Setembro’12 | N.º 9 VOZ DA SPOT Distribuição gratuita aos sócios e no XXXII Congresso da SPOT SPOT Em entrevista, os Drs. Rui Pinto e Pedro Fernandes falam sobre as prioridades e iniciativas da atual direção, que iniciou o seu mandato em março deste ano. Pág.25 Jornal da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia www.spot.pt Controvérsias e desafios da artrodese lombar e do tornozelo degenerativo O XXXII Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, que decorre de 17 a 19 de outubro, no Hotel Tivoli Marina, em Vilamoura, privilegia a discussão em torno dos desafios e controvérsias da artrodese lombar, a abordar no Tema do Congresso, e do tornozelo degenerativo, em foco na Mesa-Redonda (pág.14 a 16). Pela primeira vez, realizam-se as Jornadas de Fisioterapia (pág.22) e o Fórum SICOT (pág.23). As sessões organizadas pelas Secções e Grupos de Estudo da SPOT (pág.7 a 11) também prometem despertar o interesse dos congressistas, assim como as conferências de convidados como o Dr. James D. Heckman, editor da edição americana do Journal of Bone and Joint Diseases (pág.19). PUB. 2 SPOT inForma Setembro ‘12 Desafio à participação no Congresso A proxima-se mais um Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia. Entre as várias novidades introduzidas no programa científico, realçamos um número maior de comunicações livres, o que espelha bem a vitalidade da nossa comunidade científica. Por serem apresentadas apenas em três salas, terão uma audiência seguramente maior, sendo essencial o cumprimento rigoroso do tempo de cada apresentação e assegurar o compromisso de todos os autores dos trabalhos para com o seu conteúdo. Foram selecionados temas de grande atualidade nas diferentes áreas, tendo sido possível alinhar, em módulos de quatro apresentações, o confronto de ideias e experiências de vários serviços nacionais que certamente vão captar o interesse de todos. Teremos ainda as restantes sessões habituais do Congresso, as secções concentradas no segundo dia e os casos difíceis para discussão às 8 horas de cada um dos dias. Foi ainda preocupação da direção da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) agendar todas as reuniões administrativas para o período compreendido entre as 7 e as 8 horas, para que estas não colidam com o horário científico do Congresso. Numa altura tão crítica para o exercício autónomo da Medicina e da Ortopedia, em particular, será desejável passar uma mensagem clara de profissionalismo a todos os agentes envolvidos na relação médico/doente, com uma participação ativa de todos os sócios da SPOT que tenham vontade de partilhar as experiências relevantes nas diferentes áreas da especialidade, bem como as dificuldades encontradas nos múltiplos desafios vencidos. Por fim, apelo à responsabilidade de todos na formação dos futuros ortopedistas nacionais que, embora providos de uma grande confiança, fortemente alicerçada no domínio da informática e das novas tecnologias do saber, necessitam da nossa atenção sob a forma de feedback e Secretário-geral da SPOT orientação para um início tranquilo e estimulante das suas carreiras profissionais. Estejamos todos à altura deste desafio! Sumário ORTONOTÍCIAS 4 Novidades da SPOT e da Ortopedia nacional e internacional GRUPOS DE ESTUDO 7 As atividades recentes e futuras dos Grupos de Estudo da SPOT SECÇÕES EM FOCO 8 Iniciativas das Secções da SPOT e a sua atividade no XXXII Congresso Nacional COMISSÃO DE INTERNOS 11 A Comissão de Internos de Ortopedia apresenta no Congresso os resultados do 1.º Inquérito de Uniformização do Curriculum Vitae XXXII CONGRESSO (Dia 17) 12 Resumos das conferências dos convidados das sociedades internacionais (SBOT, SECOT, SOFCOT e AAOT) DESTAQUE DE CAPA 14 Coordenadores e oradores do Tema (Artrodeses lombares) e Mesa-Redonda (Tornozelo degenerativo) antecipam os principais assuntos a abordar XXXII CONGRESSO (Dia 17) 18 Antecipação das sessões organizadas pelo Registo Português de Artroplastias e pela Década do Osso e da Articulação Ficha Técnica Rua dos Aventureiros, lote 3.10.10 – loja B Parque das Nações • 1990 - 024 Lisboa Tel.: (+351) 218 958 666 • Fax: (+351) 218 958 667 [email protected] [email protected] • www.spot.pt Depósito Legal: N.º 338825\12 Impressão 20 Destaques do Fórum EFORT, este ano dedicado aos desafios do joelho degenerativo nos jovens ativos XXXII CONGRESSO (Dia 19) 22 Ideias-chave das 1.as Jornadas de Fisioterapia no Congresso da SPOT e do Dia de Enfermagem 23 O Prof. Andrzej Bohatyrewicz, vice-presidente para a Europa da Sociedade Internacional de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica (SICOT), é o convidado do primeiro Fórum SICOT CONGRESSO DE 2011 – FLASHBACK 24 Os principais momentos do XXXI Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, que decorreu de 19 a 21 de outubro de 2011 VOZ DA SPOT 25 Em entrevista, o Dr. Rui Pinto e o Dr. Pedro Fernandes, respetivamente presidente e secretário-geral da SPOT, refletem sobre o mandato da direção que encabeçam e as prioridades futuras OSSOS DE VIDA 26 Perfil do Dr. Alarcão e Silva, presidente da SPOT no biénio 1991-1992 Esta publicação está escrita segundo as regras do novo Acordo Ortográfico Propriedade Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia XXXII CONGRESSO (Dia 18) 19 Entrevista ao Dr. James D. Heckman, editor emeritus do volume americano do The Journal of Bone and Joint Surgery e convidado da direção da SPOT Projecção - Arte Gráfica, S.A. Parque Industrial da Abrunheira, Quinta do Lavi, Armazem 1, Bloco A. 2710 - 089 Sintra Edição Av. Almirante Reis, n.º 114, 4.º E •1150 - 023 Lisboa Tel.: (+351) 219 172 815/Fax: (+351) 218 155 107 [email protected] • www.esferadasideias.pt Direção: Madalena Barbosa ([email protected]) Assistente de direção: Zaida Fernandes ([email protected]) Gestor de projetos: Tiago Mota ([email protected]) Redação: Vanessa Pais e Tiago Mota Fotografia: Luciano Reis Design: Filipe Chambel Apoios SPOT inForma Setembro ‘12 3 ortonotícias O ranelato de estrôncio, na dose de 2 gramas/dia, previne a progressão das alterações patológicas estruturais ao nível articular, além de reduzir a sintomatologia associada à osteoartrose. Esta foi a principal conclusão do SEKOIA (Strontium ranElate Knee OsteoarthrItis triAl), um estudo internacional, multicêntrico, em dupla ocultação e controlado por placebo, cujos resultados foram apresentados, pela primeira vez, no Congresso Europeu de Osteoporose e Osteoartrose (IOF-ECCEO), que decorreu em Bordéus, França, de 21 a 24 de março passado. O referido estudo demonstrou que o ranelato de estrôncio, medicamento aprovado atualmente para o tratamento da osteoporose pós-menopáusica e também em homens, reduz em 27% a perda de cartilagem. «Em termos clínicos, isto traduz-se no equivalente a um ano de cartilagem poupada ao longo dos três anos de tratamento», explicou o Prof. Jean-Yves Reginster, da Universidade de Liége, na Bélgica, no âmbito de uma conferência de imprensa, que teve como objetivo explicitar os principais assuntos focados no Congresso. Segundo este especialista, o estudo SEKOIA atingiu também os endpoints secundários, referentes ao «efeito do medicamento sobre a sintomatologia, avaliada através da escala WOMAC [Westren Ontario and McMaster Universities], que é utilizada nos doentes com osteoartrose para medir o grau de dor, rigidez e função física». Perante os resultados, Jean-Yves Reginster concluiu: «Estes dados representam uma esperança para os médicos e para os doentes, uma vez que comprovam o papel do ranelato de estrôncio no retardar da progressão da osteoartrose.» 4 SPOT inForma Setembro ‘12 O ministro da Saúde de Angola, Dr. José Van-Dumen (no púlpito), foi um dos convidados da Sessão de Abertura do IV Congresso da SOLP/I Congresso da SAOT, que contou com a participação (na mesa, da esq. para a dta.) do Dr. Carlos Vieira Ramos , primeiro presidente da SOLP; do Dr. Rui Pinto, presidente da SPOT; do Dr. Adriano Oliveira, atual presidente da SOLP; do Prof. Carlos Alberto Pinto de Sousa, bastonário da Ordem dos Médicos de Angola; do Dr. Jorge Seabra, presidente-eleito da SOLP; do Prof. José Sérgio Franco, segundo presidente da SOLP; e do Dr. Guilhermino Joaquim, presidente do Colégio da Especialidade de Ortopedia e Traumatologia da Ordem dos Médicos de Angola D e 14 a 16 de junho passado, Angola acolheu, na cidade de Luanda, o IV Congresso da Sociedade dos Ortopedistas de Língua Portuguesa (SOLP)/I Congresso da Sociedade Angolana de Ortopedia e Traumatologia (SAOT). Subordinado ao tema «Sinistralidade Rodoviária e Traumatologia», discutido numa mesa-redonda com preletores de todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Congresso contou com 103 ortopedistas da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe) e também da Rússia e de Cuba, além de outros profissionais: cirurgiões gerais, anestesiologistas, fisiatras, fisioterapeutas e peritos angolanos ligados à sinistralidade rodoviária, totalizando mais de 400 participantes. De acordo com o presidente da SOLP, Dr. Adriano Oliveira, o tema foi escolhido «por ser transversal aos países da CPLP, pela sua magnitude e pelos elevados custos financeiros e sociais que acarreta». Atendendo ao número de participantes, ao interesse demonstrado e ao feedback O presidente-eleito e o presidente -cessante da SOLP (da dta. para a esq.), com o presidente do Colégio da Especialidade de Ortopedia e Traumatologia da Ordem dos Médicos de Angola (à esq.) e o Dr. António Figueiredo, tesoureiro da direção da SPOT em 2011 Foto: DR Ranelato de estrôncio atrasa progressão da osteoartrose Fotos: DR Foto: Thinkstock IV Congresso da SOLP – sinistralidade rodoviária e traumatologia em destaque recebido, o presidente da SOLP faz um balanço «globalmente positivo» deste Congresso, que «contou também com diversas conferências dedicadas à traumatologia, comunicações livres nas diversas áreas e três workshops pré-congresso (Curso Básico de Imagiologia Musculoesquelética; Medicina Desportiva; Tratamento do Pé Boto pelo Método de Ponseti)». Foi ainda feito o balanço do desenvolvimento do projeto da SOLP sobre o tratamento do pé boto pelo método de Ponseti, particularmente nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e eleita a nova direção da SOLP. O Dr. Jorge Seabra, cofundador desta Sociedade e um dos seus principais impulsionadores, encabeçará a próxima direção, responsável por organizar o 5.º Congresso, que se realizará em 2013, em Portugal. «A assembleia-geral da SOLP aprovou a candidatura de São Tomé e Príncipe para acolher o Congresso de 2014», adianta Adriano Oliveira. Um momento cultural animou o Congresso Comissão de Boas Práticas em Ortopedia foi criada P ela iniciativa da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) e do Colégio da Especialidade de Ortopedia da Ordem dos Médicos, nasceu, em março deste ano, a Comissão de Boas Práticas em Ortopedia, que conta também com a colaboração de outras entidades, como a Direção-Geral da Saúde (DGS). «As questões da Saúde são cada vez mais enquadradas como serviços prestados e, por isso, faz todo o sentido criar rotinas consensuais na prestação de serviços», defende o Dr. Ciro Costa, coordenador desta nova Comissão. O Prof. Jorge Mineiro (à esq.) recebeu a distinção de Fellowship ad Hominem das mãos do presidente do Royal College of Surgeons of Edinburgh, Dr. David Tolley No dia 12 de setembro, a Dr.ª Anabela Coelho, em representação da Direção da Qualidade da DGS, recebeu os coordenadores da Comissão de Boas Práticas em Ortopedia, do Observatório Nacional de Artroplastias, do Registo Português de Artroplastias, o presidente do Colégio da Especialidade de Ortopedia da Ordem dos Médicos e o presidente da SPOT, Drs. Ciro Costa, José Manuel Teixeira, José Costa Ribeiro, Paulo Felicíssimo e Rui Pinto (da dta. para a esq.) Neste contexto, o objetivo primordial da Comissão de Boas Práticas em Ortopedia, da qual fazem parte também o Dr. António Mendes Moura, a Dr.