Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
OS LUSÍADAS, DE LUÍS DE CAMÕES:
BREVE VIAGEM ESTRUTURAL
Regina Michelli∗
RESUMO: Esta obra narra uma história magnífica. O livro refere-se a uma viagem
através de “mares nunca de antes navegados”: a descoberta do caminho marítimo para as
Índias pelos portugueses. Estruturalmente, Os Lusíadas pode ser dividido em quatro planos: ideológico (abarcando os pensamentos e comentários do Poeta), referencial (sobre a
viagem portuguesa), mítico (focalizando os deuses da mitologia romana) e histórico (abordando a História de Portugal). Este artigo pretende apresentar um breve comentário sobre a
obra e uma visão estrutural dos dez cantos que a compõem.
ABSTRACT: This work tells a magnificent history. The book concerns about the trip
through “seas never navigated before”: the maritime way to Indian’s discovery by Portuguese men. Structurally. Os Lusíadas can be divided into four plans: ideological (showing
the Poet’s thoughts and comments), referential (about the Portuguese trip), mythological
(focusing the Gods of roman mythology) and historical (about Portuguese History). This
paper intends to present a brief comment about the book and a structural view of the ten
cantos which compose it.
Palavras-chave: Literatura Portuguesa, Luís de Camões, Os Lusíadas, análise estrutural.
Keywords: Portuguese Literature, Luís de Camões. Os Lusíadas, structural analysis.
A leitura d'Os Lusíadas é um convite a singrar, tal como os argonautas portugueses, mares
sempre belos e doadores de revelações, enigma
que se refaz a surpreender e a encantar os que ousam seguir o seu canto, percorrer os seus cantos,
sempre com um novo olhar.
Basta cerrar os olhos para acompanhar o Gama e seus homens. Visualiza-se, pelas palavras do
capitão ao rei de Melinde, a partida – dolorosa –
de Belém, onde ecoa a voz emocionada e emocionante do Velho do Restelo, o choro de mães e
esposas; todos compreendem o risco da aventura,
pressentem o perigo que cerca a busca da ventura
humana. Acompanha-se tanto o confronto com o
––––––––––
Adamastor, marca e ultrapassagem do término do
mundo, véus que se abrem à ousadia portuguesa,
como a miséria humana exposta na degradação
do escorbuto. Provoca risos a pretensão de Veloso
descendo rapidamente a encosta de um outeiro,
a fugir dos gentios, mas afirmando temer pela integridade de seus companheiros sem a sua presença na contenda. Aguarda-se com ansiedade o
fim da tromba marinha. Chega-se ao presente da
narrativa, em plena costa oriental da África, precisamente no canal de Moçambique, onde se assiste às diversas ciladas dos nativos contra os portugueses, insufladas por Baco. Torce-se pelo Magriço e pelos outros onze cavaleiros portugueses
∗
Doutora em Letras Vernáculas, Literatura Portuguesa. Professora da UNISUAM e da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.
39
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
na justa contra os doze de Inglaterra em defesa da
honra das damas inglesas, narrativa de cavalaria
contada não ao redor da fogueira, mas no tombadilho, em um momento de vigília noturna. Respira-se com alívio pela chegada a Calicute, quando
outras peripécias aguardam os heróis.
Nem só da viagem marítima se tece a narrativa
d'Os Lusíadas. Há um convite a navegar pelos
mares da História portuguesa. Esfumaçando a
realidade presente, a analepse se impõe: o relato do Gama ao rei de Melinde traz à cena a heróica História da nação portuguesa e o começo da
viagem marítima, parte dessa mesma História.
Observam-se ferrenhas batalhas com seus reis e
heróis gloriosos, seus milagres. Descobrem-se intrigas palacianas envolvendo sedutoras mulheres,
capazes de morrer ou de lutar por seus amores,
contra tudo e contra todos: D. Teresa, D. Inês de
Castro, D. Leonor Teles. Acompanha-se o sonho
profético de D. Manuel, estímulo à grande conquista do Oriente.
