FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA:
TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca Central - IESP - Instituto de Educação Superior da Paraíba
P659f
Pinto, Chrislay Rocha Ribeiro
Fundação Fortaleza de Santa Catarina: turismo e
preservação patrimonial/ Chrislay Rocha Ribeiro Pinto. João Pessoa, PB: [s.n.], 2003.
43 p.: il.
Orientadora: Carla Mary da Silva Oliveira
Monografia (graduação) - Instituto de Educação Superior
da Paraíba(IESP) - Curso de Turismo, 2003.
Bibliografia: p. 39
1. Turismo (aspectos culturais). 2. Turismo (aspectos
econômicos). 3. Patrimônio Cultural. 4. Patrimônio
Histórico. 5. Preservação Histórica. 6. Fundação Fortaleza
de Santa Catarina. I. Autor. II. Título.
IESP/BC
CDU 379.85:008 (813.3)
IESP - INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DA PARAÍBA
DIRETORIA ACADÊMICA
CURSO DE TURISMO
FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA:
TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL
Chrislay Rocha
Ribeiro Pinto
JOÃO PESSOA - PB
JUNHO - 2003
CHRISLAY ROCHA
RIBEIRO PINTO
FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA:
TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL
Monografia apresentada à Coordenação do
Curso de Graduação em Turismo do IESP Instituto de Educação Superior da Paraíba,
como requisito parcial para a obtenção do grau
de Bacharel em Turismo.
ORIENTADORA: Profª Ms. Carla Mary da Silva Oliveira
João Pessoa - PB
Junho - 2003
CHRISLAY ROCHA
RIBEIRO PINTO
FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA:
TURISMO E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL
Monografia aprovada em _____ / ______ / ________
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________
Profª Ms. Carla Mary da Silva Oliveira
IESP - Instituto de Educação Superior da Paraíba
(orientadora)
_____________________________________
Prof. Ms. Almir Félix Batista de Oliveira
ANPUH-PB - Associação Nacional de História - Seção Paraíba
(membro da banca)
_____________________________________
Profª Ms. Ana Valéria Endres
Departamento de Comunicação e Turismo - Universidade Federal da Paraíba
(membro da banca)
Dedico este trabalho àqueles que acreditaram
na minha capacidade e se dispuseram a me
ajudar, sempre com dedicação, paciência e
com esperança do sucesso.
AGRADECIMENTOS
A Deus por tudo o que me é proporcionado sem pedir nada em troca.
Aos meus pais, irmãs e cunhado pelo apoio dado durante a realização deste trabalho.
A meu noivo, George, pelo incentivo e por estar presente nos momentos que mais precisava.
À professora Carla Mary, pela orientação e paciência na elaboração desta monografia.
Aos colegas pelos momentos que passamos juntos.
A Fundação Fortaleza de Santa Catarina pela confiança e apoio que me foi dado para
elaboração deste trabalho.
“Quando existir uma colina a ser
escalada não pense que ficar
esperando um pouco a tornará
menor”.
J. Brown
RESUMO
A Fortaleza de Santa Catarina é um dos monumentos históricos mais importantes do Brasil.
Sua construção inicial, possivelmente, data de 1586, com participação de mão-de-obra
portuguesa, espanhola e indígena. Durante a ocupação holandesa, entre 1634 e 1654, sofreu
melhoramentos e reformas. Tendo participação decisiva na conquista da Paraíba, a Fortaleza,
apesar de seu valor histórico, cultural e riqueza arquitetônica, encontrava-se em estado de
completo abandono devido à falta de apoio governamental e, até mesmo da população que
não tinha consciência da importância de se preservar o monumento. Contudo, a Fortaleza
resistiu ao abandono e desgaste do tempo. No início de 1991 a Associação Artístico-Cultural
de Cabedelo - AACC - passou a mantê-la, e em dezembro de 1992 houve a criação da
Fundação Fortaleza de Santa Catarina, que atualmente é responsável pelo mesmo e tem como
principal objetivo a preservação, restauração, revitalização e reutilização daquele monumento,
bem como de seu entorno protegendo-o e reintegrando-o às atividades culturais e turísticas do
Estado da Paraíba. O presente trabalho tem por objetivo principal documentar, através de
enfoque turístico as ações da Fundação Fortaleza de Santa Catarina. A metodologia adotada
inclui a pesquisa bibliográfica e de campo e elaboração de propostas para otimizar o
desempenho da entidade e sua atuação direcionada para o turismo.
Palavras-Chave: Fundação Fortaleza de Santa Catarina; Revitalização; Monumento
Histórico.
ABSTRACT
The Fort of Saint Catherine is one of Brazil’s most important historical monuments. Its
construction initial, possibly, dates from 1586, with participation of Portuguese, Spanish, and
Indian labor work. During the Dutch’s occupation, behind 1634 and 1654, there was
betterment and reform. Having decisive participation in the conquest of Paraíba, even though
its historical value, cultural and architectural richness, as found on complete state of abandon
due to the lack of governmental support to, even the population itself that didn’t have
conscience of the importance of preserving the monument. However, the Fort resisted to the
abandon and the consuming of time. In the early 1991, the Cultural-Artistic Association of
Cabedelo - AACC - passed to keep it, and in December 1992 there was the creation of the
Foundation of the Fort of Saint Catherine that currently is responsible for the same and it has
as principal objective the preservation, restoration, revitalization of the Fort, and his area,
protecting them and reintegrating them to the cultural and tourist activities of the state of
Paraíba. The present work has for main objective to document through the tourist approach
the actions of the Foundation of the Fort of Saint Catherine. The methodology adopted
includes the bibliographical and field research and elaboration or purposes to optimize the
development of the entity and its acting directed to the tourism.
