ESTRUTURAS ARQUITETÔNICAS E URBANÍSTICAS
01. Município: Uberlândia
No 43/46/2006
02. Distrito: Cruzeiro dos Peixotos
03. Designação: Residência e Depósito
04. Endereço: Av. José Cláudio Peixoto, 151
05. Propriedade Particular: Sr. Geraldo Peixoto
06. Responsável: Sr. Francisco Rodrigues
07. Histórico:
Sem data exata de sua construção, é provável que o imóvel tenha sido construído no final da década
de 1920, início da década seguinte, pelo Senhor Altivo Ferreira Batista, então morador de Uberlândia –
MG. A edificação era destinada a armazenagem de grãos (milho e arroz) de suas fazendas localizadas
no distrito de Cruzeiro dos Peixotos. No ano de 1935 o imóvel foi comprado pelo Sr. Jerônimo Peixoto,
que se mudou de Uberlândia, junto com a esposa Umbelina Peixoto e filhos, para Cruzeiro dos
Peixotos, permanecendo o galpão como depósito de grãos e insumos agrícolas. No fim da década de
60, o imóvel é adquirido por um comerciante de doces, conhecido como “Alipão”. O depósito se
transforma em fábrica de doces, e a residência lateral passa a ser utilizada como parte da fábrica, com
vendas apenas no atacado, não caracterizando o estabelecimento comercial para atendimento de
clientes e vendas no varejo. Nesse período, foi feita uma denúncia pelos moradores locais à prefeitura,
ante o mau cheiro dos restos da produção, o que obriga o proprietário a construir uma fossa nos
fundos do terreno. Com a queda nas vendas e excesso de dívidas, o Senhor “Alipão” suicidou-se, e
seu filho, Onésio fechou a fábrica de doces. Logo, o Sr. Ivóde, também filho do Senhor “Alipão”,casado
com D. Lucy, faleceu, ainda muito novo, fazendo com que a viúva vendesse a propriedade para o Sr.
Geraldo Peixoto. Esse último, representando os interesses do Sr. João Naves de Ávila, realizou a
compra do imóvel com o dinheiro do mesmo. No entanto, após a morte do Sr. Geraldo Peixoto,
descobriu-se que esse havia lavrado a escritura em seu próprio nome, fato só descoberto após sua
morte, cujo corpo não foi localizado até hoje. (continuação)
09. Documentação Fotográfica:
(continuação) A filha do Sr. Geraldo, Silene, logo após casar-se com o Sr. Francisco Rodrigues, mudase para a residência, permanecendo lá até hoje, e utilizando o galpão apenas como depósito de
móveis e quinquilharias.
08. Descrição:
O imóvel é composto por um galpão com frente voltada para a rua e residência ligada ao depósito com
uma porta de serviços. Na lateral posterior da residência foi construída uma cozinha externa, com
forno a lenha e na outra lateral, a fossa sanitária. Nos fundos é realizada a criação de suínos. Esse
edifício possui uma planta composta pela união de três volumes de base retangular, sendo o primeiro,
o do galpão, com testada para a rua, e recuo de 50 cm em relação aos demais edifícios do entorno. A
cobertura, em quatro águas, é feita em telha francesa, com madeiramento em tesouras apoiadas nas
paredes autoportantes. A vedação é feita por tijolos maciços em fiadas duplas e pé direito de 4,20m.
As duas portas principais são de madeira, de duas folhas cegas com 3,40m de altura, com vergas
embutidas e originalmente sem bandeiras superiores, depois acrescidas, pelo alto grau de degradação
por cupins. Na porção superior das paredes laterais foram feitas duas aberturas em cada parede, para
iluminação e ventilação. O piso é assoalhado, apoiado em barrotes. O segundo volume, situasse na
lateral direita, unido pela cobertura que mantém a mesma queda de águas pluviais, suportado por três
tesouras em madeira, apoiadas em pilares de tijolo maciço. A vedação, também em tijolo maciço com
fiada dupla, possui quatro janelas de folhas simples. A residência possui acesso independente, voltado
para a rua, recuado 2,50m do galpão. Originalmente não tinha divisão interna, mas posteriormente foi
edificado um quarto interno, entre duas das três tesouras de madeira. O piso é de cimento queimado
em cor verde. No corredor formado pelo novo quarto, fica a porta que dá acesso à escada que leva ao
terceiro volume, em nível 65 cm abaixo. Esta área, bastante descaracterizada, possui quatro cômodos,
sendo um quarto com janela basculante (vitraux), piso em cimento queimado, de coloração verde,
banheiro com porta veneziana de 60 cm, ambos de tijolo maciço autoportante duplo. Já a cozinha, em
nível 10 cm abaixo, tem estrutura de madeira e vedação de tijolo maciço, fiada simples, com janela de
folha simples, original e cimento queimado na cor amarelo. Da união de todos estes cômodos surgiu
uma pequena saleta, que dá acesso a todos os cômodos do terceiro volume, com cimento queimado
verde no piso. Toda a cobertura do terceiro volume é feita por uma água só, hoje em telha fibrocimento
e sem forro. Da extensão dessa cobertura, formou-se pequena varanda, com tanque e caixa d’água.
