edição n0 4 - dezembro de 2010
Experiências de todo brasil
APRESENTAÇÃO
AGENDA 21 E JUVENTUDE
Produção e Consumo Sustentáveis –
Experiências de Trabalhos Sustentáveis
Ao considerarmos a potencialidade da juventude atual para a adequação da atividade
humana a novos padrões de sustentabilidade, vemos que esta é uma geração estratégica
para a implementação das diretrizes apontadas na Agenda 21. Esta é a primeira geração
a nascer em um contexto de ampliação dos direitos civis e da percepção dos impactos da
ação humana sobre o meio ambiente.
A Agenda 21 Global, em 1992, trazia em seu Capítulo de nº 4, intitulado Mudança dos
Padrões de Consumo, a necessidade do “Desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais de estímulo a mudanças nos padrões insustentáveis de consumo” e apontava este
tema como transversal às questões de energia, transportes, resíduos, instrumentos econômicos e transferência de tecnologia. Seguindo o contexto internacional, a Agenda 21
Brasileira, construída através de um processo participativo que envolveu milhares de pessoas em todo o país, trouxe como seu Objetivo n° 1 a “Produção e consumo sustentáveis
contra a cultura do desperdício”.
Neste sentido, a SAIC (Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental) do
Ministério do Meio Ambiente vem implementando políticas efetivas de redução do consumo e do desperdício. Através de campanhas de alcance nacional como a “Saco é um Saco”,
iniciada em 2009, foi possível evitar o consumo de cerca de 1 bilhão de sacolas plásticas.
Ao mesmo tempo, a SAIC tem trabalhado de forma estratégica a inserção de novas perspectivas sobre produção e consumo em programas e planos de governo. Como exemplo,
foi realizada em 2010 consulta pública sobre proposta para o PPCS – Plano de Ação para
Produção e Consumo Sustentáveis, que traz mecanismos de implementação de ações nas
áreas de educação para o consumo sustentável, compras públicas sustentáveis, reciclagem,
construções ecológicas, dentre outras frentes de atuação.
Juntamente com o Ministério da Educação e a Secretaria Nacional de Juventude,
a SAIC também vem trabalhando a elaboração do Programa Nacional de Juventude e
Meio Ambiente, que tem como objetivo maior potencializar a formação, a participação
e a ação das juventudes brasileiras para a construção de Sociedades Sustentáveis. Dentre suas linhas de ação, o Programa prevê a área de “Trabalho Sustentável”, que visa criar
soluções de curto e médio prazo para a transformação dos modelos predatórios de exploração dos recursos ambientais, buscando a construção de um mercado de trabalho
gerador de relações socioambientais cada vez mais sustentáveis.
Com vistas a fortalecer estas políticas, a agregar subsídios para o Programa Nacional
de Juventude e Meio Ambiente e a dar destaque às ações das Agendas 21 Locais e de suas
juventudes no que concerne ao consumo sustentável, o Programa Agenda 21 lança este
4° número da Revista Agenda 21 e Juventude, trazendo a temática “Produção e Consumo
Sustentáveis – Experiências de Trabalhos Sustentáveis”.
Agradecemos as contribuições de todos os jovens participantes e convidamos os leitores a tomar suas experiências e reflexões, com seus pontos de vista bastante diversos,
como incentivos à multiplicação de atitudes mais críticas, pró-ativas e transformadoras
das relações de produção e consumo em que vivemos.
SAIC – Secretaria de Articulação Institucional de Cidadania Ambiental
MMA – Ministério do Meio Ambiente
sumário
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
APRESENTAÇÃO
REFLEXÕES SOBRE A PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEIS: DO DESLOCAMENTO DE PARADIGMA À BUSCA DE ESTRATÉGIAS ALTERNATIVAS
Autoras: Juliana Rosa Pimentel e Rejane Martins dos Santos.............................................................. 4
JUVENTUDE E OS NOVOS PADRÕES DE CONSUMO: AGIR LOCAL E PENSAR GLOBAL
Autores: Diogo Damasceno Pires, Giivago Barbosa de Oliveira e Thaís Lourenço Cruvinel................6
EDUCAÇÃO E AGENDA 21 ESCOLAR: PRESSUPOSTO PARA REVER HÁBITOS SOCIAIS, VIVENCIANDO CONCEITOS DE CONSUMO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Autora: Elineusa Silva ......................................................................................................................................... 9
AGENDA 21 E ECONOMIA SOLIDÁRIA: POLÍTICAS INOVADORAS PARA O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
Autores: Lucas Lopes Oliveira e Sara Dalila Reis Guimarães...............................................................12
A EXPERIÊNCIA DOS JOVENS ORGANIZADOS NO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES DESEMPREGADOS – MTD/RS
Autor: Antônio Lima..........................................................................................................................................14
TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS: EXPERIÊNCIA DE PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEIS E EFETIVAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA AGENDA 21 GLOBAL
Autora: Ana Cristina Carneiro de Souza.....................................................................................................17
AGENDA 21 ESCOLAR E SUA INTERFACE COM O CONSUMO SUSTENTÁVEL
Autora: Cristhiane da Silva Cavalcanti........................................................................................................19
PROGRAMA PRESERVANDO PARA O FUTURO: EXPERIÊNCIAS DE PRODUÇÃO E CONSUMO
SUSTENTÁVEL
Autor: Iranildo de Sousa Ferreira..................................................................................................................21
MUDANÇA DE HÁBITOS NO RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA:
CANECAS DURÁVEIS NO LUGAR DE COPOS DESCARTÁVEIS
Autores: Anderson Paz, Evellyn Bernardes, Diogo L.O. de Carvalho, Ana Carolina Cabral M.
Netto e Larissa K. Douto...................................................................................................................................23
JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA E SUSTENTABILIDADE: PENSANDO E PRATICANDO A GESTÃO
AMBIENTAL NUM CAMPUS UNIVERSITÁRIO
Autores: Wanderson Maia Nascimento e Luís Felipe Lino Rocha......................................................26
RELATO DE EXPERIÊNCIA: O REAPROVEITAMENTO SUSTENTÁVEL DO AÇAÍ NA ILHA DO MURUTUCU – BELÉM/PA
Autores: Ercilene Gomes dos Santos, Maicon Silva Farias e Renan Satiro Miranda ...................29
UMA HISTÓRIA NA AMAZÔNIA
Autora: Damaris Teixeira Paz..........................................................................................................................31
4
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
PROJETO PASTORINHAS E CONSUMO SOLIDÁRIO INTEGRAM POLÍTICA AMBIENTAL DA ESCOLA BALÃO VERMELHO
Autoras: Ana Katz, Júlia Catão, Letícia Fiúza, Silvia Fortini e Alice Faria............................................................................... 32
AGENDA 21 NA ESCOLA: FOMENTANDO O CONSUMO SUSTENTÁVEL
Autoras: Anna Patrícia Ferreira Araújo, Larissa Maria Ramos de Albuquerque e Liliane de Jesus Silva Lourenço.......... 34
NOVAS TECNOLOGIAS PARA O TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: UMA VISÃO SOCIOECONÔMICA
E AMBIENTAL
Autores: Luiz Carlos de Santana Ribeiro e Otávio Augusto Nascimento da Silva............................................................ 36
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Autores: Eduardo Araujo Teixeira, Alessandro Rodrigues e Jennifer Jeane Orza............................................................ 38
VIVER CONSCIENTE
Autor: Eduardo Amorim........................................................................................................................................................................ 40
JUVENTUDE E CONSUMO: REALIDADE, DESAFIOS E ALTERNATIVAS PARA UM CONSUMO RESPONSÁVEL
Autoras: Fernanda Rodrigues Machado Farias e Katiane Farias Teixeira............................................................................. 41
PROJETO CIDADANIA SOCIOAMBIENTAL E AGENDA 21: FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS JOVENS COMUNITÁRIAS,
SALVADOR – BAHIA
Autores: Iala Serra Queiroz e André Luis Nascimento dos Santos......................................................................................... 43
PROJETO SINTONIA – TRANSFORMANDO PESSOAS PARA UM MUNDO SUSTENTÁVEL
Autor: Victor Daniel de Oliveira e Silva............................................................................................................................................ 45
JOVENS, POLÍTICA E MEIO AMBIENTE
Autor: Bruno Dias Soares ..................................................................................................................................................................... 48
AGENDA 21 ESCOLAR FAYAL: PROTAGONISMO JUVENIL EM ITAJAÍ/SC
Autores: Caio Floriano dos Santos e Fabio Alexandre da Silva Toniazzo............................................................................. 49
LEITURA DO BRASIL E DO MUNDO NA PERSPECTIVA DA PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL, EMPREGOS VERDES E O CAPITALISMO MODERNO.
Autor: Adenevaldo Teles Junior......................................................................................................................................................... 51
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Reflexões sobre a produção e consumo
sustentáveis: do deslocamento de paradigma
à busca de estratégias alternativas.
»» Juliana Rosa Pimentel e Rejane Martins dos Santos
»» [email protected] - [email protected]
Esta edição da Revista Agenda 21 e Juventude traz
um desafio grandioso ao abarcar a discussão acerca da
produção e consumo sustentáveis. Consideramos que
este assunto, tão em voga nos dias atuais, permeia diversos campos de intervenção e ocupa a agenda da
produção científica e acadêmica nos seus diferenciados aspectos.
Desta forma, nos propomos neste ensaio a situar teórica e criticamente o debate sobre produção e consumo
na sociedade contemporânea. Objetivamos demonstrar,
ainda que brevemente, as
questões que envolvem esta
discussão e problematizar os
aspectos que ligam as iniciativas realizadas pela sociedade
civil, pelo poder público e demais atores sociais em torno
da busca pela sustentabilidade através das experiências da
Agenda 21.
A propalada preocupação
no que diz respeito à minimização dos impactos gerados pelo consumo excessivo
na contemporaneidade engendra um movimento de
contradição, visto que a realização de ações, das mais
diferenciadas origens, prima por uma mudança de paradigma em relação ao consumo e, da mesma maneira, realizam-se através da manutenção do próprio consumo,
uma vez que o consumo é pensado sob novos padrões,
e não sob novas formas de relação entre os homens.
Nossa perspectiva de análise parte do pressuposto de que o consumo é parte integrante do próprio
modo de produção que vivenciamos e que, através
dele, se realiza. Assim sendo, as relações de produção
e consumo circunscrevem-se a um ciclo vital do capi-
6
talismo, em que ambos estão dispostos em uma relação de interdependência.
No Brasil, nota-se aumento significativo do consumo
no período da industrialização e as melhorias surgidas
durante o processo de urbanização. O comércio e a produção econômica introduzem alterações nas relações
sociais neste momento. Registra-se uma maximização
da intervenção estatal na garantia das necessidades de
ampliação da reprodução do capital. E para que haja a
reprodução do capital é
necessária a produção
a partir das indústrias e
fábricas e, conseqüentemente, o escoamento
destes produtos e o consumo.
Já no final do século
XX, a partir do processo
de reestruturação produtiva e incremento do
capital financeiro, há a
difusão da agenda neoliberal sob o ideário da
globalização. Registra-se um fortalecimento e aumento
substantivo das práticas de consumo, aliadas às iniciativas de supressão das crises cíclicas do capital e fomento
à racionalização dos recursos na esfera produtiva.
[...] no processo de globalização, a cultura de
consumo desfruta de uma posição de destaque,
já que ela se transformou numa das principais
instâncias mundiais da definição da legitimidade dos comportamentos e dos valores. No
entanto, refletir sobre sua manifestação é tocar
num dos eixos centrais da globalização. (LOUREIRO apud ORTIZ, 2008, p. 72)
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Na atualidade, este processo é intensificado pela
mídia. Os meios de comunicação influenciam o cidadão a consumir produtos que a princípio não tem utilidade, mas são símbolos de transversalidade cultural
e econômica.
Pensar a minimização deste consumo exagerado
supõe um movimento contrário ao projeto econômico vigente na atualidade. Deve-se levar em consideração que o desenvolvimento sustentável somente será
alcançado mediante esforços coletivos, atentando-se
aí, principalmente, para a participação do poder público, na medida em que proporcione estratégias para
este desenvolvimento.
O chamado desenvolvimento sustentável, com relação à forma de produção e desenvolvimento econômico, traz como núcleo do problema ambiental a escassez de recursos naturais. Assim, expõe a necessidade de
diminuição do consumo para a reprodução do capital,
“economizando” o meio ambiente e, assim, a ação do
mercado por si só combateria a degradação ambiental.
O discurso da sustentabilidade aparece então aliado à necessidade de superação da crise sistêmica do
capital, embasado pelos critérios e conceitos de preservação das esferas social, econômica e ambiental.
Segundo Kliksberg (2003), junto ao crescimento
econômico, surge a necessidade de alcançar o desenvolvimento social, melhorar a equidade, fortalecer a democracia e preservar os equilíbrios do meio
ambiente. Nesta dinâmica insere-se a importân-
cia da adoção da Agenda 21 como instrumento de
transformação para a garantia de sustentabilidade
socioambiental, através de um processo participativo e democrático. Sua utilização requer participação
de agentes governamentais (poder público), da população e de empresas privadas para a “divisão das
responsabilidades”.
Entretanto, ressalta-se que a divisão de responsabilidades e co-participação entre as diferentes esferas sociais não deve ser pensada sem a relação de
contradição e conflitos que delas fazem parte. Neste
sentido, a implantação de ações integradas, tal qual
propõe a principal estratégia de implementação das
Agendas 21 locais (Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável) requer a conscientização do papel
de cada ator social neste processo, sem que haja uma
homogeneização e neutralização das correlações de
forças existentes.
Acreditamos que a adoção de práticas de consumo menos degradantes através das estratégias e intervenções das diferentes experiências de Agenda 21
construídas no país deve estar aliada à execução de
políticas públicas voltadas para a sustentabilidade e
reprodução do ser humano, em suas mais variadas formas, como no acesso a bens e serviços públicos, priorizando um meio ambiente equilibrado, socialmente
justo e sustentado. Há que se garantir a possibilidade
de sustentabilidade da vida a partir do compromisso
das atuais gerações com as gerações futuras.
Juliana Rosa Pimentel – Assistente Social; Especialista em Planejamento Urbano e Regional/IPPUR-UFRJ; Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação
Humana/UERJ; Docente do Curso de Bacharelado em Serviço Social da Uniabeu; Coordenadora do Projeto de Extensão “Questão Ambiental e Cidadania: Práticas Socioambientais na Baixada
Fluminense” – Proape/Uniabeu. – [email protected] / [email protected] – (21) 8634-4335/ (21) 2772-3582
Rejane Martins dos Santos – Graduanda em Serviço Social na Uniabeu; Bolsista do Projeto de Extensão “Questão Ambiental e Cidadania: Práticas Socioambientais na Baixada Fluminense”
– Proape/Uniabeu. – [email protected] – (21) 8319-7872/ (21) 2671-5704
Referências Bibliográficas:
Agenda 21 brasileira: ações prioritárias. Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional.
2. ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004.
Passo a passo da Agenda 21 local. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável.
- Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2005.
KLIKSBERG, Bernardo. Falácias e mitos do desenvolvimento social. 2. ed. São Paulo: Cortez – Brasília. Tradução de Sandra
Trabucco Valenzuela, Silvana Cobucci Leite.
LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo (et al). Sociedade e Meio Ambiente: A educação ambiental em debate. 5. ed. São
Paulo. Cortez: 2008.
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Juventude e os novos padrões de consumo
Agir Local e Pensar Global
»» Diogo D. Pires - Giivago B. de Oliveira - Thaís L. Cruvinel
»» [email protected] - [email protected] - [email protected]
“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele.
A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura!
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.”
(Charles Chaplin, em discurso proferido no final do filme O grande ditador.)
Vivemos em um mundo voltado para o consumo,
isto é inegável, diga-se de passagem que cada vez mais
os seres humanos optam por padrões de consumo que
excedem as suas necessidades, chegando aos limites
do planeta. Para Marx, o homem é o primeiro ser que
conquistou certa liberdade de movimentos em face da
natureza. Através dos instintos e das forças naturais em
geral, a natureza dita aos animais o comportamento
que eles devem ter para sobreviver. O homem, entretanto, graças ao seu trabalho, conseguiu dominar em
parte, as forças da natureza, colocando-as a seu serviço.
A natureza há muito tem servido a humanidade
a partir dos seus recursos naturais, sejam eles prove-
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nientes da terra ou oferecidos pelos recursos hídricos,
que pela mão humana passam por grandes transformações, até se tornarem algo palpável e objetivo, que
em suma, acaba virando apenas um produto. Mas, até
que ponto o planeta suportará este papel?
A Agenda 21 Global, em seu capítulo 4, trata da
mudança dos padrões de consumo apresentando
como um de seus objetivos amplos: “desenvolver uma
melhor compreensão do papel do consumo e da forma de se implementar padrões de consumo mais sustentáveis.”
O crescimento do consumo é considerável entre os
jovens que priorizam o sentido do “Ter” em detrimento do “Ser”. Para que sejam incluídos em seus círculos
de amizade é cada vez mais constante a necessidade
entre eles de ter ou pelo menos aparentar ter aquilo que todos por sua vez já estão usando. Seja uma
roupa da moda, um celular novo, comer no novo fast-food da cidade, seguir um estilo musical que não o
agrada, mas que por sua vez está “bombando” no momento, ou mesmo gastar com coisas que estão fora da
sua realidade.
Nestes círculos sociais em que a juventude está inserida, a mesma é incitada a adquirir sempre produtos expostos através da mídia e que estão na moda.
Muitos deixam de expressar suas vontades e anseios
através da personalidade própria, simplesmente pelo
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
fato de que, se não se adequarem ao que os outros
tamente podem surtir grandes transformações.
estão exigindo, provavelmente serão taxados e excluíUma dica é assistir ao spot de vídeo, da Rede de
dos dos grupos sociais que freqüentam.
Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabi Surge, neste sentido, a importância de construir
lidade, que pode ser acessado pelo seu portal:
novos padrões de consumo, que respeitem o ambienwww.rejuma.org.br.
te que nos cerca e promovam a partir disto, mudanças
b) A realização de pequenos e grandes evende atitudes e de hábitos que agridem o planeta. Adotos, rodas de conversa, bate-papos, oficinas, ou
tar práticas de consumo sustentável é uma questão de
qualquer que seja o modo de se encontrar, mas
sobrevivência.
que busquem sempre a reflexão e o debate de
Segundo a YouthXChange, em seu Manual de Eduidéias, que pautem novos modos e estratégias
cación para un consumo sostenible, a idéia de conpara mitigar os impactos ambientais e sociais,
sumo sustentável se refere ao
conjunto de ações que tratam
de encontrar soluções viáveis
aos desequilíbrios – sociais e ambientais – por meio de uma conduta mais responsável por parte
de todos. O consumo sustentável
Algumas dicas:
relaciona-se, portanto, com a produção e distribuição, o uso e a eliRejuma no Ar:
minação de produtos e serviços
www.youtube.com/watch?v=CtbmMwEtNr4
proporcionando meios de repensar seus ciclos de vida.
