29 revista da área metropolitana de lisboa 1º semestre 2010 Mobilidade e transportes na área metropolitana de lisboa ENTREVISTA Ao presidente da Junta metropolitana de Lisboa Destaque os desafios da mobilidade na aml PATRIMÓNIO festival dE BD da amadora Festa brava na moita alcochete . almada . amadora . barreiro. cascais . lisboa . loures. mafra . MOITA. montijo . odivelas . oeiras . palmela . seixal . sesimbra . setúbal . sintra . vila franca de xira Municípios que constituem a Área Metropolitana de Lisboa Alcochete Largo S.João Baptista 2894-001 ALCOCHETE Tel.21 234 86 00 . Fax 21 234 86 90 www.cm-alcochete.pt Almada Largo Luis de Camões 2800-158 ALMADA Tel. 21 272 40 00 . Fax 21 272 45 55 www.cm-almada.pt editorial Vencer juntos as dificuldades e construir juntos o futuro Loures Palmela Praça da Liberdade, 4 2674-501 Loures Tel. 21 982 98 00 . Fax 21 982 00 84 www.cm-loures.pt Largo do Município 2954-001 PALMELA Tel. 21 233 66 00 . Fax 21 233 66 59 www.cm-palmela.pt Mafra Seixal Praça do Município 2644-001 MAFRA Tel. 261 810 100 . Fax 261 810 130 www.cm-mafra.pt Rua Fernando de Sousa, nº2 2840-515 SEIXAL Tel. 21 227 57 00 . Fax 21 227 57 01 www.cm-seixal.pt Moita Sesimbra Av.Movimento das Forças Armadas 2700-595 AMADORA Tel. 21 436 90 00 . Fax 21 492 20 82 www. cm-amadora.pt Praça da República 2840-422 MOITA Tel. 21 280 67 00 . Fax 21 280 10 08 www.cm-moita.pt Rua da República, 3 2970-741 SESIMBRA Tel. 21 228 85 00 . Fax 21 228 85 26 www.cm-sesimbra.pt Barreiro Amadora Montijo Setúbal Rua Miguel Bombarda 2830-355 BARREIRO Tel. 21 206 80 00 . Fax 21 206 80 01 www.cm-barreiro.pt Rua Manuel N. Nunes Almeida 2870-352 MONTIJO Tel. 21 232 76 00 . Fax 21 232 76 08 www.mun-montijo.pt Praça do Bocage 2900-276 SETÚBAL Tel. 265 541 500 . Fax 265 541 621 www.mun-setubal.pt Cascais Odivelas Sintra Rua Guilherme Gomes Fernandes 2675-372 ODIVELAS Tel. 21 932 00 00 . Fax 21 934 43 93 www.cm-odivelas.pt Largo Dr. Virgílio Horta 2714-501 SINTRA Tel. 21 923 85 00 . Fax 21 923 86 57 www.cm-sintra.pt Oeiras Vila Franca de Xira Largo Marquês de Pombal 2784-501 OEIRAS Tel. 21 440 83 00 Fax 21 440 87 12 www.cm-oeiras.pt Praça Afonso de Albuquerque, 2 2600-093 V.FRANCA de XIRA Tel. 263 280 480 . Fax 263 276 002 www.cm-vfxira.pt Praça 5 de Outubro 2754-501 CASCAIS Tel. 21 482 50 00 . Fax 21 482 50 30 www.cm-cascais.pt Lisboa Praça do Município 1100-365 LISBOA Tel. 21 322 70 00 . Fax 21 322 70 08 www.cm-lisboa.pt Carlos Humberto de Carvalho Presidente da JML No início do mandato decorrente das eleições autárquicas do ano passado, uma das primeiras questões práticas que se nos colocam, enquanto titulares dos órgãos dirigentes da Área Metropolitana de Lisboa, tem a ver com a mobilidade e os transportes. É por este motivo que o tema escolhido para o trabalho de Destaque da presente edição da Metrópoles - que passa a sair com periodicidade semestral - é o da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa. Bastaria recordar o processo conturbado que levou à aprovação dos grandes projectos estruturantes para o futuro da AML - o Novo Aeroporto de Lisboa na margem sul, a linha de Alta Velocidade LisboaMadrid, a terceira travessia do Tejo no corredor Chelas-Barreiro e a nova Plataforma Logística prevista para a zona do Poceirão. Estes quatro grandes investimentos completam-se, concordam entre si e são indispensáveis, tanto ao desenvolvimento coerente das duas margens da Área Metropolitana de Lisboa, como da modernização do País no seu todo. Esta posição, reafirmada pela Junta Metropolitana no princípio de Junho, responde à eventual tentação de voltar a pô-los em causa. A par deste processo, é evidente a urgência de se fazer uma avaliação bem fundamentada e um planeamento conjunto do sistema de transportes públicos no território da Área Metropolitana de Lisboa, para corrigir possíveis desajustamentos e evitar, nuns casos a concorrência entre operadores no mesmo espaço, noutros a ausência de resposta adequada às necessidades dos utentes. É esta a vocação da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa, uma antiga reivindicação das suas Autarquias, agora finalmente formalizada. Ambas as questões nos reconduzem a outra matéria de fundo, que é a necessidade de um poder Regional com legitimidade democrática própria, dotado de competências claras e de meios eficazes para funcionar entre o poder Central e os poderes Autárquicos. Notícias muito recentes mostram que esta matéria volta, pela sua própria natureza, a tomar o foco da atenção política, revelando a similitude dos problemas que se põem às duas grandes Áreas Metropolitanas constituídas, a de Lisboa e a do Porto. A difícil conjuntura financeira que vivemos, bem como as incertezas do futuro próximo, não devem ser usadas para pôr em causa os grandes projectos comuns - que ultrapassam mesmo as nossas diferenças político-partidárias. Pelo contrário, devem ser a oportunidade de um trabalho de concertação e consulta a todos os níveis e entre todos os poderes envolvidos, na convicção de que seremos capazes, tanto de ultrapassar essas dificuldades, como de construir juntos esse futuro. FICHA TÉCNICA . Directores Carlos Humberto de Carvalho, Carlos Teixeira, Ministro dos Santos Directora Executiva Sofia Cid Coordenação Editorial Mariana Coelho Produção Editorial e Gráfica Choque de Letras, Publicações. Redacção José Miguel Dentinho e Silas de Oliveira Fotografia Diapositivo, Vivafit, Hugo Lima, RAVE, Câmaras de Almada, Barreiro, Lisboa, Loures, Moita, Odivelas e Oeiras Colaboradores permanentes António Valdemar (cultura), David Lopes Ramos (gostos), João Paulo Martins (aromas), Rui Pimentel (cartonista) Director Criativo Luís Beato Redacção e Propriedade Área Metropolitana de Lisboa, Rua Carlos Mayer, nº2, r/c, 1700-102 LISBOA Tel.: 218 428 570 - Fax: 218 428 577 E-mail: [email protected] Distribuição gratuita ISSN:1645 - 7021 Depósito legal nº195580/03 Tiragem: 5000 exemplares Semestral METRÓPOLES 1º SEMESTRE 2010 SUMÁRIO 4.5 MTPAML 12 22 44 48 74 78 Editorial 3 Breves Notícias dos concelhos da AML 6 Entrevista Presidente da Junta Metropolitana de LIsboa 12 AML SemESTRE Realidade económico-social de Área Metropolitana de Lisboa 18 Destaque Mobilidade e Transportes na Área Metropolitana de Lisboa 22 PME’S INOVAÇÃO Ginásio Vivafit 44 Património Festival de BD da Amadora Festa Brava na Moita 48 Fundos comunitários Modernização do Parque Escolar 60 IMAGENS METROPOLITANAS Luísa Flores 64 Cultura Jornais e Jornalistas da República 70 Gostos Mais do que espetadas e filetes de espada na Madeira 74 Aromas Os vinhos da Madeira 78 Aconteceu Orquestras Sinfónicas Juvenis 82 BREVES JUNTA METROPOLITANA DE LISBOA Área Metropolitana de Lisboa promove Seminário sobre “Novo Modelo de Organização dos Serviços das Autarquias Locais” A Área Metropolitana de Lisboa, em colaboração com a BDO e a CSA-sociedade de advogados, RL, promoveu, no passado dia 15 de Abril, um Seminário sobre o “Novo Modelo de Organização dos Serviços das Autarquias Locais”, dirigido a eleitos locais e dirigentes dos Municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Este seminário realizou-se no contexto da publicação do DL305/2009, de 23 de Outubro, que veio estabelecer um novo regime jurídico da organização dos serviços das autarquias locais, pretendendo dotá-los de condições para o cumprimento adequado do seu amplo leque de atribuições. alcochete . Conhecer as crianças A Câmara Municipal de Alcochete celebrou um protocolo com a Abrigo, a Fundação do Gil e o Centro de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social, para a implementação de um Centro de Investigação no âmbito dos estudos da criança em risco. Para além da área da investigação, a Abrigo Investigação apresenta ainda como objectivos gerais a criação de uma biblioteca e de uma base de dados especializadas nesta temática e a promoção de acções de formação e de seminários relacionados com o tema. Esta entidade funcionará provisoriamente na Escola Conde Ferreira, em Alcochete, num espaço cedido pela Câmara Municipal. . Feira dos Produtos da Terra A autarquia promoveu, recentemente, no Mercado Municipal, a I Feira dos Produtos da Terra, uma iniciativa que tem como objectivo dinamizar o comércio e a produção biológica local, visando a aproximação entre produtores e consumidores do Concelho. Com base na adopção de medidas agro-ambientais, grande parte das explorações agrícolas de Alcochete, que se dedicam à horticultura e à floricultura, valorizaram a comercialização dos produtos, tornando a sua actividade mais rentável. . Regime de fruta escolar No sentido de incentivar as famílias a adoptarem hábitos de 6.7 MTPAML consumo de produtos hortofrutícolas, o Município de Alcochete aderiu ao Regime de Fruta Escolar, instituído pela UE e implementado pelo Ministério da Educação, através do fornecimento semanal de 1.646 peças de fruta (maçâs e pêras) aos 823 alunos que frequentam as seis escolas do 1º ciclo do Ensino Básico. O Regime de Fruta Escolar visa incentivar o consumo de hortofrutícolas ao longo da v ida das crianças, contribuir para a redução da obesidade e de outras doenças relacionadas com maus hábitos alimentares. alMADA . Costa da Caparica As monitorizações efectuadas desde 2008 às linhas de intervenção nas praias da Costa da Caparica, revelam a existência de acumulação de areia nas zonas submersas junto às praias, cumprindo assim a sua função de proteger a costa, e fazendo com que a rebentação ocorra mais longe da linha de praia. De acordo com os técnicos do INAG, está garantida a qualidade da areia, verificando-se também a acumulação de 90 mil m3 de areia na área abrangida, tornando desnecessário o enchimento artificial das praias durante este ano. . Cristo Rei No encerramento das celebrações dos 50 anos do Cristo Rei, foi inaugurada a nova iluminação do Santuário. O investimento, repartido em partes iguais entre as Câ- maras Municipais de Almada e de Lisboa e o Santuário, ascendeu a quase 180 mil euros e permitiu a substituição de toda a cablagem e parte eléctrica da iluminação anterior, bem como a instalação de luzes novas. A nova iluminação apresenta três tonalidades, com o pedestal a ter luz mais branca, as abóbadas uma luz azulada e a figura do Cristo Rei em tons de amarelo. As fachadas da capela estão agora iluminadas com lâmpadas led. . Cacilhas pedonalizada A Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas, vai ficar pedonalizada, tendo como principais objectivos contribuir para a promoção do turismo nesta zona, melhorar as condições do comércio e restauração e requalificar o centro histórico de Cacilhas. Esta obra municipal enquadra-se numa das candidaturas da autarquia ao QREN e tem um investimento previsto de 500 mil euros. No âmbito da intervenção, que deverá arrancar no início do próximo ano, será renovado o mobiliário urbano, colocada calçada portuguesa em forma de ondas, e instalado um novo sistema de recolha de lixo. aMADORA . Parque central Aberto ao público desde 1985, o Parque Central da Amadora sofreu importantes melhoramentos, proporcionando aos seus visitantes um novo conceito de equipamento de lazer. O actual parque tem uma extensão de 65 mil m2, resultantes da junção de duas zonas (a do lago e do polidesportivo), através de uma alameda pedonal que veio substituir a Rua dos Bombeiros Voluntários. Para além do Centro de Interpretação Ambiental, os jovens visitantes têm acesso a três dos principais equipamentos: o Espaço de Jogo e Recreio Interactivo, o Espaço de Recreio Infantil e Juvenil e dois Circuitos Pedonais Multifunções. . Parque Urbano de Neudel O Executivo Municipal aprovou a minuta do protocolo a celebrar com a empresa Alpabrantes para a concretização do Parque Urbano do Neudel, na Damaia. A implementar numa área de cerca de sete hectares, este equipamento de lazer tem previsto um edifício multifunções; espaços destinados a jogos; zonas de estar; um quiosque de apoio e vários equipamentos lúdicos. O investimento total, suportado pelo urbanizador, é de cerca de dois milhões de euros. . Bairros críticos No âmbito do Programa de Intervenção da Operação Cova da Moura, o Executivo Municipal aprovou a abertura de um Concurso Público Internacional para a Aquisição dos Serviços de Elaboração do Plano de Pormenor da Cova da Moura, cujo valor base é de 410 mil euros. O procedimento aprovado pela autarquia visa viabilizar a intervenção urbanística naquele bairro crítico, permitindo a sua transformação numa zona urbanisticamente qualificada e legal. BARREIRO . Regeneração de Alburrica A Câmara Municipal do Barreiro e os oito parceiros que integram o protocolo de parceria local, assinaram o protocolo de financia- mento relativo à candidatura REPARA – Regeneração Programada da Área Ribeirinha de Alburrica. Para Carlos Humberto Carvalho, presidente do Município, “foi dado mais um passo no sentido de valorizar Alburrica e Barreiro Antigo, zonas emblemáticas e de referência para os barreirenses”. . Novo equipamento educativo Após obras de reconstrução e adaptação a 1º ciclo, que implicaram um investimento de cerca de 1 milhão e 700 mil euros, (dos quais 750 mil correspondem a comparticipação do QREN), foi inaugurada a Escola Básica do 1º ciclo com Jardim-de-infância Professor José Joaquim Rita Seixas. A nova escola vai acolher 180 alunos dos estabelecimentos de ensino básico do 1º ciclo nº 1 e nº 2 do Barreiro. A partir de Setembro de 2010, este estabelecimento de ensino vai também contar com duas salas de pré-escolar para cerca de 50 crianças. . Poder local descentralizado Organizado pela Câmara Municipal do Barreiro, decorreu recentemente, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, um seminário subordinado ao tema “Poder Local Democrático – Descentralização de Competências nas Juntas de Freguesia”, que contou com a participação do Secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro. Na presença de um elevado número de autarcas de várias regiões do país, que intervie- ram sobre o tema proposto, o seminário distribuiu-se em vários painéis: “Os Desafios da Descentralização”, “Avaliação e Acompanhamento”, “Gestão de Recursos” e “Do que falamos quando falamos em Descentralização?”. CASCAIS . Novo hospital Localizado em Alcabideche, foi já inaugurado o novo hospital de Cascais, que resulta de uma parceria público-privada entre o grupo Hospitais Privados de Portugal e o Estado. A unidade hospitalar dispõe de 160 médicos, capacidade de internamento para 277 camas, duas novas especialidades: urologia e psiquiatria. Os serviços prestados pelo novo hospital abrangem cerca 300 mil pessoas dos concelhos de Cascais e Sintra. . Desenvolvimento desportivo A Câmara Municipal de Cascais assinou os Contratos-Programa de Desenvolvimento Desportivo com as associações concelhias que promovem ao longo do ano um vasto conjunto de actividades de interesse municipal de natureza desportiva e recreativa. As associações signatárias actuam em áreas tão diversas como, por exemplo, o râguebi, futebol, equitação adaptada, badminton, ginástica, hóquei em patins, esgrima, petanca ou atletismo. . Ribeira dos Mochos Foi inaugurado o Parque Urbano da Ribeira dos Mochos, um espaço integrado na Rede Ecológica Nacional que envolve uma das principais linhas de água do concelho de Cascais. Com uma área aproximada de 41 mil m2, a Ribeira dos Mochos é uma zona de grande valor natural e um importante corredor ecológico que promove a biodiversidade. Para além da requalificação da malha ecológica, este novo espaço de lazer integrado em meio urbano oferece um parque infantil, uma pista de aventura, um parque de merendas e um serviço de cafetaria. LISBOA . Requalificação de espaços verdes Com a duração de quatro meses, a autarquia lisboeta iniciou o projecto de requalificação da placa central da Praça de Londres, através da plantação de novas árvores, da implementação de relvados e mobiliário urbano, bem como da reestruturação dos pavimentos e da renovação da iluminação. Por outro lado, foi reaberto o Jardim França Borges, no Príncipe Real, alvo de importantes obras de requalificação, que incluiu a recuperação dos pavimentos, a plantação de novas árvores, a substituição da iluminação pública, a introdução de mobiliário urbano e a recuperação do parque infantil. . Parque Urbano Oeste Abriu ao público a terceira e última fase do Parque Urbano Oeste, no Alto do Lumiar, cuja construção foi promovida pela SGAL, para a Câmara Municipal. Este novo espaço verde ocupa um total de 19 hectares, 8 dos quais concluídos na presente fase, que correspondem aos planos de água e ponte BREVES jardim. Do projecto para o Parque Urbano Oeste constam ainda um edifício de apoio com cafetaria e um SkatePark, cujos projectos se encontram em desenvolvimento pela SGAL. . Frente ribeirinha A Câmara Municipal de Lisboa e a Administração do Porto de Lisboa formalizaram a transferência para o domínio público de 30 hectares de áreas sem utilização portuária da Frente Ribeirinha, que estavam sob tutela da administração portuária. O município vai tomar posse da envolvente da Torre de Belém, da zona do Padrão dos Descobrimentos, Cordoaria/Junqueira, Cais do Sodré, Ribeira das Naus e Matinha, encerrando um processo iniciado há dois anos. A decisão implicará o pagamento à autoridade portuária no valor de 14,5 milhões de euros como compensação pelos investimentos realizados naqueles terrenos. LOURES . Oficina social Foi recentemente inaugurada a Oficina Social da Apelação, nas instalações do Centro Comunitário da Apelação, Bairro da Quinta da Fonte. A Câmara Municipal de Loures, que apoia o projecto empreendido por uma comerciante da freguesia, disponibiliza as referidas instalações para a Oficina Social desenvolver as suas actividades nas melhores condições. Para além do ateliê de patchwork, a Oficina dispõe de ateliê de pin8.9 MTPAML BREVES tura e découpage e formação em estética geriátrica para os profissionais interessados em trabalhar com a população idosa das instituições do Concelho. . Canto de leitura A EB1/JI de Lousa abriu as portas à nova biblioteca, a 40ª no Concelho de Loures, que contou com uma dotação de 12.500 euros, no âmbito de uma candidatura à Rede de Bibliotecas Escolares, a que se associou a Câmara Municipal com uma verba de 1.468 euros. O novo equipamento, apadrinhado pelo poeta e letrista José Fanha, reúne 1.200 obras e várias publicações, entre revistas, CDs, DVDs, VHS e jogos. . Desenvolver o turismo A Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo apresentou no Palácio do Correio-Mor, em Loures, as linhas orientadoras para a elaboração do Plano de Marketing Estratégico para o posicionamento do turismo na região. No decorrer da cerimónia foram celebrados acordos de parceria turística com os municípios de Loures, Amadora e Vila Franca de Xira. Os acordos contemplam, além da participação dos municípios na elaboração do Plano, a sinalização turística, base de dados da oferta e dos recursos turísticos regionais, instrumentos de gestão territorial, edições, formação, rede de apoio ao empresário e acções promocionais. MAFRA . Arte no Palácio de Mafra convívio com chá, são as propostas da autarquia mafrense para a actividade “Chá das 5”, que decorrem até Novembro, no Museu Municipal Prof. Raul de Almeida, em Mafra. As inscrições são gratuitas, mediante marcação prévia em “Inscrições online”, e as sessões limitadas a 25 participantes por edição. . A autarquia organizou o projecto “Arte no Palácio Nacional de Mafra”, dirigido a todos os interessados em pintura e desenho. Tendo como cenário de fundo o Palácio Nacional de Mafra e o seu vasto património, este projecto levou os participantes a criarem as suas obras pictóricas, partindo de modelos como a grande colecção de estatuária italiana e as pinturas que se encontram dentro do Palácio, originalmente concebidas por grandes pintores como Masucci, Vieira Lusitano ou Domingos Sequeira. . Programas de Verão Durante o período das férias escolares, a Câmara Municipal organiza vários projectos de ocupação dos tempos livres dos munícipes dos 3 aos 23 anos. Até Setembro, as propostas passam pelo desporto, cultura, animação e experiências no “mundo do trabalho”. Para as crianças são organizados os projectos “Academia Divertida/ Actividades nas Interrupções Lectivas”, “Férias Vivas” e “Pequenos Pintores”, enquanto que para os jovens as alternativas são os “Jovens em Acção na Autarquia”, “Jovens Vigilantes do Património” e “Jovens Arqueólogos”. . Chá das 5 Uma visita guiada à exposição “Homenagem a Mestre José Franco”, uma sessão de contos tradicionais por António Fontinha e um MOITA . Plano director municipal Entrou em vigor o novo Plano Director Municipal da Moita (PDM), um instrumento de gestão imprescindível para o desenvolvimento do Município, onde estão equacionadas as dinâmicas da actividade económica, social, cultural e educativa, num quadro de transformação do Concelho. Com a entrada em vigor do PDM serão criadas novas áreas de instalação de actividade económica na envolvente