+ Entrevista: Por um mercado de 340 mil Por um mercado de 340 mil toneladas toneladas + Transportes: Carga Seca Líder mundial em laminados de alumínio, Novelis investe em desenvolvimento de produtos e Sonho se torna realidade processos para atender ao setor automotivo. + Transportes: Novidades Múltiplas soluções + Aplicação: Diretor Menor peso e maior estabilidade automotivo com teto em alumínio Global de da Tecnologia Novelis, Todd para o Summe mercado lidera o desenvolvimento de produtos e tecnologias de processo da companhia para esse segmento, atendendo a montadoras nas várias regiões do globo. Hoje o alumínio Novelis está presente em mais de 180 modelos de veículos em todo o mundo. De acordo com Summe, o mercado global de produtos laminados de alumínio para automóveis está próximo de 340 mil toneladas, com uma estimativa de crescimento em torno de 30% ao ano até 2020. Na entrevista a seguir, Summe fala ainda das estratégias da Novelis para atender ao setor automotivo. Aluauto – As legislações de emissões de CO2 têm Foto: divulgação Novelis estimulado o crescimento do uso do alumínio em automóveis. Qual a participação dos laminados nesse processo? Todd Summe – Embora pesquisas entre as montadoras sugiram crescimento em todas as formas de alumínio nos automóveis, as expectativas são de que produtos laminados representem o maior crescimento na próxima década. Aluauto – Além da redução de massa da carroceria, que outras vantagens os laminados de alumínio oferecem à indústria automotiva? Todd Summe – Quilo por quilo, o alumínio absorve mais energia de impacto do que o aço e oferece um enorme potencial de redução de peso, ao mesmo tempo mantendo a resistência. Além disso, veículos mais leves fabricados com alumínio geram menos emissões globais e demandam menos combustíveis ou energia da bateria para funcionarem, além de ele ser um metal infinitamente reciclável. Mais leves, os veículos projetados com alumínio aceleram mais rapidamente, freiam em distâncias mais curtas e manobram melhor do que veículos mais pesados e menos eficientes. Aluauto – Qual o consumo médio atual de laminados de alumínio para a fabricação de veículos leves? Qual a previsão de crescimento nos próximos anos? Todd Summe – O mercado global atual de produtos laminados de alumínio para automóveis está próximo de 340 mil toneladas. Nossas estimativas apontam que esse mercado pode crescer em torno de 30% ao ano até o final dessa década. Estamos vivenciando uma demanda real que excede as nossas estimativas: a demanda na Europa deverá triplicar até 2020; na América do Norte, ela está em plena explosão; e na China está se desenvolvendo bem e em evolução. “Estimativas apontam que esse mercado [de laminados de alumínio] pode crescer em torno de 30% ao ano até o final dessa década” Aluauto – Quais são as tendências no consumo global de alumínio em veículos? Todd Summe – Historicamente, os maiores níveis de penetração do alumínio têm sido entre as montadoras europeias e em veículos premium. Estamos começando a ver uma mudança rumo à maior penetração do alumínio em veículos de grande volume de produção e em cada região do mundo. Aluauto – Como a empresa tem se posicionado para atender às necessidades dos diversos mercados automotivos? Todd Summe – Com presença global, a Novelis está posicionada para atender às necessidades de fabricantes no mundo inteiro. Estamos padronizando nossa oferta de produtos em nível global, com foco naqueles com elevadas resistência, absorção de energia de impacto e conformabilidade, para o exterior do veículo e componentes internos estruturais. Nossos produtos são projetados para oferecer benefícios exclusivos para automóveis de passageiros, caminhões e veículos utilitários esportivos. Aluauto – A indústria do alumínio está apta a atender às demandas globais da indústria automotiva? E o que dizer do Brasil? Todd Summe – A Novelis está investindo na expansão de sua capacidade automotiva nos principais mercados ao redor do mundo e estamos com olhar atento em novos investimentos, nesse momento, para mantermos o ritmo dessa demanda. No Brasil, recentemente a Novelis expandiu sua capacidade de laminação. Vamos observar atentamente o mercado automotivo brasileiro e avaliar as decisões estratégicas à medida que essa situação evolui. Aluauto – A configuração das estamparias das montadoras que utilizam o aço é adequada para trabalhar com alumínio ou necessita modificações e novo ferramental? Todd Summe – Hoje , a produção de automóveis com uso intensivo de alumínio geralmente emprega equipamentos automatizados e processos de montagem diferentes dos que atualmente são