UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ Programa de Pós-Graduação em Administração Curso de Mestrado Acadêmico em Administração MARIA ELISABETH PEREIRA KRAEMER DESEMPENHO NO ENADE E SUA RELAÇÃO COM A AVALIAÇÃO DOCENTE PELO DISCENTE BIGUAÇU 2015 i MARIA ELISABETH PEREIRA KRAEMER DESEMPENHO NO ENADE E SUA RELAÇÃO COM A AVALIAÇÃO DOCENTE PELO DISCENTE Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Acadêmico em Administração da Universidade do Vale do Itajaí, como requisito à obtenção do título de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Dr. Miguel Angel Verdinelli BIGUAÇU 2015 ii iii Ao amigo e companheiro de todos os momentos, meu querido e paciente esposo Gelson, e a minha filha Maria Eduarda, cuja vida está apenas na aurora do saber. iv AGRADECIMENTOS A Deus, que me capacitou e fortaleceu para que não desfalecesse, dando condições para que os meus objetivos pudessem ser realizados. Ao professor Doutor Miguel Angel Verdinelli, pelo apoio e subsídios oferecidos no desenvolvimento deste trabalho, dando-lhe forma e corpo para atingir seus objetivos. Também agradeço pela orientação e todo ensinamento a mim proporcionado, como aluna e como orientanda, cumprindo seu papel de mestre de maneira brilhante e inesquecível, que fez deste trabalho um aliado constante no dia a dia. À coordenação, professores, funcionários e colegas de turma do Mestrado, pela oportunidade de enriquecimento profissional e pessoal. Ao professor Dr. Pedro Antônio de Melo e à professora Dra. Maria José Barbosa de Souza por terem aceitado o convite de participar da banca deste trabalho e por todas as contribuições dadas para a conclusão desta dissertação. Sem a dedicação e a compreensão destas pessoas, não me seria possível a elaboração e a apresentação deste trabalho. v “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”. (Timóteo, 1:7). vi “Avaliar não é pensar num objeto que se teria podido isolar no prato de uma balança; é apreciar um objeto em relação a outra coisa para além dele. Quem avalia revela seu projeto....ou o que lhe impuseram seus preconceitos, as suas preocupações, a sua instituição” (HADJI, 1994) vii RESUMO A Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e este tem como um dos pilares o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Além do ENADE, os processos de Avaliação de Cursos de Graduação e de Avaliação Institucional constituem o “tripé” avaliativo do SINAES. Os resultados destes instrumentos avaliativos, reunidos, permitem conhecer em profundidade o modo de funcionamento e a qualidade dos cursos e Instituições de Educação Superior em todo o país. Neste sentido, este estudo teve como objetivo analisar a relação entre os desempenhos docente e discente nos processos de avaliação interna e externa do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí. Diante disso, foi necessário sistematizar os dados do ENADE do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí como caso de estudo selecionado; associar as questões do ENADE às disciplinas que desenvolvem as temáticas inclusas nessas questões; examinar as avaliações do desempenho dos docentes que ministram as disciplinas envolvidas nas questões do ENADE e relacionar o desempenho por questões da prova com o dos docentes que ministraram as disciplinas envolvidas nessas questões. Para responder ao problema de pesquisa, bem como alcançar os objetivos a que se propôs este trabalho, adotou-se a análise documental e descritiva de abordagem quali-quantitativa. A população do estudo na avaliação externa foi composta de 232 alunos concluintes do Curso de Administração da UNIVALI do campus Itajaí que participaram do ENADE em 2012. A prova do ENADE foi constituída de 40 questões, sendo 10 de formação geral (8 questões de múltipla escolha e 2 questões discursivas) e 30 de componente específico (27 questões de múltipla escolha e 3 questões discursivas). A análise foi feita mediante relatório do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí disponibilizado no site do INEP e que traduz os resultados obtidos. Na avaliação interna, foram selecionados 38 professores das respectivas disciplinas envolvidas em cada questão. Utilizaram-se os boletins de desempenho de cada professor, gerados pela Avaliação Institucional, os quais destacam a ação docente e contêm ainda as médias aritméticas obtidas em cada critério de desempenho avaliado: Domínio Técnico Científico (DTC), Habilidades de Ensino (HE) e Desenvolvimento Pessoal e Situacional (DPS). Para a análise estatística foram utilizados os métodos paramétricos e não paramétricos, ou seja, o coeficiente paramétrico de correlação de Pearson e o coeficiente não paramétrico por postos ou ranking de Spearman. Como as amostras eram pequenas, o teste usado foi o de Shapiro-Wilk. Os resultados obtidos indicam que o desempenho dos alunos e a dimensão DTC possuem distribuição normais (p > α) o que possibilitou usar o coeficiente de Pearson. Já as dimensões Habilidade de Ensino (HE) e Desempenho Pessoal e Situacional (DPS) não têm distribuições normais (p < α), obrigando a usar o coeficiente de Spearman. As Fig.1, 2 e 3 mostram graficamente a falta de relação entre a avaliação docente (interna) e o resultado dos alunos no ENADE (avaliação externa). O estudo realizado apresentou como limitação não se ter acesso ao boletim de desempenho do aluno. Assim como às diversas questões que foram anuladas. Diante das limitações encontradas, foram feitas sugestões para trabalhos futuros. Palavras-chave: Gestão Universitária. Avaliação Discente. Avaliação Docente. viii ABSTRACT Law No. 10,861, of April 14, 2004, created the National System of Higher Education Evaluation (SINAES) and this is one of the pillars of the National Examination of Student Performance (ENADE). Besides ENADE, Undergraduate and Institutional Assessment Course Evaluation processes are the "tripod" evaluative SINAES. The results of these evaluation tools together allow us to know in depth the mode of operation and the quality of courses and higher education institutions across the country. Thus, this study aimed to analyze the relationship between teacher and student performance in internal and external evaluation processes Administration Course UNIVALI of Itajaí. Therefore, it was necessary to systematize the ENADE data from UNIVALI Administration Course of Itajai as a case study selected; associate ENADE questions to the subjects that develop the themes included in these matters; review evaluations of the performance of teachers who teach the disciplines involved in ENADE issues and relate performance by evidence of issues with the teachers who taught the disciplines involved in these issues. To answer the research problem and achieve the goals it has set this work, the research was documentary and descriptive analysis of qualitative and quantitative approach. The study population in the external evaluation was composed of 232 students graduating Administration Course of Itajaí campus UNIVALI who participated in the ENADE in 2012. Proof of ENADE consisted of 40 questions, 10 general (8 multiplechoice questions and 2 essay questions) and 30 specific component (27 multiple choice questions and three open-ended questions). The analysis was performed by the report of Itajaí UNIVALI Administration Course available on the INEP site and translating the results. In internal evaluation, we selected 38 teachers of the respective disciplines involved in each issue. The performance reports of each teacher were used, generated by the Institutional Assessment, which highlight the teaching action and still contain the averages obtained for each evaluated performance criterion: Domain Scientific Technical (DTC), Teaching Skills (HE) and Personal Development and Situational (DPS). Statistical analyzes were performed using parametric and non-parametric methods, ie parametric correlation coefficient of Pearson and nonparametric correlation coefficient of Spearman. As the samples were small, the normality test used was the Shapiro-Wilk test. The results indicate that the performance of students and the DTC size have normal distribution (p> α), and the dimensions of Skill Education (HE) and Performance Personal and Situational (DPS) do not have normal distributions (p <α). The Fig.1, 2 and 3 show that could not be seen by analyzing the relationship between teacher assessment (internal) and the result of students in ENADE (external evaluation). The study had important limitations, such as not having access to student performance report; and the various issues that were canceled. Given the limitations, suggestions for future work were made. Keywords: University Management . Student evaluation. Teacher evaluation ix LISTA DE QUADROS Quadro 1- Comparação entre os documentos do PARU/CNRES/GERES/PAIUB ................ 29 Quadro 2 - Síntese comparativa dos sistemas de avaliação Brasil e Portugal ........................ 39 Quadro 3 - Dimensões avaliadas em cada modalidade de Avaliação Institucional da UNIVALI ................................................................................................................................. 44 Quadro 4 - Critérios avaliados pela UNIVALI na Avaliação Docente ................................... 53 x LISTA DE TABELAS Tabela 1- Distribuição das questões com os respectivos pesos ............................................... 53 Tabela 2 - Diferentes intervalos de notas possíveis e os conceitos correspondentes a esses intervalos .................................................................................................................................. 56 Tabela 3 – Porcentagem de Acerto em Questões de Múltipla Escolha Formação Geral – ENADE 2012 – Administração – UNIVALI ........................................................................... 60 Tabela 4 – Porcentagem de Acerto em Questões de Múltipla Escolha – Componente Específico – ENADE 2012 - Administração ............................................................................ 60 Tabela 5 - Porcentagem de Acerto em Questões Discursivas – Formação Geral – ENADE 2012 – Administração ............................................................................................................... 61 Tabela 6 - Porcentagem de Acerto em Questões Discursivas – Componente Específico – ENADE 2012 - Administração ................................................................................................. 61 Tabela 7 - Conteúdos predominantes, disciplinas contempladas, período, ano e a porcentagem de acertos da instituição ............................................................................................................ 62 Tabela 8 – Resultados do desempenho docente nas disciplinas envolvidas ............................ 65 Tabela 9 - Questões do Componente Específico – múltipla escolha ....................................... 66 Tabela 10 - Questões do Componente Específico – discursivas ............................................. 67 Tabela 11 - Questões de Formação Geral – múltipla escolha ................................................. 67 Tabela 12 - Questões de Formação Geral – discursivas .......................................................... 68 xi LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Diagrama de dispersão entre o desempenho discente e o domínio técnico científico (DTC) ....................................................................................................................................... 69 Figura 2 - Diagrama de dispersão entre o desempenho discente e a habilidade de ensino (HE). .................................................................................................................................................. 70 Figura 3 - Diagrama de dispersão entre o desempenho discente e o desenvolvimento pessoal e situacional (DPS) ................................................................................................................... 71 xii SUMÁRIO Resumo.................................................................................................................................. viii Abstract ...................................................................................................................................ix Lista de Quadros.......................................................................................................................x Lista de Tabelas........................................................................................................................xi Lista de Figuras ......................................................................................................................xii 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1 1.1 Contextualização .............................................................................................................. 1 1.2 Problema de estudo ........................................................................................................... 6 1.3 Objetivos do trabalho ....................................................................................................... 7 1.3.1 Objetivo Geral ........................................................................................................... 7 1.3.2 Objetivos Específicos ................................................................................................ 7 1.4 Justificativa ....................................................................................................................... 8 1.5 Estrutura da dissertação .................................................................................................... 9 2 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 10 2.1 Avaliação da Educação Superior em nível internacional ............................................... 10 2.1.1 Avaliação da Educação Superior em Portugal ........................................................ 16 2.1.1.1 Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior – A3ES .................. 18 2.2 Avaliação da Educação Superior no Brasil .................................................................... 20 2.2.1 Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU) .................................... 20 2.2.2 Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior (CNRES) .............. 22 2.2.3 Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior (GERES).............................. 23 2.2.4 Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) ....... 26 2.2.5 Exame Nacional de Cursos (ENC) .......................................................................... 29 2.2.6 Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) ......................... 32 2.2.6.1 Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) ........................... 36 2.3 Avaliação Institucional na Univali ................................................................................. 43 2.3.1 Avaliação dos cursos de graduação ......................................................................... 47 2.3.2 Avaliação do desempenho docente.......................................................................... 47 3 MATERIAL E MÉTODO .................................................................................................. 50 3.1 Abordagem da pesquisa .................................................................................................. 50 3.2 População e variáveis pesquisadas ................................................................................. 51 3.3 Caracterização dos Mecanismos Avaliativos ................................................................. 54 3.3.1.1 Material............................................................................................................. 55 3.3.2 Avaliação Interna ..................................................................................................... 57 3.3.2.1 Material............................................................................................................. 57 3.4 Relacionamento entre a avaliação externa e interna ....................................................... 58 4 RESULTADOS .................................................................................................................... 60 4.1 Análise descritiva das variáveis e resultados do desempenho ........................................ 60 4.1.1 Avaliação Externa.................................................................................................... 60 4.1.2 Avaliação Interna ..................................................................................................... 64 4.2 Análise do Relacionamento entre Avaliação Externa e Interna ..................................... 68 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 73 5.1 Conclusões ...................................................................................................................... 73 xiii 5.2 Limitações da Pesquisa ................................................................................................... 76 5.3 Sugestões para Trabalhos Futuros .................................................................................. 77 5.3.1 Melhorias para a gestão acadêmica em geral sobre avaliação ................................. 77 5.3.2 Novos trabalhos de pesquisa.................................................................................... 77 5.4 Contribuição teórico-empírica do trabalho ..................................................................... 78 Anexo 1: Questionário Discente - Indicadores relacionados à disciplina: ........................... 93 Anexo 2: Boletim de Desempenho ....................................................................................... 94 Anexo 3: Nota Técnica para o Cálculo do ENADE ............................................................. 95 Anexo 4: Respostas das Questões de Múltipla Escolha e Discursivas do Componente de Formação Geral .................................................................................................................... 97 Anexo 5 – Respostas das Questões de Múltipla Escolha e Discursivas do Componente Específico ............................................................................................................................. 98 Anexo 6 – Prova ENADE/ 2012 .......................................................................................... 99 xiv ABREVIAÇÕES ACAFE Associação Catarinense das Fundações Educacionais ACG Avaliação dos Cursos de Graduação ADES Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes AERES Agência de Avaliação da Pesquisa e do Ensino Superior AI Avaliação Institucional ANDIFES Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior ANR Agência Nacional de Pesquisa APESP Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado A3ES Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior BASIS Banco de Avaliadores CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAU Colégio de Aplicação da UNIVALI CaEn Câmara de Ensino CCISP Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos CEA Comissão Especial de Avaliação CECIESA-Gestão Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Gestão CEE Conselho Estadual de Educação CE ME Conhecimento Específico Múltipla Escolha CE Disc Conhecimento Específico Discursiva CFE Conselho Federal de Educação CEJURPS Centro de Ciências Sociais e Jurídicas CIEE Centro de Integração Empresa-Escola CNAVES Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior CNRE Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior COAVI Comissão de Avaliação Institucional CONAES Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior CONSUN Conselho Universitário CPA Comissão Própria de Avaliação CPC Conceito Preliminar de Curso CRUB Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras CRUP Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas xv CTTA Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação DAES Diretoria de Avaliação de Educação Superior DGES Direção Geral Ensino Superior DPS Desenvolvimento Pessoal e Situacional DTC Domínio Técnico Científico ENADE Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes ENC Exame Nacional de Cursos ENQA Associação Europeia para a Garantia da Qualidade no Ensino Superior ESG Normas e Orientações Europeias FIES Fundo de Financiamento Estudantil FG DIS Formação Geral Discursiva FG ME Formação Geral Múltipla Escolha FUP Fundação das Universidades Portuguesas GEA Gerência de Ensino e Avaliação GERES Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Superior HE Habilidades de Ensino IES Instituição de Ensino Superior IGC Índice Geral de Curso INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira LAU Lei de Autonomia Universitária LBSE Lei de Bases do Sistema Educativo LDB Lei de Diretrizes e Bases MEC Ministério da Educação OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico PAIUB Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras PARU Programa de Avaliação da Reforma Universitária ProEn Pró-Reitoria de Ensino PROUNI Programa Universidade para Todos QAA Agência de Garantia de Qualidade para o Ensino RJIES Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior SESu Secretaria de Educação Superior SINAES Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior UE União Europeia xvi UNIVALI Universidade do Vale do Itajaí VSNU Associação das Universidades Cooperantes xvii 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contextualização O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), coordenado pelo Ministério da Educação – MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), foi instituído pela Lei nº 10.861/04 de 14 de abril de 2004, e avalia todos os aspectos que giram em torno de ensino, pesquisa, extensão, responsabilidade social, desempenho dos alunos, gestão da instituição, corpo docente, instalações e outros. O SINAES integra os seguintes componentes que, por sua vez, apresentam um conjunto de subcomponentes (INEP, 2012): 1) Avaliação Institucional (AI): é o centro de referência e articulação do sistema de avaliação que se desenvolve em duas etapas principais: a) autoavaliação – coordenada pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) de cada instituição e orientada pelas diretrizes e pelo roteiro de autoavaliação institucional da Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES) e b) avaliação externa realizada por comissões designadas pelo INEP, ou seja, in loco, desenvolvida pelos avaliadores institucionais capacitados pelo INEP nos moldes do SINAES. Esta avaliação tem como referência os padrões de qualidade para a educação superior expressos nos instrumentos de avaliação e nos relatórios das autoavaliações. A Avaliação Institucional está relacionada: à melhoria da qualidade da educação superior; à orientação da expansão de sua oferta; ao aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social; ao aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior, por meio da valorização de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da identidade institucional. (INEP, 2012). Em seu conjunto, os processos avaliativos devem constituir, segundo o INEP (2012), um sistema que permita a integração das diversas dimensões da realidade avaliada, assegurando as coerências conceitual, epistemológica e prática, bem como o alcance dos objetivos dos diversos instrumentos e modalidades. Na Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), a Avaliação Institucional foi constituída em 1993 junto à Pró-Reitoria de Ensino (ProEn). Em 1994, a IES promoveu o 1º Seminário Estadual de Avaliação Institucional, em parceria com a Associação Catarinense das 1 Fundações Educacionais (ACAFE) para os professores das instituições congregadas por essa entidade. Realizou também em 1994 um diagnóstico geral de tipo qualitativo e quantitativo para avaliação dos docentes pelos discentes e vice-versa, aplicado a 26 cursos de graduação dos campi Itajaí, Balneário Camboriú, Tijucas e Biguaçu. Tais ações representaram o marco inicial da implantação da Avaliação Institucional na Univali. De 1994 a 2003, foi desenvolvida a Avaliação Institucional, tendo sido avaliados, em 1995, 26 cursos e, em 2000, 81 cursos de graduação. Este período foi marcado com a ampliação de aspectos e setores avaliados na instituição, ampliação dos níveis de ensino, com inserção do Ensino Fundamental e Médio no Colégio de Aplicação (CAU) e da PósGraduação Lato Sensu e Stricto Sensu. No ano de 2003, ambiente e equipamentos para o preenchimento dos instrumentos de avaliação migraram para a internet, possibilitando que todos os procedimentos avaliativos fossem realizados on-line. Também houve inclusão das coordenações de curso no processo. O período de 2004 a 2006 foi marcado pela reestruturação do programa de avaliação, desencadeado pela implantação do SINAES. A experiência da avaliação institucional desenvolvida pela UNIVALI por quase uma década representou uma base sólida para atuação da Comissão Própria de Avaliação (CPA), após sua criação e instalação na Universidade (junho de 2004), em cumprimento às determinações da Lei Federal nº 10.861. 2) Avaliação dos Cursos de Graduação (ACG): avalia os cursos de graduação por meio de instrumentos que incluem visitas in loco, pelos pares, em comissões externas; percepção dos estudantes, por meio do questionário de Avaliação Discente da Educação Superior – ADES, que é enviado aos estudantes da amostra do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE); considerações dos coordenadores de curso, mediante questionário dos coordenadores; avaliações realizadas pelos professores dos cursos; relatório da Comissão Própria de Avaliação (CPA). 3) Avaliação do Desempenho dos Estudantes: realizada por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE, que é aplicado em larga escala àqueles que preenchem os critérios estabelecidos pela legislação vigente. Seu objetivo é aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, às habilidades e competências para a permanente atualização profissional, aos conhecimentos referentes à realidade brasileira e mundial e a outras áreas do conhecimento. É um exame 2 periódico, aplicado nacionalmente de 3 em 3 anos (o ciclo avaliativo do SINAES é trienal) em cada curso. O ENADE é composto pela prova, o questionário de Avaliação Discente da Educação Superior, o questionário dos coordenadores de cursos e a percepção do aluno sobre a prova. É realizado pelo INEP, autarquia vinculada ao MEC, segundo diretrizes estabelecidas pela CONAES, órgão colegiado de coordenação e supervisão do SINAES. A prova é composta por 40 questões, sendo: 10 questões de Formação Geral (8 de múltipla escolha e 2 questões discursivas) e 30 questões do Componente Específico (27 questões de múltipla escolha e 3 questões discursivas). Os conteúdos de formação geral têm peso de 25% para compor a nota no ENADE e os conteúdos específicos, de 75%. O questionário do estudante (ato regulatório para colação de grau a partir de 2014) fornece informações sobre fatores diretamente relacionados ao desempenho dos acadêmicos, como: perfil socioeconômico e cultural, percepção sobre o ambiente de ensino-aprendizagem e sobre a organização do curso, do currículo e da atividade docente. Seus resultados poderão ser desagregados em dados por IES, categoria administrativa, organização acadêmica, município, estado e região. Assim, constituem referenciais que permitem a definição de ações voltadas para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação, por parte de professores, técnicos, dirigentes e autoridades educacionais. Para as IES, as informações geradas a partir do ENADE podem ser usadas para analisar as questões pedagógicas e reorientá-las – se for o caso. Os gestores públicos podem usar os dados para orientar ações e políticas públicas educacionais. Os pesquisadores usam os dados em seus trabalhos acadêmicos; e a sociedade em geral busca, nas informações, elementos para conhecer melhor um curso de seu interesse. A nota individual do aluno não é divulgada. Nem a IES tem acesso a essa nota, só o estudante pode consultá-la mediante senha fornecida a ele pelo INEP. O ENADE constitui-se um componente curricular obrigatório dos cursos de graduação, sendo inscrita no histórico escolar do estudante somente sua situação regular, atestada pela sua efetiva participação ou dispensa oficial pelo Ministério da Educação (MEC), na forma estabelecida em regulamento. Assim como todas as IES do Sistema Federal de Educação Superior (público e privado), a Universidade do Vale do Itajaí também participa do ENADE. Considerada uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil, a UNIVALI está localizada no litoral centro-norte de Santa Catarina. Sua estrutura multicampi faz com 3 que esteja presente nas cidades de Itajaí, Balneário Camboriú, Biguaçu, Florianópolis, Piçarras, São José e Tijucas. Dessa forma, atende à comunidade em toda a sua área de abrangência, promovendo o crescimento local e global através da produção e socialização do conhecimento pelo ensino, pela pesquisa e pela extensão. Atualmente, a instituição conta com mais de 25 mil alunos, 170 mil metros quadrados de área construída, 485 salas de aula e 950 salas de apoio e laboratórios, todos equipados com tecnologia de ponta e monitorados por profissionais capacitados. Além disso, os estudantes dispõem de espaços reservados às atividades práticas, como clínicas, agências, escritórios, teatro, auditórios, ginásios de esporte e quadras poliesportivas, piscina e oito bibliotecas. (http://www.univali.br) Hoje, a Univali possui mais de 50 cursos superiores – se somados os cursos de graduação e os sequenciais de formação específica –, entre mais de cem opções de turno e local. Conta ainda com cerca de 36 cursos de especialização/aperfeiçoamento, dez mestrados e seis doutorados. Além disso, dedica-se à Educação de Jovens e Adultos e à Educação Básica – com o CAU em Itajaí, Tijucas e Balneário Camboriú, atendendo mais de mil crianças e adolescentes, da Educação Infantil até o Ensino Médio. (http://www.univali.br). Como este trabalho tem em seus objetivos específicos a sistematização dos dados do ENADE para o Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí, dar-se-á destaque agora sobre este curso. O Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – Univali foi implantado no primeiro semestre de 1979. Seu reconhecimento, em 1982, foi feito pelo Parecer do Conselho Federal de Educação n.º 753/81 e a Portaria Ministerial n.º 23, de 08 de janeiro de 1982. Em 2005, os Cursos de Administração da Univali passaram a obedecer a uma única matriz curricular (matriz curricular 5), aprovada em 19 de outubro de 2005 pela Resolução nº 133/CONSUN-CaEn/05, que padronizou as matrizes a partir do 1º semestre de 2006, atendendo às Diretrizes Curriculares Nacionais para Cursos de Administração e ficando em sintonia com o cenário mercadológico. No ano de 2008, o Curso de Administração da Univali passou pelo processo de renovação do reconhecimento, conforme atos legais: Parecer nº 157/CEE-SC e Resolução n° 020/CEE-SC, de 28/04/2009, Decreto Estadual nº 2.415, art. n° 01 – XIII, de 24/06/2009. A atual matriz (de número 6) dos Cursos de Administração foi aprovada em 2010, pela Resolução nº111/CONSUN-CaEn/2010, de 03 de dezembro de 2010, numa iniciativa dos 4 cursos e das direções do CECIESA-Gestão e do CEJURPS de integrar as matrizes curriculares dos cursos de Administração e Direito. Administração e Direito são áreas que dialogam no âmbito de atuação no mercado de trabalho. Não raro, os profissionais dessas áreas necessitam lançar mão de conhecimentos ou assumir funções diversificadas que exigem competências interdisciplinares. Assim sendo, a partir do 1º semestre de 2011, os acadêmicos que ingressaram nos Cursos de Administração e Direito da Univali cursam uma matriz integrada que possibilita concluir as duas graduações em menos tempo. Com sede em Itajaí, o Curso de Administração, atento às perspectivas de ampliação de seu mercado de trabalho, tem como diferencial a sua integração com as empresas da região na busca da qualidade dos gestores e do processo de gestão organizacional. Os cursos de Administração da UNIVALI participaram do ENADE em 2006, 2009 e 2012. Como o estudo é sobre o Curso de Administração de Itajaí, no qual a autora é docente, serão informados os conceitos: ENADE 2006, 3; 2009, 4; 2012 - ano de realização deste estudo, conceito 3. Da prova, no dia 25 de novembro de 2012, participaram 232 alunos concluintes do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí. Apesar da importância de ambas as avaliações (ENADE e Avaliação Institucional) as informações geradas são tratadas de forma separada pela UNIVALI. Essas avaliações utilizam as mesmas dimensões no que se refere a organização didático pedagógica, corpo docente e instalações, mas não se costuma fazer uma relação entre os dois resultados. A análise da relação entre a qualidade e a satisfação com o ensino de graduação a partir de indicadores externos e internos poderá servir de base ao planejamento de ações integradas capazes de oportunizar a construção da qualidade como um processo contínuo e aberto, mediante o qual todos os setores da universidade e as pessoas envolvidas repensem objetivos e operacionalizem ações articuladas. Também poderia apresentar-se como uma autorreflexão sobre os processos e seus resultados institucionais, na busca de ações alternativas, para cumprir objetivos e metas institucionais, articuladas ao desenvolvimento pessoal e profissional de cada um; projeção de novas ações institucionais, tanto em nível de administração superior, quanto em nível das ações pedagógicas, no cotidiano de sala de aula; participação em seminários promovidos pelo INEP; curso de formação continuada e criação de núcleo de apoio pedagógico. Assim, pretende-se juntar as informações do ENADE e da AI para coordenar, acompanhar e analisar comparativamente as modalidades de avaliação e seus resultados, a fim 5 de encaminhar ações em parceria com os gestores dos cursos, contemplando, dessa forma, a política institucional, numa ação participativa e compartilhada. 1.2 Problema de estudo Atualmente, a preocupação das pesquisas em avaliação está relacionada à melhoria na qualidade do ensino e alocação de recursos, que interferem positivamente na sociedade, no desenvolvimento da consciência, sensibilidade e comprometimento dos indivíduos. O MEC, por intermédio de sua Secretaria de Educação Superior (SESu), responsável por planejar, orientar, coordenar e supervisionar o processo de formulação e implementação da Política Nacional de Educação Superior, buscou melhorar a qualidade das universidades brasileiras, usando a avaliação do ENADE como estratégia de agente de mudança, a fim de que as instituições avaliadas procurassem melhorar cada vez mais as suas condições de ensino. O ENADE utiliza o desempenho do aluno na avaliação como medida da qualidade dos cursos de graduação. Como parte do Sistema de Avaliação Superior, o ENADE tem como objetivo acompanhar o processo de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do respectivo curso de graduação, suas habilidades para ajustamento às exigências decorrentes da evolução do conhecimento e suas competências para compreender temas exteriores ao âmbito específico de sua profissão, ligados à realidade brasileira e mundial e a outras áreas do conhecimento. As Instituições de Ensino Superior (IES) têm como objetivo formar profissionais e para isto são evidenciados os discentes e os docentes como elementos principais do sistema de ensino-aprendizagem, desde o ingresso do aluno na instituição até sua formação, em que o docente atua como um dos principais instrumentos do processo formativo. Neste sentido faz-se necessária a Avaliação Institucional, pois é um instrumento importante para o desenvolvimento da qualidade de ensino e estrutura da instituição, sendo utilizada como instrumento de gestão e de autoconhecimento em busca da excelência. As modalidades de avaliação abrangem normalmente: avaliação dos cursos de graduação (desempenho docente, discente, organização didático-pedagógica e infraestrutura); perfil socioeconômico discente; avaliação do curso pelo egresso e avaliação dos estágios supervisionados. Portanto, as IES utilizam a avaliação do docente pelo aluno como medida de satisfação com o serviço educacional oferecido. 6 As informações obtidas pelo Sistema de Avaliação da Educação Superior no Brasil através da avaliação externa (ENADE) e da avaliação interna (Avaliação Institucional) são utilizadas para orientação da eficácia institucional e efetividade acadêmica e social; pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas, e pelos estudantes, pais de alunos, instituições acadêmicas e público em geral, para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. Porém, as duas medidas nunca foram relacionadas para saber se a avaliação do docente pelo aluno se associa com seu desempenho no ENADE. Diante desses fatores, este trabalho se propõe a verificar: Qual a relação entre os desempenhos docente e discente nos processos de avaliação interna e externa do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí? Para responder a essa questão de pesquisa, foram definidos os seguintes objetivos: 1.3 Objetivos do trabalho Os objetivos desta pesquisa serão relatados neste tópico, no qual parte-se do objetivo geral e, a seguir, apresentam-se os objetivos específicos. 