ANAIS 2008 1 15 a 19 de setembro de 2008 39ª SEMANA MÉDICA 2 Diretor da FACIMPA: Prof. Dr. Fábio Herbst Florenzano Secretária da FACIMPA: Maria Francescato Coordenadora do Curso de Medicina: Profª Drª Jussara Vono Toniolo Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários: Prof. Carlos de Barros Laraia Coordenador de Extensão: Prof. Antônio Homero Rocha de Toledo Secretária de Extensão: Rita de Cássia Rezende Silva Comissão Científica : Prof. Taylor Brandão Schnaider Profª. Beatriz Bertolaccini Martinez Profª. Miriam de Fátima Brasil Engelman Profª. Adriana Rodrigues dos Anjos Mendonça Profª. Beatriz Bertolaccini Martinez 3 4 SEGUNDA-FEIRA (15/09) 19h30 - Abertura solene 20h - QUALIDADE DE VIDA E DEPRESSÃO EM IDOSOS COM ÚLCERA POR PRESSÃO PROF. VITOR ANGELO CARLUCIO GALHARDO COFFEE BREAK TERÇA-FEIRA (16/09) 19h - AÇÃO DA N- ACETILCISTEINA NO ENVENENAMENTO DO BOTRÓPICO. PROF. DR.CLAUDINEI LEÔNCIO BERALDO 20h - PREVALÊNCIA E FATORES DE RISCO PARA ASMA EM ADOLESCENTES DE 13 A 14 ANOS NA CIDADE DE POUSO ALEGRE. PROF. EUGÊNIO FERNANDES MAGALHÃES COFFEE BREAK 5 QUARTA-FEIRA (17/09) 19h - TENSÃO DA LÂMINA POSTERIOR DA BAINHA DO MÚSCULO RETO DO ABDOME EM CADÁVERES PROF. CARLOS ROBERTO AMORIM 19h30m – ESTUDO COMPARATIVO DA MICROFLORA DA ALÇA CEGA JEJUNAL COM A DA ALÇA JEJUNAL INCLUSA NA CORRENTE PERISTÁLTICA, EM RATOS PROF. JOSÉ SEBASTIÃO DE SOUZA 20h- PODEMOS CONFIAR NOS INFORMANTES DOS IDOSOS COM DEMÊNCIA? PROF. PAULO HENRIQUE FERREIRA BRANDÃO COFFEE BREAK 6 QUINTA-FEIRA (18/09) 19h - OCORRÊNCIA DE CANDIDA EM ROEDORES DE EXPERIMENTAÇAO PROF. BRENO CESAR DINIZ PONTES 20h - SHORT-FORM 36 E ESCALA DE AUTO-ESTIMA ROSENBERG/UNIFESP-EPM EM PACIENTES COM PÉ DIABÉTICO ULCERADO PROF. LUIZ CARLOS DE MENESES COFFEE BREAK 7 Local: Campus Central da UNIVÀS Dia: 16 de setembro (terça-feira) Horário: 14 horas 8 ANFITEATRO DO CAMPUS CENTRAL Avaliadores: Prof. Carlos Henrique Vianna de Andrade Profª. Lydia Sebba Souza Mariosa Prof. Mário Benedito Costa Magalhães PERFIL DOS PACIENTES OBESOS ATENDIDOS NUM AMBULATÓRIO DE PEDIATRIA – 14h ANÁLISE DA PROLIFERAÇAO MICROBIANA NO INTERIOR DE LUVAS CIRÚRGICAS DURANTE O ATO OPERATÓRIO 14h15min LEVANTAMENTO DA FLORA FÚNGICA DA UTI PEDIÁTRICA EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO - 14h30min ANÁLISE DO USO DA CADERNETA DA CRIANÇA NA CIDADE DE POUSO ALEGRE – MG - 14h45min AVALIAÇÃO DO ACOLHIMENTO DE UM SERVIÇO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA DO SUL DE MINAS PARA MULHERES VÍTIMAS DE ACIDENTES E VIOLÊNCIA. – 15h ESTUDO DA MORBIDADE OCASIONADA POR MORDEDURAS DE CÃES NO MUNICIPIO DE POUSO ALEGRE NO ANO DE 2007 – 15h15min 9 ESTADO FUNCIONAL E CONDIÇÕES CLÍNICAS DE IDOSOS COM FRATURA DE FÊMUR PROXIMAL UM A DOIS ANOS APÓS O EVENTO TRAUMÁTICO – 15h30min IMPACTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTEMICA NA QUALIDADE DE VIDA – 15h45min USO DA TÉCNICA CONGRUÊNCIA ITEM-OBJETIVO NA VALIDAÇÃO DE INSTRUMENTO DE PESQUISA SOBRE MORDEDURAS DE CÃES – 16h 10 PERFIL DOS PACIENTES OBESOS ATENDIDOS NUM AMBULATÓRIO DE PEDIATRIA Anna Luiza Pires Vieira, Eugênio Fernandes Magalhães, Liliane Faria Bernardes, Lívia Ferroni Tadei, Maira Azevedo Bernardes, Marcela Bilbanco Tagawa* Av. Alfredo Custódio de Paula, 164/101 – B. Medicina – 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: A obesidade infantil é importante preditor da obesidade na fase adulta, logo o diagnóstico precoce e tratamento são fundamentais para melhoria do prognóstico1, pois está associada a fatores de risco graves para doenças cardíacas, incluindo hiperlipidemia, hiperinsulinemia, hipertensão e aterosclerose precoce2. As crianças, em geral, ganham peso com facilidade devido a hábitos alimentares errados, fatores genéticos, sedentarismo, distúrbios psicológicos, entre outros. Métodos: Estudo de abordagem quantitativa e do tipo transversal. A amostra utilizada constituiu-se de todos os pacientes atendidos na unidade básica de saúde no Posto Colina Santa Bárbara no período de fevereiro a junho de 2008 com índice de massa corporal maior ou igual ao percentil 95, para idade e sexo, a curva utilizada foi da OMS, 2007. Em todos pacientes obesos foram colhidos exames laboratoriais e na anamnese foi dada ênfase a investigação familiar, alimentar e atividade física. Resultados: Foram atendidos 80 pacientes neste período, 17,5% dos pacientes foram considerados obesos; 50% eram do sexo masculino e a idade média desses pacientes foi de 11 anos; 40% praticavam algum exercício físico 2 vezes por semana e gastavam em média 5 horas do dia em frente a TV. Em relação à parte nutricional 50% não tomavam café da manhã e não faziam refeições na mesa, 100% tomavam líquidos durante as refeições, apenas 14% comiam frutas e verduras diariamente e 86% referiam ingestão diária de guloseimas várias vezes ao dia. Conclusão: São alvos primordiais para a prevenção da obesidade na infância e na adolescência: promoção da alimentação saudável através do estímulo ao consumo de frutas, vegetais e cereais integrais, evitar consumo de refrigerantes e o hábito de comer assistindo TV, diminuir o sedentarismo com atividades físicas estruturadas, criação de áreas de lazer e promoção de projetos familiares. A prevenção da obesidade é mais barata e eficiente do que o seu tratamento. Referências: 1. Fonseca JGM. Obesidade e outros distúrbios alimentares. Revista Clínica Médica 2001;1:279-89. 2. Cole, T.J. Establishing a standard definition for child overweight and obesity worldwide: international survey. British Medical Journal, 2000. Disponível em: http://www.abeso.org.br/artigo1.htm. Acesso em 01 de agosto de 2008. 11 ANÁLISE DA PROLIFERAÇAO MICROBIANA NO INTERIOR DE LUVAS CIRÚRGICAS DURANTE O ATO OPERATÓRIO Faber Henrique Caccia*; Fabio Henrique de Oliveira*; Carlos Américo Veiga Damasceno; Daniela F. Veiga; Yára Juliano; Félix C. O. Bazzano. Serviço de Microbiologia e Cirurgia do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG Av. Alfredo Custódio de Paula, 320 – Medicina- 37550-000, Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: A Anti-sepsia é fundamento essencial para perfeito desenvolvimento de um procedimento cirúrgico e correta evolução do pós-operatório. Luvas de látex estéreis garantem a recuperação mais eficiente do paciente protegendo-o do contato com possíveis microorganismos oriundos das mãos do cirurgião. Vários estudos já comprovaram o alto índice de furos acidentais durante procedimentos cirúrgicos. O meio, no interior das luvas, com o desenrolar da cirurgia torna-se adequado para proliferação microbiana e o rompimento acidental delas poderia trazer ao paciente prejuízo na evolução da operação, tais como, contaminação superficial de uma ferida operatória até uma septicemia. O objetivo deste trabalho é avaliar a possibilidade de proliferação de microorganismos no interior da luva cirúrgica durante o ato operatório. Métodos: O estudo foi realizado no Hospital das clínicas Samuel Libâneo, de maneira prospectiva, e analisou 60 atos operatórios divididos em 2 grupos: cirurgias com até 180 minutos e procedimentos com mais de 180 minutos. A investigação foi embasada em dois momentos. O primeiro com a coleta das marcas digitais dos indicadores do cirurgião após a lavagem das mãos, antes do calçamento das luvas estéreis. O segundo tempo, ao término do ato operatório, consistiu na transposição de possíveis microorganismos contidos nos mesmos dedos do profissional avaliado. Foram consideradas apenas as luvas íntegras, as quais não apresentaram vazamentos quando preenchidas com água. As coletas foram semeadas para análise microbiológica nos seguintes meios: Ágar Sangue, Ágar Hipertônico, Ágar Sabouraud, em cloranfenicol e Ágar EMB-Teague. Todas as placas foram encubadas a 37 C durante 72 horas, quando então foram feitas a leitura e contagem das colônias. Resultados: Correlação de Spearman: Ágar EMB-Teague: 1) Correlação entre proliferação ao término X duração, RS (+180 min) = 0,12 e RS (-180 min) = 0,18, ambos não significantes; 2) Correlação entre inicio X termino do ato operatório, R2 (+180 min) = 0,30 e R2 (-180 min) = 0,49, ambos são significantes; Ágar Hipertônico: 1) Correlação entre proliferação ao término X duração, R2 (+180 min) = 0,18 e R2 (-180 min) = 0,18, ambos são significantes; 2) Correlação entre inicio X termino do ato operatório, R2 (+180 min) = 0,31 e R2 (-180 min) = 0,46, ambos são significantes; Ágar Sangue: 1) Correlação entre proliferação ao término X duração, RS (+180 min) = 0,16 e RS (-180 min) = 0,14, ambos não significantes; 2) Correlação entre inicio X termino do ato operatório, R2 (+180 min) = 0,18 e R2 (-180 min) = 0,24, ambos são significantes. Teste de Man –Whitney realizando comparação entre procedimentos cirúrgicos (+180 min) X (-180 min), Ágar EMB-Teague: não apresentou significância; Ágar Hipertônico: Z(U) = 2,69 com p = (0,001); Ágar Sangue: Z(U) = 2,388 com p = (0,001). No Ágar Sabouraud não houve crescimento de fungos em qualquer placa. Conclusão: A proliferação microbiana de fato existe durante o ato operatório, tanto após a lavagem das mãos quanto ao término no interior de luvas cirúrgicas. Constatou-se com relação a duração que há predomínio proliferativo mais significante de Sthaphilococus. Comparando início X término houve proliferação mais significante no final do procedimento, o que poderia, com a ruptura das luvas cirúrgicas, causar prejuízo no pós-operatório. Referências: 1 - Wongworawat MD, Jones SG., Influence of rings on the efficacy of hand sanitization and residual bacterial contamination., Infect Control Hosp Epidemiol, USA, 2007. 2 - Aksoy A, Caglayan F, Cakmak M, Apan TZ, Gocmen JS, Cakmak A, Somuncu S, Akman H., An investigation of the factors that affect surgical hand disinfection with polyvidone iodine., Department of Microbiology, Faculty of Medicine, Kirikkale University, Kirikkale, Turkey, 2005. 3 Lefebvre DR, Strande LF, Hewitt CW, An enzyme-mediated assay to quantify inoculation volume delivered by suture needlestick injury: two gloves are better than one., Division of Surgical Research, Cooper University Hospital, Camden, NJ 08103, USA, 2008. 12 LEVANTAMENTO DA FLORA FÚNGICA DA UTI PEDIÁTRICA EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO Lívia Lopes Soares de Melo, Adriana Miguel Cavalcante Lima*, Carlos Américo Veiga Damasceno, Anna Luiza Pires Vieira Hospital das Clínicas – UNIVAS R. Alfredo Custódio de Paula, 226/09 – Medicina – 37550000 Pouso Alegre MG Introdução e Objetivos: Infecções nosocomiais são responsáveis por significante morbidade e mortalidade no período neonatal. Considerando a preocupação com a qualidade do ar de áreas críticas como UTIs, foi realizado um levantamento da flora fúngica da UTI Pediátrica e Neonatal do Hospital das Cínicas Samuel Libânio, em Pouso Alegre, Mg, com a finalidade de identificar a presença de fungos potencialmente patogênicos e oportunistas1. Métodos: Foram realizadas trinta coletas, que incluíram leitos, incubadoras, janelas, aparelhos de ar condicionado, telefone, estetoscópios, portas e maçanetas. Placas de Agar Sabouraud com o material da coletas foram incubadas em temperatura ambiente por quinze dias. A identificação foi baseada nas características macroscópicas, no exame direto e em microcultivos2. Resultados: Fungos potencialmente patogênicos e toxigênicos foram isolados. A análise quantitativa das colônias revelou a presença de onze gêneros, com freqüência variável de Penicillium spp., Cladosporium spp., Chrysosporium spp., Aspergillus spp., Exserohilum spp., Aureobasidium spp., Curvularia spp., Alternaria spp., Scopulariopsis spp., Rhizopus spp. e Bipolaris spp. Verificou-se que mais de 40% das colônias correspondem ao gênero Peniccilium spp., seguido por Cladosporium spp. e Chysosporium spp. Conclusões: Os resultados encontrados nessa pesquisa são concordantes com os encontrados em estudos que abordaram o mesmo tema, em UTIs Pediátrica e Neonatal. Os fungos encontrados podem apresentar grande potencial de patogenicidade, principalmente em imunodeprimidos. É importante a adoção de medidas de controle de infecção hospitalar em UTIs, como cuidados referentes à assepsia dos equipamentos, presença de visitantes e lavagem das mãos. O controle dos patógenos contribui para a diminuição da morbidade e mortalidade decorrentes de infecções nosocomiais3. Referências: 1. Lacaz CS, Porto E, Martins JEC, Heins-Vacari EM, Melo NT. Tratado de Micologia Médica Lacaz. 9ª ed, São Paulo: Sarvier; 2002. 2. Martins-Diniz JN et al. Monitoramento de fungos anemófilos e de leveduras em unidade hospitalar. Rev. Saúde Pública, v.39, n.3, p. 398-405, 2005. 3. Neufeld PM. Manual de Micologia Médica: técnica básica de diagnostico. Rio de Janeiro: Programa Nacional de Controle de Qualidade, 1999. 13 ANÁLISE DO USO DA CADERNETA DA CRIANÇA NA CIDADE DE POUSO ALEGRE – MG Alice Junqueira Pereira, Anna Luiza Pires Vieira, Angela Gobbo, Nidia Gonçalves Lima Universidade do Vale do Sapucaí Av. Coronel Alfredo Custódio de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: O “Cartão da Criança” passou por várias modificações desde sua criação com intuito de melhor atender as necessidades das mães e seus filhos. Entrou em vigor este ano uma nova Caderneta da Criança, contendo 82 páginas e destinada a crianças de zero a dez anos. É importante que todos aqueles que cuidem da população infantil observem as informações contidas na caderneta para efetivo acompanhamento da saúde da criança. Metódos: Após aprovação pelo Comitê de Ética os dados foram coletados por meio de questionários respondidos pelos responsáveis das crianças que foram ao Posto de Saúde, com 10 perguntas abertas, contemplando questões relativas à Caderneta da Criança e as principais dificuldades em seu uso pelas mães. Resultados: Foram entrevistadas 90 mães, apenas 26% das mães foram orientadas em relação à leitura da caderneta, apesar disso 56% fizeram sua leitura e todas afirmaram que a caderneta era muito importante e de fácil compreensão. 87% das mães levam a caderneta para consulta de puericultura e todas a levam para a anotação de vacinas. Apenas 17% das cadernetas estavam completas. Conclusão: A caderneta da criança deveria ser uma ferramenta importante de acompanhamento, principalmente nos primeiros anos de vida e deveriam nortear os diálogos entre os familiares e os profissionais de saúde. Nosso trabalho teve como objetivo a análise do uso da Caderneta da Criança na cidade de Pouso Alegre a partir desse dado, iniciar um trabalho de orientação junto aos pais.Referências: 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção Básica à saúde da Criança. Programa Saúde da Família. Apoio para o Agente Comunitário de Saúde. AIDPI. Brasília – DF, 1ª ed, p.7-8, 2001. 14 AVALIAÇÃO DO ACOLHIMENTO DE UM SERVIÇO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA DO SUL DE MINAS PARA MULHERES VÍTIMAS DE ACIDENTES E VIOLÊNCIA. Vinícius Tavares Veiga*, Talita Malta e Cunha, Marcos Mesquita Filho. Local: Hospital das Clínicas Samuel Libânio - UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: O estudo analisou a violência contra a mulher na perspectiva do atendimento imediato à vítima. O acolhimento é uma fase de importância fundamental para a saúde da pessoa vítima de causas externas de mortalidade e morbidade tanto quanto o atendimento em si. Nesse sentido, o profissional de saúde deve investigar melhor e adotar uma abordagem humanizada junto aos que sofrem o impacto das violências. O trabalho teve como objetivo avaliar o acolhimento efetuado pelos profissionais de saúde no pronto-socorro do Hospital das Clínicas Samuel Libânio às vítimas de acidentes e violências. Métodos: A estratégia metodológica foi de caráter epidemiológico, observacional, individual, transversal e descritivo. A pesquisa foi realizada em duas fases: 1ª-análise dos prontuários, em que foram levantados todos os prontuários de mulheres vítimas de causas externas de lesão atendidas no ano de 2006 no Hospital das Clínicas Samuel Libânio, 2ª-construção do instrumento (questionário), validação do questionário, grupo focal e entrevista com as mulheres que foram levantadas nos prontuários e sorteadas. Resultados: Foram incluídas neste estudo 308 mulheres. De acordo com os prontuários a região que apresentou maior número de vítimas foi a do bairro São Geraldo (24,0% delas), seguido pelo Centro da cidade com 11,4% e São João com 6,8%. A maior parte das pacientes sofreu de agressão por meio de força corporal, o que correspondeu a 159 vítimas (51,6% das ocorrências). A entrevista realizada teve uma amostra de 71 mulheres, sendo que apenas 19 (27%) aceitaram participar. Dentre as mulheres entrevistadas 57% delas acharam o atendimento bom, 16 % consideraram regular e 11% o consideraram péssimo. A respeito da realização dos procedimentos 16 mulheres relataram que foram atendidas com cuidado, 2 com desinteresse e 1 com desconforto. Conclusões: O problema da violência contra a mulher é grave, atingindo principalmente moradoras dos bairros com predominância de habitantes de baixa renda. O acolhimento é importante para avaliar e atender essas vítimas de violência de forma humanizada e multidisciplinar, além de contribuir para a melhor resolução deste problema de saúde de alta incidência em todo o Brasil e que ainda é pouco estudado. Referências: 01. MESQUITA FILHO, M. Vítimas de Causas Externas Atendidas em Serviço de Urgência e Emergência Subsídios ao Desenvolvimento de Sistema de Informações São Paulo, 2003 [Tese-Doutorado – Faculdade de Saúde Pública-USP]; 02. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS) - Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde, décima revisão. 2.ed. São Paulo, EDUSP, 1995. 1191p; 03. SOARES BS. Mulheres invisíveis: violência conjugal e novas políticas de segurança. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; 1999. 15 ESTUDO DA MORBIDADE OCASIONADA POR MORDEDURAS DE CÃES NO MUNICIPIO DE POUSO ALEGRE NO ANO DE 2007 Clara Paschoalini Guyot*; Andréia Albuquerque Clarindo Oliveira; Tássia Cabral de Lima; Marcos Mesquita Filho. Secretaria Municipal de Saúde de Pouso Alegre e Hospital das Clínicas Samuel Libânio- MG R. Comendador José Garcia, 758/22 – Centro- 37550-000- Pouso Alegre- MG Introdução e Objetivo: Os acidentes são importante causa de morbimortalidade em todo o mundo. Dentre os principais tipos de acidentes na infância, as mordeduras animais, principalmente caninas, são objeto de grande preocupação em virtude da possibilidade de transmissão da raiva, doença grave que, geralmente, leva ao óbito. Os ferimentos causados por mordidas de cães vêm adquirindo proporções significativas para saúde pública. Mordida de cães em humanos é responsável por mais de 3% de todos os ferimentos graves em países em desenvolvimento1. Crianças e adolescentes na faixa etária de 1 a 15 anos estão sujeitas a altos índices de acidentes previníveis, inclusive as mordeduras de animais. Analisa-se que as partes do corpo preferenciais ao ataque são a cabeça e a garganta, pois são locais mais vulneráveis e fatais devido a hemorragia maciça e laceração traqueal 2,3. A educação do público em geral, especialmente pais e crianças, sobre a frequência e as conseqüências potencialmente sérias das mordidas de cães é um importante passo para a prevenção. O objetivo da pesquisa é estudar a morbidade ocasionada pelas mordeduras de cães na população de Pouso Alegre no ano de 2007. Métodos: Foi realizada uma pesquisa de dados na Secretaria Municipal de Saúde de Pouso Alegre sobre vítimas de mordedura de cães que receberam tratamento anti-rábico. Resultados: Foram analisadas 414 notificações de atendimento anti-rábico. Com relação ao local do ferimento o segmento mais acometido foi mão/pé com 169 notificações (40,82%), seguido por membros inferiores (147pacientes - 35,50%), membros superiores (69 pacientes - 16,66%), cabeça/ pescoço (43 pacientes – 10,38%), tronco (31 pacientes – 7,48%), mucosa (19 pacientes – 4,58%). Com relação à faixa etária, 2,17% dos pacientes eram menores de 1 ano, 9,17% de 1-4 anos, 24,15% de 5-14 anos, 14,25% de 15-24 anos, 12,07% de 25-34 anos, 10,14% de 3544 anos, 12,07 de 45-54 anos, 7,05% de 55-64 anos, 8,93% com 65 anos ou mais. O sexo mais acometido foi o masculino com 56,76% enquanto o feminino apresentou 43,24%. Quanto ao tipo de exposição, 3,14% apresentaram contato indireto, 23,92% arranhadura, 3,14% lambedura, 79,71% mordedura e 0,92% outro tipo de exposição. Conclusão: Concluímos que os locais do corpo mais acometidos foram as extremidades (mão/pé), a faixa etária de maior prevalência foi de 5-14 anos, o sexo masculino é o mais acometido e o tipo de exposição que prevaleceu foi mordedura. Referências: 1- Odero WO, Kibosia JC. Incidence and characteristics of injuries in Eldoret, Kenya. East Afr Med J 1995; 72: 706-710; 2- William G. Winkler, DVM Human Deaths Induced by Dog Bites, United States, 1974-1975; 3- John C. Wright, PhD Severe Attacks by Dogs; Characteristics of the Dogs, the victims and the Attack Settings. 16 ESTADO FUNCIONAL E CONDIÇÕES CLÍNICAS DE IDOSOS COM FRATURA DE FÊMUR PROXIMAL UM A DOIS ANOS APÓS O EVENTO TRAUMÁTICO. Vítor Ângelo Carluccio Galhardo; Aline Fonseca Leite Praça; Daniela Brito; Flávia Priscila de Paiva Silva; Julio Cesar Lemes Macedo. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: Investigar as repercussões da fratura de fêmur proximal, na sobrevivência e perda da capacidade funcional de idosos, um a dois anos após a fratura. Desenho – Estudo longitudinal, retrospectivo, quantitativo. Métodos: Foram selecionados para participar da pesquisa, todas as pessoas com 60 anos ou mais de idade, moradores da cidade de Pouso Alegre - MG, operadas de fratura de fêmur proximal, em um hospital universitário, no período de 7/2005 a 12/2006. Protocolo de pesquisa: levantamento dos prontuários, coleta de dados sócio demográficos e clínicos e aplicada a Escala de Barthel que mede especificamente o grau de assistência exigido por um indivíduo em 10 itens de atividade de vida diária envolvendo mobilidade e cuidados pessoais. O conteúdo desses itens é avaliado pelo relato do paciente, observação de uma pessoa de seu convívio estreito ou exame de um profissional treinado. Estatística descritiva foi aplicada na avaliação dos dados encontrados. Resultados: De 52 prontuários selecionados, 28 (53,85%) idosos foram entrevistados, 7 (13,46%) não foram encontrados ,2 (3,85%) recusaram-se a participar e 15 (28,85%) faleceram no período avaliado. Dos 28 entrevistados, 24 (85,71%) do sexo feminino e 4 (14,29%) masculino, média de 82,07 anos. Dezessete (60,71%) eram viúvos, com baixa escolaridade, 8 (28,57%) analfabetos e 11 (39,29%) com 1° grau incompleto, com a renda média de 662,59 reais. As patologias mais prevalentes foram diabetes mellitus, 11 (39,29%) e hipertensão arterial, 20 (71,43%), com média de 3,68 medicamentos em uso. Somente 2 idosos estavam em uso de medicação para osteoporose. O comprometimento da capacidade funcional foi encontrada em 17 (60,71%) idosos pela análise do Índice de Barthel. Destes, 15 (53,57%) apresentaram dependência e 2 (7,14%) foram considerados parcialmente dependentes. Dos 15 considerados dependentes, 5 (33,33%) já apresentavam algum grau de dependência antes da fratura. Onze (39,29%) foram considerados independentes. Dos 15 óbitos encontrados, 7 (46,67%) eram do sexo feminino e 8 (53,33%) masculino, a média de idade foi 82,4 anos. A ocorrência de óbito até um ano após a fratura foi observada em 12 (80%) idosos, e 3 (20%) no segundo ano. Conclusão: A fratura de fêmur proximal na amostra estudada mostrou correlação com óbito principalmente no primeiro ano após fratura, e dependência. Referências: 01. Carvalho Filho, E. T. Fisiologia do Envelhecimento. In: Papaléo Netto, M. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada. São Paulo: Ed. Atheneu, p.60 – 70, 2002. 