A Construção do Olhar Fotográfico de
Populações Invisíveis
CATÁLOGO DE OBRAS PRODUZIDAS
2015
Prefeitura Municipal de Curitiba
Secretaria Municipal da Saúde
Re-Tratos da Rua
A Construção do Olhar Fotográfico de
Populações Invisíveis
Organizadores
Patricia Precce Folly
Marcelo Kimati Dias
© 2015, Curitiba (PR). Secretaria Municipal da Saúde e outros
2015, PUCPRess, Curitiba – PR.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Este livro, na
totalidade ou em parte, não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização
expressa por escrito do Editor.
Prefeitura Municipal de Curitiba
Prefeito Gustavo Fruet
Secretaria Municipal da Saúde
Secretário Adriano Massuda
Departamento de Saúde Mental
Diretor Marcelo Kimati Dias
Revisão
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Projeto Gráfico, Capa e Diagramação
Minuta Comunicação, Cultura e Desenvolvimento Social
Reitor
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Diretora da Editora Champagnat
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Apoio
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C975r
Curitiba (PR). Secretaria Municipal da Saúde
Re-tratos da rua : a construção do olhar fotográfico de
populações invisíveis / Prefeitura Municipal de Curitiba : Secretaria Municipal da Saúde ;
organizadores Patrícia Precce Folly, Marcelo Kimati Dias. – Curitiba : PUCPRess, 2015.
72 p. ; 21 cm.
ISBN 978-85-68324-12-7
1. Fotografia – Paraná. 2. Fotógrafos – Paraná. I. Folly, Patricia Precce.
II. Dias, Marcelo Kimati. III. Título.
CDD 770.98162
SUMÁRIO
Apresentação.................................................7
Inclusão e olhar...........................................11
Projeto Re-tratos da Rua.............................13
Olhar fotográfico..........................................15
Painel Re-Tratos da Rua..............................17
Por trás das câmeras...................................66
Oficinas Re-Tratos da Rua...........................70
Considerações finais...................................71
Lista de participantes..................................72
Equipe do projeto.........................................72
APRESENTAÇÃO
Os territórios das cidades brasileiras particularizam desigualdades que possuem
raízes históricas no processo de acumulação da riqueza e de partilha desigual da
renda e dos bens produzidos socialmente. A condição de rua revela a desigualdade
estrutural e também outros processos de vulnerabilidade social, o que torna o fenômeno complexo.
As políticas sociais, atendendo aos objetivos republicanos do Estado Democrático
de Direitos, devem avançar na ampliação de um sistema universal de proteção social,
o que requer a adoção de inovações que superem o histórico assistencialista e tutelador, as formas programadas de controle de pessoas, de “corpos” improdutivos para
o sistema.
Diante da “crise social”, da banalização da vida, da violência, da desesperança,
da criminalização dos pobres, do preconceito, da indiferença, da coisificação das pessoas, o que se coloca é a urgência de práticas e processos transformadores, que ancorem os sujeitos num projeto de felicidade, de vidas ressignificadas e reconduzidas
com protagonismo individual e coletivo.
Na contradição, a política social possui o potencial democratizante, desde que
dinamizada por competências democráticas de gestão, atendendo às diretivas republicanas; tensionada por forças sociais emancipatórias e por práticas sociais e profissionais balizadas por princípios ético-políticos associados a projetos societários
que centralizam o direito humano como travessia indispensável para a construção de
patamares superiores de sociabilidade.
Em contextos desiguais, os direitos humanos assumem uma função histórica, já
que são conquistas sociais históricas e fundamentais na construção de uma nova
cultura, de uma nova sociedade. Numa perspectiva social e histórica tornam visíveis
o conjunto de carecimentos e desigualdades, ao tempo em que fortalecem garantias
democráticas em resposta às necessidades humanas.
Importante reconhecer que o programa de governo Curitiba Mais Humana, um
dos 12 programas de governo, de natureza intersetorial, ao aliar proteção social com
proteção e promoção aos direitos humanos, diante do fenômeno condição de rua, seja
para viver ou estar, atende ao desafio de articular políticas e propagar novos “olhares”
e diálogos com a sociedade.
