CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS DO MAR PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MARINHAS TROPICAIS ÍTALO BRAGA DE CASTRO ESTUDO DO IMPOSEX EM MURICÍDEOS DO GÊNERO STRAMONITA (MOLLUSCA: GASTROPODA) NO NORDESTE DO BRASIL Dissertação submetida à Coordenação do Ccurso de Mestrado em Ciências Marinhas Tropicais como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Ciências Marinhas. Orientadora: Prof. Dra. Cristina de Almeida Rocha-Barreira FORTALEZA – CE 2005 ÍTALO BRAGA DE CASTRO CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 3 ESTUDO DO IMPOSEX EM MURICÍDEOS DO GÊNERO STRAMONITA (MOLLUSCA: GASTROPODA) NO NORDESTE DO BRASIL Dissertação apresentada a coordenação do curso de mestrado em Ciências Marinhas Tropicais como parte dos requisitos a obtenção do grau de Mestre em Ciências Marinhas. Orientadora: Prof. Dra. Cristina de Almeida Rocha-Barreira Aprovada em ______ de ______________________ de _________ BANCA EXAMINADORA Dra. Cristina de Almeida Rocha Barreira (Orientadora) Dr. Luiz Drude de Lacerda (Membro efetivo) Dr. Marcos Antônio Fernandez CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. ...à Anna Rafaela Cavalcante Braga, por tudo... 4 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 5 AGRADECIMENTOS Durante a realização deste trabalho acabei por contrair enormes dívidas de gratidão para com uma série de pessoas. Não tenho aqui, a pretensão de pagar essa dívida, no entanto, seria injusto não mencionar as pessoas que tanto contribuíram para que meu projeto se transformasse em dissertação. A minha mentora, Prof. Dra. Cristina de Almeida Rocha Barreira, por receber de volta o filho pródigo, incentivar e proporcionar os meios através dos quais, um conjunto de idéias soltas pudessem ser lapidadas e convertidas em um trabalho científico. A Prof. Dra. Helena Matthews Cascon, grande colaboradora, a quem a satisfação de fazer o que faz já é motivo suficiente para fazê-lo. Ao Prof. Dr. Marcos Antônio Fernandez (Halley), pela loucura de acreditar que era possível, pelo auxílio na estatística, pelas valiosas críticas e sugestões e amizade incondicional. Ao grande amigo, o Biólogo Carlos Augusto Oliveira de Meirelles, pela amizade, conselhos, ajuda e pelas horas ao telefone ouvindo meus devaneios. A amiga e companheira de campo em diversas ocasiões Aline Fernandes Alves de Lima, a quem acho que consegui contaminar com minha paixão pelo trabalho, pelo auxílio sem o qual talvez esse trabalho não tivesse se realizado. Ao amigo Rodrigo Previtera, o advogado mais biólogo que já conheci, pelo auxílio indispensável em diversos momentos no campo, sobretudo na Baía de Todos os Santos, ele bem sabe por que. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 6 Ao Biólogo Ms. Wilson Franklin Júnior, pelas sugestões na estatística e por está sempre disposto a ajudar com prazer, não só a mim, mas a todos no LABOMAR. Ao Prof. Tito Lotufo, pelas valiosas sugestões sobre o tratamento estatístico dos dados. A Profa. Rosangela Gondim da UFRN, por ter me acolhido em seu laboratório durante os dias em que realizei análises em Natal. A família Meireles, sobretudo: Antônio Carlos, Ana Lúcia, Edson (“Tinho”) e Carolina que me receberam e hospedaram com todo carinho durante as amostragens realizadas na Baía de Todos os Santos. Ao “Joaquim Mergulhador” que guiou nossa equipe pelas mais de 40 ilhas na Baía de Todos os Santos. A amiga Carolina Martins, por ter nos recebido de braços abertos em João Pessoa e pela amizade de valor inestimável. A toda comunidade de Jesuítas da UNICAP, sobretudo Sérgio Mendonça (Serginho) pela calorosa acolhida e auxílio inestimável durante as coletas realizadas em Recife. A Indústria Naval do Ceará (INACE) que permitiu a realização do experimento em suas instalações facilitando enormemente meu trabalho. A Leonardo Hislei por ter me conseguido os belos mapas dos portos de Recife e Suápe. Aos colegas do curso de mestrado em Ciências Marinhas Tropicais, especialmente: Rossana, Tatiane, Aline (a nova) e Renata, que contribuíram de forma relevante em vários momentos da minha formação. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Aos colegas do Laboratório de Zoobentos, Marina, Elizabeth, Roberto, 7 Daniel, Liana, Meire, Juliana, especialmente Pedro e Carlos que estiveram presentes em momentos cruciais para realização do trabalho. A todos os que fazem do LABOMAR essa instituição maravilhosa que direta ou indiretamente contribuíram para finalização dessa etapa em minha vida. A minha sogra e amiga, Vilma Cavalcante, por ter me acolhido como a um filho em sua casa durante o ano em que estive desenvolvendo esse trabalho e consequentemente impossibilitado de arcar com minhas responsabilidades de pai e marido em sua plenitude. Ao amigo e irmão João Paulo Pessoa Maia Gurgel, companheiro das horas alegres e dos momentos tristes. A minha mãe, Maria Carmelita Braga, pelo amor e pelo rigor aplicado na minha educação, me ensinando sempre a buscar o melhor de mim. A minha filha Thaís Cavalcante Braga, pequena cientista, descobrindo e explorando a cada dia um mundo de possibilidades e fazendo da minha vida uma festa diária. A minha amada esposa, Anna Rafaela Cavalcante Braga, pelo auxílio direto em todas as etapas desse trabalho, pelo ano maravilhoso, pelas descobertas que juntos fizemos, pela paciência, pelo amor, enfim, por tudo. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. “ Verdes mares bravios de minha terra natal onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba, verdes mares que brilhais líquido como esmeraldas aos rios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas por coqueiros, serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro resvale manso a flor das águas” (Iracema – José de Alencar) 8 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 9 RESUMO O imposex consiste no surgimento de caracteres sexuais masculinos em fêmeas de moluscos prosobrânquios expostos à contaminação por compostos orgânicos de estanho (COEs). Essa contaminação é oriunda de tintas de ação antiincrustante utilizadas em embarcações de todo mundo. Como o imposex leva ao desenvolvimento de caracteres mensuráveis, o mesmo vem sendo usado como ferramenta de bioindicação para esse tipo específico de poluição. O presente trabalho teve como objetivo monitorar a contaminação por organoestânicos ao longo das áreas sob a influência dos 10 principais terminais portuários da região nordeste do Brasil e comparar o desenvolvimento do imposex nas espécies de muricídeos utilizadas no estudo. Essas espécies foram: Stramonita haemastoma e Stramonita rustica. Os índices usados para quantificar o imposex foram o VDSI. o RPSI, o RPLI e a % de imposex. Em todos os terminais portuários estudados observou-se pelo menos uma estação onde se detectou a presença do imposex o que sugere fortemente a presença de contaminação por COEs. Entretanto os índices observados revelaram-se baixos quando comparados aos índices obtidos em outros monitoramentos realizados em regiões muito industrializadas da Europa e da Ásia. Mesmo quando comparados aos resultados observados na Baía de Guanabara no litoral do estado do Rio de Janeiro os índices de imposex no nordeste do Brasil revelam-se pouco elevados. Isso reforça dados já mencionados na literatura que sugerem que a contaminação por compostos orgânicos de estanho é mais severa em regiões mais industrializadas do mundo. Os estudos comparativos quanto ao desenvolvimento do imposex nas espécies S. haemastoma a e S. rustica mostraram que a primeira é mais sensível à contaminação por COEs uma vez que mesmo CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 10 quando submetidas experimentalmente a concentrações iguais e ao mesmo tempo de exposição S. haemastoma apresentou uma resposta muito mais severa que sua congênere S. rustica. Das 82 estações analisadas durante o presente estudo, 32 mostraram-se completamente livres de quaisquer indícios de imposex o que sugere que o imposex não se manifesta naturalmente nas referidas espécies. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 11 ABSTRACT Imposex consists of a superimposition of male sexual characteristics in female prosobranch molluscs exposed to organotin compounds (OCs) contamination. This contamination is caused by biocides present in antifouling paints used on boats all over the world. Since imposex leads to measurable characters, those have been used for biological-effect monitoring of this type of contamination. This present work had the objective to monitor the organotin contamination along the areas under influence of the 10 most important harbours in the northeastern coast of Brazil, and also to compare the imposex development in the muricid species studied. Those species were Stramonita haemastoma and Stramonita rustica. The indices used to quantify the imposex development were VDSI, RPSI, RPLI and the imposex percentage. In all harbour areas, there was at least one site where imposex was detected, what strongly suggests the presence of OCs contamination. However, the indices observed appeared to be lower when compared to the indices of other monitorings in industrialized regions, such as Europe and Asia. When compared to studies in Guanabara Bay – Rio de Janeiro, Brazil, the indices also seemed very low. This reinforces the data already mentioned in other studies, which suggests that the higher the level of industrialization in an area more severe is the contamination by organotin compounds. Comparative studies of imposex development in the species Stramonita haemastoma and S. rustica revealed that the former is more sensitive to OCs contamination, once that, when submitted experimentally to equal concentrations and same exposure time, S. haemastoma presented a much greater response than S. rustica. In this present study, 82 sites were analyzed, 32 appeared CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 12 to be free from any imposex evidence, what suggests that imposex does not appear as a natural characteristic in those S. haemastoma and S. rustica. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 13 LISTA DE FIGURAS Figura Página 01.Ciclo dos compostos organoestânicos no meio marinho (Fernandez, 2002)....... 02.Fórmulas estruturais do tributilestanho, trifenilestanho e seus derivados mais comuns ................................................................................................................ 03.Estágios do desenvolvimento do pênis e do vaso deferente (VDSI) proposto por Gibbs et al. (1987) para Nucella lapillus......................................................... 25 26 33 04.Escala de desenvolvimento do imposex segundo Stroben et al., 1995. Legenda: ac, cápsulas abortadas; cg, glândula de cápsulas; gp, papila genital; obc, bolsa copulatória aberta; ocg, glândula de cápsulas aberta; ocv, oclusão da vulva; p, penis sem dutio espermático; pd, pênis com duto espermático; pr, próstata; te, tentáculo; vd, vaso deferente; vdp, passagem do vaso deferente pela glândula de cápsulas; vds, seção do vaso deferente............................................................................................................... 35 05.Espécies registradas como exibidoras de imposex no Brasil.............................. 41 06.Principais portos marítimos localizados no Nordeste do Brasil (Ministério dos Transportes, 2004)................................................................................................ 44 07.Portos nordestinos selecionados para o monitoramento..................................... 48 08.Mapas localizando as estações de coleta dos terminais portuários monitorados 50 no Nordeste do Brasil .......................................................................................... CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 14 09.(A e B) Vistas aéreas do terminal portuário do Pecém (Ceará Portos, 2004), (C ) Vista aérea do Porto do Mucuripe (Cia Docas do Ceará, 2004), (D) Terminal Portuário do Mucuripe. (E) Foz do Rio Potengi com canal de acesso ao Porto de Natal e (F) Porto de Natal (Ministério do Transportes, 2004)......................... 52 10.(A) Estuário do Rio Paraíba do Norte com canal de acesso ao Porto de Cabedelo (Ministério dos Transportes, 2004), (B) Terminal Portuário de Cabedelo (Ministério dos Transportes, 2004), (C) Terminal Portuário do Recife, (D) Porto de Suápe, (Ministério dos Transportes, 2004) (E) Porto do Jaraguá em Maceió (Ministério dos Transportes, 2004) e (F) Piers no interior do Rio Sergipe.................................................................................................................. 56 11.(A e B) Terminal Portuário de Salvador (Ministério dos Transportes, 2004), (C)Terminal Portuário de Aratu (Ministério dos Transportes, 2004), (D) Terminal Portuário de Aratu, (E) Píer do Estaleiro de Fortaleza, (F) Pilastras do píer na marina do INACE (Local de fixação do experimento).......................... 62 12.(A) Píer do estaleiro de Fortaleza, (B) Lanterna utilizada no experimento de monitoramento ativo comparativo, (C) Vista ventral e dorsal de S. haemastoma (Femorale, 2004). (D) Vista ventral de S. rustica (Femorale, 2004) (E) Detalhe da formação de uma papila peniana (pa) equivalente a VDSI nível 1.(F) Detalhe de um pequeno pênis (pe) de 2mm equivalente a estágio VDSI 2........ 65 13.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Pecém durante o período de 04 / 2004 utilizando a espécie S. haemastoma.................. 71 14.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Mucuripe durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. haemastoma.................. 73 15.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Natal durante o período de 10 / 2004 utilizando a espécie S. rustica......................................... 75 16.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Cabedelo 77 durante o período de 06 / 2004 utilizando a espécie S. rustica............................ CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 15 17.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Recife durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica............................ 79 18.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Suápe durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica.......................................... 81 19.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Jaraguá durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica............................ 83 20.Resultados do monitoramento realizado no estuário do Rio Sergipe durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica............................................ 85 21.Resultados do monitoramento realizado nos terminais Portuários de Salvador e de Aratu durante o período de 01 / 2004 utilizando a espécie S. rustica............. 