03.
Lazer
é coisa séria
Sociedade
A paranaense que está mudando
o olhar da Justiça
Rede
Privacidade no Facebook
Pets
Bichos acima do peso
Algumas pessoas vêm ao mundo para fazer a diferença. São pessoas
que nos dão um enorme prazer em conversar, em conhecer mais
a fundo o seu trabalho. É o caso da desembargadora do Tribunal
de Justiça do Amapá (TJAP) Sueli Pini, uma norte-paranaense que foi
para a região amazônica no começo da década de 1980, soube reconhecer as necessidades de uma população carente de muitos direitos
e ganhou vários prêmios por iniciativas como os tribunais itinerantes.
Formada pela Universidade Estadual de Londrina, Sueli, 52 anos e mãe
de nove filhos (sete deles adotivos), traz no currículo também o fato de
ter sido a primeira mulher a ser nomeada desembargadora no Amapá.
Ela é a entrevistada da coluna Viva Bem em Sociedade.
Esta edição também fala do kendô, uma arte marcial que nasceu com
os antigos guerreiros do Japão, os samurais, e continua ganhando
adeptos pelo mundo afora. Em Londrina, ela é praticada pelos membros da Associação Kendô Shinko-Kai, fundada há 29 anos. Na coluna
Viva Bem em Rede, saiba por que algumas pessoas estão deixando de
usar as redes sociais, como o Facebook, e o que dizem uma especialista
e uma usuária sobre o assunto.
Controlar o peso para ter mais saúde não é um problema apenas dos
seres humanos. Na coluna Pets você vai ver que tem muito cão e gato
por aí sofrendo com a obesidade e quais as recomendações feitas
por duas médicas veterinárias. Falando em saúde, o assunto abordado
na coluna Sua Mesa é o sal, que traz riscos quando consumido em
excesso, mas também possui elementos essenciais ao bom funcionamento do organismo.
Você já parou para pensar em como os pés são importantes para o
nosso bem-estar? Eles são o assunto da coluna Viva Bem com Seu
Corpo, que mostra alguns cuidados que devem ser reservados a eles e
como evitar os principais problemas. Nas páginas a seguir você ainda
vai saber mais sobre o novo site da Unimed, sobre o uso da iluminação
natural nas construções, sobre a história do celular, sobre a importância
do tempo livre na vida das crianças, sobre as formas de economizar
energia na era dos aparelhos eletrônicos e ainda vai passear conosco
por Brasília, a capital que é muito mais que o centro do poder.
Boa leitura!
07
Historia
Do ‘tijolo’ ao minúsculo computador
Sua mesa
Menos sal, mais sabor
Turismo
Brasília de muitos encantos
22
Esporte
Samurais do século 21
34
Pets
Eles também têm problemas com a balança
18
Lazer
Agenda lotada é coisa de adulto
Estilo
Em companhia do sol
32
38
Em Rede
Seu corpo
Cada um tem o Facebook que deseja
Pés bem cuidados
40
44
Meio ambiente Unimed
Energia desperdiçada
Uma nova experiência de relacionamento
48
Sociedade
Uma juíza que fala com o povo
UNIMED DE LONDRINA
Cooperativa de Trabalho Médico
Rua Senador Souza Naves, 1333 • Londrina Paraná • Fone (43) 3375 6161
www.unimedlondrina.com.br
DIRETORIA EXECUTIVA
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Desenvolvimento e Mercado: Fabio Pozza
Provimento de Saúde: Jorge Luiz Gonçalves
Planejamento Estratégico: Weber Guimarães
Administrativo Financeiro: Ricardo Pinelli
CONSELHO EDITORIAL:
Fabio Pozza (Superintendente de Desenvolvimento e Mercado), Edgar Almeida (Assessor de Marketing),
Wilson Liuti Costa Jr. (Gestor de Promoção de Saúde), Olinda Ivamoto (Gestora de Relacionamento com o
Cooperado), Daniele Valente (Analista de Marketing), Dayane Santana (Analista de Comunicação),
Dra. Rose Pontes (Coordenadora do Serviço de Medicina Preventiva), Carolina Guadanhin (Assessora de
Comunicação) e Rosana Modelli (Gestora de Relacionamento com o Cliente)
JORNALISTA RESPONSÁVEL:
Silvana Leão - MTB 2502/PR
TEXTOS:
Silvana Leão
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO:
Egg Comunicação Criativa
FOTOGRAFIAS:
Bernardo Sardi e Bruno Mendes
TIRAGEM:
8.000 exemplares (Circulação dirigida)
IMPRESSÃO:
Midiograf
selo
FSC
aqui
Do “tijolo” ao
minúsculo computador
Uma história que mudou o mundo da comunicação e
que continua evoluindo cada vez mais rápido
O telefone celular faz parte da vida de todos:
crianças, jovens, adultos, idosos. Difícil quem não
tenha esse aparelhinho, do mais simples ao mais
avançado. Há quem o utilize apenas para sua
finalidade original: falar. Mas a maioria foi capturada
por sua gama variada de recursos, como ouvir
música, acessar Internet, enviar e receber e-mails,
tirar fotos, gravar vídeos e muito mais. Uma grande
evolução para sua breve história. É certo que entre
sua primeira concepção e a primeira chamada de
um aparelho móvel transcorreu um tempo longo,
mas uma vez encontrado o caminho das pedras, a
evolução tecnológica foi quase num piscar de olhos.
Os pioneiros da telefonia celular foram os fabricantes
Ericsson, com o aparelho MTA e a Motorola, com o
Dynatac 8000X. Mas a história começa bem antes.
Em 1940, a atriz americana Hewig Kiesler patenteou
um sistema de comunicação a distância que
mudasse sempre de canal para que as frequências
não fossem interceptadas. Mas foi em 1947 que os
laboratórios Bell, nos EUA, começaram a desenvolver
um sistema de telefonia com alta capacidade que
era interligado por várias antenas, onde cada uma
era uma célula. Por isso, o nome “celular”.
Museu da Sercomtel
Foto: Bruno Mendes
Revista VivaBem . 07
Passaram-se nove anos até que finalmente um aparelho
fosse desenvolvido. Em 1956, surge o MTA com 40 kg
para ser utilizado em porta-malas de carro. Mas a primeira
ligação só ocorreria quase duas décadas depois. Em
1973, Martin Cooper, diretor de sistemas de operações
da Motorola, efetuou a primeira chamada por meio do
Dynatac 8000X. O aparelho pesava 1 kg e media 25 cm
de comprimento e 7 cm de largura. Mas foi no Japão e
na Suécia, em 1979, que a operação de telefonia celular
teve início de fato. Nos EUA acontece em 1983 a um
preço absurdo: US$ 20 mil pelo sistema de telefonia.
Desde essa primeira geração (1G) analógica, criada em
1980 juntamente com os sistemas AMPS e NMT, os
celulares não pararam de evoluir. Da década de 90
aos dias atuais já são três gerações (2G, 2,5G, 3G, 3,5G)
e a quarta (4G) está a caminho. Eles diminuíram de peso,
tamanho e preço. Em seguida ganharam novos recursos.
O primeiro deles foi o SMS. A primeira mensagem de
texto foi enviada por uma operadora da Finlândia em
1993.
