AS NOVIDADES DA XVI CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE AIDS
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da Saúde
Saber Viver
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UMA REVISTA PARA QUEM VIVE COM O VÍRUS DA AIDS
ANO 6 Nº 37 – JUL/AGO/SET 2006 – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
RELIGIÃO
e SAÚDE
PROFISSIONAIS DE SAÚDE,
PESQUISADORES
E SOROPOSITIVOS AFIRMAM:
A FÉ PODE CONTRIBUIR
PARA UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL
ALIMENTAÇÃO: CUIDADOS AO UTILIZAR O FORNO DE MICROONDAS
Ter uma religião pode
influenciar sua saúde
Saber Viver
Uma publicação trimestral gratuita
destinada a pessoas que vivem com
o vírus da aids
Correspondências à redação:
Caixa Postal 15.088 - Rio de Janeiro
(RJ) - Cep 20.031-971
[email protected]
Coordenação, edição e reportagem:
Adriana Gomez e Silvia Chalub
Secretária de redação: Alessandra Lírio
Reportagem: Ana Letícia Leal e
Marina Pecoraro
Consultoria lingüística: Leonor Werneck
Ilustrações: Ana Vine
Foto: Alex Ferro, agência Pedra Viva
Conselho editorial deste número:
Estevão Portela (infectologista),
Marlete P. da Silva (nutricionista)
Colaboraram nesta edição:
Alexander Almeida (psiquiatra); Débora
Fontenelle (clinica geral) e Marília Santini
(infectologista)
Editoração eletrônica:
A 4 Mãos Comunicação e Design
([email protected])
P
ara muitas pessoas soropositivas, a fé em uma religião é tão
importante para a sua saúde quanto o tratamento contra
a aids. Ao tentar desvendar de que forma as atividades
religiosas influenciam o bem estar, a matéria de capa deste
número mostra que manter uma saudável parceria com Deus,
buscando o equilíbrio entre o esforço individual e a fé no
divino pode ser a chave para uma vida mais tranqüila.
Também nesta edição, confira as novidades apresentadas na
XVI Conferência Internacional de Aids, cujo tema foi “Tempo
de Cumprir”. Realizada em agosto, no Canadá, o evento
reuniu cientistas, profissionais de saúde e sociedade civil de
diversos paises empenhados no cumprimento de antigas
promessas: melhorar a qualidade do tratamento contra aids,
garantir seu acesso a todos que necessitam e buscar formas
mais eficazes de deter a epidemia.
No Rio de Janeiro, o XIII Encontro Nacional de Pessoas
Vivendo com HIV e Aids será sua oportunidade de também
participar dessa busca por melhor qualidade de vida. Veja
mais detalhes sobre o “Vivendo”, como o encontro é chamado,
na pág 13.
Boa leitura!
Impressão: Gráfica MCE
Sumário
Tiragem: 90.000 exemplares
Alimentação: Utilizando o forno de microondas
Agradecimentos especiais: A todas as
pessoas que colaboraram dando seus
depoimentos para as matérias
XVI Conferência Internacional de Aids
4/5
Lopinavir/r + zidovudina/ lamivudina
+ tenofovir + enfuvirtida (T20)
6/7
ERRATA: Os nomes corretos das
profissionais de saúde que colaboraram
com a Saber Viver n° 35 são Marlene
Zornitta (psicóloga) e Valéria Ribeiro
(infectologista).
PATROCÍNIO:
Como a religião pode influenciar sua saúde
3
8/9/10
Sua História
11
Coluna Direito de Todos
12
Pesquisa Qualiaids
12
Encontro no Rio de Janeiro: XIII Vivendo
Cartas e namoro ou amizade
13
13/14/15
APOIO:
Chat Namoro ou Amizade
Governo do Estado
de São Paulo
2
Agora ficou mais fácil encontrar
amigos ou a cara-metade
www.saberviver.org.br
alimentação
O MICROONDAS FAZ
MAL À SAÚDE?
CUIDADOS IMPORTANTES
AO UTILIZAR O
MICROONDAS:
E
les são práticos e muito usados hoje em dia. Porém, não
há estudos que comprovem se os fornos de microondas
fazem algum tipo de mal à saúde. O Departamento de
Saúde e Serviços Humanos dos EUA estabelece que a
dissipação máxima de microondas permitida por um forno é de
5 miliwatts por cm2. Os fornos atualmente disponíveis no
mercado, inclusive os de alta potência, têm uma taxa de
dissipação em torno de 0.05 miliwatts. Mesmo com esta
“margem de segurança”, a nutricionista Marlete Pereira, do Hospital Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, aconselha a não abusar na utilização do forno de microondas. Segundo ela, além da falta de informação sobre o uso
contínuo, não há informações científicas que comprovem a
manutenção de nutrientes aquecidos no microondas.
A escolha certa dos recipientes
Mesmo para um uso eventual, o forno de microondas requer
alguns cuidados importantes. O principal, segundo Marlete, é
com a escolha do recipiente. “Os recipientes de alumínio podem
causar danos ao aparelho e produzir faíscas; os de plástico (inclusive os filmes de PVC) possuem, em sua composição química, uma substância chamada dioxina, que é liberada no processo de aquecimento”, explica a nutricionista. Segundo ela,
alguns estudos relacionam a dioxina ao aparecimento de câncer
de mama, pulmão, próstata e cérebro. Porém, nenhuma pesquisa
foi capaz de comprovar qual é a quantidade da substância que,
acumulada no organismo, torna-se nociva aos seres humanos.
“Diante de tantas dúvidas, o ideal é evitar ao máximo o uso do
microondas e, quando utilizá-lo, colocar o alimento em
recipientes de vidros refratários ou porcelanas”, finaliza Marlete.
ano 6 n 37 set 2006 Saber Viver
Não ligue o forno de microondas se ele estiver vazio;
Não use o forno se a dobradiça, o trinco ou a vedação da
porta estiverem danificados;
Alimentos com pele, casca
ou membrana, como tomate,
batata, salsicha, etc, devem
ser perfurados com um
garfo antes de irem ao forno,
pois poderão explodir;
Nunca aqueça os alimentos em
embalagens totalmente fechadas, pois poderão explodir;
Quando aquecer alimentos
para bebês e crianças, certifique-se de que a temperatura do alimento esteja
adequada antes de servi-lo,
evitando o risco de queimaduras;
Não utilize recipientes metálicos, nem com detalhes
em metal, pois eles prejudicam o desempenho do
aparelho, podendo causar
faiscamentos que danificam
a cavidade do forno.
Fonte:
www.inmetro.gov.br/consumidor/
produtos/microondas.asp
3
aconteceu
XVI Conferência
Internacional de Aids
No Canadá, 26 mil pessoas
discutem a epidemia no Mundo
Grupo de jovens dançarinos na abertura da
Conferência, dia 13 de agosto, em Toronto.
