UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI LUCIANA PEREIRA DE SOUZA BUONO CORROSÃO DE ARMADURAS EM ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO ENSAIOS ELETROQUÍMICOS SÃO PAULO 2006 LUCIANA PEREIRA DE SOUZA BUONO CORROSÃO DE ARMADURAS EM ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO ENSAIOS ELETROQUÍMICOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Profº Tiago Garcia Carmona SÃO PAULO 2006 LUCIANA PEREIRA DE SOUZA BUONO CORROSÃO DE ARMADURAS EM ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO ENSAIOS ELETROQUÍMICOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho ___________________ em ___ de ____________ de 2006. _____________________________________ Tiago Garcia Carmona _____________________________________ Fernando José Relvas Comentários:________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ AGRADECIMENTOS À Deus, que a todo momento mostra-se presente em minha vida. À empresa EXATA Engenharia, Eng. Tiago, Eng. Thomas e Eng. Antonio Carmona que mostraram uma imensa vontade de dividir e aumentar conhecimentos que me motivaram. Ao Eng. Eder Toshio, Eng. Cláudio Murakami, Eng. Carlos Eduardo Takaoka e a muitos outros companheiros de trabalho que me apoiaram. Ao meu marido, que teve paciência com minha falta de tempo. Aos meus pais, que sempre estão por perto. RESUMO Este trabalho apresenta os principais ensaios eletroquímicos utilizados para avaliação, monitoração e controle da corrosão em concreto armado. Descreve os aspectos do problema da corrosão de metais: formas de ocorrência e particularidades, fatores intervenientes e uma aplicação destes ensaios em uma análise crítica de um caso prático em uma estrutura em concreto armado no porto em Santos. Finalmente, faz uma comparação dos ensaios de potencial elétrico realizados antes e após a recuperação de parte da estrutura. Palavras chave: Corrosão. Ensaio Eletroquímico. Concreto Armado. ABSTRACT This work shows the main electrochemicals tests used for valuation, monitoring and control of steel corrosion in concrete. It describes the aspects of steel corrosion problems: forms of occurrence and features, intervenient factors and an application of this test on a critical analysis of a practical case in reinforced concrete structure on a port in Santos. Finally, it does a comparison between the electrochemicals tests applied before and after the recuperation of structure part. Words key: Corrosion. Electrochemical. Test. Reinforced Concrete. LISTA DE FIGURAS Figura 5.1 – Tipos de corrosão e fatores que as provocam (CASCUDO, 1997). ..................................................................................................................... 22 Figura 5.2 – Pilha eletroquímica clássica (CASCUDO, 1997) ................................ 25 Figura 5.3- Diagrama de Pourbaix de equilíbrio termodinâmico, delimitando os domínios de corrosão, passivação e imunidade (CASCUDO, 1997)................. 26 Figura 5.4 – Esforços produzidos que levam à fissuração e destacamento do concreto, devidos à corrosão de armaduras (CASCUDO, 1997). .......................... 30 Figura 5.5 – Vista de um pilar apresentando flambagem da armadura longitudinal (CASCUDO, 1997). ............................................................................. 30 Figura 5.6 –Detalhe da estrutura de concreto armado de uma plataforma de pesca no Rio Grande do Sul (CASCUDO, 1997). .................................................. 31 Figura 5.7 – Curva de Tafel ideal (CASCUDO, 1997). ........................................... 40 Figura 5.8 – Evolução do Rp aparente dos circuitos A e B (CASCUDO, 1997). ..................................................................................................................... 42 Figura 5.9 – Variação de Rp e Icorr (CASCUDO, 1997). ....................................... 43 Figura 5.10 – Sistema para medida de resistência de polarização (CASCUDO, 1997) ................................................................................................. 46 Figura 5.11 – Distribuição não uniforme do sinal elétrico pelo CE sobre a armadura – área polarizada indefinida (CASCUDO, 1997). ................................... 46 Figura 5.12 – Camada superficial de concreto altamente resistivo (CASCUDO, 1997) ................................................................................................. 51 Figura 5.13 – Medida de potencial afetada pelo cobrimento do concreto (CASCUDO, 1997) ................................................................................................. 51 Figura 5.14 – Mapas de potenciais (CASCUDO, 1997) ......................................... 54 Figura 5.15 – Circuito básico para a técnica de medida de resistência elétrica de uma sonda embutida no concreto (CASCUDO, 1997).......................... 57 Figura 5.16 – Instalação de sonda de resistência elétrica embutido em concreto (CASCUDO, 1997) .................................................................................. 58 Figura 6.1 – Vista geral do cais .............................................................................. 60 Figura 6.2 – Vista das estacas ............................................................................... 60 Figura 6.3 - Estaca próxima a junta de dilatação (EXATA, 2005) .......................... 61 Figura 6.4 – Estacas de periferia (EXATA, 2005)................................................... 62 Figura 6.5 –Estaca com ruptura junto a laje (EXATA, 2005) .................................. 62 Figura 6.6 – Estacas com ruptura abaixo do nível d´água (EXATA, 2005) ............ 63 Figura 6.7 – Exposição de armaduras nas estacas (EXATA, 2005)....................... 63 Figura 6.8 – Ensaio de ultra-som (EXATA, 2005) .................................................. 67 Figura 6.9 – Medida de perda de seção (EXATA, 2005)........................................ 70 Figura 6.10 – Amostras de concreto (EXATA, 2005). ............................................ 72 Figura 6.11 – Ensaio de profundidade de carbonatação (EXATA, 2005)............... 74 Figura 6.12 – Medida de temperatura e umidade (EXATA, 2005).......................... 75 Figura 6.13 – Determinação da temperatura da água (EXATA, 2005)................... 76 Figura 6.14 – Coleta de amostra de água para realização de ensaios em laboratório (EXATA, 2005). .................................................................................... 77 Figura 6.15 – Pólo do milivoltímetro conectado à armadura .................................. 80 Figura 6.16 – Traçado de malha para orientação................................................... 81 Figura 6.17 – Medida de potencial ......................................................................... 81 Figura 6.18 – Esquema, em vista da realização dos ensaios................................. 82 Figura 6.19 – Posição dos ensaios ........................................................................ 82 Figura 6.20 – Gráfico de potenciais versus tempo (CASCUDO, 1992). ................. 87 LISTA DE TABELAS Tabela 5.1– Critério para avaliação da corrosão pela velocidade obtida pelos métodos de resistência de polarização .................................................................. 48 Tabela 5.2 – Avaliação dos resultados obtidos mediante a técnica de medida de potenciais de eletrodo. ...................................................................................... 55 Tabela 5.3 – Risco de dano da corrosão e em função do potecial e das condições do concreto e do meio-ambiente ........................................................... 55 Tabela 6.1 – Resistência à compressão ................................................................ 64 Tabela 6.2 – Absorção de água por imersão ......................................................... 65 Tabela 6.3 – Absorção de água por capilaridade ................................................... 66 Tabela 6.4 – Parâmetros para análise do ensaio de ondas de ultrasom................ 67 Tabela 6.5 – Ultra-som........................................................................................... 68 Tabela 6.6 – Dureza superficial.............................................................................. 68 Tabela 6.7 – Cobrimento de armaduras................................................................. 69 Tabela 6.8 – Perda de seção de concreto das estacas.......................................... 69 Tabela 6.9 – Perda de seção das armaduras......................................................... 71 Tabela 6.10 – Teor de cloretos............................................................................... 72 Tabela 6.11 – Teor de sulfatos............................................................................... 73 Tabela 6.12 – Profundidade de carbonatação........................................................ 74 Tabela 6.13 – Risco de corrosão de armadura (CEB, 2002).................................. 75 Tabela 6.14 – Umidade e temperatura................................................................... 76 Tabela 6.15 – Característica da água .................................................................... 77 Tabela 6.16 – Ensaio eletroquímico de potenciais elétricos................................... 78 Tabela 6.17 – Ensaio de Potencial na estaca E1233 ............................................. 83 Tabela 6.18 – Ensaio de potencial na estaca E1226 ............................................. 83 Tabela 6.19 – Ensaio de Potencial na estaca E1086 ............................................. 84 Tabela 6.20 – Ensaio de potencial na estaca E1424 ............................................. 85 LISTA DE SÍMBOLOS E DE SIGLAS ddp Diferença de potencial mg/dc²/dia Miligramas por decímetro quadrado por dia mpy Milésimos de polegadas por ano mmpy Milímetros por ano ipy Polegadas por ano μmpy Micrometros por ano i Corrente elétrica icorr Corrente de corrosão A/cm² Ampere por centímetro quadrado ΜA/ cm² Micro Ampere por centímetro quadrado Ca(OH)2 Hidróxido de cálcio NaOH Hidróxido de sódio KOH Hidróxido de potássio pH Potencial hidrogeniônico Rp Resistência de polarização ΔE Variação do potencial ΔI Intensidade de corrosão B Constante de proporcionalidade obtido por Stern & Geary mV Milivolts βa Constante de Tafel anódica βc Constante de Tafel catódica Ecorr Potencial de corrosão c Capacitância da dupla camada elétrica τ Tempo necessário para atingir o estado estacionário na polarização galvanostática CA Corrente alternada IR Queda ôhmica l comprimento L Comprimento do sinal elétrico D Diâmetro da área circular do anel de confinamento Cl- Íons de cloreto UR Umidade relativa do ar Cu/CuSO4 Cobre/ sulfato de cobre O2 Oxigênio H2O Água CO2 Gás carbônico k Coefiente de carbonatação do concreto SO3 Anidrido sulfúrico E Diferença de potencial A Área da seção transversal Ω Ohms Ωm Ohms x metro SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................................. 15 2 OBJETIVOS.................................................................................................................................. 17 2.1 Objetivo geral 17 2.2 Objetivo específico 17 3 MÉTODO DE TRABALHO............................................................................................................ 18 4 JUSTIFICATIVA............................................................................................................................ 19 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................................... 20 5.1 Generalidades da corrosão eletroquímica em meio aquoso 20 5.1.1 Definição ........................................................................................... 20 5.1.2 Classificação..................................................................................... 21 5.1.3 Mecanismo ....................................................................................... 22 5.2 5.1.3.1 Definições .................................................................................. 22 5.1.3.2 Corrosão Eletroquímica em Meio Aquoso ................................. 24 Corrosão de armaduras em concreto 5.2.1 25 Caso específico do concreto............................................................. 26 5.2.1.1 Período de Iniciação .................................................................. 27 5.2.1.2 Período de Propagação ............................................................. 28 5.2.2 Conceito de micro e macropilha........................................................ 28 5.2.3 Produtos de corrosão........................................................................ 29 5.2.4 Efeitos da corrosão ........................................................................... 29 5.3 Fatores intervenientes 31 5.3.1 Cobrimento ....................................................................................... 