ISBN 978-85-8015-054-4
Cadernos PDE
VOLUME I
Versão Online
2009
O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS
DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE
PROPOSTA DE TRABALHO ESCOLAR PARA A COLETA SELETIVA DE
RESÍDUOS SÓLIDOS NAS DEPENDÊNCIAS DO COLÉGIO ESTADUAL
LEONARDO DA VINCI, DOIS VIZINHOS/PR, COMO FORMA DE
CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL
Autor: Paulo Cezar Moraes1
Orientador: Juliano Andres2
Resumo
Com o desenvolvimento tecnológico e com as transformações econômicas, sociais,
políticas e culturais, a humanidade passou a usufruir dos recursos naturais de forma
descontrolada, acarretando muitos desequilíbrios ambientais. Ao oposto de outros
seres vivos que, para sobreviverem, estabelecem naturalmente o limite de seu
crescimento e, por conseguinte o equilíbrio com outros seres e o ecossistema.
Diante dessa dimensão, faz-se necessário que o ser humano perceba sua
pertinência ao meio e compreenda a importância de suas ações para a manutenção
e preservação do ambiente. Assim sendo, com fundamento na educação ambiental,
através do ensino e da aprendizagem significativos podemos contribuir para a
formação de cidadãos críticos e agentes na realidade socioambiental, com
responsabilidade e com consciência na preservação do meio ambiente para as
gerações futuras. O trabalho enfoca sobre a coleta e geração dos resíduos sólidos
no ambiente escolar e seu destino final. A abordagem metodológica utilizada
possibilitou reflexões acerca das questões ambientais da atualidade, observações
dos locais como a própria escola e o aterro sanitário do município de Dois Vizinhos.
Foram feitas entrevistas aos alunos, à comunidade escolar e à empresa responsável
pela coleta seletiva com o objetivo de buscar informações da realidade atual. Com o
desenvolvimento desse projeto houve uma mudança nas atitudes cotidianas e na
prática de cuidado com a natureza, e transcendeu o local de estudo, de vivência
familiar e de trabalho. O resultado do projeto foi relevante para a comunidade
escolar devido a seu amplo aspecto socioambiental. Por isso, é necessário para sua
perpetuidade, um comprometimento de cada um dos envolvidos, bem como da
sociedade em geral.
Palavras-chave: Coleta Seletiva; Meio Ambiente; Reciclagem.
1
Especialista em Interdisciplinaridade, graduado em Geografia, professor da rede pública do Paraná,
atuando no C. E. Leonardo da Vinci – Ensino Fundamental Médio e Profissional.
2
Mestre em Geografia, professor titular da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE,
Campus de Francisco Beltrão.
Abstract
With the technological development and economic, social, political and cultural,
changes, humanity began to enjoy the natural resources in an uncontrolled manner,
causing many environmental imbalances. To the opposite of other living beings
which, to survive, naturally set the limit of its growth, and therefore the balance with
other beings and the ecosystem. In this dimension, it is necessary that the human
being understand its relevance to the environment and notice the importance of
background in the environmental education, through the significant teaching and
learning, we can contribute to the formation of critical citizens and agents in the
socio-environmental reality, with responsibly and awareness on preserving the
environment for future generations. The work focuses on the collection and
generation of solid waste in the school environment and its final destination. The
methodological approach used made it possible to reflect about the environmental
issues of today, observations of the places such as the school itself and the landfill of
Dois Vizinhos county. Interviews have been made to the students, the school
community and to the company responsible for the selective collection with the aim of
searching for information of the current reality. With the development of this project
there was a change in everyday attitudes and the practice of care with the nature,
and transcended the place of study, family life and work place. The result was
relevant to the school community due to its broad environmental aspect. For this
reason, it is necessary for its perpetuity, a commitment of each one of those involved,
as well as society in general.
Keywords: Selective collection; Environment; Recycling.
1 Introdução
Existe uma preocupação com o meio ambiente em geral e dentro da escola
essa preocupação é cada vez maior por parte de toda a comunidade, pois nela a
geração de resíduos sólidos e a sua destinação inadequada somam-se aos grandes
responsáveis pela poluição no solo, nos rios e no ar. Conforme cita Damasio (2003),
Sem nenhuma dúvida, a sociedade de consumo está degradando o planeta,
quer pelo abuso que se faz dos recursos naturais, quer pela produção
excessiva de lixo. Assim, como a energia é o principal recurso que faz
mover a sociedade de consumo, o lixo é seu produto mais problemático.
Para tentar reduzir essa quantidade de malefícios gerados pelo lixo, a coleta
seletiva é apontada como uma boa solução. O grande problema a ser resolvido é: o
que fazer com o lixo que produzimos? Por tudo isso, foi relevante desenvolver um
trabalho bem consistente voltado para a questão ambiental, enfatizando a
problemática do lixo urbano, numa perspectiva social/econômica/política, tanto local
como global. Essa prática atingiu não só o educando, mas toda a comunidade
escolar. Por isso a expectativa é de que as mudanças comportamentais serão
praticadas nas suas vidas, como cidadãos. Entretanto,
A eficiência da Educação Ambiental dentro de uma política a curto e médio
prazos será fundamental na manutenção ou melhoria da qualidade de vida, já
que a necessidade de atitudes ambientais adequadas e muitas vezes
urgentes, dependem de administradores públicos conscientes e
sensibilizados com os problemas do meio ambiente (SAMPAIO, 1997).
Este artigo relata um trabalho desenvolvido com alunos da 5ª série “A” do
Ensino Fundamental, turno vespertino, do Colégio Estadual Leonardo da Vinci EFM, Normal e Profissional, município de Dois Vizinhos – Paraná. O projeto teve
como objetivo principal conscientizar toda a comunidade escolar sobre a importância
da coleta seletiva dos resíduos sólidos e do seu destino final, a fim de que as
mudanças comportamentais possam ser praticadas cotidianamente no exercício da
cidadania.