adotados na fabricação de carrocerias de aço. No entanto, o conjunto de ferramentas e os processos de estamparia podem ser fundamentalmente os mesmos aplicados para o aço, porém precisam ser otimizados para o alumínio. Um exemplo: criamos parcerias com clientes como a Jaguar Land Rover para sincronizar as características do nosso material com as instalações e os processos de conformação e de montagem deles e, assim, produzir em grande volume o Range Rover, um veículo todo em alumínio. E esse investimento já está valendo a pena, o novo modelo Range Rover é o mais vendido de todos os tempos pela montadora. Aluauto – Quais são os principais entraves para um maior uso de laminados de alumínio na indústria automotiva? Todd Summe – As barreiras históricas para o crescimento do uso do alumínio neste segmento incluem custo – mas, o maior custo por quilo do alumínio é compensado pelos ganhos acumulados de eficiência oriundos da redução de massa do veículo, que reduz o tamanho e o custo dos sistemas de propulsão; redesenho de veículos – para obter plenamente os benefícios do alumínio, o processo de criação de um veículo inteiramente de alumínio começa na sua concepção; adaptação do processo de montagem – um automóvel [com carroceria de alumínio] normalmente requer adaptações de equipamentos e de processos de montagem, em comparação aos com carrocerias de aço. Por causa das mudanças nas regulamentações e das demandas do consumidor, os benefícios do uso do alumínio nos projetos automotivos estão fazendo com que as montadoras entendam melhor esses desafios e acolham o alumínio como parte de um projeto avançado de múltiplos materiais. Aluauto – O que os Centros de Pesquisa da Novelis vêm desenvolvendo para atender ao setor automotivo? Todd Summe – Os nossos produtos têm sido utilizados em mais de 180 modelos e muitas das marcas mais importantes do mundo têm recorrido a nós para levar ao mercado suas mais recentes inovações. Estamos trabalhando com nossos clientes para criar a próxima geração de automóveis. O nosso recém-inaugurado Centro de Pesquisa e Tecnologia em Kennesaw (Georgia-Eua) tem se tornado um núcleo de pesquisa de materiais e projeto de novos produtos, visando oferecer materiais com alta resistência e conformabilidade, além de tratamentos de superfície, com o objetivo de maximizar a redução de peso, a fabricação de componentes, a segurança e a durabilidade do veículo. Aluauto – A Novelis tem como meta até 2020 aumentar para 80% o uso de material reciclado na produção de laminados. Quais são as estratégias e as principais dificuldades para se atingir essa meta? Todd Summe – A média mundial atual de materiais reciclados em nossos produtos é de 43%. Esperamos chegar a 50%, mundialmente, até 2015. Esse avanço será viabilizado por investimentos de cerca de US$ 500 milhões para quase dobrar a capacidade de reciclagem da empresa, até meados da década. Embora a nossa meta de 80% seja agressiva, ainda assim ela é sinal de que continuaremos a necessitar de algum alumínio primário na fabricação de nossos produtos. Esse fato se deve à vida longa do alumínio empregado em muitos produtos, bem como à crescente demanda global por esse metal. Basicamente, o nosso objetivo com a reciclagem é uma questão de abastecimento. Todavia, atingir essa meta vai exigir, na prática, que adotemos medidas em todas as fases do ciclo de vida do produto. I + Entrevista: Por um mercado de 340 mil Sonho se torna realidade toneladas + Transportes: Carga Seca Consórcio conduzido pela ABAL possibilita a produção de carroceria Sonho se torna realidade aberta totalmente em alumínio para transporte de carga seca. + Transportes: Novidades Múltiplas soluções João André de Moraes + Aplicação: Menor peso e maior estabilidade com teto em alumínio Há muito tempo a indústria nacional do alumínio acalenta o desejo de desenvolver uma carroceria aberta totalmente produzida em alumínio. Mais do que o interesse estratégico, afinal mundialmente o segmento de transportes é o principal consumidor do metal, a Abal acredita que o uso intensivo do alumínio neste modelo – que é o implemento mais comercializado no mercado nacional – tem potencial para revolucionar a competitividade e a sustentabilidade do transporte de carga seca do país. As razões são muitas. A leveza garantida pelo uso do alumínio aumenta a capacidade de carga da carroceria, tornando possível a redução de frota e tem impacto direto nas reduções do consumo de combustível, emissões de CO2 e manutenção do veículo – com menor desgaste de peças. A elevada resistência à corrosão do metal dispensa pintura e prolonga a vida útil do equipamento; além