IMPLANTAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE UMA UNIDADE MANUAL DE DESTILAÇÃO A VÁCUO DE PETRÓLEOS NO LABPETRO/UFES Majorie Mara Malacarne Dissertação de Mestrado em Química Universidade Federal do Espírito Santo Vitória, Abril de 2011. MAJORIE MARA MALACARNE IMPLANTAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE UMA UNIDADE MANUAL DE DESTILAÇÃO A VÁCUO DE PETRÓLEOS NO LABPETRO/UFES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química do Centro de Ciências Exatas da Universidade Federal do Espírito Santo como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Química, na área de Síntese e Caracterização de Materiais. Orientador: Prof. Dr. Eustáquio Vinícius Ribeiro de Castro. VITÓRIA 2011 Implantação e Otimização de uma Unidade Manual de Destilação a Vácuo de Petróleos no LabPetro/UFES Majorie Mara Malacarne Dissertação submetida ao Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Espírito Santo como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Química. Aprovada em 20/04/11 por: __________________________________________ Prof. Dr. Eustáquio Vinícius Ribeiro de Castro - Orientador, UFES _________________________________ Prof. Dr. Reinaldo Ruggiero, UFU _____________________________________ Prof. Dr. Reginaldo Bezerra dos Santos, UFES UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO Vitória, abril de 2011 Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) M236i Malacarne, Majorie Mara, 1987Implantação e otimização de uma unidade manual de destilação de petróleos a vácuo no LabPetro/UFES / Majorie Mara Malacarne. – 2011. 129 f. : il. Orientador: Eustáquio Vinícius Ribeiro de Castro. Dissertação (Mestrado em Química) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Exatas. 1. Destilação. 2. Vácuo. 3. Petróleo. 4. Ponto de ebulição verdadeiro. I. Castro, Eustáquio Vinícius Ribeiro de. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Ciências Exatas. III. Título. CDU: 54 Cada um de nós tem a sua própria história ... a minha começa mais ou menos assim: “Minha meiga senhorita eu nunca pude lhe dizer Você jamais me perguntou de onde eu venho e pra onde vou De onde eu venho não importa, já passou O que importa é saber pra onde vou Minha meiga senhorita o que eu tenho é quase nada Mas tenho o sol como amigo Traz o que é seu e vem morar comigo Uma palhoça no canto da serra será nosso abrigo Traz o que é seu e vem correndo, vem morar comigo Aqui é pequeno, mas dá pra nós dois E se for preciso a gente aumenta depois Tem um violão que é pra noites de lua Tem uma varanda que é minha e que é sua Vem morar comigo meiga senhorita” Zé Geraldo À melhor família que existe: meus pais Pelé e Cristina e minha irmã Maiara. AGRADECIMENTOS A Deus pela inteligência, proteção e saúde. Aos meus pais, Pelé e Cristina, e minha irmã, Maiara, pelos conselhos, compreensão, apoio, felicidade e amor incondicional. A quem devo minha vida e minha alegria. Agradeço ao meu orientador Professor Dr. Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro pela orientação e confiança. Aos professores Reinaldo Ruggiero e Reginaldo Bezerra dos Santos pela participação na banca examinadora. A FINEP, CAPES pelo apoio financeiro. Ao LabPetro pela oportunidade de formação profissional, em especial a Cristina Sad e Carlos Fraga, “Carlão”, pelos ensinamentos, ajuda e amizade. A toda equipe LabPetro pela ajuda e convivência diária dos últimos anos. Ao CENPES/PETROBRAS pelas informações disponibilizadas e apoio durante a realização do projeto, em especial a Lílian Carmem Medina e Alexandre de Oliveira Gomes. A Mariana Frizera Borghi Mota pelo carinho, paciência, incentivo e amizade. Ao Vinícius Mansur Dose Lage de Almeida, meu braço direito, por toda a ajuda, descontração e amizade. A Natalia Portela que está sempre presente em minha vida e se tornou mais que uma amiga. A Samantha Ribeiro pela amizade, pelas risadas e por todos os momentos vividos. A Guilherme Pires Dalmaschio, meu amor, pela paciência, compreensão, ajuda e por estar presente em minha vida. Aos meus parentes e demais amigos que sempre me apoiaram e foram meu porto seguro. “Conceda-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras” Reinhold Niebuhr RESUMO Um importante processo que vem se destacando nos últimos anos no cenário da avaliação e do processamento do petróleo é a destilação a vácuo, na qual são gerados como produtos principais os gasóleos leve e pesado e o resíduo de vácuo. Esta destilação é em parte responsável pela adequação da produção de derivados de petróleo às demandas do mercado, visto que seus produtos são utilizados como carga para outros importantes processos da cadeia do refino, a exemplo dos craqueamentos térmicos e catalíticos. A porcentagem de destilados a vácuo é de grande importância do ponto de vista do planejamento e controle da produção, pois se o mercado necessita, por exemplo, de gasolina, cerca de 40 a 50% dos gasóleos gerados nesse processo podem ser convertidos neste produto por craqueamento. Qualquer melhoria na eficiência de um determinado processo em uma refinaria de petróleo, por menor que seja, pode representar uma significativa economia ou um aumento da produtividade. No caso em particular das torres de destilação a vácuo, se for possível um aumento na temperatura de alimentação, por exemplo, é possível aumentar a quantidade vaporizada do resíduo atmosférico, minimizando o resíduo da torre e aumentando a quantidade de gasóleo produzida. Com isso destaca-se a importância de pesquisas nesta área. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi a montagem e implementação de um sistema manual de destilação a vácuo de petróleo no LabPetro/UFES, que opere em conformidade com a norma ASTM D 5236. Para tal foram destiladas 6 amostras de óleos com uma ampla variação de °API, sendo que para 3 delas a curva PEV havia sido previamente fornecida pelo CENPES/PETROBRAS e foram utilizadas como referência para comparação. Os resultados obtidos mostraram uma concordância entre as curvas PEV obtidas no LabPetro e no CENPES/PETROBRAS, a qual foi confirmada pela utilização de testes estatísticos. Dessa forma, garantiu-se o correto funcionamento da unidade montada. O método do picnômetro manual, estabelecido pela norma ASTM D 70, mostrou-se um método simples e preciso para determinação das densidades de resíduos de destilações a vácuo de petróleos. Palavra Chave: Destilação, Vácuo, PEV, ASTM D 5236, Petróleo. ABSTRACT An important process that has been increasing in recent years in the oil avaliation and processing scenario is the vacuum distillation in which light and heavy gas oils and vacuum residue are generated as main products. This process is partly responsible for the adequacy of oil production to market demands since its products are used as feed for other important processes in the refining area, as thermal and catalytic cracking. The vacuum distillates percentage has a great importance from the standpoint of planning and production control, because if the market needs, for example, gasoline, about 40 to 50 % of gas oils from this process can be converted for this product by cracking. Any improvement in the efficiency of an oil refinery process may represent a significant savings or productivity increasing. In the particular case of vacuum distillation towers, if it is possible to increase the feed temperature, for example, the amount of vaporized atmospheric residue can also be increased; minimizing the vacuum reduced crude bottoms and increasing the amount of gas oil produced. It highlights the importance of researches in this area. Thus, this work aimed to assemble and implement a manual system of vacuum distillation of oil in LabPetro/UFES, operating in accordance with ASTM D 5236 standard. For such six oil samples with a wide API degree range were distilled, in which 3 had a known True Boiling Point curve provided by CENPES/PETROBRAS. These curves were used as reference in order to compare the data obtained by both laboratories. The results showed an agreement between the TBP curves from the distillations at LabPetro and CENPES, which was confirmed by using statistical tests. Therefore, it was assured the correct functioning of the assembled unit. The method of manual pycnometer, established by ASTM D 70, was a simple and accurate method for determining the density of petroleum vacuum distillation residues. Keyword: Distillation, Vacuum, TBP, ASTM D 5236, Petroleum. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Hidrocarbonetos saturados (a) parafinas (b) isoparafinas................................. 6 Figura 2: Compostos naftênicos. ...................................................................................... 6 Figura 3: Compostos aromáticos...................................................................................... 7 Figura 4: Compostos sulfurosos. ...................................................................................... 8 Figura 5: Compostos nitrogenados. ................................................................................. 9 Figura 6: Compostos oxigenados. .................................................................................... 9 Figura 7: (a) Asfalteno (b) Resina .................................................................................. 11 Figura 8: Estimativas dos recursos petrolíferos mundiais. ............................................. 12 Figura 9: Produção de petróleo no Brasil. ...................................................................... 13 Figura 10: Rendimento dos óleos. .................................................................................. 16 Figura 11: Torre Atmosférica. ......................................................................................... 20 Figura 12: Torre de destilação a vácuo. ......................................................................... 24 Figura 13: Unidade de coqueamento retardado. ............................................................ 26 Figura 14: Unidade FCC. ............................................................................................... 29 Figura 15: Curva PEV. ................................................................................................... 35 Figura 16: Curvas PEV de petróleo leve e extrapesado. ................................................ 36 Figura 17: Faixa de temperatura dos derivados do petróleo. ......................................... 37 Figura 18: Sistema PotStill - LabPetro ........................................................................... 41 Figura 19: Sistema Potstill - Norma ASTM D 5236 ........................................................ 52 Figura 20: Sistema Potstill - LabPetro/UFES.................................................................. 53 Figura 21: (a) Sistema coletor, (b) Resistências, (c) Variadores de voltagem. ............... 54 Figura 22: Adaptadores para termopar (a) do líquido (b) do vapor. ............................... 55 Figura 23: Manta inferior de aquecimento com agitador interno. ................................... 55 Figura 24: Sistema de destilação a vácuo - LabPetro/UFES. ........................................ 56 Figura 25: Taxa de Destilação - Amostra 1A. ................................................................. 62 Figura 26: Curva PEV da amostra 1A. ........................................................................... 62 Figura 27: Taxa de destilação - Amostra 1B. ................................................................. 64 Figura 28: Curva PEV da amostra 1B. ........................................................................... 64 Figura 29: Curva PEV da amostra 1C. ........................................................................... 65 Figura 30: Curva PEV da amostra 1D. ........................................................................... 66 Figura 31: Taxa de destilação - Amostra 1D. ................................................................. 67 Figura 32: Curvas PEV destilações A e CENPES. ......................................................... 68 Figura 33: Curvas PEV destilações B e CENPES. ......................................................... 69 Figura 34: Curvas PEV destilações C e CENPES.......................................................... 69 Figura 35: Curvas PEV destilações D e CENPES.......................................................... 70 Figura 36: Curvas PEV das destilações 1A, 1B, 1C e 1D. ............................................. 71 Figura 37: Curva PEV da amostra 2A. ........................................................................... 74 Figura 38: Taxa de destilação da amostra 2A. ............................................................... 75 Figura 39: Curva PEV da amostra 2B ............................................................................ 76 Figura 40: Curva PEV da amostra 2C. ........................................................................... 78 Figura 41: Taxa de destilação - Amostra 2C. ................................................................. 78 Figura 42: Curva PEV das destilações 2A e CENPES. .................................................. 79 Figura 43: Curva PEV das destilações 2B e CENPES. .................................................. 80 Figura 44: Curva PEV das destilações 2C e CENPES................................................... 80 Figura 45: Curvas PEV das destilações 2A, 2B e 2C ..................................................... 81 Figura 46: Taxas de destilação - Petróleo 3. .................................................................. 82 Figura 47: Curva PEV do petróleo 3. .............................................................................. 83 Figura 48: Curva PEV da amostra 4A. ........................................................................... 85 Figura 49: Taxa de destilação - Amostra 4A. ................................................................. 85 Figura 50: Taxa de destilação - Amostra 4B. ................................................................. 87 Figura 51: Curva PEV da amostra 4B. ........................................................................... 88 Figura 52: Curvas PEV das destilações 4A e 4B. .......................................................... 89 Figura 53: Taxa de destilação - Petróleo 5. .................................................................... 91 Figura 54: Curva PEV do petróleo 5. .............................................................................. 92 Figura 55: Taxa de destilação - Petróleo 6. .................................................................... 93 Figura 56: Curva PEV do petróleo 6. .............................................................................. 93 Figura 57: Curva PEV da amostra 6, porcentagem de massa acumulada. .................... 94 Figura 58: Curva PEV da amostra 6, porcentagem de volume acumulado. ................... 94 Figura 59: Picnômetro LabPetro (a) esquema (b) fotografia. ......................................... 96 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Classificação do Petróleo de acordo com ºAPI. ............................................... 5 Tabela 2: Comparações de petróleo leve e pesado. ...................................................... 15 Tabela 3: Rendimentos dos petróleos Brent e Roncador. .............................................. 16 Tabela 4: Numero de pratos entre as seções de retirada lateral de produtos. ............... 21 Tabela 5: Balanço material do RV do petróleo Arabian Medium (°API 4,9). .................. 27 Tabela 6: Rendimento FCC. ........................................................................................... 30 Tabela 7: Taxa de destilação. ........................................................................................ 46 Tabela 8: Tamanhos do Cabeçote de Destilação........................................................... 51 Tabela 9: Caracterização dos petróleos destilados ........................................................ 57 Tabela 10: Dados da destilação atmosférica - Petróleo 1. ............................................. 59 Tabela 11: Dados da destilação a vácuo - Amostra 1A. ................................................. 60 Tabela 12: Dados da destilação a vácuo - Amostra 1B. ................................................. 63 Tabela 13: Dados da destilação a vácuo - Amostra 1C. ................................................ 65 Tabela 14: Destilação a vácuo da amostra 1D. .............................................................. 66 Tabela 15: Dados das destilações a vácuo - Petróleo 1. ............................................... 67 Tabela 16: Dados da destilação atmosférica - Petróleo 2. ............................................. 73 Tabela 17: Dados da destilação a vácuo - Amostra 2A. ................................................. 73 Tabela 18: Dados da destilação a vácuo - Amostra 2B. ................................................. 75 Tabela 19: Dados da destilação a vácuo - Amostra 2C. ................................................ 77 Tabela 20: Destilação a vácuo do petróleo 2. ................................................................ 79 Tabela 21: Dados da destilação a vácuo - Petróleo 3. ................................................... 82 Tabela 22: Dados da destilação atmosférica - Petróleo 4. ............................................. 83 Tabela 23: Dados da destilação a vácuo - Amostra 4A. ................................................. 84 Tabela 24: Dados da destilação a vácuo - Amostra 4B. ................................................. 86 Tabela 25: Dados da destilação a vácuo – Petróleo 5. .................................................. 90 Tabela 26: Dados da destilação a vácuo - Petróleo 6. ................................................... 92 Tabela 27: Parâmetros de calibração dos picnômetros. ................................................ 97 Tabela 28: Densidades dos resíduos - Método ASTM D 70. ......................................... 98 Tabela 29: Comparação dos métodos ASTM D 7042 e D70.......................................... 99 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS PEV – Pontos de Ebulição Verdadeiros TBP – True Boiling Point ASTM – American Society for Testing and Materials CENPES – Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis LABPETRO – Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Metodologias para Análises de Petróleo PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A. API – American Petroleum Institute PPM – Partes por Milhão PPB – Partes por Bilhão WTI – West Texas Intermediate FCC – Fracionamento Catalítico Fluido RAT – Resíduo Atmosférico AET – Atmospheric Equivalent Temperature (Temperatura Equivalente Atmosférica) RV – Resíduo a vácuo GLP – Gás Liquefeito de Petróleo IBP – Initial Boiling Point (Ponto de Ebulição Inicial) UFES – Universidade Federal do Espirito Santo SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 1 CAPÍTULO 1 - O PETRÓLEO .......................................................................................... 4 1.1. Petróleo ................................................................................................................. 4 1.2 Constituintes do Petróleo ................................................................................... 5 1.2.1. Hidrocarbonetos ........................................................................................... 5 1.2.1.1. Hidrocarbonetos Saturados ...................................................................... 5 1.2.1.1.1. Parafinas e Isoparafinas..................................................................... 6 1.2.1.1.2. Naftenos ............................................................................................. 6 1.2.1.2 Aromáticos ................................................................................................. 7 1.2.2. Não Hidrocarbonetos ...................................................................................... 7 1.2.2.1. Compostos Sulfurosos .............................................................................. 8 1.2.2.2. Compostos Nitrogenados ......................................................................... 8 1.2.2.3. Compostos Oxigenados ........................................................................... 9 1.2.2.4. Compostos Metálicos ............................................................................. 10 1.2.2.5. Resinas e Asfaltenos .............................................................................. 11 1.3. Reservas Mundiais e Nacionais de Petróleo ....................................................... 12 1.4. Petróleo Pesado............................................................................................... 13 CAPÍTULO 2 – REFINO DO PETRÓLEO ...................................................................... 18 2.1. Processos de Separação ................................................................................. 19 2.1.1. Destilação Atmosférica.................................................................................. 19 2.1.2. Destilação a Vácuo ....................................................................................... 23 2.2. Processos de Conversão ..................................................................................... 25 2.2.1. Coqueamento Retardado .............................................................................. 25 2.2.2. Craqueamento Catalítico Fluido .................................................................... 28 CAPÍTULO 3 – DESTILAÇÃO LABORATORIAL DO PETRÓLEO................................. 