RAMON JOSeGUSSO
O NOVO REBOUdAS: REVITALIZAdO URBANA, CULTURA E GENTRIFICAdO
(1997 - 2003)
Monografia apresentada para obtenomo
do tt
tulo de Bacharel no Curso de
Cirncias Sociais, Setor de Cirncias
Humanas, Letras e Artes, Universidade
Federal do Parani.
Orientador: Prof. Dr. Nelson Rosirio de
Souza
CURITIBA
2004
1 II
AGRADECIMENTOS
Agradeoo aos meus pais, Sandra e Jurandir, por terem acreditado e investido nos meus
sonhos.
¬ Beatriz, por ter compartilhado sua vida comigo, e me proporcionado momentos
inesquect
veis ao seu lado.
Aos meus amigos e amigas: Daniel, Simone e Fibio, J~lia, Aninha, Ricardo, Fabiane,
Cybelle e Fibia, pela amizade e por terem proporcionado grandes momentos de
discuss}es.
A Ambiens Sociedade Cooperativa, por ter me ensinado que pposst
vel construir nossos
sonhos, em especial a Yole Milani, pela co-orientaomo e Maurt
cio Maas pela ajuda na
ediomo de imagens.
Ao IPPUC, por fornecer o material necessirio para esta pesquisa, em especial a
Fernando Canalli, pela entrevista.
2 II
SUMÈRIO
LISTA DE FIGURAS
RESUMO
1. INTRODUdO.......................................................................................................06
2. DEFININDO ALGUNS CONCEITOS.....................................................................08
2.1 A REVITALIZAdO URBANA NA LÏGICA DO MERCADO DE CIDADES........10
3. O BAIRRO DO REBOUdAS E SUA HISTÏRIA.................................................. 19
3.1 O REBOUdAS NA DeCADA DE 40- O PLANO AGACHE................................. 22
3.2 CURITIBA: ACONSOLIDAdO DA IMAGEM DO PLANEJAMENTO................26
4. O NOVO REBOUdAS...........................................................................................32
4.1 O SHOPPING CENTER......................................................................................36
4.2 O MOINHO NOVO REBOUdAS.........................................................................40
4.3 OUTRAS FALAS E PROJETOS SOBRE O REBOUdAS...................................42
5. CONSIDERAd®ES FINAIS..................................................................................48
REFERÇNCIAS.........................................................................................................50
ANEXOS...................................................................................................................53
3 II
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 - ESTAdO FERROVIÈRIA -1890......................................................... 19
FIGURA 2- ESTAdO FERROVIÈRIA -1998.......................................................... 20
FIGURA 3- PROPOSTA DE REVITALIZAdO DO COMPLEXO RODOFERROVIÈRIO
..............................................................................................33
FIGURA 4 - PROJETO DE REFORMA DO MOINHO PARANENAENSE............... 41
FIGURA 5 - MOINHO NOVO REBOUdAS...............................................................41
4 II
RESUMO
O presente trabalho busca discutir a revitalizaomo do bairro Rebouoas, que tem como
pano de fundo, um processo que vem ocorrendo globalmente, trata-se de uma nova
forma de planejar a cidade, classificada pelos autores que utilizamos como referrncia
de planejamento estratpgico, ou pys-moderno. Este possui como lygica a
transformaomo da cidade em uma mercadoria vendivel, e pneste sentido, que a cultura
ganha um lugar de destaque, uma vez que pela que direciona o discurso e as polt
ticas
de revitalizaomo urbana na lygica do mercado de cidades. Este trabalho, pretende ainda,
discutir quais as implicao}es para o futuro da regimo a partir das polt
ticas de
revitalizaomo iniciadas pelo Projeto Novo Rebouoas.
5 II
1. INTRODUdO
¬ minha geraomo que hoje esti entre 20 e 25 anos aprendeu que Curitiba era
uma cidade diferente de outras cidades brasileiras, aprendemos a defender nossa
cidade, mesmo quando nmo conhect
amos outras realidades. Aprendemos a ter orgulho
dela, pois Curitiba era uma cidade planejada, cidade capital de primeiro mundo, a
terceira melhor para se viver, cidade ecologicamente correta e com o melhor sistema
de transportes do pat
s. Nos acostumamos a perceber os tt
tulos da cidade como se
fossem nossos trofpus. Curitiba nmo tinha problemas.
Entretanto, como o tempo se perde a inocrncia, e percebemos que nada ppor
acaso, smo construo}es sociais, muitas delas, politicamente planejadas. Curitiba
construiu uma imagem de planejamento bem sucedido, embora possut
sse problemas
similares a qualquer cidade de um pat
s em desenvolvimento.
Entre 2001 e 2003 a Prefeitura de Curitiba anuncia novos tt
tulos para a cidade:
Capital Social e Capital Americana da Cultura, desta vez percebemos estes tt
tulos como
estratpgias de City-Marketing, ou seja, "a cada nova intervenomo urbana, constitui-se em
uma aomo comunicativa simbylica" (SÈNCHEZ, 1997).
Este trabalho tem como objetivo geral discutir o processo de revitalizaomo do
bairro Rebouoas,
buscando identificar os princt
pios que norteiam o Projeto Novo
Rebouoas. Para tanto, utilizamos como referencial teyrico autores que discutem as
mudanoas ocorridas na forma de planejar as cidades, principalmente aquelas induzidas
pelo planejamento estratpgico e pela competiomo entre as cidades, utilizamos ainda
autores que discutem o papel da cultura nos processos de revitalizaomo urbana. Entre
eles destacamos: Ott
lia Arantes, Ermt
nia Maricato, Carlos Vainer, Walter Prigge,
Fernanda Sinchez, JospCarlos Sim}es, Lilian Vaz e Paola Jacques.
Este trabalho estidividido em trrs capt
tulos, no primeiro discutimos os conceitos
de revitalizaomo ao longo da histyria do urbanismo, assim como apresentamos as
concepo}es e crt
ticas acerca do planejamento estratpgico e a forma como este vem
utilizando a cultura como discurso e pritica para a revitalizaomo de ireas em processo
de "deterioraomo".
No segundo capt
tulo, faz-se a apresentaomo histyrica do bairro demostrando sua
importkncia para Curitiba atpmeados da dpcada de 1950. Discutimos, ainda o processo
de consolidaomo da imagem de Curitiba como sucesso de Planejamento a partir da
6 II
dpcada de 1970, assim como o desenvolvimento de polt
ticas de city-marketing, nesta
parte utilizamos como referencial os trabalhos de Nelson Rosirio de Souza, Dennison
de Oliveira e Fernanda Sinchez.
O ~ltimo capt
tulo nos dedicamos a apresentaomo e anilise do processo de
revitalizaomo do bairro Rebouoas. Em especial a construomo do Shopping Estaomo,
marco inicial de revitalizaomo da regimo, e da reforma do Moinho Paraense,
projeto-kncora para a construomo do Novo Rebouoas.
A metodologia de pesquisa consistiu em analise de apostilas e projetos para a
regimo desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba
-IPPUC, anilise de reportagens jornalt
sticas sobre o Rebouoas e seus respectivos
projetos de revitalizaomo, anilise de material informativo e de propaganda institucional.
Entrevista com Fernando Canalli, arquiteto e urbanista responsivel pelo projeto Novo
Rebouoas no pert
odo de 2001-2003. Pesquisa bibliogrifica sobre planejamento urbano
e temas em comum, assim como, bibliografia sobre a histyria do bairro.
2. DEFININDO ALGUNS CONCEITOS.
Na Bienal de Arquitetura ocorrida em Smo Paulo no Ano de 1994, o grande tema
em discussmo era: "Revitalizaomo de ireas centrais e histyricas de cidades". Esse tema
ganha foroa a partir de 1980 - no cenirio internacional - quando uma sprie de polt
ticas
7 II
p~blicas surgem visando a revitalizaomo de ireas centrais em processos de
deterioraomo. (SIM®ES, 1994, p. 5)
No entanto, a revitalizaomo urbana nmo palgo novo, ela pconcomitante com a
prypria histyria do urbanismo. Nesse sentido, p necessirio definir o significado de
alguns conceitos que marcam a trajetyria dos processos de revitalizaomo urbana. Josp
Geraldo Sim}es (1994) define trrs grandes momentos na histyria do urbanismo com
este cariter de intervenomo no espaoo urbano visando reformi-lo. O primeiro seria a
implementaomo do Plano Haussmann, em Paris, na dpcada de 1850; o segundo
referente aos paradigmas colocados pela Carta de Atenas de Le Corbusier em 1933; e
por ~ltimo as reao}es contra os ambientes modernistas no int
cio da dpcada de 1970,
caracterizado por muitos como pys-moderno.
Com o Barmo de Haussmann surge o conceito de embelezamento urbano.
(SIM®ES, 1994, p.14) A Paris da dpcada de 1850 vivia o momento de consolidaomo do
capitalismo industrial, um novo projeto de cidade nascia. As ruas estreitas de Paris que
representavam a cidade do spculo XIX eram vistas como sujas, escuras, como um foco
de doenoas, um impedimento ao progresso. O projeto de Haussmann para a cidade
consistia em abrir largas e extensas avenidas e vias circulares visando dar fluxo as
demandas produtivas do capitalismo. As implementao}es realizadas por Haussmann
tinham um cariter corretor e sanitarista, alpm de dar um novo fluxo para a economia
industrial, visava uma nova estptica para a cidade, baseada nos valores da burguesia
ascendente na Franoa. A renovaomo urbana realizada em Paris p marcada pela
monumentalidade, pelo embelezamento, mas tambpm pelo processo de segregaomo
dos mais pobres, que se viram expulsos das ireas mais centrais da cidade. (HOLSTON,
1993)
No Brasil encontramos um processo similar, no pert
odo entre 1902 e 1906, o
presidente Rodrigues Alves juntamente com o engenheiro Pereira Passos, entmo
prefeito do Rio de Janeiro, adaptaram as reformas realizadas em Paris pelo Barmo de
Haussmann. A capital brasileira foi recortada em amplas avenidas, onde foram
construt
dos os famosos Bulevares parisienses. Para a construomo das avenidas e dos
monumentos muitos cortioos foram destrut
dos e seus habitantes foram expulsos do
centro, pois as estalagens e os cortioos do Rio de Janeiro no int
cio do spculo XX eram
vistos como a negaomo da ordem e do progresso esperados pela recente rep~blica. O
combate js habitao}es coletivas era um caso de higiene p~blica e de polt
cia, os pobres
8 II
em sua maioria ex-escravos eram os "vil}es" da modernidade. "Apys a inauguraomo das
avenidas, o acesso era controlado pela polt
cia, nmo sendo aceitos mendigos e pobres
ou aqueles que nmo tivessem a cor da pele adequada". (DORIGO, 1999. p.87) A
renovaomo urbana ocorrida no Rio de Janeiro foi marcante tambpm pelo estilo
arquitet{nico neoclissico espelhado na arquitetura monumental de Paris.
O segundo grande momento definido por Sim}es (1994) refere-se aos
paradigmas colocados pela Carta de Atenas de 1933, redigida por Le Corbusier. As
propostas da Carta de Atenas smo o resultado do quarto CIAM - Congresso
Internacional de Arquitetura Moderna, fundado no ano de 1928. O tema do quarto
CIAM foi a cidade funcional, enquanto o conte~do da Carta de Atenas possui os
princt
pios do chamado urbanismo modernista, ou racionalista. A Carta define quatro
funo}es para a cidade: habitar, trabalhar, recrear-se (nas horas vagas) e circular.
Segundo Rebeca Scherer (1993) no preficio da ediomo brasileira da Carta de Atenas,
esta foi concebida com a crenoa na engenharia social, pensava-se a arquitetura e o
urbanismo
como
instrumentos
neutros,
pois
frutos
de
um
conhecimento
tpcnico-cientt
fico, capaz de eliminar pelo uso adequando da tpcnica as injustioas sociais.
"A arquitetura pa chave de tudo" diz Le Corbusier, na ~ltima frase da Carta de Atenas.
(Le Corbusier, 1993) Segundo Sim}es o conceito de intervenomo urbana colocado pela
Carta de Atenas po de renovaomo urbana. (SIM®ES, 1994,p.15)
A arquitetura e o projeto urbano modernista possuem como qualidades
intrt
nsecas, a idpia de um plano racional, em larga escala, com linhas geomptricas e
sobretudo forte ideologia vinculada a propysitos sociais. (HARVEY, 1992) Foi assim que
se deu a reconstruomo da Europa no pys-guerra e o projeto da construomo do Plano
Piloto em Brast
lia. Uma cidade planejada racionalmente para ser funcional e eficiente,
com o projeto de ser uma cidade inteiramente p~blica, ligada ao propysito social de
construir uma cidade para todos. Brast
lia seria a encarnaomo do conte~do da carta de
Atenas. (HOLSTON, 1993)
O terceiro momento descrito por Sim}es refere-se ao processo de crt
tica aos
ambientes modernos, ou crt
tica pys-moderna ao urbanismo funcionalista. Para Lilian
Vaz e Paola Jacques (2003) os excessos cometidos tanto pelas renovao}es urbanas
"clissicas" de estilo haussmaniana como as chamadas modernas, que demoliam tudo
para depois reconstruir, contribut
ram para o surgimento de grandes crt
ticas a partir dos
anos 70 aos resultados destes processos.