Como num filme, há cortes, mudanças de plano. Logo se está no Olimpo, ao lado de deuses e
deusas, participando do Consílio que decidirá
sobre o sucesso ou não da viagem marítima para as Índias. Emociona a defesa acalorada de
Vênus, provocando ódio mortal ao "invejoso"
Baco. Acompanha-se, extasiados, a deusa da beleza a arrancar suspiros pelo caminho celeste ao
encontro de Júpiter. O fundo dos mares deslumbra os sentidos com o palácio encantado de Netuno, onde acontece o segundo Consílio, agora
com resultado desfavorável aos portugueses. A
tensão domina diante da tempestade, aplacandose quando nereidas belíssimas amansam furiosos
ventos. Basta querer, para imaginar as delícias
da Ilha dos Amores e invejar aquele clima, em
tudo paradisíaco.
Os Lusíadas são, sem dúvida, um texto que
abarca as nuances da vida humana. Em todo bom
filme, em toda boa "viagem", há guerras e paixões, aventuras e desventuras, recordações e profecias (analepses e prolepses). Neste há também
amargas reflexões sobre as mazelas humanas: o
Poeta (o locutor do poema e não o narrador, BERARDINELLI, 1973, p. 16) reflete sobre a condição humana; queixa-se do destino e dos seus
contemporâneos, insensíveis à arte; acusa os opressores do povo; avalia o poder do “vil metal”.
40
Particular é a sua opinião acerca da experiência,
superior ao conhecimento, e do amor, desculpando sempre os erros cometidos em nome deste sentimento.
Todas essas histórias distribuem-se ao longo
de dez cantos, com aproximadamente cem estâncias cada um, em versos decassílabos. A configuração estrutural da obra evidencia três grandes
discursos – o ideológico, o narrativo e o histórico
–, seguindo o trabalho traçado pelo Prof. Jorge de
Sena (1980, p. 111-119), que distingue quatro planos em que o poema coexiste:
o do próprio Poeta, quando pessoalmente intervém
com comentários que não estão postos na boca de
qualquer personagem; o da narrativa da Viagem propriamente dita (desde as proximidades de Moçambique à Índia, e desta à Ilha dos Amores, com o regresso rapidamente anotado depois); o da ação direta
ou indireta dos Deuses; e o da História de Portugal,
desde as origens até à partida de Lisboa em 1497.
(1980, p. 111).
O discurso ideológico caracteriza-se pelos excursos do Poeta – reflexões, análises, comentários, exortações, lamentos –, algumas vezes impregnados da ideologia vigente à época, outras
expressando a própria opinião do escritor. Cleonice Berardinelli esclarece que a ideologia característica do momento em que se cria o poema “é
uma ideologia mista de feudalismo e humanismo,
que se completam e contradizem” (1973, p. 17),
acrescentando a que condiciona a narrativa épica
às regras do gênero.
O início do primeiro canto é já um exemplo de
excurso. A proposição, da estância primeira à terceira, define a matéria poética: “Cantando espalharei por toda parte,/ Se a tanto me ajudar o
engenho e arte”, os feitos militares e os homens
responsáveis pela expansão marítima, aqueles que
ultrapassaram os limites geográficos (“por mares
nunca de antes navegados”) e a própria medida
humana, representantes da heroicidade renascentista, período que celebra o antropocentrismo.
