais eletromiográficos captados durante contrações isométricas do músculo vasto lateral (VL). Foram avaliados 9 indivíduos normais (sem alterações neuro ou osteomusculares e dor) entre 18 e 30 anos que foram subdivididos em grupos de acordo com o seu Índice de Massa corpórea (IMC), Grupo 1 – indivíduos considerados eutróficos (n=4) Grupo 2 indivíduos considerados obesos (n=5). Em seguida todos foram submetidos à avaliação antropométrica e a captações eletromiográficas no músculo VL. Foi encontrada diferença estatisticamente significante com relação à freqüência mediana dos sinais captados, demonstrando que esta parece estar deslocada para espectros de freqüência menores no Grupo 2. PALAVRAS-CHAVE: Eletromiografia, Tecido adiposo, Antropometria. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ABSTRACT The skin is considered to be the interface between the human being and the environment whose function is to serve as a protective covering for the organism. The layers of the skin, together with its annexes may interfere in the the signals caught during eletromiography (EMG). The EMG is a technique where electric signals from muscular staple fibres are caught, filtered, amplified and converted into wave forms, in order to be possible its mathematical evaluation. Thus, this technique can contribute to answer some questions of analysis of the movement The aim of this study was to verify the interference of the subcutaneous during electromiographic assessment on the muscle vastus lateralis (VL). 9 normal individuals (without any neuro or osteomuscular alterations) between 18 and 30 years had been evaluated and subdivided in groups in accordance with its Index of Corporal Mass (IMC) Group 1 – eutrophic subjects (n=4) and Group 2 – fat subjects (n=5), after that they were submitted to the antropometrIc and electromiographic evaluation of VL. There were significant differences only for the median frequency showing that the median frequency is dislocated in the way of short spectral frequencys in the Group 2. Key-Words: Electromyography, Adipose Tissue, Anthropometry. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS..................................................................................... 12 LISTA DE FIGURAS................................................................................................. 13 LISTA DE GRÁFICOS............................................................................................... 14 LISTA DE TABELAS................................................................................................. 15 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................ 17 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................. 22 2.1 A Pele.............................................................................................................. 22 2.1.2 Epiderme.................................................................................................................. 24 2.1.3 Derme...................................................................................................................... 27 2 .1. 3. 1 Anexos da Pele...................................................................................... 28 2. 2 Tecido Subcutâneo......................................................................................... 30 2.3 Vascularização ................................................................................................ 32 2. 4 Inervação........................................................................................................ 33 2. 5 Impedância Tecidual....................................................................................... 34 2.6 Tipos de Eletromiografia.................................................................................. 34 2.7 Eletromiografia de Superfície........................................................................... 35 2.8 Fatores de Influência na Captação do Sinal Eletromiográfico......................... 36 2.9 Funcionamento da Técnica Eletromiográfica................................................... 37 2.9.1 Tratamento do Sinal Eletromiográfico.................................................................... 39 2.9.2 Normalização dos Dados.........................................................................................40 2.10 Aplicabilidade Eletromiográfica...................................................................... 41 3 MATERIAIS E MÉTODOS...................................................................................... 45 3.1 Delineamento do Estudo.................................................................................. 45 3.2 Caracterização da Amostra............................................................................. 45 3.3 Critérios de Inclusão e Exclusão...................................................................... 45 3.4 Grupos Experimentais..................................................................................... 46 3.5 Materiais.......................................................................................................... 47 3.5.1 Avaliação Antropométrica:..................................................................................... 48 3.5.1.1 O Índice de Massa Corpórea (IMC).......................................................... 48 3.5.1.2 Perimetria, Diâmetros Ósseos e Dobras Cutâneas ................................. 49 3.5.2 Avaliação Eletromiográfica.....................................................................................51 3.5.2.1 Posicionamento do Eletrodo..................................................................... 52 3.5.2.2 Adequação do Ambiente........................................................................... 54 3.5.2.3 Captação do Sinal Eletromiográfico de Força Máxima e Normalização da Carga.................................................................................................................... 54 3.5.2.4 Isolamento do Sinal.................................................................................. 56 3.5.2.5 Tratamento do Sinal.................................................................................. 56 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3. 6 Análise Estatística........................................................................................... 57 4 RESULTADOS....................................................................................................... 59 IMC Kg/m2................................................................................................................ 59 5 DISCUSSÃO.......................................................................................................... 70 6 CONCLUSÃO......................................................................................................... 78 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.................................................................. 79 ANEXO A.................................................................................................................. 89 Anexo A.................................................................................................................... 90 Parecer 006/2005-CEP............................................................................................. 90 Pesquisador: Fernando Amâncio Aragão ............................................................ 90 Projeto: Efeitos do tecido adiposo sobre a captação de sinais na eletromiografia de superfície.................................................................................. 90 Em atendimento á Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde , deverá ser encaminhado ao CEP o relatório final e/ou a publicação dos resultados do projeto, bem como a comunicação de qualquer intercorrência, mudança na metodologia ou na interrupção.............................................................................. 90 ANEXO B............................................................................................................. 91 Anexo B.................................................................................................................... 92 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido...................................................... 92 ANEXO C............................................................................................................. 93 Anexo C.................................................................................................................... 94 Avaliação Antropométrica...................................................................................... 94 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 LISTA DE ABREVIATURAS % - Porcento mm – Milímetros UV – Ultravioleta g/cc – Gramas por centímetro cúbico Hz - Hertz RMS – Root Mean Square EMG – Eletromiografia IMC – Índice de Massa Corpórea F½ - Freqüência mediana F 95%- Freqüência 95 % Ω - Ohms VL - Vasto Lateral Kg/m2 – Quilograma por metro quadrado P/h2 – Peso pela altura ao quadrado m – Metros º - Graus Kgf – Quilograma-força µV – Microvolts cm - Centímetros Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Foto ilustrativa das camadas da pele. A porção superior indica o estrato córneo da epiderme, a intermediária a camada germinativa da epiderme. e a porção final a derme............................. 25 Figura 2: Eletromiográfo EMG 1000................................................... 50 Figura 3: Ilustração do local de posicionamento do eletrodo (ponto amarelo)............................................................................................... 52 Figura 4: A - Posicionamento do indivíduo para a realização do estudo em uma vista anterior B - Posicionamento do indivíduo para a realização do estudo em uma vista lateral ............................................................................................................. 54 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Média dos parâmetros captados no EMG......................... 59 Gráfico 2 - Gordura total e específica (VL) dos grupos estudados..... 