Keywords: Fort of Saint Catherine’s Foundation; Revitalization; Historical Monument.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Vista aérea da Fortaleza de Santa Catarina......................................................... 20
Figura 2 - Entrada da Fortaleza............................................................................................. 24
Figura 3 - Mato cresce ao redor da Fortaleza e suas muralhas sofrem desgaste................. 26
Figura 4 - Mapa do Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza ................................................ 31
Figura 5 - Capela Santa Catarina antes da restauração (1956)............................................ 40
Figura 6 - O mar avança contra as muralhas da Fortaleza .................................................. 40
Figura 7 - Casa da Pólvora ..................................................................................................... 41
Figura 08 - Capela de Santa Catarina após restauração....................................................... 41
Figura 9 - Cerca em arame farpado nos trechos abertos entre as muralhas (2003) ............ 42
Figura 10 - Recepção da Fortaleza, com os guias Patrícia, Antônio e Big-Big (2003)........ 42
Figura 11 - Grupo de crianças desenvolvendo atividades culturais na Fortaleza (2003) .... 43
Figura 12 - Lixo encontrado no Túnel de Fuga (2003)......................................................... 43
***
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS
RESUMO
ABSTRACT
1. Introdução............................................................................................................................ 12
1.1 - Procedimentos Metodológicos............................................................................. 14
2. Turismo e Patrimônio.......................................................................................................... 16
2.1 - A Palavra Patrimônio.......................................................................................... 16
2.2 - O Turismo Cultural e o Patrimônio.................................................................... 17
3. Fortaleza de Santa Catarina ............................................................................................... 20
3.1 - Construção........................................................................................................... 21
3.2 - Fatos Heróicos..................................................................................................... 22
3.3 - A Fortaleza e suas Denominações ...................................................................... 23
3.4 - Descrição da Fortaleza........................................................................................ 24
3.5 - Descaso das Autoridades..................................................................................... 25
4. Fundação Fortaleza de Santa Catarina ............................................................................. 28
4.1 - Associação Artístico-Cultural de Cabedelo - AACC .......................................... 28
4.2 - A Fundação ......................................................................................................... 28
4.3 - O Papel do Turismo de Eventos no Monumento ............................................... 29
4.4 - Ações Administrativas da Fundação .................................................................. 30
4.5 - Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza.............................................................. 31
4.6 - Os Guias da Fortaleza ......................................................................................... 32
4.7 - Pontos Positivos e Negativos ............................................................................... 33
5. Propostas .............................................................................................................................. 35
6. Conclusão............................................................................................................................. 38
7. Referências Bibliográficas .................................................................................................. 39
Anexos ...................................................................................................................................... 40
***
1. INTRODUÇÃO
Atualmente o turismo cultural vem ganhando espaço em todo o mundo devido ao
interesse em se em entender o passado, os processos de transformações que cada localidade,
que cada país passou e, também, qual o ensinamento deixado para os tempos atuais. O
turismo cultural bem planejado contribui para o crescimento econômico e sustentável,
trazendo benefícios para a população local e para a própria preservação do patrimônio.
A Fortaleza de Santa Catarina é um importante monumento, tombado pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938. Hoje está sob a responsabilidade da
Fundação Fortaleza de Santa Catarina, entidade jurídica sem fins lucrativos que visa a
preservação e revitalização da Fortaleza. Para compreender a importância desse monumento é
preciso, antes, que se defina patrimônio cultural.
Segundo Molette e Goidanich (2000, p. 9), o Patrimônio Cultural pode ser definido
como “o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país, cuja conservação é de
interesse público, por seu valor histórico, arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou
artístico”.
Assim, podemos dizer que a Fortaleza de Santa Catarina é um patrimônio cultural,
devido à sua marcante presença na conquista e defesa do território paraibano, no período
colonial, e ao seu valor cultural e arquitetônico. Daí surge a necessidade de que ela seja
preservada para manter viva a memória e a identidade local, para entender as mudanças
ocorridas na sociedade e, também, valorizar o legado deixado pelos antepassados. Nesse
sentido, a atividade turística surge como uma grande motivadora da preservação da identidade
de um povo:
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
13
O turismo pode consolidar-se como canal de aproximação entre as pessoas e
o meio de enriquecimento da cultura autóctone e sua integração da forma
mais adequada na oferta turística, mitigando impactos que surgem no contato
entre pessoas diferentes e nas possíveis formas de dominação cultural.
(Simão, 2001, p. 60)
É importante que se faça do turismo um aliado na preservação da cultura local, de
modo que ele não seja visto como um vilão. Para isso é necessária a realização de um
planejamento que garanta a preservação do bem e da identidade local, onde a população
receptora participe ativamente da atividade turística e não se sinta invadida ou explorada,
fazendo com que tenha orgulho do que possui e sentindo-se respeitada para, então, poder dar
sua contribuição e valorizar o patrimônio existente, seja ele cultural ou natural.
Nesse sentido, um segmento do turismo que cresce cada vez mais e é visto como
revitalizador do patrimônio cultural é o turismo de eventos:
A realização de eventos revitaliza o conjunto do patrimônio histórico da
cidade, região ou país. O uso dessa estratégia tem sido responsável pelo
aumento da produção cultural (exposições, shows, cursos, palestras, venda
de livros, etc.), de prédios e instalações que integram o patrimônio histórico.
(Mello Neto, 2001, p.60)
Desse modo o turismo de eventos atrai pessoas estimulando a visita e preservação dos
monumentos, tornando-se uma saída para a revitalização dos que se encontram sem utilização
ou com pouco uso, mas que continuam esquecidos ou ainda não foram “descobertos”.
A Fundação Fortaleza de Santa Catarina utiliza o turismo de eventos como forma de
divulgação daquele monumento, fazendo com que o ele seja “redescoberto” pelos paraibanos
e “descoberto” por pessoas de outros estados e países, mas sempre visando a preservação e
revitalização daquele bem cultural.
Neste trabalho pretendemos analisar as ações da Fundação Fortaleza de Santa Catarina
que visam o aproveitamento turístico e a revitalização do monumento.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
14
No primeiro capítulo do trabalho relatamos a História da Fortaleza de Santa Catarina,
sua construção, sua evolução, as lutas que enfrentou, enfim, seu importante papel na História
da Paraíba.
Ao falar da Fortaleza de Santa Catarina não se fala apenas de um prédio comum que
foi abandonado, mas sim de um monumento que fez e faz parte da nossa história, desde o
início da fundação da Capitania Real da Parahyba, de tantas lutas e conquistas, até nossos
dias, quando continua a resistir, imponente, sob o sol tropical.
No segundo capítulo falaremos sobre a Fundação Fortaleza de Santa Catarina, que
atualmente é a entidade que dirige o monumento, seu surgimento, seus objetivos e suas ações.