do elevado valor residual como sucata infinitamente reciclável. Com tantos benefícios possíveis para o setor de transportes, a Abal tomou para si a missão de encontrar meios de desenvolver a então inédita carroceria e descobriu na Noma, uma das maiores fabricantes de implementos rodoviários do Brasil, o parceiro ideal para a execução do projeto. O trabalho, que teve início no primeiro semestre de 2012 com a criação do Grupo de Trabalho Carga Seca da ABAL, contou com a participação decisiva de dez empresas associadas, que agregaram seus profundos conhecimentos técnicos para o desenvolvimento do produto: Alcoa, Alpex, Belmetal, Votorantim MetaisCBA, Isa, Metalis, Perfil, Perfileve, Prolind e Sapa. Para o coordenador do GT Carga Seca, eng. Marcelo Gonçalves, a formação desse consórcio foi um dos pontos mais relevantes do projeto. “Na Europa, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul é mais frequente encontrarmos empresas concorrentes se sentando à mesa para desenvolverem projetos competitivos que sejam de interesse comum; já em nosso país isso é algo raro”, ressalta. A experiência positiva do consórcio tem sido elogiada pelos participantes (veja Box na matéria), pois ficaram claras as inúmeras possibilidades abertas pelo formato de trabalho. Marcos Noma – presidente de uma das maiores fabricantes de carretas da América do Sul, com produção de 7.600 unidades anuais – afirma ter ficado impressionado ao descobrir as novas aplicações do alumínio e exalta o modelo adotado em todo o processo de trabalho: “Como se trata da aplicação de um novo conceito, a soma de ideias auxilia no desenvolvimento do projeto”. Apresentada no estande da Noma durante a Fenatran 2013, a carroceria carga seca 100% alumínio já gerou até sondagens para compra. No entanto, o produto construído pela Nomma ainda passará por uma fase de testes, com duas unidades construídas para esse fim. Tanta empolgação se deve ao ineditismo que percorre todas as etapas do projeto. O resultado foi um implemento que se destaca por aliar várias vantagens, principalmente a capacidade de carga de 2,2 toneladas/m² – a única na categoria. A carroceria é fabricada com o uso intensivo de perfis extrudados e adota chapas de alumínio, na liga 5052 H34, para o piso. Foram criados 20 perfis específicos para serem aplicados em longarinas, travessas, malhal, fueiros, tampas laterais e traseiras. As partes estruturais foram extudadas na liga 6082 T6 e as demais na liga 6005A T6. Todas as ligas especificadas atendem aos critérios de oferta da produção brasileira, bem como garantem maior resistência ao produto final. Carga seca 100% em alumínio: a mais leve da categoria com capacidade de carga de 2,2 toneladas/m² Durante a fase de projeto, 70 situações de carregamentos e amarrações de carga foram simuladas em computador. Gonçalves explica que os estudos consideraram ainda detalhes de posicionamento, distribuição irregular e deslocamento da carga em razão de frenagens e acelerações abruptas, situação das rodovias e outros aspectos comuns ao transporte rodoviário brasileiro. “Nunca houve um projeto estrutural com esse nível de detalhamento”, garante. A partir dessas simulações definiu-se as vigas e os desenhos necessários para evitar deformações e, dessa forma, criar um implemento mais robusto, porém leve. Pesa apenas uma tonelada, sendo 44% mais leve que as carrocerias usuais de madeira, mas sem o ônus ambiental, e 50% a menos que uma similar em aço. A facilidade de montagem sempre constou nos objetivos do projeto. Marcos Noma comenta que ao dispensar o uso de solda, o processo de fabricação acaba por ser simplificado, mais rápido e com menor custo. “A grande vantagem é a flexibilidade”, ressalta. E lembra: “pelo lado do transportador, a ausência de soldas também é benéfica, pois permite que o produto fique menos sujeito a quebras por fadiga do material”. Desenvolvida para um caminhão truck de três eixos e 8,5m de comprimento, a carroceria carga seca de alumínio oferece ainda o melhor retorno financeiro ao transportador e em menor espaço de tempo. Estudos realizados pela Abal, em parceria com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) mostram que ao final de oito anos, em condições médias operacionais típicas de uso, em termos de ocupação e ociosidade, um veículo com o equipamento de alumínio pode gerar R$ 65,8 mil de lucro. Sem dúvida um ótimo desempenho, quando comparado aos resultados obtidos com os implementos em aço e em madeira, que proporcionam nas mesmas bases lucros inferiores, R$23,9 mil e R$ 28,6 mil, respectivamente. Em relação ao retorno de investimento, a carroceria aberta de