Mais ainda se propõe a cantar o nosso bardo: o
passado será reconstruído através das histórias
dos reis que difundiram a fé cristã e dilataram o
império português, segundo o espírito cruzadístico; celebrará aqueles que se imortalizam pelos
feitos gloriosos e, por permanecerem na memória
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
dos povos, libertam-se do esquecimento causado
pela morte. A terceira estância mostra, nas entrelinhas, que não somente o herói vence a morte:
também o escritor imortaliza-se através de sua
obra. É o momento de anunciar que “outro valor
mais alto se alevanta” suplantando toda a literatura antiga. Camões entrecruza basicamente dois
eixos temáticos: de um lado, o mar e a literatura
clássica, presentes na citação ao “sábio Grego”
(Ulisses, herói da Odisséia, obra atribuída a Homero, poeta grego) e ao “Troiano” (Enéias, herói
da Eneida, obra de Virgílio, poeta latino); de outro, a guerra e a História, na referência a Alexandre Magno (rei da Macedônia) e a Trajano (imperador romano). O “peito ilustre lusitano” e a
obra que canta esse homem – “outro valor mais
alto” – suplantam toda a glória passada, marítima
e histórica, atingindo o próprio nível mítico: curvam-se aos portugueses os deuses do mar e da
guerra – Netuno e Marte –, evidenciando a supremacia do homem renascentista português; a “Musa antiga” cessa também o seu canto face ao novo
canto que surge, evidenciando o valor do poeta
e de sua obra: “o poema épico vale muito mais
do que os feitos militares que lhe servem de pretexto” (SARAIVA, 1972, p. 159). O Prof. Anazildo Vasconcelos da Silva destaca que o poeta/
narrador evidencia a consciência de uma nova
manifestação épica já Bna proposição:
Aí vemos, não só a consciência manifesta de estruturar uma nova proposição de realidade, inerente à matéria épica que constitui o relato, como também a
consciência de uma nova concepção literária “Cesse
tudo… outro valor”. E na invocação, o poeta/narrador volta a explicitar a certeza de estar fazendo realmente uma epopéia, porém com outra concepção
literária, que não poderá jamais ser confundida com
a concepção clássica: “E vós, Tágides minhas, pois
criado/ Tendes em mim um novo engenho ardente”
(1984, p. 21).
Este canto surpreendentemente encerra-se num
tom de desalento: é um excurso do poeta que reflete sobre a condição humana e sua pequenez
após as ciladas traiçoeiras preparadas pelos mouros para dizimar a esquadra portuguesa:
Oh! Grandes e gravíssimos perigos,
Oh! Caminho da vida nunca certo,
Que, aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!
No mar, tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
(OL, I, p. 105-1061).
O discurso narrativo centra-se nas peripécias
referentes à viagem marítima para as Índias: o
nível referencial reporta-se à viagem propriamente dita, comandada por Vasco da Gama – “fio
condutor da narrativa” (BERARDINELLI, 1973,
p. 18); o nível mítico define-se pela interferência
das divindades no destino humano. Os dois planos entrelaçam-se harmoniosamente de tal sorte
que um não existe sem o outro. Antódio José Saraiva realça que o mundo mitológico é a “mola
real do poema”, pois os deuses não são “simples
retórica, mas as figuras com que se ata e desata a
própria fábula do poema. Precisamos de subir ao
Olimpo para encontrar os corpos vivos e reais banhados pela luz e capazes de movimento” (1972,
p. 195, 197).
A viagem inicia-se em media res, com os navegantes já na costa oriental africana. No canto I,
estância 19, logo após a conclusão da dedicatória
feita ao rei de Portugal à época, D. Sebastião, iluminam-se as embarcações: “Já no largo Oceano navegavam,/ As inquietas ondas apartando;/
Os ventos brandamente respiravam,/ Das naus
as velas côncavas inchando”; na estância seguinte, a ação se desloca para o Olimpo, entrando em
cena as divindades, momento do primeiro consílio. A idéia de simultaneidade entre os dois planos
– o referencial e o mítico – acontece pela conjunção temporal: “Já no largo Oceano navegavam”,
“Quando os Deuses no Olimpo luminoso,/ Onde
o governo está da humana gente,/ Se ajuntam em
consílio glorioso” (OL, I, 20, v. 1-2); ao fim do
consílio, estância 41, retoma-se a narrativa da
viagem, localizando geográfica e temporalmente
os navegantes:
––––––––––
1
A referência à obra Os Lusíadas, de Luís de Camões, indicará o
canto em algarismos romanos, seguindo-se, em arábicos, o número da estância e o verso, quando necessário.
