Elas trocam a praia por aulas de estatística e idioma
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27/01/2014 - 00:00
Elas trocam a praia por aulas de estatística e idioma
Por Marleine Cohen
(/sites/default/files/gn/14/01/foto27rel-201-ferias-f6.jpg)Marcela Niemeyer, de 30
anos: "Graças a Deus que existe a internet para manter contato com o escritório"
Marcela Niemeyer já sabe onde vai passar as férias de julho. Com as passagens em mãos, ela vai para Boston, Estados
Unidos.
No roteiro de 15 dias, não entram parques e jardins que fazem a fama da cidade, mas uma imersão total no curso de MBA
da Suffolk University - "de segunda a sábado, das 8:00 às 17:00".
Este é o conceito de férias ideais para a gerente corporativa de desenvolvimento organizacional da Laureate International
Universities: terminar a graduação na Business School São Paulo com esse módulo internacional e, "se der tempo",
emplacar um ou outro passeio por Boston.
A jovem de 30 anos, psicóloga formada pela PUC e com pós-graduação na FGV, rejeita a necessidade de uma pausa
prolongada no ritmo de trabalho: "Descansar é importante, mas não a ponto de perder 30 dias", argumenta, lembrando
que de todo modo "é muito difícil desconectar-se completamente". E "graças a Deus que existe a internet para manter
contato com o escritório."
Sempre pronta a sacrificar parte das férias em troca de um curso interessante, ela reconhece ser movida pela ambição.
"Sou apaixonada pelo meu trabalho. Acredito em educação e desenvolvimento educacional. Almejo uma carreira
internacional. Nesses cursos, além da especialização, procuro networking, diferenciação. Para mim, o contato com
diferentes culturas é mais importante, por exemplo, do que a maternidade".
A designer e gerente de marketing da Yves Rocher, empresa de cosméticos francesa que acaba de aterrissar no Brasil,
Daniella Cinacchi, de 33 anos, não costuma cruzar tão longas distâncias em busca de capacitação, mas entre um curso de
curta duração local e algumas semanas de ausência do trabalho, seu coração não hesita. "Executivos não conseguem se
afastar por muito tempo. Por isso, os cursos menores são tão interessantes. No meu caso, como trabalho com varejo e
janeiro e julho são meses de baixa, com pouca demanda, consigo me organizar para estudar um pouco", explica.
Ela conta que já se matriculou em quatro ou cinco módulos - de idiomas a artesanato, passando por história da arte. Seu
último alvo, o curso de empreendedorismo da Business School São Paulo, foi realizado em julho passado.
Empenho e motivação como os de Marcela e Daniella são o fermento que faz o sucesso dos cursos de férias. Especialmente
voltados para executivos e empreendedores, têm duração média de um a 15 dias e costumam acontecer no início e no meio
do ano, sempre à noite. Mais que tudo, atendem à necessidade de as escolas de negócios investirem em produtos
alternativos para atrair alunos.
Assim é que, no Rio de Janeiro, o Ibmec lançou a primeira fornada de 2014 ainda em janeiro, quando acontecem os cursos
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de extensão "negociação empresarial", com 18 horas de aula, conduzido pela consultora especializada em gestão de
projetos Marcela Castro. Ali são apresentados os conceitos básicos da teoria de Harvard, dinâmicas com feedback e
estímulo à autoanálise; e "Excel aplicado à gestão empresarial", também com 18 horas de duração, a cargo do matemático
Edson Chenço, expert em pesquisa de mercado e estatística.
No Insper, a carga horária é um pouco maior - cerca de 25 a 30 horas de aula - com destaque para temas pouco explorados
no mercado. Por exemplo, a partir de 24 de janeiro, tem lugar o "primeiro programa de curta duração nacional sobre
fundamentos, iniciativas e melhores práticas de estratégia e gestão das relações das empresas com órgãos do governo".
Com 24 horas de duração e professores de primeiro escalão, "relações governamentais no Brasil" se dirige a empresários,
estrategistas, consultores e profissionais de relações governamentais interessados em aprender a administrar de forma
eficiente os recursos disponíveis para gerar resultados sustentáveis.
Na Business School São Paulo, o destaque é para o marketing, disciplina em torno da qual a instituição formatou vários
cursos. Um deles, "mídia e marketing digitais", tem o claro propósito de se adequar ao ritmo dos executivos: com duração
média de um mês (de 5 de fevereiro a 12 de março), será dado uma vez por semana, às quartas-feiras à noite, e mais um
sábado à tarde. No programa: as principais correntes teóricas da cibercultura e do marketing, conceitos e contextos de base
sobre marketing on-line, teorias do consumidor 2.0 em relação à emergência e desenvolvimento dos meios de
comunicação; teorias da comunicação, cena midiática e culturas do consumo on-line, entre outros.
Ex-aluna do curso de curta-duração em "branding" da BSP, a administradora de empresas Ana Paula Kuba, gerente de
produtos da Serasa/Experian, avalia que "o formato é ideal para adquirir uma atualização profissional mais rápida,
considerando que esses cursos são bem específicos e atendem determinado ponto de interesse".
Para José Claudio Securato, presidente da Saint Paul, os cursos de férias têm público cativo e não visam substituir o
período de repouso, mas apenas ser "uma alternativa para a versão masculina da dupla jornada".
Explica-se: "No Brasil, a educação executiva é diferente da dos EUA e da Europa. Raros são os executivos que conseguem
se dedicar exclusivamente a um MBA. Eles trabalham de dia e estudam à noite, aos sábados e nas férias. Mas esta é uma
rotina que contribui pouco para o aprendizado", ressalta Securato. Ele argumenta que parte do desgaste acaba sendo
amenizado pela própria flexibilidade dos cursos de curta duração. "São focados, acontecem numa época em que as ruas
estão descongestionadas e, portanto, não têm trânsito, e a pressão econômica nas empresas é menor, por ser início de ano.
Assim, o executivo consegue sair do trabalho mais cedo, está com energia renovada e cumpre metas pessoais já no começo
do período."
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