UNIVERSIDADE VALE DO RIO DOCE FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS CURSO DE PSICOLOGIA Ana Paula Figueiredo Campos Emmanuelle Batista Pereira da Silva Joice Bambirra da Cruz TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS NA DEPRESSÃO: FUNDAMENTOS TEÓRICOS Governador Valadares 2009 1 ANA PAULA FIGUEIREDO CAMPOS EMMANUELLE BATISTA PEREIRA DA SILVA JOICE BAMBIRRA DA CRUZ TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS NA DEPRESSÃO: FUNDAMENTOS TEÓRICOS Monografia apresentada como requisito parcial a obtenção do grau de bacharel em Psicologia no curso de Psicologia Faculdade de Ciências humanas e Sociais da Universidade Vale do Rio Doce. Orientador: Ms. Mário Gomes de Figueiredo Governador Valadares 2009 2 ANA PAULA FIGUEIREDO CAMPOS EMMANUELLE BATISTA PEREIRA DA SILVA JOICE BAMBIRRA DA CRUZ TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS NA DEPRESSÃO: FUNDAMENTOS TEÓRICOS Monografia apresentada como requisito parcial a obtenção do grau de bacharel em Psicologia no curso de Psicologia Faculdade de Ciências humanas e Sociais da Universidade Vale do Rio Doce. Governador Valadares, 20 de Novembro de 2009. Banca Examinadora: ________________________________________________ Prof. Ms. Mário Gomes de Figueiredo - Orientador Universidade Vale do Rio Doce ________________________________________________ Prof. Ms. Marco Antônio Amaral Chequer - Convidado Universidade Vale do Rio Doce _________________________________________________ Prof. Ms. Adelice Jaqueline Bicalho - Convidado Universidade Vale do Rio Doce 3 A Deus... Porque és o Senhor de toda Ciência, Razão e Sabedoria; Aos nossos pais e amores que, com muito carinho e apoio, não mediram esforços para que nós pudéssemos alcançar essa vitória. 4 AGRADECIMENTOS Acima de tudo, agradecemos a Deus, por ter nos conduzido dia a dia, pela sabedoria e força para superar todos os obstáculos, amparando-nos e abençoando-nos durante o processo de elaboração deste trabalho. Aos nossos queridos pais e irmãos, pelo estímulo, incentivo e carinho. Aos nossos amores, pela constante presença amor e total dedicação. Agradecemos a todos os professores do curso de graduação em Psicologia e ao nosso Orientador Mário Gomes de Figueiredo, pela colaboração. E, finalmente, agradecemos a todos os nossos amigos, pela amizade e, principalmente aqueles que contribuíram de forma direta e indireta para a conclusão desse trabalho. 5 “O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicarme com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio”. Mahatma Gandhi 6 RESUMO Este estudo, feito através de uma revisão de literatura teve como objetivo, identificar as técnicas de intervenção psicológica, dentro da abordagem da terapia comportamental, utilizadas para o tratamento da depressão. Constatou-se que a Terapia Comportamental se desenvolveu e proporcionou novas perspectivas frente ao tratamento dos transtornos depressivos, sendo desta forma, considerada clinicamente relevante para o tratamento de indivíduos acometidos por estes transtornos, utilizandose das diversas técnicas comportamentais, dentre as quais destacam-se o autocontrole, o treinamento em habilidades sociais, técnicas de relaxamento, a terapia cognitiva da depressão, a modelagem, o ensaio comportamental, o aumento das atividades agradáveis e diminuição das desagradáveis e a terapia das soluções de problemas.Na Terapia Comportamental,em uma das intervenções procura-se ajudar o indivíduo a reconhecer padrões de comportamentos disfuncionais. Através da discussão sistemática e tarefas comportamentais cuidadosamente estruturadas, buscase ajudar os pacientes a avaliar e modificar tanto seus pensamentos, quanto seus comportamentos em questão. Um transtorno como a depressão passa a ser entendido como um conjunto de comportamentos, tais como, alterações no sono e apetite, desesperança, choro excessivo, ideação suicida e outros, onde tais comportamentos são analisados à luz de episódios históricos que os determinaram e situações presentes que os mantém. Para o terapeuta comportamental, pensamentos e sentimentos são considerados comportamentos, diferentes apenas pela forma como se pode ter acesso a eles, pois este se dá através do relato verbal daquele que pensa e sente. Sendo assim, pensamentos e sentimentos, também, são levados em consideração, analisados e passíveis das intervenções do terapeuta. A sistematização resumida de informações sobre as Técnicas Comportamentais para o tratamento da depressão, tem um papel importante na aquisição de novos comportamentos e na compreensão do indivíduo sobre sua doença propiciando o autocontrole como uma forma de atingir sua qualidade de vida. Concluiu-se, que as técnicas estudadas, podem apresentar resultados promissores no tratamento da depressão. Porém, cada técnica possui sua aplicação específica e a preferência do paciente, por uma das intervenções, parece ser um fator de muita valia. Palavras-chave: Técnicas Comportamentais; Depressão; Tratamento. 7 ABSTRACT This study, done through a literature review aimed to identify the techniques of psychological intervention within the approach of behavioral therapy used for treating depression. It was found that behavioral therapy has developed and provided new perspectives toward the treatment of depressive disorders and is thus considered clinically relevant for the treatment of individuals affected by these disorders, using the various behavioral techniques, among which stand out the self-control, training in social skills, relaxation techniques, cognitive therapy for depression, modeling, behavioral rehearsal, increasing pleasant activities and decrease the unpleasant and therapy of the solutions of problems. In the treatment of Behavior Therapy, seeks to help the individual to recognize patterns dysfunctional behavior. Through discussion systematic and carefully structured behavioral tasks, we seek to help patients evaluate and change both their thoughts and their behaviors in question. A disorder like depression is to be understood as a set of behaviors, such as changes in sleep and appetite, hopelessness, excessive crying, suicidal thoughts and others, where such acts are considered in the light of historical episodes that have shaped and present situations that maintains them. For the behavioral therapist, thoughts, feelings and behaviors are considered, differing only by how you can have access to them, because it is through the verbal report that he thinks and feels. Thus, thoughts and feelings, too, are taken into account, analyzed and are subject to the therapist's interventions. Thus, systematic summary of information on behavioral techniques to treat depression, has an important role in the acquisition of new behaviors and understanding the individual about their illness by providing selfcontrol as a way to achieve their quality of life. It was concluded that the techniques studied, may have promising results in treating depression. However, each technique has its specific application and patient preference for one intervention, seems to be a factor of great value. Keywords: Technical Behavioral; Depression; Treatment. 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 10 CAPÍTULO I....................................................................................................... 13 1 A DEPRESSÃO............................................................................................... 13 1.1 CONCEITOS DE DEPRESSÃO................................................................... 13 1.1.1 INIBIÇÃO GLOBAL.................................................................................... 18 1.1.2 ESTREITAMENTO DO CAMPO VIVENCIAL............................................ 19 1.1.3 SOFRIMENTO MORAL............................................................................. 20 1.2 ETIOLOGIA.................................................................................................. 21 1.3 EPIDEMIOLOGIA......................................................................................... 24 CAPÍTULO II...................................................................................................... 27 2 A TERAPIA COMPORTAMENTAL................................................................ 27 2.1 ÉTICA NA TERAPIA COMPORTAMENTAL................................................ 30 2.2 O LIVRE-ARBÍTRIO..................................................................................... 31 CAPÍTULO III..................................................................................................... 33 3 A DEPRESSÃO NA VISÃO DA TEORIA COMPORTAMENTAL................. 33 3.1 MODELO EXPLICATIVO – COMPORTAMENTO / DEPRESSÃO.............. 34 3.2 TRATAMENTO COMPORTAMENTAL DA DEPRESSÃO........................... 37 3.3 TENDÊNCIAS FUTURAS............................................................................. 40 CAPÍTULO IV..................................................................................................... 41 4 TÉCNICAS UTILIZADAS DA TERAPIA COMPORTAMENTAL NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO..................................................................... 41 4.1 UM PROGRAMA DE AUTOCONTROLE PARA A DEPRESSÃO................ 41 4.2 O TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS......................................... 44 4.3 TÉCNICAS DE RELAXAMENTO................................................................. 46 9 4.4 MODELAGEM.............................................................................................. 48 4.5 ENSAIO COMPORTAMENTAL.................................................................... 48 4.6 AUMENTO DAS ATIVIDADES AGRADÁVEIS E DIMIMUIÇÃO DAS DESAGRADÁVEIS............................................................................................. 48 4.7 TÉCNICAS DE SOLUÇÃO DE PROBLEMAS.............................................. 49 5 CONCLUSÃO.................................................................................................. 51 REFERÊNCIAS.................................................................................................. 