A segunda geração (2G) já era digital e foi desenvolvida
no início da década de 90, com as tecnologias TDMA,
CDMA e GSM. Já a segunda geração e meia (2,5G)
trouxe melhorias na capacidade de transmissão de
Sylvia Donadio,
responsável pelo Espaço Memória
dados e a inserção de pacotes, com as tecnologias
EDGE, GPRS, HSCSD, 1xRTT e EVDO. No fim dos anos
90, chega a terceira geração (3G) com recursos como
UMTS. E na terceira geração e meia (3,5G), há de novo
a HSUPA, HSPA e HSDPA. A quarta geração (4G) já está
a caminho e deve investir no avanço da transmissão
de dados e provavelmente serão compatíveis com as
redes de computador. A tendência é que os celulares se
transformem em computadores minúsculos.
Muito além da fala
Na evolução do celular, muitos recursos foram sendo adicionados. O primeiro deles foi o SMS,
depois vieram os toques musicais monofônicos e polifônicos em substituição às campainhas
anteriores. Vieram as câmeras, o vídeo, suporte para reprodução de MP3, ACC e WMA (suportes
para reprodução de outros áudios), visualizações, capacidade de transmitir áudio para dois ou
mais fones de ouvido, o Blutooth. Tem muito mais: videochamada, conexão de Internet de alta
velocidade e capacidade de inserir aplicativos, desde jogos até cálculos científicos, graças a sistemas
geracionais para gerir o celular. Dos celulares passou-se aos smartphones que trazem rede sem
fio, câmera de melhor qualidade, Bluetooth, memória interna com muito espaço, suporte à rede 3G.
Como se não bastasse, surgem os aparelhos sensíveis ao toque.
Fontes:
(http://tutorialparatudo.blogspot.com.br/2010/02/historia-dos-celulares.html), (http://situado.net/a-historia-dos-celulares/), (http://
alexandreviegas.blogspot.com.br/2006/03/histria-do-celular-o-primeiro-al.html)
08 . Revista VivaBem
Londrina évanguarda
em Sistema Móvel
O Espaço Memória, da Sercomtel, traz um
pouco da história viva do celular. É possível ver
desde os aparelhos mais antigos até os mais
novos. A responsável pelo Espaço, Sylvia Donadio,
conta que, em Londrina, a história do celular
está associada à Sercomtel. A empresa sempre
esteve na vanguarda em celulares. No Brasil, o
primeiro aparelho celular foi criado pela TELERJ
(Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro)
em 1990. Apenas dois anos depois, Londrina já
começava a utilizar o Sistema Móvel Celular por
meio da tecnologia AMPS (Advanced Mobile
Phone System).
Segundo Sylvia, em 1996, a Sercomtel passou a
utilizar a tecnologia TDMA (Time Division Multiple
Access), tornando-se a primeira empresa de
telefonia celular da América Latina a operar com
tecnologia digital. Em 1998 é criada a Sercomtel
Celular S.A., a partir da cisão da empresa
Sercomtel S.A. Telecomunicações, que já possuía
em sua linha de negócios o Serviço Móvel Celular.
Em dezembro de 2003 é a vez de Londrina
incorporar a tecnologia GSM (Global System
for Mobile Communications). “Em dezembro
de 2008, a Sercomtel Celular lançou serviços
utilizando a tecnologia WCDMA (Wide-Band
Code-Division Multiple Access) na versão HSPA
(High Speed Packet Access) de Terceira Geração
(3G), que permite o acesso à Internet em alta
velocidade por meio de aparelhos celulares e
modems 3G”, conta a responsável pelo Espaço
Memória. “Atualmente, a Sercomtel Celular
trabalha com as tecnologias GSM e 3G (WCDMA/
HSPA), com uma cobertura que abrange 98% da
área urbana de Londrina e superior a 75% da
área rural.”
Revista VivaBem . 09
10 . Revista VivaBem
Semcom
sal &
sabor
O excesso de sal é altamente
condenado, mas sua ausência
também é prejudicial
Revista VivaBem . 11
Quando o assunto é alimentação saudável, uma das
recomendações mais recorrentes é a diminuição do
uso de sal. Considerado um dos vilões da boa saúde,
apresenta sérios riscos quando utilizado abusivamente.
O grande desafio é garantir o sabor e o prazer dos
alimentos consumindo este tempero na quantidade
mínima necessária para o bom funcionamento do
organismo. Sim, o sal também tem seu valor para a
saúde.
Com vários artigos publicados e autora do livro
“Ideias Nutritivas”, a nutricionista funcional e especialista em Fitoterapia Karine Albiero, de Videira (SC), lembra
que o sal é composto por sódio e cloro e adicionado
com iodo. Para que atenda às necessidades do organismo, a nutricionista diz que a Organização Mundial
da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de
2000mg (2g) de sódio por dia, o que equivale a 5g
de sal, ressaltando que 40% do sal é composto por
sódio. “No entanto, de acordo com o IBGE, a média
de ingestão de sódio pela população brasileira ultrapassa 3,5g/dia (Pesquisa de Orçamentos Familiares de
2008-2009).”
12 . Revista VivaBem
O consumo abusivo de sódio pode trazer uma série
de malefícios para a saúde. Mas se o excesso provoca
desequilíbrios, a sua ausência também tem efeitos
negativos na boa saúde, comprometendo o bom funcionamento do cérebro e o controle das funções vitais
do organismo. “O sódio é um nutriente essencial para
nosso organismo: contribui para a regulação osmótica
dos luidos, ou seja, controla as substâncias que entram
e saem das células e atua na condução de estímulos
nervosos e na contração muscular, em vários órgãos.
Uma parcela desse sódio está presente naturalmente
nos alimentos”, explica a nutricionista.
Porém, a maior parte é adicionada durante o consumo, fabricação e preparo dos alimentos, na forma
de sal ou outros aditivos que contenham sódio (e é
esse o grande problema). “As funções do sódio nos
alimentos, além de conferir sabor, incluem a garantia
da segurança sanitária e funções tecnológicas, como
textura e estrutura dos produtos, por exemplo”, afirma
Karine.
Já o cloro auxilia no processo digestivo e aumenta a
capacidade do sangue em transportar gás carbônico
“O sal marinho contém
vários elementos como
iodo, enxofre, bromo,
magnésio, cálcio, entre
outros nutrientes perdidos no sal refinado. É
obtido da evaporação
da água do mar.”
Descubra
novos sabores,
com menos sal
Nutricionista. Karine Albiero.
deixe curtir por alguns minutos.
Para diminuir a quantidade de sal à mesa, faça
uma mistura de vinagre de maçã com ervas e
Em alimentos quentes, adicione ervas secas
e especiarias durante a última meia hora do
preparo, assim o gosto fica mais acentuado.
Adicione temperos com antecedência às
saladas e molhos.
das células para o pulmão. O iodo é importante
para evitar deficiência mental, abortos espontâneos, natimortos e baixo peso ao nascer. Assim,
Karine explica que o consumo adequado de sal
é fundamental, pois sódio, cloro e iodo são essenciais para o funcionamento correto do corpo. Mas
sempre com o cuidado de não cometer excessos.
Para uma mesa saudável no quesito consumo de
sal, é preciso mantê-lo em quantidades mínimas e
explorar outras fontes de sabores que vão garantir
prazer na alimentação. Karine ressalta que comida
com pouco sal não é sinônimo de comida sem
sabor. Ervas e condimentos naturais, como manjericão, salsinha, cebolinha e alecrim são ótimos
substitutos. Sem falar no gengibre, hortelã, louro
e muitos outros.
Outra dica é optar pelo sal marinho ou então o
sal light, para alguns pacientes hipertensos . “O
sal marinho contém vários elementos como iodo,
enxofre, bromo, magnésio, cálcio, entre outros nutrientes perdidos no sal refinado. É obtido da evaporação da água do mar”, explica a nutricionista.
Nas carnes, aves e peixes, esfregue as ervas
uma hora antes de prepará-las, acrescente
vinho e deixe marinando.
