UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI HEITOR GRIMA RENAN CHAIM GESTÃO DA QUALIDADE: A APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA E DO SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA DE PNEUS SÃO PAULO 2011 ii HEITOR GRIMA RENAN CHAIM GESTÃO DA QUALIDADE: A APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA E DO SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA DE PNEUS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia de Produção da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Professor MSc. Silvio Kimossuke Hamaue iii HEITOR GRIMA RENAN CHAIM GESTÃO DA QUALIDADE: A APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA E DO SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA DE PNEUS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia de Produção da Universidade Anhembi Morumbi São Paulo em: 28 de Novembro de 2011. ______________________________________________ Professor MSc. Silvio Kimossuke Hamaue ______________________________________________ Professor MSc. Francisco Carlos Damante Comentários:_________________________________________________________ Nova página após a dedicatória ___________________________________________________________________ SÃO PAULO ___________________________________________________________________ 2011 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ iv AGRADECIMENTOS Agradecemos à Goodyear e ao Engenheiro Industrial, Rafael Sato, pelas informações e dados enviados a respeito da experiência com os sistemas. v RESUMO O conteúdo deste trabalho tem como objetivo mostrar a experiência de uma indústria de pneus na aplicação do Seis Sigma e do Sistema Toyota de Produção. Serão demonstradas as principais características das suas ferramentas, suas particularidades e a visão de gestão da qualidade referentes a estas. Será estudado o caso de uma indústria de pneus que fez a implementação das duas técnicas em seu sistema produtivo. As dificuldades levantadas na ocasião da implementação das ferramentas, os motivos que foram determinantes para o sucesso de uma e o fracasso na implantação da outra, bem como uma descrição dos resultados alcançados quando da adoção de ferramentas de gestão da qualidade também serão evidenciados neste trabalho. Palavras Chave: Seis Sigma. Sistema Toyota de Produção vi ABSTRACT The content of this work aims to show the experience of a tire industry regarding the application of Six Sigma and Toyota Production systems. The main characteristics of this quality tools, their singularities and the Quality Management overview about them will be shown. The case of a tire industry that have applied both techniques in its productive system will be studied. The difficulties lifted in these implementations, the reasons that made one of them successful and the failure of the other, as well a description of the results achieved with the adoption of Quality Management tools will be evidenced in this piece. Keywords: Six Sigma. Toyota Production System vii LISTA DE FIGURAS Figura 5.1 – A integração entre os modelos DMAIC e PDCA ................................... 22 Figura 6.1 – Esquematização do fluxo produtivo da Fábrica São Paulo ................... 54 viii LISTA DE TABELAS Tabela 5.1 – Percentual de defeitos por nível sigma.................................................17 Tabela 6.1 – Situação da Goodyear nos diferentes estágios de implantação da Gestão da Qualidade..................................................................................................63 ix LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BLT Bias Light Truck – Camioneta Convencional BMT Bias Medium Truck – Caminhão Convencional BPI Business Process Improvement – Melhoria do Processo de Negócios CIS Continuous Improvement System – Sistema de Melhoria Contínua DOI Departamento de Organização Industrial EP Engineered Products – Produtos de Engenharia FF Front Farm – Agrícola Dianteiro FSP Fábrica São Paulo IE Industrial Engineering – Engenharia Industrial JIT Just-in-Time – Realizado na Hora OTED One-Touch Exchange of Die – Troca em Um Toque OTR Off-the-Road – Fora de Estrada QFD Quality Function Deployment – Desdobramento da Função Qualidade RIA Rapid Improvement Activity – Atividade de Melhoria Rápida SKU Stock Keeping Unit – Unidade de Manutenção de Estoque STP Sistema Toyota de Produção TQC Total Quality Control – Controle da Qualidade Total TRF Troca Rápida de Ferramenta x SUMÁRIO p. 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................1 2 OBJETIVOS..........................................................................................................2 2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................. 2 2.2 Objetivos Específicos............................................................................................... 2 3 MÉTODO DE TRABALHO...................................................................................3 4 JUSTIFICATIVA....................................................................................................6 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................7 5.1 Manufatura................................................................................................................... 7 5.2 Qualidade como carro-chefe ................................................................................ 10 5.2.1 Colocação em prática – a Engenharia da Qualidade.......................................11 5.3 Seis Sigma ................................................................................................................. 13 5.3.1 Foco na variabilidade.............................................................................................16 5.3.2 Aplicabilidade do Seis Sigma...............................................................................17 5.3.3 Gestão do Seis Sigma...........................................................................................19 5.3.3.1 Implementação...................................................................................................20 5.3.3.2 Modelos DMAIC e PDCA..................................................................................21 5.3.3.3 Equipe..................................................................................................................25 5.3.3.4 Criação de cultura empresarial........................................................................26 5.3.4 Resultados do Seis Sigma....................................................................................28 5.4 Sistema Toyota de Produção ............................................................................... 31 5.4.1 Foco no desperdício..............................................................................................32 5.4.2 Just-In-Time............................................................................................................34 5.4.3 Ferramentas do STP..............................................................................................37 xi 5.4.4 Mapeamento do Fluxo de Valor...........................................................................38 5.4.5 Métricas Lean..........................................................................................................39 5.4.6 Kaizen......................................................................................................................40 5.4.7 Kanban.....................................................................................................................41 5.4.8 Padronização..........................................................................................................42 5.4.9 5S..............................................................................................................................43 5.4.10 6 Redução de Setup..............................................................................................45 ESTUDO DE CASO............................................................................................47 6.1 Criação do método de trabalho com borracha e o nascimento da empresa .................................................................................................................................. 47 6.2 Histórico ..................................................................................................................... 49 6.2.1 Goodyear Global....................................................................................................49 6.2.2 Goodyear do Brasil................................................................................................50 6.3 A Fábrica São Paulo ............................................................................................... 51 6.4 Fluxo produtivo da Fábrica São Paulo .............................................................. 53 6.5 Implementação e experiências adquiridas de sistemas de gestão da qualidade ............................................................................................................................... 55 7 CONCLUSÕES...................................................................................................67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................70 APÊNDICE A...............................................................................................................1 1 INTRODUÇÃO Muitas são as ferramentas de sistemas de gestão da qualidade existentes. A maioria delas, de origem japonesa, criadas na metade do século XX vieram a se tornar populares através dos resultados obtidos pelas empresas que as adotaram na expressiva retomada japonesa (e o desempenho destas ferramentas foram partes determinantes para este processo) pós Segunda Guerra Mundial. Maravilhados com o que foi obtido no Japão pós-guerra, gurus americanos da qualidade adaptaram estes conceitos aos modelos de suas empresas, criando novas técnicas e formas de As empresas, com um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico, veem-se na necessidade de melhorar seus resultados financeiros buscando redução de custos e mantendo um alto padrão de qualidade para seus produtos. Duas das mais importantes e utilizadas metodologias de gestão da qualidade são o Sistema Toyota de Produção e o Seis Sigma. Com características e focos diferentes, estas duas sistemáticas já foram aplicadas por empresas de todos os tamanhos, ramos e setores ao redor do mundo e têm por objetivo em comum alcançar maior lucratividade para as companhias que as adotam. Neste trabalho serão demonstradas as principais particularidades de cada ferramenta, como estas são vistas em níveis de gestão, sua aplicação e benefícios. Além disso pretende-se mostrar quais são os principais entraves à implantação do Seis Sigma nas empresas, e o que as leva a muitas vezes optar pelo Sistema Toyota de Produção analisando os resultados alcançados pela Goodyear do Brasil, que adotou ambos os sistemas em sua unidade da cidade de São Paulo. 2 2 OBJETIVOS A competitividade dos diversos segmentos nos dias de hoje acirrou muito as disputas entre os concorrentes, e se tornou uma das preocupações centrais nas mais diversas áreas. No setor de pneus não é diferente. As empresas buscam saber o que agrega valor em um processo produtivo, e isso torna-se determinante para a viabilidade do negócio. Um dos pontos mais discutidos no setor industrial, hoje, é a melhoria dos processos para redução de custos. A busca por metodologias e ferramentas que gerenciem a qualidade dos seus processos/produtos é cada vez maior, tentando obter apoio para a redução de custos. 2.1 Objetivo Geral Apresentar os conceitos dos dois sistemas de gestão da qualidade (Sistema Toyota de Produção e Seis Sigma), suas particularidades, diferentes focos, formas de implementação e o resultados, em estudo de caso, da implantação destes. 2.2 Objetivos Específicos Demonstrar a aplicabilidade dos sistemas de gestão propostos, avaliar as dificuldades observadas quando da implantação do Seis Sigma pelas empresas e os motivos que as levam a adotar o Sistema Toyota de Produção, tomando como base a experiência da Goodyear do Brasil. 3 3 MÉTODO DE TRABALHO Inicialmente foi descrito o motivo do trabalho, a forma com que foi estruturado e sua relevância. A partir disso realizou-se uma pesquisa bibliográfica para que fosse possível agregar informações fundamentais de base para o estudo do tema do projeto. Aqui são apresentadas, primeiramente, a concepção de manufatura, de gestão e engenharia da qualidade, que são as bases para o desenvolvimento das ferramentas que são objetos de estudo deste trabalho. Após isso, os conceitos das duas metodologias são demonstrados, as particularidades de cada uma, suas principais características, necessidades, dificuldades e benefícios, bem como a forma com que estas são desenvolvidas na implantação em uma empresa. A próxima etapa engloba o estudo de caso, a descrição das experiências obtidas na implantação dos métodos, as dificuldades e benefícios encontrados pela empresa e a forma com que foram conduzidos os desenvolvimentos de cada ferramenta na companhia. Para podermos efetuar a pesquisa e elaborar o estudo de caso, iremos seguir o definido por Robert Yin (2001), em sua publicação “Estudo de caso: Planejamento e métodos”. Nele, pudemos adequar a melhor metodologia para irmos a campo, e conseguir todas as informações que achamos relevantes e necessárias para a elaboração dos estudo, e tentar conseguir o máximo de dados, para ter um trabalho sólido e o mais informativo possível. 4 Achamos o mais conveniente, fazer esta pesquisa através de uma entrevista, conversar com o pessoal envolvido no processo que diz respeito ao assunto do nosso trabalho, tentar chegar perto das pessoas que contribuíram para a implantação do Sistema Toyota de Produção e do Seis Sigma. Entrando em contato com as pessoas que estão ligadas aos dois sistemas diariamente, podemos reunir um número maior de informações relevantes, e dados importantes, como por exemplo, o nível de dificuldade para implementação, as falhas que ocorreram neste processo, qual a aceitação dos sistemas, entre outros. Robert Yin (2001) diz que podemos conseguir estes dados de seis maneiras diferentes: documentos, registros em arquivo, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos. Em seu livro, ele explica os seis métodos de pesquisa e de obtenção de dados, dentre os quais elegemos a entrevista como o método mais eficiente para a obtenção dos dados. Para Robert Yin (2001), o método da pesquisa é um dos métodos mais importantes para se elaborar um estudo de caso, pois geralmente são conduzidas de uma maneira espontânea. Essa natureza das entrevistas permite que voce tanto indague respondes-chave sobre os fatos de uma maneira quanto peça a opinião deles sobre determinados assuntos. Em algumas situações, você pode ate mesmo pedir que o respondente apresente suas próprias interpretações de certos acontecimentos e pode usar essas proposições como base para uma nova pesquisa. (YIN, 2001, p.112) Devemos tentar interagir o máximo com o entrevistado, para termos ele como um informante, e assim conseguir o máximo de informações possíveis, para serem usadas no estudo de caso. Quando estamos diante de um informante-chave, por se tratar de uma pessoa com um conhecimento elevado sobre o assunto, ele pode até sugerir alguma outra fonte, para aumentarmos o tamanho de informações para a nossa pesquisa, que no 5 caso da Goodyear, são as pessoas que estavam diretamente ligadas no processo de implementação dos sistemas. 6 4 JUSTIFICATIVA A redução de custos é a principal arma das empresas na busca de maior competitividade e melhor posicionamento de mercado. Aliada a isso está a necessidade de melhor produtividade, processos mais padronizados e produtos de melhor qualidade a fim de atender a um público cada vez mais exigente e concorrentes cada vez mais agressivos. A fim de atender a estes propósitos, as empresas buscam hoje cada vez mais os benefícios dos métodos e ferramentas de gestão da qualidade, dentre estes o Seis Sigma e o Sistema Toyota de Produção. Apesar de o objetivo final ser o mesmo, ou seja, alcançar maiores lucros com diminuição de custos, algumas das metodologias dos sistemas de gestão da qualidade são muito diferentes em suas bases e focos. Busca-se através deste trabalho mostrar duas das mais utilizadas e bemsucedidas metodologias de gestão da qualidade, o Seis Sigma e o Sistema Toyota de Produção e a experiência de uma empresa que buscando a tão necessária redução de custos implantou os dois métodos de sistema de gestão da qualidade em seus processos. 