17 IMPACTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTEMICA NA QUALIDADE DE VIDA Rodrigo Luciano de Moraes*, Maria Aparecida Silva Mariosa, Carlos Henrique Vianna de Andrade, Marcos Mesquita Filho, André Luiz de Moraes, Erick Soares Cruz. Realizado no Posto do PSF da Cidade de Cordislândia-MG Rua Padre Santana, 47, Centro, 37550-000, Pouso Alegre-MG Introdução e Objetivo: A Hipertensão Arterial Sistêmica (HA) é uma das maiores responsáveis pelas complicações cardiovasculares, que são a maior causa de morbi-mortalidade em todo o mundo, comprometendo a expectativa e a qualidade de vida dos seus portadores. A qualidade de vida (QV) pode ser avaliada pela administração de instrumentos como o Medical Outcomes Study 36 - Item Short-Form Heart Survey (SF36). O objetivo foi avaliar a QV em portadores de HA sem e com lesões em órgão alvo (LOA) Métodos: Estudo observacional, transversal, amostragem por demanda assistencial, com 221 portadores de HA crônica. A pesquisa consistiu de um formulário sofre o Perfil Clínico-Demográfico e o SF36. Mediu-se a circunferência abdominal e do quadril com fita métrica inextensível, a PA foi aferida no braço esquerdo, com o uso de esfignomanômetro anaeróide, calibrado, em posição sentada e após 5 minutos de repouso. Considerouse a PA sistólica no aparecimento dos sons de Korotkoff e a diastólica no seu desaparecimento. Os pacientes foram divididos em 3 grupos: Grupo A, sem fatores de risco (FR) e com LOA; o Grupo B, com pelo menos um FR, exceto diabetes melito (DM), e sem LOA; e o Grupo C, com pelo menos uma LOA, com ou sem DM, e com ou sem FR. As diferenças entre os grupos foram estudadas pela análise de variância ou pelo teste de Kruskal Wallis e o pós teste com teste t ou de Man-Whitney. Considerou-se a significância a 5% (p≤0,05). O software utilizado foi o Epinfo 6.04. Resultados: Perfil Clínico demográfico: sexo feminino 148 (70,1%), alfabetizados 132 (62,6%), média de idade 62,48±13,32), cor parda 116(55%), História Positiva de familiar de HAS 148 (70,8%), Sem outras comorbidades 155 (73,5%). Quando a Pressão Arterial Sistólica Média obtida foi de 138,00 mmHg±19,01, Pressão Arterial Diastólica Média obtida foi de 86,91±13,77 mmHg e Indice C/Q 0,95±0,07. Fator de risco com significância: Fumantes 44(21,1%) (p=0,02). Quanto aos componentes da Qualidade de Vida, 5 deles, obtiveram significaria estatística: Dor: A 86,81±22,10; B 76,34±29,08; C 62,80± 29,66 (P=0,000034); Vitalidade: A 83,90±18,26; B 77,43±23,45; C 70,83±22,86 (P=0.003537); Aspecto Social: A 90,62±15,55; B 76,22±31,84; C 70,89±32,13 (P=0.0042560); Saúde Mental: A 79,75±15,20; B 68,58±19,02; C 65,58± 24,20 (P=0.006962); Capacidade Funcional: A 78,12±23,37; B 72,56±29,39; C 62,31± 29,20 (P=0.006969). Conclusão: Os hipertensos com LOA apresentam menor QV nos domínios: Capacidade Funcional, Dor, Vitalidade, Limitações de Aspectos Sociais e Saúde Mental. Referências: 1. IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Arq. Bras. Cardiol. volume 82, Suplemento IV, 2004. 2. CICONELLI, RM, FERRAZ MB, SANTOS W, MEINAO I, QUARESMA MR. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF-36 (Brasil SF-36). Rev Bras Reumatol, v. 39, n. 3, p. 143-150, 1999. 18 USO DA TÉCNICA CONGRUÊNCIA ITEM-OBJETIVO NA VALIDAÇÃO DE INSTRUMENTO DE PESQUISA SOBRE MORDEDURAS DE CÃES. Andréia Albuquerque Clarindo Oliveira*, Clara Paschoalini Guyot, Tássia Cabral de Lima, Marcos Mesquita Filho. Instituição: Faculdade de Ciências da Saúde de Pouso Alegre- UNIVÁS. Av. Coronel Alfredo Custódio de Paula, 98 - Centro- 37550-000 – Pouso Alegre- MG. Introdução e Objetivos: Entre os principais acidentes da infância, as mordeduras caninas1, são objeto de grande preocupação, tanto pela possibilidade de transmissão da raiva, como pelas lesões provocadas. Para estudo de sua epidemiologia necessitam-se instrumentos precisos para levantamento de dados. Não é possível que se tirem conclusões generalizáveis na ausência da calibração dos métodos de coleta. O objetivo deste trabalho foi validar questionário para mensuração de variáveis relacionadas às mordeduras de cães na população de Pouso Alegre através da técnica da Congruência Item-Objetivo2. Métodos: Elaborou-se um questionário de 42 questões fechadas que abordaram aspectos relacionados às mordeduras de cães levantados pelas literaturas nacional e internacional. Este instrumento foi repassado para um grupo de quatro juízes/especialistas que o avaliaram dando notas a cada item. Atribuíram-se as notas: + 1 se o item atendesse ao objetivo do trabalho, zero se não ficasse claro se o item atendia ao objetivo, - 1 se o item não atendesse ao objetivo. A questão deveria obter média final para todos os objetivos e juízes de pelo menos 0,7 para ser considerada validada2. Itens avaliados por questão: Conteúdo: A questão contempla o conteúdo definido pelo objetivo da pesquisa?; Simplicidade: A questão é inteligível pela população de interesse?; Clareza: A questão está formulada de forma clara?; Relevância: A questão é importante para o cumprimento do objetivo?; Credibilidade: A questão será considerada como algo que vale a pena ser respondido?; Neutralidade: A questão foi formulada de maneira a não induzir a resposta? Resultados: A média das 42 questões foi de 0,89. Foram validadas 37 (88,1%). Das cinco (11,9%) com média inferior a 0,7 três foram validadas após reformulações propostas pelos juízes e duas foram retiradas do questionário. Conclusão: Após as modificações sugeridas atingiu-se validação de face, de conteúdo e de critério. Referências: 1- Katherine A. Feldman, DVM, MPH, Roger Trent, PhD, and Michele T. Jay, DVM, MPVM. Epidemiology of hospitalizations resulting from dog bites in California, 1991-1998 American Journal of Public Health. 94 (11), p.1940-1941, 2004. 2- Turner, RC; Carlson, L. Indexes of item-objetive congruence for multidimensional items. International Journal of Testing 3 (2) p. 163-71. 2003. 19 Local: Hall do Campus Central da Univás 20 Dia 16/09/2008 Hora: 14h Apresentação Pôster – Hall do Campus Central Avaliadores: Prof. Carlos Roberto Amorim Prof. Félix Carlos Ocáriz Bazzano Profª. Miriam de Fátima Brasil Engelman •SÍNDROME DE CROUZON •AVALIAÇÃO HISTEROSCÓPIOCA DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL •HISTERECTOMIA PUERPERAL: UM PROBLEMA OU UMA SOLUÇÃO? • •IMPACTO PERINATAL DA IDADE MATERNA IGUAL OU SUPERIOR A 40 ANOS • •REPERCUSSÕES NEONATAIS ASSOCIADAS À OCORRÊNCIA DE MECÔNEO •VASA PRÉVIA • PANCREATITE EM PEDIATRIA •QUILOTÓRAX 21 Dia 16/09/2008 Hora: 14h Apresentação Pôster – Hall do Campus Central Avaliadores: Prof. Carlos Roberto Amorim Prof. Félix Carlos Ocáriz Bazzano Profª. Miriam de Fátima Brasil Engelman •SÍNDROME DE CROUZON •AVALIAÇÃO HISTEROSCÓPIOCA DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL •HISTERECTOMIA PUERPERAL: UM PROBLEMA OU UMA SOLUÇÃO? • •IMPACTO PERINATAL DA IDADE MATERNA IGUAL OU SUPERIOR A 40 ANOS • •REPERCUSSÕES NEONATAIS ASSOCIADAS À OCORRÊNCIA DE MECÔNEO •VASA PRÉVIA • PANCREATITE EM PEDIATRIA •QUILOTÓRAX 22 •PERFIL DAS CARDIOPATIAS CONGÊNITAS COM INDICAÇÃO CIRÚRGICA NO PERÍODO NEONATAL DIAGNOSTICADOS EM UMA UTI NEONATAL •AUTISMO •CARDIOMIOPATIA DILATADA: RELATO DE DOIS CASO EM UMA UTI PEDIÁTRICA •GEMELARES ONFALÓPAGOS: CASO CLÍNICO E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA •CISTOADENOMA MUCINOSO DE PÂNCREAS •ABLAÇÃO POR TERMOCAUTÉRIO NA FIBRILAÇÃO ATRIAL CRÔNICA •ANEURISMA DISSECANTE DA AORTA TORÁCICA •ANEURISMA GIGANTE DA AORTA ABDOMINAL •INFARTO AGUDO ESQUERDO DO MIOCÁRDIO COM PERFURAÇÃO DO VENTRÍCULO • 23 •NEOPLASIA VIRILIZANTE DA SUPRA-RENAL •RECONSTRUÇÃO DE PONTA E COLUMELA NASAL COM RETALHO DE TRANSPOSIÇÃO: RELATO DE CASO •RECONSTRUÇÃO DE CRIPTOTIA EM ADULTO • •TRAUMA ABDOMINAL - DAMAGE CONTROL • •TROMBOSE DA VEIA CAVA SUPERIOR EM USUÁRIO DE DROGAS • •ANEURISMA INFLAMATÓRIO DA AORTA ABDOMINAL • •ANEURISMA ROTO DO TRONCO CELÍACO • •ADENOCARCINOMA DE BEXIGA 24 SÍNDROME DE CROUZON Ellen Rocha Penna, Sabrina Ruzzene*, Ediene dos Santos, Mônica de Assis Rosa, Anna Luiza Pires Vieira Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A Síndrome de Crouzon é caracterizado por herança genética autossômica dominante, nos genes FGFR1 e FGFR 2 (48%), caracterizada por braquicefalia, associada a hipoplasia hemifacial e exoftalmia, não havendo acometimento de mão e pés. Cerca de 42% dos casos com características clínicas compatíveis com a Síndrome de Crouzon, não apresentam mutações em nenhum destes genes, e, portanto, mutações em outros genes podem ser responsáveis por este quadro clínico.O diagnóstico pré-natal baseia-se em identificar as anormalidades craniofaciais e malformações associadas, suspeitado pela ultrassonografia de primeiro e segundo trimestre, já o diagnóstico pós-natal é realizado por Rx simples de face e crânio e TC de crânio axial. O diagnostico de certeza pode ser realizado pela análise do DNA obtido por punção do líquido amniótico ou do cordão umbilical. Apenas a cirurgia corretiva do crânio na primeira infância pode amenizar as seqüelas, como o retardo mental. Relato do Caso - Este trabalho foi realizado utilizando metodologia qualitativa exploratória (relato de caso). RN do sexo masculino, nascido de parto cesárea devido DCP, com apgar 4/7, peso 2885g, ao exame físico foi observado fontanela ampla, implantação baixa e hipertricose de orelha direita e esquerda, exoftalmia, micrognatia, fenda palpebral oblíqua e aracnodactia. Solicitado cariótipo, ecocardiograma, TC de crânio e avaliação da cirurgia plástica. A tomografia de crânio evidenciando deformidade óssea de todo o crânio, sinal do halequim, fechamento precoce da coronal direita e plagiocefalia. Ecocardiograma sem alterações. Discussão - Este trabalho visa alertar pediatras e obstetras sobre o diagnóstico precoce pré e pós natal da Síndrome de Crouzon. O paciente apresentava sinais e sintomas correspondente com Síndrome de Crouzon. Na tomografia computadorizada evidenciou plagiocefalia, sinal do halequim, craniocinostose e deformidade óssea. Referências – 01.Tratado de Pediatria. 15th ed, Vol 2. Guanabara Koogan; 1997. Cap 493 p 1770-3. Ignatowicz R, Gdakowicz B. [Craniofacial dysostosis of the Crouzon type]. Wiad Lek. Feb 15 1971;24(4):363-6 25 AVALIAÇÃO HISTEROSCÓPIOCA DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL. Antônio Marcos Coldibelli Francisco*, Silvânia de Cássia Vieira Archângelo Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas “Samuel Libânio” – Faculdade de Ciências da Saúde “Dr. José Antônio Garcia Coutinho” – Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Rua Cássio Carvalho Coutinho, 26 - Santa Elisa – 37.550-000 – Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: Avaliar os achados histeroscópicos de mulheres com sangramento uterino anormal. Métodos: Analise retrospectiva de 634 histeroscopias consecutivas de mulheres com sangramento uterino anormal realizadas no período de julho de 1996 a maio de 2008 no setor de cirurgia minimamente invasiva do Serviço de ginecologia e obstetrícia da Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVAS. Resultados: Das 634 mulheres com sangramento uterino anormal (289/638) 45% estavam na pós menopausa ; (349/634) 55% encontrava-se no menacme. A afecção mais freqüente nas mulheres com sangramento uterino anormal foi o pólipo (258/638), seguido por histeroscopia normal (219/638); mioma (64/638); histeroscopias inconclusivas (48/638); câncer de endométrio (41/638); sinéquias (30/638); endometrite (24/638); hiperplasia endometrial (17/638); má-formação uterina (9/638); distrofia vascular (2/638); hematométrio (2/638); corpo estranho (1/638). Conclusão: O achado histeroscópico mais freqüente em mulheres com sangramento uterino anormal é o pólipo endometrial, seguido ausência de anormalidade da cavidade endometrial à histeroscopia. O câncer de endométrio foi a terceira causa de sangramento uterino anormal nas mulheres na pós-menopausa e a décima primeira causa nas mulheres no menacme. Referências: Litta, A. Role of hysteroscopy with endometrial biopsy to rule out endometrial câncer in postmenopausal women with abnormal uterine bleeding. Maturitas, 2005; 50(2):117-23. 26 HISTERECTOMIA PUERPERAL: UM PROBLEMA OU UMA SOLUÇÃO? Gabriela Nicoletti Dall'Ara*, Karise Oliveira Marques, Ana Beatriz de Abreu Severino, Ana Paula Heinzl, Cristina Kallás Hueb. Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL). R. Comendador José Garcia, 758 / 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução: Histerectomia puerperal é a retirada total ou parcial do útero realizada em algum momento após o parto devido a uma complicação e/ou agravamento de uma enfermidade preexistente. Ocorre numa incidência de 0,6 a 2,3 por mil nascidos vivos. Relato do Caso: Os autores relatam três casos de histerectomias puerperais ocorridas em 2008 no Serviço de Obstetícia do HCSL. Paciente de 36 anos, multigesta, IG de 28 semanas e 2 dias, com amniorrexe prematura, placenta prévia marginal e feto em apresentação pélvica. Entrou em trabalho de parto prematuro e apresentou hemorragia. Realizado cesárea na qual observou-se acretismo placentário com sangramento aumentado, sendo necessária histerectomia. RN do sexo feminino, 1060g, Apgar 3 e 7, foi transferido para UTI neonatal. Paciente evoluiu bem, recebendo alta três dias após o procedimento. O RN teve alta hospitalar com 2 meses de vida. Paciente de 26 anos, primigesta, IG de 37 semanas e 6 dias com antecedente de bronquite asmática em uso de beta agonista. Apresentou amniorrexe prematura e alteração da vitalidade fetal. Feita cesárea por sofrimento fetal, evoluiu com atonia uterina não revertida após massagem e uso de uterotônicos, impondo-se a histerectomia parcial. O RN de sexo feminino, pesou 2555g, Apgar de 8 e 9. Mãe e filho receberam alta hospitalar cinco dias após o parto. Paciente de 34 anos, multípara, IG de 40 semanas e 5 dias com oligoâmnio (ILA 5mm). Indicada indução do trabalho de parto com misoprostol 25mcg. Após a aplicação do 5º comprimido paciente que queixava-se de forte dor em baixo ventre, apresentou quadro de choque e alteração dos batimentos cardíacos fetais. Realizada cesárea de emergência durante a qual evidenciou-se extensa área de ruptura uterina, feita rafia da lesão e uso de uterotônicos sem controle do sangramento. Procedeu-se então a histerectomia parcial. O RN de sexo masculino nasceu em parada cardiorespiratória e faleceu após 22 dias na UTI. Puérpera recebeu alta três dias após a cirurgia. Discussão: A histerectomia puerperal é uma das complicações obstétricas mais graves com alta morbimortalidade materno-fetal. O acretismo placentário, a atonia uterina e a ruptura uterina constituem as principais indicações do procedimento cirúrgico. Referências: 01.Incidence and Determinants of Peripartum Hysterectomy In: Obstetrics & Gynecology; 2006;108:1486-1492. 02.Histerectomía puerperal: Estudio de 14 años In: Rev Cubana Obstet Ginecol; Vol 31; nº1; Ciudad de la Habana; ene-abr; 2005. 27 IMPACTO PERINATAL DA IDADE MATERNA IGUAL OU SUPERIOR A 40 ANOS Ana Beatriz Abreu Severino*, Ana Paula Heinzl*, Cristina Kallás Hueb, Maíra Luppi; Marcela Ramos Moura. Serviço de Obstetrícia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio - Univás Avenida Alfredo Custódio de Paula, 150, apto 103, Centro 37550-00 Pouso Alegre-MG. Introdução e Objetivo: A definição dos riscos gestacionais inerentes à gestação em idade avançada tem sido preocupação da obstetrícia, uma vez que cresce o número de mulheres em todo o mundo que retardam a primeira gravidez. A busca pela independência financeira, o maior tempo de formação requerido pelo mercado de trabalho moderno, as separações e novas uniões conjugais, aliados às possibilidades oferecidas pelos atuais métodos de anticoncepção e fertilização assistida contribuem para este fenômeno universal. O presente estudo objetiva analisar a freqüência e as repercussões perinatais da idade materna igual ou superior a 40. Métodos: Estudo retrospectivo dos prontuários de todas as pacientes com 40 anos ou mais que tiveram parto assistido no Hospital Universitário Samuel Libânio no período de _maio 2007 a maio de 2008. As variáveis analisadas foram: idade das gestantes, idade gestacional do parto, paridade, patologias associadas, via de parto, Apgar dos recém-nascidos. Resultados: No período estudado houve 1540 partos, 34 (2,2%) destes de mulheres com 40 anos ou mais. O limite superior de idade materna encontrado foi de 46 anos, sendo a idade média de 41,8 anos. A idade gestacional variou de 33 a 42 semanas com média de 36 semanas de gestação. Quatro (11,8%) pacientes eram primíparas e as demais 30 (88,2%) multíparas. Vinte e cinco (73,5%) pacientes apresentavam alguma patologia clínica e/ou obstétrica associada: Síndrome hipertensiva (12), diabetes mellitus (3), obesidade (3), pós-datismo (3) placenta prévia (2) e oligoâmnio (2). Ocorreu parto vaginal em 14 (41,2%) casos e parto cesárea em 20 (58,8%) casos. Conclusão: A gestação com 40 anos ou mais é pouco comum em nosso meio, entretanto, associa-se freqüentemente a patologias clínicas e obstétricas e a altas taxas de cesariana. Referencia: 1. Ziadeh S, Yahaya A. Pregnancy outcome at age 40 and older. Arch Gynecol Obstet 2001; 265:30-3. 2.Seoud MA, Nassar AH, Usta IM, Melhem Z, Kazma. 3. A, Khalil AM Impact of advanced maternal age on pregnancy outcome. Am J Perinatol 2002; 19:1-8. 28 REPERCUSSÕES NEONATAIS ASSOCIADAS A OCORRÊNCIA DE MECÔNEO Ana Beatriz Abreu Severino*, Ana Paula Heinzl, Cristina Kallás Hueb, Maíra Luppi; Marcela Ramos Moura. Serviço de Obstetrícia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio - Univás Avenida Alfredo Custódio de Paula, 150, apto 103, Centro 37550-00 Pouso Alegre-MG. Introdução e Objetivo: A incidência da eliminação de mecônio durante o trabalho de parto tem sido descrita na literatura variando de 0,5 a 30%. Sua ocorrência associa-se a Síndrome da Aspiração do Mecônio (SAM) relacionada a elevadas taxas de morbidade e mortalidade neonatal. O objetivo do presente trabalho foi o de estudar a incidência de mecônio, a sua influência sobre a via de parto e sobre os resultados neonatais. Métodos: Realizou-se estudo retrospectivo de todos os partos ocorridos entre 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2008 ocorridos no Hospital Universitário Samuel Libânio. Foram identificados os casos de ocorrência de mecônio durante o trabalho de parto e entre estes analisados a via de parto, o Apgar dos RN, a ocorrência de SAM, a internação em UTI neonatal e as condições de alta do neonato. Resultados: Ocorreram 716 partos no período estudado, 19 casos de eliminação de mecônio o que corresponde a 2,65%. O parto vaginal ocorreu em 9 destes e o parto cesárea em 10. O índice de Apgar de primeiro minuto foi inferior a 4 para um RN, de 4 a 7 para três RN e superior a 7 para 15 RN. O índice de Apgar de quinto minuto foi de 4 a 7 para um RN com eliminação intra-útero de mecônio e superior a 7 para os demais. Dois RN foram admitidos em UTI neonatal, ambos com SAM, um deles evolui para óbito em 6 dias e outro para alta hospitalar em 16 dias. Conclusão: A ocorrência de mecônio durante o trabalho de parto não foi muito freqüente em nosso meio, mas, associou-se a altos índices de cesariana e resultados neonatais adversos. Referências: 1. Diniz EMA, Ceccon MEJR. Síndrome de aspiração meconial. Pediatr Mod 2000; 36: 42-4. 2. Santos Filho, Octávio de Oliveira Estudo de Alguns Fatores de Risco para a Presença de Mecônio no Líquido Amniótico. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2000, vol.22, n. 8, ISSN 0100-7203. 29 VASA PRÉVIA: RELATO DE CASO Karise Oliveira Marques*, Gabriela Nicoletti Dall'Ara, Ana Beatriz de Abreu Severino, Ana Paula Heinzl, Cristina Kallás Hueb. Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL). R. Comendador José Garcia, 758 / 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - Vasa Prévia (VP) trata-se de anomalia de inserção do funículo umbilical na placenta, na qual os vasos umbilicais cruzam o segmento inferior uterino, colocando-se à frente da apresentação. A freqüência de inserção velamentosa do funículo umbilical oscila entre 0,5 e 1% em gestações com feto único. A maior importância da ruptura dos VP reside no fato de que se relaciona com mortalidade fetal que varia de 33 a 100%. Relato do Caso – Paciente do gênero feminino, 19 anos, solteira, leucoderma, admitida no dia 07/04/08 no centro obstétrico do Hospital das Clínicas Samuel Libânio em fase latente do trabalho de parto. Paciente primigesta, com idade gestacional de 41 semanas e 2 dias, com contrações de fraca intensidade, negando perda de líquido ou sangue. Foi realizada cardiotocografia que confirmou a boa vitalidade fetal. Evoluiu bem, entrando em franco trabalho de parto com bolsa íntegra. Durante a condução do trabalho de parto foi realizada amniotomia (01:45h), houve saída de grande quantidade de sangue vivo acompanhado de pequeno volume de líquido amniótico. Feto entrou em bradicardia (80-90 bpm), sendo administrado oxigênio e posicionada a paciente em decúbito lateral esquerdo, sem melhora do quadro. Diagnosticou-se rotura de vasa prévia e a paciente foi imediatamente encaminhada para parto cesárea. O procedimento ocorreu rapidamente com nascimento às 01:55h de neonato do sexo masculino, pesando 3665 g que recebeu Apgar de 7 no 1º minuto e 9 no 5º minuto. Mãe e filho evoluíram favoravelmente, recebendo alta no dia 10/04/08. Discussão - O diagnóstico de VP é costumeiramente negligenciado em função da raridade desta entidade mórbida e da escassez de tempo que decorre entre a suspeita diagnóstica e a intervenção médica, que deve ser imediata. Um examinador atento ao correlacionar o sangramento pós amniotomia às modificações imediatas da freqüência cardíaca fetal pode diagnosticar a VP e salvar a vida do concepto. Referências – 01. Rev. Bras. Ginecol. Obstet; Vol 23; Nº 7; Rio de Janeiro; Agosto 2001. 02. Pent D. Vasa previa In: Am J Obstet Gynecol: 1979; 134:151-5. 30 PANCREATITE EM PEDIATRIA: RELATO DE CASO Félix Carlos Ocariz Bazzano, Ediene dos Santos, Richard Kotzent, Angela Gobbo, Carolina Pinotti R. de Oliveira* Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução : A Pancreatite é uma doença caracterizada pela inflamação do pâncreas e habitualmente é acompanhada de elevação dos níveis de amilase e lipase pancreáticas.Geralmente é um transtorno autolimitado, mas se o processo inflamatório for progressivo, pode levar a alterações morfológicas e perda das funções exócrinas e endócrinas do pâncreas. Relato do caso: Paciente do gênero masculino, 1 ano e 8 meses, vem encaminhado para o Hospital das Clínicas Samuel Libânio para esclarecimento de dor abdominal, hepatopatia e ascite.Apresentava-se ao exame clínico desidratado I grau, dispnéico, e com ascite importante. Suspeitou-se de Pancreatite, que após realização de exames laboratoriais e de uma Colangioressonância,foi confirmada ao evidenciar uma anomalia congênita denominada Pâncreas divisium e uma obstrução de um ducto acessório.Paciente atualmente em acompanhamento ambulatorial e em bom estado geral. Discussão: A pancreatite crônica na criança é pouco frequente, porém deve sempre estar presente no diagnóstico diferencial da dor abdominal recorrente.Acredita-se que exista um subdiagnóstico, requerendo um alto índice de suspeita pelo profissional de saúde.Referências: 1 - Pietzak MM, Thomas DW.Pancreatitis in childhood, Pediatric Rev. 2000; 21 :406-12 ; 2 – Lopez F, Júnior D.Tratado de PediatriaSociedade Brasileira de Pediatria, 1ª edição, Barueri, Manole,2007;19:963-69. 31 QUILOTÓRAX: RELATO DE CASO Claudinei Leoncio Beraldo,Eugênio Fernandes de Magalhaes,Juliana Souza Azevedo, Laura Fripp Cordeiro,Juscelino Amancio,*Tania Ramos Ribeiro. Hospital das Clínicas Samuel Libânio – UNIVAS – MG. Rua Comendador José Garcia, 777 – Centro - 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: O quilotórax (QT) caracteriza-se pela presença de quilo, rico em triglicerídeos e quilomícrons, no espaço pleural, proveniente de ruptura, laceração ou obstrução do ducto torácico.(1-2) A origem do quilo pode ser do tórax, abdome ou de ambos.(1) O quilotórax espontâneo (QE) em adultos é uma situação clínica rara, sendo considerado diagnóstico somente após a exclusão das demais causas de QT (neoplasias, trauma, malformações linfáticas congênitas, infecções, trombose venosa, entre outras).