Anais do Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - GEONORDESTE 2014
Aracaju, Brasil, 18-21 novembro 2014
APICUM DO ESTUÁRIO DE BARRA DE GRAMAME-PB: ESPAÇO-TEMPORAL
UTILIZANDO SENSORIAMENTO REMOTO
Elânia Daniele Silva Araújo1, Janaína Barbosa da Silva²
¹Aluna do Curso de Geografia, Unidade Acadêmica de Geografia, UFCG, Campina Grande, PB, E-mail: [email protected]
²
Professora, Doutora, Unidade Acadêmica de Geografia, UFCG, Campina Grande, PB, E-mail: [email protected]
RESUMO
O apicum ou planícies hipersalinas possui uma característica de relevo mais ondulado e interno, banhada
apenas por marés de amplitudes mais elevadas denominadas sizígia. Algumas pesquisas estão sendo
desenvolvidas no que se refere ao apicum como objeto de estudo, entre essas encontram-se as que se
referem a localização, mapeamento e análises espaço temporal. O mapeamento dos apicuns, atualmente
vem tendo o aporte do Sensoriamento Remoto (SR) objetivando identificar as transformações ocorridas
no espaço-tempo. A área de estudo possui 3,75km², localizada em Barra do Gramame, município do
Conde, litoral Sul da Paraíba. Para obtenção dos resultados realizou-se a calibração radiométrica e em
sequência cômputo da reflectância. Estimativas: Cômputo da Reflectância – CR; Índice de Vegetação
da Diferença Normalizada - IVDN e o Índice de Vegetação Ajustado para os Efeitos do Solo-IVAS e as
classificações supervisionadas e não supervisionadas. Identificou-se a expansão da feição apicum
quando comparada as imagens de 2000, 2005 e 2010. Na imagem de 2000 o apicum foi quantificado em
13,5ha, em 2005 com 15,66ha e um aumento de 2,16ha entre as duas imagens, concluindo-se que houve
um aumento gradual da área em estudo.
PALAVRAS-CHAVE: PLANÍCIES HIPERSALINAS, IMAGENS DE SATÉLITE, LITORAL SUL
INTRODUÇÃO
O apicum ou planícies hipersalinas caracteriza-se por seu relevo mais ondulado e interno, banhada
apenas por marés de amplitudes mais elevadas denominadas sizígia (SILVA, 2012). São áreas arenosas
as quais podem ser totalmente desprovidas de vegetação por possuir alta salinidade, apresentam
característica de solo exposto, e em alguns casos dispõe de espécies vegetais como as herbáceas halófitas
que se adaptam as áreas com menor salinidade (SILVA, 2012). Ocorrendo em áreas de borda interna do
manguezal, são ambientes de transição entre os sedimentos de encostas e os sedimentos de manguezais
(UCHA e HADLICH, 2006).
Algumas pesquisas estão sendo desenvolvidas no que se refere ao apicum como objeto de estudo, entre
essas encontram-se as que se referem a localização, mapeamento e análises espaço temporal a fim de
evidenciar a espacialização dessas áreas e a verificação das transformações que vêm ocorrendo em um
determinado intervalo de tempo. (SILVA, 2012; SANTANA, 2013; OLIVEIRA & BARCELOS, 2013).
O mapeamento dos apicuns, atualmente vem tendo o aporte do Sensoriamento Remoto (SR), o qual irá
permitir através da interpretação das imagens de satélites, a realização deste mapeamento no espaçotempo objetivando identificar as transformações ocorridas. Assim, o SR é a ciência que permite captar
informações de um dado objeto sem que haja o contato físico com o mesmo, embora não seja necessária
a ida a campo é fundamental a validação do mapa resultante deste processo.
Partindo do pressuposto de que poucos estudos têm sido desenvolvidos para essas áreas no Estado da
Paraíba, e que a análises destas são essenciais para entender as transformações ocorridas nesses
ambientes, este trabalho objetivou analisar espaço temporalmente o apicum o estuário de Barra de
Gramame-PB.