1.3.1 Objetivo Geral Analisar a relação entre os desempenhos docente e discente nos processos de avaliação interna e externa do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí. 1.3.2 Objetivos Específicos a) Sistematizar os dados do ENADE do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí como caso de estudo selecionado. b) Associar as questões do ENADE às disciplinas que desenvolvem as temáticas inclusas nessas questões. c) Examinar as avaliações do desempenho dos docentes que ministram as disciplinas envolvidas nas questões do ENADE. d) Relacionar o desempenho por questões da prova com o desempenho dos docentes que ministraram as disciplinas envolvidas nessas questões. 7 1.4 Justificativa Avaliação é um processo de análise e julgamento da prática, indispensável à atividade de toda e qualquer instituição de ensino superior, não apenas para seu desenvolvimento e crescente qualificação, como para a sobrevivência como instituição socialmente relevante. Constitui a instância crítica da operacionalização e da melhoria de uma linha de ação ou da execução de um plano. Como instituição dedicada a fazer ciência, produzir conhecimentos, promover a formação humana e desenvolver a sociedade, a universidade contemporânea precisa adotar um sistema de avaliação capaz de atender a uma tripla exigência: permitir um processo contínuo de monitoramento e aperfeiçoamento do desempenho acadêmico, servir como ferramenta da gestão universitária e constituir uma forma sistemática de prestação de contas à sociedade. Neste sentido, a avaliação institucional ganha um grande aliado com a utilização de procedimentos estatísticos para a busca de conhecimentos e análise de dados. A avaliação institucional é um processo contínuo, global e participativo, que tem como objetivo otimizar resultados e análises para o planejamento da gestão do ensino, pesquisa e extensão. A Avaliação Institucional das universidades e o ENADE, por meio de seus instrumentos particulares, procura avaliar quase as mesmas dimensões no que se refere à organização didático-pedagógica, ao corpo docente e às instalações. Neste sentido, seria útil para a instituição que se estabelecesse uma relação entre as informações do ENADE, como conteúdos e índices de acerto, com as informações docentes, extraídas dos bancos de dados da própria IES, o que contribuiria para se obter uma nova visão concernente à avaliação da Instituição de Ensino Superior. Portanto, a contribuição do presente estudo consubstancia-se na realização de uma análise das relações entre o desempenho do ENADE com o desempenho docente, propiciando uma ligação entre a avaliação externa e a avaliação interna, o que viria a auxiliar no processo de tomada de decisão e subsidiar o estabelecimento de metas e ações a serem atingidas nos projetos institucionais. Além dos fatores apresentados, o presente estudo contribuirá significativamente no avanço do conhecimento científico sobre o tema da avaliação em IES. 8 1.5 Estrutura da dissertação Para alcançar os objetivos propostos, o trabalho está estruturado e dividido em capítulos de acordo com os temas pertinentes à sua realização. Além desta introdução, no segundo capítulo são abordados os referenciais teóricos, com base nos quais foram levantados os assuntos referentes à Avaliação da Educação Superior, tanto internacional quanto nacionalmente. Além disso, discorre-se sobre a Avaliação Institucional na UNIVALI, dando destaque para a Avaliação dos Cursos de Graduação e para a avaliação do desempenho docente. O terceiro capítulo detalha a metodologia utilizada na pesquisa para posterior análise, a forma de armazenamento e tratamento das informações coletadas pelo Setor responsável pela Avaliação Institucional da Universidade do Vale do Itajaí, as informações fornecidas pelo Ministério da Educação, a aglutinação dos dados da avaliação externa e interna, e as etapas para alcançar os resultados. O quarto capítulo traz a apresentação e discussão dos resultados e, no quinto capítulo, constam as considerações finais, às quais se seguem as referências bibliográficas citadas no texto. 9 2 REFERENCIAL TEÓRICO A avaliação institucional pode ser compreendida em sua dimensão formativa, na busca pelo aperfeiçoamento dos procedimentos existentes e a melhoria constante da comunidade acadêmica. O processo de avaliação, quando desenvolvido com seriedade, respeitando os princípios de qualidade, permite compor uma visão diagnóstica dos processos pedagógicos, administrativos, científicos e sociais da instituição de ensino superior (IES). Este processo deve ser permanente e desenvolvido como ferramenta para a prática pedagógica, servindo como instrumento de gestão, direcionando caminhos, apontando falhas, identificando possíveis causas de problemas, fidelizando o que está bom e mostrando possibilidades. A prática da avaliação deve ser um instrumento de concretização de uma cultura de avaliação institucional, com o qual a comunidade acadêmica se identifica e se compromete. Com o intuito de abordar as principais teorias que envolvem este estudo, o referencial teórico deste trabalho está centrado nos seguintes temas: o cenário internacional da avaliação da Educação Superior, a avaliação da Educação Superior no Brasil, da qual destacamos: Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU), Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior (CNRE), Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Superior (GERES), Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB), Exame Nacional de Cursos (ENC), Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (SINAES) e, no seu âmbito, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Também foi tema de referencial teórico a Avaliação Institucional na Univali, com destaque para a avaliação dos cursos de graduação e avaliação do desempenho docente. 2.1 Avaliação da Educação Superior em nível internacional No contexto internacional, a avaliação passa a ter um papel fundamental como recurso imprescindível para que os diversos países possam conhecer e governar a educação em seu território e, ao mesmo tempo, integrar uma densa rede de organizações e regimes internacionais. (HOUSE apud AFONSO, 2000). Nos anos sessenta, quase todos os países ocidentais produziram reformas mais ou menos profundas em seus sistemas e instituições de educação superior, como respostas às inquietudes, algumas vezes exacerbadas, dos estudantes, do mundo acadêmico e da sociedade 10 em geral, principalmente em relação ao papel das universidades face aos novos desafios da sociedade pós-sputnik. (STARK; SOUSA, 2002). Na Califórnia, em 1963, as demonstrações de insatisfação são inúmeras; na Europa, têm seu auge com a Primavera de Paris, a grande explosão da revolta estudantil na França, em 1968. Após algum tempo, universidades e governos começam a manifestar sua preocupação com os efeitos das reformas sobre a eficiência/eficácia das instituições de educação superior, devido à explosão de matrículas e à escassez relativa de recursos para sustentar o prosseguimento do processo de expansão e atualização dos programas de ensino e pesquisa. (STARK; SOUSA, 2002). Neste contexto, começam a surgir as discussões e propostas de avaliação, inicialmente como ações individuais de algumas instituições, até atingir o âmbito nacional. Mesmo a longa tradição de credenciamento (accreditation), por entidades regionais, começa a ser fortemente questionada nos Estados Unidos. (DILL; MASSY; WILLIAMS; COOK, 2003). O Accreditation Board representa um modelo norte-americano de acreditação adotado com sucesso no contexto das avaliações institucionais. O governo neste sistema americano não tem responsabilidade sobre o processo de avaliação, respeitando a autonomia universitária. Para isto, as universidades têm que se associar e as avaliações são contratadas pelo Accreditation Board. O Concil for Higher Education Acreditation é a mais importante organização do gênero nos EUA. É uma instituição privada espalhada por todo o país com cerca de 60 boards que promovem a acreditação e que, por sua vez, são reconhecidos por um organismo acreditador central que promove a acreditação em nível nacional (BOCLIN, 2005). Na Europa, com a criação da UE (União Europeia), as avaliações em larga escala foram intensificadas com a Declaração de Bolonha que, na busca de maior mobilidade dos estudantes entre os países membros, determinou uma convergência entre as estruturas organizacionais dos sistemas e uma compatibilização de currículos. Nesse contexto, a Comissão das Comunidades Europeias, no início dos anos 90, elaborou e promoveu um modelo-base para a avaliação da educação superior norteado por cinco princípios (VAN VUGHT; WESTERHEIJDEN, 2004): →A coordenação do processo de avaliação é feita por uma entidade nacional com status legal e independência do governo; →A ênfase é dada à autoavaliação institucional, cujos relatórios são encaminhados para a entidade nacional em intervalos regulares; 11 →A avaliação externa é conduzida por pares em momento subsequente à autoavaliação institucional e baseada nas suas informações; →Os resultados da avaliação por pares são tornados públicos através de relatórios; →O financiamento e a alocação de recursos públicos aos programas e instituições avaliadas não têm uma relação direta com os resultados das avaliações. (VAN VUGHT; WESTERHEIJDEN, 2004). Brennan e Shah (2000) realizaram um estudo em 14 países da Europa mostrando que quase todos os países europeus têm estabelecido sistemas nacionais para a avaliação da qualidade da educação superior. Conforme o estudo, há uma tendência de dar maior ênfase à avaliação e melhorias ao invés da regulação e controle. Nos anos oitenta, a França (1984) e os Países Baixos (1985), e nos anos noventa, o Reino Unido (1990) e a Dinamarca (1992), estabeleceram os primeiros sistemas nacionais. (TEICHLER; WINKLER, 2006). Com o processo de unificação, a União Europeia passou a estimular a implantação de sistemas de avaliação educacional em todos os países afiliados. Para Stark; e Sousa (2002), apenas a Alemanha não optou por um sistema nacional da educação superior, embora alguns estados já adotem sistemas próprios. Os autores também dizem que os países do leste europeu, após o desmembramento da União Soviética e em face da necessidade de maior integração com a Europa ocidental, estão tomando iniciativas para estabelecer sistemas próprios de avaliação. Na França, a lei de programa para a pesquisa, de 2006, confiou à Agence d’Evaluation de La Recherche et de I’Enseignement Supérieur AERES – uma missão global de avaliação do ensino superior e da pesquisa. Conforme o Guia da Cooperação Universitária Franco-Brasileira (2009), essa agência está encarregada de avaliar: →os estabelecimentos e organismos de ensino superior e de pesquisa, as fundações de cooperação científica e a Agência Nacional de Pesquisa – ANR; →as atividades de pesquisa conduzidas por esses estabelecimentos e organismos; →as formações e os diplomas dos estabelecimentos de ensino superior. (GUIA DA COOPERAÇÃO UNIVERSITÁRIA FRANCO-BRASILEIRA, 2009): Para isso, a Agência faz relatórios da avaliação, acompanhados de notas (A+, A, B, C) atribuídas às unidades de pesquisa e às formações. Esses resultados destinam-se a disponibilizar um auxílio às entidades avaliadas, a fim de melhorar-lhes a governança, a pesquisa, a produção e a oferta de formação. Fornecem ao Estado uma ferramenta objetiva para suas decisões estratégicas. Por fim, oferecem a toda a comunidade universitária 12 informações úteis para as opções de percurso em matéria de formação e de pesquisa. (GUIA DA COOPERAÇÃO UNIVERSITÁRIA FRANCO-BRASILEIRA, 2009). A avaliação dos estabelecimentos, as atividades de pesquisa e as formações são realizadas a cada 4 anos. O Conselho da AERES é composto de 25 membros (franceses, europeus e de outros países fora da Europa). Os peritos que realizam as avaliações são escolhidos pela AERES de acordo com a adequação de seu perfil às características da entidade avaliada. Nos EUA, a avaliação durante o governo Reagan caracterizou-se por uma “renovada ênfase nos testes estandardizados de rendimento, tendo como objetivo apoiar formas centralizadas de responsabilização, sendo considerados mais como instrumentos de disciplina do que diagnóstico”. (HOUSE apud AFONSO, 2000, p. 68). A necessidade de garantir padrões mínimos de qualidade em sistemas de ensino descentralizados e fragmentados nos EUA resultou na criação de associações regionais de acreditação. Tais associações iniciaram a prática de avaliação externa por pares como garantia de que o processo fosse aceito pelos que estavam sendo avaliados. As avaliações são realizadas por agências especializadas privadas e mantidas pelas próprias universidades e associações profissionais. (BOCLIN, 2005). Já o modelo britânico mudou de um sistema elitista para um sistema de massa e os governos começaram a exigir mais informação para medir resultados. O modelo mais atual no Reino Unido é o Quality Assurance Agency for Higher Education (QAA), que oferece ao público padrões de qualidade de cursos e instituições por meio de avaliações acadêmicas de desempenho. É um órgão do governo federal parcialmente financiado pelas universidades que dele dependem. Trata-se de um conselho independente, com 14 membros, 4 representando as universidades, 4 de órgãos de financiamento do governo e 6 membros independentes, dentre os quais é escolhido o presidente do Conselho. As equipes de avaliação externa são contratadas junto a especialistas. (BOCLIN, 2005). As universidades inglesas tradicionalmente praticavam a avaliação externa mediante pares, para análise de seus programas de estudo e a qualidade da formação. Foi criado na Inglaterra em 1990 um organismo chamado Academic Antid Unit que examinava as estruturas e mecanismos universitários. O procedimento básico adotado no Reino Unido para avaliação das instituições de educação superior é a auditagem acadêmica. Esta auditagem é realizada por disciplinas/programas de ensino, por um grupo de pares acadêmicos que visitam a instituição 13 e, durante quatro dias, examinam a compatibilidade entre os propósitos e a prática docente em relação aos seguintes itens: → estrutura curricular, seu conteúdo e organização; → processos de ensino-aprendizagem e sua aferição; → promoção e sucesso dos estudantes; → formas de apoio e orientação dos estudantes; → recursos de aprendizagem; e → mecanismos para assegurar a qualidade do ensino e de sua contínua melhoria. (DIAS SOBRINHO, 2000, p.18) A avaliação do grupo de pares é precedida de uma autoavaliação feita pelo departamento ou unidade responsável pelo programa de ensino. O grupo de avaliação externa pode solicitar outros documentos e informações, bem como entrevistar alunos, professores e funcionários. Sob o governo de Margareth Thatcher, na Inglaterra, a educação foi considerada a principal responsável pelas dificuldades políticas, administrativas e pelos insucessos na economia, pois em seu governo ficou claro que as universidades deveriam ser mais úteis à indústria e ao comércio. Deveriam se tornar mais produtivas e rigorosas no controle de sua qualidade, mais eficazes na administração, devendo seguir o modelo das empresas, visando garantir a competitividade internacional. (DIAS SOBRINHO, 2000). Do outro lado do Atlântico, o Canadá dava ênfase a medidas de insumos, e devido às pressões econômicas e matrículas crescentes de alunos passou de um foco nos insumos para um foco nos resultados e ao monitoramento da prestação de contas do rendimento do sistema. Um relatório altamente crítico incentivou a adoção de padrões uniformes para avaliar o ensino (BOCLIN, 2005). O Projeto Statistics Canadá, do Governo Federal, traz a parte principal da coleta de dados, incluindo dados sobre os alunos, corpo acadêmico e finanças, contemplando características demográficas e graus conferidos aos estudantes. Os registros das faculdades incluem dados sobre demografia, graus obtidos, assim como títulos e principais disciplinas lecionadas. (MONTEIRO DE FREITAS, 2010). O sistema de avaliação da Holanda é administrado por uma entidade chamada Association of Cooperating Universities (VSNU). Em 1985, o Ministério da Educação e Ciências propôs medidas para restabelecer a autonomia acadêmica das universidades e foi aprovado neste mesmo ano o sistema de avaliação VSNU, que é uma associação de Ensino Superior responsável pelo andamento e controle do processo de avaliação basicamente de universidades, partindo do princípio segundo o qual as universidades têm a principal responsabilidade de garantir a qualidade daquilo que fazem. (AMARAL, 2008). 14 O governo holandês tem incentivado a natureza formativa da avaliação da qualidade por meio de processos de autoavaliação, mas há uma percepção pública de que esse sistema não produz resultados concretos. Além disso, a comunidade europeia passou a decidir as regras em relação à avaliação das universidades dos países membros e, portanto, a ênfase passou do financiamento da missão a uma orientação para o resultado, com adoção de critérios padronizados para a avaliação na Europa. (BOCLIN, 2005). É tema central na América Latina a acreditação, devido às preocupações dos responsáveis pela Avaliação da Educação Superior. Alguns países vêm implementando nos últimos anos diferentes sistemas de avaliação. Algumas características comuns a essas diversas iniciativas podem ser apontadas, conforme Stark e Sousa (2002): quase todas estão associadas a algum tipo de reforma do arcabouço legal e normativo dos sistemas educacionais; essas reformas estão geralmente conduzindo a uma maior abertura para a participação do setor privado na oferta de educação superior; por isso mesmo, há uma evidente preocupação com a questão da garantia da qualidade do ensino oferecido, na medida em que os sistemas nacionais se expandem com uma participação crescente do setor privado. (STARK; SOUSA, 2002) Por meio de processos de acreditação, para os governos, é possível controlar ou assegurar a qualidade e se certificar de que uma instituição ou seus cursos apresentam padrões aceitáveis. A necessidade de criação de sistemas supranacionais de acreditação veio com a globalização. (DIAS SOBRINHO, 2005a, p. 221). No MERCOSUL, de acordo com o autor, desde 1991 são estabelecidas ações que objetivam produzir procedimentos e instrumentos que permitem a acreditação de determinados cursos de Educação Superior, a certificação da qualidade e o reconhecimento de títulos e diplomas universitários entre os distintos países membros. Esta visão geral sobre os sistemas existentes na Europa e na América Latina, em que se situam Portugal e Brasil, é que ajuda a esclarecer aspectos importantes da avaliação educacional numa perspectiva internacional. O estudo dos países discutidos nesta seção serve de base para considerações que facilitam a compreensão de aspectos essenciais da avaliação da Educação Superior nos diversos países. (MONTEIRO DE FREITAS, 2010). Devido a algumas semelhanças com o Brasil e o favorecimento em questão de idioma, se dará ênfase a uma descrição das características mais importantes dos sistemas de avaliação da educação superior em Portugal. 15 2.1.1 Avaliação da Educação Superior em Portugal A ideia de avaliar as universidades em Portugal está ligada a Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), Lei nº 46/86, que define um amplo quadro de princípios gerais e organizativos de que são exemplos: reconhecimento de direito à educação e à cultura; direito a uma justa e efetiva igualdade de oportunidades, no acesso e no sucesso escolar; o da liberdade de aprender e de ensinar através da não confessionalidade do ensino público; e do direito à criação de escolas particulares e cooperativas, de descentralização e diversificação dos sistemas educativos, da contribuição para o desenvolvimento do espírito e das práticas democráticas. (Lei nº 46/86, Cap. 1, Art. 3º). Esta lei estabeleceu que o sistema educacional em Portugal “deve ser objeto de avaliação continuada, a qual deve ter em conta os aspectos educativos, pedagógicos, psicológicos e sociológicos, organizacionais, econômicos e financeiros e, ainda, os de natureza político-administrativa”. (FUP, 1997) Entre suas leis e regulamentos, o ensino superior português compreende a Lei de Autonomia Universitária (LAU), Lei nº 108/88, que determinou que o governo apresentasse na Assembleia da República uma proposta de lei sobre o regime de avaliação e acompanhamento das universidades. Foi publicado o Decreto nº 271/89, que deu liberdade ao ensino superior particular e cooperativo, respeitando os critérios legais (Decreto nº 271/89) e, em 1990, a Lei nº 54/90 concedeu autonomia aos politécnicos públicos, porém com menor abrangência que as universidades públicas. O primeiro sistema de avaliação de qualidade do ensino superior em Portugal resultou de uma iniciativa do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), que permitiu a implementação de um sistema baseado no modelo então usado na Holanda, em que as entidades responsáveis pela avaliação estão ligadas às instituições de ensino superior. (POLIDORI, 2003). Foi estabelecido pela Lei nº 38/94, de 21 de novembro, o sistema nacional de avaliação, sendo aplicado inicialmente apenas às universidades públicas. O Decreto-Lei nº 205/98, de 11 de julho, estendeu a aplicação do sistema a todo o ensino superior e criou o Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (CNAVES) para garantir a harmonia, a coesão e a credibilidade do processo global de acreditação. O Decreto-Lei estabeleceu, ainda, as regras gerais necessárias para a concretização do sistema de avaliação e o acompanhamento do ensino superior e os princípios a que deve obedecer a constituição das entidades 16 representativas das instituições do ensino superior universitário e politécnico, públicas e não públicas. (A3ES, 2013). Em 06 de janeiro de 2003, a Lei nº 1/2003 introduziu um sistema de acreditação acadêmica, nunca implementado, porque não ficou claro qual o relacionamento do sistema com a acreditação, devido ao fato de o Estado ter delegado essa competência a algumas Ordens Profissionais. Aprovado em 2005 pelos ministros europeus, os “European Standards and Guidelines” (ESG) determinaram que as agências de avaliação reconhecidas na Europa deveriam ser independentes, quer do governo, quer das instituições. Nesse mesmo ano, o Governo solicitou avaliações internacionais que serviam de base para a elaboração de legislação, tendo em vista reformar o setor, incluindo a avaliação do sistema nacional de avaliação de qualidade pela European Association for Quality Assurance in Higher Education (ENQA) e a avaliação do sistema de ensino superior português pela Organisation de Coopération et de Développement Économiques, OCDE. (A3ES, 2013). A ENQA apresentou relatório tendo como principais pontos fracos do sistema de avaliação, coordenado pelo CNAVES, a ineficiência na produção de resultados, ou seja, durante o seu período de vigência não se registrou nenhum encerramento de curso devido à questão da qualidade. Neste sentido, a ENQA recomendou a criação de uma nova agência independente, quer em relação às instituições, quer em relação ao poder político, com treino eficaz dos avaliadores e equipes com peritos internacionais. A OCDE criticou a ineficiência do sistema de ensino superior português, a baixa eficiência pedagógica devido a elevadas taxas de desistência e reprovações. A partir daí, outras medidas foram tomadas devido à necessidade de se implementar um novo sistema de acreditação. Após esses relatórios internacionais da ENQA e da OCDE, foram produzidas várias legislações, destacando medidas sobre o sistema de qualidade, como a Lei nº 38/2007, de 16 de agosto, que aprova o regime jurídico da avaliação do ensino superior, o Decreto-Lei nº 369/2007, de 05 de novembro, que cria a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior – A3ES e aprova os respectivos estatutos, o Decreto-Lei nº 107/2008, promovendo o aprofundamento do Processo de Bolonha no ensino superior, assim como a maior simplificação e desburocratização de procedimentos no âmbito da autorização de funcionamento de cursos, introduzindo medidas que garantem maior flexibilidade no acesso à formação superior, criando o regime legal de estudante a tempo parcial, permitindo a 17 frequência de disciplinas avulsas por estudantes e não estudantes, apoiando os diplomados estagiários e simplificando o processo de comprovação da titularidade dos graus e diplomas. Cita-se ainda a Lei nº 62/2007, tratando do regime jurídico das instituições de ensino superior – RJIES, o Decreto-Lei nº 205/2009, que procede à alteração do Estatuto da Carreira Docente Universitária e o Decreto-Lei nº 207/2009, que traz o Estatuto da Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Politécnico. (A3ES, 2013). 2.1.1.1 Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior – A3ES Por meio do Decreto-Lei nº 369/2007, de 5 de novembro de 2007, foi instituída pelo Estado a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior – A3ES. É responsável pela avaliação e acreditação de instituições e cursos do Ensino Superior, pela garantia da qualidade do sistema de ensino e pela inserção de Portugal no sistema europeu de garantia de qualidade de Ensino Superior, tendo iniciado suas atividades em janeiro de 2009. Essa agência é membro associado da ENQA, que é uma rede europeia de avaliação, basicamente uma associação das organizações de avaliação dos países europeus que definiu Standards and Guidelines, ou seja, padrões mínimos de qualidade, assumidos pelos ministros encarregados do Ensino Superior, em cada país da União Europeia, como válidos nos sistemas de avaliação dos países membros. A maioria das agências em cada país deverá seguir as orientações gerais da ENQA, válidas por toda a Europa, também em função do Processo de Bolonha, que pretendeu unificar os procedimentos entre os países membros da UE. (MONTEIRO DE FREITAS, 2010). O objetivo primordial da Agência A3ES (2013) é o de proporcionar a melhoria da qualidade do desempenho das instituições de ensino superior e dos seus ciclos de estudos e garantir o cumprimento dos requisitos básicos do seu reconhecimento oficial. A Agência é composta dos seguintes conselhos: curadores, administração, fiscal, consultivo, revisão e científico. É dirigida pelo Conselho de Administração, composto por personalidades de reconhecido mérito e especialização na área da garantia da qualidade do ensino superior e da ciência. Dizem respeito a este Conselho as decisões em matéria de avaliação e de acreditação de cursos ou estabelecimentos de ensino, função exercida com total independência. Ao Conselho Consultivo caberá a representação dos interesses das entidades avaliadas, sendo composto por membros designados pelos estabelecimentos de ensino superior, pelos estudantes, pelas associações profissionais e por outros parceiros sociais. (MARQUES, 2010). 18 O Conselho Curador é constituído por cinco membros, designados por resolução de um Conselho de Ministros, sob proposta de ministro responsável pela área do ensino superior, entre personalidades de reconhecido mérito e experiência. É responsável pelo parecer do plano anual de atividades e o orçamento da Agência, pelo parecer do relatório de gestão e as contas da Agência, apreciar a atuação do Conselho de Administração, designar os membros do Conselho de Administração e do Conselho de Revisão. O Conselho Fiscal é constituído por três membros designados por despacho do membro do governo responsável pela área das finanças, sendo um deles, obrigatoriamente, revisor oficial de contas. Tem como competência o controle da legalidade e da regularidade dos atos de gestão da Agência e o controle da gestão financeira e patrimonial, através do acompanhamento e fiscalização dos instrumentos contábeis da Agência. (A3ES, 2013). O Conselho de Revisão é o órgão de recurso das decisões do Conselho de Administração em matéria de avaliação e acreditação. É composto por cinco membros, com experiência profissional relevante, sem vínculo permanente a instituições de ensino superior portuguesas, devendo integrar pessoas com experiência em organismos estrangeiros congêneres, designados pelo Conselho de Curadores. Já o Conselho Científico foi criado para responder à ênfase posta na internacionalização pelo legislador e é constituído por peritos de reconhecida competência internacional, que no final de cada ano civil promoverão uma discussão do progresso anual e apresentarão um relatório com críticas e sugestões para melhoria de procedimentos. (A3ES, 2013). A Agência é uma fundação de direito privado, constituída por tempo indeterminado, dotada de personalidade jurídica e reconhecida como de utilidade pública. É independente no exercício das suas competências, sem prejuízo dos princípios orientadores fixados legalmente pelo Estado. São requisitos gerais para a acreditação e/ou avaliação de um ciclo de estudos: um projeto educativo, científico e cultural próprio, adequado aos objetivos fixados para esse ciclo de estudos; um corpo docente próprio, qualificado na área em causa, e adequado em número; os recursos humanos e materiais indispensáveis para garantir o nível e a qualidade da formação, designadamente espaços letivos, equipamentos, bibliotecas e laboratórios adequados. (A3ES, 2013). A avaliação reveste as formas de: a) Auto-avaliação, realizada por estabelecimento de ensino superior; b) Avaliação externa, que serve de base aos processos de acreditação e é 19 realizada pela agência de avaliação e acreditação para a garantia da qualidade do ensino superior. (MONTEIRO DE FREITAS, 2010). 2.2 Avaliação da Educação Superior no Brasil Apesar das influências dos modelos internacionais, a concepção de educação superior e de avaliação presente nas políticas implantadas no Brasil foi gestada por acadêmicos envolvidos com comissões governamentais inseridas no Ministério da Educação durante as décadas de 1980 e 1990. (BARREYRO; ROTHEN, 2008). Desse processo, destacam-se quatro propostas de educação superior e de avaliação, que foram expressas nos seguintes documentos: Programa de Avaliação da Reforma Universitária (1983), o relatório da Comissão Nacional de Reformulação da Educação Superior “Uma Nova Política para a Educação Superior Brasileira” (1985), o “Relatório do Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Superior” (1986) e o documento da Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior “Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras” (1993). (BARREYRO e ROTHEN, 2008). 2.2.1 Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU) Por iniciativa do Conselho Federal de Educação (CFE), foi desenvolvido em junho de 1983 o Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU), cujo grupo gestor era composto por Edson Machado de Souza, diretor geral da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), de que era coordenador Sérgio Costa Ribeiro (coordenador técnico), Isaura Belloni Schmidt (coordenadora técnica substituta), Maria Stela Grosi Porto, Maria Umbelina Caiafa Salgado, Mariza Veloso Motta Santos, Mônica Muños Bargas e Orlando Pilatti, que, segundo o documento, eram “pesquisadores com experiência em análise e acompanhamento de projetos” (GRUPO GESTOR DA PESQUISA, 1983, p. 83). Segundo Pilatti (1990), a avaliação proposta pelo PARU considerava tanto dimensões de eficiência externa do sistema - focalizando necessidades e aspirações da sociedade - quanto a eficiência interna, relacionada aos objetivos, compreendendo a organização e o desempenho do sistema em relação à gestão, administração financeira e de pessoal. Tratava-se, portanto, de mais uma avaliação diagnóstica. Foram criadas duas áreas para realização dos estudos que visavam analisar como cada instituição estaria produzindo o conhecimento, levando em conta seu contexto socioeconômico: a) Gestão das Instituições de Educação Superior (IES): para tratar de 20 assuntos relacionados à parte administrativa acadêmica e financeira; b) Produção e disseminação do conhecimento: para tratar do Ensino, da Pesquisa e das interações com a comunidade. Este programa desenvolveu pesquisas tanto para levantar informações quanto estudos específicos para aprofundá-las, com o intuito de comparar as instituições. Com isso, o PARU adquiriu a forma de projeto de pesquisa, tendo um caráter investigativo que fundamentou ações futuras. A avaliação era uma forma de conhecimento sobre a realidade e de reflexão sobre a prática (BARREYRO e ROTHEN, 2008). Para o Grupo Gestor, o PARU tinha como objetivo conhecer as condições reais nas quais se realizavam as atividades de produção e disseminação do conhecimento do sistema de educação superior. Para isso, considerava necessário diagnosticar a situação desse momento de forma a “avaliar o sistema de educação superior, em seu conjunto, nele incluídas as universidades e instituições isoladas, públicas e privadas” (p. 84). Para concretizar seus objetivos seria necessária a participação, especialmente, da comunidade acadêmica, realizando “um processo de reflexão sobre sua própria prática” e de outros setores externos às instituições, sobretudo, na expressão de demandas e expectativas quanto ao papel da universidade e sua organização. Segundo afirmado, o próprio PARU foi elaborado mediante consulta a “segmentos representativos da comunidade acadêmica” (p. 85). Os assuntos indagados eram o conhecimento produzido, levando em conta o contexto socioeconômico no qual estaria inserida a IES. Assim, pretendia desvendar como estariam sendo concretizados os objetivos de cada IES, bem como sua articulação com o uso de recursos, com as determinações externas e as relações políticas internas. Outros assuntos que seriam indagados: (GRUPO GESTOR DA PESQUISA, 1983). a qualidade do ensino, a ênfase dada à formação do cidadão e do profissional; a relação da pesquisa com o ensino, a importância dada à pesquisa básica e aplicada, bem como sua vinculação às necessidades sociais e empresariais; a extensão e a prestação de serviços e a assistência comunitária e sua relação com as atividades de ensino e pesquisa; e as atividades administrativas e sua influência no ensino e a pesquisa, os recursos materiais, assim como as representações e aspirações do público acadêmico e não acadêmico e a dimensão política que perpassa por todas essas atividades. (GRUPO GESTOR DA PESQUISA, 1983, p. 83). As fases da pesquisa eram duas: a primeira, um estudo base, com o intuito de coletar informações fundamentais sobre as IES, que seria realizado por amostra mediante a aplicação de um instrumento-padrão; e a segunda, estudos específicos ou estudos de caso, que aprofundariam o estado de conhecimento sobre um assunto, experiências relevantes, análises 21 específicas, etc. O estudo-base pretendia coletar dados que permitissem a comparabilidade entre instituições. (BARREYRO e ROTHEN, 2008). O grupo de pesquisa, com a finalidade de realizar uma investigação de avaliação sistêmica, recorreu à “avaliação institucional” e considerou a“avaliação interna” como procedimento privilegiado. Foi proposta a participação da comunidade na realização de autoavaliação. O programa foi o precursor das experiências de avaliação posteriores no país (PAIUB, SINAES-CEA) inaugurando a concepção de avaliação formativa e emancipatória. Para Belloni (1989, p. 62): Depois de três anos de desenvolvimento, a pesquisa de maior porte já desenvolvida neste país acerca de educação superior está com escassa possibilidade de chegar a termo, para concretizar seu objetivo de servir de subsídio à tomada de decisão e formulação de políticas. A destituição do Grupo [Gestor da Pesquisa], decidida pelo próprio coordenador e por dirigentes da SESu, foi justificada sob o argumento de ‘pouca produtividade e não colaboração com as necessidades’ da SESu, e em particular do Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior (GERES) cujos trabalhos encerraram-se em princípio de setembro de 1986. BELLONI (1989, p. 62). O PARU foi desativado deixando pesquisas inconclusivas, mas os membros desse programa posteriormente comporiam comissões para elaborar e executar outras experiências de avaliação da educação superior. Dada à proposta da participação da comunidade, este programa foi o precursor das experiências de avaliação posteriores no país como o PAIUB e o SINAES (BARREYRO e ROTHEN, 2008). 