Ecoturismo CJ Goianésia:
Tudo aquilo que produzimos,
www.youtube.com/coletivojovemdegsia
administramos ou consumimos,
agride diretamente o planeta de
Histórico CJ Pirenópolis:
uma forma ou de outra. Como powww.youtube.com/watch?v=EqotGC0428s
demos mitigar estes impactos ambientais? Talvez não haja respostas imediatas, mas com certeza já
existem muitas estratégias interessantes para enfrenenvolvidos na questão do consumo. Um exemtar esta problemática. Muitas delas têm sido aplicadas
plo foi a realização da Oficina de Consumo Suspelos movimentos de juventude e meio ambiente,
tentável no II Encontro dos Coletivos Jovens do
como os Coletivos Jovens de Meio Ambiente e a Rede
Nordeste, durante o II Encontro Nordestino de
da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Educação Ambiental (2007), em Maceió-AL, ou
Esses movimentos baseiam suas ações na Educaa realização do Encontro Nacional: Os Olhares
ção Ambiental informal, centrando suas ações na senda Juventude sobre o Tratado de Educação Amsibilização que possibilita a transformação individual
biental (2008), em Pirenópolis-GO. Os encone coletiva.
tros regionais de Juventude e Meio Ambiente
De grandes ações a pequenas atitudes, muitos po(como o Encontro Amazônico, o Encontro dos
dem ser sensibilizados. É o que nos apontam diversos
CJs do Centro Oeste e os Encontros Estaduais
projetos e experiências planejadas e realizadas por jode Juventude e Meio Ambiente – EEJMA, que
vens, para jovens e com jovens. Entre eles:
em Goiás por exemplo já aconteceram quatro
vezes, resultando no texto-base do Programa
a) A produção, divulgação e disseminação de
Estadual de Juventude e Meio Ambiente que
vídeos socioambientais que abordam a questão
será rediscutido no V EEJMA-GO em 2010) endo consumo sustentável, que direta ou indirevolvem uma juventude de imensurável partici-
Pesquise no youtube e você encontrará
diversos vídeos produzidos por jovens.
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
pação política, socioambiental, ativista, que tem idéias,
conceitos, modos de conduta
alternativos, e se encontram
nesses eventos com um único
propósito de aprender, trocar
experiências e conhecer novos
modelos de atuação, tudo em
torno de causas ambientais.
c) A organização de Comissões
de Meio Ambiente e Qualidade
de Vida nas Escolas, as Com-Vidas, a partir de uma metodologia transformadora, que incentiva e auxilia na construção
das Agendas 21 nas Escolas e promove ações que
sintonizam a escola em torno de práticas ambientais. Dentre estas práticas, podemos citar a Horta
Comunitária, como ferramenta ecopedagógica
que prioriza alimentos orgânicos e saudáveis e
ajuda no orçamento da escola ao produzir seus
alimentos, incentivando o consumo consciente e
sustentável.
d) A realização de campanhas que incentivem a
redução do consumo. Um exemplo é a campanha Pró-Caneca, realizada pelo Coletivo Jovem de
Meio Ambiente de Goiás, que incentiva o uso de canecas duráveis ao invés dos copos descartáveis, pois, um
dos maiores problemas enfrentados
pela Gestão Pública, são as destinações dos resíduos sólidos, principalmente os resíduos considerados
não degradáveis, como é o caso dos
copos descartáveis. A utilização das
canecas exerce um importante papel educativo na sociedade, estimulando cada indivíduo a incorporar a
idéia de redução do consumo e do
desperdício.
Inserir a temática do consumo sustentável na pauta da juventude é pôr em prática a conhecida máxima
ambientalista Agir Local e Pensar Global. Isto mais do
que nunca precisa ser reforçado e assumido por pessoas desta geração.
É chegada a hora de agir e de promover grandes
círculos de transformação da humanidade, a partir
das ações e das redes de experiências que permitem
a construção de novas metodologias e práticas que
busquem a sustentabilidade e um consumo verdadeiramente consciente e sustentável.
Diogo Pires, Giivago Oliveira e Thaís Cruvinel - Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Goiás
Referências Bibliográficas:
UNESCO-UNEP. YouthXChange. Manual de educación para um consumo sostenible. 2002.
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 1992: Rio de Janeiro.
http://www.coletivojovemgoias.blogspot.com
http://www.eejma-go.blogspot.com
http://www.rejuma.org.br
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Educação e Agenda 21 Escolar: pressuposto para
rever hábitos sociais, vivenciando conceitos de
consumo e desenvolvimento sustentável.
»» Elineusa Pereira da Silva
»» [email protected]
Desde primórdios o ser humano esteve em contato
com a natureza, uma relação de respeito e cumplicidade, cuidava do ambiente, tirava apenas o suficiente para
sua subsistência. No entanto, com o tempo o homem se
desenvolveu transformando a sua realidade ambiental e
social, percebeu a grande potencialidade do solo e sua
capacidade de produção; passou de nômade para um ser
sedentário; de selvagem para um ser educado; aprendeu
a desenvolver técnicas agrícolas; descobriu a diversidade
de plantas, árvores e animais; a riqueza
dos recursos hídricos; as máquinas1 e,
conseqüentemente, o poder da tecnologia e da produção em massa.
Contudo apesar das benfeitorias
trazidas por essas transformações históricas, estas também acabaram interferindo nas relações do homem com seu
habitat natural. Os avanços tecnológicos, provocaram mudanças ambientais,
humanas, biológicas e econômicas. A
população aumentou rapidamente
no mundo todo, as imigrações e emigrações cresceram assustadoramente,
os centros urbanos sofreram grandes
impactos, as paisagens naturais foram sendo modificadas, exigindo um abastecimento maior de transportes,
alimentos, energias, águas e outros. Em conseqüência
disso, a produção de lixo se multiplicou: estima-se que
atualmente no Brasil são produzidos aproximadamente
cerca de 230 mil toneladas de lixo por dia, e que cerca de
250 milhões de pessoas no mundo já enfrentam escassez de água, problemas que exigem soluções imediatas.
No entanto as Políticas Ambientais desenvolvidas pelos órgãos gestores, MEC (Ministério da Educação) e MMA (Ministério do meio Ambiente), e outros
trabalhos ambientais desenvolvidos por organizações
e movimentos sociais, dentre esses CJs2 , já trouxeram
resultados positivos para o ambiente, porém ainda é
preciso um trabalho de conscientização e mobilização social, em que as pessoas possam refletir sobre os
seus padrões de comportamento, mudando paradigmas consumistas. Atualmente, parte
dos danos ambientais é causada pela
produção de lixo que, caso seja descartado de qualquer forma, traz graves
problemas como: poluição das águas
(estima-se que aproximadamente
80% das enfermidades do mundo são
contraídas por águas contaminadas);
entupimentos das redes de esgoto,
provocando graves enchentes; degradação do solo, deixando-o improdutivo; dentre outros, por isso é importante compreender a Educação Ambiental
(EA) obtendo mudanças nas práticas
de consumo e a reconstrução de novas
posturas éticas, sociais e culturais.
A EA é vista nas redes de ensino público/particular
como uma educação informal, posta dentro de um contexto de educação formal. Acontece de forma inter e
transdisciplinar, perpassa por várias disciplinas e realiza
uma junção importante, uma vez que pode ser constituída por estratégias pedagógicas voltadas tanto para as
questões e ações socioambientais como socioeducati-
Referência à revolução industrial ocorrida no final do século XIX, à mecanização dos sistemas de produção, avanços tecnológicos, fábricas, indústria têxtil, etc.
Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJs) são organizações juvenis de vários segmentos sociais, que desenvolvem a educação ambiental em escolas e
comunidades, de forma dinâmica, articulada, inclusiva, informativa e integradora em âmbitos nacional, estadual e municipal, considerando o contexto
social de cada estado da Federação.
1
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
vas. Proporcionando ao cidadão perceber a importância
do cuidar do ambiente, reconhecendo a importância da
preservação do meio físico natural biológico (parques e
reservas biológicas) e dos recursos naturais (flora, fauna,
recursos hídricos) vistas com um enfoque de conservação e desenvolvimento emancipatório, já que os seres
humanos pertencem à natureza e precisam dela para
sobreviver. É necessária uma reflexão sobre o ser humano e suas relações culturais, ambientais e sociais, revendo atitudes de impactos e soluções práticas, surgidas de
ações críticas transformadoras. Da práxis do desenvolvimento sustentável surge o termo consumo sustentável,
divulgado pela Agenda 21 Global3, trazendo alternativas
que contribuem para um equilíbrio entre ser humano e
ambiente, redescobrindo suas verdadeiras necessidades,
como supri-las e atendê-las sem comprometer as futuras
gerações. No Maranhão, a COM-VIDA (Comissão de Meio
Ambiente e Qualidade de Vida na Escola), a Agenda 21
escolar (A21E) e a UEB4 Maria Rocha vêm desenvolvendo ações socioambientais através de um processo de
conscientização, sensibilização e mobilização social, despertando os alunos para a importância de rever hábitos
diários e vivenciar a sustentabilidade.
Atualmente a escola está fortificando suas atividades de A21E através do Programa Mais Educação5, que
já beneficiou mais de 300 mil estudantes em todo Brasil.
Oferece diversas oficinas, entre elas, esporte, cultura, lazer, meio ambiente, artes e direitos humanos. Esse ano
5% das escolas maranhenses inscritas no programa solicitou a implantação/fortalecimento das COM-VIDAS/
A21E, comprovando sua importância para a escola e comunidade. As ações estão sendo monitoradas por membro do Coletivo Jovem de Meio Ambiente (CJ-MA), com
acompanhamento pedagógico da escola, por isso, a fim
de rever hábitos sociais, éticos e educacionais, a A21E
traz questões, ações e projetos com enfoques socioambientais, socioeducativos e socioeconômicos, sendo eles:
• Mostrar a importância da EA no espaço escolar
explorando o tema EA promovendo discussão
elemento em descompasso
Inexistente, é calmo, fonte de energia e calor
Provocam suas chamas, rápido, avassalador
O fogo, agora em descompasso
As brasas vermelhas, amarelas em aquarelas
O verde antes belo, sereno, gracioso
Transforma-se, o verde antes encantador
Agora frágil, vulnerável, a dor
A fumaça, nas suas essências escuras,
Forte e nítida leva ao azul do céu, a poluição,
O gás, nitrogênio e oxigênio
Ar, tão suave, urgente, essencial
A voz do vento e trovão
Suspiro da vida, o sopro, vital
Traz dos pássaros, o canto, especial
Estaca cravada, ferida, machucada
Chão que sustenta, alimenta
A terra, mãe da vida, está cicatrizada
Equilíbrio, energia, e produção
No solo, ouro, prata, o mineral
A fauna, flora, a riqueza da nação
Traz a força da vida e da renovação,
Preciosa, pura, força e vida
Sem cor, cheiro, hidrogênio e oxigênio
Água, às vezes mansa, feroz, e límpida
Sacia todas as sedes, entre rios e lagos
Lagoas, cachoeiras e riachos
Nos oceanos, chuvas e orvalhos
Lava a terra, a purificação
A Batalha travada, os povos, a floresta,
O grito, Fogo, terra, água e ar
Não lhe dão valor, o que resta
A pólvora, eles detêm o poder
Degradam o solo, matas e animais, é preciso preservar
Poluem, os rios, o ar, é preciso manter
Desenvolvimento sustentável, assim, é preciso conservar,
Cuidado, é vida, é preciso continuar
Elineusa Silva - Poesia escrita em 03/01/10
3
É um programa de ações firmado entre 179 países, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, conhecida como
ECO-92, realizada em 1992, no Rio de Janeiro, trazendo um novo padrão de desenvolvimento e consumo sustentável, conciliando mecanismos de proteção
ambiental, social, cultural e econômica.
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Unidade de Educação Básica (UEB) localizada no bairro Areinha em São Luís, participou dos processos da I, II e III Conferência pelo Meio Ambiente, obteve
sua primeira formação de COM-VIDAS em julho de 2005, desenvolve vários projetos com focos socioambientais e socioeducativos, como o espetáculo: “Os dez
mandamentos”.
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Criado pela Portaria Interministerial nº 17/2007, objetiva aumentar a oferta educativa nas escolas públicas, contribuindo com a formação profissional e pessoal
dos alunos. É coordenado pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC), em parceria com a Secretaria de Educação Básica
(SEB/MEC) e com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
ambiental e social para que os alunos tenham
consciência de sua importância no processo;
• Realizar gincanas ecológicas, divulgando a EA
de forma dinâmica e participativa, realizando
também campanhas e palestras educativas, para
sensibilizar e conscientizar a comunidade, a fim
de assumirem um compromisso com a mesma;
• Projeto 5Rs, Repensar (os hábitos de consumo), Recusar (recusar produtos que prejudicam
o ambiente), Reduza (reduzir o consumo desnecessário), Recicle (reciclagem de materiais,
papel, plástico), Reutilize (reutilizar/recuperar/
usar ao máximo antes de descartar), evitando o
desperdício, utilizando apenas o necessário;
• Projeto “coleta seletiva de lixo” (orgânico, papel,
plástico, vidro, metal), revendo padrões de consumo; estimulando práticas de consumo verde,
consciente, ético e responsável; promovendo
uma reflexão sobre consumismo, revendo variáveis ambientais, postura ética, consciente e
responsável diante de atitudes que trazem impactos ambientais.
Diante disso é visível a importância da EA na educação formal, incluindo e integrando o educando na
prática de políticas ambientais escolares, comunitárias e sociais. São ações como essas que irão contribuir
significativamente no seu processo de ensino/aprendizagem. O processo educacional é essencial para o
desenvolvimento do ser humano, pois traz grandes
contribuições para a sua formação pessoal e profissional, o conduz a resolver as problemáticas diárias,
introduzindo-lhes a capacidade de perceber seu meio,
aprendendo a lidar consigo e o outro, respeitando sua
diversidade, suas especificidades e seu contexto social
– uma aprendizagem contínua.
Além de tudo, ainda é possível desenvolver campanhas socioambientais mais precisas e urgentes,
como: Adote um Copo; Adote uma Sacola; Não jogue Lixo nas Ruas; Mantenha as praias Limpas, dentre outras, envolvendo diferentes segmentos sociais, evitando assim desperdícios desnecessários.
São práticas simples e precisam ser adotadas. Dessa
forma, a EA pode ser considerada como eixo norteador de novos padrões de comportamentos sociais,
de um cidadão dotado de enfoques emancipatórios, se reconhecendo como agente transformador
e construtor de uma sociedade justa, ética e sustentável, pensado no bem do coletivo, adquirindo melhor qualidade de vida.
Elineusa Pereira da Silva - Graduanda em Pedagogia na UFMA - Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Maranhão - [email protected] - [email protected]
Referências Bibliográficas:
GUIMARAES, Mauro. A dimensão Ambiental na Educação, 8ª edição, [S.A]
SATO, M. (Org.); CARVALHO, Isabel (Org.). Educação Ambiental - Pesquisa e Desafios. 1. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. V. 1. 232 p.
SATO, M.. Desafios da educação ambiental. Ambiente & Educação (FURG), Rio Grande, v. 5/6, p. 25-38, 2002.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Formando COM-VIDA Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola: construindo Agenda 21 na Escola / Ministério da Educação,
Ministério do Meio Ambiente. Brasília: MEC, Coordenação Geral de Educação Ambiental, 2004. 42p.
Programa Mais Educação. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=586&id=12372&option=com_content&view=article - Acesso em 11/04/10.
www.tvcultura.com.br/aloescola/.../água.../index.htm. Google acesso em 13/04/10.
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Agenda 21 e Economia Solidária: Políticas
Inovadoras para o Desenvolvimento Sustentável
»» Sara Dalila Reis Guimarães e Lucas Lopes Oliveira
»» [email protected] - [email protected]
A humanidade sempre conviveu com o planeta para
crescer, se desenvolver e construir uma história nas suas
relações com a natureza e com os outros seres vivos.
No entanto, a partir do século passado, começamos a
perceber impactos causados pelo esgotamento sem
precedentes dos recursos naturais por modos de vida
destruidores, egoístas e acima de tudo, por nossa falta
de cuidado com a vida. Já começam a ficar evidentes os
graves sinais desta sociedade insustentável, pois ela já
provoca a escassez de água
potável, o aquecimento
global, extinção de milhares de espécies, guerras
motivadas por disputas pelas regiões de produção de
petróleo, etc., todos fatores
que trazem conseqüências
irreversíveis para o ciclo
biológico do planeta.
Temos recursos limitados que precisam ser gerenciados com responsabilidade e compartilhados
de uma forma mais justa.
Isso só é possível quando
vivemos em um sistema
democrático, com respeito aos direitos humanos, em
que a lei é acatada e vale para todos, em que se valoriza a diversidade cultural do mundo. Ao administrar os
recursos naturais de forma responsável e justa em um
sistema democrático, também estamos evitando conflitos e cultivando a paz. A pauta da crise ambiental é
global, mas o efeito é local. Na preservação também
existe um intercâmbio entre ações locais e globais. A
sociedade precisa refletir sobre os impactos do consumo na degradação do meio ambiente. As construções
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do padrão de desenvolvimento a que aspiramos devem estar norteadas por uma noção de crescimento
econômico que não perca de vista a preocupação com
o equilíbrio ambiental e com a justiça social.
Não é simples para a atual sociedade desvencilhar-se
da cultura materialista que lhe está subordinando e excluindo grande parte dos cidadãos brasileiros. Esse fato
se reflete na qualidade de vida da população, apontando para a necessidade de políticas inovadoras, democráticas, que ampliem a visibilidade
dos mais vulneráveis como sujeitos de mudança e sua potencialidade de transformação. Mediante a crise ambiental evidenciada
no presente, temos muitas razões
para afirmar que um outro mundo é necessário, urgente e possível. Trata-se de efetivar mudanças
políticas e estruturais na forma de
organização de produção, distribuição e consumo. No momento
em que reconhecemos a existência de um sistema de valores mais
amplo – distante das motivações
individualistas e competitivas,
sustentado pela alienação e exploração do trabalho e da natureza, e pela apropriação
privada dos recursos produtivos e seus benefícios – podemos exercer a responsabilidade como outra dimensão
profundamente humana.
Com o crescimento da globalização e da crise ambiental planetária, são necessários modelos alternativos
de desenvolvimento, onde podemos enfatizar a Agenda
21 e a Economia Solidária como exemplos que, quando
associados, podem apresentar resultados eficazes e promissores. Em reposta ao modelo capitalista dominante,
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
em meados da década de 90, um novo modelo de organização da economia e da produção começa a ganhar
força como instrumento para geração de trabalho e renda para uma grande massa excluída da população.
A Economia Solidária se caracteriza por práticas baseadas em relações de colaboração solidária, inspiradas
por valores culturais e éticos que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da objetividade econômica, em vez da acumulação privada de riquezas. Esta
nova prática de produção, comercialização, finanças e
consumo privilegiam a autogestão, o desenvolvimento
comunitário, a justiça social, o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade com as gerações futuras.
A base da economia solidária é a busca da autonomia,
não apenas econômica, mas política e ideológica, fatores que permitem sua sobrevivência até hoje como projeto social. Portanto, Agenda 21 e Economia Solidária
são duas importantes ferramentas políticas que, quando consolidadas, revelam que ainda é possível construir
um novo modelo de desenvolvimento local e global
baseado na sustentabilidade econômica e ambiental.
Existem características – tanto na economia solidária
quanto na Agenda 21 – que vão ao encontro da valorização do mecanismo de “tentar” e “errar”, do “conhecimento permanente”. O acúmulo de experiências é o principal
fator que ampara o sucesso de ambas iniciativas e torna
os dois processos abertos e prospectivos. A combinação
de ambas iniciativas de desenvolvimento poderá contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população
brasileira, em especial das comunidades mais vulneráveis. Além do mais, a combinação da visão ampliada de
organização e planejamento da Agenda 21, com os retornos econômicos propostos pelo fomento a empreendimentos solidários, contribuirá para a manutenção da
comunidade e o engajamento desta com as mudanças
que se pretende atingir. Mudanças locais e globais que se
contraponham à grave crise ambiental que vivemos hoje
e que serão também reação à atuação de classes sociais
que se apropriam da natureza e do trabalho humano e
submetem o planeta à lógica do lucro e da mercantilização. Assim, ao transformar todas as necessidades humanas em mercadorias, o capital não impõe limites ou
fim a sua forma de produção e reprodução, destruindo a
natureza e o próprio ser humano.
