Setembro’12 | N.º 9
VOZ
DA SPOT
Distribuição gratuita aos sócios e
no XXXII Congresso da SPOT
SPOT
Em entrevista, os Drs. Rui
Pinto e Pedro Fernandes
falam sobre as prioridades e iniciativas da atual
direção, que iniciou o seu
mandato em março deste
ano. Pág.25
Jornal da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
www.spot.pt
Controvérsias
e desafios da
artrodese lombar
e do tornozelo
degenerativo
O XXXII Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia,
que decorre de 17 a 19 de outubro, no Hotel Tivoli Marina,
em Vilamoura, privilegia a discussão em torno dos desafios e controvérsias da artrodese lombar, a abordar no
Tema do Congresso, e do tornozelo degenerativo, em
foco na Mesa-Redonda (pág.14 a 16).
Pela primeira vez, realizam-se as Jornadas de Fisioterapia (pág.22) e o Fórum SICOT (pág.23). As sessões
organizadas pelas Secções e Grupos de Estudo da SPOT
(pág.7 a 11) também prometem despertar o interesse dos
congressistas, assim como as conferências de convidados como o Dr. James D. Heckman, editor da edição americana do Journal of Bone and Joint Diseases (pág.19).
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SPOT
inForma
Setembro ‘12
Desafio à
participação
no Congresso
A
proxima-se mais um Congresso Nacional
de Ortopedia e Traumatologia. Entre as
várias novidades introduzidas no programa científico, realçamos um número maior de
comunicações livres, o que espelha bem a vitalidade da nossa comunidade científica. Por serem
apresentadas apenas em três salas, terão uma
audiência seguramente maior, sendo essencial o
cumprimento rigoroso do tempo de cada apresentação e assegurar o compromisso de todos os
autores dos trabalhos para com o seu conteúdo.
Foram selecionados temas de grande atualidade
nas diferentes áreas, tendo sido possível alinhar, em
módulos de quatro apresentações, o confronto de
ideias e experiências de vários serviços nacionais
que certamente vão captar o interesse de todos.
Teremos ainda as restantes sessões habituais
do Congresso, as secções concentradas no segundo dia e os casos difíceis para discussão às 8
horas de cada um dos dias. Foi ainda preocupação
da direção da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) agendar todas as
reuniões administrativas para o período compreendido entre as 7 e as 8 horas, para que estas não
colidam com o horário científico do Congresso.
Numa altura tão crítica para o exercício autónomo
da Medicina e da Ortopedia, em particular, será desejável passar uma mensagem clara de profissionalismo a todos os agentes envolvidos na relação médico/doente, com uma participação ativa de todos
os sócios da SPOT que tenham vontade de partilhar
as experiências relevantes nas diferentes áreas da
especialidade, bem como as dificuldades encontradas nos múltiplos desafios vencidos.
Por fim, apelo à responsabilidade de todos na
formação dos futuros ortopedistas nacionais
que, embora providos de uma grande confiança,
fortemente alicerçada no domínio da informática e das novas tecnologias do saber, necessitam
da nossa atenção sob a forma de feedback e
Secretário-geral da SPOT
orientação para um início tranquilo e estimulante das suas carreiras profissionais.
Estejamos todos à altura deste desafio!
Sumário
ORTONOTÍCIAS
4 Novidades da SPOT e da Ortopedia nacional e internacional
GRUPOS DE ESTUDO
7 As atividades recentes e futuras dos Grupos de Estudo da SPOT
SECÇÕES EM FOCO
8 Iniciativas das Secções da SPOT e a sua atividade no XXXII Congresso
Nacional
COMISSÃO DE INTERNOS
11 A Comissão de Internos de Ortopedia apresenta no Congresso os
resultados do 1.º Inquérito de Uniformização do Curriculum Vitae
XXXII CONGRESSO (Dia 17)
12 Resumos das conferências dos convidados das sociedades
internacionais (SBOT, SECOT, SOFCOT e AAOT)
DESTAQUE DE CAPA
14 Coordenadores e oradores do Tema (Artrodeses lombares) e
Mesa-Redonda (Tornozelo degenerativo) antecipam os principais
assuntos a abordar
XXXII CONGRESSO (Dia 17)
18 Antecipação das sessões organizadas pelo Registo Português de
Artroplastias e pela Década do Osso e da Articulação
Ficha Técnica
Rua dos Aventureiros, lote 3.10.10 – loja B
Parque das Nações • 1990 - 024 Lisboa
Tel.: (+351) 218 958 666 • Fax: (+351) 218 958 667
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Depósito Legal: N.º 338825\12
Impressão
20 Destaques do Fórum EFORT, este ano dedicado aos desafios do
joelho degenerativo nos jovens ativos
XXXII CONGRESSO (Dia 19)
22 Ideias-chave das 1.as Jornadas de Fisioterapia no Congresso da
SPOT e do Dia de Enfermagem
23 O Prof. Andrzej Bohatyrewicz, vice-presidente para a Europa da
Sociedade Internacional de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica
(SICOT), é o convidado do primeiro Fórum SICOT
CONGRESSO DE 2011 – FLASHBACK
24 Os principais momentos do XXXI Congresso Nacional de Ortopedia
e Traumatologia, que decorreu de 19 a 21 de outubro de 2011
VOZ DA SPOT
25 Em entrevista, o Dr. Rui Pinto e o Dr. Pedro Fernandes,
respetivamente presidente e secretário-geral da SPOT, refletem sobre
o mandato da direção que encabeçam e as prioridades futuras
OSSOS DE VIDA
26 Perfil do Dr. Alarcão e Silva, presidente da SPOT no biénio 1991-1992
Esta publicação está escrita segundo as regras do novo Acordo Ortográfico
Propriedade
Sociedade Portuguesa
de Ortopedia e Traumatologia
XXXII CONGRESSO (Dia 18)
19 Entrevista ao Dr. James D. Heckman, editor emeritus do volume americano
do The Journal of Bone and Joint Surgery e convidado da direção da SPOT
Projecção - Arte Gráfica, S.A.
Parque Industrial da Abrunheira, Quinta do Lavi, Armazem 1, Bloco A. 2710 - 089 Sintra
Edição
Av. Almirante Reis, n.º 114, 4.º E •1150 - 023 Lisboa
Tel.: (+351) 219 172 815/Fax: (+351) 218 155 107
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Direção: Madalena Barbosa ([email protected])
Assistente de direção: Zaida Fernandes ([email protected])
Gestor de projetos: Tiago Mota ([email protected])
Redação: Vanessa Pais e Tiago Mota
Fotografia: Luciano Reis
Design: Filipe Chambel
Apoios
SPOT inForma
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ortonotícias
O
ranelato de estrôncio, na dose de 2 gramas/dia, previne a progressão das alterações patológicas estruturais ao nível
articular, além de reduzir a sintomatologia
associada à osteoartrose. Esta foi a principal
conclusão do SEKOIA (Strontium ranElate
Knee OsteoarthrItis triAl), um estudo internacional, multicêntrico, em dupla ocultação
e controlado por placebo, cujos resultados
foram apresentados, pela primeira vez, no
Congresso Europeu de Osteoporose e Osteoartrose (IOF-ECCEO), que decorreu em
Bordéus, França, de 21 a 24 de março passado.
O referido estudo demonstrou que o
ranelato de estrôncio, medicamento aprovado atualmente para o tratamento da
osteoporose pós-menopáusica e também
em homens, reduz em 27% a perda de cartilagem. «Em termos clínicos, isto traduz-se
no equivalente a um ano de cartilagem poupada ao longo dos três anos de tratamento»,
explicou o Prof. Jean-Yves Reginster, da
Universidade de Liége, na Bélgica, no âmbito de uma conferência de imprensa, que
teve como objetivo explicitar os principais
assuntos focados no Congresso.
Segundo este especialista, o estudo
SEKOIA atingiu também os endpoints
secundários, referentes ao «efeito do medicamento sobre a sintomatologia, avaliada
através da escala WOMAC [Westren Ontario
and McMaster Universities], que é utilizada
nos doentes com osteoartrose para medir o
grau de dor, rigidez e função física». Perante os resultados, Jean-Yves Reginster concluiu: «Estes dados representam uma esperança para os médicos e para os doentes,
uma vez que comprovam o papel do ranelato
de estrôncio no retardar da progressão da
osteoartrose.»
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SPOT
inForma
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O ministro da Saúde de Angola, Dr. José Van-Dumen (no púlpito), foi um dos convidados da Sessão de Abertura do IV Congresso da
SOLP/I Congresso da SAOT, que contou com a participação (na mesa, da esq. para a dta.) do Dr. Carlos Vieira Ramos , primeiro presidente da
SOLP; do Dr. Rui Pinto, presidente da SPOT; do Dr. Adriano Oliveira, atual presidente da SOLP; do Prof. Carlos Alberto Pinto de Sousa, bastonário da Ordem dos Médicos de Angola; do Dr. Jorge Seabra, presidente-eleito da SOLP; do Prof. José Sérgio Franco, segundo presidente da
SOLP; e do Dr. Guilhermino Joaquim, presidente do Colégio da Especialidade de Ortopedia e Traumatologia da Ordem dos Médicos de Angola
D
e 14 a 16 de junho passado, Angola acolheu,
na cidade de Luanda, o IV Congresso da Sociedade dos Ortopedistas de Língua Portuguesa
(SOLP)/I Congresso da Sociedade Angolana de
Ortopedia e Traumatologia (SAOT). Subordinado
ao tema «Sinistralidade Rodoviária e Traumatologia», discutido numa mesa-redonda com preletores de todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Congresso
contou com 103 ortopedistas da CPLP (Angola,
Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São
Tomé e Príncipe) e também da Rússia e de Cuba,
além de outros profissionais: cirurgiões gerais,
anestesiologistas, fisiatras, fisioterapeutas e
peritos angolanos ligados à sinistralidade rodoviária, totalizando mais de 400 participantes.
De acordo com o presidente da SOLP, Dr. Adriano
Oliveira, o tema foi escolhido «por ser transversal aos países da CPLP, pela sua magnitude e
pelos elevados custos financeiros e sociais que
acarreta». Atendendo ao número de participantes, ao interesse demonstrado e ao feedback
O presidente-eleito e o presidente -cessante da SOLP (da dta. para a esq.),
com o presidente do Colégio da Especialidade de Ortopedia e Traumatologia da Ordem dos Médicos de Angola (à esq.) e o Dr. António Figueiredo,
tesoureiro da direção da SPOT em 2011
Foto: DR
Ranelato de
estrôncio atrasa
progressão da
osteoartrose
Fotos: DR
Foto: Thinkstock
IV Congresso da SOLP –
sinistralidade rodoviária e
traumatologia em destaque
recebido, o presidente da SOLP faz um balanço
«globalmente positivo» deste Congresso, que
«contou também com diversas conferências
dedicadas à traumatologia, comunicações livres
nas diversas áreas e três workshops pré-congresso (Curso Básico de Imagiologia Musculoesquelética; Medicina Desportiva; Tratamento do
Pé Boto pelo Método de Ponseti)».
Foi ainda feito o balanço do desenvolvimento
do projeto da SOLP sobre o tratamento do pé
boto pelo método de Ponseti, particularmente
nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e eleita a nova direção da SOLP. O
Dr. Jorge Seabra, cofundador desta Sociedade e
um dos seus principais impulsionadores, encabeçará a próxima direção, responsável por organizar o 5.º Congresso, que se realizará em 2013, em
Portugal. «A assembleia-geral da SOLP aprovou a
candidatura de São Tomé e Príncipe para acolher
o Congresso de 2014», adianta Adriano Oliveira.
Um momento cultural
animou o Congresso
Comissão de
Boas Práticas
em Ortopedia
foi criada
P
ela iniciativa da Sociedade Portuguesa de
Ortopedia e Traumatologia (SPOT) e do Colégio da Especialidade de Ortopedia da Ordem
dos Médicos, nasceu, em março deste ano, a
Comissão de Boas Práticas em Ortopedia, que
conta também com a colaboração de outras entidades, como a Direção-Geral da Saúde (DGS).
«As questões da Saúde são cada vez mais enquadradas como serviços prestados e, por isso,
faz todo o sentido criar rotinas consensuais na
prestação de serviços», defende o Dr. Ciro Costa,
coordenador desta nova Comissão.
O Prof. Jorge Mineiro (à esq.) recebeu a
distinção de Fellowship ad Hominem das mãos
do presidente do Royal College of Surgeons of
Edinburgh, Dr. David Tolley
No dia 12 de setembro, a Dr.ª Anabela Coelho, em representação da Direção da Qualidade da DGS, recebeu os coordenadores da Comissão de Boas Práticas
em Ortopedia, do Observatório Nacional de Artroplastias, do Registo Português de Artroplastias, o presidente do Colégio da Especialidade de Ortopedia
da Ordem dos Médicos e o presidente da SPOT, Drs. Ciro Costa, José Manuel Teixeira, José Costa Ribeiro, Paulo Felicíssimo e Rui Pinto (da dta. para a esq.)
