CIRCULANDO
ANO 14 NÚMERO 399
JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVALE - MARÇO/ABRIL DE 2012
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Falta pouco para o 2º turno das eleições
Para atingir os 200 mil eleitores necessários para um 2º turno das eleições municipais, a Justiça Eleitoral e a
Câmara de Vereadores promovem campanha para conscientizar os jovens a emitirem o título de eleitor
Arquivo Justiça Eleitoral
O Carioca de Valadares
Arquivo pessoal
Duas grandes paixões de sua vida
foram o futebol e o jornalismo. A carreira nos gramados começou nos idos
de 1946, no Esporte Clube Democrata, mas o destaque como jogador veio
mesmo no Esporte Clube Pastoril. Em
1950, migrou para o universo do jornalismo integrando, primeiramente,
a equipe do Tribuna Fiel, passando
pelo rádio até chegar ao Diário do Rio
Doce, onde atuou por quase meio século. Prestes a fazer 81 anos, Sebastião
Pereira Nunes, o Carioca, juntamente
com seus filhos, rememora saudosas
histórias e declara que a sua vida “foi
muito bem vivida e se pudesse viveria
Carioca nos tempos de jornalista
tudo outra vez!”. Página 7
Atualmente, Governador Valadares conta com 195.561 eleitores, o que significa que bastaria a emissão de 4.439 novos títulos para tirar a iniciativa do
papel. A estratégia encontrada pela Justiça Eleitoral e Câmara para alcançar
a marca dos 200 mil eleitores é mobilizar os jovens, de 16 e 17 anos, a obterem o documento. A questão do 2º turno das eleições divide opiniões e causa
polêmica entre juízes, vereadores, presidentes de partidos e a população em
geral. Confira reportagem completa na Página 3.
Profissionais apostam em
títulos acadêmicos como diferencial
Cursos de mestrado e doutorado eram procurados, até pouco tempo atrás,
por pessoas que queriam seguir a carreira acadêmica, seja como professor ou
pesquisador. Contudo, essa realidade vem mudando e, cada vez mais, profissionais de diversas áreas optam pelos títulos como um diferencial no mercado de
trabalho. O retorno financeiro é animador; no caso do mestrado, pode chegar
a 30%. Segundo pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, as mulheres
são maioria. Página 4
Carlos Olavo da Cunha
Pereira faz aniversário e
o Circulando resgata um
pouco da história desse
importante jornalista
Página 8
Você tem medo
de ir ao dentista?
Esta angústia é muito comum entre
crianças, porém, muitos adultos têm
pavor ou ficam ansiosos com a ideia
de visitar o consultório odontológico.
A maior parte dos que sentem medo
afirma já ter vivenciado uma situação
traumatizante relacionada ao tratamento odontológico. Página 6
OPINIÃO
Até novembro de 2011, foram realizadas visitas a dez escolas das três zonas eleitorais de Valadares
Para os amantes da sétima arte, a estudante do 2º período de
Pedagogia, Geanne D’arc de Carvalho, traz uma resenha sobre
o filme Alexandria. A trama destaca a história da professora de
filosofia Hipátia que, diferente das mulheres de seu tempo, não
desejava casar-se e se dedicou unicamente ao estudo e ao magistério. Sua preocupação era com o movimento da Terra. Página 2
Adaptação é desafio
para universitários
Página 5
Arquivo pessoal
Como cuidar bem da memória
Engano de quem pensa que
lapsos de memória são exclusividade apenas da terceira
idade. Segundo a neuropsicóloga Denise Vilela Silva (foto),
o estresse, a ansiedade, a má
alimentação e a privação do
sono interferem negativamente
no processo de memorização. A
recomendação é simples, mas
difícil de colocar em prática
em meio à correria do dia-adia: adotar um estilo de vida
saudável. Página 6
CIRCULANDO
Março/Abril de 2012
2
OPINIÃO
ARTIGO
Arquivo pessoal
HD humano?
ANA CAROLINA OLIVEIRA / 5O PERÍODO DE JORNALISMO
A quantidade de informações geradas todos os dias é superior à capacidade de absorção das pessoas. A especialização da notícia, a agilidade na
divulgação e a diversidade de plataformas são os causadores da superprodução de mensagens. A forma de interagir
mudou e compreender as ferramentas
utilizadas faz-se necessário.
A evolução da comunicação pode
ser compreendida traçando-se um
paralelo entre a realidade de 1830 e o
ano de 2011. Uma pessoa postava uma
carta na Inglaterra e a correspondência gastava de cinco a oito meses para
chegar à Índia. A resposta demorava
até dois anos devido às monções no
Oceano Índico. Há alguns anos, novos
métodos de transmissão e recepção,
de códigos possibilitaram a interação
rápida. Atualmente, esse processo é
instantâneo. Dentro de algum tempo
o avanço tecnológico se encarregará
de criar novos mecanismos, como o de
projeções holográficas.
Por mais que uma pessoa goste de
ler e disponha de muito tempo para
essa atividade, o conteúdo disponibilizado é inatingível. O importante é
aproveitar ao máximo e extrair o melhor daquilo que se lê, ouve e o que
assiste. Uma pessoa informada tem
assunto para conversas entre amigos,
colegas de trabalho e família. O hábito
da leitura estimula a mente, a formação crítica, melhora a fala e a escrita.
Mesmo aqueles que não possuem
recursos financeiros para acesso às
mídias pagas, podem utilizar as gratuitas. O ideal é conhecer de tudo um
pouco, mas a seleção de conteúdo é
uma maneira de ficar antenado nos
acontecimentos do cotidiano. Ao mesmo tempo em que a modernidade amplia o universo comunicativo, expande-se também a necessidade de suprir
a demanda. A corrida dos profissio-
nais de comunicação é intensa: material informativo para jornais, revistas,
internet, celular, rádio, televisão; notícias nacionais e do resto do mundo;
linguagens específicas do esporte, da
política, da cultura, da economia, da
sociedade e do lazer.
