Lilia Bueno de Magalhâes e Eliana Portella Carzino
O perfil dos alunos da primeira turma
de Enfermagem da Universidade Tuiuti
do Paraná
Lilia Bueno de Magalhães (Doutora)
Curso de Enfermagem - Universidade Tuiuti do Paraná
Eliana Portella Carzino (Mestre)
Curso de Enfermagem - Universidade Tuiuti do Paraná
Tuiuti: Ciência e Cultura, n. 26, FCBS 03, p. 109-122, Curitiba, jan. 2002
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O perfil dos alunos da primeira turma de Enfermagem...
Resumo
O processo ensino/aprendizagem se torna mais adequado, quando se conhece o perfil do aluno e estes dados
poderão auxiliar na elaboração de estratégias de ensino que atendam a estas características. Com o objetivo de
incorporar, no projeto político pedagógico, informações demográficas e econômicas dos estudantes matriculados na primeira turma do curso de enfermagem da Universidade Tuiuti do Paraná, coletou-se, por meio de
um questionário adaptado de Horta et al., 1988, aplicado numa amostra intencional de 38 alunos, presentes em
sala de aula, em um único dia, variáveis relacionadas à idade, sexo, estado civil e trabalho na área de enfermagem. A população apresentou uma alta proporção de idade acima de 25 anos(57,8%), casados (28,9%) ,
exercendo atividades remuneradas(55,3%) e em sua maioria na área de enfermagem (85,7%). Os resultados
permitiram classificá-los em tradicionais e não-tradicionais , com experiência ou sem experiência , formando
grupos homogêneos quanto a idade e prática profissional para o desenvolvimento do ensino clínico nas
disciplinas de assistência de enfermagem ao adulto, idoso e materno-infanto-juvenil.
Palavras-chave: ensino de enfermagem, estudantes não tradicionais, perfil de alunos de enfermagem.
Abstract
The teaching-learning process becomes more adequate when you get to know the student’s profile. This data
will be helpful when establishing teaching strategies which correspond to the learner ‘s characteristics. With the
aim of incorporating demographic and economic information about the students enrolled in the first nursing
course group at the Tuiuti University of Paraná, into the political and pedagogic project, a sample of 38
students were asked to answer a questionnaire adapted from Horta et al, 1988. The questionnaire was applied
on a single day to the students attending class. The results showed a high number of students above 25 years
old ( 57,8%); 28,9% married ones; 55,3% salaried workers; 85,7% of them within the nursing field. The results
made it possible to classify the students into traditional/non-traditional and experienced/inexperienced ones,
forming homogeneous groups in terms of age and professional practice for the development of the clinical
teaching in the disciplines concerning nursing assistance to infants, young people, adults and the elderly whit the
perspective that this division will facilitate the teaching-learning process.
Key words: nursing education, non-traditional student’s, profile nursing.
Tuiuti: Ciência e Cultura, n. 26, FCBS 03, p. 109-122, Curitiba, jan. 2002
Lilia Bueno de Magalhâes e Eliana Portella Carzino
Introdução
O número de matriculados nas faculdades brasileiras
atingiu, em 1998, 2 milhões e 125 mil alunos e desses
61% em instituições privadas, mudando o perfil da
população que chega ao ensino superior. As novas diretrizes passaram a permitir que o universo educação
e trabalho se aproximem , permitindo que se forme
um aluno voltado para sua necessidade de trabalho,
com currículos mais curtos e flexíveis
(Dimenstein,1999).
Todo processo educacional, para se tornar adequado, deve considerar as características do aluno e
esse conhecimento auxiliará na elaboração e aplicação
de metodologias de ensino- aprendizagem.
Na formação das enfermeiras são conhecidas as
dificuldades enfrentadas pelos alunos evidenciadas
pelas taxas de evasão, reprovação, trancamento de
matrículas e transferências (Baptista, 1988).
Estudos têm mostrado as diferenças do perfil de
estudantes de escolas de enfermagem públicas e privadas, sendo que, nesta última, a maioria trabalha para
sua manutenção ou da sua família, ingressando com
idades mais avançadas (Horta et al., 1988; Nakamae,
1992; Nakamae et al.,1997).
Costa (1992) refere que esses estudantes trabalhadores acumulam conhecimentos práticos sem a devida compreensão científica.