Na elaboração de peixes, utilize o coentro
como tempero.
O feijão pode ser preparado com louro e
pimenta-do-reino.
Pratos árabes, como quibe, esfiha e tabule
contam com a aplicação da hortelã no lugar do
sal em quantidade exagerada.
Fonte: www.vivercomsaude.com
Revista VivaBem . 13
Natureza
na cidade planejada
14 . Revista VivaBem
Revista VivaBem . 15
Quando se fala em Brasília as primeiras ideias que vêm à mente de muitos
são relacionadas à política, corrupção, poder. Mas a capital federal, que tem
muitas de suas construções projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer,
possui vários encantos que nem todos que a visitam percebem em um
primeiro momento, embora muitos deles estejam bem à vista. A servidora
pública Elvira Schulz vive em Brasília há vários anos e revela para a Viva Bem
os lugares que mais gosta na cidade de mais de 2,5 milhões de moradores.
“Brasília tem opções para todos os gostos e bolsos. Como adoro rock,
lugares requintados, atividades culturais e natureza, tenho tudo aqui”, afirma
Elvira. Quando a pedida é relaxar, ela diz que as opções são o Lago Paranoá,
Chapada Imperial, Jardim Botânico e restaurantes rurais. O Lago Paranoá é
destacado por Elvira. É lá que ela gosta de estar nos finais de tardes.
“Adoro o Paranoá. No Pontão temos restaurantes ótimos e a vista é
maravilhosa. Perto da Ponte JK, que é linda, além de restaurantes muito
bons e barzinhos de muito bom gosto, há caiaques para fazermos um
passeio muito legal. Adoro andar de caiaque ao por do sol”, revela. Os
restaurantes rurais, a Chapada Imperial e o Jardim Botânico estão na lista de
passeios de Elvira aos finais de semana. A Chapada Imperial, por exemplo,
16 . Revista VivaBem
possui reserva ecológica exuberante e belas
cachoeiras. Tirolesa, arvorismo, trilhas ecológicas
e rapel são algumas das atividades do lugar.
Nos feriados, a servidora pública busca passeios
mais longos. “Gosto muito de ir a Pirenópolis
(município histórico, a 140 km de Brasília), pois
adoro cachoeiras. Além disso, a cidade é muito
charmosa. Lembra-me um pouco Parati (RJ)”,
conta.
Brasília também é generosa para aqueles que
querem um roteiro mais cultural. Elvira gosta de
frequentar o Centro Cultural Banco do Brasil
(CCBB). “Lá tem exposições, cinema, teatro,
shows muito interessantes gratuitos ou a preços
simbólicos. Há vários outros espaços culturais
na cidade, mas o CCBB e o Caixa Cultural são os
meus preferidos. Assisti a vários shows lá, desde
Margareth Menezes até Arnaldo Antunes”,
conta. As exposições também são bastante
atraentes. “No CCBB, recentemente, teve uma
exposição de videogames desde a década
de 60. O legal é que podíamos jogar desde
os videogames antiquíssimos até os de última
geração. De Atari, Genius à XBox.”
A cidade oferece ainda inúmeros museus. “No
Banco Central, por exemplo, há o museu de
valores, onde encontramos moedas desde o
Brasil Colônia, além de moedas do mundo todo.
Outra coisa interessantíssima são as pepitas de
ouro e as várias etapas de fabricação. Você
pode ver a maior pepita de ouro do mundo,
encontrada em Serra Pelada”, conta.
O museu JK também é destacado por Elvira.
“Lá tem o túmulo de Juscelino Kubistchek, seus
objetos pessoais e de sua esposa”. O museu
do Catetinho também merece uma visita. “É
o lugar que foi construído para o presidente
ficar quando Brasília estava começando a ser
construída. Lá, além poder ver como ele morou
e trabalhou por um tempo, é um lugar lindo.”
Agitação também faz parte da capital federal.
Berço de muitos cantores e bandas de estilos
diferentes, como Cássia Eller, Legião Urbana,
Raimundos, Capital Inicial, Plebe Rude e muitas
outras, Brasília possui diversos pubs com
música. “Adoro ir a esses pubs. Vários deles têm
bandas de rock tocando ao vivo. É muito bom
para dançar”, recomenda a servidora pública.
Mas se a opção for por uma noite mais
tranquila, a cidade ainda oferece boas opções
de confeitarias – Elvira adora as francesas – e
pequenos bistrôs muito charmosos.
Lazer
Laze
18 . Revista VivaBem
zeré coisa séria
Agenda superlotada é para adultos. Criança precisa
de tempo livre para virar gente grande
Criança com agenda de adulto, sem tempo
para lazer, está cada vez mais comum. Muitos
pais acreditam que o principal na educação do
filho é prepará-lo para o mercado competitivo
de trabalho. Além da escola, os pequenos têm
diversos compromissos como aulas de balé,
natação, futebol, línguas, música, informática.
Tempo livre, nem pensar. O tempo para lazer
fica restrito a alguns intervalos na agenda. Bom
mesmo é criança ocupada. Será? A psicóloga
Isabel De Negri Xavier, de Londrina, fala sobre a
importância do lazer para o desenvolvimento.
O ‘tempo vazio’ é essencial na infância. “É nesse
tempo que a criança tem a oportunidade de
desenvolver a sua capacidade criativa, construir
sua identidade, criar soluções para os seus
problemas, desenvolver resiliência (capacidade
de sair-se bem em situações difíceis). É na ‘falta’
que a criança desenvolve a capacidade para
suportar as frustrações e aprender com elas”,
explica Isabel Xavier.
A psicóloga afirma que o ‘tempo vazio’ também
funciona como uma trégua para tantas exigências.
“A criança precisa de ‘férias’ de exigências.
Precisa ter liberdade de expressão, ficar ociosa.
E, paradoxalmente, é nesse espaço ‘em branco’,
na ausência de preenchimentos com atividades
pré-estabelecidas que a criança desenvolve suas
potencialidades e escreve a sua história.”
O problema não são as atividades extras, mas
o excesso delas. A psicóloga explica que à
medida que as crianças amadurecem também
desenvolvem condições físicas, psicológicas
e neurológicas para assumir compromissos e
Revista VivaBem . 19
responsabilidades. “As atividades extras, quando
adequadas, estimulam o crescimento da criança.
Ao contrário, quando em excesso, prejudicam
esse crescimento, sobrecarregando-a, impedindo
a criatividade.”
Nessa perspectiva, o excesso de compromissos
das crianças atualmente pode ser pensado a partir
de dois aspectos: o social e o afetivo. “No aspecto
social, podemos perceber a competitividade dos
pais, preocupados em preparar os filhos para o
mercado de trabalho cada vez mais exigente.
Outro fator social importante é a ascensão da
classe média, que permite o acesso de uma
parcela maior da população às atividades
extracurriculares”, diz Isabel.
No aspecto afetivo, segundo ela, pode-se perceber
uma parcela cada vez maior de pais que ocupam
seus filhos com excesso de atividades extras para
evitar ocuparem-se deles como pais. A educação
do filho fica fragmentada e sob a responsabilidade
de outros profissionais, enquanto a função de pais
fica subdesenvolvida. “Enquanto os pais estão
delegando suas funções para outros profissionais,
as crianças estão se sentindo abandonadas. O
resultado desse abandono é responsável pelo
aumento do número de crianças nos consultórios
psicológicos.”
Para os pais que estão preocupados com o futuro
do filho, com sua formação para se inserir no
mercado de trabalho cada vez mais competitivo,
vale ressaltar: quanto mais lazer, melhor. “É por
meio da atividade lúdica que a criança tem a
possibilidade de elaborar os con litos inerentes à
fase de desenvolvimento em que ela se encontra,
de forma natural, espontânea e prazerosa”, explica
a psicóloga.