9 II
Estas crt
ticas colocam um novo conceito em destaque, chamado de revitalizaomo
urbana, o que se pretendia eram formas menos predatyrias para a intervenomo no
espaoo. Buscava-se trazer para ireas deterioradas uma nova vitalidade. Entraram em
jogo polt
ticas de valorizaomo do patrim{nio arquitet{nico e cultural, buscando a
recuperaomo de tradio}es e identidades coletivas, principalmente atravps de processos
ligados jatividades de turismo e lazer.
Este ~ltimo conceito estiligado a novos termos surgidos principalmente a partir de
1990, como: "requalificaomo urbana", "reabilitaomo", "regeneraomo urbana", todavia, p
importante ressaltar que esses ~ltimos termos estmo ligados js novas formas de gestmo
urbana, principalmente aquelas induzidas pelo planejamento estratpgico e pela
competiomo entre cidades, que discutiremos logo abaixo. Jio termo "reforma urbana",
apesar de comumente utilizado para designar processos de revitalizaomo urbana, esti
ligado principalmente a garantia da funomo social da terra para fins de moradia. Trata-se
de um aspecto do direito urbant
stico, que no Brasil ganhou foroa a partir da constituiomo
de 1988, que definiu um capt
tulo sobre polt
tica urbana, assim como se deve a pressmo
de movimentos sociais organizados que durante mais de dez anos pressionaram o
Estado a definir polt
ticas mais claras e justas sobre a legislaomo urbant
stica, culminando
com a aprovaomo da lei 10.257 - Estatuto da Cidade, em 10 de julho de 2001.
2.1 A REVITALIZAdO URBANA NA LÏGICA DO MERCADO DE CIDADES.
Segundo Ott
lia Arantes (2000) nmo estamos vivendo um novo momento na
arquitetura, apesar do esgotamento do urbanismo modernista o que existe puma falsa
ruptura dos pys-modernos, estes fazem uma oposiomo de fachada, mal conseguem
esconder os vt
nculos com o ciclo anterior, o que existe de fato puma continuidade onde
se esperava ruptura.
Ott
lia Arantes classifica este momento como a "terceira geraomo" urbant
stica, ou
"pys-moderna". No entanto, a ~nica novidade colocada por esta "geraomo" segundo a
autora se resume jnova forma de gestmo de cidades, agora nmo mais chamada de
planejamento, mas sim de "gerenciamento", usando o jargmo empresarial que assumiu
o discurso do urbanismo. De acordo com Vainer (2000,p.76) estes conceitos e tpcnicas
oriundos do planejamento empresarial, foram originalmente sistematizados na Harvard
Business School e divulgados pelo mundo pelas polt
ticas do BIRD e HABITAT. A nova
estratpgia do gerenciamento urbano transformou as polt
ticas urbanas em
image-marketing, business-orientad, marketing-friendly, fazer a cidade hoje, p fazer
10II
propaganda, mas principalmente fazer negycios, ppreciso fazer a cidade dar certo, ela
sydaricerto quando se torna lucrativa. Arantes descreve que esta volta jcidade, p
uma inflexmo com o cultural turn ocorrido da dpcada de 60, quando os movimentos
sociais libertirios 1 , promoveram uma volta j cidade, queriam uma mudanoa nos
paradigmas, buscavam uma mudanoa nos valores sociais, mais liberdade sexual, o fim
da guerra, integraomo racial, o fim das col{nias etc. Hoje, o novo retorno j cidade
transformou tudo em mercadoria, a prypria integraomo social, a formaomo ptnica, as
tradio}es culturais e histyricas de uma cidade se transformaram em um valor de troca a
ser negociado, como dizem os planejadores/gestores: pum diferencial.
Esta nova forma de se pensar jcidade segundo Ermt
nia Maricato (2000) p
reflexo de mudanoas ocorridas na economia mundial. O planejamento urbano
modernista comeoou a ser desenvolvido de fato com o fim da Segunda Guerra Mundial,
quando grande parte das cidades europpias estavam destrut
das. A reconstruomo das
cidades coincidiu com um grande crescimento econ{mico, combinado com polt
ticas de
distribuiomo de renda e grandes investimentos em polt
ticas sociais. O Estado
representava a figura central para assegurar o equilt
brio econ{mico e social, aliado a
um mercado de massas. Tambpm possut
a um papel de portador da racionalidade,
evitando disfuno}es do mercado, como o desemprego (regulamentando o trabalho,
promovendo polt
ticas sociais), alpm de assegurar o desenvolvimento econ{mico
atravps de subst
dios.
Ermt
nia Maricato, destaca ainda que o planejamento urbano modernista teve
grande influrncia do keynesianismo e do fordismo, ou seja, a racionalizaomo, o controle,
o planejamento, ultrapassaram o espaoo das fibricas e atingiram diversos nt
veis da
sociedade. "A produomo moderna fordista implicava aumento da produtividade na
construomo dos edift
cios e da infra-estrutura urbana e isso implicava a regulaomo da
terra e do financiamento. O resultado desse enorme processo de construomo que gerou
os sub~rbios americanos e as cidades expandidas europpias assegurou o direito j
moradia, mas nmo o direito jcidade" (MARICATO, 2000,p.128)
Com o desmonte do Estado de Bem Estar Social- Welfare State-, a partir da
segunda metade da dpcada de 70, e a vityria da chamada ideologia neoliberal, o
estado racional, centralizado, e da proteomo social, perde espaoo para as novas polt
ticas
de flexibilizaomo. O estado passa a se comportar como uma empresa, cujo novo lema p
a contenomo de gastos, privatizaomo, tercerizaomo dos servioos p~blicos e cortes nos
investimentos sociais. Na outra ponta, p posst
vel observar o enfraquecimento dos
sindicatos, dos movimentos sociais, por todos os lados se verificam mudanoas nas
legislao}es trabalhistas, e reformas na previdrncia social. Com o desmonte do Estado
de Bem Estar Social, o planejamento urbano nos moldes modernistas tambpm se
desmancha e perde o seu poder de execuomo. Ganham espaoo novas formas de gestmo
das cidades, baseadas em modelos do planejamento empresarial, como o
"planejamento estratpgico" que p no fundo um grande projeto de comunicaomo e
promoomo, a cidade torna-se a nova mercadoria.
e importante ressaltar que o esgotamento dos planos de caractert
sticas
modernistas, nmo culminou necessariamente em uma ~nica forma de gestmo local,
caracterizada aqui pelo planejamento estratpgico, os ~ltimos vinte anos tambpm foram
testemunhas de intensos debates e experirncias de participaomo da populaomo no
planejamento, que em grande medida, trm contribut
do para um aumento significativo
Como exemplo, podemos citar os movimentos pelos Direitos Civis (EUA), os movimentos de
contracultura, como os Hippies que culminou na Revoluomo Sexual e no Festival de Woodstock, as
manifestao}es contra a guerra do Vietnm. Na Europa, encontramos o Maio de 68 (Franoa) e a Primavera
de Praga , assim como, as lutas pela independrncia da Argplia, Angola entre outros, que proporcionaram
grandes manifestao}es nos pat
ses europeus.
11II
1
do controle social das polt
ticas municipais, assim como, trm contribut
do para ampliar e
subsidiar novas iniciativas de gest}es municipais comprometidas como a radicalizaomo
da democracia. O recorte feito neste trabalho, enfatizando as caratert
sticas do
planejamento estratpgico se faz necessirias em vista do nosso objeto de pesquisa.
Este novo gerenciamento urbano, caracterizado pelo planejamento estratpgico,
descartou a racionalidade dos planos urbant
sticos, dos zoneamentos e dos planos
diretores. As cidades se transformaram num grande shopping center, os planos foram
substitut
dos pelo culturalismo de mercado, o novo planejamento estratpgico
transformou os tpcnicos em gerentes de marketing, os cidadmos em peoas de um
espeticulo. Para tornar a cidade atraente para o capital estrangeiro, p preciso uma
polt
tica agressiva de image-marketing, que venderia auto-imagem de seus habitantes,
e por conseguinte a prypria cidade.
De acordo com Carlos Vainer (2000), uma das principais caractert
sticas desta
nova forma de gerenciamento urbano, tem como princt
pio e fim a busca do consenso,
uma vez que sem este nmo hiqualquer possibilidade de estratpgias vitoriosas. Mas
este consenso nmo p aquele vindo de intensos debates democriticos, mas sim um
consenso produzido por um intenso marketing urbano. Segundo o autor, umas das
estratpgias mais eficazes para legitimar estes projetos p a produomo de uma
conscirncia ou de um sentimento de crise, por exemplo, a degradaomo do centro
histyrico, o congestionamento do centro moderno, a debilidade da infra-estrutura.
Segundo Vainer, analisando os textos teyricos sobre o planejamento estratpgico, este
sentimento de crise usado pelos planejadores de maneira correta, ajudaria transformar
este sentimento num consistente e durivel patriotismo de cidade. Ou seja, usar a crise
como um elemento para conquistar a trpgua, a paz social interna, criar um sentimento
onde a unimo de todos contribuiripara a salvaomo urbana. Gerar este patriotismo, p
gerar orgulho do passado e do
futuro da cidade, e gerar um sentimento de
pertencimento. Assim como, este sentimento de crise fornece elementos para a
formaomo da imagem do lt
der eficiente, onde syele pcapaz de conduzir "tecnicamente"
os rumos da cidade.
Segundo Ott
lia Arantes (2000) os novos termos do planejamento estratpgico:
revitalizaomo, reabilitaomo, reciclagem, promoomo, requalificaomo, nmo passam de
eufenismos para gentrification 2 . A autora aponta que a cultura passa a ser o principal
negycio das cidades em vias de gentrificaomo. A cultura passa a ser um dos principais
mecanismos para o controle urbano no atual momento de reestruturaomo da dominaomo
mundial. Neste sentido, o novo planejamento urbano nmo passa de uma gentrificaomo
estratpgica, no qual elementos como o desenho arquitet{nico e os elementos visuais,
consistem na manipulaomo de linguagens simbylicas de exclusmo, ou seja, p a
estetizaomo do poder disseminada pela cidade. Esta nova fase da cidade pmuito bem
O termo gentrificaomo vem do termo em inglrs Gentrification, este tem como radicais as palavras:
Gentry; alta burguesia, Gentle; pessoa bem nascida, gentil e Gentleman; cavalheiro. No urbanismo
gentrification ou gentrificaomo refere-se jelitizaomo de determinados espaoos que freqentemente levam
a expulsmo de antigos moradores ou de pessoas de baixo poder econ{mico.
12II
2
vist
vel, o estado deixou de ser um estado de bem estar social para se tornar um estado
penal, pa disseminaomo da estetizaomo cultural do medo. Os novos locais gentrificados
geralmente smo ireas altamente vigiadas, o espaoo p~blico passa ao controle privado e
grande parte da populaomo nmo tem mais acesso a prypria cidade, isto se verifica
principalmente com a criaomo de shoppings e condomt
nios de alto padrmo.
Segundo Teresa Pires Caldeira (1997), ao analisar as caractert
sticas dos
espaoos urbanos na atualidade, coloca suas crt
ticas jconstruomo cada vez mais intensa
de espaoos coletivos privatizados. Smo Paulo phoje uma cidade de muros: escolas,
praoas, complexos de escrityrio, estmo separados da rua por muros, alpm dos
equipamentos eletr{nicos de seguranoa, existem guardas privados armados. Os novos
enclaves fortificados para moradia, lazer e consumo das classes mpdias e altas estmo
provocando profundas mudanoas no ambiente urbano, uma nova estptica de seguranoa
modela todos os tipos de construomo, imp}e sua lygica de vigilkncia e distkncia como
forma de status. Para Caldeira todos os novos tipos de enclaves fortificados possuem
as mesmas caractert
sticas: "smo propriedades privadas para uso coletivo; smo
fisicamente isolados, seja por muros, espaoos vazios ou outros recursos arquitet{nicos;
estmo voltados para dentro e nmo para a rua; smo controlados por guardas armados e
sistemas de seguranoa privada que p}em em priticas regras de admissmo e exclusmo."
(CALDEIRA, p. 159)
Os enclaves fortificados representam uma alternativa para a vida urbana
dessas classes mpdias e altas, pois forja st
mbolos de status, no qual a distkncia
social pvalorizada, onde o novo conceito de moradia, lazer e de consumo pseguro e
isolado, sendo um lugar para os iguais, onde a diferenoa p repudiada. Tratam
explicitamente a segregaomo social como um valor. A autora mostra que esses
enclaves fortificados fazem um ataque ao espaoo p~blico, pois negam jrua e sua
abertura, ela deixa de ser um espaoo para sociabilidade e para a circulaomo livre de
pedestres e vet
culos, dos encontros impessoais e an{nimos, de manifestao}es
p~blicas que tomam jrua como um espaoo para reivindicao}es.
O novo senso comum agora ppenal, a pobreza pcriminalizada, a nova foroa
civilizatyria pa da "tolerkncia zero", projeto do prefeito de Nova York sintetizada nesta
frase: "numa cidade civilizada, as ruas nmo smo lugar para dormir, as pessoas devem
usar quartos" (ARANTES, 2000,p.38). Para Vainer (2000,p.82) o planejamento
estratpgico definiu a mispria como um problema paisagt
stico, uma vez que a
visibilidade dos pobres afeta imagem da cidade, p"o peso pobreza" um dos medidores
13II
da cidade mercadoria, quando menos pobres se vr, melhor para o mercado de cidades.
