UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
ALINE SIMAS
Trabalho de Conclusão de Estágio
BALANÇO SOCIAL: UMA PROPOSTA
PARA O PARQUE DOM BOSCO
ITAJAÍ
2014
ALINE SIMAS
Trabalho de Conclusão de Estágio
BALANÇO SOCIAL: UMA PROPOSTA
PARA O PARQUE DOM BOSCO
Trabalho de Conclusão de Estágio
desenvolvido
para
o
Estágio
Supervisionado
do
Curso
de
Administração do Centro de Ciências
Sociais Aplicadas – Gestão da
Universidade do Vale do Itajaí.
Orientadora: Profa Msc.
Pereira Vecchio Balsini
ITAJAÍ
2014
Cristina
Agradeço aos meus pais que,
apesar do pouco estudo, sempre
souberam a importância do
conhecimento na vida de uma
pessoa e sempre me incentivaram
para que eu conseguisse alcançar
meus objetivos de vida.
À Carlota Medeiros, grande
profissional, que deu o primeiro
empurrão para que eu iniciasse a
faculdade e à Francielle Hilbert,
colega de trabalho e amiga, que com
sua competência, auxiliou na
concretização deste trabalho.
À Direção do Parque Dom Bosco, na
pessoa do P. Edvaldo Nogueira da
Silva, por abraçar a proposta deste
trabalho e à Luciana Mello, pela
constante colaboração para este
trabalho.
À Orientadora Cristina Balsini, por
aceitar o desafio de um trabalho
inédito e pelo envolvimento e
colaboração constante.
3
“O êxito da vida não se mede pelo
caminho que você conquistou, mas
sim pelas dificuldades que superou
no caminho”. (Abraham Lincoln)
EQUIPE TÉCNICA
a) Nome do estagiário
Aline Simas
b) Área de estágio
Responsabilidade Social
c) Orientador de conteúdo
Profa. Cristina Pereira Vecchio Balsini
d) Supervisor de campo
Luciana Corrêa de Mello
e) Responsável pelo Estágio
Prof. Eduardo Krieger da Silva
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO
a) Razão Social
Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação – Parque Dom Bosco
b) Endereço
Rua Brusque, 1333, bairro Dom Bosco, Itajaí - SC
c) Setor de Desenvolvimento do Estágio
Administração Geral
d) Duração do estágio
240 horas
e) Nome e cargo do supervisor de campo
Luciana Corrêa de Mello – Coordenadora Financeira
f) Carimbo e visto da organização
RESUMO
Cada vez mais a sociedade vem cobrando das ONG´s, transparência nas suas ações. É dever de
cada instituição prestar contas de suas ações à sociedade e aos seus benfeitores. Diante disto tornase importante mostrar os resultados das ações à sociedade, não só para demonstrar transparência,
mas também para atrair novos financiadores e parceiros dos projetos desenvolvidos e,
consequentemente, garantir a sustentabilidade da organização. Neste contexto é que o Balanço
Social torna-se um instrumento essencial para uma organização na melhoria da informação, gestão e
comunicação com seus parceiros. Esta pesquisa teve como objetivo principal propor um balanço
social para o Parque Dom Bosco. Diante deste objetivo geral buscou-se por meio da coleta de dados
primários a realização da entrevista com o Administrador e com a Assistente Social do Parque Dom
Bosco. Por meio da coleta de dados secundários apresentar o Balanço Social do Parque Dom Bosco.
O modelo de balanço social do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas IBASE (2008) foi
escolhido para embasar o balanço social do Parque Dom Bosco. A metodologia de estudo de caso,
possibilitou a acadêmica, por meio da metodologia qualitativa a análise geral da instituição, de forma
que os objetivos específicos foram alcançados.De acordo com os resultados das entrevistas, foram
destacados pelo Administrador e pela Assistente Social como pontos fortes do Parque Dom Bosco: a
metodologia de ensino, a visibilidade da instituição, as formações continuadas e o número de
atendimentos. Nos pontos fracos, os principais citados foram: a manutenção da estrutura física da
instituição, a rotatividade de funcionários, a responsabilidade social em relação aos funcionários e as
reclamações de pais, alunos e parceiros. Quanto à elaboração do balanço social, os entrevistados
consideraram que a instituição tem capacidade para elaborar um instrumento como este e acreditam
que o balanço possa ser um material que demonstre a transparência da instituição no
desenvolvimento de suas ações.
Palavras-chave: Balanço Social, Responsabilidade Social, Terceiro Setor.
LISTAS DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Títulos e Certificações........................................................................
28
Figura 2 – Informações do Balanço Social .........................................................
32
Figura 3 – Logomarca do Parque Dom Bosco....................................................
36
Figura 4 – Frente do Parque da Juventude Dom Bosco.....................................
37
Figura 5 – Irmão Minella e as Crianças em 1962................................................
37
Figura 6 – Fachada do Parque Dom Bosco........................................................
38
Figura 7 – Localização do Parque Dom Bosco...................................................
39
Figura 8 – Atividades oferecidas no Parque Dom Bosco....................................
40
Figura 9 – Organograma do Parque Dom Bosco................................................
41
Quadro 1 – Situação Atual da Organização........................................................
44
Quadro 2 – Análise do Indicador Responsabilidade Social................................. 46
Quadro 3 – Análise do Indicador Valores e Transparência.................................
46
Quadro 4 – Análise do Indicador Captação de Recursos.................................... 47
Quadro 5 – Análise do Indicador Meio Ambiente................................................
49
Quadro 6 – Análise do Indicador Fornecedores..................................................
49
Quadro 7 – Análise do Indicador Clientes e Consumidores................................
51
Quadro 8 – Análise do Indicador Balanço Social................................................
52
Quadro 9 – Análise dos Indicadores Sociais Internos.........................................
55
Quadro 10 – Análise do Indicador Comunidade.................................................. 57
Quadro 11 – Análise do Indicador Poder Público................................................ 58
Quadro 12 – Indicador Responsabilidade Social................................................. 59
Quadro 13 – Indicador Balanço Social................................................................
60
Quadro 14 – Indicador Comunidade.................................................................... 62
Quadro 15 – Indicador Poder Público.................................................................. 62
Quadro 16 – Análise da visão do Administrador e da Assistente Social.............
63
Quadro 17 – Coleta de dados para preenchimento do Balanço Social............... 64
Tabela 1 – Identificação da instituição................................................................. 69
Tabela 2 – Origem dos recursos.........................................................................
69
Tabela 3 – Aplicação dos recursos...................................................................... 70
Tabela 4 – Indicadores sociais internos..............................................................
70
8
Tabela 5 – Projetos, ações e contribuições para a sociedade............................
71
Tabela 6 – Outros indicadores............................................................................. 73
Tabela 7 – Indicadores sobre o corpo funcional.................................................. 74
Tabela 8 – Qualificação do corpo funcional......................................................... 75
Tabela 9 – Informações relevantes quanto à ética, transparência e
responsabilidade social......................................................................................
75
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11
1.1
Objetivo geral ................................................................................................. 12
1.2
Objetivos específicos ...................................................................................... 12
1.3
Justificativa da realização do estudo .............................................................. 13
1.4
Aspectos metodológicos ................................................................................. 15
1.5
Técnicas de coleta e análise dos dados ......................................................... 16
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 19
2.1
Administração ................................................................................................. 19
2.2
Responsabilidade Social ................................................................................ 21
2.3
Terceiro Setor ................................................................................................. 24
2.4
Associações ................................................................................................... 26
2.4.1
Títulos e Certificação concedidos pelo poder público às entidades de
interesse social.......................................................................................................... 27
2.4.1.1 Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP ................. 28
2.4.1.2 Certificado de Utilidade Pública Federal ..................................................... 29
2.4.1.3 Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS ......... 30
2.5
Balanço Social ................................................................................................ 30
2.6
Modelo IBASE ................................................................................................ 34
3 CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO ......................................................... 36
3.1
Histórico do Parque Dom Bosco ..................................................................... 36
3.2
Atividades desenvolvidas ............................................................................... 38
3.3
Estrutura organizacional ................................................................................. 41
3.4
Missão ............................................................................................................ 42
3.5
Visão e valores ............................................................................................... 42
4 RESULTADOS DA PESQUISA .......................................................................... 44
4.1
Compreensão da percepção do administrador do Parque Dom Bosco diante
da Responsabilidade Social e do Balanço Social...................................................... 44
4.2
Verificação da visão geral da assistente social diante do Parque Dom Bosco e
do Balanço Social...................................................................................................... 59
4.3
Identificação dos pontos fortes e fracos do Parque Dom Bosco diante da visão
do Administrador e da Assistente Social ................................................................... 63
4.4
Coleta das informações necessárias para elaboração do Balanço Social..... 64
4.5
Apresentação do Balanço Social para o Parque Dom Bosco ......................... 68
5 SUGESTÕES PARA A ORGANIZAÇÃO ........................................................... 77
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 79
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 81
APÊNDICES.............................................................................................................. 85
APÊNDICE A - Roteiro de Entrevista realizado com o Administrador do Parque Dom
Bosco ........................................................................................................................ 86
APÊNDICE B - Roteiro de Entrevista realizado com a Assistente Social do Parque
Dom Bosco ................................................................................................................ 89
APÊNDICE C - Plano de Mídia do Balanço Social .................................................... 91
APÊNDICE D - Pesquisa de Opinião ........................................................................ 92
APÊNDICE E - Registro de Reclamação .................................................................. 93
APÊNDICE F - Código de Ética e Conduta ............................................................... 94
ANEXOS ................................................................................................................... 96
10
ANEXO A - Modelo de balanço social do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas IBASE (2008) utilizado para coleta de dados ....................................... 97
ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS .................................................................... 100
11
1
INTRODUÇÃO
As organizações do terceiro setor têm como principal objetivo atender as
necessidades sociais que o governo não consegue suprir. Dados de 2005 do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2014) revelam que no Brasil
existem aproximadamente 338mil Fundações Privadas e Associações sem Fins
Lucrativos.
Até meados da década de 80, os estudos da ciência da administração eram
voltados apenas para organizações empresariais e governamentais, deixando de
lado as organizações não governamentais – ONG´s. Atualmente, com o crescimento
das ONG´s os estudos destas organizações vêm aumentando e as ferramentas
gerenciais estão sendo adaptadas a uma nova realidade.
As organizações do terceiro setor, que são instituições sem fins lucrativos,
precisam de dinheiro para desenvolver as ações a que se propõem, pagamento de
funcionários, aluguéis, materiais, reformas e demais despesas. Grande parte das
ONG´s sobrevivem de recursos oriundos do poder público, contribuições da
sociedade e por meio de projetos de captação de recursos.
Como os recursos são limitados, as instituições precisam de ferramentas de
gestão para administrar seus recursos, tanto financeiros quanto materiais com intuito
de desenvolverem sustentabilidade, e principalmente, necessitam captar mais
recursos.
Cada vez mais a sociedade vem cobrando das ONG´s, transparência nas
suas ações. É dever de cada instituição prestar contas de suas ações à sociedade e
aos seus benfeitores. Diante disto torna-se importante mostrar os resultados das
ações à sociedade, não só para demonstrar transparência, mas também para atrair
novos financiadores e parceiros dos projetos desenvolvidos e, consequentemente,
garantir a sustentabilidade da organização.
Neste contexto é que o Balanço Social torna-se um instrumento essencial
para uma organização na melhoria da informação, gestão e comunicação com seus
parceiros.
O Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação, conhecido
popularmente como Parque Dom Bosco é uma organização sem fins lucrativos,
caracterizada como instituição de assistência social, que atende crianças,
12
adolescentes
e
jovens
em
atividades
de
contraturno
escolar
e
cursos
profissionalizantes.
Fundada há 53 anos, a instituição é referência no trabalho social no município
de Itajaí nas áreas de esporte, lazer e educação e já encaminhou muitos jovens para
o mercado de trabalho. Diante do exposto este trabalho de conclusão de estágio
buscou propor um balanço social para o Parque Dom Bosco, visando melhorias
diante dos seus stakeholders.
1.1
Objetivo geral
Nesta etapa, a acadêmica apresenta o objetivo geral da pesquisa. De acordo
com Richardson (1999 p. 62) o objetivo geral define “o que se pretende alcançar
com a realização da pesquisa”.
Neste sentido, o estudo pretendeu propor um
Balanço Social adequado a atuação do Parque Dom Bosco.
1.2
Objetivos específicos
Nesta seção apresentam-se os objetivos específicos. Segundo Roesch (1999,
p.98) os objetivos específicos “[...] especificam o modo como se pretende atingir um
objetivo geral”. Dessa forma, os objetivos específicos foram:
Compreender a percepção do administrador do Parque Dom Bosco diante
da Responsabilidade Social e do Balanço Social
Verificar a visão geral da assistente social diante do Parque Dom Bosco e
do balanço social;
Identificar os pontos fortes e fracos do Parque Dom Bosco diante da visão
do Administrador e da Assistente Social;
Coletar as informações necessárias para elaboração do Balanço Social;
Apresentar o balanço social para o Parque Dom Bosco;
13
1.3
Justificativa da realização do estudo
Nesta etapa são apresentados os motivos para elaboração do trabalho de
conclusão de estágio. De acordo com Roesch (2005), justificar é importante porque
obriga o autor a situar-se na problemática do trabalho e pensar sua proposta de
maneira abrangente, de forma que justifique a execução de acordo com sua
importância, oportunidade e viabilidade.
A acadêmica como funcionária do Parque Dom Bosco percebeu que a
organização possuía apenas um balanço patrimonial e a ausência da publicação de
um balanço social fez com que a instituição fosse desclassificada no processo de
Certificação de Responsabilidade Social, concedida pela Assembléia Legislativa de
Santa Catarina.
Este título é concedido às empresas e instituições que praticam e publicam
suas ações, sob o ponto de vista da sustentabilidade. A sustentabilidade pode se
desdobrar em ações economicamente viáveis, socialmente justas, ambientalmente
equilibradas, culturalmente aceitas e politicamente éticas.
A obtenção de uma certificação auxilia na conquista de novos parceiros e no
reconhecimento do Parque pela sociedade. Oferece maior visibilidade aos projetos
institucionais e credibilidade nas organizações perante a sociedade.
Drucker (2002) afirma que as instituições sem fins lucrativos precisam de
mais gerenciamento porque não possuem resultado financeiro. Tanto sua missão
como seu produto/ serviço precisam ser definidos com clareza e avaliados de forma
contínua.
Na visão de Kroetz (2000), o Balanço Social é um instrumento de auxílio na
gestão da entidade contribuindo para a melhora da estrutura organizacional, da
informação e da comunicação, da produtividade, da eficácia e da eficiência, entre
outros.
Já Tinoco (2001, p.36) afirma que o Balanço Social “tem por objetivo
descrever uma certa realidade econômica e social de uma entidade, mediante o qual
é suscetível de avaliação”. O autor ainda afirma que as entidades além de satisfazer
adequadamente às demandas de seus clientes e de seus parceiros nos negócios e
atividades, tem o dever de divulgar e dar transparência a toda a sociedade de sua
inserção no contexto das relações econômicas, financeiras, sociais, ambientais e de
14
responsabilidade pública por meio do Balanço Social, que é o relatório apropriado
para isso.
Diante deste contexto, a acadêmica percebeu que: O Parque Dom Bosco
possui instrumentos de gestão que demonstrem o resultado das ações
financeiras e sociais a seus stakeholders. Portanto, propor a implantação de um
Balanço Social no Parque Dom Bosco, será de grande valia.
O trabalho tornou-se viável pela disponibilidade e colaboração dos
profissionais da instituição em fornecer os dados necessários para o trabalho, além
da facilidade de acesso da acadêmica às informações institucionais, sendo que esta
é funcionária da organização.
Para a Instituição trata-se de um trabalho inovador, tendo em vista que não
houveram trabalhos anteriores sobre o assunto e a organização não possui um
balanço social estruturado.
Para a universidade, espera-se que este trabalho de conclusão de estágio
possa agregar mais estudos para a comunidade acadêmica, ajudando no alcance do
objetivo do curso de Administração que é “formar profissionais com domínio da
ciência da administração, comprometidos com pressupostos éticos que promovam
de forma crítica, reflexiva e responsável, o desenvolvimento sustentável das
organizações e da sociedade em geral”.
A pesquisa realizada foi de grande relevância para a acadêmica, uma vez que
a implantação de um balanço social pode alavancar a captação de recursos para a
instituição pesquisada, no qual a acadêmica exerce o cargo de coordenadora de
projetos. Sendo desta forma a oportunidade de colocar uma parte dos
conhecimentos adquiridos na universidade em prática e se especializar na área de
atuação.
Os principais custos para desenvolver o trabalho foram com material de
papelaria, fotocópias, aquisição bibliográfica de acordo com o tema proposto e
tempo de estudo, que foram suportados pela acadêmica.
No próximo item são apresentados os aspectos metodológicos da pesquisa.
15
1.4
Aspectos metodológicos
Esta seção descreve a metodologia utilizada para a realização da pesquisa.
Roesch (2005) sugere partir dos objetivos do trabalho para definir o tipo de método
mais apropriado.
De acordo com os objetivos do trabalho de conclusão de estágio, a tipologia
de estudo utilizada foi caracterizada como Proposição de Planos. Roesch (2005)
afirma que este tipo de pesquisa tem como objetivo apresentar propostas de
reestruturação do trabalho para a solução para problemas identificados pela
organização. Portanto nesta pesquisa a proposta é de um balanço social.
A metodologia de pesquisa predominante foi a qualitativa que, na visão de
Appolinário (2004, p.155), é uma “modalidade de pesquisa no qual os dados são
coletados através de interações sociais e analisados subjetivamente pelo
pesquisador”.
Malhotra (2005, p.113), explica as vantagens desse modelo de
pesquisa:
A pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e compreensão do
problema. Ela explora com poucas idéias preconcebidas sobre o resultado
dessa investigação. Além de definir o problema e desenvolver uma
abordagem, a pesquisa qualitativa também é apropriada ao enfrentarmos
uma situação de incerteza, como quando os resultados conclusivos diferem
das expectativas.
O nível da pesquisa foi exploratória-descritiva.
Richardson (1999, p.66)
afirma que o estudo exploratório ocorre “quando não se tem informação sobre
determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno”.
As pesquisas descritivas visam estudar as características sobre uma
população. Segundo Roesch (2005, p.137):
Censos, levantamentos de opinião pública ou pesquisas de mercado
procuram fatos descritivos; buscam informação necessária para a ação ou
predição. [...] Levantamentos de atitudes dentro das organizações são outro
exemplo de pesquisa descritiva muito utilizado.
A estratégia de pesquisa utilizada foi o estudo de caso. Yin (2005, p. 32)
explica que o estudo de caso “implica um fenômeno contemporâneo dentro de seu
contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o
contexto não estão claramente definidos”.
16
Desta forma, a pesquisa teve como tema de estudo, o Parque Dom Bosco e
as ações realizadas pela instituição, no intuito de reunir informações em um único
instrumento de gestão, o balanço social, de forma a atender os objetivos gerais e
específicos.
1.5
Técnicas de coleta e análise dos dados
“Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes,
quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas” (MARCONI; LAKATOS,
2010, p.157). Nesta etapa são apresentados os procedimentos que foram utilizados
para a coleta e análise de dados necessários para atingir os objetivos do estudo.
Para elaborar o balanço social utilizou-se de dados primários e secundários.
Os dados primários são “dados levantados e apresentados por uma pesquisa”. Já os
dados secundários são “dados levantados e apresentados em outros trabalhos e
pesquisas” (APPOLINÁRIO, 2004, p.57).
Os dados primários foram coletados por meio de entrevista com o
Administrador (apêndice A) e a Assistente Social da instituição (apêndice B) a
escolha dos entrevistados justifica-se por uma amostra intencional, pois dentre os
cargos de gestão existentes no Parque Dom Bosco, o Administrador e a Assistente
Social são os que possuem maior conhecimento diante do que seria questionado.
De acordo com Mayan (2001), a amostra intencional tem como critério de
seleção dos indivíduos que podem dar as melhores informações, referentes à
pergunta de projeto de pesquisa.
Para a elaboração do roteiro de entrevista (apêndice A) foram elaboradas
questões dentro do contexto de análise do Instituto Ethos (2014) e IBASE (2008).
Desta forma os conteúdos analisados ficaram assim definidos: Ética, Transparência
e Responsabilidade Social, Valores e Transparência, Meio Ambiente, Fornecedores,
Clientes e Consumidores, Balanço Social, Indicadores Sociais Internos, Comunidade
e Poder Público.
As autoras Rosa e Arnoldi (2006) explicam que a escolha da técnica de coleta
de dados por meio da entrevista deve ser feita quando o pesquisador precisar valer-
17
se de respostas mais aprofundadas para que os resultados da sua pesquisa sejam
realmente atingidos e de forma fidedigna.
Os dados secundários foram coletados por meio de pesquisa documental.
Para Roesch (2005, p. 165-166) a pesquisa documental é:
[...] constituída por documentos como relatórios anuais da organização,
materiais utilizados em relações públicas, declarações sobre a sua missão,
políticas de marketing e de recursos humanos, documentos legais etc.
Normalmente tais fontes são utilizadas para complementar entrevistas ou
outros métodos de coleta de dados.
Para realizar a pesquisa documental necessária para elaborar o balanço
social foram coletados os dados dos projetos realizados pela instituição, lista de
funcionários, pastas de funcionários, relatório de filantropia, descrição de cargos e
salários,
releases
institucionais,
balanço
patrimonial,
e
todos
documentos
necessários de acordo com a solicitação do modelo de balanço social do IBASE
(anexo A).
O modelo de balanço social do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas IBASE (2008) foi escolhido para embasar o balanço social do Parque
Dom Bosco. Esse balanço tem como estrutura Indicadores sociais internos,
externos, ambientais, corpo funcional, exercício da cidadania empresarial e outras
informações relevantes.
No modelo formulado pelo IBASE (2008) qualquer empresa, independente do
número de funcionários, teria condições de elaborar e divulgar seu balanço social,
sem que para isso tivesse que montar um setor específico em sua estrutura (SILVA,
FREIRE, 2001).
Os dados qualitativos obtidos pelas entrevistas foram analisados por meio da
análise de conteúdo que:
[...] busca classificar palavras, frases, ou mesmo parágrafos em categorias
de conteúdo. Utiliza desde técnicas simples até outras mais complexas, que
se apóiam em métodos estatísticos, como, por exemplo, a análise fatorial, a
regressão múltipla e a análise discriminante, entre outras
(WEBER, p.
70 apud ROESCH 2005, p.170).
Os conteúdos analisados pela entrevista foram os mesmos embasados pelo
Instituto Ethos (2014) e pelo IBASE (2008).
