FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA: TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca Central - IESP - Instituto de Educação Superior da Paraíba P659f Pinto, Chrislay Rocha Ribeiro Fundação Fortaleza de Santa Catarina: turismo e preservação patrimonial/ Chrislay Rocha Ribeiro Pinto. João Pessoa, PB: [s.n.], 2003. 43 p.: il. Orientadora: Carla Mary da Silva Oliveira Monografia (graduação) - Instituto de Educação Superior da Paraíba(IESP) - Curso de Turismo, 2003. Bibliografia: p. 39 1. Turismo (aspectos culturais). 2. Turismo (aspectos econômicos). 3. Patrimônio Cultural. 4. Patrimônio Histórico. 5. Preservação Histórica. 6. Fundação Fortaleza de Santa Catarina. I. Autor. II. Título. IESP/BC CDU 379.85:008 (813.3) IESP - INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DA PARAÍBA DIRETORIA ACADÊMICA CURSO DE TURISMO FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA: TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL Chrislay Rocha Ribeiro Pinto JOÃO PESSOA - PB JUNHO - 2003 CHRISLAY ROCHA RIBEIRO PINTO FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA: TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Graduação em Turismo do IESP Instituto de Educação Superior da Paraíba, como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Turismo. ORIENTADORA: Profª Ms. Carla Mary da Silva Oliveira João Pessoa - PB Junho - 2003 CHRISLAY ROCHA RIBEIRO PINTO FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA: TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL Monografia aprovada em _____ / ______ / ________ BANCA EXAMINADORA _____________________________________ Profª Ms. Carla Mary da Silva Oliveira IESP - Instituto de Educação Superior da Paraíba (orientadora) _____________________________________ Prof. Ms. Almir Félix Batista de Oliveira ANPUH-PB - Associação Nacional de História - Seção Paraíba (membro da banca) _____________________________________ Profª Ms. Ana Valéria Endres Departamento de Comunicação e Turismo - Universidade Federal da Paraíba (membro da banca) Dedico este trabalho àqueles que acreditaram na minha capacidade e se dispuseram a me ajudar, sempre com dedicação, paciência e com esperança do sucesso. AGRADECIMENTOS A Deus por tudo o que me é proporcionado sem pedir nada em troca. Aos meus pais, irmãs e cunhado pelo apoio dado durante a realização deste trabalho. A meu noivo, George, pelo incentivo e por estar presente nos momentos que mais precisava. À professora Carla Mary, pela orientação e paciência na elaboração desta monografia. Aos colegas pelos momentos que passamos juntos. A Fundação Fortaleza de Santa Catarina pela confiança e apoio que me foi dado para elaboração deste trabalho. “Quando existir uma colina a ser escalada não pense que ficar esperando um pouco a tornará menor”. J. Brown RESUMO A Fortaleza de Santa Catarina é um dos monumentos históricos mais importantes do Brasil. Sua construção inicial, possivelmente, data de 1586, com participação de mão-de-obra portuguesa, espanhola e indígena. Durante a ocupação holandesa, entre 1634 e 1654, sofreu melhoramentos e reformas. Tendo participação decisiva na conquista da Paraíba, a Fortaleza, apesar de seu valor histórico, cultural e riqueza arquitetônica, encontrava-se em estado de completo abandono devido à falta de apoio governamental e, até mesmo da população que não tinha consciência da importância de se preservar o monumento. Contudo, a Fortaleza resistiu ao abandono e desgaste do tempo. No início de 1991 a Associação Artístico-Cultural de Cabedelo - AACC - passou a mantê-la, e em dezembro de 1992 houve a criação da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, que atualmente é responsável pelo mesmo e tem como principal objetivo a preservação, restauração, revitalização e reutilização daquele monumento, bem como de seu entorno protegendo-o e reintegrando-o às atividades culturais e turísticas do Estado da Paraíba. O presente trabalho tem por objetivo principal documentar, através de enfoque turístico as ações da Fundação Fortaleza de Santa Catarina. A metodologia adotada inclui a pesquisa bibliográfica e de campo e elaboração de propostas para otimizar o desempenho da entidade e sua atuação direcionada para o turismo. Palavras-Chave: Fundação Fortaleza de Santa Catarina; Revitalização; Monumento Histórico. ABSTRACT The Fort of Saint Catherine is one of Brazil’s most important historical monuments. Its construction initial, possibly, dates from 1586, with participation of Portuguese, Spanish, and Indian labor work. During the Dutch’s occupation, behind 1634 and 1654, there was betterment and reform. Having decisive participation in the conquest of Paraíba, even though its historical value, cultural and architectural richness, as found on complete state of abandon due to the lack of governmental support to, even the population itself that didn’t have conscience of the importance of preserving the monument. However, the Fort resisted to the abandon and the consuming of time. In the early 1991, the Cultural-Artistic Association of Cabedelo - AACC - passed to keep it, and in December 1992 there was the creation of the Foundation of the Fort of Saint Catherine that currently is responsible for the same and it has as principal objective the preservation, restoration, revitalization of the Fort, and his area, protecting them and reintegrating them to the cultural and tourist activities of the state of Paraíba. The present work has for main objective to document through the tourist approach the actions of the Foundation of the Fort of Saint Catherine. The methodology adopted includes the bibliographical and field research and elaboration or purposes to optimize the development of the entity and its acting directed to the tourism. Keywords: Fort of Saint Catherine’s Foundation; Revitalization; Historical Monument. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Vista aérea da Fortaleza de Santa Catarina......................................................... 20 Figura 2 - Entrada da Fortaleza............................................................................................. 24 Figura 3 - Mato cresce ao redor da Fortaleza e suas muralhas sofrem desgaste................. 26 Figura 4 - Mapa do Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza ................................................ 