Uma análise de custo-benefício do
Museu da Imagem e do Som da cidade
do Rio de Janeiro (*) (**)
Ronaldo Seroa da Mottaa
Ramon Arigoni Ortizb
RESUMO: Este artigo apresenta uma análise de custo-benefício do novo Museu da
Imagem e do Som (MIS) que o Governo do Estado do Rio de Janeiro em parceria com
a Fundação Roberto Marinho está construindo na cidade do Rio de Janeiro. O museu
vai ampliar o acervo da produção cultural carioca, tanto a sua história quanto à sua
produção futura. Nosso estudo estima inicialmente os benefícios associados ao novo
museu relativos ao: (i) valor de não uso ou cultural; e (ii) valor de uso turístico aplicando o método de valoração contingente seguindo as recomendações e procedimentos estimativos consagrados na literatura, em especial para controle do viés de escopo
e protesto. Ao compararmos esses benefícios aos respectivos custos de implantação,
estimamos uma taxa interna de retorno entre 25,5% e 54,8%, indicando que o projeto
do novo MIS apresenta uma alta viabilidade social.
PALAVRAS-CHAVE: Valor cultural; valor turístico; valoração contingente; museu;
Rio de Janeiro.
CLASSIFICAÇÃO JEL: H41.
Artigo recebido em 10/10/2012 e aprovado em 08/03/2013.
Estudo conduzido para a Fundação Roberto Marinho dentro “Termo de Referência para Contratação de
Estudos de Valoração Econômica dos Benefícios do Museu da Imagem e do Som (MIS) Copacabana –
Rio de Janeiro” do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR RJ). Os autores
agradecem as valiosas sugestões de Mônica Rodrigues Dias Pinto e Rosalina Soares ambas da Fundação
Roberto Marinho.
a
Doutor em Economia pela University College London, professor de Economia da Universidade Estadual
do Rio de Janeiro (UERJ) e das Faculdades IBMEC, e sócio da Ecometrika.
Contato: [email protected].
b
Doutor em Economia e sócio da Ecometrika. Contato: [email protected].
*
**
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
177
178
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
A COST-BENEFIT ANALYSIS OF THE MUSEUM OF
IMAGE AND SOUND IN RIO DE JANEIRO
ABSTRACT: This article presents a cost-benefit analysis of the new Museum of Image
and Sound (MIS) that the State Government of Rio de Janeiro, in partnership with the
Roberto Marinho Foundation, is building in the city of Rio de Janeiro. The museum
will expand the collection the cultural production of the city, as much in regards to its
history as to its future production. Our study initially estimates the benefits associated
with the new museum regarding (i) the value for non-use, or cultural services, and (ii)
the value for tourist services, using the contingent valuation method with split samples
and estimations procedure suggested in the literature to control for scope and protest
biases. When comparing these benefit estimates to their respective building and operation costs, an internal return rate of between 25.5% and 54.8% is determined indicating
that the new MIS is highly feasible in the social terms.
KEYWORDS: Cultural values; tourism values; contingent valuation; museum; Rio de
Janeiro.
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
179
1. Introdução
O Museu da Imagem e do Som (MIS) foi inaugurado em 1965 e representou um gênero pioneiro no Brasil de museu dedicado a reunir e guardar a memória da produção
cultural no Brasil. Possui, hoje, um dos acervos mais expressivos e diversificados da
memória da cultura brasileira e é utilizado, atualmente, como fonte para pesquisadores,
porém é pouco conhecido pelo o grande público.
A Secretaria de Estado de Cultura e a Fundação Roberto Marinho são parceiras
na construção da nova sede e modernização do Museu da Imagem e do Som (MIS),
contando com investimentos diretos da própria Secretaria de Estado da Cultura, com
um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento e também com patrocínios do setor privado, diretos e pela lei federal de incentivo à cultura, tendo como
patronos as Organizações Globo, Itaú e Natura, e patrocinadores a Vale do Rio Doce,
IBM, Ambev e Light.
O novo Museu da Imagem do Som (MIS) pretende se transformar em uma das
maiores atrações do turismo nacional e internacional. O acervo será digitalizado e disponibilizado para o público por meio de uma exposição de longa duração, que usará
as mais modernas tecnologias interativas. Além disso, todo o acervo estará disponível
em ambiente digital para consulta e pesquisa.
O MIS pretende ser um museu que retrata a identidade carioca representada por
suas manifestações artísticas. O Rio de Janeiro, capital informal da criatividade e da
produção cultural do Brasil, abrigara importantes eventos internacionais nos próximos anos. Milhares de turistas nacionais e estrangeiros, além de moradores locais que
estarão usufruindo de maneira mais intensa da cidade durante esses eventos, terão
um lugar onde poderão sentir, mais a fundo, o que e ser carioca. Além de seu acervo
próprio, também o acervo do Museu Carmen Miranda, hoje localizado em edifício de
instalações precárias, será incorporado ao novo MIS.