10. Uso Atual:
(X) Residencial
( ) Comercial
( ) Industrial
11. Situação de Ocupação:
( ) Serviço
( ) Institucional
( ) Outros
12. Proteção Legal Existente
( ) Tombamento
( ) Municipal
( ) Federal
( ) Estadual
(X) Nenhuma
( ) Própria
(X) Cedida
( ) Outros
( ) Alugada
( ) Comodato
13. Proteção Legal Proposta:
( ) Tombamento Federal
( ) Tombamento Estadual
( ) Tombamento Municipal
( ) Entorno de Bem Tombado
( )Documentação Histórica
(X) Inventário
(
(
(
(
(
) Tombamento Integral
) Tombamento Parcial
) Fachadas
) Volumetria
) Restrições de Uso e
Ocupação
14. Análise do Entorno - Situação e Ambiência:
O edifício está localizado no meio da quadra, com testada para a Avenida João Cláudio Peixoto. Nas
duas laterais existem quintais bastante arborizados. As duas construções do entorno são de caráter
residencial, sendo os fundos de uma delas utilizada como restaurante. A outra, à direita, é uma
construção também antiga, implantada no mesmo alinhamento dessa em análise, com pé direito de
aproximadamente 3 metros, o que possibilita um destaque para o prédio, em razão do seu pé direito
de 4,20m. As ruas são arborizadas e pavimentadas com asfalto, possuindo iluminação elétrica pública,
rede de esgoto e abastecimento de água. As calçadas foram ampliadas por ocasião do asfaltamento
da via e colocação de meio-fio, sendo essa nova parte deixada sem pavimentação.
15. Estado de Conservação:
( ) Excelente
( X ) Bom
( ) Regular
(X) Péssimo
16. Análise do Estado de Conservação:
A residência se encontra em bom estado de conservação, em função das interferências e
descaracterizações. Percebe-se que as paredes da casa apresentam integridade estrutural, mas com
rachaduras em larga escala, sem, contudo, comprometer a estabilidade do bem. De forma
generalizada, as paredes têm infiltrações pontuais e umidade generalizada na porção superior. Parte
da cobertura, da alvenaria e uma janela do dormitório foram substituídas. As esquadrias e vedações
das aberturas encontram-se, atualmente, em parcial estado de conservação. As tesouras do
madeiramento da cobertura apresentam-se quase comprometidas, pela presença de agentes
biológicos, especialmente cupins, somados a umidade. Os esteios laterais da cozinha também estão
parcialmente danificados por cupins.
17. Fatores de Degradação:
Ação de natureza climática, agentes biológicos (microorganismos, vegetação e insetos), falta de
manutenção e desgaste natural dos materiais construtivos.
18. Medidas de Conservação:
O bem necessita de alguma ação no sentido de preservar as características originais do imóvel,
evitando sua descaracterização completa. Faz-se necessário também, resolver as infiltrações e
rachaduras da cobertura que tem danificado a estrutura auto-portante, com posterior
impermeabilização e pintura.
19. Intervenções:
Já são muitas as intervenções que foram executadas no imóvel, contribuindo em muito, para sua
descaracterização. Parte da cobertura de telha francesa foi substituída por telhas de fibro-cimento e,
com isso, parte da alvenaria estrutural foi refeita e aumentada para se adaptar a nova queda; uma
janela foi trocada por uma basculante do tipo vitraux, a porta frontal de acesso à residência foi
substituída por uma porta veneziana, bem como também a porta do banheiro. Uma caixa d’água nova
foi locada sobre a antiga. Canos foram instalados externamente. Um cômodo novo, de tijolos maciços,
foi levantado dentro da sala principal da residência.
20. Referências Bibliográficas:
Entrevista com Sr. Francisco Rodrigues (proprietário) e Nenê Generosa, vizinha da residência e filha
de um ex-proprietário, realizada em 15 março de 2006.
21. Informações Complementares:
Foto 2 – Vista fundo.
Fig. 3 – Fachada lateral da edificação.
Fig. 4 – Vista da cozinha externa acrescida
posteriormente, que abriga o fogão de lenha e
depósito.
Fig. 5 – Detalhe das tesouras de madeira.
22. Atualização de Informações:
23. Ficha Técnica:
Fotografias: Taís Rodrigues Silva/Noam A. Martins
Data: 17/03/2006
Elaboração: Noam Alves Martins
Data: 17/03/2006
Revisão: Giovanna T. Damis Vital / Marcelina Gorni / Rodrigo C. Moretti
Data: 25/03/2006
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José Cláudio Peixoto, 151 Residência Comércio