Neste contexto, o objetivo primordial da Comissão de Boas Práticas em Ortopedia, da qual
fazem parte também o Dr. António Mendes
Moura, a Dr.ª Inês Balacó e o Prof. André Gomes,
é «defender a qualidade da prestação de cuidados e, ao mesmo tempo, munir os prestadores de
“ferramentas” que garantam essa qualidade». Até
ao Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, adianta Ciro Costa, esta Comissão pretende
ter delineadas e prontas a apresentar normas de
utilização de próteses da anca; guidelines sobre a
Jorge Mineiro distinguido pelo Royal
College of Surgeons de Edimburgo
Foto: DR
O
F
Prof. Jorge Mineiro, diretor clínico do
Hospital Cuf Descobertas e docente na
Faculdade de Medicina da Universidade de
Lisboa, recebeu uma distinção do Royal College
of Surgeons de Edimburgo (RCSEd) pelo
trabalho realizado como chairman do exame
do Board Europeu de Ortopedia e Traumatologia, do qual foi um dos criadores e é o seu
responsável desde de que teve início, há cerca de 12 anos. O prémio consiste na atribuição
do grau de Fellow ad Hominem , cujo diploma
foi entregue ao ortopedista português na
cerimónia oficial que decorreu a 16 de março
O Dr. João Pedro Oliveira (oitavo a contar da esq.) foi o representante português, escolhido pela
SPOT, no EFORT Spring Travelling Fellowship 2012
rança foi o país anfitrião do último Spring Travelling Fellowship da European Federation of
National Associations of Orthopaedics and Traumatology (EFORT), que decorreu de 1 a 7 de abril
passado, onde participaram 14 fellows de 13 nacionalidades diferentes. O fellowship foi repartido
por duas cidades, Marselha e Nice, sendo o Dr. João
Pedro Oliveira, interno no Serviço de Ortopedia do
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o
Foto: DR
Relato do
EFORT Spring
Travelling
Fellowship
2012
utilização de próteses metal-metal; normas para a
profilaxia do tromboembolismo na cirurgia ortopédica e para a antibioterapia profilática.
Para cumprir estes objetivos, os membros da
Comissão de Boas Práticas em Ortopedia reuniram em julho e em setembro com a Direção da
Qualidade da DGS «para articular procedimentos
e trabalhar em conjunto com esta entidade», indica Ciro Costa. Ao mesmo tempo, tem também
havido uma colaboração estreita com o Registo
Português de Artroplastias.
representante português selecionado pela SPOT
para este intercâmbio de aprendizagem anual.
Consciente de que este «é um marco importante no internato e na futura carreira como especialista», João Pedro Oliveira relatou os principais
momentos desta oportunidade formativa ao
SPOT inForma. «As boas-vindas foram dadas pelo
Prof. Jean-Noël Argenson, chefe do Serviço de Ortopedia do Institut du Mouvement et de l’appareil
passado, na sede do Royal College of Surgeons, em Edimburgo, na Escócia.
Além de Jorge Mineiro, foram também distinguidos o Prof. Takeshi Sano, de Tokyo, Japão,
na área da cirurgia geral, e o Prof. Jean Michel
Dubernard, de Lyon, França, na área da Urologia e Transplante. O RCSEd é o colégio mais
antigo do Reino Unido, com grande tradição na
sua dedicação ao desenvolvimento das áreas
da educação, treino cirúrgico e prática clínica,
responsável pela realização e gestão dos exames de fim de internato de quase todas as especialidades cirúrgicas naquele país.
Locomoteur, e responsável pelas conferências
teóricas, intercaladas com cirurgias ao vivo, que
decorreram no segundo dia do EFORT Spring
Travelling Fellowship 2012, no Hôpital Sainte-Marguerite», contou o interno.
O terceiro e quarto dias deste fellowship foram
dedicados à patologia do joelho e os participantes tiveram oportunidade de fazer «uma pequena
comunicação, na qual se apresentou e falou sobre
o Serviço e o País que estavam a representar», recorda João Pedro Oliveira. Já em Nice, nos quinto e
sexto dias da formação, as patologias do ombro, da
anca e também do joelho foram os temas em destaque nas sessões teóricas, mais uma vez intercaladas
com cirurgias ao vivo. A par da oportunidade única
de aprendizagem e convívio, o fellow português
destaca desta experiência o facto de a opinião dos
participantes ter sido sempre levada em conta e
discutida durante as sessões, existindo uma grande
partilha de conhecimentos e conceitos.
SPOT inForma
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ortonotícias
Ciclo 2012-2014 do PNAICO apresenta novidades
Sessão de treino em cadáver, que decorreu em abril
passado, no Instituto de Medicina Legal , em Lisboa
Foto: André Roque
Q
uase a terminar o primeiro ano do ciclo 20122014 do Programa Nacional de Apoio ao Internato Complementar de Ortopedia (PNAICO),
o Prof. Jorge Mineiro, coordenador da Comissão
de Ensino da SPOT e responsável pela organização deste programa formativo, mostra-se satisfeito com a forma como o mesmo está a decorrer. «Não posso deixar de me congratular pelo
feedback positivo que temos recebido até ao
momento e, acima de tudo, agradecer aos ortopedistas portugueses que, de forma voluntária,
se predispõem a organizar e participar nestas
sessões», sublinha.
Este ciclo é fruto de uma reestruturação que
teve em consideração o resultado dos programas
anteriores. «As diversas sessões são agora mais
espaçadas no tempo e foram modificadas as que
eram menos interativas», nota Jorge Mineiro. E
sublinha: «No nosso País, o vazio em relação às Ciências Básicas é grande e reflete-se nos resultados do exame do European Board of Orthopaedics
and Traumatology, sendo o tema onde os nossos
internos mais vacilam, apesar dos resultados
excecionais que apresentam. Mas foi necessário ir ao encontro de algumas das suas
críticas/desejos.» De qualquer modo, o coordenador considera que as condições de formação
melhoraram e o aumento do número de sessões
de treino em cadáver está a agradar aos internos.
As novidades deste ciclo formativo passam
também pelos temas. Decorreu um curso no dia
22 de setembro, em Coimbra, sobre distúrbios
da mineralização com um workshop dedicado
às imobilizações e trações esqueléticas/cranianas, estando prevista para o dia 17 de novembro
próximo, no Porto, uma sessão sobre imagiologia musculosquelética com um workshop dedicado à classificação de fraturas e tipos de imobilizações vertebrais». Para saber mais sobre o
PNAICO e sobre as próximas sessões, consulte o
site da SPOT (www.spot.pt).
Bolsas de estágio internacional atribuídas em 2011
A
Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) atribuiu, em 2011, sete bolsas de estágio a internos de Ortopedia e
quatro a jovens especialistas, estas últimas com o patrocínio dos laboratórios Bial. Aqui fica a lista dos bolseiros, bem como as principais
informações sobre os estágios já realizados:
Internos
- Dr.ª Inês Pedro, do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental. Estagiou na
Fundación Jimens Diaz, Madrid, em fevereiro de 2012, dedicando-se à artroscopia do ombro;
- Dr. Francisco Oliveira, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou no Hospital Universitário de Santa Cristina, em Madrid, de abril a junho de
2012, dedicando-se à artroscopia do membro superior e inferior;
- Dr. Frederico Raposo, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou no Hospital de la Croix-Rousse, Centre Albert Trillat, em Lyon, nos meses
de outubro e novembro de 2011, na área do joelho;
- Dr. Pedro Serrano, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Estagiou na Clínica Nostra Senyora del Remei, Clínica Tres Torres, Universidade
de Barcelona, em novembro de 2011, dedicando-se à cirurgia do pé e tornozelo;
- Dr. João Correia, do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Estagiou no
Endo-Klinik, na Alemanha, entre maio e junho de 2012, na área da artroscopia
(primária e revisão) da anca, joelho e tornozelo;
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SPOT
inForma
Setembro ‘12
- Dr. Manuel Ribeiro da Silva, do Centro Hospitalar São João, no Porto.
Estagiou no Hospital Pitie Salpetrier, em Paris, e Centre Orthopédique Santy,
em Lyon, de fevereiro a abril de 2012, na área da patologia do ombro;
- Dr. André Ferreira, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia. Estagiou no
Instituto Dexeus, em Barcelona, nos meses de novembro e dezembro de 2011,
na área da patologia da anca.
Jovens especialistas
- Dr. Jorge Alves, do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Estagiou no
Saint Louis University Hospital, em julho 2012, dedicando-se às deformidades da coluna;
- Dr. Rui Cândido, do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. Estagiou no Parkens Private Hospital, em Copenhaga, no mês de junho 2011,
dedicando-se à artroscopia do ombro;
- Dr. Luís Rodrigues, do Centro Hospitalar Tondela-Viseu/Hospital de
São Teotónio. Estagiou no Institut de la Main - Clinique Jouvenet, em
Paris, de 1 de junho a 6 de julho, dedicando-se à artroscopia do punho, à
patologia do plexo braquial e nervos periféricos, à doença de Dupuytren
e à patologia degenerativa do punho e mão;
- Dr. Pedro Costa de Matos, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
Estagiou no Hôpital Avicenne, em Paris, de janeiro a março de 2012,
dedicando-se à cirurgia reconstrutiva e da mão.
grupos de estudo
GECA e GET fomentam mais e melhor formação
Um dos principais objetivos do Grupo de Estudo da Cartilagem, Tratamento e Prevenção da Artrose (GECA) e do Grupo
de Estudo de Trauma (GET) é fomentar uma melhor formação nas respetivas áreas de atuação. Os seus coordenadores,
Drs. João Salgueiro e Miguel Marta, salientam iniciativas já realizadas e delineadas para o futuro.
Grupo de Estudo da Cartilagem,
Tratamento e Prevenção da Artrose
«A
evolução do GECA tem sido muito gratificante, especialmente
para os seus sócios fundadores – que confirmam a concretização quase total do seu conteúdo programático, proposto em finais de
2007. Pode considerar-se que temos superado as expetativas, nomeadamente na realização dos cursos teórico-práticos de cartilagem articular e nos encontros interserviços sobre cartilagem. Estas reuniões
têm sido bem-sucedidas, com elevado nível científico, um número de
participantes que ultrapassou sempre os 120, com patrocínios científicos que os credibilizam e a presença das empresas que concedem o
seu imprescindível apoio.
De outubro de 2011 até agora, a atividade do GECA traduziu-se na realização do 3.º Curso Teórico-Prático de Cartilagem Articular, em Lisboa,
nos dias 18 e 19 de novembro do ano passado. Pela primeira vez, decorreu
uma sessão de comunicações livres, dirigida principalmente aos internos
de Ortopedia e com um prémio atribuído à melhor comunicação.
Numa perspetiva de descentralização, decidimos realizar os encontros
nacionais dos serviços de Ortopedia sobre cartilagem. O primeiro encontro realizou-se em Vila Nova de Gaia, em abril de 2011 (com organização
dos Drs. José Neves e Joaquim Lebre), e o segundo em Guimarães, em
março deste ano (organizado pelos Drs. Pereira Mendes e Carlos Vilela).
Nos dias 22 e 23 de novembro
próximo, realizar-se-ão as primeiras
Jornadas que englobarão o 4.º Curso
Teórico-Prático de Cartilagem Articular, em Lisboa, no Teatro Aberto. O
III Encontro dos Serviços de Ortopedia sobre Cartilagem terá lugar em
Chaves (com o Dr. Carlos Pintado na
organização), em 16 de março de 2013.
Nas referidas Jornadas, terá lugar
o Encontro dos Centros Nacionais de
Investigação sobre Cartilagem, que
será coordenado pelo Prof. Joaquim
Sampaio Cabral. No Curso, para além
Dr. João Salgueiro
de outras importantes preleções, haverá uma dedicada ao diagnóstico e
tratamento das lesões condrais e osteocondrais da articulação coxofemoral. Sendo a constante atualização e discussão imprescindíveis para que o
cirurgião ortopédico possa assumir-se como protagonista na prevenção da
artrose, desejo que nos encontremos nestes eventos.»
Grupo de Estudo de Trauma
MESA-REDONDA SObre o impacto da sinistralidade rodóviaria na sociedade (da esq. para a a dta.):
Nuno Eduardo Pestana (neuropsicólogo clínico), Maria Helena Pimenta (advogada), Paulo Felicíssimo (ortopedista),
Rui Zink (vice-presidente da Associação de Cidadãos Automobilizados), Paulo Marques Augusto (presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária), Sandra Nascimento (presidente da Associação para a Promoção da
Segurança Infantil) e Pedro Ribeiro e Silva (diretor dos Serviços Jurídicos da MAPFRE Seguros)
«N
o XXXII Congresso da SPOT, vamos continuar a debater o tema
que iniciámos este ano – o trauma de alta energia e as lesões
pélvicas. No Simpósio sobre Traumatismos Pélvicos causados pela
Sinistralidade Rodoviária, que decorreu em março de 2012 (ver foto),
debatemos o trauma de alta energia e, usando o modelo da fratura pélvica (abordando a epidemiologia, o diagnóstico e o tratamento em urgência e incluindo a realização de um curso teórico-prático), analisámos
os problemas organizacionais, sociais, psicológicos, legais e de inserção dos sinistrados na sociedade. Pretendemos, agora, encerrar o debate
deste mesmo tema, abordando a evolução dos conceitos no tratamento das
fraturas pélvicas, o tratamento definitivo e as complicações mais frequentes.
No âmbito das nossas atividades,
estamos a implementar o processo
de registo das fraturas da extremidade proximal do fémur, que apresentaremos brevemente à SPOT.
Estamos também envolvidos nas
diversas atividades da Sociedade,
nomeadamente na organização do
seu próximo Congresso Nacional.
Ainda este ano, além da participação no Congresso da SPOT,
contamos proceder à apresentação do protocolo de registo de
fraturas da extremidade proximal
Dr. Miguel Marta
do fémur. Para 2013, estamos a
idealizar a realização de uma reunião sobre «aspetos legais e trauma», iremos também colaborar com o
PNAICO e participar ativamente no XXXIII Congresso da SPOT.