alumínio consegue recuperar os valores aplicados em sua aquisição em apenas 44 meses, contra 68 da versão de madeira e 89 meses da em aço. Gonçalves ressalta que o projeto abre várias perspectivas, pois é totalmente customizável e permite que novos modelos e tamanhos sejam criados. “Existe, por exemplo, a possibilidade de a carroceria ser encurtada”, comenta. A ideia é explorar essa experiência para desenvolver, em um futuro próximo, soluções nacionais que atendam a outros setores, como o graneleiro. Depoimentos das empresas participantes do consórcio ABAL “É extremamente gratificante apoiar uma iniciativa inédita que promove o uso do alumínio no transporte rodoviário. O Projeto ABAL Carga Seca é inovador em diversos sentidos, a começar pelo ineditismo, já que no Brasil ainda não havia um implementador que fizesse a carroceria toda em alumínio. Além disso, inova na forma como o estudo foi elaborado, por meio de um consórcio de empresas privadas, cujo propósito é mostrar ao mercado que o setor detém tecnologia de ponta para oferecer todo tipo de suporte técnico necessário para a aplicação de alumínio em implementos rodoviários. Para a Alpex, este é um dos segmentos de interesse nos próximos anos, por isso consideramos de extrema importância a participação estratégica neste consórcio”. - Paulo Magalhães, diretor Comercial e de Comunicação e Marketing da Alpex Alumínio S.A. “A decisão de participar do Projeto foi motivada pelo fato de que existe um nicho de mercado muito grande: consumo anual de mais de 100 mil carrocerias abertas de madeira. Essa demanda pode migrar para alumínio por conta das grandes vantagens da carroceria apresentadas pelo metal. A Belmetal já atende o segmento de transportes, fornece perfis e chapas de alumínio para a fabricação de carrocerias do tipo baú. É uma oportunidade ofertar uma carroceria aberta de alumínio para os fabricantes, transportadoras e motoristas de caminhão, que com certeza se beneficiarão das vantagens competitivas do alumínio na indústria de transportes”. - Marcos Eiji Oyama, analista de Desenvolvimento de Produtos da Belmetal Indústria e Comércio Ltda. “Além da oportunidade de divulgação do produto e da marca do grupo, o consórcio tornou os custos acessíveis a todas as empresas. Dividimos novas tecnologias e conseguimos reaproximar os participantes. Ficou demonstrado realmente que a ‘união faz a força’, pois o resultado foi um produto robusto, prático, funcional, com grande apelo de mercado, e, principalmente, com muitos pontos fortes: mais leve que os produtos similares e bem mais ecológico pois é 100% reciclável. Este Projeto abrirá as portas para outras indústrias, sem contar os encarroçadores. Temos certeza que colheremos bons frutos com a participação no Projeto”. - Arnaldo R. Lania, Comercial, ISA Perfis de Alumínio Ltda. “Desde o início apoiamos a ideia do desenvolvimento de uma carroceria aberta totalmente em alumínio. A Metalis, além de ser uma das maiores distribuidoras de laminados do Brasil, também tem interesse no Projeto por estar investindo em duas prensa de extrusão na Alumínio Nordeste, em Pernambuco. Temos confiança no fornecimento ao mercado destes tipos de perfis e aumentar o consumo do alumínio no setor de transportes. Acredito que com o decorrer do tempo, poderemos seguramente em curto prazo introduzir no mercado essas carrocerias de alumínio”. - Luigi Lombardi, gerente Comercial da Metalis Aluminum Ind. e Com. Ltda. “Achei a ideia da formação do consórcio excepcional, pois possibilitou o desenvolvimento de um projeto com alto grau de complexidade, que seria absolutamente inviável de ser feito por apenas uma das empresas. Foi a multiplicação de competências aliada à divisão de custos. Embora o Projeto ainda possa ser aprimorado, tivemos um resultado absolutamente dentro da expectativa, tanto de engenharia como de viabilidade comercial. Desenvolvemos um produto que será um grande sucesso no mercado, tanto por atender a demandas ambientais como dos transportadores”. - André Pinho, Gerente Executivo, Perfil Alumínio do Brasil S.A. “Para continuar crescendo, nossa empresa busca novas opções de mercado. O consórcio se mostrou muito positivo, pois seria um investimento expressivo para uma única empresa. O Projeto ficou bastante robusto, com possibilidade de atender praticamente todo segmento da carga seca e dando oportunidade aos participantes de procurarem sua identidade própria nas adaptações ao mercado doméstico. Cada empresa buscará sua opção de dobradiça, travas, acabamentos etc. Eu não tenho duvidas que em pouco tempo fabricaremos muitos perfis para este valoroso segmento”. - Odair Britto