53 10 1 INTRODUÇÃO A depressão é considerada uma das dez principais causas de incapacitação no mundo, limitando o funcionamento físico, pessoal e social. Entretanto, pequena parte das pessoas atingidas recebe tratamento apropriado, e sobre elas, o estigma pesa de forma significativa. A forma como a população identifica os sintomas de depressão e as crenças sobre sua etiologia podem influenciar o processo de procura de ajuda, a adesão aos tratamentos, bem como a atitude e o comportamento da comunidade em relação aos portadores desse transtorno (PELUSO e BLAY, 2008). A terapia comportamental evoluiu de uma perspectiva mecanicista e reducionista, que via os sujeitos como respondendo a bases genéticas e influências ambientais que os controlavam, passando a ver os sujeitos como agentes que operam e influenciam o seu ambiente. Behavioristas radicais como Skinner excluíam por completo a possibilidade de autodeterminação e liberdade de escolha. A corrente atual avança no sentido do desenvolvimento de procedimentos que dão controle aos sujeitos aumentando a sua liberdade de escolha. A modificação comportamental tem como objetivo, o desenvolvimento de capacidades pessoais para que os sujeitos tenham mais opções de resposta, através da variação e seleção pela consequência (BARROQUEIRO, 2002). Diante deste contexto, este estudo busca identificar as técnicas de intervenção psicológica, dentro da abordagem da terapia comportamental, utilizadas para o tratamento da depressão, por se considerar que, na contemporaneidade, seu emprego e importância serão somente consolidados na medida em que a avaliação funcional permitir ou não. Mais especificamente, procura-se conhecer os conceitos sobre a depressão, a terapia comportamental, analisar a depressão sob a ótica da terapia comportamental, bem como, descrever as técnicas de intervenção da terapia comportamental. Portanto, trata-se de um tema de grande relevância já que, de acordo com Aune e Pena (2006) a depressão é considerada a doença do século, segundo a maioria das fontes literárias e científicas. A mídia tem dado muita importância ao assunto e, com 11 freqüência, discorre sobre seus sintomas, suas causas e as mais diversas alternativas em busca da cura. Muitas informações vêm de fontes fidedignas e suas abordagens são muito válidas. No entanto, outras pregam um perigoso hedonismo 1 e um caminho para a suposta cura milagrosa, constituindo uma verdadeira cilada para o público leigo. É fundamental enfatizar a gravidade que um quadro depressivo pode representar e o risco à vida envolvido neste processo, visto que entre as pessoas gravemente deprimidas, 15% se suicidam. Assim, o problema central a ser investigado nesta pesquisa é: Quais aspectos teóricos embasam a intervenção clínica do tratamento da depressão na terapia comportamental? A metodologia utilizada para a realização desse estudo é de análise descritiva e qualitativa, feita através de pesquisa bibliográfica em artigos, publicações avulsas, revistas, livros diversos, meios de informações científicas, buscando relacionar as técnicas comportamentais e a depressão, neste contexto. Este trabalho se encontra dividido em cinco capítulos, sendo que o primeiro traz conceitos sobre a depressão, bem com a etiologia e epidemiologia. Já o segundo capítulo trata da terapia comportamental, em seus fundamentos teóricos. O terceiro elucida a respeito da depressão na visão da teoria comportamental. No quarto, aborda-se algumas técnicas utilizadas da terapia comportamental no tratamento da depressão. Finalmente na conclusão, expõem-se uma discussão acerca dos resultados da pesquisa bibliográfica empreendida. A depressão, como já foi exposto, é uma doença grave que pode levar o indivíduo a se envolver ou provocar acidentes (às vezes fatais). Em um grau mais avançado, pode, ainda, levar à morte da própria pessoa pela desistência da vida, seja pelo suicídio ou pelo adoecimento, porém, se tratada adequadamente e até preventivamente, é possível obter-se a cura, devolvendo à pessoa a vontade de viver. Portanto, espera-se que este trabalho possa contribuir para a ampliação dos 1 Doutrina segundo a qual o prazer é o único verdadeiro bem. Há três tipos de hedonismo: o psicológico, que sustenta que as pessoas procuram inevitavelmente o prazer; o ético (ver ética), que considera que a obrigação dos seres humanos é procurar o prazer; e o reflexivo, que afirma que aquilo que dá valor a qualquer ocupação é o prazer (AUNE e PENA, 2006). 12 conhecimentos sobre as técnicas da terapia comportamental, que podem ser muito eficazes para o tratamento da depressão, viabilizando a superação dos traumas causados por esse transtorno que compromete o cotidiano das pessoas no relacionamento social, seja na família, trabalho ou comunidade. 13 CAPÍTULO I 1 A DEPRESSÃO 1.1 CONCEITOS DE DEPRESSÃO A palavra "depressão" vem sendo utilizada na linguagem coloquial para descrever sentimentos relacionados à tristeza, angústia, dor psicológica, entre outras mazelas. É comum ouvir falar de alguém que está de "baixo astral" ou "deprê" (AUNE e PENNA, 2006). O termo depressão, segundo Del Porto (1999) na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza), quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s). Neste sentido, Del Porto (1999, p. 2), elucida que: Os sentimentos de tristeza e alegria colorem o fundo afetivo da vida psíquica normal. A tristeza constitui-se na resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades. Cumpre lembrar que essa resposta tem valor adaptativo, do ponto de vista evolucionário, uma vez que, através do retraimento, poupa energia e recursos para o futuro. Por outro lado, constitui-se em sinal de alerta, para os demais, de que a pessoa está precisando de companhia e ajuda. As reações de luto, que se estabelecem em resposta à perda de pessoas queridas, caracterizam-se pelo sentimento de profunda tristeza, exacerbação da atividade simpática e inquietude. As reações de luto normal podem estender-se até por um ou dois anos, devendo ser diferenciadas dos quadros depressivos propriamente ditos. No luto normal a pessoa usualmente preserva certos interesses e reage positivamente ao ambiente, quando devidamente estimulada. Não se observa, no luto, a inibição psicomotora característica dos estados melancólicos. Os sentimentos de culpa, no luto, limitam-se a não ter feito todo o possível para auxiliar a pessoa que morreu; outras idéias de culpa estão geralmente ausentes. A palavra depressão é descrita no dicionário médico (1997), citado por Candido et al. (2005), como o deslocamento para baixo ou para dentro, abaixamento ou redução 14 da atividade funcional, tristeza mórbida. É sinônimo do ato de deprimir-se, debilitar-se, enfraquecer, causar angústia, abater-se, sofrer e angustiar-se. Na literatura especializada encontram-se diferentes denominações como transtorno do humor, transtorno depressivo, distúrbio depressivo ou transtorno afetivo em referência à depressão (CANDIDO et al., 2005). Muitas pessoas confundem depressão com tristeza. Porém, Candido et al. (2005) esclarecem que o sentimento de tristeza é normal e natural no ser humano. Na depressão, as pessoas têm sentimentos duradouros, persistentes e profundos de tristeza, muitas vezes inexplicáveis. Em sua maioria, nas classificações nosográficas dos manuais psiquiátricos, as depressões são intituladas transtornos do humor, que incluem o transtorno depressivo maior e suas variantes como a distimia e transtorno bipolar e suas variantes como a ciclotimia (OMS, 1993, APA, 1995). A seguir, encontram-se as diretrizes para diagnóstico de episódios depressivos no DSM-IV e CID-10 que, de acordo com Matos et al. (2005) são definições de diretrizes diagnósticas precisas, através da listagem de sintomas que configuram os respectivos critérios diagnósticos. A consulta e o uso adequado do DSM-IV é de suma importância para os profissionais que atuam na área da saúde mental. A sua utilização tem resultado, nos últimos anos, em avanços científicos significativos no campo da prática clínica e do estudo epidemiológico dos transtornos mentais. Possibilitou também uma ampla comunicação, através de uma linguagem comum, entre médicos psiquiatras e psicólogos em todo o mundo. Entretanto, o uso do manual é limitado, não substitui o estudo dos tratados clássicos de psicologia, psicopatologia e psiquiatria, e nem a experiência clínica e o treinamento que o precede. Modelos híbridos que buscam conciliar os modelos categorial e dimensional, envolvendo psiquiatras e psicólogos, têm sido desenvolvidos atualmente, com perspectivas promissoras para o desenvolvimento da especialidade. 15 16 Como mostrado na tabela 1, o DSM-IV e a CID-10 tem orientações bastante similares e, a despeito de suas diferenças de terminologia, podem ser intercambiáveis na prática clínica (OMS, 1993; APA, 1995). Os dois sistemas de classificação convergem nos seguintes princípios: a) os transtornos depressivos, dispersos em classificações anteriores, estão agrupados sob um nome comum, significando uma entidade sidrômica unificada; b) o termo transtorno afeto é substituído pelo termo transtorno de humor, restringido os limites a depressão e não abrigando-a sob o mesmo teto dos transtornos da ansiedade; c) matem-se a distinção entre transtorno bipolar e transtorno depressivo, mas abandona-se o termo unipolar; d) os critérios diagnósticos são baseados em sintomas, sendo descritivos e não exploratórios; e) a gravidade e a recorrência dos sintomas são usadas como critérios que permitem subtipificar e especificar os transtornos depressivos; f) o limiar diagnóstico para o transtorno depressivo é determinado por uma constelação de sintomas essenciais e suplementares, que devem preencher os critérios de número e duração, para serem considerados uma entidade diagnóstica distinta (STEFANIS e STEFANIS, 1999). O protótipo da síndrome depressiva é o episódio depressivo na CID-10 e correspondente episódio depressivo maior no DSM-IV (OMS, 1993; APA, 1995). Ambos são especificados de acordo com a sua gravidade (leve, moderada, grave) e curso (único ou recorrente). Tanto a CID-10, como o DSM-IV, compartilham duas características fundamentais para a identificação dos episódios depressivos: a) um número mínimo de sintomas típicos e associados; b) presença dos sintomas pelo tempo mínimo de duas semanas. No DSM-IV, as não na CID-10, o comportamento de áreas importantes do funcionamento é também levado em consideração (APA, 1995). O indivíduo que teve ou tem transtorno depressivo luta contra a angústia que esse provoca, mas também luta contra o preconceito e freqüentemente tenta esconder o que sente. Na sociedade em geral, o transtorno depressivo ainda é visto como fraqueza de caráter, como loucura ou ainda como “frescura”, não sendo compreendida como uma doença (CANDIDO et al., 2005). Del Porto (1999, p. 7) classifica a depressão enquanto sintoma, síndrome e doença, conforme descreve-se a seguir: 17 Enquanto sintoma, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais: transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, dentre outros. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas. Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite). Finalmente, enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura atual, encontram-se: transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, dentre outros. No percurso da história da depressão e de seus quadros clínicos, a mesma tem sido classificada e conceitualizada de diversas maneiras, ocasionando controvérsias em relação ao termo. Para Lafer e Amaral (2000) é uma sensação inalterável e durável no qual a pessoa se sente sem valor, o mundo não tem significado e se acredita que não há esperança para o futuro. Para Camon (2001), a depressão surge como resultante de uma inibição global da pessoa, que afeta a função da mente e distorce a maneira como essa vê o mundo, sente a realidade, entende as coisas e demonstra suas emoções. De forma consonante, Del Porto (1999) afirma que a depressão tem sido classificada de várias formas de acordo com a vinculação ao período histórico, à preferência dos autores e ao ponto de vista adotado pelos mesmos. Devido a essa gama de definições sobre o transtorno, a psicopatologia recomenda como válida a existência de três sintomas depressivos: sofrimento moral, inibição global e estreitamento vivencial (BALLONE, 2005). Del Porto (1999) informa que no diagnóstico da depressão levam-se em consideração sintomas psíquicos: humor depressivo, redução na capacidade de experimentar prazer, fadiga ou sensação de perda de energia e uma diminuição na capacidade de pensar. Os sintomas fisiológicos também são contemplados, como as alterações do sono e do apetite e redução do interesse sexual. E, por fim, evidências comportamentais: retraimento social, crises de choro, comportamentos suicidas, retardo psicomotor e lentidão generalizada, ou agitação generalizada. 