Examinando a opinião do leitor da Gazeta do Povo para encontrar (e se defender de) sua visão de Educação Pública ¹ Autor – SARMENTO, Marco A. M.² RESUMO – Este trabalho está produzido em forma de artigo, cujo conteúdo é uma continuidade da primeira aproximação que fiz, de caráter exploratório sobre as referências feitas na imprensa acerca da escola pública. Trata-se de avançar para além do estabelecimento de uma metodologia e de um primeiro mapeamento, já efetuado anteriormente, agora concluindo-o e exercitando análises iniciais.Tais referências dizem respeito as opiniões relativas a educação pública, veiculadas no jornal impresso Gazeta do Povo, tendo como foco a seção do periódico denominada Coluna do Leitor. O período estudado foi entre janeiro e junho de 2007. Neste trabalho foram analisados 121 textos publicados na Coluna, nos quais o conteúdo relacionava-se à educação. Investigamos este retorno opinativo, geralmente fundamentado nas notícias e nas posições mediadas pelo jornal, analisamos as reclamações que neles vem implícitas, já que expressam certas visões e avaliações de escola pública, cujos conteúdos merecem ser avaliados e problematizados em seus pressupostos, valores, lógica operativa e possíveis implicações nos vários âmbitos de gestão escolar pública, tendo em vista a necessária defesa e fortalecimento da educação estadual pública de qualidade. Palavras chave: educação e imprensa escrita; escola pública na Gazeta do Povo. Face a Face com o Jornal Embora já tenhamos apresentado num primeiro artigo as características do veículo de comunicação, que escolhemos para o nosso trabalho de pesquisa, consideramos necessário neste momento fazê-lo novamente, mesmo de forma mais resumida, buscando situar o leitor que pela primeira vez tiver contato com esta nossa produção. O Jornal Gazeta do Povo, já com 90 anos, atualmente considerado o maior jornal do Paraná, ocupa uma posição de importância e liderança no segmento jornalístico do estado. _______ 1 Este artigo foi produzido no contexto da pesquisa que venho produzindo a partir do programa PDE ( Programa de Desenvolvimento Educacional) desde abril de 2007, sob a orientação da profa. Dra. Ana Lúcia Ratto, vinculada ao Setor de Educação da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Trata-se aqui de apresentar a continuidade deste trabalho, em forma de mais um artigo, como conclusão da etapa final do PDE. 2 Professor da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, licenciado em Educação Física, com 35 anos de carreira na Educação Pública do Estado do Paraná, atuando em 2006 no Departamento de Infra-Estrutura, Lotado no Colégio Estadual Lysímaco Ferreira da Costa, afastado em 2007 para participação no PDE, Programa de Desenvolvimento Educacional. Hoje em atuação na Ouvidoria do Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Sul. 1 Deu origem à marca RPC, Rede Paranaense de Comunicação, passando a identificar um grande Grupo Empresarial de mídia. Sua caminhada no meio da comunicação impressa é parte considerável e decisiva na tradição e história do jornalismo deste estado. Hoje, tem uma tiragem média mensal de circulação de 60.039 exemplares nos domingos e de 39.493 exemplares nos dias úteis da semana. O grupo emprega mais de 1800 pessoas, entre diretores, funcionários, jornalistas, repórteres, advogados, cinegrafistas, possuindo dois jornais diários, oito emissoras de televisão (afiliadas da Rede Globo), duas rádios, um portal de internet e o instituto RPC — organização de caráter não governamental que atua em projetos, programas e ações sociais. Como parte dessa “máquina” que multiplica a reprodução das notícias, veiculadas nos seus vários segmentos, a Gazeta do Povo apresenta uma ampla influência, sobretudo nas dimensões econômicas, de poder político e cultural, que a colocam como uma força considerável nas relações de poder que se exercem nas práticas sociais de nosso Estado. Então, no que diz respeito às suas reportagens e apreciações sobre a educação e a escola, não podemos deixar de considerar os efeitos significativos que produzem quanto à interpretação dos saberes/poderes instituídos sobre esse espaço, quanto a produção da “verdade dos fatos” e suas implicações. Pois: Em nossas sociedades, a “economia política” da verdade (...) é objeto, de várias formas, de uma imensa difusão e de um imenso consumo (circula nos aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão no corpo social é relativamente grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos ou econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de debate político e de confronto social (as lutas "ideológicas") (FOUCAULT, 1979, p.11). Assim, o jornal e sua Coluna do Leitor fazem a sua parte na instituição e manutenção ativa deste conjunto de regras de distinção do verdadeiro e do falso e seus atributos de poder. Sendo assim, os conteúdos expressos neste veículo de mídia merecem um mapeamento e estudo mais aprofundado como o que está sendo aqui desenvolvido. 2 A caminhada no emaranhado das opiniões do leitor De início era impraticável estudar e analisar todas as notícias relativas à educação constantes no jornal, no período escolhido, de 2 de janeiro a 30 de junho de 20073. Decidi então mapear e analisar a Coluna do Leitor. Através de sucessivas leituras dos textos publicados nesta Coluna, fui armazenando em banco de dados os escritos que faziam referencia à educação de um modo geral4. Estes totalizaram 131 opiniões, extraídas de um universo inicial de 2064, publicadas sobre os mais variados assuntos, na Coluna do Leitor no período delimitado. Após outras leituras selecionei dez dessas opiniões que não tinham as características que buscava pesquisar e as descartei. Esses dez textos, embora contivessem as palavras escola ou educação, não tratavam exatamente da questão educacional e por isto entendi que não deveriam ser parte do universo a ser analisado nesse momento. Assim o material empírico ficou restrito a 121 notas que foram então definidas como o material do trabalho. Para melhor visualização e possibilidade de análise elaborei, a partir do banco de dados, uma planilha onde cada texto poderia ser classificado de acordo com três situações básicas: o tipo de conteúdo principal, o alvo da crítica e o enfoque dado no texto. Com relação ao tipo de conteúdo busquei classificar a questão principal sobre a qual o texto discorria, o ponto central do assunto, sobre que objeto ou tema o leitor estava se posicionando. Essa classificação era necessária, uma vez que, mesmo tendo identificado os que tratavam ou abordavam de alguma maneira a educação ou a educação pública, os conteúdos e assuntos eram bem variados. Os autores dos textos pesquisados relacionam a educação de uma maneira geral a muitos outros temas variados. Um bom exemplo desta situação nos textos é _________ 3 O período inicia no dia 2 de janeiro em razão de não ter havido edição do jornal no dia 1º de janeiro por conta da programação do Jornal para a passagem do ano. 4 O propósito inicial era escolher apenas os textos que tratassem da Escola Pública Estadual. Optei por escolher os textos que tivessem a palavra educação ou que tivessem relação com o contexto educacional, conforme já descrevi no artigo, Na Gazeta do Povo o que a opinião do leitor conta sobre a Educação Pública, onde explicitei mais detalhadamente a metodologia empregada na pesquisa. 