(1) O QT é potencialmente letal e pode resultar em comprometimento respiratório, nutricional e imunológico. Relato do caso: Paciente do gênero masculino, seis meses de idade. Mãe refere que há 2 dias o paciente iniciou com quadro de dispnéia,chiado,obstrução nasal e tosse seca. Fez uso de prednisolona e inalações apresentando melhora. Após duas semanas reiniciou com quadro de tosse produtiva diuturna associado a chiado intenso e taquidispnéia. Procurou o pronto atendimento sendo internado. Na ausculta respiratória se apresentava com murmúrio rude com estertores difusos em hemitórax direito. Houve piora do desconforto respiratório apresentando também cianose central e de extremidades. Foi transferido para a UTI. Apresentava ao exame físico: FC -166bpm, FR-50rpm, T= 35,6 C, oximetria de 89% e edema de membros inferiores. Propedêutica pulmonar com abolição de murmúrio vesicular em pulmão direito. Feito radiografia de tórax sendo evidenciado extenso derrame pleural. Foi realizada toracocentese e posterior drenagem torácica com secreção leitosa. Na analise do liquido pleural foi observado níveis elevados de triglicerides (794), proteinas =3,9 e DHL no valor de 173 sugerindo o diagnostico de Quilotórax. Cultura de liquido pleural negativa. Realizado angioressonancia de tórax que se mostrou normal. Optamos pela introdução de dieta livre de gorduras, leite desnatado e triglicérides de cadeia media (TCM). Apresentou melhora clinica e radiológica com resolução quase total do derrame. O dreno torácico foi retirado no vigésimo sétimo dia de internação. Recebeu alta com boas condições clinicas seguindo em tratamento ambulatorial. Objetivo: O objetivo desse trabalho foi chamar a atenção para o quilotórax congênito, uma causa rara de insuficiência respiratória no recém-nascido e a forma mais comum de efusão pleural no período neonatal. Referencias: Lecuona, J.E.; Benito, A.; Ansotegui, A.J.; et al. Congenital chylothorax. An Esp Pediatr, 49:161164, 1998 2. Brodman, R.F.; Zavelson, T.M.; Schiebler, G.L. Treatment of congenital chylothorax. J. Pediatr, 85:516-517, 1974 32 PERFIL DAS CARDIOPATIAS CONGÊNITAS COM INDICAÇÃO CIRÚRGICA NO PERÍODO NEONATAL DIAGNOSTICADOS EM UMA UTI NEONATAL Anna Luiza Pires Vieira, Edson Luiz de lima, João Paulo Issamu Takata, José Célio da Silva Júnior*, Marina May Chittenden Bandeira, Matheus Siqueira Masson Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivos: O diagnóstico das cardiopatias congênitas com indicação cirúrgica no período neonatal constitui um dos maiores desafios para o pediatra. Há estimativas de mortalidade em torno de 20% no primeiro mês de vida e de 50% dentro do primeiro ano. O presente trabalho tem o objetivo de descrever as características dos neonatos com cardiopatia congênita cuja indicação cirúrgica ocorre ainda no período neonatal e enfatizar a importância do diagnóstico precoce para o sucesso da terapêutica. Métodos: Estudo de abordagem quantitativa e do tipo transversal. A amostra utilizada constituiu-se de todos os pacientes admitidos na unidade de terapia intensiva neonatal com diagnóstico de cardiopatia congênita, com indicação cirúrgica no período neonatal, no período de jan/2005 a dez/2007. Resultados: Foram internados neste período 14 neonatos cuja faixa etária foi de 11+/- 3 dias, com peso médio de 3450 gramas. A distribuição quanto ao gênero foi de 65% para o sexo masculino e 35% para o sexo feminino. A manifestação clínica inicial das cardiopatias foi cianose em 86% dos casos. As lesões obstrutivas do lado direito do coração foram as cardiopatias mais freqüentes, sendo: 28,5% Tetralogia de Fallot; 21,5% atresia pulmonar e 7% estenose pulmonar. O Tempo médio de internação antes da transferência foi de 15 dias e 14% apresentaram complicações como sepse e insuficiência renal durante a internação. Todos os pacientes sobreviveram até o encaminhamento para hospital terciário, onde foram submetidos à correção cirúrgica e apenas 1 evoluiu para óbito no período pós-operatório (mortalidade de 7%). Conclusão: Esses dados representam a importância do diagnóstico precoce e de intervenções imediatas para que se obtenham melhores resultados terapêuticos e conseqüente diminuição da morbimortalidade. Referências: 1. Mitchell SC, Korones SB, Berendes HW. Congenital heart disease in 56,109 births. Incidence and natural history. Circulation. 1971;43:323-32; 2. Hoffman JIE, Kaplan S. The incidence of congenital heart disease. J Am Coll Cardiol. 2002;39:1890-900. 33 AUTISMO: RELATO DE CASO Luiz Henrique de Oliveira Schiavon*, Lívia Lopes Soares de Melo, Leci Veiga Caetano, Larissa de Souza Bueno, Anna Luiza Pires Vieira, Eugênio Fernandes de Magalhães UNIVAS – Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre – MG Av. Alfredo Custódio de Paula, 226/09 – Medicina – 37550000 Pouso Alegre MG Introdução: O autismo é uma síndrome comportamental com etiologias múltiplas e distúrbio do desenvolvimento, caracterizado por déficit de interação social, associado a alterações de comportamento e déficit de linguagem(1). O nível intelectual não é um dos critérios de definição do transtorno autista. O espectro autista abrange uma série de distúrbios que vão do autismo clássico, com retardo mental, à síndrome de Asperger, uma forma branda associada a um Q.I. acima da média. Os desvios na linguagem também variam de uma ausência de comunicação social a um conhecimento lingüístico adequado, porém com inabilidades para a conversação(2). O diagnóstico se baseia na observação clínica e na investigação do meio familiar da criança, por meio de avaliação de comportamentos como a sociabilidade, o jogo e a afetividade. O prejuízo qualitativo na comunicação é uma das chaves de diagnóstico de transtorno autista . Relato do caso: Lactente de 1 ano e 6 meses compareceu a Unidade de Saúde com queixa de tosse e dispnéia. História neonatal: Mãe secundigesta 39 anos, nega intercorrências durante a gestação, parto cesáreo por macrossomia, PN 4050g, pgar 8,9 alta junto com a mãe. HPP: 3 internações por pneumonia. História vacinal em dia e acompanhamento ambulatorial mensal. História do desenvolvimento: sentou aos 6 meses, paciente agitado com auto-agressão, ausência de medo em resposta a perigos reais, déficits de atenção e auditivos não fala nenhuma palavra, é isolado e com tendência a movimentos repetitivos. Paciente encaminhado para avaliações de ordem psicológica, fonoaudiológica e pedagógica. Atualmente em tratamento multidisciplinar há 1 ano com melhor interação familiar e discreta melhora no setor de linguagem. Discussão: Estudos indicam que existam 13 crianças autistas para cada 10 mil, com cerca de 180 mil casos não diagnosticados no Brasil. O diagnóstico representa o primeiro desafio, seguido pelo tratamento, que envolve uma série de profissionais. As terapias são individualizadas e se propõe a ensinar aos autistas comportamentos adequados, como olhar nos olhos, comunicação verbal ou por meio de figuras e até aprendizado acadêmico. A participação familiar tem grande contribuição no progresso de um autista. A apresentação de um caso como o aqui descrito é um alerta para profissionais da área da saúde que estão em contato com crianças que apresentam alterações no comportamento e no desenvolvimento da linguagem. Embora não exista cura, o diagnóstico precoce faz grande diferença no tratamento e nas possibilidades de o paciente conquistar autonomia. Referências: 1. Perissinoto J. Diagnóstico de linguagem em crianças com transtornos do espectro autistico. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Editora Roca; 2004. p. 933-40. 2. Perissinoto J. Conhecimentos essenciais para entender bem a criança com autismo. São José dos Campos: Pulso Editorial; 2003. p. 65. 34 CARDIOMIOPATIA DILATADA: RELATO DE DOIS CASO S EM UMA UTI PEDIÁTRICA Anna Luiza Pires Vieira; Edson Luiz de Lima; José Célio da Silva Júnior; Júlio Cesar Lemes Macedo; Karina Junqueira Dias*; Marina May Chittenden Bandeira Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução: A cardiomiopatia dilatada é uma afecção primária do miocárdio caracterizada por dilatação e disfunção contrátil do ventrículo esquerdo ou de ambos os ventrículos. É a forma mais comum de miocardiopatia na infância. Em crianças menores de 2 anos as causas mais comuns são: miocardite (45%), fibroelastose endocárdica (25%) e causa idiopática. Relato do caso 1: Paciente de 7 meses, 6 Kg, natural e residente em Pouso Alegre-MG, encaminhado à UTI com febre, dispnéia, taquicardia e palidez sendo diagnosticado choque. A radiografia de tórax apresentava aumento da área cardíaca (ICT=0,7). Ao ECO foi evidenciado disfunção de VE de grau importante (FE=0.42), insuficiência tricuspíde e mitral discretas, além de PSAP de 35 mmHg. Ficou internado na UTI pediátrica 19 dias e recebeu alta em uso de diurético de alça e poupador de potássio, IECA, beta-bloqueador e carnitina. Relato do Caso 2: Paciente de 1 ano, natural e residente em Pouso Alegre-MG, com 2 meses de idade apresentou quadro de taquidispnéia, taquicardia, vômitos, hepatomegalia, ritmo cardíaco com presença de B3 e pulsos finos, sendo diagnosticado choque cardiogênico. À realização do ECO foi evidenciada miocardiopatia dilatada com disfunção ventricular esquerda importante (FE=0.38). Paciente ficou internado durante 40 dias na UTI infantil e recebeu alta em uso de inibidor de IECA, digitálico, beta-bloqueador e diuréticos. À avaliação laboratorial foram solicitadas pesquisas para adenovírus, toxoplasmose, citomegalovírus, herpes simples, echovírus e HIV cujos resultados foram negativos. Discussão: A importância para esse estudo reside no fato de que a MCD é uma patologia grave e os sintomas são uma estimativa da severidade da doença. As possibilidades de evolução da MCD em crianças são: resolução completa, melhora com disfunção residual, transplante cardíaco e óbito. A sobrevida apresenta-se de forma variável, sendo que segundo a literatura médica a mortalidade é mais alta nos primeiros 6 meses após o diagnóstico. É importante estabelecer diagnóstico diferencial com cardiopatias congênitas como a origem anômala da artéria coronária esquerda (origina-se da artéria pulmonar) e as lesões obstrutivas do coração esquerdo; doenças de depósito, além de arritmias cardíacas. Referências: 01. Morhy S. S. Cardiomiopatia dilatada em crianças - Existe um preditor ecocardiográfico de prognóstico? http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066782X2004000600001&script=sci_arttext , publicado em maio de 2004. 35 GEMELARES ONFALÓPAGOS: CASO CLÍNICO E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Félix Carlos Ocariz Bazzano, Mário Luiz Mariottoni, Mônica Assis Rosa, Talita Cordero*, Paloma Iemini*, Daniel Moreira Favilla* Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A formação de gêmeos xifópagos é muito rara e, a taxa de sobrevivência é muito baixa. Ocorrem cerca de um a cada 40 mil nascimentos e, apenas um de 200 mil nascimentos sobrevive. Pesquisas indicam que aproximadamente de 40 a 60% são natimortos e outros 35% sobrevivem apenas um dia após o nascimento. Os gêmeos que sobrevivem são, em geral, meninas. Embora mais gêmeos meninos sejam concebidos, as meninas sobrevivem ao nascimento em uma proporção de 3:1. A principal teoria de formação afirma que isso ocorre quando um óvulo fertilizado que vai se dividir em gêmeos monozigóticos não se separa por completo, ou seja, uma questão de sincronismo, quanto mais rápido a divisão ocorrer, mais independentes os gêmeos monozigóticos serão com relação a ter córion, âmnio e placenta separados ou compartilhados. Nos gêmeos xifópagos, acredita-se que a separação ocorra muito tarde, por volta do décimo segundo dia ou depois; portanto, ela nunca é totalmente concluída, deixando os gêmeos conectados fisicamente um ao outro. Relato do Caso – O presente trabalho relata o caso de gemelares, ambos do sexo masculino, nascidos neste serviço, no dia 03/04/2008, parto cesárea iterativa, exames de imagem realizados no pré-natal sem alterações, sendo os mesmos monozigóticos e monoamnióticos ligados pela região do abdome, classificados como onfalópagos, da classe dos Terata anacatadídimos. Ambos nasceram em boas condições de vitalidade, coto umbilical único, testículos fora de bolsa escrotal, foram encaminhados à UTI Neonatal para aguardar interconsulta com a cirurgia pediátrica. Evoluíram com alterações clínicas e laboratoriais, sendo necessários tratamentos específicos. Realizaram ressonância magnética que evidenciou união pelo tórax inferior e pelo abdome superior e também através do fígado, o qual apresenta suprimento sanguíneo e biliar independentes, sendo programado aguardar ganho ponderal adequado para intervenção cirúrgica. Discussão – A incidência de gemelares onfalópagos é muito pequena, sendo fundamental a divulgação do caso no meio pediátrico. Devemos ressaltar que exames realizados no pré-natal podem evidenciar tal alteração, tendo assim indicação indiscutível de parto via alta. Referências – 01.O'Neill, J.A.JR.; Holcomb, G.W.; Schnaufer, L. et al. Surgical experience with thirteen conjoined twins. Ann. Surg., 208: 299-312, 1988. 36 CISTOADENOMA MUCINOSO DE PÂNCREAS Daniel Nassar Bérgamo, Mateus de Souza Zanin, Erlon Ávila Carvalho, Rafael Jacob*, Camila Blanco, Renan Vinícius Pinheiro Hospital das Clínicas Samuel Libânio – UNIVAS Rua Comendador José Garcia, 777 – Centro – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: Os tumores císticos constituem menos de 5% de todas as neoplasias pancreáticas e ocorrem mais frequentemente em mulheres idosas. Em geral se localizam no corpo ou na cauda e manifestam-se na forma de massas indolores, de crescimento lento. Relato do caso: Paciente do gênero feminino, 70 anos, foi encaminhada para o Serviço de Cirurgia Oncológica do HCSL devido a presença de massa abdominal palpável em região epigástrica e hipocôndrio esquerdo. Foi solicitado CEA e Ca-19.9, que vieram sem alterações. Na TC de abdômen evidenciou-se presença de grande massa em região de corpo e cauda do pâncreas. Programada a cirurgia, foi realizada pancreatectomia corpo-caudal e esplenectomia, com a presença de estrutura cística medindo 25,0 x 14,0 x 12,0cm e pesando 1,560kg. O resultado do exame anátomo-patológico confirmou cistoadenoma mucinosa de pâncreas. Discussão: A apresentação clínica é incaracterística com sintomas inespecíficos, como dor abdominal difusa, sintomas dispépticos e perda ponderal leve a moderada; as características principais da TC de abdômen são de lesões uniloculadas ou macrocísticas e os principais diagnósticos diferenciais são cistoadenima seroso e pseudocisto. Devido ao potencial de degeneração maligna, o tratamento requer ressecção cirúrgica. Referências: 1. Araújo PA, Fedrizzi EM, Gubert FG, Teixeira GV, Fedrizzi ER. Cistoadenoma mucinosa de pâncreas: Relato de um caso. Arc Catarin Méd; 17(4):201-5, 1988. 2. Bromberg SH, Waisberg J, Gonçalves JE, Messias M, Godoy AC. Neoplasias císticas do pancreas. Análise de 16 casos. Rev Col Bras Cir; 18(4): 120-4, 1991. 37 ABLAÇÃO POR TERMOCAUTÉRIO NA FIBRILAÇÃO ATRIAL CRÔNICA. Maria Raquel Brigoni Massoti*, Camila Amaral, Breno Cordeiro Reiss,Renato R Toledo, Alexandre Ciappina Hueb e Elias Kallas Hospital das Clínicas Samuel Libânio. Faculdade de Medicina. UNIVÁS Av. Alfredo Custódio de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: O tratamento cirúrgico da fibrilação atrial ganhou credibilidade após a proposta de Cox e colaboradores1.Devido a dificuldades técnicas o procedimento apresentou grande incidência de complicações, levando os autores a procurarem alternativas com resultados semelhantes.Para promover o isolamento dos focos arritmogênicos foram empregadas diversas fontes de energia, tais como, a crioterapia, a radiofreqüência, as microondas, o ultra-som e o laser. Gomes & Gomes2 foram os primeiros a empregarem o eletrocautério convencional, posteriormente também utilizado por Gomes Júnior3. Relato do caso: Paciente do sexo masculino portador de dupla lesão mitral e fibrilação atrial crônica , refratária ao tratamento medicamentoso foi submetido a troca valvar por prótese biológica. Não foram detectados trombos no átrio esquerdo cujo diâmetro era de 70mm pelo ultra-som. Respaldados na literatura procedemos no mesmo ato a ablação cirúrgica dos focos arritmogênicos com o termocautério convencional. Houve imediata reversão ao ritmo sinusal após o procedimento.Discussão: O isolamento do foco arritmogênico constitui a base para o tratamento cirúrgico da fibrilação atrial. Bons resultados foram obtidos com a técnica preconizada por COX1, que sendo de difícil execução aumenta o risco de complicações.Ultimamente foram propostas ablações com inúmeras fontes de energia em substituição à ténica original. Contudo, embora de fácil execução elas esbarram na exigência de aparelhagem nem sempre disponível e de alto custo.Preocupados em possibilitar a ablação com aparelhos mais simples e existentes nos diversos serviços foi proposta a utilização do termocautério com resultados comparáveis aos métodos sofisticados e de alto custo. No presente caso houve imediata reversão ao ritmo sinusal que permanece após 90 dias, com acompanhamento periódico. Referências: 1. Cox JL, Schuessler RB, D´Agostinho Jr HJ et al.The surgical treatment of atrial fibrillation. III. Development of a definitive surgical procedure. J Thorac Cardiovasc Surg 1991;101:406-83. 2. Gomes OM & Gomes ES.Nova abordagem técnica e eletrofisiológica para tratamento da fibrilação atrial. Rev Bras Cir Cardiovasc 1004;19:120-5. 3. Gomes Jr JF. Tratamento cirúrgico da fibrilação atrial crônica com eletrocautério convencional, em cirurgia mitral. [Tese].Belo Horizonte. Fundação Cardiovascular São Francisco de Assis-Servcor; 2007. 38 ANEURISMA DISSECANTE DA AORTA TORÁCICA Francini Ferreira Machado*, Fernanda Lima de Assis , Flavia de Abreu Morais, Renato R Toledo, Alexandre C Kallas , Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital das Clínicas Samuel Libânio da Faculdade de Medicina da UNIVÀS Av. Alfredo Custódio de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: O comprometimento aterosclerótico da aorta ascendente e arco aórtico por si só oferece risco potencial de tromboembolismo e acidentes vasculares cerebrais1. A morbidade agrava-se substancialmente nos pacientes que apresentam dissecção aguda da aorta ascendente. Bentall e de Bono foram os primeiros a substituírem a aorta ascendente por um tubo valvulado2. Relato do caso: Paciente do sexo feminino 37 anos, parda, portadora de miocardiopatila dilatada do VE com função contrátil comprometida, hipertensa , apresentando sopro sitólico em foco aórtico irradiando para as regiões sub-claviculares, e massa pulsátil no abdome, em tratamento clínico otimizado, deu entrada no HCSL encaminhada pelo cardiologista assistente. A tomografia computadorizada revelou a presença de dissecação aguda da aorta em toda sua extensão e o ecocardiograma a existência de insuficiência aórtica. O ato operatório constou de correção cirúrgica pela técnica de Bentall de Bono com substrituição da raiz da aorta por tubo valvulado , implante dos óstios de coronárias e anastomose na extremidade distal da aorta ascendente com fechamento da falsa luz e reforço com tira de teflon. A proteção cerebral foi realizada com hipotermia a 18º C e perfusão cerebral seletiva através do tronco braquio-cefálico. No pós operatório imediato apresentou baixo débito devido a volumoso trombo no pericárdio , necessitando re-operação para reversão do quadro. Evoluiu sem seqüelas tendo recebido alta hospitalar em excelentes condições hemodinâmicas. Discussão:No presente relato ressaltamos a importância da hipotermia profunda e da perfusão anterógrada através do tronco braquiocefálico, que foi possível pela perfusão da artéria subclávia direita.No pós operatório imediato o baixo débito foi devido ao tamponamento do átrio direito pelo trombo volumoso que se formou no pericárdio. A retirada do mesmo foi decisiva para o equilíbrio hemodinâmico e recuperação da paciente. Referências: 1. Zingone B, Rlauber E, Gatti G et al.Diagnosis and management of server atherosclerosis of the ascendeing aorta and aortic arch during cardiac surgery:focus on aortic replacement.Eu J Cardiothorac Surg. 2007;31:990-7. 2. Bentall H, De Bono A. A techinique for complete replacement of the ascending aorta. Thorax. 1968;23:338-9. 39 ANEURISMA GIGANTE DA AORTA ABDOMINAL. Gabriel Prudente de Campos Barbetta*, Flávio Rodrigues de Sousa, Gisele de Moura G Ferraz do Amaral, Renato R Toledo, Alexandre C Kallas , Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital das Clínicas Samuel Libânio da Faculdade de Medicina da UNIVÀS Av. José Alfredo de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: A tendência atual é indicar o tratamento cirúrgico nos aneurismas da aorta abdominal com mais de 5,5 cm de diâmetro, podendo a intervenção ser justificada abaixo deste limite, na vigência de sintomatologia ou rápida expansão 1. Os aneurismas que atingem grandes dimensões na sua evolução natural são rotulados como aneurismas gigantes2 e apresentam aumento da morbidade e mortalidade. Relato do caso: Paciente do sexo masculino, 70 anos, hipertenso, nos foi encaminhado com dor abdominal de inicio recente. Ao exame físico chamou nossa atenção a presença de volumosa massa abdominal pulsatil. A angiotomografia digital computadorizada confirmou a presença de volumoso aneurisma da aorta abdominal, com 15, 5 cm de diâmetro.Optamos pelo tratamento cirúrgico que constou de aneurismectomia com substituição do segmento aórtico comprometido por prótese arterial de dacron pré-coagulada. A evolução imediata foi satisfatória e o paciente recebeu alta hospitar em boas condições. Discussão:As dimensões avantajadas do aneurisma não são comuns, porquanto a maioria rompe antes de atingir as referidas dimensões. Neste caso a indicação cirúrgica se impôs não só pelo tamanho do aneurisma , mas também pelo inicio recente da sintomatologia sinalizando para uma ruptura eminente.Em casos semelhantes, salvo contra-indicação formal, somos da opinião de que os aneurismas gigantes devem ser rotineiramente operados afim de se evitar uma ruptura inesperada que poderá resultar em êxito letal. Referências: 1. Cavallaro A, Sapienza P, di Marzo L, et al.Study of 355 patients with aortic aneurysms. Recent Prog Med 2001;92:269-734. 2.Yoshizak T , Tabuchi N, Makita S. Inferior vena cava occlusion secondary to an inflamatory abdominal aortic aneurysm . Interact Cardiovasc Thorac Surg 2007;6:128-9. 3. Yusuf K , Murat B, Unal A et al. Inflamatory abdominal aneurysm : predictors of long-term outcome in a case-control study. Surgery. 2007;141:83-9. 40 INFARTO DO MIOCÁRDIO COM PERFURAÇÃO DO VENTRÍCULO ESQUERDO. Maria Raquel Brigoni Massoti, Andréia Albuquerque Clarindo Oliveira, Beatriz Helena Martins, Antonio Paulino Rocha de Oliveira Filho*, Alexandre Ciappina Hueb, Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital das Clínicas Samuel Libânio.UNIVÁS. Av. Alfredo Custódio de Paula, 320 – Medicina – 37550-000 Pouso Alegre, MG. Introdução: A cirurgia de revascularização na fase aguda do infarto do miocárdio(AMI) é controversa devido aos grandes riscos inerentes ao ato operatório1. A ruptura do ventrículo esquerdo após AMI constitui sério problema com alta mortalidade2. A perfuração quando ocorre tem sido resolvida através de sutura com reforço de placa de pericárdio, ou colagem da mesma com cola biológica sem sutura 3 Relato do caso: Paciente do sexo feminino, 66 anos, hipertensa, deu entrado no pronto-socorro com dor precordial constritiva de inicio súbito, há 3 horas. O eletrocardiograma foi compatível com AMI. As dosagens enzimaticas mostraram-se alteradas. O cateterismo cardíaco com cineangiocardiografia revelou acinesia da parede inferior, obstrução da artéria coronária circunflexa , artéria coronária direita com obstrução aguda e artéria descendente anterior com lesão severa no 1/3 proximal. Imagem sugestiva de ruptura da parede diafragmática do ventrículo esquerdo (VE). O ecocardiograma mostrou discreto derrame pericárdio e insuficiência mitral. A paciente foi encaminhada para cirurgia que constou de toracotomia e estabelecimento da circulação extracorpórea , hipotermia a 32º C com parada cardioplégica.Na abertura do pericárdio foi evidenciado sangue livre na cavidade. No local da perfuração observou-se aderência do pericárdio visceral e parietal Cuidadosa observação não logrou identificar o ponto exato da perfuração. A seguir procedeu-se a revascularização do miocárdio com pontes de veia safena para as artérias descendente anterior e circunflexa.Discussão: No presente caso a intervenção cirúrgica só foi indicada devido ao diagnóstico de perfuração. No ato operatório constatou-se a existência de sangue no pericárdio e aderência da face posterior ao diafragma com cicatrização da área de infarto suficiente para selar a perfuração não havendo necessidade de pontos ou colocação de placas. A seguir procedeu-se a revascularização do miocárdio com ponte de safena para artéria descendente anterior e marginal esquerda.Referências: 1. Morishige NTT. Surgery for acute myocardial infarction. Nippon Geka Gakkai Zasschi. 2006;107:15-20. 2. Raghuram AR. Sutureless patch repair of post-myocardial infarction left ventricular rupture. Indian Heart J. 2003;55:266-7. 3. Amir O, Smith R Nishikawa A, et al. Left ventricular free wall rupture in acute myocardial infarction: a case report and literature review. Tex Heart J. 2005; 32:425-6. 