31 Figura 5 - Capela Santa Catarina antes da restauração (1956)............................................ 40 Figura 6 - O mar avança contra as muralhas da Fortaleza .................................................. 40 Figura 7 - Casa da Pólvora ..................................................................................................... 41 Figura 08 - Capela de Santa Catarina após restauração....................................................... 41 Figura 9 - Cerca em arame farpado nos trechos abertos entre as muralhas (2003) ............ 42 Figura 10 - Recepção da Fortaleza, com os guias Patrícia, Antônio e Big-Big (2003)........ 42 Figura 11 - Grupo de crianças desenvolvendo atividades culturais na Fortaleza (2003) .... 43 Figura 12 - Lixo encontrado no Túnel de Fuga (2003)......................................................... 43 *** SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS RESUMO ABSTRACT 1. Introdução............................................................................................................................ 12 1.1 - Procedimentos Metodológicos............................................................................. 14 2. Turismo e Patrimônio.......................................................................................................... 16 2.1 - A Palavra Patrimônio.......................................................................................... 16 2.2 - O Turismo Cultural e o Patrimônio.................................................................... 17 3. Fortaleza de Santa Catarina ............................................................................................... 20 3.1 - Construção........................................................................................................... 21 3.2 - Fatos Heróicos..................................................................................................... 22 3.3 - A Fortaleza e suas Denominações ...................................................................... 23 3.4 - Descrição da Fortaleza........................................................................................ 24 3.5 - Descaso das Autoridades..................................................................................... 25 4. Fundação Fortaleza de Santa Catarina ............................................................................. 28 4.1 - Associação Artístico-Cultural de Cabedelo - AACC .......................................... 28 4.2 - A Fundação ......................................................................................................... 28 4.3 - O Papel do Turismo de Eventos no Monumento ............................................... 29 4.4 - Ações Administrativas da Fundação .................................................................. 30 4.5 - Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza.............................................................. 31 4.6 - Os Guias da Fortaleza ......................................................................................... 32 4.7 - Pontos Positivos e Negativos ............................................................................... 33 5. Propostas .............................................................................................................................. 35 6. Conclusão............................................................................................................................. 38 7. Referências Bibliográficas .................................................................................................. 39 Anexos ...................................................................................................................................... 40 *** 1. INTRODUÇÃO Atualmente o turismo cultural vem ganhando espaço em todo o mundo devido ao interesse em se em entender o passado, os processos de transformações que cada localidade, que cada país passou e, também, qual o ensinamento deixado para os tempos atuais. O turismo cultural bem planejado contribui para o crescimento econômico e sustentável, trazendo benefícios para a população local e para a própria preservação do patrimônio. A Fortaleza de Santa Catarina é um importante monumento, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938. Hoje está sob a responsabilidade da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, entidade jurídica sem fins lucrativos que visa a preservação e revitalização da Fortaleza. Para compreender a importância desse monumento é preciso, antes, que se defina patrimônio cultural. Segundo Molette e Goidanich (2000, p. 9), o Patrimônio Cultural pode ser definido como “o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país, cuja conservação é de interesse público, por seu valor histórico, arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou artístico”. Assim, podemos dizer que a Fortaleza de Santa Catarina é um patrimônio cultural, devido à sua marcante presença na conquista e defesa do território paraibano, no período colonial, e ao seu valor cultural e arquitetônico. Daí surge a necessidade de que ela seja preservada para manter viva a memória e a identidade local, para entender as mudanças ocorridas na sociedade e, também, valorizar o legado deixado pelos antepassados. Nesse sentido, a atividade turística surge como uma grande motivadora da preservação da identidade de um povo: Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 13 O turismo pode consolidar-se como canal de aproximação entre as pessoas e o meio de enriquecimento da cultura autóctone e sua integração da forma mais adequada na oferta turística, mitigando impactos que surgem no contato entre pessoas diferentes e nas possíveis formas de dominação cultural. (Simão, 2001, p. 60) É importante que se faça do turismo um aliado na preservação da cultura local, de modo que ele não seja visto como um vilão. Para isso é necessária a realização de um planejamento que garanta a preservação do bem e da identidade local, onde a população receptora participe ativamente da atividade turística e não se sinta invadida ou explorada, fazendo com que tenha orgulho do que possui e sentindo-se respeitada para, então, poder dar sua contribuição e valorizar o patrimônio existente, seja