Por isso, é preciso construir um novo modelo de
desenvolvimento baseado na vida e não simplesmente no lucro. Precisamos de uma produção que
respeite a capacidade de auto-regeneração da natureza e um consumo que seja para as reais necessidades humanas, que garanta qualidade de vida para a
nossa e as futuras gerações, através da mudança de
valores e atitudes. É preciso acreditarmos que um
pensamento crítico mais responsável e solidário, por
ser comprometido com o coletivo e voltado para a
simplicidade, por ser menos individualista, consumista e competitivo, pode nos levar a uma postura
que permita um presente e um futuro ambientalmente sadios e sustentáveis.
Sara Dalila Reis Guimarães - Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente do Ceará - REJUMA - [email protected] - (85) 87067065
Lucas Lopes Oliveira - Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Ceará - REJUMA - Juventude Alternativa Terrazul - Membro do Comitê Assessor do Órgão Gestor da PNEA - Rede Juvenil do
Patrimônio Mundial - [email protected] - [email protected] - (85) 88295637/3283.5270
Referências Bibliográficas:
Consumo Sustentável: Manual de educação. Brasília: Consumers International/MMA/ MEC/IDEC, 2005. 160 p. Disponível
em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao8.pdf
Economia Solidária. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_solid%C3%A1ria
OLIVEIRA, Zacarias Bezerra. O que é consumo sustentável? Disponível em: http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article151
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
A Experiência dos Jovens Organizados
no Movimento dos Trabalhadores
Desempregados - MTD/RS
»» Antônio Lima
»» [email protected]
A luta por melhores condições de vida é um elemento presente em toda a história humana. Nas últimas décadas, porém, tem ficado cada vez mais evidente a necessidade de esta luta se dar nos marcos
da busca por uma sociedade planetária plenamente
sustentável. Isso significa, portanto, que esta luta não
pode se basear apenas em saídas individuais, ou na
busca por desenvolvimento econômico a todo custo.
Para isso, desde a criação dos Estados Nação, sabe-se que as políticas nacionais são determinantes para
a definição dos padrões de produção, distribuição e
consumo dos recursos (estejam eles em seu estado
natural ou já modificados pelo trabalho humano), em
escala global. Afinal, o indivíduo e sua comunidade
são “pequenos” demais para influenciar, sozinhos, no
conjunto das relações hoje
internacionalizadas. Mas o
“global”, se tomado abstratamente, também se torna
amplo demais. Portanto, a
dimensão possível para equilibrar as ações locais com as
globais passa pelas políticas
e estratégias nacionais.
Este é o espírito que tem
orientado a organização e a
luta do Movimento dos Trabalhadores Desempregados
(MTD) em seus 10 anos de
existência no Rio Grande do
Sul. E a juventude tem cumprido um papel determinante
na propagação desta bandeira da luta pela sustentabilidade. Afinal, as gerações anteriores, não obstante todos
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os seus esforços, foram criadas nos marcos de culturas
produtivistas, as quais sustentavam os projetos tanto
da direita quanto da esquerda mundial. Já nós, que
hoje somos ainda jovens, fomos criados em um ambiente onde o tema da sustentabilidade já se tornava
crescentemente presente. Se pensarmos, aqueles que
hoje têm dezoito anos já nasceram nos marcos instituídos no Brasil pelos importantes debates da Rio-92!
E, afinal, já está claro que ou decidimos de uma vez
por todas tomar novamente o nosso destino em nossas mãos, construindo de fato sociedades econômica,
social e ambientalmente sustentáveis, ou seguiremos
caminhando a passos largos para a barbárie.
Assim, juntamente com os lutadores mais experientes, os jovens do MTD têm buscado construir experiências de trabalho sustentáveis as quais, ao mesmo tempo
em que modificam nossos padrões de produção, distribuição e
consumo presentes, apontam caminhos que entendemos importantes para a construção de uma
sociedade planetária sustentável.
Neste sentido, duas formas de
trabalho combinadas têm sido
exercitadas por nossa juventude,
organizada em 15 cidades, em
diferentes regiões do RS, constituindo aproximadamente 120
núcleos espalhados por diferentes comunidades de periferia:
por um lado, realizamos enormes
esforços na busca da construção
de empreendimentos produtivos
orientados pelo eixo da sustentabilidade; por outro, nos dedi-
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
camos também ao trabalho mais tipicamente educativo, realizando aquilo que Márcio Pochmann (em
debate recente realizado com o MTD no RS) chamou
de “trabalho autônomo” – ou seja, o trabalho “não-heterônomo” voltado à produção ou circulação de bens
materiais, mas à formação da consciência e ampliação
dos níveis de organização e participação da cidadania.
Todavia, ambas as experiências têm sofrido enormes
limitações, especialmente por sermos jovens desempregados, carentes de todo tipo de recurso (materiais,
simbólicos, de articulação social, etc).
No campo das experiências produtivas já organizamos 20 ramos diferentes de trabalhos sustentáveis
(Agricultura Urbana Agroecológica – nos Assentamentos de desempregados e também nas vilas, Produção
de Alimentos Orgânicos, Reciclagem de resíduos sólidos e também de Computadores, produção de Tijolos Ecológicos, etc). Entretanto, por sermos
desempregados, não temos
outros recursos de partida a
não ser nossa força de vontade
e persistência. Para conseguirmos apoios estatais sempre foi
necessário muita luta. Mesmo
nos governos (municipais, estaduais e federal) que desejavam
apoiar nossas iniciativas, encontrávamos enormes barreiras nos
órgãos do Estado (secretarias,
Ministérios, Legislativos, etc).
Ainda assim, todas estas experiências persistem vivas,
com maiores ou menores dificuldades, em todas as regiões do estado.
Já nosso trabalho mais tipicamente educativo segue cada vez mais se ampliando, especialmente entre a juventude, não obstante as mesmas imensas carências. Entretanto, este é um trabalho mais simples
de se fazer com poucos recursos, pois já o iniciamos
desde dentro das nossas comunidades. Organizamos
regularmente encontros, a partir de nossos 120 núcleos em todas as comunidades e espaços onde temos
acesso (dentro de sindicatos, escolas, universidades,
etc. – inclusive fora do RS e mesmo do Brasil). O trabalho voluntário, como um dos princípios de nosso
movimento, é um aspecto que facilita a mobilização
de centenas de militantes, que suam horas-extras de
Como
suas semanas para realizar este trabalho educativo. O
apoio de parceiros, locais e internacionais, tem sido
decisivo para criar as condições para o deslocamento
e o acesso a estes diversos espaços. E muito nos alegra
saber que estas boas experiências do RS já começam
a querer ser seguidas em outros estados, como RJ, SP,
MG, DF, BA, CE, PA, PB, PR, etc.
Infelizmente, porém, todas estas nossas experiências acabam sendo limitadas (e muitas vezes abortadas) pela simples falta de recursos, o que exige que os
agentes envolvidos se entreguem ao voraz mercado
de trabalho como forma de manter sua sobrevivência
(individual e de suas famílias), reduzindo seu tempo
para tal trabalho alternativo.
Por conta disso tudo, seguimos lutando para que
o poder público compreenda a importância de apoiar
podem perceber, nós, jovens desempre-
gados aprendemos muitas coisas neste caminho
vivido junto ao movimento.
Neste sentido, foi
importante nos darmos conta de que, como partes importantes deste Meio Ambiente, a cidade,
seus moradores e suas circunstâncias são elementos decisivos neste processo.
iniciativas como estas, que visam a educação e a organização da cidadania na busca pela construção de
sociedades sustentáveis. Sem isso, o Estado seguirá
permitindo (e mesmo financiando) a destruição da
própria humanidade. Afinal, já está claro para todos
que os atuais padrões de produção, distribuição e
consumo dirigidos pelo Capitalismo nos levarão a
todos para o buraco. Não é por ideologia, nem por
maldade de ninguém. Mas é intrínseco do Modo de
Produção Capitalista submeter a tudo e todos à geração de lucros crescentes e à expansão do Capital. Sem
isso, as empresas privadas e o mercado sucumbiriam.
Não foi à toa, nem por incompetência dos indivíduos, que a Conferência de Copenhagen foi considerada
um fracasso pela sociedade internacional. Ela apenas
comprovou que, em última instância, os interesses do
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
mercado capitalista e da humanidade se tornaram,
hoje, inconciliáveis. Afinal, se aceitamos como necessário intervir nos padrões de produção, distribuição
e consumo que hoje destroem velozmente o planeta, travamos o sistema do capital. Mas se deixamos as
empresas seguirem sua busca internamente necessária por lucros crescentes, sabemos que o destino da
humanidade será catastrófico. A superação desta contradição, insolúvel nos marcos atuais, se faz inadiável.
Como podem perceber, nós, jovens desempregados aprendemos muitas coisas neste caminho vivido
junto ao movimento. Neste sentido, foi importante nos
darmos conta de que, como partes importantes deste
Meio Ambiente, a cidade, seus moradores e suas circunstâncias são elementos decisivos neste processo.
Tanto como receptores quanto como criadores da realidade social e do ambiente global. Portanto, nós desempregados urbanos temos um papel fundamental
na construção e também na reversão desta história.
Por isso, vamos continuar lutando para construir
soluções sustentáveis que apontem caminhos para
uma verdadeira transformação nos padrões destrutivos das relações hoje estabelecidas no mundo. Sabemos que nos batemos contra os limites da sociedade atual. Tanto os nossos próprios limites materiais
quanto os limites subjetivos que devolvem as pessoas
ao interior das práticas insustentáveis hegemônicas,
muitas vezes em busca de sua simples sobrevivência
individual e de sua família.
Sabemos que nosso trabalho, tanto em sua dimensão produtiva quanto educativa, é fundamental para
nossa Nação – e pela importância do Brasil no mundo,
pode ser importante inclusive para outras nações. Por
isso, seguiremos firmes adiante, enfrentando todos
os obstáculos sem deixar cair ao chão a bandeira da
construção de uma sociedade planetária plenamente
sustentável. Ainda que isso exaura nossas forças individuais, sabemos que nossos esforços de hoje poderão, ao menos, servir de exemplo para os que ainda
virão. E, assim, jamais precisaremos sentir a vergonha
de olhar para trás e ver que deixamos de fazer aquilo
que nos era possível quando ainda tínhamos chance.
Antônio Lima - Mestre em Sociologia pela UFRGS - MTD / RS - [email protected] - http://levantepopulardajuventude.blogspot.com - www.brasildefato.com.br
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Terras tradicionalmente ocupadas: experiência de
produção e consumo sustentáveis e efetivação de
princípios da Agenda 21 Global
»» Ana Cristina Carneiro de Souza
»» [email protected]
Com o advento da Constituição Federal de 1988 inaugurou-se a fase de proteção integral ao meio ambiente.
Este foi tratado em capítulo autônomo do Título “Da ordem social”, que inseriu o princípio do ambiente ecologicamente equilibrado ao sistema jurídico pátrio, por
meio do qual se salientou que “todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” 1
Neste contexto, em 1992, o meio ambiente foi pensado e debatido, pela coletividade, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento,
conhecida como Rio 92, da qual resultaram cinco documentos: a Declaração do Rio de Janeiro, a Declaração de
Princípios sobre Florestas, a Convenção sobre a Biodiversidade, a Convenção sobre o Clima e a Agenda 21.
Concomitantemente, a Carta Magna de 1988 firmou
os seguintes princípios quanto aos povos indígenas: direito à diferença; direitos originários sobre as terras que
tradicionalmente ocupam e proteção de sua posse permanente em usufruto exclusivo e igualdade de direitos.
O Código Civil de 2002 não trouxe a definição de
usufruto como assim fez o Código de 1916. Este, em
seu art. 713, declarava que ‘’constitui usufruto o direito
real de fruir as utilidades e frutos de uma coisa, enquanto
temporariamente destacado da propriedade.” 2
Contudo, a respeito da utilização dos recursos naturais das terras indígenas, Juliana Santilli, Promotora
de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal,
destaca que, in verbis:
O direito de usufruto exclusivo, assegurado
constitucionalmente aos índios, implica que
estes podem tirar dos recursos naturais de suas
terras todos os frutos, utilidades e rendimentos
possíveis, desde que não lhe alterem a substância ou comprometam a sua sustentabilidade
ambiental. 3
As atividades tradicionais das comunidades indígenas, relacionadas com sua subsistência ou consumo
interno não estão sujeitas a qualquer restrição ou condicionadas por qualquer autorização do Poder Público. O Código Florestal, por exemplo, não incide sobre
as atividades tradicionais desenvolvidas pelas comunidades indígenas. Assim, os índios não estão sujeitos
às restrições ao corte de árvores, nas terras indígenas,
quando se trate de atividades tradicionais praticadas
por eles. Entretanto, se quiserem vender madeira e
BRASIL. Constituição Federal de 1988. 9. ed. São Paulo : Revista dos Tribunais, 2007. p. 138
BRASIL. Código Civil. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 1954. p. 227
3
SANTILLI, Juliana. O usufruto exclusivo das riquezas naturais existentes nas terras indígenas. In: LARANJEIRA, Raymundo (Coord.). Direito agrário brasileiro.
São Paulo: LTr, 1999. p. 657-683.
1
2
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
minerais oriundos de suas terras, devem fazê-lo cumprindo as exigências legais específicas.
É também garantido ao índio o exclusivo exercício
da caça e pesca nas áreas por ele ocupadas. A caça somente está permitida para consumo interno. A venda
comercial de carne de caça só é permitida se proveniente de criadouros autorizados.
Assim, é possível afirmar que os indígenas ocupantes das terras tradicionalmente ocupadas vivenciam experiências de produção e consumo sustentáveis, efetivando os princípios descritos na Agenda 21 Global, tais
como o combate ao desflorestamento (Capítulo 11), a
conservação da biodiversidade biológica (Capítulo 15)
e o reconhecimento e fortalecimento do papel das populações indígenas e suas comunidades (Capítulo 26).
Estudos de monitoramento por satélite, realizados
pela Embrapa no ano de 2008, demonstram que:
As Unidades de Conservação e as Terras Indígenas ocupavam cerca de 27% do território nacional em 2008. Parte dessa área permite atividades
produtivas como coleta de látex, de castanha, de
fibras, pesca e pequena agricultura, mas excluem
em geral a atividade agrícola intensiva, com remoção da cobertura vegetal nativa etc. ou submetem o uso e ocupação das terras a condicionamentos e restrições estabelecidos por planos
de manejo, comitês gestores etc. 4
A tabela abaixo, produto do estudo realizado em
2000, pelo Instituto Socioambiental, apresenta índices
de desmatamento dentro e fora das áreas protegidas
(Terras Indígenas e Unidades de Conservação), demonstrando que o desmatamento é significativamente maior fora das áreas protegidas.
DESMATAMENTO NAS ÁREAS FLORESTADAS ATÉ 2000 - Área em hectares
em área protegida (TI + UC)
Acre
Desmatamento
área de floresta avaliada
% desmatada
Desmatamento
Mato Grosso
área de floresta avaliada
% desmatada
Desmatamento
Pará
área de floresta avaliada
% desmatada
Desmatamento
Rondônia
área de floresta avaliada
% desmatada
Amazônia
Legal
Desmatamento
área de floresta avaliada
% desmatada
fora de área protegida
total no estado
66.750
1.380.765
1.447.515
4.699.419
8.002.136
12.701.555
1,42%
17,25%
11,40%
321.619
14.385.236
14.706.855
9.332.075
42.427.067
51.759.142
3,45%
33,91%
28,41%
354.066
15.006.104
15.360.169
23.764.072
51.437.407
75.201.479
1,49%
29,17%
20,43%
432.964
5.787.312
6.220.276
9.317.375
12.012.741
21.330.116
4,65%
48,18%
29,16%
1.813.150
47.704.767
49.517.917
91.906.630
202.723.682
294.630.312
1,97%
23,53%
16,81%
Observação: porcentagem calculada sobre a área de floresta efetivamente avaliada (não considera as áreas de “não-floresta”, as com nuvem e os corpos d’água)
Fontes: dados de desmatamento: PRODES/INPE, 2003 Terras Indígenas e Unidades de Conservação: ISA/2003
Por fim, é imperioso ressaltar a inauguração da nova
fase de proteção ambiental por meio da Constituição
Federal de 1988, o que influenciou a tomada de consciência pela coletividade na busca por soluções ambientais, assim como pela busca do desenvolvimento sustentável, como verificado na Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.
Deste modo, as populações indígenas contribuem
para o desenvolvimento sustentável, por meio do
usufruto exclusivo e da posse permanente que detêm,
constituindo fator significativo de redução do desflorestamento e da conservação da biodiversidade.
Ana Cristina Carneiro de Souza - Estudante de Direito da Universidade Federal de Viçosa - [email protected]
BRMIRANDA, E. E.; CARVALHO, C. A.; SPADOTTO, C. A.; HOTT, M. C.; OSHIRO, O. T.; HOLLER, W. A.; Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista.
Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite, 2008. Disponível em: <http://www.alcance.cnpm.embrapa.br/>. Acesso em: 29 jun. 2010.
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Agenda 21 Escolar e sua Interface
com o Consumo Sustentável
»» Cristhiane da Silva Cavalcanti
»» [email protected]
A Agenda 21 inserida no contexto escolar traz à tona
a importância de se abordar pedagogicamente a relação do indivíduo com o meio ambiente, bem como de
sensibilizar as futuras gerações quanto à necessidade
da criação de novos hábitos e métodos de produção e
consumo. As gerações mais jovens precisam trazer consigo novos padrões de sustentabilidade e a Agenda 21
escolar tem proporcionado um
maior diálogo acerca das problemáticas ambientais, tanto locais
como globais. Portanto, relatamos aqui uma experiência vivenciada no âmbito de duas escolas
públicas do município de João
Pessoa, na Paraíba, onde, associadas a sua rotina escolar, foram
debatidas questões pertinentes à
sustentabilidade, em contraponto às formas cada vez mais descartáveis de consumo.
Em sua abordagem metodológica, a Agenda 21 Escolar tem por
finalidade a interação não apenas
com o espaço escolar, como também com a comunidade. Este aspecto é bastante pertinente quando lidamos
com a população local. Esta relação se deu de forma enriquecedora, uma vez que muitos alunos oriundos da
periferia traziam em suas experiências de vida relatos
relacionados à prática de reciclagem e ao desperdício
associados às maneiras de consumo.
Não há como se falar em sociedade, em civilização humana sem considerar o ambiente, o habitat
em que nos encontramos. Contudo, percebemos que
a maioria das concepções relacionadas à sociedade
vem tratar do meio ambiente como algo dissociado,
à parte do ser humano, e esse é o erro que está sendo
repassado de geração a geração. Nesta concepção, na
maioria das vezes o homem é visto como um elemento apenas cultural, sem considerar antes de tudo que
é um ser natural, integrante da natureza, integrado ao
meio ambiente e modificador do habitat em que vive.
Em Leff (2001), notamos que o saber ambiental consiste em explicar as causas da degradação ambiental,
diagnosticar a especificidade de sistemas socioambientais complexos e
formar uma racionalidade visando a
gestão sustentável dos recursos.