ao nó IC32, na Moita, na Fonte da Prata Sul, em Alhos Vedros, e ampliada a Zona Industrial da Quinta dos Machados, em Alhos Vedros. No âmbito da revisão efectuada, procedeu-se, também, há desafectação de “corredores” na Reserva Ecológica Nacional nos Brejos e na Barra Cheia, sem comprometer a importante função agrícola e ecológica dos solos. recebeu o Prémio Vieira, atribuído anualmente pelo Centro Universitário Padre António Vieira, para destacar uma personalidade no campo dos direitos humanos, do diálogo intercultural e interreligioso. O projecto “Tasse” resulta da candidatura ao Programa Escolhas 3ª Geração e tem vindo a ser desenvolvido na Quinta da Fonte da Prata, em Alhos Vedros, desde Setembro de 2006, com a finalidade de promover o sucesso escolar e a inserção na vida activa de crianças, adolescentes e jovens adultos, entre os 8 e os 24 anos. . Apoio associativo A Câmara Municipal da Moita atribuiu recentemente apoios financeiros à Associação de Páraquedistas do Sul, à Sociedade Filarmónica Estrela Moitense e ao Clube Recreativo do Palheirão, dando continuidade à sua política de apoio ao movimento associativo desportivo do Concelho da Moita. A primeira daquelas entidades recebeu uma verba de 4.500 euros para um torneio de paraquedismo. À Estrela Moitense foi atribuído um subsídio de 750 euros para comparticipação nas despesas do GIMNOMOITA. Idêntica quantia recebeu o Clube Recreativo do Palheirão, para promover o Campo de Verão de Minibasquetebol. . Projecto “Tasse” premiado MONTIJO A irmã Rita Cortez da Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em Alhos Vedros, . Casa para jovens A Câmara Municipal do Montijo aprovou um protocolo com o Centro Social de S. Pedro do Afonsoeiro, com a duração de cinco anos, com vista à integração de jovens em fase de transição para a fase adulta, mas, ainda, sem condições de autonomização. No âmbito do protocolo, a autarquia compromete-se a ceder uma habitação no Bairro do Esteval, para residência transitória dos jovens. O Centro Social de São Pedro, por sua vez, compromete-se a desenvolver com os habitantes da casa, um projecto de vida, que vise a sua autonomia, possibilitando ao mesmo tempo a sua integração social e saída da residência. . Matriz energética Foi apresentada, recentemente, no Auditório da Galeria Municipal, a Matriz Energética para os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, uma iniciativa promovida pela S. Energia, Agência Regional de Energia. A Matriz Energética tem como objectivo permitir uma análise quantitativa dos consumos energéticos nos quatro concelhos, assim como permitir a identificação dos sectores de actividade prioritários em termos de aplicação de medidas que se traduzam na poupança e conservação de energia. . Homenagem a Jorge Peixinho No âmbito das comemorações dos 70 anos do nascimento do Maestro Jorge Peixinho, um dos mais importantes compositores do século XX, a Câmara Municipal de Montijo promoveu a exibição de duas exposições dedicadas ao compositor montijense, considerado “o pai da vanguarda musical portuguesa”. No Museu Municipal do Montijo foi possível visitar a exposição “Jorge Peixinho – Vida e Obra” e, no Cine-Teatro Joaquim d`Almeida, a mostra de pintura de São Nunes, “In Memoriam”. ODIVELAS . Mais escolas O reforço da aposta no acesso à escola vai ser uma realidade em três localidades do Concelho, após o lançamento da 1ª pedra em Olival Basto, Pontinha e Odivelas. No primeiro caso, terá lugar a construção de três salas de aula de jardim-de-infância na EB1/JI, traduzindo-se num investimento de 1 milhão e 200 mil euros. No caso da EB1 do Vale Grande, as obras a realizar destinam-se a dotar o equipamento escolar com duas salas de actividades no JI, um novo centro de recursos no 1º ciclo e refeitório comum. Em Odivelas, a autarquia cedeu, em direito de superfície, uma parcela de 5.492 m2 na Ribeirada, à Associação João de Deus, para a construção de uma nova escola, com as valências de creche, jardim-de-infância e 1º ciclo. . Quiosque de leitura Foi inaugurado, no Jardim da Música, o novo Quiosque de Leitura, um espaço de cultura que funciona como uma extensão da Biblioteca Municipal D. Dinis e que coloca à disposição dos utentes daquele jardim cerca de 300 livros. Este novo projecto de proximidade, leitura e cultura, está aberto ao público de 3ª a 6ª feira, das 10h30 às 12h30, e das 13h30 às 17h30. Aos Sábados, o horário é das 09h30 às 12h30. . Obras na Pontinha A Freguesia da Pontinha está a ser alvo da empreitada de requalifica- ção do trajecto pedonal entre a Rua do Funchal e a Praça S. João. Esta obra tem por objectivo a requalificação do trajecto pedonal indicado no âmbito do Projecto Pedibus, desenvolvido pela Câmara Municipal de Odivelas com a Escola Básica do 1º Ciclo Mello Falcão, e compreende o rebaixamento de passeios e pintura de novas passagens de peões e/ ou deslocação das já existentes. OEIRAS . Academia Carlos Queiroz A academia fundada pelo seleccionador nacional português, em Oeiras, conta já com 320 alunos com idades compreendidas entre os cinco e os dezasseis anos, dos quais 40 são meninas. A Football By Carlos Queiroz desenvolve, entre outros programas próprios, um projecto em parceria com o Manchester United. No plano social, a parceria com a Câmara Municipal de Oeiras tem permitido a operacionalização de inúmeras acções de responsabilidade social junto de escolas e entidades de solidariedade social, bem como a co-organização de eventos de cariz lúdico-desportivo. . Plataforma das Fontainhas Prosseguem os trabalhos de requalificação da plataforma das Fontainhas, em Paço de Arcos, que visam a recuperação paisagística de uma área de mais de 30 mil m2, num investimento municipal que ascende a 220 mil euros. A obra em curso assenta BREVES na construção de um solário verde sobranceiro à praia de Paço de Arcos, de percursos pedonais complementares ao passeio marítimo e de zonas de lazer informal, sempre em harmonia com o espaço envolvente. . Excelência em comunicação A Câmara Municipal de Oeiras foi distinguida com o Grande Prémio APCE (Associação Portuguesa de Comunicação de Empresas), Excelência em Comunicação, na categoria de publicação externa, com o trabalho “Oeiras em Revista”. A autarquia foi ainda agraciada com quatro menções honrosas com: “Campanha de Comunicação institucional “Oeiras Somos Todos – 250 anos de Oeiras”; Blogue de Comunicação “Oeiras a Ler”; Melhor capa com “Oeiras em Revista” de Agosto de 2009; e Responsabilidade Histórica e Memória Empresarial – Expo Celebrar Oeiras. PALMELA . Cine-Teatro S. João Reabriu ao público o Cine-Teatro S. João, um equipamento cultural com 57 anos de existência, que se encontrava encerrado para a execução de obras de recuperação, que representou um investimento municipal no valor de 1 milhão e 20 mil euros. A intervenção incidiu na vertente restauro e conservação dos elementos de interesse artístico e patrimonial e na própria infraestrutura do edifício, fundamen10.11 MTPAML BREVES tal para a qualidade, segurança e modernização, de acordo com os usos e valências que actualmente comporta. . Juventude Foi inaugurado o Centro de Recursos para a Juventude da Quinta do Anjo, enquadrado na estratégia de investimento da autarquia na rede concelhia de equipamentos para a juventude, que integra já os Centros de Recursos de Palmela e Pinhal Novo e o Centro Municipal de Juventude. Este novo equipamento, localizado na antiga Escola Básica de Quinta do Anjo 2, representa um investimento no valor de 164.645 euros. O espaço dispõe de zona multimédia, espaço de leitura, área de estudo, espaço UNIVA e zona de apoio aos utilizadores do equipamento. . Reuniões on-line As reuniões públicas da Câmara Municipal passaram a ser transmitidas em directo pela Internet. Para a presidente da autarquia, Ana Teresa Vicente, esta é “uma forma de tornar o trabalho dos órgãos autárquicos mais próximo das pessoas”. Esta é apenas mais uma forma de apelar à participação dos munícipes na vida pública, na linha de outra medida tomada pelo Executivo, como o veículo de atendimento municipal que se desloca às zonas mais distantes e rurais do Concelho para ajudar os munícipes a resolver questões camarárias. SEIXAL . Hospital do Seixal Foi publicado no Diário da República o anúncio da abertura do concurso público internacional para o novo hospital do Seixal, que deve estar a funcionar em 2012. A unidade vai servir os cerca de 400 mil habitantes dos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, que actualmente apenas dispõem do Hospital Garcia da Horta, em Almada. O futuro hospital será uma unidade de excelência, direccionada para a prestação de cuidados de ambulatório. . Informação geográfica A autarquia passou a disponibilizar uma nova aplicação no site SIG (Sistema de Informação Geográfica), que permite disponibilizar aos munícipes e visitantes várias informações referentes ao planeamento das actividades de limpeza urbana, recolha de resíduos sólidos urbanos e pontos de reciclagem em toda a área do município. Este espaço tem uma vertente interactiva, onde, através do preenchimento de um formulário, se pode deixar sugestões ou reclamações sobre o Planeamento de Limpeza Urbana. . Pinte a sua casa A Câmara Municipal do Seixal está a desenvolver o programa Pinte a Sua Casa, que tem como objectivo promover a pintura exterior de edifícios nos núcleos urbanos antigos de Amora, Arrentela, Paio Pires e Seixal. Este projecto tem como destinatários os proprietários ou arrendatários que pretendam pintar o exterior dos edifícios onde residam ou dos quais sejam proprietários, ficando a autarquia de fornecer os materiais de pintura necessários ao tratamento das fachadas. SESIMBRA . Promoção turística Sesimbra está a traçar um plano estratégico de desenvolvimento turístico, que pretende as estadas de turistas no Concelho. O grande objectivo é, segundo o presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora, “valorizar os aspectos positivos do mar de Sesimbra, com duas costas distintas: uma do Atlântico e outra mais calma, da costa da Arrábida”. O plano estratégico inclui actividades náuticas, a valorização do Parque Natural da Arrábida e das matas de Sesimbra, a remodelação da marginal e da fortaleza de Santiago, a melhoria dos acessos à lagoa de Albufeira e intervenções no Meco. . Iluminação pública A Avenida da Liberdade e o Largo 5 de Outubro, em Sesimbra, a Avenida Humberto Delgado, na Quinta do Conde, e no Jardim de Santana, são algumas das zonas para onde está prevista a instalação, a título experimental, de iluminação LED – componentes semicondutores que transformam corrente eléctrica em luz monocromática - em substituição das lâmpadas de vapor de sódio, usadas actualmente. Estas medidas destinam-se a melhorar a eficiência energética e fazem parte de um conjunto de projectos que integram a candidatura apresentada pela Agência de Energia e Ambiente da Arrábida ao Plano de Eficiência no Consumo 2011-2012. . Requalificação do Largo do Município O Largo do Município vai receber um conjunto de intervenções, incluindo a reinstalação da fonte removida nos anos 40, que pretendem devolver-lhe a identidade e vivência que o caracterizaram durante séculos. O projecto vai privilegiar a circulação pedonal, minimizando o impacte automóvel no núcleo urbano. Ao nível da iluminação vão também ser introduzidas medidas inovadoras que valorizam os edifícios e os elementos que compõem a praça. A intervenção está inserida no Programa Integrado de Valorização da Frente Marítima de Sesimbra. SETÚBAL . Arbitragem de litígios Os litígios civis, comerciais e administrativos passaram a ser resolvidos de forma mais célere e com menos custos, com a criação do primeiro pólo no País, do Centro de Arbitragem de Litígios (CAL), em Setúbal, nas instalações da delegação local da Ordem dos Advogados, constituindo uma alternativa aos tribunais comuns. Para o efeito foi assinado um protocolo entre o Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, o Conselho Distrital de Évora e o Agrupamento de Delegações de Setúbal e Alcácer do Sal, com o patrocínio da autarquia setubalense. . Mercado do Livramento O projecto de requalificação e modernização do Mercado do Livramento, um dos projectos do Programa Integrado de Valoriza- ção da Zona Ribeirinha, adjudicado por 3,2 milhões de euros, foi apresentado aos operadores do espaço. A iniciativa contempla o aumento da área de venda para 558 m2, a ampliação do edifício, com a criação de um novo espaço que englobará um cais de descarga de mercadoria, uma área de frio, zonas de apoio e a criação de uma nova área multifuncional. O projecto é comparticipado por fundos europeus, em cerca de um milhão de euros, no âmbito do QREN. . Jardim da Algodeia A redução de custos, numa poupança energética até 60%, é um dos objectivos prosseguidos pela Câmara Municipal de Setúbal com a inauguração da iluminação LED no Jardim da Algodeia. O novo sistema de iluminação, um investimento na ordem dos 15 mil euros, além da poupança na factura energética do Município, permite aumentar os níveis de segurança do espaço verde intervencionado. O Jardim da Algodeia vai ainda ser reforçado com novas torres de iluminação LED, um investimento na ordem dos 5 mil euros. SINTRA . Monserrate renasce A música regressou ao Palácio de Monserrate, em Sintra, propriedade da empresa pública Parques de Sintra Monte da Lua, após trabalhos de restauro dos principais espaços no valor de 1,15 milhões de euros. A segunda fase de requalificação daquele monumento do século XIX foi comparticipada em 650 mil euros pelo EEA-Grants (mecanismo financeiro do espaço económico europeu). . Túnel Cavaleira/Ouressa No âmbito das comemorações do Dia do Município, a Câmara de Sintra inaugurou o novo túnel Cavaleira/Ouressa, uma via de características estruturantes para o Concelho de Sintra, com o objectivo de garantir as ligações de tráfego entre a A16 (nó de Sintra) e os aglomerados urbanos de Ouressa e Algueirão, melhorando as acessibilidades e o descongestionamento do trânsito na área da Portela de Sintra. O traçado desenvolve-se por uma extensão de um quilómetro, compreendendo uma passagem inferior sobre a linha de caminho-de-ferro. . Casa amiga Foi inaugurada a Casa Amiga, um espaço de acolhimento cedido pela autarquia, para doentes estrangeiros e acompanhantes no Concelho de Sintra, resultante de um protocolo celebrado entre o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), Instituto da Segurança Social (ISS), a “Ser Alternativa” – Associação de Apoio Social e a Câmara de Sintra, em Junho de 2009. Este programa de apoio social é promovido pelo ISS e ACIDI com o objectivo de apoiar cidadãos que necessitem de tratamento em Portugal, ao abrigo de acordos de cooperação de permanência temporária para cidadãos provenientes de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. vila franca de xira . Mais educação A Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, inaugurou a Escola EB 1 nº 2 /JI nº 4 da Quinta da Vala, em Alverca do Ribatejo, que representou um investimento de 1.857.061,96 Euros, incluindo a aquisição de equipamento e mobiliário. Este novo estabelecimento de ensino tem uma área total de construção de 2.801,35 m2, que potenciam doze salas de aula destinadas ao 1º Ciclo do Ensino Básico e quatro salas de educação pré-escolar, com capacidade total para cerca de 400 crianças. . Apoio aos bombeiros A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira deliberou proceder à atribuição de uma comparticipação no valor de 649.779,81 euros à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Castanheira do Ribatejo, para a construção do novo quartel daquela corporação. Este apoio surge na sequência do Plano Estratégico de Responsabilidade Social celebrado entre a autarquia e a ABERTIS, SA e enquadra-se na permanente colaboração entre o município e os Corpos de Bombeiros Voluntários do Concelho. . Tarrafal – memórias Até 29 de Agosto, no Museu do Neo-Realismo, está patente a exposição documental “Tarrafal – Memória do Campo de Concentração do Tarrafal”, da responsabilidade da Fundação Mário Soares e da Fundação Amílcar Cabral. A exposição constitui um legado histórico da maior importância, centrada num local – Tarafal – na então colónia de Cabo Verde, onde muitos portugueses opositores ao regime, entre 1936 e 1974, conheceram condições de vida infra-humanas de existência durante o Estado Novo. Entrevista Colocámos ao Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa, reeleito para o seu cargo na sequência das eleições autárquicas de Outubro do ano passado, um conjunto de cinco questões sobre os desafios que se põem ao mandato agora iniciado. Segue-se o texto desta entrevista. Metrópoles - A situação de que partimos, após as eleições autárquicas do ano passado, já estava condicionada pelo novo regime jurídico e pela redução da receita atribuída às Áreas Metropolitanas no Orçamento do Estado. É agora agravada pela conjuntura de crise internacional e pelas medidas com que o Poder Central lhe procura fazer frente. Que expectativas podemos ter, para este mandato 2009-2013? Regionalização principal desafio deste mandato Carlos Humberto de Carvalho, presidente da Junta Metropolitana de Lisboa 12.13 MTPAML Carlos Humberto de Carvalho - Os anos de 2007 e 2008 foram marcados pela discussão e análise do novo regime jurídico das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, formalmente publicado na Lei n.º 46/2008, de 27 de Agosto. Na realidade, este debate não ficou encerrado, pois a Junta Metropolitana tomou uma posição clara, considerando que o modelo aprovado continua a sofrer de inúmeras insuficiências. Para os autarcas da Junta Metropolitana, a publicação deste novo regime jurídico voltou a colocar em cima da mesa, com toda a clareza, a necessidade de uma nova instância política de âmbito metropolitano, dotada de legitimidade própria e apetrechada de meios de intervenção eficazes, ou seja, de verdadeiras autarquias metropolitanas, com um quadro de competências próprias, de cariz metropolitano e meios de concretização, nomeadamente recursos financeiros, o que não acontece, de todo, com esta lei. Aliás, no que se refere aos recursos financeiros, a AML foi afectada também por uma redução dos meios financeiros, actualmente transferidos do Orçamento do Estado. Na realidade, o Orçamento do Estado já desde 2009 reduziu em mais de 750.000€ as transferências para a Área Metropolitana de Lisboa, o que corresponde a uma diminuição de mais de um terço das receitas da entidade. Ora, tendo em conta que, na prática, o financiamento da AML provém essencialmente das transferências do orçamento do Estado, que têm vindo a ser reduzidas, e das contribuições dos Municípios, que na conjuntura que vivemos têm dificuldade em aumentarem as suas quotas de participação na Área Metropolitana de Lisboa, esta drástica perda de capacidade financeira afecta, de forma significativamente negativa, a capacidade de a AML assegurar todas as suas atribuições e competências, obrigando a diminuir a actividade em áreas de relevante interesse metropolitano. São necessárias verdadeiras autarquias metropolitanas, com um quadro de competências próprias e recursos financeiros A Junta Metropolitana já teve oportunidade de sensibilizar o Senhor Secretário de Estado da Administração Local e os Grupos Parlamentares para as vantagens de se iniciar um processo legislativo que altere a Lei 46/2008, de 27 de Agosto, no sentido de a compatibilizar com as sobreditas dificuldades e preocupações - não tendo havido, até à data, qualquer resposta por parte do Governo. Entrevista Carlos Humberto de Carvalho -A Junta Metropolitana tem acompanhado os processos relacionados com esses projectos que, em 2008, foram considerados investimentos fortemente estruturadores da Área Metropolitana de Lisboa em termos territoriais, económicos e de mobilidade, como é o caso não só do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), da Rede Ferroviária de Alta Velocidade e da Nova Travessia do Tejo, mas também das Plataformas Logísticas. Não foi por acaso que a decisão de investimento nesses projectos despoletou o processo de alteração do PROT-AML. O Novo Aeroporto, a linha de Alta Velocidade e a Terceira Travessia do Tejo são estruturantes do território da AML e indispensáveis à modernização do País Imagem cedida pela RAVE Metrópoles - Notícias recentes parecem pôr em causa a execução, nos prazos previstos, de três projectos com grande impacto na Área Metropolitana de Lisboa: o novo Aeroporto, o TGV LisboaMadrid e a terceira travessia do Tejo. Ora, a última reunião da Junta Metropolitana de Lisboa reafirmou, por unanimidade, a importância destas obras. Que se lhe oferece dizer sobre esta matéria? entrevista Todavia, em Maio de 2010 a Junta Metropolitana de Lisboa foi surpreendida por uma comunicação pública do Primeiro-Ministro da República Portuguesa, anunciando o adiamento dos investimentos públicos que ainda não estão