EDUCAÇÃO EM
MATÉRIA DE ENERGIA
Ensinar os consumidores de energia de amanhã
Direcção-Geral
da Energia e dos Transportes
COMISSÃO
EUROPEIA
Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, 2006
ISBN 92-79-00776-9
© Comunidades Europeias, 2006
Reprodução autorizada mediante indicação da fonte.
Texto concluído em 20 de Outubro de 2005.
Fotografias fornecidas por: Comunidades Europeias, Samantha Carney, Hugh Jenkins e Agência de Energia de Bruxelas.
Um agradecimento especial aos alunos, professores e pais da Escola Europeia de Bruxelas II, pela sua participação nas sessões de fotografias.
Printed in Belgium
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Aprender a utilizar melhor a energia
Os europeus terão de enfrentar muitos desafios nas próximas
décadas. Os nossos filhos e os filhos deles terão de viver com
os efeitos da mudança de clima. Ao mesmo tempo, a Europa
necessitará de importar quantidades cada vez maiores de
energia, numa altura em que as reservas de combustíveis
fósseis diminuem rapidamente e os preços sobem mais do que
nunca.
Muitas pessoas pensam que não poderão responder a estes
desafios. Estão mesmo convictas que não podem fazer nada,
como indivíduos, para mudar a situação. Mas cada um de nós
pode fazer qualquer coisa e, colectivamente, a diferença seria
significativa: sermos mais eficazes na nossa própria utilização
da energia.
Reduzir a quantidade da energia que utilizamos, optando por
aparelhos energeticamente mais económicos e por serviços
que consomem menos energia e assegurando-nos de que não
a esbanjamos, pode fazer uma grande diferença. Acredito que
a Europa pode reduzir o seu consumo de energia de 20% em
termos reais até 2020 sem comprometer o seu desempenho,
através de uma mudança de comportamento dos
consumidores e do investimento em tecnologias energéticas
mais eficazes, fazendo efectivamente mais com menos.
Esta convicção tem sentido, tanto para a sociedade em
geral como para as empresas, os indivíduos e as famílias.
Quanto menor for o consumo de energia, mais baixa será a
respectiva factura! Mas não estou a defender o «racionamento
da energia» voluntário – quero simplesmente dizer que as
pessoas devem reflectir na utilização que fazem da energia.
Por exemplo, desligar a televisão em vez de a deixar em modo
de espera, utilizar lâmpadas que ajudam a poupar a energia
e isolar o tecto. Ao mudar de carro, escolher um modelo
que consuma pouco e menos poluente e manter os pneus
na pressão correcta. E andar a pé, de bicicleta ou utilizar os
transportes públicos sempre que seja possível.
É legítimo perguntar porque é que devemos envolver os
nossos filhos nestas acções, que são da nossa responsabilidade
de adultos, embora as iniciativas educacionais sejam um
ponto fulcral da sensibilização para esta questão. Como antigo
professor, director e ministro da Educação da Letónia, conheço
o impacto que tais iniciativas podem ter nos jovens. E também
a influência que as crianças informadas podem ter junto das
suas famílias e da população adulta em geral.
Esta brochura traça os desafios da energia, realça o papel
da educação como vector na mudança de comportamento
e mostra o impacto que a iniciativa já teve nalguns jovens.
Estudos de casos do nosso continente revelam que é possível
e creio que ela inspirará muitos projectos novos.
Melhorar a eficácia da utilização da energia é uma das minhas
prioridades. Mas a Europa só poderá realizar este objectivo se
ele fizer parte das prioridades de cada um. Estou certo de que,
juntamente com os nossos filhos, podemos fazer uma grande
diferença.
Andris Piebalgs
Comissário Europeu da Energia
1
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Índice
Prefácio do comissário A. Piebalgs
1
A energia e a Europa
4
Educação em matéria de energia: finalidades e objectivos
7
Estudo de caso: «Sol nas escolas de Rathenow»
A educação em matéria de energia pode alterar o comportamento?
Estudo de caso: «Poder das crianças!»
A educação em matéria de energia é rendível
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Estudo de caso: «Educação em matéria de recursos renováveis brilha em Espanha»
17
Estudo de caso: «O trabalho italiano»
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Diferentes intervenientes e papéis
19
O que são as agências de energia?
22
Estudo de caso: «O autocarro da energia»
As crianças dão resposta
Estudo de caso: «Motivação no distrito de Meath»
Restrições à execução
Estudo de caso: «Poupanças de estudantes»
Qual o papel da UE?
Estudo de caso: «Kids4Energy»
Outras informações e recursos
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2
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A energia e a Europa
Nos 25 Estados-Membros da União, o consumo anual de
energia equivale a 1 725 milhões de toneladas de petróleo,
com um custo de 500 mil milhões de euros, ou seja, mais de
1 000 euros por pessoa por ano. Em 2015, a procura de energia
na Europa poderá aumentar para 1 900 milhões de toneladas.
A procura mundial de energia está igualmente a aumentar, à
medida que os países em desenvolvimento, como a China e a
Índia, se tornam potências económicas importantes. É muito
provável que o custo da energia, principalmente na forma
de combustíveis fósseis, cada vez mais escassos, continue a
aumentar.
O consumo de energia é também o principal responsável
(78%) pelas emissões de gases com efeito de estufa na UE
– um terço deve-se à energia utilizada nos transportes.
A Europa comprometeu-se, no quadro do Protocolo de Quioto,
a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa como
parte do esforço global para evitar as alterações climáticas.
Uma forte dependência das importações de energia, preços
elevados e alterações climáticas representam uma verdadeira
ameaça para a prosperidade europeia no futuro. Há duas
formas de responder a este desafio: reduzir a procura e
aumentar a quota de fontes de energia novas e renováveis.
A Europa está a investir em tecnologias de energias
novas e renováveis, que irão diversificar a oferta e
reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
Mas o lado da procura na equação energética
também é importante e tem igualmente de ser abordado
nas políticas da UE.
Figura 1: Consumo total de energia, projecção até 2020
(EU-25)
2 000
Mtpe (milhões de toneladas petróleo-equivalente)
A procura de energia é cada vez maior na Europa.
Actualmente, a UE importa mais de 50% da energia que
consome, principalmente na forma de petróleo e de gás,
do exterior da Europa – e frequentemente de regiões
politicamente instáveis. Esta factura energética europeia
traduz-se anualmente num défice comercial de cerca de
240 mil milhões de euros. Com as tendências actuais e a
incerteza quanto ao contributo futuro da energia nuclear,
prevê-se que em 2030 a UE dependerá em 70% de energia
importada para as suas necessidades totais.
1 500
1 000
500
0
1990
2000
2010
2020
Renováveis
Nuclear
Gás natural
Petróleo
Sólidos
Fonte: Base Primes, European energy and transport – Scenarios on key
drivers. Comissão Europeia, 2004.
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Fazer mais com menos
Aumentar a eficiência energética não significa que os cidadãos
tenham de abandonar ou de renunciar a actividades para
poupar energia. As novas tecnologias e um comportamento
mais eficaz permitirão que os cidadãos façam mais,
melhorando as suas condições de vida em vez de reduzir o
seu conforto. O relatório «Factor 4» (1) sugere que podíamos
quadruplicar a «produtividade dos recursos», isto é, podíamos
obter quatro vezes mais riqueza dos recursos naturais
limitados que utilizamos. Por conseguinte, o aumento da
eficiência energética não é apenas um problema de redução
de custos e do aumento da sustentabilidade, mas representa
igualmente uma oportunidade para fomentar o crescimento
económico e criar emprego.
O aumento da eficiência energética constitui uma prioridade
da política de energia da UE. O recente livro verde sobre a
eficiência energética (2) pretende colocar este tema na agenda
de todos os cidadãos europeus. Define medidas práticas que
poderão poupar 20% do consumo de energia na UE em 2020.
Trata-se de medidas rendíveis, que implicam a adopção de
tecnologias eficientes em termos energéticos e uma alteração
de comportamento dos consumidores. Se tivermos em conta
as previsões de crescimento, a UE-25 voltaria ao nível do
consumo energético de 1990, o que representa uma poupança
de energia equivalente ao actual consumo da Alemanha e da
Finlândia juntas!
Metade desta poupança pode ser conseguida através
da aplicação integral pelos Estados-Membros da
legislação europeia em vigor sobre edifícios, aparelhos
electrodomésticos e serviços energéticos. Os outros 10%
dependem de todos nós, da utilização da nossa imaginação
e de sermos pró-activos, mas as pessoas têm de começar a
alterar o seu comportamento.
As opções para obter uma utilização mais eficaz da energia
abrangem todos os sectores da sociedade, desde a indústria
e o comércio, prestadores de serviços, lojas e construção até
aos transportes e às famílias – todos podem contribuir. Todos
os níveis da sociedade, desde responsáveis políticos nacionais,
regionais e locais até aos bancos, instituições internacionais e
cada cidadão, todos têm um papel a desempenhar.
As escolhas identificadas no livro verde poderão economizar
em toda a Europa cerca de 60 mil milhões de euros na factura
energética e produzir poupanças anuais de 200 a 1 000 euros
para cada família. A eficiência energética pode produzir
benefícios tangíveis nas facturas de energia das famílias e
melhorar a vida quotidiana de todos os cidadãos europeus.