O projeto arquitetônico do novo MIS foi escolhido por meio de um concurso internacional de ideias, efetuado em 2009. O escritório Diller Scofidio & Renfro, de Nova
Iorque foi o vencedor. O projeto tem como inspiração o calçadão de Copacabana, de
onde apropriam a ideia da “verticalização” do calçadão, criando um acesso externo ate
o topo da edificação. A museografia está sob a responsabilidade de Daniela Thomas e
Felipe Tassara, e a curadoria é do jornalista Hugo Sukman.
Este estudo realiza uma análise de custo-benefício do projeto de reconstrução e
ampliação do Museu da Imagem e do Som (MIS), Rio de Janeiro, Brasil. Para tal, estimamos inicialmente os valores dos benefícios culturais associados ao museu para depois compararmos aos seus custos de implantação.
180
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
Enquanto os custos de implantação são derivados de projetos arquitetônicos e de
engenharia, a estimação dos benefícios culturais está associada aos ganhos de bemestar que o museu pode oferecer. Bens e serviços culturais, da mesma forma que bens
e serviços ambientais, podem possuir valor de uso e valor de não uso. Por exemplo, a
visita a um sítio cultural pode gerar benefícios recreativos e, tanto para financiar esse
uso quanto evitar seu congestionamento, pode-se cobrar um preço por esse uso e tratálo à semelhança de um bem privado racionado via preços1.
Já os valores de não uso, associados à preservação ou existência do bem ou serviço
cultural (BSC), teriam uma característica de bem público, tal como definido pela teoria
econômica. Isso porque o valor cultural, nesse caso, pode ser aproveitado por inúmeros
indivíduos ao mesmo tempo (não rivalidade) e uma vez disponível não há como negar
seu acesso a um consumidor (não exclusão). Nesses casos é difícil coletar um preço
pelo uso do recurso. Assim, preços não servem para racionar o uso e gerar receitas para
sua conservação, podendo, assim, resultar na sua degradação. Essa dificuldade de precificação, entretanto, não significa que o BSC não gere valor e não afete o bem-estar da
sociedade. Ao contrário, o valor de nãouso pode ser percebido por muitos indivíduos,
mesmo aqueles que não usam de alguma forma o BSC, mas gostariam de preservá-lo
pelo seu valor intrínseco independentemente de alguma forma de uso. Ou seja, uma
forma de consumo de não uso2.
Assim sendo, perdas de BSC são indesejáveis e os indivíduos estariam dispostos
a pagar pelo seu uso, como também evitar sua perda ou degradação, pois tanto o uso
quanto a sua preservação (não uso) geram ganhos de bem-estar ou utilidade. Então,
haveria uma disposição máxima a pagar (DAP) que cada indivíduo percebe como
aquela que vale o ganho de bem-estar gerado pelo uso ou preservação de BSC que, assim, reflete o valor cultural daquele BSC ao indivíduo. Quando os indivíduos pagam
pelo uso, o ganho de bem-estar, chamado de excedente do consumidor gerado pelo uso,
seria a diferença entre a DAP pelo uso e o preço efetivamente pago. Mas se o consumo
é gratuito, a DAP logo se iguala ao excedente do consumidor3.
Inclusive diferenciando preços por critérios distributivos.
1
O debate sobre a natureza dos valores de não uso e sua possibilidade de mensuração permeou, por muito
tempo, a literatura de valoração ambiental. Os textos seminais sobre valor de não uso de Mitchell e Carson
(1989) e Arrow et al. (1993) tiveram suas críticas em Hausman (1993) e Diamond e Hausman (1994). Mais
tarde diversos manuais pacificaram a questão, entre eles, Bateman et al (2002) e Alberini e Kahn (2006).
2
Essa abordagem econômica é contestada por alguns especialistas culturais que rejeitam a possibilidade de
o valor de não uso ser avaliado individualmente e/ou ser resultante de troca que o indivíduo faz no consumo através da sua restrição orçamentária (Klamer, 2003) ou economistas que questionam empiricamente
que exista altruísmo por parte dos indivíduos em relação à preservação cultural (Brooks, 2004).
3
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
181
Como podemos, então, medir a DAP se só observamos preços e, em alguns casos
de consumo gratuito, nem os preços? Essa tem sido a área de valoração econômica que
avançou muito nas últimas décadas na economia ambiental (Freeman, 1979; Pearce e
Turner, 1990; Hanley et. al., 1997; Seroa da Motta, 2006). Em resumo, podemos medir
quanto cada visitante estaria disposto apagar de várias formas.
