UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DA TERRA E DO MAR - CTTMar CURSO DE OCEANOGRAFIA ANÁLISE SOCIOAMBIENTAL TEMPORAL ENTRE PORTO-CIDADE NO MUNICÍPIO DE ITAJAÍ - ITAJAÍ 2012 SC CAROLINA FORMAGGIO BELTRATI ANÁLISE SOCIOAMBIENTAL TEMPORAL ENTRE PORTO-CIDADE NO MUNICÍPIO DE ITAJAÍ SC. Monografia apresentada à banca examinadora do Trabalho de Conclusão de Curso de Oceanografia como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Oceanógrafo. Orientador: Dr. Marcus Polette Co-orientadora: Dra.Kátia Naomi Kuroshima ITAJAÍ 2012 Dedico este trabalho aos meus pais, Rosangela M. Formaggio Beltrati e Paulo Beltrati, pelo amor e carinho! i GRADECIMENTOS Não teria outra forma de iniciar meus agradecimentos se não fosse pelas 2 pessoas mais fantásticas que eu já conheci, meus queridos pais. Paulo e Rosangela, eu só consegui completar mais uma etapa da minha vida graças ao apoio, carinho, dedicação, educação e amor que vocês dois me proporcionaram ao longo desses anos todos. Mamis, devido ao seu carinho e sua dedicação como mãe, sinto uma enorme gratidão por ti. Você tem que sempre se orgulhar da pessoa maravilhosa e gentil que você é! Pode ter certeza que eu tenho um pedacinho de ti aqui comigo e diariamente isso me faz ser o que sou. Muito obrigada por ser essa Mãezona, obrigada por toda sua paciência e carinho que você sente por mim, apesar do meu gênio forte! Papis, seu jeito Beltrati de ser, me ensinou muitas coisas, coisas essas que vou levar pra sempre comigo, por toda minha vida. Me fez aprender a enfrentar a vida com inteligência, a superar meus erros e seguir meu caminho e claro, defender meus ideais, com um pouco menos de teimosia!rsrsrs... Obrigada por todos os momentos maravilhosos e as conversas que compartilhei contigo, você é uma pessoa admirável, um exemplo pra mim e pra muita gente! Polette, meu orientador, eu tenho muito a agradecer a ajuda e compreensão. Aprendi muito nesse período que estive no Laboratório. Você me fez acreditar mais no meu trabalho, e isso me deu segurança para conseguir elaborar e concluir meu TCC. Penso que hoje posso enfrentar com mais credibilidade e confiança as próximas etapas da minha vida. Obrigada! Katia, minha co-orientadora me ajudou muito ao longo do processo de desenvolvimento desse trabalho. Me aguentou em momentos de desespero, nervoso, tristeza e de alegria!! Obrigada pelos conselhos, amizade e pelo profissionalismo! Torres, nosso paraninfo, sempre descontraindo em todos os momentos. Obrigada pela amizade, por nos tratar com tanto carinho, e compartilhar conosco suas piadas e conhecimento físicos, foi bom trabalhar contigo! Obrigada Katia e Torres por me aguentarem todos esses anos! Meri, minha avaliadora, sempre disposta, divertida, contagiando o laboratório com sua presença. Obrigada pelas ajudas diárias e por ser tão companheira e amiga. Zé Gustavo, obrigada por estar sempre disposto a me ouvir e me ajudar quando tive dúvidas. Me aturou esse ano todo, com disposição e com muito dedicação e carinho, obrigada! A todos do laboratório, pela parceria diária: Guilherme, Rafaela, Shirly, Eloah, Igor, Bruno, Fran. Fran, eu te conheci faz pouco tempo, mas parece que fazem anos! Obrigada por toda ajuda, pela amizade, carinho você é uma pessoa incrível. Vou sentir sua falta me pentelhando!!!!! A Paty, uma pessoa maravilhosa, que esta sempre de bem com a vida e contagiando seu bom humor para todos a sua volta. Obrigada por tirar todas minhas dúvidas, pela amizade, pelo carinho esses anos todos! Ao professor Sergey e Thadeu que me ajudaram com dados e mapas, quando mais precisei eles estavam disponíveis a ajudar, obrigada! ii A todos meus amigos e parceiros de faculdade, entre eles Bruno, Igor, Gordo, Claudi, Leka, Isa, Renan, Rafaum, Grug, Guto, Augusto, Barbara, Tio Chico, Carol, Cueca e aos que já se formaram, mas que fizeram parte da minha história acadêmica. Foi muito bom compartilhar momentos inesquecíveis com todos, desde de estudos, provas, trabalhos, mas também pela diversão, bebedeira, afinal esses momentos nunca são esquecidos e fazem dessa história de faculdade a melhor de todas. Bruno, ACABOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!! =D nossa quanta loucura pra terminar essse TCC, qnts noites sem dormir, qnt desespero, mas... enfim já passou! Obrigada, Bru pela sua ajuda em todos os momentos, pelo carinho, pela amizade, por ser aquela pessoa que esta sempre presente e pronta pra ajudar. Nunca vou esquecer as viagens, as bebedeiras, as conversas, os estudos, os trabalhos em dupla, a diversão, os bons e maus momentos. Você é uma pessoa incrível e terá um futuro maravilhoso espero nunca perder seu contato, sua amizade, seremos Oceanógrafos famosíssimos! Obrigada por tudo!!! SUCESSO tartaruga!!!!!!!!!!!!!!! Leka, Isa e Claudi vocês são meus BEBÊS!!!!! Todos esses anos de faculdade nos uniram cada dia mais, muitos momentos compartilhados! Obrigada por serem minhas amigas em todos os momentos, tanto difíceis como de muita alegria!! Seus derrames, obrigada por estarem comigo todos esses anos! Nunca serão esquecidas!!!!! Claudiane Del Cielo, sua baiana, como que estamos vivas morando esse tempo todo juntas? Hehehehehe Jantares, almoços (deliciosos), bolos (abatumado), invenções com o resto de comida... é... nosso dia dia se resume em COMIDA! Hauishaiushaiusa Claudi, obrigada por ser minha parceira de apartamento! Causamos, brigamos, nos estressamos, bebemos, e foram os melhores momentos de todos! Você é minha irmãzinha! Esquece que você não vai se livrar de mim tão fácil! Teremos muitas histórias pra compartilhar ainda! Obrigada pela ajuda no TCC! Vc foi puta amiga! Obrigada! Os. “sai sai sai sai sai sai ....” :p Primos, tio, tia, amigos da família, obrigada por existirem na minha vida! São poucas as vezes que eu vou pra Rio Claro, mas todas as vezes são simplesmente os melhores. Nos divertimos, nos nossos xurras clássicos, bebemos, damos muita risada e isso faz da minha vida... ser bem melhor! AMO vocês! Livia, Maryane, Jecão, Caio, Zé, Sarah, Obrigada por serem meus parceiros! Conheço vocês desde de ranhentinha, e até hoje posso compartilhar momentos com vocês. Conversar, sair, desabafar, vocês são aqueles amigos que não tem tempo, não tem distância, não tem obstáculo para nos afastar! Agradeço todos os dias por ter conhecido vocês. Amo muito cada um. Haroldo Miguel, vulgo Haroldinho e Laila Maria vocês participaram tão pouco desse processo de faculdade, mas fizeram a diferença. Pude me distrair, me divertir com vocês. Apesar da bagunça eu amoo muitoooooo…. iii “Be sure you put your feet in the right place, then stand firm”. Abraham Lincoln iv ESUMO O presente trabalho tem como objetivo realizar uma análise relacionando a variação dos parâmetros químicos do estuário do rio Itajaí-açu com os parâmetros socioeconômico relativo ao Porto de Itajaí, SC através de dados obtidos ao longo de 10 anos de estudos, uma vez que o município cresceu muito nesse período e se desenvolveu no entorno desse Porto. Os estuários são ambientes importantes tanto no âmbito econômico e político pela presença de indústrias e de centros urbanos como devido a sua alta produtividade biológica e por constituir um habitat para grande diversidade de espécies. Assim, fica evidente a necessidade de se obter uma maior atenção nesse ecossistema, uma vez que ao longo dos últimos anos pôde-se observar um desenvolvimento da cidade portuária e um interesse cada vez maior no mercado internacional, com isso o porto de Itajaí tornou-se mais competitivo e, portanto houve um aumento no fluxo de navios. Com esse fluxo crescente é necessário uma dragagem frequente do canal, a fim de possibilitar a navegação e como consequência há a ocorrência de ressuspensão de sedimento do estuário. Com a urbanização e a presença de indústrias no município de Itajaí, esse sedimento pode estar contaminado e os metais pesados podem estar adsorvidos a ele, contaminando o ecossistema estuarino, devido a sua hidrodinâmica. O levantamento de dados ao longo de 10 anos pode, portanto, possibilitar o entendimento da evolução da poluição do estuário devido ao aumento de dejetos, bem como do crescimento e desenvolvimento da cidade como um todo. Através da aplicação do modelo DPSIR ficou claro que o crescimento da cidade está diretamente ligado ao crescimento do porto e o estuário é o ecossistema mais afetado. Os resultados obtidos para avaliar a qualidade do sedimento do estuário do rio Itajaí-Açu, mostrou que houve um aumento em todos os metais pesados analisados durante o período de 2000 - 2011, sendo o Níquel o único metal com valores acima da concentração máxima permitida pelo CONAMA (N° 344/04). Através da análise da estrutura DPSIR pôde-se perceber que tanto o porto como a cidade possuem políticas públicas e programas que visam ordenar o território de forma a harmonizar essa relação porto-cidade. Palavras-chave: cidade, atividade portuária, estuário, metal pesado. v ISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Representação gráfica da participação do investimento público federal em transportes – 2008 19 Figura 2 - O modelo Anyport de Bird (1963), sintetizado por Rodrigue & Slack (1998): a) estágio de estabelecimento (indicado por 1); b) fase de expansão (2 e 3); e c) fase de especialização (4 e 5) 21 Figura 3 - Diferentes estágios da interface porto-cidade 23 Figura 4 - Apresentação da estrutura do Modelo DPSIR. 33 Figura 5 - Localização da área de estudo 36 Figura 6 - Evolução da ocupação Urbana de Itajaí 39 Figura 7 - Canal de acesso do estuário do rio Itajaí-Açu, nos dias de hoje. 42 Figura 8 - Movimentação no cais do Porto de Itajaí 44 Figura 9- Situação da Barra de Itajaí em 1896. E em 1982 após a ratificação 46 Figura 10 - Fluxograma correspondente às etapas do método 47 Figura 11 - Estrutura DPSIR elaborado com os elementos específicos levantados 51 Figura 12 - Esquema representativo dos dados levantados para identificação das Forças Motrizes 52 Figura 13 - Variação da densidade demográfica (%) ao longo dos anos 53 Figura 14 - Evolução da movimentação de cargas (t) no porto entre os anos de 1991 a 2011 54 Figura 15 - Representação gráfica da evolução da movimentação de contêineres (TEU) no porto entre os anos de 1990 a 2010 54 Figura 16 - Ilustração de um navio Full Container. 56 Figura 17 - Imagem ilustrando as possibilidades de operação dos navios Ro-Ro. 56 Figura 18 - Imagem de um Navio tipo Carga Geral. Realizando a entrega dos portêineres de Santos Brasil (Santos-SP) e APM Terminals (Itajaí-SC) 57 Figura 19 - Representação gráfica da distribuição de navios em porcentagem para o ano de 2000. 57 Figura 20 - Representação gráfica da distribuição de navios em porcentagem para o ano de 2011 58 vi Figura 21 - Representação gráfica do crescimento da distribuição de navios ao longo dos últimos 14 anos 58 Figura 22 - Operação e armazenamento de contêineres no Porto de Itajaí 59 Figura 23 - Empresa APM Terminal Itajaí 60 Figura 24 - Esquema representativo dos dados levantados para identificação da Pressão 61 Figura 25 - Variação da profundidade do canal (m) ao longo dos anos; As dragagens de aprofundamento realizadas nesse período 61 Figura 26 - A draga Charles Darwin, a maior em operação em águas brasileiras. Utilizada para ampliar os canais de acesso e bacia de evolução do complexo portuário de Itajaí. 62 Figura 27 - Evolução da população da cidade de Itajaí no período de 1970 a 2011; Evolução da população rural e urbana de Itajaí, no mesmo período avaliado. 63 Figura 28 - Crescimento do PIB per capita(mil R$) durante os anos de 2000 a 2009 64 Figura 29 - Número de empresas e empregos formais de Itajaí, do ano de 2008. 66 Figura 30 - Representação da frota de automóveis, motocicleta e caminhão no município de Itajaí nos anos de 2004 e 2010. 66 Figura 31 - Fluxo de análise do processo socioeconômico para a dragagem do canal de acesso ao Porto Organizado de Itajaí – SC 67 Figura 32 - Esquema representativo da estrutura formada pelo DPSIR. 68 Figura 33 - Variação da concentração média de Zn (mg/kg) no período de 1999 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. 69 Figura 34 - Variação da concentração média de Cr e Pb (mg/kg) no período de 2000 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. 70 Figura 35 - Variação da concentração média de Cu e Ni (mg/kg) no período de 2000 a 2003 e Ni (mg/kg) no período de 2006 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. 71 Figura 36 - Variação da concentração média de Cd (mg/kg) no período de 2006 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. 73 Figura 37 - Variação da precipitação total de Itajaí-SC, no período de 1999 a 2011. Linhas pontilhadas representam os máximos e mínimos de precipitação (mm). 74 Figura 38 – Esquema da estrutura DPSIR, representada pelo estado e impacto gerados no ambiente 76 Figura 39 - Exemplos da macrofauna do estuário do rio Itajaí-Açu. a) Egretta thula; b)Genidens genidens; c)Callinectes danae. 78 vii Figura 40 - Esquema representativo da estrutura DPSIR como uma abordagem para analisar as ligações entre as relações porto-cidade e o estuário. 80 Figura 41 - Estrutura relacionando a resposta encontrada para todos as etapas do modelo, referente ao porto de Itajaí/SC 82 Figura 42 - Esquema representativo da questão legal envolvida na atividade portuária 83 Figura 43 – Coleta seletiva no Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos 85 Figura 44 – Esquema representativo da estrutura DPSIR como uma abordagem para analisar as respostas envolvendo o porto, o município e o estuário. 88 viii ISTA DE TABELAS Tabela 1 - Níveis de classificação do material a ser dragado em relação à concentração de metal pesado para águas salobras - salinas. 27 Tabela 2 - Concentração máxima permitida de vários metais, na água para proteção da saúde humana 31 Tabela 3 - Situação das Unidades de Conservação (UC) em Itajaí 41 Tabela 4 - Demonstração dos dados levantados para análise da evolução da cidade e do Porto de Itajaí 49 Tabela 5- Número de empresas estabelecidas em Itajaí classificadas por participação relativa e portes – microempresas (ME); pequena empresa (PE); média empresa (MDE); grande empresa (GE) 65 ix ISTA DE QUADROS Quadro 1 - Portos brasileiros classificados de acordo com suas concessões e autoridades. 18 Quadro 2 - Síntese da classificação dos portos, conforme a sua geração 20 Quadro 3 - A macrofauna observada e identificada na área de estudo 77 Quadro 4 - Conjunto de respostas propostas para os componentes do modelo DPSIR aplicado na relação porto-cidade. D – Força motriz, P – Pressão, S – Estado, I – Impacto ). Níveis Federal (F), Estadual (E) e Municipal (M) 81 Quadro 5 – Dados da atual situação de atendimentos as principais conformidades ambientais, de segurança ocupacional e portuária. 87 x SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................................... 13 2. OBJETIVOS .................................................................................................................. 16 2. 1 OBJETIVO GERAL .................................................................................................. 16 2. 2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..................................................................................... 16 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................. 17 3. 1 PORTOS NO BRASIL .............................................................................................. 17 3. 2 RELACÃO PORTO-CIDADE................................................................................... 21 3. 3 POLUIÇÃO DOS ESTUÁRIOS ................................................................................ 25 3. 4 METAIS NO SEDIMENTO ...................................................................................... 29 3. 5 A ESTRUTURA DPSIR ............................................................................................ 32 4. METODOLOGIA .......................................................................................................... 37 4. 1 ÁREA DE ESTUDO ................................................................................................. 37 4.1.1 Cidade de Itajaí .................................................................................................... 38 4.1.2 Aspectos históricos do Porto de Itajaí ................................................................... 42 4.1.3 Estuário do rio Itajaí-Açu ..................................................................................... 45 4. 2 PROCESSOS METODOLÓGICOS .......................................................................... 47 4. 2. 1 Levantamento dos dados Legais ......................................................................... 48 4. 2. 2 Levantamento dos dados Socioeconômicos ........................................................ 48 4. 2. 3 Levantamento dos dados Químicos..................................................................... 49 4. 2. 4 Estrutura DPSIR ................................................................................................ 50 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 51 5. 1 FORÇA MOTRIZ...................................................................................................... 52 5. 2 PRESSÃO ................................................................................................................. 60 xi 5. 3 ESTADO ................................................................................................................... 68 5. 4 IMPACTO ................................................................................................................. 75 5. 5 RESPOSTA ............................................................................................................... 80 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 92 7. RECOMENDAÇÕES .................................................................................................... 94 REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 95 APÊNDICES .................................................................................................................... 