Filho, gerente da Gonzales, Sendeski & Cia Ltda. - Perfileve. “Participar do Projeto foi a possibilidade de abertura de novos negócios em um nicho de mercado ainda não explorado, que apresenta um altíssimo potencial de consumo. Atuamos fortemente no fornecimento de perfis e componentes para o segmento de transportes e nossas expectativas são as melhores possíveis. O Projeto se mostra bastante viável, pois a carroceria em alumínio apresenta a metade do peso de uma similar em madeira ou aço. Em pouco tempo a opção em alumínio conseguirá provar sua viabilidade econômica. Existe um alto potencial para este mercado, porém, quebrar alguns paradigmas e convencer os consumidores desses produtos pela nova opção exige ainda muito trabalho. Contudo, acreditamos que em 2014 já possamos começar a colher os frutos deste Projeto”. - Carlos Alberto de Camargo, Gerente de Vendas da Prolind Industrial Ltda. “A Sapa acredita que novas aplicações ajudam a garantir a evolução do mercado em médio e longo prazo. No Brasil, há ainda muitas aplicações do alumínio possíveis e não utilizadas, apesar de terem obtido sucesso em outros países. Os investimentos em desenvolvimento de novas aplicações costumam ser grandes e cercados de riscos. Assim, diluir os investimentos e dividir os riscos é uma saída muito interessante. Nós da Sapa esperamos que aconteçam iniciativas semelhantes no futuro. O potencial do Projeto é enorme, mas ele não se realizará de maneira fácil. Há muito trabalho técnico e comercial pela frente. Há centenas de fabricantes de implementos rodoviários que precisam tomar conhecimento do produto, saber de suas possibilidades e limitações técnicas, avaliar a competitividade e aderir, ou não, à nova ideia. Alguém que já trabalha com alumínio terá mais facilidade para entender os conceitos e as vantagens. Por outro lado, os fabricantes de carrocerias de madeira encontrarão dificuldades para participar do processo e necessitarão de efetiva assistência por parte dos extrusores”. - Adilson de Souza Molero, Desenvolvimento de Aplicações, Sapa Aluminium Brasil S.A. “A criação de consórcios para o desenvolvimento de novos produtos, na forma de ‘open inovation’, é recente e muito ligada às relações de empresas com instituições de ensino metodologia ainda pouco comum no âmbito industrial. No caso do mercado de alumínio, especificamente, acreditamos que seja um dos primeiros consórcios de tecnologia précompetitiva em funcionamento no País. Tendo em vista que neste modelo compartilhamos os desafios tecnológicos e investimentos em prol do aumento de demanda de alumínio, para novas aplicações, a iniciativa do consórcio foi excelente. Acreditamos que os novos programas de incentivo à redução de emissões, aliado aos aumentos nos custos dos transportadores, como mão de obra, seguros, combustíveis, entre outros, tornaram necessária a redução de peso dos implementos nacionais. Neste cenário, o produto carroceria carga seca, sendo um implemento de significativo número em uso, será um dos mais beneficiados para aplicação de alumínio”. - Heber Pires Otomar, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Votorantim Metais - CBA I + Entrevista: Por um mercado de 340 mil Múltiplas soluções toneladas + Transportes: Carga Seca Aumenta a oferta de implementos rodoviários em alumínio. As maiores exigências do mercado Sonho se torna realidade por veículos mais econômicos elevam o apelo do metal que consegue proporcionar melhor + Transportes: Novidades retorno financeiro em menor prazo aos investidores. Múltiplas soluções + Aplicação: Menor peso e maior estabilidade com teto em alumínio João André de Moraes Com a exigência cada vez maior por veículos mais econômicos e com menor nível de emissões, novas tecnologias e soluções já reconhecidas por sua eficácia passam a constar dos novos projetos automotivos. Mudanças na motorização de veículos pesados, aperfeiçoamento da eficiência aerodinâmica e o uso de materiais leves para reduzir o peso das composições são destaques. Nesse último quesito, o alumínio tem demonstrado desempenhar papel fundamental oferecendo soluções mais racionais na área de implementos rodoviários. O alumínio é ideal para as condições agressivas de uso do transporte de cargas e, mundialmente, vem sendo aplicado intensamente nesse setor por apresentar maior durabilidade, resistência à corrosão, eterna reciclabilidade e, logicamente, leveza. Atributos que também começam a ser mais bem explorados no mercado nacional. Novidades Em outubro deste ano, a Noma executou com sucesso projeto inovador de carroceria aberta para transporte de carga seca totalmente produzida em