adjudicados - Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) e Nova Travessia do Tejo - de modo a acelerar a consolidação das finanças públicas. Posteriormente foi assinado o contrato de adjudicação do troço ferroviário de alta velocidade Poceirão-Caia, que faz parte da futura linha de alta velocidade Lisboa-Madrid. Tendo em conta que a conjuntura financeira que se vive a nível nacional e internacional pode exigir alteração de calendários relativamente a alguns projectos, não faz qualquer sentido que ponha em causa a sua execução, sobretudo a Nova Travessia do Tejo - a ligação ChelasBarreiro - que não pode ser vista como um projecto autónomo, pois é uma componente essencial tanto para a ligação do TGV do Poceirão a Lisboa, como para o acesso ao Novo Aeroporto de Lisboa. Foi nesse sentido que a JML, a 7 de Junho, deliberou por unanimidade reiterar que o Novo Aeroporto de Lisboa, a linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid e a Terceira Travessia do Tejo são infra-estruturas estruturantes do território da Área Metropolitana de Lisboa, coerentes entre si e absolutamente indispensáveis à modernização do País, tendo-se dado conhecimento dessa deliberação ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República, ao Governo, aos Grupos Parlamentares, à Assembleia Metropolitana, às Câmaras e Assembleias Municipais da AML, bem como aos Presidentes dos Partidos Políticos. Metrópoles -Encontra-se em apreciação a proposta técnica final de alteração ao Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT-AML). Há razões para esperar que o Governo tenha, de facto, em conta as preocupações que lhe foram comunicadas, há pouco mais de um ano, pela Junta Metropolitana de Lisboa? Carlos Humberto de Carvalho - A JML acompanhou, desde o início, o processo de revisão do PROT, tendo manifestado, também desde o início, as suas profundas reservas relativamente ao calendário e à metodologia de alteração do PROT-AML. Isto, porque pretendemos 14.15 MTPAML Simulação visual da Terceira Travessia do Tejo – vista da Ponte 25 de Abril Entrevista Entrevista Há uma clara necessidade de um poder intermédio entre o Central e o Local em matéria de transportes elaborar um PROT verdadeiramente útil para o desenvolvimento sustentável do território metropolitano e consequente melhoria da qualidade de vida das populações. Em Dezembro, quando nos foi apresentada a proposta final do PROT, solicitámos a suspensão dos prazos, porque considerámos que ainda não tinha havido a necessária discussão de nível político e que a proposta configurava uma colagem de vários estudos efectuados, em vários casos, num nível teórico, sem terem sido suficientemente articulados para produzirem um plano coerente. Foi-nos apresentada uma nova proposta de PROT agora em Junho, numa reunião onde esteve presente a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, que evoluiu bastante em relação ao documento inicial, e de forma positiva, quer pela incorporação de algumas das inúmeras preocupações evidenciadas pelos municípios, quer pela estrutura do próprio documento. De facto, uma das principais questões que se coloca neste documento é que o PROT não deve revestir uma forma de Macro Plano de Urbanização: deve definir orientações e não regras concretas que regulamentem a classificação, qualificação e parametrização dos usos do solo. Por outro lado, o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial, de acordo com a própria Lei de Bases, estipula que os PROT’s definem a estratégia regional de desenvolvimento territorial, integrando as opções estabelecidas a nível nacional e considerando as estratégias municipais de desenvolvimento local. Ora esta integração ou avaliação concisa das opções estratégicas de cada município não se encontra vertida no relatório da Proposta, o que poderá induzir a desconformidades com as estratégias delineadas por cada executivo municipal. Finalmente, também não podemos deixar de defender que a delimitação da Rede Ecológica Metropolitana tem de ser elaborada no âmbito dos Planos Municipais de Ordenamento do Território e qualquer monitorização posterior deve ser feita com base nesta delimitação municipal. Metrópoles - O tema de Destaque desta edição da Metrópoles é a Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa. Qual lhe parece ser a questão prioritária, nesta matéria? 16.17 MTPAML Carlos Humberto de Carvalho - A Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa já vinha sendo reivindicada há muito pelos Municípios da AML. Na realidade, há uma clara necessidade de um poder intermédio entre o central e o local, em matéria de transportes. A mobilidade urbana tem crescido de forma exponencial nas últimas décadas, especialmente nas áreas metropolitanas, em consequência do seu desenvolvimento económico, social e urbanístico. A Junta Metropolitana acompanhou a par e passo o debate sobre o novo regime jurídico das Autoridades Metropolitanas de Transportes, sempre firme na afirmação da necessidade de garantir a representatividade do poder local e metropolitano, o financiamento do sistema e um modelo de autoridade capaz de gerar uma mobilidade urbana sustentável, em prol de uma melhor qualidade de vida dos cidadãos que vivem e trabalham na Área Metropolitana de Lisboa. Aguardamos o desenvolvimento do trabalho da recentemente empossada AMTL, na expectativa de que possam ser minorados os constrangimentos existentes ao nível dos transportes metropolitanos e se encontrem soluções que possam responder, adequadamente, às necessidades de reorganização e articulação das várias componentes do sistema de mobilidade, de promoção da utilização do transporte público em meio urbano e de articulação do sistemade mobilidade com os instrumentos de gestão territorial. Metrópoles - Que outros grandes desafios podem ser definidos para este mandato dos órgãos dirigentes da Área Metropolitana de Lisboa? E que eventuais correcções lhe parece necessário fazer ao seu estatuto? Carlos Humberto de Carvalho - O principal desafio é, de facto, a regionalização. É bom não esquecer que nestes 3,4% do território de Portugal Continental que são a Área Metropolitana de Lisboa, vive 28% sua população. E estas grandes aglomerações metropolitanas são de forma cada vez mais intensa o cenário onde se concentram as grandes questões sociais, onde riqueza e poder económico coexistem com a exclusão social, o desemprego e a marginalidade. Em 2006, num estudo promovido pela CCDR-LVT contabilizaram-se nada mais nada menos que 180 entidades públicas com actuação na Área Metropolitana de Lisboa, em áreas como o desenvolvimento regional, a administração do território, o turismo, etc... Ora, não podemos ter entidades, com atribuições cruzadas e inevitavelmente confusas, sem uma definição de hierarquias e de prioridades de competências. Nem tão pouco podemos manter um labirinto de tutelas cruzadas, procedimentos complexos, pesados e arrastados que demoram anos a tomar decisões, desgastam a paciência dos cidadãos e degradam a imagem da Administração Pública. Ou seja: é urgente desde já modificar radicalmente os instrumentos legais que não têm permitido às Áreas Metropolitanas ter um âmbito efectivamente regional e responder aos problemas que não têm dimensão nacional, mas são insusceptíveis de resolução à escala local. As grandes aglomerações metropolitanas são o cenário onde se concentram as grandes questões sociais, onde riqueza e poder económico coexistem com a exclusão, o desemprego e a marginalidade AML Semestre AML Semestre Conhecer a realidade económico-social da Área Metropolitana de Lisboa Desde há uns anos que, através do contacto com os municípios, universidades e outras entidades, se vinha sentindo a necessidade de se criar uma estrutura de âmbito metropolitano que proporcionasse uma visão de conjunto da realidade económico-social da Área Metropolitana de Lisboa. Foi assim que, em 2008, sob a coordenação científica do Professor Doutor José António Girão, e com co-financiamento do FEDER, no âmbito de uma candidatura à tipologia de projecto “Capacitação Institucional” do POR Lisboa, começaram a ser concebidas e criadas as bases para o Observatório de Desenvolvimento Económico e Social da Área Metropolitana de Lisboa (ODES-AML), enquanto estrutura permanente de recolha, compilação, tratamento, produção e difusão de informação e do conhecimento nestas áreas. O ODES-AML procura traduzir a realidade económica e social da AML, enquanto base que permita superar os desafios que se colocam à modernidade e à sustentabilidade da AML, num esforço de convergência com os modelos de competitividade a nível global. Tem como missão acompanhar e analisar o desenvolvimento económico e social da Área Metropolitana de Lisboa, coligindo informação de suporte à tomada de decisão política, e procedendo à sua divulgação. Pretende-se que o Observatório tenha um efeito catalisador, através da divulgação e transferência de informação que permita uma gestão sustentável da região e potencie alterações nos indicadores relacionados com o desenvolvimento económico e social da região, que, apesar do seu dinamismo, apresenta indicadores que traduzem fragilidades e inadequações. Tem ainda, claramente, uma vertente prática voltada para a acção. Por um lado, de forma indutora, identificando políticas e desenvolvendo programas, mecanismos e procedimentos que promovam a atractividade da região. Por outro, procura pautar a sua actuação no sentido de 18.19 MTPAML promover acções e iniciativas que, de certa forma, contribuam para o desenvolvimento sustentável da AML. Numa fase posterior, deverá prestar apoio à difusão de ideias inovadoras que se transformem em propostas pioneiras e competitivas, contribuindo, assim, para a dinamização económica e social e para o reforço do desenvolvimento e capacidade de concorrência a nível europeu e mundial. O Observatório está, então, a ser implementado, segundo os seguintes eixos/ fases: Neste momento, já está disponível, na página electrónica da Área Metropolitana de Lisboa (http://www.aml.pt), um espaço dedicado às actividades do ODES-AML, com a finalidade de se constituir a interface externa do Observatório com os Municípios, empresas e cidadãos, e dar a conhecer as actividades desenvolvidas e os estudos realizados, documentação diversa e alguma bibliografia. Também é já possível consultar, através de um motor de pesquisa, um conjunto bastante alargado de dados estatísticos. Esta Base de Dados disponibiliza vários indicadores relevantes (demografia, emprego, saúde, educação, cultura, território, entre outros) e será constantemente actualizada, de modo a acompanhar o regular funcionamento das actividades do Observatório. Estão igualmente disponíveis relatórios, onde é feita uma breve caracterização e evolução da Área Metropolitana de Lisboa, tendo como base os indicadores recolhidos. Existe, ainda, a possibilidade de ser feito o registo online para recepção da Newsletter do ODES-AML, cujo principal objectivo é levar ao conhecimento dos utilizadores os mais recentes desenvolvimentos e actualizações, para que possa assumir, de alguma forma, papel de fonte de conhecimento para todos os que se interessam pelas matérias nela versadas. AML Semestre Um Futuro Mais Sustentável Neste momento, em colaboração com o Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, o observatório irá incorporar a dimensão ambiental e de governança, as quais integram duas novas vertentes relacionadas com a implementação de uma Agenda 21 Metropolitana e com a criação da Universidade para a Sustentabilidade Metropolitana que visa a formação e educação para a sustentabilidade. AML Semestre Estas duas áreas emergentes vêm dotar e reforçar o Observatório de uma maior actualidade e utilidade na monitorização do desenvolvimento sustentável da Área Metropolitana de Lisboa em todas as suas vertentes: ambiental, económica, social e governança. Este Observatório permitirá olhar atentamente para os aspectos mais críticos da região e conhecer as suas dinâmicas, ou seja, os factores de desenvolvimento sustentável indispensáveis para a coesão económica e social e a protecção ambiental, de modo a permitir que haja uma visão de conjunto da AML, e criar um instrumento suplementar de apoio à decisão, sempre que, no exercício das suas competências respectivas, as várias entidades tomem medidas ou definam acções nestas matérias. Área Metropolitan a de Lisboa Rua Carlos Maye r, nº 2 – R/C 1700-102 Lisboa Tel: 218 428 570 [email protected] 20.21 MTPAML DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Mobilidade e transportes na área metropolitana de lisboa tana de Lisboa ao Governo Central. Delas se dá um resumo na rubrica sobre o novo regime jurídico das Autoridades Metropolitanas de Transportes, incluída no balanço do mandato de 2005-2009 da Junta Metropolitana de Lisboa, publicado na edição da Metrópoles nº 27, do terceiro trimestre de 2009. Concretamente, a JML manifestou reservas em relação à estrutura de competências finalmente adoptada, com as limitações que coloca à efectiva capacidade de intervenção da Autoridade Metropolitana de Transportes e à representatividade dos Municípios e da própria JML. Foram também expressas dúvidas sobre a definição do financiamento do sistema de transportes. A presente edição da Metrópoles dedica a esta instituição a sua reportagem de Destaque, com entrevistas ou depoimentos de várias das personalidades envolvidas neste processo, começando pelo Presidente do Conselho Executivo da AMTL, Engº Carlos Correia. É também apresentado o exemplo de seis Municípios da AML que têm já implemen- tados diversos tipos de serviços especiais dinamizadores de mobilidade, orientados no sentido da solução de carências que não seriam inteiramente preenchidas pelos transportes públicos colectivos - nomeadamente nos bairros históricos, na ligação entre freguesias ou noutros casos em que se procura um serviço de proximidade destinado a cidadãos mais idosos ou carenciados (ou, no outro extremo etário, às deslocações diárias de crianças e jovens em idade escolar). OS TITULARES DOS ORGÃOS DA AMTL Composição do Conselho Geral Designados pela Administração Central do Estado: Dr. Luís Ribeiro, Subdirector Geral da Direcção Geral do Tesouro e Finanças Eng.º Paulo Marques Augusto, Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária Eng.º António Fonseca Ferreira, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo Eng.º Eduardo Borges Pires, assessor do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações Dr. António Crisóstomo Teixeira, Presidente do Conselho Directivo do Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, IMTT, I.P. Eng.º Luís Filipe Pardal, Presidente do Conselho de Administração da Rede Ferroviária Nacional, Refer, E.P.E Eng.º António Guilhermino Rodrigues, Presidente do Conselho de Administração da ANA, Aeroportos de Portugal, SA Eng.º Alberto Conde Moreno, Presidente do Conselho Directivo do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias, IP Dr.ª Maria Eugénia de Almeida Santos, Directora Geral da Direcção Geral das Autarquias Locais Designados pela Administração Local do Estado, através da Junta Metropolitana de Lisboa: Dr.ª Madalena Castro, Vereadora da Câmara Municipal de Oeiras Dr. António Capucho, Presidente da Câmara Municipal de Cascais Dr. Fernando Seara, Presidente da Câmara Municipal de Sintra Eng.º Gabriel Oliveira, Vereador da Câmara Municipal da Amadora Carlos Humberto Carvalho, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro Arq.º Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra Dr. José Gonçalves, Vereador da Câmara Municipal de Almada Dr. António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa – eleito Pres. do Conselho Geral da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa Composição do Conselho Executivo Nomeados pelo Governo Eng.º Carlos Correia, Presidente do Conselho Executivo A Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa é uma reivindicação antiga, mas uma realidade recente na vida dos Municípios da AML. Formalmente instituída pela Lei nº 1/2009, de 5 de Janeiro (que revogava o Decreto-Lei nº 22.23 MTPAML 268/2003), teve a sua primeira reunião do Conselho Geral há pouco mais de um ano, em 25 de Junho de 2009, ficando nomeados os titulares dos seus diversos órgãos sociais. O processo da sua constituição foi longo e elaborado, e reflecte algumas diferenças de entendimento quanto à sua verdadeira natureza e necessidades, as quais foram em devido tempo expressas pela Junta Metropoli- Dr.ª Maria Isabel Vicente, Vogal do Conselho Executivo Vogal do Conselho Executivo (por designar) Nomeados pela Junta Metropolitana de Lisboa Eng.º Joaquim Manuel da Fonseca Matias, Vogal do Conselho Executivo Dr. José Augusto Borges Neves, Vogal do Conselho Executivo DESTAQUE | ENTREVISTA Melhorar oferta para aumentar a competitividade Carlos Correia Presidente do CE da AMTL O presidente da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa (AMTL), Carlos Correia, diz que a organização que dirige vai implementar um estudo que sirva de base para definir uma rede estruturante do sistema de transportes da Área Metropolitana de Lisboa (AML). Deverá contribuir para aumentar a competitividade do sistema, através da oferta de transportes com elevada regularidade e fiabilidade, levando as pessoas a aderir à sua utilização. Vai ser necessário simplificar o actual tarifário de transportes, estendê-lo a toda a AML e melhorar o serviço prestado aos clientes, tanto em termos da informação prestada, como de horários e de interligação entre os vários modos. Carlos Correia explica o que está a ser feito para que isso aconteça. mos de planeamento, organização e gestão de transportes na Área Metropolitana de Lisboa? Metrópoles - Qual é a importância, para a região, do trabalho da AMTL? near, de forma integrada e coordenada, as questões relacionadas com mobilidade. Estas não se cingem exclusivamente ao sistema de transportes, alargando-se a tudo o que com ele se relaciona. No fundo, a ideia é que a Autoridade Metropolitana não pense o sistema de transportes exclusivamente concentrada naquilo que está directamente relacionado com ele, mas inclua tudo o resto: as vertentes de ordenamento do território ambientais e energéticas. É esta a base para o sistema de mobilidade ser planeado e que permitirá que todas as acções sejam convergentes, para se poder chegar a um sistema de mobilidade mais sustentável em termos económico-financeiros, sociais e ambientais. Metrópoles - Qual é o papel da Autoridade Metropolitana dos Transportes de Lisboa em ter- Carlos Correia - Pela primeira vez foi criada uma entidade que permite, de facto, pla- Metrópoles - Quais são as condições essenciais para assegurar a operacionalidade e 24.25 MTPAML Carlos Correia - Por lei, a AMTL tem competências em termos de coordenação e regulação do sistema de transportes da Área Metropolitana de Lisboa. Nós contratualizamos todas as obrigações de serviço público, para que este esteja devidamente planeado, coordenado e sirva melhor as necessidades de deslocação da população da Área Metropolitana de Lisboa. eficiência do funcionamento do sistema de transportes na AML? Carlos Correia - Têm sido feitos investimentos significativos no hardware do sistema de transportes da Área Metropolitana de Lisboa, ou seja, em infra-estruturas e material circulante. Agora, a questão fundamental é pensar em termos de software do sistema de transportes, ou seja, na integração tarifária e na intra e intermodalidade. Nós temos um sistema tarifário demasiadamente confuso, o que constitui um óbice à utilização do sistema de transportes. É necessário simplificá-lo e alargá-lo à totalidade de AML. No que diz respeito à intra e intermodalidade, é preciso pôr os operadores a coordenar entre si os serviços de transporte, em termos físicos e de horários, e a oferecer serviços integrados. O que acontece agora, em muitos casos, é que cada um faz o seu planeamento. Mas, depois, a interligação dos serviços prestados às pessoas, em termos do sistema de transportes, para irem do ponto A ao B, da sua origem ao seu destino, falha. De facto, os transbordos são penalizantes em demasia. Por isso, é preciso que haja uma coordenação e integração física e tarifária do sistema de transportes. Estas são as grandes prioridades. Estamos a dialogar com todos os operadores, no sentido de promover a intermodalidade e melhoria da coordenação do sistema de transportes. E estamos a actuar sobre a simplificação e alargamento do sistema tarifário a toda a Área Metropolitana de Lisboa. Outro aspecto importante, é a informação ao público do sistema de transportes, que não é integrada e coerente, porque cada empresa produz apenas a que diz respeito aos seus próprios serviços. É preciso dar a conhecer às pessoas o sistema de transportes e transmitir a informação que elas precisam, de facto, quando a ele recorrem. Metrópoles - Para que a AMTL consiga desenvolver um trabalho eficaz