Notamos, então, que a educação é algo que vem sendo analisado teoricamente ao longo dos tempos. Para o Estado a educação tem
a finalidade de formar o cidadão,
ou seja, dotar os mais jovens de
condições básicas para desenvolver a cidadania (Ferreira, 1993, pg.
22). Assim, compreendemos a importância da Agenda 21 dentro da
escola proporcionando uma educação para a vida, para as relações
humanas, para o desenvolvimento dos indivíduos
lhes proporcionando a capacidade de transformar, de
modificar as reais situações encontradas nas variadas
sociedades humanas. Identificamos, portanto, a escola e a comunidade como protagonistas de mudanças
ambientais. Nessa perspectiva compreendemos que
é por meio da educação que podemos construir uma
sociedade justa e sustentável, além de buscar valorizar os aspectos culturais, éticos, ecológicos e sociais.
A partir desta problemática temos como recurso pedagógico a Com Vida (Comissão de Meio Ambiente e
Qualidade de Vida na Escola) e a Agenda 21 enquanto
palco para as discussões do contexto ambiental, sendo
21
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
base para os resultados que se desejou alcançar com
as oficinas pedagógicas realizadas na escola. Estas oficinas abordaram questões pertinentes, incluídas aí as
levantadas pelos próprios alunos. Durante esta experiência, foi dada a devida importância a discursos sobre
o consumo consciente sempre associado à reciclagem,
devido ao fato da grande maioria dos alunos lidarem
diretamente com esta forma de manejo dos resíduos
sólidos, uma vez que alguns pais trabalhavam como catadores de materiais reaproveitáveis.
Ao longo das discussões e projetos sugeridos pela
Agenda 21 na escola foi abordada a filosofia dos 3 Rs:
reduzir, reutilizar e reciclar, além de oficinas pedagógicas que tinham por objetivo informar sobre a importância do ato de reciclar.
As atividades escolares, portanto, passaram a ser
planejadas relacionadas às práticas que estavam sendo
vivenciadas na Agenda 21das escolas. O Dia das Mães
foi uma data em que estes conceitos foram vivenciados
na prática, com porta-retratos confeccionados com material descartado (como papelão) e distribuição de eco-bags, finalizando a campanha Saco é um Saco que foi
trabalhada na escola e na comunidade.
O fechamento das atividades deste primeiro semestre encerrou-se na Semana do Meio Ambiente
com uma peça teatral encenada pelos próprios alunos
intitulada: “Ensinando a Reciclar”, aberta não somente
à comunidade escolar como também à comunidade
em que as escolas estavam inseridas. Neste sentido
Freire (1999, p.21) afirma que:
“Se se tenta a democratização da escola, do
ponto de vista de sua vida interna, das relações
professores-alunos, direção-professor etc. e de
suas relações com a comunidade em que se
acha, se se busca mudar a cara da escola, cresce,
necessariamente, a procura a ela.”
É cabível a escola promover a interação dialógica
entre seus conteúdos e as reais e atuais problemáticas,
pois deste modo a escola se mantém viva ao renovar e
adaptar sua prática às reais necessidades sociais.
O objetivo de tais atividades relatadas acima foi o
de fomentar nas escolas e nas comunidades o debate das mesmas questões que concernem ao consumo
sustentável e a um destino mais consciente do lixo,
minimizar também os impactos desta cultura do desperdício imposta a nós todos os dias.
Com todo esse trabalho metodológico nos respaldamos em Pontuschka (1996), que afirma o conhecimento da realidade como algo que permite ao cidadão posicionar-se frente às questões ambientais e às
políticas públicas voltadas para as mesmas, podendo
então contribuir para problemas surgidos.
Vemos, portanto, que atitudes individualistas são corriqueiras em nossa sociedade, fruto da competitividade
e do consumismo. Cada vez mais comportamentos e
posturas como estas contribuem para a exclusão social,
a exploração e a destruição dos recursos naturais.
Diante desta realidade, a escola junto à Agenda 21
escolar deve apresentar uma postura condizente aos
novos direcionamentos da sociedade. Sendo assim,
podemos perceber o papel fundamental da escola, de
uma escola protagonista perante as novas contextualizações encontradas, permanecendo assim um espaço de formação abarcado pela realidade.
Contudo, este trabalho simboliza apenas pequenas
maneiras para amenizar, a curto e até médio prazos,
situações de risco ambiental, mas que proporcionou
aos alunos e à comunidade uma maneira de adequação ao que seria um novo padrão de sustentabilidade.
Este novo padrão alcançará seu ápice junto ao potencial inovador da juventude e das novas gerações que
estão por vir, que precisarão se relacionar com seu habitat natural de forma ética e responsável.
Cristhiane da Silva Cavalcanti - Pedagoga e Membro do Coletivo Jovem da Paraíba - [email protected]
Referências Bibliográficas:
FERREIRA, N. T. Cidadania: uma questão para a educação. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1993.
FREIRE, P. A educação na cidade. São Paulo. Cortez,1999.
LEFF, E. Saber Ambiental. Petrópolis: Vozes, 2001.
PONTUSCHKA, N.N. (org.). Um Projeto... Tantas Visões Educação Ambiental na Escola Pública. São Paulo: Copy – Set, 1996.
22
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Programa Preservando Para o Futuro:
Experiências de Produção e Consumo Sustentável
»» Iranildo de Sousa Ferreira
»» [email protected]
Com o processo crescente da industrialização e da
oferta para o consumo, cada vez produzimos e consumimos mais. Mas não pensamos que tudo que utilizamos vem da natureza e muitas vezes é devolvido
a ela em forma de lixo. Além disso, esse processo cria
uma imensa pobreza, que gera desigualdade social,
mais pessoas doentes, mais fome, mais problemas de
habitação, mais danos ao meio ambiente, mais crianças sem escolas. É preciso romper com essa cadeia de
destruição do planeta.
Durante anos aprendemos a conviver com valores
que nos afastaram de uma relação harmoniosa com
o meio ambiente. E se não mudarmos de atitude será
tarde demais. Devemos repensar a forma como nos
relacionamos com o planeta. Entender que, quanto
mais utilizamos produtos descartáveis, mais recursos
naturais são desperdiçados, gerando grande impacto ao meio ambiente, colocando em risco os seres vivos do planeta no presente e no futuro.
É importante que tenhamos critérios ao produzir (com sustentabilidade
e reutilizando sempre que possível) e
consumir (comprar o necessário, não
desperdiçar, utilizar embalagens de
maneira consciente, evitar comprar
produtos “superembalados” e, sempre
que possível, dar preferência a bens
não-embalados – como, por exemplo,
alimentos frescos). Olhe em volta dos
produtos que você está comprando e
pense: essa embalagem é a melhor alternativa para o meio ambiente? Procure saber mais sobre opções ambientalmente amigáveis e sobre consumo
consciente! Pratique! Dê o exemplo! O
planeta agradece!
O Programa Preservando Para o Futuro (PREFUTURO) sabe da necessidade de desenvolver políticas
e estratégias de estímulo a mudanças nos padrões
insustentáveis de consumo, visando a construção de
sociedades sustentáveis, por isso em 2008 o Programa
Prefuturo instituiu o Núcleo de Implantação das Agendas 21 Locais (NIAL21).
A ideia inicial do núcleo surgiu em 2007 com o objetivo de intensificar as ações do Prefuturo nos Municípios, visando a construção dos Planos Locais de Desenvolvimento Sustentável e de um novo padrão de
desenvolvimento que contemple as diferentes dimensões da sustentabilidade, implicando, sobretudo, em
vontade política, capacidade de mobilização social,
mudanças de atitudes e na produção e no consumo
sustentável.
O NIAL21 junto com o Núcleo de Educação Ambiental e Comunicação (NEAC/PREFUTURO) também atende as escolas por meio das Comissões de Meio Ambien-
23
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
te e Qualidade de Vida
nas Escolas – COM-VIDAs,
ajudando e orientando a
construírem suas Agendas 21, tornando as escolas espaços permanentes
de mobilização, troca de
informação, e geração de
consenso em torno dos
problemas e soluções escolares. O PREFUTURO
por meio do NIAL21 e do
NEAC realizou no município de Ibiapina – CE, em
2009 e 2010, o I e o II Seminário de Formação das
COM- VIDAs, tornando as
escolas atores na produção e no consumo sustentável, promovendo o
intercâmbio e a troca de
informação, assegurando
a harmonia do homem
com a natureza.
O PREFUTURO vem
implementando, em parceria com o Ministério do
O Programa Preservando Para
o Futuro (PREFUTURO) sabe
da necessidade de desenvolver
políticas e estratégias de estímulo a mudanças nos padrões
insustentáveis de consumo, visando a construção de sociedades sustentáveis.
Meio Ambiente, políticas
efetivas de redução do
consumo e do desperdício através de ações e
campanhas. É o caso da
campanha “Saco é um
Saco”, a qual o PREFUTURO aderiu em 2009. Esta
campanha visa conscientizar o consumidor sobre
os impactos ambientais
causados pelo uso excessivo e descarte inadequado dos sacos plásticos.
A campanha quer alertar a população sobre a importância de se reduzir o
consumo de sacolas plásticas, utilizando alternativas para o transporte das
compras e acondicionamento de lixo, e recusando
sacos e sacolinhas sempre
que possível. Apostamos
no poder do consumidor
como ação transformadora de hábitos e atitudes.
Iranildo de Sousa Ferreira - Programa Prefuturo e Núcleo de Implantação das Agendas 21 Locais - Climate Champion do Brasil pelo Programa Climate Generation do British Council
[email protected] - http://twitter.com/pprefuturo - http://www.youtube.com/prefuturo - (88) 92382038 / 36531133
Referências Bibliográficas:
Programa Preservando Para o Futuro – Núcleo de Implantação das Agendas 21. Locais. www.pprefuturo.ning.com
24
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Mudança de hábitos no Restaurante Universitário
da Universidade de Brasília: canecas duráveis no
lugar de copos descartáveis
»» Anderson Paz, Evellyn Bernardes, Diogo L.O. de Carvalho,
Ana Carolina Cabral M. Netto e Larissa K. M. Douto
»» [email protected]
Nas últimas décadas, a geração de resíduos vem
assumindo proporções alarmantes. Isto tem ocorrido
devido ao crescimento do consumo de produtos industrializados (que muitas vezes são revestidos por
diversas embalagens) e de produtos descartáveis pela
crescente população humana; e devido à exacerbação
do consumismo impulsionado pela mídia, mesmo em
grupos sociais que não detinham um poder de compra significativo até tempos recentes.
A produção de resíduos em larga escala – entenda-se não só no sentido de resíduos sólidos, mas também
no sentido social: miséria, fome e exclusão – característica da sociedade de consumo, que vem do século
passado e que avança neste início do terceiro milênio
(Zaneti & Sá, 2002), tem grande impacto negativo na
saúde humana e no meio ambiente. Como exemplos
disso, podemos citar o agravamento da degradação
de ecossistemas, da poluição do solo, ar e águas superficiais e subterrâneas e das mudanças climáticas
com a emissão de gases do efeito estufa na atmosfera,
entre eles o gás metano.
A Agenda 21, que surgiu como um instrumento norteador para um modelo de sociedade mais
comprometida com o desenvolvimento sustentável,
expõe no seu capítulo 4 que se devem promover
padrões de consumo e produção que reduzam as
pressões ambientais e atendam as necessidades básicas da humanidade. Ao mesmo tempo, indica que
deve-se desenvolver uma
melhor compreensão do papel do consumo e da forma
de se implementar padrões
de consumo mais sustentáveis.
O consumidor deve
ser incentivado a fazer com
que o seu ato de consumo
seja também um ato de cidadania, ao escolher em que
mundo quer viver. Cada pessoa deve escolher produtos e
serviços que satisfaçam suas
necessidades sem prejudicar
o bem-estar da coletividade,
seja ela atual ou futura (Gomes, 2006). Foi com essas
preocupações que o projeto
de extensão Tome Consciên-
25
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
cia surgiu em uma disciplina de graduação da Universidade de Brasília. Os alunos perceberam a necessidade de unir conhecimentos acadêmicos com ações
práticas, baseados no princípio de que a sociedade civil é motor de transformações e que a ação individual
é chave para esse processo.
com a renda da própria equipe do projeto e de colaboradores.
No primeiro semestre de 2008, o Tome Consciência pôde disponibilizar maior quantidade de canecas, por ter sido contemplado em um edital de
incentivo a projetos ambientais do Núcleo da Agenda Ambiental da UnB (NAA), no final do segundo
Projeto Tome Consciência
semestre de 2007. Desde então o NAA passou a par O Tome Consciência é um projeto de extensão
ticipar estrategicamente da distribuição de canecas
universitária de ação contínua da UnB. Atua na quesno RU, como parte da campanha “Sou UnB, jogo
tão da sustentabilidade
limpo: digo não aos
socioambiental junto à
copos descartáveis” .
comunidade universitá
Nos dois seria desenvolvendo atimestres de 2008 o
vidades de educação e
Tome
Consciência
comunicação ambiental.
participou de maBuscando sempre a inneira determinante
tegração de estudantes,
na organização das
com o apoio de profescampanhas educatisores de diversas áreas,
vas e de distribuição,
para compor uma equipe
reservando o espaço
heterogênea e multidisdo RU, adquirindo tociplinar, procura verificar
dos os materiais neas demandas ambientais
cessários e pensando
existentes nos campi daCanecas doadas durante campanha
e viabilizando todos
UnB e atuar de maneira
de distribuição no RU.
os demais pontos da
a supri-las, procurando
logística em conjunto
assim construir uma cocom a equipe técnimunidade mais sustentável socioambientalmente.
ca do NAA. A iniciativa obteve sucesso e, no primeiro
Observando os impactos negativos dos resíduos
semestre de 2009, houve a institucionalização da dissólidos no meio ambiente, o grupo decidiu realizar
tribuição das canecas, ficando principalmente a cargo
campanhas para a redução do consumo de copos
do NAA. Os membros do projeto passaram a atuar
descartáveis no Restaurante Universitário (RU) da Unicomo colaboradores voluntários nas campanhas de
versidade de Brasília (UnB). O objetivo é a mudança de
distribuição de canecas e continuaram organizando
hábito dos seus freqüentadores, de modo que menos
campanhas de sensibilização sobre os impactos dos
resíduos sejam gerados e o impacto ambiental destes
resíduos gerados no RU com diferentes estratégias
seja reduzido. O nome do projeto, inclusive, represenque envolviam: mostras de curtas metragens; históta esse objetivo, pois é um jogo com o verbo “tomar”
rias em quadrinhos, que ilustram o impacto econômialudindo à utilização de canecas no lugar de copos
co e ambiental do consumo dos copos descartáveis
descartáveis.
no meio ambiente, impressas e fixadas em pontos
estratégicos; premiação de usuários de canecas da
As Campanhas no RU
campanha ou de quaisquer outros recipientes durá O projeto promove campanhas de sensibilização
veis para pegar suco no RU com doces confeccionapara a redução do uso de copos descartáveis e adodos pelos próprios integrantes do projeto; e através de
ção do uso de recipientes duráveis desde o primeiro
intervenções usando os copos descartáveis utilizados
semestre de 2007. Neste semestre, foram distribuínas refeições para construir cortinas de copos (fig.2),
das 100 canecas para os alunos da UnB, adquiridas
por exemplo.
26
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
A partir do segunmico eram volumosos,
do semestre de 2009
um cenário que requeria
percebeu-se que adireversão.
cionar as canecas aos
A união entre a diskits dos calouros era a
tribuição de canecas,
estratégia mais efetiva
ações voluntárias, inpara aumentar o núcentivadas pelas cammero de contemplados
panhas educativas, e a
pela distribuição das
instituição do “Dia sem
canecas. Neste semescopo”, dias em que cotre, realizou-se a última
pos descartáveis não
distribuição de canecas
são oferecidos, resulC
ortina feita com copos descartáveis
no RU.
tou na real diminuição
usados em uma refeição.
Segundo dados forda utilização de copos
necidos pela direção
descartáveis no RU. O
do RU, no segundo seconsumo por usuário
mestre de 2008 o restaurante atendia diariamente em
passou a uma média de 0,9, o que representa uma
média 4200 alunos no período do almoço e 800 no do
economia de R$ 4.900,00 por ano e a redução da emisjantar, os quais consumiam um total de 6000 copos
são de mais de 200 mil copos descartáveis nos aterros.
descartáveis de plástico de 200 ml diariamente. Os daCom essa economia podem ser compradas aproximados, recolhidos pelo grupo no RU, apontam um consudamente 2.815 canecas, tomando como preço unitámo de 1,2 copos por usuário. Em um mês o consumo
rio R$ 1,74 (valor das últimas canecas compradas).
era de aproximadamente 120 mil copos. Em um ano
Percebe-se que com a dedicação de cada indivíduo
todos os copos descartados totalizavam uma massa de
pode-se alterar o hábito de uso de copos plásticos, não
aproximadamente 1,8 toneladas (1,44 milhão de copos)
apenas no RU, como em outros espaços sociais. É por
e o gasto financeiro com a compra dos copos era de
isso que o grupo acredita tanto no trabalho direto com
aproximadamente R$ 20.800,00. Dessa forma, o impaco seu público alvo, pois a mudança de cada indivíduo
to ambiental do consumo desmedido e o gasto econôpode resultar em amplas mudanças na sociedade.
Anderson Paz, Evellyn Bernardes, Diogo L.O. de Carvalho, Ana Carolina Cabral M. Netto e Larissa K. M. Douto - Projeto de extensão de ação contínua Tome Consciência / DEX-UnB e
NAA-UnB - [email protected]
Referências Bibliográficas:
CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Agenda 21 Global- Conferência da
Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento. 2. ed. Brasília: Senado Federal, 1997. 598 p.
GOMES, D. V. Educação para o consumo ético e sustentável. Rev. Eletrônica. Mest. Educ. Ambient., Porto Alegre, v.16, p.1831, 2006
UN ENVIRONMENT PROGRAMME. Marine Litter: A Global Challenge. Nairobi: UNEP. 2009. 232 p.
ZANETI, I. C. B. B; SÁ, L. M. Educação ambiental como instrumento de mudança na concepção de gestão dos resíduos
sólidos domiciliares e na preservação do meio ambiente. 2002. Disponível em: <http://www.anppas.org.br/ encontro_
anual/encontro1/gt/ sociedade_do_conhecimento/Zaneti%20-%20Mourao.pdf>. Acesso em: 08 de abril de 2010.
27
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Juventude Universitária e Sustentabilidade:
pensando e praticando a gestão ambiental num
campus universitário
»» Wanderson Nascimento e Luís Felipe Rocha
»» [email protected] - [email protected]
Uma das marcas da juventude é ir além do seu
tempo, criar coisas novas, romper com as estruturas
antigas, fugir do tédio em busca de uma autonomia
que proporcione ao jovem viver com liberdade, motivando-o a ser autor de sua própria história. A juventude naturalmente é um período de mudanças e de
afirmação de uma identidade construída na adolescência. Você lembra o turbilhão de coisas que aconteceram em sua vida nos últimos anos? Por mais que
tudo aconteça rápido e você tenha uma vida frenética,
você continua sendo aquele ser que se manifesta na
sua individualidade. Semelhante é a natureza, tudo
vive se modificando. Nos
processos naturais, pode-se
até observar essa natureza
adquirindo outras formas e
dimensões. Você lembra a lei
de Lavoisier? Nada se perde,
tudo se transforma. Observa-se nesse ponto uma correlação entre a natureza e o
jovem.