De acordo com Arantes (2000) a melhor metifora para definir a nova cidade-negycio, p
uma boutique de luxo, os novos gestores smo os vendedores desta loja sofisticada,
como vendem algo caro, porque nmo imaginar esta boutique dentro de um shopping
center segregado, com seguranoas privados, e com um sofisticado equipamento de
ckmeras para controlar as pessoas que passam pela frente da boutique. Estas crt
ticas
aos espaoos fechados smo importantes para a anilise do processo de revitalizaomo do
Bairro Rebouoas, uma vez que a construomo do Shopping Estaomo Plaza Show em
1997, pode ser identificado como o marco inicial do processo de revitalizaomo do bairro.
Outro autor que se debruoa sobre as novas caractert
sticas das cidades no int
cio
de spculo XXI po sociylogo alemmo Walter Prigge (2002), segundo ele, a globalizaomo
vem transformando a estrutura das cidades principalmente na Europa. Com o processo
de globalizaomo, as cidades comeoam a mostrar novas caractert
sticas: fragmentaomo do
espaoo urbano; periferizaomo do espaoo central; individualizaomo da estrutura social e
sobreposiomo de espaoos virtuais- midializaomo da cultura urbana.
Para o autor os centros das cidades estmo deixando de ser espaoos de moradia e se
tornando cada vez mais espaoos privilegiados de consumo e lazer, principalmente para
o turismo. O que surge puma esppcie de ³
musealizaomo´dos espaoos urbanos, os
espaoos que eram considerados p~blicos passam a ser cada vez mais vigiados, o
discurso sobre a criminalidade passa a justificar esta pritica. Duas smo as
conseqrncias: passa a existir um controle sobre o acesso de indivt
duos e grupos
sociais a ruas, praoas, locais considerados p~blicos. Ou seja, a "musealizaomo" do
espaoo p~blico liga-se ao "privilpgio" do direito de permanrncia "legt
tima" nesses
espaoos centrais. A Segunda conseqrncia demostrada pelo autor po surgimento de
espaoos semip~blicos custeados em forma muitas vezes de parcerias entre setores
p~blico e privado, onde a permanrncia de indivt
duos passa por um controle particular, a
prypria arquitetura pdesenvolvida para isolar, criar um cidade particular, com suas lojas,
restaurantes, cinemas. O pryprio munict
pio se desfaz de sua responsabilidade uniforme
por toda a irea urbana. Novas "cidadelas" surgem por toda a cidade.
Junto jfragmentaomo do espaoo urbano estia periferizaomo do centro. A transferrncia
de funo}es urbanas para espaoos isoladas e particulares, assim como a perda de
moradias para os condomt
nios fechados espalhados pela cidade, criando guetos
sociais, com a falicia de se resolver os problemas sociais, somente agrava a crise do
14II
espaoo p~blico. Com a perda de moradores, os centros acabam ficando desertos
durante a noite, criando a sensaomo de uma cidade fantasma.
O ~ltimo ponto que Prigge discute diz respeito a midializaomo das culturas urbanas.
Tudo se torna virtual, tudo passa a ser midializado, a cidade torna-se um talk show, um
grande espeticulo da expansmo global das culturas. Ela tambpm estimula a tendrncia
de privatizar os eventos culturais originalmente p~blicos e a sua percepomo estptica. A
midializaomo da cultura urbana nmo integra, as novas experirncias nmo criam vt
nculos,
smo eventos temporirios. Ao invps do p~blico se tornar um produtor de cultura, passa a
ser um consumidor privado de bens culturais.
De acordo com Ott
lia Arantes (2000), o ponto central desta discussmo p sem
d~vida o enfoque que o planejamento estratpgico deu jcultura. Para a autora a lygica
do capitalismo tornou-se cultural, a cultura assume para o capitalismo hoje, o que a
estrada de ferro e o automyvel significaram no passado. A cultura p a mercadoria
vedete da atualidade. "A cultura nmo poutro ou mesmo a contrapartida, o instrumento
neutro de priticas mercadolygicas, mas pa parte decisiva do mundo dos negycios e o
pcomo grande negycio.(ARANTES,2000, p.48)".
Nesta mesma linha de pensamento Lilian Vaz e Paola Jacques (2003) discutem o
processo de revitalizaomo da Lapa no Rio de Janeiro durante a dpcada passada. Para as
autoras, este novo uso da cultura como elemento de revitalizaomo urbana, trm
contribut
do para dois fen{menos: o primeiro ji explorado acima, diz respeito j
gentrificaomo urbana, uma vez que os locais apys sua revitalizaomo passam por um
processo de valorizaomo imobiliiria, assim como, alguns processos explt
citos de
expulsmo de moradores classificados como indesejados, fato ocorrido, por exemplo
durante o processo de revitalizaomo do Pelourinho em Salvador, quando a populaomo
que habitava os antigos casar}es foi retirada jforoa pela polt
cia.
O segundo efeito descrito pelas autoras p referente ao processo similar de
gentrificaomo cultural. O uso da cultura apenas como instrumento para o
desenvolvimento econ{mico, isto p reflexo do pert
odo neoliberal da economia
globalizada em que a cultura p tratada apenas como uma mercadoria. As polt
ticas
culturais usadas como elementos de polt
ticas urbanas, em grande medida, smo projetos
conservadores, nmo dmo respostas aos objetivos dos movimentos sociais e artt
sticos, a
cultura perdeu seu elemento de crt
tica e de esclarecimento. De acordo com as autoras,
o conceito de cultura sofreu um esvaziamento, nmo mais proporciona prazer estptico ou
15II
informaomo. De forma geral, esses novos projetos culturais tendem jsuperficialidade,
assim como, grande parte destes projetos culturais ligados jrevitalizaomo urbana, smo
projetos elitistas, buscam apenas um p~blico espect
fico; jqueles que podem pagar.
Lilian Vaz e Paola Jacques (2003), apontam que estes novos projetos de revitalizaomo
urbana, ligados ao planejamento estratpgico, transformaram nmo apenas a cidade em
uma mercadoria, mas a cultura passou a ser nada mais do que uma forma de
consumo: um refrigerante, uma peoa de teatro, um trnis, um bairro, nmo existe
diferenoa, todos trm seu preoo, tudo pmercadoria.
De acordo com Ott
lia Arantes (2000) Barcelona foi a cidade que mais se
destacou nestes aspectos. Para a revitalizaomo urbana ocorrida no int
cio da dpcada de
90, em funomo de um grande evento que foi as olimpt
adas, Barcelona usou a fyrmula
americana, das cidades-empresas, ou seja, uma fyrmula importada, mas fez com
tamanha pert
cia que conseguiu passar a impressmo de que tudo comeoou com
Barcelona. Tanto que hoje a cidade exporta para o mundo, em especial para Amprica
Latina seus projetos e consultores, como exemplo, podemos citar os nomes de Jordi
Borja, Manuel Forn e Manuel Castells. Barcelona tornou-se o paradigma da "terceira
geraomo", a do planejamento estratpgico. A autora destaca mais algumas caratert
sticas
dessa forma de planejamento: a autopromoomo, "desenvolver uma imagem forte e
positiva da cidade, explorando ao miximo o seu capital simbylico, de forma a
reconquistar sua inseromo privilegiada nos circuitos internacionais" (Arantes,2000, p.54).
Promover auto-imagem da cidade p tambpm desenvolver nos cidadmos uma
auto-estima, despertar nos indivt
duos um patriotismo, um orgulho ct
vico pela cidade,
um desejo de inseromo, ao fazer isto jcidade estipromovendo um consenso p~blico
em torno de seu projeto. A autora destaca tambpm que saber modernizar, nmo significa
inovar socialmente, construir equipamentos de justioa social, mas apenas fazer buracos,
fazer obras com materiais higt-tech, quanto mais espetacular as fachadas, mais
contribui para tornar vist
vel e impressionante a "cidade mercadoria".
16II
3. O BAIRRO DO REBOUdAS E SUA HISTÏRIA.
No ano de 1880 por iniciativa do comendador Ferrucci, diretor de obras da
estrada de ferro Curitiba-Paranagui, comeoava a construomo da estaomo ferroviiria de
Curitiba. O local, na ppoca, afastado do centro, encontrava a cerca de 800 metros da
~ltima rua aberta da cidade, a rua do Comprcio (hoje Marechal Deodoro). O local fora
escolhido por ser um grande campo, ali o espaoo era suficiente para receber
passageiros, como poderia facilmente ser manobradas as cargas de mate, madeira e
animais. Uma vez que o local que primeiramente fora cogitado nmo proporcionava este
conforto, pois jipossut
a residrncias nas proximidades, neste local, hoje se encontra o
Teatro Guat
ra.
Figura 1: Estaomo ferroviiria dpcada de 1890. Fonte: IPPUC
A estaomo ferroviiria de Curitiba sy pode ser totalmente finalizada com a
chegada do primeiro trem vindo de Paranagui, em dezembro de 1884, uma vez que
este trazia o material necessirio para o termino da obra. O projeto da estaomo pdo
engenheiro italiano Michelkngelo Cuniberti, as ordens eram que se fizesse um prpdio
17II
funcional, confortivel e de baixo custo, seguindo as tendrncia italianas para este tipo de
construomo. Com o intenso movimento na dpcada de 1890, a estaomo passa pela sua
primeira reforma, sendo ampliada, ganhando as feio}es atuais do prpdio onde hoje
funciona o Museu Ferroviirio. "Com a reforma, o principal prpdio da estaomo adquiriu
caractert
sticas de estilo renascentista, com fachada em bossagem contt
nua, vmos em
arco pleno no tprreo, retangulares no pavimento superior, balaustradas e frontmo
triangular coroando o relygio no cimo central da fachada."(SUTIL 3 , apud
BARACHO,2000, p.11).
Figura 2: Estaomo Ferroviiria 1998. FONTE: Maurt
cio Maas.
A construomo da estrada de ferro Curitiba-Paranaguitrouxe um extraordinirio
desenvolvimento para a economia local, logo outras linhas passaram a fazer parte da
rotina dos curitibanos, Curitiba-Unimo da Vityria (SC), Curitiba-Ponta Grossa,
Curitiba-Smo Paulo, atpa dpcada de 1950, 80% das viagens eram realizadas de trem,
de Curitiba a Smo Paulo eram 26 horas; mais seguras e confortiveis do que pelas
poucas e ruins rodovias da ppoca. O trem e a estaomo simbolizavam a modernidade e o
progresso desejados pelas elites locais, que a pouco tempo tinham se emancipado de
Smo Paulo.
Foi atravps da construomo da estaomo ferroviiria que a regimo hoje chamada de
Rebouoas 4 comeoou a se desenvolver. De um campo passou a abrigar as mais
importantes fibricas e ind~strias da ppoca. A proximidade da estaomo facilitava tanto a
chegada como o escoamento da produomo. Foi no pert
odo entre 1885 e 1906 que
surgem as primeiras tentativas de se ordenar jocupaomo do espaoo em Curitiba. Em
1885 papresentada jCkmara uma proposta de urbanizaomo pelo engenheiro Ernesto
nascidos
na aBahia
em m
1838
1839 respectivamente.
niochefiou
Rebouo
veio para
1864
para
chefiar
construo
o da eEstrada
da Graciosa. EmAnt{
1868
aasconstruo
mo daCuritiba
estradaem
Curitiba4
Guarapuava. AndrpRebouoas construiu a primeira instalaomo de igua encanada de Curitiba, uma ligaomo
entre a atual Praoa Rui Barbosa e a atual Praoa Zacarias, onde construiu um chafariz. Andrpe Ant{nio
Rebouoas tambpm foram uns dos principais abolicionistas do pat
s, Ant{nio morreu em 1874 e Andrp
3 SUTIL, Marcelo Saldanha. O prp
dio da estaomo e a rua da Liberdade. Texto nmo publicado, dispont
vel na
Biblioteca da Casa da Memyria. Curitiba, 1997.
18II
O nome do Bairro puma homenagem aos irmmos e engenheiros Andrpe Ant{nio Rebouoas. Negros,
odbairReus
omcreu1975.nailhdMAenomia
eatuldeima189,Fnch
pde1968Rbouoasuicd-e
Guaita, este projeto visava disciplinar o arruamento entre a estaomo ferroviiria e o
centro da cidade. O projeto tinha por base buscar a simetria das ruas, assim como
alargar aquelas que eram muitos estreitas, segundo Baracho (2000,p.3) a grande
preocupaomo de Gauita era com o embelezamento da cidade, queria dar uma lygica
para as ruas, na frase de Guaita citado por Baracho (2000,p.3) diz: "Deixando como
esti, fica o largo da Estaomo sem a precisa simetria e com ofensa jestptica". Outra
medida realizada em 1906 foi jproibiomo de construir casas de madeira na irea central
da cidade, sendo permitido apenas casas em alvenaria com dois ou trrs pavimentos.
As legislao}es deste pert
odo estabeleceram como ireas industriais js regi}es do
Portmo e do Rebouoas, sendo que as famt
lias operirias deveriam se estabelecer em
ireas pryximas js fibricas, evitando, desta forma, que o centro fosse habitado por
famt
lias operirias residentes muitas vezes em casebres de madeira ou cortioos.
