V SEMINÁRIO DO PROGRAMA DA PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA (PPGCS/UFRB) GT 01 - CULTURA POPULAR, FESTEJOS E RITUAIS LEITURAS GEOGRÁFICAS DA FESTA DO SENHOR DO BONFIM EM MURITIBA/BA: ANÁLISE DAS DIMENSÕES ESPACIAIS DO SAGRADO AO PROFANO AISLLAN DAMACENA SOUZA DA SILVA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA 1 LEITURAS GEOGRÁFICAS DA FESTA DO SENHOR DO BONFIM EM MURITIBA/BA: ANÁLISE DAS DIMENSÕES ESPACIAIS DO SAGRADO AO PROFANO1 Aisllan Damacena Souza da Silva – UNEB² Kaique Borges Silva - UNEB Tayane Pereira dos Santos - UNEB2 RESUMO: A Festa Senhor do Bonfim tornou-se uma referência ao Estado da Bahia devido ao seu grande reconhecimento a nível nacional e até internacional. Com isso surge uma relevância nos estudos desta que não ocorre apenas na capital do Estado, mas também nas cidades interioranas, como é o caso da cidade de Muritiba, situada no Território de Identidade do Recôncavo. No presente trabalho analisa-se a festa do Bonfim da referida cidade sob a ótica espacial, considerando-se suas dimensões sagradas e profanas, destacando, sobretudo as formas de uso do espaço público. Fez-se uso fontes bibliográficas que discutem as festas populares, além da análise documental e realização entrevistas. A pesquisa de cunho qualitativo que resultou em um artigo revelou que a festa do sagrado, na igreja, fez surgir e crescer uma festa profana expressiva que dinamiza a economia local, mesmo se tratando de um evento sazonal. Palavras chave: Festa; Sagrado; Profano. INTRODUÇÃO: As Festas populares são a manifestações que contribuem na formação cultural de uma sociedade, a exemplo, as festas ocorrentes na região Nordeste do Brasil. Dessa região tão vendida pelo mundo e que atraí tantos turistas, destaca-se a Bahia por ser um Estado de ampla tradição cultural que vai desde a capital até as cidades interioranas, com total ênfase nos festejos populares. A Festa do Nosso Senhor do Bonfim, famosa pelos seus aspectos sagrados e profanos é reconhecida em todo o Estado e comemorada em várias cidades sem ser tão espetacularizada quanto à mesma festa na capital - Salvador – porém cada qual com suas riquezas culturais, como é o caso da Festa de Nosso Senhor do Bonfim na cidade de Muritiba. Nesta perspectiva surge à proposta de analisar os aspectos sagrados e profanos e suas (re) configurações observadas na Festa do Bonfim de Muritiba, além de compreender o papel dos encontros familiares nesse contexto, tudo isso com o intuito de 1 Trabalho apresentado no V Seminário da Pós Graduação em Ciências Sociais: Cultura, Desigualdade e Desenvolvimento - realizado entre os dias 02, 03 e 04 de dezembro de 2015, em Cachoeira, BA, Brasil. 2 Graduandos em Geografia na Universidade do Estado da Bahia - Campus V. 2 perceber a dinâmica espacial dos Festejos em Muritiba por meio dos elementos que o constituem, bem como as transformações ocorridas pelo processo de mercantilização da festa popular, o qual aderiu à inserção de novos elementos no contexto do evento e a transformação dos mesmos já existentes. 1. CONCEPÇÕES DE FESTA O que é festa? Para Duvignaud (1983), as festas se configuram como eventos que determinam uma ruptura da vida social caracterizada pela produção de um tempo e de uma forma de vivência momentaneamente alternativos ao cotidiano burocratizado e normatizado pelas regras de conduta social. Nesta mesma perspectiva, Castro (2012) afirma que a festa urbana pode se constituir em uma metamorfose transitória de papeis sociais. Neste sentido, diante dos fatos mencionados pelos dois autores acima citados, constata-se que quando se fala em “festa” não só está relacionada em festa de rua, ou seja, festa profana, a exemplo: festas carnavalescas/juninas e datas comemorativas, mas, também a mesma está associada à parte religiosa que é festejada muitas vezes dentro de um templo ou até mesmo nas ruas de grandes e pequenas cidades. Tratando-se de Festa e Religião é perceptível que ambos a caminham juntos desde o cristianismo, exemplo disso é o Nascimento do Menino Jesus; ao descobrir que Maria havia dado a luz, fez uma grande festa em comemoração a chegada do Mestre. No entanto, fazendo-se uma ponte entre os termos religião e festa, referente aos comportamentos pessoais em determinados meios, compreende-se que o comportamento que um individuo for ter em uma festa social, não será o mesmo comportamento de uma festa religiosa, pois apesar de ambas tratarem de festa, é relevante enfatizar que são festejos distintos, ou seja, elas possuem as suas diferenças. Entretanto, a festa é justamente uma junção de ritos, festejos, devoção e também espaço de pura diversão (SERRA 1999, p. 34). 