TRÊS TEORIAS EMBASANDO A ELABORAÇÃO DE ATIVIDADES PARA A APRENDIZAGEM DE CONTEÚDOS MATEMÁTICOS Davidson Paulo Azevedo Oliveira Instituto Federal de Minas Gerais, Brasil [email protected] Marger da Conceição Ventura Viana Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil [email protected] Milton Rosa Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil [email protected] RESUMO O presente trabalho procura apresentar uma alternativa metodológica para o ensino da Matemática que vincule a História da Matemática ao contexto sociocultural dos alunos, por meio da utilização dos Fundos de Conhecimento, em atividades curriculares elaboradas na perspectiva da Pedagogia Culturalmente Relevante. O objetivo principal foi discutir e analisar como os professores podem elaborar atividades embasadas teoricamente nessas três teorias. Essa alternativa metodológica mostrou possibilidades de entender algumas das dificuldades que os alunos enfrentam na aprendizagem do conteúdo matemático relacionado com o ensino de funções. Além disso, que o convívio dos professores com os alunos é essencial para que os Fundos de Conhecimento sejam conhecidos e utilizados na elaboração de atividades curriculares que ressaltem a utilização das três proposições sugeridas pela Pedagogia Culturalmente Relevante: sucesso acadêmico, competência cultural e consciência crítica. Palavras-chave: Fundos de Conhecimento, História da Matemática, Pedagogia Culturalmente Relevante ABSTRACT V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 2 This paper seeks to present an alternative methodology for the teaching of mathematics that links the history of mathematics to student socio-cultural contexts through the use of Funds of Knowledge, in curricular activities designed from the perspective of Culturally Relevant Pedagogy. The main objective was to discuss and analyze how teachers can develop activities grounded in these three theories. This alternative methodology showed possibilities in understanding some of the difficulties students face in learning mathematical content related to teaching duties. Furthermore, this interaction between teachers and students is essential to the creation of funds of knowledge that are known and used in the preparation of curricular activities that highlight the use of the three propositions suggested by Culturally Relevant Pedagogy: academic success, cultural competence and critical awareness. Keywords: Funds of Knowledge, History of Mathematics, Culturally Relevant Pedagogy. 1 Introdução Pode-se pensar que o conhecimento matemático emerge das necessidades de ordem econômica, política, social e ambiental que membros de grupos culturais distintos enfrentam em seu cotidiano. Nesse sentido, Boyer (1996) afirma que a Matemática surgiu nos primórdios das civilizações como parte integrante da vida diária da humanidade. Porém, de acordo com Karlson (1961), a hipótese de que a Matemática tenha surgido somente a partir da prática de atividades diárias pode ser refutada, considerando que ela se antecipou a outras ciências: “com a antecedência de uma ou duas gerações, às vezes mesmo de séculos, ela cria o instrumental que será depois aplicado pelo físico e pelo técnico” (KARLSON, 1961, p. 374). Dessa maneira, os matemáticos utilizam-se da própria Matemática para desenvolver um conhecimento matemático abstrato, criando teorias que, posteriormente, podem ser utilizadas no próprio conteúdo matemático ou em outras áreas do conhecimento, como as geometrias não euclidianas. No entanto a utilização das novas teorias matemáticas por profissionais de diferentes áreas do conhecimento depende do meio em que estão inseridos, que pode determinar as dificuldades enfrentadas na antecipação das teorias matemáticas a serem utilizadas na resolução de situações-problema, principalmente as relacionadas com a abstração de conceitos matemáticos. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 3 Nossa compreensão está em conformidade com D’Ambrosio (1990), para quem existe a necessidade de que o ensino da Matemática esteja relacionado com o ambiente sociocultural da época em que o conteúdo matemático a ser estudado foi construído. Assim, esse ensino depende da história das condições em que esse conhecimento foi desenvolvido, estando, portanto, vinculado à História da Matemática. Para D’Ambrosio (1990), existe a necessidade de analisar o contexto da produção do conhecimento, pois a utilização da Matemática na vida cotidiana varia de acordo com as necessidades cotidianas de cada grupo cultural. Por isso, os professores devem ter consciência de que, para ensinar conteúdos matemáticos utilizando a História da Matemática, é necessário conhecer o contexto sociocultural da época em que eles foram desenvolvidos (ROSA, 2010). Nessa perspectiva, este trabalho procura apresentar uma alternativa metodológica para o ensino da Matemática que vincule a História da Matemática aocontexto sociocultural dos alunos, por meio da utilização dos Fundos de Conhecimento, em atividades curriculares elaboradas na perspectiva da Pedagogia Culturalmente Relevante. 