31 3.1. Destilação de Petróleo ......................................................................................... 31 3.2. Curva PEV ........................................................................................................... 34 3.3. Objetivos .............................................................................................................. 39 3.3.1. Objetivo Geral ............................................................................................... 39 3.3.2. Objetivos Específicos .................................................................................... 39 CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS .................. 40 4.1. Montagem do Sistema ASTM D 5236.................................................................. 40 4.2. Procedimentos ..................................................................................................... 43 4.2.1. Preparação da Aparelhagem ........................................................................ 44 4.2.2. Carregamento ............................................................................................... 44 4.2.3. Destilação do Resíduo ASTM D 2892 ........................................................... 45 4.2.4. Determinação do hold up .............................................................................. 47 4.2.5. Determinação da densidade das frações ...................................................... 48 4.2.6. Determinação da densidade dos resíduos a vácuo....................................... 48 4.2.6.1. Preparação da aparelhagem .................................................................. 49 4.2.6.2. Calibração do Picnômetro ...................................................................... 49 4.2.6.3. Determinação da Densidade .................................................................. 49 CAPÍTULO 5 – RESULTADOS E DISCUSSÕES .......................................................... 51 5.1. Implementação do Sistema Potstill ...................................................................... 51 5.2. Caracterização dos Petróleos Destilados ............................................................ 57 5.3. Destilações a Vácuo do Resíduo Atmosférico ..................................................... 58 5.3.1. Destilação do Petróleo 1 ............................................................................... 59 5.3.1.1. Destilação da Amostra 1A ...................................................................... 60 5.3.1.2. Destilação da Amostra 1B ...................................................................... 63 5.3.1.3. Destilação da Amostra 1C ...................................................................... 65 5.3.1.4. Destilação da Amostra 1D ...................................................................... 66 5.3.1.5. Comparação das destilações do petróleo 1 ............................................ 67 5.3.2. Destilação do Petróleo 2 ............................................................................... 71 5.3.2.1. Destilação da amostra 2A ....................................................................... 73 5.3.2.2. Destilação da Amostra 2B ...................................................................... 75 5.3.2.3. Destilação da amostra 2C ...................................................................... 76 5.3.2.3. Comparação das destilações do petróleo 2 ............................................ 78 5.3.3. Destilação do Petróleo 3 ............................................................................... 81 5.3.4. Destilação do Petróleo 4 ............................................................................... 83 5.3.4.1. Destilação da Amostra 4A ...................................................................... 83 5.3.4.2. Destilação da Amostra 4B ...................................................................... 85 5.3.4.3. Comparação das Destilações do Petróleo 4 ........................................... 88 5.3.5. Destilação do Petróleo 5 ............................................................................... 89 5.3.6. Destilação do Petróleo 6 ............................................................................... 92 5.3.6.1. Comparação entre as destilações do Petróleo 6 .................................... 94 5.4. Implementação do Método do Picnômetro .......................................................... 95 CAPÍTULO 6 - CONCLUSÕES .................................................................................... 100 REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 102 ANEXO A – Temperatura Equivalente Atmosférica ..................................................... 108 APÊNDICE A – Folhas de Acompanhamento da Destilação ....................................... 109 APÊNDICE B – Fechamento do Balanço de Massa .................................................... 111 1 INTRODUÇÃO Os petróleos são avaliados, principalmente, em função do ensaio de destilação denominado de Pontos de Ebulição Verdadeiros (PEV), o qual permite a separação do óleo cru em cortes ou frações de acordo com suas temperaturas de ebulição e a geração da curva PEV (SANTOS, 2005), que além de ser um dos fatores críticos relacionados à avaliação e processamento de petróleos brutos (SOTELO, 2006), é também utilizada como base nas áreas de logística, abastecimento, pesquisa e desenvolvimento (MOTA, 2008). Os procedimentos laboratoriais utilizados para determinação desta curva são descritos em duas normas: ASTM D 2892, para componentes que entram em ebulição a uma temperatura inferior a 400 ºC e ASTM D 5236, para componentes com ponto de ebulição inicial maior que 150 °C e também para os resíduos obtidos na destilação ASTM D 2892. Há pouco tempo atrás o Laboratório de Processos para Avaliação e Valoração de Óleos do Centro de Pesquisa da PETROBRAS (CENPES), era o único laboratório do Brasil que dispunha de equipamentos e equipes capacitadas para determinação da Curva PEV, atendendo as demandas da PETROBRAS e da ANP. Devido à auto-suficiência em petróleo atingida pelo Brasil e ao aumento da demanda internacional de derivados, a descoberta de novos campos tornou-se uma meta vital para a Petrobras e outras empresas do setor, aumentando, conseqüentemente, a demanda pela determinação da curva PEV. Além disso, surgiu à necessidade do aprimoramento das metodologias de destilação para os novos tipos de petróleos descobertos. Nesse sentido, o Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Metodologias para Análise de Petróleo (LabPetro) da Universidade do Federal do Espírito Santo instalou e otimizou um sistema manual de destilação que atende a norma ASTM D 2892. Esta descreve o procedimento para processamento do óleo a pressões atmosféricas e reduzidas (100, 10 e 2 Torr), obtendo-se com isso temperatura final de corte de 400 °C. 2 Entretanto, a curva PEV completa, obtida por meio de destilação convencional, deve atingir uma temperatura final de corte de aproximadamente 565 °C, a qual não é alcançada utilizando-se os níveis de pressão estabelecidos pela norma ASTM D 2892. Assim, para continuidade do processo é necessária a montagem de um sistema de destilação laboratorial do tipo “Potstill”, que permite a utilização de pressões mais reduzidas de acordo com os procedimentos descritos na norma ASTM D 5236. A caracterização mais detalhada do petróleo bruto, propiciada pela destilação a vácuo, permite estabelecer estratégias e condições de processamento, visando um aproveitamento máximo das frações pesadas do petróleo por meio da conversão dos produtos obtidos nessa destilação em derivados mais valorados. A otimização do processo de destilação de misturas de hidrocarbonetos mais pesadas torna-se ainda mais importante no cenário brasileiro devido às características do petróleo nacional, cuja fração de resíduos da destilação ASTM D 2892 pode chegar a cerca de 80 % do óleo cru. Qualquer melhoria na eficiência de um determinado processo em uma refinaria de petróleo, por menor que seja, pode representar uma significativa economia ou um aumento da produtividade. No caso em particular das torres de destilação a vácuo, se for possível um aumento na temperatura de alimentação, por exemplo, é possível aumentar a quantidade vaporizada do RAT (resíduo atmosférico), minimizando o resíduo de fundo da torre e aumentando a quantidade de gasóleo, o qual é posteriormente submetido ao craqueamento catalítico. Com isso destaca-se a importância de pesquisas nesta área. Nesse sentido, durante a execução deste trabalho foi montado, no LabPetro da Universidade Federal do Espírito Santo, um sistema manual de destilação a vácuo de petróleo, funcionando em conformidade com a norma ASTM D 5236. A implementação desta unidade foi realizada por meio de destilações de resíduos atmosféricos, obtidos na unidade ASTM D 2892, de petróleos leves a asfálticos, a fim de garantir o correto funcionamento desse sistema para petróleos com uma ampla variação de ºAPI. Este trabalho está estruturado em seis capítulos, sendo que nos três primeiros será apresentado um embasamento teórico sobre o petróleo, com ênfase nas peculiaridades 3 dos óleos pesados e extra-pesados, sobre os processos da cadeia de refino mais utilizados no Brasil para um maior aproveitamento do óleo nacional e por fim, serão abordadas as metodologias para destilação laboratorial do petróleo e conseqüente geração da curva PEV. No Capítulo 4 serão especificados os equipamentos adquiridos para montagem da unidade ASTM D 5236 e os procedimentos utilizados tanto nas destilações a vácuo quanto na determinação da densidade das frações e dos resíduos finais do petróleo. Os resultados obtidos neste trabalho são mostrados e discutidos no Capítulo 5 e por fim, as conclusões e sugestões para trabalhos futuros serão expostas no Capítulo 6. 4 CAPÍTULO 1 - O PETRÓLEO 1.1. Petróleo O petróleo bruto contém uma grande diversidade de compostos com massas moleculares variando de 16 g.mol-1, aproximadamente, como no caso do metano, até 2000 g.mol-1 para moléculas mais complexas (MELLO, 2007). Os principais constituintes da matriz do petróleo são os hidrocarbonetos, sendo que os teores de carbono e hidrogênio no óleo somam mais de 90 % em massa (TRIGGIA, 2001). Além disso, pequenas quantidades de compostos orgânicos contendo enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais como vanádio, níquel, ferro e cobre também estão presentes (FAHIM et. al.; 2010). Independente da origem do petróleo, sua composição elementar não varia muito (FAHIM et. al.; 2010), sendo que as diferentes propriedades físico-químicas dos óleos, como exemplo a densidade, são determinadas por suas classes de hidrocarbonetos constituintes, assim como suas proporções e distribuição em função do ponto de ebulição do óleo. Desta forma o termo petróleo leve normalmente designa aquele que contém alta proporção de constituintes de baixo ponto de ebulição, enquanto que o petróleo pesado apresenta uma composição mais complexa, uma vez que é constituído, em sua maior parte, de compostos com ponto de ebulição elevado, maior quantidade de estruturas aromáticas e de compostos contendo heteroátomos (MELLO, 2007). Os petróleos são classificados, em termos de leves ou pesados, de acordo com seu ºAPI. O grau API, criado pelo American Petroleum Institute, é uma forma de expressar a densidade do petróleo através de um índice adimensional, Equação 1. A escala API varia inversamente com a densidade, ou seja, quanto maior a densidade, menor o grau API, e, portanto, mais pesado é o óleo (ULLER, 2007; WINTER, 2007). ° , ⁄ 131,5 (1) 5 Os valores de ºAPI definidos pelo setor de abastecimento da PETROBRAS para classificação dos petróleos são mostrados na Tabela 1. Tabela 1: Classificação do Petróleo de acordo com ºAPI. Petróleo ºAPI Densidade 20/40 ºC Extra-Leve > 40,0 < 0,821 Leve 40,0 – 33,0 0,821 – 0,857 Médio 33,0 – 27,0 0,857 – 0,889 Pesado 27,0 – 19,0 0,889 – 0,937 Extra-Pesado 19,0 – 15,0 0,937 – 0,962 Asfáltico < 15,0 > 0,962 Fonte: GUIMARÃES, 2004 1.2 Constituintes do Petróleo Os constituintes do petróleo podem ser separados em dois grupos: os hidrocarbonetos e os não hidrocarbonetos. Destes grupos, os principais componentes dos óleos são os hidrocarbonetos saturados e aromáticos, e os não hidrocarbonetos, a exemplo dos ácidos naftênicos, resinas e asfaltenos. Hidrocarbonetos insaturados quase não são encontrados no petróleo cru devido a sua alta reatividade a reações de hidrogenação, com a conseqüente formação de compostos saturados (SZKLO e ULLER, 2008) e por isso, não serão aprofundados neste trabalho. 1.2.1. Hidrocarbonetos 1.2.1.1. Hidrocarbonetos Saturados Os hidrocarbonetos saturados normalmente são os compostos encontrados em maior quantidade nos petróleos, exceto em óleos biodegradados. Podem compreender cerca de 60 % em óleos parafínicos-naftênicos, cerca de 40-45 % em óleos ditos aromáticos e de 20-25 % em óleos biodegradados (WINTER, 2007). Os hidrocarbonetos saturados podem ser divididos em parafinas, isoparafinas e naftenos. 6 1.2.1.1.1. Parafinas e Isoparafinas De fórmula geral, CnH2n+2, os alcanos são os hidrocarbonetos de cadeia linear (parafinas), ou ramificada (isoparafinas) conhecidos na indústria de petróleo pelo nome de parafínicos. As parafinas possuem em seus compostos apenas carbonos primários e secundários enquanto as isoparafinas possuem pelo menos um carbono terciário e/ou quaternário, Figura 1 (RIAZI, 2005). Os petróleos encontrados no Brasil tem sido predominantemente de base parafinica. Figura 1: Hidrocarbonetos saturados (a) parafinas (b) isoparafinas. 1.2.1.1.2. Naftenos Os cicloalcanos ou naftenos são hidrocarbonetos saturados de fórmula geral CnH2n podendo conter uma ou mais cadeias cíclicas. Os compostos naftênicos encontrados, normalmente, no petróleo cru são derivados do ciclopentano e do ciclohexano, Figura 2. São conhecidos na indústria de petróleo como naftênicos, devido à sua presença ocorrer a partir da fração denominada nafta (RIAZI, 2005; WINTER, 2007). Figura 2: Compostos naftênicos. 7 1.2.1.2 Aromáticos Os aromáticos são uma importante série de hidrocarbonetos encontrados em quase todos os petróleo do mundo. São, normalmente, o segundo maior grupo de compostos existentes nos óleos, podendo seu conteúdo variar de 20 a 45 % em peso para a maior parte dos petróleos crus. Os compostos aromáticos são hidrocarbonetos cíclicos insaturados com ligações duplas carbono-carbono. São derivados da molécula de benzeno (C6H6) e podem ocorrer na forma de mono e poli-aromáticos, variando de 1 a 5 o número de anéis benzênicos (RIAZI, 2005; WINTER, 2007). Alguns exemplos de compostos aromáticos estão mostrados na Figura 3. Figura 3: Compostos aromáticos. 1.2.2. Não Hidrocarbonetos Além dos hidrocarbonetos que conferem as características desejadas nos derivados, o petróleo contém os chamados não hidrocarbonetos, responsáveis por efeitos indesejáveis nos produtos do petróleo. Esta classe engloba as substâncias contaminantes – compostos que contém enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais – e os asfaltenos e as resinas, que apesar de conterem altas concentrações de heteroátomos em sua composição, não são considerados contaminantes, pois são os principais constituintes do asfalto e de óleos combustíveis pesados (LOPES, 2008). Os não hidrocarbonetos tendem a concentrar-se nas frações pesadas do petróleo e são encontrados em maiores quantidades em petróleos pesados e extrapesados. 8 1.2.2.1. Compostos Sulfurosos O enxofre é o heteroátomo mais abundante nos compostos constituintes do petróleo e pode estar presente neste e em seus derivados na forma de enxofre livre dissolvido, sulfeto de hidrogênio ou como compostos organoenxofre: tiofenos, mercaptanas, sulfatos alquílicos, sulfetos, dissulfetos, ou sulfóxidos (RIAZI, 2005) A concentração total de enxofre no petróleo varia amplamente dentro dos limites de 0,1 a 3 % (m/m) dependendo da origem do óleo, sendo encontrados também teores de até 8,0 % em areias betuminosas (SPEIGHT, 2002). Alguns tipos de compostos sulfurosos encontrados no petróleo são mostrados na Figura 4. Figura 4: Compostos sulfurosos. São diversos e abrangentes os problemas gerados pela presença de compostos de enxofre no petróleo e em seus derivados. Suas conseqüências atingem desde a saúde humana, causando danos relacionados ao agravamento de doenças respiratórias, como a asma; passam pelo âmbito dos danos ambientais, gerando poluição e ocorrência de chuvas ácidas; e interferindo, por fim, no processamento do petróleo, devido ao envenenamento de catalisadores e corrosão das tubulações e equipamentos da refinaria, e na qualidade do produto final obtido. Derivados com altos teores de enxofre possuem menor poder de queima e podem provocar formação de depósitos em motores (SPEIGHT, 2002). 1.2.2.2. Compostos Nitrogenados O teor de nitrogênio na maioria dos petróleos é muito baixo não excedendo 0,1 % em peso. Em alguns óleos crus pesados, no entanto, o teor de nitrogênio pode chegar a até 2,0 % (m/m) (RIAZI, 2005). Os compostos nitrogenados aparecem no óleo cru na forma de heterocíclos simples, como exemplo a piridina, ou em estruturas mais complexas 9 como no caso das porfirinas (HATCH e MATAR, 2001), ambos exemplificados na Figura 5. Figura 5: Compostos nitrogenados. Os compostos nitrogenados no óleo aumentam sua capacidade de reter água em emulsão e tornam instáveis os produtos do refino, formando gomas e envenenando catalisadores. A presença destes compostos nos combustíveis também é danosa, visto que propiciam o aumento das emissões de poluentes, como os óxidos de nitrogênio (ULLER, 2007). 1.2.2.3. Compostos Oxigenados Os compostos oxigenados são normalmente encontrados no petróleo na forma de ácidos, porém, também podem aparecer como fenóis, cresóis, cetonas e ésteres (MOTA, 2008), Figura 6. A concentração de oxigênio no petróleo varia entre 0,05 e 1,5 % (m/m) (RIAZI, 2005). Figura 6: Compostos oxigenados. Os ácidos carboxílicos presentes no petróleo representam um grande problema para processamento do mesmo devido ao seu efeito corrosivo em linhas de transferência (de massa e de calor), nas seções de entrada e refluxo de colunas (à pressão atmosférica e a vácuo) e nos condensadores das unidades de destilação das refinarias (CAMPOS, 2005). A corrosão por ácidos naftênicos ocorre principalmente nas unidades de 10 destilação atmosférica e a vácuo devido às altas temperaturas de operação destas (PORTELA, 2008). 1.2.2.4. Compostos Metálicos No petróleo bruto são encontrados diversos metais, sendo que alguns dos mais abundantes são sódio, cálcio, magnésio, alumínio, ferro, vanádio e níquel. Eles estão presentes tanto como sais inorgânicos, a exemplo dos cloretos de sódio e magnésio, quanto na forma de compostos organometálicos, tais como o níquel e vanádio que são encontrados em estruturas porfirínicas. Embora os metais sejam encontrados nos óleos em quantidades traço, partes por milhão (ppm) e partes por bilhão (ppb), a sua presença é extremamente prejudicial e estes devem, se possível, ser completamente removidos. Alguns dos problemas causados pelos metais no setor de processamento do petróleo ocorrem devido à presença de sais de cloreto de cálcio e magnésio. Estes são responsáveis pela estabilização de emulsões e pelo processo de corrosão resultante da formação de ácido clorídrico durante o processamento do óleo. Além disso, níquel e vanádio são os principais responsáveis pelo envenenamento de catalisadores utilizados nos processos catalíticos das refinarias (HATCH e MATAR, 2001). Outros problemas relacionados a presença destes constituintes podem ser citados, como a formação de depósitos de cinzas nos rotores de turbinas a gás devido a utilização de combustível contendo vanádio e deterioração de fornos utilizados no refino devido a presença, principalmente, de vanádio e sódio, que reagem com o revestimento de fornos (tijolos refratários) diminuindo o ponto de fusão destes materiais (PEREIRA, 2007). 11 1.2.2.5. Resinas e Asfaltenos Os asfaltenos e as resinas são moléculas policíclicas de alta massa molecular, alta relação carbono/hidrogênio e presença significativa de enxofre, oxigênio e nitrogênio em sua estrutura, sendo que estes contaminantes podem representar até, aproximadamente, 7 % em peso da massa molecular dos asfaltenos e das resinas. A estrutura básica desses compostos são semelhantes, mas estes se diferem pelo tamanho de suas moléculas, Figura 7 (GUIMARÃES, 2004; ULLER, 2007). Quando o petróleo é fracionado por destilação, as resinas se distribuem em todas as frações de acordo com sua volatilidade conferindo cor à mesma, enquanto que os asfaltenos permanecem no produto de fundo (BOMBARDELLI, 2005). Os asfaltenos são as estruturas moleculares mais complexas do petróleo, estas são formadas por diversas camadas aromáticas empilhadas nas quais são associadas cadeias de metaloporfirinas (compostos metálicos de nitrogênio, vanádio e oxigênio) (RANA et al., 2007). Figura 7: (a) Asfalteno (b) Resina A presença abundante de resinas e asfaltenos em óleos resulta na alteração de suas propriedades físico-químicas como a densidade específica e a viscosidade (Tissot & Welte, 1978 apud WINTER, 2007). Diversos problemas, durante as operações envolvidas na produção e processamento do petróleo, podem ser relacionados aos asfaltenos, tais como, deposição nos dutos e equipamentos, formação e estabilização de emulsões e espumas e formação de coque, entre outros (MOURA, 2006). A extração de petróleo no Brasil produz, em grande parte, petróleos pesados. Esse tipo de óleo é de difícil processamento devido a seu alto teor de não hidrocarbonetos e 12 geração de grande quantidade de resíduos. Dessa forma, três aspectos têm exigido esforços para adaptação das refinarias visando melhorias melhor as no processamento do óleo pesado nacional: (1) cresce crescente demanda por derivados leves, (2) restrições ambientais quanto ao teor de contaminantes nos derivados, (3) abundância de reservas de petróleos pesados. 