Quando se trata de valores de uso as preferências são reveladas, como por exemplo,
nos custos de viagem que as pessoas incorrem para visitar um sítio cultural que, quando
correlacionados com variáveis de visitação, oferecem uma aproximação da disposição
a pagar dos visitantes em relação aos benefícios recreativos. É o chamado método do
custo de viagem e há vários exemplos de sua aplicação em BSC (Fonseca e Rebelo, 2010;
Vincente e Frutosa, 2010; Alberini e Longo, 2006; Forrest et al., 2000).
Da mesma forma, preferências são reveladas nos preços de moradia em uma região
onde se encontra um sítio natural indicando como a disposição a pagar por imóveis
varia com características culturais. É o chamado método dos preços hedônicos que
também tem sido aplicado na valoração de BSC (Coulso e Leichenko, 2001; Ruijgrok,
2006; Noonan, 2007).
Ou podemos ainda estimar esse valor da disposição a pagar (DAP) diretamente com
uma pesquisa junto a uma amostra da população, perguntando quanto estes estariam
dispostos a pagar para visitar ou preservar o sítio. É o chamado método da valoração
contingente. Esse método é o único que captura valor de não uso já que o benefício
da preservação não se esgota no custo da visita ou da moradia próxima ao BSC. Esse
método tem recebido o maior esforço empírico de valoração na recente literatura de
valoração cultural e, por conta disso, já foi objeto de uma resenha extensiva, como,
por exemplo, em Navrud e Ready (2001) que analisaram 27 estudos e de outro estudo
de meta-análise por Nooman (2003) que analisou 129 estudos. Entre os estudos relacionados a museus destacamos Bedate et. al. (2009) e Sanz et al. (2003) para museus
espanhóis, Bravi et. al. (2002) e Santagata e Signorello (2000) para museus italianos e
Martin (1994) para museus canadenses.
Nosso estudo estima tanto o valor cultural (não uso) do museu junto à população
da cidade do Rio de Janeiro como o valor de visitação junto aos turistas brasileiros e
estrangeiros. Nos dois casos adotaram-se pesquisas de valoração contingente.
A seguir apresentamos nosso modelo de estimação dos benefícios culturais seguido dos procedimentos de pesquisa e análise dos resultados. Com base nesses resultados realizamos na seção seguinte uma análise de custo-benefício. Ao final concluímos.
2. A Estimação dos Benefícios Culturais
A seguir descrevemos o modelo adotado e os procedimentos de pesquisa para sua aplicação e nas subseções seguintes os resultados da valoração dos benefícios ambientais.
182
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
2.1. O Modelo adotado4
Assumimos uma função de utilidade esperada do indivíduo consumidor de BSC
como u (j, y; s), em que j = 1, se o indivíduo tem acesso a BSC e zero quando ele não
tem acesso. O termo y é a renda do consumidor e s é um vetor de atributos que afetam
a decisão de consumir o BSC. Logo u (j, y; s) é composta de um componente observável
v (j, y; s) e outro não observável εj, tal que u (j, y; s) = v (j, y; s) + εj.
Seja a utilidade esperada (u) do indivíduo i igual a u1 = u (1, y – PGTO, s) quando
tem acesso ao BCS com um pagamento (PGTO), e a utilidade esperada daqueles que
não querem ter acesso e não pagar seja u0 = u (0, y; s). Logo, o indivíduo decidirá se
aceita pagar ou não se:
v (1, y − PGTO; s ) + ε1 > v (0, y , s ) + ε 0
v (1, y − PGTO; s ) − v (0, y , s ) > ε 0 − ε1
ou
(1)
(2)
Admitindo uma distribuição para o termo do erro εj, a diferença ε0 - ε1 seria essa
distribuição, como por exemplo em modelos Logit (distribuição logística) e Probit (distribuição normal). Ou seja, a probabilidade de que o proprietário aceita o pagamento
solicitado seria quando ∆v se iguala à diferença de utilidade na equação (2) (Hanemann,
1984 e Maddala, 1983).
Dois questionários foram aplicados: um para medir a DAP dos residentes do município do Rio de Janeiro para a preservação da memória audiovisual (ou valor de não
uso ou existência do novo MIS), com uma amostra domiciliar de 1.000 questionários
aplicados; e outro para medir a DAP dos turistas brasileiros e estrangeiros para visitarem o novo MIS (valor de uso turístico ou recreativo do novo MIS) em uma amostra
de intercepto com 1.000 questionários (500 turistas brasileiros e 500 estrangeiros) realizada em diversos pontos turísticos da cidade.