Projetos como o SINAS (Sistema Nacional de Avaliação em Saúde) e
a desejada produção de um guia de procedimentos, atuações e boas práticas
médicas são iniciativas que recebem todo o acolhimento do GET. Por
isso, debatemos os temas com a máxima profundidade e formamos no
sentido de permitir a aquisição dos conhecimentos necessários. Por
outro lado, achamos que a validação do correto tratamento, que se consegue, por exemplo, com o SINAS, é fundamental para assegurar a atualização e o investimento permanente na formação.»
SPOT inForma
Setembro ‘12
7
secções em foco
Temas em debate e planos para 2013
Secção da Anca
«N
o dia 18 de outubro, no Congresso da SPOT, a Secção da
Anca organiza uma sessão de duas
horas dedicada aos temas «Conceitos básicos na cirurgia conservadora
da anca» e «Controvérsias atuais no
par articular metal-metal [MoM]».
Julgamos que estes são temas atuais, de grande interesse e pertinência
para a comunidade ortopédica, dada
a polémica recente relacionada com
a necessidade de revisão precoce de
algumas articulações MoM. Como
convidado estrangeiro, teremos entre nós o Dr. Gonzalez-Adrio Wagner
Rafael, do Centro Internacional de
Dr. Paulo Rego
Medicina Avançada, em Barcelona, que nos falará sobre as vantagens do
par articular MoM.
Temos assistido a progressos no que diz respeito à abordagem de algumas
patologias, mas de forma oficiosa e por referenciação direta entre colegas de
diferentes unidades hospitalares. Infelizmente, nesta área não existe nenhuma política específica que defina unidades hospitalares como potenciais centros de referência para o tratamento de determinadas patologias.
Relativamente aos próximos projetos da Secção, temos planeado um encontro internacional sobre cirurgia conservadora da anca, agendado para o
próximo mês de novembro, onde serão abordados temas relacionados com
diagnóstico, tratamento e avaliação funcional dos doentes candidatos a este
tipo de cirurgia. Pensamos que este poderá ser um impulso importante no
sentido de internacionalizar a nossa experiência em território nacional. Planeamos, também, um evento com cirurgia em tempo real e apelamos à participação dos colegas interessados na área. As datas e os programas definitivos
serão divulgados durante o corrente ano.»
Secção de Biomecânica
«P
ara o XXXII Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, a Secção de Biomecânica optou
por fazer uma panorâmica geral do
trabalho realizado em Portugal com a
fixação externa, dando aos palestrantes convidados total liberdade quanto
à escolha dos temas a apresentar na
especificidade.
Uma vez que os oradores são das
regiões norte, centro e sul, daremos cobertura às necessidades nacionais e passaremos uma informação inter-regional. São palestrantes
Dr. Manuel Augusto
Azevedo
os Drs. António Costa (da região centro), Delfin Tavares, Francisco Santana, João Moreira, Manuel Leão e Craveiro Lopes (da região sul e vale do
Tejo) e Manuel Azevedo (da região norte).
«O que fazer com o método de Ilizarov»; «Tratamento das fraturas expostas e
cominutivas do tornozelo por ligamentotaxia com o método de Ilizarov»; «Utilização da fixação externa no tratamento da patologia da anca na criança, no adolescente e no adulto jovem» e «Vinte anos a conviver com o método e o aparelho
de Ilizarov» são alguns dos temas que abordaremos. É também nosso objetivo
divulgar e fomentar junto dos ortopedistas, nomeadamente dos mais jovens, a
aplicação da fixação externa para a resolução das mais variadas patologias.
Para 2013, a Secção de Biomecânica da SPOT tem prevista a implementação
de workshops e ações de formação para grupos limitados em hospitais ou centros hospitalares – de âmbito regional e nacional –, privilegiando os aspetos
práticos, nomeadamente ao nível das cirurgias.»
Secção da Coluna
«N
Foto: DR
o XXXII Congresso da SPOT
[dia 18 de outubro, das 14h30
às 16h00], a Secção da Coluna vai dedicar a sua sessão à espondilolistesis. A
escolha deste tema baseou-se na sua
relevância clínica e no facto de, nos últimos anos, terem surgido novidades
nos campos do diagnóstico e da terapêutica – especialmente para a patologia em crianças e adolescentes, mas
também para a patologia do adulto. Optámos por este tema, também, porque
a todos os especialistas que
Dr. Nuno Neves, vogal interessa
trabalham na área da coluna, quer os
que se dedicam mais à idade pediátrica
quer os que se dedicam à patologia do adulto – o que, pensamos, vai ao encontro
de uma Sociedade abrangente como é a SPOT.
À semelhança do que já sucedeu no Congresso de 2011, este ano também privilegiamos a presença de palestrantes nacionais, por dois motivos: para promover
8
SPOT
inForma
Setembro ‘12
a atividade e divulgação científica nacional e porque atravessamos um período
que obriga a alguma contenção económica, à qual não podemos ser alheios. Aqui
fica o programa da sessão:
Tema: Atualização em Espondilolistesis
- Introdução: Dr. Paulo Lourenço;
- Fisiopatologia, classificação e imagiologia: Dr. Nuno Neves;
- Espondilolistesis da criança, adolescente e de alto grau: Dr. Pedro Fernandes;
- Espondilolistesis lítica do adulto: Dr. Paulo Lourenço;
- Espondilolistesis degenerativa: Dr. José Vilarinho;
- Discussão e conclusões.
Para além da organização desta sessão no Congresso, durante o último ano, a
Secção da Coluna apoiou diversos eventos científicos e manteve a colaboração
com a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, participando no
seu IV Congresso Nacional, realizado no Hotel das Termas de Monte Real, de 15
a 17 de março passado. Neste evento muito participado, discutiram-se temas
como a mielopatia espondilótica cervical, a deformidade no adulto, as metástases vertebrais, as fraturas toracolombares, entre outros assuntos relevantes.»
No dia 18 de outubro, o programa científico do Congresso dá voz às secções que integram a SPOT. Nestas páginas, os
seus responsáveis levantam o véu sobre as temáticas em foco, destacam as principais atividades nos últimos 12 meses
e adiantam já futuras iniciativas.
Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil
«A
Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil (SEOI) escolheu para o XXXII
Congresso da SPOT o tema «Escolioses». Para além do facto de as artrodeses da coluna lombar constituírem o Tema do Congresso, a Secção achou
ser oportuno chamar alguns Serviços que no País mais se têm dedicado ao tratamento das escolioses. Estão representados os Serviços de Ortopedia do
Hospital Pediátrico de Coimbra, Hospitais de São João e de Santo António, no
Porto, e de Santa Maria e Curry Cabral, em Lisboa. A mesa será encerrada com
a comunicação do palestrante convidado, o Dr. Ferran Pellisé, do Hospital Vall
d’Hebron de Barcelona, que falará sobre «Avaliação de resultados no tratamento
cirúrgico da escoliose idiopática do adolescente».
Nós últimos 12 meses, a SEOI salienta a realização das seguintes iniciativas:
1 - As XVI Jornadas da SEOI, que decorreram em simultâneo com as III Jornadas
de Ortopedia Infantil do Hospital Pedro Hispano, a 17 e 18 de novembro de 2011,
em Matosinhos (ver foto). Dos temas discutidos salientam-se a traumatologia
desportiva da criança e adolescente, as deformidades dos membros inferiores,
as infeções osteoarticulares e a doença de Legg-Calvé-Perthes.
2 - Curso sobre cirurgia ortopédica dos membros inferiores na paralisia cerebral,
organizado pelo Serviço de Ortopedia do Hospital Garcia de Orta, em colaboração com o Serviço de Fisiatria do mesmo Hospital, que decorreu nos dias 12 e 13
de dezembro, com repetição a 15 e 16 de
dezembro de 2011, ministrado pelo Prof.
Paulo Seber, do Royal Children’s Hospital de Melbourne.
3 - As XVII jornadas da SEOI, que decorreram a 11 e 12 de maio de 2012, em
Coimbra, e que foram precedidas de um
curso sobre «Radiologia em Ortopedia
Infantil» dirigido aos vários profissionais que trabalham ou contactam com
a Ortopedia Infantil. Os temas centrais
foram as doenças da cartilagem de
crescimento, as sequelas graves na
anca imatura e as próteses de anca em
idades precoces.
Foto: DR
Foto: DR
Intervenção do Dr. António Leite da Cunha, diretor do Serviço
de Ortopedia do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, na
cerimónia de abertura das XVI Jornadas da SEOI
Dr. Fernando Carneiro
Tem sido também prioridade desta direção a implementação do Registo
Nacional das Doenças Displásicas da Anca (DDA). Na última assembleia-geral,
no decurso das XVII Jornadas da SEOI, o Dr. Cassiano Neves deu a conhecer a
aplicação informática para o registo das DDA que está a ser ultimada para que,
provavelmente ainda este ano, possa arrancar. A direção da SEOI reconhece o
esforço do Dr. Cassiano Neves e agradece publicamente ao Dr. Rui Pinto por ter
desbloqueado alguns entraves que impediam a concretização do projeto.
A atual direção, que cessa funções este ano, irá trabalhar com a futura direção
no planeamento das atividades para o próximo ano, nomeadamente na realização das XVIII Jornadas da SEOI, na implementação do registo das DDA e na área
de formação em Ortopedia Infantil nos internatos, dando sequência ao que foi
exposto, em janeiro de 2012, ao Colégio da Especialidade.»
Secção do Joelho
«N
o dia 18 de outubro, das 14h30 às 16h30, o espaço atribuído à Secção
do Joelho no Congresso da SPOT será novamente dividido com a
Sociedade Portuguesa de Artroscopia e Traumatologia Desportiva [SPAT]
e a Sociedade Portuguesa do Joelho [SPJ]. Este ano, as revisões são o tema
da sessão, que será dividida em duas mesas:
Das 14h30 às 15h10
Mesa 1 – Revisões de ligamentoplastias do ligamento cruzado anterior
Moderadores: Drs. Pedro Pessoa e Pereira de Castro.
- Exame clínico: Dr. Luís Tomás;
- Causas de falência: Dr. Hélder Pereira;
- Escolha do enxerto: Dr. Manuel Vieira da Silva;
- Cirurgia: Dr. Alcindo Silva;
- Reabilitação: Dr. Frederico Varandas.
Das 15h10 às 16h30
Mesa 2 – Revisão de artroplastia total do joelho
Moderadores: Prof. Fernando Fonseca e Dr. Luís Branco Amaral.
- Quando e como?: Dr. Álvaro Machado;
- Interlinha e balanço ligamentar: Dr. Alberto Lemos;
- Perdas ósseas: Prof. João Gamelas;
- Instabilidade: Dr. Joaquim Lebre;
- Rigidez: Dr. José Carlos Leitão;
- Infeção: Dr. Ricardo Varatojo;
- Discussão.
Cada vez mais, as pessoas praticam desporto e as ruturas do ligamento cruzado anterior surgem
com maior frequência. O aumento
das cirurgias primárias por lesões
ligamentares conduz ao aumento da
taxa de falências e, consequentemente, a um maior número de casos
a necessitarem de revisão.
No âmbito das artroplastias do
joelho, são também cada vez mais
os casos que necessitam de revisão
por falência da cirurgia primária.
Atualmente, a população de doentes
Dr. Luís Branco Amaral
submetidos a próteses do joelho é
incontestavelmente mais jovem e temos de estar preparados para rever estas situações. Além disso, por desgaste dos materiais, entre outras causas, as artroplastias primárias têm
uma duração relativamente limitada e necessitarão de revisão, mesmo que
tenham sido bem aplicadas.
Além do Congresso da SPOT, este ano, a Secção do Joelho esteve envolvida na organização conjunta – com a SPAT e a SPJ – do Congresso do Joelho,
decorrido nos dias 22 e 23 de setembro, em Portimão, e está também prevista a participação no 4. º Curso de Cartilagem Articular organizado pelo
GECA, nos dias 18 e 19 de novembro próximo.»
SPOT inForma
Setembro ‘12
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secções em foco
Secção do Ombro e Cotovelo
As temáticas subordinadas às «Instabilidades do Ombro e Cotovelo» prenderam a atenção dos especialistas presentes
na audiência, no decorrer das VII Jornadas da Secção do Ombro e Cotovelo, que decorreram em maio passado
com muito orgulho que, este
ano, a Secção do Ombro e
Cotovelo tem uma participação
ativa no Fórum SICOT (Sociedade Internacional de Cirurgia Ortopédica
e de Traumatologia), para além do
espaço habitualmente atribuído no
Congresso Nacional às secções da
SPOT. É, em minha opinião, o corolário da atividade desta e das anteriores coordenações da nossa Secção.
No Fórum SICOT, agendado para
o dia 19 de outubro, entre as 11h30 e
as 13h00, discutiremos as “Fraturas
Dr. Carlos Amaral
da extremidade superior do úmero”. Haverá lugar à apresentação
de quatro casos clínicos, de entre os que até nós chegaram, após solicitação aos hospitais; e terão ainda lugar duas comunicações de fundo
sobre os temas: “Porque falha uma osteossíntese” e “Artroplastia como
terapêutica de recurso perante uma osteossíntese falhada”.