alumínio. De autoria da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), com o patrocínio e suporte técnico de dez empresas associadas, o projeto serviu para quebrar vários paradigmas e demonstrar o alto poder competitivo do alumínio nessa aplicação. O modelo desenvolvido para um caminhão truck com capacidade de carga de 23 toneladas de peso bruto (PTB) pesa apenas uma tonelada. Em outras palavras, cerca de metade do peso de uma carroceria similar em aço ou madeira. Em condições médias de uso, ao final de oito anos de operação, o lucro obtido com a utilização da carroceria carga seca de alumínio é 2,8 vezes superior ao do implemento de aço e 2,3 vezes maior ao de madeira, segundo estudo realizado pela ABAL em parceria com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). O ROI (retorno sobre o investimento) também serve como parâmetro: alumínio, 44 meses; madeira, 68 meses; e aço, 89 meses. Confira mais detalhes na matéria desta edição sobre o carga seca de alumínio. A Alcoa também passou a contar recentemente com sua versão de carroceria aberta carga seca. O projeto, 100% de alumínio extrudado, foi desenvolvido em parceira com a Nolly Implementos Rodoviários. A redução alcançada no peso da caixa de carga chegou a 50%, o que proporciona ao transportador menor desgaste das peças, como pneus e amortecedores, e redução no consumo de combustível quando o veículo roda vazio ou com carga reduzida, além de aumento na capacidade de carga da carroceria, que suporta 1.000 kg/m2. A Librelato trouxe este ano para o Brasil dois semirreboques que possuem como grande diferencial o menor peso, graças ao uso do alumínio. O articulado basculante seis eixos (rodotrem), com caixa de carga em alumínio, e o quatro eixos (bitrem), com estrutura e revestimentos em alumínio, são indicados para o transporte de grãos, produtos alimentícios que exigem maior cuidado, como açúcar a granel, além de produtos corrosivos, como adubos e minerais salinos. O nível de resistência mecânica das caçambas permite transportar também brita número 3”. Outro diferencial desses equipamentos é o design da caixa de carga dotada de frisos laterais para enrijecimento da estrutura, minimizando a quantidade de colunas laterais. Rodotrem de alumínio da Librelato tem capacidade volumétrica dianteira e traseira de 34m³. O gerente de Engenharia da empresa, Ricardo Martins Azevedo, diz que são utilizadas na produção ligas da série 6000, na têmpera T5. “Os produtos standard possuem sobrechassi em aço de alta resistência e também em aço comum, já os produtos em teste, como o bitrem basculante, são 100% em alumínio, inclusive o sobrechassi”, explica. Ele ainda destaca que a diferença de peso entre os modelos chega a duas toneladas a favor do alumínio. “Com a redução de tara nesta ordem, é possível ao transportador pagar o salário do motorista e o aumento da parcela do financiamento, quando comparado com um produto em aço de alta resistência”. Azevedo aponta ainda outra vantagem do alumínio em relação a outros tipos de matéria-prima: o fim do problema de oxidação no transporte de sal e produtos corrosivos. Bitrem de alumínio da Librelato tem 28m3 de capacidade volumétrica em cada caixa de carga. A Rodofort conta com uma grande tradição no uso do alumínio em seus implementos rodoviários. A novidade foi o recente lançamento de uma carroceria de alumínio para o segmento de bebidas, que contou com o suporte técnico da Alcoa. O diretor de Vendas e Marketing da Rodofort, Leonardo De Vincenzo, comenta que a carroceria de 10 pallets rebaixada para transporte de bebidas é toda fabricada com perfis extrudados nas ligas 6082 T6, 6063 T6 e 6005 T5. O apelo de mercado se baseia, segundo ele, no aumento da capacidade de carga, redução do consumo de combustível, lubrificantes, pneus e outros itens de custo, maior resistência à corrosão e vida útil mais longa. “A redução de peso de um produto em alumínio em relação ao aço é em torno de 40%”, revela. Além disso, Vicenzo lembra que o alumínio é capaz de proporcionar maior flexibilidade, facilidade para fabricação, montagem, instalação, conservação e manutenção, e valor residual superior. O projeto da carroceria roll-up 100% em alumínio da Rodofort traz moderno sistema de fixação – utilizando rebites reforçados – que dispensa soldas e parafusos A RodoLinea também não abre mão das soluções em alumínio e comercializa basculante, silo e rodotrem fabricados no metal leve. Esse último modelo, está sendo produzido na nova unidade da empresa em Jaguariaíva (PR) e consegue transportar até 48 toneladas, enquanto o semirreboque tradicional carrega em torno de 28 toneladas. “Embora