60 Gráfico 3 - Correlação entre freqüência mediana e porcentagens de gordura do grupo 1.............................................................................. 61 Gráfico 4 - Correlação entre freqüência mediana e porcentagens de gordura do grupo 2.............................................................................. 62 Gráfico 5 - SDF- Função de distribuição espectral (Grupo 1).............63 Gráfico 6 - Espectro de potência (Grupo 1)........................................ 64 Gráfico 7 - SDF- Função de distribuição espectral (Grupo 2).............65 Gráfico 8 - Espectro de potência (Grupo 2)........................................ 66 Gráfico 9 - Carga média sustentada pelos indivíduos (50% do Máximo)..........67 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 LISTA DE TABELAS Tabela 1: – Dados descritivos obtidos para os grupos estudados (Média ± Erro Padrão)......................................................................... 58 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 1)INTRODUÇÃO Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 1 INTRODUÇÃO A pele em si é considerada a interface entre o ser humano e o meio ambiente cuja função é servir como revestimento protetor para o organismo, sendo caracterizada como uma barreira ao meio ambiente, protegendo o organismo contra agressões e altamente resistente à abrasão e infecção. Pode também funcionar como reguladora da homeostase evitando a perda excessiva de água e conduzindo informações sobre o que acontece no meio ambiente (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1995). É constituída por duas camadas principais: a epiderme (camada superficial de células) e a derme (uma camada mais profunda de células do tecido conjuntivo denso). Abaixo da derme existe ainda uma outra camada composta por tecido conjuntivo frouxo, que contem células adiposas depositada entre fibras, denominada hipoderme (YAMADA, 2002). A Eletromiografia (EMG), é uma técnica onde sinais elétricos provenientes das fibras musculares são captados, filtrados, amplificados e digitalizados em forma de ondas, de forma a tornar possível sua mensuração matemática. Dessa forma, a EMG é capaz de registrar os potenciais de ação que ocorrem através da ativação voluntária do músculo ou através da resposta deste. Nesse contexto, portanto, as respostas bioelétricas do tecido excitável, que se propagam através da membrana de todas as fibras despolarizadas, vão constituir potenciais de ação captados, que Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 podem, ainda, ser registrados em diferentes níveis de contração compondo uma avaliação precisa do estado contrátil do músculo (O´SULLIVAN e SCHIMITZ, 1993). Segundo Amadio (1989), a eletromiografia pode contribuir para que se responda algumas questões de análise do movimento e quais os fatores do próprio organismo podem influenciar para a captação do sinal. Como uma ferramenta importante para a investigação do esquema de controle utilizado pelo sistema neuromuscular durante a modulação do movimento, a EMG pode, por exemplo, determinar quais músculos ativam-se durante um movimento e qual a relação temporal da tensão muscular entre o músculo isoladamente, com grupo muscular em atividade, em outras palavras, através do padrão de movimento no eletromiograma pode se investigar o que é de especial importância para a prática do movimento. Além disso, Basmajian e De Luca (1995), relatam que, a técnica tem sido largamente utilizada para o estudo do movimento humano, uma vez que permite um fácil acesso ao processo fisiológico que leva o músculo a gerar força e produzir movimento. Koh e Grabiner (1993), consideraram a EMG para relacionar a média da velocidade de condução com o estado funcional do músculo. Segundo esses autores pode-se obter ainda informações da morfologia da fibra com o uso desta técnica. Para De Luca (1997), a técnica de eletromiografia é notável e intrigante, na medida que provê um fácil acesso aos poucos processos fisiológicos que levam o músculo a gerar força, produzir movimentos e realizar funções incontáveis. Porém, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 apesar destas facilidades evidentes em sua aplicabilidade, existem algumas considerações que devam ser entendidas, consideradas e eliminadas. Dentre essas considerações, os fatores de primeira influência na captação do sinal eletromiográfico são às barreiras naturais da pele, entre elas: pêlos, substância fundamental amorfa, glândulas e principalmente a quantidade de tecido subcutâneo, que se interpõem entre o eletrodo e o local de geração do potencial de ação (KITCHEN e.BAZIN, 1998). Como segundo fator de influência tem-se a chamada interferência de onda, caracterizadas por atenuação, refração, reflexão e transmissão que são propriedades sofridas pela própria onda quando se encontram com os tecidos corpóreos (GUIRRO e GUIRRO, 2002). Assim, as camadas da pele e seus anexos podem interferir nas informações dos sinais captados pela eletromiografia de superfície, levando a alterações importantes nos dados durante o emprego dessa técnica, principalmente a atenuação do sinal pela camada superficial da epiderme, por resistir à passagem de corrente elétrica e também pela hipoderme que funciona provavelmente como um isolante (OCARINO et al., 2005; De LUCA, 1997; SODEBERG e KNUSTON, 2000). Finalmente e não menos importante que os outros fatores, associam-se os fatores intrínsecos como: o número de unidades motoras ativas, a composição do tipo de fibra muscular que determina a mudança do pH do fluido intersticial durante a contração, o fluxo sangüíneo local e a profundidade e a localização das fibras ativas dentro do músculo com respeito ao eletrodo e a quantidade de tecido; e extrínsecos como: a área do eletrodo de detecção, à distância entre os eletrodos, a localização com relação ao ponto motor e a presença de um ruído dos músculos sinergistas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 denominado crosstalk. Esses fenômenos se relacionam com as características fisiológicas, anatômicas e bioquímicas dos músculos e com as estruturas dos eletrodos e sua colocação na superfície (De LUCA, 1997; SODERBERG e COOK, 1984). Baseando-se nos dados descritos, esse estudo teve como objetivo analisar os efeitos do tecido adiposo subcutâneo sobre o comportamento da freqüência mediana e do espectro de 95% da freqüência de sinais eletromiográficos captados durante contrações isométricas do músculo vasto lateral (VL). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2)REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Na tentativa de revisar alguns dos assuntos relevantes para o entendimento dessa pesquisa, buscou-se enumerar alguns tópicos considerados importantes. 2.1 A Pele A pele é um sistema orgânico complexo que forma um revestimento protetor sobre a superfície do organismo, isolando os componentes orgânicos do meio exterior (MOORE e PERSAUD, 1994). Diridollou et al. (1998); Noronha et al. (2000), afirmam que a pele é composta por várias camadas de tecidos heterogêneos e anisotrópicos, onde cada uma dessas camadas tem distintamente diferentes propriedades mecânicas e que todos os constituintes da pele humana são derivados da ectoderme ou da mesoderme. A ectoderme superficial origina as estruturas epiteliais, que compreendem a epiderme, folículos pilosos, glândulas sebáceas, unidades écrinas, apócrinas e ungueais. A neuroectoderme por sua vez é responsável pelo aparecimento dos melanócitos, nervos e receptores sensoriais especializados da pele. Outros elementos como células de Langerhans, macrófagos, fibroblastos, vasos sangüíneos e linfáticos, músculos e adipócitos desenvolvem-se a partir do mesoderma. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A pele representa de 5,5% a 12% do todo o peso seco do corpo, pesando aproximadamente de 4 a 4,5 quilos e é considerado o maior sistema de órgãos exposto ao meio ambiente. Ela ainda possui um teor de água de aproximadamente 70% do peso da pele livre de tecido adiposo, contendo perto de 20% do conteúdo total de água do organismo (GUIRRO e GUIRRO, 2000; EDWARDS e MARKS, 1995). A espessura da pele situa-se entre 0,5 e 4 milímetros (mm), e essa variação ocorre devido à grande extensão da pele não se apresentar regularmente em toda a superfície corpórea, onde sua flexibilidade e elasticidade variam conforme o local em que se encontram (SAMPAIO, CASTRO e RIVITTI, 1981). A cor da pele é determinada pela presença de alguns pigmentos dos quais o mais importante é a melanina, produzida por células especializadas conhecidas como melanócitos que migram para a epiderme e transferem o pigmento às células da camada germinativa. Outros fatores associados para a determinação da pigmentação da pele são de ordem individual, regional e mesmo sexual, como a espessura de seus vários componentes e ainda o conteúdo sangüíneo dos seus vasos (GUIRRO e GUIRRO, 2000; SAMPAIO, CASTRO e RIVITTI, 1981). Segundo Rubin e Faber (1990), as muitas funções da pele estão relacionadas às células especializadas que possuem organização estrutural especial e de organelas altamente diferenciadas, que compõe a característica das células cutâneas. Além disso, a pele desempenha um papel importante na manutenção da homeostase do corpo, assegurando a atividade das próprias células (SPENCER, 1991). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Como outras funções destacam-se a proteção, representada pela barreira física, resistência, flexibilidade, impermeabilidade, auto-reparação e síntese de substâncias que serão usadas localmente ou à distância. A pele também é um dispersor calórico com evaporação, sendo responsável pela termorregulação (ESTEVES, BAPTISTA e RODRIGO, 1980). Além disso, a pele constitui o mais extenso órgão sensorial do corpo, para a recepção de estímulos táteis, térmicos e dolorosos, sendo nosso primeiro meio de comunicação e o mais eficiente protetor, localizando-se nela a primeira e última linha de defesa (GUIRRO e GUIRRO, 2000). 