31 5.3.2 Temperatura ..................................................................................... 32 5.3.3 Tipo de cimento e adições ................................................................ 32 5.3.4 Tipo de aço ....................................................................................... 32 5.3.5 Fissuras do concreto de cobrimento ................................................. 33 5.3.6 Relação água/ cimento ..................................................................... 33 5.3.7 Permeabilidade e absorção .............................................................. 33 5.3.8 Resistividade elétrica do concreto .................................................... 34 5.4 Avaliação da corrosão de armaduras 5.4.1 34 Inspeção de estruturas de concreto com ênfase no controle............ 35 5.5 5.4.1.1 Identificação da corrosão e natureza do ataque ........................ 35 5.4.1.2 Avaliação qualitativa e quantitativa da corrosão ........................ 37 Técnicas eletroquímicas para monitoramento, avaliação e estudo da corrosão em armaduras de concreto 5.5.1 37 Técnica da resistência de polarização .............................................. 37 5.5.1.1 A interferência da queda ôhmica na determinação de Rp ......... 44 5.5.1.2 Aplicação da técnica.................................................................. 45 5.5.1.2.1 Procedimentos de aplicação................................................... 45 5.5.1.2.2 Informações obtidas ............................................................... 47 5.5.1.3 5.5.2 Critério de avaliação .................................................................. 48 Técnica de potenciais de corrosão ................................................... 48 5.5.2.1 Histórico..................................................................................... 48 5.5.2.2 Princípio da técnica ................................................................... 49 5.5.2.3 Fatores intervenientes nas medidas de potencial...................... 50 5.5.2.3.1 Camadas superficiais de concreto de alta resistividade ......... 50 5.5.2.3.2 Qualidade do concreto e espessura do cobrimento ............... 51 5.5.2.3.3 Frentes de carbonatação e cloretos ....................................... 52 5.5.2.3.4 Teor de umidade do concreto................................................. 52 5.5.2.3.5 Correntes de fuga................................................................... 53 5.5.2.4 Apresentação dos resultados .................................................... 53 5.5.2.5 Critérios de avaliação ................................................................ 54 5.5.3 Técnica da resistência elétrica.......................................................... 56 5.5.3.1 6 Procedimentos de aplicação...................................................... 58 ESTUDO DE CASO – CAIS TERMAG......................................................................................... 59 6.1 Descrição do local 59 6.2 Introdução 60 6.3 Danos encontrados nas estacas 61 6.4 Ensaios para caracterização da estrutura 64 6.4.1 Análise visual .................................................................................... 64 6.4.2 Resistência à compressão ................................................................ 64 6.4.3 Absorção de água por imersão ......................................................... 65 6.4.4 Absorção de água por capilaridade .................................................. 66 6.4.5 Velocidade de propagação de ondas de ultrasom ............................ 66 6.4.6 Dureza superficial do concreto.......................................................... 68 6.4.7 Cobrimento das armaduras .............................................................. 69 6.4.8 Perda de seção de concreto das estacas ......................................... 69 6.4.9 Perda de seção das armaduras ........................................................ 70 6.4.10 Teor de cloretos ................................................................................ 71 6.4.11 Teor de sulfatos ................................................................................ 73 6.4.12 Profundidade de carbonatação ......................................................... 73 6.4.13 Umidade relativa do ar e temperatura ambiente e da água .............. 75 6.4.14 Agressividade da água ..................................................................... 76 6.5 Ensaio de Potencial elétrico para avaliação da corrosão -1ª série (2005) 78 6.6 Ensaio de Potencial elétrico para avaliação da corrosão -2ª série (agosto/ 2006) 7 79 6.6.1 Procedimentos .................................................................................. 80 6.6.2 Resultados ........................................................................................ 82 COMPARAÇÃO CRÍTICA ..................................................................................87 CONCLUSÕES .........................................................................................................89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................90 ANEXO A – ANÁLISE VISUAL DAS ESTACAS........................................................92 ANEXO B – PLANTA DE FUNDAÇÕES ...................................................................97 ANEXO C – DETALHE DE REPARO COM USO DE ÂNODO DE SACRIFÍCIO ......99 ANEXO D – DETALHE DE REPARO SEM O USO DO ÂNODO ............................101 15 1 INTRODUÇÃO É notório o uso do concreto pela humanidade. Este material só perde em utilização no nosso planeta para a água; pois, segundo METHA (1994) apud NOBREGA, (2002), apesar de não ser tão resistente e tenaz quanto o aço, apresenta resistência à ação da água, mostra-se de fácil execução quando em elementos estruturais, e por último, apresenta-se mais barato e mais facilmente produzido no canteiro. Hoje vemos uma grande quantidade de obras de reestruturação e reforço (viadutos, edifícios, etc), devido a diversos fatores: desgaste por intempéries com o tempo, desgaste pela agressividade do meio (áreas litorâneas ou grandes centros urbanos, poluição), além de deficiência no dimensionamento e execução, aumento de carga atuante e muitos outros fatores que interferem no uso de uma estrutura. Além disso, se observa que a vida útil das estruturas em muitos casos supera as expectativas de projeto. Diversas são as manifestações patológicas observadas nas estruturas, entre elas: degradação química, flechas, nichos, fissuras ativas e passivas, manchas superficiais e corrosão das armaduras. Estas manifestações diminuem a vida útil da estrutura, elevam o custo de manutenção e em casos extremos podem levar até a ruína. De acordo com a Lei de Custos (SITTER, 1984 apud HELENE, 2001 ) o custo de uma ação corretiva, ou seja, após a manifestação do problema, varia 5 a 25 vezes o custo da manutenção preventiva. Por essa razão a identificação precoce de danos resulta em uma substancial economia na manutenção de estruturas. A avaliação dos níveis de corrosão e a monitoração de sua evolução são importantes ferramentas quando se deseja realizar a manutenção de uma estrutura. 16 Dentro dos ensaios não destrutivos que permitem a monitoração e avaliação, os ensaios eletroquímicos são de maior importância, por ser a corrosão um fenômeno eletroquímico. Neste trabalho temos o fenômeno de corrosão das armaduras sob o enfoque nos principais ensaios eletroquímicos disponíveis, suas características, aplicações e relação com outros ensaios (físicos, químicos e etc). 17 2 OBJETIVOS Neste trabalho se objetiva estudar os fenômenos relacionados à corrosão com enfoque nos ensaios eletroquímicos. 2.1 Objetivo geral Identificar os principais aspectos relacionados ao processo da corrosão em estruturas de concreto armado: os mecanismos de corrosão, suas principais características, classificações e apresentar os principais métodos de avaliação e monitoração da corrosão por ensaios eletroquímicos. 2.2 Objetivo específico Identificar as características, vantagens e desvantagens dos diversos ensaios eletroquímicos utilizados na avaliação e monitoração de corrosão em estruturas de concreto armado. Analisar um caso, comparando os resultados de um ensaio eletroquímico antes e após a recuperação. 18 3 MÉTODO DE TRABALHO Este trabalho tem como base, pesquisa em publicações, livros, teses, sites e conhecimento adquirido com visitas a profissionais que militam na área. Ao final do trabalho um estudo de caso que exemplifica a aplicação dos ensaios eletroquímicos. 19 4 JUSTIFICATIVA De acordo com a NBR 6118/2003, “As estruturas de concreto devem ser projetadas, construídas e utilizadas de modo que sob as condições ambientais e respeitadas as condições de manutenção preventivas especificadas no projeto, conservem sua segurança, estabilidade, aptidão em serviço e aparência aceitável durante um período prefixado de tempo, sem exigir medidas extras de manutenção e reparo”. Nas últimas décadas está sendo verificada a necessidade de que essas estruturas resistam por muito mais tempo do que sua vida útil de projeto, pois não é viável a substituição de pontes, viadutos, prédios, etc, muito menos a sua inutilização. Além de que existe a necessidade de monitoração destas estruturas devido a mudanças de uso, aumento de carga entre outros fatores. Sendo assim atualmente se torna maior a importância dos métodos para a avaliação das condições de estabilidade e segurança das estruturas. Este trabalho trata do problema da corrosão de armaduras de estruturas em concreto armado, visto ser um dano que representa 20% de incidência nas manifestações patológicas em estruturas de concreto armado (HELENE, 2001). E sendo os ensaios eletroquímicos uma forma de avaliação e monitoração “in loco” de estruturas em concreto armado, não destrutivos e ainda capazes de indicar a probabilidade de corrosão antes do aparecimento de sintomas aparentes, estes, são o enfoque do trabalho. 20 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Na seqüência, uma introdução ao problema da corrosão, sua ocorrência no concreto armado, avaliação e monitoração por Ensaios Eletroquímicos. 5.1 Generalidades da corrosão eletroquímica em meio aquoso Este item apresenta algumas generalidades da corrosão eletroquímica em meio aquoso. 5.1.1 Definição Diversas são as definições dadas ao processo de corrosão entre elas: ¾ Processo inverso da Metalurgia Extrativa, em que o metal retorna ao seu estado original. ¾ Destruição ou deterioração de um material devido à reação química ou eletroquímica com seu meio ¾ Transformação de um material pela sua interação química ou eletroquímica com o meio Para o estudo aqui apresentado, a melhor definição é a apresentada por CASCUDO (1997), A corrosão pode ser definida como a interação destrutiva ou a interação que implique inutlização para uso, de um material com o ambiente, seja por reação química, ou por eletroquímica. No caso de um metal, ele é convertido a um estado não metálico; quando isto ocorre, o metal perde suas qualidades essenciais tais como resistência mecânica, elasticidade e ductilidade. 21 5.1.2 Classificação Para um melhor entendimento dos processos e características envolvidos nos processo de corrosão de armaduras, as diversas bibliografias, vem ao longo da história apresentando diversas formas de classificá-los. A seguir apresentamos as classificações que são de interesse neste estudo: Segundo a natureza do processo a corrosão é classificada como: ¾ corrosão eletroquímica: é um ataque de natureza eletroquímica, ocorrendo em meio aquoso, formando uma pilha1 , com eletrólito2 (formado a partir da presença de umidade no concreto) e diferença de potencial entre trechos da superfície metálica. Esse é o caso mais nocivo às obras civis; ¾ corrosão química: que acontece com a reação gás-metal, formando uma película de óxido. Não provoca deterioração substancial das superfícies metálicas, exceto quando interagirem com gases extremamente agressivos. Segundo a morfologia, a corrosão é separada conforme Figura 5.1: ¾ corrosão generalizada: ocorre em toda a superfície metálica. Pode ser uniforme (superfície regular) ou não uniforme (superfície irregular); ¾ corrosão puntiforme (pite): é localizada, tendendo a aprofundar-se e causar ruptura pontual. Tende a ser gravíssima, pois a corrosão é tão intensa quanto maior a relação área catódica/ anódica, no entanto, “nos casos práticos da corrosão aço-carbono no concreto não é registrada a ocorrência do pite clássico, como visto em outros meios e com outros materiais (CASCUDO, 1997)”; 1 PILHA OU CÉLULA ELETROQUÍMICA: fonte geradora de corrente onde se tem uma zona anódica (onde ocorrem reações de oxidação, tendo-se a dissolução do metal), uma zona catódica (onde ocorrem as reações de redução de espécies eletroquímicas ou íons do eletrólito), um condutor metálico que permite a condução do fluxo eletrônico no sentido ânodo-cátodo e o eletrólito (CASCUDO, 1997). 