102 xii NTRODUÇÃO O complexo Portuário de Itajaí, com seu importante crescimento em movimentação de cargas já foi considerado o segundo porto do planeta em crescimento, sendo que no final de 2009 respondia pela segunda posição no ranking nacional de movimentação de contêineres, posição mantida até hoje. Ao longo do século XX, o município de Itajaí-SC foi sendo interligado cada vez mais ao porto e o crescimento da cidade ocorreu sem qualquer tipo de planejamento do espaço e muito menos sem uma integração entre os setores de transporte e uso do solo. Portanto, o sítio urbano foi se ajustando a margem direita da foz do rio ItajaíAçu, em função da presença do porto. O sistema estuarino, por sua vez, representa além da importância econômica, uma singular diversidade ecológica para zona costeira regional. No entanto, parte do processo de desenvolvimento da região esta apoiado na tríade: desenvolvimento urbano condicionado ao incremento de navios condicionado a dragagem no canal de acesso ao porto. Assim, as dragagens realizadas frequentemente no estuário podem ser consideradas processos paradoxais, pois se por um lado possibilitam o desenvolvimento, por outro são forças motrizes capazes de gerar a remobilização de poluentes nos sedimentos e disponibilizá-los para coluna d’água afetando, assim, a qualidade ambiental da região. Segundo Soares (2009), “Os portos são considerados locais essenciais para o comércio internacional e o desenvolvimento”. Desde a década de 1980, o processo de reformulação da forma de administração vem ocorrendo, em função das novas tendências mundiais. Nestas últimas décadas houve, portanto, uma mudança do sistema de comércio internacional, juntamente com a reformulação de aspectos econômicos, políticos e sociais, se criando uma nova ordem mundial, responsável pela globalização do mercado e transformação do sistema produtivo. O mundo, com isso passou a ser um grande mercado aberto, não permitindo barreiras comerciais. O setor portuário, através do transporte marítimo, tornou-se um dos fatores mais importantes do intercâmbio entre as nações (HOFFMAN & SILVA, 2001). A mudança nos portos iniciou nos meados de 1993, quando foi estabelecida a Lei n° 8.630- Lei de modernização dos portos, criada com o intuito de flexibilizar a gestão e operação dos portos nacionais. Os portos de todo o mundo passaram por um processo de evolução, deixando a fase industrial portuária, por um estágio onde há convergência entre indústrias e serviços, evolução essa permitida pela globalização. A operação portuária é uma 13 atividade, a qual abrange inumeros serviços, sendo, portanto extremamente complexa (GOMES, 2001). Entende-se com isso, que essa atividade atualmente está diretamente vinculada a expansão do comércio internacional, uma vez que o transporte das mercadorias pelos navios é realizado através dos portos. Mais de 90% das exportações, no Brasil, são efetuadas pelos terminais portuários, tornando assim, esses sistemas cada vez mais competitivos frente ao mercado internacional tendendo à modernização e expansão dessas áreas. Representando uma importante fonte de renda para o município e sua população e, consequentemente, para todo o país (SEP/PR, 2012). O Porto de Itajaí está localizado na região considerada mais industrializada do estado de Santa Catarina – o Vale do Itajaí, situa-se à margem direita do Rio Itajaí- Açú (REBELO, 1998). Segundo Soares (2009), o envolvimento da cidade com o aumento da atividade portuária é uma questão de inúmeras reflexões devido aos conflitos que podem ser gerados à medida que há expansão dos portos. Encontram-se localizadas nessa região indústrias do setor têxtil, metalúrgico, beneficiamento de pescado, entre outras, as quais são responsáveis pela produção de grandes volumes de resíduos destinados as malhas. Existe ainda na porção estuarina da bacia hidrográfica do rio Itajaí-Açu a presença dos portos de Itajaí e Navegantes, que aumentam o fluxo de embarcações e exigem dragagens constantes para a manutenção da navegação no canal de acesso e bacia de evolução (GUEVARA-RIBA et al, 2004 apud ZARZOUR, 2009). Ambos os municípios cresceram, expandiram e se desenvolveram no entorno de seus portos, sendo o município de Itajaí considerado umas das cidades portuárias mais importantes do país. Tendo as indústrias de captura e beneficiado do pescado, responsáveis pela base econômica desses municípios. Segundo Clark (1996), os sedimentos em estuários industrializados, com presença de portos contém o legado de séculos a mais de descargas de lixo. As dragagens regulares dos canais de navegação produzem nessas áreas, uma grande quantidade de sedimento dragado contaminado com metais pesados, que são geralmente despejados no mar. A contribuição do presente trabalho está em analisar as questões socioeconômica e ambiental associadas, tendo como base a integração de dados disponíveis entre a atividade portuária, o crescimento urbano da cidade de Itajaí, e a qualidade do sedimento do estuário do rio Itajaí-Açu, tendo como base o período entre 2000 e 2011. A ideia principal foi a de buscar 14 uma relação analítica por meio da aplicação da estrutura avaliativa DPSIR (Driving force, Pressur, State, Impact, Response), na qual possibilitou uma análise dos dados de forma mais simplificada e analítica através da determinação dos componentes de cada estrutura – força motriz, pressão, estado, impacto e resposta. Foi possível, assim, analisar os principais problemas existentes e a possível correlação entre o porto e a cidade de Itajaí. Relação essa complexa, mas capaz de possibilitar o entendimento de um processo histórico iniciado há um século, mas com possibilidades de êxito futuro, caso as presentes análises sejam consideradas. 15 BJETIVOS 2. 1 OBJETIVO GERAL Analisar as relações temporais e socioambientais entre porto-cidade no município de Itajaí- SC, tendo como base a influência na qualidade do sedimento no estuário do rio Itajaí-açu. 2. 2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1. Levantar os aspectos legais portuários no contexto internacional, nacional e local. 2. Levantar e analisar as correlações dos dados socioambientais temporais na relação entre o porto e a cidade de Itajaí- SC, tendo como referência a estrutura DPSIR. 3. Relacionar as relações entre o crescimento e desenvolvimento socioeconômico do município de Itajaí e a qualidade do sedimento do estuário do Rio Itajaí-açu. 16 3. UNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3. 1 PORTOS NO BRASIL A estrada natural, que cobre mais de dois terços do globo terrestre, tem sido sabiamente utilizada e o transporte marítimo e os portos têm contribuído muito para o engrandecimento das nações e consequentemente para o progresso da humanidade. Através da história dos portos brasileiros ao longo dos anos pôde-se ter uma confirmação de que o governo não é um bom administrador portuário. Havia muita interferência do Estado sem contar a burocracia sufocante e a falta de investimento, assim o modelo portuário existente não atendia as necessidades na qual era exigido pelo comércio brasileiro (COLLYER, 2007). Os portos brasileiros se inseriram em uma nova fase, com a entrada de Getúlio Vargas ao poder, na qual se estabeleceu a primeira sistematização da legislação portuária. O Estado assumiu o papel de financiador e operador a partir da década de 1930, e o ápice desse processo foi em 1975, com a criação da Empresa de Portos do Brasil S.A., Portobrás, através da lei n. 6.222, de 10 de julho (COLLYER, op cit ). A Portobrás explorava os portos por meio de subsidiárias (Companhia Docas), fiscalizando as concessões estaduais de terminais privativos de empresas estatais e privadas. (IPEA, 2010). Segundo Rebelo (1998), essa criação teve como objetivo “pulverizar a administração dos portos, que era considerada demasiadamente centralizadora”. Assim 25 portos passaram a ser controlados pela empresa, ou seja, a descentralização prevista, não foi efetivada. Foi em 1993, com o intuito de modernizar os portos brasileiros, que se criou a Lei n. 8.630, de 25 de fevereiro, conhecida como Lei dos Portos, permitindo aos interessados o direito de explorar as instalações portuárias através de reformas, ampliações, estimulando a concorrência entre os portos. Essa mudança representou a fase mais difícil para o sistema portuário nacional, uma vez que passou a existir uma nova regulamentação da administração nos portos. Essa nova lei esta ligada a maior demanda por equipamentos mais modernos e melhores instalações e eficiência dos serviços, ocasionando um avanço na privatização dos serviços portuários (TOVAR, FERREIRA, 2006). Pode-se mencionar três modalidades na transferência da operação portuárias públicas para o setor privado, como: Concessão da administração portuária; Qualificação e atuação de 17 operadores portuários privados; e Arrendamento de áreas e instalações portuárias. A reforma portuária determina dois tipos de portos, o porto organizado – sob jurisdição de uma autoridade portuária; e a instalação portuária de uso privativo – explorada por pessoa jurídica de direito público ou privado, fora da área do porto organizado. Considerando ainda que o porto organizado é supervisionado pelo CAP (Conselho de Autoridade Portuária), compostos por representantes de todos os setores participantes da atividade portuária, tendo como objetivo regulamentar a exploração dos portos. (TOVAR, FERREIRA, 2006). A reforma portuária brasileira foi realizada justamente devido a tendência mundial da época, no final da década de noventa, compatível com o inicio do processo de globalização, ou seja, as crescentes esferas de circulação e trocas, o aumento de mercadorias, pessoas, capital e informação. Fato esse visível, com a implementação do uso de contêiner, possibilitando a inclusão de rede logística competitiva (MONIÉ, 2003 apud MALLAS, s.d). Essa reforma ocorreu baseada nos mesmos motivos dos demais países que antecederam o Brasil nessa iniciativa (Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Chile, dentre outros), decorreram principalmente da intensificação do comércio e competição internacionais e das importantes tecnológicas nos transportes rodoviário e marítimo (WORLD BANK, 2001). Atualmente o sistema portuário brasileiro é composto por 37 portos públicos, entre marítimos e fluviais, dentre eles 18 são concedidos ou têm sua operação autorizada a administração por parte dos governos estaduais e municipais. Existem também 42 terminais de uso privativo e três complexos portuários que operam sob concessão da iniciativa privada. Já os portos fluviais e lacustres são de competência do Ministério dos Transportes. Dentre os 34 portos públicos marítimos sob gestão da Secretaria Especial dos Portos, 16 encontram-se concedidos ou tem sua operação autorizada aos governos estaduais e municipais. Os outros 18 marítimos são administrados diretamente pela Companhia Docas, cujo acionista majoritário é o Governo Federal e, portanto, estão diretamente vinculadas a Secretaria Especial de Portos (SEP, 2009). O Quadro 1 mostra os portos brasileiros classificados segundo suas concessões e autoridades portuárias. 18 Quadro 1 -. Portos brasileiros classificados de acordo com suas concessões e autoridades CONCESSÃO A GOVERNOS ESTADUAIS DELEGAÇÃO A GOVERNS ESTADUAIS E MUNICIPAIS CONCESSÃO A ENTIDADES PRIVADAS ADMINISTRADOS POR EMPRESAS VINCULADAS À SECRETARIA ESPECIAL DEPORTOS AUTORIZAÇÃO A GOVERNO ESTADUAL PORTO DE SÃO SEBASTIÃO (SP) PORTO DE SÃO FRANCISCO DO SUL (SC) PORTO DE PANORAMA (SP) PORTO DE PRESIDENTE EPITÁCIO (SP) PORTO DE IMBITUBA (SC) PORTO DE PORTO VELHO (RO) PORTO DE MANAUS (AM) PORTO DO ITAQUI (MA) PORTO DE CABEDELO (PB) PORTO DO RECIFE (PE) PORTO DE FORNO (RJ) PORTOS DE PARANAGUÁ (PR) PORTOS DE ANTONINA (PR) PORTO DE ITAJAÍ (SC) PORTO DE PORTO ALEGRE (RS) PORTO DE PELOTAS (RS) PORTO DO RIO GRANDE (RS) PORTO DE CÁCERES (MT) PORTO FLUVIAL DE CORUMBÁ / LADÁRIO MS) PORTO DE SUAPE (PE) PORTO DE BELÉM (PA) PORTO DE SANTARÉM (PA) PORTO DE VILA DO CONDE (PA) PORTO DE FORTALEZA (CE) PORTO DE AREIA BRANCA (RN) PORTO DE NATAL (RN) PORTO DE MACEIÓ (AL) PORTO DE SALVADOR (BA) PORTO DE ARATU (BA) PORTO DE ILHÉUS (BA) PORTO DE PIRAPORA (BA) PORTO DE VITÓRIA (ES) PORTO DE NITERÓI (RJ) PORTO DE RIO DE JANEIRO (RJ) PORTO DE ITAGUAÍ (RJ) PORTO DE ANGRA DOS REIS (RJ) PORTO DE SANTOS (SP) PORTO DE ESTRELA (RS) PORTO DE CHARQUEADAS (SP) Fonte: SEP (2012) Atualmente, o porto de Itajaí constitui-se o único terminal portuário municipalizado do país, e sua gestão vem servindo de modelo para outros portos brasileiros (PORTO DE ITAJAÍ, 2009). 19 As instituições públicas responsáveis pelo planejamento e pela gestão portuária no Brasil, para o transporte aquaviário são a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e a Secretaria Especias de Portos (SEP). A ANTAQ, instituída pela Lei no 10.233/2001, de uma forma geral é responsável pela implementação das políticas formuladas pelo Ministério dos Transportes e pelo Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte (CONIT), além do papel de fiscalização (IPEA, 2010). Já a SEP, criada por uma medida uma provisória referente a Lei no 11.518/2007, é uma instituição vinculada a Presidência da República. Basicamente tem com competência, a formulação de políticas e diretrizes para o formento do setor. Além da participação no planejamento estratégico de planos, visando garantir segurança e eficiência ao transporte aquaviário (PORTOS DO BRASIL, 2012). Segundo os dados do IPEA (2010) um dos maiores bloqueios na expansão do setor portuário nacional, está na deficiência de infraestrutura que compromete o potencial do setor. A figura 1 mostra que em 2008, apenas 17% do investimento públicos federais em transporte foram destinados ao setor hidroviário, e destes, aproximadamente 80% (R$ 327 milhões) destinados aos portos. . Figura 1 - Representação gráfica da participação do investimento público federal em transportes – 2008. Fonte: Brasil (2009e) apud IPEA (2010) De acordo com ANTAQ (2012), através de pesquisas realizadas com usuários de nove portos, fica evidente a necessidade de mudanças de hábitos e atitudes no tratamento dos 20 usuários dos serviços portuários. Além da necessidade de revisão da distribuição dos fluxos de carga entre os portos, de forma a otimizar a infraestrutura viária e portuária disponível. 3. 2 RELACÃO PORTO-CIDADE O porto pode ser classificado de várias formas, segunda a abordagem da UNCTAD (1996), esse é classificado segundo sua geração (Quadro 2), ou seja, entre os critérios envolvidos tem-se o laço entre o porto, cidade e usuários, suas atividades comerciais e industriais, além da plataforma logística de comércio. Quadro 2 - Síntese da classificação dos portos, conforme a sua geração Denominação - Geração Características O porto era meramente o local de interface de transbordo de cargas entre o mar e a terra, com áreas A. Portos de Primeira Geração (anteriores a 1950) de armazenamento. Este tipo continua a existir e limita a importância da atividade portuária, tornando-a isolada das formas de transporte (modais) e atividade comerciais da cidade portuária e das próprias empresas que atuam no porto. Inclui as atividades listadas no item (A), mais atividades comerciais e industriais que agregam B. Portos de Segunda Geração valores aos produtos, não ocorrendo apenas o transbordo de cargas. O porto PE o centro de serviços e manuseio de produtos. Inclui as atividades listadas nos itens A e B mais a estruturação e o estreitamento dos laços entre o porto, C. Portos de Terceira Geração (Depois de 1980) cidade e usuário, com incremento de um sistema de processamento e integração de dados. Surgiu principalmente pela conteinerização de cargas. O porto torna-se uma plataforma logística do comércio. Fonte: UNCTAD (1992 apud SOARES, 2009) Devido ao crescimento portuário houve a necessidade dos portos adquirirem áreas adjacentes para expandir-se e com isso, muitos conflitos foram gerados no que diz respeito ao envolvimento da cidade com essa expansão. 21 Bird em 1963 desenvolveu o modelo conhecido como “Anyport”, no qual mostra como varia no tempo e no espaço a infraestrutura de um porto, baseado em 5 estágio de desenvolvimento. Rodrigue et al. (2007), sintetizaram posteriormente em 3 etapas, como ilustra a Figura 2: Figura 2 - O modelo Anyport de Bird (1963), sintetizado por Rodrigue & Slack (1998): a) estágio de estabelecimento (indicado por 1); b) fase de expansão (2 e 3); e c) fase de especialização (4 e 5). Fonte: Rodrigue et al. (2007) Estabelecimento: A fase inicial do estabelecimento de um porto está fortemente dependente dos aspectos geográficos. Na maioria das vezes está relacionado a um porto de pesca, no qual evolui com as atividades de construções de navios e de comércio que se desenvolvem no local. Porém os portos permaneceram rudimentares por vários séculos, e suas atividades eram focadas principalmente em armazenagem e venda. Expansão: A revolução industrial desencadeou várias mudanças nas atividades portuárias. Houve a expansão dos cais e as construções dos moles para manejar o crescente número de cargas e passageiros além das maiores dimensões dos navios. Como consequencia a essa expansão, docas foram construídas para atender essa nova demanda. Além disso, houve a integração das linhas férreas aos terminais permitindo o acesso a uma ampla hinterlândia e com isso um crescimento proporcional do tráfego 22 marítimo. Nessa fase as atividades do porto também se expandiram e incluíram as atividades industriais Especialização: A última fase envolve a construção de píers especializados para administrar as cargas tal como contêineres, minérios, grãos, petróleo e carvão, para isso foi preciso expandir as necessidades de armazenamento. Consequentemente houve a necessidade de dragagens contínuas e construções de moles cada vez maiores para possibilitar a entrada de navios maiores com elevada capacidade de transporte. Essa evolução implicou a migração de muitos portos para fora do seu estabelecimento inicial, que eram geralmente localizados no centro das cidades, tornando-se obsoletos e abandonados. Segundo Daamen (2007), o conceito da interface porto-cidade foi introduzida por Hayuth em 1982. Na segunda metade do século passado, a relação dos portos e suas cidades se tornaram cada vez mais diferenciada e muitas vezes mais independentes em face a competição regional e a globalização. Além das mudanças tecnológicas e das relações de modernização das operações portuárias, havia um aumento no interesse público sobre as áreas costeiras. O contínuo desenvolvimento dos portos acelerou a suas tendência de abandonarem as áreas centrais das cidades, onde inicialmente foram instalados, deslocando-se para áreas mais afastadas. O que não só levou a um afrouxamento da relação espacial e funcional entre o porto e a cidade, mas também a um enfraquecimento dos usos tradicionais da terra característica da orla urbana. Soares (2009) cita os estudos de Godoy (1998) desenvolvidos em seis portos europeus (Liverpool, Marselha, Hamburgo, Gênova, Roterdã e Barcelona), nos quais mostraram que a com o decorrer do tempo a relação entre o porto e a cidade se alteram, podem-se destacar três momentos que indique essas mudanças: a) fase de união; b) fase de divórcio; c) fase de reconversão. Os trabalhos que envolvem a relação porto-cidade, de forma geral, tentam criar estratégias para reaproximar essa relação (Figura 3). 23 Figura 3 - Diferentes estágios da interface porto-cidade Fonte: Hoyle ( 1998 apud Daamen, 2007) Hoyle (1998) apud Daamen (2007) argumenta a figura 3, dizendo que a remodelação da orla urbana provocou uma união do porto e da cidade, culturalmente, espacialmente, socialmente e economicamente. Através do surgimento do pós-modernismo na orla urbana, Norcliffe et al. (1996) citado no trabalho de Daamen (2007), na década de 1990, distinguiram três categorias da relação porto-cidade. Primeiramente, diz respeito a movimentação de cargas, houve uma queda na taxa de emprego, devido a introdução de equipamentos. Em segundo lugar, estão as relações baseado no financiamento do comércio, sendo estes considerados mais importantes para relação porto-cidade, como a tradição da cidade, estatus, reputação e a habilidade de comércio acumulado. E para finalizar, os portos realocados criaram o seu próprio aglomerado de importação de indústrias de processamento, além de outras empresas que foram atraídas 24 para o local, proporcionando mais empregos na cidade relacionados indiretamente ao porto. Assim, a presença do porto, tem muito valor econômico, com relação a empregos diretos e indiretos gerados, como para facilitar o ambiente de negócio atraente, tanto para o porto como para atividades relacionadas. 3. 