~ Palmas, v.9 n.12 CATÓLICA DO TOCANTINS Profº. Me. Pe. José Romualdo Degasperi Diretor Geral Profº. Me. Galileu Marcos Guarenghi Vice-Diretor Acadêmico Rudinei Spada Vice-Diretor Administrativo Revista Integralização Universitária - RIU É um periódico semestral com publicação da Faculdade Católica do Tocantins. Tem como proposta de ser um canal de divulgação de trabalhos científicos de docentes, discentes e pesquisadores. A revista recebe a colaboração científica da comunidade externa, pois não pretende ser um canal exclusivo da instituição que representa. Editora Profª. Me. Arlenes Buzatto Delabary Spada Correção textual Prof. Me. Sibéria Sales de Queiroz Capa e Diagramação Agência Mercado Central Comitê Editorial Antonio Rafael de Souza Alves Bôsso Arlenes Buzatto Delabary Spada Cid Tacaoca Muraishi Thiago Magalhães de Lazari Valdirene Cássia da Silva Conselho Editorial Alexandre Tadeu Rossini da Silva – Universidade Federal do Tocantins Alice Chaves de Carvalho Gomes – Universidade Federal do Vale do São Francisco André Pereira Raposo – Faculdade Católica do Tocantins Anderson Luiz Fernandes Perez – Universidade Federal de Santa Catarina Ariádne Scalfoni Rigo – Universidade Federal do Vale do São Francisco Claudecir José Jacques – Faculdade Católica do Tocantins Cid Tacaoca Muraishi – Faculdade Católica do Tocantins Daniela Moreira de Carvalho – Universidade Rural de Pernambuco Eduardo Zanon – Faculdade Católica do Tocantins Eliana Regina Archangelo – Fundação Universidade do Tocantins Eliane Pozzebon – Universidade Federal de Santa Catarina Evandro Arantes Borges – Faculdade Católica do Tocantins Evandro Reina – Faculdade Católica do Tocantins Fabiano Ricardo Barbosa Pizzeta – Faculdade Católica do Tocantins Fábio Favarin – Universidade Tecnológica Federal do Paraná Flávia Fernandes Ribeiro de Miranda – Fundação Universidade do Tocantins Flávio Augustus da Mota Pacheco – Universidade Federal do Tocantins Gentil Veloso Barbosa – Universidade Federal do Tocantins Geraldo da Silva Gomes – Fundação Universidade do Tocantins Gislaine Piccolo de Lima – Universidade Estadual do Oeste do Paraná Helga Midori Iwamoto – Universidade Federal do Tocantins Herlon Alves Bezerra – Universidade Federal do Vale do São Francisco Jeová Torres Silva Júnior – Universidade Federal do Ceará José Rodrigues Vieira – Faculdade Castro Alves Luis Henrique Froes Michelin – Faculdade Católica do Tocantins Márcia Machado – Universidade Federal do Tocantins Maria Inês Ramos Azevedo – Fundação Universidade do Tocantins Mário César Hamdan Gontijo – Universidade Presidente Mônica Cristina Rovaris Machado – Universidade Federal do Tocantins Osnilson Rodrigues – Faculdade Católica do Tocantins Paula Chies Schommer – Universidade do Estado de Santa Catarina Rogério Cavalcante Gonçalves – Faculdade Católica do Tocantins Ronaldo Rodrigues Coimbra – Universidade Federal do Tocantins Sandra Alberta Ferreira – Universidade Federal do Tocantins Stéphany Moraes Martins – Faculdade Católica do Tocantins Suzana Gilioli – Universidade do Tocantins Valdirene Cássia da Silva – Faculdade Católica do Tocantins Terezinha da Conceição Costa-Hubes – Unioeste - Cascavel As opiniões emitidas nos artigos assinados são de total responsabilidade dos respectivos autores. Todos os direitos de reprodução, tradução e adaptação reservados. Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária - Maria Paixão Souza APRESENTAÇÃO A Revista Integralização Universitária – RIU, é um periódico da Faculdade Católica do Tocantins - FACTO, que objetiva integrar a produção científica de seus professores e estudantes, bem como de outros colaboradores externos, socializando-a no âmbito acadêmico e na comunidade científica e social, em geral. Tal natureza integrativa faz da RIU uma revista multitemática. Sendo assim, encontram-se contempladas em seu cerne, as Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Ciências Exatas, Ciências Agrárias, Ciências da Terra e Engenharias. Apresentada na forma virtual, a atual edição da RIU, corresponde ao Volume 9, Número 12 e traz temas pertinentes às áreas de Agrárias, Direito, Ciências Contábeis, Administração e Educação. Nessa edição você, leitor, encontrará relativo às Ciências Agrárias, a resenha sobre a Inseminação Artificial de Equinos, a Análise do perfil de variação de parâmetros físicoquímicos de um corpo hídrico intermitente do cerrado no período de transição da seca para a chuva, o Uso de diferentes partes da planta mandioca na produção de mudas, o Arranjo Produtivo Local (APL) de leite e derivados na Região do Bico do Papagaio/TO e Mitochondrial DNA polymorphism in six astyanax species (Teleostei: characidae from the upper Paraná and Ribeira de Iguape river basin winth PCR-RFLP. O Direito discute a Visão contemporânea do Supremo Tribunal Federal e da Justiça eleitoral sobre os julgamentos dos Tribunais de Contas. As Ciências Contábeis demonstram a importância do Planejamento Tributário aplicado às empresas de construção civil. A Administração traz uma abordagem histórica sobre a Lei Geral como fator de competitividade dos pequenos negócios e O papel e a importância dos Recursos Humanos frente às pessoas: análise do clima organizacional proporcionado pelo RH de uma conhecida empresa de ferragens da cidade de Palmas/TO. Por fim, na área educacional, temos a Educação Ambiental: análise de oficinas sobre hortas caseiras e alimentação alternativa no Centro de Ensino Médio Castro Alves, em Palmas/TO. Desejamos a todos, uma proveitosa leitura. Abraços, Arlenes Delabary Spada Editora da Revista RIU Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. SUMÁRIO 01 Resenha: inseminação artificial de equinos Antônio José Sabino. et al. 02 Análise do perfil de variação de parâmetros físico-químicos de um corpo hídrico intermitente do Cerrado no período de transição da seca para a chuva. Rubens Tomio Honda. et al. 03 Uso de diferentes partes da planta mandioca na produção de mudas Cid Tacaoca Muraishi. et al. 04 Arranjo Produtivo Local (APL) de leite e derivados na Região do Bico do Papagaio/TO. Marcos Aurélio Cavalcante Ayres; Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira. 05 Mitochondrial DNA polymorphism in six Astyanax Species (Teleostei: characidae from the upper Paraná and Ribeira de Iguape river basin winth PCRRFLP. Saragiotto da Silva Alves. et al. 06 A visão contemporânea do Supremo Tribunal Federal e da Justiça Eleitoral sobre os julgamentos dos tribunais de contas. Doris de Miranda Coutinho; Wilson Müller 07 Planejamento Tributário aplicado às empresas de construção civil. Adriano Barreira de Andrade 08 Lei Geral como fator de competitividade dos pequenos negócios: uma abordagem teórica. Emerson Montenegro Lima 09 O papel e a importância dos Recursos Humanos frente às pessoas: análise do clima organizacional proporcionado pelo RH de uma conhecida empresa de ferragens da cidade de Palmas/TO. Diogo de Gregório Vilela; Fleurimar Ferreira Junior; Magnun Vinicius B. da Cruz 10 Educação Ambiental: análise de oficinas sobre hortas caseiras e alimentação alternativa no Centro de Ensino Médio Castro Alves, em Palmas/TO. Yara Gomes Corrêa ; Cláudia Fernanda Pimentel de Oliveira. et al. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM EQUINOS Illys Janes Alves de Sousa¹; Layla Faria Vilela²; Marcio Henrique Parente Fontoura³; 4 Antônio José Sabino ; RESUMO A indústria equina mundial exerce um importante papel como fonte geradora de renda. A inseminação artificial é uma ferramenta fundamental para o melhoramento genético do plantel. O Brasil destaca-se como o segundo país que mais utiliza o processo de inseminação artificial. O presente estudo tem o objetivo de apresentar, de modo simplificado, primeiramente, os procedimentos e técnicas dessa biotecnologia. Além de apresentar, também, os protocolos de inseminação artificial utilizados por estudiosos da área e seus respectivos resultados. O propósito final deste artigo é oportunizar ao leitor conhecimentos sobre as metodologias que apresentam os melhores resultados. Palavras chave: Inseminação Artificial Equino. Sêmen fresco. Sêmen congelado. ABSTRACT The world's equine industry plays an important role as a source of income. Artificial insemination is a fundamental tool for the genetic improvement of the squad. Brazil stands out as the second country that uses it. This study aims to present a simplified manner, the procedures and techniques of this biotechnology, beyond the artificial insemination protocols submitted by the authors and their results so that the reader can have a better view of methodologies with better results. Keywords: Equine Artificial Insemination. Fresh semen. Frozen semen. 1 Acadêmico do Curso de Zootecnia da Faculdade Católica do Tocantins - Email: [email protected] 2 Acadêmico do Curso de Zootecnia da Faculdade Católica do Tocantins - Email: [email protected] 3 Acadêmico do Curso de Zootecnia da Faculdade Católica do Tocantins - Email: ciapaisfi[email protected] 4 Professor do curso de Zootecnia da Faculdade Católica do Tocantins – Email: [email protected] Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. INTRODUÇÃO A indústria equina exerce importante papel como fonte geradora de renda e empregos. Esse seguimento agropecuário é responsável pela geração de mais de 500 mil empregos diretos (CNA, 2006 apud CANISSO et. al., 2008). A inseminação artificial é uma técnica em que o animal não precisa ser montado naturalmente para que ocorra a fecundação. Nela, o sêmen, que já foi coletado anteriormente, é depositado no aparelho genital feminino no momento mais adequado para garantir a fertilização do óvulo (BOCHIO, 2010). Essa tecnologia tem como finalidade melhorar a genética do rebanho, aumentar a potencialidade das progênies, aumentar a quantidade de fêmeas fecundadas com apenas um ejaculado, evitar a propagação de doenças sexualmente transmissíveis e ajudar a execução de pesquisas sobre a fisiologia reprodutiva de machos e fêmeas (ESCOLA DO CAVALO, 2011). A égua é um animal poliéstrico sazonal. O ciclo éstrico da égua tem uma maior variabilidade dentre todos os animais domésticos, pois a duração do estro é incerta, com a ovulação ocorrendo 24 a 48 horas antes do seu término (SATURNIN et al, 2002). O ciclo reprodutivo na fase de estro é quando a égua se encontra sexualmente receptiva ao garanhão, o aparelho genital está preparado para aceitar e transportar o sêmen para a fecundação. Na fase de diestro, o aparelho genital está preparado para aceitar e desenvolver uma gestação. O fim deste período termina com a regressão do corpo lúteo e a iniciação da seguinte fase folicular. A duração média do ciclo éstrico nas éguas é de vinte e um dias, sendo que o estro dura de 4 a 7 destes dias (MOREIRA, 2010). É importante destacar que a inseminação artificial com sêmen fresco, normalmente acrescido de diluentes apropriados, permite que o intervalo entre a coleta e a inseminação seja de até duas horas. Por outro lado, a inseminação artificial com sêmen fresco refrigerado ocorre com o sêmen devidamente processado e diluído com diluentes ricos em açúcares, lipídeos e antibióticos. Ele é refrigerado a 5ºc, o que permite um intervalo maior entre coleta e a aplicação podendo chegar a até 48h. A inseminação artificial com sêmen congelado ocorre após o sêmen ter sido congelado com sucesso, ficando conservado a uma temperatura de -196 ºC em tanques de nitrogênio líquido, permitindo a sua conservação por tempo indeterminado. (BOCHIO, 2010; MOREIRA, 2010). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 1. PREPARO DO GARANHÃO, DA ÉGUA MANEQUIM E VAGINA ARTIFICIAL PARA A COLHEITA DO SÊMEN. BOCHIO (2010), explica que o pênis do garanhão deve ser lavado, com água morna e pura, esta limpeza deve ser feita com o membro ereto, a manequim pode ser uma fêmea sadia, dócil, de preferência no cio, a vulva e seus arredores devem estar limpas e desinfetadas. A cauda deve receber bandagem, e as pernas devem ser amarradas a uma corda, para evitar acidentes na hora da colheita. Garanhões que apresentam o hábito de morder a égua no momento da cobertura deverão utilizar uma focinheira de couro. A vagina artificial é elaborada para proporcionar uma colheita segura e eficiente e deve ser construída em fibra de vidro de alta resistência e flexibilidade. Provida de acessórios como o tubo rígido de PVC que funciona como um “fundo de vagina” que impede a passagem do pênis, mas permite a passagem do ejaculado, neste há uma válvula para a introdução de água aquecida e ar. A mucosa da vagina deverá ser composta por um tubo de látex flexível que formará uma bolsa que simulará as condições encontradas na genitália da égua. A mucosa interna é composta por um tubo plástico com a extremidade do fundo selada, extremamente flexível, estéril e descartável. Esta mucosa será a porção da vagina artificial que entrará em contato com o pênis do garanhão e onde o sêmen será depositado e retido (BOCHIO, 2010). Na montagem da vagina é utilizada água aquecida que será introduzida no interior da vagina artificial através da válvula. Usa-se aproximadamente 2,5 litros de água à 60C°, que irá manter a parte interna da vagina em 45C°, esta é a temperatura preferida pela maioria dos garanhões. O ar é introduzido pela mesma válvula, e tem a função de prover a pressão necessária, de acordo com o pênis, provocando o estímulo necessário para sua ejaculação. Por fim, o lubrificante é colocado na superfície da mucosa interna, com o auxílio da mão do técnico protegida por uma luva estéril, e tem a função de facilitar a introdução do pênis do garanhão. Poderão ser utilizados lubrificantes íntimos ou óleos minerais estéreis, pois são os mais seguros, devido ao fato de não possuírem agentes antimicrobianos em sua composição, serem inertes e não se misturarem ao sêmen (BOCHIO, 2010). 1.1 Colheita e cuidados pós-colheita O técnico deverá estar do lado direito e à altura do quarto traseiro da fêmea, Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. assim o auxiliar conduzirá o garanhão do lado esquerdo do animal. O garanhão somente deverá se aproximar da fêmea quando estiver com o pênis em total ereção, quando o garanhão montar a égua, o técnico segurará o pênis com sua mão esquerda, protegida por uma luva, e o conduzirá para o interior da vagina artificial. Durante o procedimento, ele deverá evitar “acompanhar” os movimentos compulatórios, dando apenas “firmeza” às suas investidas. Deve ser observada a movimentação da cauda do garanhão. Ao término da ejaculação, o garanhão tende a relaxar sobre a fêmea por alguns instantes, o técnico deverá baixar a extremidade terminal da vagina artificial colocando-a na posição vertical e levando-a para o laboratório para processamento. (BOCHIO, 2010) Após a colheita, é importante que se realize a separação da fração gelatinosa do ejaculado da fração rica em espermatozoides, o procedimento mais comumente utilizado é a filtragem. A filtragem é realizada através do acoplamento de um filtro ao copo coletor de sêmen, ou realizada imediatamente após sua coleta e tem o objetivo de reter a parte dos contaminantes bacterianos, e elementos estranhos presentes no sêmen. (SQUIRES et al., 1999 apud CANISSO et al, 2008 ). O modo como o sêmen será processado depende do seu uso final. O sêmen fresco usado no local da colheita deverá ser diluído com um diluidor adequado. Se o sêmen vai ser transportado e utilizado num intervalo de seis horas após a colheita, deverá ser realizada a adição de um diluidor aquecido e a manutenção do material em temperatura ambiente (20ºC). Já o sêmen que será inseminado 12-48 h após a colheita, será diluído em maiores proporções e será arrefecido lentamente (0.3 ºC/minuto) até 5º-8ºC. Esse procedimento reduzirá a atividade metabólica dele (SAMPER, 2000 apud MOREIRA, 2010). É importante destacar que existem padrões de qualidade que o sêmen deverá obedecer para ser considerado adequado. Uma dose deve conter um mínimo de 500 x 106 espermatozoides com mobilidade progressiva de pelo menos 30% da dose (LeBlanc, 2005 apud MOREIRA, 2010). Torna-se importante salientar que cada garanhão determinará a dose comercialmente viável, em virtude da individualidade inerente a cada animal e à viabilidade espermática no sistema genital feminino (KATILA, 2005 apud XAVIER, et al., 2009). Os diluidores utilizados para sêmen equino são constituídos por água, tampões e substâncias não iônicas, açúcares e diferentes tipos de macromoléculas e Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. antibióticos. Esse diluidores podem ser divididos em quatro grupos: os salinos, os com gema de ovo, os com leite e derivados e os que apresentam albumina sérica bovina. Os mais comercializados no Brasil são os das marcas EZ – Mixin®,CST; MaxSêmen®, Agrofarma; Botu-Sêmen® e Botu-Turbo®, Biotech Botucatu; Equimix®, Nutricell. (AMANN; PICKETT, 1987; SILVA FILHO, 1994; apud CANISSO et al, 2008). O container para o transporte de sêmen equino deve ter completo isolamento ambiente; baixo custo; ser inócuo para os espermatozoides; manutenção da temperatura para o período determinado; possuir características para ser aceito por sistemas de transporte aéreo e terrestre e deverá ser seguro contra violações. Estas caixas comercializadas devem manter a temperatura a 5ºC ou a 15 20ºC. O sêmen mantido a 5ºC pode ser utilizado por até 48 horas. Já o sêmen mantido a 15 20ºC deverá ser utilizado de preferência entre as 12 horas de sua coleta (CANISSO et. al, 2008). 1.2 Hora da Inseminação Para escolher as éguas que a serem inseminadas, deve-se conhecer a história reprodutiva, e seu estado hígido atual, lembrando que éguas com melhor escore corporal têm mais facilidade de ficar gestante e levar a gestação até o final. Estas devem ser examinadas diariamente durante o período de cio, as melhores taxas de gestação são quando as éguas são inseminadas nas 24h que precedem a ovulação, a maioria das éguas com atividade cíclica normal pode ser inseminada apenas com uma ou duas doses de sêmen por ciclo (MOREIRA, 2010). Na inseminação com sêmen refrigerado, a égua deve ser preparada, logo após, o recipiente deverá ser aberto. Deve-se avaliar a mobilidade dos espermatozoides, para isso, coloca-se uma gota de sêmen num tubo de ensaio limpo e aquece a 37ºC em banho-maria de 5 a10 min. Na inseminação, a seringa será conectada ao cateter de inseminação, que será colado na vagina e atravessará a cérvix de modo a chegar ao útero onde o sêmen é depositado. Não é necessário aquecer o sêmen antes da inseminação (BARBACINI & LOOMIS, 2007 apud MOREIRA, 2010). Na inseminação com sêmen congelado o número de palhinhas que constituem uma dose de inseminação única varia, uma dose inseminante consiste em quatro ou oito palhinhas de 0.5 ml. Os sêmens congelados vêm com instruções sobre o processo de descongelamento. Geralmente, o sêmen congelado em palhinhas de 0.5 ml pode Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. ser colocados no banho-maria uma depois da outra e deixadas lá até a última palhinha ter permanecido por 30 segundos. Após remove-se todas as palhinhas, o seu conteúdo pode ser esvaziado para um recipiente estéril e previamente aquecido que pode ser um tubo de centrifugação ou um tubo de vidro e então é aspirado para uma pipeta de inseminação e inseminado na égua (BARBACINI, 2009 apud MOREIRA, 2010). É essencial um termômetro de precisão e é sempre melhor errar com temperatura abaixo dos 37ºC do que com temperatura superior. É possível, ainda, o descongelamento do sêmen de palhinhas de 0.5 ml a 75ºC durante sete segundos, esta técnica funciona bem para recuperar a mobilidade do sêmen quando é feita corretamente, mas o risco de danificar o espermatozoide é maior, especialmente em condições de campo. Alguns sêmens são congelados em macropalhinhas de 4 ou 5 ml, estas são descongeladas a 50ºC por 45 segundos (BARBACINI, 2009 apud MOREIRA, 2010). CONSIDERAÇÕES FINAIS É possível afirmar a partir do presente estudo que as taxas de concepção no primeiro ciclo tendem a ser mais baixas com sêmen refrigerado do que com a monta natural ou com sêmen fresco utilizado imediatamente a seguir a sua colheita. O manejo da inseminação com sêmen refrigerado é mais intensivo e dispendioso (MOREIRA, 2010). As taxas de gestação com sêmen refrigerado por ciclo é de 65%, a taxa de gestação do sêmen congelado é de 56%, tal diferença acontece porque a taxa de viabilidade dos espermatozoides congelados é reduzida, porém com o manejo adequado pode-se obter melhores taxas (MOREIRA, 2010). O local de deposição do sêmen não exerceu efeito sobre a fertilidade, e a concentração média de 100x106 espermatozoides móveis por dose inseminante pode ser utilizada nas inseminações com sêmen fresco diluído no ápice do corno uterino sem que haja redução da taxa de fertilidade, maximizando, assim, o número de éguas inseminadas por ejaculado (XAVIER et al, 2009). O número de inseminações/ciclo não exerce influência sobre a fertilidade, mas o excessivo número traz piores resultados de fertilidade em equinos, pois há um maior número de contaminantes no útero. Menor velocidade de crescimento folicular e maior diâmetro do folículo ovulatório estiveram associados ao maior número de inseminações artificiais/ciclo. O grupo de três Inseminações/ciclo foi bastante expressivo (VALLE et al, 2000). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. A inseminação artificial em equinos é um procedimento viável que pode contribuir para a melhoria genética de uma raça. Porém, existem muitos pontos críticos que devem ser respeitados para se alcançar o sucesso. Sêmens frescos, diluídos e resfriados têm menos exigência de manejos de controle folicular, momento e local de deposição do sêmen. Já o sêmen congelado exige um manejo mais rígido, palpações retais mais frequentes e, quanto ao local de deposição, preferencialmente, o mais profundo no corno uterino ipsilateral à ovulação (CANISSO et al, 2008). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS BOCHIO, 2010, Luciana Ferraz Monte, Inseminação artificial em equinos. Disponível em: < http://www.abqm.com.br> Acesso em: 14 de abr. de 2014. CANISSO, Igor Frederico; et al. Inseminação artificial em equinos: sêmen fresco, diluído, resfriado e transportado. Revista acadêmica ciências agrárias e ambientais. Jul/set v. 6 n. 3. 2008. Disponível em:< http://www2.pucpr.br > Acesso em: 01 de abr. 2014. ESCOLA DO CAVALO. Inseminação artificial em equinos. Disponível em: <http://www.escoladocavalo.com.br> Acesso em: 14/04/2014. MOREIRA, Joana Cabral da Gama de Alpoim. Inseminação artificial em éguas: estudo da utilização de uma dose reduzida de sêmen congelado em diferentes locais de deposição. Disponível em:< https://www.repository.utl.pt > Acesso em: 01 de abr. 2014. SATURNINO, Helton Mattana; et. al. Efeito do intervalo das duas últimas inseminações sobre a fertilidade de éguas, inseminadas com sêmen fresco diluído. Revista brasileira Zootecnia, v.31, n.3, p.1143-1149, 2002. Disponível em:<http://www.scielo.br > Acesso em: 01/04/2014. VALLE, Guilherme Ribeiro; et. al. Efeito do número de inseminações artificiais sobre a fertilidade de éguas inseminadas com sêmen diluído, resfriado a 14ºc e transportado. Rev. bras. zootec., 29(6):1721-1726, 2000. Disponível em:<http://www.scielo.br > Acesso em: 01 de abr. 2014. XAVIER, I.L.G.S.; et. al. Fertilidade de éguas inseminadas no corpo ou no ápice do corno uterino com diferentes concentrações espermáticas. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.61. Belo Horizonte Feb. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br > Acesso em: 01 abr. 2014. ANÁLISE DO PERFIL DE VARIAÇÃO DE PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS DE UM CORPO HÍDRICO INTERMITENTE DO CERRADO NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO DA SECA PARA CHUVA Jéssica Cunha Guilherme¹; Sângela Patrícia Alves Milhomem¹; Thays Lorrany Bezerra Lima¹, Wellington Carvalho Jorge Júnior¹, Rubens Tomio Honda² RESUMO No Cerrado do centro oeste brasileiro, o período de chuva geralmente tem início no mês de outubro e se estende até meados do mês de maio. Nesta ocasião, surgem inúmeros rios de pequeno porte, lagos e cachoeiras de regime intermitente. Neste trabalho, objetivou-se analisar as variações, entre os períodos de seca e cheia, de alguns parâmetros físico-químicos (pH, condutividade, cor, turbidez, temperatura e oxigênio dissolvido) da água de uma nascente intermitente localizada nas proximidades da cidade de Palmas, TO. Os parâmetros escolhidos para análise semanal da água foram condutividade (µS), condutivímetro; temperatura (°C), concentração de oxigênio (mg O2/L) (YSI 550), oxímetro, pH (pHmetro), turbidez (NTU), rurbidímetro; e padrão de cor (UNC), colorímetro. As medidas de condutividade, temperatura e oxigênio dissolvido foram obtidas in loco. Os demais parâmetros foram obtidos a partir das amostras de água (50 mL) coletadas num ponto de coleta. Fatores como a chuva e a queimada, ocorridos em certos períodos, foram as maiores contribuintes para os índices de variações detectados. Os principais parâmetros analisados sujeitos a grandes variações entre os períodos de seca e chuva foram a cor da água (UNC), a turbidez (NTU) e o oxigênio dissolvido (OD). 1 Alunos do Curso de Tecnólogo em Gestão Ambiental da Faculdade Católica do Tocantins. Rodovia TO – 050, Loteamento Coqueirinho, 2ª Etapa, Lote 07, CEP: 77.000-000, Palmas – TO. Email: [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]. 2 Professor de Química Ambiental do Curso de Tecnólogo em Gestão Ambiental da Faculdade Católica do Tocantins. Rodovia TO – 050, Loteamento Coqueirinho, 2ª Etapa, Lote 07, CEP: 77.000-000, Palmas – TO. E-mail: [email protected]. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Palavras-chave: Cerrado. Parâmetros. Físico-químicos. Intermitente. ABSTRACT In the Cerrado of central western Brazil the rainy season usually begins in October and runs until mid-May. On this occasion arise numerous small rivers, lakes and waterfalls intermittent. This study aimed to analyze the variations (between periods of drought and flood) of some physico-chemical parameters (pH, conductivity, color, turbidity, temperature and dissolved oxygen) water from a spring located intermittently near the city of Palmas -TO. The parameters chosen for analysis were weekly water conductivity (mS) (Conductivity) Temperature (° C) Oxygen concentration (mg O2 / L) (YSI 550) (pulse oximeter), pH (pH meter), turbidity (NTU) (turbidimeter) and color pattern (UNC) (colorimeter). The measures conductivity, temperature and dissolved oxygen were obtained in situ. The other parameters were obtained from the water samples (50 mL) collected in a collection point. And factors such as rain and burning occurred in certain periods were the largest contributors to the index variations detected. The main parameters analyzed subject to large variations between wet and dry periods were: water color (UNC), turbidity (NTU) and dissolved oxygen (DO). Keywords: Cerrado. Parameters. Physico-chemical. Intermittent. INTRODUÇÃO O regime de cheia e vazante de um rio é um fator que determina a estrutura e a função de um ecossistema aquático. Neste sentido, muitos parâmetros físicos e químicos importantes para os organismos aquáticos são alterados de acordo com o período de cheia, vazante ou seca. No Cerrado do centro oeste brasileiro, o período de chuva geralmente tem início no mês de outubro e se estende até meados de maio. Nesta ocasião, surgem inúmeros rios de pequeno porte, lagos e cachoeiras de regime intermitente. Associados à origem destes corpos d´água intermitentes surgem os mais variados tipos de organismos aquáticos, peixes, insetos aquáticos, algas e plantas aquáticas. Esta diversidade biológica gradativamente desaparece nos períodos entre outubro e maio quando se inicia novo ciclo de chuva. O trabalho foi realizado em uma nascente de regime intermitente localizado na área experimental da Unidade II – Ciências Agrárias e Ambientais da Faculdade Católica do Tocantins, a 23 km de Palmas, localizado às margens da rodovia TO-050. Este novo trabalho dá continuidade a um projeto anterior, desenvolvido por Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. alunos do IV período do curso de graduação em Gestão Ambiental, no período de março a maio de 2012, período conhecido pela transição entre o período da chuva para a seca. Este novo projeto fecha um ciclo no período de setembro á novembro do mesmo ano, período conhecido pela transição entre o período de seca e chuva. Nestes dois períodos, é possível verificar uma variação pluviométrica que pode influenciar na qualidade da água, como pH, cor, turbidez, condutividade, oxigênio, e temperatura. Com a análise desses parâmetros compreendendo dois períodos do ano (seca e chuva), será possível comparar as alterações físico-químicas ocorridas durante o ano. Tal conhecimento acerca dos parâmetros físico-químicos do curso d'água em estudo é de grande importância para uma futura atividade de manejo ou análise de impacto, pois assim ter-se-á informações suficientes acerca das variações naturais que se possa comparar futuramente. O objetivo principal deste trabalho foi analisar as variações (entre os períodos de seca e cheia) de alguns parâmetros físico-químicos (pH, condutividade, cor, turbidez, temperatura e oxigênio dissolvido) da água de uma nascente intermitente localizada nas proximidades da cidade de Palmas, TO. A análise destes dados foi confrontada com dados coletados (umidade relativa do ar, temperatura ambiente e precipitação) da estação meteorológica localizada nas proximidades do local. 1. DESENVOLVIMENTO 1.1 Qualidade da água As características da qualidade das águas derivam dos ambientes naturais e antrópicos onde se originam, circulam, percolam ou ficam estocadas (REBOUÇAS, 2002). A variação do nível de água provoca uma série de transformações nas características limnológicas dos corpos d'água. Dentre as principais variáveis físicoquímicas que são utilizadas para medir alterações nos corpos d'água, destacam-se a condutividade, a turbidez, o pH, oxigênio dissolvido, entre outros. A grande disponibilidade de água significa que ela está presente não somente em quantidade adequada em uma dada região, mas também, que sua qualidade é satisfatória para suprir as necessidades de uma determinada quantidade de seres vivos, sendo fundamental que os recursos hídricos apresentem condições físicas e químicas adequadas para utilização pelos organismos (BRAGA et. al., 2002). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 1.2 Alteração natural nos recursos hídricos A qualidade da água, segundo Bonnet (2005) pode ser alterada por causas naturais que ao longo do tempo levam os ecossistemas aquáticos a incorporarem diferentes substâncias, sem nenhuma contribuição antrópica, mas que podem afetar a sua constituição e as finalidades de seu uso. Entretanto, outros materiais lançados nos corpos hídricos pelas atividades humanas comprometem seriamente a qualidade das águas. A resolução 357/2005 do CONAMA determina que o conjunto de parâmetros de qualidade de água selecionado para subsidiar a avaliação de um corpo hídrico deverá ser monitorado periodicamente, considerando também os parâmetros para os quais haja suspeita de presença ou alteração de determinados componentes que indicam alterações prejudiciais ao meio ambiente. O conceito de desenvolvimento sustentável, já discutido, prevê que os recursos naturais renováveis sejam utilizados de forma a não limitarem sua disponibilidade para as futuras gerações. Portanto, um dos maiores desafios a enfrentar no futuro para alcançar o desenvolvimento sustentável será minimizar os efeitos da escassez da água (sazonal ou não) e da população, particulares nos países em desenvolvimento, bem como controlar os excessos, evitando inundações. (REBOUÇAS, 2002) 1.3 Rios e riachos intermitentes do Cerrado Rios e riachos intermitentes do Cerrado, embora sejam caracterizados como rios que deixam de apresentar água em seu canal durante um período do ano, quando apresentam água, os rios intermitentes possuem papel ecológico e hidrológico semelhante aos rios perenes por direcionar água, nutrientes e sedimentos através da bacia hidrográfica. Somam-se a isso, muitos organismos aquáticos que possuem adaptações específicas em respostas a estas variações sazonais de quantidade e qualidade de água. Em regiões áridas, semiáridas e de Cerrado, riachos efêmeros e intermitentes fornecem grande parte da relação ecológica e hidrológica em uma paisagem. Mesmo sem fluxo perene, rios e riachos intermitentes podem constituir uma grande porcentagem da rede de fluxo em uma bacia hidrográfica, pois, estão ligados a um sistema hídrico de maior fluxo (LEVICK et. al. 2008) Ainda, segundo Levick (2008), perturbações ou perdas de riachos efêmeros e intermitentes promovem impactos físicos, biológicos e químicos, que são evidentes a partir de regiões mais altas para as áreas ciliares e cursos de córregos da bacia hidrográfica em um nível inferior. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 1.4 O Bioma Cerrado Segundo informações do MMA (Ministério do Meio Ambiente) no ano de 2012, o Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade. Graças a sua geografia de planaltos na porção central no Brasil marcada por uma vegetação de raízes profundas, o Cerrado é uma das mais importantes fontes de água para o país. O clima típico do Cerrado é definido como Tropical Sazonal. Ou seja, ao longo do ano são registradas duas estações bem distintas: a seca, período entre maio a setembro e o período das chuvas que se estende de outubro a abril. Embora o Cerrado seja um bioma altamente diverso em paisagens e espécies da flora e da fauna, ainda há carência de estudos voltados à identificação de espécies com potencial econômico, à elaboração de planos de manejos para espécies exploradas e à caracterização da dinâmica do extrativismo vegetal. Num cenário de desmatamento acelerado e de poucas áreas protegidas em Unidades de Conservação (IBAMA, 2006, apud PARRON et. al., 2008). 1.5 Características físicas, químicas e biológicas. A água pura, praticamente não existe na natureza. De um modo geral, ela contém impurezas, as quais podem estar presentes em maior ou menor quantidade, dependendo da sua procedência e dos usos que se faz da mesma. Para o uso da água são exigidos limites máximos de impurezas que a mesma pode conter. Esses limites quando estabelecidos por organismos oficiais, são chamados de padrões de qualidade. Assim, as exigências para água destinada ao consumo humano são diferentes das relativas às águas a serem usadas para recreação e irrigação, dentre outras. A classificação dos corpos de águas superficiais, no Brasil, foi estabelecida pela Resolução Conama n. 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA, 2005). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 1.5.1 Parâmetros físicos da água analisados. Segundo Borges (2006), condutividade elétrica mede a mobilidade dos íons em solução, onde está não é específica, não diferencia os íons e depende da concentração destes. A análise de condutividade pode ser feita através do método eletrométrico, utilizando para isso um condutivímetro digital no qual sua unidade de trabalho derivada do SI em microsiemens por centímetro µS/cm. A turbidez em água é devida à presença de materiais em suspensão de diversos tamanhos e composições. Segundo Peixoto (2007), a presença destes materiais em suspensão numa amostra de água causa a dispersão e a absorção da luz que atravessa a amostra, em lugar da sua transmissão em linha reta. A turbidez é a expressão desta propriedade óptica e é indicada através da unidade inglesa NTU (UNTUnidades Nefelométrica de Turbidez). Segundo a resolução do CONAMA n. 357, de 17 de março de 2005, a turbidez pode assumir vários padrões para as classes de água doce variando de 40 UNT a 100 UNT. A cor resulta da existência, na água, de substâncias em solução; pode ser causada pelo ferro ou manganês, pela decomposição da matéria orgânica da água, principalmente vegetais, pelas algas ou pela introdução de esgotos industriais e domésticos. Padrão de potabilidade intensidade de cor deverá ser inferior a 5 unidades. A temperatura mede a intensidade de calor e é um parâmetro importante, pois, influi em algumas propriedades da água (densidade, viscosidade, oxigênio dissolvido), com reflexos sobre a vida aquática. A temperatura pode variar em função de fontes naturais (energia solar) e fontes antropogênicas (despejos industriais e águas de resfriamento de máquinas). 1.5.2 Parâmetros químicos da água analisados O pH é um termo que representa a alcalinidade, acidez e neutralidade de alguma solução líquida, e que significa o potencial hidrogeniônico. Segundo Peixoto (2007), pH pode ser definido como a relação numérica que expressa o equilíbrio entre os íons H+ e os OH, e a escala de pH varia de 0 a 14, e onde 7 representa a neutralidade, valores >7 representam alcalinidade, e <7 representam acidez. A resolução do CONAMA n. 357, de 17 de março de 2005, seção II, artigo 14, inciso I, determina que o padrão de qualidade de águas doces classe I, II, III estão em torno de 6,0 a 9,0. A concentração de oxigênio dissolvido em água, segundo Benedetti e Fiorucci (2005), se deve principalmente a solubilidade do oxigênio em água, e sua disponibilidade se deve a difusão com atmosfera e a fotossíntese biológica e as perdas Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. são devidas ao consumo na decomposição da matéria orgânica. Segundo Baird (2002), para se evitar corrosões, nas redes de abastecimento de água potável a quantidade mínima de oxigênio dissolvido deve ser >2,5 mg/L. 1.6 Impactos que alteram a qualidade da água disponível A preocupação com a qualidade da água é relativamente recente. Com o crescimento populacional, acompanhado do desenvolvimento industrial e da intensificação das atividades urbanas, resultando numa maior utilização dos recursos hídricos, o fato da qualidade passou a ser importante. Quase todas as atividades do Homem, resultam na produção de resíduos, os quais são normalmente incorporados aos recursos hídricos causando sua poluição. Os recursos hídricos não podem ser considerados como ambientes isolados, mas associados a outros componentes do meio como um todo. Uma alteração em um dos meios podem causar modificações nos ambientes aquáticos tanto sob aspectos quantitativos como qualitativos. Os ambientes naturais meios bióticos (flora, fauna), e o meio físico (solo, água, ar) são alterados pelas ações humanas (meio antrópico) por outro lado, o meio antrópico sofre as consequências que ocorrem nos meios físico e biótico. 2 MATERIAL E MÉTODOS Os parâmetros escolhidos para análise semanal da água foram condutividade (µS) (Condutivímetro), temperatura (°C), concentração de oxigênio (mgO2/L) (YSI 550) (oxímetro), pH (pHmetro), turbidez (NTU) (Turbidímetro) e padrão de cor (UNC) (colorímetro). As medidas de condutividade, temperatura e oxigênio dissolvido foram obtidas in loco. Os demais parâmetros foram obtidos a partir das amostras de água (50 mL) coletadas num ponto de coleta. Após a coleta, as amostras de água foram transportadas até o laboratório de bioquímica da Faculdade Católica do Tocantins para análise imediata. Todos os parâmetros analisados foram obtidos em triplicata e antes de cada análise todos os equipamentos foram devidamente calibrados conforme especificações do fabricante. As análises dos parâmetros da água foram realizadas semanalmente a partir do dia 01/09/2012, e finalizadas no dia 01/11/2012. Posteriormente, parâmetros atmosféricos como umidade relativa do ar, índice pluviométrico e temperatura do ar foram obtidos a partir da estação meteorológica (HOBO U30 Station - GSM-TCP, Firmware Version:1.113) localizada no campus II, foram confrontados com os Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. parâmetros da água para melhor interpretação das variações dos parâmetros da água. 2.1 Caracterização do local de estudo O estudo foi realizado em uma nascente de regime intermitente localizada na área experimental da Unidade II – Ciências Agrárias e Ambientais da Faculdade Católica do Tocantins, a 23 km de Palmas. A área experimental está localizada às margens da rodovia TO-050, Loteamento Coqueirinho. Este um curso d'água é de 1ª ordem e deságua no rio principal Ribeirão Taquaruçu, importante rio para o abastecimento local e um dos principais da cidade. Figura 1 - Imagem de satélite da área de estudo. Fonte: Google Earth, 2012. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 Oxigênio dissolvido (OD) A variação da concentração do oxigênio no corpo hídrico sofreu influência do período do dia em que foram coletadas as amostras. Nota-se que na primeira (01/09) e a última coleta (01/11) apresentaram maiores valores, 7,63±0,06 e 7,93±0,12 respectivamente. Enquanto que as outras coletadas geralmente no fim da manhã permaneceram entre 3 e 5. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Figura 2 - Medida da concentração de oxigênio (O2 mg/L), período entre 01/09 e 01/11. Observa-se, que a concentração de oxigênio nas amostras coletadas no período matutino apresenta um menor índice de OD, pois este é o período em que o processo de fotossíntese na água ainda está se iniciando, já os maiores valores apresentados ocorreu provavelmente devido a maior concentração de OD no horário em que foram coletadas. Ou seja, as maiores concentrações de oxigênio são encontradas no período da tarde, pois, as algas atingem altas taxas de fotossíntese o que favorece a oxigenação da água. 3.2 Condutividade (µ/S) Ao realizar a análise da variação de condutividade (µ/S), pode-se perceber que a mesma variou entre 30 a 50 µS, Apenas a coleta do dia 29/09, chama atenção, pois foi possível perceber uma queda aos valores próximos a 21±3 µS (Figura 03). Figura 3 - Variação da condutividade no único ponto de coleta, período entre 01/09 e 01/11. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Uma provável explicação para a diminuição significativa de condutividade na 5ª coleta, do dia 29/09, seria a queimada que ocorreu nesse período e que pode ter sido a principal causa para esta queda acentuada no índice. Isto pode ser explicado pelo fato de que fuligem contendo carvão pode servir como sequestradores de íons da água, portanto fazendo com que a mesma diminua seu poder de condutividade. Outra provável explicação seria o fato da temperatura se encontrar mais baixa nesse dia em relação ao outros (25,3ºC), pois para Feitosa e Manoel Filho (2000), a condutividade da água tende a aumentar com a elevação da temperatura e com maior concentração de íons. 3.3 Turbidez (NTU) Durante o período de coleta, a turbidez apresentou leve aumento gradativo, partindo de níveis mínimos próximo de 6 NTU a níveis máximos de 8 NTU. Apenas na segunda coleta (04/09) a turbidez atingiu valores abaixo de 0,5 NTU (Figura 04). Figura 4 - Variação da turbidez (NTU) no período entre 01/09 e 01/11. Para explicar está disparidade ao se apresentar o baixo índice de turbidez, atenta-se ao fato de nesse período ainda não ter ocorrido precipitação, pois a ausência de chuva permite que a água fique mais clara. Já nas amostras finais, onde se observou um aumento na turbidez, cerca de 8 a 10 NTU, pode ser explicado devido a esse período já ter sido afetado pelos períodos de chuvas que se iniciavam, e intensificação dos ventos. A chuva carrega partículas e sedimentos para o fundo do corpo hídrico, já os ventos aumentam a turbulência. Conforme Daniely Crivel, apud Gimenes, (1999) as matérias suspensas de qualquer Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. natureza, presente em um corpo de água; sedimento, argila, barro, areia, matéria orgânica e inorgânica, organismos microscópicos e algas retiram aspectos cristalinos da água, deixando-a com uma aparência turva e opaca. 3.4 PH As análises do pH da água em todo o período variou entre 6,90±0,064 a 7,32±0,20. (Figura 05). Figura 5 - Variação do pH durante o período de 01/09 à 01/11. Como observado no gráfico acima, o parâmetro pH, foi um dos aqui analisados que apresentaram menores variações. Essas pequenas variações ocorridas podem ter sido ocasionadas por fatores naturais como, por exemplo, o processo de decomposição da matéria orgânica, que interfere diretamente os valores desse parâmetro e também interferência da temperatura, por conta das amostras em alguns dias terem sido coletadas em períodos diferentes, como foi dito por Silva, et al. 2010, ao pesquisar a variabilidade da qualidade de água na bacia hidrográfica do rio São Francisco e atividades antrópicas relacionadas que percebeu que alguns núcleos de altos valores de pH encontram-se onde ocorrem altos valores de temperatura, já mínimos valores de pH são percebidos nas amostras de temperatura mediana. 3.5 Cor (UNC) Inicialmente, o parâmetro cor a partir de valores em torno de 100 UNC seguiu um aumento até o início do mês de outubro atingindo valores máximos de 223,33±30,55 UNC, onde novamente declinou para valores próximo de 100 UNC. Já no final do mês de outubro, houve novo aumento (Figura 06). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Figura 6 - Variação da cor (UNC) da nascente durante o período de 01/09 a 01/11. Ao analisar os dois gráficos, Cor e Turbidez, percebe-se que as variações dos dois estão relacionadas. Suas variações ocorrem de forma semelhante, uma vez que aumenta ou diminui o padrão de turbidez, a mesma mudança ocorre no padrão de cor. Sendo que essas elevações são percebidas principalmente, logo após a queimada ocorrida no mês de setembro, pois a cor também é influenciada por materiais sólidos em suspensão (turbidez). Já o pico ocorrido em outubro, pode ter-se dado devido à chuva que se iniciava esse mês, porém vale ressaltar que essas variações nos parâmetros de turbidez e cor podem prejudicar o ambiente aquático, conforme observa Fritizsons et al. (2004). Em termos ambientais, a principal consequência da alteração da cor e turbidez num corpo d'água é a redução da penetração da luz solar e a consequente diminuição da taxa de fotossíntese, o que prejudica a taxa de oxigenação do meio principalmente em águas paradas ou mesmo em rios de baixa turbulência. 3.6 Variação diária do O² e pH O gráfico abaixo representa a variação de oxigênio e pH durante um único dia. Nota-se que ao nascer do sol até o final do dia a concentração de oxigênio aumenta gradativamente. Neste caso particular, a concentração de oxigênio variou de 3,08 a 8,2 mgO2/L (Figura 07). No caso do pH, este parâmetro não sofreu muita variação no decorrer do dia, permanecendo em torno de 7,5±0,32. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Figura 7 - Variação do pH e oxigênio dissolvido (OD) ocorridas em um dia (03/11). Percebe-se que no início do dia, a concentração de oxigênio cresce conforme a hora vai se aproximando das 12h, horário em que o sol atinge altas temperaturas e favorece a oxigenação devido ao processo de fotossíntese. Durante a tarde, devido à ocorrência de chuva, identificou-se uma queda na temperatura da água, diminuindo então a concentração de oxigênio dissolvido. Pode-se observar, que o PH não apresentou índices de muita variação, mantendo uma média de 07 a quase 08, o que seria normal para a região analisada. A queda registrada, após ás 12h, também pode estar relacionada com a chuva ocorrida neste horário, que colaborou com a diminuição da temperatura, pois está diretamente ligada ao parâmetro de pH. A temperatura caracteriza grande parte dos outros parâmetros físicos da água tais como a densidade, viscosidade, pressão de vapor e solubilidade dos gases dissolvidos (TUCCI, 2004). A temperatura é um importante fator modificador da qualidade da água, pela influência direta sobre o metabolismo dos organismos aquáticos e pela relação com os gases dissolvidos. Assim, os aumentos de temperatura diminuem as concentrações de oxigênio dissolvido, gás carbônico, pH e a viscosidade, entre outras propriedades (HAMMER,1979). 3.7 Variação da temperatura ambiente e da água ocorridas em um dia Observa-se que a temperatura ambiente apresentou mínimas de 26,5 e máximas de 33°C e a temperatura da água registrou mínimas de 26 e máximas 28,2°C. (Figura 09). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Figura 9 - Variação da temperatura ambiente ocorrida durante um dia (03/11). É possível identificar que todas as variações ocorridas na temperatura ambiente dão-se de maneira mais rápida em relação ao da água. Essa discrepância detectada explica-se pelo fato de que a água possui grande capacidade de controle térmico e por isso é boa condutora de calor e o vai perdendo aos poucos. Nota-se que após às 12h, devido ao fenômeno ocorrido (chuva) a temperatura ambiente diminui e consequentemente a temperatura da água, uma vez que ambas estão ligadas, ou seja, qualquer alteração ocorrida na primeira afetará diretamente a segunda. 3.8 Variação da temperatura ambiente e umidade relativa do ar (UR) coletada na estação meteorológica da Unidade II da FACTO. A temperatura não obteve altos índices de variação, é possível identificar apenas uma baixa no período de outubro, onde a temperatura atingiu uma média de 26Cº e uma máxima no mês de setembro, atingindo 31ºC. A umidade relativa (UR) variou mais significativamente, atingindo pontos máximos e mínimos, principalmente após o mês de agosto, porém é possível perceber que ambos estão variando relacionadamente. Estes dois parâmetros interferiram diretamente nos índices de variação da condutividade (µ/S) e pH, conforme analisados. (Figuras 10 e 11). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Figura 10 e 11 - Variação da temperatura ambiente (ºC) e umidade relativa (UR) durante o período de análise das coletas. 3.9 Índice de pluviosidade Identifica-se no mês de outubro que o índice de pluviosidade atinge cerca de 20 mm, por conta do período chuvoso que se inicia neste mês, anteriormente não é detectado nenhum índice de pluviosidade, pois a seca atinge esse período. Vale ressaltar que a variação no índice de pluviosidade identificado logo após o mês de outubro interferiu diretamente nos parâmetros de variação de cor (UNC), turbidez (NTU) e temperatura (ºC). (Figura 12). Figura 12 - Índice de pluviosidade coletados da estação meteorológica da Unidade II da FACTO, durante o período de coleta das amostras. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. CONCLUSÕES Os principais parâmetros analisados sujeitos às grandes variações entre os períodos de seca e chuva foram: cor da água (UNC), turbidez (NTU) e oxigênio dissolvido (OD). De acordo com as informações coletadas da estação meteorológica, localizada nas proximidades do local em estudo, os índices de pluviosidade identificados no início do período de chuva (outubro), foram os principais fatores contribuintes para as alterações ocorridas nos parâmetros citados acima. A supersaturação de oxigênio identificada pode ocasionar estresse oxidativo em peixes. A queimada ocorrida no mês de setembro interferiu diretamente no perfil de variação dos parâmetros de cor (UNC), turbidez (NTU) e condutividade (µ/S). Por isso a importância de analisar essas possíveis variações nos parâmetros físico-químicos do corpo hídrico em estudo, pois através das informações coletadas e dos resultados obtidos pós análise das amostras abrangendo as transições entre cheia e seca/seca e cheia, pode-se ter informações suficientes e imprescindíveis para uma futura atividade de manejo e monitoramento da área em estudo. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS BAIRD, C. e Cann, Michael. Química ambiental. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. BENEDETTI FILHO, Edemar; FIORUCCI, Antônio Rogério. A importância do oxigênio dissolvido em ecossistemas aquáticos. Química Nova na Escola, v.22, p. 10-16, 2005. Bookman, 2002. BORGES, P. P. Rastreabilidade em medições de condutividade eletrolítica. 2006. BONNET B.R.P. Relações entre a qualidade da água e uso do solo em bacias hidrográficas no Cerrado brasileiro: aspectos físicos e sociais e proposições de diretrizes. 95f. Tese. (Doutorado em Ciências Ambientais). Biblioteca UFT/TO. Palmas. 2012. BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; CONEJO, J. G. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Prentice Hall, 2002. CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n. 357 de 17 de março de 2 0 0 5 . B r a s í l i a , 2 0 0 5 . D i s p o n í v e l em:<http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf>. Acesso em: 21 set. 2012. FEITOSA, F. A. C.; MANOEL FILHO, J. Hidrologia: Conceitos e Aplicações. 2. Ed. Fortaleza: CPRM-REFO, LABHID-UFPE, 2000. FRITZONS, E.; HINDI, E.C.; MANTOVANI, L. E.; RIZZI, N. E. As alterações da qualidade de água do rio Capivari com o deflúvio: um instrumento de diagnóstico de qualidade ambiental. Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 8, n.4, p. 239248. 2003. GIMENES, Fabricia. A Poluição das Águas, São Paulo, 1999, p. 94. HAMMER, M. J. Sistemas de abastecimento de água e esgotos. Livros Técnicos e Científicos: Editora S.A. SP, 1979, 561p. PARRON, L. M.; AGUIAR, L. M. de.; DUBOC, E.; OLIVEIRA FILHO, E. C.; CAMARGO, A. J. A. de; AQUINO, F. de G. Cerrado: Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Sustentável. Planaltina-DF: Embrapa, 2008, p. 464. M i n i s t é r i o d o M e i o A m b i e n t e . D i s p o n í v e l e m : http://www.mma.gov.br/biomas/Cerrado>. Acesso em: 17 nov. 2012. PEIXOTO, João. Análises Físico-Químicas: Turbidez, Cor, pH, Temperatura, Alcalinidade e Dureza. Laboratório de Tecnologias Ambientais – MIEB, Universidade T é c n i c a d e L i s b o a , P o r t u g a l , 2 0 0 7 . D i s p o n í v e l em:<http://www.biologica.eng.uminho.pt/TAEL/downloads/analises/cor%20turbidez% 20ph%20t%20alcalinidade%20e%20dureza.pdf>. Acesso em: 20 set. 2012. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. SILVA, D. F.; GALVÌNCIO, J. D.; ALMEIDA, H. R. R. C. Variabilidade da qualidade de água na bacia hidrográfica do Rio São Francisco e atividades antrópicas relacionadas. Qualitas Revista Eletrônica ISSN 1677 4280 Vol. 9. N. 3 (2010). D i s p o n í v e l e m : <http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/687/496>. Acesso em: 27 set. 2012. TUCCI, C. E. M. Impactos da variabilidade climática e o uso do solo sobre os recursos hídricos. In: Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas – Câmara Temática de Recursos Hídricos, Brasília, maio, 2002. TUNDISI, J. G.; REBOUÇAS, A. C.; BRAGA, B. Água doce no Brasil: capital ecológica, uso e conservação. 3. ed. São Paulo: Escrituras, 2006. USO DE DIFERENTES PARTES DA PLANTA DA MANDIOCA NA PRODUÇÃO DE MUDAS Cicero Gomes de Sá¹ Lévero Soares Cordeiro¹ Paulo César André Durval¹ Rafael Pereira de Sousa¹ Cid Tacaoca Muraishi2 RESUMO O experimento foi conduzido na Fazenda São João, em Porto Nacional - TO, no ano agrícola 2012-13, em condições de sequeiro, em solo do tipo Latossolo VermelhoAmarelo (251 m de altitude, 10°25' S e 48°18' W), e no Laboratório de processamento de alimento da Faculdade Católica do Tocantins, Palmas, TO. Com o objetivo de verificar germinação em diferentes partes da mandioca: base, mediana, superior e ramificação, estudando os o efeito como: velocidade de germinação, Peso da Massa seca, peso da massa verde, altura das plantas. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, 4 tratamentos com 4 repetições. O plantio foi realizado em leiras, diretamente no solo, utilizando o espaçamento recomendado para cultura, e após 30 dias foram colhidos os materiais para obtenção dos resultados. Concluiu-se estatisticamente que o tratamento T1 foi superior quando avaliado a massa verde e a massa seca da parte aérea das plantas. PALAVRA CHAVE: Manihot esculenta Crantz. Manivas. Propagação. ABSTRACT The experiment was conducted at Fazenda São João in Porto Nacional - TO the agricultural year 2012-13, under rainfed conditions in soil type Oxisol (251 m altitude, 10 1 Acadêmicos do curso de Agronomia. Faculdade Católica do Tocantins – FACTO. Rodovia TO-050, L o t e a m e n t o C o q u e i r i n h o 2 ª E t a p a , L o t e 7 , C E P : 7 7 . 0 0 0 - 0 0 0 . P a l m a s - TO . E m a i l : [email protected], [email protected], [email protected], [email protected]. 2 Professor do curso de Agronomia. Faculdade católica do Tocantins – FACTO. Rodovia To-050, Loteamento Coqueirinho 2ª etapa, Lote 7, CEP: 77.000-000.Palmas-TO. Email: [email protected]. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. ° 25 'S and 48 ° 18 'W), is at the Laboratory of food processing of the Catholic Faculty of Tocantins, Palmas - TO. In order to check germination in different parts of cassava: base, median, and upper branch, studying the effect as speed of germination, dry weight mass, weight of green mass, plant height. The experimental design was randomized blocks, 4 treatments with 4 replications. Trees were planted in ridges, directly into the soil, using the recommended spacing for culture, and after 30 days were collected the materials for obtaining results. Statistically it was concluded that treatment T1 was rated higher when the green mass and dry mass of the shoots. KEYWORD: Manihot esculenta Crantz, Cuttings, Propagation.historical portrait of the General Law of Micro and Small Enterprises, considered the most important public policy of encouraging small business, highlighting its characteristics and main contributions. In addressing competitiveness, we treat the concepts and theoretical approaches related to this issue, highlighting a reinterpretation INTRODUÇÃO Originária da América do Sul, a mandioca (Manihot esculenta Crantz) constitui um dos principais alimentos energéticos para mais de 700 milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento. Mais de 100 países produzem mandioca, sendo que o Brasil participa com 10% da produção mundial, é o segundo maior produtor do mundo. (EMBRAPA, 2003). O plantio da mandioca é realizado com manivas ou manivas-sementes, também denominadas manaíba ou toletes ou rebolos, que são partes das hastes ou ramas do terço médio da planta, com mais ou menos 20 cm de comprimento e com 5 a 7 gemas. Devido a multiplicação vegetativa a seleção das ramas e o preparo das manivas são pontos importantes para o sucesso da plantação (RIMOLDI et al., 2003). As cultivares de mandioca podem apresentar adaptação específica a determinadas regiões e dificilmente uma mesma cultivar se comporta de forma semelhante em todos os ecossistemas podendo ocorrer variações nos teores de fibra, produtividade de raiz, entre outros. Com base nessas considerações, o presente trabalho teve por objetivo avaliar dez clones de mandioca cultivados no Estado Roraima quanto a algumas características morfológicas e agronômicas na raiz (FUKUDA, 2005). A seleção e preparo do material de plantio são determinantes para um ótimo desenvolvimento da cultura da mandioca, resultando em aumento de produção com pequenos custos. Nesta fase alguns aspectos de ordem fitossanitária e agronômica Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. devem ser considerados. Dentro do aspecto fitossanitário vale ressaltar que o material de plantio deve estar sadio, ou seja, livre de pragas e doenças, considerando que a disseminação de patógenos é maior nas culturas propagadas vegetativamente do que nas espécies propagadas por meio de sementes sexuais. Sendo necessário, entretanto, inspeção constante da área com o plantio de onde serão retiradas as ramas para avaliar sua sanidade. Devendo ser evitados mandiocais com alta ocorrência de bacteriose, broca da haste, ácaros, percevejo de renda, ou que sofreram granizos ou geadas (EMBRAPA, 2003). O Brasil é considerado o possível centro de origem e diversificação da espécie Manihot esculenta, ocupando uma área de 2,4 milhões de hectares, com produção de 26,7 milhões de toneladas de raízes frescas. No Estado de Roraima, a cultura tem se mostrado bastante promissora, principalmente para pequenos e médios produtores, onde são cultivados 5.800 ha, com rendimento médio de 13.309 kg ha-1 (IBGE, 2006). O aumento da produtividade das lavouras de mandioca está intimamente ligado a fatores que aparentemente podem não exercer grandes influências no rendimento da cultura, como é o caso do teor de fibras dietéticas presentes nas raízes de mandioca. As raízes de mandioca são ricas em fibras dietéticas, isso tem despertado um grande interesse da comunidade científica mundial pelas pesquisas relacionadas às fibras dos alimentos (BARROS, 2004). Outro fator que exerce grande influência no rendimento da cultura é sua massa fresca e principalmente o número de raízes por planta. Nas indústrias de mandioca esses dois atributos também determinam o valor pago da matéria prima no momento da comercialização. A cor da polpa das raízes também é um fator determinante na comercialização das raízes. A coloração amarela da polpa das raízes pode estar relacionada à qualidade nutricional do produto, sendo a polpa amarela mais rica em carotenóides que são precursores da vitamina A importante para a alimentação humana e animal (SANTOS, 2001). As cultivares de mandioca podem apresentar adaptação específica a determinadas regiões e dificilmente uma mesma cultivar se comporta de forma semelhante em todos os ecossistemas podendo ocorrer variações nos teores de fibra, produtividade de raiz, entre outros. Com base nessas considerações, o presente trabalho teve por objetivo avaliar dez clones de mandioca cultivados no Estado Roraima quanto a algumas características morfológicas e agronômicas na raiz (FUKUDA, 2005). Segundo Souza (2000), entre os fatores determinantes de um ótimo desenvolvimento da mandioca estão as técnicas relacionadas com a seleção e preparo do material de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. plantio, as quais, se adequadamente executadas, implicarão em incremento da produção a custos menos onerosos. A seleção de ramas é uma das exigências fundamentais para o êxito da cultura. As ramas devem apresentar um ótimo estado fitossanitário e ser provenientes de lavouras sadias com idade entre 8 e 12 meses, época em que geralmente se encontram maduras, bem desenvolvidas e com diâmetro recomendado (2 a 3 cm) (BARROS, 2004). 1. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido na Fazenda São João, em Porto Nacional - TO, no ano agrícola 2012-13, em condições de sequeiro, em solo do tipo Latossolo (EMBRAPA, 1998) (251 m de altitude, 10°25' S e 48°18' W), e no laboratório de processamento de alimento da Faculdade Católica do Tocantins, em Palmas – TO. O delineamento experimental utilizado, foi de blocos ao acaso, com 4 tratamento sedo o tratamento 1, primeiro terço da base, tratamento 2, segundo terço mediano, o tratamento 3, terceiro terço superior do caule da planta, e o tratamento 4, as ramificação da planta,(galhos), e 4 repetições. O plantio foi realizado manualmente no dia 24/10/2013, foram feitas leiras de 30 cm de altura, posteriormente realizado a aberturas das covas nas leiras, com uma enxada, usando-se manivas sadias com o diâmetro de 15 à 32 mm, todas com 13 cm de comprimento de acordo com a cultivar utilizada (Argentina), colocadas horizontalmente no fundo das covas , que foram cobertas de terra, o espaçamento utilizado foi o recomendado para cultura. A coleta do material para analise foi realizada no dia 26/11/2013, feita manualmente utilizando uma enxada, e os materiais colhidos foram levados para o laboratório da Faculdade Católica do Tocantins, e analisada as variáveis como: velocidade de germinação, altura da planta, massa verde e massa seca. Para se obter a massa verde e massa seca, foi utilizado uma balança de precisão, depois a massa verde foi colocada na estufa com uma temperatura de 60°C, por 72 horas para obtenção da massa seca, a altura das plantas foram medidas com auxilio de uma fita métrica. Os dados como: Velocidades de germinação foram submetidas às análises de variância e realizados através do teste F e as médias comparadas ente si através do teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade, com auxilio do pacote estatístico ASSISTAT Versão 7.7 beta (FRANCISCO 2013). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 2. RESULTADOS E DISCUSSÕES Tabela 1- Análise de variância das avaliações realizadas: Velocidade de germinação (VG), Peso da Massa seca (PMS), Peso da Massa verde (PMV), Altura das plantas (AP). Tratamentos (VG) (dias) TRA 1 TRA 2 TRA 3 TRA 4 CV% 3,0 b 5,25 ab 5,0 ab 5,75 a 23,93 (MV) (kg) 14,25 a 8,0 b 9,25 b 7,25 b 27,08 (MS) (kg) 3,75 a 2,25 b 2,0 b 2,0 b 19,37 (AP) (cm) 14,12 a 14,42 a 11,82 a 12,02 a 28,81 As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Nos referidos tratamentos realizados, não ouve diferença significativa para (VG), bem como para (AP). Quando analisado o índice de massa verde e índice de massa seca, o tratamento 1 apresentou resultado significativa a nível de 5% de probabilidade, no qual foi utilizado manivas do terço basal da planta. CONCLUSÃO O experimento foi conduzido na Fazenda São João, em Porto Nacional - TO, no ano agrícola 2012-13, em condições de sequeiro, em solo do tipo Latossolo VermelhoAmarelo (251 m de altitude, 10°25' S e 48°18' W), e no Laboratório de processamento de alimento da Faculdade Católica do Tocantins, Palmas, TO. Com o objetivo de verificar germinação em diferentes partes da mandioca: base, mediana, superior e ramificação, estudando os o efeito como: velocidade de germinação, Peso da Massa seca, peso da massa verde, altura das plantas. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, 4 tratamentos com 4 repetições. O plantio foi realizado em leiras, diretamente no solo, utilizando o espaçamento recomendado para cultura, e após 30 dias foram colhidos os materiais para obtenção dos resultados. Concluiu-se estatisticamente que o tratamento T1 foi superior quando avaliada a massa verde e a massa seca da parte aérea das plantas. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSISTAT Versão 7.7 beta (2013) – Disponível em: <http://www.assistat.com>. Acesso em 11 de nov. 2013. BARROS, G. S. de C (coord.). Melhoria da competitividade da cadeia agroindustrial de mandioca no Estado de São Paulo. São Paulo: SEBRAE; Piracicaba, SP: ESALQ: CEPEA, 2004. 347p. EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA. Sistemas de Produção, 11 ISSN 16788796 Versão eletrônica Jan/2003. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mandioca/mandioca_tab costeiros/plantio.htm. Acesso em 11 de nov. 2013. FUKUDA, W. M. G. Desenvolvimento e Seleção de Variedades de Mandioca. In: XI Congresso Brasileiro de Mandioca. Campo Grande, 2005. Disponível em: <http://www.suct.ms.gov.br/mandioca/>. Acesso em: 21 set. 2006. IBGE. Disponível em: <http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/prevsaf/default>. Acesso em: 19 dez. 2006. RIMOLDI, F.; FILHO, P. S. V.; SCAPIM, C. A.; VIDIGAL, M. C. G. Avaliação de Cultivares de Mandioca nos Municípios de Maringá e de Rolândia no Estado do Paraná. Acta Scientiarum Agronomy, v. 25, n. 2, p. 459-465, 2003. SANTOS, A. Possibilidades e Perspectivas para a sustentabilidade do cultivo da mandioca no Planalto de Conquista. 2001. 124p. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável – Gestão e políticas ambientais) – Universidade de Brasília, Brasília. SOUZA, L. D.; SOUZA, L da. S. Escolha da área e preparo do solo. In: MATTOS, P. L. P de; GOMES, J de C. (Coord.). O cultivo da mandioca. Cruz das Almas, BA: Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2000. (Circular Técnica n. 37). p. 14-15. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. ARRANJO PRODUTIVO LOCAL (APL) DE LEITE E DERIVADOS NA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO -TO Marcos Aurélio Cavalcante Ayres¹ Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira ² RESUMO O surgimento de Arranjos Produtivos Locais – APL está sendo cada vez mais importante, especialmente para as Micros e Pequenas Empresas (MPEs), pois elas têm mais chances de permanecer no mercado, trabalhando em conjunto do isoladamente. Dentre os APL existentes no Estado do Tocantins, pode-se destacar o APL de leite e derivados da microrregião do Bico do Papagaio localizado no extremo norte do Estado, que surgiu no ano de 2004. Esse APL tem a participação dos municípios Augustinópolis, Araguatins, Axixá do Tocantins, Buriti do Tocantins, Cachoeirinha, Carrasco Bonito, Darcinópolis, Esperantina, Itaguatins, Luzinópolis e Tocantinópolis envolvendo cento e trinta e oito produtores. Esta pesquisa teve como finalidade analisar as interações envolvidas na governança do APL e seus impactos na solução de problemas relacionados à qualidade e comercialização dos produtos. Com os resultados obtidos por meio desta pesquisa bibliográfica e documental notou-se que a ausência da governança em um APL pode influenciar negativamente pelo fato da organização e o desenvolvimento dos trabalhos estarem diretamente ligados a ela. PALAVRAS CHAVE: Governança. Desenvolvimento. Produção. Leite. ABSTRACT The emergence of Local Productive Arrangements - APL is being increasingly important, especially for micro and small enterprises (MSEs), because they are more likely to stay in business by working together rather than alone. Among the APL in the State of Tocantins, we have the milk and derived from the micro-nozzle-Parrot located at Marcos Aurélio Cavalcante Ayres, Bacharel em Administração pela Faculdade Atenas Maranhense (2008). Docente da Faculdade do Bico do Papagaio e Mestrando em Gestão e Desenvolvimento Regional da Universidade de Taubaté. E-mail: [email protected] ² Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira, Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade do Vale do Paraíba (1985), Mestrado em Economia do Trabalho e da Tecnologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1991) e Doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica - Área de Organização Industrial pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1998). Professor Assistente Doutor da Universidade de Taubaté, atua como Coordenador de Programa de Pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu. E- mail: [email protected] Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. the north end of the state, which appeared in 2004. This APL has the participation of the following counties: Augustinópolis, Araguatins, Axixá do Tocantins, Buriti, Cachoeirinha, Carrasco Bonito, Darcinópolis, Esperantina, Itaguatins, Luzinópolis and Tocantinópolis involves one hundred thirty-eight producers. This research aimed to analyze the interactions involved in the governance of APL and its impact in solving problems related to quality and marketing. With the results obtained through literature search and document it was noted that the absence of governance in a cluster can have a negative influence because of the organization and development of the work was closely linked to it. KEYWORDS: Governance, Development, Production, Milk. INTRODUÇÃO As mudanças que estão ocorrendo na economia vêm mostrando as empresas que elas precisam buscar novas maneiras de se manter no mercado. As Micros e Pequenas empresas - MPEs são as mais afetadas nesse processo de mudanças. Diante disso, observa-se o surgimento dos Arranjos produtivos Locais (APLs). ALBAGLI e MACIEL (2002) destacam que a estratégia de organização produtiva das Micro e Pequenas Empresas-MPEs passa a representar uma alternativa viável para a solução dos diversos problemas de ineficiência e desafios que são enfrentados no ambiente organizacional, pois permite a elas enfrentar os grandes competidores e penetrar em novos mercados, ao mesmo tempo em que possibilita o fortalecimento da competitividade do território, sendo que estas novas configurações organizacionais podem ser caracterizadas pelo trabalho conjunto, pela confiança e cooperação, passando a ser uma resposta ao constante e crescente aumento da concorrência e competição empresarial. BARROS e MOREIRA (2006), destacam a importância da organização das MPE's. Sob o ponto de vista estratégico, o comportamento empreendedor é caracterizado pelo desenvolvimento de um elo entre a organização e o ambiente externo, quando se compõe uma rede de contatos e de inter-relações. Este posicionamento propicia respostas rápidas às situações de crise, flexibilidade na tomada de decisões e redução no tempo do processo de inovação. Os relacionamentos que são feitos por meio da organização horizontal em rede passam a contribuir para o fortalecimento do empreendimento e da pessoa do empreendedor e tornam-se como mais um fator de segurança nos momentos de incerteza. Ainda neste contexto das estruturas interorganizacionais em redes, a criação Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. do estabelecimento de alianças estratégicas e de cooperação pode tornar-se um diferencial de sucesso para os empreendimentos e um mecanismo de desenvolvimento da economia local. O APL de leite e derivados tem a participação de 138 famílias. Nos laticínios existentes, a produção consiste em leite pasteurizado e em pó, derivados como queijo mussarela, queijo coalho, iogurte, manteiga, doce de leite pasteurizado. O surgimento deste APL ocorreu pela necessidade e preocupação com a organização da cadeia produtiva do leite na região do Bico do Papagaio, tendo como parceiro o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas-SEBRAE, SEBRAE, RURUALTINS, SENAI, EMBRAPA, Sindicato das Indústrias de Leite e Derivados do Bico do Papagaio - SINDILEITE, além das prefeituras dos municípios e as entidades financiadoras. 1. CONCEPÇÕES TEÓRICAS SOBRE ARRANJO PRODUTIVO LOCAL-APL Faz-se necessário examinar os conceitos existentes na literatura sobre Arranjo Produtivo Local – APL, buscando identificar os fatores estruturais dessas aglomerações no que refere ao papel da governança, redes e capital social, demonstrando a importância desses para o fortalecimento e desempenho do APL. 1.1 Conceitos de APL Os Arranjos Produtivos Locais podem ser definidos como sendo aglomerações geográficas ou redes de empresas especializadas funcionando de maneira organizada, isto é, realizando interações e possuindo mecanismos de coordenação. Sem essa coordenação pode-se dizer que não há propriamente um arranjo produtivo, mas simplesmente uma aglomeração física de empresas mantendo encontros casuais. Nesse sentido, pode-se entender um arranjo produtivo como um elemento intangível dentro de uma aglomeração, ou de uma rede, identificado no padrão de cooperação e de relações estabelecidas entre os agentes produtivos (AMARAL FILHO, 2005). Arranjo produtivo local pode ser considerado como aglomeração, ou seja, quando em local (uma região) apresenta um grupo de empresas que tenham o mesmo interesse produtivo. Assim, o SEBRAE adota o seguinte conceito de arranjo produtivo: Arranjos produtivos locais são aglomerações de empresas, localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantém algum vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com os outros atores locais, tais como: governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. pesquisa. (SEBRAE, 2003). Arranjo Produtivo Local também tem um conceito que foi formulado por uma rede de pesquisa interdisciplinar, que existe desde 1997, tendo a sua sede no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e com a participação de várias universidades e institutos de pesquisa no Brasil, além de parcerias com outras instituições da América Latina, Europa e Ásia. Esta entidade é conhecida como RedeSist/UFRJ (Rede de Pesquisa em Arranjos Produtivos Inovativos Locais), e enfatiza que APLs “são aglomerações territoriais de agentes econômicos, com foco em um conjunto específico de atividades econômicas , que apresentam vínculos mesmo que incipientes”. Da mesma forma, os sistemas produtivos locais são aglomerações de empresas que tenham a mesma finalidade, ou interesse em comum. De acordo com a Redesist, sistemas produtivos locais são sistemas produtivos locais referem-se aos aglomerados de agentes econômicos, políticos e sociais, localizados em um mesmo território, que apresentam vínculos consistentes de articulação, interação, cooperação e aprendizagem. Incluem não apenas empresas produtoras de bens e serviços finais, fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de serviços, comercializadoras, clientes, etc. e suas variadas formas de representação e associação, mas também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas à formação e treinamento de recursos humanos, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, promoção e financiamento. Adota-se, ainda, o conceito de arranjos produtivos locais para referenciar aquelas aglomerações produtivas, cuja articulação entre os agentes locais não é suficientemente desenvolvida para caracterizá-las como sistemas. (ZOCCAL, 2006, p. 12). Segundo o glossário da Redesist (2005), alguns arranjos podem ser considerados ainda como aglomeração que pode ser produtiva, científica, tecnológica e/ou inovativa, tendo como aspecto central a proximidade territorial de atores econômicos, políticos e sociais (empresas e outras organizações públicas e privadas). A APL é uma forma importante, para as MPE's e produtores que enfrentam dificuldades e barreiras quando trabalham de forma isolada. É um modo de vencer a dificuldade de acesso a mercado, preços elevados na compra de insumos. É a formação de economias de aglomeração, ou seja, as vantagens fruto da proximidade geográfica dos atores, incluindo acesso a conhecimentos e capacitações, mão-de-obra especializada, matérias-primas e equipamentos, por exemplo. 1. 2 Principais agentes que integram o arranjo produtivo local de leite Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. A região possui a participação de vários atores considerados de suma importância que colaboram e ajudam no desenvolvimento deste APL. Produtores contando com um público de 138, trabalhando na produção do leite, sendo o papel destes produtores participarem das capacitações sobre a ordenha, manejo sanitário, tipo de armazenamento do leite, fornecer leite de boa qualidade e em quantidade para os laticínios. Além de serem unidades demonstrativas para os outros produtores existentes na região. O Governo do Estado através das Gerências de articulação e desenvolvimento da região da região do Bico do Papagaio, Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (AGERP), Ruraltins, Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Tocantins (AGED-TO) que participam ativamente do projeto, fornecendo mão-de-obra especializada nas áreas tecnológicas. O SEBRAE entra como órgão gestor, além de colaborador na área de capacitações e assistência técnica, está trabalhando juntamente com os produtores o Programa Balde Cheio. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SENAI, realiza atividades juntamente com as indústrias de leite de capacitações, atualmente estão implantando um “Programa de Qualidade para Lácteos”, e estão realizando workshop com a participação dos proprietários dos laticínios sobre a qualidade do leite. O Sindicato das Indústrias de laticínios do Estado do Tocantins - SINDILEITE trabalha diretamente com as indústrias de leite, fazendo o controle da qualidade do leite, controle da quantidade recebida e comercializada e realiza reuniões com os laticínios a cada seis meses. O Basa e Banco do Brasil são agências financiadoras, que deviam liberar os recursos para a produção leiteira. Esses recursos são oriundos, principalmente, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar- PRONAF custeio, investimento e agroindústria. O apoio da Universidade Estadual do Tocantins - UFT é imprescindível, pois essa tem uma base em Tocantinópolis e junto com a EMBRAPA (auxilia no programa Balde Cheio), que se localiza em São Paulo em São Carlos, auxilia na área de pesquisa, voltada para melhoria da pastagem e alimentação dos animais, objetivando ter um leite de melhor qualidade. A Associação de produtores precisa ser fortalecida, pois atualmente esta como suas atividades paradas por falta de organização. A Prefeitura de alguns municípios tem uma parceria mais voltada para a compra do leite que é ligado ao Programa Leite é Vida, e depois o leite é distribuído para as famílias de baixa renda, gestantes e crianças. Participa também juntamente com o SEBRAE no programa “Balde Cheio”. Observando a figura 1, pode-se perceber melhor como estão as relações entre os Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. atores envolvidos no APL de leite e derivados, as relações estão sendo mais pontuais como no caso da EMBRAPA, BASA, prefeitura e SEBRAE, que estão realizando trabalhos juntos por causa do programa Balde Cheio, que envolve atividades de assistência técnica, dias de campo, capacitações e inclusão de tecnologia para os produtores. Mas, é importante que tenha a criação da rede e que todos estes atores trabalhem de forma conjunta, tentando resolver os problemas existentes no APL, e que em cada ator participante do arranjo tenha a presença de um líder, para que juntos consigam trabalhar e desenvolver o APL. Quando houver uma governança no APL de leite e derivados paralelamente será feito o trabalho de fortalecimento da rede, sendo que serão trabalhadas as interações mais fracas e fortalecidas as já existentes. FIGURA 1 - Demonstração do mapa de inter-relação existente no APL de leite e derivados da região UFT Fraca Média Forte BNB E BASA Fonte: do autor Salientando no referencial teórico e de acordo com a Redesist (2005) que trata sobre governança corporativa, observando a rede existente no APL, percebe-se que não tem a existência de lideranças para que façam estas conexões entre os atores presentes no APL de leite e derivados da região, não podendo esquecer de tratar sobre o capital social e a questão da confiança, também tratados no referencial teórico, que são necessários para ter o fortalecimento da rede, pois se não houver uma confiança Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. entre as instituições não será possível fortalecer a rede e conseguir que haja o desenvolvimento do APL. 1.3 Dimensão e grau de interação entre os atores do APL Tratando sobre o planejamento de intervenção do APL de leite e derivados da região do Bico do Papagaio na tabela foi feito um estudo em relação às dimensões produtiva, ambiental, econômica financeira e social (Quadro 1). A legenda está explicando qual o nível de relação existente entre os atores, como por exemplo, quando se tem quatro dimensões existentes na relação entre Produtores x SINDILEITE, significa que a relação entre eles é forte, e quando mostrar a presença de três dimensões como na relação existente entre Produtores x AGED que a relação existente é classificada como média e assim sucessivamente, podendo encontrar relações fracas (com duas dimensões) e incipientes (só uma dimensão). QUADRO 1– Grau de relação entre os atores do APL de leite e derivados da SINDILEITE A+ P+ EF + S A+ EF P+ EF P+ EF + S A+ P+ EF + S A+ P+ EF A+ P+ EF + S A+ P+ EF + S P+ EF P+ EF A+ S A+ S A+ EF + S EF EF S S A+ SEBRAE P +EF SENAI A+ P+ EF + S P+ EF AGERP A+ P+ EF + S A+ EF A+ P+ S P+ S A+ P+ S A+ P+ EF + S A+ P+ S P+ S A+ P+ S A+ P+ EF + S A+ P+ EF + S A+ P+ EF + S A+ A+ P+ S Laticínios P P+ S A+ S A+ P+ S P+ EF + S A+ P+ EF + S S A+ EF + S P+ EF P+ S A+ P+ S P+ S A+ P+ S PREFEITURAS MUNICIPAIS A+ P+ EF + S A+ P+ EF + S AGED P A+ P+ S UFT A+ P+ EF + S BB A+ P+ EF + S BASA AGERP A+ P+ EF + S Laticínios SENAI A+ P+ EF + S AGED SEBRAE Produtores SINDILEITE Produtores . EMBRAPA região do Bico do Papagaio. A+ P+ S A+ P+ EF + S A+ P+ EF + S A+ P+ S A+ P+ S P+ S A+ S A+ S A+ S A+ S A+ S S A+ P+ EF + S A+ P+ EF + S A+ P A+ P+ S P Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. A+ P+ S A+ P+ EF + S A+ P+ S P UFT A+ EF + S A+ P+ S A+ P+ S A+ P P+ EF + S S P+ EF A+ P+ S A+ P+ S A+ P+ S A+ P+ EF + S A+ P+ S A+ P+ S P+ S P+ S P P P P P Prefeituras municipais EMBRAPA A+ P+ EF A+ P+ S P A EMBRAPA A+ P+ EF + S P PREFEITURAS MUNICIPAIS P+ EF UFT A+ P+ EF + S EF BB BB A+ P+ EF + S BASA A+ P+ S Laticínios A+ P+ EF + S AGED SEBRAE P+ EF AGERP SINDILEITE P+ EF SENAI Produtores P+ EF + S BASA A+ P+ EF + S P+ S A+ P+ S P+ S A+ P+ S P A+ S A SISTEMA DE REL. PROXIMIDADE IDENTIFICADO POR CORES FORTE = até 4dimensões P+S+EF+A OU... LEGENDA MÉDIA= até 3 dimensões P+S+A OU ... DIMENSÕES: SOCIAL-S FRACA= até 2 dimensões P+C OU.... AMBIENTAL-A INCIPIENTE= até 1 dimensão P OU.... ECON.FINANC-EF PRODUTIVA-P EM BRANCO NENHUMA RELAÇÃO NÃO PODE SE RELACIONAR COM ELE MESMO Fonte: elaborado pelo autor Dimensão produtiva: observa-se que têm muitas relações enfraquecidas, sendo que as dificuldades enfrentadas nestas relações é por não está havendo uma interação entre as instituições, falta de capacitações (manejo da criação de gado, alimentação adequada, higienização no momento da ordenha, métodos de conservação do produto e derivados). Problemas da qualidade do leite. Como solução é necessário que utilize as unidades de pesquisa, e que tenha as capacitações adequadas para os produtores e que seja feito de forma efetiva, e contínua, o acompanhamento e orientação aos produtores rurais, principalmente os de baixa renda. Elaboração de projetos para instituições sem fins lucrativos e financiadoras (BNB), visando a melhoria da infraestrutura existente e a melhoria do grau de conhecimento dos produtores. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Como soluções para a dimensão produtiva são: · Em relação às capacitações serão feitos cursos sobre manejo do rebanho, inseminação artificial, ordenha mecânica, higienização no processo de produção do leite, como fazer silagem e feno adequado para melhoria da qualidade do leite. Além disso, necessita ser feito atividades de campo, onde serão feitas práticas para que os produtores realmente entendam como tem que proceder para que possam ter uma melhoria do rebanho e da qualidade do leite. Algumas instituições como o SEBRAE, SENAI, AGERP, AGED e até mesmo a UFT podem fazer estas capacitações e deste modo pode-se estreitar ainda mais as relações. · Sobre a elaboração dos projetos eles devem ser voltados para melhoria da infraestrutura onde tem que ter a aquisição de máquinas e equipamentos, tanto para serem utilizados para ordenha mecânica, como para melhoria da estrutura das miniindústrias, para que fiquem de forma adequada para a produção dos derivados. Assim como citado anteriormente, algumas entidades também podem ajudar neste processo como AGERP, SEBRAE e a prefeitura (na pessoa da secretaria da agricultura e do meio ambiente). Dimensão ambiental: são poucas as relações fortalecidas. Para fortalecer estas relações, ou até mesmo fazer com que elas existam é necessário ser feito um trabalho juntamente com a UFT e as outras empresas que fazem capacitação (SEBRAE, SENAI). A AGED tem que fazer as fiscalizações nos laticínios, além de se fazer um trabalho envolvendo o SINDILEITE e os laticínios. Esta dimensão precisa ser bem trabalhada, pois para que o APL se desenvolva é necessário que as indústrias estejam seguindo as legislações não causando nenhum dano ambiental ou até prejuízo para a saúde dos funcionários e das famílias que moram perto do laticínio, funcionando de forma legalizada, também tem que seguir a legislação e normas da série ISO 14000 (trata sobre a gestão ambiental, para diminuir os impactos causados pelas empresas ao meio ambiente). Outro problema enfrentado pelas indústrias de laticínios é a emissão do subproduto como o soro (que sai do leite) em efluentes que causa grande poluição ambiental, se for lançado nos rios, lagos ou até mesmo ir para o lençol freático. Um dos problemas das usinas é utilizar madeira de forma ilegal, causando o desmatamento de forma indiscriminada. Como soluções para a dimensão ambiental são: · Primeiramente e assim como na dimensão produtiva é necessário que sejam feitos cursos de capacitação, principalmente nos laticínios, onde estas capacitações Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. serão direcionadas para a redução das perdas dentro do laticínio, aproveitamento dos resíduos, higienização, planejamento da linha de produção para reduzir perdas. Além de treinamento para os funcionários sobre a importância da utilização de todo o equipamento de segurança e higiene, evitando que haja uma perda do leite por falta de qualidade e manejo inadequado. Um dos atores que podem ajudar nesta fase de capacitações seria o SENAI e AGED; · Em relação ao problema da utilização de madeira de forma ilegal é importante que seja feito um trabalho, juntamente com as indústrias, para que seja construído um viveiro de mudas nativas, e que eles se comprometam a fazer o reflorestamento das áreas onde está sendo retirada a madeira; · Sobre o subproduto, o soro, que causa grande poluição, este deve ser utilizado na alimentação animal de forma in-natura, como também pode ser utilizado na indústria alimentícia animal e humana, química, cosmética e farmacêutica. Uma utilização viável e econômica também é o retorno do soro para que seja utilizado na fabricação de queijos. Caso seja lançado no ambiente o soro tem que passar por tratamento para não causar maiores danos ao meio ambiente. Neste caso, pode se trabalhar com as instituições de pesquisa como a UFT e até mesmo buscar fazer mais interações e o envolvimento com a EMBRAPA. A Dimensão econômico-financeira está bem enfraquecida, as conexões que necessitam ser mais trabalhadas são dos agentes financeiros com os produtores e laticínios. Um dos maiores problemas está ligado à dificuldade que os produtores e as empresas de laticínios têm de acessarem as linhas de crédito existentes nas agências financiadoras. Isso ocorre devido à burocracia ser muito grande, ou até mesmo pela falta de uma pessoa ou instituição que possa fazer este elo entre os produtores, laticínios e as instituições financiadoras. Dessa forma, a dimensão econômico-financeira acaba sendo complementar e se sobrepondo com a dimensão produtiva, pois também necessita que sejam elaborados projetos para aquisição de recursos, visando à melhoria desde a criação dos animais até mesmo a parte do beneficiamento do produto final, neste caso, o leite. Como solução é possível que: · Faça-se uma maior interação destes produtores e dos laticínios com as agências financeiras, através de reuniões onde estejam os produtores e as agências, para que sejam esclarecidos todos os problemas e como se pode tentar melhorar esta relação sendo necessário que haja mais projetos elaborados e aprovados. Nesta etapa de elaboração, pode-se contar com algumas entidades como a AGERP, ou até mesmo Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. AGED e algum técnico que tenha disponibilidade nas prefeituras municipais (da secretaria da agricultura). É importante a presença com o STTR e o SINDILEITE, que também podem ajudar a melhorar a relação com as agências financiadoras. A dimensão social está bem enfraquecida ou até mesmo inexistente. É necessário tentar fortalecer as relações principalmente entre os órgãos públicos como prefeitura, AGERP, AGED, além dos laticínios, o SINDILEITE, STTR e os produtores. Os principais problemas são: a carência na questão da saúde, educação, alimentação, nível de desemprego, onde não se têm programas adequados para a melhoria desses problemas. Podem-se propor como soluções as seguintes medidas: • Trabalhos diretamente com os produtores visando à melhoria da qualidade de vida, como se ter um programa de assistência social mais efetivo, que visite os produtores e faça um levantamento em relação a problemas com as crianças que estejam desnutridas, necessitem de dentistas. Sobre a educação que seja feita de forma mais efetiva e atenda as necessidades dos produtores e dos filhos destes produtores. Um trabalho viável seria a “educação no campo”, onde terá total respeito sobre o trabalho exercido pelos produtores e leva em consideração que às vezes os filhos precisam sair das aulas para poder ajudar os pais nas áreas de criação. Pode-se envolver para a realização destas atividades o SINDILEITE, a prefeitura do município, e até mesmo o STTR, onde eles podem trabalhar atividades de palestras de esclarecimentos para a população em relação à saúde, educação e a importância da melhoria da qualidade da alimentação. Em relação ao nível de desemprego pode ser feito um trabalho juntamente com os laticínios, onde as pessoas que trabalhariam nestes locais seriam os próprios produtores, após passarem por capacitações. As empresas que poderiam capacitar estes produtores seriam o SEBRAE e SENAR. CONCLUSÃO Com este artigo foi possível perceber como principais dificuldades enfrentadas pelo APL de leite e derivados da região do Bico do Papagaio, a inexistência de uma governança capaz de articular ações que promovam o desempenho do APL, em razão de não existir a presença de uma liderança que alavanque o APL e que as empresas ainda trabalham de forma isolada, pois não está acontecendo reuniões entre os produtores e as instituições existentes neste APL. Percebe-se que atualmente o problema da agroindústria do leite e derivados Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. está na base, em relação aos produtores de leite. Sendo, portanto, a falta de capacitações e assistência técnica um dos maiores problemas. Falta também a presença de lideranças nos atores para que possam realizar reuniões, sejam mensais ou quinzenais, com o objetivo de tentar resolver as dificuldades que aprecem no APL. Os produtores também estão trabalhando de forma isolada, passando a ter um maior custo na compra de insumos e comercialização dos produtores. Também se tem a presença de laticínios informais que está dificultando o desenvolvimento da bacia leiteira, pelo fato de boa parte da produção está nestes laticínios, fazendo com que os laticínios formais fiquem até mesmo com suas máquinas “ociosas” sem ter leite suficiente para trabalharem na sua máxima capacidade. A presença destes laticínios informais acaba por colocar no mercado alimentos com péssimas qualidades de higiene, ou contaminados, podendo ser um risco à saúde de quem consome este tipo de produto. Sendo o APL o conjunto de MPEs, estas devem trabalhar de forma cooperativa, pois se realizarem trabalhos isolados será mais difícil a sua sobrevivência no mercado. Por isso, tem que ser feito o resgate da APLESTO para que a mesma sirva de base de apoio para os produtores de leite. Assim como precisa ter um maior engajamento dos laticínios no SINDILEITE, pelo mesmo motivo da realização das atividades em conjunto, como compra de insumos e matéria-prima, e até a comercialização dos produtos. Como sugestões e recomendações para tentar amenizar estes problemas e para próximas pesquisas têm-se: A implantação da Câmara Setorial Temática que está em fase inicial, e as atividades que estão planejadas para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite da região do Bico do Papagaio. O trabalho feito pela câmara temática detectou-se todo o levantamento dos problemas existentes na região, os pontos positivos e negativos, o que se deve fazer para solucionar estes problemas, que são as instituições responsáveis pelo desenvolvimento dos trabalhos como curso de capacitação, infraestrutura dos laticínios e das fazendas, e quem serão os responsáveis por cobrar das instituições competentes (Governo estadual, prefeituras), as suas responsabilidades e que possam dar apoio para o desenvolvimento desta cadeia produtiva do leite e derivados da região do Bico do Papagaio. Levantamento de toda a cadeia produtiva do leite, desde a compra de insumos até a sua comercialização; aplicação de questionários baseados na Redesist, aos produtores rurais, laticínios, lojas de insumos, e locais de comercialização. Este Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. levantamento abrangeria toda a produção de leite, quantidade de animais, tamanho da área, manejo, tipo de organização, que capacitações estão recebendo, para quem estão vendendo, quais produtos estão sendo feitos, tipo de embalagem e preço; Foi sugerida pelo SEBRAE a possibilidade de se ter uma empresa âncora (neste caso um laticínio) em que seria feito todo o trabalho de governança, neste caso, está ligado à assistência técnica, capacitações e auxílio na comercialização. Esta empresa passaria a ser um modelo para as outras existentes na região, e para o desenvolvimento deste trabalho o pagamento seria feito parte pelo laticínio, parte pelos produtores e a última parte pela prefeitura da região; Tem que se trabalhar no APL a criação de uma marca para os produtos, que represente o APL de leite e derivados para que este possa ter “força” no mercado e possa ser reconhecido por sua qualidade. Desse modo, pode-se até mesmo diminuir a presença dos laticínios informais. Por outro lado, uma das prioridades para o Governo do Estado é criar o Núcleo do APL, que servirá como base de apoio para os APLs existentes no Maranhão e para os APLs que podem surgir, ajudando na área de capacitações, gestão e parcerias. É de grande importância para o Estado do Tocantins que ocorra o fortalecimento da Cadeia Produtiva do Leite. Se houver o incentivo do governo e a participação de todos os atores presentes no APL de leite e derivados da região será possível conseguir o desenvolvimento e fortalecimento deste APL, aumentando inclusive a quantidade de leite produzida por animal e também a qualidade do leite que é fornecida para os laticínios, agora por meio do manejo adequado dos animais, bem como melhor aproveitamento da área de pastagem. Para se conseguir este fortalecimento precisa ser trabalhada a questão da governança, ter um fortalecimento do mapa de inter-relação existente no APL, para que deste modo tenha-se um trabalho de forma conjunta, com presença de líderes e até mesmo exista a confiança entre os atores do APL. Somente assim será possível ter o real crescimento, desenvolvimento e reconhecimento do APL de leite e derivados da região, caso contrário, esse setor tende a ter grandes prejuízos. Acredita-se que com esse estudo, deu para se fazer uma melhor reflexão e que a partir dela possa se buscar alternativas que venham trazer resultados positivos para o maior desenvolvimento do arranjo produtivo local de leite e derivados do extremo norte do Estado do Tocantins. Para gerar o desenvolvimento do APL, torna-se necessário estruturar uma governança com capacidade de articulação, planejamento e desempenho para o Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. fomento de ações envolvendo o Arranjo Produtivo Local da região. Considera-se este, o principal problema detectado, há a carência de uma forte articulação, onde cada ator/agente sinta-se parte desse processo. Como consequência, comece a desenvolver um planejamento de forma clara, tomando conhecimento e definindo suas ações. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS ALBAGLI, Sarita; MACIEL, Maria Lucia. Capital social e empreendedorismo local. Proposição de políticas para a promoção de sistemas produtivos locais de micro, pequenas e medias empresas. Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2002 AMARAL FILHO, Jair do. Arranjo Produtivo Local: Moda ou Modo. Disponível em <www.ric.ufc.br/biblioteca/jair_l.pdf>. Acesso em: 23 de janeiro de 2012. BARROS, Francisco Sávio Oliveira; MOREIRA, Maria Vilma Coelho. A organização produtiva de micro e pequenas empresas no turismo: um estudo da região de Canoa Quebrada, CE. BASE – Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos. 3(2):150-163, maio/agosto 2006. Disponível em: <www.unisinos.br>. Acesso em: 03 de janeiro de 2012. GET - Governo do Estado do Tocantins, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE. Programa de promoção e desenvolvimento de arranjos produtivos locais do Maranhão - PAPL/TO. Plano de ação do arranjo do leite e derivados . Tocantins, 2010. MARTINS, M. C. Competividade da cadeia produtiva do leite no Brasil. Rev. Política Agrícola, ano 13, n. 3, p. 38-51, jul./set. 2004. MARTELETO, Regina Maria; SILVA, Antonio Braz de Oliveira e. Redes e capital social: o enfoque da informação para o desenvolvimento local. Ci. Inf., Brasília, v. 33, n. 3, p.41-49, set./dez. 2004. Disponível em < www.scielo.br>. Acesso em 11 dez. 2009. REDESIST/UFRJ. Rede de Pesquisa em Arranjos Produtivos Inovativos Locais. Disponível em: <www.redesist.ie.ufrj.br>. Acesso em: 3 janeiro, 2012. SEBRAE. Atuação do Sistema SEBRAE em APL. 2003. Disponível em: <www.df.sebrae.com.br>. Acesso em:2 de jan. de 2012. SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Diagnóstico dos laticínios das regiões pré-amazônica e Tocantins. 2008 SOUSA, Josiano César. Projeto Agroindústria de leite na região Tocantins. Planejamento de marketing. Realização do SEBRAE. 2009. INAGRO. Diagnostico do setor produtivo e industrial da atividade leiteira no Estado do Tocantins. Junho 2008. ZOCCAL, R. O volume de leite que precisamos. Juiz de Fora: Inf. Econ. Leite. v. 2, n. 2, 2006. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. MITOCHONDRIAL DNA POLYMORPHISM IN SIX ASTYANAX SPECIES (TELEOSTEI: CHARACIDAE) FROM THE UPPER PARANÁ AND RIBEIRA DE IGUAPE RIVER BASIN WITH PCR-RFLP. Allan Pierre Bonetti Pozzobon¹ Maria Eduarda Marreta¹ Cristina Yuri Honna¹ Patricia Pasquali Parise-Maltempi¹ Mariana Saragiotto da Silva Alves² Anderson Luis Alves³ ABSTRACT: The lack of a robust taxonomic key for the Astyanax genus, in addition to morphological variations in those populations, results in taxonomic and phylogenetic difficulties, making the genus a recognized polyphyletic clade with an underestimated number of species. Due to this problem, the development of conclusive taxonomic keys for the species of this genus is essential, making the molecular characters a good ally for this purpose. The present study intends to identify DNA polymorphism that could help to distinguish Astyanax species and characterize the through the analysis of PCR-RFLP of the complete mitochondrial DNA genes ATP synthase 6/8 (850pb) and Cytochrome b (1140pb). Six species of Astyanax were analysed: Astyanax paranae, A. altiparanae, A. fasciatus, A. bockmanni, A. biotae, from Upper Paraná river basin and A. ribeirae from Ribeira de Iguape river basin. The fragments were submitted to digestion with restriction enzymes BamHI, AluI, HindIII, HpaII and XbaI, in a search for specific fragment patterns. The polymorphism observed in the Cytochrome b gene with the combined use of the enzymes BamHI, AluI and HpaII were efficient to identify part of the largely distributed and abundant Astynax species of the Upper Paraná and the specie from the Ribeira de Iguape basin. These results suggest that the polymorphism of PCR-RFLP in mitochondrial genes could be an important additional ¹Laboratório de Citogenética, Departamento de Biologia, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP, Av. 24A, 1515, CEP 13506-900, Rio Claro, SP, Brazil. ²Faculdade Católica do Tocantins, FACTO, campus II, CEP 77061-002, Palmas, TO, Brazil. ³Embrapa Pesca e Aqüicultura, Quadra 104 Sul, Av. LO1, Conjunto 4, CEP 77020-020, Palmas, TO, Brazil. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. tool for help the taxonomic identification Astyanax species. KEYWORDS: Freshwater fish, mitochondrial-DNA, restriction enzymes, Brazilian basins, Astyanax. RESUMO: A falta de chaves taxonômica robustas para o gênero Astyanax, somada as variações morfológicas nessas populações, resulta em dificuldades filogenéticas e taxonômicas, fazendo com que o gênero seja um reconhecido clado polifilético com um número subestimado de espécies. Devido a essas questões, o desenvolvimento de chaves taxonômicas conclusivas para as espécies desse gênero são essências, fazendo com que os caracteres moleculares sejam bons aliados para esse propósito. O presente estudo tem a intenção de identificar polimorfismo de DNA que possa ajudar a distinguir e caracterizar as espécies de Astyanax, através da análise de PCR-RFLP dos genes de DNA mitocondrial completos, Atp synthase 6/8 (850pb) e Cytochrome b (1140pb). Seis espécies de Astyanax foram analisadas, são elas: Astyanax paranae, A. altiparanae, A. fasciatus, A. bockmanni e A. biotae da bacia do Alto rio Paraná e A. ribeirae da bacia de Ribeira de Iguape. Os fragmentos foram submetidos a digestão com as endonucleases BamHI, AluI, HindIII, HpaII e XbaI, na procura de padrões específicos de fragmentos. O polimorfismo observado no gene Cytochrome b com uso combinado das enzimas BamHI, AluI, HpaII foi eficiente para identificar parte das amplamente distribuídas e abundantes espécies de Astyanax do Alto Paraná e da espécie da bacia de Ribeira de Iguape. Esses resultados sugerem que o polimorfismo do PCR-RFLP em genes mitocondriais pode ser uma importante ferramenta adicional para ajudar a identificação taxonômica de espécies de Astyanax. PALAVRAS-CHAVES: Peixes de água doce. DNA- mitocondrial. Enzimas de restrição. Bacias brasileiras,. Astyanax. INTRODUCTION. In freshwater ecosystems, detailed knowledge about taxonomy and genetics of fishes become indispensable for rational exploitation, correct management of fish stocks and conservation of fishes. In specious genera such as Astyanax Baird and Girard 1854, one of the most significant representatives of the streams ichthyophauna of Neotropics, with approximately 100 valid species Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. (Lima et al. 2003; Haluch and Abilhoa, 2005; Melo and Buckup, 2006; Bertaco and Garutti, 2007), different species could have substantial variation in their response to environmental changes. For that reason, lower taxonomic levels are more accurate for assessing aquatic ecosystems. The Astyanax is a morphologically and meristically variable genus with no derived characters or synapomorphies that identifies the group (Melo and Buckup, 2006; Bertaco and Garutti, 2007; Vari and Castro, 2007). The current definition of Astyanax is based on a combination of characters (two rows of multicuspid teeth on the premaxilla with the inner premaxillary tooth row consisting of five teeth, a complete lateral line, and the caudal fin not covered by scales) proposed by Eigenmann (1917), however, many of these characters are shared with other genera of characids (Bertaco and Lucena, 2006; Vari and Castro, 2007). Polymorphism in mitochondrial and nuclear genes can be useful tools for a assist taxonomic identification at the species level where there is little discriminatory morphological variation (Perez and Garcia-Vasquez, 2004; Lin and Hwang, 2007, Mazumder and Alam, 2009, Rea et al. 2009). Molecular studies based on sequences analysis of partial cyt b gene (Strecker et al., 2004) and complete cyt b, 16S rRNA, coi, and rag-1 genes (Ornelas-Garcia et al., 2008) in the North and Central America, presented different taxonomic hypothesis, Strecker et al. (2004) suggest that Astyanax mexicanus Defilippi, 1853 would be synonymous of Astyanax fasciatus Cuvier, 1819. Ornelas-Garcia et. al. (2008) disagrees with this conclusion, for then, A. mexicanus has a restrict distribution in North and Central America, while A. fasciatus that was distributed in all Central America, was synonymies with others species being inserted in many groups, from different geographic places, with higher degree of differentiation among then, the authors exclude the presence of A. fasciatus in Central America, since the description of the specie was in the São Francisco basin/ Brazil, only the individuals of those localization should be named as A. fasciatus. PCR-RFLP of mitochondrial control region identified the occurrence of intraspecific variability in Astyanax species from Upper Paraná river basin: A. altiparanae Garutti and Britsky, 2000, A. fasciatus, A. scabripinnis paranae Eigenmann, 1914, A. shubarti Britsky, 1964, and São Francisco river basin: A. lacustris Lutken, 1875 in the work presented by Moysés and Almeida-Toledo (2002). However the restriction pattern found was not enough to identify Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. taxonomically the species of the genus Astyanax. 1. MATERIALS AND METHODS. We analyzed DNA polymorphism in six Astyanax species been five from the Upper Paraná river basin: A. altiparanae, A. biotae, A. bockmanni, A. paranae, A. fasciatus and one from Ribeira de Iguape river basin: A. ribeirae. Fifty four specimens of the six Astyanax species tested were collected by electrofishing or seining in three basin (Grande, Tietê e Paranapanema) of the Upper Paraná river basin and in the near coastal basin of Ribeira de Iguape (Brazil), details about the number of individuals of each specie and the collect sites are in Table 1 and Figure 1. Species River Basin A. altiparanae Pardo Invernada Paranapanema Tietê A. bockmanni Pardo Campo Novo N Coordinates 5 5 22°56’49.02”S 48°35’13.85”W 21º26´44.37’’S 50º02´53.59”W Paranapanema Tietê 5 5 Figure 1 - Map of the sampling area of the studied Astyanax River basin: a: A. altiparanae, b: A. bockmanni, A. fasciatus Mogi-Guaçu Grande c: A. fasciatus, 5 Itapetininga Paranapanema 4 for the Ribeira de Iguape river basin: f: A.ribeirae. 22°56’49.02”S 48°35’13.85”W 22°23’08.35’S 49°0’55.63’’W 21°50’08.01’’S species from the Upper Paraná 47°30’05.11”W d: A. paranae,48°02’51’’W e: A. biotae. and 23°35’08’’S 24°70’32.34’’S Ribeira de Iguape A. ribeirae Jacupiranga 10 48°13’20.93’’W Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Species River Basin N Coordinates A. biotae Paranapanema Paranapanema 5 22° 41’S 5 5 22°25’21.67”S 47°47’56.74”W 22°47’08’’S 48°22’16’’W A. paranae Canta Galo Cascatinha Tietê Tietê 52° 55’W Complete mitochondrial genes ATP synthase 6/8 (atpase 6/8, 840 bp) and Cytochrome b (cyt b, 1140bp) were PCR-amplified in 13ul reactions: 6.25 μL of PCR mix (Qiagen), 5.25 μL of Milli Q water, 0.5 μL of each primer 10 mM (R and F) and 1μL of DNA. Primers for the atpase 6/8 were: L8331 (5´- AAA GCR TYR GCC TTT TAA GC-3´) and H9236 (5´- GTT AGT GGT CAK GGG CTT GGR TC-3´), and for cyt b, GluDG.L (5´- TGA CCT GAA RAA CCA YCG TTG3´) and H16460 (5´-CGA YCT TCG GAT (http://striweb.si.edu/bermingham/research/primers). TAC PCR AAG ACC conditions for G-3´) both genes were the following: initial denaturation at 94°C for 2 minutes, followed by 35 cycles at 94°C for 45 seconds, 55°C for 45 sec. for annealing, 68°C for 90 seconds, with a final extension of 72°C for 5 min. PCR amplifications were digested with 5 restriction endonucleases: BamHI, AluI, HindIII, HpaII and XbaI. Digestion conditions were: 5μL of each PCR; 9μL of Milli Q water; 1μL of buffer and 1μL of enzyme, incubated for 12 hours at 37°C in the thermocycler. PCR-RFLP fragments were separated in 2% agarose gel stained with 1% SYBER Safe (Invitrogen). 2. RESULTS. The number of profiles for each enzyme varied from two profiles for ATPase 6/8 to three profiles for cyt b in the six species. The restriction enzymes XbaI and HpaII for the ATPase 6/8 and XbaI and HindIII for cyt b were either not present or invariant across taxa. Diagnostic profile for the species A. altiparanae was identified for the enzymes BamHI (650/200bp), AluI (650/200) and HindIII (800) digesting to ATPase 6/8 gene but no diagnostic profiles were found for other Astyanax species analyzed. For the cyt b diagnostic profiles can be made using a combination of two enzymes of the three available, because BamHI and HpaII generate diagnostic profiles for the same species. The enzyme BamHI generates two profiles one for A. altiparanae and A. ribeirae (1140 bp) and another (900/240 bp) for the remaining species (A. fasciatus, A. paranae, A. biotae and A. bockmanni) (Fig 2). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Figure 2 - Restriction fragments generated by the enzyme BamHI for the Cytochrome b gene, in the six studied Astyanax species. The enzyme HpaII, also generates two diagnostic profile for the same groups of BamHI but in a different way; the A. altiparanae/ A. ribeirae group keeps the profile (1140 bp), but we found intrapopulation polymorphism in A. altiparanae presenting 1000 bp or 1140 bp, the other group with the four remaining species (A. fasciatus, A. paranae, A. biotae and A. bockmanni) show a profile of 500 bp with another two small's fragments around 100 bp and 50 bp (Fig 3). Figure 3 - Restriction fragments generated by the enzymes HpaII for the Cytochrome b gene, in the six studied Astyanax species. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. The third AluI, was able to separate the six species in four diagnostic profiles: One for A. altiparanae (1140 bp), one for A. paranae and A. bockmanni (1000 bp), one for A. ribeirae (900 bp) and one for A. fasciatus and A. biotae (500 bp with two small's fragments around 250 bp and 150 bp) (Fig. 4). The profiles of A. ribeirae and A. paranae/ A. bockmanni are very near but any of the anterior enzymes separate those two groups. Figure 4 - Restriction fragments generated by the enzymes AluI for the Cytochrome b gene, in the six studied Astyanax species. In further analysis we have the cyt b gene, of those Astyanax species, sequenced, was used the “Webcutter 2.0” software from the website: http://rna.lundberg.gu.se/cutter2/ to see exactly where the restriction sites of the enzymes used in this paper are founded. The results showed that the evaluations made with the ladder in the agarose gel are accurate and the values are correspondents, as so confirming the upper results. RFLP analysis with endonucleases BamHI, AluI, HpaII and HindIII of the mitochondrial gene cyt b indicate this DNA method can be very suitable to distinguish among the most part of the species of the genus Astyanax analyzed. Digestion with endonucleases enzymes is an easily implemented and a low cost method to solve identification of freshwater fish species with high morphological similarity. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 3. DISCUSSION The PCR-RFLP amplification with BamHI, AluI and HpaII of the cyt b gene enabled the correct identification of two species, A. ribeirae and A. altiparanae, although the second species presents intra specific polymorphisms observed for HpaII enzyme (1000 and 1140pb) suggesting the presence of two mitochondrial haplotypes in this population and might be indicative of genetic polymorphism. Previous studies using RFLP with other set of endonucleases have found low intraspecific variability in A. altiparanae, A. fasciatus, A. lacustris, A. scabripinnis paranae and A. shubarti (Moysés and Almeida-Toledo, 2002) but they have not found diagnostic profiles for the different Astyanax species. The others four species was separated in two diagnostic profiles, one for A. fasciatus and A. biotae, and another one for A. paranae and A. bockmanni. The lack of separation of these four species is due the level of visualization of the agarose gel, it do not have the appropriate resolution for separate restriction fragment lower than 50 bp. In the BamHI gel we can see a subtle size polymorphism , being the A. paranae fragment estimated around 10 to 30 bp bigger than the A. bockmanni fragment. In the same figure (2), a similar profile is observed for A. fasciatus and A. biotae, a subtle polymorphism can be found being the A. biotae fragment estimated around 20 to 40 bp bigger than the A. fasciatus fragment; our analysis with the sequences confirm those results being the restriction site of the enzyme locate near, but not in the same place on the sequences for the four Astyanax species cited above. We estimated that the use of polyacrylamide, a higher level resolution gel, could separate these two groups of four Astyanax, because this kind of gel can separated fragments with less than 50 pb of differences. The identification of the species used in this work are made by morphological diagnostic characters, but Bertaco and Lucena (2006) call our attention for the use of the classification propose by Gery (1977), that identifies more than 60 species, this arrange makes the identification of species hard, because many of the diagnostic characters are shared with other genus from characid. Cytogenetic many times can help to solve problems like those but for the species used in this paper some of the diploid numbers are shared and some of the species presents more than one diploid number described. A. altiparanae presents 2N= 50 (Fernandes and Martins- Santos, 2004, Neto et al., 2009), A. ribeirae presents the same modal number, 2N= 50 (Kavalco et al., 2010) and this number is still found in A. paranae Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. (Maistro et al., 1998, Vicari et al., 2008), this last specie presents the greatest diversity showing yet 2N= 46 (Fernandes and Martins-Santos, 2005) and 2N= 48 (Alves and Martins-Santos, 2002, Abel et al., 2006). A. fasciatus also presents those two last diploids numbers cited, 2N= 46 (Pazza et al., 2006, Abel et al., 2006) and 2N= 48 (Medrado et al., 2008); A. bockmanni also have described two diploids numbers, 2N= 48 (Torres-Mariano and Morelli, 2008) and 2N= 50 (Kavalco et al., 2009). A. biotae still don't have their diploid number described. Among molecular markers, PCR-RFLP seems to be one of the most important to assist taxonomic problems. Other studies using this marker were also effective in the taxonomic identification of fish species, as Ishizaki et al. (2006), using 16S rRNA gene and the endonucleases, BamII, DdeI, and NlaIII generate RFLP patters capable to identify nine species of puffer fish present in the coastal area of Oknawa islands in Japan. In addition to the direct identification of species, the PCR-RFLP can also be used in forensic studies, through the identification of species involved in food items. A study performed by Lin and Hwang (2007) analyzed the cyt b gene and developed a rapid method of PCR-RFLP for species identification in canned tuna. Although they used only two small fragments of the gene (126bp and 146bp) combined with restriction enzymes Bsp1286I, HincII, RsaI, MboI and ScaI was possible to identify eight species present in canned tuna and, according to the authors, the PCR-RFLP does provide a useful and academic technique for identification of species. The cyt b gene proved to be an efficient marker; it has enough genetic variation in the Astyanax genera, once it has separate most of the species present in the Upper Paraná river basin and one from Ribeira de Iguape river basin according the polymorphism observed in this gene. The PCR-RFLP generate diagnostic profile for two Astyanax species and separate the remaining four in two probably group. 4. ACKNOWLEDGEMENTS. The authors are grateful to FAPESP (Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo, proc. n. 2007/58641-0), CAPES for providing financial support, Ricardo Briztke (UNESP, Botucatu) for the identification of the species and all the people in the UNESP, Rio Claro that help in the development of this paper. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERENCES. ABEL, L. D.S., MANTOVANI, M. & MOREIRA-FILHO, O. 2006. Chromosomal distribution of the As51 satellite DNA in two species complexes of the genus Astyanax (Pisces, Characidae). Genetics and Molecular Biology 29,3: 448-452. ALVES, A.L. & MARTINS-SANTOS, I.C. 2002. Cytogenetics studies in two populations of Astyanax scabripinnis (Teleostei, Characidae) with 2n=48 chromosomes. Cytologia, 67:117-122 BERTACO, V. & LUCENA, C.A.S. 2006. Two new species of Astyanax (Ostariophysi: Characiformes: Characidae) from eastern Brazil, with a synopsis of the Astyanax scabripinnis species complex. Neotropical Ichthyology, 4: 53-60. BERTACO, V. & GARUTTI, V. 2007. New Astyanax from the upper rio Tapajós drainage, Central Brazil (Characiformes: Characidae). Neotropical Ichthyology, 5: 25–30. EIGENMANN, C. H. 1917. The American Characidae. Part 1. Memoirs of Museum of Comparative Zoology, 43: 1-102. FERNADES C.A. & MARTINS-SANTOS I.C. 2004. Cytogenetic studies in two populations of Astyanax altiparanae (Pisces, Characiformes). Hereditas 141: 328_/332 FERNANDES, C. A. & I. C. MARTINS-SANTOS. 2005. Sympatric occurrence of three cytotypes and four morphological types of B chromosomes of Astyanax scabripinnis (Pisces, Characiformes) in the river Ivaí basin, state of Paraná, Brazil. Genetica, 124: 301-30. GÉRY, J. 1977. Characoids of the world. T. F. H. Publications, Inc., N. J. 672 p. HALUCH, C. F. & ABILHOA, V. 2005. Astyanax totae, a new characidae species (Teleostei: Characidae) from the upper rio Iguaçu basin, southeastern Brazil. Neotropical Ichthyology, 3: 383–388. ISHIZAKI, S., YOKOYAMA, Y., OSHIRO, N., TERUYA, N., NAGASHIMA, Y., SHIOMI, K. & WATABE, S. 2006. Molecular identification of pufferfish species using PCR amplification and restriction analysis of a segment of the 16S rRNA gene. Comparative Biochemistry and Physiology, 1: 139–144. KAVALCO K. F., PAZZA R.; ALMEIDA-TOLEDO L. F. 2009. Astyanax bockmanni Vari and Castro, 2007: an ambiguous karyotype in the Astyanax genus. Genetica 136:135–139. KAVALCO, K.F., PAZZA, R. ALMEIDA-TOLEDO, L.F. 2010. Molecular cytogenetics of Astyanax ribeirae (Telesotei, Characidae), an endemic characin of the Atlantic rainforest. Nucleus, 53(1-2), 51-54. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. LIMA, F. C. T. 2003. Genera Incertae Sedis in Characidae. In: REIS, R. E., KULLANDER, S. O. & FERRARIS JR., C. J. (Eds.), Check list of the freshwater fishes of South and Central America. Edipucrs, Porto Alegre, p. 106–169. LIN, W. F. & HWANG, D. F. 2007. Application of PCR-RFLP analysis on species identification of canned tuna. Food Control, 18: 1050–1057. MAISTRO, E. L., C. OLIVEIRA & F. FORESTI. 1998. Comparative cytogenetic and morphological analysis of Astyanax scabripinnis paranae (Pisces, Characidae, Tetragonopterinae). Genetics and Molecular Biology, 21: 201-206. MAZUMDER, S. K. & ALAM, M. D. S. 2009. High levels of genetic variability and differentiation in hilsa shad, Tenualosa ilisha (Clupeidae, Clupeiformes) populations revealed by PCR-RFLP analysis of the mitochondrial DNA D-loop region. Genetics and Molecular Biology, 32: 190–196. MEDRADO, A.S., FIGUEIREDO, V.A., WALDSCHMIDT, A.M., AFFONSO, P.R.A.M & CARNEIRO, P.L.S. 2008. Cytogenetic and morphological diversity in populations of Astyanax fasciatus (Teleostei; Characidae) from Brazilian northeastern river basins. Genetics and Molecular Biology 31,1 208-214. MELO, F. A. G. & BUCKUP, P. A. 2006. Astyanax henseli, a new name for Tetragonopterus aenus Hensel, 1870 from southern Brazil (Teleostei: Characiformes). Neotropical Ichthyology, 4: 45-52. MOYSÉS, C. B. & ALMEIDA-TOLEDO, L. F. 2002. Restriction fragment length polymorphisms of mitochondrial DNA among five freshwater fish species of the genus Astyanax (Pisces, Characidae). Genetics and Molecular Biology, 25: 401407. NETO, M.F., VICARI, M.R., CAMARGO, E.F., ARTONI, R.F. MOREIRA-FILHO, O. 2009. Comparative cytogenetics among populations of Astyanax altiparanae (Characiformes, Characidae, Incertae sedis). Genetics and Molecular Biology, 32, 4, 792-796. ORNELAS-GARCIA, C. P., DOMINGUEZ-DOMINGUEZ, O. & DOADRIO, I. 2008. Evolutionary history of the fish genus Astyanax Baird and Girard (1854) (Actinopterygii, Characidae) in Mesoamerica reveals multiple morphological homoplasies. BMC Evolutionary Biology, 8: 340p. PAZZA, R., KAVALCO, K.F. & BERTOLLO, L.A.C. 2006. Chromosome polymorphism in Astyanax fasciatus (Teleostei, Characidae). Karyotype analysis, Ag-NORs and mapping of the 18S and 5S ribosomal genes in sympatric karyotypes and their possible hybrid forms. Cytogenetic Genome Research 112:313-319. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. PEREZ, J. & GARCIA-VAZQUEZ, E. 2004. Genetic identification of 9 hake species for detection of commercial fraud. Journal of Food Protection, 67: 2792–2796. REA, S., STORANI, G., MASCARO, N., STOCCHI, R. & LOSCHI, A. R. 2009. Species identification in anchovy pastes from the market by PCR-RFLP technique. Food Control, 20: 515–520. STRECKER, U., FAUNDEZ, V. H. & WILKENS, H. 2004. Phylogeography of surface and cave Astyanax (Teleostei) from Central and North America based on cytochrome b sequence data. Molecular Phylogenetics and Evolution, 33: 469481. TORRES-MARIANO, A. R. & MORELLI, S. B. 2008. Chromosomes in a population of Astyanax eigenmanniorum (Characiformes, Characidae) from the Araguari River Basin (Uberlândia, MG, Brazil). Genetics and Molecular Biology, 31: 246-249. VARI, R. P. & CASTRO, R. M. C. 2007. New Species of Astyanax (Ostariophysi: Characiformes: Characidae) from the Upper Rio Paraná System, Brazil. Copeia, 1: 150-162. VICARI, M.R.; NOLETO R.B.; ARTONI, R.F.; MOREIRA-FILHO, O.; BERTOLLO, L.A.C. 2008. Comparative among species of the Astyanax scabripinnis complex. Evolutionary and biogeographical inferences. Genetics and Molecular Biology, 31,1: 173-179. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. A VISÃO COMTEMPORÂNEA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DA JUSTIÇA ELEITORAL SOBRE OS JULGAMENTOS DOS TRIBUNAIS DE CONTAS. Doris de Miranda Coutinho¹ Wilson Müller² RESUMO Este artigo jurídico aborda as previsões legais e o tratamento doutrinário e jurisprudencial dispensado às decisões dos Tribunais de Contas no que tange, especialmente, aos seus reflexos para fins de inelegibilidade. Busca esclarecer quais decisões das Cortes de Contas impedem a candidatura ou a posse no processo eleitoral. Sabe- se que, de acordo com a Constituição Federal, compete ao Tribunal de Contas emitir parecer prévio acerca das contas do chefe do Poder Executivo, bem como julgar as contas de gestão dos administradores e demais responsáveis por bens e valores públicos. Observou-se que até agosto de 2011, em relação aos chefes do Poder Executivo, o julgamento de contas pelo Tribunal de Contas, não configurava, até aquela data, por si só, causa de inelegibilidade. Outra conclusão revela que a Lei do Candidato Ficha Limpa tornou expresso que se aplica o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesas, sem exclusão de mandatários que houveram agido nessa condição. Verificou-se que o Supremo Tribunal Federal se posicionou sobre a constitucionalidade da nova norma. Aguarda-se da mesma Corte a análise de outros processos que definirão se os Prefeitos, Governadores e Presidentes da República, quando na função de ordenadores de despesas, estão sujeitos à inelegibilidade do artigo 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar n.64/90, considerando a redação da Lei do Candidato Ficha Limpa. PALAVRAS-CHAVE: Tribunal. Contas. Competências. 1 Conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, pós-graduada em Estratégia Política pela Fundação Universidade do Estado do Tocantins - UNITINS e em Gestão Pública com Ênfase em Controle Externo / FACINTER – FATEC. Email: [email protected] 2 Servidor público estadual, analista judiciário do Tribunal de Justiça do Tocantins, graduação em Direito pela Faculdade de Direito de São Carlos, pós-graduando em Gestão Pública com Ênfase em Controle Externo / FACINTER – FATEC. Assessor de Gabinete de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins. Email: [email protected] Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. ABSTRACT: This article speeches about the legal previsions and the doctrinaire and jurisprudential treatment given to the Audit Office decisions that speaks about ineligibility. Seeks to clarify what decisions of the Audit Offices don't permit the candidature or the entrance into office in the electoral process, because according to the Federal Constitution is the responsibility of this court emits previous opinion about the head of the executive power and also judge the management accounts and other officers responsible for public goods and public values. It was observed that until August 2011, in relation to the heads of the executive power, the judgment of accounts, by the Audit Office, didn't configure up to that date, by itself, an ineligibility motive. Other conclusion shows that the “Law of the Candidate Clean Record” is written that applies “the provision into the item II of the article 71 of the Federal Constitution, to all responsible to public expenses, including any other person responsible for this kind of expenses”. It was found that the Highest Federal Court agreed about the constitutionality of the new law. It is awaited from the highest court the analysis of the other cases that will define if the Mayors, governors and President of Republic, when they are authorizing officers, are subjected to the ineligibility of the first article, item I, subparagraph “g” of characteristics and main contributions. In addressing competitiveness, we treat the concepts and theoretical approaches related to this issue, highlighting a reinterpretation the Complementary Law number 64/90, considering the wording of the “Law of the Candidate Clean Record”. KEYWORDS: Court. Expenses. Jurisdiction. INTRODUÇÃO Este artigo jurídico aborda o tema controle externo da gestão pública, focado na análise das previsões legais e no tratamento doutrinário e jurisprudencial dispensado às duas espécies de atuações dos Tribunais de Contas previstas no artigo 71, incisos I e II da Constituição Federal. Busca esclarecer os efeitos das decisões das Cortes de Contas, já que de acordo com os citados dispositivos da Constituição Federal, compete a este órgão apreciar as contas do chefe do Poder Executivo, relativas ao exercício financeiro, por meio de parecer prévio, em auxilio ao Poder Legislativo, bem como lhe compete, dentre outros, julgar as contas de gestão dos administradores e demais responsáveis por bens e valores públicos. Trata-se de estudo baseado em doutrinas, legislação e jurisprudências Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. disponíveis “on line”, assim como na prática cotidiana inerente ao papel institucional e legal dos Tribunais de Contas. Os resultados da análise das decisões judiciais proferidas pelo Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal, instâncias máximas do Poder Judiciário brasileiro, desde 2006 até agosto de 2011, revelam que em relação aos Prefeitos, Governadores e Presidente da República, somente a rejeição de contas pelo Poder Legislativo (julgamento político) impediu a candidatura com base na Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar n.64/1990), enquanto que o julgamento de contas pelo Tribunal de Contas, não configurou, até julho do ano corrente, por si só, causa de inelegibilidade. Nesse sentido em fevereiro de 2012 o ministro Celso de Melo, do Supremo Tribunal Federal, na apreciação de pedido de concessão de medida cautelar, objeto da Reclamação n. 13.960, concedeu liminar para suspender os efeitos das decisões do Tribunal de Contas do Estado do Espirito Santo. Apesar de o Supremo Tribunal Federal já ter se posicionado em diversas deliberações no sentido de que o julgamento das contas do Chefe do Poder Executivo Municipal não compete aos Tribunais de Contas, mas à Câmara de Vereadores, tanto relativamente às contas anuais concernentes ao exercício financeiro quanto às contas de gestão (referentes à função de ordenador de despesas), em sentido contrário, em julho de 2013 o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal ao apreciar pedido de concessão de liminar objeto da Reclamação n.15.902, manteve os efeitos da decisão proferida pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás que rejeitou as contas de gestão relativas ao ano de 2012 do ex-prefeito de Mutunópolis. Segundo o Ministro, quando estiver atuando como ordenador de despesas, compete ao Tribunal de Contas o julgamento das contas dos prefeitos municipais, apurando a regular aplicação de recursos públicos, consoante o art. 71, inciso II, da CRFB/88. Em caso de inobservância dos preceitos legais, cabe à Corte de Contas aplicar as sanções devidas pela malversação de tais verbas. Como o STF ainda não julgou definitivamente questões quanto à fiscalização das contas políticas ou de governo, assim como também não analisou matéria referente à fiscalização das contas de gestão em que as Cortes de Contas examinam os atos dos ordenadores de despesas resta aguardar da mesma Suprema Corte a análise de outros processos e os novos pronunciamentos sobre a matéria pelo atual Colegiado, firmando um entendimento acerca da constitucionalidade da prática de julgamento pelos Tribunais de Contas dos atos de gestão dos Chefes do Poder Executivo, cuja orientação jurisprudencial, em consequência, definirá também se os Prefeitos, Governadores e Presidentes da República, quando na função de ordenadores de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. despesas, estão sujeitos à inelegibilidade do art. 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar n.64/90. Dessa forma, este estudo se justifica haja vista que é preciso conhecer a legislação, assim como a interpretação contemporânea dada às normas pelos Tribunais de Contas e pelo Poder Judiciário, em face da grande importância dos órgãos de Controle Externo no âmbito da estrutura do Estado brasileiro. Ademais a análise contribuirá para avaliar as conseqüências da rejeição de contas no âmbito do Direito Eleitoral, alicerce jurídico do regime democrático. 1. O CONTROLE DE CONTAS PELOS TRIBUNAIS ESPECIALIZADOS Buscando explicar este tema tão controvertido no âmbito judicial, inicio afirmando que os Tribunais de Contas são instituições de natureza constitucional com autonomia e independência administrativa, financeira e funcional, não estando subordinado a qualquer órgão, autoridade ou poder estatal, a não ser ao povo, titular de todo o poder do Estado. A tentativa de relegar os Tribunais de Contas a órgão auxiliar do Poder Legislativo e a órgão meramente administrativo é questão praticamente ultrapassada, que somente tem lugar em pronunciamentos de significativa obtusidade. Conforme o Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto (2003 p. 8): Não pode ser um tribunal tão-somente administrativo um órgão cujo regime jurídico é centralmente constitucional. É dizer: os Tribunais de Contas tem quase todo seu arcabouço normativo montado pelo próprio poder constituinte, assim no plano da sua função, como e das suas competências e atribuições e ainda quanto ao regime jurídico dos agentes que o formam. (...) A referência organizativo-operacional que a lei maior erige para os Tribunais de Contas não reside no Poder Legislativo, mas no Poder Judiciário. Por esclarecedor convém ainda citar trechos de artigo de Ives Gandra da Silva Martins, intitulado “A relevância dos Tribunais de Contas”, publicado na revista L & C – Revista de Administração Pública e Política, editora Consulex, edição n.141 (2010 p. 2), nestes termos que Quando dos trabalhos constituintes de 87/88, propugnei em meu livro Roteiro para uma Constituição (Forense, 1987), que os Tribunais deveriam fazer parte do Poder Judiciário, como um verdadeiro poder responsabilizador da Administração Pública. (...) A proposta encontrou séria oposição entre constituintes para os quais preparara o roteiro, mas o resultado foi ter outorgado a Constituição de 1988 poderes maiores aos Tribunais de Contas do que tinham até a promulgação daquela Lei Suprema. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Assim, atualmente têm por missão o controle externo técnico da Administração Pública, em paralelo ao controle político exercido pelo Legislativo, com competência fiscalizadora da aplicação dos recursos das entidades e órgãos públicos, bem como responsabilizadora dos mandatários da administração pública. Conforme decisão monocrática exarada no STF pelo citado Ministro aposentado Carlos Ayres Britto, do dia 15.09.1997, em processo no qual se discutiu o direito de ampla defesa nos autos de prestação de contas anuais de Governo de Estado (STF, Suspensão de Segurança n.1197)3, tal competência, em relação a certas matérias, limita-se ao auxílio técnico prestado ao Parlamento em decorrência de uma consciente opção política feita pelo legislador constituinte, enquanto que em relação a outras, a competência é privativa das Cortes de Contas. Tratam-se das funções opinativa e de julgamento dos Tribunais de Contas, previstas nos artigos 71, incisos I e II, da Constituição Federal. No exercício da função opinativa o Tribunal emite parecer prévio sobre as contas do Chefe do Executivo (artigo 71, I, da Constituição Federal), sendo de competência do Poder Legislativo julgá-las (artigo 49, IX, da CF), enquanto que no exercício de sua função de natureza jurisdicional o Tribunal julga as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos e daqueles que derem causa a perda, extravio e outras irregularidades que resulte prejuízo ao erário (artigo 71, II, da CF). Sobre o tema, Edson de Resende Castro (2006, p. 55) afirma que quando o Prefeito, o Governador ou o Presidente distribuem as verbas orçamentárias entre os diversos órgãos da Administração para o desenvolvimento das ações, se está gerindo o orçamento, cumprindo a vontade manifestada pelo legislador na Lei Orçamentária, daí agindo tipicamente como Agente Político. No que tange a essa atividade, de distribuição do orçamento, o Tribunal de Contas, à luz da Constituição Federal (artigo 71, inciso I) emite um “Parecer Prévio” de natureza opinativa a ser submetido à apreciação do Poder Legislativo, a quem compete julgar politicamente o Agente Político, no que diz respeito à aplicação do orçamento com observância aos índices constitucionais. Já a outra missão constitucional anteriormente mencionada (artigo 71, inciso II, da CF/88), refere-se acerca da competência privativa de julgar os atos administrativos de gestão praticados por todos aqueles que por determinação legal ou delegação de competência, gerenciam dinheiro público, na qualidade de ordenadores de despesas, bem como daqueles responsáveis pela execução de convênios, posto Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. que também é atividade de realização de despesas. Consultas realizadas aos sites de vários Tribunais de Contas, dentre eles do Estado do Tocantins, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraíba, Minas Gerais, Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará e Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás, evidenciaram que nos casos dos prefeitos que acumulam as incumbências de governo com as de administrador, há a incidência das duas funções do Tribunal de Contas: emissão de parecer prévio sobre as contas anuais relativas ao exercício financeiro e julgamento das contas de gestão. Da pesquisa realizada sobre as normas internas desses órgãos fiscalizadores a exemplo do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (Instrução Normativa n.02/2013), Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (Decisão Normativa n.06/2008, alterada pela Decisão Normativa n.11/2013) e Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso (Decisão Normativa n.17/2010), se observa algumas iniciativas de definição de critérios preestabelecidos para fins de emissão de 'parecer prévio' e 'julgamento' de contas de ordenadores de despesas, podendo citar como fatores determinantes de rejeição e irregularidade das contas, dentre outras, as seguintes ocorrências: I - não aplicação do percentual mínimo de 25% das receitas de impostos em ações relacionadas à manutenção e desenvolvimento do ensino; II - não aplicação do percentual mínimo de 12% pelo Estado, e de 15% pelos Municípios, do produto da arrecadação de impostos, em ações e serviços públicos de saúde; III - não aplicação de pelo menos 60% dos recursos do FUNDEB – Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, em remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício; IV - déficit de execução orçamentária; V - déficit financeiro; VI – contrair obrigações de despesa, nos dois últimos quadrimestres do mandato, que não tenha sido cumprida integralmente no referido período, ou deixar parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem a suficiente disponibilidade de caixa (art. 42, parágrafo único da Lei Complementar n.101/00); VII - descumprimento do limite legal das despesas com pessoal do Poder Executivo, sem a adoção das medidas de recondução, quando for o caso (art. 20 da LC n.101/00). Pode-se afirmar que os motivos da emissão de 'Parecer Prévio' pela rejeição das contas, assim como o julgamento pela irregularidade, na maior parte das vezes, são Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. vícios insanáveis, posto que durante o processo de exame das mesmas é oportunizado à parte se defender das impugnações que lhes são atribuídas, sendo considerado pelo órgão de controle externo, como fatores determinantes para emissão de parecer prévio pela rejeição ou julgamento pela irregularidade, fatos graves avaliados no contexto dos resultados obtidos no exercício e dos atos de gestão praticados durante a gestão. 2. DA INELEGIBILIDADE PREVISTA NO ART. 1°, INCISO I, ALÍNEA “G” DA LEI COMPLEMENTAR N. 64/90. Uma das causas de inelegibilidade é decorrente do art. 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar n.64/90, cujo dispositivo, com a nova redação dada pela Lei do Candidato Ficha Limpa, prevê a hipótese de inelegibilidade decorrente da decisão de rejeição das contas relativas ao exercício de cargo ou função pública, pelo Tribunal de Contas, apresentadas pelo agente político e/ou de ordenador de despesas. Neste contexto, ganha relevo a consequência eleitoral decorrente dos julgamentos das contas anuais de gestão atinentes à função de ordenador de despesas, proferidos pelo Tribunal de Contas, consistente na possível declaração de inelegibilidade do gestor pela Justiça Eleitoral, conforme previsão contida no artigo 1º, I, “g”, da Lei Complementar n. 64/1990 (Lei de Inelegibilidade). A redação original (anterior ao texto acrescido pela nova Lei Complementar n.135/2010), já previa que Art. 1º. São inelegíveis: I – para qualquer cargo: g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se a questão houver sido ou estiver sendo submetida à apreciação do Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 5 (cinco) anos seguintes, contados da data da decisão. Com a redação dada pela Lei Complementar n. 135/2010 (Lei do Candidato Ficha Limpa), a prescrição do dispositivo foi ampliada, passando a vigorar com o seguinte teor: Art. 1º São inelegíveis: I – para qualquer cargo: g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesas, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição (Grifos nossos). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Para a aplicabilidade da referida norma as Cortes de Contas informam à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público Eleitoral a relação de nomes de responsáveis que tiveram contas julgadas irregulares. Trata-se de obrigação prevista no artigo 11, §5º, da Lei n. 9.504/97 (Lei das Eleições), no sentido de que até o dia 05 de julho do ano em que se realizarem as eleições os Tribunais e Conselhos de Contas deverão tornar disponíveis à Justiça Eleitoral relação dos que tiveram suas contas relativas ao exercício de cargos ou função públicas rejeitadas por irregularidades insanáveis e por decisão irrecorrível do órgão competente, ressalvados os casos em que a questão estiver sendo submetida à apreciação do Poder Judiciário, ou que haja sentença judicial favorável ao interessado. Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos se extrai que todas as pessoas físicas que tenham agido como ordenador de despesa pública e se enquadrem nos requisitos legais, tais como, ter contas relativas a cargos ou funções públicas julgadas irregulares por decisão do Tribunal de Contas e cuja decisão que julgou as suas contas não teve sua eficácia prejudicada pela interposição tempestiva de recurso, constará da lista de responsáveis informada por aquela Corte à Justiça Eleitoral, que detém competência para declarar ou não a inelegibilidade de um responsável que tenha integrado a representação, mediante impugnação a ser interposta naquele Órgão, pelo Ministério Público ou outro legitimado. Nesse sentido o Tribunal Superior Eleitoral, já considerando a nova redação dada ao art. 1º, I, “g”, da Lei Complementar n. 64/1990 (Lei de Inelegibilidade), no que tange ao exame da gravidade das irregularidades que ensejaram a rejeição das contas, em 30 de agosto de 2012, no julgamento do Recurso Especial Eleitoral n. 23383.2012.6.16.0046, relatado pelo Ministro Arnaldo Versiani, em relação ao julgamento proferido pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná acerca de contas de ordenador de despesa que não seja o chefe do Poder Executivo, deliberou conforme os termos da ementa que transcrevo a seguir: Inelegibilidade. Rejeição de contas. 1. A jurisprudência do TSE tem admitido ser cabível a análise do teor da decisão de rejeição de contas, em sede de recurso especial, para fins de aferição dos requisitos alusivos à inelegibilidade do art. 1º, I, g, da Lei Complementar n.64/90. 2. Se a decisão de rejeição de contas não indica circunstâncias que evidenciem ser grave a respectiva irregularidade, nem imputa débito ao responsável, é de se concluir pela não incidência da inelegibilidade da referida alínea g, cuja nova redação passou a exigir a configuração de ato doloso de improbidade administrativa. Recurso especial provido.4 4 Disponível em: <http.://www.tse.jus.br/jurisprudencia/pesquisa-de-jurisprudencia/jurisprudencia>. Acesso em 23. Out. 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Porém a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal sobre a aplicação desse dispositivo, em relação ao Prefeito ordenador de despesas com contas de exercício financeiro rejeitadas por parecer prévio, ou mesmo contas de gestão decorrente da função de ordenador de despesas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas, consolidou-se no sentido de que o órgão competente para estes julgamentos seria o respectivo Poder Legislativo, cabendo ao Tribunal apenas a emissão de parecer prévio, independentemente da natureza dos atos e fatos objeto de apreciação. Nesse sentido são os seguintes julgados: Tribunal Superior Eleitoral: Recurso especial 29.535/PB, Relator Ministro Marcelo Ribeiro5; Recurso especial n.33.747-Agravo Regimental/BA, Relator Ministro Arnaldo Versiani, Recurso Ordinário n.1.247/GO, Relator Ministro José Delgado e Recurso Ordinário 751-79/TO, Relator Ministro Arnaldo Versiani6, julgado em 08.09.2010. Supremo Tribunal Federal: Reclamação n.. 13960, Relator Ministro Celso de Melo, julgado em 15.06.2012; Reclamação n.10.493/CE, Relator Ministro Gilmar 5 Tribunal Superior Eleitoral. ELEIÇÕES 2008. REGISTRO DE CANDIDATO. REJEIÇÃO DE CONTAS. TRIBUNAL DE CONTAS. CÂMARA MUNICIPAL. COMPETÊNCIA. RECURSO PROVIDO. REGISTRO DEFERIDO. 1. Câmara de vereadores é o órgão competente para apreciar as contas de prefeito municipal. 2. A desaprovação das contas pelo Tribunal de Contas não é suficiente para que se conclua pela inelegibilidade do candidato. Recurso especial provido. Recurso Especial Eleitoral - Respe 29.535/PB. Recorrente: José Edivan Félix, Recorrido: Ministério Público Eleitoral. Relator Ministro Marcelo Ribeiro. 22 set. 2008. O Tribunal, por maioria, proveu o Recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Ministros Carlos Ayres Britto (Presidente), Joaquim Barbosa e Felix Fischer. Votaram com o Relator os Ministros Eros Grau, Fernando Gonçalves e Arnaldo Versiani. Acórdão publicado em sessão. Composição: Ministros Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau, Felix Fischer, Fernando Gonçalves, Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiani. Disponível em: <http.://www.tse.jus.br/jurisprudencia/inteiro-teor>. Acesso em 22 out. 2013. 6 Tribunal Superior Eleitoral. Registro de candidatura. Prefeito. Inelegibilidade. Art. 1º, I, g, da Lei Complementar n.64/90>. Competência. 1. A competência para o julgamento das contas do prefeito é da Câmara Municipal, cabendo ao Tribunal de Contas a emissão de parecer prévio, o que se aplica tanto às contas relativas ao exercício financeiro, prestadas anualmente pelo Chefe do Poder Executivo, quanto às contas de gestão ou atinentes à função de ordenador de despesas. 2. Não há falar em rejeição de contas de prefeito por mero decurso de prazo para sua apreciação pela Câmara Municipal, porquanto constitui esse Poder Legislativo o órgão competente para esse julgamento, sendo indispensável o seu efetivo pronunciamento. Agravo regimental a que se nega provimento. (Recurso Especial n.33.747-AgR/BA, Agravante: Coligação Jaguaripe Não Pode Parar, Agravado: Arnaldo Francisco de Jesus. Relator Ministro Arnaldo Versiani. 27 out. 2008). Disponível em: <http.://www.tse.jus.br/jurisprudencia/pesquisade-jurisprudencia. Acesso em: 22 out. 2013. 7 Tribunal Superior Eleitoral. CONTAS – PREFEITO – REJEIÇÃO – DECURSO DE PRAZO. Consoante dispõe o artigo 31 da Constituição Federal descabe endossar rejeição de contas considerado o decurso de prazo para a Câmara Municipal exercer o crivo tendo em conta parecer, até então simples parecer, do Tribunal de Contas. (Recurso Ordinário n. 1.247/GO, Recorrente: Luiz Gonzaga Carneiro de Moura, Recorrido: Ministério Público Eleitoral. Relator Ministro José Delgado. 19 set. 2006). Disponível em <http.://www.tse.jus.br/jurisprudencia/pesquisa-de-jurisprudencia>. Acesso em 22 out. 2013. 8 Registro de candidatura. Inelegibilidade. Rejeição de contas. Prefeito. Competência. Câmara Municipal. Nos termos do art. 31 da Constituição Federal, a competência para o julgamento das contas de prefeito é da Câmara Municipal, cabendo ao Tribunal de Contas a emissão de parecer prévio, o que se aplica, inclusive, a eventuais atos de ordenação de despesas. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Mendes10 e Ação Direta de Inconstitucionalidade-Medida Cautelar n.3.715/TO, Relator 11 Ministro Gilmar Mendes . Importante mencionar que as posições adotadas pelo STF nas decisões retro citadas não podem ser consideradas definitivas posto que a matéria foi apreciada liminarmente, concedendo-se medidas cautelares, de modo que os autos ainda encontram-se em tramitação e carecem da apreciação definitiva do Supremo Tribunal Federal. Por oportuno convém mencionar que por ocasião do julgamento da Reclamação n.10.538, a Relatora Ministra Ellen Gracie, em decisão monocrática proferida em 28.09.2010, assim se manifestou que A ressalva final constante da nova redação da alínea g do inciso I do art. 1º da Lei Complementar n. 64/1990, introduzida pela Lei Complementar n. 135/2010, de que se aplica o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição, não alcança os chefes do Poder Executivo. Os tribunais de contas só têm competência para julgar as contas de prefeito, quando se trata de fiscalizar a aplicação de recursos mediante convênios, nos termos do inciso VI do art. 71 da Constituição Federal. Nesse entendimento, o Tribunal, por unanimidade, desproveu o recurso. (Recurso Ordinário n. 751-79/TO, rel. Min. Arnaldo Versiani, em 8.9.2010, Informativo n.28/2010). Disponível em: <http.://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/informativo-xii-28>. Acesso em 22 out. 2013. 9 Decisão singular. STF. EMENTA: RECLAMAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. LEGITIMAÇÃO ATIVA DA PARTE RECLAMANTE. PREFEITO MUNICIPAL. CONTAS PÚBLICAS. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA, PARA TAL FIM, DA CÂMARA DE VEREADORES. ATRIBUIÇÃO EXCLUSIVA DO PODER LEGISLATIVO LOCAL QUE SE ESTENDE TANTO ÀS CONTAS ANUAIS RELATIVAS AO EXERCÍCIO FINANCEIRO QUANTO ÀS CONTAS DE GESTÃO (OU REFERENTES À FUNÇÃO DE ORDENADOR DE DESPESAS) DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL. FUNÇÃO OPINATIVA, EM TAIS HIPÓTESES, DO TRIBUNAL DE CONTAS. PARECER PRÉVIO SUSCETÍVEL DE REJEIÇÃO PELO PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL (CF, ART. 31, § 2º). SUPREMACIA HIERÁRQUICO-NORMATIVA DA REGRA CONSTITUCIONAL QUE CONFERE PODER DECISÓRIO, EM SEDE DE FISCALIZAÇÃO EXTERNA, À INSTITUIÇÃO PARLAMENTAR, SOBRE AS CONTAS DO CHEFE DO EXECUTIVO. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. (Reclamação n. 13.960, Reclamante: Samuel Zuqui, Reclamado: Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo. Relator Ministro Celso de Mello. 15 jun. 2012). Disponível em: <http.://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28Rcl%24%2ESCLA%2E+E +13960%2ENUME%2E%29&base=baseMonocraticas&url=<http.://tinyurl.com/aqu8fr7>. Acesso em: 22 out. 2013. 10 Decisão singular. Supremo Tribunal Federal. Reclamação n. 10>.493/CE. Reclamante: Raimundo Marcelo Carvalho da Silva, Reclamado: Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará. Relator Min. Gilmar Mendes. DJE n. 162 do dia 31/08/2010>. Disponível em: <http.://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28Rcl%24%2ESCLA%2E+E +10493%2ENUME%2E%29&base=baseMonocraticas&url=<http.://tinyurl.com/bu7x98m>. Acesso em: 22 out. 2013. 11 Plenário. Supremo Tribunal Federal. EMENTA: Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade. 2. Constituição do Estado do Tocantins. Emenda Constitucional n°16/2006, que criou a possibilidade de recurso, dotado de efeito suspensivo, para o Plenário da Assembleia Legislativa, das decisões tomadas pelo Tribunal de Contas do Estado com base em sua competência de julgamento de contas (§ 5º do artigo 33) e atribuiu à Assembleia Legislativa a competência para sustar não apenas os contratos, mas também as licitações e eventuais casos de dispensa e inexigibilidade de licitação (artigo 19, inciso XXVIII, e artigo 33, inciso IX e §1º). 3. A Constituição Federal é clara ao determinar, em seu artigo 75, que as normas constitucionais que conformam o modelo federal de organização do Tribunal de Contas da União são de observância compulsória pelas Constituições dos Estados-membros. Precedentes. 4. No âmbito das competências institucionais do Tribunal de Contas, o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido a clara distinção entre: 1) a competência para apreciar e emitir parecer prévio Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 9. Nesse aspecto, não há que falar em afronta à autoridade da decisão proferida por esta Corte no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 849/MT, relator Ministro Sepúlveda Pertence. (...) 10. Não houve no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.715-MC/SP debate específico quanto à competência para a apreciação dos atos de gestão de responsabilidade de Prefeitos, objeto de tomadas de contas especiais instauradas no âmbito da Corte de Contas para esse fim. (...) 12. Constata-se ainda, no pedido deduzido pelo reclamante, nítida existência de caráter infringente, e por essa razão também não merece acolhida porque a reclamação não pode ser utilizada como sucedâneo das ações que devem ser propostas com o objetivo de desconstituir os acórdãos do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará. 13. Assevere-se, por fim, que, ao julgar caso igual, Reclamação 10.548/CE, a relatora, Ministra Cármen Lúcia, negou-lhe seguimento por ausência de identidade material entre os acórdãos apontados como paradigmas e as decisões reclamadas. Nessa decisão destacou Sua Excelência que, “no direito brasileiro, ainda prevalece o entendimento de que declaração judicial de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade circunscreve-se à norma específica, e não à matéria” (Diário da Justiça de 13.9.2010). 14. Ante o exposto, com fundamento nos artigos. 38 da Lei 8.038/90 e 21, § 1º, do Regimento Interno do STF, nego seguimento à presente reclamação, ficando prejudicada a apreciação do pedido de medida liminar.12 Nessa mesma esteira decidiu o Ministro Dias Toffoli, acerca da Reclamação n. 10.550 (decisão do dia 1º de outubro de 2010)13. Cabe ressaltar que este debate possui repercussão geral, tendo inclusive mobilizado instituições de controle externo e outras associações a pleitearem a sobre as contas prestadas anualmente pelo Chefe do Poder Executivo, especificada no artigo 71, inciso I, CF/88; 2) e a competência para julgar as contas dos demais administradores e responsáveis, definida no artigo 71, inciso II, CF/88. Precedentes. 5. Na segunda hipótese, o exercício da competência de julgamento pelo Tribunal de Contas não fica subordinado ao crivo posterior do Poder Legislativo. Precedentes. 6. A Constituição Federal dispõe que apenas no caso de contratos o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional (artigo 71, § 1º, CF/88). 7. As circunstâncias específicas do caso, assim como o curto período de vigência dos dispositivos constitucionais impugnados, justificam a concessão da liminar com eficácia ex tunc. 8. Medida cautelar deferida, por unanimidade de votos. (ADI-MC n. 3.715/TO. Requerente: Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, Requerido: Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJ n. 164 do d i a 2 5 / 0 8 / 2 0 0 6 ) . D i s p o n í v e l e m : <http.://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28ADI%24%2ESCLA%2E+ E+3715%2ENUME%2E%29+OU+%28ADI%2EACMS%2E+ADJ2+3715%2EACMS%2E%29&base=b aseAcordaos&url=<http.://tinyurl.com/acyctcv>. Acesso em: 22 out. 2013. 12 Disponível em <http.://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3937218/>. Acesso em 22 out. 2013. 13Disponível em: <http.://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3939014/>. Acesso em 22 out. 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. participação nos feitos, na qualidade de “amicus curiae”. Esta participação visa pluralizar o debate constitucional, permitindo que o Supremo Tribunal Federal venha a dispor de todos os elementos disponíveis e necessários à resolução da controvérsia. A matéria tem alcance além da seara eleitoral, se estendendo para as matérias afetas à Justiça Comum, relacionadas às ações de execução das decisões das Cortes de Contas com vistas à recomposição patrimonial do erário, que tem reconhecido a competência dos Tribunais de Contas para julgar as contas de gestão do prefeito ordenador de despesa, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça (RMS 14 11.060/GO e 13.499/CE ), sendo oportuno transcrever a ementa da primeira decisão mencionada, publicada no Diário da Justiça de 25/06/2002, p. 159 C ON S TITU C ION A L E A D M IN IS TR ATIV O. C ON TR OL E E X TE R N O D A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATOS PRATICADOS POR PREFEITO, NO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO ADMINISTRATIVA E GESTORA DE RECURSOS PÚBLICOS. JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DE CONTAS. NÃO SUJEIÇÃO AO DECISUM DA CÂMARA MUNICIPAL. COMPETÊNCIAS DIVERSAS. EXEGESE DOS ARTIGOS 31 E 71 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Os artigos 70 a 75 da Lex Legum deixam ver que o controle externo – contábil, financeiro, orçamentário, operacional e patrimonial – da administração pública é tarefa atribuída ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas. O primeiro, quando atua nesta seara, o faz com o auxílio do segundo que, por sua vez, detém competências que lhe são próprias e exclusivas e que para serem exercitadas independem da interveniência do Legislativo. O conteúdo das contas globais prestadas pelo Chefe do Executivo é diverso do conteúdo das contas dos administradores e gestores de recurso público. As primeiras demonstram o retrato da situação das finanças da unidade federativa (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Revelam o cumprir do orçamento, dos planos de governo, dos programas governamentais, demonstram os níveis de endividamento, o atender aos limites de gasto mínimo e máximo previstos no ordenamento para saúde, educação, gastos com pessoal. Consubstanciam-se, enfim, nos Balanços Gerais prescritos pela Lei 4.320/64. Por isso, é que se submetem ao parecer prévio do Tribunal de Contas e ao julgamento pelo Parlamento (artigo 71, I combinado/com artigo 49, IX da Constituição Federal/88). As segundas – contas de administradores e gestores públicos, dizem respeito ao dever de prestar (contas) de todos aqueles que lidam com recursos públicos, captam receitas, ordenam despesas (artigo 70, parágrafo único da Constituição Federal/88). Submetem-se a julgamento direto pelos Tribunais de Contas, podendo gerar imputação de débito e multa (artigo 71, II e § 3º da Constituição Federal/88).Destarte, se o Prefeito Municipal assume a dupla função, política e administrativa, respectivamente, a tarefa de executar orçamento e o encargo de captar receitas e ordenar despesas, submete-se a duplo julgamento. Um político perante o Parlamento precedido de parecer prévio; o outro técnico a cargo da Corte de Contas. 14 Disponível em: <http.s://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=430634&sReg=200 100919647&sData=20021014&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em 22 out. 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Inexistente, in casu, prova de que o Prefeito não era o responsável direto pelos atos de administração e gestão de recursos públicos inquinados, deve prevalecer, por força ao artigo 19, inciso II, da Constituição, a presunção de veracidade e legitimidade do ato administrativo da Corte de Contas dos Municípios de Goiás. Recurso ordinário desprovido.15 Na doutrina, pode-se citar como integrante da corrente com entendimento parcialmente em sentido contrário as posições adotadas pelo Supremo Tribunal Federal, o advogado e professor Luiz Manoel Gomes Junior. Em sua obra “Tribunais de Contas – Aspectos Controvertidos” (JUNIOR, 2003, pg. 32), constam as seguintes afirmações Além de tal limitação, inviável que o Tribunal de Contas pretenda “julgar” os atos praticados pelo Chefe do Poder Executivo quando presente a hipótese do inciso I do art. 71 da CF-88. (...) Isso não significa que todos os atos do Chefe do Poder Executivo serão sempre objeto de parecer com caráter opinativo. Atuando como ordenador de despesas (celebrando um convênio, por exemplo) é de todo claro que a atuação do Tribunal de Contas se dará com fundamento no inciso II do artigo 71 da Constituição Federal/88, não havendo a manifestação do Poder Legislativo e tendo caráter definitivo no âmbito administrativo. O mesmo doutrinador embasa o seu entendimento na análise de decisão do STF publicada no Diário da Justiça da União do dia 07.12.1995, proferida no processo RE 16 n.132.747-2 , colacionando trechos dos votos proferidos, às fls. 29/35, mencionando que na ocasião, o único voto vencido foi proferido pelo Ministro Carlos Velloso17, sendo oportuno transcrever os seguintes excertos do Voto do Ministro Relator, Marco Aurélio, nestes termos: 14 Disponível em: <http.s://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=430634&sReg=200 100919647&sData=20021014&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em 22 out. 2013. 15 Disponível em <http.s://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=483550&sReg=199 900691946&sData=20020916&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em 22 out. 2013 16 Plenário. Supremo Tribunal Federal. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – ACÓRDÃO DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL – FUNDAMENTO LEGAL E CONSTITUCIONAL. O fato de o provimento atacado mediante o extraordinário estar alicerçado em fundamentos estritamente legais e constitucionais não prejudica a apreciação do extraordinário. No campo interpretativo, cumpre adotar posição que preserve a atividade precípua do Supremo Tribunal Federal – de guardião da Carta Política da República. INELEGIBILIDADE – PREFEITO – REJEIÇÃO DE CONTAS – COMPETÊNCIA. Ao Poder Legislativo compete o julgamento das contas do Chefe do Executivo, considerados os três níveis – federal, estadual e municipal. O Tribunal de Contas exsurge como simples órgão auxiliar, atuando na esfera opinativa – inteligência dos artigos 11 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, 25, 31, 49, inciso IX, 71 e 75, todos do corpo permanente da Carta de 1988. Autos conclusos para confecção do acórdão em 9 de novembro de 1995. (RE n.132.747-2/DF. Recorrente: Jackson Barreto de Lima, Recorrida: Procuradoria Regional Eleitoral. Relator Ministro Marco Aurélio. DJ do dia 07/12/1995). Disponível em <http.://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=207690>. Acesso em: 22 out. 2013 17 Voto divergente do Ministro Carlos Velloso (RE n.132.747): “(...), a questão a saber é se o julgamento do Tribunal de Contas, que tem por objeto atos pessoais do prefeito, como ordenador de despesas, se Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Longe fica de emprestar à apreciação das contas pelo Tribunal contornos de verdadeiro julgamento, só alcançado mediante ato da Câmara Municipal. Sem que ocorra o exame pelos membros que a integram, a peça ofertada pelo Tribunal de Contas, seja favorável ao Prefeito seja-lhe contrária, permanece com os contornos que lhes são próprios, ou seja, com o valor que lhe é atribuído pela Constituição Federal, de pronunciamento opinativo prévio, a instruir processo perante à Câmara. Aliás é incongruente a proposição revelada até aqui no enquadramento constitucional da matéria. A uma, porque acaba por apontar que o Tribunal de Contas não possui competência para julgar as contas anuais do Prefeito, muito embora o tenha para contratos dos diversos setores da administração e em relação aos quais o chefe do Poder Executivo apenas esteve ligado como ordenador de despesa.18 Na mesma esteira das conclusões do Relator é o voto-vista do Ministro Celso de Melo: Há, pois, uma dualidade de regimes jurídicos a que os agentes públicos estão sujeitos no procedimento de prestação e julgamento de suas contas. Essa diversidade de tratamento jurídico, estipulada ratione numeris pelo ordenamento constitucional, põe em relevo a condição político-administrativa do Chefe do Poder Executivo. (...) Esse procedimento do Tribunal de Contas, referente à análise individualizada de determinadas operações negociais efetuadas pelo Chefe do Poder Executivo, tem o claro sentido de instruir o exame oportuno, pelo próprio Poder Legislativo – e exclusivamente por este -, das contas anuais submetidas à sua exclusiva apreciação.19 Por sua vez, no mesmo sentido é o voto-vista do Ministro Ilmar Galvão, nestes termos: esse julgamento, quando indicativo de improbidade administrativa, é bastante e suficiente para gerar a inelegibilidade inscrita na alínea g, do inciso I, do artigo 1º da Lei Complementar n.64, de 1990.” (...) A hipótese que, na verdade, gera a inelegibilidade do artigo 1º, I, g, da Lei Complementar n.64, de 1990, é a do inciso II, do artigo 71, da Constituição Federal. É nessa hipótese que o Tribunal de Contas exerce jurisdição privativa de julgar, administrativamente, as contas dos responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos, vale dizer, as contas dos ordenadores de despesas (Decreto Lei n.200/67 e Lei n.4.320/64). (...) Neste caso, Senhor Presidente, o prefeito agia como ordenador de despesas, assim responsável por dinheiro público, dinheiro do povo, hipótese em que o julgamento do Tribunal de Contas ocorre na forma do disposto no artigo 71, II, da Constituição Federal – caso em que a decisão da Corte de Contas não está sujeita ao julgamento político do Poder Legislativo. Senhor Presidente, Vossa Excelência tem se reunido, patrioticamente, nesta Casa, com os chefes do Poder Legislativo, os Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o Senhor Ministro da Justiça e o Procurador-Geral da República, buscando encontrar forma de combate eficaz da corrupção administrativa, essa desgraça que infelicita a Nação. Penso, Senhor Presidente, que, se emprestarmos interpretação liberal e liberalizante a dispositivos que, na Constituição, visam a defesa dos dinheiros, bens e valores públicos, está-se anulando muito do que se pretende fazer contra a corrupção que lavra, infelizmente, na Administração Pública, principalmente nas milhares de administrações municipais deste País. Aqui, repete-se, houve rejeição de contas do prefeito agindo como ordenador de despesas, hipótese inscrita no artigo 71, II, da Constituição, caso em que a decisão do Tribunal de Contas independe da apreciação política da Câmara Municipal. Disponível em: <http.://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=207690>. Acesso em 22 out. 2013. 