Geral O Estado do Maranhão - São Luís, 17 de fevereiro de 2012 - sexta-feira MPF instaura inquérito para apurar denúncia de fraude em notas da UFMA O procurador Tiago de Sousa Carneiro ouvirá as partes envolvidas no caso; documentos já foram encaminhados pela universidade, após abrir sindicância Flora Dolores admitir que errou ao lançar as notas. Mas até hoje não obtive nenhuma resposta sobre o processo que ainda não foi encerrado”, disse Gurgel. Anderson Corrêa Da equipe de O Estado O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil público para apurar denúncia de fraude no sistema de notas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Documentos com informações sobre o caso já foram enviados ao procurador Tiago de Sousa Carneiro, que, segundo assessoria de comunicação do órgão, divulgará em breve portaria com as medidas a serem tomadas durante a investigação. O procurador deverá ouvir as partes envolvidas e analisar as informações coletadas para dar seu parecer sobre o caso. Os documentos foram encaminhados pela UFMA após abrir sindicância para investigar possíveis irregularidades no lançamento de notas de disciplinas do Departamento de Filosofia denunciadas pelo professor Wildoberto Batista Gurgel, conhecido no meio acadêmico como Ayala Gurgel, em seu microblog em rede social. Segundo ele, notas de alguns alunos da universidade foram alteradas a sua revelia. Na quarta-feira, 15, o professor acompanhado de seu advogado, Rafael Silva, explicou que sete alunos que perderam a prova final e outros que discordavam das notas lançadas solicitaram revisão destas e a realização de uma nova prova. Mas sabendo que as solici- O professor Ayala Gurgel denunciou fraudes em notas na UFMA tações foram feitas fora do prazo estabelecido pela universidade, Gurgel negou os pedidos. “Em 2003, entrei com recurso no Conselho Universitário questionando a possibilidade de alterações de notas sem o conhecimento do professor. Se isso for possível, preciso rever a minha conduta. Se não for, o Departamento [de Filosofia] vai ter que Mais A administração superior da UFMA, por meio de assessoria de comunicação, informou que está acompanhando a apuração dos fatos e somente vai se pronunciar sobre o caso após o fim da sindicância. Processos - Sobre a nota publicada no dia 6 deste mês pela universidade, na qual se refere ao professor como leviano e afirma já tê-lo afastado das atividades da instituição em decorrência de posturas não éticas, Gurgel é enfático em dizer que nunca respondeu a processos administrativos ou disciplinares. “Os únicos afastamentos que tive foram por viagens a serviço ou para capacitação e tenho documentos que comprovam isso. E hoje estou exercendo minhas funções normalmente”, declarou. Para o advogado do professor, houve uma precipitação da Universidade em lançar uma nota ofensiva contra o professor, com tom intimidatório, inclusive tentando desqualificar o seu trabalho sem tê-lo ouvido, acusando-o de ter agido de forma irresponsável e que ferisse a moral da instituição. “Vamos contestar esta questão juridicamente, processando a Universidade por danos morais. Queremos também uma retratação pública da UFMA . As outras questões, como os processos que ficaram parados há aproximadamente nove anos, devem ser analisadas no âmbito administrativo”, declarou Rafael Silva. 5 Divulgação A advogada de defesa Ana Lúcia Assad e o acusado Lindemberg Lindemberg recebe condenação de 98 anos e 10 meses de prisão Sentença foi proferida pela juíza Milena Dias; ele não pode ficar preso por mais de 30 anos SÃO PAULO - Lindemberg Alves Fernandes, 25, foi condenado a 98 anos e 10 meses de prisão ontem pela morte de Eloá Pimentel, 15, em 2008. A sentença foi proferida pela juíza Milena Dias. Pela lei brasileira, ele não pode ficar preso por mais de 30 anos. Como a soma das penas excede esse limite, elas devem ser unificadas. Na sentença, a juíza afirma que Lindemberg agiu com frieza e premeditadamente. "O réu agiu com frieza, premeditadamente em razão de orgulho e egoísmo", disse. A advogada de defesa Ana Lúcia Assad pediu nulidade absoluta do julgamento. A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, chorou ao ouvir a sentença. "A justiça foi feita. Estou aliviada, graças a Deus", disse. Já Lindemberg ouviu a sentença com a cabeça baixa e nada disse, segundo o TJ. O crime ocorreu na casa da vítima, em Santo André (Grande São Paulo), após a adoles- cente ter sido mantida em cárcere privado por mais de 100 horas. Os jurados reconheceram todos os crimes. A pena total foi a soma