Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia CONTECC’ 2015 Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza - CE 15 a 18 de setembro de 2015 MODELAGEM DA DISTRIBUIÇÃO EM ALTURA DE Eschweilera coriacea (DC.) S.A. Mori EM UMA FLORESTA OMBRÓFILA DENSA, AMAPÁ, BRASIL RONALDO OLIVEIRA DOS SANTOS 1 *, ROBSON BORGES DE LIMA 2, JADSON COELHO DE ABREU3, PERSEU DA SILVA APARÍCIO3 CINTHIA PEREIRA DE OLIVEIRA2 1 Acadêmico do Curso de Engenharia Florestal, UEAP, Macapá - AP. [email protected] 2 Doutorando (a) em Ciências Florestais, UFRPE, Recife-PE. Fone: (81) 8246-8550, [email protected] 3 MSc. Professor Engenharia Florestal, UEAP, Macapá - AP. [email protected] 4 Dr. Professor Engenharia Florestal, UEAP, Macapá - AP. [email protected] Apresentado no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia – CONTECC’ 2015 15 a 18 de setembro de 2015 - Fortaleza-CE, Brasil RESUMO O presente estudo teve como objetivo avaliar o comportamento de quatro funções probabilísticas no ajuste da distribuição das alturas da espécie Eschweilera coriacea em uma Floresta Ombrófila Densa no município de Porto Grande, Amapá, Brasil. O trabalho foi realizado com dados provenientes de inventario florestal localizado em uma área no município de Porto Grande – AP. Foram coletadas as informações botânicas e dendrométricas da espécie. Para os dados de altura, foi plotado histograma das frequências das alturas observadas sendo submetidas ao ajuste de funções de densidade probabilística (FDP). As funções testadas foram: Normal, Log-normal, Gamma e Weibull 3P. A qualidade da aderência para cada FDP foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov (K-S), com 5% de probabilidade. Foram amostrados 400 indivíduos de Eschweilera coriacea, possuindo uma área basal de 42,90 m² no total de 15 hectares inventariado. As funções Weibull 3P e Gamma foram as que revelaram aderência ao teste K-S, demostrando ajuste satisfatório. As funções Normal e Lognormal foram as que tiveram os piores ajuste por subestimarem e superestimarem as alturas para o conjunto de dados.A função Weibull 3P foi que apresentou maior confiabilidade no ajuste mostrandose mais flexível, adaptando-se melhor aos dados de altura da população de Eschweilera coriácea. PALAVRAS-CHAVES: Matamatá-branco, Amazônia, funções probabilísticas. DISTRIBUTION OF MODELING IN HEIGHT Eschweilera coriacea (dc.) S. A Mori ON A DENSE RAIN FOREST, AMAPÁ, BRAZIL ABSTRACT: This study aimed to evaluate the behavior of four probabilistic functions in adjusting the distribution of the heights of Eschweilera coriacea kind in a dense rain forest in the municipality of Porto Grande, Amapá, Brazil. The study was conducted with data from forest inventory located in an area in the municipality of Porto Grande - AP. Botanical information and dendrometric species were collected. For data point was plotted histogram of the frequencies of heights observed being subjected to adjustment of probability density functions (PDF). The functions were tested: Normal, Log-normal, Gamma and Weibull 3P. The quality of adherence to each FDP was assessed using the Kolmogorov-Smirnov (KS) test with 5% probability. 400 individuals were sampled Eschweilera coriacea, having a basal area of 42.90 m² totaling 15 hectares inventoried. The Weibull 3P and Gamma functions were those that showed adherence to the KS test, showing satisfactory adjustment. The Normal and Log-normal functions were those that had the worst setting for underestimate and overestimate the heights to the set of data. The Weibull 3P function was with the highest reliability in the setting being more flexible, adapting better to the data height of the population of Eschweilera coriacea. KEYWORDS: Matamata-branco, Amazon, probabilistic functions. INTRODUÇÃO Os estudos da estrutura