Pode igualmente impulsionar o emprego e o crescimento
através do desenvolvimento de novas tecnologias energéticas
e ajudar a Europa a respeitar os compromissos assumidos no
Protocolo de Quioto, reduzindo ao mesmo tempo a ameaça
para as futuras gerações.
Alterar os comportamentos
A eficiência energética é um termo muito lato, mas no livro
verde são salientadas duas áreas: melhor utilização da energia
através do aumento de tecnologias eficientes em termos
energéticos e poupança de energia através de alterações da
sensibilização e do comportamento dos consumidores.
Até há pouco tempo, a eficiência energética era considerada
principalmente como uma questão de tecnologias: utilização
da melhor tecnologia para consumir menos energia, quer do
lado da oferta quer da procura. Os exemplos eram a mudança
do velho esquentador doméstico por outro que
consuma menos um terço de energia, a utilização
de lâmpadas de baixo consumo energético e a
renúncia a deixar os aparelhos electrodomésticos
em modo de «vigília». Só a utilização crescente
nos electrodomésticos do modo de vigília faz
aumentar até 10% as facturas de energia das
famílias – a pequena luz vermelha representa
o nosso dinheiro a arder!
(1) «Factor 4 – Doubling wealth, halving resource use», Relatório do Clube de Roma; Ernst Ulrich von Weizsäcker, 1997.
(2) Fazer mais com menos – Livro verde sobre a eficiência energética, COM(2005) 265.
4
5
Mas a política alargou-se, incluindo mais acções de sociedade,
como no domínio da educação; no fim de contas,
as novas tecnologias pouco efeito terão se
não for possível convencer os utilizadores a
usá-las. A alteração de comportamento dos
consumidores tem de ser impulsionada pela
sensibilização crescente para os benefícios
da poupança de energia, tanto para os
indivíduos como para a sociedade.
As medidas políticas neste domínio devem
incluir esforços para tornar mais atraentes
os transportes públicos em alternativa ao
automóvel e iniciativas educativas para ajudar as
famílias a reduzirem as suas facturas do aquecimento
através de um melhor isolamento e da utilização correcta dos
termostatos. A verificação periódica da pressão dos pneus
dos veículos é outro exemplo – só um pneu com uma pressão
abaixo da recomendada pode aumentar em 4% o consumo de
combustível do seu carro.
Porquê a educação?
O aumento anual da eficiência energética nos anos 90 foi de
1,4%, mas esta percentagem diminuiu e mantém-se agora
estacionária em 0,5%. É necessário um novo impulso. Um
elemento fundamental é assegurar que todos os cidadãos têm
«consciência energética» e é essencial o papel de iniciativas no
domínio da educação e da informação.
A educação tem um papel estratégico no aumento da
eficiência energética. Claro que é uma área em que os
Estados-Membros têm competência exclusiva, mas cabe à
Comissão desenvolver actividades no domínio da educação
que permitam a divulgação das informações e dos programas
existentes e promover boas práticas. Os trabalhos actuais e
futuros nesta área são descritos no final desta brochura.
SER INTELIGENTE
EM MATÉRIA DE ENERGIA
O programa Energia Inteligente – Europa (EIE) apoia acções não
tecnológicas destinadas a incentivar a eficiência energética e a
adoptar fontes de energia renováveis. A sua finalidade é promover
o desenvolvimento sustentável no domínio da energia, com
um equilíbrio entre objectivos da segurança do abastecimento,
competitividade e protecção do ambiente. O EIE vigora de 2003 a
2006 e tem quatro domínios de acção principais:
• SAVE: melhorar a eficiência energética e a utilização racional da
energia nos edifícios e na indústria;
• Altener: promover fontes de energia novas e renováveis para a
produção de electricidade e calor e para a sua integração nos
sistemas locais;
• STEER: apoiar iniciativas que incidam nos aspectos energéticos
dos transportes, nomeadamente a diversificação do
abastecimento de combustíveis;
• Coopener: apoiar as energias renováveis e a eficiência
energética nos países em desenvolvimento.
A principal acção deste programa que financia projectos de
educação em matéria de energia é a acção-chave horizontal 2
(Pensar globalmente, agir localmente). Também são financiados
projectos educativos no âmbito do SAVE: acção-chave vertical 2
– Renovação do alojamento social (Educação e formação para
inquilinos, associações de alojamento, etc.) e do STEER: acção-chave vertical 9 – Medidas políticas para transportes eficientes do
ponto de vista energético (Educação de crianças e de estudantes
sobre as implicações do comportamento dos transportes).
Está a ser elaborada uma segunda fase do programa, para o
período 2007-2013, no âmbito do programa-quadro para a
competitividade e a inovação (PCI), que irá apoiar as pequenas e
médias empresas europeias (PME) no contexto da estratégia de
Lisboa.
Uma iniciativa recente no quadro deste programa é a campanha
«Energia sustentável para a Europa», que se desenrola de 2005 a
2008, com o objectivo de aumentar a sensibilização e promoção
da produção e utilização de energia a partir de fontes sustentáveis.
http://europa.eu.int/comm/energy/intelligent/index_en.html
http://www.sustenergy.org/
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Educação em matéria de energia:
finalidades e objectivos
O recurso a iniciativas nas escolas para promover
a sensibilização para os problemas da energia
e inspirar alterações de comportamento
está ligado a muitos aspectos do currículo
educativo formal. Esta iniciativa tanto
pode ser integrada nas lições de Ciências
Humanas, Sociais ou Físicas como nos
aspectos de ética. O tema adapta-se a
estudos práticos e a cálculos teóricos. Tem
uma vertente histórica considerável e um vasto
âmbito para interpretação artística, cultural e
científica.
Tem igualmente a possibilidade de inspirar os jovens e
influenciar a sua comunidade social mais vasta através da
família e dos amigos.
É claro que a educação é uma área em que o processo
de tomada de decisões sobre o conteúdo dos cursos, a
afectação de recursos e o calendário se faz a nível nacional
e muitas vezes regional. Os aspectos culturais, a idade e as
prioridades nacionais também têm impacto no ambiente de
aprendizagem e nas suas políticas. No entanto, as questões
energéticas – com muitos problemas em comum – colocam-se
em toda a Europa e a sua inclusão no currículo deve operar-se a uma escala verdadeiramente europeia. Apesar disso, o
processo de aprendizagem deve continuar a centrar-se nas
acções locais, apropriadas ao meio dos estudantes.
Muitos cursos sobre questões ambientais
integram igualmente estudos sobre energia,
mas normalmente só em aspectos que tratam
o desenvolvimento sustentável. Contudo,
é ainda necessário desenvolver programas
específicos de educação em matéria de
energia, que possam constituir a base para
alterações duradouras do comportamento
dos consumidores de energia, actuais e
futuros. Esses cursos devem centrar-se não
apenas nos prejuízos causados pela má utilização
da energia, mas igualmente no valor deste recurso
limitado.
Quais serão então os objectivos desta «educação em matéria
de energia»? Quem serão os destinatários de tais cursos? E que
métodos devem ser usados?
As duas últimas perguntas serão abordadas mais à frente
nesta brochura. Quanto aos objectivos gerais da educação em
matéria de energia, são três:
1. identificar o que a sociedade e as pessoas podem fazer;
2. aumentar a sensibilização para estas questões e para o seu
contexto; e
3. explicar os benefícios dessa acção.
A energia, a sua produção, conversão e utilização já têm um
impacto importante nos estudos do ambiente. A educação em
matéria de energia deve reunir energia, ambiente e economia,
proporcionando uma base racional para a tomada de decisões.
6
7
1. Papéis
2. Aumentar a sensibilização
Em qualquer iniciativa pedagógica é preciso realçar os
diferentes papéis de várias partes da sociedade na utilização
da energia. É muito importante a sensibilização para a
energia que usamos enquanto pessoas, famílias, casas,
estudantes ou organizações – tal como o impacto que pode
causar o não desperdício de energia – tanto individual como
colectivamente.
O aumento da sensibilização dos estudantes de todas as
idades para o papel central da energia na vida moderna e para
o modo como é produzida, transformada e utilizada, bem
como para as consequências destes processos, constitui uma
preocupação fundamental. Inclui-se aqui o desenvolvimento
da sensibilidade para a natureza e para a origem das crises
energéticas passadas e futuras.
As pessoas são intervenientes centrais para assegurar que
a energia é utilizada de forma criteriosa e para obter os
melhores efeitos. A educação pode proporcionar uma base
de compreensão e uma conduta em relação à informação que
os cidadãos precisam de ter para fazerem escolhas racionais
e para terem consciência dos desperdícios. Todas as pessoas
têm um papel a desempenhar na escolha das tecnologias mais
eficientes no trabalho e em casa – para garantir que as suas
casas, locais de trabalho e veículos são tão eficientes quanto
possível do ponto de vista energético. Os próprios estudantes
devem ser incentivados a apresentar propostas de estratégias
para resolver os problemas energéticos da sociedade.
Compreender as capacidades, os custos e os efeitos da
variedade de fontes de energia (tanto renováveis como não
renováveis) existentes ou que estarão disponíveis no futuro,
bem como as consequências das escolhas, pode desenvolver
competências válidas para os alunos das escolas. Isto abrange
todos os aspectos (socioculturais, económicos, ambientais,
etc.), mas devia igualmente reflectir a disponibilidade local
de energia e respectivas necessidades, juntamente com as
características climáticas e culturais locais. Ao mesmo tempo,
o conteúdo pedagógico deve continuar a ser coerente com as
prioridades nacionais e internacionais, reflectindo os valores
de «pensar globalmente, agir localmente».