88 22.Gráfico comparando a % de imposex observada nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo....... 89 23.Gráfico comparando as médias dos comprimentos do pênis observadas nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo.................................................................... 90 24.Gráfico comparando RPSI observado nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo.......................... 90 25.Gráfico comparando RPLI observado nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo.......................... 91 26.Gráfico comparando as médias de VDSI observadas nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo.......................................................................................................... 91 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 16 27.Relação entre os comprimentos dos pênis das fêmeas observadas em S. haemastoma e S. rustica durante a realização do experimento de biomonitoramento ativo comparativo.................................................................... 94 28.Relação entre os RPLI observados em S. haemastoma e S. rustica durante a realização do experimento de biomonitoramento ativo comparativo.................... 95 29.Relação entre as médias dos VDSI observados em S. haemastoma e S. rustica durante a realização do experimento de biomonitoramento ativo comparativo.... 95 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 17 LISTA DE TABELAS Tabela Página 01.Espécies de Invertebrados afetados pela contaminação por COEs e seus respectivos efeitos ............................................................................................ 28 02.Espécies de vertebrados afetados pela contaminação por COEs e seus respectivos efeitos. ........................................................................................... 29 03.Adaptação da escala de VDSI proposta por Gibbs et al.,1986 feita por Fernandez et al., 2002 para espécie Stramonita haemastoma...................................................................................................... 36 04.Lista dos portos localizados na região Nordeste e suas respectivas empresas administradoras................................................................................................. 45 05.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Pecém com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes........................................................................................................... 51 06.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Mucuripe com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes........................................................................................................... 53 07.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Natal com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes........................................................................................................... 54 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 08.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Cabedelo com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes ...................... 18 55 09.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Recife com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes....................................... 57 10.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Suápe com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes....................................... 58 11.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Jaraguá com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes......................... 59 12.Estações monitoradas no interior do Rio Sergipe com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes............................................................................. 60 13.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Salvador com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes........................ 61 14.Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Aratu com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes....................................... 63 15.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Pecém durante o período de 04 / 2004 utilizando a espécie S. haemastoma .............. 70 16.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Mucuripe durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. haemastoma .............. 72 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 17.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Natal durante o período de 10 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ....................... 19 74 18.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Cabedelo durante o período de 06 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ........................ 76 19.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Recife durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ........................ 78 20.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Suápe durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ........................ 80 21.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Jaraguá durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ....................... 82 22.Resultados do monitoramento realizado no estuário do Rio Sergipe durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ........................................ 84 23.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Salvador durante o período de 01 / 2004 utilizando a espécie S. rustica ........................ 86 24.Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Aratu durante o período de 01 / 2004 utilizando a espécie S. rustica........................ 87 25. Resultados do experimento de biomonitoramento ativo comparativo entre S.haemastoma e S. rustica................................................................................ 92 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 20 26. Resultados dos testes U realizados para comparação do valores de comprimento de pênis e VDSI entre as espécies S. haemastoma e S. rustica................................................................................................................ 93 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 21 SUMÁRIO Agradecimentos Lista de Figuras Lista de Tabelas Resumo Abstract 1-Introdução .............................................................................................................. 22 1.1-Compostos Orgânicos de Estanho (COEs) .................................................... 22 1.1.1-Compostos Organoestânicos no ambiente Marinho ............................... 23 1.1.2- Toxicidade dos Compostos Organoestânicos ....................................... 26 1.2- Imposex .......................................................................................................... 30 1.3- Muricideos do gênero Stramonita no Nordeste Brasileiro .............................. 42 1.4- Área de estudo ............................................................................................... 43 1.5- Justificativa .................................................................................................... 46 1.6- Objetivos ....................................................................................................... 47 2- Materiais e Métodos.............................................................................................. 48 2.1- Biomonitoramento passivo ............................................................................ 48 2.1.1- Áreas portuárias monitoras ................................................................... 51 2.1.1.1- Porto do Pecém ......................................................................... 51 2.1.1.2- Porto de Mucuripe ..................................................................... 53 2.1.1.3- Porto de Natal ............................................................................. 54 2.1.1.4- Porto de Cabedelo ...................................................................... 55 2.1.1.5- Porto do Recife ........................................................................... 57 2.1.1.6 Porto de Suápe ............................................................................ 58 2.1.1.7- Porto de Jaraguá (Maceió).......................................................... 59 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 22 2.1.1.8- Estuário do Rio Sergipe .............................................................. 59 2.1.1.9- Porto de Salvador ....................................................................... 60 2.1.1.10- Porto de Aratu ........................................................................... 63 2.1.2- Procedimentos de Laboratório ................................................................. 64 2.2- Biomonitoramento ativo comparativo ............................................................. 66 3- Resultados ............................................................................................................ 69 3.1- Biomonitoramento passivo ............................................................................. 69 3.1.1.- Porto do Pecém ................................................................................ 70 3.1.2.- Porto de Mucuripe ............................................................................. 72 3.1.3.- Porto de Natal .................................................................................... 74 3.1.4.- Porto de Cabedelo ............................................................................. 76 3.1.5.- Porto de Recife .................................................................................. 78 3.1.6. Porto de Suápe ................................................................................... 80 3.1.7.- Porto do Jaraguá ................................................................................ 82 3.1.8.- Estuário do Rio Sergipe ..................................................................... 84 3.1.9.- Porto de Salvador .............................................................................. 86 3.1.10- Porto de Aratu ................................................................................... 87 3.2- Biomonitoramento ativo comparativo ................................................................ 89 4- Discussão .............................................................................................................. 96 5- Conclusão ............................................................................................................. 106 6- Glossário de Siglas ............................................................................................. 108 7- Referências Bibliográficas .................................................................................. 109 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 23 1 - INTRODUÇÃO: 1.1 – Compostos Organoestânicos (COEs): As aplicações industriais de compostos orgânicos a base de estanho são conhecidas desde a década de 1920, quando os mesmos eram utilizados como fluido para transformadores e capacitores. No decorrer da década de 1960, o uso de organometálicos derivados do estanho difundiu-se bastante. Nessa época, eram utilizados sobre tudo como estabilizadores na produção de Cloreto de Polivinila (PVC) e como catalisadores de diversos processos industriais. Apesar das propriedades biocidas de organoestânicos como o Tributilestanho (TBT) e o Trifenilestanho (TPT) terem sido descobertas ainda na década de 1950, seu emprego em pesticidas, principalmente acaricidas e fungicidas, e como componente ativo de tintas de ação antiincrustante só se tornaram comuns na década de 1970. (Oyewo, 1989;Ludgate, 1987 e Schatzberg,1987). Tintas antiincrustantes a base de TBT e TPT são utilizadas em estruturas submetidas ao contato direto e prolongadas com a água do mar, principalmente cascos de embarcações, estruturas destinadas à aqüicultura, instalações off shore e dutos (Champ, 2000). A importância da utilização de tintas antiincrustantes reside no fato de que estruturas submetidas ao contato com a água do mar rapidamente se transformam em substrato para uma grande diversidade de organismos marinhos referidos genericamente com “fouling”. A bioincrustração provocada pelo “fouling” é extremamente prejudicial para embarcações, uma vez que a comunidade aderida eleva o atrito do casco com a água levando a uma maior exigência da potência dos motores e conseqüentemente a uma elevação no consumo de combustível e nos CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 24 custos da viagem. No passado, esse problema foi combatido revestindo-se os cascos com folhas de cobre. Posteriormente passou-se a utilização de tintas a base de cobre e somente na década de 1960, o TBT passou a ser usado para essa finalidade (ten Hallers – Tjabbes, 1997). Rapidamente tintas a base de TBT passaram a ser empregadas por um grande número de embarcações, chegando a revestir os cascos de 90% de todos os navios construídos no mundo durante a década de 1980, nessa época 100% dos grandes navios da frota mercante do Japão utilizavam tintas desse tipo (Ludgate, 1987; Schatzberg,1987). Isso aconteceu principalmente devido a grande eficiência destas tintas quando comparadas as tintas a base de CuO e CuO2 anteriormente utilizadas (Ludgate, 1987; Schatzberg,1987). O período entre docagens aumentou drasticamente, e com isso, os custos de manutenção com as embarcações diminuíram (ten Hallers-Tjabbes, 1997). Atualmente, apesar das restrições devido a sua alta toxicidade, estima-se que 70% dos navios ainda as utilizem sob a forma de copolímero, liberando em média 4ug/cm2 de tributilestanho diariamente na água do mar (Swennen et al.,1997) provocando uma série de danos aos ecossistemas marinhos. 1.1.1 – Compostos Organoestânicos no Ambiente Marinho: As fontes potenciais de Compostos Orgânicos de Estanho (COEs), tais como o TBT, para o ambiente marinho são áreas onde o fluxo de embarcações é intenso, principalmente terminais portuários, marinas, estaleiros e nas proximidades de estruturas “off shore”, como dutos, e estruturas destinadas a aqüicultura (Bryan & Langston, 1992 e Clark et al.,1988). CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 25 De um modo geral, esses compostos são liberados a partir dessas estruturas e chegam ao meio marinho onde sofrem processos de natureza física, química e biológica. Esses processos interferem diretamente sobre as concentrações de organoestânicos encontrados na coluna d’água e nos sedimentos marinhos (Figura. 