18 Disponível em <http.://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=207690>. Acesso em 22 out. 2013. Acesso em 22 out. 2013. 19 Disponível em <http.://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=207690>. Acesso em 22 out. 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. República, ou condenado o Chefe do Poder Executivo a restituir valores tidos como indevidamente pagos pela Administração a terceiros. (...) Conforme entendido pelo eminente Relator, essa atividade “meramente auxiliar não pode ser transmudada em decisória”; muito menos – é de acrescentar-se – quando, diante de contratos apreciados isoladamente, cada um de per si, hipótese não prevista na Carta Magna, não por outro motivo, certamente, senão o de que em casos tais, a responsabilidade do Chefe do Poder Executivo, ainda que indireta, não poderia exsurgir a priori, isto é, antes de terem sido responsabilizados e punidos, na forma do art. 71, inciso. II e seguintes, da Constituição Federal, os responsáveis não apenas pela execução dos contratos impugnados, mas, principalmente, por sua elaboração, a partir dos atos preparatórios exigidos por lei, como a lição (...).20 Convém registrar que em oportunidades recentes, o Ministro aposentado Carlos Ayres Britto tem se posicionado em divergência a orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal (conforme voto-vista proferido no Recurso Especial 28.944/SC no Tribunal Superior Eleitoral, sessão e publicação em 06.10.08). Nessa linha de entendimento no sentido da dualidade das competências das Cortes de Contas o ministro Luiz Fux, em 25.06.2013, negou a liminar requerida na Reclamação (RCL) 15.902, na qual a defesa do agente político e ex-gestor argumentou que o TCM-GO não teria competência constitucional para julgar as contas de prefeitos, por isso a decisão teria violado a autoridade do Supremo nos autos das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 3715, 1779 e 849, que delimitaram as atividades dos Tribunais de Contas. Conforme o relator, os prefeitos não atuam apenas como chefes de governo, responsáveis pela consolidação e apresentação das contas públicas perante o respectivo Poder Legislativo, “mas também, e em muitos casos, como os únicos ordenadores de despesas de suas municipalidades”. O ministro Luiz Fux ressaltou: Assim, quando estiver atuando como ordenador de despesas, compete ao Tribunal de Contas o julgamento das contas dos prefeitos municipais, apurando a regular aplicação de recursos públicos, consoante o art. 71, inciso II, da CRFB/88. Em caso de inobservância dos preceitos legais, cabe à Corte de Contas aplicar as sanções devidas pela malversação de tais verbas. (...) Decerto, o pensamento oposto vulnera a função precípua da Corte de Contas – apurar eventuais irregularidades na gestão da coisa pública –, permitindo a perpetuação de fraudes e corrupções pelos municípios ao longo do país21. 20 Disponível em <http.://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=207690>. Acesso em 22 out. 2013. 21 Disponível em <http.://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4425548>. Acesso em 22 out 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Há que lembrar-se que, em razão da delegação de competências, não se vê o Presidente da República assinando contratos, convênios e praticando outros atos administrativos de gestão de ordenamento de despesas como fazem inúmeros Chefes do Poder Executivo, assumindo estes os riscos e a condição de responsáveis diretos pelos atos praticados, bem como pela execução das obrigações assumidas equiparando-se aos administradores e demais responsáveis mencionados no inciso II em exame, sobre os quais os Tribunais de Contas exercem a função privativa de natureza jurisdicional competindo-lhe julgar as contas, analisar atos, despesas e aplicar as sanções legais, nos termos da Constituição Federal. Dos julgados e votos citados se observa que muitos membros do STF já abordaram o tema, vislumbrando-se dos seus pronunciamentos o posicionamento no sentido de deixar os Chefes do Poder Executivo fora do alcance dos julgamentos dos Tribunais de Contas. A decisão não pode ser considerada a mais acertada, pelos motivos antes delineados, aos quais acrescento ainda que as Cortes de Contas é que se encontram melhor concebidas pelo legislador constituinte para tal mister, de acordo com os artigos 71 a 75 da Constituição Federal, sendo que inclusive para as decisões destes Tribunais, que resultem imputação de débito ou multa, é dado eficácia de título executivo (artigo 71, §3º da Constituição Federal). Caso permaneça a posição adotada pela Corte Suprema, haverá uma considerável limitação na atuação desses órgãos de fiscalização, ensejando mudanças para se adequar a interpretação dada à Constituição Federal, quanto a sua competência, impondo-se após decisão definitiva sobre a matéria modificar os procedimentos e as práticas dos órgãos de controle externo para ficar em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, guardião da Carta Magna e legitimado a dar a última palavra sobre a matéria. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os Tribunais de Contas são órgãos de controle externo com a melhor capacidade técnica para analisar as prestações de contas dos ocupantes de cargos públicos, na forma opinativa do “parecer prévio” ou de “julgamento”, de caráter definitivo, dos atos praticados pelos gestores públicos na condição de ordenadores de despesas, inclusive do Prefeito, Governador e Presidente da República quando nesta condição. O Parecer Prévio, apesar de ser pronunciamento de natureza opinativa, deve passar pelo julgamento político-administrativo do Poder Legislativo correspondente, Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. não podendo ser desprezado, vez que por ocasião da decisão motivada, o parecer é passível de manutenção ou não pelo órgão daquele Poder. No âmbito municipal, nos termos do art. 31, §2º da Constituição Federal, o pronunciamento técnico do Tribunal sobre as contas só deixará de prevalecer mediante a decisão de dois terços (2/3) dos membros da Câmara de Vereadores. Verifica-se que a intenção popular, confirmada pelo legislador ordinário por meio da Lei Complementar n.135/2010 (Lei do candidato ficha limpa), culminou por incluir expressamente na hipótese de inelegibilidade prevista no art. 1º, inciso I, “g”, da Lei Complementar n. 64/1990, situações em que o Tribunal de Contas competente tenha julgado irregulares atos de gestão praticados por todos os ordenadores de despesas, ou seja, a rejeição de contas pelo órgão competente abrange o julgamento realizado sobre os atos praticados pelos Chefes do Poder Executivo quando tenham agido como ordenadores de despesa pública, restando aguardar uma possível alteração no posicionamento do Supremo Tribunal Federal sobre a competência constitucional para tal mister. À luz do artigo 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar n.64/1990, com a redação dada pela Lei Complementar n.135, de 2010, podem ficar inelegíveis todos aqueles que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizem durante os 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do artigo 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesas, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição. Todavia de acordo com a orientação do Tribunal Superior Eleitoral (Recurso Ordinário n.75122 79/TO, relator Ministro Arnaldo Versiani, em 8.9.2010, Informativo n.28/2010 ) a prescrição mencionada não se aplica aos chefes do Poder Executivo a não ser quando se tratar da fiscalização da aplicação de recursos mediante convênios, nos termos do inciso VI do artigo 71 da Constituição Federal. Após a análise de mérito pelo Supremo Tribunal Federal das ações que tratam da constitucionalidade do julgamento de contas de atos de gestão dos chefes do Poder Executivo pelo Tribunal de Contas, teremos a permanência ou a modificação do entendimento da Suprema Corte sobre a matéria, a qual já tem demonstrado em 22 Disponível em: <http.://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/informativo-xii-28>. Acesso em 22 out. 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. determinados julgados, inclinação no sentido de que da interpretação dos artigos 31 e 71, incisos I e II da Constituição, não se verifica tal competência. Todavia, as novas oportunidades de apreciação da matéria, agora dispondo de todos os elementos disponíveis e necessários à resolução da controvérsia, fornecidos pelas Cortes de Contas na condição de terceiros interessados, permitirá um maior aprofundamento da discussão e uma melhor avaliação sobre o tema. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 64, de 18 de maio de 1990. Estabelece, de acordo com o art. 14, §9º, da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação, e determina outras providências. Disponível em: <www.planalto.gov.br/legislação/>. Acesso em: 21 out 2013. BRASIL. Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997. Estabelece normas para as eleições. Disponível em: <www.planalto.gov.br/legislação>/. Acesso em: 21 out 2013. BRASIL. Lei Complementar n. 135, de 04 de junho de 2010. Altera a Lei Complementar n. 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o §9º do art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. Disponível em: <www.planalto.gov.br/legislação/>. Acesso em: 21 out 2013. BRASIL. Lei Federal n. 8.429/1992, de 02 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências. Disponível em: <www.planalto.gov.br/legislação/>. Acesso em: 21 out 2013. BRASIL, CONSITIUIÇÃO (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juares de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. BRITTO, Carlos Ayres. O Poder dos Tribunais de Contas. Revista TCMRJ n.25, dez 2003. CASTRO, Edson de Resende. Direito Eleitoral: Teoria e Prática. 3. ed. Belo Horizonte: Mandamento, 2006. GOMES JUNIOR, Luiz Manoel. Tribunais de Contas. Aspectos Controvertidos. Rio de Janeiro. Editora Forense. 2003. MARTINS, Ives Gandra da Silva. A relevância dos Tribunais de Contas. Revista L & C – Revista de Administração Pública e Política. Editora Consulex, edição n.141 de março de 2010. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Municipal Brasileiro. 35. ed. São Paulo: Malheiros, 2009. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros, 1993. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO APLICADO ÀS EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL Adriano Barreira de Andrade ¹; RESUMO: O presente trabalho aborda o reflexo que a carga tributária apresenta nas empresas de construção civil. O planejamento tributário é apontado como a melhor ferramenta para que se defina qual o regime tributário adequado a ser adotado, levando-se em consideração o IRPJ e CSLL que são os tributos mais influentes no resultado da organização. São apresentadas as opções que o sujeito ativo oferece às empresas quanto ao recolhimento dos tributos. Simples Nacional, Lucro Arbitrado, Lucro Presumido e Lucro Real são os regimes abordados na pesquisa e exemplificados com pesquisa bibliográfica e um estudo de caso numa empresa de construção civil que detalhou sua tributação nos dois últimos regimes tributários elencados. Percebe-se que a construção civil apresenta características diferentes dos outros tipos de empresas como sazonalidade das receitas, por exemplo, e conclui-se que o melhor regime tributário para construção civil é o Lucro Real Anual. PALAVRAS CHAVES: Planejamento Tributário, Tributos, Construção Civil. ABSTRACT This paper deals with the reflection that the tax burden has for construction companies. Tax planning is considered as the best tool for you to define which tax regime suitable to be adopted, taking into account the income tax and social that are the most influential taxes in the income of the organization. It presented the options that the active subject provides companies as to the taxes. National simple, Arbitrated Profit, presumed income and taxable income are the systems addressed in this study and exemplified with literature and a case study in a construction company who detailed their taxation in the last two tax regimes listed. It is noticed that the building has different characteristics from other types of businesses as seasonality of revenues, for example, and it is 1 Pós-Graduado em Controladoria e Planejamento Tributário pela Universidade Federal do Tocantins – UFT/FAPTO. Endereço do autor: Rua 02 Qd 07 Lote 29 Casa 03 Taquaralto 5ª Etapa Folha 01, Palmas, Tocantins, Brasil. CEP 77.270-000[[email protected]] Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. concluded that the best tax regime for construction is the Annual Taxable Income. KEYWORDS: Tax Planning. Taxes. Construction INTRODUÇÃO A tributação é, sem dúvida, um importante assunto discutido no interior das empresas. Sua ação afeta o resultado anual da companhia, bem como em outros períodos há a obrigação gerada a partir das operações comerciais de compra e venda, entre outras influências. Os tributos não existem sem motivos. O bem estar social tem como base um conflito de interesses, atrelado à tributação. Inicialmente o poder público possui a necessidade de manter sua fonte de recursos para que possa cumprir seus compromissos perante a sociedade, sendo em grande parte as empresas as financiadoras de tal recurso. Por outro lado, as organizações são vinculadas a pagar tais tributos, caso contrário, empreende-se crime contra ordem pública e submergemse direitos sobre certidões negativas, o que lhes prejudica a imagem perante os clientes, sócios, fornecedores e financiadores. Há diversas alternativas de cálculo que o sujeito ativo divulga para que as empresas paguem ou recolham seus tributos. Algumas mais vantajosas e outras menos proveitosas. Sua opção está ligada às particularidades de cada organização, além de determinadas brechas que existem nas legislações que beneficiam algumas atividades empresariais ou uma atitude social que a empresa realize. Pode-se inferir que enquanto o governo quer arrecadar as empresas querem economizar, sem infringir a legislação. Há opções para que a empresa realize tal procedimento, por meio do planejamento tributário. Não é de hoje que o planejamento é a base do sucesso das empresas, o mesmo se configura na construção civil, a qual possui procedimentos internos complexos e uma ampla necessidade de excelência na gestão, para que não haja prejuízo à qualidade do produto, bem como não se perca os prazos de entrega. Na tributação de uma empresa de construção civil é necessário ser analisado diversos aspectos para que se defina qual o melhor regime tributário. Atualmente existem algumas legislações que explicitam como realizar esta escolha, porém tais normativos carregam consigo interpretações difíceis e atualizações freqüentes o que dificulta para que o próprio empresário realize tal escolha, surgindo assim um problema: Qual o melhor regime tributário a ser adotado por uma empresa de Construção Civil, em Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. relação aos Impostos incidentes sobre a renda? Diante do questionamento busca-se identificar o melhor regime tributário para as empresas de construção civil. Para substanciar a pesquisa bibliográfica e documental, será utilizado o método de abordagem indutivo, quanto aos métodos de procedimento, seleciona-se a comparação e o estudo de caso, as técnicas utilizadas constituem-se aquelas relacionadas à documentação indireta. Para delimitação do universo, elegeram-se os impostos incidentes sobre a renda, por estes refletirem maior peso tributário nas empresas. 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1.1 A Contabilidade Entende-se que a contabilidade surgiu para controlar o patrimônio. Esta consideração é bem simples, entretanto há outras informações importantes para destacar não só o conceito de contabilidade, mas também sua influência corporativa. Para Sá (2006, p. 46) “Contabilidade é a ciência que estuda os fenômenos patrimoniais, preocupando-se com realidades, evidências e comportamentos dos mesmos, em relação à eficácia funcional das células sociais”. De acordo com Fipecafi (2007) a contabilidade tem por objetivo fornecer informações úteis aos seus usuários, propiciando uma mensuração da situação econômica e financeira da entidade em certa data, permitindo conclusões sobre suas tendências no futuro. A contabilidade é capaz de registrar todas as atividades operacionais da empresa, sejam atos ou fatos administrativos, ocorridos num determinado período, materializando esses registros em demonstrações contábeis, como exemplo: Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício, além dos livros Diário, Razão, entre outras fontes de informações utilizadas para gestão. As demonstrações e livros contábeis são destinados a diversos usuários: sócios, fornecedores, empregados, poder público, acionistas, entre outros interessados nos mesmos, buscando dados do interesse de cada um para aplicá-los de maneira sólida. Como exemplo, apontam-se os sócios com interesse sobre a movimentação financeira dentro da empresa, se realmente condiz com o que deve ocorrer; por outro lado o poder público observa as informações contábeis para verificar se os tributos devidos estão corretos. A contabilidade da empresa revela o patrimônio numa determinada data. Esta Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. informação é importante para o gerente, gestor, administrador ou empresário para que possa dirigir a empresa de forma coerente, definindo o preço de venda, o custo de produção, os investimentos e assim por diante. Destaca-se a contabilidade de fundamental importância para gestão empresarial, pois o contador conta com os mais completos sistemas, informações dentre eles: relatórios financeiros, como a relação de faturamento, controles de disponibilidades (caixa e bancos), fichas de controle dos estoques, entre outros, nos quais a empresa necessita para definir o que fazer no momento exato, com a quantidade certa de recursos despendidos. Conforme menciona Marion (2003, p 23), “A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões, mensurando os dados e transformando em relatórios, analisando e comparando-o com anos anteriores para uma melhor analise da situação da empresa”. Têm-se então a contabilidade como principal ferramenta de gestão contábil no interior da organização. 1.2 Contabilidade na Construção Civil A Construção civil surgiu nos períodos pré-históricos bíblicos com a necessidade do homem construir os imóveis. Sua importância social é nítida e, desde as últimas décadas, vêm passando por evoluções gigantescas, tanto em sua engenharia física, como burocrática. Atualmente imensos edifícios e construções inimagináveis, como estádios, viadutos, monumentos, entre outros, vêm tomando conta das ruas e com eles trazem uma série de mudanças, não apenas em seu setor empresarial, como também, no interior dos departamentos da Companhia. Entende-se o emprego da contabilidade na construção civil, conforme Costa (2000, p. 35) Aplica-se a contabilidade universalmente, porém respeitando as características próprias de cada entidade e de seu tipo de negócio; desta forma, é feita para as empresas que têm como atividade-fim a construção civil, compra e venda de imóveis, incorporação de imóveis, loteamentos e outras atividades correlacionadas. Destaca-se a relação que a contabilidade influencia a gestão das empresas nos três ramos dentro da Construção Civil: Construção, Incorporação e Imobiliária, bem como na tributação das mesmas. A construção é definida como sendo o ato de edificar, ou seja, transformar uma Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. região física num local que possa atender determinados objetivos, como exemplo, pode-se citar a construção de uma casa, que é a transformação do lote vazio em um imóvel com objetivo de abrigar pessoas. A incorporação imobiliária é tratada segundo Brasil, (1964) como “Atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas”. Conforme Costa (2000, p. 31) a atividade imobiliária “compreende o desmembramento de terrenos, loteamento, incorporação de imóveis, construção própria ou em condomínio, locação de imóveis próprios ou de terceiros e administração de Centros Comerciais, Shopping Centers e Condomínios Residenciais.” 1.2.1 Planejamento Tributário na Construção Civil As empresas de construção civil necessitam, legalmente, apresentar parecer de auditoria independente em suas demonstrações contábeis. Cabe ressaltar, a importância de uma contabilidade bem executada, apurando-se corretamente os custos entre outros procedimentos necessários para dar mais exatidão às demonstrações, principalmente àquela responsável pela tributação, área que detém maior atenção do fisco durante as auditorias. Surge assim a necessidade de todas as empresas realizarem planejamento tributário, visando buscar a melhor opção do regime tributário. Entende-se que o planejamento tributário é a principal ferramenta de gestão tributária dentro de uma empresa. Planejamento para Sampaio, (2008, p. 1) “É um processo contínuo e dinâmico que consiste em um conjunto de ações intencionais, integradas, coordenadas e orientadas para tornar realidade um objetivo futuro, de forma a possibilitar a tomada de decisões antecipadamente.” Percebe-se que a fonte do sucesso no futuro, parte do planejamento no presente, é preciso aplicá-lo também na contabilidade tributária, tendo em vista a importância desembolsada, como também partindo do entendimento de que a empresa é responsável por escolher seu regime tributário. 1.2.2 Tipos de Regime Tributário Os regimes tributários, além das opções existentes, ou seja, técnicas diferentes de apuração dos tributos, faculta-se ao contribuinte a opção se tributar-se quanto aos valores recebidos ou pelos valores que foram faturados, independente do recebimento. Tal opção só pode ser realizada se for empresa de construção civil ou fornecedor de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. produtos e serviços para órgãos públicos. Atualmente, existem os seguintes regimes tributários: Lucro Real, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado e Simples Nacional. 1.2.3 Lucro Real Entende-se como lucro real, o ajuste do lucro contábil com algumas adições e exclusões. Lucro Real, conforme Neves e Viceconti (2007 p. 3) “é o resultado (lucro ou prejuízo) do período de apuração (antes de computar a provisão para o imposto de renda), ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do imposto sobre a renda.” Portanto, o lucro real pode ser entendido como lucro fiscal da empresa, lucro este não observado nos demais regimes tributários. É o meio mais legítimo de definir a base de cálculo sobre o lucro, visto não haver tributação autorizada somente analisando o resultado líquido do exercício, seja este positivo ou negativo. Higuchi et al (2010). Estão obrigadas à tributação com base no Lucro Real as pessoas jurídicas: I – cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses; II – cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III – que tiverem lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior; IV – que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução de imposto; V – que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal por estimativa ou tenham reduzido ou suspendido o pagamento mensal por estimativa, mediante levantamento de balanço ou balancete específico para este fim; VI – que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, merdadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). As pessoas jurídicas que não são obrigadas à tributação com base no lucro real, podem fazer a opção pelo mesmo, por intermédio do primeiro DARF correspondente ao 1º trimestre do ano-calendário em vigor. No caso pelo pagamento dos tributos mensais, por estimativa. O lucro real possui duas periodicidades, lucro real trimestral e lucro real anual. No lucro real trimestral, cada trimestre é considerado um exercício social, no qual, além Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. de se apurar o imposto a ser pago, são fechadas as demonstrações contábeis, livros de inventário, e toda burocracia do fechamento do exercício, além de não permitir compensação total dos prejuízos auferidos pela instituição em exercícios anteriores. Já no lucro real anual, o pagamento do tributo é realizado mensalmente através de estimativa. Uma particularidade das companhias tributadas pelo lucro real é a complexidade das informações contábeis, estando obrigada a manter escrituração contábil completa, e na prática é necessário muitos outros controles internos extra contábeis (não obrigatórios) para que se tenha exatidão dos tributos a pagar no prazo determinado, ou seja, todos os meses. Neste caso, no final do ano realiza-se a apuração anual dos tributos, se o total dos tributos a ser pago for maior do que o que já foi pago por estimativa, deve-se efetuar o pagamento do restante em quota única no primeiro trimestre do ano seguinte, caso contrário há a compensação dos tributos ou restituição. Ambos os casos corrigidos pela taxa SELIC. Neves e Viceconti (2007) Se nos pagamentos mensais por estimativa, os balancetes mensais comprovarem que até aquela data já houve pagamentos superiores ao imposto devido, somado os meses até aquela data, não precisa efetuar pagamento por estimativa naquele mês. 1.2.3.1 Adições Para efetuar o cômputo da base de cálculo do lucro real é necessário adicionar algumas despesas que diminuíram o lucro contábil. Tal procedimento é pré-definido no Regulamento do Imposto de Renda, que preza que algumas despesas que não fazem parte da manutenção da atividade da empresa devem ser adicionadas ao lucro. Neves e Viceconti (2007). De maneira geral as adições devem ser I – os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, que acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II – os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computadas na determinação do lucro real. Pode-se citar alguns exemplos como: multas de trânsito, provisões para créditos de liquidação duvidosa, doações indedutíveis, lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, despesas com brindes, entre outras. Neves e Viceconti (2007). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 1.2.3.2 Exclusões Visando transformar o lucro contábil de forma mais transparente para o fisco, algumas exclusões são autorizadas, para que a empresa diminua do lucro contábil, geralmente por que foram tributadas anteriormente na mesma companhia ou por outra organização à ela vinculada. Neves e Viceconti (2007). As exclusões representam: I – os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; II – os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computadas na apuração do lucro líquido do período de apuração. Pode-se citar como exemplos: lucros já tributados em outras empresas – avaliadas pelo método de equivalência patrimonial, dividendos e lucros avaliados pelo método de custo, entre outros. Neves e Viceconti (2007). 1.2.3.3 Compensações As compensações autorizadas pela legislação correspondem àquelas referentes à prejuízos fiscais ocorridos. Quando efetuado o calculo do lucro contábil mais as adições menos as exclusões expressar resultado negativo não há obrigatoriedade de efetuar pagamento de IRPJ e CSLL, sendo ainda possível sua compensação em exercícios futuros. Higuchi, (et al, 2009) 1.2.4 Lucro Presumido O Lucro Presumido, segundo Higuchi, (et al, 2009) compreende uma base de cálculo determinada mediante aplicação de percentuais previamente fixados, de acordo com a atividade da pessoa jurídica, sobre a receita bruta auferida no período, sendo o resultado acrescido de outros ganhos, se cabível. Deste modo, compreendese que o lucro presumido é a pré-definição do lucro a ser tributado, o qual posteriormente recebe as alíquotas necessárias à definição do IRPJ e CSLL. As empresas só podem optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido se não forem impedidas legalmente da tributação com base no lucro real. Ou seja, se em algum dos quesitos abaixo relacionados, elencados no art. 14 da Lei n. 9.718/98, a companhia se enquadrar, estará impossibilitado de optar por tal regime tributário. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. I – cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses; II – cujas atividades sejam de instituições financeiras ou equiparadas; III – que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV – que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V – que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, inclusive mediante balanço ou balancete de suspensão ou redução de imposto; VI – cuja atividade seja de “factoring” VII – que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. (MP 472, de 2009, art. 22). Esta alteração é inaplicável em 2010. No inciso I do artigo citado anteriormente a legislação explicita que o lucro será presumido da receita total. Na contabilidade temos a receita bruta, na demonstração do resultado do exercício, que não significam a mesma coisa. Receita total abrange, de acordo com a Receita Federal. Higuchi, (et al, 2009, p. 45) a. A receita auferida na atividade objeto da pessoa jurídica (venda de mercadorias ou produtos ou da prestação de serviços etc.); b. As receitas de quaisquer outras fontes não relacionadas diretamente com os objetivos sociais da pessoa jurídica; c. Os ganhos de capital; d. Os ganhos líquidos obtidos em operações de renda variável; e. Os rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa; f. Os rendimentos decorrentes de participações societárias. Na contabilidade tem-se como receita bruta a totalidade do item “a” daquilo elencado pela Receita Federal, adicionados às devoluções, vendas canceladas, descontos incondicionais e IPI. Portanto, para apuração do lucro presumido a receita a ser considerada é aquela que adentrou no interior da empresa não importando se é receita operacional ou outra receita operacional (já que não existe mais o conceito de receita não operacional). Após conhecida a receita da organização é aplicado o percentual para definição da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Conforme art. 15 da Lei n. 9.249/95: I – 1,6% na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II – 8% na venda de mercadorias e produtos; III – 8% na prestação de serviços de transporte de cargas; IV – 8% na prestação de serviços hospitalares; V – 8% na venda de imóveis das empresas com esse objeto social; (art. 3º, § 7º, da IN n. 93/97); VI – 8% nas indústrias gráficas; VII – 8% na construção civil por empreitada com emprego de materiais; VIII – 16% na prestação de serviços de transporte, exceto de cargas; Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. IX – 16% na prestação de serviços em geral pelas pessoas jurídicas com receita bruta anual de até R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), exceto serviços hospitalares, transportes e profissões regulamentadas (art. 40 da Lei n. 9.250/95); X – 32% na prestação de demais serviços não incluídos nos incisos anteriores. Analisando somente as companhias de construção civil, se relacionado ao inciso V só será considerado a aplicação do percentual de 8% se tratando da receita da venda de estoque de imóveis, com atividade de incorporação de preditos, loteamento de terrenos ou compra e venda de imóveis. Tal percentual não se aplica na ocasião da venda de imóveis do imobilizado. Particularmente ao inciso VII o ADN n. 6, de 13/01/1997 o percentual aplicado na receita total do ramo da construção civil fica assim definido: I – 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; II – 32% quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, ou seja, sem o emprego de materiais. Após definida a base de cálculo, é necessário observar as adições aplicadas à ela. Com exceção da receita operacional da companhia que recebe o percentual para definição do lucro presumido as demais fontes da companhia são adicionados sem aplicação de percentual, ou seja sua totalidade é adicionada ao lucro presumido anteriormente, posteriormente é aplicado a alíquota do IRPJ de 15% deste, mais adicional de 10%, da parcela do lucro tributável diminuídos R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) trimestralmente. Para o cômputo da CSLL são observados os mesmos procedimentos do IRPJ, com exceção do adicional de 10% e das deduções de IRPJ retido na fonte. Cabe observação do percentual aplicado na receita operacional da empresa, que é de 12% para presunção do lucro e a alíquota da CSLL de 9%. Higuchi, (et al, 2009) É necessário na contabilidade das empresas optantes pelo lucro presumido a escrituração contábil nos termos da legislação comercial (diário e razão), mecanizado ou não, com obrigação de levantar anualmente o balanço patrimonial e o resultado econômico. 1.2.5 Lucro Arbitrado Para Higuchi, (et al, 2009) o Lucro Arbitrado é um regime tributário, que consiste em coagir a empresa, no pagamento de tributos, devido a contabilidade deficiente ou inexistência de livros fiscais e contábeis, ocasionados de propósito, caso fortuito ou força maior, determinando um percentual majorado a ser aplicado sobre a receita bruta (se conhecida, caso contrário o fisco possui outros procedimentos). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Pode-se citar como exemplo um incêndio ocorrido nos arquivos da empresa, comprometendo todos os registros contábeis dela, o que faz com que não haja documentos para se calcular o resultado, dá-se então o arbitramento do lucro. Conforme art. 47 da Lei n. 8.981/95 e art. 530 do RIR/99 classificam-se no lucro arbitrado as companhias que forem constatados: I – escrituração imprestável; II – não-apresentação de livros comerciais e fiscais; III – não-apresentação de livro ou fichas de razão; IV – não escriturar ou não apresentar os livros ou registros auxiliares de que tratam o § 2º do art. 177 da Lei n. 6.404, de 1976, e § 2º do art. 8º do Decreto-lei n. 1.598, de 1977. Geralmente, o arbitramento do lucro dá-se por responsabilidade do fisco quando não satisfeito da comprovação da contabilidade solicitada. Atualmente o contribuinte também pode optar pela tributação arbitrada desde que conhecida a receita bruta e ocorrido caso de força maior para não apresentação da escrituração contábil da empresa. Para determinação dos percentuais a serem aplicados na receita bruta, o art. 16 da Lei n. 9.249/95 explicita sobre eles: “O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de 20%”. Conclui-se que os percentuais observados em tal regime tributário são aqueles referentes ao lucro presumido, acrescidos de 20%, observados os ramos de atividade das empresas. Se não conhecida a receita bruta da companhia o fisco possui conforme art. 51 da Lei n. 8.981/95 oito alternativas que podem ser o lucro real do último período em que a empresa manteve a escrituração, soma dos ativos, patrimônio líquido, compras de mercadorias, folha de pagamentos, valor de aluguel, etc. 1.2.6 Simples Nacional Simples Nacional trata-se de um regime tributário específico para micro e pequenas empresas que possuem certa precariedade em suas informações contábeis, bastando que se tenha conhecimento da Receita Bruta, para que se defina o imposto a pagar. Instituída pela LC n. 123 de 2006, alterada pela legislação posterior, configurando-se assim o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, sendo mais conhecido como Simples Nacional, sua vigência é a partir da data do dia 01 de julho de 2007. Foi revogada a Lei n. 9.317, de 1966, que havia Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. instituído o Simples Federal. Sua publicidade foi marcada pela simplicidade da tributação, pois a unificação facilitaria o trabalho do micro empresário e do contador. Não havendo a mesma necessidade, por exemplo, de escrituração similar à do lucro real, que é bem complexa. Seu nome deriva da simplicidade de se conhecer o tributo a pagar, bastando que se conheça a receita bruta e aplicando-se a alíquota definida. Não possui créditos, presunções ou compensações. A aplicação do Simples Nacional dá-se observando a atividade econômica da empresa. Como a tentativa do Governo é facilitar a vida das empresas no pagamento de seus tributos, bem como sua fiscalização, há diversos impedimentos para adoção do Simples Nacional. Art. 3º, § 4, da LC n. 123 de 2006: I – de cujo capital participe outra pessoa jurídica; II – que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; III – de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV – cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V – cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; VI – constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VII – que participe do capital de outra pessoa jurídica; VIII – que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; IX – resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores; X – constituída sob a forma de sociedade por ações. Depois de verificada se a empresa pode ou não adotar o regime de tributação Simples Nacional, é preciso ver em qual anexo está inserido sua atividade operacional. Cada segmento: comércio, serviços e indústria possuem alíquotas diferentes que variam de 4% a 22,9% sobre a receita bruta. É compreendida pela legislação do simples nacional o montante da folha de pagamento de funcionários para definição do tributo a pagar que conforme a Art. 13 da LC n. 123 de 2006. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. I – de cujo capital participe outra pessoa jurídica; II – que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; III – de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV – cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V – cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; VI – constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VII – que participe do capital de outra pessoa jurídica; VIII – que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; IX – resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores; X – constituída sob a forma de sociedade por ações. Percebe-se que o Simples Nacional possui diversas vantagens em relação aos demais regimes tributários, porém para o estudo em questão, este não assume a preferência das opções, tendo em vista que suas limitações são acentuadas e entram em choque facilmente com o segmento da Construção Civil, que geralmente lida com cifras elevadas, não cabendo aprofundamento na análise do Simples Nacional. 2. ESTUDO DE CASO A empresa selecionada para realização do estudo de caso é uma sociedade limitada com sede no estado do Tocantins, cujos dados de identificação serão preservados conforme solicitação dos sócios diretores, bem como da gerência da empresa. Para fins didáticos será utilizado o nome fictício de Construtora Tocantins Ltda. A Construtora Tocantins Ltda atua no Estado do Tocantins, Brasil, com atividade principal de construção civil, mais especificamente no ramo da construção pesada, com operacionalidade em construções de rodovias, ferrovias, obras de terraplenagem e locação de caminhões, máquinas e equipamentos. Conforme proposto como objetivo deste trabalho, o estudo se aplicará na análise dos regimes tributários aplicados a empresa, com vistas a confirmar se estão sendo Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. recolhidos seus tributos federais no regime tributário mais cabível conforme a legislação vigente, sem ônus desnecessários ao departamento financeiro da organização. O estudo limita-se ao IRPJ e CSLL devido seu peso na apuração total dos tributos federais, porém é necessário esclarecer que tal decisão também deve ser ponderada mediante os tributos incidentes sobre a receita: PIS – Programa de Integração Social e COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade, cujas alíquotas também variam de um regime tributário para outro, não devendo ser analisado somente o IRPJ e CSLL, como instrumentos decisivos para o processo de escolha do melhor regime tributário para as empresas de construção civil. 