1.3. Reservas Mundiais e Nacionais de Petróleo De acordo com Alboudwarej e colaboradores (2006), o número total de reservas de petróleo no mundo oscilam entre o montante de 9 e 13 trilhões de barrisa. Deste recurso, aproximadamente 70 % é referente a óleos pesados, extra-pesados extra e betume, Figura 8,, sendo que sua maior parte (61 %) está distribuída na América do Sul e Central. 15% 30% 25% 30% Óleo Convencional Betume Óleo Extrapesado Óleo Pesado Figura 8:: Estimativas dos recursos petrolíferos pe mundiais. Fonte: Elaboração própria baseada em Alboudwarej e colaboradores (2006) O petróleo produzido no Brasil é composto por 44 correntes, do asfáltico Fazenda Belém (ºAPI 12,70), ao extra extra-leve leve Camarupim (ºAPI 51,50). Segundo dados da Agência A Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis - ANP NP (2010) no ano de 2009 o peso médio do cru produzido no Brasil foi de 23,04 graus API, e no final do ano de 2010 (novembro), este valor foi de 24,5 °. Este valor de ºAPI caracteriza o petróleo brasileiro brasil como um óleo pesado (SZKLO e ULLER, 2008). 2008) a De acordo com ANP (2011), as a reservas mundiais provadas de petróleo no ano de 2009 atingiram a marca de 1,3 trilhão de barris. barris 13 Se observado o volume da produção de óleo produzido no Brasil no ano de 2009, constata-se que, segundo a classificação adotada pelo setor de abastecimento da PETROBRAS, uma parcela de 81 % é constituída por crus pesados, Figura 9, sendo que a maior parte desta produção está localizada na Bacia de Campos. 11% 81% 19% 3% Extra-leve Leve 2% 3% Médio Pesado Extra-pesado e Asfáltico Figura 9: Produção de petróleo no Brasil. Fonte: Elaboração própria baseada em dados da ANP (2010) Até recentemente, as reservas mundiais de petróleos pesados e extra-pesados não despertavam grandes interesses da indústria petrolífera mundial. A baixa rentabilidade do óleo, o baixo preço do barril no mercado internacional, as dificuldades envolvidas na extração e processamento dos petróleos pesados, e a grande disponibilidade de petróleos leves e médios a serem explorados, não justificavam os investimentos (BARILLAS, 2008). Entretanto, com o declínio das reservas de petróleo leve no mundo, a necessidade de utilização dos petróleos pesados para o fornecimento de derivados de alto valor, aumentou nos últimos anos levando a necessidade de estudos mais aprofundados sobre esta matéria prima. 1.4. Petróleo Pesado Quando originado nas rochas geradoras de petróleo, o óleo não é pesado. De acordo com profissionais da área de Geoquímica, quase todos os petróleos brutos quando gerados possuem API entre 30 e 40 ° (CURTIS et. al, 2002). A migração do óleo de rochas geradoras profundas para reservatórios próximos à superfície, onde o óleo é acumulado, permite a degradação destes óleos (CLARK et. al, 2007). Esta ocorre 14 através de uma variedade de processos biológicos, químicos e físicos (CURTIS et. al, 2002). Uma forma de degradação do óleo é realizada pelas bactérias presentes na água de formação que metabolizam hidrocarbonetos de menores massas moleculares, com consequente produção de metano e de hidrocarbonetos mais pesados. A água de formação é também responsável por esse processo visto que solubiliza parte dos hidrocarbonetos mais leves do petróleo. Uma outra forma de degradação do óleo é a volatilização de componentes mais leves devido a má qualidade das rochas selantes (CURTIS et. al., 2002; ALBOUDWARY et. al., 2006). Durante o processo de biodegradação, os óleos perdem parte significativa da sua massa original (ALBOUDWARY et. al., 2006). De acordo com o Conselho Mundial de Energia (World Energy Council) (2004), as maiores acumulações de petróleos pesados e extra-pesados da Venezuela oriental e do ocidente do Canadá, que totalizam 3,7 bilhôes de barris de petróleo, representam o que restou do que provavelmente já foi mais de 18 bilhões de barris de petróleo mais leve. Os óleos pesados e extra-pesados são caracterizados, principalmente, por altas viscosidades (isto é, alta resistência ao fluxo) e altas densidades (baixo ºAPI) em relação aos óleos leves e médios (CLARK et. al., 2007). São considerados pesados, os petróleos com API menor que 27 ° e viscosidade variando de 0,02 Pa.s a mais de 1000 Pa.s (ALBOUDWARY et. al., 2006; GUIMARÃES et. al, 2004). A determinação da viscosidade é primordial para produtores de petróleo, visto que determina a facilidade com que o óleo fluirá. Já a densidade é mais utilizada no setor de refino, pois esta é um indicador do rendimento do óleo nos processos de destilação (CURTIS et. al., 2002). Os petróleos pesados e extra-pesados possuem outras características além das altas viscosidades e densidades, entre elas: altas quantidades de enxofre, nitrogênio, metais e asfaltenos, alto teor de ácidos totais, elevado ponto inicial de ebulição, deficiência de hidrogênio e maiores quantidades de resíduos não destiláveis (ALBOUDWARY et. al., 2006; CLARK et. al., 2007; SPEIGHT, 1999). Estas características desvalorizam os 15 petróleos pesados e extra-pesados, pois interferem no processamento do óleo, visto que a presença dos não hidrocarbonetos é responsável por diversos problemas gerados nas refinarias, conforme já discutido, exigindo maiores gastos para obtenção de produtos valorados. Na Tabela 2, são mostradas algumas características comparativas dos óleos leves e pesados. Tabela 2: Comparações de petróleo leve e pesado. Leve Pesado Características do Óleo (ºAPI 33,30) (ºAPI 19,70) 0,09 0,45 NAT (mg KOH/g) Asfaltenos (% m/m) Ni (ppm) N (% m/m) * 0,08 1,10 3,50 1,01 2,60 19,00 Va (ppm) 14,0 24,00 * NAT = Número de Acidez Total Fonte: Adaptado de SANTOS, 2006 Um outro fator de desvalorização dos petróleos pesados e extrapesados no mercado internacional ocorre devido ao seu baixo rendimento em derivados de alto valor comercial, como a gasolina e diesel, obtidos pela destilação direta do óleo. Os petróleos pesados são constituídos por maiores proporções de hidrocarbonetos mais pesados, promovendo, com isso, a obtenção de pequenas quantidades de derivados leves e médios e uma alta proporção de derivados pesados, como os óleos combustíveis. Já os óleos leves são mais valorizados, pois são capazes de fornecer grande quantidade de derivados nobres a partir de tecnologias de refino relativamente simples e baratas. Os petróleos pesados, entretanto, necessitam de um complexo esquema de refino para a produção destes mesmos derivados (SANTOS, 2006). Na Figura 10, podem ser observados os rendimentos dos derivados obtidos da destilação direta de petróleos variando de extra-leve a asfáltico. 16 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% API 49,5° API 38,90° 38,90 Resíduo Atmosférico API 28,80° API 24,10° Derivado Médio API 13,20° Derivado Leve Figura 10:: Rendimento dos óleos. Fonte: Elaboração própria com base nos dados da ANP (2010). O óleo nacional tem dificuldade de encontrar espaço no mercado internacional. Sua alta acidez e seu baixo rendimento em derivados leves fazem com que ele seja comercializado com elevado desconto em relação a óleos de referência como o West Texas Intermediate - WTI TI e o Brent (TAVARES, 2005 apud SANTOS, 2006) 2006). Oss rendimentos obtidos da destilação direta, direta Figura 10, dos petróleos Brent (38,90 °API) e Roncador (24,10 °API), de maior produção nacional no ano de 2009, podem ser observados comparativamente na Tabela 3. Tabela 3:: Rendimentos dos petróleos Brent e Roncador. Rendimento dos Derivados (%) Petróleo Leve Médio Resíduo Brent 39,2 44,9 15,9 Roncador 31,0 14,1 54,9 Fonte: Elaboração própria com base nos dados da ANP (2010) Estes rendimentos explicam a diferença entre os preços de ambos petróleosb. Enquanto que em novembro de 2010 o preço do barril arril de petróleo Brent era de R$ 146,1167 o de Roncador era de R$ 127,2292 (ANP, 2010). b Preço Petróleo Nacional = TC x 6,2898 x (Brent ( Dated + D); ); TC = taxa de câmbio dólar/reais; 6,2898 = conversão conversã 3 de barris para m ; Brent Dated = preço do petróleo Brent; D = diferencial de qualidade. D = VBPnac – VBPBrent ; VBP = Valor Bruto do Petróleo Nacional e Brent. VBP = (Fl x Pl) + (Fm x Pm) + (Fp x Pp) ; F= % de derivados leves, médios e pesados , P = Preço ço dos derivados leves, médios e pesados. 17 Com a crescente demanda por derivados leves e médios e a maior incorporação dos petróleos pesados e extrapesados como matéria prima para as refinarias, têm-se estimulado a realização de pesquisas na área de refino de petróleos pesados visando à melhoria do processo, em princípio adaptado para petróleos mais leves, e um maior aproveitamento do óleo. No Capítulo 2, serão abordados alguns dos processos utilizados na etapa do refino, são eles a destilação atmosférica e a vácuo, o fracionamento catalítico fluido e o coqueamento retardado. 18 CAPÍTULO 2 – REFINO DO PETRÓLEO O refino é constituido por uma série de operações de beneficiamento às quais o petróleo bruto é submetido para obtenção de produtos específicos. Refinar petróleo, portanto, é separar as frações desejadas, processá-las e transformá-las em produtos de interesse econômico (SBAITE, 2005). Os processos de refino são classificados em quatro grandes classes, são elas: a) Processos de separação: são sempre de natureza física, ou seja, não alteram a natureza das moléculas. Desta forma, se misturados os produtos resultantes destes processos, a carga inicial é reconstituida. Tem por objetivo desdobrar o petróleo em suas frações básicas, a exemplo das destilações atmosférica e a vácuo, ou processar uma fração previamente produzida no sentido de retirar desta um grupo específico de componentes, como na desasfaltação a propano. (GOBERSTEIN, 2007; ULLER, 2007). b) Processos de conversão: são processos de natureza química que têm por objetivo alterar, de forma profunda, a composição de uma fração visando a sua valorização no mercado, para tal, utilizam-se da ação conjunta de temperatura, pressão, e em muitos casos, catalisadores. Desta forma, são divididos em processos catalíticos e térmicos. Como exemplos, têm-se, respectivamente, o craqueamento catalítico fluido e o coqueamento retardado. (GOBERSTEIN, 2007) c) Processos de tratamento: são de natureza química, porém não provocam reações profundas nas frações. Nestes não há alterações físicas ou químicas nos hidrocarbonetos e sim nos compostos contaminantes. Desta forma, são utilizados para melhorar a qualidade de produtos semi-acabados, eliminando ou reduzindo impurezas presentes em suas constituições (SANTOS, 2006; ULLER, 2007). 19 d) Processos auxiliares: São aqueles que se destinam a tratar os rejeitos ou fornecer os insumos necessários à operação dos processos anteriormente mencionados (ULLER, 2007). Uma refinaria de petróleo pode destinar-se a dois objetivos básicos: produção de combustíveis e matérias-primas petroquímicas, e produção de lubrificantes básicos e parafinas. Em função da maior demanda por combustíveis, em relação aos demais produtos derivados do petróleo, na maior parte dos casos, encontram-se refinarias que se dedicam primordialmente ao primeiro objetivo listado (DANTAS, 2007 apud BOHÓRQUEZ, 2008). Os processos de refino utilizados para produção de combustíveis são selecionados de acordo com os produtos que serão manufaturados e o mercado o qual a refinaria visa abastecer (SBAITE, 2005), desta forma, devido as características dos petróleos nacionais, os principais processos utilizados, no Brasil, são as destilações atmosférica e a vácuo, referentes aos processos de separação, e o craqueamento catalítico fluido (FCC) e o coqueamento retardado, pertencentes aos processos de conversão. Estes serão descritos a seguir. 2.1. Processos de Separação O refino do petróleo é iniciado com os processos de separação do óleo nas unidades de destilação atmosférica e a vácuo. Estas são responsáveis pelo fracionamento, de acordo com o ponto de ebulição dos compostos, do óleo em diferentes frações básicas obtidas em quantidades que variam de acordo com as características do petróleo a ser refinado. 2.1.1. Destilação Atmosférica A destilação atmosférica é a unidade básica de refino do petróleo bruto. Devido à sua posição anterior às demais unidades da cadeia de refino, as torres atmosféricas são as 20 que lidam com a maior quantidade de produtos e desempenham um papel fundamental no bom funcionamento de uma refinaria (WAUQUIER et al., 2000). As torres de destilação atmosférica podem ser separadas em duas partes principais: seção de esgotamento (do inglês: stripping) e seção de retificação (do inglês: rectification). Nas torres que possuem um único local para inserção da carga (alimentação da torre), as seções de retificação e esgotamento estão localizadas, respectivamente, acima e abaixo da zona de flash (KISTER, 1992), conforme ilustrado na Figura 11. A zona flash ou de vaporização é o ponto de alimentação da carga na torre. Nesta região ocorre a separação do petróleo em duas correntes distintas: uma constituída de frações vaporizadas que ascende ao topo da torre, e outra líquida, que desce em direção à base (ROPELATO, 2008). Figura 11: Torre Atmosférica. As seções de esgotamento são responsáveis por concentrar os componentes menos voláteis na corrente líquida, para isso é promovida à passagem de um fluxo de vapor 21 por esta corrente de modo que a transferência de calor entre as fases faz com que haja a evaporação dos componentes mais voláteis remanescentes na fase líquida (KISTER, 1992). Já as seções de retificação são responsáveis por concentrar os componentes mais voláteis na fase vapor. Este enriquecimento, em compostos mais voláteis, ocorre devido ao refluxo interno de líquido na torre que condensa os componentes menos voláteis presentes na fase vapor (KISTER, 1992). Esta última seção atua promovendo uma melhoria na separação das frações de petróleo. Esta melhoria ocorre devido ao contato entre a fase líquida e vapor, realizado por meio da criação de um gradiente de temperatura na torre. Este gradiente é criado pela introdução, no topo e na base da coluna, respectivamente, de uma fonte fria (condensador) que provoca um fluxo de líquido frio movendo-se em sentido descendente; e de uma fonte quente (refervedor) a qual gera um fluxo de vapor quente ascendente. A realização das transferências de calor e massa entre as duas correntes é realizada pela inserção de dispositivos de contato no interior das torres, sendo que os mais utilizados são os pratos (WAUQUIER et al., 2000). A maior parte das torres atmosféricas possui de 25-35 pratos entre a zona de flash e o topo da coluna. O número de pratos entre seções de retirada lateral de produtos da torre é dependente das propriedades dos cortes que se desejam obter da destilação (PARKASH, 2003). Uma distribuição comum dos pratos na torre atmosférica pode ser observada na Tabela 4. Tabela 4: Numero de pratos entre as seções de retirada lateral de produtos. Separação Número de Pratos Nafta – Querosene 8-9 Querosene – Diesel 9-11 Diesel – Resíduo Atmosférico 8-11 Seção de esgotamento 4-6 Fonte: PARKASH, 2003. O processo de destilação atmosférica é iniciado, após a dessalinização, com o bombeamento do petróleo por uma série de trocadores de calor nos quais a sua 22 temperatura é aumentada para cerca de 288 °C. Após estas trocas, o petróleo é inserido em um forno e aquecido até uma temperatura aproximada de 400 °C. Esta temperatura é suficiente para vaporizar todos os produtos retirados acima da zona de flash, mais cerca de 10 – 15 % do produto de fundo que é, posteriormente, retido na seção de retificação da torre (GARY e HANDWERK, 2001). O petróleo aquecido é inserido na zona de flash da torre de destilação, nesta o petróleo é separado nas fases líquida e vapor. O líquido que deixa esta zona ainda é composto por uma parte de componentes destilaveis, que posteriormente são recuperados, na seção de esgotamento por meio de injeção de vapor no fundo da torre. Após este processo, o produto de fundo, também chamado de resíduo atmosférico, é descarregado da torre (PARKASH, 2003). Os cortes obtidos da torre de destilação são retirados em determinados pontos laterais da coluna, de acordo com as temperaturas limites de destilação das frações desejadas. Os principais produtos obtidos do petróleo nessa etapa são gasolina, óleo diesel, nafta petroquímica, querosene e gás liquefeito de petróleo - gás de cozinha (SBAITE, 2005). Estes produtos, normalmente, são submetidos a processos de tratamento visando atender às características específicas de cada derivado, como ponto de fulgor, pressão de vapor e poder calorífico, entre outros; e às restrições ambientais quanto a teores de enxofre, metais, nitrogênio e demais contaminantes. O processo de transformação do petróleo em derivados, entretanto, não depende apenas do processo de destilação atmosférica. Uma refinaria contemporânea, mesmo que simples, possui unidades que acrescentam rendimento ao refino do óleo, se comparado ao resultado de uma torre de destilação em isolado. Desta forma o resíduo atmosférico (RAT) é enviado para outros processos da cadeia do refino onde será reprocessado. Normalmente, após novo aquecimento, o RAT é submetido a um segundo fracionamento chamado de destilação a vácuo (ULLER, 2007). 23 2.1.2. Destilação a Vácuo As altas temperaturas necessárias para vaporização do resíduo, utilizando pressão atmosférica, acarretariam um craqueamento térmico dos compostos de cadeia longa do petróleo - asfaltenos, resinas e parafinas, entre outros - com a consequente diminuição do rendimento das frações, descoloração dos produtos e ocorrência de inscrustações nos equipamentos da torre atmosférica devido à formação de coque. Por isso, os resíduos atmosféricos são processados sob vácuo. A diminuição da pressão de operação, nas torres a vácuo, reduz a temperatura de ebulição dos compostos permitindo que parte desses, que não foram vaporizados a pressão atmosférica, sejam retirados do óleo, aumentando, com isso, o rendimento do petróleo em termos de derivados médios e pesados (GARY e HANDWERK, 2001). Desta forma, apesar da temperatura de operação de ambas as torres serem próximas a 400ºC (PARKASH, 2003), devido à diminuição da pressão na torre a vácuo, nessa consegue-se retirar do óleo frações com temperaturas de ebulição de até aproximadamente 560 ºC equivalente atmosférica (AET) (do inglês: Atmospheric Equivalent Temperature) (ALTGELT e BODUSZYNSKI, 1994), dependendo da pressão de operação, da faixa de ebulição da carga e da tendência do óleo à formação de coque, dentre outros fatores (GARY e HANDWERK, 2001). Os principais produtos obtidos nas torres a vácuo são os gasóleos e o resíduo a vácuo. Normalmente são gerados nas destilações dois tipos de gasóleo, o leve, que pode compor diretamente o óleo diesel, e o pesado utilizado como carga para outros processos da refinaria. O gasóleo ainda pode ser utilizado, dependendo de suas propriedades, como base para produção de lubrificantes. Já o resíduo a vácuo tem utilidade como óleo combustível ou, dependendo do tipo de petróleo destilado, como asfalto para pavimentação. Assim como o gasóleo, estes resíduos podem ser processados em outras unidades do refino (CUNHA, 2005). A destilação a vácuo é realizada com pressões absolutas de 25 a 40 mmHg na zona de flash da torre. Essa pressão pode ainda ser reduzida por meio da injeção de 24 vapor no refervedor e na base da coluna. As pressões mais baixas de operação causam um aumento significativo no volume de vapor/barril de óleo, e, como resultado, as colunas de destilação a vácuo possuem diâmetros muito superiores se comparados às torres atmosféricas (GARY e HANDWERK, 2001). Seus diâmetros variam na faixa de 6 a 11 metros aproximadamente (WAUQUIER et al., 2000). O esquema de uma torre de destilação a vácuo pode ser observado na Figura 12. Figura 12: Torre de destilação a vácuo. As torres de destilação atmosférica e a vácuo possuem funcionamentos semelhantes. A carga, aquecida a uma temperatura aproximada de 400 ºC, é inserida na zona de flash onde ocorre a separação das fases líquida e vapor. A primeira é direcionada para a base da coluna onde está localizada a seção de esgotamento na qual o vapor é injetado. Após este processo, o líquido residual é chamado de resíduo a vácuo. Já o vapor ascende continuamente à coluna em direção ao topo, que é a parte mais fria, e entra em contato com a fase líquida que flui para a base da torre (BOMBARDELLI, 2004). Nas torres a vácuo, este contato é propiciado pela utilização de recheios em substituição aos pratos comumente usados nas torres atmosféricas, pois, na destilação a vácuo, é necessário obter-se uma menor queda de pressão possível, a fim de vaporizar as frações mais pesadas do petróleo (WAINTRAUB et al., 2003). A eficiência de separação das frações obtidas das torres a vácuo é menos crítica do que nas torres de destilação atmosférica, sendo que, em alguns casos, quando não há 25 uma exigência quanto ao conhecimento dos pontos iniciais e finais de ebulição dos compostos, as colunas de destilação a vácuo podem não possuir internos nas regiões de transferência de calor (WAUQUIER et al., 2000). Em virtude da redução da queda de pressão na coluna, devido à ausência dos internos, são obtidos cortes mais profundos do petróleo, resultando em um aumento na produção de gasóleos e na redução do rendimento de resíduo de vácuo (RV) (WAINTRAUB et al., 2003), o que aumenta significativamente as margens de lucro de uma refinaria. Nos próximos tópicos serão abordados os processos de craqueamento catalítico fluido (FCC) e coqueamento retardado, os quais se utilizam como carga, os gasóleos e o resíduo de vácuo. Estes processos proporcionam uma maior flexibilidade das refinarias, pois maximizam a produção de combustíveis mais leves a partir de produtos de baixo valor comercial (ULLER, 2007) 2.2. Processos de Conversão Os processos de craqueamento quebram as moléculas de hidrocarbonetos de cadeias longas, convertendo-as em produtos de menor peso molecular e maior valor comercial, como a gasolina, o GLP e uma série de outros destilados. Os dois principais tipos de craqueamento são o térmico e o catalítico (SBAITE, 2005), exemplos clássicos desses processos são, respectivamente, o coqueamento retardado e o FCC. 2.2.1. Coqueamento Retardado Os resíduos do petróleo, também conhecidos como ”fundo do barril'' do óleo, tornaramse um problema para as refinarias, pois, ao mesmo tempo que petróleos cada vez mais pesados estão sendo processados, está havendo uma diminuição na demanda de óleos combustíveis residuais. Historicamente, estes combustíveis eram utilizados para produção de energia elétrica por meio de sua queima, entretanto, devido às rigorosas restrições ambientais, tem havido uma substituição destes por gás natural (GARY e HANDWERK, 2001). Neste contexto, o método de coqueamento retardado têm sido um 26 importante processo para diminuição do acúmulo dos resíduos gerados do petróleo e produção de combustíveis mais leves. Antigamente nas refinarias, o processo de coqueamento gerava problemas relacionados a deposição indesejada de coque no forno de aquecimento. Contudo, verificou-se, com o aprimoramento da técnica, a possibilidade de aquecer o petróleo, nos fornos, a uma temperatura superior à zona de craqueamento incipiente, sem que haja uma formação significativa de coque na fornalha (GARY e HANDWERK, 2001). Para tal é injetado, no forno, vapor de água, garantindo a fluidez e a velocidade da carga, proporcionada pela alta turbulência provocada naquela região. Devido ao fato da formação do coque não se realizar nas fornalhas e sim nos tambores, que não requerem aquecimento próprio, o processo é chamado de coqueamento retardado (GOBERSTEIN, 2007), Figura 13. Figura 13: Unidade de coqueamento retardado. O processo inicia-se pelo aquecimento do resíduo de vácuo nas fornalha até uma temperatura aproximada de 500 ºC (CUNHA, 2005). A carga é então inserida nas câmaras ou tambores de coqueamento nos quais ocorre a formação e acúmulo do coque devido às condições de temperatura e tempo de residência do óleo (GOBERSTEIN, 2007). Nesta etapa é promovida a quebra dos compostos de cadeia aberta e o coqueamento das moléculas aromáticas polinucleadas, resinas e asfaltenos 27 (BARQUETTE, 2008). Ao final desse processo, aproximadamente, 72% da carga é convertida em vapores e os 28% restantes permanecem depositados no tambor na forma de coque (CUNHA, 2005). Os vapores formados são encaminhados para uma torre de separação, onde são condensados e separados em correntes na faixa do diesel, da nafta e do GLP (CUNHA, 2005), além disso, também é formado gasóleo que serve de carga para o FCC. Esses produtos obtidos passam por processos de tratamento para que sejam estabilizados. A unidade de coqueamento retardado é, normalmente, composta por dois tambores em série, permitindo que esta funcione continuamente, alternando as câmaras. O coque depositado nos tambores é retirado utilizando um sistema hidráulico, dentre as principais utilidades deste produto encontra-se a fabricação de eletrodos para a indústria química (GARY e HANDWERK, 2001). Na Tabela 5, pode ser observado o balanço material de uma carga que foi submetida ao processo de coqueamento retardado. Tabela 5: Balanço material do RV do petróleo Arabian Medium (°API 4,9). Produtos Rendimento (%) Gás 9,3 Nafta Leve 2,0 Nafta Pesada 8,0 Gasóleo 46,7 Coque 34,0 Total 100 Fonte: GARY; HANDWERK, 2001 Entre as vantagens do processo de coqueamento retardado está o menor investimento necessário, se comparado às demais unidades, a grande quantidade de produto na faixa do diesel e processamento quase que integral do resíduo gerado pela torre a vácuo. No entanto, a limitação do seu uso se prende ao fato de produzir enormes quantidades de coque, necessitando assim, de um mercado absorvedor (CUNHA, 2005). 28 2.2.2. Craqueamento Catalítico Fluido O craqueamento catalítico é o processo do refino mais importante e amplamente utilizado para a conversão de gasóleos em gasolina e outros derivados leves. Originalmente, esta função era exercida pelo craqueamento térmico, entretanto o último foi quase que completamente substituido pelo catalítico devido ao maior rendimento e qualidade da gasolina produzida empregando catalisadores (GARY e HANDWERK, 2001) No Brasil e nos demais países produtores de óleo pesado, a importância desse processo é acentuada, visto que, por meio deste, é possível ajustar a produção dos combustíveis de acordo com as reais necessidades do mercardo. Além disso, esse também contribui, juntamente com o processo de coqueamento, para o aproveitamento de frações de baixo valor comercial (BALDESSAR, 2005). As unidades de craqueamento catalítico estão presentes em todas as refinarias da PETROBRAS no Brasil e são as maiores responsáveis pela produção brasileira de GLP e gasolina (GOBERSTEIN, 2007). Dentre os tipos de unidades de craqueamento catalítico existentes, o mais utilizado é a de craqueamento catalítico fluido – FCC (do inglês: Fluid Catalytic Cracker) com reatores de fluxo ascendente – Risers (do inglês: Elevador) (GARY e HANDWERK, 2001; PINHO, 2002). No FCC são utilizados catalisadores sob a forma de partículas muitos finas (diâmetro médio de 60 micrômetros) que se comportam como um fluido à passagem do vapor (HATCH e MATAR, 2001). Esse comportamento contribui para a ampliação da superfície de contato vapor/catalisador, aumentando, com isso, as reações de conversão. Os reatores de fluxo ascendente são assim classificados devido a maior parte das reações ocorrerem no riser ou elevador (GARY e HANDWERK, 2001). Na Figura 14, são mostrados os principais equipamentos de uma unidade FCC. 29 Figura 14: Unidade FCC. Fonte: Adaptado de GARY; HANDWERK, 2001 As unidades de FCC podem ser divididas em três partes principais, o reator, o elevador e o regenerador, sendo que as reações de craqueamento ocorrem nos dois primeiros, e no último é realizada a regeneração do catalisador (GARY e HANDWERK, 2001). A carga é aquecida, por trocadores de calor ou fornalhas, até temperaturas na faixa de 260 a 425 ºC e inserida na base do elevador onde é misturada ao catalisador quente proveniente do regenerador (650-815°C). O calor transferido pelo catalisador aquece a carga que atinge a temperatura de reação, então a mistura catalisador/vapor ascende pelo elevador e entra nos reatores. Nestes as reações de craqueamento continuam até que haja a separação do catalisador e dos vapores (GARY e HANDWERK, 2001). O tempo de reação, nas unidades de FCC, é mínimo (1 a 3 segundos) de modo a evitar o 30 sobrecraqueamento das moléculas com consequente formação de hidrocarbonetos de baixo valor comercial (GARY e HANDWERK, 2001; BALDESSAR, 2005). Os vapores formados são enviados para uma coluna de fracionamento onde são separados em vários produtos de acordo com sua faixa de ebulição. Os principais produtos obtidos são a gasolina e o GLP, sendo que também são produzidos, em menores quantidades, cortes que após tratamento são utilizados para compor o querosene e o diesel (ULLER, 2007). Os catalisadores, depois de utilizados nas reações, têm uma diminuição significativa em sua atividade devido à deposição de coque em sua superfície, logo, para manter a atividade dos catalisadores em um nível útil, é necessário regenerar o catalisador. Como resultado, este é continuamente circulado entre as zonas de reação e regeneração onde o coque é queimado com ar (GARY e HANDWERK, 2001). A Tabela 6 mostra o rendimento típico de um processo de craqueamento catalítico fluido utilizando uma proporção catalisador/carga de 6/8. Observa-se um alto rendimento em gasolina e GLP, enfatizando a importância econômica deste processo. Tabela 6: Rendimento FCC. Produto Rendimento (% massa) Gás Combustível (C1-C2) 3 GLP (C3-C4) 18 Gasolina 56 LCO + Óleo Decantado 19 Coque 4 * LCO – Óleo Leve de Reciclo (do inglês - Light Cicle Oil) Fonte: Adaptado de MOREIRA, 2006 apud PINHO, 2005. 31 CAPÍTULO 3 – DESTILAÇÃO LABORATORIAL DO PETRÓLEO No Capítulo 2 foi discutida a importância dos processos de separação como base para os demais métodos da cadeia do refino, destacando os de conversão. Os últimos vêm tornando-se cada vez mais essencial para a adequação dos petróleos pesados à produção de derivados leves e para o aumento da margem de lucro das refinarias. Uma vez que o conhecimento da composição e das propriedades da carga a ser destilada permite ao refinador aperfeiçoar os processos de destilação e conversão do petróleo, para a obtenção de produtos de elevado valor comercial, como gasolina, diesel, solventes, dentre outros; a análise dos constituintes do óleo ganha destaque (SANTOS, 2006). Neste contexto é inserida a análise dos Pontos de Ebulição Verdadeiro (PEV) do petróleo a qual determina, por meio de ensaios laboratoriais de pequeno porte, o rendimento dos produtos que podem ser obtidos da destilação direta e a vácuo do óleo nas refinarias e, consequentemente, o rendimento dos produtos que poderão ser obtidos nos processos de conversão. 3.1. Destilação de Petróleo A destilação é um processo físico de separação, baseado na diferença de ponto de ebulição entre os compostos numa mistura líquida. Variando-se as condições de aquecimento do petróleo, é possível vaporizar, em diferentes temperaturas, compostos leves, intermediários e pesados que, ao se condensarem, podem ser separados. Paralelamente, ocorre a formação de um resíduo pesado constituído principalmente de hidrocarbonetos de elevada massa molar, que não se vaporizam em condições de temperatura e pressão na qual a destilação é realizada. Além da temperatura, a pressão é outro fator importante no processo de destilação. O ponto de ebulição de um determinado líquido é proporcional à pressão a que ele está sendo submetido. Assim, a diminuição da pressão de um sistema acarreta a diminuição da temperatura de ebulição dos compostos presentes no líquido. A conjugação desses 32 dois parâmetros – temperatura e pressão – permite que o petróleo seja separado em diversas frações (ROPELATO, 2008). Os processos de destilação laboratorial do óleo possuem os mesmos princípios básicos de funcionamento das torres atmosférica e a vácuo das refinarias. Em ambos o petróleo é vaporizado e separado em diversas frações de acordo com seus pontos de ebulição. Entretanto, a complexidade do sistema, a forma de operação e o tamanho das cargas utilizadas diferem consideravelmente. A destilação laboratorial do petróleo é normatizada pelas normas ASTM D 2892(05), Método Padrão para Destilação de Petróleo Cru, e ASTM D 5236 (07), Método Padrão para Destilação de Misturas de Hidrocarbonetos Pesados. O primeiro método padroniza o procedimento para destilações de petróleos crus até o ponto final de corte de 400 °C AET, para tal são utilizadas pressões atmosféricas e reduzidas de 100, 10 e 2 mmHg. O sistema de destilação ASTM D 2892 (05) emprega uma coluna de fracionamento com eficiência de 14 a 18 pratos teóricos, operando a uma alta taxa de refluxo (5:1). Por meio destes procedimentos são produzidos gás liquefeito, frações destiladas e um resíduo, além disso, o método permite a determinação dos rendimentos (massa e volume) das frações do petróleo. Através dessas informações é produzido um gráfico de percentual destilado em função da temperatura de ebulição, conhecido como curva de Pontos de Ebulição Verdadeiros (PEV). Por meio da norma ASTM D 2892, a curva PEV é determinada até a temperatura máxima de 400 °C, que engloba a faixa de derivados desde a gasolina ao diesel. A extensão dessa curva para temperaturas aproximadas de até 565 °C AET é possível de ser realizada utilizando a norma ASTM D 5236 (07). Este valor é o máximo que pode ser atingido por meio do método de destilação convencional e é dependente da tolerância que a carga destilada possui ao calor. Essa temperatura pode ser significativamente menor para amostras sensíveis ao calor, a exemplo de resíduos pesados, e podem ser um pouco maior para óleos com maior tolerância ao aquecimento. Por meio desse método são produzidas frações destiladas na faixa do gasóleo e do óleo lubrificante, além de um resíduo de vácuo. 33 Além da destilação dos resíduos atmosféricos do petróleo, a norma ASTM D 5236 (07) pode ser utilizada no processamento de quaisquer misturas pesadas de hidrocarbonetos com ponto inicial de ebulição (IBP – do inglês: Initial Boiling Point) superior a 150 °C, a exemplo de petróleos crus extrapesados e misturas sintéticas. Este processo é operado sob condições de retirada total de produtos e emprega uma coluna contendo, em sua parte interna, um separador de arraste com baixa queda de pressão. O método ASTM D 5236 (07), também conhecido como destilação a vácuo do petróleo, utiliza pressões de operação variando de 50 a 0,1 mmHg, dependendo do IBP da carga utilizada. Para destilação de resíduos atmosféricos de petróleo, geralmente são utilizadas pressões de 1,0; 0,3 e 0,1 mmHg. Ao contrário das torres de destilação das refinarias, que operam de modo contínuo, os processos de destilação laboratorial, segundo os métodos descritos, utilizam-se de um sistema do tipo batelada. Neste tipo de operação, o forno é substituído por um balão, no qual o petróleo é inserido, e o aquecimento é realizado por meio de mantas de aquecimento elétrico (WAUQUIER et al., 2000). A composição da carga varia continuamente com o tempo, à medida que os componentes mais voláteis são retirados do óleo. Neste tipo de operação, as colunas de fracionamento são reduzidas a zonas de retificação, as quais atuam promovendo o contato entre as fases líquida e vapor, e são responsáveis pela melhoria na qualidade de separação dos destilados. Devido à inexistência da zona de esgotamento, o líquido residual será também composto, em menores proporções, por produtos relativamente voláteis, os quais não são completamente vaporizados nas condições normais de destilação (WAUQUIER et al., 2000). O processamento do petróleo no sistema ASTM D 2892 ocorre predominantemente pelo método de destilação fracionada, visto que o sistema emprega uma coluna de fracionamento com um número elevado de estágios de equilíbrio. Nestes estágios, a corrente de vapor cruza com a de líquido, trocando calor e massa. O vapor, à medida que percorre o equipamento, se enriquece em componentes voláteis, enquanto que os componentes pesados (menos voláteis) se encaminham para o balão. Os estágios 34 teóricos juntamente com a alta taxa de refluxo utilizada pelo método permitem a obtenção de produtos mais ricos em determinados componentes e uma maior qualidade de separação dos cortes (CALDAS, 2007). Já no método ASTM D 5236, apesar da utilização de um cabeçote de destilação, encontram-se predominantemente os princípios de uma destilação simples, na qual o vapor ascendente é totalmente liquefeito em um condensador e direcionado aos receptáculos de produtos, logo não há a utilização de refluxo. Novamente, o destilado inicial possui uma maior concentração de compostos mais leves e os hidrocarbonetos de sua composição ficam continuamente mais pesados com o decorrer da destilação (PARKASH, 2003). 3.2. Curva PEV Com base nos valores de massa e volume obtidos a cada faixa de corte do petróleo nos processos de destilação atmosférica e a vácuo, é possível determinar a curva de destilação do óleo cru. Esta é conhecida como curva de Pontos de Ebulição Verdadeiros (PEV) e é representada por um gráfico de percentual acumulado versus temperatura de ebulição. Na Figura 15 pode ser observada a curva PEV, em porcentagem de massa e volume acumulado, de um petróleo leve (°API 33,5). 35 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 Massa Acumulada 100 Volume Acumulado 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Figura 15: Curva PEV. Cada petróleo cru possui diferentes proporções de hidrocarbonetos em sua composição, dessa forma para cada óleo há uma curva PEV distinta. Petróleos mais pesados são constituídos predominantemente por frações mais densas, ou seja, por uma maior gama de hidrocarbonetos complexos, enquanto os petróleos leves possuem maiores proporções de componentes mais voláteis (ULLER, 2007). Na Figura 16 são expostas comparativamente as curvas PEV, em percentual de massa acumulada, de um petróleo leve (°API 33,5) e um extrapesado (°API 16,3). Observa-se que a curva de destilação do óleo leve está posicionada a direita em relação ao pesado, tal fato ocorre em decorrência do maior rendimento em derivados leves deste óleo se comparado a mesma faixa de temperatura de corte do petróleo de °API 16,3. Utilizando como referência o intervalo de 15 °C (IBP) a 200 °C, referente à fração de gasolina, tem-se que; para os óleos leve e extrapesado; 23,4 % e 5,0 % em massa da carga inicial foram destiladas. 36 700 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 °API 16,3 100 °API 33,5 0 0 20 40 60 80 Porcentagem de Massa Acumulada (% Acum.) Figura 16: Curvas PEV de petróleo leve e extrapesado. Tendo conhecimento dos percentuais de fração acumulados por faixa de temperatura, pode-se estimar o rendimento dos derivados que serão obtidos no refino deste óleo. As faixas de ebulição dos principais produtos oriundos do petróleo cru e o número de átomos de carbono dos compostos contidos nesses intervalos são mostrados na Figura 17. 37 Figura 17: Faixa de temperatura dos derivados do petróleo. Fonte: Adaptado de (FAHIM et. al.; 2010) Estes rendimentos provindos da curva PEV fornecem informações importantes sob o aspecto operacional do fracionamento do petróleo antes de ser processado, permitindo que o refinador determine a seqüência de processamento dos óleos nas refinarias de modo a obter os produtos desejados (GARY e HANDWERK, 2001). Esses rendimentos também são utilizados para valoração dos óleos através do cálculo do seu preço mínimo, o qual é usado em transações comerciais e para cálculos de royaltiesc e participações especiaisd a serem pagos pelos concessionários ao Estado (ANP, 2011). Além da determinação do rendimento, com a destilação laboratorial do petróleo é possível analisar a qualidade dos cortes que estão sendo destilados, com isso pode-se c Royalties é uma compensação financeira devida ao Estado pelas empresas concessionárias produtoras de petróleo e gás natural no território brasileiro (ANP, 2011). d Participação especial é uma compensação financeira extraordinária devida pelos concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural, nos casos de grande volume de produção ou de grande rentabilidade (ANP, 2011). 38 determinar os processos de tratamento necessários para enquadrar estes derivados às especificações do mercado. Tendo em vista a mudança na composição do petróleo que vem sendo explorado nos últimos anos e a aceitação de petróleos pesados para o processamento nas refinarias, as metodologias analíticas tradicionalmente empregadas para construção da curva PEV para petróleos leves precisam ser reestruturadas, adequadas, ou até mesmo substituídas, uma vez que os óleos mais pesados não se comportam da mesma maneira que os leves e médios quando submetidos às metodologias convencionais. Um importante processo que vem se destacando nos últimos anos e é em parte responsável pelo adequação da produção de derivados de petróleo às demandas do mercado é a destilação a vácuo de petróleo. A porcentagem de destilados a vácuo é de grande importância do ponto de vista do planejamento e controle da produção, pois se o mercado necessita, por exemplo, de gasolina, cerca de 40 a 50 % dos gasóleos gerados nesse processo podem ser convertidos neste produto por processos de craqueamento (SBAITE, 2005) Qualquer melhoria na eficiência de um determinado processo em uma refinaria de petróleo, por menor que seja, pode representar uma significativa economia ou um aumento da produtividade. No caso em particular das torres de destilação a vácuo, se for possível um aumento na temperatura de alimentação, por exemplo, é possível aumentar a quantidade vaporizada do RAT, minimizando o resíduo de fundo da torre e aumentando a quantidade de gasóleo o qual é posteriormente submetido ao craqueamento catalítico. Com isso destaca-se a importância de pesquisas nesta área. 39 3.3. Objetivos 3.3.1. Objetivo Geral Montagem, implementação e otimização de um sistema manual de destilação de petróleo sob vácuo no LabPetro/UFES, que opere em conformidade com a norma ASTM D 5236, afim de aprofundar o conhecimento deste processo e permitir estudos visando a melhoria do mesmo e a adequação deste aos diversos tipos de petróleos produzidos no estado do Espirito Santo. 3.3.2. Objetivos Específicos • Montagem, no LabPetro/UFES, do sistema de destilação de petróleo sob vácuo em conformidade com a norma ASTM D 5236; • Otimização da unidade por meio da utilização de um óleo de referência; • Seleção e caracterização de diferentes tipos de petróleos produzidos no Espírito Santo; • Adequação do sistema Potstill e da metodologia de destilação ASTM D 5236 aos óleos produzidos no estado; • Implementação do método do picnômetro manual (ASTM D 70) para determinação da densidade de resíduos de vácuo de petróleos. 