41
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
Enquanto isto se passa na fermosa
Casa etérea do Olimpo omnipotente,
Cortava o mar a gente belicosa
Já lá da banda do Austro e do Oriente,
Entre a costa Etiópica e a famosa
Ilha de São Lourenço; e o Sol ardente
queimava então os Deuses que Tifeu
co temor grande em pexes converteu.2
Tal estratégia é também utilizada na articulação do segundo consílio, o do fundo do mar, à
viagem. Enquanto os navegantes tentam espantar
o sono durante a troca de vigília noturna, contando a história dos “Doze de Inglaterra” – um relato
cavaleiresco medievo em plena narrativa renascentista –, Baco dirige-se ao palácio de Netuno a
fim de insuflar as divindades marítimas contra os
portugueses:
As ondas navegavam do Oriente,
Já nos mares da Índia, e enxergavam
Os tálamos do Sol, que nace ardente:
Já quase seus desejos se acabavam.
Mas o mau de Tioneu, que na alma sente
As aventuras que então se aparelhavam
À gente lusitana, delas dina,
Arde, morre, blasfema e desatina.
(OL, VI, p. 6)
Enquanto este conselho se fazia
No fundo aquoso, a leda frota
Com vento sossegado prosseguia,
pelo tranqüilo mar, a longa rota.
(OL, VI, p. 38)
No nível mítico, avulta a deusa da beleza e do
amor, Vênus, sempre atenta aos perigos por que
possam passar os seus protegidos. Contrário à navegação portuguesa, surge Baco, o deus do vinho
e da agricultura, aquele que antes deveria defender os portugueses pela ascendência ligada a Luso, considerado filho ou privado de Baco.
––––––––––
2
As caravelas estão do lado sudeste (Austro, sul) do litoral de Moçambique; a ilha de São Lourenço é hoje a de Madagascar. A estância indica que o sol entrava no signo de Peixes (entre 10 de
fevereiro e 12 de março, à época, ano de 1498), através da referência mitológica: Tifeu “era um gigante que, ao aparecer repentinamente no Eufrates, onde Vênus e Cupido se banhavam, tão
grande pavor nestes despertou, que os transformou em peixes”
(Anotações de Emanuel Paulo Ramos à obra).
42
O discurso histórico distende-se pelo passado
português e também por acontecimentos futuros
em relação ao tempo diegético (a narrativa situase, cronologicamente, no ano de 1498), porém já
conhecidos do escritor (a primeira edição da obra
data de 1572). Quando Vasco da Gama chega a
Melinde, primeiro porto efetivamente seguro na
costa oriental africana, o rei pede-lhe que conte
sobre três coisas: “Da terra tua o clima e região/
Do mundo onde morais”; a História de Portugal,
“vossa antiga geração/ E o princípio do Reino tão
potente”; a história da navegação, os “rodeios/
Longos que te traz o Mar irado” (OL, II, 109110). Tal pedido enseja o encaixe do passado português na obra, narrado por Vasco da Gama. Os
cantos III e IV são dedicados às duas primeiras
dinastias portuguesas: o terceiro, ao resgate da
origem do reino e à dinastia de Borgonha; o quarto, a dinastia de Avis. Mais tarde, início do canto
VIII, já em Calicute, na Índia, o Catual (governador de uma cidade) interroga Paulo da Gama sobre o significado das bandeiras na nau capitaina,
focalizando-se novamente algumas passagens da
História portuguesa, agora sendo Paulo da Gama
o narrador. Outra referência histórica é o relato de
Veloso sobre o episódio conhecido como os “Doze de Inglaterra”, no Canto VI. Para inserir em
sua obra feitos e conquistas portuguesas realizadas após o ano da navegação do Gama, Camões
recorre às profecias: como são as divindades que
anunciam o futuro da nação, não há qualquer inverossimilhança na obra. Júpiter, tentando tranqüilizar a filha, Vênus, prediz as conquistas portuguesas na Índia. Adamastor ameaça o Gama e
toda a tripulação com “Naufrágios, perdições de
toda sorte,/ Que o menor mal de todos seja a morte!” (OL, V, 44, v. 7-8). Na Ilha dos Amores, uma
ninfa relata os feitos futuros portugueses, referindo-se particularmente a heróis e governadores da
Índia e Tethys mostra, diante da “Máquina do
mundo”, lugares onde os portugueses realizarão
feitos relevantes (OL, X, 5-7,10-73, 91-141).