Como exemplo, ela cita uma brincadeira que
pode ser muito explorada também como lazer:
a leitura de estórias infantis. “Por meio do contato
com o enredo dessas estórias, a criança tem
a oportunidade de elaborar con litos e ainda
encontrar soluções criativas para os mesmos, de
forma lúdica. É por esse motivo, por identificar-se
com os con ltos propostos pelos personagens,
que a criança elege determinada estória para ser
contada ou lida repetidamente”, explica. E saber
lidar com con ltos e encontrar soluções criativas
não são habilidades tão cobradas hoje no mundo
do trabalho?
20 . Revista VivaBem
“A criança precisa de ‘férias’ de exigências.
Precisa ter liberdade de expressão, ficar ociosa.
E, paradoxalmente, é nesse espaço ‘em
branco’, na ausência de preenchimentos com
atividades pré-estabelecidas que a criança
desenvolve suas potencialidades e escreve a
sua história.”
Psicóloga Isabel Xavier.
Revista VivaBem . 21
amurais
Sdo século XXI
Praticar kendô é vivenciar valores que moldavam
o espírito dos antigos guerreiros japoneses,
como a disciplina e a coragem
22 . Revista VivaBem
Foto: Bruno Mendes
Revista VivaBem . 23
Em um espaçoso salão de um templo SeichoNo-Ie, na Vila Nova, em Londrina, um grupo
se reúne três vezes por semana para manter
tradições seculares e praticar uma arte marcial
pouco conhecida entre os ocidentais. São os
‘kenshi’, praticantes do kendô, modalidade que
tem sua origem relacionada à classe guerreira do
Japão e se desenvolveu acima de tudo entre os
anos de 1603 e 1867, em um período conhecido
como Era Edo.
Para os não familiarizados, os sons e a imagem
de jovens vestidos como samurais é, no mínimo,
instigante. As espadas de bambu e as armaduras
nos remetem a um outro tempo, quando
guerrear era garantia de sobrevivência. Logo
percebe-se, porém, que o objetivo dos kenshi de
hoje nada tem a ver com destruir oponentes, e
sim assimilar conceitos de uma filosofia guerreira
24 . Revista VivaBem
que cabem na vida de homens e mulheres de
qualquer geração.
Os primeiros ensinamentos desta filosofia, por
aqui, foram difundidos provavelmente pelos
imigrantes japoneses, mas ganharam vulto com
a fundação da Associação Kendô Shinko-Kai de
Londrina, há 29 anos. É nesta mesma associação
que até hoje descendentes orientais, em sua
maioria, continuam a treinar os movimentos
com a espada artesanal, o ‘shinai’. Atualmente
a Associação Shinko-Kai conta com atletas de
renome nacional, como Harumi Takashina, a
primeira atleta brasileira a conseguir classificação
em campeonatos mundiais.
Os treinos começam sempre com a limpeza
do chão, simbolizando a purificação da alma.
Em seguida são dedicados alguns minutos
à concentração dos praticantes, que devem
esquecer os problemas externos, e logo depois
vem uma longa sessão de alongamentos e
aquecimento, que inclui a repetição incansável de
alguns movimentos, como ir e vir de um lado para
o outro, com os pés descalços rentes ao chão. Leva
um tempo até que os equipamentos típicos, como
o shinai e o ‘bogu’ (conjunto de armadura) entrem
em cena.
O bogu é o que mais chama a atenção. Um dos itens
da armadura é o ‘men’, uma espécie de capacete que
possui, na parte frontal, um conjunto de protetores de
metal com intervalos não muito largos, lembrando
uma máscara, e também grandes abas para proteger
os ombros. Completam o conjunto o ‘kotê’ (luvas que
protegem mãos e punhos), o ‘dô’ (armadura que
protege o tronco) e o ‘tarê’ (proteção da cintura à
coxa). A vestimenta é composta pelo ‘hakama’ (uma
espécie de saia-calça) e pelo ‘kendo gui’ (blusa).
“A filosofia do kendô está baseada no respeito, na
disciplina, na coragem, na busca pela perfeição, que
são valores herdados dos antigos samurais”, ensina
o sensei (mestre) Wilson Koguishi. Ele revela que é
esta busca pela perfeição que faz os treinamentos
serem baseados na repetição de movimentos. “Eu
tenho quase 30 anos de treino e faço basicamente
a mesma coisa em todo este tempo. É preciso muita
força de vontade e determinação”, reconhece o
comerciante de 35 anos, que prematuramente teve
que assumir a direção da associação junto com
outros quatro praticantes (incluindo dois irmãos seus)
em razão da morte do fundador Kiyoiti Harada, há 13
anos.
O sensei explica que o que os move é a paixão pela
arte marcial. “Ninguém aqui visa lucro. Todos temos
nossas profissões. Às vezes um de nós se atrasa em
algum compromisso, então o que tiver mais tempo
de treinamento e estiver presente é quem puxa
o treino.” Esta forma de organização é apenas
um dos sinais do grande respeito à hierarquia
difundido pela modalidade. “O kendô é uma
filosofia de vida, ele contribui para a formação do
caráter de uma pessoa”, defende o mestre.
Segundo Koguishi, antigamente o mais comum
era tornar-se um kenshi ainda na infância, como
foi o caso dele e de seus irmãos. “Hoje a maioria
começa a praticar já adulto”, diz, lembrando que
o tempo para aprender as regras e a manusear
a espada vai de seis meses a um ano. “Nosso
maior desafio hoje é conseguir que os alunos se
adaptem às regras da modalidade, consideradas
rígidas para os atuais padrões.”
Com o shinai em punho, o praticante trabalha
com quatro pontos de ataque: a cabeça,
antebraço, região do abdômen e garganta (este
último só pode ser aplicado por quem tiver
maior graduação na modalidade (no mínimo 2º
“O kendô é uma filosofia
de vida, ele contribui para
a formação do caráter
de uma pessoa.”
Mestre Wilson Koguishi
Revista VivaBem . 25
dan). Mas não basta manusear a espada com precisão. É
preciso demonstrar a força do espírito, tão importante para
um guerreiro, e isso é feito por meio do ‘kiai’, um grito no
momento do ataque.
Entre as muitas demonstrações de força ouvidas durante
o treino, destacam-se algumas vozes femininas. Entre elas
está a de Eliete Harumi Yatomi Takashina, 26 anos, a primeira
atleta brasileira a ficar entre os primeiros colocados em
um campeonato internacional, em 2009, na modalidade
individual. “Eu pratico kendô há 17 anos. Comecei a treinar
aos 9 anos, junto com mais dois irmãos, incentivada pelo
meu pai. Nem sabia direito o que era, mas vim no embalo.
Hoje eu não consigo me imaginar vivendo sem treinar. Aqui
sinto uma sensação muito boa, descarrego as tensões e
esqueço dos problemas”, afirma a campeã, professora de
Educação Física por formação.
Embora seja uma das veteranas da modalidade em
Londrina, Harumi não se considera experiente o suficiente
para se tornar uma sensei. Um sinal de que a humildade
é um tesouro a ser preservado até pelos mais valentes
guerreiros.