Tuiuti: Ciência e Cultura, n. 26, FCBS 03, p. 109-122, Curitiba, jan. 2002
Para Toth et al. (1998), os estudantes não tradicionais (adultos que se diferenciam pela idade, estado civil e experiência, segundo Seidl & Sauter, 1990) podem
não necessitar de socialização adicional para seu trabalho e ter julgamentos profissionais competentes, quando
comparados com estudantes tradicionais (jovens entre 17 e 22 anos de idade).
Costa et al. (1982) consideram um desafio para os
que militam no ensino de enfermagem, o grupo de
estudantes que já trabalha, quando ingressa na Universidade.
Em se tratando dos que atuam na área da enfermagem, os
problemas se apresentam das mais variadas formas, face a
natureza desta atividade, como, por exemplo: jornadas longas de trabalho, condições físicas e ambientais precárias e
tipo de tarefa que executam. Deste modo, o professor deverá
utilizar estratégias diferenciadas para este grupo.(Costa et
al.,1982, p.104 )
Atender a essas características dos alunos permitirá
a construção de um projeto pedagógico coerente com
o contexto dos educandos e a implantação de
tecnologias de aprendizagem inovadoras, justificando
estudos nessa área, principalmente em cursos recém
criados, como o da Universidade Tuiuti do Paraná.
O Paraná, no período de 1954 a 1974, teve uma
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112
O perfil dos alunos da primeira turma de Enfermagem...
única escola privada de enfermagem e, só a partir deste
último ano, é que se formaram as primeiras turmas
em escolas públicas. Em Curitiba existem cinco dessas
escolas, uma pública e quatro particulares. A primeira
turma do curso de enfermagem da Universidade Tuiuti
do Paraná (UTP) iniciou o curso em julho de 1997.
O interesse manifesto dos docentes do ciclo préprofissionalizante e profissionalizante em reformular/
formular programas de ensino adequados a características e desempenho dos alunos, mediante observação durante as aulas, levou-nos a levantar essas
características de forma sistematizada.
Objetivos
- Identificar as características dos alunos matriculados
na primeira turma do Curso de Enfermagem da
UTP quanto a dados demográficos e econômicos.
- Propor estratégias de ensino que facilitem a aprendizagem dos alunos, segundo as suas características.
O instrumento de coleta de dados foi um questionário adaptado de Horta et al. (1988) que consta de
questões abertas e fechadas.
Os dados foram processados manualmente pelas
autoras e analisados por meio de freqüências simples.
Resultados e Discussão
1 - Caracteristicas demográficas dos alunos
1.1 - Idade
Tabela 1-Distribuição segundo faixa etária dos
alunos da 1a. turma do Curso de Enfermagem da
Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 1999.
Faixa etária(anos)
Menos que 20
20 - 24
25 - 29
30 - 34
Mais de 35
Total
No.
05
11
08
06
08
38
%
13,15
28,94
21,05
15,78
21,05
100,0
Metodologia
A população constituiu-se de 38 alunos(70,3% do total) matriculados no 2º. ano do curso de Enfermagem da Universidade Tuiuti do Paraná, os quais
estavam em sala de aula no dia 04/3/1999 e consentiram em responder ao questionário, após explicação
dos objetivos da pesquisa e a garantia do anonimato.
A faixa etária dos respondentes mostra que a maioria tinha idade acima de 25 anos. (57,8%), caracterizando uma grande proporção de estudantes não
tradicionais. Essa parece ser uma característica das escolas privadas, como mostram os achados de
Nakamae et al. (1997) em Minas Gerais, onde 70,3%
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Lilia Bueno de Magalhâes e Eliana Portella Carzino
estava acima da faixa de idade mais jovem, quando
comparadas às escolas públicas, onde a porcentagem
de jovens é alta. Na Universidade Estadual do Ceará,
77,0% tem menos de 26 anos (Jorge & Holanda, 1996).
gem (Lopes,1988), decorrendo daí o baixo percentual
dos estudantes do sexo masculino entre os alunos.
1.2 - Sexo
Tabela 3- Distribuição segundo estado civil dos
alunos da 1a. turma do Curso de Enfermagem da
UTP, Curitiba, 1999
Tabela 2- Distribuição segundo o sexo de alunos
da 1a. turma do Curso de Enfermagem da UTP,
Curitiba, 1999
Sexo
Feminino
Masculino
Sem Informação
Total
No.