18 A depressão pode ser vista como um mal que se enraíza no "eu" do indivíduo, bloqueando suas vontades e dirigindo de forma negativa o curso de seus pensamentos, interferindo no seu autoconceito, prejudicando o sujeito tanto no contexto psicossocial como individual (Coutinho, 2005). Os sintomas da depressão são amplos e variados, porém a psicopatologia recomenda como válida a existência da tríade da sintomática da depressão como principal norteamento do processo diagnóstico: sofrimento moral; inibição global e estreitamento vivencial. Essa tríade pode se ramificar em diferentes grupos de sintomas centrais subjacentes a todos os episódios e/ou transtornos a ela relacionados, como perda de energia ou interesse, humor deprimido, lentificação mental e física, alterações do sono e apetite, pessimismo, sentimento de pesar, fracasso e desesperança (AUNE e PENNA, 2006). 1.1.1 INIBIÇÃO GLOBAL A Inibição global do organismo é um dos sintomas básicos da depressão e ela se manifesta como uma espécie de freio ou inibição dos processos físicos e psíquicos em sua globalidade, uma fadiga e lerdeza generalizada de toda a atividade corpórea. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas. Os campos da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, surgindo daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia. Os reflexos desta inibição global atingem várias áreas da atividade no dia a dia da pessoa, inclusive na diminuição da atividade motora, fazendo com que o paciente tenha aparência de abatimento e de desinteresse. A inibição global tem sido a responsável pelo longo trajeto que muitos pacientes percorrem buscando melhoras antes de se acertarem com um tratamento psíquico. A inibição global é secundária à depressão, sendo um sintoma decorrente da 19 depressão e não uma doença que corrompe o juízo crítico, tornando os pacientes completamente desorientados em relação às condições de sua vida ou de sua família. Outro conceito importantíssimo, é que a inibição global é conseqüência da depressão e não o contrário (BALLONE, 2005). 1.1.2 ESTREITAMENTO DO CAMPO VIVENCIAL É uma das expressões mais utilizadas para representar a perda progressiva da pessoa deprimida em sentir prazer. A palavra para designar o ponto mais alto desse fenômeno de perda do prazer é Anedonia, ou seja, a incapacidade em sentir prazer pelas coisas. No estreitamento vivencial o universo de interesses e de prazeres pelas coisas da vida vai sendo cada vez menor e mais restrito. De fato, o interesse humano está indissoluvelmente ligado ao prazer; interessamos-nos por aquilo que nos dá prazer, por aquilo com o qual tem-se alguma ligação afetiva. Em situações normais a pessoa abre para si uma porta de interesses como o interesse pelas notícias, pelos esportes, pela companhia de amigos e pessoas queridas, pelo conhecimento em geral, pelos passeios, pelas novidades, pelas compras, pelas artes, pelos filmes, pela comida, pelas revistas e jornais, enfim, cada pessoa nutre uma lista de interesses pessoais, evidentemente, interesses por coisas que lhe dão prazer. Mas no Estreitamento Vivencial essa porta de interesses vai se fechando, aparecendo progressivamente um desinteresse e desencanto pelas coisas. Há um momento onde a preocupação com o próprio sofrimento toma conta de todo interesse vivencial. Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para se interessar na realização ocupacional, para experimentar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para desfrutar de uma boa companhia, para incrementar a discoteca, visitar um amigo. Na lista de ocupações do deprimido com estreitamento vivencial acaba só existindo a preocupação consigo próprio e com sua dor. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo. Neste caso, a porta do campo vivencial fica tão estreita que só cabe nele o próprio paciente com sua depressão, o restante de tudo que a vida pode oferecer não interessa mais, a 20 própria vida parece não interessar mais. Enquanto a inibição global pode ser entendida como um aspecto exterior do relacionamento do indivíduo com o mundo, como uma espécie de prejuízo em seu desempenho, em seu rendimento pessoal e de relacionamento com as coisas, o estreitamento vivencial, por sua vez, denota uma alteração mais interior, um prejuízo nas impressões que o mundo e a vida causam no sujeito. Na inibição global as coisas são feitas com dificuldade e lerdeza, com maior esforço físico e mental sendo que no estreitamento vivencial as coisas nem sequer serão feitas (BALLONE, 2005). 1.1.3 SOFRIMENTO MORAL Este sentimento é conhecido como o sofrimento moral ou sentimento de menosvalia. É um fenômeno marcante e desagradável na trajetória depressiva. Trata-se de um sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa e rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos pejorativos. Dependendo do grau da depressão, o sofrimento moral aparece em graus variados, desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos. Outro fator que complica o diagnóstico é o fato do sofrimento moral nem sempre ser consciente e claro à pessoa que o sente. Muitas vezes a pessoa com baixa autoestima recorre a mecanismos de defesa que impede seus verdadeiros sentimentos. Por exemplo, nas pessoas com importante traço de irritabilidade e agressividade na personalidade, o sentimento de baixa autoestima se manifesta com agressividade, com comportamentos de superioridade ostensiva, com dificuldades gritantes em lidar com as frustrações, com as filas, enfim, são pessoas que manifestam essa sensação de estarem sendo "agredidas" de alguma forma, portanto, revidam com mais agressividade. Em pessoas naturalmente retraídas e introvertidas, a baixa autoestima se faz sentir com mais retraimento ainda, com mutismo e quietude preocupante, com isolamento e extrema dificuldade em expor sentimentos. Por isso, muitas vezes, utilizam a manifestação somática dessas emoções. Em pessoas de 21 personalidade ansiosa a baixa autoestima faz com que os outros pareçam inimigos em potencial, capazes de depreciar, de julgar e de avaliar (BALLONE, 2005). Quando a Depressão adquire características muito graves, o sofrimento moral pode aparecer sob a forma de delírio. Nesse caso seria o delírio humor congruente. O prejuízo da autoestima proporcionado pela depressão grave ou psicótica, pode ainda determinar uma ideação claramente paranóide, onde a culpa adquire uma posição destacada. O sofrimento moral deve ainda ser considerado o maior responsável pelo desfecho suicida das depressões severas. Aparece como uma prova doentia da incompetência do ser, de seu fracasso diante da vida e de sua falência existencial. Enquanto nos estados eufóricos a autoestima se encontra patologicamente elevada e as idéias de grandeza proporcionam uma aprazível sensação de bem-estar, na depressão a pessoa se coloca numa das posições mais inferiores entre seus semelhantes. Organicamente, uma pessoa com sofrimento moral, portanto, com tendência a autodepreciar-se em todos os sentidos, pode entender uma simples dor de estômago como prenúncios de um câncer gástrico, uma tontura trivial com indícios de um derrame iminente, uma tosse frugal como sugestiva de câncer de pulmão ou tuberculose, uma simples gripe como sinal de aids (BALLONE, 2005). Além desses sintomas considerados "centrais" por boa parte da literatura especializada (incluindo os manuais de diagnóstico CID-10 e DSM IV), encontram-se ainda, uma diversificada sintomatologia associada, como irritabilidade ou impaciência, pena de si mesmo, culpa muitas vezes injustificada, pensamentos negativos persistentes, dificuldade em tomar decisões e fazer tarefas rotineiras, insônia ou perturbações do sono, pensamentos ligados à morte, entre outras queixas (AUNE e PENNA, 2006). 1.2 ETIOLOGIA A etiologia da depressão ainda causa muita discussão na área médica e psicológica, os profissionais se dividem entre as perspectivas biológicas, sociológicas e 22 psicológicas. Grande parte dos psiquiatras e psicólogos vem compartilhando de uma perspectiva integrada, levando em conta fatores referentes à hereditariedade, condições ambientais e história de vida do paciente. Muitos avaliam alguns casos como uma “Depressão endógena”, que surge do nada, sem um motivo aparente (PETERSON, 2002). A busca da etiologia da depressão, de acordo com Aune e Penna (2006) enfatizar puramente fatores endógenos (biológicos, constitucionais ou predisposição genética) ou exógenos (socioculturais, vivências traumáticas, estilo de vida estressante, perdas e separações, etc.) seria empobrecer o entendimento do fenômeno. As autoras esclarecem, que estudos mais atuais, inclusive publicações recentes em artigos científicos e congressos de psiquiatria, neurologia, psicologia, dentre outros, vem enfatizando a importância de se buscar o entendimento da depressão, sua etiologia e desenvolvimento, levando-se em conta o fenômeno biopsicossocial. O próprio termo/palavra tem em sua constituição a conexão de fatores biológicos, psicológicos e sociais, como sendo indissolúveis entre si. Trata-se de uma tentativa genuína e atual de resgatar o pensamento de Hipócrates (considerado o "pai da medicina" ocidental), que enfatizava a história da pessoa doente e não a doença em si, primando uma visão holística do adoecer. A ocorrência de depressão é associada a fatores como idade, estado civil, classe social e condições sociais. É condição que afeta todos indivíduos em alguma fase de suas vidas, seja como humor transitório ao se sentir abatido ou melancólico, ou como uma forma mais séria, que pode prejudicar o desempenho físico e psicológico (CAMARANO, 1999). Estudos epidemiológicos têm mostrado que aproximadamente 40% a 50% do risco de depressão é genético. Investigações de genes específicos que conferem esse risco têm sido frustrante, porque até o momento nenhuma anormalidade genética foi identificada. Isto pode ser devido a complexidade dessa condição que provavelmente envolve vários genes. Além da genética outros fatores também podem influenciar a vulnerabilidade a depressão. Dentre eles inclui-se: estresse, traumas emocionais e infecções virais. (NESTLER, et al, 2002). 