2 Revisão Bibliográfica Este trabalho está fundamentado em três pilares teóricos, a História da Matemática, os Fundos de Conhecimento e a Pedagogia Culturalmente Relevante, que fornecem os subsídios pedagógicos necessários para que os professores tenham condições de elaborar atividades culturalmente relevantes. Furinghetti e Radford (2002) afirmam que a cultura influencia os trabalhos pedagógicos realizados na perspectiva sociocultural da História da Matemática. E concluem que, nessa abordagem, os textos matemáticos são investigados de acordo com o ambiente sociocultural no qual foram desenvolvidos. Esse fato permite aos pesquisadores examinar o modo pelo qual os conceitos, as notações e os significados matemáticos foram produzidos no decorrer dos tempos. Radford (1997), por exemplo, mostra que, durante a história, os números negativos impactaram culturas distintas de maneira diferenciada. Para esse autor, a dificuldade apresentada pelos números negativos em relação aos positivos não foi um problema intrínseco ao conhecimento, pois dependeu do local, dos métodos e das ideias culturais sobre a produção do conhecimento matemático. Assim, ele afirma que é importante considerar a influência da cultura no desenvolvimento do conhecimento matemático, fator relevante para essa evolução. E ressalta a importância do aspecto sociocultural no desenvolvimento da Matemática, ao afirmar que uma simples inspeção nas diferentes culturas, ao longo da história, indica que cada uma tem V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 4 interesses matemáticos e científicos próprios. Desse modo, existe a necessidade de que os recursos metodológicos de ensino utilizados pelos professores ressaltem a presença dos aspectos socioculturais no ensino e aprendizagem dos alunos. Os resultados do estudo conduzido por Rosa (2010), na Califórnia, mostram que é de suma importância que os professores considerem a influência que os ambientes social e cultural exercem sobre o desenvolvimento dos conteúdos matemáticos, em sala de aula. Nessa direção, Moll, Amanti e Gonzáles (1992) assinalam que é importante que essa influência seja percebida, para que as aulas e as atividades curriculares de Matemática também sejam baseadas em situações-problema que ocorrem no ambiente sociocultural no qual estão inseridos, sobretudo com a utilização dos fundos de conhecimento dos próprios alunos. Gonzáles, Andrade, Civil e Moll (2001) definem os Fundos de Conhecimento como um corpo de conhecimento cultural e habilidades, que são historicamente adquiridos e acumulados, sendo essenciais para auxiliar nas tarefas realizadas no lar bem como para promover o bem-estar dos indivíduos. Nesse sentido, esses autores afirmam que os fundos de conhecimento podem ser considerados como uma parte específica da cultura dos alunos, na qual habilidades essenciais são desenvolvidas para o bom funcionamento dos afazeres domésticos e comunitários e, também, para o bem-estar da família e da comunidade. Dessa maneira, os fundos de conhecimento, historicamente acumulados, são essenciais para o desenvolvimento das tarefas cotidianas, pois têm relação com os fenômenos que ocorrem nos ambientes natural, social, político, cultural e econômico, sendo, pois, relevantes para o ensino e a aprendizagem (MOLL et al, 1992). Portanto, esses conhecimentos podem ser incorporados às atividades curriculares de Matemática desenvolvidas nas salas de aula, com a utilização da Pedagogia Culturalmente Relevante. Diante dessa perspectiva, a Pedagogia Culturalmente Relevante (Ladson-Billings, 1995) é descrita como um método pedagógico que visa empoderar os alunos intelectualmente, socialmente, emocionalmente e politicamente por meio da utilização de referências culturais para a transmissão de conhecimentos, habilidades e atitudes. A utilização das referências culturais, das experiências e as diversas perspectivas étnicas dos alunos têm como objetivo conduzi-los, de modo efetivo, ao processo de ensino e de aprendizagem (GAY, 2002). No ensino culturalmente relevante, os professores criam uma ponte entre as experiências vivenciadas no lar e na comunidade com a vida escolar dos alunos. Assim, “esses professores utilizam muitos exemplos da vida real e familiar dos alunos para que a sala de aula se torne viva” (LADSON-BILLINGS, 2006, p. 35). Esse ensino utiliza os fundos de conhecimento e as experiências dos alunos para nortear a prática pedagógica dos professores. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 5 Ladson-Billings (1995) mostra que a Pedagogia Culturalmente Relevante pode ser considerada como uma pedagogia da oposição, crítica e comprometida com o coletivo. Além disso, a autora afirma que a teoria mencionada está fundamentada em três proposições: consciência crítica, competência cultural e sucesso acadêmico. A figura 1 mostra o conexao entre as três proposições da Pedagogia Culturalmente Relevante. Figura 1: Proposições da Pedagogia Culturalmente Relevante Dessa maneira, no sucesso acadêmico, existe a necessidade de que os professores busquem alternativas de ensino para o desenvolvimento de práticas instrucionais diferenciadas para que os alunos possam experimentar e atingir o aprendizado, tendo acesso a novos conhecimentos. De acordo com Ladson-Billings (2006), a competência cultural é a proposição mais difícil de ser atingida, pois é preciso que os professores auxiliem os alunos a reconhecerem e honrarem as próprias crenças e práticas culturais enquanto adquirem o acesso a cultural domintante. Por outro lado, a grande dificuldade de se atingir a proposição da consciência crítica é o fato de os professores, muitas vezes, não terem desenvolvido neles próprios a consciência sociopolítica. Assim, a Pedagogia Culturalmente Relevante emerge como o resultado da adoção, implantação e implementação dessas três proposições no currículo escolar, não como uma disciplina específica, mas como fatores presentes em todas as disciplinas. Por exemplo, o sucesso acadêmico significa que os professores devem buscar alternativas de ensino para práticas instrucionais diferenciadas, para que os alunos possam experimentar e atingir o aprendizado, tendo acesso a novos conhecimentos. Porém, para que isso ocorra adequadamente, existe a necessidade de que esses professores utilizem o background cultural dos alunos como um veículo para a efetivação da aprendizagem, com a elaboração de atividades culturalmente relevantes. Desse modo, a utilização dessas atividades no currículo escolar permite a formação de uma consciência crítica que pode tornar os V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 6 participantes cidadãos capazes de desafiar a ordem social predominante na sociedade contemporânea (LADSON-BILLINGS, 1995). Por outro lado, Gay (2002) ressalta que as práticas pedagógicas dos professores embasadas nos referenciais culturais dos alunos são ações importantes para a adoção da Pedagogia Culturalmente Relevante no currículo escolar, tornando-o multicultural. De acordo com Ladson-Billings (1995), espera-se que, em salas de aula nas quais os professores a adotam, sejam realizadas atividades curriculares que forneçam aos alunos a oportunidade de se engajarem criticamente na resolução dos problemas enfrentados no cotidiano. Nesse contexto, a utilização da História da Matemática como prática pedagógica pode ser considerada como um aliado importante dos professores no processo de ensino e de aprendizagem em matemática, pois um de seus mais importantes objetivos é salientar a cultura dos alunos ao mostrar como o conhecimento foi construído e acumulado por vários povos ao longo da história. Furhinghetti (1997) apud Troutman e Maccoy (2008) argumentam que uma referência cultural específica disponível para os professores que queiram elaborar aulas de matemática culturalmente relevantes é a utilização história da disciplina. Nesse sentido, as lições sobre os principais eventos e os matemáticos que contribíram para o desenvolvimento do conhecimento matemáticos são aspectos importantes que satisfazem os objetivos da pedagogia culturalmente relevante. Então, de acordo com o resultado do estudo realizado por Troutman e McCoy (2008), que elaboraram atividades baseadas na história de várias culturas, os alunos foram capazes de afirmar que o conhecimento matemático é útil no cotidiano das pessoas e puderam apresentar exemplos da utilização da matemática na própria rotina diária, o que os auxiliou a enxergarem a matemática de uma maneira contextualizada. Além disso, a História da Matemática auxiliou alguns alunos a reafirmarem a própria origem cultural pela observação de como pessoas de vários grupos culturais desenvolveram conteúdos matemáticos ao longo da história. Outro ponto importante a ser destacado, nessa perspectiva de ensino, é a possibilidade de entendimento das respostas fornecidas pelos alunos às situações-problema por meio da lente da História da Matemática em seu próprio contexto e no contexto dos alunos. 