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DETECÇÃO DE PATOLOGIAS VENTRICULARES EM CÉREBROS DE
NEONATOS PREMATUROS ATRAVÉS DA ULTRA-SONOGRAFIA
TRANSFONTANELA
Ludmilla Marques Rabello 1,4; Patrícia D’Angelles Pereira 1,4; Josy Paula Souza Vieira1,4;
Martina Estevam Brom Vieira2,4; Cibelle Kayenne Martins Roberto Formiga 3,4,5 ; Maria
Beatriz Martins Linhares5 .
1
Voluntário Iniciação Científica PVIC/UEG
2 Bolsista PBIC/UEG
3
Pesquisadora – Orientadora
4
Curso de Fisioterapia, Unidade Universitária de Goiânia, ESEFFEGO, UEG.
5
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo, USP.
RESUMO
Os neonatos prematuros correm riscos de apresentarem lesões cerebrais devido à fragilidade
vascular do sistema nervoso central. Os objetivos deste estudo foram detectar as principais
patologias ventriculares em cérebros de neonatos prematuros através da ultra-sonografia
transfontanela e correlacionar os resultados com a idade gestacional, o peso e o tempo de
internação da criança. Participaram da pesquisa 119 neonatos prematuros de baixo peso, de
ambos os sexos, oriundos do Hospital Materno Infantil e que possuíam exames de ultrasonografia transfontanela. Os dados foram coletados nos prontuários das crianças. Foi
encontrada alta incidência de leucomalácia periventricular, de hemorragia periventricular,
ambas em graus I e II, e ainda lesões variadas ou associadas. A probabilidade das crianças que
apresentam alteração no laudo da ultra-sonografia transfontanela aumenta proporcionalmente
com a medida de que seus fatores de risco, tais como muito baixo peso ou idade gestacional
muito pequena.
Palavras-chaves: patologias ventriculares, prematuros, ultra-sonografia transfontanela.
Introdução
A ultra-sonografia transfontanela (USTF) é uma modalidade de imagem em tempo
real, prontamente acessível, portátil, rápida e multiplanar. Seu custo é menor que outras
modalidades de imagem de corte transversal, além de ser uma técnica relativamente não
invasiva, pois emite radiação não ionizante (Garcia, Gherpelli & Leone, 2004).
Quando a ultra-sonografia do crânio foi introduzida no final da década de 1970,
ninguém poderia prever o impacto que os dados coletados através dessa nova técnica teriam
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sobre a futura conduta de lactentes, especialmente lactentes pré-termo, nas unidades de terapia
intensiva neonatal. Hoje, ultra-sonografia do crânio é a modalidade de imagem mais
comumente utilizada na unidade de terapia intensiva.
Partindo do pressuposto de que crianças nascidas antes do termo (menor que 37
semanas) encontram-se em risco de apresentarem alterações quanto ao peso e idade
gestacional, há um maior numero de complicações que vão ocasionar possíveis atrasos no
desenvolvimento (Linhares, 2003).
Entretanto, o uso da ultra-sonografia permitiu que profissionais da área da saúde
aprendessem que até uma acentuada he morragia intraventricular poderia ocorrer em uma
criança sem sinais clínicos óbvios, e que grandes lesões parenquimatosas poderiam estar
afetando alguns lactentes que, apesar de patologia presente, apresentavam pouco ou nenhuma
reação adversa (Gherpelli, 2002).
Achados como a hemorragia periventricular em vários graus, a leucomalácea
periventricular, a presença de cistos nos ventrículos ou mesmo a ventriculomegalia foram
bastante comuns na pesquisa. A identificação da alteração e sua classificação foram
relacionadas com os possíveis agravantes que concorrem para que ocorra tal alteração.
Critérios como o sexo, a idade gestacional ou mesmo o peso ao nascer do lactente podem ser
fatores relevantes para se detectar problemas relacionados a alterações no laudo ultrasonográficos (Miller, 2002).
Os objetivos deste estudo foram detectar as principais patologias ventriculares em
cérebros de neonatos prematuros através da ultra-sonografia transfontanela e correlacionar os
resultados com a idade gestacional, o peso e o tempo de internação da criança.