©Lise Beaudry / IAS
M
édicos, cientistas, pessoas vivendo
com HIV/aids, jornalistas, representantes de universidades, ativistas e
trabalhadores da saúde se reuniram em Toronto,
Canadá, durante a XVI Conferência Internacional de Aids. O evento, ocorrido entre os
dias 13 e 18 de agosto, é um dos mais
importantes fóruns de debate e atualização
quando o assunto é aids. Cerca de 26 mil pessoas de diversos países discutiram ampliação do
acesso aos anti-retrovirais, co-infecções entre
HIV e outras doenças, novos medicamentos,
vacinas, métodos de prevenção, vulnerabilidade
feminina e preconceito contra os portadores do
HIV, entre outros tópicos importantes na luta
contra a aids. “Tempo de Cumprir” foi o tema
escolhido desta edição, para reforçar o
compromisso dos participantes em fazer cumprir
as promessas feitas para deter a epidemia, que
atinge 40 milhões de pessoas no mundo.
Novidades na área da prevenção
As pesquisas com microbicidas, um gel
vaginal capaz de proteger as mulheres de
doenças sexualmente transmissíveis e aids,
mesmo sem o preservativo, receberam bastante destaque. Os cientistas acreditam que
4
os primeiros resultados positivos estarão disponíveis em dois anos, e o produto, acessível
à população em cinco.
Outra promessa é o estudo com o antiretroviral tenofovir como método preventivo
contra o HIV Ele está sendo testado em
pessoas não infectadas pelo HIV pertencentes a grupos vulneráveis para a infecção.
A circuncisão masculina foi mais um
método preventivo apresentado. A operação,
que consiste na retirada da pele que protege a
glande do pênis, pode diminuir em até 60% a
chance dos homens de contrair o vírus da aids.
Novos medicamentos
No campo do tratamento, as novidades são
o inibidor da integrase e o bloqueador de CCR
5, medicamentos de novas classes de antiretrovirais. Um novo inibidor da protease,
darunavir, desenhado para portadores com
falhas terapêuticas, já comercializado em países
do primeiro mundo, é uma aposta de médicos
brasileiros no auxílio à terapia anti-retroviral
disponível no país. A boa notícia para facilitar a
adesão ao tratamento é a condensação de três
anti-retrovirais (tenofovir, emtrecitabina e
efavirenz) em uma única pílula.
Saber Viver ano 6 n 37 set 2006
©Lise Beaudry / IAS
Durante a Conferência, a Organização
Mundial de Saúde (OMS) divulgou um
boletim mostrando avanços significativos no
acesso aos anti-retrovirais na áfrica subsaariana,
região mais atingida pela aids. No encerramento, Stephen Lewis, enviado especial da
ONU à África para assuntos relacionados à
Aids, acusou os países do G8 (grupo de sete
países mais ricos e a Rússia) de negligenciar o
combate à epidemia. O grupo prometera
financiar o Fundo Global de Combate a Aids,
Tuberculose e Malária, mas faltam 500 milhões
de dólares para os programas deste ano.
Ativistas reunidos em Toronto realizaram
diversas manifestações para chamar atenção
para problemas enfrentados pelas pessoas que
vivem com HIV/aids. A quebra das patentes
dos medicamentos, a redução do preço dos
anti-retrovirais, os direitos humanos dos
profissionais do sexo e um maior número de
médicos e enfermeiros para atuarem no setor
foram algumas das reivindicações.
trabalhos desenvolvidos no país em áreas como
vacinas, transmissão vertical do HIV, adesão
ao tratamento e rede de casais gays.
Para Mariângela Simões, diretora do
Programa Nacional de DST/Aids, um dos
principais motivos para o bom desempenho
da resposta brasileira à aids é trabalhar prevenção e tratamento de forma integrada e
contar com um grupo de trabalho formado
por representantes da sociedade civil, pessoas
que vivem com aids e pesquisadores na
formulação de políticas.
Ela aproveitou a Conferência para lançar
o tema escolhido pelo Brasil para o Dia
Mundial de Luta Contra a Aids de 2006,
celebrado em 1º de dezembro. O mote será o
combate à discriminação contra as pessoas
que vivem com HIV e aids. SV
aconteceu
Aumento do acesso aos antiretrovirais
Participação brasileira em Toronto
O Brasil teve forte participação na
Conferência. Pesquisadores, representantes do
governo e de ONGs apresentaram ao mundo
Agência de Notícias da Aids
Acima, mesa
apresenta estudos
com novas
tecnologias para a
prevenção do HIV.
Ativistas indianos
protestam em
Toronto.
ano 6 n 37 set 2006 Saber Viver
5
passo a passo
Lopinavir/r + zidovudina/
lamivudina + tenofovir +
enfuvirtida (T20)
Esquema indicado para pessoas com múltiplas falhas no tratamento e
que fizeram exame de genotipagem
P
estéril); 60 seringas para preparação; 60
essoas que já falharam a vários
seringas para injeção subcutânea;
esquemas anti-retrovirais anteriores
chumaços embebidos em álcool; e recipiatualmente podem contar com um
entes para descarte de seringas.
medicamento que tem mostrado bons
Os frascos devem ser guardados em
resultados. Trata-se da enfuvirtida ou T20.
temperaturas de até 30°C. Se não for posPara ter acesso a esta nova classe de antisível garantir esta temperatura, eles devem
retroviral (inibidores de fusão), é preciso
ser colocados na geladeira. Nesse caso, anantes fazer o exame de genotipagem.
tes de preparar a medicação, você deve
Através dele, é possível saber contra quais
retirar o frasco que vai usar e
anti-retrovirais o HIV já adquiriu
aguardar até que ele atinja a
resistência, fazendo com que os
temperatura ambiente.
medicamentos não funlopinavir/r
3 cápsulas de 12 em
cionem satisfatoriamente
12 horas, junto com alimentos
Tire todas as suas
no combate ao vírus.
dúvidas
Com o resultado deszidovudina/lamivudina
te exame na mão, o
Os profissionais de
1 cápsula de 12 em 12 horas
médico pode receitar o
saúde estão preparados
tenofovir
esquema deste número,
para ensiná-lo, passo a
1 cápsula por dia
contanto que pelo menos
passo, como utilizar o
um dos anti-retrovirais,
T20. Tire todas as suas
T20
além do T20, ainda esteja
dúvidas com eles. Volte à
1 injeção subcutânea
ativo, como ressalta a infecunidade de saúde sempre
de 12 em 12 horas
tologista Marília Santini: “Com
que precisar esclarecer mais
pelo menos dois anti-retrovirais
algum ponto. Preparar as injeções
com plena ação (T20 e mais um), tem-se
com o T20 não é simples, mas com o tempo
demonstrado a eficácia desta combinação.
você vai pegando prática. Além disso, leia
Os outros medicamentos do esquema encom atenção a bula do medicamento que
tram como co-adjuvantes”.
explica como utilizá-lo usando figuras para
simplificar. Siga suas instruções.