Além da renda, captamos outros atributos dos entrevistados. Incluímos perguntas específicas sobre o domicílio, a família, a escolaridade e a relação com as questões culturais.
Nas resenhas de valoração contingente anteriormente citadas, os autores confirmam
alguns problemas metodológicos, que são também detectados na aplicação ambiental
de valoração contingente e que podem gerar uma medida enviesada da diferença de
utilidade na equação (2), tais como: (i) insuficiente informação dos atributos culturais
4
O modelo está apresentado para o caso de valor de uso (visitação), mas pode ser interpretado também para
o caso de valor de não uso do MIS.
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
183
dificultando a compreensão do BSC gerando viés de escopo; e (ii) alta incidência de
valor nulo com viés de protesto.
Seguindo a literatura especializada em viés de escopo (Carson, 1997; Smith e Osborne, 1996; Hanemann, 1994; Loomis, Lockwood e DeLacy, 1993) utilizamos uma
técnica de pesquisa para mitigar esse problema, a saber, pesquisa presencial pessoal
com informação detalhada do BSC a ser valorado, usando inclusive recursos visuais.
Entre os indivíduos que não querem pagar há os que realmente não assinalam valor
ao BSC, mas há os que mesmo tendo um valor positivo se negam a revelar por rejeição
ao cenário ou a forma de financiamento do BSC e, assim, protestam com a não participação. Para mitigar o viés de protesto utilizamos técnicas de pesquisa consagradas
na literatura (ver resenha em Meyerhoff e Liebe, 2010) e utilizadas em todos os cinco
estudos de museus anteriormente citados. Primeiro, o mecanismo de pagamento para
valor de não uso na forma de doação voluntária a um fundo próprio do museu com execução monitorada e transparente e para valor de uso na forma de um valor de entrada.
Segundo, aplicamos ambos com formato dicotômico no qual o respondente aceita ou
não pagar um valor solicitado.
Mesmo com a adoção dessas técnicas a literatura citada reconhece que há, ainda,
alta incidência de protestos. Todos os estudos de museus anteriormente citados apresentam um alto grau de não aceitação, que chegou a gerar, nos casos dos museus espanhóis, por exemplo, em Bedate et al. (2009) e Sanz et al. (2003) taxas de protesto de,
respectivamente, 18% e 40% da amostra.
Assim, há diferentes propostas de como tratar essas respostas de protesto. A literatura divide-se em alguns propondo tratar essas respostas com valor zero (Halstead et
al., 1992; Meyerhoff e Liebe, 2006) e outros sugerindo retirá-los da amostra usada no
cômputo dos resultados (Mitchell e Carson, 1989; Dziegielewska e Mendelsohn, 2007)5.
Assim, adotamos perguntas específicas para identificar as motivações a não aceitar
o pagamento oferecido separando razões econômicas (insuficiência de renda ou falta
de preferência pelo BSC) das que conformam protesto ao mecanismo de pagamento e
não ao BSC (desconfiança do uso do recurso por falta de credibilidade no governo ou
por acharem que já pagam muito dinheiro ao governo).
Usamos análise de regressões para a identificação dos fatores determinantes para a
decisão de protestar e de aceitar pagar o valor de pagamento solicitado. A análise de regressão visa relacionar estatisticamente uma variável (dependente) com outras variáveis
(chamadas variáveis independentes) que sejam explicativas da variável dependente, segundo formas funcionais e distribuições de frequência adotadas pelo analista.
Outra forma seria uma estimação conjunta ou em dois estágios com respostas de participação e de pagamento (Strazzera et al., 2003).
5
184
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
Na identificação econométrica utilizamos os modelos que são recomendados para
os casos em que a variável dependente é dicotômica, em nosso caso é a resposta (sim
ou não) ao valor de pagamento solicitado. Na análise de protesto usamos somente um
modelo Probit, mas na estimativa da DAP média utilizamos os modelos Probit, Logit
e o Turnbull nãoparamétrico (ver Haab e McConnell, 2002).
Com isso, realizamos testes para identificar se as respostas da DAP foram dadas aleatoriamente ou obedeceram a algum critério socioeconômico ou comportamental por parte
dos entrevistados. Por exemplo, esperamos que entrevistados com maior renda mensal,
com maior nível educacional ou com maior interesse por temas relacionados com a cultura audiovisual estejam dispostos a contribuir para o Fundo MIS com valores mais altos.