precisa de assegurar financiamentos sustentados também no tempo. Quais são as suas fontes de receita? Carlos Correia - Actualmente as fontes de financiamento do sistema de transportes são fundamentalmente da administração central. Quer por via de indemnizações compensatórias, dotações de capital para as empresas de DESTAQUE | ENTREVISTA centros comerciais, poderem contribuir para terem estas mais-valias. Será todo este conjunto de soluções que iremos colocar em cima da mesa ao Conselho Geral da Autoridade Metropolitana dos Transportes, onde está representada a administração central e local, à Junta Metropolitana de Lisboa (JML) e à Secretaria de Estado de Transportes, de modo a serem criadas condições para o futuro financiamento do sistema de transportes. Alguma coisa terá de ser feita. Metrópoles - A eficácia do trabalho da AMTL depende também do seu relacionamento com as empresas de transporte que operam na AML e da adesão destas. O que é que se tem passado neste âmbito? capitais públicos, quer por indemnizações compensatórias às empresas privadas. Mas isto tem-se revelado insuficiente. A lacuna do sistema de transportes da AML anda na ordem dos 100 milhões de euros anuais. Por isso, a AMTL está a realizar um estudo que visa identificar, quantificar e propor cenários para o seu financiamento. Há fontes directas e indirectas possíveis. Entre as primeiras, para além do tarifário do sistema de transportes, que já existe, há o imposto sobre os produtos petrolíferos, a taxa regional sobre a venda de produtos petrolíferos, as portagens e o estacionamento. São questões em aberto. No que respeita às fontes de financiamento indirectas, existe a possibilidade de haver uma taxa municipal de transportes, como acontece em Paris, por exemplo, onde as empresas a partir de uma determinada dimensão, no caso, 10 colaboradores, são obrigadas a comprar passes para os seus funcionários. Há, também, a hipótese de pólos geradores de deslocação servidos directamente pelo sistema de transporte, como 26.27 MTPAML Carlos Correia - Temos feito algumas reuniões com operadores de transportes e a Junta Metropolitana de Lisboa, parceiro importante para o desenvolvimento do trabalho da AMTL. Ela criou, inclusive, um grupo com os 18 vereadores da mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa para pensar sobre estas questões. Já reunimos e estamos a trabalhar em conjunto, para que as soluções que desenvolvemos sejam coordenadas e tenham a concordância da administração local. Temos tido, com as empresas de transportes, reuniões regulares para lhes transmitir quais são as intenções das AMTL e quais os caminhos que pretendemos seguir, para que se preparem para colaborar connosco. Refiro-me, concretamente, a aspectos relacionados com a contratualização e as questões tarifárias. Temos também contactos com os operadores e autarquias, no âmbito das acções que estamos a preparar para a Semana da Mobilidade, que vai ocorrer na terceira semana de Setembro. Como resultado disso, irá ser desenvolvido um conjunto de acções coerente e integrado que terá, de facto, impacto junto da população. Queremos cativar novos utilizadores, levando-os a experimentar e dando-lhes condições para que gostem de usar o transporte público. Metrópoles - Qual é a filosofia por detrás da elaboração Plano de Acção para 2010? Quais são os principais objectivos da sua concretização? Carlos Correia - Nós estruturámos o nosso plano de actividades basicamente em função de três vectores fundamentais: a integração administrativa, tarifária e modal. A consolidação é o principal vector da integração administrativa, principalmente este ano, com a entrada em velocidade de cruzeiro da AMTL. Para além disso, vamos tratar, no nosso plano de actividades, das questões já faladas do financiamento dos transportes e da própria Autoridade Metropolitana dos Transportes. Temos autonomia administrativa, financeira e patrimonial, e vamos garanti-la assegurando 2/3 do financiamento através de receitas próprias. Mas isso é uma questão menor dentro do tema mais genérico do financiamento do sistema metropolitano de transportes. Estamos a estudá-lo e a propor medidas para o seu financiamento, no âmbito da contratualização das obrigações de serviço público. Está a ser desenvolvido um estudo pela Universidade Católica, para avaliar a função custo de produção de transporte na AML. Actualmente não sabemos quanto custa produzir um lugar / quilómetro num autocarro, metro, eléctrico ou comboio. Por isso, estamos a tentar identificar e avaliar o que influencia este custo e a forma como ele é influenciado. Isto tem como objectivo a negociação da contratualização das obrigações de serviço público e das indemnizações compensatórias. Também é preciso não esquecer que, quando planeamos redes, queremos melhorar os serviços. É algo que tem custos e é preciso saber quais são os montantes acrescidos que estamos a impor ao sistema por essa melhoria. No âmbito da contratualização tarifária, o nosso projecto olha para o sistema com uma lógica de simplificação e alargamento da sua espacialidade a toda a Área Metropolitana de Lisboa. No primeiro aspecto, queremos convergir para o passe intermodal, eliminando progressivamente o sistema de passes combinados. Como é evidente, terá de continuar a haver passes da rede de operadores e bilhetes individuais, mas queremos repensá-lo, simplificá-lo e torná-lo fácil para ser usado pelas pessoas. Não vai ser fácil a tarefa, porque temos quase 20 anos de estruturação do sistema actual. E não queremos que os utilizadores e as empresas sejam penalizados, nem aumentar os encargos da administração com o sistema. É uma equação difícil, mas estou convencido que chegaremos lá. Iniciámos conversas com a Fertagus e o Metro Sul do Tejo, para a sua integração no sistema de passes intermodal. Estamos, juntamente com a CP, a estudar a reformulação do seu sistema tarifário. Ao nível da integração modal, vamos lançar um estudo para a definição de uma rede estruturante do sistema de transportes da AML, devidamente articulada com o sistema metropolitano de interfaces, que aumente, de facto, a competitividade do sistema metropolitano de transportes. É preciso que tenha uma coluna vertebral que permita uma oferta de transportes com elevada regularidade e fiabilidade, para levar as pessoas a aderir à sua utilização. O nosso grande objectivo é aumentar a procura do sistema metropolitano de transportes. Estamos actualmente a apoiar dois projectos muito importantes, desenvolvidos ao nível da administração local. Um deles tem a ver com planos de deslocações urbanas nos concelhos de Odivelas e Loures, na margem norte do Tejo, e no Barreiro, Moita, Seixal, Sesimbra e Palmela, na margem sul. Queremos, através deles, constituir experiências piloto para estabelecer contratos programa com as administrações local e central, e que as acções previstas neles sejam devidamente calendarizadas, contratualizadas e identificadas as fontes de financiamento. O outro projecto que iremos apoiar tem a ver com o sistema de park & ride que está a ser desenvolvido pela Câmara de Lisboa. Visa, basicamente, o pagamento do estacionamento através do suporte dos transportes públicos. Vão iniciar-se, este ano, um conjunto de acções de médio prazo relacionadas com uma campanha de promoção e divulgação do sistema de transportes. Também está prevista a realização do Inquérito Geral à Mobilidade na AML, que queremos estender à Azambuja. Para isso já tivemos conversações com o Instituto Nacional de Estatística (INE). Ficou combinado prepararmos este ano todas as acções necessárias ao inquérito, para que seja realizado pelo INE em 2011, logo após os Censos. O Inquérito Geral à Mobilidade na AML é um instrumento fundamental, porque permite conhecer a forma como as pessoas se deslocam e as suas motivações para o fazerem, elementos essenciais para melhorar o rendimento dos transportes. Vamos lançar um concurso público internacional para a elaboração do plano de deslocações urbanas da AML, onde serão estabelecidas as directrizes para o sistema de mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa ao nível dos transportes públi- cos e individuais e estacionamento. Tudo isto relacionado, de forma lógica, com a evolução da ocupação do território e a localização dos grandes pólos geradores e detractores de tráfego. Vamos ainda fazer um benchmark internacional dos instrumentos de contratualização das principais cidades europeias. Com a emergência do novo regulamento comunitário, que nos dá um período transitório máximo de dez anos, temos de começar a preparar a contratualização das redes por concurso público internacional. É, por isso, que queremos analisar a forma como as diferentes capitais europeias resolveram o problema. Sabemos que não há uma contratualização padrão. Mas como essas cidades já passaram pelo processo, queremos identificar as dificuldades que enfrentaram e a forma como puseram as coisas a funcionar. Ao termos esse registo de boas práticas, ficamos com uma base mais sólida para optarmos pela melhor solução para a Área Metropolitana de Lisboa. DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa ( AMTL) 4.Adequação do tarifário da CP Lisboa ao sistema do passe intermodal, com o objectivo de: • Definir um zonamento com zonas de dimensões próximas e sempre que possível coincidentes com os limites das coroas tarifárias do passe intermodal; • Estabelecer um tarifário por zonas independentemente da linha ou percurso. 5.Integração do Metro Sul do Tejo e Fertagus no sistema do passe intermodal, com o objectivo de: • Aumentar a mobilidade na margem sul do Tejo integrando todos os modos de transporte e as interfaces junto das estações; • Estabelecer um zonamento até Setúbal e preferencialmente coincidente com os limites das coroas tarifárias do passe intermodal; • Definir preços dos títulos de transporte que não penalizem os actuais utilizadores destes modos de transporte. Plano de Actividades 2010 As actividades da AMTL incidem sobre três vectores fundamentais de actuação: A. Integração Administrativa - consolidação da lei 1/2009, de 5 de Janeiro, quer ao nível das competências, quer ao nível do financiamento da AMTL. B. Integração Tarifária – actualmente o sistema tarifário da área metropolitana de Lisboa é muito complexo, está desajustado da realidade e é um óbice à utilização do transporte colectivo. C. Integração Modal - fomentar a integração e coordenação dos transportes. Acções de Curto Prazo previstas: Ao nível da: A. Integração Administrativa: 1. Financiamento do Sistema de Transportes, com o objectivo de: • Assegurar em 2011, o estatuto de autonomia administrativa e financeira da AMTL (n.º 1 do artigo 2º da Lei 1/2009), garantindo 2/3 de receitas próprias no orçamento de funcionamento; • Identificar fontes de financiamento alternativas, que permitam atenuar gradual e progressivamente o gap de financiamento do sistema; • Permitir a contratualização futura das Obrigações de Serviço Público (OSP). B. Integração Tarifária: 2. Extensão do sistema do passe intermodal à totalidade da área metropolitana de Lisboa, com o objectivo de: • Aumentar a procura no sistema de transportes colectivos; • Aumentar a mobilidade sem aumento de custos para os utilizadores; • Estender o sistema tarifário à totalidade da área metropolitana de Lisboa; • Integrar todos os modos de transporte e as interfaces no novo sistema tarifário; • Sustentar o novo sistema tarifário nos passes intermodais (redefinir o zonamento - coroas ou coroas/sectores – e redefinir as modalidades - número de viagens e limite temporal). 3.Função de Custo-Produção de transportes, com o objectivo de: • Estimar de funções custo para as várias redes de transporte público urbano (metropolitano/ferroviário, rodoviário/eléctrico e fluvial) na área metropolitana de Lisboa; • Identificar, para cada rede de transporte, dos seus outputs, dos factores de produção e seus respectivos preços – apurar quanto custa produzir uma determinada unidade de transporte e quais os factores que influenciam o custo de produção; • Obter valores de referência para planear redes e serviços (por ex.:, saber o custo do reforço de uma oferta) e para contratualização das OSP (para aferir da razoabilidade dos custos apresentados pelos concorrentes, aquando da contratualização). 28.29 MTPAML C. Integração Modal: 6.Sistema Metropolitano de Interfaces e dos grandes eixos de transportes, aproveitando a fase de revisão dos Planos Directores Municipais para haver uma coordenação metropolitana na definição do sistema, com o objectivo de: • Promover a intra e intermodalidade das redes de transporte colectivo; • Aumentar a coordenação entre os diversos modos de transporte e diminuir as penalizações associadas aos transbordos; • Estabelecer um sistema de interfaces de nível metropolitano; • Coordenar com estudos da CM Lisboa: interfaces e park&ride; • Diminuir tempos de percurso e aumentar a regularidade e fiabilidade do transporte colectivo, estabelecendo uma rede de transporte em sítio próprio articulando as interfaces e os principais pólos geradores da AML. 7. Apoio técnico e financeiro aos Municípios para a elaboração dos Planos de Deslocações Urbanas (PDU’s), interfaces e park&ride, com os seguintes objectivos: • Elaboração dos PDU’s – através de uma linha de apoio às Câmaras Municipais para a elaboração deste tipo de estudos, estabelecida no PIDDAC; • Estudo de interfaces - apoio ao estudo da CM Lisboa, articulando com o estudo do sistema metropolitano de interfaces e dos grandes eixos de transportes da AMTL; • Park&Ride - colaboração com CM Lisboa para o desenvolvimento do sistema de park&ride, integrando o estacionamento com a bilhética do transporte colectivo. 8. Campanha de divulgação do transporte colectivo, com o objectivo de: • Divulgar o sistema de transportes da área metropolitana de Lisboa junto dos utilizadores do transporte individual; • Distribuir mapas de rede, horários e tarifário; • Promover a experimentação do sistema de transporte colectivo; • Articular acções com os operadores de transporte colectivo, Transporlis e Câmaras Municipais da Área Metropolitana de Lisboa. Acções de Médio Prazo 1. Preparação do Inquérito à Mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa, a realizar pelo Instituto Nacional de Estatística em 2011. 2. Início do PDU da área metropolitana de Lisboa, incluindo conta pública de deslocações de passageiros. 3. Plano Operacional de Transportes (POT) – que permitirá o estabelecimento dos contratos-programa com a administração central e com a administração local. 4. Benchmarking sobre processos de contratação de OSP em Autoridades de cidades europeias. DESTAQUE de transportes de Lisboa DESTAQUE || Sistema OPINIÃO |metropolitano CASCAIS desenvolvimento económico e de qualidade de vida da população. Na 2ª reunião deste Grupo, a AMT apresentou o seu Plano de Actividades para o presente ano, tendo este sido considerado muito relevante e ambicioso, onde foi manifestada a disponibilidade de todos os Municípios para uma colaboração estreita com esta Autoridade, para o cumprimento dos objectivos traçados. Para além da identificação das necessidades globais de mobilidade, a aferir através da realização de um inquérito geral à mobilidade a concretizar em 2011, e do planeamento das respostas a essas necessidades em termos do serviço público de transportes, consideramos que outra das questões centrais da missão da AMT será a resolução, de forma equilibrada, da problemática do financiamento global do sistema de transportes. De facto, o actual contexto de crise económica e social não aconselha que mais custos sejam imputados às populações, quer aos utentes dos serviços públicos de transporte, quer aos munícipes, devendo ser encontradas formas alternativas de financiamento. De igual modo, as próprias Autarquias Locais Vereador Joaquim Santos Coordenador do Grupo de Vereadores da Mobilidade e Transportes da AML É por todos unanimemente reconhecido que o sistema de transportes públicos que serve a Área Metropolitana de Lisboa (AML) se encontra desarticulado, não servindo as populações de forma conveniente. Esta ideia é não só partilhada pelos autarcas, mas também pelas entidades governamentais que coordenam todo o processo, pelos diversos operadores e principalmente pelos utentes, aqueles a quem este sistema deveria em primeiro lugar servir. As Autarquias da AML há muito que vinham reivindicando a criação de uma Autoridade Metropolitana de Transportes (AMT) que pudesse desenvolver uma política coordenada de mobilidade e transportes, e ser a solução para o problema de não existir um verdadeiro sistema de transportes integrado, que tem posto em causa o direito à mobilidade das populações. De facto, ao que hoje assistimos é à concorrência entre os vários 30.31 MTPAML operadores, e não ao modelo desejável de complementaridade de modos de transporte, tendo como objectivo servir os utentes. Esta Autoridade foi criada na sua forma actual pela Lei 1/2009 de 5 de Janeiro e iniciou o seu trabalho com o objectivo de em cerca de 3-4 anos conseguir alcançar a integração do Sistema Público de Transportes e colocá-lo ao serviço das pessoas. É naturalmente um objectivo muito ambicioso e que, a concretizar-se, irá constituir uma enorme mais valia na vida das populações da AML, e uma nova etapa na mobilidade metropolitana. As Autarquias e os seus eleitos conhecem com profundidade os problemas, os anseios e as necessidades das populações dos seus Concelhos, nomeadamente na área da mobilidade e transportes. Com o objectivo de a Junta Metropolitana de Lisboa (JML) e os Municípios que a integram constituírem um sólido apoio da AMT para o cumprimento dos seus objectivos, resolveu constituir-se o Grupo de Vereadores da Mobilidade e Transportes da AML. No entanto, seria desejável que se dessem passos seguros para a concretização de uma verdadeira Autarquia Metropolitana, que viria resolver muitos dos problemas de articulação regional, como no caso presente. Este Grupo tem como função fornecer elementos que sustentem as decisões da JML sobre esta temática, assim como contribuir para o desenvolvimento da Região Metropolitana como Cidade-Região, através de um modelo integrado de funcionamento da Mobilidade e Transportes centrado nos valores sociais e humanos, enquanto factor de C. M. Almada O passe social deve ser alargado a todos os operadores da AML e não limitar-se às deslocações pendulares casa/trabalho debatem-se hoje com graves constrangimentos financeiros, que foram agravados primeiro pela Lei das Finanças Locais e mais recentemente pelas medidas complementares ao PEC. Assim, consideramos fundamental que o Estado Central mantenha e reforce os níveis de investimento no sector, e que se consigam encontrar algumas fontes de financiamento alternativas, que permitam atenuar gradual e progressivamente o gap de financiamento do sistema de transportes, mas de forma a não onerar as populações da AML. Um outro aspecto muito importante é a designada Integração Tarifária, que virá clarificar e unificar o sistema tarifário na AML, sendo fundamental que esta integração eleja como objectivo primeiro o alargamento do passe social intermodal a todos os operadores e a todo o território da AML, garantindo a universalidade da sua utilização. Assim, consideramos como muito positiva a proposta da AMT de integração dos operadores Fertagus e MST no sistema do passe social intermodal, conferindo mais justiça aos utentes dos transportes da margem sul. É também nosso entendimento que, relativamente ao passe social intermodal, este não deverá ser alvo de eventual limitação, quer no que diz respeito ao número de viagens, quer à sua limitação temporal, considerando que a atractividade do transporte colectivo e a mobilidade sustentável nas áreas metropolitanas devem passar pelo incentivo da utilização diversificada do transporte público, não se devendo limitar às deslocações pendulares casa/trabalho. Nesse sentido, apoiamos as propostas da AMT de reforço da importância deste passe no contexto do sistema de transportes, e da sua função social, enquanto instrumento essencial de melhoria da mobilidade e transportes na AML. Em conclusão, as Autarquias da AML estão uma vez mais reunidas com o objectivo de melhor servir as nossas populações, estando convictos que poderemos contribuir para uma melhor mobilidade ao serviço das pessoas, disponibilizando-nos para, com a nossa acção junto da AMT, ajudar a construir um melhor sistema de transportes na AML, que dê resposta ao direito à mobilidade das populações. DESTAQUE | Sistema OPINIÃO |metropolitano CASCAIS de transportes de Lisboa Câmara Municipal de Almada O serviço Flexibus foi inaugurado com um mês de utilização grátis Os dois mini-autocarros eléctricos do novo serviço Flexibus, destinados a circular nas ruas mais antigas das freguesias de Cacilhas e Almada, entraram em funcionamento no dia 5 de Julho, com viagens gratuitas durante todo este mês. Trata-se de um sistema de mobilidade inclusiva destinado prioritariamente à população sénior e aos mais jovens, na zona histórica de Cacilhas e Almada, chegando a locais menos servidos pelos transportes públicos já existentes. A intenção é melhorar o acesso aos equipamentos sociais, escolas, zonas comerciais e parques de estacionamento, bem como a outros meios de transporte públicos. Há um percurso identificado por uma lista verde pintada no pavimento, mas está previsto que se possam fazer pequenos desvios a pedido dos utentes, para chegar a alguma das Instituições Particulares de Solidariedade Social situadas na área. A novidade principal é que não há paragens fixas de saída, detendo-se a viatura a pedido do utente no local da sua conveniência. A entrada de passageiros é feita em “pontos de encontro” já devidamente assinalados; mas nesta fase inicial, em que se procura habituar a população à presença do novo serviço, tem ainda sido possível levantar o braço, em qualquer ponto do trajecto, e ser aí recolhido. 