a venda desse implemento no País esteja autorizada desde 2007, houve aumento de procura a partir de 2013 em razão da promulgação da Lei Federal 12.619/12, conhecida como ‘Lei do descanso’”, comenta o diretor geral da RodoLinea, Felipe Hübner. “Ao todo, o conjunto do veículo, somando o caminhão e o rodotrem basculante, que combina dois semirreboques, unidos por um implemento intermediário, o Dolly, atinge 30 metros de comprimento, com a possibilidade de transportar grãos, açúcar e calcário”. Hübner considera que o aumento na durabilidade seja uma das principais vantagens do emprego do alumínio. “Além disso, ele não sofre corrosão e é dois terços mais leve do que o aço. Em comparação a um basculante normal, o modelo em alumínio permite carregar até uma tonelada a mais de carga, por exemplo”, o que se traduz em maior lucratividade ao transportador. I + Entrevista: Por um mercado de 340 mil Menor peso e maior estabilidade com teto em alumínio toneladas + Transportes: Carga Seca Técnicas de união adequadas garantem as vantagens do metal leve em carrocerias de aço. Sonho se torna realidade + Transportes: Novidades Alexandre Akashi Múltiplas soluções + Aplicação: Carros com estrutura em aço e teto em alumínio. O sentido de uma aplicação como esta é, da forma mais Menor peso e maior estabilidade óbvia, a redução do peso do veículo. Mas de acordo com especialistas, ajuda ainda a abaixar o centro de com teto em alumínio gravidade, tópico de alta prioridade no design automotivo, pois permite maior estabilidade ao volante e, consequentemente, maior prazer ao dirigir, item amplamente explorado pelo marketing das montadoras. Não é à toa que os fabricantes de veículos esportivos e premium adotam alumínio no teto do carro, como o Mercedes-Benz Classe S, o Range Rover Evoque, o BMW Série 7, os Mitsubishi Lancer Evolution e Outlander, entre outros. São todos fabricados fora do Brasil, mas estão disponíveis para consumidores brasileiros. Por parte das montadoras que fabricam carros no Brasil, ainda não há modelos com esta tecnologia, que é relativamente nova no mundo. Para se ter ideia, a Mercedes-Benz está modernizando a planta de Sindelfingen, na Alemanha, para utilizar novas tecnologias na área da carroceria, especialmente na montagem de peças de alumínio fundidas. Segunda a empresa, um novo processo foi desenvolvido para a produção em larga escala do teto com peso reduzido. No novo Classe S, o teto de alumínio e a carroceria de aço só são unidos após passarem juntos pela linha de pintura. A montadora informa que entre 2011 e 2014, estão sendo investidos cerca de 350 milhões de euros na área de carroceria, cerca de 130 milhões de euros na estamparia e aproximadamente 70 milhões de euros na montagem, entre outros aportes. Técnica O uso de teto em alumínio está bem estabelecido em automóveis com carrocerias 100% em alumínio. Entretanto, como o teto é geralmente parte integrante do body-in-white, a integração de componentes estruturais de alumínio na cobertura, com uma estrutura de carroceria de aço, requer cuidados especiais e dois grandes obstáculos devem ser superados. O primeiro é realizar a união confiável entre os diferentes materiais. Várias tecnologias foram desenvolvidas para unir o alumínio ao aço (e diversos estudos sobre o tema continuam em desenvolvimento), mas na maioria dos casos é aplicado um adesivo combinado com união mecânica. Soldagem por fricção, por fusão, entre outras também são adotadas, mas independente da técnica escolhida, se a união de ambos os materiais é devidamente protegida para evitar qualquer risco de corrosão galvânica, consegue-se um resultado seguro e durável. O outro desafio é o diferente coeficiente de expansão térmica do alumínio e do aço. A combinação do teto de liga de alumínio à carroceria de aço pode criar tensões de compressão no teto, quando a carroceria é submetida a temperaturas elevadas, tais como àquelas requeridas para a cura da tinta no processo de pintura do automóvel. Distorções térmicas visíveis no painel de teto obviamente não são aceitáveis. Tais efeitos podem ser eliminados (ou minimizados), por exemplo, pelo uso de uma liga de alumínio com um nível mais elevado de resistência mecânica, a seleção de um adesivo adequado, a aplicação de procedimentos de união apropriados (por exemplo, otimizando a posição de rebitagem e usando gabaritos), bem como outras medidas pertinentes. Influência do limite de escoamento das ligas na distorção do teto de alumínio em carroceria de aço, após endurecimento por envelhecimento no processo de pintura. Imagens: Constellium / Fonte: AAM-EAA Um teto de alumínio contribuiu para