Então, como é possível o
jovem nesse contexto cumprir a sua missão em ser original, criativo e regente de sua história, sem deixar a
sua autenticidade, atuando na sua comunidade, escola e meio ambiente? Como ficam as práticas diárias
da juventude? É possível realmente fazer do ambiente acadêmico um lugar de construção e reflexão, de
modo que a teoria possa empolgar e dinamizar o cotidiano do jovem, em prol de uma consciência ambiental coletiva?
Foi observando essa transversalidade da temática
ambiental e a necessidade prática de se fazer uso do
28
arcabouço teórico no ensino das universidades que
foi criado, em maio de 2009, no campus de Planaltina da Universidade de Brasília (FUP/UnB), o projeto de
extensão universitária “Esperança Verde na FUP/UnB:
um campus universitário modelo em gestão ambiental”, com a coordenação do Prof. Dr. Philipe Pomier
Layrargues. O projeto objetiva trazer as ações e soluções ambientais para a prática, dialogando com os espaços institucionais e com a comunidade local, além
de estabelecer contato com o meio profissional do
gestor ambiental, antes de sua formação, através das
práticas do exercício
em extensão universitária.
Desse modo, podemos dizer que o
projeto “Esperança
Verde na FUP/UnB”
é a cara da juventude. Primeiro, porque
os doze alunos de
graduação que compõem a equipe desse
projeto são jovens;
segundo, porque os
desafios da qualidade de vida universitária também demandam o comprometimento com a causa ambiental e o vigor que é
preciso para superar as barreiras impostas pela burocracia acadêmica.
O animador é que a esperança é a ultima que morre, ou melhor, ela não pode morrer porque é por essa
esperança que nos mantemos unidos e empenhados
como juventude, a pensar e agir sustentavelmente. É
por esse princípio que este projeto de extensão faz jus
ao seu nome, acreditando e implementando no cam-
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
pus UnB/Planaltina o uso consciente da energia, água
e de outros recursos naturais, entendendo que essas
ações reduzem os custos de produção e custos operacionais, de cunho administrativo. Além disso, promover a coleta seletiva, a destinação adequada dos resíduos sólidos gerados na unidade acadêmica e primar
pela educação ambiental no campus são alguns dos
objetivos centrais do projeto.
Nossa meta com este projeto é viabilizar os caminhos, definidos participativamente, de uma ação
política que estabeleça um programa de Gestão Ambiental no campus. Assim, espera-se, através da gestão pública, diminuir os impactos negativos gerados
durante a jornada de trabalho no corpo dos servidores
públicos da universidade, tornando o trabalho mais eficiente no
uso dos recursos naturais, materiais, financeiros e humanos.
Possivelmente vocês notaram
que tornar o ambiente sustentável não é uma tarefa simples,
exige um comprometimento verdadeiro com a causa. No primeiro
momento do projeto os trabalhos
de equipe foram direcionados à
estruturação de uma Coordenação Ambiental e ao diagnóstico
da percepção ambiental na comunidade estudantil da Faculdade
UnB/Planaltina.
A idéia é que ocorra uma mediação pedagógica por meio da
Educação Ambiental não-formal,
tendo como prerrogativas iniciais a compreensão da
percepção ambiental da comunidade acadêmica e a
identificação da “pegada ecológica” do campus. Esta
compreensão subsidiará a criação das estruturas e
processos pedagógicos potencializadores de novos
padrões comportamentais críticos e devidamente
internalizados pelos usuários do campus e, posteriormente, proporcionará a visualização dos avanços conquistados com a implantação da nova cultura, constituindo-se como um marco de referência de onde se
iniciou o processo de transformação do campus.
Para se conhecer a percepção ambiental dos alunos
foi aplicado um questionário junto a 253 alunos dos
726 matriculados no campus UnB/Planaltina. Com a
aplicação dos questionários obtivemos diversas informações relacionadas à percepção e uso do campus no
cotidiano de cada um. Ficou claro que os jovens estudantes valorizam as universidades que se empenham
em tornar-se sustentáveis e que há uma demanda por
se estudar em um campus universitário com práticas
de gestão ambiental. Também ficou claro que, de maneira geral, os alunos desejam aprender mais sobre as
questões ambientais e concordam que o meio universitário é de fato importante para a formação de uma
consciência ambiental e cidadã. A partir deste dado,
se confirma o quanto a juventude deseja estar engajada com a questão ambiental e como esses desafios de
mudança tem a ver com o que o jovem idealiza para o
futuro em sua formação.
Por sua vez, a segunda etapa
do projeto visa à consolidação do
sistema de gestão ambiental na
FUP/UnB, na aplicação propriamente dita dos grandes elementos de transformação, exigindo
comprometimentos políticos e financeiros robustos. Essa etapa envolve o programa de edificações
sustentáveis na UnB; o programa
de administração sustentável,
por meio da adoção da lógica das
“compras públicas sustentáveis”
de produtos, equipamentos e materiais de escritório; o programa
Agroecológico, com a implantação de alimentação natural e orgânica no futuro Restaurante Universitário, criação de viveiro florestal de mudas nativas
do Cerrado e horto alimentar pautados pela Agroecologia, compostagem de resíduos orgânicos, entre outros.
Fica claro que o projeto “Esperança Verde na FUP/
UnB” tem cumprido a sua missão original em perceber
a situação ambiental no campus e, além disso, propor
políticas e parcerias que viabilizem a consolidação de
uma consciência ecológica dos alunos, professores e
servidores nos espaços educadores da universidade e
na transformação do campus em uma faculdade sustentável. A implementação do projeto está abrindo
caminhos, através dos jovens alunos, para um diálogo
maior com a direção da faculdade sobre as demandas
Nossa meta com este
projeto é viabilizar
os caminhos, definidos participativa-
mente, de uma ação
política que estabe-
leça um programa
de Gestão Ambiental
no campus.
29
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
ambientais do campus, proporcionando um espaço
de construção de idéias, que se instituiu recentemente como uma Coordenação Ambiental da FUP/UnB,
onde participarão alunos, professores e servidores.
O colegiado tem o intuito de discutir, propor e encaminhar decisões que possam fortalecer e consolidar
de fato as ações sustentáveis no campus. Isso é um
ponto de partida chave para a implementação de
uma Agenda 21 Universitária na FUP/UnB de maneira
participativa e democrática, visando promover a sustentabilidade no campus, aumentando a qualidade
de vida universitária.
Políticas de indução e fortalecimento da Agenda
21 Universitária são de extrema importância, porque
as universidades reúnem condições extremamente
favoráveis à transição para a sustentabilidade e porque é através da Agenda 21 que a comunidade universitária terá clareza das suas necessidades, demandas e
expectativas. Então, a partir do momento em que se
formaliza o compromisso, o objetivo de se ter ações
sustentáveis não compete somente a este projeto de
extensão universitária, mas sim a toda universidade
juntamente com seus parceiros, com o foco de promo-
ver a transformação, pensando globalmente e agindo
localmente.
Assim como o projeto “Esperança Verde na FUP/UnB”
tem mudado a realidade institucional no campus de
Planaltina da UnB, você também pode expressar a força e a criatividade de sua juventude propondo e executando mudanças locais no seu cotidiano. Só assim
será possível estabelecer uma mudança de consciência geral. Que tal começar por uma iniciativa sua?
Wanderson Maia Nascimento e Luis Felipe Lino Rocha - Graduandos em Gestão Ambiental/UnB e integrantes do Projeto de Extensão Esperança Verde - DEX-UnB
30
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Relato de experiência: O reaproveitamento
sustentável do açaí na Ilha do Murutucu
»» Ercilene G. dos Santos, Maicon S. Farias e Renan S. Miranda
»» [email protected] - [email protected]
[email protected]
Nós, autores do texto, somos graduandos do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental, da
Faculdade Ideal, e com isso elaboramos projetos de
cunho sustentável e socioambiental, com trabalhos
de pesquisa sobre as comunidades das ilhas de Belém
e da região urbana da cidade. Nosso objetivo é propor soluções de políticas públicas de sustentabilidade
para a região, para melhor aproveitamento dos recursos locais, além de atividades de cunho socioambiental de responsabilidade social.
Este é um relato de experiência em Belém do Pará
sobre a sustentabilidade dos recursos naturais da ilha
do Murutucu. Esta é uma ilha localizada na parte sul
da cidade de Belém pertencente ao DAOUT (Distrito Administrativo de Outeiro) que apresenta, na sua
grande maioria, população ribeirinha com característica rural. Apesar de estarem próximos à capital, vivem
basicamente do extrativismo dos recursos da ilha, em
especial do açaí, um fruto muito abundante na re-
gião, assim como da extração do buriti, andiroba,
camarão e outros, que são vendidos para as feiras de
Belém.
Contudo, o açaí possui um período de safra que vai
de junho a dezembro, o que faz com que durante a entressafra os moradores vivam um tempo difícil, pois os
outros recursos não garantem uma boa renda para a
população. Além disso, o açaí produz alguns resíduos
durante suas etapas de produção, visto que a polpa do
açaí é pequena com relação à semente, e estes resíduos na sua grande maioria são queimados ou lançados
nos rios ou no solo, podendo ocasionar problemas
para os moradores e o meio ambiente.
Considerando estes fatores, criamos um projeto
com o objetivo de promover a sustentabilidade através da capacitação dos moradores da Ilha do Murutucu para a produção de artesanato com sementes do
açaí e outros materiais encontrados na ilha, gerando
renda à população. A primeira etapa do projeto foi a
conscientização das crianças na escola situada na associação dos moradores da comunidade do cacau.
No início, para a elaboração do projeto, tivemos algumas dificuldades quanto a qual atividade nós utilizaríamos para capacitar os moradores e ao mesmo tempo
envolvê-los na conscientização sobre o uso responsável dos recursos e reaproveitamento dos mesmos, com
isso, chegamos à conclusão de usar o artesanato.
O alvo principal são as crianças, uma vez que elas
atuam como agentes multiplicadores das ações de
educação ambiental. O projeto se desenvolveu no
sentido de buscar uma alternativa de reutilizar os resíduos da etapa produtiva do açaí, como a semente e
o cacho do açaí, assim como outras sementes, papel e
recipientes, garrafas pet e outros materiais encontrados na região ou trazidos pelo movimento das marés.
A principal forma de reaproveitar este material foi
31
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
o artesanato, na forma de biojóias e outros utensílios.
Esta é uma prática que se utiliza de poucos recursos,
que não agride o meio ambiente e que pode ser utilizada para complementar a renda dos moradores, melhorando a sua qualidade de vida de modo sustentável e adequado às propostas da Agenda 21 Brasileira.
Observamos que na ilha havia muitos materiais
como sementes, cachos não utilizados, recipientes, etc.
O que faltava era uma palestra ou oficina para despertar essa consciência nos moradores e nas crianças. Com
esse pensamento sobre a oficina, durante uma ação de
responsabilidade social na comunidade do cacau na
Ilha do Murutucu, colocamos em prática o projeto em
sua primeira fase, a de capacitação das crianças mostrando-lhes a importância de reaproveitar o resíduo da
produção do açaí e o uso responsável dos recursos.
Logo após esta breve explicação sobre educação
ambiental, na sala da escola ACAIMU (imagem 1), separamos a turma em grupos de 4 a 5 crianças, cada
grupo com um responsável para a prática. Os materiais utilizados foram papelão, recipientes de margarinas, garrafas pets e os materiais encontrados em
abundância na ilha: a semente e cachos do açaí.
Os alunos na faixa etária entre 8 a 17 anos aprenderam, em uma manhã, com reutilizar materiais que antes iriam para o lixo e agora vão se tornar artesanato,
servindo não só como reciclagem e geração de renda,
mas um exemplo para as ilhas do entorno sobre a importância do uso racional dos recursos para que eles
durem para as próximas gerações.
Semente e cachos do açaí
Ercilene Gomes dos Santos, Maicon Silva Farias e Renan Satiro Miranda - Graduandos de Tecnologia em Gestão Ambiental / Faculdade Ideal - [email protected]
[email protected] - [email protected]
Referências Bibliográficas:
FELIX, A. A. A.; Identificação e desenvolvimento de técnica alternativa de controle de fungos em sementes utilizada
no artesanato. Brasília 2007
INSTITUTO DE PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO. Artesanato ecológico é exemplo de respeito ao meio ambiente.
Disponível http://www.ipd.org.br acessado 5 de outubro de 2009
LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis, RJ. Vozes: 2001
SEBRAE. Programa Sebrae de artesanato. Disponível em: http://www.artesanatobrasil.com.br/frameset0.htm Acessado
em 05/10/2009
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Uma história na Amazônia
»» Damaris Teixeira Paz
»» [email protected]
A Amazônia é indiscutivelmente um lugar de grande
importância para o planeta. Atentados contra esse
meio ocorrem todos os dias. Há uma preocupante falta de sensibilidade, de uma parte da população amazônica, diante das problemáticas ambientais.
Localizado a 20 km de Manaus, Iranduba é um dos
poucos municípios do estado do Amazonas que tem
Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida em
uma das suas escolas.
A COM-Vida da Escola
Estadual Isaías Vasconcelos foi criada em
março de 2009 pelo
CJ-Iranduba (Coletivo
Jovem de Meio Ambiente de Iranduba).
Desde a sua criação
ela trabalha intensamente, com comemorações de datas ambientais e escolares
em eventos que mobilizam toda a instituição como coleta de
lixo, Gincana do Meio
Ambiente, 1ª Feira de
Saúde, etc. Os resultados são satisfatórios, houve um
crescimento na interação escolar, na motivação de
alguns professores para tratar de assuntos interdisciplinares, na participação dos estudantes nas ações da
escola, e o surgimento do interesse em questões socioambientais em mais pessoas da comunidade.
Um bom exemplo das mudanças de pensamento
proporcionadas pelo projeto foi um protesto contra
uma empresa cerâmica que polui o ar nas proximidades da escola, muitas vezes atrapalhando as aulas.
Mais seguros nas suas decisões, os alunos e os professores, juntos com a comunidade, foram reivindicar os
seus direitos. O fato foi até exibido em um telejornal
do estado.
Infelizmente esse tipo de crime acontece em todo
o país. Diversas empresas poluem o ar, os rios, degradam o solo e, o
pior de tudo, crescem cada vez mais.
Isto ocorre pela
ausência de um
compor tamento
importantíssimo
na atualidade, o
consumo responsável. Os requisitos mais usados
em uma compra
são o preço e a
qualidade, mas e
a procedência? E a
responsabilidade
socioambiental da
indústria, existe?
Em parceria com a Pastoral da Juventude, o CJ-Iranduba trabalha esse tema em palestras de sensibilização cujo público-alvo é, geralmente, crianças,
adolescentes e jovens até 29 anos.
Como se pode perceber, existem pessoas que lutam para ajudar o planeta, na tentativa de transformar
a maneira de pensar de seus habitantes e, consequentemente, a maneira de agir.
Damaris Teixeira Paz - Graduanda de Licenciatura em Ciências Naturais da UFAM- Universidade Federal do Amazonas - Membro do Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Iranduba e do CJ-AM
[email protected]
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Projeto Pastorinhas e Consumo Solidário
integram política ambiental da Escola
Balão Vermelho
»» Ana Katz, Júlia Catão, Letícia Fiúza, Silvia Fortini e Alice Faria
»» [email protected]
Foto: Fernanda Pimenta
Em 2006, foi firmada uma parceria entre a Escola
Balão Vermelho (Belo Horizonte/MG) e um grupo de
famílias do Movimento dos Sem Terra, hoje assentadas em uma área próxima à capital mineira, no município de Brumadinho.
Depois da primeira visita feita ao assentamento,
que tinha como objetivo conhecer e estabelecer parceria com grupos sociais que tivessem por princípio a
economia solidária – cuidado com o meio ambiente,
relação justa com o trabalho, participação de todos
os envolvidos e solidariedade – os alunos iniciaram o
trabalho de mobilização e sensibilização para a organização do “consumo solidário” na escola.
Assim, em acordo com o Assentamento Pastorinhas, foi criada a lista com os
produtos oferecidos pelos agricultores e enviada a todas as
famílias da escola. Quem optava em participar do projeto
recebia, toda segunda-feira, na
instituição, as cestas prontas de
acordo com o pedido.
Em 2007, a maior renda das
famílias veio do consumo solidário da escola. A partir de 2008
o projeto se estendeu e, além
das cestas prontas, o Assentamento Pastorinhas passou a
vender seus produtos aos moradores e transeuntes da região
do Bairro Mangabeiras. Com
autorização da prefeitura, segunda-feira, das 7 às 14 horas,
os assentados comercializam seus produtos em uma
barraca na porta da instituição.
Hoje, cerca de 80 pais de alunos encomendam os
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produtos através da lista de pedidos, mas esse número sempre aumenta, já que a cada ano é reforçada com
os novos alunos a importância da participação no consumo solidário. Assim, as famílias da escola recebem
produtos orgânicos, frescos e de baixo custo, já que a
produção preserva o cuidado com o meio ambiente e
não passa nas mãos de atravessadores.
De acordo com relato de alguns assentados, a qualidade de vida das famílias da comunidade melhorou significativamente devido à venda desses produtos. Antes,
toda a produção que sobrava ia para o lixo; hoje, é transformada em renda e investimento em infraestrutura.
Para a Escola Balão Vermelho e Colégio Mangabeiras, além de todos os benefícios citados com o projeto, o maior ganho é a certeza
de que iniciativas como essa
podem contribuir efetivamente com a vida do planeta e de muitas pessoas. E a
cada dia são descobertas outras formas de estender essas
parcerias, buscando soluções
para problemas ambientais
enfrentados atualmente.
Crianças
fazem campanha
de arrecadação de óleo
para produção de sabão
artesanal
Na Escola Balão Vermelho,
no início do ano passado,
crianças entre quatro e cinco
anos desenvolveram um projeto a respeito dos cuidados que se deve ter com o lixo. A professora Bárbara
Coura conta que o mesmo teve início quando os alu-
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
a agricultora. Ainda segundo Vilma, para o sabão ter
cheiro de sabonete, mistura-se essência, ou um pouco de amaciante, se for para lavar roupas. Essa mistura fica com uma cor bege. Depois de um dia secando,
torna-se branca. Antes de deixar secar, é necessário
colocar a mistura bege em uma fôrma para ser cortada
do tamanho que quiser. A agricultora acrescenta que o preparo
é rápido e fácil: “Demora de cinco
a 10 minutos para bater e ficar no
ponto certo, que é pastoso”.
O agricultor Ascendino Padilha, de
30 anos, ressalta que, na comunidade, não há sobra de óleo, pois
tudo lá é reaproveitado, e o óleo é
utilizado para fazer ração para os
animais. Todo o sabão feito no Assentamento é produzido somente
com o óleo doado pela Escola Balão Vermelho e Colégio Mangabeiras, sendo utilizado
para consumo próprio. ”Não comercializamos o sabão
porque não temos autorização da vigilância sanitária e
também não paramos para pensar se essa produção poderia ser uma fonte de renda para a comunidade”, acrescenta o assentado.
Em julho de 2009, o Assentamento esteve na escola para ensinar os visitantes da Eco Balão (Feira anual
de Agenda 21 da Escola Balão Vermelho) a fazerem
o sabão artesanal, incentivando os pais dos alunos a
continuarem a trazer o óleo usado de suas casas.
A professora Bárbara enfatiza que, para as crianças
finalizarem o projeto, distribuíram amostras das primeiras remessas de sabão que o Assentamento Pastorinhas
produziu para as famílias da escola. As crianças foram
nas salas entregar o sabão junto com um bilhete que
destacava o que podia ser feito com o óleo usado.
