COSIMA: À PROCURA DE UM LUGAR DE AFIRMAÇÃO DA AUTORIA FEMININA
Professora Doutora Márcia de Almeida (UFJF)
Por muito tempo a voz feminina viu-se impedida de expressão fora do ambiente
doméstico. Parece, pois, paradoxal que tantas autoras tenham publicado, ou seja,
tornado públicas, suas experiências pessoais.
Poder-se-ia supor que a resposta à constatação da recorrência de elementos
autobiográficos nas narrativas de autoria feminina estaria no fato de que, vendo-se
obstaculadas de caminhar livremente para o mundo, as mulheres, no início do século
XX, tenham cultivado com maior riqueza sua vida interior, como afirma Simone de
Beauvoir1 . Assim, na ausência de temas mais universalizantes, o que, segundo Virginia
Woolf2 , seria provocado por uma reduzida experiência de vida, as autoras teriam sido
levadas a temas mais pessoais e intimistas.
De qualquer forma, o recurso a um “autobiografismo” mostrou-se produtivo a
ponto de ser considerado como tema prevalente da autoria feminina. Por esse motivo a
escritora italiana Natalia Ginzburg, temendo que sua produção fosse considerada
“feminina”, o que, no seu contexto equivaleria a ser “menor”, afirmaria: “eu tinha um
verdadeiro horror à autobiografia. Horror e terror: porque a tentação da autobiografia
era muito forte em mim, como sabia que acontece facilmente às mulheres”
(GINZBURG, 1980, p. 5)3 .
Tal preconceito em relação à autoria feminina também poderia ser apontado
como a causa do constante adiamento da publicação de Cosima, de Grazia Deledda,
lançado apenas após a morte da escritora.
Prêmio Nobel de 1926, com o romance Canne al vento, Grazia Deledda é pouco
conhecida fora da Itália. A autora nasceu na Sardenha, em 1871, publicou inúmeros
romances e é uma das poucas escritoras que figuram nos manuais de Literatura Italiana,
(não poderia ser de outra forma após o prêmio recebido). Mas, apesar do
reconhecimento, sua trajetória em busca da realização profissional pode exemplificar os
obstáculos à afirmação da autoria feminina no início do século XX, o que pretende
mostrar nossa leitura de Cosima.
Críticos italianos são unânimes quanto à presença de elementos autobiográficos
em toda a produção deleddiana. No que classificam como a primeira fase de sua vasta
obra, eles reconhecem, principalmente, a presença da terra natal da escritora, a
Sardenha, que, segundo Olga Lombardi4 , chega a assumir o status de personagem nas
tramas. Na segunda fase, quando a autora substitui à proposta regional do Verismo
italiano uma visão mais intimista da vida, a natureza sarda, mais do que cenário, passa a
ser espelho dos sentimentos dos personagens, a narrativa faz o percurso do exterior para
o interior e novos testemunhos autobiográficos são detectáveis.
Cosima pertence a essa segunda fase e não seria reconhecida como uma
autobiografia no sentido estrito, conforme classificou Philippe Lejeune, ou seja uma
“narrativa retrospectiva em prosa que uma pessoa real faz da própria existência, dando
ênfase à sua vida individual, particularmente à história de sua personalidade”
(LEJEUNE, 1986, p. 12)5 . Por contrariar uma das cláusulas do “pacto autobiográfico”,
que seria a identidade entre o narrador e o personagem principal, cujo nome deveria se
referir à pessoa real, Cosima, escrita em terceira pessoa e sem clara identificação entre
narrador (narradora?) e autora, não configuraria uma autobiografia legítima, podendo
ser classificada apenas como romance autobiográfico.
A par dessas considerações, concordamos com os críticos italianos que
consideram Cosima, ao lado de La chiesa della solitudine e de Il paese del vento, o mais
autobiográfico dos romances da segunda fase da escritora, cuja narrativa desenvolve
dois temas principais: a evolução dos fatos ligados à vida familiar de Cosima e a sua
afirmação como escritora.
Em relação aos eventos familiares, que partem da infância de Cosima até sua
idade adulta, há quase total correspondência entre a trama e a vida da autora. Assim,
com exceção da protagonista, os outros personagens do seu núcleo familiar têm nomes
reais: o pai de Cosima é Antonio (Giovanni Antonio Deledda), a mãe é Francesca
(Francesca Cambosu), os irmãos são Santus (chamado de Santeddu) e Andrea, as irmãs
são Enza (Vincenza), que se casa com Gionmario (Giovanni Maria Mesina), Giovanna,
Beppa e Nicolina, e a criada chama-se Nanna (apelido de Nannedda Conzeddu). Até a
ordem dos nascimentos é respeitada, sendo Cosima (Grazia) a quinta dos sete filhos.