41 NEOPLASIA VIRILIZANTE DA SUPRA-RENAL. Maria Raquel Brigoni Massoti, Cauhê Henrique Motta Coli Pinto*,Camila Sérvio Scorse, Carine Carvalho Vaz de Lima, Jussara Vono Toniolo, Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Geral do Hospital das Clinicas Samuel Libânio da Faculdade de Medicina. UNIVÁS. Av. Francisca R. de Paula, 289 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: O carcinoma adrenocortical é um tumor raro1 , mais comum em mulheres conferindo-lhes um aspecto cushingóide ou virilizante. Apresenta mau prognóstico2 sendo rotineiramente indicado o tratamento coadjuvante, após completa remoção cirúrgica 3 .O presente relato tem por finalidade relatar um caso observado em nosso serviço. Relato do caso:Trata-se de paciente do sexo feminino, 64 anos, portadora de hipertensão arterial refratária ao tratamento e aspecto compatível com síndrome virilizante.A tomografia computadorizada revelou a presença de imagem sugestiva de neoplasia em topografia de supra-renal esquerda , o que levou à indicação cirúrgica. A tumoração foi retirada com ampla margem de segurança e o exame anátomo-patológico mostrou tratar-se de um carcinoma adrenocortical retirado com margens livres. Discussão: Apesar da incerteza de cura definitiva a retirada da neoplasia com margens livres representou importante etapa para o diagnóstico e orientação terapêutica, sendo a paciente encaminhada para o oncologista afim de prosseguir o tratamento. Embora a quimioterapia com drogas como o minotano possam representar uma esperança3 a ressecção cirúrgica completa continua sendo o melhor tratamento conforme foi realizado. A recuperação pós-operatória foi satisfatória e a paciente encaminhada para seguimento com oncologista. Referências: 1. Joahassen S, Fassnacht M, Brix D, et cols.Adrenocortical carcinoma : Diagnostic work-up and treatment. Urologe A. 2008, 47:172-181. 2. Quinker M, Hahner S, Wortmann S et cols. Treatment of advanced adrenocortical carcinoma with Erlotinib plus Gencitabine. J Clin Endocrinol Metab. 2008;93:2057-62. 3. Terzolo M & Berruti A. Adjunctive treatment of adrenocortical carcinoma. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. 2008;15:221-6.1. . 42 RECONSTRUÇÃO DE PONTA E COLUMELA NASAL COM RETALHO DE TRANSPOSIÇÃO: RELATO DE CASO Edgard da Silva Garcia, Israel Batista de Oliveira, Joel Veiga Filho, Leandro Cotrim*, Luciano Santos Junqueira, Roberto Bezerra Vieira. Av.Coronel Alfredo C. de Paula, n52, ap501 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A reconstrução nasal é a mais antiga das operações plásticas2. Os tumores, em especial o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide, constituem a principal indicação das reconstruções nasais2. Um estudo retrospectivo de 253 pacientes no Instituto Nacional de Câncer (INCA) revelou que a principal subunidade estética nasal atingida foi o dorso (41,50%), seguido pela asa nasal (30,43%), ponta nasal (24,90%), parede lateral nasal (12,25%) e columela (1,19%). O acometimento de mais de uma subunidade estética foi de 11,86%3. A presença de carcinoma de pele na região nasal exige do cirurgião um compromisso efetivo entre a radicalidade da excisão e a qualidade estética da reconstrução plástica realizada1. Relato do Caso - Paciente, feminino, 59 anos, caucasiana, foi atendida no ambulatório de Cirurgia Plástica (CP) devido lesão nodular, ulcerada, comprometendo ponta nasal e columela, com evolução de 14 meses. A biópsia incisional revelou carcinoma basocelular sólido. O tratamento cirúrgico foi realizado sob anestesia local com sedação e consistiu na excisão do tumor com margem de segurança de 0,3 cm resultando em um defeito de 2,0 cm por 1,5 cm. Após anatomopatológico por congelação que revelou margens livres, foi elaborado um retalho de transposição dorso-glabelar, axial em artéria angular nasal. Discussão - A incidência de tumores de pele comprometendo columela é muito baixa, assim como o comprometimento de mais de uma subunidade estética nasal3. Os retalhos reconstruindo esses defeitos são pouco descritos e dependem de características como a elasticidade e espessura da pele, o tamanho do defeito e a forma do nariz do paciente. Além da familiaridade do cirurgião com determinados retalhos, bem como de sua criatividade no planejamento do ato operatório3. A elaboração de um único retalho para reconstrução de ponta nasal e columela não é freqüente e não foi encontrado na literatura pesquisada. Referências – 01. Fernandes JW et al. Retalhos em reconstrução nasal: considerações estéticas. Ver Col Bras Cir. 1992 jan/fev;19(1):40-9. 02. Soares VR. Reconstrução do nariz e neoplasias. Ver Bras Méd. 1975; 32(1):3-9. 03. Souza Filho MVP et al. Reconstrução nasal: análise de 253 casos realizados no Instituto Nacional de Câncer. Rev. Cir. Bras de Canc. 2002;48(2):239-245. 43 RECONSTRUÇÃO DE CRIPTOTIA EM ADULTO: RELATO DE CASO Edgard da Silva Garcia, Israel Batista de Oliveira, Joel Veiga Filho, Renan Zago de Paula, Roberto Bernardes Filho*, Roberto Bezerra Vieira Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução: A criptotia é uma anomalia congênita classificada como tipo IV de Tanzer (1977), representada por ausência do sulco retro-auricular na porção cranial da orelha, estando a porção superior da antélice e escafa sepultadas no escalpe. Tem freqüência de 1:400 nascimentos em japoneses 3. Sua fisiopatologia inclui falta de pele na porção superior e hipoplasia no pólo superior da orelha. Existem várias técnicas cirúrgicas para sua correção. Desde a utilização de expansores1; retalho amplo auricular da região mastóidea para a cobertura do pólo superior do pavilhão auricular após tratamento do esqueleto cartilaginoso, baseando-se fundamentalmente na correção da posição conchal 2; até técnica não operatória baseada em compressão externa com moldes para correção de deformidades congênitas auriculares.Relato do caso: Paciente do gênero masculino, 22 anos, estudante, melanoderma, solteiro, natural e procedente da cidade de Careaçu, MG. Encaminhado ao ambulatório de Cirurgia Plástica para avaliação de má formação congênita em orelha direita. Queixava que não conseguia usar óculos devido ao problema congênito, mas que estava satisfeito com a simetria e forma das orelhas. Desta forma, classificou-se a deformidade como tipo IVB na Classificação de Tanzer 1977 e foi indicada a correção com rotação de retalho local e enxertia de pele após liberação do pólo superior da orelha. A cirurgia foi realizada em centro cirúrgico com anestesia local e o paciente teve alta no mesmo dia com curativo oclusivo e compressivo. Retornou após cinco dias para retirada do curativo e recebeu orientações sobre higiene local e de como hidratar o enxerto.Discussão: A criptotia da orelha pode trazer grande trauma psicológico para seus portadores, porém alguns adultos não tratados não visualizam esse problema e se satisfazem com a reparação funcional da orelha. No caso relatado, o paciente não se queixava da hipoplasia do terço superior das orelhas e sim do sepultamento do pólo superior da orelha direita, impedindo-o de apoiar os óculos. Assim, foi realizado um tratamento simples. As técnicas utilizadas foram a elaboração de um retalho de pele da região mastóidea para cobrir área cruenta após a liberação do pólo superior da orelha e enxertia de pele total da região inguinal sobre o pericôndrio da concha e pólo superior na região posterior da orelha. O resultado foi satisfatório para o paciente que permanece em acompanhamento ambulatorial.Referências: 1. Gemperli R, Tuma PJ, Bonamichi GT, Ferreira MC. Correção de criptotia com expansores de tecidos. São Paulo. Rev. Hosp. Clin. Fac. Med. Univ. Sao Paulo. 1992 nov/dez;47(6):261-3. 2. Ishida J, Bonetti EL, Gemperli R. Criptotia: nova técnica de correção. São Paulo. Rev. paul. med.1983 101(1):22-4. 3- Tanzer RC. Reconstructive plastic surgery. 2ed. Vol. 3, Deformities of the auricle: congenital deformities. Philadelphia, London, Toronto: W.B. SAUNDER COMPANY;1977. 1709p. 44 TRAUMA ABDOMINAL – DAMAGE CONTROL Daniel Nassar Bergamo, Mateus de Souza Zanin*, Paulo Henrique Borduque, Jean Carlos Paressoto, Rafael Jacob, Erlon Ávila de Carvalho Hospital das Clínicas Samuel Libânio – UNIVAS Rua Comendador José Garcia, 777 – Centro – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: Ocorre mais de 1 milhão de acidentes de trânsito por ano, resultando em 350 mil feridos. Ocasionando 70 mil mortes por ano. Morre uma pessoa a cada 1 minuto e a cada 31segundos acontece um acidente de trânsito, 46% de todas as lesões neurológicas são registradas com motociclistas e se o número de vítimas fatais em acidentes de carro é de 6% a 7%, com motociclistas varia de 61% a 82%. A cirurgia para o controle do dano visa uma estabilização clínica para uma posterior abordagem curativa. Relato do Caso: Paciente de 31 anos, admitido no PS do HCSL vítima de acidente motociclístico com trauma abdominal cortocontuso com evisceração abdominal e torácica direita, fratura exposta em tornozelo direito, PA inaudível, FC= 125bpm, Glasgow=7. Discussão: Iniciada reestabilização hemodinâmica e encaminhado rapidamente para o centro cirúrgico. Durante laparotomia exploradora evidenciou-se lesão hepática em lobo direito grau IV, no lobo esquerdo grau VI, ruptura junto a grande curvatura gástrica com lesão de vasos gástricos curtos e parede gástrica de 6 cm, lesões múltiplas em grande omento, lesão dilacerante de 5 cm em cólon transverso, lesão em diafragma direito e ruptura de pleura direita.. Realizado então ressecção de segmentos II e III do fígado, gastrorrafia, omentectomia maior, colectomia transversa, rafia do diafragma com fechamento pleural, realizado laparostomia com bolsa de Bogotá e encaminhado ao CTI. Referências : 1. Rev Col Bras Cir vol 33 no 4 Rio de Janeiro Jul/Ago; 2006. 2. Carreiro PRL, Moura AD. Laparotomia estagiada para o controle do dano. In: Freire E, ed. Trauma: A doença do século. 1 ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 2001. p 2081-9. 45 TROMBOSE DA VEIA CAVA SUPERIOR EM USUÁRIO DE DROGAS Maria Raquel Brigoni Massoti, André Couto Godinho*, Aline Fonseca Leite Praça, Adriana Miguel Cavalcante Lima, Alexandre Ciappina Hueb e Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital das Clinicas Samuel Libânio.UNIVÁS. Av. Alfredo Custódio de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: A síndrome da veia cava superior resulta da obstrução da veia cava superior e pode manifestar-se com dispnéia, dor no peito, tosse , cefaléia e sintomas de aumento da pressão intracraniana1,2 A principal causa é uma doença maligna, embora as causas por trombose estejam aumentando3. Relato do caso: Jovem de 17 anos, masculino, pardo , solteiro, estudante, foi encaminhado para este hospital com história de dispnéia progressiva há 2 meses. Atualmente desenvolveu edema cervical e facial comprometendo ainda a região superior do tórax. Tabagista há 5 anos revelou ser usuário de ”crack” , cocaína e maconha, além de bebidas alcoólicas moderadamente. Ao exame físico apresentava pletora da região cervical , cabeça e pescoço, membros superiores e tórax. O RX do tórax mostrou alargamento do mediastino superior e a tomografia computadorizada (TC), aumento significativo do diâmetro da veia cava superior e jugulares confirmando o diagnóstico de obstrução da veia cava superior. Na ausência de melhora com tratamento conservador, foi indicado o tratamento cirúrgico.O ato operatório constou de toracotomia com estabelecimento de circulação extracorpórea (CEC), remoção dos coágulos já organizados na veia cava superior, veia inominada e jugulares, mais ampliação da via venosa com placa de pericárdio bovino. O resultado imediato foi bom, havendo desaparecimento dos sintomas , da pletora e ingurgitamento do território da cava superior. O paciente recebeu alta hospitalar em boas condições, 9 dias após a intervenção. Discussão: A retirada dos trombos organizados e a ampliação da via de entrada da cava superior só foi possível com uso da CEC logrando o restabelecimento do retorno venoso e o desaparecimento dos sintomas e sinais. O uso sistemático de drogas provavelmente foi o fator determinante da trombose da veia cava superior Referências: 1. Al Hilali N, Nampoory MR, Ninan VT et al.The superior vena cava syndrome: late presentation after hemodialysis catheter removal. Saudi J Kidney Dis Transpl. 2003;14:186-9. 2. Staková Y, Vasutová I, Skrichová J. Superior vena cava syndrome(definition, aetiology, diagnosis and treatment). Vnitr Lek . 2007;53:1211-4. 3. Nunnelee JD. Superior vena cava Syndrome. J Vas Nrs. 2007.; 25:2-5. 46 ANEURISMA INFLAMATÓRIO DA AORTA ABDOMINAL. Alexandre Carvalho Kallas , Renato R Toledo, Fabio Henrique de Oliveira*,Faber Henrique Cássia, Maria Raquel Brigoni Massoti, Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital das Clínicas Samuel Libânio da Faculdade de Medicina da UNIVÀS Av. Alfredo de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: Os aneurismas inflamatórios da aorta abdominal correspondem de 3 a 10% de todos os aneurismas operados1,2.Apesar dos portadores poderem ser tratados cirurgicamente, necessitam de acompanhamento contínuo porquanto o processo inflamatório continua após a intervenção , por motivos ainda desconhecidos 3. Relato do caso: Paciente do sexo masculino, 65 anos, com dor abdominal de longa duração foi submetido a tomografia computadorizada que evidenciou aneurisma infra-renal da aorta abdominal com característica de aneurisma inflamatório. No ato operatório , confirmado o diagnóstico procedeu-se o afastamento cuidadoso da veia cava inferior , veia renal e duodeno, abertura do aneurisma e sutura da prótese de dacron para restabelecer o fluxo. Apesar da cuidadosa manipulação dos trombos durante o ato operatório, houve necessidade de passagem do cateter de Fogarthy na arteria ilíaca para remoção de êmbolos. O exame anátomo-patológico da peça confirmou o diagnóstico revelando espessamento da parede com focos de calcificação, infiltrado monocitário e fibrose estendendo ao tecido fibro-adiposo adjacente. Discussão: Neste caso o aspecto da imagem tomográfica, mais a piora da dor abdominal crônica , levantou forte suspeita pré-operatória de aneurisma inflamatório. Durante o procedimento encontrou-se o aspecto característico em porcelana e grandes aderências com as vísceras adjacentes, quais sejam o duodeno, a veia cava inferior e a veia renal esquerda que foram cuidadosamente dissecadas e afastadas, possibilitando a intervenção. Merece citação a necessidade de passagem do cateter de Fogathy para retirada de êmbolos impactados em uma das artérias ilíacas, o que felizmente foi bem sucedido Referências: 1. Cavallaro A, Sapienza P, di Marzo L, et al.Study of 355 patients with aortic aneurysms. Recent Prog Med 2001;92:269-734. 2.Yoshizak T , Tabuchi N, Makita S. Inferior vena cava occlusion secondary to an inflamatory abdominal aortic aneurysm . Interact Cardiovasc Thorac Surg 2007;6:128-9. 3. Yusuf K , Murat B, Unal A et al. Inflamatory abdominal aneurysm : predictors of long-term outcome in a case-control study. Surgery. 2007;141:83-9. 47 ANEURISMA ROTO DO TRONCO CELÍACO Ana Beatriz de Abreu Severino*, Ana Paula Heinzl, André da Costa Nunes, Renato R Toledo, Alexandre C Kallas , Elias Kallas. Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital das Clínicas Samuel Libânio da Faculdade de Medicina da UNIVÀS Av. José Alfredo de Paula, 320 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: Os aneurismas do tronco celíaco correspondem a aproximadamente 4 a 10% dos aneurismas viscerais. Recomenda-se o tratamento cirúrgico devido a possibilidade de ruptura com conseqüências catastróficas. O quadro clínico é de desconforto epigástrico e queixas gastrointestinais vagas, muitos porém evoluem de forma assintomática1 . Relato do caso: Paciente do sexo masculino , 70 anos, hipertenso, deu entrada no Hospital das Clínicas Samuel Libânio com hipotensão , sudorese e desconforto abdominal . A tomografia computadorizada do abdome revelou a presença de aneurisma visceral provavelmente roto. Foi imediatamente conduzido ao centro cirúrgico e submetido a laparotomia exploradora que identificou a presença de grande quantidade de sangue livre na cavidade peritoneal. Após cuidadosa inspeção o aneurisma do tronco celíaco foi isolado procedendo-se a aneurismectomia e contenção da hemorragia. O paciente evoluiu safisfatoriamente com estabilização hemodinâmica. No 7° dia pós-operatório apresentou deiscência da parede abdominal sendo necessária a re-sutura. Daí por diante evoluiu sem intercorrências tendo recebido alta hospitalar no 13º dia pós-operatório em boas condições. Discussão: Com relação ao caso vale a pena ressaltar que o paciente era portador de poliarterite nodosa porquanto apresentava hepatite B, polineurite e aneurisma visceral , condições estas suficientes para selar o diagnóstico. Destacamos ainda a importância da presteza diagnóstica e a intervenção imediata , sem maiores delongas tão logo o diagnóstico foi fechado , o que sem dúvida contribuiu para o bom êxito e eficácia do tratamento. Referências: 1. Sandri JL, Souza Netto JM. Aneurismas viscerais. In: Bonamico TP & Von Ristow. Aneurismas. Rio de Janeiro. Di Livros;2000,p.239-240. 48 ADENOCARCINOMA DE BEXIGA Wellington Fernando Risso*,Talita Malta e Cunha,Talita de Moura Nohra, Caio Amadeo Silva Moreira, Romar Ângelo Barbato Silveira Hospital Das Clínicas Samuel Libânio R.Comendador José Garcia, 758/22 -37550-000, Pouso Alegre- MG. Introdução: O tumor de bexiga é o quarto mais freqüente entre os homens e o oitavo entre as mulheres. No Brasil, estima-se que 3,9% dos cânceres masculinos sejam de bexiga 1. O carcinoma de bexiga pode ocorrer em qualquer idade, com predomínio em pessoas idosas, senda a média de idade diagnóstico de 69 anos em homens e 71 anos em mulheres 2. O tipo histológico mais comum do tumor de bexiga é o carcinoma de células transicionais (95%), outros menos comuns são os carcinomas epidermóides (3%) e adenocarcinomas (2%). Presença de hematúria, algúria, disúria, podem ser sinais e sintomas do câncer de bexiga, mas não são específicos. Relato do caso: Paciente do sexo masculino, 65 anos, caucasiano, hipertenso. Paciente submetido à cirurgia de retirada de divertículos na bexiga em 1992. Há um ano relatava hematúria com presença de coágulos, incontinência urinária, algúria, disúria, negava sintomas intestinais. Apresentava-se com dor à palpação em região hipogástrica, presença de hérnia inguinal bilateral, anêmico, com hidronefrose à direita. Evidenciou-se área de vegetação em região posterior lateral direita. Realizou-se a biopsia e diagnosticou-se a presença de adenocarcinoma. Solicitou-se TC de abdome e RX de tórax para estadiamento tumoral. Paciente foi submetido à nefrectomia direita devido à hidronefrose, cistectomia parcial e herniorrafia inguinal esquerda. Durante a cirurgia foi evidenciado várias lesões endurecidas, hiperemiadas em meso de intestino delgado, foi então realizada a biopsia de mesentério e diagnosticado a presença de adenocarcinoma diferenciado infiltrativo.Paciente encaminhado ao serviço de oncologia, sendo submetido à quimioterapia, evoluindo devidamente bem. Discussão: Tanto os tumores de células transicionais como adenocarcinomas podem se metastatizar caracterizando uma doença avançada. Para o diagnóstico, todo homem acima de 40 anos que apresenta hematúria macroscópica deve ser investigado para câncer de bexiga.O exame de escolha é a cistoscopia com biópsia de qualquer lesão suspeita. O tratamento deve ser feito de acordo com estadiamento. Sendo que o adenocarcinoma de bexiga é pouco freqüente, e não tendo um esquema de quimioterapia consagrada para esse tipo de paciente, os esquemas quimioterápicos são os comumentes usados para esse mesmo tipo de tumor em outros órgãos. Referências: 1.Cheng L, Cheville JC, Neumann RM, Leibovich BC, Egan KS, Spotts BE, et al. Survivalof patients with carcinoma in situ of the urinary bladder. Cancer 1999;85(11):2469-74. 2. Madeb R, Messing EM. Gender, racial and age differences in bladder cancer incidence and mortality. Urol Oncol 2004;22(2):86-92. 49 50 Local: Campus Central da UNIVÀS Dia: 17 de setembro (terça-feira) Horário: 14 horas 51 Dia 17/09/2008 Hora: 14h Apresentação Oral – Anfiteatro do Campus Central Avaliadores: Prof. Antonio Mauro Vieira Prof. Marcos Mesquita Filho Prof. Taylor Brandão Schnaider AVALIAÇÃO DO TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR DOS PACIENTES ADMITIDOS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL – 14h PREVALÊNCIA DE RETINOPATIA DIABÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE POUSO ALEGRE-MG – 14h15min MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS NO TRATAMENTO CONSERVADOR DO CÂNCER DE MAMA – 14h30min INDUÇÂO PARTO NA AMNIORREXE PREMATURA COM MISOPROSTOL – 14h45min SOBREVIDA DE PACIENTES COM CÂNCER MAMÁRIO TRATADAS NO CLÍNICAS SAMUEL LIBÂNIO: ANÁLISE DOS ÚLTIMOS 10 ANOS -15h HOSPITAL DAS 52 SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL COMO SCREENING PARA CÂNCER DE ENDOMÉTRIO- 15h15min TUMOR DE CORPO CAROTÍDEO-15h30min FRATURA BILATERAL DE CORPO DE MANDÍBULA EM CRIANÇA – 15h45min TÉCNICA DE SUTURA EM BOLSA UTILIZADA PARA FECHAMENTO DE DEFEITO PÓS MASTECTOMIA – 16h 53 AVALIAÇÃO DO TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR DOS PACIENTES ADMITIDOS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL. Anna Luiza Pires Vieira, Edson Luiz de Lima, Denise Fortes Chibeni Ramos Rios, Alessandra de Souza Rosa, Mônica Assis Rosa, Vanessa S Silva. Serviço de Terapia Intensiva Pediátrica do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG Av. Francisca R. de Paula, 289 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: O transporte neonatal tem por objetivo propiciar condições para que os recém-nascidos (RN) possam ser assistidos em local com infra-estrutura adequada em termos de espaço físico, equipe multiprofissional, equipamentos e recursos diagnósticos, diminuindo a morbidade e mortalidade desses pacientes. Assim, os neonatos que necessitam de tratamento terciário, nascidos em maternidades de nível primário ou secundário, deveriam dispor de um meio de transferência apropriado, rápido e seguro, que se constitua em extensão da assistência clínica oferecida na UTI neonatal Métodos: Estudo de abordagem quantitativa e do tipo transversal. A amostra utilizada constitui-se de todos os pacientes admitidos na unidade de terapia intensiva neonatal que necessitaram de transporte inter-hospitalar de janeiro/2007 a julho/2007. Resultados: Foram avaliados 72 transportes nesse período. Os pacientes tinham em média 2382g, 35 semanas de idade gestacional ao nascer e 4 dias de vida. As principais indicações do transporte foram: desconforto respiratório e malformações. Todos tiveram vagas cedidas, mas 16% não apresentavam relatório de transferência e 30% não foram acompanhados pela família. Em relação às condições do transporte: 50% dos RN não foram transportados em incubadora, 100% não fizeram uso de bomba de infusão e todos os pacientes intubados não foram transportados em uso de aparelhos de ventilação mecânica. A hipotermia ocorreu em 50% dos transportes, hiperglicemia em 17% e óbito em 8%. Conclusão: Os resultados do presente estudo ressaltam a importância de uma equipe treinada para o sucesso do transporte e, neste sentido, a educação contínua dos profissionais de saúde que atuam em unidade de terapia neonatal é primordial para manter a qualidade do serviço de transporte. Referências: 1. Guinsburg R, Vieira ALP. Transporte do Recém-Nascido com Problemas Respiratórios. In: Kopelman BI. Clínica de Perinatologia Aparelho Respiratório em Neonatologia – Parte 1. São Paulo: Medsi; 2001. p.169-85. 2. Guinsburg R, Kolpelman BI, Miyoshi M. Transporte Neonatal. J Pediatra 1992; 68:153-8. 3. Marba STM, Guinsburg R. Transporte de recém-nascido de risco. In: Recomendações do Departamento de Neonatologia; 2001. 