3 POLUIÇÃO DOS ESTUÁRIOS Existem várias definições de estuários devido as suas propriedades divergentes encontradas em diferentes regiões do mundo. Pritchard (1967) foi o primeiro a definir o estuário, posteriormente Dalrymple et al (1992) modificou essa definição para incluir mais processos físicos e geomorfológicos. Mais recentemente, Perillo (1995) realizou uma definição ainda mais compreensiva, “um corpo de água costeiro semifechado que se estende até o limite de influência da maré, dentro do qual a entrada de água do mar é proveniente de uma ou mais ligações livres com o mar aberto, ou qualquer corpo de água salino costeiro, sendo significantemente diluída com a água derivada da drenagem costeira, e podendo sustentar espécies eurihalina de qualquer parte do seu ciclo de vida”. Porém, de uma forma geral os estuários são comumente descritos como um corpo de água semifechado, situado na interface entre a terra e o oceano, onde a água do mar é diluída pela entrada de água doce (HOBBIE, 2000; BIANCH, 2007). Em condições naturais, esse ecossistema é considerado biologicamente mais produtivo do que os rios e do que o oceano adjacente, uma vez que eles apresentam altas concentrações de nutrientes, responsáveis por estimular a produção primária. Constituem o hábitat natural de aves, mamíferos, peixes e grande importância no papel das rotas migratória, além de ser o ambiente de desova e o berçário de muitas comunidades biológicas. Esses ambientes também proporcionam rotas de transportes e geram oportunidades de recreação para população humana (MIRANDA et al, 2002; HOBBIE, 2000). A atividade do homem e sua influência sobre os estuários só foi reconhecida como importante na metade do século XIX, visto que esse ecossistema sofria basicamente a influência da descarga de efluentes de natureza doméstica e de certa forma da agricultura, ocasionando a erosão de suas áreas, resultando em um maior transporte de sedimento para os rios. Já em meados do século passado, houve uma expansão das atividades industriais próximas a esses locais, expansão da agricultura (com utilização de fertilizantes), da indústria 25 pesqueira e observou-se também um aumentou na construção de barragens (MIRANDA, 2002). Assim, o aumento da população seguido das mudanças na forma do uso da terra, nas regiões costeiras, tornou-se inevitável que o fluxo de água, os sedimentos, as matérias orgânicas e nutrientes inorgânicos fossem afetados nos estuários (HOBBIE, 2000). Schettini (2001) relata, segundo dados da Geophysics Study Commitee (1977), que existe uma importância histórica ligada aos estuários, cerca de 60% das grandes cidades do mundo todo estão localizados próximos a esse ambiente, desta forma eles podem ser considerada uma das mais valiosas regiões do nosso planeta. Porém, considerando o contínuo e desordenado crescimento da população humana ao seu redor, cada vez mais estes ambientes vêm sofrendo impactos de diferentes tipos de atividades (SCHETTINI, 2001). Bianch (2007) relatou em uma matéria da “National Reaserch Council” (NRC) de 1994, uma listagem dos maiores efeitos que o aumento da população podem causar no ambiente estuarino: Blooms de algas, ocasionado pelo aumento de nutrientes, especialmente o Nitrogênio, podendo ocasionar o esgotamento do oxigênio; Alteração da paisagem, o desvio da água, e a barragem do rio têm mudado a quantidade padrão de água doce que chega ao estuário, bem como a quantidade de sedimento transportado; Sobrexplotação dos recursos naturais, tem diminuído a quantidade dos organismos aquáticos ali presentes; Poluição industrial, deixando resíduos tóxicos nos estuários; Introdução de espécies exóticas nos estuários, resultando em perda da biodiversidade, degradação de habitat e redução da produção pesqueira Os ecossistemas estuarinos também são locais adequados para instalação de portos, pois constituem uma via de acesso para o interior do continente e suas águas são renovadas periodicamente devido à influência da maré. Sendo assim, o crescimento econômico sempre esteve profundamente ligado a este ambiente (KETCHUM, 1983). Sendo o porto um centro de atividades socioeconômicas com potencial de gerar poluentes no meio ambiente, podem ser levantadas as principais fontes desta poluição. A degradação do estuário leva a diminuição e o desaparecimento de algumas espécies de pescado e pode, com isso, mudar os hábitos culturais da pesca artesanal na região. Além disso, o processo de dragagem realizado frequentemente no canal pode contribuir para a deterioração dos 26 ambientes estuarinos e marinhos adjacentes, por causar ressuspensão de partículas e contaminantes na coluna de água (KETCHUM, 1983). A partir da descrição da Lei nº 9.966/00, a contaminação do estuário deve-se aos navios, bem como as indústrias e aglomerados urbanos em seu entorno, além da descarga ou qualquer despejo, escape, derrame, vazamento ou lançamento de substâncias, como lixos, a partir de um navio, porto organizado e instalações portuárias. Sem contar a contaminação por óleo gerada pelos navios, sendo esse qualquer forma de hidrocarboneto. Outro problema importante a ser colocado é a água de lastro, de acordo com a NORMAM-20, água de lastro “é a água com suas partículas suspensas levada a bordo de um navio nos seus tanques de lastro, para o controle da banda, calado, estabilidade ou tensões do navio”. O navio ao chegar ao porto de destino, despeja a água trazida de outros portos, ou seja, essa água normalmente despejada contém espécies marinhas que foram coletadas involuntariamente em outros ecossistemas, podendo produzir efeitos indesejados ao meio ambiente desta área. Além de alterar o ecossistema, esta água de lastro pode ser disseminadora de bactéria e, portanto provocar epidemias nesta região (GUIMARÃES, 2012). Segundo Clark (1996), os sedimentos em estuários industrializados, com presença de portos contém o legado de séculos a mais de descargas de lixo. As dragagens regulares dos canais de navegação produzem nessas áreas, uma grande quantidade de sedimento dragado contaminado com metais pesados, que são geralmente despejados no mar. Sendo assim, sedimentos estuarinos fornecem um registro recorde de acumulação de metais traço proveniente das vias fluviais, atmosféricas, de fontes antropogênicas. Os principais impactos ambientais decorrentes das dragagens são: poluição, aumento da turbidez da água e consequente diminuição da penetração da luz solar, alterações na fauna aquática, acidentes com embarcações, alteração na hidrologia fluvial, deslocamento temporário da avifauna e ictiofauna (FOGLIATTI et al, 2004 apud ANTUNES, 2010). Uma dragagem pode ser responsável por remobilizar metais pesados presentes no substrato lodoso de rios, afetando diretamente os organismos do estuário. Por outro lado, essas atividades também podem contribuir na dinâmica e circulação de estuários, possibilitando a rápida recolonização, além de proporcionar a entrada de novas espécies no local (BRANCO, 2009). Com o intuito de acomodar navios cada vez maiores nos portos, aumentaram-se as atividades de dragagens. Infelizmente os materiais dragados muitas vezes contêm esgoto ou 27 resíduos sólidos industriais ou até mesmo lixos provenientes das ruas. Assim, eles frequentemente possuem grandes quantidades de substâncias químicas com elevada toxicidade, patógenos, pesticidas, óleos e metais pesados, os quais podem exercer uma alta demanda de oxigênio no ambiente ao redor (BISHOP, 1996 ). Sendo assim, o Conselho Nacional do Meio Ambiente criou a Resolução CONAMA N° 344/04, que determina as diretrizes gerais e procedimentos a serem tomados com relação ao sedimento dragado. Os critérios de qualidade são definidos com respeito aos níveis de concentração de metais pesados para o sedimento, conforme cada tipo de água (doce ou salina-salobra) (BRASIL, 2004). A Tabela 1 representa esses níveis, tendo como referência publicações canadenses e norte-americanas. Tabela 1 - Níveis de classificação do material a ser dragado em relação à concentração de metal pesado para águas salobras - salinas. Fonte: Adaptado de Resolução CONAMA N° 344/04 O Nível 1 é o “limiar abaixo do qual prevê-se baixa probabilidade de efeitos adversos a biota”, para valores menores ou iguais a esse Nível não é necessário estudos complementares para a sua caracterização, e o Nível 2 é o “limiar acima do qual prevê-se um provável efeito adverso a biota”, valores entre o Nível 1 e 2 deve ser submetido a ensaios ecotoxicológicos, já os valores acima do Nível 2 deve ser submetidos a estudos que 28 comprovem que a biota não sofre efeitos adversos superiores aos esperados para o Nível 1 (BRASIL, 2004). 3. 4 METAIS NO SEDIMENTO Sedimentos têm sido amplamente utilizados como indicadores ambientais, uma vez que eles possuem grande capacidade de incorporar e acumular elementos contaminantes. A poluição dos sedimentos está intimamente ligada à poluição das águas, eles são levados pelos rios para outros cursos de água ou para o mar, desta forma, a realização de análises nos sedimentos serve para rastrear fontes de contaminação ou monitorar esses contaminantes (HORTELLANI, 2008). Os sedimentos dos estuários podem fornecer um registro de longo prazo sobre a acumulação de metais pesados vindos de rios, da atmosfera e de fontes antropogênicas, dentre as quais se destacam: efluentes domésticos, efluentes industriais, carga difusa urbana e agrícola (CLARK, 1996). Basicamente os sedimentos diferem-se pela mineralogia, morfologia, propriedades físicoquímicas e mecânicas. Conforme o seu tamanho os sedimentos podem ser classificados em finos e grossos. Os sedimentos finos possuem partículas menores de 0,062mm, são constituídos principalmente de argila, matéria orgânica, quartzo de grão fino, partículas de carbonato e feldspato. Esses sedimentos são transportados por distâncias maiores e ficam suspensos por um tempo maior em relação aos sedimentos grossos, se acumulando em condições mais calmas como, por exemplo, ambientes lagunares e estuarinos. Já a composição dos sedimentos grossos, de modo geral, é menos diversificada, constituída principalmente de quartzo com mistura de feldspato, além disso, possuem grãos com partículas menores que 0,062mm (SALOMONS & FÖRSTNER, 1984; WENTWORTH, 1922). O destino e o transporte dos elementos traço nos estuários são controlados por uma grande variedade de fatores, como reações redox, forças iônicas, abundância de superfícies adsorvidas e pH. A elevada dinâmica dos sistemas estuarinos faz o ciclo do metal traço, nesses ambientes, ser mais complexo quando comparada a outros sistemas aquáticos. Esses fatores descritos são responsáveis pela intensa floculação do sedimento e outras partículas, no momento em que a água doce encontra com o mar, aumentando a adsorção dos metais e outras substâncias no processo de floculação. Assim os estuários estão sujeitos à 29 sedimentação de partículas pesadas, gerando uma grande quantidade de sedimentos contendo material orgânico, metais, pesticidas, entre outros (BIANCH, 2007; CLARK, 1996). Neto et al (2004), também relatam os fenômenos de agregação biológica e a floculação e os consideram fundamentais na deposição de sedimentos finos dentro do estuário. Ambos os fenômenos são responsáveis pelo aumento da velocidade de decantação das partículas finas. A agregação biológica é realizada por alguns organismos marinhos, principalmente os filtradores, que vivem nesses ambientes, como por exemplo, os moluscos. Para isso, esses organismos ingerem as partículas de argila em suspensão na água e expelem, posteriormente, na forma de pelotas fecais dessa forma, a deposição é mais rápida. Já o fenômeno de floculação ocorre quando há mistura de água salgada com água doce no estuário, dessa forma essa mistura de massas de água irá causar um efeito neutralizador devido a presença de cátions livres na água do mar, e possibilitando a aproximação por forças de atração molecular das partículas de argila, que possuem carga elétrica negativa em sua superfície, provocando sua floculação e deposição junto ao fundo (NETO et al, 2004). A matéria orgânica também possui um importante papel no transporte de metais, uma vez que ela pode mascarar os metais pesados e tomar lugar no processo diagenético após a sedimentação (SALOMONS & FÖRSTNER, 1984). Hortellani (2008) relata que a ocorrência de uma variação nas características físicas e químicas do meio (pH, salinidade) pode ser o suficiente para liberar um poluente incorporado no sedimento, ou seja, mudanças nas condições ambientais e dragagens pode ser responsáveis por transformar os sedimentos em fontes de contaminação (CLARK, 1996; HORTELLANI, 2008). Os metais não são homogeneamente distribuídos pelas diferentes frações granulométricas de sedimento, e grandes diferenças são observadas na concentração total de metais em amostras de sedimentos de uma mesma área. Dentro das frações de tamanho de grão, os sedimentos finos, formados basicamente por minerais argilosos, mostram relativo enriquecimento por metais, enquanto que no silte e nas frações de areias finas, ou seja, conforme aumenta a granulometria ( o teor de quartzo nas amostras tende a aumentar) e a concentração de metais geralmente decresce (SALOMONS & FÖRSTNER, 1984). Os metais são constituintes naturais das águas marinhas e constantemente ocorre a sua entrada natural nestes ambientes, seja pela erosão das rochas, pelo vento ou pelas queimas de 30 florestas e de vegetações, sendo assim se torna complicado avaliar quanto desta entrada é resultante de ações antropogênicas (CLARK, 1996). Os elementos traço, assim como muitos outros, são originados de rochas da crosta terrestre, como os xistos argilosos, arenitos, rochas metamórficas e ígneas. A relação da crosta terrestre com os metais traço está amplamente relacionada ao intemperismo físico e químico das rochas, além da larga escala de distúrbios antropogênicos. As principais entradas dos metais traço nos estuários são as vias fluviais, atmosféricas e as atividades humanas. Estas fontes antropogênicas são principalmente provenientes dos fertilizantes, pesticidas, água de irrigação contaminada, queima de biomassa na zona rural, emissões por automóveis, incineração de resíduos urbanos e industriais entre outros (BIANCH, 2007; TAVARIS, 1992). Muitos metais são essenciais para a vida dos organismos: o ferro presente na hemoglobina é responsável pela respiração nos vertebrados e invertebrados; os pigmentos respiratórios, a hemocianina, dos moluscos e crustáceos contém cobre; muitas enzimas contêm zinco, entre outros. Os metais de interesse biológico podem ser divididos em 3 grupos: Metais leves (e.g.sódio, potássio, cálcio); Metais transicionais (e.g. ferro, cobre, cobalto e manganês) são considerados essenciais em baixas concentrações, mas podem ser tóxicos em altas concentrações; Metalóides (e.g. o mercúrio, selênio, chumbo, estanho e arsênio) que geralmente não são utilizados nas atividades metabólicas e são considerados tóxicos em baixas concentrações (CLARK, 1996). Existe em torno de vinte metais considerados tóxicos para os humanos, sendo que Hg, Cd, Pb, As, Mn, Tl, Cr, Ni, Se, Te, Sb, são os de maior utilização industrial, e por isso são os mais estudados. Uma das características mais marcante desses elementos é o fato de apresentarem propriedades de bioacumulação e biomagnificação, sendo assim considerados persistentes no ambiente. Essas propriedades são responsáveis em transformar concentrações consideradas normais em concentrações tóxicas para diferentes espécies da biota e para o homem, ou seja, mesmo que as emissões destas substâncias sejam cessadas, elas garantem efeitos ao longo prazo (TAVARIS, 1992). A Tabela 2 mostra a toxicidade relativa de vários metais, baseada nas concentrações máximas permitidas nas águas, com intuito de proteger a saúde humana. 31 Tabela 2 - Concentração máxima permitida de vários metais, na água para proteção da saúde humana. * Fonte: Adaptado de Edward (1993) Dentre os metais listado na Tabela 2, o mercúrio, chumbo, cádmio e o selênio possuem as menores valores em concentração máxima permitida, ou seja, a presença desses metais mesmo em pequenas quantidades já são o suficiente para afetar a saúde humana. 3. 5 A ESTRUTURA DPSIR Por recomendação da Agência Ambiental Europeia (EEA) na tentativa de desenvolver estratégias para Avaliação Ambiental, a RIVM ( Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente, Bilthoven, Holanda) propôs a utilização de um modelo, no qual distingue as forças motrizes, as pressões, o estado, os impactos e as respostas. Esse trabalho se tornou conhecido como a estrutura de avaliação DPSIR (Driving force, Pressur, State, Impact, Response) e tem sido cada vez mais adotado pela EEA, agindo como uma abordagem integrada para a comunicação, por exemplo, nos relatórios do Estado Ambiental do EEA (KRISTENSEN, 2004). O trabalho realizado por Kristensen (2004) descreve a estrutura DPSIR (Figura 4) e explica que esta se apresenta por meio de uma interessante análise capaz de determinar indicadores necessários para elaborar políticas de qualidade ambiental, possibilitando, assim, a ciência dos impactos gerados, influenciando nas políticas que serão implementadas. A estrutura é eficaz e eficiente para descrever a relação entre as origens e consequências de problemas ambientais, mas na tentativa de compreender sua dinâmica é também necessário 32 focar nas conexões entre os elementos do modelo. No caso de gerir os recursos de água, por exemplo, se tem como objetivo salvaguardar a saúde humana enquanto se mantêm a sustentabilidade aquática e os ecossistemas terrestres associados (KRISTENSEN, 2004). De qualquer forma, é importante quantificar e identificar o estado atual e os impactos do meio ambiente e como eles mudam com o passar do tempo. A força motriz é uma necessidade. As forças motrizes primárias para um indivíduo são, por exemplo, as necessidades de mobilidade, entretenimento e cultura. Enquanto as secundárias são consideradas as necessidades de mobilidade, entretenimento e cultura. Num contexto macroeconômico, a produção ou o processo de consumo estão estruturados de acordo com os setores econômicos. Pressão: Na tentativa de amenizar as necessidades humanas, como o transporte, a produção alimentar, os segmentos sociais responsáveis pela força-motriz fazem certas atividades no meio. Essas atividades por sua vez exercem “pressão” sobre o meio ambiente. Estado: Como resultado da pressão, o “estado do ambiente” é representado como a combinação das características físicas, químicas e biológicas. Impactos: As possíveis mudanças nas características físicas, químicas ou biológicas do estado do ambiente determinam a qualidade dos ecossistemas e o bem-estar dos seres humanos. Ou seja, as alterações no estado do ambiente pode ter um “impacto” ambiental ou econômico sobre o funcionamento dos ecossistemas e sobre a saúde humana e sobre os desempenhos econômicos e sociais da sociedade. Respostas: A ‘resposta’ imposta pela sociedade ou decisórios políticos seria o resultado de um indesejável impacto. Um exemplo bem prático relacionando a força motriz se tem como uma resposta a implementação de uma política pública para alterar o modo de transporte, a partir do privado (automóveis) ao público (comboios). 