ele cultural ou natural. Nesse sentido, um segmento do turismo que cresce cada vez mais e é visto como revitalizador do patrimônio cultural é o turismo de eventos: A realização de eventos revitaliza o conjunto do patrimônio histórico da cidade, região ou país. O uso dessa estratégia tem sido responsável pelo aumento da produção cultural (exposições, shows, cursos, palestras, venda de livros, etc.), de prédios e instalações que integram o patrimônio histórico. (Mello Neto, 2001, p.60) Desse modo o turismo de eventos atrai pessoas estimulando a visita e preservação dos monumentos, tornando-se uma saída para a revitalização dos que se encontram sem utilização ou com pouco uso, mas que continuam esquecidos ou ainda não foram “descobertos”. A Fundação Fortaleza de Santa Catarina utiliza o turismo de eventos como forma de divulgação daquele monumento, fazendo com que o ele seja “redescoberto” pelos paraibanos e “descoberto” por pessoas de outros estados e países, mas sempre visando a preservação e revitalização daquele bem cultural. Neste trabalho pretendemos analisar as ações da Fundação Fortaleza de Santa Catarina que visam o aproveitamento turístico e a revitalização do monumento. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 14 No primeiro capítulo do trabalho relatamos a História da Fortaleza de Santa Catarina, sua construção, sua evolução, as lutas que enfrentou, enfim, seu importante papel na História da Paraíba. Ao falar da Fortaleza de Santa Catarina não se fala apenas de um prédio comum que foi abandonado, mas sim de um monumento que fez e faz parte da nossa história, desde o início da fundação da Capitania Real da Parahyba, de tantas lutas e conquistas, até nossos dias, quando continua a resistir, imponente, sob o sol tropical. No segundo capítulo falaremos sobre a Fundação Fortaleza de Santa Catarina, que atualmente é a entidade que dirige o monumento, seu surgimento, seus objetivos e suas ações. Por último, apresentaremos propostas de ações para melhoria da utilização da Fortaleza de Santa Catarina dentro da atividade turística. Procuramos neste trabalho documentar as ações desenvolvidas pela Fundação Fortaleza de Santa Catarina com vista à dinamização do turismo no monumento bélico. Nesse sentido arrolamos todas as iniciativas da instituição e procedemos à abordagem crítica indispensável a sua otimização. 1.1 - Procedimentos Metodológicos De acordo com Barros & Lehfeld (1990, p.14), “definido o que pretende estudar depara-se com a necessidade de se buscar os procedimentos metodológicos, ou seja, “o como” e o instrumento técnico (com quê). Neste item o pesquisador deverá fazer o traçado do caminho sistematizado a seguir. Selecionar as principais estratégias para a efetivação e execução do projeto de pesquisa”. A pesquisa se definiu pelas seguintes etapas: Pesquisa em gabinete: Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial • 15 Levantamento bibliográfico: baseando-se nas informações de livros, revistas, jornais e via internet; • Pesquisa documental: obtenção de documentos relacionados ao tema; • Seleção do lugar: objeto de estudo. Como técnica de coleta de dados, utilizamos várias fontes teóricas as quais estão descriminadas nas referências deste trabalho. A análise e interpretação dos dados foram realizadas através de levantamento bibliográfico com a divisão do tema central em duas partes: Patrimônio cultural e Fortaleza de Santa Catarina, e seguiram a teoria de Barros & Lehfeld (1990, p.62) que trata da forma de interpretar através da análise de dados. Recorremos a documentos da Fundação para seleção e análise com a finalidade de esclarecer argüições impostas para execução do trabalho. Para facilitar o processo de investigação, também utilizamos pesquisa de campo, através de informações colhidas com os guias da Fortaleza. Por fim foram utilizadas ilustrações fotográficas, da área in loco, com o objetivo de dar suporte probatório no resultado desse trabalho. *** 2. TURISMO E PATRIMÔNIO 2.1 - A Palavra Patrimônio Segundo a definição estabelecida pelos órgãos federais de preservação, “patrimônio histórico e artístico nacional é o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”. (MEC/SPHAN/FNPM, 1980, p. 111) Barretto (2000, p.11), afirma que “o patrimônio deixou de ser definido pelos prédios que abrigavam reis, condes e marqueses e pelos utensílios a eles pertencentes, passando a ser definido como o conjunto de todos os utensílios, hábitos, usos e costumes, crenças e forma de vida cotidiana de todos os segmentos que compuseram e compõem a sociedade”. Assim, entendemos que o patrimônio cultural é toda forma de cultura, ou seja, de produção cultural que seja produzida pelo homem, não ficando restrito apenas à edificações antigas, mas abrangendo todo tipo de manifestação cultural. Rodrigues (2001, p.16), entende que “a construção do patrimônio cultural é um ato que depende das concepções que cada época tem a respeito do que, para quem e por que preservar. A preservação resulta, por isso, da negociação possível entre os diversos setores sociais, envolvendo cidadãos e poder público. O significado atribuído ao patrimônio também se modifica segundo as circunstâncias de momento”. A Fortaleza de Santa Catarina é um patrimônio cultural que esteve e está presente na história paraibana desde o início da Capitania e que necessita de cuidados tanto por parte do poder público, quanto por parte da comunidade local. A Fortaleza foi tombada pelo Instituto Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 17 do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN no ano de 1938, devido ao seu valor histórico-cultural para a Paraíba. 