2.1.2 Epiderme A epiderme é a camada mais exterior da pele e é fundamentalmente composta por camadas de células justapostas, formando um epitélio pluriestratificado (FONSECA e SOUZA, 1984). É ainda essencialmente constituída por um epitélio pavimentoso queratinizado, onde a camada mais externa é composta de células mortas queratinizadas (de extrato córneo ou camada córnea); e abaixo desta, uma camada de células vivas (extrato Mulpighian) (GUIRRO e GUIRRO 2000; MORAN, BUSH e BAMBER, 1995). Outros três tipos de células estão presentes na epiderme: melanócitos responsáveis por produzir melanina (pigmento castanho) que funciona como filtro endógeno contra raios ultravioleta (UV) dando à coloração da pele; células de Langerhans responsáveis por capturar e processar sinais antigênicos, comunicando Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 estes sinais às células linfóides e por último as células de Merkel que formam terminações sinápticas com terminações nervosas periféricas (NASCIMENTO, 2001). De acordo com Sampaio, Castro e Rivitti (1981), a espessura desta camada apresenta variações topográficas ao longo do organismo desde 0,75 a 1,5 mm, à exceção das palmas das mãos e planta dos pés, onde sua espessura varia de 0,4mm até 1mm. A epiderme é constituída por cinco camadas, são elas: a camada basal, formada por células germinativas, compreendendo tanto células tronco quanto células proliferativas, sendo estas responsáveis pela constante reposição de células a epiderme. As células desta camada são colunares e dispostas perpendicularmente à membrana basal, com núcleos volumosos situadas no centro do pólo celular (NORONHA et al., 2000). Neste extrato basal unicelular, a irrigação sangüínea é fornecida diretamente pelos capilares realizando desta forma a nutrição tecidual (GREITHER, 1980). Figura 1: Foto ilustrativa das camadas da pele. A porção superior indica o estrato córneo da epiderme, a intermediária a camada germinativa da epiderme e a porção final a derme. Fonte: Science Library, 2005. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Outra camada é a espinhosa ou de Malpighi, constituída por células espinhosas ou escamosas, que possuem formato poliédrico achatando-se progressivamente em direção à superfície (SAMPAIO, CASTRO e RIVITTI, 1981). Os queratinócitos espinhosos ou filamentosos que contém tonofibrilas são resultantes de células basais e formam prolongamentos que vão até as células vizinhas, deixando espaços livres entra as células permitindo dessa forma a passagem do fluido nutritivo (GREITHER, 1980; FONSECA e SOUZA, 1984). Assim as células dessa camada, têm como função a manutenção da coesão epidérmica e conseqüentemente resistência ao atrito (GUIRRO e GUIRRO, 2000). A terceira camada é conhecida como granulosa. Ela possui células também poliédricas de diversos tamanhos que apresentam em seu citoplasma grânulos de querato-hialina importantes para tornar a camada impermeável a água (FONSECA e SOUZA, 1984). Já a camada lúcida é constituída por várias camadas de células achatadas, eosinófilas, hialina e intimamente ligadas que perdem suas inclusões citoplasmáticas com exceção das fibrilas de queratina e de algumas gotículas de eleidina. É encontrada na palma das mãos e planta dos pés e apresenta-se como uma linha clara, brilhante e homogênea (GREITHER, 1980; GUIRRO e GUIRRO, 2000). A quinta e última subdivisão da epiderme é conhecida como camada córnea ou estrato córneo (porção mais superficial da epiderme). Essa camada não possui mais células vivas e está intimamente unida. Seu citoplasma é substituído por uma sustância fibrosa denominada queratina que lhes proporciona grande resistência. Apresentam como principal componente lipídico as ceramidas que por sua vez tem um papel importante na função protetora de barreira, desempenhando papel Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 fundamental na retenção de água (FONSECA e SOUZA, 1984; GUIRRO e GUIRRO, 2000). 2.1.3 Derme É uma camada espessa de tecido conjuntivo composto de fibras elásticas e colágenas sobre a qual se apóia a epiderme, representando mais de 90% da espessura total do tegumento. (AMÂNCIO, 2003). Essa camada contém vasos sangüíneos e linfáticos assim como nervos, que informam o organismo sobre sua interação com o ambiente (HUANG, REN e QIN, 1997). Apresenta ainda, apêndices como unha, pelos e glândulas; e ainda células inflamatórias como linfócitos, histiócitos e mastócitos (NASCIMENTO, 2001). Segundo Guirro e Guirro (2000), assim como a epiderme, a derme também possui espessura variada conforme a região do corpo em que está presente, sendo sua espessura média de aproximadamente 2 mm. Na derme, distinguem-se duas camadas: a papilar que é constituída de tecido conjuntivo frouxo contendo glândulas sebáceas e papilas dérmicas que são responsáveis por aumentar a adesão e a superfície de contato entre a epiderme e a derme. É responsável também por nutrir a epiderme devido seu rico leito vascular. Já a segunda camada, a reticular, é mais profunda e espessa, sendo composta por tecido conjuntivo denso e fibras elástica, possuindo irrigação precária (PEREIRA, SILVEIRA e SILVEIRA, 2005; YAMADA, 2002). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2 .1. 3. 1 Anexos da Pele Como estruturas anexas considera-se pêlos, unhas e glândulas. Segundo Fonseca e Souza (1984), os pêlos estão situados em invaginações profundas da epiderme denominadas folículos pilosos. O folículo piloso é um dos poucos tecidos humanos que contem células indiferenciadas (germinativas), responsáveis por produzir o crescimento do pêlo. A visibilidade externa do pêlo se deve a haste. Essa haste é constituída por células queratinizadas envolvidas por células escamosas claras, com pigmentos e sem núcleos (GARTNER e HIATT, 1997). Para Sampaio, Castro e Rivitti (1981), como segundo anexo temos as unhas, que são formações laminares constituídas de queratina dura e constituídas de três partes: A raiz ou matriz ungueal que é uma área semilunar de células epiteliais proliferativas que ficam parcialmente ocultas. Sua outra porção é visível e é conhecida como lânula. A segunda parte da unha é a dobra ungueal, que é um espessamento da camada córnea da epiderme que recobre a porção proximal da unha. A última porção da unha é conhecida como corpo ou lâmina que repousa sobre o leito ungueal, sendo abundantemente vascularizada e inervada. Normalmente, a unha possui uma espessura que varia de 0,5 a 0,75 mm e ainda um crescimento diário de 0,5 mm. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Como terceiro e último anexo, têm-se as glândulas. Essas são divididas em duas categorias: glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. As primeiras se localizam na derme e apresentam-se em quase toda a superfície cutânea, exceto na palma das mãos e planta dos pés e estão constantemente associadas aos folículos pilosos. Sua secreção é o principal constituinte do filme lipídico superficial (mistura complexa de lipídios) (ESTEVES, BAPTISTA e RODRIGO, 1980). Essa secreção sebácea que se faz de modo imperceptível e constante, origina um filme lipídico com elevado significado na flexibilidade da pele e valioso obstáculo à ação de bactérias e fungos (FONSECA e SOUZA, 1984). Já as glândulas sudoríparas, localizadas na derme ou tela subcutânea, tem importante papel na regulação da temperatura corporal, seu número varia conforme a porção do corpo, sendo mais abundante nas axilas, face, palma das mãos e planta dos pés. Essas glândulas ainda são subdivididas em duas categorias conforme sua forma de excretar o seu conteúdo: 1) écrinas que se abrem por um túbulo até sua excreção chegar a pele e 2) apócrinas que são glândulas odoríferas e seu conteúdo é despejado no infundíbulo do folículo sebáceo ou diretamente na pele (FONSECA e SOUZA, 1984; MOORE e PERSAUD, 1994). 2. 2 Tecido Subcutâneo O Tecido Subcutâneo é uma outra camada ou nível do tecido conectivo abaixo da derme, especializado e responsável pela formação de gordura. É altamente vascularizado e inervado por nervos cutâneos, funcionando como protetor Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 para proeminências ósseas. A hipoderme, ou panículo adiposo é a camada mais profunda cuja densidade varia de acordo com as proporções de seus constituintes, sendo que a maioria de sua gordura armazenada possui uma densidade aproximada de 0,9 g/cc (BÖHME, 2000). Além disso, o tecido adiposo é um grande deposito de triglicérides e conseqüentemente de ácidos graxos, uma vez que uma molécula de triglicerídeo tem três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol. Esse depósito permite ao tecido realizar a sua principal função, exercer a liberação de energia. Outras células como os adipócitos, fibras de colágeno e elastinas são encontradas neste tecido e estão presentes para lhe dar suporte (LOPES, 2004). Podemos encontrar ainda no tecido subcutâneo os lipídeos que estão espalhados de forma não regular por todo o corpo, assim, a quantidade de tecido adiposo varia nas diferentes partes do organismo. De forma geral, os lipídeos são encontrados predominantemente na região subcutânea do corpo, em volta dos órgãos, dentro de tecidos como o muscular (intersticial) e na medula óssea (BÖHME, 2000). Junqueira e Carneiro (1995), conceituam que a gordura se faz mais espessa nas mulheres do que nos homens e sua distribuição é diferente nos dois sexos. Em pessoas de peso normal o tecido adiposo corresponde de 20 a 25% no peso na mulher e de 15 a 20% no homem. Essa tela subcutânea contribui para impedir a perda de calor e constitui reserva de material nutritivo. A hipoderme ou tecido subcutâneo é ainda dividido em dois tipos: o tecido adiposo branco presente quase na totalidade do corpo humano e o marrom, constituído de células gordurosas com grande quantidade de mitocôndrias e maior Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 capacidade de produção de energia, encontrada principalmente em crianças (COSTA, 2002). O primeiro é intensamente suprido com vasos sangüíneos, possui receptores especiais em suas membranas para várias substâncias e hormônios como: insulina, adrenalina, noradrenalina, hormônio de crescimento e glicocorticóides, que facilitam a liberação dos ácidos graxos para o fornecimento de energia (GARTNER e HIATT, 1997; BACELAR et al., 2005). Segundo Moore e Dalley (2001), esse tipo de gordura é armazenada nos homens nas regiões do pescoço, ombros, ao redor dos quadris e nádegas. Já nas mulheres é armazenada nas mamas, nádegas, quadris e nas regiões laterais e superiores da coxa. Já a segunda, gordura marrom, possui essa coloração devido a sua intensa vascularização e seus citocromos presentes nas mitocôndrias e tem associação com a intensa produção de calor (COSTA, 2002). Este tecido parece estar limitado no adulto, localizando-se somente no mediastino, na porção interescapular, ao redor dos rins, pescoço e abdômen (BACELAR et al., 2005). 