Analisando o modelo épico renascentista,
Anazildo Vasconcelos da Silva realça o interrelacionamento dos planos estruturais que caracterizam a obra: “a História de Portugal serve
de contexto para a Viagem, que nela se insere,
convertendo-se também em História” por ser
já fato passado. “Desse modo, o relato insere
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
estruturalmente a Viagem na História, como feito português que é.” (1984, p. 22-23). Acrescenta ainda:
Mas a História de Portugal é mais do que simples
contexto para a Viagem, uma vez que realiza epicamente o herói e o relato. Narrar a Largada, início da
Viagem, como um feito histórico português, coloca
o fato no mesmo nível dos demais acontecimentos
narrados, e faz Vasco da Gama, na qualidade de
agenciador da História, ingressar na galeria dos heróis, e tomar assento ao lado dos que fizeram, antes
dele, a História. (…)
De igual modo, os excursos do poeta/narrador integram a narrativa dos deuses que, de outra forma,
seria arbitrária (1984, p. 23).
Os quadros a seguir apresentam a distribuição
da matéria poética pelos discursos apresentados,
singularizando cada canto.
ESTRUTURA d’OS LUSÍADAS
DISCURSO
IDEOLÓGICO
I
1-3: Proposição
4-5: Invocação
6-18: Dedicatória
DISCURSO NARRATIVO
NÍVEL REFERENCIAL
19: navegação no Oceano Índico,
costa oriental da África
42-72: Moçambique
82-94: ataque dos mouros, acordo
(piloto)
95-99: Quíloa
NÍVEL MÍTICO
DISCURSO
HISTÓRICO
20-41: Consílio dos Deuses no Olimpo
20-23: convocação (Mercúrio),
viagem, chegada dos deuses
24-29: fala de Júpiter
30-34: Baco e Vênus
35: reação dos deuses 36-40: Marte
41: decisão de Júpiter
73-81: ciladas de Baco: combate e
piloto falso
100: Vênus afasta a armada com
ventos contrários
102: intervenção de Vênus
104: ação de Baco
101-105: o piloto orienta-os para
Mombaça; chegada
105-106: A condição humana
II
1-9: convite maldoso do rei para
entrarem à barra; desembarque de
dois condenados
10-13: Baco disfarça-se de sacerdote
cristão
14-18: a bordo da nau capitaina
25-28: fuga dos mouros e do piloto
29-32: oração do Gama
64-71: partida; no mar
72-91: chegada a Melinde; festejos
92-113: encontro solene do Gama
com Rei.
18-24: Vênus e as Nereidas impedem a
entrada no porto
33-41: sedução de Júpiter por Vênus
42-55: previsões de Júpiter
56-63: ação de Mercúrio: preparar a
recepção em Melinde, afastar o Gama
de Mombaça.
→
43
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
DISCURSO
IDEOLÓGICO
III 1-2: invocação
a Calíope
142-143: a submissão amorosa
←
IV
DISCURSO NARRATIVO
NÍVEL
REFERENCIAL
NÍVEL MÍTICO
DISCURSO HISTÓRICO
3-5: exórdio do Gama
6-20: descrição da Europa; Portugal
21-22: Hist. Primitiva: Luso e Viriato
23-24: Afonso VI, rei de Castela e Leão
25-28: Conde D. Henrique
28-84: D.Afonso Henriques(1128-1185)
1º rei, dinastia de Borgonha:
29-33: contra D. Teresa; S. Mamede
34-41: contra Afonso VII; Egas Moniz
42-54: Batalha de Ourique (milagre)
55-67: contra os mouros (conquistas)
57-60: tomada de Lisboa
68-73: conquista de Badajoz , domínio de Leão,
aos mouros; é vencido pelo rei D.Fernando,
de Leão (punição divina)
83-84: morte de D. Afonso
85-89: D. Sancho I (1185-1211)
90: D. Afonso II (1211-1223)
91-93: D. Sancho II (1223-1248)
94-95: D. Afonso III (1248-1279)
96-98: D. Dinis (1279-1325)
99-135: D. Afonso IV (1325-1357):
99-117: D. Maria; Batalha do Salado
118-135: Inês de Castro
136-137: D. Pedro I (1357-1367)
138-143: D. Fernando (1367-1383)
1-7: crise de sucessão após a morte
de D. Fernando; escolha de D. João,
mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro I
8-13: organização das tropas (port.-esp.)