3 Metodologia Neste trabalho, uma parte específica da cultura dos alunos, isto é, os fundos de conhecimento, foi utilizada na elaboração de uma das cinco atividades curriculares utilizadas no estudo conduzido por Azevedo Oliveira (2012). A elaboração dessa atividade procurou incluir o conhecimento matemático cotidiano, considerando as metodologias apropriadas para 7 V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil essa utilização. A coleta de dados foi realizada no mês de março de 2011, sendo iniciada com o questionário I respondido no dia 15. A atividade desenvolvida nesse estudo foi desenvolvida no dia 24 com a turma A e no dia 29 com a turma B. A população alvo foi composta, inicialmente, por 72 alunos enquanto que as atividades analisadas nesse documento foram respondidas por 64 alunos pertencentes as duas turmas. Esses participantes estudam em uma escola técnica, em uma cidade localizada no interior do Estado de Minas Gerais, cursando, concomitantemente, o Ensino Básico e o Técnico, portanto, permaneciam na escola em período integral. As aulas tinham início às 7h e terminavam às 16h40. O intervalo para o almoço era das 10h50 às 13h. Nesse estudo, os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram dois questionários, dois grupos focais, caderno de campo do professor-pesquisador, as atividades respondidas pelos alunos em três registros documentais e as entrevistas de acompanhamento. A escolha desses tipos de instrumentos ocorreu devido à sua flexibilidade, pois pode-se trabalhar com difererentes tipos de coleta de dados, tanto qualitativa quanto quantitativa (ROSA, 2010). Os dados foram coletados e analisados utilizando o método misto de pesquisa, que é uma tendência crescente em educação (TASHAKKORI e TEDDLIE, 2003). Nesse tipo de pesquisa, a combinação dos métodos qualitativo e quantitativo para coleta e análise de dados oferece uma alternativa para a abordagem dos problemas específicos e complexos da área de Educação Matemática (ROSA, 2010). Assim, realizaram-se simultaneamente análises entre os dados qualitativos e quantitativos para que se pudesse compreender, em profundidade, o tema desse estudo. Dessa maneira, os dados qualitativos e quantitativos foram coletados e analisados concomitantemente, de maneira igualitária, no método misto QUAN+QUAL (CRESWELL e PLANO, 2007). Essa complementaridade não seria possível se, na análise dos dados, fosse utilizado apenas um desses métodos de pesquisa. Essa abordagem permitiu aos pesquisadores analisar os dados qualitativos e os quantitativos combinando-os de modo a obter informações completas e complexas em relação aos dados levantados (CRESWELL e PLANO, 2007). Os resultados também foram analisados de acordo com as informações obtidas na revisão de literatura, com relação à Pedagogia Culturalmente Relevante, aos Fundos de Conhecimento e à Perspectiva Sociocultural da História da Matemática. De acordo com Minayo e Sanches (1993), ambas as abordagens, qualitativa e quantitativa, são necessárias e complementares, mesmo sem referenciarem esse método em seus estudos. Assim, o método misto é importante para que se obtenha uma visão holística dos V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 8 resultados obtidos (ROSA, 2010). Neste estudo, essa abordagem foi utilizada desde o início da pesquisa, em todas as suas etapas, ou seja, em sua elaboração, na elaboração dos questionários, na organização das atividades exploratórias de Matemática, na construção das questões orientadoras do grupo focal, nas entrevistas de acompanhamento e na análise de dados. De acordo com Creswell (2003), o símbolo de adição indica que o método qualitativo e quantitativo foram implementados simultaneamente durante a coleta e a análise de dados. A figura 9 mostra o método misto adotado nessa pesquisa para a análise dos dados. Figura 2: Design de estudo misto. Adaptado de Creswell e Plano Clark (2007, p.63) Neste estudo, o professor-pesquisador utilizou questões abertas do questionário para coletar dados qualitativos relacionados ao estudo e aos fundos de conhecimento dos alunos para determinar o conhecimento matemático previamente adquirido por eles. Por exemplo, as atividades exploratórias de Matemática do Registro Documental I foram baseadas nas respostas obtidas para as questões dos questionários I e II. Essas questões continham informações relacionadas ao cotidiano dos alunos. Na fase quantitativa, o professor-pesquisador realizou um estudo utilizando o método estatístico descritivo para tabular e organizar as respostas dos questionários e, na fase qualitativa, determinar os termos mais frequentes, que mais apareciam nas respostas dos alunos, para a estruturação das próximas fases da pesquisa. Isso significa que, durante a análise de dados, a abordagem qualitativa forneceu o suporte necessário para a abordagem quantitativa e vice-versa. Assim, a utilização da combinação desses métodos de pesquisa teve como objetivo buscar resultados melhores, em termos de qualidade para responder à questão de investigação por meio da integração das abordagens qualitativa e quantitativa (CRESWELL, 2003). V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 9 3.1 Triangulação A triangulação é