2.3 Vascularização Segundo Yamada (2002); Amâncio (2003), a rede sangüínea da pele está localizada em nível de derme e hipoderme, compreendendo artérias, capilares e veias. Os vasos arteriais do tegumento se dispõem em três plexos que se localizam em diferentes planos. O mais profundo (subcutâneo), está localizado na camada lamelar e irriga a tela subcutânea de onde ainda partem vasos que formam o segundo plexo (subdermal). Esse plexo subdermal nutre a derme e dirige-se para as Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 papilas dérmicas onde formam o terceiro plexo (subpapilar), que é responsável por penetrar microvasos nas papilas para alimentar por difusão a epiderme (camada avascular). Os vasos linfáticos que também estão englobados dentro da porção circulatória distribuem-se identicamente aos vasos sangüíneos e dessa forma realizam sua função coletora e removedora de catabólitos (GREITHER, 1980). 2. 4 Inervação A pele recolhe informações que transmite ao organismo acerca de variações que ocorrem no meio exterior. Essas informações são captadas por vários receptores especializados que estão presentes na epiderme (terminações nervosas livres), derme e hipoderme (corpúsculos). Conforme sua profundidade na pele eles tendem a ser mais ou menos mielinizados e com isso conduzir o estímulo com maior ou menor rapidez (GARDNER, GRAY e O`RAHILLY, 1988). Segundo Fonseca e Souza (1984), os receptores encontrados na pele são: terminações nervosas livres que são localizados por baixo de células profundas da epiderme e tem como função conduzir os estímulos dolorosos; receptores de Ranvier, Paccini e Meissner localizados na camada basal, na camada subepidérmica e no tecido subcutâneo respectivamente, sendo estes corpúsculos Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 mais profundos e responsáveis por conduzir estímulos táteis e pressóricos, sendo abundantemente encontrados nas palmas das mãos e planta dos pés. Já os receptores que informam ao sistema nervoso central as sensações de frio e calor são conhecidos como Krause e Ruffini e estão presentes na derme e hipoderme (GUYTON, 2002). 2. 5 Impedância Tecidual A impedância da pele é o termo designado a resistência imposta pela pele a qualquer passagem de corrente. Esta impedância pode variar em função da umidade, quantidade de óleo e da densidade da camada córnea, estudos tem detectado valores acima de 20.000 Ω (ohms) (GUIRRO e GUIRRO, 2000). 2.6 Tipos de Eletromiografia A eletromiografia se subdivide em dois tipos básicos: a eletromiografia de profundidade e a de superfície que é mais comumente utilizada. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Segundo Pullman et al. (2000), a eletromiografia de profundidade juntamente com estudos de condução nervosa é uma técnica extremamente sensível como metodologia de acesso às características das doenças neuromusculares. Todavia, essa técnica é limitada, devido ao fato de ser invasiva e dolorosa, dificultando seu uso quando a atividade de grupos muscular precisa ser medidas simultaneamente. Já a eletromiografia de superfície é uma técnica mais segura pelo fato de mensurar a atividade muscular através de eletrodos posicionados na superfície da pele. Esses eletrodos possuem a vantagem de gravar sinais de uma grande área muscular ao contrário da eletromiografia de profundidade. Tem um grande uso em biomecânica, pois funciona como indicador do inicio da ativação muscular, identifica a relação de força produzida pelo músculo e ainda indica o índice do processo de fadiga (DE LUCA, 1997). 2.7 Eletromiografia de Superfície Galvani em 1791 realizou o primeiro relato sobre as propriedades elétricas dos músculos e por mais de dois séculos os biólogos trabalharam com essas revelações de que os músculos esqueléticos ao se contraírem por qualquer motivo geravam uma corrente ou tensão perceptível. Porém, somente séculos mais tarde é que se desenvolveu um método confiável e válido para o registro de tal atividade (O’SULLIVAN e SCHMITZ, 1993; RODRIGUEZ-AÑEZ, 2000). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A nova técnica responsável pela aquisição e conversão gráfica das atividades elétricas musculares é conhecida como eletromiografia (EMG) e foi primeiramente descrita pelos fisiologistas ingleses e norte-americanos Adrian Bronk e Denny-Browne no século vinte (BASMAJIAN e DE LUCA, 1985; RODRIGUEZAÑEZ, 2000). Para Ocarino et al. (2005); Day (2001), a eletromiografia se preocupa em registrar o sinal bioelétrico gerado pela despolarização das membranas celulares durante as contrações musculares. Neste contexto, portanto, as captações dos potenciais de ação em resposta a uma contração muscular podem ser registradas e fornecer grandes informações sobre recrutamento muscular. 2.8 Fatores de Influência na Captação do Sinal Eletromiográfico A eletromiografia de superfície leva a alguns aspectos frustrantes quando se retificam os sinais. Esses aspectos frustrantes são conhecidos como crosstalks ou ruídos e causam interferências no sinal estudado. Os fatores que influenciam o sinal EMG podem ser agrupados nas seguintes categorias: fatores causais, intermediários e determinantes (DE LUCA, 1997). Os fatores causais são aqueles que tem um efeito básico ou elementar sobre o sinal e ainda são divididos em dois grupos: intrínsecos e extrínsecos. Os fatores extrínsecos são relacionados com a estrutura do eletrodo e sua colocação na superfície e eles incluem: a área e forma do eletrodo de detecção que determina o número de unidades motoras ativas, à distância entre os eletrodos de detecção que determina a amplitude de faixa de configuração do eletrodo diferencial, a localização Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 do eletrodo na superfície da pele com respeito ao ponto motor do músculo e a orientação da superfície de detecção com relação as direção das fibras musculares (DE LUCA, 1997). Ainda para De Luca (1997), os fatores intrínsecos estão relacionados à: número de unidades motoras ativas durante a contração, composição da fibra muscular, fluxo sangüíneo do músculo, quantidade de tecido adiposo entre o músculo e o eletrodo e a impedância gerada pela pele durante a passagem de corrente. Os fatores intermediários representam fenômenos fisiológicos e físicos. Estes incluem: aspectos da filtragem do eletrodo band-pass, o volume de detecção que determina o peso e o número dos potenciais de ação, a superposição dos potenciais no sinal eletromiográfico e a velocidade de condução dos potenciais de ação (DE LUCA, 2001; ERVILHA, DUARTE e AMADIO, 1998; DAY, 2005). Por fim e não menos importante ainda há os fatores determinantes, isto é, aqueles que tem ação direta sobre a informação do sinal e da força registrada. Neles estão inclusos fatores como: número de unidades motoras ativas, força de contração da unidade motora, taxa de disparo, quantidade de unidades motoras detectadas, amplitude, duração e forma dos potenciais de ação e estabilização das unidades motoras recrutadas (SODEBERG e KNUSTON, 2000). 2.9 Funcionamento da Técnica Eletromiográfica Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 EMG tem como capacidade realizar uma leitura da atividade elétrica (potencial de ação) gerada no momento da contração muscular. Portney (1993); Ocarino et al. (2005), citam que a somatória desses potenciais de ação que atingem os eletrodos sobre a área de captação são os dados registrados graficamente através do eletromiógrafo. Para que seja possível estabelecer um eletromiograma é necessário um sistema que inclua eletrodos para a captação das atividades elétricas do músculo em contração (imput sensorial); um amplificador, que processa sinal elétrico (fase de processamento); e um decodificador, que permite a visualização dos sinais emitidos para a análise dos dados gravados pelo monitor (O’SULLIVAN e SCHMITZ, 1993). Os eletrodos têm como função converter a corrente iônica bioelétrica em corrente formada por elétrons, para isso é necessário que esses eletrodos tenham um sistema reversível e não polarizado e que sejam confeccionados de um material com baixo potencial, por exemplo, os compostos de prata. Existem eletrodos de dois tipos básicos, os passivos e os pré-amplificados (SODEBERG e COOK, 1984; DE LUCA, 1997). Já o amplificador tem como propósito realizar o isolamento entre a origem do sinal e o instrumento de coleta, converter a corrente para alta voltagem, reproduzir o evento bioelétrico com menor distorção e reduzir os ruídos. Entretanto, a maior função do amplificador é a sua propriedade de resistência ao fluxo de corrente (impedância), que varia conforme a composição do eletrodo, dimensões, comprimentos dos cabos e também da superfície que está em contato. Outra característica importante de um amplificador é a banda de freqüência, visto que cada sinal mioelétrico tem uma freqüência específica de ativação. Estudos de guias de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 passagem sugerem que a distribuição das freqüências esteja entre 10 e 1.000Hz (ENOKA, 2000; DE LUCA, 2001; SODEBERG e KNUSTON, 2000). Existe ainda um amplificador diferencial que possui terminais de entradas independentes, onde cada um deles é ligado a um terminal comum, que é conhecido como eletrodo de referência, que permite então eliminar ruídos preferencialmente na faixa de 60 Hz necessária para o funcionamento de lâmpadas e outros equipamentos elétricos (OCARINO et al., 2005; SENIAM, 2005). Após a amplificação do sinal estes são decodificados ou processados, ou seja, são transformados em sinais visuais ou audíveis resultando em valores subjetivos de magnitude de sinal (DE LUCA, 1997). As formas mais comuns de processamento de sinal são: as filtragens e retificação de ondas (OCARINO et al., 2005). 