P. MARIANO PINHO Homem de Oração A segura e discernida orientação espiritual, o modo como conduzia as pessoas para Deus, a maneira eloquente como falava d’Ele, dos seus mistérios, das riquezas do Coração de Jesus, a arte de escrever coisas sublimes sobre Nossa Senhora, a doutrina que expressa nos seus livros e artigos, a procura que as pessoas faziam dele para buscarem ajuda espiritual tinha um segredo: a sua vida de oração, o seu contacto com Deus, a sua contemplação e meditação, a sua intimidade com o divino, a sua comunhão com o Senhor. O P. Mariano Pinho foi homem de muita oração, foi um contemplativo, um homem orante que levava a vida à oração e, depois, levava a oração para a vida. A sua existência estava impregnada de divino, ensopada de Deus. Daí o êxito das suas palavras, das suas pregações, dos seus escritos, da sua orientação espiritual. O “paizinho” da Beata Alexandrina foi o seu mestre na oração e nos caminhos da vida interior. Ensinou o que vivia por dentro, o que saboreava em Deus, o que o Senhor lhe ensinava. O P. Mariano era sacerdote de muita oração e por isso a sua vida deixou rasto. Por isso soube sofrer com muita humildade as contrariedades e as calúnias, por isso aceitou ser enviado para o exílio sem se queixar, sem se lamuriar, sem gritar contra a injustiça, por isso nunca lhe encontraram uma crítica, uma palavra de azedume, uma revolta, por isso a sua vida iluminava os caminhos dos outros e os conduzia para Deus, por isso Alexandrina escreveu várias vezes que Jesus lhe disse que o P. Mariano Pinho, teria um dia as honras do altar, como santo canonizado. A sua intensa oração mergulhava-o em Deus onde ia buscar sabedoria e graça, discernimento e fortaleza, densidade interior, capacidade para sofrer no silêncio, paixão para amar ao jeito de Jesus. Só uma vida de profunda oração lhe podia dar as graças que tinha, os dons sobrenaturais que possuía. Na Companhia de Jesus, Ordem a que pertencia, aprendeu a rezar através não só das horas de oração diária mas sobretudo através dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loiola, seu Pai e Fundador. A meditação diária, a oração do Ofício Divino, a profunda devoção a Nossa Senhora, o desejo de orar ao Coração de Jesus para desagravar, louvar, reparar, consolar, o cuidado no exame de consciência diário, as suas visitas frequentes a Jesus no sacrário, além das múltiplas maneiras de estar em comunhão com Jesus, seu Deus e Redentor, seu tesouro e sua pérola, faziam dele um sacerdote verdadeiramente orante. Só uma vida de profunda oração poderia produzir a acção fecunda e apostólica que o P. Mariano Pinho tinha. Só uma vida orante, de intimidade com Deus, era capaz de fazer dele um “santo” tão procurado por muitos para pai espiritual, para orientador de pessoas. Só uma vida de muita oração, que é a alma de todo o apostolado, podia dar eficácia à sua pregação e aos seus escritos, a todo o seu fecundo apostolado. Hoje, todos, sacerdotes e leigos, parece que rezamos pouco e mal. Perdeu-se o gosto pela oração, pela intimidade com Deus, pela vida interior. Trabalha-se muito, mesmo a nível apostólico e social, sacramental e burocrático, mas reza-se pouco. Esse trabalho fica menos eficaz, menos profundo, menos fecundo. Precisamos de nos abeirar mais de Deus, de entrar em contacto com Jesus, de passarmos mais tempo diante do sacrário, de “comer” a Palavra de Deus, de andarmos mais mergulhados no divino ao longo do dia. Homens e mulheres de vida orante para que seja de apostolado fecundo. Pastoral vocacional feita com muita oração para que dê muitas e santas vocações. Pastoral familiar com muita oração para “construir” verdadeiras igrejas domésticas, famílias com paz e unidade com valores éticos e morais. Seminários onde a oração está em primeiro lugar, buscando tempo e espaço para estar com Deus, para se apaixonar mais por Jesus. Paróquias onde, além da celebração da Eucaristia e da reza do terço, se tenta todos os modos possíveis de multiplicar a oração e ajudar o povo de Deus a rezar mais e melhor. Catequese onde haja uma verdadeira pedagogia da oração para que as crianças e os adolescentes aprendam o ter gosto por rezar e por estar com Jesus em diálogo orante e amigo. Grupos de jovens onde, além das canções e da guitarra, que animam e criam clima de festa, haja tempos de silencio e de oração, para que os jovens conheçam internamente o Senhor Jesus e se apaixonem por Ele. O P. Mariano Pinho, neste ano sacerdotal, ao recordar os 150 anos da morte de S. João Maria Vianey, o Santo Cura d’Ars, pode ajudar-nos a crescer no tempo e na qualidade da nossa oração, na intensidade da nossa adoração eucarística, no gosto de estar com Jesus em diálogo orante, na capacidade de orar a Palavra e de se alimentar dela. Um mestre como o Padre Mariano Pinho, cujos escritos revelam a sua sabedoria interior, não só aprendida nos livros, mas ensinada pelo Espírito Santo, pode ser nosso modelo, nosso intercessor, nossa ajuda. Não deixemos de recorrer a ele. E quando formos a Balasar visitemos os seus restos mortais que, como sabemos, estão no cemitério da freguesia, na capela onde durante muitos anos, esteve sepultada a Beata Alexandrina. Aí haverá sempre uma lição para cada um de nós. Vamos lá suplicar ao P. Mariano que seja nosso mestre de oração, que reze por nós, que nos lance na arte divina da vida interior. É que as famílias, as paróquias, a Igreja e a Humanidade, precisam, cada vez mais, de homens e mulheres, de jovens e crianças orantes, com o coração em Deus e cada vez mais repleto do amor e da vida divina. Só com oração se aumenta a fé, se convertem corações, se alcançam milagres. Só ela nos trará paz, o aumento de vocações, o crescimento na santidade, a alegria de viver, a unidade da Igreja. Rezemos mais e rezemos melhor.