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O projeto Re-Tratos tem o mérito de reconhecer a condição de rua em sua complexidade; compreender a população de rua como protagonista, como sujeitos de direitos, visibilizados pela ressignificação de seus cotidianos, pela reprogramação do
dia a dia. As histórias de vida e os significados atribuídos pelos participantes revelam
a sutileza e a beleza da iniciativa coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde,
Departamento de Saúde Mental.
Mas o grande mérito do projeto Re-Tratos é ter oferecido a oportunidade aos próprios sujeitos de se retratarem conforme suas próprias perspectivas, desejos e vontades, pois a grande maioria dos ensaios fotográficos dessa natureza, embora bem
intencionados, deixam a desejar em termos de autenticidade no que se refere ao olhar
sobre o outro. Nesse sentido, ainda que se pretenda um olhar mais sensível, visando
tirar essas pessoas da invisibilidade, os ensaios fotográficos que não consideram o
olhar dos próprios sujeitos envolvidos sobre si mesmos e a sua realidade findam
simplesmente por reproduzir a mesma lógica que fundamenta a indiferença da sociedade, a saber, a redução do outro a um objeto de análise.
Um dos grandes problemas relacionados à forma como as pessoas percebem
outro ser humano é esse hábito comum e pouco refletido de projetar as suas próprias
convicções e verdades sobre o outro. Isso dá origem a inúmeros preconceitos, os
quais consistem em negar a diferença pela dificuldade de lidar com ela sob uma perspectiva racional. Nesse caso, o olhar da sociedade sobre a população em situação de
rua, principalmente sobre aquelas pessoas que apresentam distúrbios psiquiátricos,
se caracteriza como um olhar que constitui o outro a partir de si mesmo, com base em
seus próprios referenciais e padrões civilizatórios, que foram herdados culturalmente.
A sociedade ocidental se funda em ideais de racionalidade e produtividade que definem o ser humano a partir do uso de sua faculdade mental e de sua capacidade para
gerar renda e riqueza por meio do trabalho. Essa lógica faz com que as pessoas que
não se enquadram nessa perspectiva sejam ignoradas, excluídas e sujeitas a inúmeras formas de violência, justamente por serem consideradas quase como não humanas, por não poderem ser identificadas com o conceito de humano pré-determinado.
Embora ninguém admitiria que uma pessoa seja menos humana por não apresentar um comportamento padrão, na prática o que se evidencia é que a experiência
de estranhamento diante da diferença causa um tipo de dificuldade para o modelo mental que caracteriza o senso comum e mesmo às abordagens científicas. Vale
lembrar que a própria psiquiatria foi responsável por inúmeras violações aos direitos
humanos, na tentativa de devolver a razão aos pacientes psiquiátricos, por meio do
que ficou conhecido como o século das grandes internações. O que se pretendia era
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tirar os seres que não se identificavam com o que se constituiu como modelo de ser
humano das vistas da sociedade, ou seja, uma completa anulação da diferença. Daí
a importância desse projeto fotográfico, pois não se tratou de um olhar sobre o outro
que o coisifica e o transforma em material para campanhas publicitárias de caráter
social, mas consistiu em um verdadeiro reconhecimento da alteridade que foi capaz
de ampliar a nossa visão sobre nós mesmos e sobre o que significa ser humano.
O que identificamos nesta produção são mais que retratos. São histórias de vida,
de sobrevivência, de reinvenção, pela estratégia da fotografia que materializa significados e trajetórias. Trata-se de um coletivo de profissionais, direcionado por um
projeto de cidade inclusiva, participativa, justa e mais humana.
Jucimeri Isolda Silveira
Rodrigo Alvarenga
Núcleo de Direitos Humanos da PUC PR
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Inclusão e Olhar
Curitiba, da mesma forma que as demais capitais do país, enfrenta diversos desafios quanto à inclusão social de populações vulneráveis e historicamente ignoradas
pelo Estado. Diversas políticas públicas vêm sendo mobilizadas para inclusão e diminuição de vulnerabilidade de populações indígenas, LGBT e, em particular, população
em situação de rua. Um conjunto de necessidades de saúde está no cotidiano destas
populações, agravada pelo seu histórico de baixo acesso a serviços públicos. E parte da
dificuldade ocorre em decorrência de barreiras de acesso, na medida em que frequentemente os serviços reproduzem o estigma que envolve esta população.