No referido colégio, é gerada uma quantia significativa de resíduos sólidos,
sendo os mais comuns: papéis, plásticos e produtos orgânicos. A comunidade
escolar carecia de ensino e conscientização referente ao destino do lixo produzido
dentro da escola. Há tempos observávamos que a forma com que os alunos e
comunidade escolar vinham depositando o lixo dentro do estabelecimento de ensino,
e de qualquer maneira, não estava compatível com a Educação Ambiental que tanto
se trabalha em várias disciplinas. Percebíamos um descaso muito grande com o
patrimônio escolar, principalmente quando a escola promovia eventos como jogos,
gincanas e outros. Mesmo com lixeiras espalhadas em todos os ambientes, a
limpeza e o visual agradável que se esperava no ambiente educativo era somente
em poucos momentos.
Então, nos questionávamos: a educação ambiental que estava sendo
desenvolvida na escola, contribuía com o desenvolvimento de atitudes coerentes e
que vinham ao encontro de um equilíbrio ambiental? Diante desta conjuntura,
procuramos buscar novas estratégias de ação que oferecessem meios efetivos para
que os alunos compreenderem que as ações humanas quando praticadas
irregularmente perante o meio ambiente, alteram a naturalidade dos fenômenos e as
consequências para si, para sua espécie, para os outros seres vivos e para o
ambiente podem ser catastróficas. Como menciona Pontalti (2005):
É fundamental que desenvolva as suas potencialidades e adote postura e
comportamentos sociais que colaborem para a construção de uma sociedade
justa, em um ambiente saudável e sustentável. Nessa perspectiva, a
Educação Ambiental deve ser abordada de forma sistemática e
fundamentada em aproximações conceituais coerentes, de maneira
significativa, a fim de promover essa mudança de postura do indivíduo.
(PONTALTI, 2005).
Possibilitar momentos de reflexão para a utilização correta dos recursos
naturais é de responsabilidade também da escola, o que leva os educadores a
mostrar os caminhos para o convívio social e o respeito ao meio ambiente na busca
pelo desenvolvimento sustentável.
A metodologia dirigida para essa finalidade foi primeiramente, a investigação
do conhecimento prévio apresentado pelos participantes sobre reciclagem de
resíduos sólidos e o seu destino final. O outro passo foi disponibilizar aos alunos a
fundamentação teórica contextualizando o assunto. Mas para que a aprendizagem
fosse significativa, procuramos aliar o conhecimento científico à prática da
preservação ambiental, promovendo uma visita ao aterro sanitário.
De acordo com Ramos (2004),
O processo de ensino-aprendizagem contextualizado é um importante meio
de estimular a curiosidade e fortalecer a confiança do aluno. Por outro lado,
sua importância está condicionada à possibilidade de ter consciência sobre
seus modelos de explicação e compreensão da realidade, reconhecê-los
como equivocados ou limitados a determinados contextos, enfrentar o
questionamento, colocá-los em cheque num processo de desconstrução de
conceitos e reconstrução/apropriação de outros. (RAMOS, 2004).
Assim foi necessário alertar para que os alunos agissem de maneira
responsável
diante
da
preservação
e
conservação
do
ambiente
escolar.
Pressupomos que foi de suma importância mobilizá-los para que suas atitudes,
comportamentos e práticas diárias, dentro da própria escola, pudessem beneficiar a
saúde de todos e a natureza.
2 Desenvolvimento
O mundo está eliminando as fronteiras e derrubando as barreiras na busca
pela sustentabilidade. Por isso, precisamos também ampliar a discussão da nossa
escala de problemas ambientais para uma escala maior e com mais pessoas
envolvidas, porque a principal causa da crise ambiental está relacionada com o
nosso próprio estilo de vida que define a maneira com que cada um se relaciona
com a natureza e com o seu meio onde vive.
É cada vez mais notória a complexidade desse processo de transformação
de uma sociedade crescentemente não só ameaçada, mas diretamente
afetada por riscos e agravos socioambientais. Num contexto marcado pela
degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, a
problemática envolve um conjunto de atores do universo educativo em todos
os níveis, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de
conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária
numa perspectiva interdisciplinar. (JACOBI, 2005).
Para iniciar a implementação deste projeto, foi realizada uma conversa com
os agentes educacionais, a direção e a equipe pedagógica do estabelecimento de
ensino, a fim de socializar as atividades propostas no projeto e conscientizá-los
sobre a importância da separação correta do orgânico e do inorgânico do que é
consumido no dia a dia. Além de convidá-los para juntos participarmos de ações em
prol do meio ambiente, pois como Weid (1997) afirma:
A educação tem como papel fundamental à formação de Consciências
individuais e coletivas. Quando se trata da Educação Ambiental falamos de
uma consciência que, sensibilizada com os problemas socioambientais, se
volta para uma nova lógica social: a de uma sociedade sustentável, onde a
partir de uma compreensão da interdependência dos fenômenos
socionaturais, humanidade e natureza se reconciliem e busquem uma forma
de vida mais harmônica e compartilhada. (WEID, 1997)
A Educação Ambiental é um processo participativo, através do qual o
educando assume o papel de elemento central do processo de ensino/aprendizagem
pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas ambientais e
busca de soluções. Sendo assim, foi apresentado aos educandos da 5ª série “A” o
projeto de implementação expondo sobre o tema abordado, os objetivos e a
importância dele para o ensino e a aprendizagem na disciplina de Geografia. Os
alunos propuseram melhorias na forma de separação do lixo sólido gerado nas
dependências do Colégio, através de maior quantidade de lixeiras individuais
identificadas e espalhadas no ambiente escolar.
Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada do
mundo, no tempo e no espaço, a escola, deve oferecer meios efetivos para que
cada aluno compreenda os fenômenos naturais, as ações humanas e suas
consequências para si próprias, para sua espécie, para os outros seres vivos e para
o ambiente.
A Educação Ambiental tem o importante papel de fomentar a percepção da
necessária integração do ser humano com o meio ambiente. Uma relação
harmoniosa, consciente do equilíbrio dinâmico da natureza, possibilitando,
por meio de novos conhecimentos, valores e atitudes, a inserção do
educando e do educador como cidadãos no processo de transformação do
atual quadro ambiental do nosso planeta. (GUIMARÃES, 2000).
Segundo Dias (1998) e Guimarães (1995) a Educação Ambiental constitui
um importante instrumento de mobilização da comunidade para mudança de hábitos
e comportamentos, especialmente em projetos relacionados à coleta seletiva. Deve
ser um processo contínuo e permanente, iniciando em nível pré-escolar e
estendendo-se por todas as etapas da educação formal e informal, adotando a
perspectiva interdisciplinar e utilizando as especificidades de cada matéria de modo
a analisar os problemas ambientais através de uma ótica global e equilibrada:
- Examinar as principais questões relativas ao ambiente tanto do ponto de vista local
como regional, nacional e internacional, para que os envolvidos tomem
conhecimento das condições ambientais de outras regiões;
- Inter-relacionar os processos de sensibilização, aquisição de conhecimentos,
habilidades para resolver problemas e especificações dos valores relativos ao
ambiente em todas as idades, enfatizando, sobretudo a sensibilidade dos indivíduos
em relação ao meio ambiente de sua própria comunidade;
- Levar em conta a totalidade do ambiente, ou seja, considerar os aspectos naturais
e construídos pelo homem, tecnológicos e sociais, econômicos, políticos.
Investigamos o conhecimento prévio dos educandos envolvidos no projeto,
no total 25 alunos, através de um questionário fechado. Como fruto dessa
sondagem, observamos que eles trazem uma bagagem simplista a respeito do que é
reciclar e todos têm a consciência de que o lixo deve ser separado e enviado para a
reciclagem, porém, 75% dos alunos responderam que não fazem a separação
correta em casa nem na escola e 25% fazem a separação e contribuem para o
equilíbrio do meio ambiente. A respeito da reciclagem, 100% dos alunos sabem da
importância de transformar materiais usados em produtos novos, pois evita
desperdício de energia e compreendem também que um dos principais objetivos da
reciclagem é manter o nosso planeta limpo e saudável. Quanto ao local onde
depositam o lixo no estabelecimento de ensino, 100% dos alunos responderam que
existem lixeiras, mas 40% afirmaram que muitas vezes jogam o lixo no pátio, na
quadra de esportes e em outros locais. No que diz respeito à compostagem, 80%
dos alunos não enterram o lixo orgânico. Sendo que cinco alunos moram no interior,
portanto fazem a compostagem ou com o lixo orgânico tratam os animais. O
inorgânico é acumulado num depósito e esperam o caminhão da coleta seletiva
passar para o recolhimento. Sobre as consequências que o lixo a céu aberto traz
para a saúde todos tem consciência que o lixo é um grande transmissor de doenças.
Nas respostas sobre os principais tipos de lixos todos têm conhecimento e sabem
quais são.
A questão do lixo é inquietante, pois as populações já não sabem mais o
que fazer com ele, principalmente nos grandes centros urbanos. O que se tem feito
para evitar geradores de doenças dos lixões a céu aberto, entupimento de valas por
não se ter programa de coleta seletiva, poluição das águas pelas indústrias e
moradias, enfim, tem sido pouco, comparado ao grande problema de degradação
ambiental acarretado por outros episódios.
Analisamos os resultados do questionamento feito pelos alunos à
comunidade de seu bairro, onde cada aluno entrevistou um morador mais antigo. A
maioria dos entrevistados respondeu que, há algum tempo atrás não era feita a
coleta separadamente, tudo ia misturado no mesmo caminhão do lixo. Alguns
enterravam restos de comida no fundo do quintal para que o mesmo pudesse ser
usado como adubo orgânico tanto na horta como nas flores. Os moradores disseram
que melhorou em relação ao passado, pois hoje em dia os caminhões de coleta
seletiva de lixo passam várias vezes durante a semana recolhendo materiais
orgânicos e inorgânicos, deixando a cidade mais limpa, bonita e organizada.
É possível, de forma bem simples, criar o hábito de separar o lixo orgânico
do inorgânico nas dependências do espaço escolar. Através dessa prática, observar
os benefícios da reciclagem para a natureza, bem como para a saúde dos seres
vivos e do ambiente.
Muitos são os benefícios da reciclagem, por exemplo: economia de energia;
redução da poluição; geração de empregos; melhoria da limpeza e higiene da
cidade; diminuição do lixo nos aterros e lixões; diminuição da extração de recursos
naturais; menor redução de florestas nativas.
Para melhor compreensão e aprofundamento dos conhecimentos sobre o
assunto, foi assistido a um vídeo sobre a reciclagem do lixo, com o objetivo de
mostrar a história evolutiva da reciclagem, como é feita a separação corretamente e
a importância da reciclagem dos materiais. Foi convidada uma pessoa envolvida
com a coleta seletiva municipal, para proferir palestra de sensibilização sobre a
importância da separação do lixo para a sociedade e para a conservação do meio
ambiente.