2. FESTAS DO SAGRADO E DO PROFANO Nossas festas populares se “constituem em uma importante manifestação cultural que pode ter a sua origem em um evento sagrado, social, econômico ou mesmo político, e que constantemente passam por processos e atualizações” (CASTRO, 2012, p. 42). 3 Essas são mais expressivas no presente e tiveram origem de acordo com Santana (2002) nas festas religiosas européias. Isso se confirma na percepção de que a cruz sempre foi sinal de consagração do terreno em que a Europa tomava ao seu domínio, essa atitude realizada pelo europeu era um ato de “consagrar a região, e, portanto, de certo modo, a um novo renascimento, uma nova recriação” (ELIADE, 1992, p. 36). De acordo com Lapenta (1977) as festas desde a antiguidade foram instituídas e disseminadas ao longo do tempo e quando associadas à religião, observa-se que ambas comungam de pontos em comum, fazendo com que o dia a dia do homem possa ser esquecido, assim dedicando-se mais as orações (sagrado) e as diversões (profano): [...] ambos permitem ao homem escapar dos limites rotineiros da existência. Exigem paradas periódicas, onde é possível reafirmar que não somos, simplesmente, máquinas de trabalhar e produzir, mas que, também necessitamos de momentos para agradecer, suplicar, divertir e se emocionar. (LAPENTA, 1977, p. 7). O Espaço sagrado pode ser configurando como: [...] um campo de forças e de valores que eleva o homem religioso acima de si mesmo, que o transporta para um meio distinto daquele no qual, transcorre sua existência. É por meio dos símbolos, dos mitos e dos ritos que o sagrado exerce sua função de mediação entre o homem e a divindade. (ROSENDAHL, 1996, p. 30). Ao se tratar dos Festejos ao Senhor do Bonfim em Muritiba, muitas pessoas vem das cidades circunvizinhas, das localidades rurais e outras regiões, não apenas para prestigiar/participar da festa em seu espaço sagrado, mas também para que possam usufruir da festa em seu espaço profano, o qual pode ser caracterizado por: Barracas de comidas, bebidas, prendas, jogos, dança, construídos no espaço aberto, nas imediações do templo [...] Este lugar é reconhecido como o “espaço profano da festa” e é tão indispensável quanto o espaço religioso, sagrado. A festa é justamente esta bricolagem de ritos, festejos, devoção e, também, espaços de pura diversão. (SANTANA, 2002, p. 46). Nesse sentido, a Festa do Bonfim assume a identidade de festa de largo, pelo fato de apresentar além da dimensão sagrada, uma dimensão profana muito ampla. 4 3. SENHOR DO BONFIM: SURGIMENTO DE UMA DEVOÇÃO NO BRASIL Bem antes de se chegar a Salvador, a devoção ao Senhor do Bonfim de acordo com Santana (2012) já existia na idade média. O termo “do Bonfim” de acordo com Santana (2012) é a designação dada pelo período colonial à veneração dos Cristos pregados na cruz, assim representando Cristo no calvário. No Brasil, a devoção ao Cristo pregado na Cruz é mais difusa no estado da Bahia, sendo nas palavras de Azzi (apud SANTANA, 2012, p. 134) “incorporada na sociedade baiana como uma das principais expressões de sua crença religiosa”. De acordo com Santana (2002) o inicio desta história data-se de 11 de novembro de 1742, quando o Capitão de Mar e Guerra Theodózio Rodrigues Faria, juntamente com mais dois marinheiros ingleses formaram uma tripulação denominada Septúbal nome de uma cidade portuguesa que abriga aos seus arredores a devoção ao Senhor do Bonfim - e partiram do porto de Salvador em direção a cidade de Lisboa, tripulação essa que em alto mar passa por momentos de angústias e desesperos como cita o relato feito pelos dois marinheiros que acompanhavam Theódozio Faria na embarcação: [...] avista a rocha de Lisboa a dezesseis léguas a sul quarta sudoeste [...] Às quatro horas desabou tremenda borrosca perto da costa. O navio virou para o sul. Ás seis horas o vendaval impetuoso fendeu a vela do traquete, obrigando-nos a levar o navio contra o vento, o que nos punha mesmo em direção à terra. Deram então, o navio por perdido; toda a tripulação lançou-se