(BARACHO,2000,p 4)
Apys a construomo da estaomo ferroviiria, a regimo comeoou apresentar um
ripido desenvolvimento, as primeiras ind~strias da regimo foram: a fibrica Paranaense
de Physfhoros de Seguranoa (1895), o engenho de erva-mate de Nicolau Mlder (1898),
e a Cervejaria Glyria no final do spculo XIX (sem data precisa). Em 1896 o Regimento
de Seguranoa (hoje Polt
cia Militar) se estabeleceu em prpdio construt
do na Marechal
Floriano Peixoto. Outro importante marco do desenvolvimento da regimo foi j
construomo do Grupo Escolar Xavier da Silva, que comeoou a ser construt
do em 1900, e
em 1904 jiatendia crianoas da regimo compreendida hoje pelos bairros Ègua verde,
Rebouoas e Parolim. No ano de 1912 a cervejaria Atlkntica comeoava a funcionar, esta
passou a pertencer jCompanhia Cervejaria Brama em 1942, hoje marca pertencente a
AMBEV. Outras importantes fibricas e ind~strias da economia curitibana tambpm
estavam localizadas na regimo, como a Vidraria Paranaense de Solheid e Cia, e a
madeireira Maurt
cio Thi.
Nesta ppoca a regimo era chamada de Campo da Cruz, denominaomo que teve
origem em 3 de maio de 1900, quando o primeiro bispo de Curitiba realizou uma missa
campal diante de uma cruz de madeira, para celebrar o quarto centenirio da chegada
dos Portugueses ao Brasil. Neste local foi construt
da em 1908 uma capela provisyria do
Sagrado Coraomo de Maria, hoje igreja do Imaculado Coraomo de Maria, inaugurada em
1936. O local de realizaomo da missa campal tornou-se conhecido ji na dpcada de
1910, como Largo Ouvidor Pardinho, hoje Praoa Ouvidor Pardinho.
Durante a dpcada de 20 a regimo do Rebouoas foi umas das primeiras regi}es de
Curitiba a receber caloamentos, luz elptrica, igua canalizada, alpm de ter umas das
primeiras redes coletoras de esgoto do estado. Na dpcada de 30 pinstalado ao lado da
Ponte Preta (rua Jomo negrmo), o 5.Batalhmo de Suprimento do Exprcito, possuindo em
suas instalao}es padaria, torrefaomo de cafpe usina de beneficiamento de cereais e
serraria de lenha, estes alpm de serem distribut
dos aos militares tambpm serviam a
populaomo da regimo. Outras ind~strias importantes tambpm se instalaram na regimo
nesta dpcada: Moinhos Unidos Brasil - Mate, atuais Fibricas Fontana S.A, Lemo Junior
Cia.S.A, e o Moinho Paranaense, que iremos analisar mais jfrente.
3.1 O REBOUdAS NA DeCADA DE 40- O PLANO AGACHE.
Em 1941 o prefeito de Curitiba Rozaldo de Mello Leitmo contratou o escrityrio Coimbra
19II
Bueno e Cia de Smo Paulo para elaborar e executar o primeiro plano urbant
stico de
Curitiba. Esta firma contratou o renomado arquiteto e urbanista francrs Alfred Agache
para realizar o plano.
Alfred Agache, secretirio geral da SociptpFranoaise des Urbanistes e professor
do Institut d'Urbanisme de Paris, chega ao Brasil em 1927 contratado pelo prefeito do
Rio de Janeiro para uma sprie de palestras e para realizar o Plano Diretor da cidade.
Nesta ppoca, o Brasil, assim como, diversos outros pat
ses na Amprica Latina como na
Èfrica representavam uma grande oportunidade de estudos para diversos arquitetos e
urbanistas europeus. Principalmente para os urbanistas da escola francesa, uma vez
que esses pat
ses do entmo chamado terceiro mundo nmo possut
am legislao}es
urbant
sticas
consolidadas
e
poucas
experirncias
em
planejamento
urbano,
representavam um vasto campo para experimentao}es de novos instrumentos e
conceitos urbant
sticos. (LEME, 1999, p.29)
Assim como o Plano Diretor do Rio de Janeiro, Alfred Agache tambpm esteve envolvido
em planos nas cidades de Smo Paulo e Curitiba, alpm de influenciar planos nas cidades
de Porto Alegre e Recife. (LEME, 1999, p.26; OLIVEIRA, 2000,p.64). De forma geral, os
planos para estas cidades smo muito similares, apresentam como pano de fundo toda
as quest}es colocadas pelo urbanismo modernista da escola francesa, influenciada em
grande parte pela vismo de Le Corbusier e pela Carta de Atenas. Cabe aqui lembrar, que
Le Corbusier tambpm esteve no Brasil neste pert
odo 5 , sendo responsivel pelos
primeiros projetos de concepomo modernista no pat
s, como por exemplo, o prpdio do
Ministprio da Educaomo e da Cultura no Rio de Janeiro entre 1939 e 1943, alpm pclaro
de servir como uma esppcie de guia para os principais arquitetos e urbanistas
brasileiros do pert
odo, como L~cio Costa e Oscar Niemayer.
Os projetos de Alfred Agache tinham como meta os quatro princt
pios da Carta de
Atenas: circular, trabalhar, habitar e recrear-se (OLIVEIRA, 2000,p.74), pensando nestas
funo}es a cidade deveria ser pensada como um todo, pensando na articulaomo entre os
bairros e centro, assim como a articulaomo direta entre os bairros, atravps de um
sistema de transporte que deveria ser articulado por vias radiais e perimetrais, mais que
dar fluxo aos automyveis, o que se pretendia era direcionar, disciplinar o futuro da
cidade. (LEME, 1999,p.26; OLIVEIRA, 2000,p 70). eneste sentido que nasce a idpia de
zoneamento, organizar a cidade atravps de funo}es espect
ficas, isto fica bem claro na
proposta urbant
stica que Alfred Agache desenvolveu para Curitiba em 1943.
Alfred Agache levou dois anos para concluir os trabalhos encomendados pela
empresa paulista Coimbra Bueno e Cia, sendo entregue oficialmente em 23 de outubro
de 1943, quando o prefeito era Alexandre Beltrmo. O plano pensado por Agache dividiu
Curitiba em zonas funcionais especializadas: um centro comercial (centro tradicional),
um centro administrativo (centro ct
vico) construt
do na dpcada de 50 no final da Avenida
capital
brasileira.
Corbusier
fica
sabendo
desta possibilidade
deque
trabalho
atravp
s de
correspondr
ncia doLe
escritor
francr
s Blaise
de Cendrars.
Interessante p
quandono
LeBrasil
Corbusier
estava
5
no Brasil dando uma sprie de conferrncias, ele nmo hesita em desqualificar o trabalho que Alfred Agache
estava realizando no Rio de Janeiro, buscava demostrar que na Franoa eles pertenciam a ct
rculos
diferentes. Agache pertencia a uma escola de tradiomo da sociologia aplicada do Museu Social, escola
20II
Le Corbusier vem ao Brasil para uma sprie de palestras, atrat
do pela possibilidade de projetar a nova
(LEM,19p.30)
omnacide"bscientfa.
formulainterv
quebscav
Ckndido de Abreu, um setor militar (Bacacheri, onde hoje se localizam a Base Èrea da
Aeroniutica, o 20.BIB, 27 BLOG e o 5 Batalhmo de Obras, alpm da prevismo de
transferrncia do 5.
BSUP, do bairro Rebouoas para o bairro Bacacheri), um centro
Industrial (Rebouoas), um centro educacional (Centro Politpcnico), um centro esportivo
(Tarumm), um centro de Abastecimento (Mercado Municipal). O plano previa ainda, um
conjunto de medidas para a circulaomo na cidade; vias estruturais com 30 metros de
largura, com prevismo para metr{, estrutural norte (avenida Paranie Barmo do Cerro
Azul), estrutural sul (avenida 7 de Setembro e Visconde de Guarapuava), alpm das
"Park-Ways", grandes avenidas que serviriam para ligar os parques da cidade; Parque
Barigi e Smo Lourenoo. O modelo de transporte pensado por Agache era sem d~vida o
motorizado, com preferrncias para o automyvel individual (OLIVEIRA, 2000,p.74).
Tambpm foi desenvolvido pelo Plano Agache alguns modelos de prpdios adequados
para cada funomo da cidade, assim foi pensado prpdios p~blicos para o centro ct
vico, e
privados com as galerias de comprcio construt
das em prpdios da Rua XV.
O Plano Agache pretendia disciplinar o trifego, organizar as funo}es urbanas,
zonear o uso do solo e estimular o desenvolvimento da cidade. Entretanto as propostas
de Agache nmo foram implementadas em sua totalidade. Segundo Dennison de Oliveira
(2000, p.74) o plano se tornou rapidamente obsoleto em funomo dos parkmetros
excessivamente rt
gidos e pelo imprevist
vel crescimento da cidade.
Segundo o Plano Agache a regimo do Rebouoas seria a zona industrial de
Curitiba, o que de fato jiera, o plano apenas consolidou isto na legislaomo urbant
stica
da cidade, e favoreceu que mais algumas ind~strias se deslocassem para a regimo.
Entretanto, devido a sua localizaomo, muito pryxima ao centro e de bairros como Ègua
Verde, o bairro foi aos poucos perdendo ind~strias e ganhando moradores e servioos.
Durante a dpcada de 60 o Prefeito Ivo Arzua faz um diagnystico do Plano Agache; a
constataomo pque ele se tornou obsoleto, outra constataomo pque os rios da regimo do
Rebouoas estavam todos polut
dos, a regimo nmo suportava mais ind~strias (OLIVEIRA,
2001,p.7). Com a criaomo da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) na dpcada de 70
permaneceram no Rebouoas poucas ind~strias, somente aquelas que nmo eram
poluentes, as principais ind~strias que continuaram no bairro foram os engenho de mate
Real e Lemo jr, a cervejaria Brama e a fibrica de fysforos Fiat Lux. O Rebouoas entra
em um contt
nuo processo de decadrncia, uma vez que o novo Plano Diretor (que
discutiremos mais jfrente) nmo previa grandes mudanoas para a regimo, o Rebouoas
torna-se um local freqentado durante o dia, devido ao comprcio e as ind~strias, jnoite
regimo se torna vazia. Dennison de Oliveira (2001,p.7) afirma que:
"Os espaoos p~blicos urbanos precisam ser usados
permanentemente para justificar seu custo e nmo se
degradarem. Mas como foi abandonado, o espaoo apesar de
central, a marginalidade tomou conta dele. O espaoo nmo foi
mais espaoo de uso. Aquilo que funciona hoje, pcomercial e sy
funciona de dia. Quando a noite cai estientregue. Isso coloca
em cheque o urbanismo modernista, que sempre insistiu em
zoneamento".
Segundo os dados do IBGE e do IPPUC, o bairro do Rebouoas era a sptima
regimo mais densamente povoada da cidade na dpcada de 70. Jina dpcada de 80
ocupava a dpcima nona posiomo entre os bairros de Curitiba, com 18.577 habitantes.
21II
Entre a dpcada de 80 e 90 a regimo apresentou t
ndices de crescimento positivo, 3,3%.
Entretanto, os dados do pert
odo entre 1991 a 1996 apresentam uma expressiva queda,
de 3,3% na dpcada anterior para -0,24%. Em 1991 a populaomo do Rebouoas era de
16.392 habitantes, neste pert
odo, o bairro aparece como o vigpsimo sexto mais
densamente povoado. No ano 2000, a populaomo do Rebouoas era de 15.610
habitantes. Refletindo uma queda de -0,78% no pert
odo entre 1991 a 2000. Estes
dados smo interessantes, pois estamos falando de uma regimo central que possui toda a
infra-estrutura necessiria para se qualificar como um bairro residencial, por exemplo.
Mas, no entanto, apresenta dados que indicam que a regimo vem perdendo populaomo
em relaomo jdpcada anterior a 1990.