Em todos os modelos testamos todas as variáveis explicativas disponíveis no banco
de dados e excluímos dos modelos finais aquelas que não se mostraram estatisticamente
significativas. A exceção a essa regra é a variável renda, pois esse é um teste típico em
estudos de valoração contingente (estimativas da DAP são teoricamente dependentes
da renda do entrevistado).
Utilizamos também os resultados das regressões (os coeficientes estimados nos modelos) e os valores médios amostrais das variáveis para estimar valores médios da DAP.
Optamos por retirar da amostra os indivíduos que apresentaram um comportamento de protesto. Em outras palavras, para efeito da estimação da DAP média da amostra,
quando desta retiramos os indivíduos que protestam estamos admitindo que a DAP
dos que protestam é igual à DAP média amostral.
2.2. Estimativas de valor de não uso
A amostra para estimar valor de não uso obtida na pesquisa de residentes da cidade
do Rio de Janeiro está balanceada em termos de sexo e educação dos entrevistados,
correspondendo estas aproximadamente às estatísticas populacionais do município
do Rio de Janeiro.
Dos resultados de uma análise descritiva da amostra podemos destacar que 70,5%
dos entrevistados disseram que se interessam por temas relacionados com a cultura;
84,6% declaram que é importante a preservação da memória da imagem e do som da
cultura brasileira; 50% consideraram muito importante a construção da nova sede do
MIS. Ressaltamos que as respostas positivas da DAP apresentam um alto grau de confiabilidade, uma vez que 93,3% dos entrevistados que disseram contribuir para o Fundo
MIS estão seguros de que pagariam o valor informado.
Em se tratando da variável de entendimento do questionário, a maioria absoluta
(98,3%) revela ter achado o questionário de fácil compreensão, o que sugere que o instrumento utilizado na pesquisa está adequado. A Tabela 1 mostra algumas estatísticas
descritivas de variáveis importantes, como renda e idade dos entrevistados.
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
185
Tabela 1 – Estatísticas descritivas – tendência central e dispersão – amostra domiciliar
Variável
Renda (R$)
Números de moradores no domicílio
Média
Mediana
Moda
DP
Mínimo
Máximo
2.404,02
2.000,00
500,00
2.868,77
0,00
15.000,00
3,5
3
3
1,7
1
13
Número de moradores com renda
1,9
2
2
0,9
1
7
Idade
41,1
38
23
16,8
18
87
Fonte: Elaboração própria.
Dentre as respostas que identificam as motivações a não aceitar contribuir com o
valor solicitado para o Fundo MIS, três indicavam razões econômicas para o não pagamento (“tenho outros compromissos a pagar e, no momento, não tenho como me
comprometer com este”; “não acho que o novo MIS seja importante e, assim, prefiro
apoiar outras iniciativas”; e “não tenho interesse em museus e centros culturais”); e outras duas respostas indicam comportamento de protesto (“acho que esta é uma obrigação do governo” e “não acredito em iniciativas de governo”).
Essas motivações de protesto atingiram 33% do total da amostra ou 54% dos que
não aceitam pagar para o Fundo MIS. Com um modelo Probit analisamos os determinantes do protesto, e como observado na Tabela 2, a probabilidade de protestar contra
o pagamento de contribuição para o Fundo MIS não está relacionada com a renda do
entrevistado e sim como o grau de importância que o entrevistado dá a construção da
nova sede do MIS (quem menos dá importância tem maior probabilidade de protestar)
e se o entrevistado é estudante (não estudantes têm maior probabilidade de protestar).
Essas são variáveis que são plausíveis para explicar tanto a falta de interesse quanto a
rebeldia e, portanto, consideramos essas respostas como protesto e seus questionários
não foram inclusos na estimação da DAP.
Tabela 2 – Determinantes de comportamento de protesto – amostra domiciliar
Coeficientes
95% intervalo de confiança
Renda
0,00001
-0,00002
0,00004
Estudante
-0,4356( )
-0,7870
-0,0841
Importância do museu
-0,1140 ( )
-0,1820
-0,0461
Constante
0,0039
-0,2894
0,2973
**
***
Observações
870
Pseudo R2
0,0155
Loglikelihood
-538,11896
Notas: (*) Significativa a 90%; (**) Significativa a 95%; (***) Significativa a 99%.
Fonte: Elaboração própria.
Em relação aos determinantes de aceitação do pagamento solicitado, como mostram os resultados na Tabela 3 relativos ao modelo Probit e Logit, além do valor do
186
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
pagamento, são significativas as variáveis da renda do entrevistado; a importância que o
entrevistado dá à construção da nova sede do MIS e se o entrevistado pretende visitá-la.
Tabela 3 – Aceitação em contribuir para Fundo MIS – sem protesto
Probit
Coeficientes
Logit
95% int. conf.