2 ELETRÓLITO: constitui uma solução carregada ionicamente, essa fase líquida é essencial ao processo eletroquímico de corrosão porque permite ocorrerem as reações anódicas e catódicas, além, de possibilitar também a ocorrência do fluxo iônico do processo, o qual compõe a corrente elétrica de corrosão (CASCUDO, 1997). 22 ¾ corrosão sob tensão fraturante: também localizada, ocorre em armaduras sujeitas a altas tensões de tração, dando origem a fissuras na estrutura do aço. Geralmente ocorre em estruturas protendidas, mas pode ocorrer também em estruturas em concreto armado. Caracteriza-se por se tratar de uma corrosão sem sintomas visuais e por rupturas bruscas. Figura 5.1 – Tipos de corrosão e fatores que as provocam (CASCUDO, 1997). 5.1.3 Mecanismo Apresentamos, na seqüência, uma descrição dos mecanismos do processo de corrosão. Para o melhor entendimento, inicialmente se apresenta as principais definições e conceitos utilizados. 5.1.3.1 Definições ¾ Eletrodo Conforme CASCUDO (1997), É definido quando, ao mergulhar um metal numa solução aquosa, observase uma situação de equilíbrio ou estado estacionário, caracterizada pela 23 formação da dupla camada elétrica (arranjo de partículas carregadas e/ou dipolos orientados existentes em qualquer interface material/ meio aquoso). ¾ Potencial de eletrodo Quando se examina a dupla camada elétrica temos uma distribuição de cargas elétricas, estabelecendo uma diferença de potencial (ddp) entre o metal e a solução que varia com a relação entre o eletrólito e o eletrodo. Caso o sistema esteja em equilíbrio, o potencial do eletrodo é chamado de Potencial de Equilíbrio. ¾ Eletrodo de referência Medir o valor absoluto da diferença de potencial (ddp) é inviável, visto que para se medir seria necessária a inserção de um outro elemento metálico na solução, causando uma nova diferença de potencial, formando assim uma célula eletroquímica (dois eletrodos metálicos em contato elétrico, imersos em eletrólito). Com isso foi necessária a utilização de eletrodos de referência, para o caso de armaduras para concreto armado são mais utilizados os de calomelano saturado e sulfato de cobre. ¾ Polarização do eletrodo Numa condição de equilíbrio, através da dupla camada elétrica temos um potencial de equilíbrio que caracteriza a reação de um determinado eletrodo. Se esse potencial for alterado de alguma forma, temos que o eletrodo sofreu polarização. Particularmente quando uma amostra metálica apresenta corrosão eletroquímica, ela assume um potencial, no qual a taxa de oxidação no ânodo é exatamente igual à taxa de reação de redução no cátodo, ou seja, todos os elétrons liberados nas reações anódicas de oxidação são consumidas nas reações catódicas de redução, caracterizando assim a pilha ou célula eletroquímica de corrosão; esse potencial está em um equilíbrio dinâmico com o meio (embora a corrosão se processe indefinidamente) e é conhecido por Potencial de Corrosão (Ecorr) (CASCUDO, 1997). ¾ Taxa de corrosão 24 Expressa a velocidade do processo de corrosão. As principais unidades são mg/dm2/dia (mmd – miligramas por decímetro por dia) ou mpy (milésimos de polegadas por ano) ou mmpy (milímetros por ano). Essa medida é importante visto que a corrosão depende da área de superfície metálica exposta ao meio aquoso e por quanto tempo. Ainda existem outras duas formas de medir a profundidade do ataque, ipy (pol/ ano) e μmpy (micrometros/ ano). Outra forma de medir a taxa de corrosão é medindo o movimento de elétrons de regiões anódicas para catódicas, através da densidade de corrente de corrosão (icorr), cujas unidades são Ampere por centímetro quadrado (A/cm²) ou micro Ampere por centímetro quadrado (μA/ cm²). Quanto maior a corrente elétrica, maior a taxa de corrosão. Assim, temos como calcular a quantidade de metal, em massa, que se corrói, quando conhecemos a densidade da corrente elétrica do sistema, que é dado pelo quociente entre a corrente de corrosão e a área anódica. 5.1.3.2 Corrosão Eletroquímica em Meio Aquoso Quando um metal é introduzido em uma solução contendo íons, inclusive íons desse metal, há um movimento entre o potencial do metal e da solução a fim de entrarem em equilíbrio, formando a dupla camada elétrica. Se forem inseridos dois metais diferentes poderemos ter dois equilíbrios entre os metais e a solução. Se esses metais tiverem um condutor metálico, haverá a passagem espontânea de elétrons pelo condutor no sentido do metal de maior densidade (eletrodo de potencial mais eletronegativo) para aquele de densidade menor, ou seja, do metal menos nobre para o mais nobre, formando assim uma fonte geradora de corrente, uma pilha eletroquímica, conforme figura 5.2. 25 Figura 5.2 – Pilha eletroquímica clássica (CASCUDO, 1997) A pilha eletroquímica pode acontecer também entre o mesmo metal, ocorrendo entre regiões diferentes da superfície do mesmo, como acontece nas armaduras das estruturas em concreto armado. As pilhas são formadas por: ¾ ânodo: eletrodo (metal) que sofre oxidação. Perde elétrons para o cátodo. ¾ cátodo: há um ganho de elétrons , onde ocorre a deposição catódica; ¾ eletrólito: condutor (usualmente um líquido) com íons que transportam a corrente elétrica; ¾ circuito metálico (condutor): ligação metálica entre o ânodo e o cátodo, por onde escoam os elétrons no sentido ânodo-cátodo. 5.2 Corrosão de armaduras em concreto A corrosão de armaduras em concreto é um caso específico de corrosão eletroquímica, como segue: 26 5.2.1 Caso específico do concreto No concreto, o eletrólito apresenta características de resistividade elétrica mais altas que os eletrólitos típicos “(meio aquoso comum, não confinado a uma rede de poros, como é o caso do concreto) (CASCUDO, 1997)”. O interior do concreto é um meio altamente alcalino (pH em torno de 12,5). Esta alcalinidade se deve da fase líquida dos poros do concreto, onde nas primeiras idades, é uma solução saturada de hidróxido de cálcio (Ca(OH)2), oriunda das reações de hidratação do cimento. Via de regra, o concreto mantém esta alcalinidade em idades avançadas, sendo que composta por hidróxido de sódio (NaOH) e hidróxido de potássio (KOH), originados no álcalis do cimento. O diagrama potencial versus pH do sistema ferro-água a 25°C (figura 5.3), que para a ordem de grandeza do pH do concreto (aproximadamente 12,5) e para uma faixa usual de potencial de corrosão, também no concreto, da ordem de +0,1 a –0,4 V em relação ao eletrodo padrão de hidrogênio, as reações de eletrodo verificadas no ferro são de passivação (CASCUDO, 1997). Figura 5.3- Diagrama de Pourbaix de equilíbrio termodinâmico, delimitando os domínios de corrosão, passivação e imunidade (CASCUDO, 1997). 27 Esse diagrama demonstra um processo particular de reação corrosiva termodinamicamente favorável. Assim, a armadura presente no interior do concreto, no meio alcalino, está protegido da corrosão, devido a uma película de proteção, de caráter passivo, que envolve a armadura. Esta película é muito aderente ao aço e invisível. Ela é formada rapidamente nas reações de oxidação do ferro e de redução do oxigênio inicialmente presente na fase líquida dos poros do concreto. No estado de passivação, a corrosão não é nula, mas é extremamente limitada pela resistência ôhmica da película. Dessa forma, iremos dividir o mecanismo de corrosão em duas fases: Iniciação e propagação 5.2.1.1 Período de Iniciação O período de iniciação vai da aplicação da armadura ao momento da ação do agente agressivo sobre a armadura. A presença da película de passivação protege a armadura de processos corrosivos, no entanto, pode ser perdida em duas situações: - presença de uma quantidade suficiente de íons cloreto: podem vir do meio externo e atingir a armadura por difusão ou já estarem no interior do concreto, devido à água de amassamento e/ou agregados contaminados, ou até pela adição de aceleradores de pega à base de cloretos; - diminuição da alcalinidade do concreto: pode ocorrer devido a reações de carbonatação ou à penetração de substâncias ácidas no concreto. Em algumas situações, a queda da alcalinidade pode ocorrer devido a lixiviação (lavagem) do concreto, mas é necessário que haja uma certa pressão hidráulica no concreto devido a ação de águas. 28 5.2.1.2 Período de Propagação É o período que vai do início do processo de corrosão até este atingir um nível inaceitável de corrosão. Uma vez despassivada a armadura, ela fica vunerável à corrosão, iniciando-se o processo de propagação do fenômeno desde que haja os elementos básicos (eletrólito, diferença de potencial e oxigênio). 5.2.2 Conceito de micro e macropilha As macropilhas são pilhas onde as áreas anódicas e catódicas são consideravelmente afastadas uma das outras, já nas micropilhas, as distâncias são microscópicas. A ação de macropilhas no concreto ocorre quando há variação de qualidade (porosidade, permeabilidade, etc) no concreto. Só é possível com condutividade elétrica elevada, havendo continuidade do eletrólito entre o ânodo e o cátodo. Consistindo em áreas corroídas (ânodo) e outras em perfeito estado (cátodo). A ação de micropilhas no concreto pode ocorrer devido a cloretos (em altos níveis) e à queda do pH (carbonatação), mas sua ocorrência tende a ser em regiões de menor heterogeneidade do concreto. Temos que em estruturas de concreto predominam a ação de micropilhas. Se forem observadas grandes desuniformidades ou variação acentuada na espessura do cobrimento no concreto ou mesmo ataques diferenciados do ambiente, geralmente se instala uma situação mista. Nas áreas onde os agentes agressivos penetram, 29 formam-se zonas de micropilhas. Como próximo a essas áreas existem zonas em perfeito estado, estas começam a funcionar como ânodo, fornecendo elétrons para as áreas sem processo de corrosão, havendo a redução de oxigênio, processo da macropilha. Então temos a área de micropilha funcionando como ânodo da macropilha, sem perder totalmente suas características, sendo que somente as condições do concreto indicarão qual processo será predominante. 5.2.3 Produtos de corrosão Os produtos finais da corrosão de armaduras dependem de diversos fatores como, por exemplo, a temperatura, teor de cloretos, poluição. Os produtos geralmente encontrados são a goetita, a lepidocrocita e a magnetita. Sendo que os produtos goetita e a lepidocrocita são expansivos, enquanto a magnetita não apresenta um volume tão grande na formação da ferrugem. 5.2.4 Efeitos da corrosão Os produtos da corrosão são uma variedade de óxidos e hidróxidos de ferro que ocupam o local da armadura, com volumes de 3 a 10 vezes superiores ao volume original do aço da armadura, o que causam grandes tensões internas no concreto. Conforme o processo de corrosão aumenta, esses produtos expansivos vão se acumulando ao redor das armaduras, formando crostas. Os esforços agem de forma radial na barra, gerando tensões de tração que fissuram o concreto, fissuras que aumentam com o decorrer do processo, podendo, inclusive causar o destacamento de placas de concreto. 30 Em peças como pilares, submetidas a flexocompressão, esse destacamento do concreto significa perda de seção da estrutura, fazendo com que a armadura passe a suportar as cargas de compressão, fazendo com que as armaduras sofram deformações como a flambagem das barras verticais (figura 5.5). Figura 5.4 – Esforços produzidos que levam à fissuração e destacamento do concreto, devidos à corrosão de armaduras (CASCUDO, 1997). Figura 5.5 – Vista de um pilar apresentando flambagem da armadura longitudinal (CASCUDO, 1997). Mas, nem toda corrosão provoca fissuras no concreto. Se o concreto estiver úmido, os óxidos podem migrar através dos poros e aparecerem na superfície em forma de manchas marrom-avermelhadas, que podem aparecer não coincidenetes com a posição das armaduras (figura 5.6). 31 Figura 5.6 –Detalhe da estrutura de concreto armado de uma plataforma de pesca no Rio Grande do Sul (CASCUDO, 1997). A corrosão pode danificar a estrutura de duas formas principais: causando a diminuição da área da armadura e fissurando o concreto. 5.3 Fatores intervenientes Alguns fatores interferem nas características do concreto, facilitando ou dificultando a ação da corrosão. Na seqüência são tratados alguns desses fatores. 5.3.1 Cobrimento O concreto de cobrimento da armadura é a chamada proteção física. Ele protege a armadura de agentes agressivos e umidade, mantendo sua proteção química. Nos projetos de estruturas, o cobrimento é calculado de acordo com a agressividade do 32 meio em que será executado, mas também deve ser levada em consideração, a qualidade do concreto (fator/água cimento). 5.3.2 Temperatura A temperatura pode influenciar na deterioração do concreto de duas formas. O seu aumento pode acelerar a velocidade de corrosão e a mobilização iônica, já a sua diminuição pode permitir condensações que podem produzir incrementos locais no teor de umidade. 