HABITANTES POR HECTARE REBOUdAS
1970
30,14 hab/ha
1980
40,38 hab/ha
1991
57,1 hab/ha
2000
52,34 hab/ha
FONTE: IPPUC/ IBGE
TAXA ANUAL DE CRESCIMENTO REBOUdAS
1970/1980
2,9%
1980/1991
3,3%
1991/1996
-0,24
1991/2000
-0,78
FONTE: IPPUC/IBGE
3.2 CURITIBA: A CONSOLIDAdO DA IMAGEM DO PLANEJAMENTO
De acordo com a Prefeitura de Curitiba, IPPUC e outros yrgmos municipais,
Curitiba seria uma cidade diferente das demais capitais brasileiras, seria uma cidade
modelo, pois nmo possuiria os tt
picos problemas das grandes cidades: violrncia;
22II
poluiomo; pobreza. Curitiba seria uma cidade com caractert
sticas europpias, uma cidade
de primeiro mundo. Em grande parte esse discurso que toma jcidade de Curitiba como
o "pat
s das maravilhas", patribut
do a dois fatores: o primeiro seria a capacidade tpcnica
dos planejadores que aqui se encontram, o segundo fator p atribut
do j populaomo
curitibana, de origem europpia, portando, uma populaomo vista como mais "crt
tica",
"inteligente", "trabalhadora" e "disciplinada", diferente dos demais brasileiros, esta
populaomo daria um ar mais "puro", ou uma certa "elegkncia" jcidade de Curitiba. A
construomo deste discurso sobre Curitiba como uma cidade modelo, p construt
do a
partir da dpcada de 70, quando a cidade comeoou a executar seu Plano Diretor, mas
sobretudo foi exacerbada durante a dpcada de 90 como formas estratpgias de
city-marketing. (OLIVEIRA,2000; SANCHES e RIBEIRO,1997; SOUZA, 2000)
Para Dennison de Oliveira (2000) um dos fatores mais importantes para o
sucesso do planejamento urbano em Curitiba, estirelacionado ao contexto histyrico em
que ele comeoou a ser implantado. O esforoo de centralizaomo administrativa
desenvolvida pelos militares na dpcada de 70, destinou recursos financeiros em
abundkncia para projetos destinados a modernizaomo do pat
s. Foi dos militares a idpia
de criaomo de regi}es metropolitanas, processo polt
tico arbitririo que nmo levou em
consideraomo a dinkmica das cidades. Outro fato destacado por Oliveira, jiapontado
pelo estudo pioneiro sobre Curitiba, realizado pelo IUPERJ/MINTER em 1975, pque o
processo de planejamento de Curitiba nmo sofreu impasses polt
ticos, uma vez que seus
planejadores eram tambpm os executores dos projetos, o que ajudou a legitimar os
pressupostos do plano, tornando incontroversa a sua aceitaomo. Isto ajudou em grande
medida a execuomo do Plano Diretor em Curitiba, este "sucesso" no campo urbant
stico
representou um sucesso maior no campo polt
tico. Jaime Lerner que foi um dos
tpcnicos responsiveis pela elaboraomo e execuomo do Plano Diretor foi prefeito da
cidade por trrs gest}es: 71-75, quando foi prefeito interventor outorgado pelos militares;
entre 79 e 83, e novamente no pert
odo entre 88 e 92, alpm de ter elegido seu sucessor
Saul Raiz entre 75-79, e no pert
odo entre 1992-2004, quando foram eleitos Rafael
Greca e Cissio Taniguchi. Ainda segundo Dennison de Oliveira outros fatores
importantes tambpm smo destacados como elementos que contribut
ram para o rxito do
planejamento em Curitiba, smo eles: a capacidade de mobilizar apoios e influrncias da
opinimo p~blica e a compatibilizaomo dos interesses dos empresirios com os urbanistas,
uma vez que os meios materiais para a execuomo de programas de planejamento smo
propriedades sob o controle de empresirios. Uma outra questmo importante a se
destacar foi a criaomo em 1965 do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba IPPUC, agrncia criada para implementar o Plano Preliminar de Urbanismo elaborado
pela empresa Serete. Posteriormente o IPPUC se tornou um dos principais yrgmos da
Prefeitura, uma vez que o instituto foi o responsivel pela grande maioria dos projetos
pensados e executados na cidade, Dennison (2000, p.99) classifica o yrgmo como um
centro formaomo de quadros, pois trrs de seus ex-presidentes foram prefeitos de
Curitiba6 .
Jaime Lerner, foi prefeito de Curitiba por trrs vezes e governador do Parani por dois mandatos,
atualmente ppresidente da Associaomo Internacional dos Arquitetos, com sede em Paris. Rafael Greca foi
prefeito de Curitiba por um mandato, ministro do esporte e turismo no governo do Presidente Fernando
Henrique Cardoso, sendo responsivel pela organizaomo da festa em comemoraomo dos 500 anos do
Brasil e Cissio Tanigichi, p prefeito de Curitiba hi oito anos.
23II
6
Outro autor que analisa como se deu a partir da dpcada de 70 o desenvolvimento do
planejamento urbano em Curitiba p Nelson Rosirio de Souza (2000), este busca
compreender como as priticas do saber tpcnico classificaram a populaomo e criou
mecanismos para normatizar o corpo e o comportamento dos citadinos, em certa
medida, aquelas denominadas pelos "sujeitos" do saber como carentes. O
planejamento urbano da capital paranaense, de vips modernista, atuou/ (a) no espaoo
instalando instrumentos para o seu ordenamento, dividiu a cidade em zonas funcionais
e determinou aquilo que seria orgknico, leia-se bom, e tudo que seria disfuncional j
Curitiba. O primeiro passo para os planejadores foi definir que, diferente de todas as
cidades no mundo, Curitiba possut
a uma lygica de crescimento prypria, a cidade
cresceria nmo de forma circular, a partir do centro, mas de forma linear, um crescimento
"saudivel" no sentido longitudinal sudoeste-nordeste.
O Plano Preliminar de
Urbanismo- O PPU, de 1965, em seu diagnystico que serviu de base para o Plano
Diretor implementado da dpcada de 70, usou como parkmetro para classificaomo do
perfil da populaomo de Curitiba, os dados do Tribunal Regional Eleitoral- TRE, uma vez
que nmo considerava os dados do IBGE como sendo confiiveis; ao usar os dados do
TRE, excluiu das anilises todos jqueles que nmo votavam, ou seja, analfabetos,
nmo-eleitores, os recpm imigrados, desta forma, esta populaomo que foi exclut
da da
anilise ficou fora do perfil da cidade, e os tpcnicos puderam eleger as caractert
sticas
ideais do povo curitibano, como sendo populaomo de origem europpia que migrou hi
muito tempo e que jiestava fixada ao contexto e as tradio}es de Curitiba.
A partir desta constataomo a prefeitura pode construir os eixos-estruturais para
organizar e direcionar o crescimento "saudivel" da cidade, os eixos foram instalados no
sentido nordeste-sudoeste e leste-oeste, este segundo era interrompido ao chegar a
BR-116, a explicaomo para este fato de acordo com o autor pque a rodovia era o limite
para o crescimento da cidade, as regi}es que estavam ao sul e a leste da BR-116 nmo
deveriam receber grandes recursos para infra-estrutura, pois nmo eram ireas com uma
"vocaomo natural" para a vida urbana, visto que eram regi}es insalubres, nmo possut
am
uma histyria e principalmente sua ocupaomo se dava de forma totalmente dispersa,
indisciplinada, e o perfil da populaomo que ali encontrava nmo era o perfil da populaomo
de Curitiba identificado pelos dados do TRE.
No entanto, segundo Souza o principal objetivo do PPU foi cumprido, os eixos
estruturais lineares favoreceram o crescimento ordenado de uma parte da cidade, ou
24II
seja, pelos locais onde os eixos passam, combinando a construomo dessas avenidas
com um determinado uso do solo, que permitia a construomo de prpdios ao lado dos
eixos, os planejadores urbanos valorizaram aquilo que jiera valorizado, valorizaram a
parte da cidade tida como "orgknica", valorizou ainda mais a cidade daqueles tidos
como os "verdadeiros curitibanos". Os eixos lineares e longitudinais ajudaram a
expandir as ireas valorizadas a partir do centro, preservando todo o ct
rculo concrntrico
em volta do mesmo, os eixos funcionaram ainda como uma esppcie de barreira as
pessoas com menor poder aquisitivo. Assim tanto os eixos estruturais como a BR-116,
foram de fundamental importkncia para o saber tpcnico classificar e disciplinar a cidade,
criando, desta forma, espaoos diferenciados e mais valorizados dentro de Curitiba. Em
outras palavras, a cidade conseguiu em certo sentido preservar o centro e grandes
ireas ao em torno, uma vez que a periferia de Curitiba que jiestava ao sul e leste da
BR 116, deslocou-se ainda mais para as franjas da cidade, atingindo hoje os munict
pios
da Regimo metropolitana.
Oliveira (2000) e Souza (2000) destacam ainda que o Plano Preliminar de
Urbanismo realizado pela empresa Serete, associada ao escrityrio de projetos Jorge
Whilhem de Smo Paulo e posteriormente a sua execuomo na forma de Plano Diretor,
buscavam nmo apenas o planejamento ft
sico-territorial da cidade, o que se pretendia
era criar um novo cidadmo para esta cidade planejada, o que os planejadores
pretendiam era construir uma paisagem urbana prypria que fosse reconhecida como
caractert
sticas do urbanismo curitibano. Para isto, foi desenvolvido um {nibus
espect
fico, planejaram o crescimento da cidade de forma diferenciada de todas as
cidades do mundo, o novo cidadmo teria uma nova postura frente jsua cidade, teria
orgulho dos valores tradicionais, mesmo que estes fossem tambpm construt
dos pelos
planejadores. Foram criados um setor histyrico e um novo setor industrial chamado de
Cidade Industrial de Curitiba (CIC), assim como todos os parques que lembravam as
origens de sua populaomo etnicamente diferente do resto do Brasil, nmo sya cidade era
diferente, sua populaomo tambpm era. Neste sentido, o que os planejadores urbanos
pretendiam era desenvolver uma nova mentalidade do indivt
duo frente jsua cidade.
"Diante dos olhares e da opinimo coletiva, os indivt
duos passam a se comportar em
lugar de agir. O comportamento ptanto mais adequado quanto maior for a identificaomo
e a integraomo jcidade tpcnica e esteticamente planejada". (SOUZA, 2000, p12).
JiFernanda Sanches e Ana Clara Ribeiro (1997) trabalham com a construomo
25II
destas imagens e suas implicao}es na forma de planejar o espaoo urbano, definem
esta pritica como city-marketing. Para as autoras Curitiba estientre as cidades que
melhor construiu esta auto-imagem no mundo, sendo que, para cada nova intervenomo
no espaoo a cidade constitui tambpm uma forma de comunicaomo simbylica. Esta
estratpgia busca objetivar sobretudo a conquista do consenso em torno dos projetos
urbant
sticos, tendo como pano de fundo duas conseqrncias: o fortalecimento do poder
e o redirecionamento dos fluxos modernos de consumo e circulaomo de bens e servioos
(p.106), em outras palavras, a construomo de imagens e discursos positivos sobre a
cidade atravps de estratpgias de convencimento e marketing criam um cenirio propt
cio
para atraomo de investimentos, ou seja, o city-marketing nada mais p do que o
mecanismo institucional de promoomo e venda da cidade, num cenirio onde as cidades
estmo cada vez mais competindo entre si.
De acordo com as autoras as estratpgias de city-markentig desenvolvidas por Curitiba a
partir dos anos 90 foram sem d~vida um sucesso, uma vez que colocou a cidade como
referrncia em planejamento urbano no Brasil e no mundo. Curitiba seria uma "cidade
modelo", uma capital de "primeiro mundo", "capital ecolygica", "a cidade que deu certo",
em um pat
s marcado pelas imagens negativas de suas cidades. Estes tt
tulos smo para
as autoras uma forma de fixar imagens e discursos sobre a cidade: "a fixaomo das
imagens pobtida por seu uso recorrente, que direciona a populaomo a determinadas
formas de apropriaomo dos espaoos e jreproduomo de esperados traoos culturais do
'espt
rito do lugar', codificando o que seriam, por exemplo comportamentos tt
picos dos
cidadmos curitibanos´(1997,p.109). Ou seja, estas imagens-st
nteses desempenham um
papel importante para a construomo do consenso, assim como p um dos principais
instrumentos utilizados para atrair os ct
rculos de investimentos e consumo, sobretudo
aqueles correspondentes as faixas mpdias e altas do mercado.
Outra caractert
stica importante a se ressaltar pque estas st
nteses discursivas estmo em
permanente construomo, ou seja, a cidade deve ser percebida sempre em um em
contt
nuo desenvolvimento, "Curitiba nmo pode parar", era o lema da ~ltima campanha
eleitoral. Em 2001 apys a eleiomo em que o Partido dos Trabalhadores -PT, foi ao
segundo turno das eleio}es com Cissio Taniguchi, Curitiba se tornou a "capital social",
em 2003 a cidade torna-se "a capital americana da cultura", assim como foi eleita a
"terceira melhor cidade no Brasil para se fazer negycios". Fernanda Sanches e Ana
Clara Ribeiro (1997) deixam um aviso: "quanto mais as st
nteses discursivas
26II
cristalizam-se nos mitos modernos maior se torna o risco de que seu uso opere com
classificao}es excludentes ou controladoras de comportamentos sociais, acirrando uma
valorizaomo desigual de segmentos da vida coletiva" (1997,p.109).
4. O NOVO REBOUdAS
"Com 1.6 milhmo de pessoas e ostentando o tt
tulo de Capital Social
do Brasil, Curitiba cultiva mais de trrs dpcadas de histyria de um
planejamento urbano focado na qualidade de vida. De um ponto de
passagem a ponto de referrncia, a capital do Paraninovamente
repensa seus espaoos e estabelece as condio}es para um
crescimento tmo brilhante quanto surpreendente". (PROJETO
NOVO REBOUdAS, 2001,p.1)
Durante a campanha jPrefeitura de Curitiba em 2000, o prefeito e candidato j
reeleiomo, Cissio Taniguchi anuncia como proposta a revitalizaomo do bairro Rebouoas.
O projeto com o nome de "Novo Rebouoas" consistia na criaomo de um bairro jovem,
com espaoos para shows, bares, restaurantes, museus e boates, a intenomo era dar
vida noturna j regimo, o projeto de revitalizaomo do bairro estava centrado no eixo:
cultura, turismo e negycios.
Passada a campanha eleitoral, com a vityria de Cissio Taniguchi, smo
apresentadas js primeiras medidas para a revitalizaomo da regimo. A primeira etapa do
projeto consistiu na mudanoa na Lei de zoneamento do bairro, sendo criada a Zona
27II
Especial Novo Rebouoas. A nova lei permite parkmetros mais flext
veis facilitando a
construomo de edift
cios mais altos, uma vez que divide o bairro em trrs ireas: uma irea
de transiomo; outra de influrncia e uma de funo}es especiais, como zona residencial 4
(ZR-4), podendo chegar, neste sentido, a construomo de edift
cios de atp30 andares,
para casos em que podermo ser usadas medidas como a Outorga Onerosa do Direito de
Construir, Transferrncia do Direito de Construir e o Solo Criado 7 , estabelecidas pelo
Estatuto da Cidade (ver mapa de zoneamento e anexos). Outra medida realizada pela
prefeitura foi ampliar os nt
veis miximos de pressmo sonora em dB (A) na regimo, tanto
no pert
odo diurno como noturno, facilitando, portanto, a instalaomo no Rebouoas de
estabelecimentos como bares e boates (ver anexo). Alpm da reforma do antigo prpdio
do Moinho Paranaense, projeto-kncora do "Novo Rebouoas", que iremos analisar mais
jfrente.