ª Inês Balacó e o Prof. André Gomes, é «defender a qualidade da prestação de cuidados e, ao mesmo tempo, munir os prestadores de “ferramentas” que garantam essa qualidade». Até ao Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, adianta Ciro Costa, esta Comissão pretende ter delineadas e prontas a apresentar normas de utilização de próteses da anca; guidelines sobre a Jorge Mineiro distinguido pelo Royal College of Surgeons de Edimburgo Foto: DR O F Prof. Jorge Mineiro, diretor clínico do Hospital Cuf Descobertas e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, recebeu uma distinção do Royal College of Surgeons de Edimburgo (RCSEd) pelo trabalho realizado como chairman do exame do Board Europeu de Ortopedia e Traumatologia, do qual foi um dos criadores e é o seu responsável desde de que teve início, há cerca de 12 anos. O prémio consiste na atribuição do grau de Fellow ad Hominem , cujo diploma foi entregue ao ortopedista português na cerimónia oficial que decorreu a 16 de março O Dr. João Pedro Oliveira (oitavo a contar da esq.) foi o representante português, escolhido pela SPOT, no EFORT Spring Travelling Fellowship 2012 rança foi o país anfitrião do último Spring Travelling Fellowship da European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology (EFORT), que decorreu de 1 a 7 de abril passado, onde participaram 14 fellows de 13 nacionalidades diferentes. O fellowship foi repartido por duas cidades, Marselha e Nice, sendo o Dr. João Pedro Oliveira, interno no Serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Foto: DR Relato do EFORT Spring Travelling Fellowship 2012 utilização de próteses metal-metal; normas para a profilaxia do tromboembolismo na cirurgia ortopédica e para a antibioterapia profilática. Para cumprir estes objetivos, os membros da Comissão de Boas Práticas em Ortopedia reuniram em julho e em setembro com a Direção da Qualidade da DGS «para articular procedimentos e trabalhar em conjunto com esta entidade», indica Ciro Costa. Ao mesmo tempo, tem também havido uma colaboração estreita com o Registo Português de Artroplastias. representante português selecionado pela SPOT para este intercâmbio de aprendizagem anual. Consciente de que este «é um marco importante no internato e na futura carreira como especialista», João Pedro Oliveira relatou os principais momentos desta oportunidade formativa ao SPOT inForma. «As boas-vindas foram dadas pelo Prof. Jean-Noël Argenson, chefe do Serviço de Ortopedia do Institut du Mouvement et de l’appareil passado, na sede do Royal College of Surgeons, em Edimburgo, na Escócia. Além de Jorge Mineiro, foram também distinguidos o Prof. Takeshi Sano, de Tokyo, Japão, na área da cirurgia geral, e o Prof. Jean Michel Dubernard, de Lyon, França, na área da Urologia e Transplante. O RCSEd é o colégio mais antigo do Reino Unido, com grande tradição na sua dedicação ao desenvolvimento das áreas da educação, treino cirúrgico e prática clínica, responsável pela realização e gestão dos exames de fim de internato de quase todas as especialidades cirúrgicas naquele país. Locomoteur, e responsável pelas conferências teóricas, intercaladas com cirurgias ao vivo, que decorreram no segundo dia do EFORT Spring Travelling Fellowship 2012, no Hôpital Sainte-Marguerite», contou o interno. O terceiro e quarto dias deste fellowship foram dedicados à patologia do joelho e os participantes tiveram oportunidade de fazer «uma pequena comunicação, na qual se apresentou e falou sobre o Serviço e o País que estavam a representar», recorda João Pedro Oliveira. Já em Nice, nos quinto e sexto dias da formação, as patologias do ombro, da anca e também do joelho foram os temas em destaque nas sessões teóricas, mais uma vez intercaladas com cirurgias ao vivo. A par da oportunidade única de aprendizagem e convívio, o fellow português destaca desta experiência o facto de a opinião dos participantes ter sido sempre levada em conta e discutida durante as sessões, existindo uma grande partilha de conhecimentos e conceitos. SPOT inForma Setembro ‘12 5 ortonotícias Ciclo 2012-2014 do PNAICO apresenta novidades Sessão de treino em cadáver, que decorreu em abril passado, no Instituto de Medicina Legal , em Lisboa Foto: André Roque Q uase a terminar o primeiro ano do ciclo 20122014 do Programa Nacional de Apoio ao Internato Complementar de Ortopedia (PNAICO), o Prof. Jorge Mineiro, coordenador da Comissão de Ensino da SPOT e responsável pela organização deste programa formativo, mostra-se satisfeito com a forma como o mesmo está a decorrer. «Não posso deixar de me congratular pelo feedback positivo que temos recebido até ao momento e, acima de tudo, agradecer aos ortopedistas portugueses que, de forma voluntária, se predispõem a organizar e participar nestas sessões», sublinha. Este ciclo é fruto de uma reestruturação que teve em consideração o resultado dos programas anteriores. «As diversas sessões são agora mais espaçadas no tempo e foram modificadas as que eram menos interativas», nota Jorge Mineiro. E sublinha: «No nosso País, o vazio em relação às Ciências Básicas é grande e reflete-se nos resultados do exame do European Board of Orthopaedics and Traumatology, sendo o tema onde os nossos internos mais vacilam, apesar dos resultados excecionais que apresentam. Mas foi necessário ir ao encontro de algumas das suas críticas/desejos.» De qualquer modo, o coordenador considera que as condições de formação melhoraram e o aumento do número de sessões de treino em cadáver está a agradar aos internos. As novidades deste ciclo formativo passam também pelos temas. Decorreu um curso no dia 22 de setembro, em Coimbra, sobre distúrbios da mineralização com um workshop dedicado às imobilizações e trações esqueléticas/cranianas, estando prevista para o dia 17 de novembro próximo, no Porto, uma sessão sobre imagiologia musculosquelética com um workshop dedicado à classificação de fraturas e tipos de imobilizações vertebrais». Para saber mais sobre o PNAICO e sobre as próximas sessões, consulte o site da SPOT (www.spot.pt). Bolsas de estágio internacional atribuídas em 2011 A Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) atribuiu, em 2011, sete bolsas de estágio a internos de Ortopedia e quatro a jovens especialistas, estas últimas com o patrocínio dos laboratórios Bial. Aqui fica a lista dos bolseiros, bem como as principais informações sobre os estágios já realizados: Internos - Dr.ª Inês Pedro, do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental. Estagiou na Fundación Jimens Diaz, Madrid, em fevereiro de 2012, dedicando-se à artroscopia do ombro; - Dr. Francisco Oliveira, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou no Hospital Universitário de Santa Cristina, em Madrid, de abril a junho de 2012, dedicando-se à artroscopia do membro superior e inferior; - Dr. Frederico Raposo, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou no Hospital de la Croix-Rousse, Centre Albert Trillat, em Lyon, nos meses de outubro e novembro de 2011, na área do joelho; - Dr. Pedro Serrano, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou na Clínica Nostra Senyora del Remei, Clínica Tres Torres, Universidade de Barcelona, em novembro de 2011, dedicando-se à cirurgia do pé e tornozelo; - Dr. João Correia, do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Estagiou no Endo-Klinik, na Alemanha, entre maio e junho de 2012, na área da artroscopia (primária e revisão) da anca, joelho e tornozelo; PUB. 6 SPOT inForma Setembro ‘12 - Dr. Manuel Ribeiro da Silva, do Centro Hospitalar São João, no Porto. Estagiou no Hospital Pitie Salpetrier, em Paris, e Centre Orthopédique Santy, em Lyon, de fevereiro a abril de 2012, na área da patologia do ombro; - Dr. André Ferreira, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia. Estagiou no Instituto Dexeus, em Barcelona, nos meses de novembro e dezembro de 2011, na área da patologia da anca. Jovens especialistas - Dr. Jorge Alves, do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Estagiou no Saint Louis University Hospital, em julho 2012, dedicando-se às deformidades da coluna; - Dr. Rui Cândido, do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. Estagiou no Parkens Private Hospital, em Copenhaga, no mês de junho 2011, dedicando-se à artroscopia do ombro; - Dr. Luís Rodrigues, do Centro Hospitalar Tondela-Viseu/Hospital de São Teotónio. Estagiou no Institut de la Main - Clinique Jouvenet, em Paris, de 1 de junho a 6 de julho, dedicando-se à artroscopia do punho, à patologia do plexo braquial e nervos periféricos, à doença de Dupuytren e à patologia degenerativa do punho e mão; - Dr. Pedro Costa de Matos, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou no Hôpital Avicenne, em Paris, de janeiro a março de 2012, dedicando-se à cirurgia reconstrutiva e da mão. grupos de estudo GECA e GET fomentam mais e melhor formação Um dos principais objetivos do Grupo de Estudo da Cartilagem, Tratamento e Prevenção da Artrose (GECA) e do Grupo de Estudo de Trauma (GET) é fomentar uma melhor formação nas respetivas áreas de atuação. Os seus coordenadores, Drs. João Salgueiro e Miguel Marta, salientam iniciativas já realizadas e delineadas para o futuro. Grupo de Estudo da Cartilagem, Tratamento e Prevenção da Artrose «A evolução do GECA tem sido muito gratificante, especialmente para os seus sócios fundadores – que confirmam a concretização quase total do seu conteúdo programático, proposto em finais de 2007. Pode considerar-se que temos superado as expetativas, nomeadamente na realização dos cursos teórico-práticos de cartilagem articular e nos encontros interserviços sobre cartilagem. Estas reuniões têm sido bem-sucedidas, com elevado nível científico, um número de participantes que ultrapassou sempre os 120, com patrocínios científicos que os credibilizam e a presença das empresas que concedem o seu imprescindível apoio. De outubro de 2011 até agora, a atividade do GECA traduziu-se na realização do 3.º Curso Teórico-Prático de Cartilagem Articular, em Lisboa, nos dias 18 e 19 de novembro do ano passado. Pela primeira vez, decorreu uma sessão de comunicações livres, dirigida principalmente aos internos de Ortopedia e com um prémio atribuído à melhor comunicação. Numa perspetiva de descentralização, decidimos realizar os encontros nacionais dos serviços de Ortopedia sobre cartilagem. O primeiro encontro realizou-se em Vila Nova de Gaia, em abril de 2011 (com organização dos Drs. José Neves e Joaquim Lebre), e o segundo em Guimarães, em março deste ano (organizado pelos Drs. Pereira Mendes e Carlos Vilela). Nos dias 22 e 23 de novembro próximo, realizar-se-ão as primeiras Jornadas que englobarão o 4.º Curso Teórico-Prático de Cartilagem Articular, em Lisboa, no Teatro Aberto. O III Encontro dos Serviços de Ortopedia sobre Cartilagem terá lugar em Chaves (com o Dr. Carlos Pintado na organização), em 16 de março de 2013. Nas referidas Jornadas, terá lugar o Encontro dos Centros Nacionais de Investigação sobre Cartilagem, que será coordenado pelo Prof. Joaquim Sampaio Cabral. No Curso, para além Dr. João Salgueiro de outras importantes preleções, haverá uma dedicada ao diagnóstico e tratamento das lesões condrais e osteocondrais da articulação coxofemoral. Sendo a constante atualização e discussão imprescindíveis para que o cirurgião ortopédico possa assumir-se como protagonista na prevenção da artrose, desejo que nos encontremos nestes eventos.» Grupo de Estudo de Trauma MESA-REDONDA SObre o impacto da sinistralidade rodóviaria na sociedade (da esq. para a a dta.): Nuno Eduardo Pestana (neuropsicólogo clínico), Maria Helena Pimenta (advogada), Paulo Felicíssimo (ortopedista), Rui Zink (vice-presidente da Associação de Cidadãos Automobilizados), Paulo Marques Augusto (presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária), Sandra Nascimento (presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil) e Pedro Ribeiro e Silva (diretor dos Serviços Jurídicos da MAPFRE Seguros) «N o XXXII Congresso da SPOT, vamos continuar a debater o tema que iniciámos este ano – o trauma de alta energia e as lesões pélvicas. No Simpósio sobre Traumatismos Pélvicos causados pela Sinistralidade Rodoviária, que decorreu em março de 2012 (ver foto), debatemos o trauma de alta energia e, usando o modelo da fratura pélvica (abordando a epidemiologia, o diagnóstico e o tratamento em urgência e incluindo a realização de um curso teórico-prático), analisámos os problemas organizacionais, sociais, psicológicos, legais e de inserção dos sinistrados na sociedade. Pretendemos, agora, encerrar o debate deste mesmo tema, abordando a evolução dos conceitos no tratamento das fraturas pélvicas, o tratamento definitivo e as complicações mais frequentes. No âmbito das nossas atividades, estamos a implementar o processo de registo das fraturas da extremidade proximal do fémur, que apresentaremos brevemente à SPOT. Estamos também envolvidos nas diversas atividades da Sociedade, nomeadamente na organização do seu próximo Congresso Nacional. Ainda este ano, além da participação no Congresso da SPOT, contamos proceder à apresentação do protocolo de registo de fraturas da extremidade proximal Dr. Miguel Marta do fémur. Para 2013, estamos a idealizar a realização de uma reunião sobre «aspetos legais e trauma», iremos também colaborar com o PNAICO e participar ativamente no XXXIII Congresso da SPOT. Projetos como o SINAS (Sistema Nacional de Avaliação em Saúde) e a desejada produção de um guia de procedimentos, atuações e boas práticas médicas são iniciativas que recebem todo o acolhimento do GET. Por isso, debatemos os temas com a máxima profundidade e formamos no sentido de permitir a aquisição dos conhecimentos necessários. Por outro lado, achamos que a validação do correto tratamento, que se consegue, por exemplo, com o SINAS, é fundamental para assegurar a atualização e o investimento permanente na formação.» SPOT inForma Setembro ‘12 7 secções em foco Temas em debate e planos para 2013 Secção da Anca «N o dia 18 de outubro, no Congresso da SPOT, a Secção da Anca organiza uma sessão de duas horas dedicada aos temas «Conceitos básicos na cirurgia conservadora da anca» e «Controvérsias atuais no par articular metal-metal [MoM]». Julgamos que estes são temas atuais, de grande interesse e pertinência para a comunidade ortopédica, dada a polémica recente relacionada com a