30
06
02
38
%
79,0
15,8
5,2
100,0
O percentual de estudantes do sexo masculino está
acima do encontrado por Horta et al. (1988), onde o
percentual foi de 7,14%. Essa turma de 54 alunos contava com 7 estudantes do sexo masculino, o que daria um
percentual de 12,9%, resultado próximo ao de Nakamae
et al.,(1997) onde 88,0% dos estudantes de enfermagem
de escolas públicas e privadas em Minas Gerais eram do
sexo feminino.
A profissionalização da mulher tem levado à escolha
das profissões que se identificam como femininas, em
áreas desprezadas pelo sexo oposto, como a enfermaTuiuti: Ciência e Cultura, n. 26, FCBS 03, p. 109-122, Curitiba, jan. 2002
1.3-Estado Civil
Estado Civil
Solteiro
Casado
Desquitado
Divorciado
Outros
Total
No.
20
11
02
01
04
38
%
52,6
29,0
5,3
2,6
10,5
100,0
A proporção de casados ou ex-casados é alta em
relação às escolas públicas, onde 16,3 % eram casados
(Nakamae citado por Horta, 1988) e mesmo nas escolas privadas, segundo Horta et al. (1988) esse
percentual era de 20,0% .Os solteiros em Minas Gerais correspondiam a 80,0% (Nakamae et al.,1997).
1.4 - Naturalidade
Dos nascidos no Paraná, 14 não eram de Curitiba, o
que mostra que, somando-se aos naturais de outros
Estados, 64,8% dos pesquisados veio de outras loca-
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O perfil dos alunos da primeira turma de Enfermagem...
lidades, que não a capital do Estado, sede da Universidade Tuiuti do Paraná e de mais quatro escolas.
Tabela 4-Distribuição segundo naturalidade dos
alunos da 1a. turma do Curso de Enfermagem da
UTP, Curitiba, 1999
Naturalidade
Paraná
Santa Catarina
São Paulo
Brasilia
Bahia
Sem Informação
Total
No.
24
05
04
01
01
02
38
%
63,2
13,2
10,5
2,6
2,6
5,3
100,0
1.5 – Residência Atual
Tabela 5- Distribuição segundo forma de
residência dos alunos da 1a. turma do Curso de
Enfermagem da UTP, Curitiba, 1999
Local
Cônjuge
Casa dos pais
Sozinho
Comunidade religiosa
Outros *
Total
No.
13
11
06
03
05
38
%
34,2
29,0
15,8
7,9
13,1
100
* Outros: Casa do estudante, parentes, com filho, casa própria, amigos.
A alta proporção de casados explica por que moram com o cônjuge. A porcentagem dos que moram com os pais ou familiares é baixa, considerando
que 52,6% é solteira. Essa relação é diferente de Universidade pública no Ceará, onde 60,3% dos alunos
reside com os pais (Jorge & Holanda, 1996). Essa
diferença pode estar relacionada às idades mais avançadas dos alunos da UTP.
2-Caracteristicas econômicas
2.1- Trabalho
Tabela 6- Distribuição segundo trabalho
remunerado dos alunos da 1a. turma do Curso
de Enfermagem da UTP, Curitiba, 1999
Trabalho Remunerado
Sim
Não
Total
No.
21
17
38
%
55,3
44,7
100
Os percentuais dos alunos que trabalham é menor, em relação às escolas de Minas Gerais, onde
68,6% dos alunos das escolas privadas trabalhava
contra 41,0% das públicas (Nakamae et al., 1997).
Em São Paulo, Horta et al. (1988) encontraram,
em instituição particular, 76,0% dos alunos exercendo atividades remuneradas. Esses estudantes trabalhadores são, de longa data, preocupação dos docentes
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de enfermagem, que observam que o rendimento
escolar dessas pessoas pode ser deficiente ou insuficiente, pois apresentam-se cansados nas salas de aula,
laboratórios ou ensino clínico. Assim o projeto pedagógico deve prever experiências de aprendizagem
que compatibilizem escola-trabalho e, conseqüentemente, um melhor aproveitamento da vida escolar
(Costa et al., 1982).
2.2 – Trabalho na área de enfermagem
Tabela 7-Distribuição segundo trabalho na área
de enfermagem dos alunos da 1a. turma do Curso
de Enfermagem da UTP, Curitiba, 1999.
Trabalho em Enfermagem
Sim
Não
Total
No.