Figura 3: Proposta de revitalizaomo do complexo rodoferroviirio. FONTE: IPPUC.
Entretanto, os primeiros estudos para a revitalizaomo da regimo foram
apresentados pelo IPPUC no ano de 1996, com o tt
tulo de "Propostas para a
Revitalizaomo do Bairro Rebouoas", este trabalho apresenta uma sprie de medidas de
infra-estrutura e de propostas para a criaomo de um novo cenirio para o bairro. Esse
projeto foi j base das medidas anunciadas no ano de 2001, pelo Prefeito Cissio
mi
ximoem
de outro
aproveitamento.
A de
transferr
nciacom
do direito
de construir
pa autorizao
mo ao proprieti
rio para
exercer
local o direito
construir,
tripla finalidade:
implantao
mo de equipamentos
urbanos;
7 A Outorga Onerosa do Direito de construir pa possibilidade que o poder p~
exija
contrapartida
preservao
mo de interesse histyrico, ambiental, paisagt
stico, social e cultural; blico
utilizao
mo uma
em programas
de
regularizaomo fundiiria, urbanizaomo e habitaomo. Solo Criado p uma compensaomo que permite a
28II
do particular que utilizar o direito de construir entre o coeficiente bisico de aproveitamento e o coeficiente
aprefitu.(OLIVERA,ldzonms
quadrosicnostrudpameviel
75%dovalrsmetomptcnui
A.20,p.2)casoelagqurcid
Taniguchi, para a regimo do Rebouoas.
Segundo Fernando Canalli 8 , arquiteto e urbanista responsivel pelo projeto
"Novo Rebouoas" no pert
odo de 2001 a 2003, o Rebouoas nmo deve ser visto de forma
isolada, ele faz parte de um novo eixo pensado para "desenvolver" algumas ireas do
centro de Curitiba que estmo em processo "degradaomo" e se tornando "guetos" na
paisagem urbana de Curitiba. De acordo com o arquiteto, o que vai desencadear uma
sprie revitalizao}es em Curitiba pa transformaomo da BR 116 no novo eixo estrutural da
cidade. Esta situaomo provocari uma sprie de mudanoas em Curitiba e ajudari a
desenvolver regi}es classificadas pela prefeitura como estagnadas9 .
Faz parte da proposta do IPPUC, tanto a revitalizaomo do bairro Rebouoas como
a do terminal de {nibus metropolitano do Guadalupe, que pelo projeto serisubstitut
do
para a atual rodoferroviiria, no local do terminal metropolitano seri construt
do um
estacionamento com dois pisos, onde a parte superior abrigarium jardim elevado10 . Do
mesmo modo, esti prevista a revitalizaomo do eixo Barmo-Riachuelo, aprovada pelo
decreto n.186 de 29 de maroo de 2000 (Ver anexo) e partes da avenida Visconde de
Guarapuava e Sete de Setembro. Assim como, a revitalizaomo do Mercado Municipal,
realizada em 2004. Canalli ressalta ainda, todos os projetos para a revitalizaomo do
complexo da rodoferroviiria, como fazendo parte do "Novo Rebouoas", uma vez que a
regimo deveriabrigar em um futuro pryximo a estaomo central do metr{, da mesma
forma, a regimo onde se encontra o teatro Paiol, seri transformada em uma via
estrutural (ver anexos). Segundo Fernando Canalli tanto o Rebouoas teriuma nova
"vocaomo" (cultural), como outras regi}es da cidade ganharmo um novo perfil, a irea
onde estilocalizada o Centro Politpcnico e a PUC, seritransformada no "tecnoparque"
de Curitiba, irea destina a abrigar empresas ligadas jtecnologia. Questionado sobre o
andamento desses projetos, pensando em situao}es hipotpticas (eleio}es 2004) para a
configuraomo da administraomo municipal a partir de 2005, Canalli afirma que nmo hi
preocupaomo perante o IPPUC que estes projetos nmo sat
am do papel, "Curitiba tem 30
anos de planejamento, depois que se inventa a roda, psyseguir andando".
O projeto "Novo Rebouoas" tem por finalidade revitalizar toda irea compreendida
pelo Bairro Rebouoas, partes do Bairro Prado Velho, Jardim Botknico (rodoferroviiria) e
partes do centro pryximas a estes locais. Tendo como eixo de desenvolvimento a
proposta de transformar o bairro em um pylo de atraomo de empreendimentos ligados j
cultura, lazer, entretenimento e negycios, buscando desta forma, transformar o bairro
em um dos pontos turt
sticos da cidade, cabe lembrar que o Shopping Estaomo jiesti
entre os pontos turt
sticos mais visitados da cidade. "Curitiba vai se encontrar noite e dia,
dia e noite no Rebouoas. O potencial da regimo pfantistico e o cenirio que se aponta p
propt
cio js iniciativas inovadoras" (IPPUC, 2001, p.10). A Proposta para revitalizaomo do
Rebouoas recomenda ainda: "a criaomo de estratpgias de marketing visando estender o
reconhecimento desta irea a toda a cidade de Curitiba e ao seu mercado turt
stico
[grifo meu]". (IPPUC, 1996, p.30) Segundo o mesmo documento, a localizaomo do bairro
pestratpgica, pois se encontra a um raio de 2 km do Jardim Botknico e do Teatro Paiol,
assim como, puma irea de passagem para quem chega a Curitiba. "A sua reciclagem
iriadicionar uma imagem de 'cartmo Postal' [aspas no original] para as pessoas que
chegam a Curitiba via estaomo rodoviiria ou via aeroporto internacional (viaduto do
Colorado)". (IPPUC, 1996, p.13).
Tanto a fala de Fernando Canalli, como os textos sobre o projeto Novo Rebouoas
¬princt
pio, este projeto contaria com a instalaomo da primeira linha de metr{de Curitiba, no entanto, o
projeto aprovado pela Ckmara Municipal e pelo BIRD- yrgmo financiador, transformaria BR-116 em uma
10 Esta
linha
urbana,
proposta
comfoia apresentada
criaomo de terminais
na campanha
e {nibus
eleitoral
expressos,
jPrefeitura
seguindo
de o
Curitiba
tradicional
em 2004,
"modelo
pelo
Curitiba"
candidato
de
8 atual
zoneamento
da
Entrevista
administrao
atravp
concedida
s moda(PFL),
estrutural
noOsmar
dia(ver
Bertoldi.
21anexos).
de outubro de 2004.
29II
9
smo reveladores, uma vez que apontam para alguns rumos e vis}es sobre a cidade,
principalmente a uma vismo ligada a alguns pressupostos do planejamento estratpgico,
ou seja, elencar uma sprie de pontos fracos e fortes da cidade, que ajudarmo a organizar
a economia em torno do turismo e da cultura. A primeira questmo diz respeito aos
projetos que o IPPUC vrcomo "novos eixos de desenvolvimento", ou "novos eixos a
serem revitalizados". Apesar de estarem ainda "no nt
vel das idpias", pois muitos destes
projetos nmo sat
ram do papel, eles nos falam sobre o que podemos esperar para o
futuro de Curitiba, lembrando a afirmaomo de Canalli sobre o papel do IPPUC e de seus
projetos: "Curitiba tem 30 anos de planejamento, depois que se inventa a roda, psy
seguir andando". Ou seja, esta afirmaomo diz muito sobre a imagem que o IPPUC
construiu nos ~ltimos 30 anos, uma imagem de sucesso, reconhecida nacional e
internacionalmente, que projetou o nome nmo somente do instituto, mas de Curitiba e
das pessoas que presidiram o instituto. A frase tambpm sup}e que a hegemonia do
IPPUC em planejar a cidade - independente de quem sermo os pryximos prefeitos continuaria existir, a eles caberisomente a funomo de conduzir a roda, uma vez que o
modelo jiestidefinido.
Os "novos eixos a serem revitalizados" em Curitiba, merecem ser observados
mais atentamente. Tanto o eixo Barmo-Riachuelo, como a regimo que estino raio de
abrangrncia do terminal Guadalupe, como as ireas pryximas a rodoferroviiria,
possuem caractert
sticas em comum. Smo ireas que possuem um conjunto
arquitet{nico antigo, apresentando virios prpdios abandonados e deteriorados,
apresentam um intenso comprcio popular e uma sprie de pequenos hotpis, muitos
destes usados como pens}es ou como motpis, pcaractert
stico dessa regimo ainda, os
in~meros bares e boates. Todavia, pimportante ressaltar que o terminal Guadalupe po
ponto de chegada de quase todos os {nibus que vrm a Curitiba vindos da regimo
metropolitana, neste sentido, observa-se que p~blico que freqenta esta regimo puma
populaomo como um menor poder aquisitivo, sem medo de usar a palavra, mais pobres.
Estas quest}es apontam para um outro fato, dentro da vismo do planejamento
urbano de Curitiba, estas ireas estmo desencaixadas do "modelo Curitiba", elas smo
vistas como espaoos sem rumo, sem a cara da cidade, revitalizar p reordenar, p
coloci-las no rumo da cidade planejada que deu certo. Ou seja, a "crise" p no
Rebouoas, pno Guadalupe, pna Riachuelo, a crise nmo pda cidade, ou de seu modelo,
apenas destes espaoos sem um rumo definido, que contrastam com a imagem da
cidade bem sucedida. Nas propostas para a revitalizaomo do Rebouoas, encontramos
uma afirmaomo que talvez seja uma ilustraomo para os futuros projetos dos novos "eixos
de revitalizaomo" ou "desenvolvimento" de Curitiba: "a revitalizaomo do potencial
hoteleiro existente e a implantaomo de hotpis de turismo e lazer com apelo regional e
tendo a famt
lia como p~blico alvo." (IPPUC, 1996, p.8) Ou seja, os rumos para estas
regi}es smo: o "mercado turt
stico", a "cultura e o éntretenimento", a famt
lia", o rumo p
construir a imagem de "cartmo postal", tmo caractert
stica da cidade de Curitiba.
4.1 O SHOPPING CENTER
Marco do desenvolvimento de Curitiba, a estaomo ferroviiria foi o st
mbolo do que
havia de mais moderno na capital paranaense. O trem significava progresso, atravps
30II
dele, chegavam matprias-primas, e produtos que a capital nmo tinha condio}es de
produzir, assim como sat
am js mercadorias aqui produzidas com destino a Paranagui,
Santa Catarina e Smo Paulo. Novamente a estaomo pcolocada como um st
mbolo de
transformaomo e de modernidade. Da antiga estaomo surge o Estaomo Plaza Show,
considerado o mais moderno shopping de Curitiba, ele nmo era apenas um centro
comercial, era tambpm um centro de lazer, cultura e entretenimento. Seria a revoluomo
no conceito de shopping center.
Localizado entre a avenida 7 de Setembro e a avenida Marechal Floriano
Peixoto, o prpdio da antiga estaomo ferroviiria pa porta de entrada do bairro Rebouoas.
No pert
odo em que a estaomo ferroviiria funcionava a todo vapor, o bairro foi um dos
mais desenvolvidos de Curitiba. A partir da dpcada de 60 o novo projeto de
desenvolvimento brasileiro nmo passava mais sobre trilhos, a estrada e o automyvel
passam a ser os novos st
mbolos do desenvolvimento brasileiro. Gradualmente o Brasil
vai perdendo suas ferrovias, seus trens de passageiros, suas belas estao}es vmo sendo
abandonadas, ou se tornam museus quando no miximo existe uma certa preocupaomo
em preservar a memyria. Na dpcada de 1990, com privatizaomo Rede Ferroviiria
Federal, o local onde estilocalizada a antiga estaomo torna-se um local muito pouco
freqentado, tanto que atpo museu ferroviirio permaneceu fechado por mais de 3 anos
por falta de condio}es ft
sicas do local. Em 1993, a Prefeitura de Curitiba anuncia o
primeiro projeto de revitalizaomo para a regimo, consistia na reurbanizaomo da Praoa
Eufrisio Correia, local que estientre a Estaomo Ferroviiria e a Ckmara de Vereadores
de Curitiba. Neste momento, ji aparecia como posst
vel funomo para a estaomo a
possibilidade de se tornar um centro turt
stico. (Gazeta do Povo, 21/01/94)
Em 1996 paberto o processo licitatyrio para o uso da irea que abrigou o antigo
pitio de manobras da Rede Ferroviiria Federal, uma irea de 33 mil metros quadrados.
A empresa vencedora, era composta pela Casamoro Construomo, Thi, Hauer e o
Boticirio, sendo concedido o uso, atravps da licitaomo, por no mt
nimo vinte anos.
No local foi anunciada a construomo do primeiro ³
Festival Center" do pat
s, sendo
inaugurado em novembro de 1997, o Estaomo Plaza Show. A construomo deste espaoo
foi anunciada como o mais revolucionirio empreendimento que a cidade ji tinha
presenciado. Nmo seria apenas um espaoo para compras, o Estaomo Plaza Show teria
as 10 primeiras salas de cinema no Brasil do grupo United Cinemas International (UCI),
grupo criado pela junomo dos est~dios cinematogrificos norte americanos Paramount e
31II
Universal. Alpm de teatro para bonecos e palcos para shows, a praoa de alimentaomo,
seria composta por restaurantes requintados, bares e cafps, alpm das tradicionais redes
de fast food. Outra novidade era que diferente de todos os shoppings de Curitiba, o
Estaomo Plaza Show era o ~nico que cobrava a entrada, marcando claramente um
escolha de p~blico. O shopping possui atualmente o maior estacionamento
da
categoria com capacidade para 20 mil carros.