3 a afirmação de Gonçalves, J. C. (05/03/2007), “com educação e liberdade nossas crianças vão mudar o quadro de violência.” Cabe ressaltar que seu texto, intitulado “Esmolas”, falava sobre a prática de dar esmolas para crianças pobres. Uma leitura minuciosa de cada uma das 121 opiniões selecionadas como material empírico desta pesquisa me permitiu identificar em cada uma, um aspecto específico da opinião que se destacava como o assunto principal. Quanto ao estabelecimento do alvo da crítica, tratava-se de identificar a quem ou a que a opinião estava dirigida, se a uma instituição, se a uma determinada pessoa, se a uma situação ocorrida, e mesmo se a um determinado segmento da sociedade. As leituras sucessivas me permitiram constituir também uma listagem de situações, pessoas, instituições e mesmo práticas sociais, que se afiguravam como o alvo das críticas e reclamos efetuados pelos autores das opiniões da Coluna. A minha primeira classificação identificou alvos bastante diversificados e interessantes, como a crítica aos pessimistas, que na opinião expressa por Rigoni, C. L. (27/05/2007): “[...] as pessoas gostam dos livros e querem ler, contrariando os pessimistas que dizem que nossa gente não se interessa pela literatura.” Assim, estabeleci uma classificação das opiniões identificando os alvos que buscavam atingir com os textos publicados. O tipo de enfoque dado pela opinião também era um ponto importante a ser mapeado, considerando-se que no enfoque dado a uma reclamação ou crítica poderia estar representada uma lógica de formação de juízos e de valorações ― fatores de importância para o trabalho analítico. Desse modo, elaborei uma classificação segundo uma série de enfoques que fui identificando na leitura das opiniões e que exemplifico com os trechos citados abaixo: [...] Se mil livros eu tivesse poderia doá-los sem problema [...] que o exemplo possa ser seguido por outras famílias [...] seria constrangedor para qualquer intelectual ver sua biblioteca despojada de qualquer apreço. RIGONI, C. L.(27/05/2007). Neste trecho se pode notar que a conotação dada pela autora é de júbilo, e valorização da condição de intelectual. A definição do tipo de enfoque foi o mais trabalhoso nas classificações, já que as opiniões eram de muita diversidade e as situações comentadas de muitas maneiras. Então, diante das interligações existentes nos enfoques, optei por classificá-las segundo o enfoque mais predominante em cada narrativa. 4 Abrindo a trilha nas opiniões do leitor Elaborei uma primeira tabulação com 56 assuntos que se afirmavam como conteúdos principais. Essa primeira classificação ficou demasiadamente extensa e imprecisa. Após novas leituras de cada uma das opiniões, busquei encontrar os pontos comuns que permitissem reduzir mais o número de assuntos, reunindo-os numa classificação que estabelecia as características básicas quanto ao tipo de assunto em pauta encontrado nas opiniões analisadas. Essa classificação ficou estabelecida em nove categorias que são apresentadas na tabela abaixo. TABELA 1- CONTEÚDO PRINCIPAL TIPO DE CONTEÚDO PRINCIPAL Nº Educação e formação de cidadania 28 Distribuição de preservativos nas escolas 21 Políticas públicas e qualidade da educação 19 Ensino Fundamental de 9 anos 16 Crítica a projetos públicos 11 Condições de trabalho do magistério 11 Educação e criminalidade 9 Aborto e Educação 4 Diferentes conceitos sobre a educação 2 TOTAL 121 FONTE: Coluna do Leitor da Gazeta do Povo, período de 2 de janeiro a 30 de junho de 2007 % 23,14 17,36 15,70 13,22 9,09 9,09 7,44 3,31 1,65 100,00 Uma primeira constatação que pude fazer foi a existência de uma preocupação com a “educação relacionada à formação de cidadania”, presente em grande parte das opiniões como conteúdo principal. Em 23,14% dos casos, o leitor que opinou na Gazeta do Povo no período pesquisado apresentou preocupações com os reflexos da educação na sociedade, no que se refere as expectativas de futuro para as crianças e os jovens na sua formação como cidadãos. Tal preocupação, no entanto, está mais relacionada à educação vista de uma forma geral, não necessariamente à escolarização, como se pode identificar na reclamação deste leitor. Aos diretores de escola cabe o papel decisivo no processo de estímulo à participação das famílias e educadores em Programas de Educação das Virtudes Sociais e Familiares. Assim contribuiremos para os resultados de qualidade na educação e para a cidadania. Sertek, P. (02/04/2007). 5 Esta preocupação de relacionar educação e cidadania também aparece vinculada ao conteúdo que identifiquei em outras categorias, embora não se apresente com características de conteúdo principal. Tal situação reforça o ponto de que há uma preocupação generalizada com a educação segundo uma expectativa de que vai melhorar a sociedade. A discussão sobre um projeto de “distribuição de preservativos nas escolas” foi a segunda categoria de conteúdo principal, com alto porcentual de destaque nas opiniões pesquisadas, 17,36%, evidenciando que o tratamento da sexualidade nas escolas é um tema polêmico e ainda controverso, principalmente quanto à atuação do governo nesta temática. Exemplo disso é a afirmação de Ribani, M. (11/02/2007): “[...] Que os governantes entendam que o nosso país precisa de educação que são medidas mais eficientes e baratas do que soluções paliativas, que incentivam o sexo e outros problemas [...]”. Note-se que nesse tipo de conteúdo principal, que classifiquei como sendo de “distribuição de preservativos”, em geral também o governo é citado, o que poderia remeter-me a outro tipo de conteúdo principal que estabeleci, “políticas públicas e qualidade da educação”. No entanto, tendo em vista a significante freqüência com que esse programa foi apontado, e também não perdendo de vista os tabus que ainda rondam a questão da sexualidade na sociedade curitibana, resolvi separar essa questão dos preservativos como um tipo específico de conteúdo principal. Assim também foi a discussão gerada na coluna sobre a “implantação do Ensino Fundamental de 9 anos”. A decisão do Conselho Estadual de Educação do Paraná, de estabelecer uma data de “corte” na faixa etária para as matrículas escolares no primeiro ano do Ensino Fundamental, criou uma polêmica sobre a qual versaram 13,22% das opiniões, com os leitores se posicionando a favor e contra a medida. Também nesta questão discute-se sobre a responsabilidade do governo e o impacto das decisões que afetam a vida dos cidadãos, mas tal como acabei de explicar para o programa de distribuição de preservativos, aqui também me pareceu ser o caso de igualmente marcar a especificidade desta política. Pela polêmica gerada e pela quantidade de vezes em que apareceu na Coluna do Leitor. Na discussão pode-se constatar que a medida incomodou profundamente pessoas ligadas ao ensino privado, já que este responde por uma parcela significativa do atendimento que diz respeito à oferta das atividades do período pré-escolar da 6 criança, conforme se pode notar na afirmação de Pacheco, C.C (20/01/2007): “Tudo porque o ensino público não tem condições de acompanhar o particular?” Não seria mais fácil melhorar o ensino público em vez de conter o particular? Outra situação que se nota nesse contexto é que os cidadãos não fazem uma diferenciação clara entre o tempo de desenvolvimento da criança e a periodização escolar, que no caso do Ensino Fundamental é anual. Tal situação gera dúvidas e incompreensão por parte dos leitores, como ilustra o comentário de Lara, F. (17/01/2007): “[...] 