2.1 Coleta dos Dados Os dados foram coletados das demonstrações confeccionadas pela administração da companhia concluídas no dia 02 de fevereiro de 2010, que abrange todas as demonstrações contábeis obrigatórias publicadas: Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultados, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, Demonstrações de Fluxos de Caixa e Parecer dos Auditores Independentes. É preciso esclarecer que como a entidade selecionada não é obrigada a publicar suas demonstrações contábeis, elas são reservadas somente à administração da empresa e seus usuários externos, geralmente fisco e bancos. Para realização desta pesquisa, as demonstrações contábeis, os documentos internos, base de dados dos sistemas contábeis e livre acesso aos detalhes das informações contábeis foram gentilmente cedidos sem limitações para o melhor êxito da conclusão do trabalho. Visando alcançar o objetivo de demonstrar qual o melhor regime tributário aplicado às empresas de construção civil detalha-se as operações necessárias para justificar a conclusão do trabalho. 2.2 Regimes de Enquadramentos Os regimes de tributação previstos pela legislação são os seguintes: Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado e Lucro Real em duas opções, Anual e Trimestral. Cada regime tributário apresenta, como explicitado anteriormente, quais as características das empresas que pretendem adotá-lo. Caso haja algum impedimento na operação da companhia é vedada sua adoção naquele intencionado, ficando o lucro real aberto a todas as empresas, sem impedimentos, sendo, entretanto, o mais complexo para executá-lo, necessitando de escrituração contábil completa, softwares que garantam as informações precisas e recursos humanos capacitados para executar Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. tanto as contabilizações, quanto o fechamento das demonstrações contábeis, incluindo a apuração dos tributos. 2.3 Regime de Tributação no Simples Nacional O Simples Nacional é um regime tributário relativamente novo, tendo em vista seu antecessor Simples Federal não adequar-se à maioria das micro e pequenas empresas, principal usuário deste regime tributário. Em essência é um regime tributário fácil de apurar os tributos, pois não é exigida, para fins fiscais, escrituração contábil completa, bastando o livro caixa para que se obtenha informações sobre o faturamento bruto, o qual é a própria base de cálculo. Após, é aplicado a alíquota correspondente, deste modo, sendo conhecido todos os tributos incluídos no sistema de arrecadação previsto. Na pesquisa, não foi possível realizar análise da empresa selecionada no regime tributário Simples Nacional, pois houve os seguintes impedimentos relacionados abaixo. LC n. 123 de 2006: • Faturamento superior a R$ 2.400.000,00 anual; • Titular ou sócio participando com mais de 10% do capital de outra empresa não inscrita no Simples Nacional; • Participação do capital de outra pessoa jurídica; • Realização de cessão ou locação de mão-de-obra; • Cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. Portanto, considera-se o Simples Nacional como um regime tributário que não fará parte da análise dos regimes tributário aplicados à Construção Civil, no estudo de caso em questão. 2.4 Regime de Tributação no Lucro Arbitrado A tributação no Lucro Arbitrado não é encarado fruto de um Planejamento Tributário, pois há obrigatoriedade de adoção aquelas empresas que não possuam registros explícitos e seguros de suas informações contábeis, sejam por qualquer motivo, interno ou externo. Como exemplo, cita-se se uma companhia passar por problemas na gestão que acarretem diversas demissões e trocas constantes de funcionários, diretores, sócios, acionistas, de forma que a empresa tenha uma total desorganização dos seus papéis tornando sua escrituração imprestável, geralmente propositalmente, ou com informações incorretas, bem como a perca de informações Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. importantes que não possam ser comprovadas nas demonstrações contábeis, como exemplo, perca do banco de dados contábeis, que impossibilitem a divulgação das demonstrações contábeis naquele exercício. A companhia pode ter seu lucro arbitrado por vontade própria nas especificações da legislação ou como em sua maioria, o fisco arbitra o lucro de algumas entidades que não fornecem informações fidedignas aos usuários das demonstrações contábeis. Na pesquisa, não foi necessário realizar análise da empresa selecionada, pois não foram encontrados nenhuma situação da legislação que obrigue o arbitramento do lucro da entidade. 2.5 Regime de Tributação no Lucro Presumido O lucro presumido é um regime tributário criado para atender uma grande parte das empresas do Brasil, suas restrições são menores que do simples nacional, a escrituração contábil completa é necessária, porém os procedimentos para o cálculo dos impostos são realizados numa presunção do lucro. Na apuração dos impostos, outra diferença que o lucro presumido apresenta em comparação ao simples nacional é que cada tributo é apurado individualmente. Os prazos de recolhimento são, em sua maioria trimestrais, no caso do IRPJ e CSLL, a afirmação prevalece. Atualmente este é o regime tributário selecionado pela Construtora Tocantins Ltda. As vantagens verificadas por este regime são verificadas pelo menor ônus nos tributos incidentes sobre a receita, PIS e COFINS. No que diz respeito ao IRPJ e CSLL são calculados sobre uma das menores bases de cálculo, 8%, apresentando genericamente como um regime tributário adequado para o ramo, se não constatado nenhum dos impedimentos previstos pela legislação. Apresenta-se abaixo o quadro demonstrativo da apuração dos tributos federais no ano de 2011. Quadro 1 – Demonstrativo anual de reconhecimento do IRPJ e CSLL com base no Lucro Presumido Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Conforme demonstrado acima, percebe-se que durante o 1º trimestre o IRPJ e a CSLL totalizaram R$ 113.573,59, correspondendo a 3,37% do faturamento do mesmo período. Durante o ano esse valor foi reduzido 16% no 2º trimestre, avançando nos demais trimestres para valores maiores que chegaram a R$ 232.233,98 no 3º trimestre e R$ 214.367,30 no 4º trimestre de 2011. Como informação importante, pode-se destacar que o somatório dos tributos pagos no ano de 2011, totalizaram R$ 655.553,40, correspondendo a 2,85% do faturamento do ano de 2011. 2.6 Regime de Tributação no Lucro Real Como adiantado anteriormente o lucro real não apresenta restrições a nenhum tipo de atividade operacional, faturamento, composição do capital, entre outros itens relacionados. A empresa selecionada não está obrigada a adoção do lucro real, porém possui alternativa para adoção deste regime tributário, para apuração dos tributos federais. 2.6.1 Lucro Real Trimestral No Lucro Real Trimestral os tributos não precisam ser pagos mensalmente, sendo o resultado, lucro ou prejuízo fiscal apurado trimestralmente, compreendendo cada trimestre um exercício social. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Segue abaixo a demonstração da apuração trimestral do IRPJ e CSLL da empresa selecionada para o Estudo de Caso: Quadro 2 – Demonstrativo anual de reconhecimento do IRPJ e CSLL com base no Lucro Real Trimestral Conforme apresentado na tabela anterior o valor do IRPJ e CSLL é definido de maneira diferente se comparado ao Lucro Presumido, ainda que ambos os regimes tenham periodicidade trimestral para reconhecimento. Inicialmente no 1º e 2º trimestre o Lucro Fiscal fica negativo, impossibilitando assim o cálculo do IRPJ e CSLL. Nos demais trimestres o valor do IRPJ e CSLL é apurado utilizando-se a compensação permitida pela legislação tributária no montante de 30% do lucro apurado no trimestre posterior. Conclui-se que no Lucro Real Trimestral, durante o ano de 2011, seriam pagos o valor total de R$ 1.132.675,63 somando-se o IRPJ e CSLL, correspondendo a 4,93% do faturamento do ano analisado. 2.6.2 Lucro Real Anual No Lucro Real Anual, o pagamento do IRPJ e CSLL, tributos objetos do estudo, são realizados mensalmente, com estimativas medidas pelo faturamento bruto e receitas financeiras, em geral. O Lucro Real Anual é o mais flexível dos regimes tributários existentes Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. atualmente pelas legislações fiscais, pois contempla dentro de um exercício social vários ajuste possíveis para que os tributos incidentes sobre o lucro sejam os mais realistas possíveis, dentro da visão do sujeito ativo, sendo válido apenas o resultado anual, porém com obrigações mensais. Quadro 3 - Demonstrativo anual de reconhecimento do IRPJ e CSLL com base no Lucro Real Anual Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. O Lucro Real Anual apresenta uma das metodologias mais complexas para composição dos dados a serem utilizados para que se defina a base de cálculo do IRPJ e CSLL que é o Lucro Real da empresa no período. É facultada à organização a apuração do Lucro do período conforme seu lucro real mensal, obtido através do balancete que pode ocasionar uma redução dos tributos a pagar ou a suspensão destes, temporariamente. Para algumas companhias, o resultado mensal pode ser algo mais complexo para que seja definido todos os meses com exatidão, a dificuldades de logística dos documentos é a principal delas, algumas notas fiscais demoram muito pra chegar à contabilidade, como também outros fatores podem impedir a apuração mensal do lucro contábil e posteriormente definição do lucro real. Outra maneira de chegar-se ao IRPJ e CSLL pode ser utilizando-se uma base de cálculo estimada, que obedece em sua essência o procedimento adotado no Lucro Presumido. Após o cômputo do lucro são recolhidos IRPJ e CSLL estimados durante o ano e no final do exercício social é realizado o ajuste anual, que pode resultar em IRPJ e CSLL a pagar, a restituir ou ainda nulo, onde o valor devido é o realmente pago. No estudo de caso da empresa selecionada, o lucro real com ajuste do lucro contábil mensal apontou um prejuízo durante os onze primeiros meses do ano, pois não houve faturamento significativo que comportasse o valor dos custos e despesas; em dezembro, foi que houve a definição dos tributos a pagar, que totalizaram R$ 489.855,17 referente ao exercício social de 2011. Um percentual de 2,13%, se comparado ao faturamento anual da empresa. 2.7 Comparação dos Regimes Tributários A comparação dos regimes tributários aplicados ao setor da construção civil pode seguir uma mesma linha de raciocínio se comparado a empresa selecionada, pois suas receitas, custos e despesas são muito parecidos de uma empresa para outra, alterando-se apenas os valores algébricos apurados. Na comparação dos regimes tributários aplicados ao setor é elaborado o seguinte gráfico que transparece os resultados no final do exercício social, demonstrando a proporção dos tributos IRPJ e CSLL apurados conforme cada regime tributário em relação ao total da receita líquida reconhecida. Gráfico 1 – Comparação dos Regimes Tributários aplicados às empresas de Construção Civil Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Fonte: Dados da Pesquisa Inicialmente percebe-se o montante reconhecido pelo Lucro Real Anual que corresponde a 2,13%, seguido pelo Lucro Presumido que traz 2,85%, acompanhado do Lucro Real Trimestral que aponta 4,93% do total a receita líquida, reconhecidos como IRPJ e CSLL do período analisado. Esta análise transparece que se a empresa mudasse seu regime tributário para o Lucro Real Anual, o valor desembolsado no final do exercício social seria de R$ 2,13 para cada R$ 100,00 recebidos. Em contrapartida o Lucro Presumido deve-se para os mesmos recebimentos o valor de R$ 2,85, e o Lucro Real Trimestral apresenta a pior opção que a empresa poderia escolher, sendo devidos R$ 4,93 para cada R$ 100,00 recebidos. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. CONCLUSÃO Percebe-se que as empresas de construção civil possuem algumas diferenças se comparado a outros ramos de atividade empresarial. As construtoras são as maiores fornecedoras de serviços para o sujeito ativo, ou seja, elas são responsáveis por grande parte dos investimentos realizados pelo governo que se concentram nas ruas, escolas, ferrovias, pontes, órgãos públicos entre outros. Foi constatado também que as empresas de construção civil, devido sua carteira de clientes são obrigadas a emitirem parecer de auditoria independente, para constatação que o governo não está aplicando recursos em companhias que não cumprem suas obrigações em dias. É notório esclarecer também, como foi detalhado na pesquisa, que a operacionalidade dos recebimentos e dispêndios das empresas de construção civil não apresentam regularidade de um mês para outro, podendo ocasionar diferentes resultados se analisados seus meses independentes. Visando atender aos objetivos previamente estabelecidos foi realizada uma pesquisa que apontou os regimes tributários previstos pela legislação, sendo descritos o Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado e Lucro Real Trimestral e Lucro Real Anual. A análise do Simples Nacional não foi permitida pelos itens elencados anteriormente, porém na construção civil é aplicado para algumas pessoas físicas que operam como Empresários Individuais, obedecendo ao limite de faturamento estabelecido pela legislação vigente. O Lucro Arbitrado não foi analisado neste Estudo de Caso. A pesquisa concentrou-se, portanto nos regimes tributários: Lucro Presumido, Lucro Real Trimestral e Lucro Real Anual. Foi detectado que o Lucro Real Anual é a melhor escolha para o setor, com resultados apurados pelo estudo de caso que apontou o menor percentual verificado, de apenas 2,13% de IRPJ e CSLL devidos em relação ao faturamento da organização.Fica-se assim definido com melhor regime de tributação para as empresas de construção civil o Lucro Real Anual. Conclui-se, portanto que são necessários estudos sobre planejamento tributário que identifiquem os regimes de tributação que melhor se aplicam as empresas. Neste sentido é que fica então a sugestão de pesquisas posteriores que testem em outras empresas do mesmo ramo de atividade e de outros ramos, a melhor forma de tributação a ser aplicada, bem como demais tributos incidentes na empresa. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. AMBROZEWICS, Paulo Henrique Laporte. Qualidade na prática: conceitos e ferramentas. Curitiba: SENAI, 2003. ANTÔNIO, Paulo Joaquim. Manual de contabilidade e tributos de construtoras e imobiliárias. São Paulo: Atlas, 2003. Ato Declaratório Normativo n. 6 de COSIT publicado no DOU na pag. 13 /01 /1997 Coordenação-Geral de tributação 00794 em 15 /01 /1997. Disponível em < h t t p : / / s i j u t . f a z e n d a . g o v. b r / n e t a c g i / n p h b r s ? s 1 = A D N 0 0 0 0 0 0 6 1 9 9 7 0 11301$.CHAT.ECOSIT.ORGA.&l=0&p=1&u=/netahtml/Pesquisa.htm&r=0&f=S&d=SIA T&SECT1=SIATW3>. Acesso em 30 de setembro de 2010. BÍBLIA DA LIDERANÇA. Gênesis. Português. A Bíblia Sagrada: antigo e novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007. p. 37-47. BRASIL. Lei n. 4.591, de 16 de dezembro de 1964. Dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias. Brasília, DF, 17 de dezembro de 2004. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4591.htm>. Acesso em 15 mai. 2010. BRASIL. Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o sistema tributário nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Diário oficial da união, Brasília, Distrito Federal, pub. 27/10/1966. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/L9718.htm>. Acesso em 30 de setembro de 2010. BRASIL. Receita Federal. Instrução Normativa SRF n. 093, de 24 de Dezembro de 1997. Dispõe sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do ano-calendário de 1997. Alterada pela IN SRF n. 15/99, de 12 de fevereiro de 1999. Disponível em <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/ins/Ant2001/1997/insrf09397.htm>. Acesso em 30 de setembro de 2010. BRASIL. Congresso Nacional. Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Altera a legislação do imposto de renda das pessoas físicas e dá outras providências. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9250.htm>. Acesso em 30 de setembro de 2010. BRASIL. Congresso Nacional. Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Altera a legislação tributária Federal e dá outras providências. Disponível em Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L8981.htm BRASIL. Presidente da República. Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 (Decreto n.3.000, de 26 de março de 1999). Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ ccivil03/decreto/d3000.htm>. Acesso em: 30 de setembro de 2010. BRASIL. Receita Federal. Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Altera a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como da contribuição social sobre o lucro líquido, e dá outras providências. Disponível em <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/Leis/Ant2001/lei924995.htm>. Acesso em: 30 de outubro de 2010. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/LCP/Lcp123.htm BUSTO, Cristiano V. Fernandes. Fato gerador e hipótese de incidência tributária. 8 d e j a n e i r o d e 2 0 0 7 . D i s p o n í v e l e m : <http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=1686>. Acesso em: 14 mai. 2010. Constituição 1988: Texto Constitucional de 5 de outubro de 1988. Brasília: Atual. 1988. Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 1988 COSTA, Magnus Amaral da. Contabilidade da construção civil e atividade imobiliária. São Paulo: Atlas, 2000. COSTA, Paulo Andres. O INSS e a construção civil . Jus Navigandi, Teresina, ano 4, n. 37, dez. 1999. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1491>. Acesso em: 14 mai. 2010. EQUIPE PORTAL DA CONTABILIDADE. História da Contabilidade. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/historia.htm>. Acesso em: 14 mai. 2010. FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2001. FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributaria. 10. ed. São Paulo, Atlas, 2007. FERREIRA, Amélia R.; THEÓPHILO, Carlos R. Contabilidade da Construção Civil: Estudo sobre as formas de mensuração e reconhecimento de resultados. RIC/UFPE Revista de Informação Contábil Vol. 1, no 1 p. 49-67, set/2007. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI: O minidicionário da língua portuguesa. 5. ed. ver. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. FIPECAFI – Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de Contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. HARADA, Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das Empresas. Interpretação e Prática. 35. ed. São Paulo: IR Publicações Ltda., 2010. IUDICIBUS, Sérgio de, MARION, José Carlos: Curso de Contabilidade para não Contadores. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 10 ed. São Paulo: Altas, 2003 MICHAELIS. Taxa. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/ index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=taxa> Acesso em: 30 de setembro de 2010. NEVES, Silvério das. Curso prático de Imposto de Renda pessoa jurídica e tributos conexos: CSLL, PIS e COFINS. 13. ed. atual., ver. e ampl. São Paulo: Frase Editora, 2007 O ESTADO DE S. PAULO (2010). Incorporadoras crescem e geram vagas formais. D e 2 6 d e a b r i l d e 2 0 1 0 . D i s p o n í v e l e m : <http://www.estadao.com.br/noticia_imp.php?req=not_imp542968,0.php>. Acesso em: 06 mai. 2010. O ESTADO DO PARANÁ. Carga tributária na construção civil é de 44%. De 19 de julho de 2008. Disponível em: <http://www.paranaonline.com.br/editoria/economia/news/83483/>. Acesso em: 18 mai. 2010. SÁ, Antônio Lopes de. Teoria da contabilidade. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2006. SANTOS, Claudoarte Gomes dos; OLIVEIRA, Arnaldo Marinho de; BARROS, Antônio Luiz dos Santos. Contabilidade nas Construtoras e Imobiliárias: Aspectos Contábeis e Fiscais. Goiânia: DCA Auditores, 2006. SAMPAIO, Marcio Eduardo Corrêa. O que é Planejamento? Disponível em: < h t t p : / / w w w. a d m i n i s t r a d o r e s . c o m . b r / i n f o r m e - s e / a r t i g o s / o - q u e - e planejamento/39381/>. Acesso em: 12 mai. 2010. ZANLUCA, Júlio César. O Contabilista e o Planejamento Tributário. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/planejamentofiscal.htm>. Acesso em: 12 mai. 2010. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. LEI GERAL COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE DOS PEQUENOS NEGÓCIOS: UMA ABORDAGEM TEÓRICA Emerson Montenegro Lima ¹; RESUMO: O presente artigo tem por objetivo abordar a importância do desenvolvimento de políticas públicas de simplificação, racionalização, desburocratização e desoneração do ambiente dos pequenos negócios, numa perspectiva de aumento da sua competitividade. Procura-se apresentar, no decorrer do texto, um recorte histórico sobre a Lei Geral das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, considerada a mais importante política pública de incentivo aos pequenos negócios, pontuando suas características e principais contribuições. Ao abordar a competitividade, tratou-se dos conceitos e abordagens teóricas relacionadas a esse tema, destacando uma releitura sobre a perspectiva dominante no meio acadêmico sobre a definição proposta por Michael Porter, considerado o autor mais importante no assunto. PALAVRAS-CHAVE: Lei Geral. Institucionalismo. Competitividade. Pequenos Negócios. ABSTRACT: This article aims to target the importance of developing public policies simplification, rationalization, debureaucratization and tax of relief small businesses with a view to increasing their competitiveness. Presents, in the course of the text, a historical portrait of the General Law of Micro and Small Enterprises, considered the most important public policy of encouraging small business, highlighting its characteristics and main contributions. In addressing competitiveness, we treat the concepts and theoretical approaches related to this issue, highlighting a reinterpretation 1 Mestrando do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Do Tocantins. E-mail: [email protected]. Este artigo é parte da avaliação das disciplinas Seminários Interdisciplinares I e Teorias do Desenvolvimento do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Tocantins-UFT. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. of the dominant perspective in academia on the definition proposed by Michael Porter, considered the most important author on the subject KEYWORDS: General Law. Intuitionalism. Competitiveness. Small Business. INTRODUÇÃO A criação da Lei Geral (LG), instituída pela Lei Complementar 123 de dezembro de 2006, que estabelece normas gerais ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às MPE no âmbito dos poderes da União, Estados e Munícipios foi um passo decisivo no sentido de tangibilizar àquilo que o legislador constituinte estabeleceu no artigo 146, Inciso I, alínea “d”, da Constituição Federal. O presente trabalho tem, portanto por objetivo fazer um resgate histórico sobre os principais aspectos que permearam a criação e implementação dessa relevante política pública, partindo não só da apresentação pura e simples desses aspectos, mas, sobretudo, provocando uma reflexão a cerca das contribuições e benefícios oriundos do surgimento da Lei Geral (LG), se constituindo numa instituição decisiva para o desenvolvimento das microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). Ao retomarmos alguns aspectos sobre o tema, salientamos, e buscamos justificar, a importância de uma política pública, que tem como objetivo primordial melhorar o ambiente de negócios para as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), no intuito de reduzir os entraves existentes na legislação que dificultam entre outras coisas a formalização e crescimento dos pequenos negócios, tendo como consequência natural o impacto negativo no desenvolvimento socioeconômico do País. Além desta introdução este artigo apresenta: uma seção que faz uma breve contextualização conceitual sobre o Institucionalismo e seu papel no processo de desenvolvimento. Em seguida uma seção que traça uma breve reflexão conceitual acerca da abordagem da competitividade num releitura da visão de Porter e outra seção apresentará uma revisão histórica sobre a Lei Geral (LG) - sua origem, evolução e principais benefícios – numa abordagem teórica que discute a existência desta política pública numa perspectiva de melhoria e de promoção do desenvolvimento econômico do País, por meio dos pequenos negócios. Posteriormente será apresentada uma seção que apresenta o conceito e características dos pequenos negócios no Brasil. Finalizando serão apresentadas as considerações finais. Para efeito de construção e elaboração do artigo foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica a partir da consulta de literatura que abordam a questão do institucionalismo e da competitividade, bem como a utilização de dados Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. secundários sobre o ambiente dos pequenos negócios no Brasil. 1. O INSTITUCIONALISMO E SUA RELAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO O desenvolvimento econômico depende das instituições e as instituições, ao mesmo tempo, são uma medida do desenvolvimento econômico (Pessali. 2010). Dessa forma, no debate que se apresenta nos tempos atuais no campo da teoria econômica cada vez mais se estabelece o olhar com mais atenção para o papel das instituições no processo de impactar diretamente o desenvolvimento econômico. North (1990, p. 3) apud Pessali (2010), descreve instituições como “as regras do jogo em uma sociedade ou […] as restrições criadas pelos homens que dão forma à interação humana”. Chang (2004, p 23) salienta, numa visão do senso comum, que as instituições são dispositivos mais permanentes, ao passo que as políticas são mais facilmente cambiáveis. Já Commons (1924, p. 70), apud Pessali (2010), por exemplo, definiu-as como “ações coletivas controlando, desobstruindo e expandindo ações individuais”. Assim, segundo Pessali (2010) as instituições ganham destaque como engrenagem importante do desenvolvimento, ao mesmo tempo em que podem ser vistas como uma de suas medidas. Por outro lado de acordo com Conceição (2002) as instituições são como engrenagens ou articulações do processo de crescimento econômico que tem lugar em determinado momento de tempo e espaço. Para o autor, a tradição institucionalista — e seu leque de abordagens — tem uma importante vinculação com o processo de crescimento econômico. Nesse contexto, evidencia-se o papel importante que as instituições desempenham no processo de desenvolvimento econômico de um país, de um estado, de uma região ou de um setor. Nessa perspectiva para North (1973) apud Gala (2003), a chave do problema econômico não está no avanço tecnológico ou na acumulação de capital. Está nas regras ou arranjos institucionais que estimulam ou inibem atividades nesse sentido. O que a literatura econômica atual considera causas do crescimento nada mais são do que consequências de uma dada matriz institucional específica. No limite, as causas do crescimento, identificadas por essa visão, são o próprio crescimento. Conforme esse entendimento de North (1973), segundo Gala (2003), para o autor, estudar o desenvolvimento econômico significa, portanto, estudar o desenvolvimento institucional. Assim sendo, os principais aspectos que retratam a “Teoria Geral” proposta por North quanto ao desempenho econômico se traduz em: Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. O ambiente econômico e social dos agentes é permeado por incerteza. A principal consequência dessa incerteza são os custos de transação. Estes podem ser divididos em problemas de measurement e enforcement. Para reduzirem os custos de transação e coordenar as atividades humanas, as sociedades desenvolvem instituições. Estas são um contínuo de regras com dois extremos: formais e informais. O conjunto dessas regras pode ser encontrado na matriz institucional das sociedades. A dinâmica dessa matriz será sempre path dependent. A partir dessa matriz, definem-se os estímulos para o surgimento de organizações que podem ser econômicas, sociais e políticas. Estas interagem entre si, com os recursos econômicos — que junto com a tecnologia empregada definem os transformation costs tradicionais da teoria econômica — e com a própria matriz institucional — que define os transaction costs — e são, portanto, responsáveis pela evolução institucional e pelo desempenho econômico das sociedades ao longo do tempo. 2. O CONCEITO DE COMPETITIVIDADE Antes de tudo faz-se necessário traçarmos uma linha conceitual sobre a competitividade, considerando a perspectiva de alguns autores pesquisados. Isso porque nos últimos tempos, notadamente a partir da década de 70, o tema da competitividade vem sendo bastante explorado e discutido teoricamente pelos estudiosos, como fator primordial no processo de desenvolvimento. Souza (2005) apud Ricardo (1817) aborda a questão da competitividade por intermédio da compreensão da análise das vantagens comparativas, que se baseia no estabelecimento de um processo de intercâmbio, onde os envolvidos nas transações são mutuamente beneficiados nas relações. Partindo desse conceito, dois países podem se beneficiar com o comércio, se cada um tivesse uma vantagem relativa na produção. Ou seja, significava que um país possui vantagem na produção do bem “X” em relação ao outro país na medida em que o custo de oportunidade da produção desse bem “X” no país for menor do que esse mesmo custo em comparação com o outro país. Vale ressaltar que essa abordagem ricardiana está centrada no campo das teorias de comércio internacional. De outra forma, o tema da competitividade também é abordado numa visão mais geral, onde os conceitos estão relacionados ao campo das teorias ligadas a indústria ou a empresa. Para este trabalho centraremos nossos esforços em traçar um panorama conceitual Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. tendo como elemento central a empresa Assim nesse sentido, destaca-se o trabalho de Chudnovsky (1990) que buscou sistematizar varias definições de competitividade, propondo a existência de enfoques macroeconômicos e microeconômicos para os conceitos de competitividade, apresentados de acordo com os quadros abaixo, a partir da análise de Nunes Filho (2006): Quadro 01- Definições de Competitividade – Conceito da firma. Definições centradas o conceito da firma “Competitividade é a aptidão de vender aquilo que é produzido” ( MATHIS et al, 1988). "Significa a capacidade das empresas de um dado país de conceber / desenhar, desenvolver, produzir e vender seus produtos em concorrência com outras empresas baseadas em outros países." (ALIC, 1987, pág. 5) "A competitividade industrial é uma medida da capacidade imediata e futura dos empresários de conceber, produzir e vender produtos cujos atributos em termos de preço e além dos preços configurem um pacote mais atrativo que os produtos similares oferecidos pelos competidores: onde o juiz final será o mercado." (European Management Forum, 1980, citado porCHESNAIS, 1981, pág.10). "A capacidade de uma indústria (ou empresa) de produzir bens com padrões de qualidade específicos, requeridos por determinados mercados, utilizando recursos em níveis iguais ou inferiores aos utilizados por indústria semelhantes no resto do mundo por um determinado período de tempo" (Haguenauer, 1989, pag. 23). "Uma economia é competitiva na produção de um determinado bem quando pode, pelo menos, igualar os padrões de eficiência vigentes no resto do mundo em termos de utilização de recursos e qualidade do bem ." (Tavares de ARAUJO JÚNIOR et al, 1989) "Uma firma (ou uma economia nacional) será competitiva se é vitoriosa (possui uma boa colocação) em sua confrontação com seus competidores no mercado (nacional ou mundial)." (MICHALET, 1981, subrayado en el original) Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Quadro 02 - Definições de Competitividade – Conceito da firma. Definições centradas na capacidade de uma economia nacional em atuar no comércio internacional "Se identifica a competitividade com a capacidade de fazer retroceder os limites de restrição externa." (MATHIS, et al, 1988) "A capacidade de um país (ou grupo de países) de enfrentar a competição a nível mundial. Inclusive tanto a capacidade de um país exportar e vender nos mercados externos como sua capacidade de defender seu próprio mercado doméstico da excessiva penetração das importações" (CHESNAIS, 1981, pág. 8). “É basicamente a participação das exportações de um país no mercado mundial” (FOUQUIN, 1986). Fonte: Elaborado a partir do texto La Competitividad Intenacional: Principales Cuestiones Conceptuales y Metodológicas. CHUDNOVSKY, 1990. Elaboração Nunes Filho (2006). Quadro 03- Definições de Competitividade e conceito da Firma. Definições centradas não apenas em termos de comércio internacional ou da defesa do mercado nacional, mas no bem estar econômico e aumento do nível de renda "É quando uma nação pode, em condições de livre comércio, produzir bens e serviços que satisfaçam as exigências dos mercados internacionais e simultaneamente, manter ou expandir a renda de seus cidadãos" (President's Commission on Industrial Competitiveness, 1985, pag. 6) "A capacidade de um país em alcançar objetivos fundamentais de política econômica, tais como o crescimento de entradas e empregos, sem incorrer em dificuldades na balança de pagamentos " (FAGERBERG, 1988, pag. 355) "A capacidade de produzir, distribuir e prover bens e serviços na economia internacional em concorrência com bens e serviços de outros países, e fazêlo de forma a aumentar o nível de vida da população" (SCOTT, 1985, pag.14 y 15) "É quando um país, em um mundo de mercados abertos, produz bens e serviços que satisfaçam as exigências do mercado e simultaneamente expanda seu PIB per capitã, ao menos tão rapidamente quanto seus parceiros comerciais " (JONES Y TEECE, 1988, pag. 108) "A capacidade de um país para sustentar e expandir sua participação nos mercados internacionais e elevar simultaneamente o nível de vida de sua população. Isto exige o incremento da produtividade e, por último, a incorporação de progresso técnico" (FAJNZYLBER, 1988, pag. 13) Fonte: Elaborado a partir do texto La Competitividad Intenacional: Principales Cuestiones Conceptuales y Metodológicas. CHUDNOVSKY, 1990. Elaboração Nunes Filho (2006) Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Ainda segundo Nunes Filho (2006) apud Haguenauer (1989) os conceitos de competitividade podem ser sistematizados em dois grandes grupos. Competitividade baseado no desempenho e na eficiência: 3. CONCEITO DESEMPENHO [...] A noção mais simples, implícita em grande parte dos textos, associa competitividade ao desempenho das exportações industriais. Trata-se de um conceito ex-post, que avalia a competitividade através de seus efeitos sobre o comércio externo: são competitivas as indústrias que ampliam sua participação na oferta internacional de determinados produtos. Além de ser quase intuitivo, a vantagem deste conceito está na facilidade de construção de indicadores, argumento utilizado, por exemplo, por Gonçalves (1987) na análise das exportações brasileiras. É ainda o conceito mais amplo de competitividade, abrangendo não só as condições de produção como todos os fatores que inibem ou ampliam as exportações de produtos e / ou países específicos, como as políticas cambial e comercial, a eficiência dos canais de comercialização e dos sistemas de financiamento, acordos internacionais (entre países ou empresas), estratégias de firmas transnacionais, etc. Mesmo autores que incorporam outros elementos à noção de competitividade enfatizam o papel do desempenho exportador no conceito: “a competitividade consiste na capacidade de um país para manter e expandir sua participação nos mercados internacionais e elevar simultaneamente o nível de vida de sua população. (FAJNZYLBER, 1988, p.13)”.(HAGUENAUER, L. Competitividade: Conceitos e Medidas: Uma resenha da Bibliografia recente com ênfase no caso brasileiro .p.02. 1989) 4. CONCEITO EFICIÊNCIA [...] Outra linha de autores vê a competitividade como uma característica estrutural, conceituando-a como a capacidade de um país de produzir determinados bens igualando ou superando os níveis de eficiência observáveis em outras economias. O crescimento das exportações seria uma provável consequência da competitividade, não sua expressão. Em relação à competitividade no desempenho, é um conceito potencial, exalte, e geralmente restrito às condições de produção.(HAGUENAUER, L.,1989) Mas não resta dúvida que o conceito de competitividade no meio acadêmico discutido atualmente segue, em sua maioria, a definição proposta por Michael Porter. Segundo Porter (1993), a competitividade é a habilidade ou talento resultante de conhecimentos adquiridos capazes de criar e sustentar um desempenho superior ao desenvolvido pela concorrência. Para Porter o desempenho competitivo da empresa deve ser estabelecido a partir da visão da concorrência, considerando-se as seguintes forças: ameaça de novos concorrentes, rivalidade em relação aos concorrentes existentes, ameaça de produtos e serviços substitutos, poder de compra dos clientes e poder de negociação dos fornecedores. Porte considera que para se entender a competitividade deve-se partir dos princípios da organização industrial, o que se Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. denominou de análise estrutural da indústria. Por meio dessa compreensão, Porte condiciona a competitividade ao conhecimento aprofundado da estrutura da indústria. Figura 1- Modelo de Porter Fonte: Fernandes, Bruno Henrique Rocha. Administração Estratégica: da competência empreendedora a avaliação de desempenho. 