A mente humana é fonte de pesquisa. Embora alguns cientistas falem
em números, a capacidade ainda é um
enigma. Ela retém milhares de informações. Contrastar mensagens é possível graças a essa qualidade. As recordações servem de instrumento na
hora de associar ideias e estabelecer
uma relação. Esquecer é um ato para
limpar a mente, “excluir arquivos”.
As limitações de acesso ao conteúdo
e armazenamento não são desculpa.
Mesmo que o tempo seja curto, para
todos os lados, existem informações
e fontes geradoras. O mundo não
para e os fatos transformam vidas.
Conhecimento não é acessório que se
exiba entre amigos, mas fica bem em
qualquer um.
Fundação Percival Farquhar
Presidente
Edvaldo Soares dos Santos
Universidade Vale do Rio Doce
Reitora
Profa. Ana Angélica Gonçalves Leão Coelho
Diretora de Área das Ciências
Humanas e Sociais
Profa. Cláudia Gonçalves Pereira
Coordenadora do Curso de Jornalismo
Profa. Nagel Medeiros
Editora e Jornalista Responsável
Profa. Fernanda Melo (MG11497/JP)
Revisão Textual
José Ilton de Almeida (5º Período de Letras)
sob a supervisão da Profª Elisângela Rodrigues
Andrade Vieira Helal
Editoração Eletrônica
Prof. Brian Lopes Honório (Editora Univale)
Impressão / Tiragem
Inforgraf / 500 exemplares
Redação
Laboratório de Jornalismo Carlos Olavo da
Cunha Pereira
Rua Israel Pinheiro, 2.000, Bairro Universitário
- Campus Antônio Rodrigues Coelho - Edifício
Pioneiros, Sala 4 - Governador Valadares/Minas
Gerais - CEP: 35.020-220.
Contatos: (33) 3279-5956 / [email protected]
Google Imagens
RESENHA
O Jornal-Laboratório Circulando é uma
publicação bimestral do Curso de Jornalismo da
Faculdade de Artes e Comunicação (FAC).
Hipátia de Alexandria
GEANNE D’ARC DE CARVALHO / 2O PERÍODO DE PEDAGOGIA
Lançado no Brasil em 2009, o filme
Alexandria, do diretor espanhol Alejandro Amenábar, relata a história da
filósofa Hipátia (Rachel Weisz), professora de filosofia, matemática e astronomia, que viveu entre os séculos
IV e V de nossa era.
Diferente do que se espera das mulheres de seu tempo, ela não deseja
casar-se, mas se dedica unicamente
ao estudo e ao magistério. Sua principal preocupação, no relato do filme, é
com o movimento da Terra.
Entre seus alunos estão Orestes
(Oscar Isaac), que a ama sem ser correspondido, e Sinésio (Rupert Evans),
convertido ao cristianismo e defensor
do mesmo. Hipátia não permite que
as constantes disputas religiosas entre
judeus, cristãos e politeístas greco-romanos que agitam a cidade de Alexandria cheguem às suas aulas, desestimulando-as sempre que ocorrem.
Outro que nutre um amor secreto
pela filósofa é o escravo Davus (Max
Minghella). A paixão por sua senhora é o que a princípio o impede de se
converter ao cristianismo.
Numa época em que política e religião estão profundamente acopladas,
Hipátia se recusa a tomar uma posição
religiosa, optando pela neutralidade e
pelo amor à filosofia, porque sua visão de mundo é puramente filosófica
e não há espaço para religião.
Além de narrar a vida dessa famosa
professora, pode-se observar de forma
nítida, no filme, o conflito entre cristãos e não-cristãos e a forma como
a mulher era vista, pois, segundo os
ensinamentos cristãos "a mulher deve
obediência ao homem" e Hipátia, pelo
que se pode observar, não se permitia
ser subordinada a ninguém.
A imagem do cristianismo como
instrumento de acusação e perseguição foi muito bem representada na película, tanto por Teófilo (Manuel Cauchi) quanto por Cirilo (Sami Samir),
que ao substituir seu tio, tornou-se
o grande propagador da proposta da
conversão obrigatória: quem não aceitasse a fé cristã automaticamente deveria ser apedrejado.
Alejandro Amenábar conseguiu
transpor para as telas de cinema toda
a força dessas personagens históricas,
criando um épico inesquecível. Com
maestria, mostrou de forma sensível,
porém verdadeira, a trajetória de uma
mulher à frente de seu tempo, que teve
a coragem de lutar por seus princípios.
A escolha das belíssimas locações
na Ilha de Malta, o cuidado com os
figurinos e cenários, o primoroso roteiro original assinado por Amenábar
e Mateo Gil, fazem desse, um filme
digno de nota e aplausos.
Mais do que um magnífico drama
histórico, Alexandria é uma excelente
fonte de lazer, cultura, reflexão e debate filosófico.
FICHA TÉCNICA: Título em Português: Alexandria. Título Original: Agora.
Direção: Alejandro Amenábar. Elenco: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar
Isaac, Ashraf Barhom, Michael Lonsdale, Rupert Evans, Richard Durden, Sami
Samir, Manuel Cauchi. Gênero: Drama/História/Romance. País de Origem: Espanha. Idiomas: Inglês e Português. Duração: 126 min. Ano: 2009. Classificação:
14 anos. Distribuição: Flashstar Filmes.
Resenha produzida para a disciplina Comunicação Oral e Escrita, ministrada pela professora
Elisângela Rodrigues Andrade Vieira Helal.
*
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POLÍTICA
2º turno das eleições de 2012 em
Governador Valadares divide opiniões
Arquivo Justiça Eleitoral
DENISE FERRARI
5º PERÍODO DE JORNALISMO
A Justiça Eleitoral e a Câmara Municipal de Governador Valadares iniciaram, há 6 meses, campanhas nas escolas para conscientizar os jovens de 16 e
17 anos a fazerem o título de eleitor. O
objetivo é atingir a marca dos 200 mil
eleitores para que a população, pela
primeira vez nos 75 anos de fundação
do município, respire as emoções do
segundo turno na disputa para prefeito. E a cada dia a meta parece estar
mais próxima de se tornar realidade.
Atualmente, Valadares conta com
195.561 eleitores, o que significa que
bastariam a emissão de 4.439 novos
títulos para tirar a iniciativa do papel.