5.3.3 Tipo de cimento e adições Segundo CASCUDO (1997), em geral, concreto com adições de escória de alto forno ou com adições de materiais pozolânicos tais como cinza volante ou sílica ativa, apresentam estruturas de pasta mais compactas e, portanto, os desempenhos desses concretos quanto à penetração de líquidos, gases e íons são consideravelmente melhores se comparados aos concretos de cimento Portland comum. Isto significa importantes benefícios quanto à ação deletéria dos cloretos. Em contrapartida, parece ser uma realidade o fato de que tais adições em geral pioram o comportamento dos concretos à carbonatação. Como balanço final, os benefícios propiciados pelos cimentos com adição são sem dúvida maiores do que os eventuais prejuízos obtidos. 5.3.4 Tipo de aço Barras de aço sem proteção, em um mesmo ambiente podem ter velocidades de corrosão diferenciadas pelo tipo de aço. Aços que foram mais processados (tratamento a frio, trefilação) ou aços com alto teor de carbono, são mais suscetíveis a corrosão em comparação a outros aço de menor dureza e resistência mecânica. 33 5.3.5 Fissuras do concreto de cobrimento Existem duas linhas de discussão quanto às fissuras do concreto de cobrimento. A primeira alega que essas fissuras intensificam a corrosão. A segunda, que as fissuras simplesmente antecipam a ação corrosiva, mas não têm função intensificadora a ponto de diminuir a vida útil da estrutura. 5.3.6 Relação água/ cimento A relação água/ cimento é um dos parâmetros mais importantes na avaliação de fatores facilitadores da corrosão, visto que ela determina a qualidade do cimento (porosidade, compacidade). E quanto maior a qualidade, melhor a capacidade protetora do concreto. Relação de água/ cimento baixa retarda a entrada de cloretos, dióxido de carbono e oxigênio, além de dificultar o contato da armadura com umidade e agentes agressivos externos. 5.3.7 Permeabilidade e absorção Quanto maiores os índices de permeabilidade e absorção, menor é a qualidade do concreto, ou seja, menor a proteção à corrosão. 34 5.3.8 Resistividade elétrica do concreto A resistividade elétrica depende do teor de umidade, da permeabilidade e do grau de ionização do eletrólito do concreto. Diversos autores têm constatado, a partir de trabalhos experimentais, uma direta proporcionalidade entre a taxa de corrosão e a condutividade elétrica do concreto, sendo esta o inverso da resistividade. A resistividade, pois, é um dos fatores controladores da função eletroquímica. As velocidades de corrosão máximas ocorrem em concretos com altos teores de umidade (os quais apresentam baixa resistividade), porém sem saturação dos poros (para não dificultar o acesso do oxigênio) (CASCUDO, 1997). 5.4 Avaliação da corrosão de armaduras Uma avaliação completa de uma estrutura de concreto envolve em se analisar a durabilidade, resistência e estabilidade dessa estrutura. A durabilidade envolve investigações das condições das armaduras (se estão passivadas ou não), sobre as condições de carbonatação do concreto, presença de agentes agressivos (cloretos, sulfatos) e a presença de agregados reativos. A avaliação da resistência e estabilidade da estrutura envolve técnicas como ultrassom, esclerometria e extração de testemunhos de concreto e provas de carga. Inicialmente, faz-se uma análise visual e pequenos ensaios, onde se obtém parâmetros para uma análise mais detalhada para se avaliar a extensão da deterioração da estrutura, que é a análise gravimétrica e a eletroquímica. 35 A avaliação gravimétrica são estudos feitos em laboratório e visam quantificar o processo corrosivo pela perda de massa dos metais, obtendo-se assim a taxa de corrosão gravimétrica dada pela área exposta e tempo de exposição. O inconveniente é a destruição da estrutura para a análise. Os métodos eletroquímicos já são muito mais sensíveis, rápidos e não destrutíveis. Eles podem ser feitos “in situ” e fornecem informações sobre o estado superficial do concreto e taxas de corrosão, chamadas taxas de corrosão estimadas eletroquimicamente. 5.4.1 Inspeção de estruturas de concreto com ênfase no controle Muitas técnicas são empregadas na detecção, identificação, avaliação e monitoramento da corrosão. Essas técnicas são importantes para o controle do processo corrosivo, seja na fase inicial ou avançada. Mas é claro, que uma estrutura diagnosticada precocicamente simplifica as ações de recuperação e diminui, inclusive, os custos para solução do problema. 5.4.1.1 Identificação da corrosão e natureza do ataque A corrosão em armaduras pode ser detectada através de métodos visuais e de potencial de corrosão. ¾ Análise visual Os sintomas costumam ser fissuras no concreto paralelas às armaduras, fragmentação e destacamento do cobrimento, lascamento do concreto em estágio avançados, exposição das armaduras corroídas, em forma de “crostas de ferrugem”, 36 comprometimento da aderência entre concreto e aço e manchas na superfície do concreto. Com a análise visual é possível identificar a natureza do ataque. Se a armadura apresenta pites de corrosão, o ataque geralmente é de cloretos, quando há carbonatação a corrosão se dá de forma mais generalizada. Altos níveis de corrosão também levam a estrutura a sofrer grandes deformações, causando assim fissuras típicas de sobrecarga e até a fissuração da alvenaria por transferência de esforços pelas deformações. ¾ Análise da carbonatação do concreto A carbonatação geralmente é medida através do emprego de indicadores de fenolftaleína ou a timolftaleína, borrifados em perfis do concreto de cobrimento. Esses indicadores são substâncias químicas, que em contato com a solução alcalina do concreto, rica em hidróxido de cálcio, adquirem colorações típicas a partir de um pH da solução. A fnolftaleína adquire coloração vermelha a partir do pH 9,5 e a timolftaleína a partir de 10,5. Abaixo desses pHs, o concreto tende a não sofrer alteração quando adicionado o indicador. Temos então, com a linha divisória entre o concreto colorido e o incolor, uma noção do avanço da carbonatação para o interior do concreto. Em termos práticos, quando o concreto, após o borrifamento do indicador, permanece com sua coloração normal, temos o concreto carbonatado. ¾ Avaliação do teor de cloretos Pode ser determinado através de métodos potenciométricos ou gravimétricos. Os potenciométricos utilizam eletrodos para se determinar o ponto de equivalência, os gravimétricos, adicionam íons de prata à solução e é determinado a massa do cloreto de prata precipitado. 37 Uma das melhores formas de obter uma amostra para análise de cloretos é a extração de pó de concreto por furadeira, que permite, inclusive o estudo de camadas mais profundas, sem ter-se que cortar o concreto. Os teores de cloretos livres geralmente são expressos em porcentagem relativa a massa de cimento. 5.4.1.2 Avaliação qualitativa e quantitativa da corrosão A avaliação propriamente dita, da corrosão, deve ser feita através de técnicas eletroquímicas, visto que o fenômeno é eletroquímico. As técnicas são potenciais de corrosão, resistência de polarização e resistividade do concreto. 5.5 Técnicas eletroquímicas para monitoramento, avaliação e estudo da corrosão em armaduras de concreto Segundo BASTOS (2005), Medir a perda de material metálico ou do efeito da corrosão quando este é submetido a um ambiente corrosivo pode ser feita de diversas maneiras. Simplesmente pela técnica da observação visual, pela contagem do número de pites ou pela proporção entre a área corroída e não corroída; pela técnica de perda gravimétrica, diferença de massa do metal corroído após a sua exposição ao ambiente corrosivo e o metal antes da exposição; ou mais recentemente pelas técnicas eletroquímicas. 5.5.1 Técnica da resistência de polarização “A resistência de polarização (Rp) representa a inércia que um sistema possui em desenvolver um processo eletroquímico de corrosão, ou seja, um processo de 38 transferência de carga elétrica no metal, frente uma polarização imposta” (CASCUDO, 1997). Esse sistema é formado pelo aço, eletrólito e concreto. Dessa forma, quanto maior a Rp, menores serão as velocidades da corrosão. Esta técnica é um elemento essencial para análise de estruturas de concreto armado que possam estar com processo corrosivo, porque se pode avaliar o estado da armadura (passivação/ despassivação) e a velocidade de corrosão. Com a vantagem de se obter esses dados sem a destruição da estrutura. O ponto de partida dessa técnica está embasado na observação do comportamento aproximadamente linear do potencial em função do logaritmo da corrente de corrosão, em torno do potencial de corrosão, durante a aplicação de um sinal elétrico de pequena amplitude, uniformemente distribuído a uma barra metálica em meio eletrolítico (BASTOS, 2005). A resistência de polarização é obtida pelo quociente entre a variação do potencial (∆E) e da intensidade de corrosão (∆I): ⎛ ΔE ⎞ Rp = ⎜ ⎟ ⎝ ΔI ⎠ (1) O valor da Rp foi correlacionada com a intensidade de corrosão (Icorr) com uma constante de proporcionalidade (B) por Stern & Geary. “Em termos intuitivos, quanto maior for a inércia do sistema, metal/ eletrólito (a resistência de polarização), à polarização imposta, menor será a quantidade de metal transformada em íon metálico (a intensidade de corrosão)” (BASTOS, 2005). Icorr = B Rp (2) 39 “Stern & Geary coletaram valores de B para numerosos sistemas metal/ eletrólito, mostrando que B depende das constantes de Tafel3 das curvas de polarização e por isso varia de 13 a 52 mV para a maior parte dos sistemas analisados” (BASTOS, 2005). B= βa ⋅ βc 2,303 ⋅ (βa + βc ) (3) βa= constante de Tafel anódica βc= constante de Tafel catódica As curvas de Tafel, no caso em questão, são experiências realizadas exclusivamente para a determinação de B (e como conseqüência βa e βc), tendo para tal o sistema de ser sujeito a polarizações elevadas, da ordem de +ou- 250 mV, nem sempre desejáveis porque pertubam o sistema em caráter definitivo (CASCUDO, 1997). Como esse método altera as características eletroquímicas da corrosão do sistema, não pode ser utilizado “in situ” juntamente com a resistência de polarização, pois seu valor seria distorcido. Na sequência, a figura 5.7 mostra uma curva de Tafel ideal. As declividades dos trechos retilíneos anódico e catódico dão as constantes de Tafel, e a interseção do prolongamento dos trechos retilíneos fornece Ecorr (nas ordenadas) e Icorr (nas abscissas). “Portanto, tendo-se Icorr e dividindo esta corrente pela área inicialmente polarizada, tem-se a taxa ou velocidade de corrosão, dada pela densidade de corrente de corrosão (icorr)” (CASCUDO, 1997). 3 As constantes de Tafel, ..., podem ser determinadas: experimentalmente – por métodos gráficos, matemáticos e computacionais; ou podem ser retirados da literatura para o sistema em questão. A obtenção experimental é feita através de métodos eletroquímicos independentes, como por exemplo, pelo método das curvas de Tafel (CASCUDO, 1997). 