23 Os fatores psicológicos da depressão são enfatizados por Zorzetto Filho (1999) como reação anormal a perdas; Teoria interpessoal da depressão; Teoria cognitiva; Teorias comportamentais. Reação anormal a perdas: na maioria dos estudos de comparação entre pacientes portadores de depressão e controles normais, a morte de um dos pais na infância esteve positivamente associada com o aparecimento de depressão na vida adulta (DUBOVSKY e BUZAN, 1999). A influência de separação precoce em crianças foi estudada por BOWLBY (1980), que demonstrou a possibilidade de se produzir uma síndrome depressiva, que predisporia ao posterior surgimento de um transtorno depressivo. Esse também tem sido associado temporalmente a perdas, separações e decepções recentes (MEMPORAD, 1988; PAYKEL e COOPER, 1992). Teoria interpessoal da depressão: como em outras hipóteses psicodinâmicas, a depressão seria uma resposta à perda ou ameaça da perda, relacionada a algum dos quatro componentes básicos dos relacionamentos interpessoais: o luto não resolvido; disputas entre parceiros e membros da família, sobre papeis e responsabilidades no relacionamento; mudanças de papeis e déficits das habilidades sociais para manter um relacionamento (DUBOVSKY e BUZAN, 1999). Teoria cognitiva: segundo SHINOHARA (1995), o modelo cognitivo da depressão propõe três conceitos específicos para explicar o substrato psicológico desse distúrbio: a tríade, os esquemas e o erro cognitivo. A tríade cognitiva consiste em três padrões cognitivos que fazem com que o indivíduo veja o seu futuro e as suas experiências de forma negativa. Nessa situação, ele(a) vê a si mesmo como inadequado, incapaz e fracassado, (b) interpreta suas experiências de forma negativa e (c) tem uma visão pessimista do futuro. O termo “esquema” designa os padrões cognitivos estáveis, que são ativados em determinadas circunstâncias, para caracterizar e avaliar as experiências. O paradigma do indivíduo com depressão produz uma visão distorcida dele mesmo e do mundo. Os erros cognitivos consistem de distorções negativas e pessimistas da realidade que fazem com que predominem os pensamentos dominados por temas de fracasso, dificuldades em transpor obstáculos, sensação de impotência e sofrimento permanente. 24 Teorias comportamentais: o modelo de reforçamento comportamental sustenta que a depressão é causada por reforçadores positivos insuficientes ou inadequados para os comportamentos não-depressivos, o que leva a déficits no comportamento social adaptativo, tais como assertividade, resposta positiva a desafios, procura de reforços significativos, como afeição, cuidados e atenção (LETINER e RANGÉ, 1987). Sentimentos de desamparo, expressão de sofrimento, queixas físicas e outros comportamentos considerados depressivos acabariam sendo reforçados, especialmente se as pessoas significativas dessem mais atenção às dificuldades do indivíduo do que às suas capacidades. As perdas, além de significarem uma ruptura em uma ligação que envolve o sentimento de apego, eliminariam o principal reforço social e resultariam em comportamentos depressivos, se o paciente não tivesse desenvolvido um repertório adequado de comportamentos adaptativos ou não dispusesse de outras fontes de reforços (DUBOVSKY e BUZAN, 1999). 1.3 EPIDEMIOLOGIA A depressão é uma morbidade de difícil mensuração, especialmente em estudos epidemiológicos. Isso se deve ao fato de que o quadro depressivo é composto de sintomas que traduzem estados de sentimentos que diferem acentuadamente em grau e, algumas vezes, em espécie (GAZELLE et al., 2004). De acordo com Martin, Quirino e Mari (2007) em 2020, estima-se que a depressão será a segunda causa de incapacidade no mundo. Os mesmos autores enfatizam que estudos internacionais e nacionais mostram que os sintomas de depressão e ansiedade são mais prevalentes entre mulheres. Mulheres e pessoas com baixa escolaridade e economicamente desfavorecidas possuem, maior risco de apresentar depressão. A depressão, presente de modo provavelmente universal nas variadas populações do mundo e registrada desde tempos remotos (DEL PORTO, 2004), tem sido avaliada, em muitos estudos epidemiológicos, como sendo aproximadamente duas 25 vezes mais prevalente em mulheres que em homens (ANGST et al., 2002). A preponderância das mulheres, mesmo que de maneira menos acentuada, também parece ocorrer em outras formas de manifestações depressivas, como distimia e depressão menor (ANGST, 1997). Por outro lado, existem ressalvas quanto à generalização dessas constatações. As diferenças determinadas pelo gênero possivelmente não estão presentes em algumas subpopulações, como, por exemplo, nos afro-americanos (BROWN et al., 1995) e em israelenses jovens (LEVAV et al., 1993). Também há controvérsias entre diferentes estudos, para a depressão maior, quanto, por exemplo, à questão de se verificarem variações nas diferenças de prevalência entre sexos masculino e feminino, conforme as faixas etárias consideradas: encontram-se na literatura informações de que tais diferenças existem somente entre a puberdade e a quinta década (NOBLE, 2005), e outras que, contrariamente, sustentam que a proporção de duas mulheres para um homem se mantém ao longo de toda a vida. Os tipos de comorbidades também parecem ser distintos conforme o sexo, com homens apresentando mais doenças cardíacas e diabetes e mulheres, mais enxaquecas e disfunção tireoideana (ANGST et al., 2002). Aproximadamente entre 2 e 12% dos indivíduos no Brasil, apresentarão depressão no seu ciclo de vida. Esses índices são mais altos entre os pacientes dos serviços de atenção primária. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) conduzido no Rio de Janeiro em 15 centros de atenção primária à saúde mostrou uma prevalência de 29,5% para os transtornos depressivos. A maioria dos indivíduos com depressão é atendida pelos serviços de atenção primária, enquanto apenas uma minoria recebe atendimento de especialistas em saúde mental. Apesar da depressão ter uma taxa de prevalência relativamente alta nos serviços de atenção primária, seus diagnóstico e tratamento são insuficientes. Os clínicos gerais falham na detecção do transtorno em mais de 50% dos casos, e provêm tratamento para apenas um terço deles. Nos pacientes em que o transtorno não é diagnosticado ou é subtratado, observa-se uma pior evolução (VALENTINI et al., 2004). A prevalência de depressão nos idosos é relevante na prática clínica, para que se possa intervir adequadamente assim como prevenir os fatores de risco (OLIVEIRA, GOMES e OLIVEIRA, 2006). 26 Estudos realizados em comunidades têm mostrado correlação positiva entre a idade (principalmente acima de 65 anos) e a presença de sintomas depressivos. Blazer e Williams (1980) encontraram sintomas depressivos em 14,7% dos idosos vivendo em comunidade. No Brasil, no Estado da Bahia, Aguiar e Dunningham (1993) relataram prevalência semelhante (15%) de sintomas depressivos em idosos na comunidade. Veras e Murphy (1994) avaliaram a saúde mental de idosos (acima de 60 anos) em três distritos da cidade do Rio de Janeiro, com populações de diferentes níveis socioeconômicos (alto, médio e baixo poder aquisitivo). A porcentagem de sintomatologia depressiva foi de 22,6%, 19,7% e 35,1%, naqueles com alto, médio e baixo poder aquisitivo, respectivamente. Esses resultados mostram prevalências mais elevadas do que as relatadas em estudos semelhantes, especialmente na população de baixo poder aquisitivo. Para esses autores, essa diferença foi devida às limitações do instrumento utilizado, mas também à escassez de serviços de auxílio destinados à população de idosos, comparada a dos países desenvolvidos (transporte adequado, serviços de assistência de enfermagem domésticos, serviços voluntários dedicados ao bem-estar, entre outros). 27 CAPÍTULO II 2 A TERAPIA COMPORTAMENTAL A abordagem comportamental em psicologia vem sofrendo avanços consideráveis nos últimos anos. De uma aplicação restrita a alguns poucos problemas clínicos ou educacionais manejados por meio de intervenções exclusivamente técnicas colocadas apenas em paradigmas de condicionamento, expandiu-se para ser utilizada com todos os tipos de problemas, psiquiátricos, neuropsicológicos, educacionais, ecológicos, médicos, profissionais, dentre outros, com as mais variadas populações, por meio de um sistema que reúne, organicamente, um modelo próprio de compreensão dos fenômenos comportamentais, um conjunto considerável de técnicas e estratégias de interação, atualmente baseadas em muitos paradigmas, inclusive cognitivos, oriundos da psicologia experimental, da psicologia social e das ciências cognitivas. Apenas uma característica não mudou: a adesão comprometida a uma fundamentação científica e experimental rigorosa (RANGÉ, 1995). A preocupação com o papel do homem, como responsável pela construção da sociedade, remota de longa data. A sociedade, em qualquer época ou contexto, busca explicações para compreender a existência de comportamentos que influenciam, positiva ou negativamente, a estrutura social. Estes comportamentos socialmente importantes, tais como crimes, toxicomanias, dentre outros, podem ser investigados e analisados, com a finalidade de elaborar planos de atuação, que proporcionem mudanças de comportamento, com o objetivo de promover o desenvolvimento da sociedade (CUNHA, 1995). A análise aplicada do comportamento é um processo de aplicações de princípios do comportamento para o aperfeiçoamento de comportamentos específicos, que ao mesmo tempo verifica se estas mudanças ocorridas são decorrentes, ou não, da aplicação destes princípios, possibilitando procedimentos de investigação rigorosos que servirão para um estudo aprofundado de comportamento (CUNHA 1995). 28 O conhecimento dos princípios da análise aplicada de comportamento pode ser revertido para estudos com inúmeras finalidades. No entanto, psicólogos, educadores e sobretudo, cidadãos, tem o dever e a responsabilidade de utilizar o conhecimento científico em prol da melhoria da qualidade de vida e para o desenvolvimento máximo do potencial do indivíduo, para que este possa se tornar um agente consciente de transformação social. Afinal, este não é o principal objetivo da ciência (CUNHA, 1995)? Devido ao fato de a Terapia Comportamental ter sua origem em diversas posições teóricas, a sua evolução ao longo dos anos é acompanhada por inúmeras discussões e divergências quanto aos princípios teóricos e metodológicos que a caracterizam. Esta divergência esta refletida em parte na terminologia empregada para denominar esta área de atuação profissional, sendo as expressões Modificação do Comportamento e Terapia Comportamental as mais comumente empregadas. A primeira foi utilizada principalmente por autores que fundamentaram seus estudos no paradigma de condicionamento operante e a segunda para designar estudos baseados no paradigma de condicionamento respondente. Estas duas expressões também foram empregadas de forma distinta em relação ao tipo de situação de intervenção, sendo Modificação do Comportamento usada para identificar procedimentos realizados em situações grupais e institucionais. Terapia Comportamental, por sua vez, foi utilizada principalmente em contexto clínico tradicional, em que a intervenção é feita com pacientes externos individuais (BARCELLOS e HAYDU, 1995). O processo terapêutico comportamental implica numa tentativa de controlar as variáveis ambientais que favorecem a eliminação de comportamentos inadequados e a obtenção de outros que viabilizem uma atuação mais adequada do cliente em seu contexto de vida. Busca diminuir ao máximo sua exposição às conseqüências negativas, como também potencializar a probabilidade às situações agradáveis (NÉRI, 1987 apud COSTA, 2002). Costa (1996 apud COSTA, 2002, p. 11) corrobora com a definição acima e complementa-a da seguinte forma: 29 Por terapia comportamental [leia-se TAC] entende-se o trabalho terapêutico que se fundamenta no Behaviorismo Radical e utiliza os princípios de análise do comportamento no contexto clínico, objetivando identificar e analisar funcionalmente as variáveis