54 PREVALÊNCIA DE RETINOPATIA DIABÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE POUSO ALEGRE-MG João Paulo Issamu Takata*, Jael Patrícia Santos Soares, Maria Aparecida Silva Mariosa, José Arnaldo Tiburzio Rezende, Carlos Augusto Tiburzio Rezende, Ana Leticia de Souza Godoi. Trabalho realizado no ambulatório de oftalmologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio-HCSL Av. Alfredo Custódio de Paula, 240- cep 37550-000 Pouso Alegre-MG Introdução e Objetivo: A retinopatia diabética (RD) é a mais grave complicação ocular do diabete mellitus (DM) e a principal causa de cegueira em indivíduos entre os 20 e 74 anos de idade. A prevalência de RD pode variar de acordo com alguns fatores como, o tempo de duração do diabetes, o tipo de tratamento e a presença de outras complicações crônicas da doença. O diagnóstico e a avaliação da RD baseiam-se fundamentalmente nos achados de fundo de olho. Em razão da característica progressiva das formas de retinopatia, a sua detecção precoce torna-se essencial. O objetivo foi investigar a prevalência de RD em pacientes cadastrados no Centro Municipal de Educação em Diabetes de Pouso Alegre (CEMED-PA) e no ambulatório de endocrinologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL). Métodos: Estudo descritivo e transversal. Foram convidados a participar da pesquisa indivíduos portadores de DM cadastrados no CEMED-PA e todos aqueles atendidos no ambulatório de endocrinologia do HCSL, no período de outubro de 2006 a março de 2007, que apresentaram os critérios de inclusão (pacientes portadores de DM tipo1 acima de quinze anos de idade e com 5 anos ou mais de diagnóstico e/ou tratamento da doença; pacientes portadores de DM tipo2; pacientes moradores do município de Pouso Alegre-MG; pacientes que consentiram em participar do estudo). A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de um formulário e em seguida foi realizada a dilatação da pupila com colírio midriático e posteriormente, exame de fundo de olho em uma sala ambulatorial. Os resultados obtidos foram submetidos à análise estatística e apresentados na forma de gráficos. Resultados: Foram analisados 62 pacientes que realizaram exame de fundo de olho, sendo 58,1% do sexo feminino, tendo como média de idade 51,4 anos. Dos pacientes, 21% eram portadores de DM tipo 1 e 79% do tipo 2. Quanto ao resultado, 37,1% eram positivos para retinopatia diabética. A faixa de tempo de DM diagnosticado mais prevalente foi de 6 a 10 anos com 34,8%. Conclusão: A prevalência de RD diagnosticada foi alta, mostrando a importância do exame oftalmológico em tempo adequado, assim como o diagnóstico e tratamento do DM. Referências: Moreira Júnior CA, Ávila M. Retinopatia Diabética. In: Manual CBO- Retina e Vítreo. Rio de Janeiro: Cultura Médica; 2000. p.61-76. 55 MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS NO TRATAMENTO CONSERVADOR DO CÂNCER DE MAMA Leci Veiga Caetano*; Daniela Francescato Veiga. UNIVAS – Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre – MG. Av. Alfredo Custódio de Paula, 226/09 – Medicina – 37550000 Pouso Alegre MG Introdução e Objetivos: O câncer de mama é uma causa importante de morbidade e mortalidade entre as mulheres, e, nos últimos anos, sua incidência tem aumentado no Brasil. No início do século XX, Halsted estabeleceu a mastecomia radical como método primário de tratamento do câncer de mama. Em 1948, Patey e Dyson introduziram a mastectomia radical modificada, reduzindo as ressecções cutâneas e preservando o músculo peitoral maior. Nos anos 80, o tratamento cirúrgico conservador passou a ser largamente adotado. Embora menos mutilante, este tratamento também pode gerar importantes seqüelas estéticas, que representam não só o estigma da doença maligna como também a perda da integridade corpórea. Métodos: Foram selecionadas nos ambulatórios de Mastologia do HCSL, 30 pacientes portadoras de câncer de mama com indicação para tratamento cirúrgico conservador, que desejavam submeter-se a reparação plástica imediata (grupo estudo) e outras 30 pacientes, submetidas a tratamento cirúrgico conservador há no mínimo 1 ano (grupo controle). Pacientes do grupo-estudo foram avaliadas no pré-operatório e em seu retorno ambulatorial no 6º mês pós-operatório e tiveram suas mamas medidas e foram coletados dados sóciodemográficos e clínicos. Para a avaliação da simetria mamária foram realizadas medidas lineares como preconizado por Sacchini et al. Resultados: No grupo controle a idade variou de 33 a 72 anos, o índice de massa corpórea (IMC) variou de 20,3 a 49,0 Kg/m2, 28 pacientes eram brancas, 9 eram tabagistas, 16 eram hipertensas e 3 apresentavam DM. No grupo estudo a idade variou de 34 a 71 anos, o IMC variou de 19,1 a 39,0 Kg/m2, 28 pacientes eram brancas, 11 eram tabagistas, 13 eram hipertensas e nenhuma era diabética. Comparando as mamas operada e não operada, observou-se, no grupo controle, diferença estatística entre as mamas em todas as medidas, exceto linha média-papila mamária, indicando que o tratamento conservador causa perda de simetria mamária. No grupo estudo, não houve diferença estatística no pré-operatório, comprovando que as mamas eram simétricas antes da cirurgia oncológica. No pós-operatório de 6 meses, observou-se preservação da simetria mamária em 3 das medidas lineares, havendo diferença estatística apenas na medida sulco inframamário-papila. A diferença foi pouco expressiva e poderia desaparecer com o aumento da casuística ou do tempo de seguimento. Conclusão: Conclui-se que, na casuística estudada, as pacientes submetidas à reparação plástica imediata apresentam melhor simetria mamária no pósoperatório do que as que não são submetidas à reconstrução. Referências: 1. Halsted WS. The results of operations for the cure of cancer of the breast performed at Johns Hopkins Hospital from June 1889 to January 1894. Ann Surg 1894; 20: 497-50. 2. Patey DH, Dyson DH. The prognosis of carcinoma of the breast in relation to type of operation performed. Br J Cancer 1948; 2: 7-13. 56 INDUÇÂO PARTO NA AMNIORREXE PREMATURA COM MISOPROSTOL Ana Beatriz Abreu Severino, Ana Paula Heinzl*, Cristina Kallás Hueb, Maíra Luppi; Marcela Ramos Moura. Serviço de Obstetrícia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio - Univás Rua Comendador José Garcia, 961 apto 402, Centro 37550-00 Pouso Alegre-MG. Introdução e Objetivo: A conduta atualmente preconizada para a amniorrexe prematura em gestações de termo é a indução do parto e o misoprostol vem sendo utilizado para o preparo cervical. Uma preocupação com o uso do misoprostol por via vaginal seria o risco teórico de infecção ascendente durante a aplicação dos comprimidos, podendo aumentar as taxas de corioamnionite e sepse neonatal. O objetivo foi determinar a efetividade do misoprostol na amniorrexe prematura e sua associação com a infecção materno-fetal. Métodos: Estudo retrospectivo de todos os casos de amniorrexe prematura em gestação a termo com trabalho de parto induzido através do uso de misoprostol via vaginal. O período estudado foi de maio de 2007 a maio de 2008. As variáveis analisadas foram: ocorrência de falha de indução, febre materna ou fisiometria, via de parto e diagnóstico de sepse neonatal. Resultados: Houve 42 casos de amniorrexe induzidas com misoprostol, 40 destas entraram em trabalho de parto e 2 tiveram falha de indução. Não foi observada nenhuma ocorrência de febre materna ou alterações de coloração e de odor do líquido amniótico. Ocorreram 33 partos vaginais e 9 partos cesarianas. Houve 5 casos de hipóxia fetal moderada com recuperação plena após assistência neonatal. Todos os neonatos foram encaminhados para alojamento conjunto e nenhum caso de sepse neonatal foi diagnosticado. Conclusões: O uso do misoprostol na amniorrexe prematura foi efetivo na indução do trabalho de parto, relacionou-se a elevada taxa de parto vaginal sem aumentar a ocorrência de infecção materno-fetal. Referências: 1. Tedesco RP, Cecatti JG, Maia Filho, NL. Efetividade de duas diferentes doses de misoprostol por via vaginal para preparo cervical e indução do parto. Rev Bras Ginecol Obstet 2002; 24:641-6. 2. Lo JY, Alexander JM, McIntire DD, Leveno KJ. Ruptured membranes at term: randomized, double-blind trial of oral misoprostol for labor induction. Obstet Gynecol 2003; 101:685-9. 57 SOBREVIDA DE PACIENTES COM CÂNCER MAMÁRIO TRATADAS NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS SAMUEL LIBÂNIO: ANÁLISE DOS ÚLTIMOS 10 ANOS Marilia dos Anjos Antonietto*; Daniela Francescato Veiga; Leda Marques Ribeiro; Leci Veiga Caetano; Priscilla de Fátima Ribeiro Balbino – Hospital das Clínicas Samuel Libânio - UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: O câncer de mama representa um dos principais problemas de saúde do mundo ocidental. Sua incidência cresce progressivamente e acomete mulheres cada vez mais jovens. A sobrevida é o parâmetro mais utilizado para avaliar resultados na área oncológica, inclusive epidemiológica, em que as taxas de mortalidade em séries históricas são de alta relevância analítica. O presente estudo foi planejado para avaliar a sobrevida das pacientes tratadas de câncer mamário, submetidas aos diversos tipos de tratamento nos últimos dez anos, em um hospital universitário. Métodos: Os prontuários foram selecionados a partir de um levantamento das cirurgias para tratamento de câncer mamário realizadas no período de julho de 1996 a julho de 2006, que constam no Livro de Registros de Cirurgias no Hospital das Clínicas Samuel Libânio. Utilizou-se um protocolo padronizado para coleta de dados dos prontuários avaliando fatores prognósticos que interferem no número de anos de sobrevida das pacientes. Montou-se então um banco de dados, o tempo de sobrevida foi verificado e correlacionado às variáveis investigadas. Resultados: Pode-se observar que, na casuística estudada, que a faixa etária mais acometida foi a partir de 61 anos (46,84%). O tempo de sobrevida foi de mais de 60 meses para o tipo de câncer mais prevalente, o carcinoma ductal invasivo. Em relação a abordagem terapêutica, a cirurgia radical apresentou uma prevalência na sobrevida de mais de 60 meses enquanto que para o tratamento conservador foi em média de 46 meses. Quanto à sobrevida das pacientes submetidas à quimioterapia, pré ou pós cirurgia, o tempo de sobrevida de maior prevalência obtido foi entre 13 a 36 meses. Conclusão: Neste trabalho observou-se que a sobrevida das pacientes submetidas a tratamento cirúrgico do câncer mamário foi de mais de 60 meses após cirurgia para pacientes submetidas à mastectomia, e de 46 meses para tratamento conservador. Levando-se em conta que neste período o tratamento radical foi o mais utilizado, conclui-se que a sobrevida se mostrou maior para mastectomia. Referências: GEBRIM, L.H.; LIMA G.R. Quimioprevenção primária e secundária do carcinoma de mama. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar UNIFESP/ Ginecologia, São Paulo, p.677-84, 2005. VERONESI, U. et al. Twenty-Year Follow-up of a Randomized Study Comparing Breast-Conserving Surgery with Radical Mastectomy for Early Breast Cancer. The New England Journal of Medicine, v. 347, p.1227-1232, 2002. 58 SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL COMO SCREENING PARA CÂNCER DE ENDOMÉTRIO. Antônio Marcos Coldibelli Francisco*, Silvânia de Cássia Vieira Archângelo Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas “Samuel Libânio” – Faculdade de Ciências da Saúde “Dr. José Antônio Garcia Coutinho” – Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Rua Cássio Carvalho Coutinho, 26 - Santa Elisa – 37.550-000 – Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: Avaliar a eficácia da ausência de sangramento uterino anormal como marcador de ausência de câncer de endométrio. Métodos: Analise retrospectiva de 2366 histeroscopias consecutivas realizadas no período de julho de 1996 a maio de 2008 no setor de cirurgia minimamente invasiva do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS. Foram analisadas 2366 mulheres com indicação de histeroscopia, 638 com sangramento uterino anormal e 1728 sem sangramento uterino anormal. Todas as pacientes foram submetidas a histeroscopia com biópsia endometrial dirigida ou orientada. Resultados: Das 2366 histeroscopias realizadas, 638 mulheres referiam sangramento uterino anormal e 1728 pacientes não apresentavam sangramento uterino anormal. Não houve ocorrência de câncer de endométrio nas 1728 pacientes que não apresentavam sangramento uterino anormal(0/1728) 0%. Já nas 634 pacientes com sangramento uterino anormal 40 apresentaram câncer de endométrio (40/638) 6,4%. Todos os casos de câncer de endométrio diagnosticados apresentavam sangramento uterino anormal na historia clínica, e todos ocorreram na pós menopausa. Apesar de todos os casos de câncer de endométrio ocorrerem em mulheres com sangramento uterino anormal, as afecções benignas foram a grande maioria dos achados histeroscópicos das mulheres com sangramento uterino anormal.Conclusão: O sangramento uterino anormal pode ser utilizado como evento para indicar investigação de câncer de endométrio. A ausência de sangramento uterino anormal pode ser um forte marcador de ausência de câncer de endométrio. Referências: 1.Sharma, A. Screening for gynecological cancer. Eur J Surg Oncol,2006. 2. Telner, DE, Jakubovicz D .Approach to diagnosis an management of abnormal uterine bleeding. Can Fam Physician, 2007;53(1):58-64. 59 TUMOR DE CORPO CAROTÍDEO – RELATO DE CASO Alexandre Carvalho Kallás, Mateus de Souza Zanin*, Maria Raquel B. Massoti, Renato Riera Toledo, Alexandre Ciappina Hueb, Elias Kallás. Serviço de Cirurgia Vascular do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG Av. Alfredo Custódio. de Paula, 333,sl11 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução: Tumores do corpo carotídeo são neoplasias raras que se originam dos pequenos órgãos quimiorreceptores e barorreceptores localizados na adventícia da bifurcação da artéria carótida comum. Esses tumores são denominados paragangliomas ou quimiodectomas e sua causa é desconhecida. O tratamento recomendado é a sua ressecção cirúrgica, visto que pode evoluir para complicações locais ou à distância. Relato do Caso: Paciente do gênero masculino, 53 anos de idade, com história de massa em região cervical à esquerda com 20 anos de evolução, com aumento progressivo. Ao exame físico observou-se massa de caráter pulsátil, volumosa, em região cervical esquerda. A tomografia computadorizada realizada evidenciou massa hipervascularizada na referida região, não sendo conclusiva. Na angiografia observou-se massa hipervascularizada junto à bifurcação dos vasos carotídeos (Sinal da Lira), afastando hipótese de aneurisma. O Paciente foi submetido a tratamento cirúrgico com retirada da tumoração, sem intercorrências, obtendo alta hospitalar no 2º dia de pós-operatório, sem qualquer tipo de seqüela. Discussão: Os tumores de corpo carotídeo são raros, com comportamento benigno em sua maioria,podendo evoluir em alguns casos para metástases à distância. Sua ressecção cirúrgica, tratamento de eleição, não raramente está associada à lesão de pares cranianos ou vasos carotídeos, implicando em necessidade de revascularização concomitante, além de possíveis seqüelas graves. No caso relatado, apesar de se tratar de massa volumosa, a ressecção cirúrgica foi realizada sem intercorrências. Referências: 01. Kaman L, Singh R, Aggarwal R, Kumar R, Behera A, Katariya RN. Diagnostic and therapeutic approaches to carotid body tumors: report of three cases and review of the literature. Aust N Z J Surg 1999;69(12):852-5. 02. BARROS D‘SA AAB, HARKIN DW, MCILRATH E, MCBRIDE RJ. One vascular surgeon‘s experience in managing carotid body tumours. Br J Surg 2003;90:A507 60 FRATURA BILATERAL DE CORPO DE MANDÍBULA EM CRIANÇA Edgard da Silva Garcia, Israel Batista de Oliveira, Roberto Bezerra Vieira, Marcelo Prado de Carvalho, Luana Resende Reis*, Mayra Daniele Conceição de Mello Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - O tratamento de qualquer fratura baseia-se na redução, fixação e imobilização. Uma das inovações mais importantes em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial foi o advento da fixação óssea com o uso de placas e parafusos metálicos. As fraturas faciais em pacientes pediátricos constituem um capítulo à parte na traumatologia bucomaxilofacial devido ao alto grau de cicatrização e neoformação óssea² ,³ Elas necessitam de uma rápida intervenção pela possibilidade de desenvolvimento de deformidades ou disfunções². Além disso, a incidência de fratura de mandíbula em crianças menores de 6 anos é rara, menor que 1%. Outro ponto crítico é a indicação de materiais de osteossíntese que não venham a interferir no crescimento do esqueleto facial, ou do segundo tempo cirúrgico para retirada de materiais metálicos pós-consolidação óssea³. Relato do Caso - Criança, masculina, 3 anos, foi atendida no ambulatório de Cirurgia Plástica (CP) devido a traumatismo de face há 3 dias. Mãe relatou que a criança foi prensada entre o poste de luz e o automóvel. Ao exame físico de difícil realização, tinha dor e edema facial, com sinais de fratura à palpação em corpo mandibular bilateral sem exposição óssea. Foi solicitada tomografia de face que constatou a fratura. O tratamento cirúrgico foi realizado após 2 dias com fixação interna rígida metálica. Recebeu alta hospitalar no dia seguinte com dieta líquida e pastosa. Após acompanhamento ambulatorial da CP e do serviço de odontologia por 8 meses, foi realizado o segundo tempo cirúrgico para retirada do material da fixação. Discussão - Os inconvenientes da fixação interna rígida metálica em crianças incluem o possível dano aos germes dentários, a interrupção do potencial osteogênico do periósteo na exposição óssea, a conseqüente alteração do padrão de crescimento, o aparecimento de cicatrizes hipertróficas e a possível interferência do material de osteossíntese no crescimento mandibular¹ ,²,³. Porém, o sucesso é atingido com acompanhamento ambulatorial multidisciplinar, exame de imagem periódico e retirada da fixação em tempo adequado após consolidação óssea. Referências - 01. Dingman RO, Natvig P. Ciriugia das Fraturas Faciais. 1ed. Levanon Y, tradutor. São Paulo: Livraria Editora Santos; 1983. 311p; 02. Schweinfurth JM, Koltai PJ. Pediatric mandibular fractures. Facial Plast Surg. 1998 14(1):31-44; 03. Neto CRG et al. Condutas cirúrgicas nas osteossínteses das fraturas faciais pediátricas. Rev. Cir. Traumatol. Buco-Maxilo-Fac. Camaragibe. 2007 jan/mar;7(1):43-50. 61 TÉCNICA DE SUTURA EM BOLSA UTILIZADA PARA FECHAMENTO DE DEFEITO PÓS MASTECTOMIA Talita Malta e Cunha*, Nanny de Oliveira Otranto Gontijo, Carolina Castelo Branco Conroy, Roberto Bezerra Vieira,Daniela Francescato Veiga, Joel Veiga Filho. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS. R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre - MG Introdução: A sutura em bolsa é uma técnica de fechamento de tecidos pouco usual na cirurgia plástica1. É um processo usado especialmente para correção de defeitos circulares, e trata-se de um método de fácil execução que permite uma cicatriz resultante menor. O aumento do tempo de cicatrização, e o aumento da tensão na sutura, são algumas das desvantagens desse tipo de sutura 2. Relato do caso: Paciente do gênero feminino, 51 anos, caucasiana, natural e residente de Ouro Fino-MG. Paciente menopausada aos 48 anos, G2P2. Foi atendida no ambulatório de Mastologia, devido ao aumento do volume mamário à esquerda com evolução de 10 meses, negava dor no local. Ao exame físico apresentava-se com um grande abaulamento, comprometendo toda a mama esquerda, assimetria mamária, presença de múltiplos nódulos. O exame ultrossonográfico demonstrou, em mama esquerda, a formação de uma imagem hipoecogênica, de margens definidas, rechaçando o tecido mamário circunvizinho (10X 8,5X 7cm), sem aderências subcutâneas e ausência de linfonodomegalia. A paciente foi submetida à mastectomia simples, com retirada de peça cirúrgica de 990g. Pelo estudo anatomopatológico foi diagnosticado tumor filóide. Foi então utilizada a técnica de sutura em bolsa para o reparo cirúrgico.Discussão: O tratamento do tumor filóides deve ser feito com excisão ampla com uma margem de pelo menos 2 cm. Como estes tumores, muitas vezes, já se apresentam grandes no momento do diagnóstico, o tratamento pode culminar com mastectomia e possível enxertia de pele para seu fechamento 3. Nesta paciente foi utilizada a técnica da sutura em bolsa para o fechamento da ferida cirúrgica (17cm), observando-se uma menor perda de pele e uma redução da cicatriz resultante na área cruenta, quando comparada com a técnica de sutura primária e enxertia de pele. Referências:1- Mohs FE. Chemosurgery:Microscopically Controlled Surgery for skin câncer. Springifield, IL: Charles C. Thomas, 1978:23-4, 2- Neifeld, J.P; and Chretien, P.B. An Improved techinique of excision and skin grafting for primary malignant melanomas . Surg. Gynecol. Obstet; 1976,142:585-585, 3-Nazario ACP, Araújo Neto JT. Alterações funcionais benignas da mama. In: Baracat EC, Lima GR. Guia de ginecologia. São Paulo: Manole; 2005. p. 629-33. (Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar). 62 Local: Hall do Campus Central da Univás 63 Dia 17/09/2008 Hora: 14h Apresentação Pôster – Hall do Campus Central Avaliadores: Prof. Eugenio Fernandes Magalhães Prof. Mário Sérgio Viana Xavier Prof. Ronaldo Mourão Gontijo 1. AVALIAÇÃO IMUNO-HISTOQUÍMICA DE LINFONODOS AXILARES EM PACIENTES DE CÂNCER DE MAMA. 2. CITOQUERATINA 5 COMO UM MARCADOR PROGNÓSTICO DE CARCINOMA DUCTAL INVASIVO C-KIT E EGFR SÃO FREQUENTEMENTE NEGATIVOS EM CÂNCER DE MAMA AVANÇADO. UM ESTUDO EM TMA P53 E C-MYC EM CÂNCER DE MAMA AVANÇADO. UMA AVALIAÇÃO IMUNO-HISTOQUÍMICA EM TMA. ANÁLISE DOS PROCEDIMENTOS REALIZADOS NO SERVIÇO DE CIRURGIA PLÁSTICA DO HOSPITAL SAMUEL LIBÂNIO EM 2007. • 64 •INCIDÊNCIA DA INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA AGUDA EM JOVENS ATENDIDOS NO PRONTO SOCORRO DO HCSL •UVEÍTE CAUSADA POR TOXOPLASMOSE • IMPETIGO HERPETIFORME •HIPERTENSÃO ARTERIAL SECUNDÁRIA •HIPERPARATIREOIDISMO PRIMÁRIO TENDO COMO CONSEQUÊNCIA NEFROCALCINOSE •TROMBOSE DE SEIO SAGITAL SUPERIOR • •HISTOPLASMOSE COM ACOMETIMENTO LARÍNGEO •COMPLICAÇÕES RECORRENTES DE RINOSSINUSITE COMO MANIFESTAÇÃO PRIMÁRIA DE DOENÇA SISTÊMICA 65 MACULOPATIA AVANÇADA CAUSADA PELA CLOROQUINA: RELATO DE CASO TUBERCULOSE LARÍNGEA PEELING DE 5-FLUOROURACIL NO TRATAMENTO DA QUERATOSE ACTÍNICA PARACOCCIDIOIDOMICOSE CEREBELAR CO-INFECÇÃO POR EPSTEIN BARR E TOXOPLASMA GONDII – RASTREAMENTO EM LINFADENOPATIAS BLASTOMICOSE SUL-AMERICANA NASAL PRECEDENDO O QUADRO PULMONAR TÍPICO COMPLICAÇÕES DE TUBERCULOSE PLEURAL SINDROME DE LOEEFFER SÍNDROME DE PRADER- LABHART-WILLI 66 •ABORDAGEM DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA DO LIPOBLASTOMA EM LACTENTES •ARTERITE DE TAKAYASU •RELATO DE CASO EM FAMÍLIA COM COQUELUCHE • SÍNDROME DE NOONAN EM 3 PACIENTES DE UMA MESMA FAMÍLIA: RELATO DE CASO •SÍNDROME DE SAETHRE-CHOTZEN •SÍNDROME HEMOLÍTICA-URÊMICA •PUBARCA PRECOCE EM UM LACTENTE: RELATO DE CASO • 67 AVALIAÇÃO IMUNO-HISTOQUÍMICA DE LINFONODOS AXILARES EM PACIENTES DE CÂNCER DE MAMA. Fiorita Gonzales Lopes Mundim*; Angela Flavia Logullo; Luciana Logullo; Fernando Soares; Joaquim Soares Almeida. Serviço de Patologia do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG - Av. Cel. Alfredo Custódio de Paula, 320 – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução e objetivo: Metástase de linfonodos (LN) é considerado uma característica de pior prognóstico do câncer da mama invasivo (CMI). No entanto, pouco se sabe sobre o comportamento biológico das células neoplásicas metastático, em comparação com a fonte de tumor primário. O objetivo deste estudo foi avaliar o perfil de imunohistoquímica de LN de carcinoma ductal invasivo avançado (CDI) em comparação com tumor primário pelo método imuno-histoquímico. Métodos: Em uma série retrospectiva de 80 T2-T4 NxMx amostras de CDI de tumor invasivo e 40 linfonodos comprometidos foram selecionados para a construção de um “Tissue Microarray”. Imuno-histoquímica com CK5, Receptor de Estrógeno (RE), Receptor de Progesterona (RP), c-erbB2, MIB-1, c-myc, EGFR, c-kit e p53 foram realizados em um método ABC streptoavidin. Mais que 10% das células coradas foram consideradas positivas. Quiquadrado e correlações com test-T foram realizadas no software estatístico SPSS. Resultados: c-KIT foi negativo em amostras de CDI e LN. c-myc foi positivo em 89% do IDC e 80% das amostras de LN. Casos CK5 positivo correlacionaram com expressão de CK5 no linfonodo (p = 0003); as expressões de p53, c-erbB2 e EGFR no CDI alcançaram uma correlação positiva no LN. Conclusão: Nós concluímos que o câncer metastático em linfonodo não necessariamente desenvolve o mesmo perfil de CDI primário, de maneira que reflete a característica de policlonal das células neplásticas. Células luminais e basalóides mantiveram os mesmos marcadores semelhantes como RE e CK5 em CDI e LN. Referências: 1. Jeon Hor Chen et al. “Pathological Axillary Lymph Node Status in HER-2 Receptor Positive and Negative Breast Cancers.” Annals of Surgical Oncology; 15(3):941-942 (2007). 2. Tanja Fehm et al. “Prediction of Axillary Lymph Node Status of Breast Cancer Patients by Tumorbiological Factors of the Primary Tumor.” Strahlentherapie und Onkologie; 181:580-586 (2005). 3. Ozmen et al. “Factors predicting the sentinel and non-sentinel lymph nod metastases in breast cancer.” Breast Cancer Research and Treatment; 95:1-6 (2006). 