14-21: Nun’ Álvares Pereira
22-27: preparativos para a batalha
28-45: Batalha de Aljubarrota
43-45: vitória: D. João I (1385-1433)
dinastia de Avis (2ª)
46: outras conquistas
47: casamento de D. João I com D. Filipa
de Lencastre: paz na península
48-50: invasão de Ceuta
51-53: D. Duarte (1433-1438)
e o Infante Santo (D. Fernando)
54-59: Afonso V (1438-1481)
60-65: D. João II 1481-1495); viagens
66-67: D. Manuel I (1495-1521)
68-75: sonho profético de D. Manuel
76-83: convite ao Gama;
preparativos para a viagem
84-93: despedidas
94-104: Velho do Restelo
44
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
DISCURSO
IDEOLÓGICO
DISCURSO NARRATIVO
NÍVEL
REFERENCIAL
V
DISCURSO HISTÓRICO
NÍVEL MÍTICO
←
24: o valor da
experiência
←
←
86-89: elogio do
Gama à tenacidade
portuguesa
92-100: lamento do
Poeta sobre o
desprezo à epopéia
90-91: o Poeta retoma
a narrativa; em
Melinde
1-5: partida de
Melinde
VI
38-69: conversa
dos marinheiros:
episódio dos Doze de
Inglaterra
→
70-79: surge a
tempestade
marítima
80-83: prece do Gama
84: continua a
tempestade
95-99: o esforço
heróico e o valor
a glória
92-93: terra à vista,
Calicut
93-94: Gama agradece
a Deus…
1-3: a largada de Lisboa
4-17: viagem; Cruzeiro do Sul
18: fogo-de-santelmo
18-24: tromba marinha
25-36: desembarque na África: baía de
Santa Helena
30-36: aventura de Fernão Veloso
37-60: o gigante Adamastor:
38: discurso do Gama
39-40: descrição do Adamastor
41-48: fala do gigante (previsões)
49: interpelação do Gama
50-59: resposta do Adamastor
60: desaparecimento do gigante
61-83: prosseguimento da viagem
81-83: o escorbuto
84-85: viagem até Melinde (fim da
narrativa do Gama)
86-89: fim da fala do Gama (iniciada
no Canto III)
6-37: Consílio do Mar
6-7: Baco vai ao palácio
de Netuno
8-13: descrição do palácio
14-19: explicação de Baco,
convocação (Tritão),
chegada dos deuses.
27-34: discurso de Baco
35: decisão do consílio
36: Proteu e Tethys
37: Eólo solta os ventos
43-69: Os “Doze de Inglaterra”
85-91: intercessão
de Vênus: convoca
as “Ninfas amorosas” para
abrandar, “por amores”, os
ventos irados.
45
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
DISCURSO
IDEOLÓGICO
VII
DISCURSO NARRATIVO
NÍVEL
REFERENCIAL
1: chegada (24 de maio de 1498)
2-15: elogio ao
espírito cruzadístico
16: entrada em Calicut
luso e exortação aos
povos da Europa cristã 17-22: descrição da Índia
23-27: desembarque de João
Martins; encontro com o mouro
Monçaide (intérprete).
28-42: Monçaide visita a frota e fala
sobre o Malabar (os costumês, as
castas, a religião).
42-43: desembarque do Gama
44-45: recepção do Catual (regedor)
e Naires (nobres)
46-49: na cidade, no templo.
50-54: palácio do Samorim
55-56: vaticínio do Catual
57-66: visita ao Samorim
78-87: lamentos;
67-72: Catual informa-se sobre
invocação às Ninfas
os portugueses com Monçaide
(Tejo e Mondego).
73-77: visita do Catual a Paulo da
Gama (significado das bandeiras da
nau capitaina)
1-43: explicação das figuras nas
bandeiras por Paulo da Gama ao
Catual
→
VIII
44: retorno do Catual a terra
54-55: advertência
sobre os cuidados na
seleção de
conselheiros
45-46: previsões dos arúspices, que
vaticinam “eterno cativeiro”.