necessidade de revisão precoce de algumas articulações MoM. Como convidado estrangeiro, teremos entre nós o Dr. Gonzalez-Adrio Wagner Rafael, do Centro Internacional de Dr. Paulo Rego Medicina Avançada, em Barcelona, que nos falará sobre as vantagens do par articular MoM. Temos assistido a progressos no que diz respeito à abordagem de algumas patologias, mas de forma oficiosa e por referenciação direta entre colegas de diferentes unidades hospitalares. Infelizmente, nesta área não existe nenhuma política específica que defina unidades hospitalares como potenciais centros de referência para o tratamento de determinadas patologias. Relativamente aos próximos projetos da Secção, temos planeado um encontro internacional sobre cirurgia conservadora da anca, agendado para o próximo mês de novembro, onde serão abordados temas relacionados com diagnóstico, tratamento e avaliação funcional dos doentes candidatos a este tipo de cirurgia. Pensamos que este poderá ser um impulso importante no sentido de internacionalizar a nossa experiência em território nacional. Planeamos, também, um evento com cirurgia em tempo real e apelamos à participação dos colegas interessados na área. As datas e os programas definitivos serão divulgados durante o corrente ano.» Secção de Biomecânica «P ara o XXXII Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, a Secção de Biomecânica optou por fazer uma panorâmica geral do trabalho realizado em Portugal com a fixação externa, dando aos palestrantes convidados total liberdade quanto à escolha dos temas a apresentar na especificidade. Uma vez que os oradores são das regiões norte, centro e sul, daremos cobertura às necessidades nacionais e passaremos uma informação inter-regional. São palestrantes Dr. Manuel Augusto Azevedo os Drs. António Costa (da região centro), Delfin Tavares, Francisco Santana, João Moreira, Manuel Leão e Craveiro Lopes (da região sul e vale do Tejo) e Manuel Azevedo (da região norte). «O que fazer com o método de Ilizarov»; «Tratamento das fraturas expostas e cominutivas do tornozelo por ligamentotaxia com o método de Ilizarov»; «Utilização da fixação externa no tratamento da patologia da anca na criança, no adolescente e no adulto jovem» e «Vinte anos a conviver com o método e o aparelho de Ilizarov» são alguns dos temas que abordaremos. É também nosso objetivo divulgar e fomentar junto dos ortopedistas, nomeadamente dos mais jovens, a aplicação da fixação externa para a resolução das mais variadas patologias. Para 2013, a Secção de Biomecânica da SPOT tem prevista a implementação de workshops e ações de formação para grupos limitados em hospitais ou centros hospitalares – de âmbito regional e nacional –, privilegiando os aspetos práticos, nomeadamente ao nível das cirurgias.» Secção da Coluna «N Foto: DR o XXXII Congresso da SPOT [dia 18 de outubro, das 14h30 às 16h00], a Secção da Coluna vai dedicar a sua sessão à espondilolistesis. A escolha deste tema baseou-se na sua relevância clínica e no facto de, nos últimos anos, terem surgido novidades nos campos do diagnóstico e da terapêutica – especialmente para a patologia em crianças e adolescentes, mas também para a patologia do adulto. Optámos por este tema, também, porque a todos os especialistas que Dr. Nuno Neves, vogal interessa trabalham na área da coluna, quer os que se dedicam mais à idade pediátrica quer os que se dedicam à patologia do adulto – o que, pensamos, vai ao encontro de uma Sociedade abrangente como é a SPOT. À semelhança do que já sucedeu no Congresso de 2011, este ano também privilegiamos a presença de palestrantes nacionais, por dois motivos: para promover 8 SPOT inForma Setembro ‘12 a atividade e divulgação científica nacional e porque atravessamos um período que obriga a alguma contenção económica, à qual não podemos ser alheios. Aqui fica o programa da sessão: Tema: Atualização em Espondilolistesis - Introdução: Dr. Paulo Lourenço; - Fisiopatologia, classificação e imagiologia: Dr. Nuno Neves; - Espondilolistesis da criança, adolescente e de alto grau: Dr. Pedro Fernandes; - Espondilolistesis lítica do adulto: Dr. Paulo Lourenço; - Espondilolistesis degenerativa: Dr. José Vilarinho; - Discussão e conclusões. Para além da organização desta sessão no Congresso, durante o último ano, a Secção da Coluna apoiou diversos eventos científicos e manteve a colaboração com a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, participando no seu IV Congresso Nacional, realizado no Hotel das Termas de Monte Real, de 15 a 17 de março passado. Neste evento muito participado, discutiram-se temas como a mielopatia espondilótica cervical, a deformidade no adulto, as metástases vertebrais, as fraturas toracolombares, entre outros assuntos relevantes.» No dia 18 de outubro, o programa científico do Congresso dá voz às secções que integram a SPOT. Nestas páginas, os seus responsáveis levantam o véu sobre as temáticas em foco, destacam as principais atividades nos últimos 12 meses e adiantam já futuras iniciativas. Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil «A Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil (SEOI) escolheu para o XXXII Congresso da SPOT o tema «Escolioses». Para além do facto de as artrodeses da coluna lombar constituírem o Tema do Congresso, a Secção achou ser oportuno chamar alguns Serviços que no País mais se têm dedicado ao tratamento das escolioses. Estão representados os Serviços de Ortopedia do Hospital Pediátrico de Coimbra, Hospitais de São João e de Santo António, no Porto, e de Santa Maria e Curry Cabral, em Lisboa. A mesa será encerrada com a comunicação do palestrante convidado, o Dr. Ferran Pellisé, do Hospital Vall d’Hebron de Barcelona, que falará sobre «Avaliação de resultados no tratamento cirúrgico da escoliose idiopática do adolescente». Nós últimos 12 meses, a SEOI salienta a realização das seguintes iniciativas: 1 - As XVI Jornadas da SEOI, que decorreram em simultâneo com as III Jornadas de Ortopedia Infantil do Hospital Pedro Hispano, a 17 e 18 de novembro de 2011, em Matosinhos (ver foto). Dos temas discutidos salientam-se a traumatologia desportiva da criança e adolescente, as deformidades dos membros inferiores, as infeções osteoarticulares e a doença de Legg-Calvé-Perthes. 2 - Curso sobre cirurgia ortopédica dos membros inferiores na paralisia cerebral, organizado pelo Serviço de Ortopedia do Hospital Garcia de Orta, em colaboração com o Serviço de Fisiatria do mesmo Hospital, que decorreu nos dias 12 e 13 de dezembro, com repetição a 15 e 16 de dezembro de 2011, ministrado pelo Prof. Paulo Seber, do Royal Children’s Hospital de Melbourne. 3 - As XVII jornadas da SEOI, que decorreram a 11 e 12 de maio de 2012, em Coimbra, e que foram precedidas de um curso sobre «Radiologia em Ortopedia Infantil» dirigido aos vários profissionais que trabalham ou contactam com a Ortopedia Infantil. Os temas centrais foram as doenças da cartilagem de crescimento, as sequelas graves na anca imatura e as próteses de anca em idades precoces. Foto: DR Foto: DR Intervenção do Dr. António Leite da Cunha, diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, na cerimónia de abertura das XVI Jornadas da SEOI Dr. Fernando Carneiro Tem sido também prioridade desta direção a implementação do Registo Nacional das Doenças Displásicas da Anca (DDA). Na última assembleia-geral, no decurso das XVII Jornadas da SEOI, o Dr. Cassiano Neves deu a conhecer a aplicação informática para o registo das DDA que está a ser ultimada para que, provavelmente ainda este ano, possa arrancar. A direção da SEOI reconhece o esforço do Dr. Cassiano Neves e agradece publicamente ao Dr. Rui Pinto por ter desbloqueado alguns entraves que impediam a concretização do projeto. A atual direção, que cessa funções este ano, irá trabalhar com a futura direção no planeamento das atividades para o próximo ano, nomeadamente na realização das XVIII Jornadas da SEOI, na implementação do registo das DDA e na área de formação em Ortopedia Infantil nos internatos, dando sequência ao que foi exposto, em janeiro de 2012, ao Colégio da Especialidade.» Secção do Joelho «N o dia 18 de outubro, das 14h30 às 16h30, o espaço atribuído à Secção do Joelho no Congresso da SPOT será novamente dividido com a Sociedade Portuguesa de Artroscopia e Traumatologia Desportiva [SPAT] e a Sociedade Portuguesa do Joelho [SPJ]. Este ano, as revisões são o tema da sessão, que será dividida em duas mesas: Das 14h30 às 15h10 Mesa 1 – Revisões de ligamentoplastias do ligamento cruzado anterior Moderadores: Drs. Pedro Pessoa e Pereira de Castro. - Exame clínico: Dr. Luís Tomás; - Causas de falência: Dr. Hélder Pereira; - Escolha do enxerto: Dr. Manuel Vieira da Silva; - Cirurgia: Dr. Alcindo Silva; - Reabilitação: Dr. Frederico Varandas. Das 15h10 às 16h30 Mesa 2 – Revisão de artroplastia total do joelho Moderadores: Prof. Fernando Fonseca e Dr. Luís Branco Amaral. - Quando e como?: Dr. Álvaro Machado; - Interlinha e balanço ligamentar: Dr. Alberto Lemos; - Perdas ósseas: Prof. João Gamelas; - Instabilidade: Dr. Joaquim Lebre; - Rigidez: Dr. José Carlos Leitão; - Infeção: Dr. Ricardo Varatojo; - Discussão. Cada vez mais, as pessoas praticam desporto e as ruturas do ligamento cruzado anterior surgem com maior frequência. O aumento das cirurgias primárias por lesões ligamentares conduz ao aumento da taxa de falências e, consequentemente, a um maior número de casos a necessitarem de revisão. No âmbito das artroplastias do joelho, são também cada vez mais os casos que necessitam de revisão por falência da cirurgia primária. Atualmente, a população de doentes Dr. Luís Branco Amaral submetidos a próteses do joelho é incontestavelmente mais jovem e temos de estar preparados para rever estas situações. Além disso, por desgaste dos materiais, entre outras causas, as artroplastias primárias têm uma duração relativamente limitada e necessitarão de revisão, mesmo que tenham sido bem aplicadas. Além do Congresso da SPOT, este ano, a Secção do Joelho esteve envolvida na organização conjunta – com a SPAT e a SPJ – do Congresso do Joelho, decorrido nos dias 22 e 23 de setembro, em Portimão, e está também prevista a participação no 4. º Curso de Cartilagem Articular organizado pelo GECA, nos dias 18 e 19 de novembro próximo.» SPOT inForma Setembro ‘12 9 secções em foco Secção do Ombro e Cotovelo As temáticas subordinadas às «Instabilidades do Ombro e Cotovelo» prenderam a atenção dos especialistas presentes na audiência, no decorrer das VII Jornadas da Secção do Ombro e Cotovelo, que decorreram em maio passado com muito orgulho que, este ano, a Secção do Ombro e Cotovelo tem uma participação ativa no Fórum SICOT (Sociedade Internacional de Cirurgia Ortopédica e de Traumatologia), para além do espaço habitualmente atribuído no Congresso Nacional às secções da SPOT. É, em minha opinião, o corolário da atividade desta e das anteriores coordenações da nossa Secção. No Fórum SICOT, agendado para o dia 19 de outubro, entre as 11h30 e as 13h00, discutiremos as “Fraturas Dr. Carlos Amaral da extremidade superior do úmero”. Haverá lugar à apresentação de quatro casos clínicos, de entre os que até nós chegaram, após solicitação aos hospitais; e terão ainda lugar duas comunicações de fundo sobre os temas: “Porque falha uma osteossíntese” e “Artroplastia como terapêutica de recurso perante uma osteossíntese falhada”. No dia 18 de outubro, entre as 14h30 e as 16h00, no espaço habitualmente dedicado à Secção do Ombro e Cotovelo, faremos um resumo Foto: DR «É das atualizações na terapêutica das instabilidades do ombro. Abordaremos a instabilidade minor, o primeiro episódio, a luxação recidivante, o bristow artroscópico, a instabilidade post e as possibilidades da artroscopia nas recidivas. Privilegiaremos ainda a discussão, reservando-lhe um período de 30 a 40 minutos. Encerraremos, assim, um ano que dedicamos à instabilidade do ombro – como parte de uma estratégia de jornadas monotemáticas. Em março de 2013, em Penafiel, discutiremos a patologia da coifa dos rotadores e apresentaremos os resultados de um estudo multicêntrico sobre as ruturas em doentes com mais de 65 anos.» Secção do Punho e Mão «A reunião da Secção do Punho e Mão no Congresso da SPOT será dedicada ao carpo e coordenada pelo Dr. Frederico Teixeira, do Hospital Curry Cabral, em Lisboa. A escolha recaiu sobre o carpo porque é um tema que nos parece pouco aprofundado pelos ortopedistas e porque, nos últimos anos, houve grandes desenvolvimentos, sobretudo no campo da artroscospia e cirurgia minimamente invasiva, tanto em termos de biomecânica e conhecimentos de fisiologia, em termos de técnicas cirúrgiDr. Fernando Cruz como cas e de abordagens terapêuticas. O tema será abordado por especialistas dos vários centros do País, sendo relevante a participação dos Hospitais da Universidade de Coimbra, que têm estado um pouco afastados da cirurgia da mão, apesar de contarem com um grupo de profissionais com bastante interesse nessa área e que queremos ajudar a motivar. Sessão Magna da CISPOT A O futuro do internato em Ortopedia Comissão de Internos da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (CISPOT), atualmente no sétimo ano de existência, é uma das mais antigas da Europa. Este ano, durante o Congresso Nacional em Vilamoura, às 18h30 do dia 17 de outubro, realiza-se a Sessão Magna da CISPOT, que dará aos presentes as perspetivas de um es- 10 SPOT inForma Setembro ‘12 Ao longo dos últimos 12 meses, a Secção do Punho e Mão esteve representada em diversos eventos, nomeadamente no I Curso de Cirurgia Percutânea da Mão, organizado pelo Hospital de Faro, na pessoa do Dr. João Paulo Sousa; no Curso de Artroplastias do Punho e Mão, realizado no Hospital de Santo António, no Porto, e organizado pelo Dr. César Silva; e nas Jornadas Franco-Lusas de Cirurgia da Mão, cuja organização deveria ter sido conjunta entre a Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Mão (SPOCMA) e a Sociedade Francesa de Cirurgia da Mão (SFCM/GEM), mas acabou por ficar sob responsabilidade de dois membros da Secção do Punho e Mão. No 49.