0 que uma mãe não entende é porque uma criança que já estava freqüentando o pré-escolar precisa ser prejudicada tendo de repetir a série? [grifo nosso]”. Ou conforme consta na colocação abaixo, feita por outro leitor. [...] Representantes deste Conselho alegam que estas crianças seriam "imaturas" para ingresso no novo primeiro ano. Todavia, estas crianças cursaram em 2006 o Jardim 2 junto com seus colegas de turma nascidos entre 1º/1/2001 e 1º/3/2001 e estão igualmente aptas para ingressar no novo primeiro ano. GALVÃO, U. (19/01/2007) Também a falta desta diferenciação se faz presente na interrogação expressa no jornal pela leitora Cynthia. [...] Pergunto "aos responsáveis" o que será feito com essas crianças que já vinham em processo de pré-alfabetização, reconhecendo letras e números, começando a formar pequenas palavras? Irão passar mais um ano desenhando e fazendo pontilhados (não que isso não seja importante), como já fizeram durante todo o ano passado? PACHECO, CYNTHIA. C. C. (20/01/2007). As reclamações parecem desconsiderar ou mesmo desacreditar da possibilidade de alterações na metodologia de trabalho ou na melhor adequação na sistemática de avaliação das crianças, ao longo do tempo, seja no período préescolar ou nas séries iniciais da escolarização. Nas opiniões analisadas, além dessas duas situações bastante específicas — A distribuição de preservativos nas escolas e o Ensino Fundamental de 9 anos — a “ação política e a qualidade da educação” foram conteúdos de destaque nas opiniões, com 15,70% dos textos escritos abordando esta relação. Optamos por não fazer no momento distinção entre posições favoráveis ou desfavoráveis, já que não era o nosso interesse primordial nessa ocasião. A preocupação maior foi constatar que a relação entre ação política e a qualidade da nossa educação, também se apresenta como importante nos reclamos do leitor que escreve na coluna. 7 Isto se pode exemplificar na opinião a seguir, efetuada ao comentar um artigo publicado no jornal, de autoria do Senador Cristovam Buarque5 . [...] Ele [Senador Cristovam Buarque] valoriza muito a contribuição da imprensa para o plano de educação do governo federal, previsto para este ano depois de o presidente Lula reconhecer publicamente que nosso sistema de educação está entre os piores do mundo. NAISSE, J. P. (20/05/2007). As articulações entre ação política e qualidade da educação também podem ser notadas no exemplo a seguir,pela opinião expressa por Szinvelski, Raquel G. (23/03/2007): “[...] Não queremos altos números de matrículas e sim melhora da qualidade educacional. Espero que a proposta apresentada pelo governo para priorização da educação seja realmente colocada em prática.” Outro tipo de conteúdo principal que estabeleci na tipologia foi o intitulado “condições de trabalho do magistério” (9,09%). Tal qual nos casos anteriores, aqui também é freqüente que se mencione aspectos de políticas governamentais, mas tendo em vista a centralidade dessa temática das condições de trabalho para os necessários avanços na qualidade de ensino, resolvi destacá-lo como um tipo específico. Exemplo disso está na afirmação de Silva Neto, C. (14/04/2007) — “Se hoje são maus governantes talvez tenham tido maus professores e não perceberam ainda que entre um estadista e um cidadão há sempre um professor.” — O autor, em sua opinião, comentava sobre uma reivindicação salarial dos professores. As críticas apontam para a necessidade de uma mudança com relação à valorização da condição do professor na sociedade, na medida em que apresentam a sua relevância social e a desvalorização da carreira, como se pode identificar na afirmação de Maranho, D. G. (06/05/2007): “A desvalorização do professor é uma realidade.” Ou na colocação feita, por Weiss, C. (18/05/2007): ao criticar os políticos. “Por que é tão fácil aumentar os salários do [sic] políticos e tão difícil reajustar o de professores e servidores?” E conforme consta na afirmação de Buthekoski, H. (03/05/2007): “Se a educação fosse algo realmente levado a sério, haveria uma equiparação de salários entre professores e o quadro superior do estado do Paraná.” _________ 5 O Artigo a que se refere o comentário foi publicado na tiragem do dia 18/05/2007, no jornal Gazeta do Povo. 8 Da mesma forma consta na comparação efetuada na opinião de Ceasars, A. (15/04/2007): “[...] Pois bem, hoje recebo um salário miserável. Estou há anos sem receber qualquer aumento. Enquanto isto, funcionários públicos do TC, de nível técnico, segundo a Gazeta do Povo de 13/4/07, estavam ganhando R$ 12.574,00 por mês.” Há que se ressaltar que em 2004 houve a efetivação de um novo plano de carreira para o Ensino Estadual, que em média reajustou salários em 33%, fato noticiado também no Jornal Gazeta do Povo naquela ocasião. Em 2007 havia uma intensa discussão dos sindicatos dos professores, do estado e da prefeitura, sobre a condição salarial e a equiparação salarial com outras categorias de servidores do estado e do município de Curitiba, como se pode ver neste trecho de notícia veiculada em outra seção do jornal: Sobre a campanha salarial, o secretário de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Paraná (APP), Luiz Carlos Paixão da Rocha, explica que a categoria reivindica um aumento de 56,94% nos salários. "Esse reajuste é para equiparar os salários dos professores com outros servidores públicos do estado do Paraná", justifica. "Além de debater sobre esse assunto, vamos avaliar o andamento das negociações com o estado", completa. KOLBACH, K (09/04/2007). Da mesma forma como fiz ao classificar outras categorias, estabeleci esta intitulada “crítica a projetos públicos” reunindo opiniões que embora também mencionassem aspectos já classificados em outros tipos, de conteúdo principal criticavam ações ou projetos do poder público que já haviam sido alvos de questionamento por parte do jornal. Esta categoria representou 9.09% das opiniões. A ação mais questionada foi a colocação de aparelhos de TV nas escolas estaduais. Deve-se considerar, no entanto, que esta polêmica foi estimulada pelo aparecimento sistemático de comentários feitos numa outra coluna do jornal, como se pode ver na colocação de Szajda, J. L. (03/02/2007): “Comentando nota da coluna de Celso Nascimento sobre licitação do governo para compra de 22 mil televisores de 29’ para as escolas estaduais...” Ou conforme aparece na opinião escrita por Schnekenberg C. A. (01/02/2007 ): “[sic] 0 coluna de Celso Nascimento (31/1) comentou sobre a sorte da empresa Cequipel Indústria de Móveis Ltda., que ganhou a licitação para fornecer 22 mil tevês de 29" para escolas...” E também na opinião de Volpe Júnior, H. (05/03/2007): “Acompanhando pela imprensa a licitação das tevês, efetuada pelo governo do estado...”; Todos estes exemplos ilustram o fato de que os 9 comentários escritos na coluna freqüentemente são emitidos sobre situações já mediadas pelo posicionamento do jornal. Identifiquei também nas opiniões, relações apontadas pelos autores entre “Educação e criminalidade”, categoria que corresponde a 7,44% dos textos. Esses autores atribuem à educação formal uma importância fundamental na prevenção e na solução da criminalidade e da violência na sociedade. Isto se pode ver na afirmação de McGillicudy, P. (28/04/2007): “[...] A falta de perspectiva diante de um sistema educacional falido, a proliferação da indústria de entorpecentes nas favelas e periferias e o desprezo da sociedade os levam à criminalidade. [...]”. Esta primeira narrativa aponta para a falta de qualidade do sistema educacional, que aliada a outros fatores empurraria o jovem carente para o mundo do crime. Logo a seguir indica como solução também a necessidade imperiosa de melhoria do sistema educacional público: “[...] A solução reside em investir nas famílias mais pobres, com um sistema educacional público que cria perspectivas e meios adequados para tratar o viciado em drogas ou álcool, [...]”