40 Figura 5.7 – Curva de Tafel ideal (CASCUDO, 1997). Na polarização potenciostática aplica-se um potencial diferente do potencial de corrosão (sobretensão) e observa-se o caimento da corrente após determinado tempo. Já na polarização potenciodinâmica, varre-se o potencial para a determinação da corrente. Na seqüência são mostrados os procedimentos para as duas técnicas. Os principais aspectos para serem considerados na aplicação dessa técnica são: ¾ a necessidade de se compensar a queda ôhmica entre o eletrodo de trabalho e o de referência; ¾ a condição de linearidade; ¾ a obtenção de valores estacionários. “Com potenciostatos e galvanostatos modernos tem-se a opção de eliminar o efeito indesejável da queda ôhmica. A negligenciação da compensação da queda IR em concreto leva a baixos valores de Icorr (BASTOS, 2005). ¾ Polarização potenciostática 41 Para esse processo, é necessário que o sistema aço/ concreto atinja seu estado estacionário após a aplicação da sobretensão, ou seja, o sistema necessita de um tempo para reagir à essa polarização, podendo-se medir então o ∆I estacionário, a fim de se calcular Rp (resistência de polarização). Outro cuidado, além de se esperar o tempo para se alcançar o estado estacionário, principalmente para baixas velocidades de corrosão, está relacionada com perturbações do eletrodo durante a medida. Em um sistema de corrosão controlado por ativação, não existe esse problema, porém, sistemas como o concreto armado, controlados por difusão (camada difusa de oxigênio é controladora do processo corrosivo), possui essa característica de alteração do eletrodo. Isso acontece por causa do acúmulo de íons na camada de solução muito próxima ao eletrodo que se modificam com o passar do tempo. Dessa forma, a fim de evitar mudanças no processo corrosivo (aço/ concreto) a polarização deve ser realizada o quanto antes. Com relação ao período de ensaio, este deve ser longo o suficiente para se chegar ao ∆I estacionário e curto para não se alterar o estado dos eletrodos. De acordo com HLADKY (1997) apud CASCUDO (1997), apresenta uma caso oriundo de suas experiências práticas, em que eles obtiveram resultados suficientemente satisfatórios, aplicando uma polarização potenciostática anódica de 20 mV por um tempo variando de 1 a 2 minutos. Conforme GONZÁLES (1197) apud CASCUDO (1997), chegaram a resultados nos quais o tempo de 30 segundos numa polarização potenciostática de ± 10 mV ao redor de Ecorr gerou taxas de corrosão muito confiáveis, em se tratando de armaduras embebidas em concreto; isto com base na satisfatória concordância dessas taxas de corrosão obtidas por perda de massa das armaduras (obtidas gravimetricamente). A exceção se verificou para um concreto muito seco, onde a taxa de corrosão é praticamente nula. ¾ Polarização potenciodinâmica As fontes de erro da polarização potenciostática são válidas para a polarização potenciodinâmica, pois utilizam a mesma constante de tempo. Sendo assim, velocidades de varredura muito altas tendem a subestimar o valor de Rp, conforme Figura 5.8, que mostra a evolução do Rp aparente dos circuitos A e B, cujas 42 características estão indicadas no ângulo superior direito, em função da velocidade de polarização (velocidade de varredura). Figura 5.8 – Evolução do Rp aparente dos circuitos A e B (CASCUDO, 1997). Já com velocidades excessivamente baixas, o valor de Rp tende a ser superestimado, resultando numa variação como a representada na Figura 5.9, que mostra a variação de Rp e Icorr com a velocidade de polarização para as barras de aço embebidas em argamassa, sem Cl-, mantidas em atmosfera de UR = 100% (umidade relativa). As velocidades de polarização mais corretas seriam aquelas intermediárias para as quais se tem quase uma estabilização de Rp. 43 Figura 5.9 – Variação de Rp e Icorr (CASCUDO, 1997). ¾ Polarização Galvanostáticos Neste procedimento, aplica-se uma corrente adicional (anódica ou catódica, em função do tipo de polarização) em relação à corrente de corrosão, ou seja, aplica-se ∆I em relação a Icorr presente no sistema e observa-se a mudança no potencial (∆E) em torno do Ecorr, a fim de que se possa determinar Rp (Rp= ∆E/∆I) (CASCUDO, 1997). O grande inconveniente da polarização galvanostática é o elevado tempo para atingir o estado estacionário. Com isto, as medidas de Rp podem se tornar extremamente demoradas. O tempo depende da capacitânca da dupla camada elétrica (C) e da resistência de polarização (Rp). τ = C ⋅ Rp (4) Dessa forma, se a medida é realizada em metais com baixas taxas de corrosão (passivados), isto é, com altos valores de C e Rp, podem ser necessárias horas para se atingir o estado estacionário. Enquanto nos potenciodinamicamente, são necessários alguns minutos. potenciostaticamente ou 44 Se a polarização galvanostática tem o inconveniente da demora para obtenção do valor, uma vantagem é a eficácia do resultado para minimizar os efeitos que a queda ôhmica causa nas medições de Rp. 5.5.1.1 A interferência da queda ôhmica na determinação de Rp Segundo CASCUDO (1997), Comparando-se a resistência ou resistividade elétrica do meio, em um sistema aquoso atípico como é o caso do aço-concreto, em relação a um sistema típico como é o caso de um metal embebido em uma solução qualquer, tem-se que a primeira situação apresenta valores de resistividade substancialmente superiores à segunda. Posto isto e sabendo que a resistividade característica do concreto aumenta com a idade (em função da hidratação do cimento) e com as baixas umidades ambientais, a queda ôhmica entre o eletrodo de trabalho (armadura) e um eletrodo de referência pode ser definido pelo produto IR, onde I é a corrente que passa pelos eletrodos e R a resistência do meio, no caso em questão, a resistência da camada de concreto entre os citados eletrodos. Obviamente que a qualidade do concreto tem um papel importante também porque concretos de baixa relação água/ cimento (da ordem de 0,4) têm resistividades significativamente superiores a concretos de alta relação água/ cimento (da ordem de 0,7). Por isso é importante se compensar a queda ôhmica, para se obter valores verdadeiros, não superestimados. Esta compensação pode ser feita eletronicamente, através de potenciostatos, onde a leitura é realizada imediatamente após a interrupção da corrente (aproximadamente 75 ms), tempo suficiente para zerar a queda ôhmica, mas não para permitir uma queda significativa do potencial de polarização ou também, a utilização de sinais de alta frequência em corrente alternada (CA). Ou pode ser compensado matematicamente, através de ensaios realizados em separado levando-se em conta a resistividade do concreto e a intensidade das correntes medidas. Uma outra forma de minimizar os efeitos da queda IR, é a aproximação do eletrodo de trabalho (concreto) ao de referência. Isto pode ser feito com a instalação de um tubo de vidro contendo o eletrodo de referência, dentro do concreto. Isso 45 praticamente anula a queda ôhmica. O inconveniente é que só pode ser realizado em laboratórios, visto a necessidade da inserção do tubo de vidro. 5.5.1.2 Aplicação da técnica Um potenciostato ou galvanostato é aplicado a um sistema de três eletrodos (de trabalho, auxiliar e de referência), conforme será visto na seqüência. Ainda pode ser usado um computador para controlar os equipamentos, analisando os dados e calculando os parâmetros de Tafel, Rp, Icorr e a taxa de corrosão (icorr). 5.5.1.2.1 Procedimentos de aplicação ¾ Sistemas convencionais As duas formas mais comuns são sistemas de dois ou três eletrodos. O sistema de dois eletrodos utiliza sondas (eletrodos de testes) no interior do concreto e não possui potenciostato. A polarização é feita por uma fonte de corrente contínua em um dos eletrodos que atuará como eletrodo de trabalho, enquanto o outro, atua como contra-eletrodo. As leituras de potencial (∆E) e corrente (∆I) são lidas por um voltímetro e um amperímetro respectivamente. O de 3 eletrodos é a mais empregada. A polarização é exercida pelo potenciostato, com uma variação anódica ou catódica no eletrodo de trabalho. Isto ocorre pela ação do contra eletrodo, geralmente de platina, que emite uma corrente iônica em direção da armadura, polarizando-a anódina ou catodicamente. Apenas a região imediatamente abaixo do contra-eletrodo é polarizada, ficando limitado às dimensões deste. Geralmente o contra-eletrodo é circular, e com um furo no centro, onde é colocado um eletrodo de referência na superfície do concreto (Figura 5.10). 46 Figura 5.10 – Sistema para medida de resistência de polarização (CASCUDO, 1997) ¾ Sistemas alternativos A principal dificuldade na utilização da resistência de polarização “in situ”, em estruturas de concreto armado, é que somente a armadura próxima ao contraeletrodo é polarizada, não sendo possível se polarizar toda a área armada, visto as pequenas dimensões do contra-eletrodo. Na prática, o contra-eletrodo emite um sinal elétrico, que vai diminuindo na medida em que se afasta, ocasionando uma distribuição não uniforme do sinal (Figura 5.11), o que não é satisfatório para a obtebção do verdadeiro valor de Rp. Figura 5.11 – Distribuição não uniforme do sinal elétrico pelo CE sobre a armadura – área polarizada indefinida (CASCUDO, 1997). Foi então criado um dispositivo, chamado anel de guarda ou anel de confinamento, que é um contra-eletrodo em formato circular, usado para restringir a área a ser polarizada. 47 Conforme FELIU (1997) apud CASCUDO (1997), afirmam, que a aplicação desta técnica em armaduras passivas, isto é, em armaduras com altos valores de Rp, pode gerar determinações de Rb bem abaixo de seus valores verdadeiros; sendo válida portanto a seguinte afirmativa: quanto mais alto o valor de Rp, menos possibilidade há de confinar o sinal elétrico abaixo do CE central. “O anel de confinamento é incapaz de confinar perfeitamente o sinal elétrico, principalmente em se tratando de armaduras passivas” (CASCUDO, 1997). Uma outra possibilidade apresentada para se limitar o sinal elétrico, é muito parecida com o anel de confinamento, mas com algumas diferenças: a polarização é galvanostática, através de correntes contínuas; existe um par de eletrodos de referência (sensores), juntamente com um milivoltímetro, (necessário para precisar a extensão do sinal ao longo da armadura), ou seja, existe um comprimento (L) e um diâmetro (D) da área circular da estrutura, definidos pelos sensores que são afetados pelas linhas de corrente do CE central. O L e o D da região polarizada mostram-se confinados a um comprimento crítico da barra, que é função da resistência de polarização verdadeira, resistividade do concreto e de parâmetros geométricos e não existe o problema de medição de armaduras passivadas embora ainda haja a dificuldade do tempo para a obtenção do valor estacionário, característico de processos galvanostáticos, como já mostrado. 5.5.1.2.2 Informações obtidas O que se obtém através da técnica de polarização é a taxa de corrosão (icorr), utilizando o valor de Rp determinado. Esta taxa é conhecida como a taxa estimada eletroquimicamente. 48 5.5.1.3 Critério de avaliação Considerando que a informação básica que a técnica de resistência de polarização fornece é a velocidade de corrosão da armadura, na Tabela 5.1, é apresentado um critério para avaliação. Tabela 5.1– Critério para avaliação da corrosão pela velocidade obtida pelos métodos de resistência de polarização TAXA DE GRAU DE CORROSÃO CORROSÃO μA/cm² μm/ano Desprezível 0,1 a 0,2 1,1 a 2,2 Início de corrosão ativa >0,2 >2,2 Ataque importante mais não severo ~1,0 ~11,0 Ataque muito importante >10,0 >110,0 Fonte: Alonso, 1990 apud CASCUDO, 1997 5.5.2 Técnica de potenciais de corrosão Potencial de um eletrodo é a diferença de potencial que ocorre entre um determinado metal e um meio aquoso, resultante de um estado estacionário. 5.5.2.1 Histórico Vários estados americanos estabeleceram uma política de desbloqueio de rodovias empregando sal como agente de degelo em meados de 70. 49 “O aumento da quantidade de severas deteriorações nos tabuleiros das pontes, nos Estados Unidos, alarmou a State Highway Agencies (Agência Estadual de Rodovias) e afetou seriamente a segurança dos usuários” (U.S. DEPARTMENT, 2000), dessa forma, foram aceleradas as pesquisas para determinar as causas da deterioração do concreto e desenvolver novas técnicas de detecção e reparo da corrosão do concreto. De acordo com CASCUDO (1992), a técnica de potenciais passou a ter uma aplicação mais maciça em estruturas reais de concreto, notadamente através do “mapeamento de potenciais”, o que possibilita a identificação de zonas comprometidas, ou seja, de zonas que apresentem grande risco de estarem com processo ativo de corrosão (embora ainda sem sintomatologia). 5.5.2.2 Princípio da técnica A técnica consiste na medida dos potenciais dos eletrodos em corpos de prova ou nas estruturas de concreto armado e seu registro. Para isso é necessário um eletrodo de referência em relação ao qual os potencias são tomados. O valor desses potenciais indica o risco de corrosão. Normalmente, o que se tem é o registro, em determinados locais da estrutura, de uma diferença de potencial verificada entre duas semi-células: a semi-célula aço/ concreto (eletrólito) e a semi-célula estável que é o eletrodo de referência. Quando da aplicação do dispositivo, forma-se uma pilha eletroquimicamente constituída pelas duas semi-células. Conforme CASCUDO (1997), pode-se dizer, a grosso modo que o eletrodo de referência exerce o papel de detectar a presença das linhas de corrente que se verificam quando há um processo eletroquímico de corrosão nas armaduras. Sendo assim, nos locais por onde passam essas linhas de corrente (entre as regiões anódicas e catódicas) os potenciais de corrosão registrados pelo milivoltímetro tendem a ser mais eletronegativos do que nos locais passivados, sem corrosão. Esses locais com características de maior eletronegatividade indicam, portanto, a presença de zonas ativas de corrosão nas barras. 50 “O método de medida do potencial de eletrodo com a meia-célula de cobre-sulfato de cobre foi normalizado pela ASTM (ASTM C 876/91 R-99-04) e é uma técnica não destrutiva adequada para avaliação da probabilidade4 de corrosão” (BASTOS, 2005). 5.5.2.3 Fatores intervenientes nas medidas de potencial Na seqüência, alguns dos principais fatores que podem influenciar as medidas de potencial. 