º Congresso da Sociedade Espanhola de Cirurgia e Traumatologia (SECOT), que terá lugar em Málaga, de 3 a 5 de outubro, a nossa Secção estará representada numa mesa-redonda sobre o punho reumatoide. Muito em breve, de 25 a 27 de outubro, em Braga, decorrerá o Curso de Microcirurgia, organizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Minho e pelo Dr. Nuno Sevivas, membro da Secção do Punho e Mão. Para 2013, estamos ainda a estruturar o plano de atividades e uma das iniciativas que queremos levar a cabo é uma reunião conjunta com as secções do Ombro e do Punho e Mão, mas as datas ainda não estão definidas. Nesse encontro, pensamos abrir às empresas que atuam nestas áreas a possibilidade de realizarem cursos teórico-práticos para internos e recém-especialistas.» pecialista sénior e de um recém-especialista sobre o futuro do internato em Ortopedia, aos níveis nacional e europeu. Serão também apresentados os resultados do 1.º Inquérito de Uniformização do Curriculum Vitae (CV) (ver caixa), promovido pela CISPOT e realizado via e-mail entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, ao qual responderam 88 in- ternos de todo o País (a maioria do 6.º ano). Na sequência dos resultados deste inquérito, será posta à discussão a proposta do modelo final do CV de Ortopedia. A CISPOT vai ainda sortear material bibliográfico e o acesso a um Curso AO aos presentes. Por fim, será eleita a próxima Comissão. No mesmo dia, decorre o segundo jantar de internos de Ortopedia. Foto: DR Em março passado decorreu, em Tomar, o 3.º Curso do Pé e Tornozelo da AOTrauma «O tema da reunião da Secção do Pé e Tornozelo, que decorre no dia 18 de outubro, das 11h30 às 13h00, é “O pé diabético – abordagem multidisciplinar”. Trata-se de uma patologia frequente e sobre a qual persiste algum desconhecimento dos problemas que lhe estão associados e a perceção de que, em muitos locais, tem estado a ser tratada de forma menos correta. O pé diabético engloba um conjunto vasto de patologias e complicações – de que são exemplo o pé neuropático, o pé isquémico ou a artropatia de Charcot – que requerem uma perspetiva multidisciplinar, no sentido de otimizar o tratamento. Assim, além da Ortopedia, estarão presentes na reunião especialistas da Cirurgia Vascular, da Endocrinologia e da Medicina Interna. Em muitos casos, infelizmente, a cascata patológica culmina com a amputação do pé. A integração das perspetivas médica, social e humana é também muito importante, porque, além de ver fortemente condicionado o seu bem-estar físico, o indivíduo amputado sofre uma grande carga psicológica e a sua situação económica pode ficar profundamente alterada devido à incapacidade laboral. No que respeita a outras atividades da Secção do Pé e Tornozelo, realizámos Secção do Pé e Tornozelo várias reuniões designadas “Um dia com o pé”, a última das quais em Troia, no dia 23 de junho passado, com discussão de casos clínicos em aberto e o objetivo de os tentar resolver da melhor forma. De 1 a 3 de março, em Tomar, decorreu o terceiro Curso da AOTrauma do Pé e Tornozelo e no dia 21 de janeiro organizámos uma reunião no Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, sobre as lesões osteocondrais do tornozelo. Em 2013, em datas ainda por definir, faremos o Congresso Nacional do Pé e do Tornozelo, onde serão abordadas as Dr. Paulo Felicíssimo temáticas do pé reumatológico e do pé neurológico, e continuaremos a organizar as reuniões “Um dia com o pé”. Temos como prioridade continuar a divulgar o conhecimento da patologia e das técnicas cirúrgicas na área do pé/tornozelo, não só para os especialistas que a ela se dedicam, mas também para outros ortopedistas e junto de outras especialidades, particularmente as que se entrecruzam com a Ortopedia numa abordagem multidisciplinar. De igual modo, fazemos questão de marcar presença em congressos de especialidades como a Reumatologia, a Endocrinologia ou a Medicina Desportiva.» Secção de Tumores do Aparelho Locomotor «A participação da Secção de Tumores do Aparelho Locomotor (STAL) no XXXII Congresso da SPOT versará sobre a patologia tumoral óssea benigna agressiva da criança e do adulto. Será apresentado um estudo multicêntrico levado a cabo pelo Centro Hospitalar do Porto (Hospital Geral de Santo António) e pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (Hospital Pediátrico e Hospitais da Universidade de Coimbra). Aqui fica o programa da sessão, que decorrerá no dia 18 de outubro, entre as 14h30 e as 16h00: - Tumores de células gigantes: Drs. João Oliveira, Inês Balacó, Rúben Fonseca, Gabriel Matos, Pedro Cardoso e Prof. José Casanova; - Condroblastomas: Drs. Pedro Amaral, Marcos Carvalho, Inês Balacó, Pedro Cardoso, Gabriel Matos e Prof. José Casanova; - Osteomas osteoides e osteoblastomas: Dr. Maribel Gomes, José Casanova, Gabriel Matos, Inês Balacó e Pedro Cardoso; - Quistos ósseos aneurismáticos: Dr.ª Sandra Alves, Dr. Ricardo Branco, Inês Balacó, Pedro Cardoso, José Casanova e Gabriel Matos. Cada uma das intervenções terá a duração de 20 minutos, reservando-se 10 minutos para a discussão. A escolha do tema deste ano resultou de propostas apresentadas pelos membros da Secção na última “reunião informal”, realizada no passado dia 14 de abril, em Coimbra. Nestas reuniões informais, temos como objetivo principal a discussão de casos clínicos, trazendo os internos de Ortopedia e todos os ortopedistas interessados a um exercício de aprendizagem salutar e de que todos nós beneficiamos. Reconhecendo a importância do preenchimento dos formulários do RegisDr. Gabriel Matos to Oncológico Nacional de Tumores do Aparelho Locomotor (RONTAL), apelo ao empenho de todos, de forma a termos acesso a uma base de dados nacional num futuro próximo.» Alguns resultados do 1.º Inquérito de Uniformização do Curriculum Vitae - 95,4% dos internos concordam com a uniformização do Curriculum Vitae; - 53,1% concordam divisão de atividade cirúrgica eletiva e de urgência; - 48,6% concordam com a existência de uma introdução; - 54,9% anuem em incluir a descrição de Ortopedia Infantil na Ortopedia e Traumatologia Geral, em vez da inclusão nos estágios parcelares; Em relação à atividade cirúrgica: - 96,9% concordam em incluir tabelas-resumo por área anatómica; - 82,5% concordam em incluir gráficos com casuística; - Apenas 36,5% concordam em incluir as complicações e comorbilidades; - 54% concordam em incluir as cirurgias realizadas em hospitais privados. CISPOT: Dr. Carlos Maia Dias; Dr. João Vide; Dr. José Martins; Dr. Nuno Lança; Dr. Ricardo Gonçalves e Dr.ª Sofia Viçoso. SPOT inForma Setembro ‘12 11 xxxii congresso dia 17 Participação das sociedades congéneres da SPOT Os representantes da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), da SECOT (Sociedade Espanhola de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica), da SOFCOT (Sociedade Francesa de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica) e da AAOT (Associação Argentina de Ortopedia e Traumatologia) adiantam os temas das conferências que vão proferir e que decorrem no dia 17 de outubro. Dr.ª Patrícia Fucs Secretária-geral da SBOT Cirurgia da deformidade grave e inveterada da anca epresentar a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia é uma grande honra, especialmente no Congresso de uma sociedade irmã, como é a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia. Não é a minha primeira viagem para a linda terra dos nossos antepassados. E, em todas as vezes que tive a oportunidade de ir, trouxe comigo doces lembranças e muito bons amigos. As relações de amizade entre as nossas sociedades são fortes e muito caras para ambas. Espero que estejamos sempre juntos para a missão fundamental de congregar os ortopedistas e manter o alto nível da nossa especialidade, mediante a educação continuada e a troca de conhecimentos. Por ser ortopedista pediátrica e ter como principal área de estudo a paralisia cerebral, a minha conferência versará sobre os possíveis procedimentos cirúrgicos no tratamento da deformidade grave e inveterada da anca. Nos estágios iniciais da patologia espástica da anca, não há controvérsias quanto às indicações cirúrgicas, mas, nos casos mais graves e, em especial, nos doentes adolescentes e adultos jovens, ainda há dúvidas sobre qual a melhor indicação terapêutica para cada doente. Neste contexto, vou mostrar a experiência de um grupo de doentes tratados na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.» Provas cinéticas na avaliação da cirurgia do LCA «A minha intervenção no Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia centrar-se-á na apresentação dos resultados de um trabalho realizado pelo grupo que integro, na Universidad San Pablo, em Madrid, cujo objetivo foi estudar um protocolo de avaliação da rutura do ligamento cruzado anterior (LCA), antes e depois da cirurgia, para fazer uma avaliação objetiva. Analisámos 74 doentes, do género masculino, com rutura isolada do LCA ou associada à lesão do menisco antes da cirurgia e aos três, seis e 12 meses após a cirurgia, seguindo um protocolo com provas cinéticas para determinar a evolução do joelho e as provas que identificam melhor a diferença entre ambos os joelhos. O estudo analisou as forças de reação do solo, através de duas plataformas de força, realizando exercícios de marcha e salto. Os dados analisados foram gerais (idade, altura, peso, tempo de cirurgia, tipo de atividade, alinhamento dos membros inferiores, etc.) e os parâmetros cinéticos de cada uma das provas efetuadas, em cada um dos momentos. Encontrámos diferenças durante todo o processo nas forças de salto entre o pé operado e o contralateral. As diferenças não foram observadas nos testes de marcha nem de corrida. O estudo cinético de provas de salto pode ser um dado objetivo para avaliar a evolução de uma cirurgia do LCA.» 12 SPOT inForma Setembro ‘12 Dr. Francisco Forriol Campos Presidente da SECOT Foto: DR Foto: DR «R Navegação e cirurgia da anca Dr. Philippe Merloz Vice-presidente da SOFCOT Foto: DR «S ão utilizadas sete tecnologias principais na cirurgia da anca assistida por computador. Na artroplastia e resurfacing da anca, a imagem isenta do sistema de navegação é utilizada em mais de 90% dos casos. Nas situações de resurfacing da anca, a navegação é útil para aumentar a precisão do posicionamento do componente femoral. A haste personalizada, adaptada à anatomia do fémur, deve ser reservada para casos displásicos severos. No caso da artroplastia total da anca, a navegação é utilizada para melhorar o posicionamento do componente acetabular e reduzir desvios no eixo anatómico (inclinação e anteversão) do componente acetabular, por comparação com a técnica convencional. O desalinhamento do componente colocado no acetábulo continua a ser o grande problema deste tipo de procedimento, sendo que, para aumentar a precisão do posicionamento do componente, ainda temos de definir a posição correta da pélvis/acetábulo em várias atividades quotidianas. Osteotomias periacetabulares, trauma periacetabular e invasão femoroacetabular são procedimentos complexos e que requerem a utilização de um ambiente técnico bastante sofisticado, baseado em imagens de tomografia computadorizada (TC) 3D, reconstrução 3D, planeamento 3D, e templating e/ou navegação 3D. Atualmente, não temos informações de follow-up a longo prazo. A minha conferência versa sobre um trabalho que desenvolvemos no Departamento de Ortopedia e Cirurgia Traumática do Centro Hospitalar e Universitário de Grenoble. O estudo consistiu na análise da utilização da tecnologia CAS (computer aided surgery) na artroplastia total da anca (primária e de revisão), resurfacing da anca, tratamento do impacto femoroacetabular, trauma periacetabular e osteotomias.» Processo evolutivo da inervação do membro superior Foto: DR E ste ano, a Associação Argentina de Ortopedia e Traumatologia (AAOT) estará representada no Congresso da SPOT pelo seu presidente, o Dr. José María Rotella, cuja conferência está agendada para o primeiro dia, 17 de outubro, às 15h00. O especialista revelou ao SPOT inForma que irá apresentar «um estudo de filogenia sobre a evolução da inervação do membro superior», que poderá permitir entender o aparecimento das malformações congénitas e ajudar na sua