1). Entre os processos de natureza física, podemos ressaltar o transporte, a dispersão, e a diluição. O transporte dependerá, via de regra, dos padrões de circulação observados na área e pode ser responsável pela presença do composto em áreas relativamente distantes da fonte. Diversos fatores abióticos como a radiação UV, radiação gama e temperatura e também fatores bióticos como a biodegradação bacteriana são responsáveis pela desbutilação dos compostos organoestânicos originando compostos progressivamente mais simples e menos tóxicos como o DBT (dibutilestanho), o MBT (monobutilestanho) a partir do TBT e o DPT (difenilestanho) e o MPT (monofenilestanho) no caso do TPT. A última etapa do processo seria a formação do estanho inorgânico que praticamente não é tóxico (Clark et al., 1988). Estudos realizados por Clark et al. (1988), sugerem que o TBT apresenta uma degradação rápida (10 a 15 dias) quando na coluna d’água, entretanto, outros estudos mostraram que quando associados aos sedimentos anóxicos superficiais a meia vida (300 dias) do TBT aumenta substancialmente (Dowson et al., 1996). Esse fato, aliado a grande afinidade dos COEs por material particulado torna os sedimentos marinhos um depósito natural e conseqüentemente uma fonte potencial destes compostos para a coluna d’água (Clark et al.,1998; Mora & Phillips, 1997). Esses resultados são particularmente importantes no caso das dragagens costumeiramente realizadas em áreas portuárias no intuito de facilitar o acesso das embarcações aos cais de atracação. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 26 PORTO - MARINA ATMOSFERA REVESTIMENTO ANTI-INCRUSTANTE UV + + TBT (aq) + TPT (aq) PROCESSOS FÍSICOS IMPACTOS LONGE DA ÁREA FONTE transporte dispersão, diluição PROCESSOS QUÍMICOS PROCESSOS BIOLÓGICOS + (aq) TBT FOTODISSOCIAÇÃO DBT 2+ (aq) 3+ (aq) MBT ADSORÇÃO MPS 4+ (aq) ÁGUA ASSIMILAÇÃO POR ORGANISMOS Bioacumulação Biomagnificação Biodegradação DEGRADAÇÃO MICROBIANA DETOXIFICAÇÃO EXCREÇÃO TRANSPORTE NAS CADEIAS TRÓFICAS DETOXIFICAÇÃO RESSUSPENSÃO DEPOSIÇÃO DEGRADAÇÃO BACTERIANA DETOXIFICAÇÃO ÓXIDO (sedimentos oxidantes) SEDIMENTO PRESERVAÇÃO ANÓXICO (sedimentos redutores) Figura 01: Ciclo dos compostos organoestânicos no meio marinho (Fernandez, 2002). 1 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 27 1.1.2 – Toxicidade dos compostos organoestânicos: Como o TBT é liberado gradativamente das pinturas antiincrustantes, esse composto acaba por provocar efeitos toxicológicos em organismos não alvo, isto é, organismos marinhos que não compõem necessariamente a comunidade bioincrustante. A cerca disso, existem diversos estudos que comprovam esses efeitos toxicológicos (Davies & Myckie, 1987). A toxicidade dos compostos organoestânicos para organismos aquáticos aumenta de acordo com o número de radicais butil ou fenil de um até três e diminui com a adição de um quarto radical (Figura. 2). Como visto no tópico anterior, estes compostos são liberados na água e são gradativamente degradados pelo ambiente até o estanho inorgânico que é inofensivo na coluna d’água (Godoi et al., 2003 e Sarradin et al., 1991). Figura 02: Fórmulas estruturais do tributilestanho, trifenilestanho e seus derivados mais comuns. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 28 Diversos níveis tróficos são afetados pela contaminação por organoestânicos. O problema é potencializado uma vez que se sabe que estes compostos são bioacumulativos e podem ser passados entre os organismos através dieta alimentar (Meng et al.,2003; Coelho et al., 2002; Morcillo et al., 1999; Mensink et al.,1997; Davies & Myckie, 1987). O primeiro caso onde se comprovou a ação tóxica do TBT foi observado em 1975, na França com uma queda na produção de certos cultivos do molusco bivalve Crassostrea gigas que conviviam em uma área cercada por marinas e pequenos portos na Baia de Arcachon (Alzieu et al., 1982; Alzieu, 2000). Nestes animais, observou-se uma diminuição do número de jovens recém fixados, anomalias de desenvolvimento nas larvas e as conchas de indivíduos adultos passaram a apresentar o fenômeno do “balling”, formação de septos entre as camadas de carbonato de cálcio depositadas, que confere um formato arredondado as valvas afetando o valor comercial destes animais (Stephenson et al., 1986; Alzieu et al., 1982; Waldock et al., 1995 e Ruiz et al., 1996). Cultivos de Mitillus edulis (Beaumont & Budd, 1984 e Stephenson et al.,1986), Pecten maximus (Davies et al.,1997 e 1987; Paul & Davies, 1986), Perna viridis (Kan-Atireklap et al., 1997a e 1997b ; Prudente et al., 1999), Crassostrea gigas (Waldock et al., 1995 e 1999) e do gastrópode Chorus giganteus (Gooding et al., 1999) em outros locais do mundo também tem sofrido com a ação tóxica do TBT, causando principalmente inibição do crescimento e aumentando as taxas de mortalidade durante os cultivos. Estes compostos foram detectados através de testes químicos de cromatografia gasosa em uma série de amostras de tecidos invertebrados marinhos (Carlier-Pinasseau et al., 1997), como crustáceos (Davidison et al., 1986), equinodermos e tunicados (Cima et al., 1996). Esse tipo de contaminação foi CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 29 observada também em organismos de mar profundo (Takahashi et al., 1997; 1998 e 1999b) demonstrando que o problema não está restrito a áreas costeiras embora alguns estudos indiquem o contrário (Terllizi et al., 1998). Em alguns destes animais, os efeitos da contaminação são ainda desconhecidos, entretanto, eles funcionam como fontes do poluente para níveis tróficos superiores, que os utiliza como fonte de alimento (Ide et al., 1997). Até o momento, são conhecidas 159 espécies de invertebrados marinhos pertencentes a vários grupos animais, que de algum modo, são afetados pela contaminação por compostos orgânicos de estanho (Tabela 01) (Castro, 2002). Tabela 01: Espécies de Invertebrados afetados pela contaminação por COEs e seus respectivos efeitos (Castro, 2002). TAXA EFEITO OBSERVADO NUMERO DE ESPÉCIES Bivalvia Deformações nas conchas, deficiências de crescimento e aumento da taxa de 14 Imposex (disrupção endócrina) e esterilidade, 116 mortalidade. Gastropoda declínio de populações Cephalopoda Efeitos desconhecidos 4 Crustacea Efeitos desconhecidos 16 Echinodermata Efeitos desconhecidos 5 Urochordata Anomalias nas larvas, perda de mobilidade, danos celulares principalmente nas 4 mitocôndrias TOTAL Estudos 159 realizados com aves marinhas, algumas das quais de comportamento migratório, que se alimentam principalmente de peixes e CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 30 invertebrados marinhos, revelaram quantidades significantes de organoestânicos no fígado e nos rins desses animais. Em aves, os compostos organoestânicos provocam sobretudo a imunossupressão tornando as mesmas vulneráreis a uma série de moléstias (Guruge et al., 1997a e 1997b). Estes compostos também têm sido detectados em fígado e rins de diversos mamíferos marinhos e terrestres (Takahashi et al., 1999a; Le et al., 1999; Iwata et al., 1994; Iwata et al., 1997), sobretudo em cetáceos (Kim et al., 1996b) e sirênios, alem de ursos polares e seres humanos (Kannan & Falandysz, 1997). Experimentos realizados com ratos, coelhos e ovelhas evidenciaram a natureza imunossupressora e citotóxica do TBT para mamíferos, o que sugere que estes compostos podem ser potencialmente perigosos para seres humanos (Tanabe et al., 1998 e Tanabe, 1999). Alguns pesquisadores relacionam os encalhes de cetáceos violentamente parasitados aos efeitos da contaminação por organoestânicos sobre os mesmos (Kannan et al., 1997 e Kim et al, 1996a). Atualmente, são conhecidas 90 espécies de vertebrados que apresentam efeitos deletérios relacionados à exposição ao TBT (Tabela 02), (Castro, 2002). Tabela 02: Espécies de vertebrados afetados pela contaminação por COEs e seus respectivos efeitos (Castro, 2002). TAXA Pisces Reptilia Aves Mammalia TOTAL EFEITO Imunossupressão e efeitos citotóxicos NÚMERO DE ESPÉCIES 40 1 26 23 90 Estudos mais recentes constataram que uma conhecida espécie de fanerógama marinha, a Ruppia maritima, que é encontrada em ambientes CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 31 contaminados, quando exposta a concentrações de TBT apresenta redução na sua atividade fotossintética de até 60%, além de alterações na taxa respiratória e no crescimento (Jensen et al., 2004). 1.2 – Imposex: O Mais bem estudado efeito da contaminação por compostos orgânicos de estanho é o imposex (Smith, 1981). O imposex caracteriza-se pelo surgimento de estruturas sexuais masculinas, tais como pênis e vaso deferente em fêmeas de gastrópodes prosobrânquios, sobretudo neogastrópodes e mesogastrópodes (Bryan et al.,1986; Gibbs & Bryan, 1986). Esse fenômeno corresponde ao mais bem conhecido efeito de desregulação endócrina e ocorre por que a presença de pênis e vaso deferente em gastrópodes são características sexuais secundárias controladas pelo nível de hormônios sexuais encontrados nesses animais (Morcillo & Porte, 1999). Em alguns animais, incluindo os moluscos, o metabolismo de substâncias endógenas e exógenas é realizado através de um sistema multienzimático do qual participa um complexo enzimático chamado Citocromo P 450 (Morcillo & Porte, 1999; Morcillo & Porte, 1998; Morcillo et al., 1999; Morcillo et al.,1998 e Kim et al., 1998a). Dentre outras atividades, o citocromo P 450 participa da conversão do hormônio androgênico testosterona em estradiol que é um hormônio feminilizante. Sabe-se que o TBT é um potente inibidor desse citocromo o que provoca a desregulação endócrina, (Depledge & Billinghurst, 1999). De um modo geral, mesmo pequenas concentrações do composto disruptor já são suficientes para provocar efeitos devastadores sobre o animal, pois como mencionado estes compostos atuam sobre sítios metabólicos específicos CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 32 (Matthiessen & Gibbs,1998). Estudos recentes comprovaram que os compostos orgânicos de estanho (COEs) ativam neuropeptídeos, como a APGWamida, que induzem o imposex em moluscos prosobrânquios (Oberdorster & McClellan-Green, 2000). Tais reações são altamente específicas só ocorrendo quando os animais são expostos a esse tipo de contaminação. (Matthiessen & Gibbs, 1998). Em todos os casos conhecidos de disrupção endócrina provocada pelo TBT, os efeitos observados sempre correspondem a masculinização das fêmeas, o que pode ser explicado pela não conversão do hormônio androgênico testosterona em estradiol. A desregulação hormonal gerada pelo TBT provoca masculinização em fêmeas de diversas espécies, chegando inclusive a promover em alguns animais uma mudança total e radical de sexo, como é o caso dos crustáceos copépodes Paramphiascella hyperborea e Stenhelia gibba (Depledge & Billinghurst, 1999). O primeiro registro de imposex conhecido foi feito por Smith (1971) para a espécie de neogastrópode Nassarius obsoletus. Abordagens mais detalhadas sobre o problema foram realizadas no sudeste de Inglaterra com a espécie Nucella lapillus. Nesses estudos, foram desenvolvidas a maioria das bases metodológicas utilizadas atualmente para o estudo do imposex (Gibbs e Bryan, 1986; Bryan et al., 1987). Entre essas técnicas, dois índices de quantificação foram definidos: O RPSI e o VDSI, (Gibbs & Bryan, 1986; Bryan et al., 1986; Bryan et al.,1987; Gibbs et al., 1987). O RPSI (relative penis size index) consiste na relação entre as medidas dos comprimentos médios dos pênis dos machos e das fêmeas afetadas. Esse valor é obtido segundo a equação: (comprimento médio dos pênis dos machos)3 / CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 33 (comprimento médio dos pênis das fêmeas )3 x 100 (Gibbs & Bryan, 1987; Huet et al, 1996; Minchin & Minchin, 1997). Posteriormente, Tan (1997) desenvolveu outro índice, o RPLI (relative penis length index), este é obtido através da equação: (comprimento médio dos pênis dos machos) / (comprimento médio dos pênis das fêmeas) x 100. De um modo geral, o RPSI aplica-se melhor a avaliação do imposex em áreas muito impactas, isto é, com altos níveis de imposex, e o RPLI a áreas com graus de imposex comparativamente menores (Curtis, 1994; Gibbs & Bryan, 1994). Mais recentemente, Tan (1999) propôs duas novas abordagens para obtenção desses índices nas espécies Thais gradata e Chicoreus capucinus : uma delas é a utilização da massa do pênis obtida pela pesagem em balança analítica e a outra é o uso da determinação da área planar do pênis, calculada através de métodos de escaneamento e processamento em programas de computador. Gibson & Wilson (2003) também utilizaram a área planar para obtenção do RPSI. O VDSI (vas deferent sequence index) proposto por Gibbs et al. (1987) determina através de uma escala composta por 6 estágios, a seqüência de desenvolvimento do imposex em cada animal estudado. Este índice é baseado na seqüência de formação do pênis e do vaso deferente de cada fêmea observada. Os seis estágios são: Estágio 1: Fêmea apresentando o início da formação de um vaso deferente na região ventral da papila genital. Não se observa formação inicial de pênis. Estágio 2: Observa-se o início do desenvolvimento do pênis próximo ao tentáculo direito e crescimento do vaso deferente. Estágio 3: Pequeno pênis totalmente formado e o vaso deferente crescendo em direção ao mesmo. Estágio 4: O vaso deferente liga-se ao pênis agora mais desenvolvido. Este é o último estágio em que a fêmea ainda é capaz de se reproduzir. Estágio 5: O epitélio que forma o CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 34 vaso deferente cresce bloqueando a abertura genital da fêmea e provocando a falência reprodutiva das mesmas devido ao bloqueio da abertura genital. Estágio 6: As fêmeas continuam a produzir cápsulas que não podem ser eliminadas devido ao bloqueio de sua abertura genital, estas cápsulas abortadas acumulam-se provocando a morte do animal, (Figura 03). Figura 03: Estágios do desenvolvimento do pênis e do vaso deferente (VDSI) proposto por Gibbs et al. (1987) para Nucella lapillus. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 35 Existe uma vasta discussão na literatura a cerca da aplicabilidade da escala de VDSI proposta por Gibbs & Bryan (1987) para Nucella lapillus em outras espécies, tendo sido desenvolvidas adaptações da mesma para outras espécies e outros gêneros (Fernandez et al., 2002; Evans et al., 1995; Stroben et al., 1995; Stewart & Mora 1992). Observações posteriores mostraram que o desenvolvimento imposex não obedecia necessariamente a escala de VDSI proposta por Gibbs et al.