Armazenamento do T20
Todos os componentes necessários para
a aplicação do T20 durante um mês são
fornecidos pela farmácia da unidade de
saúde: kits contendo 60 frascos-ampolas de
T20; 60 frascos-ampolas de diluente (água
6
Preparação
Não se esqueça de lavar as mãos com
água e sabão antes de começar a preparar
os frascos. Depois de preparado, o frasco
com o medicamento já diluído deve ser
Saber Viver ano 6 n 37 set 2006
Aplicação
A injeção deve ser aplicada logo
embaixo da pele (região subcutânea). Os
locais mais indicados são abdômen, parte
da frente da coxa e lateral-externa do braço,
pois são áreas que tendem a apresentar
mais gordura no subcutâneo. Evite a área
em torno do umbigo e as que já apresentem
reações. As aplicações da manhã e da noite
nunca devem ser na mesma área.
Não se esqueça de limpar a área onde o
remédio será injetado com o chumaço
embebido em álcool. Caso uma outra
pessoa vá aplicá-lo em você, peça-a para
usar luvas. Após o término da injeção, todas
as seringas usadas devem ser descartadas
no recipiente próprio fornecido pela unidade de saúde. Quando for atingida a sua
capacidade máxima, o recipiente deve ser
levado à unidade de saúde para a sua
destruição.
Reações adversas
As reações adversas mais comuns
relacionadas ao T20 acontecem no local da
injeção: dor, vermelhidão, endurecimento e
coceira. Em geral, elas ocorrem na primeira
semana de tratamento. Observou-se uma
incidência aumentada de pneumonia
bacteriana nos estudos clínicos em pacientes tratados com T20, principalmente entre
os usuários de drogas intravenosas, os fumantes, os pacientes com história de doença pulmonar prévia e aqueles com um baixo
número de CD4. Informe imediatamente
ao seu médico caso surjam sinais ou
sintomas sugestivos de pneumonia (tosse,
dor no peito, febre ou falta de ar), mesmo
que você não se identifique com este grupo
de pacientes. Nunca interrompa o
tratamento sem o conhecimento de seu
médico. SV
passo a passo
usado em seguida ou colocado imediatamente na geladeira para ser usado em, no
máximo, 24 horas. Você pode preparar os
dois frascos do dia ao mesmo tempo, usar
um e guardar o outro na geladeira. Use um
kit (água, seringas, agulhas e algodão) para
a preparação de cada frasco. Alguns
minutos antes da aplicação, retire da geladeira o frasco já preparado para que ele
atinja a temperatura ambiente antes de ser
aplicado.
8h da manhã
Jorge toma seus medicamentos
lopinavir/r, zidovudina/lamivudina e
tenofovir, logo após o café da manhã.
E depois vai preparar as duas
ampolas de T20 que serão utilizadas
no dia. A primeira, ele aplica logo em
seguida e a outra, ele guarda na
geladeira para usar à noite.
8h da noite
Jorge tira a ampola com o T20 já
preparado da geladeira, janta e toma
o lopinavir/r e a
zidovudina/lamivudina. Depois, ele
vai aplicar o T20.
ano 6 n 37 set 2006 Saber Viver
7
FÉ PODE
FORTALECER
O CORPO
E O ESPÍRITO
Atividades religiosas
influem na saúde dos
que vivem com HIV/aids
P
ara o carioca Felipe Cunha*, 36 anos, freqüentar
um grupo que se reúne semanalmente na igreja
católica de seu bairro tem sido uma experiência
muito positiva. Portador do HIV há mais de um ano,
recentemente foi informado por seu médico de que chegou a hora de iniciar a terapia anti-retroviral. Inconformado, chegou a tomar antidepressivos. Foi quando decidiu freqüentar as reuniões na igreja. “Voltei a me sentir
em paz”, conta. Hoje, ele já não precisa mais do medicamento para depressão e pensa mais calmamente sobre o
início da terapia. “Os problemas parecem muito grandes
quando estamos sem amparo”, pondera.
O psiquiatra Alexander Almeida, diretor do Centro
de Estudos da Religião da Universidade de São Paulo,
acredita que a religião pode atuar de um modo muito
salutar, auxiliando na manutenção da disposição e propiciando uma visão mais abrangente sobre a vida. Ele
cita pesquisas que demonstram que rezar, auxiliar outras
pessoas, considerar que a situação difícil é um ensinamento e sentir-se amado por Deus são atitudes
associadas a um melhor bem estar físico e psíquico.
Entretanto, esses mesmos estudos, segundo o psiquiatra,
mostram que quando o paciente continuamente
interpreta a doença como um castigo de Deus, a
tendência à depressão e à ansiedade é maior.
Quando a religião pode atrapalhar
Alice de Souza, 45 anos, ficou viúva há onze anos
e fez o exame para o HIV. Ao ver o resultado positivo
entrou em depressão e trancou-se em casa. “Eu
me castiguei muito. Fiquei 30 dias sem sair e
8
montagem com fotos
de Alex Ferro e Christian Fehr
Saber Viver ano 6 n 37 set 2006
aids à comunidade evangélica da Assembléia de Deus
Betesda. “Devo minha cura
ao apoio da minha mulher,
dos meus amigos e parentes,
todos amorosos e compassivos comigo”, diz ele, que
em seguida explica a que tipo
de cura se refere. “Falo da
cura que vem da minha
dignidade, minha religiosidade, meu emprego, meu
casamento, minha vida. É
isso que entendo por cristianismo!”, revela Gedeon.
A médica Débora Fontenelle atesta, em sua prática, que a sensação de pertencer a um grupo, de compartilhar idéias e dificuldades
proporciona uma sensação
de amparo aos que passam
por dificuldades. “Quem
"Não se deve confundir a
medicina dos homens com a
medicina de Deus". Epifânio
do Oxossi.
A cura da alma
O teólogo Gedeon
Freire de Alencar, de 45
anos, atribui o sucesso de
seu tratamento contra a
Parceria com Deus
Epifânio do Oxossi, de 43
anos, se iniciou no candomblé
em 1991. Quando descobriu
que tinha o HIV, em 1997, foi
muito bem acolhido no terreiro e sempre recebeu incentivo
para se tratar. Ele destaca que
não se deve confundir a medicina dos homens com a medicina de Deus. “Tomo as ervas
indicadas pelo candomblé
com o conhecimento do meu
médico. É ele que determina
quando e como elas devem se
associar ao tratamento antiretroviral”, afirma.