26 . Revista VivaBem
“Nem sabia direito o que era, mas vim no embalo. Hoje eu
não consigo me imaginar vivendo sem treinar. Aqui sinto uma
sensação muito boa, descarrego as tensões e esqueço dos
problemas.” (Eliete Harumi Takashina, atleta)
Revista VivaBem . 27
SOL
Na companhia do
O uso da iluminação natural proporciona bem-estar e sofisticação
ao ambiente, além de resultar em economia na conta de energia
Revista VivaBem . 29
Em vez de luz artificial, a luminosidade natural
que proporciona maior bem-estar, poupa energia
elétrica e ainda torna o ambiente mais sofisticado,
arejado e humanizado. Este é um recurso antigo,
muito usado por nossos antepassados, mas
que andou esquecido diante das invenções
tecnológicas, principalmente a lâmpada. Com
a redescoberta da importância de estar em
harmonia com a natureza e de preservar os
recursos naturais, o uso da luz do sol em projetos
arquitetônicos voltou a ser considerada uma
alternativa moderna e necessária.
Para o arquiteto londrinense Fabrício Roncca, as
30 . Revista VivaBem
vantagens em se utilizar a iluminação natural em
ambientes construídos são inúmeras. Além das
já citadas, ele lembra que, com a desativação da
luz artificial durante grande parte do dia, há uma
diminuição na troca de equipamentos como
lâmpadas e reatores e, claro, menores gastos com
a conta de energia elétrica. Roncca defende que a
luz natural, desde que usada corretamente, deixa
o ambiente mais bonito, pois reproduz melhor as
cores dos móveis, objetos e paredes, valorizando
a arquitetura.
“Assim como a captação da água da chuva e
o uso da ventilação natural são bem-vindos na
construção civil, a luz do sol pode ser explorada
de diversas maneiras. Podemos tanto trabalhá-la
por meio de aberturas como janelas, portas e
esquadrias, como através de pérgolas (estruturas
de madeira que dão suporte para plantas) e
domos zenitais (abóbadas de vidro ou acrílico
na parte mais alta da construção), que banham
e iluminam ambientes sem aberturas horizontais”,
explica o arquiteto. Outras possibilidades são
as claraboias (abertura no alto da edificação,
que também pode ser usada para melhorar a
ventilação) e os tijolos de vidro.
Roncca cita como elementos capazes de
redirecionar a luz natural os brises (quebra-sol
composto de peças de madeira, concreto, plástico
ou metal, instaladas vertical ou horizontalmente,
sem comprometer a ventilação), persianas e
lightshelves, que são prateleiras ou estantes de luz.
“De forma indireta e difusa essa luz é benéfica,
pois não traz a mesma carga térmica que ocorre
quando há incidência solar por meio de vidros,
por exemplo. Mas os raios solares devem ser
trabalhados com sabedoria e técnica correta.”
Os maiores cuidados, de acordo com o arquiteto,
são quanto à disposição das aberturas e dos vidros,
para não potencializar o calor com entrada direta
do sol da tarde e criar o efeito estufa – quando o
calor é impedido de sair pela pele de vidro. Uma
alternativa interessante, segundo ele, é criar janelas,
aberturas ou venezianas na parte superior para
gerar o efeito chaminé. Assim o ar quente tende
a subir, por ser mais leve, e o ambiente recebe
uma ventilação cruzada, ficando mais confortável.
No caso das peles de vidro (ou grandes paredes
em vidro), são necessárias proteções que filtram o
calor e conferem maior resistência, além de ajudar
a evitar danos aos móveis e estofados.
Os aspectos psicológicos e de qualidade
visual também devem ser levados em conta
ao optar pela iluminação natural. Perceber a
variação luminosa e cromática ao longo do dia
é, comprovadamente, benéfico ao ser humano,
assim como faz bem a sensação de contato com
o ambiente externo e de pertencer ao mundo
lá fora.
Revista VivaBem . 31
Intimidade
e stalkear
NAS REDES SOCIAIS
32 . Revista VivaBem
Re lexo das pessoas, cada um
tem o Facebook que deseja
Na era das mídias sociais não é raro ver pessoas fazendo
o caminho inverso. Recentemente um professor afirmou
que estava deixando o Facebook porque não gosta de ver
sua vida exposta e respeita muito sua privacidade. É certo
que muitas pessoas utilizam esta mídia social para falar de
suas atividades rotineiras e de questões pessoais, mas esta
será a única forma de utilizá-la? Será que a intenção oculta
que move todos que estão no Facebook, especialmente, é
a de se expor e stalkear (bisbilhotar a vida alheia)?
A especialista em redes sociais Alessandra Sleiman, de
São Paulo, mostra que é possível utilizar o Facebook e
manter sua intimidade. Dependendo, é claro, do que cada
um está buscando. “A rede social no âmbito pessoal
remete à troca de experiências e compartilhamento de
informações entre grupos de amigos ou pessoas com
o mesmo interesse”, afirma. Essa pode ser uma forma
bastante enriquecedora para um professor estar na rede
social, por exemplo.
Se a questão é apenas respeito à privacidade, além
dos mecanismos de segurança, o usuário ainda tem a
opção de configurar grupos diferentes e expor assuntos
específicos para cada grupo, sem publicar para todos. “Para
as redes sociais não existem fronteiras, elas aproximam
pessoas com o mesmo interesse. Além de campanhas
de interesse comum que abrangem os mais variados
assuntos, a troca de opinião entre esses grupos é uma
fonte inestimável de acesso ao conhecimento, cultura,
experiências e opiniões diferentes”, ressalta Alessandra.
A escritora e empreendedora sociocultural Cristiana
Soares está na rede social com esse interesse. “Só deixo
as pessoas com conteúdos interessantes no meu feed
(página inicial). Há muitos militantes de todas as áreas nele.
E eles são muitas vezes a minha fonte de informação do
que está acontecendo pelo mundo”, conta. Ela diz que se
tornou muito mais politizada, mas reconhece que stalkear
também faz parte de estar nas redes sociais.
Cristiana atribui o ‘bisbilhotar’ à curiosidade que todo ser
humano tem em relação a outro ser humano. “Então, às
vezes, você vai até o perfil da pessoa para saber quem
ela é, o que pensa, o que diz. Faz parte do jogo das redes
sociais e das relações humanas”, afirma. Sabendo como
esse jogo funciona, ela procura postar apenas aquilo que
não exponha tanto sua intimidade.
“Não as vejo como vilãs (as redes sociais) porque quem
as faz somos nós”, diz. “Acho que um profissional, seja de
que área for, pode muito bem estar no Facebook e não
ficar postando sua vida íntima, caso ele não queira. Está
nas mãos dele administrar o conteúdo que ele posta. E
também é direito/escolha dele não estar lá”, argumenta.
Cristiana vê as redes sociais como re lexo das pessoas.
Cada um tem seu próprio critério em relação ao que deve
expor ou não sobre si mesmo, segundo ela.
Alessandra Sleiman, especialista em redes sociais.
Revista VivaBem . 33
ELES TAMBÉM SOFREM COM A
OBE
SIDA
DE
A exemplo dos seres
humanos, os animais
podem adoecer pelo
excesso de peso
Revista VivaBem . 35
Hábitos alimentares errados somados à falta de
atividades físicas não são uma fórmula perigosa
apenas para os seres humanos. Os bichos também
sofrem com estes males da vida moderna. Nas clínicas
veterinárias são cada dia mais comuns casos de animais
de estimação – acima de tudo cães e gatos – com
problemas relacionados à obesidade.