7 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Para se entender a atuação dos sistemas de gestão da qualidade, faz-se necessário abordar-se o conceito de manufatura e sua importância nas empresas. 5.1 Manufatura A idéia de manufatura nos remete a grandes empresas, uma linha de produção enorme, com diversos tipos de máquinas, com alta tecnologia envolvida. A manufatura nada mais é do que a transformação de insumos, matéria prima, em produtos acabados. Portanto um simples artesão, passa pelo processo de manufatura, pegando sua matéria prima, que poderia ser um pedaço bruto de madeira, e transformá-lo em uma escultura, que seria seu produto final. Tanto em um caso como no outro, a manufatura está presente, o que difere é o tamanho da empresa e o tipo de produto que ela fornece. Mas pelo contrário do que parece, não é uma coisa tão simples. Para que a empresa possa começar a produzir, entrar no mercado, ela deve traçar metas e usar de uma estratégia de manufatura. “Toda empresa existe para produzir um produto ou serviço final que tenha valor para o consumidor. Assim, obter esse diferencial na fabricação ou na prestação de um serviço constitui o objetivo das operações da empresa.”. (MARTINS e LAUGENI, 2006, p. 314) De acordo com Martins e Laugeni (2006), deve-se analisar e traçar objetivos e diretrizes em relação a: custos, qualidade, prazos de entrega, flexibilidade, inovação, produtividade e tecnologia, já na hora da fabricação do produto. 8 Na parte de custos, é evidente que se deve tentar diminuir ao máximo o custo de produção, para que o produto final chegue ao consumidor com um preço menor do que o concorrente. Na qualidade devemos focar na melhoria contínua dos produtos, pois os mercados estão ficando cada vez maiores e o público cada vez mais exigente, e a qualidade, aliada a um preço acessível, conquista muitos consumidores novos, podendo até fidelizá-los. De nada adianta se ter um preço baixo e um qualidade alta, se não nos preocuparmos com o prazo de entrega. Se ocorrer uma demora na entrega no produto/serviço, pode parecer que a empresa não liga para o cliente, pois a venda já foi efetuada. Como os mercados são muito dinâmicos, estão mudando a todo instante, deve-se ter um toque de flexibilidade, para poder contornar todas essas mudanças, e ainda assim, se manter forte na concorrência. A inovação é um ponto forte, que todas as companhias deveriam correr atrás, pois se antecipando às necessidades dos consumidores, pode-se obter uma fatia maior do mercado. E o último fator para Martins e Laugeni (2006), é a tecnologia. Deve-se fazer um estudo minucioso para saber o tipo de tecnologia necessária para atender as necessidades da empresa. Se for precisar de, por exemplo, um software, não adiante ele ser fraco, precisando de outro tipo de ferramenta para suprir a falta de funcionalidade do mesmo. Ou adquirir um muito superior do que a sua empresa necessita. Para Alan Lawlor (1978), o objetivo principal para uma fábrica, é pegar os insumos e transformá-los em produtos de saída (produtos acabados). Ele explica também, que o método que a empresa fabrica seus produtos é determinado pelo próprio produto, e pela quantidade produzida, e cita quatro métodos de fabricação. São eles: 9 • Encomenda, produção unitária ou de especificação: Produção unitária, ou em quantidades muito pequenas, de artigos, geralmente sob requisitos de cliente individual. Os itens produzidos por este método tenderão a esperar entre várias operações. • Produção em lotes: Envolve a produção múltipla de artigos, em lotes de cinco a várias centenas. Os itens podem ser feitos por este método de fabricação, atendendo a exigências do cliente ou antecipando pedidos. Como produção por encomenda, os lotes de trabalho tendem a formar filas entre operações. • Produção em massa, fluxo ou linha: Envolve a fabricação contínua de quantidades muito grandes de produtos. Os produtos feitos por este método são quase sempre um tipo de bens de consumo e são feitos em antecipação às vendas. • Produção contínua ou por processo: Certos produtos, devido a sua natureza e grande demanda, se prestam ao método de produção por processo. Neste método, a fábrica inteira é como uma imensa máquina, onde a matéria-prima entra por um lado e emerge do outro, como produto acabado. (LAWLOR,1978, p. 43) Os líderes empresariais devem manter o foco no dinamismo do mercado, e fazer o máximo possível para tentar acompanhar esta evolução e se manter sempre um passo a frente da concorrência. Como os três autores citados anteriormente disseram, a base da empresa está no seu produto e no seu método de produção, e é ai que a empresa deve mexer para tentar ficar a frente dos concorrentes, tentando otimizar ao máximo sua capacidade produtiva. Para que se possa tornar uma linha de produção organizada, aproveitando ao máximo suas matérias primas e alocar seus funcionários de modo correto, sem correr o risco de ter uma folha de pagamento muito grande, ou ficar abaixo na capacidade de produção, existem muitos métodos ou ferramentas que se pode utilizar. Como explicam Martins e Laugeni (2006): O movimento da qualidade total, iniciado no Japão e posteriormente disseminado pelo mundo todo, trouxe consigo um conjunto de novas técnicas ou metodologias de trabalho nas áreas de produção e administração. Enumerá-las uma a uma seria praticamente impossível, em face da dinâmica das inovações que ainda hoje vem ocorrendo como conseqüência do referido movimento (MARTINS e LAUGENI, 2006, p. 461). 10 Para Nigel Slack (1993), a manufatura são os ossos, nervos e músculos de uma empresa. Com essa definição torna-se fácil imaginar a importância da manufatura para a saúde de qualquer empresa. E uma empresa saudável, leia-se com uma manufatura saudável, tem “a força para suportar o ataque da concorrência, (...), vigor para manter um melhoramento uniforme, (...), e versatilidade operacional que pode responder aos mercados crescentemente voláteis e aos concorrentes.” (SLACK, 1993, p.13). A vantagem competitiva é um ponto interessante a ser observado quando falamos de manufatura, já que, de acordo com Campos (1992, p.15), “o que realmente garante a sobrevivência das empresas é a garantia de sua competitividade”, e como vimos que a sobrevivência das empresas está intimamente ligada à manufatura, fica clara a importância desta função no dia a dia de uma companhia. Podemos pensar sobrevivência das empresas fortemente atreladas ao seu desempenho, que pode ser dividido em cinco objetivos, segundo Slack (1993, p.13): “Qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custos.”. 5.2 Qualidade como carro-chefe Ao pensarmos nos cinco objetivos da qualidade citados por Slack (1993), podemos afirmar que, mesmo estando todos interligados, a qualidade exerce um papel que merece um destaque especial no quadro, pois a partir de uma boa gestão de qualidade podemos alcançar os objetivos traçados para os outros quatro objetivos. O Controle da Qualidade Total, ou TQC, “(...) é o controle exercido por todas as pessoas para a satisfação das necessidades de todas as pessoas” (CAMPOS, 1992, p.15), ou seja, a instituição dos conceitos de qualidade total em uma empresa 11 deve englobá-la toda, para que todos da empresa possam usufruir dos benefícios trazidos. Ainda segundo Campos (1992, p.15), um dos conceitos básicos do Controle da Qualidade Total é “garantir a sobrevivência da empresa através do lucro contínuo adquirido pelo domínio da qualidade”. Assim nota-se o papel fundamental da qualidade e da implementação de tais sistemas de gestão para garantir a competitividade e, por conseqüência, a saúde das empresas. Para Marly Carvalho e Edson Paladini (2005, p.26), a idéia de qualidade como fundamental para o sucesso de uma empresa passa pela “perspectiva estratégica da qualidade”, o que quer dizer: • Considerar a qualidade como fator de sobrevivência para as organizações; • Elevar a qualidade à categoria de diferencial competitivo das organizações; • Adotar uma visão de futuro sobre a questão (CARVALHO et al., 2005, p.26) Ainda sobre este assunto, Carvalho e Paladini (2005, p.27) afirmam que: [o conceito de perspectiva estratégica] amplia o que tradicionalmente se entendia como qualidade e (...) aumenta sua importância e a responsabilidade pelas tomadas de decisão que dizem respeito às formas de planejar e desenvolver sua implementação conceitual e prática nas organizações” (CARVALHO et al., 2005, p.27). Essa aplicação prática é o que pode ser chamado de “Engenharia da Qualidade”. 5.2.1 Colocação em prática – a Engenharia da Qualidade Ao citar as ferramentas da qualidade, seus benefícios e suas características, nos deparamos com o maior problema das empresas: a Engenharia da Qualidade, ou, como colocar em prática todos estes conceitos. 12 E a diferença de abordagem entre os orientais e ocidentais no que diz respeito à qualidade, já começava a ser vista desde as primeiras tentativas de implantação dos conceitos criados no Japão nas empresas do ocidente, em especial nos Estados Unidos, quando, segundo Miranda, os americanos desembarcavam em bandos no Japão, aprendendo tudo aquilo que antes era visto com desdém. Um destes conceitos voltados à colocação em prática das ferramentas da qualidade é o que Miranda (1994, p.29) chamou de “Círculos de Controle da Qualidade”, ou CCQs. Os CCQs constituíam-se de “grupos de supervisores e operários profundamente envolvidos nos processos de melhoria em todos os produtos e atividades” (MIRANDA, 1994, p.29). Porém, mesmo com a adoção do sistema de CCQs, as empresas americanas não conseguiam atingir os mesmos resultados das empresas japonesas e isso se devia ao fato de que a implantação por parte dos japoneses vinha desde o pósguerra, nos anos de 1950, enquanto que os ocidentais buscavam aplicar os conceitos já nos anos de 1975, ou seja, vinte e cinco anos mais tarde e, portanto, quando os conceitos de Gestão da Qualidade estavam já enraizados nas empresas orientais, desde seus presidentes até os operários de chão de fábrica. Segundo Miranda (1994), essa diferenciação de abordagem foi essencial para que os resultados vistos nas empresas japonesas não se refletissem de imediato nas companhias norte-americanas, visto que estes desejavam implantar o sistema do final para o começo, ou seja, a implantação das CCQs vinha antes da disseminação da cultura e dos valores da Gestão da Qualidade. E mesmo após a implantação dos círculos, suas atividades não eram incentivadas. Para Philip Crosby (1990), um dos principais problemas da implantação dos conceitos nas empresas ocidentais está no fato de que é necessário que se entenda que o “o pessoal gerencial é o problema” (CROSBY, 1990, p.97), ou seja, a alta direção deve estar em total alinhamento com as atividades de qualidade existentes na empresa. 13 Para Campos (1992, p.10), sendo o Controle da Qualidade Total “uma grande máquina de resolver problemas”, é ainda mais importante que os conceitos e as ações referentes à qualidade estejam plenamente compreendidos pela alta gerência, ainda mais do que pelos operários e principalmente tenham em mente os seus “resultados indesejáveis”, ou seja, aqueles resultados que surgem de áreas onde as ferramentas da qualidade podem ser aplicadas para minimizar os pontos negativos levantados. Campos (1992) lista os pontos em que a alta direção deve estar plenamente envolvida, no campo gerencial e estratégico, para que seja possível uma visualização dos projetos quer devem ser priorizados, e as metas que devem ser adotadas, sendo elas concretas e atingíveis. São elas: • Definição dos itens de controle das chefias • Definição do histórico de cada um dos itens de controle • Determinação monetária de cada “resultado indesejável”, ou seja, definir o quanto, monetariamente, a resolução de cada um dos resultados indesejáveis representaria para a empresa • Fazer uma análise de Pareto • E, após definir prioridades, determinar os responsáveis pela resolução de cada um dos problemas e os que tomarão a frente na realização de cada um dos projetos levantados.(CAMPOS, 1992, p.10) 5.3 Seis Sigma Seis Sigma é uma sistemática de melhoria da qualidade por meio da redução da variabilidade dos processos e aplicação de métodos estatísticos e por meio de ferramentas de gestão da qualidade (GRYNA, 2001), que tem como característica, a capacidade de ligar a melhoria de processos e ganhos financeiros, seja com corte de custos, seja com aumento de receita (SCHROEDER et al., 2007) 14 O Seis Sigma pode, então, ser considerado como um conjunto de práticas que pretendem melhorar sistematicamente os processos aos quais foi aplicado baseado na eliminação de defeitos. No âmbito estratégico, para Blakeslee Jr. (2000, p.8), o Seis Sigma é uma ferramenta para “alinhar uma empresa com o seu mercado e distribuir melhorias reais (e capital) na linha de lucro”. Para um dos maiores defensores da metodologia Seis Sigma, o ex-CEO da General Electric, Jack Welch (2005), que é tido como responsável por mudar os resultados da companhia através da implantação das ferramentas do Seis Sigma, “em termos simples, o Seis Sigma é uma das grandes inovações em gestão do último quarto de século, além de se constituir em ferramenta extremamente poderosa para impulsionar a competitividade da empresa.” (WELCH, 2005, p.3). Portanto, o Seis Sigma também pode ser considerado uma estratégia gerencial que favorece mudanças nas organizações para melhorar e otimizar seus processos e produtos alcançando a qualidade total, ou seja, a satisfação dos clientes, ou, de acordo com o que diz Nathalie Gutierres (2009, p.30), “O Seis Sigma se volta para a otimização de produtos processos e serviços com a finalidade de alcançar a satisfação tanto de clientes quanto de consumidores”. É por meio desta segunda definição que o Seis Sigma é mais visto nos dias de hoje, com uma visão mais gerencial do que operacional, voltada igualmente, ou até mais para a alta direção do que para o próprio chão de fábrica, ou, como diz Jack Welch (2005, p.3): “ O Seis Sigma é um programa de qualidade que, quando se diz e se faz tudo da maneira certa, melhora a experiência dos clientes, reduz os seus custos e desenvolve melhores líderes”. O conceito de Seis Sigma, segundo Silvio Aguiar (2006), foi criado na Motorola, com base nos princípios apontados por Carl Gauss em seu livro Theoria Motus Corporum Arithmeticae em que, através da “curva do sino” se pode representar variações decorrentes de um processo controlado e, por meio da divulgação dos resultados alcançados pela empresa, o conceito passou a ser 15 difundido a partir de 1987, corroborado mais tarde pelos ganhos obtidos pela GE, AlliedSignal e outras grandes empresas que fizeram uso da metodologia em seus processos. Conforme Werkema (2006), a Motorola, em 1986, apresentava sérios problemas de competitividade com empresas estrangeiras, além de uma queda substancial de qualidade em seus produtos, quando do estabelecimento de uma meta ambiciosa de seu presidente, Bob Galvin: melhorar em dez vezes a qualidade adquirida em seus produtos e garantir a satisfação dos clientes da empresa em cinco anos, baseado em competitividade em todo o planeta, gerenciamento participativo e melhoria da qualidade. O engenheiro da qualidade à época, Bill Smith, criou o mecanismo que chamou de Six Sigma, dando à Motorola, dois anos depois, o Malcolm Baldridge National Quality Award pelos resultados de 2,2 bilhões de dólares que alcançou com o uso da ferramenta. O conceito criado por Bill Smith consiste basicamente em uma medida do número de defeitos em um processo produtivo, porém sob a ótica de oportunidades de defeito, estas baseadas em três variáveis. • Os tipos diferentes de defeitos que podem ocorrer em uma peça • As diferentes partes da peça que podem sofrer com defeitos • As etapas produtivas que podem ocasionar estes defeitos nestas partes conforme levantado. Nathalie Gutierres (2009) explica que os sigmas representam o desviopadrão, ou seja, a medida estatística que quantifica a variação que ocorre em processos, produtos e procedimentos. Segundo ela, “Quando o valor do desvio padrão é baixo há evidência de que os resultados do processo mostram pouca variação, comprovando que há muita uniformidade.”(GUTIERRES, 2009 , p.30). 