Os dados obtidos por meio das entrevistas foram apresentados por meio de
quadros. Já os dados secundários coletados por meio da pesquisa documental
18
foram apresentados pelo próprio balanço social que está descrito no item 4.5 e será
apresentado impresso posteriormente a banca avaliadora tal como também será
apresentado futuramente aos stakeholders do Parque Dom Bosco.
Para o preenchimento de acordo com o modelo do IBASE (2008) a
acadêmica buscou os documentos na própria organização – Parque Dom Bosco,
sendo que um check list foi criado para coletar os dados e para que a acadêmica
tivesse o controle da documentação já coletada, sendo o mesmo apresentado no
quadro 17.
Em uma reunião no dia 21 de março de 2014, a acadêmica teve a
oportunidade de esclarecer dúvidas relacionadas à coleta de dados para
preenchimento do instrumento. O auxílio foi da equipe responsável em elaborar o
Balanço Social da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí, Renato Osvaldo
Bretzke – diretor administrativo e gerente financeiro da Fundação Universidade do
Vale do Itajaí e Alexsandro de Oliveira - contador.
No próximo capítulo apresenta-se a fundamentação teórica do tema
pesquisado.
19
2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo apresenta a revisão teórica dos assuntos que sustentam o
trabalho. A fundamentação teórica desta pesquisa tem em sua introdução a
Administração, seguida de Responsabilidade Social, aprofundando nos conceitos de
Terceiro Setor, Associações e terminando com o tema Balanço Social, foco deste
estudo.
2.1
Administração
O movimento da Administração Científica teve origem com as experiências de
Frederick W. Taylor (1856-1915), nos Estados Unidos, e Henri Fayol (1841-1925), na
França. O objetivo principal desse movimento era proporcionar fundamentação
científica às atividades administrativas, substituindo a improvisação e o empirismo
(GIL, 2001).
Com base em observações diretas, feitas em chãos de fábrica, Taylor
verificou que os operários aprendiam a maneira de executar as tarefas do trabalho,
observando os companheiros que estavam envolvidos na produção (CHIAVENATO,
2003).
Taylor concluiu que, de modo geral, os operários produziam muito menos do
que poderiam produzir. A partir daí, desenvolveu um sistema que se fundamentava
na racionalização do trabalho, especificamente na simplificação dos movimentos
requeridos para a execução de uma tarefa, objetivando a redução do tempo
consumido.
Esse sistema recebeu o nome de Organização Racional do Trabalho (ORT).
De acordo com Chiavenato (2003, p. 57), a Organização Racional do Trabalho se
fundamenta nos seguintes aspectos:
20
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
análise do trabalho e do estudo dos tempos e movimentos;
estudo da fadiga humana;
divisão do trabalho e especialização do operário;
desenho de cargos e de tarefas;
incentivos salariais e prêmios de produção;
conceito de homo economicus;
condições ambientais de trabalho, como iluminação, conforto etc;
padronização de métodos e de máquinas;
supervisão funcional.
Como relata Chiavenato (2003) Fayol, que foi durante boa parte de sua vida
diretor de grandes minas e usinas siderúrgicas, também contribuiu para o movimento
da Administração Científica, sua experiência como administrador de cúpula
conduziram-no a uma análise lógico-dedutiva para estabelecer os princípios de uma
administração voltada para definição das tarefas dos gerentes e executivos, essa
doutrina administrativa que passou a ser conhecida como fayolismo.
Para Motta (2006, p.24) “o estilo de Fayol é esquemático e bem-estruturado.
É dele a clássica divisão das funções do administrador em planejar, organizar,
coordenar, comandar e controlar”.
Também contribuiu para fundamentar a Administração Científica Henry Ford
(1863-1947), o pioneiro da indústria automobilística americana. Ford, que
desenvolveu e aperfeiçoou o sistema de trabalho em linhas de montagem, afirmava
que, para diminuir os custos, a produção deveria ser em massa, em grande
quantidade e aparelhada com tecnologia capaz de desenvolver ao máximo a
produtividade dos operários (GIL, 2001; MOTTA, 2006).
A Administração Científica difundiu-se amplamente e tornou-se uma das
principais bases da organização industrial nas primeiras décadas do século. Com o
passar do tempo, o modelo com base em uma visão restrita da aprendizagem, foi
questionado, e foram surgindo novos modelos com base na valorização da
aprendizagem.
O movimento de valorização das relações humanas no trabalho surgiu da
constatação da necessidade de analisar a relevância dos fatores psicólogos e
sociais na produtividade. As bases desses movimentos foram dadas pelos estudos
desenvolvidos pelo psicólogo americano Elton Mayo (1890-1949) (GIL, 2001).
Mayo desenvolveu uma experiência pioneira no campo do comportamento
humano no trabalho. Iniciada em 1927, na fábrica Western Eletric, no distrito de
Hawthorn, em Chicago, a experiência teve como objetivo inicial o estudo das
influencias da iluminação da produtividade, índice de acidentes e fadiga. Seu
21
desenvolvimento, entretanto, veio demonstrar a influencia de fatores psicológicos no
final do trabalho.
A descoberta da relevância do fator humano na empresa trouxe um olhar
diferenciado para os trabalhadores das organizações vendo-os como criaturas
sociais, dotadas de sentimentos, desejos e temores. Com efeito, pode-se dizer que
as Relações Humanas constituem um processo de integração de indivíduos numa
situação de trabalho, de modo a levar os trabalhadores a colaborem com a empresa
e até encontrem satisfação de suas necessidades sociais e psicológicas.
A perspectiva humanística transformou os conceitos da Teoria Clássica,
enfocando muito mais as necessidades humanas e entendendo o comportamento
das pessoas dentro das organizações.
No final da década de 50, surge a Teoria Neoclássica, para redimensionar e
atualizar os conceitos clássicos de Administração. Chiavenato (2010, p.45) descreve
as características dessa teoria:
A Teoria Neoclássica é eminentemente eclética, aproveitando todas as
contribuições das demais teorias anteriores, principalmente a clássica e a
humanística. Aborda temas importantes como o trabalho organizacional, o
dilema da centralização/descentralização, os tipos de organizações e a
departamentalização, tendo sempre por base o processo administrativo. A
principal novidade da abordagem neoclássica foi o foco em resultados – a
chamada administração por objetivos (APO) [...] Peter Drucker foi o maior
expoente neoclássico. Koontz e O´Donnell, os maiores divulgadores dos
princípios neoclássicos de administração.
Esta teoria possibilitou o estudo das diversas organizações existentes, à
exemplo
de
instituições públicas,
financeiras,
religiosas,
educacionais e
organizações sem fins lucrativos. Peter Drucker (2002, p.) distingue as instituições
sem fins lucrativos das empresas “A instituição sem fins lucrativos não fornece bens
ou serviços, nem controla [...] Seu “produto” não é um par de sapatos, nem um
regulamento eficaz. Seu produto é um ser humano mudado”.
2.2
Responsabilidade Social
No início da industrialização, acreditava-se que a missão dos negócios fosse
estritamente econômica. As indústrias produziam, o mercado consumia e o Estado
22
coordenava o crescimento dos centros urbanos. O crescimento acelerado das
comunidades no entorno das indústrias e os recursos limitados do governo
destinados a combater as necessidades sociais, levaram as organizações a
repensarem seu papel, antes restrito ao desenvolvimento das economias locais.
Surge então a terminologia responsabilidade social, que significa um compromisso
ético-legal das organizações, ou responsivo, no sentido de produzir uma resposta às
demandas sociais (PARDINI, BECATTINI, DIAS, 2006).
Responsabilidade social, de acordo com Melo Neto e Froes (2001) “é um
estágio mais avançado no exercício da cidadania corporativa”. No entanto, tudo teve
origem com a prática de ações filantrópicas. A iniciativa partiu de empresários bem
sucedidos em seus negócios, que, decidiram retribuir à sociedade parte dos ganhos
que obtiveram em suas empresas. Tal ação reflete uma disposição para a bondade,
um ato de caridade para com o próximo.
Nesta conjuntura, verifica-se que as definições de responsabilidade social
podem ser distintas; para alguns representa a idéia de obrigação legal, para outros
significa um comportamento responsável no sentido ético, para outros, no entanto,
significa uma contribuição caridosa ou até mesmo uma consciência social. Alguns
vêem como uma espécie de dever, impondo aos administradores de empresa
padrões mais altos de comportamento que aqueles impostos a sociedade em geral
(KARKOTLI, 2007).
Nesta “onda de filantropia” surgiram as entidades filantrópicas em busca de
recursos dos empresários filantropos. Os autores Melo Neto e Froes (2001)
diferenciam filantropia de responsabilidade social. De acordo com os autores, a
filantropia ocorre por meio de das atitudes e ações individuais de empresários. Já a
responsabilidade social está relacionada a consciência social e o dever cívico. A
ação de responsabilidade social não é individual, mas uma ação de uma empresa
em prol da cidadania. A empresa que a pratica demonstra uma atitude de respeito e
estímulo à cidadania corporativa, associada diretamente entre o exercício da
responsabilidade social e o exercício da cidadania empresarial.
Em uma visão geral, responsabilidade social corporativa pode ser toda e
qualquer ação que venha contribuir para a melhoria da qualidade de vida da
sociedade, possibilitando que as organizações demonstrem toda sua preocupação
por meio de significativos projetos sociais (KARKOTLI, 2007).
23
As organizações devem exercer a responsabilidade social em seu interior
(dando suporte aos seus funcionários, oferecendo aos mesmos melhorias na
qualidade de vida) e no seu exterior proporcionando melhorias à comunidade.
Drucker (2001) ressalta que o desempenho econômico é a base sem qual
uma empresa não pode cumprir com nenhuma outra responsabilidade, porém o
desempenho econômico não é sua única responsabilidade.
A responsabilidade social também pode ser visualizada como uma nova
estratégia para aumentar o lucro e alavancar o desenvolvimento das empresas. De
acordo com Karkotli (2007), é uma tendência que decorre da maior conscientização
do consumidor, que procura por produtos e práticas que gerem melhoria para o meio
ambiente ou comunidade, valorizando aspectos éticos ligados à cidadania.
Os autores Pardini, Beccattini e Dias (2006) relatam que nas publicações que
abordam o tema Responsabilidade Social, três correntes podem ser identificadas a
Business Ethics, que trata a temática de maneira filosófica e discute o papel moral
que pessoas e organizações devem assumir diante as demandas sociais; Business
& Society, que defende que a empresa deve estar a serviço da sociedade que a
legitima e, por fim, a Social Issues Management, que identifica as questões
sociais como variáveis a serem observadas na gestão estratégica das empresas.
Contribuindo, Karkotli (2007), relata que quando se fala sobre a ética das
empresas como premissa para a responsabilidade social, pode-se dizer que a
cultura de responsabilidade social está ligada à ética, refletindo de forma
socialmente responsável em suas ações, bem como suas políticas e práticas em
suas relações.
A discussão em torno da atuação social das empresas e da construção de
uma ética empresarial acabou tendo conseqüências concretas. Na tentativa de
adaptarem-se aos novos tempos, muitas empresas começaram a investir em áreas
sociais, normalmente ocupadas pelo Estado e a formar parcerias com funcionários e
fornecedores, iniciando, ao mesmo tempo, mudanças na atuação em relação ao
meio ambiente e às comunidades mais próximas. A partir do momento que as ações
tornaram-se significativas, surgiu a necessidade e o interesse em torná-las públicas.
Para esse fato, começaram a ser utilizados instrumentos regulares, também
chamados de Relatórios de Atividades Sociais e posteriormente, com a evolução em
forma e conteúdo, começaram a receber a denominação, que vem tornando-se cada
vez mais usual nos últimos anos, de Balanço Social (SILVA, FREIRE, 2001).
24
2.3
Terceiro Setor
O Terceiro Setor é um tema ainda pouco explorado. Alguns pesquisadores
relatam que a literatura existente é escassa, por não haver clareza no conceito e por
falta de consenso entre os autores (MARTINS, 1999; ALVES, 2002; HECKERT;
SILVA, 2008; MOURA; FERNANDES, 2009; PAULA et al, 2010; SILVA, 2010). Para
Paes (2000, p. 56) o Terceiro Setor pode ser conceituado como o “conjunto de
organismos, organizações ou instituições dotados de autonomia e administração
própria que apresentam como função e objetivo principal atuar voluntariamente junto
à sociedade civil visando ao seu aperfeiçoamento”.
De acordo com Fernandes (1994) o surgimento das Organizações Não
Governamentais pode ser considerado como o sintoma mais claro de um “terceiro
setor” na América Latina:
Não passam de um pequeno segmento, mas as suas características
resumem-se com nitidez na idéia do “privado com funções públicas”. São
instituições propriamente privadas, mas sem fins lucrativos. [...] Por outro
lado, apesar de serem não-governamentais, seus fins têm as características
do serviço público. Diferem quanto à escala, naturalmente, pois as ONGs
são, se comparadas ao Estado, microorganizações, mas coincidem em
diversos aspectos quanto à natureza dos serviços (FERNANDES, 1994,
p.65).
Bresser Pereira (2000; 2001 apud SILVA, 2011) foi o grande defensor do
modelo no Brasil. Figura frequente nos corredores do poder, apontava que a gestão
pública enfrentava diversos desafios conjugados: a questão da delimitação do
tamanho do Estado; a questão da definição de seu papel regulador; a questão da
capacidade de governança do Estado, ou de sua capacidade financeiroadministrativa de executar as decisões tomadas pelo governo; e a questão da
governabilidade, que diz respeito à legitimidade e capacidade política do governo.
Em resumo, pode-se dizer que o Terceiro Setor é composto de
organizações sem fins lucrativos, criadas e mantidas pela ênfase na
participação voluntária, num âmbito não governamental, dando continuidade
ás práticas tradicionais de caridade, da filantropia e expandindo o seu
sentido para outros domínios, graças, sobretudo, à incorporação do
conceito de cidadania e de suas múltiplas manifestações na sociedade civil
(FERNANDES, 2005, p.25-33).
O uso do termo ONG populariza-se no Brasil, somente no ínicio dos anos 90,
com a fundação da Associação Brasileira de ONGs (ABONG) e com a realização, no
25
Rio de Janeiro, da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a ECO-92
(SOUZA; NAKATA, 2010).
Um dos trabalhos mais citados tem sido o de Salamon e Anheier (1997), os
quais, a partir de pesquisa realizada em 22 países, apresentam uma “definição
estrutural-operacional”, composta de cinco características que de alguma forma
devem estar presentes em todas organizações do terceiro setor:
-Organizadas: ainda que não sejam legalmente formalizadas, precisam ter
um sentido de permanência em suas atividades, possuir conselhos e
realizar reuniões periódicas;
-Privadas;
-Não distribuidoras de lucros: ainda que as receitas sejam maiores que as
despesas, todo o “lucro” deve ser revertido para a própria organização;
-Autogovernáveis: devem existir de forma independente do Estado ou de
alguma empresa;
-Voluntárias: devem apresentar algum grau de voluntariado, tanto no
trabalho quanto no financiamento (doações) (HECKERT, 2008, p. 320).
Drucker (2002, p. 117) explica que “cada instituição sem fins lucrativos atende
a um interesse específico da comunidade. Cada uma precisa manter relações com
agencias de governo, com todas as instituições na comunidade e com as pessoas
da comunidade em geral.”
No terceiro setor, grande parte da receita não provem dos consumidores do
serviço (beneficiários), mas de um financiador. Para compreender essa distinção, é
preciso analisar as diferenças existentes nas relações de troca no terceiro setor, em
comparação aos outros tipos de organizações (HECKERT, 2008).
“A instituição sem fins lucrativos não está meramente prestando um serviço.
Ela não quer que o usuário final seja um usuário, mas sim um executor. Ela utiliza
um serviço para provocar mudanças em um ser humano” (DRUCKER, 2002, p. 39).
Em termos do direito brasileiro, configuram-se como organizações do Terceiro
Setor, ou ONGs – Organizações Não-Governamentais, as entidades de interesse
social sem fins lucrativos, como as associações, as sociedades e as fundações de
direito privado, com autonomia e administração própria, cujo objetivo é o
atendimento de alguma necessidade social ou a defesa de direitos difusos e
emergentes (PAES, 2000).
Corroborando, Martins (1999) explica que o ponto em comum entre elas, é o
desejo de promover e sustentar a democracia, através da participação da sociedade
civil e do resgate da cidadania. Estas podem ser classificadas em: não
governamentais; associações voluntárias (associações de bairros, de agricultores,
26
grupos indígenas, de negros, trabalhadores rurais sem terra, etc); movimentos
sociais; grupos de auto-ajuda; fundações; ações filantrópicas ligadas à Igreja e
hospitais filantrópicos.
O Parque Dom Bosco é uma associação sem fins lucrativos, portanto o item
que segue, aborda as associações.
2.4
Associações
Para Szazi (2003, p.27) uma associação pode ser definida como “uma pessoa
jurídica criada a partir da união de idéias e esforços de pessoas em torno de um
propósito que não tenha finalidade lucrativa”.
Ao incluir as associações no terceiro setor, obtém-se um cenário
incomparavelmente mais diverso e disperso das organizações que proliferam nas
“bases” da sociedade. Com efeito, as associações projetam a variedade
individualizante para o plano das formas coletivas, reforçando o valor das opções
individuais (FERNANDES, 1994).
Associação, de acordo com Paes (2000) é a forma pela qual um determinado
número de pessoas, se reúnem para colocar seus serviços, atividades e
conhecimentos em comum, em prol de um mesmo ideal, objetivando a consecução
de determinado fim, que pode ser econômico ou não econômico, com ou sem capital
e sem fins lucrativos, podendo ser classificada em:
a) altruística (associação beneficente);
b) egoística (associação literária, esportiva ou recreativa) e;
c) econômica lucrativa (associação de socorro mútuo).
De acordo com Szazi (2003), para criar uma associação, é preciso reunir em
assembléia, pessoas com maioridade civil que tenham a intenção de associar-se a
uma finalidade lícita e não-lucrativa. A assembléia poderá ser realizada em qualquer
lugar que se preste a tal fim, não necessitando a convocação pela imprensa ou
escrita.
O ato constitutivo de uma associação consiste num conjunto de cláusulas
contratuais vinculantes, ligando seus fundadores aos novos associados, que ao nela
27
ingressarem, deverão submeter-se aos seus comandos. De acordo com Paes (2000,
p. 34) nele deverão estar registrados:
a) a denominação, os fins e a sede da associação;
b) os requisitos exigidos para admissão, demissão e exclusão dos
associados;
c) os direitos e as obrigações dos membros componentes;
d) as fontes de recursos financeiros para sua manutenção;
e) o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos;
f) a representação ativa e passiva da entidade em juízo e fora dele;
g) as condições de possibilidade de alteração do estatuto;
h) a responsabilidade subsidiária dos associados pelas obrigações
assumidas pela associação;
i) as causas de dissolução da entidade, dispondo sobre o destino do
patrimônio social.
Logo, deverá ser constituída por escrito, mediante redação de um estatuto,
lançado no registro geral (CC, art. 16, inciso 1º), contendo declaração unânime da
vontade dos associados de se associarem para formar uma coletividade, não
podendo adotar nenhuma das formas comerciais, visto que lhe falta o intuito
especulativo (PAES, 2000).
A entidade somente passará a ter existencia jurídica a partir do registro dos
atos constitutivos no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas da comarca da sede
da entidade, procedimento que, em geral, demora cerca de uma semana. O registro
deverá ser pedido em requerimento preparado de acordo com o padrão do cartório,
assinado por pessoa com poderes de representação legal da entidade, na forma do
estatuto [...] Obtido o registro, deverá ser providenciada a inscrição no CNPJ e na
prefeitura, bem como nos demais órgãos de controle social, de acordo com a
natureza da entidade (SZAZI, 2003).
2.4.1 Títulos e Certificação concedidos pelo poder público às entidades de
interesse social
Uma vez constituída, a entidade pode buscar a obtenção de títulos ou
certificados que atestem sua qualidade de OSCIP, de Utilidade Pública ou de
Entidade Beneficente de Assistência Social, conforme apresenta a figura 1.
28
Figura 1- Títulos e Certificações
Fonte: SILVA (2010)
Estas titulações podem viabilizar as entidades alguns benefícios legais,
conforme explicitadas a seguir.
2.4.1.1
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP
Concedida em âmbito federal, por meio do Ministério da Justiça, a obtenção
da qualificação como OSCIP é mais rápida e menos burocrática que as demais
certificações.
Diferente do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social –
CEBAS, a Lei da OSCIP permite que seus dirigentes sejam remunerados;
Algumas espécies de organizações que não estavam enquadradas nas
legislações anteriores foram abrangidas pela nova lei, como as entidades que
defendem direitos, as que promovem a proteção ambiental e as que trabalham com
microcrédito.
Escolas, hospitais e associações de classe, são algumas das entidades que
não podem solicitar esta titulação.
Uma das vantagens da certificação é poder firmar Termo de Parceria com o
poder público, o que viabiliza uma aplicação menos rígida dos recursos estatais em
29
termos burocráticos e, ao mesmo tempo, traz garantias (mecanismos de controle)
adicionais de que o valor será efetivamente destinado a fins sociais.
Por consequência, a penalidade pelo mau-uso da verba é mais severa, mas o
controle foca muito mais nos resultados.
As informações sobre as OSCIPs são públicas, existindo vários dispositivos
que visam garantir a transparência da entidade, como as Comissões de Avaliação, o
Conselho Fiscal e a adoção de práticas de gerenciamento que dificultam a busca de
interesses pessoais.
Caso a solicitação de certificado seja negada, a possibilidade de reapresentar
o pedido é imediata, assim que as alterações solicitadas forem incorporadas
(MANUAL DO TERCEIRO SETOR, 2006).
2.4.1.2
Certificado de Utilidade Pública Federal
O título de Utilidade Pública Federal (UPF) é o reconhecimento concedido
pela União aos relevantes serviços prestados por associações e fundações
constituídas no País, que servem desinteressadamente à sociedade. A declaração
de UPF não implica nenhum benefício ou vantagem à entidade. Sua principal
finalidade é o reconhecimento do caráter de entidade de Utilidade Pública Federal
(MINISTÉRIO
DA
JUSTIÇA).
Qualquer entidade com natureza jurídica de fundação, associação ou
sociedade civil sem fins lucrativos, que seja constituída no país, funcione, sirva
“desinteressadamente” a coletividade e que não remunere sua diretoria e conselhos,
pode ser declarada pelo Ministério da Justiça de utilidade pública federal (PAES,
2000).