(1987) uma vez que em algumas espécies se observou que o início do imposex poderia não ocorrer pela formação do vaso deferente mas pelo surgimento do pênis. A partir daí tornou-se necessário a criação de uma escala que previsse essas novas rotas para o desenvolvimento do imposex. Uma nova escala foi proposta por Stroben et al. (1995). A escala de VDSI proposta por Stroben e colaboradores (1995) prevê a existência de 3 rotas para o desenvolvimento do imposex. Nessas rotas, os estágios iniciais do imposex, isto é, os graus I, II e III podem ser caracterizados de três formas diferentes: Na rota “a” o grau I é caracterizado por pequeno pênis ao lado do tentáculo direito, posteriormente esse pênis desenvolve um ducto espermático já caracterizando o grau II, e no grau III o vaso deferente começa a se desenvolver a partir do pênis em direção a abertura genital da fêmea. Na rota “b”, o grau I é marcado pelo crescimento do vaso deferente na região próxima ao tentáculo direito, no grau II o tecido formador do vaso deferente começa a proliferar também a partir da abertura genital, no estágio III o vaso deferente está totalmente formado, mas o animal é afálico. Na rota “c”, inicialmente se forma o vaso deferente nas proximidades da abertura genital caracterizando o grau I, no estágio II começa a CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 36 formação de um pequeno pênis e no grau III temos o pênis mais desenvolvido com espermoduto formado (Figura 04). Os estágios posteriores nessa escala são bastante semelhantes aos estágios propostos por Gibbs et al. (1987). Figura 04. Escala de desenvolvimento do imposex segundo Stroben et al.(1995). Legenda: ac, cápsulas abortadas; cg, glândula de cápsulas; gp, papila genital; obc, bolsa copulatória aberta; ocg, glândula de cápsulas aberta; ocv, oclusão da vulva; p, penis sem dutio espermático; pd, pênis com duto espermático; pr, próstata; te, tentáculo; vd, vaso deferente; vdp, passagem do vaso deferente pela glândula de cápsulas; vds, seção do vaso deferente. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 37 Fernandez et al. (2002) propuseram uma adaptação da escala de VDSI de Gibbs et al. (1987) para Stramonita haemastoma. Segundo esses autores, a escala de Gibbs et al. (1987) não se adequava perfeitamente à essa espécie, uma vez que nem sempre era possível visualizar o vaso deferente nesses organismos. A nova escala proposta baseia-se essencialmente no tamanho do pênis e quando possível na observação do desenvolvimento do vaso deferente. (Tabela 03) Tabela 03: Adaptação da escala de VDSI proposta por Gibbs et al.(1987) feita por Fernandez et al.(2002) para espécie Stramonita haemastoma. ESTÁGIO CARACTERÍSTICAS OBSERVADAS 0 Fêmea normal I Início de formação do pênis (geralmente uma pequena papila) Início de formação do vaso deferente II Pênis formado com tamanho inferior a 2mm III Pênis com mais de 2mm e presença do vaso deferente IV Vaso deferente completamente formado V Vulva bloqueada pela proliferação do epitélio formador do vaso deferente VI Presença de uma massa escura composta por ovos abortados no interior da glândula de cápsulas Diversas espécies de moluscos prosobrânquios vêm sendo sistematicamente utilizadas, com sucesso, como indicadores biológicos da contaminação por compostos organoestânicos como o TBT e o TPT. Em geral, essa abordagem utiliza os índices mencionados anteriormente (tem Hallers-Tjabbes et al., 1994; Bryan et al., 1987a e 1987b ). CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 38 No Japão, o imposex foi estudado em várias espécies de prosobrânquios, sobretudo da família Thaididae, tais como Thais distinguenda, Thais bronni, Thais clavigera, Thais jubilaea e Thais bitubercularis (Tan, 1997; Horiguchi et al., 1994, 1995, 1997b e 1998a) além de alguns mesogastrópodes (Horiguchi et al., 1995 e Horiguchi et al., 1997a). Algumas destas espécies foram utilizadas em mapeamentos de zonas contaminadas, onde se verificou em algumas estações até 100% de fêmeas apresentando imposex. Detectaram-se também altas concentrações de TBT, TPT e derivados em amostras de tecidos de moluscos dessas espécies bem como na água e nos sedimentos obtidos nos mesmos pontos de coleta. Trabalhos semelhantes foram também realizados na costa da Indonésia, Tailândia, Singapura, no Estreito de Mallaca (Bech, 1998, 1999a e Evans et al., 1995) e em Hong Kong (Blackmore, 2000). Nestes locais, espécies do gênero Thais vêm sendo utilizadas ao longo de vários anos de monitoramento da contaminação. De modo geral, as estratégias abordadas nos trabalhos de monitoramento da contaminação por organoestânicos relacionam os índices de imposex observados com a distância das presumíveis fontes de TBT para o ambiente e com quantificação dos COEs na água, sedimentos e tecidos dos animais, (Bech, 2002; Fernandez, 2002 ; Stewart. & Thompson,1997; Curtis, 1994; Liu & Suen, 1996). No intuito de escolher um indicador biológico ideal para monitorar a contaminação por organoestânicos, experimentos que compararam a sensibilidade desses animais a esses compostos foram realizados e revelaram que entre mesogastrópodes e neogastrópodes, os últimos são sempre os mais sensíveis pois necessitam de concentrações muito menores para manifestarem o imposex (Horigushi et al., 1995). Entre os principais gêneros de neogastrópodes citados na literatura, aparentemente Nucella e Thais são os mais sensíveis uma vez que estes CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 39 animais desenvolvem imposex com concentrações muito baixas de organoestânicos na água (Bech, 1999b). Em estágios mais adiantados da contaminação, o imposex provoca esterilidade total das fêmeas e conseqüentemente falência reprodutiva (Gibbs & Bryan, 1986; Schulte-Oehlmann et al., 1997). Ao longo de vários anos de estudo, em diversas partes do mundo, constatou-se que algumas populações de neogastrópodes estavam declinando severamente devido ao imposex. Um dos problemas mais sérios foi observado no sudeste da Inglaterra, onde algumas populações de Nucella lapillus chegaram a desaparecer completamente (Bryan et al., 1987; Crothers, 1989). Problema semelhante foi observado com a espécie Buccinum undatum no mar do Norte, onde a espécie quase desapareceu em algumas populações estudadas ao longo de 13 anos (tem Hallers-Tjabbes et al., 1996). Na França, populações da espécie Ocinebrina aciculata também estão declinando drasticamente em áreas onde o fluxo de embarcações é intenso (Oehlmann et al., 1996a e 1996b). No Chile central, populações de Acanthina monodon apresentaram sintomas ainda não totalmente confirmados de declínio populacional (Osório & Huaquín, 2003) O declínio de populações não foi observado em espécies que possuem fase larval planctônica tal como os muricídeos do gênero Stramonita, isso se deve possivelmente a importação de larvas oriundas de populações saudáveis. (Spence et al., 1990; Castro et al., 2000). Durante a década de 80, França, Canadá, Reino Unido, Irlanda e a maioria dos países do leste europeu não pertencentes à União Européia convencidos dos danos causados pelo TBT, adotaram uma legislação que proibia a utilização de tintas a base de TBT em embarcações de tamanho inferior a vinte e cinco metros (Matthiessen et al., 1995; Minchin et al., 1995; Champ, 2000), tendo o Japão CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 40 (Horigushi et al., 1998a e 1998b) a Nova Zelândia (Champ, 2000) e a Áustria (Mora & Pelletier, 1997) banido totalmente o uso destas tintas. Esta medida reduziu severamente a contaminação em alguns pontos fazendo também cair os índices de imposex observados em algumas áreas nesses países (Miller et al., 1999; Matthiessen et al., 1995). Trabalhos de monitoramento da contaminação por compostos orgânicos de estanho, baseados no estudo do imposex, estão revelando que esta, diminuiu drasticamente em áreas onde se implantou uma legislação proibitiva as tintas a base de TBT para embarcações de tamanho inferior a 25 metros de comprimento. Os resultados obtidos a partir destes trabalhos demonstram claramente uma redução nos índices (% imposex, RPSI, RPLI e VDSI) que quantificam o imposex em neogastrópodes. Ao longo de poucos anos de implantação das restrições, as populações da espécie Lepsiella scorbina utilizada na Nova Zelândia como indicador de contaminação por organoestânicos exibiram uma queda significante dos índices observados ao longo de 7 anos de estudo (Smith, 1996). Diminuição significante dos índices também foi observada para populações de Nucella lapillus no Mar do Norte ao longo de 8 anos de monitoramento (Evans et al., 1996). No Brasil foram realizados estudos preliminares do imposex utilizando a espécie Stramonita haemastoma em áreas portuárias estados de São Paulo (Magalhães et al., 1997) do Ceará (Castro et al., 2000), do Rio de Janeiro (Fernandez et al., 2002; Ribeiro-Ferreira, 2002; Fernandez et al., 2005). A espécie Stramonita rustica foi utilizada em monitoramentos realizados nos estados de Alagoas (Camillo et al., 2004) e do Rio Grande do Norte (Castro et al., 2004). Foi também observada a ocorrência de imposex nas espécies Olivancillaria vesica (Caetano & Absalão, 2003), Leucozonia nassa (comunicação pessoal) e no CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 41 mesogastrópode Cymatium parthenopeum (comunicação pessoal) todos no litoral do estado do Rio de Janeiro. Totalizando atualmente, 5 espécies de 4 gêneros diferentes apresentando imposex em território nacional (Figura 05). Todos esses organismos foram coletados em áreas onde existe intenso fluxo de embarcações. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 05: Espécies registradas como exibidoras de imposex no Brasil. 42 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 1.3 43 – Muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil: Entre as mais de 120 espécies listadas até o momento como exibidoras de imposex, 38 pertencem à família Thaididae (Horigushi et al., 1997a e 1997b; Fioroni et al., 1991; Ellis & Pattisina, 1990; Stewart et al., 1992; Evans et al., 1995; Stewart & Mora, 1992; Tester et al., 1996) e 18 pertencem ao gênero Thais Roding, 1798 (Tan, 1997; Liu, 1997; Evans, 1999; Swennen et al., 1997; Castro et al., 2000). Isso faz dessa família e também desse gênero, os táxons mais utilizados como bioindicadores da contaminação por compostos orgânicos de estanho no mundo. Segundo Matthews, (1968), existem 6 espécies de thaidídeos na costa nordeste do Brasil, são elas: Thais trinitatensis (Guppy, 1869), Thais coronata (Lamarck, 1822), Thais heamastoma (Linnaeus, 1767), Thais rustica (Lamarck, 1822), Thais deltoidea (Lamarck, 1822) e Thais nodosa (Blainville, 1832). Segundo o trabalho de Turgeon et al. (1998) alguns membros da família Thaididae passaram a ser incluídos na família Muricidae e no gênero Stramonita. No presente estudo decidiu-se por adotar essa classificação. Observações anteriores ao presente estudo revelaram que entre as espécies citadas, as mais abundantes e consequentemente as mais indicadas para realização do monitoramento no Nordeste brasileiro são: Stramonita haemastoma e Stramonita rustica. (Castro et al., 2000; Castro et al., 2004; Camillo et al., 2004). CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 44 1.4 – Área de Estudo: Apesar de ser de conhecimento geral que a atividade portuária é potencialmente impactante para os ecossistemas aquáticos que os circundam, poucos estudos foram realizados no Brasil no intuito avaliar e monitorar poluentes específicos nessas áreas, excetuando-se os estudos realizados com espécies invasoras, hidrocarbonetos e metais pesados. Segundo o ministério dos transportes, existem 36 terminais portuários marítimos de porte médio ou grande em atividade na costa brasileira, destes 12 estão localizados ao longo dos mais de 2000 quilômetros de litoral do Nordeste, (Figura 06). Esses terminais são responsáveis pelo escoamento dos mais diversos produtos gerados pelos estados da região, pelo transporte de passageiros e pela entrada de vários produtos importados no país. A administração desses portos é responsabilidade das companhias docas controladas pela união e vinculadas aos respectivos estados, com exceção feita aos portos de Cabedelo na Paraíba, do Suápe no Pernambuco e de Barra dos Coqueiros no Sergipe que são administrados diretamente pelos estados ou municípios. (Tabela 04) A localização desses terminais portuários ao longo da costa nordestina encontra-se na Figura 06. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 06: Principais portos marítimos localizados no Nordeste do Brasil (Ministério dos Transportes, 2004). 45 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 46 Tabela 04: Lista dos 10 principais terminais portuários localizados na região Nordeste e suas respectivas empresas administradoras. ESTADO TERMINAL PORTUÁRIO ADMINISTRAÇÃO Porto do Pecém Cia. de Integração Portuária do Ceará CEARÁPORTOS Cia. Docas do Ceará – Docas - CE Cia. docas do Rio Grande do Norte - CODERN Cia. Docas Da Paraíba, Docas – Pb. Porto do Recife S.A Ceará Porto do Mucuripe Rio Grande do Norte Porto de Natal Paraíba Porto de Cabedelo Pernambuco Porto de Recife Porto do Suápe Alagoas Porto de Maceió Sergipe Terminais do Rio Sergipe Bahia Porto de Salvador Porto de Aratu Porto de Ilhéus Suápe – Complexo Industrial Portuário Administração do Porto de Maceió (APMC) Empresa Administradora de Portos de Sergipe – Sergiportos Cia. Docas da Bahia CODEBA CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 46 1.5– Justificativa: Como exposto, estudos sobre os impactos provocados pelos organoestânicos no mundo não são recentes, entretanto, no Brasil trabalhos dessa natureza ainda são escassos. Esse trabalho é parte de um amplo projeto de pesquisa realizado em parceria entre o Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR/UFC) e o Departamento de Oceanografia da UERJ. Ele visa monitorar, com a utilização do imposex em muricídeos do gênero Stramonita, a contaminação por compostos orgânicos de estanho em toda a costa brasileira. A partir dessa base de dados se pretende mapear esse tipo de poluição nas áreas sob influência dos terminais portuários estudados. Com isso, será possível prover de informações às autoridades brasileiras para que medidas restritivas ou proibitivas mais enérgicas sejam tomadas, uma vez que a legislação nacional através do Conselho Nacional do Meio ambiente (CONAMA) colocou em vigor em 01 de Janeiro de 2005 uma resolução que determina concentrações extremamente elevadas como o mínimo permitido em águas nacionais. Tramita na International Maritime Organization (IMO) um projeto para banimento mundial dos antiincrustantes a base de organoestânicos. O ultimo prazo estipulado para esse banimento foi o ano de 2003 entretanto devido a não ratificação do tratado de banimento por um número suficiente de países, este foi adiado indefinidamente. O fato é que possivelmente esse banimento ocorrerá nos próximos anos, o que implica na substituição dos antiincrustantes atualmente usados por outros. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 47 A nova geração de antiincrustantes não possuirá necessariamente um indicador tão evidente como o imposex, isso faz desse trabalho uma boa oportunidade de mapear áreas impactadas por antiincrustantes e assim desenvolver uma linha de base para estudos sobre possíveis impactos provocados pelos novos antiincrustantes que substituíram os compostos orgânicos de estanho. 