2.2.2 Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior (CNRES) Foi instituída pelo Decreto n º 91.177, de 29 de março de 1985, a Comissão Nacional Para Reformulação da Educação Superior (CNRES), visando à reformulação da educação superior no marco da re-democratização do país, com a instauração da Nova República. Esta comissão era composta por 24 membros. O resultado do trabalho da Comissão, de acordo com Barreyro e Rothen (2008), materializou-se no relatório intitulado “Uma nova política para a educação superior brasileira”, que teve como relator Simon Schwartzman. Na introdução do relatório, a Comissão afirmou que não existiriam fórmulas mágicas e, que consequentemente, a simples elaboração de uma nova lei não resolveria os problemas da educação superior. Evidente no documento, já no seu título, que seria necessária a criação de uma nova política e não de uma nova lei. (BARREYRO; ROTHEN, 2008). 22 O documento constitui-se de cinco partes segundo a Comissão Nacional, 1985: 1) a apresentação dos princípios norteadores da proposta; 2) as idéias gerais de reformulação; 3) as sugestões de ações pontuais para operacionalização das ideias gerais; 4) a declaração de voto de alguns membros da Comissão sobre aspectos pontuais de divergência com o relatório; 5) a proposta de algumas ações de emergência. (COMISSÃO NACIONAL, 1985). O documento diz que, para a superação da crise da universidade brasileira, se deveria aumentar, significativamente, a autonomia universitária, que seria acompanhada por um processo externo de avaliação baseado na valorização de mérito acadêmico. A Comissão Nacional (1985) dividiu os princípios norteadores em sete: a) Responsabilidade do poder público. b) Adequação à realidade do País. c) Diversidade e Pluralidade. d) Autonomia e democracia interna. e) Democratização do acesso. f) Valorização do desempenho. g) Eliminação dos aspectos corporativos e (COMISSÃO NACIONAL, 1985). cartoriais. Outra proposta desta Comissão referia-se à função do Conselho Federal de Educação, que deveria se assumir como um órgão responsável pela avaliação. Também propôs que o funcionamento das instituições isoladas deveria ser creditado pelas universidades próximas. (BARREYRO; ROTHEN, 2008). 2.2.3 Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior (GERES) O “Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior” (GERES) foi criado como grupo interno do MEC pela Portaria n° 100, de 6 de fevereiro de 1986, e instalado pela Portaria n° 170, de 3 de março de 1986 (CARDOSO, 1989, p. 113). Foi constituído por cinco pessoas que exerciam funções no âmbito do Ministério da Educação. Segundo Schwartzman (1988), eram eles: Antônio Octávio Cintra e Getúlio Carvalho, secretários gerais adjuntos do Ministério da Educação; Sérgio Costa Ribeiro, ex-coordenador técnico do PARU; Edson Machado de Souza, diretor da CAPES e ex-coordenador do PARU; e Paulo Elpídio Menezes Neto, Secretário de Educação Superior (GERES 1986). O grupo tinha a função executiva de elaborar uma proposta de Reforma Universitária. O ponto de partida adotado foi o relatório final da Comissão Nacional de Reformulação da Educação Superior (BARREYRO; ROTHEN 2008). 23 O GERES optou por restringir a sua proposta de reformulação da legislação pertinente à Educação Superior às instituições públicas. Essa opção foi justificada com o fato de que as diversas propostas da Comissão Nacional teriam inúmeras implicações e que elas mereceriam maior discussão. Outro argumento em favor dessa opção, e que deve ser ressaltado, é que a GERES compreendia que a estrutura das instituições públicas prevista pela Reforma Universitária de 1968 restringia a autonomia e diminuía o potencial de desempenho dessas entidades. Nessa linha de justificativa, o objetivo explicitado no documento do GERES era o de elaborar uma proposta que aumentasse a eficiência das instituições federais (GERES 1986). O fio condutor do documento da Comissão Nacional para a Reformulação da Educação Superior, retomado pelo GERES, de acordo com Barreyro e Rothen (2008), preconizava Uma nova política para a educação superior brasileira, a saber, o aumento da autonomia universitária e a avaliação da responsabilidade social mediante processos públicos com critérios estabelecidos pela própria comunidade acadêmica. (BARREYRO; ROTHEN 2008). A ideia do binômio autonomia/avaliação referendada pela comunidade acadêmica seria um dos pontos nevrálgicos da argumentação. O controle das instituições não seria mais burocrático e ritualista e passaria a ser realizado pelos processos de avaliação institucional, deixando de verificar o cumprimento da legislação e averiguando o desempenho institucional. (SCHWARTZMAN, 1988). Outro principio claro ao Grupo era de que o modelo, implantado pela Reforma de 1968, de associação entre o ensino e a pesquisa teria sido equivocado pelo fato de que a pesquisa seria um fator estranho à tradição do ensino brasileiro. (SCHWARTZMAN, 1988). Nessa linha de raciocínio, compreendia que, na realidade, existiria mais de um tipo de instituição de educação superior, e cada uma atenderia principalmente a uma função específica: a formação profissional ou a realização de pesquisa (SCHWARTZMAN, 1988). Além dessa flexibilização, no documento, propôs-se a superação da ideia de que a universidade deveria abranger todos os campos do saber, portanto, poderiam existir universidades por áreas do saber (SCHWARTZMAN, 1988). O GERES compreendia que, o que definiria a universidade, não seria nem a pesquisa e nem a universalidade dos campos do saber, mas, sim, a sua autonomia didática, administrativa e financeira. O grupo propôs que estabelecimentos isolados de excelência poderiam gozar da autonomia, desde que tivessem reconhecido o seu status universitário. A 24 proposta do GERES ocorreu em um círculo vicioso, pois caracterizava a universidade como uma instituição autônoma e, ao mesmo tempo, propunha que se fosse atribuída a outras instituições a autonomia, desde que tivessem o status universitário, ou seja, é universidade porque é autônoma e é autônoma porque é universidade. O sistema, na visão do grupo, deveria ser flexibilizado, tanto nos seus objetivos (formação profissional e/ou pesquisa) como na sua estrutura organizacional, abandonando a ideia presente na Reforma Universitária de um modelo único de universidade. A avaliação, na visão do GERES, segundo Barreyro e Rothen (2008), teria a função primordial de controlar a qualidade do desempenho da Educação Superior, especialmente a pública. No caso do setor privado, o próprio mercado faria a regulação, pois esse setor depende do sucesso do seu produto para obter os recursos para a sua manutenção e expansão. Assim nessa lógica, o financiamento da educação superior cumpriria, para o setor público, o mesmo papel que o mercado tem em relação ao privado. (BARREYRO; ROTHEN, 2008, p.15) O relatório da Comissão para a Reformulação da Educação Superior e o documento do GERES apresentam uma proposta de avaliação que está baseada num questionamento do sistema existente. Nos documentos, há forte ênfase na idéia de que a universidade (modelo privilegiado pela reforma universitária de 1968) não seria o único modelo de instituição de educação superior desejável (GERES, 1986). Então, por ela ser privilegiada com a autonomia, deveria prestar contas das suas atividades, e os recursos financeiros deveriam ser estabelecidos de acordo com os seus resultados. A perspectiva inclui a avaliação externa, interpares, para garantir resultados mais objetivos (SCHWARTZMAN, 1988). O GERES foi um grupo executivo, o que, às vezes, no Brasil, se confunde com legislativo e, na sua proposta, não desenvolveu ideias novas, mas selecionou aquelas da Comissão Nacional de Reformulação da Educação Superior que apresentavam e resumiam toda uma concepção de educação superior - a da diversificação institucional e da avaliação para alocação de recursos - e que iriam guiar as políticas de educação superior da década seguinte. Vale destacar que, no documento do GERES, é embrionária a ideia de que a avaliação da educação pública deveria cumprir o mesmo papel que o mercado consumidor de educação tem em relação à educação privada, isto é, controle da qualidade do desempenho institucional (GERES, 1986). 25 2.2.4 Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) O Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) foi criado em dezembro de 1993, pelo lançamento de um documento básico da Coordenadoria Geral de Análises e Avaliação Institucional da Secretaria da Educação Superior (SESU) e da Comissão Nacional de Avaliação das Universidades Brasileiras, composta por representantes da Associação Brasileira de Universidades Estaduais e Municipais, Associação Nacional de Universidades Particulares, Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas, Associação de Dirigentes das Instituições de Ensino Superior, Fórum dos Pró-Reitores de Graduação e outros fóruns do mesmo nível. Tal comissão precisava ter composição diversificada, de forma a garantir a indissociabilidade da ação da universidade, contemplando, preservada a deliberação de suas instâncias superiores, a participação dos segmentos acadêmicos, de especialistas e de setores profissionais e sociais (PAIUB, 1993, p. 9). O processo de avaliação deve, portanto, ser o contraponto da proposta institucional desenvolvida pela IES, buscando atender a uma tripla exigência da universidade contemporânea: a) um processo contínuo de aperfeiçoamento do desempenho acadêmico; b) uma ferramenta para o planejamento e gestão universitária; c) um processo sistemático de prestação de contas à sociedade. (PAIUB, 1993, p. 4). Uma sistemática de avaliação institucional da atividade acadêmica, considerando a descentralização dos procedimentos para a tomada de decisão, deve ser desenvolvida tendo em vista alguns princípios básicos: - aceitação ou conscientização da necessidade de avaliação por todos os segmentos envolvidos; - reconhecimento da legitimidade e pertinência dos princípios norteadores e dos critérios a serem adotados; - envolvimento direto de todos os segmentos da comunidade acadêmica na sua execução e na implementação de medidas para melhoria do desempenho institucional (PAIUB, 1993, p. 5). O programa teve como objetivo básico rever e aperfeiçoar o projeto acadêmico e sociopolítico da instituição, promovendo a permanente melhoria da qualidade e pertinência das atividades desenvolvidas, a utilização eficiente, ética e relevante dos recursos humanos e materiais da universidade traduzida em compromissos científicos e sociais, assegurar a qualidade e a importância dos seus produtos e a sua 26 legitimação junto à sociedade. (PAIUB, 1993, p. 5). A partir deste objetivo básico da avaliação institucional é possível destacar os seguintes objetivos específicos: 1. impulsionar um processo criativo de autocrítica da instituição, como evidência da vontade política de auto avaliar-se para garantir a qualidade da ação universitária e para prestar contas à sociedade da consonância dessa ação com as demandas científicas e sociais da atualidade; 2. conhecer, numa atitude diagnóstica, como se realizam e se inter-relacionam na Universidade as tarefas acadêmicas em suas dimensões de ensino, pesquisa, extensão e administração; 3. (re) estabelecer compromissos com a sociedade explicitando as diretrizes de um projeto pedagógico e os fundamentos de um programa sistemático e participativo de avaliação, que permitam constante reordenamento, consolidação e/ou reformulação das ações da Universidade, mediante diferentes formas de divulgação dos resultados da avaliação e das ações dela decorrentes; 4. repensar objetivos, modos de atuação e resultados na perspectiva de uma Universidade mais consentânea com o momento histórico em que se insere, capaz de responder às modificações estruturais da sociedade brasileira; 5. estudar, propor e implementar mudanças no cotidiano das atividades acadêmicas do ensino, da pesquisa, da extensão e da gestão, contribuindo para a formulação de projetos pedagógicas e institucionais socialmente legitimados e relevantes. (PAIUB, 1993, p. 5). Para Dias Sobrinho (1996), esta avaliação, assenta-se sobre dois pilares: 1°) Busca olhar seu objeto, neste caso a Universidade, de forma compreensiva e crítica, na plenitude de suas estruturas e relações. Assim, todos os elementos da vida universitária devem fazer parte do processo de avaliação (ensino, pesquisa, extensão, laboratórios, bibliotecas, corpo técnico-administrativo, etc). 2°) Também é institucional no sentido em que os sujeitos (professores, alunos, funcionários e outros) constroem o processo e participam ativamente dele, segundo critérios, objetivos e procedimentos públicos da comunidade universitária. A busca pela qualidade é entendida no PAIUB como um processo decisivo para que a instituição melhore como um todo. Palharini (2001) afirma que O núcleo central da proposta estabelece que a avaliação seja um processo descentralizado, participativo, aberto, criativo, voltado para uma reflexão crítica e para a redefinição de grandes objetivos acadêmicos, que contemple informações quantitativas e qualitativas, sem caráter punitivo ou de premiação (PALHARINI, 2001, p. 18). O PAIUB representou o reconhecimento consensual da necessidade da avaliação para melhorar a qualidade das atividades acadêmicas, sendo estas orientadas para a instituição 27 e centradas nos processos. O programa foi implementado prevendo três pontos básicos de avaliação: um projeto de avaliação institucional, um projeto de autoavaliação das instituições de ensino e um projeto de avaliação externa, conforme anuncia Gomes (2003). Neste contexto, uma proposta metodológica para a avaliação do ensino de graduação envolve, essencialmente, três etapas: diagnóstico, avaliação interna e avaliação externa. A implementação de tais etapas deverá ser feita segundo as características de cada instituição universitária, não podendo, no entanto, restringir-se ao diagnóstico. Da mesma forma, ações e decisões preliminares, derivadas de resultados de avaliação, poderão ser desenvolvidas ao longo do processo (BRASIL, 1994, p.17). Os princípios que nortearam a elaboração do PAIUB são: globalidade, comparabilidade, respeito à identidade institucional, não punição ou premiação, adesão voluntária, legitimidade e continuidade (BRASIL, 1994). Para Palharini: Desses princípios derivam-se as características principais do programa: o caráter institucional, a globalidade, a participação dos diferentes segmentos que compõem a universidade, a avaliação interna, externa e a reavaliação, a continuidade, a sistematização e a legitimidade política e técnica do processo (PALHARINI, 2001, p. 17). O Documento Básico do PAIUB (1993) diz que: O processo de avaliação deve ser contínuo e sistemático, para promover permanente aperfeiçoamento, reflexão constante e redefinição dos objetivos e das prioridades científicas e sociais da instituição acadêmica. Assim, não deve estar vinculado a mecanismos de punição ou premiação. Ao contrário, deve prestar-se para auxiliar na identificação e na formulação de políticas, ações e medidas institucionais que impliquem atendimento especifico ou subsídios adicionais para o aperfeiçoamento de insuficiências encontradas. (PAIUB, 1993, p. 6). É possível perceber, pelos aspectos ressaltados, que o programa visa a busca pela melhoria da qualidade e que esta é uma tarefa contínua e deve estar relacionada ao processo de planejamento da instituição. De maneira esquemática, o Quadro 1 sintetiza os principais aspectos dos quatro documentos: 28 Quadro 1- Comparação entre os documentos do PARU/CNRES/GERES/PAIUB Documento PARU (1983) Programa de Avaliação da Reforma Universitária CNRES (1985) Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior GERES (1986) Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior PAIUB (1993) Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras Autores Grupo gestor (especialistas em análise de projetos, sendo alguns técnicos do MEC) 24 membros (heterogêneo) provenientes da comunidade acadêmica e da sociedade Grupo interno do MEC Comissão Nacional de Avaliação (Representativa de entidades) Objetivo Fazer um diagnóstico da educação superior Propor nova política de educação superior Propor nova lei de educação superior Propor uma sistemática de avaliação institucional Função Concepção de avaliação Formativa Regulação Regulação Formativa Justificativa Investigação sistemática da realidade Contraponto da autonomia. Vincula financiamento Contraponto da autonomia. Vincula financiamento Tipo de avaliação Interna Externa Externa Prestação de contas por ser um bem público que atinge a sociedade Autoavaliação e avaliação externa Comunidade acadêmica Conselho Federal de Educação (para as universidades) Universidades (para as faculdades próximas) Secretaria de Educação Superior para a Educação Pública Mercado (para a Educação Privada) Agentes de avaliação Unidade de análise Instituição Indicadores e estudo de casos Fonte: Barreyro e Rothen, 2008. Instrumentos Instituição Instituição Indicadores de desempenho Indicadores de desempenho Endógena e voluntária Instituição, iniciando pelo ensino de graduação Indicadores de desempenho 2.2.5 Exame Nacional de Cursos (ENC) Em 1995, com a Lei nº 9.131, de 24 de novembro, o Ministério da Educação passou a executar avaliações periódicas das instituições e dos cursos de ensino superior, usando procedimentos e critérios abrangentes dos diversos fatores que determinam a qualidade e a eficiência das atividades de ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 1995). Com a referida lei, foi criado o Exame Nacional de Cursos (ENC), também conhecido como Provão, tendo sido aplicado no ano de 1996 nos cursos de Direito, Administração e Engenharia Civil. A previsão era de que a cada ano mais cursos fossem introduzidos no processo. 29 Foi regulamentado pela realização de um exame geral obrigatório, a fim de fornecer à população uma educação de qualidade. Diante disso está disposto na referida lei que Art.3º - Com vistas ao disposto na letra “c” da Lei 4024, de 1961, com a redação dada pela presente Lei, o Ministério da Educação e do Desporto fará realizar avaliações periódicas das instituições e dos cursos de nível superior, fazendo uso de procedimentos e critérios abrangentes dos diversos fatores que determinam a qualidade e a eficiência das atividades de ensino, pesquisa e extensão (Artigo 3º, Lei n.º 9131/95). Entretanto, foi em 1996 que o Decreto nº 2.026, de 10 de outubro de 1996, estabeleceu procedimentos para o processo de avaliação dos cursos e instituições de ensino superior. O artigo 1º do referido Decreto estabelece: Art. 1º. O processo de avaliação dos cursos e instituições de ensino superior compreenderá os seguintes procedimentos: I análise dos principais indicadores de desempenho global do sistema nacional de ensino superior, por região e unidade da federação, segundo as áreas do conhecimento e o tipo ou a natureza das instituições de ensino; II avaliação do desempenho individual das instituições de ensino superior, compreendendo todas as modalidades de ensino, pesquisa e extensão; III avaliação do ensino de graduação, por curso, por meio da análise das condições de oferta pelas diferentes instituições de ensino e pela análise dos resultados do Exame Nacional de Cursos; IV avaliação dos programas de mestrado e doutorado por área do conhecimento. (BRASIL, 1996). A avaliação das condições de oferta de cursos de graduação, que consiste em verificar a) a organização didático-pedagógica; b) a adequação das instalações físicas em geral; c) a adequação das instalações especiais, tais como laboratórios, oficinas e outros ambientes indispensáveis à execução do currículo; d) a qualificação do corpo docente (titulação, regime de trabalho, planos de cargo e salários, produtividade científica, experiência profissional, relação professor/ aluno); e) as bibliotecas, com atenção para o acervo bibliográfico, inclusive livros e periódicos, regime de funcionamento, modernização dos serviços e adequação ambiental (Art. 6º, Decreto n.º 2026/96). Na avaliação das condições de oferta de cursos de graduação existiam Comissões de Especialistas designadas para avaliar os cursos que já haviam se submetido ao Exame Nacional de Cursos. Através dos resultados dos dois métodos de avaliação, definia-se a classificação ou o ranqueamento das instituições. O “Provão” e a avaliação das condições de oferta configuravam-se como instrumentos de medição quantitativa de resultados, legitimadores do controle através do qual o governo tentava homogeneizar as universidades. 30 Dias Sobrinho (1999, p. 40) afirma: “[...] trata-se de um instrumento regulador que faz parte de um universo mais amplo de regulação ou de estabelecimento de regras de jogo de validade nacional”. O Exame Nacional de Cursos foi aplicado aos estudantes no período de 1996 a 2003, abrangendo cursos de graduação de 26 áreas. No ano de 2003, iniciou-se um debate em torno das políticas de avaliação da educação superior, considerando necessária a adoção de ações e/ou medidas que reformulassem e reorientassem as práticas desenvolvidas naquele momento. A participação no Exame Nacional de Cursos foi tornada obrigatória para o aluno obter o seu diploma de conclusão da graduação, mas a lei garantia que as notas não seriam registradas no histórico escolar (§3º, Art. 3º, Lei n.º 9131/95). As instituições eram classificadas em um ranking, de acordo com os resultados das provas realizadas pelos estudantes, por meio de cinco menções (A, B, C, D e E, sendo A a melhor nota, e E a pior). A implantação do ENC fazia parte de uma política de descentralização da gestão e financiamento da educação, articulada com a centralização dos processos de avaliação em que o governo assumia mais um papel regulador e a avaliação adquiria o papel de indutor das diretrizes políticas desejadas. Essa seria realizada, utilizando, além dos instrumentos de avaliação, outros indicadores quantitativos para fornecerem estatísticas sobre a evolução do sistema e a situação de cada instituição de ensino superior (GOUVEIA et al., 2005). Versieux (2004) salienta que o ENC constituiu-se em um instrumento para aferir conhecimentos e competências adquiridos pelos graduandos. O processo de implementação desse exame ocorreu de cima para baixo, pois não houve consulta e nem diálogo por parte do governo com as universidades. A concepção de avaliação vigente no ENC é estritamente de caráter regulatório, voltada para o controle. Polidóri, Marinho-Araújo e Barreyro (2006), no entanto, dizem que este modelo mostrou-se insuficiente e fragmentado, e buscou-se outro modelo para superar as falhas do sistema anterior na sua capacidade de integração das diversas políticas de avaliação. A discussão desse novo modelo teve o seu início em abril de 2003, na Comissão Especial de Avaliação (CEA), e deu origem ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). 31 2.2.6 Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) Criado pela Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes. O SINAES avalia todos os aspectos que giram em torno dos seguintes eixos: o ensino, a pesquisa, a extensão, a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão da instituição, o corpo docente, as instalações e vários outros aspectos. (BRASIL 2004b). Existe uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação, avaliação externa, ENADE, avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). Foi criado com a missão de acalmar as críticas acadêmicas e neutralizar os supostos nocivos efeitos do ranqueamento, conforme Molck (2012, p. 32): Este Sistema foi implantado como um processo diferenciado daquele que vinha sendo realizado pelo MEC no governo anterior [ENC], buscando uma visão emancipatória, tentando mensurar o valor agregado dos cursos de graduação à formação do aluno, neutralizando o ranqueamento, eliminando as punições a partir do desempenho, entre outras finalidades. Tanto o ENADE, como a Avaliação das Instituições de Ensino Superior e a Avaliação dos Cursos de graduação, que compõem o SINAES, não tinham o objetivo inicial de constituir rankings. O paradigma era a implantação de uma nova proposta, chamada de emancipatória, caracterizada por não levar em conta somente a mensuração dos resultados produzidos pelas instituições, que acabavam conduzindo sempre a indicadores quantitativos. (MOLCK, 2012, p. 32) Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES). A operacionalização é de responsabilidade do Inep. O SINAES tem como objetivo: identificar mérito e valor das instituições, áreas, cursos e programas, nas dimensões de ensino, pesquisa, extensão, gestão e formação; melhorar a qualidade da educação superior, orientar a expansão da oferta; promover a responsabilidade social das IES, respeitando a identidade institucional e a autonomia. (BRASIL 2004b) O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior está fundamentado nas avaliações institucional, de cursos e de estudantes. Estes são os três componentes do sistema. 32 A avaliação institucional, interna e externa, considera 10 dimensões: 1. Missão e Plano de Desenvolvimento Institucional PDI. 2. Política para o ensino, a pesquisa, a pós-graduação, a extensão e as respectivas formas de operacionalização, incluídos os procedimentos para estímulo à produção acadêmica, as bolsas de pesquisa, de monitoria e demais modalidades. 3. Responsabilidade social da IES, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural. 4. Comunicação com a sociedade. 5. As políticas de pessoal, as carreiras do corpo docente e do corpo técnico-administrativo, seu aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e suas condições de trabalho. 6. Organização de gestão da IES, especialmente o funcionamento e representatividade dos colegiados, sua independência e autonomia na relação com a mantenedora, e a participação dos segmentos da comunidade universitária nos processos decisórios. 7. Infraestrutura física, especialmente a de ensino e de pesquisa, biblioteca, recursos de informação e comunicação. 8. Planejamento e avaliação, especialmente os processos, resultados e eficácia da auto-avaliação institucional. 9. Políticas de atendimento aos estudantes. 10. Sustentabilidade financeira, tendo em vista o significado social da continuidade dos compromissos na oferta da educação superior. (BRASIL 2004b) Neste processo de avaliação, cabe ao Ministério da Educação (MEC) articular, viabilizar e financiar a avaliação da educação superior, estimulando a adesão voluntária das instituições a esta prática avaliativa. A avaliação é compreendida enquanto um processo de acompanhamento metódico das ações realizadas pela instituição de educação superior, com vista a averiguar em que medida são cumpridas e atendidas as funções e prioridades delimitadas coletivamente (REIS, 2010). A avaliação dos cursos é realizada analisando-se 3 dimensões: 1. Organização Didático-Pedagógica. 2. Perfil do Corpo Docente. 3. Instalações físicas. (BRASIL 2004b) A avaliação dos estudantes, por meio do ENADE, aplica-se periodicamente aos alunos de todos os cursos de graduação, ao fim do primeiro e do último ano de curso. A avaliação é expressa por meio de conceitos, tomando por base padrões mínimos estabelecidos por especialistas das diferentes áreas do conhecimento (BRASIL 2004b). As informações são coletadas da seguinte forma: a) Censo da Educação Superior (integrado ao SINAES e incluindo informações sobre atividades de extensão); b) Cadastro de Cursos e Instituições (integrado ao SINAES); e c) 33 CPA: Comissão Própria de Avaliação (criadas nas IES com a atribuição de conduzir os processos de avaliação interna da instituição, de sistematização e de coleta de informações). (BRASIL 2004b). O SINAES, de acordo com a Lei n° 10.861, propõe uma avaliação institucional integrada por diversos instrumentos complementares: Autoavaliação, Avaliação Externa, Censo e Cadastro. Autoavaliação: conduzida pela CPA (Comissão Própria de Avaliação). Cada instituição realizará uma autoavaliação, que será o primeiro instrumento a ser incorporado ao conjunto de instrumentos constitutivos do processo global de regulação e avaliação. A autoavaliação articula um autoestudo segundo o roteiro geral proposto em nível nacional, acrescido de indicadores específicos, projeto pedagógico, institucional, cadastro e censo. O relatório da autoavaliação deve conter todas as informações e demais elementos avaliativos constantes do roteiro comum de base nacional, análises qualitativas e ações de caráter administrativo, político, pedagógico e técnico-científico que a IES pretende empreender em decorrência do processo de autoavaliação, identificação dos meios e recursos necessários para a realização de melhorias, assim como uma avaliação dos acertos e equívocos do próprio processo de avaliação (BRASIL 2004b). Avaliação externa: essa avaliação é feita por membros externos, pertencentes à comunidade acadêmica e científica, reconhecidos pela capacidade em suas áreas e portadores de ampla compreensão das instituições universitárias (BRASIL 2004b). Censo: é um instrumento independente que carrega um grande potencial informativo, podendo trazer importantes elementos de reflexão para a comunidade acadêmica, o Estado e a população em geral. Por isso, é desejável que os instrumentos de coleta de informações censitárias integrem também os processos de avaliação institucional, oferecendo elementos úteis à compreensão da instituição e do sistema. Os dados do Censo também farão parte do conjunto de análises e estudos da avaliação institucional interna e externa, contribuindo para a construção de dossiês institucionais e de cursos a serem publicados no Cadastro das Instituições de Educação Superior (BRASIL 2004b). Cadastro: de acordo com as orientações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e da CONAES, serão levantadas e disponibilizadas para acesso público as informações do cadastro das IES e seus respectivos cursos. Essas informações, que também serão matéria de análise por parte das comissões de avaliação nos processos internos e externos de avaliação institucional, formarão a base para a 34 orientação permanente de pais, alunos e da sociedade em geral sobre o desempenho de cursos e instituições (BRASIL 2004b). O Ministério da Educação tornará público e disponível o resultado da avaliação das instituições de ensino superior e de seus cursos. A divulgação abrange tanto instrumentos de informação, dados do censo, do cadastro, Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Curso (IGC), quanto os conceitos das avaliações para os atos de Renovação de Reconhecimento e de Recredenciamento (ciclo trienal do SINAES – com base nos cursos contemplados no ENADE de cada ano). A integração dos instrumentos (auto-avaliação, avaliação externa, avaliação das condições de ensino, ENADE, censo e cadastro) permite a atribuição de conceitos, ordenados numa escala com cinco níveis, a cada uma das dimensões e ao conjunto das dimensões avaliadas. Com relação ao ENADE, existirão padrões de qualidade estabelecidos por especialistas, com o objetivo de expressarem com maior fidedignidade o desempenho dos alunos. Os resultados da avaliação realizada pelo SINAES subsidiarão os processos de regulação, que compreendem: Atos Autorizativos: credenciamento de IES, autorização e reconhecimento de cursos e Atos Regulatórios: recredenciamento de IES e renovação de reconhecimento de cursos (BRASIL 2004b). Os resultados considerados insatisfatórios ensejarão a celebração de um protocolo de compromisso firmado entre a IES e o MEC, no qual se estabelecerão encaminhamentos, procedimentos e ações, com indicação de prazos e métodos a serem adotados pela IES para a superação das dificuldades. Para Verhine et al. (2006), este sistema foi desenvolvido contando com a participação de todos os membros do ensino superior, para levar ao conhecimento – de direito – da sociedade civil, os procedimentos, os dados e os resultados, respeitando, ao mesmo tempo, a autonomia e a identidade das IES e dos cursos. O SINAES pode ser efetivamente considerado um sistema, à medida que: integra os instrumentos de avaliação; integra os instrumentos de avaliação aos de informação; integra os espaços de avaliação no MEC; integra a auto-avaliação à avaliação externa; articula, sem confundir, avaliação e regulação; propicia coerência entre avaliação e os objetivos e a política para a educação superior. (RISTOFF; GIOLO, 2006, p. 198). 35 Neste sentido, o SINAES configura-se como um importante mecanismo no desenvolvimento dessa articulação entre os processos de avaliação e regulação. É importante enfatizar que sua construção está sustentada na ideia de que todas as avaliações da educação superior, realizadas no âmbito do Ministério da Educação, se organizem e se operacionalizem a partir de uma concepção que integre as metodologias, os momentos, os espaços e os instrumentos de avaliação e de informação. Neste trabalho, abordar-se-á o ENADE, pois o foco do presente estudo é a relação desse exame com a avaliação docente. 