A entidade precisa comprovar seu funcionamento contínuo e efetivo por no
mínimo 3 (três) anos, possuindo personalidade jurídica e tendo sido constituída no
Brasil Sendo negado o pedido inicial, a entidade deverá aguardar um período de 2
(dois) anos para sua reapresentação (MANUAL DO TERCEIRO SETOR, 2006).
30
A declaração de utilidade pública é indispensável para que a entidade receba
o Certificado de Fins Filantrópicos e, a partir desse, a isenção de respectiva cota
patronal previdenciária (PAES, 2000).
É preciso ponderar sobre os prós e contras de cada um destes títulos, uma
entidade deve optar pelo título que lhe parecer mais conveniente, consideradas sua
estrutura e objetivos institucionais (MANUAL DO TERCEIRO SETOR, 2006).
2.4.1.3
Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS
Concedida no âmbito federal, por meio do Conselho Nacional de Assistência
Social, a CEAS é requisito para a celebração de convênio com a União, além de
possibilitar a isenção da cota patronal de seguridade social.
Para habilitar-se a esta certificação, a entidade deve estar em funcionamento
por no mínimo três anos, ter sido constituída no Brasil, os dirigentes não podem ser
remunerados, apresentar como registro em Conselho de Assistência Social (nacional
e municipal), Declaração de Utilidade Pública Federal, entre outros.
Esta certificação abrange especificamente entidades que trabalhem com
atividades de promoção da proteção da família, infância, maternidade, adolescência
e velhice; amparo às crianças e adolescentes carentes; prevenção, habilitação,
reabilitação e integração das pessoas com deficiência; integração ao mercado de
trabalho; assistência educacional ou de saúde; desenvolvimento da cultura;
atendimento e assessoramento aos beneficiários da Lei Orgânica da Assistência
Social (MANUAL DO TERCEIRO SETOR, 2006).
2.5
Balanço Social
Na década de 60, trabalhadores na Europa e nos Estados Unidos, passaram
a fazer exigências as organizações no sentido de obterem informações relacionadas
a seu desempenho econômico e social, ampliando a informação que as
31
organizações forneciam, incorporando as sociais, tendo em vista a discussão da
responsabilidade social, dando assim origem ao Balanço Social, na França, a partir
de 1977, que evidenciava a área de recursos humanos (TINOCO, 2001).
Na França, a prática da demonstração do Balanço Social é uma realidade,
tanto pela força da lei, isto é, pela obrigatoriedade, quanto pela consciência social de
seus dirigentes. Desde 1978, empresas com mais de 700 empregados são
obrigadas a publicá-lo, e, a partir de 1981, a obrigatoriedade estendeu-se, também,
às empresas que possuem em seu quadro de pessoal mais de 300 funcionários,
sendo denominado de “bilan social”, devendo conter informações sobre:
emprego;
remunerações e encargos sociais;
condições de higiene e segurança;
outras condições de trabalho;
formação;
relações profissionais;
outras condições de vida relevantes da empresa.
(KROETZ, 2000)
Nos países que o capitalismo está mais desenvolvido, várias empresas já
utilizam o Balanço Social como instrumento de gestão e informação. Essas
empresas normalmente divulgam informações econômicas e sociais à seus
colaboradores e a sua comunidade, pois sua estrutura não é posta em causa
(TINOCO, 2001).
Neste sentido, o Balanço Social pode ser um instrumento que amplie e
reforce a integração da entidade com os colaboradores, acolhendo sugestões e
facilitando a participação voluntária de todos os níveis da organização, funcionando
como uma ferramenta de controle e de estímulo à qualidade organizacional
(KROETZ, 2000).
De acordo com Melo Neto e Froes (2001), o balanço envolve dois tipos de
ações: ações sociais direcionadas para os empregados e seus familiares, em
especial no campo da educação, saúde, segurança do trabalho, remuneração e
benefícios, dentre outras e ações sociais voltadas para a sociedade como educação,
cultura, esporte, lazer, meio ambiente.
A função do balanço social é reunir o máximo de indicadores disponíveis pela
empresa e dar-lhes um tratamento adequado, em termos de
disclosure
(transparência), as informações pressupõe a cooperação de vários departamentos e
32
a cooperação dos funcionários encarregados de coletar os dados de base (TINOCO,
2001).
Embora seja facultativa sua publicação, cada vez mais o Balanço Social
firma-se como um instrumento de gestão das empresas e a cada ano vem
crescendo o número de empresas que publicam seus balanços sociais (MELO
NETO, FROES, 2001).
Godoy (2007) ressalta que, apesar de não haver uma padronização na
apresentação dos resultados, existem alguns itens considerados essenciais e que
merecem
ser
destacados,
conforme
ilustra
a
Figura 2- Informações do Balanço Social
Fonte: Elaborado pela acadêmica com base em Godoy (2007)
figura
2.
33
Como não existe regulamentação internacional em relação à demonstração
do Balanço Social, as entidades divulgam os dados que entendem ser relevantes e
da forma que melhor convém. Consequentemente, a maioria dos balanços são fruto
de atitudes espontâneas, as quais não seguem efetivamente uma estrutura básica,
com exceção dos países onde ela é obrigatória. Nesse contexto, apresentar os
indicadores que compõem o Balanço Social torna-se difícil, pois cada entidade pode
divulgar as informações da forma que julgar conveniente (KROETZ, 2000).
Há três modelos-padrão de balanço social, ou relatório de sustentabilidade,
disponíveis no Brasil, dois nacionais – um deles proposto pelo Instituto Brasileiro de
Análises Sociais e Econômicas (IBASE) e o outro pelo Instituto Ethos de Empresas e
Responsabilidade Social – e um internacional, sugerido pela Global Reporting
Initiative (GRI). Todos visam definir as informações mínimas a serem publicadas
para dar transparência às atividades da empresa. Algumas organizações produzem
relatórios com formato próprio, geralmente definido por sua área de comunicação, os
quais não contêm as informações exigidas por nenhum dos modelos-padrão.
Guia de Elaboração de Balanço Social do Instituto Ethos é baseado num
relato detalhado dos princípios e das ações da organização, este guia incorpora os
Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial e a planilha proposta
pelo IBASE, sugerindo um detalhamento maior do contexto das tomadas de decisão
em relação aos problemas encontrados e aos resultados obtidos.
O modelo da Global Reporting Initiative (GRI), conta com princípios para
definição adequada do conteúdo do relatório e para garantir a qualidade da
informação relatada, indicadores de desempenho e protocolos técnicos com
metodologias de compilação, fontes de referências dentre outros. Considerado o
padrão internacional de relatórios de sustentabilidade, o modelo GRI está em sua
terceira versão, a chamada G3, e já se encontra disponível em português.
Lançado em 1997, o Balanço Social Modelo IBASE inspira-se no formato dos
balanços financeiros. Expõe, de maneira detalhada, os números associados à
responsabilidade social da organização. Em forma de planilha, reúne informações
sobre a folha de pagamentos, os gastos com encargos sociais de funcionários e a
participação nos lucros. Além disso, detalha as despesas com controle ambiental e
os investimentos sociais externos nas diversas áreas — educação, cultura, saúde
34
dentre outros (INSTITUTO ETHOS, 2014). Este modelo, por ser o escolhido para o
Parque Dom Bosco é apresentando no próximo item.
2.6
Modelo IBASE
No Brasil, a idéia do Balanço Social surgiu na década de 80 e teve como
defensor o sociólogo Betinho. Com o IBASE, entidade a qual presidia, Betinho
iniciou uma verdadeira cruzada em prol do balanço social. Respeitado pelos meios
empresariais e admirado nos veículos acadêmico e governista, o sociólogo obteve
apoio de muitas empresas e entidades de classe. Como resultado do seu esforço em
prol do balanço social, no início da década de 90 começaram a surgir os primeiros
investimentos sociais de peso no meio empresarial. As primeiras iniciativas de
balanço social datam da segunda metade dos anos 90 (MELO NETO, FROES,
2001).
No modelo formulado pelo IBASE qualquer empresa, independente do
número de funcionários, teria condições de elaborar e divulgar seu balanço social,
sem que para isso tivesse que montar um setor específico em sua estrutura. Assim,
em virtude do compromisso com a simplicidade e visando evitar eventuais
problemas, algumas variáveis relevantes foram desconsideradas em primeiro
momento, tais como: segurança no trabalho, freqüência de reclamações trabalhistas,
política de promoções na empresa, condições de higiene, discriminação de
empregados por cor, faixa etária, nível de escolaridade, entre outras (SILVA,
FREIRE, 2001).
Os primeiros balanços sociais de empresas foram divulgados no Brasil na
década de 1980. A iniciativa, porém, só ganhou visibilidade em 1997, quando o
IBASE elaborou um modelo único e simplificado de balanço, e o sociólogo Herbert
de Souza, o Betinho, iniciou uma campanha pela divulgação voluntária das
empresas.
Nos primeiros anos da iniciativa, o projeto conseguiu apoios importantes.
Realizaram balanços sociais anuais a Inepar, a Usiminas, a Companhia Energética
de Brasília (CEB) e a Light. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
35
recomendou a realização do balanço e o modelo do IBASE a todas as empresas do
setor. A Câmara Municipal de São Paulo criou um selo com base no modelo IBASE.
Houve parcerias com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
(Firjan),
o
Serviço
Social
da
Indústria
(Sesi),
a
Fundação
Instituto
de
Desenvolvimento Empresarial e Social (Fides), a Associação dos Analistas e
Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), o jornal Gazeta
Mercantil, além de algumas universidades.(IBASE, 2014)
Cabe ressaltar a predominância de indicadores quantitativos-financeiros sobre
dados qualitativos, segunda característica do modelo apresentado pelo IBASE, e
fundamental para que esse instrumento não se torne apenas uma peça de marketing
(SILVA, FREIRE, 2001).
O balanço social favorece a todos os grupos que interagem com a empresa.
Aos dirigentes fornece informações úteis à tomada de decisões relativas aos
programas sociais que a empresa desenvolve. Seu processo de realização estimula
a participação dos funcionários e funcionárias na escolha das ações e projetos
sociais, gerando um grau mais elevado de comunicação interna e integração nas
relações entre dirigentes e o corpo funcional. Aos fornecedores e investidores,
informa como a empresa encara suas responsabilidades em relação aos recursos
humanos e à natureza, o que é um bom indicador da forma como a empresa é
administrada. Para os consumidores, dá uma idéia de qual é a postura dos
dirigentes e a qualidade do produto ou serviço oferecido, demonstrando o caminho
que a empresa escolheu para construir sua marca. E ao Estado, ajuda na
identificação e na formulação de políticas públicas. Enfim, como dizia Betinho: "o
balanço social não tem donos, só beneficiários" (BALANÇO SOCIAL, 2014).
No próximo capítulo, apresenta-se a organização Parque Dom Bosco.
36
3
CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO
Neste capítulo apresenta-se a organização na qual foi realizada a pesquisa,
sendo apresentado o histórico do Parque Dom Bosco, as atividades desenvolvidas,
a estrutura organizacional e a missão, visão e valores, como segue.
3.1
Histórico do Parque Dom Bosco
O Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação, conhecido
popularmente como Parque Dom Bosco, possui uma trajetória de 53 anos de
trabalho social no município de Itajaí, litoral norte do estado de Santa Catarina. A
presença dos salesianos no município teve início em 1956, quando o padre Pedro
Baron e o clérigo Agenor dos Passos assumiram a direção do Ginásio de Itajaí, que,
até então, era de uma Sociedade Anônima. A partir de então, o colégio passou a ser
da Congregação Salesiana e foi constituído o Colégio Salesiano de Itajaí integrante
da Inspetoria Salesiana do Sul do Brasil.
Figura 3 - Logomarca do Parque Dom Bosco
Fonte: Parque Dom Bosco (2014)
Em 1961, no bairro do Matadouro, em terreno parte concedido pelo governo
do Estado, foi fundado o Oratório Festivo Salesiano, depois Parque da Juventude
Dom Bosco. Desde o início, era desejo dos superiores que se abrisse um oratório
festivo. Os salesianos se propunham a começar duas obras: um colégio e uma obra
social.
37
O Parque Dom Bosco nasceu da iniciativa de oferecer um lugar para os
jovens em situação de risco social. Não apenas um local de instrução religiosa, ou
um espaço para esporte e recreação, mas principalmente uma casa de formação
humana, na qual o jovem poderia se sentir acolhido, com harmonia, confiança,
cordialidade e amor. Nesse espaço, os jovens aprendiam bons costumes, a valorizar
a vida e um “ofício”, tornando-se, como diria São João Bosco, honestos cidadãos e
bons cristãos. Sendo assim, a obra social salesiana, teve início em 25 de março de
1961.
No princípio, a obra consistia em uma recreação juvenil e pastoral popular
com finalidade evangelizadora. Porém, já em 1963, foi fundada a sociedade civil com
o nome de Parque Dom Bosco, e deu-se início às ações de caráter social, como
cursos de corte e costura, barbeiro, serviço de farmácia e ambulatório.
Figura 4 - Frente do Parque da Juventude Dom Bosco
Fonte: Parque Dom Bosco (2014)
Em 1974, o Parque Dom Bosco transformou-se em Instituto Lar da Juventude
de Assistência e Educação, ampliando suas ações.
Figura 5 - Irmão Minella e as Crianças em 1962
Fonte: Parque Dom Bosco (2014)
O desenvolvimento do Parque contou desde o início com o auxílio constante
do Salesiano irmão Aquilino Minella, que dedicava seu tempo, aos sábados e
38
domingos, para trabalhar com os meninos e meninas da comunidade em atividades
de evangelização e esporte e com a dedicação e apoio do P. Antônio Possamai.
3.2
Atividades desenvolvidas
O Parque Dom Bosco, sediado à Rua Brusque, número 1333, bairro Dom
Bosco, no município de Itajaí, litoral norte do estado de Santa Catarina, no sul do
Brasil, é uma obra Salesiana de Promoção Humana e Assistência Social (Registro
003 / CNAS – Processo 44006.004495/2000-17). Este instituto foi criado em 25 de
março de 1961 para desenvolver programas sociais sob a responsabilidade dos
padres salesianos e por membros da sociedade civil que se inserem nestes projetos
como profissionais.
Figura 6 – Fachada do Parque Dom Bosco
Fonte: Parque Dom Bosco (2014)
A instituição possui reconhecimento de Utilidade Pública Federal por meio do
Decreto 64.379 de 22/04/1969, reconhecimento Estadual Lei 4.903 de 09/07/1973 e
Municipal – Lei 1.335 de 26/11/1971, além de possuir registro nos Conselhos de
39
Assistência Social (CMAS – Registro 008/97), Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente (COMDICA – Registro 003)
Atende em torno de setecentos educandos que frequentam diariamente os
programas
de
evangelização,
educação
e
profissionalização,
recebendo
gratuitamente café da manhã, almoço e lanche da tarde.
Os programas desenvolvidos no Parque Dom Bosco estão definidos dentro da
Política Nacional de Assistência Social, inseridos dentro da Proteção Social Básica
que tem por objetivo prevenir situações de risco por meio de desenvolvimento de
potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e
comunitários. Destina-se à população que vive em situação de vulnerabilidade social
decorrente da pobreza, privação e, ou fragilização de vínculos afetivos – relacionais
e de pertencimento social. Encontra-se dentro da Proteção Social Especial, que é a
modalidade de atendimento assistencial destinada a famílias e indivíduos que se
encontram em situação de risco pessoal e social, além da situação de trabalho
infantil (PETI), entre outras.
Figura 7 – Localização do Parque Dom Bosco
Fonte: Google Maps – elaborado pela acadêmica (2014)
40
O desafio da instituição com essa clientela e seus familiares é constante e os
trabalhos exigem cada vez mais ações que visam à melhoria na qualidade de vida,
promoção do grupo e a inserção dos mesmos no mercado de trabalho. Ao identificar
as necessidades das famílias da comunidade entorno da instituição, identificadas
como sendo de baixa renda e vulnerabilidade socioeconômica, percebe-se a
necessidade de se oferecer aos filhos, principalmente àqueles cujos pais trabalham
em tempo integral, uma oportunidade e um espaço de crescimento pessoal no
contra turno escolar.
Para esse público o Parque oferece os Programas Oficinas Alternativas,
Qualificação Profissional e Jovem Aprendiz, no período diurno. São mais de mil
alunos diariamente entre crianças, adolescentes e jovens com idade entre 06 e 24
anos.
O Programa Oficinas Alternativas atende crianças e adolescentes com idade
entre 06 e 14 anos, oferecendo atividades socioeducativas, pautadas em
experiências lúdicas, culturais e esportivas, através de oficinas de artesanato,
criança em movimento, dança, artes manuais, costura artesanal, musicalização,
teatro, além das formações humanas e atividades esportivas e recreativas.
Para os jovens entre 14 e 18 anos, há o Programa Qualificação Profissional,
que estimula o crescimento profissional do indivíduo, isto é, lhes fornece subsídios
para ingressarem no mundo do trabalho. Para tanto, são ministrados cursos de
serviços administrativos, elétrica predial e industrial, logística portuária e panificação,
propiciando-lhes conhecimento necessário para iniciarem nestas profissões. Estes
alunos participam também das atividades de esporte e lazer e recebem formação
humana e cristã.
Figura 8 – Atividades oferecidas no Parque Dom Bosco
Fonte: Parque Dom Bosco (2014)
41
Ao término da capacitação teórica, os jovens ingressam nas empresas na
condição de aprendiz e uma vez por semana retornam à instituição para continuar os
estudos, por meio do Programa de Aprendizagem, que tem como público alvo
adolescentes e jovens de 15 a 24 anos.
Além dos cursos oferecidos, os atendidos podem ainda participar de
atividades e projetos extras, desenvolvidos em parceria com empresas e órgãos
públicos como projeto tênis comunitário, karatê, projeto psicomotricidade relacional,
aulas de inglês entre outros.
3.3
Estrutura organizacional
O Parque Dom Bosco conta com um quadro de 45 funcionários em sua
estrutura organizacional. A estrutura organizacional subdvide-se em setores
administrativos e pedagógicos, conforme o organograma apresentado na figura 9.
Aprovação
INSPETORIA
Pe.
Data: 07/nov/2013 Revisão: 00
Comunidade
Salesiana (Itajaí)
Equipe de Gestão
Coord. Pastoral
AJS/AV/SAV/
IM
Assistência Social
Coord.
Pedagógica
Coord. Financeira
Gestão Financeira
Coord. de
Ensino Q.A.
Coord. de Ensino
IP
Celebração
Qualificação
Oficinas
Alternativas
Oração
Aprendizagem
Formação
Atividades
Extras
Curriculares
Contas a Pagar e
Receber
Coord. Administrativa
Gestão de
Documentos Fiscais
Comunicação e
Telemarketing
Contabilidade
Inclusão
Produtiva
Atividades Extra
Curriculares
Financeiro Gráfica
Compras
Recepção
Captação de
Recursos
Eventos em Geral
Manutenção
Projetos
Gestão de Pessoas
Figura 9 – Organograma do Parque Dom Bosco
Fonte: Parque Dom Bosco (2014)
42
3.4
Missão
Tachizawa e Rezende (2000) afirmam que a missão define a razão de ser da
organização, para qual ela serve, é a justificativa de sua existência para a
sociedade, ou seja, a função social exercida por ela.
Sendo assim, a missão do Parque Dom Bosco é acolher, educar e
evangelizar, crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade
social, na vivência do sistema preventivo de Dom Bosco, profissionalizando e
encaminhando (adolescentes e jovens) para o mercado de trabalho.
3.5
Visão e valores
A visão pode ser definida como um objetivo de longo prazo, onde e como a
organização deseja estar no futuro (TACHIZAWA, REZENDE, 2000).
Desta forma, o Parque Dom Bosco busca ser referência no trabalho
social com crianças adolescentes e jovens, tendo em vista sua formação
integral com qualificação profissional, visando o protagonismo juvenil e a
cidadania.
Tachizawa (2000, p.41) define valores permanentes como:
Conjunto de doutrinas, credos, padrões éticos e princípios que orienta as
ações da organização ao longo do tempo e independente das metas, dos
objetivos e das estratégias por ela adotados. É quase um ideologia, com
conotações exclusivamente internas à organização, não sendo,
necessariamente, dependente de variáveis externas, de análises ambientais
ou do ramo de atuação, posto que os valores não devem mudar ao sabor
das alterações ambientais.
Dessa forma, os valores defendidos pelo Parque Dom Bosco são:
Seguimento de Jesus Cristo:
A nossa regra viva é Jesus Cristo, o Salvador anunciado no Evangelho, que
hoje vive na Igreja e no mundo, e que descobrimos presente em Dom Bosco, o qual
deu a sua vida aos jovens”.
43
Vida Comum e Fraterna:
Viver e trabalhar juntos é o imperativo de nossa consagração e garantia para a
realização de nossa vocação e missão.
Sistema Preventivo:
Síntese da experiência que Dom Bosco viveu e realizou: experiência espiritual,
proposta pastoral de evangelização juvenil e metodologia pedagógica.
Solidariedade:
Compromisso para a geração de uma cultura de justiça e paz como expressão
concreta de caridade.
Formação Continuada:
Esforço constante de conversão e renovação, crescimento na maturidade
humana, na configuração a Cristo e na fidelidade criativa a Dom Bosco.
Inovação e competência:
Capacidade de trabalho, abertura aos tempos e empreendedorismo.
Após a apresentação da organização, no próximo capítulo apresenta-se os
resultados da pesquisa.
44
4
RESULTADOS DA PESQUISA
Este capítulo apresenta as fases do desenvolvimento deste trabalho de
estágio de acordo com os objetivos específico elencados no capítulo 1.
4.1
Compreensão da percepção do administrador do Parque Dom Bosco
diante da Responsabilidade Social e do Balanço Social
Para a entrevista do administrador da instituição, foi utilizada a sala da
coordenação de projetos, que fica no prédio da própria organização, realizada no dia
dezoito de dezembro de 2013, das onze horas às doze horas, tendo a duração de
uma hora.
A entrevista foi realizada individualmente, gravada e transcrita para
facilitar a interpretação dos dados.
A entrevista aplicada foi em forma de questionário semi-estruturado com
perguntas abertas, permitindo ao pesquisador a flexibilidade de alterar a ordem das
perguntas conforme a evolução da entrevista.
O entrevistado tem 31 anos, Administrador do Parque Dom Bosco. Foi
Coordenador Pedagógico e Pastoral do Parque Dom Bosco de janeiro à dezembro
de 2012, trabalhou, enquanto seminarista salesiano, no Colégio Dom Bosco de
Santa Rosa (IEDB), Rio Grande do Sul, como professor de História, Filosofia, Ensino
Religioso e na coordenação da Pastoral do Colégio.