No sentido de desenvolver políticas inclusivas, o município de Curitiba alinhou-se,
por um lado, a políticas de saúde e assistência do governo federal no cuidado a esta
população. Este foi o caso do Consultório de Rua, do Sistema de Abrigamento, os Centros Pop e os CAPS 24 horas. Por outro lado, Curitiba de início a algumas estratégias
próprias, como o Condomínio Social, o Ônibus Intervidas e, no caso atual, o Projeto
Re-tratos da Rua. O conjunto total destas políticas foi reunido em um grande projeto
de governo intersetorial desenvolvido por diferentes secretarias e intitulado Curitiba
Mais Humana. Deste plano surgiram ações potentes, particularmente no campo da
assistência e da saúde: abertura de Casa de Passagem para populações indígenas,
reorganização e expansão da rede de abrigamento, criação de abrigos voltados para
população LGB, abertura de leitos nos Centros de Atenção Psicossocial para usuários
de álcool e drogas que passaram a funcionar 24 horas. E destas e outras ações podemos identificar decorrências importantes, como diminuição da mortalidade destas
populações, aumento do número de usuários inseridos e em tratamento nos serviços
de saúde, melhoria na qualidade de acolhimento.
Dentre as ações do Curitiba mais Humana, destacamos o “Re-tratos da Rua”. O
princípio que envolve este projeto é exercitar a superação da invisibilidade de populações estigmatizadas. A invisibilidade daqueles expostos ao estigma de encontrarem-se
numa condição marginal. Tal processo que torna estes sujeitos invisíveis e representados apenas por um conjunto de estereótipos associados à sua condição de vida tem
sido bastante estudado e descrito. Parte do debate procura diferenciar dois processos
simultâneos, o de invisibilidade e o de naturalização, já que ambos culminam na construção de uma insensibilidade social quanto à condição de pessoas que se encontram
fora do sistema de produção e consumo no cenário urbano. Neste sentido, encontramos
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com relativa facilidade ensaios que procuram retratar a condição e a existência destas
pessoas.
Entretanto, reverter desta forma a invisibilidade pode ser comparado à narrativa da
existência humana a partir de um terceiro. Uma transcrição da experiência do outro a
partir do juízo e do olhar fotográfico do autor. O morador de rua, no caso, continua sendo o outro, interpretado, entendido, retratado e julgado pelo fotógrafo. Estes ensaios,
ainda que ricos na capacidade de retratar a realidade destas populações, são frágeis
na representação da experiência de viver-se na rua. O objetivo principal do projeto Retratos da Rua foi permitir que pessoas que vivem ou que experimentaram ter as ruas
como lugar de moradia, relação social e cotidiano pudessem expressar artisticamente
esta experiência. E desta forma, criar em função de sua biografia a ressignificação de
espaços públicos com referência neste novo olhar retratado.
Para que este processo pudesse se dar, foi necessário construir com eles o olhar
fotográfico, ferramenta fundamental para expressão de como estas pessoas vivenciavam, a partir de sua própria narrativa, a apropriação de espaços públicos. Isto permitiu
que os novos fotógrafos se comunicassem e expressassem sua experiência através de
imagens que neste catálogo são compartilhadas.
O resultado é belíssimo. Porque dota de humanidade e significado espaços públicos, normalmente duros e com sentidos pré-formulados. O projeto como um todo
permite a apropriação de praças, ruas, escadas e calçadas que deixam de ser coletivos,
ganhando um aspecto íntimo e privado. Apropriados por aqueles que têm ou tinham
nestes locais, seu cenário de vida, envolvido em memória e afeto.
Marcelo Kimati, Diretor Saúde Mental
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Projeto Re-tratos da Rua
O projeto nasceu da ideia de oferecer atividade artística para pessoas usuárias de
álcool e drogas que tiveram a experiência de estar, em algum momento, em situação
de rua; entendidas como pessoas em vulnerabilidade e socialmente estigmatizadas.
O objetivo é proporcionar visibilidade às pessoas vulneráveis. Sim, virar a lente da
câmera, de objeto de fotografia a sujeito e possibilitar seu protagonismo, através do
registro de imagens do cotidiano, de como percebem a cidade e sua condição. Construir
com isso a própria reinserção social.