Material e Método
Amostra - Entre agosto de 2004 e janeiro de 2006, 132 crianças, com idade
gestacional (IG) inferior a 37 semanas, freqüentaram o Berçário de Alto Risco do Hospital
Materno Infantil de Goiânia e apresentaram laudos de ultra-sonografia transfontanela (USTF).
Foram selecionados 119 recém- nascidos pré-termo (RNPT) de acordo com a metodologia
proposta, os quais foram divididos em dois subgrupos. O critério de distribuição dos bebês foi
a presença ou ausência de lesão cerebral constatada através do laudo ultra-sonográfico. Um
grupo foi constituído por 78 RNPT com laudos de USTF normal, e o outro grupo por 41
RNPT com USTF alterada.
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As crianças que apresentaram malformações congênitas ortopédicas e/ou síndromes
genéticas foram excluídas da pesquisa, bem como aquelas que possuíam a ficha de dados
incompleta. Enquanto que os critérios de inclusão constituíram todos os bebês que
freqüentaram o berçário de Alto Risco do Hospital Materno Infantil (HMI), cujas mães
tenham autorizado à participação dos menores na pesquisa, todas as crianças que
apresentaram resultado de ultra-sonografia transfontanela.
Aspectos Éticos - O estudo foi realizado conforme as Diretrizes e Normas
Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (Resolução 196/1996, do
Conselho Nacional de Saúde) e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Humana e
Animal vinculado ao Hospital Materno Infantil de Goiânia - GO.
Material e Local do Estudo – a coleta de dados do estudo foi realizada no Hospital
Materno Infantil através da análise dos prontuários dos neonatos. A análise dos dados foi
realizada na Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia (ESEFFEGO), Unidade da
UEG em Goiânia.
Procedimentos – os laudos da ultra-sonografia transfontanela (USTF) foram anotados
dos prontuários dos bebês e os dados foram analisados em relação a presença ou não de
patologias ventriculares e correlação de Pearson para as variáveis quanto a idade gestacional,
peso e tempo de internação do bebê.
Resultados e Discussão
Os exames ultra-sonográficos foram considerados anormais em 46,34% (41 neonatos).
Sendo que este grupo foi subdividido conforme as lesões cerebrais apresentadas nos laudos
ultra-sonográficos. Treze recém-nascidos (RN) apresentaram hemorragia periventricular
(HPV) branda (36,58%), nenhum bebê apresentou HPV severa (0%), dois bebês apresentaram
HPV em reabsorção (4,87%), 20 RN apresentaram leucomalácea periventricular (LPV) ou
aumento da ecogenicidade periventricular (EPV) correspondentes a 48,78% e seis bebês
apresentaram outras lesões cerebrais ou lesões cerebrais associadas (LPV e HPV Grau II,
calcificações, ventriculomegalia e cistos periventricular) correspondendo a 14,63% .
No grupo em que não houve alteração no laudo ultrasonográfico, 50% eram do sexo
feminino, a idade gestacional variou de 185 a 257 dias (média – 231,97; DP – 13,90), o peso
máximo ao nascimento foi de 2830 gramas e o mínimo de 1025 gramas (médias – 1613,48;
DP – 364,62).
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No grupo em que houve alteração no laudo ultrasonográfico, 53,65% eram do sexo
masculino, a idade gestacional variou de 168 a 255 dias (média – 225,53; DP – 17,94), o peso
máximo ao nascimento foi de 2875 gramas e o mínimo de 640 gramas (média – 1517,68; DP
– 466,76).
Dos bebês que apresentaram hemorragia perive ntricular grau I, dez eram do sexo
feminino (66,66%) e apresentaram média de idade gestacional de 226,26 (DP – 13,37),
enquanto que os bebês que apresentaram leucomalácea periventricular ou ecogenicidade
periventricular 5 eram do sexo feminino (26,31%) e apresentaram média de idade gestacional
de 231,94 (DP – 9,27).
A ocorrência de Hemorragia Periventricular (HPV) foi de 15 casos dentre os que
apresentaram alterações, o que corresponde a 12,60% da amostra, e 36,58% do grupo de bebês
que apresentaram alterações no laudo. As alterações variavam entre grau I (13 casos), ou seja, a
forma branda restrita a matriz germinativa, não sendo observado grau II, e ainda presença de
hemorragia periventricular em reabsorção (2 casos). A classificação dos bebês que
apresentaram HPV podem ser observados na tabela 1.