. Cabe ressaltar que não apenas este autor apresentou este tipo de expectativa. No ano de 2007 uma questão estava em discussão no legislativo e foi objeto de polêmica também na Coluna do Leitor, o direito ao aborto. Estabeleci uma categoria intitulada “aborto e educação” já que havia opiniões relacionando a questão com a educação que totalizaram 3,31% dos registros como conteúdo principal. Tal situação se pode notar na afirmação de Pesso, N. B. (22/04/2007): “Conscientizar, educar e formar as novas gerações é preciso. Trabalhemos em prol da vida!”. Ou conforme aponta o escrito de Souza, S. F. (17/04/2007): [...]0 governo desistiu de educar os jovens e pretende que eles não mais procriem. Não é esta a mensagem que a distribuição de camisinhas nos colégios, em substituição a uma verdadeira educação sexual, nos propõe? Em seguida discutem a morte como opção natural, matando indefesos para justificar o conforto dos vivos. [grifo nosso]”. Por último cabe explicitar outro tipo de conteúdo central que identifiquei nas narrativas, ou seja, “diferentes conceitos sobre a educação” com 1,65% das opiniões como ilustra o exemplo a seguir: 0 suplemento especial do jornal a Gazeta do Povo -Educação e Ensino - merece louvor pela reflexão educacional das várias matérias apresentadas. Gostaria de dar minha colaboração (e de vários autores) quando se fala nesses conceitos: educação e ensino. Para a maioria 10 dos que publicam idéias, não há diferenças entre os termos. Para estes, quem ensina educa e quem educa ensina. RIBEIRO, E. E. (06/03/2007) De modo geral, a multiplicidade de visões sobre a educação, expostas nas opiniões sem muito esclarecimento, possivelmente favorece mais a manutenção dessa diversidade de conceituação, do que ajuda a informar com um conhecimento sistematizado e mais claro sobre o assunto. Por outro lado, tais confusões podem se dar, em alguma medida, também em face do pouco espaço destinado às opiniões dos leitores, não havendo a possibilidade de entabular grandes debates ou explanações 6. Complementarmente a tais limitações, cabe relembrar que também há o controle do que é publicado7 no atendimento aos interesses ideológicos do jornal. Buscando a direção da caminhada na trilha das opiniões Elaborei também uma extensa listagem de categorias onde podia encaixar as opiniões no que diziam respeito ao alvo de sua crítica ou consideração. Obriguei-me também a fazer uma seleção mais depurada que resultou na tabela abaixo. TABELA 2- ALVO DA CRÍTICA ALVO DA CRÍTICA Nº Acusações ao governo e a execução das políticas públicas 71 Educação e formação de valores na sociedade 13 Responsabilidade familiar 7 Os educadores e suas responsabilidades 6 Defesa e apoio às políticas públicas 6 Posições da igreja católica 4 Os políticos 4 Cultura da impunidade 4 Desigualdade entre a escola pública e a privada 4 O jornal Gazeta do Povo 2 TOTAL 121 FONTE: Coluna do Leitor da Gazeta do Povo, período de 2 de janeiro a 30 de junho de 2007 % 58,68 10,74 5,79 4,96 4,96 3,31 3,31 3,31 3,31 1,65 100,00 “O governo e a execução das políticas públicas” aparecem como categoria majoritária, com 58,68% das opiniões envolvendo acusações, críticas ou observações neste aspecto. _________ 6 O jornal estabelece um número máximo de 500 caracteres para os textos a serem publicados. 7 O jornal reserva-se o direito de publicar ou não os textos e também de fazer cortes de acordo com seu critério conforme a íntegra do que está publicado ao final da coluna “Em razão de espaço ou compreensão, os textos podem ser resumidos ou editados. O jornal se reserva o direito de publicar ou não as colaborações.” 11 Há que se notar, entretanto, que nestas observações que apontam falhas na execução dessas políticas, ainda se mostra muito presente o fato de que os leitores não fazem muita distinção entre esferas administrativas de governo, como se pode perceber na opinião que criticava o programa de distribuição de preservativos nas escolas, feitas por Santos, R. M. A. (15/01/2007): “[...] quem quiser transar [...] só precisa se matricular numa das escolas públicas de Curitiba [...]. Seria muito melhor que o governo investisse na educação da consciência, [...]”; também na opinião emitida sobre o sistema de cotas, efetuada por Branco, F. (09/01/2007): “[...] O que o sistema de cotas claramente projeta é que a cor da pele é um diferencial e decreta a mediocridade do ensino público. [...]”; ou na de Bordini E. (15/02/2007): “Penso que o Estado está brincando com coisas muito sérias e este diálogo, que deveria acontecer entre Estado, família e escola, não ocorreu de modo relevante. [...]”, ao comentar sobre o programa de prevenção e educação sexual lançado pelo Governo Federal. Note-se que parece não se considerar o sistema de governo representativo e as instâncias administrativas específicas8. Por outro lado o volume majoritário de situações, onde o alvo principal são as ações do governo, denota uma posição de crítica entre o que é fornecido como retorno à população na área da educação e as prioridades agendadas na execução das políticas públicas. As relações entre a “educação a formação de valores na sociedade” são apontadas como a segunda categoria em importância (10,74%) sendo que nesse caso a falta de maior profundidade, por parte dos leitores, na conceituação de educação e do conhecimento acerca da educação pública nas suas especificidades, produz às vezes avaliações superficiais ou equivocadas sobre as necessidades da sociedade nesse contexto. _________ 8 As esferas administrativas são as estabelecidas constitucionalmente, Governo Federal, Estadual e Municipal. O sistema de cotas está instituído nas Universidades Federais, não há sistemas de cotas nas escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio, já que este sistema é uma correção de caráter histórico buscando efetivar o acesso ao Ensino Superior por parte de uma população específica ― originada do período da escravidão ― que foi ao longo da história prejudicada no acesso à escolarização básica. No que diz respeito ao programa do Governo Federal de distribuição de uma cartilha de orientação e dos preservativos, até a data do comentário não havia nas escolas Estaduais e Municipais do nosso Estado nenhuma dessas máquinas e o programa ainda estava em discussão. As máquinas ainda eram um projeto piloto que estava sendo testado em algumas escolas de Santa Catarina. A polêmica foi instituída pelo jornal mais do que por uma posição da sociedade relacionada a uma ação direta do governo. 12 Observa-se que a diversidade de conceitos sobre educação também aqui se evidencia, como se pode ilustrar com a apreciação de Silva, S. S. S.(28/05/2007): “[...] em cada empresa, escola ou igreja seja designado alguém para falar da importância da separação do lixo. [grifo nosso]”. Nesse caso atribui-se à escola a necessidade de “alguém para falar” da separação do lixo. Ora, nunca houve nos programas das escolas públicas tanto trabalho com relação ao meio ambiente e sua conservação como agora9. Também nas empresas há uma crescente ação de separação do lixo, fruto desta valoração sobre a educação ambiental. Cabe ressaltar ainda que tais enfoques se encontram presentes no portal da educação da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, em vários lugares e com vários direcionamentos. O papel da família no processo educativo é citado como alvo na categoria que intitulei “responsabilidade familiar” e representa 5,79% do total das opiniões. Em geral as opiniões vêm carregadas de uma forte crítica sobre a forma como a atuação familiar se exerce atualmente na população, especialmente nos estratos mais economicamente favorecidos. Exemplo desse tipo de narrativa se encontra no alerta de Sousa S. F. (11/04/2007): “[...] Pais que cedem à filosofia light (realizar atos livres sem arcar com suas conseqüências) condenam seus filhos à uma vida insegura, triste e mentirosa,[...]”