Direcionado para pessoas em atendimento nos serviços que tratam e/ou acolhem
usuários de álcool e drogas. CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial, dispositivo da
SAÚDE, e Centro Pop, serviço voltado à assistência de população de rua.
Aprovado na Segunda Chamada para projetos de fortalecimento de protagonismo de
usuários da Rede de Atenção Psicossocial – realizada pelo Ministério da Saúde.
Todo o processo foi muito rico e intenso, desde compor equipe, visitar espaços,
divulgar a Oficina de Fotografia, planejar as turmas, receber os alunos, desenvolver o
curso propriamente, com aulas teóricas, cuidadosamente planejadas, aulas práticas,
atividades externas de circulação em praças, parques e ruas da cidade, bem como
visita a museu. As rodas de conversa com reflexões sobre fotos, saúde, e projetos de
vida. O preparo das exposições e, por fim, a publicação do catálogo.
O processo envolveu muitas pessoas, departamento de saúde mental, fotógrafos,
profissionais de apoio do Centro de Convivência, coordenadores e profissionais de
CAPS AD e coordenador de Centro Pop, usuários dos CAPS e Centro Pop que aceitaram
o convite do projeto e participaram como alunos!
O objetivo de reinserção social foi debatido e vivenciado, os alunos relatam a sensação de pertencimento ao grupo Re-tratos da Rua, e muitos referem ao aspecto terapêutico do projeto, que ao se constituir possibilitou algo novo, a ressignificação de
situações de vida. A memória e o afeto retratados através da linguagem fotográfica,
da revisita a lugares, cenários e histórias. Do perceber-se em outro lugar, em novo
momento, e descobrir a possibilidade de novos olhares, para a cidade, para as pessoas
e para si mesmo!
13
O catálogo é uma mostra da experiência dos alunos, da circulação pelos espaços
públicos e do registro do cotidiano! É uma forma de como ver a cidade!
Patrícia Folly, Psicóloga da Prefeitura Municipal de Curitiba
e coordenadora do projeto
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Olhar Fotográfico
O Projeto Re-Tratos da Rua, nas oficinas de fotografia, teve o intuito de criar a experiência da autoria fotográfica em um grupo de vulnerabilidade social e trazer novos
significados, a fim de viabilizar o protagonismo de cada aluno envolvido.
Aprendendo sobre noções essencialmente fotográficas, o grupo se desenvolveu
no curso com a experiência da criação e autoria de imagens mediante a utilização de
câmeras fotográficas.
Noções sobre os pontos fundamentais da fotografia, como cor, planos, foco, ângulos, iluminação, perspectiva e composição serviram para desenvolver um olhar único,
o que contribuiu para análises pessoais e de obras do grupo.
A análise da luz com técnicas trouxe o sujeito como criador de sua obra, revelando
as expressões artísticas de cada um, às vezes intencional, às vezes ao acaso, considerando a vida e sua imprevisibilidade, muitas vezes foi possível a captura fotográfica
para expressar experiências próprias. Podemos chamar de um projeto autográfico
onde a autonomia se expressa através de imagens.
No decorrer do curso, as fisionomias foram mudando, as marcas de cada aluno
foram se revelando juntamente com o reconhecimento de arte própria e o retrato de
cada um surgiu em sua obra autoral.
Cada fotografia envolveu conhecimento, procedimentos fotográficos, realizações
pessoais e lapidou a estranheza de si mesmo em um mundo antes desconhecido,
lugares que antes eram vistos como comuns, outdoors, comerciais, panfletos ou qualquer imagem de linguagem fotográfica, agora são referencias.
Inicialmente havia estranheza, depois a intimidade com o equipamento; muitos
foram ressignificando seu dia a dia, trazendo a linguagem técnica para seu mundo.
De forma legível e significado patente o Re-Tratos da Rua trouxe um antídoto
contra toda a falta de auto estima. O sucesso expresso nos sorrisos de cada um que
aprendeu sobre sua própria capacidade de criar é o retrato da rua mais bonito que
podemos contemplar.
