Balanço de Massa e Energia Aula 4 Gases e Vapores Na maioria das pressões e temperaturas, uma substância pura no equilíbrio existe inteiramente como um sólido, um líquido ou um gás. Contudo, em certas temperaturas e pressões, duas ou mesmo três fases podem coexistir simultaneamente. Exemplo 1) Água pura é um gás a 130ºC e 100 mmHg, e um sólido a 40ºC e 10 atm, mas a 100ºC e 1 atm pode ser um gás, um líquido ou uma mistura dos dois, e aproximadamente a 0,0098 ºC e 4,59 mmHg pode ser um sólido, um líquido, um gás ou qualquer combinação dos três. 1 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Gases e Vapores Diagrama de Fases 2 Balanço de Massa e Energia Gases e Vapores Aula 4 Diagrama de Fases Termos importantes que podem ser definidos em referência ao diagrama de fases: 1. Se T e P correspondem a um ponto sobre a curva de equilíbrio líquido-vapor para uma determinada substância, P é a pressão de vapor da substância à temperatura T, e T é o ponto de ebulição (mais precisamente, a temperatura do ponto de ebulição) da substância à pressão P. 2. O ponto de ebulição de uma substância a P = 1 atm é seu ponto de ebulição normal. 3. Se (T,P) cai sobre a curva de equilíbrio sólidolíquido, então T é o ponto de fusão ou ponto de congelamento à P. 3 Balanço de Massa e Energia Gases e Vapores Aula 4 Diagrama de Fases 4. Se (T,P) cai sobre a curva de equilíbrio sólidovapor, então P é a pressão de vapor do sólido à temperatura T e T é o ponto de sublimação à pressão P. 5. O ponto (T,P) no qual a fase sólida, líquida e vapor podem coexistir é chamado ponto triplo da substância. 6. A curva de equilíbrio líquido-vapor termina na temperatura crítica e na pressão crítica (Tc, Pc) Acima e à direita do ponto crítico nunca podem coexistir duas fases separadas. 4 Balanço de Massa e Energia Gases e Vapores Aula 4 Diagrama de Fases Gás Líquido Vapor LíquidoVapor A Curva T1 representa uma isoterma a alta temperatura, e nesta condição a substância está longe da região de condensação. A medida que a temperatura diminui, as isotermas se aproximam da região de condensação, representada pela curva ACB. As substâncias com isotermas representadas pelas temperaturas T3 e T4, que alcançam a curva ACB, apresentam três regiões distintas: região de vapor à direita de ACB, região de líquido à esquerda de ACB e região de duas fases abaixo de ACB. 5 Balanço de Massa e Energia Gases e Vapores Aula 4 Diagrama de Fases Gás Líquido Vapor LíquidoVapor Quando uma massa de um líquido puro mantida a temperatura constante sofre uma redução de pressão, este líquido começa a entrar em ebulição quando um certa pressão é alcançada. Esta pressão variará com a temperatura constante em que o líquido é mantido, mas para cada temperatura haverá apenas uma pressão em que a ebulição do líquido ocorrerá. 6 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Gases e Vapores Diagrama de Fases Gás Líquid o Vapor LíquidoVapor Se o líquido no ponto P à temperatura T4 tiver sua pressão reduzida até alcançar o ponto D na curva AC, este ponto representará o início da ebulição do líquido. Neste processo, enquanto existir líquido a temperatura e a pressão permanecem constantes. A pressão correspondente à linha horizontal DE é chamada de pressão de vapor do líquido a T4. Há uma pressão de vapor correspondente para cada temperatura até que o ponto C seja alcançado. Este ponto é chamado de ponto crítico. Em temperaturas acima de Tc somente a fase gasosa pode existir. 7 Balanço de Massa e Energia Gases e Vapores Aula 4 Diagrama de Fases O ponto D representa o ponto de bolha da substância, ou seja, o ponto onde aparece a primeira bolha de vapor do lado do líquido. Gás Líquid o Vapor LíquidoVapor O ponto E representa o ponto de orvalho da substância, ou seja, o ponto onde aparece a primeira gota de líquido do lado do vapor. 