RESIDÊNCIA EM PSICOLOGIA: SUA IMPORTÂNCIA, FUNCIONAMENTO, DEMANDA, COMPROMETIMENTO E ÉTICA Juliana Lima ([email protected]) Larissa de Freitas ([email protected]) RESUMO: O presente trabalho objetiva fazer um breve apanhado sobre a história da residência, como tendo suas raízes na medicina com o cirurgião Willian Halsted e como esta foi sendo apropriada pela psicologia. Em um segundo momento, apresentamos o programa de Residência em Psicologia Clínica e da Saúde, indicado à profissionais com registro ativo no CRP, os quais terão que cumprir 728 horas de atendimento clínico, 54 de supervisão e 108 horas de confecção de relatórios. Por ser um programa relativamente recente ele foi permeável a discussões dos profissionais implicados que visavam torná-lo mais eficaz como ferramenta de formação do psicólogo, bem como mais ético as pessoas que usufruem do serviço prestado (comunidade de baixa-renda e encaminhamentos do SUS) PALAVRAS-CHAVE: Residência, Psicologia Clínica, formação Os programas de residência em psicologia têm sua origem fundamentada nos programas de residência em medicina, tal nome residência se origina, pois o estudante de medicina deveria, de fato, residir no hospital para receber o treinamento na área escolhida. Assim sendo a residência se define como um curso de pós-graduação que forma o especialista por meio da prática, da educação em serviço. (GORAYEB, 1985) Tal modalidade de especialização tem suas origens com a medicina no final do século XIX, com Willian Halsted, nos Estados Unidos, ele sistematizou um modelo de residência pois acreditava que os médicos necessitavam de uma formação mais sólida. No Brasil, a residência tem seu início nos anos 40. Ela implicava em intensa dedicação e vivência do cotidiano hospitalar, bem como aperfeiçoamento técnico e teórico, algumas residências por exigirem dedicação exclusiva possibilitam até remuneração. (FERREIRA, 2001) A forma de entender o campo da saúde modificou-se ao longo dos anos, fazendo com que o os cuidados com a saúde ultrapassassem as fronteiras da medicina e do hospital, assim e houve a necessidade e reconhecimento da importância da ampliação do sistema de residência para as demais áreas da saúde, dentre elas a psicologia. (GORAYEB, 1985) O psicólogo tem sido reconhecido por sua importância na promoção de saúde e melhoria da qualidade de vida das pessoas vinculadas a instituições. Essa prática ainda está sendo construída, já que somente a partir da década de 60 os psicólogos começaram a trabalhar em hospitais. (GORAYEB; GUERRELHAS,2003) No Brasil, as possibilidades mais comuns de residência em psicologia são hospitalar e a multidisciplinar em saúde da família, fazendo com que a residência em Psicologia Clínica seja pioneira no ramo e em sua estrutura. A “Residência em Psicologia Clínica e da Saúde” oferecida pelo Centro Universitário Filadélfia é um curso de especialização sob a forma de residência a qual visa oferecer aos psicólogos viver de forma intensa a prática em psicologia clínica dentro de uma clínica credenciada pelo Sistema Único de Saúde - SUS. Esta experiência tornou-se rica, pois por ser um programa recente, ele pode crescer juntamente com os residentes, que visavam transformá-lo em uma ferramenta de formação ainda mais eficaz e ética, levando em consideração a escassez de programas direcionados a esta área. A seleção para esta residência ocorre anualmente via entrevistas e análise de currícul, são abertas em geral 20 vagas e a uma parcela variável são concedidas bolsas integrais (o residente fica isento de pagar pelo curso). Este programa tem duração de um ano, em qual cada residente deverá cumprir um total de 884 horas, sendo elas divididas em 728 horas de atendimento clínico, 52 horas de supervisão e 104 horas de confecção e apresentação de relatórios. Os atendimentos e as supervisões são realizados a partir da abordagem de escolha do estudante (Psicanálise, Comportamental ou Humanismo). Os atendimentos clínicos realizados são individuais ou em grupo, e tem como público alvo os encaminhamentos do SUS da cidade de Londrina, bem como pessoas da comunidade que deixam seu nome na lista de espera da clínica através de contato direto por telefone ou pessoalmente, pagando pelos atendimentos um valor simbólico variável entre 4 a 12 reais por sessão, conforme a renda mensal familiar. Tais atendimentos são realizados no Centro de Educação para a Saúde – CEPS, que além dos atendimentos psicológicos, conta com atendimentos de estagiários em nutrição. Também é oferecido pelo CEPS consultas com um médico psiquiatra, o qual apenas atende os casos encaminhados pelos psicólogos residentes. Durante o ano ocorreram diversas reuniões que objetivavam repensar o modo como a residência estava sendo feita, seus efeitos, aspectos éticos e inclusive a relação entre funcionários e atendidos (por exemplo, relação entre secretárias e pessoas que procuravam o serviço). Um dos efeitos que tiveram que ser discutidos foi a possibilidade dos atendimentos pela residência estarem representando um meio de concorrência para os demais psicólogos da cidade de Londrina, visto queeram cobrados preços acessíveis e oferecidos atendimentos por psicólogos formados, com registro ativo no CRP, e que dependendo do caso teria atendimento gratuito com um psiquiatra. Como não se tratava de forma alguma do objetivo do programa, foi proposta como uma saída possível o estabelecimento de uma renda familiar máxima (R$ 1500, 00), visto que o real objetivo do programa além da formação de profissionais seria oferecer o atendimento a encaminhamentos do SUS e a comunidade que precisa, mas que financeiramente se encontra impossibilitada de ter acesso a serviços de saúde mental da ordem particular. Outro ponto pensado nas reuniões foi a possibilidade de colocar a análise ou terapia do psicólogo candidato a residente como um requisito no momento da seleção, visto que o profissional irá se deparar com casos graves e que o questionam. Muitos não deram conta durante a experiência da residência e alguns chegaram até mesmo a abandonar a residência sem comunicar perviamente as pessoas que estavam sendo atendidas ou realizar um trabalho de desligamento. Conclui-se que a aprendizagem em psicologia clínica ocorre através de supervisões, atendimentos clínicos na clínica-escola da instituição e de estudos. Portanto, este trabalho desenvolvido através da Residência em psicologia clínica e da Saúde apresenta uma relevância em amplos aspectos ao promover o ensino, a pesquisa e a extensão de serviço à comunidade. REFERÊNCIAS FERREIRA, Ademir Pacelli. A residência hospitalar como modalidade de especialização em psicologia clínica. Psicol. cienc. prof. [online]. 2001, v.21, n.2 [citado 2012-03-05], pp. 2-9. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141498932001000200002&lng=pt&nrm=iso>. Acessado em: 20 de julho de 2012. GOYAREB, R., Guerrelhas, F. Sistematização da Prática Psicológica em ambientes médicos. Revista Brasileira de terapia Cognitiva e Comportamental. v. 5. n 1. P. 1119, 2003. GOYAREB, R. Residência em Psicologia Clínica. Cadernos Fundap. a. 5, n.10, p. 6668, São Paulo, 1985.