Ao apreciarem as consequências das medidas definidas pela
actual política energética, os alunos das escolas poderão
identificar soluções globais (adaptadas à sua própria situação
local) que sejam sustentáveis, práticas e acessíveis. Os
estudantes mais velhos podem igualmente propor estratégias
alternativas de políticas.
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Um programa educativo deve
permitir um equilíbrio entre aspectos
práticos e teóricos, incluindo palestras,
demonstrações, formação prática de
competências, concepção e fabrico, em
função dos recursos e das necessidades locais
(ver também o estudo do caso «Sol nas escolas
de Rathenow», adiante). Como se trata de uma iniciativa nova,
é aconselhável que a concepção de qualquer curso permita
flexibilidade e mudanças dinâmicas quando as circunstâncias,
as tecnologias e os requisitos se alterarem.
3. Benefícios
A educação em matéria de energia também deve fornecer
competências práticas, proporcionando capacidades úteis
para empregos futuros. As competências directamente
aplicáveis, ligadas às exigências actuais e futuras no sector
energético, podem constituir um incentivo importante para
criar tais cursos.
É possível demonstrar que uma menor utilização global
de energia, combinada com um aumento da utilização
de energias mais limpas reduz a poluição geral, com
consequentes benefícios para a saúde. A adopção de novas
tecnologias energéticas em que a Europa é líder mundial
traduz-se de forma positiva no emprego e na prosperidade
europeias. A redução das emissões de gases com efeito de
estufa irá diminuir os efeitos das alterações climáticas.
As iniciativas educativas devem demonstrar claramente as
consequências positivas da alteração de comportamento – da
opção pela sensibilização para as questões energéticas. Poupar
energia significa poupar dinheiro. Apenas com algumas acções
muito simples podem fazer-se poupanças anuais significativas.
O benefício pessoal constitui uma motivação humana
fundamental. Mas o benefício pessoal combinado com um
benefício positivo e comprovado para a sociedade constitui
uma motivação ainda maior e mais duradoura.
8
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SOL NAS ESCOLAS DE RATHENOW
A IDEIA
Desde há muitos anos que a cidade de Rathenow, na parte
leste da Alemanha, promove actividades de eficiência
energética. A agência de energia local foi criada em 1996
e desde 1997 está a desenvolver um novo projecto sobre a
gestão da energia nas escolas. O projecto está plenamente
integrado no currículo e envolve alunos, professores e o
restante pessoal das escolas em projectos práticos e divertidos
de poupança de energia. Um aspecto inovador é que 80% da
poupança de energia realizada pelas escolas lhes é devolvida,
para financiar outros investimentos de poupança de energia e
outras actividades.
Parte do projecto consiste na construção de um sistema
fotovoltaico de 1 kW nas escolas, que envolve alunos e
professores no quadro do programa de Física. As células
solares estão ligadas ao sistema de abastecimento de
electricidade das escolas e podem economizar numa
escola média 800 kWh por ano. Outra ideia original é que a
produção diária dos painéis fotovoltaicos é controlada por
um computador e transmitida a um instituto solar através
da Internet. Este intercâmbio de informações liga entre si as
escolas envolvidas no projecto.
O RESULTADO
Até ao momento, as nove escolas de Rathenow que participam
no projecto tiveram uma redução considerável do consumo de
energia. Ao fim do primeiro período de três anos do projecto,
as reduções individuais situaram-se entre 10% e 15%, com um
benefício financeiro total de 35 000 euros.
A avaliação do projecto revelou que os alunos e os professores
estão agora mais sensíveis às questões energéticas, tanto na
escola como fora do ambiente escolar. Estão a ser instalados
dispositivos fotovoltaicos noutras escolas em Rathenow e este
projecto vai ser alargado igualmente aos jardins de infância.
http://www.rathenow.de/static/eprojekt/index.htm
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
A educação em matéria de energia
pode alterar o comportamento?
Grande parte das nossas ideias e do nosso conhecimento e a
base do nosso comportamento adulto é absorvido durante a
educação. Os sistemas educativos têm capacidade para mudar
as atitudes das pessoas, expondo-as a novas ideias e conceitos
e fornecendo aos estudantes competências sociais e analíticas
que lhes permitem uma avaliação racional das escolhas na
vida.
Teoria
O comportamento é um dos parâmetros que tem uma relação
directa com o consumo individual de energia.
O comportamento individual em termos de utilização de
energia é determinado por uma série de factores, sendo
os mais importantes a atitude, o rendimento e o preço da
energia. Ligação menos directa têm a política energética
(incluindo a fiscalidade) e a disponibilidade de tecnologias,
uma vez que se relacionam com os preços e os rendimentos,
respectivamente.
De um modo geral, os sistemas pedagógicos de sensibilização
para as questões energéticas estabelecem um conjunto de
fases diferentes. Numa primeira fase fornecem conhecimentos
e competências em matéria de energia. Isto, por sua vez,
incentiva os jovens a formarem as suas próprias opiniões
sobre a energia, o que conseguem formulando e depois
tomando decisões. Esta forte relação entre a aquisição de
conhecimentos e a adopção de medidas que podem alterar
o comportamento é reconhecida de forma generalizada
– embora nem todos os estudos a confirmem.
Tradicionalmente os governos procuraram alterar os
comportamentos através da imposição de preços de energia
mais elevados, de taxas ou da introdução obrigatória de
novas tecnologias. No entanto, as alterações duradouras do
comportamento só ocorrem quando os indivíduos estão
persuadidos do mérito da acção, mais do que simplesmente
através de factores externos. Um exemplo é a redução do
consumo de combustível na sequência das crises petrolíferas,
quando os preços subiram. Logo que os preços voltaram
a descer, o consumo subiu de novo, mostrando que as
alterações de comportamento resultaram simplesmente dos
preços mais elevados. Portanto, alterar o comportamento
exige a introdução de novos valores, o que atinge todos os
níveis da sociedade.
No processo de ensino-aprendizagem são frequentemente
consideradas duas abordagens: os modelos pedagógicos,
que se referem à aquisição directa de conhecimentos e de
competências, e os modelos psicológicos, que se baseiam na
teoria da atitude.
É aconselhável que os processos de educação em matéria de
energia se apoiem igualmente em metodologias psicológicas
que possam motivar as crianças num contexto social. Em
especial, a metodologia conhecida por «aprendizagem
baseada em projectos», em que as crianças analisam a
situação, procuram as respostas e fornecem as soluções, tem
grande mérito.
É claro que a educação pode influenciar a atitude no sentido
de alterar o comportamento e pode também informar
as pessoas sobre a política e as tecnologias energéticas,
conduzindo a alterações comportamentais.
10
11
Prática
O método psicológico designado por «pedagogia da
responsabilidade» também demonstrou o seu valor prático,
especialmente quando o uso da metodologia foi precedido
de uma boa preparação. Também neste caso o principal
impulso do processo é incentivar as pessoas a assumirem a
responsabilidade e a apropriarem-se dos assuntos, mudando
assim o comportamento «por si próprios» e interiorizando os
valores subjacentes ao projecto.
Um excelente exemplo desta abordagem é um projecto
desenvolvido no âmbito do programa Altener, uma iniciativa
financiada pela UE para promover fontes de energia
renováveis. O projecto, intitulado «Força à energia pelas
crianças» (ver o estudo do caso «Poder das crianças!», adiante),
foi realizado em nove regiões europeias, incluindo a região
da Provença-Alpes-Côte d’Azur, em França, onde a equipa foi
dirigida pelo professor R.-V. Joule.
Esta acção orientada para a investigação envolveu 11 escolas
primárias e destinou-se a promover um comportamento
consciente do ambiente em crianças com idades entre os
nove e os dez anos. O tipo de comportamento promovido
correspondia, por exemplo, a tomar um duche em vez de
um banho de imersão, a não deixar correr água enquanto
se lavam os dentes, etc. A acção foi realizada no ano lectivo
de 2002-2003 e envolveu 700 crianças com 28 professores
formados especificamente para o projecto em «pedagogia
da responsabilidade». O objectivo era igualmente envolver
as famílias, através dos filhos, tornando-as mais conscientes
da poupança de energia, como fechar a televisão em vez de
a deixar em modo de vigília. Observou-se um aumento geral
da sensibilidade à eficiência energética e da protecção do
ambiente na sequência do projecto.
O professor Joule descreve assim a chave do êxito:
«Comunicação adequada: não assegurar apenas que ‘quem diz
o quê, a quem e através de que canal’ está no processo, mas
haver igualmente uma indicação clara daquilo que ‘a pessoa
pode fazer’». Para mais informações sobre o pensamento do
professor Joule pode consultar-se o seu artigo «Das intenções
aos actos de cidadania» (3).
(3) Joule, R.-V., (2004); «Des intentions aux actes citoyens», Cerveau & Psycho, 7, p. 12 a 17.
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Humor: um instrumento útil
Outro instrumento útil no processo de ensino e aprendizagem
e que pode ajudar a alterar o comportamento é o humor.
Na Noruega, o humor é uma base importante do conceito
nacional The Rainmakers, que assenta na vasta experiência de
trabalho em escolas e com a televisão realizada em nome da
agência de energia nacional, Enova SF.