2.2. O Turismo Cultural e o Patrimônio O turismo cultural é uma atividade recente no Brasil e que cresce, cada vez mais, também no mundo inteiro. Turismo cultural, conforme Molletta & Goidanich (2000, p.9), “é o acesso ao patrimônio cultural, ou seja, a história, à cultura e ao modo de viver de uma comunidade. Sendo assim, o turismo cultural não busca somente lazer, repouso e boa vida. Caracteriza-se, também, pela motivação do turista em conhecer regiões onde o seu alicerce está baseado na história de um determinado povo, nas suas tradições e nas suas manifestações culturais, históricas e religiosas.” Ainda conforme estes autores, “o planejamento do turismo cultural está apoiado nos princípios do desenvolvimento turístico sustentável, ou seja, deverá promover a sustentabilidade econômica, social, ambiental e do patrimônio em questão. Além disso, deverá assegurar, às gerações futuras, o acesso a estes mesmos recursos. Para tanto, é preciso integrar ações do setor público, do privado e da comunidade em geral, pois a atividade turística necessita do apoio e do comprometimento de todos.” (Molletta & Goidanich, 2000, p.21) O turismo cultural, quando bem planejado, promove o desenvolvimento do local, bem como a preservação do patrimônio. A Fundação Fortaleza de Santa Catarina vem fazendo uso dessa atividade para tornar aquele monumento o principal ponto de atração turística da Paraíba de caráter histórico e um Centro de Atividades Culturais. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 18 De acordo com Simão (2001, p.18), “o entendimento de que a própria atividade turística pode funcionar como motivadora da manutenção da identidade local coloca o turismo como uma das grandes alternativas econômicas atuais para os núcleos urbanos preservados”. O turismo é hoje um dos principais setores que promove o patrimônio cultural e incentiva a visitação e valorização do mesmo. Obedecendo a abordagem de Barretto (2000, p.75), “para que patrimônio e turismo possam ter uma convivência saudável, é necessário que haja planejamento, o que inclui controle permanente e replanejamento”. Esse planejamento deve ocorrer de forma que o turismo seja parceiro do patrimônio, fazendo com que ele não seja degradado pela atividade turística. É necessária a existência de ações que venham a desenvolver o local e o patrimônio e essas sejam sempre avaliadas para que possam acompanhar as modificações que ocorrem na sociedade. Para Rodrigues (2001, p.15), “a atividade turística é, portanto, produto da sociedade capitalista industrial e se desenvolve sob o impulso de motivações diversas, que incluem o consumo de bens culturais. O turismo cultural, tal qual o concebemos atualmente, implica não apenas a oferta de espetáculos ou eventos, mas também a existência e preservação de um patrimônio cultural representado por museus, monumentos e locais históricos”. A utilização do turismo cultural pela Fundação Fortaleza de Santa Catarina, não é feita apenas na promoção de eventos, mas na conservação do monumento e no uso do mesmo pela comunidade local, fazendo com que tenha uma integração entre ela e a Fortaleza, de maneira que o espaço seja aproveitado para atividades voltadas aos visitantes e também a população local, fazendo com que ambos tomem consciência da importância do monumento e da sua conservação. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 19 Assim, o fator gerador da pesquisa surge pela necessidade da realização de um levantamento do atual estado da Fortaleza de Santa Catarina como Patrimônio Cultural, bem como das ações desenvolvidas pela Fundação Fortaleza de Santa Catarina no sentido de potencializar o monumento como um atrativo turístico do estado da Paraíba. *** 3. FORTALEZA DE SANTA CATARINA Ao falarmos da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, devemos primeiramente conhecer a Fortaleza de Santa Catarina, monumento histórico de caráter militar que deu nome àquela instituição. Neste capítulo apresentaremos a Fortaleza, desde a sua construção até o surgimento da Fundação, destacando alguns dos principais fatos de sua história. Localizada à margem direita da foz do Rio Paraíba, situada na cidade de Cabedelo, a Fortaleza de Santa Catarina teve participação decisiva na defesa da Paraíba e no surgimento, em seu entorno da cidade Cabedelo. Figura 1 - Vista aérea da Fortaleza de Santa Catarina Fonte - Altimar Pimentel A Fortaleza, um dos monumentos históricos mais importantes de Brasil, guarda nos seus muros a história dos primeiros tempos da conquista da nossa Capitania. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 21 Monteiro (1972, p.23), ressalta que: “a Fortaleza de Santa Catarina, vista sob definição estritamente militar, é uma fortificação permanente, destinada desde o princípio a cumprir funções específicas ligadas á defesa da Capitania da Paraíba e litoral nordestino contra tentativas de invasão inimiga. Pode ser conceituada como FORTALEZA, por ter alcançado um plano, cujo armamento foi acompanhado pela repartição de várias baterias independentes, instaladas em larga área que compreendia a enseada de Lucena, a ilha da Restinga, as proximidades do rio da Guia e margens do Paraíba, bem assim como por Fortes e Fortins que se estenderam até à cidade e à várzea.” Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional em 24 de maio de 1938, a Fortaleza possui uma área construída de 12.710 m² e em terreno uma área equivalente a 44.555 m². 3.1 Construção Sobre sua construção, há controvérsia sobre o ano exato, mas o mais provável e aceito por historiadores, é o de 1586, sendo Frutuoso Barbosa apontado como responsável por sua fundação. Maul (1922, p.172), informa que “já edificada a capital parahybana, em 1586, quando appareceu no ancoradouro da Bahia da Trahição uma esquadra franceza com o fim de readquirir o ponto que os seus alli haviam estabelecido. Temendo um ataque á cidade, que progredia, Fructuoso Barbosa levantou á margem do rio Parahyba, na sua embocadura, uma Fortaleza”. No ano de 1591, foram retirados soldados e armamentos da Fortaleza para Inhobim a fim de defender a margem Oeste do rio Paraíba, fazendo com que a Fortaleza ficasse desprotegida e sofresse o ataque dos índios potiguaras, que a incendiaram, levando-a quase à destruição total. No ano seguinte foram iniciados os trabalhos de reconstrução, que duraram até 1596. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 22 Em 1618, a Fortaleza recebeu a visita de D. Luiz de Sousa, governador do Brasil, junto a uma comitiva que foi recebida por João de Matos Cardoso. Pimentel (2001, p.145) registra que; “em vista do deplorável estado em que encontrou a fortificação, a comitiva considerou-a imprestável e ordenou que novo forte fosse levantado ao seu lado. Coube ao engenheiro Francisco Frias de Mesquita, que havia reedificado o Forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte, elaborar-lhe a planta”. A Fortaleza ainda passou por várias reconstruções e hoje conserva o traçado da época de reconstrução de 1699. No início da década de 1970 o IPHAN realizou a primeira etapa de obras de restauração e em 1984 iniciou-se a segunda etapa, concluindo a parte interna. 