2.2.6.1 Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) é um dos procedimentos de avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). É realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), segundo diretrizes estabelecidas pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES), órgão colegiado de coordenação e supervisão do SINAES. Previsto na Lei nº 10.861/2004 e regulamentado pela Portaria nº 2.051, de 09 de julho de 2004, o ENADE é um dos instrumentos que compõem a avaliação da qualidade dos cursos superiores no Brasil. O parágrafo 1º do artigo 5º da referida lei estabelece: O ENADE aferirá o desempenho dos estudantes com relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares dos respectivos cursos de graduação, suas habilidades para o ajustamento às exigências decorrentes da evolução do conhecimento e suas competências para compreender temas exteriores aos âmbitos específicos de sua profissão legados à realidade brasileira e mundial e a outras áreas do conhecimento (BRASIL, 2004b). O ENADE é desenvolvido com o apoio técnico de Comissões Assessoras de Áreas e Comissão Assessora da Formação Geral. Essas comissões, compostas por especialistas de notório saber, atuantes na área, são responsáveis pela determinação das competências, conhecimentos, saberes e habilidades a serem avaliadas e todas as especificações necessárias à elaboração da prova a ser aplicada. O exame surge como uma ferramenta para diagnosticar competências e habilidades adquiridas ao longo de um ciclo de escolarização superior, centrado na trajetória acadêmica, explorando conteúdos de todo o espectro das diretrizes nacionais e não apenas os 36 profissionalizantes, buscando avaliar o desempenho dos estudantes quanto às competências, aos saberes, aos conteúdos curriculares e à formação geral (FONSECA, 2008). O ENADE, além do aspecto regulatório, passa a apresentar um caráter avaliativo ao analisar as competências adquiridas ao longo de três anos de escolarização superior, cruzado com a visão do aluno sobre a sua instituição e com seu conhecimento sobre aspectos mais gerais, não relacionados a conteúdos específicos. A prova do ENADE é aplicada todos os anos, mas cada curso só é avaliado de três em três anos. (VERHINE; DANTAS; SOARES, 2006). É operacionalizado por meio de quatro instrumentos: “a prova, o questionário de impressões dos estudantes sobre a prova, o questionário socioeconômico e o questionário do coordenador do curso” (INEP, 2010). A primeira prova do ENADE para os cursos de Administração foi realizada em 2006, a segunda em 2009 e a terceira em 2012, tendo como objetivo avaliar se o estudante desenvolveu, no processo de formação, as seguintes competências: I – Competências Técnicas: a) Domínio das teorias da administração; b) Conhecimento de conteúdos interdisciplinares da formação do administrador; c) Conhecimentos qualitativos e quantitativos e suas tecnologias; d) Domínio de métodos e técnicas das áreas funcionais da administração; e) Capacidade de elaborar, implementar e gerenciar projetos; II – Competências Transversais: a) Visão estratégica; b) Capacidade de comunicação, intermediação e negociação; c) Capacidade de lidar com mudanças e com riscos no processo de tomada de decisão; d) Liderança, cooperação e trabalho em equipe; e) Compreensão técnico-política no contexto organizacional e social. (Portaria 201 do INEP, 2012). A prova do ENADE 2012, no Componente Específico da área de Administração, tomou como referencial os seguintes objetos de conhecimento: I - Antropologia, sociologia, ciência política, filosofia e ética; II - Psicologia, comportamento organizacional, comportamento empreendedor; III - Sistemas tecnologias de comunicação e de informação; IV - Ciências jurídicas, econômicas e contábeis; V - Teorias da administração e das organizações; áreas funcionais da administração: recursos humanos, marketing, finanças, e operações e logística; VI - Planejamento e gestão estratégica; gestão de projetos, programas e políticas; planos de negócio; gestão de processos; gestão da inovação; VII - Métodos quantitativos aplicados à administração: matemática, estatística e pesquisa operacional; VIII - Métodos qualitativos aplicados à administração. (Portaria 201 do INEP, 2012). A prova de 2012 foi aplicada no dia 25 de novembro e teve, em seu Componente Específico da área de Administração, 30 (trinta) questões, sendo 3 (três) discursivas e 27 37 (vinte e sete) de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de caso e 10 questões de formação geral, sendo que 7 questões foram de múltipla escolha e 3, questões discursivas. Destaca-se que o ENADE: é componente curricular obrigatório dos cursos de graduação, sendo o registro de participação condição indispensável para a emissão do histórico escolar, independentemente de o estudante ter sido selecionado ou não no processo de amostragem do INEP (INEP, 2012). A partir de 2012, somente os concluintes fizeram a prova; até então, esta era aplicada para os ingressantes (estudantes com matrícula inicial no ano letivo de 2012 em curso a ser avaliado pelo ENADE no mesmo ano) e concluintes (estudantes com expectativa de conclusão do curso a ser avaliado pelo ENADE 2012 até julho de 2013, assim como aqueles que tivessem completado mais de 80% (oitenta por cento) da carga horária do curso até o período final de inscrição). A data em que o estudante realizou o referido exame constará como registro no histórico escolar. Nos casos em que o estudante não for selecionado (ingressantes), constarão no histórico escolar os seguintes dizeres: “Dispensado do ENADE pelo MEC nos termos do artigo 5º da Lei nº 10.861/2004” (INEP, 2012). Os concluintes que não realizarem a prova não colarão grau enquanto não regularizarem a sua situação junto ao INEP, devendo aguardar nova edição do exame cuja periodicidade é trienal ou ser inscrito como aluno irregular no ano seguinte (INEP, 2012). O conceito do ENADE é calculado para cada curso, tendo como unidade de observação a instituição de ensino superior – IES, o município da sede do curso e a área de avaliação e é apresentado em cinco categorias (1 a 5), sendo que 1 é o resultado mais baixo e 5 é o melhor resultado possível, na área. A nota do ENADE: é a média ponderada da nota padronizada dos concluintes na Formação Geral e no Componente Específico. A parte referente à Formação Geral contribui com 25% da nota final, enquanto a referente ao Componente Específico contribui com 75% (INEP, 2014). Podem ocorrer casos em que o curso seja classificado como Sem Conceito (SC). Essa situação acontece quando menos de 11 concluintes participam do exame ou da participação resulta nota zero (que pode ser por boicote) (INEP, 2014). As publicações dos resultados do ENADE são feitas mediante sete relatórios, conforme apresentado no site do INEP (2014): relatório do aluno, do curso, da área, da 38 instituição, resumo técnico, relatório de conceitos e relatório técnico-científico. Esses relatórios apresentam os resultados obtidos no ENADE e deverão contribuir para o aperfeiçoamento dos processos de ensino aprendizagem e das condições de ensino e do próprio sistema de avaliação dos cursos de graduação. A seguir, apresenta-se o quadro síntese comparativo (Quadro 2) das principais características dos dois sistemas de avaliação do ensino superior Brasil e Portugal, destacando pontos comuns e pontos que diferenciam os dois sistemas de avaliação. Quadro 2 - Síntese comparativa dos sistemas de avaliação Brasil e Portugal Brasil – Portugal - Semelhanças Brasil – Portugal - Diferenças - Realização de tentativas anteriores para implantação de um sistema de Avaliação da Educação Superior (PAIUB/ Brasil e Experiência-Piloto/ Portugal) até chegarem aos modelos atuais. - O CRUB e o CRUP desempenharam papel diferenciado. Enquanto em Portugal esse Conselho teve papel político decisivo na implantação de um Sistema Nacional, no Brasil, esse Conselho passou a ser um órgão representativo apenas das universidades privadas e não conseguiu exercer nenhuma influência política, prevalecendo o modelo proposto pelo Governo. - Tanto em um país quanto em outro esses movimentos iniciais surgiram das bases universitárias (FUP e CRUP de Portugal e ANDIFES e CRUB no Brasil). - Essas experiências iniciais no Brasil e em Portugal não se consolidaram como sistemas nacionais de avaliação porque, em ambas as realidades, não houve condições de articulação e implementação de todos os componentes integrantes do processo de avaliação. - No Brasil houve ainda outra tentativa de formulação de uma política de avaliação como sistema através do ENC, Provão, já orientada com base em políticas estatais e governamentais, e em maior necessidade de regulação, considerando a expansão desordenada do sistema. - No Brasil, o problema estava no caráter voluntário de adesão das IES ao sistema, o que fazia com que muitas instituições não participassem do processo. Além disso, a ênfase era dada à avaliação institucional interna e à avaliação do desempenho dos estudantes. - Criação de um Sistema Nacional de Avaliação de Educação Superior integrando: instituições e cursos, avaliação interna e avaliação externa, ensino superior público e privado. - Criação de órgãos (Conselhos, Comissões e Associações) para o acompanhamento, coordenação e supervisão do sistema de avaliação do conjunto das IES, públicas e privadas. - No Brasil a gestão do sistema é feita pelos seguintes atores: CONAES (Coordenação), INEP (Execução), CTAA (Acompanhamento), CPA (Gestão local). - Em Portugal havia o CNAVES até 2007 com objetivo de coordenar e integrar todo o sistema e, a partir desse ano, foi substituído pela Agência de - Em Portugal a experiência-piloto seguiu o modelo avaliação interna e avaliação externa, mas só participaram nessa fase as universidades públicas e a Universidade Católica, ficando de fora o ensino politécnico público e as instituições privadas. - No Brasil o SINAES, além das outras dimensões, prevê a Avaliação de Desempenho dos Estudantes, o ENADE, como componente constitutivo da avaliação dos cursos do Sistema de Avaliação Nacional. Os resultados do ENADE, no seu conjunto, alimentam a avaliação de cursos que, por sua vez, no seu conjunto, alimentam a avaliação institucional. O sistema português dá ênfase aos próprios cursos, iniciando pela autoavaliação dos cursos, depois avaliação externa dos cursos que leva à avaliação institucional, mas não há um mecanismo que faça uma análise estratégica de cada instituição como entidade organizacional. - Não há em Portugal avaliação do desempenho dos estudantes no contexto nacional do sistema avaliativo. É parte da avaliação dos cursos no momento da visita in loco e está associada às 39 Avaliação e Acreditação (A3ES) instituída na sequência de uma avaliação do sistema pela ENQA. A Agência coordena e executa todas as etapas de avaliação e acreditação e conta com o apoio dos órgãos e conselhos representativos (CRUP, CCISP e APESP) junto com o Conselho Consultivo e a DGES. - Avaliação da Educação Superior baseada em ciclos avaliativos com caráter sistemático e abrangente. - Preocupação em realizar avaliação e visitas, prioritariamente, de IES e cursos que apresentem indicadores menos favoráveis ou discrepância entre os relatórios da avaliação e os registros dos órgãos de regulação. orientações de Bolonha dentro da proposta de mobilidade e equivalência na Comunidade Europeia. O único exame nacional que existe é o Exame de Ingresso dos Estudantes ao Ensino Superior realizado ao término do ensino secundário (o correspondente no Brasil ao Ensino Médio). - O Brasil ainda apresenta um problema de globalidade do sistema, considerando que as IES estaduais ainda estão fora do processo de avaliação, embora haja indicação de que esse quadro está mudando com assinaturas recentes de acordos entre o SINAES e os Conselhos Estaduais. Em Portugal todas as IES estão inseridas nesse processo, inclusive as politécnicas públicas e privadas. - O Brasil não conseguiu colocar em prática os ciclos avaliativos e encontra-se em grande atraso no cumprimento do calendário previsto em lei. As dificuldades técnicas de operacionalizar o sistema de avaliação têm sido grandes, considerando as dimensões continentais do país, a expansão crescente das IES e cursos pela via privada, o sistema federativo formado por Estados e Municípios de governo próprio e as fragilidades estruturais do INEP e da CONAES tanto físicas quanto de recursos humanos, além da participação voluntária dos membros da CONAES. - Em Portugal, os ciclos avaliativos planejados foram concluídos, com adequações e correções do 2º ciclo em relação ao 1º ciclo. O país tem dimensões muito menores, o poder político é centralizado (não federativo) e a Agência de avaliação e acreditação assim como o Ministério de Ensino Superior têm melhor estrutura e melhores condições de funcionamento. - Com a criação da Agência de Avaliação e Acreditação, em Portugal é feita acreditação prévia de novos ciclos de estudos e acreditação dos ciclos de estudos em funcionamento. Numa fase inicial é dada prioridade à avaliação dos cursos em funcionamento que apresentem indicadores desfavoráveis, mas todos são avaliados. Os resultados desse exercício darão lugar a “Acreditação por um período de 05 anos”, “Acreditação condicional por um período inferior a 03 anos” ou “Não Acreditação”. - A avaliação interna tem como finalidades educativas: promover a melhora da qualidade do Ensino Superior; promover o desenvolvimento institucional: de cursos, docentes, funcionários e estudantes. - Sanear as dificuldades identificadas nas IES e nos - No Brasil não há processos de acreditação de cursos. Há avaliação de cursos, de estudantes e de IES. A partir das dificuldades do cumprimento do ciclo avaliativo (2007), a prioridade das visitas também tomou como base indicadores de desempenho menos favoráveis dos cursos, com base no CPC, mas a diferença é que nem todos os cursos foram visitados in loco, diferentemente de Portugal. - Em Portugal ocorreu uma evolução no sentido de se desenvolver uma legislação específica para as universidades, o que torna os processos de autoavaliação mais efetivos e com maior nível de participação interna da comunidade, levando a uma maior clareza em relação às finalidades e objetivos desta perspectiva de avaliação. 40 cursos, com base no feedback de seus principais resultados; incentivar as IES a desenvolverem, de forma autônoma, a avaliação institucional e a gestão universitária; fixar diálogo com a comunidade acadêmica e com a sociedade em geral. - Enfatizar mais os processos do que os resultados. - Construir uma avaliação sobre valores com indicadores públicos conhecidos pelas IES e assegurando autonomia operacional das Comissões internas que coordenam todo o processo no nível das IES. - Entender a avaliação como ferramenta de gestão servindo de base para o planejamento estratégico das IES, auto-gestão e responsabilização da própria instituição perante a sociedade, na busca de salvaguardar sua identidade institucional. - No Brasil há legislações (a Constituição e a LDB) que garantem uma certa autonomia universitária, no entanto, na prática, há um excesso de regulações que restringem a liberdade de ação das IES e, portanto, dificultam o atingimento dos processos de avaliação educativa. - Em Portugal tem-se dado mais ênfase à avaliação interna e a qualidade transformou-se no mote político do Ensino Superior, considerando que a questão da quantidade já estava resolvida com a passagem para o Ensino Superior de massa e a incorporação de cerca de 50% de jovens entre 18 e 24 anos no Ensino Superior. Sendo assim, tem havido maior participação da comunidade universitária nos processos qualitativos de avaliação, embora esta ênfase tenha sido mudada com a criação da A3ES. - O Brasil, apesar da expansão no setor privado, ainda precisa conciliar o binômio quantidade x qualidade, precisa aumentar o percentual atual de 13,8% de jovens de 18 a 24 anos no Ensino Superior e esse duplo desafio torna mais difícil a manutenção da avaliação da qualidade interna, numa perspectiva de responsabilização das próprias instituições. - A autoavaliação é realizada pela comunidade interna via comissões próprias, mediante instrumentos orientadores específicos. - Esses instrumentos seguem um modelo com visão integrada, abrangente e sistemática e foram construídos a partir de padrões mínimos de qualidade. Esses padrões referem-se às perspectivas pedagógicas e científicas dos cursos, à responsabilidade social da IES, à política de pessoal e a aspectos de infraestrutura de IES e cursos. - O uso dos resultados da auto-avaliação está relacionado, num primeiro momento, a uma certa tendência para que as IES tenham consciência de que há aspectos que precisam ser melhorados e, portanto, criou-se uma certa cultura de avaliação com alguns aspectos positivos nas IES. - Há uma relação do uso dos resultados da avaliação interna com o fortalecimento da autonomia institucional, embora seja diferente o grau de autonomia que os governos concedem às IES de cada país. - A avaliação interna de matriz educativa/ formativa não tem alterado os rumos institucionais e muito menos os aspectos ligados às questões pedagógicas dos cursos. - A avaliação externa tem nos dois países importante - Em Portugal há diferenças em relação ao instrumento de avaliação interna porque, embora a IES e os cursos sejam avaliados o foco principal é nos cursos. Há um instrumento chamado Guião para a autoavaliação de ciclos de estudos em funcionamento (ensino universitário) e outro Guião para autoavaliação de ciclos de estudos em funcionamento (ensino politécnico). - O instrumento de avaliação em Portugal é, portanto, específico para os cursos e é estruturado em dimensões relativas aos aspectos organizativos, administrativos e pedagógicos dos cursos. Não existe ainda instrumento específico para as IES. - No Brasil as IES têm autonomia para elaborar seus instrumentos de autoavaliação desde que sejam estruturados sobre as dez dimensões do SINAES. Este instrumento refere-se mais à autoavaliação institucional do que aos próprios cursos. - Em Portugal, além dos resultados da autoavaliação não gerarem grande impacto, há dificuldades na circulação de informações que têm prejudicado a credibilidade da avaliação que se realiza no interior das instituições. - No Brasil, os relatórios têm fraca objetividade, enfatizam aspectos administrativos e burocráticos em detrimento dos aspectos pedagógicos e não há participação efetiva dos órgãos acadêmicos internos. - O uso dos resultados da autoavaliação pelos órgãos do Governo em Portugal não tem tido impacto e não tem sido levado em conta pelos órgãos de regulação. - Em Portugal ainda há uma certa dificuldade prática 41 finalidade de certificar e validar os relatórios da avaliação interna e é vista também na ótica da prestação de contas (accounntability) à sociedade daquilo que as instituições fazem e de como usam os recursos públicos. - A avaliação externa é assumida por comissões especializadas e é vista como etapa complementar à avaliação interna. - Além disso, a avaliação externa, além do vínculo com a qualidade interna, serve de referencial básico para a regulação. - Dada a importância desta etapa avaliativa é salientado nos dois países a necessidade de capacitação contínua dos avaliadores externos como condição indispensável para o cumprimento dessa modalidade de avaliação. - Há nos dois países um reconhecimento da importância da responsabilização e fiscalização do Estado sobre o Ensino Superior com o objetivo de depuração do sistema. - Nos dois países a regulação está vinculada aos preceitos legais que explicitam que a Educação Superior deve funcionar mediante autorização do poder público. O sentido é de estabelecer o funcionamento equilibrado do sistema contribuindo para a sua estabilidade e perenidade. - Os fundamentos para a elaboração dos instrumentos de avaliação externa em ambos os países são baseados nas dimensões curriculares nacionais e nas determinações do Ministério da Educação dos respectivos países. No Brasil esses instrumentos são elaborados de forma conjunta pela CONAES, DAES e INEP e em Portugal pela A3ES. - Tanto numa realidade quanto noutra o instrumento é composto por indicadores e critérios referenciais mínimos de qualidade, baseados nas características principais de uma instituição universitária ligada, principalmente, ao desenvolvimento do ensino x de aceitação por parte das IES ao processo da avaliação sob a ótica da accountability. Nesse país, a partir da A3ES na constituição da avaliação externa, há participação obrigatória de especialistas estrangeiros (peritos) para dar mais credibilidade ao processo. No Brasil há mais aceitação da accountability e os avaliadores externos são todos integrantes de instituições brasileiras. - No Brasil o BASIS encontra-se em reestruturação e a avaliação interna, através das CPAs, vem apresentando problema em muitas IES. - No Brasil a relação entre avaliação e regulação tem sido muito difícil de compreensão em função de o SINAES ser um sistema misto e coexistirem essas duas modalidades de avaliação em um mesmo sistema. - A avaliação para fins de regulação no Brasil tem como finalidade tomar decisões concretas em relação à autorização, reconhecimento e renovação do reconhecimento dos cursos e ao credenciamento e recredenciamento das IES. - Em Portugal essa finalidade está associada ao registro de novos ciclos de estudos (cursos), à renovação ou revogação dos cursos em funcionamento. - Em Portugal há maior clareza entre avaliação para fins de promoção da qualidade e avaliação para regulação. Os sistemas de avaliação adotados até o momento em Portugal valorizam e priorizam o processo de avaliação interna, no sentido de que as instituições tenham condições de se autogovernarem e possam administrar sua vida cotidiana com autonomia e responsabilidade. Mas há também uma tendência mais recente (a partir de 2007) que valoriza a acreditação de cursos pela agência e regulação pelo Estado, havendo uma cobrança da comunidade acadêmica para que os órgãos de regulação sejam mais enérgicos e possam tomar decisões rigorosas sobre cursos e IES que não atendem aos padrões internacionais de qualidade. - O Brasil possui vários instrumentos de avaliação, sendo um para as IES, outro para os estudantes e diversos instrumentos para os cursos de acordo com suas especificidades (graduação, tecnológico e EAD), além de um instrumento específico para os cursos de graduação, de Direito e de Medicina. - Em Portugal não há instrumento específico para avaliação das IES nem dos alunos, no contexto do sistema de avaliação global. Todos os instrumentos são para avaliação e acreditação de cursos. Assim, tem-se hoje, em Portugal, dois guiões de acreditação prévia, um para pedidos de novos cursos (ciclos de estudos) e outro para elaboração de relatório de 42 pesquisa x extensão, à infraestrutura da instituição e dos cursos, à qualificação do pessoal docente, assim como sua produção científica. - Em relação ao uso dos resultados da avaliação externa, após elaboração dos relatórios da avaliação externa e, em caso de resultados negativos, esses relatórios são enviados novamente para as IES para que elas tenham oportunidade de fazer pedido de reconsideração. Esse aspecto é visto nos dois países como um aspecto educativo da avaliação externa. avaliação/ acreditação dos novos cursos, abrangendo nos dois casos o ensino universitário e o ensino politécnico: dois guiões de autoavaliação de cursos em funcionamento, um para o ensino universitário e outro para o ensino politécnico; e dois guiões de avaliação e acreditação de ciclos de estudos em funcionamento, um para o ensino universitário e outro para o ensino politécnico. - Em relação ao uso dos resultados da avaliação externa em Portugal há uma acusação de que o Ministério de Educação nada fez e nada mudou e não há mecanismos de follow-up por parte dos órgãos do Governo. - No Brasil, o sistema de regulação por parte do governo é mais forte e a possibilidade de haver ligação dos resultados da avaliação externa com o financiamento é sempre referida, sendo necessários, no entanto, estudos mais específicos sobre esse tema. Fonte: Monteiro de Freitas (2012) 2.3 Avaliação Institucional na Univali O movimento da Universidade do Vale do Itajaí em prol da implantação da Avaliação Institucional foi marcado, nos anos de 1993 e 1994, por uma importante ação: a constituição da Comissão de Avaliação Institucional – COAVI, junto à Pró-Reitoria de Ensino (ProEn). Quando da criação dos Centros de Educação na UNIVALI (junho de 1998), a Comissão passou a ter o status de Coordenadoria de Avaliação Institucional. (UNIVALI, 2010). Após estudos sobre experiências de avaliação de outras universidades, a Comissão de Avaliação Institucional promoveu, em 1994, um diagnóstico geral de tipo qualitativo e quantitativo aplicado a 26 cursos de graduação dos campi Itajaí, Balneário Camboriú, Tijucas e Biguaçu, o qual possibilitou a avaliação dos docentes pelos discentes e vice-versa. Também realizou o 1º Seminário Estadual de Avaliação Institucional, juntamente com a Associação Catarinense de Fundações Educacionais (ACAFE), sendo publicados os respectivos Anais. Tais eventos marcaram o ingresso da UNIVALI no PAIUB. Nos anos de 1995 a 2003, foram submetidos à avaliação: - o Ensino Fundamental e Médio do Colégio de Aplicação (Unidades de Itajaí e Tijucas); - o currículo, a formação geral e a infraestrutura dos cursos de graduação pelo Egresso; - a Prática Forense do Curso de Direito; - a Prática Desportiva; - 19 cursos de pós-graduação lato sensu; - o perfil socioeconômico e cultural dos alunos da graduação (perfil discente); - o curso de pós-graduação stricto sensu em Ciência Jurídica; 43 - o Estágio Supervisionado dos Cursos de Direito e do Centro de Ciências da Saúde; - o desempenho das funções institucionais, gerenciais, acadêmicas e políticas das coordenações de curso. (UNIVALI, 2010). Em 2004 foi realizada a Avaliação Institucional do Hospital Universitário Pequeno Anjo. Nesse mesmo ano ocorreu a terceira edição do Perfil dos Estudantes de Graduação: questionários on-line foram aplicados e analisadas as respostas de 11.103 estudantes, 51,0% do total dos matriculados na UNIVALI; os resultados desse levantamento estão publicados no documento Perfil dos Estudantes de Graduação da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI, 2005). No primeiro semestre do ano seguinte, a 11ª edição da Avaliação Institucional realizou a avaliação de todos os cursos de graduação e sequenciais. O Quadro 3 traz as respectivas dimensões avaliadas na UNIVALI. Quadro 3 - Dimensões avaliadas em cada modalidade de Avaliação Institucional da UNIVALI Modalidade Avaliação dos Colégios de Aplicação Dimensão Organização didático-pedagógica e infraestrutura; autoavaliação docente; avaliação de desempenho do docente; avaliação da orientação profissional; avaliação da coordenação da disciplina; coordenação pedagógica; direção. Desempenho docente/domínio técnico-científico; habilidade didático-pedagógica; Avaliação de relacionamento pessoal e situacional. desempenho da Desempenho discente/participação nas atividades acadêmicas, integração com o grupo, graduação plano de estudos, atitudes éticas. Identificação; perfil de formação no ensino médio; expectativa em relação ao curso; condições de infra-estrutura (funcionamento, qualidade no atendimento, espaço físico); Perfil discente atividades culturais e de lazer; nível socioeconômico da família e do aluno (quando independente) Estágios Autoavaliação; organização didático-pedagógica e infraestrutura; professor responsável; Supervisionados desempenho docente Infraestrutura física e de equipamentos; conhecimentos adequados ao exercício da Avaliação do curso profissão; desenvolvimentos de habilidades de gerenciamento da profissão; articulação pelo Egresso teórico-prática do currículo; formação para a cidadania Perfil profissional visado; processo curricular (planejamento do curso e das disciplinas, Avaliação da Pósatualidade, sistema de acompanhamento das monografias); infraestrutura de organização Graduação (lato (espaço físico, biblioteca, instalações); corpo docente (domínio técnico-científico, sensu e stricto habilidades didático-pedagógicas e relacionamento pessoal e situacional); corpo discente sensu) (perfil, desempenho); relevância do curso (demanda dos egressos para continuação dos cursos, inserção no mercado, condições e perspectivas de mercado). Prestação de Hospital Universitário; Avaliação Institucional para a Associação Catarinense das serviços e Fundações Educacionais (ACAFE); avaliação dos estagiários em estágios curriculares não assessoria a obrigatórios, em parceria com ACAFE e Centro de Integração Empresa – Escola (CIEE). projetos externos Fonte: UNIVALI, 2006 Em 2007, realizou-se a 13ª edição da Avaliação Institucional, sendo diferente das 44 anteriores, pois os indicadores foram remodelados nos cursos de graduação passando agora a ser agrupados em três dimensões: infraestrutura e serviços do campus, curso de graduação e disciplinas regulares. Já em 2008, na 14ª edição, fizeram-se mais modificações. Na dimensão infraestrutura e serviços do campus foram acrescidos: Ouvidoria, Central de Atendimento, Secretarias Acadêmicas, Setor de Bolsas, Meios de Comunicação, Atendimento da Biblioteca, Serviços on-line e Prestação de Serviços. Em 2009, houve a 15ª edição, cujo resultado serviu para que a Pró-Reitoria de Ensino desse continuidade ao processo sistemático de geração de informações para o planejamento e a tomada de decisão (UNIVALI, 2010). Internamente, a Avaliação Institucional focaliza o perfil da instituição e o significado de sua atuação, nas dimensões: de natureza acadêmica; referentes às suas políticas internas (de recursos humanos e de gestão) e sociais; administrativas, de infraestrutura e financeira. A prática continuada de Avaliação Institucional possibilitou importantes melhorias nos cursos, setores e serviços da Univali e o aperfeiçoamento do próprio processo de avaliação, destacando: reformulação do instrumento de coleta de dados e inclusão de novos indicadores: ação docente, infraestrutura dos cursos, perfil do aluno e ação discente; adoção de nova tecnologia para leitura ótica dos dados coletados; adoção de escala semântica na avaliação de desempenho; atualização do banco de dados dos cursos; diversificação do banco de dados para atender aos diversos níveis de ensino; acesso aos instrumentos de avaliação pela internet; disponibilização, aos docentes e diretores de Centro, dos resultados da avaliação relativos ao desempenho sob a forma de relatórios e via intranet. (UNIVALI, 2010). O processo de avaliação institucional tem possibilitado: fornecer subsídios à elaboração dos Relatórios de Autoavaliação da Univali, pela CPA; oferecer importante contribuição à troca de experiências entre as instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE, para a construção de um encaminhamento comum, com vistas à sistematização da avaliação institucional em suas unidades; oferecer indicadores de desempenho por ocasião de processos seletivos internos e para efeitos de incorporação ao atual Plano de Carreira, Sucessão e Remuneração (UNIVALI, 2010). Em 2014/II, nos cursos presenciais de graduação, a Avaliação Institucional estava em sua 23ª edição; nos cursos de graduação em EAD, na 10ª; no Colégio de Aplicação, na 15ª edição; nos cursos de Mestrado e Doutorado, na 10ª edição. 45 As dimensões avaliadas nos cursos presenciais de graduação são: - Infraestrutura e serviços do Campus, com periodicidade bianual (2011, 2013/I, 2015/I), sendo avaliados os itens ouvidoria, central de atendimento, biblioteca, bolsas, serviços online, infraestrutura geral, serviços terceirizados. - Infraestrutura e serviços do Centro, com periodicidade bianual (2011, 2013/I, 2015/I), sendo avaliadas as salas de aula, laboratórios de informática, secretaria acadêmica. - Curso com periodicidade anual (sempre no primeiro semestre) e os itens avaliados são: pesquisa, extensão, iniciação profissional, projeto pedagógico, coordenação. - Disciplina padrão tendo periodicidade semestral, sendo avaliados atuação do professor, atuação do aluno, interação aluno\professor\disciplina. - Disciplina projetual, com avaliação semestral, sendo avaliados atuação do professor, atuação do aluno, interação aluno\professor\disciplina, local de realização, regulamento. - Disciplina semipresencial, cuja periodicidade é semestral, tendo como avaliação os itens atuação do professor, atuação do aluno, interação aluno\professor\disciplina, material de leitura\estudo, ambiente virtual. - Disciplina Estágio Supervisionado, semestralmente é avaliada, tendo como itens: campo de estágio, regulamento, processo de orientação, orientação, atuação do aluno, interação aluno\professor\disciplina. - Disciplina Trabalho de Conclusão de Curso, também semestral, sendo avaliados os itens: regulamento, processo de orientação, orientação, atuação do aluno, interação aluno\professor\disciplina. - Perfil discente, cuja periodicidade é semestral, sendo que respondem os alunos ingressantes, ou seja, do 1º período, e concluintes, com 80% ou mais de integralização da matriz curricular. São avaliados os itens: situação econômica, escolaridade, ocupação profissional, atividades sociais, políticas e culturais fora da Universidade, conhecimento de língua estrangeira, acesso à internet, sobre a UNIVALI, procedência. - Satisfação do professor, com periodicidade anual e sempre no 1º semestre. Os itens avaliados são: atividades que executa, ambiente de trabalho, recursos/materiais disponíveis, valorização dos docentes pela instituição, motivação para as atividades que realiza. E assim todos os anos a Avaliação Institucional vem sendo usada pela Universidade do Vale do Itajaí como instrumento de gestão e de autoconhecimento. 46 Em seu Projeto Institucional, a Univali tem como meta o rigor com a qualidade de ensino; está consciente, portanto, da necessidade de um processo de avaliação permanente, criterioso e adequado às políticas nacionais. 2.3.1 Avaliação dos cursos de graduação Constitui o foco principal do processo de avaliação. É composta pelas seguintes variáveis: “Avaliação do desempenho docente”, que tem por objetivo identificar a qualidade da ação dos professores e os aspectos que podem ser melhorados pelos docentes e pela Universidade; “Avaliação discente pelo docente”, que procura identificar e analisar o desempenho e envolvimento dos alunos no processo ensino/aprendizagem; “Autoavaliação docente”, que busca diagnosticar o perfil dos professores da instituição e a dinâmica interna da atividade pedagógica; “autoavaliação discente”, que visa indicar o desempenho dos estudantes e sua atuação em sala de aula e a “Avaliação da infraestrutura do curso”, em que se avaliam as condições oferecidas pelo curso para o desenvolvimento das atividades de ensino/aprendizagem, o material didático utilizado, as condições de acesso e uso da biblioteca, as atividades de extensão e/ou de pesquisa, o ambiente físico de sala de aula e o sistema de comunicação. Como o enfoque deste estudo é o Desempenho no ENADE e sua relação com a avaliação docente pelo discente, dar-se-á destaque agora à avaliação do desempenho docente. 2.3.2 Avaliação do desempenho docente A avaliação do desempenho sempre existiu em toda carreira acadêmica, principalmente antes da obtenção da estabilidade e por ocasião de tomada de decisões referentes a promoções e à concessão de estabilidade. Em muitas instituições, porém, tendo obtido a estabilidade e atingido o nível mais alto a que aspira, o professor não volta a sofrer uma avaliação formal (ORMROD, 1986). Vários trabalhos têm sido escritos sobre a definição e classificação do trabalho dos docentes do Ensino Superior, por exemplo, os de Boyer (1990), Bowen e Schuster (1986) e Rhodes (1990). Pesquisas extensivas sobre vários aspectos a respeito do uso das respostas dos alunos para avaliar o desempenho do professor têm contribuído grandemente para a compreensão do processo ensino-aprendizagem. 47 A avaliação do trabalho dos docentes do Ensino Superior deve descrever e julgar o espectro completo do trabalho que é inerente às suas funções e considerar os seguintes processos: (ABRANTES; VALENTE, 1999) - exame do nível do trabalho, incluindo o pensamento sobre esse trabalho, as atividades, e as contribuições do docente; - a reflexão sobre a qualidade do trabalho e a discussão de padrões com colegas, chefes, diretores; - a existência de feedback de outros esperando-se o seu uso para melhorar a qualidade do trabalho. A avaliação dos professores tem como objetivo melhorar o desempenho do corpo docente (função formativa); embasar decisões equitativas e eficientes com referência ao corpo docente (função somativa). Sua função para a instituição é coletar evidências sobre o desempenho do professor, para tomar decisões sobre a efetivação, renovação de contratos e promoção; verificar se os objetivos institucionais estão sendo atingidos pelos docentes. Os docentes a empregam para coletar informações que lhes possibilitem melhorar o processo de ensino; identificar seus pontos fortes e fracos; refletir sobre sua atuação; verificar qual é a opinião dos alunos sobre seu desempenho (BLAKBURN; PUTTEN, 1998). Para Braskamps e Ory (1994) são ingredientes de uma avaliação eficaz os seguintes: - contemplar tanto os objetivos individuais como institucionais; - refletir a complexidade do trabalho dos docentes; - favorecer a identidade e singularidade de cada docente e promover o desenvolvimento da carreira; - comunicar claramente os objetivos institucionais e as expectativas; - promover a colegialidade dos docentes. Os cuidados com a avaliação docente, segundo Blakburn e Putten (1998), são: comunicação: o processo deve ser muito bem explicado aos docentes, para que eles não criem resistência ao mesmo; engajamento: os professores devem participar do planejamento e da aplicação da avaliação; apoio da administração: para provimento dos recursos necessários e garantir a realização do processo; múltiplas fontes de informação: o trabalho docente é uma atividade complexa e não pode ser julgado com base em dados de uma só fonte; critérios: cada área, ou unidade, deve estabelecer seus próprios padrões de desempenho docente esperado, uma vez que estes podem diferir de uma para outra; 48 treinamento dos avaliadores, para garantir julgamentos imparciais; discussão das expectativas e dos resultados; cada docente deve saber o que se espera dele, e qual foi o resultado da sua avaliação (BLAKBURN; PUTTEN, 1998). Para Reifschneider (2008), a avaliação de desempenho docente pode ter uma concepção formativa, que busca a melhora de desempenho futuro; ou a concepção somativa, em que se avalia o passado. 49 3 MATERIAL E MÉTODO Para melhor apreender o fenômeno em estudo, foram traçados caminhos metodológicos para o desenvolvimento desta pesquisa. Portanto, o presente capítulo explicita a abordagem da pesquisa, a população e variáveis pesquisadas, as características dos mecanismos avaliativos, o relacionamento entre a avaliação externa e interna, as técnicas e instrumentos para coleta de dados, as variáveis de análise e os métodos estatísticos que foram aplicados para obtenção dos resultados. 3.1 Abordagem da pesquisa Esta pesquisa tem como objetivo analisar a relação entre os desempenhos docente e discente nos processos de avaliação externa e interna do Curso de Administração da UNIVALI de Itajaí. Para cumprir este objetivo foram aplicadas pesquisas de análise documental e descritivas de abordagem quali-quantitativa. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa foi do tipo documental, na qual se recorre a fontes mais diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como: tabelas estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias, pinturas, tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc. (FONSECA, 2002). Do ponto de vista dos seus objetivos, a pesquisa foi descritiva, a qual visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática. Assume, em geral, a forma de levantamento ou survey. (BABBIE, 2001). Quanto à abordagem do problema, a pesquisa foi quantitativa, tipo de pesquisa que tem suas raízes no pensamento positivista lógico, tende a enfatizar o raciocínio dedutivo, as regras da lógica e os atributos mensuráveis da experiência humana. Considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificálas e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.) (POLIT; BECKER; HUNGLER, 2004). Segundo Malhotra (2006), procura quantificar os dados e, normalmente, aplica alguma forma de análise estatística. 