No dia 18 de outubro, entre as 14h30 e as 16h00, no espaço habitualmente dedicado à Secção do Ombro e Cotovelo, faremos um resumo
Foto: DR
«É
das atualizações na terapêutica das instabilidades do ombro. Abordaremos a instabilidade minor, o primeiro episódio, a luxação recidivante,
o bristow artroscópico, a instabilidade post e as possibilidades da artroscopia nas recidivas. Privilegiaremos ainda a discussão, reservando-lhe
um período de 30 a 40 minutos.
Encerraremos, assim, um ano que dedicamos à instabilidade do ombro
– como parte de uma estratégia de jornadas monotemáticas. Em março
de 2013, em Penafiel, discutiremos a patologia da coifa dos rotadores
e apresentaremos os resultados de um estudo multicêntrico sobre as
ruturas em doentes com mais de 65 anos.»
Secção do Punho e Mão
«A
reunião da Secção do Punho
e Mão no Congresso da SPOT
será dedicada ao carpo e coordenada
pelo Dr. Frederico Teixeira, do Hospital
Curry Cabral, em Lisboa. A escolha recaiu sobre o carpo porque é um tema
que nos parece pouco aprofundado
pelos ortopedistas e porque, nos
últimos anos, houve grandes desenvolvimentos, sobretudo no campo da
artroscospia e cirurgia minimamente
invasiva, tanto em termos de biomecânica e conhecimentos de fisiologia,
em termos de técnicas cirúrgiDr. Fernando Cruz como
cas e de abordagens terapêuticas.
O tema será abordado por especialistas dos vários centros do País, sendo relevante a participação dos
Hospitais da Universidade de Coimbra, que têm estado um pouco afastados da cirurgia da mão, apesar de contarem com um grupo de profissionais
com bastante interesse nessa área e que queremos ajudar a motivar.
Sessão Magna
da CISPOT
A
O futuro do internato em Ortopedia
Comissão de Internos da Sociedade
Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (CISPOT), atualmente no sétimo
ano de existência, é uma das mais antigas da
Europa. Este ano, durante o Congresso Nacional em Vilamoura, às 18h30 do dia 17 de outubro, realiza-se a Sessão Magna da CISPOT, que
dará aos presentes as perspetivas de um es-
10
SPOT
inForma
Setembro ‘12
Ao longo dos últimos 12 meses, a Secção do Punho e Mão esteve representada em diversos eventos, nomeadamente no I Curso de Cirurgia Percutânea
da Mão, organizado pelo Hospital de Faro, na pessoa do Dr. João Paulo
Sousa; no Curso de Artroplastias do Punho e Mão, realizado no Hospital
de Santo António, no Porto, e organizado pelo Dr. César Silva; e nas Jornadas
Franco-Lusas de Cirurgia da Mão, cuja organização deveria ter sido conjunta entre a Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Mão (SPOCMA) e a Sociedade Francesa de Cirurgia da Mão (SFCM/GEM), mas acabou por ficar
sob responsabilidade de dois membros da Secção do Punho e Mão.
No 49.º Congresso da Sociedade Espanhola de Cirurgia e Traumatologia
(SECOT), que terá lugar em Málaga, de 3 a 5 de outubro, a nossa Secção estará representada numa mesa-redonda sobre o punho reumatoide. Muito
em breve, de 25 a 27 de outubro, em Braga, decorrerá o Curso de Microcirurgia, organizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Minho e
pelo Dr. Nuno Sevivas, membro da Secção do Punho e Mão.
Para 2013, estamos ainda a estruturar o plano de atividades e uma das iniciativas que queremos levar a cabo é uma reunião conjunta com as secções do
Ombro e do Punho e Mão, mas as datas ainda não estão definidas. Nesse encontro, pensamos abrir às empresas que atuam nestas áreas a possibilidade
de realizarem cursos teórico-práticos para internos e recém-especialistas.»
pecialista sénior e de um recém-especialista
sobre o futuro do internato em Ortopedia, aos
níveis nacional e europeu.
Serão também apresentados os resultados
do 1.º Inquérito de Uniformização do Curriculum
Vitae (CV) (ver caixa), promovido pela CISPOT
e realizado via e-mail entre novembro de 2011
e janeiro de 2012, ao qual responderam 88 in-
ternos de todo o País (a maioria do 6.º ano). Na
sequência dos resultados deste inquérito, será
posta à discussão a proposta do modelo final
do CV de Ortopedia. A CISPOT vai ainda sortear
material bibliográfico e o acesso a um Curso AO
aos presentes. Por fim, será eleita a próxima
Comissão. No mesmo dia, decorre o segundo
jantar de internos de Ortopedia.
Foto: DR
Em março passado
decorreu, em
Tomar, o 3.º Curso
do Pé e Tornozelo
da AOTrauma
«O
tema da reunião da Secção do Pé e Tornozelo, que decorre no dia 18 de
outubro, das 11h30 às 13h00, é “O pé diabético – abordagem multidisciplinar”. Trata-se de uma patologia frequente e sobre a qual persiste algum desconhecimento dos problemas que lhe estão associados e a perceção de que, em
muitos locais, tem estado a ser tratada de forma menos correta. O pé diabético
engloba um conjunto vasto de patologias e complicações – de que são exemplo
o pé neuropático, o pé isquémico ou a artropatia de Charcot – que requerem uma
perspetiva multidisciplinar, no sentido de otimizar o tratamento. Assim, além da
Ortopedia, estarão presentes na reunião especialistas da Cirurgia Vascular, da
Endocrinologia e da Medicina Interna.
Em muitos casos, infelizmente, a cascata patológica culmina com a amputação do pé. A integração das perspetivas médica, social e humana é também muito importante, porque, além de ver fortemente condicionado o seu bem-estar
físico, o indivíduo amputado sofre uma grande carga psicológica e a sua situação
económica pode ficar profundamente alterada devido à incapacidade laboral.
No que respeita a outras atividades da Secção do Pé e Tornozelo, realizámos
Secção do Pé e Tornozelo
várias reuniões designadas “Um dia
com o pé”, a última das quais em Troia,
no dia 23 de junho passado, com discussão de casos clínicos em aberto e o
objetivo de os tentar resolver da melhor
forma. De 1 a 3 de março, em Tomar, decorreu o terceiro Curso da AOTrauma
do Pé e Tornozelo e no dia 21 de janeiro
organizámos uma reunião no Hospital
dos Lusíadas, em Lisboa, sobre as lesões osteocondrais do tornozelo.
Em 2013, em datas ainda por definir,
faremos o Congresso Nacional do Pé e
do Tornozelo, onde serão abordadas as
Dr. Paulo Felicíssimo
temáticas do pé reumatológico e do pé
neurológico, e continuaremos a organizar as reuniões “Um dia com o pé”.
Temos como prioridade continuar a divulgar o conhecimento da patologia
e das técnicas cirúrgicas na área do pé/tornozelo, não só para os especialistas
que a ela se dedicam, mas também para outros ortopedistas e junto de outras
especialidades, particularmente as que se entrecruzam com a Ortopedia numa
abordagem multidisciplinar. De igual modo, fazemos questão de marcar presença em congressos de especialidades como a Reumatologia, a Endocrinologia ou
a Medicina Desportiva.»
Secção de Tumores do Aparelho Locomotor
«A
participação da Secção de Tumores do Aparelho Locomotor (STAL) no
XXXII Congresso da SPOT versará sobre a patologia tumoral óssea benigna agressiva da criança e do adulto. Será apresentado um estudo multicêntrico levado a cabo pelo Centro Hospitalar do Porto (Hospital Geral de Santo
António) e pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (Hospital Pediátrico e Hospitais da Universidade de Coimbra). Aqui fica o programa da sessão, que
decorrerá no dia 18 de outubro, entre as 14h30 e as 16h00:
- Tumores de células gigantes: Drs. João Oliveira, Inês Balacó, Rúben Fonseca,
Gabriel Matos, Pedro Cardoso e Prof. José Casanova;
- Condroblastomas: Drs. Pedro Amaral, Marcos Carvalho, Inês Balacó,
Pedro Cardoso, Gabriel Matos e Prof. José Casanova;
- Osteomas osteoides e osteoblastomas: Dr. Maribel Gomes, José Casanova,
Gabriel Matos, Inês Balacó e Pedro Cardoso;
- Quistos ósseos aneurismáticos: Dr.ª Sandra Alves, Dr. Ricardo Branco,
Inês Balacó, Pedro Cardoso, José Casanova e Gabriel Matos.
Cada uma das intervenções terá a duração de 20 minutos, reservando-se 10
minutos para a discussão. A escolha do
tema deste ano resultou de propostas
apresentadas pelos membros da Secção na última “reunião informal”, realizada no passado dia 14 de abril, em Coimbra. Nestas reuniões informais, temos
como objetivo principal a discussão
de casos clínicos, trazendo os internos
de Ortopedia e todos os ortopedistas
interessados a um exercício de aprendizagem salutar e de que todos nós
beneficiamos.
Reconhecendo a importância do preenchimento dos formulários do RegisDr. Gabriel Matos
to Oncológico Nacional de Tumores do
Aparelho Locomotor (RONTAL), apelo
ao empenho de todos, de forma a termos acesso a uma base de dados nacional
num futuro próximo.»
Alguns resultados do 1.º Inquérito de Uniformização do Curriculum Vitae
- 95,4% dos internos concordam com a uniformização do Curriculum Vitae;
- 53,1% concordam divisão de atividade cirúrgica eletiva e de urgência;
- 48,6% concordam com a existência de uma introdução;
- 54,9% anuem em incluir a descrição de Ortopedia Infantil na Ortopedia e Traumatologia Geral, em vez da inclusão nos estágios parcelares;
Em relação à atividade cirúrgica:
- 96,9% concordam em incluir tabelas-resumo por área anatómica;
- 82,5% concordam em incluir gráficos com casuística;
- Apenas 36,5% concordam em incluir as complicações e comorbilidades;
- 54% concordam em incluir as cirurgias realizadas em hospitais privados.
CISPOT: Dr. Carlos Maia Dias; Dr. João Vide; Dr. José Martins; Dr. Nuno Lança; Dr. Ricardo Gonçalves e Dr.ª Sofia Viçoso.
SPOT inForma
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xxxii congresso dia 17
Participação das sociedades
congéneres da SPOT
Os representantes da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), da SECOT
(Sociedade Espanhola de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica), da SOFCOT (Sociedade
Francesa de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica) e da AAOT (Associação Argentina de
Ortopedia e Traumatologia) adiantam os temas das conferências que vão proferir e que
decorrem no dia 17 de outubro.
Dr.ª Patrícia Fucs
Secretária-geral da SBOT
Cirurgia da deformidade grave e
inveterada da anca
epresentar a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia é uma grande honra,
especialmente no Congresso de uma sociedade irmã, como é a Sociedade Portuguesa
de Ortopedia e Traumatologia. Não é a minha primeira viagem para a linda terra dos nossos
antepassados. E, em todas as vezes que tive a oportunidade de ir, trouxe comigo doces lembranças e muito bons amigos. As relações de amizade entre as nossas sociedades são fortes
e muito caras para ambas. Espero que estejamos sempre juntos para a missão fundamental de
congregar os ortopedistas e manter o alto nível da nossa especialidade, mediante a educação
continuada e a troca de conhecimentos.
Por ser ortopedista pediátrica e ter como principal área de estudo a paralisia cerebral, a minha conferência versará sobre os possíveis procedimentos cirúrgicos no tratamento da deformidade grave e inveterada
da anca. Nos estágios iniciais da patologia espástica da
anca, não há controvérsias quanto às indicações cirúrgicas, mas, nos casos mais graves e, em especial, nos doentes adolescentes e adultos jovens, ainda há dúvidas
sobre qual a melhor indicação terapêutica para cada
doente. Neste contexto, vou mostrar a experiência de
um grupo de doentes tratados na Irmandade da Santa
Casa de Misericórdia de São Paulo.»
Provas cinéticas na avaliação
da cirurgia do LCA
«A
minha intervenção no Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia centrar-se-á na apresentação dos resultados de um trabalho realizado pelo grupo que integro, na Universidad San Pablo,
em Madrid, cujo objetivo foi estudar um protocolo de avaliação da rutura do ligamento cruzado anterior
(LCA), antes e depois da cirurgia, para fazer uma avaliação objetiva. Analisámos 74 doentes, do género
masculino, com rutura isolada do LCA ou associada à lesão do menisco antes da cirurgia e aos três, seis e 12
meses após a cirurgia, seguindo um protocolo com provas cinéticas para determinar a evolução do joelho e
as provas que identificam melhor a diferença entre ambos os joelhos.
O estudo analisou as forças de reação do solo, através de duas plataformas de força, realizando exercícios de marcha e salto. Os dados
analisados foram gerais (idade, altura, peso, tempo de cirurgia, tipo
de atividade, alinhamento dos membros inferiores, etc.) e os parâmetros cinéticos de cada uma das provas efetuadas, em cada um dos
momentos. Encontrámos diferenças durante todo o processo nas
forças de salto entre o pé operado e o contralateral. As diferenças
não foram observadas nos testes de marcha nem de corrida. O estudo cinético de provas de salto pode ser um dado objetivo para avaliar
a evolução de uma cirurgia do LCA.»
12
SPOT
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Dr. Francisco Forriol Campos
Presidente da SECOT
Foto: DR
Foto: DR
«R
Navegação e cirurgia da anca
Dr. Philippe Merloz
Vice-presidente da SOFCOT
Foto: DR
«S
ão utilizadas sete tecnologias principais na cirurgia da anca assistida por computador. Na
artroplastia e resurfacing da anca, a imagem isenta do sistema de navegação é utilizada em
mais de 90% dos casos. Nas situações de resurfacing da anca, a navegação é útil para aumentar a
precisão do posicionamento do componente femoral. A haste personalizada, adaptada à anatomia
do fémur, deve ser reservada para casos displásicos severos.