Coeficientes
95% int. conf.
Pagamento solicitado
-0,0168 ( )
-0,0210
-0,0126
-0,0281 ( )
-0,0352
-0,0210
Ln (renda)
0,1928 (***)
0,0749
0,3107
0,3352 (***)
0,1325
0,5379
Importância do MIS
0,1636 (***)
0,0565
0,2706
0,2778 (***)
0,0944
0,4612
Quer visitar
1,7597 (***)
1,3044
2,2151
3,0443 (***)
2,1910
3,8975
Constante
-2,8477 ( )
-3,8506
-1,8448
-4,9853 ( )
-6,7505
-3,2200
***
***
***
***
Observações
588
588
Pseudo R2
0,2626
0,2627
Loglikelihood
-292,32995
-292,31016
Notas: (*) Significativa a 90%; (**) Significativa a 95%; (***) Significativa a 99%.
Fonte: Elaboração própria.
Dependendo dos modelos econométricos utilizados, os resultados na Tabela 4 indicam que a disposição média a pagar se situa no intervalo entre R$ 13,06 e R$ 26,78.
Essas estimativas da DAP por residência foram multiplicadas pelo total de residências
na cidade do Rio de Janeiro (Censo IBGE, 2010), que totalizou 2.144.445 residências.
Logo, o valor de existência total (VE) do MIS para os residentes na cidade do Rio de
Janeiro foi estimado entre R$ 28 e 57 milhões anuais.
Tabela 4 – Valor não uso cultural – DAP média anual e agregada (R$ 2011)
Método
DAP/residência
VE anual
Probit
13,06
27.998.842
Logit
24,09
51.652.622
Turnbull
26,78
57.423.725
Fonte: Elaboração própria.
2.3. Estimativas de valor de uso
Na amostra de turistas usada para estimar valor de uso turístico, o grau de escolaridade da amostra de turistas pode ser considerado elevado (66,2% com nível superior
completo ou mais) e talvez em consequência do alto grau de instrução, a renda média
da amostra (R$ 7.412) também pode ser considerada elevada. Observa-se que, apesar do pouco conhecimento por parte dos turistas a respeito do MIS (79,2% nunca
ouviram falar do MIS), é grande o interesse demonstrado pelos turistas em relação
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
187
à nova sede do MIS, pois 95,3% estariam dispostos a visitar a nova sede e 89,1% estariam dispostos a pagar para visitar a nova sede do MIS. Ou seja, não há protesto
no valor de uso.
É grande também o grau de confiabilidade das respostas positivas da DAP, uma
vez que 93,3% dos entrevistados que aceitaram pagar o valor solicitado para visitar a
nova sede do MIS demonstraram segurança de que pagaria o valor informado. Em se
tratando da variável de entendimento do questionário, a maioria absoluta (99,2%) revela ter achado o questionário de fácil compreensão, o que sugere que o instrumento
utilizado na pesquisa está adequado para os entrevistados. A Tabela 5 mostra algumas
estatísticas descritivas dessa amostra.
Tabela 5 – Estatísticas descritivas – tendência central e dispersão – amostra de turistas
Variável
Média
Mediana
Moda
DP
Mínimo
Máximo
Renda (R$)
7.412,23
6.500,00
2.000,00
5.559,30
500,00
15.000,00
Idade
34,3
31
27
11,6
18
79
Fonte: Elaboração própria.
Analisamos com um modelo Probit a decisão em pagar para visitar o museu, dos
turistas brasileiros e estrangeiros juntos. Como mostram os resultados da Tabela 6,
as variáveis que determinam a decisão em pagar para visitar a nova sede do MIS são
bastante plausíveis e estão associadas ao grau de interesse do entrevistado em temas
audiovisuais e o grau de importância dado à construção da nova sede.
Tabela 6 – Aceitação a pagar para visitar o novo MIS
Coeficientes
95% intervalo de confiança
Renda
-0,0832
-0,2897
0,1232
Se interessa por atividades audiovisuais
0,3301 (***)
0,1382
0,5219
Importância do museu
0,1971 ( )
0,0305
0,3637
Constante
0,4971
-1,4111
2,4054
**
Observações
864
Pseudo R2
0,1053
Loglikelihood
-101,28124
Notas: (*) Significativa a 90%; (**) Significativa a 95%; (***) Significativa a 99%.
Fonte: Elaboração própria.
Em seguida analisamos a decisão de aceitar o pagamento solicitado. Como se observa na Tabela 7, para os turistas estrangeiros a renda e o grau de importância atribuído à construção do novo MIS explicam essa decisão, como também o valor do pagamento solicitado.