68 CITOQUERATINA 5 COMO UM MARCADOR PROGNÓSTICO DE CARCINOMA DUCTAL INVASIVO. Fiorita Gonzales Lopes Mundim*; Angela Flavia Logullo; Luciana Logullo; Fernando Soares; Joaquim Soares Almeida. Serviço de Patologia do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG - Av. Cel. Alfredo Custódio de Paula, 320 – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução e objetivo: Citoqueratina (CK) 5 é um marcador de carcinoma basalóide no câncer de mama. A expressão de CK é considerada uma característica primordial celular e relacionada a pior prognóstico. Para validar esta hipótese nós avaliamos a imuno-expressão de CK em 80 carcinomas ductais invasivos (CDI) avançados e foram correlacionados com variáveis clássicas clínico-patológicas prognósticas. Métodos: Em uma série retrospectiva de 80 amostras T2-T4 Nx Mx CDI de tumores invasivos e 40 linfonodos comprometidos foram selecionados para a construção de um “Tissue Micro Array”. Imuno ensaio com CK5, receptor de estrogênio (RE), receptor de progesterona (RP), c-erbB2, MIB-1 e p53 foram realizados em um método ABC streptoavidin. Mais que 10% das células coradas foram consideradas positivas. Qui-quadrado e correlações com Test-T foram realizadas com software estatístico SPSS. Resultados: A coloração CK5 foram positivas em 14 casos, negativo, em 63 e ausente em 3. Correlacionados casos positivos para a expressão da CK linfonodal (p = 0003); grau histológico (p = 0,03); estado dos linfonodos (p = 0,01) e p53 (p = 0,02). Proliferação, os receptores hormonais e c-erbB2 não correlaciona com a expressão CK5. Conclusão: Nós encontramos que CK5 reflete importantes variáveis prognósticas e tem um potencial valor como um marcador preditivo em avançado CDI. Referências: 1. Chad A. Livasy, et al. “Identification of a basallike subtype of breast ductal carcinoma in situ.” Human Pathology; 38:197-204 (2007). 2. E A Rakha, et al. “Breast carcinoma with basal differentiation: a proposal for pathology definition based on basal cytokeratin expression.” Histopathology; 50:434-438 (2007). 3. Mervi Laakso, et al. “Cytokeratin 5/14-positive breast cancer: true basal phenotype confined to BRCA 1 tumors.” Modern Pathology; 18:1321-1328 (2005). 69 C-KIT E EGFR SÃO FREQUENTEMENTE NEGATIVOS EM CÂNCER DE MAMA AVANÇADO. UM ESTUDO EM TMA. Fiorita Gonzales Lopes Mundim*; Angela Flavia Logullo; Luciana Logullo; Fernando Soares; Joaquim Soares Almeida. Serviço de Patologia do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG - Av. Cel. Alfredo Custódio de Paula, 320 – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução e objetivo: Receptor tirosina quinase (RTKs) constituem alvos atraentes, como com freqüência a sua anormal sinalização que tem sido associada com desenvolvimento e crescimento tumoral. Atividade anormalmente elevada de EGFR está associada com os mais comuns tumores sólidos humanos e tendo sido detectada em todos os estágios da progressão do tumor. O proto-oncogene C-KIT codifica um receptor tirosina transmembrana do fator de crescimento, desempenhando um papel importante no desenvolvimento de certas neoplasias. Vários investigadores relatam resultados conflitantes em relação a sua expressão especialmente em lesões malignas da mama. Métodos: Na série retrospectiva de 80 T2-T4 NxMx carcinomas ductais invasivos (CDI), amostras foram selecionadas para a construção de um “Tissue Micro Array” (epitélio e estroma). Imuno ensaio com C-KIT, EGFR e CK5 e realizado em um método ABC streptoavidin. Mais que 10% das células coradas foram considerados positivos. Resultados: As amostras de TMA coradas por imuno-histoquímica para EGFR (epitélio) foram positivos em 16 casos, negativos em 62 casos e ausentes em 2 casos. EGFR (estroma) foram negativos em 80 casos. C-KIT (epitélio) foi positiva em 9 casos, negativos em 63 casos e ausentes em 8 casos. C-KIT (estroma) foram positivos em 10 casos, negativos em 69 casos e ausente em 1 caso. CK5 positivo / negativo C-KIT foram expressados em 13/80 casos. Conclusão: Nós concluímos que C-KIT e EGFR são na maioria negativos no câncer de mama avançado. Estes resultados sugerem que tumores expressando EGFR resultam de múltiplas alterações genéticas que conduz à expressão de receptores adicionais e de não-receptores de Tirosina Quinase que desempenham papéis no crescimento tumoral. C-KIT é consistentemente expresso em células do epitélio normal da unidade ducto lobular terminal (TDLU) e pobremente expressado em CDI. Correlação com CK5 positivo sugere que os carcinomas ductais invasivos C-KIT negativos são do tipo basal. Referências: 1. A E Roussidis, et al. “The importance of c-Kit and PDGF Receptors as Potential Targets for Molecular Therapy in Breast Cancer.” Current Medicinal Chemistry; 14:735-743 (2007). 70 p53 E C-MYC EM CÂNCER DE MAMA AVANÇADO. UMA AVALIAÇÃO IMUNO-HISTOQUÍMICA EM TMA. Fiorita Gonzales Lopes Mundim*; Angela Flavia Logullo; Joaquim Soares Almeida; Miriam F. B. Engelman; Clayton Aparecido de Paula; João P. R. de Lima. Serviço de Patologia do HC da FCM de Pouso Alegre – UNIVAS – MG - Av. Cel. Alfredo Custódio de Paula, 320 – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução e objetivo: Genes de c-myc e p53 são freqüentemente desregulados no carcinoma ductal invasivo da mama (CDI), porém o papel do c-myc na carcinogênese mamária permanece controversa. Métodos: Determinar se a expressão concomitante dos dois oncogenes poderia ter valor prognóstico, fez-se uma série retrospectiva de 40 amostras de linfonodos com metástases; receptores hormonais e a sobrevivência de 80 pacientes com CDI e dados clínicos foram analisados à luz da expressão de p53 e c-myc avaliados por imunohistoquímica em bloco de TMA. Resultados: c-myc positivo e coloração p53 foi detectada em células epiteliais neoplásicas, respectivamente, em 89% e 40% dos casos. Respectivos linfonodos expressaram c-myc em 38/40 casos e p53 em 12/40 casos, em p53. Concomitante p53 e c-myc positivos em linfonodos apareceram em 12 dos 80 casos. Parâmetros clínicopatológicos e de sobrevida dos pacientes não foram associados com a imunorreatividade do p53 ou c-myc consideradas separadamente ou agrupadas em subconjuntos. Conclusão: A expressão de p53 e c-myc no tumor ou nos linfonodos comprometidos, não foram capazes de predizer resultados ou correlacionar variáveis prognósticas para câncer de mama avançado. Referências: 1. D J Liao, R B Dickson “c-Myc in breast cancer.” Endocrine-Related Cancer; 7:143-164 (2000). 2.Cristina Corzo, et al. “The MYC oncogene in breast cancer progression: from benign epithelium to invasive carcinoma.” Cancer Genetics and Cytogenetics; 165:151-156 (2006). 3. Milena Gasco, Shukri Shami, Tim Crook. “The p53 pathway in breast cancer.” Breast Cancer Res; 4:7076 (2002). 71 ANÁLISE DOS PROCEDIMENTOS REALIZADOS NO SERVIÇO DE CIRURGIA PLÁSTICA DO HOSPITAL SAMUEL LIBÂNIO EM 2007 Ricardo de Aguilar Lopes Chácara; Rafael Horácio de Brito*; Denise de Almeida Mendes; Roberto Bezerra Vieira; Israel Batista de Oliveira; Edgard da Silva Garcia. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre - MG . Introdução e Objetivo: A cirurgia plástica se desenvolve sob duas facetas: a cirurgia plástica reparadora e a cirurgia plástica estética. A cirurgia plástica reparadora tem como objetivo corrigir lesões deformantes, defeitos congênitos ou adquiridos. É considerada tão necessária quanto qualquer outra intervenção cirúrgica. A cirurgia plástica estética é aquela realizada pelo paciente com o objetivo de realizar melhoras à sua aparência. A pessoa quando se submete a tal intervenção cirúrgica não a faz com intenção ou propósito de obter alguma melhora em seu estado de saúde, mas sim para melhorar algum aspecto físico que não lhe agrada, ou seja, corrigir uma deformidade que ela adquiriu ao nascimento, por exemplo. Situações que nao lhe causam prejuizo da ordem funcional, mas sim de ordem psicológica1. O objetivo foi apresentar os resultados observados no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Universidade do Vale do Sapucaí em Pouso Alegre, MG em 2007.Métodos: Foram avaliados os 804 procedimentos realizados no Serviço de Cirurgia Plástica durante todo o ano de 2007. Resultados: Durante o ano de 2007, o Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas Samuel Libânio realizou 804 procedimentos cirúrgicos. Destes, as pequenas cirurgias, que englobam biópsias, lobuloplastia de orelhas, excisão de cistos e lesões benignas, tratamento de quelóides, entre outras, foram realizadas em 270 pacientes (33,5%). Excisão de tumores de pele foi realizada em 181 pacientes (22,5%). As cirurgias em mãos, desbridamentos e lesões benignas tiveram, respectivamente, 43 (5,3%), 35 (4,4%), 35 (4,4%) pacientes. A lipoaspiração foi realizada em apenas 13 pacientes (1,6%).Conclusão: Segundo o Instituto Nacional do Câncer do Brasil (INCA), o número de casos novos de carcinomas de pele estimados para o Brasil em 2006 foi de 55.480 casos em homens e de 61.160 casos em mulheres2. As cirurgias de excisão de tumores de pele englobaram 22,5 % de todos os procedimentos realizados, evidenciando a importância em campanhas de proteção à pele.No tratamento de tumores de pele, 75% foi feito o uso de retalhos e 25% o uso de enxertos.Referências:1-Sarwer DB, Pertschuk MJ, Wadden TA, Whitaker LA. Psychological investigations in cosmetic surgery: a look back and a look ahead. Plast Reconstr Surg. 1998;101(4):1136-42.2-Instituto Nacional do Câncer (INCa). Estimativa 2006: Incidência do câncer no Brasil. Disponível em: http://www.inca.gov.br/vigilancia/ 72 INCIDÊNCIA DA INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA AGUDA EM JOVENS ATENDIDOS NO PRONTO SOCORRO DO HCSL Diogo Melgaço Faria, Guilherme Ribeiro Stérckele, Vinícius Toloti Moschini da Silva*, Ibrahim Elias Kallás Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução e Objetivo: O álcool é uma das substâncias psicoativas mais precocemente consumidas pelos jovens.Estudos como os de Pinsky et al, 2003, confirmam a relação entre o grande consumo dessa substância e a sua propaganda. No Brasil, o álcool é a droga mais usada em qualquer faixa etária. No entanto, a prevalência do uso vem aumentando entre os adolescentes. Segundo Pechansky et al, 2004, o uso do álcool por adolescentes está associado a uma série de prejuízos, especialmente quanto ao desenvolvimento. Por ser o cérebro um órgão ainda em “amadurecimento” nessa fase da vida, o uso do álcool pode levar o jovem ao maior risco de dependência química futuramente, sendo esse um dos principais preditores do vício na idade adulta. Assim trabalhos como de Segatto et al, 2007, demonstram que o uso abusivo do álcool e as suas conseqüências, são responsáveis por um número significatico de ocorrências nos hospitais. Demonstrar, quantitativamente, a incidência de intoxicação alcoólica aguda em jovens atendidos no Pronto Socorro do Hospital das Clínicas “Samuel Libânio” (HCSL), no período de 01/03/2006 a 31/05/2006.Métodos: Foram analisadas, retrospectivamente, as fichas de todos pacientes atendidos no Pronto Socorro do HCSL, com idade entre 12 e 21 anos e no período de 01/03/2006 à 31/05/2006. Resultados: Foram registrados 1.446 atendimentos à jovens entre 12 e 21 anos de idade no período supra citado. Deste total de atendimentos houveram 32 motivados por ingestão de bebida alcoólica, o que corresponde a 2,21% do total dos atendimentos na faixa etária delimitada. Destes a distribuição quanto ao sexo foi de 15 pacientes do sexo masculino e 17 pacientes do sexo feminino. A média de idade dos pacientes com quadro de intoxicação alcoólica aguda foi de 17,9 anos. Conclusão: Considerando o número total de casos, a quantidade de admissões por ingestão de álcool no Pronto Socorro do HCSL representa apenas uma pequena porcentagem. No entanto, visto a quantidade de casos de intoxicação alcoólica subestimados, não se deve descartar medidas que visam a diminuição do consumo de álcool entre os jovens, prevenindo danos futuros. Referências: 01. Pechansky,F; Szobot,CM; Scivoletto,S. Uso de álcool entre adolescentes: conceitos, características epidemiológicas e fatores etiopatogênicos.Rev Brás Psiquiatr. vol.26 suppl.1 São Paulo May 2004; 02. Segatto,LM; Pinsky,I; Laranjeira,R; Rezende,FF; Vilela,TR. Triagem e intervenção breve em pacientes alcoolizados atendidos na emergência: perspectivas e desafios. Cad. Saúde Pública vol.23 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2007; 03.Vieira,DL; Ribeiro,M; Romano,M; Laranjeira,R. Álcool e adolescentes: estudo para implementar políticas municipais.Rev. Bras. Psiquiatr. vol.26 suppl.1 São Paulo May 2004. 73 UVEÍTE CAUSADA POR TOXOPLASMOSE Leandro Furtado de Simoni*, Amanda Rocha Firmino Pereira, Gabriela Nicoletti Dall’Ara, Manoel Francisco de Paiva Hospital das Clínicas Samuel Libânio - UNIVÁS R. Eugenio Diane 11, ap 402 - Medicina - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A toxoplasmose é causada pelo Toxoplasma gondii, um protozoário intracelular obrigatório. O gato é o hospedeiro definitivo, enquanto o homem, outros mamíferos e as aves são hospedeiros intermediários. Relato do Caso – Paciente do gênero feminino, 22 anos, melanoderma, solteira, natural e residente em Pouso Alegre – MG. Paciente com retardo mental, encaminhada pelo serviço de Oftalmologia ao ambulatório de Infectologia acompanhada da mãe em 17/02/05. Esta relata aparecimento de nódulos bilaterais em região cervical há 3 meses, acompanhados de febre e perda da acuidade visual. Ao exame físico, nódulos cervicais bilaterais, de 1 cm, móveis, indolores à palpação, não flutuantes, sem sinais flogísticos. Foi solicitado hemograma, plaquetas, EAS tipo 1, raio X de tórax e sorologia (IgM e IgG) para toxoplasmose. No dia 24/02, paciente retornou com os exames sem alterações, exceto IgM reagente e IgG não reagente para toxoplasmose. Apresentou-se subfebril, adenomegalia cervical palpável, sem visceromegalias e com déficit na acuidade visual. Foi administrado tratamento com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico. Em 28/04, com 6 semanas de tratamento, permaneceu com um déficit de apenas 10%.Discussão - No Brasil, a prevalência de anticorpos na população adulta varia de 50 a 80% com maiores índices em estados do Norte e do Sul. O homem adquire a infecção por três vias: ingestão de oocistos provenientes do solo, areia, latas de lixo contaminados com fezes de gatos infectados; ingestão de carne com cistos crua e mal cozida; infecção transplacentária. Apresenta quadro clínico variado, desde infecção assintomática a manifestações sistêmicas graves. A coriorretinite é a lesão mais freqüentemente associada à toxoplasmose. Uma forma rara é a uveíte, inflamação intra-ocular comprometendo total ou parcialmente a íris, o corpo ciliar e a coróide, além do vítreo, retina e vasos sanguíneos com perda progressiva de visão chegando à cegueira.O tratamento compõe-se de uma associação entre Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico por 4 a 6 semanas. A toxoplasmose é uma patologia sistêmica com alta prevalência sorológica relacionada a altas taxas de morbidade e mortalidade. Recomenda-se o tratamento dos casos agudos, da toxoplasmose ocular e dos indivíduos imunodeficientes com qualquer tipo ou fase. Referências – 01. Ministério da Saúde; Doenças Infecciosas e Parasitárias 4 th ed; 2004, Cap 67 p 302-305 02. Neves DP; Parasitologia Humana 11th ed, Atheneu; 2005. Cap 18 p 163-172. 03. Veronesi; Tratado de Infectologia 3th ed, Atheneu; 2005. Cap 99 p 1635-1652. 74 IMPETIGO HERPETIFORME: RELATO DE CASO Júlia Sara Giovelli da Silveira*, Amanda Rocha Firmino Pereira, Leandro Furtado de Simoni, Pedro Pio da Silveira ,Ana Cristina Trench Vieira. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 996 ap 102 - Medicina - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - O impetigo herpetiforme é forma rara de psoríase pustulosa, de ocorrência restrita ao período gestacional, não infecciosa e potencialmente fatal1. Inicia-se, em geral, no terceiro trimestre da gestação e caracterizase por lesões eritemato-pústulo-descamativas, podendo estar associados sintomas sistêmicos. Relato do Caso – Paciente do gênero feminino, 31 anos, branca, gestante de 38 semanas, referia há 45 dias o surgimento de lesões eritêmato – pustulosas, dolorosas, nos MMIIS com progressão ascendente para abdômen e MMSS. Há 15 dias observou acometimento da mucosa genital e face. Relatava artralgia difusa acompanhando o quadro. Antecedentes Pessoais: ndn. Paciente 2 gesta, 1 parto cesáreo, 0 abortos. Ao exame físico apresentava eritema e edema difusos, placas eritêmato – edematosas descamativas encimadas por pústulas, nos MMIIS, abdômen, mucosa genital, MMSS e face. O exame histopatológico revelou a presença de infiltrado neutrofílico formando micro abscessos intraepidérmicos (pústula espongiforme de Kogoj) sugestivo de impetigo herpetiforme2. A paciente foi admitida no serviço para interrupção da gestação (feto a termo) a fim de melhorar o quadro dermatológico. Após duas semanas da realização do parto (feto sem complicações), foi observada melhora geral nas lesões, com decorrente alta hospitalar sem intercorrências. Discussão - O impetigo herpetiforme foi descrito pela primeira vez em 1872 por Von Hebra, como forma de psoríase pustulosa que ocorre na gestação, tendo cerca de 100 casos relatados. Acomete 1: 60.000 gestações, normalmente no 2º e 3º trimestre. É uma desordem auto-imune hormonalmente mediada, onde a resposta primária está localizada na placenta. Uma expressão errônea de moléculas de MHC classe II placentárias nessas pacientes provoca uma reação imunológica contra o concepto. As lesões na mãe se localizam na pele pelo fato de que esta e o âmnio têm a mesma origem ectodermal1. O tratamento inclui esteróides tópicos, associados a ciclosporina, e em casos severos glicocorticóides sistêmicos associados a antibióticos (ainda que as pústulas sejam estéreis). O impetigo herpetiforme é patologia multidisciplinar, que oferece riscos para mãe e para o feto. A possibilidade de recorrência em gerações futuras deve ser destacada, com o aparecimento precoce das lesões e piora do prognóstico materno-fetal.2 Referências – 01.SI Al–fares, S Vaughan Jones, MM Black. The specific dermatoses of pregnancy : a re-appraisal – JEAVD, 2001; 15:197-206. 02. Azulay-Abulafia, L.,Brotas, A., Braga, A.,Volta, A.C., Gripp,A.C.: Psoríase pustulosa da gestação (impetigo herpetiforme): relato de dois casos e revisão da literatura – Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – 2004; 26(2):153-159. 75 HIPERTENSÃO ARTERIAL SECUNDÁRIA: RELATO DE CASO Carmen Abigail de Freitas Dantas, Carmilon Rezende Neto, Carolina Vales Beraldo, Christian Alessandro Nery Freitas, Clara Paschoalini Guyot, Edson Nogueira Alves Rodrigues. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A hipertensão arterial de etiologia secundária é decorrente de diversas causas modificáveis, entre elas, a induzida por substâncias ou drogas. Estas podem causar elevações pressóricas agudas, redução da eficácia das drogas anti-hipertensivas ou o agravamento de uma hipertensão preexistente. Entre elas estão drogas simpatomiméticas que não necessitam de prescrição médica. Relato do Caso – Paciente do gênero masculino, 35 anos, natural de São Paulo, residente em Pouso Alegre há 20 anos, casado, mecânico. Paciente relata dor lombar bilateral há 5 meses, em pontada, que piora aos esforços e melhora como uso de anti-espasmóticos. Hipertensão arterial diagnosticada há 7 meses, sem tratamento adequado. Apresenta crises de Gota. Nega cirurgias e alergias medicamentosas. Pai hipertenso. Nega tabagismo, etilista social e alimentação rica em lipídios. Ao exame: BEG, ACV: RCR 2T, sem sopros B2 hiperfonética; AR e TGI sem alterações, Presença de tofos gotosos em ambos os cotovelos. PA: 195X150mmhg. Conduta inicial: foi solicitado USG renal e prescrito Atenolol (50mg 1x/dia) e Losartan (50mg1x/dia). Após 10 dias o paciente retorna ao ambulatório com USG renal que apresentou Nefrolitíase bilateral e sinais ecográficos sugestivos de estenose da artéria renal esquerda. Apresentava PA 180X140mmhg. Nesta consulta o paciente relatou que fazia uso de descongestionante nasal (Nafazolina) 6x ao dia, desde os 8 anos de idade. Foi prescrito nova medicação: Anlodipina (5mg 2x/ dia), Losartan (50mg 2x/dia), Clortalidona (12,5 mg 1x/dia). A nafazolina foi proscrita e aconselhado o uso de corticóide nasal (fuorato de mometasona).O paciente retorna após 8 dias, com PA 140X70mmhg, foi mantida a medicação anti-hipertensiva e prescrito alopurinol (100mg 1x/dia). Em novo retorno o paciente apresentou PA 130x70mmhg e relatou não estar em uso do corticóide inalatório. A conclusão diagnóstica foi Hipertensão secundária ao uso crônico e indiscriminado de descongestionante nasal. Discussão - A história clínica é de suma importância na suspeita e no diagnóstico de hipertensão arterial secundária, uma vez que os achados de anamnese e do exame físico servem como indício de possível presença de suas causas. Nesses casos, uma abordagem direcionada e criteriosa permite um correto diagnóstico, evitando os exames muitas vezes desnecessários e caros na investigação de hipertensão secundária. Referências – 01. Plavnik FL. Hipertensão arterial induzida por drogas: como detectar e tratar. Rev Bras Hipertens 9: 185-191, 2002; 02. LOPES, Antonio Carlos. Clínica Médica. In:-Tratado de Clínica Médica. 1 ed. São Paulo: Roca, 2006-p.712-726. 76 HIPERPARATIREOIDISMO PRIMÁRIO TENDO COMO CONSEQUÊNCIA NEFROCALCINOSE Carolina Castelo Branco Conroy*; Vinícius Tavares Veiga; Fernanda Marcelino da Silva; Yara Grácia Lorena Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS Avenida Coronel Alfredo Custodio de Paula, 150/102 - Medicina - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A prevalência de hiperparatireoidismo primário (HPTP) situa-se entre 0,1%-0,5% e predomina no sexo feminino. Caracteriza-se pela hipersecreção de paratormônio, hipercalcemia e acomete o rim em 20% dos pacientes, ocasionando nefrolitíase e nefrocalcinose. Relato do Caso – Paciente do gênero feminino, 38 anos, relata primeira cólica renal em 1997 quando expeliu o cálculo. Apresentou hipercalciúria(406mg/24h) e iniciou tratamento com hidroclorotiazida sem resposta. A ultra-sonografia (US) apresentou rim direito (RD): 10,8 x 4,6 x 3,9cm (8mm) e rim esquerdo (RE) com dimensões:12,4 x 4,7 x 4,6cm (10mm) com nefrocalcinose em pirâmides renais.Em dezembro de 2000, apresentou cálcio urinário 216mg/24h;cálcio sérico 10,8mg/dL(8,4-10,8);fósforo sérico 2,7mg/dL(2,5-5,0); PTH 89pg/ml (10-65); creatinina 0,8 mg/dl;fosfatase alcalina 137. No RX verificou-se cálculo de 8mm em RD.Foi medicado Moduretic e Pidomag.Um ano depois, cálcio 194mg/24h;cálcio sérico 11,5 mg/dL;creatinina 0,7;fósforo sérico 1,5 mg/dL;PTH 56pg/ml;e US apresentou cálculo de 1,9 cm em JUP à direita com dilatação pielo calicial e nefrocalcinose.Iniciou o uso de Litocit e fez litotripsia extra-corpórea.Em abril de 2002,PTH 96pg/dL,fósforo sérico 2,8mg/dL,cálcio sérico 9,0 mg/dL,TSH 17,1,cálcio urinário 214 mg/24h.Agosto de 2003,cálcio 413mg/24h;cálcio iônico 1,42mg/dL(1,17-1,32);cálcio sérico 10,3 mg/dL;fósforo 2,6mg/dL;PTH 74 pg/mL; clearence 44,6ml/min;US de tireóide normal,mas inferior ao lobo direito evidenciou-se massa sólida,nodular,medindo 1,8cm.E na cintilografia houve hipercaptação no pólo inferior do lobo tireoidiano direito,compatível com tecido paratireoidiano anômalo(adenoma de paratireóide)Em novembro de 2003,realizou paratireodectomia.Após a cirurgia a paciente normalizou os níveis de PTH 30,6pg/mL; fósforo 2,9 mg/dL; cálcio iônico 1,16 mg/dL; cálcio 214 mg/24h,encontra-se estável.Apesar da nefrocalcinose persistente,houve melhora nos registros dos US. Pacientes com nefrolitíase de repetição e hipercalciúria devem ser submetidos a triagem para HPTP,afim de evitar-se uma nefrocalcinose e serem prováveis candidatos à IR.Discussão - O aumento da secreção do PTH,devido ao HPTP,gera uma hipercalcemia e hipercalciúria.Isso proporciona um quadro de nefrolitíase recorrente,perda gradual do ritmo de filtração glomerular e calcificação do parênquima(nefrocalcinose),evoluindo para IR.