2.9.1 Tratamento do Sinal Eletromiográfico A amplitude da atividade muscular representa a quantidade de energia gasta para a realização de uma determinada contração, e essa amplitude pode ser quantificada em informações objetivas (SODEBERG e KNUSTON, 1998). O valor Root Mean Square ou raiz quadrática da média (RMS), o valor médio, e o valor de pico são formas de avaliar a amplitude do sinal (LOSS e ZARO, 1994). Existem dois meios principais, através dos quais os valores de intensidade do sinal são derivados: processamento no domínio temporal através da RMS, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 quando se está interessado na análise da amplitude do EMG com base no tempo, e processamento no domínio da freqüência, quando se pretende, principalmente, verificar questões específicas relativas à composição e característica do sinal (LOSS e ZARO, 1994; OCARINO et al., 2005). Para o processamento do sinal EMG com base no domínio do tempo, utilizase um conjunto de processos de transformação de curva que visam caracterizar e medir a intensidade do sinal durante o tempo de contração (ZABINI, 2004). A transformação é caracterizada como retificação da curva, sendo esta uma operação empregada de forma a permitir a posterior integração do sinal, já que transforma uma curva com valores positivos e negativos de média igual a zero, em uma curva de valores absolutos, todos positivos (LOSS e ZARO, 1994). 2.9.2 Normalização dos Dados Normalização é o termo dado ao processo que referencia um dado eletromiográfico a algum valor padrão. Esse processo foi desenvolvido para lidar com os fatores que interferem no sinal eletromiográfico (ruídos ou crosstalks) e que dificultam as comparações intra e interindivíduos (ORTOLAN, 2000). Portanto, a normalização foi criada em função da necessidade constatada pela grande variabilidade dos traços dos indivíduos como, tecido subcutâneo, geometria muscular, quantidade de pêlos entre outras variáveis. Dessa forma, normalizar é tentar reduzir as diferenças entre os diferentes registros de um sujeito Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ou de sujeitos diferentes de forma a tornar a interpretação dos dados reprodutível (DE LUCA, 1997). Existem vários valores que podem ser usados como referência e o mais comumente utilizado é obtido durante uma contração voluntária máxima do músculo avaliado que é posteriormente quantificado, o valor obtido é usado como referência para normalizar o sinal gerado pelo músculo (MATHIASSEN et al., 1995). 2.10 Aplicabilidade Eletromiográfica A EMG pode ter sua aplicabilidade dividida em clínica e cinesiológica. A primeira tem como objetivo o diagnóstico de lesões nervosas ou musculares e fornece prognóstico em termos de intervenção cirúrgica e reabilitação. Já a segunda é mais comumente usada para o estudo da atividade muscular e do papel de diversos músculos em atividades específicas da biomecânica (O’SULLIVAN e SCHMITZ, 1993). É uma técnica amplamente usada para diagnóstico neuromuscular, onde permite investigar e diagnosticar afecções que afetam este sistema (CRESPO et al., 2002 e STEGEMAN et al., 2000). Dentro dessa área, pesquisas destacam a importância da eletromiografia na reeducação neuromuscular de pacientes que possuam músculos VENEZIANO 2005). hiperativos ou hipoativos (SARTORI, GONÇALVEZ e Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A EMG é um método útil para a investigação dos processos fisiológicos musculares, pois permite a observação da ativação do músculo tanto em relação à realização do movimento e à produção de força, quanto às disfunções e seus processos fisiopatológicos (DE LUCA, 1997). Nos últimos anos a eletromiografia vem se tornando uma técnica muito difundida como instrumento de avaliação da atividade muscular. Isso fez com que essa técnica fosse empregada, não apenas na avaliação física clássica, mas também como forma de tratamento por meio de biofeedback e, principalmente, auxiliando e impulsionando grandemente a pesquisa nas diversas áreas da fisioterapia (KITCHEN e BAZIN, 1998). O sinal eletromiográfico é utilizado em vários estudos, tais como o estudo da função muscular normal, de fadiga muscular e de atividades musculares relacionadas a estudos ergonômicos. A EMG, também pode ser utilizada na detecção de esforço muscular durante atividades físicas, além de estudos e acompanhamento do desenvolvimento muscular durante sessões de fisioterapia (ORTOLAN, 2000). Como uma ferramenta importante, a técnica eletromigráfica pode investigar as possíveis sinergias existentes durante a ativação muscular e também dispor tempo para estudar o predomínio muscular em padrões específicos do movimento (O’SULLIVAN e SCHMITZ, 1993; AMADIO, 1999). Em relação à marcha humana a eletromiografia está sendo amplamente aplicada para se entender quais os músculos estão atuando durante as fases e os ciclos de marcha humana (LEE e POLLO, 2005). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Estudos ainda denotam a importância clinica da técnica na análise quantitativa da co-contração muscular e na velocidade de condução do potencial de ação (FONSECA et al., 2001 e STEGEMAN et al., 2000). A EMG tem sido utilizada também no treinamento de músculos específicos. Essa técnica, denominada biofeedback, preconiza fornecer ao indivíduo informações a respeito da atividade muscular durante a realização de exercício e tem auxiliado os terapeutas na reeducação muscular (OCARINO et al., 2005). A aplicabilidade da EMG na área ginecológica também vem crescendo, pois além de detectar as disfunções que ocorrem na musculatura perineal, esta pode ainda promover um treinamento de força através do bioeedback (NAGIB et al., 2005). A cinesiologia clínica é outra área que desfruta das vantagens do biofeedback através da EMG que permite o treinamento muscular tanto de atletas quanto de pacientes que perderam força após uma lesão (ORTOLAN, 2000 e JÚNIOR GARBELOTTI et al., 2004). Estudos recentes mostram também que pacientes neurológicos com traumatismos raqui-medulares e hemiplégicos usufruem o biofeedback na manutenção da força dos músculos não acometidos e da readequação dos acometidos (ORTOLAN, 2000; OCARINO et al., 2005). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3)MATERIAIS E MÉTODOS Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Delineamento do Estudo Este trabalho caracterizou-se como um ensaio clínico transversal. Anteriormente ao seu início, este estudo obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – CEP/UNIOESTE. 3.2 Caracterização da Amostra A amostra foi composta por 9 indivíduos, sendo cinco do sexo feminino e quatro do masculino, residentes na cidade de Cascavel, com idades entre 18 e 30 anos. 3.3 Critérios de Inclusão e Exclusão Os critérios de inclusão adotados para a pesquisa foram: •Residir na cidade de Cascavel - PR. •Assinar e concordar com o termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 •Possuir entre 18 e 30anos. •Possuir boa saúde física. •Possuir Índice de Massa Corpórea acima de 18,5 kg/m2. Os critérios de exclusão adotados foram: •Não concordar com o termo de Consentimento Livre e Esclarecido. •Indivíduos portadores de qualquer tipo de afecção ou seqüela neurológica. •Indivíduos portadores de qualquer lesão osteomuscular. •Indivíduos que apresentassem qualquer tipo de dor (crônica ou aguda). •Não apresentar qualquer tipo de lesão de pele. •Após a captação foram excluídas ainda, amostras de sinais EMG que possuíssem concentrações de freqüência mediana na banda de 60 Hz, a fim de evitar viés de corrente elétrica da rede. 3.4 Grupos Experimentais Nesse estudo a amostra foi dividida em dois grupos de acordo com o IMC dos sujeitos. Grupo 1 – Indivíduos que possuíam IMC entre 18,5 Kg/m2 a 24,9 Kg/m2 denominados eutróficos (n=4). Grupo 2 – Indivíduos que possuíam IMC acima de 25 Kg/m2, denominados obesos (n=5). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.5 Materiais Foram utilizados os seguintes materiais para a realização do estudo: •Eletromiógrafo EMG1000® (Lynx tecnologia); •Eletrodo ativo (encapsulado) e um eletrodo referência (terra); •Célula de carga (100Kgf); •Microcomputador PC compatível com Microsoft Windows; •Fita crepe, álcool e algodão e gel condutor; •Lâmina para tricototomia; •Paquímetro da marca Vonder; •Fita métrica; •Plicômetro clínico da marca Cescorf; •Balança digital (Filizola 0 – 300Kg); •Calculadora da marca Cassio; •Avaliação antropométrica; •Softwares Microsoft Word® e Excel®; •Software Aqdanalisys®; •Software Bioinspector®; •Mesa de madeira; •Dispositivo para fixação da articulação à célula de carga (velcro + cabo de aço); Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 •Goniômetro universal da marca Carci; 3.5.1 Avaliação Antropométrica: A avaliação antropométrica é a medida dos componentes da constituição corporal (MELO e SANTOS, 2000). Sendo assim, a constituição física pode ser entendida como a reunião de três aspectos distintos e ao mesmo tempo correlacionáveis. Os três aspectos são a estrutura, a composição corporal e as dimensões (PETROSKI, 1999). 