No caso da artroplastia total da anca, a navegação é utilizada para melhorar o posicionamento do componente acetabular e reduzir desvios no eixo anatómico (inclinação e anteversão) do
componente acetabular, por comparação com a técnica convencional. O desalinhamento do componente colocado no acetábulo continua a ser o grande problema deste tipo de procedimento,
sendo que, para aumentar a precisão do posicionamento do componente, ainda temos de definir
a posição correta da pélvis/acetábulo em várias atividades quotidianas.
Osteotomias periacetabulares, trauma periacetabular e invasão femoroacetabular são procedimentos
complexos e que requerem a utilização de um ambiente técnico bastante sofisticado, baseado em imagens de tomografia computadorizada
(TC) 3D, reconstrução 3D, planeamento 3D, e templating e/ou navegação 3D. Atualmente, não temos informações de follow-up a longo prazo.
A minha conferência versa sobre um trabalho que desenvolvemos
no Departamento de Ortopedia e Cirurgia Traumática do Centro
Hospitalar e Universitário de Grenoble. O estudo consistiu na análise
da utilização da tecnologia CAS (computer aided surgery) na artroplastia total da anca (primária e de revisão), resurfacing da anca, tratamento
do impacto femoroacetabular, trauma periacetabular e osteotomias.»
Processo evolutivo da inervação do membro superior
Foto: DR
E
ste ano, a Associação Argentina de Ortopedia e Traumatologia (AAOT) estará representada no Congresso da SPOT pelo seu presidente, o Dr. José María Rotella,
cuja conferência está agendada para o primeiro dia, 17 de outubro, às 15h00. O especialista revelou ao SPOT inForma que irá apresentar «um estudo de filogenia sobre
a evolução da inervação do membro superior», que poderá permitir entender o aparecimento das malformações congénitas e ajudar na sua classificação. A investigação «é baseada em dados da Anatomia comparada, numa perspetiva do “final” do
caminho, ou seja, partindo da Anatomia Humana atual», adianta José María Rotella.
Assembleia-geral do Colégio de
Ortopedia com mais destaque
E
ste ano, a assembleia-geral do Colégio da Especialidade de Ortopedia da Ordem dos Médicos (CEOOM) realiza-se no primeiro dia do Congresso, 17 de outubro, entre as 18h30 e as 20h30,
ganhando, assim, um lugar de maior destaque
relativamente aos anos anteriores, em que se realizava ao final da tarde do último dia. «Esperamos
que esta alteração contribua para uma maior participação dos ortopedistas na assembleia-geral,
invertendo a situação de fraca afluência que se
verificou nos últimos congressos», considera o
Dr. Paulo Felicíssimo, presidente do CEOOM.
Segundo adianta o responsável, entre os principais temas a debater na assembleia-geral esta-
rão: «o internato da especialidade; a revisão da
tabela de avaliação da especialidade da Ordem
dos Médicos, que foi atualizada no ano passado, mas não foi discutida em assembleia-geral
devido à fraca participação dos ortopedistas; a
recertificação e de que forma os ortopedistas
se devem posicionar perante a mesma; a relação
entre hospitais públicos e público-privados; a influência que a gestão tem hoje sobre a Medicina
e como pode condicionar de forma negativa ou
positiva as escolhas dos cirurgiões ao nível, por
exemplo, dos diferentes tipos de implantes».
Tendo em conta a importância dos temas
abordados nas assembleias-gerais do CEOOM,
Paulo Felicíssimo apela à participação de todos
os ortopedistas na sessão: «Só desta forma as
decisões tomadas pelo CEOOM podem ter em
conta a opinião da maioria dos médicos da especialidade, contribuindo para melhorar e dignificar a atividade ortopédica em Portugal.».
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XXXII Congresso Nacional
privilegia artrodese lombar
e tornozelo degenerativo
«Artrodese lombar» e «O tornozelo degenerativo – que opções
terapêuticas?» são os assuntos a abordar, respetivamente,
no Tema e na Mesa-Redonda do XXXII Congresso Nacional
de Ortopedia e Traumatologia. Os responsáveis pela sua
organização, Prof. José Guimarães Consciência e Dr. Paulo
Felicíssimo, e três dos seus convidados, antecipam os
principais momentos destas sessões.
Prof. José Guimarães Consciência
Organizador do Tema
Vanessa Pais
A
frequência e repercussão das artrodeses
lombares na qualidade de vida dos doentes e os custos inerentes ao seu tratamento fazem com que este seja um tema incontornável e, por isso, a abordar no Congresso Nacional.
Quem o defende é o Prof. José Guimarães Consciência, diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de São Francisco Xavier
(HSFX), em Lisboa, e responsável pela organização deste tema, que inaugura, às 9h00 do dia 17 de
outubro, os trabalhos do XXXII Congresso Nacional
de Ortopedia e Traumatologia.
«O objetivo é criar um fórum de discussão, sobretudo com os colegas que, não tendo intervenção direta na sessão, fazem parte do conjunto de
especialistas que se dedicam ao tratamento da
patologia da coluna», sublinha o responsável pela
organização do Tema do Congresso. E adianta:
«Depois de uma introdução, onde se inclui a apresentação de um caso clínico polémico, serão abordadas as diversas técnicas disponíveis para fazer
uma artrodese lombar, e o alinhamento da coluna
no plano sagital e coronal.»
Do programa da sessão fará ainda parte uma
referência à «Medicina baseada na evidência»,
uma nova discussão global do caso clínico anterior e, naturalmente, do tema apresentado.
Guimarães Consciência considera que «esta é
uma abordagem fundamental para a avaliação
das potencialidades de cada técnica à luz dos resultados clínicos, permitindo, em última análise,
uma maior eficácia cirúrgica e, consequentemente, um maior benefício para os doentes».
Desafios da patologia degenerativa do tornozelo
Ao contrário do assunto do Tema do Congresso,
o da Mesa-Redonda (patologia degenerativa do
tornozelo) «foi escolhido por ser pouco abordado,
em parte, devido à sua menor incidência, se comparado com a patologia do joelho ou da anca, e com o
número de casos identificados na Europa do Norte», esclarece o Dr. Paulo Felicíssimo, responsável
pela Unidade de Cirurgia Ambulatória de Ortopedia B no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca,
na Amadora, e pela organização desta sessão.
O principal objetivo é, por isso, «divulgar a patologia degenerativa do tornozelo e as soluções
terapêuticas disponíveis», adianta o responsável
pela organização da Mesa- Redonda, que decorre
no último dia de Congresso, 19 de outubro, entre
as 9h00 e as 11h00.
Por outro lado, «o intuito desta sessão é
também discutir as controvérsias ainda existentes em torno da escolha da melhor solução
para a patologia do tornozelo». Isto porque
a opção terapêutica tem ser feita de acordo
com as características do doente. «Os doentes são com frequência jovens, com fraturas
da extremidade distal da tíbia ou do astrágalo,
que evoluíram para uma patologia do tornozelo. Nestes casos, é preciso optar por soluções
menos agressivas, mas que também são menos eficazes», salienta Paulo Felicíssimo.
Convidados do Tema…
- Dr. José Tavares de Matos, Hospital de São Francisco Xavier (Lisboa): «Indicações»;
- Dr. Paulo Costa, Centro Hospitalar do Porto/Hospital Geral de Santo António: «Biomecânica»;
- Dr. Vitorino Veludo, Hospital de São João (Porto): «Avaliação imagiológica»;
- Dr. António Tirado, Centro Hospitalar de Lisboa Norte/Hospital de Santa Maria: «Seleção do enxerto»;
- Prof. Jan Waal Malefijt, St. Elisabeth Ziekenhuis, em Tilburg (Holanda): «Artrodese intersomática» (ver texto
na página ao lado);
- Dr. Duarte Chopin, Centre d'Etude et de Traitement des Affections du Rachis, Institut Calot, Berck Plage
(França): «Artrodese postero-lateral: balanceamento vertebral»;
- Prof. Fetullah Cumhur Oner, Universitair Medisch Centrum Utrecht (Holanda): «Anterior approaches in lumbar
spine – do we still need them? » (ver texto na página ao lado);
- Dr. Ferran Pellisé, Adult Spine Deformity, Tumors and Trauma, Spine Unit, Hospital Vall d'Hebron, Barcelona
(Espanha): «Medicina baseada na evidência».
14
SPOT
inForma
Setembro ‘12
Anterior approaches in
lumbar spine – do we still
need them?
Foto: DR
«Spinal surgery has a tremendous development in the
last two decades. The main obstacle for the application
of basic orthopedic principles to the spinal column has
been the surgical-anatomical difficulties. The whole
spinal column, but especially the lumbar spine, lies at the
center of the body and is very difficult to reach without
causing substantial damage to other healthy tissues.
The network of nerves coming together in the lumbosacral plexus has been considered a surgical plane, separating the surgical approaches to anterior or posterior.
Surgical approaches anterior to this plane through
Fetullah Cumhur Oner, MD, PhD
retro or transperitoneal ways have been used for a
long time to solve problems, especially associated with
Universitair Medisch Centrum
intervertebral disc degeneration. These surgical apUtrecht, The Netherlands
proaches are associated with considerable direct postoperative, but also long-term morbidity. Another problem is the difficulty of stabilizing the vertebral segments, because there is usually not enough space for
sturdy orthopedic implants in the retroperitoneal area with complicated anatomy of major blood vessels.
With the development of modern spinal instrumentation with pedicle screws, it became much easier
to achieve rigid fixation of vertebral segments from posterior approaches. In the last decade, many surgical techniques have been developed using posterior or posterolateral approaches to solve the anterior
problems in a single surgery using pedicle screw systems in combination with osteotomies and surgery in
the disc space and placement of smart cages from translaminar or transforaminal approaches.
Especially with the development of percutaneous and mini-open surgical techniques, lumbar
spine surgery has become much less invasive. High-morbidity anterior approaches are used
nowadays much less frequently in common degenerative problems, but are reserved for serious
conditions like malignant tumors.»
Dr. Paulo Felicíssimo
Organizador da Mesa-Redonda
Lumbar interbody fusion
- Dr. Nuno Côrte-Real, Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital Curry
Cabral: «Há lugar para o tratamento
conservador?»;
- Dr. Paulo Amado, Hospital de São Sebastião, Santa Maria da Feira: «Artroscopia, que eficácia?»;
- Dr. Marco Cavallo, II Clinic of Orthopaedics and Traumatology, Rizzoli Orthopaedic Institute, Bolonha (Itália):
«Bipolar fresh osteochondral allograft
of the ankle»;
- Dr. Alexej Barg, University Hospital
of Basel (Suíça): « Tibial osteotomies:
when and how?» e «Ankle arthroplasty:
only in the latter case? » (ver textos da
página seguinte);
- Dr. António Torres, Hospital CUF Porto: «Artrodese do tornozelo – ainda o
gold standard?».
Foto: DR
… e da Mesa-Redonda
For more than three decades, lumbar fusion has
proven to be an exclusive solution for improving
quality of life in patients with low back problems.
However, the indication for surgery is crucial in
achieving success. Having build up an experience
of over 25 years of spinal surgery, together with
neurosurgeons, starting with open procedures and
evolving to minimal invasive lumbar spine surgery
(MISS), some definite conclusions can be drawn.
As already mentioned, the exact and specific
indication should be made particularly for spine
fusions. Operating isolated back pain yields disappointing results. However, backache combined with
neurogenic pains, a consistent pattern and localized
clinical pathology, corresponding to concurrent abnormalities on radiographic images, offers a great
Jan de Waal Malefijt, MD, PhD
challenge to relieve the pains by decompression
Orthopaedic surgeon and tutor at
and stabilization. The open posterior approaches
St. Elisabeth Hospital, Tilburg, The
for fusion gained some reputation in terms of a
Netherlands
consistent percentage of failed back syndromes,
and so did anterior lumbar fusions due to secondary complications of the surgical approach.
Over the years, minimal invasive techniques of spinal surgery, in combination with computer
navigation techniques, have evolved towards more predictable results and reduced morbidity
of lumbar spine fusions. Pedicle screw-rod systems have proven to yield a good stabilization of
lumbar segments and interbody devices have shown to contribute to the fusion (consolidation)
process of unstable lumbar segments.
The evolution of these techniques will be presented in a unequivocal and accessible way, illustrating the obstacles and unruliness in the amazing field of MISS surgery evolution in the lumbar spine.
SPOT inForma
Setembro ‘12
15
Tibial osteotomies: when and how?
Foto: DR
Alexej Barg, MD
University Hospital of Basel, Switzerland
Foto: DR
«More than half of all patients with post-traumatic ankle osteoarthritis present with a
malaligned hindfoot. Therefore, supramalleolar osteotomies have gained increasing popularity for the treatment of early and midstage ankle osteoarthritis. The main aims of this
procedure are to realign the hindfoot, to transfer the ankle joint under the weight-bearing
axis, and to normalize the direction of the force vector of the triceps surae.
Contraindications for supramalleolar osteotomies include severe hindfoot instability,
vascular and neurological deficiency, neuroarthropathic disorders (e.g. Charcot feet), and
altered bone quality. Preoperatively, the clinical examination involves a careful assessment
of ankle alignment with the patient standing. Reconstructive surgery of the ankle joint is
planned using weight-bearing radiographs, including Saltzman view for assessment of the
inframalleolar ankle alignment.