Bacharel em Teologia - Unisal Campos Pio XI, São Paulo- SP e Licenciado
em Filosofia – Pontifícia Universidade Católica – Porto Alegre – RS. O religioso é
padre e administrador da Instituição, portanto, seu vinculo com o Parque Dom Bosco
é vocacional, não sendo considerado profissional contratado. Não é remunerado e
não recebe nenhum recurso sobre a função desempenhada.
Quadro 1 – Situação Atual da Organização
Situação Atual da Organização
Quais as expectativas de crescimento da organização para os próximos anos?
Entrevistado: Quando nós falamos de atendimento e crescimento, nós queremos de um
ponto de vista, para o ano que vem no atendimento aumentar a qualidade e não tanto a
quantidade. Nós também queremos crescer do ponto de vista estrutural. Quando eu falo
45
em crescimento estrutural é a questão de melhorias de sala de aula, estrutura física.
Então estes são os dois pontos fundamentais de crescimento para o Parque Dom Bosco
para o ano que vem. Primeiro lugar então o crescimento na qualidade do atendimento,
que perpassa pela questão do educador, material pedagógico e também um crescimento
físico na questão da melhoria física, para melhorar a qualidade.
Quais as principais dificuldades que a organização tem hoje?
Entrevistado: São duas dificuldades. A primeira dificuldade é a manutenção do Parque. É
uma estrutura antiga que requer reparos constantes. Uma outra é a rotatividade de
funcionários. Como nós somos uma entidade do terceiro setor, filantrópica e estamos num
local, Itajaí, que tem muitas oportunidades de trabalho, muita oferta, muitas vezes também
o Parque Dom Bosco é utilizado como um trampolim “ah vou trabalhar no Parque Dom
Bosco porque eu sei que depois vou ter uma outra, boa proposta” então muitas vezes a
gente perde na qualidade porque sempre estamos mudando de funcionários, de educador
essa rotatividade. Estas são as duas maiores dificuldades do Parque Dom Bosco.
A organização adota alguma ferramenta de gestão?
Entrevistado: Nós estamos com uma empresa, o Grupo Diretiva, que faz esse trabalho
de consultoria conosco. É um planejamento de gestão, de planejamento pedagógico,
administrativo, quais são as estratégias que vamos tomar para o próximo ano e isso não
quer dizer que a gente já não vinha exercendo. A Inspetoria já tem um trabalho de gestão
já há dez anos vem implementando esse trabalho de gestão. Só que cada realidade as
vezes a sua implementação se torna um pouco difícil, até ou pelo gestor que está na
liderança não ter um conhecimento explícito do processo de gestão da instituição maior
que é a nossa Inspetoria aqui no sul do Brasil, ou também pela rotatividade ou pela
mudança freqüente acaba também interrompendo esse processo da gestão. Então esse
ano nós decidimos então inovar do ponto de vista da qualidade trazendo o respaldo
externo de uma equipe que possa nos dar um amparo em todos os sentidos de como nós
podemos caminhar do ponto de vista como instituição para 2014. Então já estamos com
essa formação, com essa equipe Diretiva desde meados do segundo semestre e a
tendência é também continuarmos com ela para ano que vem 2014, 2015, focando
também em outras áreas. A nossa principal área dessa equipe é (Diretiva) para ano que
vem é focar para a área administrativa e pedagógica, depois nós queremos também focar
na parte do marketing e do logotipo que é o Parque Dom Bosco, da imagem da instituição.
É uma imagem bem positiva, então a gente quer focar de fato um pouco mais, do lado
profissional essa imagem para os próximos anos.
Fonte: Dados Primários (2014)
Questionado sobre as expectativas de crescimento, o entrevistado explica
que nos próximos anos a instituição deve crescer em estrutura física e melhoria na
qualidade no atendimento.
Sobre as principais dificuldades que a instituição possui, o entrevistado cita a
manutenção da estrutura e a alta rotatividade de funcionários em alguns setores.
Quando questionado sobre a utilização de ferramentas de gestão, o
entrevistado relata que a Inspetoria, na qual a instituição pertence, faz um trabalho
de gestão há dez anos, mas atualmente a instituição vem fazendo um trabalho em
parceria com a Diretiva Consultoria Empresarial.
Sendo assim, verifica-se que a organização possui alguns problemas relativos
a gestão, porém está desenvolvendo soluções para isto, o que se confirma com a
contratação da consultoria.
46
Quadro 2 – Análise do Indicador Responsabilidade Social
Responsabilidade Social
Qual sua percepção de responsabilidade social dentro de uma organização sem fins
lucrativos?
Entrevistado: A responsabilidade social da nossa instituição gira em torno da educação e
da evangelização. A partir da evangelização nós queremos torná-los bons cristãos e
honestos cidadãos, e na educação nós também queremos, não somente prepará-los para
a vida, mas prepará-los para o mercado de trabalho, assumindo valores de bondade, de
corresponsabilidade, sentido de pertença, dignidade, mas sobretudo também ali na
cidadania que é muito latente, mais no sentido de corresponsabilidade com o meio
ambiente, de ser tornar responsável, como diz o livro do Pequeno Príncipe, por tudo
aquilo que eles vão cativando, que vão aprendendo.
Fonte: Dados Primários (2014)
Adotar uma gestão socialmente responsável implica, necessariamente,
atuar buscando trazer benefícios para a sociedade, propiciar a realização
profissional dos empregados e promover benefícios para os parceiros e
para o meio ambiente, sem deixar de lado o retorno para os investidores.
Nesse sentido, a troca e o aprendizado permanentes são tão importantes
para a empresa quanto as reflexões internas (INSTITUTO ETHOS, 2014).
Sobre a percepção de responsabilidade social dentro de uma organização
sem fins lucrativos, o administrador afirma que a visão de responsabilidade social na
instituição está em transformar, por meio da educação, a realidade dos jovens,
preparando-os para o mercado de trabalho e para a vida.
Percebe-se que o gestor é um empreendedor voltado para o impacto social
do trabalho que realiza, porém seu discurso demonstra que existem limitações do
conceito de responsabilidade social relativo à gestão da organização. Seria
necessário que a gestão do Parque Dom Bosco obtivesse um conceito mais amplo
de responsabilidade social, tal como relata a citação anterior do Instituto Ethos
(2014).
Quadro 3 - Análise do Indicador Valores e Transparência
Valores e Transparência
Quais as ferramentas que a organização utiliza para mostrar transparência em suas
ações à sociedade? Para quem o Parque busca demonstrar as suas ações?
Entrevistado: Tudo aquilo que nós fazemos a gente tenta, a gente procura divulgar. Em
primeiro lugar através do nosso site local, depois no nosso site inspetorial, depois no nosso
site que engloba todo o Brasil Salesiano, que fala da Rede Salesiana de Ação Social e por
fim um outro site maior que é o da Congregação, que amplia o nosso leque para o mundo.
Porque nós salesianos estamos presentes em 134 países, então tudo aquilo que o Parque
Dom Bosco faz localmente tem um impacto também mundial. Depois local, na cidade,
município, nós tentamos também sempre estar prestando contas e divulgando as nossas
atividades pelos jornais locais, pela rede de TV local, então estes são os nossos focos de
divulgação das nossas atividades.
E o objetivo da divulgação é a imagem do Parque e essa relação de transparência ou
tem algum outro objetivo?
47
Entrevistado: São dois objetivos. O primeiro objetivo é a questão da transparência.
Mostrar para o povo que o Parque Dom Bosco está sendo corresponsável com o município
na evangelização e na educação. O segundo objetivo é de trazermos novos parceiros para
o Parque. Sempre a gente procura ter esses dois focos: de mostrar o trabalho que é feito,
mas também de trazer novas parcerias.
Em quais valores o Parque se baseia para realizar o seu trabalho?
Entrevistado: O nosso valor, o valor salesiano ele é baseado num tripé, que é o valor da
razão, da religião e da bondade. Então a gente sempre tenta seguir este valor que não é o
Parque que criou, mas é um valor que vem da congregação salesiana, que vem do seu
fundador Dom Bosco. Então nós bebemos desses valores e tentamos progressivamente
estar colocando em prática.
Como os valores éticos do Parque são repassados aos funcionários?
Entrevistado: Nós temos as chamadas formações continuadas, que são mensais. Toda
formação continuada tem um momento mais de formação do ponto de vista salesiano,
esses valores que nós chamamos de Sistema Preventivo de Dom Bosco, que está
baseado na razão, na religião e no amor/bondade. Mas também dentro dessa formação
continuada nós temos também o conhecimento de cada área setorizada, os educadores
que trabalham diretamente com os educandos, dos funcionários que trabalham na limpeza,
cozinha etc. A gente tenta também dar essa formação para o crescimento em todas as
áreas dentro do Parque Dom Bosco.
Fonte: Dados Primários (2014)
Os valores empresariais devem ultrapassar as determinações do processo
produtivo da organização e o que acontece entre os limites físicos de suas
instalações. A consciência de que o impacto das suas atividades também
vai muito além é o primeiro passo para uma efetiva mudança e adequação a
uma nova realidade (INSTITUTO ETHOS, 2014).
Quando questionado sobre as ferramentas que a organização utiliza para
demonstrar transparência e para quem a instituição procura demonstrar as ações, o
Administrador do Parque Dom Bosco explica que a instituição possui grande
abertura tanto na mídia local, quanto nas redes no qual está inserida.
De acordo com o entrevistado, para realizar o trabalho social com os
destinatários, a instituição utiliza a metodologia do Sistema Preventivo de Dom
Bosco, no qual são trabalhados os valores de razão, religião e bondade, que são
repassados aos funcionários nas formações continuadas.
Verifica-se que os valores nos quais o Parque Dom Bosco se baseia, são
valores éticos e religiosos, nas quais a Rede Salesiana se embasa. Vale relatar que
em relação a transparência o gestor demonstra que utiliza também para obter
parcerias, porém não relacionou diretamente a captação de recursos.
Quadro 4 - Análise do Indicador Captação de Recursos
Captação de Recursos
Como o Parque capta recursos para se manter atuante?
Entrevistado: O nosso programa de captação de recursos é bem específico, o primeiro
instrumento de captação de recursos é o carnê social, o segundo instrumento de captação
de recursos são as parcerias com as empresas que nós temos que acreditam no trabalho
e decidem também investir nesse trabalho, empresas privadas.
48
E esse carnê social, quem paga é a comunidade?
Entrevistado: É a comunidade local, então são pessoas jurídicas, mas também pessoas
físicas, que doam desde um valor de dez reais até cem reais, duzentos reais... Então são
pessoas que ajudam mensalmente o Parque Dom Bosco por acreditar nesse trabalho.
Depois nós também temos outros instrumentos de captação de recursos, nós temos
também a parceria com a Receita Federal que nos ajuda disponibilizando material para
bazar, nós temos também o chamado Bazar do Parque Dom Bosco, um bazar de roupas
usadas, que também é uma forma de nós arrecadarmos dinheiro para a nossa
manutenção. E por último nós temos a captação mais verbalmente, mais face a face, de
pessoas que a gente conhece, que a gente busca, conversa e de acordo com as nossas
necessidades a pessoa vai ajudando e vai investindo.
Quais as dificuldades encontradas na Captação de Recursos?
Entrevistado: A maior dificuldade na captação de recursos está no pouco que é
arrecadado pela grandiosidade do Parque Dom Bosco. Então a gente sempre tem que
estar procurando novas alternativas e essa procura de novas alternativas vai cansando a
equipe que trabalha na captação de recursos, bem como também toda a equipe gestora.
Quantas pessoas que trabalham diretamente com a Captação de Recursos?
Entrevistado: São três pessoas. Aline que é a primeira responsável, depois temos as
duas meninas que trabalham na parte da comunicação e telemarketing. Então são três
pessoas diretamente ligadas. Já temos um setor, graças a Deus, porque em comparação
em relação com outras entidades e empresas que não tem uma pessoa específica para
isso, acaba patinando muito.
Fonte: Dados Primários (2014)
A captação de recursos é um processo, não uma atividade pontual. Sendo
assim, deve ser muito bem planejado antes de qualquer ação. É baseado
em relacionamentos, compromissos e parcerias de longo prazo. O conceito
para captação de recursos pode estar em várias definições. Para alguns, é
encontrar quem participe dos riscos das boas idéias; buscar recursos no
organismo externo; é ter uma necessidade e precisar convencer pessoas ou
instituições a colocar recursos, além de mostrar como a instituição
beneficiária irá retornar o investimento (SEBRAE, 2007, p.14).
Na visão do entrevistado, a captação de recursos ocorre por meio de
parcerias com empresas da região, com o carnê social, doações da Receita Federal
e captação face a face, abrangendo pessoas tanto pessoas físicas como jurídicas.
O setor de captação de recursos conta com três profissionais que trabalham
diretamente nesta área, sendo uma delas a acadêmica que propôs o estudo.
Quanto às maiores dificuldades dentro da captação de recursos, o
entrevistado cita a arrecadação que muitas vezes não é proporcional ao que
instituição necessita e a busca constante de alternativas para angariar recursos, o
que acaba ocasionando um desgaste na equipe.
Nota-se que existe uma profissionalização no que tange a captação de
recursos, já que existe um setor específico para tal, vale relatar que o gestor não
menciona a contrapartida institucional e nem o Balanço Social como forma de captar
recursos.
49
Quadro 5 - Análise do Indicador Meio Ambiente
Meio Ambiente
Existe algum programa de conscientização ambiental com os funcionários, alunos
ou pais?
Entrevistado: Nós temos no Parque Dom Bosco dois projetos bem específicos que
trabalham com essa conscientização. O primeiro é o Projeto Educação Ecoformativa, que
nos ajuda a trabalhar com os pais e com os educandos, conscientizando-os também da
responsabilidade social, ecológica. Depois nós também temos as nossas formações
mensais que também abrangem essa área. E depois nós temos também um outro projeto
que é o SocioAmbientar, que também vem do encontro um pouco com essa
conscientização, não somente da responsabilidade social, da cidadania, bem como
também da nossa ecologia, do nosso meio ambiente.
Você acredita que dessa forma vocês acabam incentivando essa preservação?
Entrevistado: Exato. Primeiro é a formação, é a conscientização, para o segundo passo
depois a aplicação na casa, no Parque, que é onde eles convivem.
Fonte: Dados Primários (2014)
Além da preocupação com os processos produtivos e a busca por soluções
para a substituição de insumos, as empresas têm a capacidade de
influenciar o comportamento do consumidor – considerando-se aqui não
apenas o cliente final, mas também o consumidor corporativo de bens e
serviços e os responsáveis pelas compras públicas (INSTITUTO ETHOS,
2014).
Questionado
sobre
a
instituição
ter
instituído
algum
programa
de
conscientização ambiental, o Administrador destaca dois projetos desenvolvidos com
os educandos.
O Administrador afirma acreditar que por meio dessas ações, o Parque Dom
Bosco incentiva a preservação ambiental: “Primeiro é a formação, é a
conscientização, para o segundo passo depois a aplicação na casa, no Parque, que
é onde eles convivem”.
Apesar de existirem projetos de formação educativa, não existem práticas que
visem a menor utilização de recursos naturais, ou até mesmo de reaproveitamento
destes, como campanhas de redução de consumo de água e energia elétrica...
Quadro 6 – Análise do Indicador Fornecedores
Fornecedores
Como é feita a escolha dos fornecedores e parceiros do Parque? Existe algum
critério de escolha?
Entrevistado: O critério na verdade é daquele que gosta, aceita a proposta e se identifica
com o nosso Sistema Preventivo de trabalho, esse é o critério. Aquela empresa, aquela
pessoa física ou jurídica que acolhe a proposta a gente conversa e vai estabelecendo uma
parceria.
Vocês buscam verificar se essa é uma empresa ética?
Entrevistado: Sim. Esse é o segundo passo. O primeiro passo então é o da acolhida. O
segundo passo vem a verificação se a empresa é coerente, se tem o desenvolvimento
social, se procura também ter uma responsabilidade social cidadã, ou se também só está
procurando o Parque Dom Bosco para bens próprios no sentido de ter reconhecimento
50
social, abatimento do imposto e assim por diante. Isso também, mas tem que estar atrelado
principalmente na conscientização da empresa “eu vou fazer isso porque eu sei que é um
dado cidadão”, mas também para a empresa a gente vai criando um laço de
corresponsabilidade de funcionários, de sentido de pertença no município, no estado,
querendo ajudar uma obra social.
Já aconteceu da instituição recusar uma parceria por entender que a empresa não se
adequava aos valores da instituição?
Entrevistado: Isso foge do meu conhecimento. Acredito que não. Todas as empresas que
nós temos de parcerias são empresas coerentes, bem conservadas e que procuram de fato
realizar uma ação social porque acreditam na causa.
Já foi realizada alguma visita a alguma empresa da qual a instituição é parceira?
Entrevistado: Sim. Nós temos um trabalho diretamente com as empresas parceiras. Toda
a empresa que nós temos uma parceria a gente desenvolve atividade do Jovem Aprendiz.
Então muitas empresas tem jovem aprendiz que exercem e aprendem a parte mais
humana e cristã aqui no Parque Dom Bosco. A responsável primeira por este trabalho com
o Jovem Aprendiz , ela faz um trabalho de visitação mensal, além da visitação mensal, é
mandado também e-mails, de acompanhamento do educando para com a empresa, mas
também do acompanhamento se a empresa está acompanhando o educando tanto dentro
da obra e se está sendo coerente com o desenvolvimento do trabalho dele na empresa, se
não está colocando ele para fazer uma outra coisa dentro da empresa. Então esse
acompanhamento é feito mensalmente.
Fonte: Dados Primários (2014)
Este item leva a empresa se envolver com os fornecedores e parceiros,
cumprindo os contratos estabelecidos e trabalhando pelo aprimoramento
das relações de parceria. Cabe à empresa transmitir os valores de seu
código de conduta a todos os envolvidos em sua cadeia de fornecedores.
(INSTITUTO ETHOS, 2014)
Partindo para o indicador de Fornecedores, para ser fornecedor da instituição,
existem alguns critérios de escolha, sendo um deles, a identificação com o trabalho
social do Parque Dom Bosco.
Quando perguntado, se os gestores buscam verificar se seus parceiros e
fornecedores são empresas éticas, o Administrador responde que sim.
O Administrador afirma não ter conhecimento de que a instituição tenha
recusado fazer parceria com alguma empresa, de acordo com ele, todas as
empresas que são parceiras são empresas éticas, coerentes e que procuram fazer a
parte social por acreditarem na causa. Quando questionado se há visita de
acompanhamento das empresas parceiras, o entrevistado afirma que há um
acompanhamento constante das empresas parceiras.
Percebe-se que apesar da instituição possuir um bom relacionamento com
seus parceiros, existe uma informalidade na escolha e aceitação dos parceiros
inexistindo qualquer formalização diante dos critérios, sendo estes, ainda incipientes
para fazer uma boa escolha de fornecedores.
51
A instituição deveria formalizar seu código de conduta, no sentido de
resguardar a instituição de quaisquer descumprimento por parte de parceiros e/ou da
aceitação de parceiros que estejam aptos para trabalhar com obra social.
Quadro 7 - Análise do Indicador Clientes e Consumidores
Clientes e Consumidores = Pais e Alunos
Existem muitas reclamações diante do trabalho oferecido pelo Parque?
Entrevistado: Sim. Talvez seria até imaturo de nossa parte dizer que nunca houve
reclamações. Já houve reclamações, várias reclamações. De empresas que tinham, que
tem educando aqui como Jovem Aprendiz, também reclamações de pais, reclamações de
alunos. E como fazemos para solucionar as reclamações: primeiro lugar chamamos aqui
para verificar qual é a dificuldade, qual é o problema, depois juntamente com a equipe
gestora a gente procura dar uma solução para aquele problema, dar um retorno para
essas pessoas.
Para estabelecer os tipos de atividades e serviços prestados pela organização
foram realizados estudos e pesquisas, para levantar demandas e necessidades do
público alvo e caracterizar o perfil dos beneficiários?
Entrevistado: O Parque nasceu de uma necessidade local. Por isso, a cada ano, o setor
de comunicação faz também uma triagem dentro do Parque Dom Bosco entre os
educandos, daquilo que eles vêem que possa melhorar, ou de novos cursos. Mas
também nós fazemos uma triagem na sociedade do que o Parque Dom Bosco pode
ajudar no crescimento do município. Quais são os cursos que vão ajudar o município a
crescer, a desenvolver. A gente procura fazer uma triagem interna e também uma
pesquisa e triagem externa.
A instituição realiza alguma avaliação dos seus serviços com os pais e/ou alunos?
Entrevistado: Nós fazemos pesquisa com os nossos educandos e também com as
parcerias de empresas que são mais próximas, que acompanham todo nosso processo
de acompanhamento durante o ano e também algumas pessoas físicas que também
gostam de ajudar o Parque Dom Bosco e também sempre dão palpite, sempre dão
sugestões de melhorias.
Essa avaliação é informal (conversa) ou existe algum instrumento ou metodologia
de pesquisa?
Entrevistado: Existe um método de pesquisa, um instrumento que é realizado pela
equipe de comunicação do Parque, que realiza com os educandos, bem como também
com os educadores e funcionários. E com as empresas que são parceiras, também é
realizada através de perguntas: se o Parque Dom Bosco está correspondendo com aquilo
que eles sentem, quais são as expectativas, se eles querem alguma mudança... E com as
pessoas físicas ou jurídicas que acompanham o Parque Dom Bosco é mesmo
verbalmente que a gente pergunta sempre.
Fonte: Dados Primários (2014)
Quanto aos indicadores e consumidores:
Este indicador se preocupa em oferecer produtos e serviços confiáveis que
minimizem os riscos de danos à saúde dos usuários e das pessoas em
geral, que exige da empresa o investimento permanente no
desenvolvimento dos mesmos. Algumas atitudes a serem tomadas são
relevantes no processo de oferecer produtos que visem o bem estar dos
consumidores, como a publicidade destes que deve garantir seu uso
adequado e também assegurar suporte ao cliente antes, durante e após o
consumo. É fundamental que a empresa esteja alinhada com os interesses
dos consumidores e tenham a finalidade de sempre satisfazer suas
necessidades (INSTITUTO ETHOS, 2014).
52
Quando questionado sobre a incidência de reclamações dos consumidores
dos serviços oferecidos pela instituição, neste caso representado pelos pais,
educandos e parceiros, o Administrador da instituição afirma que já houve queixas e
que a instituição procura verificar as reclamações, com o suporte da equipe gestora,
buscar uma solução e dar um retorno ao consumidor.
Para estabelecer os tipos de atividades e serviços prestados pela
organização, são realizados estudos e pesquisas, para levantar demandas e
necessidades e o perfil do público alvo, tanto interno quanto externamente.