16 5.3.1 Foco na variabilidade A baixa variação nos processos é a chave para o sucesso da filosofia do Seis Sigma. Slater (2001) conta a visão de Jack Welch, “O Seis Sigma, (...) não se preocupa com as médias. O importante são as variações e a eliminação da inconstância no seu relacionamento com os clientes.” (SLATER, 2001, p.56). A partir da visão de um dos grandes beneficiados com a cultura Seis Sigma, Jack Welch, pode-se notar como a variabilidade dos processos é um dos pontos mais importantes da metodologia, e como isso se tornou base para atingir o objetivo do Seis Sigma em alcançar qualidade para os clientes e lucratividade para a empresa. Esta visão de como a variabilidade do processo (quanto menor, melhor) pode ser corroborada pela visão de Blakeslee Jr. (2000, p.8). Segundo ele, o Seis Sigma tem por objetivo “reduzir a variação e mudar os resultados do produto ou serviços permanentemente, de acordo com as exigências do cliente”. Ele ainda afirma, sobre os objetivos do Seis Sigma no âmbito operacional que estes têm relação com “tentar reduzir a variação do processo – a origem do defeito que afeta negativamente o cliente” (BLAKESLEE JR., 2000, p.8). Em relação a estes conceitos, James Bossert (2003) afirma que: O Seis Sigma é, essencialmente, uma metodologia para aprimorar a aptidão dos processos por meio do uso de métodos estatísticos para identificar e diminuir ou eliminar as variações no processo. Sua meta é a redução dos defeitos e a melhoria nos lucros, bem como a moral dos funcionários e a qualidade dos produtos. (BOSSERT, 2003, p.28) Ou seja, pode-se notar como estes pontos são amarrados através da afirmação de Bossert (2003): a metodologia aprimora os processos usando estatística, atacando a variabilidade dos processos. Quando a menor variação nos processos possível é alcançada, atingem-se as metas, de melhoria de lucratividade e aumento na qualidade do produto ou serviço oferecido. 17 A lógica do foco em redução de variabilidade de processo pode ser descrita conforme Dave Nave (2003), que afirma que o pensamento Seis Sigma funciona da seguinte forma: a concentração da empresa em reduzir variabilidade de processos gera processos mais uniformes. Estes processos mais uniformes é que serão as bases para a redução de desperdícios, menos variação de produtos, menos refugo e menos estoques, se aproximando do que prega a filosofia do Sistema Toyota de Produção, cujo foco é justamente a diminuição de desperdícios. Os níveis de defeitos, ou variabilidade de processos, que podem existir, são os denominados sigmas, e correspondem a quantificações percentuais do total fabricado. Estes parâmetros foram criados para formar um tipo de avaliação do grau de qualidade do processo produtivo e foram divididos em seis estágios, ou os seis sigmas, sendo quanto mais alto o sigma, menor é o nível de defeitos apresentado pelo processo em medição. Tabela 5.1 – Percentual de defeitos por nível sigma Nível Sigma Quantidade de defeitos admissível Sigma Um 69,1% Sigma Dois 30,9% Sigma Três 6,7% Sigma Quatro 0,6% Sigma Cinco 0,02% Sigma Seis 0,0003% Fonte: Adaptado de WERKEMA (2006) Então, um processo que alcança um nível de sigma seis tem uma qualidade tamanha que os defeitos apresentados são tão ínfimos que podem ser considerados inexistentes. Este nível de “perfeição” é muito difícil de ser alcançado, fazendo com que as empresas trabalhem normalmente em um nível de sigma quatro ou cinco. 5.3.2 Aplicabilidade do Seis Sigma 18 Por ser uma ferramenta que trata tanto de defeitos físicos em fabricação como em taxas de variação de processos, o Seis Sigma pode ser aplicado em vários setores das empresas, não se restringindo apenas à área fabril. O sistema Seis Sigma anteriormente, na época de sua criação, ainda estava limitado a indústrias de fabricação de produtos complexos, porém, hoje pode ser utilizado nos mais diversos tipos de processos, inclusive os administrativos, como vendas, marketing, atendimento ao consumidor, compras, etc. De acordo com Michael Pestorius (2007), houve uma percepção incorreta, desde o nascimento do Seis Sigma, que um modelo de melhoria de qualidade que possui uma abordagem factual, acima de tudo, seria inadequada em processos transacionais como vendas e marketing, por exemplo. Esta visão é corroborada por Jack Welch (2005), quando afirma que: Os gerentes de fábrica usam o Seis Sigma para reduzir desperdícios, melhorar a consistência dos produtos, resolver problemas com equipamentos ou aumentar capacidade. O setor de recursos humanos recorre ao Seis Sigma para reduzir o prazo de contratação de novos empregados. Gerentes regionais de vendas utilizam o Seis Sigma para melhorar a confiabilidade das previsões, as estratégias de preços e as variações entre preço de tabela e preço efetivo. Sob esse aspecto, encanadores, mecânicos de automóveis e jardineiros também podem utilizá-lo para melhor compreender as necessidades de seus clientes e adaptar suas ofertas de serviços aos desejos dos usuários. (WELCH, 2005, p. 71). Seguindo pelo raciocínio de Pestorius (2007) e Welch (2005), é possível verificar a aplicabilidade do Seis Sigma nos mais diversos ramos de atividade, até mesmo nos setores de serviços. Grace Esimai (2006), em artigo publicado na revista Banas Qualidade, por exemplo, descreve o modelo de sucesso da aplicação do Seis Sigma em serviços de saúde. Fred Patton (2001) afirma, sobre isso, que o uso da metodologia Seis Sigma em serviços é de vital importância, pois “alcançar a consistência e atender às metas 19 financeiras na qualidade do serviço pode ser tão desafiador quanto entregar produtos livres de defeitos a um cliente de manufatura” (PATTON, 2001, p.56). Segundo pesquisas desenvolvidas pelo especialista em serviços britânico, Chris Daffy (2004), a aplicação do Seis Sigma em serviços tem trazido resultados iguais ou melhores do que os verificados nas indústrias. 5.3.3 Gestão do Seis Sigma O modelo de gestão pelo Seis Sigma, além de uma implantação eficiente, vinda de cima para baixo como definiu Aguiar (2006), depende ainda de um gerenciamento competente para que possa funcionar e proporcionar os benefícios às empresas. Para Blauth (2003), o modelo de gestão de Seis Sigma nas empresas deve obedecer a quatro estágios definidos por Keki Bhote, um dos gurus do Seis Sigma na Motorola: “Inocência, Despertar, Compromisso/Implantação e Classe Mundial” (BLAUTH, 2003, p.38). A partir de uma correta implantação da ferramenta determinadas nos passos “Inocência”, “Despertar” e o “Compromisso/Implementação” propriamente ditos, onde a empresa passa de uma visão de que a qualidade é um mal necessário para uma visão mais estratégica dos benefícios que uma gestão competente pode trazer e assim atingir o nível de “Classe Mundial”. Para o atingimento de “Classe Mundial”, onde a qualidade é vista como fator de prioridade estratégica para a empresa e este posicionamento é enxergado por todos os funcionários independente de sua posição na organização, experiência ou instrução, é importante que a empresa realize uma implementação adequada, realize os programas relacionados à gestão da melhoria contínua de seu sistema e conte com uma equipe competente e responsável por fazer os projetos seguirem em frente, para a partir daí criar substancialmente uma cultura de qualidade na organização. 20 5.3.3.1 Implementação Aguiar (2006) define a tratativa de implementação de metodologias como: Trabalho preliminar de encaminhamento de uma solução de um problema, por meio de um método, para a seguir utilizar as ferramentas da qualidade para transformar as informações obtidas em conhecimento necessário à solução do problema. (AGUIAR, 2006, p.76) Porém a implementação do método de Seis Sigma nas empresas não é uma tarefa das mais simples dado o nível de conhecimento estatístico necessário para a implantação do sistema e o valor de contratação ou treinamento para formação de Black Belts, que pode ser muito oneroso para empresas de pequeno porte. Por esse motivo, a terceirização é uma prática comum neste meio, fazendo, inclusive, que a implantação se dê de forma mais rápida, pois os profissionais já vêm com o knowhow necessário para o desenvolvimento das práticas nos processos onde se fizerem necessárias. Um ponto importante a ser levado em consideração, segundo Cristina Werkema (2006), é que faz-se necessário que todas as pessoas na empresa devem se sentir responsáveis por conhecer e implementar os conceitos e metodologia do Seis Sigma na organização, ou segundo Jack Welch (2005), o Seis Sigma precisa ser injetado no sangue da empresa. Ponto este levantado também por Silvio Aguiar (2006), que afirma que: “O programa Seis Sigma promove uma mudança na cultura de uma empresa, pois, após a sua implementação, modifica o posicionamento da empresa em relação aos seus problemas e também a sua forma de identificá-los e tratá-los” (AGUIAR, 2006, p.89) E que uma vez enraizado, o método levantado pela empresa para a resolução de problemas deve ser “(...) adotado e utilizado por todos na organização” (AGUIAR, 2006, p.89). 21 Além disso, a implantação do Seis Sigma, ainda segundo Aguiar (2006), deve ser feita de cima para baixo, ou seja, a idéia inicial deve ser concebida em uma esfera de alta direção da empresa, para depois ser difundida e espalhada pelo resto da organização, conforme sugerido pela própria sistemática dos ciclos DMAIC e PDCA. 5.3.3.2 Modelos DMAIC e PDCA Segundo Silvio Aguiar (2006), os modelos mais utilizados pelas empresas para a implantação do Seis Sigma são os chamados DMAIC. e PDCA. Dividido em cinco etapas (definir, medir, analisar, melhorar, controlar), o método DMAIC é usado como elemento de infra-estrutura do Seis Sigma, e tem por objetivo orientar a aplicação das ferramentas no desenvolvimento de projetos da organização. Segundo Carvalho e Rotondaro (2005), o DMAIC é o sinônimo para aperfeiçoamento de processo. Para cada fase do DMAIC, métodos estatísticos são aplicados, bem como ferramentas de gestão da qualidade. Estas metodologias e ferramentas já são amplamente difundidas em separado, mas tornam-se renovadas quando são postas em prática lado a lado durante o ciclo do DMAIC. (BREYFOGLE, 1999) Já o PDCA está dividido em quatro passos (planejar, fazer, checar e agir) e norteia uma tomada de ações por parte da organização. Estes conceitos estão intimamente ligados, e se complementam durante a execução de projetos. A figura 5.1 mostra como estes modelos estão inter-relacionados. 22 Figura 5.1 – A integração entre os modelos DMAIC e PDCA (adaptado de AGUIAR, 2006) D – Definir (define) – O passo D do DMAIC se refere à definição do escopo e metas do projeto. A definição passa pela orientação de qual o problema a ser solucionado com o uso das ferramentas do Seis Sigma. Segundo Werkema (2006), aqui são necessários definir os clientes afetados, a meta a ser atingida, o processo relacionado e o impacto econômico do projeto. A forma de definir o problema deve garantir que este seja quantificável e bem descrito. Esta etapa refere-se diretamente à maioria dos problemas identificados com a adoção do Seis Sigma, foco reduzido em quantificar e adaptar a leitura do problema à filosofia. M – Medir (measure) - A etapa M, ou medição de desempenho é, talvez, a etapa mais crítica de uma aplicação da ferramenta Seis Sigma. Esta etapa pede que seja medido o processo a ser trabalhado para identificar as características que influenciam o comportamento deste, ou seja, através da medição de desempenho e uma criteriosa coleta de dados é que se pode ter uma primeira idéia das causas do problema. Segundo Werkema (2006), neste ponto são levantados os resultados que devem ser medidos e os focos prioritários do problema. 23 A – Análisar (analyze) – A etapa A, ou de análise de oportunidade consiste em verificar criticamente os dados coletados na etapa de medição. É aqui que as ferramentas estatísticas e de gestão da qualidade conhecidas pelos belts são aplicadas para a determinação da gravidade do problema. Os defeitos considerados sistêmicos, e não pontuais, ou como definiram Carvalho e Rotondaro (2005, p.29), “óbvios e não óbvios”, são facilmente identificáveis após os processos D e M a partir do emprego correto de estatística na fase de análise. Para Werkema (2006), aqui são respondidas as perguntas levantadas nos passos anteriores do por que existirem os problemas prioritários. As fases D, M e A do DMAIC estão ligadas à fase P, de planejamento (plan) do PDCA, ou seja, dizem respeito à fase de planejamento de uma ação. Esta fase está conectada a uma idéia gerencial, onde a partir da definição correta do problema, medições e análises são definidas as diretrizes para a continuidade do projeto. Estão envolvidos aqui a gerência e os Black Belts, dos quais se falará mais à frente. I – Melhorar (improve) – Nesta etapa é que as equipes do Seis Sigma concentram-se em encontrar a melhor solução para os problemas detectados baseado em sua experiência e conhecimento em ferramentas de gestão da qualidade. Após testar as soluções encontradas as melhores são escolhidas pela equipe. Carvalho e Rotondaro (2005) definem esta etapa como aquela em que são eliminadas as causas do problema existente, enquanto Werkema (2006) diz que esta é a etapa das grandes idéias para a eliminação destas causas. De qualquer forma, é aqui que as melhorias entram em foco, tanto no planejamento destas, como na implementação propriamente ditas. Esta fase I do DMAIC corresponde à fase D, de fazer (do) no PDCA. Está ligado a algo mais operacional de implementação de ferramentas, abrangendo Black Belts e Green Belts. 24 C – Controlar (control) - Uma solução para uma não-conformidade encontrada tem que ser sustentada à longo prazo, por isso da utilização do passo C, o controle de desempenho. Carvalho e Rotondaro (2005) afirmam que “(...) qualquer sistema fechado tende da ordem para a desordem, e para uma condição mínima de energia, ou seja, (...) tende a ficar mais ‘bagunçado’ no futuro” (CARVALHO e ROTONDARO, 2005, p.29). É esta etapa que irá garantir que a solução encontrada se manterá adequada ao longo do tempo. Para esta verificação é necessário um planejamento para o controle e medições da efetividade da solução encontrada periodicamente. A etapa C do DMAIC está ligada às fases C e A do PDCA, que dizem respeito à verificação (check) e ações corretivas/preventivas (act). Nesta fase é exercido o controle através das medições previstas no DMAIC para verificação da manutenção do que foi feito. Para Pande (2001), três são as classes de critérios que podem auxiliar uma seleção do melhor projeto a ser adotado no Seis Sigma. Uma delas é a que se refere aos resultados diretos para a organização: Impacto na satisfação dos clientes, realização do planejado para o negócio, desenvolvimento de pessoas e qualificações básicas e o lado financeiro podem ser pontos a verificar como resultados diretos para a empresa que serão úteis na determinação de prioridades para os projetos. No ponto financeiro, é importante demonstrar qual o nível alcançado entre desempenhos não-financeiros também, como por exemplo as características primordiais para o sucesso do produto e a qualidade destes, não focando apenas em ganhos financeiros propriamente ditos, como redução de custos. Ainda segundo Pande (2001), o segundo critério é o que tange à viabilidade do projeto em si, como complexidade deste seu custo, o nível de conhecimentos específicos demandado e a taxa de sucesso esperada. Por último, pode-se citar os critérios relacionados a impactos organizacionais. O quanto a empresa poderá adquirir de expertise ou novos conhecimentos advindos daquele projeto, ou como ele pode quebrar barreiras entre departamentos e promover maior integração dentro da companhia. 25 Empresas que se utilizam bem da filosofia do Seis Sigma geralmente investem grandes quantidades de seus recursos em sistemáticas para encontrar e definir prioridades de atuação, podendo distribuir seus Black Belts nas situações em que estes podem ser mais eficazes e efetivos. Além disso, todos os envolvidos nos processos em questão também devem constar do programa Seis Sigma, pois, conforme afirma Jack Welch (2005): (...) o Seis Sigma não se destina apenas a engenheiros. Um erro de percepção comum nos programas de qualidade é pensar que aquilo é apenas para mentes técnicas. Na verdade, seus destinatários são os melhores e mais brilhantes em qualquer função. (WELCH, 2005, p.87) 5.3.3.3 Equipe Os projetos Seis Sigma são tocados por pessoas altamente qualificadas denominadas belts. Os belts são, geralmente, capacitados em métodos estatísticos, gestão de projetos e em ferramentas de gestão da qualidade, podendo receber determinados graus relacionados a seu nível de preparo. Para Goldman (2005), os belts são: Champion: Champions são, em geral, os membros da alta direção da organização que patrocinam o Seis Sigma na empresa e seus projetos. Além de ser o responsável pela análise crítica dos projetos mais adequados e direcionar os outros belts nos projetos. Tem uma função mais gerencial e estratégica do sistema. Master Black Belt: É considerado um especialista nas técnicas estatísticas e na gestão das ferramentas da qualidade e de projetos. É o responsável por disseminar a cultura do Seis Sigma e prover os treinamentos necessários nos projetos desenvolvidos. 