Giselle Durigan – Fotógrafa e professora do projeto
15
Painel Re-Tratos da Rua
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Rubens Alcântara, Lugares onde morei, Largo da Ordem – Curitiba/2015
Rubens Alcântara, Lugares onde morei, Praça Osório – Curitiba/2015
Rubens Alcântara, Lugares onde morei, Rua XV ou Rua das Flores – Curitiba/2015
Rubens Alcântara, 58 anos, aos 10 anos perdeu os pais, desde então em situação de
rua. Estudou e trabalhou. Fez tratamento no Caps. Na primeira vez que fotografou, teve
vontade de registrar os lugares onde morou na rua. Fez curso de vigia, foi aprovado em
1º lugar, trabalha atualmente. Morador do Condomínio Social – dispositivo da FAS. Quer
ser frentista. Projeto de vida.
Francielle Lima, Sem título - Curitiba/2015
Francielle Lima, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Francielle Lima, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Francielle “O projeto é legal porque tem início, meio e produz algo. Tem continuidade. Não é só atividade para passar tempo. Vocês acolhem a gente de outra maneira,
como protagonista da própria história. Tem a exposição, estou ansiosa para ver a
exposição.”
“Para mim foi muito bom o curso, eu já tinha noção de fotografia, mas voltar aos lugares, ver lugares que estive em outros momentos da minha vida e agora vendo por
outra perspectiva. Lembro da foto do relógio, em manutenção, talvez eu continue em
manutenção, mas me sinto viva, me sinto forte”.
Fábio Shibata, Sem título, Ruínas - Curitiba/2015
Fábio Shibata, Sem título, Ruínas - Curitiba/2015
Fábio Shibata, Sem título, Ruínas - Curitiba/2015
Fábio Shibata, Sem título, Ruínas - Curitiba/2015
Killian Araujo, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Killian Araujo, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Juliano Veto, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Eunice Saldanha, Sem título, Rua XV ou Rua das Flores - Curitiba/2015
Eunice Saldanha, Sem título, Rua XV ou Rua das Flores - Curitiba/2015
Eunice Saldanha, Sem título, Rua XV ou Rua das Flores - Curitiba/2015
Eunice Saldanha, 37 anos, 2º casamento, 2 filhos, 1 neto. Atividades: caminhoneira,
conferencista de automóveis. Estava acima do peso e realizou cirurgia bariátrica. 7
meses após a cirurgia, começou a ter problemas com álcool. Pediu ajuda e teve indicação de Caps AD.
“O Projeto Re-Tratos foi maravilhoso! Em momentos de sanidade ou de loucura, a
gente olha e não vê! Através do curso a gente observa detalhes, pessoas, momentos
e situações que no dia a dia parecem não ter importância.”
Luis Fernado Piovezan, Sem título, Paço da Liberdade - Curitiba/2015
Luis Fernado Piovezan, Sem título, Praça Rui Barbosa - Curitiba/2015
Luis Fernado Piovezan, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Luis Fernado Piovezan, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Marcelino Antonio, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
Marcelino Antonio, Sem título, Escadaria TUC- Curitiba/2015
Marcelino Antonio, Pelos cantos do centro da cidade, Centro da cidade - Curitiba/2015
Marcelino Antônio, 59 anos, natural de Jaguapitã. Diversos trabalhos. Afastado para
tratamento. Episódio de atendimento na UPA. Na consulta, contemplando a situação
ouviu da enfermeira sobre o CAPS e resolveu tentar. Há 10 meses em tratamento,
Marcelino fez novas descobertas, conheceu pessoas e diferentes oportunidades.
“A fotografia amplia a visão, muda a forma como vê as coisas. Hoje observo mais
cenas, situações e contrastes. As fotos na exposição, muito gratificante!”
Engajado no CECO - Centro de Convivência e em outras atividades e em projeto de
geração de renda.
Nelson A. C., O próximo passo, Paço da Liberdade - Curitiba/2015
Nelson A. C., O próximo passo, Paço da Liberdade - Curitiba/2015
Nelson A. C. - O Próximo Passo, Paço da Liberdade - Curitiba/2015
Nelson A. C., 53 anos, 2 filhos, sociólogo, músico e poeta, politizado e ativista. Um
dia a ficha caiu. Descobriu o CAPS, fez tratamento, gostou do modelo e melhorou.
Engajado, tem novos projetos de vida.