das seguintes condenações: 30 anos pelo homicídio de Eloá Pimentel; 20 anos pela tentativa de homicídio a Nayara Rodrigues; 10 anos pela tentativa de homicídio do PM Atos Valeriano; 24 anos e dois meses para os cinco cárceres privados; 14 anos e oito meses pelos quatro disparos com arma de fogo. O júri que condenou Lindemberg era formado por seis homens e uma mulher. O julgamento durou quatro dias e foi marcado pelo depoimento do réu, que falou pela primeira vez sobre o caso e também por discussões e ameaças de abandono do plenário da advogada de defesa. Lindemberg confessou ter atirado contra Eloá, mas disse que não planejou crime. Disse ainda que tinha reatado o namoro com a garota dias antes e que ela o havia traído. Em um dos momentos polêmicos do julgamento, a advogada de defesa Ana Lúcia Assad chegou a falar que a juíza Milena Dias deveria 'voltar a estudar'. Relembre o caso Universidade Estadual do Maranhão divulga lista dos aprovados no Pases Flora Dolores Para o seletivo 2012, a Uema ofereceu 4.800 vagas, das quais 2.610 para o 1º semestre A Universidade Estadual do Maranhão (Uema), por meio da PróReitoria de Graduação (Prog), divulgou na tarde de ontem o resultado oficial do Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (Pases) 2012. Para este seletivo, foram oferecidas 4.480 vagas, das quais 2.610 são para o primeiro semestre letivo e 1.780 para o segundo semestre. As vagas são para os cursos nas modalidades presencial e a distância e estão distribuídas nos campi e polos de educação da instituição. O calendário completo com as datas para a realização das matrículas dos candidatos aprovados está disponível no site da universidade: www.uema.br. Para o egresso no ensino superior, a Uema apresentou dois sistemas de preenchimento de vagas: o Sistema Universal e o Sistema Especial de Reservas de Vagas, destinando 10% das vagas dos seus cursos de graduação para candidatos negros (de raça ou cor preta, conforme nomenclatura do IBGE) e oriundos de comunidades indígenas, tendo cursado o ensino médio exclusivamente em Candidatos observam a lista de aprovados no Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior escolas públicas. Do quantitativo de vagas disponibilizadas para os cursos da instituição, 3.654 foram preenchidas, restando 826 vagas ociosas, ou seja, 18,4% das vagas oferecidas não foram ocupadas. De acordo com o reitor da instituição, José Augusto Oliveira, tais vagas serão preenchidas no decorrer do ano. “Não houve um preenchimento de 100% de nossas vagas. Vamos verificar a partir de amanhã [hoje] alternativas para o preenchimento dessas vagas, seja por um processo de transferência ex- terna, interna ou então vagas para graduados”, afirmou Oliveira. “O momento de egresso dos estudantes para o ensino superior é um fato muito importante, pois é necessário formar profissionais qualificados para atender os anseios da população maranhense e também para atuar nos grandes empreendimentos que estão chegando ao nosso estado”, afirmou Olga Simão, secretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Aprovados – No prédio da próreitoria de graduação, ontem, os candidatos aguardavam ansiosos pela divulgação do resultado do processo seletivo. Por volta das 15h, a lista com os nomes dos estudantes aprovados foi fixada no mural, o que causou muito alvoroço. A estudante Ellen Caroline Ferreira, de 18 anos, foi uma das que foi aprovada no seletivo. Classificada em 4° lugar para o curso de Administração, ela se diz com o dever cumprido. “Me sinto com o dever cumprido e de poder dar uma resposta para aquelas pessoas que acreditaram em mim”, afirmou. Eloá Pimentel, 15, foi rendida pelo ex-namorado no dia 13 de outubro de 2008 e mantida em cárcere privado por mais de 100 horas dentro do apartamento em que morava em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André. Na ocasião, a adolescente estava em companhia de três amigos - dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara - também com 15 anos - que, apesar de ter sido libertada, 33 horas depois retornou ao apartamento, no dia 16 de outubro. O desfecho do caso ocorreu na noite do dia 17 de outubro, quando a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel. A acusação diz que o rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da exnamorada e ferindo a amiga na boca. Durante as negociações, Lindemberg também teria atirado contra o sargento da PM Atos Valeriano. Ele foi o primeiro PM a chegar ao local e negociou a rendição de Lindemberg por cerca de 22 horas, até que o Gate assumisse.