É necessário o diagnóstico precoce do HPTP para evitar-se complicações renais graves,como a nefrocalcinose e IR advinda.Referências – 1. Riella,Carlos Miguel princípios de Nefrologia e distúrbios Hidroeletroliticos p. 149-151 e 426,495 3th ed. Guanabara koogan;2. Harrison Medicina Interna 16th Ed. Vol 2 McGrawHill 77 TROMBOSE DE SEIO SAGITAL SUPERIOR: RELATO DE CASO Wander Fortunato , Ramon Gaspar Andrade*, Rafael Horácio de Brito Hospital das Clínicas Samuel Libânio – UNIVÁS Rua Antônio Augusto Ribeiro, 35 – 301 Santa Elisa – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução - A Trombose Venosa Cerebral (TVC) é uma doença vascular com diferentes manifestações clínicas. Suas causas podem ser locais, sistêmicas ou idiopáticas. Os sintomas são inespecíficos, mas cefaléia é o mais comum (75%) e muitas vezes o único sintoma. Convulsões, febre, edema de fronte e parte anterior de couro cabeludo, aumento da pressão intracraniana, papiloedema e coma são sinais freqüentes. A doença é progressiva, provavelmente iniciada por trombo que oclui parcialmente um seio dural. Os seios venosos mais acometidos são o seio sagital superior, seio transverso, seio sigmóide e seio cavernoso. As causas mais comuns de TVC são: sinusite, mastoidite, trauma ou tumores. O padrão ouro para o diagnóstico é angioressonância, porém pode-se utilizar TC contrastada para auxiliar o diagnóstico. Relato do caso – O presente trabalho relata a história de paciente do gênero feminino, 47 anos, admitida no PS do HCSL para pesquisa de diplopia e visão turva, acompanhada de cefaléia difusa, confusão mental e dificuldade para entender comandos há cerca de 7 dias. A paciente apresenta hipertensão arterial sistêmica há 20 anos em tratamento com enalapril e atenolol. Faz uso de anticoncepcional oral há 2 meses (gestinol 28 ®). Nega tabagismo. Ao exame neurológico apresentava paresia do nervo abducente à esquerda com papiloedema bilateral. Não apresentava déficit motor ou sensitivo nem qualquer sinal cerebelar. Na TC foi evidenciado trombose de seio sagital superior. Discussão - A real incidência de TVC é desconhecida, pois há escassez de estudos quanto sua epidemiologia. Estudos recentes mostram que ambos os sexos são igualmente acometidos, com discreta predominância em adultos jovens. Apesar de 25% dos casos terem etiologia desconhecida, as infecções, o uso de contraceptivos orais, puerpério, gravidez, tumores malignos, desidratação, colagenoses e síndrome do anticorpo antifosfolipídeos estão entre as principais causas. Referências – 01. Van Gijn J: Cerebral venous thrombosis: pathogenesis, presentation and prognosis. J R Soc Med 2000;93:230-233 ; 02 . Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.61 no.2A São Paulo June 2003 ; 03. Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.61 no.4 São Paulo Dec. 2003. 78 HISTOPLASMOSE COM ACOMETIMENTO LARÍNGEO Salete Maurícia Mariosa Rodrigues, Jefferson Dall’orto Muniz, Denise Moreira Pereira Costa*, Rubens Ribeiro da Costa Júnior, Denise de Toledo e Cardoso, Moisés Franklin Alves. Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio – UNIVAS – MG R: Luis Junqueira de Carvalho, 230 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG. Introdução - A histoplasmose clássica é uma infecção micótica causada pelo fungo dimórfico Histoplasma capsulatum. O contágio ocorre por inalação dos esporos. Cerca de 95% apresentam forma inaparente, sendo que o tamanho do inóculo e o estado de imunidade são fatores determinantes para o aparecimento da doença1,2. Relato do Caso – Paciente do gênero masculino, 45 anos, trabalhador rural, natural e residente no município de Conceição dos Ouros – MG. Tabagista e etilista há 20 anos e sem história patológica prévia. Há 4 meses iniciou rouquidão e tosse oligoprodutiva, evoluindo com disfonia, dor torácica e perda ponderal não mensurada. Não apresentava febre. Realizado BK com resultado negativo. A fibrolaringoscopia evidenciou edema epiglote e lesão vegetante em prega ariepiglótica e prega vocal direita. Realizado biópsia das lesões com achado de histoplasmose. Sorologia negativa para histoplasmose. Propedêutica negativa para doença imunológica. RX tórax com infiltrado nodular difuso. Indicado tratamento com Itraconazol com melhora discreta da disfonia e regressão dos outros sintomas. Discussão Recentemente, as doenças granulomatosas, causadas por agentes infecciosos, vêm ocorrendo com uma freqüência maior que anteriormente descritas. Tal ocorrência pode ser explicada pelo aumento no número de pacientes com doenças imunológicas, ou submetidos a tratamentos com drogas imunossupressoras e ao crescente número de pacientes na extrema idade, com imunodepressão. A importância do diagnóstico diferencial é marcante, e deve ser feito para carcinoma, granuloma de linha média, murcomicose, linfoma, sífilis, tuberculose e outras doenças granulomatosas da cabeça e pescoço. A maioria dos quadros são auto-limitados, porém os casos disseminados (com acometimento extra-pulmonar ou nodular) devem ser tratados. Utiliza-se Anfotericina B para os casos mais graves e Cetoconazol ou Itraconazol para os casos leve a moderado. Referências – 01. Lessa HA; Lessa MM; Voegels RL. Doenças Granulomatosas em Otorrinolaringologia In: Costa SS. Otorrinolaringologia: Princípios e Prática. 2ª ed. Artimed; 2006. p 1051-1061; 02. Rossini TF; Goulart LS. Hitoplasmose Clássica: Revisão. RBAC, vol. 38(4): 275-279, 2006. 79 COMPLICAÇÕES RECORRENTES DE RINOSSINUSITE COMO MANIFESTAÇÃO PRIMÁRIA DE DOENÇA SISTÊMICA Salete Maurícia Mariosa Rodrigues, Maruska D´Aparecida Santos, Denise Moreira Pereira Costa, Denise de Toledo e Cardoso, Moisés Franklin*, Rubens Ribeiro da Costa Júnior Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução– A rinossinusite é uma doença potencialmente grave, que apresenta sérias complicações, essas mais freqüentes em crianças que nos adultos, sendo as complicações orbitárias as mais comuns. A expansão da doença paranasal à órbita através da contigüidade ou sistema venoso avascular produzirá sinais e sintomas que deverão ser devidamente analisados1,2. Relato do Caso- Paciente do gênero masculino, 36 anos, peruano, residente em Pouso Alegre, vendedor ambulante. Atendido no Pronto Socorro com edema difuso do conteúdo orbital E, proptose axial, quemose, dor, edema e hiperemia de pálpebra E. Negava febre e rinorréia, relatava apenas sinusite de repetição não documentada. Tomografia computadorizada com velamento de células etmoidais. Apresentou significativa melhora clínica nas primeiras 24 horas de antibiótico, não sendo necessária intervenção cirúrgica. Um mês após retornou com edema importante em região maxilar E, dor local e ausência de sinais flogísticos; molares superiores E em precárias condições. Sorologia para Toxoplasmose, CMV, hepatite B, VDRL, anti-HIV negativas. Apresentou pronta resposta a antibiótico terapia instituída. Retornou 20 dias após, com clínica de celulite orbitária difusa; porém, agora, em órbita D. Associada à anemia normocítica, refratária, leucopenia e com plaquetometria limítrofe; emagrecimento e queda do estado geral. Foco infeccioso controlado com antibiótico terapia, porém com a suspensão da mesma, retorno de processo infeccioso em novos sítios. Sem alterações em sorologias; biópsia de medula óssea com hipercelularidade mielóide e eritróide, solicitado imunohistoquímica. Hoje se encontra internado, após período de alta, por pneumonia comunitária, com linfonodomegalia submandibular e cervical à USG cervical, aguardando resultado de imunohistoquímica. Discussão- Em vigência de complicações de rinossinusite é necessário tratamento agressivo com antibiótico terapia endovenosa de largo espectro, visando sempre os agentes mais comuns. A intervenção cirúrgica está indicada na ausência de melhora clínica em 24-48Hs de antibiótico terapia ou evolução com deterioração visual. As complicações de rinossinusite, especialmente em sua recorrência, devem ser sempre valorizadas e investigas.Referências– 01Costa, SS; Cruz,OLM; Oliveira, JAA. Complicações das rinossinusites. Otorrinolaringologia, princípios e práticas; 2ed, p.673-679, 2006. 02 ABORLCCF. Diretrizes Brasileiras de Rinossinusite. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. Vol.74(2), 2008 80 MACULOPATIA AVANÇADA CAUSADA PELA CLOROQUINA: RELATO DE CASO José Arnaldo Tiburzio Rezende, Nívea Godinho Alves, Rafael Rosa Souza* Serviço de Oftalmologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio - UNIVÁS R. Luiz Junqueira de Carvalho 338 - Medicina - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A cloroquina é uma droga que tem sido utilizada no tratamento de várias doenças, entre elas, a malária e doenças reumatológicas como artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico. Entre os seus efeitos adversos estão a retinopatia e os depósitos corneanos. As alterações retinianas são potencialmente graves, já a ceratopatia, mais comum, é inócua. A droga é excretada lentamente e concentra-se nas estruturas oculares que contêm melanina, como o epitélio pigmentar da retina e coróide. Relato do caso - O presente trabalho relata o caso de paciente do gênero feminino, 54 anos, portadora de artrite reumatóide há 25 anos e diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico há 1 ano e meio. Paciente relatou que há cerca de 15 anos, em período de uso ininterrupto de cloroquina, iniciou com turvação visual e baixa progressiva da acuidade visual em ambos os olhos, sendo então suspensa a medicação. Em 17/04/2008 foi aferida a acuidade visual de ambos os olhos em tabela de Snellen, teste de visão de cores, biomicroscopia do segmento anterior e posterior do olho, exame de refração, oftalmoscopia, retinografia e campimetria computadorizada. Apresentou acuidade visual de 20/400 em ambos os olhos, mácula com lesão hipopigmentada, mal delimitada com aspecto de “tacho batido” - atrofia do epitélio pigmentar da retina - observada à oftalmoscopia e documentada pela retinografia. Discussão - Trata-se de um caso típico de maculopatia com aspecto de olho de boi (“bull eye”) em estágio avançado em ambos os olhos decorrente do uso de cloroquina. A retinopatia pela cloroquina é irreversível e freqüentemente progressiva, mesmo após a suspensão da droga, estando relacionada com a dosagem cumulativa e à duração do tratamento. A dose diária da droga não deve ultrapassar 4mg/kg/dia e é necessária a monitorização das funções hepática e renal. Recomenda-se exame oftalmológico de rotina antes do início do tratamento e a cada 6 meses, uma vez que a retinopatia pode ser detectada precocemente. Referências - 1) Kanski JJ. Distúrbios maculares adquiridos.In Kanski JJ. Oftalmologia clínica. 4 ed. Rio de Janeiro: Rio Med Livros; 2004. P.437-9. 2) Inada ET, Watanabe KP, Tanaka SP, Sakakisbara LA. Toxicidade ocular causada pela cloroquina: relato de caso. Arq.Bras.Oftalmol.2005 ;68(3):407-9. 81 TUBERCULOSE LARÍNGEA Salete Maurícia Mariosa Rodrigues, Maruska D’Aparecida Santos, Denise Moreira Pereira Costa, Rubens Ribeiro da Costa Júnior*, Denise de Toledo e Cardoso, Moisés Franklin Alves. Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio – UNIVAS – MG R: Luis Junqueira de Carvalho, 230 – Medicina- 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução – A incidência de tuberculose vem diminuindo progressivamente, graças ao advento da BCG e ao tratamento específico. Porém é ainda uma doença muito freqüente nos países subdesenvolvidos e, voltou a recrudescer em suas formas graves em pacientes HIV positivos. A tuberculose laríngea desenvolve-se, via de regra, a partir da tuberculose pulmonar bacilífera por inoculação direta na laringe através da secreção rica em bacilos originária dos pulmões. Acredita-se que a contaminação laríngea ocorra tanto por via linfohematogênica como pulmonar1,2. Relato do Caso – Paciente do gênero masculino, 30 anos, casado, pedreiro, natural e residente em Pouso Alegre – MG. Há 6 meses iniciou quadro de odinofagia, sem outros sintomas. Fez uso de Sulfametoxazol + Trimetoprim por 40 dias sem melhora. Apresentava lesão esbranquiçada, friável na base do pilar amigdaliano anterior esquerdo. A biópsia da lesão resultou em Processo Inflamatório Inespecífico. Evoluiu com piora da odinofagia, tosse produtiva mucóide, disfonia, disfagia e perda ponderal. A Fibrolaringoscopia evidenciou úlcera epiglótica, hiperemia e lesão esbranquiçada em prega ariepiglótica. O RX de tórax náo apresentava alteração. Realizada biópsia de Laringe, com resultado de processo granulomatoso inespecífico e PAAF negativo em linfonodo cervical. Sorologia para HIV, Sífilis, Toxoplasmose, Hepatites Virais, com resultados negativos. BAAR positivo e RX com infiltrado nodular difuso. Iniciou tratamento com o esquema tríplice, com melhora do quadro clínico. Discussão - A granulomatose laríngea é mais freqüente em adultos do sexo masculino. A laringe é sítio freqüente da manifestação otorrinolaringológica inicial destas granulomatoses, sendo a disfonia o sintoma mais referido. Deve-se pensar em tuberculose faringo-laríngea, sempre que o paciente apresentar-se com quadro de disfonia, disfagia intensa e emagrecimento. Referências – 01. Lessa HA; Lessa MM; Voegels RL. Doenças Granulomatosas em Otorrinolaringologia In: Costa SS. Otorrinolaringologia: Princípios e Prática. 2ª ed. Artimed; 2006. p 1051-1061; 02. Silva L; Costa HO; Duprat AC; Bairão F; Nina MD. Granulomatose laríngea. Avaliação de métodos diagnósticos e terapêuticos em 24 casos In: Acta ORL, vol. 25(1): 188, 2007. 82 PEELING DE 5-FLUOROURACIL NO TRATAMENTO DA QUERATOSE ACTÍNICA Renata Leme Maia*, Renata Alvarenga Nunes, Ana Cristina Trench Vieira Hospital das Clínias Samuel Libânio – UNIVÁS Rua:Comendador José Garcia, 758/22 – Centro – 37550-000 – Pouso Alegre – MG Introdução – A queratose actínica é lesão pré-neoplásica induzida por exposição crônica à radiação solar. Acomete, sobretudo indivíduos claros a partir da sexta década de vida. Caracteriza-se clinicamente pela presença de máculas eritêmato-queratósicas localizadas em áreas fotoexpostas, principalmente na face e MMSS. Pode cursar com transformação para carcinoma espinocelular. Dentre as opções terapêuticas, o peeling de 5-Fluoracil se destaca como excelente opção no tratamento de múltiplas lesões actínicas, promovendo cerca 98% no clareamento das lesões com menor incidência de efeitos colaterais. Relato do Caso – Paciente do gênero feminino, 80 anos, procurou o ambulatório de dermatologia do Hospital das Clinicas Samuel Libânio em maio do ano de 2008, apresentando múltiplas placas eritêmato – acastanhadas queratósicas em toda a face. Histórico de exposição solar crônica e exérese de carcinoma basocelular na região malar direita há 1 ano. Realizadas 4 sessões quinzenais de peeling de 5FU para o tratamento das queratoses actínicas, havendo diminuição do número de lesões e melhora do aspecto geral da pele ao final do tratamento. Discussão – O 5-FU é uma pirimidina fluorada do grupo dos antimetabólicos, com propriedades citostáticas benéficas no tratamento de afecções cutâneas pré-neoplásicas e neoplásicas. Eritema, ardência, vesiculação e exulceração são freqüentes com uso tópico em creme. A aplicação por meio de peelings seriados permite alcançar áreas extensas com mímina irritação, além tratar lesões incipientes, não visíveis clinicamente. Referências – 1. Pearlman DL. Weekly pulse dosing: effective and comfortable topical 5-fluorouracil treatment of multiple facial actinic keratoses. J Am Acad Dermatol. 1991;25(4):665-7. 2. Jury CS, Ramraka-Jones VS, Gudi V, Herd RM. A randomized trial of topical 5% 5-fluorouracil in the treatment of actinic keratoses comparing daily with weekly treatment. Br J Dermatol. 2005 Oct;153(4):808-10. 3. Menter A, Vamvakias G, Jorizzo J. One-week treatment with once-daily fluorouracil cream 0.5% in participants with actinic keratoses. Cutis. 2008 Jun;81(6):509-16. 83 PARACOCCIDIOIDOMICOSE CEREBELAR: RELATO DE CASO. Breno César Diniz Pontes; Rogério Mendes Grande; Aline Fonseca Leite Praça; Carmilon Rezende Neto; Julio Cesar Lemes Macedo. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre - MG Introdução - A paracoccidioidomicose (PCM) é uma infecção fúngica crônica, de caráter granulomatoso e progressão insidiosa, mais freqüente na América do Sul. O acometimento do Sistema Nervoso Central (SNC) é grave com alta taxa de mortalidade. Sua freqüência pode variar entre 9,9% a 27,3% dos casos, sendo incomum ser este o único órgão acometido. O objetivo do presente estudo é relatar um caso de PCM cerebelar em paciente do sexo masculino com 55 anos de idade. Relato do Caso – Paciente do gênero masculino, 55 anos, leucoderma, procedente de Cambuí – MG, morador de área rural, lavrador. Paciente com história de cefaléia, turvação visual e instabilidade postural há um ano. Evoluiu com nucalgia, tonturas e confusão mental associado a emagrecimento. Ao exame físico: bom estado geral, orientado e comunicativo. Oroscopia normal. Aparelho respiratório sem alterações. Escala de Coma de Glasgow – 15, pupilas isofotorreativas, sem déficit motor. Romberg lateralizado à esquerda e Papiledema bilateral. A tomografia computadorizada(TC) e ressonância nuclear magnética(RNM) de crânio evidenciaram lesão heterogênea em fossa posterior. Foi submetido a craniectomia occipital com biópsia e exérese de lesão tumoral abscessada. A biópsia por congelação mostrou processo inflamatório crônico granulomatoso e presença de leveduras em gemulação múltipla com diagnóstico de PCM cerebelar. O tratamento foi complementado com anfotericina B e sulfametoxazol – trimetoprim. O paciente evoluiu bem, com alta hospitalar e acompanhamento ambulatorial. Discussão O acometimento neurológico pela PCM deve ser incluído no diagnóstico diferencial das meningoencefalites e tumores do SNC, especialmente nos pacientes provenientes de áreas endêmicas e com evidências clínicas de infecção. Referências – 01. Azulay R.D.; Azulay D.R. Dermatologia, terceira edição, editora Guanabara Koogan, capítulo 23: 294 – 298, Gavazzoni M. F. R.; Azulay D.R.; Azulay R.D.; 2004. 02. Marques S. A. Paracoccidioidomicose: Atualização Epidemiológica, Clínica e Terapêutica. Anais Brasileiros de Dermatologia, 78 (2): 135-148, 2003. 84 CO-INFECÇÃO POR EPSTEIN BARR E TOXOPLASMA GONDII – RASTREAMENTO EM LINFADENOPATIAS – RELATO DE CASO Clayton Aparecido de Paula, Diogo Melgaço Faria, Fábio Takeo Silva, Isabela Nogueira Torregrossa*, Rafael Ramalho Silva, Manoel Francisco Paiva Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - As doenças infecto-contagiosas ocupam significativa parcela das atividades médicas, devido a sua alta incidência e importante morbimortalidade. Nesse contexto a família do Herpes vírus é responsável por inúmeras entidades clínicas. Dentre elas, a Mononucleose Infecciosa apresenta incidência de cerca de 90% da população adulta. Outra patologia infecciosa é a Toxoplasmose, zoonose adquirida ou congênita com grande impacto socioeconômico e distribuição mundial. Incide severamente nos imunodeprimidos e pode ocasionar alterações fetais na forma congênita. Assim é de interesse da saúde publica instituir condutas e protocolos para essas infecções. Relato do Caso – Paciente do gênero masculino, 17 anos, leucoderma, natural e residente de Pouso Alegre, instalador de som automotivo. Em 05/03/07 o paciente procurou atendimento na U.B. S queixando-se de poliadenomegalia há aproximadamente 10 dias. Ao exame físico; apresentava adenomegalia cervical, submandibular, retroauricular, suboccipital, axilar, inguinal, B.E.G, normocorado, acianótico , anictérico , RCR 2T, MVF s/ ruídos adventícios , ausência de edema, abdome flácido, palpação dolorosa em hipocôndrio direito, oroscopia normal. CD: Provas inespecíficas e hemograma. Em 27/03/07 retornou ao serviço com o resultado (IgM e IgG reativos para ambas doenças).B.E.G,normocorado ,acianótico, anictérico , poliadenomegalia cervical,submandibular, retroauricular, suboccipital,axilar e inguinal.CD:Esquema terapêutico de sulfadiazina, pirimetamina e Ácido fólico. Em 06/12/07 ausência de linfoadenomegalia, IgM não reativo e IgG reativo para Epstein Barr vírus. CD: sorologia para toxoplasmose (IgG e IgM). Em 14/02/08 houve reativação da toxoplasmose reiniciando o mesmo protocolo. Discussão- Visto a colocação desse quadro clínico de co-infecção e da possibilidade de outras co-infecções, percebese a importância desse capítulo pouco estudado. Sendo assim, torna-se necessário detalhamento protocolado das adenomegalias. Referências – 01. VERONESI, R. e FOCACCIA, R. Tratado de Infectologia, Editora Atheneu, 1996. 85 BLASTOMICOSE SUL-AMERICANA NASAL PRECEDENDO O QUADRO PULMONAR TÍPICO Amanda Rocha Firmino Pereira *, Leandro Furtado de Simoni, Gabriela Nicoletti Dall’Ara, Manoel Francisco de Paiva Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Isidoro Silva Cobra, 171 - Bom Jesus - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução - A Blastomicose Sul-Americana causa infecção silenciosa em maior parte da população do Brasil. Uma minoria dos infectados desenvolve a blastomicose-doença. Relato do Caso – Paciente do gênero masculino, 64 anos, natural e residente em Pouso Alegre – MG, lavrador. Paciente atendido no serviço de Otorrinolaringologia em 16/01/2008 relata aumento de volume e escurecimento nasal associados a gotejamento de secreção, há 3 anos. Há 8 meses vem apresentando lesões ulceradas em pirâmide nasal esquerda, região malar e paralisa facial periférica. Ao exame físico, observou-se aumento do volume nasal com coloração arroxeada, lesões ulceradas e crostosas. Foi conduzido a biópsia e no dia 22/02 retornou com resultados diagnosticando blastomicose sul-americana. Iniciou tratamento com Sulfametoxazol + Trimetoprim por 6 meses e na reavaliação em 14/03 foi encaminhado ao ambulatório de Infectologia, onde encontrou-se estertores crepitantes em base de hemitórax direito e realizado raio X de tórax que detectou massa em base pulmonar direita. No dia 14/05, paciente em tratamento há 4 meses relatava queimação bucal com irradiação para a região superior da face, acompanhada de dispnéia e chieira torácica A medicação foi alterada para Itraconazol e em 28/05 retornou com melhora do quadro clínico. Discussão - A Blastomicose é uma micose sistêmica, causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. A via de penetração mais comum no organismo humano é a pulmonar podendo ocorrer pelas mucosas e, raramente, direta na pele e em outros órgãos. A forma crônica representa a maioria dos casos. Predomina em indivíduos do sexo masculino acima dos 30 anos, trabalhador rural. As manifestações são respiratórias e tosse produtiva. Estão associados sinais e sintomas extrapulmonares, como lesões mucocutâneas, disfagia, rouquidão, emagrecimento e síndrome de Addison. O tratamento consiste na administração de Itraconazol, Sulfametoxazol + Trimetropim, Cetoconazol ou Anfotericina B. A prognose da blastomicose é variável. Nas formas localizadas a resposta terapêutica é boa. Já nas formas disseminadas, ocorre resposta ao tratamento, mas as recidivas são freqüentes. As sulfas ainda são amplamente empregadas e, juntamente com a Anfotericina B e derivados azólicos, constituem o arsenal terapêutico atualmente empregado. Referências – 01. Ministério da Saúde; Doenças Infecciosas e Parasitárias 4 th ed; 2004, Cap 53 p 246-248 02. Sampaio SAP; Dermatologia Básica 2 th ed; Artes Médicas; 2000 Cap 43 p 535-544 03. Veronesi; Tratado de Infectologia 3th ed, Atheneu; 2005. Cap 84 p 1373-1404. 86 COMPLICAÇÕES DE TUBERCULOSE PLEURAL-RELATO DE CASO *Lawrence Andrade Rodrigues Gomes, João Paulo Reis de Lima, Leandro Cotrim, Kelly Luisa Cintra, Karen Borges Nascimento, Claudinei Leôncio Beraldo. Trabalho realizado pelo serviço de Pneumologia do Hospital das Clínicas Samuel Libânio. Rua Comendador José Garcia, 777 Centro - Pouso Alegre/-MG Introdução - A tuberculose (TB) é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo1. É uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, caracterizada pela formação de granulomas nos tecidos infectados e por hipersensibilidade mediada por células2. Pode resultar em doença extratorácica, bem como em doença pulmonar ou pleural3. Relato do Caso - Paciente do sexo masculino, 46 anos, deu entrada no Hospital das Clínicas Samuel Libânio no dia 13/03/2008 com quadro hemoptóico de início há 2 meses e histórias de pneumonia de repetição. Apresentando seqüela de TB pleural em lobo inferior do pulmão esquerdo (PE). TB tratada há 9 anos, nega etilismo e tabagismo. Aparelho respiratório: MVF com sibilos difusos e crepitações em base de PE. Hipótese diagnóstica (HD): Seqüela de TB pulmonar. Conduta (CD): exames laboratoriais, RX de tórax e ECG. No dia 14/03/2008 constatou-se destruição de pulmão esquerdo (pós TB) com hemoptise de difícil controle, aguardando tratamento cirúrgico. No dia 15/03/2008 foi submetido à toracotomia exploradora (TE) mais esplenectomia, sendo feita exclusão do PE. Admitido na UTI sobre efeito anestésico e ventilação espontânea. Evoluiu sem intercorrências. Recebeu alta da UTI no dia 18/03/2008. Evoluiu com Empiema encarcerado com fístula bronco-alveolar sendo realizado TE mais marsupialização. Encontra-se em bom estado geral aguardando o fechamento da cavidade por 2ª intenção. Discussão – A realização da lobectomia pode ocasionar vários riscos, havendo a necessidade de uma conduta adequada com o objetivo de evitar o surgimento de complicações como as causadas por agentes oportunistas entre outras. As complicações pós-operatórias possuem impacto significativo no resultado e sobrevida destes pacientes. Referências – 1.Maria L.C , Zulmira M.C, Ana Maria N.F.S, Karla S.T; RBM. Como diagnosticar e tratar Tuberculose. 