. Ou na opinião de Silva B. N. (12/04/2007): “[...] Os pais devem controlar desde a saída de seus filhos em festas até seus relacionamentos on-line, [...]”. Ou no trecho a seguir: 0 ponto crítico está, e sempre esteve, na educação. Filhos que crescem com o amor da família, que são educados desde seus primeiros meses de vida, serão obedientes, honrarão seus pais, respeitarão o próximo e levarão uma vida social saudável, sem se envolverem com as doenças do mundo. Por meio do amor, carinho e respeito mútuo não há como não adquirir a confiança de filhos, pais, amigos, empregados, etc. LUZZI, J. F. (14/04/2007) Com relação à educação escolar, as “responsabilidades atribuídas aos educadores” são colocadas muitas vezes acima do que é tarefa do professor, representando na pesquisa 4,96% das narrativas. Por exemplo, coloca-se a _________ 9 A Gazeta do Povo publicou muito pouco sobre os programas ou as ações do governo, principalmente do Estadual, em razão de divergências políticas com o mandatário do executivo Estadual. Quando fez publicações nesse sentido em sua maioria eram críticas voltadas às ações deste. 13 imagem do professor em cheque, através de situações mal explanadas ― às vezes sem qualquer verificação junto à escola para saber o que realmente aconteceu. Como na interrogação feita por Carneiro, G. (14/06/2007): “[...] Os professores são contratados para educar ou ridicularizar seus alunos?” Tal Interrogação foi efetuada sem conhecimento efetivo do ocorrido, como constatado ao verificar-se uma resposta da escola, publicada dias depois, na mesma coluna, com o seguinte teor: “Salientamos que em nenhum momento os responsáveis pelo aluno que ela diz ter sido ridicularizado em sala de aula, procuraram a direção ou serviço pedagógico [...]”. BANDEIRA S. J. (19/06/2007). Opiniões em “defesa e apoio das políticas públicas” perfazem 4,96% das opiniões pesquisadas. Tal fato se pode exemplificar nas afirmações de Zanchi, C. C. (13/01/2007): “Apesar das opiniões radicalmente contra, [...] o programa de distribuição de camisinhas é uma medida efetiva. [...]”. E também de Archetti, R. M.(05/02/2007): “É excelente, a medida que o governo pretende tomar, de implantar uma máquina fornecedora de camisinhas nas escolas.[...]”, ambas exemplificando narrativas que se contrapõem às opiniões contrárias, majoritárias na coluna. A discussão nacional sobre o direito ao aborto e suas relações com a educação trouxe para a Coluna do Leitor várias opiniões, que totalizaram 3,31%. As “posições da igreja católica” com relação ao tema foram polêmicas e geraram opiniões de contestação e apoio, como ilustra a colocação abaixo contrária a postura da igreja: Controle de natalidade, educação sexual nas escolas, experiência com células troncos, aborto assistido e distribuição de preservativos para ajudar conter o vírus HIV é "política humanitária". [...] É claro que a Igreja tem seus dogmas e é contra a aplicação dessas políticas [...] É dever do Estado aplicar políticas que estabeleçam metas para amparar, assistir as vítimas e prevenir o caos que uma superpopulação doente, trôpega e despreparada ocasiona a sociedade [...] Vieira, W. (10/05/2007 grifo nosso) Já a seguir apresento um posicionamento favorável em defesa da instituição religiosa proferido por Los, I. J. (16/03/2007): “Solidarizo-me plenamente com a carta de [sic] professor Paulo Sertek sobre educação sexual (13/2). Gostaria de lembrar que a Igreja Católica não só não foge do tema, mas aprova e promove o planejamento familiar natural [...]”, apontando uma matéria, publicada em outra seção do jornal sobre o tema do aborto e da educação sexual. 14 “Os políticos”, por sua atuação, são colocados como alvo (3,31% das opiniões) representando um fator de influência na atual situação do ensino público. Embora questionamentos implícitos, indiretos com relação à sua atuação sejam freqüentes associados à outras categorias, também este tipo foi estabelecido em razão da crítica direta que às vezes aparece a estes mandatários. Seu comportamento é exemplificado em observações como a de Weiss, C. F.(18/05/2007): “[...] é tão fácil aumentar os salários do [sic] políticos e tão difícil reajustar o de professores e servidores? E também de Barbosa, L. (04/06/2007): “[...] uma caterva de políticos que não fazem outra coisa a não ser tungar a nação? Roubam tudo que podem, e não sobra [sic] recursos para investimentos em áreas como educação de qualidade [...]”. E mesmo no comentário, efetuado sobre o artigo publicado pelo Senador Cristovam Buarque, por Alcântara, L. M. (10/06/2007): “[...] o professor diz o que a enorme maioria dos políticos brasileiros se recusa a enxergar: ‘A maior causa do fracasso, apesar do acesso’, é que mesmo os letrados ignoram a diferença entre acesso e sucesso’[...]”. Todos estes comentários estabelecem uma ligação direta entre a ação dos políticos e a qualidade da educação brasileira. Outro alvo que identifiquei nas opiniões, com a freqüência de 3,31%, foi o de “Cultura da impunidade”. Embora a violência seja uma temática associada com freqüência à educação, é a impunidade que parece incomodar mais, mesmo nos atos mais simples, como se pode observar na reclamação contra a pichação, dirigida aos políticos, e que atribui um papel de responsabilidade à escola para solução do problema, proferida por Minozzo, H. (18/05/2007): A pichação é um meio fácil e rápido para atingir o público desejado? Sim, e os candidatos a cargos públicos são os que mais usam desse meio. [...] Na prefeitura me foi dito que cada proprietário é responsável pela limpeza de seu muro [...] É uma questão de educação. Sugiro que as escolas, em todos os níveis, possam refletir e buscar formas de deixar as nossas cidades mais limpas. Não tendo uma posição satisfatória para a sua queixa o cidadão coloca-se na expectativa de que a educação venha a produzir, ao longo do tempo, soluções mais adequadas para o problema. As “desigualdades entre a escola pública e privada” na educação são colocadas pelos que opinam na Coluna do Leitor com certa carga de preconceito e de desconhecimento sobre a sua realidade. Pudemos perceber isto em afirmações 15 como a efetuada por Galvão,M. (08/02/2007): “[...] É paradoxal ter em mente que as crianças não devam carregar muito peso se nas escolas públicas, muitas vezes, nem material escolar elas têm.[...]. De fato existem crianças que vão às escolas públicas e que se encontram em situação de extrema carência, mas isto não significa que a escola não venha suprindo algumas demandas com programas suplementares para garantir a sua permanência. Temos em nosso país um dos maiores programas do mundo de distribuição de livros didáticos para os alunos das escolas públicas. As escolas realmente efetuam um esforço muito grande para garantir, através de suas Associações de Pais Mestres e Funcionários (APMFs), o material básico para seus alunos. Também a desigualdade de tratamento encontra-se na afirmação de Lisboa, M. (30/06/2007): “Criança é futuro? Mas em que classe social? As crianças que estudam na Escola Estadual ‘x’ [...] estão expostas a uma ‘tragédia anunciada’ por motoristas irresponsáveis, diariamente, quando atravessam esta movimentada avenida. [...]”