Do ponto de vista histórico, segundo DIAS apud JUNKES (2002), o lixo
surgiu no dia em que os homens passaram a viver em grupos, fixando-se em
determinados lugares e abandonando os hábitos de andar de lugar em lugar à
procura de alimentos ou pastoreando rebanhos. A partir daí, processos para
eliminação do lixo passaram a ser motivo de preocupação, embora as soluções
visassem unicamente transferir os resíduos produzidos para locais afastados das
aglomerações humanas primitivas. No Brasil, como registros de épocas préhistóricas são encontrados sambaquis e o lançamento de detritos em locais
desabitados a céu aberto ou em rios e córregos. Existem algumas referências na
história antiga ao enterramento e ao uso do fogo como métodos de destruição dos
restos inaproveitáveis. Com o passar do tempo, as comunidades foram crescendo,
por conseqüência os problemas relacionados ao lixo urbano continuavam se
agravando e as práticas empregadas para resolver tais questões se mantiveram
inalteradas.
Vivemos um novo tempo, marcado e definido pelos novos padrões de
produção, consumo e também problemas de amplitude global. A capacidade de
produção de bens de consumo do ser humano para a ampliação do seu conforto é
infinita e ilimitada, os meios de comunicações através da propaganda criam as
novas necessidades que convencem os consumidores. As inovações tecnológicas
aliadas à concorrência competitiva pressionam todos os setores produtivos com
interferências diretas do sistema capitalista produzindo novos padrões de produção
e consumo, provocando o agravamento dos problemas ambientais que passam a
adquirir projeções globais. Os produtos são pensados e produzidos para
consumidores cada vez mais distantes, esses produtos não precisam mais ter longa
durabilidade, pois logo ficarão obsoletos, as embalagens descartáveis facilitam a
circulação dos produtos, mas produzem uma enorme quantidade de lixo, ao qual
muitos ainda não sabem dar o destino correto. O ser humano potencializou suas
ações sobre a natureza pela produção dos novos instrumentos de trabalho, ele tem
consciência dos seus atos, mas continua selecionando o que pode ou não pode
continuar existindo para manter a garantia e a ampliação dos seus lucros.
Desde os tempos mais remotos até meados do século XVIII, quando
surgiram as primeiras indústrias na Europa, o lixo era produzido em pequena
quantidade e constituído essencialmente de sobras de alimentos. A partir da
Revolução Industrial, as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em
larga escala e a introduzir novas embalagens no mercado, aumentando
consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados nas áreas
urbanas. O homem passou a viver então a era dos descartáveis, em que grande
parte dos produtos é inutilizada e jogada fora com enorme rapidez. Ao mesmo
tempo, o crescimento acelerado das metrópoles fez com que as áreas disponíveis
para a destinação do lixo se tornassem insuficiente. A sujeira acumulada no
ambiente aumentou a poluição do solo, das águas e piorou as condições de saúde
das populações em todo o mundo, especialmente nas regiões menos desenvolvidas
(RODRIGUES, 2004).
No Brasil, somente no século XIX, começaram a surgir alternativas para os
problemas do lixo urbano capazes de atender aos aspectos sanitários e econômicos.
Desde então, passaram a ser adotadas medidas para a regulamentação dos
serviços e procedimentos de limpeza. As primeiras iniciativas dos serviços para
destinação final dos resíduos sólidos urbanos foram na cidade de São Paulo,
quando se definiram as áreas para disposição final do lixo, distantes do centro
urbano, sendo que o transporte ficava a cargo do munícipe interessado (DIAS apud
JUNKES, 2002).
Cada pessoa no planeta gera, durante toda a vida, uma média de 25
toneladas de lixo (UNICEF, 1995) - uma montanha de restos de comida, papel,
plástico, vidro. Apesar de produzir essa quantidade de resíduos, a maioria das
pessoas acha que basta colocar o lixo na porta de casa e os problemas acabam-se.
Grande engano, os problemas estão só começando, apesar de se afastarem do
alcance de suas vistas.
Para que os alunos pudessem constatar isso, foi realizada uma excursão a
fim de conhecerem a realidade do aterro sanitário do Município de Dois Vizinhos/Pr.
Lá entrevistaram os responsáveis pela coleta e destino final dos resíduos sólidos
recolhidos no município atualmente. Verifica-se que o impacto causado no meio
ambiente pela produção desenfreada de resíduos sólidos, tem levado governo e
sociedade a buscarem alternativas para minimizar a degradação da natureza e
aumentar o bem estar da sociedade como um todo. Várias iniciativas no sentido de
ordenar a questão dos resíduos sólidos já foram realizadas mediante projetos de lei.
Para os municípios recaem os planos de gerenciamento integrado e a gestão do lixo
municipal. Além disso, nos últimos anos, nota-se uma tendência mundial de
reutilização e de reaproveitamento dos produtos lançados no lixo para a fabricação
de novos objetos, através dos processos de reciclagem, o que representa economia
de matéria-prima e de energia obtidas do meio ambiente. Assim, o conceito de lixo
vem sendo modificado, podendo ser entendido como "algo que pode ser útil e
aproveitável pelo homem".
A reciclagem, segundo Calderoni (1997), pode ser entendida como um bem
público, porque propicia a todos a oportunidade de viver em um ambiente mais
saudável, onde todos dela podem se beneficiar, inclusive aqueles que para ela não
contribuem. E, ao mesmo tempo a reciclagem enseja custos e benefícios públicos e
privados.
Para saber a quantidade de lixo produzido no município um grupo de alunos
foi visitar a empresa de coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos, com o intuito de
buscar informações de como é feita a coleta, se é terceirizada, quantos veículos são
envolvidos na coleta, qual é o cronograma de recolhimento nos bairros e zona rural,
além de pesquisar a quantidade diária de lixo que é recolhida no município. São 25
funcionários que trabalham na empresa visitada e todos moram no município de
Dois Vizinhos. As condições de saúde são boas, pois fazem exames médicos,
periodicamente, além de usarem constantemente o EPI - Equipamentos de Proteção
Individual. A empresa coleta uma média de 18 toneladas por dia de resíduos sólidos,
totalizando uma média 468 toneladas por mês. Maiores informações referentes à
coleta, destino e porcentagens de material orgânico, recicláveis e rejeitos, serão
abordadas nos comentários dos gráficos 10 e 11 deste artigo.