de joelhos para pedir auxilio a todos os santos, oferecendo-lhes tudo o que possuíam no mundo, em troca da vida. Entretanto, descuidavam-se, ao mesmo tempo, de todos os meios que tinham. Pedimos aos marinheiros que fossem para as bombas, dizendo que enquanto mantivéssemos flutuando o navio teríamos uma possibilidade de escapar e que não devíamos consentir que o navio afundasse, quando estava em nossas mãos evitá-la. O capitão Theódozio e os oficiais vendo-nos pedir com tanta sinceridade suspenderam as orações e mandaram os marinheiros para as bombas. Meia hora depois, o vento virava para oeste-noroeste e o navio tomava a direção sul, o que desimpediria o curso ao longo da costa. Em uma hora mais teríamos fatalmente ido ao encontro dos rochedos [...] No dia 28, conseguimos lançar ferros no cais de Lisboa. Na manhã seguinte, todos os que viajavam no navio, exceto eu, o carpinteiro e o tanoeiro, oficiais, passageiros, o cavalheiro espanhol e toda tripulação e crianças, prosseguiram, descalços, em procissão, levando a vela do traquete para a igreja de Nosso Senhor da Boa Morte. O tempo, nessa ocasião, estava muito frio e a igreja distava de uma boa milha do 5 ponto de desembarque. Nós, ingleses, ao pisarmos em terra fomos direto ao câmbio. Teixeira (apud SANTANA, 2002, p. 75). De acordo com Santana (2002, p. 75) esse relato é considerado a “certidão de nascimento da devoção ao Senhor do Bonfim na Bahia”, logo que este documento mostra, pela primeira vez, de forma clara o porquê da construção da Igreja do Senhor do Bonfim na Bahia. No momento de desespero ao que se parece o Capitão de Mar e Guerra de acordo com Carvalho Filho (1923) certamente promete levar para a Bahia a imagem do Senhor do Bonfim, já cultuada em Portugal. O capitão cumpre a promessa e: [...] movido da devoção que tinha ao Senhor do Bomfim que se adora nas vizinhanças de Setúbal, trouxe de Lisboa outra semelhante imagem, que com extraordinária solenidade fez colocar e expor a adoração dos fieis na capela de Nossa Senhora da Penha de Itapagipe debaixo desta Bahia [...] com excessivo dispêndio a sua única custa. Termo de compromisso da devoção (apud SANTANA, 2002, p. 76). Foi com grandiosa festa que as imagens do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora, intitulada por Nossa Senhora da Guia fora recebida em 18 de abril de 1745 mesmo dia em que foi criada a Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim, autorizada pelo Arcebispo D. José Botelho de Matos - na Igreja da Penha, localizada na Península de Itapagipe, local por quais as imagens ficaram abrigadas até quando “o altar do Senhor do Bonfim na igreja da Penha, já se mostrava pequeno para atender aos devotos” (SANTANA 2012, p. 135). Esse fato tornou-se o ponto crucial para a construção de uma igreja maior que abrigasse a imagem do Cristo crucificado e todos os que iam à busca de orações. A igreja foi construída em uma posição geográfica de bastante privilegio, sobre “local elevado, isolado no terreno e com frontispício voltado para sudoeste, olhando para o mar [...]” Marques (apud SANTANA, 2012, p. 135). O templo foi inaugurado no ano de 1754 tendo no ano de 1773 a autorização da Arquidiocese de Salvador para que a realização da Festa do Senhor do Bonfim - que já ocorria no domingo de páscoa – passasse a ocorrer no segundo domingo da Epifania do Senhor, data oficializada pelo papa Pio VII em 1804 e que perdura até os dias de hoje em Salvador. Com o passar dos anos a devoção só fazia aumentar e no século XIX é inserida no âmbito da religiosidade da festa o novenário: [...] Naturalmente, “novidades” foram sendo agregadas aos festejos, mas sem interferir nos ritos da religião católica. Assim, logo nos 6 primeiros anos do século XIX, um novo rito foi introduzido pelo tesoureiro da Devoção, João Pires Gomes: as novenas. Estas, desde 1803 até hoje, têm sido organizadas pela Administração da Mesa e foram, principalmente durante todo o século XIX, muito solenes. (SANTANA, 2012, p. 137-138). Com a inserção do novenário no século XIX, é inserida também a lavagem da igreja, essa que até hoje é responsável pelo reconhecimento da festa - graças à mídia que a torna espetacularizada - em todo canto o mundo. A lavagem da igreja era realizada pelos negros e pelas senhoras que moravam aos arredores da colina, os quais tinham como missão deixar o templo