40 CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS Um sistema de destilação manual a vácuo foi montado no LabPetro/UFES de acordo com as especificações requeridas pela norma ASTM D 5236 (2007) – Método Padrão para Destilação de Misturas de Hidrocarbonetos Pesados (Método a Vácuo Potstill). Esta norma pode ser utilizada para qualquer mistura de hidrocarbonetos com ponto inicial de ebulição (IBP – do inglês Initial Boiling Point) superior a 150 °C, entretanto é mais comumente aplicada à separação de resíduos da destilação ASTM D 2892 (2005) – Método padrão para Destilação de Petróleo Cru – na qual o ponto final de corte é de 400 ºC AET. Para realização desse trabalho, o primeiro passo foi a aquisição dos equipamentos necessários para a montagem do sistema de destilação do tipo Potstill conforme descritos na norma citada. Posteriormente, foram realizadas destilações de petróleos com °API variados (33,5 a 13,1 °) no sistema ASTM D 2892. Os resíduos obtidos destas destilações foram utilizados para otimizar o funcionamento do sistema ASTM D 5236, sendo que no total foram destilados treze resíduos de seis diferentes petróleos. Neste capítulo serão especificados os equipamentos adquiridos para montagem da unidade ASTM D 5236 e os procedimentos utilizados tanto nas destilações a vácuo quanto na determinação da densidade das frações (ASTM D 7042) e dos resíduos finais do petróleo (ASTM D 70). Não serão abordados os procedimentos da destilação ASTM D 2892 que podem ser encontrados detalhadamente em MOTA, 2008. 4.1. Montagem do Sistema ASTM D 5236 Os equipamentos necessários para a montagem da unidade ASTM D 5236 são basicamente um balão cujo aquecimento é realizado por meio de mantas e um cabeçote de destilação contendo internamente um separador de arraste. Ao último são 41 conectados todos os demais equipamentos e vidrarias, são eles: sensor de temperatura, sensor de vácuo, condensador, receptor de produtos e a bomba de vácuo. O esquema do sistema montado no LabPetro pode ser observado na Figura 18. Figura 18: Sistema PotStill - LabPetro A norma permite a montagem de sistemas PotStill com balões de destilação de tamanhos variados ( 2 a 24 L) de acordo com o diâmetro interno do cabeçote de destilação, abaixo serão especificados os tamanhos escolhidos para montagem desse sistema no LabPetro/UFES. • Balão de destilação – o balão de destilação, fabricado em vidro borossilicato, com capacidade de 3 L possui uma saída lateral para alocação de um termopar necessário para medição da temperatura do óleo. Este foi inserido a uma distância aproximada de 6 mm do fundo e deslocado do centro de forma a não prejudicar o sistema de 42 agitação magnética. O balão possui o fundo ligeiramente achatado para facilitar a rotação da barra magnética. • Sistema de agitação – uma barra magnética de aproximadamente 1 cm de diâmetro e 5 cm de comprimento foi inserida no balão de destilação para garantir a ebulição homogênea do óleo. Um agitador magnético foi posicionado na parte central da manta de aquecimento inferior do balão. • Sistema de aquecimento – o aquecimento do balão foi realizado de forma a manter a taxa de ebulição constante em todos os níveis de pressão, para tal utilizaram-se mantas cobrindo as partes inferior e superior do balão. O aquecimento destas foi realizado por meio de um controlador (AUTONICS TZN4S) de acordo com a temperatura indicada pelo termopar no líquido. Entre a manta e o balão foi inserido um sensor de temperatura flexível acoplado a um multímetro digital, para acompanhar a temperatura externa do balão. • Cabeçote de destilação – o cabeçote de destilação com 25 mm de diâmetro interno foi fabricado em vidro borossilicato e totalmente revestido por um encamisamento prateado, contendo um vácuo permanente inferior a 0,00075 mmHg. Esta vidraria contém em sua parte interna um separador de arraste. O cabeçote foi envolvido em uma manta de aquecimento (FISATOM, Mod. 5) capaz de manter a sua temperatura externa em 5 ºC abaixo da temperatura do vapor. O aquecimento da manta foi ajustado por meio de um controlador (AUTONICS TZN4S) com o auxílio de um termopar preso à parede externa do cabeçote, no lado contrário ao “braço” lateral e ao nível do ponto de transbordamento. Na parte superior do cabeçote foi colocado um adaptador para inserção de um termopar, para leitura da temperatura de vapor; e do sensor de vácuo. Por meio desse adaptador o termopar foi mantido no centro do cabeçote e com sua extremidade a 3 ± 1 mm abaixo do ponto de transbordamento. O sensor de vácuo foi conectado após o trap de proteção que integra o adaptador. 43 • Sensor de Vácuo – o sensor de vácuo foi utilizado para medir a pressão do sistema durante a destilação, para tal foi adquirido um manômetro de membrana capacitiva de alta precisão (MKS - BARATRON Mod. 627D) com faixa de atuação de 1 Torr. • Condensador – o condensador, fabricado em vidro borossilicato, foi conectado ao “braço” lateral do cabeçote. Este possui capacidade para condensar os vapores originados da destilação e opera a temperaturas de até 80 °C para evitar o acúmulo de materiais cerosos. • Linha de Vácuo – a linha de vácuo interliga a saída superior do condensador à bomba de vácuo, passando anteriormente por um trap de proteção que evita a contaminação da bomba com vapores residuais. • Bomba de Vácuo – para diminuição da pressão do sistema foi adquirida uma bomba de vácuo de dois estágios (BOC EDWARDS E2M30). O controle da pressão foi realizado de forma automática pela ação conjunta de uma válvula do tipo borboleta “throtlle” (MKS Mod. 253B) e de um controlador para ajuste da pressão (MKS Mod. 651C). • Sistema de Recuperação – para recolhimento das frações foi conectado, à saída inferior do condensador, um sistema composto por um tubo direcionador e um carrossel com 8 receptáculos graduados com capacidade de 150 mL cada. Este sistema é aquecido por meio de resistências controladas por dois variadores de voltagem. 4.2. Procedimentos Os procedimentos para destilação a vácuo do petróleo, descritos pela norma ASTM D 5236 (07), encontram-se descritos a seguir. 44 4.2.1. Preparação da Aparelhagem As vidrarias, secas e limpas, tiveram suas juntas lubrificadas com uma fina camada de silicone para evitar vazamentos. Os receptáculos, o balão e a barra magnética foram pesados e conectados, junto às demais vidrarias, no sistema. Para verificar se havia vazamentos na unidade, realizou-se, antes de cada destilação, o teste de estanqueidade. Para tal, diminuiu-se a pressão do sistema até 0,4000 mmHg e, atingido este valor, desligou-se a bomba de vácuo e isolou-se o sistema. A marcação da pressão no controlador foi observada por 5 minutos, anotando, após cada minuto decorrido, a variação da pressão. Nos casos em que esta foi inferior a 0,075 mmHg por minuto, os procedimentos para início da destilação foram realizados, senão as conexões do sistema foram novamente verificadas e os vazamentos devidamente sanados. Confirmada a estanqueidade adequada do sistema, o trap de proteção da bomba foi inserido em um dewar com nitrogênio líquido e o de proteção do sensor foi preenchido com gelo triturado. 4.2.2. Carregamento Após o processo de destilação ASTM D 2892, os resíduos gerados foram armazenados em frascos âmbar para posterior destilação a vácuo. Como esses resíduos são pesados, houve a necessidade de aquecimento posterior à armazenagem para homogeneização e transferência da amostra. Determinou-se a densidade do resíduo pelo método ASTM D 7042. Calculou-se a massa da carga correspondente a um volume de 1 a 2 L, multiplicando-se estes volumes pela densidade do resíduo. Essa massa foi pesada no balão de destilação contendo a barra magnética. O balão foi fixado na parte inferior do cabeçote de destilação e travado com uma garra metálica. Após este procedimento, foi inserido no balão um termopar interno, para 45 controle do aquecimento do petróleo; e outro entre a manta inferior e o balão para acompanhamento da temperatura externa do balão. Finalmente cobriu-se com a manta superior o restante do balão. 4.2.3. Destilação do Resíduo ASTM D 2892 As destilações dos resíduos ASTM D 2892 foram realizadas de duas formas diferentes. As primeiras amostras foram destiladas utilizando três níveis de pressão: 1; 0,3 e 0,1 mmHg; já nas últimas destilações, os dois últimos níveis foram substituídos por apenas uma etapa à pressão de 0,2 mmHg. Em todas as destilações a diminuição da pressão do sistema foi realizada por etapas, ou seja, ao ser atingido o ponto final de corte para cada pressão, desligou-se o aquecimento do sistema, interrompendo com isso a retirada de produtos. Após o resfriamento da carga a uma temperatura adequada para evitar inundação, calculada conforme o Anexo A, a pressão do sistema foi lentamente reduzida. Este procedimento foi realizado em todas as destilações durante as trocas dos níveis de pressão. Depois de atingida a pressão programada, iniciou-se o aquecimento do petróleo, aplicando calor ao balão a uma taxa que permitiu um aumento rápido da temperatura de fundo, sem exceder, porém, a variação de 300 °C/hora e a temperatura de 400 °C na parte externa do balão. Ligou-se a manta de aquecimento da coluna que foi mantida em aproximadamente 40 °C abaixo da temperatura do óleo no balão. No momento em que se observou o início efetivo da destilação, evidenciado pelo aparecimento de vapor entre o balão e a coluna, reduziu-se o aquecimento a um nível capaz de manter a taxa de destilação conforme mostrada na Tabela 7. 46 Tabela 7: Taxa de destilação. Pressão de Operação Taxa de Destilação (mmHg) (mL/h) 1,0000 225 – 375 0,3000 150 – 250 0,1000 50 – 100 Com o início da retirada das frações, o aquecimento da manta da coluna foi ajustado para manter-se 5 °C abaixo da temperatura do vapor, os variadores de voltagem (variac) do sistema coletor e o banho de refrigeração do condensador foram ligados e programados para 40 °C. Este valor foi aumentado até 60 e 80 °C, respectivamente, à medida que as frações foram ficando mais pesadas. Os cortes foram retirados por volume entre 70 e 100 mL. O controle da taxa de destilação foi realizado, em intervalos de 3 a 5 minutos, utilizando a graduação dos receptáculos e um cronômetro para medição do volume e do tempo, respectivamente. Nos casos em que a taxa estava abaixo da faixa permitida aumentou-se o calor aplicado, e vice versa. Atingido o volume estipulado, o tubo direcionador foi manualmente girado fazendo com que a fração seguinte fosse recolhida em um frasco diferente da primeira. Neste momento foram anotados na folha de acompanhamento da destilação (Apêndice A) os seguintes dados: • Tempo gasto para retirada da fração, em minutos; • Volume da fração, em mL; • Temperaturas do vapor e do líquido, em °C; • Temperaturas da parte externa do balão, da manta da coluna e do banho de refrigeração, em °C; • Pressão de operação, em mmHg. Nas pressões de 1 e 0,3 mmHg, o recolhimento das frações foi realizado até que a temperatura do petróleo no balão atingiu aproximadamente 290 °C. Nesse ponto o 47 aquecimento foi cessado e a pressão reduzida conforme os procedimentos já descritos neste item. Atingida a nova pressão programada, restaurou-se o calor a cerca de 90 % do nível anterior e ajustou-se o aquecimento para que fosse mantida a taxa de retirada de amostra mostrada na Tabela 7. Nas destilações em que foi utilizada a pressão de 0,2 mmHg, a taxa de destilação aceitável foi considerada como a média aritmética das taxas para as pressões de operação de 0,3 e 0,1 mmHg. Nas destilações a 0,1 e 0,2 mmHg, a retirada das frações foi realizada por até uma hora após atingida a temperatura de 310 °C no óleo. Em algumas destilações, entretanto, o aquecimento foi interrompido antes desta temperatura devido aos seguintes fatores previstos pela norma: sinais de craqueamento insipiente do óleo ou a temperatura externa do balão atingiu 400 °C. Depois de finalizada a destilação, o aquecimento foi desligado e a manta superior do balão foi retirada para resfriamento do resíduo. A agitação e a pressão do sistema foram mantidas até que o óleo atingiu uma temperatura de 150 °C. Neste momento, realizou-se um aumento gradativo da pressão interna do sistema até a atmosférica, quando o balão de destilação pôde ser removido do sistema e pesado. Determinou-se a massa do resíduo a vácuo. Os frascos contendo as frações foram retirados do sistema, pesados e separados para posterior determinação da densidade dos cortes. Realizaram-se, então, os procedimentos para determinação do material retido (hold up) no interior do cabeçote, no condensador e no sistema de recuperação das frações. 4.2.4. Determinação do hold up O hold up foi determinado pela destilação de um volume pequeno, aproximadamente 400 mL, de tolueno no sistema depois de finalizada a destilação. Para tal foi utilizado um balão limpo. 48 Após esta limpeza o tolueno restante no balão e o recolhido pelo sistema coletor foram evaporados utilizando um rotaevaporador (FISATOM Mod. 803). Este solvente foi inserido em um balão de 500 mL, previamente pesado, e conectado ao rotaevaporador com o auxílio de um acoplador de juntas. As temperaturas utilizadas nos banhos refrigerante e de aquecimento foram, respectivamente, 10 e 60°C e a rotação foi de 80 rpm. Observada a completa evaporação do tolueno contido no balão, a temperatura do banho de aquecimento foi aumentada para 80 °C e a rotação para 90 rpm. Estas condições foram mantidas por 5 minutos. Passado este tempo o balão foi retirado do sistema, resfriado e a massa de fração retida no sistema foi determinada. Esta foi adicionada à massa do resíduo de vácuo. 4.2.5. Determinação da densidade das frações A densidade das frações foi determinada de acordo com o método ASTM D 7042 utilizando o densímetro digital Stabinger SVM 3000 (ANTON PAAR). Antes das análises a célula de densidade foi limpa e seca para evitar interferências. As frações foram aquecidas a uma temperatura de 60 °C, homogeneizadas e injetadas no densímetro com o auxílio de uma seringa. Os valores de densidade encontrados foram convertidos, utilizando um programa adequado, para 20 °C. 4.2.6. Determinação da densidade dos resíduos a vácuo. A densidade dos resíduos a vácuo foi determinada utilizando o método ASTM D 70 – Método padrão para determinação da densidade de materiais betuminosos semisólidos. O picnômetro utilizado possui uma capacidade de 30 mL e os ensaios foram realizados a 25 °C. 49 4.2.6.1. Preparação da aparelhagem • Preencheu-se com água deionizada recém fervida e resfriada um béquer com capacidade de 600 mL até o nível que permitiu que o topo do picnômetro ficasse imerso a uma profundidade de 40 mm. Esta água foi utilizada nos demais procedimentos. • Este béquer foi imerso em um banho refrigerante (HAAKE K20 – THERMO) a uma profundidade de, aproximadamente, 110 mm, garantindo, que seu topo permanecesse acima do nível da água do banho. A temperatura do banho foi mantida a 25,0 ± 0,1 °C. 4.2.6.2. Calibração do Picnômetro • Limpou-se, secou-se e pesou-se o picnômetro em uma balança analítica com precisão de 0,001 g. Esta massa foi chamada de A. • Removeu-se o béquer do banho refrigerante e preencheu-se completamente o picnômetro com água. Colocou-se a tampa folgadamente sobre o picnômetro e este foi imerso no béquer. Depois de imerso, a tampa foi pressionada firmemente em seu lugar e o béquer foi retornado para o banho refrigerante permanecendo nesse por um período de 30 minutos. • Decorrido este tempo, o picnômetro foi removido da água, secando imediatamente seu topo com um papel seco e posteriormente o restante da sua área externa. O picnômetro totalmente preenchido com água foi pesado e sua massa chamada de B. 4.2.6.3. Determinação da Densidade • O resíduo de vácuo foi aquecido até tornar-se suficiente líquido para verter. Finalizado o aquecimento, a amostra foi inserida no picnômetro de forma que preenchesse cerca de ¾ de sua capacidade total. Tomou-se cuidado para que a amostra não tocasse as 50 paredes do picnômetro acima do nível final e preveniu-se a inclusão de bolhas durante sua transferência. • O picnômetro e seu conteúdo foram resfriados a temperatura ambiente por um período de 40 minutos. Após este tempo, pesou-se o picnômetro. A massa do picnômetro preenchido com amostra foi chamada de C. • Após a pesagem, o picnômetro contendo a amostra foi preenchido com a água deionizada contida no béquer e tampado folgadamente. Colocou-se o picnômetro no béquer e pressionou-se a tampa firmemente no lugar, garantindo que nenhuma bolha permanecesse em seu interior. Retornou-se o béquer para o banho refrigerante no qual permaneceu por um período de 30 minutos. • Após esse tempo, realizaram-se novamente os procedimentos de secagem e pesagem do picnômetro e a massa deste preenchido com amostra e água foi chamada de D. • Calcularam-se as densidades relativas e absolutas da amostra a 25 °C. A última foi, posteriormente, convertida para a temperatura padrão de 20 °C. Com os dados obtidos da destilação do resíduo e das análises para determinação do hold up e das densidades das frações e do resíduo, foi calculado o fechamento do balanço de massa (Apêndice B) e construída a curva PEV dos petróleos. 51 CAPÍTULO 5 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1. Implementação do Sistema Potstill A norma ASTM D 5236 (07) especifica as dimensões das vidrarias necessárias para montagem do sistema de destilação a vácuo tendo como base o diâmetro interno do cabeçote de destilação. Conforme mostrado na Tabela 8, quatro unidades Potstill de tamanhos distintos são permitidas. Tabela 8: Tamanhos do Cabeçote de Destilação. Área da Seção Diâmetro Interno Transversal da Coluna (mm) 2 (cm ) 25 5 36 10 50 20 70 40 Carga (L) Capacidade do Balão (L) 1-2 2-4 4-8 8-16 2-3 3-6 6-12 12-24 Fonte: ASTM D 5236 (07) O cabeçote de destilação do sistema montado no LabPetro/UFES possui um diâmetro interno de 25 mm. Esta dimensão foi escolhida de forma que o resíduo atmosférico (RAT), obtido segundo a norma ASTM D 2892, da unidade manual montada no LabPetro pudesse ser utilizado como carga inicial para esse novo sistema. A unidade atmosférica do LabPetro trabalha com cargas de 3,5 L fornecendo um volume de resíduo entre 1,0 e 2,0 L dependendo do °API do petróleo cru destilado. De acordo com a norma ASTM D 5236 (07) o balão de destilação deve possuir uma capacidade de aproximadamente 50% superior a da carga utilizada, para fornecer espaço suficiente para supressão de espumas e quebra de bolhas formadas durante a destilação. Nesse sentido, para cargas de 1 a 2 L o tamanho de balão mais adequado é de 3 L. Visando uma melhoria do sistema de destilação a vácuo proposto pela ASTM D 5236 e utilizando a experiência adquirida com a montagem da unidade manual de destilação atmosférica de petróleo, algumas modificações foram feitas ao longo da execução 52 deste trabalho. Nas Figuras 19 e 20 podem ser observados o sistema descrito na norma ASTM D 5236 e o sistema que se encontra montado no LabPetro/UFES, respectivamente. Figura 19: Sistema Potstill - Norma ASTM D 5236 53 Figura 20: Sistema Potstill - LabPetro/UFES As maiores modificações realizadas para montagem da unidade de destilação a vácuo no LabPetro foram na ligação entre coluna e condensador e no sistema coletor de frações. Na unidade proposta pela ASTM D 5236 parte do “braço” lateral da coluna de destilação não era aquecida o que proporcionaria o acúmulo de materiais cerosos. Para evitar este acúmulo, o condensador foi estendido e acoplado ao braço lateral do cabeçote. Outra vantagem obtida por meio dessa modificação foi à diminuição da probabilidade de ocorrência de vazamentos, devido à eliminação da junta esférica que conectava essas vidrarias. Quanto ao sistema coletor, o sugerido pela norma utilizava um adaptador para permitir a quebra e o restabelecimento do vácuo, necessários para realização das trocas de 54 receptáculos. Este procedimento é semelhante ao indicado pela norma ASTM D 2892, para destilações a pressões reduzidas, e já foi verificado que esta transição é difícil de realizar em uma unidade manual sem que aja uma perturbação na pressão do sistema. Logo, foi escolhido um sistema coletor no qual a troca de recep receptáculos é feita pela movimentação de um tubo direcionador interno ao sistema, não implicando, com isso, na quebra da pressão. Uma outra alteração foi realizada nesta vidraria com o objetivo de manter a fluidez das frações do petróleo, evitando, com isso, o entupimento do tubo direcionador. Esta consistiu em envolver parte do sistema coletor em resistências cujo aquecimento é controlado por variadores de voltagem. O sistema coletor e suas modificações podem ser observados na Figura 21. (a) (b) (c) Figura 21:: (a) Sistema coletor, (b) Resistências, (c) Variadores de voltagem. Em menores escalas, foram realizadas também mudanças no agitador magnético, na junta superior da coluna e nos adaptadores dos termopares que medem a temperatura do vapor e do líquido. Essas últimas mudanças não foram feitas no início da montagem; montagem e sim, decorrentes de dificuldades apresentadas ao longo do trabalho. Antes de iniciarem as destilações, verificou-se verificou se que os adaptadores primariamente confeccionados para suportar os termopares, estavam provocando vazamentos no sistema de destilação, e com com isso, não era possível reduzir a pressão deste até 0,1 mmHg. Este problema foi sanado pela utilização de uma dupla vedação nos 55 adaptadores dos termopares, como podem ser vistos na Figura 22. Por este mesmo motivo realizou-se se a troca da junta superior do cabeçote de destilação de cilíndrica para esférica. Figura 22:: Adaptadores para termopar (a) do líquido (b) do vapor. Quanto ao agitador magnético, nas primeiras destilações, observou-se observo que este, quando posicionado diretamente abaixo da manta de aquecimento, não estava promovendo uma ebulição homogênea do óleo, pois a intensidade do campo magnético gerado pelo imã não era suficiente para manter a rotação da barra magnética. A falta d de agitação acarretava em projeções e interrupção da destilação. Para sanar este problema foram realizadas mudanças no agitador, o qual teve sua força magnética aumentada; e na manta de aquecimento inferior do balão, na qual foi aberta uma fenda para inserção ão do agitador. A manta confeccionada pode ser observada, externa e internamente, na Figura 23. Figura 23:: Manta inferior de aquecimento com agitador interno. 