vertical podem revelar informações relevantes sobre uma comunidade ou uma dada população arbórea, pois ele traduz as respostas em crescimento das árvores, segundo os fatores do meio em que vegetam. Dessa forma, a medição da altura é de fundamental, pois está relacionado com a quantificação do volume de madeira com o melhor nível de acurácia possível, pois utiliza equações volumétricas expressas em função do diâmetro a 1,30 m do solo e da altura comercial (ANDRADE et al., 2006). Na ciência florestal existem metodologias que já foram usadas por vários estudos para mensurar as alturas por meio de modelos biométricos, como por exemplo, a utilização de equações de relação hipsométrica (MACHADO et al., 2008) para estimar as alturas em um determinado sítio florestal. Sendo que estes modelos utilizam analise de regressão para fazer tal estimativa, sendo esta uma técnica muito comum entre os estudiosos da área florestal. Entretanto, a estimação da altura utilizando funções de densidade probabilística (FDP) ainda é uma técnica incipiente, principalmente em floresta nativas onde a obtenção da variável altura é uma tarefa complexa, que requer tempo. Logo o emprego dessas funções garante predizeremà probabilidade de como estão distribuídas as classes de alturas, e também a estrutura diamétrica de floresta sejam elas plantadas ou nativas, viabilizando exploração de seus produtos de forma sustentável.Uma função probabilística define a probabilidade associada com cada valor da variávelem estudo, nesse caso particular as classes de altura. Ainda, ela descreve a distribuição de freqüênciarelativa e, ou, absoluta, dos vários tamanhos das árvores (CAMPOS e LEITE, 2013). Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o comportamento de quatro funções probabilísticas no ajuste da distribuição das alturas da espécie Eschweilera coriacea em uma Floresta Ombrófila Densa no município de Porto Grande, Amapá, Brasil. MATERIAL E MÉTODOS A espécie foi selecionada usando como base as informações do estudo sobre estrutura e dinâmica da floresta de terra firme na FLOTA-AP (APARÍCIO, 2013). A espécie foi escolhida por apresentar o segundo maior valor de importância no estudo. O inventário florestal foi realizadoem unidades amostrais que compõem três conglomerados, equidistantes em média a 3 km. Cada conglomerado foi composto de cinco parcelas permanentes quadradas, com dimensões de 100 x 100 m (1ha/cada). Em todas as parcelas foram amostrado todos os individuos com circunferência à altura do peito (CAP) ≥ 30 cm a 1,30 m, a qual foi convertida em diâmetros à altura do peito (DAP). Também, foram mensuradas para cada individuo a altura total(Ht) e comercial (Hc) com auxilio de hipsômetro (TRUPULSE 360°). Foram plotados histogramas de frequência (observada e estimada) para a população de Eschweileracoriacea, com intervalos de classes determinados a partir da metodologia proposta por Sturgues: IC = A/K, em que A é a amplitude expressa por: A = (Hmax-Hmín) e K número de classes, sendo K= 1+ 3,33 log(n), em que (n) é o número de indivíduos amostrados, equação esta muita utilizada nos diversos estudos relacionados com a biometria florestal na Amazônia. Com intuito de determinar qual modelo de função de densidade probabilística (FDP) melhor se ajusta à base de dados (altura comercial), quatro funções foram testadas com diferentes metodologias de ajuste. As FDP’s testadas foram: Normal, Log-Normal, Gama, e Weibull 3 parâmetros. Maiores detalhes sobre as funções empregadas neste estudo podem ser consultadas em . No processamento dos dados, utilizou-se o Software Microsoft Office Excel (2010). O método utilizado para a determinação dos parâmetros das distribuições Weibull 3P e Gamma foio Método dos Mínimos Quadrados, usando a ferramenta Solver, que utiliza o algoritmo linear