limpo e ornamentado para a festa que ocorreria no domingo. Na quinta-feira anterior à festa de encerramento, os senhores portugueses faziam seus escravos prepararem o templo juntamente com os fiéis, limpando e enfeitando a igreja por dentro e por fora. [...] Para manter suas tradições religiosas, eles faziam associações entre divindades cristãs e entidades do candomblé. Assim, a preparação da igreja foi transformada em ato de louvor à principal entidade do candomblé: Oxalá, o orixá associado ao Nosso Senhor do Bonfim. (COSTA, 2010, p. 23). A tradição de lavar a igreja perdura até os dias de hoje, sempre na segunda quinta feira do mês de janeiro quando o Bairro do Bonfim realiza a festa ao seu santo protetor. Porém com as modificações temporais, a igreja passa a ser somente lavada externamente, ao contrário dos séculos passados em que o templo era lavado como um todo. As adeptas das religiões afro– brasileiras vestem-se de branco e percorrem 8 km, da Basílica de Nossa Senhora Conceição da Praia, na cidade Baixa até o alto do Bonfim, todos os anos. 7 Figura 1: Lavagem das escadarias da Igreja do Sr. Do Bonfim, Salvador, 2015. Foto: Pesquisa de campo, 2015. Destaca-se que a realização da festa do Senhor do Bonfim não é um fenômeno que se restringe apenas a cidade do Salvador, ou ao estado da Bahia. É um evento que acontece em várias cidades do Brasil, dentre elas, a cidade de Muritiba, localizada no Recôncavo Baiano, a 120 km da capital baiana. 4. DINÂMICA ESPACIAL DA FESTA DO SENHOR DO BONFIM NA CIDADE DE MURITIBA Há aproximadamente dois séculos, Muritiba vivencia os festejos em honra ao Cristo pregado na cruz, ao Senhor Bom Jesus do Bonfim, sendo esse realizado sempre na semana que antecede o carnaval. O festejo na cidade de Muritiba é tido como uma reprodução da Festa já realizada na capital, onde os moradores do Recôncavo, de acordo com Brito (2010) faziam-se presente todos os anos em Salvador, trazendo as práticas por lá vivenciadas para o cotidiano do local em que viviam. Nessa perspectiva de acordo com Rodrigues (2007, p. 5) a Festa do Senhor do Bonfim em Muritiba torna-se considerada como “um evento religioso de forte apelo popular, consagrado como uma das manifestações culturais mais ricas e significativas da cidade [...]”. Um ponto que vale ser ressaltado quanto à festa do Senhor do Bonfim em Muritiba é que essa é constituída por duas partes distintas, vejamos: - Parte Religiosa (Sagrada): Organizada pelo cônego local em conjunto com uma comissão religiosa, sendo composta pelo novenário, missa festiva, missas penitenciais e procissões. Assim, torna-se imprescindível rever algumas considerações sobre a dimensão sagrada dos festejos ao Senhor do Bonfim, essa que de acordo com o Cônego local (entrevista concedida, no dia 16/06/14) “devem ser sempre lembradas, assim considerando o processo de formação da Festa do Senhor do Bonfim como um marco na Paróquia de São Pedro do Monte”. A igreja não é do Bonfim, a igreja é dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Pelo fato da mesma ter uma imagem idêntica a igreja do Bonfim em Salvador inicia-se como algo espontâneo a devoção ao Senhor do Bonfim, onde as sextas feiras as pessoas tinham o costume de ir ascender velas na igreja do Rosário em honra ao santo homenageado nos dias de sexta feiras na Bahia. Assim com o passar 8 dos anos a multidão ia aumentando e como reflexo da devoção existente na capital, o paróco da Freguesia de São Pedro do Monte na época, sem nenhum intuito começa a rezar somente o triduo ao Senhor do Bonfim na igreja do Rosário, sem nenhuma realização de parte social/profana e é nesse momento que os fiéis começam a reconhecer a igreja de Nossa Senhora do Rosário como a Igreja do Senhor do Bonfim. (ENTREVISTA CONCEDIDA PELO CÔNEGO LOCAL, NO DIA 16/06/14). Figuras 2 e 3: Comparação dos Altares das Igrejas do Bonfim – Muritiba e Salvador. Fonte: Pesquisa de Campo, 2014. Figuras 4 e 5: Novenário e Imagem do Sr. do Bonfim preparada pra sair em procissão pelas ruas de Muritiba no último dia da festa, segunda feira. 