Assim como nos homens, os efeitos do excesso
de peso vão além da aparência. Complicações
respiratórias, cardíacas e hepáticas são alguns exemplos
de doenças que podem ser desencadeadas com os
maus costumes, impondo limitações e diminuindo
o tempo de vida dos animais. “Em raças de grande
porte, o excesso de peso pode causar ou agravar
muitos problemas articulares, além de deixar o animal
mais cansado, sem ânimo. Por conta própria, ele para
de se movimentar, agravando ainda mais o quadro de
obesidade”, explica a médica veterinária Patrícia Mendes
Pereira, professora da disciplina de Clínica Médica de
Animais de Companhia do Departamento de Clínicas
Veterinárias da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Patrícia observa que o excesso de comida,
principalmente em animais que não praticam exercícios
ou que têm uma área restrita para brincar ou se
36 . Revista VivaBem
movimentar, é uma das principais causas de obesidade.
Ela chama a atenção para determinadas raças que
têm predisposição ao problema, como cocker spaniel,
labrador e golden retriever, entre outras, recomendando
cuidado redobrado nestes casos.
De acordo com a professora, se o animal estiver
ganhando muito peso, é preciso reduzir ou adequar
a dieta, em conjunto com atividades físicas. “Fazer
exercícios diários aumenta a saúde física e ajuda muito
no equilíbrio mental do animal, tornando-o ainda mais
companheiro.” Em casos graves, porém, ela recomenda
que seja feita uma avaliação clínica e acompanhamento
de um médico veterinário.
Donos obesos ou com maus hábitos de vida tendem
a levar seus bichos para o mesmo caminho. Este é o
alerta da veterinária Sílvia Miyuki Nagatsuyu, de Londrina.
Segundo ela, se a pessoa não consegue manter
para si mesma e para sua família uma dieta saudável,
dificilmente conseguirá fazer isso com seu cachorro
ou com seu gato. “Pessoas que não se exercitam
regularmente e comem a toda hora têm uma grande
tendência a transferir estes hábitos para seu animal. Por
isso, muitas vezes é preciso, primeiro, um trabalho de
conscientização com os donos.”
Sílvia lembra que, a não ser que tenha alguma doença que os limite, os bichos
são naturalmente ativos, mas precisam ser estimulados a se movimentar.
“O que acontece, muitas vezes, é que eles são induzidos a ter uma vida
sedentária”, diz a veterinária.
Outro problema é o hábito de dar petiscos (que incluem os alimentos feitos
para seres humanos) o tempo todo para o bicho. “Muitos donos, quando
o cão vem até eles querendo brincar ou ganhar um pouco de atenção, já
dão logo um petisco para o bicho dar sossego.” Silvia observa, porém, que
a nossa comida é muito mais saborosa e atraente que as rações, mas que
nem sempre supre as necessidades nutricionais de cada raça. Mesmo os
petiscos próprios para os bichos devem ser dados com moderação, pois
também são muito calóricos.
A veterinária defende, inclusive, que este tipo de alimento seja oferecido
apenas em situações específicas, como forma de compensação. “Alguns
donos acham que é entediante para o animal comer apenas ração e
começam a compartilhar com ele sua própria comida. Este é um grande
erro. É mais fácil evitar a obesidade do que combatê-la depois, em um
animal com hábitos errados.” O ideal, esclarece Sílvia, é que a alimentação
seja feita de acordo com as condições e estilo de vida de cada um.
Um exemplo são os animais castrados. Há um mito de que o procedimento
faz engordar, mas as veterinárias ouvidas pela Viva Bem esclarecem que o
que engorda é não adequar a dieta do animal à sua nova realidade. “Com
a castração o animal fica mais calmo. Portanto, se o proprietário continuar
oferecendo a mesma quantidade de comida, sem exercitá-lo, ele vai ganhar
peso”, explica a professora Patrícia.
Ela ressalta que algumas medicações levam ao acúmulo de líquido e gordura,
causando a obesidade. Além disso, a veterinária faz um alerta: “Todo animal
que, mesmo comendo pouco ou de forma adequada, estiver engordando,
deve ser submetido a consulta com um médico veterinário, pois ele pode
estar com algum distúrbio hormonal.”
“Fazer exercícios diários
aumenta a saúde física
e ajuda muito no equilíbrio mental do animal,
tornando-o ainda mais
companheiro.”
Dra. Patrícia Mendes Pereira
Veterinária Sílvia Miyuki Nagatsuyu
Revista VivaBem . 37
Aos pés,
os cuidados
que merecem
A tarefa deles não é das mais fáceis;
ainda assim, estão relegados a
segundo plano
38 . Revista VivaBem
São eles os responsáveis pela sustentação do corpo e
pela transmissão da força muscular para caminhar ou
correr. Apesar das funções primordiais, os pés, muitas
vezes, não recebem os cuidados que merecem
e precisam. Os coitados são relegados a segundo
plano. Eles estão sujeitos a lesões de sobrecarga, por
esforço excessivo, calosidades provocadas por calçados
inadequados e lesões causadas por traumas.
Estes são os problemas que mais acometem os pés,
segundo o ortopedista Luís Rubin, de São Paulo. Ele
ressalta ainda que a falta de cuidados com os pés
podem provocar problemas em outras partes do
corpo. “A falta de um apoio adequado pode gerar
dores nas pernas, no quadril e na coluna. Pacientes com
diabetes também devem ter cuidados especiais com
os pés, porque é uma área especialmente problemática
nesta doença.”
Calcanhar, planta, dedos. Cada parte dos pés está sujeita
a problemas específicos. O calcanhar geralmente
apresenta problemas por in lamação dos tendões
que se fixam no osso calcâneo. A causa principal, de
acordo com o ortopedista, é a falta de alongamento
e o excesso de peso. “A in lamação pode causar
calcificações que às vezes são chamadas de esporões.”
Dores e calosidades causadas por deformidades
internas nos ossos são problemas que acometem a
planta dos pés. “Os dedos são muito prejudicados pelo
uso de calçados apertados, além dos famosos joanetes,
que alargam a silhueta do pé e são um grande
incômodo principalmente para as mulheres.”
Diariamente os pés são expostos a uma série de
agressões, sem dó nem piedade. Muitas delas
em nome da estética, como o uso de saltos
excessivamente altos, calçados apertados e de materiais
sintéticos impermeáveis. “Estes calçados causam vários
problemas. O ideal é que o calçado vista o pé e não
que os pés sejam espremidos dentro dele”, orienta Luis
Rubin.
A podóloga Maria Josineide dos Santos orienta que
na hora de escolher uma nova sandália ou sapato é
preciso experimentá-los ao final do dia, quando os pés
estão mais inchados. Assim, evita-se comprar aqueles
que acabarão machucando os pés. E além dos saltos
extremamente altos, as sandálias com muitas tiras finas
e costuras internas em excesso não são uma boa
pedida quando o objetivo é manter a saúde dos pés.
“Eles são muito mais importantes que a beleza de um
sapato”, argumenta a podóloga.
Controle do peso, praticar atividade física regular e
hábitos saudáveis de vida também estão entre os
cuidados que devem ser tomados com os pés, de
acordo com o ortopedista. “Também não é adequado
retirar calosidades da planta do pé, o ideal é identificar
a causa destas calosidades e tratá-las. Para isso existe o
ortopedista especialista em pé e tornozelo”, alerta Rubin.
Uma boa higienização diária dos pés e das unhas,
secar bem entre os dedos, evitando passar hidratante
entre eles, não cortar as laterais das unhas e ficar alguns
períodos sem passar esmaltes são outros cuidados
recomendados por Josineide..
Revista VivaBem . 39
Meio Ambiente
40 . Revista VivaBem
Energia
em risco
O Brasil produz energia
elétrica para alimentar
300 milhões de casas,
509 bilhões de kWh; no
mínimo 10% poderiam ser
economizados
Revista VivaBem . 41
O simples apagar de luz pode ser um ato crucial
para minimizar um dos grandes desperdícios da
atualidade. Em 2010, de acordo com Balanço
Energético Nacional, o Brasil produziu 509
bilhões de kWh, o suficiente para alimentar 300
milhões de casas. Com medidas adequadas,
poderia produzir pelo menos 10% a menos.
