UFCD: 1238 – Desenho técnico – normalização e
construções geométricas
Ação: Técnico/a de Refrigeração e Climatização
Formador: António Gamboa
1. Desenho artístico e técnico
O desenho artístico possibilita uma ampla liberdade de figuração e apreciável
subjetividade na representação. Dois artistas ao tratarem o mesmo tema
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transmitem, a quem observa os desenhos, emoções ou impressões bem
diferentes sobre os desenhos.
O desenho técnico destina-se à representação rigorosa de objetos ou de espaços,
sendo muito utilizado nas mais diversas áreas, nomeadamente na arquitetura, na
engenharia e no design. Para uma melhor compreensão dos objetos e dos
espaços representados, os técnicos recorrem a diferentes tipos de desenho
rigoroso, tais como: plantas, perspetivas, alçados e cortes.
No desenho técnico, cada objeto tem sempre o mesmo rigor, mesmo quando
efetuado por pessoas diferentes. Atualmente, as normas eliminaram todas as
interpretações subjetivas, beneficiando a clareza e a rapidez de execução.
A construção de um navio está ligada ao desenho técnico; e a sua qualidade
depende do pormenor e do rigor do desenho de cada uma das suas inúmeras
peças; critérios semelhantes estão ligados à construção de todos os bens
materiais que nos rodeiam, quer sejam de natureza mecânica, elétrica, civil ou
outra.
Independentemente do campo técnico em que se utilizam, os desenhos
classificam-se de formas diferentes consoante o seu objetivo.
Existem principalmente dois grupos distintos de desenhos: desenhos de conceção
e desenhos de execução.
O desenho de conceção não é rigoroso e é mais ou menos incompleto, mas
traduz uma forma de resolver o problema e deve corresponder à solução mais
vantajosa, e toma nomes diferentes consoante a fase de evolução em que se
encontre: esboço, anteprojeto e projeto.
O desenho em esboço não é pormenorizado e tem fraco rigor, mas comporta
informações aproximadas do estado final do objeto. O anteprojeto é
pormenorizado e tem algum rigor, pelo menos, em relação aos seus elementos
essenciais e é com base nele que se estabelecem acordos definitivos. Por fim, o
projeto define completamente todos os seus elementos, bem como as relações
mútuas entre eles.
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O desenho de execução ou de fabricação contém todas as informações
necessárias à execução do objeto desenhado, segundo a técnica de construção
adotada. O desenho de execução pode ser de vários tipos: esquemas, desenho
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de pormenor e desenho de conjunto.
Os esquemas são desenhos destinados a esclarecer determinada função ou
aspeto do conjunto. Os desenhos de pormenor representam separadamente os
elementos do conjunto e subordinam-se às imposições do projeto. Os de conjunto
representam todos os elementos do conjunto agrupados na posição de utilização.
Por sua vez, os desenhos de execução, quer sejam de conjunto ou pormenor,
podem classificar-se em desenhos de operação, de montagem ou de verificação.
Os desenhos de operação são estabelecidos para dar apoio a certas fases do
fabrico, os de montagem dão indicação sobre o modo de montar as peças e os
desenhos de verificação fornecem indicações para verificar certas características.
Em certas aplicações, existem ainda desenhos de definição para estabelecer
exigências funcionais a que os objetos desenhados devem obedecer.
Os desenhos de definição podem classificar-se em desenhos funcionais e
desenhos de produto acabado, conforme definam condições necessárias ao bom
funcionamento do objeto ou exigências a que o fabrico deve respeitar.
2. Material de desenho
Material existente no mercado para elaboração do desenho técnico: papel; lápis,
porta-minas; réguas graduadas; réguas em T, esquadros e escantilhões.
O papel é o suporte para o desenho rigoroso sendo opaco se forem utilizados
lápis ou minas. Com gramagens diferentes e com vários formatos A, B, C, o
formato de papel mais utlizado é o formato A nas suas várias versões. O formato
mais pequeno é o A6 e o maior é o A0, representados na figura seguinte.
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Para o correto arquivo dos desenhos estes devem ser dobrados obedecendo a
regras, estabelecidas na norma NP-49, de modo a que depois de dobrado este
tenha as dimensões de um A4, ficando a legenda no frontispício do desenho
dobrado e perfeitamente visível. Na figura abaixo são apresentadas as medidas e
as dobras para arquivar um A3 e um A2, numa pasta A4.