129
Anais do Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - GEONORDESTE 2014
Aracaju, Brasil, 18-21 novembro 2014
METODOLOGIA
A área de estudo possui 3,75km², localizada em Barra do Gramame, município do Conde, litoral Sul da
Paraíba a aproximadamente 20km de João Pessoa (DIAS E ARAÚJO, 2011). O trabalho de campo foi
realizado no dia 26-12-2013 para a delimitação atual do apicum, com auxílio de um receptor de GPS
Garmin-72, para criar uma shapefile georeferenciada. Todo o trajeto seguiu a borda entre o apicum e o
mangue, este com duração de duas horas, percorrendo o equivalente a 3,75km. Depois realizou-se o
upload do polígono através do software gratuito GPS TrackMaker que permitiu a criação da shapefile.
Para a análise espaço temporal, utilizaram-se imagens dos satélites Landsat 5, com intervalo de cinco
anos.
Após a aquisição foi realizado o pré-processamento e processamento das imagens. O pré-Processamento
de Imagens iniciou-se com a aquisição das mesmas no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE
correspondentes a orbita 214 e ponto 65. Separadamente as três imagens as bandas foram empilhadas,
ou seja, tiveram suas informações sobrepostas e em seguida foram reprojetadas para o datum WGS-84,
corrigidas geometricamente e recortadas conforme a delimitação territorial da área de estudo.
O processamento das imagens consiste na calibração radiométrica e em sequência cômputo da
reflectância (Markham & Baker, 1987). Em seguida foram testadas as estimativas: Cômputo da
Reflectância – CR; Índice de Vegetação da Diferença Normalizada - IVDN e o Índice de Vegetação
Ajustado para os Efeitos do Solo-IVAS.
Por fim procedeu-se a classificação não supervisionada utilizando o método Maxver (30 classes) em
seguida a classificação supervisionada com classes congregadas em dois grupos: apicum (amarelo) e
outros (marrom).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Escolha da Estimativa: Antes de analisar espaço temporalmente a área, fez-se uma investigação de
qual estimativa responderia e se aproximaria melhor da delimitação real da área em estudo. Para tanto,
fez-se a sobreposição da shapefile que representa a delimitação atual do apicum sobre as Estimativas, e
percebeu-se que o CR aproximou-se mais da delimitação real da área, sendo o escolhido para as análises
(Figura 1). Silva (2012) em seu trabalho sobre o ecossistema manguezal, investigou sobre a melhor
estimativa para identificação de vegetação de mangue e constatou que o CR se caracterizou como a
melhor estimativa para analisar o ecossistema manguezal em todas as suas feições o que condiz com os
resultados encontrados para a área em estudo.
Figura 1. Teste das estimativas (Computo da Reflectância, IVAS e IVDN)
130
Anais do Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - GEONORDESTE 2014
Aracaju, Brasil, 18-21 novembro 2014
Análise espaço-temporal: Identificou-se a expansão da feição apicum quando comparada as imagens
de 2000, 2005 e 2010. Identificou-se um aumento de área gradual para o primeiro e segundo intervalos
de análises. Na imagem de 2000 o apicum foi quantificado em 13,5ha, em 2005 contabilizou-se 15,66ha
com um aumento de 2,16ha entre as duas imagens. Para 2010 a feição foi quantificada em 16,56ha, com
acréscimo de 0,9ha em relação a 2005.
As principais expansões no apicum estão dispostas nas porções noroeste (A), nordeste (B) e sudeste (C)
(Figura 2).
Figura 2. Análise espaço temporal da feição apicum
Aumento de áreas da s feições apicum tem sido contabilizadas em todo litoral brasileiro. Na costa baiana
Hadlich e Ucha (2009) constataram o avanço do apicum sobre o mangue, no estuário de Jacuruna,
município de Jaguaripe-BA, estes utilizaram imagens de satélite e fotografias aéreas para comparar
períodos de 1976 à 2007. Como resultado de processos erosivos das encostas no entorno do mangue
onde o avanço do material sedimentar sobre a vegetação causo a sua morte e consequente
desaparecimento.
Santana (2013) ao estudar os apicuns do estuário de Itapessoca em Barra de Catuama-PE, identificou
situações de aumento e de recuo dessa feição através do uso de imagens de satélite. A autora ao analisar
a área estuarina para o ano de 1979 identificou nove apicuns, em 2010 identificou que dois
desapareceram completamente sendo recobertos por vegetação de mangue, três apresentam diminuição
de área em detrimento do aumento da vegetação enquanto três apresentaram aumento de área.