26 Black Belt: Líderes das equipes que estão desenvolvendo os projetos, os Black Belts têm dedicação integral ao sistema e possui um alto nível de conhecimento tanto em ferramentas de gestão como em métodos estatísticos. Green Belt: Este tem dedicação parcial ao sistema, e é considerado o nível mais operacional do Seis Sigma. É responsável por fornecer o suporte, com base em conhecimentos mais elementares de estatística e qualidade, para os projetos que estão sendo desenvolvidos. Para Schroeder (2002), esta estrutura hierarquizada dos belts é um diferencial do Seis Sigma para outros sistemas de melhoria da qualidade existentes, pois possibilita um funcionamento mais orgânico e mecânico das atividades. Além disso, o sistema de hierarquias favorece um melhor controle das ações a serem tomadas dentro de um projeto, já que com funções claramente definidas pode ser mais fácil organizar-se em relação às atividades do projeto, e quem está responsável por qual área. 5.3.3.4 Criação de cultura empresarial Um dos principais desafios quando da implantação de qualquer tipo de sistema em uma empresa está relacionado à questão de criação de cultura empresarial em relação àquele tema, ou o enraizamento das informações que foram trazidas como novidade no dia-a-dia da companhia. Para Nancy Cooper e Pat Noonan (2004, p.10), uma das lições que são aprendidas no estabelecimento de uma filosofia Seis Sigma em uma empresa está relacionado à “determinação das partes interessadas de um projeto e a opinião destes em como melhorar o processo”. Esta característica participativa está na base do enraizamento da filosofia, e em relação ao Seis Sigma Cooper e Noonan (2004, p.10) afirmam que a alta administração deve “crer na filosofia e apoiá-la”, e deve “participar do projeto”. Além disso, é papel da alta administração da empresa se 27 envolver na comunicação dos deveres e dos resultados obtidos com o uso das ferramentas, além de difundir estes conceitos. Sobre esta disseminação de conceitos, David Treichler (2003, p.15) diz que “todos os funcionários devem entender o Seis Sigma, o seu funcionamento, e o porque a metodologia é boa para os clientes, para os negócios e para eles mesmos.”. Isto pressupõe a idéia de que pelo menos as bases fundamentais do método sejam compreendidas em sua totalidade por pessoas de todos os níveis hierárquicos e por funcionários que executem as mais variadas funções dentro da organização, que tenham conhecimentos estatísticos ou não, e dos mais variados níveis de instrução, sendo esta uma das tarefas mais penosas no processo de construção de uma cultura Seis Sigma nas empresas. A criação de cultura está atrelada naturalmente a mudanças. No caso de uma mudança como a implantação do Seis Sigma, uma mudança de padrões de qualidade e uniformidade, o impacto trazido pode ser muito forte para que as novas diretrizes sejam assimiladas rapidamente e sem maiores traumas por parte do corpo de funcionários da empresa. Isto, para Paulo Scheibe (2004, p.26), demanda um ato anterior da companhia que se dispôs a adotar um novo sistema de gestão da qualidade: “a criação de um ambiente de transição para uma mudança cultural”. Scheibe (2004, p.26) afirma que este ambiente de transição é extremamente importante para que “a nova realidade mostrada pela solução seja aceita pela empresa.”. Além de contribuir para o aceite, este ambiente de transição colabora para o que Werkema (2006) apontou como importante para o monitoramento da implantação do sistema: a criação de um critério para medir o quão enraizada está a metodologia. Para Werkema (2006), é importante que a empresa mantenha este critério para garantir que se esteja criando uma cultura, ou para agir nos pontos certos caso se identifique que a cultura não está sendo criada. Isto, segundo Scheibe (2004), pode ser levantado a partir da criação de metas para que surjam os novos patamares de qualidade da organização e que estes se tornem os novos padrões de qualidade. A partir daí o enraizamento da cultura seja tal que a empresa avance para um novo estágio de evolução que possa ser percebido e admirado por todos os funcionários. 28 5.3.4 Resultados do Seis Sigma Para o, quem sabe, maior defensor do Seis Sigma no mundo, Jack Welch, conforme relato de Slater (2001), o Seis Sigma tem por objetivo “(...) remover qualquer elemento que possa causar desperdício, ineficiência ou aborrecimento para os clientes.” (SLATER, 2001, p.65). Visto dessa maneira mais simplista, o método pode parecer o que apresenta melhores resultados frente aos outros modelos de gestão da qualidade, ainda mais se nos depararmos com o que Welch (2005) conta sobre sua experiência com o Seis Sigma: No primeiro ano, aplicamos o seis sigma em toda empresa para atacar custos, melhorar a produtividade e consertar processos capengas. Um dos negócios, numa situação extrema, descobriu que, com a utilização do Seis Sigma, conseguiria aumentar a capacidade de suas fábricas em níveis suficientes para eliminar a necessidade de novos planos de expansão durante dez anos. (WELCH, 2005, p. 47) Porém, pesquisa realizada pela empresa Bain & Company com 184 gestores revelou que 80% deles acreditam que o Seis Sigma tem falhado em atender às suas expectativas e 74% acreditam que não estão obtendo vantagens competitivas com o alcance das metas de redução de custos a que se propuseram. Nas ocasiões em que o Seis Sigma não atende às organizações no que elas esperam, o que ocorre, geralmente, é que a qualificação dos profissionais envolvidos (Black Belts, Green Belts, etc) é muito alta e inviabiliza a implantação das ferramentas no que diz respeito ao seu custo-benefício, fazendo com que a viabilidade do sistema seja vista apenas para empresas de grande porte, com alta capacidade de investimento. Os maiores exemplos de sucesso na implantação do Seis Sigma são de empresas consideradas gigantes, como Motorola e General Electric, o que acaba corroborando este pensamento. Os gestores muitas vezes preparam batalhões de especialistas em Seis Sigma nas suas empresas mas não sabem como utilizar este conhecimento acumulado na resolução dos problemas encontrados, ou mesmo como delegar as 29 atividades, fazendo com que profissionais altamente preparados tecnicamente tomem conta de problemas sistêmicos e críticos da mesma forma que cuidam de problemas menores e corriqueiros, resultando tanto em um caso como em outro em soluções pouco eficazes e eficientes. Para Lynch, Bertolino e Cloutier (2003, p.37), um projeto Seis Sigma bem estruturado passa por Masters Black Belts experientes e bem orientados, para a partir daí “equilibrar as metas fundamentais” do projeto, seguindo como “ligação” entre os muitas vezes ideologicamente conflitantes Black Belts e Champions. Além disso, as empresas por vezes não tomam medidas de avaliação suficientes de modo a perceber quais são as soluções e melhorias que causariam um maior impacto, afetando a capacidade de reduzir custos ou alavancar as receitas. Para Aguiar (2006), “as metas a serem alcançadas pela empresa devem ser definidas para atender às suas necessidades e, entre elas, se inclui, como uma das principais, o atendimento às necessidades dos clientes.” (AGUIAR, 2006, p.90). Slater (2001), afirma que na visão de Welch: “(...) obtêm-se esses resultados mediante a redução de desperdícios e ineficiências e por meio de produtos e processos internos que ofereçam aos clientes o que eles querem e quando querem, no prazo prometido.” (SLATER, 2001, p.87). Tendo como garantia a idéia disseminada de Aguiar (2006) e Slater (2001) de que os resultados do Seis Sigma estão relacionados diretamente à questão de foco no cliente, a metodologia pode ser uma grande aliada para solucionar problemas relacionados à produção, identificando, através de seus métodos estatísticos, os gargalos existentes, mas não se torna tão eficiente no que diz respeito à detecção de causa-raiz dos problemas e identificação das maiores oportunidades para aumento de receita ou diminuição de gastos, o que requer outros tipos de análises. Além disso, revisar os processos da empresa com uso da metodologia Seis Sigma pode ser trabalhoso e caro, o que a torna inviável em muitas ocasiões. Ainda, numa visão voltada para resultados rápidos e com o menor custo, abordando as soluções mais simples, nem sempre o Seis Sigma é o método mais indicado para as empresas que buscam a aplicação de uma ferramenta da 30 qualidade em seus processos, até porque, como afirma a publicação “Falando de Qualidade” de junho de 2004, é necessário para o bom funcionamento do método que “muitas coisas estejam quantificadas, mesmo sendo intangíveis” o que torna as coisas às vezes mais complicadas. É claro que, um prévio diagnóstico da situação da empresa, dos pontos que ela quer alcançar, do nível de qualidade a ser obtido e, principalmente, dos recursos financeiros, de infra-estrutura e humanos dos quais a organização dispõe para a aplicação das ferramentas, auxilia na escolha do método mais adequado para implantação, ponderado com os resultados esperados na aplicação da metodologia escolhida. Para Carvalho e Rotondaro (2005) esse conhecimento prévio sobre o que é considerado crítico para a qualidade da empresa é essencial para que depois possa-se desenvolver os projetos Seis Sigma que garantam que os processos tenham variabilidade mínima para que seja possível alcançar os resultados da qualidade desejados. A falta desta identificação por parte da empresa pode gerar “problemas genéricos sem acompanhamento das soluções e sem diretrizes sobre resoluções” (AGUIAR, 2006, p.91) causando um desperdício de recursos, o que é corroborado por Carvalho e Rotondaro (2005), que afirmam que o processo de seleção [de projetos] deve assegurar a alocação ideal dos recursos em projetos prioritários, alinhados à estratégia da empresa, com impacto não só na eficiência, mas sobretudo na eficácia da empresa, garantindo-lhe a obtenção de vantagem competitiva (CARVALHO e ROTONDARO, 2005, p. 79). Por vezes, o sistema Seis Sigma é compreendido de forma incorreta pelas empresas, que buscam em sua implantação um ganho tanto em qualidade (redução do nível de defeitos), como em produtividade. Uma melhora em produtividade pode ser associada ao Seis Sigma, se for considerada a redução de peças defeituosas e a conseqüente diminuição do retrabalho, porém estes ganhos estão muito mais relacionados à implantação das ferramentas do Lean Manufacturing ou Sistema Toyota de Produção. Mas se aplicado de forma correta, com a definição exata dos pontos a serem abordados e com o direcionamento de recursos e pessoal realizados de forma satisfatória, o Seis Sigma pode ser um grande aliado na gestão da empresa, como 31 afirma Welch (2005, p.76) quando diz que “Nada se compara à eficácia do Seis Sigma na hora de melhorar a eficiência operacional da empresa, aumentando a produtividade e reduzindo custos.”, ou ainda quando afirma que “no todo, o Seis Sigma consiste em mudar a cultura fundamental da empresa e a maneira como desenvolvemos pessoas – sobretudo as de “alto potencial”. 5.4 Sistema Toyota de Produção Shigeo Shingo (1996) diz que o Sistema Toyota de Produção vem demonstrando através do tempo, se constituir em uma potente estratégia, e o define como descrito a seguir: Seu objetivo central consiste em capacitar as organizações para responder com rapidez às constantes flutuações da demanda do mercado através do alcance efetivo das principais dimensões da competitividade: flexibilidade, custo, qualidade, atendimento e inovação. Dessa forma, o STP deve ser observado como um benchmarking fundamental no campo da Engenharia de Produção (SHINGO, 2006, p.43) Ele diz também, que indústrias brasileiras têm experimentado ferramentas e funções do STP, tais como o Kanban e o Just-In-Time (JIT). Mas devido à complexidade destas ferramentas e a falta de conhecimento sobre elas, fica claro que não conseguem usufruir de todos os benefícios que elas trariam, se houvesse um treinamento, ou um maior conhecimento sobre elas. Um bom conhecimento do passado é importante para compreender o presente e principalmente para projetar o futuro. Com base neste raciocínio, julga-se oportuno apresentar alguns temas, considerados antigos, mas que, na atualidade vivem no seio das organizações e, mais ainda, sem os quais se tornaria difícil compreender tais organizações. (COLENGHI, 1997, p.10) Já para Cristina Werkema (2006) o Lean Manufacturing pode ser definido como: O Lean Manufacturing é uma iniciativa que busca eliminar desperdícios, isto é, excluir o que não valor para o cliente e imprimir 32 velocidade à empresa. Como o Lean pode ser aplicado em todo tipo de trabalho, uma denominação mais apropriada é Lean Operations ou Lean Enterprise. (WERKEMA, 2006, p.38) O Lean Manufacturing é originado do Sistema Toyota de Produção. Este nome se dá pelos princípios do STP. Werkema (DATA) cita que o STP é um sistema que apresenta uma forma de produzir cada vez mais com cada vez menos, e depois deste conceito deu-se o nome de produção enxuta, ou em inglês, Lean Manufacturing. 5.4.1 Foco no desperdício O Sistema Toyota de produção reduz tanto as perdas que comenta-se que ele pode extrair água torcendo uma toalha seca. Para Shigeo Shingo (1996, p.38), o sistema de produção da Toyota se define em: “80% eliminação das perdas, 15% um sistema de produção e 5% Kanban”. Ele reforça essa idéia, pois muitas pessoas confundem o Kanban com o Sistema Toyota de Produção. Essa dúvida foi gerada quando da criação do termo “regras de Kanban”, já que na época de criação, ele se referia tanto para os princípios da produção, quanto ao Kanban. Mais adiante será demonstrado como o uso da ferramenta Kanban se aplica dentro do STP. As perdas podem ser classificadas como: espera, acumulação de peças semiprocessadas, recarregamentos, passagem de material de mão em mão, ou seja, qualquer atividade que não agrega valor, que não contribui para o término do produto que está sendo elaborado. Já as atividades que agregam valor ao produto, são classificadas como atividades de processamento, transformadoras de matériaprima. São as atividades pelas quais o cliente pagará, que ele consegue perceber no produto. 33 Werkema (2006) coloca também um ponto muito importante do Lean, que é a redução dos sete tipos de desperdícios, identificados pelo executivo Taiichi Ono, da Toyota, que são: • Defeitos (nos produtos); • Excesso de produção (mercadorias desnecessárias); • Estoques (mercadorias à espera de processamento ou consumo); • Processamento (desnecessário); • Movimento (movimento desnecessário de pessoas); • Transporte (movimento desnecessário de mercadorias) e • Espera (dos funcionários pelo equipamento de processamento para finalizar o trabalho ou por uma atividade anterior). Desperdício é tudo aquilo que vai de encontro aos anseios dos clientes e na contramão dos caminhos da qualidade; que não é necessário para o desenvolvimento de um processo, aumentando, consequentemente, o custo do produto final. (COLENGHI, 1997, p.24) A partir do foco na eliminação dos desperdícios, a empresa pode passar a usufruir dos benefícios do STP, e observar seus pontos fortes, que são, conforme apontados por Werkema (2006): 1. Tendência para a ação imediata no caso da solução de problemas de escopo restrito e de baixa complexidade, por meio dos eventos Kaizen; 2. Utilização de técnicas simples para análise de dados durante os eventos Kaizen; 3. Busca da redução do lead time e do trabalho em processo; 4. Ênfase na maximização da velocidade dos processos; 34 5. Seleção de projetos estratégicos identificados pelo mapeamento do fluxo de valor e também de projetos de interesse exclusivo para alguma área da empresa. 