3.2 Fatos Heróicos Constantemente a Fortaleza sofria ameaças de ataques dos índios, holandeses e franceses. Mas dois foram os mais marcantes, devido à heróica resistência de seus defensores. No ano de 1596, a Fortaleza sofreu o ataque dos franceses, que possuíam 13 navios e 350 homens, contra a reduzida capacidade bélica do reduto, que se encontrava com apenas cinco peças de artilharia e 20 homens. Mesmo com grande diferença em números de homens e armas, seus defensores resistiram e obrigaram os franceses a fugir. Em 1631, uma esquadra holandesa composta de 1600 homens atacou a Fortaleza, que não possuía mais do que 600 defensores. Conforme Pimentel (2001, p.175), “Era uma luta muito desigual numericamente e em relação ao adestramento dos combatentes. Os holandeses lutavam com 1600 soldados, habilmente treinados, enquanto os defensores da Paraíba não passavam de 600 homens, alguns deles pessoas comuns sem qualquer instrução militar”. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 23 Apesar dessa diferença, mais uma vez os defensores saíram vitoriosos e os holandeses bateram em retirada. Os holandeses não desistiram facilmente de dominar a Capitania e, em 1634, iniciaram novo ataque à Fortaleza. Após doze dias de resistência os defensores da Fortaleza, rederam-se aos holandeses sob honras militares. A partir do final do ano de 1645, os holandeses não tinham mais controle sob a cidade de Frederica (denominação da capital da capitania sob domínio holandês) após sofreram derrota na Batalha dos Guararapes em 1648, em 1654 abandonaram a Fortaleza, voltando para a Holanda. 3.3. A Fortaleza e suas Denominações A Fortaleza, hoje conhecida por Fortaleza de Santa Catarina, possuiu vários nomes ao longo de sua história. Para Mello (1987, p.91), “O Forte, batizado por Frutuoso Barbosa, chamou-se de Fortaleza de santa Catarina e representou uma homenagem a D. Catarina de Bragança, Duquesa de Bragança, neta de D. Manuel I e preferida pelos portugueses como sucessora do Cardeal-Rei D. Henrique de Bragança, o que não ocorreu durante a dominação holandesa, a fortaleza recebeu nova denominação, passando a se chamar Margareth ou Margarida. Os portugueses locais chamavam-na na época de Forte de Matos, referência ao seu segundo comandante João de Matos Cardoso, que também deu origem ao nome da praia de “Ponta de Matos”; onde o comandante tinha residência. Outra denominação constante é a de Fortaleza de Cabedelo, referida assim desde documentos os mais primitivos. As denominações de Santa Catarina e Cabedelo permanecem até os nossos dias e são usadas em referência ao Monumento”. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 24 3.4 Descrição da Fortaleza Figura 2 - Entrada da Fortaleza Fonte - Altimar Pimentel A Fortaleza é descrita por Calixto (1912, p. 92) desde a sua entrada à parte superior, mostrando também como seus ocupantes utilizavam seus espaços. “Para penetrar-se na fortaleza, depois de transposto o pórtico, tem-se que atravessar um largo corredor abobadado, disposto em curva, (mais de 750), no meio do qual se vê uma abertura, praticada na abobada, por onde descia uma grande porta ou alçapão de ferro que vedava o acesso da praça, em caso de assedio”. Nessa abertura, junto ao alçapão de ferro, contasse que era jogada uma espécie de óleo quente que surpreendia os invasores. “Essa galeria tem, na parte que divide com o corredor, diversas aberturas ou frestas verticaes, praticadas em sentido diagonal, a fim de impedir a entrada de luz exterior, taes aberturas eram destinadas, em caso de ataques, a servir de seteiras por onde os arcabuzeiros dirigiam canos de seus mosquetes e Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 25 fusilavam, a queima-roupa, os invasores que ousavam penetrar no corredor e estacionar ante a porta de ferro”. Essa área da entrada ficou conhecida como recepção calorosa, devido aos seus inimigos serem recebidos com o óleo quente e as balas vindas das frestas da galeria. “O corredor communica com o grande pátio interior onde estavam os alojamentos que podiam conter centenas de soldados. Amplas escadas de pedra dão acesso às baterias superiores onde se vê grande quantidade de canhões de grosso calibre, ainda assestados às respectivas canhoneiras, sobre suas velhas carreiras”. (Calixto, 1912, p.92) Hoje o corredor da entrada ainda conserva a descrição citada pelo autor e lá se encontra um balcão, em que os guias da Fortaleza recebem os visitantes. A galeria, ou calabouço, hoje é uma sala onde há exposições de artistas da região. Ao lado esquerdo, após o corredor, no pátio interno, encontra-se a Capela de Santa Catarina e, ao lado direito, a Casa do Capitão-Mór. Nos antigos alojamentos, encontram-se o museu da baleia, a sala de artesanato e a do Projeto Catarina.. A antiga casa do Comandante, que fica por trás da Capela, serve de local para reuniões. A antiga casa da pólvora abriga uma exposição de pinturas em azulejos retratando fortes de algumas cidades brasileiras. Por fim, na parte superior, temos os canhões de origem portuguesa, holandesa e francesa que fizeram parte a artilharia da Fortaleza durante o período da conquista da capitania. 3.5 Descaso das Autoridades Desde o início de sua fundação, a Fortaleza sofria o descaso dos governantes, que ora a deixavam com pequeno número de defensores, tornando-a alvo fácil de ataques, e ora a abandonavam completamente. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 26 Figura 3 - Mato cresce ao redor da Fortaleza e suas muralhas sofrem desgaste. Fonte - Altimar Pimentel Vários autores escrevem sobre os períodos em que a Fortaleza esteve em completo estado de abandono. Calixto (1912, p.92) relata, claramente em tom de crítica, o estado em que encontrou a Fortaleza durante sua visita ao local. “Tão importante praça de guerra, uma das mais fortes, nessa época bellicosa, acha-se hoje em completo abandono, o que é deveras deplorável para todos que se interessam pela archeologia e pelas tradições de nosso paiz. Como está situada próximo ao ancoradouro da humilde povoação de Cabedello, é constantemente visitada pelos viajantes que ali aportam, nos vapores do Lloyd Brasileiro; esses visitantes deixam, quase sempre, os seus nomes e impressões graphados a lápis, ou a carvão, nas paredes da galeria curva que offerece ingresso para o forte; inscripções que vão sendo, entretanto, abafadas pelas garatujas obscenas e phrases boçaes traçadas pela mão sacrílega dos ignorantes e desocupados, que por ali vegetam (como em toda parte, infelizmente). São bem notáveis e dignos de admirar-se as obras de arte e de defesa; os artigos bellicos que vêem esparsos e que teem escapado ás constantes depredações e ao desleixo”. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 27 Apesar dos apelos dos seus admiradores, a Fortaleza ainda passou vários anos abandonada, resistindo ao desgaste do tempo e ao ataque do mar que derrubava suas muralhas. Finalmente, entre 1974 e 1978, foi restaurada pelo IPHAN e, após passar por anos de obras de restauração, a Fortaleza foi novamente abandonada. No início de 1991, a AACC passou a manter a Fortaleza com um aval precário do IBPC (Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural). A AACC continuou mantendo a Fortaleza até meados de 1995, quando a Fundação Fortaleza de Santa Catarina assumiu a administração desse monumento. *** 4. FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA Neste capítulo, falaremos da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, sua criação, seus objetivos e as ações realizadas pela entidade para tornar a Fortaleza um atrativo turístico da cidade de Cabedelo. 4.1 - Associação Artístico-Cultural de Cabedelo - AACC Antes de criação da Fundação, a Fortaleza era mantida pela AACC, uma associação que trabalha com artistas e educadores, tendo como objetivo resgatar o folclore cabedelense. Hoje, após passar a administração da Fortaleza para a Fundação, a AACC funciona na Fortaleza de Santa Catarina e trabalha junto à Fundação na promoção de eventos artísticosculturais e na manutenção de convênios com entidades ligadas à arte e à educação. 4.2 - A Fundação Com o objetivo de preservar, restaurar, revitalizar e reutilizar a Fortaleza de Santa Catarina, a Fundação Fortaleza de Santa Catarina foi instituída em 22 de dezembro de 1992. Trata-se de uma entidade jurídica de Direito Privado, sem fins lucrativos e de duração ilimitada e tem sede na própria Fortaleza. Composta por 21 sócios instituidores, teve como seu primeiro presidente o Dr. Kleber Moreira de Souza e em 1995 assumiu a administração seu atual presidente, Osvaldo da Costa Carvalho, tendo como objetivo principal tornar a Fortaleza um Centro de Atividades Culturais e principal ponto de atração turística de caráter histórico da Paraíba. Para alcançar esse objetivo, a Fundação busca constantemente parcerias com diversas entidades através de convênios, entre os quais estão os convênios firmados entre os governos Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 29 do Estado e da República, que possibilitam à Fortaleza manter atividades culturais (como a reativação da Nau Catarineta), e outro firmado com a Universidade Federal da Paraíba para a realização do Projeto Catarina, onde crianças e adolescentes participam de várias atividades como: aulas de artes cênicas, plásticas, músicas, teatro e dança. Buscando resgatar o folclore e valorizar a identidade cultural e histórica cabedelense, a Fortaleza serve de espaço para a comunidade preservar seus costumes. A Fundação, juntamente com a AACC e o Grupo de Teatro Amador Alfredo Barbosa - GTAAB, procura fazer com que a população cabedelense participe das atividades realizadas na Fortaleza e também com que tomem consciência da importância do monumento como um bem histórico. 4.3 - O Papel do Turismo de Eventos no Monumento Com vistas a atrair pessoas e estimular visitas à Fortaleza, a Fundação utiliza o turismo de eventos para promover o monumento, realizando constantemente encontros, shows, atividades teatrais, entre outros. Considerando as possibilidades físicas da Fortaleza, vem sendo constantemente sugerida a utilização do mesmo como um anfiteatro, daí o apoio da Fundação ao GTAAB, que além de promover cursos, seminários, palestras e eventos culturais, é responsável pela encenação do espetáculo teatral “A Paixão de Cristo” que é realizado na Praça de Guerra (área interna da Fortaleza) e em 2003 completou 26 anos de encenação. Entre os eventos realizados na Fortaleza estão: • 1ª Eliminatória do Forró Fest (1996 - 1997); • Canta Nordeste (1997); • Casamentos; • Festividades religiosas relativas a Santa Catarina; 30 Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial • Encenação da Paixão de Cristo (de 1996 a 2003); • Encenação da Peça Viva a Nau Catarineta (1997); • Curso de Primeiros Socorros (2003) • Curso de Turismo Cultural (2003) A Fundação analisa cada proposta para realização de eventos, levando em conta a capacidade do monumento, para que ele não seja prejudicado. 4.4 - Ações Administrativas da Fundação Ao longo de sua administração a Fundação Fortaleza de Santa Catarina vêm realizando ações que visam a recuperação do monumento, bem como dotá-lo de infraestrutura básica para atender aos turistas. Entre elas estão: • Reuniões para definição do limite e disciplinação do tráfego e estacionamento entorno da Fortaleza (Reuniões com empresas transportadoras de combustíveis); • Solicitação à COVEBRAS (Companhia de Óleos Vegetais) da reparação dos danos causados pelos caminhões que transportam combustíveis naquela área; • Integração da Comissão criada pelo Estado para revitalização da Fortaleza; • Colocação de cercas nos trechos abertos entre as muralhas do monumento. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 31 4.5 - Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza Figura 4 - Mapa do Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza Fonte - Fundação Fortaleza de Santa Catarina PLANO ORIGINAL DE OCUPAÇÃO E USO 1. Casa da Pólvora 2. Quartel 3 e 4. Quartel 5. Quartel 6. Quartel 7. Quartel 8. Quartel 9. Quartel 10-11-12. Arm./Pri./Casa do Capitão 13. Galerias 14. Capela 15. Casa do Comandante 16. Casa do Comandante 17. Quartel 18. Quartel 19. Quartel 20. Quartel 21. Praça de Guerra Exposição de acervos museológicos Biblioteca e pesquisa laboratoriais M useus das nações colonizadoras M emorial da restauração W.C Loja do Forte Sala de música Oficina coletiva de artes Bar e restaurante A) Exposições B) M useus historico-cultural de Cabedelo Atos religiosos Sala de apoio ao grupos folclóricos Auditório Apoio administrativo Direção da Fundação Fortaelza de Santa Catarina Sala de apoio a AACC W.C Realização de eventos e memorial dos heróis Obs.: A sala 11 fazia parte da Casa do Capitão junto com a 10 e 12 que seriam térreo (armazém) e o 1o. pavimento. A galeria 13A era onde se encontrava a antiga prisão. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 32 USO ATUAL DA FORTALEZA 1 . C a sa d a P ó lv o ra 2 .C a sa d o s V ig ila n te s 3 . Q u a rte l 4 . M u se u d a B a le ia 5 . Q u a rte l 6 . Q u a rte l 7 . Q u a rte l 8 . Q u a rte l 9 . Q u a rte l 1 0 . C a sa d o C a p itã o 1 1 . C o zin h a 1 2 . P risã o 1 3 . G a leria (a n tig a 1 3 B ) 1 4 . C a p e la 1 5 . C a sa d o C o m a n d a n te 1 6 . Q u a rte l 1 7 . Q u a rte l 1 8 . Q u a rte l 1 9 . Q u a rte l 2 0 . C a sa d o C o m a n d a n te E sp o siç ã o d e p in tu ra s e m a zu leijo s D ep ó sito d e o b jeto s en co n tra d o s n a re sta u ra ç ã o D ep ó sito d e m a teria is E xp o siçã o so b re a p e sc a d a b a le ia P ro jeto C a ta rin a V en d a d e p ico lé V en d a d e a rtesa n a to C o m issã o N o rm a tiv a d e In cen tiv o à C u ltu ra G ru p o d e T a tro a m a d o r A lfred o B a rb o sa S a lo a p a ra reu n iõ e s S u p o rte p a ra o s ev e n to s E xp o siçã o d e a rte s p lá stica s S a la d e a p o io a o s g ru p o s fo lcló ric o s A to s re lig io so s R eu n iõ es e exp o siçõ e s A lm o xe rifa d o F u n d a ç ã o F o rta le za d e S a n ta C a ta rin a A sso cia çã o A rtístico -C u tu ra l d e C a b e d e lo W .C S a la d e B a n d a No início da criação da Fundação, foi definido o Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza de Santa Catarina que, devido à falta de apoio, foi implantado apenas em algumas áreas, estando as outras, apesar dos esforços do atual presidente da Fundação, o Sr. Osvaldo Carvalho, sem previsão de quando serão implantadas. Apesar de possuir um bom plano de ocupação e uso do monumento desde o início da Fundação, poucos espaços foram ocupados como estava previsto no plano, algumas salas mudaram de numeração e de nome, hoje podemos ver que cada vez mais cresce a necessidade da implantação do plano original para atrair os visitantes ao local. 4.6 - Os Guias da Fortaleza Os guias da Fortaleza são membros da comunidade cabedelense, mantidos pela Fundação através de um convênio firmado com a Prefeitura Municipal de Cabedelo, o que garante a cada guia uma ajuda de custo de cento e cinqüenta reais. A Fortaleza possui dois grupos de guias, um atuando pela manhã e outro à tarde, todos os dias da semana (incluindo Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 33 sábados, domingos, feriados e quando ocorrem eventos há revezamento para o turno de noite), além disso, recebem convites para darem palestras em escolas, porém dificilmente recebem remuneração por isso. Durante o período da realização desse trabalho acompanhamos o cotidiano do grupo de guias que trabalham pela manhã, buscando observar seu comportamento (maneira de falar com o turista, de prestar informações) e constatou-se que quanto ao relacionamento do guia com o turista, eles conseguem prestar informações sobre o monumento e tirar dúvidas e curiosidades dos visitantes, a única coisa que falta é a presença de guias que falem outros idiomas, visto que nenhum deles possui curso de idiomas, deixando a desejar para o turista que vem de fora que precisa de um intérprete para obter informações sobre a Fortaleza. 4.7 - Pontos Positivos e Negativos Durante a pesquisa feita in loco, na Fortaleza, pudemos observar o trabalho que vem sendo realizado pela Fundação e enumeramos alguns pontos negativos e positivos destes trabalhos. Pontos Positivos: • Preocupação constante da Fundação na preservação da Fortaleza, sendo realizados vários consertos e reformas, como pintura das portas, cuidados com a grama, consertos de fechaduras, entre outras coisas; • Integração entre as pessoas que trabalham no monumento (toda sexta-feira às 08:00 horas da manhã, ocorre o hasteamento da bandeira e logo após uma reunião na Capela de Santa Catarina, onde todos se encontram para a discussão de temas variados, cada sexta uma pessoa do grupo leva um tema e apresenta para os demais); Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial • 34 Empenho da Fundação em renovar os convênios (a exemplo o da Prefeitura de Cabedelo que é renovado todo ano); • Incentivo aos guias para que eles participem das atividades realizadas na Fortaleza, como cursos de turismo cultural e marketing, primeiros socorros e outros; • Análise das propostas de eventos a serem realizados no monumento, para que estes não prejudiquem de alguma forma a Fortaleza; • Controle do número de visitantes (os visitantes são divididos em grupos e individuais, onde tem-se conhecimento do Estado, Cidade e País de origem e no caso de grupos, também sabe-se qual a empresa ou instituição responsável por ele). Pontos Negativos: • Manter guardados em salas objetos antigos como armas, balas de canhões e até ossos encontrados na Fortaleza que deveriam estar em exposição; • Inexistência de guias que falem outros idiomas; • Falta de sinalização turística da Fortaleza, visto que muitas pessoas chegam nela por acaso, pois não encontram indicação do local; • Sujeira encontrada embaixo da calçada do portão de entrada e no túnel de fuga dos oficiais; • A não continuidade da implantação do Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza. 5. PROPOSTAS Buscando um melhor aproveitamento da Fortaleza como atrativo turístico, apresentamos algumas propostas para ajudar a Fundação no seu desempenho para tornar a Fortaleza na principal atração turística de caráter histórico paraibano. Como primeira ação propomos a divulgação da Fortaleza por meio da internet, com a criação de um web site (em português e inglês), onde conteria informações do monumento, sua história, fotos, além da programação das atividades realizadas de cada mês do ano. Para a divulgação dentro do Estado, colocar-se-iam placas nas cidades de Cabedelo e João Pessoa. Nessas placas teria o mapa da cidade com os seus principais pontos turísticos, porém na de Cabedelo teria um destaque maior para a Fortaleza, indicando sua