No entanto, a contagem regressiva
rumo ao segundo turno ainda divide
opiniões. Entre 2007 e 2008, quando
Roberto Apolinário de Castro era juiz
eleitoral, dedicou parte do trabalho
forense para ir às escolas convencer os
jovens a antecipar a retirada do título.
“Envolvemos o Interact e o Rotaract,
que são dois grupos de jovens do Rotary, e conseguimos a adesão de seis mil
estudantes que, com certeza, fizeram
a diferença nas últimas eleições para
prefeito na cidade. Mas, infelizmente, não conseguimos atingir a marca
dos 200 mil eleitores para chegar ao Jovens entre 16 e 17 anos são o público-alvo da campanha da Justiça Eleitoral e da Câmara de Vereadores para atingir os 200 mil eleitores
segundo turno”, lamenta.
O juiz explica que, em 2011, participou de algumas reuniões com o presidente da Câmara Municipal de GoO povo está incrédulo em
O segundo turno é muito
O valadarense só tem a ganhar,
vernador Valadares, vereador Heldo
porque o segundo turno dá
democrático. Podemos anaArmond (PTB), com o objetivo de re- relação à política, e esse desespetir a iniciativa. “O segundo turno é tímulo passa para o jovem. Eu
lisar todas as propostas e ter condições para o eleitor avaliar
muito democrático. Podemos analisar
adoraria saber que os jovens
e reavaliar as propostas dos
mais tempo para escolher o
todas as propostas e ter mais tempo
candidatos. Talvez o eleitor
que é melhor para a cidade.
para escolher o que é melhor para a ci- de nosso país estão preparados
dade. Por isso a participação do jovem
para votar, mas infelizmente
até mude de opinião devido
(Roberto Apolinário de Castro)
é muito importante”, defende. Apolinão estão.
aos projetos lançados nas
nário ainda diz que o voto do jovem é
campanhas eleitorais.
(João Emídio Rodrigues Coelho)
mais qualificado, é um voto espontâneo e livre de obrigações. “Para mim,
(Geovanne Honório)
o jovem está muito bem preparado. É
um sonho antigo e tenho certeza de
que vamos atingir o segundo turno país estão preparados para votar, mas dadania e escolher o futuro prefeito Cerca de 1.000 jovens das três zonas
infelizmente não estão. Tenho receio da cidade é de fundamental impor- eleitorais de Valadares aderiram à
em Valadares”, aposta.
desses jovens acabarem escolhendo o tância. “Eu me sinto preparado para campanha.
candidato errado”, avalia.
votar e vou saber escolher o melhor
Contra
candidato para administrar nossa ci- Baixas
Mas a proposta do magistrado não
dade sem precisar consultar a minha
Segundo o diretor do Fórum da
parece convencer o presidente do Apoiadores
família”,
sustenta
o
jovem.
E
garanComarca de Governador Valadares,
Já o presidente do PT de ValadaPSDB municipal, João Emídio Rodrite
que
não
é
o
único.
Ele
conta
que
Marcelo Carlos Cândido, as campares,
vereador
Geovanne
Honório,
gues Coelho. Para ele, o segundo turno não deve ser encarado como uma manifesta otimismo em relação ao boa parte dos amigos também teve nhas de conscientização nas escolas
prioridade política na agenda da cida- segundo turno. Para ele, mesmo com consciência de que, mesmo numa estão sendo um sucesso, mas não tem
de. “A política tem que ser mais séria. os empecilhos, Governador Valada- idade em que o voto é facultativo, certeza de que através delas irão conO segundo turno aumenta o número res deve atingir a marca dos 200 mil a escolha pela cidadania deve pre- seguir atingir os 200 mil eleitores. “O
de candidatos e acabam surgindo con- eleitores. “O valadarense só tem a ga- valecer. A escolha de Hubert surgiu número de baixas em nosso cartório
chavos entre os candidatos para con- nhar, porque o segundo turno dá con- exatamente a partir de uma visita da está grande por causa de eleitores que
seguirem ganhar a eleição, e isso não dições para o eleitor avaliar e reavaliar Câmara de Vereadores em parceria residem em outras cidades e pedem
as propostas dos candidatos. Talvez o com a Justiça Eleitoral em escolas transferência de domicílio eleitoral,
é bom para a cidade”, sustenta.
e também dos óbitos. Talvez seja um
O dirigente acrescenta que os vala- eleitor até mude de opinião devido da cidade.
A
atendente
de
cartório
da
zona
dos empecilhos para suprir os 4.439
aos
projetos
lançados
nas
campanhas
darenses não necessitam do segundo
118, Alessandra Siqueira César, con- eleitores que faltam para chegarmos
turno, mas da conscientização sobre eleitorais”, acredita.
Em meio às divergências, o estu- firma o sucesso das campanhas. Até ao segundo turno”, admite. Mesmo
a importância do voto. “O povo está
incrédulo em relação à política, e esse dante Hubert Silva Marques, de 16 meados de novembro de 2011, foram assim, deixa claro que não irá desanidesestímulo passa para o jovem. Eu anos, optou por tirar o título de elei- realizadas visitas a dez escolas, tan- mar, e garante que as visitas às escolas
adoraria saber que os jovens de nosso tor. Para ele, exercer o papel de ci- to na zona urbana quanto na rural. vão continuar até o mês de abril.
“
“
“
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MERCADO DE TRABALHO
Títulos acadêmicos mais valorizados
pesquisa. “O mestrado é mais voltado
para o ensino, já o doutorado, para a
pesquisa. O custo do financiamento
dessas pesquisas é muito alto. Para
Mais mulheres
Uma pesquisa feita recentemente despertar o interesse de investidores,
pelo Ministério da Ciência e Tecnolo- preciso publicar, no mínimo, três argia, através da Coordenação de Aper- tigos por ano em revistas especializafeiçoamento de Pessoal de Nível Supe- das”, explica. “Mas as empresas e as
rior (Capes), apontou que, de 2004 a fundações universitárias sempre pre2010, foram beneficiadas com o douto- cisam de pessoas com esse perfil, por
rado 35.626 mulheres, frente a 33.765 isso, doutorado é um ótimo investihomens, número 5% maior. Já no mes- mento”, garante.