externas que estão controlando os comportamentos do cliente, à fim de modificá-los, quando desejado. Dito de outra forma o que define a Terapia Comportamental [ou a TAC] é o modo como se compreende e se intervém no fenômeno comportamental, que deve estar em concordância com a filosofia e a ciência do comportamento. Complementando os conceitos acima, Guilhardi (2004) descreve a terapia comportamental como um processo que envolve a aplicação de procedimentos ou técnicas comportamentais específicas, utilizadas com o objetivo de modificar exemplos particulares dos comportamentos de queixa, apresentada pelo cliente, ou por pessoas significativas do ambiente social em que ele está inserido. Ressalta que há o envolvimento de tal prática, mas não se limita a ela. É importante definir a importância do termo operante, que diferencia a prática comportamental do que é feito em outras terapias. Nesse sentido Cirino et al. (2006, p. 185) diz que: O termo operante designa uma classe de respostas. A característica comum a estas respostas é que elas possuem a propriedade à qual a conseqüência é contingente. Um operante é, portanto, uma categoria cujas instâncias concretas são respostas do organismo, ou seja, ocorrências discretas do comportamento. Essas respostas não são definidas por sua forma, mas por sua relação com a conseqüência. A noção de comportamento operante descreve a ação do organismo sobre o meio do qual emergem as conseqüências últimas de seu comportamento. No entanto, quando se trata de sujeitos humanos, deve-se considerar uma forma de comportamento operante distintiva, que age indiretamente sobre o meio, ou seja, que age inicialmente sobre outros seres humanos. Seria o comportamento verbal, ou seja, as conversas e as falas entre as pessoas, de um modo geral (CIRINO et al., 2006). Além disso, as terapias comportamentais, tem como pressuposto analisar os comportamentos à luz de três níveis de variação e seleção: o filogenético, o ontogenético e o cultural. O primeiro refere-se à seleção de comportamentos característicos da espécie ao longo do processo evolutivo da mesma. O segundo diz respeito à história de reforçamento; ou seja, é relativo aos comportamentos 30 selecionados ao longo da vida de um indivíduo, considerando-se a interação deste com o seu ambiente. O terceiro nível é relativo aos comportamentos selecionados pela interação do organismo humano com o seu ambiente específico, caracterizado por determinadas práticas sociais. O comportamento, portanto é fruto da ação integrada e inseparável destes três níveis (CIRINO et al., 2006). Vale destacar, que na terapia comportamental existem várias modalidades terapêuticas, como exemplo, a Terapia Analítica Funcional (FAP), de Kohlenberg e Tsai (2004) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) de Hayes et al. (1999), ambas com enfoque na filosofia behaviorista radical. (ABREU, 2006). 2.1 ÉTICA NA TERAPIA COMPORTAMENTAL É consideravelmente mais fácil, de um modo geral, exercer controle de comportamento de alguém por meios mais suaves e indiretos, levando a pessoa a pensar que está se autodeterminando, do que por meio da prática objetiva e franca, quando a pessoa pode se sentir às vezes, controlada. O domínio dos meios mais indiretos não deve ser substimados, pois é mais difícil de ser identificado e, portanto, não há como o indivíduo, que está sendo controlado, se opor ou se libertar daquilo que ele não percebeu. Na maioria das vezes, esta pessoa, que está sendo totalmente controlada por meios indiretos, sente-se orgulhosa de sua autodeterminação e livrearbítrio e critica tentativas científicas de mudanças comportamentais planejadas. É esta, provavelmente, a maior razão pela qual, os princípios de modificação de comportamento, que deram origem à terapia comportamental, são temidos e criticados, pois eles se originam nos estudos das leis naturais que controlam o comportamento. A terapia comportamental específica e enfaticamente professa que não só o comportamento humano é passível de ser modificado e controlado, mas também que é desejável que isso ocorra. Esta proposição leva a oposições filosóficas de pessoas que preferem ignorar as leis naturais do comportamento humano que operam no universo através dos milênios, quer sejam elas codificadas dentro da rubrica de “terapia 31 comportamental” quer sejam elas deixadas não-identificadas a terem seu efeito incisivo no mundo (LIPP, 1995). 2.2 O LIVRE-ARBÍTRIO A objeção à terapia comportamental, no que se refere ao desrespeito ao livrearbítrio, é filosófica e, talvez seja a que mais cause impacto nas pessoas que desconhecem alguns conceitos fundamentais desta terapia e que temem o controle comportamental. Porém, na prática o que se verifica é que um bom controle sobre o comportamento é atingível e desejável em situações as mais variadas que podem gerar mudanças positivas na vida do ser humano e da sociedade. Toda profissão de ajuda (educação, psicologia, psiquiatria) só podem atingir seus objetivos se os profissionais envolvidos exercerem controle sobre o comportamento. O objetivo dos professores, por exemplo, é moldar ou estimular o comportamento dos alunos para que eles se beneficiem do que o ambiente oferece. Assim sendo, o arbítrio não é livre, pois depende da história de condicionamento, de reforço e punição do indivíduo através dos anos, aliada à herança genética por ele trazida. É importante pensar que o indivíduo que procura uma terapia já está sendo controlado pelo reforçamento não-planejado de comportamentos inadequados. Deste modo pode-se garantir que a terapia comportamental contribui para aumentar a liberdade pessoal e produzir maior bemestar ao ser humano (LIPP, 1995), na medida em que usa a mudança das condições ambientais onde o comportamento ocorre. Adicionalmente, é importante lembrar que a terapia comportamental baseia-se em princípios, técnicas e procedimentos sobre como produzir mudanças, ela não estipula a priori “quem” deve mudar “qual” comportamento, “por que” e “quando”(O‟LEARY e WILSON, 1975). Estas decisões são tomadas pelo cliente. Ao terapeuta compete identificar pessoas e estímulos ambientais que estejam mantendo o problema e fornecer os meios, sugerir técnicas e procedimentos a serem utilizados para que os objetivos do paciente sejam alcançados. O terapeuta comportamental diferencia 32 entre seus conhecimentos científicos quanto à administração de contingências e seu sistema de valores pessoais (LIPP, 1995). Sem dúvida, a terapia comportamental faz uso da aplicação de princípios poderosos e eficazes que tanto podem ser utilizados de modo antiético, envolvendo abuso de poder e controle inadequado das pessoas envolvidas, como também podem ser utilizados de modo apropriado para promover o bem-estar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e da humanidade. Cabe a nós, membros da comunidade de terapeutas comportamentais, normalizar a ética desta abordagem a fim de não só proteger os direitos humanos dos pacientes, mas também resguardar a pessoa do terapeuta e a imagem da terapia comportamental (LIPP, 1995). 33 CAPÍTULO III 3 A DEPRESSÃO NA VISÃO DA TEORIA COMPORTAMENTAL Há quatro décadas Skinner (1953) postulou que a depressão era o resultado de um debilitamento do comportamento devido à interrupção de seqüências estabelecidas do mesmo que haviam sido reforçadas positivamente pelo ambiente social. Está conceitualização de depressão, como um fenômeno de extinção e como uma redução da freqüência de emissão do comportamento, foi básica para todas as posições comportamentais. Ferster (1996) proporcionou mais detalhes sugerindo que fatores tais como mudanças ambientais repentinas, castigo e o controle aversivo e mudanças nas contingências de reforço podem dar lugar a depressão, ou seja, um déficit comportamental. Destacou que o fracasso depressivo para produzir comportamentos adaptativos pode ser devido a uma série de fatores incluindo: a) mudanças ambientais repentinas que exigem o estabelecimento de novas fontes de reforço; b) o envolvimento em comportamentos aversivos punitivos que evita a oportunidade do reforço positivo; c) a observação errônea do ambiente, que produz um comportamento socialmente inapropriado e uma baixa freqüência de reforço positivo. Ferster (1996) recorreu ao conceito de encadeamento para explicar a possibilidade de generalização da resposta ao que, muitas vezes, constitui uma perda circunscrita do reforço (ex. a perda do emprego). Considerando a atenção dada pelas teorias comportamentais da depressão aos reforçadores e as contingências ambientais, um objetivo principal das terapias de orientação comportamental para a depressão implica o aumento do reforço positivo que o individuo deprimido recebe (CABALLO, 2003). Quanto aos enfoques comportamentais para a avaliação da depressão, estes centram-se normalmente nas características manifestas do transtorno, como o comportamento psicomotor e verbal. Considerando o interesse das teorias 34 comportamentais da depressão nas contingências ambientais, os clínicos e os pesquisadores de orientação comportamental tratam de avaliar aspectos do ambiente e da interação pessoa – ambiente que podem estar relacionados com o início ou com a manutenção da depressão. Deste modo, a avaliação comportamental pode incluir uma exploração de fatores tais como as habilidades sociais do indivíduo deprimido, o comportamento daqueles com quem o paciente deprimido interage e as atividades reforçadoras para a pessoa deprimida (CABALLO, 2003). 3.1 MODELO EXPLICATIVO – COMPORTAMENTO / DEPRESSÃO De acordo com Willner (1991), até a década de 70, o estudo de alguns modelos experimentais era quase que exclusivamente de interesse da indústria farmacêutica, que realizava testes reativos a medicação como, por exemplo, os testes de blindagem de antidepressivo. Porém, muitos clínicos estariam agora preparados para aceitar, pelo menos em princípio, que modelos animais servem como simulações para a investigação não somente de aspectos bioquímicos, mas também de aspectos comportamentais da depressão. Willner (1991) separa o estudo de modelos de depressão em três grupos: o primeiro grupo consiste em modelos nos quais comportamentos anormais são gerados através de separação social. O segundo grupo consiste no propósito de que a tensão induz prejuízos de atividade locomotora e/ou comportamental em situações aversivas; no grupo final, comportamentos anormais são gerados através de lesão cerebral. Em seus estudos, Willner (1991) ainda cita alguns dos experimentos utilizados pelo o estudo da depressão em laboratórios, como por exemplo, os modelos de Exhaustion stress (tensão de esgotamento); behavioural despair (desespero); failure to adapt to stress (adaptação fracassada do stress); chronic unpredictable stress (tensão crônica imprevisível); learned helplessness (dasemparo aprendido). É a esse último que tem sido dada maior atenção no estudo experimental da depressão e é também ele que dentre todos os modelos citados, este trabalho aborda de forma específica, pois o 35 procedimento que gera o desamparo pode ser um instrumento precioso para a análise do comportamento, sobretudo na prática clínica (HUNZIKER, 1997). Segundo Rodrigues e Ribeiro (2005, p. 82), o desamparo tem como idéia central que: “os organismos expostos a eventos incontroláveis aprendem que os eventos