50 Esta pesquisa foi também qualitativa, o que, para Bogdan e Biklen (1994) é um conjunto dinâmico e aberto de afirmativas, concepções, proposições sistematicamente relacionadas para nortear uma proposta e, por conseguinte, o entendimento do pesquisador acerca do que está sendo pesquisado. 3.2 População e variáveis pesquisadas A população do estudo, quanto à avaliação externa, foi composta de 232 alunos concluintes do Curso de Administração da Univali do Campus Itajaí, que participaram do ENADE 2012. A partir dos resultados das questões, considerando todos os discentes, se dispôs para este trabalho do valor percentual de acertos nas questões validadas da prova. Já para a avaliação interna, os dados empregados foram os referidos nos boletins de desempenho de todos os professores que ministraram as disciplinas envolvidas nas questões. Assim sendo, os dados são censitários. A prova do ENADE está estruturada em dois componentes. O primeiro, denominado Formação Geral, configura parte comum às provas das diferentes áreas, avalia competências, habilidades e conhecimentos gerais desenvolvidos pelos estudantes, que facilitam a compreensão de temas exteriores ao âmbito específico de sua profissão e à realidade brasileira e mundial. O segundo, denominado Conhecimento Específico, contempla a especificidade de cada área, no domínio dos conhecimentos e habilidades esperadas para o perfil profissional. Ambos os componentes apresentam questões discursivas e de múltipla escolha. No componente de avaliação da Formação Geral é investigada a formação de um profissional ético, competente e comprometido com a sociedade em que vive. Além do domínio de conhecimentos e de níveis diversificados de competências e capacidades para perfis profissionais específicos, espera-se que os graduandos das IES evidenciem a compreensão de temas que transcendam ao seu ambiente próprio de formação e que sejam importantes para a realidade contemporânea. De acordo com o § 1º do Artigo 3º da Portaria nº 207, de 22 de junho de 2012, “as questões do componente de Formação Geral versarão sobre alguns dentre os seguintes temas: arte e cultura; avanços tecnológicos; ciência, tecnologia e inovação; democracia, ética e cidadania; ecologia e biodiversidade; globalização e geopolítica; políticas públicas: educação, habitação, saneamento, saúde, transporte, segurança, defesa, desenvolvimento sustentável; relações de trabalho; responsabilidade social: setor público, privado, terceiro setor; 51 sociodiversidade: multiculturalismo, tolerância, inclusão/exclusão, relações de gênero; tecnologias de informação e comunicação; vida urbana e rural; e violência”. O componente de avaliação de Formação Geral do ENADE/2012 tinha 10 (dez) questões, sendo 2 (duas) discursivas e 8 (oito) de múltipla escolha, abordando situaçõesproblema, estudos de caso, simulações, interpretação de textos, imagens, gráficos e tabelas. As questões discursivas de Formação Geral buscavam investigar aspectos como a clareza, a coerência, a coesão, as estratégias argumentativas, a utilização de vocabulário adequado e a correção gramatical do texto. A prova do ENADE/2012, no componente de Conhecimento Específico da área de Administração, adotou como referencial os seguintes objetos de conhecimento: I - Antropologia, Sociologia, Ciência Política, Filosofia e Ética; II - Psicologia, comportamento organizacional e comportamento empreendedor; III - Sistemas e tecnologias de comunicação e de informação; IV - Ciências jurídicas, econômicas e contábeis; V - Teorias da administração e das organizações; áreas funcionais da administração: recursos humanos, marketing, finanças, e operações e logística; VI - Planejamento e gestão estratégica; gestão de projetos, programas e políticas; planos de negócio; gestão de processos; gestão da inovação; VII - Métodos quantitativos aplicados à administração: matemática, estatística e pesquisa operacional; e VIII - Métodos qualitativos aplicados à administração. A parte relativa ao componente de Conhecimento Específico da área de Administração do ENADE/2012 foi elaborada atendendo à seguinte distribuição: 30 (trinta) questões, sendo 3 (três) discursivas com peso 15,0% e 27 (vinte e sete) de múltipla escolha com peso 85,0%, envolvendo situações-problema e estudos de caso. Cabe assinalar que desse número foram anuladas seis. No componente de Formação Geral, as 8 (oito) questões objetivas de múltipla escolha e as 2 (duas) discursivas tiveram pesos, respectivamente, iguais a 60,0% e 40,0%. As notas dos dois componentes foram arredondadas à primeira casa decimal. Para a obtenção do seu valor final, como se exibe na Tabela 1, se pondera por pesos proporcionais ao número de questões: 25,0% para Formação Geral e 75,0%, para Conhecimento Específico. Esta nota também é arredondada a uma casa decimal. 52 Tabela 1- Distribuição das questões com os respectivos pesos Partes Formação Geral Objetivas Formação Geral Discursivas Componente Específico/Objetivas Componente Específico/Discursivas Fonte: MEC/INEP/DAES (2012) Número das questões 1a8 1e2 9 a 35 3a5 Peso das questões 60% 40% 85% 15% Peso dos componentes 25% 75% No quesito da avaliação interna, para a análise, foram selecionados 38 professores das respectivas disciplinas envolvidas em cada questão. Após esta seleção, verificou-se em que período a disciplina foi ministrada e qual professor a lecionou. Em seguida, separou-se o boletim de desempenho do professor naquele ano em que a disciplina foi ministrada. Para este tipo de análise, o boletim foi diferenciado em suas 3 dimensões (DTC, HE e DPS) conforme o Quadro 4, com os critérios avaliados. Quadro 4 - Critérios avaliados pela UNIVALI na Avaliação Docente Dimensão Domínio Técnico Científico (DTC), Habilidades de Ensino (HE) Critério 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Desenvolvimento Pessoal e Situacional (DPS) Fonte: Adaptado da ProEn, 2012 Nome do Critério Tem domínio de conteúdo Usa o plano de ensino como referência para o desenvolvimento da disciplina Estabelece relações entre as disciplinas e a prática profissional O nível de complexidade das avaliações em relação ao conteúdo trabalhado O nível de exigência da disciplina em relação ao perfil profissional O nível de importância para sua formação Esclarece dúvidas Utiliza linguagem clara no desenvolvimento das estratégias de ensino Discute os resultados das avaliações com a turma Mantém um clima de cooperação, respeito e trabalho produtivo na sala de aula O trabalho foi realizado utilizando-se a base de dados da Univali, da Gerência de Ensino e Avaliação (GEA) da Vice-Reitoria de Graduação. A base de dados utilizada foi a do processo de Avaliação de Desempenho Docente do Curso de Administração do Campus Itajaí na percepção dos alunos. (Anexo 1). Esta avaliação objetiva promover um processo sistemático de geração de informações para o planejamento e a tomada de decisão com vistas à obtenção de padrões de excelência na ação universitária. A GEA faz o tratamento da informação, articula projetos de atividades para a melhoria tanto do processo comunicativo dos resultados ao público interno quanto da análise da evolução da qualidade dos serviços que oferece. Os resultados da Avaliação Institucional ocorrem sempre em duas etapas: 53 a) Boletim individual de desempenho do professor. Este boletim está disponível na intranet através do menu Boletins Avaliação Institucional poucos dias após o término da pesquisa. (Anexo 2) b) Relatórios por curso. Cada curso recebe um relatório disponibilizado aos gestores (diretores de centro, coordenadores de cursos e apoio pedagógico), em formato word e utilizando o ambiente share point (https://extranet.univali.br/oficial/gea/default.aspx). A coordenação de curso, junto ao Núcleo Docente Estruturante - NDE e ao Colegiado de Curso, analisa e discute os resultados, propondo e realizando ações como: investimentos na formação continuada dos docentes, reuniões com professores, definição de critérios comuns para avaliação de aprendizagem, constantes atualizações das ementas, discussão conjunta dos projetos integrados, incentivo à realização de palestras com profissionais do mercado nas disciplinas, plano de ensino disponível na primeira semana de aula e análise das relações entre disciplinas e laboratórios. No âmbito da instituição, os desdobramentos da Avaliação possibilitaram ações, como: climatização dos ambientes; passagens cobertas entre os blocos, laboratórios e bibliotecas; manutenção e atualização dos equipamentos e laboratórios de informática; fóruns de discussão dos projetos pedagógicos; formação continuada de coordenadores e docentes; atualização de acervo bibliográfico; cobertura total de rede sem fio com aumento na velocidade de transmissão de dados; atualização do sistema de educação virtual – Sophia; atualização do sistema de e-mails utilizando o software OutlookWebApp®, entre outras. 3.3 Caracterização dos Mecanismos Avaliativos Os mecanismos avaliativos utilizados correspondem aos gerados pelo INEP, como avaliação externa, e os gerados pela GEA, como avaliação interna. Deles foram selecionados o ENADE e os boletins de desempenho docente, respectivamente. No Brasil, a política de avaliação da educação superior alicerça-se no tripé “avaliação – regulação – supervisão”, envolvendo momentos e ações distintas, porém intrinsecamente ligados, que buscam contribuir para a qualidade do ensino oferecido. A educação superior conta atualmente com o SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, implantado em 2004, construído a partir de uma lógica capaz de articular “regulação e avaliação” e que considera a avaliação institucional “como parte de um conjunto de políticas públicas [...] voltadas para a expansão do sistema e democratização do acesso 54 para que a qualificação do mesmo faça parte de um processo mais amplo de revalorização da educação superior” (BRASIL, SINAES, 2007, p.11). O SINAES segue as diretrizes definidas pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES), cabendo ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), por meio de sua Diretoria de Avaliação da Educação Superior (DAES), a operacionalização de todo o processo avaliativo (BRASIL, 2004b). O SINAES possui uma missão importante: avaliar a graduação valorizando aspectos que levem ou induzam à melhor qualidade da educação superior e da formação dos estudantes brasileiros. As avaliações realizadas no âmbito desses sistemas têm por finalidade aferir a qualidade de instituições de Ensino Superior (IES), de cursos de graduação e de desempenho de estudantes. Neste trabalho foi abordado o desempenho dos alunos do Curso de Administração da Univali de Itajaí no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e sua relação com a avaliação dos docentes. O foco principal é o ENADE, que é um dos componentes do SINAES, para que se possam aferir as habilidades dos discentes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do citado curso de graduação. O Ministério da Educação, por meio da Portaria Normativa nº. 6, de 14 de março de 2012, em seu artigo 1º, informa que, do Curso de Administração, objeto deste estudo, fariam o ENADE em 2012 os estudantes concluintes, “aqueles que tenham expectativa de conclusão do curso até julho de 2013, assim como aqueles que tiverem concluído mais de 80% (oitenta por cento) da carga horária mínima do currículo do curso da IES até o término do período de inscrições que foi até 31 de agosto de 2012”. (Portaria Normativa nº. 6, de 14 de março de 2012). A prova foi realizada dia 25 de novembro de 2012 e o Curso de Administração da Univali de Itajaí teve a participação de 232 alunos. 3.3.1.1 Material Após a prova (Anexo 6), os resultados do ENADE foram publicados mediante sete relatórios distintos, conforme apresentado no site do INEP (2014): “relatório do aluno, relatório do curso, relatório da área, relatório da instituição, resumo técnico, relatório de conceitos e relatório técnico-científico”. Esses relatórios apresentam os resultados obtidos no ENADE que contribuem para o aperfeiçoamento dos processos de ensino aprendizagem e das condições de ensino e do próprio sistema de avaliação dos cursos de graduação. 55 Para este estudo, foi utilizado o Relatório do Curso de Administração da Univali de Itajaí (Anexos 4 e 5), o qual traduz os resultados obtidos a partir da análise do desempenho e do perfil dos estudantes avaliados pelo ENADE. Neste Relatório é disponibilizada a análise do conceito do curso e do desempenho dos estudantes na prova, o percentual de estudantes por quartil segundo as notas obtidas, a impressão dos estudantes sobre a prova e os resultados da avaliação discente da educação superior – análise do questionário socioeconômico. O resultado do desempenho dos estudantes no ENADE é expresso por meio de conceitos, ordenados em uma escala com cinco níveis crescentes, tomando por base padrões mínimos estabelecidos por especialistas de diferentes áreas do conhecimento (Anexo 3). A tabela 2 demonstra os diferentes intervalos de notas possíveis e os conceitos correspondentes a esses intervalos. Tabela 2 - Diferentes intervalos de notas possíveis e os conceitos correspondentes a esses intervalos Conceito ENADE 1 2 3 4 5 Fonte dos dados: INEP (2014) Notas Finais 0,0 a 0,94 0,95 a 1,94 1,95 a 2,94 2,95 a 3,94 3,95 a 5,0 Os resultados do ENADE/2012, do Curso de Administração, expressos neste relatório, apresentam, para além da mensuração quantitativa decorrente do desempenho dos estudantes na prova, a potencialidade da correlação entre indicadores quantitativos e qualitativos acerca das características desejadas à formação do perfil profissional pretendido. É vedada a identificação do resultado individual obtido pelo aluno examinado quando da divulgação dos resultados do exame. O resultado individual é fornecido ao estudante, exclusivamente, em documento emitido pelo INEP. 56 3.3.2 Avaliação Interna Desde 1993, quando sua proposta de Avaliação Institucional foi anunciada no documento base do projeto da Universidade, a Univali vem privilegiando a Avaliação Institucional como instrumento de gestão e de autoconhecimento em busca da excelência. Em seu Projeto Institucional, a Universidade tem como meta o rigor com a qualidade de ensino; está consciente, portanto, da necessidade de um processo de avaliação permanente, criterioso e adequado às políticas nacionais. Com a promulgação da Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES, a Univali deu continuidade ao aperfeiçoamento de seu Programa de Avaliação Institucional, ampliando-o para diferentes modalidades. Neste estudo, foi focada a avaliação de um curso de graduação, pois constitui o assunto principal do processo de avaliação, composto pelas seguintes variáveis: “Avaliação do docente pelo discente”, que tem por objetivo identificar a qualidade da ação dos professores e os aspectos que podem ser melhorados pelos docentes e pela Universidade; “Avaliação discente pelo docente”, que procura identificar e analisar o desempenho e envolvimento dos alunos no processo ensino/aprendizagem; “Autoavaliação docente”, que busca diagnosticar o perfil dos professores da instituição e a dinâmica interna da atividade pedagógica; “Autoavaliação discente”, que visa indicar o desempenho dos estudantes e sua atuação em sala de aula e a “Avaliação da infraestrutura do curso”, em que se avaliam as condições oferecidas pelo curso para o desenvolvimento das atividades de ensino/aprendizagem, o material didático utilizado, as condições de acesso e uso da biblioteca, as atividades de extensão e/ou de pesquisa, o ambiente físico de sala de aula e o sistema de comunicação. Para cumprir o objetivo do trabalho, foi abordada a Avaliação do Desempenho Docente pelo Discente, porque, segundo Fernandes (2008), “[...] a avaliação de professores (...) poderá ser um meio importante de regulação, de amadurecimento e de reconhecimento de uma classe profissional que, evidentemente, está perante um dos dilemas mais desafiadores com que se viu confrontar nos últimos anos”. (FERNANDES, 2008, p. 21). 3.3.2.1 Material Depois de analisados os resultados pela Vice-Reitoria de Graduação, são emitidos relatórios e enviados às coordenações de curso. Estes são discutidos para tomada de decisão. 57 São emitidos os boletins de desempenho individual do professor, para cada disciplina, nos diferentes cursos de graduação. Neste boletim, é destacada a ação do professor em sala de aula na visão dos alunos. O mesmo contempla a média aritmética obtida em cada critério avaliado, o desvio padrão das respostas, o número de avaliações (alunos) por critério em cada escala de classificação e o número de avaliações em cada critério. 3.4 Relacionamento entre a avaliação externa e interna Para fazer a relação entre a avaliação externa e a interna, foram identificadas as disciplinas e os desempenhos segundo as questões em que os alunos participaram. Em seguida, foram mensuradas estas associações utilizando-se análise de correlação. Os dados foram organizados numa planilha eletrônica para desenvolver as etapas descritas anteriormente. A seguir foram exportados para um software estatístico com a finalidade de obter os coeficientes de associação e analisar as relações identificadas entre as avaliações. A partir da avaliação externa, estavam disponíveis os resultados do desempenho nas questões das disciplinas nelas envolvidas. Da avaliação interna dos docentes pelos discentes, obteve-se uma medida para o desempenho do docente daquelas mesmas disciplinas, segundo os critérios já mencionados, isto é, DTC, HE e DPS. Previamente à utilização da correlação paramétrica, foram verificados os pressupostos para seu emprego. No caso do desempenho dos alunos e o domínio técnico científico (DTC) dos docentes verificou-se a normalidade dos dados. Contudo, para as dimensões habilidade de ensino (HE) e desenvolvimento pessoal e situacional (DPS), a mesma não se constatou, existindo a necessidade de empregar um método não paramétrico. Ou seja, se usou o coeficiente de correlação não paramétrico. Os métodos paramétricos, segundo Martínez-Espinosa (2002), exigem que a(s) amostra(s) tenha(m) uma distribuição normal, especialmente se tiverem uma dimensão inferior a 30. Nas amostras de dimensão superior geralmente a distribuição aproxima-se da normalidade. Os métodos não paramétricos não necessitam de requisitos tão fortes como nos anteriores. E também são indicados quando as amostras são pequenas. Com os valores do desempenho de alunos e o DTC fez-se a avaliação do relacionamento entre ambos os resultados pelo cálculo do coeficiente paramétrico de correlação de Pearson. Ele mede a força das associações que existem entre duas variáveis. É a 58 covariação de variáveis padronizadas e, portanto, não há unidade de medida, variando de -1 até 1. Para avaliar a correlação entre o desempenho discente com HE e com DPS foi empregado o coeficiente não paramétrico por postos ou ranking de Spearman. Tal qual o coeficiente de Pearson, ele mede o vigor da relação entre as variáveis. 59 4 RESULTADOS 4.1 Análise descritiva das variáveis e resultados do desempenho Nesta parte será apresentada uma análise descritiva das variáveis obtidas, abordandose a importância de cada variável utilizada nos resultados da pesquisa. 4.1.1 Avaliação Externa O desempenho acadêmico no ENADE foi medido por intermédio do relatório do curso, conforme se discrimina a seguir. Como descrito anteriormente, o exame se baseia em questões de múltipla escolha e discursivas nos componentes de Formação Geral e Formação Específica. A partir do relatório do curso disponibilizado pelo INEP, analisaram-se os percentuais de acertos da IES, fazendo-se um comparativo com o Brasil e a Região Sul. Esses resultados apresentam-se nas tabelas 3, 4, 5 e 6. Tabela 3 – Porcentagem de Acerto em Questões de Múltipla Escolha Formação Geral – ENADE 2012 – Administração – UNIVALI Questão Brasil Região Instituição 1 56,4 55,2 2 46,0 45,5 3 42,2 43,0 4 48,0 49,4 5 32,2 32,6 6 54,1 55,3 7 49,2 49,3 8 39,6 39,5 Fonte dos dados: INEP (2014) Nº de questões abaixo Brasil – 1; Região - 3 Gabarito 63,8 49,6 50,9 48,7 30,2 55,2 55,2 45,7 D E D D C A B D Maior percentual ERRO da Instituição E – 19,8 C – 27,2 C – 26,7 B – 31,5 B – 38,8 B – 22,8 C - 22,6 C - 15,1 Instituição comparada com Brasil Instituição comparada com Região Acima Acima Acima Acima Abaixo Acima Acima Acima Acima Acima Acima Abaixo Abaixo Abaixo Acima Acima Tabela 4 – Porcentagem de Acerto em Questões de Múltipla Escolha – Componente Específico – ENADE 2012 - Administração Questão 9 10 11 Brasil 23,2 Região 23,3 Instituição Gabarito Anulada Anulada B 26,7 60 Maior percentual ERRO da Instituição Instituição comparada com Brasil Instituição comparada com Região A- 29,7 Acima Acima 12 51,7 52,5 56,0 D 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 30,5 48,5 47,7 27,8 27,9 34,1 32,9 45,6 31,5 31,1 48,6 48,7 27,5 28,8 34,9 34,4 47,4 31,8 38,8 52,2 54,7 28,9 31,9 35,8 43,5 51,3 29,7 21,4 35,0 21,6 35,2 23,7 41,8 23,1 35,1 23.5 35,9 31,0 40,5 45,8 27,7 27,7 39,8 26,8 49,3 45,8 28,0 29,4 41,3 26,9 50,0 57,3 28,4 37,1 42,7 35,3 53,4 A C E C E E D A D Anulada B C Anulada Anulada E A Anulada A D E E B B BeC15,1 D – 30,2 D – 22,8 D – 22,0 B - 24,6 B – 25,0 D - 17,2 C – 26,3 B - 22,4 C – 28,0, Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Abaixo Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Abaixo D – 30,2 B – 23,7 Acima Acima Acima Acima A – 22,0 C – 26,7 Acima Acima Acima Acima D – 15,1 A – 35,3 D – 20,3 C – 22,4 E – 19,7 AeE– 13,4 Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Acima Fonte dos dados: INEP (2014) Nº de questões abaixo Brasil – 1; Região - 1 Tabela 5 - Porcentagem de Acerto em Questões Discursivas – Formação Geral – ENADE 2012 – Administração Questão Brasil Região Instituição 1 34,0 34,3 2 42,5 42,7 Fonte dos dados: INEP (2014) Nº de questões abaixo Brasil – 2; Região - 2 32,9 39,5 Instituição Comparada com Brasil Abaixo Abaixo Instituição Comparada com Região Abaixo Abaixo Tabela 6 - Porcentagem de Acerto em Questões Discursivas – Componente Específico – ENADE 2012 - Administração Questão Brasil Região Instituição 3 11,5 11,8 4 7,7 8,0 5 24,5 26,6 Fonte dos dados: INEP (2014) Nº de questões abaixo Brasil – 2; Região – 3. 11,0 7,6 25,4 61 Instituição comparada com Brasil Abaixo Abaixo Acima Instituição comparada com Região Abaixo Abaixo Abaixo Em seguida, para cada questão foram analisados todos os conteúdos predominantes, identificando as disciplinas contempladas, o período no qual as mesmas se encontram na matriz curricular, o ano em que foram ministradas e a porcentagem de acertos da instituição. O resultado se exibe na Tabela 7. Tabela 7 - Conteúdos predominantes, disciplinas contempladas, período, ano e a porcentagem de acertos da instituição Questão Conteúdo Disciplina 01 FG ME 02 FG ME Políticas Públicas (Educação) Antropologia Aplicada à Gestão Antropologia Aplicada à Gestão 03 FG ME 04 FG ME 05 FG ME 06 FG ME 07 FG ME 08 FG ME 01 FG Dis Ecologia/Biodiversidade Políticas Públicas (Desenvolvimento Sustentável) Democracia, Ética e Cidadania Globalização e Geopolítica Avanços Tecnológicos Sociodiversidade Políticas Públicas % de acerto 1º 2009 63,8 1º 2009 49,6 Antropologia Aplicada à Gestão 1º 2009 50,9 Filosofia e Ética 3º 2010 48,7 Mercado Global 3º 2010 30,2 7º 2012 55,2 1º 2009 55,2 1º 2009 45,7 Administração de Sistemas de Informação Antropologia Aplicada à Gestão Antropologia Aplicada à Gestão Antropologia Aplicada à Gestão 1º 2009 32,9 Violência Antropologia Aplicada à Gestão 1º 2009 39,5 Avanços tecnológicos Administração de Sistemas de Informação 2012 39,5 7º Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada 1º 2º 2009 2009 26,7 4º 5º 2010 2011 56,0 3º 2010 38,8 4º 5º 2010 2010 38,8 11 CE ME Teorias da Administração 12 CE ME Administração Financeira Gestão de Custos 13 CE ME Ano em que foi ministrada Políticas Públicas (Desenvolvimento sustentável) 02 FG Dis 09 CE ME 10 CE ME Período Administração Financeira Teorias da Administração I Teorias da Administração II Administração Financeira I Administração Financeira II Gestão de Custos Administração Financeira I Administração Financeira II 62 Contabilidade Gerencial. 14 CE ME 15 CE ME 16 CE ME 17 CE ME 18 CE ME 19 CE ME 20 CE ME 21 CE ME 22 CE ME 23 CE ME 24 CE ME 25 CE ME 26 CE ME 27 CE ME 28 CE ME 29 CE ME Contabilidade Gerencial. (eletiva) 3º 2010 38,8 4º 5º 2010 2010 52,2 3º 2010 54,7 Responsabilidade Social e Ambiental Administração Financeira I Administração Financeira II Responsabilidade Social e Ambiental Estatística Estatística 3º 2010 28,9 Estatística Estatística 3º 2010 31,9 Estatística Estatística 3º 2010 35,8 Administração da Produção e Operações Administração da Produção e Operações Administração Financeira I Administração Financeira II Administração de Materiais 5º 2011 43,5 4º 5º 2010 2010 51,3 4º 2010 29,7 Administração Financeira Administração Financeira Administração de Materiais Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Administração de Sistemas de Informação Administração de Sistemas de Informação 7º 2012 23,7 Ética Filosofia e Ética 3º 2010 41,8 Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada Administração de Recursos Humanos Administração de Recursos Humanos I Administração de Recursos Humanos II 2011 2011 31,0 Estatística Estatística 3º 2010 40,5 Anulada Anulada Anulada Anulada Anulada 5º 6º 2011 2011 57,3 3º 2010 28,4 7º 2012 37,1 7º 2012 42,7 7º 2012 35,3 2011 2011 53,4 2010 11,0 30 CE ME Administração Mercadológica 31 CE ME 32 CE ME 33 CE ME 34 CE ME Responsabilidade Social e Ambiental Estratégias Organizacionais Estratégias Organizacionais Estratégias Organizacionais 35 CE ME Administração de Recursos Humanos 03 CE Dis Estatística, Administração Mercadológica I Administração Mercadológica II Responsabilidade Social e Ambiental Estratégias Organizacionais Estratégias Organizacionais Estratégias Organizacionais Administração de Recursos Humanos I Administração de Recursos Humanos II Estatística 63 5º 6º 5º 6º 3º Administração Mercadológica 04 CE Dis 05 CE Dis Administração Mercadológica I Administração Mercadológica II 5º 6º 2º 2011 2011 11,0 2009 11,0 Análise Financeira de Investimentos. Avaliação Financeira de Investimentos Administração de Sistema de Informação Administração de Sistemas de Informação 7º 2012 7,6 Inovação e Criatividade Inovação e Criatividade 4º 2010 7,6 Mercado de Capitais Mercado de Capitais 6º 2011 7,6 Organização de Sistemas e Métodos. Organização de Sistemas e Métodos 3º 2010 7,6 Administração de Recursos Humanos, Administração de Recursos Humanos I Administração de Recursos Humanos II 2011 2011 25,4 2011 25,4 5º 6º Administração da Produção e Operações, Administração da Produção e Operações 5º Projetos Organizacionais Projetos organizacionais 7º 2012 25,4 Administração Mercadológica. Administração Mercadológica I Administração mercadológica II 5º 6º 2011 2011 25,4 Fonte dos dados: INEP (2014) FG ME – Formação geral múltipla escolha FG Dis – Formação geral discursiva CE ME – Conhecimento específico múltipla escolha CE Dis - Conhecimento específico discursiva 4.1.2 Avaliação Interna A avaliação do corpo docente realizada pelos alunos foi medida por meio do boletim de desempenho individual do professor, que inclui três dimensões. Avalia-se Domínio Técnico Científico (DTC), Habilidades de Ensino (HE) e Desenvolvimento Pessoal e Situacional (DPS), calculando-se a média das notas atribuídas por todos os discentes nos critérios analisados. Os resultados do desempenho docente para as disciplinas envolvidas nas questões do ENADE, segundo a pontuação obtida no ano em que foram ministradas e o período ao qual pertenciam no currículo do curso, encontram-se expostas na Tabela 8. Essa tabela detalha o valor médio de desempenho nas categorias Domínio Técnico Científico (DTC), Habilidades de Ensino (HE) e Desenvolvimento Pessoal e Situacional (DPS) e ainda o número e tipo da questão e a porcentagem de acerto da instituição. 64 Tabela 8 – Resultados do desempenho docente nas disciplinas envolvidas Nome da disciplina Ano Período Média Teorias da Administração I 2009 1º DTC – 8,35 HE – 8,03 DPS – 8,18 11- Esp. ME - 26,7 DTC – 7,91 HE – 8,34 DPS – 8,57 1 – Geral ME 63,8 2 – Geral ME 49,6 3 3 – Geral ME 50,9 7 – Geral ME 55,2 8 – Geral ME 45,7 1 1 – Geral Disc 32,9 2 – Geral Disc 39,5 Antropologia Aplicada à Gestão 2009 1º Teorias da Administração II 2009 2º Avaliação Financeira de Investimentos 2009 2º Estatística 2010 3º Organização de Sistemas e Métodos 2010 3º Contabilidade Gerencial. 2010 3º Gestão de Custos 2010 3º Filosofia e ética 2010 3º Mercado Global 2010 3º Responsabilidade Social e Ambiental 2010 3º Administração Financeira I 2010 4º Administração de Materiais 2010 4º Inovação e Criatividade 2010 4º Administração de Recursos Humanos I 2011 5º Administração Mercadológica I 2011 5º DTC – 7,97 HE – 7,60 DPS – 8,21 DTC – 8,85 HE – 8,84 DPS – 8,79 DTC – 8,11 HE – 8,87 DPS – 9,06 DTC – 6,96 HE – 7,08 DPS – 7,57 DTC - 7,46 HE – 7,04 DPS – 7,48 DTC – 8,27 HE – 8,51 DPS – 8,76 DTC – 7,69 HE – 7,49 DPS – 7,52 DTC – 8,86 HE – 9,35 DPS – 9,32 DTC – 8,76 HE – 8,70 DPS – 9,04 DTC – 7,78 HE – 7,80 DPS – 8,98 DTC – 8,02 HE – 8,34 DPS – 8,41 DTC – 7,69 HE – 8,25 DPS – 8,48 DTC – 8,48 HE – 8,76 DPS – 9,14 DTC – 8,51 HE – 9,14 DPS – 9,60 65 Questão/ Desempenho 11 – Esp. ME 26,7 3 – Esp. Disc.11,0 16 – Esp. ME28,9 17 - Esp. ME 31,9 18 – Esp. ME 35,8 28 – Esp. ME40,5 3 – Esp. Disc11,0 4 – Esp. Disc. 7,6 13 – Esp. ME 38,8 13 – Esp. ME 38,8 4 – Geral ME 48,7 24 – Esp. ME 41,8 5 – Geral ME 30,2 15 – Esp. ME 54,7 31 – Esp. ME 28,4 12 – Esp. ME 56,0 13 – Esp. ME 38,8 14 – Esp. ME 52,2 20 – Esp. ME 51,3 21 – Esp. ME 29,7 4 – Esp. Dis.7,6 27 – Esp. ME 31,0 35 – Esp. ME 53,4 5 – Esp.Disc 25,4 30 – Esp. ME 57,3 3 – Esp. Disc 11,0 5 – Esp. Disc 25,4 Administração Financeira II 2011 5º Administração da Produção e Operações 2011 5º Mercado de Capitais 2011 6º Administração de Recursos Humanos II 2011 6º Administração Mercadológica II 2011 6º Administração de Sistemas de Informação 2012 7º Projetos organizacionais 2012 7º Estratégias Organizacionais 2012 7º DTC – 7,58 HE – 7,22 DPS – 7,74 DTC – 7,42 HE – 7,20 DPS – 7,99 DTC – 7,72 HE – 7,39 DPS – 8,49 DTC – 8,56 HE – 8,20 DPS – 8,84 DTC – 7,49 HE – 7,22 DPS – 7,98 DTC – 6,75 HE – 7,09 DPS – 7,61 DTC – 8,79 HE – 9,23 DPS – 9,48 DTC – 7,38 HE – 6,89 DPS – 7,68 12 – Esp. ME 56,0 13 – Esp. ME 38,8 14 – Esp. ME 52,2 20 – Esp. ME 51,3 19 – Esp. ME 43,5 5 – Esp. Disc 25,4 4 – Esp. Disc 7,6 27 – Esp. ME 31,0 35 – Esp. ME 53,4 5 – Esp. Disc 25,4 30 – Esp. Disc 57,3 3 – Esp. Disc 11,0 5 – Esp. Disc 25,4 6 – Geral ME 55,2 2 – Geral Disc 39,5 23 – Esp. ME 23,7 4 – Esp. Disc 7,6 5 – Esp. Disc 25,4 32 – Esp. ME 37,1 33 – Esp. ME 42,7 34 – Esp. ME 35,3 Fonte: ProEn 2014 Fonte dos dados: INEP (2014) Em seguida, foram geradas as Tabelas 9, 10, 11 e 12, correspondentes aos componentes e modalidades de resposta, onde se ordenaram do mais alto para o mais baixo desempenho nas questões das disciplinas envolvidas. Relacionaram-se conjuntamente os desempenhos dos docentes segundo as três dimensões: DTC, HE e DPS. Tabela 9 - Questões do Componente Específico – múltipla escolha Questão Disciplina Desempenho 30 30 12 12 15 35 35 14 14 20 20 19 33 24 28 13 Administração Mercadológica I Administração Mercadológica II Administração Financeira I Administração Financeira II Responsabilidade Social e Ambiental Administração de Recursos Humanos I Administração Recursos Humanos II Administração Financeira I Administração Financeira II Administração Financeira I Administração Financeira II Administração da Produção e Operaç Estratégias Organizacionais Filosofia e Ética Estatística Administração Financeira I 57,3% 57,3% 56,0% 56,0% 54,7% 53,4% 53,4% 52,2% 52,2% 51,3% 51,3% 43,5% 42,7% 41,8% 40,5% 38,8% 66 Dimensão DTC 8,51 7,49 7,78 7,58 8,16 8,48 8,56 7,78 7,58 7,78 7,58 7,42 7,38 7,69 8,11 7,78 Dimensão HE 9,14 7,22 7,80 7,22 8,70 8,76 8,20 7,80 7,22 7,80 7,22 7,20 6,89 7,49 8,87 7,80 Dimensão DPS 9,60 7,98 8,98 7,74 9,04 9,14 8,84 8,98 7,74 8,98 7,74 7,99 7,68 7,52 9,06 8,98 13 13 13 32 18 34 17 27 27 21 16 31 11 11 23 Administração Financeira II Gestão de Custos Contabilidade Gerencial Estratégias Organizacionais Estatística Estratégias Organizacionais Estatística Administração de Recursos Humanos I Administração Recursos Humanos II Administração de Materiais Estatística Responsabilidade Social e Ambiental Teoria da Administração I Teoria da Administração II Administração de Sistemas de Informação Fonte: ProEn 2014 Fonte dos dados: INEP (2014) 38,8% 38,8% 38,8% 37,1% 35,8% 35,3% 31,9% 31,0% 31,0% 29,7% 28,9% 28,4% 26,7% 26,7% 23,7% 7,58 8,27 7,46 7,38 8,11 7,38 8,11 8,48 8,56 8,02 8,11 8,16 8,35 7,97 6,75 7,22 8,51 7,04 6,89 8,87 6,89 8,87 8,76 8,20 8,34 8,87 8,70 8,03 7,60 7,09 7,74 8,76 7,48 7,68 9,06 7,68 9,06 9,14 8,84 8,41 9,06 9,04 8,18 8,21 7,61 Tabela 10 - Questões do Componente Específico – discursivas Questão Disciplina Desempenho 05 05 05 05 05 05 03 03 03 03 04 04 04 Administração Mercadológica I Administração Mercadológica II Administração de Recursos Humanos I Administração Recursos Humanos II Administração da Produção e Operaç Projetos Organizacionais Estatística Avaliação Financeira de Investimentos Administração Mercadológica I Administração Mercadológica II Organização, Sistemas e Métodos Mercado de Capitais Administração de Sistemas de Informação Fonte: ProEn 2014 Fonte dos dados: INEP (2014) Dimensão DTC 8,51 7,49 8,48 8,56 7,42 8,79 8,11 8,85 8,51 7,49 6,96 7,72 6,75 Dimensão HE 9,14 7,22 8,76 8,20 7,20 9,23 8,87 8,84 9,14 7,22 7,08 7,39 7,09 Dimensão DPS 9,60 7,98 9,14 8,84 7,99 9,48 9,06 8,79 9,60 7,98 7,57 8,49 7,61 63,8% 55,2% Dimensão DTC 7,91 6,75 Dimensão HE 8,34 7,09 Dimensão DPS 8,57 7,61 55,2% 50,9% 49,6% 48,7% 45,7% 30,2% 7,91 7,91 7,91 7,69 7,91 8,86 8,34 8,34 8,34 7,49 8,34 9,35 8,57 8,57 8,57 7,52 8,57 9,32 25,4% 25,4% 25,4% 25,4% 25,4% 25,4% 11,0% 11,0% 11,0% 11,0% 7,6% 7,6% 7,6% Tabela 11 - Questões de formação geral – múltipla escolha Questão 01 06 Disciplina Antropologia Aplicada a Gestão Administração de Sistemas Informação 07 Antropologia Aplicada a Gestão 03 Antropologia Aplicada a Gestão 02 Antropologia Aplicada a Gestão 04 Filosofia e Ética 08 Antropologia Aplicada a Gestão 05 Mercado Global Fonte: ProEn 2014 Fonte dos dados: INEP (2014) Desempenho de 67 Tabela 12 - Questões de formação geral – discursivas Questão Disciplina 02 02 Antropologia Aplicada à Gestão Administração de Sistemas Informação 01 Antropologia Aplicada à Gestão Fonte: ProEn 2014 Fonte dos dados: INEP (2014) Desempenho de 39,5% 39,5% Dimensão DTC 7,91 6,75 Dimensão HE 8,34 7,09 Dimensão DPS 8,57 7,61 32,9% 7,91 8,34 8,57 No item seguinte se expõem os resultados das associações analisadas. 4.2 Análise do Relacionamento entre Avaliação Externa e Interna Com a finalidade de definir que coeficiente empregar para analisar o relacionamento entre a avaliação externa e a interna fez-se inicialmente um teste de normalidade com os dados de desempenho discente em todas as questões do ENADE e do desempenho docente das disciplinas envolvidas considerando as três dimensões. Para tanto, foi usado o teste de Shapiro-Wilk, que é adequado para pequenas amostras. Os resultados obtidos indicam que o desempenho dos alunos e a dimensão Domínio Técnico Científico (DTC) são normais (p > α), e que as dimensões Habilidade de Ensino (HE) e Desempenho Pessoal e Situacional (DPS) não têm distribuições normais (p < α). Em tal circunstância as relações foram mensuradas com o coeficiente paramétrico de Pearson no caso do desempenho dos estudantes com a dimensão DTC e com o coeficiente não paramétrico de Spearman na avaliação da associação do desempenho no ENADE com HE e com DPS. Previamente ao cálculo do coeficiente foi feito um diagrama de espalhamento com os diagramas box-plots para as variáveis que se estavam representando. Na Figura 1 se exibe a relação entre o desempenho dos alunos na abscissa e o domínio técnico científico na ordenada. 