Supramalleolar alignment correction in the varus and valgus type arthritis of the ankle
joint (asymmetric arthritis) has shown to reduce pain, improve function and radiological
signs of arthritis, as well as postpones the need of fusion or joint replacement surgery.
However, asymmetric arthritis of the ankle joint in a majority of cases is not only due to
a single plane deformity, but may include a complex instability pattern involving the ankle
joint, the neighboring joints and the stabilizing surrounding soft tissues.»
Male, 51 years old patient, with asymmetric varus osteoarthritis and substantial varus tilting of the talus. Realignment surgery was performed including medial
opening wedge osteotomy of the tibia and valgization osteotomy of the calcaneus. Four years after the reconstructive surgery the patient was pain free,
without any limitations in his daily activities.
Ankle arthroplasty: only in the latter case?
One of the requirements for good long-term results is the appropriate
position of prosthesis components and physiological osseous balancing
of the hindfoot complex. Therefore, the total ankle replacement is not
only a «resurfacing procedure» addressing the degenerative changes of
the tibiotalar joint, but has become a reconstruction procedure addressing deformities and instabilities. Whereas in patients with mid-stage ankle
osteoarthritis joint preserving surgery is the main treatment option, in patients with end-stage ankle osteoarthritis the total ankle replacement has
evolved to a valuable treatment. Therefore, ankle fusion is not longer the
«gold standard».
Foto: DR
Total ankle replacement has become a valuable treatment option in patients
with end-stage ankle osteoarthritis. Current reports of total ankle replacement
consistently show good to excellent mid-term results with significant pain relief,
good functional outcomes (including well preserved range of motion), and high
patient satisfaction. All etiologies of ankle osteoarthritis are important indications for this procedure. Also patients with bilateral ankle osteoarthritis are
good candidates for total ankle replacement. Additional indications include salvage of failed primary arthroplasties and of non-union or mal-union of prior ankle
fusion. In more than 60% of all patients with end-stage ankle osteoarthritis a
significant varus or valgus malalignment of the hindfoot is observed.
Male, 64 years old patient, with end-stage ankle osteoarthritis. Six years after total ankle replacement, the patient is pain free and postoperative radiographs,
including Saltzman view, show proper position and osseous integration of both prosthetic components and physiological alignment of hindfoot.
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SPOT
inForma
Outubro ‘11
SPOT inForma
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xxxii congresso dia 17
Resultados preliminares do terceiro Relatório
Anual apresentados no Congresso
A
sessão organizada pelo Registo Português
de Artroplastias (RPA) tem lugar no primeiro dia de Congresso, 17 de outubro, entre as
17h00 e as 18h00. Nela serão apresentados, em primeira mão, os resultados preliminares do terceiro
Relatório Anual do RPA. De acordo com o coordenador Dr. José Costa Ribeiro, ao fim de três anos
de funcionamento, «a fase do “quem somos e o que
fazemos" está praticamente concluída e o perfil da
cirurgia artroplástica em Portugal está caracterizado e conhecido, não só pelas autoridades nacionais
de Saúde, como pelas instâncias internacionais».
Assim, afiança José Costa Ribeiro, cresceram
também as responsabilidades e o acumular de informação recolhida, pelo que, este ano, a redação
do Relatório Anual do RPA tornou-se mais complexa e, face à conjuntura, obrigou a uma contenção
de custos. O relatório estará, pois, disponível
na íntegra até ao final do ano, no site do RPA
(www.rpa.spot.pt) e serão impressos apenas alguns exemplares para envio às autoridades de
Saúde e administrações hospitalares.
Com vista a debater questões práticas, a sessão
dedicada a este registo, moderada pelo presidente
do Observatório Nacional de Artroplastias,
Dr. José Manuel Teixeira, e pelo e vice-presidente
do RPA, Dr. Mário Tapadinhas, conta ainda com a
participação das Dr.as Raquel Alves, diretora da
A sessão dedicada ao RPA
no Congresso conta com
a discussão de «temas
quentes» , entre os quais
a polémica em torno do
par articular metal-metal
Dr. José Costa Ribeiro
Unidade de Vigilância de Produtos de Saúde do
INFARMED, que irá falar sobre «Rastreabilidade
de Implantes e Vigilância do Mercado»; e Rita Cristóvão, coordenadora da UCGIC (Unidade Central
de Gestão de Inscritos para Cirurgia)/SIGLIC (Sistema Informático de Gestão da Lista de Inscritos
para Cirurgia) da ACSS (Administração Central do
Sistema de Saúde), que abordará o tema «Codificação Clínica na Identificação de Procedimentos».
«Num ano marcado pelo escândalo dos implantes mamários PIP e pelo desastre anunciado do par
articular metal-metal (MoM), a abordagem destes
temas é também incontornável», considera o coordenador do RPA. «Tendo em conta as perturbações
introduzidas no fluxo de trabalho das instituições,
devido aos tempos conturbados que vivemos, que
frequentemente se traduzem em desmotivação, é
de salientar a elevada taxa de registo que se continua a verificar. A quantidade de registos é, sem dúvida, encorajadora e demonstrativa da importância
do RPA para a Ortopedia portuguesa», sublinha, com
satisfação, José Costa Ribeiro. Vanessa Pais
Intervir na artrose da mão
E
Foto: Thinkstock
Década do Osso e da
Articulação
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18
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inForma
Setembro
Outubro‘12
‘11
ste ano, a sessão dedicada à Década do Osso
e da Articulação, que tem lugar no primeiro
dia do Congresso, 17 de outubro, às 17h00, é
organizada pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR). O tema a abordar será «Artrose da
mão: como intervir?». De acordo com a presidente
da SPR, Dr.ª Viviana Tavares, «a artrose da mão, ao
contrário de outras localizações da osteoartrose,
como a anca ou o joelho, é, por vezes, “negligenciada”
e considerada uma situação menos importante».
No entanto, sublinha a presidente da SPR, «esta
é uma patologia muito frequente e potencialmente
muito incapacitante para o doente, particularmente quando existe envolvimento das interfalangicas
proximais, rizartrose do polegar ou osteoartrose
erosiva». Assim, a Dr.ª Margarida Cruz, responsável
pelo Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar
Oeste Norte/Caldas da Rainha, abordará a epidemiologia e a fisiopatologia da artrose da mão; o
Dr. Pedro Figueiredo, fisiatra também nos HUC, falará da terapêutica médica e fisiátrica; e, por último,
o papel da cirurgia ortopédica nesta patologia será
abordado pelo Dr. José Carlos Botelheiro, ortopedista no Hospital de Sant’Ana, em Lisboa.
No final da sessão, Viviana Tavares espera que se
conclua que «há intervenções válidas para a osteoartrose, nas quais importa apostar, já que podem
melhorar a qualidade de vida dos doentes». Já em
relação ao trabalho desenvolvido pela Década do
Osso e da Articulação, que começou em 2000 e foi
prolongada em 2010, sob o lema «Keep People
Moving», a presidente da SPR destaca como marcos a implementação do Programa Nacional Contra
as Doenças Reumáticas (desde 2004) e a concretização de várias iniciativas estratégicas para atingir
os objetivos principais deste Programa (controlar a
morbilidade, a mortalidade e os custos associados
às doenças reumáticas; melhorar a qualidade de
vida do doente). Vanessa Pais
Dr.ª Viviana Tavares
dia 18 xxxii congresso
«Future advances will
focus on biological
solutions rather than
just mechanical
treatments»
Foto: DR
Dr. James D. Heckman is coming to the
XXXII Portuguese Congress of Orthopaedics and
Traumatology to share his knowledge in the scientific
publication area. As he states in the following interview,
the recipe to a successful scientific publication is «a
careful preparation of the manuscript, combined with
perseverance». On October 18th, James Heckman’s
conference starts at 5 pm.
James D. Heckman, MD
Editor emeritus of the American Volume of The Journal of Bone
and Joint Surgery
Vanessa Pais
What will be the key message that you pretend to leave to the audience?
I think that the key message is that a careful
preparation of a scientific manuscript, combined with perseverance will usually result in
a successful publication.
What are the main challenges of being the
main editor of a book like the one that you
will present at the Congress, that is available online and therefore allows content
updates?
The main challenge is working with the contributing authors to produce an up to date, useful
and well written manuscript in a timely fashion.
Is this book more directed to younger orthopedists?
Yes. Younger orthopedists are more familiar with
electronic media. So, they will use an e-book
more often than the older orthopedists.
Despite being the first time that you will be
in Portugal, have you a formed idea about the
Ten years at
The Journal
of Bone and
Joint Surgery
Foto: DR
Your participation in the Portuguese Society
of Orthopaedics and Traumatology [SPOT in
the Portuguese acronym] annual meeting
will have two moments: a conference and the
presentation of a book, of which you are the
main editor. What subject will you bring to
the conference?
At the conference «How to present a scientific
article» we will discuss ways for scientists to successfully publish their papers in medical journals.
Dr. James D. Heckman was
editor in chief of The Journal of
Bone and Joint Surgery (JBJS)
during ten years. After having passed the testimony, in
2010, Heckman published, in
November 2011, in The American
Journal of Orthopedics, an article
about his experience. «Ten Years
at JBJS: Lessons Learned» is
available on www.amjorthopedics.com/PDF/040110558.pdf.
level of our orthopedists and SPOT’s work?
Well, I think that Portugal has a very sophisticated Orthopaedic Society and its members
are providing high level care of musculoskeletal conditions.
How do you describe your experience as
editor in chief and chief executive officer of
the American Volume of The Journal of Bone
and Joint Surgery?
It was a very challenging but very interesting
experience as we transformed a purely paper
publication into a fully electronic communication. The conversion of such components,
manuscript processing and editing from paper to electronic was quite a challenge.
What do you think about the ongoing investigation in the Orthopedics and Traumatology area?
Tremendous advances are being made in this
area and future advances will focus on biological solutions rather than just mechanical
treatments.
And what do you highlight about the medical education and training that is currently
provided to the residents and young surgeons?
In the USA and Europe both, the constraint of
available hours for training each week create
serious problems for young surgeons to learn
effectively.
What are your expectations about the Portuguese meeting?
I’m looking forward to learn more about the
country, the people, and the practice of orthopedic surgery in Portugal
SPOT inForma
Setembro ‘12
19
xxxii congresso dia 18
Fórum EFORT
Joelho degenerativo – desafio
terapêutico em doentes jovens
e ativos
Dr. José Filipe Salreta
No dia 18 de outubro, entre as 9h00 e as 11h00, decorre o Fórum da European
Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology
(EFORT), dedicado ao tema «Degenerative Knee. Facing the challenge with
young and active patient». O Fórum conta com a participação de especialistas
nacionais e estrangeiros e constitui um dos pontos altos do Congresso.
Chair do Fórum EFORT
Tiago Mota
P
Dr. Manuel Cassiano Neves
Vice-presidente da EFORT
PUB.
20
SPOT
inForma
Setembro ‘12
resente na mesa do Fórum, na qualidade de vice-presidente da EFORT, estará
o Dr. Manuel Cassiano Neves, que lembra
que «o estabelecimento de uma plataforma científica e educacional onde todas as sociedades
nacionais se revejam é o objetivo da EFORT».
Este responsável sublinha que a «homogeneização dos currículos de formação, de forma a
garantir um nível de educação semelhante, mas,
ao mesmo tempo, adaptado às especificidades
de cada País é uma das prioridades da EFORT».
Como chair do Fórum, ao Dr. José Filipe Salreta,
coordenador da Unidade de Artroscopia e
Joelho do Serviço de Ortopedia e Traumatologia
do Hospital Garcia de Orta, em Almada, caberá
ministrar a palestra introdutória sobre o tema
«Perfil e expetativas – opções terapêuticas».
Estima-se que a artrose afete cerca de metade
da população mundial em algum momento da
vida, manifestando-se por dor e incapacidade
funcional. Segundo o especialista, o aumento
da atividade física e o crescimento demográfico
verificado na chamada geração baby-boom, no
pós-Segunda Guerra Mundial, colocam à Ortopedia dois tipos de problemas: «Por um lado, o
aumento exponencial de lesões traumáticas do
joelho e consequentes lesões degenerativas; por
outro, o aumento do grau de exigência destes
Dr. Gonçalo
Moraes
Sarmento
No biénio 2011-2012, os Drs. Gonçalo Moraes
Sarmento, do Hospital de Sant’Ana, na Parede,
e Afonso Ruano, diretor do Serviço de Ortopedia da Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros, foram os delegados da SPOT na European Federation of National Associations of
Orthopaedics and Traumatology. No Congresso da EFORT, decorrido entre 22 e 25 de maio
de 2012, em Berlim, os delegados nacionais
procuraram conciliar os interesses e dificuldades da SPOT, fazendo eco da realidade portuguesa na Europa. Simultaneamente, procuraram – através da Federação – fundar parcerias,
garantir patrocínios e formalizar candidaturas
a bolsas, prémios, lectures e fóruns. O apoio ao
candidato português à presidência da EFORT – o
Dr. Manuel Cassiano Neves – foi também o foco
da atividade dos delegados nacionais.
Foto: DR
Contributos dos delegados
portugueses na EFORT
Dr. Afonso
Ruano
Preoperative
planning of
osteotomies
around the knee
Foto: DR
doentes, particularmente quanto ao regresso à
prática desportiva, em alguns casos, a desportos
de alto impacto.»