um dos tipos de análise de dados sugeridos por Creswell e Plano Clark (2007) para o método misto. Assim, durante a análise dos dados, a triangulação auxilia os pesquisadores a “comparar e contrapor diretamente resultados estatísticos quantitativos com os resultados qualitativos” (CRESWELL e PLANO CLARK, 2007, p.62) para a determinação de resultados a serem validados nesta análise. Neste estudo, a triangulação foi utilizada para garantir a complementaridade dos dados qualitativos e quantitativos. Então, as três fontes de triangulação utilizadas nesse estudo foram: a) Os questionários I e II; b) Os grupos focais, o diário de campo e as entrevistas de acompanhamento; c) As atividades matemáticas exploratórias constantes nos registros documentais I, II e III. Nesta pesquisa, os questionários I e II foram utilizados para a obtenção de informações que instrumentalizassem o professor-pesquisador para elaborar as atividades baseadas na teoria da Pedagogia Culturalmente Relevante (LADSON-BILLINGS, 1995a) e nos Fundos de Conhecimento dos alunos (MOLL et al, 1992) e, também, para realizar uma conexão dessas teorias com a História da Matemática. Dessa maneira, os grupos focais, o diário de campo do professor-pesquisador e as atividades matemáticas exploratórias dos registros documentais foram instrumentos utilizados para a coleta e a análise dos dados sob o ponto de vista da História da Matemática, na perspectiva sociocultural. Os dados quantitativos e qualitativos foram coletados para a obtenção de resultados confiáveis e válidos (PATTON, 1990). Nessa perspectiva, os dados qualitativos foram quantificados para permitir ao professor-pesquisador a análise concorrente (simultânea) dos dados, permitindo, dessa maneira, uma comparação entre esses dados e um entendimento mais profundo das informações obtidas pela coleta de dados (CRESWELL e PLANO CLARK, 2007). Sendo assim, a triangulação dos dados e os procedimentos metodológicos descritos serviram como um guia para que o professor-pesquisador caminhasse em direção à resposta para a questão de investigação mediante a análise dos dados por meio dos instrumentos de coleta e das teorias discutidas, ou seja, da História da Matemática na Perspectiva Sociocultural, da Pedagogia Culturalmente Relevante e dos Fundos de Conhecimento. A figura 11 ilustra a triangulação dos dados utilizada nesse estudo. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 4 10 A Atividade Uma das atividades que emergiu da fundamentação teórica e da metodologia utiliza nessa pesquisa foi elaborada como: Para o almoço na escola os alunos pagam o valor de R$1,70, enquanto que o custo para servidores é de R$2,70. Algumas vezes os estudantes e os professores almoçam tomando refrigerante que custa, na cantina, R$ 2,00 a garrafa de 500 ml, servindo duas pessoas. E fora da escola, a garrafa pet de 2 litros custa R$ 5,00. Um professor resolve almoçar cada dia com um número de estudantes e compra sempre um pet de 2 litros de Coca-Cola. Essa atividadade foi realizada com duas turmas de alunos que frequentavam a primeira série do Ensino Médio, denominadas de A e B. No entanto, é importante salientar os 72 (100%) participantes desse estudo responderam aos questionários enquanto que 64 (88,89%) desses participaram da atividade mencionada,, havendo uma abstenção de 8 (11,11%) alunos durante a sua realização. As observações realizadas pelo professor-pesquisador no próprio ambiente escolar e os dois questionários respondidos pelos participantes desse estudo foram os instrumentos utilizados para levantar os fundos de conhecimento, que foram utilizados na elaboração dessa atividade. O principal objetivo dessa atividade foi oferecer uma oportunidade para que os alunos pudessem estudar um determinado conteúdo de Funções por meio da aplicação do pensamento funcional. Nesse sentido, a História da Matemática foi utilizada para mostrar que a matemática começou a se desenvolver a partir das necessidades humanas relacionadas com um contexto sociocultural específico. Então, a partir das necessidades dos alunos em suas comunidades e com a utilização de seus fundos de conhecimento, pode-se elaborar a atividade matemática apresentada nesse estudo. Outro objetivo importante dessa atividade era o de desenvolver a competência cultural dos alunos em busca do próprio aprendizado e, também, sucesso acadêmico por meio do desenvolvimento de competências que os auxiliem a se tornarem cidadãos críticos para atuarem na sociedade. 