5.4.2 Just-In-Time Quando falamos de Sistema Toyota de Produção, deve ser importante associar este conceito, como visto anteriormente à redução de desperdício, eliminação de estoque, e redução dos custos. Uma ferramenta que auxilia em tornar estes pensamentos em realidade é o Just-In-Time. De acordo com Gaither e Frazier (1999), o foco do Just-In-Time é de manter somente os estoques necessários, mas o JIT vai além disso. Por se tratar de uma ferramenta completa, além da redução de estoques, ela auxilia na obtenção de uma qualidade tão alta, que o nível de defeitos quase chega a zero. Um outro ponto que ele alcança, é a redução dos lead times. Reduzindo os tempos de preparação, tamanho de fila e o tamanho do lote, consequentemente interferimos no lead time. Com isso, é possível revisar as operações realizadas pela empresa. O melhor de tudo, é que todas estas funções do JIT, podem ser colocada em uso a um custo mínimo. Já para Correa, Gianese e Caon (2001), o foco e a filosofia do Just-In-Time estão baseados em: • Produção sem estoques; • Eliminação de desperdícios; • Manufatura de fluxo continuo; • Esforço continuo na resolução de problemas. Eles citam também alguns pré requisitos para a manufatura JIT: 35 • Estabilizar programas de produção. • Manter o foco na produção de um certo produto, fábricas mais focada. • Manter uma certa qualidade nas capacidades de produção de centros de trabalho de manufatura. • Buscar sempre uma qualidade maior dos produtos. • Focar no operacional. Disponibilizar treinamentos dos trabalhadores, para que eles tenham varias habilidades e sejam competentes em outras tarefas. • Certificar-se que estão cuidando bem dos equipamentos, realizando manutenção preventiva, diminuindo a quebra dos mesmos. • Evitar a interrupção nos fluxos de matérias. Pode-se atingir este item, por meio de um estreitamento nas relações fornecedores, objetivando uma relação de longo prazo. O Sistema JIT tem dois objetivos fundamentas, que para Correa Gianese e Caon (2001, p.362), são: “a qualidade e a flexibilidade”. Para se atingir estes dois objetivos, deve-se agir de maneira integrada, pois sem eles, a implementação do sistema fica em risco. Quando o sistema é implementado de forma correta, visando estes dois objetivos, outras áreas são atingidas. A eficiência é melhorada, e a velocidade e a confiabilidade do processo são aumentadas. Como foi citado anteriormente, o JIT interfere na redução dos estoques, que por conseqüência, camuflam os problemas do processo produtivo. Durante todos estes anos, os estoques são utilizados para, no caso de um eventual problema produtivo, continuar atendendo a demanda do mercado. Correa, Gianesi e Caon (2001, p.362), descrevem três problemas que levam a manter os estoques. 1. “Problemas de qualidade”: quando acontece alguma alteração da qualidade em um determinado lote de produção, podemos utilizar os produtos 36 produzidos antes deste lote, que possuíam um nível desejado de qualidade, e com isso, pode-se continuar a demanda do mercado, e investigar o que causou a perda de qualidade deste último lote. 2. “Problemas de quebra de máquina”: As empresas costumam fazer uma manutenção preventiva de seus equipamentos, mas mesmo assim, as maquinas estão sujeitas a quebra. Para que os estágios posteriores a esta etapa não parem, podemos utilizar o que temos nos estoques, e realizar a manutenção para colocar a maquina de volta ao processo. 3. “Problemas de reparação de máquina”: este nível se dá para as máquinas que desempenham mais de uma função, que influenciam em mais de um componente ou item, sendo necessário preparar a máquina a cada mudança de componente a ser processado. Com isso, um custo é gerado, pois a maquina fica um tempo inoperante, e o processo é paralisado, além da mãode-obra utilizada na preparação da máquina, e possíveis perdas de materiais. Com isso, o lote produzido deverá ser bem maior, para que estes custos sejam divididos no maior numero de peças possíveis, reduzindo assim, o custo por unidade produzida. “Os estoques tem atualmente uma imagem de menino bom e menino mau. Há muitas razões pelas quais gostamos de ter estoques, mas também há razões pelas quais a manutenção de estoques é considerada imprudente.” (GAITHER e FRAZIER, 1999, p.269). Além de todos os benefícios citados anteriormente, o JIT permite também, adequar a produção de acordo com a demanda, produzindo lotes grandes quando a demanda esta em alta, ou alternar para produção de um lote menor, quando a demanda esta em baixa. E tudo isso sem perder o nível de qualidade, e a confiabilidade dos equipamentos. Essa sazonalidade do mercado, onde uma hora temos o mercado aquecido, e outra hora uma baixa, é um problema que sempre existiu e acompanham os 37 administradores ate os dias de hoje, fazendo com que nunca saibam ao certo a quantidade certa a ser produzida. Se a produção for em excesso, custos desnecessários são gerados, pois deverão ser estocados. Se a produção for menor do que a demanda, clientes deixarão de ser atendidos, e além dos custos destas não vendas, a imagem da empresa ficará comprometida, e os clientes ficarão insatisfeitos. Para Martins e Laugeni (2006), o objetivo básico da administração das operações é conseguir atingir o ponto de equilíbrio, onde a produção acompanha a demanda. De acordo com Gaither e Fraizer (1999), podemos dizer que o que causa o sucesso ou fracasso da aplicação do conceito JIT é o pessoal da empresa. Por se tratar de uma ferramenta de solução forçada de problemas, precisa-se ter uma equipe de trabalho dedicada, comprometida e que trabalhe em grupo para solucionar os problemas em conjunto. 5.4.3 Ferramentas do STP Um tema que é muito bem pontuado, é que as empresas implementam algumas ferramentas do Lean e acham que já vão obter todas as vantagens de se ter esse sistema. Mas este é um pensamento equivocado. Werkema (2006) diz que a adoção do Lean Manufacturing representa um processo de mudança de cultura da organização, e este é um ponto muito difícil de ser mudado. Para se mudar a cultura da empresa, devemos mudar o jeito de trabalhar das pessoas envolvidas no processo. E quando estamos lidando com pessoas, a situação fica mais delicada, pois podemos criar empecilhos no método de trabalho, fazendo com que o rendimento do colaborador caia. O esforço para criar e consolidar um efetivo envolvimento das pessoas no esforço de desenvolvimento e operação das 38 organizações sempre existiu e sempre existirá. De fato, sempre se considerou que o ser humano é um componente fundamental nas organizações. O ser humano é o único recurso capaz de transformar as organizações. (CARVALHO et al., DATA, p.183) O Lean Manufacturing precisa ser implementado com cuidado, para poder atender às expectativas da empresa. Para que isso dê certo, existem algumas ferramentas que auxiliam no processo de organização dos processos, para que o Lean funcione corretamente. São algumas delas: • Mapeamento do fluxo de valor; • Métricas lean; • Kaizen; • Kanban; • Padronização; • 5S; • Redução de Setup; 5.4.4 Mapeamento do Fluxo de Valor O mapeamento do fluxo de valor utiliza símbolos gráficos para apresentar visualmente o movimento das informações, os materiais em si e as ações dos fluxos da empresa. Tem-se como fluxo de valor, todas as atividades da empresa, que agregam ou não agregam valor, para produzir e entregar o produto final ao seu destino, o cliente. Para Cristina Werkema (2006), o mapeamento do fluxo de valor, deve ser utilizado para ajudar nas seguintes atividades: • Dar uma visão geral, do fluxo de valor, da empresa como um todo, e não somente os processos individualmente, de cada departamento. 39 • Identificação das tarefas que agregam valor, e pontos onde ocorrem desperdícios e perdas para a empresa. • Demonstrar quais são as atividades que impactam diretamente no lead time, atividades que se relacionam entre si. • Poder identificar e separar as atividades que agregam valor ao cliente, das que não agregam valor. • Identificar os pontos de melhoria, e elaborar um plano para definir as melhores ferramentas Lean a serem utilizadas. 5.4.5 Métricas Lean As métricas Lean, são medidas que servem para quantificar como os resultados da empresa podem ser classificados. Essas medidas podem ajudar a identificar metas que a empresa deve atingir, e assim, poder entregar um projeto ao seu cliente com mais rapidez e um nível de eficiência elevado. Podem ser chamado de KPI ( Key Performance Indicator). Devemos fazer estas medições para termos a certeza o lean esta atingindo os seus objetivos. Com estas medidas podemos focar em certos problemas, e garantir a qualidade nos processos.O resultado destas medidas nos garante: • A percepção da qualidade nos produtos pelos clientes • Maior aceitação a mudança e conquistar a melhoria. Garante que todos os colaboradores da empresa, em todos os níveis hierárquicos, visem os objetivos e estratégias. • Mostrar como o fluxo de valor está atingindo sua metas de desempenho. • Corrigir problemas no processo. • Ajuda a organização manter o foco e cumprir seus objetivos e estratégias. • Podemos classificar o grau de importância da atividade, pelo nível de dificuldade de medição. Somente o que é medido pode ser gerenciado. 40 5.4.6 Kaizen Kaizen quer dizer melhoria contínua. Esta ferramenta ajuda a empresa a garantir melhorias rápidas, de uma forma organizada e garantindo o envolvimento da organização toda. Geralmente o grupo de pessoas responsáveis pelo Kaizen, é formado por colaboradores com funções diferentes dentro da empresa. Esta equipe deve trabalhar com total dedicação durante os eventos Kaizen. Estes são reuniões periódicas para definição, geralmente em forma de brainstorming, de novas idéias para melhoria de processos, produtos ou equipamentos. Estas reuniões geram projetos , que para que sejam bem-sucedidos é necessário que o escopo do projeto deve ter sido totalmente definido antes de seu inicio, pois a equipe não dispõe de tempo para um possível retrabalho. O Sistema Kaizen deve ser implementado logo após as diretrizes serem traçadas, para que se consiga atingir um nível de confiança de 70% de tomada de decisões. O esforço por uma melhoria contínua e abrangente, em um nível de qualidade, de produtividade e de eliminação de desperdícios, é uma obrigação de todos. Por uma questão de sobrevivência da empresa, que hoje (mais do que nunca) se encontra inserida em um mercado altamente competitivo, é preciso lutar, continuamente, usando o armamento adequado (conscientização, envolvimento e participação dos talentos em trabalho de simplificação e racionalização dos processos) para continuar existindo. (COLENGHI, 1999, p.27) De acordo com Martins e Laugeni (2006, p.465), “(...) o Kaizen foi introduzido na administração a partir de 1896 por Masaaki Imai e tem sido associado à idéia de melhoria contínua, não só no trabalho como também no lar e na vida social.”. Devemos ressaltar que o Kaizen deve ser usado quando causas óbvias de desperdício estão ocorrendo, quando o problema é identificado claramente e nos atentar quanto aos riscos de implementação. Cristina Werkema (2006) destaca também os pontos fortes do Kaizen: • Elevado interesse e apoio dos gestores. 41 • Disponibilidade de recursos. • Tendência para a ação imediata. • Possibilidade de alcance rápido de mudanças radicais. • Suporte ao Mapeamento do Fluxo de Valor. A autora aponta também os riscos associados à aplicação da cultura de Kaizen nas empresas: • Realização pontual sem visão estratégica e global da empresa. • Falta de um sistema para garantir a perpetuação das mudanças e melhorias. • Chance de retorno ao estado inicial. • Falta de liderança quando patrocinado por membros do staff. • Chance de se transformar no “Programa Lean” da empresa. 5.4.7 Kanban O Kanban é uma outra ferramenta do STP. Esta ferramenta é usada para sinalizar, no sistema de produção, itens a serem retirados, ou dá instruções para a produção. O mais comum e mais conhecido são os cartões Kanban. Geralmente são simples cartões de papelão, no máximo dentro de envelopes plásticos para protegêlos, contendo informações como nome de fornecedor, descrição da peça, local de armazenamento. No caso de automatização do sistema, pode-se colocar um código de barras no cartão, para ajudar a rastrear uma certa peça, ou para informações automáticas, por meio de um leitor de código de barras, que enviará os dados a um receptor, computador, que armazena o dado lido. Werkema (2006) aponta que existem outros meios de se usar o kanban, além do método dos cartões. Pode ser por meio de uma placa triangular de metal, bolas coloridas, sinais eletrônicos ou qualquer outro dispositivo que forneça as informações necessárias, evitando a entrada de instruções erradas. 42 É o Kanban que irá determinar quando um produto será fabricado ou quando ele será retirado. Para que um cartão Kanban funcione corretamente, ou seja, que a pessoa que pegá-lo possa entender o motivo dele estar lá, ele deve conter certas informações, tais como: • O que, quanto, quando e como produzir; • Como transportar o que foi produzido; • Onde armazenar o que foi transportado. Werkema (2006) salienta também, alguns benefícios que o Kanban traz para a empresa: • Auxilia na redução do excesso de produção, reduzindo o estoque, logo, reduzindo o desperdício. • Faz com que os empregados visualizem as prioridades de produção. • Baseado na condição atual de operação, pode-se traçar diretrizes de trabalho. • Os empregados não precisam mais ficar esperando novas ordens de trabalho, basta olhar no cartão Kanban. 5.4.8 Padronização A padronização para o método Lean/STP é um fator muito importante. Ela define os procedimentos para a execução das tarefas, de modo que diminua o tempo de trabalho dos operários, pois eles já têm um roteiro do que devem fazer. Com isso, há um redução nos custos, e uma melhora na qualidade e no cumprimento de prazos. “A padronização foi um veiculo chave para consolidação do 43 movimento japonês da qualidade. Ela propiciou uniformidade e orientação, centrada num pool de conhecimento comum.” (GARVIN, 2002, p.213). A seguir, o que seriam os principais passos para um processo de padronização em uma empresa: 1. Identificar os procedimento básicos e as atividade que se repetem no processo de produção. 2. Fazer uma reunião com os envolvidos do processo, para discutir o procedimento operacional e os métodos utilizados, e encontrar o melhor e o mais o simples. 3. Elaborar um documento, chamado de Procedimento Operacional Padrão, e testar o método definido no item anterior. O documento deve ser escrito em uma linguagem simples para garantir o entendimento de todos os envolvidos. 4. Comunicar o novo método adotado a todos os envolvidos ou afetados por ele. 5. Depois que o método for decidido é necessário dar um treinamento para todos os envolvidos para que se garanta que o que foi padronizado seja executado de forma correta. 6. Periodicamente é necessário fazer uma vistoria dos processos, e verificar a utilização dos Procedimentos Operacionais Padrão, e aperfeiçoá-los sempre que possível. 5.4.9 5S O 5S pode ser considerado o pilar do Sistema Toyota de Produção. Seu objetivo é manter o local de trabalho limpo e organizado. Para que ele possa fuincionar, é necessário que haja um envolvimento de todos os funcionários da 44 empresa, que cada um contribua com a sua parte, mantendo seu local de trabalho limpo e organizado. Werkema (2006) explica que o significado da sigla 5S vem de cinco palavras em japonês que começam com a letra S. São elas: 1. Seiri (senso de utilização): não acumular materiais desnecessários em seu local de trabalho. Separar o inútil do útil, e manter somente o último. Como exemplo de Seiri, Martins e Laugeni (2006, p.461) apontam que seria algo relacionado à “liberação de áreas”, como pegar todos os itens que estão em sua mesa, por exemplo, e separá-los em necessários e desnecessários e descartar os que não são necessários 2. Seiton (senso de organização): Organizar o material necessário, e armazenar cada em seu devido lugar. Para Martins e Laugeni (2006) Seiton seria um complemento do item anterior, contemplando as situações onde deve-se separar e guardar cada item no local certo, deixando à mão os itens de uso mais freqüente 3. Seiso (senso de limpeza): manter seu local de trabalho limpo, e identificar cada item. seria manter o local de trabalho limpo e organizado. Para Martins e Laugeni (2006) isso implica que cada posto de trabalho seja checado e avaliado várias vezes, diminuído o risco de falhas por itens obsoletos. 