o baixo peso exemplar da carroceria do Maybach (além do capô, das portas e dos para-lamas dianteiros, que também são de alumínio). O teto, de dimensões grandes, mas relativamente plano, foi produzido por estampagem profunda ativada hidromecanicamente. Nesta variante da técnica, a peça de alumínio a ser estampada é pré-conformada por uma elevação da pressão do fluido no sentido oposto ao da operação de deformação, antes do punção da prensa mover-se contra o metal. Essa prévia deformação a frio conduz a um aumento da resistência do material e, portanto, melhora a estabilidade mecânica do painel do teto. Luxuoso Maybach usa processo diferenciado de estampagem para produção do teto de alumínio. Imagem: Maybach / Fonte: AAM-EAA Um teto de alumínio sobre uma estrutura de carroceria de aço também é encontrado no Range Rover Evoque (L538), que foi introduzido no mercado em 2012 e é um sucesso de vendas da marca no Brasil. Essa aplicação do alumínio ajudou a baixar o centro de gravidade do carro e a economizar cerca de 7 kg, em relação ao teto de aço. O teto do Evoque é a primeira aplicação em série da nova liga de alumínio de alta resistência Novelis Anticorodal ® -600 PX. Essa liga, segundo a fabricante, foi escolhida para o avançado projeto do teto do Evoque com base na sua excelente conformabilidade e superior resistência, que não só contribui para a eliminação das distorções térmicas durante o processo de pintura do automóvel, mas permite também, com uma espessura de apenas 0,9 milímetros, a realização de uma solução extremamente leve. A elevada resistência da Anticorodal ® -600 PX permite reduzir em até 15% a espessura da chapa em relação às ligas tradicionais de alumínio usadas em painéis de fechamento. O alumínio é unido ao aço por adesivagem e rebitagem autoperfurante. Liga mais resistente, mudanças no design e cuidadosa metodologia de união dos componentes garantiram a aplicação do alumínio no teto do Range Rover Evoque. Imagem: Land Rover Estrutura do teto A integração de componentes estruturais de alumínio no teto de uma carroceria de aço foi adotada pela primeira vez no Ford THINK, um pequeno carro elétrico urbano. O elemento estrutural de alumínio que se estende ao longo da parte superior das portas foi concebido como um componente aparente. Extrudado na liga 6060, tem seção tubular com flanges, inclui a coluna A e termina na extremidade traseira superior. O comprimento da viga é cerca de 2,2 m. As barras transversais do teto também são produzidas a partir de perfis extrudados de alumínio (liga 6060) dobrados. Componente estrutural de alumínio do teto do Ford THINK é produzido a partir de perfis extrudados na liga 6060. Fonte: AAM-EAA Quadro completo (à esquerda) e detalhe da montagem de componentes de alumínio (à direita) do teto do Ford Think. Fonte: AAM-EAA Outro exemplo visualmente atraente de uma subestrutura de teto de alumínio foi apresentado pela Renault no modelo Avantime, que foi produzido entre 2001 e 2003 pela Matra Automobile. A carroceria mista inclui chassis (herdado do Renault Espace) e painéis em aço. A estrutura do teto em alumínio (componentes em cinza) do Renault Avantime pesa apenas 18 kg (do total de 370 kg do peso da carroceria). Fonte: AAM-EAA Como o Avantime não tem a coluna B, a estrutura do teto é um elemento de segurança crítico, e contribui de forma significativa para a performance de colisão do veículo. Consiste de três tipos de componentes de alumínio: - Perfis extrudados nas ligas 6106 e 6060 (46 % da participação em peso); que na têmpera T51 oferecem um bom compromisso entre as características de conformabilidade e resistência. - Chapas estampadas na liga 5182-0 (27% da participação em peso). - Peças fundidas na liga AlSi7Mg0.3-T5 - Calypso ® 67S, (27% da participação em peso). As peças fundidas foram produzidas por tixofundição, que permite a obtenção de componentes de elevada qualidade, com menor espessura de parede e de alta precisão dimensional, o que reduz a necessidade de operações adicionais de usinagem e proporciona uma superfície lisa de ótimo acabamento. Elevada precisão dimensional em componentes estruturais obtidos por tixofundição. Fonte: AAM-EAA Os extrudados de alumínio foram conformados em uma máquina de estirar e dobrar tridimensionalmente. Isso permitiu minimizar efeitos de spring back e também obter componentes com boa precisão dimensional. Os componentes de alumínio foram unidos por solda MIG e a sequência de soldagem foi selecionada para minimizar distorções nas peças. A estrutura montada do teto de alumínio foi unida à estrutura de aço por adesivos avançados e rebites autoperfurantes. I