O retorno financeiro do título
trado, a diferença é ainda mais visível:
117.382 mulheres contra 100.202 ho- acadêmico no currículo profissional
Juliana Vilela durante apresentação de sua pesquisa de mestrado sobre mídia e migração
é animador. Em alguns casos, um
mens, o que representa 17% a mais.
Natural do Equador, a professora doutor chega a ganhar 37% a mais
GEORGE GONÇALVES
relembra. Hoje, com o título de mes- e também pesquisadora da Univale, do que uma pessoa que só tem a gra5º PERÍODO DE JORNALISMO
tre, divide a rotina entre duas paixões: Gulnara Patrícia Borja Cabrera, for- duação; já para os mestres, o acréslecionar e exercer a profissão que esco- mou-se em medicina há 22 anos, mas cimo é de 30%.
Bastou um mês com o diploma de lheu. Além de dar aulas em um curso não parou por aí. Depois do mestraO gerente de Recursos Humanos,
graduação nas mãos e a jornalista Ju- de pós-graduação, também é assesso- do e doutorado em Patologia, chegou Paulo César Pereira, lembra que, deliana Vilela Pinto, 24 anos, não perdeu ra de comunicação de uma altarquia ao pós-doutorado em 2003, expres- pendendo da área, outros cursos de
tempo; ingressou logo no programa federal na cidade. “Durante o mestra- são máxima da academia. “Na sala especialização são mais vantajosos.
de mestrado em Gestão Integrada do do, me dediquei mais à pesquisa, por do doutorado, por exemplo, 90% dos “O MBA [Master Business AdminisTerritório, concluído em abril de 2011, isso, não experimentei o dia-a-dia da alunos eram mulheres. Até mesmo no tration], por exemplo, é mais voltado
pela Universidade Vale do Rio Doce profissão que gosto tanto. Agora, pos- setor que trabalho na Univale - Labo- para a realidade do comércio. Quem
(Univale). O interesse pela área aca- so fazer isso”, comemora.
ratório de Imunologia - todos os dou- quer se aperfeiçoar e ter um salário
dêmica surgiu ainda no tempo de uniE como Juliana, milhares de brasi- tores são do sexo feminino”, afirma.
melhor, sem passar pelo mestrado ou
versidade. “Meus professores falavam leiros em todo o país optam pelos tíEla lembra que, na condição de doutorado, pode investir nesse tipo de
que eu levava jeito para a docência”, tulos acadêmicos como um diferencial pós-doutora, precisa ter uma linha de pós-graduação”, orienta.
ACS/Univale
na hora de enfrentar o mercado de trabalho, principalmente as mulheres.
Ganhando a vida sobre duas rodas
Apesar dos riscos, a profissão de mototáxi atrai cada vez mais pela possibilidade de dinheiro rápido e autonomia
Jéssica Scarabelli
JÉSSICA SCARABELLI
5º PERÍODO DE JORNALISMO
Pelas ruas da cidade, faça sol ou
chuva, sempre estão trabalhando.
Acostumados com a velocidade e a
pressa de alguns clientes, os mototaxistas sobrevivem assim, de passageiro em passageiro e, com isso, conhecem todos os cantos da cidade.
A palavra que dá nome à profissão foi estabelecida no Brasil a partir
do sufixo moto que é uma redução
da palavra motocicleta. É um tipo
de transporte público que se tornou
muito utilizado devido à facilidade
de escolher o local de embarque e
desembarque pelo cliente, que paga
apenas a distância percorrida, ou
seja, não há um local específico de
chegada e partida, como por exemplo
existe no caso do ônibus ou do metrô. Em Valadares, a predominância
do serviço é alta, traz benefícios para
profissionais e passageiros, mas também oferece alguns riscos.
Hoje, praticamente em todas as
cidades brasileiras é registrado esse
tipo de serviço. Em Valadares, o serviço é muito utilizado por todos os
tipos de pessoas, sejam estudantes
ou trabalhadores. Até mesmo quem
não sabe o endereço certo para onde
quer ir apela para o auxílio de um
mototáxi.
Para muitos, a profissão é provisória, como no caso de Daniel Souza, 36 anos, que sempre trabalhou
como caminhoneiro. Ele afirma ter
entrado nesse ramo há pouco tempo.
“Para mim, é falta de outro serviço.
Pretendo ficar assim até conseguir
outra coisa [trabalho]”, diz. Normalmente, o valor cobrado pelo serviço
é seguido por tabela para distâncias
semelhantes.
“É cansativo trabalhar assim, mas
ao final de todos os dias tenho dinheiro no bolso”, conta Presley de
Souza, de 42 anos, que sempre trabalhou como autônomo e agora está
há um ano como mototaxista. Souza sempre trabalhou informalmente e vê na atual profissão um meio
rápido de se obter dinheiro. Apesar
disso, considera o ofício perigoso.
“Corremos riscos de várias formas.
Primeiro, por estarmos carregando
pessoas que não conhecemos direito,
depois, porque o trânsito, em geral,
é muito turbulento em determinados momentos e oferece um grande
perigo. Há pessoas que falam mal do
motoqueiro, mas na verdade, os motoristas são os que menos respeitam
a sinalização”, reclama.
Outro mototaxista, Mikel Abrantes, diz não ser patrão, mas se define
como uma pessoa que toma medidas
cabíveis em caso de algum tipo de negligência. Ele trabalha como mototaxista há dez anos e revela que o lado
bom da profissão é o fato de o funcionário chegar quando quer e trabalhar
no dia que quer. “O patrão é o nosso
cliente. Ele é quem paga nosso saláA profissão permite fazer o próprio horário de trabalho e garante dinheiro ao final do dia
rio”, exemplifica.
CIRCULANDO
Março/Abril de 2012
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EDUCAÇÃO
Adaptação, a maior prova
do ensino superior
ANA CAROLINA OLIVEIRA
5º PERÍODO DE JORNALISMO
Chegar ao ensino superior não é fácil. Além de investimento financeiro
é necessário muito estudo e força de
vontade. A vida do aluno muda bastante para atender às necessidades
acadêmicas, o que exige adaptação.