localização e contendo um pequeno texto sobre a mesma que incentivasse os turistas a conhecê-la e também conteria o horário para visitação. Essas placas, no caso as de cabedelo, poderiam ser colocadas na Praia do Jacaré, Intermares, no Porto de Cabedelo e na BR 230. Quanto à entrada do monumento, torna-se necessário à colocação de uma placa com o nome do mesmo e data de sua construção, uma rampa para o acesso de deficientes físicos e no corredor de acesso, a instalação de um quadro contendo um mapa da Fortaleza, horário de funcionamento e informações com a programação do mês. No pátio externo, ao lado do muro divisório da Petrobrás, poderia conter um quiosque para a venda de lanches, já que apenas têm-se uma sala com venda de picolés, água e refrigerantes e um carrinho de picolé no pátio externo que também vende garrafinhas e salgadinhos. Para tornar a Fortaleza mais atrativa, seria importante a implantação do Plano de Ocupação e Uso proposto pela Fundação e que se encontra ainda no papel, com exceção de alguns ambientes em que houve a implantação. Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 36 No caso dos ambientes 10, 11 e 12 (que funcionariam como bar e restaurante) a Fundação, juntamente com os proprietários do restaurante, poderiam promover “shows” de voz e violão ou noite dançante (com forró, pagode ou dança de salão) ou apresentações de grupos folclóricos nas noites de quarta e quinta ferira, pois não há opções noturnas de lazer para os turistas nesses dias. Nos ambientes 3 e 4 (que seriam o Museu da Fortaleza) além das informações sobre a presença e contribuição das nações colonizadoras, deveria expor objetos da época como móveis, armas, balas de canhões e roupas dos soldados. Quanto ao ambiente 7 (Loja do Forte) encontra-se a venda de artesanato local, mas não há uma lembrança (como canhões em miniaturas, cartões postais ou camisetas) que possuam alguma ligação com a Fortaleza. Outro fator importante é o funcionamento dessa loja, esta é ocupada por trabalhos de quatro artesãos que não pagam nada para venderem seus trabalhos no local, porém às vezes em pleno horário de visitação elas encontra-se fechada, fazendo com que o turista vá embora sem conhecer o artesanato local ou espere que um dos guia vá a casa de um dos artesãos para chamá-lo. Para solucionar esse problema, é necessário a realização de reuniões com esse pessoal para conscientizá-los da necessidade de funcionamento da loja no horário de visitação, bem como a produção de objetos que tenham como tema a Fortaleza. Alguns locais merecem uma maior atenção por parte dos responsáveis pela limpeza, é o caso do túnel de fuga dos oficiais que se encontra com acúmulo de sujeira e no pátio interno entre a rampa ao lado da Casa da Pólvora e do túnel falso, encontra-se pedaços de madeiras (entulhos) que não deveriam estar nesse local para que a área possa ficar livre. Sobre a Capela de Santa Catarina, apesar dos esforços da Fundação, seu telhado é constantemente atacado por cupins que, além de prejudicarem o visual, pode ocorrer do telhado cair, para solucionar esse problema é necessário a autorização do IPHAN e que Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial 37 mandem pessoas capacitadas para restaurar a Capela, visto que para esse trabalho ser realizado é preciso que se tenha pessoas que possuam técnicas de restauração para manter o telhado sem prejudicar a estrutura do mesmo. *** 6. CONCLUSÃO Durante a realização do trabalho, pudemos observar os esforços dos administradores da Fundação Fortaleza de Santa Catarina no sentido de que o valor cultural e histórico da Fortaleza seja reconhecido. Uma das maiores dificuldades dos dirigentes da fundação encontra-se em renovar e, ou firmar novos convênios com entidades e governantes. Apesar de possuir um bom plano de ocupação e uso da Fortaleza de santa Catarina, o que traria enorme contribuição cultural, histórico e turístico, este ainda não foi implantado como vimos anteriormente. Acresce o problema, o fato de a Fundação não ser dotada de serviços turísticos. Na tentativa de minimizar este quadro, embora com pouca divulgação, a Fundação adotou o turismo de eventos. Mesmo com todos os entraves, o número de visitantes vem crescendo a cada ano, o que deve ser creditado ao esforço da administração em manter vivo aquele monumento histórico. *** 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000 (Col. “Turismo”). BARROS, Aidil de Jesus Paes de & LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1990. CALIXTO, Benedito. Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo. Revista do IHGP, João Pessoa, Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, 1912, n. 4, p. 91-93. 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João Pessoa: UFPB: Imprensa Universitária, 1972 (Col. “Piragibe”, vol. 1). PIMENTEL, Altimar de Alencar. Cabedelo vol. 1. Prefeitura Municipal de Cabedelo, 2001. PIRES, Mário Jorge. Lazer e turismo cultural. Barueri: Manole, 2001. RODRIGUES, Janete Lins (coord.). Conhecendo a Fortaleza de Santa Catarina. Recife: Liceu, 2000. SIMÃO, Maria Cristina Rocha Preservação do patrimônio cultural em cidades. Belo Horizonte: Autêntica, 2001 (Col. “Turismo, Cultura e Lazer”). YÁZIGI, Eduardo; CARLOS, Ana Fani Alessandrini & CRUZ, Rita de Cássia Ariza da (orgs.). Turismo: espaço, paisagem e cultura. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1999 (Col. “Geografia: Teoria e Realidade”, vol. 30). *** ANEXOS Figura 5 - Capela Santa Catarina antes da restauração (1956) Fonte - Altimar Pimentel Figura 6 - O mar avança contra as muralhas da Fortaleza Fonte - Altimar Pimentel Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial Figura 7 - Casa da Pólvora Fonte: Altimar Pimentel Figura 08 - Capela de Santa Catarina após restauração Fonte: Altimar Pimentel 41 Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial Figura 9 - Cerca em arame farpado nos trechos abertos entre as muralhas (2003) Fonte: Chrislay Rocha Figura 10 - Recepção da Fortaleza, com os guias Patrícia, Antônio e Big-Big (2003) Fonte: Chrislay Rocha 42 Fundação Fortaleza de Santa Catarina: Turismo e Preservação Patrimonial Figura 11 - Grupo de crianças desenvolvendo atividades culturais na Fortaleza (2003) Fonte: Chrislay Rocha Figura 12 - Lixo encontrado no Túnel de Fuga (2003) Fonte: Chrislay Rocha 43