1.6-Objetivos: • Verificar a ocorrência de imposex em populações de moluscos muricídeos do gênero Stramonita ao longo das áreas sob influência dos terminais portuários e outras áreas com intensa movimentação de embarcações na costa do Nordeste brasileiro. • Determinar com base no estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita, o estágio em que se encontra contaminação por compostos orgânicos de estanho nas áreas analisadas. • Correlacionar as possíveis áreas contaminadas por organoestânicos com as possíveis fontes desses poluentes para o ambiente marinho. • Avaliar a possibilidade da utilização das espécies de muricídeos do gênero Stramonita que manifestam imposex, como contaminação por compostos orgânicos de estanho. bioindicadores da CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. • 48 Comparar os índices de imposex obtidos nas diferentes espécies de muricídeos do gênero Stramonita através de experimentos de biomonitoramento ativo. 2 – MATERIAIS E MÉTODOS: 2.1 – BIOMONITORAMENTO PASSIVO: Como visto, o imposex é uma síndrome características de gastrópodes habitantes de áreas sob a influência de terminais portuários. Desta forma, foram então escolhidos, os 10 principais portos do nordeste brasileiro para realização do monitoramento (Figura. 07). CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 49 Figura 07: Portos nordestinos selecionados para o monitoramento. Nas áreas sob a influencia de cada um dos terminais portuários escolhidos, foram demarcadas um mínimo de sete estações de amostragem (Figura 08) com base na presença de moluscos muricídeos do gênero Stramonita e nas correntes costeiras predominantes. Em cada estação foram obtidos, sempre que possível 30 exemplares de cada espécie de moluscos do gênero Stramonita que ocorressem no local. A identificação a nível específico foi realizada “in situ” com base em Rios (1994) e Matthews (1968). As coletas foram realizadas manualmente, ou quando necessário por mergulho livre, sobre as faixas de pedras, “beach rocks”, costões ou molhes a beira mar. Todas as estações de coleta foram georeferenciadas utilizando um receptor GPS Garmin Etrex e os respectivos pontos foram plotados em mapas. Após as coletas, os animais foram acondicionados em caixas plásticas contendo água proveniente dos locais de coleta e aeração constante. Posteriormente, os mesmos foram conduzidos ao laboratório. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 50 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 50 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 51 2.1.1 – ÁREAS PORTUÁRIAS MONITORADAS: 2.1.1.1 – Porto do Pecém: O Terminal portuário do Pecém (Figuras 9a e 9b) foi oficialmente inaugurado e setembro de 2002. É um porto do tipo “off shore” , construído de modo a minimizar os impactos sobre os ecossistemas costeiros. Localiza-se no Município de São Gonçalo do Amarante no estado do Ceará e tem a cada ano, e desde sua fundação aumentado significativamente o volume de embarcações que se utilizam de suas instalações (Ceará Portos, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 05 e na Figura 08. Tabela 05: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário do Pecém com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. Local Longitude Estação Data Latitude Praia do Cauípe E1 04/2004 3o 34´38,5´´S 38o 47´09,9´´W Píer do Porto E2 04/2004 3o 32´40,4´´S 38o 48´34,5´´W Praia do Pecém E3 04/2004 3o 32´47,7´´S 38o 49´49,9´´W Praia da Taíba E4 04/2004 3o 31´69,5´´S 38o 52´37,3``W Praia de São Pedro E5 04/2004 3o 24´34,1´´S 38o 58´31,1´´W Praia do Paracuru E6 04/2004 3o 23´59,9´´S 38o 00´48,7´´W Ponta do Paracuru E7 04/2004 3o 24´12,9´´S 39o 01´25,1´´W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 52 Figura 09: (A e B) Vistas aéreas do terminal portuário do Pecém (Ceará Portos, 2004), (C ) Vista aérea do Porto do Mucuripe (Cia Docas do Ceará, 2004), (D) Terminal Portuário do Mucuripe. (E) Foz do Rio Potengi com canal de acesso ao Porto de2.1.1.2 Natal e– Porto (F) Porto de Natal (Ministério do Transportes, 2004). CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 53 2.1.1.2- Porto de Mucuripe: Situado na enseada do Mucuripe, (Figuras 9c e 9d) no município de Fortaleza, o terminal portuário do Mucuripe foi inaugurado em 1933. Tendo sido, portanto o primeiro porto do estado do Ceará. Possui aproximadamente 1050 metros de cais acostável e figura entre os terminais portuários com maior movimentação de cargas do Nordeste brasileiro, (Cia Docas do Ceará, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 06 e na Figura 08. Tabela 06: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Mucuripe com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. Local Longitude Praia do Pacheco Estação E1 Data 10/2004 Latitude 38o 37’ 45’’ S 03o 41’ 09’’ W Praia de Iparana E2 10/2004 38o 37’ 03’’ S 03o 41’ 13’’ W Praia de Dois Coqueiros E3 10/2004 38o 36’ 45’’ S 03o 41’ 21’’ W Praia da Barra E4 02/2005 38o 35’ 15’’ S 03o 41’ 54’’ W Praia Formosa E5 02/2005 38o 32’ 40’’ S 03o 42’ 53’’ W Poço da Draga E6 02/2005 38o 31’ 02’’ S 03o 43’ 06’’ W Praia do Ideal E7 02/2005 38o 30’ 07’’ S 03o 35’ 56’’ W Praia do Meireles E8 02/2005 38o 28’ 30’’ S 03o 28’ 29’’ W Praia Mansa E9 02/2005 38o 28’ 34’’ S 03o 42’ 12’’ W Praia do Titã E10 10/2004 38o 28’ 02’’ S 03o 42’ 28’’ W Caça e pesca E11 10/2004 38o 26’ 18’’ S 03o 45’ 54’’ W Praia da Sabiaguaba E12 10/2004 38o 25’ 54’’ S 03o 46’ 27’’ W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 54 2.1.1.3 – Porto de Natal: O Terminal portuário de Natal (Figuras 9e e 9f) localiza-se no interior do Rio Potengi (a 3 km da foz) na cidade de Natal no estado do Rio Grande do Norte. Esse porto possui um cais de 400 metros de comprimento e foi inicialmente inaugurado no ano de 1932. Posteriormente, esse terminal passou por uma série de obras de ampliação e modernização. Entre essas obras a mais importante foi o alargamento de seu canal de acesso (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 07 e na Figura 08. Tabela 07: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Natal com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. LOCAL ESTAÇÃO DATA LATITUDE LONGITUDE Barreira D'Água E1 09/2004 35o 10’ 92’’ S 05o 47’ 70’’ W Ponta do Morcego E2 09/2004 35o 11’ 38’’ S 05o 47’ 13’’ W Praia do Meio E3 09/2004 35o 11’ 44’’ S 05o 46’ 49’’ W Praia do Forte E4 09/2004 35o 11’ 68’’ S 05o 45’ 46’’ W Foz do Potengi (int) E5 09/2004 35o 12’ 18’’ S 05o 46’ 01’’ W Foz do Potengi (ext) E6 09/2004 35o 12’ 19’’ S 05o 46’ 01’’ W Porto - Balsa E7 09/2004 35o 28’ 22’’ S 05o 46’ 00’’ W Molhe de Redinha E8 09/2004 35o 12’ 08’’ S 05o 45’ 14’’ W Praia de Santa Rita E9 09/2004 35o 11’ 53’’ S 05o 42’ 15’’ W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 55 2.1.1.4 – Porto de Cabedelo: Localizado na margem direita do rio Paraíba do Norte, no município de Cabedelo no estado da Paraíba. O terminal portuário de Cabedelo (Figuras 10a e 10b) conta com um cais de 602 metros de comprimento e possui uma das mais baixas movimentações de cargas entre os portos do Nordeste, (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 08 e na Figura 08. Tabela 08: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Cabedelo com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. LOCAL ESTAÇÃO DATA LATITUDE LONGITUDE Porto E1 06/2004 6o 58´39,9´´ S 34o 50´ 40,1´´W Molhe do Paraíba E2 06/2004 6o 57´44,8´´ S 34o 50´ 35,3´´W Ponta do Mato E3 06/2004 6o 57´59,5´´ S 34o 49´ 47´´W Praia Formosa E4 06/2004 6o 58´43,2´´ S 34o 49´ 39,7´´W Areia Dourada E5 06/2004 6o 57´40,5´´ S 34o 49´ 31,3´´W Praia de Camboinha E6 06/2004 6o 58´56,5´´ S 34o 49´ 11,9´´W Praia de Intermares E7 06/2004 6o 59´30,8´´ S 34o 48´ 55,0´´W Praia de Costinha E8 06/2004 6o 57´40,5´´ S 34o 49´ 31,3´´W Praia de Lucena E9 06/2004 6o 57´40,5´´ S 34o 49´ 31,3´´W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 10: (A) Estuário do Rio Paraíba do Norte com canal de acesso ao Porto de Cabedelo (Ministério dos Transportes, 2004), (B) Terminal Portuário de Cabedelo (Ministério dos Transportes, 2004), (C) Terminal Portuário do Recife, (D) Porto de Suápe, (Ministério dos Transportes, 2004) (E) Porto do Jaraguá em Maceió (Ministério dos Transportes, 2004) e (F) Piers no interior do Rio Sergipe. 56 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 57 2.1.1.5 – Porto do Recife: Inaugurado em 1918 o porto do Recife (Figura 10c) localiza-se na confluência das fozes dos Rios Beberibe e Capibaribe. Possui um cais acostável de 2960 metros e já foi um dos portos com maior movimentação de cargas no Nordeste do Brasil (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 09 e na Figura 08. Tabela 09: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Recife com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. Local Estação Data Latitude Longitude Boa Viagem I E1 09/2004 8o 07´12,6´´ S 34o 53´22,1´´W Boa Viagem II E2 09/2004 8o 06´25,4´´ S 34o 53´04,5´´W Praia do Pina E3 09/2004 8o 05´37,3´´ S 34o 52´52,2´´W Brasília Teimosa E4 09/2004 8o 04´46,5´´ S 34o 52´33,6´´W Molhe do Porto E5 09/2004 8o 03´49,3´´ S 34o 51´03,5´´W Praia dos Milagres E6 09/2004 8o 03´01,2´´ S 34o 51´12,2´´W Bairro Novo E7 09/2004 8o 02´42,5´´ S 34o 51´23,1´´W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 58 2.1.1.6 – Porto de Suápe: O Porto do Suápe (Figura 10d) entrou em operação em 1980, localizado no município de Suápe no estado de Pernambuco esse terminal portuário possui um cais acostável de 342 metros de comprimento (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 10 e na Figura 08. Tabela 10: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Suápe com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. Local Estação Data Latitude Longitude Porto de Galinhas E1 09/2004 8o 23´42,9´´ S 34o 55´57,2´´W Praia de Muro Alto E2 09/2004 8o 22´05,7´´ S 34o 56´36,8´´W Praia do Suápe E3 09/2004 8o 21´53,7´´ S 34o 56´48,9´´W Pontal de Sto Agostinho E4 09/2004 8o 21´20,4´´ S 34o 56´59,1´´W Praia de Guaibú E5 09/2004 8o 20´13,9´´ S 34o 57´02,2´´W Enseada dos Corais E6 09/2004 8o 19´32,8´´ S 34o 56´59,1´´W Pedra do Xaréu E7 09/2004 8o 18´59,1´´ S 34o 56´50,8´´W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 59 2.1.1.7 – Porto do Jaraguá (Maceió): O Porto de Maceió (Figura 10e) possui 400 metros de cais acostável e está localizado na área leste da cidade de Maceió entre as praias de Pajuçara e Jaraguá no estado do Alagoas (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 11 e na Figura 08. Tabela 11: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Maceió com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. Local Estação Data Latitude Longitude Praia da Sereia E1 11/2004 9o 34` 00`` S 35o 38`45`` W Cruz das Almas E2 11/2004 9o 37` 31`` S 35o 41` 36,9`` W Iate Clube Alagoas E3 11/2004 9o 39` 53`` S 35o 41` 46`` W Cais Porto (E) E4 11/2004 9o40` 41,7`` S 35o 43`11,5`` W Cais Porto (W) E5 11/2004 9o 40` 25`` S 35o 43` 27,5`` W Emissário E6 11/2004 9o 40` 32,4`` S 35o 45`10,7`` W Terminal E7 11/2004 9o41` 9,9 `` S 35o 45`50,8`` W Saco da Pedra E8 11/2004 9o 44` 53`` S 35o 49` 22`` W Praia do Francês E9 11/2004 9o 46` 00`` S 35o 50`14,3`` W Barra de São Miguel E10 11/2004 9o 50` 42`` S 35o 54` 23,2`` W 2.1.1.8 – Estuário do Rio Sergipe: CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 60 Na região do estuário do rio Sergipe, (Figura 10f) no limite entre as cidades de Aracajú e Barra dos coqueiros, observa-se intenso fluxo de embarcações de pequeno e médio porte não existindo trânsito de navios de grande calado. Esse local representa uma das principais concentrações de embarcações no estado do Sergipe. Por se tratar de uma área estuarina cercada por molhes nas duas margens do canal de comunicação com o oceano observa-se um hidrodinamismo bastante atenuado (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 12 e na Figura 08. Tabela 12: Estações monitoradas no estuário do Rio Sergipe com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. Local Terminal Aracajú Estação Data E1 11/2004 Longitude Latitude o 10 54´36,6´´ S 37o 02´52,2´´ W Terminal Barra dos Coqueiros E2 11/2004 10o 54´27,2´´ S 37o 02´21,8´´ W Iate Clube E3 11/2004 10o 55´26,7´´ S 37o 02´36,2´´ W Terminal Atalaia Nova E4 11/2004 10o 56´25,1´´ S 37o 02´ 6,5´´ W Molhe de Atalaia Nova E5 11/2004 10o 56´58,8´´ S 37o 01´57,3´´ W Molhe Coroa do Meio I E6 11/2004 10o 57´12,4´´ S 37o 01´22,3´´ W Molhe Praia do Farol E7 11/2004 10o 58´ 25,8´´ S 37o 01´ 3,2´´ W 2.1.1.9 - Porto de Salvador: A baía de Todos os Santos é o maior acidente geográfico da costa brasileira, possuindo aproximadamente 1082 km2 (Bittencourt et al., 1976). No CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 61 interior dessa baía, existem dois terminais portuários importantes: o de Salvador e o de Aratu. O funcionamento do Terminal portuário de Salvador (Figuras 11a e 11b) data de 1816, tendo sido um dos primeiros portos a se estabelecer no Nordeste brasileiro. Esse terminal conta com um cais de 2085 metros e movimenta anualmente grandes volumes de cargas. Está localizado no estado da Bahia no município de Salvador as margens da Baía de Todos os Santos, (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 13 e na Figura 08. Tabela 13: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Salvador com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. LOCAL ESTAÇÃO DATA LATITUDE LONGITUDE Bom Despacho E1 01/2004 13o 01’ 35,3’’ S 38o 40’ 58,7’’ W Mar Grande E2 01/2004 13o 01’ 67,5’’ S 38o 41’ 23,6’’ W Barra Grande E3 01/2004 13o 02’ 24,6’’ S 38o 40’ 33,0’’ W Praia de Acapulco E4 01/2004 13o 03’ 27,3’’ S 38o 42’ 14,1’’ W Praia de Aratuba E5 01/2004 13o 05’ 22,3’’ S 38o 44’ 29,3’’ W Praia de Rio Vermelho E6 01/2004 13o 00’ 52,9’’ S 38o 29’ 18,9’’ W Praia de Ondina E7 01/2004 13o 00’ 40,2’’ S 38o 30’ 31,8’’ W Praia do Farol da Barra E8 01/2004 13o 00’ 39,4’’ S 38o 31’ 54,2’’ W Yatch Clube E9 01/2004 12o 59’ 54,1’’ S 38o 31’ 47,4’’ W Capitania dos Portos E10 01/2004 12o 58’ 30,3’’ S 38o 30’ 59,2’’ W Praia do Canta Galo E11 01/2004 12o 56’ 16,9’’ S 38o 30’ 24,7’’ W Praia de Ribeira E12 01/2004 12o 55´ 21,1 S 38o 30’ 06,5 W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 62 Figura 11: (A e B) Terminal Portuário de Salvador (Ministério dos Transportes, 2004), (C)Terminal Portuário de Aratu (Ministério dos Transportes, 2004), (D) Terminal Portuário de Aratu, (E) Píer do Estaleiro de Fortaleza, (F) Pilastras do píer na marina do INACE (Local de fixação do experimento). CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 63 2.1.1.10 - Porto de Aratu: Localizado no interior da Baía de Todos os Santos o porto de Aratu (figuras 11c e 11d) entrou em operação em 1975, no intuito de favorecer o escoamento dos produtos do pólo petroquímico de Camaçari. Possui um cais de 340 metros de comprimento e movimenta cargas somente de natureza industrial, (Ministério dos Transportes, 2004). A localização das estações de coleta demarcadas na área sob influência desse terminal portuário pode ser visualizada na Tabela 14 e na Figura 08. Tabela 14: Estações monitoradas na área de influência do Terminal Portuário de Aratu com respectiva data de coleta, latitudes e longitudes. LOCAL ESTAÇÃO DATA LATITUDE LONGITUDE Ilha de Maré E13 01/2004 12o 47’ 53,6’’ S 38o 31’ 34,5’’ W Baía de Aratu E14 01/2004 12o 48’ 35,7’’ S 38o 30’ 01,1’’ W CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 69 2.1.2 – PROCEDIMENTOS DE LABORATÓRIO: No laboratório, os animais tiveram suas conchas medidas da ponta da espira até a extremidade do canal sifonal anterior com auxílio de um paquímetro. Esses animais foram narcotizados em solução salina de Cloreto de Magnésio 3,5% (Huet et al., 1995) e suas conchas foram removidas para análise das partes moles (Figuras 12e e 12f). A determinação sexual foi feita através da presença do receptáculo seminal presente unicamente em fêmeas e próstata em machos, além da coloração das gônadas. Os animais que apresentaram receptáculo seminal e pênis concomitantemente foram consideradas, fêmeas em algum nível de imposex. Os pênis dos machos e das fêmeas com imposex foram medidos utilizando-se uma lâmina milimetrada. Os valores de RPSI (relative penis size index) e de RPLI (relative pênis lenght index) foram calculados segundo Gibbs et al. (1987) para cada estação, utilizandose as equações: (Média do comprimento do pênis das fêmeas )3 RPSI = X 100 3 (Média do comprimento do pênis dos machos ) (Média do comprimento do pênis das fêmeas ) RPLI = X 100 (Média do comprimento do pênis das fêmeas ) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. pa Pe 70 pe Figura 12: (A) Píer do estaleiro de Fortaleza, (B) Lanterna utilizada no experimento de monitoramento ativo comparativo, (C) Vista ventral e dorsal de S. haemastoma (Femorale, 2004). (D) Vista ventral de S. rustica (Femorale, 2004) (E) Detalhe da formação de uma papila peniana (pa) equivalente a VDSI nível 1.