de gradiente reduzido generalizado (GRG) na interação dos parâmetros. Já a distribuição Normal ficou definida com a média aritmética, e o desvio-padrão dos dados originais e a distribuição Log-normal por meio da média aritmética e da variância dos logaritmos neperianos dos dados. Após os ajustes das funções, aplicou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov (K-S) a um nível de 5% de probabilidade a fim de conhecer qual função melhor descreveu a distribuição das classes em altura da espécie em questão, na qual foi testa a hipótese (H0): que as alturas observadas e as estimadas não diferem estatisticamente pelo teste K-S. Além do teste K-S, foi utilizado o erro padrão da estimativa (EPE) e análise gráfica do resíduo, sendo estas um critério necessário para se fazer uma melhor interpretação dos modelos biométricos, a fim de assegurar uma melhor confiabilidade das estimativas geradas pelos ajustes. A qualidade da aderência de cada função foi classificada de acordo com um ranking formado pelos critérios ditos anteriormente. Para avaliar o grau de desvio, ou afastamento da simetria, da distribuição em altura da espécie, foi determinado o coeficiente do momento de assimetria. O coeficiente do momento de assimetria (a 3) foi definido como o quociente entre o terceiro momento centrado na média (m3) e o cubo do desvio padrão (MACHADOet al., 2009). Já o grau de achatamento da distribuição, considerado em relação à distribuição normal, foi proporcionada pelaavaliação do coeficiente percentílico de curtose (MACHADOet al., 2009). RESULTADO E DISCUSSÃO Foram amostrados 400 indivíduos de Eschweilera coriacea, possuindo uma área basal de 42,90 m² no total de 15 hectares inventariado. Na tabela 1, percebe-se que a variável em estudo quanto à estatística de dispersão apresentou pouca variação no que concerne sua amplitude em classes de altura, onde o desvio padrão variou pouco entorno da média para o conjunto de dados observados. Tabela 1. Características das estatísticas de posição e dispersão dos dados para altura comercial da Eschweilera coriacea, em Floresta Ombrófila densa, Porto Grande, Amapá. Tabela 1. Estatística descritiva para os dados de altura da espécie Eschweilera coriacea. Característica Valores H max 32,14 H min 1,80 Média 12,23 Mediana 11,33 Moda 6,0 Coeficiente de variação (C.V) 49,12 Desvio padrão 6,0 De acordo com os resultados da tabela acima, nota-se que a média das alturas para a população da espécie em estudo foi de 12,23 m, isto indica que a maioria dos indivíduos se encontra no estrato médio da composição vertical da floresta em estudo, considerando que a espécie ainda não alcançou seu estagio final de desenvolvimento, podendo atingir o dossel da floresta. Na tabela 2, está descrito os resultados da estatística do teste de Kolmogorov-Smirnorv, onde as funções Weibull 3P e Gamma foram as que revelaram aderência ao teste, pois apresentaram Dcal < Dtab, a qual aceita-se a hipótese de nulidade (H0) que as alturas observadas não diferem das estimadas pelas funções de densidade probabilística. Tabela 2: Valores dos coeficientes, do teste de Kolmogorov-Smirnov (K-S) e ranking de classificação para as funções de densidade probabilística ajustadas para Eschweilera coriacea. Função Coeficientes Valores K-S Valores EPE (%) Ranking μ 12,23 Dcal 0,109* Normal 17,55 3º σ² 36,11 Dtab 0,068 μ 2,37 Dcal 0,326* Log-normal 21,67 4º σ² 0,26 Dtab 0,068 n.s α 3,01 Dcal 0,028 Gamma β 3,46 9,46 2º Dtab 0,068 Г(α) 2,02 a 3,33 Dcal 0,017n.s Weibull 3P b 10,43 6,96 1º Dtab 0,068 c 1,49 Dcal = valor calculado da estatística do teste K-S; Dtab(*) = valor crítico tabelar da estatística do teste K-S a (0,05%) de probabilidade; n.s= não significativo pelo teste de K-S ao nível de (0,05%) de probabilidade. EPE = Erro padrão da estimativa percentual. As