Por último, apresentaremos propostas de ações para melhoria da utilização da
Fortaleza de Santa Catarina dentro da atividade turística.
Procuramos neste trabalho documentar as ações desenvolvidas pela Fundação
Fortaleza de Santa Catarina com vista à dinamização do turismo no monumento bélico. Nesse
sentido arrolamos todas as iniciativas da instituição e procedemos à abordagem crítica
indispensável a sua otimização.
1.1 - Procedimentos Metodológicos
De acordo com Barros & Lehfeld (1990, p.14),
“definido o que pretende estudar depara-se com a necessidade de se buscar
os procedimentos metodológicos, ou seja, “o como” e o instrumento técnico
(com quê). Neste item o pesquisador deverá fazer o traçado do caminho
sistematizado a seguir. Selecionar as principais estratégias para a efetivação
e execução do projeto de pesquisa”.
A pesquisa se definiu pelas seguintes etapas:
Pesquisa em gabinete:
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
•
15
Levantamento bibliográfico: baseando-se nas informações de livros, revistas,
jornais e via internet;
•
Pesquisa documental: obtenção de documentos relacionados ao tema;
•
Seleção do lugar: objeto de estudo.
Como técnica de coleta de dados, utilizamos várias fontes teóricas as quais estão
descriminadas nas referências deste trabalho.
A análise e interpretação dos dados foram realizadas através de levantamento
bibliográfico com a divisão do tema central em duas partes: Patrimônio cultural e Fortaleza de
Santa Catarina, e seguiram a teoria de Barros & Lehfeld (1990, p.62) que trata da forma de
interpretar através da análise de dados.
Recorremos a documentos da Fundação para seleção e análise com a finalidade de
esclarecer argüições impostas para execução do trabalho.
Para facilitar o processo de investigação, também utilizamos pesquisa de campo,
através de informações colhidas com os guias da Fortaleza.
Por fim foram utilizadas ilustrações fotográficas, da área in loco, com o objetivo de
dar suporte probatório no resultado desse trabalho.
***
2. TURISMO E PATRIMÔNIO
2.1 - A Palavra Patrimônio
Segundo a definição estabelecida pelos órgãos federais de preservação,
“patrimônio histórico e artístico nacional é o conjunto dos bens móveis e
imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer
por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu
excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”.
(MEC/SPHAN/FNPM, 1980, p. 111)
Barretto (2000, p.11), afirma que
“o patrimônio deixou de ser definido pelos prédios que abrigavam reis,
condes e marqueses e pelos utensílios a eles pertencentes, passando a ser
definido como o conjunto de todos os utensílios, hábitos, usos e costumes,
crenças e forma de vida cotidiana de todos os segmentos que compuseram e
compõem a sociedade”.
Assim, entendemos que o patrimônio cultural é toda forma de cultura, ou seja, de
produção cultural que seja produzida pelo homem, não ficando restrito apenas à edificações
antigas, mas abrangendo todo tipo de manifestação cultural.
Rodrigues (2001, p.16), entende que
“a construção do patrimônio cultural é um ato que depende das concepções
que cada época tem a respeito do que, para quem e por que preservar. A
preservação resulta, por isso, da negociação possível entre os diversos
setores sociais, envolvendo cidadãos e poder público. O significado atribuído
ao patrimônio também se modifica segundo as circunstâncias de momento”.
A Fortaleza de Santa Catarina é um patrimônio cultural que esteve e está presente na
história paraibana desde o início da Capitania e que necessita de cuidados tanto por parte do
poder público, quanto por parte da comunidade local. A Fortaleza foi tombada pelo Instituto
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
17
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN no ano de 1938, devido ao seu valor
histórico-cultural para a Paraíba.
2.2. O Turismo Cultural e o Patrimônio
O turismo cultural é uma atividade recente no Brasil e que cresce, cada vez mais,
também no mundo inteiro.
Turismo cultural, conforme Molletta & Goidanich (2000, p.9),
“é o acesso ao patrimônio cultural, ou seja, a história, à cultura e ao modo de
viver de uma comunidade. Sendo assim, o turismo cultural não busca
somente lazer, repouso e boa vida. Caracteriza-se, também, pela motivação
do turista em conhecer regiões onde o seu alicerce está baseado na história
de um determinado povo, nas suas tradições e nas suas manifestações
culturais, históricas e religiosas.”
Ainda conforme estes autores,
“o planejamento do turismo cultural está apoiado nos princípios do
desenvolvimento turístico sustentável, ou seja, deverá promover a
sustentabilidade econômica, social, ambiental e do patrimônio em questão.
Além disso, deverá assegurar, às gerações futuras, o acesso a estes mesmos
recursos. Para tanto, é preciso integrar ações do setor público, do privado e
da comunidade em geral, pois a atividade turística necessita do apoio e do
comprometimento de todos.” (Molletta & Goidanich, 2000, p.21)
O turismo cultural, quando bem planejado, promove o desenvolvimento do local, bem
como a preservação do patrimônio. A Fundação Fortaleza de Santa Catarina vem fazendo uso
dessa atividade para tornar aquele monumento o principal ponto de atração turística da
Paraíba de caráter histórico e um Centro de Atividades Culturais.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
18
De acordo com Simão (2001, p.18), “o entendimento de que a própria atividade
turística pode funcionar como motivadora da manutenção da identidade local coloca o turismo
como uma das grandes alternativas econômicas atuais para os núcleos urbanos preservados”.
O turismo é hoje um dos principais setores que promove o patrimônio cultural e
incentiva a visitação e valorização do mesmo.
Obedecendo a abordagem de Barretto (2000, p.75), “para que patrimônio e turismo
possam ter uma convivência saudável, é necessário que haja planejamento, o que inclui
controle permanente e replanejamento”.
Esse planejamento deve ocorrer de forma que o turismo seja parceiro do patrimônio,
fazendo com que ele não seja degradado pela atividade turística. É necessária a existência de
ações que venham a desenvolver o local e o patrimônio e essas sejam sempre avaliadas para
que possam acompanhar as modificações que ocorrem na sociedade.
Para Rodrigues (2001, p.15),
“a atividade turística é, portanto, produto da sociedade capitalista industrial e
se desenvolve sob o impulso de motivações diversas, que incluem o
consumo de bens culturais. O turismo cultural, tal qual o concebemos
atualmente, implica não apenas a oferta de espetáculos ou eventos, mas
também a existência e preservação de um patrimônio cultural representado
por museus, monumentos e locais históricos”.