A empresa está equipada com três caminhões, sendo assim um caminhão
que coleta somente os recicláveis e dois que coletam orgânicos.
Um importante princípio relacionado à reciclagem e, consequentemente à
coleta seletiva, é o princípio dos 3R, que se baseia em: reduzir, reutilizar e reciclar
(GONÇALVES, 2005)
Segundo Grimberg (1998), nos programas brasileiros de coleta seletiva, as
estratégias educativas divergem quando a educação da comunidade faz parte do
objetivo do programa ou quando esta é vista apenas como um meio para fazer as
pessoas separarem seu lixo. Também diferem quando o objetivo é separar resíduos
ou reduzir o consumo e o desperdício. Nos programas que desconsideram os dois
primeiros R, enfocando só a reciclagem, a proposta costuma ser “quanto mais
(resíduos para reciclar), melhor”. Existe na sociedade atual a necessidade de
consumir cada vez mais, incentivada pela cultura do ciclo de vida mais curto dos
produtos. Com isso, poucas iniciativas para evitar a geração do lixo têm sido postas
em prática. Ainda que existam tantas recomendações para a redução no consumo,
muitos acreditam que ela seja inviável nas sociedades industrializadas, pois as
populações querem e necessitam das coisas que compram, as utilizam e depois
jogam fora. Nestas Nessas sociedades, pessoa tornou-se sinônimo de consumidor
(RATTRAY apud GRIMBERG, 1998). É comum da nossa cultura de consumo a
"aparição de novas necessidades, cuja criação não tem limites" (KUHNEN apud
GRIMBERG, 1998), ocasionando grande desperdício de matéria e energia e
geração de resíduos.
Para saber como a comunidade participa do programa de reciclagem, os
alunos entrevistaram pessoas que moram há tempos em seus respectivos bairros,
para obter informações sobre como era o recolhimento do lixo, que tipo de lixo era
produzido e como hoje em dia é feita a coleta seletiva. Tendo como resultados: que
antigamente o recolhimento dos resíduos era de uma a duas vezes por semana, e
não havia separação; O tipo de lixo produzido mudou em relação aos avanços
tecnológicos, mas o básico sempre existiu; A maioria dos entrevistados não realiza a
separação corretamente, sendo que o município conta com empresa terceirizada de
coleta seletiva com maior número de recolhimento semanal e melhor qualidade na
coleta, conforme questões utilizadas nas entrevistas, que seguem:
2.1 Resultado do Questionário de investigação
O questionário de investigação foi aplicado a 25 alunos de uma 5ª série. A
seguir, serão apresentados os resultados obtidos, já explicitados e comentados
anteriormente neste artigo. Entretanto, faz-se necessária, uma apresentação de
resultados via gráficos, objetivando uma melhor visualização da investigação
realizada.
Na questão 1 - Fazer a coleta seletiva significa: separar o lixo para que seja enviado
para a reciclagem, 24 alunos responderam que realizam a separação do lixo.
Questão 1
4%
sim
não
96%
Gráfico1 – Resultados da questão 1.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 2 - Na sua casa, tem o hábito de separar o lixo orgânico (restos de
comida...) do inorgânico (papel, plástico...), a quantidade de respostas afirmativas
quanto ao hábito de separação foi de 18 em 25 entrevistados. Neste caso, temos
uma informação que reflete a realidade da turma em questão, entretanto, não é a
mesma apresentada no resultado da questão 10, na qual os alunos pesquisaram
seus vizinhos de bairro e o índice foi bastante distinto deste.
Questão 2
28%
sim
não
72%
Gráfico 2 – Resultados da questão 2.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 3 – Você acha importante fazer a separação do lixo? Houve
unanimidade quanto à afirmativa da separação.
Questão 3
0%
sim
não
100%
Gráfico 3 – Resultados da questão 3.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 4 – Reciclar é a ação de transformar materiais já usados em novos
produtos que podem ser comercializados? Isso evita desperdícios de energia e
preserva a natureza? – os entrevistados se posicionaram de acordo com as
definições de reciclagem destacadas na pergunta.
Questão 4
12%
sim
não
88%
Gráfico 4 – Resultados da questão 4.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 5 – No Colégio Est. Leonardo da Vinci contém lixeiras específicas para
depositar o lixo? – os entrevistados destacaram a existência de locais próprios para
jogar lixo de diferentes origens.
Questão 5
8%
sim
não
92%
Gráfico 5 – Resultados da questão 5.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 6 – Você deposita o lixo nas lixeiras corretamente? – Os alunos foram
corretos ao expor a realidade observada na escola, quanto a não utilização dos
recipientes específicos para o destino do lixo no estabelecimento de ensino.
Questão 6
20%
sim
não
80%
Gráfico 6 – Resultados da questão 6.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 7 – Na sua casa é feita a compostagem (enterrado) do lixo orgânico? –
A maioria dos pesquisados (24) expressaram que executam a ação.
Questão 7
4%
sim
não
96%
Gráfico 7 – Resultados da questão 7.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 8 – O lixo acumulado é um grande transmissor de doenças por vias
indiretas – menos da metade dos entrevistados entende que vetores de doenças
utilizam-se do lixo para propagá-las.