Durante os primeiros meses de funcionamento o Estaomo Plaza Show,
apresentou uma mpdia de p~blico surpreendente, cerca de 700 mil pessoas o visitavam
mensalmente. Apesar destes n~meros, como o tempo, o local perdeu a cara de
novidade, e o p~blico comeoou a diminuir, a primeira medida para retomar o aumento
do p~blico foi extinguir a cobranoa de entrada. Em dezembro de 2000, o espaoo passa
ao controle acionirio do Grupo PolloShopping e pelo empresirio Miguel Krigsner, de "O
Boticirio". O Estaomo Plaza Show passa a se chamar PolloShopping Estaomo,
tornando-se um "shopping de desconto", a intenomo era atrair para o local o p~blico da
classe C, jique as classes A e B, eram freqentadores asst
duos do espaoo. Foram
ampliados os n~meros de lojas, e gastos mais de 6 milh}es de reais em marketing.
Entretanto, essas mudanoas nmo trouxeram os efeitos esperados, em 2003 o local
passou novamente por uma mudanoa arquitet{nica e de conceito. O grupo "O Boticirio"
assumiu o controle majoritirio do empreendimento em abril de 2002, contratando a
consultoria Toledo & Associados para realizar um estudo sobre qual seria o novo perfil
do shopping. A consultoria constatou que o Estaomo possui uma irea de influrncia
direta sobre quase 479 mil pessoas residentes nas proximidades, com um renda mpdia
de 1,6 mil reais. Segundo o administrador do Shopping, Luiz Felipe Tavares: "Curitiba p
uma cidade pryspera, de alto poder aquisitivo e, em 2002, foi eleita pela revista Exame,
pela terceira vez consecutiva, a melhor cidade para se fazer negycios do pat
s. (Ind~stria
e Comprcio, 27/01/03). O novo shopping, agora Estaomo Embratel Convention Center,
ganhou mais lojas, um centro de conveno}es com mais de 2.500 lugares, com a
intenomo de trazer para Curitiba grandes conferrncias e congressos, e assim colocar a
cidade na rota definitiva do turismo de negycios. Segundo os responsiveis pela
"revitalizaomo" do shopping, logo apys o an~ncio na mudanoa de conceito: "a plistica
externa pinspirada na estaomo que se transformou no Museu Dorsay na Franoa. O
shopping tambpm vai contar com uma interligaomo com a estaomo do metr{´(Gazeta
do Povo, 12/05/02). O "Museu Dorsay" curitibano, phoje uma das maiores atrao}es
32II
turt
sticas da cidade, e conta com uma mpdia de 28 mil visitas dia. Possui dois museus,
um sobre a histyria da estrada de ferro e outro sobre a histyria do perfume.
A presenoa do atual Estaomo Embratel Convention Center, na paisagem urbana de
Curitiba, psem d~vida marcante. Um projeto de expressmo monumental, e porque nmo
dizer "pys-moderno", que contrasta com a fachada da velha estaomo ferroviiria, que
hoje empresta o nome ao shopping, mas que desaparece perante a monstruosidade da
outra. Nmo foi necessirio destruir o antigo prpdio, uma vez que ele se tornou invist
vel,
assim como a memyria da estaomo ferroviiria, um simulacro, a ~nica referrncia ao
passado smo os relygios ao fundo, no paredmo formado pelo estacionamento multi
colorido jnoite. Segundo Fernando Canalli, a construomo do shopping utilizando a irea
da antiga estaomo ferroviiria, foi o principal investimento privado
a promover a
revitalizaomo do bairro Rebouoas, uma vez que o Estaomo foi o primeiro
empreendimento da regimo com um perfil voltado ao lazer e ao entretenimento, este
funcionaria como uma esppcie de "cartmo de visitas" para o bairro, impulsionando o
desenvolvimento de outros projetos com este perfil, e ajudando a consolidar a imagem
do Rebouoas como o bairro cultural de Curitiba.
Entretanto, atp que ponto o shopping conseguiu desenvolver o bairro do
Rebouoas? Desde sua fundaomo em 1997, este passou por diversas mudanoas
arquitet{nicas e de conceito: de centro de lazer e entretenimento jum shopping de
descontos, agora um espaoo de compras convencional voltado a classes A e B, assim
como, um espaoo para sediar grandes congressos e conferrncias. Apesar de ser a
porta de entrada para o bairro Rebouoas, o shopping nmo se relaciona como seu
entorno, estivoltado para ele mesmo. Diferentemente da antiga estaomo ferroviiria que
proporcionou o desenvolvimento da regimo do Rebouoas. O shopping apesar de usado
para valorizar o preoo do uso do solo no bairro, assim como um elemento do discurso
sobre a revitalizaomo do Rebouoas, ele nmo se integra ao bairro, seu prpdio p uma
barreira, acaba por esconder o bairro, poucos sabem que atris do shopping esti o
bairro cultural de Curitiba, apesar do aparente sucesso do empreendimento, ele
funciona como um enclave fortificado na paisagem da regimo, um mundo particular,
fechado e seguro.
4.2 O MOINHO NOVO REBOUdAS
33II
No dia 8 de novembro de 2001 planoado oficialmente o projeto de revitalizaomo para o
bairro Rebouoas.
Projeto intitulado de "Novo Rebouoas" comeoava a surgir na
paisagem de Curitiba, juntamente com prpdio reformado do antigo prpdio do Moinho
Paranaense, agora chamado de Moinho Novo Rebouoas. Este, porpm, nmo foi
anunciado como mais um local para atividades ligadas jcultura, foi colocado como
"projeto-kncora" que iria induzir o processo de revitalizaomo do Rebouoas, uma vez que
deveria atrair para a regimo uma sprie de outros investimentos ligados jcultura, lazer e
entretenimento. A partir da reabertura do Moinho, a ³
vocaomo´do bairro estava preste a
mudar: "O Novo Rebouoas serio pylo cultural da cidade (...) o moinho serio st
mbolo
desta transformaomo, porque apresenta as duas faces que smo a st
ntese do Novo
Rebouoas: a valorizaomo do antigo e o compromisso com a modernidade." (O Estado do
Parani, 8/11/2000)
O prpdio do antigo Moinho Paranaense foi construt
do na dpcada de 1930, pertencia a
um grupo Inglrs que tambpm era proprietirio do Moinho Paulista e possut
a como
sycios Agostinho Lemo J~nior e Ivo Abreu de Lemo. O moinho representava as marcas
de biscoitos Aymorpe da farinha de trigo Soberba. Na dpcada de 40 houve um incrndio
no prpdio que paralisou a produomo por muitos anos. No final da dpcada de 70 ele p
vendido para o Moinho Progresso de Smo Paulo, que por sua vez o vendeu para o
Moinho Anaconda, que nunca mais reativou a produomo, pois estava interessada
unicamente na quota de trigo e grmos e nmo na propriedade, o prpdio entmo permaneceu
abandonado. Por ~ltimo o moinho foi vendido para Salommo Soifert, proprietirio do
Shopping Mller que o trocou com a prefeitura de Curitiba, por potencial construtivo na
rua Mateus Leme. Em troca da reforma do moinho o shopping pode construir um novo
estacionamento na rua dos fundos, sendo ligado ao Mller por uma passarela em forma
de tubo sobre a rua Mateus Leme. Jio antigo estacionamento nos pisos superiores do
shopping foram transformados em lojas e cinemas. Segundo Fernando Canalli, a
prefeitura nmo investiu um centavo na reforma do prpdio, todo o dinheiro veio da troca
por potencial construtivo com o Shopping Mller. De acordo com uma reportagem na
Gazeta do Povo pouco antes da inauguraomo do novo espaoo cultural (04/10/01), foram
investidos na reforma do prpdio cerca de 2 milh}es de reais.
34II
Figura 4 e 5: Projeto de reforma. Ao lado Moinho Novo Rebouoas jirestaurado. FONTE: IPPUC.
A administraomo do Moinho Novo Rebouoas esti sob responsabilidade da
Fundaomo Cultural de Curitiba e do IPPUC. O prpdio conta com 4 ambientes para
atividades, um deles com trrs pavimentos, o espaoo como um todo pode abrigar atp6
mil pessoas. No moinho estitambpm um escrityrio do IPPUC para apresentaomo do
projeto de revitalizaomo do bairro, desta forma "empresirios interessados em investir
nos setores de entretenimento e lazer podem conhecer a proposta" (Gazeta do Povo,
04/10/01), ou "pimportante reforoar que a revitalizaomo do Rebouoas tem a chancela da
Prefeitura Municipal de Curitiba e do IPPUC. Assegure seu lugar no coraomo cultural da
capital paranaense no Rebouoas, o show esti comeoando" (IPPUC, 2001, p.18). O
espaoo ainda possui uma guarniomo da guarda municipal, com efetivo de 80 homens e
10 viaturas que reforoam a seguranoa do bairro e da irea central. A reforma do Moinho
contou ainda com a instalaomo de um caloadmo na Rua Piquiri (em frente ao moinho),
alpm de um projeto de arborizaomo para o bairro, onde foram substitut
das irvores
velhas e exyticas por irvores nativas da cidade. O Moinho Novo Rebouoas pode tanto
receber eventos oficias ligados a prefeitura ou outros yrgmos governamentais, como
pode ser alugado para eventos particulares.
4.3 OUTRAS FALAS E PROJETOS SOBRE O REBOUdAS
A partir
da leitura de algumas reportagens que noticiaram as propostas do
projeto Novo Rebouoas, que utilizamos como fonte, encontramos algumas falas que
mostram o interesse do setor imobiliirio para com a revitalizaomo do bairro: "o que se
deseja pque ocorra uma verticalizaomo, com empreendimentos destinados jatividade
ligadas jirea de negycios" (O Estado do Parani, 8/11/2001). "Os preoos dos imyveis
continuam razoiveis, mas com o aumento da procura os preoos e os alugupis devem
subir (...) durante muito tempo o bairro foi industrial, mas hoje em dia o perfil do bairro
estimudando e a sua vocaomo comeoa a se voltar para o lazer e o entretenimento. O
bairro p a bola da vez" (Gazeta do Povo, 10/09/2000). "O Rebouoas p um grande
potencial para o mercado imobiliirio, a atraomo de novos empreendimentos revitaliza a
35II
economia da regimo, pressionando uma melhoria inclusive na seguranoa do bairro"
(Gazeta do Povo,22/08/2004). Segundo Paula Tavares uma das responsiveis pelo
projeto de revitalizaomo do Rebouoas "a idpia ppreparar o bairro para que ele seja um
futuro pylo de entretenimento. Acreditamos que o Rebouoas vai se tornar uma irea de
desenvolvimento comercial e cultural´(Jornal do Estado, 12/12/2002).
Em relaomo js reportagens que noticiam o interesse do setor imobiliirio pelo
Rebouoas, pcurioso notar que estas reportagens surgem depois do anuncio do projeto
Novo Rebouoas, e, sobretudo apys a revitalizaomo do Moinho Paranaense. O bairro vem
apresentando quedas em sua taxa populacional a pelo menos dez anos, mas agora p
considerado "a bola da vez" no mercado imobiliirio. Isto talvez seja reflexo do
esgotamento de novas ireas centrais para empreendimentos na cidade, mas sem
d~vida reflete uma nova perspectiva para a regimo; a proximidade como o centro e com
bairros "nobres" de Curitiba, como Batel e Ègua Verde, os an~ncios dos projetos de
revitalizaomo do complexo da rodoferroviiria e a intenomo de transformar a regimo do
Rebouoas no novo pylo turt
stico e cultural da cidade, assim como, o novo zoneamento
da regimo permitindo a construomo de edift
cios mais altos, colocam o Rebouoas como
algo "estratpgico" para o mercado imobiliirio nos pryximos anos.
Outra questmo interessante ao se analisar o Bairro do Rebouoas pperceber que
sua localizaomo psem d~vida estratpgica, se hiuma palavra para caracterizar o bairro,
esta deveria ser chamada de fronteira. Como jifalamos, o bairro estimuito pryximo ao
centro, e de bairros tidos como "nobres"; Ègua Verde e Batel, mas nmo devemos
esquecer, que o Rebouoas tambpm estientre duas antigas ireas de ocupaomo irregular
da cidade, a favela da Vila Pinto, hoje chamada de Vila das Torres, e a favela do
Parolim. Para as pessoas que habitam estas ireas irregulares a proximidade como o
Centro e o Rebouoas tambpm smo estratpgicos, uma vez que uma boa parte delas
vivem do recolhimento de material reciclado pelas ruas, e pnotyrio que regi}es centrais
com um intenso comprcio e regi}es que possuem fibricas smo ireas que produzem
uma maior quantidade destes materiais recicliveis, isto proporciona nos finais de tarde
um intenso trifego de carrinheiros nas ruas da regimo.