ambientais são independentes de suas respostas, uma aprendizagem que irá interferir futuramente na aquisição de novos desempenhos”. Conclui-se então, que a experiência passada com eventos aversivos incontroláveis deverá dificultar o indivíduo ficar sob o controle das contingências reforçadoras presentes. Nos quadros depressivos, muitos dos desencadeadores se ajustam a essa definição, por exemplo: a perda por morte de um ente querido, ou uma demissão sem justa causa (HUNZIKER, 1997). Nesse tipo de caso, de acordo com Hunziker (1997) o que mantém o estado depressivo é a aprendizagem de não relação entre as respostas do sujeito deprimido e o que ocorre no meio, o que acaba por se generalizar e dificultar a adaptação a novas contingências. As formulações de regras a partir dessa generalização descrevem a discriminação do indivíduo quanto a seu poder de controlar ou não os eventos do meio. O desamparo foi proposto como um modelo animal da depressão a partir da observação de algumas similaridades entre o comportamento de pessoas deprimidas e o comportamento dos animais mediante contingências aversivas incontroláveis (HUNZIKER, 2005). Tais similaridades vão em direção aos aspectos sintomatológicos, etiológicos, de prevenção e cura da depressão. Por exemplo, a passividade dos animais frente a experimentos onde se utilizam de choques como estímulos aversivos, poderia se assemelhar à passividade do indivíduo deprimido, que não atua sobre o seu meio. Acerca da etiologia, observa-se que eventos traumáticos, fora do controle do sujeito, podem ser desencadeantes de alguns tipos de depressão humana, assim como no desenvolvimento do desamparo em animais (WILLNER, 1991). Skinner, em 1957 na obra “Ciência e comportamento humano” fala da depressão como sendo o resultado de uma debilidade do comportamento, o que se dá pela interrupção de seqüências estabelecidas do mesmo que haviam sido reforçadas positivamente pelo ambiente social do indivíduo. Já Fester (1966 apud LEWINSOHN, 2003), recorre ao conceito de encadeamento para mostrar a possibilidade de 36 generalização de um indivíduo deprimido, onde o quadro constitui perda de reforçadores. Lewinsohn (2003, p. 474), explica que: “[...] a perda de uma fonte central de reforços levaria a uma diminuição de todos os comportamentos que estão „encadeados‟ a ela ou organizados em torno do reforço perdido”. Lewinsohn (2003) ainda cita que Foster (1966) teria destacado que o insucesso dos indivíduos depressivos em se comportar de maneira mais adaptativa pode se dar por uma série de fatores, tais como: A necessidade de estabelecer novas fontes de reforço que surge devido a mudanças ambientais repentinas; a oportunidade de reforçamento positivo devido ao envolvimento em comportamento aversivos ou punitivos; a observação errônea do ambiente, onde o reforçamento positivo também apresenta baixa freqüência através da emissão de comportamentos sociais inapropriados. A concepção comportamental acerca da depressão seria, mais tarde, ampliada por Lewinsohn (2003) por meio de três hipóteses: A primeira mostra a existência de uma relação casual entre a depressão e a baixa taxa de reforço positivo contingente à resposta, onde o indivíduo poderia apresentar deficiências em seu repertório comportamental, ou falta de habilidades sociais, bem como estar em interação com um ambiente que não lhe ofertasse reforços potenciais ou experiências aversivas em excesso. A segunda sugere que os comportamentos depressivos seriam mantidos por contingências reforçadoras em forma de simpatia, interesse e preocupação, apresentadas pelo ambiente social. Por fim, a terceira hipótese coloca como antecedente da baixa taxa de reforço positivo, as deficiências no funcionamento das habilidades sociais, e, por conseguinte, uma vez que o reforço positivo é insuficiente, torna-se difícil para a pessoa deprimida iniciar ou manter determinados comportamentos que dependem da disponibilidade desses reforçamentos (LEWINSOHN, 2003). De fato, seja em qualquer situação que demanda uma análise das interações de um indivíduo, partindo da investigação de um dado comportamento ou padrão de comportamento, a atitude do profissional desta abordagem parte de um princípio, destacado por Fester (1968), o qual diz que o psicólogo comportamentalista tem como enfoque principal o que se denomina a análise funcional do comportamento. É o que 37 constitui a relação entre estímulos, comportamento e as conseqüências do comportamento no ambiente. 3.2 TRATAMENTO COMPORTAMENTAL DA DEPRESSÃO Considerando a atenção dada pelas teorias comportamentais da depressão aos reforçadores e às contingências ambientais, um objetivo principal das terapias de orientação comportamental para a depressão, implica o aumento de reforço positivo que o indivíduo deprimido recebe. Neste contexto, foram descritas uma série de enfoques de tratamento, todos compartilhando deste objetivo comum (p. ex., ANTONUCCIO et al., 1989). Como assinalou Hoberman e Lewinsohn (1985), também existe uma série de outros elementos comuns associados aos enfoques comportamentais para o tratamento da depressão. Por exemplo, exige-se que os pacientes observem normalmente suas atividades, estado de ânimo e pensamentos. Os pacientes são estimulados a fixar objetivos atingíveis, a fim de assegurar-se de experiências satisfatórias e conceder-se a si mesmo recompensas por atingir seus objetivos. Finalmente, a maioria dos enfoques comportamentais implica um treinamento planejado para remediar diferentes déficits de habilidades e da atuação dos pacientes deprimidos (p. ex., treinamento de habilidades sociais, treinamento de assertividade), que são de tempo limitado, desenvolvidos para durar normalmente de quatro a doze semana (LEWINSOHN et al., 2003). A Terapia Comportamental como um conjunto de procedimentos clínicos de intervenção terapêutica frente a transtornos psicológicos e/ou psiquiátricos em muito contribui para o tratamento de transtorno de humor (afetivos) unipolares: a Depressão. Determinando as seguintes contribuições (CABALLO, 2003, p. 452): a) Análise funcional da Depressão e não topográfica apenas (CAVALCANTE, 1997; FENNEL, 1997); b) A busca de modelos experimentais (animais e humanos) que corroborassem a aquisição de comportamentos depressivos: desamparo aprendido de Seligman (1975, apud HUNZIKER, 1997); 38 c) Pesquisa de aspectos distintos ou particulares em humanos quanto a Depressão modelos cognitivos (pensamentos disfuncionais para Beck ou as crenças irracionais para Ellis) (BECK, 1979/1997); d) Modelos para o tratamento, atuando clinicamente de forma distinta em focos de atenção para a terapia: com pensamentos depressivos (BECK et al., 1979; FUCHS e REHM, 1977, apud BROWN et al., 1984), implementação de comportamentos sociais adequados ou assertivos (HERSEN et al., 1980; SANCHEZ et al, 1980; ZEISS, 1977, apud BROWN, et al., 1984), estimulação de atividades reforçadoras e manutenção de ganhos com o relaxamento (LEWINSOHN, 1977, apud BROWN et al., 1984), resolução de problemas (MCLEAN e HAKSTIAN, 1979, apud Brown, 1984) entre outras formas; e) Controle da depressão modelos de prevenção à recaída, ou seja, promovendo a manutenção da recuperação sintomatológica adquirida em intervenção medicamentosa, por ex. (BECK et al., 1999); f) Instrumentos de identificação da depressão: Inventário de Beck (BDI), Escala de atitudes disfuncionais (DAS), Questionário de pensamentos automáticos (ATQ) (FREE et al., 1998), escala de desesperança de Beck. Com os avanços da bioquímica e psicofarmacologia, que diminuem o sofrimento do paciente depressivo num período espetacular, com um número cada vez menor de efeitos colaterais indesejáveis, é questionável estabelecer tratamentos frente a transtornos depressivos sem se voltar para as informações adquiridas pela Terapia Comportamental. Mesmo porque hoje enfrentar a depressão não se trata apenas de diminuir sua sintomatologia incapacitante e perturbadora, a qual é facilmente controlada, mas obter uma reestruturação na vida dos indivíduos acometidos por esta, já que estudos mostram que esta não se resume a um único acontecimento, onde além do seu retorno, sempre existe a possibilidade de um desfecho trágico (CABALLO, 2003). Assim, a sistematização resumida de informações sobre a Terapia Comportamental frente à depressão, acima descritas, tem um papel importante na aquisição de novos comportamentos e na compreensão do indivíduo sobre sua doença propiciando o autocontrole como uma forma de atingir sua qualidade de vida, não podendo mais, (tais informações) serem ignoradas. O tratamento antidepressivo deve ser entendido de uma forma globalizada levando em consideração o ser humano como um todo incluindo dimensões biológicas, psicológicas e sociais. Portanto, a terapia deve abranger todos esses pontos e utilizar a psicoterapia, mudanças no estilo de vida e a terapia farmacológica (CABALLO, 2003). 39 As psicoterapias, mais especificamente as terapias comportamentais têm se mostrado extremamente eficazes no tratamento de indivíduos com depressão, auxiliando no aprendizado da realização de atividades que sejam reforçadoras que tragam maior satisfação, devolvam o sentido às pessoas, coisas e atividades e conscientizando a pessoa sobre ações dela que mantém o quadro de depressão. Isso possibilita mudanças nos pensamentos depressivos e sentimentos depressivos. Ou seja, o tratamento da depressão enfatizado na terapia comportamental trabalha os modelos de autocontrole e o de treinamento de habilidades sociais. Assume-se que a depressão e os reforços sejam fenômenos relacionados, e que os déficits nas habilidades sociais contribuam para a incapacidade do paciente de obter os reforços positivos disponíveis no ambiente social e/ou de lidar com as adversidades do cotidiano. Há quatro elementos básicos nesta terapia: análise funcional do contexto dos sintomas, monitoração e planejamento de atividades com o paciente, manejo de experiências aversivas e desenvolvimento de habilidades sociais (CABALLO, 2003). No entanto, de acordo com Caballo (2003), o tratamento da depressão se faz atualmente com a psicoterapia e a combinação de medicamentos antidepressivos. Esses medicamentos permitem uma recuperação gradual da depressão (em geral em algumas semanas) além de proteger a pessoa de novas crises depressivas. Por isto muitas pessoas precisam tomá-los por longos períodos de tempo, às vezes por toda a vida. Como os medicamentos demoram algum tempo para agir, é importante não desanimar; nesse período o apoio e a compreensão dos familiares são fundamentais. Considera-se então que a abordagem psicoterápica concomitante ao uso de medicamentos permite que o tratamento de depressão seja mais efetivo. A razão para a utilização das duas formas de tratamento está na sua complementaridade. O medicamento melhora a sensação de cansaço, o desânimo, os distúrbios de sono e de apetite e torna o humor mais palatável. À depressão, qualquer que seja sua origem, acarreta na pessoa deprimida uma serie de alterações em suas relações com as pessoas que a cercam, em suas atividades e fundamentalmente, na forma de expressão afetiva que possui. A dinâmica de suas emoções encontra-se prejudicada. É nesses aspectos que a psicoterapia pode auxiliá-lo. Leva a pessoa a reflexões sobre 40 seu funcionamento dinâmico de suas emoções, possibilitando assim a reconstituição de seu modo de ser, que se encontra circunstancialmente alterado (GASPARINE, 2008). 