Tabela 1 - Bebês que apresentaram HPV
Casos
Incidência
Sexo
I.G. média (dias)
26,66%
4F
221,75
HPV Esquerda Grau I
20%
1F; 1M
232,66
HPV bilateral Grau I
40%
4F; 2M
226,66
13,33%
1F; 1M
224,5
HPV Grau I
HPV reabsorvida
HPV: Hemorragia Periventricular; I.G.: Idade Gestacional; F: Sexo Feminino.
Da amostra, observou-se que 20 dos bebês com USTF de laudo “não-normal”
apresentavam ecogenicidade periventricular característica da Leucomalácea periventricular,
75% eram do sexo masculino (15 casos). A idade gestacional variou entre 168 dias e 250 dias
(média de 231,94% e DP – 9,27%), e ainda a média de peso de 1661gramas (DP – 449,26)
com variações entre 1045 e 2845 gramas. A caracterização dos bebês com LPV pode ser
observada na tabela 2.
Os demais casos com alterações no laudo da ultrasonografia somam seis bebês que
apresentaram outras lesões cerebrais ou lesões cerebrais associadas (LPV e HPV Grau II,
calcificações, ventriculomegalia e cistos periventricular) correspondendo a 14,63% .
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Tabela 2 - Bebês que apresentaram LPV
Casos
LPV parieto-occipital
LPV parietal esquerda Grau I
LPV parietal direita Grau II
LPV parietal bilateral
LPV fronto-parietal
Aumento da ecogenicidade
LPV parietal direita
Incidência
65%
5%
5%
10%
5%
5%
5%
Sexo
11M; 2F
1M
1M
1M; 1F
1F
1M
1F
I.G. média (dias)
231,23
227
235
227
235
168
250
LPV: Leucomalacia periventricular; I.G.: Idade Gestacional; M: Sexo masculino; F: Sexo Feminino
Com base na análise de correlação das patologias ventriculares e os dados da idade
gestacional, peso ao nascimento e tempo de internação, verificou-se que a idade gestacional
(em geral menor que 37 semanas), peso ao nascer e tempo de internação estão relacionados
com a morbidade neonatal, podendo levar às lesões cerebrais, tais como hemorragia
periventricular severa, leucomalácea periventric ular e outras injúrias. No presente estudo,
quanto menor o peso da criança, menor foi a idade gestacional (r = 0,57), e quanto menor o
peso, maior foi o tempo de internação hospitalar (r = -0,60). Esta morbidade. Segundo estudos
de Argollo et al. (2006), a incidência de lesões cerebrais o peso de nascimento é fator
associado com maior gravidade da lesão cerebral neonatal.
De acordo com Tavares, Corrêa e Viana (1998) em estudo realizado com 39 crianças
com diagnóstico ultra-sonográfico de hemorragia periventricular, os fatores de risco mais
fortemente associados com a hemorragia foram baixa idade gestacional (geralmente inferior a
37 semanas), baixo peso ao nascer, parto vaginal e sexo masculino. Em nossa pesquisa alguns
dados confirmam como idade gestacional inferior a 37 semanas e baixo peso ao nascimento,
porém a hemorragia periventricular está mais associada ao sexo feminino e sem diferenciação
entre os tipos de parto, seja cesárea ou normal.
Conclusão
No presente estudo foi encontrado alta incidência de lesões hemorrágicas nos bebês
pré-termo, equivalentes a 36,58% das lesões cerebrais presentes nos bebês do grupo caso e
incidência de 65,64% dentre todos os participantes deste estudo. Dentre as lesões
hemorrágicas destaca-se a hemorragia periventricular grau I e II (classificada como
hemorragia periventricular branda).
Recomenda-se o rastreamento rotineiro, utilizando a ultra-sonografia transfontanela
dos recém- nascidos pré-termo independente da presença de sinais clínicos sugestivos de
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injúrias cerebrais, considerando a sensibilidade diagnóstica sem desperdício de recursos.
Entretanto, não podendo ignorar a importância da avaliação dos dados da criança observando
a idade gestacional e o peso ao nascer, fazendo-se necessário um acompanhamento
gestacional mais cuidadoso e atento a qualquer ocorrência de complicações, bem como uma
atenção especial em casos como de neonatos prematuros e de baixo peso.
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