33 Figura 4 - Apresentação da estrutura DPSIR. Fonte: Adaptado de Kristensen (2004) A estrutura DSPIR é montada de forma a correlacionar todos os elementos, como exemplificado na Figura 4. Em cada parte da estrutura são levantados todos os dados que possibilite o entendimento de cada elemento da estrutura. Posteriormente é possível correlacionar os dados a fim de compreender como o ciclo se fecha, e assim realizar um diagnóstico socioambiental, para o entendimento da qualidade do ambiente estudado, as políticas públicas aplicadas, entender se o sistema em si está conectado e estruturado de forma conjunta, com intuito de gerir as zonas costeiras e os ambientes marinhos. Esta estrutura tem sido utilizada com sucesso, em muitos trabalhos nomeadamente nos Relatórios de Estado do Ambiente da Europa, e de Estado e Resposta da Gestão do Ambiente Marinho e Costeiro Mediterrâneo, assim como em outros estudos aplicados aos oceanos e zonas costeiras (ANTUNES & SANTOS, 1999). Esta pode ser uma ferramenta útil e eficiente para efetuar a gestão de informação de sistemas complexos como os estuários, por exemplo, essencialmente quando a informação existe, mas encontra-se de forma dispersa e quando é necessário implementar medidas de gestão ambiental (CAEIRO et al 2001). Caeiro et al. (2001), utilizaram a estrutura DPSIR para apresentar uma metodologia conceitual de gestão do estuário do Sado em Portugal. O trabalho buscou avaliar a qualidade 34 do ecossistema, com base em indicadores da qualidade ambiental previamente selecionado, com informação socioeconômica. O Estado do estuário foi avalizado através do compartimento sedimentar e zoobentônico, sendo que o sedimento é o comportamento onde os contaminantes, como os metais pesados, tendem a acumular primeiro. Muitos autores têm utilizado o sedimento para monitorar o comportamento aquático, revelando grandes vantagens em comparação com as amostragens tradicionais de água. Para avaliação da qualidade ambiental do estuário foi realizado a caracterização dos indicadores de Estado e Impacto. Após a determinação da qualidade ambiental foram adicionados os outros indicadores das categorias do modelo DPSIR, nomeadamente informações socioeconômicas. Com esta integração foi possível também utilizar o modelo de transporte de sedimento que permitiu indicar qual área do estuário sofre um efeito e consequente impacto de um determinado indicador de pressão. A metodologia aplicada no Estuário do Sado pode ser aplicada a qualquer zona costeira para avaliar as condições ambientais, para execução de planos de gestão, além de elaboração de ações específicas de recuperação a serem efetuadas pelas entidades governamentais. Meybeck et al. (2007) também aplicaram o modelo DPSIR para avaliar os metais pesados presentes na bacia do Rio Sena, na França. Determinou-se a contaminação por metais pesados (Hg, Pb,Cd, Cr e Zn) e relacionou as interações entre os metais e a pressão urbana combinado ao fato da bacia do Sena ter um limitado poder de diluição. A bacia do Sena é responsável por 25% da agricultura francesa, de 25 a 30% da atividade industrial, sendo o crescimento populacional a Força Motriz. As pressões urbanas exercidas sobre a bacia do Sena são consideradas muito significativas, a maioria dessa população urbana está ligada a uma única estação de tratamento de águas residuais, na qual lança seu esgoto tratado cerca de 70 Km a jusante do rio de Paris. A evolução do Estado de contaminação por metais esta diretamente ligada a Pressão, e são consideradas duas vias principais de contaminação, as vias de emissões atmosféricas e as fontes pontuais urbanas e industriais pelas redes de esgoto. Os impactos avaliados são os ecológicos e econômicos. A fim de se obter uma resposta para esses problemas levantados surgiram as coletas e tratamentos dos resíduos lançados na água, o desenvolvimento de estudos e investigações ambientais e a evolução dos regulamentos. Em 2009, Kaneko et al. (2009) realizaram um estudo devido a estimulação da rápida urbanização e crescimento populacional na Ásia, resultado do crescimento econômico e a industrialização. Esse rápido crescimento foi benéfico para as cidades, uma vez que elas se 35 tornaram o centro de produção, comércio, educação e governança. No entanto, isso também criou problemas ambientais, na deterioração do ar, qualidade da água, insuficiente estações sanitárias, congestionamento, entre outros.A estrutura DPSIR foi utilizada para analisar os problemas ambientais ocasionados como a qualidade da água subterrânea. As Forças Motrizes foram o crescimento populacional e a industrialização; As Pressões são as demandas de água, mudanças no uso da terra, descarga de águas residuais; O Estado seria a contaminação química e microbiológica da água; Para os Impactos gerados têm-se o risco à saúde humana, impactos nos organismos, problemas com enchentes e danos à infraestrutura; Os Resultados levantados envolvem as mudanças no consumo e produção, melhora no tratamento de efluentes para melhoria da qualidade da água e controle de enchentes. Esse trabalho foi efetivo no entendimento dos efeitos da urbanização e industrialização no ambiente subterrâneo, em sete áreas metropolitanas, e as respostas levantadas foram de suma importância, uma vez que as cidades tomaram iniciativas, como por exemplo, decisões de prevenção e medidas de remediação para contaminação da água subterrânea foram feitas. Os componentes do DPSIR levantados neste artigo podem ajudar a antecipar efeitos de crescimento das cidades com impacto ao ambiente subterrâneo, podendo ser útil nos esforços do planejamento urbano. 36 ETODOLOGIA 4. 1 ÁREA DE ESTUDO O Porto de Itajaí está localizado na região considerada mais industrializada do estado de Santa Catarina – o Vale do Itajaí. Situa-se à margem direita do rio Itajaí- Açu, entre as coordenadas 26° 54,2’ S e 48° 39,4’ O (Figura 5). A atividade portuária tem sido favorecida pela hidrografia do rio, por ser navegável em sua porção jusante, sendo o rio utilizado para fins comerciais de grande escala, estando o Porto de Itajaí instalado a apenas 3,2 quilômetros de sua foz (REBELO, 1998). Figura 5 - Localização da área de estudo. Fonte: Autora 37 4.1.1 Cidade de Itajaí Itajaí situa-se no litoral centro-norte de Santa Catarina, entre a capital Florianópolis e a cidade mais populosa do estado, Joinville. Localizada sob as coordenadas 48°38’29’’ W e 26°55’30’’S, às margens do maior rio das costas catarinense, o Itajaí-Açu (PLANO DIRETOR, 2006). Os faiscadores de ouro foram os primeiros homens brancos a chegar na região. Outros vieram também, atraídos pela fartura da pesca e a fertilidade do solo, iniciando assim o povoamento (GELATTI, 1999). Itajaí foi colonizada por portugueses no século XVIII, e alemães no século XIX, a cidade possui uma forte ligação com a navegação. A vocação para a pesca em Itajaí surgiu ainda no Brasil colônia, segundo estudos históricos, por isso Itajaí é conhecida como a capital brasileira da pesca (PREFEITURA DE ITAJAÍ, 2012a). A criação do município de Itajaí só veio no final do século XIX pela lei n.164 de 04 de abril de 1859, e em 1 de maio de 1876 Itajaí transformou-se em cidade (GELATTI, 1999). O processo central de colonização no vale foi devido ao porto de Itajaí, mesmo antes da formação da cidade. Os primeiros passos para a ocupação da cidade são atribuídos a dois nomes: Antônio Menezes de Vasconcelos Drummond (1820) e Agostinho Alves Ramos (1824), nomes esses que representam o início da fundação do primeiro núcleo (IBGE, 2011). Ao longo do século XX, o município foi se interligando cada vez mais ao porto, as décadas se passaram e Itajaí, se tornou cada vez mais internacional. A atividade de exploração da madeira, a agricultura e a atividade pesqueira foi um atrativo para as pessoas que foram se fixando pela região, ao longo dos rios Itajaí-Mirim e Itajaí-Açu, inclusive junto a foz (SANTOS JUNIOR, 2006). A dinâmica de ocupação inicial do espaço urbano se processou, principalmente, ao longo dos eixos Itajaí/Florianópolis e Itajaí/Brusque. A maior ocupação se verifica na direção oeste, do centro até encontrar o rio Itajaí-Mirim e através do eixo rodoviário Itajaí/Blumenau (Figura 6) (PLANO DIRETOR, 2006). 38 Figura 6 - Evolução da ocupação Urbana de Itajaí Fonte: Plano diretor (2006) Como descrito no Plano diretor (2006), o SPDU relata que o crescimento da cidade se deu sem qualquer tipo de gestão do espaço e sem qualquer abordagem conjunta dos setores de transporte e uso do solo. O seu sítio urbano foi ajustado a margem direita da foz do rio ItajaíAçu, em função do porto. A figura 9, representa essa ocupação urbana de Itajaí, de forma esquemática. Segundo dados do IBGE (2011), a cidade de Itajaí possuí uma população de aproximadamente 186.127 habitantes, quase o dobro se comparado com o ano de 1980. Entre 39 os anos de 1970 e 2000, Itajaí apresentou uma evolução de 80,90%, na longevidade; 66,40%, na renda; e 60,50%, no IDH. A relação da cidade de Itajaí com o mar é um elemento indispensável para melhor analisar a sua economia e sua influência no contexto regional, sendo as atividades portuárias, a pesqueira e comercial a base do seu desenvolvimento. O setor primário (extrativismo, agricultura e pecuária) e a prestação de serviço também acompanharam o desenvolvimento da cidade, com uma grande variedade de lojas de móveis, eletrodomésticos, vestuário, automóveis, alimentícios, etc. Também se faz parte o extrativismo mineral, principalmente com a extração de areia, mármore, cascalho, argila e filito. Entretanto, a pesca é a principal atividade do setor primário. (SANTOS JUNIOR, 2006). O setor terciário (atividade que não estão diretamente vinculadas a produção ou transformação de matérias-primas) em Itajaí é muito importante, como atividades ligadas a prestação de serviços, atividades comerciais, administração pública, transporte, comércio, setor universitário e as atividades ligadas ao Porto apresentam um ótimo desempenho (SANTOS JUNIOR, 2006). Hoje, existem aproximadamente 50 empresas beneficiadoras do pescado que produzem mais de um milhão de latas de sardinha e atum por dia. Correspondendo a 20% da produção brasileira de pescados estimada em 500 mil toneladas ao ano, sendo a produção pesqueira concentrada na captura de atum, sardinha e camarão (PREFEITURA DE ITAJAÍ, 2012a). A área de abrangência da região do município de Itajaí é constituída predominantemente de Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), e porções menores representadas por Formações Pioneiras (Mangue, Restinga e Brejo Litorâneo) (MARENZI et al, 2012). A cobertura vegetal original, em Itajaí, pode ser descrita em função das características fisiográficas e da influência do Oceano Atlântico (VELOSO et al, 1991). Em decorrência das atividades humanas, esta área se encontra significativamente alterada. E com isso, a cobertura vegetal existente apresenta forma de fragmentos descontínuos, cuja situação tende a perda da biodiversidade pela falta de conectividade entre os mesmos (MARENZI, 2004). A Floresta Atlântica de Itajaí nas subdivisões Aluvial e Terras Baixas foram as mais intensamente ocupadas, restando poucos remanescentes naturais. Sendo assim, a tipologia 40 sub-montana é a que detém maior diversidade vegetal resultante da característica de seus solos. Até mesmo a tipologia florestal apresenta-se bastante alterada, sendo as Morrarias do Brilhante, da Ressacada, Praia Brava e Atalaia melhores representadas. Atualmente o município de Itajaí possuí 4 Unidades de Conservação (UC) de proteção integral e 2 UCs de uso sustentável (Tabela 3), de administração municipal, porém, a maioria delas ainda não estão efetivadas, regidas pela Lei Federal nº 9.985 de 18/07/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação/SNUC e a Lei nº 14.675, de 13 de abril de 2009 que instituiu o Código Estadual do Meio Ambiente e o Sistema Estadual de Unidades de Conservação. A implementação dessas UCs é de extrema importância para garantir que as mesmas possam atingir os objetivos pelos quais são criadas. No caso dos Parques Naturais, favorecem o uso público, proteção da biodiversidade e promoção da pesquisa científica, educação ambiental, atividade de lazer ao ar livre entre outras. No caso de Área de Proteção Ambiental (APA), os objetivos são proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade dos recursos naturais (MARENZI et al, 2012). Tabela 3 - Situação das Unidades de Conservação (UC) em Itajaí/SC UC Parque Natural Municipal ATO DE CRIAÇÃO Dec. nº 2.824 de 10/12/82 da Ressacada Área de Proteção Ambiental Lei nº 2.832 de 22/09/93 Dec. nº 8.107 de 25/01/07 Dec. nº 8.297 de 25/07/07 do Saco da Fazenda PROTEÇÃO NÃO DEFINIDA USO 20.147.036,38 PROTEÇÃO 195.000 PROTEÇÃO 10.196, 4868 INTEGRAL Dec. nº 7.954 de 24/0706 Ilha das Capivaras Área de Proteção Ambiental (M 2) INTEGRAL de Cordeiros Parque Natural Municipal (SNUC) SUSTENTÁVEL do Atalaia Parque Natural Municipal ÁREA INTEGRAL do Brilhante Parque Natural Municipal CATEGORIA PROTEÇÃO 115.282,33 INTEGRAL Dec. nº 8.513 de 04/03/08 USO 650.000 SUSTENTÁVEL Fonte: Adaptado de Marenzi et al (2012) Essas medidas tomadas pela cidade, através da Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (FAMAI), mostra a preocupação da cidade em promover um desenvolvimento sustentável, assim como veem se verificando desde o início deste século, os centros de várias cidades buscam programas de recuperação e preservação de suas áreas. 41 4.1.2 Aspectos históricos do Porto de Itajaí De acordo com Moreira (1995), as primeiras referências ao Porto de Itajaí são de 1816 e só quase duas décadas depois que se obtiveram registros da implantação da Colônia Mista de Itajaí ao redor do porto, em 1835. Só em 1850 que o aumento do fluxo de imigrantes se sobressaiu, impulsionando a expansão do porto e a navegação fluvial. O processo de introdução do “porto” do rio Itajaí foi lento comparado ao contexto do litoral catarinense como, por exemplo, os portos de São Francisco, Desterro e Laguna. Havia grandes dificuldades existentes pelas embarcações de conseguir entrar no rio devido ao banco de areia existente na sua foz, situação essa que se agravava nos períodos de enchente com o aumento de depósitos fluviais. (MOREIRA,1995). A construção do porto de Itajaí não foi um processo contínuo, passou por diversos momentos de paralisação. O porto passou por algumas fases de melhoramento, sendo o primeiro projeto elaborado em 1905 autorizado por Lauro Muller, sendo que as obras foram efetivamente iniciadas em 1938. As construções visavam aumentar o raio na embocadura da barra, e com isso aumentar o espaço para entrada de navios de grande porte, além da construção de um cais com uma extensão de 700 metros, a correção da margem esquerda do rio, no qual sofria erosão contínua e alterava a profundidade do ancoradouro. Obtiveram-se bons resultados com as obras realizadas, atraindo ao porto importantes navios como “Karthago”, Paranguá”, “Mainz”, entre outros (MOREIRA,1995; PORTO DE ITAJAÍ, 2012a). A segunda fase iniciou em 1927, segundo Moreira (1995), na qual foram construídos dois molhes, guias-correntes e a drenagem, posteriormente iniciou as obras de acostagem (Figura 7). Figura 7 - Canal de acesso do estuário do rio Itajaí-Açu, nos dias de hoje. Fonte: PDZ (2010) 42 Itajaí viveu o “ciclo madeireiro” entre 1950 e 1970, época na qual o porto foi considerado o maior exportador de madeira da América do Sul, sendo o pinheiro a espécie mais importante, com isso o ciclo madeireiro modificou o panorama urbano de Itajaí. Ainda que esse período tivesse um caráter exportador, a importação ainda era dominante. O porto de Itajaí importava combustíveis, sal, algodão, trigo, maquinário entre outros, vindo do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Holanda, Inglaterra, Alemanha (LENZI, 2002; SILVA, 2004). No final dos anos 1970, o porto de Itajaí apresentava um quadro de dificuldades, devido ao declínio da economia da madeira, o desenvolvimento dos fluxos de transporte terrestre, a ausência de mercadoria que substituíssem as exportações de pinho. Além do enfoque econômico, esse problema possuía um importante aspecto social, assinalado pelo desemprego (LENZI, 2002). Foi preciso delinear um “novo rumo” para o porto, como exportações de têxteis, motores elétricos, azulejos, entre outros. A produção frutífera e de alimentos no Oeste catarinense, passaram a formar a nova conjuntura exportadora pós-madeira. Em 1980, o antigo porto da madeira passou a ser um novo “entreposto de exportação” (Fundação Genésio Miranda). Foi a partir da primeira metade do século XX que houve uma superação do porto de Itajaí por ser uma economia simples e natural. A diversificação produtiva, a demanda do mercado interno, a navegação a vapor entre outras razões, que em conjunto, passaram a exigir grandes melhoramentos no espaço portuário local. Nessa fase de “transição” o porto começa a deixar a fisionomia natural passando a ser um estabelecimento organizado. Foi possível perceber bons resultados do projeto de melhoramento do porto, atraindo navios de grande calado. O porto mantinha-se ligado a sua hinterlândia próxima, escoando sua produção industrial. (Fundação Genésio Miranda). Segundo os dados do Porto de Itajaí (2012a), no mesmo período em que a circulação de cargas conteinerizadas potencializou, como mostra Figura 8, houve a extinção da Portobras e a administração do porto foi atrelada à Companhia Docas de São Paulo (Codesp) em 1990. A partir de 1995 por convênio de descentralização, o porto passou a ser administrado pelo município de Itajaí, ou seja, para garantir o crescimento do porto, frente aos problemas que ele enfrentava, a sociedade iniciou uma luta pela municipalização da gestão administrativa, resultando na delegação do Porto de Itajaí ao município por um período de 25 anos. Foi, portanto confirmado o município de Itajaí como autoridade da exploração do porto, por meio da Hidroviária Docas Catarinense (ADHOC). Por último, a Prefeitura Municipal de 43 Itajaí, através da Lei Municipal nº 3.513 de 06/06/2000, transformou o órgão em autarquia municipal, com denominação de Superintendência do Porto de Itajaí para administrar o referido porto. O município, portanto assumiu a gestão do Porto e foi promovido o arrendamento do Terminal de Conteineres (Tecon) a empresa Teconvi, hoje APM Terminals Itajaí (PORTO DE ITAJAÍ, 2012a). Figura 8 - Movimentação no cais do Porto de Itajaí. Fonte: Porto de Itajaí (2012a) As cidades portuárias de parte da Europa e alguns portos em via de reestruturação, nos últimos anos, dotaram-se de parques logísticos com intuito de agregar valor aos fluxos das mercadorias destinadas aos mercados de consumo regionais. Já no Brasil, destaca-se a cidade de Itajaí (SC) que optou por uma estratégia semelhante usando as oportunidades oferecidas pela municipalização do porto e a vitalidade da economia regional (Monié, 2006). O Porto de Itajaí hoje é tradicionalmente um porto de carga geral, apresentando um crescimento surpreendente nos últimos anos. Os dados de 2004, por exemplo, apresentavam movimentação de embarcado/desembarcado de 5.713.943 toneladas. Ao longo dos anos novos terminais surgiram no Porto Organizado de Itajaí, resultando em um aumento das operações. Esse crescimento foi gradativo até o final de 2008, quando ocorreu uma retração nos volumes movimentados, devido a destruição do cais do Porto de Itajaí e ao assoreamento dos canais de acesso e bacia de evolução. O ano de 2009 foi marcado pela redução nas operações, mas também pela superação, uma vez que o Porto de Itajaí já respondia pela segunda posição 44 no ranking nacional de movimentação de contêineres, ficando atrás apenas para o porto de Santos, posição essa mantida até hoje. O excepcional crescimento da movimentação levou a consultoria britânica Drewry’s colocar o Complexo do Itajaí como o segundo porto do planeta em crescimento na movimentação de cargas (PORTO DE ITAJAÍ, 2012a). 4.1.3 Estuário do rio Itajaí-Açu O estuário do rio Itajaí-Açu está localizado no litoral centro Norte do Estado de Santa Catarina, desaguando no Oceano Atlântico em 26º54,7’S e 48º38,1’O. Este sistema apresenta uma elevada importância econômica na região, uma vez que nele está localizado o porto de Itajaí. Além da importância econômica do sistema estuarino, há também uma grande importância ecológica para zona costeira regional, pois é considerado o maior sistema fluvial entre o sistema lagunar Patos Mirim no Rio Grande do Sul, e o rio Ribeira do Iguapé em São Paulo (SCHETTINI, 2001). Desde 2008, integra ao estuário uma Área Proteção Ambiental (APA) do Saco da Fazenda, no qual compreende um ecossistema de mangue e marisma com elevada biodiversidade. O estuário do rio Itajaí-Açu apresenta uma extensão aproximada de 70 Km, com uma área de espelho de água estimada em 14 Km2 . O rio Itajaí-Açu é responsável por aproximadamente 90% do aporte fluvial do estuário, sendo os 10% restantes atribuídos ao rio Itajaí-mirim, e a outros tributários menores como o Rio Luis Alves. O estuário recebe o aporte de uma bacia de drenagem de 15.500 Km2, considerado o maior da Vertente Atlântica (VA) catarinense, abrange 47 municípios e devido suas características geológicas e geomorfológicas foi subdividida em três compartimentos naturais, o alto, médio e baixo vale, onde se situa o município de Itajaí. (SCHETTINI, 2001). Segundo estudos realizados por Ponçano (1982, 1987), a faciologia dos sedimentos de fundo na região do Porto de Itajaí varia em função do tempo, respondendo ao regime de descarga fluvial do Rio Itajaí-açu. Os sedimentos são dominados por siltes e argilas, durante os períodos de descargas mais baixos, enquanto que durante os períodos de descargas mais elevadas (e.g. 700 m3 .s-1) aumenta o teor de areia, decorrente do transporte fluvial. Apesar dessa variação, os sedimentos na bacia estuarina até 7 quilômetros a montante da barra são dominados pela fração argila. 