Este foi o percentual de redução de consumo
estabelecido como meta a ser atingida até 2030,
pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No
entanto, o engenheiro eletricista Agenor Gomes
Pinto Garcia, mestre e doutor em Planejamento
Energético, com ênfase em eficiência energética,
afirma que com mudanças de comportamento
e investimentos é possível elevar esse percentual
a 20%.
“Os desperdícios vão desde o mau uso da
energia, como sair do quarto sem apagar
a luz, passando por usar equipamentos
superdimensionados (todo equipamento tem
melhor rendimento próximo à sua capacidade
nominal), até tecnologias de uso mais eficiente”,
explica. O Brasil, segundo o engenheiro, tem
tomado algumas medidas, mas poderia fazer
muito mais em termos de eficiência energética,
que implica em usar menos energia para realizar
o mesmo trabalho, proporcionando igual conforto
e produção.
O principal setor que deveria se valer mais da
eficiência energética e contribuir para diminuir o
desperdício, de acordo com o especialista, é o da
indústria. Mas, ele ressalta que todos os setores
têm grande potencial para a eficiência energética
e que no âmbito pessoal é possível tomar
medidas que contribuam significativamente para
42 . Revista VivaBem
a economia de energia. “As pessoas usam muito
mal a energia”, diz.
O bom uso requer desde atenção com
equipamentos até hábitos simples do dia a dia.
Garcia afirma que no caso dos equipamentos
deve-se observar tamanho adequado, boa
eficiência energética (ver a etiqueta), bom uso e
boa manutenção. Um bom exemplo, de acordo
com o engenheiro, é o uso da geladeira. Devese comprar uma de tamanho adequado às
necessidades (que não seja grande demais), com
etiqueta A de eficiência energética.
Feita a compra correta, deve-se fazer o uso
adequado do eletrodoméstico. Isso implica
em distribuir bem os alimentos, permitindo a
circulação do ar; não abrir a porta sem saber o
que se quer; retirar de uma vez tudo o que se
precisa no momento e devolver rapidamente o
que vai se manter refrigerado; mantê-la afastada
de fontes de calor, como o fogão; verificar
periodicamente se a borracha de vedação está
boa (isto pode ser feito colocando um papel na
porta e fechar a geladeira – se conseguir retirar o
papel, a vedação está ruim); não deixar grossas
camadas de gelo, que impedem a propagação
do calor.
Garcia cita também o uso de ar-condicionado.
“Muitos ambientes poderiam ter ventilação
natural. Isto implica desde o arquiteto que projeta
um edifício fechado, com grande demanda
de energia, até o funcionário que se considera
desprestigiado quando trabalha sem seu aparelho
de ar-condicionado, mesmo que tenha que usar
agasalho.” A maioria das boas práticas, de acordo
com Garcia, é intuitiva: apagar a luz quando sai de
um ambiente; não chamar dois elevadores ao mesmo tempo; passar toda
a roupa de uma vez; entre outras.
A utilização de lâmpadas mais econômicas também já é de conhecimento
da maioria das pessoas. “Isso todo mundo aprendeu na época do
racionamento. As incandescentes estão com seus dias contados. As
luorescentes estão na ordem do dia e está vindo aí a geração de leds, que
são ainda mais econômicas. A tecnologia de lâmpadas e seus acessórios
tem evoluído bastante. Também a tecnologia de controle do acendimento
(sensores de presença), dimmers (reguladores de intensidade), vêm
ocupando espaço”, afirma o especialista em eficiência energética.
Algo que talvez seja menos divulgado é o conceito de ‘energia vampira’.
Trata-se da energia gasta por computadores, aparelhos de DVD, de
som, de televisão, de TV a cabo, mesmo quando desligados. “Hoje, com
a proliferação de equipamentos que temos, representa já uma parcela
significativa do consumo residencial. O consumo de cada um não é
grande, mas como são muitos e ficam ligados todo o tempo, acabam
significando bastante”, explica o engenheiro.
Mas até a ‘energia vampira’ é possível driblar. “Já existem ‘tomadas
programáveis’, pequenos equipamentos que podem ser programados
para desligar de madrugada, por exemplo. Eles não estão caros e podem
ser encontrados em lojas de bricolagem”, informa.
Revista VivaBem . 43
Rosana Modelli, gestora de
Relacionamento com o Cliente.
44 . Revista VivaBem
Uma
nova
experiência de
relacionamento
O novo site da Unimed Londrina prioriza a
comunicação com os diferentes perfis de públicos
e reforça a prestação de serviços
Revista VivaBem . 45
A Unimed Londrina colocou no ar, no dia 5 de
julho, seu novo site, mais didático e completo
no que diz respeito às informações que
interessam a todos os públicos da Cooperativa
e com um layout leve e moderno. Foram
mais de doze meses de trabalho e mais de
30 pessoas envolvidas para organizar um
imenso universo de informações e oferecer
tudo o que os cerca de 35 mil visitantes
mensais buscam ao acessar o endereço www.
unimedlondrina.com.br.
O resultado foi um espaço propício para
que cooperados, clientes, prestadores
e fornecedores se relacionem com a
Unimed. “Nosso objetivo não foi fazer algo
simplesmente bonito, mas construir canais
diferenciados de relacionamento com cada
tipo de público”, explica Rosana Modelli,
gestora de Relacionamento com o Cliente.
Ela detalha que serão quatro homepages na
área pública e quatro homepages na área que
exige acesso por meio de login. Atualmente já
estão em funcionamento três destas páginas
‘logadas’: para os clientes, para os médicos e
46 . Revista VivaBem
para os fornecedores, com possibilidade de
entregar conteúdo diferente para cada um
deles. “Antes tínhamos um mesmo conteúdo
para todos os perfis de públicos”, completa
Rosana.
Aqueles que desempenham mais de um
papel perante a Cooperativa, como por
exemplo os que são cliente e fornecedor ao
mesmo tempo, poderão transitar entre os
serviços dedicados a estes dois públicos com
o mesmo login e senha. “Este é um momento
em que a Unimed passa a olhar para a pessoa
como um todo, oferecendo condições para
que esta pessoa também enxergue a Unimed
com todas as suas possibilidades, e não mais
de maneira fragmentada”, observa a gestora.
O site é resultado de um trabalho conjunto
da Gestão de Relacionamento com o Cliente,
Gestão de Tecnologia da Informação e
Marketing da Unimed Londrina.
Na área pública, todo o conteúdo foi agrupado
em classes de informação, que reúnem seis
temas básicos: Adesão, Contato, Negócios (ali
são relacionados todos os outros negócios
oferecidos pela Cooperativa, além do plano de
saúde), Canais (traz os serviços oferecidos de
acordo com o ciclo de vida, informações para
liberação de serviços e conteúdos relacionados
a lazer, saúde, bem estar, alimentação, esporte
e à convivência materno-infantil), Referências
(onde são disponibilizadas as publicações da
Unimed Londrina, conteúdos para jornalistas,
galerias de fotos e vídeos) e Institucional.
Já na área restrita, acessada após cadastro
daqueles que já são clientes Unimed, o
internauta vai encontrar ainda mais facilidade
e segurança. “Antes esta era uma área de
conteúdo de adesão, que foi transformada
em serviço. Tudo está disponível ali, como a
possibilidade de requerer extratos e segunda
via de boletos bancários”, exemplifica a gestora
de Relacionamento com o Cliente. A ideia é
que, em um futuro próximo, o site dispense
a presença física das pessoas na Cooperativa.