2000. V. 57. N 06. 2. Blancard S.T , Rita C.S.C.; RBM. Por que está tão difícil controlar a tuberculose?. 2004. V. 61. N 05. 3. CECIL Tratado de Medicina Interna, 2001. 21ª ed. V 02;1922-1931. 87 SÍNDROME DE LOEEFFLER Juliana Souza Azevedo, *Laura Fripp Cordeiro, Eugenio Fernandes de Magalhães,Claudinei Leôncio Beraldo,Luis Henrique Sales Oliveira,Jose Benedito Morato Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução -. A Síndrome de Loeffler é uma inflamação autolimitante dos pulmões, associada à infiltração de eosinófilos (glóbulo branco que aumenta em número em resposta a processos alérgicos ou inflamatórios) nos pulmões e no sangue. A incidência dessa doença é de 6 em cada 100.000 pessoas. As causas podem ser: exposição a drogas, infestação parasitária (principalmente ascarídiase em crianças), exposição ao níquel, transfusão de sangue recente ou linfangiograma. Os infiltrados pulmonares apresentam grande quantidade de eosinófilos. Relato do Caso – Paciente do gênero feminino, 39 anos, branca, natural e residente em São Paulo, enfermeira, católica. Refere há 3 semanas episódios diários de tosse seca, diuturna, sem outros sintomas associados. Nega fatores de piora ou melhora. Há duas semanas passou a apresentar leve dor articular em punhos e tornozelos, sem flogismo. Negava febre. Procurou atendimento médico em função de exame pré-admissional. Em uso de Yasmin(ACO).Ao exame fisico apresentava-se em bom estado geral, eupnéica, corada, hidratada. Propedêutica pulmonar: ausculta com sibilos discretos em ápice esquerdo. Abdômen: exame normal. Realizado os seguintes exames: Hemograma - Hb:12,8; Hto: 37,8; LT: 7.800; Neutrófilos: 61,0%; Eosinófilos: 16,0%; Linfócitos-14,1%;Monócitos: 6,8%; VHS: 75mm. PCR-73 mg/L. Plaquetas: 413.000. Protoparasitológico de fezes: normal. Radiografia (Figura 1) e Tomografia de tórax (Figura) 2 demonstram lesão radiopaca em ápice pulmonar esquerdo. De acordo com quadro clinico, radiológico e laboratorial foi sugerido o diagnostico de Sindrome de Loeffler. Paciente recebeu como tratamento a associação de mebendazol com tiabendazol por 5 dias com melhora dos sintomas.Discussão -. O objetivo desse trabalho foi de alertar para o diagnostico da sindrome de Loeffler. Essa patologia faz parte do diagnostico diferencial de outras doenças pulmonares. A tosse seca é uma queixa muito frequente nos pronto-atendimentos.Referências – 1.J. bras. pneumol. v.31 supl.1 São Paulo jul. 2005. 2. Weller, PF. Parasitic pneumonias. In: Respiratory infections: Diagnosis and management, 3rd ed, Pennington, JE (Ed), Raven Press, New York, 1994, p. 695. 88 SÍNDROME DE PRADER- LABHART- WILLI: RELATO DE CASO Abigail de Freitas Dantas; Carmilon Rezende Neto; Carolina Vales Beraldo; Christian Alessandro Nery Freitas; Clara Paschoalini Guyot; Maurício Miguel Gadben Serviço de Psiquiatria do HCSL - UINVÁS - Pouso Alegre- MG R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução: A síndrome de Prader-Labhart-Willi é caracterizada por oligofrenia, baixa estatura, obesidade progressiva, acompanhada de polifagia, e hipogonadismo, com hipoplasia de escroto e criptorquidia ou lábios pequenos ausentes e grandes lábios subdesenvolvidos no sexo feminino, precedidas por acentuada hipotonia muscular durante o primeiro ano de vida. É uma síndrome genética e em 50% dos casos é acompanhada de outras anomalias devidas à deleção do segmento q11-13 do cromossomo 15. A origem do cromossomo defeituoso nessa síndrome é paterna, enquando que se a origem fosse materna caracterizaria-se a síndrome de Angelman. Relato do caso: Paciente do gênero masculino, 20 anos, encaminhado devido a atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e criptorquidia. Nascido de parto cesárea, apresentou choro demorado e cianose generalizada, com relato de movimentação intra-útero diminuída. Apresentou desenvolvimento neuropsicomotor atrasado, com deambulação aos 2 anos e 8 meses e controle esfincteriano aos 4 anos. Antecedentes familiares: o paciente é o segundo filho de uma prole de 2, com 2 abortos prévios e um irmão de 15 anos que apresentou desenvolvimento neuromotor normal até os 18 meses de idade, iniciando quadro comportamental sugestivo de autismo. Mãe hipertireoidéia e 2 tios paternos com epilepsia. Ao exame apresentava BEG, 86kg (acima do percentil 97), estatura de 152cm (abaixo do percentil 3), orelhas discretamente inclinada, pregas epicânticas, fendas palpebrais oblíquas para cima, lipomastia, mãos e pés pequenos, braquidactilia com hipoplasia das falanges distais, genu valgo, limitação à prono-supinação e microorquidia, com testículos palpáveis no 1/3 inferior do canal inguinal. Resultados de exames : colesterol total 257 mg/dl , HDL 37mg/dl , LDL 157 mg/dl , VLDL 45mg/dl , triglicérides 223 mg/dl , idade óssea de 14 anos e 7 meses; dosagens séricas de FSH, LH, estrógenos, testosterona total e livre normais, RX simples de crânio nornal, teste de tolerância oral à glicose normal, teste de triagem ampliada para erros inatos do metabolismo normal; cariótipo em linfócitos do sangue periférico com bandamento G: 46XY (normal para o sexo masculino). Enviada amostra de DNA para análise molecular na FMUSP, sendo confirmada a hipótese diagnóstica de Síndrome de Prader- Willi. Discussão: A síndrome de Prader-Willi é uma síndrome genética, de incidência de 1: 10.000 habitantes, apresentando expectativa devida diminuída. Não há cura para essa síndrome, e o tratamento deve ser composto por acompanhamento psicopedagógico em escola especial e seguimento endocrinológico periódico. Referências: 01. Wiedemann, M.R.; Atlas de síndromes clínicas dismórficas. SP, Oranole, 1992. 02. Greenswag, L. R. : Adults with Prader Willi Syndrome. Survey of 232 cases. Develop. Med. Child Neurol. 29, 145-152 (1987). 89 ABORDAGEM DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA DO LIPOBLASTOMA EM LACTENTES. Félix Carlos Ocariz Bazzano, Henrique Kallás Andrade Kirchner Mattar*, Renan Zago de Paula, Roberto Bernardes Filho, Rogério Mendes Grande. Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução: O lipoblastoma é uma neoplasia benigna rara do tecido adiposo embrionário. Ocorre principalmente em lactentes e crianças jovens, manifestando-se como uma massa de crescimento rápido e que geralmente acomete as extremidades (70%). Outros locais de ocorrência são retroperitônio, mesentério, mediastino, escroto, cabeça e pescoço. É um tumor subcutâneo mole e solitário. Relato do caso: Paciente do sexo feminino, 1 ano de idade, procedente de Turvolândia – Minas Gerais, cujo os pais procuraram o serviço do Hospital das Clínicas Samuel Libânio em abril de 2008 relatando que há 4 meses a filha apresenta “caroço” na coxa esquerda de evolução progressiva. Ao exame físico evidenciou-se tumoração na raiz da coxa esquerda, do tamanho de um “ovo”, irregular, noduloso, indolor, próximo a região glútea. Foi realizado ultra-som da região perineal esquerda que apresentou imagem hipoecóica, heterogênea, de limites mal delimitados, não apresenta fluxo doppler, medindo 3,2x1,1x2,8cm aproximadamente. A paciente foi submetida a cirurgia na qual foi feito exérese da lesão, sem intercorrências. Ao anatomopatológico: macroscopicamente – estrutura nodular de tonalidade parda amarelada, lobulada,elástica, medindo 5,0x4,0x3,0cm. Microscopicamente – células adiposas, com áreas onde há células fusiformes com discreto pleomorfismo nuclear, raras figuras de mitose em meio a estroma mixóide. Foi realizado imuno-histoquímica na qual confirmou o diagnóstico de Lipoblastoma/Lipoblastomatose. Discussão: Lipoblastoma apresenta-se quase que exclusivamente no período neonatal e infância, sendo que a maioria se manifesta antes dos 3 anos de idade1. Compõe – se de células poliédricas, arredondadas ou ovais, com citoplasma abundante, contendo grânulos e pequenos vacúolos, membrana celular nítida e núcleo central. As células se assemelham às da gordura parda do tecido adiposo primário e do tecido de hibernação2. Embora recorrências possam ocorrer (9-22%), transformação maligna ou metástase não ocorrem. Aconselha-se, contudo, ressecção cirúrgica total e ampla da lesão3. Referências: 1- FRANSDORF, M.J. Benign softtissue tumors in a large referral population: distribution of specific diagnoses by age, sex and location. AJR 1995; 164:395-402. 2- BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo Patologia. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 3FLETCHER, C.D.M. UNNI, K.K. MERTENS, F. (Eds.): World Health Organization Classification of Tumours. Pathology and Genectis of Tumours of Soft Tissue and Bone. IARC Press: Lyon 2002. 90 ARTERITE DE TAKAYASU: RELATO DE CASO Anna Luiza Pires Vieira, Júlia Melloni Nogueira, Karina Junqueira Dias, Rafael Felipe Gallo*, Talita Fernanda Miranda Peixe, Tatienne Pisani Baudon Centro Médico de Campinas R: Giusepp Maximo Scolfaro, 371 – Cidade Universitária- 13083-100 - Campinas – SP Introdução: A arterite de Takayasu (AT) é uma vasculite crônica de etiologia desconhecida, que acomete principalmente a aorta e seus ramos principais. É mais freqüente na terceira década de vida e no sexo feminino. Cursa com espessamento da parede dos vasos afetados, e posteriormente uma estenose, oclusão ou dilatação das porções arteriais, ocasionando a sintomatologia da doença. Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem se manifestar apenas por fadiga, mal estar, artralgia, astenia, emagrecimento e febre. As manifestações do acometimento vascular tardias são: hipertensão arterial sistêmica (HAS) que se desenvolve em mais de 50% dos pacientes, redução no pulso de uma ou mais artérias, diferença de níveis pressóricos nos membros superiores, sopros vascular, além de claudicação de membros e isquemia periférica. Os achados laboratoriais podem revelar atividade inflamatória da doença, com elevação da velocidade de hemossedimentação e da proteína C reativa. A anemia normocítica e normocrônica e hipoalbuminemia revelam o caráter crônico da patologia. Relato do Caso: Paciente do sexo feminino, 16 anos, branca, natural e residente em Campinas, compareceu ao ambulatório, com queixa de lombalgia, fadiga, febre, constante cefaléia, dor abdominal e emagrecimento de 30 Kg em 1 ano. Ao exame: REG, febril, hipocorada (++\4), taquicárdica, PA: 140 X 100 mmHg, nódulo palpável em tireóide, pulsos carotídeos diminuídos. Os exames laboratoriais: anemia, VHS aumentado, TSH e T4 livre normais, na arteriografia foi evidenciado espessamento com diminuição do fluxo das artérias carótidas. A corticoterapia foi o tratamento de escolha para supressão dos sintomas sistêmicos retardando a progressão da arterite e a colocação de stent nas carótidas para manutenção do fluxo sanguíneo. Discussão: A importância para esse estudo reside no fato de que a AT é uma patologia rara, grave, e de difícil diagnóstico devido à sintomatologia inespecífica. Dentre os sintomas mais comumente encontrados destacam-se astenia, cefaléia, artralgia, perda de peso e febre nas fases iniciais da doença. Ao exame físico, as manifestações mais encontradas são: assimetria de pulso, sopro vascular e HA. O quadro clínico e as alterações angiográficas constituem as bases diagnósticas da maioria dos casos. A taxa de sobrevida é variável, dependente do grau de acometimento arterial e atividade inflamatória da doença. Referências: 01. Neto,M. L., Arterite de Takayasu. Rev. bras. reumatol;38(1):9-14, jan.-fev. 1998 91 Relato de caso em família com coqueluche Alice Junqueira Pereira, Aline Guimarães Vita, Anna Luiza Pires Vieira , Claudinei Leôncio Beraldo , Eugênio Fernandes de Magalhães Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução – A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis , acometendo geralmente crianças com menos de um ano.Tem com principal característica a tosse forte e prolongada.A prevenção é feita com vacina;essa protege por cerca de 10 anos, após este período a imunidade cai, deixando adolescentes e adultos suscetíveis. Relato do Caso – O presente trabalho relata a história da paciente de 3 anos , natural e residente em Pouso Alegre-MG. Mãe refere há 20 dias que a filha apresenta quadro de tosse seca , paroxística, seguida estridor inspiratório. Tem predomínio noturno e ao despertar. Às vezes apresenta vômitos após esses episódios de tosse e também anorexia e coriza hialina. Negava febre. O exame físico se apresentava normal. Os pais apresentaram também episódios de tosse produtiva há 30 dias. Feito radiografia de tórax que se mostrou sem alterações. Na análise laboratorial o hemograma apresentou uma leucocitose de 17.000 /mm3 e linfocitose 70/mm3. Cultura de orofaringe: normal. De acordo com o quadro clínico e laboratorial foi sugerida como hipótese diagnostica de coqueluche em toda família. Paciente recebeu azitromicina apresentando melhora clínica já após 3 dias do inicio do tratamento. Discussão – Atualmente a incidência de coqueluche na maioria dos países desenvolvidos apresenta crescimento entre adolescentes e adultos. No Brasil não existem ainda estudos que comprovem esta reemergência.Nos países onde notou-se a reemergência, uma crescente atividade da doença é observada em adultos, sendo a maioria dos casos oligossintomáticos.Apenas com a conscientização dos profissionais da saúde sobre a possível ocorrência da coqueluche em adultos, poder-se-ia esperar a identificação desses casos.Referências – 01. www.guiadasemana.com.br/noticias em 20/07/08; 02.Jornal de pediatria 2006; vol.82 n03. em 08/08/08 92 SÍNDROME DE NOONAN EM 3 PACIENTES DE UMA MESMA FAMÍLIA: RELATO DE CASO Nathalia Cunha Calixto, Natalia Cardoso Carmona*, Renata de Almeida Furtado, Caroline Alamino Ancona, Gabrielle Sormanti Schnaider Rezek FCM - UNIVÁS / Hospital das Clínicas Samuel Libânio / Ambulatório de Endocrinopediatria Av. Francisca Ricardina de Paula, 289 – 37550-000 Pouso Alegre – MG Introdução - A Síndrome de Noonan (SN) é uma doença genética autossômica dominante com incidência estimada de 1:1000 até 1:2500 nascimentos vivos, sendo uma das mais freqüentes síndromes associadas a baixa estatura com defeitos cardíacos. Trabalhos recentes indicam que há transmissão familiar em 30 a 75% dos casos. O diagnóstico é clínico e as principais manifestações sistêmicas são: baixa estatura com velocidade de crescimento normal, malformações ósseas (encurtamento quarto metacarpo), micrognatia com má-oclusão dentária, implantação baixa das orelhas, base nasal larga, pescoço alado, cardiopatias congênitas (malformações à direita), displasia linfática, fendas anti-down, retardo mental, pescoço curto, hepatoesplenomegalia, problemas auditivos, criptorquidismo, coagulograma alterado, associação com neurofibromatose, alterações dermatológicas e oftalmológicas além de anormalidades renais com infecções do trato urinário de repetição. Relato do Caso – O presente trabalho relata a história do paciente de 16 anos, sexo masculino, encaminhado de Careaçú, MG, para avaliação de baixa estatura, acompanhado de sua tia paterna, ao Ambulatório de Endocrinopediatria do HCSL. O mesmo apresenta estatura abaixo do percentil 3 da curva de referência, com velocidade de crescimento normal (curva em anexo), pescoço alado, curto, com baixa implantação de orelhas, micrognatia, palato em ogiva, tórax em escudo com hipertelorismo mamário e presença de nevus disseminados. Antecedente de cirurgia para correção de criptorquidia. Investigado com exames laboratoriais para afastar hipotireoidismo (TSH, T4 livre), deficiência de GH (IGF1, IGFBP3, teste de estímulo com clonidina), acondroplasia (RX ossos longos), outras cromossomopatias (cariótipo 46,XY), doenças renais (urina I, creatinina). Solicitado comparecer com sua mãe para estabelecer estatura alvo. Durante consulta, notado que a mesma apresentava os mesmos sinais clínicos do paciente e de sua irmã de 9 anos, sexo feminino, com sopro (ecocardio: insuficiência pulmonar sem repercussão hemodinâmica), miopia e atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Foi então realizado diagnóstico de Síndrome de Noonan e solicitado demais exames para afastar outras malformações congênitas associadas. Discussão - Atualmente o diagnóstico da SN é clínico-genético; entretanto, pesquisas apontam diversos marcadores da doença através de técnicas de biologia molecular que ajudariam no diagnóstico e no aconselhamento genético dos pacientes portadores. A SN ainda é pouco diagnosticada em nosso meio e necessita de tratamento multidisciplinar, incluindo cardiologia, oftalmologia, pediatria, hematologia e genética. Referências – 01. Cardoso CR. Malformações cardíacas e síndromes genéticas. Arq Bras Cardiol.1983; 41(3):167-70; 02. Disarz AE, Andrade RG, Disarz EMCL. Síndrome de Noonan. Rev Bras Med 1996; 53(1/2):31-4. 93 SÍNDROME DE SAETHRE-CHOTZEN - RELATO DE CASO Joyce Lara Borba Amaral; *Priscila Gabriela dos Reis ; Wayner de Leonardi; Ana Luísa Pires Vieira Clínica Pediátrica Dr. Wayner de Leonardi – Santo André - SP Rua Comendador José Garcia 961/22 – Centro – 37550-000 – Pouso Alegre – MG Introdução – A SSC é um quadro de herança autossômica dominante que faz parte do grupo das acrocefalossindactilias. È caracterizada por anomalias craniais variadas, secundárias a uma craniossinostose, hipertelorismo ocular, ponte nasal baixa ou proeminente, hipodesenvolvimento de face média e anomalias digitais. Outras características incluem implantação baixa dos cabelos na fronte, hipoplasia maxilar, prognatismo mandibular, orelhas pequenas, dismórficas ou com implantação baixa. Anomalias oculares, palato ogival e anomalias dentárias, baixa estatura, anormalidades músculo-esqueléticas, defeitos cardíacos e anomalias renais. Tal quadro pode ocorrer secundariamente a mutações nos genes TWIST, FGFR2 e FGFR . Relato do Caso – CMQ, 10 meses, feminino, natural e procedente de Campinas, encaminhada por anomalias congênitas múltiplas com clínica compatível com SSC e cuja ressonância magnética evidenciou malformação hipocampal com alteração do eixo, sela hipofisária parcialmente vazia e braquicefalia. Discussão -A associação de SSC e anomalias hipocampais não é usual. O hipocampo é uma estrutura do paleocórtex, assim anomalias hipocampais não poderiam ser secundárias a craniossinostose. Esta é a primeira descrição de anomalia hipocampal associada. A prevalência estimada é de 1/25000 – 1/50000 . O lócus da SSC foi mapeado na região cromossômica 7p21-p22 por análise de ligação. Tal quadro pode ocorrer secundariamente a mutações nos genes TWIST, FGFR2 e FGFR3, no entanto a freqüência observada de mutações em tais genes é inferior à esperada, tornando difícil a correlação genótipo-fenótipo, sugerindo a existência de uma via mais complexa na regulação do desenvolvimento craniofacial e de membros. O diagnóstico é basicamente clínico, podendo ser auxiliado por certos exames complementares, como cariótipo, para descartar anomalias cromossômicas e estudos moleculares. Os diagnósticos diferenciais mais importantes são a Sínd. de Apert, a Sínd. de Pfeiffer, outras craniossinostoses, ou quadros de plagiocefalia. Referências– 1) NASCIMENTO, SRDEstudo clínico e sequenciamento direto do gene TWIST em indivíduos com sinais sugestivos de SSC [Tese – Mestrado – FCM – UNICAMP]. Campinas, SP, 2001. 2) JONES, K.L.: Saethre-Chotzen Syndrome. Smith’s recognizable patterns of human malformation. 5 ed, 1997; 412:415. 94 SÍNDROME HEMOLÍTICA-URÊMICA: RELATO DE 2 CASOS Anna Luiza Pires Vieira; Karina Junqueira Dias; Luiz Henrique de Oliveira Schiavon; Marcelo de Carvalho Amorim; Mariella Matos da Silva*; Matheus Siqueira Masson Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 758/ 22 - Centro - 37550-000 - Pouso Alegre – MG Introdução: Síndrome Hemolítica-urêmica (SHU) é uma doença sistêmica, causada por uma toxemia aguda. Geralmente, é desencadeada após episódio de gastroenterite com diarréia sanguinolenta causada pela Escherichia coli entero-hemorrágica, mas pode também ser secundária ao uso de determinadas drogas, ou a uma forma familiar (atípica), associada à deficiência do fator H (regulador da via alternativa do complemento). Os sinais e sintomas mais comuns são a insuficiência renal aguda oligúrica, anemia microangiopática, plaquetopenia, hepatomegalia e uma hiperbilirrubinemia indireta. É mais freqüente em crianças menores de 4 anos, em países mais quentes, e também no verão. Relato do Caso 1: Paciente masculino, 1 ano, branco, natural e residente em Pouso Alegre, deu entrada no PS com quadro de disenteria associada a vômitos e queda do estado geral há 2 dias. Estava em uso de sulfa, SRO, dipirona. Ao exame: REG, febril, hipocorado (++\4), desidratado (++\4), eupnéico, prostrado, taquicárdico, RHA diminuídos e abdome doloroso à palpação, diurese positiva. Aos exames laboratoriais: presença de anemia, plaquetopenia, hipermagnesemia, hipocalcemia. Paciente admitido na enfermaria pediátrica evoluiu após 2 dia de internação com anúria, hipertensão, hipercalemia sendo transferido para unidade de terapia intensiva, onde foi realizado diálise peritoneal por 18 dias e alta hospitalar após 1 mês de internação. Relato do Caso 2: Paciente feminino, 1 ano e 2 meses, branco, natural e residente em Bom Repouso. Historia anterior de disenteria, febre e anorexia há 5 dias, associado a esse quadro a 1 dia paciente vem apresentando anúria, associada a palidez. Ao exame: REG, desidratado (++\4), afebril, hipocorada (+++), acianótico, anictérico, anasarca, ao exame laboratorial anemia, plaquetopenia, reticulocitose, hipercalemia. Foi realizado diálise peritoneal durante 20 dias e paciente teve alta após 40 dias de internação. Discussão: Esse trabalho é importante porque ilustra uma patologia que ainda aumenta muito os níveis de morbidade e mortalidade entre crianças menores de 5 anos .O quadro é auto-limitado, geralmente necessitando apenas de tratamento de suporte. A SHU é responsável por 6% dos casos de IRA em crianças e 8% dos pacientes com SHU podem evoluir com cegueira, HAS, paralisias. A letalidade é em torno de 3 a 5% dos casos. Referências: 1. Síndrome Hemolítico-Urêmica, http://www.sbn.org.br/CasosApoio/SindromeHemoliticoUremica.pps,acesso em 16 de abril 2008. 95 PUBARCA PRECOCE EM UM LACTENTE: RELATO DE CASO Ana Luiza Pires Vieira, Ana Paula Heinzl, André Couto Godinho*, Priscila Gabriela dos Reis, Gabrielle Sormanti Schnaider Rezek Hospital das Clínicas Samuel Libânio- UNIVÁS R. Comendador José Garcia, 961/402 – Centro – 37550-000 – Pouso Alegre – MG Introdução: Pubarca precoce consiste no aparecimento de pêlos pubianos antes dos oito anos, nas meninas, e antes dos nove anos, em meninos. A principal causa é a hiperplasia adrenal congênita, forma virilizante simples, um defeito enzimático na cascata de produção do cortisol, com conseqüente estímulo exagerado à produção de testosterona e outros hormônios adrenais virilizantes. A investigação é realizada através da história clínica, exame físico, raio X para determinação da idade óssea e dosagens hormonais. Relato do caso: Paciente do gênero feminino, 10 meses, procura serviço ambulatorial por apresentar pêlos finos e lisos em região genital de aparecimento há 3 meses. Nega telarca, acne, axilarca ou sangramento vaginal. Exame físico: peso e estatura dentro da normalidade para a idade, estadiamento puberal de Tanner: M1P2. Suspeita diagnóstica de puderdade precoce heterossexual ou pubarca precoce, sendo realizadas as seguintes dosagens hormonais: 29/05/2008 testosterona livre 0,1 pg/ml; cortisol 11,5 mcg/dl; estradiol 13,5; FSH 9,3 ng/dl; LH 0,2ng/dl, ACTH 11,7 Picog/ml; androstenediona 0,3 nanog/ml; sulfato de dehidroepiandrosterona 285 nanog/ml (todos dentro dos valores de referência de normalidade para a faixa etária) e alfa-17-hidroxiprogesterona de 714 nanog/dl (elevada). Discussão: A elevação da 17-alfa-hidroxiprogesterona faz diagnóstico da hiperplasia adrenal congênita, principal causa de puberdade precoce heterossexual na menina. As outras dosagens hormonais são importantes para afastar outras causas, como o tumor adrenal e a puberdade precoce verdadeira, dependente de LH. O diagnóstico e o tratamento adequados são importantes para que não haja prejuízo da estatura final e da convivência social da criança. Referências: 1- Riepe FG, Sippell WG. Recent advances in diagnosis, treatment, and outcome of congenital adrenal hyperplasia due to 21-hydroxylase deficiency. Rev Endocr Metab Disord. 2007;8(4):349-63. 2- Carel JC, Léger J.Clinical practice: Precocious puberty. N Engl J Med. 2008; 358(22):2366-77. 96