Claudecir Araujo, Pelas ruas do bairro, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Claudecir Araujo, Sem título, Pelas ruas da cidade - Curitiba/2015
Claudecir Araújo, 42 anos, natural de Paranaguá-PR. História de 3 internações. Tratamento no CAPS. O Projeto Re-Tratos da Rua possibilitou conhecer lugares e pessoas.
Primeira vez que foi ao Museu. “Maravilhoso passear no centro da cidade.”
“Gosto de fotografar paisagem, quero ir morar na praia e fotografar.
Fotografia é como poesia. Retrata o começo da vida, o meio e o fim! A gente vai e a
foto fica de recordação!”
Thiago Osmar das Chagas, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
Thiago Osmar das Chagas, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
Valdir da Rocha, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Valdir da Rocha, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Valdir da Rocha, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Valdir da Rocha, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Valdir da Rocha, 61 anos, casado, 3 filhos, natural do interior São Sebastião Moreira SP, há 40 anos em Curitiba. Problemas no trabalho e na família, história de internação.
Indicação de CAPS, em tratamento. “Sonho de criança fazer curso de fotografia” disse
na primeira aula. Primeira vez que fotografou. Ficou feliz em participar da Exposição.
“Reconhecimento!” disse ele.
Lincoln TT, Sem título, Praça Rui Barbosa - Curitiba/2015
Adão da Silva, Sem título, Belvedere, Ruínas de São Francisco - Curitiba/2015
Roque Campos, Sem título, Escadaria Cemitério Municipal - Curitiba/2015
Nelson A.C, Sem título, Escadas Largo da Ordem - Curitiba/2015
Raphael Luis dos Santos, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
Genivaldo da Costa, Sem título, Praça Rui Barbosa - Curitiba/2015
Maria Pinheiro, Sem título, Rua XV de Novembro - Curitiba/2015
Juliana Guimarães, Sem título - Curitiba/2015
Gilmar Camuzzato, Sem título, Rodoviária - Curitiba/2015
Luis Antonio Santos, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Bia Nauroski, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
Bia Nauroski, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
José M. Nunes, Sem título - Curitiba/2015
José M. Nunes, Sem título - Curitiba/2015
Carlos Umberto, Pulga, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Carlos Umberto, Pulga, Sem título, Rodoviária - Curitiba/2015
Carlos Umberto, Pulga, Autoretrato - Curitiba/2015
Carlos Umberto, 45 anos. História de acolhimento institucional aos 4 anos, aos 16
em situação de rua. Novos vínculos familiares e perda importante. Há 20 anos alterna
situação de rua e moradias. Há 5 anos é ativista do Movimento da População de Rua.
Marcos Aurélio dos Santos, Sem título, Rodoviária - Curitiba/2015
Marcelino Antônio, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Jair da Silva, Sem título, Praça Rui Barbosa - Curitiba/2015
José Santos, Sem título, Alto da XV - Curitiba/2015
“Fazer o curso me ensinou a ter foco, você começa a observar as coisas, o prédio novo,
os rostos de quem passa pela rua, a fotografia me ajudou bastante ampliou a minha
visão. Aprendi a ver.”
Jose do Espírito Santo
JS Garcia, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
JS Garcia, Sem título, Passeio Público - Curitiba/2015
Julio Ramos, Sem título, Praça Santos Andrade - Curitiba/2015
Julio Ramos, Sem título, Praça Osório - Curitiba/2015
Jeferson Martins de Oliveira, Sem título, Praça do Expedicionário - Curitiba/2015
Jeferson Martins de Oliveira, Sem título, Mercado Municipal - Curitiba/2015
Jaime Wosch, Sem título, Rua da cidade - Curitiba/2015
Jefferson Luis dos Santos, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Jefferson Luis dos Santos, Sem título, Centro da cidade - Curitiba/2015
Nelson A. C., Sem título, Catedral, Praça Tiradentes - Curitiba/2015
Jorge Luis, Sem título, Galeria TUC - Curitiba/2015
Luis Antonio Prestes, Kid, Sem título, Paço da Liberdade - Curitiba/2015
Luis Antonio Prestes, Kid, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Luis Antônio, Kid, 39 anos - Aos 7 anos história de acolhimento, relata problemas na
escola e familiares. “Precisei morrer para viver” (sic). Aos 37 anos teve ferimento grave, e tudo mudou. Ficou 60 dias em UTI e “acordei diferente”. Tratamento no CAPS AD.