Dobragem A3
Dobragem A2
As margens e as esquadrias permitem um melhor enquadramento do desenho na
folha utilizado e espaço para uma correta furação, conforme se observa na figura
abaixo.
Por fim temos a legenda que resulta da necessidade de apresentar um conjunto
de informações relevantes para a interpretação do desenho e sua identificação.
Podemos encontrar na legenda a identificação do objeto desenhado, a
identificação dos intervenientes no desenho, a identificação do detentor dos
direitos do objeto desenhado, a escala, a data de realização e as alterações e
versões efetuadas no desenho.
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Os lápis e minas, riscadores de grafite, têm diferentes graus de dureza e
identificam-se com os números 3, 2 e 1 para os lápis, ao que correspondem para
as minas com as letras H, HB, B, sendo o lápis nº 1 o de menor dureza.
As regras graduadas são instrumentos que permitem medir e marcar
comprimentos. Por isso a perfeição com que são construídas e o modo como se
utilizam condicionam grandemente o rigor do desenho. As réguas graduadas,
utilizadas em desenho técnico, podem ter vários comprimentos, geralmente entre
30 cm e 1 m, e são graduadas em milímetros ou em meios milímetros.
As réguas em T são constituídas por duas partes ligadas entre si na
perpendicular, a cabeça e a régua propriamente dita. Estas duas partes podem
estar ligadas rigidamente entre si ou por meio de um parafuso e porca de orelhas,
permitindo variar o ângulo.
Os esquadros facilitam o traçado das linhas, formando entre si ângulos de 60,
45 e 30.
Os escantilhões permitem o traçado de curvas, representado na
figura ao lado, letras, algarismos e para fins especiais, que se
destinam a facilitar o desenho de símbolos que se utilizam com
frequência nos ramos técnicos. No caso particular da eletricidade, utilizam-se
escantilhões com símbolos de instalações elétricas, telecomunicações, alta
tensão, etc.
3. Sistemas CAD
Com o avanço da tecnologia, hardware e software, o desenho técnico passou a
ser elaborado em computadores pessoais com a utilização de programas
sofisticados que permitem a elaboração de desenho em duas ou três dimensões.
Os equipamentos necessários para elaboração de um desenho técnico
computorizado e sua finalização, impressão em 2D ou 3D, são os seguintes:
computador pessoal com as características mínimas mencionadas pelo fabricante
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do programa de CAD, monitor, rato e mesa digitalizadora, todos de alta resolução,
e impressora consoante a apresentação desejada para o desenho técnico:
impressora de grande formato de jato de tinta, impressora de corte de vinil,
impressora 3D, impressora têxtil, etc.
4. Normalização
Com a normalização pretende-se definir, unificar e simplificar tanto os produtos
acabados, como os elementos que se empregam para os produzir, por exemplo a
maquinaria, através do estabelecimento de documentos chamados normas.
Os tipos de normas mais usuais são: NP (Norma Portuguesa), ISO (Organização
Internacional de Normalização) e EN (Norma Europeia). Algumas das normas
utilizadas no desenho técnico:
 NP-9:1960 – Escrita dos números
 NP-48:1968 – Formatos
 NP-49:1968 – Desenho técnico. Modo de dobrar folhas de desenho
 NP-62:1961 – Desenho técnico. Linhas e sua utilização
 NP-89:1963 – Desenho técnico. Letras e algarismos
 NP-167:1966 – Desenho técnico. Figuração de materiais em corte
 NP-204:1968 – Desenho técnico. Legendas
 NP 205:1970 – Desenho técnico. Listas de peças
5. Linhas e letras
5.1. Letras e algarismos
O texto a inserir nas legendas, os comentários ou as cotas (dimensões) devem
ser executados com letra normalizada.
A norma NP-89 estabelece regras de uniformidade nas dimensões, proporções,
inclinação e disposição das carateres, pretendendo obter um desenho agradável
e de fácil leitura, estabelecendo dois tipos de letra a redonda ou vertical e a
cursiva ou inclinada.
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5.2. Linhas
No traçado a lápis será difícil definir a espessura exata por tipo de linha, devendo
impor-se distinta pressão sobre o lápis podendo mesmo utilizar-se distinta dureza
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de minas a fim de obter um resultado mais correto.
O desenho técnico utiliza vários tipos de linhas atribuindo-lhes diferentes
significados, fáceis de interpretar pela leitura do desenho.