É essa atitude de parceria e colaboração com Deus
que o psiquiatra Alexander
Almeida observa nos grandes
personagens religiosos. “Na
fé não deve haver lugar para
passividade. Fazemos tudo o
que está ao nosso alcance e
deixamos o resto por conta
de alguma força superior na
qual se acredita: um misto de
esforço pessoal com crença
no divino”, ressalta.
É no auto-cuidado, na
busca do equilíbrio entre as
necessidades da alma e do
corpo que parece estar um
dos grandes segredos para
a manutenção da boa
saúde. SV
*Nome
fictício.
Cristina Veneu
ano 6 n 37 set 2006 Saber Viver
freqüenta um grupo religioso
possui uma rede de suporte
que muitas vezes não
encontra na família. Isso
influencia positivamente a
qualidade de vida”, diz.
comportamento
sem comer. Aí vi que ia morrer
desse jeito e resolvi começar a
me tratar”. Já estava melhorando quando revelou sua
soropositividade ao pastor da
igreja evangélica que freqüentava. Ele sugeriu que o
tratamento fosse interrompido:
“Você vai se curar pela fé”,
disse. Foram mais 30 dias sem
acompanhamento médico e
Alice piorou novamente.
A médica de Alice, a clinica geral Débora Fontenelle,
comenta que atende muitos
pacientes que têm uma visão
equivocada da doença e que
isso interfere de forma desastrosa. “Quando a religiosidade
estimula o sentimento de culpa ou de negação da doença,
ela atrapalha o tratamento”,
observa a médica. “Muitos
crêem que serão curados pela
fé. De tempos em tempos fazem novo exame HIV na expectativa que dê negativo. A
decepção com novos resultados positivos e o não tratamento vão minando a saúde
dessas pessoas”. Com Alice,
o final foi diferente. Ela hoje
toma seus remédios assiduamente e se sente ótima. “Com
essa doença, a gente tem que
ser guerreira”, diz ela, que freqüenta a Assembléia de Deus
há 15 anos. “A fé ajuda muito”,
afirma. “Converso pouco sobre
aids com meus amigos. Eu me
abro mesmo é com Deus”.
9
Locais de apoio e reflexão
religião pode ser um espaço
privilegiado para o trabalho de
prevenção do HIV, de assistência aos
soropositivos e de reflexão sobre fé e
saúde. É nisso em que acreditam e trabalham diversos grupos, alguns já constituídos e outros ainda em formação, que
atraem cada vez mais pessoas e abrangem maiores áreas. A Rede Nacional de
Religiões Afro-Brasileiras e Saúde é um
exemplo disso. Com núcleos em diversos
municípios do país, a Rede realiza ações
que promovem o diálogo, nos terreiros,
entre as tradições religiosas e os saberes
científicos, organiza seminários sobre o
tema e já desenvolveu campanhas utilizando as lendas afro-brasileiras para
mostrar a importância da solidariedade às
pessoas soropositivas. José Marmo da
Silva, secretário-executivo da Rede, enfatiza que todas as sexualidades são bem
aceitas nas religiões afro-brasileiras e que
os soropositivos são acolhidos com muito
respeito e dignidade.
A Pastoral de DST/Aids é um serviço da
igreja católica na contenção da epidemia
da aids que pretende envolver toda a comunidade católica na luta contra o vírus. A
comissão se dedica a combater o preconceito e a discriminação e a dar assistência
aos soropositivos, acolhendo, acompanhando e defendendo seus direitos.
A
Grupos de trabalho para discutir religiões e
saúde
Devido ao reconhecimento da importância
da religião na promoção da saúde,
formou-se o Grupo de Trabalho de Religiões (GT Religiões) do estado de São
Paulo. O Grupo, composto por profissionais e gestores de saúde e integrantes de
ONG, tem o objetivo de fomentar a discussão e propor ações que auxiliem o desenvolvimento de trabalhos de prevenção às
DST/aids entre os grupos religiosos em
geral.
10
Alba Figueroa
comportamento
Instituições religiosas
IV Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e
Saúde. Belém, abril de 2005.
Em nível nacional, em julho foi realizado
em Brasília o Seminário Aids e Religião,
organizado pelo Programa Nacional de
DST/Aids do Ministério da Saúde. Foram
debatidas as questões religiosas e sua
relação com o enfrentamento da epidemia. Discutiu-se, entre outros temas, a
necessidade da produção de material
educativo que contemple as especificidades religiosas brasileiras na questão da
aids, assim como a importância da formação de GT Religiões em outros estados e
municípios brasileiros.
Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras
e Saúde
[email protected]
[email protected]
Pastoral DST/ Aids
www.pastoralaids.org.br
Manaus - AM: Tel (92) 673 6573
[email protected]
Feira de Santana - BA: Tel (75) 622-5505
[email protected]
Goiânia - GO: Tel (62) 271 4510
[email protected]
Petrópolis - RJ: Tel (24) 2245 0322
[email protected]
São Paulo - SP: Tel (11) 3291 4432
[email protected]
Porto Alegre - RS: Tel (51) 3346 6405
[email protected]
GT Religiões do Programa DST/Aids do
Estado de São Paulo
Tel: (11) 50879901
[email protected]
Saber Viver ano 6 n 37 set 2006
E
sua história
“ Uma
guerra
que eu
não tenho
medo de
vencer”
stou a caminho de uma grande “guerra”.
Estou muito assustada. Afinal, onde estão
os inimigos que eu tenho que combater?
Tudo está completamente sombrio.
Penso em pedir socorro, mas será que serei
socorrida? Ou será que me transformarei, aos olhos
das outras pessoas em uma fotocópia do vírus?
Mas há uma esperança: o meu remédio. Eu
não lembrava dele...
O medo, meu principal adversário, aumenta
quando a própria medicina me diz que ainda há
muito a ser descoberto até a cura da aids.
Eu sei que poderei vencer esta batalha. Mas
reconheço que às vezes tenho vontade de fugir do
meu próprio corpo e desaparecer.
A minha família precisa saber. Sei que devo
contar, mas como começar a falar? Sempre penso
que sou diferente de todos e tenho medo que a
minha família também comece a pensar assim.
Então, minha alma se cala no silencio e na dor.
Mas sorrio quando me deparo com os
meus remédios, que já não esqueço mais.
Começo a melhorar de saúde. Alimento-me melhor, durmo melhor. Ouço
música e faço até planos para o futuro.
Continuo seguindo a minha batalha:
vencer o medo e o preconceito.
Sinto-me mais forte, apesar de atravessar, em
um navio, por mares nada seguros.
Continuo a melhorar, principalmente porque
percebo que há outras pessoas neste navio, ao
meu lado. Não me faltam sorrisos e mãos
amigas.
Começo, então, a me sentir ainda mais
forte. Levanto a minha cabeça e, firme,
continuo a minha batalha. Afinal, sei que
não estou mais sozinha.