Valmir Paiva, Sem título, Praça de Bolso do Ciclista - Curitiba/2015
Valmir Paiva, Sem título, Pelas ruas da cidade - Curitiba/2015
Fábio Shibata, 28 anos.
Fez curso de vídeo, tratamento no CAPS. Grande interesse no projeto
Re-tratos,
depoimento
no Dia Mundial de Saúde
Mental, quando o projeto
foi lançado. Pensou em
fazer um documentário do
projeto. Ficou feliz com as
exposições.
Fábio Shibata, Sem título, Largo da Ordem - Curitiba/2015
Por trás das câmeras
1ª. Turma Re-Tratos da Rua, Centro de Convivência - Curitiba/2015
1ª. Turma Re-Tratos da Rua, atividade externa, Largo da Ordem - Curitiba/2015
3ª Turma Re-Tratos, atividade externa, Escadaria UFPR - Curitiba/2015
Nelson A.C. “ Aula externa é uma experiência muito legal. Chama a atenção das pessoas, por que ocupamos lugares da cidade, um grupo com objetivo comum, isso é
uma coisa nova. As pessoas estão fazendo coisas individualmente, não se vê grupos.
A gente interage com as pessoas, não fica só na foto e pronto. Interage com o meio que
esta sendo fotografado, isso é uma intervenção na cidade.”
Créditos: Douglas Frois
1ª e 2ª Turmas Re-Tratos, Visita ao Museu Oscar Niemeyer - Curitiba/2015
Aulas Externas, Museu Oscar Niemeyer - Curitiba/2015
Aulas Externas, Praça do Expedicionário - Curitiba/2015
Aulas Externas - Curitiba/2015
1ª e 2ª Turmas Re-Tratos, Entrega de Certificados - Curitiba/2015
Oficinas Re-Tratos da Rua
Retrato de lado, retrato de frente,
De mim me faça, ficar diferente.
Paulo Leminski
O projeto desenvolveu-se pautado em seus objetivos principais: dar visibilidade à
população usuária de álcool e outras drogas e/ou em situação de rua, e promover a
inserção social. Coordenado pelo Departamento de Saúde Mental, teve como meta principal possibilitar aos participantes a captura do olhar sobre a cidade, assim as oficinas
foram direcionadas para construção do olhar fotográfico.
O projeto constituiu-se nas seguintes etapas:
• Oficina de Fotografia divulgada nos CAPS AD e no Centro Pop Matriz –, o curso teve
carga horária de 24 horas, divididas em encontros de 2 horas, 2 vezes por semana,
com parte teórica – em sala de aula, com abordagem dos módulos: foco, zoom, cor,
preto e branco, tempo e movimento, composição e outros elementos, e prática - as
atividades externas, passeios em espaços públicos, ruas e praças da cidade, com o
trajeto proposto pelos participantes, e visita ao Museu Oscar Niemeyer – exposição
Genesis de Sebastião Salgado. Realizou-se 4 turmas, com a participação de mais de
60 pessoas, que era o objetivo inicial. As oficinas ocorreram no período entre outubro
de 2014 e maio de 2015, foi planejada e realizada por fotógrafos com experiência em
instrutoria e participação em movimentos sociais, bem como em arte e estética.
• Exposição das fotografias: Realizou-se exposições em eventos de Saúde Mental,
com a participação dos autores das fotos.
- Prefeitura Municipal de Curitiba, como parte da comemoração do aniversário da
cidade, em evento de assinatura de decreto que marcou a inserção da Política
sobre Drogas na SMS.
- Memorial de Curitiba, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, evento com caminhada e apresentações culturais, e outros.
• Produção de WebSite, www.retratosdarua.com.br para divulgar o projeto em
rede social.
• Catálogo de Fotos: Registro da produção dos participantes, com fotos e fragmentos de algumas histórias de vida, que apresentamos nesta publicação.
Destaque para o interesse na continuidade do projeto, o grupo busca viabilizar novos estudos sobre fotografia . Re-tratos da Rua, um projeto em construção!
70
Considerações Finais
Foi um prazer compartilhar o resultado do Projeto Re-Tratos da Rua, pois foi extremamente gratificante para os alunos e para os profissionais envolvidos.