(F) Detalhe de um pequeno pênis (pe) de 2mm equivalente a estágio VDSI 2. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 71 O índice de VDSI (vas deferens sequence index) foi obtido comparando-se os animais observados com a escala proposta por Gibbs & Bryan (1986) e modificada por Fernandez et al.(2002) para espécie Stramonita haemastoma. Calculou-se também a porcentagem de fêmeas que exibiram o imposex em cada uma das amostras. 2.2 – BIOMONITORAMENTO ATIVO COMPARATIVO: Estudos anteriores realizados nas áreas sob a influência dos terminais portuários de Mucuripe em Fortaleza (Castro et al., 2000), do Pecém em São Gonçalo do Amarante (Castro et al., submit), de Natal (Castro et al., 2004) e de Maceió (Camillo et al., 2004) revelaram que na área do estudo definida para o presente trabalho, encontram-se distribuídas duas espécies principais de muricídeos do gênero Stramonita. Essas espécies são Stramonita haemastoma (Figura 12c) e Stramonita rustica (Figura 12d). Com isso, faz-se necessário, a realização de estudos comparativos entre o desenvolvimento do imposex observado nas duas espécies, tornando possível a comparação entre os índices obtidos nos monitoramentos passivos realizados. Para tanto foi necessário submeter os animais de ambas as espécies ao mesmo grau de exposição à contaminação por compostos orgânicos de estanho. Utilizando-se a metodologia já mencionada anteriormente foram inicialmente localizadas populações de S. haemastoma e S. rustica livres de imposex, isto é, populações cujos índices de imposex foram zero. Esses organismos foram coletados na estação E1 (praia de Barreira D´água) no município de Natal no Rio grande do Norte. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 72 De cada uma dessas populações, foram coletados 300 indivíduos adultos, esses animais foram acondicionados em aquários de plástico com aeradores a bateria e conduzidos ao laboratório. Posteriormente, os 300 moluscos de cada espécie foram transferidos para 2 gaiolas de cultivo de ostras com 5 andares cada uma (Figura 12b). Essas gaiolas foram fixadas na marina interna da Indústria Naval do Ceará (INACE) por um período de 90 dias (Figuras 11e, 11f e 12a). Durante esse período os indivíduos da espécie S. haemastoma foram alimentados com indivíduos de Crassostrea rhizophora coletadas em áreas também previamente monitoradas para o imposex e que apresentaram índices iguais zero. De modo semelhante os indivíduos da espécie S. rustica foram alimentados com mitilídeos do gênero Brachidontes. Esses organismos foram obtidos na estação E12 (praia de Sabiaguaba) no município de Fortaleza no Ceará. A cada intervalo de aproximadamente 15 dias, uma alíquota de 30 indivíduos de cada espécie, foi retirada das lanternas e conduzida ao laboratório onde foram processadas segundo a metodologia já descrita para observação do imposex. Os índices de RPSI, RPLI, VDSI e % de imposex foram obtidos e comparados entre as duas espécies analisadas. Ao final das amostragens, aplicaram-se testes estatísticos utilizando o programa Estatística. Foi utilizado inicialmente o teste de Lilliefors para verificar a normalidade dos dados brutos e das médias dos índices obtidos. Posteriormente, utilizou-se o teste U (Mann-Whitney, p<0.05) para comparar os valores referentes ao comprimento do pênis e ao VDSI no início (15 dias) e no final (90 dias) do experimento em ambas as espécies. Esse teste também foi aplicado para fazer a comparações interespecíficas. Finalmente, foi aplicado o teste de correlação de CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 73 Pearson para calcular os valores de R nas correlações entre as médias dos índices de imposex obtidos para S. haemastoma e S. rustica, determinando assim sua força. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 74 3- RESULTADOS: 3.1- BIOMONITORAMENTO PASSIVO: Foram monitoradas utilizando-se as espécies S. haemastoma ou S. rustica, um total de 82 estações espalhadas ao longo da costa nordeste do Brasil, destas 50 apresentaram imposex em algum nível e em 32 o imposex não foi observado. Os terminais portuários monitorados com a utilização de Stramonita haemastoma foram: Porto do Pecém, Porto do Mucuripe e Porto de Cabedelo. Os terminais cujo o trabalho foi realizado com a espécie Stramonita rustica foram: Porto de Natal, Porto de Recife, Porto de Suápe, Porto de Maceió, Porto de Salvador, Porto de Aratu e a região do estuário do Rio Sergipe. Em praticamente todas as áreas portuárias onde o presente estudo foi realizado pode se observar um gradiente dos índices de imposex a partir das presumíveis áreas fonte de organoestânicos para o ambiente. Observou-se então uma forte relação causa efeito entre a incidência de imposex e a intensidade do tráfego de embarcações no referido local. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 75 3.1.1-Porto do Pecém: A área sob a influência do terminal portuário do Pecém foi monitorada utilizandose a espécie S. haemastoma. Os índices mais elevados foram verificados na estação correspondente ao píer do porto (E2). Observou-se um decréscimo destes índices a medida que as estações amostradas se distanciavam do terminal, tendo a estação da Praia de São Pedro (E5) apresentado todos os índices iguais a zero. Um novo aumento de índices foi observado a partir da estação da Praia do Paracuru (Tabela 15 e Figura 13). Tabela 15: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Pecém durante o período de 04 / 2004 utilizando a espécie S. haemastoma % N amostral Machos/ Fêmeas Praia do Cauípe (E1) 30 14 / 16 Píer do Porto(E2) 30 12 / 18 Local / Estação Praia do Pecém (E3) Praia da Taíba (E4) Praia de São Pedro (E5) Praia do Paracuru (E6) Ponta do Paracuru (E7) 30 30 30 30 30 15 / 15 17 / 13 11 / 19 14 / 16 16 / 14 VDSI (média) RPSI RPLI 100 0,24 1,40 I -II (1,70) 100 2,33 28,37 II 0,27 (2,00) I - II 14,05 <0,01 2,63 (1,86) 0 -I 0,00 0,00 (0,25) 0 <0,01 (0,00) 0-I <0,10 <0,01 (0,14) 0-I <0,10 impose x 100 20,0 0,00 40,0 66,0 (0,23) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 76 Figura 13: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Pecém durante o período de 04 / 2004 utilizando a espécie S. haemastoma. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 77 3.1.2- Porto do Mucuripe: No terminal portuário do Mucuripe, utilizou-se a espécie S. haemastoma para realização do monitoramento. Os índices mais elevados foram verificados na estação da Praia Mansa (E9), os mesmos diminuíram à medida que as estações monitoradas eram mais afastadas do porto, tendo sido o limite leste da ocorrência de imposex a praia do Pacheco. No lado leste, todos os índices observados equivaleram à zero exceto na praia do Titã, onde verificou-se pequenos índices de imposex (E10) (Tabela 16 e Figura 14). Tabela 16: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Mucuripe durante o período de 10 / 2004 a 02/2005 utilizando a espécie S. haemastoma. Local / Estação RPSI RPLI N amostral Machos/ Fêmeas % imposex 100 <0,01 1,62 VDSI (média) Praia do Pacheco (E1) 30 12 / 18 I (1,00) Praia de Iparana (E2) 30 15 / 15 100 <0,01 1,86 I Praia de Dois Coqueiros(E3) 30 14 / 16 100 0,46 9,84 (1.00) I - II Praia da Barra (E4) 30 04 / 26 100 (1,80) 1,10 22,20 II–III-IV Praia Formosa(E5) 23 10 / 13 100 <0,01 3,69 (2,92) I – II Poço da Draga(E6) 30 12 / 18 100 <0,01 <0,1 (1,61) I Praia do Ideal (E7) 30 10 / 14 100 <0,01 1,10 (1,00) I Praia do Meireles(E8) 30 13 / 17 100 10,81 47,64 (1,00) IV – V Praia Mansa(E9) 30 16 / 14 100 44.00 76,02 (4,20) IV - V Praia do Titã(E10) 30 17 / 13 20,0 <0,01 <0,1 (4,80) I Caça e pesca(E11) 30 15 / 15 0,00 0,00 0,00 (0,46) 0 Praia da Sabiaguaba (E12) 30 16 / 14 0,00 0,00 0,00 (0,00) 0 (0,00) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 78 Figura 14: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Mucuripe durante o período de 10 / 2004 a 02/2005 utilizando a espécie S. haemastoma. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 79 3.1.3- Porto de Natal: Das nove estações monitoradas na área sob a influência do terminal portuário de Natal, três apresentaram índices correspondentes a zero. Das estações onde o imposex foi verificado, a Porto-Balsa (E7) foi a que apresentou índices mais altos, os mesmos diminuíram gradativamente a medida que se distanciou do porto. Nesta área o monitoramento foi realizado com a espécie S. rustica, (Tabela 17 e Figura 15). Tabela 17: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Natal durante o período de 10 / 2004 utilizando a espécie S. rustica Local / Estação RPSI RPLI N amostral Machos/ Fêmeas % VDSI (média) imposex Barreira D´Água (E1) 30 12 / 18 0 0,00 0,00 0 (0,00) Ponta do Morcego (E2) 30 14 / 16 0 0,00 0,00 0 Praia do Meio (E3) 30 13 / 17 23,53 <0,01 1,10 0-I Praia do Forte (E4) 30 13 / 17 76,50 <0,01 1,28 I Foz do Potengi - interna (E5) 27 12 / 15 100 0,28 14,20 I–II-III Foz do Potengi - Externa (E6) 9 3/6 100 <0,01 9,30 I Porto – Balsa (E7) 25 12 / 13 100 3,7 Molhe de Redinha (E8) 18 10 / 8 100 0,44 16,40 Praia de Santa Rita (E9) 30 15 / 15 0,00 0,00 32,30 II-III-IV 0,00 I - II 0 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 15 : Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Natal durante o período de 10 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. 80 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 81 3.1.4- Porto de Cabedelo: No terminal portuário de Cabedelo, o monitoramento utilizou a espécie S. haemastoma. Os índices máximos foram verificados na estação do Porto (E1), onde o RPLI foi de 22,10. Esses índices decresceram a medida que as estações se distanciaram do porto. Nas estações da Praia Formosa (E4), Areia Dourada (E5), Praia de Intermares (E6) e Praia de Lucena (E9) todos os índices equivaleram à zero, (Tabela 18 e Figura 16). Tabela 18: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Cabedelo durante o período de 06 / 2004 utilizando a espécie S. rustica Local / Estação N Machos/ amostral Fêmeas RPSI RPLI VDSI (média) % imposex Porto (E1) 30 12 / 18 100 2,30 22,10 II -III (2,80) Molhe do Paraíba (E2) 30 15 / 15 100 0,15 11,50 II - III Ponta do Mato (E3) 30 17 / 13 15,40 <0,01 1,20 0-I Praia Formosa (E4) 30 14 / 16 0,00 0,00 0,00 0 Areia Dourada (E5) 30 15 / 15 0,00 0,00 0,00 0 Praia de Camboinha (E6) 30 12 / 18 0,00 0,00 0,00 0 Praia de Intermares (E7) 30 16 / 14 0,00 0,00 0,00 0 Praia de Costinha (E8) 22 11 /19 100 1,26 13,50 II - III Praia de Lucena (E9) 21 15 /15 0,00 0,00 0,00 0 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 16: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Cabedelo durante o período de 06 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. 82 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 83 3.1.5- Porto de Recife: Em Recife observou-se que das sete estações monitoradas com a espécie S. rustica, quatro não apresentaram imposex. Os índices mais elevados foram obtidos na face externa do molhe do porto correspondendo a estação E5, os mesmos decresceram com o distanciamento do terminal portuário, (Tabela 19 e Figura 17). Tabela 19: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Recife durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. Local / Estação N amostral Machos/ Fêmeas RPSI RPLI VDSI (média) % imposex Boa Viagem I (E1) 30 16 / 14 0,00 0,00 0,00 0 (0,00) Boa Viagem II (E2) 30 15 / 15 0,00 0,00 0,00 0 Praia do Pina (E3) 30 15 / 15 53,33 <0,01 1,78 (0,00) 0-I Brasília Teimosa (E4) 30 13 / 17 88,20 <0,01 1,00 (0,53) 0-I Molhe do Porto (E5) 30 14 / 16 100 <0,01 4,40 (0,88) 0–I-II Praia dos Milagres (E6) 30 18 / 12 0,00 0,00 0,00 (1,37) 0 Bairro Novo (E7) 30 17 / 13 0,00 0,00 0,00 (0,00) 0 (0,00) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 17: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Recife durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. 