A utilização do turismo cultural pela Fundação Fortaleza de Santa Catarina, não é feita
apenas na promoção de eventos, mas na conservação do monumento e no uso do mesmo pela
comunidade local, fazendo com que tenha uma integração entre ela e a Fortaleza, de maneira
que o espaço seja aproveitado para atividades voltadas aos visitantes e também a população
local, fazendo com que ambos tomem consciência da importância do monumento e da sua
conservação.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
19
Assim, o fator gerador da pesquisa surge pela necessidade da realização de um
levantamento do atual estado da Fortaleza de Santa Catarina como Patrimônio Cultural, bem
como das ações desenvolvidas pela Fundação Fortaleza de Santa Catarina no sentido de
potencializar o monumento como um atrativo turístico do estado da Paraíba.
***
3. FORTALEZA DE SANTA CATARINA
Ao falarmos da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, devemos primeiramente
conhecer a Fortaleza de Santa Catarina, monumento histórico de caráter militar que deu nome
àquela instituição.
Neste capítulo apresentaremos a Fortaleza, desde a sua construção até o surgimento da
Fundação, destacando alguns dos principais fatos de sua história.
Localizada à margem direita da foz do Rio Paraíba, situada na cidade de Cabedelo, a
Fortaleza de Santa Catarina teve participação decisiva na defesa da Paraíba e no surgimento,
em seu entorno da cidade Cabedelo.
Figura 1 - Vista aérea da Fortaleza de Santa Catarina
Fonte - Altimar Pimentel
A Fortaleza, um dos monumentos históricos mais importantes de Brasil, guarda nos
seus muros a história dos primeiros tempos da conquista da nossa Capitania.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
21
Monteiro (1972, p.23), ressalta que:
“a Fortaleza de Santa Catarina, vista sob definição estritamente militar, é
uma fortificação permanente, destinada desde o princípio a cumprir funções
específicas ligadas á defesa da Capitania da Paraíba e litoral nordestino
contra tentativas de invasão inimiga. Pode ser conceituada como
FORTALEZA, por ter alcançado um plano, cujo armamento foi
acompanhado pela repartição de várias baterias independentes, instaladas em
larga área que compreendia a enseada de Lucena, a ilha da Restinga, as
proximidades do rio da Guia e margens do Paraíba, bem assim como por
Fortes e Fortins que se estenderam até à cidade e à várzea.”
Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional em 24 de maio de 1938, a Fortaleza
possui uma área construída de 12.710 m² e em terreno uma área equivalente a 44.555 m².
3.1 Construção
Sobre sua construção, há controvérsia sobre o ano exato, mas o mais provável e aceito
por historiadores, é o de 1586, sendo Frutuoso Barbosa apontado como responsável por sua
fundação.
Maul (1922, p.172), informa que
“já edificada a capital parahybana, em 1586, quando appareceu no
ancoradouro da Bahia da Trahição uma esquadra franceza com o fim de
readquirir o ponto que os seus alli haviam estabelecido.
Temendo um ataque á cidade, que progredia, Fructuoso Barbosa levantou á
margem do rio Parahyba, na sua embocadura, uma Fortaleza”.
No ano de 1591, foram retirados soldados e armamentos da Fortaleza para Inhobim a
fim de defender a margem Oeste do rio Paraíba, fazendo com que a Fortaleza ficasse
desprotegida e sofresse o ataque dos índios potiguaras, que a incendiaram, levando-a quase à
destruição total. No ano seguinte foram iniciados os trabalhos de reconstrução, que duraram
até 1596.
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Turismo e Preservação Patrimonial
22
Em 1618, a Fortaleza recebeu a visita de D. Luiz de Sousa, governador do Brasil,
junto a uma comitiva que foi recebida por João de Matos Cardoso.
Pimentel (2001, p.145) registra que;
“em vista do deplorável estado em que encontrou a fortificação, a comitiva
considerou-a imprestável e ordenou que novo forte fosse levantado ao seu
lado. Coube ao engenheiro Francisco Frias de Mesquita, que havia
reedificado o Forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte, elaborar-lhe a
planta”.
A Fortaleza ainda passou por várias reconstruções e hoje conserva o traçado da época
de reconstrução de 1699. No início da década de 1970 o IPHAN realizou a primeira etapa de
obras de restauração e em 1984 iniciou-se a segunda etapa, concluindo a parte interna.
3.2 Fatos Heróicos
Constantemente a Fortaleza sofria ameaças de ataques dos índios, holandeses e
franceses. Mas dois foram os mais marcantes, devido à heróica resistência de seus defensores.
No ano de 1596, a Fortaleza sofreu o ataque dos franceses, que possuíam 13 navios e
350 homens, contra a reduzida capacidade bélica do reduto, que se encontrava com apenas
cinco peças de artilharia e 20 homens. Mesmo com grande diferença em números de homens
e armas, seus defensores resistiram e obrigaram os franceses a fugir.
Em 1631, uma esquadra holandesa composta de 1600 homens atacou a Fortaleza, que
não possuía mais do que 600 defensores.
Conforme Pimentel (2001, p.175),
“Era uma luta muito desigual numericamente e em relação ao adestramento
dos combatentes. Os holandeses lutavam com 1600 soldados, habilmente
treinados, enquanto os defensores da Paraíba não passavam de 600 homens,
alguns deles pessoas comuns sem qualquer instrução militar”.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
23
Apesar dessa diferença, mais uma vez os defensores saíram vitoriosos e os holandeses
bateram em retirada.
Os holandeses não desistiram facilmente de dominar a Capitania e, em 1634, iniciaram
novo ataque à Fortaleza. Após doze dias de resistência os defensores da Fortaleza, rederam-se
aos holandeses sob honras militares.
A partir do final do ano de 1645, os holandeses não tinham mais controle sob a cidade
de Frederica (denominação da capital da capitania sob domínio holandês) após sofreram
derrota na Batalha dos Guararapes em 1648, em 1654 abandonaram a Fortaleza, voltando para
a Holanda.
3.3. A Fortaleza e suas Denominações
A Fortaleza, hoje conhecida por Fortaleza de Santa Catarina, possuiu vários nomes ao
longo de sua história.