Um grande abraço a todos os
leitores da Saber Viver
Shirlei - Interior do
Estado de São Paulo
(A Saber Viver não vai
identificar a cidade para
evitar constrangimento à
leitora)
11
notas
Qualidade do SUS é avaliada
Unidades de saúde que atendem
soropositivos respondem questionários
F
oi lançado em julho um aplicativo para autoavaliação da qualidade da assistência
ambulatorial a pessoas vivendo com HIV/aids
no sistema único de saúde (SUS). Desenvolvido
pela Equipe de Pesquisa QualiAids, formada por
pesquisadores de universidades brasileiras, e com o
apoio do Programa Nacional de DST/Aids, o objetivo desta iniciativa é contribuir para o aprimoramento da qualidade de assistência nos serviços
públicos em atenção à aids.
O aplicativo é composto por um questionário
sobre a organização da assistência local, acompanhado por um conjunto de recomendações de boas
práticas.
“Além de avaliar a qualidade do atendimento
prestado aos pacientes, este aplicativo vai permitir que
os profissionais recebam recomendações específicas
para melhorar os serviços de saúde”, afirma a
coordenadora da Equipe Qualiaids, Maria Inês
Battistella Nemes. Ela acrescenta que os usuários dos
serviços poderão acessar as informações geradas a
partir dos questionários e observar as recomendações
de boas práticas. “Dessa forma, eles poderão cobrar
qualidade nos serviços que usam”, diz.
Mariângela Simão, diretora do PNDST/Aids,
considera o aplicativo um importante instrumento
para que pontos críticos sejam identificados: “Com
isso poderemos melhorar a qualidade do atendimento”.
Próxima etapa
O aplicativo para auto-avaliação da qualidade
da assistência ambulatorial a pessoas vivendo com
HIV/aids no SUS pode ser conhecido no site
www.aids.gov.br/qualiaids. Mas o questionário só
pode ser preenchido por profissionais do SUS.
Espera-se que, num futuro próximo, a Equipe
Qualiaids trabalhe na criação de um aplicativo em
que os usuários dos serviços de saúde também possam avaliar a qualidade do atendimento recebido.
Colaborou: Agência de Notícias da Aids
12
LIPODISTROFIA E PLANOS DE SAÚDE
lipodistrofia é um dos efeitos
colaterais do uso dos antiretrovirais. Ela vem causando
alterações anatômicas em alguns
portadores do HIV. Em dezembro de 2004,
o Ministério da Saúde publicou a portaria
de no. 2.582, determinando a inclusão de
certos procedimentos médicos no
Sistema Único de Saúde, com a finalidade
de minimizar os efeitos da lipodistrofia.
Tais procedimentos, porém, não são
cobertos pelos planos de saúde privados,
sob a alegação de que teriam finalidade
estética e de que estão expressamente
excluídos de cobertura, conforme dispõe
o artigo 10, inciso II, da lei 9.656, de 1998.
O argumento é equivocado, pois não se
trata de uma cirurgia estética, e sim de
um procedimento que visa devolver ao
portador do HIV suas boas condições de
saúde psíquica e emocional. O próprio
Governo Federal, ao editar a citada
portaria, reconhece que as alterações
anatômicas decorrentes do uso de antiretrovirais podem causar sérios distúrbios
emocionais e psiquiátricos, como perda
da auto-estima por parte do portador do
HIV, desagregação familiar, exclusão social, abandono do tratamento e agravamento da doença. Ou seja, a lipodistrofia
reconhecidamente atinge diretamente a
saúde do portador do HIV.
A Constituição Federal, em seu artigo
1º., inciso III, afirma ser a dignidade da
pessoa humana um dos fundamentos da
República Federativa Brasileira. Esse é o
valor que deve nortear a interpretação de
toda a legislação ordinária, inclusive a da
lei que regulamenta os planos de saúde.
Os procedimentos reparatórios dos
efeitos da lipodistrofia devem, portanto,
ser incluídos na cobertura dos planos de
saúde, pois restauram a dignidade do
portador do HIV e estão longe de constituir
meros procedimentos estéticos.
A
* Advogado em São Paulo, consultor
jurídico em HIV/aids. E-mails para esta
coluna: [email protected]
Saber Viver ano 6 n 37 set 2006
SABER VIVER – CAIXA POSTAL 15.088 – RIO DE JANEIRO – RJ 20.031-971
e-mail: [email protected]
As cartas para esta seção devem conter endereço completo e xerox do
documento de identidade. A Saber Viver manterá esses dados sob sigilo.
cartas
CONTATOS IMEDIATOS
TERAPIA ANTI-RETROVIRAL E ALIMENTOS ORGÂNICOS
Faço terapia anti-retroviral e gostaria de saber se posso tomar vitaminas, fitoterápicos
e alimentos orgânicos em geral.
Haries, por e-mail
O uso da vitamina A deve ser cauteloso, tanto em pessoas soropositivas como em
soronegativas para o HIV, pois ela se acumula no fígado, órgão já sobrecarregado
sobretudo no caso de pacientes em terapia anti-retroviral. Sobre os fitoterápicos,
o ginseng, gigko-biloba, erva de São João (hipericum) e unha de gato estão
proibidos para quem toma anti-retrovirais. Alimentos orgânicos fazem bem à
saúde de qualquer pessoa. É bom lembrar que seu médico deve ser sempre
consultado.
Colaboraram os médicos Márcia Rachid e Marcos Monassa
RESPONSABILIDADE DO SOROPOSITIVO
Sou obrigado a dizer ao meu parceiro que sou soropositivo? Se eu não contar, posso
ser responsabilizado caso ele seja infectado pelo HIV, mesmo que tenhamos os
cuidados essenciais para a não infecção?
Marcos Cardoso, Rio de Janeiro
Legalmente, você não é obrigado a informar ao seu parceiro sobre sua sorologia
para o HIV. Mas, caso ele seja infectado, você terá que repará-lo civilmente,
mesmo que tenham tido os referidos cuidados. Dependendo do caso, nossos
tribunais podem entender que estaria caracterizado o crime de contágio de
moléstia grave. De qualquer forma, só haverá condenação depois que um processo
judicial com provas capazes de identificar o causador do dano for concluído.
Colaborou o advogado Marcelo Turra
Vem aí o XIII Vivendo
Encontro comunitário sobre HIV e aids será em outubro no Rio de Janeiro
O XIII Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids – ou simplesmente o
Vivendo, como é carinhosamente chamado – acontecerá entre 13 a 15 de outubro de 2006, no
Hotel Glória, Rio de Janeiro.