A coordenadora considera que a avaliação do projecto revelou
efeitos de persuasão positivos e alteração de comportamento
e foi «mais rendível a utilização da televisão como meio, graças
ao enorme aumento de audiência, do que recorrer apenas aos
tradicionais canais educativos».
Este conceito norueguês bem sucedido consistiu em envolver
as crianças no seu próprio terreno, utilizando concursos,
jogos e trabalho de equipa para encontrar respostas e
«insinuando» a aprendizagem pela acção. Foi realizada uma
vasta gama de actividades, incluindo eventos nas escolas e
clubes e também na web e fornecidos dados sobre energia
em programas televisivos, incluindo o «Desafio energético»,
uma série televisiva do tipo «TV realidade». Mais tarde foi
criado o conceito The Rainmakers – incluindo todos estes
elementos e outros – que constitui uma abordagem global e
uma marca que chegou às crianças através da TV nacional, de
eventos, da Internet e de materiais produzidos e distribuídos
em todas as escolas primárias na Noruega. Liv Lindseth, a
coordenadora deste conceito nacional, que trabalha para a
Enova SF, conclui que «o projecto teve um impacto positivo na
vida das crianças, utilizando humor adequado, interactividade
e responsabilidade».
12
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PODER DAS CRIANÇAS!
A IDEIA
O projecto «Força à energia pelas crianças» (FEE) reuniu nove
agências de energia de oito países durante 2002-2003. Este
esforço internacional foi apoiado pelo programa Altener e
destinou-se a aumentar a consciência das energias renováveis
e da utilização racional da energia entre alunos das escolas
com 10 a 14 anos. O projecto permitiu às escolas fazerem da
energia um tema específico de estudo ao longo de um ano
lectivo.
O material de apoio incluiu livros de exercícios e
documentação, boletins de energia e um sítio web (Rexnet)
que permitiu a escolas de diferentes países trocarem
informações. O trabalho escolar baseou-se em projectos e
envolveu uma fase inicial de informação, depois uma série de
visitas e de exercícios que permitiram aos alunos formarem
a sua opinião e finalmente a elaboração de uma exposição
pública. Os exercícios incluíram auditorias energéticas em casa
e na escola.
O RESULTADO
Os países envolvidos no FEE foram a Bélgica, Grécia, Itália,
Portugal, Suécia e Reino Unido, com um total de 100 escolas.
Diversos países deram uma ênfase ligeiramente diferente a
algumas partes do projecto, mas todos assinalaram níveis
semelhantes de sucesso e alguns países prolongaram este tipo
de iniciativa. Na Bélgica, a Agência de Energia de Bruxelas está
agora a desenvolver um projecto FEE numa base permanente,
apoiado pelo governo local, regional e nacional. Uma parte
importante do projecto consistiu no envolvimento alargado
da comunidade, que é incentivado. As crianças assumiram
claramente a responsabilidade pela sensibilização para a
energia e influenciaram as famílias e os amigos.
http://www.curbain.be/fee/
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
A educação em matéria de energia é rendível
O recurso à educação em matéria de energia é, a prazo,
o método mais rendível de poupar energia e promover a
eficiência energética. Numerosos estudos
provenientes de todo o mundo reforçam
esta observação: são dados dois
exemplos a seguir.
Brasil
O Governo brasileiro criou um
programa nacional de conservação
de energia eléctrica (Procel) em
1985. O Procel financiou projectos
de eficiência energética realizados
por empresas de electricidade estatais e
locais, serviços públicos, empresas privadas,
universidades e institutos de investigação. Desde 1998, o
orçamento principal do Procel para subvenções, pessoal e
consultores foi de aproximadamente 20 milhões de dólares,
destinando-se aproximadamente 140 milhões de dólares por
ano ao financiamento de projectos.
O Procel calcula que as suas actividades acumuladas
conduziram em 1998 a uma poupança de cerca de
5,3 terawatt-horas por ano (TWh/ano) – equivalente
a 1,8% do consumo total de electricidade no Brasil.
Além disso, o Procel foi responsável pela produção
adicional de cerca de 1,4 TWh de energia devido a
melhoramentos das centrais eléctricas nesse ano.
As poupanças de electricidade e a sua produção
adicional permitiram que as empresas de electricidade
evitassem ter de construir aproximadamente
1 560 megawatts (Mw) de novas capacidades, o que
significa evitar cerca de 3,1 mil milhões de dólares de
investimentos em novas centrais eléctricas e unidades de
transporte e distribuição.
Quadro 1: Análise da rendibilidade das várias actividades de redução do uso de energia no Brasil, 1999
Actividade
Energia poupada Investimentos 1999
(GWh/ano)
(milhares de dólares)
Rendibilidade
(USD/kWh)
Educativa
69,71
744,86
0,01
Formação
Industrial
Iluminação pública
Edifícios públicos
Perdas
Residencial
Comercial
8,89
64,02
172,87
21,68
368,01
21,99
17,86
187,48
3 805,02
15 965,66
2 706,27
50 336,51
3 212,90
2 660,55
0,02
0,06
0,09
0,13
0,14
0,15
0,15
Fonte: Procel. Quadro adaptado de Energy Education: breaking up rational energy use, de Dias et al., Política de Energia n.º 32
(2004), 1339-1347. Dados originais extraídos de http://www.aneel.gov.br/arquivos/pdf/Relatorio_Sintese_98-99.pdf.
14
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Em 1999, o Procel procedeu a uma análise profunda do
seu orçamento e actividades, revelando que as actividades
educativas e de formação eram consideravelmente mais
rendíveis do que quaisquer outras iniciativas – e mais do dobro
superiores às técnicas gerais de marketing (ver quadro 1).
Bélgica
O Instituto de Gestão do Ambiente de Bruxelas (IBGE-BIM) (4)
é a entidade reguladora em matéria de ambiente e de energia
da Região Bruxelas-Capital, que conta pouco menos de
1 milhão de habitantes. O IBGE-BIM funciona como porta-voz
da população de Bruxelas em todas as questões relacionadas
com o seu quadro de vida e do ponto de vista da regulação
funciona como órgão de investigação, planeamento,
consultoria e informação. É igualmente responsável pela
emissão de diversas autorizações e funciona
como organismo de vigilância e
controlo. Tem autoridade em Bruxelas
nos domínios dos resíduos,
qualidade do ar, ruído, parques e
florestas, água, solo e energia.
(4) Ver http://www.ibgebim.be/
Muitas questões são transversais a estas áreas e integrado
na sua vigilância regular da qualidade do ar o Instituto
quantificou um conjunto de acções que reduziriam o
consumo de energia e diminuiriam por isso as emissões de
CO2. Os seus valores para Bruxelas sugerem que a simples
alteração de comportamento na utilização do aquecimento
residencial – que não exige qualquer investimento – poderia
reduzir o consumo de energia das residências em quase 3%.
Em comparação com outras acções, como a instalação de
isolamento ou a substituição das caldeiras de água quente por
modelos mais novos e mais eficientes, o rácio custo-benefício
da alteração de comportamento é excepcional.
Dois exemplos que mostram o grande alcance de iniciativas
de comunicação/educação, relativamente pouco onerosas
mas eficazes, são descritos nos estudos de casos «Educação
em matéria de recursos renováveis brilha em Espanha» e «O
trabalho italiano», adiante.
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE RECURSOS RENOVÁVEIS
BRILHA EM ESPANHA
A IDEIA
A Agência de Energia da Estremadura, região do sudoeste
de Espanha (Agenex), criou o projecto «Fontes de energias
renováveis na escola», integrado numa campanha para
promover o seu trabalho e criar redes de cooperação na
região. O projecto, realizado no primeiro semestre de 2003,
destinava-se a alunos das escolas primárias e secundárias, com
idades entre os 10 e os 17 anos.
A intenção era captar a imaginação e o interesse dos jovens,
apresentado-lhes uma perspectiva da situação actual das
energias renováveis, da eficiência e da poupança energéticas,
dos desafios energéticos a que sociedade tem de fazer face e
uma visão optimista do futuro. A iniciativa foi apoiada pelas
autoridades locais nas províncias de Badajoz e de Cáceres.
O RESULTADO
O projecto visitou 10 escolas e foi visto por quase 1 000 alunos.
As apresentações foram concebidas para complementar o
programa pedagógico, em especial as lições de ciências, e
eram adaptáveis em função da idade dos alunos. Durante as
lições os alunos podiam «praticar» com vários materiais de
energia solar e foi dado a todos os participantes um folheto
informativo para partilhar com a família e os amigos. Cada
escola participante recebeu igualmente um catálogo com
a indicação dos resultados da «Campanha europeia para o
arranque das energias renováveis».
O trabalho da Agenex mostrou que as escolas da região
tinham falta de informação sobre energias renováveis. No
entanto, muitas escolas pretendem integrar os estudos de
energia nos seus programas educativos e mostram interesse
em instalar demonstrações de energias renováveis. Trata-se de
um projecto barato e facilmente reproduzível.
http://www.dip-badajoz.es/dsostenible/eae/index.php
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O TRABALHO ITALIANO
A IDEIA
O projecto «Energia na escola» foi lançado em 2002, na região
de Ancona, em Itália, para levar um pacote de lições às escolas
secundárias da região. O modo de acção escolhido consistiu
em dar formação a três comunicadores para realizarem uma
apresentação bem estudada, com muita documentação de
apoio e meios audiovisuais. Foram distribuídos pelos alunos
e professores folhetos sobre a poupança de energia e as
energias renováveis, juntamente com outros materiais de
ensino e de promoção.