Situação oposta foi encontrado por Pellegrini (2000) na Baía de Sepetiba-RJ, através de levantamentos
da microtopografia e coleta de amostra de sedimentos. O autor constatou o avanço da vegetação de
mangue sobre o apicum, onde a principal condicionante por ele identificado foi a elevação dos índices
pluviométricos no ambiente. Tal elevação resultou na diminuição da salinidade que por sua vez
favoreceu a colonização do apicum por espécies de mangue tolerantes aos níveis então encontrados na
área.
Assim, analisar espaço temporalmente a feição apicum do estuário de Gramame e comparar os
resultados com estudos desta feição para outras áreas litorâneas identificou-se o ecossistema manguezal
como um ambiente “pulsante”, ou seja, que apresenta resposta rápida as alterações ambientais.
131
Anais do Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - GEONORDESTE 2014
Aracaju, Brasil, 18-21 novembro 2014
O aumento do apicum significa diretamente a supressão da vegetação de mangue. Logo, este ambiente
reflete alterações de curto prazo na hidrodinâmica, pluviosidade e variação do mar que podem favorecer,
dificultar ou restringir a presença da vegetação se apresentando como um excelente indicador de
mudanças ambientais e/ou climáticas.
CONCLUSÕES
Para o apicum, constatou-se que a melhor estimativa para identificação de área foi o CR, o que permite
concluir também que esta se caracteriza como a melhor estimativa para analisar o ecossistema
manguezal em todas as suas feições.
Identificou-se a expansão da feição apicum quando comparada as imagens de 2000, 2005 e 2010. Na
imagem de 2000 o apicum foi quantificado em 13,5ha, em 2005 com 15,66ha e um aumento de 2,16ha
entre as duas imagens. Para 2010 a feição foi quantificada em 16,56ha e acréscimo de 0,9ha em relação
a 2005.
O aumento do apicum significou diretamente a supressão da vegetação de mangue. Logo, este ambiente
reflete alterações de curto prazo na hidrodinâmica, pluviosidade e variação do mar que podem favorecer,
dificultar ou restringir a presença da vegetação se apresentando como um excelente indicador de
mudanças ambientais e/ou climáticas.
REFERÊNCIAS:
DIAS, Graciele Mousinho; ARAÚJO, Elânia Daniele Silva; SILVA, Janaina Barbosa. Turismo no
Estuário de Barra de Gramame-conde/PB. Anais do I Encontro de Ecologia da Paraíba-ENECO, Rio
Tinto, 2011. 11p.
HADLICH, Gisele Mara; UCHA, José Martin. Apicuns: Aspectos gerais, evolução recente e
mudanças climáticas globais. Revista Brasileira de Geomorfologia - v. 10, nº 2, Bahia, 2009. p.13-20.
MARKHAM, B.L., BARKER, L. L. Thematic Mapper Bandpass Solar Exoatmospherical
irradiances. International Journal of Remote Sensing. V.8, N.3, 1987. p. 517-523.
OLIVEIRA, Thaís de Santana; BARCELLOS, Roberto Lima. Caracterização sedimentológica e
geoquímica do apicum do sistema estuarino do rio Itapessoca, Goiana, Pernambuco, Brasil.
Tropical Oceanography (Online), v. 41, 2013. p. 82.
PELLEGRINI, J. A.C.. Caracterização da planície hipersalina (apicum) associada a um bosque de
mangue em Guaratiba, Baía de Sepetiba, Rio de Janeiro- RJ. 2000. Dissertação (Mestrado em
Oceanografia Biológica). Universidade de São Paulo. São Paulo. 114p.
SANTANA, Neiva Marion Guimarães de. Apicuns de Barra de Catuama-Pe: Análise Espaço
Temporal e Características Físicas e Químicas dos Sedimentos. Recife,2013. 76p.
SILVA, Janaína Barbosa da. Relação entre componentes Físicos e Químicos dos solos de Apicuns e
suas respostas espectrais. In Sensoriamento Remoto Aplicado ao Estudo do Ecossistema Manguezal
em Pernambuco. Pernambuco, 2012. 147-185p.
UCHA, J. M.; HADLICH, G. M. Características e formação de apicuns na Baía de Todos os Santos,
BA. Anais do VI Simpósio Nacional de Geomorfologia/ Regional Conferenceon Geomorphology, 2006.
1p.
132
Download

APICUM DO ESTUÁRIO DE BARRA DE GRAMAME