32.33 MTPAML O Flexibus circula nos dias úteis, entre as sete da manhã e as sete da tarde, e aos sábados das oito da manhã até à uma da tarde. A partir do princípio de Agosto, o transporte será pago, mas com uma tarifa especial, de baixo custo, especialmente vocacionada para os mais idosos e os mais jovens (dois euros por um título quinzenal, três se for mensal). Estes bilhetes poderão ser adquiridos na empresa municipal ECALMA (na rua Sociedade Filarmónica Incrível Almadense), na Loja do Munícipe, no Parque de Estacionamento da Av. D. Afonso Henriques e nas Juntas de Freguesia de Almada e de Cacilhas. Outra novidade é a natureza das viaturas, de tracção exclusivamente eléctrica, o que as torna não poluentes e praticamente silenciosas. Estes mini-autocarros têm lugar para 27 passageiros e mais um espaço para uma cadeira de rodas. O intervalo de passagem entre cada um e o próximo será, em princípio, de cerca de 20 minutos. DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Câmara Municipal do Barreiro Grande diversidade de projectos para uma mobilidade sustentável À semelhança do que se tem registado noutros concelhos, ao longo das últimas décadas, também o Barreiro tem sofrido uma evolução negativa nos seus padrões de mobilidade, cada vez mais marcada pela utilização e dependência do transporte individual em detrimento do colectivo. Foi sentida a necessidade de contrariar esta conjuntura, sendo fundamental repensar o sistema numa perspectiva de opti- 34.35 MTPAML mização da utilização de todos os modos de transporte, de uma forma integrada e em articulação/coordenação com o modelo de desenvolvimento territorial. Para tal, o Município do Barreiro tem promovido a sua participação em alguns projectos que visam promover maior sustentabilidade ao sistema de mobilidade e transportes, nomeadamente: •No sub-projecto TRAMO (Transporte Responsável, Acções de Mobilidade e Ordenamento), que decorreu no âmbito da Operação Quadro Regional (OQR) “MARE – Mobilidade e Acessibilidade Metropolitana nas Regiões do Sul da Europa”, do qual resultou a elaboração do “Manual de Metodologias e Boas Práticas para a Elaboração de um Plano de Mobilidade Sustentável”. •No sub-projecto ACFER (Acessibilidade às Estações Ferroviárias), que decorreu no âmbito da referida OQR MARE, do qual resultou a construção de uma rotunda com o objectivo melhorar a ligação das acessi- bilidades à estação ferroviária de Coina. •No sub-projecto FLEXIS (Serviços Flexíveis para o Sul da Europa,) que decorreu no âmbito da OQR MARE, do qual resultou a divulgação e promoção de iniciativas de deslocação em carpooling, por intermédio de uma plataforma digital de acesso público (http://www.carpool.com.pt/). •No Projecto da Linha Azul, o qual surge na sequência de uma candidatura dos Serviços Municipalizados dos Transportes Colectivos do Barreiro ao QREN. Este pretende proporcionar à população formas alternativas de mobilidade colectiva (uma espécie de “táxi colectivo” mas com horário e percurso fixos). •No Projecto PICAV (Personal Intelligent City Accessible Vehicle System), no âmbito do 7.º Programa Quadro, que inclui o desenvolvimento de um automóvel eléctrico adaptado para pessoas com mobilidade reduzida. A aposta em projectos que promovam a mobilidade sustentável no Município do Barreiro torna-se ainda mais crucial face aos projectos preconizados para o espaço concelhio do Barreiro e território envolvente, dos quais se destacam o Novo Aeroporto de Lisboa, a Terceira Travessia do Tejo, a Circular Regional Interna da Península de Setúbal/IC32, a Ligação Rodoviária Barreiro-Seixal, a Extensão do Metro Sul do Tejo, a Revisão do Plano Director Municipal do Barreiro, o Projecto do Arco Ribeirinho Sul e a Implementação do Plano de Urbanização do Território da Quimiparque e Área Envolvente, os quais incidirão directamente ou terão uma influência significativa na rede de acessibilidades, mobilidade e transportes deste município. Face às referidas dinâmicas viárias, urbanísticas e territoriais programadas, o Município do Barreiro, em conjunto com os Municípios da Moita, Palmela, Seixal e Sesimbra, decidiram elaborar o “Plano de Mobilidade e Transportes Intermunicipal para a Área de Influência da Terceira Travessia do Tejo (Margem Sul)”. Este plano deverá ser um documento estratégico e operacional que contribua para o fomento de uma mobilidade ao serviço do desenvolvimento sustentável, reorientando as decisões sobre intervenções no território ao nível da ocupação e usos do solo e da rede de transportes. Por fim, há que salientar que o Município do Barreiro encontra-se também a desenvolver e a colaborar em projectos relativos aos modos de transportes suaves, nomeadamente: - A “Rede de Percursos Cicláveis do Município do Barreiro”. Decidiu-se criar esta rede com o objectivo de promover a integração da bi- cicleta no sistema de deslocações urbanas, reforçando a sua utilização em deslocações de curtas distâncias e integrando-a no sistema de transportes públicos colectivos. - O Projecto “A pé para a Escola – Gestão da Mobilidade em Comunidades Escolares”. Este projecto tem como objectivo promover a sensibilização e mudança comportamental dos alunos de uma comunidade escolar e contribuir, através de medidas de gestão da mobilidade, para aumentar as deslocações a pé dos alunos. DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Câmara Municipal de Lisboa Facilitar os pequenos trajectos e levar crianças à escola Constituído por uma frota de 22 mini-autocarros, o serviço Lx Porta-a-Porta foi criado pela CML em 2004, a partir de solicitações da população e para resolver necessidades de transporte em bairros históricos de difícil acesso. É um serviço gratuito, prestado por viaturas de pequena dimensão, equipadas com plataforma elevatória para pessoas em cadeira de rodas, além de cadeiras para crianças; todas têm, também, um degrau eléctrico que facilita o acesso. Este serviço destina-se prioritariamente a reformados, a pessoas carenciadas e às crianças que vão ou voltam da escola. Permite aos mais idosos saírem dos bairros onde, em muitos casos, vivem isolados, para chegarem aos estabelecimentos ou serviços de que tenham necessidade. O serviço Lx Porta-a-Porta não se sobrepõe ao sistema público de transportes, antes procura articular-se com ele. Por um lado, porque as suas viaturas fazem percursos locais, prédefinidos, não cobertos pelos transportes públicos colectivos; por outro, porque esses percursos dos munícipes não ultrapassam os 36.37 MTPAML 300 metros, o que também não se adequa ao serviço dos táxis. O Projecto LX Porta-a-Porta recebeu o diploma do Concurso Nacional de Boas Práticas Locais para o Desenvolvimento Sustentável 2006. Os percursos que existem actualmente servem os bairros de Lumiar /Cruz Vermelha, Bela Flor, Marvila, Campo de Ourique, Bairro Alto, Pena, Alfama /Castelo e Bica. Foi lançado, no ano lectivo findo, o projectopiloto do serviço denominado Alfacinhas, que se destina ao transporte de crianças para as escolas do Ensino Básico, a partir de um ponto muito próximo das suas residên- cias. Foram abrangidas três escolas básicas, Mestre Querubim Lapa, Mestre Arnaldo Louro e a de São Sebastião da Pedreira; o projecto irá sendo avaliado e ajustado à medida que se for estendendo a outras escolas até ao ano lectivo de 2011-2012, altura em que se prevê sirva todas as escolas do Ensino Básico tuteladas pela autarquia. Este sistema consiste em concentrar as crianças (até um máximo de 12) em locais em tudo semelhantes a paragens de autocarro, a uma distância máxima de seis minutos a pé do local de habitação, onde são recolhidas por mini-autocarros e levadas até à escola, acompanhadas por um vigilante. No regresso são trazidas aos mesmos locais, onde só são deixadas se aí estiver o encarregado de educação, caso contrário voltando para a escola, que contactará o referido encarregado de educação. A frota inicial destinada a este agrupamento de escolas é de oito mini-autocarros. Outro serviço original de acesso acompanhado dos alunos às escolas é o PediBus, que funciona como um “autocarro humano” gratuito. Neste caso, as crianças, acompanhadas por um ou mais adultos (familiares dos alunos em sistema de rotatividade), seguem a pé até à escola, segundo um trajecto com paragens pré-definidas. Este conceito já era aplicado em diversas cidades noutros países. Em Lisboa, as primeiras experiências de PediBus realizaram-se em 2005 e 2007, e a partir delas a CML procurou transmitir o conhecimento adquirido a outros Municípios, tanto na Área Metropolitana de Lisboa como no resto do País. Essas primeiras acções-piloto incidiram em dois bairros, o de Alvalade e o de Campo de Ourique, criando-se circuitos de PediBus para as escolas EB1 Sto. António, EB1 Fernando Pessoa e EB1 Ressano Garcia. Mais recentemente, o Bairro da Encarnação considera igualmente iniciar o seu próprio PediBus. DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Câmara Municipal de Loures Três anos de boa experiência do projecto de mobilidade Rodinhas O Município de Loures tem vindo a desenvolver projectos na área da mobilidade sustentável, nomeadamente o Rodinhas e “A pé para a Escola”, promovidos, respectivamente, pelo Programa Operacional Regional de Lisboa e pelo Programa Gulbenkian Ambiente. Respondendo ao apelo do PROT-AML para uma maior integração intermodal de transportes públicos de passageiros com o sistema fer- 38.39 MTPAML roviário existente, foram criados os serviços Rodinhas, que se articulam com as estações da CP em Moscavide, Sacavém e Bobadela, integradas nas linhas urbanas da Azambuja e de Sintra, bem como na linha do Norte (regional). O Rodinhas de Moscavide / Portela articulará com a futura estação de Metro de Moscavide, que se insere na Linha Vermelha. Os quatro percursos já existentes são Moscavide / Portela, Sacavém, Camarate e Bobadela / S. João da Talha. Adicionalmente, estes serviços asseguram ainda deslocações de proximidade e têm vindo a sofrer ajustamentos de modo a servir os melhores interesses dos munícipes. Os veículos utilizados cobram uma tarifa económica e possuem lotação limitada - o que facilita as deslocações urbanas em percursos de extensão reduzida - compensando com um número elevado de frequências de passagem. Merece particular destaque a possibilidade de entrada e saída de passageiros fora das paragens convencionais, nas partes do percurso designadas por “Linha Azul”. A procura média mensal e a correspondente taxa de ocupação dos veículos é em cada um dos percursos a seguinte: Moscavide / Portela - 22.804 passageiros e 68% de ocupação; Sacavém - 15.132 passageiros e 82% de ocupação; Camarate - 12.521 passageiros e 71% de ocupação; Bobadela / S. João da Talha - 4.942 utilizadores e 26% de ocupação. Estes serviços transportaram um total de 1.444.914 passageiros desde 1 de Agosto de 2007 até 30 de Abril de 2010. Os serviços Rodinhas – Linha Azul de Loures são referidos no “Manual de Boas Práticas para uma Mobilidade Sustentável” elaborado em 2010 e coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, no âmbito da promoção dos transportes públicos colectivos para uma mobilidade sustentável. Procurando estimular o prazer pela leitura, aliado à utilização dos transportes públicos, foi desenvolvido o projecto “Rodinhas a Ler”, pelo Clube Secreto de Leitores do Agrupamento de Escolas Portela e Moscavide, em articulação com a C. M. Loures; para o efeito foram colocadas estantes com livros em duas paragens do Rodinhas Moscavide / Portela e nos autocarros deste serviço, para utilização dos utentes. O projecto “A pé para a Escola – Gestão da Mobilidade em Comunidades Escolares”, coordenado pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, pretende criar um modelo de intervenção social pela sensibilização de uma comunidade escolar relativamente ao modo de se deslocar de casa para a escola. Nos últimos anos constatou-se a massificação do uso do automóvel no transporte das crianças para a escola, em detrimento do modo pedonal. A tomada/largada de alunos nas escolas pelos seus pais tem vindo a as- sumir maiores proporções, condicionando a gestão da mobilidade e do espaço público junto às entradas das escolas, com as consequentes implicações ao nível da segurança rodoviária, ambiente, mas sobretudo na saúde e desenvolvimento das crianças. No Município de Loures, o projecto está a ser implementado nas Escolas EB1/JI do Fanqueiro, da Flamenga e de Sacavém, tendo como um dos objectivos a dinamização do conceito PediBus, que promove a formação de grupos de crianças “conduzidos” a pé por pais em percursos pré-definidos, para desenvolver uma maior autonomia relativamente às deslocações diárias dos alunos entre a casa e a escola, sem esquecer os benefícios ao nível da promoção da saúde, do potenciar a orientação no espaço público, da segurança rodoviária, da sustentabilidade e da cidadania. DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Câmara Municipal de Odivelas Libertar do automóvel o centro histórico e facilitar as “Voltas” dos mais velhos e mais novos O serviço de transporte público urbano Voltas, inaugurado em Maio do ano passado, visa criar melhores condições de mobilidade para a população no centro histórico de Odivelas, tendo especialmente em conta os munícipes séniores, os de mais baixos rendimentos e os estudantes. Outro objectivo é garantir melhor acessibilidade aos principais equipamentos de utilização colectiva, como a estação do Metro, o Centro de Saúde, estabelecimentos de ensino e zonas importantes de comércio e serviços. A experiência destes catorze meses revela que a carreira urbana Voltas está a dar resposta às necessidades de transporte público no centro histórico. Além de colmatar as carências que havia para as pequenas deslocações do quotidiano, trouxe ganhos de mobilidade aos mais velhos, sobretudo aos que têm dificuldade em se deslocar, mesmo nas pequenas distâncias. 40.41 MTPAML O Voltas funciona aos dias úteis das oito da manhã até às nove da noite. Cerca de metade do seu itinerário é denominado “linha azul”, sendo sinalizada por uma faixa azul pintada no pavimento de rodagem. Nos troços assim identificados não existem paragens fixas nem horários tabelados, bastando, para entrar ou sair do autocarro, manifestar a intenção ao condutor. Estas zonas de “linha azul” são as que apresentam trânsito condicionado e onde se pretende que o autocarro conviva com o peão, nomeadamente o núcleo histórico antigo e zonas de comércio e serviços intensos. As duas viaturas afectas a este serviço têm capacidade para 15 passageiros sentados e 6 em pé, sendo disponibilizadas pela Rodoviária de Lisboa. Com a implementação deste projecto, a Câmara Municipal pretende, no futuro, retirar o trânsito automóvel daquela zona e cobri-la apenas com o transporte colectivo. Trata-se de privilegiar o modo de deslocação pedonal no centro histórico, valorizando assim, estetica e socialmente, este espaço nobre do concelho. Naturalmente, haverá sempre circulação automóvel de residentes, veículos de emergência e de serviço de cargas e descargas, mas a velocidades muito condicionadas, que nesta zona serão de 30 km/h. Desde a sua entrada em funcionamento, em 11 de Maio de 2009, e até Abril do corrente ano, o serviço Voltas já transportou mais de 53 mil passageiros, registando, ultimamente, uma média de 14 mil passageiros por mês. Outro serviço recentemente implementado foi o PediFalcão (o nome que tomou, neste caso concreto, o conceito do PediBus, já conhecido na Europa e posto em prática em vários dos nossos concelhos). Este PediFalcão teve o seu percurso inaugural em 25 de Janeiro de 2010 e serve o núcleo urbano da Pontinha, na envolvente à Escola Básica do 1º Ciclo Mello Falcão. DESTAQUE | Sistema metropolitano de transportes de Lisboa Câmara Municipal de Oeiras Soluções pioneiras de mobilidade e investimento nas deslocações entre freguesias vizinhas O Oeiras COMBUS nasceu de uma parceria entre o Município e a empresa VIMECA, tendo como pressuposto a criação de uma rede de carreiras urbanas complementares à oferta de transporte colectivo já existente. Com o objectivo de aumentar a mobilidade local e potenciar as deslocações entre freguesias vizinhas, foram 42.43 MTPAML definidos itinerários que servem os principais pontos de interesse para a vida quotidiana intra-freguesia como o Centro de Saúde, as zonas comerciais locais, as Escolas, as farmácias ou a Junta de Freguesia. Com um investimento que já ultrapassou o milhão de euros, o Oeiras COMBUS foi lan- çado em 2007 nas freguesias de Carnaxide, Linda-a-Velha e Queijas, tendo, até 2009, sido progressivamente alargado às restantes sete freguesias do Concelho. O principal factor de diferenciação deste serviço é a criação de tarifários especiais adaptados às necessidades sociais dos utentes. De facto, apesar de ser um transporte passível de ser utilizado por todas as pessoas, tem uma particular atenção para com os cidadãos de menores rendimentos. Assim, os munícipes com rendimentos mensais inferiores ao salário mínimo nacional estão isentos de pagamento. Por outro lado, verifica-se uma forte procura entre os munícipes seniores que utilizam o Oeiras COMBUS nas suas deslocações diárias. Com graus de procura diferenciados de freguesia para freguesia, o Oeiras COMBUS tem sido um factor impulsionador da mobilidade local no Concelho, tendo em 2009 transportado mais de 200.000 passageiros. Cronologicamente anterior, no que se refere à entrada em funcionamento, mas tecnologicamente mais avançado, o Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras (SATU-Oeiras) reflecte o pioneirismo do Município. Este transporte inovador circula em sítio próprio e, actualmente, possibilita a ligação entre a Estação de Caminho-de-Ferro de Paço de Arcos e o Parque dos Poetas. Futuramente, o SATU-Oeiras servirá os Parques Empresariais Lagoas Park e Taguspark, potenciando a sua procura. Igualmente prevista está a ligação ao Concelho de Sintra, na zona do Cacém, naquela que será a primeira ligação entre as linhas ferroviárias de Sintra e Cascais num meio de transporte colectivo não rodoviário. Com frequências aproximadas de quatro minutos, pode igualmente ser utilizado “à chamada”, o que se traduz numa elevada flexibilidade da sua oferta. Por último, o seu carácter não poluente, confirmado pela Certificação ISO 14001:2004, aponta a direcção que no futuro os transportes colectivos urbanos terão necessariamente de trilhar. PME’S INOVAÇÃO PME’S INOVAÇÃO DESPORTO NO FEMININO Sete anos após Constance e Pedro Ruiz terem lançado o conceito de fitness, destinado ao público feminino, há mais de uma centena de ginásios da marca a funcionar em Portugal e Espanha Tudo começou quando Constance Ruiz, profissional norte-americana que apoiou o desenvolvimento da área do fitness nos primeiros Holmes Place em Portugal, desafiou o marido com um novo conceito deste tipo de actividade, já generalizado nos Estados Unidos mas ainda não divulgado em Portugal. Pedro Ruiz, empresário com interesses em sectores diversificados, vislumbrou logo o potencial do negócio e contactou primeiro a cadeia Curves para requisitar o seu master franchise, para fornecer serviços a franshisados desta marca em Portugal. Depois o casal decidiu prosseguir sozinho o seu percurso, por acreditar nas suas capacidades para criar e fazer crescer um negócio deste tipo. Sistema de franchise Tinham razão. Sete anos após a abertura do primeiro ginásio Vivafit, o grupo fundado por Constance e Pedro Ruiz tem mais de uma centena de estabelecimentos abertos em território nacional, a maior para dos 44.45 MTPAML quais em sistema de franchise, algumas unidades em Espanha e está a dar os primeiros passos na Índia. Hoje, Constance Ruiz, presidente do Vivafit, acredita que o sucesso da empresa se deve muito ao seu conhecimento do sector do fitness e à capacidade empresarial do marido. O Grupo Vivafit foi a marca nacional pioneira na introdução, em Portugal, do