Também a situação econômica da família no romance coincide com aquela real, descrita
por Lombardi nas notas biográficas sobre a autora. Segue a mesma diretriz a experiência
do luto pela morte do chefe da família, relatada no livro - “O luto pelo pai foi longo: por
três meses inteiros as janelas permaneceram fechadas, nenhuma das mulheres, exceto a
criada, punha o pé fora da porta” (DELEDDA, 1975, p. 50)6 - que é confirmada, como
um costume sardo, pela própria escritora, em uma carta a Epaminonda Provaglio,
diretor de Ultima moda:
Você não pode imaginar com que rigidez aqui se mantém o luto. As nossas
janelas ficam fechadas e eu não posso nem me aproximar dos vidros. Por
dois ou três meses, nós, mulheres, devemos ficar hermeticamente fechadas
em casa e depois nos será permitido sair, mas apenas para retribuir as visitas
e para ir à Igreja. Nada de passeios, a não ser ao campo, nenhuma diversão,
e uma postura sempre rigorosamente triste... E assim por três, ou mesmo
quatro, ou até cinco anos. (DELEDDA, 1975, p. 139)7
Da mesma forma, quando acompanhamos a evolução artística de Cosima, há
uma série de correspondências com o exórdio da autora sarda no mundo das letras, o
que nos leva a ler os percalços enfrentados pela protagonista como os obstáculos à
afirmação profissional de Grazia Deledda e, num movimento mais amplo, como um
testemunho dos empecilhos à carreira de outras escritoras do início do século XX.
Em primeiro lugar, apesar de seu grande interesse pelos livros e pela escola,
Cosima/Grazia não estuda além da quarta série, fim último da ambição intelectual
feminina no seu contexto. Na perspectiva de que tornar-se-iam provedores de novas
famílias, a seus irmãos era incentivada a instrução, chegando um deles a estudar na
capital. Para as irmãs, ao contrário, se esperava um bom casamento, para o qual seriam
preparadas dentro de casa. Fragmentos da narrativa exemplificam essa dupla
expectativa de formação em relação aos irmãos e a Cosima.
Por enquanto os dois quartos [...] são os mais pobres da casa [...], mas
naquele dos meninos existe, no entanto, uma grande riqueza: uma prateleira
cheia de livros. Livros velhos e novos, alguns da escola, outros comprados
por Santus na única livraria da cidade. (DELEDDA, 1975, p. 18)8
E Cosima queria, queria saber. Mais do que os brinquedos atraíam-na os
cadernos; e o quadro da sala, com os traços brancos que a professora
escrevia, tinha para ela o fascínio de uma janela aberta para o azul escuro de
uma noite estrelada. (DELEDDA, 1975, p. 31)9
A escritora, tal como o personagem, tentará preencher as lacunas de sua
formação lendo tudo aquilo que lhe cai nas mãos, mas algumas limitações
permaneceriam, principalmente em relação ao uso da língua, sendo percebidas, nos
romances, imprecisões ortográficas e sintáticas, além de ecos dialetais. A explicação
está no fato de que, na época, o contato com a língua oficial da Itália, tardiamente
unificada, se dava primordialmente na escola. No ambiente doméstico, que Cosima
freqüentava, e nas relações pessoais só era usado o dialeto da região. Dessa forma, a
escritora teria que vencer sua deficiência quanto à língua de cultura, instrumento
essencial de sua atividade profissional.
Outra conseqüência de sua precária formação literária é certa tendência a uma
filiação tardia ao movimento Verista italiano, apesar do apoio da irmão Andrea que,
conforme é narrado em Cosima, a faz tomar aulas de italiano, tenta pô-la ao corrente das
manifestações literárias e culturais do Continente e leva-a a passeios onde poderá
encontrar inspiração de temas.