5.5.2.3.1 Camadas superficiais de concreto de alta resistividade A resistividade do concreto está diretamente ligada ao seu teor de umidade. Assim, se o concreto estiver extremamente seco, ou seja, altamente resistivo, pode afetar as medidas de potencial, porque a corrente elétrica tende a evitar materiais resistivos, fazendo com que o eletrodo de referência não a detecte. Isso causa valores de potenciais mais positivos (ou menos negativos) em regiões que estejam efetivamente sofrendo corrosão, conforme figura 5.12. Outra situação semelhante é quando a camada de carbonatação atinge uma profundidade significativa, podendo criar uma camada superficial de alta resistividade. Como a carbonatação ocorre de fora para dentro, a situação é similar à figura 5.12. A magnitude desta distorção causada por camadas superficiais altamente resistivas depende da espessura dessas camadas. 4 Probabilidade, pois, na avaliação da corrosão pelo estado termodinâmico não se pode afirmar nada sobre a velocidade com que está ocorrendo a corrosão, visto que essa pode ser tão baixa que em termos práticos é nula (BASTOS, 2005). 51 Figura 5.12 – Camada superficial de concreto altamente resistivo (CASCUDO, 1997) 5.5.2.3.2 Qualidade do concreto e espessura do cobrimento Conforme CASCUDO (1997), Na realidade os potenciais de eletrodo medidos nas superfície do concreto são potenciais “mistos”, isto é, os potenciais medidos nas áreas anódicas são afetados pelas áreas catódicas. Esses potenciais “mistos” são menos negativos que o potencial verdadeiro imediatamente adjacente à armadura corroendo (Figura 5.13). Figura 5.13 – Medida de potencial afetada pelo cobrimento do concreto (CASCUDO, 1997) 52 O erro na medida será tão mais acentuado quanto melhor for a qualidade do concreto, isto é, menor o fator água/ cimento. Concretos com essa relação mais baixa são mais compactos, de alta resistividade e sendo menos porosos, possuem menos eletrólito, dificultando o caminhamento iônico até a superfície do concreto (onde está o eletrodo de referência). Isso não permite o registro do potencial do eletrodo, na superfície do concreto, por algum processo corrosivo. Com o aumento do cobrimento, os valores do potencial na superfície do concreto vão se tornando próximos, independente da existência de um processo ativo de corrosão. Sendo assim, a identificação de pequenas áreas de corrosão torna-se extremamente difícil. 5.5.2.3.3 Frentes de carbonatação e cloretos Conforme visto no subitem 5.5.2.3.1, o efeito da carbonatação é o de produzir leituras de potencial com valores menos negativos do que os esperados. Com os cloretos, a situação é inversa. Quando eles penetram no concreto, oriundos do meio externo, mas não tem ainda atingido a armadura, uma distorção no potencial pode-se verificar devida a concentração (atividade) variável desses cloretos no eletrólito presente nos poros do concreto. Assim, como a solução de maior concentração está mais próxima da superfície, isto tende a tornar os potenciais mais negativos do que seus valores reais (CASCUDO, 1997). 5.5.2.3.4 Teor de umidade do concreto Além da umidade interferir na resistividade do concreto, zonas secas e úmidas em uma mesma estrutura podem produzir diferenças de potencial não associadas a um maior risco de corrosão, mas sim a um teor de umidade diferente em contato com a 53 armadura. Dessa forma, antes das medidas serem realizadas, podem ser feito um pré-umedecimento do concreto. Quando não for possível, é preciso cuidadosamente levar em conta a umidade na interpretação dos resultados. Deve-se realizar um pré-umedecimento do concreto onde serão tomadas as medidas. Segundo ANDRADE Y PERDRIX (1992), quando a umidade ambiental é elevada ou choveu recentemente ou ainda está chovendo, esta operação não é necessária... Devido a elevada higroscopicidade dos cloretos, o concreto contaminado com esta substância costuma estar mais úmido do que estaria normalmente por umidade ambiental. 5.5.2.3.5 Correntes de fuga “É preciso dar importância a questão do papel de eventuais correntes de fuga presentes em estruturas, tais como as localizadas próximas a rede ferroviária, na modificação, de forma significativa, dos habituas potenciais encontrados no concreto” (CASCUDO, 1997). 5.5.2.4 Apresentação dos resultados A forma mais freqüente de apresentação dos resultados de um levantamento potencial eletroquímico é a construção de linhas equipotenciais sobre a estrutura de concreto armado, formando um mapeamento de potenciais. Um cuidado especial é se quadricular a estrutura de forma a se realizar medidas eqüidistantes 54 Na figura 5.14, tem-se um exemplo de um mapa de potenciais: as áreas escuras representam as áreas ativas com alta probabilidade de corrosão e lascamento do concreto e as claras representam baixa probabilidade de corrosão. Além do mapeamento pode ser feito um diagrama de freqüência acumulada. Consiste em se registrar em um gráfico todos os potenciais medidos em um determinado elemento estrutural em função da freqüência acumulada, utilizando um “papel de probabilidade”. Figura 5.14 – Mapas de potenciais (CASCUDO, 1997) 5.5.2.5 Critérios de avaliação Os valores de potencial podem ser associados à probabilidade de corrosão segundo os critérios propostos pela ASTM-876 (Tabela. 5.2). 55 Tabela 5.2 – Avaliação dos resultados obtidos mediante a técnica de medida de potenciais de eletrodo. Potencial de corrosão relativo ao eletrodo de referência de cobre-sulfato de cobre-esc (mV) Probabilidade de corrosão (%) mais negativo que -350 95 mais positivo que -200 5 de 200 a -350 incerta Fonte: ASTM C-876 apud CASCUDO (1997) “Devido às divergências do critério apresentado pela ASTM e suas limitações os pesquisadores estão buscando outros critérios para avaliação da corrosão pelo potencial de eletrodo” (BASTOS, 2005). Uma outra proposta, mais abrangente para avaliação da corrosão de armaduras em campo é a proposta na tabela 5.3. Apesar de esse ser um bom critério para avaliação da corrosão pelo potencial, conforme RODRIGUEZ et al apud BASTOS (2005), ressaltam que não é possível estabelecer de forma genérica uma faixa aplicável a qualquer tipo de estruturas de concreto e em qualquer situação, pois o potencial de corrosão, além de ser afetado pelo teor de umidade e de oxigênio, é também influenciado pela espessura de cobrimento e a presença de fissuras em cada estrutura particular. Tabela 5.3 – Risco de dano da corrosão e em função do potecial e das condições do concreto e do meio-ambiente Condição Potencial (Ecorr) (mV, Cu/CuSO4) Observações Risco de dano Ausência de ClEstado passivo +200 a –200 PH>12,5; H2O Desprezível (UR elevado) Corrosão localizada -200 a –600 Cl-, O2, H2O (UR elevado) Alto Carbonatado Corrosão uniforme +200 a –150 O2, H2O (UR baixa) Baixo 56 Condição Potencial (Ecorr) (mV, Cu/CuSO4) Observações Risco de dano Carbonatado Corrosão uniforme -150 a –600 O2, H2O Moderado-alto (UR elevado) Cl- elevado, H2O, Corrosão uniforme -400 a –600 ou carbonatado Alto H2O, (UR elevado) Corrosão uniforme elevado Cl-, elevado <-600 H2O, sem O2 Desprezível Fonte: Rinón et al (1998) apud BASTOS (2005) Provavelmente, esta tabela foi feita com base no Diagrama de Pourbaix (figura 5.3, capítulo 5.2.1), devido à probabilidade de corrosão desprezível na medida de potenciais mais negativos que –600 mV. 5.5.3 Técnica da resistência elétrica Trata-se de uma metodologia desenvolvida com base na alteração da resistência elétrica de um metal em função da redução da sua seção transversal, representada pela fórmula: R = ρ× l E = A i R= resistência elétrica, em Ω ρ= resistividade elétrica, em Ωm l= comprimento, em m A= área da seção transversal, em m2 E= diferença de potencial, em V i= corrente elétrica, em A (5) 57 Conforme HELENE (1993), Portanto à medida que a barra vai corroendo-se e tornando-se mais fina a resistência elétrica aumenta. Duas são as maiores dificuldades desta técnica. A primeira relativa à homogeneidade da corrosão; é preciso que a corrosão se manifeste de maneira uniforme para assegurar uma alteração proporcional da resistência. A segunda diz respeito à magnitude da variação, sendo difícil monitorar diretamente uma variação pequena de resistência, A avaliação da taxa de corrosão é feito a partir de sondas inseridas próximas às armaduras. A armadura não é monitorada diretamente mas seu estado e taxa de corrosão é inferido através da resposta da sonda (HELENE, 1993). Essas sondas são peças metálicas do mesmo material que compõem a armadura do concreto e podem se apresentar sob a forma cilíndrica (fios) ou chapas. Na figura 5.15, um circuito básico para a técnica de medida da resistência elétrica. Figura 5.15 – Circuito básico para a técnica de medida de resistência elétrica de uma sonda embutida no concreto (CASCUDO, 1997) 58 5.5.3.1 Procedimentos de aplicação A sonda fornecerá taxas de corrosão confiáveis à medida que ela se comporte como a parte da armadura que deverá ser monitorada. Os principais cuidados são: ¾ O material da sonda deve ser o mesmo da armadura; ¾ A sonda deve ser colocada o mais próximo possível da armadura; ¾ O concreto que envolve a sonda deve ser o mesmo que envolve a armadura; ¾ A sonda deve ser conectada eletricamente à armadura. A figura 5.16 ilustra a aplicação de uma sonda de resistência elétrica. Figura 5.16 – Instalação de sonda de resistência elétrica embutido em concreto (CASCUDO, 1997) As sondas devem ser colocadas em posição onde a corrosão seja mais severa, de acordo com a agressividade ambiental, ou seja, maior vulnerabilidade de corrosão. Além disso, um número suficiente de sondas deve ser distribuído em vários locais da estrutura, a fim de que uma amostragem adequada das diferentes condições possa ser realizada. 59 6 ESTUDO DE CASO – CAIS TERMAG Este estudo faz a apresentação de um caso no Porto de São Vicente. 6.1 Descrição do local Trata-se de píeres para atracação de navios carregados com fertilizantes. Foram construídos no período de 1955 a 1957, constituído por 1458 estacas em concreto armado de seção retangular que sustentam uma estrutura de lajes maciças posicionadas acima do nível de variação da maré, conforme figura 6.1 e 6.2. A estrutura tem 567 m de comprimento, com plataformas de trabalho separadas de 124 m cada uma e 14 m de largura, ficando isolada do continente, com a ligação realizada através de 2 pontes de acesso com 45 m de comprimento e 7,8 m de largura cada uma. Essa estrutura foi avaliada pela empresa EXATA em 2005, que propôs medidas de restauração para toda a área. Como é percebido nos itens seguintes, existia uma plataforma original, que foi ampliada, por isso alguns ensaios mencionam área original e área ampliada. E por terem sido executadas em momentos diferentes, as duas são avaliadas separadamente. Neste estudo focou-se a análise das estacas de uma das plataformas de trabalho que é utilizada para o descarregamento de fertilizantes. Entre outros elementos são manipulados compostos de enxofre. 60 Figura 6.1 – Vista geral do cais Figura 6.2 – Vista das estacas 6.2 Introdução Inicialmente são indicados os principais danos observados nas estacas. 61 Posteriormente são apresentados resultados de ensaios de caracterização do concreto, obtidos através de inspeções da parte aérea e submersa, dragagem de solo na base das estacas, retirada de amostras para análise em laboratório e ensaios “in loco”. Finalmente, são apresentados os resultados de ensaios de potenciais de corrosão obtidos em 2005 pela empresa Exata, para avaliação da estrutura. E após a recuperação de algumas estacas, este ensaio de Potencial de Corrosão, foi refeito em 30 de agosto de 2006 e comparado com os resultados anteriores. 6.3 Danos encontrados nas estacas Os principais danos encontrados foram: ¾ estacas com elevada perda de seção (figura 6.3, 6.4); Figura 6.3 - Estaca próxima a junta de dilatação (EXATA, 2005) 62 Figura 6.4 – Estacas de periferia (EXATA, 2005) ¾ estacas com ruptura junto a laje (figura 6.5); Figura 6.5 –Estaca com ruptura junto a laje (EXATA, 2005) ¾ estacas com ruptura abaixo do nível d’água (figura 6.6); 63 Figura 6.6 – Estacas com ruptura abaixo do nível d´água (EXATA, 2005) ¾ exposição de armaduras em áreas de variação de maré (figura 6.7). Figura 6.7 – Exposição de armaduras nas estacas (EXATA, 2005) Os danos encontrados são gravíssimos chegando a situações críticas como a perda total da seção do concreto, flambagem da armadura principal, exposição e corrosão avançada das armaduras. Esses danos são graves pois comprometem em parte ou totalmente a capacidade de carga dessas estacas. 64 6.4 Ensaios para caracterização da estrutura Na seqüência, são apresentados alguns resultados de ensaios que não são eletroquímicos, mas que auxiliam na avaliação geral da estrutura e dos resultados dos ensaios eletroquímicos. 6.4.1 Análise visual No ANEXO A constam desenhos que demonstram os danos verificados visualmente por meio de inspeções sub-aquáticas das estacas que são estudadas neste caso. Estes desenhos detalham a situação das estacas: tamanho e espessura de fissuras, exposição de armaduras, perda de concreto e qualquer outro dano que possa ser visualmente detectado. 