2012 Aktouf (2002) efetua, contudo severas criticas ao modelo de Michael Porter. Para o autor o modelo e o pensamento de Porter que se transformou segundo ele num decálogo de normas para o uso de gerentes que querem crer-se estratégicos, carece de fragilidades em termos epistemológicos, metodológicos e ideológicos. Aktouf (2002) critica a validade metodológica das ideias de Porter, bem como ao tratamento superficial que é atribuído ao que ele chamou de edifício porteriano, inteiramente construído sobre o postulado da realidade da concorrência e das forças do mercado, sem ter levado em conta teóricos como, Walras, Arrow e Debreu, Lypsey e Lancaster que tratam de questões de preço, capital, valor, equilíbrio, concorrência perfeita e imperfeita. Outro aspecto ressaltado por Aktouf (2002) quanto à fragilidade do pensamento de Porte diz respeito ao entendimento a um questionamento que ele apresenta: será que as nações e os estados, e suas políticas econômicas, podem ser organizados institucional, intelectual, ética, moral, social e politicamente da mesma forma que uma empresa, seja ela qual for ? Evidencia-se a partir do exposto pelos autores nessa seção, e especialmente nas criticas feita àquele considerado como o mais influenciador autor do tema, Michael Porter, que a competividade enquanto fator de desenvolvimento é um tanto quanto Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. complexa, não sendo possível uma discussão e apresentação simplista do assunto, mas sem dúvida a indicação clara da necessidade da conjunção de diversos fatores que permitam explicar e determinar a dinâmica que possibilita o desenvolvimento competitivo de uma empresa ou nação. Está posto que a competitividade é sistêmica e ainda mais ocorre num ambiente institucional bastante complexo 5. LEI GERAL: ORIGEM, EVOLUÇÃO E PRINCIPA A Constituição Federal de 1988 no seu artigo 170 estabelece: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre concorrência; V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII - redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. A preocupação do legislador constituinte foi o de criar um ambiente mais favorável ao exercício da livre iniciativa, possibilitando melhores condições para o desenvolvimento da atividade empresarial. No inciso IX as empresas de pequeno porte tem um destaque especial quando o mesmo ressalta a necessidade de um tratamento diferenciado, favorecido para estas empresas, em função da importância desse segmento na geração de emprego e renda para a economia nacional. Em 2003, com a promulgação da Emenda Constitucional 042/2003, alterava-se o regime tributário nacional. O artigo 146 previu a criação de lei complementar para tratar das normas gerais tributárias abrangendo o tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte. A lei complementar deveria incluir a criação de regimes especiais ou simplificados para arrecadação dos impostos e contribuições devidos pelas micro e pequenas empresas, no âmbito da União, Estados e Municípios. Com participação do Movimento Nacional das Micro e Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Pequenas Empresas (Monampe), a Associação Brasileira dos Sebrae/Estaduais (Abase) e do próprio Sebrae foi realizada uma Oficina de Trabalho em Brasília, da qual saiu uma tomada de posição de apoio às reformas tributárias e da necessidade de colaboração do segmento com a elaboração das emendas constitucionais que viriam a seguir. Por outro lado, na Câmara dos Deputados, a iniciativa ganhou a identificação de Proposta de Emenda Constitucional numero 41ou simplesmente PEC 41. Pouco depois, ainda no ano 2003, foi divulgada pelo Sebrae uma proposta, sob o título de Justiça Fiscal às Micro e Pequenas Empresas – Proposta de Emendas à PEC 41 para Impulsionar os Pequenos Negócios. A proposta consistia em introduzir no capítulo da Constituição referente ao Sistema Tributário Nacional a possibilidade de ser criada uma lei complementar que viesse a regulamentar o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido para os pequenos negócios – ou Lei Geral da Pequena Empresa, como ficou sendo chamada. A aprovação de emenda à PEC 41, permitindo a alteração do artigo 146 da Constituição, foi indispensável para criar a lei complementar. Embora não prevista no texto original da Reforma Tributária, a proposta da criação da Lei Complementar passou a contar com o apoio suprapartidário, tanto no Congresso Nacional quanto do poder Executivo e das entidades representativas das pequenas empresas. Ao mesmo tempo, o Sebrae promoveu uma mobilização nacional pela Lei Geral. Em 05 de outubro – data em que se comemora o Dia da Micro e Pequena Empresa -, o Sebrae e a Abase realizaram, em 26 estados, seminários sobre o tema A Reforma Tributária e a Microempresa – Uma Questão de Desenvolvimento e Justiça Social. Os seminários contaram com a presença de milhares de participantes, entre instituições de representação e apoio ao segmento, empreendedores de pequenos negócios, autoridades, parlamentares, lideranças de classe e formadores de opinião. Foram realizados vários debates, envolvendo grupos de discussão e a aplicação de questionários padronizados, tendo em vista a obtenção de subsídios para a elaboração de um projeto para a Lei Geral. Até mesmo a internet foi utilizada para o recebimento de contribuições, através do site do Sebrae. Os debates em todo o Brasil giraram em torno de dez tópicos: Padronização de conceitos de pequena empresa; Sistemas diferenciados de tributação; Acesso a novos mercados; Acesso à tecnologia; Acesso à Justiça; Exportações; Redução da burocracia; Formalização; Aumento do acesso ao crédito; A luta pela Lei motivou a criação, em 2005, da Frente Empresarial pela Lei Geral, apoiada pelo Sebrae e integrada pelas seguintes confederações nacionais: da Indústria Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. (CNI), do Comércio (CNC), da Agricultura (CNA), dos Transportes (CNT), de Dirigentes Lojistas (CNDL), e das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), dos Jovens Empresários (Conaje) e das Entidades de Micro e Pequenas Empresas (Conempec), da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon). As mobilizações recorreram a vários recursos: carreatas, debates, seminários, panfletagens e outras formas de sensibilização, com ampla participação da sociedade civil organizada. Em junho de 2005, aconteceu um evento denominado de a “Marcha à Brasília”, no qual foi efetuada a entrega oficial da proposta da Lei Geral, para os presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva, do Senado, Renan Calheiros e da Câmara do Deputados, Severino Cavalcanti. A proposta começou a tramitar oficialmente na Câmara dos Deputados, na Comissão Especial da Microempresa, em 16 de novembro de 2005, e a aprovação do substitutivo ocorreu em 13 de dezembro. Ao longo do ano de 2006, os debates intensificaram-se, visando incluir melhorias na proposta e acelerar seu trâmite no Congresso Nacional. A aprovação da proposta pelo Plenário da Câmara dos Deputados aconteceu em 2006, após novas mobilizações de lideranças empresariais e de instituições representativas do segmento, que finalizaram com a entrega, ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo, de um abaixo-assinado com cerca de 400 mil assinaturas coletadas em todo o País pelo Sistema Sebrae. O texto liberado pela Câmara de Deputados seguiu para a avaliação do Senado Federal, onde foi aprovado no dia 8 de novembro, porém com algumas modificações. O projeto voltou então para a Câmara dos Deputados, onde as negociações continuaram, tendo a aprovação final ocorrido no dia 22 do mesmo mês. No dia 14 de dezembro de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Lei Complementar 123/2006. No dia 15, a Lei Geral foi publicada no Diário Oficial da União, entrando imediatamente em vigor. Apenas o capítulo tributário da lei (Simples Nacional) passaria a vigorar a partir de julho de 2007. A Lei Geral surgiu então com o objetivo de melhorar o ambiente de negócios para microempresas e empresas de pequeno porte e a sua concepção contou com a expressiva participação das entidades empresarias, do poder legislativo e poder executivo. A sua publicação é considerado um marco decisivo e um divisor de águas no tocante as políticas públicas direcionadas a atividade empresarial de pequeno porte, pois estabelece um conjunto de mecanismos nas esferas dos poderes da União, dos Estados e dos Municípios, que visam contribuir para o desenvolvimento da Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. competitividade dos pequenos negócios. A Lei sofreu pelo menos quatro complementações ou alterações no sentido de regulamentar diversas partes do texto original por intermédio da LC 127/2007, a LC 128/2008, a LC 133/2009 e a LC 139/2011. Para efeito de enquadramento e definição de microempresa e empresa de pequeno porte foi seguido os mesmos parâmetros adotados pela Lei do SIMPLES federal ( Lei 9.317/96), a saber: - Microempresa (ME): pessoa jurídica que aufere, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 240 mil; - Empresas de Pequeno Porte (EPP): pessoa jurídica que aufere, em cada ano calendário, receita bruta superior a R$ 240 mil e igual ou inferior a R$ 2,4 milhões. Dentre as principais características e diretrizes apresentadas pela Lei Geral no conjunto de seus artigos destacam-se: - apuração e recolhimento de impostos e contribuições federais, estaduais e municipais mediante regime único de arrecadação, o SIMPLES nacional; -dispensa de cumprimento de algumas obrigações trabalhistas e previdenciárias; - desoneração tributária das receitas de exportação e substituição tributária; - simplificação do processo de abertura, alteração e encerramento das MPE; - facilitação do acesso ao crédito e ao mercado; - preferência às MPE nas aquisições públicas por parte dos órgãos públicos sujeitos a processos licitatórios na compra de produtos e serviços. - estímulo à aquisição de inovações tecnológicas; - incentivo ao associativismo na formação de consórcios para fomentação de Negócios; - regulamentação da figura do pequeno empresário, criando condições para sua formalização; Uma mudança que a Lei Geral trouxe foi o das empresas de pequeno porte passar a acrescer ao nome da empresa as expressões “Microempresa” ou “Empresa de Pequeno Porte”, ou as abreviações, “ME” ou “EPP”, conforme o caso. Foi instituído o Comitê Gestor da Redesim (CGSIM), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), com o propósito de tratar da racionalização e simplificação do processo de registro e legalização de empresário e de pessoas jurídicas. A implantação da Redesim foi instituída por intermédio da Lei 11.598/2007 e se encontra em fase de implantação em todo o território nacional, transformando-se num benéfico concreto proporcionado pela Lei Geral. Para efeito de coordenação e apoio a plena implantação da Lei Geral foram Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. criados o Comitê Gestor de Tributação, vinculado ao Ministério da Fazenda, e o Fórum Permanente das Microempresas e empresas de Pequeno Porte vinculado ao MIDC. Com relação ao Fórum Permanente das Microempresas e empresas de Pequeno Porte, criado pelo governo federal pelo Decreto nº 6.174,de 1º de agosto de 2007,é importante ressaltar o seu papel de orientar a formulação e a coordenação da política nacional de desenvolvimento do segmento, bem como acompanhar e avaliar a sua implantação. Ainda em 2007 foi fundada a Frente Parlamentar das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, com a participação de 280 deputados e 22 senadores, de todos os partidos e unidades da federação. Outro beneficio gerado pela Lei Geral foi a criação, por intermédio da LC 128/2008, da figura do Agente de Desenvolvimento, que tem a função de auxiliar o processo de implementação e continuidade dos programas e projetos contidos na Lei Geral, bem como promover o desenvolvimento local por meio de ações planejadas e articuladas juntamente com o poder público municipal e as lideranças do setor privado local. Ademais, a mesma LC 128/2008 criou a figura do MEI – Microempreendedor Individual - a partir de uma perspectiva de promover a formalização de atividades empresariais com faturamento e porte inferiores aos das microempresas e empresas de pequeno porte, oportunizando a inclusão empresarial e a redução da informalidade. Este segmento, desde a sua criação, tem crescido de maneira exponencial, numa tendência muito clara de se constituir nos próximos anos no maior numero de empreendimentos do País. Em 2009 por meio do Decreto nº 6.884/2009 foi regulamentado o Comitê para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios – CGSIM, em conformidade com a Lei Geral e com a Lei 11.598/2007. Também foi aprovada a Lei Complementar 133/2009, ampliando as atividades optantes pelo Simples Nacional. No ano de 2010 foram retomadas as discussões acerca de novas melhorias da Lei Geral. Por intermédio de um seminário realizado no Congresso Nacional, a sociedade civil e entidades de representação do setor das pequenas empresas debateram com deputados e senadores novas oportunidades de melhoria da legislação. Nesse aspecto, foi apresentado o PLP 591/10, que altera alguns itens da Lei Geral, como os procedimentos de abertura, registro, funcionamento, exclusão de ofício, recuperação judicial especial; fixa novos limites de valores da receita bruta para a classificação de micro ou pequena empresa; altera processos de recolhimento de tributos e contribuições, negativação de empresas e sócios; apresenta normas gerais Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. para abrandar a substituição tributária e antecipação de fronteira do ICMS; isenta demais as taxas de abertura e funcionamento para empreendedor individual; desonera as obrigações acessórias do trabalhador rural e do empreendedor individual. Surge a Lei nº 12.441/2011, que foi sancionada e passou a permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada, por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, que não poderá ser inferior a 100 vezes o maior salário mínimo vigente no País. Um evento importante nessa trajetória de melhorias da Lei Geral foi a sua promulgação no Distrito Federal, que estimulou com que todos os Estados passassem a ter seus próprios Estatutos da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Por intermédio de duas medidas provisórias que favoreciam às micro e pequenas empresas e o empreendedor individual, no ano de 2011 ocorreram os seguintes melhorias na Lei Geral: redução do INSS para o Empreendedor Individual de 11% para 5% e implantação do Programa de Microcrédito CRESCER. Neste programa subsidiado pelo governo federal, os bancos públicos passaram a oferecer financiamentos de até R$ 15 mil por operação, com juros 86% mais baixos que a média do mercado, para as micro e pequenas empresas e o empreendedor individual e para o empreendedor informal, sem a necessidade de apresentação de garantias. Outro projeto (PLC º 87/2011) faz ajustes na Lei Geral da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e foi apensado ao PLP 591/2010. Este projeto foi sancionado pelo governo federal, transformando-se na Lei Complementar Federal 139/2011. Entre as principais mudanças introduzidas na Lei Geral com essa LC, está o reajuste em 50% das tabelas de enquadramento das empresas no Simples que passaram a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2012. Os tetos passaram de R$ 36 mil para R$ 60 mil, no caso do empreendedor individual, de R$ 240 mil para R$ 360 mil às microempresas e de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões às empresas de pequeno porte. Estes limites referem-se apenas às receitas no mercado nacional. Como estímulo às exportações pelas micro e pequenas empresas, a Lei Complementar 139/2011 estabeleceu que estas poderiam ter receitas adicionais no mercado externo, até o limite de R$3,6 milhões, sem perder o enquadramento. Também importante foi a medida do parcelamento da dívida tributária para os empreendedores que estavam enquadrados no Simples Nacional, o que antes não era permitido. O prazo de pagamento passou para até 60 meses. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 6. OS PEQUENOS NEGÓCIOS NO BRASIL Considerando a sua natureza, especificidades e particularidades, os pequenos negócios são definidos de diversas maneiras e critérios não só no Brasil como no mundo. Não há, portanto um critério único e universalmente aceito para definição de microempresas e empresas de pequeno porte. De acordo com Filion (1990) apud Lima (2001), a maioria das tentativas de definição dos tipos de empresa no mais variados países foi feita não apenas por questões fiscais. Com elas, visa-se também estabelecer critérios de identificação de empresas elegíveis para receber diferentes tipos de benefícios oferecidos pelos governos. Ainda segundo Filion (1991) apud Lima (2001), para os países em geral, a definição do que são a micro, a pequena, a média e a grande empresa é um elemento de base para elaboração de políticas públicas de tratamento diferenciado dos tipos de empresas. Montaño (2001) afirma que para conceituar as pequenas empresas é preciso considerar três aspectos fundamentais. O primeiro deles é a dimensão que se traduz na quantidade de membros da organização, no volume de produção e comercialização, custos de produção, ponto de equilíbrio, numero de mercadorias produzidas e volume de vendas, capital fixo e capital de giro, mercado que atende, volume de lucro, etc. O segundo aspecto está relacionado a sua complexidade, ou seja, a centralização da autoridade e do poder pelo seu reduzido numero de membros, bem como a estratificação referida ao numero de segmentos hierárquicos verticais e a divisão técnica do trabalho, que denota o grau em que as atividades e funções estão divididas e diferenciadas horizontalmente. E o terceiro aspecto que diz respeito a formalização, significando o grau de definição e explicitação de objetivos, normas e planejamento, mas também o nível de cumprimento com as disposições legais. De acordo com Montanõ (2001) é preciso ainda considerar para efeito de definição da microempresa e da empresa de pequeno porte, a determinação de que elas são parte da estrutura econômico-produtiva e nesse sentido é necessário levar em conta a sua composição orgânica do capital. Já de acordo com o SEBRAE (2007), os pequenos negócios são definidos a partir do seu faturamento, considerando o estabelecido na Lei Complementar 123/2006 e na LC 139/2011, ou seja: - Microempreendedor Individual: faturamento de até R$ 60.000,000 - Microempresa: faturamento de até R$ 360.000,00 Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. - Empresa de Pequeno Porte: faturamento entre R$ 360.000,00 até R$ 3.600.000,00 Dessa maneira, em que pese as diferentes formas de conceituação, os pequenos negócios possuem um papel relevante e significativo com relação ao desenvolvimento socioeconômico no Brasil, no que diz respeito principalmente a numero de negócios e número de empregos gerados. Segundo dados do SEBRAE (2010:2011) as microempresas e empresas de pequeno porte representam 99% do universo de empresas no Pais, somam 60% dos empregos gerados e contribuem com 40% da massa salarial. Segundo a Confederação Nacional dos Municipios – CNM - são esses negócios que movimentam a economia local. Sendo assim, considera que criar condições para que os pequenos negócios se fortaleçam e gerem mais emprego e renda é o melhor caminho para gerar um ciclo de prosperidade no município. No que tange a distribuição dos pequenos negócios optantes do Supersimples por região do País, do total de cerca de 7,6 milhões, na região Norte estão presentes 5%, enquanto que praticamente metade, ou seja, 49% dos empreendimentos de pequeno porte estão localizados na região sudeste. É relevante a participação dos pequenos negócios na geração de empregos do País, apresentando um crescimento de aproximadamente 81,5% no numero de empregos gerados em 10 anos, segundo dados do Anuário SEBRAE/Dieese (2012). Pode-se, portanto inferir o impacto positivo dessa geração de empregos no desenvolvimento econômico do País, dos estados e municípios, considerando o aumento das possibilidades de consumo de boa parte da população de baixa renda que constituem a força de trabalhadores da esmagadora maioria dos pequenos negócios. Por conseguinte nos dados relacionado ao aumento de salários constata-se que o crescimento dos salários nos pequenos negócios é exatamente o dobro em relação às médias e grandes empresas, no período compreendido entre 2010 e 2011. Dessa forma, a partir doa dados apresentados, vai se consolidando a tendência das microempresas e empresas de pequeno porte se transformem cada vez mais em categorias socioeconômicas decisivas para o desenvolvimento econômico do Brasil, e nesse sentido também como agentes de inclusão social. É o que diz Montanõ (2001, p 94) quando afirma: Poderíamos dizer, pois, que a PeMeE satélite se constitui num elemento, numa engrenagem, do desenvolvimento econômico; ela é parte de uma alternativa específica da atual fase do desenvolvimento capitalista, a alternativa que, visando a reestruturação produtiva e à globalização política-econômica, constitui uma estratégia da classe hegemônica expressa no projeto neoliberal. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Abramovay (2003), corroborando com esse pensamento destaca que é nos territórios — urbanos ou rurais — que podem ser implantadas políticas voltadas a mobilizar as energias necessárias a que a pobreza seja significativamente reduzida, por meio do fortalecimento do empreendedorismo de pequeno porte. Para ele a vitória sobre a pobreza depende, antes de tudo, do aumento das capacidades produtivas e da inserção em mercados dinâmicos e competitivos dos milhões de famílias cuja reprodução social se origina em seu trabalho “por conta própria”. O alargamento dos horizontes contidos nesta proposição só pode vir de uma política nacional que estimule a ampliação dos vínculos sociais localizados dos que hoje estão em situação de pobreza e este é o sentido maior da noção de desenvolvimento territorial. Evidentemente, está posto que as condições do nível de conhecimento sobre gestão empresarial por parte dos empreendedores que estão à frente dos pequenos negócios é condição sine qua non para que esses empreendimentos consigam alcançar maiores patamares de competitividade e assim melhorar a sua capacidade de fortalecer a economia nacional. Aprimorar a capacidade produtiva por meio do aumento da produtividade e promover a inserção da cultura da inovação em processos e em produtos que tenham maior valor agregado são os desafios a serem enfrentados, visando a condução e a melhoria dos resultados econômicos desses empreendimentos e a sua melhor inserção em mercados aos quais têm hoje acesso precário. Na mesma direção a atitude ou o comportamento empreendedor de quem está à frente de um negócio tem se constituído dia a dia em uma capacidade mais do que necessária, diríamos essencial. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo procurou apresentar a partir de uma abordagem teórica a importância da Lei Geral com instrumento e mecanismo de política pública que oportuniza aos pequenos negócios um tratamento favorável no ambiente de negócios no Brasil, destacando os benefícios na melhoria da competitividade dos pequenos negócios e os impactos gerados por essa instituição no contexto socioeconômico. Há que se ressaltar o papel relevante que os pequenos negócios desempenham na economia nacional, na medida em que contribuem decisivamente no numero de empresas existentes, na geração de empregos e na massa salarial existente no País. Não por acaso, nos últimos tempos cresce a importância dada a esse PeME satélite, segundo o autor são aquelas que produz certa mercadoria ou serviço para uma grande ou média empresa. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. segmento do ponto de vista de ser um dos caminhos estratégicos vislumbrados pelas três esferas de governo na perspectiva de, entre outras coisas, combater ou minimizar a pobreza. Evidentemente os empreendedores que estão dirigindo esses pequenos negócios precisam enfrentar e vencer alguns desafios ou obstáculos que limitam a competitividade do segmento dentro e fora do País, a saber: qualificação profissional, associativismo, aprimoramento de gestão e, especialmente, inovação e aumento da produtividade. Porém, uma discussão interessante que se coloca é a do fato de que existe ainda um caminho a ser percorrido no avanço das políticas públicas regulatórias, mais especificamente da Lei Geral, no que tange a sua efetiva implementação no âmbito das esferas governamentais dos estados e dos municípios. Caminho esse que passa pela aplicação efetiva desse instrumento legal em todos os seus artigos e dispositivos previstos, como forma de proporcionar que os pequenos negócios consolidem o seu papel de protagonistas do desenvolvimento do País, ampliando e melhorando as condições sociais de uma significativa parcela da população empreendedora e trabalhadora que compõem parte desses empreendimentos. Fatores relacionados as regulamentações fiscais e aos tributos devem ser enfrentados de frente com vista a superação de entraves tributários e burocráticos ainda existentes, que fazem com que as microempresas e empresas de pequeno porte tenham reduzidas as suas chances de participar das oportunidades de negócios em, condições de igualdade em relação as médias e grandes empresas. A questão que se coloca é a de que existe uma tendência natural quanto ao fato de que as microempresas e empresas de pequeno porte sofrem mais fortemente os impactos causados pelos desafios competitivos impostos pelo ambiente de negócios contemporâneo. Nesse aspecto se faz necessário a articulação desses pequenos negócios no sentido de desenvolverem estratégias competitivas muitas vezes em rede como forma de se fortalecer e assim aumentar as suas chances de se manterem sustentáveis no seu mercado de atuação. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS A B R A M O VAY, R i c a r d o . D e s e n v o l v e r o s t e r r i t ó r i o s f o r t a l e c e n d o o empreendedorismo de pequeno porte. Relatório Final. Fortaleza 2003. AKTOUF, O. Governança e pensamento estratégico: uma crítica a Michael Porter. Revista de Administração de Empresas. Jul. / Set. 2002. BOTELHO, M. R. Políticas de apoio às pequenas empresas industriais no Brasil: uma avaliação a partir da experiência internacional. 1999. (Tese de Doutorado) – Instituto de Economia –, Universidade de Campinas/São Paulo, 1999. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos – Constituição Federal do Brasil. 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em 05 de Julho de 2013 CHANG, Há-Joon. Chutando a escada: estratégia de desenvolvimento em perspectiva histórica. são Paulo: Editora UNESP, 2004 CHUDNOVSKY, D. La Competitividad Intenacional: Principales Cuestiones Conceptuales y Metodológicas. Documento revisado del estudio preparado para el Centro de Estudios e Investigación de Postgrado CEIPOS), Universidad de la República, Uruguay en enero de 1990 CONCEIÇÃO, Octavio Augusto Camargo. A relação entre processo de crescimento econômico, mudança e instituições na abordagem institucionalista. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 23, Número Especial, P 603-620, 2002. Confederação Nacional de Municípios – CNM e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE. Manual de Desenvolvimento dos Municípios – Brasília: CNM/SEBRAE, 2012. 130 páginas. 2a Edição. Disponível em http://www.portaldodesenvolvimento.org.br/manual-de-desenvolvimento-dosmunicipios-2a-edicao/. Acesso em 03 de julho de 2013. FERNANDES, Bruno Henrique Rocha e Berton Luiz Hamilton. Administração Estratégica: da competência empreendedora a avaliação de desempenho. 2 ed. São Paulo: Saraiva . 2012 GALA, Paulo. A Teoria Institucional de Douglass North. Revista de Economia Política, vol. 23, n. 2 (90), abril-junho/2003 PESSALI Huáscar e Dalto Fabiano. A mesoeconomia do desenvolvimento econômico: o papel das instituições. nova Economia_Belo Horizonte_20 (1)_1137_janeiro-abril de 2010. LIMA, Edmilson de Oliveira. As definições de micro, pequena e médias empresas Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. brasileiras como base para a formulação de políticas públicas. Anais do II EGEPE. p. 421-436, Londrina P/R. , Novembro/2001 (ISSN 1518-4382). MATOS Marcelo Pessoa e Arroio Ana. Políticas de apoio à micro e pequenas empresas no Brasil. CEPAL – Colección Documentos de proyectos. Copyright © Naciones Unidas, diciembre de 2011. MONTAÑO, Carlos E. Microempresa na era da globalização: uma abordagem histórico-crítica. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001. Coleção Questões da Nossa Época; v. 69) MIDC. Agenda Estratégica das Micro e Pequenas Empresas 2011-2020: Desafios e P r o p o s t a s p a r a o D e s e n v o l v i m e n t o . 2 0 11 . D i s p o n í v e l e m http://www.desenvolvimento.gov.br. Acesso em 19.06.2013. NUNES FILHO, Paulo de Souza. Vantagem competitiva: precedentes teóricos da análise do diamante nacional de Porter. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Escola de Administração, 2006. SEBRAE. Livro Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. 2007. Disponível em http://www.leigeral.com.br/portal. Acesso em 03 de julho de 2013. SEBRAE. Atos legais de constituição e transformação do sistema Sebrae. Brasília, 1995 (Série Documentos). SEBRAE. Anuário do trabalho da Micro e Pequena Empresa. 2012 Disponível em http://www.sebrae.com.br/customizado/estudosepesquisas. Acesso em 14 de julho de 2013. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DOS RECURSOS HUMANOS FRENTE ÀS PESSOAS: ANÁLISE DO CLIMA ORGANIZACIONAL PROPORCIONADO PELO RH DE UMA EMPRESA DE FERRAGENS EM PALMAS-TO Diogo de Gregorio Vilela¹ Fleurimar Ferreira Junior¹ Magnun Vinicius B. da Cruz¹ RESUMO: Este artigo apresenta os principais resultados de uma investigação exploratória, sobre o nível de gestão de pessoas e se este contribui efetivamente ao clima organizacional. O objetivo é analisar uma empresa do ramo de ferragens na cidade de Palmas focalizando os seguintes aspectos: políticas e práticas de RH, gestão de pessoas, lideranças, comunicação, motivação e clima organizacional. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário composto por 36 questões. Os resultados, aplicados a uma amostra não probabilística composta de 60 respondentes, mostram que a prática de gestão de pessoas é ainda incipiente e que há dificuldades de comunicação entre hierarquias da empresa em análise. Esses resultados impactam no exercício da liderança e, como consequência, no nível motivacional dos participantes que se sentem subvalorizados. PALAVRAS CHAVE: Clima Organizacional, Políticas de RH, Gestão de Pessoas. ABSTRACT This article presents the main results of an exploratory investigation, in order to analyze a company in the hardware capital of Palmas, the level of people management and whether this contributes effectively to the organizational climate. The research focuses on the following aspects: policy and practice of HR, people management, leadership, communication, motivation (organizational climate). The instrument used for data collection is a questionnaire consisting of 36 questions aimed obtains the understanding of the research variables. The results, applied to a non - probability sample consisted of 60 respondents, show that the practice of people management is 1 Diogo de Gregorio Vilela – Universidade Federal do Tocantins; Fleurimar Ferreira Junior - Universidade Federal do Tocantins; Magnun Vinicius B. da Cruz - Universidade Federal do Tocantins. Endereço: 212 Norte Alameda 06 QI08 Lote 11. CEP: 77.006-312. Bairro: Plano Diretor Norte. Cidade/Estado: Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. still in its infancy, there are communication difficulties between hierarchies of the company, impacting the exercise of leadership, the motivational level of the respondents falls short their expectations, since they feel undervalued when HR practices can not ensure an organizational climate that meets the expectations of employees. KEYWORDS: Organizational Climate, HR Policies, Human Resources Management. INTRODUÇÃO Partindo do princípio de que as empresas são formadas por processos, e de que os processos são executados por pessoas, torna-se fácil concluir que as pessoas são o sucesso de qualquer organização. Este artigo busca evidenciar as modificações nas relações entre o trabalhador e a empresa. Antigamente, essas relações eram meramente contratuais e buscavam atender à necessidade de ambos, pessoas e organizações. Na década de quarenta, com o advindo da revolução industrial, parecia evidente que a partir daquele momento, a presença do ser humano dentro das organizações seria cada vez mais escassa e dispensável. Porém, com o passar dos anos, percebeuse que quanto mais evoluída era a tecnologia, mais necessário se fazia a presença de pessoas capacitadas para operá-la, visto que os serviços prestados passaram a se tornar tão ou mais importantes. Ao longo dos anos, o progresso das organizações se deu por diversos motivos, mas um deles, talvez o principal, está ligado à qualificação das pessoas. Mesmo esta contribuição estando associada aos objetos administráveis, vitais nas atividades organizacionais, como um bem a ser consumido ou um bem que irá gerar produção. Somadas a globalização, juntamente com o aumento das interações e as necessidades do mercado, podemos dizer que estamos em constante evolução e para tal as empresas precisam valorizar o seu bem mais valioso - as pessoas. O processo de gestão de pessoas é algo relativamente novo, ao final do século XX esse assunto passou a ser levado em maior consideração, e sistematizado como forma de estudo. Quando se busca trazer esse tipo de prática para o sistema das instituições do Brasil, percebe-se que muito pouco evoluiu. A partir dos anos 90 do século XX, este país começa a repensar a importância das pessoas e das organizações nas relações de trabalho. A justificativa para a realização desse artigo tem-se a partir da intenção de clarificar a necessidade de uma Gestão Estratégica de Pessoas que é hoje um fator de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. diferenciação competitiva de todas as empresas em meio ao cenário de retração de custos, mudanças rápidas de mercado, competitividade, globalização, carência de profissionais qualificados e clientes cada vez mais exigentes, e os produtos cada vez mais iguais. Justifica-se assim a importância do setor de recursos humanos, como elemento principal, o centro de toda a estrutura. Para Davel e Vergara (2001, p.31), As pessoas não fazem somente parte da vida produtiva das organizações. Elas constituem o princípio essencial de sua dinâmica, conferem vitalidade às atividades e processos, inovam, criam, recriam contextos e situações que podem levar a organização a posicionarem-se de maneira competitiva, cooperativa e diferenciada com os clientes, outras organizações e no ambiente de negócios em geral. Para Dutra (2002, p.17), a gestão de pessoas pode ser entendida como: “[...] um conjunto de políticas e práticas que permitem a conciliação de expectativas entre a organização e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo”. Para que isso aconteça, torna-se primordial que o profissinal de recursos humanos desenvolva habilidades para lidar, conduzir, motivar e persuadir pessoas em busca de atitudes e pensamentos empreendedores para colher resultados gratificantes. Neste sentido, o presente estudo apresenta a seguinte problematização: Como as políticas e as práticas da gestão de pessoas podem influenciar no clima organizacional de uma empresa? Assim, o objetivo desse estudo é fazer uma análise sobre as políticas de RH, buscando comprovar que a motivação gera grandes resultados a curto, médio e longo prazo, especialmente quando bem alinhada a Gestão de Pessoas, bem como destacar e esclarecer a importância dos ativos intangíveis da empresa (colaboradores) em seu próprio âmbito. A estrutura do artigo terá caráter bibliográfico mediante estudos e levantamentos feitos em livros, revistas, artigos e sites. Inicialmente, este artigo será divido entre introdução, contendo a problemática, objetivo específico e juntamente com o referencial teórico e desenvolvimento do trabalho. Finalmente apresenta-se a metodologia, a pesquisa de campo, as considerações finais e a bibliografia. 1. REFERENCIAL TEÓRICO 1.1. As pessoas e a organização Gerenciar pessoas dentro de uma instituição requer treinamento, fatores de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. produção, materiais, treinamento, equipamentos para que todos os envolvidos no processo (funcionários e parceiros) sintam que sua assistência para a organização é valorizada e se renovem dia após dia no sentido de evoluir em suas competências em busca de eficiência e eficácia. A eficiência das pessoas no processo de tomada de decisão nas instituições quando entendido o que é eficiência (defeito zero e qualidade total) e eficácia (alcance das metas empresariais) faz com que as empresas entrem no eixo da maturidade mercadológica (posição no qual o produto ou serviço da empresa já é conhecido pelos clientes, mas que pode trazer eventuais problemas caso não se identifique a necessidade de constantes melhorias nos processos que serão sentidos pela clientela). Para compreender esse panorama, é necessário visualizar as fases por que passou a evolução da administração empresarial voltada para pessoas e respondendo às necessidades e pressões impostas pelo ambiente (macro e micro) em que essas organizações estão inseridas. Primeiramente vem a era da industrialização clássica, entre os anos de 1900 a 1950, onde as pessoas eram tratadas apenas como mão-de-obra, objetos que forneciam esforço físico e muscular, verdadeiros zeladores das máquinas. Posteriormente, a industrialização neoclássica no período de 1950 a 1990, em que as pessoas eram vistas como recursos humanos, sendo que o departamento passou a ser de RH, ampliando as atividades para além das operacionais e burocráticas: cuidando do recrutamento, da seleção, higiene e segurança do trabalho, relações trabalhistas etc. Posteriormente, a fase da informação, de 1990 em diante, tendo as pessoas como colaboradores, quando surgem equipes de gestão de pessoal com administração descentralizadora e terceirizando as atividades burocráticas (CHIAVENATO, 1999). Nessa ultima fase do estado em que estamos inseridos, é quase vital que as instituições que almejam crescimento e melhoria contínua de seus exercícios invistam em treinamento e qualificação de pessoal, gerando assim uma significativa vantagem competitiva num mercado aonde inovações chegam a todo o momento, os mais preparados conseguirão se adaptar melhor a cada situação. Entretanto, as empresas que entenderem essa interdependência alcançarão gradualmente soluções compensatórias em seus processos. Segundo Barçante e Castro (1995, p.20), ao ouvir a voz do cliente interno, ou seja, dos funcionários, a empresa estará tratando-o como um aliado e não só como um mero cumpridor de ordens, estará vendo que dele dependem os seus resultados. É muito importante as organizações estabelecerem através de sistematização alguns Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. criterios para que a gestão de pessoas tenha importância significativa, tais como: As lideranças precisam transmitir suas ideias e saber exercer suas influências; Transformar Grupos em Equipes; Pensar, Agir e Solucionar problemas; Gerar Ambiente Sinérgico; Motivar e Reconhecer os esforços de todos os envolvidos; Ter nos conflitos gerados uma oportunidade de fonte de aprendizagem; Saber gerenciar o estresse; Saber delegar; Desenvolver Culturas; Preparar as Pessoas para a Avaliação de Desempenho; Agregar Pessoas e assim por diante. Para Maslow (2000, p.1), A relação com o trabalho para algumas pessoas é vital, alguns indivíduos chegam a assimilar o trabalho como sua identidade. Daí o porquê muitos profissionais vislumbram o seu trabalho ou profissão à sua imagem e semelhança. É fundamental para o gestor saber como dar estímulos as pessoas, pois na atualidade, coisas como aumento salarial, planos de carreira e promoções poderão não render o efeito desejado pela corporação caso os funcionários não se sintam valorizados e nem são motivados e estimulados a aderir tais objetivos, são estímulos tais como: Desafios e inovações fazem com que as pessoas tenham capacidade de assumir riscos e saber lidar com eles; Pessoas responsáveis por determinado projeto ou tarefa, encontram energia para renovação de seus agentes motivacionais; As pessoas precisam ter liberdade para agirem e não serem inseridas numa rigidez mental, pois pode tornar o funcionário improdutivo, presos a velhos e inúteis paradigmas; As pessoas precisam de um clima organizacional propício e agradável para ter um agente empreendedor "motivação" sempre em alta. 1.2. Gestão Estratégica de Pessoas como Diferencial Competitivo Para Kotler (1992, p.63) “Planejamento Estratégico é definido como o processo gerencial de desenvolver e manter uma adequação razoável entre os objetivos e recursos da empresa e as mudanças e oportunidades de mercado”. Cria-se então a missão e visão da empresa que definida e compreendida por todos os envolvidos, a Gestão Estratégica de Pessoas começa a dominar o planejamento estratégico das organizações, tomando conta dos processos e se adequando a realidade da empresa. Mascarenhas (2008, p.37) define Gestão Estratégica de Pessoas como: Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Toda e qualquer mobilização, orientação, direcionamento e administração do fator humano ao elaborar uma estratégia para a organização envolvendo o setor de Recursos Humanos e garantindo que todos na organização tenham percepção das estratégias e caminhem junto à empresa. Seguindo na compreensão desse modelo, Dutra (2002), evidencia as bases para um novo modelo de gestão de pessoas, com os seguintes preceitos: entrega, padrões de complexidade e espaço ocupacional. O clima organizacional, além de ser um diferencial competitivo, influencia as ações dos membros da organização, podendo afetar diretamente os seus níveis de motivação e satisfação no trabalho. Conforme Luz (1996), “(...) é o reflexo do estado de espírito ou do ânimo das pessoas, que predomina numa organização em um determinado período.” De acordo com Fleury e Sampaio (2002, p.291): [...] o clima organizacional refere-se à percepção que as pessoas têm da organização em que trabalham, percepção que pode ser influenciada pelos fatores conjunturais externos e internos à organização. A ideia do clima organizacional remete à noção de clima meteorológico e retrata um estado momentâneo da organização [...] Segundo Casado (2002), A motivação tem sido vista como uma saída para melhorar o desempenho profissional no que diz respeito tanto à produtividade quanto à saúde organizacional e à satisfação dos trabalhadores. Uma estratégia fundamental para a gestão é seu líder. Antigamente, as lideranças se fixavam em um estilo autoritário, hoje as empresas procuram gestores com diferentes atribuições, pois buscam pessoas que saibam valorizar o feedback. O perfil de liderança vem então do conhecimento e das habilidades interpessoais e não na imposição de seu poder. A personificação do líder e o processo de liderança constituemse como estratégia eficaz para o alcance dos resultados empresariais. Para (Arruda e Navram, 2000, p.30): “(...) a liderança é um fator crítico de sucesso para as organizações que se esforçam para aumentar a consistência ética. As ações e os comportamentos dos líderes pesam significativamente mais que suas palavras ou escritas (...)”. A comunicação refere-se à transferência compartilhada de informação, sobre ideias, fatos, pensamentos, valores e sentimentos entre as pessoas, ela pode fluir de três formas: descendente, quando acontece dos níveis mais altos para os níveis mais baixos; ascendente, quando se dirige aos mais altos escalões, favorecendo um feedback sobre progressos, metas e problemas; e lateral, quando acontece entre os membros de um mesmo grupo. A posição de Casado (2002, p.281), sinaliza que "(...) o processo de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. comunicação interpessoal, no âmbito das organizações, deverá ser capaz de abranger todas as mudanças e os desafios propostos pela globalização, pelo avanço tecnológico do setor de transmissão de informações e pela acirrada competitividade.” Entretanto, têm sido constatadas falhas no processo de comunicação empresarial, dificultando sobremaneira a interface entre os membros dos setores envolvidos e o alcance de resultados. 