Questão 8
44%
sim
não
56%
Gráfico 8 – Resultados da questão 8.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 9 – Um dos objetivos da reciclagem é a conservação do planeta, pois
poupa energia e matéria prima? – Os entrevistados entendem que essa premissa é
verdadeira, quando se posicionam unânimes ao responder o questionamento de
maneira afirmativa.
Questão 9
0%
sim
não
100%
Gráfico 9 – Resultados da questão 9.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
Na questão 10 – Os principais tipos de materiais a serem reciclados são: plástico,
vidro, papel e metais?
O resultado da pesquisa apontou que a empresa coleta uma média de 18
toneladas por dia de resíduos sólidos, totalizando uma média 468 toneladas por
mês. Com uma porcentagem de 55% orgânicos, 25% recicláveis e 20% rejeitos,
que são inseridos no aterro. Dos 25%, somente 4% (4,68 T) vai separado; separamse mais 11% (12,87 T) com a usina de triagem; os outros 10% (11,7 T) vão para o
aterro, aumentando de 55% para 65%, acrescido dos rejeitos = 85% (397,8 T) por
mês. A empresa está equipada com três caminhões, sendo assim um caminhão que
coleta somente os recicláveis e dois que coletam orgânicos.
Também foi realizada uma entrevista com as pessoas que moram há mais
tempo no bairro em que os alunos residem. O objetivo era saber que tipo de lixo os
moradores produziam e como era feita a coleta desse lixo.
Coleta de Lixo/Mês
Reciclagem de lixo/Mês
300
257,4
200
150
117
65
70
60
50
40
30
20
10
0
250
93,6
100
50
15
reciclável
0
reciclável
rejeito
orgânico
Gráficos 10 e 11 – Resultados da questão 10.
Fonte: Pesquisa Professor PDE
20
rejeito
o rgânico
2.2 Um pouco mais sobre reciclagem
Nos últimos três séculos houve um grande crescimento do conhecimento
humano, proporcionando um amplo desenvolvimento das ciências e da tecnologia.
Ao mesmo tempo também ocorreram mudanças nos valores e modos de vida da
sociedade, com o surgimento do processo industrial e o crescimento das cidades,
aumentando a utilização dos recursos naturais e a produção de resíduos. Enfim,
todos esses fatos geraram profundas mudanças na cultura, afetando principalmente,
a percepção do ambiente pelos seres humanos, que passaram a vê-lo como um
objeto de uso para atender suas vontades, sem se preocupar em estabelecer limites
e critérios apropriados.
A tabela de tempo de decomposição de materiais é um poderoso
instrumento de sensibilização que, invariavelmente, faz as pessoas pensarem na
sua responsabilidade individual com relação ao lixo. Há muita variação de
informação, porque o tempo de decomposição varia de acordo com as condições do
solo ou ambiente em que os materiais foram descartados (tabela 1). Por isso, é
preferível adquirir produtos em embalagens recicláveis, que economizam energia
elétrica, poluem menos, utilizam menos recursos naturais não renováveis em sua
fabricação.
Lixo
Tempo de decomposição
Cascas de frutas
03 meses
Papel
03 a 06 meses
Pano
de 6 meses a 1 ano
Pontas de cigarro
02 anos
Chicletes
05 anos
Nylon
mais de 30 anos
Pilhas
100 a 500 anos
Tampa de garrafa
100 a 500 anos
Lata de conserva
100 anos
Latas de alumínio
100 a 500 anos
Copos plásticos
200 a 450 anos
Plásticos
450 anos
Fralda descartável
600 anos
Garrafas de vidro
indeterminado
Pneu
indeterminado
Garrafas de plástico (pet)
indeterminado
Borracha
indeterminado
Vidro
indeterminado
Tabela 1 - Tempo que cada material leva para se decompor
Fonte: www.redeambiente.org.br
Na natureza todas as plantas e animais mortos apodrecem e se
decompõem. São destruídos por larvas, minhocas, bactérias e fungos, e os
elementos químicos que eles contêm voltam à terra. Podem ficar no solo, nos mares
ou rios e serão usados novamente por plantas e animais. É um processo natural de
reutilização de matérias. É um interminável ciclo de morte, decomposição, nova vida
e crescimento. A natureza é muito eficiente no tratamento do lixo. Na realidade, não
há propriamente lixo, pois ele é novamente usado e se transforma em substâncias
reaproveitáveis.
Enquanto a natureza se mostra eficiente em reaproveitamento e reciclagem,
os homens o são em produção de lixo.
Visitamos o aterro sanitário do município, observamos as alterações no
espaço geográfico, conhecemos como fazem a separação do lixo orgânico do
inorgânico e lixo hospitalar, bem como o armazenamento e destino final do lixo
coletado.
Segundo Lanz (1990), a aula de campo em ambientes naturais, pode
representar não só uma possibilidade de transposição do abstrato, mas também
uma oportunidade para que os alunos assumam valores estéticos positivos, se
considerarmos que o mundo fala à criança não pelo seu conteúdo conceitual, mas
por seu apelo estético e pela configuração de seus fenômenos. Apesar do aterro não
representar mais um ambiente natural, isso pode ser trabalhado durante a
observação do mesmo.
Dessa maneira, Alves (2000) defende que reconhecer a beleza dos
fenômenos não deve ser entendido como um posicionamento ingênuo ou romântico,
o que comprometeria a interpretação da realidade, mas sim um processo de
identificação e reconciliação do homem com a natureza e consigo mesmo.