Para Mello (1987, p.91),
“O Forte, batizado por Frutuoso Barbosa, chamou-se de Fortaleza de santa
Catarina e representou uma homenagem a D. Catarina de Bragança, Duquesa
de Bragança, neta de D. Manuel I e preferida pelos portugueses como
sucessora do Cardeal-Rei D. Henrique de Bragança, o que não ocorreu
durante a dominação holandesa, a fortaleza recebeu nova denominação,
passando a se chamar Margareth ou Margarida. Os portugueses locais
chamavam-na na época de Forte de Matos, referência ao seu segundo
comandante João de Matos Cardoso, que também deu origem ao nome da
praia de “Ponta de Matos”; onde o comandante tinha residência. Outra
denominação constante é a de Fortaleza de Cabedelo, referida assim desde
documentos os mais primitivos. As denominações de Santa Catarina e
Cabedelo permanecem até os nossos dias e são usadas em referência ao
Monumento”.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
24
3.4 Descrição da Fortaleza
Figura 2 - Entrada da Fortaleza
Fonte - Altimar Pimentel
A Fortaleza é descrita por Calixto (1912, p. 92) desde a sua entrada à parte superior,
mostrando também como seus ocupantes utilizavam seus espaços.
“Para penetrar-se na fortaleza, depois de transposto o pórtico, tem-se que
atravessar um largo corredor abobadado, disposto em curva, (mais de 750),
no meio do qual se vê uma abertura, praticada na abobada, por onde descia
uma grande porta ou alçapão de ferro que vedava o acesso da praça, em caso
de assedio”.
Nessa abertura, junto ao alçapão de ferro, contasse que era jogada uma espécie de óleo
quente que surpreendia os invasores.
“Essa galeria tem, na parte que divide com o corredor, diversas aberturas ou
frestas verticaes, praticadas em sentido diagonal, a fim de impedir a entrada
de luz exterior, taes aberturas eram destinadas, em caso de ataques, a servir
de seteiras por onde os arcabuzeiros dirigiam canos de seus mosquetes e
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Turismo e Preservação Patrimonial
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fusilavam, a queima-roupa, os invasores que ousavam penetrar no corredor e
estacionar ante a porta de ferro”.
Essa área da entrada ficou conhecida como recepção calorosa, devido aos seus
inimigos serem recebidos com o óleo quente e as balas vindas das frestas da galeria.
“O corredor communica com o grande pátio interior onde estavam os
alojamentos que podiam conter centenas de soldados. Amplas escadas de
pedra dão acesso às baterias superiores onde se vê grande quantidade de
canhões de grosso calibre, ainda assestados às respectivas canhoneiras, sobre
suas velhas carreiras”. (Calixto, 1912, p.92)
Hoje o corredor da entrada ainda conserva a descrição citada pelo autor e lá se
encontra um balcão, em que os guias da Fortaleza recebem os visitantes.
A galeria, ou calabouço, hoje é uma sala onde há exposições de artistas da região. Ao
lado esquerdo, após o corredor, no pátio interno, encontra-se a Capela de Santa Catarina e, ao
lado direito, a Casa do Capitão-Mór. Nos antigos alojamentos, encontram-se o museu da
baleia, a sala de artesanato e a do Projeto Catarina..
A antiga casa do Comandante, que fica por trás da Capela, serve de local para
reuniões. A antiga casa da pólvora abriga uma exposição de pinturas em azulejos retratando
fortes de algumas cidades brasileiras.
Por fim, na parte superior, temos os canhões de origem portuguesa, holandesa e
francesa que fizeram parte a artilharia da Fortaleza durante o período da conquista da
capitania.
3.5 Descaso das Autoridades
Desde o início de sua fundação, a Fortaleza sofria o descaso dos governantes, que ora a
deixavam com pequeno número de defensores, tornando-a alvo fácil de ataques, e ora a
abandonavam completamente.
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Turismo e Preservação Patrimonial
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Figura 3 - Mato cresce ao redor da Fortaleza e suas muralhas sofrem desgaste.
Fonte - Altimar Pimentel
Vários autores escrevem sobre os períodos em que a Fortaleza esteve em completo
estado de abandono.
Calixto (1912, p.92) relata, claramente em tom de crítica, o estado em que encontrou a
Fortaleza durante sua visita ao local.
“Tão importante praça de guerra, uma das mais fortes, nessa época bellicosa,
acha-se hoje em completo abandono, o que é deveras deplorável para todos
que se interessam pela archeologia e pelas tradições de nosso paiz. Como
está situada próximo ao ancoradouro da humilde povoação de Cabedello, é
constantemente visitada pelos viajantes que ali aportam, nos vapores do
Lloyd Brasileiro; esses visitantes deixam, quase sempre, os seus nomes e
impressões graphados a lápis, ou a carvão, nas paredes da galeria curva que
offerece ingresso para o forte; inscripções que vão sendo, entretanto,
abafadas pelas garatujas obscenas e phrases boçaes traçadas pela mão
sacrílega dos ignorantes e desocupados, que por ali vegetam (como em toda
parte, infelizmente). São bem notáveis e dignos de admirar-se as obras de
arte e de defesa; os artigos bellicos que vêem esparsos e que teem escapado
ás constantes depredações e ao desleixo”.
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
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Apesar dos apelos dos seus admiradores, a Fortaleza ainda passou vários anos
abandonada, resistindo ao desgaste do tempo e ao ataque do mar que derrubava suas
muralhas.
Finalmente, entre 1974 e 1978, foi restaurada pelo IPHAN e, após passar por anos de
obras de restauração, a Fortaleza foi novamente abandonada.
No início de 1991, a AACC passou a manter a Fortaleza com um aval precário do
IBPC (Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural). A AACC continuou mantendo a Fortaleza
até meados de 1995, quando a Fundação Fortaleza de Santa Catarina assumiu a administração
desse monumento.
***
4. FUNDAÇÃO FORTALEZA DE SANTA CATARINA
Neste capítulo, falaremos da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, sua criação, seus
objetivos e as ações realizadas pela entidade para tornar a Fortaleza um atrativo turístico da
cidade de Cabedelo.