1.3. A Importância das Competências Individuais para o Mundo Globalizado Pessoas e organizações estão unidas num processo contínuo de troca de competências. A organização disponibiliza seu patrimônio para as pessoas, fazendo assim com que estas se desenvolvam; e as pessoas em contrapartida, transferem para a organização seu aprendizado, gerando-lhe condições para enfrentar novos desafios (DUTRA, 2001). Podemos perceber a abrangência da significância das competências individuais no seguinte sentido: habilidades, competências, conhecimentos e atidudes. Nota-se como funciona a Gestão por Competências, no qual terá como etapa seguinte o plano de ação e consequentemente o desenvolvimento prático. Existem ferramentas como o Balanced Scorecard como Suporte à Gestão Estratégica de Pessoas, que ajudam as organizações que vislumbram os avanços tecnológicos e seu staff, Enfim, o aumento do aprendizado tecnológico transforma a organização por completa, passando de uma empresa comum uma 'empresa que aprende', uma organização que inova. Todavia, para que o sucesso dessas organizações se concretize, é fundamental a adoção de uma ferramenta de mensuração de resultados a curto, médio e longo prazo, sendo repassando aos colaboradores as vertentes do atual ambiente e prognósticos futuros conceituados como Balanced Scorecard, mas lembrando de que tecnologia nem sempre significa recursos eletrônicos, mas também pensamentos ou processos sistematizados, Champion (1985) reforça o que foi dito anteriormente, dizendo que tecnologia pode ser uma ferramenta, sistema de uma máquina, a própria máquina ou até mesmo ideias e estratégias. 1. 4. O Papel do Coaching e Mentoring na Gestão Estratégica de Pessoas Coaching, traduzido do inglês “treinamento” se refere o profissional que utiliza uma metodologia de ajuda a uma pessoa para apoiá-la em processos de mudança da maneira que ela quer e em direção ao que ela quiser. Para Araujo (1999), coaching esta Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. presente nas áreas mais tradicionais de nosso meio, como relações de pais e filhos, a dificuldade esta em colocar isso em prática numa organização. É natural que gerentes se sobreponham a seu papel de coach o papel de pai (...) tratando o outro profissional como se fosse seu filho. Além do contexto emocional ser diferente, a situação é agravada pela estrutura de poder estabelecida, causando problemas para os dois lados, em decorrência disso, gerentes, chefes e supervisores acabam por reduzir o tempo destinado a essa responsabilidade. Quanto à Mentoring (1998), pode ser entendido como um trabalho onde os indivíduos terão um acompanhamento de um técnico, que servira de orientador quanto a planos de carreira de forma a abranger técnica, emocional e estrategicamente para melhor o desempenho individual e consequentemente o da organização. O coaching então tem a missão de fazer com que pessoas aumentem suas perspectivas e percepções de habilidades de cunho pessoais e as transforme em habilidades profissionais. No atual cenário de negócios torna-se indispensável ter pessoas gabaritadas a motivar ações entre as lideres e os liderados. Como conseqüência tem a atividade de Mentoring, auxiliando as pessoas a expandirem suas próprias visões de trabalho (DUTRA, 2001). 2. METODOLOGIA Tratando este estudo como uma análise sobre as políticas de gestão de pessoas, com finalidade de garantir que a motivação gera grandes resultados no curto, médio e longo prazo, especialmente quando bem alinhada ao setor de recursos humanos, bem como colocar em evidência a importância dos colaboradores da organização em seu próprio âmbito. Faz-se necessário fazer uma pesquisa de campo para a confirmação das proposições acima. O método aqui utilizado é de natureza exploratório-descritiva. Como afirma Vergara (1997, p.45). (...) a investigação exploratória é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. (...) a pesquisa descritiva expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno. (...) não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação. Nesse sentido, a análise exploratória mostra-se adequada, visto que, na empresa em estudo, o conhecimento sobre o assunto em questão não se encontra inteiramente sistematizado. O método adotado nesta analise é o do estudo de caso, com a utilização de dados quantitativos e qualitativos. Este modelo de investigação ajuda a estimular a Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. compreensão e ampliar os conhecimentos sobre uma dada situação, como a da empresa em observação. O público-alvo da pesquisa constitui-se de um grupo de participantes heterogêneo quanto ao nível hierárquico de trabalho, estado civil, sexo, escolaridade e tempo de empresa. O instrumento de pesquisa que será utilizado para a coleta de dados constituiu-se de um questionário de 36 questões, distribuídas nos seguintes assuntos: socioeconômico, políticas e práticas de recursos humanos, gestão de pessoas e processos de liderança; comunicação e motivação. Será dividido em duas partes, sendo a primeira com questões abertas e a segunda, de múltipla escolha. Para cada questão serão solicitados comentários, com o intuito de melhor entender a posição dos respondentes sobre o assunto em pauta. Serão aplicados 60 questionários, em diversos níveis hierárquicos, compostos por vendedores, técnicos e gestores. Dos 60 questionários aplicados, os dados serão agrupados, juntamente com os comentários dos respondentes, para cada uma das questões. Após essa compilação, serão feitos cálculos simples de frequência para verificar como cada uma das respostas de cada questão estará distribuída no total dos seus resultados. Aos entrevistados, não será pedido identificações. 3. ANÁLISE DE RESULTADOS 3.1 Políticas/ Práticas de RH e Gestão de Pessoas nalisando-se a Tabela 1, vê-se que aproximadamente 90% dos respondentes não têm uma visão clara sobre as políticas. Além disso, 60% dos pesquisados percebem a necessidade de criação de ações efetivas para um incremento do potencial profissional. Os colaboradores desejam avançar na atividade exercida, se sentem por vezes mal utilizados nas funções que ocupam. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Tabela1 - Questionário sobre as políticas/ práticas de RH e gestão de pessoas SOBRE AS POLÍTICAS/PRATICAS DE RECURSOS DE RH E GESTÃO DE PESSOAS TOTALMENTE BASTANTE PARCIALMENTE 0,0% 10,0% SOBRE AS POLÍTICAS/PRATICAS DE RECURSOS DE RH E GESTÃO DE PESSOAS Práticas adotadas favorecem o potencial profissional? SEMPRE FREQUENTEMENTE ÁS VEZES 5,0% 15,0% 35,0% 25,0% 20,0% 100% Existe a presença de política salarial associada ao desempenho profissional? 7,4% 11,6% 33,0% 28,0% 19,5% 100% Há coerência entre políticas de RH e práticas departamentais? 0,0% 4,0% 67,1% 18,0% 10,9% 100% Nível de escolaridade é valorizado pela empresa? 17,% 33,0% 19,0% 13,0% 18,0% 100% Promoções ocorrem baseadas em qualidades, habilidades e competências? 3,0% 25,1% 47,9% 15,4% 8,6% 100% A conduta profissional é expressa de maneira ética? 8,0% 31,0% 40,0% 14,5% 6,5% 100% Os treinamentos técnicos contribuem para o seu desempenho profissional? 12,0% 42,2% 16,9% 19,8% 9,1% 100% A competência técnica é mais valorizada que a competência interpessoal? 16,7% 20,8% 27,9% 33,0% 1,7% 100% SOBRE AS POLÍTICAS/PRATICAS DE RECURSOS DE RH E GESTÃO DE PESSOAS TÉCNICO ADMINISTRATIVO COMPOR TAMENTAL CULTURAL Treinamento oferecidos possbilitam ampliar os conhecimentos em nível 71,2% 14,3% 45,0% 9,0% POUCO 25,0% RARAMENTE 5,5% Fonte: Dados coletados por esta pesquisa (2014). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. DESCONHEÇO 20,0% NUNCA 100% Dos respondentes, 85,1% visualizam tênue relação entre políticas de RH e práticas departamentais. As políticas de RH não são divulgadas de maneira a facilitar o entendimento para todos. Quanto ao crescimento em carreira, 71,9% das dos respondentes consideram que ela ocorre, na maioria das vezes, baseada apenas nas competências técnicas e/ou por critérios não estabelecidos, gerando insatisfação e até mesmo revolta nos funcionários. 3.2 Processo de Comunicação Como se pode observar na Tabela 2, 61,4% dos respondentes apontam que os feedbacks sobre o desempenho profissional podem melhorar. Evolução na carreira é pouco mencionada. Em relação ao comportamental, 76,9% comentam que o feedback não é algo comum no ambiente. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Tabela 2 - Questionário sobre processo de comunicação SEMPRE FREQUENTEMENTE ÁS VEZES O relacionamento entre as pessoas dá-se de maneira cordial e respeitosa? 8,5% 39,7% 31,4% 12,2% 8,2% 100% No seu departamento há feedback quanto ao seu desempenho profissional? 7,6% 31,0% 27,1% 19,7% 14,6% 100% A comunicação ocorre de maneira natural e espontânea no seu departamento? 3,4% 40,0% 31,0% 18,9% 6,7% 100% 4,1% 19,0% 40,9% 35,0% 1,0% 100% 17,8% 21,8% 37,2% 14,7% 8,5% 100% 19,4% 40,0% 31,0% 4,1% 5,5% 100% 20,0% 37,9% 30,0% 12,1% 100% SOBRE PROCESSO DE COMUNICAÇÃO No seu departamento há feedback quanto ao relacionamento interpessoal? Há consistência entre discurso e prática no seu ambiente de trabalho? Há valorização das relações interpessoais no seu ambiente de trabalho? Há compartilhamento de informações no seu departamento? 0,0% RARAMENTE NUNCA Fonte: Dados coletados por esta pesquisa (2014). Verificou-se que os processos de comunicação lateral são efetivos, quando se trata de comunicação oral. Os problemas estão mais concentrados na comunicação escrita, como por exemplo, a utilização inadequada de e-mails e a alta incidência de erros de linguagem que comprometem a comunicação. Pode- se observar que as informações tendem a ser disponibilizadas de maneira coletiva, porém, devido à estrutura organizacional verticalizada, tais informações não atingem a totalidade das pessoas, fazendo com que o conhecimento tácito não se torne explícito (Nonaka, 2001). Ocorre, às vezes, a competição por melhores posições na carreira, conduzindo as pessoas a omitirem informações ou a compartilhá-las somente se questionadas ou ainda a transmitirem informações a grupos restritos, privilegiando-os em relação aos demais. Há relatos de líderes que preferem não se relacionar com outros grupos, pois julgam que somente a comunicação interna ao seu grupo é importante para a efetividade do negócio. 3.3 Processo de Motivação Com base na análise da Tabela 3, observa-se em 68,4% dos pesquisados se vêm pouco valorizados no desempenho de sua função. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Tabela 3 - Questionário sobre o processo de motivação SOBRE O PROCESSO DE MOTIVAÇÃO SEMPRE FREQUENTEMENTE ÁS VEZES Você consegue demostrar o seu pontencia no seu departamento? 4,0% 15,0% 55,6% 18,0% 7,4% 100% Os funcionários são reconhecidos em função do seu desempenho profissional? 3,0% 17,4% 64,2% 4,2% 11,2% 100% O salário que você recebe é compativel com o seu desempenho e responsabilidade? 9,0% 50,4% 17,3% 19,4% 5,9% 100% Os beneficios que você recebe são motivadores? 19,4% 48,0% 23,0% 7,9% 1,7% 100% Há mais perspectivas de desenvolvimento profissional na sua empresa? 7,0% 35,2% 37,9% 19,8% 1,0% 100% Suas atividades são compatíveis com a sua maturidade e conhecimento? 12,0% 19,7% 43,0% 19,8% 5,5% 100% 21,8% 31,0% 29.0% 14,6% 100% DO APRENDIZADO DO TRABALHO As atividades no seu departamento são distribuídas de forma justa e igualitária? SOBRE O PROCESSO DE MOTIVAÇÃO A sua motivação provém na maioria: 3,6% DO SALÁRIO RECEBIDO 48,2% 17,8% 16,0% RARAMENTE NUNCA DO PLANO DE CARREIRA 18,0% 100% Fonte: Dados coletados por esta pesquisa (2014). Conforme relatado pelos colaboradores respondentes, ainda que, estão satisfeitos com a remuneração em troca de seu trabalho, mas procuram outras organizações para trabalhar por conta do ambiente de trabalho. Apontam ainda que a distribuição dos trabalhos não é feita de forma igualitária, por diversas vezes, as oportunidades são dadas às pessoas com maior competência interpessoal, ou seja, pessoas que tem mais afinidade com o distribuidor para conseguir melhores ou mais desafiadoras tarefas. Consequentemente, pessoas introvertidas acabam restringindo as suas atividades a tarefas rotineiras. 3.4 Processo de Liderança Ao analisar os dados da Tabela 4, verificou-se que 60.1% responderam que a pratica do RH para estimulo dos colaboradores não é algo frequente. Os lideres costumam manter-se distantes dos liderados. No que diz respeito ao seguimento de carreira, 68,1% demonstram que isso raramente ocorre. O plano de carreira é discutido muito vagamente. Por vezes leva-se em conta somente a necessidade da própria organização, pondo a perder o desenvolvimento profissional dos colaboradores. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Tabela 4 - Questões sobre o processo de liderança. SOBRE O PROCESSO DE Sempre Frequentemente Às vezes Raramente Nunca LIDERANÇA os estímulos de sua liderança geram 4,0% 19,0% 34,1% 26,0% 16,9% motivação e desenvolvimento profissional? As lideranças participam de forma efetiva do 14,0% 1,0% 51,9% 30,0% 3,1% processo seletivo? As lideranças no seu departamento 9,0% 13,0% 18,0% 50,1% 9,9% direcionam a sua carreira? Há delegação de atividades 7,0% 19,0% 70,2% 3,8% 0,0% em seu departamento? SOBRE O PROCESSO DE Centralizado Participativa Liberal Inexistente LIDERANÇA As barreiras de comunicação devem-se a 48,0% 23,8% 15,4% 12,8% 100,0% problemas no fluxo de informação tipo: Da sua Da sua SOBRE O afinidade Do seu tempo Da sua participação PROCESSO DE com as de casa performance nas LIDERANÇA lideranças decisções As oportunidades no seu ambiente 54,3% 28,4% 12,3% 5,0% 100,0% de trabalho ocorrem em função: Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Como é que você se sente em relação ao seu chefe imediato? Nosso relacionamento pessoal me deixa: Trabalhar com ele me torna uma pessoa: Tê-lo como chefe me deixa: Muito bem Bem Mau Muito Mau 24,0% 45,0% 30,0% 1,0% 100,0% 37,0% 40,0% 21,0% 2,0% 100,0% 12,0% 55,0% 24,9% 8,1% 100,0% Fonte: Dados coletados por esta pesquisa (2014). Os dados indicam ainda um tipo de gestão da empresa, varia de acordo com o líder, ou seja, há gestores que delegam boa parte das tarefas de seu departamento, mas também há outros que centralizam as atividades. Também existe discrepância entre líderes que deixam a equipe à vontade, incentivando o seu pessoal, e outros que restringem e vigiam cada detalhe do trabalho feito, inibindo a iniciativa e criatividade. 3.5 Outros Dados De Grande Relevância – Discussão Ao termino da analise, observa-se através dos dados obtidos quanto às normativas e práticas de recursos humanos estão aquém das expectativas dos colaboradores, existindo ainda privilégios aqueles com maior facilidade em relações interpessoais. Os cargos e a remuneração, processo de carreira, cursos e treinamentos, feedback estão vinculadas a aspectos técnicos. Vê-se também que há barreiras de comunicação entre os setores, e falta de relação entre lideres e liderados. Os lideres não participam do processo de seleção dos seus futuros liderados. Há indícios de que o papel dos líderes é centralizador, fiscalizador e inibidor de iniciativa, tornando assim sua função operacional e nada motivacional para os liderados. Os resultados citados sugerem que há dificuldade no tocante a gestão de pessoas na empresa em analise, com maior deficiência nos meios de comunicação, liderança e motivação, que precisam ser revistos, para conforme a posição de Dutra (2002, p.17), (...) permitam a conciliação de expectativas entre a organização e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo e assim promovam uma melhoria no clima organizacional da empresa em estudo. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. CONSIDERAÇÕES FINAIS Assim, esse estudo fez uma análise sobre as políticas de RH, buscando comprovar que a motivação gera grandes resultados a curto, médio e longo prazo, especialmente quando bem alinhada a Gestão de Pessoas, bem como destacar e esclarecer a importância dos ativos intangíveis da empresa (colaboradores) em seu próprio âmbito. A partir da amostra recolhida na empresa, algumas das soluções encontradas para melhorar a liderança e assim contribuir para o equilíbrio do clima organizacional são: Programas de relacionamento interpessoal entre todos os níveis hierárquicos da organização. Incentivar pesquisas de clima organizacional, com intuito de dar liberdade a todos para exporem seus sentimentos quanto ao meio de trabalho, procurando por inovações, mudanças e desafios pessoais. Diante da pesquisa apresentada, com o equivalente a 50% dos funcionários parcialmente insatisfeito com a liderança de seu gestor e que mais de 60% ao menos sabe qual o papel do sector de RH, fica transparente a necessidade da realização de cursos que capacitem os gestores imediatos desta equipe de colaboradores, bem como desenvolver um meio para que todas as Políticas sejam entendidas, pois se percebe também, que é o modo como é dito que atinge de forma negativa o pessoal desta empresa. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS ADMINISTRADORES.COM.BR, CHA - conhecimento, habilidade e atitude. Disponível em: <https://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/chaconhecimento-habilidade-e-atitude/39202/>. Acesso em: 14 de dez. 2013. BECKER, B. E.; HUSELID, M. A.; ULRICH, D. Gestão estratégica de pessoas com Scorecard:interligando pessoas, estratégia e performance. Rio de Janeiro: Campus, 2001. CHIAVENATO, IDALBERTO. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações / Idalberto Chiavenato. Rio de Janeiro: Campus, 1999. DAVEL, E.; VERGARA, S.C. (Orgs.) Gestão com pessoas e subjetividade. São Paulo: Atlas, 2001. DUTRA, JOEL SOUZA / FISCHER, ANDRE LUIZ / AMORIM, WILSON APARECIDO COSTA DE. Gestão de Pessoas: Desafios Estratégicos das Organizações Contemporâneas. São Paulo: Atlas, 2009. FLEURY, M. T. L. (Org.). As Pessoas na Organização. São Paulo: Gente. 2002. v. 1. MASCARENHAS, A.; VASCONCELOS, F. C. de. Tecnologia na gestão de pessoas: estratégias de autoatendimento para o novo RH. São Paulo: Thomson, 2004. MASCARENHAS, André Ofenheim. Gestão Estratégica de Pessoas: Evolução, Teoria e Crítica. São Paulo: Learning. 2008. MASCARENHAS, Andre Ofenhejm, Gestão Estratégica de Pessoas. São Paulo: Editora Cengage, 2008. METTODO.COM.BR. Treinamento. Disponível em <https://www.mettodo.com.br/pdf/Quatro%20n%EDveis%20de%20avalia%E7%E3o %20de%20treinamento.pdf>. Acesso em: 14 de dez. de 2013. SEBRAEPR.COM.BR. Noticia a uma pesquisa de clima em suas empresa. Disponível em: http://www.sebraepr.com.br/PortalInternet/Noticia/ci.Fa%C3%A7auma-pesquisa-de-clima-em-suas-empresa.print. Acesso em: 11 de jan. 2014. WAGNER III, J. A.; HOLLENBECK, J. R. Comportamento organizacional: criando vantagem competitiva. São Paulo: Saraiva, 2000. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ANÁLISE DE OFICINAS SOBRE HORTA CASEIRA E ALIMENTAÇÃO ALTERNATIVA NO CENTRO DE ENSINO MÉDIO CASTRO ALVES, PALMAS -TOCANTINS Douglas Battistella1; 1 Jéssica Cunha Guilherme ; 2 Yara Gomes Corrêa ; Cláudia Fernanda Pimentel de Oliveira3 RESUMO: O presente estudo é parte do Projeto de extensão da FACTO, e faz parte do curso de Agronomia. O projeto procurou atender às necessidades de uma instituição de ensino pública quanto ao cultivo de hortas que pudessem ser responsáveis pela melhoria da merenda escolar. Em projetos de extensão similares e anteriores, detectou-se que se implantava a horta na escola, porém havia a necessidade de fazer com que os jovens consumissem os alimentos produzidos por meio da merenda escolar. Faltava a adesão dos jovens no processo, por isso fez-se necessária a realização de atividades na área de Educação Ambiental. O objetivo do projeto foi desenvolver uma oficina de Horta Caseira e Alimentação Alternativa aos voltada para os alunos do curso da Educação Básica como atividade complementar do Projeto de Extensão da FACTO Agronomia no Centro de Ensino Médio (CEM) Castro Alves. PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental. Horta. Desenvolvimento Sustentável. Meio Ambiente. ABSTRACT This study was linked to the extension of the FACTO Project, which was part of Agronomy, aimed at meeting the needs of the college, cultivating gardens that could be enhanced to school meals. In projects of similar scope and prior to that, it was detected 1 Alunos do Curso de Tecnólogo em Gestão Ambiental da Faculdade Católica do Tocantins. Rodovia TO – 050, Loteamento Coqueirinho, 2ª Etapa, Lote 07, CEP: 77.000-000, Palmas – TO. Email: [email protected]; [email protected] 2 Professora de Educação Ambiental e Sustentabilidade do Curso de Tecnólogo em Gestão Ambiental da Faculdade Católica do Tocantins. Rodovia TO – 050, Loteamento Coqueirinho, 2ª Etapa, Lote 07, CEP: 77.000-000, Palmas – TO. E-mail: [email protected] 3 Professora de Desenho Técnico do Curso de Tecnólogo em Gestão Ambiental da Faculdade Católica do Tocantins. Rodovia TO – 050, Loteamento Coqueirinho, 2ª Etapa, Lote 07, CEP: 77.000-000, Palmas – Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. that the garden was implanted in school, but there was a need to make young people ingest food produced in the meals effectively, ie, lacking the accession of the young in the process. However, it was necessary to carry out activities in the field of environmental education. The goal of this project was to develop a workshop Horta Homemade Alternative Power and the students of Basic Education as a complementary activity of the Extension Project FACT Agronomy Center for Secondary Education (CEM) Castro Alves. We conducted a diagnostic visits in loco to visit the place, collect some data school, team presentation at work, talk to the director to present the proposal stage, knowing the extension project of the students of Agronomy, its officers and all the people involved. We managed to succeed in the workshops, since everything happened as planned by the trainees responsible, and sample consisted of 60 respondents, show that the practice of people management is these could lead them well and have the interest and participation of everyone present there. Keywords: Environmental Education. Garden. Sustainable Development. Environment. INTRODUÇÃO A Educação Ambiental se faz necessária como maneira de sensibilizar as pessoas para os problemas ambientais e transformarem os indivíduos em multiplicadores de práticas afirmativas de preservação e uso consciente dos recursos naturais. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), os conteúdos relacionados ao Meio Ambiente devem ser integrados ao currículo através da transversalidade, pois serão tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. A Educação Ambiental é um processo de formação e informação, orientando para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividades que levam a participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental. Além de ter um caráter ambiental, a oficina possui também um viés relacionado à promoção da saúde do jovem participante por meio de uma alimentação mais saudável. Nessa perspectiva, a Educação Básica no Brasil por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2001) prevê que deverá ocorrer uma associação direta entre a higiene e a alimentação a fim de que o jovem possa reconhecer a contaminação da água e dos alimentos por fezes, produtos químicos e agrotóxicos como aspectos nocivos à saúde. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. O ideal seria que frutas e hortaliças fizessem parte da dieta básica de todo jovem adulto, porém esse hábito deve nascer na infância. Assim, a criança cresceria desenvolvendo hábitos alimentares mais saudáveis uma vez que depois de adultas verifica-se certa dificuldade em incrementar novos hábitos alimentares. Nesse sentido, a horta caseira mostra-se como uma alternativa viável, pois proporcionará temperos, hortaliças, legumes livres de agrotóxicos. O presente estudo esteve vinculado ao Projeto de extensão da Faculdade Católica do Tocantins -FACTO, sob coordenação do Professor Alexandre Barreto Almeida dos Santos. Foi necessário diagnosticar a situação e planejar a implantação do Projeto de Extensão da Agronomia in loco; elaborar uma oficina de Educação Ambiental sobre Horta Caseira e Alimentação Alternativa. 2. DESENVOLVIMENTO 2.1 Educação Ambiental A Educação Ambiental é a única maneira de sensibilizar as pessoas, para que revejam suas atitudes e tentem corrigi-las. Ao terem conhecimento da gravidade dos problemas ambientais, elas se tornam cada vez mais preocupadas com o meio ambiente e buscam atuar de modo transformador na sociedade, passam a serem multiplicadores de boas práticas e minimizam suas ações de degradação ao meio ambiente. De acordo com Dias (2004), o conceito de Educação Ambiental esteve ligado à evolução do Meio Ambiente, e este era reduzido exclusivamente aos aspectos naturais e não aceitava apreciar as interdependências nem a contribuição das ciências sociais. Com o passar do tempo, a Educação Ambiental passou a ser vista como um conjunto de ações educativas voltadas para a compreensão da dinâmica dos ecossistemas. Passou-se a observar os efeitos da relação do homem com o meio, a determinação social e a evolução histórica dessa relação. Educação Ambiental é um processo que consiste em propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa, a respeito das questões relacionadas com a conservação e adequada utilização naturais, para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. (MININI, 2000, apud DIAS, 2004) Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 2.2 Política Nacional de Educação Ambiental: Lei n. 9.795/99 De acordo com Dias (2004), o Brasil é o único país que tem uma política nacional de Educação Ambiental. Porém está não foi uma conquista fácil, exigiu muito empenho e esforço por parte dos ambientalistas e órgãos competentes, que lutaram muito junto ao Congresso para essa conquista. A Lei da Política Nacional de Educação Ambiental é um instrumento de especialização sobre os processos de Educação Ambiental e vista como forma de difundir os direitos e deveres dos cidadãos diante das questões referentes ao tema. O capítulo II, da Lei n. 9.795/99 busca alinhar em sua esfera de ação, além dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) as instituições educacionais públicas e privadas dos sistemas de ensino, os órgão públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e organizações não governamentais. 2.3 Política Estadual de Educação Ambiental O Estado do Tocantins como todos os outros estados brasileiros, também possui sua Política de Educação Ambiental que esta prevista na Lei n. 1.374, de 08 de abril de 2003. Publicado no Diário Oficial n. 1.425 que Dispõe sobre a Política Estadual de Educação Ambiental e adota outras providências. Vale ressaltar alguns incisos que consta na Seção II – Objetivos: I - desenvolver a compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos: ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; IV - promover a integração da educação ambiental com a ciência e a tecnologia; V - fortalecer a cidadania, a autodeterminação dos povos e a solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade; VII - obter recursos para o financiamento de programas, projetos e intervenções no âmbito da educação ambiental. 2.4 Breve Histórico da Educação Ambiental O século XX foi um marco na história da Educação Ambiental devido à grande quantidade de eventos internacionais. Em geral, estes ficaram conhecidos pelo nome da cidade onde foi realizado. O marco inicial de interesse para a Educação Ambiental foi a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano (Conferência de Estocolmo, ocorrida no ano de 1972). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. De acordo com Dias (2004), após a conferência de Estocolmo, três anos mais tarde, realizou-se em 1975 o Encontro de Belgrado (na ex-Iugoslávia), com especialistas de 65 países. Essa conferência gerou a Carta de Belgrado. Logo após, ocorreu a Conferência em Tbilisi, na Geórgia (ex-União Soviética). Essa foi a Primeira Conferência sobre Educação Ambiental e reuniu especialistas de todo o mundo. Ela propunha que os países incluíssem em sua política de educação, atividades ambientais nos seus sistemas educacionais. Em Moscou, de 17 a 21 de agosto de 1987, a UNESCO, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para ao Meio Ambiente (PNUMA), promoveu o Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental, com o objetivo de analisar as conquistas e dificuldades encontradas pelos países no desenvolvimento da Educação Ambiental (DIAS, 2004). Com esses tratados, passou a ser cada vez mais comum esse tipo de conferência internacional, a fim de rever medidas e encontrar soluções para os problemas ambientais. Depois da conferência de Moscou (1987), ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e o Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro, foi a Rio-92 que criou a Agenda 21 Global. Dez anos mais tarde, em setembro de 2002, as Nações Unidas realizaram a cúpula mundial sobre desenvolvimento sustentável, também conhecida como Rio+10, em Johanesburgo, na África do Sul, para avaliar a mudança global após a histórica conferência Rio-92. 2.5 Meio Ambiente e Saúde na Educação Básica Brasileira De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), os conteúdos relacionados ao Meio Ambiente devem ser integrados ao currículo através da transversalidade, pois serão tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. As áreas de Ciências Naturais, História e Geografia serão as principais parceiras para o desenvolvimento dos conteúdos aqui relacionados, pela própria natureza dos seus objetos de estudo. As áreas de Língua Portuguesa, Matemática, Educação Física e Arte ganham importância fundamental por constituírem instrumentos básicos para que o aluno possa conduzir o seu processo de construção do conhecimento sobre meio ambiente. (SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL, 2011). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. Além de ter um caráter ambiental, a oficina proposta no referido estágio possui também um viés relacionado à promoção da saúde do jovem participante por meio de uma alimentação mais saudável, nessa perspectiva, a Educação Básica no Brasil por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2001) prevê que deverá ocorrer uma associação direta entre a higiene e a alimentação a fim de que o jovem possa reconhecer a contaminação da água e dos alimentos por fezes, produtos químicos e agrotóxicos como aspectos nocivos à saúde. Na área da saúde, a dimensão ambiental já fazia parte do cotidiano das sociedades primitivas, como resultado do vínculo entre as doenças e as forças malignas, tendo levado naturalistas como Hipócrates a lançar alicerces da relação entre doenças e Meio Ambiente (CARVALHO, 1986, apud Silveira, 2011). 2.6. Horta Caseira e Técnicas Mais Comuns O ideal seria que frutas e hortaliças fizessem parte da dieta básica de todo jovem adulto, porém esse incentivo tem que vir na infância para que as crianças se desenvolvam com hábitos alimentares mais saudáveis, pois depois de adultas, muitas vezes, há dificuldade em incrementar algo novo em seus hábitos já adotados. A horta caseira seria uma estratégia ideal, pois pode proporcionar temperos mais saborosos e saudáveis por dispensar o uso de agrotóxicos. Para Mahan (2005), cada pessoa teria de consumir diariamente em suas refeições cerca de 05 (cinco) porções de fruta, legumes e verduras, porém o melhor seriam 10 porções de frutas ou hortaliças. Quando as frutas e hortaliças formam o centro dos planos dietéticos dos adultos, os benefícios podem ser a manutenção de peso saudável e menor incidência de doença cardíaca, câncer, diabetes e outras doenças crônicas. Por exemplo, a ingestão de frutas e hortaliças pretendida combinada à atividade física, [...] pode reduzir o risco de câncer em 60% a 70%, especialmente na fase adulta. (AMERICAN INSTITUTE FOR CANCER RESEARCH, 1997, apud MAHAN 2005) Existem diferentes técnicas para o plantio de uma horta caseira. Elas podem ser cultivadas em canteiros, vasos, sementeiras entre outros, porém é necessário prestar muita atenção, pois cada uma exige um cuidado específico e certo tipo de atenção. Cultivar hortas é simples: requer um pouco de conhecimento, atenção e bastante disposição para pequenas tarefas rotineiras. O segredo de uma horta bem cuidada é, através da observação minuciosa, utilizar o que vamos aprendendo durante o processo de desenvolvimento de cada planta, percebendo necessidades de água, nutrientes ou luz solar, cor das folhas, pragas que possam tentar se instalar etc. (PORTO, 2009). Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. 2.7 Alimentação Alternativa e Campanha da Fraternidade 2012 O tema da campanha da Fraternidade de 2012 estava relacionado à saúde, e tinha como frase-lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (CNBB, 2012). A campanha teve como objetivo geral buscar refletir sobre a realidade da saúde no Brasil, buscando revelar uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde (CNBB, 2012). Achou-se indispensável falar sobre alimentação alternativa uma vez que hábitos alimentares mais saudáveis contribuem diretamente para uma vida mais saudável e a alimentação alternativa tem baixo custo e alto valor nutritivo. Através desse tipo de educação é possível minimizar um dos maiores problemas enfrentados no mundo: a fome. Esse problema universal é uma das maiores contribuintes para os altos índices de mortalidade, principalmente infantil. A alimentação alternativa, criada para combater a desnutrição, inclui alimentos de alto valor nutritivo, de custo muito baixo, de paladar adaptado à região e preparo rápido. O carro chefe desta alimentação é o principio da multimistura - da variedade - que aproveita diversos alimentos que geralmente são desprezados. São os farelos (de arroz e de trigo), as folhas verde-escuras (de batata-doce, mandioca, taioba, etc.), a casca de ovo e as sementes. (BRANDÃO, 2009). A alimentação alternativa é mais saudável e econômica e pode combater a desnutrição infantil e evitar determinadas doenças. 3. MATERIAL E METÓDOS Realizou-se uma revisão de literatura para delimitação do referencial teórico que disseram respeito ao objeto de estudo. Efetuou-se uma visita diagnóstica in loco no CEM – Castro Alves (Centro de Ensino Médio Castro Alves) para: conhecer o local; recolher alguns dados referentes à escola; realizar a apresentação da equipe de trabalho; apresentar a proposta de estágio; conhecer o projeto de extensão dos acadêmicos do curso de Agronomia, seus responsáveis e todas as pessoas envolvidas, a fim de estabelecer um elo de familiarização com o ambiente. Sentiu-se a necessidade de uma segunda visita in loco, dessa vez com o intuito de conversar com a responsável pela escola e pelo projeto, a professora de matemática, Senhora Marlize Kohtz Frank, a fim de decidirmos qual seria o critério utilizado para a escolha dos alunos participantes. Além de verificar quantas pessoas iriam participar; descobrir qual seria o público alvo e a média de idade que seria Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. trabalhada; ver se a escola tinha alguma verba disponível para o projeto; verificar a possível data e espaço para a oficina. A partir daí, elaborou-se a oficina de Educação Ambiental sobre horta caseira e alimentação alternativa para vinte jovens e executou-se para cinco jovens e dez merendeiras. Durante a fase de elaboração, fez-se necessário o levantamento e aquisição de todo o material relacionado no planejamento do projeto. Elaborou-se um instrumento de avaliação para que os participantes o respondessem ao final da oficina, a fim de avaliar seu índice de satisfação. O questionário tinha seis perguntas, sendo cinco objetivas e apenas uma questão discursiva, ficando mais livres para fazerem críticas ou dar sugestões. Foi possível obter um resultado final e descobrir o grau de importância que dessa oficina para os alunos, resultados estes apresentados ao final deste relatório, para que outros estagiários nos semestres seguintes deem continuidade juntamente com o projeto de extensão da Agronomia. O Centro de Ensino Médio Castro Alves está localizado na região Norte de Palmas, na quadra 305 Norte, APM 10, APE 01 e 02, lotes 01 e 02, Setor Vila União. Sua modalidade de ensino é o Ensino Médio da Educação Básica que trabalha com alunos da faixa etária de 14 a 18 anos. A escola, durante a execução do projeto contava com número aproximado de 1.530 alunos, e era dirigida pela gestora Vera Lúcia Zensque Falchione. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES As fases do projeto foram as seguintes: a 1ª parte do projeto aconteceu no laboratório de informática (LABIN). Falou-se do projeto de extensão da Agronomia e apresentou-se o objetivo daquelas oficinas a serem implantadas. A 2ª parte ocorreu na quadra de esportes e ensinou-se a confeccionar uma horta caseira em garrafa PET, no qual houve total interação de alunos e professores. A última oficina foi a de alimentação alternativa que aconteceu na cantina da escola, e contou com a participação de alunos, professores, merendeiras e diretora da escola. Esperava-se poder contar com a participação de 20 (vinte) jovens, já que foi esta a quantidade estipulada inicialmente e selecionada pela Profª. Marlize Kohtz Frank, porém no dia 02 de junho de 2012, data em que ocorreu a oficina, compareceram apenas 06 (seis), e com a participação de mais 04 (quatro) outras pessoas interessadas, todas merendeiras da escola e que participaram apenas da oficina de Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. alimentação alternativa. O fato de ter um número menor de participante não interferiu no andamento das oficinas, muito menos na qualidade, já que se conseguiu despertar nos jovens o interesse pelo assunto. O projeto mostrou-se como muito importante já que foi possível vivenciar o que faria parte da rotina de um gestor ambiental. A realização da oficina de Educação Ambiental proporcionou aos estagiários autoconfiança e que mostraram-se preparados para atuar na área de Educação Ambiental. CONCLUSÕES Diagnosticou-se que os participantes envolvidos se interessam por questões ambientais e preocupam-se em manter uma vida mais saudável, uma vez que apoiaram o uso de hortaliças e de alimentação alternativa na merenda escolar. A escola deveria se incumbir de fortalecer esse projeto e divulgá-lo, tornando-o popular, de conhecimento de todos, despertando o interesse de outros alunos e funcionários da escola. Esses indivíduos poderiam atuar como agentes multiplicadores para novas iniciativas voltadas para o objetivo deste projeto. Sugere-se a implantação de estratégias de Educação Ambiental que melhorem o grau de percepção ambiental dos agentes envolvidos e que a escola busque fortalecer a parceria com o curso de Agronomia da Faculdade Católica do Tocantins com o objetivo de que as pessoas responsáveis pelo projeto de horta caseira na escola deem continuidade e despertem cada vez mais a atenção de todos no ambiente escolar para todas as questões abordadas. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. REFERÊNCIAS Dicas de mulher. Disponível em: <http://www.dicasdemulher.com.br/sucosdesintoxicantes>. Acesso em: 07 abr. 2012. Mundo mais orgânico. Disponível em: http://mundoorgnico.blogspot.com.br/2009/08/alimentacaoalternativa.html>. Acesso em: 26 mai. 2012 Técnicos em nutrição e dietética. Disponível em: http://tecnicosnutricao.blogspot.com.br/2011/05/alimentacaoalternativa.html. Acesso em: 21 mai. 2012. Canto verde: seu canto verde na internet. Disponível em: <http://www.cantoverde.org/horta6.htm>. Acesso em: 30 de mai. 2012 Ciclo vivo plantando notícias. Disponível em: <http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/1860/saiba_como_fazer_uma_horta_caseira _reutilizando_garrafa_pet/>. Acesso em: 07 mar.2012 Corpo saun. Disponível em: <http://www.corposaun.com/hortela-plantamedicinal/7250/>. Acesso em: 28 mai. 2012. DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental e Sustentabilidade: Princípios e Práticas. 7. ed. São Paulo: Gaia, 2004, 450 p. LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica. 5. ed., São Paulo: Altas, 2010. Lar espírita Chico Xavier. Disponível em:<http://www.larchicoxavier.com.br/alimentacao.htm#couvelimao>. Acesso em: 06 abr. 2012. MMA. O ministério do meio ambiente na Rio + 20. Disponível em: <http://hotsite.mma.gov.br/rio20/documentos/ >. Acesso em: 08 mar. 2012. Mundo mais orgânico. Disponível em: <http://www.mundomaisorganico.com.brtag=prisao-de-ventre>. Acesso em: 22 mai. 2012. PASTORAL DA CRIANÇA. CNBB 2012. Disponível em <https://www.pastoraldacrianca.org.br/site/publicacoes/alimentacaoehortas.pdf> Acesso em: 07 abr. 2012. PINTO, N.A.V.D.; CARVALHO, V.D.; CORRÊA, A.D.; RIOS, A.O. Avaliação de fatores antinutricionais das folhas da taioba. Ciência e Agrotecnologia. Lavras. v.25, n.3, p.601-604, 2001. Disponível em: <http://www.nutricaoemfoco.com.br/ptbr/site.php?secao=alimentos-T-Z&pub=6768>. Acessado em: 28 mai. 2012. Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015. P O R TA L K A I R Ó S : D i v u l g a n d o a m ú s i c a c a t ó l i c a . D i s p o n í v e l e m : <http://www.portalkairos.net/campanhadafraternidade/default.asp>. Acesso em: 22 maio. 2012 ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de pesquisa em administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. São Paulo: Atlas, 2009. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente, Saúde. Brasília, 1997, 128p. SILVEIRA, Diva Lopes, et, al., Educação Ambiental: Reflexões e Práticas Contemporâneas. 8. ed. Petrópolis-RJ: Editora: Vozes, 2011. p. 29-30 e 236. S I T E D O G O V E R N O / P R E F E I T U R A D E PA L M A S . D i s p o n í v e l e m : <http://www.mp.to.gov.br/intranet/caopma/leg_est/LEI%201.374,%20DE%2008%20D E%20ABRIL%20DE%202003.pdf>. Acesso em: 28 mai. 2012. Escola de Jardinagem do Parque do Ibirapuera: São Paulo/SP. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/ideias-verdes/como-fazer-adubo-com-o-lixo-organicoque-voce-produz/> Acesso em 09 mar.2012 T A P S : Te m a s A t u a i s N a P r o m o ç ã o d a S a ú d e . D i s p o n í v e l e m : <http://www.taps.org.br/Paginas/alimartipri06.html> Acesso em: 06 abr. 2012 Revista Integralização Universitária. Palmas -TO. v.9, n.12. Jul./ 2015.