conceito de ginásio só para mulheres. Lidera actualmente este segmento, com uma quota de mais de 67% do mercado. O seu volume de negócios em 2009 foi de 18,5 milhões de euros, valor que se deverá elevar para 22 milhões este ano. Após a tomada de decisão de se iniciarem na actividade a solo, Constance e Pedro Ruiz deslocaram-se aos Estados Unidos para visitarem ginásios com o conceito que pensavam implementar. O destino levou-os a uma pequena aldeia da Florida, onde o estabelecimento que procuravam estava a fechar. Como os seus proprietários queriam vender os equipamentos, adquiriram-nos, deixando-os num armazém local por terem avião marcado para o dia seguinte. Mas já não podiam voltar atrás. Mãos à obra Quando chegaram a Portugal, puseram mãos à obra. Tiraram um curso com Casey Conrad, especialista na área de venda de fitness nos Estados Unidos, procuraram um espaço para o primeiro ginásio e prepararam os colaboradores necessários. O primeiro Vivafit foi aberto em Janeiro 2002, nas instalações do Lago de Windsurf de Oeiras. Não foi a melhor escolha, como os proprietários da empresa iriam constatar passado algum tempo, por estar afastado de potenciais clientes. Mas serviu como teste de lançamento do conceito Vivafit, e de aprendizagem em termos de marketing e serviço aos clientes, para encontrar a melhor forma de o negócio funcionar, mesmo ali, num local afastado como aquele. Foi esse um dos factores “que deu confiança aos investidores para considerarem que os ginásios poderiam funcionar em qualquer lado”, diz Pedro Ruiz, director geral do Vivafit, acrescentando que, desde o início, pretendiam implementar um franchise. Mas, como é evidente, o conceito tinha de ser divulgado. Por isso, estiveram presentes em feiras do sector e fizeram acções de relações públicas. Quase dois anos mais tarde, em Dezembro de 2003, abriu o primeiro franchise em Massamá, zona “habitada por uma classe média endinheirada, onde os dois membros dos casais trabalham, e fazia sentido uma oferta deste tipo, até porque não havia nada similar”, diz Pedro Ruiz. Crescimento acelerado O segundo dos seus cinco ginásios próprios foi inaugurado em Almada em Janeiro de 2004. A partir daí houve como uma explosão, que levou à abertura de 113 estabelecimentos, até hoje, dois deles em Espanha. O Vivafit oferece soluções de fitness a pessoas que procuram receber os benefícios de um programa de exercício regular, através de aulas de trinta minutos que conjugam os efeitos aeróbico e de resistência das máquinas, montadas alternadamente num “circuito” que tem se ser percorrido pelas participantes. PME’S INOVÇÃO PME’S INOVAÇÃO Originalmente concebidas para serem utilizadas para reabilitação, as máquinas hidráulicas do Vivafit oferecem, às utentes, um movimento duplo concêntrico, sem a resistência “negativa” das máquinas de pesos e cargas, o que lhes permite não ficarem com ácido láctico nos seus músculos. Evitam, assim, as dores musculares tradicionalmente associadas ao exercício e continuam a voltar e ter resultados. Formato de aulas As participantes avançam nas máquinas sequencialmente, mantendo uma média de 30 segundos de intervalo. Dependendo do formato da aula, são usados diferentes aparelhos de velocidade e resistência para proporcionar variedade, desafio e melhoria da condição física. Durante todo o dia, as aulas são dadas por instrutoras que ensinam, motivam e apoiam as utentes. Para além de ser detentor do conceito, o Vivafit fornece as máquinas que equipam os ginásios da marca aos franchisados. Inicialmente eram 46.47 MTPAML importadas dos Estados Unidos, mas hoje são fabricadas em Portugal pela Miralago, empresa nacional que produz equipamentos de fitness. Hoje o Grupo Vivafit continua a crescer, mas a ritmo mais baixo. A perspectiva é abrir mais 11 ginásios em Portugal e um em Espanha. Pedro Ruiz diz que a capacidade nacional para este tipo de estabelecimentos está quase preenchida. Por isso, está a olhar para o mercado externo e a preparar novos caminhos de expansão. Para além de estar a dar os primeiros passos na Índia, mostra-se atento ao mercado sulamericano e expressa, com entusiasmo, a sua visão de ver milhares de Vivafit abertos em vários pontos do planeta. Mas não quer que isso aconteça a qualquer preço, porque é necessário salvaguardar a imagem da marca e todo o conceito que a sustenta. Mercado externo Uma das suas bases é a comunicação. Por isso, a Vivafit está a estudar mercados que se expressem em português, espanhol ou inglês, as línguas da empresa. Com a diversificação de mercados e aumento de número de ginásios, é essencial que a informação, tal como as acções de marketing, cheguem até franchisados, monitores, clientes, e seja facilmente perceptível. Pedro Ruiz não quer crescer demasiado depressa lá fora. Este ano já está a avançar um master franchise na Índia. Para o ano, serão mais dois ou três noutros mercados. Apesar de aparecerem vários interessados todos os dias, de há dois anos para cá, só agora é que fecharam o primeiro contrato, com a Índia. Para o director geral da Vivafit, é importante seleccionar as empresas que detém o master franchise para determinado mercado. “Eles têm de ser melhores que nós em tudo”, salienta. No fundo, é a forma de assegurar a imagem de qualidade da marca e a durabilidade do projecto. Até 2014, a Vivafit pretende ter consolidada uma rede com cerca de 150 ginásios em Portugal, 250 em Espanha e cinco master franchises na Europa, América Central e do Sul e Médio Oriente. turismo E LAZER PATRIMÓNIO Hugo Lima O próximo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) realiza-se entre os dias 22 de Outubro e 7 de Novembro. À semelhança das edições anteriores, esta 21ª edição do evento organiza Concursos de BD e de Cartoon, este ano com a República como seu tema central, em ano de comemoração dos 100 Anos da sua implantação em Portugal. O FIBDA é o evento do género mais duradouro e de maior dimensão em Portugal. Acolheu, ao longo das duas últimas décadas, autores, editoras, fanzines, livrarias e muitos projectos ligados à banda desenhada, com muitos graus de mediatização. E, é claro, muitas pessoas, gente que gosta de banda desenhada e tem, ali, uma forma de poder estar próxima dos autores desta arte, que tem como heróis nomes tão mediáticos como Astérix e Obélix, Lucky Luke e os Dalton, Corto Maltese, Tintim, Blake e Mortimer, entre muitos outros. Para Nelson Dona, director do evento, “a organização do festival tem sido um trabalho de compatibilização entre os objectivos de promoção artística e encontrar os meios para o fazer”. O sucesso da organização pode ser atestado pelo facto de a FIBDA marcar hoje o calendário de banda desenhada internacional e ser um dos eventos culturais mais importantes a decorrer em Portugal, não só pela sua dimensão e qualidade artística, mas também pela sua longevidade e regularidade. A existência do festival faz com que se fale de banda desenhada no nosso país, pelo menos durante o período em que decorre o evento. O Festival Internacional de Banda Desenhada DA AMADORA Revelou autores desconhecidos, trouxe a Portugal os heróis mais mediáticos e coloca todos os anos o termo BD na boca dos portugueses. O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora faz 21 anos 48.49 MTPAML Nelson Dona, director do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO Hugo Lima Os primeiros passos A primeira edição do festival decorreu em 1990, numa iniciativa da Câmara Municipal da Amadora. Foi um certame marcado pela presença de autores portugueses. Mas Lucky Luke e o seu autor, Morris, estiveram em grande destaque no evento, com um protagonismo que levantou alguma polémica em relação à atenção dada aos autores portugueses, mas que não desviou o Festival dos seus verdadeiros propósitos, bem expressos no texto do vereador do pelouro da cultura inserto no desdobrável que servia de catálogo à exposição: “À Amadora cabe agora contribuir para o alargamento da influência da B.D. em Portugal”. Nessa altura, o mercado de banda desenhada tinha um espaço diminuto, marcado essencialmente pela pujança editorial da Meribérica-Liber. A herança de um passado glorioso, alimentado por publicações periódicas que deram a ler uma produção fortíssima, que associou a banda desenhada a suplementos de algumas publicações periódicas e revistas juvenis, como o Tintim, fazia-se sentir. Por isso, “a ideia de fazer um festival que se tornasse um evento duradouro, capaz de atrair investimentos e muito público, não parecia necessariamente 50.51 MTPAML uma aposta muito segura”, diz Sara Figueiredo Costa, coordenadora do Almanaque dos XX anos do FIBDA. De um pequeno espaço de exposições, o festival cresceu até ocupar uma área muito mais vasta, com várias actividades a desenvolver-se em paralelo. Houve muitos debates, conferências, lançamentos editoriais, workshops e várias outras actividades associadas. As filas de pessoas para aceder às mesas para os autores presentes autografarem das suas obras foram-se alongando com o passar dos anos, tanto para alguns autores portugueses como estrangeiros. Cresceram também as exposições, alargando-se a latitudes onde a banda desenhada não é conhecida, e não só do público português. Foi o caso da BD africana, da América Latina, da Finlândia ou da Coreia, que teve, pela primeira vez, obras expostas fora do seu país de origem. Da fase inicial em que havia uma exclusividade, quase total, de autores portugueses, o festival passou para uma outra mais cosmopolita, em que se passaram a juntar nele autores de outros países e continentes, disponíveis para o contacto com os leitores e conversa sobre o seu trabalho. Esta evolução positiva do certame fez com que o investimento municipal nele tivesse também crescido. PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO Hugo Lima 52.53 MTPAML Um evento universal O FIBDA passou a ser organizado noutros espaços, e o trabalho com as escolas assumiu uma importância incontornável, criando sinergias que contribuem para a formação de novos públicos. O Festival de Banda Desenhada da Amadora já esteve na Galeria Municipal, Fórum Luís de Camões, na estação de metro Amadora-Este, na Escola Intercultural ou na Fábrica da Cultura, levando as pessoas a apreciar esta arte em vários pontos do concelho. Por outro lado, “fruto de parcerias estabelecidas ao longo do tempo com muitas instituições, festivais e museus de todo o mundo, a vinda de exposições estrangeiras à Amadora é feita por permuta, o que permite apresentar autores portugueses em locais tão importantes como Angoulême, Paris, Bruxelas, Hong Kong ou Piracicaba no Estado brasileiro de São Paulo”, diz Nelson Dona. Até agora, foi aos grandes festivais que coube o papel mais visível de divulgação, exposição e promoção da banda desenhada. O FIDBA tem mostrado, ao grande público, trabalhos de autores de vocação comercial notória, onde se incluem desde séries históricas assinadas pelos grandes mestres até aos fenómenos editoriais dos grandes centros de produção e autores menos conhecidos. É um equilíbrio que vai garantindo vários pontos de interesse para um público diversificado. Por isso, é natural a apetência do público pelo festival, por uma arte com apreciadores de todas as idades. E o próximo é já em Outubro. PATRIMÓNIO turismo PATRIMÓNIO e LAZER A valentia das gentes da Moita, a sua ligação à festa brava, os gloriosos momentos vividos na antiga Praça da Caldeira e na arena da Praça Daniel do Nascimento, são dados inequívocos de que esta é uma terra de gente aficcionada. É uma história que se escreve há três séculos, mais precisamente desde 1721, ano de que é conhecido o primeiro registo de festejos taurinos no concelho da Moita, por ocasião da festa religiosa em honra de Nossa Senhora do Rosário, na freguesia do Gaio - Rosário. Os registos ligados à Festa em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita, datam de 1835 e 1836 e mencionam as corridas de toiros realizadas no decurso das festas locais, em duas tardes do mês de Setembro. As largadas de toiros realizadas, actualmente, na avenida Dr. Teófilo Braga, um dos eventos mais atractivos de todas as festas, também têm a sua história. Inicialmente eram largados toiros na Praça da Caldeira, no final de cada corrida, para os curiosos. Mas quando decorreu a inauguração da Praça Daniel do Nascimento, a largada de toiros na avenida proporcionou tamanho divertimento às pessoas que acabou por se tornar num evento obrigatório das festividades. As entradas de toiros estavam ligadas ao antigo maneio do transporte de gado do pasto para as praças de toiros. Com o evoluir do transporte rodoviário, as entradas passaram a ser organizadas de forma bem diferente, com a criação de “mangas” próximas dos locais das largadas, que permitem a passagem dos animais pelas ruas da vila para contentamento das centenas de pessoas que não perdem uma entrada de toiros. A Festa Brava NA moita O amor à Festa Brava vivida na Moita, uma história com 300 anos, está testemunhado em poemas, fados, nas pinturas de casas e nas embarcações tradicionais do Tejo. Partilhar esta entrega apaixonada e aficcionada é uma experiência inesquecível 54.55 MTPAML A Praça da Caldeira A autenticidade e a tradição da Festa Brava fez crescer, ao longo de décadas, o número de aficcionados e determinou a necessidade de profissionalizar os eventos realizados, numa perspectiva evidente de exploração económica do espectáculo. Assim é criada na Moita, em 1871, a Sociedade Tauromáquica “Renascença”, que viria a construir a Praça baptizada com os nomes de Praça da Caldeira ou de Nossa Senhora da Boa Viagem, com capacidade para 4 mil pessoas. Entre 1872 e 1947, a Praça da Caldeira cumpriu 75 anos ao serviço da festa brava, interrompidos por uma vistoria que detectou carências ao nível das condições de segurança. À época, a relevância assumida pela tauromaquia nas festas determinou que, em 1948 e 49, e na sequência do encerramento da Praça, não se realizassem as Festas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem. Um novo movimento é então criado para a construção de uma outra praça de toiros, constituindo-se a Sociedade Moitense de Tauromaquia, proprietária da actual praça de toiros, que tomou a denominação PATRIMÓNIO de Daniel do Nascimento, bandarilheiro de reconhecido prestígio nascido na Moita, que foi inaugurada a 16 de Julho de 1950. Ao longo destes anos, a Moita tem consolidado uma posição cimeira no panorama tauromáquico, acolhendo a mais importante Feira Taurina de Portugal, que se realiza em Setembro, aquando das Festas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem. Pela arena da Praça de Toiros Daniel do Nascimento têm passado todos os grandes nomes do toureio nacional e internacional, uma praça de primeira categoria que assinala este ano 60 anos de existência. As festividades e os eventos tauromáquicos foram ganhando notoriedade, com o passar dos anos, atraindo cada vez mais amigos e forasteiros. Hoje, as festas, em especial a que decorre em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, são um ponto de encontro, amizade e convívio, em torno das quais foram sendo criadas novas dinâmicas. A “Tarde do Fogareiro” é um exemplo recente e uma iniciativa que reúne milhares de pessoas na tarde de sexta-feira da festa de Setembro. Esta foi a forma encontrada pelos aficcionados, que participam nas largadas ao final da manhã, de darem continuidade à festa sentados à volta da mesa, em plena avenida, a degustarem um bom prato de carnes grelhadas no fogareiro, num ambiente onde reina a animação e a confraternização, e que atrai cada vez mais gente. Curioso é, igualmente, o facto de existirem muitos fogareiros em toda a avenida que, no meio das largadas, e presos às árvores com sistemas manuais criativos que permitem elevá-los, vão afagando os estômagos dos mais afoitos e curiosos. 56.57 MTPAML PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO ga, na Moita; as largadas em Sarilhos Pequenos, em Alhos Vedros e na Barra Cheia. Na freguesia do Gaio-Rosário, entre os meses de Junho e Agosto têm lugar ao fim-de-semana as largadas na praia do Rosário, em que o espaço da largada está delimitado entre o areal e a água. A Feira Taurina, em Setembro, continua a ser a mais importante do País e é o momento alto do calendário taurino. A cultura e tradição taurina constituem um atractivo importante para a dinamização do turismo e da actividade comercial local, seja pelos milhares de aficcionados que passam pela avenida para assistirem a uma largada de toiros, seja pelos que elegem a Praça Daniel do Nascimento como palco de excelência na agenda dos muitos espectáculos taurinos que se realizam no país. O amor à Festa Brava vivida na Moita, testemunhado em poemas, fados, nas pinturas de casas e nas embarcações tradicionais do Tejo, é merecedor de uma visita ao concelho para sentir o pulsar de uma população que, de uma forma ou de outra, está sempre ligada à Festa. Partilhar esta entrega apaixonada e aficcionada é uma experiência inesquecível, que vale a pena viver num concelho que aposta no bem-estar à beira Tejo, na preservação da sua cultura, tradições, património histórico e natural, num melhor ambiente e onde a qualidade de vida é uma realidade. Toureio apeado A tradição tauromáquica na Moita é mais vincada no toureio apeado, arte onde se destaca o nome de António do Carmo Costa, o primeiro matador de toiros da terra com alternativa tirada no México em 1984. Desde essa data, e fruto do trabalho realizado pela Escola de Toureio da Moita no final da década de 90, três jovens novilheiros conseguiram alcançar a alternativa como matadores de toiros: Luis Vital “Procuna”, Nuno Filipe “Velasquez” e Sérgio dos Santos “Parrita”, e cerca de uma dezena seguiu a carreira de bandarilheiro. O toureio a cavalo também tem a sua história no concelho, com vários cavaleiros amadores a abrilhantarem algumas das praças mais importantes do país. No entanto, nenhum deles concretizou a sua alternativa. Mas a ligação ao cavalo e à arte equestre não é restrita ao toureio a cavalo. No concelho da Moita, a actividade ocupa lugar de destaque com diversificadas iniciativas, entre as quais se destacam a Romaria a Cavalo Moita – Viana do Alentejo, que decorre no último fim-de-semana de Abril e a Feira Equestre, que ocorre no segundo fim-de-semana de Julho. Por outro lado, existem diversas associações e grupos ligados à actividade equestre que dinamizam os seus próprios eventos, com um número crescente de adeptos. 