3.3 TENDÊNCIAS FUTURAS Que há uma série de intervenções comportamentais eficazes para a depressão, todas tentando modificar as interações do paciente com o ambiente social, a fim de diminuir o nível de depressão. Estes programas centram-se de forma diferente em ajudar os pacientes deprimidos a realizar mais freqüentemente atividades agradáveis, a melhorar suas habilidades sociais, a ser mais precisos na auto-observação, menos rígidos na auto-avaliação e mais liberais no auto-reforço, e a aprender habilidades de enfrentamento e de solução de problemas mais eficazes. Apesar desta diversidade, é aparente que um objetivo principal destes programas implica o aumento da quantidade de reforço positivo recebido pelos pacientes deprimidos; é evidente também que atingir estes objetivos leva normalmente a uma diminuição significativa na sintomatologia depressiva (LEWINSOHN et al., 2003). 41 CAPÍTULO IV 4 TÉCNICAS DA TERAPIA COMPORTAMENTAL UTILIZADAS NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO A utilização de técnicas é um processo chamado de empirismo colaborativo, uma vez que terapeuta e cliente engajam nessas experiências de avaliação e modificação comportamental (SHINOHARA, 2004). Existem diferentes estratégias, técnicas e conceitos teóricos. Mas o comum a todos os que se autodenominam “terapeutas comportamentais” é um compromisso com a avaliação, a intervenção e os conceitos que se apóiam em algum tipo de marco teórico de aprendizagem E-R (estímulo-resposta), imerso, por sua vez, dentro da metodologia do aprendizado científico-comportamental (FRANKS, 1999). Na psicoterapia comportamental os modelos mais freqüentemente praticados são os de autocontrole e o de treinamento de habilidades sociais. Assume-se que a depressão e os reforços sejam fenômenos relacionados, e que os déficits nas habilidades sociais contribuam para a incapacidade do paciente de obter os reforços positivos disponíveis no ambiente social e/ou de lidar com as adversidades do cotidiano. Há quatro elementos básicos nesta terapia: análise funcional do contexto dos sintomas, monitoração e planejamento de atividades com o paciente, manejo de experiências aversivas e desenvolvimento de habilidades sociais (FRANKS, 1999). Segue, portanto, algumas das técnicas utilizadas pela abordagem da terapia comportamental. 4.1 UM PROGRAMA DE AUTOCONTROLE PARA A DEPRESSÃO 42 O autocontrole é uma técnica que auxilia o indivíduo a minimizar os efeitos de reforçadores imediatos, porém perigosos a longo prazo, de forma independente de outras pessoas. O autocontrole é recomendado para situações que não há reforços imediatos e potentes para comportamentos alternativos. O treino consiste em um conjunto de procedimentos que visam a ensinar o indivíduo a modificar seu próprio comportamento com o propósito de alcançar objetivos a longo prazo (REHM, 1996 apud RODRIGUES e BECKERT, 2004). Dessa forma o treinamento compreende três processos comportamentais, conforme proposto por Kanfer et al. (1970 apud RODRIGUES e BECKERT, 2004) autoregistro, auto avaliação e auto reforçamento. a) Auto Registro: Observação e registro sistemáticos do próprio comportamento, seus antecedentes e seus conseqüentes; b) Auto Avaliação: Comparação quantitativa e/ou qualitativa, entre o desempenho observado e algum critério de desempenho preestabelecido; c) Auto Reforçamento: É um procedimento que ajuda o indivíduo a estabelecer conseqüências reforçadas após emissão de comportamentos programados. Mesmo tendo acesso livre às conseqüências potencialmente reforçadoras, essas conseqüências somente serão contadas caso o seu desempenho atinja critérios previamente estabelecidos (RODRIGUES e BECKERT, 2004) O modelo de autocontrole para a depressão (REHM, 1977) foi o produto das tentativas para proporcionar um amplo marco conceitual na consideração da depressão como um transtorno complexo, com uma série de importantes dimensões psicológicas. Foi uma tentativa de integrar, sob um marco conceitual, fatores que haviam sido identificados como componentes significativos da depressão por várias, teorias contemporâneas cognitivo-comportamentais da depressão. O artigo de 1977 adaptou o modelo de Kanfer sobre o autocontrole, propondo que a pessoa que está deprimida ou que é vulnerável à depressão, caracteriza-se por alguma combinação de seis (6) déficits específicos no autocontrole do comportamento. 43 Estes componentes psicológicos da depressão ocorrem nos comportamentos de autoregistro, de auto-avaliação e de auto-reforço, da seguinte maneira: a) As pessoas deprimidas consideram seletivamente os acontecimentos negativos de suas vidas, com a exclusão dos acontecimentos positivos. De forma parecida à idéia de Beck sobre a abstração seletiva, a idéia é que a pessoa deprimida dirige sua atenção à vigilância de experiências ou acontecimentos negativos. b) As pessoas deprimidas consideram seletivamente as conseqüências imediatas e não as tardias, de seu comportamento. Como um componente da dificuldade geral para trabalhar em objetivos a longo prazo, as pessoas deprimidas encontram-se mais afetadas por suas necessidades emocionais imediatas e têm dificuldades para concentrar-se na gratificação tardia de um comportamento que necessita de mais esforço. c) As pessoas deprimidas estabelecem exigentes padrões de avaliação para seu comportamento. Elas são, quase sempre, perfeccionistas e acham que seu comportamento nunca é tão bom como deveria ser. Estes padrões são representados, às vezes, por objetivos de “tudo ou nada” (isto é, o comportamento ou é perfeito ou é um fracasso) e, com freqüência, são muito mais elevados para a pessoa em questão do que quando aplicados aos demais. O comportamento de auto-avaliação encontra-se moderado pela auto-atribuição, no modelo adaptado. A fim de avaliar um comportamento como bom ou mau e sentir orgulho ou vergonha, a pessoa tem que construí-lo como internamente controlado. d) As pessoas deprimidas tendem a fazer atribuições internas no caso de acontecimentos negativos e atribuições externas no caso de acontecimentos positivos. Com a reformulação atribucional do modelo de desamparo aprendido sobre a depressão (ABRAMSON et al., 1978), o modelo incorporou a idéia de um estilo atributivo depressogênico, que inclui as dimensões atributivas de estável-instável e global-específico, como conseqüência do anterior. e) As pessoas deprimidas administram a si mesmas recompensas recontingentes insuficientes. Supõe-se que a auto-recompensa completa a recompensa externa, para motivar o comportamento a objetivos a longo prazo, comportamento que é o mais deficiente na depressão. Enquanto a teoria de Lewinsohn sobre a depressão 44 centra-se na perda ou na falta de reforço positivo proveniente do ambiente e contingente à resposta, o modelo presente enfatiza a falta de suplementos autoadministrados ao reforçamento externo. f) As pessoas deprimidas administram a si mesmas uma autopunição excessiva. O comportamento das pessoas deprimidas é inibido e falta a iniciativa, devido às conseqüências contigentes de uma autocrítica e uma culpa excessiva. A terapia de autocontrole abrange uma série de posições teóricas e uma variedade de técnicas específicas. Foi apresentada a orientação geral e revisado o emprego de técnicas específicas. Foi ressaltado especialmente o modelo de Kanfer sobre o autocontrole, que pode se decompor em três etapas: o auto-registro, a autoavaliação e o auto-reforçamento. Estas três etapas formam um grupo de feedback, no qual comportamento é registrado, avaliado em comparação com um padrão e regulado através do auto-reforço. Rehm (1977) propôs que ao modelo dever-se-ia acrescentar a auto-atribuição, como uma variável que modera a auto-avaliação. Posteriormente, foi descrito um exemplo de um programa estruturado de terapia de autocontrole aplicado à depressão, utilizando a perspectiva do autocontrole como análise da psicopatologia e como explicações para os procedimentos de terapia. As proposições de autocontrole têm uma ampla aplicabilidade, como orientação ante os problemas, e também como ajuda a outras perspectivas, acrescentando considerações sobre a generalização e a manutenção da mudança de comportamento. 4.2 O TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS O treinamento em habilidades sociais (THS) é uma das técnicas de terapia comportamental mais utilizada atualmente. Porém, também é uma das mais difíceis, já que requer conhecimento de diversas áreas da psicologia e, além disso, encontra-se notavelmente determinada pela cultura na qual ocorre o comportamento que vai ser treinado (CABALLO, 2003). 45 O comportamento socialmente habilidoso é esse conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa os sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo, de um modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação enquanto minimiza a probabilidade de futuros problemas (CABALLO, 2003, p. 365). O THS compõe-se de um conjunto de procedimentos de terapia comportamental que ensina os indivíduos a comportar-se adequadamente em situações sociais. O THS supõe que o agir de forma apropriada, não agressiva, soluciona os problemas das situações antes que estas tornem-se excessivamente ansiógenas (CABALLO, 2003). Os procedimentos básicos empregados no THS implicam na identificação de áreas específicas de dificuldade; no selecionar uma situação com dificuldade mínima como ponto de partida; no analisar a situação e explorar os comportamentos alternativos; no realizar as tarefas de casa; e no discutir sobre as reações e os resultados do novo comportamento do paciente de sessão a sessão. Quando o paciente aprende a agir de forma afetiva numa situação, repete-se o procedimento com novas situações, até que se adquira um repertório de HHSS (CABALLO, 2003). Deve-se mencionar, todavia, que é a pessoa quem deve escolher como comportar-se. Temos que advertir contra a tirania do “comportamento sempre habilidoso”. Se o indivíduo conhece a forma mais adequada de atuar em uma determinada situação e sente-se capaz de fazê-lo, tem o direito básico de escolher o modo de comportamento que deseja (sempre que respeite os direitos dos demais). O THS não “obriga” as pessoas a atuarem de forma socialmente habilidosa, simplesmente lhes ensina maneiras socialmente adequadas de comportamento. É a pessoa quem toma a decisão final (CABALLO, 2003). Por outro lado, a habilidade social, às vezes, provoca avaliações desfavoráveis que podem ameaçar ou piorar aspectos das relações interpessoais (DELAMATER e MCNAMARA, 1986). Os pacientes deveriam compreender isso e ser treinados para antecipar e discriminar situações sociais que provavelmente produzam tais reações. Os pacientes que podem antecipar tanto os benefícios quanto os custos de um determinado comportamento habilidoso em um contexto específico, encontrar-se-ão 46 numa melhor posição para analisar de forma realista sua provável efetividade instrumental antes de realizá-la (CABALLO, 2003). Uma série de técnicas utilizadas, com maior ou menor freqüência, no âmbito da terapia comportamental. Algumas constituem um enfoque para a mudança de amplas áreas pessoais, enquanto outras são procedimentos simples que, sozinhos ou em combinação, tentam modificar pequenos sintomas. Todas são úteis e cada uma delas pode constituir a intervenção adequada no momento oportuno. Seu conhecimento pode facilitar uma solução mais rápida dos problemas do paciente. Entretanto, deve-se considerar que as técnicas são ferramentas úteis que podem ser incorporadas ao repertório de habilidade terapêutica, mas que só devem ser empregadas, uma vez realizada uma análise exaustiva do problema ou problemas do paciente, análise que determinará que técnicas serão, provavelmente, as mais adequadas em cada caso. As técnicas não substituem o delineamento teórico, implícito e explícito, do terapeuta ao abordar os transtornos comportamentais, mas sim o ajudam a realizar seu modelo de intervenção com os pacientes que trata (CABALLO e BUELA-CASAL, 1999). 