classificação. A investigação «é baseada em dados da Anatomia comparada, numa perspetiva do “final” do caminho, ou seja, partindo da Anatomia Humana atual», adianta José María Rotella. Assembleia-geral do Colégio de Ortopedia com mais destaque E ste ano, a assembleia-geral do Colégio da Especialidade de Ortopedia da Ordem dos Médicos (CEOOM) realiza-se no primeiro dia do Congresso, 17 de outubro, entre as 18h30 e as 20h30, ganhando, assim, um lugar de maior destaque relativamente aos anos anteriores, em que se realizava ao final da tarde do último dia. «Esperamos que esta alteração contribua para uma maior participação dos ortopedistas na assembleia-geral, invertendo a situação de fraca afluência que se verificou nos últimos congressos», considera o Dr. Paulo Felicíssimo, presidente do CEOOM. Segundo adianta o responsável, entre os principais temas a debater na assembleia-geral esta- rão: «o internato da especialidade; a revisão da tabela de avaliação da especialidade da Ordem dos Médicos, que foi atualizada no ano passado, mas não foi discutida em assembleia-geral devido à fraca participação dos ortopedistas; a recertificação e de que forma os ortopedistas se devem posicionar perante a mesma; a relação entre hospitais públicos e público-privados; a influência que a gestão tem hoje sobre a Medicina e como pode condicionar de forma negativa ou positiva as escolhas dos cirurgiões ao nível, por exemplo, dos diferentes tipos de implantes». Tendo em conta a importância dos temas abordados nas assembleias-gerais do CEOOM, Paulo Felicíssimo apela à participação de todos os ortopedistas na sessão: «Só desta forma as decisões tomadas pelo CEOOM podem ter em conta a opinião da maioria dos médicos da especialidade, contribuindo para melhorar e dignificar a atividade ortopédica em Portugal.». SPOT inForma Setembro ‘12 13 XXXII Congresso Nacional privilegia artrodese lombar e tornozelo degenerativo «Artrodese lombar» e «O tornozelo degenerativo – que opções terapêuticas?» são os assuntos a abordar, respetivamente, no Tema e na Mesa-Redonda do XXXII Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia. Os responsáveis pela sua organização, Prof. José Guimarães Consciência e Dr. Paulo Felicíssimo, e três dos seus convidados, antecipam os principais momentos destas sessões. Prof. José Guimarães Consciência Organizador do Tema Vanessa Pais A frequência e repercussão das artrodeses lombares na qualidade de vida dos doentes e os custos inerentes ao seu tratamento fazem com que este seja um tema incontornável e, por isso, a abordar no Congresso Nacional. Quem o defende é o Prof. José Guimarães Consciência, diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de São Francisco Xavier (HSFX), em Lisboa, e responsável pela organização deste tema, que inaugura, às 9h00 do dia 17 de outubro, os trabalhos do XXXII Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia. «O objetivo é criar um fórum de discussão, sobretudo com os colegas que, não tendo intervenção direta na sessão, fazem parte do conjunto de especialistas que se dedicam ao tratamento da patologia da coluna», sublinha o responsável pela organização do Tema do Congresso. E adianta: «Depois de uma introdução, onde se inclui a apresentação de um caso clínico polémico, serão abordadas as diversas técnicas disponíveis para fazer uma artrodese lombar, e o alinhamento da coluna no plano sagital e coronal.» Do programa da sessão fará ainda parte uma referência à «Medicina baseada na evidência», uma nova discussão global do caso clínico anterior e, naturalmente, do tema apresentado. Guimarães Consciência considera que «esta é uma abordagem fundamental para a avaliação das potencialidades de cada técnica à luz dos resultados clínicos, permitindo, em última análise, uma maior eficácia cirúrgica e, consequentemente, um maior benefício para os doentes». Desafios da patologia degenerativa do tornozelo Ao contrário do assunto do Tema do Congresso, o da Mesa-Redonda (patologia degenerativa do tornozelo) «foi escolhido por ser pouco abordado, em parte, devido à sua menor incidência, se comparado com a patologia do joelho ou da anca, e com o número de casos identificados na Europa do Norte», esclarece o Dr. Paulo Felicíssimo, responsável pela Unidade de Cirurgia Ambulatória de Ortopedia B no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, na Amadora, e pela organização desta sessão. O principal objetivo é, por isso, «divulgar a patologia degenerativa do tornozelo e as soluções terapêuticas disponíveis», adianta o responsável pela organização da Mesa- Redonda, que decorre no último dia de Congresso, 19 de outubro, entre as 9h00 e as 11h00. Por outro lado, «o intuito desta sessão é também discutir as controvérsias ainda existentes em torno da escolha da melhor solução para a patologia do tornozelo». Isto porque a opção terapêutica tem ser feita de acordo com as características do doente. «Os doentes são com frequência jovens, com fraturas da extremidade distal da tíbia ou do astrágalo, que evoluíram para uma patologia do tornozelo. Nestes casos, é preciso optar por soluções menos agressivas, mas que também são menos eficazes», salienta Paulo Felicíssimo. Convidados do Tema… - Dr. José Tavares de Matos, Hospital de São Francisco Xavier (Lisboa): «Indicações»; - Dr. Paulo Costa, Centro Hospitalar do Porto/Hospital Geral de Santo António: «Biomecânica»; - Dr. Vitorino Veludo, Hospital de São João (Porto): «Avaliação imagiológica»; - Dr. António Tirado, Centro Hospitalar de Lisboa Norte/Hospital de Santa Maria: «Seleção do enxerto»; - Prof. Jan Waal Malefijt, St. Elisabeth Ziekenhuis, em Tilburg (Holanda): «Artrodese intersomática» (ver texto na página ao lado); - Dr. Duarte Chopin, Centre d'Etude et de Traitement des Affections du Rachis, Institut Calot, Berck Plage (França): «Artrodese postero-lateral: balanceamento vertebral»; - Prof. Fetullah Cumhur Oner, Universitair Medisch Centrum Utrecht (Holanda): «Anterior approaches in lumbar spine – do we still need them? » (ver texto na página ao lado); - Dr. Ferran Pellisé, Adult Spine Deformity, Tumors and Trauma, Spine Unit, Hospital Vall d'Hebron, Barcelona (Espanha): «Medicina baseada na evidência». 14 SPOT inForma Setembro ‘12 Anterior approaches in lumbar spine – do we still need them? Foto: DR «Spinal surgery has a tremendous development in the last two decades. The main obstacle for the application of basic orthopedic principles to the spinal column has been the surgical-anatomical difficulties. The whole spinal column, but especially the lumbar spine, lies at the center of the body and is very difficult to reach without causing substantial damage to other healthy tissues. The network of nerves coming together in the lumbosacral plexus has been considered a surgical plane, separating the surgical approaches to anterior or posterior. Surgical approaches anterior to this plane through Fetullah Cumhur Oner, MD, PhD retro or transperitoneal ways have been used for a long time to solve problems, especially associated with Universitair Medisch Centrum intervertebral disc degeneration. These surgical apUtrecht, The Netherlands proaches are associated with considerable direct postoperative, but also long-term morbidity. Another problem is the difficulty of stabilizing the vertebral segments, because there is usually not enough space for sturdy orthopedic implants in the retroperitoneal area with complicated anatomy of major blood vessels. With the development of modern spinal instrumentation with pedicle screws, it became much easier to achieve rigid fixation of vertebral segments from posterior approaches. In the last decade, many surgical techniques have been developed using posterior or posterolateral approaches to solve the anterior problems in a single surgery using pedicle screw systems in combination with osteotomies and surgery in the disc space and placement of smart cages from translaminar or transforaminal approaches. Especially with the development of percutaneous and mini-open surgical techniques, lumbar spine surgery has become much less invasive. High-morbidity anterior approaches are used nowadays much less frequently in common degenerative problems, but are reserved for serious conditions like malignant tumors.» Dr. Paulo Felicíssimo Organizador da Mesa-Redonda Lumbar interbody fusion - Dr. Nuno Côrte-Real, Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital Curry Cabral: «Há lugar para o tratamento conservador?»; - Dr. Paulo Amado, Hospital de São Sebastião, Santa Maria da Feira: «Artroscopia, que eficácia?»; - Dr. Marco Cavallo, II Clinic of Orthopaedics and Traumatology, Rizzoli Orthopaedic Institute, Bolonha (Itália): «Bipolar fresh osteochondral allograft of the ankle»; - Dr. Alexej Barg, University Hospital of Basel (Suíça): « Tibial osteotomies: when and how?» e «Ankle arthroplasty: only in the latter case? » (ver textos da página seguinte); - Dr. António Torres, Hospital CUF Porto: «Artrodese do tornozelo – ainda o gold standard?». Foto: DR … e da Mesa-Redonda For more than three decades, lumbar fusion has proven to be an exclusive solution for improving quality of life in patients with low back problems. However, the indication for surgery is crucial in achieving success. Having build up an experience of over 25 years of spinal surgery, together with neurosurgeons, starting with open procedures and evolving to minimal invasive lumbar spine surgery (MISS), some definite conclusions can be drawn. As already mentioned, the exact and specific indication should be made particularly for spine fusions. Operating isolated back pain yields disappointing results. However, backache combined with neurogenic pains, a consistent pattern and localized clinical pathology, corresponding to concurrent abnormalities on radiographic images, offers a great Jan de Waal Malefijt, MD, PhD challenge to relieve the pains by decompression Orthopaedic surgeon and tutor at and stabilization. The open posterior approaches St. Elisabeth Hospital, Tilburg, The for fusion gained some reputation in terms of a Netherlands consistent percentage of failed back syndromes, and so did anterior lumbar fusions due to secondary complications of the surgical approach. Over the years, minimal invasive techniques of spinal surgery, in combination with computer navigation techniques, have evolved towards more predictable results and reduced morbidity of lumbar spine fusions. Pedicle screw-rod systems have proven to yield a good stabilization of lumbar segments and interbody devices have shown to contribute to the fusion (consolidation) process of unstable lumbar segments. The evolution of these techniques will be presented in a unequivocal and accessible way, illustrating the obstacles and unruliness in the amazing field of MISS surgery evolution in the lumbar spine. SPOT inForma Setembro ‘12 15 Tibial osteotomies: when and how? Foto: DR Alexej Barg, MD University Hospital of Basel, Switzerland Foto: DR «More than half of all patients with post-traumatic ankle osteoarthritis present with a malaligned hindfoot. Therefore, supramalleolar osteotomies have gained increasing popularity for the treatment of early and midstage ankle osteoarthritis. The main aims of this procedure are to realign the hindfoot, to transfer the ankle joint under the weight-bearing axis, and to normalize the direction of the force vector of the triceps surae. Contraindications for supramalleolar osteotomies include severe hindfoot instability, vascular and neurological deficiency, neuroarthropathic disorders (e.g. Charcot feet), and altered bone quality. Preoperatively, the clinical examination involves a careful assessment of ankle alignment with the patient standing. Reconstructive surgery of the ankle joint is planned using weight-bearing radiographs, including Saltzman view for assessment of the inframalleolar ankle alignment. Supramalleolar alignment correction in the varus and valgus type arthritis of the ankle joint (asymmetric arthritis) has shown to reduce pain, improve function and radiological signs of arthritis, as well as postpones the need of fusion or joint replacement surgery. However, asymmetric arthritis of the ankle joint in a majority of cases is not only due to a single plane deformity, but may include a complex instability pattern involving the ankle joint, the neighboring joints and the stabilizing surrounding soft tissues.» Male, 51 years old patient, with asymmetric varus osteoarthritis and substantial varus tilting of the talus. Realignment surgery was performed including medial opening wedge osteotomy of the tibia and valgization osteotomy of the calcaneus. Four years after the reconstructive surgery the patient was pain free, without any limitations in his daily activities. Ankle arthroplasty: only in the latter case? One of the requirements for good long-term results is the appropriate position of prosthesis components and physiological osseous balancing of the hindfoot complex. Therefore, the total ankle replacement is not only a «resurfacing procedure» addressing the degenerative changes of the tibiotalar joint, but has become a reconstruction procedure addressing deformities and instabilities. Whereas in patients with mid-stage ankle osteoarthritis joint preserving surgery is the main treatment option, in patients with end-stage ankle osteoarthritis the total ankle replacement has evolved to a valuable treatment. Therefore, ankle fusion is not longer the «gold standard». Foto: DR Total ankle replacement has become a valuable treatment option in patients with end-stage ankle osteoarthritis. Current reports of total ankle replacement consistently show good to excellent mid-term results with significant pain relief, good functional outcomes (including well preserved range of motion), and high patient satisfaction. All etiologies of ankle osteoarthritis are important indications for this procedure. Also patients with bilateral ankle osteoarthritis are good candidates for total ankle replacement. Additional indications include salvage of failed primary arthroplasties and of non-union or mal-union of prior ankle fusion. In more than 60% of all patients with end-stage ankle osteoarthritis a significant varus or valgus malalignment of the hindfoot is observed. Male, 64 years old patient, with end-stage ankle osteoarthritis. Six years after total ankle replacement, the patient is pain free and postoperative radiographs, including Saltzman view, show proper position and osseous integration of both prosthetic components and physiological alignment of hindfoot. 