4. Seiketsu (senso de padronização): de acordo com o desempenho conquistado com os três itens anteriores, devemos criar um plano para mantê-lo sempre funcionando. Martins e Laugeni (2006) afirmam que este preceito visa garantir uma segurança no local de trabalho, eliminando itens supérfluos, quebrados, usados ou desnecessários. Tirando tudo do caminho, garante uma organização, e evitando condições inseguras de trabalho 5. Shitsuke (senso de autodisciplina): Estabelecer uma conduta, para poder seguir e atender aos quatro itens anteriores. Martins e Laugeni (2006) afirmam que este é o preceito que impacta diretamente o colaborador, fazendo com que 45 cada funcionário da empresa saiba da importância dos equipamentos de segurança, ou que cada um utilize seu crachá de identificação, por exemplo. Em geral, este é uma doutrina que coroa os quatro preceitos anteriores e pode ser alcançado via treinamentos e atribuição de responsabilidades a supervisores e gerentes, que devem cobrar a disciplina dos seus subordinados. Para Werkema (2006), quando adotamos o sistema 5S, conseguimos uma série de benefícios para a empresa. Como tudo estará organizado, conseguimos um aumento de produtividade; com a redução do tempo dos processos, podemos focar no atendimento aos prazos; devido à metodologia desenvolvida para seguir o 5S, reduzimos os riscos de defeitos; como todos os materiais estarão guardados em seus devidos lugares, teremos um aumento da segurança no trabalho e uma redução de material perdido; e por fim, temos uma visão ampla de todo processo, podendo identificar mais facilmente, condições normais e anormais de trabalho. 5.4.10 Redução de Setup Werkema (2006) comenta que este método foi desenvolvido por Shigeo Shingo nas décadas de 1950 e 1960, e ele separou os procedimentos de setup em duas categorias: • Procedimentos internos: só pode ser realizada quando o equipamento esta paralizado. Como por exemplo: fixação e remoção de matrizes. • Procedimentos externos: pode ser realizado com o equipamento em atividade. Como por exemplo: transporte de matrizes da estocagem à montagem. Shingo (1996) afirma que a maneira mais eficaz de melhorar o setup, é adotar a troca rápida de ferramenta (TRF) ou a troca de ferramentas em um único toque (OTED) Ele descreve também, um passo-a-passo, que ele chama de técnica, para se obter essa melhoria de set up. 46 • Técnica 1: Separação das operações de Setup Internas e Externas. • Técnica 2: Converter Setup interno em externo. • Técnica 3: Padronizar a função, não a forma. • Técnica 4: Utilizar grampos funcionais ou eliminar grampos. • Técnica 5: Usar dispositivos intermediários. • Técnica 6: Adotar operações paralelas. • Técnica 7: Eliminar Ajustes. • Técnica 8: Mecanização. (SHINGO, 1996, p.65) 47 6 ESTUDO DE CASO Neste trabalho será tomado como exemplo de implementação das metodologias do Seis Sigma e do Sistema Toyota de Produção o caso da Goodyear do Brasil, que viu a necessidade de implantar um sistema que alavancasse a qualidade de seus processos e produtos. A empresa fez a implantação dos dois sistemas em sua unidade fabril de São Paulo, e as experiências obtidas por ela serão descritas durante o estudo de caso a seguir. 6.1 Criação do método de trabalho com borracha e o nascimento da empresa Criada no ano de 1898, na cidade de Akron, em Ohio, no Meio-Oeste americano, pelo fundador Frank Seiberling, a Goodyear se tornou uma gigante multinacional no setor de pneus em geral. A empresa possui este nome, pois Frank resolveu homenagear uma pessoa que descobriu e registrou em 1841 o processo de vulcanização da borracha, Charles Goodyear. Nascido no ano de 1800, em New Haven, EUA, Charles Goodyear começou a se interessar por indústria e pela química, por causa de seu pai, de quem era sócio. A empresa que Charles era sócio, faliu em 1830. Mas ele não se abalou, muito pelo contrário, isso fez com que sua vontade de aprender sobre o método de tratar a borracha só aumentasse. Ele começou seus estudos com a borracha da índia, e estudou toda sua “anatomia”, e descobriu como ela perde sua adesividade e suscetibilidade. Com isso, tentou aumentar o campo de aplicação da borracha, combinando-a com outros materiais. Depois que retornou da Índia, acabou preso por não pagar suas contas, mas ele não se deixou abater. Continuou seus estudos na cadeia, amassando e 48 trabalhando a mesma borracha durante horas. Em seu estudo, ele decidiu diminuir a viscosidade da borracha adicionando um pó seco para ver o que aconteceria. Quando foi solto, mudou-se para Nova Iorque, onde se instalou em um laboratório cedido por um amigo, que acabou virando sua moradia. Charles continuou sua pesquisa alterando a viscosidade da borracha adicionando duas substancias na borracha: talco e quicklime (óxido de cálcio). Fervendo essa mistura ele obteve uma borracha mais estável. Foi ai que ele adicionou ácido nítrico a essa mistura, no que resultou na melhor borracha que ele já havia feito. O ano de 1837 foi muito difícil para ele, pois aconteceu um fato inesperado, a crise financeira abalou a prosperidade do negocio. Mas ele persistiu em seu sonho e acreditou em seu trabalho, onde conseguiu um apoio em Boston, um contrato com o governo, onde ele teria que fabricar 150 malas postais, com a ultima borracha que ele criou, a que continha acido nítrico em sua composição. Mas durante o armazenamento das malas postais, alguns problemas foram encontrados, e o negocio acabou não dando certo, e ele teve que voltar a estaca zero. Mas Charles não se deixou abalar, e tentou adicionar mais um composto na mistura, o enxofre. Depois de todos estes acontecimentos ruins, muitos teriam desistido de tentar inventar algo revolucionário, ou se sentiriam azarados. Mas por um capricho do destino, ele deixou cair um pedaço deste material com essa mistura nova com enxofre, sobre uma chapa quente, e o material queimou e derreteu. No material, ficou uma borda queimada, com uma cor marrom, e com uma consistência bem elástica, tendo a certeza que se tratava de uma substancia nova. A partir deste acontecimento, Charles Goodyear, descobriu o processo de vulcanização, pegando uma borracha e combinando enxofre e calor. Com este processo, foi desenvolvida a borracha impermeável. Charles se aliou ao seu cunhado, que era dono de uma fábrica têxtil, para tentar utilizar esse produto inventado. O cunhado gostou da idéia e montou duas fabricas de produtos têxteis a base de borracha, que virou um sucesso. Charles não conseguiu a patente da borracha vulcanizada, pois Thomas Hancock, pegou uma amostra de alguns produtos de Charles, e patenteou o produto. 49 Embora não tenha conseguido fazer uma grande fortuna, teve um final de vida confortável com sua esposa e filho. Faleceu no ano de 1863. A companhia Goodyear Pneus & Borrachas, possui este nome só para prestar uma homenagem ao homem que inventou a borracha vulcanizada, a empresa nunca pertenceu a Charles e a nenhum membro de sua família. 6.2 Histórico O Histórico da marca Goodyear se mistura com o desenvolvimento dos locais onde se instalou e com o desnvolvimento da sociedade de uma forma geral. 6.2.1 Goodyear Global A Goodyear Tire & Rubber Company, se consolidou muito rápido no mercado, e conquistou a liderança nas vendas do mercado americano. Isso se deu, devido a pareceria do fundador Frank Seiberling, e o projetista de pneus Paul Litchfield. No ano de 1917 a Goodyear passou a ser reconhecida como o maior fabricante de pneus do mundo. Com o crescimento da economia americana, a primeira década do século XX foi muito marcante para a Goodyear, pois esta ali a chance de crescer ainda mais, e aproveitar o boom do mercado automobilístico. Podemos ver o que o setor automobilistico estava aquecido pelos índices de automóveis que circulavam naquela época, eram 78 mil carros no ano de 1905, e em 1908 esse numero já estava em 198 mil. Não é por um acaso que o slogan da companhia naquela época era: “Mais gente roda com pneus Goodyear”. A companhia viu na Primeira Guerra Mundial, uma oportunidade de crescer ainda mais, fabricando outros tipos de produtos, expandindo seus horizontes, não 50 ficando estagnada no ramo dos carros. Começaram a produzir pneus de avião, que eram usados nos aviões de guerra, máscaras contra gases, e balões e dirigíveis, usados para espionar terrenos inimigos. Com o término da guerra, a Goodyear via-se como uma empresa muito bem estruturada, com um know-how elevado e diversificado. Com isso, para se tornarem ainda maiores, viram a oportunidade romper as barreiras territoriais, e tentar novos negócios em outros países, e um deles era o Brasil. 6.2.2 Goodyear do Brasil Iniciando suas atividades em 1929, a Goodyear começou com um escritório e um armazém no Rio de Janeiro, onde eram tratados assuntos comerciais, vendas. A sua unidade fabril, veio no ano de 1939, 20 anos depois de quando abriram o escritório e o armazém. A fabrica foi instalada no bairro do Belenzinho, em São Paulo, Zona Leste da cidade. No começo de sua operação, era fabricado pneus e salto de sapato. Como a população cresceu muito, e marca Goodyear era muito apreciada pelos usuários, a companhia viu-se na necessidade de ampliar seus negócios, e foi ai que deram mais um grande passo, quando decidiram abrir uma nova fabrica. Esta nova unidade foi construída em Americana, também na cidade de São Paulo, no ano de 1973. A obra foi tão grandiosa, que foi considerada a maior fabrica de pneus da America Latina e uma das mais modernas do mundo. Hoje, o core business da Goodyear do Brasil é a fabricação de pneu, de diversos modelos, e garantindo a excelência de seus produtos, mantendo a qualidade por meio das mais avançadas tecnologias. Os tipos de pneus produzidos são os radiais e convencionais para automóveis, camionetas, ônibus, aeronaves, equipamentos para construção pesada, terraplenagem e mineração. A Goodyear do Brasil destina seus produtos para três mercados: Montadora de veículos (como equipamento original), reposição e exportação. Para que seus 51 produtos sejam vendidos, a empresa conta com 150 revendedores oficiais, mais de 900 pontos de vendas. Os produtos exportados fabricados pela Goodyear do Brasil, chegam em 90 países em todos os continentes. 6.3 A Fábrica São Paulo Fundada em 1939, a Fábrica São Paulo da Goodyear foi um dos primeiros complexos industriais de São Paulo e do país, tornando-se muito importante no processo de industrialização pelo qual o país passaria, principalmente após a década de 1950. Utilizando-se de uma área que pertencera a uma antiga fábrica têxtil, a Goodyear se instalou numa área então periférica da cidade de São Paulo, no bairro do Belenzinho, hoje coração da Zona Leste da capital, rodeada de áreas residenciais, uma estação do metrô (Belém, linha 3 – vermelha) e sendo vizinha de um vilarejo de casas para os funcionários da indústria de tecidos e que serviu de moradia para os então funcionários da gigante americana, a Vila Maria Zélia, que hoje é patrimônio do Estado de São Paulo, tendo seus prédios tombados pelo Condephaat. O início das atividades da Goodyear na cidade de São Paulo foi voltado à fabricação de pneus de carros de passeio para exportação, já que não havia muito mercado para os pneus fabricados no país. A fábrica da Goodyear, inclusive, se instalou no Brasil antes mesmo da primeira montadora de automóveis iniciar a produção nacional voltada ao mercado interno, fato apenas ocorrido em 1957 com a instalação da fábrica da General Motors no município de São Caetano do Sul. A Fábrica São Paulo, da Goodyear, fabricava pneus de passeio e pneus para caminhões e ônibus até o ano de 1943, quando iniciou sua produção de pneus de avião e em 1944 passou a produzir o que era chamado de “produtos industriais”,como mangueiras e correias de borracha, aumentando assim o seu leque produtivo. 52 Com o advento da montagem de carros no Brasil a partir da fábrica da General Motors e a instalação, logo depois, da fábrica da Volkswagen e o início da produção de caminhões na recém-inaugurada fábrica da Mercedes-Benz, a Goodyear cria o “Departamento de Equipamento Original” a fim de atender à crescente demanda de pneus para veículos produzidos nas novas linhas de montagem, atingindo, em 1959 a marca de oito milhões de pneus produzidos na fábrica do Belenzinho. A indústria de aviação também começa a demandar novos rumos por parte da empresa, que passa a agregar, também às suas atividades, a função de aeroretread, ou seja, o recapeamento e recauchutagem de pneus de avião, atendendo às companhias aéreas brasileiras e internacionais, alcançando o mercado externo. Com a inauguração da planta de Americana, a Fábrica São Paulo passou a não produzir mais os pneus para carros de passeio, porém recebeu a linha agrícola das fábricas desativadas da Colômbia e Argentina e ainda era responsável por toda a linha de caminhões, ônibus, aviões, mangueiras e correias, além da recauchutagem dos pneus utilizados pelas companhias aéreas, FAB e particulares que enviavam os caros pneus de avião para passarem pelo processo de retread que os deixava com melhor custo-benefício. A partir de 1980, a Goodyear matriz, impulsionada pelas novas técnicas e disseminação da cultura da qualidade que chegava aos Estados Unidos, percebeu a importância de ter foco na qualidade, aplicando as ferramentas que estavam sendo ensinadas por pessoas como Deming, Juran, etc. na América do Norte e que passavam a ser diferenciais para as empresas do ocidente. Esta cultura de qualidade a empresa não traria ao Brasil antes dos anos 2000. À época da implantação das ferramentas da qualidade nas fábricas, a Goodyear Fábrica São Paulo contava com aproximadamente 1000 funcionários que trabalhavam 24 horas por dia, 7 dias por semana, e contava com a produção de linhas de pneus de: caminhões (convencional), camionetas (convencional), pneus para terraplenagem (convencionais e (convencionais radiais), e industriais radiais) equipamentos (convencionais), aviões agrícolas (radiais), 53 recauchutagem de pneus de aviões, além de fornecer compostos de borracha para a fábrica de Americana, para a unidade de recapeamento de pneus de caminhões de Santa Bárbara d’Oeste, e como fornecedor de compostos para a empresa Veyance, que assumiu a fabricação dos EPs, comercializando seus produtos sob a chancela da Goodyear, atendendo ao mercado externo e às áreas de revenda e equipamento original no mercado interno, produzindo uma média de 3000 pneus/dia. Após a liberação de budget por parte da matriz para a implantação de sistemas de qualidade para as plantas brasileiras, a Goodyear criou a seguinte estratégia: a implantação nas duas plantas ao mesmo tempo, para que uma pudesse auxiliar a outra, dividindo conhecimentos e experiências. A empresa, porém, resolveu concentrar seus esforços em qualidade de formas diferentes nas suas duas plantas: apesar do inicio do uso das ferramentas da qualidade ao mesmo tempo nos dois sites, não foi capaz de avaliar as condições em que estes poderiam receber as novidades relacionadas aos sistemas de gestão da qualidade, já que se tratavam de indústrias com diferentes produtos, e níveis de automação e tecnologia distintos, fazendo com que a fábrica de Americana, que por fabricar pneus radiais, coisa que a Fábrica São Paulo fazia apenas em itens esporádicos, tinha uma taxa de automação muito maior do que a encontrada na fábrica da capital. Além disso, por se tratar de uma planta mais nova, possuía equipamentos e infra-estrutura muito mais modernos do que a planta paulistana, que contava á essa época, com os mesmos equipamentos utilizados quando da instalação das linhas produtivas, na década de 1940. A implantação das ferramentas citadas, como o Seis Sigma e o próprio STP foram feitos de forma muito natural na planta de Americana, fato este que não ocorreu na divisão de São Paulo. 