9 Fonte: Pesquisa de Campo, 2014. - Parte Profana (Rua): Organizada pela prefeitura municipal e composta por bandeira, pregão, cortejos, lavagens, atrações musicais, barracas de largo e parque de diversões. Como pôde ser visto na fala do Cônego local, a Festa do Senhor do Bonfim em Muritiba a principio era realizada somente em três dias, hoje a festa é realizada em onze dias. Nesse sentido percebe-se que a manifestação passa por um processo de revitalização espacial, que de acordo com Oliveira (apud SILVA, 2015, p. 3) “é um ato em que determinado meio sofre alteração, porém continua fazendo parte do perfil da sociedade”. Essa revitalização espacial se dá justamente pela dimensão que o louvor ao Senhor do Bonfim na cidade de Muritiba recebe devido à quantidade de pessoas que estavam participando do tríduo todos os anos, os quais se passavam a multidão só fazia aumentar. Nesse contexto surge à necessidade de se transformar o tríduo em novenário, o qual tinha inicio no sábado e era concluído no domingo próximo, com a missa festiva e o encerramento do ato a noite, culminando a festa na segunda com a procissão. Com isso já se inicia a fase de mercantilização, onde os agentes capitais se incluem no ambiente festivo, assim tornando-se parte do mesmo nas ruas e aos arredores do templo. [...] Porém ao se transformar em novenário, começavam-se então a surgir pequenas barracas, algumas das quais destinavam a venda de doces e lembranças em beneficio dos festejos, enquanto outras destinavam a negócios de interesses de alguns barraqueiros, sem esquecer as mesas de jogos como roletas, jogos de dados, tiro ao alvo e outros tipos de diversão. Fazendo-se memória das manifestações realizadas durante o dia: lavagem, caretas, cães, os homens travestidos e os cavaleiros. Rodrigues (apud SILVA, 2015, p. 4). E por fim sempre uma semana antes do carnaval acontece além da parte religiosa, constando de novenas, missa na Igreja do Bonfim e procissão, a parte profana que é enriquecida pelas manifestações culturais, folclóricas e carnavalescas complementadas de barracas de largos com diversidades de bebidas e de comidas. Em tempo a realização desta festividade atrai grande número de turistas e visitantes que aquece o comercio local, gerando trabalhos temporários diretos e indiretos, ou seja, ocasiona o desenvolvimento socioeconômico-cultural no município. Trecho extraído do projeto da prefeitura de Muritiba da Festa do Bonfim de 2006 (apud SILVA 2015, p. 4). 10 A reflexão sobre o profano é fundamental nas considerações sobre o sagrado, pois as duas dimensões atuam no mesmo espaço, mas não se misturam “apesar de existir conexões, os espaços sagrados e profanos jamais se misturam, havendo limites de distinção entre um e outro, bem como oposições” Rosendahl (apud RODRIGUES, 2007, p. 4). A realização da Festa do Senhor do Bonfim em Muritiba causou e ainda causa alterações na dinâmica espacial da cidade, isso se dá pelo fato de se tornar mais ativo o fluxo de pessoas e veículos que circulam pela cidade durante o evento. Para isso é necessário a interdição no tempo da festa em algumas ruas para a transitação dos foliões, a modificação temporal do trânsito nas ruas e avenidas inclusas no percurso das lavagens e procissões, a transformação de ruas, praças e escolas localizadas nas proximidades da festa em estacionamentos, além de promover uma reconfiguração e modificação da funcionalidade da Praça do Bonfim que concentra as atividades profanas. Figuras 6 e 7: Pregão Anunciador e Show de Saulo Fernandes em Muritiba em 2014. Fonte: Pesquisa de Campo, 2014. 5. MUDANÇAS TEMPORAIS PERCEPTIVEIS NO ESPAÇO FESTIVO DO SENHOR DO BONFIM EM MURITIBA De acordo com Rodrigues (2007, p. 7) antigamente as manifestações sociais/profanas iniciavam-se “após a primeira novena, que ocorria no primeiro sábado da festa, e prosseguiam por toda a noite até no domingo ao meio dia”. Participavam destas manifestações as mães e filhas de santo, aguadeiros que iam lavar as escadarias e o adro da igreja, animais enfeitados, crianças e várias manifestações culturais que existiam na cidade se apresentavam nessa maratona de expressões de homenagem ao Senhor Bom Jesus, realizado na porta do templo pela comunidade. Salienta-se que 11 atualmente o novenário, não se inicia mais no sábado, e sim um dia antes, assim ficando o ultimo domingo da festa só pra realização da missa festiva, não havendo mais o novenário à noite como ocorria no passado. Durante a Festa também se encontrava os cortejos que saiam nas ruas durante às madrugadas acompanhado pelas famílias, baianas conduzindo bandeiras e estandartes e pelo som das charangas (Grupo de tocadores de sopro); com a proximidade do carnaval era comum as pessoas se enfeitarem com roupas e máscaras luxuosas, como uma forma também de anunciar que o carnaval viria após os dias de Festa em Muritiba. As ruas fervedouras de raparigas de saias redondas e torço de cetim, xale de seda ajustado à cintura, com punhos, pescoços e orelhas carregados de ouro, cada qual mais ardente de alegria, cantando, requebrando ao som da zabumba, sobressaindo as porta-bandeiras no repisado e requebro das chulas, no miudinho leve e ligeiro do ponteado da dança. (CASTRO, s/d, p.6). Com o passar dos anos o espaço dos Festejos em honra ao Senhor do Bonfim em Muritiba foi ganhando novas configurações. De acordo com Rodrigues (2007, p. 8) “houve exclusão e esquecimento de tradições, incorporação de novos elementos, [...] foi impossível deixar de agregar novos significados”. Com isso essas as manifestações citadas permanecem apenas na memória daqueles que participaram e vivenciaram o seu transcorrer. Com saudosismo, alguns moradores lamentam: Com o perpassar do tempo acabou a tradição, as pessoas que efetivamente tinham fé foram desaparecendo e não houve sucessão pelas gerações que vieram... Muita coisa perdeu sua origem, hoje ocupam os arredores da igreja com barracas e se fossemos resgatar tudo isso, o povo não ia entender. (RODRIGUES, 2007, p. 7). Atualmente, as lavagens que acontecem nas escadarias da igreja são compostas apenas por baianas, adeptas ao candomblé em sua maior parte, as quais saem às ruas da cidade na manhã do primeiro domingo da festa portando em suas cabeças a tradicional água de cheiro (água aromatizada com alfazema e flores), que é utilizada para abençoar aos credores e lavar as escadarias do templo. A lavagem de água ou das baianas, como é tradicionalmente conhecida pelos moradores de Muritiba também é acompanhada por muitas pessoas, as quais se trajam de branco e seguem ao som dos tambores e atabaques. 12 Figura 8: Lavagem das Escadarias da Igreja do Bonfim, Muritiba. Foto: Acervo da Equipe, 2014. Com a extirpação das manifestações que eram realizadas durante as madrugadas, devido ao alto índice de violência e vandalismo, deu-se lugar a um novo tipo de manifestação cultural, denominadas por lavagens, “não as das escadarias da igreja, e sim uma nova expressão de manifestação popular, repleta de simbologias” (Rodrigues, 2007, p. 8). Assim gerando uma modificação cultural no espaço festivo. Essa nova configuração assumida pela lavagem mobiliza e arrasta multidões, que aguardam ansiosamente o ano todo, para pular e dançar ao som das fanfarras e suas músicas de embalo pelas ruas da cidade, ou então, para apenas observá-la nas praças e esquinas. Durante os dias em que se realizam as lavagens vespertinas, pode-se notar a presença de elementos simbólicos e folclóricos como: - As caretas: apesar de já existirem mascarados nos cortejos fazendo analogia ao carnaval, as caretas atuais assumiram uma nova roupagem, ao invés de cabeçorras e mandús, mortalhas e máscaras horrendas são usadas pelos garotos para brincar nas lavagens e assustar criancinhas. - Os cães: organizados, inicialmente, pelo líder religioso do candomblé Sr. Ricardo Benedito dos Santos, popularmente conhecido como Ricardo do Bilhete. Segundo relatos, no início eram apenas sete componentes, posteriormente, elevando-se a vinte e um, desfilavam pela cidade, separados da lavagem, usando roupas pretas, capas vermelhas, parte do corpo pintada de óleo queimado e para completar o figurino; ganchos. Hoje, dispensaram a roupa e pintam todo o corpo 13 com óleo queimado, são inúmeros e saem junto às lavagens de quarta, sexta e sábado, sujando a todos, sem exceções. - As muquiranas: introduzidas há pouco tempo nas lavagens, são reproduções das que existem no carnaval de Salvador. (INFORMATIVO POPULAR DA FILARMÔNICA 5 DE MARÇO, 2001, p. 3). Figuras 9, 10, 11 e 12: Lavagem Vespertina, Fantasiados, Tradicionais Cães e a Caretas. Fotos: Roberto Luíz, 2015. Ainda sobre as modificações ocorridas com o tempo, ressalta-se a inserção dos trios elétricos e dos blocos nas ruas de Muritiba, que não são destinadas para toda a população e sim para as pessoas que pagam por camisas para que possam entrar na corda para prestigiar as bandas que são puxadas pelo embalo dos trios elétricos. Os blocos são monitorados pela polícia durante