Os três comunicadores tiveram uma sessão de formação de
três dias organizada pela agência de energia local, a Agenzia
per il Risparmio Energetico di Ancona, e o projecto foi lançado
em cooperação com outras autoridades locais e patrocinado
por empresas importantes do sector energético local.
A agência organizou igualmente a logística das visitas às
escolas e os eventos associados.
O RESULTADO
O projecto de 2002 envolveu cerca de 700 alunos e
50 professores em 32 lições e 11 visitas feitas por alunos a uma
central local de energia eólica. As apresentações nas escolas
destinavam-se a durar 90 minutos, mas em muitas escolas
foram alargadas devido ao entusiasmo e às perguntas dos
alunos e dos professores! O projecto foi totalmente avaliado
utilizando questionários separados para alunos e professores
e foram identificados vários aperfeiçoamentos em termos de
organização e de materiais de apoio.
O impacto do projecto nas escolas de Ancona foi grande e
muito positivo. O projecto tem sido repetido numa base anual.
http://www.arenergia.it/
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Diferentes intervenientes e papéis
Há muitos intervenientes na educação em matéria de energia
e têm papéis diferentes. No entanto, é preciso que cada um
compreenda o papel dos outros e que trabalhem em conjunto
para atingir objectivos comuns.
O processo de aprendizagem é complexo e no caso da
educação em matéria de energia existem muitos factores
a ter em conta, nomeadamente o nível preexistente de
sensibilização para as questões energéticas e a idade, o género
e os antecedentes culturais dos alunos. Embora esta brochura
se dirija principalmente aos jovens, a audiência potencial de
estudantes abrange todas as pessoas da Europa.
É útil, por isso, ponderar a possibilidade de classificar
esta audiência por segmentos, desenvolver programas
pedagógicos adequados e definir os papéis dos diversos
intervenientes. Podem usar-se quatro atributos de
classificação: o grupo-alvo, o nível de educação, o nível de
competências e o modo de aprendizagem.
Os grupos-alvo podem ser definidos como os
estudantes (abrangendo uma vasta gama de
idades), os profissionais em actividade e o público
em geral. Em termos de nível de educação podem
utilizar-se quatro classificações: primário, secundário, ciclo
universitário inferior e ciclo universitário superior. Os níveis de
competências podem ser investigador, engenheiro, técnico,
mecânico e elementar, enquanto o modo de aprendizagem
pode ser formal ou informal.
Há dois espaços físicos principais onde se desenvolve
a aprendizagem organizada para os jovens: na escola e
fora da escola. É evidente que a escola é um ambiente de
aprendizagem formal, onde é considerado como requisito
o estar presente, atento e (espera-se) fazer um esforço para
aprender. Na escola, as crianças esperam receber mensagens
educativas.
18
19
Na escola
Podem reconhecer-se quatro tipos de intervenientes principais
no ambiente de educação formal para jovens.
Crianças e jovens – Os intervenientes mais importantes
são os próprios jovens. Devem estar no centro do processo
quando se concebe e executa um programa de educação em
matéria de energia, considerando de forma adequada a idade,
o género, as diferenças culturais e o nível educativo.
Professores – A principal ligação em termos de informação e
de inspiração. O seu entusiasmo por um assunto é essencial
para transmitir conhecimentos e para a aceitação de novos
valores, uma vez que são eles que têm o controlo final do
cumprimento de um currículo e dos métodos utilizados na
sala de aulas. A diversidade dos professores é
tão grande como a dos alunos e por isso a
oferta de ajuda exige uma abordagem
flexível. A experiência revela que a
qualidade do ensino e a experiência
de aprendizagem é maior quando os
professores ajustam e aperfeiçoam
os materiais fornecidos, em vez de
utilizarem 100% materiais prontos.
O conteúdo do ensino tem um
«período de vida» maior, tem maior
probabilidade de ser reproduzido e,
como o professor é «senhor» do assunto,
a elaboração é mais provável e será mais fácil
encontrar exemplos apropriados.
Responsáveis educativos – Compete-lhes desenvolver o
quadro adequado que permita, ou na verdade incentive,
a elaboração de projectos educativos sobre poupança e
sensibilização da energia. Os intervenientes locais e regionais,
como as autoridades locais, as organizações ambientais, de
transportes e de energia, devem ser integrados neste processo.
Agências de energia regionais e locais – Juntamente com
outros intervenientes locais, as agências de energia (ver a
caixa «O que são as agências de energia?») desenvolveram
diversas iniciativas destinadas a diferentes níveis educativos.
As agências devem ser um elemento importante em iniciativas
pedagógicas, porque têm uma presença pan-europeia e
podem fornecer recursos informativos e aconselhar as escolas.
As agências também são, como é óbvio, intervenientes
importantes fora da escola (ver, por exemplo, o estudo do caso
«O autocarro da energia»).
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Fora da escola
Em ambientes não escolares é preciso que diferentes
mensagens e métodos passem de forma eficaz informações
semelhantes. As mensagens têm de ser transmitidas de modo
mais divertido e é essencial a participação de intervenientes
que comuniquem fora do ambiente escolar (pais, jovens
trabalhadores, meios de comunicação social – especialmente a
televisão, etc.).
Para produzir uma iniciativa bem sucedida de educação
em matéria de energia, como um programa de televisão,
é importante combinar o conhecimento de energias, o
conhecimento do grupo-alvo e a experiência em matéria de
apresentações e de comunicação, relacionada com o meio
de comunicação utilizado, bem como recorrer a especialistas
pedagógicos. É essencial ter um objectivo idealista para ter um
impacto positivo nas vidas dos jovens e ao
mesmo tempo mantê-los envolvidos,
empenhados e entretidos – os
elementos-chave do êxito.
A educação em matéria de energia precisa igualmente
de visar outros grupos da sociedade, bem como alunos
do ensino primário e secundário. Um segundo grupo é o
dos «profissionais em actividade», dos quais os principais
intervenientes são especialistas de energia e os beneficiários
são profissionais de energia. Neste grupo podemos salientar
a formação de professores e de pessoas dos serviços de
gestão de energia, que podem introduzir uma componente
de energia sustentável nas suas actividades. Também
são desejáveis componentes de estudos de energia nos
currículos de profissionais já estabelecidos, como arquitectos,
projectistas, economistas de transportes, etc., e deviam ser
incentivadas novas profissões de prestadores de serviços à
sociedade, como instaladores de fontes de energias renováveis
e conselheiros de energia.
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O que são as agências de energia?
Por último, há a educação do público adulto em geral. Isto
exigirá que as organizações de energia a todos os níveis
se tornem os intervenientes principais e, juntamente com
especialistas de comunicação, iniciem programas dirigidos
ao público em geral. Deve incluir abordagens locais e
nacionais de marketing, com ênfase na responsabilidade dos
indivíduos, no respeito e comportamento social mutuamente
benéfico, para além de informação sobre opções individuais
de investimento e o seu retorno potencial em termos de
eficiência energética.
As agências de energia locais e regionais (AEL) apoiam a
introdução de boas práticas de gestão energética, promovem
o conceito de sustentabilidade, dão informações e orientações
e oferecem um conjunto de outros serviços com base em
necessidades específicas locais em matéria de energia. Actuam
imparcialmente nas questões energéticas, tanto do lado da
procura como da oferta. As AEL reflectem as situações locais, as
circunstâncias económicas e sociais e a dimensão geográfica da
respectiva área local relevante.
O que fazem as agências de energia?
Os intervenientes locais e regionais, sejam produtores ou
consumidores de energia, o público, as empresas ou os
fornecedores de equipamentos podem encontrar uma série de
serviços nas AEL, nomeadamente:
• informação, aconselhamento e formação em matéria de gestão
energética;
• apoio para a execução de planos energéticos locais/regionais;
• auditorias de energia de edifícios públicos e privados;
• aumento da sensibilização sobre questões de eficiência
energética, fontes de energia renováveis e transportes;
• procura de fundos para incentivar a gestão da energia a nível
nacional e internacional.
A AEL pode aconselhar as autoridades locais sobre todos os
aspectos relacionados com a energia e pode dar assistência
técnica na concepção de projectos de energia, de património e
de infra-estruturas, bem como prestação de informações públicas
sobre estes temas. As AEL funcionam como ponto de contacto
para as relações com as redes e instituições europeias, bem como
intermediários dos intervenientes locais, regionais e nacionais.
Existem cerca de 400 AEL em toda a Europa. A que está mais perto
pode ser encontrada em
http://www.managenergy.net/emap/maphome.html
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
O AUTOCARRO DA ENERGIA
A IDEIA
Na Polónia, a procura de informação e de apoio técnico sobre
todos os aspectos relacionados com a utilização racional de
energia e as energias renováveis é muito grande. A prestação
de informações a nível local é uma tarefa difícil, pelo que a
ideia de desenvolver um «balcão único» móvel e flexível (o
autocarro da energia polaco) foi muito bem aceite.
O autocarro convertido contém vários painéis sobre energias
renováveis e muito material de apoio para o público
levar. Transporta igualmente especialistas para fazerem
seminários destinados a profissionais e ao público em geral.