O desafio coloca-se, justamente, em «encontrar o tratamento cirúrgico mais adequado
a cada caso, tendo em conta a gravidade das
lesões articulares degenerativas, mas também
as expetativas de cada doente», sublinha José
Filipe Salreta. Deste modo, cada interveniente
convidado do Fórum EFORT abordará uma indicação cirúrgica diferente.
O Dr. Ricardo Varatojo, ortopedista no Hospital
Cuf Descobertas, em Lisboa, falará sobre o tratamento da artrose por artroscopia. Este método
de tratamento cirúrgico não invasivo, por si só,
«tem um alcance terapêutico muito limitado, mas
poderá ter um papel muito importante como coadjuvante de outras opções cirúrgicas, nomeadamente os enxertos osteocondrais, o transplante
de condrócitos, os transplantes meniscais ou em
microfraturas do defeito cartilagíneo».
O Prof. Ronald van Heerwaarden, diretor da
Limb Deformity Reconstruction Unit, Sint Maartenskliniek, na Holanda, vai falar sobre os benefícios reais das osteotomias proximais da tíbia,
desde que sejam salvaguardadas as indicações
precisas e executadas de modo correto. «Ao contrário do que sucedia no passado (resultados irregulares), o correto alinhamento axial do membro
inferior, feito com critério e com osteossíntese
rígida e fiável, pode fornecer resultados uniformes e encorajadores, permitindo ganhar tempo
ou mesmo substituir a colocação de prótese total
do joelho», indica José Filipe Salreta.
As próteses unicondilianas estão a ser cada
vez mais utilizadas em indivíduos jovens e ativos, sendo os resultados «mais satisfatórios e a
taxa de revisão sobreponível em relação às próteses totais do joelho», refere o chair do Fórum
EFORT. Este tema estará a cargo do Dr. Andrew
Porteous, ortopedista no Spire Bristol Hospital,
no Reino Unido.
Finalmente, o Dr. Luís Amaral, diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital Curry Cabral, em
Lisboa, e coordenador da Secção do Joelho da
SPOT, abordará o tema «Próteses totais do joelho de alta performance». Este é, nas palavras
de José Filipe Salreta, «o sonho de qualquer cirurgião do joelho: executar uma prótese total
do joelho para que este adquira uma mobilidade
normal e uma função praticamente igual à do joelho nativo, de modo a permitir ao doente um regresso ao desporto e a um nível igual àquele que
tinha antes da doença degenerativa do joelho».
O chair do Fórum EFORT espera que «a assistência fique com uma perspetiva tão completa
quanto possível de todas as opções cirúrgicas
atualmente disponíveis para o tratamento do
joelho degenerativo, de modo a que cada doente,
cada estádio da doença e cada situação clínica
tenha o tratamento mais adequado».
Ronald van Heerwaarden,
MD, PhD
At the European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology Forum, Ronald van Heerwaarden,
MD, PhD, is the invited speaker in a short
lecture on planning osteotomies around
the knee. Doctor van Heerwaarden is a
well-known specialist from The Netherlands,
where he is the head of the Limb Deformity Reconstruction Unit of the Sint
Maartenskliniek. In his own words, here
is a summary of what to expect from his
lecture:
«It cannot be stressed enough that
before osteotomies around the knee are
performed, a good preoperative planning
of deformity correction is of outmost importance. Major mistakes are still made
because of improper deformity analysis
and inaccurate planning, even in simple
valgus high tibial osteotomies for the
most common patient group with varus
medial compartment osteoarthritis.
In my lecture I will explain the key factors for preoperative planning and which
mistakes cause improper planning. Insight in the different steps required
to make a surgical plan, of which planning is only one of the steps, will give
the doctors who perform osteotomies
around the knee the necessary tools to
prevent complications. New techniques
and scientific work have caused a global
re-appreciation of this important surgical procedure – which deserves a more
prominent place in everyday orthopaedic
practice.»
SPOT inForma
Setembro ‘12
21
xxxii congresso dia 19
Reconhecimento da Fisioterapia
no Congresso da SPOT
Opinião dos membros
da comissão
organizadora das
Jornadas de Fisioterapia
P
ela primeira vez no Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia terão lugar as Jornadas de Fisioterapia com patrocínio científico da SPOT
(no dia 19 de outubro, entre as 14h30 e as 18h30). Este encontro vem demonstrar o reconhecimento do trabalho do fisioterapeuta, há muitos anos integrado na equipa ortopédica, a mais-valia da Fisioterapia no contexto dessa equipa e a cada vez maior importância da partilha pluridisciplinar de experiências e
conhecimentos.
A abertura à participação dos fisioterapeutas num Congresso de especialidade médica, numa valência tão relevante para nós como é a Ortopedia, representa
um marco importante – pelo reconhecimento técnico-científico que hoje apresenta a nossa profissão, bem como do nosso papel na equipa multidisciplinar.
Do programa que propomos para estas Jornadas salientamos a preocupação
pela apresentação de trabalhos de reconhecido valor académico e que representam a nossa prática diária no contexto da Fisioterapia Ortopédica. Optámos por
um programa que esperamos seja do vosso agrado, sobre as seguintes temáticas:
- Coluna, lombalgia crónica;
- Tornozelo e pé;
- Dinâmica das disfunções do complexo articular do ombro (CAO);
- Comunicações livres.
Olímpio Gouveia Pereira
Estas intervenções entrecruzam-se com as preleções dos ortopedistas. Apenas desejamos que o nosso grande objetivo para estas Jornadas seja alcançado:
contribuir para uma efetiva partilha multidisciplinar, para o reconhecimento profissional do fisioterapeuta e para a melhoria das suas competências nestas áreas específicas, resultando em mais e melhores cuidados aos doentes.
José Pedro Marques
O
Foto: Celestino Santos
«Dia de Enfermagem da AEPOT» integra-se
no último dia do Congresso, 19 de outubro,
sendo organizado pela Associação dos
Enfermeiros Portugueses de Ortopedia e Traumatologia. «Debater a sistematização das ações de
Enfermagem nas patologias lombares, do pé e do
tornozelo» é o principal objetivo deste ano, como
assinala a enfermeira Rosário Louzada, presidente
da AEPOT, destacando a conferência subordinada
Enfermeira Rosário Louzada
Presidente da AEPOT
22
SPOT
inForma
Setembro ‘12
ao tema «Criatividade, inovação e empreendedorismo na reabilitação», que será proferida pelo
enfermeiro Pedro Parreira, professor na Escola
Superior de Enfermagem de Coimbra.
À semelhança do que já acontece em outros países europeus, o Dia da Enfermagem está integrado
no Congresso Nacional de Ortopedia, «o que contribui para o reforço do binómio médico/enfermeiro no que respeita à complementaridade do seu
exercício profissional», comenta Rosário Louzada.
Além disso, desde 2011 que a AEPOT colabora na
organização do Nurse Day, que acontece também
em simultâneo com o Congresso anual da EFORT.
«A implementação de padrões de qualidade cada vez mais exigentes, as competências
pedidas ao enfermeiro que presta cuidados no
âmbito da Ortopedia e Traumatologia e ainda a
constatação do reduzido desenvolvimento dos
conteúdos relativos às patologias/lesões e respetivos cuidados neste campo de intervenção
nos planos curriculares das licenciaturas em
Enfermagem justificam que a AEPOT tenha pen-
Foto: Thinkstock
Atuação da Enfermagem nas
patologias lombares, do pé e
do tornozelo
sado organizar uma pós-graduação nesta área,
cumprindo assim um dos seus objetivos primeiros», anuncia Rosário Louzada.
O objetivo da AEPOT é que, em 2013, se realize o I Curso de Pós-graduação em Enfermagem
de Ortopedia e Traumatologia, que decorrerá na
Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das
Misericórdias, em Lisboa. «Será um curso teóricoprático, com uma carga horária de 750 horas, 300
das quais serão teóricas, e iniciaremos a sua divulgação em outubro próximo. Em princípio, as inscrições deverão estar abertas antes do final de 2012»,
avança a presidente da AEPOT. Tiago Mota
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«We have numerous therapeutic options
but none is universal and perfect»
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SICOT Forum
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Tiago Mota
ject and it was an excellent idea. It is a frequent
and mostly a very complicated injury. We have
numerous therapeutic options but none is universal and perfect.
Foto: DR
From the physician/surgeon point of view,
what are today`s main challenges in diagnosing and developing a treatment plan for patients with proximal humeral fractures?
The general availability of x-ray and computer
tomography devices makes the diagnostics relatively easy. It starts to be difficult if we aim at an
anatomic reduction and full recovery. Complicated
anatomy, poor bone quality and multifragmentary
fractures make the treatment a real challenge.
Andrzej Bohatyrewicz, MD, PhD
Vice-president for Europe of the
International Society of Orthopaedic
Surgery and Traumatology (SICOT, in
the French original acronym)
A
ndrzej Bohatyrewicz is attending the
XXXIII SPOT National Congress and we
could not miss the chance to interview
him – to give you his thoughts on the proximal
humeral fractures treating challenges, economic impact and also on other controversies.
The SICOT Forum is taking place on October 19th,
from 11.30 am to 1 pm.
For SICOT, what is the importance of establishing
a closer communication with national Orthopaedic and Traumatology societies, such as SPOT?
First, please allow me to express in my name
and on behalf of SICOT, the satisfaction for the
invitation coming from the Portuguese Society of Orthopaedic and Traumatology to join its
Congress. SICOT is already 83 years old and was
created in order to contribute to a more rapid
progress and a wider spreading of Orthopaedic
knowledge. Coming together with national Orthopaedic societies and surgeons from all over
the world is the absolute priority for SICOT and
a long-lasting tradition. Therefore, we are very
happy for the closer communication that will be
developed with such a prestigious Orthopaedic
Society like SPOT.
What are the most common reasons for osteosynthesis failure on proximal humeral fractures?
The result of operative treatment of proximal
humeral fracture depends u pon fracture type,
energy absorbed, treatment chosen (method,
implant), experience of the orthopaedic surgeon,
subsequent rehabilitation, patients general status and involvement in therapeutic process. Imperfection in any of the above listed factors may
be enough for osteosynthesis failure.
What is the economic impact of proximal humeral fractures both to society and the national health care services?
The economic impact of these fractures to society and to national health care services is never
to be underestimated. The proximal humeral
fracture belongs to the group of osteoporotic
fractures and the frequency of its occurrence
is consistently increasing. Besides, these fractures are difficult to treat successfully, which
makes them and even greater economic issue.
As the population tends to age, what can be
done to prevent these fractures from occurring and invert its incidence increase?
I do not believe we will manage to reduce the
number of new fractures because the popula-
tion will get older and older. What we orthopaedic surgeons aspire is to retain physical
fitness in older age, to avoid falling and bone
breaking. Numerous researchers are working
on new efficient and price-acceptable therapy
regimes against osteoporosis.
The MoM controversy
What is your opinion on the development
of fixation methods and prosthesis? Do you
think the supplying companies are meeting
patients and surgeon’s needs?
There is a never-ending improvement process
but – still – preservation of the own bone is mostly
better than all joint implants. The complexity of
construction and function of humeroscapular
joint makes it very difficult to replace it with wellfunctioning endoprosthesis. On the other hand,
suppliers are always very open to our problems
and needs and we will keep working together on
prosthesis improvement.
What is your personal view on the recent discussion around metal-on-metal (MoM) hip implants?
There are many concerns by clinicians and patients about MoM hip implants rising. What we
need is the rigorous clinical and statistical analysis and it has not been conducted yet. Personally,
based on my subjective knowledge I have decided not to implant MoM hip implants.
The «Combined 33rd SICOT & 17th PAOA Orthopaedic World Conference» is taking place next
November 28-30, in Dubai/United Arab Emirates. Do you wish to leave some inviting words
to the Portuguese specialists?
Portuguese Orthopaedic surgeons have a long
tradition of being leaders and developers of
Orthopaedic Surgery. Portuguese people are
friendly and outgoing so we are sure that Portugal will have its impressive representation and
will work for progress in Orthopaedics and Traumatology as we all in SICOT do.
Foto: Thinkstock
What is the reason for choosing proximal humeral fractures as the theme for the SICOT Forum in the SPOT Congress?
Prof. Guimarães Consciência, the Portuguese
SICOT national delegate has proposed that sub-
SPOT inForma
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congresso de 2011 flashback
Recordar o XXXI Congresso
Nacional de Ortopedia e
Traumatologia
Passou um ano, mas o SPOT inForma não deixou «passar em branco» os principais
momentos do XXXI Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, que decorreu
de 19 a 21 de outubro de 2011, no Centro de Congressos do Estoril. Veja ou reveja…
Vanessa Pais
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1 «Cinquenta anos de Saúde em Portugal» foi o tema que levou o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa
ao XXXI Congresso da SPOT, a título de convidado da direção. A conferência decorreu no primeiro dia do evento, 19 de outubro. 2 O presidente de honra foi, pela primeira vez, um ortopedista
estrangeiro, o Prof. José Sérgio Franco, do Brasil, fazendo jus às boas relações entre a SPOT e a
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). A conferência que proferiu versou
sobre «Complicações em fratura proximal do úmero». 3 O Dr. Christian Krettek, da Alemanha, foi
o outro convidado da direção e, nessa qualidade, proferiu a conferênia «Damage control in OrthoTraumatology». 4, 5 e 6 Os Drs. Antonio Murcia Mazón (Espanha, foto 4), Miguel Cabanela
(EUA, foto 5), Jean Puget (França, foto 6), Darko Anticevic (Croácia), Johannes Holz (Alemanha),
Maurilio Marcacci (Itália), Philippe Beaufils (França) e Reinhold Ganz (Suíça) e os Profs. Lars Engebretsen (Noruega) e Alain Masquelet (França) foram outros palestrantes internacionais que
marcaram presença no Congresso.