Sacrifício do lazer, muitas atividades,
livros para ler, trabalhos.
A primeira mudança é a ligada ao
saber, pois as maneiras de ensinar e
aprender são bem diferentes do ensino médio. A outra é a social, ligada
aos relacionamentos com professores,
colegas, além da vida externa, também distinta dos tempos de escola.
A aluna Aminy Anny Teixeira Gusmão, de 20 anos, ingressou na universidade logo após a conclusão do ensino médio. Encontrou um ambiente
bem diferente do colégio. “No começo
do curso foi bem difícil. Antes tinha a
cobrança dos professores e até mesmo
dos colegas; na faculdade não existe
essa preocupação. Se fiz, ótimo, se
não fiz, o problema é meu”. Após alguns ajustes, Aminy já não tem muita
dificuldade. Ela entendeu que se não
conseguisse se adaptar não conseguiria seguir adiante com os estudos. Mas
a aluna acredita que quando o professor busca uma forma mais dinâmica
de apresentar a matéria, cativa mais
o aluno, além de ajudá-lo bastante na
aprendizagem.
O administrador Antônio Mário de
Oliveira, 38 anos, esteve fora das salas
de aula por muito tempo. Quando ingressou no ensino superior estava com
mais de 30 anos. Ele não teve dificuldades quanto ao relacionamento com
colegas e professores, mas a adaptação acadêmica foi “complicada”. Para
Mário, “tudo parecia diferente do que
havia aprendido na escola”. O desejo
de aprender e crescer na vida era intenso, mas “abrir mão de momentos
com a família foi extremamente difícil”. Logo que voltou a estudar o administrador estava com uma filha ainda
bebê e “perder os momentos mais in-
nos mais novos, que podem sofrer pela
falta de maturidade, ou os de maior
idade, por estarem há muito tempo
longe dos estudos. “A adaptação não
diz respeito apenas aos alunos, é também uma questão da instituição de
ensino superior, nos processos administrativos e pedagógicos” quanto aos
processos, à postura dos professores,
às atividades e avaliações.
No ensino superior, o aluno será
menos acompanhado e suas atividades e horários serão pouco supervisionados. O estudante de uma faculdade
tem um espaço de maior autonomia,
porém, os educadores precisam participar da construção dessa autonomia
estando atentos aos processos vivenciados pelo estudante.
Uma das maiores reclamações dos
alunos é a falta de tempo, mais um
aspecto de adaptação, comentado por
Gabriela. “Certamente existe tempo para tudo, e o estudante deverá
saber identificar as prioridades em
cada situação.” Quando o aluno não
se ajusta à realidade da universidade, podem acontecer dificuldades no
ensino ou ainda a evasão que, conforme as observações da professora,
é um fenômeno visto em pesquisas.
“Acontece, principalmente no primeiro e segundo semestres, e pode ser
causada pela não adaptação ao novo
contexto acadêmico”.
Para ajudar aos alunos que estão
Danilo Guimarães
com dificuldades, a pesquisadora deixa algumas orientações: o primeiro
teressantes da criança foi muito mar- regras, procedimentos e posturas dife- passo é entender que esse processo é
cante”. Mesmo com toda dificulda- rentes”, que deve ser observada desde normal, é muito comum a pessoa sende encontrada, está formado há dois a matrícula até as avaliações. Através tir-se “fora do lugar” no início do curanos e já vê resultados de seu esforço, de seus estudos, a pesquisadora veri- so de graduação; é preciso calma e ao
que embora tenha sido muito grande, ficou que “os autores da Sociologia da mesmo tempo procurar inserção nas
“realmente valeu a pena”.
Educação que discutem esses aspectos atividades. Realizar os trabalhos de
falam em um processo de ‘afiliação’, acordo com a orientação dos profesque é fundamental para o sucesso do sores é outro passo importante. Para
Novos aprendizados
A professora do curso de Pedago- estudante no ensino superior.” Gabrie- a instituição de ensino também deixa
gia da Universidade Vale do Rio Doce la ressalta que as mudanças provocam recomendações: é preciso o reconheci(Univale) e pesquisadora da educação um estranhamento, que é observado mento desse processo “dando atenção
no ensino superior, Maria Gabriela em alguns alunos com maior inten- aos estudantes que demonstram diParenti Bicalho, afirma que “estar na sidade, e em outros em menor grau. ficuldades acadêmicas, e apresentam
universidade requer aprendizagem de Dentro dessa análise, existem os alu- ausências frequentes”, conclui.
O Laboratório de Jornalismo Carlos Olavo da Cunha Pereira (LabJor) abre
suas portas nesse semestre para uma nova equipe de trabalho. Os alunos do
curso de Jornalismo terão a oportunidade de aprender sobre a produção de
veículos impressos, bem como planejar e executar novos produtos de comunicação. Em andamento, já se encontra a elaboração de um jornal-mural voltado para o público estudantil da Universidade Vale do Rio Doce (Univale).
O projeto é desenvolvido em parceria com o Laboratório de Design (LD).
A coordenadora do Laboratório de Jornalismo, professora Fernanda de
Melo Felipe da Silva, explica que o ambiente é um espaço pedagógico de
ensino, pesquisa e extensão e visa mediar práticas comunicativas. “Um dos
objetivos deste ambiente é estimular os alunos na busca de uma postura
autônoma, criativa, questionadora, ética e cidadã. É fundamental que eles
sejam pró-ativos e experimentem ao máximo as possibilidades do universo
da comunicação”.
ACS/Univale
LabJor renovado
O Laboratório de Design (LD) é parceiro do LabJor no projeto de um jornal-mural
CIRCULANDO
Março/Abril de 2012
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SAÚDE
Medo de ir ao dentista não tem idade
“
O importante é que a criança seja levada
ao consultório do odontopediatra ainda
bebê, para que os cuidados com a higiene
oral sejam passados para o responsável
e ela cresça familiarizada ao ambiente do
consultório.
motorzinho, quando comecei a sentir
dor, pois o efeito da anestesia já tinha passado. A dentista logo aplicou
mais anestesia, mas foi o suficiente
para ter medo até hoje”.