Tudo poderá ser feito pela internet.
“Nosso objetivo é sempre facilidade e
transparência. Quando detalhamos ao cliente
como é feita a liberação de serviços, com
as normas técnicas e explicações sobre a
webmed, por exemplo, queremos mostrar a
ele que existe toda uma estrutura de cuidado
por trás das liberações”, afirma Rosana.
Ela lembra que um levantamento mostrou
que a grande maioria dos acessos à pagina
da Unimed ocorre nos links que remetem aos
serviços oferecidos pela Cooperativa, o que
justifica todo o trabalho feito para intensificar
este perfil do site. Um bom exemplo é a
seção Fale Conosco, disponível na área
restrita, que foi aperfeiçoada e transformada
em uma ferramenta de relacionamento. Ali
o cliente encontra uma área de perguntas
mais frequentes e outra para abrir protocolos
de demandas ainda não automatizadas
(chamados).
Para entender melhor tudo o que mudou
no site da Unimed Londrina, o visitante pode
acessar um vídeo de um minuto disponível
na página principal. Uma explicação básica
sobre o funcionamento do novo canal virtual
vai situá-lo a respeito dos produtos, serviços
e possibilidades oferecidas. Só no mês de
julho, o site teve 37,5 mil visitas, com nada
menos que 215,3 mil visualizações de páginas.
Estes números representam um aumento de
41,6% e 96%, respectivamente, em relação ao
mesmo período de 2011.
Entre os clientes que responderam à enquete
sobre o que mais gostaram nas mudanças
promovidas, 31,2% responderam que foi o
visual; 29,4% disseram ter sido as informações
ali contidas; 13,8% os serviços exclusivos;
12,8% a organização do conteúdo; e 12,8% a
navegação.
Revista VivaBem . 47
AqueJUÍZA
vai aonde o povo está
Sueli Pini, uma paranaense que gosta de viver cercada de gente,
revolucionou o atendimento da Justiça na longínqua região amazônica
No começo da década de 1980, o Norte do Brasil
ganhou uma pé vermelho disposta a tornar a
Justiça mais acessível a todos os cidadãos, e o Norte
do Paraná perdeu uma representante que nunca
temeu o trabalho. Sueli Pereira Pini, 52 anos, recémnomeada desembargadora do Tribunal de Justiça
do Amapá (TJAP), é uma filha de camponeses da
região de Londrina que, embora não esqueça suas
origens, se encantou com as muitas possibilidades
oferecidas pela distante região amazônica, então
considerada o Eldorado brasileiro.
48 . Revista VivaBem
Lá, tendo a imensa selva como quintal, ela fez
a diferença. Do tipo que nunca se contentou
em ficar ‘enclausurada’ entre quatro paredes,
Sueli passou a exercer, em 1996, as modalidades
itinerantes de Justiça. Como coordenadora do
recém-criado Juizado Especial Cível e Criminal
de Macapá, ela acostumou-se a dar expediente
dentro de um ônibus e de um barco, transformados em tribunais para atender populações
que, de outra forma, não teriam seus direitos de
cidadãos garantidos.
“A chegada dos juizados especiais, em 1995,
me deram a possibilidade de exercitar o que
chamo de ‘criatividade responsável’, uma
forma de desmistificar o acesso dos cidadãos
à Justiça. Eu acreditei muito nisso, pude me libertar daquele modelo de Justiça formal, que me
angustiava. Quando me vi diante da proposta
da Justiça Itinerante, então, foi perfeito. Imagine,
eu nasci no campo, fui criada livre, tive a melhor
das infâncias aí no Paraná. Não tinha como não
trazer este espírito para o campo profissional.”
A magistrada costuma dizer que, com o surgimento do modelo de Justiça Itinerante, foi
como se a tivessem tirado de um vaso e lhe
dado a oportunidade de voltar ao campo. O
vaso, no caso, era o trabalho como juíza criminal, uma das épocas em que ela experimentou
o gosto amargo da frustração. “Eu julgava um
acusado em um dia e dali dois anos ele estava
de volta à minha frente. Era terrível. O índice de
reincidência no Brasil é alarmante”, constata.
Com a Justiça Itinerante ela diz ter conseguido
vencer uma distância perversa, que é a distância cultural. “Muitas vezes as pessoas estão
ao lado do Fórum e não têm condições de
acessá-lo, por falta de informação.” Sueli define aqueles primeiros anos de atendimento
às populações ribeirinhas, até então esquecidas,
como um bom encontro: “A Justiça precisava
de um novo juiz e eu precisava de uma nova
Justiça. Eu estava no lugar certo, na hora certa”,
orgulha-se.
Foram mais de 10 anos de Justiça Itinerante
e milhares de pessoas beneficiadas pelos
serviços prestados sob coordenação da paranaense, sempre pronta a por o pé na estrada –
mesmo que esta estrada fosse o rio mais exten-
Revista VivaBem . 49
Sueli Pini,
desembargadora do TJAP
“A boa Justiça pode ser
feita até embaixo de uma
árvore. Nós juízes temos
um papel pedagógico
permanente, podemos
sim ser acessíveis ao
cidadão.
Não temos nada a
perder com isso, só a
ganhar.”
Dra. Sueli Pini
50 . Revista VivaBem
so do mundo. Agora, Sueli Pini faz novamente o
caminho inverso, “altamente doloroso”, ao assumir
o cargo de desembargadora. “Este momento está
sendo difícil para mim. Acabo de ser promovida
para o Tribunal de Justiça. Estou saindo de uma
justiça livre, de primeiro grau, para uma justiça de
segundo grau, mais formal. Mas eu me conheço,
sei que vou conseguir me libertar destas amarras
que teimam em cruzar meu caminho. Como vou
fazer, ainda não sei. Estou tranquila, sei que as coisas vão acontecer”, garante.
Enquanto busca formas de ajudar no processo
de modernização da Justiça de segundo grau, ela
segue ouvindo de perto as necessidades da população. “Eu já disse uma vez: mesmo que me tirem o
barco, o ônibus, a van, não vão tirar minhas pernas.
Se eu não puder ser uma juíza itinerante, vou ser
uma juíza pedestre. Isso eu posso fazer a qualquer
hora, dentro do mercado, em uma feira. Muitos me
param na rua para fazer consultas e ali mesmo eu
dou alguns encaminhamentos. Às vezes, minha ida
à feira, que deveria durar 30 minutos, dura duas
horas”, conta, bem humorada, a mãe de nove filhos (sete deles adotivos).
Tanto que a nova função não a fez abandonar
outra iniciativa, o Programa Casa de Justiça e Cidadania, desenvolvido pelo Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) e tribunais de cada região. Sueli
é quem dirige o programa na capital do Amapá,
o que a permite, a cada dois meses, fazer uma
das coisas que mais gosta: “Subimos em uma embarcação do Corpo de Bombeiros e descemos
o rio para atender as comunidades que habitam
suas margens. Este projeto nos permite ir a lugares
ainda mais distantes.”
Para ela, o contato que mantém com o povo é
uma prova de que o juiz pode ser popular sem
perder a segurança jurídica e sem comprometer
nenhum resquício da liturgia do cargo. “A boa
Justiça pode ser feita até embaixo de uma árvore.
Nós juí-zes temos um papel pedagógico permanente, podemos sim ser acessíveis ao cidadão.
Não temos nada a perder com isso, só a ganhar.
Isto nos possibilita chegar ao final do dia com a
sensação de que fomos úteis, o que para mim é
muito importante”, argumenta.
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Revista VivaBem . 51
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