A sensibilização para as visitas do autocarro às comunidades
locais foi promovida através de um anúncio de 30 segundos
na televisão. O projecto foi executado pela Agência nacional
polaca de Conservação de Energia, juntamente com uma
empresa polaca do sector da energia e parceiros da Alemanha
e dos Países Baixos.
O RESULTADO
Desde Setembro de 2003, o autocarro da energia já visitou
mais de 200 municípios na Polónia e atraiu mais de 50 000
visitantes. Organizou cerca de 35 seminários e sessões
de trabalho sobre temas relacionados com a energia e
participou em acontecimentos como a Poleko, a feira anual de
tecnologias do ambiente, em Poznan. O número de visitantes
está muito acima do previsto no plano original e numerosos
pedidos de visitas feitos por municípios irão aumentar ainda
mais o número de visitantes.
A análise dos questionários dos visitantes revela que quase
30% tencionavam utilizar imediatamente as informações
obtidas, enquanto outros 56% tencionavam usá-las no futuro.
Além disso, a maior parte dos visitantes indicou que iria
partilhar as informações obtidas com amigos e familiares.
http://www.autobus-energetyczny.pl/
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As crianças dão resposta
De todos os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem, é evidente que a atenção se deve concentrar
no alvo de qualquer iniciativa educativa: as crianças. As
crianças são os decisores do futuro e são altamente receptivas
a novas ideias e comportamentos. E os esforços educativos
não proporcionam benefícios intangíveis apenas no futuro. As
crianças são uma via certa para assegurar um comportamento
imediato e duradouro de poupança de energia. Podem
introduzir novos hábitos no seu ambiente familiar agora e
igualmente mais tarde durante a sua carreira profissional.
A prova de que um programa educativo para
crianças centrado na sensibilização para a
energia pode ter um efeito significativo nas
suas famílias é dada pelo Centro para a
Energia Sustentável (CSE). Esta organização
do Reino Unido (5) encomendou uma
análise independente dos resultados
do seu programa «A energia conta: a
educação em matéria de energia bate
à porta», desenvolvido em Londres e
realizado em todo o Reino Unido.
A iniciativa forneceu materiais pedagógicos
aos professores, com formação e apoio, através
de educadores locais em matéria de energia.
(5) Ver http://www.cse.org.uk/
Melhor que os profissionais…
O programa correspondia a critérios específicos no currículo
nacional do Reino Unido no domínio das Ciências e da
Geografia e tinha igualmente ligações a outras áreas do
currículo, nomeadamente a educação para o desenvolvimento
sustentável, alfabetização, noções básicas de aritmética e
cidadania. O programa «A energia conta» foi realizado em
500 escolas e dele beneficiaram cerca de 18 000 alunos.
A avaliação do programa revelou que crianças apenas com
oito ou nove anos podem tornar-se verdadeiros conselheiros
de energia para as suas próprias famílias. Verificou-se que
76% das famílias de alunos de classes em que o programa
foi ensinado melhoraram o comportamento em matéria de
poupança de energia. Trata-se de um resultado melhor do que
o dos conselheiros profissionais de energia.
As famílias consideraram que a influência das crianças era
quase dupla da influência de outras fontes de informação e
a família média adoptou 3,5 acções de poupança de energia
«inspiradas em crianças».
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
… e de longa duração
Lições importantes
Todos os alunos inquiridos afirmaram que tinham realizado
uma série de acções diferentes para poupar energia, tanto em
casa como na escola, e que continuariam a fazer essas acções.
O projecto do CSE mostra o verdadeiro poder de uma
educação em matéria de energia de alta qualidade como meio
de influenciar o comportamento doméstico de poupança
de energia à escala pan-europeia. Quando se apreciam as
prioridades políticas e os programas de financiamento,
é preciso considerar a educação em matéria de energia
como um instrumento fundamental, juntamente com o
aconselhamento neste domínio e o marketing da eficiência
energética.
O pessoal da maior parte das escolas participantes apontou
uma série de acções realizadas pelos alunos e pelo pessoal
para reduzir o consumo de energia na sequência da iniciativa
«A energia conta».
Além disso, a maior parte das escolas envolvidas no programa
também fez alguns investimentos em poupança de energia.
Alguns destes investimentos resultaram directamente da
participação do pessoal no projecto. Esse envolvimento
também incentivou os outros membros do pessoal das
escolas a garantir que a poupança de energia era um factor
a considerar na decisão das acções de manutenção e de
renovação das suas escolas.
Uma explicação para a influência clara das crianças junto dos
pais é que quando o entendimento das pessoas acerca de um
conceito, como a eficiência energética, não é muito elevado,
tendem a comparar o seu próprio comportamento com o
das outras pessoas e baseiam-se nas informações de pessoas
que conhecem e em quem têm confiança. São estes os dois
elementos principais para o seu processo de tomada de
decisão e os filhos são um canal de confiança para comunicar
informações sobre a mudança de comportamento.
Contudo, qualquer programa educativo tem de estar
associado a recursos actualizados, formação e apoio a
professores, para que estes sintam confiança para transmitirem
material de grande impacto de forma adequada. A experiência
do CSE mostra que o impacto da mensagem não será atingido
se as crianças forem tratadas como receptores
passivos – se lhes for feito «uma prédica»,
limitando-se a comunicação a uma
conversa rápida de um adulto
desconhecido numa reunião
matinal ou num grupo à volta do
professor.
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As crianças precisam de ser tratadas
como decisores ambientais por direito
próprio. Estão abertas a novas ideias e
naturalmente interessadas em explorar
e compreender o mundo. Se lhes forem
fornecidos meios que lhes permitam aceder
à informação, ponderar os factos e tirar as suas
próprias conclusões, elas identificarão acções
adequadas: acções que as farão sentir que são suas e
desejar transmiti-las a outros.
Isto pode ser considerado como uma adaptação do «diálogo»
e do conceito de obrigação, que está a ganhar cada vez mais
terreno em muitas áreas do «conhecimento público das
ciências». É também uma abordagem mais eficaz e que obtém
maior apoio dos professores, porque tem em si mesma um
valor educativo óbvio, desenvolvendo capacidades analíticas
e de tomada de decisões, independente da mensagem de
poupança de energia per se.
Um inquérito à escala da Europa sobre a
rendibilidade das iniciativas de poupança
de energia na educação organizadas pela
ManagEnergy revelou igualmente que o
«fazer» através da prática ou de trabalho
experimental foi considerada a abordagem
mais rendível. Incluíam-se neste caso as aulas
de laboratório, as medidas de eficiência energética
na escola, a instalação simples de energia renovável, as
auditorias de energia e o controlo do consumo de energia. Um
exemplo de uma abordagem multifacetada é dado no estudo
do caso «Motivação no distrito de Meath».
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
MOTIVAÇÃO NO DISTRITO DE MEATH
A IDEIA
A Agência de Gestão de Energia de Meath (MEMA) foi criada
em 2002 e o seu programa de educação em matéria de
energia foi lançado durante a semana de sensibilização para a
energia da Irlanda, em 2003. Foram visitadas todas as escolas
de Navan, a principal cidade do distrito de Meath, distribuídos
folhetos promocionais e organizado em cada uma delas um
concurso e um jogo à volta da energia. Foi feita igualmente
numa escola uma apresentação da sensibilização para a
energia.
Para a semana de sensibilização para a energia de 2004
foi organizado em todas as escolas do distrito de Meath
um concurso de cartazes e foram realizadas reuniões de
sensibilização para a energia em 27 escolas primárias e
3 escolas secundárias. A MEMA foi também convidada a
integrar nas suas actividades o «Autocarro da Ciência da
Pfizer». Este autocarro visitou uma série de escolas e os alunos
puderam participar em experiências relacionadas com a
energia no laboratório do autocarro. Outra actividade foi a
promoção de iniciativas de «autocarro a pé» nas escolas do
distrito de Meath. O projecto combinou segurança rodoviária
e sensibilização para a energia e durante o dia sem carros de
2004 foi-lhe atribuído localmente um lugar importante nos
meios de comunicação social.
O RESULTADO
As escolas que participaram nos projectos consideraram-nos
altamente benéficos e os concursos motivaram bastante os
alunos. Estes alunos realizaram inquéritos sobre energia nas
suas casas como parte do trabalho do projecto e os resultados
consolidados permitiram que a MEMA e a autoridade local
obtivessem um perfil útil da utilização local de energia
doméstica e uma ideia sobre a melhor forma de abordar as
actividades de poupança de energia.
O conceito de «autocarro a pé» é agora explorado numa série
de escolas em Meath e aumentou o espírito comunitário,
reduzindo também o congestionamento do tráfego e a
poluição.
http://www.mema.ie/
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Restrições à execução
A educação em matéria de energia deve ser vista como
uma acção a longo prazo, em termos da sua execução. Estes
projectos são considerados muitas vezes problemáticos pelas
autoridades responsáveis, devido a uma série de problemas,
nomeadamente mudanças políticas e económicas.
Foram identificados alguns dos obstáculos principais que se
colocam à execução das iniciativas de educação em matéria de
energia.
Falta de conhecimento – A educação em matéria de energia
é um conceito relativamente novo e ainda não está totalmente
desenvolvido para atender a todas as situações locais ou
regionais. As autoridades educativas podem não ver ligações
ou oportunidades imediatas para os seus currículos educativos
ou podem não compreender a nova metodologia. Uma
abordagem global, que envolva os responsáveis locais tanto
pela política energética como pela educação, poderá ser útil.