56 Após estas melhorias, o sistema sistema de destilação a vácuo pôde ser implementado no LabPetro/UFES e o resultado final obtido é apresentado na Figura 24. Figura 24:: Sistema de destilação a vácuo - LabPetro/UFES. 57 5.2. Caracterização dos Petróleos Destilados Para otimização do processo de destilação a vácuo, seis petróleos de diferentes °API foram destilados na unidade ASTM D 2892 para obtenção de seus resíduos que serão chamados de atmosféricose (RAT). A caracterização desses óleos crus quanto a seu °API pode ser observada na Tabela 9. Tabela 9: Caracterização dos petróleos destilados Petróleo °API 1 33,5 2 16,3 3 27,5 4 25,2 5 22,2 6 13,1 Neste trabalho foram utilizados petróleos com uma ampla variação de °API, visando garantir o correto funcionamento do sistema para diversos tipos de óleos. De acordo com a classificação definida pelo setor de abastecimento da PETROBRAS, as destilações contemplaram desde petróleos leves a asfálticos, petróleos 1 e 6, respectivamente. Os demais óleos utilizados foram classificados como médio (Petróleo 3), pesados (Petróleos 4 e 5) e extra-pesados (Petróleo 2). Para os petróleos 1, 2 e 6 cujas curvas PEV foram previamente fornecidas pelo CENPES/PETROBRAS, foram realizadas 4, 3 e 1 destilações, respectivamente. As destilações do petróleo 3 foram realizadas em duplicata e para os demais petróleos foi realizada apenas uma destilação, visto que o funcionamento do sistema mostrou-se adequado para os óleos utilizados como referência. A seguir estas destilações e os resultados obtidos serão mostrados de forma detalhada. e A destilação descrita na norma ASTM D 2892 é realizada utilizando pressões atmosféricas e reduzidas (100, 10 e 2 mmHg). 58 5.3. Destilações a Vácuo do Resíduo Atmosférico A destilação atmosférica do óleo visa à obtenção de frações com um alto grau de fracionamento, visto que os rendimentos alcançados nesta destilação representam os produtos que serão obtidos do processamento direto do óleo nas torres atmosféricas da refinaria. Para garantir a qualidade desses cortes, as destilações atmosférica e a pressões reduzidas são realizadas utilizando uma alta taxa de refluxo, 5:1; e empregando colunas de fracionamento com um número elevado de estágios teóricos, 14 a 18. Estes estágios são promovidos pela utilização de pratos ou recheios no interior das colunas. Já nas destilações a vácuo o objetivo principal é determinar o rendimento das frações pesadas que será obtido nas torres de processamento a vácuo das refinarias. Estas frações são uma importante fonte de derivados leves, visto que servem como carga para os demais processos da cadeia do refino. Algumas diferenças podem ser apontadas entre os dois processos de destilação laboratorial, entre as principais está à configuração da coluna de destilação. A coluna da unidade Potstill não é preenchida por internos e o pouco refluxo existente ocorre devido à diminuição gradativa da temperatura interna da coluna à medida em que seu topo é atingido. Devido à substituição do refluxo por condições de retirada total dos vapores formados e dos internos por um separador de arraste com baixa queda de pressão, é que esse sistema pode atingir uma temperatura final de corte de até 565 °C. Um outro ponto favorável é a diminuição do tamanho da coluna de destilação. Essas diferenças são imprescindíveis tendo em vista a alta viscosidade das frações geradas nesse sistema de destilação. O separador de arraste contido no interior do cabeçote é utilizado para evitar que o líquido seja arrastado pelo vapor na forma de névoa, espuma ou spray, o que levaria a uma contaminação do destilado. Devido à presença dessa peça, essas colunas possuem de 2 a 3 pratos teóricos. Como conseqüência desse reduzido número de estágios, tem-se que a qualidade das frações obtidas por ambos os processos não são comparáveis. 59 Por isso, a norma ASTM D 5236 recomenda que, mesmo para petróleos com IBP acima de 150 °C, o método ASTM D 2892 seja utilizado para obtenção da curva PEV até um ponto de corte de aproximadamente 400 °C e que o seu resíduo seja, então, submetido à destilação a vácuo. Esse último processo é realizado utilizando pressões de 1,0; 0,3 e 0,1 mmHg visto que sua carga inicial já foi previamente destilada com pressões reduzidas de até 2 mmHg na unidade ASTM D 2892. As destilações dos resíduos atmosféricos das amostras 1 e 2 foram intercaladas, entretanto, para fins didáticos, as análises realizadas em um mesmo petróleo serão mostradas de forma consecutiva. 5.3.1. Destilação do Petróleo 1 Esta amostra foi escolhida para início dos testes de destilação a vácuo, pois possuía curva PEV conhecida, visto que esta foi previamente fornecida pelo CENPES/PETROBRAS para comparação dos dados. Além disso, por tratar-se de um petróleo leve, seu resíduo atmosférico gerado é de fácil manipulação facilitando, com isso, a otimização inicial da unidade. Na Tabela 10 podem ser observados alguns dados obtidos da destilação ASTM D 2892 das amostras 1A, 1B, 1C e 1D, são eles: temperaturas finais de corte; rendimento e caracterização dos resíduos atmosféricos (RA) quanto à densidade e ao °API. Estes dados foram utilizados na destilação a vácuo dos resíduos. As densidades mostradas na Tabela 10 foram convertidas para seus valores a 60°F, os quais foram utilizados para determinação do °API. Tabela 10: Dados da destilação atmosférica - Petróleo 1. Temperatura Final Rendimento Densidade a 20°C Amostra 3 de Corte (°C) do RAT (%m) (g/cm ) A 325 51,7 0,9485 °API 17,1 B 324 52,3 0,9454 17,6 C 360 45,3 0,9606 15,2 D 353 46,0 0,9561 15,9 60 5.3.1.1. Destilação da Amostra 1A A destilação da amostra 1A foi a primeira realizada na unidade Potstill, durante a qual pôde ser constatado alguns problemas no funcionamento do sistema. Observou-se durante o processo que a agitação realizada por meio da barra magnética não estava sendo eficiente, visto que não foi obtida uma ebulição homogênea do óleo no balão. Como conseqüência, foram notadas interrupções na retirada das frações e projeções de petróleo no cabeçote de destilação. O último ocorreu devido ao maior aquecimento da carga no fundo do balão, que está em contato direto com a manta. Esse problema foi provisoriamente resolvido pela inserção de anéis de Raschig no balão de destilação, entretanto, devido à possibilidade de entupimento destes, visto que o resíduo contido no balão é muito viscoso, os anéis foram posteriormente substituídos pela manta com agitador interno, Figura 23, conforme descrita no item 5.1. Outros problemas observados nesta destilação foram à variação da pressão do sistema quando se utilizou a pressão de operação de 0,1 mmHg; e o entupimento do tubo direcionador do sistema coletor de frações decorrente do acúmulo de frações. O último foi resolvido nas destilações subseqüentes, primeiramente empregando-se uma manta de aquecimento e posteriormente pela utilização de resistências controladas por variadores de voltagem, Figura 21, conforme descrito no item 5.1. Os dados obtidos após o fechamento do balanço de massa, calculado conforme descrito no Apêndice B, podem ser observados na Tabela 11. Tabela 11: Dados da destilação a vácuo - Amostra 1A. Unidade Potstill Massa (g) % Massa Volume (mL) 100,0 Destilado 858,3 441,7 51,5 904,9 489,0 Resíduo Perdas 404,1 12,5 47,1 1,5 402,7 13,2 Res. T 416,6 48,5 Carga % Volume Densidade 20/04 API API Calc. Delta API 100,0 0,9485 17,1 17,2 0,1 54,0 0,9034 24,5 12,6 44,5 1,5 1,0035 9,0 24,5 4,2 0,4 46,0 D 61 Observam-se, pelo balanço de massa, que foram obtidas perdas de 1,5 % em massa e volume, respectivamente. Este valor está acima do estabelecido pela norma ASTM D 5236 que é de 0,4 % em massa. Este limite, entretanto, deve ser comparado após a contabilização do material retido no interior do sistema. Porém, esta análise não foi realizada para as primeiras destilações visto que estas priorizavam as melhorias do sistema e não no processo. O acompanhamento do processo foi feito pelo valor do delta API. Este representa a diferença entre o grau API da carga original e o do calculado a partir do °API do destilado, do resíduo e das perdas (Apêndice B). Este valor deve ser inferior a 0,5; caso contrário houve uma alteração das propriedades da carga durante a destilação, possivelmente pela ocorrência de craqueamento. O valor de delta API encontrado para esta destilação foi de 0,1. Este valor também permite determinar se as perdas ocorridas no processo foram no destilado ou no resíduo. De acordo com a Tabela 11 observa-se que estas ocorreram no primeiro, visto que ao atribuir às perdas o °API determinado para o destilado, obteve-se o menor delta API possível. Nesta destilação não houve um controle rigoroso da taxa de retirada das frações que ficaram muito abaixo dos limites permitidos (Tabela 7) como mostrado na Figura 25, o que pode ter afetado a qualidade de separação dos cortes, visto que essa taxa muito baixa prejudica o contato entre as fases líquido e vapor. Estes valores foram calculados utilizando o volume e o tempo final de retirada das frações, ou seja, não foi realizado um acompanhamento intermediário das taxas de destilação do corte. 62 Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 2 Limite superior 4 Frações Limite inferior 6 8 Taxa de Destilação Figura 25: Taxa de Destilação - Amostra 1A. Após o fechamento do balanço de massa, a curva PEV, em porcentagem de massa e volume acumulado versus temperatura de ebulição; e a curva do °API, ponto médio volumétrico versus °API das frações, foram montadas, Figura 26. 120,0 500 100,0 400 80,0 300 60,0 200 40,0 100 20,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada A Volume Acumulado A °API Figura 26: Curva PEV da amostra 1A. Segundo a Tabela 11, foi destilada 51,5 % em massa e 54,0 % em volume do resíduo atmosférico. Este valor é equivalente a 26,4 e 25,0 % da carga inicial do petróleo cru utilizada na unidade de destilação atmosférica. Com isso, tem-se que o percentual de massa e volume acumulado até a temperatura 497 °C, na qual o processo foi finalizado, foi de 73,7 e 77,4 %; respectivamente, como pode ser observado nas curvas PEV da Figura 26. 63 Observa-se também nessa figura que há uma diminuição do °API com o aumento da temperatura da curva PEV, visto que o ponto médio volumétrico também aumenta à medida que são atingidas temperaturas mais elevadas de corte. Isso ocorre, porque as frações com menores pontos de ebulição possuem em sua composição compostos com baixa massa molecular, como as parafinas de cadeia curta. Já as frações mais pesadas possuem, em maiores quantidades, compostos aromáticos e resinas, dentre outros. 5.3.1.2. Destilação da Amostra 1B Os resultados obtidos, após o fechamento do balanço de massa para a amostra 1B, podem ser observados na Tabela 12. Tabela 12: Dados da destilação a vácuo - Amostra 1B. Unidade Potstill Massa (g) % Massa Volume (mL) % Volume Densidade 20/04 API Carga Destilado 901,4 473,6 100,0 52,5 953,4 525,5 100,0 55,1 0,9454 0,9013 17,6 24,8 13,0 0,9993 9,5 4,4 9,5 0,1 Resíduo 417,7 46,3 418,0 43,8 Perdas 10,1 1,1 10,0 1,0 Res. T 427,7 47,5 API Calc. Delta API 17,5 0,1 R ou D 44,9 Observa-se nesses uma pequena redução das perdas mássicas e volumétricas, estando, porém, acima do valor pré-estabelecido. Estas perdas ocorreram no resíduo ou no destilado, visto que o API calculado, atribuindo o valor de ambos ao API da perda, é igual. O valor do delta API encontrado foi adequado visto que foi inferior a 0,5. As taxas de destilação também permaneceram abaixo dos limites previstos, com exceção dos dois últimos pontos, Figura 27. 64 Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 2 4 Frações Limite inferior Limite superior 6 8 Taxa de Destilação Figura 27: Taxa de destilação - Amostra 1B. De acordo com os dados obtidos da destilação a vácuo da amostra 1B; foram destilados 52,5 % em massa e 55,1 % em volume do resíduo atmosférico, representando acréscimos de 27,5 % e 26,0 % nos percentuais obtidos na unidade ASTM D 2892. A temperatura final de corte da destilação foi de 505 °C, e as porcentagens acumuladas foram de 74,1 e 78,0 % em massa e volume, respectivamente. Estes dados juntamente com os °API das frações podem ser Ponto Médio Volumétrico (%) 600 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Temperatura (°C) 500 400 300 200 100 0 0,0 20,0 40,0 60,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada B Volume Acumulado B Figura 28: Curva PEV da amostra 1B. 80,0 °API °API observados na Figura 28. 65 5.3.1.3. Destilação da Amostra 1C Os dados obtidos da destilação a vácuo da amostra 1C podem ser observados na Tabela 13 e as curvas PEV, em porcentagem de massa e volume acumulados, e de °API, ponto médio volumétrico versus °API, são mostradas na Figura 29. Tabela 13: Dados da destilação a vácuo - Amostra 1C. Unidade Potstill Massa (g) % Massa Volume (mL) Carga Destilado 967,1 422,5 100,0 43,7 1006,8 464,3 100,0 46,1 0,9606 0,9100 15,2 23,3 15,6 Resíduo 535,8 55,4 536,3 53,3 0,9992 9,6 5,3 8,8 0,9 6,2 0,6 9,6 0,1 544,6 56,3 Perdas Res. T % Volume Densidade 20/04 API Calc. API Delta API 0,4 10,2 R 53,9 120,0 500 100,0 400 80,0 300 60,0 200 40,0 100 20,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada C Volume Acumulado C °API Figura 29: Curva PEV da amostra 1C. A destilação da amostra 1C foi finalizada a uma temperatura de 502 °C AET, acumulando, até este ponto, percentuais de 73,2 e 74,7 % em massa e volume, respectivamente, do petróleo cru. Novamente obtiveram-se valores baixos de delta API e perdas superiores a limite, esta ocorreu no resíduo da destilação. Para essa amostra não foram determinadas às taxas de destilação. 66 5.3.1.4. Destilação da Amostra 1D A destilação D foi a última realizada para esta amostra de petróleo. Essa foi caracterizada pelas menores perdas, 0,4 e 0,3 % em massa e volume, e maior temperatura final de corte da destilação, 523 °C. Com isso, foram destiladas porcentagens de 50,3 e 52,7 do resíduo utilizado como carga da unidade Potstill, o que equivale a porcentagens acumuladas de 76,4 e 80,1 %; em massa e volume, respectivamente, da carga inicial utilizada na destilação a pressão atmosférica. Estes dados podem ser observados na Tabela 14 e na Figura 30. Tabela 14: Destilação a vácuo da amostra 1D. Unidade Potstill Massa (g) % Massa Volume (mL) % Volume Densidade 20/04 API Carga Destilado 827,2 416,2 100,0 50,3 865,1 456,0 100,0 52,7 0,9561 0,9128 15,9 22,9 11,5 Resíduo 407,8 49,3 406,3 47,0 1,0036 8,9 4,4 Perdas 3,1 0,4 2,8 0,3 8,9 0,0 Res. T 410,9 49,7 API Calc. Delta API 15,9 0,0 R 47,3 120,0 500 100,0 400 80,0 300 60,0 200 40,0 100 20,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada D Volume Acumulado D °API Figura 30: Curva PEV da amostra 1D. As taxas de retirada das frações, Figura 31, novamente foram inferiores às estabelecidas pela norma ASTM D 5236, com exceção das frações 4 e 5. Esses limites 67 para as três últimos pontos foram calculados como a média aritmética dos valores permitidos para pressões de 0,3 e 0,1 mmHg visto que, devido a variação da pressão, os cortes foram feitos na pressão de 0,2 mmHg. Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 2 Limite superior 4 Frações Limite inferior 6 8 Taxa de Destilação Figura 31: Taxa de destilação - Amostra 1D. 5.3.1.5. Comparação das destilações do petróleo 1 As curvas PEV obtidas das destilações da amostra 1 no LabPetro/UFES foram comparadas entre si, para verificar a reprodutibilidade dos ensaios; e com a curva de referência fornecida pelo CENPES/PETROBRAS para garantir que o sistema montado estava funcionando de acordo com a norma ASTM. Na Tabela 15 pode ser observado um resumo das condições finais obtidas para cada destilação. Tabela 15: Dados das destilações a vácuo - Petróleo 1. Percentual Acumulado (%) Temperatura Final de Corte Amostra (°C) Massa Volume A 497 75,6 79,6 B 505 75,8 80,1 C 502 74,9 76,0 D 523 76,4 80,1 CENPES 550 77,7 81,1 Para todas as destilações, observa-se que as temperaturas finais de cortes obtidas foram inferiores à alcançada pelo CENPES/PETROBRAS. Isso ocorreu em conseqüência da variação da pressão do sistema quando este foi programado para uma pressão de 0,1mmHg. Devido a esta alteração, as destilações eram finalizadas, pois o aumento da pressão pode significar que está ocorrendo um craqueamento incipiente do óleo, e caso prossiga-se com o processo, pode haver uma alteração nas 68 propriedades da carga e nos rendimentos das frações, o que modificaria o perfil da curva PEV. Esta variação na pressão também ocorre devido à ebulição do óleo no balão, visto que, ao diminuir o aquecimento do óleo, a pressão atinge novamente o nível de 0,1 mmHg. Com isso, é possível que o vácuo gerado pela bomba não esteja sendo suficiente para manter a pressão constante a níveis tão baixos. As maiores e menores temperaturas obtidas nas destilações da amostra 1 foram de 523°C e 497°C para as destilações D e A, respectivamente. As curvas PEV geradas no LabPetro/UFES foram comparadas aos pares com a curva de referência do CENPES/PETROBRAS, estas são mostradas nas Figuras 32, 33, 34 e 35. 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 Massa Acumulada A Volume Acumulado A Massa Acumulada CENPES Volume Acumulado CENPES 100 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Figura 32: Curvas PEV destilações A e CENPES. 69 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 Massa Acumulada B Volume Acumulado B Massa Acumulada CENPES Volume Acumulado CENPES 100 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Figura 33: Curvas PEV destilações B e CENPES. 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 Massa Acumulada C Volume Acumulado C Massa Acumulada CENPES Volume Acumulado CENPES 100 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Figura 34: Curvas PEV destilações C e CENPES. 70 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 Massa Acumulada D Volume Acumulado D Massa Acumulada CENPES Volume Acumulado CENPES 100 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Figura 35: Curvas PEV destilações D e CENPES. Observa-se que as curvas PEV, em porcentagem de massa e volume acumulado, obtidas pelo LabPetro/UFES foram graficamente semelhantes às curvas de referência. Essa semelhança foi confirmada estatisticamente por meio da utilização do Teste F, para cálculo da variância dos dados, e do teste T de Student. O último mostrou que os valores de porcentagens acumuladas em massa para ambos os laboratórios não possuem diferença estatisticamente significativa, utilizando um intervalo de confiança de 95 %. Para este cálculo os dados foram dispostos aos pares, comparando-se os dados obtidos de cada destilação realizada no LabPetro com os valores de referência fornecidos pelo CENPES/PETROBRAS para o mesmo óleo. Os valores utilizados para realização desses testes foram obtidos pelo cálculo dos percentuais mássicos acumulados de todas as destilações realizadas no LabPetro/UFES nas temperaturas de corte utilizadas pelo CENPES/PETROBRAS. As curvas PEV das destilações A, B, C e D do petróleo 1 podem ser observadas de forma comparativa na Figura 36. Para facilitar a visualização dos dados, apenas os dados em porcentagem de massa foram utilizados nessa comparação. 71 600 Temperatura (°C) 500 400 A 300 B 200 C 100 D 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Massa Acumulada (% Acum.) Figura 36: Curvas PEV das destilações 1A, 1B, 1C e 1D. Com a extrapolação da curva PEV para as destilações 1A, 1B, 1C e 1D, até uma temperatura final de corte de 550 °C, foram encontrados valores mássicos acumulados de 77,7; 76,6; 75,7 e 78,3 %, respectivamente. Estes valores foram bem próximos ao valor de 77,7 % obtido pelo CENPES/PETROBRAS. 