4.1 - Associação Artístico-Cultural de Cabedelo - AACC
Antes de criação da Fundação, a Fortaleza era mantida pela AACC, uma associação
que trabalha com artistas e educadores, tendo como objetivo resgatar o folclore cabedelense.
Hoje, após passar a administração da Fortaleza para a Fundação, a AACC funciona na
Fortaleza de Santa Catarina e trabalha junto à Fundação na promoção de eventos artísticosculturais e na manutenção de convênios com entidades ligadas à arte e à educação.
4.2 - A Fundação
Com o objetivo de preservar, restaurar, revitalizar e reutilizar a Fortaleza de Santa
Catarina, a Fundação Fortaleza de Santa Catarina foi instituída em 22 de dezembro de 1992.
Trata-se de uma entidade jurídica de Direito Privado, sem fins lucrativos e de duração
ilimitada e tem sede na própria Fortaleza. Composta por 21 sócios instituidores, teve como
seu primeiro presidente o Dr. Kleber Moreira de Souza e em 1995 assumiu a administração
seu atual presidente, Osvaldo da Costa Carvalho, tendo como objetivo principal tornar a
Fortaleza um Centro de Atividades Culturais e principal ponto de atração turística de caráter
histórico da Paraíba.
Para alcançar esse objetivo, a Fundação busca constantemente parcerias com diversas
entidades através de convênios, entre os quais estão os convênios firmados entre os governos
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do Estado e da República, que possibilitam à Fortaleza manter atividades culturais (como a
reativação da Nau Catarineta), e outro firmado com a Universidade Federal da Paraíba para a
realização do Projeto Catarina, onde crianças e adolescentes participam de várias atividades
como: aulas de artes cênicas, plásticas, músicas, teatro e dança.
Buscando resgatar o folclore e valorizar a identidade cultural e histórica cabedelense, a
Fortaleza serve de espaço para a comunidade preservar seus costumes. A Fundação,
juntamente com a AACC e o Grupo de Teatro Amador Alfredo Barbosa - GTAAB, procura
fazer com que a população cabedelense participe das atividades realizadas na Fortaleza e
também com que tomem consciência da importância do monumento como um bem histórico.
4.3 - O Papel do Turismo de Eventos no Monumento
Com vistas a atrair pessoas e estimular visitas à Fortaleza, a Fundação utiliza o
turismo de eventos para promover o monumento, realizando constantemente encontros,
shows, atividades teatrais, entre outros. Considerando as possibilidades físicas da Fortaleza,
vem sendo constantemente sugerida a utilização do mesmo como um anfiteatro, daí o apoio
da Fundação ao GTAAB, que além de promover cursos, seminários, palestras e eventos
culturais, é responsável pela encenação do espetáculo teatral “A Paixão de Cristo” que é
realizado na Praça de Guerra (área interna da Fortaleza) e em 2003 completou 26 anos de
encenação.
Entre os eventos realizados na Fortaleza estão:
•
1ª Eliminatória do Forró Fest (1996 - 1997);
•
Canta Nordeste (1997);
•
Casamentos;
•
Festividades religiosas relativas a Santa Catarina;
30
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•
Encenação da Paixão de Cristo (de 1996 a 2003);
•
Encenação da Peça Viva a Nau Catarineta (1997);
•
Curso de Primeiros Socorros (2003)
•
Curso de Turismo Cultural (2003)
A Fundação analisa cada proposta para realização de eventos, levando em conta a
capacidade do monumento, para que ele não seja prejudicado.
4.4 - Ações Administrativas da Fundação
Ao longo de sua administração a Fundação Fortaleza de Santa Catarina vêm
realizando ações que visam a recuperação do monumento, bem como dotá-lo de infraestrutura básica para atender aos turistas. Entre elas estão:
•
Reuniões para definição do limite e disciplinação do tráfego e estacionamento
entorno
da
Fortaleza
(Reuniões
com
empresas
transportadoras
de
combustíveis);
•
Solicitação à COVEBRAS (Companhia de Óleos Vegetais) da reparação dos
danos causados pelos caminhões que transportam combustíveis naquela área;
•
Integração da Comissão criada pelo Estado para revitalização da Fortaleza;
•
Colocação de cercas nos trechos abertos entre as muralhas do monumento.
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4.5 - Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza
Figura 4 - Mapa do Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza
Fonte - Fundação Fortaleza de Santa Catarina
PLANO ORIGINAL DE OCUPAÇÃO E USO
1. Casa da Pólvora
2. Quartel
3 e 4. Quartel
5. Quartel
6. Quartel
7. Quartel
8. Quartel
9. Quartel
10-11-12. Arm./Pri./Casa do Capitão
13. Galerias
14. Capela
15. Casa do Comandante
16. Casa do Comandante
17. Quartel
18. Quartel
19. Quartel
20. Quartel
21. Praça de Guerra
Exposição de acervos museológicos
Biblioteca e pesquisa laboratoriais
M useus das nações colonizadoras
M emorial da restauração
W.C
Loja do Forte
Sala de música
Oficina coletiva de artes
Bar e restaurante
A) Exposições
B) M useus historico-cultural de Cabedelo
Atos religiosos
Sala de apoio ao grupos folclóricos
Auditório
Apoio administrativo
Direção da Fundação Fortaelza de Santa Catarina
Sala de apoio a AACC
W.C
Realização de eventos e memorial dos heróis
Obs.: A sala 11 fazia parte da Casa do Capitão junto com a 10 e 12 que seriam térreo (armazém) e o 1o.
pavimento. A galeria 13A era onde se encontrava a antiga prisão.