E o projeto que completou um ano continua. Dois
galões foram colocados na porta das escolas Balão
Vermelho e Mangabeiras e toda a comunidade do entorno pode participar. Basta levar o óleo usado e despejar nos galões. Nas segundas-feiras o óleo é recolhido e encaminhado ao Assentamento Pastorinhas.
Foto: Marcelo Monteiro
nos perceberam que estavam faltando lixeiras ecológicas na sala de aula. E esse foi o ponto de partida para
iniciar com as crianças uma discussão sobre questões
ambientais.
Os estudantes chegaram à conclusão de que o óleo
de cozinha era um dos poluentes mais comuns por ser
jogado fora, em casa, nas pias
ou no vaso sanitário, meios
que levam esse material para
o mar e os rios, causando
grandes danos a esses ecossistemas. Isabela Albuquerque, aluna de seis anos, explica o que acontece se o óleo
chegar às águas: “A gente não
pode jogar óleo na pia e nem
no vaso sanitário porque ele
vai para o rio, forma uma bolha grande e essa bolha não
deixa a luz do sol passar para dentro do rio, e assim mata
os peixes”.
A turma da professora Bárbara Coura iniciou, então,
uma campanha para as pessoas da Escola Balão Vermelho recolherem o óleo usado em casa e doarem para a
instituição. O objetivo era produzir sabão artesanal em
parceria com o Assentamento Pastorinhas. Os alunos fizeram panfletos explicando quais os prejuízos causados
pelo óleo jogado na pia e iniciaram uma campanha de
arrecadação do óleo usado pelas famílias e pelo comércio próximo ao Balão Vermelho. Segundo a professora,
as crianças distribuíram os panfletos na porta da escola
e fizeram cartazes para chamar a atenção daqueles que
transitavam no local. Depois da campanha, as famílias
começaram a trazer óleo de casa e todo material recolhido passou a ser doado para o Assentamento, que faz
o sabão artesanal e utiliza para consumo próprio.
A agricultora Vilma Aparecida, de 39 anos, comenta
que produz o sabão para lavar a roupa que vem muito
suja da roça, vasilhas domésticas e, às vezes, até para
tomar banho. Para se fabricar o sabão, “você mistura
cinco litros de óleo com um litro de soda cáustica líquida, um copo de detergente ou sabão em pó, que
são opcionais, mas eu uso porque acho que fica melhor para lavar a roupa, e um copo de álcool”, esclarece
* Sob a orientação da professora Fernanda Pimenta e da
educadora ambiental Mara Andrade.
Ana Katz, Júlia Catão, Letícia Fiúza, Silvia Fortini e Alice Faria - Alunas da Escola Balão Vermelho - [email protected]
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Agenda 21 na escola: fomentando
o consumo sustentável
»» Anna Patrícia F. Araújo, Larissa Maria R. de Albuquerque e
Liliane de Jesus Silva Lourenço
»» [email protected]
O mundo em que vivemos é o reflexo da evolução
humana e do progresso da tecnologia. A população
aumenta e os recursos naturais passam a ser mais
exigidos e, cada dia, eles vão se tornando mais escassos, pois, contrariando os conceitos mais antigos, eles
não são infinitos. Atualmente, o mundo inteiro corre
para essa direção. A dinâmica de desenvolvimento
desligado da conservação do meio está sendo mudada e, segundo Lourenço
(2007), há uma preocupação mundial com o meio
ambiente e com a homeostasia do triângulo da
sustentabilidade. Esse triângulo tem suas vertentes
compostas pelos fatores
Ecológico, Econômico e
Social.
O nosso comprometimento com o Meio Ambiente nos faz querer
sempre buscar medidas
que venham minimizar
o impacto gerado por nossas atividades no meio em
que vivemos. Segundo Ricklefs (2003)
“...acima de tudo, a raça humana tem a escolha
de adotar uma nova atitude em direção à sua
relação com a natureza. Somos parte da natureza, não à parte da Natureza. Até o ponto em que
nossa inteligência, cultura e tecnologia tem nos
dado o poder para dominar a natureza, devemos
também usar nossas capacidades para nos impor uma auto-regulação e auto-restrição. Este é o
nosso maior desafio. Nós fomos fantasticamente
bem sucedidos em nos tornar a espécie tecnoló-
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gica. Nossa sobrevivência agora depende de nos
tornarmos a espécie ecológica e assumir nosso
próprio lugar na economia da natureza.”
Quando pensamos em consumo sustentável nos
vem a idéia de um consumo que sirva para suprir as
nossas necessidades nos dando conforto e sem agredir o meio ambiente excessivamente. Isso exige uma
mudança de comportamento em relação a vários
conceitos muito difundidos em nossa cultura.
Porém, se pensarmos no
conceito de consumo,
este já se enquadra em um
modelo sustentável, visto
que neste caso as pessoas
adquirem somente aquilo
que lhes é necessário para
sobrevivência. No tocante
ao consumismo, este deve
ser combatido, já que se
trata do consumo exagerado dos recursos disponibilizados pelo meio.
A relação de harmonia entre o homem e a natureza
exige mudanças de comportamento e de hábitos, que
proporcionem tomadas de atitudes para a manutenção do meio ambiente mais equilibrado e socialmente
mais justo.
Segundo Seabra (2009), isto implica em consumir
com responsabilidade a partir de modificações estruturais no modelo de desenvolvimento incentivado
pela rede de informações que alimenta o consumo de
massas.
O primeiro passo para a mudança no modelo de desenvolvimento é fazer com que a escola exerça o papel
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
de formador de opinião, fomentando a conservação do
patrimônio público, como o uso adequado das carteiras, livros e da merenda, bem como a melhoria das relações interpessoais, utilizando-se de metodologias que
tragam uma nova visão do que
significa cidadania, fazendo com
que a população, principalmente os jovens, participe de forma
ativa e crítica, incorporando novas aspirações, desejos e interesses, na medida em que esses
consigam ser reconhecidos coletivamente. E é nesse ponto que
a criação das Agendas 21 nas escolas é necessária.
Ao planejar a Agenda 21, as
escolas se comprometem a criar
as suas agendas de maneira a
incluir representações de todas
as faixas sociais e etárias da comunidade escolar. Por isso, a
Agenda 21 na escola vem para
inserir um grupo social que muitas vezes fica excluído: os adolescentes e jovens. A Agenda 21
pode ser uma ótima maneira de
contemplar a inserção de jovens e adolescentes no processo de sensibilização para um consumo sustentável.
As escolas devem agir de forma socialmente e ambientalmente responsáveis em todas as suas atividades.
Devemos então propor que sejam contempladas
nas Agendas 21, ações que estimulem o desenvolvimento da comunidade escolar com relação ao con-
sumo e à produção sustentável, como por exemplo,
a criação de horta para ajudar na merenda escolar,
estimular a economia de água e energia na escola, diminuir a utilização de plásticos e descartáveis, de uma
maneira dinâmica, didática e
convincente.
No estado, o CJ participa ativamente na construção, implementação e fortalecimento das
Agendas 21 e Com-Vidas, estando disponível para auxiliar escolas e municípios que adotem
ações que visem ao desenvolvimento escolar e ao consumo
sustentável, visto que a responsabilidade no tocante às práticas ambientais são coletivas e
comuns a todos da sociedade.
Neste sentido, responsabilidade socioambiental escolar significa adotar princípios e perspectivas, bem como assumir
práticas que vão além da sala de
aula, contribuindo para a construção de cidadãos críticos, com
postura ética e visão de futuro.
Precisamos mostrar para nossa população e principalmente aos nossos jovens que a nossa qualidade de
vida e a do planeta em que vivemos está em nossas
mãos e isso nos torna responsáveis por nossos atos.
Assim, para termos qualidade de vida é necessário cuidarmos do planeta, ao contrário seremos diretamente
prejudicados por isso.
A relação de harmonia
entre o homem e a natureza exige mudanças
de comportamento e de
hábitos, que proporcionem tomadas de atitu-
des para a manutenção
do meio ambiente mais
equilibrado e socialmente mais justo.
Anna Patrícia Ferreira Araújo, Larissa Maria Ramos de Albuquerque e Liliane de Jesus Silva Lourenço - Coletivo Jovem de Meio Ambiente da Paraíba - [email protected]
Referências Bibliográficas:
LOURENÇO, L. J. S. Avaliação do Sistema de Gestão Ambiental do Grande Moinho Tambaú, Cabedelo, Paraíba: Dados
preliminares para adequação à ISO 14001. Monografia. Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa – PB. 2007.
RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. Desenvolvimento econômico e ecologia global. 5ª edição - Rio de Janeiro: Editora
Guanabara Koogan, 2003.
SEABRA, G. (Organizador). Educação Ambiental. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2009. 228p.
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Novas Tecnologias para o Tratamento
de Resíduos Sólidos Urbanos: Uma Visão
Socioeconômica e Ambiental
»» Luiz Carlos de Santana Ribeiro e Otávio Augusto N. da Silva
»» [email protected] - [email protected]
O sistema de gestão de resíduos sólidos brasileiro é
falho, no sentido de não tratar de maneira inteligente
o seu “lixo”, incorrendo em prejuízos financeiros, exclusão social e degradação ambiental. Na maioria das
vezes estes resíduos não têm destino apropriado, ou
seja, são dispostos em lugares impróprios, ou ainda
queimados, gerando externalidades negativas para
toda a sociedade e o meio ambiente.
A quantidade de lixo produzida pela sociedade
atual é um grande problema a ser resolvido, sobretudo de maneira sustentável, no sentido de aplicar um
sistema de tratamento que “não só trate resíduos”, mas também contribua com o desenvolvimento de aspectos socioeconômicos e
ambientais da sociedade.
O quadro atual é de total falta de conexão
entre a política de tratamento dos resíduos e
a comunidade. O modelo convencional de
disposição e tratamento de resíduos, que é
caracterizado pela presença de aterros sanitários controlados e não controlados (lixões),
subestima o potencial econômico disposto
nestes resíduos. A utilização de novas tecnologias, como usinas de reciclagem, usinas de compostagem e de aproveitamento energético dos resíduos,
vem surgindo como medida viável para tentar reverter esse quadro.
Estas tecnologias, por sua vez, trazem consigo ganhos consideráveis quando levamos em conta, por
exemplo, o fato dos resíduos recicláveis retornarem
para o ciclo produtivo como matérias-primas. Do
ponto de vista econômico, há geração de emprego
e renda no setor de reciclagem, como também redução do custo industrial, na medida em que o setor
produtivo tem a opção de demandar insumos recicláveis, ao invés de virgens.
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Ainda nos aspectos econômicos, temos a possibilidade de reduzir custos do ponto de vista energético, já
que algumas tecnologias (como a dos biodigestores)
oferecem a possibilidade do reaproveitamento dos resíduos para geração de energia, o que pode nos levar a um
processo energeticamente auto-sustentável, bem como
beneficiar comunidades vizinhas com essa co-geração. É
preciso lembrar, ainda, que existe o aspecto relacionado
com a grande contribuição ambiental referente às questões que envolvem o aquecimento global, já que este
biogás (CH4) não será mais emitido na atmosfera.
Ao passo que falamos sobre redução
de custos, pode-se incluir a geração
de composto orgânico e dos biofertilizantes provenientes dos processos
de biodigestão, que serão utilizados
pelos agricultores locais, agregando
valor ao produto comercializado e
contribuindo para o ambiente já que
ocorrerá uma redução, ou até eliminação, da utilização dos agroquímicos.
O aspecto social também está diretamente relacionado à inclusão dos
catadores de materiais recicláveis, através da criação
de postos de trabalho. Eles representam os atores mais
importantes da reciclagem, pois atuam diretamente na
separação de materiais, o que constitui a condição sine
qua non deste processo, representando assim a mola
propulsora da cadeia produtiva do setor uma vez que
são eles que alimentam as indústrias com os insumos
recicláveis. Salienta-se que quando os catadores atuam
de forma atomizada, eles apresentam pouco poder de
mercado. O governo, por sua vez, através de políticas
públicas de incentivo, deve estimular a formação de
organizações sociais (cooperativas e associações), no
intuito de elevar seu poder de mercado e, consequen-
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
temente, uma distribuição da fatia de renda mais
equilibrada.
Ainda no que se refere às contribuições governamentais, políticas públicas devem oferecer aos catadores linhas de crédito especiais
para financiamento de máquinas, equipamentos e instalações, bem como isenções fiscais,
etc.
Chama-se atenção para o fato de que ações
inter-relacionadas devem ocorrer em paralelo
ou ex-ante à implementação destas atividades, como por exemplo programas de educação ambiental visando como público-alvo a
população em geral, no intuito de conscientizá-la da importância destas ações em prol do
desenvolvimento sustentável.
Luiz Carlos de Santana Ribeiro - Mestre em Economia CME/UFBA. Coordenador Operacional (PRODETUR/SE) - [email protected]
Otávio Augusto Nascimento da Silva - Consultor Ambiental - ECA Ambiental Consultores Associados - [email protected]
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Desenvolvimento Sustentável
»» Eduardo A. Teixeira, Jennifer Jeane Orza e Alessandro Rodrigues
»» [email protected]
A questão ambiental está, cada vez mais, inserida
nas atividades relativas ao sistema produtivo e à administração das organizações. É quase impossível, hoje,
dissociar as variáveis ambientais das decisões que
envolvem o nosso dia a dia. O gerenciamento de processos e resíduos, recursos naturais e energia são elementos fundamentais para a gestão estratégica nas
empresas. Cabe às instituições públicas nortear, regular e administrar o meio ambiente como patrimônio
de todos, na busca do desenvolvimento sustentável,
fundamental para o futuro da humanidade. A ameaça
à sobrevivência humana em face da degradação dos
recursos naturais, a extinção de espécies da fauna e
flora, o aquecimento global devido à emissão de gases poluentes fizeram a questão ambiental ocupar um
lugar de destaque nos debates internacionais.
A humanidade de hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma sustentável, entretanto, é preciso
garantir as necessidades do
presente sem comprometer
as habilidades das futuras
gerações em prover suas próprias necessidades.
O desenvolvimento sustentável tem seis aspectos
prioritários que devem ser
entendidos como metas:
»» A satisfação das necessidades básicas da
população (educação,
alimentação, saúde e
lazer);
»» Solidariedade para com
as gerações futuras;
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»»
»»
»»
»»
A participação da população envolvida (todos
devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que
lhe cabe);
A preservação dos recursos naturais;
A elaboração de um sistema social garantindo
emprego, amparo e segurança social;
A efetivação dos programas educativos.
Na tentativa de chegar ao desenvolvimento sustentável, identifica-se que a Educação Ambiental é
parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas
metas: a participação da população.
Constata-se que a busca de um crescimento sustentável implica na eficiência de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
de atender as necessidades das futuras gerações. É o
desenvolvimento que não esgota os recursos para o
futuro, ou seja, respeita a capacidade de recomposição natural do meio ambiente.
Considerando estas colocações, trazemos abaixo
depoimentos de participantes do Programa Recicla Tibagi, de educação ambiental e geração de emprego e
renda através da reciclagem.
Depoimento de Jennifer Jeane Orza:
Idade: 25 anos
Estou cursando o último ano de Pedagogia. Trabalho na Escola Municipal David Federmann no distrito
de Caetano Mendes.
Através do Programa Recicla Tibagi pude perceber
como nós seres humanos ainda somos leigos quando
se trata do nosso próprio bem estar. Pois quando se
fala em separação do lixo, achamos que é tudo por
causa de outras pessoas, e não por nós mesmos. Mas
é pelo bem de todos. Nem tudo o que descartamos é
“lixo”. Quase sempre podemos reaproveitar.
E fazendo parte da “equipe” do Recicla Tibagi, desenvolvendo meus conhecimentos pedagógicos, tenho o compromisso de passar para cada criança do
nosso município, através da Educação Ambiental,
como podemos melhorar o mundo.
A Educação Ambiental na escola ocupa um espaço muito importante na construção de um novo
palco de vida como forma de expressão e mobilização, gerando novas atitudes a serem construídas e
vividas, individual e coletivamente. É um processo
de aprendizagem permanente baseado no respeito
a todas as formas de vida.
Iniciando na escola, a Educação Ambiental nos propicia a reflexão, o debate e a auto transformação para
a preservação ambiental.
Porém, não existe uma receita para se fazer Educação Ambiental, depende de cada pessoa. Por isso, pretendo formar e informar cada uma delas, a aprender
sempre mais e buscar formas de se desenvolver sem
prejudicar a natureza.
É necessário que o homem se conscientize da importância do uso criterioso de recursos que a natureza
lhe oferece, de modo a adiar o máximo possível a época em que eles desapareçam.
Depoimento de Alessandro Rodrigues:
Idade: 22 anos
Trabalha no Recicla Tibagi como Catador.
Cursando o último ano do ensino médio.
Estava desempregado quando soube por um amigo sobre o programa de reciclagem de Tibagi e tive a
oportunidade de trabalhar.
Foi difícil me adaptar, mas consegui. E através desse trabalho aprendi muitas coisas que mudaram minha vida, como preservar o meio ambiente.
Me sinto muito bem, estou em um trabalho digno,
sustentando minha família, através da reciclagem. Dia
5 de julho fez três meses que estou aqui, e me sinto
feliz e satisfeito em poder ajudar a cidade a ficar mais
limpa e a preservar a natureza, assim todos poderemos viver bem e garantir uma boa qualidade de vida
para as gerações futuras.
Eduardo Araujo Teixeira
Cursando último ano de Gestão Ambiental
Estou estagiando na Secretaria de Meio Ambiente
e Turismo de Tibagi, no Recicla Tibagi desde o mês de
janeiro de 2010.
Tenho como objetivo no centro de triagem e compostagem de Tibagi a melhoria das condições de trabalho, ou até mesmo a geração de renda extra para
todos os associados, através de experimentos ou de
projetos para arrecadar verba. Com esses projetos
podemos comprar alguns equipamentos que irão
melhorar a qualidade do trabalho e de vida dos associados da ACAMARTI (Associação de Catadores de
Materiais Recicláveis de Tibagi).
Eduardo A. Teixeira, Jennifer Jeane Orza e Alessandro Rodrigues - Programa Recicla Tibagi - [email protected]
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Viver Consciente
»» Eduardo Amorim
»» [email protected]
Como é possível acreditar no poder da vida, na liberdade de escolha, se tudo conspira contra ela? Como
é possível que os homens mantenham sua paz interior
e sintam-se exteriormente tranquilos e como podem
conservar-se honestos, livres e verdadeiros para consigo
mesmo, se vivemos numa sociedade que impõe e dita
regras injustas e o homem se curva diante delas para
não ser motivo de chacota? Risos e aplausos não para si,
mas para a galera pela qual precisa ser aceito. Impera aí
a inversão de valores, onde o comportamento genuíno
é moldado pelo enfadonho acúmulo do querer somado
ao ter, diminuindo o ser, sem importar as conseqüências
disso no futuro.
Meu valor é condicionado às “etiquetas” que ostentam o acesso a roupas de moda, acessórios , tênis, celulares, etc. É uma forma de distinção
social amplamente explorada pelo
mercado de consumo tanto para jovens das classes privilegiadas como
para as classes populares. Esses símbolos passaram a substituir o senso
interno de valor próprio e quando a
condição financeira impede o acesso
a esses bens torna-se fonte de conflitos e de sentimento de inferioridade. Hoje o que se observa é uma sociedade com uma elevada porcentagem de imediatistas,
que buscam vias mais curtas para se resolver conflitos,
angústias e mal-estares. O abuso de drogas (tranquilizantes, antidepressivos, estimulantes, etc.), o consumo
desenfreado, inclusive do sexo descartável a tal ponto de
ficar sem compromisso, revelam o vazio interior, a carência de desenvolvimento emocional e espiritual.