A estudante Jennifer Marques de
Almeida, 18 anos, faz de tudo para
evitar a ida ao consultório. “Sempre
inventei todas as desculpas possíveis
para não ter que ir ao dentista, tenho
muito medo de sentir dor”. No caso
de Jennifer não resolveu muita coisa,
pois, como usa aparelho ortodôntico e
precisa ir ao dentista todo mês.
A cirurgiã-dentista e coordenadora
do curso de Odontologia da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), Érika de Aguiar Miranda Coelho, explica
Danilo Guimarães
que, na maioria das vezes, um pouco
de paciência e até mesmo experiênCÁSSIA CARIOCA DE ALMEIDA
A servidora pública Clara Alcânta- cia do profissional pode ser o grande
5º PERÍODO DE JORNALISMO
ra de Oliveira, de 32 anos, conta que diferencial nessa situação. “Pacientes
tem pavor de ir ao dentista. “Sei que assim não devem ser atendidos na
Quem nunca teve medo de ir ao é fundamental, mas quando vai cheprimeira consulta. Todo procedimendentista? Esta angústia é muito co- gando o dia marcado, já vou ficando
to deve ser muito bem explicado, asmum entre crianças, porém, muitos ansiosa e com medo. O dia de ir ao
sim como os instrumentos que serão
adultos têm pavor ou ficam ansiosos dentista é muito difícil para mim”.
empregados para a realização do tracom a ideia de visitar o consultório Quando criança, Clara teve uma extamento”. A cirurgiã-dentista comenodontológico. A maior parte dos que periência “muito ruim” no dentista
ta ainda que existem alguns casos
sentem medo afirma já ter vivenciado que a marcou profundamente. “Estaextremos nos quais os pacientes são
uma situação traumatizante relacio- va tratando uma cárie; já estava muiatendidos sob sedação, mas são ocornada ao tratamento odontológico.
to nervosa com aquele barulho do rências raras nos consultórios. Érika
acredita que, muitas vezes o medo de
ir ao dentista pode ser passado pelos
pais. “Constantemente presenciamos
pais ameaçarem os filhos dizendo que
se alguma ordem não for obedecida
serão levados ao dentista ou ao médico para tomar uma ‘injeção’. Ou seja,
sem querer os pais acabam sendo os
vilões da história”.
Em todo caso, a professora lembra
ainda que cabe ao dentista compreender e entender o seu paciente. Ao
ser atendido de forma mais tranquila, a pessoa torna-se mais cooperativa. O dentista não pode ignorar a
parte emocional dos pacientes, pois
essa é primordial para o tratamento
odontológico.
Para quem sofre desse medo, a coordenadora do curso de Odontologia
dá um conselho. “A dica é procurar
um profissional capacitado; apto a
atender às necessidades do paciente.
No relacionamento entre profissional e paciente precisa existir empatia e confiança. O importante é que a
criança seja levada ao consultório do
odontopediatra ainda bebê, para que
os cuidados com a higiene oral sejam
passados para o responsável e ela cresça familiarizada ao ambiente do consultório”, orienta.
Hábitos saudáveis para uma boa memória
CRISTYANE ANDRADE MONTEIRO
5º PERÍODO DE JORNALISMO
de ansiedade também são grandes vilões da memória”, explica.
O neurologista Francillon Roberto
Quem não tem, ocasionalmente, Silva Lopes, ressalta que a qualidade
esforçado para se lembrar da senha de vida do indivíduo pode interferir
do caixa eletrônico, onde colocou o ce- em sua saúde e desencadear doenças.
lular, a chave e até mesmo encontrado “O estresse é um importante fator de
com uma pessoa conhecida e não sa- risco das doenças cardiovasculares, de
ber o nome dela?
origem mental e física em geral”. De
Segundo especialistas, esse mal acordo com Lopes, o transtorno cognão é exclusividade da terceira idade. nitivo leve, doença neurológica idenQualquer pessoa, independente da tificada pela sigla TCL, pode ser um
faixa etária, pode experimentar difi- sinal de certos tipos de doenças que
culdades como essas em seu dia-dia.
roubam a mente, mas enfatiza que
De acordo com a neuropsicóloga esse problema só ocorre em pessoas
Denise Vilela Silva, os problemas de acima de 60 anos. “Pode ser um sinal,
memória estão muito relacionados aos mas não tem como predizer das peshábitos de vida e podem ser agravados soas que tem TCL quais irão evoluir
por uma série de fatores. “O hipocam- para Alzheimer”, explica.
po é uma área que está localizada no
centro do cérebro e tem o papel crucial Prevenção
nesse processo de memória, de aprenO remédio para os indesejáveis
dizagem. Então, ele é muito suscep- lapsos de memória é bastante simples:
tível aos efeitos tóxicos do álcool, do adotar um estilo de vida saudável. “É
tabaco e de outras substâncias que preciso que o indivíduo organize a sua
podem interferir negativamente nesse rotina de maneira que não se sobreprocesso de memorização. Distúrbios carregue com elevadas multifunções;
no sono, níveis elevados de estresse e minimize os efeitos do estresse atra-
vés da atividade física e até da própria
respiração, e que também passe a dormir melhor, porque é através do sono
que se consolida a memória; tenha
uma alimentação balanceada, pois os
nutrientes fornecem ao cérebro aquilo
que ele precisa”, orienta Denise.
A especialista ainda acrescenta
a importância de sair da mesmice e
realizar coisas novas. “O cérebro tem
aversão àquilo que é hábito. Por exemplo, se você começa a escrever com a
mão que não é a dominante, o cérebro
vai estabeler outras conexões neuronais e, assim, ele vai ativar células que
estavam paradas”.
Ana Carolina de Oliveira, 30 anos,
editora de imagens e universitária,
conta que desde a infância é dona de
uma memória privilegiada e, atualmente, apesar da rotina agitada, consegue se sobressair em suas atividades
diárias. “Minha mãe costumava me
pedir para guardar os números para
lembrá-la depois. Guardava na cabeça telefones e documentos”. Carolina
ressalta que sempre foi muito observadora e tem facilidade em registrar
conversas, rostos e acontecimentos.