6.4.2 Resistência à compressão Conforme tabela 6.1 as resistências encontradas: Tabela 6.1 – Resistência à compressão LOCALIZAÇÃO Médias Fonte: EXATA, 2005 CONCRETO ELEMENTO RESISTÊNCIA (MPa) Original Estacas 39,8 Ampliação Estacas 30,8 65 Não foi possível conhecer a resistência usada no projeto, mas se compararmos com a norma vigente NBR 6118/ 2003, para um ambiente de agressividade muito forte (Classe IV), a resistência do concreto à compressão deveria ser no mínimo 40 Mpa. Através destes resultados é percebido que foi usado uma resistência à compressão abaixo da necessária, para garantir as condições de estabilidade e segurança desta estrutura, tomando-se como base os conhecimentos atuais. 6.4.3 Absorção de água por imersão Este ensaio determina os índices de vazios após saturação e fervura, de acordo com a NBR 9778. Sabendo-se o índice de vazios, pode-se avaliar a qualidade do concreto. Segundo DURAR/CYTED, 1997, os valores de referência são: ¾ <10% - concreto de boa qualidade e compacidade; ¾ 10 a 15% - concreto de qualidade moderada; ¾ >15% - concreto de durabilidade duvidosa. Na Tabela 6.2, os valores obtidos: Tabela 6.2 – Absorção de água por imersão LOCALIZAÇÃO Médias CONCRETO ELEMENTO ÍNDICE DE VAZIO APÓS SATURAÇÃO E FERVURA (%) Original Estacas 13,9 Ampliação Estacas 13,8 Fonte: EXATA, 2005 Esta estrutura pode ser considerada com concreto de qualidade moderada. 66 6.4.4 Absorção de água por capilaridade Este ensaio consiste em se deixar um corpo de prova de concreto com sua base em contato com uma lâmina de água. Após 72 horas o corpo de prova é rompido diametralmente sendo medida a altura de ascensão alcançada no interior. Foi realizado de acordo com a NBR 9779. Com o tempo e a altura pode-se calcular a absorção capilar. Segundo CYTED/ DURAR, para estruturas em ambientes severos e com 3 cm de cobrimento de armadura o valor limite para a adsorção capilar é de 3 mm/h1/2, podendo ser aumentado proporcionalmente ao aumento do cobrimento. Os resultados constam na tabela 6.3. Tabela 6.3 – Absorção de água por capilaridade LOCALIZAÇÃO CONCRETO ELEMENTO Médias S (mm/h1/2) Original Estacas 12,4 Ampliação Estacas 5,6 Fonte: EXATA, 2005. Os valores de ascensão capilar obtidos foram elevados e indicam que para oferecer proteção adequada à armadura com este concreto, seriam necessários cobrimentos muito maiores do que os encontrados. 6.4.5 Velocidade de propagação de ondas de ultrasom Este ensaio avalia a compacidade do concreto. O equipamento mede a velocidade de propagação de ondas ultra-sonicas no concreto. Quanto mais compacto for o 67 material maior é a velocidade de propagação, os valores de referência se encontram na tabela 6.4: Tabela 6.4 – Parâmetros para análise do ensaio de ondas de ultrasom VELOCIDADE DE QUALIDADE DO PROPAGAÇÃO (m/s) CONCRETO > 4.500 Excelente 3.600 a 4.500 Boa 3.000 a 3.600 Aceitável 2.100 a 3.000 Má < 2.100 Muito má Fonte: EXATA, 2005 O posicionamento dos transdutores nas diferentes peças encontra-se representado na figura 6.10. Figura 6.8 – Ensaio de ultra-som (EXATA, 2005) Os resultados de ultra-som classificam o concreto como de boa qualidade para as estacas originais. Os resultados obtidos constam na tabela 6.5: 68 Tabela 6.5 – Ultra-som LOCALIZAÇÃO CONCRETO ELEMENTO Médias VELOCIDADE (m/s) Original Estacas 4.561 (Boa qualidade) Ampliação Estacas 7.358 (Excelente qualidade) Fonte: EXATA, 2005. 6.4.6 Dureza superficial do concreto A dureza superficial é avaliada utilizando-se a NBR 7584. Trata-se de um método não destrutivo que emprega o esclerômetro de Schimidt, um equipamento baseado na reflexão de uma massa impulsionada por uma mola. No caso em questão a medida fornece informações sobre a extensão de danos provocados por lixiviação superficial do concreto, comum em estruturas sujeitas ao ataque de água do mar (tabela 6.6). Tabela 6.6 – Dureza superficial LOCALIZAÇÃO CONCRETO Médias ELEMENTO ÍNDICE Original Estacas 54,7 Ampliação Estacas 54,4 *Ensaio realizado sem lixamento do concreto.Fonte: EXATA, 2005 As medidas de dureza superficial foram elevadas e não indicam deterioração superficial dos elementos que não estão sujeitos ao ataque direto dos produtos manipulados na face superior do pier, mesmo em ensaios realizados em área que não foram lixadas superficialmente. Essa conclusão, porém, não é válida para as faces expostas aos produtos agressivos que escorrem da face superior do píer e nos quais houve uma grande deterioração (EXATA, 2005). 69 6.4.7 Cobrimento das armaduras Conforme a NBR 6118/03, vigente na execução deste trabalho, para um ambiente classe IV (agressividade muito forte) o cobrimento de armaduras deveria ser de no mínimo 4 cm. A Tabela 6.7 apresenta os cobrimentos encontrados. Tabela 6.7 – Cobrimento de armaduras LOCALIZAÇÃO CONCRETO ELEMENTO Médias Observações Original Estacas 4,6 Ampliação Estacas 4,2 Fonte: EXATA, 2005 Os cobrimentos encontrados estão dentro do mínimo exigido pela norma vigente, o que mostra que mesmo sendo executadas anteriormente, foi usado um cobrimento nas estacas, maior do que o mínimo exigido na época da construção. 6.4.8 Perda de seção de concreto das estacas A tabela 6.8 apresenta as perdas de seção encontradas. Tabela 6.8 – Perda de seção de concreto das estacas LOCALIZAÇÃO CONCRETO Médias PERDA (%) Original 11 Ampliação 9 Fonte: EXATA, 2005. Embora a perda de seção observada pareça pequena considerando os coeficientes de segurança empregados para as seções de concreto armado a concentração 70 dessa perda em certas regiões faz com que a perda de inércia chegue a até 40% em relação à original (EXATA, 2005). A verificação da perda de seção foi realizada nos elementos críticos que são os localizados nas bordas da estrutura e próximos às juntas, sendo que a maioria das estacas internas apresenta baixa perda de seção. 6.4.9 Perda de seção das armaduras A perda de seção das armaduras foi estimada, levantando-se em campo a geometria aproximada utilizando paquímetro (Figura 6.11). A área da seção remanescente foi obtida utilizando programas de computação gráfica. Figura 6.9 – Medida de perda de seção (EXATA, 2005). O aço utilizado é liso do tipo CA 25, com exceção da estrutura da ampliação, na qual o aço é corrugado do tipo CA 50. Nas estacas os estribos são compostos por arames. Na ampliação os estribos são convencionais compostos por barras corrugadas. Na Tabela 6.9 as perdas de seções encontradas. 71 Tabela 6.9 – Perda de seção das armaduras LOCALIZAÇÃO Médias AÇO PERDA (%) CA 25(Original) 12,5 CA 50 (Ampliação) 12,5 Fonte: EXATA, 2005. A perda de seção da armadura principal foi elevada, acarretando uma considerável perda de capacidade resistente das estacas. 6.4.10 Teor de cloretos Segundo o ACI - Comitee 318 para ambientes com cloretos o teor máximo que pode ser incorporado ao concreto é de 0,15% em relação à massa de cimento. Cabe salientar que os valores normativos não tem por que ser os valores reais de despassivação da armadura, já que tem a sua margem de segurança. Estudos recentes indicam que teores da ordem de 0,4% em relação à massa de cimento são suficientes para despassivar o aço no interior do concreto (EXATA, 2005). A existência de condições específicas das obras pode fazer com que a corrosão se inicie e seja acelerada pela existência de cloretos, mesmo em teores inferiores aos de despassivação. Na figura 6.12, exemplo de amostras de concreto para envio ao laboratório. Na tabela 6.10 os resultados obtidos. 72 Figura 6.10 – Amostras de concreto (EXATA, 2005). Tabela 6.10 – Teor de cloretos LOCALIZAÇÃO CONCRETO Médias Médias Original Estacas Ampliação Profundidade (cm) TEOR (%) 0,0 a 1,5 2,9 1,5 a 3,0 1,7 3,0 a 4,5 0,5 0,0 a 2,0 2,0 2,0 a 4,0 1,6 4,0 a 6,0 1,2 Fonte: EXATA, 2005. Os teores de cloretos encontrados indicam elevada contaminação do concreto, com teores superiores aos limites de despassivação inclusive na profundidade da armadura. A diferença de concentração de cloretos em função da profundidade das amostras é um indício de que a contaminação da estrutura ocorreu por influência do ambiente e não por incorporação dos cloretos à massa de concreto. 73 6.4.11 Teor de sulfatos Foi adotado como referência o limite de 3,5% em relação à massa de cimento para concreto simples armado. Resultados na tabela 6.11. Tabela 6.11 – Teor de sulfatos LOCALIZAÇÃO CONCRETO Médias Médias Original Ampliação PROFUNDIDADE (cm) TEOR (%) 0,0 a 1,5 2,9 1,5 a 3,0 2,2 3,0 a 4,5 2,0 0,0 a 2,0 2,1 2,0 a 4,0 1,5 4,0 a 6,0 1,5 Fonte EXATA, 2005. Os valores encontrados estão abaixo do valor considerado como limite. Esse resultado está de acordo com as observações de campo que mostram que não existe deterioração considerável do concreto nos elementos que não estão em contato direto com os produtos manipulados no terminal (EXATA, 2005). 6.4.12 Profundidade de carbonatação Para se detectar a ocorrência do fenômeno, utiliza-se um indicador químico como a fenolftaleina, por exemplo (Figura 6.13). 74 Figura 6.11 – Ensaio de profundidade de carbonatação (EXATA, 2005) Em função da idade da estrutura e da profundidade de carbonatação média encontrada pode-se calcular o coeficiente de carbonatação concreto (k). Existem faixas empíricas que qualificam o concreto de acordo com esses valores: ¾ k ≤ 3 - Concretos duráveis ¾ 3<k<6 - Concretos normais ¾ k ≥ 6 - Concretos deficientes Na tabela 6.12 os resultados encontrados. Tabela 6.12 – Profundidade de carbonatação LOCALIZAÇÃO CONCRETO Médias e (cm) k (mm/ano1/2) Original 0,6 0,9 Ampliação 1,1 1,5 Fonte: EXATA, 2005 As medidas realizadas indicaram que a profundidade de carbonatação é muito baixa, sendo inclusive difícil de ser determinada em alguns casos. Com relação à carbonatação o concreto nesse ambiente pode ser considerado durável, uma vez que para que a profundidade atinja a armadura muitos anos ainda seriam necessários (EXATA, 2005). 75 6.4.13 Umidade relativa do ar e temperatura ambiente e da água Na tabela 6.13, o risco de corrosão de armaduras em função da umidade relativa do ar. Tabela 6.13 – Risco de corrosão de armadura (CEB, 2002) Umidade Concreto Concreto Contaminado Relativa Carbonatado com Cloretos ≤ 45% insignificante insignificante 45 a 65% leve leve 65 a 85% alto alto 85 a 98% médio alto ≥ 98% leve leve Fonte: EXATA, 2005. Na figura 6.14, a medida de temperatura e umidade do ar e na figura 6.15 a medida de temperatura da água. Os resultados constam na tabela 6.14. Figura 6.12 – Medida de temperatura e umidade (EXATA, 2005). 76 Figura 6.13 – Determinação da temperatura da água (EXATA, 2005). Tabela 6.14 – Umidade e temperatura LOCALIZAÇÃO T ambiente (ºC) T água (ºC) UR do ar (%) HORÁRIO OBSERVAÇÕES 20,4 - 100 9h 30m - 22,1 21 95 10h 40m - 24,8 - 81 11h 12m - 21,2 21 100 10h 30m dia chuvoso Plataforma 3 Plataforma 2 Fonte: EXATA, 2005. Com a umidade relativa do ar medida no local, o risco de corrosão de armaduras varia de leve a alto. Quanto maior o grau de saturação maior é a dificuldade do oxigênio em penetrar para o interior do concreto e a velocidade de corrosão é reduzida mesmo que esteja despassivada a armadura, como é o caso em questão (EXATA, 2005). 6.4.14 Agressividade da água Na figura 6.16 a coleta de amostras e na tabela 6.15 os resultados obtidos. 77 Figura 6.14 – Coleta de amostra de água para realização de ensaios em laboratório (EXATA, 2005). Tabela 6.15 – Característica da água Resíd uo LOCALIZAÇÃO AMOSTRA pH Insolú vel - Cl - SO42- (mg/l) (g/l) (mg/l) (mg/l) (mg/l) (mg/l) (mg/l) 124,0 13,30 HCO3 Ca2+ Mg2+ CO2 NH4+ NO3- (mg/l) Médias TERMAG 7,4 28.86 2.100 347 870 4,6 1,3 44 Fonte: EXATA, 2005. A agressividade da água é (EXATA, 2005): ¾ Agressividade alta com relação ao fenômeno de lixiviação em função da baixa quantidade de sólidos dissolvidos; ¾ Agressividade nula com relação à carbonatação, troca iônica e lixiviação em função do pH e concentração de NH3; ¾ A água é classificada como de agressividade muito forte ao concreto quanto à troca iônica e lixiviação pela elevada quantidade de magnésio existente; ¾ Embora a quantidade de sulfatos seja bastante elevada o fenômeno da formação de compostos expansivos é secundário em relação à troca iônica do magnésio; ¾ Quanto à corrosão de armaduras a água é considerada de agressividade muito forte devido à elevada quantidade de cloretos. Referências indicam que para o oceano atlântico o teor de cloretos gira em torno de 25 g/l. O fato dos valores encontrados serem muito menores pode ser explicado por se tratar de um canal que recebe quantidades consideráveis de água doce. 78 Deve-se salientar que a água analisada representa a água do mar que envolve a estrutura, sendo que a água que escorre pelas laterais e juntas possui agressividade muito superior. 