. O autor refere-se à necessidade de maior atenção dos motoristas para com a velocidade dos carros quando estão próximos de uma escola. Esta situação, no entanto, ocorre também nas escolas privadas situadas próximas de avenidas movimentadas. Neste caso o autor aponta, talvez não intencionalmente já que dirige-se aos motoristas, um fato preocupante, o de que realmente há uma diferença de tratamento entre a escola pública e privada nesta situação. Há um programa da polícia militar do estado do Paraná que atende o trânsito na entrada e saída de escolas da capital que surpreendentemente atende prioritariamente as escolas privadas. O leitor em sua opinião revela a percepção da existência dessa diferença de tratamento na situação da educação pública. Por último, o “jornal Gazeta do Povo” foi criticado em opiniões dos leitores, perfazendo 1,65% das opiniões. São leitores que cobraram mais espaço destinado aos comentários sobre a educação, como demonstra uma opinião escrita por Albuquerque, R. E. (06/06/2007): “[...] senti falta do defensor da educação, assunto que a todos deve preocupar. [...]”. Ele refere-se à ausência da publicação do artigo do Senador Cristovam Buarque no dia 1º de junho de 2007. E de outro lado a opinião de Marins, A. S. (07/03/2007): “[...] A Gazeta do Povo deveria dar espaço para todas as opiniões, não só aos que estavam a favor da decisão do TJ. [...]”. No caso ele questiona a parcialidade do periódico no tratamento dado às publicações 16 das opiniões referentes à decisão judicial emitida na questão da idade de matrícula no Ensino Fundamental de 9 anos. Encontrando sentidos para a caminhada O enquadramento dos tipos de enfoque dado às opiniões pelos seus autores foi a mais trabalhosa das classificações a ser elaborada. É especialmente neste aspecto que buscamos tentar encontrar o representativo da verdade ou das verdades que se estabelecem sobre a educação pública e se multiplicam, alicerçadas pelo alcance do veículo midiático que ora analisamos: “A ‘verdade’ está circularmente ligada a sistemas de poder, que a produzem e apóiam, e a efeitos de poder que ela induz e que a reproduzem.” (FOUCAULT, 1979, pg. 11) E estes aspectos da verdade também são publicados no Jornal Gazeta do Povo, veículo midiático reconhecido socialmente como uma forte expressão do verídico. Assim “por muitas que sejam as verdades o que importa é ver que cada uma delas [...] funciona a seu tempo e lugar como a expressão última do verdadeiro. (GOMES, 2003, pg.40). Nessa direção, então, após uma classificação extensa, obtida depois de minuciosa leitura de todas as opiniões selecionadas, elaboramos uma tabela de onze categorias, com os principais enfoques dados aos textos pelos autores da Coluna do Leitor. TABELA 3- ENFOQUE DADO ENFOQUE DADO Nº Indignação ou revolta 24 Catastrofização 22 Caráter redentor da educação 18 Apoio, incentivo e solidariedade 16 Contrariedade e oposição 14 Aconselhamento 8 Ironia 7 Inconformidade, incerteza e descrédito 7 Outros 5 TOTAL 121 FONTE: Coluna do Leitor da Gazeta do Povo, período de 2 de janeiro a 30 de junho de 2007 % 19,83 18,18 14,88 13,22 11,57 6,61 5,79 5,79 4,13 100,00 17 Pudemos verificar que a maior parte dos textos revelava uma posição de “indignação ou revolta” em relação à situação comentada, sendo que esta visão respondeu por 19,83% das opiniões. Buscamos o mais possível isolar aquelas situações em que se caracterizava o enfoque mais preponderante. Tal situação aparece bem destacada na afirmação escrita por Zampler, J. (09/02/2007), “[...] Se outros pais estão tão indignados quanto eu, que se manifestem. [...]” em comentário efetuado sobre posição do Conselho Estadual de Educação relativo à implantação de ensino de nove anos. Ainda comentando sobre a mesma situação, na mesma direção vai a colocação feita por Obladen, L. F. (24/01/2007): “[...] as famílias prejudicadas [...] são pacatas, ordeiras e trabalhadoras. Elas não têm tempo para passeatas e manifestações, [...] Mas paciência tem limite.” Estas manifestações de indignação e revolta em geral apontam para o poder público mal gerenciado e colocado a serviço de interesses de grupos ou mesmo pessoais. Isto se pode identificar nas opiniões que questionam a aplicação de recursos públicos, como a expressa abaixo: [...] Ficamos mais revoltados ainda quando comparamos valores investidos em pequenos municípios, onde estudam milhares de crianças em precárias condições, com valores desviados pela [sic] quadrilhas de colarinho-branco. SOUSA, M. J. (28/04/2007) Ou nas opiniões que questionam as relações de personalismo na gestão da coisa pública, como a expressa por Mattos, L. F. P. (03/03/2007): “[...] Deixam problemas pessoais interferirem nas políticas públicas em vez de investirem em saúde e educação. Até quando vamos deixar isso acontecer? [...]” Outro tipo de enfoque que encontrei foi o da “Catastrofização”. Nessa categoria encontravam-se 18,18% das opiniões. Essas narrativas revelam uma visão aterradora da realidade educacional, produzindo um “caos” que parece quase impossível de se alterar, como se pode perceber na fala de Augustiniak, O. (25/01/2007): “[...] Nós, educadores, precisamos tomar cuidado para que, depois das ‘máquinas de camisinhas’, as escolas não se transformem em motéis.” Este alerta parece desconsiderar totalmente a capacidade e o bom senso dos professores, de uma maneira geral, e ainda coloca como irresponsável a gestão do sistema escolar. Esta não é uma opinião isolada, pois o mesmo tom catastrófico está na opinião de Los, I. J. (17/01/2007): “[...] tais incentivos à prática do sexo precoce 18 podem transformar as nossas escolas em bordéis.[...]”; ou de Santos, R. M. A. (15/01/2007): “[...] quem quiser transar e tiver mais de 14 anos, só precisa se matricular numa das escolas públicas de Curitiba [...] jamais imaginei, como pagante de impostos, ser patrocinadora da promiscuidade dos adolescentes.” Estas colocações apresentam o ambiente escolar como um “antro pecaminoso”, exposto ao sexo sem controle, abrigo de perversões que fugirão à normalidade. Estes enfoques vêm em contrário de outro tipo de pensamento que apresentou um índice de ocorrência de 14,88%, que é o “caráter redentor e salvacionista” da educação na sociedade. Nesta abordagem todos os problemas serão solucionados através da educação, seja ela a familiar ou a escolar ― como já foi afirmado anteriormente não se faz uma diferenciação clara a esse respeito. A educação, então, seria a solução de abrangência suficiente para que todas as dificuldades do viver e conviver na sociedade fossem resolvidas. Isto fica bem explícito na afirmação de Santana, J. K. (06/03/2007), “Em vez de se aplicar verbas extras em segurança, presídios, mais policiais e agentes penitenciários, seria muito mais produtivo investir na educação dos jovens, principalmente no ensino fundamental.” Tal enfoque vem na mesma direção da antiga idéia de que se construirmos escolas não seria necessário construir prisões. Não se pode negar que a escolarização é um fator importante para a diminuição da criminalidade, mas não é uma panacéia milagrosa para as diferenças sociais e as transgressões às regras estabelecidas. Ainda assim a educação é encarada como o grande “remédio social”, como se pode identificar no texto de Germiniani, C. L. B. (12/03/2007): “[...] como conseqüência do bárbaro assassinato de um menino indefeso, muitas vozes clamam por reformas urgentes, capazes de devolver tranqüilidade à nação. Obviamente a solução ideal dependeria de melhorias do sistema educacional, [...]”