5.3.2. Destilação do Petróleo 2 Com as destilações do petróleo 1 pôde-se observar que apesar das altas perdas obtidas o sistema estava funcionando de forma correta para óleos leves. Partiu-se então para a destilação de um óleo extrapesado (16,3°API) visto que quanto maior a densidade, maiores são as dificuldades encontradas no processo de destilação. O primeiro problema encontrado foi referente à diminuição da pressão. Devido a faixa de atuação do sensor de vácuo ser de 1 mmHg, a pressão máxima que pode ser programada no controlador é esse valor, com isso, não foi possível realizar uma diminuição gradual da pressão do sistema, que foi reduzida bruscamente ao acionar a bomba de vácuo. Como conseqüência, ocorre uma rápida desgaseificação do óleo, observada pelo aparecimento de bolhas na superfície desse, com isso o petróleo por 72 vezes ascende o balão podendo atingir o cabeçote de destilação. Para reduzir este problema dois procedimentos foram adotados. A fim de realizar o carregamento do balão, o óleo é aquecido a uma temperatura aproximada de 80 °C, para diminuir a ocorrência do problema citado, a carga foi resfriada até aproximadamente 50 °C antes de ligar a bomba de vácuo. Além disso, a última foi acionada com o lastro de gás “gás ballast” totalmente aberto, o que diminui sua capacidade de bombeamento, fazendo com que haja um aumento da pressão final que pode ser atingida no sistema. Ao observar-se que o petróleo retornou a sua posição inicial no balão, o lastro de gás era então fechado para manter a pressão constante no nível programado. Estes procedimentos resolveram provisoriamente este problema, entretanto, para um melhor funcionamento do sistema será inserida, antes da bomba de vácuo, uma válvula manual que regule esta diminuição da pressão de acordo com seu grau de abertura. Nestas destilações houve também a necessidade de aumentar a quantidade de anéis de Raschig inseridos no balão, pois, devido a este petróleo ser bem mais viscoso que a amostra 1, a probabilidade de ocorrência de entupimento dos anéis e conseqüente projeções de óleo no balão é superior. Outro problema encontrado na destilação de óleos extra pesados foi quanto à determinação da densidade do resíduo de vácuo. As frações e os resíduos atmosféricos normalmente têm suas densidades determinadas de acordo com o método ASTM D 7042 que utiliza um densímetro digital. Entretanto não foi possível determinar a densidade dos resíduos finais do Petróleo 2 utilizando este método, tendo em vista a alta viscosidade dessas amostras. Devido a esta característica, não foi possível injetar o resíduo de vácuo no aparelho, mesmo utilizando altas temperaturas. O método do picnômetro manual, padronizado pela norma ASTM D 70, foi então implementado no LabPetro para este fim. Os valores de densidade encontrados serão mostrados nos próximos tópicos e a implementação do método e determinação desses valores serão explicados posteriormente nesta dissertação. A partir da implementação do método do picnômetro, 73 a densidade de todos os resíduos da Potstill foram determinados utilizando-se deste, inclusive as dos resíduos a vácuo dos óleos mais leves, visto que a injeção dessas amostras no densímetro automático poderia ocasionar danos ao equipamento devido a sua alta viscosidade. Este método também foi utilizado para análise do resíduo atmosférico da amostra 6 caracterizada como asfáltica. Os dados obtidos das destilações do petróleo 2 na unidade ASTM D 2892 são mostrados na Tabela 16. Tabela 16: Dados da destilação atmosférica - Petróleo 2. Temperatura Final Rendimento Densidade a 20°C Amostra 3 de Corte (°C) do RAT (%m) (g/cm ) A 360 77,5 0,9809 °API 12,2 B 360 76,8 0,9820 12,0 C 366 73,3 0,9842 11,7 Comparando os dados das Tabelas 10 e 16, referentes à destilação atmosférica dos óleos 1 e 2, respectivamente, pode-se observar que até uma temperatura aproximada de 360 °C, 55 % em massa foram retirados da amostra A, caracterizada como leve, enquanto apenas 23 % do petróleo 2, classificado como extra-pesado, pôde ser destilado até esta temperatura, enfatizando com isso a importância da destilação a vácuo em especial para estes óleos. 5.3.2.1. Destilação da amostra 2A Os dados obtidos da destilação a vácuo da amostra 2A podem ser observados na Tabela 17. Tabela 17: Dados da destilação a vácuo - Amostra 2A. Unidade Potstill Massa (g) % Massa Volume (mL) 1475,2 Destilado 535,2 100,0 36,4 1500,7 565,7 Resíduo Perdas 922,7 17,3 62,5 1,2 922,3 16,0 Res. T 940,0 63,7 Carga % Volume Densidade 20/04 API API Calc. Delta API 100,0 0,9809 12,2 12,3 0,1 37,7 0,9462 17,4 6,3 61,3 1,1 1,0004 9,4 9,4 5,9 0,1 62,4 R 74 Na destilação 2A pode ser observada uma alta perda, em massa e volume, da carga inicial, sendo que esta ocorreu no resíduo. De acordo com a Tabela 17; 36,4 e 37,7 % do resíduo atmosférico utilizado como carga desta unidade foram destilados. Este valor equivale a um acréscimo mássico de 28,2 % e volumétrico de 28,4 % em destilado do petróleo cru. O valor de delta API indica que não houve alterações das propriedades da carga. As curvas PEV, porcentagem de massa e volume versus temperatura de ebulição, e de grau API, percentual médio volumétrico versus °API, são mostradas na Figura 37. 60,0 500 50,0 400 40,0 300 30,0 200 20,0 100 10,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0 10 20 30 40 50 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada A Volume Acumulado A 60 °API Figura 37: Curva PEV da amostra 2A. Observa-se na curva PEV desse óleo uma semelhança maior entre as curvas de massa e volume acumulado, isso ocorre devido à alta densidade das frações obtidas desse óleo. A temperatura final de corte atingida nessa destilação foi de 507 °C AET e os percentuais de mássicos e volumétricos acumulados foram de 49,9 e 52,4 %. Conforme mostrado na Figura 38, as taxas de destilação obtidas foram novamente inferiores às limites, com exceção das frações 3 e 5 que ficaram dentro e acima do limite, respectivamente. 75 Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 1 2 Limite superior 3 Frações Limite inferior 4 5 6 Taxa de Destilação Figura 38: Taxa de destilação da amostra 2A. 5.3.2.2. Destilação da Amostra 2B Os dados obtidos da destilação a vácuo da amostra 2B podem ser observados na Tabela 18 e as curvas PEV, em porcentagem de massa e volume acumulados, e de °API são mostradas na Figura 39. Tabela 18: Dados da destilação a vácuo - Amostra 2B. Unidade Potstill Massa (g) % Massa Volume Densidade % Volume (mL) 20/04 API Carga Destilado 1458,0 539,5 100,0 37,0 1484,8 569,7 100,0 38,4 0,9820 0,9469 Resíduo 896,1 61,5 895,3 60,3 1,0009 19,7 Perdas 22,4 1,5 Res. T 918,5 63,0 1,3 61,6 API Calc. Delta API 12 17,3 12,3 0,3 9,3 5,7 9,3 0,1 6,4 R 76 70,0 500 60,0 50,0 400 40,0 300 30,0 200 20,0 100 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 10,0 0 0,0 0 10 20 30 40 50 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada B Volume Acumulado B 60 °API Figura 39: Curva PEV da amostra 2B Na destilação da amostra 2B atingiu-se uma temperatura de 514°C e percentuais acumulados de 50,8 e 53,1 % em massa e volume, respectivamente. As perdas foram superiores as encontradas na destilação A e o delta API permaneceu abaixo de 0,5. 5.3.2.3. Destilação da amostra 2C Ao contrário das destilações anteriormente realizadas no sistema, na destilação da amostra 2C houve a preocupação de diminuição das perdas ocorridas no processo que estavam sempre superiores a permitida, conforme explicadas anteriormente. Neste sentido, o “hold up” do sistema começou a ser determinado e sua massa acrescida ao resíduo de vácuo antes do fechamento do balanço de massa. Para esta destilação o material retido encontrado foi de 11,9 gramas que equivale a 0,7 % em massa da carga inicial da unidade. O balanço de massa da amostra 2C é mostrado na Tabela 19. 77 Tabela 19: Dados da destilação a vácuo - Amostra 2C. Unidade Potstill Massa (g) % Volume Densidade 20/04 Carga 100,0 Destilado 1683,0 528,9 100,0 0,9842 11,7 11,9 31,4 1710,0 557,9 32,6 0,9481 17,2 5,4 Resíduo Perdas 1151,4 2,7 68,4 0,2 1151,5 0,6 67,3 0,0 0,9999 9,5 9,5 Res. T 1154,1 68,6 1152,1 67,4 % Massa Volume (mL) API API Calc. Delta API 0,2 6,5 0,0 R ou D Foi obtida uma perda de 0,2 % em massa do resíduo atmosférico, a qual foi inferior ao limite imposto pela norma que é de 0,4 %. Verifica-se então que as altas perdas encontradas nas demais destilações ocorreram devido à alta quantidade de material que era retido no interior do sistema. Essa perda, conforme mostrada na Tabela 19 pode ter ocorrido tanto no destilado quanto no resíduo de vácuo. O delta API encontrado foi de 0,2. Nesta destilação atingiu-se uma temperatura final de corte inferior às demais, 498 °C, obtendo, até esse ponto, percentuais acumulados de 48,6 e 50,3 %; em massa e volume, respectivamente. Para determinação desse percentual, foi realizada anteriormente a distribuição, pelas frações destiladas, da perda obtida no processo. Essa repartição foi feita dividindo a massa da perda (2,7 g) pelo número total de frações obtidas na destilação a vácuo (8 frações), logo a cada corte foi acrescido uma massa de aproximadamente 0,3 g. Esse procedimento não foi realizado nas destilações anteriores, pois as perdas encontradas nessas foram superiores a 0,4 %. As curvas PEV e de °API e as taxas de destilação obtidas para a amostra 2C podem ser observadas nas Figuras 40 e 41. Na segunda verifica-se que as taxas de retirada de fração estão novamente abaixo do limite inferior, com exceção da fração 3. 78 60,0 500 50,0 400 40,0 300 30,0 200 20,0 100 10,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0 10 20 30 40 50 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada B Volume Acumulado B 60 °API Figura 40: Curva PEV da amostra 2C. Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 2 Limite superior 4 6 Frações Limite inferior 8 10 Taxa de Destilação Figura 41: Taxa de destilação - Amostra 2C. 5.3.2.3. Comparação das destilações do petróleo 2 As curvas PEV do petróleo 2 obtidas no LabPetro/UFES foram comparadas entre si e com a curva de referência fornecida pelo CENPES/PETROBRAS. Na Tabela 20 pode ser observado um resumo das condições finais obtidas para cada destilação. 79 Tabela 20: Destilação a vácuo do petróleo 2. Percentual Acumulado (%) Temperatura Final de Corte Amostra (°C) Massa Volume A 507 49,9 52,4 B 514 50,8 53,1 C 498 48,6 50,3 CENPES 569 66,2 68,6 Novamente observa-se que as temperaturas finais de corte obtidas foram inferiores à alcançada pelo CENPES/PETROBRAS. A explicação para tal fato consiste na variação da pressão do sistema ao nível de 0,1 mmHg. As maiores e menores temperaturas de corte obtidas foram de 514 °C e 507 °C referentes às destilações B e C, respectivamente. As curvas PEV do LabPetro/UFES e a de referência podem ser comparadas aos pares nas Figuras 24, 25 e 26. Devido à proximidade das curvas PEV em porcentagem de massa e volume para esse óleo, apenas a primeira foi utilizada para a comparação. 700 600 Temperatura (°C) 500 400 300 A 200 CENPES 100 0 0 10 20 30 40 50 Porcentagem Massa Acumulada (% Acum.) Figura 42: Curva PEV das destilações 2A e CENPES. 60 80 700 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 B 100 CENPES 0 0 10 20 30 40 50 60 Porcentagem Massa Acumulada (% Acum.) Figura 43: Curva PEV das destilações 2B e CENPES. 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 C 100 CENPES 0 0 10 20 30 40 50 60 Porcentagem Massa Acumulada (% Acum.) Figura 44: Curva PEV das destilações 2C e CENPES Observa-se uma semelhança gráfica entre as curvas PEV geradas no LabPetro e no CENPES/PETROBRAS. Esta similaridade pôde novamente ser confirmada por meio dos testes estatísticos F e T. O último confirmou que, para um nível de confiança de 95 %, os resultados obtidos não possuem uma diferença estatisticamente significativa. 81 Extrapolando as curvas A, B e C do petróleo 2, encontra-se que para a temperatura final de 569°C, atingida na destilação deste petróleo pelo CENPES; os valores em porcentagem de massa acumulada que seriam obtidos pelo LabPetro seriam de, respectivamente; 66,2; 65,8 e 65,5 %; dados estes bem próximos ao encontrado na curva de referência. As curvas, em porcentagem de massa, das três destilações procedidas no LabPetro estão dispostas de forma comparativa na Figura 45. 600 Temperatura (°C) 500 400 300 A 200 B 100 C 0 0 10 20 30 40 50 60 Porcentagem Massa Acumulada (% Acum.) Figura 45: Curvas PEV das destilações 2A, 2B e 2C 5.3.3. Destilação do Petróleo 3 Para esta amostra foi realizada apenas uma destilação a vácuo. Na unidade atmosférica obteve-se um rendimento mássico do resíduo de 67,5 % até uma temperatura de corte de 355°C. A densidade e o grau API encontrados para o RAT foram de 0,9614 g/cm3 e 15,1. Os dados obtidos da destilação a vácuo do petróleo são mostrados na Tabela 21. Devido à determinação da massa do material retido no sistema (13,9 gramas) as perdas obtidas nessa destilação foram baixas, valores de 0,1 e 0,3 %; em massa e volume, 82 foram encontrados. Novamente o processo não apresentou problemas referentes à descaracterização da amostra, visto que o delta API foi inferior a 0,5. Tabela 21: Dados da destilação a vácuo - Petróleo 3. Unidade Potstill Massa (g) Carga Destilado 1673,5 668,2 100,0 Resíduo Perdas Res. T % Massa Volume (mL) % Volume Densidade API 20/04 API Calc. Delta API 100,0 0,9614 14,9 14,7 39,9 1740,7 719,6 0,2 41,3 0,9287 20,2 8,1 1004,1 1,2 60,0 0,1 1014,9 6,2 58,3 0,4 0,9894 11,0 20,2 6,6 0,0 D ou R 1005,3 60,1 1021,1 58,7 Nesta destilação notou-se que as taxas de retirada de amostra foram mais próximas às estabelecidas na norma ASTM D 5236, visto que um maior número de frações ficou entre ou mais próximas aos limites superior e inferior, Figura 46. Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 2 Limite superior 4 6 Frações Limite inferior 8 10 Taxa de Destilação Figura 46: Taxas de destilação - Petróleo 3. A curva PEV obtida após a distribuição das perdas e a curva de °API podem ser observadas na Figura 47. De acordo com este gráfico, uma temperatura final de corte de 511 °C e valores percentuais de 59,1 e 62,4 %; em massa e volume acumulados, respectivamente, foram obtidos. 83 120,0 500 100,0 400 80,0 300 60,0 200 40,0 100 20,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada Volume Acumulado 70,0 °API Figura 47: Curva PEV do petróleo 3. 5.3.4. Destilação do Petróleo 4 Na Tabela 22 podem ser observados alguns dados obtidos da destilação na unidade ASTM D 2892 e da posterior caracterização dos resíduos atmosféricos das amostras 4A e 4B. Tabela 22: Dados da destilação atmosférica - Petróleo 4. Temperatura Final Rendimento Densidade a 20°C Amostra de Corte (°C) do RAT (%m) (g/cm3) A 371 60,4 0,9232 B 350 62,8 0,9199 °API 21,1 21,7 De posse desses dados pôde então ser realizada a destilação a vácuo do resíduo atmosférico, os resultados obtidos são mostrados a seguir. 5.3.4.1. Destilação da Amostra 4A Na destilação da amostra 4A foi destilado 48,6 % em massa e 50,1 % em volume da carga inicial da unidade, o que equivale a 29,6 e 29,3 % do óleo cru. A perda mássica 84 encontrada para esta amostra está no limite permitido pela norma e o hold up calculado foi de 0,9 % do resíduo atmosférico, Tabela 23. Tabela 23: Dados da destilação a vácuo - Amostra 4A. Unidade Potstill Massa (g) % Volume Densidade 20/04 Carga Destilado 1485,3 722,5 100,0 100,0 0,9232 21,1 21,3 48,6 1608,9 806,2 50,1 0,8961 25,8 12,5 Resíduo Perdas 756,8 6,0 50,8 0,4 797,9 4,8 49,6 0,3 0,9485 17,1 17,1 8,7 0,1 Res. T 762,8 51,3 802,7 49,9 % Massa Volume (mL) API API Calc. Delta API 0,2 Esta destilação atingiu a maior temperatura de corte obtida para este sistema que foi de 528°C, entretanto para alcançar este valor foi necessário aquecer o balão até uma temperatura externa superior a permitida. De acordo com a norma ASTM D 5236, a destilação deve ser interrompida ao atingir 400°C na parte externa do balão, caso contrário pode haver craqueamento do óleo que está em contato direto com o vidro. Por meio da utilização da manta de aquecimento com agitador interno foi possível manter uma agitação rápida do óleo, com isso o tempo de contato direto do óleo com o balão é pequeno, logo não ocorreu um craqueamento do óleo mesmo atingindo uma temperatura de 440°C. Este fato pôde ser confirmado pelo baixo valor de delta API encontrado. Entretanto, após este ponto, o aquecimento foi interrompido por questões de segurança, visto que a unidade montada no LabPetro utiliza-se de uma balão de vidro borossilicato para alocação da carga e este pode não suportar temperaturas mais elevadas. Um balão de aço está sendo adquirido para solucionar este problema, permitindo assim o aquecimento do sistema a temperaturas superiores, o que contribuirá para o aumento do ponto final de corte. As curvas PEV e de °API podem ser observadas na Figura 48 e as taxas de destilação na Figura 49. 85 120,0 500 100,0 400 80,0 300 60,0 200 40,0 100 20,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada A Volume Acumulado A °API Figura 48: Curva PEV da amostra 4A. Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 2 Limite superior 4 6 Frações Limite inferior 8 10 12 Taxa de Destilação Figura 49: Taxa de destilação - Amostra 4A. 5.3.4.2. Destilação da Amostra 4B Com a destilação a vácuo do resíduo atmosférico da amostra 4B, foram obtidos os dados dispostos na Tabela 24. 86 Tabela 24: Dados da destilação a vácuo - Amostra 4B. Unidade Potstill Massa (g) % Volume Densidade 20/04 Carga 100,0 Destilado 1482,0 747,1 100,0 0,9199 21,7 21,6 50,4 1611,0 834,6 51,8 0,8951 25,7 13,0 Resíduo Perdas 733,2 1,8 49,5 0,1 774,4 2,1 48,1 0,1 0,9468 17,4 25,7 Res. T 735,0 49,6 776,5 48,2 % Massa Volume (mL) API API Calc. Delta API 0,1 8,6 0,0 D ou R Finalizada a destilação e determinada a massa de material retido no sistema (10 gramas) obteve-se, no balanço de massa, uma perda pequena de 0,1 % em massa e volume. Para esta destilação uma menor massa foi retida no sistema se comparado com a amostra 4A. Tal fato pode ser atribuído a utilização, a partir dessa amostra, de resistências para aquecimento do sistema de recuperação de frações. Em conseqüência das frações obtidas desse processo serem muito viscosas, parte de suas massas ficava retida nos tubos direcionadores e distribuidores, pois o aquecimento que estava sendo realizado por meio de mantas não estava sendo suficiente para escoar toda a massa da fração para os receptáculos. Com esse novo sistema, foi mantida uma temperatura de aproximadamente 60°C nas principais partes do coletor, com isso, houve uma diminuição de 0,2 % em massa do hold up. Na destilação da amostra 4A foi priorizado o enquadramento das taxas de destilação aos limites impostos pela norma. Para tal foi realizado um aquecimento mais rápido do óleo e um acompanhamento, com o auxílio de um cronômetro, do volume de fração retirado a cada intervalo de tempo de 3 a 5 minutos. As taxas de destilação obtidas a cada medição e a média da mesma para cada fração podem ser observadas na Figura 50. Observa-se que alguns pontos das medições intermediárias ficaram acima ou abaixo dos limites, entretanto maior parte dos pontos está entre os valores estabelecidos pela norma. Além disso, todas as taxas médias encontradas estão em conformidade com a ASTM D 5236. 87 Taxa de Destilação (mL/h) 700 600 500 400 300 200 100 0 0 2 4 6 8 10 Frações Limite Superior Limite Inferior Taxa de Destilação 4B Taxa Média Figura 50: Taxa de destilação - Amostra 4B. Essa melhoria ocorreu, pois tendo conhecimento, durante o corte, da velocidade com a qual a fração está sendo retirada do petróleo, é possível tomar medidas para aumentar ou diminuir a taxa de destilação. Desta forma, quando a taxa medida estava abaixo do limite permitido, a carga era aquecida mais rapidamente, e vice e versa. Outra modificação realizada, a partir dessa amostra, foi a substituição das pressões de 0,3 e 0,1 mmHg por uma única etapa utilizando a pressão de 0,2 mmHg. Esse procedimento foi modificado visto que o nível de 0,1 mmHg não era mantido constante no sistema. Como conseqüência dessas duas medidas, houve uma otimização do tempo de destilação. Anteriormente a essas melhorias, o processo total era realizado em aproximadamente 14 horas (divididas em 2 dias), visto que não era possível realizar as 3 etapas de pressão em um único dia. As baixas taxas de destilação que eram utilizadas e à necessidade de 2 etapas de resfriamento entre as trocas dos níveis de pressão retardavam o processo. Atualmente a destilação a vácuo completa é realizada em apenas 7 horas. As curvas PEV e de °API obtidas para essa amostra podem ser observadas na Figura 51. 88 120,0 500 100,0 400 80,0 300 60,0 200 40,0 100 20,0 0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 0,0 0,0 20,0 40,0 60,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada B Volume Acumulado B 80,0 °API Figura 51: Curva PEV da amostra 4B. Apesar do aquecimento da amostra 4B não ter sido estendido além de 400°C na temperatura externa do balão, como foi feito na destilação 4A, a temperatura final de corte atingida foi bem próxima, 526 °C. Utilizando taxas de destilações maiores, observou-se que a diferença entre a temperatura externa e interna do balão de destilação permanece menor em aproximadamente 20°C o que permite que o petróleo seja aquecido a temperaturas superiores. Os percentuais mássicos e volumétricos acumulados nessa destilação foram de, respectivamente, 68,9 % e 70,9 %. 5.3.4.3. Comparação das Destilações do Petróleo 4 Esta amostra não possui valores de referência para comparação, logo, esta será realizada entre os dados gerados pelo LabPetro/UFES. As curvas PEV, em porcentagem de massa, obtidas das destilações 4A e 4B podem ser observadas de forma comparativa na Figura 52. 89 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 Massa Acumulada A 100 Massa Acumulada B 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 Porcentagem Massa Acumulada (% Acum.) Figura 52: Curvas PEV das destilações 4A e 4B. Pode-se constatar pelo gráfico que as curvas PEV das destilações 4A e 4B foram coincidentes. Os testes estatísticos mostraram que, para um nível de confiança de 95 %, não há diferença estatisticamente significativa entre os dados de ambas as destilações. 5.3.5. Destilação do Petróleo 5 A destilação desta amostra na unidade atmosférica atingiu uma temperatura final de corte de 379 °C AET. Até este ponto 39,5 % em massa da amostra foi destilada, restando 59,5 % de resíduo. As propriedades físico-químicas determinadas para esse foram a densidade (0,9653 g/cm3) e o °API (14,5°). A massa do resíduo foi utilizada para carregamento da unidade a vácuo e os resultados obtidos desse processo podem ser observados na Tabela 25. 