A oficina de fotografia, as aulas teóricas e práticas, as rodas de conversas, as exposições e o catálogo de fotos são produções extremamente importantes para o fortalecimento do protagonismo dos alunos. Eles enfatizaram o aspecto de inserção social, da
integração entre os participantes, da circulação pela cidade e aprendizado.
Apontam para a experimentação da fotografia como instrumento terapêutico que,
através das aulas, mobilizou sensibilidade para novos olhares das pessoas, da paisagem, do cotidiano e de si mesmas. As imagens registradas de paisagens urbanas, pessoas, cenas de rua, detalhes de
arquitetura, flagrantes do cotidiano foram selecionadas cuidadosamente, como uma
grande mostra do olhar que pessoas em situação de vulnerabilidade têm da cidade, e
de suas experiências de vida.
Convidamos você a circular pela cidade, olhar os lugares retratados, perceber outras cenas urbanas, certamente será um novo olhar!
Agradecemos a todos que participaram do projeto!
71
Lista de Participantes
Adão da Silva
Adelar P. Bruck
Anderson Ribeiro
Aquilla Killian Araujo
Beatriz Nauroski
Carlos Umberto dos Santos
Claudecir Muniz de Araujo
Eunice da Silva Saldanha
Fabio Cesar Shibata
Francielle de Oliveira Lima
Genivaldo da Costa
Gerson Luis Padilha
Gilmar Camuzzato
Jair da Silva
Jayme Rogerio Wosch
Jeferson Martins de Oliveira
Jefferson Luis dos Santos
Jorge Luiz R. dos Santos
Jose do Espirito Santo
Jose Maria Nunes de Souza
Jucelino da Silva Garcia
Juliana Guimarães de Lima
Juliano Veto Guimarães
Julio de Jesus Camargo Ramos
Lincoln Zonatto
Luiz Antonio dos Santos
Luiz Antonio Prestes Dias – Kid
Luiz Fernando Piovezan
Maria J. B. Pinheiro
Marcelino Antonio Bespalhok
Marcos Aurélio dos Santos
Nelson Ari Cardoso
Raphael Luiz dos Santos
Ronaldo Bueno
Roque S. Campos
Rubens Alcantara dos Santos
Thiago Osmar das Chagas
Valdir da Rocha
Valmir Antonio Ribas de Paiva
Vânia Nunes
Walace Soares Dias
Wilson Aguiar Moura
Equipe do Projeto
Fotógrafos
Camila Ferraz
Carolina Godoy
Douglas Frois
Giselle Durigan
Centro de Convivência Matriz
Maria Concilia Medeiros R. Ayres
Rosangela Pimentel
Curadoria
Douglas Frois
Apoio
Minuta Comunicação, Cultura
e Desenvolvimento Social.
Coordenação do Projeto Re-Tratos da Rua
Patricia Folly
Contato: www.retratosdarua.com.br
[email protected]
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Marcelo Kimati Dias
Médico Psiquiatra, Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, assessor
da política de saúde mental, álcool e drogas do Ministério da Saúde até
2011, atualmente diretor de Saúde Mental da Secretaria Municipal da
Saúde de Curitiba. Autor do livro “Dispositivos de Atenção em Saúde
Mental e seus desafios”.
Patrícia Precce Folly
Psicóloga, especialista em Saúde Coletiva e Psicologia Médica. Coordenadora de projetos de saúde e arte: Loucos por Teatro, SMS e MedClown,
Universidade Positivo. Atua na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Departamento de Saúde Mental.
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Re-Tratos da Rua é um projeto de inclusão social, desenvolvido para
pessoas em vulnerabilidade pelo uso de álcool e outras drogas, em
atendimento nos serviços de Saúde e Assistência Social da cidade, e
compõe o programa Curitiba Mais Humana.
A partir de oficinas de fotografia, os participantes percorreram as ruas e
as praças da cidade, com objetivo de capturar imagens, registrar
sentidos e significados de locais familiares a eles, também revisitaram
suas memórias, afetos e criaram novos olhares.
O catalogo é a mostra da experiência vivenciada pelos participantes, são
imagens que revelam cenários de vida, paisagens urbanas, pessoas,
flagrantes do cotidiano e contexto social, um belo material que compartilhamos com o público.
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A Construção do Olhar Fotográfico de Populações Invisíveis