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USO ATUAL DA FORTALEZA
1 . C a sa d a P ó lv o ra
2 .C a sa d o s V ig ila n te s
3 . Q u a rte l
4 . M u se u d a B a le ia
5 . Q u a rte l
6 . Q u a rte l
7 . Q u a rte l
8 . Q u a rte l
9 . Q u a rte l
1 0 . C a sa d o C a p itã o
1 1 . C o zin h a
1 2 . P risã o
1 3 . G a leria (a n tig a 1 3 B )
1 4 . C a p e la
1 5 . C a sa d o C o m a n d a n te
1 6 . Q u a rte l
1 7 . Q u a rte l
1 8 . Q u a rte l
1 9 . Q u a rte l
2 0 . C a sa d o C o m a n d a n te
E sp o siç ã o d e p in tu ra s e m a zu leijo s
D ep ó sito d e o b jeto s en co n tra d o s n a re sta u ra ç ã o
D ep ó sito d e m a teria is
E xp o siçã o so b re a p e sc a d a b a le ia
P ro jeto C a ta rin a
V en d a d e p ico lé
V en d a d e a rtesa n a to
C o m issã o N o rm a tiv a d e In cen tiv o à C u ltu ra
G ru p o d e T a tro a m a d o r A lfred o B a rb o sa
S a lo a p a ra reu n iõ e s
S u p o rte p a ra o s ev e n to s
E xp o siçã o d e a rte s p lá stica s
S a la d e a p o io a o s g ru p o s fo lcló ric o s
A to s re lig io so s
R eu n iõ es e exp o siçõ e s
A lm o xe rifa d o
F u n d a ç ã o F o rta le za d e S a n ta C a ta rin a
A sso cia çã o A rtístico -C u tu ra l d e C a b e d e lo
W .C
S a la d e B a n d a
No início da criação da Fundação, foi definido o Plano de Ocupação e Uso da
Fortaleza de Santa Catarina que, devido à falta de apoio, foi implantado apenas em algumas
áreas, estando as outras, apesar dos esforços do atual presidente da Fundação, o Sr. Osvaldo
Carvalho, sem previsão de quando serão implantadas.
Apesar de possuir um bom plano de ocupação e uso do monumento desde o início da
Fundação, poucos espaços foram ocupados como estava previsto no plano, algumas salas
mudaram de numeração e de nome, hoje podemos ver que cada vez mais cresce a necessidade
da implantação do plano original para atrair os visitantes ao local.
4.6 - Os Guias da Fortaleza
Os guias da Fortaleza são membros da comunidade cabedelense, mantidos pela
Fundação através de um convênio firmado com a Prefeitura Municipal de Cabedelo, o que
garante a cada guia uma ajuda de custo de cento e cinqüenta reais. A Fortaleza possui dois
grupos de guias, um atuando pela manhã e outro à tarde, todos os dias da semana (incluindo
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sábados, domingos, feriados e quando ocorrem eventos há revezamento para o turno de noite),
além disso, recebem convites para darem palestras em escolas, porém dificilmente recebem
remuneração por isso.
Durante o período da realização desse trabalho acompanhamos o cotidiano do grupo
de guias que trabalham pela manhã, buscando observar seu comportamento (maneira de falar
com o turista, de prestar informações) e constatou-se que quanto ao relacionamento do guia
com o turista, eles conseguem prestar informações sobre o monumento e tirar dúvidas e
curiosidades dos visitantes, a única coisa que falta é a presença de guias que falem outros
idiomas, visto que nenhum deles possui curso de idiomas, deixando a desejar para o turista
que vem de fora que precisa de um intérprete para obter informações sobre a Fortaleza.
4.7 - Pontos Positivos e Negativos
Durante a pesquisa feita in loco, na Fortaleza, pudemos observar o trabalho que vem
sendo realizado pela Fundação e enumeramos alguns pontos negativos e positivos destes
trabalhos.
Pontos Positivos:
•
Preocupação constante da Fundação na preservação da Fortaleza, sendo
realizados vários consertos e reformas, como pintura das portas, cuidados com
a grama, consertos de fechaduras, entre outras coisas;
•
Integração entre as pessoas que trabalham no monumento (toda sexta-feira às
08:00 horas da manhã, ocorre o hasteamento da bandeira e logo após uma
reunião na Capela de Santa Catarina, onde todos se encontram para a discussão
de temas variados, cada sexta uma pessoa do grupo leva um tema e apresenta
para os demais);
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•
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Empenho da Fundação em renovar os convênios (a exemplo o da Prefeitura de
Cabedelo que é renovado todo ano);
•
Incentivo aos guias para que eles participem das atividades realizadas na
Fortaleza, como cursos de turismo cultural e marketing, primeiros socorros e
outros;
•
Análise das propostas de eventos a serem realizados no monumento, para que
estes não prejudiquem de alguma forma a Fortaleza;
•
Controle do número de visitantes (os visitantes são divididos em grupos e
individuais, onde tem-se conhecimento do Estado, Cidade e País de origem e
no caso de grupos, também sabe-se qual a empresa ou instituição responsável
por ele).
Pontos Negativos:
•
Manter guardados em salas objetos antigos como armas, balas de canhões e até
ossos encontrados na Fortaleza que deveriam estar em exposição;
•
Inexistência de guias que falem outros idiomas;
•
Falta de sinalização turística da Fortaleza, visto que muitas pessoas chegam
nela por acaso, pois não encontram indicação do local;
•
Sujeira encontrada embaixo da calçada do portão de entrada e no túnel de fuga
dos oficiais;
•
A não continuidade da implantação do Plano de Ocupação e Uso da Fortaleza.
5. PROPOSTAS
Buscando um melhor aproveitamento da Fortaleza como atrativo turístico,
apresentamos algumas propostas para ajudar a Fundação no seu desempenho para tornar a
Fortaleza na principal atração turística de caráter histórico paraibano.
Como primeira ação propomos a divulgação da Fortaleza por meio da internet, com a
criação de um web site (em português e inglês), onde conteria informações do monumento,
sua história, fotos, além da programação das atividades realizadas de cada mês do ano.
Para a divulgação dentro do Estado, colocar-se-iam placas nas cidades de Cabedelo e
João Pessoa. Nessas placas teria o mapa da cidade com os seus principais pontos turísticos,
porém na de Cabedelo teria um destaque maior para a Fortaleza, indicando sua localização e
contendo um pequeno texto sobre a mesma que incentivasse os turistas a conhecê-la e
também conteria o horário para visitação. Essas placas, no caso as de cabedelo, poderiam ser
colocadas na Praia do Jacaré, Intermares, no Porto de Cabedelo e na BR 230.
Quanto à entrada do monumento, torna-se necessário à colocação de uma placa com o
nome do mesmo e data de sua construção, uma rampa para o acesso de deficientes físicos e no
corredor de acesso, a instalação de um quadro contendo um mapa da Fortaleza, horário de
funcionamento e informações com a programação do mês.