Diariamente tem que se lembrar de
senhas de banco, da internet, três
contas de e-mail, acessos de cadastros, entre outras.
A enfermeira Débora Cristina de
Azevedo, 29 anos, diz que sofreu
um desgaste físico e mental intenso
no período em que fazia faculdade
e trabalhava ao mesmo tempo. “Sabe
quando o pendrive está com a memória cheia e não há mais espaço para
informações? É mais ou menos isso
que acontece”, brinca. A sobrecarga
mental fez com que Débora perdesse
até o rumo de casa. “Peguei o ônibus
errado e ainda esqueci minha bolsa
com todos os meus documentos dentro. Então, pequei um mototáxi e fui
parar em um bairro do outro lado da
cidade; foi uma maratona”, conta.
Apesar de muitas atividades durante
o dia, a enfermeira procura ter uma
vida saudável. “Trabalho no Hospital
Municipal e nos meus horários de intervalo faço academia, corrida e ando
de bicicleta. Ainda faço hidroginástica
duas vezes por semana”, contabiliza.
CIRCULANDO
Março/Abril de 2012
7
ESPECIAL
SebastiãoCariocaNunes
De jogador de futebol a “conselheira sentimental”
POR LORENA DUARTE
REPÓRTER
Atlético C
lube Pasto
ril
Época do Rádi
o
Quando comecei a escrever este
texto me perguntei várias vezes
como fazê-lo com a graça e responsabilidade de contar a história de alguém tão reconhecido em nossa cidade. Alguém que já recebeu tantas
homenagens e teve sua vida recontada várias vezes. A resposta foi simples, precisava apenas narrar uma
vida cheia de acontecimentos como
foi a de Sebastião Pereira Nunes, ou
simplesmente, Carioca.
Fui recebida com um sorriso maroto de um menino de 80 anos. Carioca
ainda terminava de tomar o café da
manhã com pão, sua comida predileta, e estranhou tão cedo alguém já
chegar com um ‘interrogatório’, querendo saber de seus feitos durante
a carreira como jogador de futebol e
jornalista. Passado o susto, a conversa
teve início. Daí em diante, foi um passo para um longo bate-papo em meio
às fotografias.
A memória de Carioca já não é a
mesma. O atleta que nunca bebeu ou
fumou, hoje sofre com uma doença
chamada Hidrocefalia de Pressão Normal. Foi com a ajuda de um de seus
quatro filhos, Kássio de Freitas Nunes,
e de sua cuidadora, Maristela Dias da
Costa, que consegui juntar partes dessa longa história.
Futebol
Como Nádia Maria
Com os fi
lhos
O garoto que nasceu em 5 de abril
de 1931, quando Governador Valadares ainda se chamava Figueira do Rio
Doce, começou a carreira como jogador de futebol no Esporte Clube Democrata, em 1946. Depois, jogou no
Atlético Clube Pastoril, onde ele mesmo diz que conseguiu destaque para a
carreira. Após a saída do Pastoril, teve
o América Mineiro como destino. E
foi quando falávamos da carreira futebolística que Kássio relembrou uma
das histórias que ouvia envolvendo
seu pai e a bola. “Minha avó lavava
roupas para ajudar na renda familiar e
meu pai era o responsável pelas entregas, mas a paixão pelo futebol era tão
oce
D
io
R
grande que, ao invés de entregar as
rio do
No Diá
trouxas, ele corria para o campo para
jogar futebol”. Aliás, o apelido ‘Carioca’ veio dos amigos da bola. O jovem
que passara algum tempo em Vitória
retornou para GV puxando o “s”, e
não deu outra, aconteceu o batismo.
Em 1950, a vida de jogador chegava
ao fim, mas o esporte ainda continua
a fazer parte do dia a dia do ex-atleta, que passou a integrar a equipe de
jornalistas da Tribuna Fiel, atuando
também nas rádios Educadora e Por
Um Mundo Melhor. Em 1959, entrou
para o jornal Diário do Rio Doce. Foi
no DRD que além de marcar sua participação como comentarista esportivo, também viveu um de seus papéis
mais intrigantes. E aqui preciso abrir
um parênteses, pois nesse momento
da entrevista Carioca relutou, sorriu
muitas vezes, até responder à pergunta que fazia desde o início da entrevista. Sebastião Pereira Nunes foi por
muitos anos a conselheira sentimental Nádia Maria. Personagem herdado
do companheiro de trabalho Marcondes Tedesco, que recebia na redação
do DRD muitas cartas com questionamentos sobre o amor.
Carioca e Kássio relembram que
a maioria das dúvidas era de jovens
grávidas, e também sobre jovens que
estavam se relacionando com homens
casados. Muito religioso, ou melhor,
religiosa, Nádia aconselhava os jovens
correspondentes a procurarem uma
orientação espiritual.
Durante a conversa sobre Nádia
Maria, pergunto sobre a vida amorosa
do Sebastião jovem e, com uma carreira de sucesso falar de amor era preciso. Aos 80 anos, Carioca não hesitou
em dizer que era namorador e fazia
sucesso com as meninas. Sorrindo,
Kássio conta mais uma das peraltices
do pai. “Quem queria um lugarzinho
escuro para namorar era só chamar o
Sebastião, ele também era craque na
arte de quebrar lâmpadas para ajudar
os casais a terem um lugarzinho mais
reservado para paquerar”.
Despedida
Foram 45 anos trabalhando no
DRD, dando os conselhos de Nádia
Maria, falando sobre esporte, principalmente o futebol, que sempre foi
a paixão de ‘Cari’, como também é
carinhosamente chamado por Maristela, até que chegou a hora de
dizer adeus também às redações.
Eu pergunto a Carioca do que mais
sente saudade, se do futebol ou do
jornalismo? Ele é direto ao dizer sem
meio termo: do futebol.
Mas para quem pensa que o menino
travesso, o jovem conquistador, não era
um rapaz sério, está muito enganado.