Essa triagem ocorre de várias formas, tanto por meio de instrumentos de
pesquisas, aplicados com os educandos, quanto por conversas informais, conforme
relata o entrevistado.
Apesar de existirem pesquisas de opinião interna e externa, para o
oferecimento de cursos e atividades, não existe um estudo aprofundado da realidade
local e do perfil dos alunos de cada curso. Seria necessário realizar um mapeamento
de empresas de Itajaí e região, as demandas que essas empresas necessitam e os
cursos que outras instituições oferecem, a periodicidade, o horário, dias por semana,
faixa etária compatível para encaminhamento para o mercado de trabalho.
Nota-se que a instituição prioriza o feedback para seus clientes e
consumidores, porém o processo de atendimento ao cliente é feito informalmente,
não se tem uma pessoa destinada para o recebimento de queixas e reclamações.
Portanto apesar do própria causa da instituição ser voltada ao atendimento
das crianças e jovens, percebe-se que necessita de uma profissionalização de
padrões neste indicador visando melhorias no atendimento.
Quadro 8 - Análise do Indicador Balanço Social
Balanço Social
O que você entende por Balanço Social?
Entrevistado: O Balanço Social é fundamental para que a Obra Social possa se tornar
transparente, crescer e desenvolver. Então, a Inspetoria sempre consciente disto, ela
sempre nos pede os balanços sociais semestralmente. Porque existe também uma
prestação de contas para a Inspetoria, da Inspetoria para com a Rede Salesiana de Ação
Social e dessa Rede de Ação Social do Brasil para a Congregação, mas também local a
gente também faz o balanço social como uma prestação de contas para o município, que
nós temos que ter, bem como também para os nossos parceiros. Então a gente aplica
esse balanço social na nossa revista que sai ora semestralmente, ora anualmente, bem
como também é apresentado em revista ou às vezes num folder das atividades da Rede
Salesiana de Ação Social do Brasil. Então a gente sempre está divulgando, mostrando
todos os detalhes da questão do nosso balanço.
53
Vocês se baseiam ou utilizam algum modelo de balanço social?
Existe um modelo, mas geralmente a nossa Inspetoria sempre pede que a gente possa
fazer o nosso balanço social e eles readequam também para o inspetorial. Porque às
vezes o nosso Ecônomo Inspetorial precisa desse balanço social para ter novos parceiros
para as obras sociais, daí eles readequam um pouco esse balanço social, de acordo
também com cada obra, para que possam também adequar dentro de um folder ou dentro
do site, mas existe um padrão normal e nós sempre fazemos.
Como a gente é uma obra social a gente procura focar, buscar o lado mais administrativo,
mas quando a gente fala em balanço social ele abrange muito mais, todo o dado da
gestão, da obra, tanto administrativo, como o sócio, a questão também do
acompanhamento do cidadão...Então acho que o balanço social abrange um pouco mais,
só que a gente foca dentro do balanço social o ponto mais de atendimento e
administrativo.
Você conhece alguma organização que publica o Balanço Social? O que você acha
das empresas que fazem o Balanço Social?
Entrevistado: Eu nunca cheguei a ver um balanço social nesse sentido que a Aline está
focando e talvez que abrange a totalidade. Porque na verdade o balanço social das obras,
elas focam só isso aí mesmo, é mais o atendimento e o recurso, atendimento e o
administrativo. É interessante perceber a abrangência do que significa o balanço social.
Quando a gente fala em balanço social a gente sempre pensa “ah então é atendimento e
números administrativos”, ao menos no geral as pessoas tem esse conhecimento. Vai
muito mais além, porque você perceber essas questões: quantas mulheres tem na
empresa?quantos homens?diferença salarial entre homens e mulheres, depois tem outras
questões também: quantos indígenas, quantos negros tem dentro da obra social?
Então é muito mais abrangente no social. E para você ver como na verdade a
compreensão hermenêutica do que é um balanço social, ela amplia o leque. Eu acho que
também houve uma evolução dessa compreensão do balanço social, até porque acho
que até então se resumia só a questão de números. E hoje em dia o foco também frisa
muito a questão do impacto ambiental que tem, mas, sobretudo agora na questão do
funcionário: quantos cadeirantes tem? Tem algum funcionário cadeirante? Tem algum
funcionário com necessidades especiais?que a lei também pede, por exemplo que nós
não temos, vamos supor. Tem algum funcionário portador de deficiência auditiva ou
visual? Enfim, que hoje em dia praticamente é sempre solicitado.
Você considera importante a instituição possuir um instrumento que demonstre
todos os resultados das ações desenvolvidas?
Entrevistado: Eu acredito na transparência. Quando a gente fala em transparência,
abrange todas essas questões, esses pormenores. E eu acredito que esse modelo, esse
instrumento do balanço social, a partir do momento que tem uma pessoa que tem uma
consciência, uma conscientização do que é o instrumento, a gente pode com certeza
depois levar a todos a terem esse conhecimento, essa conscientização. E quando todos
chegam a essa conscientização, fica mais fácil de utilizar o instrumento, ele não está sob
o poder só de uma pessoa, mas todos conseguem fazer uma verificação, um
acompanhamento, existe um processo né. Quando só um detém o poder fica complicado
“ah então ele pode manipular” então se uma pessoa tem o instrumento, conhece desse
instrumento, então a gente pode começar agora a desenvolvê-lo partindo pelas
responsabilidades, vamos supor: se dentro da empresa tem a equipe gestora, então a
equipe gestora toma conhecimento desse instrumento e depois ela vai então indo aos
seus coordenadores, aos educadores, e por fim também aos funcionários, questão da
limpeza, cozinha...assim também fica mais fácil a gente depois colocar os dados dentro
do instrumento coerente e verdadeiro, e assim também a transparência do instrumento
fica visível para todos.
Quais os fatores limitantes para a elaboração de um balanço social? Quais
empecilhos o Parque teria para elaborar um BS?
Entrevistado: Eu acredito que esse instrumento, se nós colocarmos em prática, em vigor
a partir já do ano que vem com a Aline tendo o conhecimento, acredito que possa ser até
54
um cartão postal, uma referência para as outras obras que queiram também utilizar esse
mesmo instrumento, porque isso dá, na verdade, dados de transparência, mas também
de corresponsabilidade para com, em primeiro lugar, os nossos atendimentos, aos nossos
educadores, depois aos nossos patrocinadores e parceiros e também ao município. Então
todos tendem a ganhar com isso.
Fonte: Dados Primários (2014)
A publicação de um balanço social oferece uma proposta de diálogo com os
diferentes públicos envolvidos no negócio da empresa que o adota, sendo estes:
público interno, fornecedores, consumidores, clientes, comunidade, meio ambiente,
governo e sociedade. A proposta é de que o relatório contenha informações sobre o
perfil de negócio, histórico da organização, princípios e valores, governança
corporativa, diálogo com os stakeholders e indicadores de desempenho econômico,
social e ambiental (INSTITUTO ETHOS, 2014).
Partindo para as questões do Balanço Social, quando questionado sobre o
entendimento de Balanço Social, na visão do entrevistado, o Balanço Social é uma
ferramenta essencial para que a instituição demonstre sua transparência, o que
traduz em uma prestação de contas das ações à sociedade.
Quando questionado sobre a utilização de algum modelo para elaboração do
Balanço Social, o entrevistado afirma que existe um modelo, mas que é adequado à
realidade de cada Obra Social.
Na visão do Administrador do Parque Dom Bosco, o balanço social contempla
os dados financeiros e administrativos e o número de atendidos nos projetos
desenvolvidos pela instituição. No entanto, o entrevistado afirma que a instituição
ainda não possui os indicadores do corpo funcional, meio ambiente, sociedade e
relacionamento com a comunidade local documentados em um único instrumento.
Questionado se já visualizou algum Balanço Social ou se tem conhecimento
de alguma empresa que publica o Balanço Social, o entrevistado afirma nunca ter
visto o documento em sua totalidade.
O Administrador do Parque Dom Bosco considera importante a instituição
possuir um instrumento que demonstre os resultados das ações desenvolvidas e
acredita que quando todos os setores tiverem o conhecimento sobre a importância
do instrumento, para os próximos balanços sociais, o processo de coleta de dados
ficará mais fácil.
Quando questionado sobre as dificuldades para elaborar o Balanço Social e
os benefícios que o instrumento pode oferecer à instituição, o Administrador da
55
instituição acredita que o Parque Dom Bosco poderá servir de referencia para as
outras obras sociais, bem como demonstrar transparência para os parceiros e
comunidade.
Percebe-se que o gestor possui pouco conhecimento sobre a amplitude e os
indicadores que compõem o Balanço Social, porém, acredita-se que a publicação
do Balanço Social pode beneficiar a instituição, como uma forma de demonstrar
transparência nas ações desenvolvidas apesar de não ser visto pro ele como uma
ferramenta de gestão.
Quadro 9 - Análise dos Indicadores Sociais Internos
Indicadores Sociais Internos
Quais os benefícios são oferecidos aos funcionários do Parque?
Entrevistado: Bom, os benefícios que nós temos, como nós somos uma obra social, a
gente sempre oferece vários tipos de benefícios. O primeiro benefício é do ponto de vista
alimentício, então quando nós ganhamos muita coisa, a gente repassa esse alimento
quando é ganho em excesso para nossos educandos, bem como também para os nossos
funcionários. Depois os outros benefícios que nós oferecemos do ponto de vista mais
formativo. Quando tem palestras, formações extraclasse, desenvolvimento pessoal e
profissional, a gente sempre procura estar possibilitando isso para os nossos educadores.
Existe alguma previsão orçamentária para estas ações ou para melhoria destas? De
que maneira o Parque incentiva a qualificação de seus funcionários? Existe algum
planejamento para que isso aconteça?
Entrevistado: Nós estamos agora nos reunindo na equipe gestora e nos programando
para realizar essa previsão orçamentária para o ano que vem, desde a questão dos
acompanhamentos dos nossos educandos, o que nós vamos gastar com reformas, bem
como também quais serão as formações que nós teremos para o ano que vem, eventos,
captação de recursos, enfim, toda essa previsão orçamentária.
E sempre se inclui os funcionários?
Entrevistado: Claro, sempre está incluso.
Como o Parque age quando acontece algum problema com um funcionário, ou
familiar, pessoal? Existe uma verdadeira preocupação da gestão do Parque com os
seus funcionários?
Entrevistado: Como nós somos também uma empresa, uma entidade cristã, a gente
procura também, em primeiro lugar, ajudar na questão espiritual e profissional. Por isso,
em primeiro lugar a gente procura ouvir a pessoa que está passando por essa dificuldade.
Depois, o segundo passo, além de ouvir e tomar conhecimento, a gente procura ajudar
com o nosso apoio, em primeiro lugar o nosso apoio espiritual, de oração, de
acompanhamento, bem como também se a pessoa precisa e necessita do ponto de vista
também financeiro. Então esse na verdade é o nosso acompanhamento. Primeiro o ouvir e
conhecer a situação, depois em segundo lugar, vem o acompanhamento espiritual, nós
temos toda manhã a nossa oração antes de começar todas as atividades os educadores
se reúnem em um momento de oração em comum, ali também é apresentando
verbalmente quais são as necessidades espirituais, problemas familiares que cada um tem
e quando alguém precisa também de um outro respaldo financeiro, se encaminha para o
setor de RH/Administrativo e a gente procura também ajudar, dar esse suporte.
Existe alta rotatividade de funcionários e/ou professores?
Entrevistado: A rotatividade maior que nós analisamos durante esse ano de 2013, bem
como também em 2012, é a rotatividade de educadores e funcionários ligados à limpeza e
cozinha. São esses três setores: sala de aula, limpeza, manutenção e cozinha. Essa
56
rotatividade se deve a grande oferta de trabalho, a questão salarial também pesa muito e
porque muitas vezes a pessoa procura trabalhar menos tempo e ganhar mais.
Existe algum tipo de discriminação quanto a raça, sexo, orientação sexual... Como o
Parque age caso ocorra algum tipo de discriminação?
Entrevistado: No meu conhecimento, nesses dois anos que estou no Parque Dom Bosco,
não enfrentei nenhum tipo de discriminação. Em primeiro lugar desde a questão de
educador para educando ou vice-versa, ou também na questão da opção sexual,
enfim...ou racial também. Então, se houve, foi muito nos bastidores. Quando nós ficamos
sabendo se houve ou não a gente sempre procura, o nosso método de acompanhamento
é o seguinte: a gente chama os envolvidos, a gente conversa, procura conhecer o que
houve e depois a gente procura solucionar na conversa, no diálogo. Esse é o
procedimento.
Como os funcionários têm conhecimento de suas atribuições e responsabilidades?
De que forma os funcionários são avaliados e quem avalia? Como é repassado o
feedback ao funcionário?
Entrevistado: O nosso acompanhamento e o saber do educador ou do outro funcionário
no geral do que ele faz ou deve fazer em primeiro lugar está no RH. No período do
contrato é explicitado verbalmente o que o funcionário deve fazer ou não. Depois, nas
nossas reuniões quinzenais da equipe de gestão a gente também vai fazendo um
processo de acompanhamento, mas a nossa intenção é, a partir do ano que vem, de
elaborar um instrumento de acompanhamento do educador, ou em sala de aula, ou do
funcionário limpeza ou cozinha, de fazer o acompanhamento mensal. Então qual a idéia
para ano que vem: a idéia é de elaborar um instrumento no qual a gente possa passar
para o funcionário ou educador, mensalmente, como que ele está desenvolvendo na parte
humana-cristã, depois no seu desenvolvimento em sala de aula, bem como também se há
um crescimento do educando dentro da disciplina de cada educador.
A gente não tem ainda esse instrumento, a gente vai elaborar, já tem alguma pista pela
equipe da consultoria que está nos ajudando, mas nós queremos então elaborar esse
instrumento de trabalho para desenvolver a partir do ano que vem.
Quanto à determinação salarial. O Parque busca pagar acima da média ou média de
mercado?
Entrevistado: Nós sempre procuramos acompanhar o mercado local, mas também de
acordo com os nossos convênios, é sempre essa medida: o mercado local e também a
realidade de nossos convênios, procurando sempre também valorizar e aumentar de
acordo sempre com o nosso convênio e também com o sindicato local.
Fonte: Dados Primários (2014)
Os indicadores sociais internos representam as ações da empresa com os
seus colaboradores.
O funcionário é um dos mais importantes stakeholders da empresa. Atuar
de forma socialmente responsável com o público interno significa mais do
que respeitar os direitos garantidos pela legislação. Isso é imprescindível,
mas também é necessário investir no seu desenvolvimento pessoal e
profissional, assim como oferecer sucessivas melhorias nas suas condições
de trabalho (INSTITUTO ETHOS, 2014).
Quando questionado sobre os tipos de benefícios que o Parque Dom Bosco
oferece aos seus colaboradores, o Administrador ressalta a formação extraclasse,
bem como alimentação.
57
O Administrador explica que, para dar continuidade à esses benefícios para o
próximo ano, a equipe gestora está se reunindo para planejar as atividades da
instituição em 2014, desde a parte pedagógica até a previsão orçamentária.
Questionado sobre o envolvimento da instituição com os problemas pessoais
dos funcionários, o entrevistado explica que há uma preocupação com o bem estar
dos colaboradores e quando acontece algum problema, seja de ordem familiar,
pessoal, a instituição tem como prática ouvir e conhecer a situação e tentar ajudar,
tanto na parte espiritual como financeira.
Conforme relatado no início da entrevista, uma das maiores dificuldades do
Parque Dom Bosco está na alta rotatividade de funcionários e educadores. O
Administrador da instituição aponta como uma das causas a grande oferta de
trabalho na cidade.
Quando questionado se houve algum tipo de discriminação entre funcionários
ou educandos no Parque Dom Bosco, o entrevistado afirma não ter conhecimento
de nenhuma ocorrência desta dimensão na instituição.
Sobre
o
conhecimento
dos
funcionários
sobre
suas
atribuições
e
responsabilidades, o Administrador explica que este conhecimento é transmitido pelo
setor de Recursos Humanos.
De acordo com o Administrador, a determinação salarial está baseada nos
convênios que a instituição possui e na determinação do Sindicato.
Verifica-se que a instituição oferece alguns benefícios além dos que são
garantidos por lei, no entanto há uma dificuldade na instituição de adequar o salário
dos funcionários à realidade local, o que por consequência ocasiona a rotatividade
em algumas áreas.
No início de 2014 o Parque Dom Bosco começou a elaboração de um plano
de carreira, visando melhorias neste indicador.
Quadro 10 - Análise do Indicador Comunidade
Comunidade
Qual o principal benefício que o Parque oferece a comunidade em geral e a
comunidade local?
Entrevistado: O primeiro benefício que a gente sente para a comunidade local externa é
do ponto de vista da educação, ou seja, tornando-os aqueles que participam aqui, os
nossos educandos, um pouco mais sorridentes, um pouco mais afetivos com o pai e com a
mãe, um pouco mais compreensivo também com a corresponsabilidade com o meio
ambiente, na escola, na valorização do educador, a corresponsabilidade para o estudar, de
criar um tempo para estudo, as questões muito mais humanas dessa disciplina. Depois
também nós queremos sempre com aquilo que nós oferecemos, um respaldo deles do
58
acompanhamento do pai e da mãe para com o aluno, o educando, a gente procura muito
trabalhar em parceria, então o nosso feedback sempre é a grande participação de pais nas
nossas reuniões de pais. Esse respaldo é muito grande. A gente procura sempre então ter
esse feedback, esse acompanhamento entre Parque e educando, entre Parque, educando
e pais e depois o nosso maior passo agora que nós queremos dar para ano que vem é
entre Parque Dom Bosco, educandos, pais e escola, tentando fazer então uma
aproximação desses setores fundamentais na sociedade para que a gente possa também
ter um resultado mais visível e plausível.
Fonte: Dados Primários (2014)
Toda empresa está inserida em uma determinada comunidade e esta lhe
fornece infraestrutura e capital social, representado por seus empregados e
parceiros que contribuem decisivamente para os bons resultados dos
negócios. [...] A política de envolvimento comunitário da empresa considera
o respeito aos costumes e culturas locais e o empenho na educação e na
divulgação de valores sociais, agentes de melhorias sociais (INSTITUTO
ETHOS, 2014).
De acordo com o Administrador, o principal benefício que o Parque oferece a
comunidade em geral é a educação.
Nota-se que quando se fala em benefícios para a comunidade, o
Administrador possui uma visão totalmente focada para educação, um dos principais
objetivos da instituição, porém não existem outras atividades que beneficiem as
famílias da comunidade, além do contraturno escolar.
Porém considera-se que este indicador seja fortemente atendido devido a
própria causa social que o Parque Dom Bosco atende.
Quadro 11 - Análise do Indicador Poder Público
Poder Público
Como é o relacionamento do Parque com os poderes públicos? De que forma esse
relacionamento influencia o funcionamento do Parque? (Pontos positivos e
negativos)
Entrevistado: O relacionamento sempre foi muito positivo, é muito próximo. Nós temos
sempre aqui os vereadores muito presentes em todos os eventos, procuramos também
sempre divulgar os nossos eventos para com eles e para também a Prefeitura, então
sempre há um acompanhamento muito próximo, em primeiro lugar nas prestações de
contas daquilo que nós estamos fazendo, bem como também da vinda e da visita deles
aqui, de acompanhamento, ou num almoço, ou nos eventos promocionais do Parque, ou
quando tem algum evento de modo muito especial, a gente sempre convida os vários
poderes públicos que nós temos aqui local, ou também estadual.
Como o Parque busca se posicionar politicamente?
Entrevistado: Nós não temos uma posição partidária dentro do Parque Dom Bosco, a
gente, em primeiro lugar, é acolhimento de todos, e como nós somos uma obra social que
visa o bem comum em primeiro lugar, a gente acolhe todos os partidos que visam também
ajudar nesse bem comum: na educação e na evangelização. Como a gente sempre visa o
bem comum através da educação e da evangelização, então o poder público também visa
o bem comum ou ora através da educação ou também de outros meios, também utilizam
do Parque Dom Bosco que é um meio, para também realizar esse bem comum.
Fonte: Dados Primários (2014)
59
É compromisso da empresa manter uma atuação política que condiz com
seus princípios éticos e que realça seu alinhamento com as necessidades da
sociedade” (INSTITUTO ETHOS, 2014). Quanto ao relacionamento com o poder
público, o entrevistado afirma que sempre foi muito positivo.
Quanto a
posicionamento político da organização, o entrevistado afirma que a instituição é
neutra.
Quanto
ao
indicador
poder
público,
a
instituição
possui
um
bom
relacionamento com os poderes locais, por oferecer atividades em contraturno
escolar, atendendo a demanda da população itajaiense. Considera-se um
relacionamento positivo diante do trabalho realizado, porém é preciso ressaltar os
problemas que podem ser gerados pela relação de dependência com o município.
4.2
Verificação da visão geral da assistente social diante do Parque Dom
Bosco e do Balanço Social
O local escolhido para a entrevista foi a sala da entrevistada, que fica no
prédio da própria organização, realizada no dia dezessete de março de 2014, das
dez horas às dez horas e trinta minutos.
As entrevista aplicada foi em forma de roteiro semi-estruturado com perguntas
abertas permitindo ao pesquisador a flexibilidade de alterar a ordem das perguntas
ou criar novos questionamentos conforme a evolução da entrevista (apêndice 2).
A entrevistada tem 26 anos e trabalha na instituição desde 2009, representa a
Instituição como conselheira titular do Conselho Municipal de Assistência Social
(CMAS) e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
(COMDICA). Assistente Social de formação possui Pós Graduação em Políticas
Sociais e Demandas Familiares e Pós Graduação em Educação Social Superior em
Serviço Social.
Quadro 12 – Indicador Responsabilidade Social
Responsabilidade Social
Qual sua percepção de responsabilidade social dentro de uma organização sem
fins lucrativos?
É muito pouco né, a gente até tem a questão da filantropia, mas a responsabilidade
60
social ela é muito mais além, ela envolve todos os funcionários, enfim. E com relação a
funcionários, acho que a gente está caminhando pra buscar, mas assim concretamente,
nós não temos muitos avanços.
Fonte: Dados Primários (2014)
A RSE deve estar diretamente ligada aos valores da companhia e o
direcionamento a ela deve estar claro para os empregados, fornecedores,
consumidores/clientes, bem como para a própria comunidade e para o
governo. [...] A atuação cidadã e responsável da organização deve
considerar o seu envolvimento e os impactos de suas atividades sobre
todos aqueles com as quais ela se relaciona: funcionários e suas famílias,
clientes, fornecedores, o governo e a comunidade do entorno, entre muitos
outros stakeholders (partes interessadas) (INSTITUTO ETHOS, 2014)
De acordo com a entrevista, na visão da assistente social as ações de
responsabilidade social do Parque Dom Bosco não contemplam em sua totalidade o
conceito de responsabilidade social. As ações desenvolvidas na instituição estão
voltadas para a questão filantrópica com seus destinatários e a comunidade local, no
entanto, quando se trata de ações para envolvimento de funcionários e
fornecedores, são poucas as iniciativas para envolver esse público.