. A opinião, que comentava sobre a necessidade de redução da idade de responsabilidade penal, coloca também expectativas de salvação pela via da educação. Mas a formação da criminalidade envolve também outros fatores que teriam que ser resolvidos, tais como a falta de moradias, o tráfico de drogas, o desemprego, a ampla desigualdade social, as expectativas e necessidades criadas pela sociedade de consumo. As opiniões de alguns leitores apresentaram um enfoque de solidariedade e incentivo, ora aos educadores, ora as ações do governo. Decidi estabelecer uma categoria em que estas narrativas estivessem representadas, já que apresentavam 19 uma freqüência considerável (13,22%), denominando-a “apoio, incentivo e solidariedade”. Um exemplo é a narrativa seguinte, posicionando-se em apoio aos educadores, proferida por Chagas, E. (26/02/2007): “Quem achar muito R$ 1.194,48 para o salário de educador, que experimente passar o dia inteiro cuidando de crianças e adolescentes, [...]”, defendendo o aumento de salários dos professores do município. Ou a defesa do governo estadual efetuada por Szajda, J. L. (03/02/2007): ”[...] 0 leitor comete uma injustiça com o governo e induz a sério erro de julgamento os demais leitores. Os aparelhos que vão para as salas de aula, como li na imprensa local na época em que o programa foi anunciado, não são comuns.[...]”, posicionando-se favoravelmente ao programa de colocação de TVs nas Escolas Estaduais do Paraná, o que indica que nem todas as críticas ao poder público são publicadas sem alguma contestação. As opiniões que apontavam mais definidamente “contrariedade e oposição” representaram 11,57% das opiniões, estando principalmente direcionadas às medidas tomadas pelo Conselho Estadual de Educação com relação à implantação do ensino de nove anos, tal como exemplifica a vociferação que segue. “A lei federal que instituiu o ensino fundamental de 9 anos teve por objetivo a inclusão. O prazo para que os estados coloquem esta lei em vigência expira em 2010. O Paraná resolveu implantá-la já.[...] Cabe aos pais defender o direito destas crianças contra medidas autoritárias e equivocadas. PAIVA, M. A. (26/01/2007) Vários foram os questionamentos de contrariedade em relação à “idade de corte” na faixa etária, para matrícula no primeiro ano do ensino Fundamental de 9 anos, estabelecida pelo CEE do Paraná. Ficou também evidenciado que a periodização escolar e o desenvolvimento psico-biológico e social da criança ainda são temas que vêm carregados de lugares comuns, com a falta de maior conhecimento por parte dos opinantes. A ponto de uma importante figura no cenário empresarial se posicionar a respeito expressando autoridade nesta área, como fica evidenciado no comentário de Pereira A. M. S (29/03/2007): “[...] Como disse Antônio Ermírio de Moraes no artigo publicado pela Gazeta em 25/3, apareceram ótimas notícias na educação: a volta do velho e eficiente sistema de avaliação com notas de 0 a 10 [...]”. Outra categoria que aponto é a que denominei de “aconselhamento”, com 6,61% das opiniões. Um dos textos que exemplifica a situação é o postado por Minozzo, H. (18/05/2007): “[...] Sugiro que as escolas, em todos os níveis, possam 20 refletir e buscar formas de deixar as nossas cidades mais limpas. [...]”, tratando inicialmente de pichações e pichadores. Neste enfoque a crítica vem acompanhada de sugestões e conselhos para que o encaminhamento de soluções na sociedade se conduza de acordo com as expectativas individuais do leitor que opina. Cabe explicitar também um tipo de enfoque que estabeleci como sendo de “ironia”, que em razão de suas ocorrências (5.79%) e de seu conteúdo “ácido”, entendi que deveria ser uma categoria em separado. Uma interrogação que exemplifica a situação é a emitida por Teixeira, M. (13/03/2007): “[...] Parece que o presidente do conselho, Romeu Gomes de Miranda, está querendo questionar a decisão da Justiça.[...] Onde o sr. Miranda, que tem um cargo passageiro, está querendo chegar?” Alguns enfoques de “inconformidade, incerteza e descrédito” aparecem nas narrativas, representando 5,79% das opiniões, e podem ser ilustrados com a opinião de Rigoni, C. L. (22/05/2007): [...] No domingo, na tevê, uma professora destacava a importância dos livros para formação de futuros leitores [...] separei vasto material e, pelo 156, ofereci à prefeitura de Curitiba. Até hoje tais caixas sobrecarregam os corredores. Sem resposta, recorri à chamada da Escola Flávio Ferreira da Luz (Bairro Novo), mas também não vieram buscar. A quem interessar, estou doando os livros. Esta autora mesmo dispondo-se a doar parte de seu acervo constata que, num primeiro momento, nem a prefeitura e nem mesmo uma escola interessa-se pelo material. Inconformada explicita que doará o material para quem quer que seja. Por último, cabe explicitar uma categoria que estabeleci com o título de “outros”, totalizando 4,13% das opiniões,ou seja, 5 opiniões reunindo enfoques de saudosismo, retratação, espanto e interrogação. Nos enfoques de saudosismo podese notar um sentimento de volta ao passado e de busca de uma época que já não é a realidade de hoje como consta na opinião de Bordini, E. (02/06/2007): “[...] Talvez as escolas separadas ajudassem homens e mulheres a reencontrar suas identidades perdidas. [...] Seria mais que justo que os pais pudessem optar por escolas mistas ou separadas, segundo o que acharem melhor para os filhos.” A proposição é de uma volta ao antigo sistema de turmas separadas só de meninos ou só de meninas. Em “outros” tipos, houve também uma opinião de “retratação”, relativa a uma acusação publicada, e que foi posteriormente objeto da retratação conforme 21 exemplifica o texto apresentado por Carneiro, G. (19/06/2007): “[...] Portanto, peço desculpas ao professor e ao colégio pelos transtornos causados.[...]”. E finalmente há o exemplo de uma opinião que expressava espanto e interrogação a respeito dos resultados do Enem, colocada por Santarosa. S. D. (09/02/2007 ): “[...] 0 que está havendo com o ensino médio de nossa capital universitária e ecológica? Nossos colégios não são bons? No final da trilha uma pequena clareira A Coluna do Leitor da Gazeta do Povo é um espaço destinado a dar a voz, àqueles que ao ter contato com o periódico, possam comentar, debater, adicionar, continuar as questões colocadas pelo Jornal. Permite também, com bastante controle, a colocação de assuntos ou temas que não estão publicados regularmente nas suas tiragens. É importante ressaltar, entretanto, que o Jornal faz parecer sempre que aquele espaço é destinado à ser uma espécie de tribuna livre, o que não é verdade. No entanto, o controle colocado sobre o que pode e o que não pode ser publicado na coluna, através do filtro da edição, eliminam ou regulam significativamente a liberdade de opinião que o leitor pode pensar ter ao propor seus escritos. Assim, a figura midiática Gazeta do Povo pode ser entendida enquanto parte de um sistema de poder. Para qualquer pessoa mais atenta, é bastante evidente o agendamento do mundo que é realizado pela mídia em geral; não se trata de demonizá-la, seria uma ingenuidade e mesmo uma injustiça, mas é certo que associando o que é atual ao que é de “interesse geral” ela produz a generalidade de tal interesse e a si mesma como a leitura comum da atualidade. (TUCHERMANN 2005, p. 45) Constituindo-se em maquinaria de reproduzir e ampliar a produção da verdade ou das verdades, a opinião do leitor então passa a fazer parte deste jogo. Ao posicionar-se o leitor o faz em sua maior parte sobre o já proposto para a polemização nas notícias publicadas ou nos temas que o periódico enfoca. 