6.5 Ensaio de Potencial elétrico para avaliação da corrosão -1ª série (2005) No ANEXO B, consta a planta de fundações para localização das estacas. Na seqüência os resultados dos ensaios na tabela 6.16. Tabela 6.16 – Ensaio eletroquímico de potenciais elétricos Elemento Estrutural: Nome do Ponto: Malha (H,V cm): A -361 -375 -429 -543 1 2 3 4 E1424 Po1 15/30 B -397 -420 -461 -556 Elemento Estrutural: Nome do Ponto: Malha (H,V cm): C -366 -422 -452 -565 A -547 -533 -547 -587 1 2 3 4 B -528 -549 -570 -593 1 1 -400--350 2 -450--400 B 4 C -540--520 -580--560 -550--500 A -520--500 -560--540 -500--450 3 C -511 -574 -588 -596 Curvas equipotenciais Po7 Curvas Equipotenciais Po1 2 E1086 Po7 15/30 3 -600--550 A B 4 C Fonte: EXATA, 2005. Critério de Avaliação segundo a norma ASTM C 876-91: ¾ -200 mV (probabilidade de corrosão menor que 10%); ¾ Entre –200 e –350 mV (probabilidade de corrosão incerta); ¾ < -350 mv (probabilidade de corrosão maior que 90%). -600--580 79 Nota-se uma incidência elevada de valores de potencial com probabilidade de corrosão maior que 90%, coerente com os níveis de contaminação por cloretos encontrados. 6.6 Ensaio de Potencial elétrico para avaliação da corrosão -2ª série (agosto/ 2006) Foram realizados novos ensaios com objetivo de comparar os resultados obtidos na avaliação realizada em 2005. Foram selecionadas 4 estacas para serem ensaiadas após recuperação. As estacas E1086 e E1424, foram ensaiadas por Potencial Elétrico anteriormente, receberam tratamento por ânodo de sacrifício5 e encamisamento com concreto e adição de armadura (detalhe no ANEXO C). Concretadas em 19/08 e 04/07/06 respectivamente. As estacas E1233 e E1226 não possuem ensaio de potencial anterior, mas foram encamisadas com concreto, receberam adição de armadura e sem a utilização de ânodo de sacrífio (detalhe no anexo D). Concretadas em 11/08/06. Os ensaios foram realizados sob a supervisão do Eng. Antonio Carmona, engenheiro com vasta experiência em avaliações e reforços estruturais. 5 ÂNODO DE SACRIFÍCIO: “Metal ativo empregado como ânodo em sistemas de proteção catódica”(DURAR/ CYTED, 1997). Este elemento possue uma maior probabilidade de corrosão, por ser mais eletronegativo que a armadura do concreto, portanto temos que o uso deste elemento protege a armadura por ser corroído antes. 80 6.6.1 Procedimentos Inicialmente, foram observados o clima e a maré para verificar a possibilidade de acesso às estacas. Com o auxílio de um barco foi possível chegar às estacas, sob a laje da plataforma, para a realização do ensaio. Equipamentos utilizados: ¾ Milivoltímetro de alta impedância; ¾ Eletrodo de referência (Cobre/ sulfato de cobre); ¾ Esponja umedecida com solução de água e detergente; ¾ Conexões elétricas; As estacas, que estavam restauradas, foram quebradas de forma que ficasse exposta uma parte da armadura, o suficiente para que possa ser colocado um dos pólos do milivoltímetro (figura 7.1). Figura 6.15 – Pólo do milivoltímetro conectado à armadura Foi traçada uma malha de 20 cm de altura por 10 cm de largura para organizar a medida dos potenciais, conforme figura 7.2. 81 Figura 6.16 – Traçado de malha para orientação A área a ser ensaiada foi umedecida de forma homogênea. Os ensaios foram realizados em toda área exposta, limitadas pelas vigas e pelo nível da água. Com um pólo conectado à armadura e outro ao eletrodo de referência, o milivoltímetro indica a diferença de potencial a cada ponto escolhido (figura 7.3). Figura 6.17 – Medida de potencial 82 6.6.2 Resultados Para melhorar a avaliação dos resultados, foram realizadas medidas em duas faces opostas de cada estaca, foi escolhida a que tivesse melhor acesso. A figura 6.20 mostra, em vista, o esquema da realização do ensaio. Figura 6.18 – Esquema, em vista da realização dos ensaios. Na figura 6.21, o croqui da posição dos ensaios em planta. Foram obtidos os valores que constam nas tabelas 6.1, 6.2, 6.3 e 6.4. Figura 6.19 – Posição dos ensaios 83 Tabela 6.17 – Ensaio de Potencial na estaca E1233 FACE DIREITA A B C D E 1 -513 -507 -502 -499 -497 2 -482 -480 -472 -462 -447 3 -424 -432 -423 -404 -387 4 -458 -473 -477 -468 -417 5 -620 -622 -617 -605 -559 FACE ESQUERDA A B C D E 1 -495 -503 -520 -531 -521 2 -434 -453 -460 -497 -500 3 -409 -419 -415 -436 -425 4 -464 -444 -414 -410 -377 5 -572 -576 -530 -520 -488 Curvas Equipotenciais - 1233 Face Esquerda Curvas Equipotenciais - E1233 Face Direita S1 S1 -400--350 -450--350 S2 -550--450 S2 -450--400 -500--450 -650--550 S3 S3 -550--500 -600--550 S4 A B C D E S4 S5 A B C D E S5 Tabela 6.18 – Ensaio de potencial na estaca E1226 FACE MAR A B C D E 1 -459 -444 -439 -438 -440 2 -451 -366 -368 -368 -364 3 -315 -312 -313 -325 -324 4 -352 -363 -376 -382 -373 5 -446 -442 -436 -492 -440 84 FACE TERRA A B C D E 1 -416 -405 -391 -382 -377 2 -380 -365 -362 -349 -336 3 -294 -302 -296 -279 -271 4 -307 -316 -313 -307 -289 5 -383 -394 -399 -390 -371 Curvas Equipotenciais - 1226 Face Terra Curvas Equipotenciais - E1226 Face Mar S1 S1 -400--350 S2 S2 -450--400 -500--450 A B C D E S3 S3 S4 S4 S5 A B C D E -370--350 -390--370 -410--390 -430--410 S5 Tabela 6.19 – Ensaio de Potencial na estaca E1086 FACE MAR A B C D E 1 -645 -620 -587 -527 -486 2 -638 -598 -532 -503 -478 3 -535 -509 -492 -475 -482 4 -509 -511 -507 -504 -505 5 -515 -523 -520 -530 -537 FACE TERRA A B C D E 1 -548 -555 -555 -566 -573 2 -435 -482 -550 -551 -560 3 -366 -397 -440 -510 -580 4 -429 -435 -426 -470 -531 5 -490 -494 -501 -511 -519 85 Curvas Equipotenciais - 1086 Face Terra Curvas Equipotenciais - E1086 Face Mar S1 S1 -450--350 S2 S2 -550--450 -650--550 A B C D E S3 S3 S4 S4 S5 A B C D E -370--350 -390--370 -410--390 -430--410 S5 Tabela 6.20 – Ensaio de potencial na estaca E1424 FACE DIREITA A B C D E 1 -494 -492 -478 -463 -450 2 -511 -538 -522 -457 -431 3 -471 -448 -445 -451 -480 4 -493 -489 -508 -542 -551 5 -592 -599 -612 -643 -674 FACE ESQUERDA A B C D E 1 -404 -417 -430 -445 -456 2 -352 -371 -403 -434 -468 3 -374 -379 -418 -408 -428 4 -483 -492 -515 -536 -527 5 -581 -601 -595 -598 -610 86 Curvas Equipotenciais - 1424 Face Esquerda Curvas Equipotenciais - E1424 Face Direita S1 S2 S3 S1 -450--350 -550--450 S2 -650--550 -550--450 -750--650 S3 S4 1 2 3 4 5 -450--350 -650--550 S4 S5 A B C D E S5 Segundo o critério de Avaliação da norma ASTM C 876-91: ¾ -200 mV (probabilidade de corrosão menor que 10%); ¾ entre –200 e –350 mV (probabilidade de corrosão incerta); ¾ < -350 mv (probabilidade de corrosão maior que 90%). Dessa forma, temos que todos os pontos medidos se encontram com grande possibilidade de apresentar processos de corrosão, como quando foram ensaiados antes de serem reparados. 87 7 COMPARAÇÃO CRÍTICA Nesse item são mostradas algumas discussões a respeito do elevado resultado de Potencial nos ensaios realizados. Segundo CASCUDO (1992), que realizou ensaios de corpos de provas de concreto armado em laboratório, expostos às soluções agressivas, medindo seus potenciais periodicamente até a constatação do processo corrosivo, o concreto apresenta um período inicial instável e com potenciais altos nos primeiros 45 dias após a concretagem, conforme figura 7.4. Esse período seria a formação da camada de passivação da armadura, quando esta não estaria ainda estabilizada. Figura 7.1 – Gráfico de potenciais versus tempo (CASCUDO, 1992). Conforme STRATFULL, 1973 apud CASCUDO, 1992, potenciais altos nas primeiras idades do concreto seriam devido a uma camada de água que é formada em torno da armadura na área com contato com o ambiente. E que se secando esta camada, os potenciais seriam menos negativos. Segundo SOUZA & BAUER, 1990 apud CASCUDO, 1992, mostram que um possível motivo para os altos potenciais iniciais é a liberação de cal que ocorre na superfície do concreto. 88 Nota-se que existe uma grande variedade de explicações quanto ao que acontece com a armadura, quanto aos potenciais, logo após a concretagem. Mas também que muitos estão estudando este fenômeno, para que possam ser estabelecidos parâmetros para um melhor entendimento desse processo. Quanto às estacas estudadas, estas foram recuperadas, mas não toda estrutura, ficando ainda lajes, vigas e estacas sem o reparo necessário, o que pode estar gerando uma nova tendência de formação de pilhas devido a diferença de potencial entre as estruturas restauradas e as não restauradas. Outra causa pode ser a da não estabilização elétrica das estacas, visto que as armaduras antigas sofreram reparos (retirada de produtos de corrosão com jateamento, ancoragem com pintura epóxi) e foram ligadas com conexões elétricas, no caso das que receberam ânodos, às novas armaduras. Assim, todo o sistema mudou. Foi incorporado outro concreto ao concreto existente, criando assim um novo eletrólito com novos eletrodos. A presença de água pode aumentar a condutividade elétrica, conforme vistos nos gráficos apresentados nos ensaios realizados, onde próximo à água os potenciais eram mais negativos. Ainda temos o Diagrama de Pourbaix (Figura 5.3, capítulo 5.2.1), que mostra uma área de imunidade de corrosão a partir de -600 mV. Não foi possível relacionar com os ensaios realizados devido à diferença de unidades e referência, mais fica demonstrado que a partir de um determinado valor de potencial negativo a probabilidade de corrosão pode ser desprezível. Fica então a complementação desse estudo aberta, para se avaliar com uma variação maior de tempo, estruturas restauradas, que utilizaram ou não reparos eletroquímicos. 89 CONCLUSÕES Os Ensaios Eletroquímicos são uma ferramenta importante de avaliação e monitoração da corrosão em estrutura de concreto armado, pois são realizados “in loco” e não são destrutivos. E seus resultados permitem um diagnóstico de corrosão mesmo antes de sintomas visuais. Os ensaios eletroquímicos não devem ser utilizados isoladamente na avaliação de danos de uma estrutura, ou seja, devem ser feitos outros ensaios para avaliação das características do concreto, ambiente, materiais utilizados, além de se observar o uso da estrutura. Os Ensaios Eletroquímicos devem ser realizados com cuidado em estruturas que possuem corrente de fuga, como estações de trem e metrô, por exemplo, pois seus resultados podem ser falseados. Os Ensaios de Potenciais, quando realizados nas primeiras idades do concreto, podem apresentar resultados equivocados. Locais com grande umidade e em variação de maré tem uma tendência a valores potenciais maiores, devido ao aumento de capacidade da condutividade pela água. Sendo assim, os valores obtidos devem ser analisados com cuidado. Ainda não existe uma norma brasileira que especifique os Ensaios Eletroquímicos, sendo necessários buscar normas estrangeiras para se obter parâmetros para realização destes ensaios. 90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN CONCRETE INSTITUTE – ACI Comitee 318: Building code requeriments for reinforced concrete. Detroit, 1986. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING MATERIALS - ASTM C-876: Standard Method of half-cell potencial of un-coated reinforced steel in concrete, 1991. ANDRADE Y PERDRIX, Maria Del Carmo, trad. Antonio Carmona, Paulo Roberto Lago. Manual para diagnóstico de obras deterioradas por corrosão de armaduras. Ed.5, São Paulo, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estrutura de concreto. Rio de Janeiro, 2003a. _____NBR 9778: Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de água por imersão – Índice de vazios e massa específica, 1987b. _____NBR 9779: Argamassa e concreto endurecidos – Determinação de água por capilaridade, 1995c. BASTOS, Evandro José de Oliveira. Propedêutica para o estudo da corrosão de armaduras em estruturas de concreto, Tese de Doutorado, Poli-SP, 2005. CASCUDO, Oswaldo. O controle da corrosão de armaduras em concreto: inspeção e técnicas eletroquímicas. 2.ed. Goiana, 1997. CASCUDO, Oswaldo; HELENE, Paulo Roberto do Lago. Avaliação experimental da corrosão de armaduras em concreto utilizando a técnica de medida dos potenciais de eletrodo. Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP - São Paulo, 1992. 91 DURAR/CYTED – Programa Iberoamericano de Ciência y Tecnologia para el Desarrollo. Manual de inspeccion, evalucion y diagnostico de corrosion en estructuras de hormigon armado, 1997. EXATA Engenharia e Assessoria s/s ltda. Relatório Técnico - R81-05 - P.2875. São Paulo, 2005. NOBREGA, Ana Cecília Vieira, da SILVA, Djalma Ribeiro. Estudo de inibidores de corrosão recomendados para concreto, 22o CONBRASCORR – Congresso Brasileiro de Corrosão. Bahia, 2002. HELENE, Paulo Roberto do Lago. Contribuição ao estudo da corrosão em armaduras de concreto armado, Tese de Docente, Poli-SP, 1993. HELENE, Paulo Roberto do Lago; FIGUEREDO Enio Pazini. Red Rehabilitar Cyted XV. F. Manual de recuperação de estruturas de concreto, 2001. U.S. DEPARTMENT or Transportation – Federal Highway Administration. Materials and methods for corrosion control of reinforced and prestressed concrete structures in new constrution, Publication 00-081, 2000. 92 ANEXO A – ANÁLISE VISUAL DAS ESTACAS 93 94 95 96 97 ANEXO B – PLANTA DE FUNDAÇÕES 98 99 ANEXO C – DETALHE DE REPARO COM USO DE ÂNODO DE SACRIFÍCIO 100 101 ANEXO D – DETALHE DE REPARO SEM O USO DO ÂNODO 102 103