5 Apresentação dos Dados Os dados coletados nesses questionários permitiram detectar que 19 (53%) dos 36 participantes da Turma A e 11 (33,3%) dos 33 participantes da Turma B não residiam na cidade onde se localiza a escola. Ressalta-se que 3 (4,17%) alunos não responderam a esse questionamento. Portanto, os dados mostram que 30 (43,47%) dos 69 participantes que responderam a esse questionário podiam almoçar nas dependências da escola ou em V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 11 restaurantes localizados em seus arredores. Na escola, há um restaurante no qual os alunos almoçam a um preço único de R$1,70; mas os servidores e outros funcionários da escola pagam R$2,70 pela refeição. Nesse contexto, elaborou-se uma questão que solicitava aos alunos que descrevessem, no mínimo, duas situações diárias nas quais utilizavam ideias e procedimentos matemáticos. Como exemplos de respostas dadas a essa pergunta temos: Nádia respondeu que utiliza aMatemática “para comprar o ticket”, Victor respondeu que utiliza o conhecimento matemático para “comprar ticket para fazer uso do restaurante escolar“ e Nívea respondeu que as ideias matemáticas podem ser utilizadas para “comprar ticket alimentação na escola”. Essas respostas demonstram que existe uma ideia matemática prévia que está relacionada com os fundos de conhecimento (MOLL et al, 1992) desses participantes. Dessa maneira, o pagamento do ticket do almoço pode ser considerado como uma atividade que faz parte do cotidiano dos participantes e que pode ser relacionada com os conceitos matemáticos acadêmicos, que foi utilizado pelos pesquisadores para a elaboração dessa atividade por meio da Pedagogia Culturalmente Relevante (LADSON-BILLINGS, 1995). De acordo com a tabulação e quantificação das respostas dadas a essa questão, um dos termos mais utilizados pelos participantes estava relacionado com tickets, almoço e lanche, que apareceram nas respostas de 9 (12,5%) dos 72 participantes que responderam à questão. Os nomes utilizados para os alunos participantes não são reais, mas codinomes criados pelos autores para garantir a não identificação desses sujeitos. A análise dos dados mostra que esses temas estão relacionados com os fundos de conhecimento dos alunos. O Quadro 1 apresenta os temas que emergiram das respostas dadas à questão citada. Quadro 1: Temas emergentes das respostas à questão do questionário 6 Resultados O item a dessa atividade estava relacionado com a ação de completar uma tabela que propunha correspondência entre o número de participantes que almoçavam na escola e o valor V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 12 necessário para o pagamento do almoço. Nesse item, a História da Matemática assumiu o papel de orientar o trabalho de elaboração de atividades curriculares relacionado com o desenvolvimento do pensamento funcional dos participantes, de maneira implícita, pois não são apresentadas informações históricas referentes ao desenvolvimento da Matemática com relação a esse conteúdo matemático. Apesar de ter sido esse tipo de tabela uma das primeiras manifestações de representação do pensamento funcional pelos babilônios, não se trata de uma reconstrução desse conceito matemático como ocorreu ao longo da história, pois a tabela utilizada por esse povo relacionava n³ n² com o seu valor numérico (BELL, 1992). Nesse sentido, Radford (1997) afirma que a História da Matemática pode ser utilizada nas atividades curriculares de modo adaptado para o contexto escolar atual, pois não se consegue obter uma reconstrução cultural e um contexto social idêntico ao da época de seu desenvolvimento. Diante dessa perspectiva, foi requerido que os alunos preenchessem a tabela para determinarem a resposta para essa situação-problema. Por outro lado, essa atividade permitiu que os participantes discutissem criticamente o bem coletivo, pois se poderia questionar o fato de o professor pagar sozinho o valor do refrigerante e não dividi-lo com os alunos. Além disso, de acordo com a análise dos dados, essa atividade também permitiu que os participantes agregassem conhecimentos novos, pois foi trabalhado o conceito de função e houve uma ênfase na competência cultural dos participantes com a elaboração de atividades envolvendo situações-problema vivenciadas por eles em seus lares e na comunidade escolar. O item b dessa atividade estava relacionado com a questão: É possível determinar a quantidade de alunos sabendo que foram gastos R$ 19,60? O Quadro 2 apresenta as respostas que os participantes forneceram para esse item. Quadro 2: Respostas dadas pelos participantes ao item b V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 13 Dos 72 (100%) participantes, esse item foi respondido por 64 (88,89%) deles, sendo que 6 (8,33%) participantes não o responderarm enquanto que 2 (2,78%) participantes estiveram ausentes no dia da realização dessa atividade. Por exemplo, o participante Antônio preencheu a última célula da tabela com o valor de R$ 16,60, enquanto o participante Hernane preencheu-a com o valor de R$16,40. Contudo esses dois participantes não mencionaram o modo pelo qual determinaram esse resultado. Os