Quando veio a saber que sua irmãzinha Cosima, aquela mocinha de quatorze
anos, que mostrava ter menos e parecia selvagem e tímida, [...] era, ao
contrário, uma espécie de rebelde a todos os hábitos, às tradições, aos usos
da família e [...] tinha se metido a escrever versos e novelas, e que todos
começaram a olhá-la com uma certa [...] desconfiança, zombando e
prevendo para ela um futuro um tanto suspeito; Andrea passou a protegê-la
e tentou ajudá-la. (DELEDDA, 1975, p. 56)10
A referência à rebeldia da jovem escritora às tradições alcança maior relevância
quando temos presente o seu contexto de ocorrência, que se revela como mais uma
barreira aos seus anseios profissionais: uma sociedade fechada, do interior de uma ilha,
excessivamente refratária a novas informações e costumes, e bastante restritiva em
relação às aspirações femininas. Essa sociedade que, como vimos, impunha um luto
rigoroso às mulheres e limitava seu acesso à instrução, não aprova o desvio de Cosima
daquele que seria o seu destino, imanente, segundo Beauvoir, de esposa e mãe. O
romance narra que a jovem alcança certa fama já com a publicação de suas primeiras
novelas, que têm, como tema prevalente, aventuras amorosas. Porém, tal sucesso faz
com que críticas e preconceitos de toda a comunidade se insurjam contra o que se
considera uma ousadia da jovem.
Fama que, como uma bela medalha, tinha o seu reverso marcado por uma
cruz dolorosa. [...] no vilarejo a notícia de que seu nome tinha aparecido
impresso sob duas colunas de prosa ingenuamente dialetal e que, para maior
perigo, falavam de aventuras arriscadas, despertou uma execração unânime
e implacável. E eis que as tias, as duas velhas solteironas [...] aparecem na
casa mau-agourada, espalhando o terror das suas críticas e das piores
profecias. Até Andrea ficou abalado [...], aconselhou a irmã a não mais
escrever histórias de amor. (DELEDDA, 1975, p. 63)11
Porém, apesar da grande pressão social contrária, Cosima/Grazia continua a
escrever e começa a sonhar com a glória, com o reconhecimento público:
Ela escreve [...] se lança no mundo das suas fantasias e escreve, escreve, por
uma necessidade física, como outras adolescentes correm pelos caminhos
dos jardins, ou vão a um lugar proibido para elas; se podem, a um encontro
amoroso. (DELEDDA, 1975, p. 75)12
O sonho confuso da menina estava já iluminado por um desejo [...] de
grandes coisas, acima das dificuldades cotidianas, e parecia-lhe realmente
[...] evadir do seu pequeno mundo e encontrar-se entre os gigantes que
vivem rente ao céu, companheiros dos ventos, do sol e dos astros.
(DELEDDA, 1975, p. 70)13
Surge, no entanto, outro empecilho no seu percurso: como a maioria das
mulheres de sua época, a protagonista não trabalha, não é financeiramente emancipada e
não dispõe de meios para enviar seu primeiro romance para ser publicado no
Continente. A premência da independência financeira, afirmada por Woolf, em 1929, e
considerada mais importante que o direito ao voto, por Beauvoir, em 1949, configura-se
como condição primordial para a afirmação das mulheres e para a revisão dos papéis
femininos no sistema de gênero. No caso específico de Cosima/Grazia, a falta de
dinheiro poderia ter comprometido sua carreira de romancista, se ela não tivesse
recorrido a uma pequena transgressão doméstica para arcar com as despesas do correio:
Cosima se separa com dor e orgulho da família dos seus personagens e os
manda para o vasto mundo. O maço de papéis do manuscrito é
cuidadosamente envolvido em tela e papel, com um traçado de barbantes
que deve resistir à longa viagem por terra e por mar, e é também registrado:
despesas com as quais Cosima não pode arcar [...]. Mas já que é necessário
avançar a todo custo, eis que a escritora, a poetisa, a criatura das nuvens,
desce à adega e rouba um litro de azeite... (DELEDDA, 1975, p. 75-76)14
Embora esse primeiro romance e os outros escritos por Cosima sejam
perfeitamente reconhecíveis como os de Deledda, a autora lhes dá novos títulos: Fior di
Sardegna (1891), por exemplo, se transforma em Rosa di macchia; Anime oneste
(1896), em Rami caduti. Os livros obtêm sucesso e, do Continente, começam a chegar
cartas de admiradores. No entanto, no vilarejo N***, clara referência a Nuoro, cidade
natal de Grazia Deledda, as repercussões do sucesso de Cosima são negativas: aos olhos
daquela comunidade, o sucesso profissional de uma mulher pode comprometer a
concretização de seu destino feminino de um bom casamento.