Para que a turma comprovasse essa realidade, durante uma excursão ao
Aterro Sanitário do Município de Dois Vizinhos, o engenheiro químico nos recebeu e
passou todas as informações sobre o funcionamento, o recebimento do lixo
recolhido diariamente e seu destino final. Explicou que os resíduos são colocados
numa esteira fazendo a separação do lixo que é reciclável e os rejeitos. O material
que é reciclável é assentado em túneis onde depois o mesmo é prensado e é
vendido para empresas que o reciclam novamente. O rejeito é enterrado e coberto
com uma manta de cor escura para que o chorume não ultrapasse para abaixo da
terra, prejudicando os lençóis freáticos. O chorume desce por uma drenagem e vai
para uma lagoa, onde é feito o tratamento correto, e depois este líquido volta para
ser jogado no aterro sanitário, não mais prejudicando o meio ambiente porque é
usado como adubo orgânico para a grama. Na tarde do mesmo dia, tivemos uma
palestra ministrada por um engenheiro químico de empresa da região, mostrando
alguns vídeos e fotos de outros lixões. O palestrante explanou sobre a importância
da separação, para que não ocorra que os aterros sanitários recebam os lixos
orgânicos e os inorgânicos misturados, impossibilitando a reciclagem. Sensibilizou
quanto a todos criarem o hábito de separação correta do lixo para evitar problemas
ambientais. Explicou sobre o lixo hospitalar que se não for perfeitamente descartado
poderá ocasionar problemas muito sérios para a saúde da população.
Um dos grandes desafios para aqueles que vivem em cidades, sejam elas
grandes centros urbanos ou cidades de menor porte, é saber como garantir a
qualidade de vida de seus moradores. O gerenciamento integrado do lixo é dever do
Estado e direito do cidadão, que deve participar deste processo ativamente,
modificando inclusive seus hábitos com relação à produção e ao destino dado ao
lixo em sua casa, escola, locais de trabalho e de lazer. Não é difícil admitir que uma
das principais coisas que distinguem os seres humanos dos outros seres vivos é a
aquisição da capacidade de agir sobre a natureza, nicho ecológico de todas as
formas de vida, para criarem suas próprias condições de existência. Em outros
termos, é a capacidade que têm de agir sobre o meio natural para criarem seu
próprio meio. Desta forma, mais do que adaptar-se às condições do meio, lei
biológica universal, os seres humanos adaptam o meio as suas necessidades.
Admitindo-se, ainda, que a ação de transformar a natureza está diretamente
relacionada com o crescente desenvolvimento das funções e habilidades que
caracterizam a condição humana, chega-se à conclusão que os seres humanos são
responsáveis, simultaneamente, pelas consequências que o modo de organização
de suas condições de existência terá na realização humana de todos e de cada um
deles e pelo impacto que sua ação sobre a natureza terá no conjunto do
ecossistema.
Inicialmente, deve-se reduzir o volume de lixo gerado. Isso é obtido com a
redução do nível de consumo, adquirindo apenas o necessário. Também se faz,
dando preferência a produtos biodegradáveis como papel, couro ou madeira e os de
mais fácil reciclagem, tais como o vidro e os metais e evitando os plásticos, isopores
e acrílicos. Entretanto, mesmo reduzindo o volume de lixo é essencial reaproveitar o
que foi lançado no lixo. Isso se faz dando preferência aos produtos duráveis ao invés
dos descartáveis, e aumentando a vida útil dos produtos utilizados. O lixo que não
pode ser evitado nem reaproveitado é encaminhado para a reciclagem. Este
processo é caracterizado por operações de transformação de certos materiais em
matéria- prima para a produção de novos produtos.
O lixo representa, hoje, uma grave ameaça à vida no Planeta por duas
razões fundamentais: a sua quantidade e seus perigos tóxicos. Em toda parte do
mundo, a mídia incentiva as pessoas a adquirirem vários produtos e a substituírem
os mais antigos por outros, mais modernos, provocando a insensatez do uso
indiscriminado dos recursos naturais. Este fato tem levado ao grande volume de lixo
produzido no mundo, cujo aumento foi três vezes maior que o populacional, nos
últimos 30 anos.
No Brasil, cada pessoa produz cerca de um quilo de lixo por dia e são
descartados, diariamente, mais de 125 mil toneladas de restos de comida,
embalagens e outros resíduos (COLAVITTI, 2003). Do material descartado no Brasil,
76% é abandonado a céu aberto em locais impróprios, permitindo a proliferação de
vetores capazes de transmitir várias doenças.
De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística de 2000, 81% da população brasileira concentra-se em áreas urbanas,
ocasionando um crescente aumento do volume de lixo produzido, mostrando assim
a importância que deve ser dada à coleta de resíduos em áreas urbanas. Além
disso, vem ocorrendo também o acréscimo do consumo per capita da população, em
particular, o crescimento de bens de alimentação com embalagens descartáveis, a
significativa substituição de embalagens retornáveis pelas descartáveis, entre outros
motivos.
A classificação dos resíduos sólidos trazida pela resolução aprovada pelo
Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA – destaca o seguinte: a)
residencial ou domiciliar: provenientes de residências e da limpeza pública urbana;
b) industriais; c) de serviços de saúde; d) de atividades rurais; e) de serviços de
transportes; f) de rejeitos radioativos (MMA, 2007).
Depois de bem trabalhada essa questão, identificamos com os rótulos
adequados as lixeiras espalhadas no ambiente escolar e renovamos algumas que
estavam danificadas. Finalmente, os alunos colaram nas lixeiras o símbolo de
orgânico e inorgânico, a fim de que todos depositem o lixo no seu devido lugar, para
que a escola tenha um ambiente limpo e agradável. Depois de tudo concretizado,
os alunos envolvidos no projeto apresentaram um teatro sobre a reciclagem para as
outras 5ªs séries, sensibilizando-os sobre a importância da separação dos materiais
descartados para a saúde e o meio ambiente.
A reciclagem traz muitas benfeitorias, pois é uma alternativa de renda para
milhões de pessoas e vantagens para as empresas; é uma economia de recursos
para o meio ambiente, suavizando a extração de matéria-prima e preservando a
biodiversidade e os ecossistemas naturais; diminui a poluição dos solos e rios, além
de conservar o equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas.