A mídia é a grande responsável por essa geração de
consumo exacerbado, que vive num mundo irreal desprovido da sensibilidade humana. Ao mesmo tempo,
o diferente, o assalariado de pés no chão, o honesto, as
pessoas tímidas e comuns fazem contraponto.
É necessário despertar em nós um viver consciente,
ou seja, criar um estado mental adequado às tarefas que
devemos executar, o que implica entender o contexto,
envolver-se nas ações, prestar atenção às pessoas, respeitar os fatos da realidade, manter-se fiel à verdade.
Sobreviver sem pausa para pensar e raciocinar torna-nos débeis mentais, presas fáceis à manipulação.
A liberdade e a felicidade resultam da construção
interna, que demanda envolvimento pessoal, honestidade
intelectual e sensibilidade.
Eis aí o compromisso
da Agenda 21. A sua adesão,
criação e atuação pelas escolas,
peças importantes que vieram
contribuir para a formação do
caráter do indivíduo, permite que no presente momento
uma bagagem de conceitos
bons faça um futuro promissor.
Que a visão do ser não seja distorcida, que o livre arbítrio
do sujeito não o faça vítima de si próprio.
A corrente 21 é a corrente do bem, valorizá-la e colocá-la em prática é uma escolha acertada, caso contrário,
a liberdade estará condenada. Isso não quer dizer que a
humanidade está condenada, uma vez que os bens materiais, a sensualidade, o consumismo exacerbado e o
preconceito jamais poderão sobrepor valores genuínos,
porque todo homem nasce bom, o meio em que vive é
que define seu caráter.
Eduardo Amorim - Graduando em Serviço Social pela Universidade Federal do Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM - 1º Secretário da Associação de Proteção aos Animais e ao Meio
Ambiente do Mucuri - Parlamentar Jovem da Câmara dos Deputados em 2009 – PJB/2009 - [email protected] - (33) 3523 3271 Teófilo Otoni - MG
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Juventude e Consumo: Realidade, desafios
e alternativas para um consumo responsável.
»» Fernanda Rodrigues Machado Farias e Katiane Farias Teixeira
»» [email protected] - [email protected]
A idéia do consumismo é imposta pela cultura dominante como algo “vital” para as relações juvenis em
nossa sociedade. Isso se dá através das construções
políticas e econômicas que incentivam a atitude do
“ter” para estar de bem consigo e com as outras pessoas. A mídia é um instrumento fortíssimo e muito rápido
na disseminação da ideologia capitalista, logo, consumista. Propagandas de alimentos transgênicos
como o ‘BigMac
Feliz’
espalhados em todos os
meios de comunicação utilizam a
imagem da juventude sempre com
roupas da moda,
cabelos lisos e
loiros, magros e
saudáveis, representando a padronização estética,
alimentícia, cultural e consumista
que incentiva jovens a consumir
esse produto.
A questão alimentar está cada vez mais preocupante na cultura globalizada, que é acelerada, intensa
e sua produção está voltada para suplementos energéticos e vitamínicos, trazendo em sua embalagem a
promessa de alimentos cada vez mais super vitaminados e práticos. Freqüentemente, o alvo do marketing
publicitário tem sido os/as jovens, por serem sujeitos
a maior vulnerabilidade, pois vivenciam o processo
de construção de personalidade. A utilização de ídolos nas propagandas, modelos e de espírito de festa
são instrumentos fortes para levar à aprovação do/a
jovem a um determinado produto.
Porém, apesar dessa vulnerabilidade etária, os/as jovens são sujeitos/as da história e podem se identificar
com a luta cotidiana da sociedade e são passíveis de
mudança de pensamento em relação à educação
para o consumo.
O mercado é
muito forte e, com
essa insistência de
atingir especialmente esse ideal
de juventude, leva
diversos jovens,
principalmente da periferia, a
sentirem-se excluídos por conta do
modelo de jovem
da mídia. Esse sentimento de exclusão faz com que
eles desejem ter e
ser um consumista, levando-os, muitas vezes, a cometerem crimes para alcançar o ideal de consumo: “Consumo,
logo existo!”
A insegurança alimentar é algo visivelmente presente
na concepção juvenil de alimentação. São alimentos
gordurosos, transgênicos, refrigerantes, etc. Isso ilustra as condições alimentares precárias para uma vida
de praticidade para a família e para eles próprios, tornando os/as jovens cada vez mais doentes, obesos,
43
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
dependentes, anoréxicos/as...
Tudo por conta de uma busca
de identidade, cada vez mais influenciada pelo capitalismo que
nos impõe uma condição de
vida medíocre e insegura.
Nessa perspectiva, a educação para o consumo torna-se
importante para a formação de
indivíduos responsáveis e capazes de contribuir por meio
de atitudes e escolhas que não
comprometerão as futuras gerações. E que, assim, sejam capazes de entender e intervir na
sociedade em que vivem. É também extremamente importante
para a transformação social da
relação do ter com o ser. Os/as
jovens têm várias potencialidades para protagonizar essa mudança social e alimentar. Temos
que lutar por uma soberania
alimentar das juventudes e dos
povos!
Como alternativa à insustentabilidade é importante o
fomento de grupos e atividades
voltadas para uma concepção
sustentável de mundo. Em Fortaleza, no bairro Benfica, temos uma experiência de
organização de um grupo de consumidores responsáveis com o objetivo de, juntamente com produtores
da Agricultura Familiar do interior do Estado, orga-
nizar uma feira agroecológica
como opção de um consumo
justo e sustentável. Oferecendo atividades de educação ambiental, atividades culturais e
abrindo um espaço de diálogo,
esse grupo é composto na sua
maioria por jovens que representam diversas instituições e
entidades, além de moradores
do bairro que vêm se reunindo
desde janeiro de 2010.
A luta pelo direito de ter um
consumo saudável precisa ser
pautada no movimento das juventudes e na juventude brasileira como um todo, pois temos
o direito de saber onde os produtos foram fabricados, como
e por quem. Precisamos saber
se é necessário para a vida, se é
ecologicamente correto e se é
sustentável! São perguntas essenciais para termos uma soberania alimentar onde possamos
escolher como devemos consumir, por quê devemos consumir,
e de quem devemos consumir.
Sendo assim, é uma luta que
deve ser travada pelos movimentos sociais junto à sociedade em geral e novas
alternativas devem ser traçadas para tornar o ato de
consumir um ato político de “dizer não” ao desenvolvimento desenfreado e à insustentabilidade ambiental.
A luta pelo direito de
ter um consumo saudável precisa ser pautada no movimento das
juventudes e na juven-
tude brasileira como
um todo, pois temos o
direito de saber onde
os produtos foram fa-
bricados, como e por
quem.
Precisamos sa-
ber se é necessário para
a vida, se é ecologicamente correto e se é
sustentável!
Fernanda Rodrigues Machado Farias e Katiane Farias Teixeira - Coletivo Jovem do Ceará - Juventude Alternativa Terrazul - Associação Civil Alternativa Terrazul - REJUMA - Rede da Juventude
pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade - [email protected] - [email protected]
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Projeto Cidadania Socioambiental e Agenda 21:
Formação de Lideranças Jovens Comunitárias,
Salvador-Bahia
»» André Luiz Nascimento dos Santos e Iala Serra Queiroz
»» [email protected] - [email protected]
O Instituto Diversidade (ID) é uma jovem ONG socioambiental que tem como objetivo criar possibilidades cotidianas para que pessoas e organizações
promovam a qualidade de vida em sociedades dignas
e sustentáveis. Diante dessa perspectiva, o ID vem trabalhando com projetos de formação de lideranças jovens em comunidades localizadas na Estrada Velha do
Aeroporto. Essa região, como
o próprio nome diz, refere-se
ao entorno de uma extensa
estrada que ligava a base naval de Aratu até o aeroporto
da cidade do Salvador, na
Bahia.
Segundo relato dos mais
velhos moradores, a região se
notabilizava pela exuberância
da Mata Atlântica, bem como
pelo grande número de rios
que entrecortavam a região.
No entanto, o crescente número de loteamentos têm
provocado um verdadeiro desequilíbrio ambiental.
Ademais, o crescimento desordenado de favelas e, sobretudo, o esquecimento desta região pelos poderes
públicos termina por agravar a situação do local.
Nessa imensa região formada por 27 localidades, o
ID nos anos de 2007 a 2009, com o auxílio do CASA
(Centro de Apoio Socioambiental), realizou um trabalho de formação itinerante, capacitando e fortalecendo institucionalmente cerca de 30 organizações da
sociedade civil – notadamente formadas por líderes
jovens – localizadas naquela região, a fim de que as
mesmas criem bases institucionais aptas ao diálogo
com os poderes públicos e a iniciativa privada. Portanto, o projeto repassou instrumentos que propiciem o
fortalecimento dessas organizações comunitárias, po-
tencializando suas estruturas associativas e ampliando seu impacto local. Esses instrumentos foram sendo
construídos com base nas elaborações das Agendas
21 comunitárias. As ações estabelecidas pelas lideranças foram: formação em elaboração de projetos
sociais reportando à prática e à realidade dos projetos
já existentes nas comunidades, formação em consumo sustentável versus modo
de produção capitalista, ética,
participação, cooperação e
mobilização social.
Elaboração
do Diagnóstico
Segundo pesquisa preliminar realizada pelo Centro de
Cooperação Internacional e
Desenvolvimento Sustentável
(CECIDS) do Centro Universitário Jorge Amado, que teve como coordenadores os
Professores Thiago Mendes e Camila Godinho (2005),
existem mais de 920 organizações da sociedade civil na
região metropolitana de Salvador, sendo que 40% destas
atuam de forma amadora, não possuindo sequer estatuto social que lhes garanta representatividade jurídica.
A partir do geo-referenciamento realizado pela supracitada pesquisa, percebeu-se que 80% destas instituições localizavam-se em bairros populares, atingidos substancialmente por problemas de ordem social
e ambiental.
Estas organizações são geridas por lideranças comunitárias e, na maioria dos casos, compõem-se de pessoas voluntárias, movidas pela solidariedade e, sobretudo, pela vontade de transformar a realidade de suas
comunidades. Nesse sentido, reforça a idéia de que
45
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
muitas organizações associativas
não são movidas pelo fator econômico. De fato, existem outras
motivações como, por exemplo,
“atualização de seus membros”,
ou seja, a evolução dos indivíduos
por meio de atividades coletivas
(RAMOS, 1981).
Ademais, estas formas associativas que ganham força nas
periferias soteropolitanas reforçam, também, a idéia de que
existe um sentimento de dádiva
que permeia as relações humanas e que aparece de modo mais
forte no seio de comunidades onde o cotidiano é marcado por ausências. Dar sem interesses, formar vínculos de solidariedade e receber se constitui no espírito
da “dádiva” que, segundo Godbout (1999), está em
toda parte.
No entanto, em decorrência do despreparo, estas organizações passam por grandes dificuldades, inclusive
de ordem financeira, fato que as tornam presas fáceis
nas mãos de políticos que sazonalmente usam de artifícios clientelistas a fim de manipular estimas e angariar
votos. Nesse cenário, um dos modos que o ID vislumbra
enquanto possibilidade de auxílio para o fortalecimento
destas instituições é justamente o incentivo de atuações
conjuntas com outras comunidades que vivenciem dramas similares. Nesse sentido, entendemos a colaboração
mútua e o intercâmbio de experiências como a melhor
estratégia de atuação, significando assim a junção de
potencialidades, possibilitando a formação de redes que
gerem fortalecimento local e regional.
Em 2009, houve um segundo bloco de formação
itinerante que teve a intenção de dar continuidade a
um processo pedagógico de fortalecimento de ato-
res jovens da sociedade civil, a fim
de torná-los aptos para a defesa de
questões socioambientais nas suas
respectivas localidades. Sendo assim,
o ID se propôs a estimular os debates pendentes no primeiro bloco de
formações, bem como a dinamizar a
rede de solidariedades entre as associações participantes. O resultado foi
a criação do projeto de permacultura
comunitária participativa no Loteamento de Daniel Gomes, o qual já está
sendo executado com a participação
de toda a comunidade, buscando nas
práticas de permacultura e da Educação Ambiental uma forma alternativa de emancipação
do sujeito diante dos problemas socioambientais.
Segue alguns relatos dos participantes da formação: “Meu sonho é que as coisas boas que estão acontecendo em Salvador venham para a Estrada Velha do
Aeroporto” disse o músico Dico Style. Ele ainda completou, “eu faço a minha parte através de oficinas de
percussão para a galera aqui”.
“Meu sonho é ver o pessoal que mora aqui com um
pouco mais de esperança e que a gente não perca o
que a gente tem aqui do ponto de vista da ecologia,”
falou Márcio.
“Tirar a juventude da droga, dessa violência. Abrir
um espaço para essa juventude toda.” É o sonho do jovem radialista comunitário e baleiro Robson Teixeira.
Ademais, o fortalecimento destas instituições,
além de permitir a ampliação da sua área de atuação,
possibilitou uma melhoria na qualidade do trabalho
realizado. Considerando que estas instituições têm
um significativo poder multiplicador, fortalecê-las significa empoderar uma parcela significativa da sociedade soteropolitana.
André Luiz Nascimento dos Santos - ID – Instituto Diversidade - [email protected] - http://diversidadesustentavel.blogspot.com - (71) 8743 8029
Iala Serra Queiroz – Educadora Ambiental - ID – Instituto Diversidade - [email protected]
Referências Bibliográficas:
GODBOUT, Jaques T. Introdução à dádiva. In: O espírito da dádiva. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Vol. 13, n.38. 1998 .
Rio de Janeiro. FGV. 1999.
RAMOS, Guerreiro. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro, FGV, 1981.
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Projeto Sintonia: Transformando
pessoas para um mundo sustentável
»» Victor Daniel de Oliveira e Silva
»» [email protected]
O “Projeto Sintonia – Educação, Meio ambiente e
Turismo” foi uma iniciativa de interesse privado e social que trabalhou na promoção de projetos nas áreas
de Educação, Meio Ambiente e Turismo, em Belém e
interior do Estado do Pará. Ele foi fundado em novembro de 2005, em Belém/PA – Amazônia, como uma
idéia proativa originada a partir de uma troca de experiências sobre a qualidade do ensino realizado pelas escolas públicas e privadas e de como estaria sendo construída a formação social e humana de alunos.
Após quatro anos, foram encerradas as atividades do
mesmo. Durante esse período, o projeto cresceu, amadureceu e fechou um grande ciclo, o
que foi, para nós, um período de muito trabalho e, certamente, de orgulho.
Uma proposta desafiadora, pois nunca
foi estático, mas cheio de idas e vindas,
turbulências e alegrias, sempre dinâmico e envolvente.
O Projeto Sintonia atuou em escolas, empresas, municípios, universidades e grupos específicos através de
propostas que envolveram a temática
“meio ambiente” como uma base metodológica para reflexões, atividades,
oficinas, jogos empresariais, dentre
outras. Com isso, a missão do Projeto
Sintonia se focou em: “Contribuir, por meio de atividades educativas, socioambientais e turísticas, para o
desenvolvimento social e humano e a sustentabilidade ambiental”.
Durante esses anos, realizamos 307 propostas, que
corresponderam a 278 atividades, realizadas em: 32
escolas, 04 universidades, 05 municípios, 05 empresas
e 04 grupos específicos. Todos esses trabalhos tiveram
o envolvimento direto de 20 profissionais de 12 áreas
específicas, tais como: saúde, meio ambiente, turismo,
administração, pedagogia, filosofia, logística, dentre outras. As propostas desenvolvidas durante esses
anos tiveram um enfoque metodológico baseado no
seguinte tripé:
A Interação, caracterizada pela utilização de espaços públicos e privados que possibilitem um contato
maior com o ambiente natural, social e urbano aos
participantes.
A formação, nesse contexto, soma-se como uma
proposta crítica para quem é provocado por uma sensação, recebe uma informação, pondera as suas percepções e responde ao meio com
atitudes sustentáveis.
E por último, a informação,
que fecha a proposta metodológica com o conhecimento científico
para ser observado e aplicado.
Em virtude das exigências do
mercado, dos contratantes, das
limitações de recursos e pessoal
qualificado e, principalmente, da
busca constante de novas práticas pedagógicas, vimos, ao longo
desses quatro anos, a necessidade
constante de profissionalizar os
serviços que o Projeto oferecia. Inicialmente, dando ênfase apenas à temática ambiental com o tema “Projetos em meio ambiente”, todas as
ações eram dedicadas ao fortalecimento da missão
junto às Instituições de ensino, que era: “Divulgar de
forma subliminar e interativa o meio ambiente para
jovens e adultos”. A partir de 2007, com a necessidade
de expandir a proposta para novos públicos e agregar
outras experiências e práticas profissionais, redefinimos o tema do Projeto, agora com o termo “socio-
47
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
ambiental”, agregando assim uma nova perspectiva
sobre as propostas já realizadas e as demandas que
assim surgiram. Nesse período, diversos profissionais
autônomos e educadores de diversas áreas se aproximaram do projeto e trouxeram várias práticas e temas
que se somaram à metodologia e missão do projeto,
que em 2007, também mudou para: “Promover o meio
ambiente, com formação, informação e interação”.
A fim de melhorar a comunicação entre os parceiros que apoiavam o projeto e o contato com coordenadores,
familiares
e jovens, inauguramos
o Portal Virtual do Projeto (www.projetosintonia.
com.br), que foi um espaço
destinado ao aprofundamento do nosso trabalho,
onde foram promovidas
novas práticas educativas,
divulgadas experiências
e, assim, abrimos caminhos para novas parcerias.
Trimestralmente, produzimos também o nosso
informativo, o Espaço de
Sintonia. Este material, publicado na versão virtual e
impressa, obteve a marca de 425 leitores regulares,
com destaque para os coordenadores de escolas, professores, diretores, profissionais atuantes no Projeto,
parceiros e alunos.
Em 2008, inauguramos a coordenação de turismo
e uma série de serviços e propostas na área do turismo educativo, social e de aventura. Com uma última
missão em mente: “Contribuir, por meio de atividades
educativas, socioambientais e turísticas, com o desenvolvimento humano e a sustentabilidade ambiental”.
Essas novas propostas conseguiram trazer um diferencial muito grande para o Projeto, pois aprimoraram
nossa logística de transporte, a estrutura do serviço, o
padrão do atendimento e o compromisso com a prática pedagógica dentro dos espaços turísticos utilizados para a realização de atividades, oficinas e visitas.
Dessa forma, fechamos 2009 com a realização de um
leque bastante diversificado de propostas educativas
direcionadas tanto para empresas públicas e privadas,
quanto para escolas.
Com isso, atribuímos aos nossos resultados três fa-
48
tores fundamentais que reforçaram a identidade desse
Projeto. Primeiramente, todas as propostas elaboradas
ao longo desses anos foram personalizadas, ou seja, para
cada solicitação, um serviço diferente de acordo com as
reais necessidades de cada solicitante. Depois disso, o
monitoramento dos objetivos planejados e dos resultados alcançados serviu como base para o aperfeiçoamento constante das propostas. E por último, a imensa satisfação que todos os profissionais envolvidos tinham em
executar as propostas, pois além de ser uma experiência
muito rica, sempre foram momentos prazerosos, engraçados
e inesquecíveis de se
viver.