58.59 MTPAML A pega de toiros De regresso aos toiros, falta mencionar os “últimos românticos da festa”, como são denominados por alguns autores, ou os “jovens moços de forcado da terra”, como são caracterizados em documentos mais antigos, que simbolizam toda a garra e coragem que é necessária para enfrentar o toiro, desafiando-o para um corpo a corpo. A forcadagem é uma tradição genuinamente portuguesa e encontra na Moita, apelidada por alguns críticos como a Sevilha portuguesa, figuras célebres na arte de pegar toiros. Um dos momentos mais emotivos de uma corrida à portuguesa é o momento da pega, da união entre o homem e o toiro, entre a coragem e a bravura, em que se desafia a vida por amor à arte de pegar toiros. É uma arte centenária na Moita, com primeiro registo de um grupo de “moços de forcado da terra” datado de 6 de Agosto de 1905. Há, hoje, dois grupos no activo: o Grupo de Forcados Amadores da Moita e o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita. Reúnem dezenas de jovens audaciosos, onde impera o espírito de grupo e camaradagem, que preserva e dá continuidade a uma tradição enraizada na nossa cultura. Da agenda de eventos ligados à Festa Brava destaca-se a Feira de Maio, com as corridas e as largadas de toiros na Avenida Teófilo Bra- Fundos Comunitários Fundos Comunitários Modernização do Parque Escolar da Área Metropolitana de Lisboa Ao abrigo do contrato assinado entre a Autoridade de Gestão do PORLisboa e a AML, foram definidas, nos termos do Decreto-lei nº 312/2007, de 17 de Setembro, alterado e republicado pelo Decreto-Lei nº 74/2008, de 22 de Abril, as competências da Área Metropolitana de Lisboa como organismo intermédio do PORLisboa, designadamente: a) Assegurar que são cumpridas as condições necessárias de cobertura orçamental das operações b) Assegurar a organização dos processos de candidatura de operações ao financiamento pelo POR Lisboa c) Garantir o cumprimento dos normativos aplicáveis nos domínios da concorrência, da contratação pública, dos auxílios estatais, do ambiente e da igualdade de oportunidades No âmbito do QREN 2007-2013, a Autoridade de Gestão do Programa Operacional Regional de Lisboa celebrou um Contrato de Delegação de Competências sem Subvenção Global com a Área Metropolitana de Lisboa, a quem delegou competências na gestão e acompanhamento de duas tipologias de projecto: a Requalificação da Rede Escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar e o Sistema de Apoio à Modernização administrativa (SAMA). No que concerne a Modernização do Parque Escolar da Área Metropolitana de Lisboa (1º Ciclo do Ensino Básico e Pré-Escolar), foram aprovadas pelo PORLisboa quarenta e seis operações de projectos infra-estruturais de raiz e de remodelação/ampliação de equipamentos, integrados no Eixo Prioritário III “Coesão Social” deste programa operacional regional, que concorre para a promoção do desenvolvimento da Região de Lisboa e para a coesão nacional. Estes projectos configuram objectivos de melhoramento e alargamento da Rede Escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar, com vista a satisfazer as necessidades da população e a atenuar as carências deste tipo de infra-estruturas diagnosticadas nas cartas educativas dos concelhos do território da AML, em virtude do aumento do crescimento demográfico que se tem vindo a acentuar ao longo da última década nas áreas metropolitanas do país. As obras de remodelação e construção dos novos edifícios visam a modernização do parque, promovendo a utilização de edifícios escolares dotados de elevada qualidade arquitectónica e funcional que possibilitem um eficaz reordenamento da rede educativa e contribuam para a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos, e tendo como objectivos centrais: • Construção/ampliação/requalificação de escolas básicas que integrem, preferencialmente, o 1º Ciclo e a Educação Pré-Escolar, na perspectiva da criação de Centros Escolares; • Arranjos exteriores dentro do perímetro dos estabelecimentos do 1º ciclo do ensino básico e da educação pré-escolar a construir/ ampliar/requalificar; 60.61 MTPAML • Mobiliário escolar, material didáctico e equipamento informático destinado a apetrechar as novas salas de aula e outros equipamentos necessários ao funcionamento de espaços específicos resultantes da construção ou ampliação de estabelecimentos do 1º ciclo do ensino básico e da educação pré-escolar; • Eliminação dos regimes de funcionamento duplos; • Progressiva suspensão do funcionamento das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico de reduzidas dimensões, designadamente as escolas com menos de 20 alunos; • Eliminação de edifícios de construção precária, nomeadamente pavilhões pré-fabricados. As obras de construção/ampliação/requalificação das escolas, com enfoque na modernização do parque, concentram os seus objectivos na qualificação de espaços educativos, onde se possa de forma efectiva abrir a escola à comunidade e conferir a estes espaços segurança. A acessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência, contemplando igualmente soluções duradouras, foram previstas quer na inovação arquitectónica dos equipamentos, quer no reforço dos equipamentos tecnológicos. No plano da construção foram, ainda, previstos mecanismos de eficiência energética, como a colocação de painéis solares, de modo a que os custos de gestão e de manutenção sejam mais reduzidos. Os projectos de modernização corresponderam a um esforço financeiro, por parte dos Municípios, na ordem dos 102.992.107,74€, dos quais 26.564.376,55€ são financiados pelos fundos comunitários FEDER. Neste momento, a execução global desta tipologia de projecto encontra-se na ordem dos 54%. d) Assegurar a conformidade dos contratos de financiamento das operações apoiadas com decisão de financiamento e respeito pelos normativos aplicáveis e) Verificar que foram fornecidos os produtos e os serviços financiados f) Verificar a elegibilidade das despesas, identificando e justificando a natureza e o montante das despesas elegíveis e não elegíveis previstas nas candidaturas g) Assegurar que as despesas declaradas pelos beneficiários para as operações foram efectuadas no cumprimento das regras comunitárias e nacionais, podendo promover a realização de verificação de operações por amostragem, de acordo com as regras comunitárias e nacionais de execução h) Assegurar que os beneficiários e outros organismos abrangidos pela execução das operações mantêm um sistema contabilístico separado ou um código contabilístico adequado para todas as transacções relacionadas com a operação sem prejuízo das normas contabilísticas nacionais i) Assegurar a recolha de dados físicos, financeiros e estatísticos sobre a execução para a elaboração dos indicadores de acompanhamento e para os estudos de avaliaçãoestratégica e operacional. Fundos Comunitários Fundos Comunitários Operações aprovadas - Modernização do Parque Educativo - 1º Ciclo do Ensino Básico e Pré-escolar QREN - PORLisboa Escola Básica Mina Município da Amadora €2.909.806,88 €1.200.000,00 €600.000,00 €800.000,00 Remodelação e Ampliação da EB1 / JI nº 3 da Póvoa de Sto. Adrião Município de Odivelas €1.402.965,45 €840.795,66 €420.397,83 €1.500.000,00 €750.000,00 Escola EB1_JI do Porto Pinheiro - Odivelas Município de Odivelas €2.737.105,52 €1.600.000,00 €800.000,00 €1.062.850,83 €629.600,00 €314.800,00 Município do Seixal €930.162,31 €453.346,26 €226.673,13 Município de Almada €2.142.880,19 €1.280.035,00 €640.017,50 Escola Básica de Vila Chã Município da Amadora €3.091.946,44 €1.585.479,96 €792.739,98 Construção e Apetrechamento da Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim-de-Infância Vale Figueira nº 1 EBI 2.3 Luísa Todi Município de Setúbal €2.385.186,84 €1.353.999,15 €676.999,58 Escola Básica 1 de Varge Mondar Município de Almada €2.189.548,87 €1.305.049,30 €652.524,65 Município de Sintra €2.126.375,54 €1.468.125,00 €734.062,50 Construção e Apetrechamento da Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim-de-Infância Almada nº 2 Município de Almada €1.485.602,27 €541.076,65 €270.538,32 Designação das Operações Beneficiário Investimento Total Investimento Elegível Aprovado Financiamento FEDER Aprovado EB1/JI de Alverca (Malva Rosa) Município de Vila Franca de Xira €2.000.000,00 €1.600.000,00 Escola 1º ciclo + Jardim-de-Infância do Pinhal General Município de Sesimbra €2.065.000,00 Escola do 1º CEB nº 3 de Birre Município de Cascais EB1/JI Pinhal de Frades Escola Básica do 1º Ciclo do Ensino Básico com Jardim-de-Infância em Val’ Flores. Pinhal Novo Município de Palmela €2.529.925,06 €1.600.000,00 €800.000,00 Construção e Apetrechamento da Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim-de-Infância Trafaria nº 2 Escola Básica do 1º Ciclo de Pinhal Novo 2 Município de Palmela €1.995.312,37 €1.300.000,00 €650.000,00 Ampliação e Requalificação da EB1/JI do Afonsoeiro Município do Montijo €509.880,88 €316.642,17 €158.321,08 Jardim-de-infância da EB/JI nº1 da Moita (Palheirão) Município da Moita €711.094,56 €357.439,00 €178.719,50 EB1 Dr. Sousa Martins Município de Vila Franca de Xira €1.391.715,25 €1.198.524,60 €599.262,30 Construção e Apetrechamento da Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim-de-Infância Pragal nº2 Município de Almada €2.440.513,00 €1.293.783,00 €646.891,50 EB1/JI de Vialonga Município de Vila Franca de Xira €2.501.128,78 €1.333.493,80 €666.746,90 2ª Fase da EB1 nº 9 de Odivelas - Arroja Município de Odivelas €1.777.824,76 €894.858,22 €447.429,11 Construção e Apetrechamento da EB1/JI da Quinta das Mós (Loures) Município de Loures €2.811.675,06 €1.343.508,66 €671.754,33 Remodelação e ampliação da EB1 nº 3 de Loures para integração do JI do Fanqueiro Município de Loures €1.420.278,00 €1.166.928,00 €583.464,00 Construção e Apetrechamento da EB1/JI da Quinta do Conventinho (Loures) Município de Loures €2.837.029,50 €1.355.423,10 €677.711,55 Antiga Escola Mendonça Furtado - Centro Escolar Município do Barreiro €1.466.563,37 €1.456.173,16 €728.086,58 EB1/JI da Quinta do Batateiro Município do Seixal €3.792.735,00 €1.575.600,00 €787.800,00 Centro Escolar do Bairro do Armador (Zona M de Chelas) Município de Lisboa €2.080.000,00 €1.600.000,00 €800.000,00 Município de Oeiras €6.340.328,27 €1.600.000,00 €800.000,00 EB1/JI da Penalva Município do Barreiro €830.728,14 €472.980,00 €236.490,00 EB1/JI de Linda-a-Velha, Biblioteca Municipal, Jardim Público e Parque de Estacionamento Subterrâneo EB1/JI de Nun’Álvares Município do Seixal €1.487.649,10 €1.152.900,00 €576.450,00 Município de Lisboa €2.481.382,83 €987.975,02 €493.987,51 Escola Básica Integrada do Poceirão Município de Palmela €629.878,15 €629.878,15 €314.939,08 Ampliação/Remodelação da EB1 das Laranjeiras nº 120 e JI do Bairro de S. João Escola do 1º CEB nº 3 de Alcabideche EB 1 nº 1 da Póvoa da Stª Iria €2.034.671,65 €773.016,75 €386.508,38 Município de Cascais €3.215.195,00 €1.092.436,10 €546.218,05 Município de Vila Franca de Xira Escola do 1º CEB nº2 de São Domingos de Rana Município de Lisboa €3.885.000,00 €1.600.000,00 €800.000,00 Município de Cascais €1.843.990,00 €729.722,04 €364.861,02 Escola Básica do 1º Ciclo nº 167 (Bairro Padre Cruz) Escola do 1ºCEB nº2 e Jardim-de-Infância da Galiza Município de Cascais €1.014.385,20 €496.400,00 €248.200,00 Construção de EB1/ JI Milharado - Quinta do Munhoz Município de Mafra €5.380.287,07 €1.229.472,07 €614.736,04 Escola 1º ciclo +Jardim-de-Infância Sampaio Município de Sesimbra €2.525.560,00 €1.600.000,00 €800.000,00 Centro Escolar da Quebrada Município de Alcochete €3.486.268,00 €1.512.955,29 €756.477,64 Construção da EB1/JI da Quinta dos Franceses Município de Alcochete €1.980.478,32 €941.711,48 €470.855,74 Município do Seixal €2.669.148,93 €1.427.608,60 €713.804,30 Núcleo de Ensino Básico 1 do Centro Escolar de S. Francisco Construção e Apetrechamento da Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim-de-Infância Costa de Caparica nº 2 Ampliação da EB1 Nº2 do Montijo - Bº do Mouco Município de Montijo €261.081,90 €251.781,90 €125.890,95 Município de Almada €2.004.762,17 €1.280.035,00 €640.017,50 Centro Escolar de Caneças (EB1/JI) Município de Odivelas €2.109.600,00 €1.600.000,00 €800.000,00 Escola Básica da Brejoeira Município de Setúbal €4.016.606,28 €1.600.000,00 €800.000,00 €102.992.107,74 €53.128.753,09 €26.564.376,55 62.63 MTPAML TOTAL IMAGENS METROPOLITANAS IMAGENS METROPOLITANAS Luísa Flores O seu sentir e o seu conhecimento das vivências de toda a Área Metropolitana de Lisboa, da beleza dos seus recantos, do pulsar das suas pessoas, revelam a humanidade particular de quem sabe parar para olhar e escutar Começou por trabalhar em fotografia no atelier do Arquitecto Francisco da Conceição Silva, em 1968 e foi assistente do fotógrafo Sérgio Guimarães. Frequentou o curso de Educação Visual da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Mais tarde, trabalhou como free lancer no Brasil, onde permaneceu entre 1975 e 1981. Dedica-se sobretudo à fotografia publicitária e de arquitectura e tem colaborado regularmente em diversas publicações, como a Casa & Decoração, Teleculinária, Caras Decoração e revista Metrópoles, entre outras, para além de ter ilustrado diversos livros de culinária. Festa do Desporto AML 2008 64.65 MTPAML Sintra 1998 IMAGENS METROPOLITANAS IMAGENS METROPOLITANAS Prédio em obras Lisboa 2007 Sarilhos Pequenos 2002 66.67 MTPAML IMAGENS METROPOLITANAS Parque das Nações Lisboa 2007 68.69 MTPAML Cascais 2009 CULTURA Jornais E Jornalistas da república São fonte imprescindível de elementos para fazer a história das ideias, das mentalidades, da profunda intervenção da República para a mudança e, ao mesmo tempo, para reflectir nos graves erros cometidos António Valdemar Jornalista A causa da República tem marcos históricos que a imprensa acompadirecção de Magalhães Lima prosseguia uma intensa actividade polínha, noticia e comenta através de jornalistas em tempo inteiro, ou de tica, iniciada em Coimbra quando frequentava a Universidade e onde intelectuais e políticos que colaboram nos órgãos de informação. A concluiu o curso de Direito. Presença vigorosa, durante 50 anos, personalidade emblemática de Henriques Nogueira e, anos depois, de Magalhães Lima afirmou-se, entre grandes aplausos e grandes conLatino Coelho e Teófilo Braga, inserem-se nas origens. A imprensa detestações, não só na comunicação social mas em todas as tribunas sempenhou papel fundamental na doutrinação do ideário da Repúblinacionais e internacionais que defendem a República. Exerceu, tamca, na organização do partido, no relato bém, o mais longo pontificado de grãode conferências, de comícios e de inter-mestre da Maçonaria Portuguesa. venções parlamentares, na preparação Por ocasião do Ultimatum de 1890, surdo movimento e no decurso da própria giu em Lisboa A Pátria, sob a direcção revolução. de Higínio de Sousa. Teve duração eféNo Dicionário do Jornalismo, de A. X. da mera mas insere-se numa das primeiSilva Pereira, que acompanha a evoluras organizações da Carbonária (estrução da história da Imprensa desde o sétura secreta sem ligações orgânicas à culo XVII até 1889, data da morte do Rei maçonaria, embora tenha colaborado D. Luís, existe uma inventariação consicom o então Grande Oriente Lusitano derada tanto quanto possível exaustiva. Unido, para implantação da República). O ano de 1848 indica o aparecimento, Higínio de Sousa, que era médico, reuem Lisboa, do primeiro título, seguindoniu outros médicos que viriam a distin-se A República, 1870 (Lisboa); A Repúguir-se na política, como Eusébio Leão, blica, 1873 (Porto); A República, 1873 primeiro governador civil de Lisboa, em (S. Miguel, Açores); A República, 1874 5 de Outubro de 1910. (Lisboa); A República, 1880 (Lisboa). Mas irrupção do jornalismo RepublicaO Dicionário de Silva Pereira acrescenno em todo o país verifica-se na tranta, neste contexto: A República Federal, sição do século XIX para o século XX, 1869 (Lisboa); A República Federal, quando se acentuam os combates à 1880, (S. Miguel, Açores); República monarquia. Limitando-nos a mencioMagalhães Lima, num desenho de Rafael Bordalo Pinheiro Portuguesa, 1882 (Lisboa); República nar jornais diários de Lisboa – mas de Portuguesa, 1873 (Coimbra) e, ainda, o Republicano, 1848 (Lisboa); indiscutível projecção nacional – podemos citar O Mundo, de França O Republicano, 1869 (Lisboa); O Republicano, 1880 (Lisboa); O RepuBorges, Mayer Garção e Luís Derouet; A Vanguarda, de Alves Correia e blicano, 1880 (Porto); O Republicano, 1881, e O Republicano, 1880 Heliodoro Salgado (fundador de uma das Carbonárias) e, mais tarde, (Lisboa), que dará lugar ao Radical. Este último exemplo leva-nos a de Magalhães Lima; A Lucta, de Brito Camacho; A República, de Artur salientar muitas outras publicações republicanas com outros títulos. Leitão; o Radical, de Marinha de Campos; O País, de Meira e Sousa, Uma análise dos jornais e revistas que se empenharam na causa da com ligação directa à Carbonária de Luz de Almeida, e que acolheu República permite estabelecer várias fases distintas: dos primórdios textos incendiários do jovem Aquilino Ribeiro; A Capital, de Manuel de 1848 até 1876, data da fundação do primeiro Partido Republicano; Guimarães, Jorge de Abreu e Avelino de Almeida, anteriormente rede 1880, comemorações do terceiro centenário de Camões, a 1890, dactor do Século e autor de um dos mais contundentes panfletos Ultimatum e reestruturação do Partido Republicano; de 1891, revoluanti-clericais - A Lanterna. Há outras referências obrigatórias, como a ção Republicana do 31 de Janeiro no Porto, até 1908, fim da ditadura Alma Nacional dirigida por António José de Almeida. Ainda estudante de João Franco; de 1 de Fevereiro de 1908, regicídio, até 5 de Outubro de Medicina, em Coimbra, na altura do Ultimatum, António José de de 1910, quando da proclamação da República. Almeida publicou o artigo Bragança, o último. Foi condenado a prisão, O Século, que apareceu em 1881 com Magalhães Lima como redactor uma das primeiras condenações por delito de Imprensa. Também principal, foi o primeiro grande quotidiano que serviu a propaganda avultam os jornais e revistas de caricaturas e cartoons entre as quais Republicana, até se transformar num jornal de informação geral. A A Paródia, de Rafael Bordalo Pinheiro. CULTURA Machado Santos, ao proceder a uma caracterização dos orgãos de comunicação social e ao analisar o impacto na opinião pública durante a revolução do 5 de Outubro de 1910, observou: “O jornal da manhã, O Mundo, dava notícia dos acontecimentos, exagerando-os, o que não prejudicava o movimento”. A Lucta, na segunda página, publicava um artigo minúsculo intitulado: Ordem Pública – Tropas na rua- O que há? O jornal da tarde, O Paiz, que às 4 horas já se encontrava à venda nas ruas, dava notícia de grandes vitórias do lado dos revolucionários e incitava o povo à revolta. Efectivamente, quando este jornal saiu da máquina, ganhavam os revolucionários o primeiro e o mais importante dos combates da Rotunda, mas, enquanto se imprimia, ninguém podia cantar vitória. O jornal da noite, A Capital, dava notícias entusiásticas sobre a revolução, o que sempre animava os tímidos a virem colaborar connosco. Se a revolta fosse sufocada O Mundo e A Capital seriam suspensos; O Paiz suprimido e o seu director Meira e Souza, teriam a mesma sorte dos revolucionários. Quanto à Lucta, nada sofreria. Atravessaria o período de repressão e do novo engrandecimento do poder real, com a mesma paz e sossego com que atravessou toda a existência ministerial de João Franco. Ficaria o único orgão do desbaratado Partido Republicano, a única voz que, na imprensa, pediria misericórdia para os vencidos (A Revolução Portuguesa, págs. 170 e 171). No mesmo relato, Machado Santos pormenoriza a crescente republicanização nas periferias de Lisboa, concelhos limítrofes e muitos outros, à excepção dos da Beira Baixa: “A organização revolucionária estendia-se a todo o continente do reino.(...) Comités locais, subordinados a comités superiores, tinham ordens para sublevar as povoações no mesmo dia e hora em que a revolução começasse em Lisboa. (...) Candido dos Reis dizia que, se o movimento fosse vitorioso em Lisboa, toda a província aderia imediatamente. Era e foi certo. Mas a Alta Venda da Carbonária tinha em vista, no caso de um insucesso, na capital, continuar o movimento na província. Para bater a província, a monarquia teria de desguarnecer a cidade, e então esta levantar-se-ia de novo.(...) A Carbonária cedeu aos desejos do Almirante.