[...] para a escritora foi um desastre moral completo: não apenas as azedas
tias, os moralistas da cidade e as mulheres, que não sabiam ler, mas
consideravam os romances como livros proibidos, todos se revoltaram
contra a jovem. Foi uma fogueira de injúrias, de suposições escandalosas, de
profecias libertinas [...]. O próprio Andrea estava descontente: não era assim
que tinha sonhado a fama da irmã, da irmã que se via ameaçada pelo perigo
de não arranjar marido. (DELEDDA, 1975, p. 78)15
Entretanto, não é apenas a cidade pequena e atrasada, resistente a mudanças, que
demonstra preconceitos sexistas. Um crítico da época, Giovanni Antonio Murru, que
não é nomeado no romance, exemplifica a postura de certa crítica literária que
desvaloriza a autoria feminina, quando escreve a Cosima para recomendar-lhe que
abandone a literatura e:
Volte, volte [...] a cultivar os cravos e a madressilva nos limites do pomar
paterno, volte a fazer meias, a crescer, a esperar um bom marido, a prepararse para um futuro saudável de afetos familiares e maternidade. (DELEDDA,
1975, p. 84)16
Porém, após uma breve pausa, resultado do efeito que lhe provoca tal crítica,
Cosima, relata o narrador, retoma sua atividade e já adquire certa independência
econômica, o que lhe permite aceitar, mesmo contra a vontade da família, um convite de
uma admiradora para ir a K***. É a primeira vez que ela deixa o vilarejo natal e,
segundo Antonio Baldini, autor das notas da edição de 193717 , são comprováveis
praticamente todas as circunstâncias que envolvem o evento. A cidade litorânea referida
é Cagliari, capital da Sardenha, a época do ano é a mesma da primeira viagem de
Deledda, outono, e a Senhora Maria, que lhe faz o convite para sua casa, é Maria
Manca, diretora de Donna Sarda, revista clagliaritana para a qual Deledda escrevia
como colaboradora.
Apenas um fato é omitido: o romance menciona que a protagonista encontra, ao
chegar à estação de K***, “um jovem vestido de um marrom dourado, com
maravilhosos bigodes da mesma cor e olhos amendoados, orientais”. (DELEDDA,
1975, p. 129)18 . O leitor que conhecer a biografia de Grazia Deledda será capaz de
identificar esse jovem com Palmiro Madesani, que a autora realmente conheceu em
Cagliari, e com quem se casou, transferindo-se definitivamente para Roma, onde
continuou sua atividade de escritora. O livro se encerra, contudo, sem esse desfecho,
pois um casamento no final da trama poderia, de alguma forma, diminuir a vitória da
protagonista sobre os inúmeros obstáculos à sua afirmação como escritora, já que, como
vimos, durante toda a narrativa, a sociedade patriarcalista, que se volta contra a jovem
autora, faz, reiteradas vezes, a defesa do matrimônio e da maternidade como destino
natural feminino e sugere que a realização profissional da mulher poderia comprometêlo. Assim, para Cosima, Grazia Deledda escolhe deixar em aberto a conclusão.
Notas:
1
BEAUVOIR (1990, p. 73-80).
WOOLF (1985, p. 93).
3
Todas as traduções do italiano são minhas. Texto original: “avevo un sacro orrore
dell’autobiografia. Ne avevo orrore e terrore: perché la tentazione dell’autobiografia era
in me assai forte, come sapevo che avviene facilmente nelle donne.”
4
LOMBARDI (1979, p. 32).
5
Texto original: “racconto retrospettivo in prosa che una persona reale fa della propria
esistenza, quando mette l’accento sulla vita individuale, in particolare sulla storia della
sua personalità.”
6
Texto original: “Il lutto per il padre fu lungo: per mesi interi le finestre rimasero
chiuse, nessuna delle donne, tranne la serva, metteva il piede fuori della porta”.
7
Notas à edição de 1937. Texto original “Tu non puoi immaginarti, con che rigidezza
qui si osservi il lutto. Le nostre finestre son chiuse ed io non mi posso neppure
avvicinare ai vetri. Per due o tre mesi noi donne dobbiamo stare ermeticamente chiuse
in casa e poi ci sarà concesso di uscire sì, ma per ricambiare solo le visite o per andare
in chiesa. Niente passeggio, a meno che non sia in campagna, nessuno svago, e un
contegno sempre rigorosamente triste... E così per tre o quattro o magari cinque anni”.