Toda atividade humana é geradora de lixo. Saber o que fazer com ele é que
tem sido o maior desafio para a humanidade. Por isso, através da educação
ambiental é possível sensibilizar o cidadão para que pratique atitudes que
minimizem essa questão. Novos hábitos da coleta seletiva do lixo e destinação
correta fazem parte do cotidiano de muitas populações, sendo ainda necessário
expandir essa prática, que é uma responsabilidade social. Ações aparentemente
simples, como jogar lixo no lixo, quando adotadas por um grande número de
pessoas, torna a sustentabilidade viável em qualquer parte onde haja presença
humana.
3 Considerações Finais
Esse projeto favoreceu o interesse pelo tema e a participação ativa dos
estudantes na busca da formação de atitudes comuns dentro da escola com relação
à forma de como depositar o lixo nos ambientes e a preocupação com a
preservação ambiental. A escola tem procurado, principalmente a partir desse
projeto, desenvolver atitudes relacionadas ao ambiente, evidenciando o sentido de
relação do ser humano com a natureza e a responsabilidade do indivíduo sobre a
mesma. Necessita-se de que seja uma prática que se manifeste também em outras
instâncias. De acordo com Salvador et al (2000), a aprendizagem de atitudes podem
ocorrer tanto por via curricular, no desenvolvimento de atitudes específicas para este
fim, quanto por via institucional, por meio das formas de organização da escola, das
estruturas de poder e dos canais de participação. No entanto, as atitudes que se
pretende estimular devem estar contidas no cotidiano escolar, de forma que o
educando estabeleça em sua formação parâmetros de condutas que visem à
sustentabilidade.
Os alunos demonstraram compreender as questões ambientais de modo
geral, mas a superficialidade desses conhecimentos pode ser um sinal das
dificuldades em garantir atitudes ambientais mais responsáveis. Alguns aspectos
precisam ser mais aprofundados, como por exemplo, a diferença entre o que é
reciclável e o que foi reciclado, o desperdício energético, a transmissão de doenças
através do lixo acumulado e suas consequências, que de uma forma interdisciplinar
implica maior sucesso na educação ambiental.
Acredita-se que essa proposta atingiu não só o educando como a
comunidade escolar, de tal forma que as mudanças comportamentais poderão ser
praticadas nas suas vidas como cidadãos.
Portanto, com essas atividades estimulou-se a prática de separação do lixo
orgânico do inorgânico dentro do Estabelecimento de Ensino.
Referências Bibliográficas
ALVES, R. Estórias para quem gosta de ensinar. 2 ed. Campinas: Papirus. 2000.
CALDERONI, S. Os bilhões perdidos no lixo. São Paulo: Humanitas, 1997.
COLAVITTI, F. O que fazer com o lixo? Revista Galileu, n. 143, p. 39-50, 2003.
DAMASIO, M. L. L. As representações sociais do lixo: subsídios para a
educação do consumidor. Apud TALAMONI, J. L. B.; SAMPAIO, A. C. A Educação
Ambiental: da prática pedagógica à cidadania. São Paulo: Escrituras, 2003.
DIAS, G. F. Educação Ambiental Princípios e Práticas, São Paulo. Global, 1998.
GONÇALVES, P. Coleta Seletiva. Disponível em:
<http://www.lixo.com.br/home.html> Acesso em 10/09/2009.
GRIMBERG, E., BLAUTH, P. (Org.) Coleta Seletiva: Reciclando materiais,
reciclando valores. São Paulo: Polis, 1998.
GUIMARÃES, M. A Dimensão Ambiental na Educação. Campinas: Papirus, 1995.
GUIMARÃES, M. A dimensão da Educação Ambiental na Educação. Rio de
Janeiro: Papirus, 2000. 107p.
JACOBI, P. R. Educação Ambiental: o desafio da construção de um
pensamento crítico, complexo e reflexivo. Revista Educação e Pesquisa,
vol.31 n.2. São Paulo. mai-ago. 2005.
LANZ, R. A pedagogia Waldorf 5 ed. São Paulo: Antroposófica. 1990.
MAGALHÃES, M. A. Tempo de degradação de materiais descartados no meio
ambiente. Disponível em: <http://www.redeambiente.org.br/Opiniao.asp?artigo=147>
Acesso em 27/04/2011
MMA, Ministério do Meio Ambiente. Resolução do CONAMA: resíduos sólidos,
Brasília: MMA, 2007. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/projetos/EXPMOTIV/MMA/2007/58.htm> Acesso
em 13/05/2011.
PONTALTI, E. S. Projeto de Educação Ambiental Parque Cinturão Verde de
Cianorte, 2005. Disponível em <http://www.apromac.org.br/ea005.htm> Acesso em
14/05/2011.
RAMOS, M. N. A contextualização no currículo de ensino médio: a necessidade
da crítica na construção do saber científico. Mimeo, 2004.
RODRIGUES, F. L., GRAVINATTO, V. M. Classificação: Lixo - De onde vem?
Para onde vai? <Disponível: http://www.lixo.com.br/home.html> Acesso em
20/08/2009.
SALVADOR, C. C. ET al. Psicologia do ensino. Porto Alegre: Artes Médicas Sul,
2000.
SAMPAIO, A. C. Tratamento de resíduos sólidos domiciliares: um tópico ligado
à Educação Ambiental. Série: Ciências e Educação Bauru: UNESP, Faculdade de
Ciências, 1997.
UNICEF. O município em defesa da infância e da adolescência. Brasília:
1995.p.40
Download

VOLUME I - Secretaria de Estado da Educação do Paraná