45 Próximo a desembocadura existem levantamentos batimétricos detalhados desde o início do Século XX. Em 1926, através de uma carta batimétrica indicava que a batimetria do canal próximo a desembocadura apresentava uma profundidade superior a 7 metros, com máximo nos extremos dos meandros superior a 11 metros. A barra do Itajaí-Açu, antes da retificação, era formada por um pontal arenoso que se estendia a partir da Praia de Navegantes para o sul, com o canal da barra formando um meandro contornando o Morro do Atalaia (Figura 9). Atualmente a barra está totalmente retificada, com presença de diversos enrocamentos formando espigões e molhes. Essas obras tornaram o canal de acesso ao Porto de Itajaí mais retilíneo e seguro para navegação (SCHETTINI, 2001). FIGURA 9 - Situação da Barra de Itajaí em 1896. E em 1982 após a ratificação Fonte: Schettini (2001) Ainda no trabalho de Schettini (2001), entende-se que os sedimentos em suspensão que aportam no estuário a partir da descarga fluvial são, na sua maior parte, argilosos, apresentando carga elétrica negativa e ocorre na forma de flocos e agregados de material inorgânico e matéria orgânica. As dragagens realizadas frequentemente no estuário podem gerar a remobilização de poluentes acumulados nos sedimentos, além de aumentar a biodisponibilidade destes na coluna d’água e transferir cargas de poluentes para outras regiões. O estuário do rio Itajaí-Açu recebe uma carga poluidora industrial e doméstica provenientes das regiões de Blumenau, Brusque Gaspar, Itajaí e Navegantes, sendo esses considerados um dos mais importantes polos industriais e urbanos do estado, sendo as atividades principais as indústrias têxteis, 46 metal mecânica, papel, além das indústrias de beneficiamento do pescado e consideradas as principais fontes de metais pesados no rio Itajaí. (BELLOTO et al. 2009). 4. 2 PROCESSOS METODOLÓGICOS O presente trabalho analisou as relações socioeconômicas entre porto-cidade no município de Itajaí-SC, tendo como base a influência da qualidade do sedimento no estuário do rio Itajaí-Açu. A seguir segue o processo de desenvolvimento da metodologia empregada através de um fluxograma (Figura 10). Figura 10 - Fluxograma correspondente às etapas do método. Levantamento legal portuário Revisão Bibliográfica Levantamento dos dados socioeconômicos do Porto Levantamento dos dados socioeconômicos da Cidade Objetivo 2 Organização, tabulação e plotagem gráfica dos dados Levantamento dos dados de metais pesados no sedimento do estuário do rio Itajaí-Açu Organização, quantificação, plotagem gráfica e análise dos dados Aplicação do modelo DPSIR Construção da linha do tempo Objetivo 3 Objetivo 1 Análise da relação entre o crescimento socioeconômico de Itajaí e a qualidade do sedimento do estuário Fonte: Autora 47 4. 2. 1 Levantamento dos dados Legais Para esta fase inicial de trabalho foram levantados os aspectos legais portuários, buscando assim levantar os instrumentos utilizados para gestão, mais especificamente o monitoramento portuário, no contexto internacional, nacional e local. Primeiramente foi realizado um levantamento geral dos aspectos legais no que diz respeito à legislação ambiental portuária ao longo dos anos, para se ter um panorama da legislação sobre poluição marinha. Como existe um leque diversificado de leis, foi preciso levantar os fatores mais relevantes para este trabalho. Assim, foi gerada uma tabela e agrupado esses fatores específicos, dividindo-os em aspectos legais internacionais, nacionais, estaduais e municipais, e posteriormente, gerada uma matriz de análise para visualização desses dados. Estes resultados gerados serviram para entender os procedimentos existentes no porto e se estes se correlacionam com outros instrumentos de políticas públicas, tais como a política Urbana, Política de Recursos Hídricos e de Gestão Costeira. 4. 2. 2 Levantamento dos dados Socioeconômicos Para realizar o levantamento dos dados socioeconômicos foi necessário separar estes em duas etapas. Primeiro foi realizado o levantamento dos dados referentes ao município de Itajaí e posteriormente referente ao Porto de Itajaí (Tabela 4). Esse trabalho de pesquisa visou entender a relação entre porto-cidade dos últimos 10 anos, com base nos parâmetros de qualidade do estuário. Portanto, foram levantados no mínimo 10 anos de cada dado selecionado. Primeiramente, para levantar os dados dos institutos Municipais referente a cidade, foi realizada uma busca nas Secretarias de Itajaí, de “Desenvolvimento Econômico”, “Desenvolvimento Social”, “Comunicação Social”, porém não se obteve sucesso. Buscou-se, então, os dados através do instituto Estaduais e Federais, nos bancos de dados da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para os dados do porto obteve-se auxílio da Superintendência do Porto de Itajaí e da “Secretaria de Desenvolvimento Econômico”, foi possível então, realizar o levantamento pelos Institutos Municipais, através do banco de dados do porto de Itajaí, sendo que foi considerado o berço público para análise (de 2000 – 2011), e a partir de 2009 passou a se considerar o berço público juntamente com a antiga “Teconvi”, atual “APM terminals” – responsável pela operação portuária de cargas em contêineres em parte das 48 instalações do Porto de Itajaí. Uma vez que a Superintendência do Porto de Itajaí a partir de 2009 organizou de forma diferente os seus dados, ou seja, passou a ser considerado o berço público juntamente com o terminal “APM terminals”. Esses dados também foram posteriormente correlacionados entre si, a partir de uma matriz de dados gerada. A tabela 4 mostra todos os dados socioeconômicos levantados da Cidade e do Porto de Itajaí, para que fosse possível realizar uma análise da evolução de ambos . Tabela 4 - Demonstração dos dados levantados para análise da evolução da cidade de Itajaí e do Porto de Itajaí. População Total Dados População Urbana População Rural Cidade de Itajai Densidade demográfica Taxa de Urbanização PIB per capita Frota de veículos Dragagem Profundidade do canal Distribuição de Navios Dados Porto de Itajai Movimentação de Carga Movimentação de Contêiner Exportação Importação 4. 2. 3 Levantamento dos dados Químicos Os dados de metais pesados da camada sedimentar do estuário do rio Itajaí-Açu, foram disponibilizados pelo Laboratório de Oceanografia Química e Poluição Marinha do CTTMar/UNIVALI. Os dados foram organizados e uniformizados em planilhas e posteriormente correlacionados com os dados socioeconômicos para avaliar as relações existentes, permitindo uma discussão mais detalhada entre as relações de crescimento socioeconômica do porto-cidade e a qualidade do sedimento do estuário do rio Itajaí-Açu. A análise final do trabalho permitiu avaliar a correlação existente durante estes últimos 10 anos 49 entre o crescimento ou desenvolvimento entre porto e o município de Itajaí e as consequências na qualidade do sedimento. A coleta das amostras sedimentares foi realizada com uma frequência trimestral em quatro secções distintas do rio Itajaí-Açu e na porção da região marinha adjacente. Os pontos de coleta mudaram ao longo dos anos. Em 2000 eram coletados em 7 pontos distribuídos ao longo do canal. A partir de 2007 passaram a ter 4 pontos, sendo analisados os sedimentos da margem de Itajaí, do centro do canal e da margem de Navegantes, totalizando 12 pontos amostrais. As atividades de campo e laboratoriais foram desenvolvidas por professores, alunos e técnicos do CTTMar/UNIVALI. Para as análises da concentração de Metais Pesados no Sedimento, realizada no Laboratório de Oceanografia Química, foi empregada uma abertura a quente e ácida e posterior determinação quantitativa por Espectrometria de Absorção Atômica, com atomização em chama ou forno elétrico dependendo das concentrações (APHA, 2005). Os metais determinados foram: Cd (Cádmio), Cr (Cromo), Cu (Cobre), Pb (Chumbo), Ni (Níquel) e Zn (Zinco) presentes no sedimento. Todos os procedimentos analíticos foram realizadas em triplicata para cada amostra superficial, e os resultados foram expressos em mg do metal por kg de peso seco de sedimento (mg/kg). Para análise da variação desses metais no período de 2000 a 2011 foi realizada uma média anual para uniformizar as diferentes estratégias de amostragem adotadas ao longo destes últimos 10 anos, possibilitando a avaliação da evolução desses metais junto com a evolução e desenvolvimento da cidade, considerando a participação ativa do porto nesse processo. 4. 2. 4 Estrutura DPSIR A elaboração da estrutura DPSIR, neste trabalho, possibilitou uma análise de forma mais organizada, facilitando o entendimento dos dados e suas correlações, uma vez que foi levantado uma vasta quantidade de dados para compor este estudo. A partir de todos os dados levantados foi possível, portanto, separá-los a fim de organizar e montar a estrutura DPSIR, deixando claro minhas Forças motrizes, Pressões, Estado, Impactos e Respostas. Posteriormente foram realizadas as análises e as possíveis correlações, para conseguir relacionar o crescimento e desenvolvimento socioeconômico do município de Itajaí e a qualidade do sedimento do estuário do rio Itajaí-Açu. 50 ESULTADOS E DISCUSSÃO A partir da elaboração da estrutura DPSIR, pôde-se entender e discutir os dados levantados com maior clareza. O apêndice 1, mostra de forma organizada todos os dados levantados nesse trabalho, e que serão analisados a seguir. É possível, através desse apêndice, realizar uma comparação de todos os dados socioeconômicos da cidade e do porto de Itajaí, juntamente com o levantamento legal no âmbito ambiental e das relações porto, cidade e estuário, sendo esse os três elementos chave para realização desse estudo. A Figura 11 representa um esquema da estrutura DPSIR, elaborado com os elementos específicos para esse trabalho. Figura 11 - Estrutura DPSIR elaborado com os elementos específicos levantados. Força Motriz Resposta Pressão Estado Impacto Fonte: Autora 51 5. 1 FORÇA MOTRIZ A força motriz é evidenciada na estrutura pelas atividades humanas, ou seja, as causas subjacentes dos problemas ambientais referem-se às necessidades de indivíduos e instituições que levam as atividades a exercer pressões sobre o ambiente (ANTUNES & SANTOS, 1999). Essas forças indicam as atividades antropogênicas que podem causar algum efeito ambiental, assim para iniciar a análise do trabalho foi necessário identificar quais eram as atividades antropogênicas atuantes na área de estudo para poder levantar possíveis efeitos diretos dessas forças motrizes. A atividade portuária e a urbanização da cidade foram às forças motrizes identificadas para este trabalho. Dentro desse contexto levantou-se os dados capazes de identificar as mudanças ocorridas na atividade portuária e na urbanização nos últimos 10 anos e como elas se relacionam entre si, detectando assim as relações porto-cidade (Figura 12). Figura 12 - Esquema representativo dos dados levantados para identificação das Forças Motrizes. Cidade Densidade demográfica Taxa de Urbanização Porto Força Motriz Movimentação de Carga (t) Movimentação de Contêiner (TEU) Exportação/Importação de Contêiner (TEU) Distribuição de navios Fonte: Autora A densidade demográfica é uma medida da distribuição espacial da população e permite se estudar a concentração ou dispersão dessa população no espaço geográfico considerado. Esse indicador é importante para o planejamento urbano e para as políticas de 52 ocupação do território, informando sobre a pressão populacional e as necessidades de infraestrutura da área (IBGE, 2011). Houve um crescimento bem marcante da densidade demográfica (Fig. 13) no município de Itajaí nesses últimos 50 anos. Em 1960 se registrava uma densidade de 139 (hab./Km²), aumentando em 4,5 vezes esse valor até 2010, com 633,9 (hab./Km²). Em nível de comparação têm-se os dados de densidade demográfica do estado de Santa Catarina e do Brasil para o ano de 2009, apresentando valores de 64,2 (hab./Km²) e 22,5 (hab./Km²) respectivamente, já em Itajaí o valor alcançou 595,6 (hab./Km²). Outro dado levantado que determina esse crescimento da cidade é a taxa de urbanização, indicando a percentagem da população da área urbana em relação a população total. Em 1980 a cidade de Itajaí apresentava uma taxa de 0,911 passando para 0,946 em 2010. Em 1980 a região sul do país apresentava uma taxa de 0,642 chegando a 0,829 em 2007. Comparativamente a região sul, Itajaí também possuí uma taxa de urbanização superior. Figura 13 - Variação da densidade demográfica (%) ao longo dos anos. O crescimento e desenvolvimento do município de Itajaí sempre estiveram diretamente ligados à atividade portuária, essa relação fica evidente quando observado os dados de movimentação de carga (t) e de contêiner (* 1TEU) os quais represem o aumento da atividade portuária nos anos analisados (Figuras 14 e 15). *1 TEU (twenty equivalent unit): Padrão internacional para contagem de contêiner. 1 TEU = 0-20t ; 2 TEU= 0-30t. 53 Figura 14 - Evolução da movimentação de cargas (t) no porto entre os anos de 1991 a 2011. Figura 15 - Representação gráfica da evolução da movimentação de contêineres (TEU) no porto entre os anos de 1990 a 2010 Assim como o aumento observado da densidade demográfica a partir de 1960, também ocorreu um aumento na movimentação de carga (t), de aproximadamente 6 vezes com valores de 733.451(t), em 1991 a 4.406.675 (t) em 2011. Da mesma forma, a movimentação de contêiner apresentou um crescimento ainda mais elevado, em comparação com os dados anteriores, de aproximadamente 25 vezes, sendo que em 1990 o porto movimentava em torno de 26.263 (TEU), já em 2007 esse valor chegou a 668.277 (TEU). 54 Ambos os dados, em 2008, decresceram devido à enchente ocorrida no final desse ano e voltaram a crescer em 2010 como pode ser observado pelos gráficos. Portanto se comparamos o crescimento da movimentação portuária até o ano de 2007 o crescimento é ainda maior. O ano de 2010 foi considerado muito especial para o porto, uma vez que superou os traumas da enchente de 2008 e retornou seu crescimento. O Complexo Portuário do Itajaí encerrou o ano de 2010 com uma movimentação de 954,38 mil TEU’s, desse total 384,949 mil TEU’s relativo ao terminal público. O extraordinário crescimento da movimentação colocou o Complexo Portuário como o segundo porto do planeta em crescimento na movimentação de cargas, tendo como base os dados do ano de 2010 e na segunda posição do ranking nacional de movimentação de contêineres. Os valores referentes à importação e exportação de contêiner se mostraram muito similares. Em 2007 chegaram a valores de importação de 341.064 (TEU), e 327.224 (TEU) de exportação. Em 2008 ocorreu uma queda, similar aos outros dados da atividade portuária apresentados anteriormente e voltou a crescer nos próximos anos. Os produtos exportados em geral são madeira e derivados, congelados, pisos, cerâmica, máquinas e acessórios, papel, açúcar e fumo. E os produtos importados são trigo, motores, produtos químicos, têxtil, papel e pisos cerâmicos. O surgimento do contêiner no cenário de transporte mundial foi responsável pela evolução do transporte marítimo, uma vez que possibilita mais agilidade em todo processo. Em geral os portos tiveram que se modernizar para se adequar a nova realidade da distribuição internacional (PREFEITURA DE ITAJAÍ, 2012b). Os navios Porta-Contêiner são providos de guias para encaixar os contêineres nos porões. Esses navios constituem uma das mais marcantes facetas da engenharia naval do século XX. A designação “Full Container” é utilizada para distinguir os navios que se destinam exclusivamente ao transporte de contêineres (Figura 16). Muitos são os tipo de navios que operam em um porto, dentre eles os de maior frequência no porto de Itajaí são os navios Ro-Ro, Carga Geral os Full Container, além desses ainda operam os navios tipo Reefer, Graneleiro, navios da Marinha, Rebocadores, entre outros. 55 Figura 16 - Ilustração de um navio Full Container. Fonte: Porto sem mistério (2012) Os navios Ro-Ro (Figura 17), que são navios concebidos para o transporte de carga que embarca e desembarca de forma a rolar, seja em cima das suas próprias rodas ou seja em cima de equipamentos, como por exemplo automóveis e maquinários agrícolas. Esses navios incorporam rampas que permitem o máximo de eficiência nas operações (FRAIA, 2012; PORTO SEM MISTÉRIO, 2012). Figura 17 - Imagem ilustrando as possibilidades de operação dos navios Ro-Ro. Fonte: Porto sem mistério (2012) Os navios tipo Carga Geral (Figura 18) podem transportar todos os tipos de mercadorias e materiais para qualquer parte do mundo, esse navio distingui-se de outros tipos de navios pela sua flexibilidade. 56 Figura 18 - Imagem de um Navio tipo Carga Geral. Realizando a entrega dos portêineres de Santos Brasil (Santos-SP) e APM Terminals (Itajaí-SC). Fonte: Porto sem mistério (2012) A distribuição de navios no Porto de Itajaí é outro fator relevante para o entendimento do crescimento da atividade portuária. O processo de conteinerização do porto fica evidente quando analisadas as Figuras 19 e 20. Figura 19 - Representação gráfica da distribuição de navios em porcentagem para o ano de 2000. Em 2000 o navio “Full container” representava cerca de 50,76% de todos os navios que circulavam no porto de Itajaí, o que representava um total de 302 navios. Outros dois tipos de navios que também dominavam os cais eram “Ro-Ro” e “Carga geral” que somados representavam 130 navios, e os navios da marinha, rebocadores que somados representavam um total de 128 navios. 57 Figura 20 - Representação gráfica da distribuição de navios em porcentagem para o ano de 2011. Já 2010 esse cenário mudou, ficou nítido a dominância dos navios “Full container”, abrangendo 90,787% dos navios, representando um total de 1084 navios. Para complementar esses dados têm-se a distribuição de navios ao longo dos últimos 14 anos (Fig. 21). Figura 21 - Representação gráfica do crescimento da distribuição de navios ao longo dos últimos 14 anos. Houve um aumento na distribuição de navios esse período, os dados praticamente duplicaram de 1997 a 2011. Ou seja, intensificou o fluxo de navios no estuário, aumentou a movimentação de mercadoria (contêineres e carga geral), com o avanço do processo de conteinerização das cargas (Figura 22). Essas mudanças provocam mudanças nos hábitos das 58 cidades, que buscaram melhoria na logística das entradas e saídas da cidade, com intuito de beneficiar tanto o porto, pois suas operações precisam ser cumpridas em prazo determinado, como para a cidade que se beneficiam de mais segurança e menos tráfego interno. Figura 22 - Operação e armazenamento de contêineres no Porto de Itajaí. Fonte: APM Terminals Itajaí (2012) Após a queda brutal nas exportações de madeira, o porto de Itajaí teve que se adaptar ao novo padrão de crescimento da economia. Assim, no início dos anos 70 o porto passou a diversificar suas operações. Começou a operar cargas de açúcar, produtos congelados e logo em seguida, os contêineres, que hoje são considerados o carro-chefe da movimentação. Foi nesse mesmo período que o porto passou por problemas administrativos logo a extinção da Portobrás. Para solucioná-los a sociedade deflagrou a luta pela municipalização da gestão administrativa. Quando município assumiu a gestão do porto, foi promovido o arrendamento do Terminal de contêineres, a empresa Teconvi, hoje APM terminal Itajaí (Figura 23), possibilitando ao porto receber investimento em equipamentos e modernização (PORTO DE ITAJAÍ, 2012b). 59 Figura 23 - Empresa APM Terminal Itajaí Fonte: Autora O porto de Itajaí possui atualmente uma posição privilegiada tanto como porta de saída da produção catarinense como de entrada de produtos do mundo todo (PORTO DE ITAJAÍ, 2012b). Devido ao crescimento evidente que o porto vem apresentando, ele passa a ser um ícone fundamental para o crescimento econômico do município, do estado e até do país, no processo de importação e exportação. 5. 2 PRESSÃO As forças motrizes levam o desenvolvimento de atividades que exercem pressões sobre o ambiente. A "intensidade" da pressão depende da natureza e extensão das forças motrizes e também de outros fatores que moldam as interações humanas com sistemas ecológicos (ANTUNES & SANTOS, 1999). A modernização do porto de Itajaí e o aumento nas suas atividades, visando se adequar a realidade internacional, gerou a necessidade de aprofundamento do canal a fim de permitir entrada de navios cada vez maiores, otimizando assim a sua produção. Como consequencia ocorrem os efeitos diretos da atividade portuária, que consiste por exemplo, em empregos gerados pelo porto, e os efeitos indiretos, pois a atividade portuária atraí para região indústrias, comércio, elevando o PIB per capita do município e estimulando o crescimento da cidade (Figura 24). 