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7 e 8 A representar as sociedades «amigas» da SPOT estiveram os
Drs. Bernard Moyen (SOFCOT), Francisco Forriol Campos (SECOT),
Hernán del Sel (AAOT, foto 7), e Osvandré Lech (SBOT, foto 8).
9 Entre outros prémios e distinções atribuídos durante o jantar
do Congresso, o título de «Membro Honorário da SPOT» foi entregue pelo Dr. Roxo Neves (presidente da SPOT em 2011 - na foto,
quarto a contar da esq.) ao Prof. José Sérgio Franco (do Brasil), ao
Dr. Miguel Cabanela (dos EUA), ao Dr. Manuel Leão (presidente da
SPOT em 2010), ao Prof. Jacinto Monteiro (presidente da SPOT em
2008) e ao Dr. José Neves (presidente da SPOT em 2009) - na foto
da esq. para a dta. 10 O XXXI Congresso Nacional de Ortopedia
e Traumatologia contou com o apoio de 41 empresas da indústria
farmacêutica e de equipamentos. 11 Como é tradição, o Dr. Rui
Pinto, atual presidente da direção da SPOT, recebeu «o testemunho» das mãos do presidente na altura, Dr. José Roxo Neves, durante
a cerimónia de entrega de prémios e bolsas da SPOT.
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SPOT
inForma
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Voz da SPOT
Iniciativas e
prioridades da
atual direção
da SPOT
Em entrevista, os Drs. Rui Pinto
(à dta.) e Pedro Fernandes (à
esq.), respetivamente presidente
e secretário-geral da Sociedade
Portuguesa de Ortopedia e
Traumatologia (SPOT), analisam o
mandato da atual direção. O Congresso
Nacional, a Revista Portuguesa
de Ortopedia e Traumatologia,
as relações institucionais e a
intervenção na tomada de decisões
para a especialidade são algumas das
prioridades destacadas.
Vanessa Pais
Quais os pilares estratégicos da atual direção, que
tomou posse em março de 2012?
Dr. Pedro Fernandes (PF): O mandato anual não
permite grandes alterações na estratégia delineada
pelas direções anteriores, mas uma estratégia de
continuidade. A organização do Congresso Nacional
ocupou grande parte da nossa atividade até agora.
Contudo, salientamos o apoio à Revista Portuguesa
de Ortopedia e Traumatologia (RPOT), como garante da divulgação da produção científica da SPOT.
Dr. Rui Pinto (RP): A representação da SPOT nos
congressos das sociedades Francesa, Espanhola,
Argentina, Brasileira e Angolana de Ortopedia é uma
aposta forte desta direção [ver mais informação na
caixa]. A edição e distribuição aos ortopedistas do
livro Crónica da Sexta Década da SPOT e a interação
com a sociedade civil através dos meios de comunicação social são também desígnios desta direção.
Nesse sentido, estamos a implementar a cam-
panha «Vida em movimento», em parceria com a
APORMED [Associação Portuguesa das Empresas
de Dispositivos Médicos].
Que objetivos já foram cumpridos?
RP: Conseguimos, até ao momento, uma diminuição
nos custos das diferentes publicações da SPOT,
bem como na realização do Congresso Nacional.
Representámos a SPOT no primeiro Congresso da
Sociedade Angolana de Ortopedia e Traumatologia (SAOT), realizado em Luanda, no passado mês
de junho, estreitando desta forma os laços entre
as duas sociedades e convidando o presidente da
SAOT para estar presente no nosso Congresso.
Este ano, a SPOT é convidada das Sociedades
Espanhola e Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
nos seus congressos, com responsabilidades acrescidas, pois, além das conferências do presidente, haverá um tempo para realização de mesas-redondas
com temas portugueses. Por cá, já estabelecemos
protocolos de colaboração com a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e com a
Sociedade Portuguesa de Reumatologia.
A RPOT já tem o seu site em funcionamento
(www.repot.pt). Neste processo, queria realçar a
Representações institucionais da SPOT
A nível nacional e internacional, são muitos os convites para que os membros da direção da SPOT se façam representar em eventos científicos. Eis alguns dos que já contaram/contarão com essa presença este ano:
- IV Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de
Patologia da Coluna Vertebral. Termas de Monte Real,
15 a 17 de março;
- XI Congresso Nacional de Radiologia. Hotel Tivoli
Marina, Vilamoura, 9 a 12 de maio;
- Congresso da European Federation of National
Associations of Orthopaedics and Traumatology
(EFORT). Berlim, Alemanha, 23 a 25 de maio;
- 4.º Congresso da Sociedade Ortopédica de Língua
Portuguesa (SOLP). Luanda, Angola, 14 a 16 de junho;
- Congresso da Sociedad Española de Cirugía
Ortopédica y Traumatología (SECOT). Málaga,
Espanha, 3 a 5 de outubro;
- Congresso da Société Française de Chirurgie Orthopédique et Traumatologique (SOFCOT). Paris, França,
12 a 15 de novembro;
- Congresso da Sociedade Brasileira de Ortopedia
e Traumatologia (SBOT). Salvador da Baía, Brasil.
15 a 17 de novembro;
- Congresso da Asociación Argentina de Ortopedia
y Traumatología (AAOT). Buenos Aires, Argentina,
2 a 5 de dezembro.
importância do trabalho desenvolvido pelo Dr. Paulo
Lourenço, a sua dedicação e entusiasmo ao serviço
da Ortopedia nacional. Foi também uma prioridade
implementar o Registo Nacional de Displasia da
Anca, um dos objetivos da Secção para o Estudo da
Ortopedia Infantil. O regulamento eleitoral da SPOT
também já está elaborado e encontra-se pronto
para discussão e posterior aprovação.
Na área da formação, temos programados
dois cursos. Um dirigido aos internos, sobre
como escrever artigos científicos e preparar
comunicações orais. O outro, dirigido aos diretores de Serviço, sobre liderança.
PF: Dada a necessidade de marcar uma posição perante os decisores do Serviço Nacional de Saúde, a
SPOT, seguindo o êxito exemplar do Registo Português de Artroplastias, criou uma Comissão de Boas
Práticas Clínicas em Ortopedia, para que possamos
defender as nossas opiniões em temas tão essenciais como a escolha de um determinado implante
ou a solicitação de um exame para o nosso doente.
Que preocupações tiveram na organização do
Congresso deste ano?
PF: Uma das principais preocupações foi devolver
às comunicações livres um lugar de destaque, enviando uma mensagem clara aos internos e jovens
ortopedistas sobre a necessidade de dedicarem
algum tempo da sua atividade clínica à investigação.
A segunda preocupação foi garantir o máximo de
participação nas salas.
Que novidades foram introduzidas?
PF: A grande novidade será o tempo concedido a
cada comunicação livre e a sua forma de apresentação. Cada autor terá apenas cinco minutos e as
comunicações serão apresentadas em grupos de
quatro, seguindo-se a discussão. Ao conseguirmos
distribuir as comunicações por temas, técnicas,
diagnósticos e grupos etários, pensamos ter conseguido criar condições para atrair a atenção e estimular a discussão.
SPOT inForma
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ossos de vida
Dr. Alarcão e Silva Presidente da SPOT no biénio 1991-1992
Um ortopedista
com quase 60
anos de carreira
Sócio número 77 da Sociedade
Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
(SPOT), o Dr. Alarcão e Silva tornou-se
presidente em 1991. Estivemos à
conversa com este ortopedista de
Coimbra, que tem um gosto especial
pela traumatologia e, aos 85 anos, diz
que a sua vitalidade tem três segredos.
Continuar a dar consultas é um deles…
Ana João Fernandes
F
oi na cidade de Coimbra que o Dr. Alarcão e Silva, presidente da SPOT no biénio
de 1991- -1992 e ex-chefe de serviço da
Ortopedia dos Hospitais da Universidade de
Coimbra, onde entrou em 1954 e de onde saiu
em 1998, sempre fez o seu percurso de vida. A
cidade dos estudantes apenas foi momentaneamente preterida por outras urbes europeias,
nomeadamente Inglaterra, Alemanha e Suíça,
quando se tratou da realização de estágios para
aprimorar a técnica cirúrgica.
«Na altura [finais de 1950 e década de 1960],
era necessário que, do ponto de vista formativo,
os especialistas se deslocassem ao estrangeiro,
porque a Ortopedia em Portugal ainda era incipiente», justifica Alarcão e Silva, que falou connosco entre consultas na Casa de Saúde «Coimbra» (onde sempre trabalhou em paralelo com a
carreira hospitalar), pois os seus respeitáveis 85
anos não o têm demovido de continuar no ativo.
Quando lhe perguntámos qual o segredo da
sua vitalidade, Alarcão e Silva, com um sorriso,
respondeu: «Costumo dizer que são três: primeiro, sempre gostei de trabalhar e fi-lo com empenho; segundo, encarar o relacionamento com os
outros, incluindo instituições, sempre que possível, sem conflitos; no decurso da nossa conversa,
com a perspicácia das senhoras, talvez encontre
mais alíneas para o segredo que falta.»
Mas outras revelações e comentários o ortopedista octogenário haveria de fazer. Sobre
os anos em que esteve nos corpos gerentes
da SPOT (sendo um dos fundadores e seu sócio n.º 77), não só como presidente em 1991/92,
mas também como vice-presidente no biénio
imediatamente anterior, e como presidente da
Assembleia-Geral nos anos de 1981/82, afirma:
«O ambiente era mais restrito (éramos poucos),
mais familiar, com reuniões mais informais. »
No início da carreira de ortopedista de Alarcão e Silva, o tema que predominava era o trata-
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SPOT
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mento de fraturas. Da abordagem conservadora
da patologia locomotora passou-se para uma
evolução rápida e interventiva, percebendo-se
hoje o começo de uma aterragem que é reflexo
do intervencionismo, nem sempre devidamente
ponderado». reflete o ortopedista. E acrescenta: «Em Portugal, assiste-se , por exemplo, a um
esforço notável para desenvolver a Ortopedia
infantil, área de relevante importância, especialmente entre os colegas do Norte.»
Assiste-se também, observa Alarcão e Silva,
«ao ultrapassar de situações de limitação articular, com as próteses de que toda a gente fala».
E acrecenta: «A cirurgia da coluna vertebral
traumática passou a aser encarada e tratada de
modo radicalmente diferente. Considero que,
quanto maior for a fragmentação em subespecialidades e o ensino universitário com base em
diapositivos, mais se perde a essência do ser
médico, mais se corre o risco de esquecer o doente, hoje politicamente utente.»
Recordações do mandato
Sobre os anos de 1991/92, em específico, há vários acontecimentos que saltam à memória do
ortopedista. «Em maio de 1991, decorreu o XIX
Congresso Luso-Espanhol de Ortopedia e Traumatologia, no Algarve, mas nós terminámos, com
mútuo acordo, esse tipo de encontros ibéricos,
até porque a EFORT [Federação Europeia das
Associações Nacionais de Ortopedia e Traumatologia] foi criada nos quatro anos da minha vicepresidência e presidência da SPOT, o que me obrigou a deslocações frequentes ao estrangeiro. A
EFORT passava então a reunir com periodicidade
toda a Ortopedia europeia. O seu primeiro congresso, de cuja organização fiz parte, em Paris,
decorreu em novembro de 1993», lembra.
Outro feito que Alarcão e Silva recorda foi a
criação do boletim da SPOT, «para compensar
o atraso na publicação dos números da Revista
Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, que
impedia os sócios de receberem em tempo útil
notícias sobre reuniões científicas e factos relacionados com a Sociedade». «No fundo, foi um projeto
precursor do SPOT inForma», salienta o ortopedista.
Atualmente, Alarcão e Silva, que foi agraciado
com uma medalha pela Ordem dos Médicos em
2000, viu-lhe conferido, em outubro de 2006, o
título de membro honorário da SPOT. «Apesar
de me manter no ativo não tenho, por razões várias, frequentado os congressos, mas os colegas
mais novos, sobretudo estes, permitem-me que,
fora dos seus ocasionais deslumbramentos, lhes
chame a atenção para o facto de que uma coisa
é fazer cirurgia, outra é a prática de clínica cirúrgica. Estes encontros são um momento de reflexão», conclui Alarcão e Silva.
O terceiro segredo…
Diz que não revela aquele a que chama «o terceiro segredo» da vitalidade que conserva aos 85 anos, mas
a verdade é que Alarcão e Silva vai dando umas pistas: «Tenho três filhos, uma mulher que me apoia e é
bonita [risos], sete netos, numa palavra, tenho estabilidade. Gostei da vida hospitalar, que cheguei a viver com paixão. No início, e durante muitos anos, foi longa a minha permanência no hospital. Custou-me
abandonar essa rotina quando me reformei e, por isso, continuo a trabalhar. Entretenho-me com alguma
leitura, de momento ando muito virado para biografias e literatura socioeconómica. Pratiquei alguma
atividade semidesportiva, como natação, que ainda hoje pratico, e equitação, durante uns anos, na paisagem tranquilizadora do campo e do mar, em Viana do Castelo e Ofir.»
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Setembro 2012 – Nº 9 - Sociedade Portuguesa de Ortopedia e