toda a sua realização, há também a presença de carros pipa com o intuito de refrescar os foliões e a diversão realizada pelos 14 artistas de nome nacional que agitam ao folião. Esses blocos a cada ano ampliam seus investimentos em inovações, estruturas e propagandas com o intuito de “atrair mais participantes e, obvio obter maior lucratividade” (RODRIGUES, 2007, p. 10). Exemplos desses blocos são: Clube dos Trinta e Amor de Verão. Do ponto de vista geográfico percebe-se que: Na contemporaneidade, as manifestações populares culturais tornamse mercantilizadas, o que contribuem, cada vez mais, para a exclusão de tantos. Pois, quem não tem o poder aquisitivo de comprar a camisa para incluir-se dentro da corda, é vedado de participar diretamente da festa. Isso é comum em nossa sociedade ocidental/capitalista, em que transforma tudo (natureza, homem, cultura etc.) em recurso, agregando-o um valor de troca; assim, paga-se, também, pela diversão. Essa ação pode contribuir para intensificar as disparidades sociais em nossa sociedade nas diferentes escalas espaciais e, embora inicialmente não seja perceptível, tende a somar a tantos outros fatores que aumentam e cristalizam as desigualdades sociais contemporâneas brasileiras, sendo a violência alguns dos atos de reação. Além disso, tende a descaracterizar a festa profana do Sr. do Bonfim, que, em sua essência, nos aparece como uma festa democrática e espontânea, onde todos são iguais e tem o direito de manifestar a sua cultura. Nesse caso, a comercialização da festa reduz a participação do povo muritibano e de outros na festa e tende a desarticular as manifestações culturais. (SILVA, 2015, p. 7). Figura 13: Bloco de Camisa na Festa do Bonfim em Muritiba , 2015. Foto: Fábio Santos, 2015. Outra mudança bastante perceptível aos arredores do templo dedicado ao Senhor do Bonfim na cidade de Muritiba, foi à reforma que a praça onde acontecem os festejos passou. No inicio do ano de 2014 a prefeitura municipal entregou a comunidade a Praça do Senhor do Bonfim reestruturada, com novas dimensões - já pensando na festa que a mesma recebe anualmente - e totalmente revitalizada. Esse fator gerou por parte de 15 alguns moradores da cidade o sentimento de tristeza, revolta e indignação pelo fato da derrubada das árvores centenárias e do coreto, os quais eram tidos como símbolos da cidade. Figura 14 e 15: Praça do Bonfim antes e depois da sua revitalização espacial. Foto: Google Imagens. 6. O REENCONTRO FAMILIAR NO CONTEXTO FESTIVO DO SENHOR DO BONFIM Atualmente, a prática dos brasileiros da migração de um Estado ou Região para outra é comum, isto se deve a diversos fatores entre eles o principal que é a busca de uma melhoria na qualidade de vida. Para isso as pessoas acabam deixando suas cidades de origem e suas famílias em buscas de emprego em outros lugares e lá constroem “novas famílias” no trabalho, no bairro, na faculdade, etc., porém, a saudade faz com que estes indivíduos sintam a necessidade de reencontrar seus familiares, então aproveitam principalmente os períodos festivos de sua região para poder retornar, visitar seus parentes e também sair da rotina de todos os dias e aproveitar as festas, acontecendo assim, a festa na rua e a festa na casa. Desse modo, a família pode ser a unidade mais importante e o sujeito da maioria dos processos sociais básicos de um sistema, mas, uma vez que as rotinas diárias venham a ser modificadas – e é precisamente isso que a ação ritual -, ela pode ser substituída por um partido ou instituição política se a cerimônia é cívico-política; por um clube, se o cerimonial é esportivo; por uma associação voluntaria, presa a um espaço básico da cidade (como o seu sistema de bairros), se o ritual é uma festa popular como o carnaval [...]. (DAMATTA, 2000, p. 3839). 