90 Tabela 25: Dados da destilação a vácuo – Petróleo 5. Unidade Potstill Massa (g) % Volume Densidade 20/04 Carga 100,0 Destilado 1486,4 565,3 100,0 0,9653 14,5 14,5 38,0 1539,8 609,4 39,6 0,9276 20,4 7,8 Resíduo Perdas 917,3 3,8 61,7 0,3 926,4 4,0 60,2 0,3 0,9901 10,9 20,4 6,7 0,1 D ou R Res. T 921,1 62,0 930,4 60,5 % Massa Volume (mL) API API Calc. Delta API 0,0 Nas destilações anteriores, notou-se que o percentual de massa retida no interior do sistema após a finalização do processo estava sendo muito alto, atingindo valores de quase 1 %. De acordo com o anexo 5 da norma ASTM D 5236, que se refere ao procedimento para determinação do hold up da unidade, o aparato de destilação pode reter, após finalizada o processo, até 0,5 % da carga inicial em sua superfície interna, ou seja, os valores que estavam sendo obtidos eram sempre superiores a esse limite. Logo, observou-se que alguma modificação deveria ser feita no sistema para redução dessa massa. Para determinação do hold up das amostras anteriores, era necessário, após a destilação do tolueno, desconectar o cabeçote de destilação do sistema para que a fração remanescente no interior do separador de arraste fosse vertida pela parte superior da coluna em um recipiente, para posterior evaporação do solvente e lavagem do cabeçote. Além de trabalhoso, com esse procedimento havia o risco de quebra desta vidraria devido à necessidade de seu manuseio freqüente. Observando novamente o esquema do separador de arraste fornecido pela norma e conversando com especialistas da área, constatou-se que esse deveria possuir um pequeno furo em sua parte inferior para diminuir a retenção das frações e para permitir uma limpeza eficiente durante a destilação do tolueno. Previamente à destilação do petróleo 5, um novo cabeçote foi confeccionado e pôde-se constatar a diferença entre os valores de hold up obtidos em ambas as colunas. Enquanto que para as demais amostras a massa retida ao final do processo era equivalente a no mínimo 0,7 % da carga inicial, para essa última destilação, encontrou- 91 se um percentual de 0,3 % que equivale a uma massa de 4,44 g. Esse valor é inferior ao limite permitido pela norma. Para este óleo, foi destilado, até uma temperatura final de corte de 513 °C AET, 38,0 % em massa e 39,6 % em volume do resíduo atmosférico. Com isso os percentuais mássicos e volumétricos acumulados foram de 62,1 % e 65,0 %, respectivamente. As perdas obtidas foram de 0,3 % e podem ter ocorrido tanto no destilado quanto no resíduo a vácuo. O delta API do processo foi de 0,1. As taxas de destilação média ficaram entre os limites inferior e superior permitidos pela norma, com exceção da fração 1 na qual a taxa calculada foi um pouco mais elevada que a tolerada, Figura 53. Taxa de Destilação (mL/h) 700 600 500 400 300 200 100 0 0 1 Limite Superior 2 Limite Inferior 3 4 Frações Taxa de Destilação 5A 5 6 7 Taxa de destilação Média Figura 53: Taxa de destilação - Petróleo 5. Após o fechamento do balanço de massa e distribuição das perdas, as curvas PEV e de °API podem ser observadas na Figura 54. 92 Ponto Médio Volumétrico (%) 600 90,0 80,0 70,0 400 60,0 50,0 300 40,0 200 30,0 °API Temperatura (°C) 500 20,0 100 10,0 0 0,0 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada Volume Acumulado 70,0 °API Figura 54: Curva PEV do petróleo 5. 5.3.6. Destilação do Petróleo 6 Os dados obtidos da destilação a vácuo do petróleo 6 podem ser observados na Tabela 26. Tabela 26: Dados da destilação a vácuo - Petróleo 6. % Massa Volume (mL) % Volume Densidade 20/04 API Carga 1714,7 Destilado 521,9 100,0 30,4 1726,8 552,7 100,0 32,0 0,9930 0,9442 1192,0 69,2 1171,8 67,9 1,0172 Perdas 0,9 0,1 2,3 0,1 Res. T 1192,8 69,6 Unidade Potstill Resíduo Massa (g) API Calc. Delta API 10,4 17,8 10,4 0,0 7,1 4,9 17,8 0,1 5,4 R ou D 68,0 Para essa destilação foi obtido um hold up de 4,88 g que foram adicionadas a massa do resíduo de vácuo para posterior realização do balanço de massa. Essa massa equivale a aproximadamente 0,3 % da carga inicial. A perda encontrada foi de 0,1 % e o valor do API calculado foi igual ao medido previamente para o resíduo atmosférico. As taxas de retirada das frações podem ser observadas na Figura 55. 93 Taxa de Destilação (mL/h) 400 300 200 100 0 0 1 Limite Superior 2 3 Frações Limite Inferior 4 5 Taxa de Destilação 6 6 7 Taxa Média Figura 55: Taxa de destilação - Petróleo 6. As curvas PEV e de °API obtidas para essa amostra são mostradas na Figura 56. 35,0 500 30,0 25,0 400 20,0 300 15,0 200 10,0 100 5,0 0 0,0 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 °API Temperatura (°C) Ponto Médio Volumétrico (%) 600 60,0 Porcentagem Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada Volume Acumulado °API Figura 56: Curva PEV do petróleo 6. Conforme pode ser observado na curva PEV, a temperatura final de corte atingida para este óleo foi de 492°C e os percentuais acumulados mássicos e volumétricos até esse ponto foram, respectivamente, de 44,1 em massa e 46,4 em volume. Devido à esta amostra ser muito pesada (asfáltica), novamente observa-se uma grande proximidade entre as curvas PEV em massa e volume acumulados. 94 5.3.6.1. Comparação entre as destilações do Petróleo 6 Devido à semelhança entre as curvas PEV em porcentagem de massa e de volume para esta amostra, estas foram plotadas em diferentes gráficos a fim de compará-las com as curvas de referência fornecidas pelo CENPES/PETROBRAS. As curvas PEV podem ser observadas nas Figuras 57 e 58. 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 100 0 0 10 20 30 40 50 60 Massa Acumulada (% Acum.) Massa Acumulada 6 Massa Acumulada CENPES Figura 57: Curva PEV da amostra 6, porcentagem de massa acumulada. 600 Temperatura (°C) 500 400 300 200 100 0 0 10 20 30 40 50 60 Volume Acumulado (% Acum.) Massa Acumulada 6 Volume Acumulado CENPES Figura 58: Curva PEV da amostra 6, porcentagem de volume acumulado. Observa-se que as curvas PEV obtidas por ambos os laboratórios são graficamente semelhantes. Extrapolando a curva PEV em porcentagem de massa, obtêm-se, para uma temperatura final de destilação de 555 °C, uma massa acumulada de 62,4 %. Este valor é um pouco superior ao obtido pelo CENPES (55,1 %) devido à pequena diferença observada no último ponto de corte dessa destilação. 95 Entretanto, o teste T calculado; presumindo amostras com variância equivalente, conforme determinado pelo teste F; mostrou que não houve diferença estatisticamente significativa entre as destilações da amostra 6 para um nível de confiança de 95 %. Para tal cálculo, determinaram-se os percentuais mássicos que seriam obtidos, pela destilação no LabPetro, nas temperaturas de corte realizadas pelo CENPES/PETROBRAS. 5.4. Implementação do Método do Picnômetro Após a finalização da destilação é realizada a pesagem e determinação da densidade das frações destiladas e do resíduo final. Estas medidas são necessárias para calcular o balanço de massa do processo de onde são retirados os valores de rendimento, em porcentagem de massa e volume, das frações e do resíduo. As densidades dos resíduos das amostras 1A e 1C foram determinadas utilizando-se um densímetro digital (DMA 4500), entretanto, não foi possível determinar utilizando este método a densidade dos resíduos finais dos Petróleos 2 e 6 devido à alta viscosidade dos mesmos. A aquisição de um picnômetro digital não foi possível, pois não foram encontrados no mercado fornecedores deste tipo de aparelho e que atendessem as necessidades do LabPetro. Por sugestão de um fornecedor de equipamentos para indústria química, foram cotadas células de medições externas, recomendadas para realização de medidas utilizando altas pressões e temperaturas, para serem acopladas ao densímetro, entretanto, além de onerosas não era garantido seu correto funcionamento para aplicação em resíduos de petróleo. A implementação do método do picnômetro manual desenvolvido para análise de materiais betuminosos semi-sólidos utilizando a norma ASTM D-70 mostrou-se adequado, pois se utiliza de vidrarias e procedimentos simples de análises. O picnômetro é um pequeno frasco de vidro construído de forma que seu volume seja invariável. Este possui uma rolha de vidro com uma abertura capilar em seu centro para garantir que não sejam retidas em seu interior bolhas de ar. As dimensões necessárias para confecção do picnômetro são especificadas na norma ASTM D-70. O esquema e a 96 fotografia do picnômetro confeccionado para o LabPetro podem ser observados na Figura 59. (a) (b) Figura 59:: Picnômetro LabPetro (a) esquema (b) fotografia. O método consiste basicamente em inserir a amostra em um picnômetro calibrado até aproximadamente ¾ de sua capacidade. O picnômetro e a amostra são pesados, e então o volume remanescente é preenchido com água. O picnômetro cheio é levado para temperatura de teste, e pesado novamente. A densidade relativa da amostra é calculada como a razão entre sua massa e a massa de água deslocada pela amostra no picnômetro cheio. Os cálculos realizados para determinação das densidades relativas e absolutas dos resíduos encontram-se encontram se detalhados nas Equações 2 e 3, respectivamente. Drelativa = (C - A)/[(B - A) - (D - C)] (2) Onde: A= massa do picnômetro vazio; B= massa do picnômetro mais água; C= massa do picnômetro com a amostra; D= massa do picnômetro mais amostra mais água. Dabsoluta = Drelativa x Dágua (3) Onde: Dágua = densidade da água a 25°C. (Dágua= 0,9970 g/cm3) A calibração dos picnômetros foi realizada em duplicada, na temperatura de teste de 25°C, e os valores alores médios encontrados foram utilizados para os cálculos posteriores. 97 Os parâmetros A e B determinados nas calibrações podem ser observados na Tabela 27. Tabela 27: Parâmetros de calibração dos picnômetros. Picnômetro 1 Picnômetro 2 A B A B 35,2639 65,4482 36,2039 66,3346 35,2634 65,4514 36,2018 66,3318 35,2637 65,4498 36,2029 66,3332 Este método foi utilizado para determinação da densidade de todos os resíduos a vácuo obtidos da unidade Potstill, além disso, o picnômetro também foi usado para análise do resíduo atmosférico da amostra 6. Os valores de densidade encontrados foram convertidos, utilizando um programa adequado, para a temperatura de 20°C na qual as amostras de petróleo são normalmente reportadas. Um total de 11 amostras foram analisadas (todos os resíduos de vácuo, com exceção da amostra 1B), entre as quais a densidade de duas (1A e 1C) também foram determinadas pelo método do densímetro automático de acordo com a ASTM D 7042. Os valores encontrados para a densidade relativa a 25°C dos resíduos e os utilizados para fechamento dos balanços de massa podem ser observados na Tabela 28. 98 Tabela 28: Densidades dos resíduos - Método ASTM D 70. Densidade Absoluta Densidades Relativas Diferença Resíduos 3 (g/cm ) a 20°C (g/cm3) a 25°C 1A 1,0034 1,0033 0,0001 1,0034 1C 0,9992 0,9991 0,0001 0,9993 1D 1,0050 1,0045 0,0005 1,0049 2A 1,0011 1,0001 0,0010 1,0004 2B 1,0014 1,0001 0,0013 1,0009 2C 1,0003 0,9993 0,0010 0,9999 3 0,9897 0,9890 0,0007 0,9894 4A 0,9482 0,9480 0,0002 0,9484 4B 0,9464 0,9463 0,0001 0,9468 5 0, 9905 0, 9894 0,0011 0,9901 6 RA 0,9931 0,9927 0,0004 0,9930 6 RV 1,0179 1,0164 0,0015 1,0172 De acordo com o método ASTM D 70 a diferença entre os resultados obtidos por meio da realização correta do teste pelo mesmo operador, em material idêntico, não deve ser superior a 0,0023 g/cm3 a uma temperatura de teste de 25°C, logo todos os resultados apresentaram repetitividade para uma mesma amostra. Comparando os valores de densidades absolutas obtidas para as amostra 1A e 1C (Tabela 29) pelos métodos ASTM D 7042, utilizando um densímetro digital, e ASTM D 70, método manual do picnômetro, pode-se observar uma pequena diferença entre os resultados. Se comparados quanto à faixa de reprodutibilidade do método do picnômetro, a norma permite uma diferença de até 0,0054g/cm3 entre os valores obtidos em material idêntico por meio de testes interlaboratoriais utilizando diferentes picnômetros, logo a diferença entre os valores obtidos pelos dois métodos utilizados foi ainda inferior à permitida pelo método ASTM D 70. Isso comprova que o método está sendo adequado para determinação de densidades de amostras semi-sólidas, a exemplo dos resíduos a vácuo de petróleo. 99 Tabela 29: Comparação dos métodos ASTM D 7042 e D70. Densidade a 20°C (g/cm3) Desvio Absoluto Resíduos 3 (g/cm ) ASTM D 70 ASTM D 7042 1A 1,0049 1,0036 0,0013 1C 0,9993 0,9992 0, 0001 100 CAPÍTULO 6 - CONCLUSÕES Analisando os resultados obtidos, conclui-se que a unidade manual de destilação a vácuo de petróleo montada no LabPetro/UFES está funcionando de acordo com a norma ASTM D 5236, visto que, comparando-se os dados obtidos das destilações dos resíduos atmosféricos dos diferentes petróleos observou-se que, graficamente, as curvas PEV geradas para um mesmo óleo foram semelhantes. Essa semelhança gráfica foi confirmada utilizando os testes estatísticos F e T, os quais, conjuntamente, mostraram que não existe uma diferença estatisticamente significativa entre os dados obtidos nas destilações realizadas no LabPetro e no CENPES/PETROBRAS, quando utilizado um intervalo de confiança de 95 %. Além disso, as baixas perdas, as taxas de destilação sendo mantidas entre os limites estipulados pela norma, e o pequeno valor de delta API, obtidos nas últimas destilações, mostram que o processo de destilação está ocorrendo de forma correta. A temperatura máxima de corte atingida nas destilações foi de 528 °C para a amostra 4A. De acordo com a norma ASTM D 5236 esta temperatura devia ser próxima a 565 °C, dependendo da tolerância do óleo ao aquecimento. Esse valor não pôde ser atingido devido à variação da pressão do sistema quando programado para 0,1 mmHg e à temperatura limite de aquecimento do balão de destilação (400°C) que é fabricado em vidro borossilicato. Para sanar este problema, como continuidade deste trabalho, primeiramente substituirse-á o balão de vidro por um similar de aço o qual não apresenta perigo de quebra. Serão adquiridos balões de capacidades de 3 e 1 L, este último será utilizado nas destilações em que a carga remanescente no balão, durante as últimas etapas, for pequena. Este procedimento será realizado a fim de diminuir a variação da pressão e a diferença de temperatura no líquido e no vapor, visto que reduzirá o espaço vazio do balão, diminuindo, com isso, o volume de vapor que precisa ser gerado para atingir o cabeçote de destilação. 101 Por fim, conclui-se que o método do picnômetro (ASTM D 70), implementado para análise dos resíduos de vácuo dos óleos, mostrou-se um método eficiente e confiável, visto que, comparando-se os resultados deste com os gerados pelo método ASTM D 7042, com o auxílio de um densímetro automático, foram obtidos desvios absolutos baixos de 0,0013 g/cm3 e 0,0001 g/cm3 para as amostras 1A e 1C, respectivamente. 102 REFERÊNCIAS Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Definições. Disponivel em: http://www.anp.gov.br>. Acesso em: 8 de fevereiro de 2011. Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Anuário Estatístico 2010, 2010. Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural (Novembro/2010), 2010. Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Portaria ANP 206, 2000. ALBOUDWAREJ, H.; FELIX, J.; TAYLOR, S.; BADRY, R.; BREMNER, C.; BROUGH, B.; SKEATES, C.; BAKER, A.; PALMER, D.; PATTISON, K.; BESHRY, M.; KRAWCHUK, P.; BROWN, G.; CALVO, R.; TRIANA, J. A. C.; HATHCOCK, R.; KOERNER, K.; HUGHES, T.; KUNDU, D.; CÁRDENAS, J. L. de; WEST, C. Highlighting heavy oil. Oilfield Review, Estados Unidos, v. 18, n. 2, p. 34-53, summer 2006. ALTGELT, K. H.; BODUSZYNSKI, M. M. Composition and Analysis of Heavy of Petroleum Fractions. New York: Marcel Dekker, Inc, 1994. ASTM Method D 2892-05a. Standard Test Method for Distillation of Crude Petroleum: (15-Theoretical Plate Column). 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A temperatura equivalente atmosférica (AET) é calculada segundo a Equação A1: , ⁄, , , 273,1 (A1) Onde: T = Temperatura observada na destilação [°C]; Para pressões inferiores a 2 mmHg, o parâmetro A pode ser calculado conforme a Equação A2. ,# ,#$%&'( ) , , $%&'( ) (A2) Onde: P = Pressão de operação [mmHg] Caso sejam utilizadas pressões superiores a 2 mmHg, outra fórmula é aplicada para determinação de “A”. Porém, nesse trabalho as destilações na unidade Potstill foram realizadas apenas a pressões inferiores a 1 mmHg. A conversão para temperatura equivalente atmosférica para o sistema ASTM D 2892 pode ser encontrada de forma detalhada em MOTA, 2008. 109 APÊNDICE A – Folhas de Acompanhamento da Destilação Para acompanhamento da destilação e fechamento inicial do balanço de massa são utilizadas as folhas que seguem. Nelas são anotadas, durante a destilação, todas as informações necessárias para realização dos cálculos posteriores. 110 111 APÊNDICE B – Fechamento do Balanço de Massa Uma planilha eletrônica foi programada no Excel para fechamento do balanço de massa dos petróleos e montagem das curvas PEV e de °API. Os cálculos, referentes à destilação a vácuo, utilizados para montagem dessa planilha são explicados a seguir. Em MOTA (2008) podem ser encontrados em detalhes os cálculos realizados para a destilação na unidade ASTM D 2892, estes são exemplificados nesse apêndice. Os valores percentuais, em massa e volume, dos resíduos atmosféricos são necessários para o fechamento do balanço de massa da unidade Potstill, e por isso estes valores encontram-se destacados na Tabela B1. Tabela B 1: Exemplo do Balanço de massa da unidade ASTM D 2892 Unidade Atmosférica Massa % Massa Volume % Volume Densidade 20/04 API API Calc. Delta API Carga Leves 2697,0 2,5 100,0 0,1 2766,4 4,17 100,0 0,2 0,9749 0,6000 13,1 100,0 13,2 0,1 0,1 Destilado 544,8 601,9 24,2 4,9 2135,3 16,9 21,8 77,7 0,9051 Resíduo Perdas 20,2 79,2 0,9930 - 10,4 10,4 8,1 0,1 0,6 2150,4 12,9 0,3 DeR Na Tabela B2 pode ser observado um exemplo do fechamento do balanço de massa de uma destilação a vácuo. Os dados destacados em verde são aqueles que são inseridos manualmente na tabela, os demais são calculados automaticamente a partir desses. Tabela B 2: Exemplo do Balanço de massa da unidade ASTM D 5236. Unidade Potstill Carga Destilado Resíduo Perdas Massa % Massa Volume % Volume Densidade API API Calc. Delta API 1714,7 521,9 100,0 1726,8 552,7 100,0 0,9930 10,4 10,4 0,0 0,9442 1,0172 17,8 7,1 5,4 4,9 17,8 0,1 1192,0 30,4 69,2 1171,8 32,0 67,6 0,8 0,0 2,3 0,1 R ou D 112 Unidade Potstill Unidade de destilação utilizada Dados referentes à carga inicial Carga Destilado Dados referentes ao destilado Resíduo Dados referentes ao resíduo de vácuo Perdas Dados referentes à perda Unidade Potstill Massa 1714,7 Destilado 521,9 Carga Resíduo Perdas Unidade Potstill 1192,0 0,8 Massa inicial da carga Massa total destilada (∑ +,-.çõ12 ) Massa do resíduo de vácuo (RV) Massa da perda (+3.-&. + 1245$. % +-12í 7% ) % Massa Carga 100,0 Destilado 30,4 Massa inicial da carga equivale a 100% Percentual de massa destilada 8+ 1245$. % 100⁄+3.-&. : Resíduo 69,2 Percentual em massa do RV 8+-12í 7% 100⁄+3.-&. : Perdas 0,0 Percentual em massa da perda 8;+<1- . 100=>+3.-&. :) Unidade Potstill Volume Carga 1726,8 Destilado 552,7 Resíduo 1171,8 Volume inicial da carga ;+3.-&. ⁄?3.-&. = Volume Total Destilado (∑ @,-.çõ12 ) Volume do resíduo de vácuo (A+-12í 7% A⁄?-12í 7% ) 2,3 Volume da perda (@3.-&. @ 1245$. % @-12í 7% ) Perdas Unidade Potstill % Volume Carga 100,0 Destilado 32,0 Volume inicial da carga equivale a 100% Percentual do volume destilado 8@ 1245$. % 100⁄@3.-&. : Resíduo 67,6 Percentual do volume do RV 8@-12í 7% 100⁄@3.-&. : Perdas 0,1 Percentual do volume da perda 8;@<1- . 100=>@3.-&. :) 113 Unidade Potstill Densidade Carga Destilado 0,9930 0,9442 Densidade da carga Densidade do destilado (A+ 1245$. % A⁄@ 1245$. % ) Resíduo 1,0172 Densidade do resíduo de vácuo Perdas - Unidade Potstill API Carga Destilado 10,4 17,8 ° API da carga ° API do destilado Resíduo 7,1 ° API do resíduo de vácuo Perdas 17,8 °API da perda ( 1245$. % BC -12í 7% ) Unidade Potstill API Calc. Carga 10,4 ° API calculado da carga (∑ DEFD<1- .,-12í 7% 1 1245$. % Destilado 5,4 ° API calculado do destilado (%+ 1245$. %. 1245$. % Resíduo 4,9 ° API calculado do resíduo de vácuo (%+-12í 7% -12í 7% Perdas 0,1 °API calculado 8%+<1- . -12í 7% BC 1245$. % : Unidade Potstill Delta API Carga Destilado 0,0 Variação do ° API da carga [ I DEFD3.-&. 3.-&. I ] Resíduo Perdas R ou D Local onde a perda ocorreu Os dados utilizados para os cálculos de balanço de massa encontram-se na Tabela B3. Os valores que estão em azul são referentes às frações que foram retiradas na unidade Potstill e em verde são aqueles inseridos manualmente. Estes últimos são obtidos durante a destilação ou por meio da análise dos cortes. O significado das colunas e os cálculos realizados para destilação a vácuo do petróleo são explicados abaixo. 114 Tabela B 3: Dados da destilação de um óleo asfáltico. Fr Temp. Massa Ponto Médio Vol. % Mas. % Vol. % Mas. Acum. % Vol. Acum. % Mas. % Vol. Dens. API 1 248 71,86 82,32 2,7 3,0 2,7 3,0 1,3 1,5 0,8729 29,9 2 273 71,79 80,98 2,7 2,9 5,3 5,9 4,0 4,4 0,8865 27,4 3 4 302 326 66,61 81,06 74,35 89,45 2,5 3,0 2,7 3,2 7,8 10,8 8,6 11,8 6,6 9,3 7,2 10,2 0,8960 0,9062 25,8 24,0 5 345 85,16 92,96 3,2 3,4 14,0 15,2 12,4 13,5 0,9161 22,3 6 358 78,91 85,50 2,9 3,1 16,9 18,3 15,4 16,7 0,9229 21,2 7 376 89,39 96,33 3,3 3,5 20,2 21,8 18,5 20,0 0,9279 20,4 8 9 426 438 89,60 90,58 95,72 96,37 4,1 4,1 4,3 4,3 24,3 28,4 26,0 30,3 22,3 26,4 23,9 28,2 0,9360 0,9399 19,1 18,4 10 451 85,73 90,86 3,9 4,0 32,4 34,4 30,4 32,3 0,9435 17,9 11 12 463 486 96,33 87,51 101,77 92,16 4,4 4,0 4,5 4,1 36,8 40,8 38,9 43,0 34,6 38,8 36,6 40,9 0,9466 0,9496 17,4 16,9 13 492 72,7 76,5 3,3 3,4 44,1 46,4 42,5 44,7 0,9510 16,7 Fr. Identificação da fração Temp. Temperatura de corte da fração (°C) Massa Massa da fração (g) Vol. Volume da fração (mL) % Mas. Porcentagem de massa da fração 8;+,-.çã% ⁄+3.-&. = %+I : % Vol. Porcentagem de volume da fração 8;@,-.çã% ⁄@3.-&. = %@I : % Mas. Acum Porcentagem de massa acumulada das frações ;∑J %+,-. = % Vol. Acum Porcentagem de volume acumulado das frações ;∑J %@,-. = Ponto Médio (%) Percentual médio, em massa ou volume %EDC+J K %EDC+J Dens. Densidade das frações a 20°C API API das frações L° 8141,5⁄?/ : 131,5 O ⁄2 Os dados destacados são utilizados para construção da curva PEV, porcentagem de massa e/ou volume acumulado versus temperatura, e da curva de °API, percentual médio volumétrico versus °API.