Quadro 13 – Indicador Balanço Social
Balanço Social
O que você entende por Balanço Social?
Eu acredito que o balanço social é uma forma de você expor para a comunidade tudo
aquilo que uma entidade se dispõe a fazer durante determinado ano, por exemplo, não
só a questão financeira, prestar conta daquilo que ele faz, dos recursos que ele teve,
onde ele gastou, mas também os atendimentos que ele realiza, de que forma são
realizados, o que são realizados na instituição que são oferecidos para a comunidade.
Você conhece alguma organização que publica o Balanço Social? O que você acha
das empresas que fazem o Balanço Social?
Sim, os balanços sociais que eu já tive contato eles são praticamente todos muito
parecidos, eles seguem um padrão de estrutura, então eles são bastante parecidos
levando em conta o financeiro da entidade, as pessoas que são atendidas e também a
questão de funcionários e os benefícios que são fornecidos para esses funcionários.
Quais os fatores limitantes para a elaboração de um balanço social? Quais
empecilhos o Parque teria para elaborar um BS?
Eu acredito que aqui no Parque nós já fazemos, tivemos que fazer há dois anos atrás por
conta de algum projeto que nós tínhamos que apresentar, então era um documento que
era exigido e eu acredito que nós não temos dificuldade nenhuma de fazer isso aqui
porque nós já prestamos contas para diversos órgãos, então seria, o que nós iríamos
acrescentar alem, seriam a questão dos nossos funcionários, os eventuais benefícios
que a gente dispõe a eles, que isso é um dado que não aparece na prestação de contas
dos demais órgãos que a gente precisa fazer.
Você considera importante o Parque consiga demonstrar todos os resultados das
ações (financeiros e não financeiros) à sociedade? Você considera importante a
instituição possuir um instrumento que demonstre todos os resultados das ações
desenvolvidas?
Com certeza, eu acredito que é muito importante e que da visibilidade para o nosso
trabalho porque, principalmente na nossa região aqui muitas pessoas conhecem o
Parque, mas eles acreditam assim que “nossa o Parque é uma entidade muito grande,
61
mas é uma entidade que tem muito recurso”, né, eles só vêem esse lado da questão
financeira, que é um montante muito grande que a gente consegue estar buscando com
o poder público, mas eles ao mesmo tempo eles não visualizam o número de
atendimento e também as atividades que nós oferecemos, então a partir do balanço eles
podem ter essa visibilidade, o valor que a gente tem, quanto o valor financeiro que a
gente consegue de projetos, mas os atendidos e o valor que a gente precisa para manter
a obra. Então ali a gente consegue mostrar que realmente talvez o que a gente tenha
talvez não é o suficiente, a gente tem que buscar de outras instancias para poder manter
a instituição. Então acho que isso é uma transparência. Ver que realmente é necessário
muito mais do que a gente hoje consegue adquirir enquanto recurso financeiro. Que a
sociedade possa ver realmente, analisar que “não, o Parque não mente, ele precisa
desse valor, esse dinheiro porque ele tem um número grande de atendimentos e um
número grande de atividades que oferece e executa”.
Qual a melhor ferramenta de divulgação a instituição pode utilizar para publicar o
balanço social?
Nós divulgamos no jornal, ele é publicado anualmente no jornal junto com o balanço
financeiro da entidade, mas além do jornal eu acredito que nós poderíamos estar
distribuindo para algumas entidades, tanto governamentais quanto não governamentais,
que também atendem, que também fazem parte da rede de atendimento a criança e
adolescente no município para também dar visibilidade ao nosso trabalho.
Fonte: Dados Primários (2014)
O conteúdo do Balanço Social, de acordo com o Instituto Ethos (2014):
“A proposta é de que o relatório contenha informações sobre o perfil do
empreendimento, histórico da empresa, seus princípios e valores,
governança corporativa, diálogo com partes interessadas e indicadores de
desempenho econômico, social e ambiental”.
De acordo com a resposta da entrevistada, pode-se verificar que esta possui
o conhecimento dos indicadores que compõem o Balanço Social e que tem a
percepção da importância que este instrumento possui, quando publicado.
O Balanço Social tem como foco demonstrar publicamente que a intenção
da organização não é somente a geração de lucros com um fim em si
mesmo, mas o desempenho social. Este é obtido através do compromisso e
da responsabilidade para com a sociedade, por meio da prestação de
contas do seu desempenho sobre o uso e a apropriação de recursos que
originalmente não lhe pertenciam. Também do ponto de vista da melhoria
da imagem da organização, o Balanço Social é um mecanismo bastante
utilizado (INSTITUTO ETHOS, 2009).
Em anos anteriores, a instituição publicou um balanço social sintético, com
dados de atendimento dos educandos, bem como do corpo funcional da instituição.
Corroborando, a assistente social afirma ser de suma importância a publicação do
Balanço Social, não somente no jornal, em conjunto com o balanço patrimonial,
como também em encartes da instituição, que podem ser distribuídos nas redes de
atendimento a criança e adolescente, bem como outros setores da sociedade, com
intuito de dar visibilidade ao trabalho institucional.
62
Quadro 14 – Indicador Comunidade
Comunidade
Qual o principal benefício que o Parque oferece a comunidade em geral e a
comunidade local?
O maior benefício? Eu acredito que o fato do Parque atender crianças de seis à dezoito
anos no contraturno escolar é o maior benefício. Porque mesmo para as pessoas que
tem um poder aquisitivo melhor, que possam pagar um contraturno, no município isso
não existe, não é ofertado, não existe uma entidade que só trabalhe com contraturno, que
você pode trabalhar e deixar o seu filho com segurança, enfim, eu acredito que esse é o
maior benefício, que a gente consegue atender, tanto aqueles que mais necessitam e
também aqueles pais trabalhadores, que, ao mesmo tempo não tem onde deixar os
filhos, eu acredito que seja isso.
Fonte: Dados Primários (2014)
“O investimento em ações que promovam benefícios sociais para a
comunidade é de contrapartida justa, além de resultar em ganhos para o ambiente
interno e na percepção dos clientes em relação à própria empresa” (ETHOS, 2013).
Neste sentido, na percepção da assistente social o Parque Dom Bosco tem
como um dos maiores benefícios à comunidade o atendimento em contraturno
escolar para uma extensa faixa etária, de 6 à 18 anos, tendo em vista que no
município de Itajaí existe uma carência de instituições que trabalham em contraturno
escolar.
Quadro 15 – Indicador Poder Público
Poder Público
Como é o relacionamento do Parque com os poderes públicos?
Eu acredito que o Parque ele é muito bem visto, não só pelo poder público como toda a
sociedade em Itajaí, até mesmo pelos 53 anos que ele tem de história, eu acredito que
seja uma das entidades mais antigas do município e também, apesar de ser talvez a
entidade maior e a que tenha mais atendimentos diários no município.
Fonte: Dados Primários (2014)
“É necessário ética e responsabilidade ao relacionar-se com os poderes
públicos, cumprindo as leis e mantendo ágeis interações com seus representantes,
buscando melhoria das condições sociais e políticas do país” (INSTITUTO ETHOS,
2013).
Dessa forma, a assistente social ressalta os 53 anos de trabalho social do
Parque Dom Bosco e o número de atendimentos diários no município, como
aspectos importantes que influenciam no bom relacionamento da instituição com o
poder público.
63
4.3
Identificação dos pontos fortes e fracos do Parque Dom Bosco diante da
visão do Administrador e da Assistente Social
Após a análise da entrevista do Administrador e da Assistente Social, viu-se a
necessidade de elaborar o quadro 16, na qual foi possível identificar os pontos fortes
e fracos do Parque Dom Bosco diante do tema pesquisado.
Quadro 16 – Análise da visão do Administrador e da Assistente Social
Pontos Fortes e Fracos
Administrador
Pontos Fortes
Pontos Fracos
Processo de Gestão desenvolvida;
Manutenção constante da parte
estrutural;
Capacitação com Grupo Diretiva;
Rotatividade de funcionários;
Metodologia de ensino;
Captar recursos que supram as
Evangelização;
necessidades e ou atendimentos da
Comunicação institucional;
instituição;
Divulgação das atividades na mídia;
Reclamações das empresas do
Formações Continuadas;
Programa Jovem Aprendiz,
Setor de captação de recursos;
Reclamações
de Pais e alunos
Benefícios (alimentação)
Trabalho com as famílias dos
educandos
Bom relacionamento com o poder
público local.
Assistente Social
Pontos Fortes
Pontos Fracos
Capacidade técnica para elaboração
Responsabilidade Social com relação
do Balanço Social;
aos funcionários e fornecedores;
Número de atendidos;
Transparência nas ações;
Visibilidade do Parque Dom Bosco.
Manutenção da instituição.
Fonte: Elaborado pela acadêmica (2014)
Verifica-se que o Parque possui pontos fracos e fortes e dentre os pontos
fortes, evidencia-se que vale ressaltar, que a apresentação destes pontos fortes aos
stakeholders do Parque pode melhorar os pontos fracos. Já que a divulgação
adequada das ações (pontos fortes) podem auxiliar na transparencia das mesmas,
mas principalmente na captação de recursos que contribuirá para melhorias na
infraestrutura, na redução da rotatividade, dentre outros. Cabe explicar que este
quadro auxiliará a acadêmica nas sugestões para esta pesquisa.
64
4.4
Coleta das informações necessárias para elaboração do Balanço Social
Para o preenchimento de acordo com o modelo do IBASE (2008) a
acadêmica buscou os documentos na própria organização – Parque Dom Bosco,
sendo que um check list foi criado para coletar os dados e para que a acadêmica
tivesse o controle da documentação já coletada, sendo o mesmo apresentado no
quadro 17.
Em uma reunião no dia 21 de março de 2014, a acadêmica teve a
oportunidade de esclarecer dúvidas relacionadas à busca de dados para
preenchimento do instrumento. O auxílio foi da equipe responsável em elaborar o
Balanço Social da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí, Renato Osvaldo
Bretzke – diretor administrativo e gerente financeiro da Fundação Universidade do
Vale do Itajaí e Alexsandro de Oliveira - contador.
Os gestores disponibilizaram como material de apoio, o Balanço Social de
2012 da UNIVALI e se disponibilizaram a esclarecer quaisquer dúvidas que se
surgisse durante o preenchimento do instrumento.
Quadro 17 – Coleta de dados para preenchimento do Balanço Social – check list
Item
Fonte de dados
Instrumento de coleta
Data da
coleta
1. Identificação
Setor
Administrativo
Documentos
Certificações
Registros
Agosto
2013
2. Origem dos recursos
a. Recursos
governamentais
(subvenções)
Setor
Administrativo
Convênios
Agosto
2013
b. Doações de pessoas
jurídicas
Setor de Captação
de Recursos
Relatório de doações
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
Agosto
2013
c. Doações de pessoas
físicas
Setor de Captação
de Recursos
Relatório de doações
d. Contribuições
Setor de Captação
de Recursos/ Setor
Financeiro
e. Patrocínios
Setor de Projetos
Relatório de carnê de
contribuição
Sistema COB Caixa
Recibo
Termos de parceria
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
Agosto
65
Contratos
Projeto físico
f. Cooperação internacional
Setor
Administrativo/
Setor de Projetos
Termos de parceria
Contratos
Recibos
g. Prestação de serviços
e/ou venda de produtos
Setor Financeiro
Caixa diário da gráfica
h. Outras receitas
Setor Financeiro
Contratos de locação
Termos de parceria
2013
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
3. Aplicação dos recursos
a. Projetos, programas e
Setor
ações sociais (excluindo
financeiro/Setor de
pessoal)
projetos
b.Pessoal
Contabilidade
(salários+benefícios+encargos)
c. Despesas diversas
Contabilidade
(impostos e taxas,
financeiras, capital, outras)
4. Indicadores sociais internos
a. Alimentação
Setor
Administrativo/
Setor Financeiro
b. Educação
c. Capacitação e
desenvolvimento
profissional
Setor
Administrativo/Fina
nceiro
Coordenação
Pedagógica/ Setor
Financeiro
Termos de parceria
Contratos
Convênios
Balancete
Balancete
Levantamento de
funcionários que se
alimentam na instituição
Previsão Orçamentária
Previsão Orçamentária
Lista de presença das
formações continuadas
Outubro
2013
Maio 2014
Outubro
2013
Maio 2014
Outubro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Gastos com contratação
de profissionais
autônomos
Gastos com cursos
d. Creche ou auxílio-creche
Coordenação
Pedagógica/ Setor
Financeiro
Previsão Orçamentária
Lista de alunos que são
filhos de funcionários
Dezembro
2013
Maio 2014
Valor por aluno
e. Saúde
Setor financeiro/
Setor de Projetos
Previsão Orçamentária
Termos de Parceria
Previsão orçamentária
f. Segurança e saúde no
Setor financeiro/
Termos de Parceria
Agosto
2013
Maio 2014
Agosto
66
trabalho
Setor de Projetos
Previsão orçamentária
g. Transporte
Setor financeiro
Balancete
Previsão Orçamentária
h. Bolsas/estágios
Setor financeiro
Previsão Orçamentária
i.Outros
5. Projetos, ações e contribuições para a sociedade
Setor de Projetos
Termos de parceria
Contratos
Convênios
Sinopse do projeto
Lista de participantes
Prestação de contas
6. Outros indicadores
Nº total de alunos (as)
Coordenação
Ficha de inscrição
Nº de alunos (as) com
Pedagógica
Análise socioeconômica
bolsas (integral)
Nº de alunos (as) com
bolsas parciais
7. Indicadores sobre o corpo funcional
Nº total de empregados (as) Setor
Quadro funcional
ao final do período
Administrativo
Nº de admissões durante o Setor
Registro funcional
período
Financeiro/Recurso
s Humanos
Nº de prestadores de
Setor
Contratos
serviço
Financeiro/Recurso
s Humanos
% de empregados (as)
Setor
Registro funcional
acima de 45 anos
Financeiro/Recurso
s Humanos
Nº de mulheres que
Setor
Quadro funcional
trabalham na instituição
Administrativo
% de cargos de chefia
ocupados por mulheres
Setor
Administrativo
Descrição de cargos e
salários
Idade média das mulheres
em cargos de chefia
Setor
Financeiro/Recurso
s Humanos
Setor
Financeiro/Recurso
s Humanos
Setor
Financeiro/Recurso
s Humanos
Setor
Financeiro/Recurso
s Humanos
Setor
Administrativo
Registro funcional
Salário médio das mulheres
Idade média dos homens
em cargos de chefia
Salário médio dos homens
Nº de negros (as) que
trabalham na instituição
Descrição de cargos e
salários
Registro funcional
Descrição de cargos e
salários
Quadro funcional
2013
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
Agosto
2013
Maio 2014
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
67
% de cargos de chefia
ocupados por negros (as)
Setor
Administrativo
Descrição de cargos e
salários
Idade média dos (as)
negros (as) em cargos de
chefia
Salário médio dos (as)
negros (as)
Setor
Financeiro/Recurso
s Humanos
Setor
Financeiro/Recurso
s Humanos
Setor
Administrativo
Registro funcional
Nº de brancos (as) que
trabalham na instituição
Salário médio dos (as)
brancos (as)
Nº de estagiários (as)
Descrição de cargos e
salários
Quadro funcional
Setor
Descrição de cargos e
Financeiro/Recurso salários
s Humanos
Coordenação
Termo de parceria
Pedagógica
Nº de voluntários (as)
Coordenação
Pedagógica
Termo de voluntariado
Nº portadores (as)
necessidades especiais
Setor
Administrativo
Quadro funcional
Salário médio portadores
Setor
Descrição de cargos e
(as) necessidades
Financeiro/Recurso salários
especiais
s Humanos
8. Qualificação do corpo funcional
Nº total de docentes
Setor
Quadro funcional
Administrativo
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Novembro
2013
Maio 2014
Nº de doutores (as)
Setor
Registro funcional
Nº de mestres (as)
Financeiro/Recurso Quadro funcional
Nº de especializados (as)
s Humanos
Nº de graduados (as)
Nº total de funcionários (as) Setor
Quadro funcional
Novembro
no corpo técnico e
Administrativo
2013
administrativo
Maio 2014
Nº de pós-graduados
Setor
Registro funcional
Novembro
(especialistas, mestres e
Financeiro/Recurso Quadro funcional
2013
doutores)
s Humanos
Maio 2014
Nº de graduados (as)
Nº de graduandos (as)
Nº de pessoas com ensino
médio
Nº de pessoas com ensino
fundamental
Nº de pessoas com ensino
fundamental incompleto
Nº de pessoas nãoalfabetizadas
9. Informações relevantes quanto à ética, transparência e responsabilidade social
Relação entre a maior e a
Setor financeiro
Descrição de cargos e
Maio 2014
68
menor remuneração
O processo de admissão
dos empregados (as)
Políticas de valorização da
diversidade no quadro
funcional
Setor de Recursos
Humanos
Coordenação
Pedagógica
Políticas de valorização da
diversidade entre os alunos
e/ou beneficiários
Critérios para seleção de
parceiros e prestadores de
serviço
Participação de
empregados (as) no
planejamento da instituição
Processos de escolha de
coordenadores (as) e
diretores (as) da
organização
Comissão/Conselho de
Ética para
acompanhamento
Coordenação
Pedagógica
salários
Quadro funcional
Roteiro de Entrevista
Maio 2014
Cronograma anual de
Eventos
Lista de presença
formação continuada
Cronograma anual de
Eventos
Novembro
2013
Setor
Administrativo/Fina
nceiro
Direção/ Setor
Administrativo
Check list de
documentos
Outubro
2013
Plano Educativo Pastoral
Salesiano
Setembro
2013
Setor
Administrativo/
Direção
Estatuto da instituição
Setembro
2013
Setor
Administrativo/
Direção
Estatuto da instituição
Setembro
2013
Setembro
2013
Fonte: Elaborado pela acadêmica
Nota-se então que a coleta de dados realizou-se de agosto de 2013 a maio de
2014. E o balanço com os dados coletados é apresentado no próximo item.
4.5
Apresentação do Balanço Social para o Parque Dom Bosco
Para apresentar o Balanço Social do Parque Dom Bosco elaborou-se tabelas,
de acordo com a subdivisão orientada pelo modelo utilizado IBASE (2008).
Também será apresentado o balanço social impresso que será entregue aos
stakeholders do Parque Dom Bosco.
Os dados foram coletados de acordo com o check list apresentado no item
4.3 deste capítulo e a coleta ocorreu no período de agosto de 2013 a maio de 2014.
69
Tabela 1 – Identificação da instituição
1 – Identificação
Nome da instituição: Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação
Tipo/categoria: Organização do Terceiro Setor
Natureza jurídica: Associação sem fins lucrativos isenta da cota patronal do INSS
Registro CEBAS: Registros: CMAS 008/97 CMDCA – 003 / CNAS – Processo 44006.004495/2000-17
Reconhecimento de Utilidade Pública Federal Decreto 64.379 de 22/04/1969
Fonte: Dados Primários
Na tabela 1 foram preenchidos os dados relacionados à instituição, como a
razão social, a classificação da organização (Terceiro Setor), sua natureza jurídica,
bem como seus registros e reconhecimentos de utilidade pública.
Tabela 2 – Origem dos recursos
2 - Origem dos recursos
2013
Valor (mil reais)
%
receita
sobre
2012
Valor (mil reais)
%
receita
sobre
Receitas Totais
R$ 1.744.627,00
100%
R$ 1.613.554,00
100%
a. Recursos governamentais (subvenções)
R$ 1.002.891,00
57,48%
R$ 939.818,00
58,25%
b. Doações de pessoas jurídicas
R$ 35.785,00
2,05%
R$ 118.620,00
7,35%
c. Doações de pessoas físicas
R$ 42.787,00
2,45%
R$ 14.500,00
0,90%
d. Contribuições
R$ 95.386,00
5,47%
R$ 116.795,00
7,24%
e. Patrocínios
R$190.034,00
10,89%
R$ 0,00
0,00%
f. Financeiras
R$ 13.455,00
0,77%
R$ 41.932,00
2,60%
g. Prestação de serviços e/ou venda de produtos
R$ 232.818,00
13,34%
R$ 145.260,00
9,00%
h. Outras receitas
R$ 131.471,00
7,54%
R$ 236.630,00
14,67%
Fonte: Dados Primários
Na tabela 2 são apresentadas as receitas, sendo divididas em Recursos
governamentais (subvenções, convênios com órgãos públicos), Doações de
pessoas jurídicas (doações pontuais de empresas), Doações de pessoas físicas
(doações pontuais), Contribuições (doações contínuas, que podem ser tanto de
pessoas físicas ou de pessoas jurídicas, que não possuem exigência de
contrapartida da instituição), Patrocínios (recursos vindos de projetos, apoiados por
empresas, que tem como exigência uma contrapartida da instituição, de acordo com
o que é especificado em cada projeto), Financeiras (rendimentos, aplicações,
poupança, juros e descontos recebidos), Prestação de Serviços e/ou venda de
produtos (gráfica), Outras receitas (promoções e eventos, aluguéis, receitas
filantrópicas).
70
Tabela 3 – Aplicação dos recursos
2013
Valor (mil reais)
3 - Aplicação dos recursos
%
sobre
receita
2012
Valor (mil reais)
%
sobre
receita
R$ 1.870.969,00
100%
R$ 1.842.090,00
a. Projetos, programas e ações sociais (excluindo pessoal)
142.448,00
7,61%
0
b. Pessoal (salários + benefícios + encargos)
959.562,00
51,29%
R$ 1.052.652,00
57,14%
c. Despesas diversas (somatório das despesas abaixo)
768.958,00
41,10%
R$ 789.439,00
42,86%
Despesas Totais
Operacionais
432.574,00
R$ 520.775,00
6.358,00
R$ 17.498,00
Impostos e taxas
Financeiras
Capital (máquinas + instalações + equipamentos)
37.163,00
R$ 22.169,00
286.847,00
R$ 228.997,00
6.016,00
0,00
Outras (que devem ser discriminadas conforme relevância)
100%
0%
Fonte: Dados Primários
Na tabela 4 são apresentadas as despesas, sendo divididas em Projetos,
Pessoal, Despesas operacionais, Impostos e taxas, Financeiras, de Capital entre
outras.