Como nos anos anteriores, a programação do Vivendo terá um tema de forte apelo, para
motivar e sensibilizar participantes e convidados. Neste ano, o tema escolhido é “Quero Mais
Saúde! Me Cansei de Lero-Lero. Dá Licença, Mas Eu Vou Sair do Sério”, verso de uma canção
de Rita Lee e Roberto de Carvalho , que nos remete às infindáveis promessas não cumpridas
para solução dos diversos problemas relacionados ao combate da epidemia de HIV e aids no
Brasil e no mundo.
Para mais informações sobre o Vivendo, como a programação, acesse
www.vivendo2006.org.br. Ou telefone para 21 2518 3993 (Pela Vidda Rio) ou 21 2722 0067 /
2613-0598 (Pela Vidda Niterói).
Esperamos você lá.
ano 6 n 37 set 2006 Saber Viver
13
namoro ou amizade
Namoro ou Amizade
Belos olhos pretos, 36 anos, 1.70m,
moreno claro. Procuro mulher entre 30
e 45 anos, para compromisso. Tel. (11)
8409-5637 Marcelo
Sincero, carinhoso, 1.70, 67kg, branco.
Gostaria de me corresponder com
mulher de 20 a 36 anos, para amizade
ou namoro. Tel. (11) 8499-6992. José
Aquariano solitário e romântico, 28
anos, branco. Procura homens e
mulheres de todo o Brasil para amizade.
R. Miguel Mauricio Munhoz, 196 casa
4, Novo Osasco. Osasco /SP CEP:
06.045-210 Getulio.
Tenho 33 anos, saudável. Procuro
mulher inteligente, que goste de curtir o
presente, para um futuro promissor. Tel.
(11) 9867-5938 Paulo.
Procuro um namorado que more no
ABC/SP. Sou branca, 1.66m, 25 anos.
R. Lauzaine, 102, Suíço. S. B. do
Campo /SP. CEP: 09.663-030. Simone
SUGERIMOS QUE OS LEITORES QUE
QUEIRAM SE CORRESPONDER ALUGUEM UMA CAIXA POSTAL NA AGÊNCIA DOS CORREIOS.
RECOMENDAMOS TAMBÉM QUE, AO
MARCAR UM ENCONTRO, PREFIRAM
LOCAIS PÚBLICOS E AVISEM A UM
AMIGO.
Moreno, 35 anos, 1.78m, 71kg,
assintomático, privado de minha
liberdade. Procuro mulher de 18 a 40
anos, para amizade ou futuro
relacionamento. R. dos Mariscos, 500,
pav. 3B. Balneário Arara Vermelha.
Monguagá /SP CEP: 11.730-000
Ronaldo Ribeiro
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ativo, de 25 a 45 anos. Tenho 32 anos,
1.74m, branco, passivo. Veja minhas
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Solteiro, 42 anos, 1.70m, 71kg, olhos
castanhos, cabelos grisalhos. Gostaria
de conhecer mulher, não fumante, de
caráter simples, educada e carinhosa.
R. Arcipreste Andrade, 534, Ipiranga.
São Paulo /SP CEP: 04.268-020 Tel.
(11) 6163-7394 Kleber
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amizade seja fundamental, e sexo,
conseqüência. Sou ativo/passivo, 26
anos, 1.67m, moreno e romântico. R.
Viela dos Operários, 190, Cachoeira.
Guarujá /SP CEP: 11.430-0000.
Ednilson
Moreno claro, olhos verdes. Procuro
amizade sincera com um rapaz de 18 a
45 anos. Cx Postal 88. Ilha Bela /SP
CEP: 11.630-970 Nandes.
Tenho 45 anos, olhos azuis, sem vícios,
aposentado, evangélico, tenho casa
própria, perdi minha voz decorrente de
um derrame. Procuro mulher que queira
casamento, sem vícios. R. Fazenda
Monte Alegre, 92, Vila Jaraguá.
Pirituba /SP CEP: 05.160-060 Almir
Procuro relacionamento verdadeiro
com homem entre 25 e 45 anos, de
preferência que more em SP. Tenho 33
anos, moreno, bonito e discreto.
Dispenso aventureiro. R. Domenico
Sarri, 19, Jd. Mirna. São Paulo /SP
CEP: 04.856-180 José
14
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está só e quer algo concreto, escrevame. Sou loiro, 45 anos, 1.70m, 73kg. R.
Pascoal Pavan, 163, Pq. Edu Chaves.
São Paulo /SP CEP: 02.229-050
Augusto
Procuro namoro ou amizade. Tel. (21)
8779-7121 / 3831-3787 Luiza
Tenho 34 anos, me descobri soro+ há 8
meses, solteira, negra, 55kg, 1.71m,
evangélica. Procuro homem de Mogi
Mirim e região para relacionamento. R.
Monteiro Lobato, 270, Jd. N. Senhora
Aparecida. Mogi Mirim /SP CEP:
13.800-000 Lua
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aberta, malhado, de 36 a 45 anos, de S.
José do Rio Preto ou Região. Tenho 24
anos, 1.65m, ativo, de bem com a vida.
Tel. (17) 9129-5555. Robinho
Procuro amizade com mulheres
universitárias de 21 a 39 anos
soropositivas. 2ª Travessa Holmes
Fontes, 67, Afogados. Recife /PE CEP:
50.830-550. Santiago
Quero me corresponder com pessoa
passiva e fofinha, para amizade ou algo
mais. Tenho 64kg, 1.67m, branco. Tel.
(21) 8716-9284 Francisco
Procuro para relacionamento com
muito respeito e carinho, companheiro
ativo/passivo de 35 a 45 anos, discreto
de preferência de Caçapava ou
adjacências. Sou moreno, ativo/passivo,
discreto,
41
anos,
1.79m.
[email protected] Sobrinho
Procuro um amigo e um namorado.
Sou uma pessoa simples, tenho 1.82m,
70kg, 26 anos, olhos verdes. Quero um
namorado do mesmo sexo de
preferência ativo, de 18 a 28 anos.
Também para quem procura um amigo
para as horas boas e difíceis. Tel. (21)
9425-0155 Thiago
Tenho 39 anos, 1.70m, loiro de olhos
verdes, ativo/passivo, não afeminado.
Procuro rapaz de SP ou ABC para
relacionamento sério. R. 24 de Maio,
670, Vila América. Santo André /SP
CEP: 09.110-150 Tel. (11) 4474-0661 /
9264-3001 Marcelo.
Vivo na solidão. Moreno claro, 39 anos,
1.66m, 67kg. Procuro mulher de 22 a 45
anos para compromisso, de preferência
que more em SP. R. Da Cavalgada, 245,
Jd. Julieta. São Paulo /SP CEP:
02.161-030 Lucas
Quero fazer contato com homem do
ABC paulista e SP, para amizade ou algo
mais. Sou branco, 37 anos, 1.79m, 79kg,
olhos azuis, ativo/passivo.