84 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 85 3.1.6- Porto de Suápe: A espécie utilizada no monitoramento do terminal portuário do Suápe foi S. rustica. Nessa área o imposex foi observado em apenas uma das sete estações analisadas e com índices muito baixos (Tabela 20 e Figura 18). Tabela 20: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Suápe durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rústica. Local / Estação N amostral Machos/ Fêmeas RPSI RPLI VDSI (média) 0,00 0,00 0 (0,00) % Porto de Galinhas (E1) 30 14 / 16 imposex 0,00 Praia de Muro Alto (E2) 14 12 /18 0,00 0,00 0,00 0 Praia do Suápe (E3) 16 4/6 100 <0,01 1,48 (0,00) I Pontal de Sto Agostinho (E4) 30 15 / 15 0,00 0,00 0,00 (1,00) 0 Praia de Guaibú (E5) 30 17 / 13 0,00 0,00 0,00 (0,00) 0 Enseada dos Corais (E6) 30 14 / 16 0,00 0,00 0,00 (0,00) 0 Pedra do Xaréu (E7) 30 14 / 16 0,00 0,00 0,00 (0,00) 0 (0,00) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 86 Figura 18: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Suápe durante o período de 09 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 87 3.1.7- Porto do Jaraguá: Os índices de imposex mais elevados em S. rustica foram observados a leste do terminal portuário na estação do Cais do Porto (E4), a partir de onde os mesmos decresceram gradativamente. A oeste do porto todos os índices equivaleram a zero (Tabela 21 e Figura 19). Tabela 21: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Jaraguá durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. Local / Estação N amostral Machos/ Fêmeas RPSI RPLI VDSI (média) % imposex Praia da Sereia (E1) 30 16 / 14 0,00 0,00 0,00 Cruz das Almas (E2) 30 11 / 19 0,00 0,00 0,00 0 (0,00) 0 Iate Clube Alagoas (E3) 30 15 / 15 0,00 0,00 0,00 0 Cais Porto - E (E4) 30 10 / 20 0,00 0,00 0,00 0 Cais Porto – W (E5) 30 16 / 14 100 4,70 36,10 Emissário (E6) 30 14 / 16 87,5 0,01 5,04 0-I-II Terminal (E7) 30 12 / 18 38,86 <0,01 1,93 0-I Saco da Pedra (E8) 30 17 / 13 16,66 <0,01 <0,10 0-I Praia do Francês (E9) 30 15 / 15 0,00 0,00 0,00 0 Barra de São Miguel 30 12 / 18 0,00 0,00 0,00 0 I-II-III- CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 88 Figura 19: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário do Jaraguá durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 89 3.1.8- Estuário do Rio Sergipe: Em Aracajú, o monitoramento foi realizado no estuário do Rio Sergipe, local com grande fluxo de pequenas embarcações, utilizando a espécie S. rustica. Os índices mais altos foram obtidos na estação do Terminal de Barra dos Coqueiros (E2), tendo os mesmos decrescido com o distanciamento. Observou-se índices iguais a zero nas estações do Molhe da Coroa do Meio (E6) e do Molhe da Praia do Farol (E7), (Tabela 22 e Figura 20). Tabela 22: Resultados do monitoramento realizado no estuário do Rio Sergipe durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica % Local / Estação VDSI RPSI N amostral Machos/ Fêmeas RPLI (média) imposex Terminal Aracajú (E1) 30 17 / 13 100 0,81 20,05 I - II Terminal B. Coqueiros (E2) 30 18 / 12 100 12,68 50,27 I-II-III Iate Clube (E3) 30 8 / 22 86,36 0,10 9,82 I - II Terminal Atalaia Nova (E4) 30 10 / 20 75 0,06 8,30 0-I Molhe de Atalaia Nova (E5) 30 11 / 19 5,26 <0,01 <0,10 0-I Molhe Coroa do Meio (E6) 12 6/6 0,00 0,00 0,00 0 Molhe Praia do Farol (E7) 11 3/8 0,00 0,00 0,00 0 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. Figura 20: Resultados do monitoramento realizado no estuário do Rio Sergipe durante o período de 11 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. 90 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 91 3.1.9- Porto de Salvador: Em cinco das doze estações monitoradas com a espécie S. rustica nas proximidades do porto de Salvador observou-se índices equivalentes a zero. A estação com índices mais elevados foi a da Capitania dos Portos (E10) com VDSI de 1,5 e RPLI igual a 14,83, (Tabela 23 e Figura 21). Tabela 23: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Salvador durante o período de 01 / 2004 utilizando a espécie S. rustica % Local / Estação RPSI RPLI 0,00 0,00 0,00 0,00 N amostral Machos/ Fêmeas VDSI (média) imposex Bom Despacho (E1) 30 15 / 15 Mar Grande (E2) 30 12 / 18 Barra Grande (E3) 30 14 / 16 Praia de Acapulco (E4) 30 7 / 23 Praia de Aratuba (E5) 30 17 / 13 0 (0,00) 0,00 0,00 0,00 0 (0,00) 6,25 <0,01 <0,10 0 (0,06) 43,47 <0,01 1,58 0 - I (0,43) 30,76 <0,01 2,10 0 - I Praia de Rio Vermelho (E6) 30 6 / 24 0,00 0,00 Praia de Ondina (E7) 30 9 / 21 Praia do Farol da Barra (E8) 30 10 / 20 Iate Clube (E9) 15 9/6 Capitania dos Portos (E10) 30 10 / 20 100 0,32 14,83 I - II Praia do Canta Galo (E11) 30 13 / 17 100 <0,01 1,52 0-I Praia de Ribeira (E12) 30 17 / 13 0,00 0,00 0 (0,00) 0,00 0,00 0,00 0 (0,00) 10,0 <0,01 1,75 0 - I (0,10) 83,33 <0,01 1,76 0 - I 0,00 0 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 92 3.1.10- Porto de Aratu: Na área de influência do terminal portuário de Aratu foram monitoradas apenas duas estações com a utilização da espécie S. rustica. Os índices obtidos podem ser observados na Tabela 24 e na Figura 21. Tabela 24: Resultados do monitoramento realizado no terminal Portuário de Aratu durante o período de 01 / 2004 utilizando a espécie S. rustica Local / Estação N amostral Machos/ Fêmeas RPSI RPLI VDSI (média) % imposex Ilha de Maré (E13) 30 17 / 13 100 <0,01 3,29 I - II (1,15) Baía de Aratu (E14) 30 17 / 13 38,46 <0,01 1,28 0-I (0,38) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 93 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 94 Figura 21: Resultados do monitoramento realizado nos terminais Portuários de Salvador e de Aratu durante o período de 01 / 2004 utilizando a espécie S. rustica. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 95 3.2- BIOMONITORAMENTO ATIVO COMPARATIVO: Na primeira amostragem realizada 15 dias após a fixação do experimento, foram observados índices de imposex apenas na espécie S. haemastoma. Esses índices foram: % de imposex= 90, RPSI= 0,01 e RPLI=3,22, o VDSI observado na maioria dos animais foi de I, tendo sido verificada uma única fêmea no estágio III perfazendo uma média de VDSI de 0,93. Na espécie S. rustica, não foram observadas quaisquer alterações relacionadas à manifestação do imposex. Na segunda amostragem, 30 dias após o início do experimento, foram observadas 38,46% das fêmeas de S. rustica com imposex porem os índices observados foram extremamente baixos: RPSI= <0,01, RPLI= 0,45 e VDSI estágio I compondo uma média de 0,38. Em S. haemastoma, os índices se elevaram em relação a primeira amostragem, apresentando 100% das fêmeas com imposex, RPSI=0,62 e RPLI= 18,41, o VDSI oscilou entre I e III totalizando uma média de 1,9. Nas demais amostragens, os índices aumentaram gradativamente com o tempo de exposição sendo que em S. haemastoma o desenvolvimento do imposex se mostrou bem mais rápido quando comparado a S. rustica. (Figuras 22, 23, 24, 25, 26 % de Imposex e Tabela 25). 120 100 80 60 40 20 0 0 S. haemastoma 15 30 45 60 75 90 Dias S. rustica Figura 22: Gráfico comparando a % de imposex observada nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo. Comprimento médio do pênis das fêmeas (mm) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 96 4 3 2 1 0 0 15 30 45 S. haemastoma 60 75 90 Dias S. rustica Figura 23: Gráfico comparando as médias dos comprimentos do pênis das fêmeas observadas nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo. 8 RPSI 6 4 2 0 0 15 S. haemastoma 30 45 60 75 90 Dias S. rustica Figura 24: Gráfico comparando RPSI observado nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 97 50 RPLI 40 30 20 10 0 0 15 30 S. haemastoma 45 60 75 90 Dias S. rustica Média do VDSI Figura 25: Gráfico comparando os RPLI observado nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo. 5 4 3 2 1 0 0 15 S. haemastoma 30 45 60 75 90 Dias S. rustica Figura 26: Gráfico comparando as médias de VDSI observadas nas espécies S.haemastoma e S. rustica durante o experimento de biomonitoramento ativo comparativo. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 98 Tabela 25: Resultados do experimento de biomonitoramento ativo comparativo entre S.haemastoma e S. rustica. Dias % imposex 0 dias 0,00 Stramonita haemastoma Média RPSI RPLI Pênis ♀ (mm) 0,00 0,00 0,00 15 dias 90,00 0,25 <0,01 30 dias 100,0 1,39 45 dias 100,0 60 dias VDSI (Média) % imposex 0 (0,00) 0,00 Stramonita rustica Média RPSI RPLI Pênis ♀ (mm) 0,00 0,00 0,00 VDSI (Média) 0 (0,00) 3,22 0-I-III (1,00) 0,00 0,00 0,00 0,00 0 (0,00) 0,62 18,41 I-II-III (1,80) 38,46 0,04 <0,01 0,45 0-I (0,38) 1,60 0,69 19,10 I-II-III (1,9) 78,57 0,07 <0,01 0,94 0-I (0,71) 100,0 2,36 2,67 29,87 I-II-III-IV (2,8) 82,36 0,14 <0,01 1,87 0-I-II (0,88) 75 dias 100,0 2,60 2,76 30,20 I-II-III-IV-V (2,94) 86,66 0,33 <0,01 3,45 0-I-II (1,13) 90 dias 100,0 3,51 6,90 41,2 I-II-III-IV-V (3,42) 100,0 0,27 <0,01 3,71 I-II (1,18) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 99 Uma parcela inferior a 5% das amostras revelou a ocorrência imposex seguindo rotas afálicas ou alternativas, esses animais foram enquadrados na escala de VDSI baseando-se prioritariamente nos comprimentos dos pênis como sugere Fernandez et al. (2002). A análise estatística dos dados de comprimentos dos pênis e de VDSI a partir do teste de Lilliefors revelou que a distribuição dos mesmos não é normal. Para esses dados utilizou-se então o teste U (Mann-Whitney, p<0.05) comparando os valores de comprimento do pênis e VDSI iniciais e finais de modo intraespecífico e interespecífico. Em todos os testes realizados podem se observar diferenças estatísticas significativas confirmando a diferença de sensibilidade entre as espécies estudadas, (Tabela 26). Tabela 26: Resultados dos testes U realizados para comparação dos valores de comprimento de pênis e VDSI entre as espécies S. haemastoma e S. rustica. Testes Comprimento do pênis Inicial (15 dias)x final (90dias) VDSI S. haemastoma Inicial (15 dias) x final (90 dias) Intraespecíficos Comprimento do pênis Inicial (15 dias) x final (90 dias) VDSI S. rustica Inicial (15 dias) x final (90 dias) Comprimento do pênis inicial (15 dias) S. haemastoma x S. rustica Comprimento do pênis final (90 dias) S. haemastoma x S. rustica Interespecíficos VDSI inicial (15 dias) S. haemastoma x S. rustica VDSI final (90 dias) S. haemastoma x S. rustica Resultado (P) 0,000143 0,000137 0,000001 0,000001 0,000254 0,000143 0,000002 0,000235 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 100 Análise das médias pelo teste de Liliefors indicou que as mesmas apresentaram uma distribuição normal. As correlações de Pearson entre as médias dos índices obtidos durante o estudo experimental mostraram uma correlação muito forte para o comprimento dos pênis das fêmeas (y = 0,0144x2 + 0,039x e R2 = 0,7806), o RPLI (y = 0,002x2 + 0,0158x e R2 = 0,8736) e para a média dos VDSI (y = C omprimento do P ênis / mm (S . rustica ) 0,0719x2 + 0,1272x e R2 = 0,9194) (Figuras 27, 28 e 29). 0,35 0,3 y = 0,0144x2 + 0,039x R2 = 0,7806 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 0 1 2 3 4 Comprimento do Pênis / mm (S. haemastoma ) Figura 27: Relação entre os comprimentos dos pênis das fêmeas observadas em S. haemastoma e S. rustica durante a realização do experimento de biomonitoramento ativo comparativo. RPLI (S. rustica) CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 101 y = 0,002x 2 + 0,0158x R2 = 0,8736 0 10 20 30 40 50 RPLI (S. haemastoma ) Média do V D S I (S . rustica ) Figura 28: Relação entre os RPLI observados em S. haemastoma e S. rustica durante a realização do experimento de biomonitoramento ativo comparativo. 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 2 y = 0,0719x + 0,1272x 2 R = 0,9194 0 1 2 3 4 Média do VDSI (S. haemastoma ) Figura 29: Relação entre as médias dos VDSI observados em S. haemastoma e S. rustica durante a realização do experimento de biomonitoramento ativo comparativo. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 102 4- DISCUSSÃO: 4.1 – Biomonitoramento passivo: O presente estudo observou a ocorrência de imposex em todas as áreas portuárias monitoradas. Foram também verificados gradientes de imposex na maioria das áreas, isto é, à medida que as estações de coleta eram mais afastadas dos respectivos terminais portuários notou-se uma redução de todos os índices utilizados pra quantificar o imposex. Resultados semelhantes foram observados em estudos realizados no Mediterrâneo com a espécie Hexaplex trunculus (Axiak et al.,1995), na região de Sanriku no Japão com a espécie Thais clavigera (Horiguchi et al., 1998a), em Crok Harbour na Irlanda com a utilização das espécies Nucella lapillus e Littorina littorea (Minchin et al., 1996), na Ilha Phuket na Tailândia com as espécies Chicoreus capucinus e Thais distinguenda (Bech, 2002), em Fishing Port, Killybegs na Irlanda com as espécies Nucella lapillus e Littorina littorea (Minchin et al., 1997) além de diversos outro locais. É importante ressaltar que além da distância em relação a provável fonte dos organoestânicos para o meio marinho, devem ser levados em consideração fatores como a profundidade, o hidrodinamismo, a espécie utilizada e o grau de proteção da área em questão (ten Hallers-Tjabbes et al., 2003). No presente trabalho optou-se por utilizar a escala de VDSI proposta inicialmente por Gibbs & Bryan (1986) e posteriormente modificada por Fernandez et al., (2002). Essa opção ocorreu em virtude da dificuldade de visualização do vaso deferente em muricídeos do gênero Stramonita. Essa dificuldade já havia sido registrada na literatura por Horiguchi et al. (1994), onde o vaso deferente era visualizado apenas em uma parcela da amostra dificultando a definição do índice. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 103 Os índices observados no terminal portuário do Pecém, no estado do Ceará, apresentaram-se pouco elevados quando comparados às outras áreas monitoradas com a espécie S. haemastoma. Esse fato pode ser justificado pelo curto tempo de existência do referido terminal, que só entrou em operação em setembro de 2002 e até o ano de 2004 não chegou a completar 500 atracações (Ceará Portos, 2004). Fato semelhante, segundo Bech (2002), foi observado em uma marina na Tailândia, onde foram observados inicialmente baixos índices de imposex que se elevaram com o decorrer do tempo. O gradiente de índices de imposex observado nessa área do Porto do Pecém, corrobora com o sentido Leste-Oeste das correntes costeiras predominantes no litoral do estado do Ceará (Maia, 1998). Observou-se, entretanto uma elevação dos índices a partir da estação E6 (Praia de São Pedro), essa elevação provavelmente decorre da movimentação de embarcações em um píer da Petrobrás existente na referida praia. O terminal portuário do Mucuripe, no estado do Ceará, apresentou índices que diminuíram gradativamente com o distanciamento do mesmo, não tendo sido verificado imposex nas estações E11(Praia do Caça e Pesca) e E12 (Praia de Sabiaguaba) a oeste do Porto. Estudos realizados por Castro et al. (2000) mostraram que o limite leste da ocorrência de imposex nessa área, era a praia de dois coqueiros (E3). No entanto, no presente estudo verificou-se a ocorrência de imposex na praia do Pacheco (E1) e na praia de Iparana (E2) ampliando, portanto, a área contaminada por compostos orgânicos de estanho. Essa ampliação pode ser explicada, possivelmente pelo aumento da vazão do Rio Ceará no período imediatamente anterior a realização das coletas, uma vez que a estação chuvosa foi muito intensa, e que próximo à foz desse rio funciona um estaleiro onde são CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 104 realizados reparos de pequenas embarcações. Porém estudos mais detalhados devem ser conduzidos na área a fim de esclarecer melhor os motivos dessa elevação nos índices de imposex. Castro et al. (2004) verificaram a ocorrência de imposex em quatro das oito estações monitoradas na área sob a influencia do terminal portuário de Natal, tendo sido o limite sul da ocorrência de imposex a praia do Forte. Embora o presente estudo