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Tabela 7 – Aceitação a pagar o pagamento solicitado – sem protesto – turistas estrangeiros
Probit
Coeficientes
Logit
95% int. conf.
Coeficientes
95% int. conf.
Pagamento
solicitado
-0,0790 (***)
-0,0909
-0,0671
-0,1388 (***)
-0,1638
-0,1139
Log (renda)
0,3878 (***)
0,1848
0,5908
0,6783 (***)
0,3063
1,0503
Importância
do museu
0,2647 (***)
0,1034
0,4261
0,4643 (***)
0,1811
0,7474
Constante
-1,8062 (*)
-3,7597
0,1473
-3,2133 (*)
-6,7775
0,3509
Observações
400
400
Pseudo R2
0,5345
0,5312
Loglikelihood
-125,30854
-126,19785
Nota: (*) Significativa a 90%; (**) Significativa a 95%; (***) Significativa a 99%.
Fonte: Elaboração própria.
Para os turistas brasileiros, como mostra a Tabela 8, a variável renda não aparece
significativa e sim a de escolaridade com sinal negativo, indicando que pessoas com
maior nível de instrução pagariam menos para visitar o museu. Esse resultado inesperado pode ser, na verdade, devido à resistência do respondente brasileiro a revelar sua
verdadeira renda a entrevistadores em abordagens em lugares abertos devido à sensação de insegurança existente a época na cidade.
Outras variáveis relevantes para explicar a decisão de pagar para visitar o novo MIS
seriam o interesse por temas audiovisuais e o conhecimento prévio do entrevistado a
respeito do novo MIS, além do valor solicitado para pagamento.
Tabela 8 – Aceitação a pagar o pagamento solicitado – sem protesto – turistas brasileiros
Probit
Coeficientes
Logit
95% int. conf.
Pagamento solicitado
***
-0,0412( )
-0,0485
Escolaridade
-0,1114(*)
-0,2364
Se interessa por
atividades audiovisuais
0,1528(*)
-0,0093
Já ouviu falar no museu
-0,1115(*)
-0,2430
Constante
1,9173(***)
0,8518
Coeficientes
95% int. conf.
-0,0339
***
-0,0682( )
-0,0811
-0,0553
0,0136
-0,1899(*)
-0,4082
0,0283
0,3149
0,2542(*)
-0,0303
0,5386
0,0201
-0,1873
-0,4228
0,0483
2,9829
3,2092(***)
1,2906
5,1277
Observações
459
459
Pseudo R2
0,2340
0,2321
Loglikelihood
-227,80958
-228,38184
Nota: (*) Significativa a 90%; (**) Significativa a 95%; (***) Significativa a 99%.
Fonte: Elaboração própria.
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
189
Dependendo do modelo econométrico utilizado, a disposição média a pagar de um
turista estrangeiro para uma visita a nova sede do MIS se situa no intervalo entre R$
23,39 e R$ 26,19, conforme mostra a Tabela 9. Essas estimativas da DAP foram multiplicadas pelo total de turistas estrangeiros visitantes da cidade do Rio de Janeiro em um
ano (982.538, segundo o Anuário Estatístico 2010 do Ministério do Turismo), ajustado
pelo percentual de turistas estrangeiros que afirmaram estar dispostos a visitar o novo
MIS (92,6%). O valor anual de uso turístico do novo MIS para o turista estrangeiro foi
estimado entre R$ 22 milhões e R$ 23,8 milhões para o grupo de turistas estrangeiros.
A disposição média a pagar de um turista brasileiro para uma visita a nova sede do
MIS se situa no intervalo entre R$ 27,43 e R$ 31,86, acima um pouco do turista estrangeiro,
o que pode estar indicando algum viés de escopo ao capturar valor de não uso cultural.
Essas estimativas da DAP foram multiplicadas então pelo total de turistas brasileiros
visitantes da cidade do Rio de Janeiro em um ano (4.315.000, fonte: Pesquisa FIPE –
Ministério do Turismo, 2007), ajustado pelo percentual de turistas brasileiros que afirmaram estar dispostos a visitar o novo MIS (98,0%). O valor anual de uso turístico do
novo MIS para o turista brasileiro foi estimado entre R$ 116 e R$ 134,7 milhões para
o grupo de turistas brasileiros.
Tabela 9 – Estimativas da DAP média e anual do valor de uso (VU)
dos turistas estrangeiros e brasileiros (R$ 2011)
Método
DAP/turista estrangeiro
VU anual estrangeiro
Probit
24,29
22.099.738
Logit
26,19
23.830.874
Turnbull
23,39
21.280.673
DAP/turista brasileiro
VU anual brasileiro
Probit
27,43
115.992.502
Logit
31,86
134.739.203
Turnbull
31,36
132.592.587
Nota: todas as estimativas já incluem o percentual da amostra que apresenta DAP = 0.