Carioca, como todo romântico à moda
antiga, gosta de ouvir Roberto Carlos,
foi casado uma vez, por 30 anos, com
Maria Selma de Freitas Nunes. Kássio
diz que o pai foi namorador enquanto
solteiro, após o casamento se tornou
um marido responsável e um pai de
dedicação inigualável. O jovem diz que
a responsabilidade do pai com o trabalho e a família ensinou a ele e aos irmãos valores muito preciosos. Carioca
já não tem mais os movimentos da perna e o problema de saúde já levou parte
das lembranças. Só que durante toda a
conversa ficou claro como é impossível
separar o ex-atleta da paixão. A saudade do futebol, as histórias de Nádia
Maria, os amigos que fez durante toda
a vida que, como ele mesmo exclama,
“foi muito bem vivida e se pudesse viveria tudo outra vez!”.
CIRCULANDO
Março/Abril de 2012
8
COTIDIANO
O dia a dia dos vendedores ambulantes
EDERSON FERREIRA
5O PERÍODO DE JORNALISMO
Eles estão por toda parte, dos bairros mais periféricos aos mais nobres
da cidade. Comercializam verdura,
legume, fruta, churros, picolé, salgado, desinfetante e muitos outros produtos. De dentro de casa, é possível
ouvir seus anúncios com frases feitas
para chamar a atenção da clientela.
São os vendedores ambulantes, que
animam e colorem as ruas dos bairros
e do centro da cidade.
Em um dos bairros mais populosos de Governador Valadares, o Santa
Rita, atua Geraldo Anedino Rosa, de
56 anos. Ele vende verduras, frutas
e legumes há cerca de 15 anos. Com
alto astral e carisma percorre as ruas
do bairro com sua bicicleta carregada
de couve, alface, almeirão, salsa, alface americano, rubra, agrião, couveflor, banana, cebolinha, coento, espinafre, tomate, repolho, água de coco
e demais verduras que variam de R$
0,50 a R$ 3,00.
“Compro as verduras de Caratinga,
mas não tenho e nem quero ter a minha própria plantação, pois as verduras
de lá já vem bonitas, limpas e com uma
qualidade muito boa”, explica Anedino
que hoje tem clientes fixos e durante
todos os anos de trabalho como vendedor nunca ouviu uma reclamação da
clientela. O trabalhador, que foi criado
na roça, declara que sempre lutou, junto com a esposa e os filhos, para conquistar tudo o que tem hoje e é agra-
decido pela vida que leva. Ele explica
que sua vida sempre foi corrida, mas
nunca deixou de atender os clientes
com atenção e cordialidade.
Já Júlio César Gomes de Almeida,
de 45 anos, há cinco percorre com seu
carrinho de mão vários bairros da cidade para vender desinfetante. Antes,
Júlio era pedreiro, mas depois de algum tempo sem conseguir trabalho,
resolveu se tornar autônomo e começou a produzir desinfetante caseiro.
Ele fez o teste e garante que deu certo.
“Eu trabalhava como pedreiro, mas o
dinheiro não dava para pagar todas as
despesas de casa. Então pensei: o que
dá pra eu fazer sem gastar muito dinheiro? Um dos meus amigos me deu
a ideia de fazer desinfetante caseiro.
Não sabia como, mas ele me explicou
tudo. Hoje, faço vários litros e revendo. Cada um custa R$ 4,50; vendo uns
15 por semana, o que dá um total de
R$ 67,50”.
O trabalhador avalia que consegue
tirar uma boa renda com a venda dos
desinfetantes, mas não o suficiente
para as despesas da família. “Continuo sendo pedreiro, mas não paro
mais de vender os desinfetantes, pois
gosto disto e meus clientes também”.
César conclui que, mesmo com todas
as dificuldades, o melhor a fazer é
persistir. “A vida nunca é fácil, mas
quando se quer alguma coisa temos
que lutar para conseguir; e a melhor
maneira é trabalhando. Quando fecha um lado temos que procurar ouHá cerca de 15 anos, Geraldo Anedino Rosa vende seus produtos pelas ruas do bairro Santa Rita
tro”, finaliza.
Carlos Olavo da Cunha Pereira
Ele marcou profundamente o
jornalismo, a política e os rumos da
história de Governador Valadares.
Nascido em 16 de março de 1923, em
Abaeté, o jornalista Carlos Olavo da
Cunha Pereira chegou à cidade em
meados da década de 1950. Aqui,
fundou o jornal satírico O Saci que
tinha como slogan “Fala de todos,
não briga com ninguém”. Nesse período, em Valadares e região, a luta
pela terra, o assassinato de posseiros, a exploração dos trabalhadores
urbanos, as ações policiais arbitrárias e a corrupção de políticos foram
ocupando as páginas do jornal. Então, O Saci foi reformulado e nas-
ceu o semanário O Combate, com o
slogan “Não conhecemos assuntos
proibidos”. A atuação do periódico
foi interrompida no dia 31 de março
de 1964, quando teve sua sede praticamente destruída por um grupo
paramilitar a serviço de setores latifundiários locais. Após o golpe militar de 1964, Carlos Olavo foi exilado
na Bolívia e no Uruguai, retornando
ao Brasil em 1979.
Atualmente, vive em Belo Horizonte na companhia da esposa e de
sua filha mais velha. Os muitos episódios da disputa pela terra no Vale
do Rio Doce foram imortalizados
no romance Nas Terras do Rio Sem
Dono, publicado pelo jornalista em
1988. E é por essa densa história de
vida que, em 2001, o Laboratório
de Jornalismo Impresso foi batizado pelos alunos da primeira turma do curso de Jornalismo com o
seu nome. Por isso, nesta edição do
jornal-laboratório Circulando, não
poderíamos deixar de parabenizar
Carlos Olavo pelos seus 89 anos.
Flávia Xavier
Carlos Olavo no sossego da varanda de sua casa, junto à máquina de escrever comprada na Bolívia
Ederson Ferreira
Quando menos se espera, eles aparecem com diversos produtos para tirar as donas de casa do sufoco
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Circulando 399 - março e abril 2012