18
03
21
%
85,7
14.4
100,0
O trabalho está relacionado com o curso, onde
85,7% dos alunos que trabalham , o fazem na área
de enfermagem. Costa et al. (1982) mostraram que,
dos estudantes da Universidade do Rio de Janeiro
(UNI-RIO) que trabalhavam, 80,3% atuava na área
de enfermagem. A expansão das escolas de enfermagem e o aumento de vagas para o ensino superior
vêm permitindo que os ocupacionais de enfermagem, auxiliares de enfer magem, técnicos e
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instrumentadores possam ascender profissionalmente.
2.3-Local de trabalho
Tabela 8-Distribuição segundo o local de trabalho
dos alunos do 1a. turma do Curso de Enfermagem
da UTP, Curitiba, 1999.
Local
Hospital
Hospital e Unidade de Saúde
Unidade de Saúde
Policlínica
Academia
Assembléia
Sem informação
Total
No.
15
01
01
01
01
01
01
21
%
71,4
4,7
4,7
4,7
4,7
4,7
4,7
100,0
O Hospital é o local de trabalho da maioria dos estudantes trabalhadores, o que sugere uma concentração
da força de trabalho(auxiliares e técnicos) na área hospitalar, no município de Curitiba e região metropolitana.
2.4- Remuneração
Os alunos trabalhadores, auxiliares de enfermagem e
técnicos de enfermagem tinham uma renda compatível
com o piso da categoria. Apenas 14,28% recebia mais
de sete salários mínimos, cabendo salientar que 1 dos
respondentes tinha duas fontes de renda.
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O perfil dos alunos da primeira turma de Enfermagem...
Tabela 9-Distribuição segundo remuneração dos
alunos que trabalham matriculados no 1a. turma
ano do Curso de Enfermagem da UTP, Curitiba,
1999
Renda
1 a 3 salários mínimos
4 a 7 salários mínimos
+ de 7 salários minimos
Total
SM= R 130,00 em 4/3/99
No.
08
10
03
21
%
38,1
47,6
14,3
100,0
2.5-Motivos para trabalho remunerado
Tabela 10- Distribuição segundo motivos para
trabalho remunerado dos alunos da 1a. turma do
Curso de Enfermagem da UTP, 1999.
Motivo
Necessidade de remuneração
e adquirir experiência
profissional
Necessidade de remuneração
Manter o curso de
enfermagem
Adquirir experiência
profissional
Necessidade de remuneração
e manter o curso de
enfermagem
Total
No.
%
07
06
33,4
28,6
04
19,0
02
9,5
02
21
9,5
100,0
Os motivos para trabalharem estão relacionados à
necessidade de remuneração e experiência profissional. Costa et al. (1982), encontraram 41,3 % de alunos
de enfermagem que se auto-sustentavam, enquanto
9,5% trabalhavam apenas para adquirir experiência
profissional.
2.6 – Modalidade de Curso de 2º grau
Tabela 11-Distribuição segundo a modalidade de
conclusão de 2o. grau de alunos da 1a. turma do
Curso de Enfermagem da UTP, Curitiba, 1999.
Modalidade
Educação geral
Profissionalizante na área
de saúde
Profissionalizante em
outra área
Supletivo
Prof. na área e em outra
Total
No.
18
%
47,4
08
21,0
06
05
01
38
15,8
13,2
2,6
100,0
Os que vieram de cursos profissionalizantes e de
supletivos são maioria, fato que mostra que esses alunos apresentam diferenças com relação às escolas públicas mineiras onde, 64,6% completou o segundo
grau regular. (Nakamae et al., 1997), o “que lhes dá
grande vantagem em relação aos alunos das instituiTuiuti: Ciência e Cultura, n. 26, FCBS 03, p. 109-122, Curitiba, jan. 2002
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ções privadas, onde mais da metade (53,7%) conclui
o curso profissionalizante”.
Quanto maior o tempo de escolaridade, maior a
capacidade de uma pessoa usar habilidades complexas como estabelecer associações, classificar categorias, abstrair. (Avancini,1999).
Muito desses estudantes ficaram longo tempo afastados da escola e, por isso, são maiores as suas dificuldades no aprendizado. Essas características deverão
ser consideradas pelo projeto pedagógico e pelos
docentes.
2.7 – Preparo para entrar na Universidade
Tabela 12- Distribuição segundo cursinho dos
alunos da 1a. turma do Curso de Enfermagem da
UTP, Curitiba, 1999
Cursinho para enfermagem
Sim
Não
Total
No.
22
16
38
%
57,9
42,1
100,0
O número dos que não fizeram cursinhos prévestibulares é menor do que os achados por Horta et
al. (1988), em escolas paulistas (50,67%).