[email protected] Luís Alberto
Procuro alguém para grande amizade
ou algo mais, que seja do sexo
masculino. Tenho muito amor no
coração para compartilhar com alguém
especial. Tel. (19) 3457-3221 / 81683132 Eduardo
Gostaria de ter meu dia de príncipe.
Não faço sexo sem preservativo! Sou
moreno, olhos castanho-escuro e
discreto. [email protected]
Valério.
Moreno claro, 42 anos, 1.70m, 68kg,
saudável, discreto, ativo/passivo.
Procuro homem entre 35 e 60 anos não
afeminado. Tel. (21) 3321-1457. Zé
Saber Viver ano 6 n 37 set 2006
Gostaria de corresponder-me com
rapazes de 25 a 35 anos, para
relacionamento. Tenho 43 anos, branco,
1.69m, 77kg. Tel. (21) 3555-9149
Henrique
Tenho 44 anos, olhos castanhos, 56kg,
1.63m, tive toxoplasmose e fiquei com
dificuldade na fala. Procuro homem de
50 a 57 anos que seja compreensivo. R.
Andaraí, 401, Andaraí. Rio de Janeiro
/RJ CEP: 20.541-210 Anunciada
Divorciado soro+, branco, 1.72m,
cabelos e olhos castanhos, 41 anos.
Procuro mulher de preferência
evangélica, de 30 a 40 anos. R. Manoel
Pinheiro, 237 fds, São Miguel. São
Gonçalo /RJ CEP: 24.445-700 Marcos
Moreno, bonito, 34 anos, 1.78m, 71kg,
lutador de artes marciais. Quero
conhecer mulher de 18 a 28 anos para
namoro. Cx. Postal 108.044. Niterói /RJ
CEP: 24.140-345 Jailson
Quero fazer amizades com pessoas de
ambos os sexo para receber mensagens
bíblicas e palavras amigas. Tenho 52
anos, sou simples. Cx Postal 250 Ag.
Central CEP: 57.020-970 Maceió/AL
Tel. (82) 3375-7433 Maceioense.
Moreno solitário, 42 anos, 1.80m,
trabalhador, gosto de sair, tenho 2 filhos
e 1 neto. Procuro mulher de 30 a 40
anos, do RJ para relacionamento com
respeito e amizade. Trav. Paraibuna, 24,
Bonsucesso. Rio de Janeiro / RJ CEP:
21.040-200 Luis
Rapaz negro, 34 anos, bom nível sóciocultural, 1.72m, 72kg, romântico e
extrovertido.
Procura,
para
relacionamento, mulher de 25 a 37 anos,
com ou sem filhos, alegre, carinhosa,
que more na cidade do RJ e queira
construir uma família. Augusto.
[email protected] R. Agapanto,
538, Vargem Grande. Rio de Janeiro
/RJ CEP: 22.785-000. Augusto
Sou jovem, simples, tímido e sincero,
tenho 37 anos. Gostaria de me
corresponder com pessoas de ambos
os sexos para sincera amizade. R.
Gaudêncio Moreira, 10, Centro
Ipaporanga /CE CEP: 62.215-000
Tontonho
ano 6 n 37 set 2006 Saber Viver
Procuro homem com idade acima de
45 anos, para namoro ou amizade.
Tenho 51 anos, branca, 1.62m, 64kg.
[email protected] Elvira
Pisciano de Cabo Frio. Gostaria de
conhecer pessoa do sexo masculino
para novas amizades, de preferência da
Região dos Lagos e RJ. Tel. (22) 26448501 ou 9253-4304 Pisciano
Saber Viver lança
Chat Namoro e Amizade.
Entre e aproveite!
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Mineiro procura homem de 27 a 43
anos, ativo e independente. Tenho 25
anos, branco, 1.72m, 70kg, saudável,
não afeminado, passivo.
[email protected] Cristiano
Loiro, passivo, 40 anos, assintomático,
bem resolvido. Procuro ativo para
relacionamento sério, que esteja
disposto
a
refazer
a
vida.
[email protected] Tel. (21)
8656-6074 / 3889-6074. José Luis
Procuro, moreno ou branco,
ativo/passivo, entre 25 e 37 anos, do RJ
ou baixada. Sou moreno, ativo/passivo,
31 anos, 76kg, olhos castanhos, 1.71m.
Tel. (21) 2782-6635 ou 9907-3338.
Barros
Procuro homem não afeminado de 18
a 90 anos, do RJ para relacionamento.
Sou assintomático, branco, 51 anos,
1.72m, 80kg, passivo/ativo, não
afeminado e bem humorado.
[email protected]
Pedro Luis
Tenho 36 anos, solteiro, moreno claro.
Procuro pessoas de ambos os sexos de
qualquer lugar do Brasil e exterior para
formar um círculo de amizades. Cx.
Postal, 703, Ag. Central. Goiânia – GO
CEP: 74.001-970 Rones
Gostaria de me corresponder com
mulheres de qualquer parte do Brasil,
com até 50 anos. Sou branco, 36 anos,
1.65m, 85kg, olhos e cabelos castanhos.
R. Dom Inácio, 342 fds, Centro.
Guaxupé /MG CEP: 38.700-00. José
Procuro mulher morena, de 29 a 45
anos, com situação financeira estável e
que more no RJ. Tenho 37 anos. R.
Saldanha da Gama, 44B. Duque de
Caxias /RJ CEP: 25.015-290 Tel. (21)
9934-0811 Valdir
Tenho 28 anos, moreno, nível superior,
1.70m, signo de peixes. Procuro homem
ativo que queira relacionamento sério e
que seja do RJ. Curiosos, não escrevam!
[email protected] Márcio
Procuro relacionamento sério. Desejo
me corresponder com mulheres de 25 a
35 anos, sou moreno, atleta, carinhoso.
R. São Luiz Gonzaga 197, casa 4, São
Cristóvão. Rio de Janeiro /RJ CEP:
20.910-061 Tel. (21) 3860-8645
Humberto
namoro ou amizade
Jovem, passivo, assintomático,
carinhoso e bonito. Procuro namoro
sério com ativo de Fortaleza. Tel. (85)
8852-1405 ou [email protected] Cris
Solteiro, sem filhos, 36 anos, 1.66m,
59kg. Procuro mulher para relacionamento sério de 30 a 42. R. Olga
Marques, 11. Nova Iguaçu /RJ CEP:
26.335-530 Tel. (21) 9363-1311 Antonio
Marcos.
Travesti feminina, familiar, 38 anos,
assintomática e de bem com a vida.
Procuro heterossexuais ativo, solteiro,
com estabilidade emocional e profissional e acima de 27 anos. Tel. (21)
3321-3907 Renata
Moreno, 1.70m, romântico, passivo.