60 Figura 24 - Esquema representativo dos dados levantados para identificação da Pressão. Cidade Porto Crescimento Populacional PIB per capita Dragagem Pressão Fonte: Autora As dragagens são atividades que sempre foram realizadas no estuário do rio ItajaíAçu, ora para manutenção da profundidade do canal, ora para o aprofundamento do mesmo. Os dados de profundidade do canal nos anos 80 revelam profundidades de aproximadamente 8m, em meados de 1998 já apresentava 9m. No ano de 2006 a profundidade chegou a 12m e a partir de 2010 observou-se o recorde de 14m (Figura 26). Figura 25 - Variação da profundidade do canal (m) ao longo dos anos; As dragagens de aprofundamento realizadas nesse período. Dragagens realizadas 61 Esse aumento da profundidade do canal de acesso e da bacia de evolução foi uma medida necessária encontrada pelo porto, para atender a nova demanda esperada na intensificação das operações. Todo esse desenvolvimento e crescimento do porto consequentemente afetaram o desenvolvimento e crescimento do município de Itajaí. A draga ‘Charles Darwin’, da empresa belga ‘Jan de Nul’, considerada a maior draga em operação em águas brasileiras, prestou serviços de aprofundamento dos canais de acesso e bacia de evolução do Complexo Portuário do Itajaí, de 11 para 14 metros (Figura 26). Nesse sentido destaca-se a importância dessa dragagem para o porto, pois possibilitará operações de navios maiores e mais modernos. Figura 26 - A draga Charles Darwin, a maior em operação em águas brasileiras. Utilizada para ampliar os canais de acesso e bacia de evolução do complexo portuário de Itajaí. Fonte: Porto de Itajaí (2012c) Segundo o engenheiro do porto de Itajaí, “cada centímetro a mais de profundidade nos canais possibilita um aumento de 60 toneladas na movimentação nominal de cargas por navio”, sendo assim as dragagens realizadas podem vir a representar um aumento de 18 mil toneladas por embarcação nas operações do Complexo (PORTO DE ITAJAÍ, 2012c). A dragagem aumenta a profundidade dos cais, permite um fluxo cada vez maior de navios, com capacidade de transportar maior número de carga, resultando em um crescimento 62 e desenvolvimento portuário e com isso aumentando o giro da economia da cidade e permitindo o crescimento do município. Os dados do crescimento populacional nos últimos 40 anos mostra que a população de Itajaí praticamente triplicou nesse período, passando de 63.139 habitantes em 1970, para 186.127 habitantes em 2011 (Figura 27). Desse total 94,59% é representada pela população urbana que passou de 78.753 habitantes, em 1980 para 173.452, em 2010. E 5,41% é representada pela população rural, na qual teve um aumento muito baixo passando de 7.703 habitantes, em 1980 para 9.921 habitantes em 2010. A cidade está cada vez mais urbanizada, com uma estabilização da população rural, devido ao desenvolvimento que a cidade de Itajaí vem sofrendo. Figura 27 - Evolução da população da cidade de Itajaí no período de 1970 a 2011; Evolução da população rural e urbana de Itajaí, no mesmo período avaliado. Outro dado levantado que está atrelado ao crescimento da população é o PIB per capita da cidade. O Produto Interno Bruto per capita indica o nível médio de renda da população em um país ou território, esse indicador é muito utilizado na economia na tentativa de mensurar a atividade econômica de uma região (IBGE, 2011). Em Itajaí houve um aumento significativo no período avaliado, de 11,61 (mil R$) em 2000 evoluindo para 63,17 (mil R$) em 2009, aproximadamente 5,4 vezes a mais (Figura 28). A Portonave, o Terminal Portuário de Navegantes, localizada na margem esquerda do estuário do rio Itajaí-Açu, iniciou 63 sua operação em 2007, fato esse que corrobora com o crescimento mais acentuado do PIB per capita de Itajaí a partir de 2007. Figura 28 - Crescimento do PIB per capita(mil R$) durante os anos de 2000 a 2009 Itajaí e Navegantes são geradoras de um vasto campo de oportunidade industrial e comercial. Ambos, independentes que priorizam investimentos em infraestrutura em melhoria e ampliação de novos projetos, com intuito de crescer e explorar todo estuário em prol da competitividade global (PREFEITURA DE ITAJAÍ, 2012b). Sendo assim, hoje existe um sistema integrado formado pelo complexo de Itajaí com dois importantes terminais portuários que juntos giram a economia e estimulam o crescimento dos municípios. A tabela 5 mostra um panorama geral do número de empresas estabelecidas em Itajaí, classificadas por porte e participação relativa na atividade econômica do município, até o ano de 2008, mostrando a evolução (em %) dos anos de 2006 a 2008. 64 Tabela 5- Número de empresas estabelecidas em Itajaí classificadas por participação relativa e portes– microempresas (ME); pequena empresa (PE); média empresa (MDE); grande empresa (GE). Fonte: SEBRAE (2010) Esses dados mostram como a pressão está inserida nesse contexto, inicialmente pela evolução de 44,7% da atividade imobiliária nos últimos 2 anos, além da evolução de aproximadamente 39,8% nas empresas de construção civil, ou seja, a presença dos portos atraem cada vez mais empresas para a região, desenvolvendo e crescendo a cidade e consequentemente apresentando um PIB cada vez maior. 65 Outros dados observados são a respeito da quantidade de indústrias de transformação instaladas em Itajaí, aproximadamente 1.049 empresas presentes no município, e as empresas de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas que totalizam 5.213 empresas. Portanto, as empresas que mais crescem e geram empregos formais, aumentando o PIB per capita do município são as do setor Terciário (Figura 29). Figura 29 - Número de empresas e empregos formais de Itajaí, do ano de 2008. Fonte: SEBRAE (2010) A frota do município de Itajaí (Figura 30) também corrobora com os dados de crescimento da cidade discutidos anteriormente. O número de automóveis e motocicletas são os que mais crescem, também podendo ser considerado como uma pressão ambiental. Figura 30 - Representação da frota de automóveis, motocicleta e caminhão no município de Itajaí nos anos de 2004 e 2010. Os dados de 2010 mostram que Itajaí, apresenta aproximadamente 58.212 automóveis que circula pelo município. Os dados de ônibus não foram considerados no gráfico, devido a 66 baixa quantidade desse veículo presente na circulação da cidade, apresentando um total de aproximadamente 239 ônibus em 2004 e 319 em 2010. A totalidade de cargas movimentadas pelo Porto de Itajaí utiliza grande parte das vias urbanas e rodovias que dão acesso ao município. Atualmente, o tráfego de caminhões utiliza as vias urbanas, ocasionando frequentes acidentes e gerando conflitos. Hoje já existe a via expressa Portuária, proporcionando avanços significativos no tráfego, aliviando e melhorando as condições de segurança na maior parte da área urbana do município (PDZ, 2010). A figura 31 representa de forma esquematizada, o processo socioeconômico resultante das pressões exercidas pela atividade portuária. Figura 31 - Fluxo de análise do processo socioeconômico para a dragagem do canal de acesso ao Porto Organizado de Itajaí – SC Fonte: Porto de Itajaí (2009) Todos esses fatores analisados nesse setor contribuem para gerar pressão no ambiente, podendo, assim modificá-lo e impactá-lo. A estrutura DPSIR, portanto auxilia na organização de todos os dados levantados, facilitando a identificação da força motriz, pressão, estado, impactos gerados e facilitando, assim, encontrar as respectivas respostas para essas situações. 67 5. 3 ESTADO Como resultado das pressões, descritas anteriormente, o ‘estado’ do ambiente pode ser afetado, ou seja, a qualidade dos vários compartimentos ambientais em relação às funções que estes compartimentos desempenham pode se alterar. Ou seja, o estado do ambiente é a combinação das condições químicas, físicas e biológicas neles inserido. Nos ambientes marinhos isso se aplica em vários casos como restaurações de ecossistemas costeiros ou recuperação de espécies biológicas ameaçadas, entre outros (Figura 32) (ANTUNES & SANTOS, 1999; KRISTENSEN, 2004). Com intuito de analisar como as pressões estão afetando o ambiente foi analisado a qualidade do estuário do rio Itajaí-Açu, através dos dados levantados de metal pesado presente na camada sedimentar. O indicador de qualidade que rege nesse trabalho foi, portanto, a análise da variação da concentração de metal pesado em amostra de sedimento do estuário, para tentar identificar as possíveis modificações ocorridas nesse ambiente ao longo destes últimos 10 anos. Figura 32 - Esquema representativo da estrutura formada pelo DPSIR. Atividade Portuária Urbanização Qualidade Estuário Estado Crescimento e Desenvolvimento Pressão Fonte: Autora Para a avaliação da distribuição dos metais do sedimento superficial entre 2000 e 2011, foi calculado o valor médio obtido dos metais totais, em todos os pontos para cada ano de monitoramento, ou seja, foi utilizada a média anual de cada metal. Os dados relativos aos anos de 2004 e 2005 não foram possíveis serem quantificados, uma vez que esses dados não 68 foram analisados pelo Laboratório de Oceanografia Química. De todos os metais avaliados neste período, apenas o Ni apresentou valores acima dos níveis máximos permitidos pelo CONAMA (N° 344/04), que determina diretrizes gerais e procedimentos a serem tomados com relação ao sedimento dragado. O valor médio apresentado em todo o período amostral foi de 26,93 mg/kg, enquanto o limite determinado pela legislação para o nível 1 é de 20,9 mg/Kg. Atingindo valores máximos de 99, 34 mg/kg, ou seja, quase 5 vezes acima da concentração máxima permitida pela legislação. As concentrações médias anuais de Zn aumentaram gradativamente ao longo dos anos de monitoramento. Em um primeiro momento, entre os anos de 2000 e 2003 os valores mantiveram-se baixos, em torno de 23,33 mg/kg. Já entre os anos de 2006 a 2011 observouse um grande aumento na concentração de Zn, passando a apresentar uma concentração média de 85,61 mg/kg, ou seja, representando um aumento em mais de 3 vezes. Outro fator importante evidenciado foram os altos valores de desvio padrão das amostras, ou seja, há uma variação da concentração desse metal ao longo de todo o ambiente (Figura 33). Figura 33 - Variação da concentração média de Zn (mg/kg) no período 2000 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. As linhas horizontais pontilhadas representam a concentração limite. 150 mg/kg As fontes antropogênica de Zn estão relacionadas à mineração, produção e beneficiamento de zinco, produção de ferro e aço, corrosão de estruturas galvanização, por ser resistente a uso de pesticidas e agrotóxicos e combustão de carvão e combustíveis fósseis, além das fontes naturais (AZEVEDO; CHASIN, 2003; MOORE et al, 1984). A distribuição temporal de Pb, mostrou que houve um aumento na sua concentração média ao longo dos últimos 10 anos, em aproximadamente 15 vezes, passando de um valor 69 médio de 1,59 mg/kg para 23,74mg/kg, sendo que entre os anos de 2003 a 2006 esse aumento foi mais significativo. Com exceção aos valores de 2001, que apresentou valores muito altos (Figura 34). Figura 34 - Variação da concentração média de Cr (mg/kg) e Pb (mg/kg) no período de 2000 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. As linhas horizontais pontilhadas representam a concentração limite de cada metal. 81 mg/kg 46,7 mg/kg As fontes primárias de Pb incluem processos manufaturados, deposição atmosférica, e descargas domésticas. Esse metal é muito utilizado em chapas na construção civil, material de revestimento e de proteção, pigmentação de tintas anti-incrustante e outros produtos químicos. Aproximadamente 96% de toda emissão são originadas de fontes antropogênicas. Aproximadamente 99% do Pb que entram nos oceanos chegam em suspensão pelas vias fluviais e são depositadas nos sedimentos dos estuários, provenientes principalmente por despejo municipal e industrial. Podem contaminar os tecidos de peixes, são considerados tóxicos para plantas aquáticas e invertebrados. Além da própria saúde humana, pois pode ser tóxico para o organismo (CLARK, 1996; MOORE et al, 1984). Assim como o Pb, o Cr também apresentou um aumento na sua concentração em aproximadamente 3 vezes, durante o mesmo período avaliado, passando de um valor médio de 16,32 mg/kg para 45,79 mg/Kg. As baixas concentrações dos metais no período de 2003 coincidem com período de baixas taxas de pluviosidade. O menor valor nos últimos 10 anos, da pluviosidade foi no ano de 2003, com um valor acumulado anual de 1355,4mm, considerando que o valor médio de todo este período foi de aproximadamente 1848 mm. 70 Após esse período, ambos os metais apresentaram um aumento mais significativo, como pode ser observado pela Figura 34. O cromo está presente em solos, normalmente na forma de Cr +3, que tem pouca mobilidade, a não ser quando há Cr+6 envolvido no processo. O Cr+3 é envolvido em terra argilosa e em partículas de materiais orgânicos, podendo ser mobilizado se complexado com moléculas orgânicas. As principais atividades humanas que liberam compostos de cromo são emissões decorrentes da fabricação do cimento, construção civil, ligas metálicas, fundições, manufatura de aço e ligas, indústrias de galvanoplastia, lixos urbano e industrial, preservativos de madeira e fertilizantes. O cromo é um metal traço essencial no metabolismo da insulina, porém quando presente em grandes quantidades (principalmente na forma de hexavalente) pode apresentar toxicidade crônica ou aguda. Além de poder causar a bioacumulação e efeitos tóxicos em plantas, invertebrados e peixes. (AZEVEDO; CHASIN, 2003; MOORE et al, 1984). Os dados do metal Cu são referentes aos anos de 2000 a 2003, após esse período não foram mais realizados monitoramento desse elemento, e iniciou-se o monitoramento do Ni, como pode ser observado na Figura 35. Tanto o Cu como o Ni apresentou uma pequena variação ao longo dos anos observados, ou seja, manteve-se praticamente constante com uma concentração média em torno de 10mg/kg para o Cu e 32mg/kg para o Ni, com exceção para 2007, uma vez que havia apenas 1 mês de dado de concentração de Ni para compor esse ano. Figura 35 - Variação da concentração média de Cu (mg/kg) no período de 2000 a 2003 e Ni (mg/kg) no período de 2006 a 2011, no estuário do rio Itajaí-Açu. As linhas horizontais pontilhadas representam a concentração limite 34 mg/kg 20,9 mg/kg 71 A entrada natural de cobre no ambiente marinho ocorre por erosão de rochas matriz. As entradas por fontes antropogênicas são localizadas e podem variar amplamente de natureza. Este metal está em segundo lugar em número de aplicações diferentes, estando atrás apenas do ferro, e estima-se que cerca de 7,5 milhões de toneladas por ano de cobre são produzidas para usos em equipamentos eletrônicos, ligas metálicas ou como catalisadores de reações químicas, em tintas anti-incrustantes para cascos de navios, em algicidas e para o beneficiamento de madeiras. E esses usos inevitavelmente resultam em cobre sendo transferido para o ambiente marinho. No entanto, mesmo sendo muito utilizado pelos organismos, o cobre é uns dos metais mais tóxicos existentes e pode causar efeitos adversos. Nos humanos os efeitos adversos à saúde estão relacionados tanto com a deficiência como excesso (CLARK, 1996; MOORE et al, 1984). O Ni manteve sua concentração em torno de 26,93 32 mg/kg, porém se desconsiderar os dados referentes ao ano de 2007, uma vez que foram utilizados apenas os dados do mês de novembro para compor esse ano, o Ni passa a apresentar uma média ainda mais elevada, de aproximadamente 32 mg/kg. Apresentando uma concentração média acima dos níveis permitidos pelo CONAMA (20,9 mg/Kg). O níquel é introduzido nos corpos d’água através de processos naturais de intemperismo, pela atmosfera, escoamento superficial, descargas diretas de resíduos urbanos e industriais. A maior entrada de níquel para o ambiente marinho ocorre através dos rios, pelas descargas municipais. Nos rios o níquel pode ser transportado associado à matéria orgânica ou adsorvido em partículas de argila. É um metal com significante contaminação em sedimentos de áreas industrializadas e medidas vêm sendo tomadas para reduzir as entradas deste metal nos oceanos. Ele é utilizado na fabricação de aço inoxidável e em outras ligas metálicas, na galvanoplastia, pigmentação de tintas, em manufaturas de baterias alcalinas, manufatura de moedas, também é utilizado como catalisador em certas reações. A maior parte do níquel está na forma particulada e sofre grande deposição em estuários, atividade de dragagens para manutenção de portos e para canais de navios podem oferecem uma potencial fonte de contaminação (CLARK, 1996; MOORE et al, 1984). A concentração de cádmio (Cd) ao longo dos anos analisados apresentaram valores com pequena variação. Em 2006, esse metal possuía uma concentração média de 0,15mg/kg, já em 2010 a concentração passou para 0,12mg/kg. O valor relativo ao ano de 2010, 72 apresentou um alto valor de desvio padrão, devido as diferentes concentrações de Cd ao longo do canal nesse período (Figura 36). Figura 36 - Variação da concentração média de Cd (mg/kg) no período de 2006 a 2011, no estuário do rio ItajaíAçu. As entradas antropogênicas no ambiente aquático principalmente são por deposição atmosférica, fundição e refinamento, processos de manufaturados e descartes domésticos. Os problemas associados referem-se a bioacumulação em plantas, invertebrados e peixes. Além do efeito tóxico dos organismos marinhos (MOORE et al, 1984). A figura 37 mostra a variação da precipitação (mm) acumulada anual da região de Itajaí, fornecida pelo professor Sergey Alex Araújo responsável pelo Laboratório de Climatologia, do CTTMar/UNIVALI, responsável pelo Relatório Climatológico mensal. As linhas horizontais pontilhadas representam as máximas e mínimas precipitações acumuladas anuais ao longo de 1999 a 2011. De uma forma geral, esta distribuição de precipitações foi bem variada, havendo um incremento na quantidade de chuva a partir de 2007. Com destaque para os altos valores no ano de 2008 (2393 mm) e 2011 (2292 mm), período que ocorreram as enchentes na cidade. 73 Figura 37 - Variação da precipitação total de Itajaí-SC, no período de 1999 a 2011. Linhas pontilhadas representam os máximos e mínimos de precipitação (mm). Existe uma relação inversamente proporcional a quantidade de chuva com a concentração de metal no sedimento, à medida que aumenta a precipitação, há como consequencia um aumento na vazão do rio, ocasionando uma ressuspensão do material de fundo, sendo assim, o metal que poderia estar acumulado no sedimento é retirado e, portanto poderá apresentar menores valores de concentrações de metais. Porém, os dados analisados mostram que houve um aumento da concentração dos metais, sendo assim, o material trazido pela lixiviação enriquecido de metais, foi depositado na região estuarina, aumentando suas concentrações. A avaliação dos metais pesados no sedimento superficial do rio Itajaí-Açu pode, portanto, representar um reflexo das características da coluna d’água, além de poder representar o potencial que esse ambiente possui em liberar para a coluna d’água os metais pesados acumulados, indicando, assim, o estado em que esse ambiente se encontra. No entanto, devese observar que a variação dos metais aqui se refere aos metais totais do sedimento, ou seja, os metais adsorvidos ao mineral que pode ser liberados para a biota. O intenso desenvolvimento da cidade e a ocupação mal planejada nas margens dos estuários fazem com que estes ambientes sejam receptores de resíduos das mais diversificadas atividades antrópicas, entre elas o aporte das águas, sedimentos, poluentes do rio Itajaí-Açu, com contribuição significativa de efluentes domésticos, industriais, das empresas de pescado, estaleiros, portos, além do escoamento urbano das cidades de Itajaí e Navegantes. 