3.5.1.1 O Índice de Massa Corpórea (IMC) Segundo Moreira, Melo e Alves (2005), o Índice de Massa Corpórea (IMC), é uma ferramenta prática para a classificação de indivíduos em classes de massa corpórea. Ela é obtida através da equação matemática (IMC= P/ h2), onde P é o peso corpóreo do indivíduo em quilogramas e h sua altura em metros. Sendo assim, os indivíduos foram submetidos à avaliação pelo IMC para a obtenção da massa corporal, sendo, inicialmente, pesados em uma balança digital da marca Filizola ID 1500 com precisão de 100 gramas (INMETRO). A pessoa a ser avaliada era colocada na posição ortostática com peso dividido em ambos os pés no centro sobre a balança. Após coletado o valor de seu peso corporal o indivíduo era submetido à mensuração de estatura com uma fita métrica. Para essa medida foi Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 solicitado ao participante que retirasse o sapato e recostasse na parede, onde foram feitas marcas a lápis no ponto mais alto da cabeça, determinando o valor de sua estatura. Posteriormente, com o uso de uma calculadora era obtido o valor do IMC. 3.5.1.2 Perimetria, Diâmetros Ósseos e Dobras Cutâneas Para Böhme (2000), as dimensões físicas são descritas como volumes, massa, comprimentos e área de superfície conferindo informações de valores gerais do indivíduo, tecidos e partes específicas. Já a estrutura permite avaliar dentro dos estudos as proporções ósseas do corpo humano e a composição corporal refere-se à quantidade e proporção dos vários constituintes do corpo relacionados com a saúde, doença e qualidade de vida dos indivíduos. Dessa forma, os participantes foram submetidos a um tipo de avaliação antropométrica (Jack Pollockson), nela era possível obter a porcentagem de gordura total, porcentagem de gordura livre, porcentagem de gordura excedente, porcentagem de gordura ideal, massa gorda, massa magra, a quantidade específica de gordura de vários locais e o peso ideal, interessando para o estudo somente o percentual de gordura total, a quantidade de gordura específica da coxa e o peso total do indivíduo. Para analisar os diâmetros ósseos que são considerados a menor distância entre duas proeminências ósseas definidas através de pontos anatômicos, usou-se um paquímetro plástico de 15 centímetros (cm) graduado em 0,05 mm. Foram mensurados as proeminências ósseas biestilóide (processo estilóide do rádio e da Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ulna), biepicondiliano do úmero (bordas externas dos epicôndilos medial e lateral do úmero) e biepicondiliano do fêmur (bordas externas dos epicôndilos medial e lateral do fêmur). Foram também mensuradas as dobras cutâneas que apresenta-se como uma forma indireta de mensuração da adiposidade corporal (PETROSKI, 1999). A medida dessas pregas estabelece relação com os pontos anatômicos pinçados e a adiposidade corporal, isto é, a determinação absoluta da espessura do tecido adiposo permite a estimativa da densidade e da quantidade de gordura corporal. Para a mensuração das dobras cutâneas foi utilizado um plicômetro (Cescorf®), que permite a leitura em décimos de milímetros (mm) com precisão de 0,2 mm e graduado com valores de 0 a 80 mm. Neste contexto, os participantes foram avaliados de acordo com o descrito por Petroski (1999), em oito pontos específicos: 1) tríceps; 2) escapular; 3) peitoral; 4) torácica; 5) suprailíaca; 6) abdominal; 7) quadríceps e 8) panturrilha. Além disso, os indivíduos eram orientados a comparecer a sessão de avaliação antropométrica com o mínimo de vestimenta. Houve ainda uma parte da avaliação antropométrica dedicada à mensuração dos perímetros que correspondem às circunferências, ou seja, perímetro máximo de um segmento corporal medido em relação ao maior eixo. Os participantes do estudo tiveram mensurado seis perímetros: 1) braço; 2) antebraço; 3) abdômen; 4) pelve; 5) coxa e 6) perna. Todas as mensurações realizadas durante a avaliação antropométrica, seguiram os critérios determinados por Petroski (1999). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.5.2 Avaliação Eletromiográfica A avaliação eletromiográfica do músculo vasto lateral (VL), deu-se através do equipamento EMG1000® da empresa LYNX-Biossistemas. A captação do sinal foi realizada com uma freqüência de amostragem de 2000 Hz (Figura 2). Figura 2: Eletromiógrafo EMG 1000 . Fonte: LYNX TECNOLOGIA, 2005. Para a captação do sinal digital foi utilizado o software Bioinspector® (v.2.0). Foi aplicado filtro tipo passa-baixa de 500 Hz e passa-alta de 20 Hz, para isolamento da amplitude do sinal de EMG. Além disso, o equipamento conta com uma filtragem interna por hardware tipo Notch (rejeita banda) de 60Hz para minimizar as interferências da rede elétrica. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.5.2.1 Posicionamento do Eletrodo Durante as avaliações foi utilizado eletrodos encapsulados ativo com disposição fixa (1cm) entre os pólos positivo e negativo. Para captação do sinal do músculo VL, o eletrodo foi posicionado no sentido da fibra muscular a 2/3 da espinha ilíaca ântero-superior e na face lateral da coxa próximo a patela como mostrado na figura 3 (SENIAM, 2005). Figura 3– Ilustração do local de posicionamento do eletrodo (ponto amarelo) Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Fonte: Seniam (2005). Para a colocação do eletrodo foi realizada tricotomia e limpeza da pele com álcool (70%), este procedimento é usual durante a captação de dados em EMG e busca evitar possíveis alterações na captação decorrentes da concentração de células mortas na pele. Em seguida, foi solicitado ao paciente que sentasse sobre uma mesa de madeira (1,5 m de largura por 1m de altura) e que realizasse no membro inferior direito uma flexão de quadril com extensão de joelho contra uma resistência aplicada pelo avaliador, para certificar-se do ponto motor do músculo VL. Dessa forma, o avaliador posicionou o eletrodo no ponto encontrado e fixou-o com fita adesiva. Um eletrodo de referência (terra) foi colocado no maléolo lateral do tornozelo direito com um gel condutor em sua face metálica. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.5.2.2 Adequação do Ambiente Na tentativa de minimizar os ruídos que pudessem interferir na captação do sinal, o eletromiógrafo foi ligado a um estabilizador de voltagem e colocado sobre uma mesa de madeira. Todos os fios que se conectam ao eletromiógrafo foram retirados do chão e distanciados entre si e entre as fontes elétricas que se localizavam ao redor. 3.5.2.3 Captação do Sinal Eletromiográfico de Força Máxima e Normalização da Carga Todos os dados foram coletados na Clínica de Fisioterapia da Unioeste (Setor de Neurologia). Foi colocada uma mesa em frente ao espaldar sueco, e neste foi fixada a célula de carga (dispositivo eletrônico, responsável por medir a força gerada). Foi solicitado ao participante que se sentasse-se à mesa de forma que este ficasse de costas para o espaldar e de frente para o computador. Com o eletrodo já posicionado no ponto motor do indivíduo, foi observado e garantido o ângulo do joelho em uma posição de 60º de extensão e para assegurar que angulação permanecesse fixa, foi acoplado um dispositivo de contenção da angulação ao pé. O dispositivo de contenção foi elaborado a partir de uma alça de tecido (inelástico) e um cabo de aço. O cabo era ligado ao pé pela alça de tecido e à célula de carga por uma outra alça feita no próprio cabo de aço (Figura 4). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 4: A - Posicionamento do indivíduo para a realização do estudo em uma vista anterior. B - Posicionamento do indivíduo para a realização do estudo em uma vista lateral . A B Fonte: o autor, 2005. Com o indivíduo já posicionado foi solicitado a ele que realizasse três contrações isométricas máximas, exercendo sua força máxima de quadríceps sobre o sistema, assegurando que esse não rodasse seu tronco ou quadril. Essa prova foi realizada para o conhecimento da média da carga máxima do VL de cada indivíduo e posterior normalização do sinal em função de 50% dessa carga. O sinal eletromiográfico foi realizado solicitando-se que o indivíduo exercesse 50% de sua carga máxima, previamente calculada. Para assegurar que o indivíduo permanecesse o maior tempo possível em uma contração muscular correspondente a carga solicitada, foi utilizado um dispositivo de biofeedback (presente no software Bioinspector®), onde os participantes visualizavam um relógio de força na tela do computador buscando manter a força média durante os 6 segundos de captação. Nesse estágio foram feitas cinco captações por indivíduo. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.5.2.4 Isolamento do Sinal O isolamento do sinal eletromiográfico foi feito através do programa Aqdanalisys, que permite a transformação e análise da forma bruta do sinal (RAW) em formato RMS (raiz quadrada da média do sinal bruto). Dessa forma, foram selecionados os valores de cada trecho a cada 6 segundos para este cálculo. Em seguida foi possível a conversão os dados eletromiográficos em formato “txt” para posterior análise no software MatLab®. 3.5.2.5 Tratamento do Sinal Para o tratamento matemático do sinal foi utilizado software MatLab. Os resultados matemáticos retornavam os seguintes valores: •F½ (Freqüência Mediana) – Expressa o valor central da distribuição de freqüência de uma amostra de sinal eletromiográfico. É expressa em Hertz (Hz); •F95% (Freqüência que comporta 95% do sinal) – Expressa os valores de 95% da distribuição espectral de uma amostra de sinal eletromiográfico. É expressa em Hertz (Hz). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 •Carga média - 50% da força máxima obtida através de uma contração isométrica máxima. É obtida quilogramas (Kg). 3. 6 Análise Estatística A análise estatística foi realizada através do teste não paramétrico U de Mann-Whitney (adotando-se p<0,05), para verificação da relação entre a gordura corporal total e F½ e F95% e gordura específica de VL e F½ e F95%. Além disto, foi utilizado o teste de correlação de Pearson adotando-se p<0, 01, para caracterização da correlação (positiva ou negativa) entre os resultados das freqüências e gorduras obtidas no estudo. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 4)RESULTADOS Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 4 RESULTADOS Inicialmente são expostos todos os dados descritivos encontrados para os pacientes avaliados (Tabela 1). Tabela 1 – Dados descritivos obtidos para os grupos estudados (Média ± Erro Padrão) 2 IMC Kg/m Peso (Kg) Gordura total% Quadríceps (mm) Grupo 1 20,36 ± 0,88 54,0 ± 0,71 14,75 ± 1,13 35,25 ± 2,69 Grupo 2 28,57 ± 1,35 78,6 ± 4,34 21,76 ± 1,22 27,4 ± 4,78 Fonte do autor O gráfico 1 apresenta o comportamento da freqüência mediana (F½) e da freqüência 95% (F95%) do sinal de EMG. Constatou-se que tanto a F½, quanto a F95% são superiores no grupo 1. Entretanto, apenas a F½ apresentou diferença estatisticamente significante entre os grupos analisados (p=0,0148). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Média dos parâmetros captados na EMG 200 * Hertz (Hz) 150 Grupo 1 100 Grupo 2 50 0 Freq. Mediana Freq. 95% Gráfico 1: As barras representam as médias de F½ e F95% dos grupos estudados. O asterisco aponta a diferença estatisticamente significante encontrada (*p<0, 05, teste U de Mann-Whitney). No gráfico 2, é encontrada a representação gráfica do percentual de gordura total e específica do músculo vasto lateral (VL) entre os Grupos 1 e 2. Constatou-se que o percentual médio de gordura total no Grupo 2 é superior (21,76%) em relação Grupo 1 (14,75%). Entretanto, a média de gordura específica de VL foi menor no Grupo 2 quando comparada ao Grupo 1, com valores de 27,40 mm e 35,25 mm, respectivamente. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Gordura total e específica (VL) dos grupos estudados 40 30 Grupo 1 20 Grupo 2 10 0 Gordura Total (%) Gord. Especifica VL (mm) Gráfico 2: Representação da média de gordura total e específicas (VL) encontradas nos grupos analisados. Observando o gráfico 3, podemos constatar que existe forte correlação negativa entre F½ e gordura específica (VL), assim como F½ e porcentagem de gordura total no Grupo 1, com o coeficiente de correlação de Pearson r=-0,9949 para ambos os casos, ou seja, à medida que aumentam as quantidades de gordura diminuem os valores da F½ . Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Correlação entre frequência mediana e porcentagens de gordura do Grupo 1 60 Porcentagem 45 30 Gordura total Gord. VL 15 0 0 25 50 75 100 Freq mediana Gráfico 3: Representação em regressão linear do teste de correlação no Grupo 1 entre F½ e gordura corporal total e F½ e gordura específica do VL. Foram encontradas diferenças estatisticamente significantes (correlações) entre todas as variáveis testadas (***p<0,001, Teste de correlação de Pearson). Observando o gráfico 4 podemos também constatar que existe correlação negativa entre a F½ e gordura do músculo VL no Grupo 2 (Pearson r =-0,7409), ou seja, à medida que aumenta a quantidade de gordura local, diminui a F½. No entanto, neste grupo não foi encontrada correlação entre F½ e porcentagem de gordura total. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Correlação entre frequência mediana e as porcentagens de gordura no Grupo 2 Porcentagem 80 60 Gordura total Gord. VL 40 20 0 0 25 50 75 100 Freq Med Gráfico 4: Representação em regressão linear do teste de correlação no Grupo 2 entre F½ e gordura corporal total e F½ e gordura específica do VL. Foi encontrada diferença estatisticamente significante (correlação) entre F½ e gordura específica do VL (**p<0,01, Teste de correlação de Pearson). O gráfico 5 é uma representação dos valores médios obtidos na captação eletromiográfica para F95% entre os indivíduos do Grupo 1, onde o valor médio foi de 172,09 Hz. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Gráfico 5: Gráfico representativo da F95% para indivíduos do grupo 1. Fonte: Software MatLab O gráfico 6 traz a representação dos valores médios da F½ obtidos na captação eletromiográfica, entre os indivíduos presentes no Grupo 1, onde o valor médio obtido foi 63,53 Hz. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 63,53 Gráfico 6: Gráfico representativo da F½ para os indivíduos do grupo 1. Fonte: Software MatLab. O gráfico 7, é uma representação dos valores médios obtidos na captação eletromiográfica para F95% entre os indivíduos do Grupo 2, onde o valor médio foi de 154,13 Hz Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Gráfico 7: Gráfico representativo da F95% para indivíduos do grupo 2. Fonte: Software MatLab O gráfico 8, também é uma representação dos valores médios da F½ obtidos na captação eletromiográfica entre os indivíduos do Grupo 2, onde o valor médio obtido foi de 55,83 Hz. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 55,83 Gráfico 8: Gráfico representativo da F½ para os indivíduos do grupo 2. Fonte: Software MatLab. O gráfico 9 está representando os valores da carga média, ou seja, 50% da força máxima em quilos (Kg) que os indivíduos realizaram durante as captações eletromiográficas. A carga média mantida pelos indivíduos do Grupo 1 (12,31 Kg) foi menor do que a mantida pelo Grupo 2 (14,98 Kg). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Carga Média Sustentada Pelos Indivíduos (50% do Máximo) Kilogramas 16 12 8 4 0 Grupo 1 Grupo 2 Gráfico 9: Representação gráfica dos valores médios obtidos através da carga média sustentada (50% da força máxima) pelos grupos. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 5)DISCUSSÃO Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 5 DISCUSSÃO Ao estudar a influência do tecido subcutâneo sobre a captação do sinal eletromiográfico, verificou-se pelos resultados obtidos que a F½, é estatisticamente menor no Grupo 2 (obesos), em relação ao Grupo 1 (eutróficos). Entretanto, nenhuma diferença estatisticamente significante foi encontrada entre esses grupos com relação à distribuição espectral para F 95%. Também foi constatada a existência de correlação negativa entre F½ e gordura específica (VL) em ambos os grupos estudados, sendo observado que quanto maior era a quantidade de gordura especifica, menor era o valor de freqüência mediana obtida. De acordo com Farina e Rainoldi (1999); Sodeberg e Knuston (2000), em estudos que abrangiam os efeitos de compensação da camada de tecido subcutâneo em eletromiografia relataram que tecidos anisotrópicos entre si causam atenuação e alargamento do sinal EMG e que os valores máximos de domínio das freqüências podem ser reduzidos em diferentes densidades de tecido gorduroso. Assim, indivíduos que possuam maiores quantidades de gordura subcutânea terão seu sinal mais atenuado, mesmo que tenham produzido a mesma quantidade de energia para a contração muscular que indivíduos com menores quantidades de gordura subcutânea. Os resultados aqui obtidos corroboram essa hipótese, sugerindo que a quantidade de tecido adiposo existente no local mensurado tenha levado a redução da distribuição das freqüências do sinal eletromiográfico nos indivíduos do Grupo 2. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Os estudos realizados por Gootzen et al. (2000); Day (2005), ajudam a compreender o fenômeno aqui identificado, na medida em postulam que a camada de tecido subcutâneo é baixa condutora de energia e que isto acontece devido ao fato das fibras musculares, gordura subcutânea e pele serem tecidos dotados de propriedades diversas em diferentes sentidos, agindo em muitos casos como um filtro de freqüências do tipo passa baixa. Entre os grupos estudados a diferença essencial não esteve no tipo de fibra estudada (VL) ou no tipo de pele, mas fundamentalmente na quantidade de gordura dos sujeitos de cada grupo, levando a crer que esta foi a grande responsável pelas alterações de freqüência encontradas. Filtros de freqüência são ferramentas matemáticas normalmente utilizadas no tratamento ou aquisição do sinal eletromiográfico que permitem a filtragem (erradicação) de sinais indesejados. O filtro do tipo passa baixa funciona, portanto, retendo sinais acima de um determinado valor e permitindo a passagem de sinais com freqüências abaixo desse valor, deslocando, assim, o gráfico de distribuição de freqüências no sentido de valores menores do que o adotado como referencia. Porém, estudos mais recentes de Ocarino et al. (2005), mostraram que o esse efeito da camada subcutânea só é representado adequadamente se também considerarmos a presença da condutividade relativamente alta da pele. Isso porque esta condutividade está relacionada com a função de barreira exercida entre os potenciais de ação das unidades motoras e os eletrodos. Sodeberg e Knuston (2000), referem ainda que valores da impedância da pele entre 5.000 e 10.000 Ω (ohms) devem ser exigidos para que a medida eletromiográfica seja adequada. No entanto, esse cuidado relacionado à impedância Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 é normalmente adotado quando o eletrodo passivo de superfície é utilizado, uma vez que os sinais captados são amplificados somente ao alcançarem o equipamento de eletromiografia e, dessa forma, o sinal captado que se desloca pelo cabo do eletrodo sofre influência do meio externo. Levando-se em consideração a magnitude do sinal do eletromiógrafo (mensurado em µV), é natural que ocorram quantidades importantes de ruído embutidas nesses valores. Por outro lado, isso não ocorre quando eletrodos ativos são utilizados, já que sinal captado é pré-amplificado no próprio eletrodo, minimizando a capacidade de inclusão de ruídos externos. Entretanto, são escassos na literatura estudos comprovando que impedâncias da pele entre 5.000 e 10.000 Ω ou mesmo inferiores a estas, são absolutamente compatíveis e inofensivas a qualidade de captação de sinais de EMG, tanto com eletrodos passivos como com a utilização dos pré-amplificados. Apesar de serem dados pouco padronizados, identifica-se essas medidas de impedância da pele, seriam muito válidas para o enriquecimento da análise aqui efetuada, entretanto, a carência de equipamentos especializados impossibilitou esse tipo de análise. Um estudo em gestantes demonstrou a importância da mensuração da impedância bioelétrica, como um dos primeiros processos rápidos, não-invasivos, não ionizantes, e de confiabilidade aceitável para a quantificação dos compartimentos corporais, principalmente os de natureza fluida. Nele tornou-se claro que com a documentação da resistência (impedância), reactância corporal e suas interpretações por meio de equações adequadas, poder-se-ia mediante um único teste, fornecer o perfil dos principais componentes energéticos e hídricos do organismo (MORAIS et al., 1997). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Giannichi, Rigueira e Bedim (2000); McArdle, Katch e Katch (1998), afirmam que a bioimpedância pode ser usada para a medida de composição corporal através de três variáveis: peso, altura e a própria impedância elétrica. Assegurando, dessa forma, que a passagem de corrente elétrica tem a ver com a quantidade de gordura corporal pelo fato dos elétrons não atravessarem a barreira gordurosa. Vários outros cuidados de fundamental importância podem ser tomados para que haja uma maior fidelidade da técnica ao se realizar a captação eletromiográfica. Em alguns estudos realizados foi relatado que as várias camadas de vários tecidos entre o músculo e o eletrodo podem ser consideradas um modelo de alteração de condução de potenciais de ação. Do mesmo modo, a amplitude do sinal bipolar de EMG pode ser alterada com o aumento da distância entre os eletrodos de leitura (DE LUCA, 1997; SODEBERG e COOK, 1984; OCARINO et al., 2005). Hamill e Knutzen (1999), também citam fatores que podem influenciar na captação, tais como diâmetro e tipo das fibras musculares, artefatos de movimentos e outras fontes de ruídos como a interferência da rede elétrica. Essa interferência costuma ser o efeito mais danoso à qualidade de captação do sinal mioelétrico, pois está presente no cotidiano da maioria das situações de captação, além de ter amplitude razoável se comparado às baixas amplitudes do sinal eletromiográfico (ZHANG et al., 1997). Além disso, a freqüência da rede elétrica e suas harmônicas (60 Hz, 120 Hz, 180 Hz e 240 Hz) estão dentro da faixa de maior concentração de energia do sinal mioelétrico. Por esta razão, apesar da utilização de várias técnicas preventivas na tentativa de reduzir os ruídos de captação, sempre podemos estar expostos à interferência de 60 Hz, em maior ou menor intensidade. Considerando fato da Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 freqüência de 60 Hz estar dentro da banda de maior concentração de energia do sinal, o filtro desenvolvido para cancelar o ruído de rede deve possuir uma banda de corte estreita de forma a atenuar o ruído mas não alterar o sinal (ORTOLAN, 2000). Foi constatado ainda que houve diferença na quantidade de gordura encontrada nos indivíduos, tanto em quantidade total de gordura quanto em quantidade específica de gordura do músculo VL. Esses achados podem ser suportados por estudos como o de Junqueira e Carneiro (1995); Tritscheler (2003), que reportam que as mulheres possuem consideravelmente mais gordura corporal do que o homem, sendo que a gordura essencial das mulheres gira em torno de 12% e a dos homens 3%. Contudo, em um estudo realizado com mulheres do Exército Brasileiro para desenvolver e padronizar equações específicas para a determinação da densidade corporal de militares, foram utilizadas variáveis antropométricas como dobras cutâneas, perímetros e diâmetros corpóreos, que foram posteriormente correlacionadas com a densidade corporal para que pudessem ser incluídas como variáveis independentes (SALEM, FERNANDES FILHO e PIRES NETO, 2004). Isso demonstrou a viabilidade da utilização dessas medidas com correlações de densidade corporal geral e específica. Outros estudos como o de Silva, Trindade e De Rose (2003); e Moreira, Melo e Alves (2005), afirmam que homens atletas além de possuírem menor porcentagem de gordura também conseguem desenvolver maior massa muscular, gerando uma maior força de contração, no entanto, neste estudo não foram confrontados dados eletromiográficos. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Segundo Powers e Howley (2000), o IMC propicia uma fórmula simples de avaliar a composição corporal, apesar disso, tem sido identificados algumas contradições e problemas na sua utilização, a principal delas é que não existe uma forma clara de diferenciar precisamente, quando a pessoa avaliada possui uma grande massa muscular ou quando esta é, simplesmente, obesa, podendo desta forma ocorrer resultados falso-positivos ou falso-negativos para indicar a classificação dos indivíduos. Mesmo assim, o IMC é extensamente utilizado como medida antropométrica confiável. É aventada a hipótese de que a aparente contradição encontrada no Gráfico 2, onde, indivíduos do grupo eutrófico possuem mais gordura específica e menos gordura total, deva-se à apresentação matemática das fórmulas utilizadas e de suas variáveis, na medida em que esses resultados derivam de diversos valores, tais como: perimetria, diâmetros ósseos, estatura e peso tratados de formas diferentes para os resultados de gordura total e específica. Alguns estudos já vêm demonstrando métodos de laboratório bem mais sofisticados para a estimativa da gordura corporal, dentre eles figuram a condutividade elétrica total do corpo, a absortometria radiológica de dupla energia (DEXA), a bioimpedância elétrica, a densitometria e a pletismografia ou pesagem hidrostática. Contudo, ainda trata-se de métodos pouco acessíveis na prática (POWERS e HOWLEY, 2000). Embora várias questões relacionadas aos cuidados durante a captação da EMG e as formas de mensuração antropométricas adotadas possam ser discutidas, os dados aqui apresentados permitiram comprovar o indício de que o tecido adiposo pode mesmo influenciar na freqüência de captação do sinal eletromiográfico. Essas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 informações tornam-se cada vez mais relevantes na medida em que a EMG é atualmente tida como uma técnica fidedigna adotada em estudos que visam a análise de características biomecânicas do ser humano. Comprovando ainda, a necessidade de estudos que considerem e padronizem a maior quantidade possível de aspectos a serem seguidos visando o aprimoramento da técnica eletromiográfica, que é inegavelmente, uma ferramenta bastante útil tanto nas pesquisas quanto para o diagnóstico e musculoesquelético. tratamento das mais diversas afecções do sistema Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 6)CONCLUSÃO Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 6 CONCLUSÃO Através dos resultados obtidos no presente estudo podemos concluir que existe diferença estatisticamente significante na freqüência mediana dos sinais eletromiográficos captados no músculo VL entre os grupos estudados, onde grupo obeso possui menores valores em relação ao grupo eutrófico. Em relação à distribuição de 95% do espectro de freqüência, não foi possível identificar diferenças estatisticamente significantes entre os grupos. Os resultados permitem concluir que o tecido adiposo subcutâneo atua, provavelmente, como um filtro, deixando passar as freqüências mais baixas e bloqueando as freqüências mais altas do sinal eletromiográfico. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADIO, A. C. Fundamentos da Biomecânica do Esporte: Considerações Sobre Análise Cinética e Aspectos Neuro-Musculares do Movimento. 1989. 119f. Tese (Livre Docência)- Escola de Educação Física e Esporte. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989. AMADIO, A. C. Introdução à Análise do Movimento Humano - Descrição e Aplicação dos Métodos Biomecânicos de Medição. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 3, n. 2, p. 41-54, 1999. AMÂNCIO, A. C. G.; Efeitos do Ultra-Som Terapêutico na Integração de Enxertos de Pele Total em Coelho. 2003. 68f. 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Protocolo: 014603/2005 Pesquisador: Fernando Amâncio Aragão Projeto: Efeitos do tecido adiposo sobre a captação de sinais na eletromiografia de superfície Em atendimento á Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde , deverá ser encaminhado ao CEP o relatório final e/ou a publicação dos resultados do projeto, bem como a comunicação de qualquer intercorrência, mudança na metodologia ou na interrupção. Cascavel, 09 de março de 2005. Adriane de Castro Martinez Martins Coordenadora do CEP Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ANEXO B Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Anexo B Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Nome da Pesquisa: ANÁLISE DOS EFEITOS DO TECIDO ADIPOSO SOBRE O ESPECTRO DE FREQÜÊNCIA DE SINAIS ELETROMIOGRÁFICOS CAPTADOS A PARTIR DE CONTRAÇÕES ISOMÉTRICAS DO MÚSCULO VASTO LATERAL. Coordenador ou Pesquisador: Fernando Amâncio Aragão. Este estudo tem o objetivo: Analisar qual e a real interferência que o tecido adiposo subcutâneo para a captação dos sinais eletromiográficos durante a realização de uma contração muscular. Para tanto será necessário realizar os seguintes procedimentos: Avaliação antropométrica composta pelos índices de massa corpórea, dados perimétricos e dobras cutâneas e avaliação eletromiográficas do músculo prédeterminado. Riscos: De acordo com a literatura atual, os procedimentos envolvidos no presente estudo não apresentam risco aos participantes, visto que, são simples avaliações físicas, realizadas de acordo com a capacidade e respeitando a individualidade de cada paciente. Após ler e receber explicações sobre a pesquisa, a ter meus direitos de: 1-Receber resposta a qualquer pergunta esclarecimento sobre os procedimentos, benefícios e outros relacionados à pesquisa; 2-Retirar o consentimento a qualquer momento e deixar de participar do estudo; 3-Não ser identificado e ser mantido a caráter confidencial das informações relacionadas à privacidade. 4-Procurar esclarecimento com o Comitê de Ética e Pesquisa da UNIOESTE, através do telefone 220-3131, em caso de dúvidas ou notificação de acontecimentos não previstos. Declaro estar ciente do exposto e desejar participar da pesquisa. Cascavel, ______de_________________2005. Nome do sujeito: __________________________________________ Assinatura do sujeito ou responsável: ____________________________. Eu, Fernando Amâncio Aragão, declaro que forneci todas as informações referentes ao estudo ao participante e/ou responsável, me coloco a disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se façam necessários nos tels: 2203157 ou 2203236. ___________________________________ Data: ____/______/______. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ANEXO C Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Anexo C Avaliação Antropométrica Nome: Idade: Peso: Altura: Dobras Cutâneas •Tríceps •Escapular •Peitoral •Torácica •Suprailíaca •Abdominal •Quadríceps •Panturrilha Perímetros •Perna •Coxa •Pelve •Abdominal •Antebraço •Braço Diâmetros ósseos •Punho •Epicôndilo do úmero Epicôndilo do fêmur Valores fornecidos automaticamente BD: % gordura % livre de gordura % ideal de gordura % gordura sobra peso gordura peso magro peso ideal