6.4 Fluxo produtivo da Fábrica São Paulo O fluxo de produção da Goodyear FSP pode ser esquematizado conforme a figura 6.1 e descrito da seguinte maneira: 54 Figura 6.1 - Esquematização do fluxo produtivo da Fábrica São Paulo Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Após o recebimento da matéria-prima e uma primeira armazenagem em local apropriado, os primeiros elementos para a fabricação dos compostos de borracha que gerarão os pneus são misturados na área de Banbury, formando mantas de borracha que serão as matérias-primas elementares na produção dos pneus. A FSP conta com 6 (seis) máquinas que fazem este tipo de trabalho, produzindo uma capacidade de até 565 toneladas de borracha/dia. Após essa fase de mistura, os compostos de borracha seguem para uma área onde passam por um processo de calandragem para o corte de anti-fricção, envoltório e cobre-talão, itens importantes para o aumento da vida útil e da durabilidade dos pneus. A FSP possui 2 (duas) calandras para esse fim. O envoltório e o cobre-talão seguem para uma área de construção de talões. Os talões são o que definem o aro do pneu e são fios de cobre enrolados formando um aro, cobertos com borracha (o envoltório e o cobre-talão). Para esta atividade há 2 (duas) máquinas isoladoras, que constroem os talões, além de 6 (seis) máquinas para aplicação de envoltórios e mais 4 (quatro) para aplicação de cobre-talão. Paralela à esta atividade há a construção das faixas. As faixas são o corpo do pneu, e tratam-se de camadas de tratamento de borracha unidas. Os tratamentos 55 são recebidos da planta de Americana, e há, no total, 13 (treze) construtoras de faixas, sendo 6 (seis) para caminhão, 4 (quatro) para avião e outras 3 (três) para pneus agrícolas, industriais e OTR. Em outro ponto, as máquinas entubadoras processam parte do material vindo do Banbury, formando as bandas de rodagem e os costados (que dão sustentação à rodagem). Há 2 (duas) dessas máquinas na planta. Todos estes elementos se encontram no que é chamado de construção de pneus. Em um processo onde há muito pouca automação, os operadores juntam todas as partes fabricadas nos outros processos, montando os pneus, um por vez. A construção de pneus pode ser considerada, ao lado do próximo passo, a vulcanização, como um dos processos mais importantes da produção de pneus. A área de construção conta com 9 (nove) máquinas do tipo U2 (para construção de pneus de caminhão), 6 (seis) do tipo PB e 3 do tipo TB (ambas para construção de pneus para camionetas e pneus agrícolas pequenos), 4 (quatro) U2, 1 (uma) do tipo Samson e 1 (uma) Taku (todas para avião) e mais 7 (sete) do tipo ASM, 3 (três) do modelo U3, 2 do tipo D (para agrícolas e OTR grandes), 1 conjunto de máquinas para a construção de pneus agrícolas radiais U3R (estágio 1 de construção) e RRT2 (estágio 2) e um outro semelhante para a construção de OTR radiais (REM 1 e REM 2, primeiro e segundo estágios, respectivamente). A última fase é a vulcanização, onde o pneu é submetido a pressão e temperatura tais que tornam o composto de borracha resistente para seu uso final. 6.5 Implementação e experiências adquiridas de sistemas de gestão da qualidade O desenvolvimento das ferramentas e sua implantação ficou a cargo dos departamentos de Engenharia Industrial (DOI) e de Melhoria Contínua (BPI) da planta, que deveriam iniciar, ainda no ano de 2002 o treinamento de Black Belts e Green Belts no Seis sigma, que iriam aprender, durante o curso, os métodos 56 estatísticos de acompanhamento de processos além de se aperfeiçoarem nas ferramentas de qualidade existentes. No ano de 2002 iniciou-se o treinamento para Black Belts e Green Belts. O treinamento teve duração de três meses. Para a implantação dos primeiros projetos foi formada uma turma de cinco pessoas: um Black Belt e quatro Green Belts, baseado em um treinamento de três meses ministrado por uma empresa terceirizada. O Seis Sigma, na empresa, tinha por objetivo aumentar a produtividade de linhas como a de caminhão e camioneta, e foi com este foco que os primeiros projetos foram desenvolvidos pela equipe treinada. A primeira dificuldade se deu em relação à disseminação do uso das ferramentas estatísticas. A equipe do Seis Sigma era composta de pessoas com conhecimento prévio de ferramentas da qualidade, até pela formação de Engenharia necessária para fazer parte dos departamentos. Além disso, os departamentos de DOI e BPI eram correlatos, e estavam sob a responsabilidade da mesma pessoa: o gerente de IE & CIS. Este fato tornou mais difícil a divulgação para os “donos” das áreas afetadas, que por não estarem 100% envolvidos com a nova movimentação em torno do Seis Sigma, tiveram dificuldades em aceitar e entender os estudos e as posteriores mudanças que seriam necessárias em suas áreas para o sucesso do uso das ferramentas. A estrutura hierárquica da Goodyear à época também foi fator chave para que a disseminação da idéia fosse mais onerosa. A equipe de Seis Sigma não estava de forma nenhuma sob o guarda-chuva da gerência de produção, respondendo para outra pessoa. A gerência de produção não foi envolvida desde o princípio na necessidade do Seis Sigma, ou mesmo quando iniciaram as conversas em torno dessa nova implantação. O sistema foi colocado à força para o pessoal produtivo. Outro ponto a ser analisado é que como os estudos do Seis Sigma buscavam 57 analisar a variabilidade de processos, e o processo de fabricação de pneus passava por várias etapas, conforme foi descrito, praticamente todas as áreas foram afetadas pela intervenção da equipe Seis Sigma. As áreas chamadas “preparatórias” (Banbury, Calandras, Entubadoras e Isoladoras) e de finalização (Vulcanização e Inspeção), cujos processos eram divididos entre todas as linhas de produtos foram as que mais sentiram os impactos do Seis Sigma, ainda que este fosse inicialmente voltado à produção de pneus de caminhões e camionetas. As áreas que estavam por hora fora do escopo do projeto foram afetadas indiretamente já que dependiam intrinsecamente dos processos preparatórios e de finalização. A disseminação e aceitação da nova cultura teve de passar por várias pessoas até ser totalmente aceita na área produtiva, e mais uma vez a estrutura hierárquica foi uma das responsáveis por dificultar este entendimento. A área de produção foi subdividida em seis divisões, cada qual com sua chefia específica: Divisão de Banbury, Divisão de Calandras, Entubadoras & Isoladoras, (ambas atendiam a todas as linhas de produtos), Divisão de BMT, BLT & FF (construção de pneus de caminhão, camioneta e pneus dianteiros de máquinas agrícolas), Divisão de Trator (construção de pneus traseiros de máquinas agrícolas, fora de estrada e radiais), Divisão de Avião (construção) e Divisão de Vulcanização & Inspeção (também comum a todas as linhas de produção). Cada divisão possuía uma chefia compartilhada entre três pessoas, que teriam visões e focos diferentes sobre o processo, ou os três “P”: Pessoas, Processo e Produto. O “P” de pessoa correspondia ao Supervisor, que era responsável pelo pessoal de chão de fábrica, comunicação, servia de ponte entre os operadores e a gerência de produção e respondia por produtividade. O “P” de processo era relacionado ao Especialista, que era responsável por encontrar melhorias no processo, implementar soluções e criar projetos. Já o “P” de produto era relacionado ao cargo de Técnico da Qualidade, que respondia pelas condições de entrada de matéria prima no processo e a saída do produto para o cliente interno. O “P” de produto respondia pela qualidade do produto de seu processo, por atendimento a 58 especificações, por elaboração de testes e por gerir toda a qualidade do produto daquela divisão. Considerando-se que eram pelo menos quatro divisões correlatas à linha de caminhões (Banbury, Calandras, Entubadoras & Isoladoras, BMT, BLT & FF e Vulcanização & Inspeção), eram, pelo menos, doze pessoas que deveriam ser plenamente envolvidas nas mudanças que o Seis Sigma traria, cada uma com um foco diferente. E a partir daí surgiram as primeiras resistências à nova ferramenta. Os supervisores alegavam que seria muito difícil introduzir a equipe operacional mesmo nos conceitos básicos do Seis Sigma, pois assuntos relacionados à estatística e conhecimento de variabilidade de processo não seriam de fácil entendimento de todos, principalmente para aqueles com baixo grau de instrução. O conhecimento adquirido durante a formação dos Black Belts e Green Belts, baseado em estatística e histórico de ferramentas da qualidade deveria ser traduzido para um nível mais operacional para que pudesse ser aplicado com êxito, afinal, a diminuição da variabilidade dos processos dependeria muito da forma com que os operadores executavam o trabalho, ou seja, seria de extrema importância que os conceitos fossem compreendidos pelo setor operacional, em geral com menor escolaridade e sem um conhecimento básico que pudesse de alguma forma facilitar a missão de difundir estes conceitos. Os Especialistas colocavam empecilhos relacionados à baixa automação da fábrica e a idade dos equipamentos, a maioria deles muito antigos e dependentes da ação humana para seu funcionamento. Além disso, em projetos anteriores realizados para atender a diretrizes de qualidade e segurança muitas adaptações e modificações já haviam sido feitas nos equipamentos. O maquinário da fábrica São Paulo, conforme já foi mencionado, é composto de equipamentos muito antigos e em alguns casos, se não fossem as adaptações feitas para modernização das máquinas ou para adequações de segurança, estariam obsoletos. 59 Essa dificuldade levantada pelos especialistas de processo logo nos primeiros projetos de Seis Sigma se mostrou como um dos principais empecilhos para a aplicação das técnicas. Máquinas muito antigas, como as da Goodyear, por mais que fossem adaptadas e modernizadas, ainda dependem muito do operador para seu funcionamento. Os processos produtivos eram muito dependentes da ação humana, o que dificultava as atividades para diminuir a variabilidade nos processos, já que seria necessário para isso diminuir a variabilidade dos operadores, tarefa quase impossível em se tratando de uma fábrica que trabalha vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Indústrias como a GE e a Motorola, pilares do Seis Sigma, ou mesmo outras plantas da própria Goodyear, como a fábrica de Americana, possuíam alto índice de automação, portanto as máquinas dependeriam dos operadores apenas para serem programadas, fazendo o resto do processo todas sozinhas, com baixíssimo índice de variabilidade, e com o máximo de padronização possível, tanto nas características físicas dos produtos quanto no takt time, sendo possível que peças idênticas e com a mesma qualidade técnica fossem produzidas no mesmo intervalo de tempo. Além da influência do operador na fabricação dos produtos, o que afetava a diminuição de variabilidade nos processos, estes também eram responsáveis pelo setup dos equipamentos. O espaço físico da fábrica era muito restrito, por se tratar de uma indústria localizada em área residencial da Zona Leste da capital de São Paulo, sem possibilidade de expansão, e portanto, as máquinas tiveram de ser adaptadas para trabalharem com o maior número de linhas e SKUs possível, obrigando-as a passarem por diversos setups ao longo do dia. Somando-se a idade dos equipamentos, a influência do operador nos setups das máquinas e o número de setups pelos quais deveriam passar, eis aí a fórmula para processos com altíssima variabilidade. 60 Conforme levantado pelos especialistas, também, as máquinas já estavam altamente modificadas, devido a ações para atendimento a requisitos técnicos dos produtos, medidas de segurança e redução de impactos ambientais. Alguns desses equipamentos se mostravam inadequados a novas adaptações, seja por falta de peças, incapacidade mecânica, ou inadequação para instalação de softwares de controle de processo. Apesar de o Seis Sigma ser uma ferramenta de qualidade, os responsáveis pelo produto questionavam se as modificações de processo que teriam que ser feitas poderiam afetar as características técnicas dos produtos. A fábrica teria que responder às necessidades de mudanças em especificações que viriam da área de desenvolvimento de produto da matriz americana, o que demandava, normalmente, alterações nas características do maquinário e, aliado novamente à baixa mecanização dos processos e a dependência de aguardar o operador se adaptar às novas especificações gerava alta variabilidade. O pensamento dos responsáveis por produto era de que se isso acontecesse com freqüência, a adaptação do chão de fábrica às novas diretrizes de produto iria frear os avanços que o seis sigma poderia alcançar, já que isso acarretaria com certeza em alta variabilidade de processo e produto, indo de encontro à filosofia que estava por ser implantada. Além do mais, como a Fábrica São Paulo era distinta das outras indústrias do Grupo Goodyear pelo mundo pela sua idade e equipamentos, as mudanças que seriam corriqueiras , apenas de pontos mínimos nas especificações dos pneus se tornavam um problema muito grande para as equipes de produção de São Paulo resolverem, o que somaria mais problemas à implantação do Seis Sigma. Tudo isso, levava a uma decisão por parte da alta direção da empresa: justificar o alto investimento feito na formação de equipes de Seis Sigma e na implantação das ferramentas investindo ainda mais, e um nível muito alto de recursos, na troca e/ou modernização de grande parte do parque industrial, ou 61 reconhecer que o Seis Sigma não é o sistema ideal para a empresa e partir para a tentativa de outros métodos. Foi então que a diretoria da Fábrica São Paulo, com autonomia que recebeu da matriz americana, resolveu substituir alguns programas de Seis Sigma por ferramentas do Sistema Toyota de Produção, tendo como foco principal a diminuição de desperdícios e, verificou a possibilidade de trabalhar com algumas ferramentas de cada vez, priorizando aquelas que se adequassem melhor às necessidades e projetos dos quais a Goodyear estaria interessada (o Kanban, por exemplo, até hoje não foi plenamente implantado na FSP, pois foi considerado uma ferramenta de difícil implementação em uma indústria em que as mesmas máquinas produzem um grande número de SKUs diferentes). A mesma equipe de Seis Sigma, dos departamentos de Engenharia Industrial e Melhoria Contínua foi a responsável pela implantação de ferramentas do STP na fábrica, e foi, aos poucos, percebendo que difundir as idéias do STP era mais simples entre as áreas operacionais do que os princípios do Seis Sigma.Era mais simples formar uma cultura de qualidade na empresa. A partir de uma visão global do sistema produtivo levantado a nível gerencial por um VSM, e identificados os gargalos produtivos, a equipe começou a trabalhar com as principais ferramentas, como o 5S, o Kaizen e o Poka Yoke, atrelando estas idéias a outras culturas já presentes com força na empresa, como a segurança (talvez o ponto mais valorizado pela administração) ou o meio-ambiente, já que a fábrica começava a tomar as providências para adquirir certificação em Sistema de Gestão Ambiental ISO 14001. Os supervisores puderam fazer a conexão entre a redução do desperdício como indicador da qualidade e como item gerador de resíduos sólidos ambientais fazendo com que, mesmo que os operadores não vissem aí uma necessidade de maior produtividade, ela seria alcançada pelas ações para o alcance da meta de waste e por conscientização ambiental. O Poka Yoke e o 5S foram linkados com a questão da segurança no trabalho, trabalhando com a idéia de que as modificações feitas nos equipamentos (quando estas fossem possíveis, é claro) para um sistema à 62 prova de erros, seriam feitas com visão de aumento de segurança para os operadores, garantindo que operações equivocadas não fossem feitas para não gerarem riscos aos funcionários, e que os princípios de organização e disciplina do 5S serviriam também para evitar acidentes. A estratégia da Goodyear em abordar o seu operacional com um viés mais abrangente do que o objetivo foco da redução do desperdício (o aumento de produtividade) mostrou-se adequada e eficaz, e os primeiros pontos a favor do uso do STP foram marcados. Ainda que com o novo foco de redução de desperdício a Goodyear abriria mão de diminuir a variabilidade do processo, a companhia arriscou que os ganhos seriam semelhantes e não se colocaria à prova a habilidade do operador em realizar procedimentos padronizados sempre que executasse seu trabalho. Em relação à máquinas, as modificações que deveriam ser feitas eram muito mais mecânicas do que dependentes de automação. Seriam agora, para evitar desperdícios de produto e de tempo, portanto, idéias mais simples para reduzir enroscos de borracha, paralizações por falta de material, campos muito bons para idéias de Poka Yoke, como por exemplo um novo tipo de faca para corte de mantas de borracha, que por seu formato e posicionamento no display da máquina evitava que o operador fizesse o corte para o lado contrário do que aquele especificado para o pneu em questão, reduzindo o retrabalho em caso de corte equivocado e o material que seria refugado caso estivesse fora de especificação, e reduzir tempos de troca entre diferentes SKUs, que foram muito diminuídos com alguns dos princípios do 5S, como o de organização e limpeza. Estes primeiros passos dados nas trocas de SKUs em máquinas evoluíram para um estudo de OTED, que pode ser aplicado na fábrica nos próximos anos, dependendo da avaliação de sua adequação às trocas executadas todos os dias na empresa. É claro que adaptações teriam que ser feitas, e as foram, mas de ordem muito mais simples e que demandaram muito menos investimentos por parte da administração da empresa do que as que deveriam ser executadas para a redução de variabilidade do Seis Sigma. 