Ao pesquisar as reportagens sobre o bairro, tambpm encontramos nos jornais
matprias que destacam um outro lado do Rebouoas: "comunidade reclama de travestis
que fazem ameaoas (...) toda semana em frende ao prpdio smo jogadas seringas com
vestt
gios de sangue, preservativos usados e fezes dos travestis. Crianoas, velhos e
36II
pessoas decentes trm que conviver com a falta de higiene, alpm de serem
desrespeitados nas ruas, com xingamentos [fala de um morador]". Nesta reportagem os
moradores tambpm reclamam que o valor dos imyveis estidesvalorizando em razmo
da irea ser conhecida como ponto de travestis (Av. Get~lio Vargas)."Como podemos
sair daqui sem o mt
nimo de dinheiro para recomeoar a vida em outro lugar" (Gazeta do
Povo,17/12/2000). Na reportagem os travestis tambpm smo acusados de cometerem
seqestros relkmpagos e abusos contra a ordem p~blica. Outras nott
cias destacam
ainda: "o aumento de assaltos deixa moradores do Rebouoas em alerta" (o Estado do
Parani,16/11/2001). "epreciso atrair a populaomo para o local desvinculando a imagem
de marginalidade e provando que o bairro tem coisas boas a oferecer" (Gazeta do Povo,
29/04/2001). "Um bairro e duas cidades (...) pacato de dia e promt
scuo jnoite" (Gazeta
do Povo, 29/04/2001).
Ji as reportagens que colocam o Rebouoas como um local promt
scuo, em
grande parte se deve em referrncia a rua Get~lio Vargas, um tradicional ponto de
prostituiomo de Curitiba. Segundo Fernando Canalli o que explica a regimo ter se
desenvolvido com esta caractert
stica po constante fluxo de caminhoneiros que usam as
ruas do bairro como estacionamento, durante o tempo de espera para adentrarem as
fibricas. Acredita que com o desenvolvimento do "novo perfil" do bairro e com a sat
da
de mais algumas fibricas, isto tende a diminuir na regimo.
Outro projeto desenvolvido pela prefeitura para estimular a revitalizaomo do
Rebouoas, buscando dar uma nova "vocaomo" ao bairro, agora nmo mais ligada js
antigas fibricas, mas a cultura e ao entretenimento, foi a instalaomo de 9 Residrncias
Culturais nas proximidades do Moinho Novo Rebouoas. Estas residrncias fazem parte
de um projeto financiado pela Fundaomo Cultural de Curitiba, elas abrigam 9
companhias e grupos artt
sticos da cidade, cada residrncia recebe cerca de 6 mil reais
mensais para desenvolver projetos ligados ao teatro, danoa, m~sica e mt
dia eletr{nica.
Segundo Leandro Knopfholz, diretor de aomo cultural da FCC "a idpia do projeto p
concentrar a criatividade e assim criar um pylo de lazer e entretenimento na cidade. As
residrncias culturais integram o calendirio oficial da Capital Americana da Cultura, tt
tulo
que Curitiba comemora ao longo de todo o ano de 2003" (Jornal do Estado,
12/12/2002). Este projeto tem a intenomo ainda de estimular que outras companhias
artt
sticas, mesmo nmo sendo subsidiadas pela prefeitura, venham a se instalar bairro.
Fazem parte das Residrncias Culturais Novo Rebouoas os grupos: Os Satyros Cia de
37II
teatro; Centro de Investigaomo do Movimento (CIM); Festas Teatro; Multiprocessador;
Fibrica de Letras e M~sicas, Teatro Ppno Palco; Famt
lia Horn; Arco Cia. do Ar e Cia.
Portitil de Alumt
nio. Segundo Vaz e Jacques (2003) a atraomo de artistas com suas
residrncias e atelirs, e em seguida galerias de arte e museus, tem sido uma pritica
comum na tentativa de revitalizar ireas em processos degradaomo. Elas citam como
exemplo os bairros de Raval em Barcelona e o do SoHo em Nova Iorque, entretanto,
nos dois exemplos as autoras mostram que a revitalizaomo dos bairros levou a
valorizaomo imobiliiria que trouxe como conseqrncia um processo de gentrificaomo.
Questionado sobre o desenvolvimento do projeto "Novo Rebouoas", Fernando
Canalli, apresentou uma sprie de empreendimentos que se instalaram na regimo nos
~ltimos anos que demonstram que a revitalizaomo do bairro esti em contt
nuo
andamento. Segundo o arquiteto, a instalaomo do Shopping Estaomo foi o primeiro
passo para a revitalizaomo do bairro, independente de ser anterior ao projeto da
prefeitura lanoado oficialmente em 2001, pois o IPPUC jipossut
a estudos para regimo
desde 1996. Da mesma forma, a instalaomo na Rua Rockefeller do Hotel Slavieiro e do
Habbibs, a loja de materiais de construomo Cassol, o Shopping Station Mall e o Teatro
Odelair Rodrigues,estes na av: Sete de Setembro. Assim como a revendedora de
automyveis Estocolmo (Volvo), as Faculdades Curitiba, Uniandrade e Essai, e o centro
de distribuiomo dos correios smo os grandes "sinalizadores" do novo desenvolvimento da
regimo, uma vez que estes empreendimentos estmo voltados, na maioria, para um
p~blico com um poder aquisitivo relativamente alto. Foram tambpm apontados por
Canalli outros empreendimentos que indicam que o Rebouoas estipassando por uma
mudanoa em seu perfil, deixando de ser um bairro predominante industrial para ser o
pylo cultural da cidade, os empreendimentos destacados smo: os bares Brama e
DomMax; as boates Usina, Swingers, The Hall e Via Rebouoas.
Da mesma forma, Canalli apontou como positivo todos os eventos que foram
realizados no Moinho Novo Rebouoas, destacando como exemplo de sucesso deste
espaoo cultural: a festa Kokum Kaia, realizada no dia 12 de novembro de 2001, um
evento particular de m~sica eletr{nica que reuniu cerca 5 mil pessoas. O local recebeu
tambpm a ediomo da Casa Cor no ano de 2002, evento de arquitetura e decoraomo de
interiores. Segundo Fernando Canalli este evento foi muito importante para todo o
projeto Novo Rebouoas, uma vez que levou para o bairro a "elite curitibana, muitos que
nunca tinham ouvido falar do bairro e puderam conhecer o seu projeto de revitalizaomo,
38II
e quem sabe atpinvestir na regimo no futuro". Outro evento realizado no moinho Novo
Rebouoas e destacado como representativo para o projeto de revitalizaomo foi o Word
Summit on the Information Society - Latin America and the caribean 2003, evento
organizado pelas Organizao}es das Nao}es Unidas - ONU, para discutir os rumos da
tecnologia e da sociedade da informaomo. Foram citados como exemplos ainda: um
desfile de moda e uma festa de casamento. Entre todos os eventos citados apenas um
foi oficial, os outros foram todos eventos particulares como festas e exposio}es.
Um outro ponto para a discussmo do projeto de revitalizaomo do bairro Rebouoas,
foi jforma utilizada para divulgar os projetos, alpm das tradicionais propagandas em
jornais e canais de televismo, o IPPUC desenvolveu uma sprie de logomarcas com o
nome do projeto "Novo Rebouoas", assim como do Moinho Novo Rebouoas. As
locomarcas serviram como divulgaomo dos mesmos em camisetas e adesivos para
automyveis, vendidos na forma de lembranoinhas de Curitiba. Esta maneira de divulgar
a cidade tambpm se fez presente durante a campanha institucional de marketing no ano
de 2003 e 2004, a campanha usava a imagem de jovens vestindo uma camiseta
estampada com um "st
mbolo" de Curitiba: o Jardim Botknico, os {nibus e seus tubos, o
Parque Tangui, entre outros. O slogan era: "Curitiba, minha cidade, meu orgulho". Esta
propaganda foi divulgada nos "totens" ao lado dos pontos de {nibus, assim como no
vidro traseiro dos coletivos. Este modelo de marketing urbano, atravps de camisetas,
busca
criar
atravps
destas
imagens
que
sermo
divulgadas
pelas
pessoas
quotidianamente, uma forma de consenso para como o projeto, ou mesmo, uma forma
de orgulho ct
vico, entre uma campanha de refrigerante e outra de um banco, podemos
encontrar a imagem de pessoas orgulhosas vestindo a camiseta da cidade: "Curitiba,
minha cidade meu orgulho", ou mesmo, quem ama cuida, ou quem ama nmo faz
crt
ticas, quem sabe?
Segundo a fala de Fernando Canalli sobre os eventos realizados no Moinho Novo
Rebouoas, podemos perceber que este equipamento cultural destinado a servir como
kncora do processo de revitalizaomo do bairro, voltando-o para um perfil cultural e de
entretenimento, pouco tem servido para democratizar o acesso jcultura e a arte, ou
seja, este nmo se caracteriza como um espaoo de inclusmo social atravps da
participaomo da populaomo. Antes de tudo, o seu espaoo tem sido utilizado como um
equipamento de lazer particular, ou mesmo para aumentar os valores imobiliirios da
regimo, da mesma forma, a atraomo de outros empreendimentos para o bairro,
39II
caracterizam-se por serem espaoos fechados de funcionamento noturno, todos
destinados a um p~blico bem espect
fico, ou seja, aquele com um poder aquisitivo
relativamente alto. Neste sentido, os projetos culturais correm o sprio risco de passarem
tambpm por um processo de gentrificaomo, visto que o seu conceito passa a ser ~nica e
exclusivamente a idpia de cultura-econ{nica, ou seja, a cultura como um meio para
valorizar determinadas ireas, visando unicamente o "mercado turt
stico", em detrimento
das demandas locais. Enfim, a gentrificaomo cultural serve como projeto kncora para a
gentrificaomo urbana. A prypria imagem do Moinho Novo Rebouoas como equipamento
p~blico e cultural, torna-se enfraquecida a partir do momento em que este se torna um
espaoo apenas de decoraomo urbana, para lembrar que ali um dia funcionou um bairro
industrial, ou somente quando serve de espaoos para eventos particulares como
casamentos e desfile de moda, este se torna um equipamento cultural excludente, um
vez que nmo contribui como seu principal papel que po desenvolvimento cultural.
No mesmo sentido, o projeto de revitalizaomo do bairro Rebouoas, esti
principalmente ligado a uma estratpgia de planejamento estratpgico que busca
redirecionar para a regimo novos fluxos da economia global, baseada sobretudo no
mercado turt
stico, neste sentido, o uso da cultura faz parte do processo que vem
ocorrendo globalmente de venda de cidades.
40II
5. CONSIDERAd®ES FINAIS
A partir da anilise realizada ao longo dos capt
tulos, podemos concluir que a
revitalizaomo do bairro Rebouoas, apesar de ainda se encontrar em um processo
embrionirio, ela aponta para mudanoas significativas na forma de conceber a regimo.
Sobretudo, o padrmo de empreendimentos, uma vez que as mudanoas no zoneamento
permitindo a construomo de edift
cios mais altos, juntamente com a transformaomo da
BR-116 em um via urbana, certamente levarmo a um processo de valorizaomo
imobiliiria para a regimo, que consequentemente provocaria gentrificaomo no bairro.
Nmo obstante, o discurso utilizado como meio de revitalizaomo para o bairro, ou
seja, a transformaomo do Rebouoas em um pylo de cultura e entretenimento, pouco tem
contribut
do para o desenvolvimento da cultura local. Os equipamentos culturais
utilizados para desenvolver a regimo smo utilizados principalmente como elementos do
marketing urbano, que visam colocar o Rebouoas na rota do turismo, para que esse
atinja metas puramente econ{micas. eesta nossa principal crt
tica ao uso da cultura em
processos de revitalizaomo urbana, ou seja, seu uso apenas como um elemento para a
valorizaomo imobiliiria das ireas de intervenomo, isto apenas contribui para um
processo de gentrificaomo cultural e urbana, uma vez que nmo incorpora a populaomo em
seus projetos culturais.
A cultura psymais um elemento utilizado pelo planejamento estratpgico para
colocar essas ireas revitalizadas em destaque no mercado global de cidades. Em
nenhum momento nos colocamos contra os processos de revitalizaomo, acreditamos
que centros histyricos, ou bairros tradicionais devem estar sempre revitalizados, tanto
urbana, quanto culturalmente, entretanto, entendemos que uma verdadeira revitalizaomo
urbana atravps da cultura deve ser conduzida por processos menos predatyrios, que
nmo levem a gentrificaomo. Ou seja, somente atravps de processos mais participativos
que incorporem a populaomo local, podem revitalizar sem necessariamente expulsar.
41II
Como discutimos acima, o projeto Novo Rebouoas ainda esti em seu int
cio,
neste sentido, nossas conclus}es smo um tanto quanto limitadas sobre os efeitos da
polt
tica de revitalizaomo para o bairro, entretanto, o pouco que podemos concluir
demostra que dificilmente o Rebouoas se tornarium pylo de cultura e entretenimento
para a cidade de Curitiba, caso o modelo de revitalizaomo nmo seja revisto.
42II
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Produtores culturais desconfiam do futuro do projeto, que prevrrevitalizaomo do
bairro. In: Gazeta do Povo, 08/11/2002.
ANEXOS
1. MAPA DE PROPOSTA PARA BR-116.
2. MAPA DE ZONEAMENTO.
3. MAPA DE ÈREAS DO SETOR ESPECIAL NOVO REBOUdAS.
4. DECRETO N223, SISP®E SOBRE ÈREA DE ABARANGENCIA DO SETOR
45II
ESPECIAL NOVO REBOUdAS.
5. DECRETO SOBRE NË
VEIS MÈXIMOS DE PRESSO SONORA db(A)
6. DECRETO
N 186,
BARO-RIACHUELO.
46II
DISP®E
SOBRE
SETOR
ESPECIAL
EIXO