16 SPOT inForma Outubro ‘11 SPOT inForma Setembro ‘12 17 xxxii congresso dia 17 Resultados preliminares do terceiro Relatório Anual apresentados no Congresso A sessão organizada pelo Registo Português de Artroplastias (RPA) tem lugar no primeiro dia de Congresso, 17 de outubro, entre as 17h00 e as 18h00. Nela serão apresentados, em primeira mão, os resultados preliminares do terceiro Relatório Anual do RPA. De acordo com o coordenador Dr. José Costa Ribeiro, ao fim de três anos de funcionamento, «a fase do “quem somos e o que fazemos" está praticamente concluída e o perfil da cirurgia artroplástica em Portugal está caracterizado e conhecido, não só pelas autoridades nacionais de Saúde, como pelas instâncias internacionais». Assim, afiança José Costa Ribeiro, cresceram também as responsabilidades e o acumular de informação recolhida, pelo que, este ano, a redação do Relatório Anual do RPA tornou-se mais complexa e, face à conjuntura, obrigou a uma contenção de custos. O relatório estará, pois, disponível na íntegra até ao final do ano, no site do RPA (www.rpa.spot.pt) e serão impressos apenas alguns exemplares para envio às autoridades de Saúde e administrações hospitalares. Com vista a debater questões práticas, a sessão dedicada a este registo, moderada pelo presidente do Observatório Nacional de Artroplastias, Dr. José Manuel Teixeira, e pelo e vice-presidente do RPA, Dr. Mário Tapadinhas, conta ainda com a participação das Dr.as Raquel Alves, diretora da A sessão dedicada ao RPA no Congresso conta com a discussão de «temas quentes» , entre os quais a polémica em torno do par articular metal-metal Dr. José Costa Ribeiro Unidade de Vigilância de Produtos de Saúde do INFARMED, que irá falar sobre «Rastreabilidade de Implantes e Vigilância do Mercado»; e Rita Cristóvão, coordenadora da UCGIC (Unidade Central de Gestão de Inscritos para Cirurgia)/SIGLIC (Sistema Informático de Gestão da Lista de Inscritos para Cirurgia) da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde), que abordará o tema «Codificação Clínica na Identificação de Procedimentos». «Num ano marcado pelo escândalo dos implantes mamários PIP e pelo desastre anunciado do par articular metal-metal (MoM), a abordagem destes temas é também incontornável», considera o coordenador do RPA. «Tendo em conta as perturbações introduzidas no fluxo de trabalho das instituições, devido aos tempos conturbados que vivemos, que frequentemente se traduzem em desmotivação, é de salientar a elevada taxa de registo que se continua a verificar. A quantidade de registos é, sem dúvida, encorajadora e demonstrativa da importância do RPA para a Ortopedia portuguesa», sublinha, com satisfação, José Costa Ribeiro. Vanessa Pais Intervir na artrose da mão E Foto: Thinkstock Década do Osso e da Articulação 18 18 SPOT inForma Setembro Outubro‘12 ‘11 ste ano, a sessão dedicada à Década do Osso e da Articulação, que tem lugar no primeiro dia do Congresso, 17 de outubro, às 17h00, é organizada pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR). O tema a abordar será «Artrose da mão: como intervir?». De acordo com a presidente da SPR, Dr.ª Viviana Tavares, «a artrose da mão, ao contrário de outras localizações da osteoartrose, como a anca ou o joelho, é, por vezes, “negligenciada” e considerada uma situação menos importante». No entanto, sublinha a presidente da SPR, «esta é uma patologia muito frequente e potencialmente muito incapacitante para o doente, particularmente quando existe envolvimento das interfalangicas proximais, rizartrose do polegar ou osteoartrose erosiva». Assim, a Dr.ª Margarida Cruz, responsável pelo Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar Oeste Norte/Caldas da Rainha, abordará a epidemiologia e a fisiopatologia da artrose da mão; o Dr. Pedro Figueiredo, fisiatra também nos HUC, falará da terapêutica médica e fisiátrica; e, por último, o papel da cirurgia ortopédica nesta patologia será abordado pelo Dr. José Carlos Botelheiro, ortopedista no Hospital de Sant’Ana, em Lisboa. No final da sessão, Viviana Tavares espera que se conclua que «há intervenções válidas para a osteoartrose, nas quais importa apostar, já que podem melhorar a qualidade de vida dos doentes». Já em relação ao trabalho desenvolvido pela Década do Osso e da Articulação, que começou em 2000 e foi prolongada em 2010, sob o lema «Keep People Moving», a presidente da SPR destaca como marcos a implementação do Programa Nacional Contra as Doenças Reumáticas (desde 2004) e a concretização de várias iniciativas estratégicas para atingir os objetivos principais deste Programa (controlar a morbilidade, a mortalidade e os custos associados às doenças reumáticas; melhorar a qualidade de vida do doente). Vanessa Pais Dr.ª Viviana Tavares dia 18 xxxii congresso «Future advances will focus on biological solutions rather than just mechanical treatments» Foto: DR Dr. James D. Heckman is coming to the XXXII Portuguese Congress of Orthopaedics and Traumatology to share his knowledge in the scientific publication area. As he states in the following interview, the recipe to a successful scientific publication is «a careful preparation of the manuscript, combined with perseverance». On October 18th, James Heckman’s conference starts at 5 pm. James D. Heckman, MD Editor emeritus of the American Volume of The Journal of Bone and Joint Surgery Vanessa Pais What will be the key message that you pretend to leave to the audience? I think that the key message is that a careful preparation of a scientific manuscript, combined with perseverance will usually result in a successful publication. What are the main challenges of being the main editor of a book like the one that you will present at the Congress, that is available online and therefore allows content updates? The main challenge is working with the contributing authors to produce an up to date, useful and well written manuscript in a timely fashion. Is this book more directed to younger orthopedists? Yes. Younger orthopedists are more familiar with electronic media. So, they will use an e-book more often than the older orthopedists. Despite being the first time that you will be in Portugal, have you a formed idea about the Ten years at The Journal of Bone and Joint Surgery Foto: DR Your participation in the Portuguese Society of Orthopaedics and Traumatology [SPOT in the Portuguese acronym] annual meeting will have two moments: a conference and the presentation of a book, of which you are the main editor. What subject will you bring to the conference? At the conference «How to present a scientific article» we will discuss ways for scientists to successfully publish their papers in medical journals. Dr. James D. Heckman was editor in chief of The Journal of Bone and Joint Surgery (JBJS) during ten years. After having passed the testimony, in 2010, Heckman published, in November 2011, in The American Journal of Orthopedics, an article about his experience. «Ten Years at JBJS: Lessons Learned» is available on www.amjorthopedics.com/PDF/040110558.pdf. level of our orthopedists and SPOT’s work? Well, I think that Portugal has a very sophisticated Orthopaedic Society and its members are providing high level care of musculoskeletal conditions. How do you describe your experience as editor in chief and chief executive officer of the American Volume of The Journal of Bone and Joint Surgery? It was a very challenging but very interesting experience as we transformed a purely paper publication into a fully electronic communication. The conversion of such components, manuscript processing and editing from paper to electronic was quite a challenge. What do you think about the ongoing investigation in the Orthopedics and Traumatology area? Tremendous advances are being made in this area and future advances will focus on biological solutions rather than just mechanical treatments. And what do you highlight about the medical education and training that is currently provided to the residents and young surgeons? In the USA and Europe both, the constraint of available hours for training each week create serious problems for young surgeons to learn effectively. What are your expectations about the Portuguese meeting? I’m looking forward to learn more about the country, the people, and the practice of orthopedic surgery in Portugal SPOT inForma Setembro ‘12 19 xxxii congresso dia 18 Fórum EFORT Joelho degenerativo – desafio terapêutico em doentes jovens e ativos Dr. José Filipe Salreta No dia 18 de outubro, entre as 9h00 e as 11h00, decorre o Fórum da European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology (EFORT), dedicado ao tema «Degenerative Knee. Facing the challenge with young and active patient». O Fórum conta com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros e constitui um dos pontos altos do Congresso. Chair do Fórum EFORT Tiago Mota P Dr. Manuel Cassiano Neves Vice-presidente da EFORT PUB. 20 SPOT inForma Setembro ‘12 resente na mesa do Fórum, na qualidade de vice-presidente da EFORT, estará o Dr. Manuel Cassiano Neves, que lembra que «o estabelecimento de uma plataforma científica e educacional onde todas as sociedades nacionais se revejam é o objetivo da EFORT». Este responsável sublinha que a «homogeneização dos currículos de formação, de forma a garantir um nível de educação semelhante, mas, ao mesmo tempo, adaptado às especificidades de cada País é uma das prioridades da EFORT». Como chair do Fórum, ao Dr. José Filipe Salreta, coordenador da Unidade de Artroscopia e Joelho do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, caberá ministrar a palestra introdutória sobre o tema «Perfil e expetativas – opções terapêuticas». Estima-se que a artrose afete cerca de metade da população mundial em algum momento da vida, manifestando-se por dor e incapacidade funcional. Segundo o especialista, o aumento da atividade física e o crescimento demográfico verificado na chamada geração baby-boom, no pós-Segunda Guerra Mundial, colocam à Ortopedia dois tipos de problemas: «Por um lado, o aumento exponencial de lesões traumáticas do joelho e consequentes lesões degenerativas; por outro, o aumento do grau de exigência destes Dr. Gonçalo Moraes Sarmento No biénio 2011-2012, os Drs. Gonçalo Moraes Sarmento, do Hospital de Sant’Ana, na Parede, e Afonso Ruano, diretor do Serviço de Ortopedia da Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros, foram os delegados da SPOT na European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology. No Congresso da EFORT, decorrido entre 22 e 25 de maio de 2012, em Berlim, os delegados nacionais procuraram conciliar os interesses e dificuldades da SPOT, fazendo eco da realidade portuguesa na Europa. Simultaneamente, procuraram – através da Federação – fundar parcerias, garantir patrocínios e formalizar candidaturas a bolsas, prémios, lectures e fóruns. O apoio ao candidato português à presidência da EFORT – o Dr. Manuel Cassiano Neves – foi também o foco da atividade dos delegados nacionais. Foto: DR Contributos dos delegados portugueses na EFORT Dr. Afonso Ruano Preoperative planning of osteotomies around the knee Foto: DR doentes, particularmente quanto ao regresso à prática desportiva, em alguns casos, a desportos de alto impacto.» O desafio coloca-se, justamente, em «encontrar o tratamento cirúrgico mais adequado a cada caso, tendo em conta a gravidade das lesões articulares degenerativas, mas também as expetativas de cada doente», sublinha José Filipe Salreta. Deste modo, cada interveniente convidado do Fórum EFORT abordará uma indicação cirúrgica diferente. O Dr. Ricardo Varatojo, ortopedista no Hospital Cuf Descobertas, em Lisboa, falará sobre o tratamento da artrose por artroscopia. Este método de tratamento cirúrgico