Cerca de 60,0% dos alunos que passaram na
Unicamp, em 1999, fizeram cursinho e no curso de
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letras, apenas 26,7% o fizeram. No vestibular da
Fuvest, 43,8% não o fizeram. (Gois, 2000).
No período de quatro anos, 1994 -1998, as matrículas nas faculdades privadas evoluíram de 970 mil
para 1,3 milhão, ou seja, 34% (Dimenstein,1999).
Essa expansão, no número de vagas em escolas
privadas, também ocorreu nos cursos de enfermagem em Curitiba, que passaram de 120 vagas até
1997, para 300 em 1999, proporcionando maior acesso ao ensino superior a muitos estudantes e permitindo que, mesmo sem preparo em cursinho ou cursos
de segundo graus regulares, estes estudantes possam
obter o diploma universitário.
A Coordenação do curso de enfermagem frente
aos resultados obtidos adotou as estratégias propostas por Bradshaw & Nugent (1997). As autoras, instrutoras de ensino da School of Nursing Medical
College of Georgia, observando o comportamento
de estudantes com idade acima de 25 anos, tais como,
desejo de maior independência e menor nível de ansiedade em situações com o paciente, formaram dois
grupos clínicos para o ensino de enfermagem fundamental. Esses estudantes tiveram oportunidade de
refinar habilidades, manejar melhor seu tempo e aplicar teorias em situações reais do paciente, novas experiências proporcionadas pelos instrutores.
Do mesmo modo , os alunos do terceiro ano do
117
118
O perfil dos alunos da primeira turma de Enfermagem...
curso de enfermagem da UTP foram divididos em
quatro grupos homogêneos, quanto à idade e experiência na área de enfermagem, quais sejam:
- maduros com experiência em enfermagem
- maduros sem experiência em enfermagem
- jovens com experiência na área de enfermagem
- jovens sem experiência na área de enfermagem.
Estes grupos formados para o ensino clínico das
disciplinas de adulto e idoso e materno, infanto–
juvenil, com raras mudanças, permaneceram ao longo do ano letivo(julho de 1999/julho 2000).Esse
procedimento será avaliado, em nova pesquisa,
quanto à validade da proposta.
Considerações Finais
A primeira turma do curso de enfermagem da Universidade Tuiuti do Paraná, cursando o final do segundo ano, no primeiro semestre de 1999, apresenta
um alto percentual de alunos com idade superior a
25 anos, podendo ser considerada uma turma dos
chamados “estudantes não-tradicionais”.
Mais
da
metade,
(52,6%),
cursou
profissionalizante e supletivo, diferentemente dos
alunos das escolas públicas, onde predomina o segundo grau regular. A maioria dos alunos (55,5%)
trabalha na área hospitalar e por necessidade de re-
muneração. Esse perfil de estudantes trabalhadores, mais velhos e mais maduros requerem dos docentes, tanto do ciclo básico como do
profissionalizante, novas propostas que atendam às
necessidades dos estudantes, que trazem para a
Universidade uma rica vivência dos seus campos
de trabalho, mas ao mesmo tempo, durante a sua
formação fazem plantões noturnos, cumprem estágios supervisionados pela manhã e aulas teóricas
à tarde. Por outro lado, os professores devem prever estratégias de ensino para atender aos estudantes tradicionais, entre 18 e 22 anos, que não
trabalham, egressos recentemente do segundo grau,
sem experiência na área de enfermagem.
A composição dessa turma, com dois perfis diferentes, leva-nos a um novo desafio: um projeto
pedagógico dinâmico, avaliações processuais, oportunidades diferentes de ensino aprendizagem,
tecnologias inovadoras, atividades de pesquisa e extensão que subsidiem o aprender a aprender, em
busca de maior qualidade na formação do enfermeiro em escolas privadas. Um primeiro passo foi
dividir o grupo para ensino clínico, no terceiro ano,
composto de alunos tradicionais com experiência e
sem experiência e não-tradicionais com experiência
e sem experiência, no pressuposto que a
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homogeneidade quanto à prática profissional permitisse uma abordagem diferenciada por parte dos
docentes. Ao término das disciplinas, em julho de
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2000, desenvolver-se-á uma pesquisa para avaliar entre
os discentes se essa estratégia, grupos homogêneos
para o ensino clínico, permitiu melhor aprendizagem.
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O perfil dos alunos da primeira turma de Enfermagem...
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