63 No que tange à equipe de qualidade de produto, a nova diretriz do STP com foco em reduzir desperdícios veio de encontro com uma diretriz do departamento de Qualidade e Tecnologia (QTech), que era de reduzir o seu indicador de waste, que girava em torno de 2% à época, um valor que representava altos custos de retrabalho, reciclagem ou destinação de resíduos matérias da produção. Os projetos de novos produtos sempre vinham da matriz com esse direcionamento de evitar o desperdício, o que acabou sendo o ideal para a nova realidade da Goodyear, fazendo com que os novos itens já fossem adequados à nova cultura que estava sendo implantada. Hoje, após alguns anos da utilização das ferramentas do STP o índice de waste da fábrica gira em torno de 0,05%, um valor modelo para indústrias do mesmo setor espalhadas pelo mundo. Os resultados da experiência da Goodyear com os sistemas de gestão implantados podem ser resumidamente descritos através da tabela 6.1, que demonstra a situação da empresa em relação a características observadas como importantes pela organização em cada momento de sua sequência de implantação das metodologias, ou seja, quando não possuía nenhuma delas em sua fábrica, o que foi observado no momento da implantação do Seis Sigma e o que foi desenvolvido a partir das necessidades levantadas na introdução do Sistema Toyota de Produção na empresa. Tabela 6.1 – Situação da Goodyear nos diferentes estágios de implantação da Gestão da Qualidade Foco Sem Sistema de O foco da empresa estava voltado unicamente à nível alto de produção e Gestão redução de custos, não levando em consideração a qualidade Seis Sigma STP O foco passou a ser em diminuir a variabilidade dos processos a partir da linha de pneus de caminhões para futura expansão por outras linhas de produtos O novo foco passou a ser a redução do nível de desperdícios produtivos, aliado ao objetivo de reduzir o índice de waste da fábrica 64 Produtividade Sem Sistema de Gestão A direção da empresa via sérios problemas de produtividade, acreditando que um sistema que gerisse a qualidade contribuísse para o aumento dos níveis produtivos A diminuição da variabilidade dos processos, como foco, não se mostrou Seis Sigma efetiva para a empresa no ganho de produtividade, pois os ajustes e setups necessários faziam com que a produção passasse a perder mais tempo do que antes. O STP trouxe algo que não existia na empresa, uma organização e maior STP controle através das ferramentas como o 5S, eventos Kaizen, gerando a diminuição dos desperdícios sem afetar a situação das máquinas, o que fez com que o índice de produtividade da fábrica aumentasse consideravelmente. Adequação dos equipamentos As máquinas, todas elas muito antigas e com processos muito manuais, que Sem Sistema de dependiam demais do operador e de sua habilidade. Modificações eram feitas Gestão a partir de necessidades de segurança e adaptações para novas linhas de produtos As tentativas feitas no objetivo de diminuir a variabilidade dos processos Seis Sigma demandavam muitas modificações nas máquinas a fim, principalmente de minimizar a influência dos operadores nos processos e torná-los mais mecanizados e automáticos. Como o foco do STP é o de diminuição de desperdícios, tornou-se mais simples adaptar as máquinas às novas necessidades. Soluções simples como STP as propostas no OTED, idéias dos prórpios operadores e experiências de outras indústrias puderam ser executadas nas máquinas para melhor aproveitamento de tempo e de material, diminuindo inclusive os custos. Integração dos funcionários Os funcionários trabalhavam sem um foco definido, apenas produziam sem Sem Sistema de nenhuma visão especial para o produto ou para a empresa. Os superiores Gestão focavam suas visões apenas para a redução de custos operacionais e produção em larga quantidade, sem um foco definido na qualidade. 65 Divergências foram criadas em torno do Seis Sigma no que tange a modificações que teriam que ser feitas no fluxo, nas máquinas e na cultura dos Seis Sigma operadores para fazer funcionar a ferramenta. Ao mesmo tempo, estas divergências serviram para abrir os olhos das pessoas para a gestão da qualidade, no quanto ela impacta no dia a dia da empresa e nos seus benefícios. Foi um pontapé inicial para um novo tempo de foco na qualidade. Os programas do STP puderam unir mais os operadores e seus superiores, que agora trabalhavam todos focados em um mesmo ponto: a qualidade. STP Enquanto os funcionários do chão de fábrica percebiam a importância da qualidade nas atividades que realizavam, os superiores enxergavam as vantagens da organização e controle advindos do STP. Disseminação e entendimento dos conceitos A qualidade era entendida apenas como referente ao produto, e não aos Sem Sistema de processos ou à empresa como um todo. A idéia de qualidade estava atrelada a Gestão um bom produto, com boa procedência para manter o forte nome da Goodyear no mercado. A tentativa de implantação do Seis Sigma deu um novo caminho de qualidade para a Goodyear e avivou a mente dos trabalhadores para a qualidade. Porém Seis Sigma os conceitos técnicos da ferramenta e os conhecimentos necessários para sua implantação não foram compreendidos pela organização, como as ferramentas estatísticas ou a integração entre o PDCA e o DMAIC, o que dificultou a prática do sistema. Os conceitos do STP são mais simples para os níveis operacionais STP assimilarem. Além disso, a alta administração da empresa pode unir a idéia do foco de eliminação do desperdício com conceitos de preservação ambiental e produtividade já existentes na fábrica. Apoio da direção A direção da Goodyear estava focada em volume produtivo e não na qualidade dos processos e na gestão destes. A preocupação girava apenas na Sem Sistema de contenção de custos, e não na obtenção de uma gestão eficiente. A partir do Gestão momento em que se fez a ligação entre a implantação de sistemas de gestão e a redução de custos que esta proporcionava a qualidade passou a integrar a agenda da direção. A partir do conhecimento dos resultados esperados pelo Seis Sigma, a direção Seis Sigma passou a direcionar investimentos para a qualidade. Mesmo com o fracasso da implantação do Seis Sigma, a direção manteve os investimentos e o apoio às novas idéias. 66 A busca pelos resultados que não foram alcançados pelo Seis Sigma seguiu STP na mesma toada na implantação do Sistema Toyota de Produção, com um investimento e apoio aos novos conceitos trazidos para a empresa. Organização Sem Sistema de Gestão Como a empresa buscava redução de custos e volume produtivo, apenas, a organização estava sem um controle dos seus processos, o que gerava atrasos e dificuldades produtivas. Com a tentativa de implantação do Seis Sigma, a Goodyear passou a se Seis Sigma preocupar mais com a organização de seu processo produtivo, já percebendo que sem esta o sistema não funcionaria direito. O STP e suas ferramentas ajudaram a empresa neste caminho de STP organização. Pontos como o 5S, o controle do Just In Time e outras metodologias aliadas à nova cultura de qualidade da Goodyear deram a ela um novo patamar de organização e monitoramento dos seus processos Outros benefícios Sem Sistema de Não há Gestão Seis Sigma O Seis Sigma serviu como pontapé inicial para projetos de qualidade, o que de certa forma foi importante para a empresa. A partir do STP foi possível alcançar novas metas de waste, produtividade e STP outros indicadores. Além disso, outras ferramentas do STP, como o Kanban e o OTED ainda estão em fase de implantação, podendo gerar melhores resultados para a Goodyear. Fonte: Elaborado pelos autores (2011) 67 7 CONCLUSÕES Com esta pesquisa, verificamos que, apesar de a metodologia do Seis Sigma ser de grande valia para algumas empresas, ela não se aplica à totalidade dos segmentos, tamanhos e realidades. Isso acontece, primeiramente, pela clara diferença de foco entre as duas metodologias. Enquanto o Seis Sigma se preocupa com a diminuição da variabilidade dos processos, o STP visa a redução de desperdícios, sejam eles de material, de recursos humanos, ou mesmo de tempo. Esta diferença de foco, pode se mostrar um empecilho para a implantação desta ou daquela ferramenta, mas deve-se lembrar que mesmo com focos diferenciados, as duas ferramentas podem ser aliadas das empresas no aumento de sua produtividade ou ainda na melhoria dos índices de satisfação dos clientes observados por elas. Em alguns casos de grandes empresas com alta mecanização de processo e recursos a serem investidos, o Seis Sigma aparece como uma ferramenta poderosa, gerando resultados estatísticos para falhas, propondo um raciocínio lógico e segmentado para a tomada de decisão (DMAIC e PDCA) e assegurando a qualidade ao tornar os processos menos variáveis, padronizando assim os seus tempos e produtos fins. Para outras, em que a variabilidade dos processos é inerente ao alto nível de interação humana na fabricação dos seus produtos, o Seis Sigma se justificaria caso investimentos fossem levados em conta e efetivamente realizados para que se adéqüe a empresa à metodologia do Seis Sigma, mas atrelado à alguma ferramenta do Sistema Toyota de Produção, que evitando os desperdícios de todas as naturezas e aproximando os tempos de fabricação faz com que a empresa possa ter um takt time mais regular, não dependendo às vezes de investimentos tão polpudos à princípio. 68 Para estas empresas, em que a mão humana é muito acentuada em seus processos, o STP mostra-se uma ferramenta mais adequada, já que, como foi demonstrado através da descrição das experiências vividas pela Goodyear, um parque de máquinas muito antigo e com baixa automação se torna um grande problema no momento de se buscar a diminuição da variabilidade dos processos, dependendo de largos investimentos para modernização do maquinário existente, padronizando os processos e garantindo que estes variem o menos possível. Os conceitos abordados pelo Sistema Toyota de Produção foram considerados de mais fácil aceitação e compreensão por todos os funcionários da empresa. Mesmo os mais qualificados e responsáveis pela implementação das ferramentas puderam desenvolver melhor as premissas do STP, pois ao melhor compreendê-las, foi possível definir e transmitir os objetivos associados à qualidade a todos os envolvidos no processo produtivo. Para a Goodyear ficou claro que as pequenas modificações realizadas em seus processos advindos de algumas das ferramentas do Sistema Toyota de Produção trouxeram resultados tão bons ou até melhores do que aqueles previstos para o Seis Sigma, que demandava uma grande ruptura, tal qual aquela realizada na GE de Jack Welch, e que a criação de uma cultura de qualidade, premissa de qualquer sistema de gestão, método, ferramenta ou outro tipo de sistemática que vise a qualidade se tornou muito mais simples ao fazer a conexão com outras culturas já enraizadas na empresa (a segurança ocupacional) ou com aquelas que estavam já sendo colocadas em prática (a cultura do meio-ambiente, graças à iminente certificação ambiental). A adoção de políticas de qualidade e metodologias do STP aliadas às culturas de segurança e meio-ambiente foram o início do que pode ser chamado de Gestão Integrada, que é praticada naturalmente hoje em todas as fábricas da Goodyear pelo mundo. Aliado a isto, o papel da administração é muito importante na implantação de qualquer tipo de sistema. Mesmo com o mau-funcionamento de uma ou outra metodologia, a direção da empresa tem que se mostrar atenta às necessidades e aos recursos necessários para a correta implantação e manutenção de suas 69 ferramentas na busca de resultados, sejam estes financeiros, de produtividade, de melhoria das condições de trabalho ou ainda que somente ligadas a melhor controle e organização de seus processos, pessoas e produtos. A Goodyear ainda hoje faz uso de muitas ferramentas do STP, e tem, inclusive algumas delas, como o Kanban e o OTED em estudos para implantação. Hoje utiliza apenas a parte ideológica do Seis Sigma para a resolução de problemas de nível gerencial, fazendo com que as tomadas de decisão chave sigam o modelo do PDCA. A cultura Kaizen de melhoria contínua é ainda amplamente divulgada pela fábrica, juntamente com a de meio-ambiente e segurança. Em 2011 a empresa buscaria sua certificação de SGI, para as normas ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade) ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental) e OHSAS 18001 (Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional), provando que o passo dado quando da implantação do STP e a conexão entre estes pontos foi o que pautou a Goodyear até a manutenção de uma gestão integrada de seus sistemas. 70 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, S. Integração das Ferramentas da Qualidade ao PDCA e ao Programa Seis Sigma. Série Ferramentas da Qualidade, v.1, Nova Lima: INDG TecS, 2006. 15p. BLAKESLEE JR., J.A., Implementando a Solução do Seis Sigma. Falando de Qualidade: Gestão, Processos e Meio Ambiente. São Paulo: a.9, n.92, p. 08-15, janeiro. 2000 BLAUTH, R., Seis Sigma: Uma Estratégia Para Melhorar Resultados. Revista FAE Business. São Paulo: n.5, p. 36-39, abril. 2003 BOSSERT, J., Lean e Seis Sigma: Sinergia perfeita. Falando de Qualidade: Gestão, Processos e Meio Ambiente. 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Porto Alegre: Bookman, 2001, p. 107-115 APÊNDICE A 2 Entrevista realizada A seguir, o modelo de entrevista que foi realizada, via e-mail, com o Engenheiro Industrial da Goodyear FSP, um dos responsáveis à época, pela gestão de implantação dos sistemas de qualidade Seis Sigma e STP, participando ativamente do planejamento destes e das análises críticas dos resultados. Quando foi iniciado o processo de implementação do Seis Sigma? O processo foi iniciado no ano de 2002, mas teve pouca continuidade a este processo, por ser de difícil implementação. Já o Sistema Toyota teve sua implantação iniciada pouco tempo depois de notarmos que os resultados do Seis Sigma não eram bem o que planejamos. Por que você acha que o Seis Sigma é um sistema difícil de ser implementado? Um dos principais fatores é a falta de capital para investimento. Para reduzir variação nos processos, a maioria dos casos resulta em necessidade de investimento. Como você conhece a fábrica, sabe do nível de automação de nossas máquinas, e o quanto seria difícil diminuir a variabilidade dos processos aqui sem que fosse necessário um alto investimento. Como vocês começaram o processo de implementação? Nós começamos o processo, dando treinamento para pessoas serem Black Belts, e depois começamos o treinamento dos Green Belts. A partir daí demos início aos projetos. E quando o STP foi implementado a fábrica? O STP teve seu inicio na Goodyear no ano de 2005, e com o passar do tempo, foi sendo aperfeiçoado, e tentando corrigir as suas falhas. Por que vocês resolveram associar o sistema Toyota de produção ao processo da Goodyear? 3 Nós decidimos implementar o Sistema Toyota de Produção devido a ele ser um sistema menos complexo, mais fácil de ser entendido, principalmente na área produtiva. Era um dos questionamentos dos Supervisores e Especialistas, como que iriam passar os conhecimentos estatísticos para frente. O Seis Sigma é repleto de matemática, e soluções com estatística, que nem todos eram familiarizados, e no final das contas, o resultado do STP era tão bom ou até melhor quanto ao do Seis Sigma. Como houve a divisão de tarefas de cada sistema hoje em dia? Como o STP é mais abrangente, ele é aplicado a fabrica em quase toda sua totalidade. Hoje temos rodando o 5S, os RIAs (reuniões de Kaizen), implementando o Kanban e tem um projeto pra fazer as trocas rápidas. Mas o Seis Sigma por ser um sistema especifico, ele ficou sendo usado para efetuar projetos, onde as ferramentas do STP não são aplicáveis. Em sua opinião qual seria o ponto forte, com que faça que o STP seja mais aceito do que o Seis Sigma? Como o nível de automação daqui não é muito alto, é necessário uma montanha de dinheiro para reduzir variabilidade nos processos. Aí está o porque de o Lean obter resultados em prazos menores, pois você identifica os desperdícios no seu processo e busca soluções mais rápidas e de menor investimento. O mais importante é isso, a diferença de foco dos dois sistemas: enquanto um pensa na redução de variabilidade outro foca na redução de desperdício. É o que torna um diferente do outro. O tempo de treinamento para as pessoas ficarem aptas a conhecer o sistema, é igual para ambos os métodos? O treinamento do Seis Sigma é mais direcionado e demorado que o do Lean, cerca de 3 meses. O Lean muitas vezes já vem de faculdade ou de outras empresas que a pessoa trabalhou, fica muito mais fácil de entender, aplicar e passar pra frente os projetos.