68 Figura 1 - Diagrama de dispersão entre o desempenho discente e o domínio técnico científico (DTC). Na parte superior e na lateral direita encontram-se os box-plots daquelas variáveis 9,0 8,8 8,6 8,4 DTC 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 0 10 20 30 40 50 60 70 Desempenho Discente Fonte: Dados da pesquisa. DTC – Desempenho técnico-científico Observando a representação gráfica dos box-plots percebe-se que as variáveis são normais, mostrando simetria entre os setores das caixas e dos extremos. Por sua vez, o diagrama de dispersão mostra um espalhamento bastante aleatório, sem revelar alguma associação observável. Isto é, com valores pequenos de desempenho se vinculam valores altos e baixos de DTC e vice-versa: com valores altos há tanto desempenhos técnicos científicos altos quanto baixos. Essa configuração se expressa num coeficiente de correlação de Pearson pequeno e não significativo (p = 0,413), de apenas –0,1350. Contudo é interessante assinalar que o sentido do relacionamento é negativo, pois isso significa que a tendência é de que os valores baixos de desempenho estudantil se encontrem mais relacionados com valores altos de DTC e vice-versa, ou seja, os alunos que tiveram desempenho baixo no ENADE avaliaram bem o professor. Isto é mais evidente quando se analisa o desempenho e o DTC das questões de 69 formação geral e múltipla escolha. Nesse caso, o coeficiente de Pearson atinge –0,6360 e uma significância de 10% (p = 0,09). Nas Figuras 2 e 3 se mostram os diagramas de dispersão e os box-plots entre os desempenhos no ENADE e a habilidade de ensino (HE) e o desenvolvimento pessoal e situacional (DPS), respectivamente. Em ambas as figuras podem ser observadas que aquelas dimensões do desempenho docente não possuem distribuição normal, pois os box-plots aparecem com notória assimetria. Figura 2 - Diagrama de dispersão entre o desempenho discente e a habilidade de ensino (HE). Na parte superior e na lateral direita encontram-se os box-plots daquelas variáveis 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 HE 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 0 10 20 30 40 50 60 70 Desempenho Discente Fonte: Dados da pesquisa. HE – Habilidades de ensino De igual maneira ao exposto na Figura 1, para o Domínio Técnico Científico, também se verifica nos diagramas destas outras dimensões que não há padrões reconhecíveis na distribuição dos pontos que representam as variáveis em análise. Ou seja, os valores baixos do desempenho dos alunos podem mostrar valores altos ou baixos da dimensão do desempenho 70 docente que se esteja considerando. Também pode ser observado que as mesmas condições se constatam para as dimensões HE e DPS confrontadas com o desempenho dos alunos. Na Figura 3 se apresenta o diagrama de dispersão para a dimensão Desenvolvimento Pessoal e Situacional em relação com o desempenho discente no ENADE. Nela podem ser verificadas as colocações feitas anteriormente. Figura 3 - Diagrama de dispersão entre o desempenho discente e o desenvolvimento pessoal e situacional (DPS). Na parte superior e na lateral direita encontram-se os box-plots daquelas variáveis 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 DPS 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 0 10 20 30 40 50 60 70 Desempenho Discente Fonte: Dados da pesquisa. DPS – Desenvolvimento pessoal e situacional Considerando a falta de normalidade das distribuições dos valores de HE e DPS, os coeficientes de correlação calculados para mensurar as relações com o desempenho dos alunos foram o de Spearman. A intensidade da relação se calcula usando, em vez dos valores observados, os postos que estes ocupam segundo o ordenamento de suas magnitudes. Os coeficientes obtidos foram praticamente nulos, com valores de –0,07 e –0,06 respectivamente para as associações entre o desempenho discente com HE e com DPS. 71 Portanto, também se confirma que não existe relação entre estas dimensões e o desempenho da instituição no ENADE. 72 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, são apresentadas as conclusões referentes ao desempenho dos estudantes do Curso de Administração da Univali de Itajaí no ENADE 2012 e sua relação com a avaliação docente pelo discente. A metodologia compreendeu análise do relatório do Curso de Administração da Univali de Itajaí, emitido pelo INEP/MEC, referente à prova feita pelos 232 alunos concluintes do referido curso. Já para a avaliação interna, os dados utilizados foram os boletins de desempenho dos 38 professores que ministraram as disciplinas envolvidas nas questões da prova do ENADE. As conclusões são apresentadas de forma a contemplar e responder os objetivos específicos deste estudo, bem como, apresentam-se limitações e recomendações para trabalhos futuros. 5.1 Conclusões Esta dissertação procurou responder à questão: Qual a relação entre os desempenhos docente e discente nos processos de avaliação interna e externa do Curso de Administração da Univali de Itajaí? A pesquisa iniciou-se em fontes de referências bibliográficas de relevância na academia, utilizando-se de artigos nacionais e estrangeiros, para que se conhecesse a Avaliação da Educação Superior em nível de Brasil e internacional, dando destaque mais para o Brasil com relação ao ENADE e também à Avaliação Institucional na Univali. O objetivo geral foi atingido a partir da análise feita entre desempenho docente e discente, tendo como referencial o resultado da prova do ENADE 2012. O desempenho do estudante está embasado no relatório do curso publicado pelo INEP/MEC; já o do professor, nos boletins institucionais de desempenho dos ministrantes das disciplinas cujos conteúdos são contemplados nas questões da prova. Dessa forma, este trabalho deu início às discussões da relação entre o desempenho docente e discente nos processos de avaliação interna e externa do Curso de Administração da Univali de Itajaí. Com relação ao primeiro objetivo específico, que foi sistematizar os dados do ENADE do Curso de Administração da Univali de Itajaí a partir do relatório do curso disponibilizado pelo INEP/MEC, analisaram-se os percentuais de acertos da IES, fazendo-se um comparativo com o Brasil e a Região Sul. (Tabelas 3, 4, 5 e 6). Esta análise foi referente às questões de Componentes Gerais e Conteúdos Específicos e é de suma importância para a coordenação do 73 curso e professores detectarem os aspectos vulneráveis e os pontos fortes e encaminhar ações que visem às devidas correções, pontuando conteúdos e habilidades envolvidas, de acordo com o perfil profissiográfico do curso. Os dados revelados contribuem significativamente para a avaliação formativa. Uma vez que oferecem subsídios para a implementação de programas que alimentem o compromisso com a melhoria do ensino e assegurem a qualidade, tanto no nível da instituição como no do sistema. Objetivando uma leitura minuciosa, as tabelas citadas foram elaboradas relacionandose, em cada questão, além do percentual de acerto (Brasil, Região e Instituição) e seu respectivo gabarito, o maior percentual de erro da IES. Assim, detectou-se o número de questões em que a Instituição está superando a média regional e nacional. Em relação ao segundo objetivo específico, que era associar as questões do ENADE às disciplinas que desenvolvem as temáticas inclusas nessas questões, percebeu-se que o conteúdo mais contemplado foi o de Políticas Públicas, nas questões de Formação Geral, envolvendo a disciplina de Antropologia Aplicada à Gestão, ministrada no 1º período do curso. Já nas questões de Conhecimento Específico, a disciplina de Estatística, lecionada no 3º período, foi a mais cobrada pelo ENADE, seguida de Administração Financeira, do 4º e 5º períodos, Administração de Recursos Humanos, 5º e 6º e Estratégias Organizacionais do 7º, conforme consta na Tabela 7. Quanto ao terceiro objetivo específico: examinar as avaliações do desempenho dos docentes que ministraram as disciplinas envolvidas nas questões do ENADE, consideraram-se as dimensões do Domínio Técnico Científico (DTC), das Habilidades de Ensino (HE) e do Desenvolvimento Pessoal e Situacional (DPS). Neste item, o melhor DTC é o da disciplina Mercado Global, com 8,86, ministrada no 3 ͦ período, tendo como conteúdo tema de Formação Geral, com um índice de acerto na prova de 30,2%, correspondendo à questão de nº 5. A disciplina Avaliação Financeira de Investimento também teve um bom desempenho quanto ao DTC, com 8,85, mas em contrapartida o acerto dos alunos na prova foi de apenas 11%. Esta disciplina é lecionada no 2º período do curso e a questão analisada é a de nº 3, de Conhecimento Específico. Observou-se aqui que o DTC foi alto enquanto que o percentual de acerto foi muito baixo. 74 Já a disciplina Administração de Sistemas de Informação, lecionada no 7º período, teve um DTC de 6,75 e consta na questão de nº 6 de Formação Geral, com índice de 55,2% de acerto dos alunos; na questão 2, também de Formação Geral, com 39,5%; na questão 23, de Componente Específico, com 23,7% de acerto e na questão 4, também de Componente Específico, com apenas 7,6% de acerto dos alunos. Outra disciplina que também teve um baixo desempenho no DTC foi Organização de Sistemas e Métodos do 3º, com 6,96. Esta compôs a questão de nº 4 de Componente Específico e nossos alunos acertaram apenas 7,6%. Quanto ao HE, o melhor desempenho foi de 9,35, cuja disciplina é a de Mercado Global, lecionada no 3º e fez parte das questões de Formação Geral, foi a 5ª questão da prova do ENADE, com um acerto de 30,2%. Quase o mesmo desempenho verificou-se na disciplina Projetos Organizacionais, com 9,23 de índice, ministrada no 7º período, também foi a 5ª questão da prova de Componente Específico, com desempenho de 25,4%. Ainda sobre HE, o pior desempenho foi em Estratégias Organizacionais, com apenas 6,89. Esta disciplina fez parte da questão do ENADE de nº 32 em que os alunos acertaram 37,1%; questão nº 33, com acerto de 42,7% e da questão nº 34, com 35,3% de desempenho dos alunos. Essas questões fazem parte do Componente Específico. Em se tratando de DPS, o melhor desempenho para o professor foi de 9,60 na disciplina Administração Mercadológica I, lecionada no 5º período, fazendo parte do ENADE nas questões de número 30, com acerto de 57,3%; nº 3, com um percentual de acerto de 11% e da questão nº5, com desempenho de 25,4. Essas questões também fizeram parte do Componente Específico de estudo. Outro bom desempenho foi na questão de nº 5, cuja disciplina é Projetos Organizacionais, ministrada no 7º período do curso, com 9,48 de desempenho do professor, enquanto que os alunos tiveram um acerto de 25,4%, também fazendo parte dos componentes específicos. O desempenho mais baixo observado em DPS foi de 7,48, na disciplina Contabilidade Gerencial, cuja questão foi a de nº 13 na prova do ENADE, com um percentual de acerto dos alunos de 38,8%, fazendo parte do componente específico. Em relação ao último objetivo, em que se trata de relacionar o desempenho por questões da prova com o desempenho dos docentes que ministraram as disciplinas envolvidas nessas questões, chegou-se ao resultado conforme expresso no diagrama de dispersão: na Figura 1 se obtém um espalhamento bastante aleatório, não mostrando associação observável 75 entre DTC e desempenho discente, observando ainda que o sentido do relacionamento é negativo, significando que a tendência é de que os valores baixos de desempenho discente se encontrem mais relacionados com valores altos de DTC e vice-versa, principalmente nas questões de formação geral e múltipla escolha. Quanto à dimensão HE e DPS (Figuras 2 e 3), também se verifica a inexistência de padrões reconhecíveis na distribuição dos pontos que representam as variáveis em análise. Significa dizer que aos valores baixos do desempenho dos alunos podem corresponder valores altos ou baixos da dimensão do desempenho docente. Observa-se, portanto, que os coeficientes obtidos foram praticamente nulos, ou seja, confirma-se que não existe relação entre estas dimensões (HE e DPS) e o desempenho da Instituição no ENADE. Neste sentido, fica evidente que por meio dos resultados obtidos na pesquisa não se pode afirmar que haja coerência entre a performance acadêmica na avaliação externa e a avaliação interna feita pelos discentes quanto ao desempenho dos professores das disciplinas envolvidas nas questões. Porém, chega-se à conclusão pelas análises feitas que a Avaliação Externa (ENADE) e a Avaliação Interna (Docentes) não são complementares, ou seja, um ótimo (ou um insatisfatório) desempenho nas questões do ENADE, não significa necessariamente uma Instituição com um ótimo (ou insatisfatório) desempenho docente na visão do corpo discente. Assim, os resultados deste estudo respondem à questão de pesquisa proposta, da seguinte maneira: não existe relação entre o desempenho dos alunos no ENADE e a competência dos docentes no que se refere ao Domínio Técnico-Científico (DTC), Habilidade de Ensino (HE) e Desenvolvimento Pessoal e Situacional (DPS). Com altas notas nas três variáveis, tiveram alunos com baixas avaliações no ENADE. Isso significa que disciplinas cujos professores foram muito bem avaliados nas três competências tiveram alunos com baixo desempenho nas questões relacionadas ao conteúdo dessas disciplinas. 5.2 Limitações da Pesquisa Foram apresentadas algumas limitações no estudo realizado. Pode-se citar que a pesquisa poderia ter mais informações pelo fato de não se ter acesso ao boletim de desempenho do estudante, pois o mesmo traz a nota individual do aluno. Com esta 76 informação, a Instituição poderia analisar o desempenho do aluno bolsista a fim de dar incentivo a oportunidades de trabalho. Pode ser considerado também fator limitativo a anulação de questões. O INEP/MEC não informa o motivo dessas decisões. Observa-se na Tabela de nº 7 que foram anuladas seis questões (9, 10, 22, 25, 26 e 29) do Componente Específico que trata de Administração de Recursos Humanos e Negociação Internacional (9), Teoria Geral da Administração (10), Matemática Financeira (22), Marketing e Teoria Geral da Administração (25), Administração Financeira (26) e Administração de Recursos Humanos (29), as quais seriam de suma importância para as análises, ainda mais sendo específicas do Curso de Administração. 5.3 Sugestões para Trabalhos Futuros A partir da realização deste trabalho foi possível verificar que há muito a avançar na avaliação externa e interna. O tema, ainda considerado emergente, necessita ser aprofundado e testado sob diferentes dimensões. Este trabalho se apoiou no desempenho no ENADE e sua relação com a avaliação docente pelo discente, e muitas lacunas precisam ser preenchidas para compreensão total do recorte. Sendo assim, apresentam-se as seguintes sugestões: 5.3.1 Melhorias para a gestão acadêmica em geral sobre avaliação - Aumentar a participação de alunos na avaliação institucional da Univali para garantir maior representatividade. - Sensibilizar o acadêmico para a relevância da participação discente no processo avaliativo institucional, tanto interno quanto externo. 5.3.2 Novos trabalhos de pesquisa - Utilizar os resultados processual e produtivamente com o intuito de promover inovações no ensino, na pesquisa, na extensão e na cultura. - Relacionar, de forma sistemática e abrangente, os resultados da pesquisa de opinião com demais informações relativas ao corpo docente, tais como: o programa de formação continuada e os indicadores de avaliação externa. - Dar continuidade a este tipo de trabalho, incluindo outros cursos, pois a utilização do método em outros cursos é importante para buscar a ratificação de alguns indicadores, e principalmente, comparar os resultados. 77 5.4 Contribuição teórico-empírica do trabalho A avaliação é vista como um instrumento decisivo para a melhoria da qualidade de ensino numa ótica de aposta no desenvolvimento pessoal e profissional do docente e, simultaneamente, na responsabilização do aluno. Não se pode negar que a avaliação trouxe impacto ao contexto da IES, o que foi confirmado nas análises estatísticas. Os dados utilizados com a finalidade de verificar a efetividade da repercussão dos resultados da avaliação docente têm que ser analisados a partir das seguintes questões: - quais as atitudes desencadeadas pelo professor após o recebimento do relatório com os resultados da avaliação? - quais as possíveis contribuições que os resultados da avaliação trazem para a atuação docente? - é discutido com os alunos o resultado, buscando encontrar caminhos para aperfeiçoamento? - os resultados possibilitam identificar os pontos fortes e fracos fazendo com que o professor reoriente suas ações acadêmicas? - interessa-se somente pelo resultado positivo, ignorando o negativo? Com base nesses questionamentos, recomenda-se: - refletir sobre os tópicos em que o professor foi bem avaliado e em que foi criticado; - encarar a avaliação como alerta sobre o que se deve fazer e como norte do que melhorar; - respeitar o ritmo de cada aluno, entender que há muitas variáveis no processo ensinoaprendizagem; - perceber a avaliação como momento ideal para se rever e planejar estratégias para que, cada dia mais, a instituição seja uma referência em qualidade de ensino. - adotar a avaliação como um contributo à qualidade das aulas à medida que permite repensar processos e alterar métodos, procedimentos, enfoques, diretrizes e técnicas pedagógicas e mais. Convém salientar, neste ponto, que o processo avaliativo deve: - gerar informações para novo planejamento, definição de critérios; - contribuir para a melhoria da qualidade do ensino ao revelar as carências e nortear a instituição à criação de condições para a melhoria do ensino-aprendizagem; - refletir-se na atuação do professor, seja em sala de aula, seja na busca de maior qualificação; - levar a pensar sobre os procedimentos empregados durante as aulas, quanto à indicação de bibliografia e atividades em grupo, por exemplo; 78 - ajudar a verificar quais itens precisam ser melhorados, por exemplo, mais exercícios de revisão, adequação da linguagem ao contexto do aluno; - trazer contribuições tanto para os docentes com mais anos de experiência, quanto para os que estão iniciando a carreira; - incentivar os docentes, ao vivenciarem um processo de avaliação significativo para o crescimento, a descobrir melhor maneira de ensinar; - aperfeiçoar a qualidade do desempenho docente, a aceitação do trabalho desempenhado pelo docente conforme o que determinam os padrões da instituição. No processo de avaliação protagonizado pela Univali, indicam-se ainda como pontos de reflexão os seguintes aspectos: - incorporação dos resultados da avaliação aos planos de ação estratégicos da instituição; - aperfeiçoamento no processo de avaliação (instrumento de coleta de dados), com a inclusão de indicadores relativos à infraestrutura dos campi e centros, perfil do aluno e interação disciplina/docente/ discente; - aumento na participação de alunos e professores para garantir a representatividade; - aprimoramento da divulgação dos resultados da AI, atingindo com maior profundidade o público-alvo; - desenvolvimento de sistemática que possibilite a todos os setores avaliados contemplar os problemas apontados pelos resultados em seus planos de ação, a fim de estabelecer metas, programas e ações de planejamento articulados com os resultados da avaliação; - expansão desta atividade para todos os níveis: professor (sala de aula), coordenador (curso, currículo), apoio pedagógico e administração; - utilização dos resultados processual e produtivamente com o intuito de promover inovações no ensino, na pesquisa, na extensão e na cultura; - relacionamento, de forma sistemática e abrangente, dos resultados da pesquisa de opinião com demais informações relativas ao corpo docente e discente, tais como: o rendimento acadêmico, o programa de formação continuada, os indicadores de avaliação externa, a utilização do acervo, a avaliação dos projetos pedagógicos, a produção científica e tecnológica docente e discente e indicadores de bolsas e financiamentos. Quanto ao ENADE, este impacta em diagnóstico da formação do aluno, na eficácia educacional, no aumento da competitividade entre as IES privadas, relacionando-se com a inserção social, com a avaliação interna e na modelagem do sistema de avaliação. 79 Também traz questionamentos sobre a qualidade de ensino, implicações das políticas públicas nas ações institucionais, percepção de variáveis que ajudem a explicar o desempenho dos alunos, repercussão no Projeto Político-pedagógico do curso e na própria gestão desse curso. Frente a tais impactos, para melhorar o desempenho do aluno, a IES promove mudanças de comportamento das ações educativas, como reconfiguração de curso. Além disso, preocupa-se com as diferenças nos modelos regulatórios e emancipatórios gerados pelo ENADE. Outros pontos preocupantes dizem respeito ao baixo crescimento da formação geral dos estudantes, ao baixo índice de leitura e ao baixo desempenho dos alunos na resolução de problemas estatísticos. Dentre algumas estratégias para encarar esses desafios, poderá ser feita uma comprovação das relações entre o resultado do ENADE e as ações dos docentes, das mudanças significativas na dinâmica das aulas, a adoção de novas metodologias de ensino, incluindo internacionalização dos cursos, língua inglesa e mudanças nas políticas de gestão do curso. À coordenação de curso, junto ao NDE e ao Colegiado de Curso, cabe analisar e discutir os resultados, propondo e realizando ações como: investimentos na formação continuada dos docentes, reuniões com professores, definição de critérios comuns para a avaliação de aprendizagem, constantes atualizações das ementas, discussão conjunta dos projetos integrados, incentivo à realização de palestras com profissionais do mercado nas disciplinas, plano de ensino disponível na primeira semana de aula e análise das relações entre disciplinas e laboratórios. Como se observa, o ENADE causa impacto e, em consequência, leva ao desenvolvimento de estratégias de melhorias de ensino nas instituições como um todo, portanto, sugere-se: - desenvolver hábitos de leitura, estudo e pesquisa prévios do conteúdo a ser tratado em aula. Neste caso, o professor promoverá debates, esclarecimentos de conceitos teórico-práticos, atuando como mediador e ampliando o número de horas dedicadas ao estudo; - pesquisar e elaborar material-pedagógico a ser estudado nas aulas: questões-problema e situações cotidianas vivenciadas pelos alunos, na vida profissional e pessoal, para criar uma biblioteca de casos para o curso; 80 - criar um “Grupo de Melhorias” formado por professores de cada período e alunos representantes para: - acompanhar o desempenho acadêmico e do curso; - promover a socialização de materiais (casos, textos, reportagens, trabalhos científicos, etc.) que favoreçam a interdisciplinaridade e a integração das atividades curriculares; - apoiar opiniões positivas e acompanhar o “clima institucional” sobre o ENADE; - conceder bolss de estudo para os cursos Lato Sensu, na Instituição, ao aluno que obtiver melhor desempenho no ENADE (a negociar: uma para o melhor de cada turma ou uma para o melhor da universidade), mediante comprovação via Boletim de Desempenho/INEP; - utilizar as questões objetivas e dissertativas e padrões de resposta /INEP como estratégia para o desenvolvimento de conteúdo, e não somente como prova (o aluno necessita conhecer a estrutura das questões e como devem ser respondidas as discursivas); - implantar, em todos os períodos do curso, a metodologia de estudos de caso com padrão de respostas; - realizar uma avaliação integrada nos moldes do ENADE; - selecionar as questões do ENADE em que o curso obteve desempenho abaixo da média nacional e da região, e analisá-las com alunos e professores como revisão curricular; - orientar os acadêmicos para o preenchimento do Questionário-Pesquisa INEP; - apresentar aos calouros e alunos dos primeiros períodos a evolução do curso no ENADE, como estímulo para primar pela qualidade do ensino; - oferecer minicursos com conteúdos elencados nas diretrizes do ENADE. Adotar: - plantão de atendimento para revisão e dificuldades encontradas no estudo dos conteúdos; - workshops envolvendo supervisores de área; - simulado com prova interdisciplinar; - revisão de conteúdo, abrangendo resolução das questões de ENADE anteriores; - cada professor e supervisor elaborarão três questões para grupos de estudo; - avaliação das ações dos supervisores e estagiários; - estudo da modalidade de avaliação do ENADE; - participação dos professores na elaboração e adoção de questões operatórias; - adoção de um livro texto para estímulo à leitura e assimilação de conhecimentos; 81 - identificação e revisão dos conteúdos do curso com desempenho abaixo da média nacional e regional no ENADE; - estímulo à leitura e estudo extraclasse utilizando recursos pedagógicos; - Conselho de Classe para identificação dos alunos com pouco rendimento curricular; - nomeação de professores para acompanhamento e orientação dos alunos; .- trabalho com alunos sobre o ENADE, pelos professores orientadores de monografia; - reunião do Colegiado para adoção de uma Prova integrada única; - utilização das questões do ENADE nas atividades; - estudo com professores e alunos utilizando a sistematização dos resultados do curso no ENADE; - desenvolvimento do programa de Formação Continuada dos Docentes; - novas normas regimentais de avaliação do desempenho acadêmico; - melhoria do Sistema Integrado de Bibliotecas da UNIVALI (Sibiun); - realização de Fóruns Internos de Acompanhamento, Avaliação e Discussão do Projeto Pedagógico; - estabelecimento da Formação Continuada de Coordenadores; - diálogo com professores e alunos ressaltando a importância do ENADE; - estudo com os professores sobre o desempenho do curso no ENADE e os resultados do Questionário-pesquisa; - estudo com os alunos: - Portaria ENADE, - Questões e Padrão de respostas e levantamento dos conteúdos não contemplados no currículo do curso e os que requerem revisão; - seminário de atualização e revisão de conteúdos, em dias alternados, contemplando os conteúdos de Formação Geral; - confraternização com todos os alunos do curso para promover a integração; - intensivos facultativos transformados em disciplinas curriculares obrigatórias: Tópicos Especiais I e II com avaliação e atividades curriculares; - planejamento das atividades de estágio, para não coincidirem com o ENADE; - trabalho de conscientização, diminuindo a resistência ao ENADE; - reuniões semanais por área com professores envolvidos diretamente no ENADE; - oficina de elaboração de testes para os professores; - avaliações adotando metodologia do ENADE; - atualização das ementas das disciplinas do 7º período; 82 - aproveitamento dos resultados dos alunos que acertarem mais de 50% das questões no ENADE, como atividade, atribuindo uma nota a ser combinada; - palestras com professores de outras universidades; - estudo das competências e habilidades junto aos professores e alunos para análise comparativa com o Projeto Pedagógico do Curso; - ENADE simulado ao fim de cada mês; - orientação individual para os alunos que apresentam dificuldades; - reunião com os professores para analisar ENADEs anteriores redimensionando conteúdos e conhecimentos; - análise comparativa das Portarias anteriores com relação aos conteúdos, capacidades e habilidades; - encaminhamento de materiais do ENADE aos alunos: portaria, questões objetivas e discursivas com padrões de resposta e questionário-pesquisa; - reunião com professores para reestruturação das ações e planos a serem desenvolvidos; - conscientização dos alunos: participação nas atividades relacionadas ao ENADE; - reunião de conscientização com acadêmicos inscritos no ENADE; - análise do ENADE anterior, com levantamento das questões objetivas que obtiveram um percentual de acertos inferior a 40%, refazendo o conteúdo no desenvolvimento das disciplinas; - curso de formação continuada: tecnologia de testes para orientar e acompanhar docentes na ação da avaliação; - fornecimento de informações gerais sobre o ENADE, distribuindo material informativo para todos os alunos; - identificação dos alunos que irão fazer o ENADE, direcionando-os para a disciplina de Tópicos Emergentes; - incentivo aos alunos em relação ao ENADE, colocando faixas na entrada do Campus; - revisão da organização didático- pedagógica do Curso; - palestras para os alunos envolvidos no ENADE para revisão dos conteúdos; - instalação de painéis, murais e faixas contendo informações e incentivos ao ENADE; - curso de tecnologia de testes aos professores para adotarem questões semelhantes ao ENADE; - grupos de trabalho: leitura, discussão e apresentações; 83 - palestras e seminários de conteúdos não contemplados no currículo do curso; - organização de textos-síntese; - estudo de questões objetivas e discursivas; - seminário de Iniciação Científica com temas atuais e relevantes, incentivando-se a participação dos alunos que prestarão o ENADE; - encontro aos sábados para revisão do conteúdo. Em muitos casos, existe um mau uso do sistema de avaliação. Por vezes, é criada uma cultura de homogeneização em vez de uma cultura de desenvolvimento profissional. A ideia de avaliação para promover a aprendizagem e o desenvolvimento profissional está ainda muito pouco desenvolvida e a avaliação não se apresenta como um modo de pensar de maneira diferente e de ajustar o trabalho enquanto este decorre, por oposição a fazê-lo só depois de terminado. Por outro lado, frequentemente, os itens dos questionários focam opiniões dos alunos sobre como o professor ensinou, mas ignoram as dificuldades sentidas pelos alunos no sentido de elucidar as mudanças necessárias. Portanto, este trabalho apresentou evidências de possíveis indicadores e seus efeitos sobre o desempenho acadêmico dos estudantes do Curso de Administração da Univali de Itajaí. Além disso, chamou a atenção para a importância de se refletir sobre o grau de qualidade do capital intelectual que está sendo formado, visto que esses estudantes serão futuros profissionais do mercado de trabalho do Brasil. Outra contribuição do estudo foi apresentar uma série de análises descritivas com informações sobre o curso. 84 REFERÊNCIAS ABRANTES, P. VALENTE, M. O. et al. Estudo sobre a avaliação dos docentes do ensino superior: desenvolvimento de instrumentos de avaliação de desempenho – Relatório Final. Lisboa: Direção geral do Ensino Superior. 1999. AFONSO, A. J. Estado, mercado, comunidade e avaliação. Esboço para uma rearticulação crítica. Educação & Sociedade, Campinas, vol. 20, nº. 69, dez. 1999 AMARAL, A. Sistemas Europeus de Avaliação de Qualidade. Revista Portuguesa de Gestão, v.1, 2008. BABBIE, E. Métodos de Pesquisas de Survey. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001, 519 p. BARREYRO, G. B. ROTHEN, J. C. 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Universidade Estadual de Campinas UNICAMP, São Paulo, 2004. 91 ANEXOS Anexo 1: Questionário Discente - Indicadores relacionados à disciplina Anexo 2: Boletim de Desempenho Anexo 3: Nota Técnica para o Cálculo do ENADE Anexo 4: Respostas das Questões de Múltipla Escolha e Discursivas do Componente de Formação Geral Anexo 5: Respostas das Questões de Múltipla Escolha e Discursivas do Componente Específico Anexo 6: Prova ENADE/ 2012 92 Anexo 1: Questionário Discente - Indicadores relacionados à disciplina: DIMENSÃO DISCIPLINA o o o o o o o Quero avaliar Não quero avaliar porque não tenho opinião formada Não quero avaliar porque não acho que a pesquisa gere resultados Não quero avaliar porque não tenho interesse Não quero avaliar porque desisti da disciplina Não quero avaliar porque não estou matriculado nesta disciplina Não quero avaliar porque não tive aula com este professor Quanto ao professor: 1. Tem domínio de conteúdo. (-/+) 2. Esclarece dúvidas. (-/+) 3. Utiliza linguagem clara no desenvolvimento das estratégias de ensino. (-/+) 4. Usa o plano de ensino como referência para o desenvolvimento da disciplina. (-/+) 5. Estabelece relações entre a disciplina e a prática profissional. (-/+) 6. Discute os resultados das avaliações com a turma. (-/+) 7. Mantém um clima de cooperação, respeito e trabalho produtivo na sala de aula. (-/+) Quanto à interação aluno, professor e disciplina: 8. O nível de complexidade das avaliações em relação ao conteúdo trabalhado: (baixo/equivalente/alto) 9. O nível de exigência da disciplina em relação ao perfil profissional: (baixo/ideal/alto) 10. O nível de importância para sua formação. (baixo/alto) 93 Anexo 2: Boletim de Desempenho 94 Anexo 3: Nota Técnica para o Cálculo do ENADE 95 96 Anexo 4: Respostas das Questões de Múltipla Escolha e Discursivas do Componente de Formação Geral 97 Anexo 5 – Respostas das Questões de Múltipla Escolha e Discursivas do Componente Específico 98 Anexo 6 – Prova ENADE/ 2012 QUESTÕES DE FORMAÇÃO GERAL – OBJETIVAS 1 - Questão – Conteúdo - Políticas Públicas – Educação – Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, a média anual brasileira de livros lidos por habitante era, em 2011, de 4,0. Em 2007, esse mesmo parâmetro correspondia a 4,7 livros por habitante/ano. De acordo com as informações apresentadas acima, verifica-se que A) metade da população brasileira é constituída de leitores que tendem a ler mais livros a cada ano. B) o Nordeste é a região do Brasil em que há a maior proporção de leitores em relação à sua população. C) o número de leitores, em cada região brasileira, corresponde a mais da metade da população da região. D) o Sudeste apresenta o maior número de leitores do país, mesmo tendo diminuído esse número em 2011. (correta) 63,8% E) a leitura está disseminada em um universo cada vez menor de brasileiros, independentemente da região do país. 99 2 - Questão – Conteúdo - Ecologia – Biodiversidade – Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão O Cerrado, que ocupa mais de 20% do território nacional, é o segundo maior bioma brasileiro, menor apenas que a Amazônia. Representa um dos hotspots para a conservação da biodiversidade mundial e é considerado uma das mais importantes fronteiras agrícolas do planeta. Considerando a conservação da biodiversidade e a expansão da fronteira agrícola no Cerrado, avalie as afirmações a seguir. I. O Cerrado apresenta taxas mais baixas de desmatamento e percentuais mais altos de áreas protegidas que os demais biomas brasileiros. II. O uso do fogo é, ainda hoje, uma das práticas de conservação do solo recomendáveis para controle de pragas e estímulo à rebrota de capim em áreas de pastagens naturais ou artificiais do Cerrado. III. Exploração excessiva, redução progressiva do habitat e presença de espécies invasoras estão entre os fatores que mais provocam o aumento da probabilidade de extinção das populações naturais do Cerrado. IV. Elevação da renda, diversificação das economias e o consequente aumento da oferta de produtos agrícolas e da melhoria social das comunidades envolvidas estão entre os benefícios associados à expansão da agricultura no Cerrado. É correto apenas o que se afirma em A I. B II. C I e III. D II e IV E III e IV.(correta) 49,6% 3 - Questão – Conteúdo - Políticas Públicas – Desenvolvimento Sustentável – Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão A floresta virgem é o produto de muitos milhões de anos que passaram desde a origem do nosso planeta. Se for abatida, pode crescer uma nova floresta, mas a continuidade é interrompida. A ruptura nos ciclos de vida natural de plantas e animais significa que a floresta nunca será aquilo que seria se as árvores não tivessem sido cortadas. A partir do momento em que a floresta é abatida ou inundada, a ligação com o passado perde-se para sempre. Trata-se 100 de um custo que será suportado por todas as gerações que nos sucederem no planeta. É por isso que os ambientalistas têm razão quando se referem ao meio natural como um “legado mundial”. Mas, e as futuras gerações? Estarão elas preocupadas com essas questões amanhã? As crianças e os jovens, como indivíduos principais das futuras gerações, têm sido, cada vez mais, estimulados a apreciar ambientes fechados, onde podem relacionar-se com jogos de computadores, celulares e outros equipamentos interativos virtuais, desviando sua atenção de questões ambientais e do impacto disso em vidas no futuro, apesar dos esforços em contrário realizados por alguns setores. Observe-se que, se perguntarmos a uma criança ou a um jovem se eles desejam ficar dentro dos seus quartos, com computadores e jogos eletrônicos, ou passear em uma praça, não é improvável que escolham a primeira opção. Essas posições de jovens e crianças preocupam tanto quanto o descaso com o desmatamento de florestas hoje e seus efeitos amanhã. SINGER, P. Ética Prática. 2 ed. Lisboa: Gradiva, 2002, p. 292 (adaptado). É um título adequado ao texto apresentado acima: A) Computador: o legado mundial para as gerações futuras B) Uso de tecnologias pelos jovens: indiferença quanto à preservação das florestas C) Preferências atuais de lazer de jovens e crianças: preocupação dos ambientalistas D) Engajamento de crianças e jovens na preservação do legado natural: uma necessidade imediata (correta) 50,9% E) Redução de investimentos no setor de comércio eletrônico: proteção das gerações futuras 4 – Questão – Conteúdo - Democracia, Ética e Cidadania – Disciplina – Filosofia e Ética É ou não ético roubar um remédio cujo preço é inacessível, a fim de salvar alguém que, sem ele, morreria? Seria um erro pensar que, desde sempre, os homens têm as mesmas respostas para questões desse tipo. Com o passar do tempo, as sociedades mudam e também mudam os homens que as compõem. Na Grécia Antiga, por exemplo, a existência de escravos era perfeitamente legítima: as pessoas não eram consideradas iguais entre si, e o fato de umas não terem liberdade era considerado normal. Hoje em dia, ainda que nem sempre respeitados, os Direitos Humanos impedem que alguém ouse defender, explicitamente, a escravidão como algo legítimo. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Fundamental. Ética. Brasília, 2012. Disponível em: <portal.mec.gov.br>. Acesso em: 16 jul. 2012 (adaptado). 101 Com relação a ética e cidadania, avalie as afirmações seguintes. I. Toda pessoa tem direito ao respeito de seus semelhantes, a uma vida digna, a oportunidades de realizar seus projetos, mesmo que esteja cumprindo pena de privação de liberdade, por ter cometido delito criminal, com trâmite transitado e julgado. II. Sem o estabelecimento de regras de conduta, não se constrói uma sociedade democrática, pluralista por definição, e não se conta com referenciais para se instaurar a cidadania como valor. III. Segundo o princípio da dignidade humana, que é contrário ao preconceito, toda e qualquer pessoa é digna e merecedora de respeito, não importando, portanto, sexo, idade, cultura, raça, religião, classe social, grau de instrução e orientação sexual. É correto o que se afirma em A) I, apenas. B) III, apenas. C) I e II, apenas. D) II e III, apenas. E) I, II e III.(correta) 48,7% 5 – Questão - Conteúdo - Globalização e Geopolítica – Disciplina – Mercado Global A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria nos fins do século 19 e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira e cultural. A produção e a informação globalizadas permitem a emergência de lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais, que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica. SANTOS, M. O país distorcido. São Paulo: Publifolha, 2002 (adaptado). No estágio atual do processo de globalização, pautado na integração dos mercados e na competitividade em escala mundial, as crises econômicas deixaram de ser problemas locais e passaram a afligir praticamente todo o mundo. A crise recente, iniciada em 2008, é um dos 102 exemplos mais significativos da conexão e interligação entre os países, suas economias, políticas e cidadãos. Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. O processo de desregulação dos mercados financeiros norte-americano e europeu levou à formação de uma bolha de empréstimos especulativos e imobiliários, a qual, ao estourar em 2008, acarretou um efeito dominó de quebras nos mercados. PORQUE II. As políticas neoliberais marcam o enfraquecimento e a dissolução do poder dos Estados nacionais, bem como asseguram poder aos aglomerados financeiros que não atuam nos limites geográficos dos países de origem. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.(correta) 30,2% D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas. 6 – Questão - Conteúdo - Avanços Tecnológicos – Disciplina – Administração de Sistemas de Informação O anúncio feito pelo Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear (CERN) de que havia encontrado sinais de uma partícula que pode ser o bóson de Higgs provocou furor no mundo científico. A busca pela partícula tem gerado descobertas importantes, mesmo antes da sua confirmação. Algumas tecnologias utilizadas na pesquisa poderão fazer parte de nosso cotidiano em pouco tempo, a exemplo dos cristais usados nos detectores do acelerador de partículas large hadron colider (LHC), que serão utilizados em materiais de diagnóstico médico ou adaptados para a terapia contra o câncer. “Há um círculo vicioso na ciência quando se faz pesquisa”, explicou o diretor do CERN. “Estamos em busca da ciência pura, sem saber a que servirá. Mas temos certeza de que tudo o que desenvolvemos para lidar com problemas inéditos será útil para algum setor.” CHADE, J. Pressão e disputa na busca do bóson. O Estado de S. Paulo, p. A22, 08/07/2012 (adaptado). Considerando o caso relatado no texto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. 103 I. É necessário que a sociedade incentive e financie estudos nas áreas de ciências básicas, mesmo que não haja perspectiva de aplicação imediata. PORQUE II. O desenvolvimento da ciência pura para a busca de soluções de seus próprios problemas pode gerar resultados de grande aplicabilidade em diversas áreas do conhecimento. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.(correta) 55,2% B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E) As asserções I e II são proposições falsas. 7 – Questão – Conteúdo – Sociodiversidade – Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão Legisladores do mundo se comprometem a alcançar os objetivos da Rio+20 Reunidos na cidade do Rio de Janeiro, 300 parlamentares de 85 países se comprometeram a ajudar seus governantes a alcançar os objetivos estabelecidos nas conferências Rio+20 e Rio 92, assim como a utilizar a legislação para promover um crescimento mais verde e socialmente inclusivo para todos. Após três dias de encontros na Cúpula Mundial de Legisladores, promovida pela GLOBE International — uma rede internacional de parlamentares que discute ações legislativas em relação ao meio ambiente —, os participantes assinaram um protocolo que tem como objetivo sanar as falhas no processo da Rio 92. Em discurso durante a sessão de encerramento do evento, o vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe afirmou: “Esta Cúpula de Legisladores mostrou claramente que, apesar dos acordos globais serem úteis, não precisamos esperar. Podemos agir e avançar agora, porque as escolhas feitas hoje nas áreas de infraestrutura, energia e tecnologia determinarão o futuro”. Disponível em: <www.worldbank.org/pt/news/2012/06/20>. Acesso em: 22 jul. 2012 (adaptado). O compromisso assumido pelos legisladores, explicitado no texto acima, é condizente com o fato de que 104 A) os acordos internacionais relativos ao meio ambiente são autônomos, não exigindo de seus signatários a adoção de medidas internas de implementação para que sejam revestidos de exigibilidade pela comunidade internacional. B) a mera assinatura de chefes de Estado em acordos internacionais não garante a implementação interna dos termos de tais acordos, sendo imprescindível, para isso, a efetiva participação do Poder Legislativo de cada país. (correta) 55,2% C) as metas estabelecidas na Conferência Rio 92 foram cumpridas devido à propositura de novas leis internas, incremento de verbas orçamentárias destinadas ao meio ambiente e monitoramento da implementação da agenda do Rio pelos respectivos governos signatários. D) a atuação dos parlamentos dos países signatários de acordos internacionais restringe-se aos mandatos de seus respectivos governos, não havendo relação de causalidade entre o compromisso de participação legislativa e o alcance dos objetivos definidos em tais convenções. E) a Lei de Mudança Climática aprovada recentemente no México não impacta o alcance de resultados dos compromissos assumidos por aquele país de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, de evitar o desmatamento e de se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. 8 – Questão - Conteúdo – Políticas Públicas – Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão Taxa de rotatividade por setores de atividade econômica: 2007 – 2009 A tabela acima apresenta a taxa de rotatividade no mercado formal brasileiro, entre 2007 e 2009. Com relação a esse mercado, sabe-se que setores como o da construção civil e o da agricultura têm baixa participação no total de vínculos trabalhistas e que os setores de comércio e serviços concentram a maior parte das ofertas. A taxa média nacional é a taxa 105 média de rotatividade brasileira no período, excluídos transferências, aposentadorias, falecimentos e desligamentos voluntários. Com base nesses dados, avalie as afirmações seguintes. I. A taxa média nacional é de, aproximadamente, 36%. II. O setor de comércio e o de serviços, cujas taxas de rotatividade estão acima da taxa média nacional, tem ativa importância na taxa de rotatividade, em razão do volume de vínculos trabalhistas por eles estabelecidos. III. As taxas anuais de rotatividade da indústria de transformação são superiores à taxa média nacionais. IV. A construção civil é o setor que apresenta a maior taxa de rotatividade no mercado formal brasileiro, no período considerado. É correto apenas o que se afirma em A) I e II. B) I e III. C) III e IV. D) I, II e IV.(correta) 45,7% E) II, III e IV. QUESTÕES DE FORMAÇÃO GERAL – DISCURSIVAS 1 – Questão - Conteúdo - Políticas Públicas – Desenvolvimento Sustentável – Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão As vendas de automóveis de passeio e de veículos comerciais leves alcançaram 340 706 unidades em junho de 2012, alta de 18,75%, em relação a junho de 2011, e de 24,18%, em relação a maio de 2012, segundo informou, nesta terça-feira, a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Segundo a entidade, este é o melhor mês de junho da história do setor automobilístico. Disponível em: <http://br.financas.yahoo.com>. Acesso em: 3 jul. 2012 (adaptado). Na capital paulista, o trânsito lento se estendeu por 295 km às 19 h e superou a marca de 293 km, registrada no dia 10 de junho de 2009. Na cidade de São Paulo, registrou-se, na tarde desta sexta-feira, o maior congestionamento da história, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 19 h, eram 295 km de trânsito lento nas vias monitoradas pela empresa. 106 O índice superou o registrado no dia 10 de junho de 2009, quando a CET anotou, às 19 h, 293 km de congestionamento. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br>. Acesso em: 03 jul. 2012 (adaptado). O governo brasileiro, diante da crise econômica mundial, decidiu estimular a venda de automóveis e, para tal, reduziu o imposto sobre produtos industrializados (IPI). Há, no entanto, paralelamente a essa decisão, a preocupação constante com o desenvolvimento sustentável, por meio do qual se busca a promoção de crescimento econômico capaz de incorporar as dimensões socioambientais. Considerando que os textos acima têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo sobre sistema de transporte urbano sustentável, contemplando os seguintes aspectos: a) conceito de desenvolvimento sustentável; b) conflito entre o estímulo à compra de veículos automotores e a promoção da sustentabilidade; c) ações de fomento ao transporte urbano sustentável no Brasil. Acerto – 32,9% Padrão de resposta: O estudante deve redigir texto dissertativo, abordando os seguintes tópicos: A – A ideia de que desenvolvimento sustentável pode ser entendido como proposta ou processo que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer capacidade similar das gerações futuras. B – A redução do IPI para a compra de automóveis incentiva a utilização de veículos movidos a combustíveis fósseis num cenário de baixa mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Mais automóveis nas cidades gera mobilidade deficitária e mais consumo de combustíveis fósseis, pois os motores ficam mais tempo acionados. O aumento da queima de combustíveis nestes motores gera maiores quantidades de emissões de gases poluentes, como os gases de efeito estufa, o monóxido de carbono, os óxidos de enxofre e os particulados. Como consequência, o ar atmosférico das cidades se torna mais poluído. C – São ações de fomento: 107 Concessão de subsídios governamentais ao transporte coletivo em detrimento do transporte particular, como exemplo a redução de IPI para a fabricação de equipamentos de transporte coletivo como ônibus, vagões de metrôs, trólebus e barcas públicas. Concessão de subsídios governamentais para a manufatura e venda de veículos de transporte movidos a combustíveis limpos ou mais sustentáveis, como os veículos a energia solar, gás natural, energia elétrica, hidrogênio, biodiesel, dentre outros. Incentivo ao uso de bicicletas e da caminhada, como a construção de ciclovias e de passeios seguros, amplos e agradáveis. 2 – Questão – Conteúdo - Violência - Disciplina – Antropologia Aplicada à Gestão Conteúdo - Avanços Tecnológicos – Disciplina – Administração de Sistemas de Informação A Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como o uso de força física ou poder, por ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. Essa definição agrega a intencionalidade à prática do ato violento propriamente dito, desconsiderando o efeito produzido. DAHLBERG, L. L.; KRUG, E. G. Violência: um problema global de saúde pública. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 18 jul. 2012 (adaptado). CABRAL, I. Disponível em: <http://www.ivancabral.com>. Disponível em: <http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br>. Acesso em: 18 jul. 2012. A partir da análise das charges acima e da definição de violência formulada pela OMS, redija um texto dissertativo a respeito da violência na atualidade. Em sua abordagem, deverão ser contemplados os seguintes aspectos: a) tecnologia e violência; b) causas e consequências da violência na escola; 108 c) proposta de solução para o problema da violência na escola. Acerto – 39,5% Padrão de Resposta O estudante deverá redigir texto dissertativo, abordando os seguintes aspectos: A – Comentários gerais a respeito da violência na atualidade, considerando o papel de tecnologias no estímulo ou combate à violência. B – Aspectos relacionados à educação escolar e a violência, apontando suas causas e consequências. C – Ações/soluções para a violência na escola. Exemplos: atualização dos profissionais da educação, conscientização da comunidade escolar sobre o assunto, desenvolvimento de políticas públicas ligadas ao combate à violência. QUESTÕES DO COMPONENTE ESPECÍFCO – OBJETIVAS 9 - Questão – Conteúdo – Recursos Humanos e Negociação Internacional – Questão Anulada A globalização dos negócios ampliou oportunidades e desafios para as empresas. A expansão das operações para outros países levou muitas empresas a criar programas de expatriação de executivos, e o sucesso desses programas depende de diversos fatores. O executivo expatriado precisa não apenas dominar o idioma do país-destino, mas também adaptar-se a culturas e contextos específicos. A convivência e o desempenho em ambientes de trabalho com valores e padrões comportamentais diferentes é quase sempre um empreendimento complexo. Muitos executivos retornam frustrados para seus países de origem após experiências de gestão malsucedidas no exterior. Na perspectiva organizacional, essas experiências configuram retorno não realizado de investimentos em pessoas e capacidade gerencial. Considerando o contexto apresentado, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A adaptação bem-sucedida de um executivo expatriado depende, em larga medida, da acomodação, elemento do processo de aprendizagem por meio do qual o indivíduo modifica as suas estruturas cognitivas. PORQUE 109 II. A vivência intercultural leva o executivo expatriado a experimentar, ocasionalmente, sensações de desconforto gerado pela dissonância cognitiva que ocorre quando ele se depara com crenças ou conhecimentos que desafiam aquilo que sempre julgou certo. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas. 10 – Questão – Conteúdo – Teoria Geral da Administração – Questão anulada A discussão sobre novas formas organizacionais explora modelos de gestão flexíveis, caracterizados pela tomada de decisão mais frequente, rápida e complexa, pelo achatamento de níveis hierárquicos, pela contínua e ampla aquisição e compartilhamento de informações e pelo fomento à aprendizagem organizacional. Em paralelo, questiona elementos do paradigma modernista de organização, como a racionalidade instrumental, a produção em massa e o modelo fordista de organização do trabalho. Essas novas formas organizacionais são vistas pelos estudiosos de duas maneiras principais: a) como representação de uma lógica de ação diferente da instrumental, que é típica do modelo modernista de organização; e b) como aperfeiçoamento da abordagem contingencial da administração. Os estudos realizados carecem, entretanto, de aprofundamento para que se possa considerar as chamadas organizações pós modernas ou como expressão da ruptura qualitativa com a modernidade ou como versão especificamente histórica de organizações modernas. DELLAGNELO, E. L.; MACHADO-DA-SILVA, C. L. N ovas formas organizacionais: onde se encontram as evidências empíricas de ruptura com o modelo burocrático de organizações? In: Organizações e Sociedade, v. 7, n. 19, p. 19, set./dez. 2000 (adaptado). Considerando as ideias acima, avalie as afirmações a seguir. I. A abordagem contingencial, própria do projeto modernista de organização, procura discutir as novas alternativas organizacionais em um ambiente considerado turbulento e competitivo, com a preocupação de desenhar o melhor arranjo organizacional para o alcance de maior efetividade. 110 II. De acordo com a compreensão sistêmica e comportamental da administração, as novas formas organizacionais revelam a ruptura com a racionalidade instrumental, caracterizando o paradigma pós-modernista. III. Na visão pós-modernista, as novas formas organizacionais podem representar a operacionalização de modos de racionalidade diferentes daquele descrito por Weber como típico do modelo burocrático. É correto o que se afirma em A I, apenas. B II, apenas. C I e III, apenas. D II e III, apenas E I, II e III. 11 – Questão - Conteúdo – Teorias da Administração – Disciplina – Teorias da Administração Em uma faixa afixada na parede do saguão principal de uma grande revendedora de automóveis, que vem superando suas metas de vendas, pode-se ler o seguinte: “Satisfação 100% garantida ou seu dinheiro de volta para todos os carros comprados aqui com até um mês de uso”. Certo dia, um cliente adentra o saguão da revendedora, entrega as chaves de seu automóvel recém-adquirido ao sorridente vendedor e anuncia: “Comprei meu carro aqui na semana passada. Não estou satisfeito. Quero meu dinheiro de volta”. Surpreso, o vendedor afirma que essa situação nunca acontecera, mesmo com a faixa afixada há vários meses na loja. Ele explica que a devolução do dinheiro pago pelo carro dependerá de uma entrevista do cliente com o gerente comercial da revendedora, de uma perícia minuciosa no automóvel para apurar eventuais problemas devidos ao mau uso do veículo e do preenchimento, pelo cliente, de sete formulários diferentes detalhando suas razões para a devolução. Informa ainda que, cumpridas essas etapas, depois de uma análise por parte do setor financeiro da loja, o dinheiro do cliente poderá ser devolvido em dez parcelas mensais de igual valor. 111 Com base no caso exposto, avalie as afirmações a seguir. I. O excesso de burocracia na revendedora de automóveis constitui obstáculo para que a empresa seja eficaz em seus objetivos comerciais. II. A atitude do vendedor revela falhas no treinamento oferecido pela empresa, pois ele foi incapaz de cumprir a promessa contida na faixa afixada na loja. III. Há evidências de disfunção burocrática caracterizada pela dificuldade de atendimento aos clientes frente a demandas não usuais. É correto o que se afirma em A I, apenas. B III, apenas.(correta) 26,7% C I e II, apenas. D II e III, apenas. E I, II e III. 12 – Questão - Conteúdo – Administração Financeira – Disciplina – Administração Financeira Uma das decisões mais relevantes quando se trata da política de capital de giro de uma empresa é a decisão de como os ativos correntes devem ser financiados. Disso é possível derivar seis possíveis estruturas financeiras, conforme proposto por Fleuriet, Kehdy e Blanc (2003) e Assaf Neto e Tibúrcio Silva (2002). CCL = Ativo Circulante – Passivo Circulante NIG = Ativo Circulante Operacional – Passivo Circulante Operacional T = Ativo Circulante Financeiro – Passivo Circulante Financeiro ASSAF NETO, A.; TIBÚRCIO SILVA, C. A. Administração do capital de giro. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2002. 112 FLEURIET, M.; KEHDY, R.; BLANC, G. Modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das empresas brasileiras – um método de análise, orçamento e planejamento financeiro. Belo Horizonte: Campus, 2003. Com base nas estruturas financeiras apresentadas, avalie as afirmações abaixo. I. Organizações que exibem estrutura do tipo I estão em excelente situação financeira em razão do elevado nível de liquidez praticado, pois têm recursos permanentes aplicados no ativo circulante. II. Organizações que exibem estrutura do tipo IV estão em situação financeira confortável, embora tenham saldo de tesouraria negativo em decorrência da necessidade de captação de recursos de longo prazo para investimento no CCL. III. Organizações que exibem estrutura do tipo V estão em uma situação em que recursos de curto prazo financeiros e operacionais financiam investimentos de maior prazo, o que evidencia uma estrutura inadequada de gestão financeira de capital de giro. É correto o que se afirma em A II, apenas. B III, apenas. C I e II, apenas. D I e III, apenas (correta) 56,0% E I, II e III. 13 – Questão - Conteúdo – Custos, Administração Financeira e Contabilidade Gerencial – Disciplina – Gestão de Custos, Administração Financeira e Contabilidade Gerencial As decisões sobre a localização de empresas são estratégicas e integram o planejamento global do negócio. Considerando que o preço de venda da grande maioria dos bens produzidos é estabelecido pelo mercado, faz-se necessário que as empresas conheçam em detalhes os custos nos quais incorrerão em determinada localidade. O modelo padrão “custovolume-lucro” é útil na decisão de localização. A figura a seguir apresenta, em um único gráfico, as curvas de custo total versus quantidade produzida mensalmente para as cidades de Brasília, São Paulo e Goiânia, as quais foram previamente selecionadas para receber uma nova fábrica de brinquedos. Sabe-se que a receita total é a mesma para as três localidades e que a decisão com base no lucro esperado em cada localidade varia com a quantidade produzida. 113 A análise do modelo de “custo-volume-lucro” apresentado no gráfico revela que A São Paulo é a localidade que proporcionará maior lucro para a nova fábrica, se a quantidade mensal a ser produzida variar entre 5 000 e 10 000 unidades, considerandose a estrutura de custos apresentada. (correta) 38,8% B São Paulo é a cidade na qual deve ser instalada a nova unidade produtiva, se a quantidade a ser produzida mensalmente for maior que 7 500 unidades, pois, a partir desse volume de produção, é a localidade que proporcionará maior lucro. C Brasília é a localidade mais indicada para receber a nova fábrica para volumes de produção mensal inferiores a 5 000 unidades, pois é a cidade que viabilizará maior lucro. D Goiânia deve receber a instalação da nova fábrica, se a quantidade produzida mensalmente for superior a 10 000 unidades, tendo em vista que, nas condições apresentadas, é a cidade que poder á dar maior lucro. E tanto Goiânia quanto Brasília pode receber a nova fábrica, se o objetivo é produzir uma quantidade mensal exatamente igual a 5 000 unidades, considerando que o lucro será o mesmo nas duas localidades. 14 - Questão - Conteúdo – Administração Financeira – Disciplina – Administração Financeira João é diretor de logística da BSW e constituiu um grupo para analisar a gestão de estoques da organização e propor melhorias. Inicialmente, foram identificadas duas concorrentes no mercado: as empresas MEW e RWZ, reconhecidas por suas práticas avançadas na gestão de 114 estoques. Fundamentando-se em princípios éticos de legalidade, confidencialidade, uso e intercâmbio, o grupo decidiu implementar uma técnica de monitoramento do desempenho da gestão de estoques da concorrência (MEW e RWZ) e comparar os dados ao desempenho da BSW, ou seja, realizar um benchmarking funcional. Esse processo visa definir o nível de estoque que deve ser mantido na BSW, de modo a reduzir os custos associados ao excesso de estoque, os riscos e os correspondentes custos associados à falta de materiais. Na tabela a seguir, são apresentados os indicadores de giros de estoque de 2011 dessas organizações. Considerando que o custo anual das vendas de cada empresa é de R$ 14 000 000,00 e comparando a situação operacional das três organizações por meio do indicador de giro de estoque, analise as afirmações seguintes. I. A necessidade de capital de giro é maior para a empresa BSW, pois, enquanto ela precisa de R$ 700 000,00 para financiar seus estoques, a MEW e a RWZ necessitam de R$ 175 000,00 e R$ 100 000,00, respectivamente. II. A empresa MEW é a que pode apresentar menor problema financeiro e uma gestão de estoque que contribui para torná-la mais competitiva no mercado, uma vez que é a que tem menor capital investido em estoque. III. A RWZ é a empresa que apresenta melhor administração logística e maior flexibilidade para atender a demanda de mercado e satisfazer seus clientes, tendo em vista que tem maior rotatividade de estoque e menor capital imobilizado em estoque. É correto o que se afirma em A I, apenas. B II, apenas. C I e III, apenas.(correta) 52,2% D II e III, apenas E I, II e III. 15 – Questão - Conteúdo – Responsabilidade Social – Disciplina – Responsabilidade Social e Ambiental 115 A perspectiva da sustentabilidade põe em discussão nosso atual modelo de desenvolvimento. Nos próximos decênios, deveremos ser capazes de passar de uma sociedade em que o bemestar e a saúde econômica, que hoje são medidos em termos de crescimento da produção e do consumo de matéria-prima, para uma sociedade em que seja possível viver melhor consumindo (muito) menos e desenvolver a economia reduzindo a produção de produtos materiais. É muito difícil prever como essa passagem de um estado para outro poderá acontecer. É certo, porém, que será verificada uma descontinuidade que atingirá todas as dimensões do sistema: a dimensão física (os fluxos de matéria e energia), mas também a econômica e institucional (as relações entre os atores sociais), além da dimensão ética, estética e cultural (os critérios de valor e os juízos de qualidade que socialmente legitimam o sistema). Também é certo, portanto, que o que nos aguarda é uma longa fase de transição. Aliás, podemos dizer que a transição já começou e que se trata de promover a sua gestão procurando minimizar os riscos e aumentar as oportunidades. As características das sociedades sustentáveis vão emergir de um processo que vai depender de como vão se mover os diferentes atores sociais, das novas culturas que vão surgir, das relações de força que vão ser estabelecidas e das novas instituições que vão ser criadas. MANZINI, E.; VEZZOLI, C. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo: EdUSP, 2002. p. 31-32 (adaptado). Considerando o contexto apresentado, avalie as afirmações a seguir. I. Entre os atores sociais referenciados, as empresas ocupam papel secundário, pois sua função primordial é socioeconômica e não sociopolítica ou institucional esta tipicamente exercida por governos e organizações multilaterais. II. Em processos de transição como o mencionado no texto, inovação e mudança tendem a ser incentivadas, enquanto valores e práticas institucionalizados tendem a ser questionados e substituídos por novas instituições, as quais podem conservar certos aspectos tradicionais. III. O cenário apresentado é repleto de oportunidades que podem ser alvo de estratégias empresariais para transformar ou até eliminar a produção de certos bens e gerar novos serviços, por exemplo, de reciclagem e reutilização de insumos e produtos, e de locação ou compartilhamento de eletrodomésticos, bicicletas e automóveis. 116 IV. Práticas como a logística reversa de bens pós-consumo, já adotadas por muitas empresas, tendem a ser parte integrante dos planos e estratégias empresariais em diversos segmentos, seja por determinação legal seja por incentivos de mercado. São adequadas ao contexto apresentado apenas as afirmações A I e II. B I e IV. C II e III. D I, III e IV. E II, III e IV.(correta) 54,7% 16 – Questão - Conteúdo – Estatística – Disciplina – Estatíitica As tabelas a seguir apresentam estimativas de regressão entre os retornos da empresa Alfa, que atua na produção e comercialização de piscinas e implementos para piscinas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória, e retornos do Ibovespa (índice da bolsa de valores de São Paulo). Considerando que o modelo estimado é robusto à presença de autocorrelação e heterocedasticidade nos resíduos, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. 117 I. O risco de mercado da empresa Alfa é menor do que o do Ibovespa (carteira de mercado), o que significa que os retornos esperados para a Alfa serão menores do que os retornos esperados para o índice Bovespa. PORQUE II. O modelo é estatisticamente não significante tendo em vista que não se pode rejeitar a hipótese de que os coeficientes da regressão sejam estatisticamente diferentes de zero. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.(correta) 28,9% D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas. 17 – Questão - Conteúdo – Estatística – Disciplina – Estatística O proprietário de um pequeno restaurante decidiu avaliar a qualidade do seu serviço. Para tanto, durante uma semana, convidou seus clientes para avaliarem o serviço da casa com uma de três notas possíveis: 0 (zero), 5 (cinco) ou 10 (dez). Após a consolidação dos dados coletados, observou que: 20 clientes atribuíram à casa nota zero; 200 clientes, nota cinco; 180 clientes, nota dez. Na análise dos resultados, o proprietário decidiu extrair a média, a mediana e a moda das respostas. O proprietário oferecerá um bônus aos empregados se ao menos uma das três medidas usadas (média, mediana e moda) estiver acima de 8,0, e fará uma ação promocional para seus clientes caso a média seja inferior a 6,0. Com base nessas informações, o proprietário deve A providenciar a ação promocional, pois a média ficou abaixo do valor de referência considerado para essa decisão. B providenciar o bônus para os empregados, pois o valor mediano ficou acima do ponto de referência considerado para essa decisão. C providenciar o bônus para os empregados, pois a moda ficou acima do valor de referência considerado para essa decisão. 118 D manter o funcionamento do restaurante como está, pois nenhuma das medidas ficou acima de 8,0 e a mediana e a moda foram superiores a 6,0. E manter o funcionamento do restaurante como está, pois nenhuma das medidas ficou acima de 8,0 e a média foi superior a 6,0.(correta) 31,9% 18 – Questão - Conteúdo – Estatística – Disciplina – Estatística A gerente da unidade gestora de saúde X de um pequeno município brasileiro defende sua unidade como a mais eficiente das três unidades do município, em termos de motivação de pessoal, pois, durante um ano de registros de faltas e presenças, observou apenas 18 faltas de seus 90 profissionais. A gerente assegura que sua unidade é a melhor no critério “nível de faltas relativo ao número de profissionais”, e a sua referência de comparação é a unidade gestora Y, que conta com 120 profissionais e registrou, no mesmo período, 24 faltas. Os gerentes das unidades Y e Z contestam o argumento da gerente da unidade X, o que se tornou fator de potencial conflito entre gestores. Para esclarecer melhor os fatos, o secretário de saúde fez um levantamento das três unidades gestoras de saúde (X, Y e Z), e observou que foram registradas, entre 350 profissionais, 62 faltas no total. Com base no contexto acima, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A gerente da unidade gestora de saúde X tem razão ao defender sua unidade como a mais eficiente do município. PORQUE II. A unidade gestora de saúde Z tem o mesmo nível de faltas relativo ao número de empregados dessa unidade do que a unidade gestora de saúde Y. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas.(correta) 35,8% 19 – Questão - Conteúdo – Produção – Disciplina – Administração da produção e Operações 119 O planejamento e as decisões relativas à capacidade produtiva são estratégicos e vitais para a empresa, pois exercem forte influência sobre sua rentabilidade. Uma empresa com excesso de capacidade produtiva tem uma demanda inferior à sua capacidade máxima. Por outro lado, uma empresa com limitação de capacidade produtiva apresenta demanda potencial por seus produtos superior à sua capacidade instalada. Nessas duas situações, a rentabilidade das empresas não está sendo otimizada. A esse respeito, um aspecto importante que as empresas devem levar em consideração é o instante em que se dá o incremento de capacidade. Por exemplo, o incremento de capacidade pode antecipar-se ou seguir-se ao aumento de demanda, conforme mostram os gráficos a seguir. GIANESI, I. G. N.; CORRÊA, H. L. C. Administração estratégica de serviços. São Paulo: Atlas, 2010 (adaptado). Considerando a influência das políticas quanto ao instante de se incrementar a capacidade nos critérios competitivos,conforme descrito acima, avalie as afirmações que se seguem. I. A política de seguimento à demanda faz com que a organização opere muito próximo da capacidade máxima instalada, o que contribui para garantir excelência no serviço prestado aos clientes. II. A decisão sobre o momento em que se dá o incremento de capacidade em relação ao aumento de demanda deve levar em consideração o nível de utilização dos recursos, o instante de desembolso, os riscos ao desempenho em velocidade e ao nível de serviços e o custo unitário decorrente de utilização da capacidade. III. Do ponto de vista econômico, a política de seguimento à demanda para incremento da capacidade é recomendável quando se deseja postergar ao máximo o desembolso de capital e a organização opera com menor custo unitário de utilização da capacidade, já que a nova quantidade de capacidade será totalmente utilizada. IV. O investimento em capital na política de incrementar a capacidade antes do aumento de demanda é antecipado, o que faz com que o sistema opere sem ociosidade e com menor custo 120 unitário de utilização da capacidade, contribuindo também para que o nível dos serviços prestados aos clientes seja melhor. É correto apenas o que se afirma em A I. B II. C I e IV. D II e III. (correta) 43,5% E III e IV. 20 - Questão - Conteúdo – Finanças – Disciplina – Administração Financeira A Diretoria Financeira da empresa Átria informou que, atualmente, a estrutura de capital é composta de R$ 6 000 000,00 de dívidas de longo prazo, captadas junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao custo de 6% a.a. A empresa tem, hoje, 2 milhões de ações ordinárias distribuídas, ao valor de mercado de R$ 11,00/ação. A empresa é tributada à alíquota de 30%. O preço médio de venda de seus produtos é de R$ 118,00, os custos variáveis unitários são de R$ 69,00 e os custos fixos são da ordem de R$ 1 428 000,00. A quantidade vendida do exercício anterior foi de 200 000 unidades. Espera-se que a economia nos próximos 3 anos ganhe ainda mais fôlego e expansão. 121 Considerando a DRE acima e tendo em vista os resultados para os diferentes indicadores e múltiplos, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A alavancagem financeira adotada pela empresa Átria gerou efeito positivo nos resultados da empresa. PORQUE II. Com a economia em expansão, torna-se mais intensa a geração de resultados líquidos a partir dos investimentos realizados pela empresa Átria com recursos de terceiros, uma vez que estes contribuem para gerar resultados para a empresa. A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.(correta) 51,3% B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas. 21 – Questão - Conteúdo – Materiais – Disciplina – Administração de Materiais Carlos, gerente de operações da fábrica de brinquedos RWZ, constatou que o estoque de um item componente de seu principal produto não atende adequadamente a política de gestão de materiais da fábrica, tendo em vista que os custos operacionais associados à manutenção do estoque desse item são muito elevados. Atento ao comportamento da demanda, Carlos passou a administrar o estoque utilizando o Modelo por Ponto de Pedido. Segundo esse modelo, sempre que o nível de estoque do item atingir o Ponto de Pedido é providenciado um pedido de reposição de Qc unidades, as quais, se não ocorrer imprevisto, devem dar entrada em estoque dez (10) dias após a emissão do pedido. A figura a seguir ilustra esse modelo. 122 Com base nas condições apresentadas no Modelo por Ponto de Pedido proposto por Carlos, avalie as afirmações a seguir. I. A RWZ deve administrar os custos operacionais relacionados ao capital empatado, ao espaço de armazenagem, à iluminação, à segurança e à obsolescência, já que o estoque médio é de 3 000 unidades. II. A quantidade de itens que deve ser usada entre a data da encomenda e a data de recebimento do lote de compra, ou seja, a quantidade suficiente para atender à demanda durante o tempo de ressuprimento, é de 2 000 unidades. III. O total de 4 500 unidades corresponde à parcela do estoque do item que será consumida até a data da encomenda do lote de compra, sendo de 2 500 unidades o nível do estoque no ponto de pedido. IV. A demanda diária do item analisado por Carlos é de 200 unidades, e a quantidade a ser reposta, ou seja, o tamanho do lote de compra, é de 6 000 unidades. É correto apenas o que se afirma em A I. B II. C I e III. D II e IV.