16 Nesse sentido, essa dimensão de tempo desses reencontros familiares é “marcada por uma cronologia e calendários” (FRANÇA, 2000 p. 76), no qual, esses fenômenos festivos ocorrem como um ciclo e é passada de forma hereditária, como aniversários, Natal, São João etc. A referência ao tempo das festas é um fator importante no conjunto de elementos que as estruturam. As Festas de Família estão marcadas por tempos diferentes, tendo em vista que os membros vivem cotidianamente ritmos singulares que encerram estilos de vida interioranos e citadinos. A busca por um tempo confortável à participação de todos às festas, o tempo cíclico nos quais elas ocorrem são negociados e resultam da ação recíproca de possibilidades individuais. Ou seja, as famílias, em geral, organizam-se em comissões que trabalharão para a realização do próximo Encontro. Essas comissões são definidas nas “assembléias” que ocorrem ao longo do evento, bem como a data que será realizada a próxima Festa. (FRANÇA, 2009, p. 75-76). Sendo assim, muitos desses reencontros familiares acontecem em períodos de festas populares e festas religiosas, principalmente no Nordeste – região marcada e conhecida por esses tipos de festa além de outros aspectos –, nesse contexto se encaixa a festa do Senhor do Bonfim, uma festa religiosa com alguns aspectos de festa popular, que como já foi citado, ocorre nos primeiros meses do ano, sempre alguns dias antes do carnaval e reúne milhares de pessoas de várias partes do Brasil, que aproveitam o período festivo tanto o religioso quanto o carnaval para reencontrarem seus familiares. Desde já, é importante sublinhar a relação entre estação climática e ciclo festivo (Mauss, 2003). Em Salvador, o verão tem seu ritmo determinado pela periodicidade das festas (profanas e religiosas). É a estação do ano em que a sociedade baiana vivencia momentos de grande efervescência coletiva, com alegria, dispêndio, licenciosidades, dança e música alegres. Ao se abrir em festa durante o verão, a cidade de Salvador tem sua densidade populacional alterada temporariamente pelo grande número de turistas que recebe nesse período. A Lavagem do Bonfim, por exemplo, atrai cerca de um milhão de pessoas (entre devotos do santo, moradores da cidade, turistas brasileiros e estrangeiros) a cada edição da festa. (SANTOS, 2006, p. 5-6). Assim, pode-se observar que as a Festa do Senhor do Bonfim é realizada nos primeiros meses do ano como forma estratégica de atrair mais pessoas por ser um período de em que a Bahia recebe milhares de turistas, pelo fato de ser verão e próximo ao carnaval e também o período em que a maioria das pessoas aproveita para viajar ao reencontro de seus familiares. 17 7. REFLEXÕES FINAIS Com base nos resultados obtidos na culminância do presente artigo em relação à Festa do Senhor do Bonfim na cidade de Muritiba é de grande relevância destacar alguns pontos que nortearam para os resultados da mesma. Nesta perspectiva, notou-se que a festa do Senhor do Bonfim é vista como uma das maiores festas religiosas existentes na região do Recôncavo Baiano, pois existem inúmeros religiosos que proclamam e homenageiam a festa do Senhor do Bonfim a cada ano, mostrando a sua fé e devoção. A Igreja, a principio não era dedicada ao Senhor do Bonfim e sim a Nossa Senhora do Rosário, isso se deu pelo fato do templo ter uma grande semelhança a Igreja de Salvador e o crescimento da devoção na Paróquia de São Pedro do Monte, com isso a igreja acabou sendo intitulada pelo povo local de Igreja do Bonfim, o qual prevalece até hoje. Compreende-se que na festa atual a dimensão do sagrado acontece dentro da igreja e fora dela ocorre à procissão pelas ruas da cidade. Enquanto a festa profana começa no limite físico espacial da edificação sagrada (igreja), onde se arma palco para shows, bem como está relacionada com os cortejos da madrugada, e as lavagens pelas ruas da cidade. Entretanto, é de extrema importância salientar que além dos agentes capitalistas, o poder local também contribui com a descaracterização do evento por meio da incorporação de outras atividades no seu transcorrer, assim modificando a cultura e o espaço da Festa do Senhor do Bonfim de Muritiba que é esperada a cada ano pelos moradores da cidade e seus familiares de outras localidades com muita ansiedade, alegria, devoção e animação, assim vivenciando em suas casas, na rua ou no templo a Festa do Bonfim. Pôde se compreender o quão a Festa do Senhor do Bonfim, encontra-se enraizada no sangue do povo muritibano, o qual toma o santo como seu protetor, mesmo sendo São Pedro o protetor da cidade. Vale destacar que o evento não ocorre somente em Salvador, sendo uma manifestação endêmica como a mídia divulga, trata-se de uma Festa que ocorre em várias cidades do Brasil, sendo Salvador, a primeira cidade a acolher essa Devoção. 18 REFERÊNCIAS BRITO, Nelson. 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