Tabela 4 – Indicadores sociais internos
4
Indicadores
sociais
internos
(Ações e benefícios para os(as) funcionários(as))
a. Alimentação
2013
Valor (mil reais)
% sobre
receita
2012
Valor (mil reais)
metas 2014
27,79%
R$ 47.960,00
R$ 51.975,00
31,64%
b. Educação
R$ 5.235,00
3,19%
R$ 7.340,00
4,25%
R$ 4332,00
c. Capacitação e desenvolvimento profissional
R$ 9.331,00
5,68
R$ 33.502,72
19,40%
R$ 21.849,60
0
0%
0
d. Creche ou auxílio-creche
e. Saúde
R$ 1.080,00
f. Segurança e medicina no trabalho
g. Transporte
h. Bolsas/estágios
0
9.908,00
0
0,66%
0%
6,03%
0%
i. Encargos
R$ 86.731,00
52,80%
Total - Indicadores sociais internos
R$164.260,00
100%
R$ 47.970,00
% sobre
receita
R$1.480,00
0
R$ 12.395,00
0
R$ 69.921,00
172.608,72
0%
0,86%
0%
7,18%
0%
0
R$ 880,00
0
R$ 11.614,00
0
40,51%
177.834,06
100%
264.469,66
Fonte: Dados Primários
Alimentação: Calculou-se o número de dias trabalhados pelo número de
funcionários pelo valor da refeição. Atribuiu-se o valor de R$5,00 (cinco reais) a
diária, que inclui o café da manhã, almoço e lanche. Ressalta-se que um pequeno
número de funcionários cumpre carga horária inferior à 8 horas diárias.
Educação: neste item, foram incluídos o número de atendidos que são
dependentes de funcionários da instituição. Quando se trata de dependentes, estão
inclusos filhos, netos, sobrinhos. 2014 valor R$ 1444,00, em 2013 R$ 1047,00 e em
2012 R$ 1468,00.
71
Capacitação e desenvolvimento profissional: calculou-se o valor hora dos
educadores (R$5,69) pela carga horária das capacitações e pelo número de
participantes.
Saúde:
no
ano
2012
foram
disponibilizadas
74
doses da
vacina
Influenza Inativada IM/SC ABBOTT Cepas 2012” (H1N1, H3N2 e gripe comum.
Inativada/Subunitária, Lote: Z04A, uso adulto e pediátrico) bem como a doação do
gesto vacinal pela Bravacinas Clínica de Vacinação (IMMUNITATIS SERVIÇOS DE
SAÚDE LTDA). Custo unitário R$ 20,00. Em 2013 foram aplicadas 54 vacinas e em
2014 estima-se que sejam aplicadas 44 vacinas.
Transporte: neste
item, estão inclusos os custos relacionados ao
deslocamento de funcionários à instituição.
Encargos: neste item estão inclusos o FGTS, INSS, Imposto de Renda e PIS
sobre a folha de pagamento.
Tabela 5 – Projetos, ações e contribuições para a sociedade
5 Projetos,
ações
e
contribuições
para
a
sociedade (Ações e programas
aqui listados são exemplos, ver
instrução)
2013
%
sobre
receita
Valor (mil reais)
2012
%
sobre
receita
Valor (mil reais)
a. Educação
R$ 839.817,68
68,73%
R$ 939.817,68
Nº pessoas
beneficiadas:
640
85,25%
R$ 16.440,54
Nº pessoas
beneficiadas:
166
1,49%
R$ 42.158,98
Nº
pessoas
beneficiadas:
09
3,82%
2,56%
R$ 41.968,90
Nº pessoas
beneficiadas:
1088
3,81%
0,39%
R$ 7.000,00
Nº pessoas
beneficiadas:
375
0,63%
R$ 45.000,00
Nº pessoas
beneficiadas:
146
4,08%
Nº pessoas beneficiadas:
802
b. Esporte (Projeto Tênis
Comunitário – Parceria Unimed
e FMEL)
R$ 15.127,90
1,24%
Nº pessoas beneficiadas:
80
R$ 64.410,57
5,27%
Nº pessoas beneficiadas:
105
R$ 32.529,97
Nº pessoas beneficiadas:
935
e. Manutenção de Oficinas e
Cursos
R$ 4.800,00
Nº pessoas beneficiadas:
207
%
Nº pessoas beneficiadas:
5,37%
Nº pessoas beneficiadas:
376
h. Reformas
i. Saúde/Psicologia
Nº
beneficiadas:
R$ 60.000,00
Nº pessoas beneficiadas:
935
4,91%
R$ 70.000,00
5,73%
Nº pessoas beneficiadas:
168
R$ _________
Nº
beneficiadas:
R$
400.000,00
510
%
R$
57.900,00
250
%
R$ _______
%
R$_______
pessoas
R$ _________
Nº
beneficiadas:
R$ 5.510,00
255
pessoas
R$ _________
R$
46.007,55
100
g. Reformas
R$ 65.623,53
R$
17.889,44
100
f. Qualificação Profissional
R$
R$
650.000,00
450
c. Capacitação profissional
d. Segurança alimentar/combate
à fome
metas 2014
pessoas
72
j. Convivência Familiar e
Comunitária
R$ 69.650,00
5,70%
Nº pessoas beneficiadas:
65
k. Sustentabilidade/Meio
Ambiente
R$ 2.500,00
R$
28.000,00
0,23%
Nº pessoas
beneficiadas: 538
R$ _________
%
R$ 7.500,00
Nº pessoas
beneficiadas:
61
Nº pessoas beneficiadas:
80
R$
32.089,00
0,68%
25
l. Cultura
R$ _________
%
Nº
beneficiadas:
Nº pessoas beneficiadas:
Valores totais
R$ _________
R$ 1.221.959,65
100%
R$
15.000,00
%
pessoas
R$ 1.102.386,10
130
100%
R$
1.252.395,99
Fonte: Dados Primários
Educação: convênio com o Município de Itajaí/Secretaria Municipal de
Educação, para o desenvolvimento de atividades em contraturno escolar.
Esporte: por meio da Lei Municipal de Incentivo ao Esporte – Fundação
Municipal de Esporte e Lazer e com o patrocínio da empresa Unimed Litoral, é
desenvolvido o Projeto Tênis Comunitário.
Capacitação
Profissional:
em
2012
desenvolvimento
do
Programa
Petrobras Jovem Aprendiz e nos anos 2013 e 2014, desenvolvimento do Projeto
Protagonismo Juvenil e Cidadania, patrocinado pela Petrobras.
Segurança alimentar/combate a fome: parceria com a Seara Alimentos
para recebimento de ingredientes para as refeições oferecidas aos atendidos.
Manutenção de Oficinas e Cursos: aquisição de camisetas e jalecos para
utilização nos cursos de Qualificação Profissional. Em 2012, patrocinado pela Seara
Alimentos, em 2013 pelas empresas Seara Alimentos e Lave Bras e em 2014 pela
empresa Intervet do Brasil Veterinária.
Qualificação Profissional: em 2012, por meio de uma parceria com o
Colegio Salesiano, a instituição ofereceu cursos de qualificação profissional nos
períodos diurno e noturno, sendo que no período noturno as vagas eram destinadas
para o público adulto. Em 2014 a instituição firmou convênio com o Município de
Itajaí/Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude, para
desenvolver os cursos para adolescentes e jovens no período diurno.
Reformas: recursos provenientes de Cooperação Internacional (Suíça)
destinados ao projeto de reforma das salas de aula em 2013. No ano de 2014, a
instituição recebeu recursos de Cooperação Internacional advindos da Itália para a
ampliação do Parque de diversão.
73
Reformas: no ano de 2013, a instituição recebeu recursos de Cooperação
Internacional, para a reforma do Laboratório de Panificação.
Saúde/Psicologia: em 2013 a instituição firmou convênio com o Município de
Itajaí/Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude, com recursos
do Fundo da Infância e Adolescência para o desenvolvimento do projeto
Psicomotricidade Relacional.
Convivência Familiar e Comunitária: convênio com o Município de
Itajaí/Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude, com recursos
do Fundo da Infância e Adolescência para o desenvolvimento do projeto Educação
Ecoformativa, no ano de 2013, e projeto Palavras que se encontram, em 2014.
Sustentabilidade/Meio Ambiente: em 2012, patrocínio da Cáritas Brasileira
para o desenvolvimento do Projeto de Cidadania Socioambiental. Em 2014 a
instituição firmou convênio com o Município de Itajaí/Secretaria Municipal da
Criança, do Adolescente e da Juventude, com recursos do Fundo da Infância e
Adolescência para desenvolver o projeto Educação para a Sustentabilidade.
Cultura: aprovação do Projeto IV Festival Dança “A arte de Educar” via Lei
Municipal de Incentivo à Cultura
Tabela 6 – Outros indicadores
6 - Outros indicadores
2013
2012
metas 2014
Nº total de alunos(as)
935
1088
1064
Nº de alunos(as) com bolsas integrais
12
Valor total das bolsas integrais
N.A
N.A
N.A.
N.A
N.A.
N.A.
N.A
N.A.
N.A
N.A
N.A.
N.A
N.A
N.A.
R$
R$
R$
Nº de alunos(as) com bolsas parciais
Valor total das bolsas parciais
Nº de alunos(as) com bolsas de Iniciação Científica e de Pesquisa
Valor total das bolsas de Iniciação Científica e de Pesquisa
Fonte: Dados Primários
No ano 2012 foram atendidos 1088 educandos, destes, 160 com idade de 6 à
10 anos, 185 com idade entre 11 e 14 anos, 295 adolescentes e jovens de 14 a 18
anos e 448 adolescentes e jovens de 14 a 24 anos.
Em 2013 foram beneficiados 935 educandos, sendo destes, 376 crianças e
adolescentes de 11 a 14 anos, 426 adolescentes e jovens com idade a partir de 14
anos, nos cursos de qualificação profissional e 133 adolescentes e jovens com idade
a partir de 14 anos no programa de aprendizagem.
74
Para 2014, a meta de atendimento é de 1064 educandos, sendo 450 com
idade entre 6 e 13 anos, 510 com idade entre 14 e 18 anos e 104 entre 18 e 24
anos.
Um dos critérios para ingressar nas atividades educativas do Parque Dom
Bosco é estudar em escola pública, ou ser bolsista de escola particular. No entanto,
quando algumas vagas ficam remanescentes, a seleção estende-se aos alunos de
escola particular. Em 2012, haviam 12 alunos com bolsas em escola particular. Em
2013, a instituição possuía alguns alunos que estudavam em colégio particular, mas
que não apresentaram declaração de bolsista e, portanto, não se enquadram nesta
tabela.
Tabela 7 – Indicadores sobre o corpo funcional
7 - Indicadores sobre o corpo funcional
2013
2012
metas 2014
Nº total de empregados(as) ao final do período
45
41
44
Nº de admissões durante o período
28
46
20
2
2
1
24%
17%
32%
Nº de prestadores(as) de serviço
% de empregados(as) acima de 45 anos
Nº de mulheres que trabalham na instituição
33
29
32
75%
71%
75%
Idade média das mulheres em cargos de chefia
35
36
34
Salário médio das mulheres
R$
R$
R$
Idade média dos homens em cargos de chefia
44
39
45
R$ 1.163,37
R$1.030,60
R$ 1.250,00
% de cargos de chefia ocupados por mulheres
Salário médio dos homens
Nº de negros(as) que trabalham na instituição
% de cargos de chefia ocupados por negros(as)
Idade média dos(as) negros(as) em cargos de chefia
Salário médio dos(as) negros(as)
Nº de brancos(as) que trabalham na instituição
3
4
3
12,5
14%
25%
44
43
45
R$ 1.163,37
R$1.030,60
R$ 1.250,00
42
37
41
R$ 1.163,37
R$1.030,60
R$ 1.250,00
Nº de estagiários(as)
0
0
0
Nº de voluntários(as)
38
38
38
0
0
0
R$
R$
R$
Salário médio dos(as) brancos(as)
Nº portadores(as) necessidades especiais
Salário médio portadores(as) necessidades especiais
Fonte: Dados Primários
Nº de prestadores (as) de serviço: os prestadores de serviço estão
relacionados à assessoria jurídica e à vigilância física. Até o primeiro semestre de
2013 a instituição possuía contrato para vigilância in loco. A partir do segundo
semestre de 2013 a instituição optou pelo serviço de vigilância eletrônica.
Nº de voluntários(as): Este grupo reúne mulheres da sociedade itajaiense,
que se encontram todas as segundas-feiras no período da tarde para confeccionar
roupas para os educandos do Parque. As voluntárias também produzem peças
75
artesanais sob encomenda com o objetivo de arrecadar fundos para auxiliarem no
atendimento gratuito das crianças da obra social salesiana.
Tabela 8 – Qualificação do corpo funcional
8 - Qualificação do corpo funcional
2013
2012
metas 2014
25
20
24
Nº de especializados(as)
3
3
2
Nº de graduados(as)
3
3
5
Nº total de docentes
Nº de doutores(as)
Nº de mestres(as)
Nº de graduandos(as)
Nº de pessoas com ensino médio
7
4
5
12
10
12
20
21
20
2
3
3
2
4
2
8
5
8
1
1
5
7
1
1
Nº de pessoas com ensino fundamental
Nº total de funcionários(as) no corpo técnico e administrativo
Nº de pós-graduados (especialistas, mestres e doutores)
1
Nº de graduados(as)
Nº de graduandos(as)
Nº de pessoas com ensino médio
Nº de pessoas com ensino médio incompleto
Nº de pessoas com ensino fundamental
Nº de pessoas com ensino fundamental incompleto
6
Nº de pessoas não-alfabetizadas
Fonte: Dados Primários
Tabela 9 – Informações relevantes quanto à ética, transparência e responsabilidade social
9 - Informações relevantes quanto à ética, transparência
e responsabilidade social
2013
metas 2014
Relação entre a maior e a menor remuneração
O processo de admissão de empregados(as) é:
A instituição desenvolve alguma política ou ação de
valorização da diversidade em seu quadro funcional?
Se "sim" na questão anterior, qual?
A organização desenvolve alguma política ou ação de
valorização da diversidade entre alunos(as) e/ou
beneficiários(as)?
Se "sim" na questão anterior, qual?
__% por indicação
seleção/concurso
100%
[X] sim, institucionalizada
[ ] sim, não institucionalizada
não
por
__% por indicação
seleção/concurso
100% por
[X] sim, institucionalizada
[ ] [ ] sim, não institucionalizada
não
[ ]
[ ] negros
[X] gênero
[ ] opção
sexual
[ ] portadores(as) de necessidades
especiais
[ ] negros
[X] gênero
[ ] opção
sexual
[ ] portadores(as) de necessidades
especiais
[ ] _______________________
[ ] _______________________
[X] sim, institucionalizada
[ ] sim, não institucionalizada
não
[X] sim, institucionalizada
[ ] [ ] sim, não institucionalizada
não
[ ]
[X] negros
[ ] gênero
[ ] opção
sexual
[ ] portadores(as) de necessidades
especiais
[X] negros
[ ] gênero
[ ] opção
sexual
[ ] portadores(as) de necessidades
especiais
[ ] _______________________
[ ] _______________________
[ ] não são considerados
[ ] são sugeridos [X] são exigidos
[ ] não são considerados
[ ] são sugeridos [X] são exigidos
A participação de empregados(as) no planejamento da
instituição:
[ ] não ocorre
de chefia
[ ] não ocorre
de chefia
Os processos eleitorais democráticos para escolha dos
coordenadores(as) e diretores(as) da organização:
[X] ocorre em todos os níveis
[ ] não ocorrem
[X] ocorrem
regularmente
[X] ocorre em todos os níveis
[ ] não ocorrem
[X] ocorrem
regularmente
[
[
Na seleção de parceiros e prestadores de serviço, critérios
éticos e de responsabilidade social e ambiental:
] ocorrem
[ ] ocorre em nível
somente
p/cargos
]
ocorrem
[ ] ocorre em nível
somente
p/cargos
76
A instituição possui Comissão/Conselho de Ética para o
acompanhamento de:
intermediários
intermediários
[X] todas ações/atividades [ ] ensino
e pesquisa
[
]
experimentação
animal/vivissecção
[X] todas ações/atividades [ ] ensino e
pesquisa
[ ] não tem
[ ] não tem
[ ] experimentação animal/vivissecção
Fonte: Dados Primários
O processo de admissão de empregados(as) é 100% por admissão. A
instituição utiliza de meios de comunicação, balcão de empregos e redes sociais
para recrutar profissionais para vagas em aberto, após o recrutamento, ocorre a
entrevista com os candidatos, análise de currículos e seleção do profissional. O
processo é realizado com o setor de Recursos Humanos em parceria com os
coordenadores de áreas, na qual houve a solicitação de recrutamento.
Na seleção de parceiros e prestadores de serviço, critérios éticos e de
responsabilidade social e ambiental: para ser fornecedor do Parque Dom Bosco é
obrigação da empresa trabalhar com nota fiscal, cupom fiscal ou nota fiscal de
serviço.
No item política de valorização de gênero, podemos destacar as homenagens
ao dia internacional da mulher. Nas políticas de valorização da diversidade entre
alunos, podemos destacar o dia da consciência negra. Estes eventos ocorrem
anualmente na instituição.
Participação
dos
empregados
no
planejamento
da
instituição:
semestralmente, educadores e funcionários participam da avaliação do Plano
Educativo Pastoral Salesiano – PEPS, e da construção do mesmo para o ano
seguinte.
Processo de escolha dos coordenadores e diretores da instituição ocorre a
cada 4 ou 6 anos, ou pode ocorrer, caso haja alguma necessidade de nova eleição.
Participam do processo de escolha: o Presidente, Vice-Presidente, Secretário,
Tesoureiro e membros do Conselho Fiscal.
A instituição possui uma equipe gestora local, composta por 10 membros
leigos e 2 salesianos religiosos. A equipe gestora não tem poderes para deliberação
das decisões, porém é uma equipe de cunho colaborativo e consultivo, que tem
como premissa auxiliar os religiosos na tomada de decisões.
No próximo capítulo apresentam-se as sugestões para este trabalho de
conclusão de estágio.
77
5
SUGESTÕES PARA A ORGANIZAÇÃO
Neste tópico se designa apresentar sugestões de melhorias, visando dar
aporte a apresentação do balanço social e cumprir a responsabilidade social do
Parque Dom Bosco.
Diante da análise e da fundamentação desenvolvida acerca do tema,
propõem-se as seguintes melhorias visando melhorar os pontos fortes e amenizar os
pontos fracos encontrados.
Para apresentação formal do Balanço Social:
A acadêmica sugere a elaboração de um material em formato de informativo –
entregue em mãos para banca avaliadora deste trabalho de conclusão de estágio -,
demonstrando em forma textual e em planilha todo o trabalho realizado pela
instituição. Além disso, um Plano de Mídia – elaborado pela acadêmica e
apresentado no apêndice C - afim de definir a divulgação do material.
Para o Indicador Meio Ambiente:
Criar campanhas de redução de consumo de água e energia elétrica,
impressão frente e verso, reaproveitamento de papéis como rascunho, coleta de
óleo de cozinha.
Para melhoria dos Indicadores Sociais Internos:
Elaborar um plano de cargos e salários, que inclusive teve sua elaboração
iniciada em 2014 pelo Parque Dom Bosco, porém ainda não está concluído.
Para o Indicador Comunidade:
Oferecer uma vez por mês atividades esportivas para a comunidade local.
Outra sugestão é firmar parcerias com outras instituições e oferecer cursos noturnos
para adultos da comunidade. Uma terceira sugestão para este item é inserir no
calendário institucional, eventos que contemplem a comunidade local.
Para o Indicador Consumidores e Clientes (Pais e alunos):
Sugere-se um modelo de mapeamento de perfil – elaborado pela acadêmica
e apresentado no apêndice D - que deverá ser aplicado nos colégios públicos do
município, visando melhorar a adesão nos cursos oferecidos pelo Parque.
Para melhorar o atendimento com os clientes (pais e alunos) seria viável o
registro (documentação) do processo de reclamação – elaborado e apresentado no
apêndice E - e do feedback para o consumidor reclamante. Com este modelo será
78
possível, ao final de cada ano, contabilizar o número de reclamações e as
motivações.
Quanto ao Indicador Fornecedores:
Elaborar um modelo de Código de Conduta para a instituição., apresentado
um modelo elaborado pela acadêmica no apêndice F - com o objetivo de deixar mais
transparente o relacionamento com os Fornecedores.
79
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste trabalho foi propor um Balanço Social adequado a atuação
do Parque Dom Bosco. A metodologia de estudo de caso, possibilitou a acadêmica,
por meio da metodologia qualitativa a análise geral da instituição, de forma que os
objetivos específicos foram alcançados.
Para propor um Balanço Social adequado a atuação do Parque Dom Bosco,
foi realizada uma entrevista com o Administrador do Parque e com a Assistente
Social embasados no ETHOS (2013) e IBASE (2008) e os dados foram coletados
pela própria acadêmica para elaboração do Balanço Social.
De acordo com os resultados das entrevistas, foram destacados pelo
Administrador e pela Assistente Social como pontos fortes do Parque Dom Bosco: a
metodologia de ensino, a visibilidade da instituição, as formações continuadas e o
número de atendimentos. Nos pontos fracos, os principais citados foram: a
manutenção da estrutura física da instituição, a rotatividade de funcionários, a
responsabilidade social em relação aos funcionários e as reclamações de pais,
alunos e parceiros.
Quanto à elaboração do balanço social, os entrevistados consideraram que a
instituição tem capacidade para elaborar um instrumento como este e acreditam que
o balanço possa ser um material que demonstre a transparência da instituição no
desenvolvimento de suas ações.
A realização desta pesquisa permitiu que a acadêmica, por meio da
identificação de pontos fortes e fracos destacados nas entrevistas, sugerisse
melhorias em alguns procedimentos que a instituição não adotava, ou era falha,
como o processo de reclamações e o código de ética e conduta, o que possibilitou
que o trabalho fosse além de propor o balanço social, e melhorasse a atuação do
Parque Dom Bosco com os seus stakeholders, tal como determina ETHOS (2013).
Fato que impressionou a acadêmica, apesar de trabalhar na
organização desde 2006, foram os valores e impacto positivo dos dados coletados
relativos aos Indicadores Sociais Internos. Isto demonstra a importância de se utilizar
o balanço social, já que com este instrumento tem-se o real valor das ações
realizadas, que muitas vezes não são percebidas nem pelo Público Interno –
funcionários - da organização.
80
Um fator que pode-se considerar como limitador, foram os itens de Origem e
Aplicação de recursos que demoraram a ser coletados, devido a mudanças na
contabilidade do Parque Dom Bosco e na própria falta de organização destes dados,
já que estão sendo coletados pela primeira vez com este objetivo.