8 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Pressão de Vapor 1L Éter Δt1 1 1L Água 2 3 1. Começa a vaporização do líquido; Δt2 Δt2 > Δt1 O éter evapora mais rápido do que a água, portanto o éter é mais volátil que a água. 2. Além da vaporização, temos a condensação (a molécula volta para o líquido); 3. A velocidade de condensação iguala-se a velocidade de vaporização, portanto, a quantidade de vapor fica constante (equilíbrio líquido-vapor). 9 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Pressão de Vapor O vapor que fica acima do líquido exerce uma pressão (registrada em um manômetro), chamada de pressão de vapor (Pv). A pressão de vapor depende da natureza da substância e da temperatura M Vapor d’água Água : PV = 17,5 mmHg T = 20ºC Etanol : PV = 44 mmHg Água Efeito da Temperatura PV 20ºC H2O(L) ↔ H2O(V) Pv = 17,5 mmHg a 20ºC Temperatura 10 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Pressão de Vapor Um líquido entra em ebulição quando a pressão de vapor iguala-se a pressão atmosférica. PV Água Patm Vapor Líquido PV = Patm 760 mmHg 100ºC Temperatura Ponto de Ebulição (PE) = 100ºC a 760 mmHg Observação: Maior altitude → Menor Patm → Menor PE 11 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Curva da Pressão de Vapor da Água Esta figura representa a curva de pressão de vapor da água em função da temperatura. Qualquer ponto sobre a curva PT representa uma mistura em equilíbrio de líquido e vapor. É comum chamar esta situação de equilíbrio entre o vapor saturado e o líquido saturado. Líquido saturado significa líquido no ponto de ebulição e vapor saturado vapor no ponto de condensação. 12 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Curva da Pressão de Vapor da Água Um ponto acima ou a esquerda da curva de pressão de vapor, como o ponto P, representa líquido em uma pressão superior à pressão de saturação (se fixarmos a temperatura) ou em uma temperatura inferior à temperatura de saturação (se fixarmos a pressão). Nesta condição diz-se que o líquido está subresfriado. Um ponto abaixo ou a direita da curva de pressão de vapor, como o ponto R ou Q, representa vapor em uma pressão inferior à pressão de saturação (se fixarmos a temperatura) ou em uma temperatura superior à temperatura de saturação (se fixarmos a pressão). Nesta condição diz-se que o vapor está superaquecido. 13 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Tabela da Pressão de Vapor da Água 14 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Gráfico da Pressão de Vapor 15 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Estimativa da Pressão de Vapor A estimativa da pressão de vapor é feita em geral de forma experimental ou através de equações empíricas. As equações mais usadas são as de Clausius-Clapeyron e de Antoine. Clausius-Clapeyron A A * ln p B ou log p B T T * B B * ln p A ou log p A T C T C * Antoine A, B e C: Constantes com valores diferentes para cada substância; T: Temperatura absoluta (K) 16 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Estimativa da Pressão de Vapor 17 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Aplicação da Estimativa da Pressão de Vapor A pressão de vapor do metanol é conhecida nas temperaturas abaixo. Supondo válida a equação de Clausius-Clapeyron, avalie os parâmetros da equação e estime o valor da pressão de vapor à temperatura de 400K. Clausius-Clapeyron T (K) 320 360 P* (kPa 48,330 229,26 A A * ln p B ou log p B T T * Solução: ln( 48,330) A A B 3,878 B 1240,977 A 320 B (1) 320 320 ln( 229,26) A A B 5,434 B 1956,548 A 360 B (2) 360 360 A = -4483,6 e B = 17,889 4486,6 ln p 17,889 6,68 p* e6,68 796,32kPa 400 * 18 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Aplicação da Estimativa da Pressão de Vapor Estime a pressão de vapor do metanol supondo válida a equação de Antoine à temperatura de 400K. ln p* A Antoine B B ou log p* A T C T C A, B e C: Constantes com valores diferentes para cada substância; T: Temperatura absoluta (K) Solução: Da tabela de constantes com T em K temos: A = 16,5725 B = 3626,55 ln p* A B 3626,55 16,5725 6,656 p* e6,656 777,46kPa T C 400 34,29 C = -34,29 19 Balanço de Massa e Energia Aula 4 Aplicação da Estimativa da Pressão de Vapor 20