74 Segundo CLARK (1996), os sedimentos em estuários industrializados, com presença de portos contém o legado de séculos a mais de descargas de lixo. As dragagens regulares dos canais de navegação produzem nessas áreas, uma grande quantidade de sedimento dragado contaminado com metais pesados, que são geralmente despejados no mar. Segundo Araújo et al (2006), três abordagens tem sido utilizadas para a avaliação da qualidade do sedimento: análises físicas e químicas (fornecem dados sobre o grau de contaminação), análise da estrutura das comunidades bentônicas e testes de toxicidade para avaliar os possíveis efeitos na biota. Nesse trabalho para análise da qualidade do estuário foi realizado apenas a análise química do sedimento para avaliar o grau de contaminação do mesmo por metal pesado. De todos os metais analisados apenas o Ni apresentou valores acima do permitido pelo CONAMA (N° 344/04). No entanto, trabalho realizado anteriormente nesta mesma região de estudo, mostrou que em torno de 70% das concentrações de Ni estão na sua forma mineralógica, ou seja, faz parte da composição mineralógica do sedimento e está na forma indisponível para o meio, havendo pouca influência de atividades antropogênicas na composição deste metal para esta região (SCHERER, 2011). Porém, todos os metais pesados sofreram um aumento na sua concentração ao longo dos últimos dez anos avaliados. Para contribuir com essa análise, têm-se os dados de crescimento e desenvolvimento do porto de Itajaí e consequentemente o desenvolvimento e expansão da cidade, que são responsáveis por atrair indústrias, empresas, para a região do Vale do Itajaí, contribuindo, portanto, para esse aumento na concentração de metais pesados do estuário do rio Itajaí-Açu. Corroborando, desta forma, para a importância deste trabalho para levantar as relações entre os possíveis causadores dessa poluição e seus impactos e principalmente para entender as medidas e políticas públicas existentes, no sentido de monitorar esse ecossistema a fim de conservá-lo. 5. 4 IMPACTO As mudanças no estado, ou seja, na qualidade do ecossistema, pode ocasionar impactos econômicos ou ambientais no meio (KRISTENSEN, 2004). O impacto se diferencia do “Estado”, pois mostra uma alteração na saúde do ecossistema. Segundo o CONAMA (1986), 75 o impacto é considerado, quando há alguma alteração nos recursos naturais, saúde dos ecossistemas e até na saúde humana. A Figura 38 ilustra esquematicamente essa relação. Figura 38 - Esquema da estrutura DPSIR, representada pelo estado e impacto gerado no ambiente. Estado Saúde Humana Qualidade Estuário [Cd] [Cr] [Cu] [Ni] [Zn] Impacto Fauna e Flora Fonte: Autora Segundo Salomins & Forstner (1984), os metais pesados encontrados nos ambientes aquáticos podem ser originados das fontes naturais, envolvendo processos de intemperismo físico ou químico das rochas da crosta terrestre, carregando para o ambiente aquático os sedimentos, cujos minerais são compostos por metais pesados; ou por fontes antropogênicas, que por sua vez, são resultados principalmente das atividades industriais (metalúrgica, tecido, cerâmica, etc.), sendo que seus efluentes quando não são tratados, podem ser lançados direta ou indiretamente a estes ambientes, enriquecendo-os com metais pesados. Como os sedimentos apresentam baixa mobilidade, eles tendem a apresentar uma concentração mais elevada de metais pesados, sendo muito utilizado para realizar diagnóstico da qualidade da água. Além de poder atuar como um armazenador ou fonte de metais pesados para a coluna d’água, uma vez que estes podem ser liberados, via agentes biológicos, químicos ou físicos (PORTONAVE, 1999). Os metais podem ser classificados em dois grandes grupos com relação aos organismos, os não essenciais e essenciais. O cádmio, cromo, níquel e chumbo são considerados não essenciais, ou seja, não são essenciais para nenhum organismo em nenhuma fase de vida, e sua presença em elevadas concentrações podem ser prejudiciais para a saúde. Por outro lado zinco e o cobre são importantes em algumas funções do organismo, porém sua presença em excesso pode acarretar efeitos crônicos. 76 O aporte continental contém uma grande quantidade de metais que deságuam nas águas costeiras, a maioria está associada a partículas em suspensão que rapidamente sedimenta. O potencial impacto ambiental para as entradas desses materiais depende da complexa interação físico-química que ocorre no momento em que a água do rio encontra com o mar. A mobilização do metal associada a essas partículas, as dragagens ocasionadas em função do porto e os despejos costeiros representam uma fonte significativa de contaminação por metal (MCELDOWNEY,1993). Sendo assim, a toxicidade dos metais depende da forma química que estes assumem na água, podendo se complexar com o material orgânico dissolvido e influenciar em numerosos processos biogeoquímicos. Esses contaminantes absorvidos por sua vez podem ficar retidos em organismos e causar efeitos deletérios. Os processos de acumulação nos organismos envolvem a bioacumulação, onde estão inclusos todos os meios de exposição ao contaminante, inclusive na alimentação, e a biomagnificação, que ocorre quando a concentração dos contaminantes aumenta nos tecidos a medida que avança os níveis tróficos (COSTA, 2008). Através da análise faunística presente no ambiente, pode-se ter uma relação dos organismos que podem potencialmente serem afetados com metais pesados. Existe uma variedade de moluscos, crustáceos, peixes, além de aves e mamíferos (Figura 39), dentre eles a macrofauna que ocorre na área de estudo é bastante rica e diversificada, tanto de invertebrados como vertebrados (Quadro 3). As amostragens realizadas para identificação fauna demonstram a existência de várias espécies de peixes de valor comercial, comprovando a importância socioeconômica da área como local de atividade pesqueira. Além disso, um grande número de indivíduos juvenis foi coletado, o que demonstra a importância do estuário como ambiente de berçário (PORTONAVE, 1999). Quadro 3 - A macrofauna observada e identificada na área de estudo. Macrofauna 12 Invertebrados Vertebrados N.° espécie Ictiofauna 38 Aves 11 Mamíferos - Fonte: Adaptado de Portonave (1999) 77 Figura 39 - Exemplos da macrofauna do estuário do rio Itajaí-Açu. a) Egretta thula; b)Genidens genidens; c) Callinectes danae. a b c Fonte: avespantanal (2012); fishbase, (2012); ideiaweb ( 2012) Não foram observados mamíferos silvestres na área de estudo, sua presença foi apenas constatada pela presença construção de tocas. A fauna de mamíferos é supostamente integrada por ratos (Rattus norvegicus) e preás (Cavia aperea) (PORTONAVE, 1999). Comparativamente, estudos mais recentes mostram uma biodiversidade ainda mais elevada, dados estes relativo ao Saco da Fazenda de Itajaí/SC. A partir de cinco anos de amostragem nesse local obteve-se como resultado 51 espécies de peixes, sendo os principais organismos capturados as Manjubas, Sardinhas, Bagres, Linguado, Tainha, entre outros. Com relação aos crustáceos foram levantados 5 espécies, sendo o chama-maré (Uca uruguayensis) o mais abundante, com relação ao siri, foram registrados 10 espécies, sendo o siri-azul (Callinectes danae) contribuiu com a maior abundância. A composição da avifauna do Saco da Fazenda foram registradas 50 espécies de aves, sendo que as aves aquáticas no estuário dependem de um ecossistema sujeito as oscilações diárias de maré (MARENZI, 2012). De modo geral, fica registrado a biodiversidade do local de estudo, sendo esses os possíveis impactados pelas ações antrópicas da região. Outros organismos que também estão suscetíveis a contaminação por metais pesados são os microrganismos, eles constituem as formas de vida mais abundantes e diversificadas presentes na natureza e desempenham funções cruciais na manutenção dos ecossistemas sendo a base da cadeia alimentar e fundamentais nos ciclos biogeoquímicos (WHITMAN et al, 1998). As larvas e as formas juvenis de muitas espécies de mariscos, ostras, caranguejos, além de camarão e peixes, dotados de valor econômico, se desenvolvem e abrigam em 78 ambientes estuarinos. Os fitoplâncton, as algas bentônicas e as macrófitas fornecem uma variedade de recursos alimentares para os heterotróficos durante todo o ano nesses ambientes, possuem grande importância nos ecossistemas tanto estuarinos como marinhos (ODUM, 1988). O Vale do Itajaí é caracterizado por uma flora extraordinariamente rica em espécies, a vegetação é muito exuberante, graças aos múltiplos fatores ambientais favoráveis. Cerca de 80% da Área da Bacia Hidrográfica do rio Itajaí-Açu é ocupada pela “Mata Pluvial da Encosta Atlântica”. Ao longo das margens dos rios, encontram-se um pequeno grupo de plantas, que apresentam adaptações necessárias a esse ambiente, sujeitos a enchentes periódicas. As margens dos rios, portanto é dominada por Sebastiania schottiana, Phyllanthus sellowianus e Calliandra selloi, sendo a primeira a mais importante, com maior predominância (PORTONAVE, 1999). A vegetação e todas as formas bióticas presente no estuário estão suscetíveis a contaminação por metais pesados. Assim faz-se necessário conhecer as espécies presentes no local de estudo, a fim de monitora-las para sua preservação. Os moluscos bivalves filtram o material fino em suspensão, como fonte de alimento, e por serem sésseis, acabam por acumular grandes concentrações de contaminantes em seus tecidos (IP et al., 2005). A maioria dos peixes é móvel, capazes de percorrer grandes distâncias, os que vivem na coluna d’água podem adsorver os contaminantes através das brânquias e superfície corporal (IP et al., 2005; MELETTI et al., 2003). No compartimento sedimentar, os caranguejos, camarões, que vivem próximo ao fundo tendem a ingerir detritos podendo estes estar contaminados com elementos tóxicos. Assim como os invertebrados bentônicos que selecionam seus alimentos pelas partículas do sedimento, normalmente com alta concentração de matéria orgânica, que podem conter elevadas concentrações de metais pesados (ARAÚJO et al., 2006). As dragagens podem de uma maneira geral, impactar a fauna bentônica estuarina, num primeiro momento após a atividade de dragagem ocorre a exclusão temporária das espécies locais, depois uma rápida colonização do substrato. Podendo acarretar contaminação por metais pesados de tecidos de espécimes planctônicos, bentônicos, nectônicas, e sobre a vegetação, podendo ser transmitidos via cadeia alimentar, refletindo sobre o consumo humano (PORTONAVE, 1999). 79 Uma vez os organismos contaminados, podem, portanto ser desencadeados então uma série de problemas, além da saúde do estuário, pode afetar indiretamente a saúde humana, pela ingestão do pescado. Desta forma, complementa Ketchum (1983), sendo o porto, um centro de atividades socioeconômicas com potencial de gerar poluentes no meio ambiente, a degradação do estuário pode ocasionar uma diminuição e até o desaparecimento de algumas espécies de pescado e, com isso, pode ocasionar mudanças nos hábitos culturais da pesca artesanal da região. Além disso, o processo de dragagem realizado frequentemente no canal pode contribuir para a deterioração dos ambientes estuarinos e marinhos adjacentes, por causar ressuspensão de partículas e contaminantes na coluna de água. 5. 5 RESPOSTA A resposta dada pela sociedade ou por decisores políticos é resultado de um impacto indesejado, e pode vir a afetar qualquer parte da cadeia da estrutura DPSIR apresentada nesse trabalho. A Figura 40 representa um esquema, na qual aborda a idéia elaborada para levantar as respostas para a estrutura DPSIR, considerando as relações porto, cidade e estuário. Figura 40 - Esquema representativo da estrutura DPSIR como uma abordagem para analisar as ligações entre as relações porto-cidade e o estuário. Resposta D P S Cidade I Porto Estuário Fonte: Autora 80 A relação entre os elementos da estrutura DPSIR gera uma dinâmica no modelo, possibilitando assim possíveis mudanças. Essa relação interage com muitos fatores se tornando complexa, em muitos casos, a mudança no estado do ambiente ou os impactos tem várias causas, umas locais, outras podem ser em escala continental ou mesmo globais. As reduções das pressões, muitas vezes, são resultados de uma integração de respostas políticas e mudanças em várias forças motrizes (EEA, 2003). Foram levantados onze quesitos para compor as respostas proposta para a estrutura DPSIR, sendo elas políticas públicas, programas e projetos e instituições, como segue no Quadro 4. Quadro 4: Conjunto de respostas propostas para os componentes do modelo DPSIR aplicado na relação porto-cidade. D– Força motriz, P – Pressão, S – Estado, I – Impacto; Nível Federal (F), Estadual (E), Municipal (M). Níveis Federal (F), Estadual (E) e Municipal (M). Componentes Nível N° RESPOSTAS F 1 Lei dos Portos F 2 ANTAQ F 3 NR29 -Segurança do Trabalhador F 4 Legislação Ambiental - Embarcações M 5 Projetos de monitoramento do Porto F 6 Legislação - Dragagem M 7 Projeto Borda D’água M/E/F 8 Projeto Orla M 9 Plano Diretor E 10 Licença Ambiental M 11 Agenda Ambiental Portuária M 12 APA – Saco da Fazenda D P S I Fonte: Autora Para facilitar a análise das respostas propostas acima, iniciou-se pela identificação dos quesitos referente ao porto, para isso foi desenvolvido um levantamento legal das atividades portuárias como proposto no objetivo 1 deste trabalho, além de outras políticas encontradas como segue a Figura 41. Posteriormente, serão abordadas as respostas identificadas para os 81 três elementos chave desse trabalho – a relação porto, cidade e estuário, sendo elas elementos para compor a estrutura DPSIR. Figura 41 - Estrutura relacionando a resposta encontrada para todos as etapas do modelo , referente ao Porto de Itajaí/SC. Política Integrada de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalhador Levantamento Legal Portuário PORTO D D Objetivo 1 Resposta P S S I Programa Monitoramento Porto Fonte: Autora A partir desse levantamento foi desenvolvido um esquema representativo envolvendo o porto de Itajaí, as atividades portuárias representadas pelas embarcações, dragagem, água de lastro e, por fim, o sedimento. Para cada um desses elementos foi inserido suas respectivas leis e programas ambientais existentes, como ilustra a Figura 42: 82 Figura 42 - Esquema representativo da questão legal envolvida na atividade portuária Área Portuária de Itajaí: - AAP; - Licença Ambiental Portuária; - Monitoramento da qualidade da água do rio Itajaí-Açu; - Monitoramento da Qualidade do sedimento; Monitoramento da Dragagem; - Programa de controle da Água de Lastro; - PGRS; - Programa de Educação Ambiental; - ETE; LEGISLAÇÃO - Resolução CONAMA 344/2004; - Resolução CONAMA 421/2010 LEGISLAÇÃO: - Convenção Internacional controle Água de lastro e sedimento/2004; - Resolução CONAMA n. 244/2004; -Lei n. 11.610/2007; Resolução CONAMA 421/2010 LEGISLAÇÃO - CLC/69; - MARPOL 73/78; - Decreto n. 87.566/ 1982 - OPRC/1990; - Lei n. 9.537/1997; - Decreto n. 2.870/1998; - Lei n. 9.966/ 2000; - Decreto n. 4.136/2002; - Resolução CONAMA n.293/2001; - Resolução CONAMA n.357/2005; - Resolução CONMA n.398/2008. - Lei n.2.190/2011 - Lei n. 13.557/2005 LEGISLAÇÃO: - Lei n. 9.966/2000; - Convenção Internacional controle Água de lastro e sedimento/2004; - NORMAM n. 20/2005 Fonte: Autora 83 A exploração dos portos, operações portuárias, operadores portuários, instalações portuárias, gestão da mão de obra de trabalho e administração do porto organizado são os itens contemplados na Lei n. 8.630/93, conhecida como a Lei dos Portos. A partir dessa lei atividade portuária sofreu uma modernização na sua estrutura possibilitando-a de fazer frente ao comércio internacional. Possibilitando os portos hoje serem competitivos e serem reconhecidos mundialmente, como é o caso do porto de Itajaí. A Agência Nacional de Transporte Aquaviários – ANTAQ é uma entidade integrante da Administração Federal, criada pela Lei n. 10.233/01, de direito público, vinculada ao Ministério dos Transportes e a Secretaria de Portos da Presidência da República. Tem por finalidade regular, supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação de transporte aquaviário, além de garantir a movimentação de pessoas e bens, em cumprimento a padrões de eficiência e segurança entre outros. (ANTAQ, 2012a). Essa entidade têm fundamental importância para todos os portos brasileiros inclusive, o porto de Itajaí. Pois permite manter as atividades supervisionadas, fiscalizadas contribuindo para um bom relacionamento entre porto-cidade. A segurança do trabalhador, contemplada pela Norma Regulamentadora 29 – NR29, tem como objetivo “Regular a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais, facilitar os primeiros socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis de segurança e saúde aos trabalhadores portuários” (guia trabalhista, 2012). Essa política pública é essencial no que diz repeito aos direitos dos trabalhadores, e de certa forma também aos cidadãos itajaiense, uma vez que muitos dos trabalhadores do porto são os próprios cidadãos da cidade. Existe uma enorme quantidade de leis que regem atualmente a atividade portuária. A fim de contemplar as respostas encontradas para essas atividades, relacionada à força motriz foram levantadas as leis referentes às embarcações, como mostra a Figura 42, e que envolvem um grande leque de conceitos. A Lei n. 9.966/2000, por exemplo, refere-se ao alijamento efetuado pelas embarcações; substância nociva ou perigosa descarregada nas águas; escape, derrame ou vazamento de substâncias nocivas ou perigosas. A MARPOL/73/78 - Convenção Internacional para Prevenção da Poluição por Navios estabelece regras para preparo, resposta e cooperação em caso de poluição por óleo. A atividade portuária através das legislações ambientais supre a necessidade de desenvolvimento sustentável, bem como de adaptação aos padrões ambientais exigidos internacionalmente. As legislações referentes à água de lastro, 84 como propósito a prevenção à poluição por parte das embarcações, também estão descritas na figura 42. A NORMAN-20 de 2005, estabelece requisitos referente a prevenção da poluição por parte das embarcações em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), no que se refere ao Gerenciamento da água de Lastro. Ficou estabelecido que o sistema inicial para troca da água de lastro tem como base fundamental a Resolução de Assembléia da Organização Marítima Internacional (IMO) A.868(20) de 1997 e como a Convenção Internacional de Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navios, adotada em fevereiro de 2004, aplicada a todos os navios que possam descarregar Água de Lastro nas AJB. A autoridade portuária do complexo portuário do rio Itajaí-Açu, documenta sua Política Integrada de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalhador, reconhecendo a necessidade de manter um Sistema de Gestão Integrado de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho ( PORTO DE ITAJAÍ, 2012d). Dentre os princípios adotados como parte das ações de gerenciamento foram criados os projetos de monitoramento do porto, voltado a questão ambiental e social, da área de abrangência do porto de Itajaí e que é conduzido pelo Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar da Universidade do Vale do Itajaí (CTTMar/UNIVALI). Dentre eles os que fornecem resposta para as forças motrizes desse trabalho referente ao porto são: Plano de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS), no qual o porto de Itajaí realiza separação do resíduo originário da atividade portuária e tratamento específico para cada tipo de lixo (Figura 43). Plano esse de grande importância, pois visa diminuir o impacto gerado no sistema hídrico; Figura 43 - Coleta seletiva no Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Fonte: ANTAQ (2012b) 85 Área de segregação, sendo considerada a única área ambientalmente correta para armazenamento de produtos químicos e cargas perigosas do Sul do Brasil, possui um sistema de prevenção de incêndio e diques de contenção para impedir contaminação do rio. Essa área, além de prever a segurança dos trabalhadores, também minimiza