demais participantes preencheram essa última célula com o valor esperado de R$16,20. Portanto o valor correto desse item foi determinado por 62 (86,11%), 2 (2,78%) determinaram o valor errado, 6 (8,33%) não responderam a essa questão e 2 (2,78%) estavam ausentes. Os dados também mostraram que a participante Débora preencheu a Tabela e apresentou os cálculos utilizados na resolução dessa situação-problema. A figura 2 mostra a resposta dada por esse participante. Figura 3: Resposta da participante Débora A análise dos dados coletados nesse item indicou que os participantes aplicaram um pensamento inverso para a sua realização, pois foi possível observar que foram capazes de operar com funções inversas, mesmo antes de terem estudado a conceituação formal desse conteúdo matemático. De acordo com os resultados obtidos, 1 participante (1,56%) respondeu incorretamente à questão, 2 (3,12%) responderam que não seria possível encontrar o valor solicitado, enquanto 61 (95,3%) participantes responderam de maneira satisfatória, acertando o resultado final. Débora apresentou a resolução dessa questão: “ Sim. 7 alunos almoçaram”. Quanto ao participante Marcos, primeiramente utilizou uma fórmula algébrica para representar a situação e depois determinar a quantidade de participantes requeridos pelo problema, através de manipulações algébricas ao resolver uma equação do primeiro grau. No entanto apresentou duas equações, uma do lado esquerdo e outra do direito, e resolveu somente a equação que está à direita na Figura 5. Figura 4: Resposta dada pelo participante Marcos A análise de dados também mostrou que a participante Márcia respondeu a essa questão V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 14 de modo incorreto, não apresentando justificativas para a resolução. Essa aluna respondeu que “Sim, são 17 alunos”. Por outro lado, a participante Silvia afirmou não ser possível responder a essa questão, pois “8 alunos é 18,60 e 9 dá 20,30” No item c - Como você representaria matematicamente a relação entre o número de alunos e o valor pago? - foi solicitado que os participantes representassem matematicamente essa situação-problema. O Quadro 3 contém a classificação e o quantitativo das respostas dadas pelos participantes a essa questão. Quadro 3: Representações matemáticas da situação A análise dos dados mostra que a representação matemática solicitava ocorreu com a utilização de diversos tipos de notação, ou seja, por meio da notação algébrica e retórica, algébrica simbólica, uma combinação de algébrica, retórica, sincopada e simbólica e, também, gráfica. De acordo com a análise dos dados, apresenta-se uma síntese sobre os diversos tipos de representação, como, por exemplo, a gráfica e a analítica, utilizados pelos participantes desse estudo para solucionar uma situação-problema relacionada com o conceito de função. A representação algébrica e retórica foi utilizada por 9 (14,06%) participantes. Como exemplo a participante Elisabete representou esse problema retoricamente: “ Que a cada aluno o professor iria pagar R$1,70do almoço mais o valor da coca cola dividido entre eles” . A representação algébrica simbólica foi utilizada por 31 (48,44%) participantes. A resposta apresentada pelo participante Mateus ilustra esse tipo de representação: “ y=1,7x + 7,7” . A combinação das representações algébrica e retórica, sincopada e simbólica foi utilizada por 7 (10,93%) participantes. Como exemplo, a solução da participante Ana Lúcia: “ x = nº de alunos 2,70+5,00 + 1,70x = valor gasto”. Verifica-se que essa aluna representou o número de participantes escrevendo a expressão de maneira sincopada, pois utilizou a abreviação n.º para representar a palavra V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 15 número. Assim, a expressão que representa a quantidade de participantes é igual a x, que está representado simbolicamente. Ao mesmo tempo, a participante escreveu retoricamente valor gasto em linguagem corrente para representar uma expressão de escrita simbólica. A representação gráfica foi utilizada por 11(17,19%) participantes. O gráfico de barras foi utilizado por 4 (6,25%) participantes. Por exemplo, o participante André construiu o gráfico de barras da Figura 11 para representar essa situação-problema. Figura 5: Resposta dada pelo participante André Porém, 7 (10,93%) participantes resolveram essa situação-problema com a representação gráfica dos dados no plano cartesiano utilizando uma reta. Contudo não estavam atentos para a condição de continuidade da reta. A Figura 12 mostra a representação dessa situação pelo participante Arnaldo, na qual se constata a dificuldade em relação ao discreto. Figura 6: Resposta dada pelo participante Arnaldo Por outro lado, a representação gráfica e sincopada foi utilizada por 1 (1,56%) participante, a analítica