não invasivo, por si só, «tem um alcance terapêutico muito limitado, mas poderá ter um papel muito importante como coadjuvante de outras opções cirúrgicas, nomeadamente os enxertos osteocondrais, o transplante de condrócitos, os transplantes meniscais ou em microfraturas do defeito cartilagíneo». O Prof. Ronald van Heerwaarden, diretor da Limb Deformity Reconstruction Unit, Sint Maartenskliniek, na Holanda, vai falar sobre os benefícios reais das osteotomias proximais da tíbia, desde que sejam salvaguardadas as indicações precisas e executadas de modo correto. «Ao contrário do que sucedia no passado (resultados irregulares), o correto alinhamento axial do membro inferior, feito com critério e com osteossíntese rígida e fiável, pode fornecer resultados uniformes e encorajadores, permitindo ganhar tempo ou mesmo substituir a colocação de prótese total do joelho», indica José Filipe Salreta. As próteses unicondilianas estão a ser cada vez mais utilizadas em indivíduos jovens e ativos, sendo os resultados «mais satisfatórios e a taxa de revisão sobreponível em relação às próteses totais do joelho», refere o chair do Fórum EFORT. Este tema estará a cargo do Dr. Andrew Porteous, ortopedista no Spire Bristol Hospital, no Reino Unido. Finalmente, o Dr. Luís Amaral, diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e coordenador da Secção do Joelho da SPOT, abordará o tema «Próteses totais do joelho de alta performance». Este é, nas palavras de José Filipe Salreta, «o sonho de qualquer cirurgião do joelho: executar uma prótese total do joelho para que este adquira uma mobilidade normal e uma função praticamente igual à do joelho nativo, de modo a permitir ao doente um regresso ao desporto e a um nível igual àquele que tinha antes da doença degenerativa do joelho». O chair do Fórum EFORT espera que «a assistência fique com uma perspetiva tão completa quanto possível de todas as opções cirúrgicas atualmente disponíveis para o tratamento do joelho degenerativo, de modo a que cada doente, cada estádio da doença e cada situação clínica tenha o tratamento mais adequado». Ronald van Heerwaarden, MD, PhD At the European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology Forum, Ronald van Heerwaarden, MD, PhD, is the invited speaker in a short lecture on planning osteotomies around the knee. Doctor van Heerwaarden is a well-known specialist from The Netherlands, where he is the head of the Limb Deformity Reconstruction Unit of the Sint Maartenskliniek. In his own words, here is a summary of what to expect from his lecture: «It cannot be stressed enough that before osteotomies around the knee are performed, a good preoperative planning of deformity correction is of outmost importance. Major mistakes are still made because of improper deformity analysis and inaccurate planning, even in simple valgus high tibial osteotomies for the most common patient group with varus medial compartment osteoarthritis. In my lecture I will explain the key factors for preoperative planning and which mistakes cause improper planning. Insight in the different steps required to make a surgical plan, of which planning is only one of the steps, will give the doctors who perform osteotomies around the knee the necessary tools to prevent complications. New techniques and scientific work have caused a global re-appreciation of this important surgical procedure – which deserves a more prominent place in everyday orthopaedic practice.» SPOT inForma Setembro ‘12 21 xxxii congresso dia 19 Reconhecimento da Fisioterapia no Congresso da SPOT Opinião dos membros da comissão organizadora das Jornadas de Fisioterapia P ela primeira vez no Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia terão lugar as Jornadas de Fisioterapia com patrocínio científico da SPOT (no dia 19 de outubro, entre as 14h30 e as 18h30). Este encontro vem demonstrar o reconhecimento do trabalho do fisioterapeuta, há muitos anos integrado na equipa ortopédica, a mais-valia da Fisioterapia no contexto dessa equipa e a cada vez maior importância da partilha pluridisciplinar de experiências e conhecimentos. A abertura à participação dos fisioterapeutas num Congresso de especialidade médica, numa valência tão relevante para nós como é a Ortopedia, representa um marco importante – pelo reconhecimento técnico-científico que hoje apresenta a nossa profissão, bem como do nosso papel na equipa multidisciplinar. Do programa que propomos para estas Jornadas salientamos a preocupação pela apresentação de trabalhos de reconhecido valor académico e que representam a nossa prática diária no contexto da Fisioterapia Ortopédica. Optámos por um programa que esperamos seja do vosso agrado, sobre as seguintes temáticas: - Coluna, lombalgia crónica; - Tornozelo e pé; - Dinâmica das disfunções do complexo articular do ombro (CAO); - Comunicações livres. Olímpio Gouveia Pereira Estas intervenções entrecruzam-se com as preleções dos ortopedistas. Apenas desejamos que o nosso grande objetivo para estas Jornadas seja alcançado: contribuir para uma efetiva partilha multidisciplinar, para o reconhecimento profissional do fisioterapeuta e para a melhoria das suas competências nestas áreas específicas, resultando em mais e melhores cuidados aos doentes. José Pedro Marques O Foto: Celestino Santos «Dia de Enfermagem da AEPOT» integra-se no último dia do Congresso, 19 de outubro, sendo organizado pela Associação dos Enfermeiros Portugueses de Ortopedia e Traumatologia. «Debater a sistematização das ações de Enfermagem nas patologias lombares, do pé e do tornozelo» é o principal objetivo deste ano, como assinala a enfermeira Rosário Louzada, presidente da AEPOT, destacando a conferência subordinada Enfermeira Rosário Louzada Presidente da AEPOT 22 SPOT inForma Setembro ‘12 ao tema «Criatividade, inovação e empreendedorismo na reabilitação», que será proferida pelo enfermeiro Pedro Parreira, professor na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. À semelhança do que já acontece em outros países europeus, o Dia da Enfermagem está integrado no Congresso Nacional de Ortopedia, «o que contribui para o reforço do binómio médico/enfermeiro no que respeita à complementaridade do seu exercício profissional», comenta Rosário Louzada. Além disso, desde 2011 que a AEPOT colabora na organização do Nurse Day, que acontece também em simultâneo com o Congresso anual da EFORT. «A implementação de padrões de qualidade cada vez mais exigentes, as competências pedidas ao enfermeiro que presta cuidados no âmbito da Ortopedia e Traumatologia e ainda a constatação do reduzido desenvolvimento dos conteúdos relativos às patologias/lesões e respetivos cuidados neste campo de intervenção nos planos curriculares das licenciaturas em Enfermagem justificam que a AEPOT tenha pen- Foto: Thinkstock Atuação da Enfermagem nas patologias lombares, do pé e do tornozelo sado organizar uma pós-graduação nesta área, cumprindo assim um dos seus objetivos primeiros», anuncia Rosário Louzada. O objetivo da AEPOT é que, em 2013, se realize o I Curso de Pós-graduação em Enfermagem de Ortopedia e Traumatologia, que decorrerá na Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, em Lisboa. «Será um curso teóricoprático, com uma carga horária de 750 horas, 300 das quais serão teóricas, e iniciaremos a sua divulgação em outubro próximo. Em princípio, as inscrições deverão estar abertas antes do final de 2012», avança a presidente da AEPOT. Tiago Mota FO «We have numerous therapeutic options but none is universal and perfect» N D ÉE 92 9 SICOT Forum À PA R IS LE 10 E1 BR TO OC Tiago Mota ject and it was an excellent idea. It is a frequent and mostly a very complicated injury. We have numerous therapeutic options but none is universal and perfect. Foto: DR From the physician/surgeon point of view, what are today`s main challenges in diagnosing and developing a treatment plan for patients with proximal humeral fractures? The general availability of x-ray and computer tomography devices makes the diagnostics relatively easy. It starts to be difficult if we aim at an anatomic reduction and full recovery. Complicated anatomy, poor bone quality and multifragmentary fractures make the treatment a real challenge. Andrzej Bohatyrewicz, MD, PhD Vice-president for Europe of the International Society of Orthopaedic Surgery and Traumatology (SICOT, in the French original acronym) A ndrzej Bohatyrewicz is attending the XXXIII SPOT National Congress and we could not miss the chance to interview him – to give you his thoughts on the proximal humeral fractures treating challenges, economic impact and also on other controversies. The SICOT Forum is taking place on October 19th, from 11.30 am to 1 pm. For SICOT, what is the importance of establishing a closer communication with national Orthopaedic and Traumatology societies, such as SPOT? First, please allow me to express in my name and on behalf of SICOT, the satisfaction for the invitation coming from the Portuguese Society of Orthopaedic and Traumatology to join its Congress. SICOT is already 83 years old and was created in order to contribute to a more rapid progress and a wider spreading of Orthopaedic knowledge. Coming together with national Orthopaedic societies and surgeons from all over the world is the absolute priority for SICOT and a long-lasting tradition. Therefore, we are very happy for the closer communication that will be developed with such a prestigious Orthopaedic Society like SPOT. What are the most common reasons for osteosynthesis failure on proximal humeral fractures? The result of operative treatment of proximal humeral fracture depends u pon fracture type, energy absorbed, treatment chosen (method, implant), experience of the orthopaedic surgeon, subsequent rehabilitation, patients general status and involvement in therapeutic process. Imperfection in any of the above listed factors may be enough for osteosynthesis failure. What is the economic impact of proximal humeral fractures both to society and the national health care services? The economic impact of these fractures to society and to national health care services is never to be underestimated. The proximal humeral fracture belongs to the group of osteoporotic fractures and the frequency of its occurrence is consistently increasing. Besides, these fractures are difficult to treat successfully, which makes them and even greater economic issue. As the population tends to age, what can be done to prevent these fractures from occurring and invert its incidence increase? I do not believe we will manage to reduce the number of new fractures because the popula- tion will get older and older. What we orthopaedic surgeons aspire is to retain physical fitness in older age, to avoid falling and bone breaking. Numerous researchers are working on new efficient and price-acceptable therapy regimes against osteoporosis. The MoM controversy What is your opinion on the development of fixation methods and prosthesis? Do you think the supplying companies are meeting patients and surgeon’s needs? There is a never-ending improvement process but – still – preservation of the own bone is mostly better than all joint implants. The complexity of construction and function of humeroscapular joint makes it very difficult to replace it with wellfunctioning endoprosthesis. On the other hand, suppliers are always very open to our problems and needs and we will keep working together on prosthesis improvement. What is your personal view on the recent discussion around metal-on-metal (MoM) hip implants? There are many concerns by clinicians and patients about MoM hip implants rising. What we need is the rigorous clinical and statistical analysis and it has not been conducted yet. Personally, based on my subjective knowledge I have decided not to implant MoM hip implants. The «Combined 33rd SICOT & 17th PAOA Orthopaedic World Conference» is taking place next November 28-30, in Dubai/United Arab Emirates. Do you wish to leave some inviting words to the Portuguese specialists? Portuguese Orthopaedic surgeons have a long tradition of being leaders and developers of Orthopaedic Surgery. Portuguese people are friendly and outgoing so we are sure that Portugal will have its impressive representation and will work for progress in Orthopaedics and Traumatology as we all in SICOT do. Foto: Thinkstock What is the reason for choosing proximal humeral fractures as the theme for the SICOT Forum in the SPOT Congress? Prof. Guimarães Consciência, the Portuguese SICOT national delegate has proposed that sub- SPOT inForma Setembro ‘12 23 congresso de 2011 flashback Recordar o XXXI Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia Passou um ano, mas o SPOT inForma não deixou «passar em branco» os principais momentos do XXXI Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, que decorreu de 19 a 21 de outubro de 2011, no Centro de Congressos do Estoril. Veja ou reveja… Vanessa Pais 1 2 3 4 1 «Cinquenta anos de Saúde em Portugal» foi o tema que levou o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa ao XXXI Congresso da SPOT, a título de convidado da direção. A conferência decorreu no primeiro dia do evento, 19 de outubro. 