Credibilidade – A falta de credibilidade deve-se muitas
vezes ao carácter esporádico de algumas acções. As
actividades educativas devem ser regulares – actividades
«extraordinárias», que se realizam uma única vez, não têm
efeitos duradouros.
Os responsáveis políticos dão pouca prioridade à alteração
de comportamento – As autoridades educativas não
consideram os projectos que exigem uma execução a longo
prazo e que têm a ver com problemas de natureza económica
e, essencialmente, política como sua responsabilidade
principal.
Financiamento/recursos – O financiamento é sempre
um problema e os estudos mostram que a falta de fundos,
de tempo e de recursos são os principais obstáculos ao
desenvolvimento de actividades de educação em matéria de
energia. No inquérito realizado pela iniciativa ManagEnergy,
mais de 70% das escolas afirmaram que a falta de
financiamento e de recursos foi um dos obstáculos principais à
participação.
Currículos nacionais – Os professores e os órgãos de gestão
das escolas muitas vezes não querem (ou não podem) alterar
os currículos, devido a restrições e ao calendário escolar
resultantes da necessidade de respeitar os currículos nacionais.
Tal significa que as iniciativas educativas devem estar
relacionadas com oportunidades existentes nos currículos
relevantes. Alternativamente, ou em paralelo, é preciso
indicar às autoridades nacionais que elaboram o currículo as
oportunidades de integrar temas energéticos adequados nos
currículos.
Influências externas – As crianças e os jovens podem ter
grande influência na poupança de energia em casa, mas o
envolvimento de toda a comunidade pode fazer uma grande
diferença em termos de efeito global. Por isso, é fortemente
desejável que os responsáveis políticos, os órgãos de gestão
das escolas, os especialistas técnicos em energia, os pais e a
comunidade em geral colaborem para fazerem do processo
educativo um exercício social eficaz.
Medição do sucesso – Por vezes é difícil comprovar o sucesso
de projectos específicos, a menos que os seus objectivos e o
processo de avaliação sejam considerados desde o início do
projecto, em vez de ser acrescentados à última da hora e sem
recursos adequados. É igualmente útil definir o conhecimento,
a atitude e o comportamento dos jovens e das suas famílias
antes do projecto, para estabelecer uma «linha de base».
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Mas o entusiasmo
não é problema!
Um factor que NÃO constitui uma limitação em termos
de actividades de educação em matéria de energia é o
entusiasmo dos jovens pelo assunto. O inquérito ManagEnergy
permitiu verificar que nenhuma escola mencionou a falta de
interesse dos alunos como obstáculo à criação de actividades
educativas no domínio da energia.
Os estudos mostram que as crianças revelam grande
entusiasmo pela questão da poupança de energia e por
outros aspectos ambientais. Os jovens podem inspirar-se no
seu próprio empenhamento em espalhar a mensagem da
poupança de energia na sociedade.
As crianças possuem a energia – cabe aos adultos suprimir
os obstáculos e deixarem-nas maximizar o seu potencial para
darem benefícios positivos à sociedade.
Um exemplo da utilização de incentivos monetários e de
adopção entusiástica de medidas de poupança de energia
num grupo de alunos um pouco mais velhos é dado pelo
estudo do caso «Poupanças de estudantes».
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POUPANÇAS DE ESTUDANTES
A IDEIA
A cidade de Delft, nos Países Baixos, tem uma vasta população
estudantil, devido à sua famosa Universidade Técnica. Os
estudantes são relativamente esbanjadores de energia
– gastam cerca de 1 600 kWh por ano, em comparação com o
consumo médio dos cidadãos de 1 000 kWh. Isto deve-se em parte ao seu modo de vida e em parte à idade. Uma
organização neerlandesa de associações de alojamento de
estudantes, KENCES, juntou-se à Agência de Energia de Delft
para sensibilizar os estudantes para o seu comportamento
no que se refere à energia e para os benefícios financeiros
resultantes da poupança de energia – cerca de 50 euros por
ano por estudante. O projecto em Delft fazia parte de um
programa mais vasto que abrangia três cidades universitárias
neerlandesas.
No início do projecto todos os estudantes em Delft receberam
um questionário relativo ao seu comportamento em termos
de energia e que deu valiosas informações à associação
de alojamento local – DUWO. Foi recrutada uma pequena
equipa de estudantes, que receberam formação para realizar
apresentações aos seus colegas. Foi garantido a todos os
estudantes que viviam num alojamento gerido pela KENCES a
participação numa apresentação. A todos os que participaram
foi oferecido um incentivo de 25 euros para utilizar em
medidas de poupança de energia. Além disso, a Agência
de Energia de Delft realizou auditorias de energia em todos
os blocos de habitações de estudantes e estes resultados,
juntamente com as apresentações, permitiram elaborar um
plano energético para cada bloco, que pôde ser executado o
mais rapidamente possível.
O RESULTADO
No final de 2004 foi realizada uma avaliação do projecto e os
resultados estão agora a ser analisados. O projecto é fácil de
reproduzir.
http://www.delftenergy.nl/
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Qual o papel da UE?
O domínio da eficiência energética foi durante muitos anos
dominado por uma abordagem técnica e o valor do contributo
das ciências sociais e do marketing só recentemente foi
reconhecido.
A Comissão Europeia está consciente do papel estratégico da
educação em matéria de energia para melhorar a eficiência
energética na Europa. Embora se trate de uma área em que
as autoridades educativas nacionais (juntamente com as
regionais e locais) têm competência exclusiva, a Direcção-Geral da Energia e dos Transportes da Comissão desenvolveu
uma série de actividades neste domínio centradas na
divulgação de informações e dos programas existentes e no
incentivo à reprodução das boas ideias de um país em toda a
União Europeia. Um exemplo de um projecto multinacional
apoiado pelo programa SAVE II é descrito no estudo do caso
«Kids4Energy».
No domínio do aumento da sensibilização, uma acção
importante foi a criação da iniciativa ManagEnergy (ver
caixa mais à frente). Este programa europeu tem estado a
desenvolver actividades no domínio da educação, incluindo a
publicação de exemplos de boas práticas e a organização de
eventos sobre o tema da educação em matéria de energia e
está a coordenar uma série de outros projectos neste domínio.
A iniciativa ManagEnergy está a desenvolver estruturas
comuns para permitir aos intervenientes na área da energia a
nível local, bem como às autoridades locais, às comunidades,
às escolas e aos professores, aprenderem com a experiência
já existente. É este o objectivo do sítio web «Kids Corner»,
acolhido pela ManagEnergy, que irá recolher as informações e
os instrumentos disponíveis no domínio da educação
em todas as línguas oficiais da UE (ver infra).
A UE apoiou as agências de energia locais e
regionais na Europa, que desenvolveram
actividades dirigidas à educação e às escolas.
Nos últimos anos foram desenvolvidas
muitas iniciativas e instrumentos a vários
níveis pelas agências, como a sua resposta à
importante necessidade de educar as crianças
(e indirectamente os seus pais e os adultos) para
terem um comportamento que poupe energia.
A maior parte das informações sobre esta actividade
está disponível numa única língua (materna) e numa série
de formatos diferentes e exige grande esforço para ser
recolhida, traduzida e colocada num formato comum para
a tornar acessível a outras escolas, agências e autoridades
europeias. No entanto, a maior parte das agências tem falta
de materiais e de conhecimentos para desenvolver as suas
próprias iniciativas e assim beneficiarão certamente destas
contribuições externas.
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31
Papel das agências de energia
«Kids Corner»
Para avaliar a experiência da rede de agências de energia
locais e regionais no domínio da educação e da energia e para
identificar eventuais obstáculos ao nível local, foi lançado
um inquérito em 2004. O resultado, intitulado «Documento
de reflexão sobre cooperação dos intervenientes locais à
escala da UE no domínio da educação em matéria de energia
sustentável», fornece recomendações preliminares para
incentivar os intervenientes locais e regionais a desenvolverem
actividades de educação em matéria de energia.
A criação do sítio web «Kids Corner» foi uma sugestão
importante do documento de reflexão e poderá criar um
facilitador comum e um ponto de referência para as agências,
escolas, professores, alunos e pais e outros cidadãos. As
agências locais estão a ajudar a iniciativa ManagEnergy a
identificar e a adaptar materiais adequados, disponibilizando-os para serem usados no sítio web e promovendo este sítio
nas suas regiões. Ao fazê-lo são envidados todos os esforços
para não haver duplicação de acções que já estão a ser
empreendidas a nível dos Estados-Membros.
O inquérito concluiu que quase dois em cada três
intervenientes locais que responderam desenvolvem algum
trabalho no domínio da educação em matéria de energia,
especialmente em escolas. Os países com participação mais
activa foram o Reino Unido, a Itália e a Espanha. Olhando para
os domínios de actividade a que se dedicaram as agências
de energia, os mais importantes parecem ter sido a eficiência
energética (90%), energias renováveis (85%) e transportes e
actividades de mobilidade (30%).
A título de conclusão, foram feitas algumas sugestões (ver
figura 2) sobre o modo como a Comissão Europeia, através da
iniciativa ManagEnergy e outras, poderá dar apoio à educação
em matéria de energia através de acções locais. Algumas
destas sugestões são indicadas a seguir.
Este sítio web foi agora instalado no sítio web da iniciativa
ManagEnergy e além de materiais pedagógicos incluirá jogos,
concursos e outras informações destinadas aos jovens e seus
educadores.