(...) A província armou-se à sua custa e de lá veio também uma boa parte do dinheiro com que o Directório adquiriu o armamento para Lisboa”(A Revolução Portuguesa, págs. 145 a 148). Os jornais e revistas que mencionamos (O Mundo, A Vanguarda, A Lucta, A República, o Radical, O Paiz , A Capital, a Alma Nacional, A Paródia e outras publicações humorísticas) eram lidos com voracidade, muitas vezes, no próprio dia. Os primeiros transportes colectivos de Lisboa e arredores, em 1838, tinham carruagens que, para além da cidade, já abrangiam Oeiras e Cascais, Amadora e Sintra, Loures e Mafra. Introduzido no fontismo, em Outubro de 1856, e progressi72.73 MTPAML CULTURA Meira e Souza director de O Paiz, o jornal mais vinculado à Carbonária vamente alargado, o caminho de ferro, no seu funcionamento diário, tornava muito mais rápidas e eficazes as comunicações efectuadas a partir de Lisboa. Estas circunstâncias – associadas aos primórdios do automóvel e ao desenvolvimento do telegrafo e do telefone – ajudam a compreender a instauração da República, em Loures, a 4 de Outubro de 1910, um dia antes da vitória revolucionária e da proclamação oficial em Lisboa. Todavia, uma das mais significativas contribuições do jornalismo para mobilização da República assinala-se, entre 1908 e 1910, com as Cartas Políticas de João Chagas, que se impõem pelo vigor panfletário e recorte literário. Chagas, durante 20 anos, conheceu as engrenagens do sistema. Tinha a convicção de que, mais cedo ou mais tarde, a República estaria vitoriosa. Mas, a 2 de Agosto de 1910, nas Cartas Políticas vaticinava: “A preocupação dos Republicanos é fazer a República. A minha já não é essa. A minha é salvá-la. Feita já ela está. Está feita nos corações. O mais difícil é enraizá-la, amanhã. A República encontra-se no estado ideológico. Os Portugueses amam-na porque a idealizam.” João Chagas, o panfletário das Cartas Políticas “Em que consiste então - prosseguia João Chagas - a minha apreensão? Em saber que o que põe em perigo a República de amanhã é a Monarquia de hoje. O mal de hoje pode ainda ser o mal de amanhã e a Monarquia, morrendo, pode transmitir a sua peçonha ao corpo virginal da República. Os Republicanos é que hão-de construir o estado de amanhã. Só eles o poderão salvar, com o espírito de defesa das novas instituições que só eles possuem. A República poderia ser igualmente dos monárquicos se a Monarquia, entre nós, não quisesse dizer desgraça pública. Se não tivesse esta significação, eles seriam cidadãos que passam a servir a Pátria à sombra de uma bandeira diferente. Assim não! Assim são autores de grandes males nacionais e não podem ter a pretensão de os reparar. A palavra República em Portugal anda estritamente associada à palavra Justiça. O predomínio dos monárquicos dentro da República seria subversão de toda a Justiça.” Estas palavras proféticas foram escritas em 2 de Agosto de 1910. Dois meses depois houve a revolução e a proclamação da República. Sobre esses acontecimentos, que provocaram mudanças irreversíveis na sociedade portuguesa, assistiu-se a novos hábitos de pensar e agir. João Chagas voltou a formular mais outro aviso ao País para que se acautelasse do perigo que antes denunciara. Em 22 de Dezembro de 1910 escrevia: “Quem ignorar que, em Portugal, foi proclamada a República e lançar mão de qualquer jornal monárquico, ficará imaginando que, neste País, houve apenas uma mudança de ministério e que esse ministério está, como sempre, sendo combatido pela oposição. Mais nada! Deu-se aqui um verdadeiro cataclismo. Caiu, numa manhã, uma tradição de sete séculos, sacudida por um estremecimento social que só tem equivalente num tremor de terra. Rolou por terra um trono, sob uma chuva de granadas, e um rei espavorido tomou o caminho do exílio num batel de pescadores. Tudo o que fazia a sua omnipotência caiu com ele e foi subvertida a corte, a nobreza, o governo, o parlamento, o seu palácio, a sua guarda. A sua realeza era um poder feudal. Caiu como uma Bastilha. A sua Monarquia foi vencida pela força das armas e todo o orgulho, todo a petulância do seu domínio da véspera passaram a chamar-se derrota, fuga, banimento, humilhação, adversidade, infortúnio.” João Chagas acentuava ainda: “A revolução, que em Portugal era esperada como um dies irae, foi um idílio. A revolução esqueceu tudo, perseguições, exílios, deportações, cárceres. Triunfante, a revolução, num grande élan de fraternidade, estendeu as mãos, abriu os braços aos seus algozes e convidou-os, por sua vez, a esquecer. Na manhã de 5 de Outubro vi o povo, radiante, aplaudir, às mãos ambas, a Guarda Municipal que fora entregar as espingardas fumegantes de o ter combatido. A revolução foi então sublime”. Todos estes jornais, ou muitos deles, desapareceram com o 5 de Outubro de 1910 e a fragmentação do Partido Republicano em 1911, mas foram grandes escolas de jornalismo. Através deles, podemos recolher elementos para fazer a história das ideias, das mentalidades, da profunda cooperação da República para a mudança e, ao mesmo tempo, para reflectir nos graves erros cometidos e que, em 1926, arrastaram o país para a ditadura militar e para a ditadura de Salazar e de Marcelo Caetano. A liberdade política e social só em 25 de Abril de 1974 voltará a ser restituída aos portugueses. GOSTOS E AROMAS Ao falarmos de gastronomia madeirense, do que primeiro nos lembramos é das espetadas de carne de vaca, dos bifes de atum, dos filetes de peixe espada preto, localmente conhecidos apenas por filetes de espada, e das lapas grelhadas. Estes são os pratos que encontramos em todos os restaurantes da Madeira. A propósito, se ainda não visitaram esta ilha de flora luxuriante e subtropical é altura de o fazerem. Ficarão encantados com as paisagens e contribuirão, com a vossa presença, para ajudar a Madeira a recuperar da catástrofe que a atingiu este Inverno. Madeira mais do que espetadas e filetes de espada David Lopes Ramos Jornalista Uma oferta variada Voltemos, porém, ao tema desta crónica, os comeres madeirenses, que, não sendo particularmente ricos, dada a exiguidade de matérias-primas à disposição das cozinheiras e cozinheiros, sobretudo se falamos de peixes e de carnes, são sempre muito saborosos. A ilha é pequena, os solos férteis não são muito extensos e os fundos do mar são rochosos. Ainda assim, devido ao clima subtropical, a Madeira, nos domínios hortícola e frutícola, é senhora de uma oferta variada. Basta uma visita ao colorido e movimentado Mercado dos Lavradores, no Funchal, para se ficar com uma ideia da riqueza da ilha em tais domínios. Nos restaurantes, como já escrevi, há uma espécie de monocultura das lapas grelhadas com alho, manteiga e um nada de malagueta, dos bifes de atum, dos filetes de espada, em geral acompanhados pelas excelentes bananas da Madeira, e das espetadas de carne de vaca, que agora quase nunca nos chegam à mesa em pau de loureiro, como era uso no restaurante As Vides, no Estreito de Câmara de Lobos. Aqui era-nos dada a possibilidade de cortarmos a carne, a temperarmos, a enfiarmos no pau de loureiro, encarregando-se depois, os da casa, de a assar sobre brasas da queima de poda das videiras. E havia também a oferta de fígado de vaca, que era temperado e assado da mesma forma que as espetadas clássicas. Que bom que era! Atum salpresado Como nos restaurantes o panorama é, em geral, este, foi em casa de amigos que tive oportunidade de provar os petiscos madeirenses mais originais e interessantes do ponto de vista gastronómico. São comeres de uma rusticidade marcada, energéticos. Por exemplo, o atum salpresado: o peixe é previamente salgado e temperado com orégãos, sendo, depois de demolhado, cozido em água abundante. É acompanhado com maçaroca de milho, feijão tenro (na vagem), batata comum (na Madeira chamada semilha), batata-doce (apenas batata para os madeirenses), cebola, tudo cozido em água com sal. 74.75 MTPAML GOSTOS E AROMAS GOSTOS E AROMAS Tempera-se com azeite e vinagre ou com uma vinagreta. Prato das festas de São João, come-se também no almoço de Sexta-Feira Santa. Este é o tipo de prato que não se encontra nos restaurantes.Tive também oportunidade de provar o gaiado (um tunídeo de pequenas dimensões) seco, que se encontra à venda no Mercado dos Lavradores, que se come normalmente de escabeche e se encontra, em alguns restaurantes, como entrada, e nas tabernas como petisco. A sopa de trigo, um caldo grosso muito apetitoso, que, além do trigo, leva feijão seco, carne de porco com gordura, batata, abóbora e batata-doce é outro prato pouco visto. Um outro petisco que comi numa casa particular no Machico foi o bucho de porco recheado. Prato da matança. Come-se fresco. Recheado com febra de porco cortadinha, salsa, cebola, alho, colorau, pimenta da terra (uma espécie de massa de pimentão mas picante), que lhe dá um queimoso agradável, e arroz, come-se acompanhado pelo originalíssimo bolo do caco, de sabor delicadíssimo, por se acrescentar à massa normal de pão de trigo, puré de batata-doce. É também acompanhamento adequado para as espetadas de carne de vaca e há quem se perca por ele, acabado de fazer, ainda quentinho, com manteiga. Carne de vinha d’alhos Outro prato ligado matança do porco na Madeira é a mais divulgada carne de vinha d’alhos, havendo restaurantes que a têm nas suas ementas. É feita com lombo e com carne da barriga do bácoro. Corta-se a carne em cubos e põe-se a marinar numa quantidade generosa de vinho branco e vinagre, mais sal, louro e pimenta da terra. O tempo da marinada pode variar entre um e três dias. Depois, coze-se a carne na marinada, mas deixando-se firme ao dente. Atingido este grau de cozedura, deixa-se arrefecer o molho. Com a gordura coalhada, fritase nela a carne e umas quantas fatais de pão de trigo, previamente molhadas, mas não durante muito tempo, no molho de cozer a carne. 76.77 MTPAML A carne de vinha d’alhos é servida muito quente, acompanhada pelo menos com batata cozida. Digo pelo menos, pois há quem a sirva com rodelas de batata-doce, milho frito à moda da Madeira (parente próximo da polente italiana, só que se deixa arrefecer, corta-se aos cubos e frita-se), inhame e cebolinhas de escabeche. A carne de vinha d’alhos é servida sobre as fatias de pão de trigo fritas. É um prato e tanto! Para um petisqueiro que tenha amigos madeirenses ou conheça alguns sítios no Funchal, Câmara de Lobos e Caniçal, por exemplo, uma refeição pode começar por uns caramujos (familiares dos burriés) cozidos, mais umas lapas grelhadas e umas castanhetas (uns peixinhos parecidos com as douradinhas minorcas, mas de sabor diferente) muito bem fritas. Depois, avancemos para coisas mais sérias. A saber: cavalas com molho de vilão. Cavalas muito frescas de tamanho médio. Depois de limpas, são temperadas com sal e fritam-se, se possível, em azeite bem quente. De seguida, a parte da gordura da fritura junta-se alho esmagado, segurelha, orégãos, salsa, pimenta da terra, vinho branco, vinagre e rectifica-se o sal em caso de necessidade. Deixa-se apurar o molho. Logo que esteja no ponto, regam-se as cavalas com ele. Só escapam as espinhas, garanto. Termine-se com uma espetada ou a carne de vinha d’alhos. E depois, para ajudar à digestão, fruta fresca, pois há muita, variada e muito boa na Madeira. Saboroso entretenimento A concluir, enuncio o receituário madeirense recolhido por Maria de Lourdes Modesto na sua obra Cozinha Tradicional Portuguesa (Editorial Verbo, 1ª edição Novembro de 1982). Sopas são três: caldo (caldo de carne); sopa de moganga (abóbora); sopa de trigo. Acompanhamentos são cinco: açorda madeirense; cebolinhas de escabeche; inhame cozido; milho cozido e milho frito. Pratos de peixe são 10: caldeira; atum salpresado ou atum de São João; atum assado; atum de escabeche; bifes de atum; bacalhau rápido; bacalhau de S. Martinho; cavalas com molho de vilão; cavalas salgadas; espada de vinhalhos, vinha-d’alhos ou vinho e alhos. Pratos de carne são sete: cozido à madeirense; carne de vinha-d’alhos; carne assada; carne assada no forno; cabeça de porco fumada; sangue de porco guisado e sarapatel. Curioso que a espetada de carne de vaca não seja incluída. Saladas são duas: de papaia e maracujá e de fruta de Verão. Duas receitas de pão: pão de casa ou de família e bolo do caco. Receitas de doces são 13: pudim de papaia; pudim de veludo ou pudim de ovos; bolo de família; bolo de família do Natal; bolo podre da Madeira; bolo preto; bolo de mel da Madeira; broas da Madeira; broas de mel; fartos de batata-doce; queijadas da Madeira; panquecas de abóbora; recheios de batata-doce. Não é muito? Não será. Mas dá para um saboroso e belo entretenimento. GOSTOS E AROMAS Da laurissilva aos frasqueiras um mundo por descobrir na madeira A Madeira é muito mais do que o Funchal e o Vinho da Madeira muito mais do que aquilo que se serve ao turista. Saiba porquê João Paulo Martins Jornalista 78.79 MTPAML GOSTOS E AROMAS Quando os portugueses chegaram à Madeira, a floresta já lá estava. E lá continua, soberba, tranquila, majestática. A floresta laurissilva ou, para ser mais correcto, a laurissilva (uma vez que a palavra significa «floresta de lauráceas»), corresponde à floresta primitiva que forra de forma compacta algumas encostas escarpadas da ilha. Por via de uma virtual inacessibilidade, a floresta chegou intacta à actualidade e é, talvez a par do Vinho da Madeira, uma das grandes atracções da ilha. As uvas, ao contrário da laurissilva – onde pontificam o til, o loureiro e o vinhático – foram levadas para lá pelos colonos que invadiram a ilha após a descoberta, no séc. XV. A ilha, de origem vulcânica, estaria à época totalmente coberta de vegetação e o espaço agrícola foi conquistado a pulso à floresta. Hoje, percorrer a pé os trilhos que nos afundam na mata e nos fazem sentir pequenos e frágeis (os passeios são literalmente impróprios para quem tiver vertigens), esses trilhos revelam-nos também o trabalho faraónico da construção das levadas por onde corre a água que desce das montanhas para as zonas habitadas mais perto do mar; túneis imensos e escuros que desafiam a claustrofobia, escarpas de centenas de metros de altura, aqui e ali sem protecção, derrocadas frequentes em que literalmente a «encosta vem abaixo» e tudo arrasta, tudo isto é belo e tudo isto é, além de muito perigoso, verdadeiramente desconhecido da quase totalidade dos portugueses. A vinha, essa, foi sendo plantada onde era possível, aqui à beira-mar, ali em zonas de altitude, tendo-se concluído que algumas variedades se davam melhor que outras com os ares marítimos. Consta que as primeiras vides de Malvasia teriam seguido para a ilha ainda no séc. XV, transportadas de Creta. À Malvasia foram-se juntando as variedades que existiam também no Continente e que mostraram melhor adaptação ao clima; curiosamente, duas variedades de Malvasia - a Malvasia Fina que localmente passou a ser conhecida por Boal e a Malvasia Cândida que acabou por ficar conhecida apenas por Malvasia – e o Sercial, o Verdelho, o Terrantez. Também, em menor proporção, o Moscatel, o Bastardo e, em Porto Santo, o Listrão. O Vinho da Madeira tal como hoje o conhecemos – um vinho generoso, com uma graduação à volta dos 20º e que recebe um álcool para parar a fermentação - tem (para não variar...) mão inglesa. As principais empresas do sector estavam nas mãos de famílias inglesas e foram elas que, ao exportar o vinho para as colónias da América Central (as chamadas Índias Ocidentais) perceberam que o vinho que regressava vinha muito melhor – mais escuro mas também mais rico e saboroso - por ter passado os calores do Equador. Chegou-se assim à conclusão que o calor faria bem aos vinhos e foi desta maneira que nasceu a ideia de colocar os tonéis nos sótãos dos armazéns, situados no Funchal, para poderem apanhar o calor ambiente e assim reproduzir, GOSTOS E AROMAS tanto quanto possível, os efeitos que os barris tinham quando viajavam nos barcos transatlânticos. A história deste vinho tem, no entanto, muitas vicissitudes e as castas plantadas na ilha são apenas uma delas. É que a filoxera e as dificuldades de granjeio de vinhas em cima do mar foram levando a que os produtores tentassem descobrir variedades que dessem mais produção, menos trabalho e a mesma (ou mais) rentabilidade. Foi assim que lentamente, mas de forma continuada, foram introduzidas as variedades híbridas, mais conhecidas por «uva americana» e que, não pertencendo à família da Vitis Vinifera, não são autorizadas para a produção de vinho. Tal não impediu que o Jacquet e outras variedades produtoras de vinho americano deixassem de ser introduzidas, uma vez que resistem a todas as intempéries, não são atreitas a doenças como o míldio e oídio, produzem muito e dão pouco trabalho. Há menos de meia dúzia de anos ainda havia cerca de 1000 ha de vinha americana plantada, o que dá bem a noção da importância dos híbridos, face aos 400 ha de vitis vinifera que existem na ilha. Para além dos híbridos foi também introduzida uma outra variedade do Continente, a Tinta Negra, ou Negra Mole, aquela que hoje é a mais representativa casta plantada na ilha, utilizada em todas as categorias do Madeira mas com maior incidência nas entradas de gama, nos 80.81 MTPAML vinhos correntes que se servem ao turista no início das refeições e que custam pouco dinheiro por garrafa. Apesar do enófilo apreciador gostar de falar no Boal, no Sercial, no Verdelho, na Malvasia e no Terrantez, a verdade é que essas variedades hoje representam quase nada do que se produz e são, justificadamente, guardadas para os vinhos mais caros. Produzir pouco e esperar muito A Madeira Wine Company, onde estão reunidas várias empresas, todas de origem inglesa, como a Blandy, a Cossart Gordon, a Miles e a Leacock, recebe uvas de mais de 1000 pequenos produtores espalhados pela ilha. Francisco Albuquerque, enólogo da empresa, para explicar a pouca produção que existe de algumas das castas nobres, deu-nos como exemplo um produtor que vinha trazer a produção de Terrantez e era...Uma cesta que trazia no braço! O trabalho da Madeira Wine (e dos outros operadores da ilha) é, no que respeita a estas castas nobres, um autêntico puzzle, uma vez que para se fazer uma cuba são precisos os fornecimentos de uma quantidade enorme de pequeníssimos produtores. Uma canseira, como se imagina. Estes vinhos, generosos, têm sempre álcool adicionado que pára a fermentação, mais cedo no caso da Malvasia (por isso é mais doce) e só no fim no caso do Sercial, por essa razão o mais seco de todos. No entanto, é o envelhecimento que lhes traz carácter e distinção. Como atrás disse, é o calor que acelera a cor e o envelhecimento e arredonda o vinho. Para os vinhos correntes, esse envelhecimento é «apressado» por um processo conhecido por estufagem, em que os vinhos são colocados em cubas e o vinho é aquecido até cerca de 50º de temperatura, conseguindo-se em 3 meses de aquecimento, um envelhecimento semelhante ao que se conseguiria em 3 anos de estágio natural em tonéis. Já para os melhores vinhos o envelhecimento é feito naturalmente (começa-se no sótão e depois, por gravidade, os vinhos vão passando para os andares imediatamente abaixo, terminando o envelhecimento ao nível do rés-do-chão. Os melhores, os Frasqueira, passam 20 anos no casco e só depois são engarrafados; têm direito a ostentar na garrafa a casta e o ano de colheita. Esses são, de longe os melhores Madeira que se podem beber. Conservar e beber O Madeira é um vinho difícil, com uma elevadíssima acidez e esta característica tem dois efeitos: um é preservar o vinho quase eternamente (ainda se bebem vinhos do séc. XVIII), e outro é...Estragar as rolhas. Por esta razão as garrafas têm de ser guardadas em pé, única forma de conseguir que a saúde do vinho não fique prejudicada. A dificuldade, no entanto, estende-se também ao consumo. O Sercial, por exemplo, é tão seco que dificilmente liga com comida e é também difícil de beber a solo; pode tentar com queijos ou a acompanhar um consomé. O Verdelho, que é meio-seco, pode ser um bom parceiro para saladas onde além de vegetais entrem carnes fumadas, como peito de pato fumado. O Boal, meio-doce, é provavelmente o mais apreciado, muitas vezes bebido a solo ou a acompanhar o tradicional bolo de mel da ilha; já o Malvasia, muito doce, é claramente um vinho que se basta a si próprio mas que também pode ser ligado a sobremesas não muito doces como leite-creme ou arroz doce. A temperatura de serviço é importante porque só frescos devem ser apreciados. Desta forma, pôr a garrafa no frio é prática obrigatória, seja na garrafa original seja num decanter. Os vinhos são muito aromáticos e deixam um perfume subtil numa sala onde se deixou a garrafa aberta. Os melhores são vinhos dos deuses que, para sorte dos mortais, ainda se conseguem adquirir, não só nas próprias empresas da ilha, com sala de visitas no Funchal, como também em leilão onde, frequentemente aparecem vinhos do séc. XIX e primeira metade do séc. XX. Um regalo para o palato a um custo muitas vezes fortemente convidativo. Não bebe um bom Madeira? Mas que falta de gosto, digo eu... AconteceU área METROPOLITANA DE LISBOA promove apresentação de Orquestras Sinfónicas Juvenis A Área Metropolitana de Lisboa, as Câmaras Municipais de Amadora, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sintra e Vila Franca de Xira e a Escola de Música do Conservatório Nacional organizaram, no passado dia 16 de Maio, o concerto “Primavera das Orquestras Sinfónicas Juvenis”, que decorreu na Aula Magna da Universidade de Lisboa. O espectáculo apresentou, pela primeira vez ao público, todas as orquestras juvenis que têm vindo a trabalhar pela metodologia do «Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela». Cerca de 500 82.83 MTPAML crianças, provenientes de diversas escolas básicas da Área Metropolitana de Lisboa, subiram ao palco para interpretar um reportório que incluiu obras de diferentes níveis de aprendizagem. As orquestras “Geração”, “Bora Nessa” e “Geração Dolce Vita”, que actuaram nessa ocasião, são financiadas, respectivamente, pela Área Metropolitana de Lisboa e seis dos seus Municípios: Amadora, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sintra e Vila Franca de Xira (no âmbito de uma candidatura conjunta apresentada ao PORLisboa-QREN pela AML), e pelo Governo Civil de Lisboa, pelas Fundações PT e EDP e pelo grupo privado Chamartin Dolce Vita. O Ministério da Educação exarou em Agosto último um despacho em que assume a responsabilidade pela sustentabilidade ao nível dos recursos humanos (professores de música), co-responsabilizando-se também pela monitorização e avaliação do programa, o que permite uma estabilidade acrescida, sobretudo no que concerne à fixação do corpo docente. Sob orientação pedagógica da Associação de Amigos da Escola de Música do Conservatório Nacional, as várias orquestras “Geração” da candidatura conjunta acolhem cerca de 300 crianças e jovens com dificuldades de integração social e educativa do 1º Ciclo, provenientes de bairros sociais problemáticos, nomeadamente: • O bairro do Zambujal, Freguesia da Buraca, município da Amadora • O bairro da Quinta da Fonte, Freguesia da Apelação, município de Loures • O agrupamento de Escolas de Carnaxide (EBI Sophia de Mello Breyner e EB1/JI Amélia Vieira Luís), município de Oeiras • O bairro da Boa Água, Freguesia Quinta do Conde, município de Sesimbra • O bairro da Cavaleira e do Agrupamento de Escolas do Algueirão, município de Sintra • O agrupamento de Escolas da Vialonga, município de Vila Franca de Xira. Área Metropolitana de Lisboa Almada Amadora Barreiro Cascais Lisboa Loures Mafra Moita Montijo Odivelas Oeiras Palmela Seixal Sesimbra Setúbal Sintra Vila Franca de Xira Rua Carlos Mayer, 2 - R/C • 1700-102 LISBOA Telef.: 351-21 842 85 70 • Fax: 351-21 842 85 77 http://www.aml.pt • e-mail: [email protected] P O RT U G A L Alcochete