f(x) por 5 (7,81%) participantes, e 1 (1,56%) participante não resolveu essa atividade. A análise dos dados mostra que a notação sincopada não foi utilizada isoladamente, sendo utilizada em conjunto com outras notações. A análise desses dados dos ítens b e c revela que esses alunos utilizaram os estágios da evolução da notação algébrica que ocorreram ao longo da história (BAUMGART, 1992) para solucionarem a situação-problema proposta. No período de 1700 aC a 1700 dC., houve uma evolução do gradual da utilização do conhecimento matemático algébrico de uma linguagem retórica para simbólica. Essa evolução foi denominada de estágios, que foram classificados por Nesselmann, em 1842, como retórico (verbal), sincopado (abreviações de palavras) e simbólico (utilização de símbolos). V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 16 Assim, como a humanidade precisou de muitos séculos para atingir o estágio simbólico da álgebra, os alunos também necessitam de uma preparação mais duradoura, para atingir esse estágio na resolução de problemas. Contudo, existe a necessidade de que os professores tenham um conhecimento mais profundo da história da matemática para auxiliar os seus alunos em suas necessidades educacionais. Do ponto de vista histórico, com relação aos gráficos analisados nesse estudo, observase que 11 (17,19%) participantes utilizaram gráficos de barras parecidos com as representações gráficas desenvolvidas por Oresme (1323–1382), que no final da idade méda elaborou a Teoria das Latitudes das Formas ao empregar um gráfico de movimento para representar a velocidade constante e representou como pode ser visto na figura a seguir Figura 7: Representação gráfica de função utilizada por Oresme (BOYER, 1996, p.181) Nesse sentido, Radford (1997) afirma que não se deve ignorar a influência da cultura no desenvolvimento histórico do conhecimento matemático. 7 Considerações Finais A atividade realizada para este estudo apresentou situações que ressaltam as três teorias utilizadas em sua fundamentação teórica: a História da Matemática, os Fundos de Conhecimento e a Pedagogia Culturalmente Relevante. Porém, para que os professores possam utilizá-las em atividades curriculares, em sala de aula, existe a necessidade de que tenham conhecimentos a respeito da história dos conteúdos trabalhados e de que conheçam bem os alunos, entendendo o contexto sociocultural no qual estão inseridos. Para isso, os professores devem cumprir estes passos: a) Estudar a história do conteúdo matemático a ser desenvolvido em sala de aula. b) Conhecer os alunos individualmente, seus interesses e perspectivas profissionais. c) Conhecer os familiares e a comunidade escolar na qual os alunos estão inseridos. d) Utilizar o conhecimento histórico do conteúdo matemático e os fundos de conhecimento dos alunos para a elaboração de atividades curriculares que sejam culturalmente relevantes. Contudo é importante enfatizar que esses passos são apenas sugestões iniciais 17 V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil fornecidas pelos pesquisadores para a elaboração de atividades matemáticas fundamentadas nos três pilares teóricos utilizados na fundamentação deste estudo. Porém Gay (2002) afirma que essa é uma tarefa difícil, pois exige a dedicação e a conscientização dos professores interessados em trabalhar com essa metodologia no ensino e aprendizagem da Matemática. Na atividade apresentada nesta pesquisa, as respostas elaboradas pelos participantes mostram que o conhecimento da História da Matemática auxiliou o professor-pesquisador a elaborar as atividades baseadas nos Fundos de Conhecimento, que foram descobertos por meio de questionários, e também pelas observações realizadas pelo professor em sua convivência com eles no ambiente escolar. Portanto, o convívio dos professores com os alunos é essencial para que os Fundos de Conhecimento sejam conhecidos e utilizados na elaboração de atividades curriculares que ressaltem a utilização das três proposições sugeridas pela Pedagogia Culturalmente Relevante. Referências AZEVEDO OLIVEIRA, Davidson Paulo. Um estudo misto para entender as contribuições de atividades baseadas nos fundos de conhecimento e ancoradas na perspectiva sociocultural da história da matemática para a aprendizagem de funções por meio da pedagogia culturalmente relevante. Ouro Preto, MG: UFOP, 2012. 215 p. Dissertação(Mestrado) - Mestrado Profissional em Educação Matemática, Instituto de Ciências Exatas e Biológicas, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2012. BAUMGART, J. K. Álgebra. Série Tópicos de História da Matemática para uso em sala de aula. São Paulo, SP: Atual, 1992. BELL, Eric Temple. The Development of Mathematics.New York, NY: Dover Publication, 1992. BOYER, Carl B. 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