2
8
Texto original: “Per adesso le due camere [...] sono le più povere della casa; [...] ma in
quella dei ragazzi esiste pure una grande ricchezza; uno scaffale pieno di libri: libri
vecchi e libri nuovi, alcuni di scuola, altri comprati da Santus nell’unica libreria della
piccola città”.
9
Texto original: “E Cosima voleva, voleva sapere: più che i giocattoli l’attiravano i
quaderni; e la lavagna della classe, con quei segni bianchi che la maestra tracciava,
aveva per lei il fascino di una finestra aperta sull’azzurro scuro di una notte stellata”.
10
Texto original: “Quando si venne a sapere che la sua sorellina Cosima, quella
ragazzina di quattordici anni che ne dimostrava meno e sembrava selvaggia e timida [...]
era invece una specie di ribelle a tutte le abitudini, le tradizioni, gli usi della famiglia, e
[...] s’era messa a scrivere versi e novelle, e tutti cominciarono a guardarla con una certa
[...] diffidenza, se non pure a sbaffeggiarla e prevedere per lei un quasi losco avvenire,
Andrea prese a proteggerla e tentò [...] ad aiutarla”.
11
Texto original: “Fama che come una bella medaglia aveva il suo rovescio segnato da
una croce dolorosa. [...] in paese la notizia che il nome di lei era apparso stampato sotto
due colonne di prosa ingenuamente dialettale, e che, per maggior pericolo, parlavano di
avventure arrischiate, destò una esecrazione unanime e implacabile. Ed ecco le zie, le
due vecchie zitelle [...] precipitarsi nella casa malaugurata, spargendovi il terrore delle
loro critiche e delle peggiori profezie. Ne fu scosso persino Andrea [...], consigliò la
sorella di non scrivere più storie d’amore”.
12
Texto original: “Ella scrive [...], ella si slancia nel mondo delle sue fantasie, e scrive,
scrive per un bisogno fisico, come altre adolescenti corrono per i viali dei giardini, o
vanno a un luogo loro proibito; se possono, a un convegno d’amore”.
13
Texto original: “Il sogno confuso della fanciulla era già illuminato da un desiderio
[...] di cose grandi, al di sopra delle difficoltà quotidiane: e le sembra davvero [...] di
evadere dal suo piccolo mondo e ritrovarsi fra i giganti che vivono rasente al cielo,
compagni dei venti, del sole e degli astri”.
14
Texto original: “Cosima si stacca con dolore ed orgoglio dalla famiglia dei suoi
personaggi, e la manda per il vasto mondo. Il plico del manoscritto è accuratamente
involto in tela e carta, con una rete di spaghi che deve resistere al lungo viaggio di terra
e di mare: ed è anche raccomandato: tutte spese che Cosima non può sopportare [...].
Ma poiché è necessario andare avanti a tutti i costi, ecco che la scrittrice, la poetessa, la
creatura delle nuvole, scende in cantina e ruba un litro d’olio...”
15
Texto original: [...] per la scrittrice fu un disastro morale completo: non solo le zie
inacidite, e i benpensanti del paese, e le donne che non sapevano leggere ma
consideravano i romanzi come libri proibiti, tutti si rivoltarono contro la fanciulla: fu un
rogo di malignità, di supposizioni scandalose, di profezie libertine [...]. Lo stesso
Andrea era scontento: non così aveva sognato la gloria della sorella: della sorella che si
vedeva minacciata dal pericolo di non trovare marito”.
16
Texto original: “Torni, torni [...] nel limite dell’orticello paterno, a coltivare i garofani
e la madreselva; torni a fare la calza, a crescere, ad aspettare un buon marito, a
prepararsi ad un avvenire sano di affetti famigliari e di maternità”.
17
DELEDDA (1975, 135-146).
18
Texto original: “un giovine vestito di color marrone dorato, con due meravigliosi baffi
dello stesso colore e gli occhi lunghi, orientali”.
Bibliografia:
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. 7. ed. Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1990. 2 v.
DELEDDA, Grazia. Cosima. Milano: Mondadori, 1975.
GINZBURG, Natalia. Cinque romanzi brevi.Torino: Einaudi, 1980.
LEJEUNE, Philippe. Il patto autobiografico. Bologna: Il Mulino, 1986.
LOMBARDI, Olga. Invito alla lettura di Grazia Deledda. Milano: Mursia, 1979.
WOOLF, Virginia. Um teto todo seu. 2. ed. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1985.
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