Após tantos desafios superados e conquistas alcançadas
olhamos para trás e
vemos que os frutos
e resultados obtidos
pelo projeto não se
encerram. Quando
ainda hoje escutamos
de profissionais, educadores, amigos e alunos sobre a extrema relevância
que o Projeto Sintonia teve, ficamos orgulhosos de estarmos incentivando essa mesma idéia e contribuindo
através de nossas experiências, erros e acertos.
Foi no projeto, por exemplo, que aprendemos que
atividades realizadas com instituições de ensino devem ser bem planificadas com a gestão responsável
pela Instituição e, se possível, com os professores e
funcionários que irão monitorar a mesma, devido às
particularidades que cada uma possui com suas centenas de planejamentos pedagógicos. Aprendemos
também que vale muito a pena você cuidar do básico.
As propostas que desenvolvemos, por exemplo, eram
destinadas a séries, perfis, alunos e profissionais distintos. Com elas, tínhamos como adicional, os serviços
de alimentação, transporte e de entrega de brindes e
materiais a todos os participantes, como complemento. E, mesmo que nós preparássemos o melhor conteúdo com as melhores dinâmicas, nada valia à pena
se não houvesse garantida uma boa refeição, um bom
transporte e uma boa estrutura.
Além disso, percebemos também que depois de
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
agendada qualquer proposta, nos preocupávamos
com cada detalhe em relação à qualidade no atendimento, infra-estrutura, planejamento estratégico,
formação dos profissionais, cronologia das atividades e atenção com as possíveis alterações imediatas,
o que foi outro momento rico em aprendizagem. E
por fim, após o planejamento e a realização de qualquer proposta, a avaliação, para esse tipo de trabalho, foi a melhor forma que tivemos para garantir um
aprendizado contínuo tanto para quem está coordenando, mas também para o aperfeiçoamento de futuras propostas.
Com orgulho, nunca estive nisso sozinho, meus
familiares foram a base para todo esse aprendizado.
Além deles, os jovens do Coletivo Jovem de Meio Ambiente sempre contribuíram com força, motivação,
profissionalismo e conhecimento sobre a questão
ambiental. Os amigos que colaboraram em todos os
momentos de vitórias e dificuldades, sempre nos fortalecendo e incentivando. Os profissionais que contribuíram de forma fundamental para o desenvolvimento de tantas propostas diferenciadas. As empresas e
demais instituições que nos receberam, nos acolheram e abriram as portas para nós, jovens profissionais
– todos vocês são parte disso.
No final das contas, estivemos em sintonia.
Victor Daniel de Oliveira e Silva - Consultor adm. fin. e em projetos - Mestrando em Administração – Gestão Social - (091) 8231-2164 / 8891-1194 - www.novas-gestoes.blogspot.com
[email protected]
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Jovens, Política e Meio Ambiente
»» Bruno Dias Soares
»» [email protected]
jovens do futuro
Precisamos de uma nova era
Em que impere o respeito à vida
Não podemos continuar na espera
Com nossa jovem força contida
É hora de mudar o mundo
E isto não é utopia
Basta mergulharmos em mares profundos
E renascer a cada dia
Esquecer discursos retrógrados
E mostrar nossa verdadeira identidade
Sonhos são belos
Porém somos nós a realidade
Realidade que podemos plantar
Respeitando o chão no qual plantamos
Para que os frutos deste planeta
Nós e nossos filhos colhamos
Não é preciso pintar o rosto de verde
Basta pintar a alma de paz
Amar ao próximo, a água, o ar, a terra
Que o resto a vida faz.
50
Vergonha, desrespeito, falta de ética e mais um infindável número
de predicativos seriam ínfimos para descrever a realidade ambiental e
política brasileira.
No entanto, não sei definir o que é mais trágico: as ações de quem
nos destroem ao destruir o planeta, ou nossa indignada inércia diante
de tudo que assistimos na primeira fila.
Precisamos sim nos consternar diante de toda catástrofe de corrupção e de descaso existente em nossa pátria, contudo, nossa consternação só pode ser ratificada com ações e com mudanças.
Temos a visão de que não podemos nos envolver com política para
não nos contaminarmos, entretanto Platão já nos dizia que “O preço que
o homem de bem paga por não se envolver com política é ser governado pelos mal-intencionados”.
O desrespeito ao meio ambiente talvez esteja na última colocação de
nossas pautas de discussão. Sempre deixamos pra depois e vemos nossa
vida ir juntamente com o tempo.
A destruição ambiental é um lento e constante suicídio, pois morremos junto com o planeta, e ainda assim nada fazemos pra mudar.
Lixões pra todos os lados, emissão de gases, nosso “chiclete de cada
dia” jogado no chão, e todas as ações, direta ou indiretamente ligadas a
nós, só crescem de forma vertiginosa.
A Amazônia, mesmo sendo o berço da biodiversidade, por ser “Terra do Governo”, tornou-se sinônimo de “Terra de Ninguém”. Parece que
retrocedemos à república do café com leite, em que grandes coronéis
faziam a lei. A vida vai embora para a soja ocupar o seu lugar.
Dorothy Stang, Chico Mendes e milhares de seres humanos morrendo aos poucos...
Mas eu ainda ouso dizer que os maiores poluidores somos nós, os
que elegem lixos para governar este país, lixos estes que não podem ser
reciclados como já ocorre há muitos anos, lixos que devem ser jogados
fora pra nunca mais voltar.
Que não façamos de Brasília um lixão a céu aberto, e jamais nos desencorajemos nesta batalha de um mundo melhor em todos os sentidos.
Bruno Dias Soares - Monitor do Parlamento Jovem de Pouso Alegre / MG - Bacharelando em Ciências Econômicas pela
Universidade Federal de Alfenas - Blog: http://rasgandoecusturandooverbo.blogspot.com/
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Agenda 21 escolar Fayal:
Protagonismo juvenil em Itajaí/SC
»» Fabio Alexandre da Silva Toniazzo e Caio Floriano dos Santos
»» [email protected] - [email protected]
O artigo abaixo pretende fazer um relato sobre
o processo de construção da Agenda 21 escolar do Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal, localizado no bairro
Vila Operária no Município de Itajaí, no litoral centro-norte do estado de Santa Catarina. A cidade possui uma área
territorial de 289,255 km² e uma população de 160.639
habitantes, de acordo com Censo de 2007 (IBGE, 2007).
O fomento à criação da Agenda 21 escolar
Fayal ocorreu a partir de uma oficina de integração com
a Agenda 21 escolar da Escola Básica Antônio Ramos
(EBAR) no ano de 2008. Desde então a Agenda 21 Fayal
vem desenvolvendo seu processo a partir da metodologia orientada pelo Programa Vamos Cuidar do Brasil
com as Escolas, desenvolvido numa parceria entre o
Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Educação. Esta metodologia, surgida da Conferência Nacional
Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente e orientada pela
Carta Jovens Cuidando do Brasil - Deliberações da Conferência Infanto-Juvenil (MEC, 2004), traz uma importante proposta de formação de COM-VIDAS (Comissão
de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola) e de
construção de Agendas 21 Escolares. A COM-VIDA visa
garantir espaços para a juventude, tendo como objeti-
vo criar “uma nova forma de organização na escola e se
baseia na participação de estudantes, professores, funcionários, diretores e comunidade. O principal papel da
COM-VIDA é contribuir para o dia-a-dia participativo e
democrático, promovendo o intercâmbio entre escola
e comunidade” (MMA e MEC, 2004: 09).
Desde 2008 a Agenda 21 Fayal vem fazendo esforços para materializar a responsabilidade assumida durante a III Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio
Ambiente realizada no colégio, onde a comunidade escolar optou pelo projeto de recuperação de mata ciliar
do Rio Itajaí Mirim. Desde então, o grupo vem buscando
parceiros a fim de se fortalecer para esta e outras ações.
O Fórum da Agenda 21 Local, o Conselho Municipal
do Meio Ambiente (CONDEMA), Sala Verde, Câmara de
Vereadores, Agendas 21 escolares, entre outros, têm se
tornado espaços de interação e aproximação com o processo e sido utilizados como fomento à estruturação do
Coletivo Jovem (CJ) de meio ambiente de Itajaí. Acredita-se que a organização em rede tornará o CJ um espaço
referencial e multiplicador das práticas sustentáveis.
O que se percebe na escola é que a ações de recuperação de mata ciliar tornaram-se a alavanca para um
conjunto de ações de sustentabilidade internas ao colégio. Além do envolvimento de toda a equipe pedagógica da Unidade Escolar, um grupo de 60 alunos passou a
se envolver com o processo. A ideia é tornar o colégio
um espaço educador que coleta água da chuva e reduz
o consumo de materiais e energia. Segue abaixo alguns
programas criados e implementados pela Agenda 21
Fayal a fim de promover a sustentabilidade interna no
colégio:
»» Programa de separação de resíduos sólidos com
instalação de lixeiras identificadas para a correta
separação. Este programa visa à correta destinação dos materiais recicláveis, para que os mesmos
51
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
sejam destinados às cooperativas de triagem estabelecidas e efetivamente
reciclados, contribuindo
em termos ambientais e
sociais para o município.
»» Programa de destinação
de resíduos sólidos orgânicos: implementação e
manutenção de um sistema de compostagem.
Este programa busca a
implantação de um sistema de compostagem da matéria orgânica gerada pelo colégio.
»» Programa de redução do desperdício de materiais. Este programa busca reduzir o desperdício
de materiais. Medidas a serem estabelecidas: a)
Quantificação e redução do uso de material de
escritório (papel, tinta de impressora, etc.) e de higiene (sabonetes, sanitizantes, papel toalha, papel
higiênico, etc.); b) Elaboração de campanhas para
a sensibilização e conscientização de professores,
servidores e comunidade em geral da Unidade
em prol da redução do uso de materiais; c) Papel
(A4 e outros) reciclado ou oriundo de reflorestamento; d) Solicitação de produtos orgânicos para
a cantina, para inserção gradativa; e) Diminuir a
aquisição de embalagens descartáveis (copinhos
plásticos, etc.), substituindo-as por definitivas; f)
Aquisição de equipamentos com eficiência energética (lâmpadas, fornos e outros).
»» Programa para a eficiência energética do colégio,
redução do consumo e aproveitamento de água
e destinação de efluentes. O objetivo é propor
medidas para aumentar sua eficiência energética e reduzir seu consumo de água, assim como
propor medidas sanitárias para a destinação
dos efluentes. Medidas a serem implantadas: a)
Estabelecimento de procedimentos para um menor
consumo de energia e água;
b) Estabelecimento de torneiras com controle de fluxo;
c) Estabelecimento de um
sistema de coleta de água
da chuva, a ser utilizada nos
banheiros, limpeza e área
externa; d) Instalação de um
sistema modelo de tratamento de efluentes por raízes, para fins didáticos (para
o efluente de um único vaso sanitário ou pia).
»» Programa de manutenção da Casa do Bosque.
A Casa do Bosque torna-se uma Sala Verde: esta
sala aberta permite a realização de aulas ao ar
livre, assim como pode ser utilizada enquanto espaço de lazer e de integração ambiental
para a comunidade escolar. Ao mesmo tempo,
possibilita a vivência na Horta didática e Horto
didático (formado especialmente por espécies
nativas da vegetação local).
Durante os encontros da Agenda 21 Fayal,
espera-se assegurar a participação de todos os envolvidos, de forma que possam tomar decisões, assumir
responsabilidades e dar continuidade à ação planejada apesar das dificuldades. A meta do processo é
ampliar a capacidade de intervenção das pessoas, independente da condição social ou grau de instrução.
Acreditamos que estas estratégias metodológicas são
fundamentais, pois ao longo da condução do processo, identificamos mudanças de procedimento, atitude, comportamento, opção política e até escolhas
enquanto consumidor ou produtor. Qualquer proposta educativa associada a um programa de sustentabilidade deve ser voltada para uma educação crítica,
transformadora e emancipatória, onde os Jovens assumem a condição de protagonistas do processo.
Fabio Alexandre da Silva Toniazzo - Prof. Coordenador da Agenda 21 Fayal - [email protected] - [email protected]
Caio Floriano dos Santos - Voluntário - [email protected]
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Formando COM-VIDA Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola: construindo Agenda 21 na Escola / Ministério da Educação,
Ministério do Meio Ambiente. Brasília: MEC, Coordenação Geral de Educação Ambiental, 2004. 42p.
52
REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
Leitura do Brasil e do Mundo na perspectiva
da Produção Sustentável, Empregos Verdes
e o Capitalismo Moderno.
»» Adenevaldo Teles Junior
»» [email protected]
Por mais que a temática ambiental seja divulgada,
ainda que de modo sensacionalista em muitos meios de
comunicação, grande parte da população ainda não se
deu conta da importância de preservar o meio ambiente
e desenvolvê-lo de modo sustentável. Mesmo colégios,
faculdades e secretarias estaduais e municipais, que na
maioria dos casos recebem informações de qualidade a
respeito, além de apoio para trabalhos nesta área, não
se tornaram de fato conscientes do desgaste e destruição do meio ambiente. Costumam tratar o problema
de modo secundário, ou seja,
paralelo a outras necessidades.
Mesmo que a discussão da preservação e desenvolvimento
sustentável tenha surgido na
década de 60, com diferentes e
cada vez mais acentuadas manifestações, pouca coisa foi feita
se comparado com a força da
necessidade.
Um grande divisor de águas
surgiu com a publicação do
relatório chamado “Limites do
Crescimento”, em 1972, sob
o patrocínio do Clube de Roma, onde se demonstra a
inviabilidade do prosseguimento do ritmo e do estilo
de desenvolvimento adotado pelos países capitalistas
mais ricos, em face do esgotamento previsível de recursos e fontes de energia. No mesmo ano, a ONU organiza em Estocolmo a I Conferência Mundial Sobre o
Meio Ambiente Humano e, em 1992, a Conferência das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a conhecida Rio-92, com 179 países participantes.
Consequentemente, preocupações com a preservação
da Biodiversidade e o equilíbrio do Clima, entre outras,
têm surgido.
O Brasil tem sido visto como o país do futuro pois,
mesmo sendo emergente, tem obtido bons resultados
de ecodesenvolvimento e de trabalhos gerados a partir da preservação do meio ambiente sem descartar a
geração de lucro. Em comunidades como a de Carajás
(PA), a Estância Ecológica SESC - Pantanal em Barão de
Melgaço (MT), a Reserva Natural na Mata Atlântica em
Linhares (ES), a Reserva Extrativista Chico Mendes em
Xapuri (AC) e em outras regiões do país, a coleta de
frutos e fibras para fabricação de artesanatos, produtos para a alimentação orgânica e pesquisas científicas têm
dado certo: gerando empregos verdes, movimentado a
economia local, além de valorizar e proteger sua biodiversidade e cultura.
Mesmo com bons resultados,
ainda há muito que fazer. O
país enfrenta graves níveis de
desmatamento, queimadas,
poluição, lucro concentrado,
mineração degradante, descaso com o meio ambiente, extinção de vida animal e vegetal.
É cada vez mais comum na atualidade a tomada de
uma consciência ambiental superficial. Onde empresas internacionais e nacionais, e do próprio Governo
Federal, têm em grande parte “terceirizado” o trabalho
de recuperação de áreas desmatadas, preservação do
meio ambiente e conscientização da população, disponibilizando uma pequena parte de investimentos
para ONGs e movimentos civis organizados realizarem
esse trabalho. Em seguida, apenas são cobrados relatórios comprobatórios da atividade patrocinada, sem
reais atitudes de interesse profundo em acompanhar
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REVISTA AGENDA 21 E JUVENTUDE
o trabalho complexo de manejo sustentável, ao passo
que as empresas garantem um lucro considerável.
A situação de degradação e trevas que o meio ambiente tem passado há décadas tem sido usada como
slogan comercial. Empresas industriais têm cuidado de
desenvolver a idéia de que estão protegendo o meio
ambiente ao apoiar um projeto de reflorestamento ou
preservação de uma área virgem. Construindo a imagem de que são empresas boas e responsáveis, comprometidas ambientalmente. Mas a situação demonstra que estão brincando com a gravidade do problema
para adquirir mais dinheiro. Muitas vezes ignorando a
importância de um trabalho sério de preservação e desenvolvimento do meio ambiente.
As maiores bolsas de valores do mundo, como a Bovespa, criaram normas para acompanhar o valor de empresas social e ambientalmente responsáveis. Essa política de valorização de empresas e consequentemente
de mercados que possuam como plano de fundo a
produção sustentável é um impulso para que novos
projetos deste gênero surjam em maior número, sem
desconsiderar a qualidade e seu principal objetivo.
A imensidão de potencialidades geradas e em via
de realização devido ao trabalho sustentável com a natureza impressiona. Fábricas de cosméticos, perfumes,
fitoterápicos, artesanato, tecelagem, polpas de frutas,
entre outros produtos naturais, além de atividades ligadas ao desenvolvimento do ecoturismo. Produtos
obtidos a partir de matérias-primas renováveis ou não-renováveis. Sempre com o objetivo de explorar os recursos da floresta de maneira viável e duradoura, contribuindo para a melhoria de vidas das comunidades
locais e para a preservação do meio ambiente.
Mesmo com uma variação de preço superior, cerca de 30% da população opta por produtos saudáveis
com selos verdes. O Selo Verde é um certificado que
qualifica os produtos de empresas que utilizam métodos de exploração sustentáveis. Garante-se, assim, um
mercado firme e bem aceito, que enobrece este tipo
de produção provando mais uma vez que economia e
meio ambiente podem sim andar juntas.
É um constante desafio a defesa do meio ambiente e sua conciliação com os negócios. O sistema nem
sempre beneficia de forma igualitária produtores que
atendem a métodos de produção sustentável e comunidades extrativistas. Outro debate importante é
quanto aos empregos verdes. O termo é novo e divide
muitas opiniões, já que não existe um texto que, de
modo formal, regularize este tipo de trabalho. A adoção de empregos verdes é uma novidade plausível,
possuindo como orientação a aplicação de métodos
de comportamentos e produções sustentáveis. No entanto, os chamados empregos verdes possuem uma
grande lacuna dentro de sua teoria e prática. Alguns
críticos afirmam que os empregos verdes estão “limitados a executivos experientes em sustentabilidade”.
Ainda que se diga que vivemos numa Sociedade
racional, nossos meios de consumo são bastante irracionais. As pessoas nem sempre compram por necessidade, e sim para atender novos padrões de consumo,
novas modas e tendências fixadas por um mercado
que descarta toneladas de lixo por ano. A manipulação de empresas mundiais para o consumo desenfreado tem ignorado uma verdade inconveniente. O ciclo
de destruição causado por conta da produção e venda
destes produtos tem intensa ligação com a situação
atual do meio ambiente e da sociedade global, em
que vivenciamos alterações preocupantes do clima,
ausência de saúde mental e física, além de usurpação
do lucro causando níveis de pobreza extremos.
Adenevaldo Teles Junior - Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Goiás - [email protected] - http://viagemconstante.blogspot.com/
Referências Bibliográficas:
MINC, Carlos. Como fazer movimento ecológico e defender a natureza e as liberdades. 3º edição, Vozes Ltda, Coleção
Como Fazer, 1985.
Revista da Companhia Vale do Rio Doce. Biodiversidade. 1º edição, Horizonte Geográfico, 2005.
Colóquio empregos verdes e construções sustentáveis, texto orientador. Empregos verdes: para o trabalho decente
em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono. GT Matriz Energética para o Desenvolvimento com
Equidade e Responsabilidade Socioambiental, 2005.
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apoio:
Secretaria de
Articulação Institucional e
Cidadania Ambiental - SAIC
Ministério do
Meio Ambiente
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