Porém isto também pode ser considerado um ponto positivo, pois o Parque
Dom Bosco a partir deste trabalho já se organizará para a apresentação do Balanço
nos próximos anos, sendo estes dados coletados organizados antecipadamente
para estarem prontos para apresentação em tempo hábil de divulgação.
Cabe ressaltar a identificação do pouco conhecimento dos entrevistados em
relação ao tema de estudo, tanto ao que se relaciona a Balanço Social, quanto aos
indicadores do Instituto Ethos o que evidencia o que já foi muito comentado na
literatura do tema: a existência de pessoal que trabalha dentro da causa social com
muita experiência, porém com pouco conhecimento sobre a gestão de uma
organização do Terceiro Setor, sendo este fato ainda um desafio para organizações
do Terceiro Setor atualmente.
Por fim, dentro do que foi abordado neste trabalho, sugere-se a realização de
novas pesquisas dentro do Parque Dom Bosco. No que se refere ao Balanço Social
seria interessante verificar com os stakeholders o impacto da apresentação deste
balanço. E outra pesquisa interessante que traria benefícios para o Parque seria a
análise de sua Responsabilidade Social visando profissionalizar ainda mais a sua
atuação dentro da causa social que é tão importante para a região.
81
REFERÊNCIAS
ALVES, Mário Aquino Alves. Terceiro setor: as origens do conceito. Anais do XXVI
ENANPAD, Salvador/BA, 2002.
APPOLINÁRIO, Fábio. Dicionário de metodologia científica: um guia para a
produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004.
BALANÇO SOCIAL. Balanço Social 2008 para instituições de ensino, fundações
e organizações sociais. Disponível em:
http://www.balancosocial.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm. Acesso em: 21 agosto
2013.
CHIAVENATTO, Idalberto. Introdução à teoria da administração: uma visão
abrangente da moderna administração das organizações.7.ed.rev e atual. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2003.
___________, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2.ed. total., rev.
atual.Rio de Janeiro, RJ : Elsevier, Campus, 2010.
DRUCKER, Peter. Terceiro setor: exercícios de auto-avaliação para empresas.
tradução Cynthia Azevedo. São Paulo, SP: Futura, 2001.
___________, Peter. A administração na próxima sociedade. São Paulo: Nobel,
2002.
FERNANDES, Rubem Cesar. Privado porém público: o terceiro setor na américa
latina. Rio de Janeiro: Relumbre – Dumará, 1994.
___________, Rubem Cesar. O que o terceiro setor? In: IOSCHPE, Evelyn Berg
(Org.). 3º Setor – Desenvolvimento Sustentado. São Paulo: PAZ e TERRA, 2005, p.
25 − 33.
GIL, Antonio Carlos.Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São
Paulo: Atlas, 2001.
GODOY, M. et al. Balanço Social: convergências e divergências entre os modelos
do IBASE, GRI e Instituto ETHOS. In: I Congresso UFSC de Controladoria e
Finanças, 2007, Florianópolis: UFSC. v. I. p. 25-29.
HECKERT, Cristiano Rocha; SILVA, Márcia Terra. Qualidade de serviços nas
organizações do terceiro setor. Produção, v. 18, n. 2, maio/ago. 2008, p. 319-330
Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial 2007. Coordenação da
versão 2007 de Ana Lucia de Melo Custodio e Renato Moya. São Paulo: Instituto
Ethos, 2007
82
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. As Fundações
Privadas e Associações sem fins lucrativos no Brasil 2005. Estudos e Pesquisas
Informação Econômica. Rio de Janeiro, n. 8, 2008. Disponível em:
http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/destaque/EPIEn8_Fasfil2005.pdf. Acesso em: 30
abr. 2014.
INSTITUTO ETHOS. Ferramentas de Gestão. Relatórios de Sustentabilidade.
Principais modelos. Disponível em:
http://www.internethos.org.br/DesktopDefault.aspx?Alias=Ethos&Lang=ptBR&TabID=4198. Acesso em: 23 abril 2014.
___________.
Ferramentas de Gestão. Disponível em:
http://www.internethos.org.br/DesktopDefault.aspx?Alias=Ethos&Lang=ptBR&TabID=4198. Acesso em: 23 abril 2014.
___________. Público Interno. Disponível em:
http://www3.ethos.org.br/conteudo/gestao-socialmente-responsavel/publicointerno/#.U3-HMtJdVBk. Acesso em: 23 abril 2014.
___________. Meio Ambiente. Disponível em:
http://www3.ethos.org.br/conteudo/gestao-socialmente-responsavel/meioambiente/#.U3-Hb9JdVBk. Acesso em: 23 abril 2014.
___________. Valores, transparência e governança. Disponível em:
http://www3.ethos.org.br/conteudo/gestao-socialmente-responsavel/valorestransparencia-e-governanca/#.U3-O4tJdVBk .Acesso em: 23 abril 2014.
KARKOTLI, Gilson. Responsabilidade social empresarial. 2.ed. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2007.
KROETZ, Cesar Eduardo Stevens. Balanço social: teoria e prática. São Paulo:
Atlas, 2000.
MALHOTRA, Naresh K. Introdução à pesquisa de marketing. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2005.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de
metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MARTINS, Michelle Diniz. A decisão organizacional no terceiro setor: em busca
de especificidades. 1999 – Foz do Iguaçu – XXIII AMPAD.
MAYAN, Maria. Una introducción a los métodos cualitativos: módulo de
entrenamiento para estudiantes y profesionales. traducción y nota introductoria de
César Cisneros. Qual Institute Press, 2001. Disponível em:
http://www.ualberta.ca/~iiqm/pdfs/introduccion.pdf. Acesso em: 22 maio 2014.
MANUAL DO TERCEIRO SETOR COLABORADORES Ana Carolina Bittencourt
Morais,João Pedro Pereira Brandão,Marcela Cristina Fogaça Vieira,Marcos Roberto
83
Fuchs,Marina Gabriela,Paula Ligia Martins. INSTITUTO PRO BONO. OAB
MELO, Herbart dos Santos – organizador. Captação de Recursos: coletânea de
instituições nacionais e internacionais com linhas de financiamento para elaboração
de projetos. / Organizado por Herbart dos Santos Melo e Leonardo Costa Leitão. Fortaleza, SEBRAE/CE, 2007.
MELO NETO, Francisco Paulo de; FROES, Cesar. Responsabilidade social e
cidadania empresarial: a administração do terceiro setor. Rio de Janeiro:
Qualitymark. 2. Ed. 2001.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. O que é título de Utilidade Pública Federal e qual sua
finalidade?Disponível em: http://portal.mj.gov.br/main.asp?View={3891F04C-F85343C9-B986-9B84BE01FE95}&BrowserType=IE&LangID=ptbr¶ms=itemID%3D{97D078A3-869C-49F0-86FC5AF79F411533}%3B&UIPartUID={2868BA3C-1C72-4347-BE11-A26F70F4CB26} .
Acesso em: 15 ago 2013.
MOURA, Laysce Rocha; FERNANDES, Antonio Sérgio Araujo. Terceiro setor: uma
tentativa de delimitação e caracterização. XXXIII Encontro da ANPAD – São
Paulo/SP – 19 a 23 de setembro de 2009.
MOTTA, Fernando Cláudio Prestes; VASCONCELOS, Isabella Gouveia. Teoria
geral da administração. 3.ed.São Paulo: Cengage Learning, 2008.
PAES, José Eduardo Sabo. Fundações e entidades de interesse social: aspectos
jurídicos, administrativos, contábeis e tributários. 2. ed.rev., atual. e ampl. Brasília:
Brasília Jurídica, 2000.
PARDINI, Daniel Jardim; BECATTINI, Vládia Ildelfonso; DIAS, Albélio Nunes da
Fonseca. Origens e evolução da responsabilidade social corporativa: uma
perspectiva histórica de quatro siderúrgicas brasileiras. EnEO, 2006.
PAULA, Mabel Bastos; OLIVERO, Simone Martins; MURITIBA, Patricia Morilha;
MURITIBA, Sérgio Nunes. Produção sobre terceiro setor no Brasil: pontualidade,
dispersão e lacunas teóricas. ENANPAD XXXIV Encontro da ANPAD – Rio de
Janeiro/RJ 25 a 29 de setembro de 2010.
RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São
Paulo: Atlas, 1999.
ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de pesquisa em
administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos
de caso. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
______. Projetos de estágio e de pesquisa em administração: guia para
estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 2005.
84
ROSA, Maria Virgínia de Figueiredo Pereira do Couto; ARNOLDI, Maria Aparecida
Gonzales Colombro. A entrevista na pesquisa qualitativa: mecanismo para
validação dos resultados. Belo Horizonte: Autentica, 2006.
RUMO SUSTENTÁVEL. O que é o Balanço Social e quais os benefícios de sua
utilização pelas organizações. Disponível em:
http://www.rumosustentavel.com.br/o-que-e-o-balanco-social-e-quais-os-beneficiosde-sua-utilizacao-pelas-organizacoes/. Acesso em: 23 abril 2014.
SILVA, Carlos Eduardo Guerra. Terceiro setor brasileiro: em busca de um quadro
de referência. XXXIV Encontro da AMPAD. Rio de Janeiro/RJ – 25 a 29 de setembro
de 2010.
SILVA, César Augusto Tibúrcio; FREIRE, Fátima de Souza. Balanço social: teoria e
prática: inclui o novo modelo do IBASE. São Paulo: Altas, 2001.
SILVA, Gustavo Madeiro. A história do conceito de desenvolvimento e a
ascensão das associações civis. Anais do XXXV Encontro do ANPAD, Rio de
Janeiro/RJ – 4 a 7 de setembro de 2011.
SZAZI, Eduardo. Terceiro setor: regulação no Brasil. 3.ed. São Paulo: Peirópolis,
2003.
TACHIZAWA, Takeshy; REZENDE, Wilson. Estratégia empresarial: tendências e
desafios – um enfoque na realidade brasileira. São Paulo: Makron Books, 2000.
TINOCO, João Eduardo Prudêncio. Balanço social: uma abordagem da
transparência e da responsabilidade pública das organizações. São Paulo: Atlas,
2001.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed.Porto Alegre:
Bookman, 2005.
85
APÊNDICES
86
APÊNDICE A - Roteiro de Entrevista realizado com o Administrador do Parque Dom
Bosco
ENTREVISTADO:
CARGO/FUNÇÃO:
IDADE:
TEMPO DE ATUAÇÃO NA INSTITUIÇÃO:
FORMAÇÃO:
ROTEIRO DE ENTREVISTA
Ética, transparência e responsabilidade social
1. Quais as expectativas de crescimento da organização para os próximos
anos?
2. Quais as maiores dificuldades da organização?
3. A organização adota alguma ferramenta de gestão?
4. Qual sua percepção de responsabilidade social dentro de uma
organização sem fins lucrativos?
Valores e transparência
1. Quais as ferramentas que a organização utiliza para mostrar
transparência em suas ações à sociedade? Para quem o Parque busca
demonstrar as suas ações?
2. Em quais valores o Parque se baseia para realizar o seu trabalho?
3. Como os valores éticos do Parque são repassados aos funcionários e a
todos que a instituição se relaciona?
4. Como o Parque capta recursos para se manter atuante? Quais as
dificuldades encontradas?
Meio Ambiente
87
1. Existe algum programa de conscientização ambiental com os
funcionários, alunos ou pais? De que forma que o Parque incentiva a
preservação do meio ambiente e dos recursos naturais?
Fornecedores
1. Quais os critérios de escolha dos fornecedores e parceiros do Parque?
Algum desses critérios inclui ética, responsabilidade social e ambiental?
2. Já foi realizada alguma vista ou fiscalização dos fornecedores para
verificar a procedência do que é fornecido?
Clientes e Consumidores = Pais e Alunos
1. Existem muitas reclamações diante do trabalho oferecido pelo Parque?
Como o Parque reage para solucionar estas reclamações?
2. Para estabelecer os tipos de atividades e serviços prestados pela
organização foram realizados estudos e pesquisas, para levantar
demandas e necessidades do público alvo e caracterizar o perfil dos
beneficiários?
3. A instituição realiza alguma avaliação dos seus serviços com os pais
e/ou alunos?
Balanço Social
1. O que você entende por Balanço Social?
2. Você conhece alguma organização que publica o Balanço Social? O que
você acha das empresas que fazem o Balanço Social?
3. Você considera importante o Parque consiga demonstrar todos os
resultados das ações (financeiros e não financeiros) à sociedade? Você
considera importante a instituição possuir um instrumento que
demonstre todos os resultados das ações desenvolvidas?
4. Que benefícios que você visualiza caso o Parque publique o seu BS?
5. Quais os fatores limitantes para a elaboração de um balanço social?
Quais empecilhos o Parque teria para elaborar um BS?
Indicadores Sociais Internos
88
1. Quais os benefícios são oferecidos aos funcionários do Parque? Existe
alguma previsão orçamentária para estas ações ou para melhoria
destas? De que maneira o Parque incentiva a qualificação de seus
funcionários? Existe algum planejamento para que isso aconteça?
2. Existe uma verdadeira preocupação da gestão do Parque com os seus
funcionários?
3. Existe alta rotatividade de funcionários e/ou professores?
4. Existe algum tipo de discriminação quanto a raça, sexo, orientação
sexual... Como o Parque age caso ocorra algum tipo de discriminação?
5. Como os funcionários têm conhecimento de suas atribuições e
responsabilidades?
6. De que forma os funcionários são avaliados e quem avalia? Como é
repassado o feedback ao funcionário?
Comunidade
1. Qual o principal benefício que o Parque oferece a comunidade em geral
e a comunidade local?
Poder Público
1. Como é o relacionamento do Parque com os poderes públicos? De que
forma esse relacionamento influencia o funcionamento do Parque?
(Pontos positivos e negativos)
2. Como o Parque busca se posicionar politicamente?
89
APÊNDICE B - Roteiro de Entrevista realizado com a Assistente Social do Parque
Dom Bosco
ENTREVISTADO:
CARGO/FUNÇÃO:
IDADE:
TEMPO DE ATUAÇÃO NA INSTITUIÇÃO:
FORMAÇÃO:
ROTEIRO DE ENTREVISTA
Ética, transparência e responsabilidade social
1. Qual sua percepção de responsabilidade social dentro de uma
organização sem fins lucrativos?
Valores e transparência
1. Quais as ferramentas que a organização utiliza para mostrar
transparência em suas ações à sociedade? Para quem o Parque busca
demonstrar as suas ações?
Balanço Social
1. O que você entende por Balanço Social?
2. Você conhece alguma organização que publica o Balanço Social? O que
você acha das empresas que fazem o Balanço Social?
3. Você considera importante o Parque consiga demonstrar todos os
resultados das ações (financeiros e não financeiros) à sociedade? Você
considera importante a instituição possuir um instrumento que
demonstre todos os resultados das ações desenvolvidas?
4. Quais os fatores limitantes para a elaboração de um balanço social?
Quais empecilhos o Parque teria para elaborar um BS?
Comunidade
1. Qual o principal benefício que o Parque oferece a comunidade em geral
e a comunidade local?
Poder Público
90
1. Como é o relacionamento do Parque com os poderes públicos? De que
forma esse relacionamento influencia o funcionamento do Parque?
(Pontos positivos e negativos)
91
APÊNDICE C - Plano de Mídia do Balanço Social
PLANO DE MÍDIA
INFORMATIVO BALANÇO SOCIAL
Características:
Tam: 30 x 40 cm
Papel: couchê 115 gr
Número de Cores: 4 x 4
Tiragem: 500 exemplares
Distribuição:
Parceiros;
Funcionários;
Órgãos Públicos;
Pais
Comunidade;
Contribuintes;
Imprensa;
Aproveitamento Comercial:
Exposição institucional dos parceiros;
MÍDIA ESPONTÂNEA
EXPOSIÇÃO DO MATERIAL EM EVENTO
Características:
Evento I: Lançamento do Informativo do Balanço Social para parceiros, contribuintes
e imprensa local;
Evento II: Apresentação do Informativo do Balanço Social as famílias dos
educandos na reunião de pais;
PUBLICAÇÃO EM MEIOS INTERATIVOS
Características:
Veículo: Site
www.dombosco.net
www.parquedombosco.org – com link para download
Veículo: Redes Sociais
www.facebook.com/ParqueDomBosco
92
APÊNDICE D - Pesquisa de Opinião
Pesquisa de Opinião
Sexo: ( ) masculino
( ) feminino
Idade:_______
Bairro:___________________________________________________
Você já conhecia o trabalho do Parque Dom Bosco? ( ) Sim
( ) Não
Você trabalha? ( ) Sim ( ) Não
Renda Familiar:
( ) de 1 à 3 salários mínimos (R$ 2.172,00)
( ) de 3 à 5 salários mínimos (R$ 3.620,00)
( ) Acima de 5 salários mínimos
O que pretende fazer após concluir o Ensino Médio?
( ) Ingressar na Faculdade
( ) Arranjar um emprego e ingressar na faculdade
( ) Arranjar um emprego
( ) Fazer um curso Técnico
Qual motivação levaria você a buscar um curso profissionalizante?
( ) Exigência do mercado
( ) Conseguir uma colocação melhor dentro da empresa
( ) Oportunidade de encaminhamento para o mercado de trabalho
( ) Continuidade dos estudos
( ) Aumentar a renda da família
( ) Trabalhar por conta própria
Qual a disponibilidade de tempo para fazer um curso?
( ) 2 vezes por semana
( ) 3 vezes por semana
( ) 1 vez por semana
( ) segunda à sexta-feira
Qual melhor horário para fazer um curso?
( ) manhã – 8h às 11h30
( ) tarde – 13h30 às 17h
( ) noite – 19h às 22h
Qual dos cursos listados abaixo, você teria interesse em se inscrever?
( ) Serviços Administrativos
( ) Logística Portuária
( ) Panificação
( ) Elétrica Residencial e Predial
( ) Montagem e Manutenção de Micro Computador
( ) Informática Avançada
( ) Idiomas
( ) Computação Gráfica
( ) Web Design
( ) Cabeleireiro
( ) Manicure
( ) Recursos Humanos
( ) Auxiliar de Pedreiro
( ) Costura e modelagem
( ) Outro: Qual?_________________________________________________________
Agradecemos a participação!
Equipe do Parque Dom Bosco
93
APÊNDICE E - Registro de Reclamação
94
APÊNDICE F - Código de Ética e Conduta
Página 94 de 101
CÓDIGO DE ÉTICA E CONDUTA
DA RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUSTENTABILIDADE
A) DA CONDUTA PROFISSIONAL E EMPRESARIAL RECOMENDÁVEL
1.1 O Parceiro envidará todos os esforços para cumprimento dos itens abaixo, uma vez que são
práticas observadas e valorizadas pelo Parque Dom Bosco, de modo geral, e recomendável a todas
as empresas, a saber:
1.1.1 Buscar o desenvolvimento sustentável da sociedade como um todo;
1.1.2 Sensibilidade da Organização Social na identificação de demandas sociais e valorização da
vocação local;
1.1.3 Coerência entre missão da Organização Social e projeto proposto;
1.1.4 Compatibilidade das ações propostas com os objetivos, público-alvo, necessidades e
potencialidades locais
1.1.5 Adotar práticas socialmente responsáveis, comprometendo-se com o bem-estar de seus
colaboradores e/ou pessoas que indireta ou diretamente lhe prestam serviços, proporcionando-lhes
condições adequadas e que não sejam prejudiciais ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e
social;
1.1.6 Não adotar práticas de discriminação de qualquer gênero, dentro ou fora da relação de
emprego e/ou de prestação de serviços, especialmente, mas não somente por motivos de sexo,
origem, raça, cor, condição física, religião, estado civil, idade, situação familiar ou estado gravídico,
dentre outros;
1.1.7 Obter as certificações existentes para o seu setor de atuação;
Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação – Parque Dom Bosco
CNPJ: 84.305.440/0001-47
Rua Brusque, 1333, bairro Dom Bosco, 88302-001 Itajaí/SC
Obter as certificações existentes para o seu setor de atuação;
95
Página 2 de 101
B) DAS OBRIGAÇÕES E RESPONSABILIDADES
2.1.1 O Parceiro obriga-se a realizar suas atividades utilizando profissionais especializados,
cabendo-lhe total e exclusiva responsabilidade pelo integral atendimento de toda legislação que
rege os negócios jurídicos e que lhe atribua responsabilidades com ênfase tributária, civil,
previdenciária e trabalhista.
2.1.2 O Parceiro fica obrigada a respeitar toda e qualquer legislação do país, especialmente, mas
não somente, no que se refere à proibição do trabalho forçado, mão-de-obra escrava, e do trabalho
infantil.
2.1.3 O Parceiro obriga-se a também respeitar toda e qualquer legislação do meio ambiente,
especialmente, preservando-o e não cometendo atos e/ou omissões danosas ao meio ambiente,
observando, inclusive as normas quanto à destinação de eventuais resíduos decorrentes da sua
própria atividade, sendo declarado ainda, a não utilização de insumos objeto de exploração ilegal de
recursos naturais.
2.1.4 O Parceiro se obriga a combater a corrupção ativa e passiva e a concussão em todas as suas
formas, inclusive o peculato, a extorsão e a propina, nos termos da legislação vigente.
Declaro ter lido e recebido uma cópia do Código de Conduta do Instituto Lar da Juventude de
Assistência e Educação – Parque Dom Bosco e ter sido incentivado a cumprir as orientações
nele contidas.
Itajaí, ___/___/____
________________________
Nome
CPF
Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação – Parque Dom Bosco
CNPJ: 84.305.440/0001-47
Rua Brusque, 1333, bairro Dom Bosco, 88302-001 Itajaí/SC
96
ANEXOS
97
ANEXO A - Modelo de balanço social do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas IBASE (2008) utilizado para coleta de dados
98
99
DECLARAÇÃO DO TRABALHO NA ORGANIZAÇÃO
ITAJAÍ, 27 de maio de 2014.
O Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação – Parque Dom
Bosco declara, para os devidos fins, que o(a) estagiário(a) Aline Simas, aluno(a) do
Curso de Administração do Centro de Educação de Ciências Sociais Aplicadas, da
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, cumpriu a carga horária de estágio
prevista para o período de 12/08/2013 a 26/05/2014, seguiu o cronograma de
trabalho estipulado no Projeto de Estágio e respeitou nossas normas internas.
__________________________________
Isidoro Paula da Silva
Diretor
100
ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS
Nome do estagiário
Aline Simas
Orientador de conteúdo
Prof. Cristina Pereira Vecchio Balsini
Supervisor de campo
Luciana Corrêa de Mello
Responsável pelo Estágio
Prof. Eduardo Krieger da Silva