51-53: revolta contra o Gama,
intensificada pelos muçulmanos.
56-78: entendimentos do Gama com
o Samorim. Este crê no Gama,
começando a julgar mal os Catuais
(subornados pelo ouro muçulmano),
além de mostrar interesse nas trocas
comerciais com os portugueses;
96-99: reflexões sobre ordena o regresso à frota.
o poder do “ouro”
79-95: Gama torna-se refém do
Catual, libertado por fazendas
européias.
46
NÍVEL MÍTICO
DISCURSO
HISTÓRICO
10-12: Afonso
Henriques
28-32: Nun’ Álvares
Pereira
47-50: Baco aparece em
sonhos a um sacerdote
maometano
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
DISCURSO
IDEOLÓGICO
DISCURSO NARRATIVO
NÍVEL
REFERENCIAL
1-12: preparativos
16-17: partida (regresso)
IX
DISCURSO
HISTÓRICO
NÍVEL MÍTICO
18-50: Vênus prepara a Ilha dos
Amores: ajuda de Cupido
18-24: delineia-se o plano
25-29: visão de “erros
grandes” que há no mundo
acerca do amor
30-35: ação dos Cupidos: “tiros
desordenados, amores
desconcertados”
36: encontro de Vênus e Cupido
37-42: fala de Vênus
51-52: a armada avista a
Ilha
43-50: ação de Cupido (Fama)
e Vênus (Ninfas)
53-63: descrição da Ilha
64-69: desembarque dos
portugueses, visão das Ninfas.
70-74: a perseguição
75-82: aventura de Lionardo
92-95: exortação sobre o
prêmio aos heróis
83-84: casamentos entre
portugueses e Ninfas
85-87: Tethys e Gama
88-92: os prêmios, o sentido
simbólico da Ilha.
X
1-7: banquete na Ilha
8-9: invocação a Calíope
10-74: profecias da Ninfa
→ 53-54: Gama
75-81: Tethys mostra ao Gama a
Máquina do Mundo (visão
geocêntrica)
82-85: explicação sobre divindades
pagãs e Deus
85-90: volta a explicar a Máquina
do Mundo
91-107: Tethys mostra a Terra e os
feitos portugueses
→
119: crítica aos maus
religiosos
145-156: lamentos,
143-144: viagem de
vaticínio de futuras glórias. regresso; chegada a
Portugal.
108-118: Tethys narra o martírio de
São Tomé
120-143: profecias (cont.).
142-143: fim da fala de Tethys,
despedida.
128: naufrágio de
→ Camões
140: Brasil
47
Augustus – Rio de Janeiro – Vol. 08 – N. 16 – Jan./Jun. – 2003 – Semestral
BIBLIOGRAFIA
AGUIAR E SILVA, Vitor Manuel de. Camões: labirintos e
fascínios. Lisboa: Cotovia, 1994.
BECHARA, Evanildo e SPINA, Segismundo. Os Lusíadas
– Antologia. Rio de Janeiro: Grifo-MEC, Col. Littera 5,
1973.
BERARDINELLI, Cleonice. Estudos camonianos. Rio de
Janeiro: MEC –Programa Especial UFF-FCRB, 1973.
CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. Comentados por Augusto
Epifânio da Silva Dias. Rio de Janeiro: MEC, 1972.
_________. Os Lusíadas. Ed. organizada por Emanuel
Paulo Ramos. Porto: Porto, 1974.
48
_________. Os Lusíadas. Ed. comentada. Rio de Janeiro:
Biblioteca do Exército, 1980.
MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal. Lisboa: Palas, 1980, 3 v.
SARAIVA, António José. Luís de Camões. Lisboa: Europa-América, 1972.
SENA, Jorge de. A estrutura de Os Lusíadas e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do século XVI.
Lisboa: Ed. 70, l980.
SILVA, Anazildo Vasconcelos. Semiotização literária do
discurso. Rio de Janeiro: Elo, 1984.
Download

Artigo completo