a contaminação dos estuários; Programa de prevenção das DST/HIV/AIDS, dentro da área portuária ocorre a conscientização para a prevenção da AIDS, junto aos portos e a comunidade, através da distribuição de materias educativos, palestras, orientações, exames e campanhas de prevenção. A existência do programa serve como forma de aumentar a interação entre o porto e a comunidade; Programa de educação ambiental tem como objetivo informar, sensibilizar os funcionários, usuários do porto e comunidade de Itajaí, quanto à importância de sua participação na conservação e preservação do meio ambiente. Programa esse de fundamental importância pois visa a proteção do meio ambiente e consequentemente dos estuários e suas comunidades biológicas; Estação de tratamento de Esgoto (ETE), o porto desde 2007 possui uma ETE, onde todo o esgoto gerado passa por tratamento aeróbio para poder ser lançado no corpo hídrico receptor. Esse programa também visa aumentar a interação do porto com a cidade, podendo atuar como um agente de melhoraria da qualidade de vida da população e da convivência das atividades portuárias com o cotidiano da população na cidade, além de conservar o estuário. Para a dragagem, referente a ‘pressão’ exercida pela atividade portuária, foram levantadas as leis específicas, conforme descrita na Figura 42. Em 1982, foi estabelecido o primeiro Decreto (n.87.566), A Resolução CONAMA n.344/04, alterada pela Resolução CONAMA n. 421/2010, que estabelece as diretrizes gerais e os procedimentos mínimos para a avaliação do material a ser dragado em AJB. Para efeito de classificação do material são definidos critérios de qualidade, a partir de dois níveis (nível l e 2), sendo assim essa resolução também se refere a qualidade do sedimento do estuário. O porto ainda realiza o Monitoramento da dragagem e parâmetros hidrosedimentológicos, na tentativa de verificar a performance do rio Itajaí-Açu, além de monitorar os parâmetros físicos e sedimentológicos. O Programa de monitoramento da qualidade do sedimento, do projeto de monitoramento do porto segue como uma resposta para o ‘Estado’, dentre outros parâmetros 86 visa estabelecer a relação da concentração de metais pesados que possam estar presentes na área de influência das atividades de dragagem do canal de acesso do Porto de Itajaí. Com relação a prevenção dos impactos gerados pelo porto têm-se, o Programa de Monitoramento da Qualidade da Água do Rio Itajaí-Açu e Comunidades Fitoplanctônicas, que são realizados no intuito de verificar a qualidade da água e caracterizar possíveis fontes poluidoras na área de influência do porto, através da análise de vários parâmetros como pH, oxigênio dissolvido, DBO, temperatura e possíveis toxicidade das águas do rio além de conhecer o grau de comprometimento da qualidade da água em relação aos poluentes químicos (metais pesados, compostos orgânicos, contaminantes biológicos) e monitoramento das comunidades fitoplanctônicas. O relatório de vistoria n. 05/2010 – Gerencia de Meio Ambiente (GMA) da Superintendência de Portos, realizado pela ANTAQ levantou a gestão ambiental e de segurança ocupacional no Porto de Itajaí (Quadro 5). PPRA SESSTP Certificação ISPS Ambiental Auditoria PCE PGRS PEI Licenciamento PORTO Núcleo ambiental Quadro 5 - Quadro com a atual situação de atendimentos as principais conformidades ambientais, de segurança ocupacional e portuária. Porto de Itajaí 2007 Porto de Itajaí 2010 Atende Atende Parcialmente Não Atende Fonte: Adaptado de ANTAQ ( 2012b) Essa vistoria teve como objetivo realizar um levantamento das conformidades ambientais e de segurança ocupacional e de segurança portuária, por meio do preenchimento do formulário do Sistema Integrado de Gestão Ambiental (SIGA) e vistoria ao cais público. Pode-se, assim, perceber que o porto de Itajaí atende a grande maioria das conformidades ambientais e de segurança acordo com a legislação em vigor. Dentre as conformidades têmse: Núcleo Ambiental; Licenciamento; Plano de Emergência Individual (PEI); Plano de 87 Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS); Certificação ISPS, Serviço Especializado em Segurança do Trabalhador Portuário (SESSTP); e Plano de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). As cidades do século XX foram profundamente modificadas pelas inovações da tecnologia, além de aperfeiçoar os meios de comunicação, os automóveis e veículos mecanizados, que obrigou os aglomerados urbanos a uma nova articulação, sendo as vias de deslocamento passaram a ocupar áreas cada vez maiores, antes destinadas ao convívio dos cidadãos. Desde o início deste século verificou-se que os centros da cidade são elementos indispensáveis aos programas urbanos e que sua degradação resultava em empobrecimento da qualidade ambiental. Grandes programas de recuperação dessas áreas tornaram-se uma das principais tarefas das últimas décadas (PDZ, 2012). Os três elementos chave para realização desse trabalho, o porto de Itajaí, o município de Itajaí e o estuário do rio Itajaí-Açu, estão sempre conectados, interagindo entre si. Todo desenvolvimento e crescimento do porto afeta direta e indiretamente o município e seu entorno, desta forma o ambiente estuarino acaba por ser impactado, sofrendo com essa expansão urbana e econômica (Figura 44). Figura 44 - Esquema representativo da estrutura DPSIR como uma abordagem para analisar as respostas envolvendo o porto, o município e o estuário. Cidade Porto Estuário Resposta Projeto Borda D’água Projeto Orla Plano Diretor Licença Ambiental Agenda Ambiental Portuária APA Saco da Fazenda 88 Fonte: Autora Foram levantadas seis medidas existentes como Resposta para essa relação porto cidade e estuário, além de servir para compor as Resposta para a estrutura DPSIR, sendo elas: o Plano Diretor, Projeto Orla, Projeto Borda D’água, Licenciamento Ambiental do Porto, e a Agenda Ambiental Portuária, Área de Proteção Ambiental (APA) do Saco da Fazenda. O Plano Diretor é um instrumento organizado e realizado pela prefeitura e tem como objetivo definir o padrão de desenvolvimento da ocupação urbana da cidade. Esse plano busca a qualidade de vida da população e a conservação dos recursos naturais. Itajaí iniciou seus trabalhos de elaboração do Plano Diretor no início do ano de 2005, a partir da Lei Federal N. 10.257/01 que obrigou os municípios a elaborar seu Plano Diretor. Itajaí, assim como inúmeras outras cidades brasileiras, está passando por grandes mudanças, na tentativa de buscar um futuro com desenvolvimento equilibrado e sustentável. Esse plano serve como um instrumento de orientação a respeito do desenvolvimento do município de maneira ordenal (PLANO DIRETOR, 2006). O Projeto Orla – Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima, surge como uma ação inovadora no âmbito do Governo Federal, conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente, buscando contribui, em escala nacional, para a aplicação de diretrizes gerais do uso e ocupação do espaço que constitui a sustentação natural e econômica da zona costeira, a Orla Marítima. Esse instrumento incorpora ao contexto da gestão integrada a visão estratégica de planejamento e de busca de identidade local a solução de conflitos, além da manutenção das riquezas naturais, culturais e sociais do litoral brasileiro (PROJETO ORLA, 2002). Esse projeto vem com uma fundamental importância, para o presente trabalho, pois é necessário instrumentos para gerir o espaço urbano com intuito de unir o porto da cidade, a fim de solucionar qualquer conflito existente, como por exemplo, do uso e ocupação do solo, devido à expansão tanto portuária como urbana. Levando em conta a qualidade do estuário, um ecossistema com grande diversidade de espécies e de grande importância ecológica. O Projeto Borda D’água é um projeto de contrapartida da ampliação do Porto e valorização da orla marítima da cidade, e tem como objetivo básico a valorização de todo o centro tradicional de Itajaí, através da reciclagem urbana de sua orla fluvial, proporcionando o reencontro da cidade com seu mais importante elemento histórico e geográfico, o rio ItajaíAçu. Sendo assim, o Projeto pretende inserir o porto na cidade e a cidade no porto, além de melhorar o espaço urbano, a fim de assegurar que não haja conflitos com as operações ou crescimento do porto (PDZ, 2010). 89 O Licenciamento ambiental, o principal instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente – PNMA capacita o empreendedor a desempenhar suas atividades ao mesmo tempo impõe uma série de requisitos ambientais. “O Licenciamento ambiental é um dispositivo legal capaz de garantir ao empreendedor o reconhecimento público de e que suas atividades estão sendo desenvolvida em conformidade com a legislação ambiental e em observância a qualidade ambiental” (ANTAQ, 2012c). A partir da avaliação dos impactos ambientais, assim como a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidora, possibilita uma análise da implementação do empreendimento e atividades públicas ou privadas que utilizam de recursos ambientais (PORTO DE ITAJAÍ, 2009). Foi realizado o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) da dragagem para aprofundamento do canal de acesso e da bacia de evolução do porto organizado de Itajaí em 2009, e dentre os vários itens analisados o importante é a percepção da necessidade de se obter essa licença, pois mostra a importância por parte dos empreendedores da questão ambiental envolvida nessas atividades. O porto de Itajaí obteve sua licença ambiental para dragagem, concedida pela FATMA em setembro de 2009, possibilitando que o complexo portuário do rio Itajaí-Açu tenha uma profundidade ampliada para 14 metros e permitindo, com isso, navios com até 300 metros de comprimento, 40 metros de largura e 13 metros de calado podem atracar na região. A Agenda Ambiental Portuária (AAP) tem como principais diretrizes tentar de promover o controle ambiental da atividade portuária, inserindo no âmbito do gerenciamento costeiro e regulamentando os procedimentos da operação portuária, adequando-os aos padrões ambientais. A AAP é um instrumento muito importante na relação porto-cidade, sendo seu ponto chave a harmonização do PDZ (Plano de Desenvolvimento e Zoneamento) com o Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro, localizando possíveis conflitos entre o uso dos espaços com os parâmetros de conservação (CIRM, 1998). O porto de Itajaí ainda não elaborou uma agenda ambiental para um planejamento das ações ligadas ao meio ambiente, porém a autoridade portuária, no final de 2010 atualizou a Política Ambiental do porto. A Área de Proteção Ambiental (APA) do Saco da Fazenda foi criada pelo Decreto 8.513 de 04 de março de 2008, sendo este de Uso Sustentável. O local é utilizado pela população para práticas esportivas, navegação e atividades educativas, além da utilização para atividade pesqueira. O Saco da Fazenda compreende um complexo estuarino, com presença dos ecossistemas de mangue e marisma com presença de organismos aquáticos, contemplando 90 uma elevada biodiversidade local (MARENZI, 2012). A preservação desse espaço abrange tanto o aspecto ecológico, fundamental para todas as comunidades biológicas ali presentes como garante um espaço organizado, dotado de beleza cênica de uso comum entre os cidadãos. De um simples terminal madeireiro na primeira metade do século XX para o segundo maior porto em movimentação de contêineres do país no começo do século XXI, foi uma longa jornada percorrida. A análise dos componentes levantados para compor o modelo DPSIR ficou claro que os elementos estudados - porto, cidade, estuário, estão interligados. O crescimento da cidade está diretamente ligado ao crescimento do porto, e o estuário é o ecossistema mais afetado dessa relação. Porém, quando analisamos os resultados para cada componente do modelo percebe-se que tanto o porto como a cidade possuem políticas públicas, programas que visam ordenar o território de forma a harmonizar a relação portocidade preservando a qualidade do ecossistema estuarino, que eles estão inseridos (Apêndice 1 e 2). 91 ONSIDERAÇÕES FINAIS Através da análise das relações socioambientais entre porto-cidade no município de Itajaí nos últimos dez anos foi possível identificar o quanto a cidade e porto estão interligados. Diante da importância do complexo portuário, tornou-se necessário a ampliação da capacidade operacional para atender as novas demandas internacionais. As dragagens de aprofundamento realizadas no estuário aumentou o calado para 14 metros, tornando o complexo portuário ainda mais competitivo, eficiente e moderno, fato esse concluído devido a conteinerização do porto e pelo aumento da movimentação de carga. Esse desenvolvimento da atividade portuária reflete diretamente na economia do Município de Itajaí, favorecendo a instalação de novas empresas, impulsionando a economia elevando o PIB per capita, favorecendo a urbanização e desenvolvimento da cidade. O Estuário do rio Itajaí-Açu, devido sua importância ecológica e econômica, serviu como um indicador de qualidade para este trabalho. Esse ecossistema recebe uma carga poluidora industrial e doméstica proveniente de Itajaí e das regiões adjacentes. Pelas análises de metal pesado no sedimento o único metal que apresentou uma concentração acima do permitido pelo CONAMA (N° 344/04), nesses dez anos analisados, foi o Níquel, podendo a maior parte deste metal estar na forma indisponível, na sua constituição mineralógica. Porém ficou evidente o aumento das concentrações em todos os metais analisados. A análise dos componentes levantados para compor o modelo DPSIR deixou claro que o crescimento da cidade está diretamente ligado ao crescimento do porto, e o estuário é o ecossistema mais afetado dessa relação. Porém quando analisamos os resultados para cada componente do modelo percebe-se que tanto o porto como a cidade possuem políticas públicas, programas que visam ordenar o território de forma a harmonizar a relação portocidade preservando a qualidade do ecossistema estuarino. Sendo assim pode-se dizer que existe uma corelação positiva entre o crescimento e desenvolvimento do porto e do município de Itajaí. Este trabalho é inovador para o laboratório de “Gerenciamento Costeiro Integrado e Unidade de Conservação” da UNIVALI, com a utilização da estrutura DPSIR para as análises socioambientais entre porto-cidade. 92 Nestes 20 anos de existência do curso de oceanografia da UNIVALI, muitos trabalhos de grande importância foram efetuados, sendo esse mais uma contribuição envolvendo assuntos de natureza política, econômica e oceanográfica, ficando aqui registrado a importância da oceanografia nas questões multidisciplinares na atualidade. 93 ECOMENDAÇÕES O método é eficaz, pois os objetivos foram cumpridos, entretanto recomenda-se fazer o levantamento dos indicadores da estrutura DPSIR a partir dos dados levantados nesse trabalho, uma vez que eles foram apropriados para a análise proposta. Propõe-se o desenvolvimento de uma Agenda Ambiental Portuária para Itajaí, sendo esse um instrumento importante na relação porto-cidade. A fim de se determinar a qualidade da água do estuário recomenda-se a análise de metal pesado em conjunto com teste de toxicidade a análise da diversidade biológica do ambiente e os parâmetros físico-químicos da água. 94 EFERÊNCIAS ANTAQ,a – Agência Nacional de Transporte Aquaviário. Disponível em:<http://www.antaq.gov.br/Portal/MeioAmbiente_LicenciamentoAmbiental.asp> Acesso em 29 mai 2012. ANTAQ,b – Agência Nacional de Transporte Aquaviário. Relatório de Vistoria Disponível em:<http://www.antaq.gov.br/portal/PDF%5CMeioAmbiente%5CRelatorios%5CRelatoriosSI GA20092010%5CItajai.pdf > Acesso em 29 mai 2012. ANTAQ,c – Agência Nacional de Transporte Aquaviário. Meio Ambiente Disponível em:<http://www.antaq.gov.br/Portal/MeioAmbiente_LicenciamentoAmbiental.asp> Acesso em 29 mai 2012. ANTUNES, A. Impactos de enchente, dragagem de aprofundamento e dinâmica estuarina sobre a ictiofauna no estuário do rio Itajaí-açu, SC, Brasil. 2010. 101f. 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Centro de Ciências da Terra e do Mar - UNIVALI. 101 PÊNDICES Apêndice 1 – Quadro representativo dos dados socioeconômico relativo ao porto e a cidade de Itajaí/SC e as legislação portuárias do âmbito ambiental e das relações entre porto, cidade e estuário do período entre 1980 e 2011. 1980 R 8 1982 1983 1984 1988 8,05 1989 R 8,05 Dados Dragagem Profundidade do Canal (m) Distribuição de Navios Movimentação Cargas (t) Contêiner (TEU) Exportação Contêiner (TEU) Importação Contêiner (TEU) Evolução da área Portuária (m2) Enchente Evolução População Pop. Rural Pop. Urbana Densidade demográfica Taxa Urbanização IDH Coleta de Lixo PIB per capita Empregos Legislação CIDADE PORTO CIDADE PORTO Ambientes Dados Dragagem Profundidade do Canal (m) Distribuição de Navios Movimentação Cargas (t) Conteiner (TEU) Exportação Conteiner (TEU) Importação Conteiner (TEU) Evolução da área Portuária (m2) Enchente Evolução População Pop. Rural Pop. Urbana Densidade demográfica Taxa Urbanização IDH Coleta de Lixo PIB per capita Empregos Ambiental Portuária Legislação Relação porto, cidade, estuário R = Realizado; O = Ocorreu O 8,0 1991 R 8,1 1992 1993 8,1 8,1 1994 1995 1996 134.799 5.701 129.241 0,959 OPRC N° 9.537 PNGC 2000 2001 2002 2003 R 10 10 10 10 595 705 841 913 2.064.001 2.704.963 3.602.732 4.351.167 176.815 243.554 334.726 466.751 93.309 128189 19643 26888 83.506 115365 17351 28579 ISO 9001 1999 O N°87.566 150.804 1998 8,15 119.631 5.076 114.555 384 0,958 0,755 147.494 5544 141950 486,00 0,962 0,825 98,50% 11,61 34.991 N°9.966 1997 9,15 10 625 495 495 733.451 1.000.082 1.106.344 1.225.369 1.233.757 1.433.428 1.659.326 1.554.962 1.754.691 26.263 32.488 54.561 69.343 73.248 71.353 87.404 122.925 130.625 142.713 86.460 7.703 78.753 284 0,911 0,755 153.357 15,07 19,20 N°293 N° 4.136 N° 233 ANTAQ Projeto Orla 156.077 24,12 Portuária - Ambiental Relação porto, cidade, estuário 1990 N°2.870 N° 8.630 2004 10 871 5.380.135 564.012 22629 22375 54387 161.789 29,81 N° 344 2005 2006 2007 2008 R 10 12 12 984 995 1015 1007 6.135.558 6.447.572 6.537.953 4.731.607 642375 685644 668.277 476.995 312289 335539 327224 217244 330086 350105 341064 259751 56417 58325 61889 62587 O 164950 168088 163.218 169.927 6.240 156.497 570,2 581,1 564,3 587,5 0,959 98,50% 31,94 49.687 N° 357 N°13.557 N° 021 N° 20 Plano Diretor PEGC 38,56 48,91 59,85 N°11.610 N° 398 ISPS CODE 2009 2010 2011 R R 14 14 1020 1251 1194 1.760.833 3.632.213 4.406.675 196.634 384949 443.537 89815 182661 207576 106859 202287 235961 172.081 595,6 183.373 9.921 173452 633,75 0,946 O 186.127 63,17 N°12.305 N° 421 N°2.190 Licença Ambiental R=realizado; O = ocorreu Apêndice 2 – Quadro representativo da legislação portuária do âmbito ambiental a nível Internacional, Federal, Estadual e Municipal. Legislação Portuária - AMBIENTAL NÍVEL Água de Lastro INTERNACIONAL Convenção Int. controle Água de lastro e sedimento (2004) Dragagens Monitoramento Qualidade do sedimento Poluição pelas embarcações óleo Poluição pelas embarcações Lançamento Resíduos Sólidos/Outras substâncias MARPOL 73/78 MARPOL 73/78 Resíduos sólidos no Porto Qualidade Recursos Hídricos OPRC/1990 CLC/69 LEI N° 9.966, de 28 de Abril de 2000 NORMAM N° 20 de14 de junho de 2005 FEDERAL Resolução CONAMA N° 344, de 25 de março de 2004 LEI Nº 11.610/ 2007 Resolução CONAMA N° 421/2010 Resolução CONAMA N° 344, de 25 de março de 2004 Resolução CONAMA N° 421/2010 Protocolo de 1996 LEI N° 9.537, de 11 dezembro de 1997 Decreto N° 87.566, de 16 de setembro de 1982 Decreto N° 2.870, de 10 dezembro de 1998 LEI N°. 9.537, de 11 dezembro de 1997 LEI N° 9.966/ 2000 LEI N° 9.966/ 2000 Resolução CONAMA N° 293, de 12 de dezembro de 2001 Decreto Nº 4.136,de 20 de Fevereiro de 2002 Resolução CONAMA N° 398, de 11 de junho de 2008 Lei N°10.233/01 Resolução CONAMA N° 357, de 17 de março de 2005 LEI N° 12.305, de 2 de agosto de 2010 Resolução N° 2.190 ANTAQ, de 28 de julho de 2011 ESTADUAL LEI Nº 13.557, de 17 de novembro de 2005 LEI Nº 13.557, de 17 de novembro 2005. MUNICIPAL Resolução N° 021/2005 Resolução N° 13 de março de 2008 102