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6. Figuras geométricas
6.1. Geometria da linha
A reta é uma linha infinita, sempre com a mesma direção, não tendo esta nem
princípio nem fim. A semirreta é uma linha reta que parte de um ponto, tem
princípio mas não tem fim. E o segmento de reta é uma porção de linha reta,
definida por dois pontos, tendo um princípio e um fim.
6.2. Posição da reta no espaço
A reta pode tomar três posições em relação à sua posição no espaço: horizontal,
vertical e oblíqua.
6.3. Relação entre retas
Chamam-se paralelas a duas retas que mantêm sempre a mesma distância entre
si, por mais que as prolonguem nunca se encontram. Concorrentes são duas
retas que se cruzam num único ponto, o ponto de interseção. Retas
perpendiculares são aquelas que formam entre si quatro ângulos retos.
6.4. Ângulos
Um ângulo é uma porção de superfície plana, existente entre duas linhas
semirretas, os lados do ângulo, que se intersetam num ponto comum, o vértice do
ângulo.
A unidade de medida de amplitude do ângulo é o grau. Para a medição da
abertura de um ângulo é utilizado o transferidor.
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6.4.1. Classificação de ângulos
Agudo
Reto
Obtuso
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6.5. Bissetriz
A bissetriz de um ângulo é uma semirreta que
divide um ângulo em duas partes iguais.
6.6.Triângulo
O Triângulo é o polígono com o menor número de lados, três, e a soma dos seus
ângulos internos é igual a 180°.
Qualquer lado de um triângulo pode ser considerado como sendo a sua base, ou
seja, a base de um triângulo. O vértice de um triângulo é considerado o ângulo
oposto à base do triângulo, e a sua altura é a medida na perpendicular baixada do
vértice sobre a base do triângulo, ou sobre o prolongamento da linha de base.
Os triângulos classificam-se quanto aos ângulos e quanto aos lados.
Os triângulos quanto aos lados classificam-se em equiláteros quando os seus
lados são todos iguais, isósceles quando o triângulo tem dois lados iguais e um
diferente e escaleno quando tem os seus lados todos diferentes.
Equilátero
Isósceles
Quanto aos ângulos a classificação dos triângulos é a seguinte:
Acutângulo: todos os ângulos são agudos (< 90°);
Retângulo: o triângulo tem um ângulo reto (= 90°);
Obtusângulo: quando tem um ângulo obtuso (> 90°).
Escaleno
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Acutângulo
Retângulo
Obtusângulo
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6.7. Circunferência
Uma circunferência é uma linha
curva plana, fechada, que tem
todos os seus pontos à mesma
distância de um ponto interior
chamado centro.
A um qualquer segmento de reta
que une dois pontos da
circunferência, passando pelo
centro, chama-se diâmetro.
Raio, metade do diâmetro, é um
segmento de reta que une o centro
a qualquer ponto da circunferência.
Corda é um segmento de reta que
une quaisquer dois pontos da circunferência, sem intercetar o centro.
Tangente é uma reta ou segmento de reta que toca uma circunferência num só
ponto, e a secante intercepta uma circunferência em dois pontos distintos.
O círculo é uma porção de plano limitado pela linha de uma circunferência.
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7. Concordâncias
Linhas concordantes são aquelas que resultam da junção de linhas curvas ou
retas, desenhadas de forma a não ser percetível a passagem de umas para as
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outras.
Bibliografia
 http://www.eb1-fogueteiro-n4.rcts.pt/PAGANTIGAPGAMA/disciplinas/eductecnologica/proj-ortogonais
 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23464
 http://tecformausinagens.blogspot.pt/2012/04/supressao-de-vistas.html
 http://www.versus.pt/forma-espaco-ordem/desenhotecnico-4-5cotagem.htm#61
 DTC_Aula_19 - Cotagem_basica, em formato PDF
 Desenho Técnico, Unidade 7
 Desenho Técnico, Curso de Engenharia Civil, Autores: Luísa Gonçalves;
Nuno Norte Pinto, Docentes: Helena Bártolo, Nuno Norte Pinto
 Desenhos de Esquemas Eléctricos, Silva, F. e Roseira, A., Edição dos
Autores, Porto, 2ª edição, 1981
 Desenho Técnico, Cunha, Luís Veiga da, Fundação Calouste Gulbenkian,
Lisboa, 4ª edição, 1980
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1. Desenho artístico e técnico