22 Também o direcionamento das críticas e observações que circulam publicadas vem carregado das considerações já demarcadas nas características sócio-econômicas e culturais de quem compra ou assina o Jornal. No que diz respeito à educação pública as considerações são em geral limitadas pelo espaço disponibilizado pelo periódico e pelas características da coluna. De uma maneira bastante ampla o conteúdo referente à educação pública vem mesclado à outras situações do cotidiano ou à outras questões polemizadas pelo Jornal. Alguns assuntos específicos da esfera educacional, tanto dos sistemas públicos como privados, aparecem com mais freqüência quando se instala um debate acirrado que envolve interesses particularizados de grupos ou estratos sociais distintos. Nesse aspecto, o Estado e as políticas públicas é o que mais aparece como alvo dos questionamentos, tanto no que diz respeito às suas ações diretas como as ações indiretas desencadeadas pela ação política da sociedade. Desta forma dá para perceber que, mesmo tendo participado nas definições políticas que estabelecem o governo, o leitor posiciona-se criticando os políticos e suas ações em condição de exterioridade da questão. Como não tivesse qualquer responsabilidade pelo fato dos indivíduos estarem nesta ou naquela posição política. Este fenômeno acontece também com relação às instituições de maneira geral, mais especificamente as escolares. O leitor não tem uma visão bem clara das diferentes esferas administrativas que gerenciam a escolarização do brasileiro e emite opiniões bastante imprecisas sobre estas. Daí ser possível afirmar que as críticas nem sempre estão vinculadas a uma posição organizada em torno de uma real busca de transformação. Percebe-se que há uma ampla aspiração, até certo ponto “revolucionária”, pelas transformações que podem advir de uma melhoria no sistema educacional. Isto aparece como um clamor geral, mas ao mesmo tempo há um clima de desconfiança, descrédito, revolta e indignação na ação da escola, como se pode ver nas discussões sobre a educação sexual no ambiente escolar e na proposição de alteração da periodização para o ensino de nove anos. Nesse caso a escola, em especial a escola pública, não é considerada capaz de fazer um trabalho à sociedade, que tanto espera dela. As colocações as vezes desenham uma situação de caos, tragédia ou ameaça geral, diante da idéia de 23 permitir por exemplo, que a escolarização esclareça situações que a nossa cultura sempre tratou no âmbito da moral e não da racionalidade do conhecimento. Ou que a escola possa dar conta de construir outras metodologias, aperfeiçoar sua ação pedagógica, individualizar as práticas educativas, considerar o desenvolvimento da criança, como no caso das críticas a implantação do Ensino Fundamental de 9 anos. A instituição escola pública, entretanto, raramente utiliza-se da contraposição à este perfil de senso comum que se vai formando sobre ela e instituindo-se como verdade na sociedade. Os sistemas de educação pública, em todos os seus redutos administrativos, todos os anos formam uma quantidade imensa de cidadãos que fazem uso dos recursos ali adquiridos, para seguir suas vidas dentro do modus vivendi aceitável socialmente. E cabe ressaltar: sem fazer parte do caos premonizado por algumas opiniões. O tom de alerta indignado ou catastrófico de muitas das opiniões é na verdade em geral um chamamento à renovação das “disciplinas” (FOUCAULT, M. 2004. p. 179) que novamente ordenarão as multiplicidades, agora liberadas com a possibilidade de uma presença estranha ― a máquina de camisinhas ou a cartilha de educação sexual ― adentrar ao ambiente escolar para “dialogar” livremente com seus usuários, sem a intermediação vigilante e ordenadora sobre e do aparelho escolar. A pretensão desta pesquisa não era a de constituir-se num tratado. Esta é uma análise que não se esgota neste momento, pois deve ser vista como sendo as primeiras observações de caráter mais analítico sobre esta questão. Foi até o momento um trabalho exaustivo que demandou leituras sucessivas e minuciosas de cada opinião selecionada como material empírico, com inúmeras reorganizações e redirecionamentos tendo em vista cada nuance expressa pelos seus autores. O jornal Gazeta do Povo, escolhido por sua capacidade de influência, deve continuar sendo objeto de maiores aprofundamentos analíticos e estudos. As discussões ocorridas, por conta do encontro de implementação do PDE, com diretores de três Escolas Públicas da Rede Estadual, do Município de São José dos Pinhais, realizado em 20/03/2009, já prenunciaram resultados significativos que ampliaram a importância deste trabalho. Tais diretores consideraram muito relevante a necessidade do acompanhamento sistemático e organizado da mídia, naquilo que 24 ela expõe sobre a educação pública, além de expressarem que o caminho empreendido neste estudo é novidade para eles. Estes gestores revelaram também que as considerações expressas nesta pesquisa se configuram como importantes, diante do assédio que os estabelecimentos de educação pública vêm sofrendo, ultimamente, por parte da mídia. Esta, na sua busca de notícias espetaculares vem aproximando-se destes gestores e em muitos casos encontra-os vulneráveis às manobras efetuadas para criar a manchete ou a polêmica que interessa ao jornal, mais do que propriamente movidos pelo interesse de informar à sociedade. Os gestores participantes desta atividade foram unânimes em reconhecer a validade do estudo e a necessidade de sua divulgação como instrumento de gestão. É importante dizer que reconheceram o fato de que com relação à mídia, é preciso compreendê-la, decifrá-la, dissecar seus mecanismos, perceber seus efeitos, entender sua lógica operativa, apropriar-se de seus truques e artimanhas, para poder enfrentá-la ou desmascará-la. E o mais importante em tudo isso,indicaram a necessidade de transferir este conhecimento aos nossos alunos e às nossas comunidades. Nesse contexto, é necessário continuar a pesquisar, conhecendo e constituindo mais instrumentos que possam servir de apoio para que as escolas públicas de Curitiba, do Paraná e do Brasil possam ao menos identificar mais precisamente e fazer uso das considerações efetuadas sobre si, pela comunidade externa a seus muros, para então apropriar-se disso e colocar esses mecanismos a favor de seu trabalho. 25 Opiniões cujos trechos foram citados ALBUQUERQUE, R. E. Cadê o Senador. Gazeta do Povo, Curitiba, 06/06/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11. ALCÂNTARA, L. M. Educação. Gazeta do Povo, Curitiba, 10/06/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11 ARCHETTI, R. M. Preservativos. Gazeta do Povo, Curitiba, 05/02/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11. AUGUSTINIAK, O. Preservativo na escola. Gazeta do Povo, Curitiba, 25/01/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 9. BANDEIRA, J. S. Escola 1. Gazeta do Povo, Curitiba, 19/06/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11 BARBOSA, L. Violência. Gazeta do Povo, Curitiba, 04/06/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11 BORDINI, E. Preservativos 2. Gazeta do Povo, Curitiba, 15/02/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11. ___________ Preservativos na Escola. Gazeta do Povo, Curitiba, 27/01/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 9. BRANCO, F. Cotistas. Gazeta do Povo, Curitiba, 09/01/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 9. BUTHEKOSKI, H. Educação. Gazeta do Povo, Curitiba, 03/05/2007. Coluna do Leitor, Caderno Opinião, pag. 11. CAESARS, A. 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