2 O presidente de honra foi, pela primeira vez, um ortopedista estrangeiro, o Prof. José Sérgio Franco, do Brasil, fazendo jus às boas relações entre a SPOT e a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). A conferência que proferiu versou sobre «Complicações em fratura proximal do úmero». 3 O Dr. Christian Krettek, da Alemanha, foi o outro convidado da direção e, nessa qualidade, proferiu a conferênia «Damage control in OrthoTraumatology». 4, 5 e 6 Os Drs. Antonio Murcia Mazón (Espanha, foto 4), Miguel Cabanela (EUA, foto 5), Jean Puget (França, foto 6), Darko Anticevic (Croácia), Johannes Holz (Alemanha), Maurilio Marcacci (Itália), Philippe Beaufils (França) e Reinhold Ganz (Suíça) e os Profs. Lars Engebretsen (Noruega) e Alain Masquelet (França) foram outros palestrantes internacionais que marcaram presença no Congresso. 7 8 7 e 8 A representar as sociedades «amigas» da SPOT estiveram os Drs. Bernard Moyen (SOFCOT), Francisco Forriol Campos (SECOT), Hernán del Sel (AAOT, foto 7), e Osvandré Lech (SBOT, foto 8). 9 Entre outros prémios e distinções atribuídos durante o jantar do Congresso, o título de «Membro Honorário da SPOT» foi entregue pelo Dr. Roxo Neves (presidente da SPOT em 2011 - na foto, quarto a contar da esq.) ao Prof. José Sérgio Franco (do Brasil), ao Dr. Miguel Cabanela (dos EUA), ao Dr. Manuel Leão (presidente da SPOT em 2010), ao Prof. Jacinto Monteiro (presidente da SPOT em 2008) e ao Dr. José Neves (presidente da SPOT em 2009) - na foto da esq. para a dta. 10 O XXXI Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia contou com o apoio de 41 empresas da indústria farmacêutica e de equipamentos. 11 Como é tradição, o Dr. Rui Pinto, atual presidente da direção da SPOT, recebeu «o testemunho» das mãos do presidente na altura, Dr. José Roxo Neves, durante a cerimónia de entrega de prémios e bolsas da SPOT. 24 SPOT inForma Setembro ‘12 5 6 9 10 11 Voz da SPOT Iniciativas e prioridades da atual direção da SPOT Em entrevista, os Drs. Rui Pinto (à dta.) e Pedro Fernandes (à esq.), respetivamente presidente e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), analisam o mandato da atual direção. O Congresso Nacional, a Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, as relações institucionais e a intervenção na tomada de decisões para a especialidade são algumas das prioridades destacadas. Vanessa Pais Quais os pilares estratégicos da atual direção, que tomou posse em março de 2012? Dr. Pedro Fernandes (PF): O mandato anual não permite grandes alterações na estratégia delineada pelas direções anteriores, mas uma estratégia de continuidade. A organização do Congresso Nacional ocupou grande parte da nossa atividade até agora. Contudo, salientamos o apoio à Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (RPOT), como garante da divulgação da produção científica da SPOT. Dr. Rui Pinto (RP): A representação da SPOT nos congressos das sociedades Francesa, Espanhola, Argentina, Brasileira e Angolana de Ortopedia é uma aposta forte desta direção [ver mais informação na caixa]. A edição e distribuição aos ortopedistas do livro Crónica da Sexta Década da SPOT e a interação com a sociedade civil através dos meios de comunicação social são também desígnios desta direção. Nesse sentido, estamos a implementar a cam- panha «Vida em movimento», em parceria com a APORMED [Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos]. Que objetivos já foram cumpridos? RP: Conseguimos, até ao momento, uma diminuição nos custos das diferentes publicações da SPOT, bem como na realização do Congresso Nacional. Representámos a SPOT no primeiro Congresso da Sociedade Angolana de Ortopedia e Traumatologia (SAOT), realizado em Luanda, no passado mês de junho, estreitando desta forma os laços entre as duas sociedades e convidando o presidente da SAOT para estar presente no nosso Congresso. Este ano, a SPOT é convidada das Sociedades Espanhola e Brasileira de Ortopedia e Traumatologia nos seus congressos, com responsabilidades acrescidas, pois, além das conferências do presidente, haverá um tempo para realização de mesas-redondas com temas portugueses. Por cá, já estabelecemos protocolos de colaboração com a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e com a Sociedade Portuguesa de Reumatologia. A RPOT já tem o seu site em funcionamento (www.repot.pt). Neste processo, queria realçar a Representações institucionais da SPOT A nível nacional e internacional, são muitos os convites para que os membros da direção da SPOT se façam representar em eventos científicos. Eis alguns dos que já contaram/contarão com essa presença este ano: - IV Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral. Termas de Monte Real, 15 a 17 de março; - XI Congresso Nacional de Radiologia. Hotel Tivoli Marina, Vilamoura, 9 a 12 de maio; - Congresso da European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology (EFORT). Berlim, Alemanha, 23 a 25 de maio; - 4.º Congresso da Sociedade Ortopédica de Língua Portuguesa (SOLP). Luanda, Angola, 14 a 16 de junho; - Congresso da Sociedad Española de Cirugía Ortopédica y Traumatología (SECOT). Málaga, Espanha, 3 a 5 de outubro; - Congresso da Société Française de Chirurgie Orthopédique et Traumatologique (SOFCOT). Paris, França, 12 a 15 de novembro; - Congresso da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Salvador da Baía, Brasil. 15 a 17 de novembro; - Congresso da Asociación Argentina de Ortopedia y Traumatología (AAOT). Buenos Aires, Argentina, 2 a 5 de dezembro. importância do trabalho desenvolvido pelo Dr. Paulo Lourenço, a sua dedicação e entusiasmo ao serviço da Ortopedia nacional. Foi também uma prioridade implementar o Registo Nacional de Displasia da Anca, um dos objetivos da Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil. O regulamento eleitoral da SPOT também já está elaborado e encontra-se pronto para discussão e posterior aprovação. Na área da formação, temos programados dois cursos. Um dirigido aos internos, sobre como escrever artigos científicos e preparar comunicações orais. O outro, dirigido aos diretores de Serviço, sobre liderança. PF: Dada a necessidade de marcar uma posição perante os decisores do Serviço Nacional de Saúde, a SPOT, seguindo o êxito exemplar do Registo Português de Artroplastias, criou uma Comissão de Boas Práticas Clínicas em Ortopedia, para que possamos defender as nossas opiniões em temas tão essenciais como a escolha de um determinado implante ou a solicitação de um exame para o nosso doente. Que preocupações tiveram na organização do Congresso deste ano? PF: Uma das principais preocupações foi devolver às comunicações livres um lugar de destaque, enviando uma mensagem clara aos internos e jovens ortopedistas sobre a necessidade de dedicarem algum tempo da sua atividade clínica à investigação. A segunda preocupação foi garantir o máximo de participação nas salas. Que novidades foram introduzidas? PF: A grande novidade será o tempo concedido a cada comunicação livre e a sua forma de apresentação. Cada autor terá apenas cinco minutos e as comunicações serão apresentadas em grupos de quatro, seguindo-se a discussão. Ao conseguirmos distribuir as comunicações por temas, técnicas, diagnósticos e grupos etários, pensamos ter conseguido criar condições para atrair a atenção e estimular a discussão. SPOT inForma Setembro ‘12 25 ossos de vida Dr. Alarcão e Silva Presidente da SPOT no biénio 1991-1992 Um ortopedista com quase 60 anos de carreira Sócio número 77 da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), o Dr. Alarcão e Silva tornou-se presidente em 1991. Estivemos à conversa com este ortopedista de Coimbra, que tem um gosto especial pela traumatologia e, aos 85 anos, diz que a sua vitalidade tem três segredos. Continuar a dar consultas é um deles… Ana João Fernandes F oi na cidade de Coimbra que o Dr. Alarcão e Silva, presidente da SPOT no biénio de 1991- -1992 e ex-chefe de serviço da Ortopedia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde entrou em 1954 e de onde saiu em 1998, sempre fez o seu percurso de vida. A cidade dos estudantes apenas foi momentaneamente preterida por outras urbes europeias, nomeadamente Inglaterra, Alemanha e Suíça, quando se tratou da realização de estágios para aprimorar a técnica cirúrgica. «Na altura [finais de 1950 e década de 1960], era necessário que, do ponto de vista formativo, os especialistas se deslocassem ao estrangeiro, porque a Ortopedia em Portugal ainda era incipiente», justifica Alarcão e Silva, que falou connosco entre consultas na Casa de Saúde «Coimbra» (onde sempre trabalhou em paralelo com a carreira hospitalar), pois os seus respeitáveis 85 anos não o têm demovido de continuar no ativo. Quando lhe perguntámos qual o segredo da sua vitalidade, Alarcão e Silva, com um sorriso, respondeu: «Costumo dizer que são três: primeiro, sempre gostei de trabalhar e fi-lo com empenho; segundo, encarar o relacionamento com os outros, incluindo instituições, sempre que possível, sem conflitos; no decurso da nossa conversa, com a perspicácia das senhoras, talvez encontre mais alíneas para o segredo que falta.» Mas outras revelações e comentários o ortopedista octogenário haveria de fazer. Sobre os anos em que esteve nos corpos gerentes da SPOT (sendo um dos fundadores e seu sócio n.º 77), não só como presidente em 1991/92, mas também como vice-presidente no biénio imediatamente anterior, e como presidente da Assembleia-Geral nos anos de 1981/82, afirma: «O ambiente era mais restrito (éramos poucos), mais familiar, com reuniões mais informais. » No início da carreira de ortopedista de Alarcão e Silva, o tema que predominava era o trata- 26 SPOT inForma Setembro ‘12 mento de fraturas. Da abordagem conservadora da patologia locomotora passou-se para uma evolução rápida e interventiva, percebendo-se hoje o começo de uma aterragem que é reflexo do intervencionismo, nem sempre devidamente ponderado». reflete o ortopedista. E acrescenta: «Em Portugal, assiste-se , por exemplo, a um esforço notável para desenvolver a Ortopedia infantil, área de relevante importância, especialmente entre os colegas do Norte.» Assiste-se também, observa Alarcão e Silva, «ao ultrapassar de situações de limitação articular, com as próteses de que toda a gente fala». E acrecenta: «A cirurgia da coluna vertebral traumática passou a aser encarada e tratada de modo radicalmente diferente. Considero que, quanto maior for a fragmentação em subespecialidades e o ensino universitário com base em diapositivos, mais se perde a essência do ser médico, mais se corre o risco de esquecer o doente, hoje politicamente utente.» Recordações do mandato Sobre os anos de 1991/92, em específico, há vários acontecimentos que saltam à memória do ortopedista. «Em maio de 1991, decorreu o XIX Congresso Luso-Espanhol de Ortopedia e Traumatologia, no Algarve, mas nós terminámos, com mútuo acordo, esse tipo de encontros ibéricos, até porque a EFORT [Federação Europeia das Associações Nacionais de Ortopedia e Traumatologia] foi criada nos quatro anos da minha vicepresidência e presidência da SPOT, o que me obrigou a deslocações frequentes ao estrangeiro. A EFORT passava então a reunir com periodicidade toda a Ortopedia europeia. O seu primeiro congresso, de cuja organização fiz parte, em Paris, decorreu em novembro de 1993», lembra. Outro feito que Alarcão e Silva recorda foi a criação do boletim da SPOT, «para compensar o atraso na publicação dos números da Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, que impedia os sócios de receberem em tempo útil notícias sobre reuniões científicas e factos relacionados com a Sociedade». «No fundo, foi um projeto precursor do SPOT inForma», salienta o ortopedista. Atualmente, Alarcão e Silva, que foi agraciado com uma medalha pela Ordem dos Médicos em 2000, viu-lhe conferido, em outubro de 2006, o título de membro honorário da SPOT. «Apesar de me manter no ativo não tenho, por razões várias, frequentado os congressos, mas os colegas mais novos, sobretudo estes, permitem-me que, fora dos seus ocasionais deslumbramentos, lhes chame a atenção para o facto de que uma coisa é fazer cirurgia, outra é a prática de clínica cirúrgica. Estes encontros são um momento de reflexão», conclui Alarcão e Silva. O terceiro segredo… Diz que não revela aquele a que chama «o terceiro segredo» da vitalidade que conserva aos 85 anos, mas a verdade é que Alarcão e Silva vai dando umas pistas: «Tenho três filhos, uma mulher que me apoia e é bonita [risos], sete netos, numa palavra, tenho estabilidade. Gostei da vida hospitalar, que cheguei a viver com paixão. No início, e durante muitos anos, foi longa a minha permanência no hospital. Custou-me abandonar essa rotina quando me reformei e, por isso, continuo a trabalhar. Entretenho-me com alguma leitura, de momento ando muito virado para biografias e literatura socioeconómica. Pratiquei alguma atividade semidesportiva, como natação, que ainda hoje pratico, e equitação, durante uns anos, na paisagem tranquilizadora do campo e do mar, em Viana do Castelo e Ofir.» SPOT inForma Setembro ‘12 27 28 SPOT inForma Setembro ‘12