(correta) 29,7% E III e IV. 22 – Questão - Conteúdo – Finanças – Disciplina – Matemática Financeira - Anulada Um microempresário está avaliando a captação de recursos com o objetivo de implementar um projeto de substituição de equipamentos de sua empresa. Do total de recursos necessários, 40% serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 123 (BNDES), ao custo de 10% a.a.; 10% dos recursos serão obtidos de uma linha de crédito do banco com o qual a empresa mantém relacionamento, ao custo de 18% a.a.; e os restantes dos recursos necessários virão dos lucros retidos pela empresa. Com base nas especificações da captação de recursos acima descrita e desconsiderando o risco do projeto e os efeitos do imposto de renda, avalie as afirmações seguintes. I. O custo de capital de terceiros do projeto de substituição é de 5,80% a.a. II. Se a rentabilidade do projeto está estimada em 17% a.a., então o custo de capital próprio desse investimento deve ser inferior a 22,40% a.a., para que o empreendimento seja viável. III. A expansão do endividamento deve promover aumento no custo de capital próprio da empresa. É correto o que se afirma em A I, apenas. B II, apenas. C I e III, apenas. D II e III, apenas. E I, II e III. 23 – Questão - Conteúdo – Sistema de Informações – Disciplina – Administração de Sistemas de Informações Não defendemos a ideia da inércia estrutural (Baum, 1999), em que a mudança adaptativa acarretada pela Tecnologia de Informação (TI) não é possível ou recomendada. Em alguns casos, o uso adequado da TI poderá resultar em melhoras significativas de performance e libertar o homem de tarefas repetitivas e enfadonhas. No entanto, a elevada taxa de fracasso e a descrença e o desinteresse da alta gestão nas implantações de TI que exijam mudanças comportamentais substanciais (Markus e Benjamin, 1997) sugerem que, mesmo no escopo limitado das mudanças adaptativas, a visão reducionista tem causado sérios problemas. Seria fortemente recomendável, então, que os gestores procurassem desenvolver uma compreensão melhor da natureza da informação e do fenômeno da cognição humana, caso se pretenda aumentar a efetividade da gestão estratégica de sistemas de informação. PITASSI, C.; LEITÃO, S. P. Tecnologia de Informação e mudança: uma abordagem crítica. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 42, n. 2, p. 77-87, abril/junho 2002 (adap tado). Considerando as ideias do texto acima, avalie as afirmações a seguir. I. A inércia estrutural criada pela TI é recomendável para se obterem melhorias significativas de desempenho nas organizações. 124 II. A efetividade da gestão estratégica de sistemas de informação depende da compreensão da natureza da informação e dos processos cognitivos associados. III. A libertação do homem de tarefas repetitivas e enfadonhas pela TI leva à eliminação dos processos burocratizados associados à atividade humana nas organizações. É correto o que se afirma em A I, apenas. B II, apenas.(correta) 23,7% C I e III, apenas. D II e III, apenas. E I, II e III. 24 – Questão - Conteúdo –Ética – Disciplina – Filosofia e Ética Grande parte das atividades de organizações empresariais é sujeita a regulamentação estatal, a exemplo das demonstrações financeiras de empresas de capital aberto e das especificações de produtos definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Além da regulamentação estatal, há setores que utilizam mecanismos de autorregulamentação, como o setor de comunicação publicitária, que se orienta por definições do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR). Esse Conselho analisa o componente ético das atividades do setor, com base no seu código de ética e em resoluções próprias. Não trata, porém, de todas as questões do campo. Por exemplo, questões de propaganda política são analisadas pelos tribunais eleitorais. Há, também, iniciativas de autorregulamentação em setores como o bancário e o de mídia impressa e eletrônica. Considerando o contexto acima, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A autorregulamentação é uma alternativa adicional de controle sobre possíveis desvios éticos entre organizações dos setores que a adotam. PORQUE II. Executivos de empresas de setores autorregulamentados atuam em um ambiente ético bem estruturado, o que permite que se desprendam das regulamentações externas oriundas de agências governamentais, já que têm as referências setoriais como base para a análise ética de suas decisões. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. 125 C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. (correta) 41,8% D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas. 25 – Questão - Conteúdo – Marketing e Teoria da Administração – Disciplina – Marketing e Teorias Geral da Administração - Anulada Os executivos de uma empresa do setor de fast food que mantêm lojas em todo o território nacional estão preocupados com a recorrência de matérias na mída sobre os prejuízos causados à saúde pelos maus hábitos alimentares, atribuídos à baixa qualidade das refeições rápidas, foco do negócio da empresa. Como reação, esses executivos desenvolveram um processo de remodelação das lojas e das embalagens dos produtos, buscando incorporar uma concepção de boa relação com o meio ambiente, utilizando materiais reciclados e informando esse fato nas embalagens e nas campanhas de comunicação. Outra ação foi incorporar insumos naturais e orgânicos ao cardápio das lojas, ampliando o número de opções. Isso acarretou o aumento da complexidade na operação, elevando o tempo de espera dos clientes no balcão das lojas e o preço final de venda dos itens, o que implicou perda de vendas. Por outro lado, de acordo com uma pesquisa de mercado encomendada pela empresa, foi identificado aumento no valor da marca após as ações tomadas. Considerando a situação acima, avalie as afirmações a seguir. I. As organizações midiáticas que elaboraram matérias sobre a qualidade nutricional deficiente de certos alimentos podem ser consideradas stakeholders da empresa mencionada no caso. II. Considerando-se as funções administrativas, a remodelação das lojas da empresa relacionase com a função controle. III. A fim de reverter o aumento no tempo de espera dos clientes, é possível empregar técnicas de administração científica, tais como aquelas preconizadas por Frederick Taylor, de modo a incorporar eficiência à produção das opções ofertadas pelo cardápio das lojas. IV. A empresa mencionada no caso adota a concepção de marketing orientado para vendas. É correto apenas o que se afirma em A I e II. 126 B I e III. C III e IV. D I, II e IV. E II, III e IV. 26 – Questão - Conteúdo – Finanças – Disciplina – Administração Financeira - Anulada O diretor de operações da Biomais Bebidas Ltda. Deseja substituir um equipamento de controle químico mecânico por outro eletrônico. Existem três equipamentos candidatos: X, Y e Z. Apesar de o investimento inicial ser o mesmo para todos os equipamentos, a magnitude e a época de ocorrência dos fluxos de caixa intermediários diferem em razão dos custos operacionais definidos pelas especificações técnicas de cada equipamento. O custo médio ponderado de capital, tido como a taxa mínima de atratividade para a empresa, é de 23% a.a. Os perfis de valor presente líquido (VPL) que sintetizam os resultados estão representados na figura a seguir. Considerando os perfis de VPL para as três propostas candidatas, avalie as afirmações seguintes. I. A análise da dinâmica dos fluxos de caixa líquidos do equipamento Y indica que a taxa interna de retorno desse equipamento é de 34% a.a. II. A melhor alternativa de investimento para a empresa é a escolha pelo equipamento X, considerando a análise pelo VPL. III. Se a taxa mínima de atratividade fosse para 27% a.a., a escolha pelo equipamento mais viável não deveria ser alterada. É correto o que se afirma em A II, apenas. B III, apenas. C I e II, apenas. D I e III, apenas. 127 E I, II e III. 27 – Questão - Conteúdo – Recursos Humanos – Disciplina – Administração de Recursos Humanos A maioria das empresas ainda aplica exclusivamente sistemas tradicionais de remuneração, embasados em descrições de atividades e responsabilidades de cada cargo ou função. A utilização de instrumentos como descrições de cargos, organogramas e planos de cargos e salários permite a muitas dessas empresas atingir um patamar mínimo de estruturação na gestão de seus recursos humanos. Entretanto, quando aplicados na condição de exclusão de outras formas, esses sistemas podem tornar-se anacrônicos em relação às novas formas de organização do trabalho e ao próprio direcionamento estratégico da empresa. WOOD JUNIOR, T.; PICARELLI FILHO, V. (Coord.) Remuneração e carreira por habilidades e por competências: preparando a organização para a era das empresas de conhecimento intensivo. São Paulo: Atlas, 2004, p. 84 (adaptado). O texto acima permite distinguir novos modelos estratégicos de modelos tradicionais de gestão de pessoas, associando-os aos contextos e às características das organizações. Nesse contexto, selecione quais das seguintes características correspondem aos novos modelos estratégicos de gestão de pessoas. I. A estrutura organizacional apresenta muitos níveis hierárquicos e a ascensão salarial se faz preponderantemente por promoção horizontal e vertical, no âmbito do sistema de gestão de carreiras. II. O processo decisório baseia-se em uma descrição de papéis e de responsabilidades clara e rigorosamente observada no dia a dia da organização. III. O planejamento estratégico é realizado pela cúpula dirigente, com apoio de um grupo de especialistas de alto nível lotados no departamento de planejamento da matriz, produzindo diretrizes e objetivos negociais para a organização. IV. O estilo e a cultura gerenciais privilegiam proximidade e compartilhamento de informações e de pontos de vista. Nesse contexto, as pessoas têm acesso franqueado aos seus dirigentes e às equipes de áreas funcionais e técnicas da organização. V. As descrições de responsabilidades e de atribuições são estabelecidas de maneira genérica e contextualizada, privilegiando a explicitação dos resultados a serem alcançados, ao lado dos padrões de serviços, da qualidade e dos relacionamentos pessoais e negociais internos e externos. São pertinentes apenas as características descritas em 128 A I e II. B I e V. C II e III. D III e IV. E IV e V.(correta) 31,0% 28 – Questão - Conteúdo – Estatística – Disciplina – Estatística Um estudo de uma empresa de consultoria americana mostra que sete em cada dez empresários do mundo buscam alguma iniciativa de colaboração com outras empresas. O alvo preferencial são companhias com as quais já existe algum tipo de relacionamento, como fornecedores e clientes. “São vários os motivos para parcerias, desde a necessidade de adquirir conhecimento em áreas novas até simplesmente cortar custos”, afirma o responsável pela pesquisa. Assim, para ganhar competitividade, muitas empresas passaram a ver mais vantagens do que problemas em dividir informações estratégicas. É cada vez maior o número de empresas que criam projetos em conjunto para dividir custos e riscos. A parceria pode ser entre concorrentes ou entre empresas de mercados totalmente distintos, como nos modelos que seguem. Modelo I - Para abrir mercados: o custo de chegar a uma nova região pode inviabilizar a investida. Convidar outra empresa ajuda a dividir os custos. Modelo II - Para cortar custos: empresas gastam muito com atividades que não são sua especialidade, como transporte. Aliar-se a um especialista pode ser uma saída. Modelo III - Para inovar: projetos de inovação são caros e incertos por natureza. Para reduzir os custos, cada vez mais empresas criam projetos para prospectar novas tecnologias. SIMÕES, R. O inimigo virou sócio. Exame, São Paulo, ano 46, n. 1019, p. 109-110, 27 jun. 2012 (adaptado). Considere a seguinte situação hipotética. Três fabricantes de produtos distintos — uma de adereços e utilidades femininos; outra de meias para mulheres e lingeries; e uma terceira de produtos diversos com design não convencional —, atuante de maneira isolada por meio de lojas próprias e franquias em cidades com mais de 500 mil habitantes, conceberam uma nova proposta de loja para cidades com até 250 mil habitantes, caracterizada pela venda conjunta dos itens das três marcas. 129 De acordo com a proposta de modelos de parceria apresentada pela empresa de consultoria americana, a situação descrita acima enquadra-se no(s) modelo(s) A I, apenas. (correta) 40,5% B III, apenas. C I e II, apenas. D II e III, apenas E I, II e III. 29 – Questão - Conteúdo – Estatística – Disciplina – Estatística - Anulada A Brasil Indústria de Calçados é uma empresa de sapatos que pretende aumentar sua participação no mercado. A empresa deseja conquistar novos mercados, aumentar suas vendas e melhorar sua competitividade na indústria calçadista. Seu diretor executivo está indeciso em implementar uma entre as seguintes estratégias sugeridas por seu gerente de planejamento: (1) integração vertical; (2) integração horizontal; (3) crescimento interno horizontal; e (4) crescimento interno vertical. Considerando as estratégias sugeridas pelo gerente de planejamento ao diretor executivo, avalie as afirmações a seguir. I. A decisão pela estratégia de integração vertical levaria a Brasil Indústria de Calçados a adquirir outra empresa que produz componentes para a fabricação de seus produtos atuais. Com isso, o diretor executivo teria controle maior da qualidade de seus vários processos produtivos. II. Caso o diretor executivo da Brasil Indústria de Calçados opte pela integração horizontal, a empresa estará apta a realizar uma aliança estratégica do tipo ganha-ganha com uma ou mais empresas (concorrentes ou não). Dessa forma, o diretor executivo poderia compartilhar recursos e competências, assim como reduzir os riscos individuais de cada organização parceira. III. Ao adotar a estratégia de crescimento interno horizontal, o diretor executivo da Brasil Indústria de Calçados pode decidir criar novas empresas que operem em negócios similares ao seu. Nesse sentido, será possível aumentar vendas, alcançar maior participação de mercado e ser mais competitivo na indústria calçadista. IV. Com a estratégia de crescimento interno vertical, a Brasil Indústria de Calçados pode decidir adquirir um novo negócio relacionado ao canal de distribuição da empresa. Com isso, o diretor executivo criaria um relacionamento melhor com fornecedores e clientes. 130 É correto apenas o que se afirma em A I. B II. C I e III. D II e IV. E III e IV. 30 – Questão - Conteúdo – Mercadologia – Disciplina – Administração Mercadológica Ludwick Marishane, de 22 anos de idade, estudante da Universidade de Cape Town, na África do Sul, desenvolveu um gel de banho que não exige água e sabão. Para divulgar o produto, ele também criou uma empresa. A ideia de Marishane é útil principalmente para lugares onde não há água adequada ou suficiente para o banho. O gel promete eliminar bactérias, hidratar a pele e deixar um cheiro de banho tomado, bastando esfregá-lo sobre o corpo. Marishane acredita que seus principais clientes não estarão apenas em lugares onde não há água potável. A empresa diz que vai vender o gel para passageiros que farão voos de longa duração, para hotéis e locais onde existem guerras ou situações de conflitos. A criação de Marishane, extremamente parecida com o álcool gel, pode ajudar a reduzir doenças em áreas rurais causadas pela falta de água e higiene. A composição do gel mistura biocidas, bioflavonoides e hidratantes. Com o gel, Marishane ganhou o prêmio máximo do Global Student Entrepreneur Awards de 2011. Agora, além de uma empresa, ele já detém a patente e a marca registrada do gel. Cada unidade do gel será vendida por US$ 0,50 para comunidades rurais e por US$ 1,50 para empresas. Segundo o estudante, uma unidade é suficiente para limpar todo o corpo e matar 99,9% dos germes. DARAYA, V. Estudante cria forma de tomar banho sem água. Disponível em: <http://exame.abril.com.br>. Acesso em: 17 jul. 2012 (adaptado). A figura abaixo representa a Matriz BCG (Boston Consulting Group) de participação de mercado. 131 Suponha que uma empresa comercial que atue com a distribuição de diversos produtos resolva introduzir o gel criado por Marishane no seu portfólio de produtos. Nessa situação, em qual dos quadrantes da Matriz BGC o gel estaria posicionado? A Como pontos de interrogação, pois é um novo produto que ainda não tem participação de mercado, embora seja introduzido em um mercado em crescimento. .(correto) 57,3% B Como estrelas, pois tem grande participação no mercado e será introduzido em um mercado em crescimento constante. C Como vira-latas ou abacaxis, pois como o mercado e o produto são novos, tanto a participação quanto o crescimento do mercado são pequenos. D Como vacas leiteiras, pois tem grande potencial de vendas em um mercado crescenteE Como estrelas, pois é indicado para uso durante viagens de avião de longa distância. 31 – Questão - Conteúdo – Responsabilidade Social – Disciplina – Responsabilidade Social e Ambiental Desenvolvimento sustentável significa atender às necessidades das gerações presentes sem impedir que as gerações futuras também o façam. O princípio ético é de que as futuras gerações tenham acesso, pelo menos, ao mesmo nível de capital natural que as gerações predecessoras. Nesse contexto, surge o conceito de produção mais limpa, que busca a eficiência pelo não desperdício, minimização ou não geração de resíduos, eficiência energética e eliminação de impactos à saúde humana e ao ambiente, na obtenção de produtos atóxicos, no uso de reciclagem primária atóxica e na responsabilidade continuada do produtor. Na produção mais limpa, bens são produzidos de forma compatível com o que um ecossistema pode suportar, garantindo-se sustentabilidade e conservação de recursos, com 132 respeito aos padrões de qualidade ambiental. Para que isso ocorra, é imperativo o envolvimento de toda a cadeia produtiva. Considerando o texto apresentado, avalie as seguintes asserções a respeito da produção de bens e serviços sustentáveis e a relação proposta entre elas. I. A produtividade dos sistemas de produção em uma economia sustentável é dependente de certificações do tipo produção mais limpa. POR QUE II. Uma economia sustentável depende não apenas de processos industriais mais limpos, mas também de produtos sustentáveis, ou seja, o foco da produção deve ser ampliado do gerenciamento de processos para o gerenciamento de produtos ao longo da cadeia produtiva. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.(correta) 28,4% E As asserções I e II são proposições falsas. 32 – Questão - Conteúdo – Estratégia – Disciplina – Estratégias Organizacionais O franchising permite que o franqueador aumente sua base de atuação com maior intensidade do que seria possível se dependesse apenas de recursos próprios para instalar, operar e gerir novas unidades. O fenômeno ocorre porque o franqueador faz uso daquilo que os estadunidenses denominam O.P.M. (“other people’s money”, ou seja, “o dinheiro dos outros”), situação em que os franqueados bancam os custos de implantação, operação e de gestão das respectivas unidades. Em segundo lugar, o franchising reduz a necessidade de o franqueador recrutar, selecionar e contratar pessoal, em particular gerentes que sejam capazes de administrar essas novas unidades, muitas vezes geridas pelos próprios franqueados. Por meio do franchising, o franqueador pode, adicionalmente, ingressar em mercados nos quais dificilmente entraria se dependesse de seus recursos próprios, sejam financeiros ou humanos. Para isso, conta com a presença física e o conhecimento do franqueado sobre os hábitos e a cultura da região onde vive e trabalha. ARAÚJO, A. P. B. Franchising. Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br>. Acesso em: 17 jul. 2012 (adaptado). 133 A figura a seguir representa a matriz de componentes do vetor de crescimento, também conhecida como matriz produtos e mercados, de Igor Ansoff. Suponha que uma empresa franqueadora do setor de lanchonetes deseje ampliar negócios sem modificar os princípios negociais habitualmente praticados. A partir do texto e dos quatro quadrantes da matriz de componentes do vetor de crescimento apresentada acima, qual das alternativas de crescimento seria mais pertinente ao caso? A Desenvolvimento de produto e diversificação. B Desenvolvimento de mercado e diversificação. C Penetração de mercado e diversificação. D Penetração de mercado e desenvolvimento de produto. E Penetração de mercado e desenvolvimento de mercado. (correta) 37,1% 33 – Questão - Conteúdo – Estratégia – Disciplina – Estratégias Organizacionais Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), “uma concentração, em termos de mercado, de cerca de 30% não é nenhum ‘bicho de sete cabeças’. Há uma concentração em São Paulo, mas no restante do país a situação é diferente”. Segundo a Abras, a participação das vendas das maiores empresas do setor de supermercados no Brasil passou de 40%, em 2009, para 43% em 2010. Embora a concentração avance, ainda está longe da realidade na Europa, onde as cinco maiores redes respondem por 70% a 80% das vendas, destacou a Abras. PETRY, R. Competição continua mesmo com fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar. São Paulo: Agência Estado, 2011 (adaptado). Considerando o texto, conclui-se, com base na abordagem das forças competitivas de Michael Porter, que 134 A há ampliação de ameaças de novos entrantes quando há aumento na concentração de empresas que participam do setor de supermercados no varejo brasileiro. B a globalização contribui para a redução do processo de concentração entre as empresas do setor de supermercados no varejo brasileiro. C o processo de concentração entre empresas do setor de supermercados no varejo brasileiro aumenta o poder de negociação dos compradores (clientes). D o processo de concentração entre empresas do setor de supermercados no varejo brasileiro aumenta o poder de negociação dos fornecedores. E o processo de aquisição ou fusão entre empresas do setor de supermercados no varejo brasileiro aumenta seu poder de negociação com fornecedores e compradores. (correta) 42,7% 34 – Questão - Conteúdo – Estratégia – Disciplina – Estratégias Organizacionais Uma rede paulistana de hotéis acaba de arrecadar 435 milhões de reais para seu primeiro fundo de investimentos em hotéis, criado no fim de 2011, em parceria com uma gestora de investimentos. É o primeiro fundo criado para comprar hotéis inteiros no Brasil. Nas próximas semanas, esse recurso financeiro vai ser usado para comprar seis empreendimentos e integrá-los à rede de 25 hotéis, que hoje fatura 255 milhões de reais. Outros 20 empreendimentos estão no radar do fundo em todas as regiões do Brasil, com exceção do Norte do país. LETHBRIDGE, T. Exame, São Paulo, ano 46, n. 1017, p. 19, 30 mai. 2012 (adaptado). As organizações produtivas costumam definir como objetivo principal o aumento nas vendas, o incremento nos lucros, o aumento na participação de mercado ou, ainda, outras medidas de desempenho relacionadas ao crescimento e ao desenvolvimento do negócio. Metas de crescimento podem ser perseguidas por meio de estratégias diversas. Que estratégia foi utilizada pela rede de hotéis de que trata o caso acima para promover seu crescimento? A Integração vertical. B Integração horizontal.(correta) 35,3% C Diversificação. D Fusão. E Joint venture. 135 35 – Questão - Conteúdo – Recursos Humanos – Disciplina – Administração de Recursos Humanos A expressão “apagão de mão de obra” passou a ser veiculada na mídia especializada e entre agentes econômicos, sociais e políticos para retratar uma condição estrutural do mercado de trabalho brasileiro, no qual as necessidades organizacionais por competências laborais mais complexas e (ou) de elevada qualificação não são facilmente supridas. Considerando essa realidade, avalie se cada uma das organizações descritas nos itens a seguir adota as melhores práticas de gestão de pessoas, de acordo com abordagens contemporâneas. I. Pressionada pelo mercado de trabalho, a organização tende a redesenhar seus processos de trabalho para ampliar a produtividade e a qualidade. Em paralelo, tende a ampliar os investimentos em capacitação para prover características multifuncionais aos empregados. II. Pressionada pelo mercado de trabalho, a organização tende a conceber políticas remuneratórias diretas e (ou) indiretas mais atraentes. Tornando-se mais atrativa no mercado de trabalho, poderá “congelar” investimentos em capacitação de pessoas. III. Pressionada pelo mercado de trabalho, a organização tende a reduzir de maneira significativa as exigências de recrutamento e de seleção para atrair pessoal. Em contrapartida, não terá de conceber políticas remuneratórias mais atraentes. IV. Pressionada pelo mercado de trabalho, a organização tende a adotar modelos de remuneração variável mais agressivos, conjugados a critérios de promoção mais restritivos, no âmbito do sistema de gestão de carreiras e de remuneração. V. Pressionada pelo mercado de trabalho, a organização tende a flexibilizar as exigências de recrutamento e de seleção e a ampliar seus investimentos em capacitação. Atuam de forma adequada face ao “apagão de mão de obra” mencionado no texto apenas as organizações descritas em A I e II. B I e V.(correto) 53,4% C II e III. D III e IV. E IV e V. QUESTÕES DE CONTEUDO ESPECÍFICO – DISCURSIVA 3 – Questão - Conteúdo – Estatística – Disciplina – Estatística 136 Conteúdo – Mercadologia – Disciplina – Administração Mercadológica Conteúdo – Análise Financeira de Investimento – Disciplina – Avaliação Financeira de Investimentos Os gerentes de marketing e de finanças de uma empresa industrial discordam sobre a relação entre os investimentos em projetos comunitários e as vendas da empresa. O gerente de marketing assegura que esses investimentos dão retornos em relação ao aumento de vendas, além de serem relevantes para efeito de posicionamento de marca. Por outro lado, o executivo de finanças defende que esses investimentos não melhoram o desempenho de vendas e recomenda que futuros investimentos desse tipo sejam cancelados. Na tentativa de adotar uma referência mais consistente para análise, os dois gerentes coletaram dados de investimentos sociais da empresa e de vendas totais dos últimos 30 meses, em três diferentes cidades (A, B e C), totalizando 90 observações (30 por cidade). A correlação entre as duas variáveis (investimentos sociais e vendas) na amostra total foi de 0,20. Por cidade, os coeficientes de correlação entre as duas variáveis foram: Cidade A, 0,01; Cidade B, 0,22; Cidade C, 0,43. Levando em conta esses resultados, faça o que se pede nos itens a seguir. a) Comente a pertinência do uso da técnica de análise de correlação no contexto indicado. b) Faça uma análise do resultado geral e do resultado segmentado por cidade. c) Analise os posicionamentos de cada um dos gestores (marketing e finanças) e apresente uma proposta de decisão quanto aos investimentos sociais a serem efetuados pela empresa, considerando os coeficientes de correlação indicados e sugerindo outros possíveis dados que seriam relevantes para a tomada dessa decisão. Acerto 11,0% Padrão de resposta A – O estudante deve se posicionar sobre a pertinência ou não do uso da técnica de análise de correlação e justificar tal posicionamento, demonstrando conhecimento sobre associação de duas variáveis por meio de correlação estatística. A correlação pode ser considerada aplicável, uma vez que são duas variáveis medidas paralelamente onde se pretende saber se há, ou não, alguma variação conjunta relacionada à influência do investimento social sobre as vendas. O estudante também pode considerar que, embora aplicável, o método é limitado como critério para tomada de decisão, pois seria necessário considerar outros fatores e dados, argumento este que pode ser apresentado pelos estudantes que se posicionarem desfavoravelmente ao uso da técnica nesse contexto. 137 B – O estudante deve demonstrar que reconhece que há uma associação pequena em termos gerais (0.20), porém esta associação varia por cidade, havendo uma em que a associação é praticamente nula, e outra em que a associação é maior que nas demais. Portanto, as variações por cidade indicam que as hipóteses dos dois executivos são parcialmente verdadeiras e dependem do local onde a análise foi feita. Também pode ser comentado que os resultados não são suficientemente abrangentes para fundamentar a decisão. C – O estudante deve ressaltar que há evidências de que o gestor de marketing está correto em relação à Cidade C e que o executivo de finanças está correto no caso da Cidade A. Nesses termos, o estudante deve recomendar que seja mantido o investimento para a Cidade C e que se cancelem ou se modifiquem estratégias de investimento na Cidade A. A Cidade B pode ter os investimentos tanto mantidos quanto modificados ou cancelados, pois a relação é baixa. O estudante também pode mencionar que há outros fatores a ser considerado na decisão, o que exigiria outros tipos de fontes de dados, como a consulta aos demais stakeholders em cada cidade. 4 – Questão - Conteúdo – Sistema de Informação – Disciplina – Administração de Sistemas de Informação Conteúdo – Inovação e Criatividade – Disciplina – Inovação e Criatividade Conteúdo – Mercado de Capitais – Disciplina – Mercado de capitais Conteúdo – Sistemas e Métodos – Disciplina – Organização de Sistemas e Métodos Algumas empresas com espírito inovador estão subvertendo a lógica tradicional da indústria. No lugar de departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), lotados com técnicos e pesquisadores altamente especializados, elas contam com ideias de pessoas que chegam do mundo todo, via Internet. Um modelo adotado por uma empresa americana chama a atenção: qualquer pessoa, com a contribuição de 10 dólares, pode lançar uma proposta de produto, que será submetida a um fórum de mais de 200 000 colaboradores virtuais. Na sede da empresa, onde trabalham 78 pessoas, os protótipos dos produtos são confeccionados em plástico, em impressoras 3D, e o processo de aperfeiçoamento dos protótipos conta, também, com a colaboração dos voluntários da rede. Os modelos finais são produzidos em fábricas chinesas. Os inventores e os internautas que palpitaram compartilham o equivalente a 30% das vendas, conforme sua participação no processo. 138 A empresa foi criada com o aporte de 15 milhões de dólares angariados em fundos de capital de risco, conta com um portfólio de produtos com expressivos volumes de vendas e tem cerca de 70 projetos em fase final de desenvolvimento. Cada um dos projetos é controlado por funcionários da empresa e tem prazo para acabar – não mais que seis semanas. Todavia, novos modelos de negócios trazem novos desafios, como a complexidade das questões relacionadas à propriedade intelectual e à democratização da produção caseira de produtos, propiciada pela expansão da oferta de impressoras 3D. MANO, C. A multidão manda. Exame, São Paulo, ano 46, n. 1016, p. 112-114, 16 mai. 2012 (adaptado). A respeito dessa situação, responda às perguntas a seguir, justificando sua resposta. a) Que tipo de estrutura organizacional melhor representa a situação descrita? b) Como os sistemas de informação dão suporte aos processos interativos de desenvolvimento de produtos e serviços? c) Quais os incentivos para um fundo de capital de risco investir nesse tipo de empreendimento? d) De que modo processos de inovação aberta tais como o descrito no texto podem contribuir para a solução de problemas públicos relacionados a governos e cidadãos? Acerto 7,6% Padrão de Resposta A – O estudante deve indicar que o tipo de estrutura que melhor representa a situação descrita é a estrutura organizacional em rede, que busca integrar a empresa com os stakeholders envolvidos nos seus processos. B – O estudante deve identificar os elementos encontrados no texto que se relacionam com o processo de desenvolvimento de produto de forma colaborativa pela disseminação e integração de conhecimentos – colaboração em rede, inovação aberta, produção de protótipos em impressoras 3D, prototipagem rápida, gestão de projetos, e terceirização da produção –, considerando a relevância de sistemas de informação que permitem interação de vários atores, flexibilidade, agilidade e compartilhamento de dados e informações. C – O estudante deve citar a possibilidade de retorno acima da média no contexto descrito, considerando que o retorno deve ser compatível com o risco. D – O estudante deve citar modos pelos quais o uso de tecnologias de informação propicia soluções inovadoras em serviços públicos ao aproximar cidadãos e agentes públicos. As respostas podem abordar o uso de dados abertos e o desenvolvimento de aplicativos para 139 controle e facilitação de acesso aos serviços públicos. Podem, também, mencionar o cidadão como co-responsável pela qualidade da gestão pública por meio da comunicação direta via sistemas de informação. A noção de governo aberto, subjacente a essa resposta, pode ser mencionada. 5 – Questão - Conteúdo – Recursos Humanos – Disciplina – Administração de Recursos Humanos Conteúdo – Produção– Disciplina – Administração da Produção e Operações Conteúdo – Projetos – Disciplina – Projetos Organizacionais Conteúdo – Mercadologia – Disciplina – Administração Mercadológica O presidente de uma grande indústria de cosméticos e beleza reconhece que o momento econômico do país é extremamente favorável à expansão dos negócios da empresa. Ele propôs, então, ao Conselho de Administração, a expansão da organização, por meio da construção de uma nova fábrica na região central do país. Atualmente, a única fábrica da empresa está situada no sul e atende à demanda de todo o país. Porém, o presidente acredita que uma nova fábrica possibilitará ganhos de escala, menor custos para distribuição dos produtos e atendimento mais rápido e personalizado aos clientes. O Conselho de Administração concordou com a argumentação, mas solicitou um estudo mais detalhado ao presidente sobre o projeto. O presidente reconhece que a administração caracteriza-se pela interdisciplinaridade de conceitos e áreas, que, por sua vez, requer uma intensidade de trocas entre os especialistas de marketing, recursos humanos, finanças e produção, entre outros. Nesse sentido, para elaborar o projeto solicitado pelo Conselho, convocou inicialmente os diretores das seguintes áreas para discutir a expansão e desenvolvimento do projeto: planejamento, recursos humanos, produção, marketing e finanças. Na reunião, os diretores solicitaram uma caracterização/contextualização do projeto de expansão, que ficou a cargo do diretor de planejamento. Pouco tempo depois, o diretor de planejamento apresentou aos outros diretores da empresa a caracterização do projeto em que constavam: objetivo, breve histórico da empresa, panorama e análise do cenário atual, levantamento das oportunidades e ameaças ao negócio, justificativa e proposição da expansão da fábrica de cosméticos na região central do país. 140 TAVARES, M. C. Gestão Estratégica. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2010 (adaptado). Suponha que, após entrega da caracterização do projeto apresentada pelo diretor de planejamento, o presidente da empresa tenha solicitado aos demais diretores que redigissem um plano que contivesse o papel estratégico e os objetivos das áreas funcionais para a realização do projeto de expansão da fábrica. Com base nessa situação, elabore um texto dissertativo que contemple os seguintes aspectos: a) critérios críticos a serem analisados pela área de Recursos Humanos para a viabilização do projeto de expansão da fábrica; b) critérios críticos a serem analisados pela área de Produção para a viabilização do projeto de expansão da fábrica. Acerto 25,4% Padrão de resposta Espera-se que o estudante mostre, por meio de um texto dissertativo, conhecimento sobre: A – O papel da área de recursos humanos na organização e na decisão de expansão, com base em critérios como: custo de mão de obra na região; estrutura funcional (áreas e cargos para nova fábrica); competências e habilidades para cada cargo; oferta de mão de obra especializada na região; possibilidade de transferência interna de funcionários; recrutamento e seleção; necessidade de treinamento. B – O papel da área de produção na organização e na decisão de expansão, com base em critérios como: capacidade instalada relacionada à demanda; estratégia de produção; sistemas de produção; arranjo físico e fluxos produtivos; arranjos produtivos; organização da produção – produção artesanal, em massa, enxuta; cadeia de fornecimento/suprimento; custos de transporte; infraestrutura logística; segurança das operações; impactos ambientais. 141