Contribuição das agências
para a formação de professores
Os professores são os agentes multiplicadores mais eficazes
para se chegar aos alunos e arranjar uma via para acções
de poupança de energia que tenham um impacto real na
comunidade. A formação de professores e o fornecimento
de kits pedagógicos adaptáveis demonstrou ser um canal
eficaz. O envolvimento directo das agências de energia em
actividades escolares ou uma visita de estudo organizada pela
agência de energia local também podem dar uma dimensão
prática às iniciativas.
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
Figura 2: Resultados da reflexão ManagEnergy
Concursos e outras actividades
transnacionais
Kids Corner
Um dos resultados do documento de reflexão foi a
possibilidade de criar um concurso ou concursos à escala
da UE sobre a poupança de energia, recorrendo às agências
de energia como pontos de contacto para a escola. Poderão
prever-se prémios para ideias inovadoras de poupança
de energia e para a comunidade ou escola com melhores
resultados de poupança de energia.
Material pedagógico virtual
Concurso UE
Rede
Divulgação de
material pedagógico
A DG Energia e Transportes, através do programa Energia
Inteligente – Europa e da iniciativa ManagEnergy, poderá
contribuir para a cooperação transnacional a nível da
educação em matéria de energia nas escolas da União,
coordenando em especial a participação das agências de
energia locais e criando redes temáticas sobre educação.
Formação de professores
Kits para as escolas
Jogos na Internet
Programas de TV
% 0
5
10
15
20
25
30
35
40
Informação
A educação em matéria de energia precisa de ser apresentada
de uma forma compreensível. É óbvio que o material tem de
ser fornecido na língua materna dos alunos e deve evitar-se
uma linguagem muito técnica. A elaboração do material tem
de ter em conta a diversidade cultural, social e educativa dos
países e regiões em que será distribuído. Não é recomendável
um conjunto de instrumentos comum para ser utilizado nas
escolas em toda a Europa – uma abordagem do tipo «serve o
mesmo para todos» não funcionará neste caso. Como medida
inicial, a ManagEnergy está a trabalhar no sentido de recolher
todos os materiais pedagógicos relevantes existentes nos
Estados-Membros e de os disponibilizar em toda a União para
servirem de exemplo para acções locais.
Outra actividade para as agências de energia e para outros
intervenientes locais no domínio da energia poderá consistir
em apoiar a participação das escolas locais no Comenius, que
faz parte do programa Sócrates, gerido pela Direcção-Geral
da Educação e Cultura da Comissão. Esta iniciativa envolve os
estabelecimentos de ensino de toda a Europa, desde o nível
pré-escolar ao ensino secundário, e dá apoio financeiro para
o desenvolvimento de parcerias transnacionais que procuram
executar projectos internacionais entre escolas.
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33
MANAGENERGY
Actividades futuras
Com base nos resultados do documento de reflexão, a
Comissão está a incentivar a apresentação de propostas no
domínio da educação em matéria de energia, considerando-as uma prioridade principal do programa Energia Inteligente
– Europa.
O sítio web «Kids Corner» tornar-se-á um centro de actividade
importante das agências de energia para trocarem pontos de
vista e experiências, bem como para participarem em eventos
e acções de formação relevantes e elaborarem propostas
conjuntas. Esperamos vê-los lá!
A iniciativa ManagEnergy, financiada pela UE, destina-se a apoiar
o trabalho dos intervenientes locais e regionais que trabalham
no domínio das energias renováveis e da gestão da procura de
energia. Foi lançada em Março de 2002, na sequência de pedidos
das agências de energia locais para melhorar a comunicação
e a prestação de informações sobre questões energéticas
importantes.
Foram criados dois canais principais de comunicação através de
sítios web. O trabalho principal da organização consiste em dar
apoio a iniciativas locais, fornecendo as informações mais recentes
sobre as políticas e a legislação da UE, juntamente com notícias
sobre financiamento para apoiar a aplicação da legislação.
A iniciativa ManagEnergy organiza igualmente acções de reforço
de capacidades e eventos pan-europeus e divulga boas práticas.
É um ponto de contacto central para estabelecer uma rede entre
as agências de energia e os outros intervenientes que actuam no
terreno.
http://www.managenergy.net/
http://www.managenergy.tv/
EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA
KIDS4ENERGY
A IDEIA
Conhecida também por «programas de avaliação da
informação, educação e formação da eficiência energética
(EE IET) destinados a crianças e ao desenvolvimento de
boas práticas», a Kids4Energy juntou 10 parceiros de nove
países europeus no âmbito do programa SAVE II. O objectivo
era melhorar a qualidade e a rendibilidade dos projectos
EE IET, tanto em termos de impacto como de processo, e
foram avaliados projectos da Áustria, Bélgica, Dinamarca,
Finlândia, França, Alemanha, Itália, Noruega e Reino Unido.
Para a avaliação destes projectos foi criada uma nova rede
transnacional para troca de informações e de experiências e os
resultados foram integrados num guia de boas práticas.
O RESULTADO
O guia foi largamente disseminado junto de outros grupos e
através de outras redes, como o fórum europeu de educação
em matéria de energia sustentável (ESEEF). No final de 2004
realizou-se um seminário internacional para promover os
resultados do projecto.
Além disso, a rede Kids4Energy concebeu um jogo de cartas
que ilustra uma abordagem para comunicar a mensagem da
eficiência energética de forma prática e aumentar o interesse
dos jovens e o seu conhecimento do assunto.
A rede criada na Kids4Energy ainda está a funcionar e a
trabalhar noutros projectos de energias renováveis. O sítio
web de organizações que trabalham no domínio da energia
sustentável e da educação a nível das escolas primárias e
secundárias ainda está operacional em:
http://www.school4energy.net
É possível descarregar o Guia de Boas Práticas em
http://www.kids4energy.net
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Outras informações e recursos
Política energética
Energie Cités:
http://www.energie-cites.org/
Comissão Europeia, DG Energia e Transportes – Informação
sobre políticas:
http://europa.eu.int/comm/energy/index_pt.html
Fórum Europeu de Educação em matéria de Energia
Sustentável (ESEEF):
http://www.school4energy.net/
Fazer mais com menos – Livro verde sobre a eficiência
energética
http://europa.eu.int/comm/energy/efficiency/index_en.htm
Kids for Energy
http://www.kids4energy.net/
Comissão Europeia, DG Energia e Transportes – Estatísticas e
projecções de energia:
http://europa.eu.int/comm/dgs/energy_transport/figures/
index_en.htm
PNUD, Avaliação da Energia Mundial – Actualização da Síntese
de 2004:
http://www.undp.org/energy/docs/WEAOU_full.pdf
Iniciativas em matéria de energia
ManagEnergy:
http://www.managenergy.net/
Campanha de energia sustentável para a Europa:
http://www.sustenergy.org/
Programa Europeu Greenlight:
http://www.eu-greenlight.org/
Programa Energy Star da UE:
http://www.eu-energystar.org/en/
Associação para a Conservação de Energia:
http://www.ukace.org/pubs/reports.htm
Centro para a Energia Sustentável do Reino Unido:
http://www.cse.org.uk/
Aliança para poupar energia:
http://www.ase.org/greenschools/
Recursos pedagógicos para a eficiência
energética
Projecto PREDAC – Biblioteca com mais de 200 publicações:
http://www.cler.org/predac/library.php3
Create
http://www.create.org.uk/schools/teachers_default.asp
Energy Saving Trust – Estudos de casos das escolas:
http://www.est.org.uk/schools/casestudies/
Recursos pedagógicos da BP:
http://www.bpes.com/
Academia de Educação no domínio energético (administrada
pela Universidade de Utah):
http://www.academyofenergy.org/links.html
Sítio web com perguntas sobre energia da Comissão
Energética da Califórnia:
http://www.energyquest.ca.gov/teachers_resources/
Energy Outreach Colorado
http://www.energyhog.org/
As atitudes e o comportamento das crianças são modelados desde tenra idade e o que aprendem
dentro e fora da escola fica com elas toda a vida. As crianças têm igualmente uma influência
importante na família e nos amigos. É por isso que as iniciativas para ensinar aos jovens os efeitos
da utilização de energia e lhes dar ideias para reduzir o consumo podem ter benefícios ao mesmo
tempo imediatos e duradouros.
A presente brochura, que reúne exemplos de toda a UE, mostra o que se pode fazer abordando
as questões de eficiência energética em iniciativas educativas que visam os jovens nas escolas e a
comunidade em geral.
Trata-se de uma brochura destinada às autoridades escolares a nível local, regional e nacional, às
autoridades locais responsáveis pela gestão da procura de energia, às organizações de formação, aos
professores e respectivas associações e às agências de energia locais e regionais. Esperamos que sirva
de inspiração a todos estes agentes, para lhes permitir «pensar globalmente e agir localmente», a fim
de desenvolverem as suas próprias iniciativas pedagógicas para um futuro com eficiência energética.
KI-72-05-790-PT-C
A gestão da procura energética na União Europeia é fundamental para a nossa economia e para o
bem-estar dos cidadãos a longo prazo. Essa gestão exige não só a introdução de novas tecnologias
para melhorar a eficiência energética, mas também mudanças de atitudes e de comportamento em
vastas camadas da sociedade.
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EDUCAÇÃO EM MATÉRIA DE ENERGIA