Procuro relacionamento sério com
homem decidido e ativo. Tel. (21) 87013882 [email protected]
Kaká
Procuro minha cara metade, que seja
discreto, ativo/passivo, dentre 30 e 45
anos. Tel. (21) 2458-9931 / 9816-7986
Luciano
Rapaz assintomático e de bem com a
vida, militar, 26 anos, moreno, 1.75m,
75kg. Procura rapaz ativo e não
afeminado para relacionamento.
[email protected]
Tel. (61) 9954-9310 Danilo
Procuro pessoa do mesmo sexo para
relacionamento. Tenho 40 anos, boa
aparência, discreto, 1.73m, 72kg,
ativo/passivo. Tel. (019) 3386-1836
Escorpiano carente
15
CONCURSO
3° Prêmio Aids Responsabilidade
Social Saúde Brasil
Concurso Nacional sobre Prevenção
da Aids e Promoção da Qualidade de
Vida do Portador do HIV para ONGs e
Associações de Pacientes.
Inscrições até 20 de setembro
Enviar trabalhos para: Aguilla Saúde
Brasil. Rua Pedro Teixeira, 92
Vila Olímpia - São Paulo - SP
Cep 04550-010
Informações
www.saudebrasilnet.com.br
[email protected]
EVENTO
Virada Positiva - Todas as tribos na
luta contra a Aids
Com shows, teatro, rave e pista de
skate, os organizadores do evento
buscam conscientizar os
participantes sobre a aids de forma
lúdica, além de incentivar a
cidadania. Os participantes podem
colaborar com a doação de
brinquedos em bom estado para
instituições de caridade.
De 10h do dia 7 de outubro até 20h
do dia 8, no Vale do Anhangabaú,
centro da cidade de São Paulo.
Informações:
Tel 11 7657 8138
www.viradapositiva.com.br
GRUPOS DE APOIO
Com Vida
Grupo de reflexão e informação
formado por médicos, psicólogos,
assistentes sociais, enfermeiros,
nutricionistas e pessoas portadoras
do HIV, em acompanhamento no
Hospital Pedro Ernesto (HUPE) - RJ
Reuniões às segundas feiras, de
11:30 às 13:30, na sala do grupo: 2°
andar do prédio da manutenção do
HUPE, Av. 28 de setembro, 87 - Vila
Isabel - Rio de Janeiro - RJ
SOS Vida
A ONG presta assistência aos
portadores do HIV e aos dependentes
químicos, principalmente os de baixa
renda. Médicos de diversas
especialidades, psicólogos,
nutricionista e assistente social,
16
A
vinculados à instituição, atendem
gratuitamente em seus consultórios e
clínicas. Os assistidos dispõem ainda
de terapias complementares, auxilio
jurídico, distribuição de cestas básicas
e enxovais para bebê. O SOS Vida
ainda oferece cursos de capacitação e
profissionalizantes.
Rua Frei Rogério, 127 - Centro Petrópolis - RJ. Tel: 24 2244 9526
Fax: 24 2245 0322.
[email protected]
[email protected]
Missão Nova Esperança
Assessoria jurídica, cursos informática
e artesanato, acompanhamento
psicológico (individual e em grupo),
acompanhamento ambulatorial, visitas
domiciliares, oficinas temáticas,
plantões espirituais, grupo de dança
gospel e grupo de teatro com
fantoches.
Rua Eurípedes Tavares, 251 - Centro.
João Pessoa - PB. Cep: 58013-290
Telefax: 83 3222 8387
Estruturação - Grupo LGBT de
Brasília
Centro de referência em direitos
humanos que dá orientação jurídica,
psicológica e assistência social a
lésbicas, gays, bissexuais, travestis,
transexuais e transgêneros.
SRTVS 701 Ed. Assis Chateaubriand
Bloco 1 / Sobreloja salas 27/28
Brasília-DF. Cep 70340-000
Tel.: 61 3036 4544 / 3202 5428.
[email protected]
[email protected]
CASA DE APOIO
Casa Maria de Magdala
Oferece assistência médica em
diversas especialidades, atividades
recreativas e oficinas para
capacitação e geração de renda para
seus albergados (20 crianças e 6
adultos soropositivos) e para 160
famílias, que recebem cestas básicas.
A casa precisa de doações.
Informações: 21 2616 2233.
VOLUNTÁRIOS
Vacina Anti-HIV
Pessoas entre 18 e 45 anos,
soronegativos para o HIV, que queiram
colaborar com a pesquisa sobre uma
S ABER V IVER
vacina preventiva contra a aids
podem se candidatar. Pré-requisitos:
as mulheres devem ter tido parceiro
sexual soropositivo nos últimos seis
meses, ou ser profissionais do sexo,
ou ter tido sífilis ou doença
inflamatória pélvica. Os homens
devem ter feito sexo com homem nos
últimos seis meses. No Brasil, a
pesquisa será realizada em três
centros. O recrutamento de
voluntários se encerra em outubro.
Informações:
Projeto Praça Onze/ UFRJ: Avenida
Presidente Vargas, 2863, Cidade
Nova- RJ. Tel: 21 2273 9073 / 9375
0990. www.pracaonze.ufrj.br
Unidade de Pesquisa de Vacinas AntiHIV - CRT-DST/Aids: Rua Santa Cruz,
81 - Anexo. São Paulo - SP. Tel: 11
5082-3954 / 5573-1696.
[email protected]
www.crt.saude.sp.gov.br/vacinas
Universidade Federal de São Paulo.
Rua Mirassol 207, Vila Clementino,
São Paulo. Tel: 11 5081 5258.
www.vacinashiv.unifesp.br
Grupo Pela Vidda/RJ
A ONG procura novos voluntários para
atuar em projetos e atividades
voltados à prevenção da aids,
cidadania e direitos humanos das
pessoas afetadas pela epidemia. Os
candidatos selecionados receberão
treinamento a fim de identificar a
atividade mais indicada para seu
perfil pessoal e profissional. Maiores
informações: Tel 21 2518 3993
[email protected]
www.pelavidda.org.br
Fiocruz necessita de casais
sorodiscordantes para pesquisa
Se você e seu parceiro (ou parceira)
formam um casal em que uma
pessoa é infectada pelo HIV e a outra,
não, venha participar de um projeto
de pesquisa do Instituto de Pesquisa
Clínica Evandro Chagas (Fiocruz), no
Rio de Janeiro. Os voluntários
receberão acompanhamento clínico e
aconselhamento regular (grupal e
individual). A pessoa soropositiva não
pode ter utilizado os anti-retrovirais,
exceto durante a gestação.
As entrevistas são marcadas através
dos telefones (21) 3865 9520 e (21)
9649 7096, com Vanderlete.
É DISTRIBUÍDA GRATUITAMENTE
Download

SV_37 - Saber Viver