Fonte: Elaboração própria.
190
Rev. Econ. Contemp., Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 177-194, jan-abr/2013
3. Resultados da análise de custo-benefício
Para sermos conservadores na análise de custo-benefício (ACB) realizada, utilizamos
os limites inferiores das estimativas dos benefícios anteriormente apresentadas e comparamos essas estimativas aos custos do novo museu6.
Nesse sentido, foram obtidas estimativas dos custos de investimentos (capital) e
operação. Os custos de capital para as fases de concepção do projeto e construção totalizaram, a preços de 2011, um valor de R$ 150,7 milhões e foram calculados com base
no projeto de engenharia que foi contratado.
Os custos operacionais foram estimados para pessoal fixo e outras despesas com
base em inferência de custos observados em outros museus no Brasil e resultaram, respectivamente, em valores anuais, a preços de 2001, em R$ 3,8 e 5,5 mil. O cronograma
do projeto prevê o início da operação do novo MIS no primeiro semestre de 2014 e
por esse motivo incluímos, neste ano, metade dos custos de operação, que foram estimados por ano.
O período de análise foi de 30 anos. O fluxo de turistas que visitariam o museu
foi estimado a partir de dados do Ministério do Turismo (Anuário Estatístico 2010 e
Pesquisa FIPE 2007) e ajustados pelos percentuais de turistas em nossas amostras que
declararam interesse em visitar o novo MIS.
Com base nesses custos e benefícios, a taxa interna de retorno (TIR) do investimento foi estimada em 54,8% (benefícios líquidos de R$ 1,1 bilhão), o que sugere um alto
retorno dos investimentos e a viabilidade econômica do projeto novo MIS.
Para testar a sensibilidade da ACB aos procedimentos adotados, realizamos uma
análise de sensibilidade. Por exemplo, mesmo não considerando o valor de não uso e
considerando metade do fluxo estimado de turistas, além da taxa de desconto de 15%
a.a., a TIR continua alta e positiva em torno de 25,5%. Em suma, em todos os cenários
projetados, o projeto do novo MIS apresenta uma alta viabilidade social.
No questionário de valor de uso obtivemos quantos dias a mais o turista ficaria na cidade por conta do
museu e, assim, estimamos que essa estadia prolongada pudesse chegar a uma receita líquida de quase R$
100 milhões por ano, dependendo da hipótese de gastos diários desses turistas. Devido à incerteza desses
gastos, tal montante não foi considerado na ACB aqui apresentada. No questionário de valor de não uso
havia uma pergunta, no formato aberto, sobre o valor máximo que o entrevistado pagaria na entrada no
museu caso desejasse visitá-lo no futuro para tentar medir o valor de uso junto aos residentes. Conforme
esperado, os valores informados estavam fortemente correlacionados com o valor do pagamento solicitado inicialmente ao valor de não uso, resultante do viés de ancoragem (DeShazo, 2002). Por essa razão não
incluímos também esse valor na ACB.
6
MOTTA, R. S.; ORTIZ, R. A. – Uma análise de custo-benefício do Museu da Imagem e do Som da cidade do Rio de Janeiro
191
4. Conclusões
Este estudo analisou a viabilidade econômica do novo Museu da Imagem e do Som
(MIS) na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Para tal, estimamos inicialmente os benefícios
associados ao: (i) valor de não uso ou cultural; e (ii) valor de uso turístico aplicando o
método de valoração contingente seguindo as recomendações e procedimentos estimativos consagrados na literatura, em especial para controle dos vieses de escopo e protesto.
Embora não tenhamos conseguido eliminar totalmente esses vieses, nossos resultados foram de acordo com o esperado. Como a resenha da literatura (Navrud e Ready,
2001; Nooman, 2003) observava, também constatamos que valores de uso geralmente
são maiores que os valores de não uso. E as variáveis que explicam os benefícios culturais são: as que dão importância ao acervo do museu; e as que se referem à preferência
por atividades audiovisuais.
O valor da DAP média de não uso do residente da cidade estaria, assim, no intervalo entre R$ 13,06 e R$ 26 e o valor de uso entre R$ 23,39 e R$ 31,86. Comparando
esses benefícios aos custos do novo museu, estimamos uma taxa interna de retorno
entre 25,5 e 54,8%. Em suma, o valor cultural percebido pela população da cidade e
o valor de uso atribuído pelos turistas indicam que o projeto do novo MIS apresenta
uma alta viabilidade social.
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