funções Normal e Log-normal demonstraram pior ajuste pelo teste K-S, assim como, por meio do erro padrão da estimativa apresentando valores elevados. Sendo assim, tais funções não são indicadas para representar as alturas da espécie em questão no ambiente estudado. Entretanto, a função que apresentou o ajuste mais satisfatório foi a Weibull 3P como evidenciado pelos melhores resultado do teste K-S e EPE. Vale ressaltar que a função Gamma segundo colocada no ranking de classificação também revelou bom ajuste, sendo dessa forma, indicada para ser utilizada para estimar altura para tal espécie. Por essa razão, essa função tem se destacado como uma das mais usadas na área florestal, para subsidiar tomadas de decisões mais rápidas e ao mesmo tempo com boa confiabilidade nos ajuste, gerando informações valiosas para o manejo e conservação dos ecossistemas florestais. Quanto à distribuição dos indivíduos em classes de altura, a maioria dos indivíduos concentraram-se no inicio da distribuição, principalmente nas classes (4,8 a 7,8), (7,8 a 10,8) e (10,8 a 13,8), na qual juntas abrangeram 59,75 % dos individuos amostrados (239 ind.). Percebe-se que a função Weibull foi que melhor se ajustou aos dados, acompanhando quase que perfeitamente as diferentes classes de altura, sendo seguida pela função Gamma. As funções Normal e Log-normal apresentaram os piores ajustes. Analisando o quanto os dados se afastam de uma distribuição normal, pode-se inferir por meio do resultado da estatística descritiva (Média > Mediana > Moda) – Tabela 1, que cada parâmetro de tendência central recaiu em pontos distintos da distribuição. Logo a característica de assimetria é do tipo positiva (à direita), isto é, as curvas geradas pelas FDP’s concentram-se no lado esquerdo da distribuição, cuja cauda estende-se ao lado direito do eixo de simetria (MACHADO et al., 2006). Quanto ao grau de assimetria obtido (Ass = 0,44), o resultado reporta para uma assimetria moderada (0,15 < |As| ≤ 1). O valor do coeficiente de curtose obtido (C = 0,32) foi maior que a distribuição normal (C = 0,26), o que demonstra que a forma da curva de distribuição quanto ao seu achatamento é caracterizado como sendo do tipo platicúrtica (SCHNEIDER et al.,2009). É importante ressaltar, que tanto o coeficiente de assimetria quanto o de curtose são imprescindíveis para avaliar o comportamento da distribuição de um determinado conjunto de dados em função da análise das formas e evolução das curvas, assim como, o desvio de assimetria dos dados em ralação a uma distribuição normal. De acordo com os resultados obtidos, verificou-se que as aplicações das funções de densidade probabilística foramadequadas para representar as distribuições em classes de altura para a espécie em estudo. Entretanto, vale frisar que pela carência de estudos com essa vertente, faz necessário ampliar tal conhecimento tanto em nível espécie quanto de uma comunidade arbórea, servindo como alternativa para o manejo das espécies com potenciais econômicos nas diferentes tipologias florestais. CONCLUSÃO A função Weibull 3P foi que apresentou maior confiabilidade no ajuste mostrando-se mais flexível, adaptando-se melhor aos dados de altura da população de Eschweilera coriácea. No entanto, a função Gamma também pode ser indicada, mas com algumas restrições. As funções Normal e Lognormal não são recomendadas, uma vez que as mesmas subestimaram e superestimaram as freqüências dos dados observados. REFERÊNCIAS Aparício, P. S. Subsídios para o Manejo Sustentável na Floresta Estadual do Amapá:Estrutura e dinâmica. 2013. 138f. Tese (Doutorado em Biodiversidade Tropical), UniversidadeFederal do Amapá, Programa de Pós-graduação em Biodiversidade Tropical (PPGBIO). Macapá,2013. Andrade, V. C. 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