4.3 TÉCNICAS DE RELAXAMENTO As técnicas de relaxamento constituem um conjunto de procedimentos de intervenções úteis não só ao âmbito da psicologia clínica e da saúde, como também no da psicologia aplicada em geral (VILA, 1999). Embora exista uma tendência a definir o relaxamento referindo-se exclusivamente a seu correlato fisiológico – por exemplo, ausência de tensão muscular -, o relaxamento, em sentido restrito, constitui um típico processo psicofisiológico de caráter interativo, onde o fisiológico e o psicológico não são simples correlatos um do outro, mas ambos interagem sendo partes integrantes do processo, como causa e como produto (TURPIN, 1989). Razão pela qual qualquer definição de relaxamento deva fazer referência necessariamente a seus componentes fisiológicos – padrão reduzido de ativação somática e autônoma -, subjetivos – informes verbais de 47 tranqüilidade e sossego – e comportamentais – estado de quiescência motora -, assim como suas possíveis vias de interação e influência. Existem diferentes marcos conceituais, a partir dos quais se torna possível abordar o estudo psicofisiológico do relaxamento. Os principais derivam das investigações sobre os processos emocionais, motivacionais e de aprendizagem (VILA, 1999). Os procedimentos para aplicações de diferentes técnicas de relaxamento são as seguintes: os relaxamentos progressivo, passivo e autógeno, e a resposta de relaxamento. Cada técnica enfatiza uns elementos sobre outros. Assim, a principal ênfase no relaxamento progressivo recai na discriminação entre tensão e relaxamento muscular; no passivo, na aprendizagem do relaxamento de diversos grupos musculares; no autógeno, na provocação de sentimentos de calor e peso nas extremidades e na concentração passiva na respiração; e por último, na resposta do relaxamento, na concentração, seguindo as técnicas de meditação, numa palavra ou “mantra” associada com a respiração (VILA, 1999). Estas técnicas têm sido amplamente aplicadas a uma grande variedade de problemas, fazendo-o de forma individual, ou em combinação com outras técnicas, ou como elementos básicos de técnicas mais amplas (por exemplo, a dessensibilização sistemática) (VILA, 1999). Embora algumas técnicas de relaxamento tenham sido mais usadas no tratamento de alguns problemas, não existe evidência definitiva de que alguma seja superior a qualquer outra na resolução de tais problemas. Mesmo tendo sido encontradas diferenças individuais. Concluindo, acreditamos ser necessário ressaltar os seguintes elementos básicos, aplicáveis a qualquer técnica de relaxamento: a) É necessário que a aprendizagem da técnica tenha sentido para o paciente. Em outras palavras, que compreenda bem, não só o que vai fazer e como, mas também para que. Quanto mais seguro estiver do benefício que pode obter com a aprendizagem do relaxamento, maior probabilidade de êxito terá a técnica, independentemente de qual seja. b) É necessário adequar a técnica ao paciente. Quer dizer, antes de aplicar a técnica deve-se avaliar qual pode ser a mais adequada para essa pessoa em questão, que elementos devem ser mais enfatizados, que problemas podem 48 ocorrer, etc. Finalmente, a melhor técnica de relaxamento a ser utilizada é aquela que for mais apropriada a cada pessoa (VILA, 1999). 4.4 MODELAGEM Procedimento que envolve o reforçamento de ligeiras modificações num comportamento, de forma que ele gradualmente venha a se assemelhar ao comportamento-alvo; ou seja, envolve a modificação gradual de uma resposta, enquanto o estímulo permanece o mesmo (MEDEIROS, 2004). Busca ampliar o repertório comportamental de um organismo através da aquisição de novas respostas (REGRA, 2004). 4.5 ENSAIO COMPORTAMENTAL É uma técnica que visa melhorar o repertório já existente ou instalar novos comportamentos. Possibilita aperfeiçoar habilidades interpessoais e ajudar o cliente, com isso, a melhorar sua qualidade de vida. Está entre as principais técnicas utilizadas para o desenvolvimento da assertividade (conjunto de habilidades de interação social que permitem a expressão de vontades, de opiniões ou de sentimentos). É um tipo de representação teatral na qual simulam-se situações reais da vida da pessoa nas quais ela apresenta algum grau de dificuldade (OTERO, 2004). 4.6 AUMENTO DESAGRADÁVEIS DAS ATIVIDADES AGRADÁVEIS E DIMINUIÇÃO DAS 49 Lewinsohn et al. (1980) salientaram a relação significativa da depressão com baixas taxas de reforço positivo e com altas taxas de experiências aversivas. Como mencionamos anteriormente, estes pesquisadores sugeriram que a depressão pode ser devida, em parte, a uma baixa taxa de reforço positivo contingente à resposta. Baseando-se nesta formulação, Lewinsohn et al., (1980) desenvolveram um programa comportamental bastante estruturado, de 12 sessões, visando mudar a qualidade das interações dos pacientes deprimidos com seu maio. Especificamente, por meio do emprego de táticas de intervenção cognitivas e comportamentais conjuntas, incluindo o treinamento em assertividade, o relaxamento, o manejo do tempo, os pacientes deprimidos eram ensinados a controlar e reduzir a intensidade e a freqüência dos acontecimentos aversivos e a aumentar a taxa de envolvimento em atividades agradáveis. Uma descrição mais detalhada deste programa de tratamento, com exemplos clínicos, pode ser encontrada em Leinsohn et al. (1982). 4.7 TÉCNICA DE SOLUÇÃO DE PROBLEMAS O modelo de solução de problemas para a depressão (Nezu, 1987; Nezu et al., 1989) centra-se nas relações entre os principais acontecimentos negativos da vida, os problemas atuais, o enfrentamento por meio da solução de problemas e a sintomatologia depressiva. Assim, as estratégias e os procedimentos de tratamento que foram desenvolvidos deste modelo foram planejados para reduzir a sintomatologia depressiva por meio do treinamento em habilidades de solução de problemas. Nezu et al. (1989) sugerem quatro objetivos da terapia de solução de problemas para os indivíduos deprimidos: 1) ajudá-los a identificar situações da sua vida anteriores e atuais que podem ser antecedentes de um episódio depressivo; 2) minimizar o impacto negativo dos sintomas depressivos sobre as tentativas de enfrentamento atuais e futuros; 3) aumentar a eficácia dos esforços de solução de problemas no enfrentamento das situações atuais, e 4) ensinar habilidades gerais para lidar mais eficazmente com 50 futuros problemas. Inclui-se também o treinamento na manutenção e generalização neste programa. A terapia de solução de problemas de Nezu et al. (1989) consiste num programa de intervenção de 10 semanas no qual são empregadas técnicas terapêuticas tais como a introdução, a modelagem, o ensaio comportamental, as tarefas para casa, o reforço e a feedback para aumentar a capacidade de solução de problemas e diminuir a sintologia depressiva. Os resultados de vários estudos sugerem que a terapia de solução de problemas pode ser eficaz para o tratamento da depressão (NEZU, 1986; NEZU e PERRI, 1989). 51 5 CONCLUSÃO A depressão, sendo um problema tão relevante de saúde pública, devido a sua alta incidência em todas as idades, sexos e classes sociais, necessita de arsenal terapêutico mais variado. As pessoas deprimidas podem não procurar o médico devido aos próprios sintomas causadores da enfermidade, como a falta de energia, indecisão, insegurança e culpabilidade. Além do estigma associado à enfermidade mental, verifica-se a falta de atenção dos profissionais de saúde aos problemas emocionais. Até o momento, não houve a descoberta de uma cura para a depressão. Por isso, os profissionais da área de saúde mental, devem buscar cuidar de seus pacientes com o objetivo de diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Os aspectos multifatoriais da depressão para o seu surgimento e manutenção foram cada um ao seu tempo, ressaltados em pesquisas que reproduziram um saber na abordagem comportamental, atendendo principalmente a seus aspectos quanto para ao surgimento e manutenção. Desta forma, constatou-se que a Terapia Comportamental se desenvolveu e proporcionou novas perspectivas frente ao tratamento dos transtornos depressivos, sendo desta forma, considerada clinicamente relevante para o tratamento de indivíduos acometidos por estes transtornos, utilizando-se das diversas técnicas, dentre as quais destacam-se: o autocontrole, o treinamento em habilidades sociais, relaxamento, terapia a cognitiva da depressão, a modelagem, técnicas de o ensaio comportamental, o aumento das atividades agradáveis e diminuição das desagradáveis e a terapia das soluções de problemas. Na Terapia Comportamental da Depressão, procura-se ajudar o indivíduo a reconhecer padrões de comportamentos disfuncionais. Através da discussão sistemática e tarefas comportamentais cuidadosamente estruturadas, busca-se ajudar os pacientes a avaliar e modificar tanto seus pensamentos, quanto seus comportamentos em questão. Assim, um transtorno como a depressão passa a ser entendido como um conjunto de comportamentos, tais como, alterações no sono e apetite, desesperança, choro excessivo, ideação suicida e outros, onde tais comportamentos são analisados à 52 luz de episódios históricos que os determinaram e situações presentes que os mantém. Para o terapeuta comportamental, pensamentos e sentimentos são considerados comportamentos, diferentes apenas pela forma como se pode ter acesso a eles, pois este se dá através do relato verbal daquele que pensa e sente. Sendo assim, pensamentos e sentimentos, também, são levados em consideração, analisados e passíveis das intervenções do terapeuta. Enfrentar a depressão na contemporaneidade, não se trata apenas de diminuir sua sintomatologia incapacitante e perturbadora, a qual é facilmente controlada, mas obter uma reestruturação na vida dos indivíduos acometidos por esta, já que esta não se resume a um único acontecimento, onde além da seu retorno, sempre existe a possibilidade de um desfecho trágico. Assim, a sistematização resumida de informações sobre as Técnicas Comportamentais para o tratamento da depressão, tem um papel importante na aquisição de novos comportamentos e na compreensão do indivíduo sobre sua doença propiciando o autocontrole como uma forma de atingir sua qualidade de vida. Conclui-se, que as técnicas estudadas, podem apresentar resultados promissores no tratamento da depressão. Porém, cada técnica possui sua aplicação específica e a preferência do paciente, por uma das intervenções, parece ser um fator de muita valia. 53 REFERÊNCIAS ABREU, P. R. 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