tenha verificado um pequeno decréscimo nos índices de imposex em relação aos valores obtidos por estes autores, a área de ocorrência de imposex foi ampliada, sendo o mesmo observado até a praia do Meio (E3). As correntes costeiras predominantes no litoral da cidade de Natal são no sentido Sul–Norte (Castro et al., 2003), o que justifica os baixos índices obtidos na face externa do molhe do porto (E6). De um modo geral, pode se observar uma diminuição dos índices de imposex a medida em que se afastava do porto, representado pela estação (E7) que contabilizou os índices mais elevados. Embora o monitoramento do imposex na região do terminal portuário de Cabedelo, estado da Paraíba, tenha sido realizado com a espécie S. haemastoma, os índices observados foram moderados quando comparados a outros terminais do Nordeste brasileiro. O maior índice observado foi VDSI=III nas proximidades do porto, nas duas margens do Rio Paraíba do Norte. Isso se deve possivelmente, ao fato do porto de Cabedelo possuir, em termos comparativos, uma baixa movimentação de embarcações (Ministério dos Transportes, 2004). O terminal portuário do Recife, em Pernambuco, outrora muito movimentado, apresenta hoje um baixo índice de movimentação de embarcações em detrimento da construção recente do terminal portuário do Suápe e da proximidade com outros terminais em estados vizinhos (Ministério dos Transportes, 2004). Esse fato refletiu- CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 105 se nos índices de imposex verificados na região, que foi monitorada utilizando-se a espécie S. rustica. Das 7 estações de coleta monitoradas nas proximidades desse terminal, apenas em 3 foi observado o imposex. É importante enfatizar que essas estações estão localizadas na face externa do molhe de proteção do porto, local onde se verifica forte hidrodinamismo podendo o mesmo contribuir para o transporte e a diluição dos poluentes oriundos do interior do porto. Os baixos níveis de imposex observados nos arredores do terminal portuário do Suápe devem-se provavelmente a um somatório de fatores, entre esses fatores podemos assinalar: a construção recente do porto (Ministério dos transportes, 2004), o hidrodinamismo da região e o fato do terminal apresentar estrutura “off shore”, permitindo uma maior diluição dos compostos liberados pelas embarcações atracadas. Os maiores índices de imposex em S. rustica observados no nordeste brasileiro ocorreram na cidade de Maceió, onde se verificou na estação mais próxima ao terminal portuário (E5) RPLI = 36,1 e VDSI de até IV. Esses índices mostraram-se sensivelmente mais elevados do que os verificados no ano de 2002 por Camillo et al. (2004), onde a mesma estação apresentou RPLI igual a 33,1. Estudos mais detalhados devem ser conduzidos nessa região para elucidar o real motivo dessa elevação nos índices de imposex, que pode ter sido ser gerada pelo aumento no número de embarcações na região do terminal ou por mudanças sazonais nas correntes costeiras predominantes. Na região do estuário do Rio Sergipe, verificou-se níveis altos de imposex em S. rustica, tendo sido a estação do terminal de Barra dos coqueiros a que mostrou níveis mais elevados com RPLI= 50,27 e VDSI de até III. Índices de imposex tão elevados para essa espécie, sugerem que, apesar da área não apresentar fluxo de CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 106 grandes navios, os compostos organoestânicos lançados na água pelas pequenas embarcações devem apresentar uma grande tendência a se acumular nos sedimentos ou na coluna d’água, dado o grau de proteção e consequentemente o tempo de residência da água na referida área. Embora algumas áreas ao redor da Baía de todos os Santos estejam entre as mais urbanizadas e industrializadas do Nordeste, os índices de imposex observados na espécie S. rustica para essa região foram inferiores a de outras localidades do presente estudo. Na estação mais próxima ao terminal portuário de Salvador (E10), observou-se um RPLI igual a 14,83 e VDSI de no máximo II. Esses níveis a princípio parecem contrastantes, dado a quantidade de grandes navios que circulam no referido local. Por outro lado, é sabido que à grande largura do canal de comunicação entre a Baía de todos os Santos e o Oceano Atlântico e a sua grande profundidade contribuem para aumentar o fator de diluição de suas águas. Essas características devem reduzir assim as concentrações dos poluentes no interior da Baía e diminuir seus impactos sobre a biota. Outro fator a ser mencionado é que o monitoramento da Baía de Todos os Santos foi realizado com a utilização da espécie S. rustica e, conforme foi observado na maioria das áreas, essa espécie sempre apresentou índices mais baixos quando comparada a S. haemastoma. Como o imposex é um processo desencadeado por uma desregulação hormonal, mesmo concentrações muito baixas, na ordem de ng/l, são suficientes para induzir o processo na maioria nos moluscos prosobrânquios (Mensink et al., 1997 e Morcillo & Porte, 1998). Isso explica o fato de se observar imposex em pelo menos uma estação em cada terminal portuário. Por outro lado os índices de imposex observados ao longo da maioria dessas estações são bastante inferiores ao que se observa em grandes áreas portuárias do mundo ou mesmo do Brasil. Um CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 107 exemplo claro disso, é um estudo realizado com Thais clavigera e Thais bronni no Japão, entre os anos de 1990 e 1992, onde todas as estações apresentaram 100% de imposex sendo a maioria com valores de RPSI superiores a 40 (Horiguchi et al., 1997). Comparando os índices de imposex do Nordeste do Brasil com os resultados obtidos por Fernandez et al. (2005) em um estudo semelhante realizado no interior da Baía de Guanabara podemos sugerir que a contaminação por compostos orgânicos de estanho na costa brasileira é maior em regiões mais industrializadas e que, portanto, recebem um maior número de embarcações em seus terminais portuários. Ansari et al. (1998) mencionam também o fato de áreas altamente industrializadas da Índia apresentarem uma contaminação maior por COEs que áreas comparativamente menos industrializadas. Em 33 das 82 estações analisadas para este estudo não se detectou quaisquer indícios da ocorrência de imposex. Contraditoriamente, estudos realizados com as espécies Hexaplex trunculus (Axiak et al., 2002) e Nucella lapillus (Davies et al., 1997) relatam a ocorrência de níveis naturais de imposex em populações desses prosobrânquios não expostas a contaminação por compostos orgânicos de estanho. A despeito desses estudos, sugere-se que as espécies S. haemastoma e S. rustica só apresentam imposex quando submetidas a tal contaminação uma vez que, em estações distantes das presumíveis fontes de COEs para o ambiente o imposex não ocorreu. 4.2 – Biomonitoramento ativo comparativo: A utilização de bioindicadores para monitoramento de contaminação ambiental freqüentemente esbarra em problemas tais como a própria distribuição CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 108 espacial do organismo (Liu et al., 1997). Embora a espécie S. haemastoma seja registrada por Matthews (1968) como presente em praticamente todos os estados nordestinos, durante a execução do trabalho observou-se que nem sempre esse animal pôde ser coligido em quantidades suficientes para realização do estudo. E que nos estados do Rio Grande do Norte, da Paraíba, do Pernambuco, do Alagoas, do Sergipe e da Bahia a espécie mais abundante pareceu ser S. rustica. Isso resultou na utilização de ambas as espécies para execução do monitoramento. A realização de um estudo experimental de monitoramento ativo comparativo entre o desenvolvimento do imposex observado nas espécies de muricídeos S. haemastoma e S. rustica foi fundamental para permitir comparar os níveis de imposex nas áreas monitoradas com as mesmas. Diversos estudos comparam à sensibilidade de espécies de gastrópodes marinhos a manifestação do imposex quando expostos a contaminação por compostos orgânicos de estanho (Gibbs et al., 1997). Segundo Horiguchi et al. (1995), neogastrópodes são muito mais sensíveis a contaminação por COEs que os mesogastrópodes. Em um estudo realizado em Taiwan, foram comparados os níveis de imposex observados em organismos dos gêneros Nucella, Thais e Morula. Segundo este estudo, o gênero Nucella apresenta maior sensibilidade a esse tipo de contaminante sendo assim o mais indicado para utilização em monitoramentos (Liu et al., 1997). Conforme os resultados experimentais apresentados no presente estudo, S. haemastoma apresentou uma sensibilidade muito maior aos compostos orgânicos de estanho do que S. rustica. Essa diferença significativa pode ser atribuída a numerosos aspectos, entre eles podemos atentar para os fatores de bioacumulação CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 109 e excreção de compostos xenobióticos e para o tipo de alimentação preferencial de cada uma das espécies. Segundo o teste estatístico de PEARSON, os índices RPLI e a média do VDSI demonstraram forte correlação para as duas espécies estudadas, a passo que o RPSI demonstrou uma correlação fraca. Resultados muito parecidos foram descritos por Huet et al. (1995) ao compararem os índices de VDSI e RPSI entre Ocenebra erinacea, Nucella lapillus e Hinia (Nassarius) reticulata. Os resultados do estudo experimental demonstraram que uma pequena parte das amostras de ambas as espécies revelaram rotas alternativas de imposex, entre essas rotas observou-se, por exemplo, o desenvolvimento de um vaso deferente completo em um animal totalmente afálico. Embora seja conhecido que algumas escalas de VDSI prevêem essas rotas (Stroben et al., 1995), optou-se por não utiliza-la em virtude da pequena magnitude de sua manifestação, que não superou 5% do total das amostras analisadas. Provavelmente, o surgimento dessas rotas é decorrente das variações individuais entre os organismos ou do fato de que os animais foram submetidos ao ambiente contaminado em um estágio tardio do seu desenvolvimento. Isso permite concluir que provavelmente S. haemastoma é melhor indicador da contaminação por compostos orgânicos de estanho que S. rustica, visto que mesmo quando expostos as mesmas concentrações ambientais de organoestânicos apresentam diferenças marcantes no desenvolvimento do imposex. Resultado semelhante foi obtido por Bech (1999b) que comparou o grau de sensibilidade a contaminação por COEs nas espécies de muricídeos Thais distinguenda, Thais bitubercularis e Morula musiva. Nesse estudo, observou-se que Thais bitubercularis seria o melhor indicador por apresentar maior sensibilidade. Nesse ponto, é CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 110 importante lembrar que um monitoramento com bioindicadores deve sempre optar pela espécie mais sensível, no entanto essa espécie deve ser abundante para garantir a exeqüibilidade do estudo, do contrário é preferível se optar por uma espécie menos sensível e realizar testes experimentais e estatísticos que permitam estabelecer uma de correlação entre as respostas apresentadas pelas espécies utilizadas (Birchenough et al., 2002; Tan, 1999; Tan 1997 e Stewart et al., 1992). Em 1 de Janeiro de 2005, entrou em vigor uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) que discorre sobre as condições e padrões de qualidade de águas. Nessa resolução, as concentrações máximas de tributilestanho permitidas são de 0,01 µg/l para águas salinas de classe 1 e 0,37 µg/l para águas salinas de classe 2. Embora a implantação dessa legislação represente um avanço, uma vez que anteriormente às leis brasileiras desconheciam esse composto e os impactos por ele gerados, acredita-se que seria necessário a realização de estudos mais detalhados em território nacional para definir valores mais condizentes com nossa realidade uma vez que é sabido que concentrações inferiores a 1ng/l são suficientes pra induzir imposex em muitas espécies de gastrópodes. Segundo Golberg (1986 apud Fernandez, 2002), “os compostos organoestânicos, especialmente o tributilestanho, são os mais tóxicos compostos deliberadamente introduzidos no ambiente pelo ser humano”. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 111 5 – CONCLUSÕES: • As espécies Stramonita haemastoma e Stramonita rustica manifestam imposex quando expostas a contaminação por compostos orgânicos de estanho. • O imposex ocorre em populações de Stramonita haemastoma ao longo do litoral nordestino, nas áreas sob influência dos terminais portuários do Pecém, do Mucuripe e de Cabedelo. • O imposex ocorre em populações de Stramonita rustica ao longo do litoral nordestino, nas áreas sob a influência dos terminais portuários de Natal, de Recife, de Suápe, de Jaraguá, de Salvador, de Aratu e no estuário do Rio Sergipe. • As áreas sob a influência de todos os terminais portuários do Nordeste brasileiro encontram-se contaminadas por compostos orgânicos de estanho utilizados em tintas de ação “antifouling” aplicadas às embarcações. • Os índices de imposex e a contaminação por compostos orgânicos de estanho diminuem progressivamente à medida que a área estudada se distância dos respectivos terminais portuários. • As áreas mais contaminadas por compostos orgânicos de estanho no Nordeste do Brasil são: a foz do Rio Sergipe e a área a Oeste do Porto de Jaraguá em Maceió. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. • 112 A área estudada que apresentou menores índices de imposex e provavelmente possui os menores níveis de contaminação por compostos organoestânicos é a região do terminal portuário do Suápe no estado do Pernambuco. • O muricídeo Stramonita haemastoma apresenta maior sensibilidade a compostos orgânicos de estanho e consequentemente a manifestação do imposex que Stramonita rustica. CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. GLOSSÁRIO DE SIGLAS: COES - Compostos orgânicos de estanho CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente DBT - Dibutilestanho DPT - Difenilestanho IMO – International Maritime Organization MBT- Monobutilestanho MPT - Monofenilestanho PVC - Cloreto de Polivinila RPLI - Relative Pênis Legth Index RPSI – Relative Pênis Size index TBT – Tributilestanho TPT – Trifenilestanho UV – Ultra Violeta VDSI- Vas deferent Sequence Index 113 CASTRO, I.B. Estudo do imposex em muricídeos do gênero Stramonita no Nordeste do Brasil. 114 7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALZIEU, C. (2000). Environmental impact of TBT: the French experience. The Science of the Total Environment, 258: 99-102. ALZIEU, C. ; HERAL, M. ; THIBAUD, Y. ; DARDIGNAC, M. & FEUILLET, M. (1982) Influence des peintures antisalissures a base d’organostanniques sur la calcification de la coquille de l’huitre Crassostrea gigas . Rev. Inst. Péches Maritime.45(2): 101 – 116. ANSARI, A. A .; SINGH, I.B. & TOBSCHALL, H.J. 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