No pátio externo, ao lado do muro divisório da Petrobrás, poderia conter um quiosque
para a venda de lanches, já que apenas têm-se uma sala com venda de picolés, água e
refrigerantes e um carrinho de picolé no pátio externo que também vende garrafinhas e
salgadinhos.
Para tornar a Fortaleza mais atrativa, seria importante a implantação do Plano de
Ocupação e Uso proposto pela Fundação e que se encontra ainda no papel, com exceção de
alguns ambientes em que houve a implantação.
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No caso dos ambientes 10, 11 e 12 (que funcionariam como bar e restaurante) a
Fundação, juntamente com os proprietários do restaurante, poderiam promover “shows” de
voz e violão ou noite dançante (com forró, pagode ou dança de salão) ou apresentações de
grupos folclóricos nas noites de quarta e quinta ferira, pois não há opções noturnas de lazer
para os turistas nesses dias.
Nos ambientes 3 e 4 (que seriam o Museu da Fortaleza) além das informações sobre a
presença e contribuição das nações colonizadoras, deveria expor objetos da época como
móveis, armas, balas de canhões e roupas dos soldados.
Quanto ao ambiente 7 (Loja do Forte) encontra-se a venda de artesanato local, mas
não há uma lembrança (como canhões em miniaturas, cartões postais ou camisetas) que
possuam alguma ligação com a Fortaleza. Outro fator importante é o funcionamento dessa
loja, esta é ocupada por trabalhos de quatro artesãos que não pagam nada para venderem seus
trabalhos no local, porém às vezes em pleno horário de visitação elas encontra-se fechada,
fazendo com que o turista vá embora sem conhecer o artesanato local ou espere que um dos
guia vá a casa de um dos artesãos para chamá-lo. Para solucionar esse problema, é necessário
a realização de reuniões com esse pessoal para conscientizá-los da necessidade de
funcionamento da loja no horário de visitação, bem como a produção de objetos que tenham
como tema a Fortaleza.
Alguns locais merecem uma maior atenção por parte dos responsáveis pela limpeza, é
o caso do túnel de fuga dos oficiais que se encontra com acúmulo de sujeira e no pátio interno
entre a rampa ao lado da Casa da Pólvora e do túnel falso, encontra-se pedaços de madeiras
(entulhos) que não deveriam estar nesse local para que a área possa ficar livre.
Sobre a Capela de Santa Catarina, apesar dos esforços da Fundação, seu telhado é
constantemente atacado por cupins que, além de prejudicarem o visual, pode ocorrer do
telhado cair, para solucionar esse problema é necessário a autorização do IPHAN e que
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mandem pessoas capacitadas para restaurar a Capela, visto que para esse trabalho ser
realizado é preciso que se tenha pessoas que possuam técnicas de restauração para manter o
telhado sem prejudicar a estrutura do mesmo.
***
6. CONCLUSÃO
Durante a realização do trabalho, pudemos observar os esforços dos administradores
da Fundação Fortaleza de Santa Catarina no sentido de que o valor cultural e histórico da
Fortaleza seja reconhecido.
Uma das maiores dificuldades dos dirigentes da fundação encontra-se em renovar e,
ou firmar novos convênios com entidades e governantes.
Apesar de possuir um bom plano de ocupação e uso da Fortaleza de santa Catarina, o
que traria enorme contribuição cultural, histórico e turístico, este ainda não foi implantado
como vimos anteriormente. Acresce o problema, o fato de a Fundação não ser dotada de
serviços turísticos.
Na tentativa de minimizar este quadro, embora com pouca divulgação, a Fundação
adotou o turismo de eventos.
Mesmo com todos os entraves, o número de visitantes vem crescendo a cada ano, o
que deve ser creditado ao esforço da administração em manter vivo aquele monumento
histórico.
***
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000 (Col. “Turismo”).
BARROS, Aidil de Jesus Paes de & LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Projeto de pesquisa:
propostas metodológicas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1990.
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Contexto, 2001 (Col. “Turismo Contexto”).
IPHAN - Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Fortaleza de Santa Catarina Cabedelo
PB.
Bens
tombados.
Web
Site
Institucional.
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<http://www.iphan.gov.br/bancodados/benstombados/mostrabenstombados.asp?codBem=1487>.
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MELLO, José Octávio de Arruda (coord.). Capítulos da História da Paraíba. Campina Grande:
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MOLLETA, Vânia Florentino & GOIDANICH, Karin Leyser Turismo cultural. 2. ed. Porto Alegre:
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MONTEIRO, Vilma dos Santos Cardoso História da Fortaleza de Santa Catarina. João Pessoa:
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PIMENTEL, Altimar de Alencar. Cabedelo vol. 1. Prefeitura Municipal de Cabedelo, 2001.
PIRES, Mário Jorge. Lazer e turismo cultural. Barueri: Manole, 2001.
RODRIGUES, Janete Lins (coord.). Conhecendo a Fortaleza de Santa Catarina. Recife: Liceu,
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SIMÃO, Maria Cristina Rocha Preservação do patrimônio cultural em cidades. Belo Horizonte:
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YÁZIGI, Eduardo; CARLOS, Ana Fani Alessandrini & CRUZ, Rita de Cássia Ariza da (orgs.).
Turismo: espaço, paisagem e cultura. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1999 (Col. “Geografia:
Teoria e Realidade”, vol. 30).
***
ANEXOS
Figura 5 - Capela Santa Catarina antes da restauração (1956)
Fonte - Altimar Pimentel
Figura 6 - O mar avança contra as muralhas da Fortaleza
Fonte - Altimar Pimentel
Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
Figura 7 - Casa da Pólvora
Fonte: Altimar Pimentel
Figura 08 - Capela de Santa Catarina após restauração
Fonte: Altimar Pimentel
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Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
Figura 9 - Cerca em arame farpado nos trechos abertos entre as muralhas (2003)
Fonte: Chrislay Rocha
Figura 10 - Recepção da Fortaleza, com os guias Patrícia, Antônio e Big-Big (2003)
Fonte: Chrislay Rocha
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Fundação Fortaleza de Santa Catarina:
Turismo e Preservação Patrimonial
Figura 11 - Grupo de crianças desenvolvendo atividades culturais na Fortaleza (2003)
Fonte: Chrislay Rocha
Figura 12 - Lixo encontrado no Túnel de Fuga (2003)
Fonte: Chrislay Rocha
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